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LUCIANA SOARES A Triagem Neonatal, também conhecida como o teste do pezinho (obrigatório no Brasil desde 1976) é um meio de se fazer o diagnóstico precoce de diversas doenças congênitas assintomáticas no período neonatal, permitindo a prevenção contra as sequelas que podem causar se instaladas no organismo humano. Toda criança nascida em território nacional tem direito ao Teste do Pezinho, mas para alcançar o seu objetivo primordial de detectar algumas doenças esse teste deve ser feito no momento e da forma adequados. O mesmo teste, porém, é capaz de detectar 53 disfunções no RN caso seja ampliado. Essa modalidade do exame é oferecida na rede particular. A coleta nunca deve ser feita num período inferior a 48 horas de amamentação e nunca superior a 30 dias, sendo o ideal entre o 3º e o 7º dia de vida. PORQUE NESSE PERÍODO JÁ OCORREU A INGESTA ADEQUADA DE PROTEÍNAS. Sendo utilizado com TRIAGEM de 6 patologias FENILCETONÚRIA A fenilcetonúria (PKU) é um erro inato do metabolismo, de herança autossômica recessiva, causada pela deficiência da enzima hepática fenilalanina hidroxilase ou de seu cofator tetraidrobiopterina, levando ao acúmulo de fenilalanina nos líquidos corporais. A fenilalanina é um aminoácido essencial. A fenilalanina alimentar não usada para a síntese de proteínas é normalmente decomposta pela via da tirosina. Não podendo seguir o caminho natural, a fenilalanina se acumula nos tecidos e dá origem a alguns derivados, entre eles, o ácido fenilpirúvico, que aparece em grandes quantidades na urina. Três formas de apresentação metabólica são reconhecidas e classificadas de acordo com o percentual de atividade enzimática encontrado: • Fenilcetonúria clássica – quando a atividade da enzima fenilalanina hidroxilase é praticamente inexistente (atividade inferior a 1%) e, consequentemente, os níveis plasmáticos encontrados de fenilalanina são superiores a 20mg/dl; • Fenilcetonúria leve – quando a atividade da enzima fenilalanina hidroxilase é de 1 a 3% e os níveis plasmáticos de fenilalanina encontram-se entre 10 e 20mg/dl; • Hiperfenilalaninemia transitória ou permanente – quando a atividade enzimática é superior a 3% e os níveis de fenilalanina encontram-se entre 4 e 10mg/dl; esta situação é considerada benigma não ocasionando qualquer sintomatologia clínica. Na Triagem Neonatal, é realizada a dosagem quantitativa de fenilalanina. Para que este teste possa ser confiável, é necessário que o recém-nascido tenha pelo menos 48 horas de vida e tenha recebido alimentação protéica (leite materno). Caso contrário há risco de resultado falso-negativo. Após um teste de triagem alterado o paciente deve ser submetido a testes complementares, como a dosagem de fenilalanina e tirosina no soro. Recém-nascidos prematuros ou de baixo peso podem apresentar resultados falso-positivos ou falso-negativos. Os valores de referência de fenilalanina no sangue total (papel filtro são: ≥ 0,20 mg/dL e ≤ 4,0 mg/dL. ❖ SINTOMAS Recém-nascidos portadores do distúrbio são assintomáticos. Sem tratamento, porém, logo nos primeiros meses de vida, começam a surgir os seguintes sinais da doença, que podem variar de intensidade conforme o caso: • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; • Retardo mental; • Tremores; • Movimentos descoordenados de pernas e braços; • Hiperatividade; • Cabeça pequena (microcefalia); • Convulsões; • Lesões cutâneas semelhantes ao eczema; • Odor no suor e na urina parecido com o do bolor ou da urina de rato; • Pele, cabelos e olhos claros, porque a fenilalanina não se converte em tirosina, aminoácido envolvido na síntese de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Os sintomas neurológicos da PKU parecem decorrer do excesso de fenilalanina no sistema nervoso central, uma vez que http://www.fepe.org.br/fenil.htm https://drauziovarella.uol.com.br/crianca-2/microcefalia/ https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/convulsao-2/ LUCIANA SOARES ela compete em maior quantidade com outros aminoácidos pelo transporte para dentro da célula nervosa, causando desequilíbrio na concentração intracelular de aminoácidos e afetando a síntese de neurotransmissores (dopamina e serotonina) e de melanina. Fenilcetonúria é uma doença genética que não tem cura, mas tem controle. O SUS tem obrigação de disponibilizar a dieta necessária de acordo com PINAN HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO Hipotireoidismo congênito (HC) é um distúrbio metabólico sistêmico caracterizado pela secreção insuficiente dos hormônios tireoidianos, tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). Estes hormônios estão relacionados com o funcionamento de vários órgãos e sistemas e têm papel fundamental na maturação do sistema nervoso central. É realizado entre o 3º e 5º dia de vida, quando já ocorreu a diminuição do pico pós-natal de elevação fisiológica do TSH. O HC pode ser classificado, de acordo com o nível da lesão. • Primário quando a alteração ocorre na glândula tireoide • Secundário, na hipófise (TSH). • Terciário, no hipotálamo (TRH). A maioria dos recém-nascidos com HC mostra-se normal ao nascer. O feto hipotireoideo está protegido, até certo ponto, pela transferência placentária de hormônio tireoidiano materno (T4) para a circulação fetal. Além disso, ocorre aumento dos níveis cerebrais de tiroxina desiodase, enzima que converte o T4 em T3, fazendo com que sejam produzidas concentrações cerebrais de T3 próximas do normal, em detrimento de outras estruturas, como no esqueleto, o que determina atraso na maturação óssea. ❖ SINTOMAS • Anemia hemolítica • Insuficiência renal • AVC • Crises vasos oclusivas Na Triagem Neonatal, é realizada a dosagem quantitativa TSH LIVRE, T3 E T4 DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE A deficiência de biotinidase (DB) é doença metabólica hereditária com expressão fenotípica variada, na qual há defeito no metabolismo da biotina. A doença é classificada em dois subgrupos: Deficiência profunda (DPB) e Parcial (DPaB), cuja atividade sérica da enzima encontra-se, respectivamente, inferior a 10% e entre 10 e 30% da atividade média normal. Na Triagem Neonatal, é realizada a dosagem quantitativa da enzima da biotinidase. A DPB apresenta sintomas a partir do 5º mês de vida, expressando clinicamente sintomatologias como: • Neurológicas o Crises epilépticas o Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor o Hipotonia o Microcefalia • Cutâneas o Alopécia o Dermatite eczematoide. Seu tratamento, quando iniciado nos primeiros meses de vida, evita o aparecimento da sua sintomatologia, sendo simples e de baixo custo, baseado na reposição oral de biotina na dose de 5 a 20 mg/dia, por toda a vida. Exames complementares: ATIVIDADE BIOTINIDASE E ESTUDO MOLECULAR HEMOGLOBINOPATIAS A anemia falciforme é uma doença genética, devido a um efeito estrutural da cadeia beta da globina, conduzindo a alteração físico-quimica na molécula de hemoglobina e na forma das hemácias para uma forma de foice, na ausência de oxigênio. As hemácias falciformes são mais rígidas e tem dificuldades para passar pelos vasos sanguíneos mais finos, causando assim a obstrução e dificuldade na circulação do sangue que provocam crises de dor e comprometimento progressivo de diversos órgãos. O diagnóstico das hemoglobinopatias é complexo e envolve uma análise que deve considerar, além dos dados clínicos e herança genética, vários fatores como idade da criança por ocasião da coleta, tempo de estocagem e condições de armazenamento da amostra, entre outras. http://www.fepe.org.br/hipo.htm http://www.fepe.org.br/bio.htm http://www.fepe.org.br/hemo.htm LUCIANA SOARES ❖ SINTOMAS • Crises dolorosas nas articulações, ossos e músculos. • Febre, em razão de quadros infecciosos associados • Icterícia, ou seja, cor amarelada da pele e da parte branca dos olhos• Anemia crônica • Palidez e cansaço persistentes. FIBROSE CÍSTICA A Fibrose Cística é uma doença genética, crônica e progressiva que afeta principalmente os pulmões e pâncreas. É causada por mutações no gene que codifica a proteína responsável pelo transporte do cloro através dos epitélios celulares, resultando na produção de secreções mais espessas e, consequentemente, alterações que envolvem principalmente o sistema respiratório e o sistema digestório. Nos pulmões esse aumento na viscosidade bloqueia as vias áreas propiciando a proliferação bacteriana, o que leva a infecção crônica, a lesão pulmonar e ao óbito por disfunção respiratória. Observa-se que RN nascido com fibrose císticas possuem altos níveis de plasmáticos de tripsina, devido a obstrução dos ductos. ❖ Sintomas • Pele/suor de sabor muito salgado; • Tosse persistente, muitas vezes com catarro; • Infecções pulmonares frequentes, como pneumonia e bronquite; • Chiados no peito, ou falta de fôlego; • Baixo crescimento ou pouco ganho de peso, apesar de bom apetite; • Fezes volumosas e gordurosas, e dificuldade no movimento intestinal (poucas idas ao banheiro); • Surgimento de pólipos nasais. HIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA Engloba um conjunto de síndromes transmitidas de forma autossômica recessiva, que se caracterizam por diferentes deficiências enzimáticas na síntese dos esteroides adrenais. O diagnóstico presuntivo da HAC na triagem neonatal é realizado pela quantificação da 17-hidroxi-progesterona (17- OHP), seguido de testes confirmatórios no soro. As manifestações clínicas na HAC dependem da enzima envolvida e do grau de deficiência enzimática (total ou parcial). A apresentação clínica pode se expressar por insuficiência glicocorticoide, insuficiência mineralocorticoide, excesso de andrógenos ou ainda por insuficiência de andrógenos. http://www.fepe.org.br/fibrose.htm