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Benicio Araújo Saúde Mental e Trabalho SÍNDROME DE BURNOUT - DEPRESSÃO - ESTRESSE • Burnout, depressão e estresse são problemas de saúde específicos. Apesar de terem sintomas semelhantes, as três condições são tratadas e classificadas de maneira distinta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). • Para a OMS, o burnout não é uma condição médica, mas um fenômeno ligado ao trabalho. Já a depressão é uma doença psiquiátrica crônica. O estresse, por sua vez, é uma resposta do corpo às circunstâncias do dia a dia. Ele pode ser um indício de alguma doença ou apenas uma reação pontual a condições externas, negativas ou positivas CARACTERÍSTICAS • Burnout: é uma síndrome resultante de estresse crônico e necessariamente tem origem no ambiente de trabalho; • Depressão: é uma doença psiquiátrica crônica, que afeta pessoas de todas as idades; • Estresse: é uma reação fisiológica automática do corpo a circunstâncias que exigem ajustes comportamentais. SÍNDROME DE BURNOUT • Burnout é um "incêndio interno", um "esgotamento dos recursos físicos e mentais”. É "esgotar-se para atingir uma meta irrealizável" imposta pelo próprio indivíduo ou pela sociedade. Tal esgotamento vai ocorrer na área da vida onde há mais expectativa de sucesso - em geral, no trabalho. • Reação negativa ao estresse crônico no trabalho • Condição crônica manifestada por: fadiga persistente, falta de energia, adoção de condutas de distanciamento afetivo, insensibilidade, indiferença ou irritabilidade relacionadas ao trabalho de uma forma ampla, além de sentimentos de ineficiência e baixa realização pessoal. • Determinada principalmente por fatores da organização do trabalho, tais como sobrecarga, falta de autonomia e de suporte social para a realização das tarefas • A chamada reestruturação produtiva e as demissões em massa também são apontadas como fatores de risco • Síndrome psicológica reativa a estressores interpessoais crônicos no trabalho. Aspectos Gerais • Prevalência 25 a 60% • Mais comum entre profissionais prestadores de serviços (relação direta com cliente) • É FATOR DE RISCO PARA: o Transtornos mentais o Doenças cardiovasculares Benicio Araújo o DM2 o Inflamação sistêmica o Disfunções de imunidade • PROFISSÕES DE MAIOR RISCO: o Médico / enfermeiro o Professor o Assistente social o Policial / Bombeiro o Telemarketing o Doença que vem do trabalho e que afeta o trabalho: o Absenteísmo o Turnover o Diminuição da performance do colaborador Estágios 1. NECESSIDADE DE AUTOAFIRMAÇÃO – desejo de fazer tudo de forma perfeita, medo excessivo de errar ou ambição exagerada na profissão levam à compulsão por desempenho 2. DEDICAÇÃO INTENSIFICADA – para fazer jus às expectativas desmedidas, a pessoa intensifica a dedicação e passa a fazer tudo sozinha 3. DESCASO COM AS PRÓPRIAS NECESSIDADES – a vida profissional ocupa quase todo o tempo. A renuncia ao lazer e ao descanso é vista como ato de heroísmo 4. EVITAÇÃO DE CONFLITOS – a pessoa percebe algo errado, mas não enfrenta a situação temendo deflagrar uma crise. Surgem os primeiros problemas. 5. REINTERPRETAÇÃO DOS VALORES – isolamento e negação das próprias necessidades modificam a percepção. Amigos e passatempos são desvalorizados. Autoestima é medida pelo trabalho 6. NEGAÇÃO DE PROBLEMAS – o profissional torna-se intolerante, julga os outros incapazes, exigentes demais ou indisciplinados 7. RECOLHIMENTO – a pessoa se afasta dos outros, parece irritada e sem ânimo. No trabalho, limita-se ao estritamente necessário. Muitos recorrem ao abuso de álcool ou às drogas. 8. MUDANÇAS EVIDENTES DE COMPORTAMENTO – quem era tão dedicado e ativo revela-se amedrontado, tímido e apático. Atribui a culpa ao mundo, mas sente-se cada vez mais inútil. 9. DESPERSONALIZAÇÃO - desvaloriza a todos e a si próprio, relega necessidades pessoais. Deixa de fazer planos, só pensa no presente e a vida limita-se ao funcionamento mecânico 10. VAZIO DE INTERIOR – sensação de vazio interno é cada vez mais forte. Excede-se na vida sexual, na alimentação e no consumo de drogas e álcool 11. DEPRESSÃO - indiferença, desesperança e exaustão. Sintomas dos estados depressivos podem se manifestar, desde a agitação até a apatia. A vida perde sentido. 12. SÍNDROME DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL – total colapso físico e psíquico, pensamentos suicidas. E urgente recorrer á ajuda medica. Benicio Araújo Tríade de Maslach • Exaustão emocional: caracterizada por cansaço extremo e sensação de não ter energia para enfrentar o dia de trabalho; • Despersonalização: adoção de atitude de insensibilidade ou hostilidade em relação às pessoas que devem receber o serviço/cuidado; • Perda da realização pessoal: sentimentos de incompetência e de frustração pessoal e profissional. Dimensões do Burnout e Sintomas VARIÁVEIS POR FATOR DE BURNOUT Maslach Burnout Inventory – General Survey (MBI-GS) Benicio Araújo Causas DEPRESSÃO É uma doença psiquiátrica crônica, que pode afetar pessoas de todas as idades, incluindo crianças e idosos. Segundo a OMS, mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem da doença, que pode ser uma condição de saúde muito grave, especialmente quando é classificada com intensidade moderada ou severa. Nos piores cenários, a depressão pode levar ao suicídio, que é a segunda maior causa de morte em jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. Principais Fatores Contribuintes • Predisposição genética • Eventos traumáticos • Estresse crônico Esses elementos podem provocar uma diminuição nos níveis da serotonina, que é um neurotransmissor essencial na comunicação entre os neurônios. Ele ajuda a produzir sensações de bem-estar vitais para o bom funcionamento do organismo. Quando o corpo identifica a falta da serotonina no cérebro, as transmissões de impulsos elétricos ficam prejudicadas e, com o passar do tempo, surgem reações em cadeia. Benicio Araújo A escassez do neurotransmissor pode interferir no humor, no sono, na alimentação, na vida sexual e na produtividade do indivíduo. Sintomas • Perda de prazer • Irritabilidade • Distúrbio do sono • Cansaço • Falta de vontade de fazer coisas ou esforço extra para fazer as coisas • Choro fácil ou apatia • Falta de memória e de concentração Tratamento • O tratamento para a depressão, segundo a OMS, é dividido em níveis. Para os casos iniciais de depressão ou para pessoas com depressão leve são recomendados tratamentos psicossociais, como terapia cognitivo- comportamental e psicoterapia interpessoal. • Os antidepressivos são eficazes no caso de depressão moderada e grave. Entretanto, os médicos e pacientes devem ficar atentos aos efeitos adversos associados aos medicamentos, como náuseas tonturas, disfunção sexual e aumento de peso. • No caso das crianças e adolescentes, o cuidado deve ser ainda maior. Em um estudo britânico publicado no periódico médico “The Lancet” foram identificados cerca de 14 antidepressivos ineficazes em crianças, que podem inclusive ser perigosos se usados na infância. • Os medicamentos para depressão também são receitados para combater o desequilíbrio químico no cérebro, restabelecendo a produção de serotonina. • Os primeiros efeitos da medicação podem demorar algumas semanas para aparecer e o tratamento completo dura, no mínimo, um ano. É extremamente importante seguir o tratamento de maneira correta para alcançar um resultado positivo. ESTRESSE • O estresse, diferente da depressão, é a maneira como o corpo reage diante de diferentes situações de grande esforço emocional. Ele também pode atingir pessoas de todas as idades. • Quando o corpo é estimulado, a mensagem chega à parte do cérebro chamada de hipotálamo, que a envia para uma glândula que fica logo abaixo. Ela produz hormônios que se espalham pela corrente sanguínea até chegar a outrasglândulas que ficam acima dos rins. São elas que produzem os hormônios adrenalina e o cortisol. • A liberação de cortisol é importante para a manutenção da sobrevivência, mas deve ocorrer na dosagem certa. Quando atinge picos, pode causar problemas. • O cortisol é considerado o hormônio do estresse crônico porque, diferente da adrenalina, que causa as reações e vai embora, ele permanece no organismo. O cortisol inflama o organismo, que vai responder em vários órgãos: cérebro, intestino, células adiposas. Benicio Araújo • Mesmo situações positivas podem causar estresse, mas nesses casos a liberação de hormônios tende a estimular o indivíduo. No caso de situações negativas, o efeito emocional pode ser bastante nocivo à saúde. As Principais Causas • Conflitos no ambiente familiar • Dificuldades financeiras • Problemas de saúde na família • Dificuldades no trabalho ou a falta dele • Relacionamentos tóxicos • Divórcio • Excesso de responsabilidades Uma pesquisa online feita pelo Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS) com 2.195 brasileiros mostrou que 34% dos entrevistados tinham um nível de estresse considerado excessivo. Doenças ligadas aos sistemas nervoso e digestivo, em alguns casos, podem estar relacionadas ao estresse. Sintomas • Segundo a Sociedade Americana do Coração, comer, fumar ou beber para se acalmar, trabalhar de forma exagerada, adiar tarefas e dormir menos ou mais podem ser os primeiros sintomas do estresse. • Em casos de estresse contínuo, alguns sintomas físicos podem surgir com o tempo. Os mais comuns são alergias, doenças de pele, doenças autoimune, refluxo, doenças intestinais, insônia, infecção urinária e aumento de sintomas em pacientes cardíacos. Tratamento • Quando a pessoa já está inserida em uma situação de estresse, a orientação é identificar o principal fato estressante e resolvê-lo. • A principal forma de tratamento para o estresse é a prevenção das situações que podem causar grande esforço emocional. As formas de fazer esta prevenção são as mais diversas e cada pessoa encontra a melhor forma de relaxar. • Entretanto, algumas dicas valem para todas as pessoas, como fazer alimentações saudáveis e, principalmente, atividade física, que é responsável por liberar os hormônios do prazer: endorfina, serotonina e dopamina. Esses hormônios melhoram o humor e trazem a sensação de bem-estar. “O estresse em si não é uma doença, mas pode ser o gatilho. O estresse é simplesmente a adaptação que uma pessoa enfrenta por causa de uma situação imprevista, como uma promoção indesejada, por exemplo” Em casos de estresse contínuo, alguns sintomas físicos podem surgir com o tempo. Os mais comuns são alergias, doenças de pele, doenças autoimune, refluxo, doenças intestinais, insônia, infecção urinária e aumento de sintomas em pacientes cardíacos.