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1 Maria Clara Viana 2ºsemestre ANATOMIA E FUNÇÕES DOS TECIDOS LINFOIDES Os tecidos linfoides possuem dois tipos de classificação: Órgãos geradores, primários ou centrais: os linfócitos começam a expressar seus receptores de antígenos e atingem a maturidade fenotípica e funcional. São eles: a medula óssea (onde ocorre a hematopoese e a parcial maturação dos linfócitos B) e o timo (onde ocorre a maturação total dos linfócitos T). Órgãos linfoides periféricos ou secundários: são iniciadas as respostas e desenvolvidas as respostas dos linfócitos aos antígenos estranhos. São eles: os gânglios linfáticos (drenagem de líquido), o baço (polpa vermelha: destruição de hemácias; polpa branca: defesa), o sistema imune cutâneo e o sistema imune de mucosas. ÓRGÃOS LINFOIDES PRIMÁRIOS Os órgãos primários fornecem fatores de crescimento e outros sinais moleculares necessários para a maturação dos linfócitos e para apresentação de antígenos próprios para o reconhecimento e seleção dos linfócitos na fase de maturação. MEDULA ÓSSEA: Consiste no sítio de geração da maioria das células sanguíneas circulantes (hemácias, granulócitos e monócitos), além de ser o sítio dos eventos iniciais da maturação das células B. HEMATOPOIESE: é o processo de geração de todas as células sanguíneas. A medula óssea vermelha, encontrada nos ossos chatos, consiste em uma estrutura reticular esponjosa localizada entre as longas trabéculas. 2 Maria Clara Viana 2ºsemestre Os precursores das células sanguíneas amadurecem e migram pelas membranas basais dos sinusoides e entre as células endoteliais para entrarem no ambiente intravascular. A hematopoiese ocorre a partir de uma “sten cell” que se diferencia em: Linhagem linfoide: células do tecido linfoide; Linhagem mieloide: demais células do sistema sanguíneo. A hematopoiese tem início no desenvolvimento fetal: Saco vitelínico, mesênquima para-aórtico; Fígado; Medula óssea. Ao nascimento ocorre em todos os ossos e na puberdade fica restrita ao: Esterno; Vértebras; Ilíacos; Costelas; Fêmur. A proliferação e a diferenciação das células precursoras nesse órgão linfoide são estimuladas por citocinas, que fornecem um ambiente adequado para a hematopoiese. 3 Maria Clara Viana 2ºsemestre A medula óssea também contém numerosos plasmócitos secretores de anticorpos, que são gerados nos tecidos linfoides periféricos. Alguns linfócitos T de memória de longa duração também migram e podem se estabelecer na medula óssea. As células T não são maturadas na medula. TIMO: É o sítio de maturação da célula T. O timo possui um importante suprimento sanguíneo e de vasos linfáticos eferentes que drenam para os gânglios linfáticos do mediastino. Os timócitos (linfócitos do timo) são linfócitos T em vários estágios de maturação. Esse processo no timo começa no córtex e, conforme os timócitos vão amadurecendo, migram em 4 Maria Clara Viana 2ºsemestre direção à medula, que contém a maioria das células T maduras. Somente essas células saem do timo e entram no sague e nos tecidos linfoides periféricos. Células tronco pluripotentes dão origem aos linfócitos: As células tronco dão origem às CLP (células precursoras de linfócitos); Córtex: contém uma coleção densa de linfócitos T imaturos; Medula: população mais dispersa de linfócitos e linfócitos T; As células epiteliais produzem IL- 7 (citocina indispensável para o início do desenvolvimento da célula T); As células epiteliais medulares tímicas (TMEC) assumem um papel importante na apresentação de antígenos próprios para as células T em desenvolvimento e na deleção de célula T autorreativas. 5 Maria Clara Viana 2ºsemestre A CLP pode se diferenciar em Pró-B ou em células que darão origem a células Pró-T e NK; Células que reconhecem o antígeno do corpo de forma intensa, irão sofrer seleção negativa. TECIDOS LINFOIDES SECUNDÁRIOS SISTEMA LINFÁTICO: vasos especializados que drenam os líquidos dos tecidos para os gânglios linfáticos e desses para o sangue, é essencial para a homeostase dos líquidos teciduais e das respostas imunológicas. Esse sistema capta antígenos microbianos do sítio de entrada e transporta-os aos gânglios linfáticos, local no qual podem deflagrar a resposta imune adaptativa. GÂNGLIOS LINFÁTICOS: Se localizam ao longo dos vasos linfáticos por todo o corpo, tendo acesso aos antígenos encontrados nos epitélios e provenientes do líquido intersticial. As suas características anatômicas favorecem o início de respostas imunes adaptativas para antígenos transportados pelos tecidos linfáticos. 6 Maria Clara Viana 2ºsemestre ORGANIZAÇÃO ANATÔMICA DOS LINFÓCITOS B E T: Os linfócitos B e T estão situados em regiões diferentes do córtex dos gânglios linfáticos, cada região com sua própria arquitetura de fibras reticulares e células do estroma. Nos folículos se localizam as células B, situadas no córtex do gânglio linfático e estão organizadas ao redor das células dendríticas foliculares (FDC), formando uma densa rede reticular. Os folículos primários contêm a maioria dos linfócitos B virgens maduros. Os Os vasos linfáticos aferentes desembocam no seio subcapsular (marginal), de onde a linfa é drenada para o seio medular conectado, saindo do gânglio pelos vasos linfáticos eferentes. O córtex é rico em linfócitos. O córtex externo contém os folículos (agregados de células). 7 Maria Clara Viana 2ºsemestre centros germinativos desenvolvem-se em resposta à estimulação antigênica. Desse modo, os folículos são sítios de intensa proliferação de células B, seleção de células B produtoras de anticorpos de alta afinidade e geração de células B de memória e plasmócitos de longa vida. Os linfócitos T estão, em sua maioria, localizados na região central dos folículos, nos cordões paracorticais. Nessas zonas existem uma rede de células reticulares fibroblásticas (FRC) arranjadas de tal maneira que formam a camada externa de estruturas tubulares (condutores de FRC). Esses condutores começam no seio subcapsular e estendem-se tanto para os vasos linfáticos do seio medular como para os vasos sanguíneos corticais, chamados de vênulas endoteliais altas (HEV). A segregação anatômica dos linfócitos B e T depende de citocinas (no caso, quimiocinas) que são secretadas pelas células do estroma do gânglio linfático em cada área e que direcionam a migração de linfócitos. Essa segregação das células T e B garante que cada população de linfócito esteja em estreito contato com as APC apropriadas, ou seja, células T com células dendríticas e células B com FDC. BAÇO: Esse órgão se localiza no quadrante superior esquerdo do abdome, é altamente vascularizado, cujas principais funções são: Retirar da circulação células sanguíneas lesionadas e senescentes e partículas, como imunocomplexos e microrganismos opsonizados (recobertos por anticorpos). Iniciar respostas imunes adaptativas aos antígenos capturados do sangue. O parênquima esplênico é dividido em: Polpa vermelha: composta, principalmente, de sinusoides vascularizados preenchidos por sangue. Alguns ramos arteriolares da artéria esplênica terminam em sinusoides vasculares extensos, formando essa parte do baço. Os marcrófagos desse local servem como importante filtro para o sangue, removendo microrganismos, células lesionadas e microrganismos opsonizados. Polpa branca: é responsável por promover respostas imunes adaptativas contra antígenos provenientes do sangue. É constituída por ramos menores de artérias centrais que atravessam uma área rica em linfócitos e drenam para o seio marginal, além de uma região de células especializadas cercando o seio marginal, denominada zona marginal. 8 Maria Clara Viana 2ºsemestre anatomia e funções dos tecidos linfoidesórgãos linfoides primários medula óssea: timo: tecidos linfoides secundários gânglios linfáticos: baço: