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IRRIGAÇÃO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA DISPONIBILIDADE DE ÁGUA NO SOLO A frequência de irrigação para uma cultura, sob determinado clima, depende da quantidade de água que pode ser “armazenada” no solo, após uma irrigação. A água do solo não é estática, mas dinâmica, movimentando-se em função do gradiente de seu potencial entre dois pontos quaisquer no solo. Estado energético da água no solo A tendência espontânea e universal de toda matéria na natureza é se mover do local com maior energia para o local de menor energia, tendendo ao equilíbrio; A água no solo pode conter em diferentes formas e quantidades: Energia Cinética: depende da massa e velocidade da matéria (desconsiderada) Energia Potencial: depende da posição e das condições internas da matéria. É fundamental para determinar o estado e movimento da água no solo. Estado energético da água no solo A diferença de energia potencial da água entre dois pontos faz com que a água se movimente: A tendência da água na natureza é passar de um maior estado energético para um menor estado energético, buscando o equilíbrio. É essa busca constante do equilíbrio energético que gera a força motora responsável pelo ciclo da água na natureza. Internamente no solo (fluxo de água no solo); Do solo para a planta (absorção); Do solo para a atmosfera (evaporação); Da planta para a atmosfera (transpiração). Potencial da água no solo Onde: ospmgT T g m p os - potencial total da água no solo - potencial gravitacional - potencial matricial - potencial de pressão - potencial osmótico Unidades de medida: m, cm, kPa, Mpa Potencial Gravitacional Quantidade de energia necessária para elevar uma unidade de água a um ponto específico em relação ao plano de referência; É o incremento de energia potencial gravitacional que a água adquire quando de seu deslocamento da posição 1 para posição 2, contra ou a favor a força da gravidade. Potencial Gravitacional Potencial de Pressão Quando a água apresentar pressão hidrostática (lâmina de água) superior a pressão atmosférica, a sua pressão é positiva, sendo chamada de potencial de pressão; O potencial de pressão aparece em condições de solo inundado, quando existe uma carga ou lâmina de água. Potencial Osmótico Quantidade de energia necessária para transportar uma unidade de água pura do nível de referência até um ponto onde a concentração de solutos na solução é diferente da água pura; Na água do solo estão dissolvidos minerais e substâncias orgânicas que lhe conferem um estado energético diferente da água pura; Para fins de estudo da dinâmica da água do solo, visando entender seu movimento e disponibilidade para as plantas, o potencial osmótico não é considerado. Potencial Osmótico Potencial Matricial Representa a interação entre matriz do solo (granulometria, estrutura e poros) e a água; O potencial matricial descreve a contribuição das forças de retenção da água no solo associadas com suas interfaces líquido- ar e sólido-líquido (adesão, coesão, tensão superficial e capilaridade); Para remover a água retida por estas forças é necessário energia, sendo que a quantidade de energia necessária é crescente a medida que o solo seca; Está relacionado diretamente com o conteúdo de água no solo, e a tendência é a redução do potencial matricial a medida que o solo seca. Potencial Matricial Como medir o potencial matricial ? Leitura com tensiômetros Leitura automática: Tensímetro Como medir o potencial matricial ? Como medir o potencial matricial ? Como medir o potencial matricial ? Como medir o potencial matricial ? Panela de pressão de Richards Como medir o potencial matricial ? Panela de pressão de Richards Como medir o potencial matricial ? CURVA DE RETENÇÃO DE ÁGUA NO SOLO A água disponível representa a quantidade de água que um solo pode reter entre a “capacidade de campo” e o “Ponto de murcha permanente”. Curva de Retenção de Água no Solo Obtenção da Curva de Retenção de Água no Solo Obtenção da Curva de Retenção de Água no Solo Dois processos explicam a retenção de água nos poros Capilaridade: a água é retida nos microporos por forças de adesão entre a água e as partículas. Ex: A água sobe por capilaridade em solo argiloso seco (retém mais água que solo arenoso). Adsorção: água higroscópica, de difícil absorção pelas plantas (fortemente retida no sólidos do solo). É um filme ou película de água presa às partículas. Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente A Capacidade de Campo (CC) é definida como a quantidade de água que um solo pode reter após a ocorrência da drenagem natural do perfil; O Ponto de Murcha Permanente (PMP) é definido pelo conteúdo de água no solo quando ocorre o murchamento das plantas em crescimento, mesmo que estas sejam colocadas em um ambiente saturado com água. Retenção de água no solo Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente 1 bar = 100.000 Pascal = 0,1 MPa Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Solo em Ponto de Murcha Permanente Solo Capacidade de Campo Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Capacidade de Campo e Ponto de Murcha Permanente Disponibilidade de água às plantas A Água Disponível (AD) é a quantidade de ou lâmina de água armazenada no solo, até uma profundidade L, entre os limites superior e inferior de água disponível no solo às plantas. Portanto: Disponibilidade de água às plantas Disponibilidade de água às plantas Disponibilidade de água às plantas Disponibilidade de água às plantas Disponibilidade de água às plantas θi θi F Profundidade da irrigação 0,0 m 0,30 m 0,50 m 80% 20% ZE Profundidade do sistema radicular Profundidade Efetiva Capacidade de água disponível (CAD) ou Reservatório de água para as plantas (h) Modelo: mm Fator de reposição (f) Exemplo: lâmina de água a ser reposta ao solo 100% Água a ser reposta Água disponível 100% AD 50% AD 0% AD CAD θ CC = 0,38 cm3 cm-3 θ PMP = 0,22 cm3 cm-3 θ i = ? cm3 cm-3 cm3 cm-3 Valor da lâmina de água a ser reposta ao solo Armazenagem de água no solo (h) Armazenagem de água no solo (h) Exercícios 1. Uma camada de solo arável apresenta 40 cm de profundidade. Quanto de água (lâmina de irrigação) deve ser aplicado para que a umidade θ passe de 0,18 cm3 cm-3 para 0,32 cm3 cm-3 ? 2. Após ocorrer uma chuva de 15 mm numa lavoura de soja (z = 30 cm), para quanto se eleva a umidade “θ” do solo, sabendo-se que a umidade inicial era de 0,22 cm3 cm-3 ? DISPONIBILIDADE TOTAL DE ÁGUA DO SOLO A disponibilidade total de água do solo (DTA) corresponde à água nele armazenada no intervalo entre as umidades correspondentes à capacidade de campo e ao ponto de murchamento. Solo como Reservatório ad PmCc DTA . 10 Em que: DTA = disponibilidade total de água (mm cm-1) Cc = capacidade de campo (% com base em massa) Pm = ponto de murchamento (% com base em massa) da = densidade do solo (g cm-3) Quando Cc e Pm são dados em % de volume é desnecessário incorporar o valor de “da” na equação pois esse termo já está implícito no volume do solo. 10 PmCc DTA Em que: DTA = disponibilidade total de água (mm cm-1) Cc = capacidade de campo (% volumétrica) Pm = ponto de murchamento (% volumétrica) Quando Cc e Pm estão em % de volume DISPONIBILIDADE REAL DE ÁGUA DO SOLO (DRA) A disponibilidade real de água do solo (DRA) é definida como a fração da disponibilidade total de água no solo que a cultura poderá utilizar sem afetar significativamente a sua produtividade. fDTADRA . Em que: DRA = disponibilidade real de água no solo (mm cm-1) f = fator de disponibilidade de água no solo(adm) O fator de disponibilidade (f) varia entre 0,2 e 0,8. Os valores menores são utilizados para culturas mais sensiveis ao défcit de água no solo, e os maiores, nas culturas mais resistentes. É comum o uso do valor de f = 0,4 para verduras e legumes; f = 0,5 para frutas e forrageiras e f = 0,6 para grãos e algodão CAPACIDADE TOTAL DE ÁGUA NO SOLO (CTA) A quantidade de água de irrigação ou de chuva devem ser consideradas disponiveis para a planta no perfil do solo pelo seu sistema radicular. A capacidade total de água no solo (CTA) somente deve ser calculada até a profundidade do solo que corresponde à profundidade efetiva do sistema radicular da cultura a ser irrigada. ZDTACTA . Em que: CTA = capacidade total de água do solo (mm) Z = profundidade efetiva do sistema radicular (cm) Profundidade efetiva do sistema radicular (Z) Considerar, pelo menos, 80% do sistema radicular da cultura. Vai depender do tipo de cultura e da profundidade do solo da área Profundidade efetiva média (Z) do sistema radicular de algumas culturas Profundidade do sistema radicular CAPACIDADE REAL DE ÁGUA NO SOLO (CRA) Para a irrigação, nunca se deve permitir que a umidade do solo atinja o ponto de murchamento. Portanto, deve-se utilizar uma fração da capacidade total de água do solo, ou seja: fCTACRA . Em que: CRA = capacidade real da água do solo (mm) f = fator de disponibilidade de água no solo IRRIGAÇÃO REAL NECESSÁRIA (IRN) A IRN é a quantidade real de água necessária à aplicação de água por irrigação. São considerados dois casos: a) Com irrigação total Quando toda água necessária à cultura for suprida pela irrigação, a IRN deverá ser igual ou menor do que a capacidade real de água do solo: 10 ...)( fZdPmCc IRN a Em (mm) ou (m3 ha-1) b) Com irrigação suplementar Quando uma parte da água necessária à cultura for suprida pela irrigação e a outra parte pela precipitação efetiva (Pe), a IRN será dada por: Pe fZdPmCc IRN a 10 ...)(Em (mm) ou (m3 ha-1) A precipitação efetiva (Pe) é um conceito desenvolvido para caracterizar a fração da precipitação total (chuva) que fica à disposição das plantas, quando a mesma ocorre sobre uma área cultivada. IRRIGAÇÃO TOTAL NECESSÁRIA (ITN) A irrigação total necessária é a quantidade total de água que se necessita aplicar por irrigação, ou seja: Ea IRN ITN A eficiência de aplicação (EA) refere-se à relação entre o volume de água disponível para a cultura e o volume aplicado pelo emissor Em que: ITN = quantidade total de irrigaçao necessária (mm ou m3 ha-1) Ea = eficiência de aplicação da irrigação (em decimal) Valores de eficiência de aplicação (Ea) de acordo com o método de irrigação Exemplo de cálculo de Irrigação a) Calcular a disponibilidade de água para a seguinte condição: Cc = 32% com base em massa Pm = 18% com base em massa da = 1,2 g cm-3 Cultura: Milho Z = 50 cm f = 0,5 Solo: Calcular a Irrigação total solodecmmmDTA /68,12,1. 10 1832 138408450.68,1 hamoummCTA 13420425,0.84 hamoummCRA 1342042 hamoummIRN Portanto, a lâmina de irrigação a ser aplicada por vez deverá ser igual ou menor do que 42 mm (IRN ≤ 42 mm) 1370070 6,0 42 hamoummITNITN Se o projeto de irrigação tiver uma eficiência de aplicação igual a 60%: Exemplo de cálculo de Irrigação b) Calcular a disponibilidade de água para as condições anteriores, mas assumindo uma precipitação efetiva, no período considerado, de 14 mm. Neste caso: Considerando a eficiência de aplicação de 60%: 13280281442 hamoummIRNIRN 134677,46 6,0 28 hamoummITNITN A “disponibilidade total de água” geralmente aumenta à medida que a textura do solo vai diminuindo. A tabela abaixo tem algumas características do solo em função de sua textura. Valores de porosidade, densidade, capacidade de campo (Cc) e disponibilidade total de água no solo (DTA) para diferentes texturas Exercício de cálculo de Irrigação 1) Calcular a disponibilidade de água para a seguinte condição: Cc = 30% com base em massa Pm = 17% com base em massa da = 1,30 g cm-3 Cultura: feijão Z = 40 cm f = 0,5 Solo: Calcular a Irrigação total Exercício de cálculo de Irrigação 2) Considere que umidade na capacidade de campo está para 10 kPa e o ponto de murcha permanente para 1500 kPa. Considere a cultura da melancia com profundidade de 50 cm. A irrigação deve iniciar quando o potencial matricial do solo for 100 kPa. Densidade do solo – 1,40 g cm-3 . Calcular a Irrigação total sabendo que o sistema de irrigação, por gotejamento, possui 90% de eficiência de aplicação