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REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 
INTRODUÇÃO
A expressão "Regime Jurídico da Administração" é gênero que comporta duas espécies: o Regime de Direito Privado e o Regime Jurídico Administrativo (regras e princípios de Direito Público). 
O Regime de Direito Privado compreende as normas de Direito Privado aplicáveis à Administração. Ocorre nas situações em que o Poder Público atua em condições de relativa paridade com os particulares. 
Já o Regime Jurídico Administrativo compreende as normas de Direito Público aplicáveis à Administração. Gera um conjunto de prerrogativas e de restrições não identificadas comumente nas relações entre particulares, que podem potencializar ou mesmo restringir as atividades da Administração Pública.
 
REGIME JURÍDICO DE DIREITO PRIVADO APLICÁVEL À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Caso o Estado esteja atuando na exploração de atividade econômica, submeter-se-á obrigatoriamente às regras de direito privado. 
As empresas estatais estão sujeitas ao regime de Direito Privado. Entretanto, o regime jurídico a que se sujeitam as empresas públicas e as sociedades de economia mista é de natureza híbrida. 
Assim, o regime jurídico público será: 
· sempre adotado pelos os órgãos que compõem a administração direta;
· sempre adotado pelas as autarquias, incluindo as comuns, as especiais e as agências reguladoras; 
· em regra, adotado pelas fundações públicas de regime público; 
· em regra, adotado pelas associações públicas decorrentes dos consórcios públicos, regidos pela Lei nº 11.107/05. 
O regime jurídico privado será: 
· sempre adotado pelas as empresas públicas e sociedades de economia mista; 
· excepcionalmente adotado por fundações públicas. 
Salienta-se que as empresas estatais não precisam licitar para firmar os contratos relativos à sua atividade-fim (Acórdão TCU 1344/2015 - Plenário). 
CONTEÚDO DO REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 
Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o regime jurídico administrativo é formado por duas “pedras de toque”, em função dos quais se originariam todos os demais princípios que conformam a atividade administrativa. Tais “pedras de toque” seriam: supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse público. 
INTERESSE PÚBLICO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO
 Por interesse público primário entende-se a necessidade de satisfação de necessidades coletivas (justiça, segurança e bem-estar) por meio do desempenho de atividades administrativas prestadas à coletividade. O interesse público primário não coincide, necessariamente, com o do Estado. 
Por interesse público secundário entende-se o interesse do próprio Estado, enquanto sujeito de direitos e obrigações, ligando-se à noção de interesse do erário, implementado por meio de atividades administrativas instrumentais necessárias para o atendimento do interesse público primário. 
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO
Também conhecido como “princípio da finalidade pública”, o princípio da supremacia do interesse público é o mais importante princípio do Direito Administrativo, sendo o seu alicerce juntamente com o princípio da indisponibilidade do interesse público, dos quais decorrem os outros princípios. 
A supremacia do interesse público traz como efeito uma relação de verticalidade, ou seja, uma relativa preponderância dos interesses defendidos pela Administração, tidos como públicos ou gerais, daqueles interesses defendidos por particulares. Esta supremacia fundamenta a posição superior da Administração na prática de alguns atos e negócios jurídicos. 
O princípio da supremacia do interesse público vem sendo contestado pela doutrina administrativista e constitucionalista mais moderna. Para Daniel Sarmento, parece inadequado falar em supremacia do interesse público sobre o particular, sendo preferível, sob todos os aspectos, cogitar em um princípio da tutela do interesse público. 
Rafael Oliveira apresenta as seguintes críticas ao princípio ora estudado:
· o texto constitucional, em diversas passagens, partindo da dignidade da pessoa humana, protege a esfera individual, não sendo lícito afirmar, a partir da interpretação sistemática das normas constitucionais, a existência de uma prevalência em favor do interesse público; 
· indeterminabilidade abstrata e objetiva do “interesse público”, o que contraria premissas decorrentes da ideia de segurança jurídica; 
· o interesse público é indissociável do interesse privado;
· incompatibilidade da supremacia do interesse público com postulados normativos consagrados no texto constitucional, notadamente os postulados da proporcionalidade e da concordância prática. 
Mesmo para aqueles que reconhecem a existência e validade atual do princípio da supremacia, apenas o interesse público primário goza desta supremacia; o interesse secundário jamais poderá se sobrepor. 
INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO 
 A indisponibilidade do interesse público é o princípio que esclarece não ser a Administração “dona da coisa pública”, mas mera gestora de interesses alheios. Daí porque o Poder Público, por intermédio de seus agentes, não pode agir como bem entender, devendo seguir os ditames do ordenamento jurídico. 
A indisponibilidade do interesse público traz como efeito a impossibilidade de livre transigência, por parte do Administrador, dos interesses públicos tutelados. 
Não obstante, aludido princípio tem sofrido certa relativização imposta pelo legislador. Dois exemplos principais podem ser citados: 
· nos Juizados Especiais Federais os representantes da Fazenda Pública são autorizados a conciliar e transigir sobre os interesses discutidos na demanda; 
· passou a ser permitida a utilização de mecanismos privados para resolução de disputas, inclusive a arbitragem, nos contratos de concessão de serviço público e nas parcerias público-privadas. 
Tanto a doutrina como a jurisprudência já sinalizaram no sentido de que não existe óbice legal na estipulação da arbitragem pelo poder público. Além disso, o fato de não haver previsão da arbitragem no edital de licitação ou no contrato celebrado entre as partes não invalida o compromisso arbitral firmado posteriormente (REsp 904813 / PR, DJe 28/02/2012). 
Desde a Lei nº 13.129/2015, que alterou a Lei 9.307/1996, foi estabelecido de forma expressa que a Administração Pública poderá estabelecer convenção de arbitragem, por meio da autoridade competente para a realização de acordos e transações, para dirimir conflitos relativos a direitos disponíveis. 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS 
O art. 37, da CF/88 estabeleceu expressamente que a Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
LEGALIDADE 
Nos termos do art. 5º, II, da CF/88, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Trata-se da “legalidade constitucional” e tem aplicabilidade para o Direito Público e para o Privado. 
Enquanto no Direito Privado o princípio da legalidade anuncia que ao particular é permitido fazer tudo o que a lei não proíbe, a legalidade prevista no caput do art. 37 (conhecida como “legalidade administrativa”) tem um âmbito de atuação mais restrito, referindo-se especificamente à Administração Pública e, por isso, atuando apenas no Direito Público. Com efeito, nas relações públicas, o princípio da legalidade envolve a ideia de que a Administração Pública só pode atuar quando autorizada ou permitida pela lei. 
A legalidade administrativa comporta dois importantes desdobramentos:
· Supremacia da lei (“negative Bindung” - vinculação negativa); 
· Reserva de lei (“positive Bindung” - vinculação positiva).
Existem exceções ao princípio da legalidade como, por exemplo, a Medida Provisória, a restrição de alguns direitos no Estado de Defesa e a adoção de medidas restritivas no Estado de Sítio.
Legalidade estrita, legitimidade e juridicidade
A noção de legalidade estrita está relacionada à ideia de restringir a atuação administrativa à mera execução das regras dispostaspelos representantes do povo.
A ideia de legitimidade permite o controle do ato administrativo, mesmo quando a conduta é aparentemente compatível com a lei (sindicabilidade). 
Por sua vez, a juridicidade vincula a Administração Pública ao ordenamento jurídico como um todo, formado não apenas pelas leis, mas também pela Constituição e pelos princípios jurídicos. A legalidade encontra-se inserida no denominado princípio da juridicidade que exige a submissão da atuação administrativa à lei e ao Direito (bloco de legalidade).
Deslegalização 
 A deslegalização consiste, basicamente, em uma amenização do princípio da legalidade. Por esse fenômeno, o Poder Legislativo tem a possibilidade de tirar determinadas matérias de sua competência, para que possam ser tratadas por regulamentos. É um instituto que visa a dar uma releitura ao princípio da legalidade, trazendo maior flexibilidade à atuação legiferante. 
A Constituição da República de 1988 relaciona alguns casos de deslegalização.
O STF fixou a orientação de que o poder normativo da ANATEL (agência reguladora que trata das telecomunicações) é de natureza estritamente regulamentar, devendo, por isso, observância aos parâmetros legais. Na oportunidade, afastou-se a tese de deslegalização (ADI 1668/DF).
IMPESSOALIDADE 
O princípio constitucional da impessoalidade visa eliminar favoritismos e restrições indevidas, exigindo tratamento equânime e marcado pela neutralidade. 
De acordo com a doutrina, existem aspectos diferentes e complementares para o princípio da impessoalidade:
· Dever de isonomia, de forma que a Administração Pública deve prestar tratamento impessoal e isonômico aos particulares, com o objetivo de atender a finalidade pública, sendo vedada a discriminação odiosa ou desproporcional; 
· Conformidade ao interesse público, ou seja, a impessoalidade veda que o agente público utilize seu cargo para a satisfação de interesses pessoais. 
· Imputação dos atos praticados pelo agente público diretamente ao órgão ao qual está vinculado.
MORALIDADE 
O princípio da moralidade exige que a atuação administrativa, além de respeitar a lei, seja ética, leal e séria. 
A moralidade é requisito de validade do ato administrativo. Assim, a conduta imoral, à semelhança da conduta ilegal, também pode trazer como consequência a invalidade do respectivo ato administrativo.
O controle judicial da moralidade administrativa está consagrado no art. 5.º, LXXIII, da CF/1988, que trata da ação popular. 
A ideia de moralidade pode se dividir em duas acepções: 
· Moralidade comum: é a conduta adequada às regras da moral. Diz respeito à conduta externa do agente; 
· Moralidade administrativa: é mais rigorosa e está relacionada com as condutas de boa administração. Diz respeito à conduta interna do agente. 
A Administração Pública pode, em observância ao princípio da moralidade administrativa e da indisponibilidade dos interesses públicos tutelados, desconsiderar a personalidade jurídica de sociedade constituída com abuso de forma e fraude à lei, desde que facultados ao administrado o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo regular (REsp 724.559 / RS, DJe 07/03/2006).
A improbidade administrativa é entendida como imoralidade administrativa qualificada.
Vedação ao nepotismo 
 Nepotismo, é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas. 
O nepotismo é vedado de forma implícita pela CF/88, pois contraria os princípios da impessoalidade e moralidade. 
A vedação ao nepotismo não exige edição de lei formal, pois a proibição é extraída diretamente dos princípios constitucionais que norteiam a atuação administrativa.
Súmula Vinculante nº 13 - A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. 
Também é vedado o nepotismo cruzado, ou seja, quando há ajuste mediante designações recíprocas entre autoridades públicas. 
Atualmente, o nepotismo configura ato de improbidade administrativa. Entretanto, existe divergência se o ato de nepotismo praticado antes da súmula vinculante nº 13 do STF é ou não ato de improbidade.
As leis estaduais não podem criar exceção ao nepotismo (STF. Plenário. ADI 3745/GO, 15/5/2013).
Quanto à iniciativa, acrescenta-se que as “leis que tratam dos casos de vedação a nepotismo não são de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo” (RE 570392, PUBLIC 19-02-2015). 
A jurisprudência das cortes superiores criou três exceções à aplicação da vedação ao nepotismo:
· Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de provimento efetivo; 
· Não se configura nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência hierárquica sobre a nomeação; 
· Não se configura nepotismo a nomeação para cargos de natureza política. Entretanto, poderá ficar caracterizado o nepotismo caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. 
PUBLICIDADE 
O princípio da publicidade consiste na exigência de que a Administração Pública torne públicos seus atos, na forma prevista na norma, aparecendo como requisito ou condição para eficácia e moralidade do ato. 
O primeiro objetivo da publicidade é assegurar transparência ou visibilidade da atuação administrativa, possibilitando o exercício do controle da Administração Pública. 
Não se deve confundir "publicidade" com "publicação". Publicação é uma das formas para se garantir a publicidade. A visão atual da publicidade, no entanto, é mais ampla, de modo que não basta a publicação dos atos administrativos. A publicidade deve ser feita de forma clara, permitindo que os cidadãos possam exercer fiscalização social sobre os atos e negócios praticados pelos gestores públicos. 
O Ministério das Relações Exteriores não pode sonegar o nome de quem recebe passaporte diplomático (MS 16.179/DF, DJe 25/04/2014). 
A publicação dos vencimentos dos servidores públicos é legítima (constitucional) (ARE 652777, PUBLIC 01-07-2015). 
Exceções
O princípio da publicidade deve ser harmonizado com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. 
Assim, o direito de acesso aos documentos públicos de interesse particular ou de interesse coletivo ou geral pode ser ressalvado nas hipóteses em que o sigilo seja ou permaneça imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Da mesma forma, a lei pode restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou interesse social o exigirem. 
EFICIÊNCIA 
O princípio da eficiência foi inserido no texto constitucional pela Emenda Constitucional nº 19/98 e, portanto, é o único dos princípios expressos que não faz parte da redação original da CF/88. O objetivo da inserção da eficiência nesse rol de princípios foi substituir os aspectos negativos da Administração Pública burocrática pela Administração Pública gerencial. 
O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. 
Eficiência, eficácia e efetividade 
 Nas lições de José dos Santos Carvalho Filho, a eficiência não se confunde com a eficácia nem com a efetividade. De acordo com o referido autor: 
· A eficiência transmite sentido relacionado ao modo pelo qual se processa o desempenho da atividade administrativa; a ideia diz respeito, portanto, à conduta dos agentes; 
· A eficácia tem relação com os meios e instrumentos empregados pelos agentes no exercício de seus misteres na administração; o sentido aqui é tipicamente instrumental; 
· A efetividade é voltada para os resultados obtidos comas ações administrativas; sobreleva nesse aspecto a positividade dos objetivos. 
Princípio da eficiência nos diversos dispositivos constitucionais 
 A CF/88 faz referência a observância do princípio nos art. 37, § 8º (contrato de gestão, art. 37, § 3º, I (serviços públicos), art. 74, II (sistema de controle interno da Administração Pública), art. 144, § 7º (segurança pública). 
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS E/OU INFRACONSTITUCIONAIS 
Ainda que não encontrados expressamente na CF/88, há princípios que podem ser desta extraídos. São exemplos: princípio da razoabilidade (inciso LXXVIII do art. 5º), princípio da licitação (inciso XXI do art. 37), princípio da probidade (§ 4º do art. 37), princípio do concurso público (inc. II do art. 37) e outros. 
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE 
Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade são considerados implícitos, pois não estão positivados no texto da CF/88. Entretanto, destaca-se que vários dispositivos jurídicos os consagram em seus respectivos textos. Por exemplo, estão expressamente previstos na Lei do Processo Administrativo Federal. 
De acordo com Rafael Oliveira, apesar da polêmica quanto à existência ou não de diferenças entre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, tem prevalecido a tese da fungibilidade entre os citados princípios que se relacionam com os ideais igualdade, justiça material e racionalidade, consubstanciando importantes instrumentos de contenção dos possíveis excessos cometidos pelo Poder Público.
Independentemente da divergência, o fato é que tais princípios possuem funções axiológicas e teleológicas essenciais, permitindo o controle dos atos administrativos. 
Nesse sentido, embora o Judiciário não possa substituir-se à Administração na punição do servidor, pode determinar, em homenagem ao princípio da proporcionalidade, a aplicação de pena menos severa, compatível com a falta cometida e a previsão legal (STF. RMS 21791/DF, DJE 11.02.2005). 
Princípio da razoabilidade
Pelo princípio da razoabilidade, de acordo com a exposição clássica de Celso de Mello, a Administração, ao atuar com discricionariedade, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional.
O princípio da razoabilidade aparece como relevante instrumento de controle da atividade legislativa, bem como de aplicação no exercício da discricionariedade administrativa. 
Princípio da proporcionalidade
 A proporcionalidade pode ser traduzida como a adequabilidade entre os meios utilizados e os fins pretendidos (princípio da vedação de excesso).
Quando se fala em vedação de imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, está-se referindo ao princípio da proporcionalidade. 
A doutrina majoritária costuma afirmar que, no caso em concreto, para que o ato da administração esteja em conformidade com o princípio da proporcionalidade, devem estar presentes os seguintes elementos ou subprincípios: adequação, necessidade e a proporcionalidade: 
· Adequação ou idoneidade: o ato estatal será adequado quando contribuir para a realização do resultado pretendido; 
· Necessidade ou exigibilidade: em razão da proibição do excesso, caso existam duas ou mais medidas adequadas para alcançar os fins perseguidos (interesse público), o Poder Público deve adotar a medida menos gravosa aos direitos fundamentais; 
· Proporcionalidade em sentido estrito: encerra uma típica ponderação, no caso concreto, entre o ônus imposto pela atuação estatal e o benefício por ela produzido (relação de custo e benefício da medida). 
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA 
A autotutela é o controle que a administração exerce sobre os seus próprios atos, o que lhe confere a prerrogativa de anulá-los ou revogá-los, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário. 
Nesse sentido:
Súmula nº 473 do STF - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
Prazo decadencial para o exercício da autotutela 
 Conforme o art. 54 da Lei nº 9.784/99 (Processo Administrativo Federal), “o direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé”.
 O STJ tem admitido a aplicação, por analogia integrativa da Lei nº 9.784/99, que disciplina a decadência quinquenal para revisão de atos administrativos no âmbito da administração pública federal, aos Estados e Municípios, quando ausente norma específica, não obstante a autonomia legislativa destes para regular a matéria em seus territórios (MS 18.338/DF, DJe 21/06/2017). 
Nesse sentido:
Súmula nº 633 do STJ - A Lei n. 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria.
O prazo decadencial de 5 anos não se aplica na hipótese de má-fé do interessado ou quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. 
Mesmo os atos administrativos praticados anteriormente ao advento da Lei nº 9.784/99, estão sujeitos ao prazo decadencial quinquenal contado da sua entrada em vigor. A partir de sua vigência, o prazo decadencial para a Administração rever seus atos é de cinco anos. 
Contraditório e ampla defesa na autotutela 
 Se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de interesses individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo que assegure o devido processo legal e a ampla defesa. 
A prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo (STF. 2ª Turma, julgado em 10/12/2013).
Princípio da sindicabilidade 
 O princípio da sindicabilidade é mais amplo que o princípio da autotutela, podendo ser entendido como a possibilidade jurídica de submeter qualquer lesão de direito e, por extensão, as ameaças de lesão de direito a algum tipo de controle, ainda que não seja o da própria Administração Pública (Poder Judiciário, por exemplo). 
Na heterotutela o controle não é feito pelo órgão ou pela Administração Pública, mas por pessoa, órgão ou ente de esfera diversa. Ex.: anulação de ato administrativo pelo Poder Judiciário.
PRINCÍPIO DA TUTELA OU CONTROLE 
O princípio da tutela, também conhecido como princípio do controle, permite que a administração pública direta fiscalize e controle as atividades exercidas pelas entidades da administração pública indireta a fim de que cumpram as finalidades legais reproduzidas em seus atos constitutivos.
PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE OU DESCENTRALIZAÇÃO 
O princípio da especialidade, ligado ao princípio da tutela, faz parte da noção de descentralização administrativa, na busca de maior eficiência para a busca das finalidades do Estado. 
Ao criar pessoas jurídicas administrativas, como forma de descentralizar a prestação de serviços públicos, o Estado visa à especialização de funções. 
PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS 
Referido princípio está ligado à prestação de serviços públicos. Como consequência da necessidade de continuidade do serviço público, exige-se a regularidade na sua prestação. 
O prestador do serviço público deve prestá-lo adequadamente, em conformidade com as normas vigentes e, no caso dos concessionários, com respeito às condições do contrato de concessão. Nos termos da Lei nº 8.987/95, serviço adequado é o que satisfaz, dentre outras, as condições de regularidade e continuidade.
Apesar da vinculação com a prestação de serviços públicos, o princípio da continuidade deve ser aplicado às atividades administrativas em geral e às atividades privadas de relevância social. 
Três questões que envolvema aplicação do princípio da continuidade dos serviços públicos: 
· viabilidade, em regra, da interrupção dos serviços públicos em caso de inadimplemento do usuário; 
· reconhecimento do direito de greve dos servidores estatutários; 
· inviabilidade da exceptio non adimpleti contractus nos contratos de concessão de serviços públicos, salvo em situações excepcionais, autorizadas judicialmente. 
Exceções ao princípio da continuidade
O serviço público deverá ser prestado de forma contínua, ou seja, sem interrupções (princípio da continuidade do serviço público). Entretanto, excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas hipóteses previstas no art. 6º, § 3º da Lei n.º 8.987/95, ou seja:
· Em caso de emergência (mesmo sem aviso prévio);
· Por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que o usuário seja previamente avisado; e
· Por causa de inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado. 
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE, DE VERACIDADE E DE LEGALIDADE 
A presunção de legitimidade engloba dois aspectos: de um lado, a presunção de verdade (veracidade), que diz respeito à certeza dos fatos; de outro lado, a presunção da legalidade, pois, se a Administração Pública se submete à lei, presume-se, até prova em contrário, que todos os seus atos sejam verdadeiros e praticados com observância das normas legais pertinentes. Trata-se de presunção relativa (juris tantum), ou seja, admite-se prova em sentido contrário. 
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA 
O princípio da segurança jurídica compreende dois sentidos: 
a) Objetivo: estabilização do ordenamento jurídico (certeza do direito), tendo em vista a necessidade de se respeitarem o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5.º, XXXVI, da CRFB).
b) Subjetivo: proteção da confiança das pessoas em relação às expectativas geradas por promessas e atos estatais. Remete à ideia de que os atos praticados pelo Poder Público são legítimos e devem ser preservados em nome da boa-fé.
Percebe-se o princípio da segurança jurídica, tanto no caráter objetivo, quanto no subjetivo, no inc. XIII do parágrafo único do art. 2º da Lei 9.784/99, quando impõe a interpretação da norma administrativa de forma a garantir o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. 
PRINCÍPIO DA CONFIANÇA E BOA-FÉ 
A confiança está atrelada à segurança jurídica, remetendo-nos à ideia de que os atos praticados pelo Poder Público são legítimos (presumem-se legais e verdadeiros), de tal sorte que os atos devem ser preservados em nome da boa-fé. 
O princípio da proteção da confiança relaciona-se com o aspecto subjetivo do princípio da segurança jurídica. 
Enquanto a segurança jurídica possui caráter amplo, sendo aplicável às relações públicas e privadas, a confiança legítima tutela, tão somente, a esfera jurídica do particular, protegendo-o da atuação arbitrária do Estado. 
Venire contra factum proprium e confiança legítima 
 A proteção da confiança do administrado por meio da exigência de atuação leal e coerente do Estado ocorre, ainda, a partir da teoria dos atos próprios (venire contra factum proprium – vedação ao comportamento contraditório). 
A teoria dos atos próprios, no campo do Direito Administrativo, tem por objetivo principal evitar atuações contraditórias e desleais nas relações jurídico-administrativas, com violação aos princípios da proteção da confiança legítima e da boa-fé. 
PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO 
O princípio da motivação obriga a Administração a explicitar o fundamento normativo de sua decisão, permitindo ao administrado avaliar a decisão administrativa, para conformar-se ou insurgir-se perante o Poder Judiciário. Em regra, não exige formas especificas. 
A LINDB agora apresenta uma nova função para a motivação: demonstrar a necessidade e adequação do ato. 
Tipos de motivação
a) motivação contextual: é aquela que é acompanhada de uma produção textual.
b) motivação aliunde, "per relationem" ou referenciada: ocorre quando a motivação do ato administrativo não precisa estar expressa no instrumento, sendo suficiente o indicativo da fonte de suas razões.
Motivo x motivação
Motivo não se confunde com motivação. Motivo é elemento de formação do ato em si, e sempre existirá, sob pena de nulidade do ato administrativo. A motivação, por sua vez, faz parte da formalidade do ato e nem sempre estará presente, uma vez que há casos em que é dispensada. 
PRINCÍPIO DA REALIDADE 
A sujeição da Administração aos fatos reais evita a insegurança social, pois é assegurado aos cidadãos que a incidência da norma administrativa não ignorará a realidade em que se insere. 
Este princípio ganhou ainda mais relevância com as recentes alterações sofridas pela LINDB (arts. 21 e 22).
PRINCÍPIO DA CONSENSUALIDADE E DA PARTICIPAÇÃO 
Consiste na necessidade de conferir maior legitimidade à atuação do Poder Público, no contexto de um verdadeiro Estado Democrático de Direito, que leva ao surgimento de novos mecanismos de participação popular na elaboração de normas e na tomada de decisões administrativas. 
De acordo com Di Pietro, “o princípio da consensualidade é uma das tendências atuais do Direito Administrativo, no sentido de que se tenta reduzir a unilateralidade das decisões e ampliar o consenso nas relações entre a Administração e o cidadão”.
Um exemplo de administração consensual ou negociada são os modelos de colaboração entre o Estado e as pessoas não estatais sem fins lucrativos.
Regime Jurídico da Administração
Regime de Direito Privado
Regime Jurídico Administrativo

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