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Brasília 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LUCIANA DE ARAUJO OLGUINS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO 
NOME DO CURSO 
 
DITADURA MILITAR E O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO 
BRASILEIROS: 
Papel das Eleições no Processo de Construção da Democracia 
 
 
Brasília 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DITADURA MILITAR E O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO 
BRASILEIROS: 
Papel das Eleições no Processo de Construção da Democracia 
 
Trabalho apresentado à Universidade Pitágoras Unopar, 
como requisito parcial para avaliação da disciplina de 
Projeto de Ensino em História, do Cursos de História. 
 
Orientador: Prof. Larissa Salgado Chicareli Jose 
 
 
LUCIANA DE ARAUJO OLGUINS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Este trabalho apresenta um projeto de intervenção pedagógica para ser 
desenvolvido na disciplina de história, em uma turma de 9º ano do Ensino 
Fundamental, tendo como tema e conteúdo, a ditadura militar e o processo de 
redemocratização brasileiro, discutindo-se o papel das eleições na construção da 
democracia. Objetiva promover o entendimento do contexto ideológico, político, 
histórico e cultural que motivou o golpe militar e a luta pelo processo de 
redemocratização do país; discutir conceitos essenciais de democracia e cidadania; 
levar os estudantes a entenderem a relação entre processo eleitoral e a construção 
da democracia e da cidadania. Construiu-se referencial teórico, por meio de 
pesquisa bibliográfica, fornecendo dados para construção das 3 etapas do projeto 
pedagógico: sensibilização, planejamento das atividades e realização das atividades 
que envolveu a discussão, reflexão e análise de filmes, textos e imagens sobre a 
ditadura para construção de júri simulado e realização de processo eleitoral, com 
reprodução de situações de eleição para presidência da República e governadores 
de Estado, discutindo sobre o papel das eleições na construção da democracia e no 
exercício da cidadania. O projeto é flexível, na medida em que é produto da 
construção coletiva, com a participação dos estudantes. A avaliação é feita mediante 
apreciação dessa participação, da auto-avaliação dos estudantes e professores. O 
projeto será desenvolvido em 12 aulas, envolvendo professores e alunos e utilizando 
materiais como computadores, câmeras fotográficas, celulares, material para 
construção de painel integrado e produção de textos. Os resultados serão expostos 
para os estudantes da escola e em redes sociais. Espera-se promover mudanças 
conceituais e comportamentais. 
 
 
Palavras-chave: Ditadura militar. Redemocratização. Democracia. Cidadania. 
Eleições 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 3 
2 JUSTIFICATIVA 5 
3 REFERENCIAL TEÓRICO 8 
3.1 DITADURA MILITAR 9 
3.2 PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO 12 
4 SERIE/ANO PARA O QUAL O PROJETO SE DESTINA 14 
5 OBJETIVOS 14 
6 PROBLEMATIZAÇÃO 14 
7 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO 16 
8 TEMPO PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO 21 
9 RECURSOS HUMANOS 23 
10 AVALIAÇÃO 23 
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 25 
ANEXOS 27 
Anexo A – Texto Complementar 28 
 
 3 
1 INTRODUÇÃO 
 
Este projeto analisa e propõe a reflexão sobre o contexto sócio-
histórico, político, cultural e econômico que influenciou a ditadura militar e sua 
superação, pelo movimento de redemocratização em busca de um regime 
democrático, enfrentando as contradições e as imposições do sistema capitalista. 
Neste sentido, escolheu o conteúdo de História do 9º ano do Ensino Fundamental, 
inserido no eixo transversal que trata da Educação para a Diversidade/Cidadania e 
Educação em e para os Direitos Humanos e para a Sustentabilidade: A ditadura civil-
militar e os processos de resistência e, o processo de redemocratização. 
Constituindo-se como objetivos que devem ser alcançados pela exploração desses 
conteúdos: Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar 
no Brasil; e discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final do 
período ditatorial até a Constituição de 1988, analisando as transformações políticas, 
econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando questões 
prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. 
Para desenvolvê-los, escolheram-se duas fontes, considerando que 
sejam dispositivos que possibilitam “o exercício da curiosidade, da investigação, do 
questionamento e da descoberta de novos conhecimentos, por parte de ambos, em 
um processo interativo de construção significativa do saber e da reflexão sobre ele” 
(BRASÍLIA, 2002, p. 10): vídeos extraídos do youtube, disponível na internet; textos, 
imagens e fotografias extraídas da internet; que foram introduzidos para realizar 
trabalho em grupo, reprodução e reestruturação textual, caça ao tesouro, discussão 
e apresentação de resumos e sínteses dos vídeos assistidos; interpretação de letra 
de música e simulação de processo eleitoral conectado com o momento político 
atual de eleições presidenciais e para governos de estados e DF. 
A exploração desses assuntos serve para levar os estudantes a 
entender as transformações operadas no mundo e nos Brasil, após o processo de 
industrialização e de substituição do feudalismo pelo Capitalismo que modificou as 
relações de trabalho, as práticas sociais e as estruturas institucionais, a partir da 
introdução de princípios liberalistas que despertaram a luta de classes, legitimando 
as desigualdades sociais para alimentar o Mercado, levando os países a se 
adaptarem às regras e ideologias liberais, com isso tiveram que abrir suas fronteiras 
para a exploração capitalista. Nesse processo foram se erguendo movimentos 
 4 
sociais em torno da luta por direitos humanos e pela preservação de conceitos 
elementares como o de democracia e cidadania, constituindo grande desafio para o 
crescimento econômico e o respeito aos povos. 
Em reflexo dessa realidade, nos períodos de 1945 a 1988, o Brasil 
enfrentou momentos de contradição, por um lado, buscava-se a construção de uma 
sociedade democrática, por outro, ela era combatida, por frentes políticas de direita 
que pretendiam manter as oligarquias e autoritarismo dos regimes feudais. Esse 
terreno de contradições fortaleceu o golpe militar da década de 1960 e a instalação 
da ditadura militar por quase 25 anos, (ARRUDA; PILETTI, 1997), causando 
problemas para o país, na medida quem expôs a face da desumanização e da 
brutalidade capitalista, deixando graves feridas sociais e políticas, dentre elas, 
grande número de mortos e desaparecidos, índices alarmantes de tortura e 
agressão aos direitos humanos que se consolidavam em todo mundo, como 
instrumento de defesa dos sujeitos em relação às barbáries do fascismo (OLIVEIRA, 
2011). 
O golpe militar foi uma tentativa de impedir o avanço das ideias 
socialistas no Estado, pois esteve conectado à organização do Estado para atender 
expandir e adequar-se ao Capitalismo (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2006), pretendeu 
expandir o comércio exterior para multinacionais. Sob a égide do avanço econômico 
abriu o país à exploração capitalista, permitindo o livre acesso de empresas 
multinacionais; aumentou os índices das dívidas externa e interna; gerou um 
“milagre financeiro” que deflagrou grave crise econômica que enfraqueceu o governo 
ditatorial. A crise e a forte repressão exercida nesse período, engrossaram os 
movimentos sociais, políticos, sindicais e partidários que, sob resistência 
conservadora, conseguiram derrubar a ditadura militar e inaugurar o período de 
redemocratização do país, buscando-se por meio da construção de nova 
constituição, o retorno aos princípios democráticos de direitos e liberdades 
(ARRUDA; PILETTI, 1997; LIMA, 2012). 
A eleição de novos representantes nas Assembleias Legislativas 
contribuiu com esse processo, uma vez que se instaloua Constituinte de 1988 para 
a produção de nova Constituição, dando início à nova fase do regime democrático. 
Apesar de manter o regime de Democracia Representativa que não atende 
totalmente às necessidades e interesses da população, o país vem se 
reconfigurando, passando por mudanças estruturais importantes e por governos que 
 5 
se mantém comprometidos com as exigências de Bancos estrangeiros, dos quais 
depende econômica e politicamente. No sistema representativo, nutre-se a 
esperança de que todos os segmentos sociais sejam representados no poder 
público, forçando a organização da sociedade, o respeito aos princípios 
constitucionais relacionados à liberdade, dignidade e igualdade (CHAUÍ; 
NOGUEIRA, 2006), por isso, o processo eleitoral é importante para a democracia, 
constituindo-se em prática que legitima direitos cidadãos, não só políticos. 
A escola representa um espaço de construção de cidadanias e onde 
os conhecimentos do mundo, as estruturas da sociedade, os pensamentos e 
ideologias são inseridas nas práticas e comportamentos sociais, devendo por isto, 
ser transformada em instrumento de formação identitária, levando pessoas a 
compreenderem seu papel no contexto social para modificar a história dessa 
sociedade, de forma crítica e consciente, por meio do desenvolvimento de projetos 
pedagógicos como o proposto neste trabalho que propõe a análise do contexto e 
das implicações da ditadura militar no Brasil e o sequente processo de 
redemocratização, fortalecido pelo processo eleitoral que sucedeu governos militares 
por civis, fundados em princípios de democracia. 
 
 
 2 JUSTIFICATIVA 
 
 
Esse projeto se justifica, na medida em que promove discussões 
acerca de um tema que tem sido levantado no contexto do processo eleitoral 
desenvolvido em 2018, ou seja, o retorno à ditadura militar, carecendo da análise 
sobre as implicações que essa proposta traz para a democracia e para o bem-estar 
social do Brasil, retomando discursos da extrema direita que caracterizaram o 
fascismo das décadas de 60, em toda América Latina, representado nas práticas 
autoritárias da repressão e da ameaça aos direitos humanos, por governos militares, 
conquistados por meio de golpes políticos. O assunto é tão sério que Levitsky e 
Ziblatt (2018) observam o retorno às ideias antidemocráticas e conservadoras da 
direita não precisa recorrer à novos golpes militares, com emprego de armas e 
fechamento do Congresso para ferir a democracia, ela pode vir a ser destruída por 
 6 
ataques sutis e sistemáticos contra as instituições mais basilares às coletivas (da 
família aos partidos, principalmente os de esquerda), como afirmam: 
 
A democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes 
de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo 
se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – 
como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de 
longa data (LEVTSKY; ZIBLATT, 2018) 
 
Nesse sentido, torna-se urgente a construção de estratégias 
educacionais que promovam a reflexão e a crítica sobre o tema, remontando à 
história como uma revisão de fatos e acontecimentos para a reconfiguração do 
presente, a fim de que haja possibilidade de construção de um futuro onde a 
Democracia, os Direitos Humanos, a diversidade cultural e social, os princípios 
democráticos que sustentam a identidade social de integridade e autonomia cidadã 
sejam conquistas garantidas individual e coletivamente, entendendo que o recurso à 
história serve como meio para os grupos construírem suas identidades, com 
relativas assimetrias de liberdade, buscando sentido no passado para compreender 
as relações no presente (TURIN, 2005). Como destaca o Currículo da Educação 
Básica, Ensino Fundamental, ao tratar do ensino de história, a reconstrução do 
passado é necessária para interpretar e compreender o presente, com aporte em 
fontes históricas, alcançando duplo sentido (BRASÍLIA, 2002). 
A escolha do tema e dos conteúdos visa à construção de uma 
consciência crítica sobre e a partir da realidade e do contexto sócio cultural, uma vez 
que é assunto discutido pela sociedade, com a ampliação de estudos e reflexões, 
existindo muitos materiais editados e publicados nas redes sociais e mídias digitais, 
podendo ser popularizados, democratizados e usados como recursos didáticos e 
fontes históricas, por isso, foram utilizados vídeos com relatos e depoimentos de 
pessoas torturadas no período ditatorial, com explanações de fatos e 
acontecimentos que precederam e caracterizaram a ditadura e a redemocratização. 
Foram também utilizados textos informativos e históricos, retirados de livros de 
história, reportagens feitas em revistas eletrônicas e artigos científicos, com o 
propósito de aprofundar e alargar os conhecimentos dos estudantes para 
modificação de comportamentos, opiniões e práticas sociais, evitando erros 
interpretativos da realidade e a divulgação do senso comum que mantém as 
pessoas em estado de ignorância e infantilização política, alimentando ideias 
 7 
fascistas, antidemocráticas, massificadoras e alienadoras (CHAUÍ; NOGUEIRA, 
2007). 
O assunto abordado consta no conteúdo programático do Ensino 
Fundamental, constituindo-se parte do processo de ensino e aprendizagem da 
educação básica para desenvolver e legitimar a cidadania e permitir a formação 
plena e multidimensional dos estudantes, preparando-os para a vida em sociedade. 
Nesta dimensão, propõe a realização de projetos dentro de uma perspectiva 
construtivista e desenvolvimentista que centraliza a ação educativa no 
desenvolvimento do indivíduo. 
Nessa dimensão, a escola que é instituição social, busca a formação 
cidadã para permitir que os indivíduos sejam capazes de atuar com competência e 
dignidade na sociedade, para tanto se apropria de conteúdos que possam responder 
e se coadunar à questões sociais e históricas, com o fim de promover aprendizagens 
para o exercício de direitos e cumprimento de deveres, garantindo práticas 
educativas voltadas para o desenvolvimento do pensamento crítico, influenciado 
social e culturalmente (BRASIL, 1997). 
A Pedagogia de Projetos constitui-se em metodologia de trabalho 
educacional que objetiva a organização dos conhecimentos, coletivamente, com a 
participação colaborativa dos estudantes e comunidade escolar que significam os 
conteúdos curriculares e os contextualizam, de acordo com os interesses, 
necessidades e possibilidades dos estudantes, introduzindo uma prática pedagógica 
que muda os papeis tradicionais do ensino, dos professores, das avaliações e dos 
estudantes, levando professores e estudantes a trabalharem juntos, lado a lado no 
processo de construção dos conhecimentos e das identidades, nesse sentido, torna-
se necessário a introdução da reflexão e do diálogo e, mudanças no espaço escolar, 
considerando-se que o principal papel do educador, seja o de estimular, observar e 
mediar a aprendizagem significativa, estimulando o estudante a pensar de forma 
crítica e transformadora (DEPRÁ, 2018), considerando que o conhecimento seja 
uma construção histórica e social, onde interferem fatores culturais e psicológicos, 
em seu processo de elaboração. 
Tomou-se o cuidado de selecionar vídeos e textos destituídos do 
viés ideológico das elites burguesas que falseiam a realidade dos fatos, tentando 
invisibilizá-los e anular os efeitos negativos sobre os comportamentos individuais e 
sociais. Os livros didáticos e textos históricos estão permeados destas concepções 
 8 
neoliberais que expressam preconceitos, defendem a lógica da exploração 
capitalista e amenizam as relações de desigualdades e dominação ideológica, com o 
fim de tornar imperceptível a luta de classes, as distinções identitárias entre a classe 
dominante e a proletária e, o profundo processo de alienação que mantém o sistema 
em funcionamento(CHAUÍ;NOGUEIRA, 2007). 
 
 
3 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
 
Os conteúdos relacionados ao período histórico da ditadura militar e 
da redemocratização brasileira requerem o reconhecimento de alguns conceitos 
importantes, principalmente aqueles relacionados à democracia, cidadania. 
A palavra democracia e seus primeiros fundamentos teve berço na 
Grécia de Sócrates do séc. V a.C. onde o Estado se organizava sobre princípios 
democráticos. De acordo com Cancian (2007) o termo surgiu em Atenas referindo-se 
à forma de governo que defendia os interesses coletivos das cidades-estados, 
assim, demos significava povo e kratos, poder, na junção indicava poder que vem do 
povo ou vontade do povo que se manifestava nas assembleias públicas para que 
decisões políticas de interesse social fossem tomadas pelos cidadãos gregos 
(mulheres, escravos e estrangeiros não eram cidadãos). 
As ideias modernas sobre democracia vêm do século XVII, com as 
revoluções burguesas que mantiveram as concepções de cidadania, atribuindo-lhes 
caráter liberal, ligando-a aos princípios de propriedade privada e individualismo 
(SILVA, 2017). O fundamento da democracia, na modernidade, é o direito cidadão 
de participar dos assuntos de interesse coletivo, por meio do voto, destacando-se a 
forma de democracia representativa, com representantes dos interesses para cada 
segmento social. Nesse contexto, o voto cumpre a função de escolha de 
representantes, dando-lhes poder para legislar em favor dos representados 
(CANCIAN, 2007). 
O processo eleitoral é importante para construção e efetivação da 
democracia, na medida em que se busca igualdade e paridade em relação à 
representação e melhor organização do sistema, devendo ser discutida e refletida 
criticamente, pensando em estratégias para transforma-lo em instrumento de 
garantia da liberdade e da dignidade humana, instrumento de autonomia e 
 9 
cidadania, carecendo de educação que possa redimensionar as práticas sociais 
nesse contexto que reproduzem ideologias tradicionais que conferiam à eleição, 
mecanismo de controle social e de manutenção das desigualdades e distinções 
sociais (ROCHA, 2012). Neste sentido, a escola destaca-se como espaço onde se 
desenvolvem projetos educacionais de cunho político-pedagógico que aproximem as 
histórias dos da história de seu país, como meio para assunção identitária dos 
indivíduos à condição de pleno exercício cidadão (FREIRE, 1987). 
O conceito de cidadania depende da construção cultural e a 
inscrição ideológica que o insere no cotidiano. Na concepção liberal, a cidadania 
está condicionada à reprodução das relações desiguais entre capitalista e 
trabalhador assalariado, preexistindo direitos diferenciados para cada classe, 
principalmente “aqueles relacionados à salvaguarda da propriedade privada, em 
face dos direitos políticos e sociais, justamente por estes não serem essenciais à 
reprodução dessa relação social desigual típica do capitalismo” (SILVA, 2017). Na 
concepção marxista, o termo está ligado à emancipação dos sujeitos da condição 
alienadora e massificadora do sistema capitalista, considerando toda realidade 
social, histórica, política, econômica e cultural para o alcance de todos os direitos 
civis, políticos, sociais e humanos, em condições de igualdade, respeitando-se a 
diversidade, assim, a cidadania plena deveria ser perseguida pelo Estado, não só 
formalmente (CHAUÍ, NOGUEIRA, 2006). 
Os regimes ditatoriais tocaram nos sentidos da construção 
democrática e da cidadania, limitando e ferindo direitos, não permitindo que fossem 
estendidos a todos os indivíduos. Ela segmentou a população, criando categorias de 
pessoas para as quais, os direitos funcionariam, de forma relativa, considerando-se 
o risco que representassem à ordem manifesta por aquele regime. 
 
 
3.1 DITADURA 
 
A década de 1940 presenciou a queda do Estado Novo, sob a 
presidência de Getúlio Vargas. Em 1945 por meio de reforma constitucional que 
regulamentou o alistamento e as eleições para presidência da República, para os 
governos estaduais e para as assembleias legislativas; impôs medidas para anistiar 
presos políticos e permitir a organização de partidos políticos. Foram tomadas 
 10 
medidas em relação a direitos e benefícios para trabalhadores e criado um modelo 
de política nacionalista com a criação do Conselho Nacional do Petróleo e da 
Companhia do Vale do Rio Doce. Essas medidas deram força e apoio popular a 
Getúlio Vargas que foi combatido pela classe dominante e pelas Forças Armadas, 
obrigando o presidente a deixar o governo que foi entregue ao ministro presidente 
do STF, José Linhares até a posse de Gaspar Dutra eleito em 1945. 
Em 1946 foi construída e aprovada a nova Constituição, por uma 
assembleia recém-formada, tendo sido caracterizada por medidas em direção à 
democratização, firmando como princípios fundamentais a igualdade de todos 
perante a lei; a liberdade de manifestação de pensamento, a inviolabilidade do sigilo 
de correspondência e do domicílio; a liberdade de consciência e crença religiosa; 
liberdade de associação; proibição de partido político ou associação que 
contrariasse o regime democrático; prisão só em flagrante delito ou por ordem 
judicial e garantia de ampla defesa (AGUIAR; PILETTI, 1997). 
Para Aguiar e Piletti (1997) o período entre 1945 e 1964 foi 
permeado por indefinição e por tentativas de promover a democracia, expressa e 
advogada na Constituição de 1946 que, pressupunha a participação popular, a 
diminuição das desigualdades sociais e econômicas, pela mobilização de mudanças 
na estrutura do sistema, com o fim de alcançar maior justiça na distribuição de renda 
e terra. Essas ideias, atacavam diretamente a ordem capitalista e o funcionamento 
do sistema, levantando reações da direita brasileira e dos militares que estiveram, 
durante a história do país envolvidos em vários movimentos de revolta aos governos, 
muitos, em defesa de bandeiras voltadas para a segurança e ordem, sendo 
reforçados pelos princípios liberais de ordem e progresso. 
Um dos grandes imperativos que gerou instabilidade para o país foi 
o alto desenvolvimento e expansão da indústria de base, com o funcionamento de 
siderúrgica que exigiu construção de usinas hidroelétricas de grande porte e o 
crescimento das indústrias automobilísticas. O progresso industrial após a 2ª Guerra 
Mundial setorizou o país, levando ao desenvolvimento de algumas regiões e a 
pobreza de outras, a exemplo da polarização entre o sudeste e o nordeste 
brasileiros, fazendo com que houvesse distribuição de bens e serviços de forma 
desigual, acirrando as desigualdades sociais e econômicas (AGUIAR; PILETTI, 
1997). 
O cenário político brasileiro complicou-se a partir de 1945 com a 
 11 
eleição presidencial, onde se apresentaram partidos políticos de extrema direita, 
alguns com ideias liberais e outros com ideias socialistas, como o Partido Comunista 
que causava receio ao Estado brasileiro, dado à conjuntura internacional e a Guerra 
fria travada entre o bloco soviético comunista e o americano, capitalista. Dutra foi 
eleito presidente para o período de 1946 a 1951, em seu governo, rompeu com a 
URSS e decretou a ilegalidade do partido comunista. Vargas voltou ao governo em 
1951 e enfrentou dificuldades financeiras, uma grande onde de greves, para resolve-
las adotou medidas não aceitas pelos oponentes como aumentos salariais e 
políticas de defesa de direitos trabalhistas. Após a morte de Rubens Vaz, guarda 
costas de Carlos Lacerda, opositor de Getúlio, o presidente foi pressionado e 
perseguido para renunciar, mas suicidou-se em 1954, levando o vice-presidente, 
Café Filho a assumir seu lugar, mas afastou-se do cargo, por motivo de doença, 
deixando-o vago para Carlos Luz, presidente da Câmara. 
Juscelino Kubitscheck foi eleito em 1955, tendo como vice, João 
Goulart, o Jango, vencendo os militares Juarez Távora e MiltonCampos da UDN 
que não aceitou a derrota e junto com setores da marinha e aeronáutica ensaiaram 
um golpe que foi descoberto pelo Ministro da Guerra, com isso, depôs Carlos Luz, 
deu posse ao presidente do Senado e garantiu a posse de Juscelino e Jango. 
Outros golpes foram tentados durante o governo de JK que deu novo rumo à gestão, 
assumindo postura desenvolvimentista para acelerar a economia, oferecendo 
facilidade às multinacionais, expandiu a indústria de aço e a construção naval. 
Construiu hidrelétricas, abriu rodovias para ligar regiões de comércio e construiu a 
nova capital, Brasília. As medidas de JK agravaram problemas econômicos no país, 
acrescentando cifras às divididas externa e interna, e aumentando os índices 
inflacionários, mas sua gestão garantia simpatia da população (AGUIAR; PILETTI, 
1997). 
Juscelino foi substituído por Jânio Quadros que renunciou ao 
governo, 7 meses após sua posse, deixando a vaga para Jango que por suas ideias 
socialistas foi substituído, traiçoeiramente por Ranieri Mazzini, presidente da 
Câmara, com apoio dos militares que tentaram mudar a constituição, mas sofrendo 
oposição em defesa da legalidade, sob a liderança de Brizola, concordaram em 
devolver a presidência a Jango se ele adotasse o regime parlamentarista, aprovado 
mediante Ato Adicional À Constituição de 1946, porém Jango submeteu a plebiscito 
a mudança, atitude que o levou a ser destituído em 1964, após realizar algumas 
 12 
reformas de base: plebiscito que lhe devolveu a presidência em 1963; monopólio 
estatal sobre importações de petróleo e derivados; regulamentou a remessa de 
lucros ao exterior; assinou decretos que nacionalizaram as refinarias de petróleo e 
desapropriavam, em reforma agrária, propriedade com mais de 100 hectares; voto 
do analfabeto e reforma universitária. 
Nesse contexto fortaleciam-se os movimentos sociais universitários 
e estudantis, católicos, sindicais, partidários. Somado às medidas adotadas por 
Jango, as reações conservadoras organizaram movimentos em oposição, em defesa 
da segurança e das bandeiras tradicionais como a frente patriótica civil-militar e a 
Sociedade, Brasileira para Defesa da Tradição, Família e Propriedade, ambas 
financiadas por empresários e políticos da direita conservadora, mobilizando a 
opinião pública para depor Jango, sob a ideia de que ele queria impor uma república 
sindicalista, confiscando propriedades, abolindo a religião e ferindo princípios de 
família tradicionais. Tudo isso, somado às dificuldades econômicas que se acirraram 
após o governo de JK, ajudaram a derrotar Jango (AGUIAR; PILETTI,1997). 
Codato (2005) em sua análise sobre a brutalidade da repressão 
adotada pelo regime militar para controlar, punir e impedir a ação daqueles que se 
opunham ao regime e que defendiam os princípios democráticos, considerados 
terroristas, subversivos e ameaças à segurança das instituições e do Estado, afirma 
que a ditadura durou 25 anos, tendo iniciada em 1964 e tendo fim, em 1989, nesse 
período, teve seis governos, podendo sua história ser dividida em cinco fases 
distintas: (1) de constituição do regime político ditatorial-militar, com o governo de 
Castello Branco e Costa e Silva; (2) de consolidação do regime, com governo de 
Médico (1969-1974); (3) de transformação com Ernesto Geisel no governo entre 
1974 a 1979; (4) de desagregação com o general Figueiredo nos anos de 1979 a 
1985 e; (5) de transição do regime ditatorial-militar para o liberal-democrático com o 
governo Sarney de 1985 a 1989. 
 
 
3.2 PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO 
 
 
O termo Redemocratização é usado para se referir ao processo de 
ruptura com o regime ditatorial militar e abertura política para o estabelecimento de 
 13 
um Governo Civil que pode recuperar a gerência das instituições, trazendo de volta 
os princípios e práticas democráticas, além de direitos políticos, civis, sociais e 
humanos que foram suspensos durante a ditadura. A maior parte dos estudos sobre 
o tema definem que esse período teve início com Ernesto Geisel em 1974, indo até a 
eleição direta de Tancredo Neves em 1984. Tancredo não chegou a assumir o 
governo, pois adoeceu e morreu antes disso, assumindo em seu lugar, José Sarney, 
inaugurando o período chamado de “Nova República” (RODRIGUES, 2018). 
Codato (2005) considera que o período inicial da fase de 
redemocratização, ainda esteja inserida no contexto ditatorial, pois observa um 
contexto de insegurança social e eminente perigoso do retorno de militares ao 
governo, a partir do entendimento de três aspectos, houve o processo de “distensão 
política”, chamado de “política de abertura” e de “transição política” que foi iniciado 
pelos militares, não pela pressão popular que se organizava para o novo momento, 
mas esse processo teve objetivos ainda definidos pelos militares, por meio da 
imposição de muitas correntes político-ideológicas, demonstrando que eles teriam 
que resolver problemas internos à corporação para não sucumbirem às falhas e 
dificuldades geradas pelas decisões tomadas no decorrer de sua administração. 
O pleito eleitoral, a retomada das eleições diretas para o Executivo e 
Legislativo, com a participação do povo brasileiro, teve grande importância para a 
construção desse processo de redemocratização, em que a sociedade pedia pelo 
retorno à democracia, mesmo que representativa. Constituía-se desafio pensar na 
democratização entendida por Chauí e Nogueira (2006, p.198) “como um processo 
de recomposição e alargamento do sistema político, de incorporação e integração 
social, de expansão e consolidação da democracia em sentido amplo”. Com essa 
preocupação retomam-se as reflexões sobre emancipação e desalienação que 
poderiam ser estimuladas por via da educação. 
O processo de redemocratização seguiu com várias mudanças 
estruturais, a construção de nova constituição, com caráter democrático, seguindo-
se de mudanças na legislação educacional, nas práticas sociais, uma nova 
configuração para os movimentos sociais e partidários. Ainda não se pode afirmar 
que a sociedade brasileira se democratizou, ela caminha para a descoberta e a 
apropriação dos princípios que estabelecem a democracia, estando permeada de 
concepções e ideologias liberais, neoliberais, representada por setores tradicionais e 
conservadores da sociedade, e, por concepções de cunho socialista-liberal, de 
 14 
cunho socialista e comunista, procurando se reinventar, após os acontecimentos do 
fim do século XX e XXI que desestruturam as sociedades comunistas, dissolvendo 
as ideias e manifestações. 
Considera-se para efeitos desse projeto, que o país esteja em 
processo de transição e de construção de valores, práticas e organização 
democrática, por isso, torna-se importante que se discuta, na escola e em diferentes 
setores da sociedade, questões que nos remetam ao passado para avaliar o que 
pode ferir ou impedir o desenvolvimento da democracia, para que não sejam 
fortalecidos aspectos negativos. 
 
 
4 SÉRIE/ANO PARA O QUAL O PROJETO SE DESTINA 
 
 
O projeto será desenvolvido no 9º ano do Ensino Fundamental, a 
última série do Ciclo Básico da educação brasileira, na disciplina de história, a partir 
do desenvolvimento do eixo transversal que envolve o trabalho sobre aspectos de 
cidadania e direitos humanos. 
 
 
5 OBJETIVOS 
 
 
Constituem-se objetivos deste projeto: 
• Promover o entendimento do contexto ideológico, político, 
histórico e cultural que motivou o golpe militar e a luta pelo processo de 
redemocratização do país; 
• Discutir conceitos essenciais de Democracia e cidadania: 
• Levar os estudantes a entenderem a relação entre processo 
eleitoral e a construção da democracia e da cidadania. 
 
 
 
6 PROBLEMATIZAÇÃO 
 
 
 15 
Com o desenvolvimento deste projeto pedagógico, pretende-se 
analisar o contexto que justificou e permitiu um golpe militar no Brasil, a instauração 
e durabilidadede um regime ditatorial por mais de 20 anos, gerando muitos 
problemas sociais e econômicos que foram escamoteados por um sistema de 
silenciamentos e perseguição, que não se instalou sem resistências, mas enfrentou 
desde o começo críticas e a organização de movimentos sociais, populares e 
partidário, que, manteve-se e continuou se desenvolvendo, mesmo 
clandestinamente, motivando e fortalecendo o quadro político e social para o 
rompimento com as forças repressoras do Estado militarizado, que somado à crise 
econômica, irrompeu com o processo de redemocratização do país que procurou 
retomar os avanços alcançados na era Vargas e Getulista, em relação aos direitos 
dos trabalhadores e dos direitos humanos, dentre outros mecanismos de 
reestruturação democrática. 
Diante deste contexto, o projeto explora o conteúdo de História do 9º 
ano do Ensino Fundamental, encontrando o estudo da ditadura e dos processos de 
resistência, assim também o de redemocratização do país, por isto, dedica-se à 
análise da História Geral do país, situando-a no período pré e pós ditatorial, 
entendendo-o como um dos mais importantes para o cenário atual, na medida em 
que foi nesse período que o presente foi construído e que o aparato ideológico 
neoliberal se instalou em todas as estruturas sociais, entranhando-se na identidade 
social brasileira, tornando difícil seu combate, senão por processo de reflexão e 
desconstrução de conceitos, paradigmas, práticas e comportamentos sociais 
institucionalizados. 
Para nortear as ações pedagógicas foram feitas 3 questões: 
• Como o pleito eleitoral e a escolha de representantes políticos 
pode influenciar na construção de uma sociedade democrática, entendendo todo 
percurso histórico porque o Brasil passou desde o golpe militar, ao processo de 
redemocratização, por meio das eleições e promulgação de uma constituição com 
princípios democráticos? 
• Qual o contexto sócio-cultural e econômico que motivou, 
justificou e permitiu o golpe militar, a instalação da ditadura e quais as estratégias de 
resistência oferecidas a esse regime? 
• Que situações promoveram e organizaram os movimentos em 
torno do processo de redemocratização do país? Que concepções ideológicas, 
 16 
conceituais, paradigmáticas, filosóficas, sociológicas ajudaram a construir esses 
movimentos? 
Para a formulação destas questões foram levados em consideração 
os objetivos instrucionais relacionados aos conteúdos escolhidos para 
desenvolvimento do projeto pedagógico de história, ou seja: 
• Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura 
civil-militar no Brasil; 
• discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final 
do período ditatorial até a Constituição de 1988, analisando as transformações 
políticas, econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando 
questões prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. 
 
 
7 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO 
 
 
Um dos objetivos da educação escolar é que os alunos aprendam a assumir 
a palavra enunciada e a conviver em grupo de maneira produtiva e 
cooperativa. Dessa forma, são fundamentais as situações em que possam 
aprender a dialogar, a ouvir o outro e ajudá-lo, a pedir ajuda, aproveitar 
críticas, explicar um ponto de vista, coordenar ações para obter sucesso em 
uma tarefa conjunta, etc. É essencial aprender procedimentos dessa 
natureza e valorizá-los como forma de convívio escolar e social. Trabalhar 
em grupo de maneira cooperativa é sempre uma tarefa difícil, mesmo para 
adultos convencidos de sua necessidade (BRASIL, 1997, p. 63) 
 
As atividades previstas foram planejadas levando em conta o processo de 
desenvolvimento dos estudantes, os princípios de autonomia e colaboração. 
Entendendo autonomia, como destacado no texto dos Parâmetros Curriculares 
Nacionais (1997) como capacidade para se posicionar, elaborar projetos pessoais e 
participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, com discernimento e 
organização em função de metas, exercendo controle sobre emoções e 
comportamentos, principalmente ao participar em ações coletivas. Nessa direção, 
autonomia liga-se à emancipação dos sujeitos, sendo emancipação: 
 
capacidade de desvelar e exercer a expressividade, perceber as 
contradições dialéticas do contexto social, interagir criativamente nas 
contingências e se restituir como sujeito a todo o momento, mediante o 
exercício de pensar sua condição humana (SILVA, 2013) 
 
 17 
Ao pensar na capacidade que a escola possui de ou conformar os 
sujeitos aos padrões, normas e valores sociais para sustentar o capitalismo ou para 
gerar pessoas capazes de se libertarem das amarras deterministas e autoritárias 
desse sistema e de sua lógica alienadora, apropriamo-nos das ideias de Giroux 
sobre escola emancipadora para prever atividades que promovam a formação do 
pensamento crítico, pela dúvida e análise da realidade para agir em direção a 
mudanças individuais e coletivas: 
 
Para que a educação para a cidadania se torne emancipatória, deve 
começar com o pressuposto de que seu principal objetivo não é “ajustar” os 
alunos à sociedade existente; ao invés disso, sua finalidade primária deve 
ser estimular suas paixões, imaginação e intelecto, de forma que eles sejam 
compelidos a desafiar as forças sociais, políticas e econômicas que 
oprimem tão pesadamente suas vidas. Em outras palavras, os alunos 
devem ser educados para demonstrar coragem cívica, isto é, uma 
disposição para agir, como se de fato vivessem em uma sociedade 
democrática (Giroux, 1986, p.262). 
 
O projeto será desenvolvido em três etapas. Sendo a primeira 
relacionada à identificação e construção de uma situação-problema desafio sobre a 
qual se estrutura todas as ações. Na segunda etapa, constroem-se as estratégias de 
ação, planejando como o problema será solucionado, elegendo-se caminhos de 
pesquisa, de trabalho em grupo, estipulando regras de convivência e para realização 
das atividades coletivas. A terceira etapa corresponde àquela em que o 
planejamento é posto em ação, realizam-se as atividades e a avaliação continuada, 
verificando se os objetivos são alcançados, se há colaboração e participação de 
todos. 
Na primeira etapa, apresentam-se questões para que o conteúdo 
seja introduzido, em forma de situação problema e para contextualização dentro da 
realidade dos estudantes: 
• (1) O que foi, quando foi e em que contexto ocorreu a ditadura militar 
no Brasil? (2) Esse acontecimento histórico tem alguma relação com a vida 
atual e com a sua vida? (3) O que foi o processo de redemocratização do 
Brasil? Quando, como e porque ocorreu? 
 Seguem-se alguns passos para o desenvolvimento desse primeiro 
momento: 
a - Sensibilização 
 18 
• A turma é disposta em grande grupo, em forma de círculo. A 
pergunta é apresentada de forma escrita, no quadro, pedindo-se a reflexão sobre ela 
e a apresentação de respostas, estimulando-se o debate e o diálogo. As respostas 
são anotadas no quadro e registradas pelo professor, com o fim de serem avaliadas 
ao final do projeto. 
• Em seguida, apresenta-se vídeo com testemunhos de pessoas 
que sofreram torturas no período da ditadura militar. 
• Após o vídeo, retoma-se a discussão sobre a ditadura, 
procurando levantar conceitos dos estudantes, o que pensam que tenha sido e 
verificar como a questão tem sido tratada pela sociedade atual, principalmente no 
contexto das eleições de 2018, quando foi aventada a ideia de retomar o regime 
ditatorial para o Brasil, com a eleição de um candidato militar. 
• Propõe-se então um trabalho de investigação dos fatos e 
acontecimentos históricos, construindo com os estudantes, mediante sugestão do 
professor, um planejamento de atividades, 
b. Planejamento 
• Prever passos para realização do projeto, registrando as 
sugestões dos estudantes e do professor, buscando-se integrar as propostas para 
sistematizaro trabalho; 
c. Realização do Projeto Propriamente dito: 
1. Discussão sobre as 3 perguntas direcionadoras, com anotação 
das respostas para comparação ao final do projeto; 
2. Apresentação de vídeo com o título: depoimentos de vítimas da 
ditadura militar, obtido no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=L-u7-
mq_U48&t=42s; 
3. Conversa sobre o vídeo, levantando impressões dos estudantes, 
informações e referências que possuem sobre o assunto, assim como incentivar a 
análise da hipótese de retomar o regime ditatorial, por meio da instalação de um 
governo militar, verificar suas implicações, aspectos políticos, sociais, econômicos, 
históricos, culturais; (o professor precisa mediar essa discussão e verificar as 
concepções dos estudantes para delas partir e motivar a dúvida e a investigação); 
https://www.youtube.com/watch?v=L-u7-mq_U48&t=42s
https://www.youtube.com/watch?v=L-u7-mq_U48&t=42s
 19 
4. Dividir a turma em grupos, de no máximo 5 alunos. Definir 
funções para os membros do grupo (coordenador, assistentes, secretários), com 
finalidade de promover a participação de todos em todas as atividades propostas; 
5. Indicar vídeos para que assistam, com finalidade de preparem 
seminários. Sugerem-se 4 vídeos extraídos da internet, na página do youtube, sendo 
eles: (1) O golpe de 64. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=9VZqL_a1vVg; (2) O Mal que foi a Ditadura no 
Brasil por Leandro Karnal. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=pk5Khex5oW0); (3) A Redemocratização no 
Brasil por Boris Fausto. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=KVrREvdxre8; (4) Da redemocratização até 
nossos dias (de Sarney a Lula). Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=Tg9yGBTgOEg). 
6. Os grupos são levados para o Laboratório de Informática para 
assistirem juntos, os vídeos; 
7. Preparação do seminário: definição de ordem de apresentação, 
materiais que serão utilizados, forma e tempo para apresentação. Serão utilizadas 2 
aulas; 
8. Apresentação do seminário com a síntese e análise dos vídeos 
assistidos, permitindo-se uso de computadores e imagens; 
9. Os grupos apresentam p turma a síntese dos vídeos, 
estabelecendo relação entre os 2 momentos; discussão sobre o assunto, impressões 
e percepções dos estudantes; 
10. Discussão sobre os temas apresentados, procurando construir 
conceitos para ditadura, democracia e redemocratização; 
11. Pesquisas em meio eletrônico digital, dicionários e livros para 
levantar significados e conceitos para ditadura, redemocratização, democracia e 
cidadania, comparando com as formulações que foram feitas após a discussão 
anterior; 
12. Caça ao tesouro para encontrar figuras e partes de texto para 
estruturação da história do Brasil, período de 1946 a 1989, dividido em 4 partes: de 
1946 a 1963, de 1964 a 1984; de 1985 a 1988 e de 1988 até 2018, com pistas. 
(professor espalha pela escola, frases, gravuras e textos com a história do Brasil 
https://www.youtube.com/watch?v=9VZqL_a1vVg
https://www.youtube.com/watch?v=pk5Khex5oW0
https://www.youtube.com/watch?v=KVrREvdxre8
https://www.youtube.com/watch?v=Tg9yGBTgOEg
 20 
discutida); os grupos montarão painéis, analisando os textos e relacionando com as 
gravuras e com as informações obtidas nos vídeos explorados); 
13. Construção de mapa conceitual com datas, fatos e 
acontecimentos; com auxílio do professor, definindo datas a partir da história 
construída na finalização da atividade da caça ao tesouro; 
14. Montagem de painel integrado com a apresentação do texto 
formulado na atividade de caça ao tesouro e do mapa conceitual para mostrar aos 
demais estudantes da escola; 
15. Organização do júri simulado. Definir os participantes, a forma 
de sua participação e a estrutura do júri; 
16. Realização de júri simulado para defesa e acusação da ditadura 
militar ocorrida no Brasil, seguida da construção de dois grupos, um de defesa, outro 
de acusação, com a presença de 1 juiz, 2 advogados para cada parte; promotor 
público em defesa do Estado, testemunhas e júri. As regras do júri e da situação de 
julgamento serão construídas coletivamente, primando por regras de respeito à fala, 
ao tempo do outro e à integridade. No momento do julgamento, a situação será 
apresentada pelo promotor que discorrerá sobre as consequências da ditadura para 
as pessoas e para o Estado. Os advogados terão o momento de apresentação dos 
argumentos de defesa e acusação; tempo para inquirir testemunhas das duas partes 
(estima-se pelo menos 3 testemunhas para cada parte) e tempo para fazer as 
defesas finais. O promotor apresentará sua posição final, defendendo o Estado. O 
júri terá tempo para decisão que será apresentada à turma, por 1 representante; 
17. Pesquisas sobre o processo de redemocratização do país em 
textos de artigos científicos apresentados pelo professor aos estudantes, após 
exploração de um texto coletivo (anexo 1). Os textos são citados nas referências e 
têm como títulos: (1) Pensamento Político e a Redemocratização do Brasil – Chauí e 
Nogueira (2007); (2) Uma História Política de Transição Brasileira: da ditadura militar 
à democracia – Codato (2005); (3) A ditadura militar e a redemocratização brasileira 
analisada através da música – Vieira (2010); (4) Unidade VI – As sociedades 
Contemporâneas, capítulo sob título 93: Contradições do Mundo Contemporâneo: O 
Brasil da Redemocratização às Reformas de Base. Do Livro Toda A História: História 
Geral e História do Brasil – Arruda e Piletti (1997); 
 21 
18. Discussões acerca do papel do processo eleitoral na jornada de 
redemocratização e de sua importância para firmar a democracia atual, por meio de 
perguntas dirigidas pelo professor; 
19. Planejar a simulação de eleições na escola, com situação fictícia 
e representação dos candidatos ao governo e presidência, representando o 
momento atual de eleições para esses cargos; 
20. Aula expositiva apresentando critérios e processo de seleção de 
candidatos para os pleitos eleitorais, falando do papel dos partidos, da 
responsabilidade dos Tribunais Eleitorais e da forma de eleições diretas utilizada no 
Brasil, caracterizando a democracia representativa; 
21. Seleção de candidatos na turma para governador e presidente, 
após de definição de critérios para a candidatura (idoneidade, seriedade de 
proposta, não apresentação de promessas para comprar votos, por exemplo); 
22. Montagem de comissão organizadora e fiscalizadora para as 
eleições, com definição de atribuições; 
23. Realização de campanha eleitoral, simulação de horário politico 
e debate com apresentação de propostas de governo; 
24. Preparação e confecção de urnas eletrônicas e manuais; 
25. Realização da eleição, propriamente dita; 
26. Apuração dos resultados; 
27. Fotografar os momentos de eleição e apuração das eleições; 
28. Construção de textos dissertativo e descritivo de todo projeto, 
com avaliação das aprendizagens, individual e coletivo; 
29. Anexar as fotografias da eleição e apuração no painel integrado; 
30. Auto-avaliação; 
31. Avaliação do projeto; do professor e dos estudantes; 
32. Propor a exposição do painel integrado para a escola; 
33. Propor a exposição dos textos e das imagens da turma durante 
a realização do projeto em redes sociais dos estudantes, facebook e instagram. 
 
 
8 TEMPO PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO 
 
 
 
 22 
CRONOGRAMA DO PROJETO DE ENSINO EM HISTÓRIA 
Tema: Ditadura Militar e o Processo de Redemocratização: papel das eleições na construção 
da Democracia 
( x ) Ensino Fundamental - 9º ano ( ) Ensino Médio 
Cronograma Atividades 
 
 
 
 
 
 
1ª aula 
1) Apresentação das perguntas-chaves como situações-
problemas desafios para promoção de debate e reflexão sobre o 
tema do projeto: ditadura militar no Brasil; 
2) Apresentar vídeo com testemunho de vítimas da repressão 
durante o período ditatorial; 
3) Discussão sobre o contexto que envolveu a ditadura militar 
no Brasil,para levantamento de conceitos e percepções dos 
estudantes sobre o tema; 
4) Proposta do trabalho de investigação sobre todo contexto 
que envolve o período ditatorial e sequente de redemocratização; 
5) Planejamento do Projeto interventivo de História com o 
tema da ditatura e redemocratização. Esquematização do projeto. 
 
 
2ª aula 
1) Formação de grupos; 
2) Dividir os vídeos para os grupos assistirem; 
3) Assistir os vídeos; 
4) Planejar o seminário; 
 
3ª aula 
1) Apresentação dos grupos; 
2) Perguntas dos estudantes, aos grupos, para tirar dúvidas; 
 
 
 
4ª aula 
1) Discussão sobre os temas apresentados; 
2) Construir conceitos de ditadura; democracia; 
redemocratização e cidadania; 
3) Pesquisas para levantar esses conceitos; 
 
 
5ª aula 
1) Caça ao Tesouro; 
2) Montar o texto e as gravuras em sequência; 
3) Construir painel integrado com o texto e as gravuras; 
 
 
6ª aula 
1) Construir mapa conceitual; 
2) Anexar o mapa conceitual ao painel integrado; 
3) Organização do júri simulado; 
7ª aula 1) Realização do júri simulado 
 
 
8ª aula 
1) Leitura de texto introdutório sobre redemocratização; 
2) Pesquisas sobre processo de redemocratização em artigos 
científicos; 
 
9ª aula 
1) Discussões sobre o papel do processo eleitoral na 
redemocratização e na construção da democracia; 
2) Planejar a simulação de eleições na escola; 
3) Aula Expositiva sobre eleição; 
 
 
 
10ª aula 
1) Definição de critérios para candidatura; 
2) Seleção de candidatos; 
3) Constituição de comissão organizadora e fiscalizadora para 
eleição; definição de atribuições; 
4) Início da Campanha Eleitoral, reprodução do horário político 
eleitoral e debate político; 
5) Confecção das urnas; 
 
 
11ª aula 
1) Eleição; 
2) Apuração dos Resultados; 
3) Fotografar a eleição e a apuração; 
4) Avaliação e auto-avaliação; 
 
 
 
12ª aula 
1) Construção de texto coletivo com síntese das ideias do 
projeto; 
2) Utilizar imagens fotografadas da eleição e apuração no 
painel integrado e expor na escola; 
3) Produção de texto individual com síntese das ideias do 
projeto e das aprendizagens construídas. 
4) Divulgar imagens e textos em redes sociais (facebook e 
instagram dos estudantes). 
 23 
Fonte: a autora (2018) 
 
 
9 RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS 
 
 
Seguindo as orientações descritas nos Parâmetros Curriculares 
Nacionais (PCN/97), havendo uma diversidade de materiais disponíveis para 
desenvolvimento de conteúdos, a fim de que sejam explorados e aprofundados de 
forma significativa, atendendo aos interesses, necessidades e potencialidades dos 
estudantes, utilizamos vários recursos materiais, para despertar e motivar os alunos 
a participarem, de forma colaborativa. Pois, “a utilização de materiais diversificados 
como jornais, revistas, folhetos, propagandas, computadores, calculadoras, filmes, 
faz o aluno sentir-se inserido no mundo à sua volta” (BRASIL, 1997, p. 67). 
Assim, são listados como recursos humanos, professor e alunos de 
1 turma de 9º ano, na disciplina de história. 
Como recursos materiais: computadores, televisão, celulares, 
máquina fotográfica, fotografias, imagens impressas em papel A4, textos impressos 
em papel A4, cartolinas, papel cartão, cola, tesoura, pinceis, fita adesiva, caixa de 
papelão, fichas para eleição (com nomes dos candidatos), quadro branco. 
 
 
10 AVALIAÇÃO 
 
 
De acordo com os PCN’s, a avaliação integra aprendizagem e 
ensino tem por isso, propósito de fazer ajustes e orientar as intervenções 
pedagógicas, a fim de significar a aprendizagem. É realizada processual e 
continuamente, percorrendo todas as etapas do processo educativo, podendo ser 
diagnóstica quando são aplicadas estratégias para levantar informações sobre o que 
o estudante já sabe e o que precisa aprender; reflexiva quando aponta áreas que 
precisam ser aperfeiçoadas, modificadas ou melhor trabalhadas e, qualitativa, na 
medida que identifica os conhecimentos construídos pelos estudantes. 
A avaliação é um instrumento de tomada de consciência, podendo 
servir de referência para professores, escola e para os próprios alunos que podem 
introduzi-la em suas práticas escolares. Não pode estar restrita a julgamento sobre 
 24 
sucessos ou fracassos dos alunos, apesar de serem o centro da ação educativa, 
todos os participantes do processo educativo são responsáveis por esses sucesso e 
fracasso, devendo ser alvos de avaliação. Precisam estar relacionadas com as 
oportunidades oferecidas e com as situações didático-pedagógicas oportunizadas. 
Seguindo essas premissas, a avaliação será contínua, realizada 
desde o primeiro momento, a partir das elaborações dos estudantes ao refletirem e 
responderem as perguntas caracterizadas na etapa da sensibilização, as respostas 
servirão como norte para verificar os conhecimentos que os estudantes possuem do 
assunto e as áreas que precisam ser melhor elaboradas, sendo passíveis de 
intervenção. 
Neste sentido, analisa-se a Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) 
sobre a qual se verifica os conhecimentos pré-existentes e já consolidados e a Zona 
de Desenvolvimento Proximal (ZDP), onde se verifica as necessidades de 
conhecimentos, o que precisa ser apresentado para que novas construções sejam 
feitas e novos conhecimentos sejam construídos, sendo a ZDP, a área de 
intervenção didática, sobre a qual o professor trabalha, estimula, motiva, questiona, 
planta a dúvida, levando o aluno a pensar sobre e elaborar estratégias para 
aprender (REGO, 2002). 
A avaliação será feita por meio da observação da participação dos 
estudantes, das respostas apresentadas aos desafios, da apreciação das atividades 
desenvolvidas, da auto-avaliação do aluno e do professor, da avaliação por reflexão 
e debates sobre as aprendizagens construídas durante a realização do projeto, pela 
apreciação dos textos produzidos individualmente, ao final do projeto. 
 
 
 25 
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 26 
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REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da 
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SEINO, Eduardo; ALGARVE, Giovana; GOBBO, José Carlos. Abertura Política e 
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https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/redemocratizacao
 27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 28 
ANEXO A – Texto Complementar 
 
 
Redemocratização 
 
 
Redemocratização é um termo utilizado para designar a abertura política brasileira para um Governo Civil. Ou 
seja, faz referência a recuperação das instituições democráticas que foram abolidas pelo Regime Militar 
instaurado no Brasil em 1964 e que impunha, desde aquele ano, um governo repressivo e de censura às 
instituições Democráticas do País. 
Este período, pelo que podemos perceber, é considerado desde o Governo Ernesto Geisel (eleito presidente em 
1974) até a eleição direta de Tancredo Neves, que morreria pouco antes de assumir o poder, o que resultou a 
posse de José Sarney. Esse período onde Sarney esteve no poder é denominado “Nova Republica”. 
 
1.1 PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO: 
Ficava claro para a opinião pública que o Regime Militar estava chegando ao fim com o término do governo de 
Geisel. O termo utilizado na ocasião de redemocratização era “abertura”. 
O Governo militar estava implodindo. Existia uma inflação enorme que não conseguia controlar. Além disso, 
podíamos encontrar várias denúncias de corrupção por todos os lados e como reação houve um levante da 
censura. Com tais fatos a confiança no Governo foi diminuindo, o que refletiria nas eleições. O Partido ARENA 
obteve várias derrotas nas eleições legislativas. 
Todo esse enfraquecimento do Regime Militar contribuíra para que a abertura política fosse mais que uma boa 
vontade do governo. 
É neste período que os Sindicatos de Trabalhadores do ABC Paulista tiveram grande importância. Eles 
organizaram grandes manifestações por melhorias nas condições de trabalho. Mas não brigaram sozinho, o apoio 
veio de todos os lados. Membros da Igreja Católica apoiaram o movimento, em especial Dom Evaristo Arns que 
era arcebispo de São Paulo e Dom Helder Camara, arcebispo de Olinda. Leonardo Boff, representante mais 
conhecido da Teologia da Libertação que defendia o engajamento social do clero, demonstrou grande apoio ao 
movimento. A imprensa “alternativa” se engajava com força à oposição do Governo. 
 
1.2 FEITOS QUE PROPORCIONARIAM A REDEMOCRATIZAÇÃO: 
 
Em 1979 veio a Lei da Anistia aos condenados por crimes políticos, mas o inusitado é que também abonou os 
torturadores. 
No mesmo ano era estabelecida a Lei Orgânica dos Partidos, que acabava, de fato, com o Bipartidarismo e 
liberava a população a criarem novos. É nesse momento que nasce Partidos importantes no Brasil como o 
PMDB, PDS, PFL e o PT. 
Mas o ápice da Redemocratização do Brasil foi o movimento denominado “Diretas Já” que mobilizou milhões 
de pessoas no final do mandato de Presidente de João Figueiredo e que visava pressionar o Legislativo a aprovar 
a Emenda Dante de Oliveira que possibilitaria as eleições Diretas para Presidente da Republica. 
As Diretas Já marcou a década de 80 do Brasil e uniu personalidades de todas as áreas brasileiras. Mas acabaram 
sendo frustrados, a Emenda não foi aprovada. O candidato apoiado pelo povo, Tancredo Neves, foi sim eleito. 
Mas de forma indireta. E para piorar a frustração, faleceu antes mesmo de assumir o cargo. 
Em seu lugar assumiu José Sarney, político que apoiou a Ditadura Militar no País e que foi transformado em 
Democrata na última hora. 
Por: Pedro Augusto Rezende Rodrigues 
Disponível em: https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/redemocratizacao. 
 
 
 
 
 
 
https://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/diretas-ja-movimento-e-campanha

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