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Brasília 2018 LUCIANA DE ARAUJO OLGUINS SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO NOME DO CURSO DITADURA MILITAR E O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIROS: Papel das Eleições no Processo de Construção da Democracia Brasília 2018 DITADURA MILITAR E O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIROS: Papel das Eleições no Processo de Construção da Democracia Trabalho apresentado à Universidade Pitágoras Unopar, como requisito parcial para avaliação da disciplina de Projeto de Ensino em História, do Cursos de História. Orientador: Prof. Larissa Salgado Chicareli Jose LUCIANA DE ARAUJO OLGUINS RESUMO Este trabalho apresenta um projeto de intervenção pedagógica para ser desenvolvido na disciplina de história, em uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental, tendo como tema e conteúdo, a ditadura militar e o processo de redemocratização brasileiro, discutindo-se o papel das eleições na construção da democracia. Objetiva promover o entendimento do contexto ideológico, político, histórico e cultural que motivou o golpe militar e a luta pelo processo de redemocratização do país; discutir conceitos essenciais de democracia e cidadania; levar os estudantes a entenderem a relação entre processo eleitoral e a construção da democracia e da cidadania. Construiu-se referencial teórico, por meio de pesquisa bibliográfica, fornecendo dados para construção das 3 etapas do projeto pedagógico: sensibilização, planejamento das atividades e realização das atividades que envolveu a discussão, reflexão e análise de filmes, textos e imagens sobre a ditadura para construção de júri simulado e realização de processo eleitoral, com reprodução de situações de eleição para presidência da República e governadores de Estado, discutindo sobre o papel das eleições na construção da democracia e no exercício da cidadania. O projeto é flexível, na medida em que é produto da construção coletiva, com a participação dos estudantes. A avaliação é feita mediante apreciação dessa participação, da auto-avaliação dos estudantes e professores. O projeto será desenvolvido em 12 aulas, envolvendo professores e alunos e utilizando materiais como computadores, câmeras fotográficas, celulares, material para construção de painel integrado e produção de textos. Os resultados serão expostos para os estudantes da escola e em redes sociais. Espera-se promover mudanças conceituais e comportamentais. Palavras-chave: Ditadura militar. Redemocratização. Democracia. Cidadania. Eleições SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 3 2 JUSTIFICATIVA 5 3 REFERENCIAL TEÓRICO 8 3.1 DITADURA MILITAR 9 3.2 PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO 12 4 SERIE/ANO PARA O QUAL O PROJETO SE DESTINA 14 5 OBJETIVOS 14 6 PROBLEMATIZAÇÃO 14 7 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO 16 8 TEMPO PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO 21 9 RECURSOS HUMANOS 23 10 AVALIAÇÃO 23 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 25 ANEXOS 27 Anexo A – Texto Complementar 28 3 1 INTRODUÇÃO Este projeto analisa e propõe a reflexão sobre o contexto sócio- histórico, político, cultural e econômico que influenciou a ditadura militar e sua superação, pelo movimento de redemocratização em busca de um regime democrático, enfrentando as contradições e as imposições do sistema capitalista. Neste sentido, escolheu o conteúdo de História do 9º ano do Ensino Fundamental, inserido no eixo transversal que trata da Educação para a Diversidade/Cidadania e Educação em e para os Direitos Humanos e para a Sustentabilidade: A ditadura civil- militar e os processos de resistência e, o processo de redemocratização. Constituindo-se como objetivos que devem ser alcançados pela exploração desses conteúdos: Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil; e discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final do período ditatorial até a Constituição de 1988, analisando as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando questões prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. Para desenvolvê-los, escolheram-se duas fontes, considerando que sejam dispositivos que possibilitam “o exercício da curiosidade, da investigação, do questionamento e da descoberta de novos conhecimentos, por parte de ambos, em um processo interativo de construção significativa do saber e da reflexão sobre ele” (BRASÍLIA, 2002, p. 10): vídeos extraídos do youtube, disponível na internet; textos, imagens e fotografias extraídas da internet; que foram introduzidos para realizar trabalho em grupo, reprodução e reestruturação textual, caça ao tesouro, discussão e apresentação de resumos e sínteses dos vídeos assistidos; interpretação de letra de música e simulação de processo eleitoral conectado com o momento político atual de eleições presidenciais e para governos de estados e DF. A exploração desses assuntos serve para levar os estudantes a entender as transformações operadas no mundo e nos Brasil, após o processo de industrialização e de substituição do feudalismo pelo Capitalismo que modificou as relações de trabalho, as práticas sociais e as estruturas institucionais, a partir da introdução de princípios liberalistas que despertaram a luta de classes, legitimando as desigualdades sociais para alimentar o Mercado, levando os países a se adaptarem às regras e ideologias liberais, com isso tiveram que abrir suas fronteiras para a exploração capitalista. Nesse processo foram se erguendo movimentos 4 sociais em torno da luta por direitos humanos e pela preservação de conceitos elementares como o de democracia e cidadania, constituindo grande desafio para o crescimento econômico e o respeito aos povos. Em reflexo dessa realidade, nos períodos de 1945 a 1988, o Brasil enfrentou momentos de contradição, por um lado, buscava-se a construção de uma sociedade democrática, por outro, ela era combatida, por frentes políticas de direita que pretendiam manter as oligarquias e autoritarismo dos regimes feudais. Esse terreno de contradições fortaleceu o golpe militar da década de 1960 e a instalação da ditadura militar por quase 25 anos, (ARRUDA; PILETTI, 1997), causando problemas para o país, na medida quem expôs a face da desumanização e da brutalidade capitalista, deixando graves feridas sociais e políticas, dentre elas, grande número de mortos e desaparecidos, índices alarmantes de tortura e agressão aos direitos humanos que se consolidavam em todo mundo, como instrumento de defesa dos sujeitos em relação às barbáries do fascismo (OLIVEIRA, 2011). O golpe militar foi uma tentativa de impedir o avanço das ideias socialistas no Estado, pois esteve conectado à organização do Estado para atender expandir e adequar-se ao Capitalismo (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2006), pretendeu expandir o comércio exterior para multinacionais. Sob a égide do avanço econômico abriu o país à exploração capitalista, permitindo o livre acesso de empresas multinacionais; aumentou os índices das dívidas externa e interna; gerou um “milagre financeiro” que deflagrou grave crise econômica que enfraqueceu o governo ditatorial. A crise e a forte repressão exercida nesse período, engrossaram os movimentos sociais, políticos, sindicais e partidários que, sob resistência conservadora, conseguiram derrubar a ditadura militar e inaugurar o período de redemocratização do país, buscando-se por meio da construção de nova constituição, o retorno aos princípios democráticos de direitos e liberdades (ARRUDA; PILETTI, 1997; LIMA, 2012). A eleição de novos representantes nas Assembleias Legislativas contribuiu com esse processo, uma vez que se instaloua Constituinte de 1988 para a produção de nova Constituição, dando início à nova fase do regime democrático. Apesar de manter o regime de Democracia Representativa que não atende totalmente às necessidades e interesses da população, o país vem se reconfigurando, passando por mudanças estruturais importantes e por governos que 5 se mantém comprometidos com as exigências de Bancos estrangeiros, dos quais depende econômica e politicamente. No sistema representativo, nutre-se a esperança de que todos os segmentos sociais sejam representados no poder público, forçando a organização da sociedade, o respeito aos princípios constitucionais relacionados à liberdade, dignidade e igualdade (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2006), por isso, o processo eleitoral é importante para a democracia, constituindo-se em prática que legitima direitos cidadãos, não só políticos. A escola representa um espaço de construção de cidadanias e onde os conhecimentos do mundo, as estruturas da sociedade, os pensamentos e ideologias são inseridas nas práticas e comportamentos sociais, devendo por isto, ser transformada em instrumento de formação identitária, levando pessoas a compreenderem seu papel no contexto social para modificar a história dessa sociedade, de forma crítica e consciente, por meio do desenvolvimento de projetos pedagógicos como o proposto neste trabalho que propõe a análise do contexto e das implicações da ditadura militar no Brasil e o sequente processo de redemocratização, fortalecido pelo processo eleitoral que sucedeu governos militares por civis, fundados em princípios de democracia. 2 JUSTIFICATIVA Esse projeto se justifica, na medida em que promove discussões acerca de um tema que tem sido levantado no contexto do processo eleitoral desenvolvido em 2018, ou seja, o retorno à ditadura militar, carecendo da análise sobre as implicações que essa proposta traz para a democracia e para o bem-estar social do Brasil, retomando discursos da extrema direita que caracterizaram o fascismo das décadas de 60, em toda América Latina, representado nas práticas autoritárias da repressão e da ameaça aos direitos humanos, por governos militares, conquistados por meio de golpes políticos. O assunto é tão sério que Levitsky e Ziblatt (2018) observam o retorno às ideias antidemocráticas e conservadoras da direita não precisa recorrer à novos golpes militares, com emprego de armas e fechamento do Congresso para ferir a democracia, ela pode vir a ser destruída por 6 ataques sutis e sistemáticos contra as instituições mais basilares às coletivas (da família aos partidos, principalmente os de esquerda), como afirmam: A democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data (LEVTSKY; ZIBLATT, 2018) Nesse sentido, torna-se urgente a construção de estratégias educacionais que promovam a reflexão e a crítica sobre o tema, remontando à história como uma revisão de fatos e acontecimentos para a reconfiguração do presente, a fim de que haja possibilidade de construção de um futuro onde a Democracia, os Direitos Humanos, a diversidade cultural e social, os princípios democráticos que sustentam a identidade social de integridade e autonomia cidadã sejam conquistas garantidas individual e coletivamente, entendendo que o recurso à história serve como meio para os grupos construírem suas identidades, com relativas assimetrias de liberdade, buscando sentido no passado para compreender as relações no presente (TURIN, 2005). Como destaca o Currículo da Educação Básica, Ensino Fundamental, ao tratar do ensino de história, a reconstrução do passado é necessária para interpretar e compreender o presente, com aporte em fontes históricas, alcançando duplo sentido (BRASÍLIA, 2002). A escolha do tema e dos conteúdos visa à construção de uma consciência crítica sobre e a partir da realidade e do contexto sócio cultural, uma vez que é assunto discutido pela sociedade, com a ampliação de estudos e reflexões, existindo muitos materiais editados e publicados nas redes sociais e mídias digitais, podendo ser popularizados, democratizados e usados como recursos didáticos e fontes históricas, por isso, foram utilizados vídeos com relatos e depoimentos de pessoas torturadas no período ditatorial, com explanações de fatos e acontecimentos que precederam e caracterizaram a ditadura e a redemocratização. Foram também utilizados textos informativos e históricos, retirados de livros de história, reportagens feitas em revistas eletrônicas e artigos científicos, com o propósito de aprofundar e alargar os conhecimentos dos estudantes para modificação de comportamentos, opiniões e práticas sociais, evitando erros interpretativos da realidade e a divulgação do senso comum que mantém as pessoas em estado de ignorância e infantilização política, alimentando ideias 7 fascistas, antidemocráticas, massificadoras e alienadoras (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007). O assunto abordado consta no conteúdo programático do Ensino Fundamental, constituindo-se parte do processo de ensino e aprendizagem da educação básica para desenvolver e legitimar a cidadania e permitir a formação plena e multidimensional dos estudantes, preparando-os para a vida em sociedade. Nesta dimensão, propõe a realização de projetos dentro de uma perspectiva construtivista e desenvolvimentista que centraliza a ação educativa no desenvolvimento do indivíduo. Nessa dimensão, a escola que é instituição social, busca a formação cidadã para permitir que os indivíduos sejam capazes de atuar com competência e dignidade na sociedade, para tanto se apropria de conteúdos que possam responder e se coadunar à questões sociais e históricas, com o fim de promover aprendizagens para o exercício de direitos e cumprimento de deveres, garantindo práticas educativas voltadas para o desenvolvimento do pensamento crítico, influenciado social e culturalmente (BRASIL, 1997). A Pedagogia de Projetos constitui-se em metodologia de trabalho educacional que objetiva a organização dos conhecimentos, coletivamente, com a participação colaborativa dos estudantes e comunidade escolar que significam os conteúdos curriculares e os contextualizam, de acordo com os interesses, necessidades e possibilidades dos estudantes, introduzindo uma prática pedagógica que muda os papeis tradicionais do ensino, dos professores, das avaliações e dos estudantes, levando professores e estudantes a trabalharem juntos, lado a lado no processo de construção dos conhecimentos e das identidades, nesse sentido, torna- se necessário a introdução da reflexão e do diálogo e, mudanças no espaço escolar, considerando-se que o principal papel do educador, seja o de estimular, observar e mediar a aprendizagem significativa, estimulando o estudante a pensar de forma crítica e transformadora (DEPRÁ, 2018), considerando que o conhecimento seja uma construção histórica e social, onde interferem fatores culturais e psicológicos, em seu processo de elaboração. Tomou-se o cuidado de selecionar vídeos e textos destituídos do viés ideológico das elites burguesas que falseiam a realidade dos fatos, tentando invisibilizá-los e anular os efeitos negativos sobre os comportamentos individuais e sociais. Os livros didáticos e textos históricos estão permeados destas concepções 8 neoliberais que expressam preconceitos, defendem a lógica da exploração capitalista e amenizam as relações de desigualdades e dominação ideológica, com o fim de tornar imperceptível a luta de classes, as distinções identitárias entre a classe dominante e a proletária e, o profundo processo de alienação que mantém o sistema em funcionamento(CHAUÍ;NOGUEIRA, 2007). 3 REFERENCIAL TEÓRICO Os conteúdos relacionados ao período histórico da ditadura militar e da redemocratização brasileira requerem o reconhecimento de alguns conceitos importantes, principalmente aqueles relacionados à democracia, cidadania. A palavra democracia e seus primeiros fundamentos teve berço na Grécia de Sócrates do séc. V a.C. onde o Estado se organizava sobre princípios democráticos. De acordo com Cancian (2007) o termo surgiu em Atenas referindo-se à forma de governo que defendia os interesses coletivos das cidades-estados, assim, demos significava povo e kratos, poder, na junção indicava poder que vem do povo ou vontade do povo que se manifestava nas assembleias públicas para que decisões políticas de interesse social fossem tomadas pelos cidadãos gregos (mulheres, escravos e estrangeiros não eram cidadãos). As ideias modernas sobre democracia vêm do século XVII, com as revoluções burguesas que mantiveram as concepções de cidadania, atribuindo-lhes caráter liberal, ligando-a aos princípios de propriedade privada e individualismo (SILVA, 2017). O fundamento da democracia, na modernidade, é o direito cidadão de participar dos assuntos de interesse coletivo, por meio do voto, destacando-se a forma de democracia representativa, com representantes dos interesses para cada segmento social. Nesse contexto, o voto cumpre a função de escolha de representantes, dando-lhes poder para legislar em favor dos representados (CANCIAN, 2007). O processo eleitoral é importante para construção e efetivação da democracia, na medida em que se busca igualdade e paridade em relação à representação e melhor organização do sistema, devendo ser discutida e refletida criticamente, pensando em estratégias para transforma-lo em instrumento de garantia da liberdade e da dignidade humana, instrumento de autonomia e 9 cidadania, carecendo de educação que possa redimensionar as práticas sociais nesse contexto que reproduzem ideologias tradicionais que conferiam à eleição, mecanismo de controle social e de manutenção das desigualdades e distinções sociais (ROCHA, 2012). Neste sentido, a escola destaca-se como espaço onde se desenvolvem projetos educacionais de cunho político-pedagógico que aproximem as histórias dos da história de seu país, como meio para assunção identitária dos indivíduos à condição de pleno exercício cidadão (FREIRE, 1987). O conceito de cidadania depende da construção cultural e a inscrição ideológica que o insere no cotidiano. Na concepção liberal, a cidadania está condicionada à reprodução das relações desiguais entre capitalista e trabalhador assalariado, preexistindo direitos diferenciados para cada classe, principalmente “aqueles relacionados à salvaguarda da propriedade privada, em face dos direitos políticos e sociais, justamente por estes não serem essenciais à reprodução dessa relação social desigual típica do capitalismo” (SILVA, 2017). Na concepção marxista, o termo está ligado à emancipação dos sujeitos da condição alienadora e massificadora do sistema capitalista, considerando toda realidade social, histórica, política, econômica e cultural para o alcance de todos os direitos civis, políticos, sociais e humanos, em condições de igualdade, respeitando-se a diversidade, assim, a cidadania plena deveria ser perseguida pelo Estado, não só formalmente (CHAUÍ, NOGUEIRA, 2006). Os regimes ditatoriais tocaram nos sentidos da construção democrática e da cidadania, limitando e ferindo direitos, não permitindo que fossem estendidos a todos os indivíduos. Ela segmentou a população, criando categorias de pessoas para as quais, os direitos funcionariam, de forma relativa, considerando-se o risco que representassem à ordem manifesta por aquele regime. 3.1 DITADURA A década de 1940 presenciou a queda do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas. Em 1945 por meio de reforma constitucional que regulamentou o alistamento e as eleições para presidência da República, para os governos estaduais e para as assembleias legislativas; impôs medidas para anistiar presos políticos e permitir a organização de partidos políticos. Foram tomadas 10 medidas em relação a direitos e benefícios para trabalhadores e criado um modelo de política nacionalista com a criação do Conselho Nacional do Petróleo e da Companhia do Vale do Rio Doce. Essas medidas deram força e apoio popular a Getúlio Vargas que foi combatido pela classe dominante e pelas Forças Armadas, obrigando o presidente a deixar o governo que foi entregue ao ministro presidente do STF, José Linhares até a posse de Gaspar Dutra eleito em 1945. Em 1946 foi construída e aprovada a nova Constituição, por uma assembleia recém-formada, tendo sido caracterizada por medidas em direção à democratização, firmando como princípios fundamentais a igualdade de todos perante a lei; a liberdade de manifestação de pensamento, a inviolabilidade do sigilo de correspondência e do domicílio; a liberdade de consciência e crença religiosa; liberdade de associação; proibição de partido político ou associação que contrariasse o regime democrático; prisão só em flagrante delito ou por ordem judicial e garantia de ampla defesa (AGUIAR; PILETTI, 1997). Para Aguiar e Piletti (1997) o período entre 1945 e 1964 foi permeado por indefinição e por tentativas de promover a democracia, expressa e advogada na Constituição de 1946 que, pressupunha a participação popular, a diminuição das desigualdades sociais e econômicas, pela mobilização de mudanças na estrutura do sistema, com o fim de alcançar maior justiça na distribuição de renda e terra. Essas ideias, atacavam diretamente a ordem capitalista e o funcionamento do sistema, levantando reações da direita brasileira e dos militares que estiveram, durante a história do país envolvidos em vários movimentos de revolta aos governos, muitos, em defesa de bandeiras voltadas para a segurança e ordem, sendo reforçados pelos princípios liberais de ordem e progresso. Um dos grandes imperativos que gerou instabilidade para o país foi o alto desenvolvimento e expansão da indústria de base, com o funcionamento de siderúrgica que exigiu construção de usinas hidroelétricas de grande porte e o crescimento das indústrias automobilísticas. O progresso industrial após a 2ª Guerra Mundial setorizou o país, levando ao desenvolvimento de algumas regiões e a pobreza de outras, a exemplo da polarização entre o sudeste e o nordeste brasileiros, fazendo com que houvesse distribuição de bens e serviços de forma desigual, acirrando as desigualdades sociais e econômicas (AGUIAR; PILETTI, 1997). O cenário político brasileiro complicou-se a partir de 1945 com a 11 eleição presidencial, onde se apresentaram partidos políticos de extrema direita, alguns com ideias liberais e outros com ideias socialistas, como o Partido Comunista que causava receio ao Estado brasileiro, dado à conjuntura internacional e a Guerra fria travada entre o bloco soviético comunista e o americano, capitalista. Dutra foi eleito presidente para o período de 1946 a 1951, em seu governo, rompeu com a URSS e decretou a ilegalidade do partido comunista. Vargas voltou ao governo em 1951 e enfrentou dificuldades financeiras, uma grande onde de greves, para resolve- las adotou medidas não aceitas pelos oponentes como aumentos salariais e políticas de defesa de direitos trabalhistas. Após a morte de Rubens Vaz, guarda costas de Carlos Lacerda, opositor de Getúlio, o presidente foi pressionado e perseguido para renunciar, mas suicidou-se em 1954, levando o vice-presidente, Café Filho a assumir seu lugar, mas afastou-se do cargo, por motivo de doença, deixando-o vago para Carlos Luz, presidente da Câmara. Juscelino Kubitscheck foi eleito em 1955, tendo como vice, João Goulart, o Jango, vencendo os militares Juarez Távora e MiltonCampos da UDN que não aceitou a derrota e junto com setores da marinha e aeronáutica ensaiaram um golpe que foi descoberto pelo Ministro da Guerra, com isso, depôs Carlos Luz, deu posse ao presidente do Senado e garantiu a posse de Juscelino e Jango. Outros golpes foram tentados durante o governo de JK que deu novo rumo à gestão, assumindo postura desenvolvimentista para acelerar a economia, oferecendo facilidade às multinacionais, expandiu a indústria de aço e a construção naval. Construiu hidrelétricas, abriu rodovias para ligar regiões de comércio e construiu a nova capital, Brasília. As medidas de JK agravaram problemas econômicos no país, acrescentando cifras às divididas externa e interna, e aumentando os índices inflacionários, mas sua gestão garantia simpatia da população (AGUIAR; PILETTI, 1997). Juscelino foi substituído por Jânio Quadros que renunciou ao governo, 7 meses após sua posse, deixando a vaga para Jango que por suas ideias socialistas foi substituído, traiçoeiramente por Ranieri Mazzini, presidente da Câmara, com apoio dos militares que tentaram mudar a constituição, mas sofrendo oposição em defesa da legalidade, sob a liderança de Brizola, concordaram em devolver a presidência a Jango se ele adotasse o regime parlamentarista, aprovado mediante Ato Adicional À Constituição de 1946, porém Jango submeteu a plebiscito a mudança, atitude que o levou a ser destituído em 1964, após realizar algumas 12 reformas de base: plebiscito que lhe devolveu a presidência em 1963; monopólio estatal sobre importações de petróleo e derivados; regulamentou a remessa de lucros ao exterior; assinou decretos que nacionalizaram as refinarias de petróleo e desapropriavam, em reforma agrária, propriedade com mais de 100 hectares; voto do analfabeto e reforma universitária. Nesse contexto fortaleciam-se os movimentos sociais universitários e estudantis, católicos, sindicais, partidários. Somado às medidas adotadas por Jango, as reações conservadoras organizaram movimentos em oposição, em defesa da segurança e das bandeiras tradicionais como a frente patriótica civil-militar e a Sociedade, Brasileira para Defesa da Tradição, Família e Propriedade, ambas financiadas por empresários e políticos da direita conservadora, mobilizando a opinião pública para depor Jango, sob a ideia de que ele queria impor uma república sindicalista, confiscando propriedades, abolindo a religião e ferindo princípios de família tradicionais. Tudo isso, somado às dificuldades econômicas que se acirraram após o governo de JK, ajudaram a derrotar Jango (AGUIAR; PILETTI,1997). Codato (2005) em sua análise sobre a brutalidade da repressão adotada pelo regime militar para controlar, punir e impedir a ação daqueles que se opunham ao regime e que defendiam os princípios democráticos, considerados terroristas, subversivos e ameaças à segurança das instituições e do Estado, afirma que a ditadura durou 25 anos, tendo iniciada em 1964 e tendo fim, em 1989, nesse período, teve seis governos, podendo sua história ser dividida em cinco fases distintas: (1) de constituição do regime político ditatorial-militar, com o governo de Castello Branco e Costa e Silva; (2) de consolidação do regime, com governo de Médico (1969-1974); (3) de transformação com Ernesto Geisel no governo entre 1974 a 1979; (4) de desagregação com o general Figueiredo nos anos de 1979 a 1985 e; (5) de transição do regime ditatorial-militar para o liberal-democrático com o governo Sarney de 1985 a 1989. 3.2 PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO O termo Redemocratização é usado para se referir ao processo de ruptura com o regime ditatorial militar e abertura política para o estabelecimento de 13 um Governo Civil que pode recuperar a gerência das instituições, trazendo de volta os princípios e práticas democráticas, além de direitos políticos, civis, sociais e humanos que foram suspensos durante a ditadura. A maior parte dos estudos sobre o tema definem que esse período teve início com Ernesto Geisel em 1974, indo até a eleição direta de Tancredo Neves em 1984. Tancredo não chegou a assumir o governo, pois adoeceu e morreu antes disso, assumindo em seu lugar, José Sarney, inaugurando o período chamado de “Nova República” (RODRIGUES, 2018). Codato (2005) considera que o período inicial da fase de redemocratização, ainda esteja inserida no contexto ditatorial, pois observa um contexto de insegurança social e eminente perigoso do retorno de militares ao governo, a partir do entendimento de três aspectos, houve o processo de “distensão política”, chamado de “política de abertura” e de “transição política” que foi iniciado pelos militares, não pela pressão popular que se organizava para o novo momento, mas esse processo teve objetivos ainda definidos pelos militares, por meio da imposição de muitas correntes político-ideológicas, demonstrando que eles teriam que resolver problemas internos à corporação para não sucumbirem às falhas e dificuldades geradas pelas decisões tomadas no decorrer de sua administração. O pleito eleitoral, a retomada das eleições diretas para o Executivo e Legislativo, com a participação do povo brasileiro, teve grande importância para a construção desse processo de redemocratização, em que a sociedade pedia pelo retorno à democracia, mesmo que representativa. Constituía-se desafio pensar na democratização entendida por Chauí e Nogueira (2006, p.198) “como um processo de recomposição e alargamento do sistema político, de incorporação e integração social, de expansão e consolidação da democracia em sentido amplo”. Com essa preocupação retomam-se as reflexões sobre emancipação e desalienação que poderiam ser estimuladas por via da educação. O processo de redemocratização seguiu com várias mudanças estruturais, a construção de nova constituição, com caráter democrático, seguindo- se de mudanças na legislação educacional, nas práticas sociais, uma nova configuração para os movimentos sociais e partidários. Ainda não se pode afirmar que a sociedade brasileira se democratizou, ela caminha para a descoberta e a apropriação dos princípios que estabelecem a democracia, estando permeada de concepções e ideologias liberais, neoliberais, representada por setores tradicionais e conservadores da sociedade, e, por concepções de cunho socialista-liberal, de 14 cunho socialista e comunista, procurando se reinventar, após os acontecimentos do fim do século XX e XXI que desestruturam as sociedades comunistas, dissolvendo as ideias e manifestações. Considera-se para efeitos desse projeto, que o país esteja em processo de transição e de construção de valores, práticas e organização democrática, por isso, torna-se importante que se discuta, na escola e em diferentes setores da sociedade, questões que nos remetam ao passado para avaliar o que pode ferir ou impedir o desenvolvimento da democracia, para que não sejam fortalecidos aspectos negativos. 4 SÉRIE/ANO PARA O QUAL O PROJETO SE DESTINA O projeto será desenvolvido no 9º ano do Ensino Fundamental, a última série do Ciclo Básico da educação brasileira, na disciplina de história, a partir do desenvolvimento do eixo transversal que envolve o trabalho sobre aspectos de cidadania e direitos humanos. 5 OBJETIVOS Constituem-se objetivos deste projeto: • Promover o entendimento do contexto ideológico, político, histórico e cultural que motivou o golpe militar e a luta pelo processo de redemocratização do país; • Discutir conceitos essenciais de Democracia e cidadania: • Levar os estudantes a entenderem a relação entre processo eleitoral e a construção da democracia e da cidadania. 6 PROBLEMATIZAÇÃO 15 Com o desenvolvimento deste projeto pedagógico, pretende-se analisar o contexto que justificou e permitiu um golpe militar no Brasil, a instauração e durabilidadede um regime ditatorial por mais de 20 anos, gerando muitos problemas sociais e econômicos que foram escamoteados por um sistema de silenciamentos e perseguição, que não se instalou sem resistências, mas enfrentou desde o começo críticas e a organização de movimentos sociais, populares e partidário, que, manteve-se e continuou se desenvolvendo, mesmo clandestinamente, motivando e fortalecendo o quadro político e social para o rompimento com as forças repressoras do Estado militarizado, que somado à crise econômica, irrompeu com o processo de redemocratização do país que procurou retomar os avanços alcançados na era Vargas e Getulista, em relação aos direitos dos trabalhadores e dos direitos humanos, dentre outros mecanismos de reestruturação democrática. Diante deste contexto, o projeto explora o conteúdo de História do 9º ano do Ensino Fundamental, encontrando o estudo da ditadura e dos processos de resistência, assim também o de redemocratização do país, por isto, dedica-se à análise da História Geral do país, situando-a no período pré e pós ditatorial, entendendo-o como um dos mais importantes para o cenário atual, na medida em que foi nesse período que o presente foi construído e que o aparato ideológico neoliberal se instalou em todas as estruturas sociais, entranhando-se na identidade social brasileira, tornando difícil seu combate, senão por processo de reflexão e desconstrução de conceitos, paradigmas, práticas e comportamentos sociais institucionalizados. Para nortear as ações pedagógicas foram feitas 3 questões: • Como o pleito eleitoral e a escolha de representantes políticos pode influenciar na construção de uma sociedade democrática, entendendo todo percurso histórico porque o Brasil passou desde o golpe militar, ao processo de redemocratização, por meio das eleições e promulgação de uma constituição com princípios democráticos? • Qual o contexto sócio-cultural e econômico que motivou, justificou e permitiu o golpe militar, a instalação da ditadura e quais as estratégias de resistência oferecidas a esse regime? • Que situações promoveram e organizaram os movimentos em torno do processo de redemocratização do país? Que concepções ideológicas, 16 conceituais, paradigmáticas, filosóficas, sociológicas ajudaram a construir esses movimentos? Para a formulação destas questões foram levados em consideração os objetivos instrucionais relacionados aos conteúdos escolhidos para desenvolvimento do projeto pedagógico de história, ou seja: • Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil; • discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final do período ditatorial até a Constituição de 1988, analisando as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando questões prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. 7 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO Um dos objetivos da educação escolar é que os alunos aprendam a assumir a palavra enunciada e a conviver em grupo de maneira produtiva e cooperativa. Dessa forma, são fundamentais as situações em que possam aprender a dialogar, a ouvir o outro e ajudá-lo, a pedir ajuda, aproveitar críticas, explicar um ponto de vista, coordenar ações para obter sucesso em uma tarefa conjunta, etc. É essencial aprender procedimentos dessa natureza e valorizá-los como forma de convívio escolar e social. Trabalhar em grupo de maneira cooperativa é sempre uma tarefa difícil, mesmo para adultos convencidos de sua necessidade (BRASIL, 1997, p. 63) As atividades previstas foram planejadas levando em conta o processo de desenvolvimento dos estudantes, os princípios de autonomia e colaboração. Entendendo autonomia, como destacado no texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) como capacidade para se posicionar, elaborar projetos pessoais e participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, com discernimento e organização em função de metas, exercendo controle sobre emoções e comportamentos, principalmente ao participar em ações coletivas. Nessa direção, autonomia liga-se à emancipação dos sujeitos, sendo emancipação: capacidade de desvelar e exercer a expressividade, perceber as contradições dialéticas do contexto social, interagir criativamente nas contingências e se restituir como sujeito a todo o momento, mediante o exercício de pensar sua condição humana (SILVA, 2013) 17 Ao pensar na capacidade que a escola possui de ou conformar os sujeitos aos padrões, normas e valores sociais para sustentar o capitalismo ou para gerar pessoas capazes de se libertarem das amarras deterministas e autoritárias desse sistema e de sua lógica alienadora, apropriamo-nos das ideias de Giroux sobre escola emancipadora para prever atividades que promovam a formação do pensamento crítico, pela dúvida e análise da realidade para agir em direção a mudanças individuais e coletivas: Para que a educação para a cidadania se torne emancipatória, deve começar com o pressuposto de que seu principal objetivo não é “ajustar” os alunos à sociedade existente; ao invés disso, sua finalidade primária deve ser estimular suas paixões, imaginação e intelecto, de forma que eles sejam compelidos a desafiar as forças sociais, políticas e econômicas que oprimem tão pesadamente suas vidas. Em outras palavras, os alunos devem ser educados para demonstrar coragem cívica, isto é, uma disposição para agir, como se de fato vivessem em uma sociedade democrática (Giroux, 1986, p.262). O projeto será desenvolvido em três etapas. Sendo a primeira relacionada à identificação e construção de uma situação-problema desafio sobre a qual se estrutura todas as ações. Na segunda etapa, constroem-se as estratégias de ação, planejando como o problema será solucionado, elegendo-se caminhos de pesquisa, de trabalho em grupo, estipulando regras de convivência e para realização das atividades coletivas. A terceira etapa corresponde àquela em que o planejamento é posto em ação, realizam-se as atividades e a avaliação continuada, verificando se os objetivos são alcançados, se há colaboração e participação de todos. Na primeira etapa, apresentam-se questões para que o conteúdo seja introduzido, em forma de situação problema e para contextualização dentro da realidade dos estudantes: • (1) O que foi, quando foi e em que contexto ocorreu a ditadura militar no Brasil? (2) Esse acontecimento histórico tem alguma relação com a vida atual e com a sua vida? (3) O que foi o processo de redemocratização do Brasil? Quando, como e porque ocorreu? Seguem-se alguns passos para o desenvolvimento desse primeiro momento: a - Sensibilização 18 • A turma é disposta em grande grupo, em forma de círculo. A pergunta é apresentada de forma escrita, no quadro, pedindo-se a reflexão sobre ela e a apresentação de respostas, estimulando-se o debate e o diálogo. As respostas são anotadas no quadro e registradas pelo professor, com o fim de serem avaliadas ao final do projeto. • Em seguida, apresenta-se vídeo com testemunhos de pessoas que sofreram torturas no período da ditadura militar. • Após o vídeo, retoma-se a discussão sobre a ditadura, procurando levantar conceitos dos estudantes, o que pensam que tenha sido e verificar como a questão tem sido tratada pela sociedade atual, principalmente no contexto das eleições de 2018, quando foi aventada a ideia de retomar o regime ditatorial para o Brasil, com a eleição de um candidato militar. • Propõe-se então um trabalho de investigação dos fatos e acontecimentos históricos, construindo com os estudantes, mediante sugestão do professor, um planejamento de atividades, b. Planejamento • Prever passos para realização do projeto, registrando as sugestões dos estudantes e do professor, buscando-se integrar as propostas para sistematizaro trabalho; c. Realização do Projeto Propriamente dito: 1. Discussão sobre as 3 perguntas direcionadoras, com anotação das respostas para comparação ao final do projeto; 2. Apresentação de vídeo com o título: depoimentos de vítimas da ditadura militar, obtido no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=L-u7- mq_U48&t=42s; 3. Conversa sobre o vídeo, levantando impressões dos estudantes, informações e referências que possuem sobre o assunto, assim como incentivar a análise da hipótese de retomar o regime ditatorial, por meio da instalação de um governo militar, verificar suas implicações, aspectos políticos, sociais, econômicos, históricos, culturais; (o professor precisa mediar essa discussão e verificar as concepções dos estudantes para delas partir e motivar a dúvida e a investigação); https://www.youtube.com/watch?v=L-u7-mq_U48&t=42s https://www.youtube.com/watch?v=L-u7-mq_U48&t=42s 19 4. Dividir a turma em grupos, de no máximo 5 alunos. Definir funções para os membros do grupo (coordenador, assistentes, secretários), com finalidade de promover a participação de todos em todas as atividades propostas; 5. Indicar vídeos para que assistam, com finalidade de preparem seminários. Sugerem-se 4 vídeos extraídos da internet, na página do youtube, sendo eles: (1) O golpe de 64. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9VZqL_a1vVg; (2) O Mal que foi a Ditadura no Brasil por Leandro Karnal. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pk5Khex5oW0); (3) A Redemocratização no Brasil por Boris Fausto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KVrREvdxre8; (4) Da redemocratização até nossos dias (de Sarney a Lula). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Tg9yGBTgOEg). 6. Os grupos são levados para o Laboratório de Informática para assistirem juntos, os vídeos; 7. Preparação do seminário: definição de ordem de apresentação, materiais que serão utilizados, forma e tempo para apresentação. Serão utilizadas 2 aulas; 8. Apresentação do seminário com a síntese e análise dos vídeos assistidos, permitindo-se uso de computadores e imagens; 9. Os grupos apresentam p turma a síntese dos vídeos, estabelecendo relação entre os 2 momentos; discussão sobre o assunto, impressões e percepções dos estudantes; 10. Discussão sobre os temas apresentados, procurando construir conceitos para ditadura, democracia e redemocratização; 11. Pesquisas em meio eletrônico digital, dicionários e livros para levantar significados e conceitos para ditadura, redemocratização, democracia e cidadania, comparando com as formulações que foram feitas após a discussão anterior; 12. Caça ao tesouro para encontrar figuras e partes de texto para estruturação da história do Brasil, período de 1946 a 1989, dividido em 4 partes: de 1946 a 1963, de 1964 a 1984; de 1985 a 1988 e de 1988 até 2018, com pistas. (professor espalha pela escola, frases, gravuras e textos com a história do Brasil https://www.youtube.com/watch?v=9VZqL_a1vVg https://www.youtube.com/watch?v=pk5Khex5oW0 https://www.youtube.com/watch?v=KVrREvdxre8 https://www.youtube.com/watch?v=Tg9yGBTgOEg 20 discutida); os grupos montarão painéis, analisando os textos e relacionando com as gravuras e com as informações obtidas nos vídeos explorados); 13. Construção de mapa conceitual com datas, fatos e acontecimentos; com auxílio do professor, definindo datas a partir da história construída na finalização da atividade da caça ao tesouro; 14. Montagem de painel integrado com a apresentação do texto formulado na atividade de caça ao tesouro e do mapa conceitual para mostrar aos demais estudantes da escola; 15. Organização do júri simulado. Definir os participantes, a forma de sua participação e a estrutura do júri; 16. Realização de júri simulado para defesa e acusação da ditadura militar ocorrida no Brasil, seguida da construção de dois grupos, um de defesa, outro de acusação, com a presença de 1 juiz, 2 advogados para cada parte; promotor público em defesa do Estado, testemunhas e júri. As regras do júri e da situação de julgamento serão construídas coletivamente, primando por regras de respeito à fala, ao tempo do outro e à integridade. No momento do julgamento, a situação será apresentada pelo promotor que discorrerá sobre as consequências da ditadura para as pessoas e para o Estado. Os advogados terão o momento de apresentação dos argumentos de defesa e acusação; tempo para inquirir testemunhas das duas partes (estima-se pelo menos 3 testemunhas para cada parte) e tempo para fazer as defesas finais. O promotor apresentará sua posição final, defendendo o Estado. O júri terá tempo para decisão que será apresentada à turma, por 1 representante; 17. Pesquisas sobre o processo de redemocratização do país em textos de artigos científicos apresentados pelo professor aos estudantes, após exploração de um texto coletivo (anexo 1). Os textos são citados nas referências e têm como títulos: (1) Pensamento Político e a Redemocratização do Brasil – Chauí e Nogueira (2007); (2) Uma História Política de Transição Brasileira: da ditadura militar à democracia – Codato (2005); (3) A ditadura militar e a redemocratização brasileira analisada através da música – Vieira (2010); (4) Unidade VI – As sociedades Contemporâneas, capítulo sob título 93: Contradições do Mundo Contemporâneo: O Brasil da Redemocratização às Reformas de Base. Do Livro Toda A História: História Geral e História do Brasil – Arruda e Piletti (1997); 21 18. Discussões acerca do papel do processo eleitoral na jornada de redemocratização e de sua importância para firmar a democracia atual, por meio de perguntas dirigidas pelo professor; 19. Planejar a simulação de eleições na escola, com situação fictícia e representação dos candidatos ao governo e presidência, representando o momento atual de eleições para esses cargos; 20. Aula expositiva apresentando critérios e processo de seleção de candidatos para os pleitos eleitorais, falando do papel dos partidos, da responsabilidade dos Tribunais Eleitorais e da forma de eleições diretas utilizada no Brasil, caracterizando a democracia representativa; 21. Seleção de candidatos na turma para governador e presidente, após de definição de critérios para a candidatura (idoneidade, seriedade de proposta, não apresentação de promessas para comprar votos, por exemplo); 22. Montagem de comissão organizadora e fiscalizadora para as eleições, com definição de atribuições; 23. Realização de campanha eleitoral, simulação de horário politico e debate com apresentação de propostas de governo; 24. Preparação e confecção de urnas eletrônicas e manuais; 25. Realização da eleição, propriamente dita; 26. Apuração dos resultados; 27. Fotografar os momentos de eleição e apuração das eleições; 28. Construção de textos dissertativo e descritivo de todo projeto, com avaliação das aprendizagens, individual e coletivo; 29. Anexar as fotografias da eleição e apuração no painel integrado; 30. Auto-avaliação; 31. Avaliação do projeto; do professor e dos estudantes; 32. Propor a exposição do painel integrado para a escola; 33. Propor a exposição dos textos e das imagens da turma durante a realização do projeto em redes sociais dos estudantes, facebook e instagram. 8 TEMPO PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO 22 CRONOGRAMA DO PROJETO DE ENSINO EM HISTÓRIA Tema: Ditadura Militar e o Processo de Redemocratização: papel das eleições na construção da Democracia ( x ) Ensino Fundamental - 9º ano ( ) Ensino Médio Cronograma Atividades 1ª aula 1) Apresentação das perguntas-chaves como situações- problemas desafios para promoção de debate e reflexão sobre o tema do projeto: ditadura militar no Brasil; 2) Apresentar vídeo com testemunho de vítimas da repressão durante o período ditatorial; 3) Discussão sobre o contexto que envolveu a ditadura militar no Brasil,para levantamento de conceitos e percepções dos estudantes sobre o tema; 4) Proposta do trabalho de investigação sobre todo contexto que envolve o período ditatorial e sequente de redemocratização; 5) Planejamento do Projeto interventivo de História com o tema da ditatura e redemocratização. Esquematização do projeto. 2ª aula 1) Formação de grupos; 2) Dividir os vídeos para os grupos assistirem; 3) Assistir os vídeos; 4) Planejar o seminário; 3ª aula 1) Apresentação dos grupos; 2) Perguntas dos estudantes, aos grupos, para tirar dúvidas; 4ª aula 1) Discussão sobre os temas apresentados; 2) Construir conceitos de ditadura; democracia; redemocratização e cidadania; 3) Pesquisas para levantar esses conceitos; 5ª aula 1) Caça ao Tesouro; 2) Montar o texto e as gravuras em sequência; 3) Construir painel integrado com o texto e as gravuras; 6ª aula 1) Construir mapa conceitual; 2) Anexar o mapa conceitual ao painel integrado; 3) Organização do júri simulado; 7ª aula 1) Realização do júri simulado 8ª aula 1) Leitura de texto introdutório sobre redemocratização; 2) Pesquisas sobre processo de redemocratização em artigos científicos; 9ª aula 1) Discussões sobre o papel do processo eleitoral na redemocratização e na construção da democracia; 2) Planejar a simulação de eleições na escola; 3) Aula Expositiva sobre eleição; 10ª aula 1) Definição de critérios para candidatura; 2) Seleção de candidatos; 3) Constituição de comissão organizadora e fiscalizadora para eleição; definição de atribuições; 4) Início da Campanha Eleitoral, reprodução do horário político eleitoral e debate político; 5) Confecção das urnas; 11ª aula 1) Eleição; 2) Apuração dos Resultados; 3) Fotografar a eleição e a apuração; 4) Avaliação e auto-avaliação; 12ª aula 1) Construção de texto coletivo com síntese das ideias do projeto; 2) Utilizar imagens fotografadas da eleição e apuração no painel integrado e expor na escola; 3) Produção de texto individual com síntese das ideias do projeto e das aprendizagens construídas. 4) Divulgar imagens e textos em redes sociais (facebook e instagram dos estudantes). 23 Fonte: a autora (2018) 9 RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS Seguindo as orientações descritas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/97), havendo uma diversidade de materiais disponíveis para desenvolvimento de conteúdos, a fim de que sejam explorados e aprofundados de forma significativa, atendendo aos interesses, necessidades e potencialidades dos estudantes, utilizamos vários recursos materiais, para despertar e motivar os alunos a participarem, de forma colaborativa. Pois, “a utilização de materiais diversificados como jornais, revistas, folhetos, propagandas, computadores, calculadoras, filmes, faz o aluno sentir-se inserido no mundo à sua volta” (BRASIL, 1997, p. 67). Assim, são listados como recursos humanos, professor e alunos de 1 turma de 9º ano, na disciplina de história. Como recursos materiais: computadores, televisão, celulares, máquina fotográfica, fotografias, imagens impressas em papel A4, textos impressos em papel A4, cartolinas, papel cartão, cola, tesoura, pinceis, fita adesiva, caixa de papelão, fichas para eleição (com nomes dos candidatos), quadro branco. 10 AVALIAÇÃO De acordo com os PCN’s, a avaliação integra aprendizagem e ensino tem por isso, propósito de fazer ajustes e orientar as intervenções pedagógicas, a fim de significar a aprendizagem. É realizada processual e continuamente, percorrendo todas as etapas do processo educativo, podendo ser diagnóstica quando são aplicadas estratégias para levantar informações sobre o que o estudante já sabe e o que precisa aprender; reflexiva quando aponta áreas que precisam ser aperfeiçoadas, modificadas ou melhor trabalhadas e, qualitativa, na medida que identifica os conhecimentos construídos pelos estudantes. A avaliação é um instrumento de tomada de consciência, podendo servir de referência para professores, escola e para os próprios alunos que podem introduzi-la em suas práticas escolares. Não pode estar restrita a julgamento sobre 24 sucessos ou fracassos dos alunos, apesar de serem o centro da ação educativa, todos os participantes do processo educativo são responsáveis por esses sucesso e fracasso, devendo ser alvos de avaliação. Precisam estar relacionadas com as oportunidades oferecidas e com as situações didático-pedagógicas oportunizadas. Seguindo essas premissas, a avaliação será contínua, realizada desde o primeiro momento, a partir das elaborações dos estudantes ao refletirem e responderem as perguntas caracterizadas na etapa da sensibilização, as respostas servirão como norte para verificar os conhecimentos que os estudantes possuem do assunto e as áreas que precisam ser melhor elaboradas, sendo passíveis de intervenção. Neste sentido, analisa-se a Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) sobre a qual se verifica os conhecimentos pré-existentes e já consolidados e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), onde se verifica as necessidades de conhecimentos, o que precisa ser apresentado para que novas construções sejam feitas e novos conhecimentos sejam construídos, sendo a ZDP, a área de intervenção didática, sobre a qual o professor trabalha, estimula, motiva, questiona, planta a dúvida, levando o aluno a pensar sobre e elaborar estratégias para aprender (REGO, 2002). A avaliação será feita por meio da observação da participação dos estudantes, das respostas apresentadas aos desafios, da apreciação das atividades desenvolvidas, da auto-avaliação do aluno e do professor, da avaliação por reflexão e debates sobre as aprendizagens construídas durante a realização do projeto, pela apreciação dos textos produzidos individualmente, ao final do projeto. 25 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ARRUDA, José Jobson de A.; PILETTI, Nelson. Toda História: História Geral e História do Brasil. 7ª ed. São Paulo: Ática, 1997. BARROS, Cesar Mangolin de. A ditadura militar no Brasil: processo, sentido e desdobramentos. Dissertação (Mestrado) BRASÍLIA. Currículo da Educação Básica das Escolas Públicas do Distrito Federal. Secretaria de Estado de Educação do DF, 2002. ________. Currículo em Movimento da Educação Básica do Distrito Federal. 2ª ed. – Versão para Consulta Pública. DF, 2018. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. 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Volume 1. SEE, Paraná, 2010. https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/redemocratizacao 27 ANEXOS 28 ANEXO A – Texto Complementar Redemocratização Redemocratização é um termo utilizado para designar a abertura política brasileira para um Governo Civil. Ou seja, faz referência a recuperação das instituições democráticas que foram abolidas pelo Regime Militar instaurado no Brasil em 1964 e que impunha, desde aquele ano, um governo repressivo e de censura às instituições Democráticas do País. Este período, pelo que podemos perceber, é considerado desde o Governo Ernesto Geisel (eleito presidente em 1974) até a eleição direta de Tancredo Neves, que morreria pouco antes de assumir o poder, o que resultou a posse de José Sarney. Esse período onde Sarney esteve no poder é denominado “Nova Republica”. 1.1 PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO: Ficava claro para a opinião pública que o Regime Militar estava chegando ao fim com o término do governo de Geisel. O termo utilizado na ocasião de redemocratização era “abertura”. O Governo militar estava implodindo. Existia uma inflação enorme que não conseguia controlar. Além disso, podíamos encontrar várias denúncias de corrupção por todos os lados e como reação houve um levante da censura. Com tais fatos a confiança no Governo foi diminuindo, o que refletiria nas eleições. O Partido ARENA obteve várias derrotas nas eleições legislativas. Todo esse enfraquecimento do Regime Militar contribuíra para que a abertura política fosse mais que uma boa vontade do governo. É neste período que os Sindicatos de Trabalhadores do ABC Paulista tiveram grande importância. Eles organizaram grandes manifestações por melhorias nas condições de trabalho. Mas não brigaram sozinho, o apoio veio de todos os lados. Membros da Igreja Católica apoiaram o movimento, em especial Dom Evaristo Arns que era arcebispo de São Paulo e Dom Helder Camara, arcebispo de Olinda. Leonardo Boff, representante mais conhecido da Teologia da Libertação que defendia o engajamento social do clero, demonstrou grande apoio ao movimento. A imprensa “alternativa” se engajava com força à oposição do Governo. 1.2 FEITOS QUE PROPORCIONARIAM A REDEMOCRATIZAÇÃO: Em 1979 veio a Lei da Anistia aos condenados por crimes políticos, mas o inusitado é que também abonou os torturadores. No mesmo ano era estabelecida a Lei Orgânica dos Partidos, que acabava, de fato, com o Bipartidarismo e liberava a população a criarem novos. É nesse momento que nasce Partidos importantes no Brasil como o PMDB, PDS, PFL e o PT. Mas o ápice da Redemocratização do Brasil foi o movimento denominado “Diretas Já” que mobilizou milhões de pessoas no final do mandato de Presidente de João Figueiredo e que visava pressionar o Legislativo a aprovar a Emenda Dante de Oliveira que possibilitaria as eleições Diretas para Presidente da Republica. As Diretas Já marcou a década de 80 do Brasil e uniu personalidades de todas as áreas brasileiras. Mas acabaram sendo frustrados, a Emenda não foi aprovada. O candidato apoiado pelo povo, Tancredo Neves, foi sim eleito. Mas de forma indireta. E para piorar a frustração, faleceu antes mesmo de assumir o cargo. Em seu lugar assumiu José Sarney, político que apoiou a Ditadura Militar no País e que foi transformado em Democrata na última hora. Por: Pedro Augusto Rezende Rodrigues Disponível em: https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/redemocratizacao. https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/diretas-ja-movimento-e-campanha