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Anna Beatriz de Moraes - MED 104 OXIUROSE / ENTEROBIOSE ➔ Essa doença está relacionada a um parasita intestinal exclusivamente humano, presente no intestino grosso do hospedeiro ➔ Frequentemente em crianças ➔ CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA ◆ Filo: Nematoda ◆ Classe: Secermentea ◆ Ordem: Ascaridida ◆ Família: Oxyuridae. Todo verme dessa família possui a sua cauda a�ilada. ◆ Espécie: Enterobius vermicularis ➔ Enterobius vermicularis ◆ Agente etiológico da enterobiose/oxiurose/oxiuríase ◆ Conhecido como “oxiúros” ◆ Distribuição geográ�ica mundial ◆ Maior incidência em clima temperado, tendo em vista que ele consegue se transmitir em ambientes fechados com aglomeração de pessoas, e no clima temperado isso acontece no inverno. ◆ Faixa etária: 5 a 15 anos. Basicamente, é quando a criança começa a frequentar creches/escolas (ambientes coletivos), então podemos a�irmar que a partir de 1-2 anos a criança já está no grupo de risco para se infectar. Eles se infectam nas creches e escolas e transmitem para o ambiente domiciliar. ◆ Os nematódeos possuem tubo digestivo completo, e por isso conseguem viver fora do aparelho intestinal do seu hospedeiro ◆ Eles são dióicos, ou seja, há machos e fêmeas. Assim, é preciso ter quantidade dobrada de vermes (machos + fêmeas) para o ciclo conseguir se consolidar, tendo uma carga parasitária alta ◆ Possui quadro clínico bem característico, sendo de fácil diagnóstico. Isso porque as fêmeas fazem a postura dos seus ovos na região perianal do hospedeiro, �icando bem possível de ver os ovos a olho nu nesta região. ◆ Ele possui tempo de vida curto, cerca de 2 meses. O quadro sintomatológico, com exceção do prurido anal, costumam ser brandos. Contudo, possui alta capacidade de autoinfecção no indivíduo; e é exatamente por isso que ele vive pouco, caso contrário as cargas parasitárias seriam muito altas, provocando desequilíbrio na relação parasito-hospedeiro. A: macho, possui coloração branca, possui cerca de 0,5 cm de comprimento. Possuem uma particularidade, que é a região posterior do seu corpo enroladinha. B: fêmea. Tem como particularidade a parte posterior do seu corpo alongada e bem �ininha. Eles vão copular no intestino do hospedeiro, e o macho vai utilizar a parte enrolada do seu corpo para se prender à fêmea, facilitando a cópula. Anna Beatriz de Moraes - MED 104 C: ovo posto pela fêmea. Tem um formato irregular, bem característico, transparente e super resistente, pois chega a durar 6 meses em uma residência. 4 a 6 horas após a fêmea pôr os ovos, a larva já está pronta para infectar esse ovo. Macho e a fêmea copulam, e posteriormente ela segue o seu destino na região perianal para fazer a postura de ovos. Cada fêmea pode colocar até 20.000 ovos, e cada verme possui cerca de 1 centímetro. Tanto o macho quanto a fêmea possuem o aparelho bucal, que serve para �ixá-lo na parede do órgão do hospedeiro. Além disso, ambos possuem as asas cervicais, que são alargamentos no seu corpo cuja função é aumentar a super�ície de contato com os vilos. Esses vermes possuem ciclo circadiano parecido com o do humano, portanto, à noite eles costumam sair para a região perianal. Assim, se a criança coçar o ânus durante à noite e depois colocar a mão na boca, ele se reinfectará. Se ele coçar o ânus e depois tocar outros objetos da casa, ele estará disseminando os vermos, e as outras pessoas que tocarem nesses lugares, irão se infectar. ➔ MORFOLOGIA ◆ Dimor�ismo sexual ◆ Cor branca ◆ Filiforme: lembram uma linha branca ◆ Asas cefálicas ou extensões cervicais, que aumentam a super�ície de contato do verme com a parede intestinal do hospedeiro Aqui, vemos uma fêmea desse verme, com sua boca em evidência. Podemos ver sua laringe se originando na boca, que vai descendo e depois se torna o esôfago rabdóide (é um esôfago que se divide em 2 bulbos). Aqui, vemos um ovo desse verme, com sua coloração acastanhada. ➔ HABITAT: ◆ Macho e fêmea: ceco e apêndice. Pode haver apendicite pela presença desse verme. ◆ Fêmeas com ovos: região perianal. É o que permite o diagnóstico. ➔ CICLO BIOLÓGICO ◆ Monoxênico: utilizam apenas um hospedeiro no seu ciclo biológico que nesse caso é o ser humano. Essa característica faz os nematódeos serem os mais prevalentes nos seres humanos Anna Beatriz de Moraes - MED 104 ◆ Período pré-patente: 1 a 2 meses (período anterior ao surgimento dos sintomas). Ou seja, nesse caso, quando o humano se der conta e começar a sentir o prurido, os vermes iniciais que os infectaram já estarão morrendo. Os ovos são eliminados na região perianal do hospedeiro, após isso são dispersados no ambiente. Cerca de 4 a 6h depois a larva já está pronta Os ovos chegam ao mesmo indivíduo para fazer a reinfecção (misturados em água, alimentos, super�ície, etc). Depois disso, a larva eclode do ovo no intestino delgado do indivíduo, e migra para o ceco através da peristalse. Quando há alguém infectado em uma casa, não se deve varrer o chão para não dispersá-los, deve apenas passar pano molhado. Os ovos também são encontrados nas roupas do indivíduo infectado, por isso é preciso lavar bem, secar ao sol e depois passar utilizando o ferro. Aqui, vemos o cólon com uma fêmea do verme. Essa parte escurecida representa o útero dela repleto de ovos. Ela pode acabar liberando esses ovos se uma partícula alimentar ferir seu tegumento, se ela morrer pelo caminho. Nesses casos, há 2 opções: 1) os ovos podem ir para o ânus; 2) a larva que está dentro do ovo eclodir e causar infecção interna. ➔ TRANSMISSÃO ◆ Heteroinfecção: de uma pessoa para outra, em ambientes coletivos ◆ Autoinfecção indireta: quando o ovo sai do corpo e depois volta, seja por meio de alimentos, objetos, super�ícies contaminadas ◆ Autoinfecção direta externa: quando o indivíduo coça a região perianal, os ovos �icam retidos nos seus dedos e ele leva essa mão à boca Anna Beatriz de Moraes - MED 104 ◆ Autoinfecção direta interna: quando a fêmea se rompe e libera os ovos no interior do intestino, e deles eclodem as larvas ◆ Retroinfecção: as larvas eclodem na região perianal, mecanicamente entram para o interior do ânus novamente. Ou as larvas eclodidas podem ir para a região do períneo, chegar no canal vaginal, útero, tubas uterinas e até ovários, desencadeando processo in�lamatório com a formação de granulomas. Esses granulomas podem prejudicar o sistema reprodutor feminino. Além disso, parte dessas larvas também podem atingir o canal uretral, causando dor e ardência ao urinar. ➔ PATOGENIA ◆ Ação mecânica (sua presença �ísica) e irritativa (na mucosa intestinal): Enterite catarral, que é uma in�lamação intestinal que produz quantidades consideráveis de muco, que �ica presente na região anal e perianal do indivíduo. ◆ Sua ação espoliativa é pequena, pois ele se alimenta mais de células epiteliais descamadas, partículas não digeridas, muco e outros elementos, como bactérias. ◆ Alteração mais frequente: prurido anal - mucosa congesta, com muco, perda de sono e nervosismo ◆ Infecção na vagina, útero e ovários: infecção retro ectópica ➔ DIAGNÓSTICO ◆ Clínico: pela sintomatologia ◆ O parasitológico de fezes não serve para diagnóstico, uma vez que a fêmea põe os ovos na região perianal ◆ Laboratorial: método de Graham. Utiliza-se uma �ita transparente, cola duas etiquetas de papel, uma de cada lado (colocar identi�icação em um dos lados). Passar a �ita com a parte adesiva voltada para fora sobre uma estrutura a qual você irá passar na região anal do indivíduo. Os ovos, as fêmeas ou as larvas irão �icar coladas na �ita adesiva. Anna Beatriz de Moraes - MED 104 ➔ EPIDEMIOLOGIA ◆ Maior prevalência em crianças em idade escolar ◆ Transmissão: doméstica ou em ambientes coletivos ◆ Fatores predisponentes: ● Helminto exclusivamente de humanos ● Fêmea elimina grande número de ovos ● Ovos rapidamente se tornam infectantes ● Infecção ocorre por vários mecanismos (5 no total) ● Viabilidade do ovo (90% dos ovos são viáveis) ● Hábito de sacudir a roupa de cama pela manhã: provoca disseminação de ovos ➔ MEDIDAS DE CONTROLE ◆A mais importante é diagnosticar e tratar os indivíduos parasitados para interromper o ciclo ◆ Não varrer a casa, e sim utilizar pano molhado ◆ Cuidado com os alimentos ◆ Individualizar a roupa do parasitado ◆ Banho no indivíduo parasitado toda manhã ➔ TRATAMENTO ◆ Albendazol, dose única (400 mg), por via oral, a repetir 2 semanas depois ◆ Mebendazol, 100 mg, 2x ao dia por 3 dias ◆ Pamoato de pirantel, dose única (10 mg/kg) por via oral, repetir após 15 dias ◆ Mais especí�ico e igualmente e�iciente é o pamoato de pirvínio (5 a 10 mg/kg em dose única por via oral) ◆ Todo tratamento deve ser repetido 15 dias depois, e depois mais 15 dias depois, para combater a reinfecção.