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2011
Contabilidade avançada
Prof. Fabio Darci Kowalski
Copyright © UNIASSELVI 2011
Elaboração:
Prof. Fabio Darci Kowalski
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 
657.046
K884 c Kovalski, Fabio Darci
 Contabilidade avançada / Fabio Darci Kowalski.
 Indaial : Uniasselvi, 2011. 
 227 p. il.
 Inclui bibliografia.
 ISBN 978-85-7830-449-2
 1. Contabilidade avançada I. Centro Universitário
Leonardo da Vinci
III
apresentação
Caro(a) acadêmico(a)!
Iniciamos os estudos de Contabilidade Avançada. Vamos mergulhar 
num universo mágico, onde as tecnologias da informação nos permitem 
a utilização de técnicas da aprendizagem de maneira a trilhar com mais 
eficiência os caminhos do saber fazer. É você quem deve controlar o seu 
processo de aprendizagem. Deverá seguir caminhos que, em parte, estão 
estabelecidos, tais como os encontros presenciais, os encontros midiáticos, 
o período de autoestudo, a realização de autoatividades e caminhos de 
aprendizagem traçados por você, que terão convergências momentâneas 
com os caminhos de outros aprendizes, momentos em que as interações 
serão necessárias, possíveis e, certamente, intensas. Você deverá vivenciar 
situações nas quais os Sistemas de Informação serão usados como recursos 
educacionais.
A Contabilidade Avançada abrange determinados temas que 
auxiliam diariamente o contador na tomada de decisão. Por se tratar de 
um assunto mais técnico, a contabilidade avançada somente é apresentada 
nas disciplinas finais dos cursos de graduação em Ciências Contábeis, uma 
vez que o acadêmico, nesta fase, já possui uma visão mais ampla sobre a 
sistemática contábil. A contabilidade avançada permite ao contador se 
diferenciar no mercado de trabalho, pois abrange temas que podem gerar 
grande economia para as empresas. 
O Caderno de Estudos da disciplina de Contabilidade Avançada foi 
construído com esta intenção. Apresentamos, na sua Unidade 1, o custo de 
oportunidade e o método de avaliação de empresas. Na Unidade 2, os juros 
sobre capital próprio e a avaliação de investimentos e sociedades controladoras, 
controladas e coligadas. E, por fim, na Unidade 3, apresentamos a consolidação 
das demonstrações financeiras e a contabilidade de matriz e filial.
Então, mãos à obra!
Prof. Fabio Darci Kowalski
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1: CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO 
DE EMPRESAS ........................................................................................................... 1
TÓPICO 1: CUSTO DE OPORTUNIDADE ................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 3
2 A EVOLUÇÃO E CONCEITOS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE .................................... 3
3 ENFOQUE ECONÔMICO E CONTÁBIL ................................................................................. 9
4 TAXA DE OPORTUNIDADE ......................................................................................................... 11
5 PROCESSO DECISÓRIO ................................................................................................................ 11
6 A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ................................... 12
7 MODELOS DE APLICAÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ......... 12
8 A TEORIA DA UTILIDADE E OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE .................................... 14
9 APLICABILIDADE DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ........................... 16
10 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA E CUSTO DE OPORTUNIDADE ...................................... 17
11 CUSTO DE OPORTUNIDADE NOS ESTOQUES .................................................................. 20
12 APLICAÇÃO DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ÀS DECISÕES DE PREÇO ................ 21
13 A NATUREZA ECONÔMICA DOS CUSTOS .......................................................................... 22
13.1 CUSTOS SOCIAIS ................................................................................................................... 22
13.2 CUSTOS EXPLÍCITOS ........................................................................................................... 22
13.3 CUSTOS IMPLÍCITOS OU DE OPORTUNIDADE ........................................................... 23
13.4 CUSTO DO CAPITAL ............................................................................................................ 23
14 CONTROVÉRSIAS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ....................................................... 23
15 EVA – ECONOMIC VALUE ADDED ............................................................................................ 24
16 EXEMPLOS DIVERSOS ................................................................................................................ 26
RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 34
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 35
TÓPICO 2: MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................... 41
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 41
2 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................................................................ 41
3 MÉDODO DO VALOR CONTÁBIL COMO BASE PARA A AVALIAÇÃO ........................ 42
4 MÉTODO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO CORRENTE COMO BASE PARA 
 A AVALIAÇÃO .................................................................................................................................. 45
5 MÉTODO DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS COMO BASE PARA AVALIAÇÃO ........ 47
5.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DO CAPITAL ...................................................................... 50
5.2 HORIZONTE E PREVISÃO DO LUCRO PROJETADO ........................................................ 56
5.3 CUSTO DEOPORTUNIDADE E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO INICIAL ........................... 57
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 62
RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 65
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 66
UNIDADE 2: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE 
INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, 
CONTROLADAS E COLIGADAS ......................................................................... 71
sumário
VIII
TÓPICO 1: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO .......................................................................... 73
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 73
2 CONCEITUALIZAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO .................................... 73
3 TRATAMENTO LEGAL .................................................................................................................. 76
3.1 IMPOSTO DE RENDA ................................................................................................................ 77
3.2 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ..................................................... 80
4 REGISTRO COMO DESPESA FINANCEIRA ............................................................................ 81
5 RESERVA DE REAVALIAÇÃO E AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL ................... 82
6 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE .............................................................................................. 85
7 JUROS SOBRE JUROS .................................................................................................................... 85
8 REFLEXOS NAS INVESTIDORAS ............................................................................................... 88
8.1 INVESTIDORES DIVERSOS E SUA FORMA DE TRIBUTAÇãO ........................................ 91
8.2 CONVENIÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO DO PONTO DE VISTA DO ÔNUS 
TRIBUTÁRIO ..................................................................................................................................... 92
9 CÁLCULO DOS JUROS PRO RATA ............................................................................................ 95
10 IMPUTAÇÃO DOS JUROS AOS DIVIDENDOS OBRIGATÓRIOS .................................. 98
RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 100
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 101
TÓPICO 2: AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, 
CONTROLADAS E COLIGADAS ................................................................................................... 107
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 107
2 MÉTODO DE CUSTO ..................................................................................................................... 107
2.1 PARTICIPAÇÕES EM OUTRAS EMPRESAS .......................................................................... 109
2.2 NOTAS EXPLICATIVAS ............................................................................................................. 110
2.3 DIVIDENDOS OU LUCROS RECEBIDOS .............................................................................. 111
3 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL ..................................................................... 112
3.1 ASPECTOS LEGAIS .................................................................................................................... 116
3.2 MÉTODO DO CUSTO X MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA ................................................. 116
3.3 QUEM DEVE APLICAR A EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL ........................................... 118
3.3.1 Coligadas ............................................................................................................................ 119
3.3.2 Equiparadas às coligadas ................................................................................................. 119
3.3.3 Controladas ........................................................................................................................ 120
3.3.4 Variações no patrimônio líquido da investida .............................................................. 120
3.4 AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS COM ÁGIO OU DESÁGIO ...................................... 121
3.4.1 Fundamento econômico do ágio e do deságio .............................................................. 124
3.4.2 Amortização do ágio e deságio ....................................................................................... 125
3.5 LUCRO OU PREJUÍZO NÃO REALIZADO .......................................................................... 127
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 129
RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 134
UNIDADE 3: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E 
CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL .......................................................... 143
TÓPICO 1: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS .......................... 145
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 145
2 CONCEITUALIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 
CONSOLIDADAS ........................................................................................................................... 145
3 TRATAMENTO LEGAL .................................................................................................................. 147
4 O QUE SÃO DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS ................................... 147
IX
5 EMPRESAS OBRIGADAS A ELABORAR AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
CONSOLIDADAS ........................................................................................................................... 149
6 DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS E EM SEPARADO (INDIVIDUAL) 
 CONFORME A RESOLUÇÃO 1.262/2009 DO CFC ................................................................... 151
7 PROCESSO DE ELABORAÇÃO ................................................................................................... 152
8 NOTAS EXPLICATIVAS ................................................................................................................. 157
9 EXEMPLOS DE CONSOLIDAÇÃO .............................................................................................. 157
RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 171
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 172
TÓPICO 2: CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL ............................................................... 187
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 187
2 CONCEITUALIZAÇÃO DE MATRIZ .......................................................................................... 187
3 CONCEITUALIZAÇÃO DE FILIAIS, SUCURSAIS E AGÊNCIAS....................................... 188
4 FORMAS DE CONTABILIZAÇÃO ENTRE MATRIZ E FILIAL ............................................ 189
5 APURAÇÃO FISCAL E TRIBUTÁRIA ......................................................................................... 190
6 EXEMPLOS ........................................................................................................................................ 194
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 207
RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 211
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 212
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 222
X
1
UNIDADE 1
CUSTO DE OPORTUNIDADE E 
MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE 
EMPRESAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:
• interpretar o custo de oportunidade em relação a investimentos;
• conhecer algumas das principais formas de avaliação de empresas.
Esta unidade de estudo está dividida em dois tópicos. Neles, você encontrará 
a definição e interpretação do custo de oportunidade, bem como uma 
abordagem acerca dos métodos contábeis de se avaliar uma empresa, além 
de vários exemplos práticos e exercícios de fixação, que serão desenvolvidos 
no decorrer dos estudos de cada tópico.
TÓPICO 1 – CUSTO DE OPORTUNIDADE
TÓPICO 2 – MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
CUSTO DE OPORTUNIDADE
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico, identificaremos e interpretaremos o custo de 
oportunidade.
Veremos os principais conceitos do custo de oportunidade, sua 
aplicabilidade no mercado por meio de exemplos práticos em investimentos 
diversos e a diferenciação entre seu enfoque econômico e contábil.
Constataremos que para todo e qualquer investimento, faz-se necessário 
um estudo prévio, uma comparação entre o custo benefício, financeiro e/ou 
econômico, além da consideração do fator risco.
2 A EVOLUÇÃO E CONCEITOS DO CUSTO DE 
OPORTUNIDADE
Sabe-se que a Contabilidade, em geral, tem a função de controlar a 
movimentação patrimonial, em que se registram as alterações dos valores de 
bens, direitos e obrigações e demonstrar a posição financeira da empresa. Estas 
informações são direcionadas aos usuários externos, como, por exemplo, acionistas, 
credores e autoridades governamentais. Os dados analisados são passados, ou 
seja, fatos que já ocorreram, sem deixar qualquer argumento ou ferramenta para 
uma tomada de decisão errônea, executada pelos administradores. 
Neste contexto, a Contabilidade pode ser visualizada como um sistema 
a fim de fornecer informações financeiras e operacionais direcionadas para os 
usuários internos – administradores, funcionários etc. – melhorando, então, a 
tomada de decisão.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
4
NOTA
O custo de oportunidade é um método utilizado pelos gestores. Sua finalidade 
é analisar as diversas formas de maximizar seus resultados. Estas análises podem verificar se 
o retorno sobre o capital investido é positivo ou não, pois se verifica o custo benefício de 
determinadas mudanças ou acontecimentos existentes na empresa.
As empresas que disponibilizam recursos financeiros para determinados 
investimentos, ficam de frente com diversas alternativas e possibilidades de sua 
aplicação. Sabe-se que estes recursos para investimento são bastante escassos e, 
por esta razão, os gestores devem analisar a melhor alternativa de investimento, 
utilizando-se das ferramentas existentes para tal tomada de decisão. 
Quando a empresa tem mais de uma alternativa para tomada de decisão, 
pode estar diante do conceito de custos de oportunidade. Neste contexto, verifica-
se a importância da análise antes da tomada de decisão, pois, caso esta decisão seja 
errada, a empresa arcará com seus reflexos, que na maioria das vezes resultam 
em prejuízos capazes de comprometer o equilíbrio financeiro.
UNI
Na busca de informações sobre o resultado das organizações, sentimos ser 
necessário abordar também o EVA (Economic Value Added), pois seria uma alternativa 
de operacionalizar este conceito e avaliar o resultado esperado pelos acionistas. A 
conceitualização do EVA será analisada no decorrer deste tópico.
As empresas estão diante da necessidade da informação. Muitas vezes, 
a contabilidade financeira não consegue satisfazer a necessidade de seus 
usuários sob a ótica da informação gerencial, ou seja, da informação voltada à 
maximização dos resultados. Pode-se ainda dizer que a tradicional contabilidade 
prepara informações para os usuários externos, que têm objetivos bem diferentes 
dos usuários internos. As decisões dos gestores estão relacionadas às alternativas 
existentes para a aplicação de recursos. Neste sentido, ressalta-se a necessidade 
da análise das alternativas antes da tomada de decisões. Desta forma, diminuem 
as possibilidades de investimento em alternativas com menos rentabilidade.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
5
NOTA
Pode-se entender então que o custo de oportunidade ocorre quando existirem 
no mínimo duas alternativas possíveis para a tomada de decisão.
Na concepção de Beuren (1993, p. 2), “um aspecto relevante é que a opção 
de uma alternativa implica o abandono ou sacrifício da(s) não escolhida(s). 
Assim, o custo de oportunidade da alternativa escolhida é o custo da alternativa 
abandonada que lhe proporcionaria maior satisfação”.
Então, este custo equivale ao valor de um recurso e à sua melhor 
utilização, ou seja, é o custo de escolher a melhor alternativa, com condições 
de obter um maior benefício. Neste sentido, percebe-se que as empresas estão 
utilizando o conceito do custo de oportunidade em todos os momentos, pois os 
gestores estão optando por determinadas alternativas no seu dia a dia. O custo de 
oportunidade não está relacionado apenas às alternativas de investimento, mas, 
sim, em qualquer decisão que o gestor tenha que optar podendo ser em compras, 
vendas, estoques etc.
O custo de oportunidade é um tema relativamente antigo, tendo seu 
desenvolvimento na teoria econômica. Atualmente existem vários conceitos 
sobre o tema, principalmente na área contábil, onde tem sido muito discutidos, 
principalmente, no meio acadêmico.
Segundo Nascimento (1998, p. 34),
A trajetória de estudo dos custos de oportunidade tem sua origem no 
resultado das observações dos pensadores da Teoria Econômica. Não 
obstante o assunto ter se tornado um tema relativamente discutido 
pelas Teorias Contábil, de Administração e Econômica, foi na 
Economia Clássica, a partir das discussões acerca da Teoria do Valor, 
que o assunto teve seu berço e uma de suas fases mais importantes.
Para que as decisões da empresa sejam cuidadosamente analisadas e que 
resultem em resultado positivo, faz-se necessário entender o conceito de custo de 
oportunidade. 
Representa o custo de oportunidade o quanto a empresa sacrificou 
em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa 
alternativa ao invés de em outra, implicando a sua apuração na 
comparação entre os resultados de diferentes alternativas de aplicação 
de recursos. (MARTINS, 1998, p. 250).
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
6
Neste sentido, o custo de oportunidade não representa saída de dinheiro 
do caixa, como, por exemplo, os demais custos existentes na empresa. Para melhor 
interpretação compara-se com o custo de mão de obra, sendo que neste sim ocorre 
um efetivo desembolso, ou seja,uma saída de dinheiro. O custo de oportunidade 
poderia ser a diferença ao menor preço que se obtém em decidir investir em 
determinada alternativa ao invés de optar por uma segunda possibilidade de 
investimento. 
Imagine que determinada empresa efetuará um investimento na primeira 
alternativa existente em seu contexto, e que este resulte em um lucro $ 10. Caso 
esta mesma empresa invista a mesma expressão monetária na segunda alternativa 
teria um lucro $ 15. Sendo assim, a alternativa que será deixada para trás seria o 
custo de oportunidade. 
Pode-se concluir neste simples exemplo que se a empresa optar pela 
primeira alternativa o custo de oportunidade será $ 15, pois este é o valor que se 
está desprezando, porém, se a empresa optar pela segunda alternativa, o custo de 
oportunidade será $ 10, pois este é o valor que se está desprezando.
Beuren (1993, p. 1) faz algumas considerações sobre custo de oportunidade, 
entre elas a seguinte:
Um ponto que deve ser ressaltado é que a contabilização do custo de 
oportunidade não se limita apenas à sua importância na apuração 
do resultado econômico da empresa. A aplicação efetiva do conceito 
de custo de oportunidade na Contabilidade está, também, voltada a 
fornecer subsídios importantes para a avaliação de desempenho dos 
gestores, taxa de retorno nas decisões sobre investimentos, decisões 
do tipo comprar x fabricar, formação e acompanhamento do cálculo 
do preço de venda etc.
Nos dias atuais, os recursos para investimento são cada vez mais escassos. 
As empresas, os investidores etc. devem ter todas as ferramentas possíveis para 
avaliar o desempenho do capital investido, eliminando, assim, as possibilidades 
ou as alternativas que resultem em prejuízos. Por esta razão os gestores devem 
não só conhecer o conceito do custo de oportunidade, como, também, utilizá-lo 
no processo decisório.
Para Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 389), “O custo de 
oportunidade corresponde ao valor de um determinado recurso em seu melhor 
uso alternativo. Representa o custo da escolha de uma alternativa em detrimento 
de outra capaz de proporcionar um maior benefício, ou seja, é o custo da melhor 
oportunidade a que se renuncia quando da escolha de uma alternativa”.
Nascimento (1998, p. 110) cita diversas definições de custos de 
oportunidade por outros autores:
Glautier e Underdown: Pode ser medido como o valor da próxima 
melhor alternativa abandonada, ou o recebimento líquido de caixa 
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
7
perdido como resultado da escolha de uma alternativa em vez da 
melhor seguinte.
Dopuch e Birnberg: O custo de oportunidade de qualquer ativo é 
o valor que pode ser recebido se o ativo for usado em sua próxima 
melhor alternativa.
Shillinglaw: Custo diferencial mensurado pela entrada líquida de caixa, 
que se perderá se este for desviado de seu melhor uso alternativo. Esse 
custo diferencial é conhecido como o custo de oportunidade.
Matz e Frank: Custo de oportunidade é o valor mensurável de uma 
oportunidade secundária pela rejeição de um uso alternativo de 
recurso.
Benke e Edwards: É a medida de sacrifício feito no sentido de seguir 
um curso particular de ação.
Entretanto, segundo Nascimento (1998), com relação ao atributo que deve 
ser imputado ao custo de oportunidade – lucro abandonado, o recebimento que 
poderia ter sido obtido, o valor da melhor alternativa abandonada etc. – converge 
na essência do conceito, ou seja, a decisão por um curso de ação implica a renúncia 
de outras alternativas e dos benefícios delas decorrentes.
Dessa forma, o custo de oportunidade representa a escolha da melhor 
alternativa dentre duas ou mais possíveis, é o comparativo do benefício da 
alternativa escolhida com o benefício possível das demais.
Fischer (1971, p. 25) comenta que “um processo de escolha racional 
não pode levar em consideração apenas a comparação dos benefícios com seus 
custos, num sentido restrito. O verdadeiro resultado da escolha aparecerá com o 
julgamento do resultado de alternativas de decisões rejeitadas”.
NOTA
De fato, os custos de oportunidade existem em razão da consequência 
comparativa de diversas alternativas, e que estas, por sua vez, possuem características 
distintas, o que poderá elevar o grau de dificuldade na sua escolha.
Deste modo, Nascimento (1998, p. 105) entende que
A questão da diferenciação dos riscos existentes em cada alternativa de 
aplicação de recursos é um fator de dificuldade para a implementação 
plena do conceito de custos de oportunidade. Essa reconhecida 
limitação tem levado os estudiosos das áreas financeira e contábil a 
buscarem meios alternativos que permitam a aplicação prática do 
conceito.
Os riscos existentes nas alternativas são subjetivos, pois o retorno pode 
ser positivo como também negativo. Esses riscos devem ser julgados diante de 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
8
várias alternativas, como, por exemplo, uma aplicação segura, como no caso da 
poupança que limita o rendimento à correção atual, ou uma aplicação na bolsa de 
valores, na qual os rendimentos podem ser bem superiores à poupança, o que faz 
o risco aumentar consideravelmente. 
Martins (1998, p. 255) também faz uma reflexão sobre os riscos, pois diz 
que “normalmente esse tipo de comparação tende a ser um pouco difícil, em 
função, principalmente, do problema do risco”. 
Vamos considerar a definição de Pindyck e Rubinfeld (1994) citado por 
Santos (1995, p. 9), para que depois possamos exemplificar os riscos existentes 
nas alternativas.
[...] considere uma empresa que possua um edifício, portanto que não 
paga aluguel pelo espaço ocupado por seus escritórios. Será que isto 
estaria significando que o custo do espaço ocupado pelos escritórios 
é zero para a empresa? [...] um economista observaria que a empresa 
poderia ter recebido aluguéis por tal espaço, caso o tivesse alugado a 
uma outra companhia. Este aluguel não realizado corresponde ao custo 
de oportunidade de utilização do espaço dos escritórios, devendo ser 
inserido como parte dos custos econômicos das atividades da empresa.
Considerando esta definição poderíamos dar o seguinte exemplo: uma 
empresa vai utilizar seus recursos na compra de um prédio para alugar. O valor 
que ela ganharia de aluguel é uma boa maneira de medir o custo de oportunidade 
em comparativo, por exemplo, com o investimento numa outra fábrica de ramo 
diferente ou até mesmo igual ao que já atua. O grau de risco de um e outro 
empreendimento é bastante diferente. Por isso a comparação entre os retornos é 
também sem muito sentido. 
Segundo Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 390),
Os pontos abordados a seguir estão implícitos ao conceito de custo de 
oportunidade:
a) o custo de oportunidade de um fator representa, economicamente, 
o seu verdadeiro valor;
b) o problema da decisão consiste na escolha de duas ou mais 
alternativas viáveis de uso dos recursos;
c) usos alternativos dos mesmos recursos podem propiciar diferentes 
resultados; e
d) o que é sacrificado quando da opção por uma alternativa é 
a possibilidade de obtenção de melhores resultados em outras 
oportunidades.
Esses pontos sustentam algumas definições do Modelo de Gestão 
Econômica relativamente à adoção do conceito:
a) as alternativas consideradas devem ser viáveis e possíveis diante da 
estrutura operacional do negócio;
b) a diferença entre o custo de oportunidade dos recursos consumidos 
no processo de obtenção de produtos/serviços e o custo efetivamente 
incorrido espelha o valor adicionado pela atividade (resultado 
econômico);
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
9
c) as alternativas devem considerar a natureza, o estado atual e futuro 
da situação em avaliação;
d) para avaliação de desempenhos das áreas, devem ser consideradas 
as alternativas que estão dentro dos limites de autoridadee 
responsabilidade dos seus respectivos gestores; e
e) o mercado desempenha importante papel na determinação do custo 
de oportunidade.
Considera-se então, que não basta apenas analisar duas ou mais 
alternativas. Para que se possa verificar o custo de oportunidade é preciso que 
essas alternativas tenham certa afinidade, que propiciem um horizonte de tempo 
de retorno de investimento parecido e que não haja excessiva diferenciação de 
mercado, como, por exemplo, produto, ponto comercial, carteira de clientes 
fatores macroeconômicos etc. 
Simplificando, pode-se dizer que analisar o custo de oportunidade 
em se investir numa fábrica de sorvete ou numa metalurgia pode dificultar e 
até neutralizar a eficácia do resultado desse custo de oportunidade, seja pela 
diferenciação operacional ou pelos demais fatores que poderiam ser relacionados 
às duas alternativas propostas.
3 ENFOQUE ECONÔMICO E CONTÁBIL
O custo de oportunidade pode ter dois enfoques, ou seja, o enfoque 
econômico e o contábil. Pode-se verificar que o enfoque econômico é muito mais 
utilizado, enquanto que o contábil fica um pouco de lado em razão de não ter 
uma forma específica de ser contabilizado na contabilidade financeira, sendo, 
principalmente, utilizado na contabilidade de custos e gerencial. 
Sob o enfoque econômico o custo de oportunidade, ou custo alternativo, 
surge quando o decisor opta por uma determinada alternativa de ação 
em detrimento de outras viáveis e mutuamente exclusivas, sendo 
assim representa o benefício que foi desprezado ao se escolher uma 
determinada alternativa em função de outras.
Sob o enfoque contábil, diversos pesquisadores contábeis procuraram 
operacionalizar o conceito de custo de oportunidade, sob diversos 
ângulos, dentre os quais a aplicação do conceito de custo de 
oportunidade como uma informação relevante no processo decisório, 
por meio de sua incorporação nos modelos de decisão dos gestores, de 
forma paralela ao sistema formal de informação contábil, notadamente 
na Contabilidade de Custos e na Contabilidade Gerencial. (SANTOS, 
1995, p. 2).
Assim, o enfoque econômico no custo de oportunidade é direcionado 
a opção que foi aceita num comparativo daquilo que se deixou para trás, seus 
possíveis benefícios. O enfoque contábil, por sua vez, representa as informações 
contábeis geradas, capazes de proporcionar ao tomador da decisão uma visão 
mais ampla de sua gestão.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
10
Segundo Santos (1995 p. 5), para melhor esclarecimento do conceito de 
custo de oportunidade, sob o ponto de vista econômico, apresentam-se em ordem 
cronológica, algumas definições expressas por diversos economistas sobre o tema:
WIESER (1860): Renda líquida gerada pelo uso de um bem ou serviço 
no seu
melhor uso alternativo;
MEYERS (1942, p.194): Custo de produção de qualquer unidade de 
mercadoria é o valor dos fatores de produção empregados na obtenção 
desta unidade – o qual se mede pelo melhor uso alternativo que se 
poderia dar aos fatores se aquela unidade não tivesse sido produzida;
BILAS (1967, p.168): Os custos dos fatores para uma empresa é igual 
aos valores destes mesmos fatores em seus melhores usos alternativos;
LIPSEY E STEINER (1969, p. 215): O custo de se utilizar alguma coisa 
num empreendimento específico é o benefício sacrificado (ou custo de 
oportunidade) por não utilizá-lo no seu melhor uso alternativo;
LEFTWICH (1970, p. 123): O custo de uma unidade de qualquer recurso 
usado por uma firma é o seu valor em seu melhor uso alternativo.
Da mesma forma, mas sob o enfoque contábil, Santos (1995) apresenta em 
ordem cronológica uma resenha de várias definições expressas nesta área:
MORSE (1978, p. 32): É o recebimento líquido de caixa esperado, que 
poderia ser obtido se o recurso fosse usado na outra ação alternativa 
mais desejável;
KAPLAN (1982, p. 28): O Custo de oportunidade de um ativo é o seu 
valor quando o mesmo é utilizado na próxima melhor alternativa;
BACKER E JACOBSEN (1984, p. 10): É o custo resultante de uma 
alternativa a qual se tenha renunciado;
HORNGREN (1986, p. 528): É o sacrifício mensurável da rejeição de 
uma alternativa; é o lucro máximo que poderia ter sido obtido se o 
bem, serviço ou capacidade produtivos tivessem sido aplicados a 
outro uso operacional;
GLAUTIER E UNDERDOWN (1986, p. 638): Pode ser medido como 
o valor da próxima melhor alternativa abandonada, ou o recebimento 
líquido de caixa perdido como resultado de preferir uma alternativa 
ao invés da melhor seguinte;
MARTINS (1990, p. 208): O quanto a empresa sacrificou em termos de 
remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés 
de em outra.
Ainda na visão de Santos (1995), a análise dos dois enfoques apresenta os 
seguintes pontos em comum:
a) O conceito de custo de oportunidade pressupõe, pelo menos, a existência de 
duas ou mais alternativas viáveis e mutuamente exclusivas para o decisor.
b) O custo de oportunidade refere-se a algum atributo específico do objeto de 
mensuração ou avaliação.
c) O custo de oportunidade está associado ao valor dos bens e serviços utilizados.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
11
4 TAXA DE OPORTUNIDADE
Para análise desta taxa devem-se levar em consideração as atividades de 
uma forma abrangente, ou seja, todas as atividades são capazes de gerar resultados 
econômicos e financeiros para a empresa. Neste sentido, é necessário definir quais 
as taxas de oportunidade, que servirão de padrão de comparação com as operações 
reais da empresa, podendo ser na remuneração dos recursos financeiros contidos no 
ativo e no passivo da empresa, decorrente dos investimentos dos sócios e acionistas.
Esta comparação, através de seu resultado, é de grande importância para 
verificar se a empresa ganhou ou perdeu quando tomou determinada decisão. 
Também é possível avaliar se o gestor está agindo de maneira correta ou não.
Sobre este entendimento, Guerreiro (1989, p. 15) diz que
O custo de oportunidade do acionista sobre os ativos é calculado 
com base em taxa de juro real de captação no mercado financeiro, 
a responsabilidade do acionista sobre os passivos operacionais 
(fornecedores de bens e serviços) é calculada com base em taxa de 
juro real de aplicação no mercado financeiro, e a responsabilidade 
dos acionistas sobre os passivos exigíveis (empréstimos bancários) é 
calculada com base no juro real de captação do mercado financeiro.
NOTA
Quando o gestor tem que tomar determinadas decisões com relação a finanças 
em determinada área de atividade, ele deve considerar o custo de oportunidade e as 
variações na captação ou aplicação de recursos da empresa, em relação a esse custo, que 
poderá proporcionar receita ou despesa financeira da atividade de finanças, podendo ser 
uma atuação interna da empresa.
5 PROCESSO DECISÓRIO
Com um mercado cada vez mais globalizado, faz-se necessário oferecer 
produtos e serviços com diferenciais (benefícios), que possam atrair um maior 
número de clientes possível. Cabe à empresa tomar decisões que influenciarão 
em seu futuro econômico. Dessa forma, escolher a opção mais vantajosa é questão 
de sucesso ou fracasso nas organizações.
Segundo Nascimento (1998), em uma organização as decisões ocorrem de 
forma sistematizada. Do planejamento empresarial, formal ou não, até as fases 
de execução e controle, os passos mais comuns observados, em síntese, são: (I) a 
identificação do problema a ser solucionado; (II) o estudo das diversas alternativas 
de solução; (III) a opção pela melhor alternativa.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
12
Ainda, segundo Nascimento (1998),
Na empresa, toda vez que existirem problemas de escolha entre 
várias alternativas de ação, estará presente o conceito de custos de 
oportunidade. Quando analisa várias alternativas de decisão,o decisor, 
intuitiva ou propositadamente, sempre se perguntará se o benefício a 
ser obtido, em relação ao sacrifício de recursos correspondentes, será 
o melhor possível nas circunstâncias em que a decisão está sendo 
tomada. Essa é a exata essência do conceito de custos de oportunidade.
6 A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE 
OPORTUNIDADE
Nascimento (1998, p. 54) apresenta uma síntese das principais contribuições 
dos autores da Economia Clássica destacados para o tema custos de oportunidade:
Smith: Ao defender que o preço de uma mercadoria seria composto 
pelos elementos trabalho, capital e terra, entendeu que o trabalho era 
o elemento principal. O preço de um dado bem seria estabelecido 
pela quantidade de trabalho necessário para sua obtenção, ou seja, o 
trabalho seria uma unidade de troca, portanto, com vários empregos 
alternativos;
Ricardo: Em suas discussões sobre as vantagens do comércio exterior, 
Ricardo alerta para o fato de que, se ao invés de destinarmos nossos 
esforços na produção dos bens “A” e “B”, conseguindo apenas 
resultados razoáveis, usarmos nossa capacidade para a obtenção 
somente do bem “A”, para o qual somos mais produtivos, o excedente 
gerado na produção nos permitirá adquirir maior quantidade de B do 
que aquela que poderíamos elaborar. Esse e outros entendimentos do 
autor induzem ao conceito de custos de oportunidade;
Sênior: Sênior entendeu que o valor de um bem era composto não 
apenas por capital terra e trabalho. Existia um outro elemento – 
abstinência – que seria um fator determinante no preço. A abstinência 
era um termo utilizado para expressar a conduta de alguém que se 
abstém ou renuncia ao uso de algo, preferindo a produção de uma outra 
coisa. No entendimento do autor, esse fator seria o que proporciona a 
existência dos outros fatores componentes do preço de um produto. A 
teoria de Sênior tornou iminente a Teoria de Custos de Oportunidade.
7 MODELOS DE APLICAÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE 
OPORTUNIDADE
Ao longo do tempo, vários foram os modelos criados para o cálculo e a 
contabilização do custo de oportunidade.
De acordo com Nascimento (1998), nem todos aplicam o conceito 
diretamente a cada decisão tomada na empresa e, sim, a um conjunto de decisões. 
Um dos caminhos preferidos para a aplicação do conceito é o reconhecimento dos 
juros sobre o capital empregado nas operações.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
13
Nascimento (1998, p. 188), resume os pontos mais representativos da 
evolução do conceito de custos de oportunidade:
Solomons: Assume que os custos envolvidos numa decisão não se 
restringem aos desembolsos. Para ele, o custo de utilização de um ativo é o 
maior valor que poderia ser obtido se aquele ativo tivesse sido empregado em 
uma outra alternativa. Esse autor introduz o conceito de que a base de avaliação 
das alternativas, para fins de comparação de resultados, é o valor presente do 
fluxo de benefícios líquidos esperado para cada alternativa.
Fisher: Buscou relacionar a essência dos custos de oportunidade com 
os custos efetivamente incorridos. Segundo esse autor, custos devem ser 
analisados sempre sob dois diferentes enfoques: como o valor da alternativa 
abandonada e como uma consequência direta de uma política ou programa 
executado. Apesar de essa parecer uma posição óbvia dos autores da Escola 
Contábil, poucos são os que buscam uma conciliação entre os dois conceitos 
de custos.
Gray e Johnston: Esses autores entenderam que custo de oportunidade 
é um lucro que poderia ter sido obtido se um conjunto de recursos tivesse sido 
aplicado em um uso alternativo. Aqui, vemos introduzido o conceito de conjunto 
de recursos, o que nos parece lógico, pois, uma decisão, normalmente, envolve 
mais do que o consumo de um recurso, e a análise do conjunto parece mais 
razoável do que avaliar o custo de oportunidade de cada elemento componente. 
Os autores também introduzem o conceito de custos de oportunidade positivos 
e negativos, sendo positivos quando, num processo de escolha, deixa-se de 
conseguir algum lucro e, negativo, quando simplesmente se evita uma despesa 
em função de alguma política ou decisão adotada.
Martins: Também para Martins, os custos de oportunidade representam 
o quanto a empresa sacrificou, em termos de remuneração, por ter aplicado seus 
recursos numa alternativa ao invés de em outra. Entretanto, esse autor ressalva 
que, no momento de cada decisão, as alternativas podem ter níveis diferentes 
de riscos, o que dificulta a comparação direta entre os resultados potenciais. O 
autor defende que os custos de oportunidade devem ser vistos a partir de dois 
diferentes enfoques: custo de oportunidade em relação a alternativas de igual 
risco, ou, para efeito de comparação de resultados, tomando-se como base o 
investimento de risco zero, ou seja, a taxa de juros praticada pelo mercado 
para papéis governamentais. Martins observa ser necessária a comparação dos 
resultados das alternativas com moedas de mesmo poder aquisitivo, isto é, 
deve ser considerado o efeito inflacionário.
Leininger: Propõe que os custos de oportunidade sejam analisados com 
base em duas dimensões diferentes: sob a situação de lucro e sob a situação de 
custo. Para a situação de lucro, o custo de oportunidade é a diferença entre o 
lucro, se a política correta tivesse sido adotada, e o lucro resultante da política 
empregada. Para a situação de custo, o custo de oportunidade é a diferença 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
14
entre o custo incorrido e o custo que poderia incorrer caso tivesse sido 
adotada a política correta. A contribuição desse autor consiste principalmente 
na tentativa de recortar a abrangência das definições existentes sem afetar a 
essência do conceito de custos de oportunidade.
Schlatter e Schlatter: Propõem um modelo de aplicação do conceito de 
custos de oportunidade através do custo do capital próprio, calculado através 
de uma taxa de juros aplicada sobre o valor do ativo fixo.
Anthony: Também aplica o conceito de custo de oportunidade através 
do custo do capital próprio, mensurado através de taxa ponderada pela 
estrutura de capital da organização, próprio e terceiros. Diferentemente de 
Schlatter & Schlatter, entretanto, a base para a obtenção do valor dos juros é o 
valor dos recursos consumidos nas operações.
Catelli: Aplica o conceito de custos de oportunidade na apuração dos 
preços de transferência entre atividades. Ele define que o valor a ser transferido 
é o do menor preço de mercado à vista, por entender que essa seria a melhor 
oportunidade de compra que uma “área-cliente” teria se adquirisse o material 
necessário às suas atividades diretamente do mercado. A essência do conceito é 
também aplicada para o financiamento de ativos, nesse caso, as áreas remuneram 
à área financeira o custo do capital utilizado. Os juros são calculados através da 
menor taxa de captação de mercado por representar o melhor negócio possível 
para as áreas, caso tivessem de captar os recursos diretamente do mercado. O 
conceito de margem operacional também representa um enfoque dos custos 
de oportunidade. Se positiva, representa que a decisão correta foi tomada, 
se negativa, significa um custo de oportunidade em decorrência de a decisão 
tomada não ter sido a mais apropriada. Catelli também emprega o conceito de 
juros sobre o capital próprio concomitantemente ao de custos de oportunidade.
Stewart III: Associou o conceito de custo de oportunidade do investidor 
à taxa de retorno do investimento. Desenvolveu um modelo de mensuração 
voltado à avaliação de administradores com a aplicação direta do conceito de 
custos de oportunidade.
8 A TEORIA DA UTILIDADE E OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE
A teoria da utilidade está ligada ao grau de satisfação que o ser humano 
tem ao suprir determinada necessidade. Quanto maior o número de pessoasque 
tendem a adquirir determinado produto ou serviço, consequentemente, podem 
se tornar escassos.
 A escassez está relacionada com a lei da oferta e da procura. Quanto 
maior for a procura maior será o preço de venda, dessa forma, quanto maior for 
a oferta menor será o preço de venda.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
15
NOTA
Os custos de oportunidade estão intimamente ligados a esta questão, pois a 
parir do momento que determinado produto ou serviço estiver em falta, poderá ser uma 
alternativa vantajosa sobre as demais, em se tratando do fator preço.
Assim, Nascimento (1998, p. 83) apresenta as principais contribuições 
dadas por diversos autores onde são tratados o tema utilidade e o custo de 
oportunidade:
Menger: Promoveu grandes mudanças na Teoria do Valor existente até 
então. Para ele, o valor de um bem é derivado de sua capacidade de satisfazer 
as necessidades humanas, de sua utilidade. Menger abriu caminho para que a 
alocação de recursos produtivos fosse estudada a partir do enfoque do grau de 
importância, ou de utilidade, que tais recursos têm para quem os possui e os 
deseja aplicar.
Pareto: Também esse autor entendeu que o valor de um bem está 
diretamente ligado a sua utilidade. Em termos de avaliação entre o consumo 
de um ou outro produto, entretanto, as utilidades de ambos não devem ser 
simplesmente comparadas. A satisfação plena pelo consumo de um produto 
pode estar ligada ao consumo de outros. Além de existir essa interdependência, 
que impede que o valor de um produto seja simplesmente parametrizado por 
outro não consumido, Pareto afirmou que o grau de utilidade de um bem é 
dinâmico, ou seja, depende das circunstâncias em que a análise é feita.
Samuelson: O autor entendeu que o termo satisfação não se aplica 
diretamente às empresas que adquirem matérias-primas para transformá-las e 
venderem os bens decorrentes. A satisfação deve ser vista apenas sob o ponto 
de vista do consumidor final, e deve ser entendida como o meio que a empresa 
tem para estabelecer o preço que cobrará por seus produtos.
Hicks: Relacionou a satisfação gerada pelo consumo de um bem a seu 
preço, à demanda pelo mesmo e à renda de quem toma a decisão de consumo. 
O autor introduziu o conceito de utilidade do dinheiro.
Wieser: Defendeu que o valor de um fator de produção, em qualquer 
uso, é a utilidade abandonada de outros bens que poderiam ter sido produzidos 
com os mesmos fatores. Esse autor dedicou-se ao estudo da alocação de recursos 
produtivos à luz da Teoria da Utilidade. Em seu entendimento, os custos se 
originam da própria limitação do ato de produzir, pois à medida que se toma 
uma decisão de produção, dada a escassez de recursos, os fatores de produção 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
16
ficam comprometidos com aquele uso particular, sendo importante, a partir 
daí, conhecerem-se os valores dos bens que poderiam ter sido produzidos 
com aqueles recursos e não o foram. Esse raciocínio promoveu o interesse dos 
autores da Teoria Econômica para o que, mais tarde, se chamaria custos de 
oportunidade.
Green: A “Lei de Wieser”, como era conhecida a teoria defendida por 
aquele autor, enfim, foi “batizada” por Green como custos de oportunidade, 
mediante artigo no qual ele se refere a custos como uma combinação de fatores, 
dentre os quais, o sacrifício de oportunidades.
Wicksteed: Entendeu que os custos de oportunidade não influenciavam 
o preço do bem. O conceito, porém, era importante para a decisão de alocação 
de recursos. Dessa forma, esse autor procurou vincular o conceito a decisões 
futuras, minimizando sua importância no resultado de decisões passadas.
Davenport: O autor se dedicou a um estudo detalhado dos conceitos 
de custos. Concluiu haver tipos diferentes de custos de oportunidade. Em 
sua opinião, o conceito deve variar de acordo com o enfoque do problema 
econômico sob análise; por exemplo, numa decisão de investimento, o custo 
de oportunidade pode ser o juro que seria obtido sobre o capital consumido. 
Segundo Davenport, custos de oportunidade sempre existirão, a menos que não 
haja aplicações alternativas para o recurso em questão. Em suas observações, 
também enfatizou o uso do conceito de custos de oportunidade como um fator 
a ser considerado pelo decisor antes da tomada de decisão.
9 APLICABILIDADE DO CONCEITO DE CUSTO DE 
OPORTUNIDADE
Ao longo do tempo, vários foram os modelos criados para o cálculo e a 
contabilização do custo de oportunidade. Mas sabe-se que na contabilidade, de 
acordo com os princípios contábeis, não existe, pelo menos até o momento, espaço 
para uma conta específica do custo de oportunidade. Muitas empresas utilizam 
os juros sobre capital próprio para remunerar seus acionistas, entende-se então, 
que este procedimento se aproxima muito do conceito do custo de oportunidade, 
pois, desta forma, o acionista pode verificar qual está sendo o retorno do capital 
que foi investido na empresa, conseguindo comparar com outras alternativas que 
o mercado oferece. Poder-se-ia dizer que o acionista quando investiu na empresa, 
provavelmente, desprezou alternativas que no momento existiam para aplicar 
seu capital e que, então, ele estava diante do conceito do custo de oportunidade.
De acordo com Nascimento (1998, p. 129), são evidenciados “vários 
modelos para o cálculo e contabilização dos custos de oportunidade. Nem todos 
aplicam o conceito diretamente a cada decisão tomada na empresa e, sim, a um 
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
17
conjunto de decisões. Um dos caminhos preferidos para a aplicação do conceito é 
o reconhecimento dos juros sobre o capital, empregado nas operações.
Diante da legislação brasileira até 31/12/1995, existia a correção monetária 
de balanço em que eram corrigidos os direitos dos acionistas. Com sua extinção 
em janeiro de 1996, surge a forma de remunerar o capital social investido pelos 
acionistas, através dos juros sobre o capital próprio.
 
Então, mesmo que na contabilidade tradicional financeira não se reconhece 
o custo de oportunidade, ele tenta se desenvolver através dos juros sobre o capital 
próprio, mensurado através de taxa determinada pelo mercado (TJLP – Taxa de 
juros de Longo Prazo).
Nascimento (1998, p. 162) define que “Juros sobre o Capital Próprio 
corresponde ao ‘custo de oportunidade’ do acionista, calculado sobre o valor do 
patrimônio líquido do balanço imediatamente anterior”.
ESTUDOS FU
TUROS
O tópico Juros sobre Capital Próprio será apresentado na Unidade 2 deste Caderno 
de Estudos.
Com relação à aplicação do conceito do custo de oportunidade na pessoa 
jurídica, poderíamos descrever que ela própria consome seu capital quando este é 
aplicado em determinadas ações da companhia. Desta forma, estaria utilizando o 
conceito do custo de oportunidade através da remuneração sobre o capital próprio. 
10 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA E CUSTO DE OPORTUNIDADE
Nas atividades operacionais das empresas, devem-se levar em 
consideração as entradas de recursos, processamento e a saída dos produtos. 
No seu desenvolvimento operacional, a empresa é considerada como uma área, 
e cada atividade desenvolvida uma etapa do processo. Cada empresa tem seu 
produto que é transferido para outra área ou empresa – são etapas que completam 
o produto até o seu término.
Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 392), “preço de transferência é 
definido como o valor pelo qual são transferidos bens e serviços entre as atividade 
e áreas internas de uma organização”.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
18
Neste sentido, é necessário, entretanto, conhecer o preço de transferência 
do produto ao sair de cada empresa ou área, para depois poder avaliar o modo 
correto de realizar estas atividades, ou seja, avaliar o nível de eficiência.
Ainda Pereira e Oliveira (apudCATELLI, 2001, p. 393), o conceito de preço 
de transferência fundamenta-se nas seguintes premissas:
a) toda empresa é um processo de transformação de recursos em 
produtos/serviços, composto de diversas atividades que interagem 
entre si;
b) as atividades possuem caráter econômico, que se materializam pelo 
consumo de recursos e geração de produtos/serviços;
c) os recursos consumidos, por serem escassos, possuem valor 
econômico (custos), e os produtos/serviços gerados, por satisfazerem 
necessidades ambientais, também o possuem (receitas); e
d) as atividades contribuem para os resultados econômicos da empresa.
Assim, toda a atividade pode ser considerada distinta, desde que haja 
controles necessários para seu gerenciamento.
De acordo com Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 393), sob esse 
enfoque, entende-se que a incorporação do conceito de preço de transferência ao 
sistema de informações da empresa deve apoiar a gestão no sentido de:
a) permitir uma constante avaliação dos níveis de eficiência e eficácia 
da empresa, a partir das relações econômicas entre as suas atividades;
b) permitir avaliações de desempenhos justas, a partir da correta 
mensuração da contribuição das atividades e das áreas para o 
resultado global da empresa;
c) suportar e permitir simulações e avaliação das decisões tomadas na 
empresa;
d) induzir comportamentos adequados dos gestores; 
e) não permitir o repasse de ineficiências entre as áreas;
f) promover a capacidade competitiva da empresa.
O preço de transferência deve ser analisado em cada área para que se 
tenha noção de qual alternativa seria mais viável supondo, como exemplo, que a 
empresa tenha a alternativa de produzir ou adquirir de terceiros um determinado 
produto ou serviço.
Segundo Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 397), nesse sentido, 
entende-se que o emprego do conceito de custo de oportunidade na intermediação 
das relações econômicas entre as áreas guarda as seguintes conotações:
a) o mercado representa a fonte alternativa de obtenção de bens e 
serviços;
b) os efeitos das decisões tomadas pelos gestores são fixados em suas 
próprias áreas, evitando-se o repasse de ineficiências entre as mesmas;
c) orienta os gestores para a tomada das decisões que mais interessam 
à empresa como um todo e não à sua área específica;
d) incorpora um parâmetro de alta qualidade ao processo decisório 
dos gestores;
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
19
e) contempla a noção de valor econômico, consubstanciado pela 
melhor oportunidade identificada no mercado para obtenção dos 
produtos, tendo em vista a missão das áreas;
f) restringe a amplitude da noção de preços, visto que a oportunidade 
(preço) é específica para a entidade em questão, devendo considerar 
as particulares dificuldades ou facilidades enfrentadas para adquirir 
ou colocar os bens e serviços demandados, frente à alternativa de 
produzi-los internamente;
g) permite avaliações corretas da evolução do patrimônio da entidade; e
h) os preços praticados por outras empresas no mercado, ao serem 
incorporados à estrutura de resultados internos de uma empresa, 
confrontados com os custos incorridos para produzi-los internamente, 
fornecem uma ideia da capacidade da atividade interna em suportar 
condições competitivas.
NOTA
Considerando essas conotações, o preço de transferência deve ser o custo de 
oportunidade, representado pelo menor custo de mercado, ou seja, é o custo que a empresa 
necessitaria incorrer, caso não desenvolvesse a atividade que gerou aquele produto, ou até 
no caso de terceirizar aquela atividade.
Conforme Pereira e Oliveira citado por Catelli (2001, p. 398),
O modelo de preço de transferência, conforme utilizado no Sistema 
de Gestão Econômica baseia-se no conceito de custo de oportunidade. 
Estrutura-se a partir da premissa de que o valor dos produtos e 
serviços transacionados entre as unidades deveria refletir o valor do 
benefício possível de ser auferido na melhor alternativa econômica de 
obtenção dos bens e serviços demandados.
Por melhor alternativa econômica, devemos entender aquela que 
possibilite à organização o maior incremento de resultado econômico 
possível.
Desse modo, a melhor alternativa será sempre escolhida à luz dos 
resultados possíveis de serem obtidos, a partir das opções de uso 
alternativo do produto de uma determinada área, lembrando que 
o produto de uma área constitui o recurso ou insumo da área que o 
recebe.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
20
11 CUSTO DE OPORTUNIDADE NOS ESTOQUES
Com a atual economia, sabe-se que os estoques merecem uma atenção 
especial. É no estoque que pode estar o testemunho do desequilíbrio financeiro 
das empresas, visto que muitos produtos ou mercadorias não têm a necessidade 
de serem estocados em grandes quantidades.
NOTA
Caso as empresas tenham estes estoques em quantidade desnecessária estariam 
com um capital parado ao invés de investido em uma segunda alternativa, podendo ser até 
mesmo em estoque, mas com características diferentes da primeira opção. 
Deve levar em consideração o custo de oportunidade na forma da compra 
destes estoques, principalmente quando se tratar quantidade (x) preço e também 
forma de pagamento (x) preço.
O Estoque exige capital que pode ser utilizado para outros 
investimentos. Para estabelecer o custo de oportunidade do capital 
empatado nos estoques, no caso de uma indústria, deve-se buscar 
apenas o montante correspondente ao desembolso feito pela empresa 
na aquisição de materiais, mão de obra direta e outros que variam 
em relação ao volume de produção. Outros custos de fabricação que 
são absorvidos no custo do produto, e não variam em relação ao 
produto não devem ser considerados como base de cálculo do custo de 
oportunidade do capital investido em estoques, por não considerarem 
um desembolso direto de estoques. (FARIA; COSTA, 2005, p. 43).
A alternativa que a empresa renuncia ao investir ou manter os estoques 
não é registrada na contabilidade tradicional, porque não resulta em saída de 
caixa especificamente, mas, sim, na renúncia de uma rentabilidade meio a esta.
Nesta mesma linha de pensamento, Faria e Costa, (2005) comentam 
que ao investir em estoques, a empresa renuncia a taxa de retorno que poderia 
obter com tais investimentos em outras alternativas. A determinação da taxa 
de oportunidade mais adequada ao custo de oportunidade de manter estoques 
é inerente ao tipo de investimento que se faria, caso os recursos não fossem 
aplicados em estoques.
Para que a empresa consiga identificar a taxa de oportunidade para tais 
estoques, deve considerar qual a segunda opção ou alternativa de investimento, 
caso contrário não consegue fazer tal comparação.
Para uma melhor visualização, apresenta-se a Figura 1 do Balanço 
Patrimonial, que identificará as fontes de recurso e sua aplicação.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
21
FIGURA 1 – FONTES DE RECURSO E SUA APLICAÇÃO
FONTE: Faria e Costa, 2005
Através da Figura 1, pode-se observar a origem e o destino dos recursos. 
O mesmo também pode ser observado na contabilidade tradicional.
12 APLICAÇÃO DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ÀS DECISÕES 
DE PREÇO
De acordo com Santos (1995), os gestores de preço devem desenvolver 
um modelo de decisão de preço de venda que leve em consideração o conceito de 
custo de oportunidade que pode ser aplicado em duas diferentes situações: (I) na 
apuração do custo do objeto de custeio; e (II) na remuneração dos investimentos 
realizados pelos acionistas na empresa.
A apuração do custo do objeto de custeio pode ser definida como os 
desembolsos realizados, como, por exemplo, materiais, mão de obra, alugueis 
etc., como também gastos que poderiam ter sido despendidos de forma útil em 
outro lugar.
Outro caso é o estoque que permanece parado nas empresas, ou seja, este 
investimentoem materiais poderia ser utilizado de forma útil em outro lugar. De 
acordo com Santos (1995),
Durante este período, todos os insumos agregados ao produto 
permanecem estocados na empresa, que suporta com os custos 
de financiar estes estoques até o momento da venda. Este custo de 
estocagem é calculado multiplicando-se o custo do insumo por 
uma taxa de remuneração capitalizada pelo período de tempo que 
permaneceu imobilizado na empresa. Esta taxa de remuneração é o 
custo de oportunidade, isto é, o rendimento alternativo máximo que a 
empresa obteria se tivesse aplicado seus recursos em outra atividade, 
como, por exemplo, no mercado financeiro.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
22
Mesmo a remuneração dos investimentos realizados pelos acionistas 
na empresa pode ser definida pelo custo de se aplicar em outro investimento, 
como, por exemplo, fundos de investimento, mercado de capitais etc., ou seja, o 
comparativo dos benefícios que este teria se os acionistas deixassem de aplicar na 
empresa. De acordo com Santos (1995, p. 24),
Conceitualmente, as taxas ideais a serem utilizadas no cálculo do custo 
de oportunidade dos investimentos realizados seriam ou o retorno 
exigido pela empresa, ou o seu custo de capital. No entanto, em uma 
atitude conservadora, por razões operacionais e de disponibilidade de 
informações, diversos gestores de preços têm se utilizado das taxas 
médias de captação de recursos no mercado financeiro, ou das taxas 
de captação conseguidas pela empresa no mercado financeiro.
Por outro lado, os investimentos realizados devem estar mensurados 
segundo critérios econômicos adequados, de tal forma que possam 
refletir a respectiva capacidade potencial de geração de benefícios 
ou serviços futuros. Estes investimentos realizados pela empresa 
correspondem ao conceito de ativo, segundo a ciência contábil.
13 A NATUREZA ECONÔMICA DOS CUSTOS
Segundo Nascimento (1998), para a Economia, os custos são de natureza 
complexa e até mesmo subjetiva e estão subdivididos em várias categorias. Os 
conceitos de custo mais comumente observados na literatura econômica moderna 
apresentam dois tipos de custo: os sociais e aqueles de naturezas econômicas – 
explícitos e implícitos, ou custos de oportunidade.
13.1 CUSTOS SOCIAIS
São os custos originados em decorrência das atividades operacionais da 
empresa. Estes custos podem afetar tanto a empresa como a sociedade. Um exemplo 
deste tipo de custo é o que afeta o meio ambiente. Segundo Nascimento (1998, p. 84), 
“[...] existem limitações para a mensuração, mas, estatisticamente, há mecanismos 
que possibilitam a criação de modelos de mensuração desta natureza de custo, 
ainda que num estágio primário, de forma que as organizações que externalizam 
seus custos possam refleti-los nos resultados de suas operações”.
13.2 CUSTOS EXPLÍCITOS
Podem ser definidos como a diferença entre o custo apurado pela 
contabilidade tradicional e o custo econômico, ou seja, podemos levar em 
consideração, neste caso, por exemplo, o custo de reposição. De acordo com 
Nascimento (1998, p. 92), “há concordância de que devem ser agregados aos 
custos as matérias-primas, a mão de obra, as depreciações e outros fatores levados 
em conta pela Contabilidade. Questiona-se, porém, o fato de esses fatores serem 
considerados por seus valores históricos [...]”.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
23
13.3 CUSTOS IMPLÍCITOS OU DE OPORTUNIDADE
São os custos que envolvem o processo de escolha de uma alternativa 
ou outra. De modo que somente as alternativas escolhidas são contabilizadas, 
o restante passa a ser não mensurado pela contabilidade. Segundo Heymann 
e Bloom citado por Nascimento (1998, p. 95), “A ocorrência desse tipo de custo 
implica desembolsos futuros ou diminuição do resultado líquido potencial das 
organizações onde ocorrem”. 
Estes custos são importantes elementos no processo decisório, em função 
de as decisões envolverem permanentemente um processo de escolha, e de que 
todo o ato de escolha envolve um ato de sacrifício, conforme já visto no decorrer 
desta unidade.
13.4 CUSTO DO CAPITAL
O custo do capital pode ser conceituado como o valor de retorno obtido 
pelo investimento feito para que o mesmo (investimento) permaneça, no mínimo, 
preservado. O custo do capital está intimamente ligado à maneira como este capital 
foi obtido, pois isso pode variar de empresa para empresa. Conforme Nascimento 
(1998, p. 96), “sob esse ponto de vista, sempre que a implementação de um projeto 
implicar retorno econômico superior ao custo do capital, o valor da empresa será 
aumentado, ocorrendo o inverso quando a implementação de projetos leve à 
obtenção de retorno econômico inferior”.
14 CONTROVÉRSIAS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE
De acordo com Nascimento (1998), o interesse gerado pelo assunto custos 
de oportunidade, entre os autores, leva ao aparecimento de controvérsias quanto 
a sua conceituação. 
Além das pequenas divergências contidas nas definições, surgem, na 
literatura, termos diferentes para o conceito, gerando controvérsias quanto a seus 
reais significados. Um exemplo disso são os casos dos custos diferenciais, custos 
incrementais e custos de oportunidade.
Segundo Nascimento (1998) “ [...] em 1970, McRae, professor de 
Contabilidade na University of Witwatersrand, África do Sul, publicou artigo 
criticando as opiniões de diversos autores que tratam os termos custos de 
oportunidade e diferenciais, ou incrementais, como sinônimos”.
Mas, de acordo com Nascimento (1998), trata-se de conceitos sinônimos 
que deveriam ser empregados sempre com os mesmos objetivos. Se isso é verdade, 
o que constatamos é que os custos de oportunidade ganham na literatura outros 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
24
termos que originam discussões acadêmicas, nem sempre férteis, e que desviam a 
atenção que deveria ser absorvida por tentativas de se entender todos os aspectos 
que envolvem o fenômeno, para permitir sua aplicação sistemática.
15 EVA – ECONOMIC VALUE ADDED
O conceito do EVA (Economic Value Added), ou Valor Econômico Agregado, 
apesar de ter se popularizado nas ultimas décadas, na verdade, não é nenhuma 
novidade nos meios acadêmico e empresarial, pois se originou na primeira 
década do século XX, teoria neoclássica, em que representa uma tentativa de 
operacionalizar o conceito de custo de oportunidade. 
O termo EVA está registrado por Stern Stewart e Co., uma firma de 
consultoria americana. A Stern Stewart e Co. desenvolveu o EVA para gestores 
incorporarem dois princípios básicos de finanças dentro de suas tomadas de 
decisões. O primeiro é que o objetivo financeiro primordial de qualquer empresa 
deve ser maximizar a riqueza de seus acionistas. O segundo é que o valor da 
companhia depende de extensão do que os investidores esperam como retorno 
futuro: exceder o custo do capital. Assim, o EVA apura o valor que foi criado por 
uma organização durante um determinado período para seus acionistas. 
Sabe-se que o valor econômico adicionado (EVA), avalia uma linha de 
produtos financeiramente desejável, usando seu lucro residual, ou seja, esta 
ferramenta avalia o desempenho de uma empresa.
Para KASSAI (2000, p. 193), “ [...] o valor econômico agregado, ou EVA, é, 
pois, o valor que a empresa agrega após remunerar todos os recursos investidos, 
quer sejam financiados pelo custo de capital de terceiros (Ki) ou pelo custo de 
capital próprio (Ke)”.
Então, para calcular o EVA é necessário identificar qual o retorno desejado 
pelos acionistas, ou o Custo do Capital Próprio.
Diversas são as formas de interpretar o EVA, Erbhar (1999) entende 
que 
Quando empresas utilizam o EVA plenamente, que é o que devem 
fazer para mudar comportamento, este se torna muito mais do que 
apenas mais uma maneira de somar custos e calcularlucro. O EVA é:
a) Uma medida de desempenho empresarial;
b) A única medida de desempenho que oferece a resposta certa no 
sentido de que mais EVA é sempre definitivamente melhor para os 
acionistas;
c) A estrutura que subjaz um novo e abrange sistema de gestão 
financeira empresarial;
d) Um método simples e eficaz de alfabetizar em negócio até mesmo 
os trabalhadores menos sofisticados.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
25
e) A variável chave num sistema singular de remuneração variável que 
pela primeira vez realmente alinha os interesses de gerentes com os de 
acionistas;
f) Uma estrutura que empresas poderão utilizar para comunicar suas 
metas e realizações a investidores.
NOTA
O principal objetivo do EVA é determinar o valor que foi criado de riqueza em 
um determinado período de tempo. Este período de análise geralmente é de um ano. Mas 
isto não quer dizer que a empresa vai medir o seu desempenho apenas uma vez por ano; 
este acompanhamento deve ocorrer mês a mês, e ser comparado no decorrer do período, 
ou seja, no decorrer do ano.
Carvalho, (1999, p. 9) comenta que “o EVA é a versão moderna de lucro 
operacional menos o custo do capital. Se a empresa agregou valor, o EVA é 
positivo e os acionistas terão feito um bom negócio”.
Entende-se, então, que o EVA é um instrumento que se propõe a medir 
a criação de valor (ou destruição) centrada num período determinado. Sua base 
de cálculo é o lucro operacional da empresa menos o custo do capital investido. 
Segundo G. Bennett Stewart III, citado por Denardin (2004, p. 7), “[...] o 
EVA é a única medida de performance que está totalmente consistente com a regra 
padrão de orçamento de capital: aceitar todos os investimentos cujos valores 
presentes líquidos são positivos e rejeitar todos os negativos”.
O EVA considera todos os custos existentes, até mesmo o custo de 
oportunidade. O capital é considerado toda expressão monetária aplicado em 
ativos, como os imobilizados em geral, acrescentando as disponibilidades de 
caixa e os investimentos a longo prazo.
O resultado desta ferramenta não se restringe apenas a avaliar o 
desempenho da empresa, mas também a incentivar o desempenho de seus 
colaboradores, pois isto resultará em aumento da riqueza, como consequência o 
desempenho da organização terá maior eficácia. 
Segundo Saurim, Mussi e Cordioli, citado por Denardin (2004, p. 9):
A implantação do EVA como medida de desempenho pode levar a 
uma serie de mudanças, destacando-se as seguintes:
a) Maior conscientização da gerência quanto ao valor do capital que 
é por ela gerido e, principalmente, do valor associado ao patrimônio 
líquido;
b) Gestão mais empreendedora, principalmente, no que tange à busca 
de formas alternativas[...];
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
26
c) Possibilidade de desdobramento do EVA, um indicador 
principalmente financeiro em indicador de gestão de unidades de 
negócios (Ex.: vendas, custos etc.), associados a este, indicadores 
de desempenho operacional (ex.: margem de vendas dos produtos, 
porcentagem de refugo de produtos etc.).
Nota-se, então, que o EVA é de extrema importância para qualquer 
organização, pois possibilita um eficiente entendimento de oportunidade.
Esta poderosa ferramenta de gestão está dividida em quatro pilares, 
conforme segue na Figura 2.
FIGURA 2 – QUATRO PILARES DE GESTÃO DO EVA
EVA NOPAT (Custo do Capital Capital)
FONTE: Denardin (2004, p. 10)
O primeiro pilar, o operacional, faz com que aumente o capital através da 
minimização de custos e a maximização dos lucros ou economia de impostos, já 
no segundo pilar o objetivo é reduzir os custos de capital e no terceiro é investir 
capital adicional em projetos com valor presente líquido positivo e no último 
pilar ocorre o contrário.
16 EXEMPLOS DIVERSOS
Abordaremos, a seguir, diversos exemplos relacionados a este tópico para 
melhor interpretar este assunto.
Exemplo 1 – EVA – Baseado no Modelo de Nascimento (1998)
Situação 1 (base para as demais situações)
Suponhamos uma situação em que o lucro operacional líquido da 
empresa seja de $ 250, o capital $ 1.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado 
pelo investidor) 15%. O valor calculado do EVA seria:
EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou
EVA = $ 250 – 15% X $ 1.000 = $ 100.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
27
A seguir, as hipóteses relacionadas com este cenário:
a) criação de valor 
Imaginemos que, em decorrência de ganhos de produtividade, ou de 
eficiência administrativa, o lucro fosse aumentado de $ 250 para $ 300. 
EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou
EVA = $ 300 – 15% X $ 1.000 = $ 150.
Como se vê, o lucro em relação ao capital aumentaria de 25% para 30%, e 
o EVA subiria para $ 150, refletindo a eficiência da gestão dos recursos.
b) Investimento com retorno sustentável
Continuando o caso base, consideremos agora a decisão de adotar ou não 
um projeto que requeira um investimento de $ 1.000, e que, se implementado, 
represente um aumento de $ 200 no lucro, ou 20% de retorno, de forma sustentável:
EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou
EVA = $ 450 – 15% X $ 2.000 = $ 150.
Nessa hipótese, a consequência seria um aumento no EVA. Ainda que a taxa 
consolidada de retorno diminuísse para 22,5%, o projeto deveria ser implementado, 
pois maximizaria o EVA. 
Na aplicação do conceito, a taxa de retorno nunca deve ser analisada 
individualmente. Nesse caso, embora menor, é calculada sobre uma base maior, 
gerando um ganho superior ao custo de oportunidade do investidor.
c) Retirada de capital de usos não produtivos
Ainda tendo como referência o caso base, imaginemos que $ 333 de excesso 
de capital de giro pudesse ser retirado do negócio sem afetar o lucro operacional 
líquido, assim, teríamos: 
EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital
EVA = $ 250 – 15% X $ 667 = $ 150.
A retirada do capital de um uso não produtivo, portanto, permite um 
aumento tanto no EVA quanto na taxa de retorno, refletindo o acerto da decisão. 
Situação 2: Decisões sobre implementações de projetos
Imaginemos, agora, um cenário onde uma empresa apresente lucro líquido 
operacional de apenas $ 50 para um capital de $ 1.000. Com um retorno de apenas 
5%, o EVA resulta num déficit de -$ 100, conforme os cálculos demonstrados a seguir:
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
28
EVA = LL – C* X capital, ou
EVA = $ 50 – 15% X $ 1.000 = $ (100).
Prosseguindo, se a empresa adotar um projeto que requeira capital adicional 
de $ 1.000, estima-se que este investimento lhe permitiria, de forma sustentável, 
acréscimo de $ 130 no lucro operacional líquido, mas como consequência, a taxa de 
retorno requerida pelos acionistas subiria para 9%. O cálculo do EVA seria:
EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou
EVA = $ 180 – 15% X $ 2.000 = $ (120).
Mesmo que o retorno de capital praticamente dobrasse (de 5% para 9%), 
o EVA seria ainda mais negativo, como se observa acima, representando um 
empobrecimento do investidor, ou seja, o projeto não deve ser implementado. 
Em outras palavras, a última coisa a ser feita em uma empresa são investimentos 
que não recompensem o capital nela investido.
Situação 3: fechamento de uma unidade fabril
Suponha que uma unidade fabril ineficiente possa ser vendida e sua produção 
parcialmente transferida para outra unidade da mesma empresa. Assuma, também, 
que a venda da unidade fabril permitirá uma retirada de $ 500 líquidos de capital do 
negócio, e que seu fechamento significará uma diminuição permanente de $ 25 no 
lucro operacional líquido. O quadro demonstrativo dessa decisão seria:
QUADRO 1 – DEMONSTRATIVO DO FECHAMENTO DE UMA UNIDADE FABRIL
Situação original Valores residuais
Lucro Líquido Operacional $ 250 $ 225
Capital $ 1.000 $ 500Retorno 25% 45%
C* 15% 15%
Retorno– C* 10% 30%
X capital $ 1.000 $ 500
EVA $ 100 $ 150
FONTE: O autor
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
29
Conforme essa análise, o fechamento da unidade fabril é recomendável, 
ainda que isso implique a diminuição do valor das ações, do lucro da empresa e 
dos empregos, pois tal decisão permitiria um aumento no EVA.
Ao se subtrair a perda incremental do lucro líquido operacional, e o capital 
resultante da venda da fábrica, a operação residual remanescente é mais rentável. 
O aumento do EVA é consequência direta da otimização do capital da empresa. 
A melhor forma de se ver isso é através da comparação dos valores residuais 
remanescentes com os valores originais.
Exemplo 2 – Custo de oportunidade nos investimentos
Neste exemplo, apresentado por Martins (1998), imagina-se que não há 
inflação e o custo de oportunidade em se aplicar, tomado pela empresa em termos 
reais, seja de 6% ao ano (fundos de investimentos) e que o valor do investimento 
em imobilizado para a fabricação de produtos seja de R$ 100.000,00. 
Opções:
A – Investir R$ 100.000,00 em fundos a 6% ao ano.
B – Investir no imobilizado da fábrica, considerando um faturamento 
de R$ 150.000,00, considerando que para este faturamento a fábrica obteve os 
seguintes custos: MP R$ 70.000,00, MO R$ 30.000,00, depreciação R$ 20.000,00 e 
outros custos R$ 20.000,00. 
Apuração dos dados:
Opção (A)
Investimento em fundos R$ 100.000,00
Rendimento (6%) R$ 6.000,00
Total no final do período R$ 106.000,00
Opção (B):
Receitas: _______________________________R$ 150.000,00
CPV
 Matéria-prima: R$ 70.000,00
 Mão de obra: R$ 30.000,00
 Depreciação: R$ 20.000,00
 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00
Lucro: R$ 10.000,00
Após a análise das opções, percebe-se que a opção (B) é mais vantajosa, 
pois daria um resultado no final do período de R$ 10.000,00 enquanto que a opção 
(A) teria, no final do mesmo período, um resultado de apenas R$ 6.000,00.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
30
Deste modo, pode-se dizer que o custo de oportunidade deste caso é o 
R$ 6.000,00, ou seja, esta é a opção desprezada diante das duas alternativas de 
aplicação dos R$ 100.000,00.
Apuração dos dados da opção (B), após a identificação do custo de 
oportunidade:
Receitas: _________________________________ R$ 150.000,00
CPV
 Matéria-prima: R$ 70.000,00
 Mão de obra: R$ 30.000,00
 Depreciação: R$ 20.000,00
 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00
Lucro: R$ 10.000,00
 (-) Custo de oportunidade R$ 6.000,00
Resultado Final R$ 4.000,00
Com a inclusão de custo de oportunidade de R$ 6.000,00, o resultado final 
seria de apenas de R$ 4.000,00. Isso significa que o verdadeiro valor do resultado 
da atividade, pois conseguiu superar o custo de oportunidade. Caso o lucro fosse 
igual ou inferior ao custo de oportunidade a alternativa da fábrica se tornaria 
inviável, dependendo sempre do risco de ambos os casos.
IMPORTANT
E
Neste caso, não foram considerados os riscos em nenhuma das opções.
Exemplo 3 – Custo de oportunidade nos estoques
Uma empresa necessita aproximadamente 66.000 quilos de material em 
sua produção anual. Essa empresa possui disponibilidade suficiente para pagar 
a quantidade de materiais diretos que adquirir de uma só vez, porém, há duas 
possibilidades:
a) Comprar os 66.000 quilos de uma só vez ao custo de 4,50 o quilo.
b) Utilizar-se do capital de giro em aplicações de títulos do governo, remunerados 
a taxa de 0,6% ao mês a juros simples, uma vez que ela pode adquirir 5.500 
quilos por mês ao custo de 5,00 o quilo.
Qual seria a melhor alternativa e o respectivo custo de oportunidade?
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
31
QUADRO 2 – CUSTOS ANUAIS DE COMPRAS
Dados Opção A (R$) Opção B (R$) Diferença (A-B)
Custos anuais de compras 297.000 330.000 (33.000,00)
FONTE: O autor
QUADRO 3 – CUSTO DE OPORTUNIDADE
 Saldo Juros 
330.000.00 
31/jan 302.500.00 1.980.00
29/fev 275.000.00 1.815.00
31/mar 247.500.00 1.650.00
30/abr 220.000.00 1.485.00
31/mai 192.500.00 1.320.00
30/jun 165.000.00 1.155.00
31/jul 137.500.00 990.00
31/ago 110.000.00 825.00
30/set 82.500.00 660.00
31/out 55.000.00 495.00
30/Nov 27.500.00 330.00
31/dez 0.00 165.00
Total 12.870.00
FONTE: O autor
Verifica-se que no Quadro 2, o custo de oportunidade é de $ 33.000,00, 
caso a empresa optasse em fazer a compra parcelada (Opção B), desde que não 
houvessem quaisquer formas de aplicação do capital. Mas conforme o Quadro 3, 
o custo de oportunidade é de $ 12.870,00 caso a empresa optasse em comprar tudo 
de uma só vez (Opção A), pois estaria deixando de receber os juros na aplicação 
de títulos do governo.
Na junção das duas opções, o ganho real poderia ser assim evidenciado:
Opção A = $ 33.000,00
Opção B = $ 12.870,00
Saldo = $ 20.130,00 de ganho na opção A
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
32
Portanto, se a empresa optar pela opção A, o custo de oportunidade será 
de $ 12.870,00, pois este é o valor que ela estaria deixando de receber. Agora, se 
sua opção for a B, o custo de oportunidade seria de 33.000,00, pois este é o valor 
que ela estaria desprezando.
Ao invés de utilizarmos os $ 330.000 no Quadro 3 como ponto de partida para 
a aplicação, poderíamos considerar apenas os $ 297.000 que representariam o valor 
desembolsado de imediato pela compra dos materiais à vista, o que tornaria a opção 
B com retorno ainda menor, comprovando de fato que a melhor opção seria a A.
Exemplo 4 – Custo de oportunidade sob enfoque econômico e enfoque 
contábil
De acordo com o exemplo 2, em que a empresa tinha a opção de investir 
num fundo de investimentos, opção A, ou investir no imobilizado de uma fábrica, 
opção B, foi constatado que a melhor opção foi a B, pois o retorno seria de $ 
10.000, enquanto na opção A seria de apenas $ 6.000.
Com base nessas informações, qual seria a diferença do custo de 
oportunidade sob o enfoque contábil e sob o enfoque econômico?
Primeiramente, é preciso definir a melhor opção, nesse caso foi a B. 
Portanto, com base no custo de oportunidade sob o enfoque contábil o 
resultado positivo gerado pela alternativa B foi de $ 10.000, mas sabe-se que está 
se desprezando um possível retorno de $ 6.000.
Por sua vez, com base no custo de oportunidade sob o enfoque econômico, 
o resultado positivo gerado pela alternativa B foi de apenas $ 4.000, ou seja, 
sob o enfoque econômico o resultado obtido na melhor opção de investimento 
considera o custo de oportunidade no resultado.
ESTUDOS FU
TUROS
No Tópico 2 desta unidade, analisaremos o método de avaliação de empresas 
pelo patrimônio líquido corrente. Nesse método, o custo de oportunidade também é utilizado 
em sua fórmula. Veremos que é utilizado o custo de oportunidade sob o enfoque econômico.
TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE
33
Sendo assim, no enfoque contábil, o resultado líquido seria esse:
Receitas: _______________________________ R$ 150.000,00
CPV
 Matéria-prima: R$ 70.000,00
 Mão de obra: R$ 30.000,00
 Depreciação: R$ 20.000,00
 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00
Lucro: R$ 10.000,00
Já, no enfoque econômico, o resultado seria esse:
Receitas: _______________________________ R$ 150.000,00
CPV
 Matéria-prima: R$ 70.000,00
 Mão de obra: R$ 30.000,00
 Depreciação: R$ 20.000,00
 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00
Lucro: R$ 10.000,00
 (-) Custo de oportunidade R$ 6.000,00
Resultado final R$ 4.000,00
Note que no custo de oportunidade sob o enfoque econômico o investidor é 
mais conservador, uma vez que no resultado final é subtraído o custo de oportunidade.
34
Neste tópico, vimosdiversas abordagens relacionadas aos custos de 
oportunidade. Pelo fato de a globalização estar cada dia mais presente no meio 
gerencial, este tema merece ser refletido ainda mais, seja pelo fator econômico ou não.
Constatou-se que se faz necessário entender o conceito de custos de 
oportunidade, de tal forma, que possa ser levado à praticabilidade. Em uma 
segunda etapa, faz-se necessário avaliar as alternativas propostas, se são 
possíveis e se podem ser comparadas. Por fim, na ligação da teoria com a prática, 
a comparabilidade evidencia o custo de oportunidade.
RESUMO DO TÓPICO 1
35
1 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 
155.000,00:
 
a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 8% a.a.;
b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento 
ao ano de R$ 239.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os 
seguintes custos:
Mercadorias para revenda R$ 199.000,00, MOD R$ 11.000,00, depreciação R$ 
8.000,00 e outros custos R$ 6.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor opção 
de investimento e o respectivo custo de oportunidade.
Melhor opção letra ______. Custo de oportunidade é ________________.
2 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 
110.000,00:
a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 11% a.a.;
b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento 
ao ano de R$ 180.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os 
seguintes custos:
Mercadorias para revenda R$ 100.000,00, MOD R$ 30.000,00, depreciação R$ 
15.000,00 e outros custos R$ 25.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor 
opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade.
Como seria o resultado da melhor opção de investimento se evidenciado pelo 
custo de oportunidade sob o enfoque econômico?
3 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 
110.000,00:
a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 11% a.a.;
b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento 
ao ano de R$ 180.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os 
seguintes custos:
Mercadorias para revenda R$ 100.000,00, MOD R$ 30.000,00, depreciação R$ 
15.000,00 e outros custos R$ 25.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor 
opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade.
Como seria o resultado da melhor opção de investimento se evidenciado pelo 
custo de oportunidade sob o enfoque contábil?
AUTOATIVIDADE
36
4 Qual seria a finalidade do custo de oportunidade para os gestores?
5 Determinada pessoa tem três opções de investir um montante de 120.000,00:
a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 10% a.a.;
b) Investir numa fábrica de sorvetes, considerando um faturamento ao ano 
de R$ 50.000,00 e, para este faturamento, obteve os seguintes custos: MP 
R$ 20.000,00, MOD R$ 5.000,00, depreciação R$ 2.000,00 e outros custos R$ 
4.000,00. 
c) Investir num comércio de peças automotivas, considerando um faturamento 
ao ano de R$ 315.000,00, e, para este faturamento, obteve os seguintes custos: 
matérias para revenda R$ 220.000,00, MOD R$ 65.000,00, depreciação R$ 
12.000,00 e outros custos R$ 10.000,00. 
Deseja-se saber qual seria a melhor opção de investimento e o respectivo custo 
de oportunidade.
6 Defina com suas palavras o que seria o custo de oportunidade.
7 Suponha uma situação em que o lucro operacional líquido da empresa seja de 
$ 400, o capital $ 2.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado pelo investidor) 
12%. O valor calculado do EVA seria:
8 Com base o exercício 7. Considere agora a decisão de adotar ou não um 
projeto que requeira um investimento de $ 1.700 e que, se implementado, 
represente um aumento de $ 150 no lucro de forma sustentável. Esse projeto 
deveria ser implementado?
9 Suponhamos uma situação em que o lucro operacional líquido da empresa 
fosse de $ 400, o capital $ 2.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado pelo 
investidor) 12%. Suponha que uma unidade fabril ineficiente possa ser 
vendida e sua produção parcialmente transferida para outra unidade da 
mesma empresa. Assuma, também, que a venda da unidade fabril permitirá 
uma retirada de $ 600 líquidos de capital do negócio, e que seu fechamento 
significará uma diminuição permanente de $ 50 no lucro operacional líquido. 
Preencha o quadro demonstrativo dessa decisão e analise a viabilidade ou 
não da venda dessa unidade fabril.
37
Situação original Valores residuais
Lucro Líquido Operacional
Capital
Retorno
C*
Retorno – C*
X capital
EVA
10 Assinale a alternativa INCORRETA. Os custos de oportunidade existem em 
razão da consequência comparativa de diversas alternativas e que estas, por 
sua vez, possuem características distintas, o que poderá elevar o grau de 
dificuldade na sua escolha. Portanto, pode-se concluir que:
a) ( ) A questão da diferenciação dos riscos existentes em cada alternativa de 
aplicação de recursos é um fator de dificuldade para a implementação plena 
do conceito de custos de oportunidade.
b) ( ) Essa reconhecida limitação causada pelas características distintas de 
cada alternativa tem levado os estudiosos da área financeira e contábil a 
buscarem meios alternativos que permitam a aplicação prática do conceito 
de custo de oportunidade.
c) ( ) Normalmente, esse tipo de comparação tende a ser um pouco difícil em 
função, principalmente, do problema do risco.
d) ( ) Uma vez utilizado o custo de oportunidade como comparação entre 
diversas alternativas, semelhantes ou não, não haveria a necessidade de se 
levar em consideração os riscos, uma vez que esses riscos são objetivos.
11 O que você entende por taxa de oportunidade em relação ao conceito custo 
de oportunidade?
12 Qual a relação entre preço de transferência e custo de oportunidade?
38
13 Uma empresa necessita aproximadamente 50.000 quilos de material em sua 
produção anual. Essa empresa possui disponibilidade suficiente para pagar 
a quantidade de materiais diretos que adquirir de uma só vez, porém há 
duas possibilidades:
a) Comprar os 60.000 quilos de uma só vez ao custo de 1,50 o quilo. Porém, se 
optar por esta alternativa, terá custos de estocagem equivalente a um total de 
$ 4.000,00 no ano.
b) Utilizar-se do capital de giro em aplicações de títulos do governo, remunerados 
à taxa de 0,6% ao mês a juros simples, uma vez que ela pode adquirir 5.000 
quilos por mês ao custo de 1,60 o quilo. Utilize como ponto de partida na 
aplicação de títulos o valor de 90.000,00.
Qual seria a melhor alternativa e o respectivo custo de oportunidade?
Dados Opção A (R$) Opção B (R$)
Custos anuais de compras
Custo de oportunidade ____________ se optar por ________
 Saldo Juros a 0,6%
90.000.00 ................................. 
31/jan 82.500.00
29/fev 75.000.00
31/mar 67.500.00
30/abr 60.000.00
31/mai 52.500.00
30/jun 45.000.00
31/jul 37.500.00
31/ago 30.000.00
30/set 22.500.00
31/out 15.000.00
30/nov 7.500.00
31/dez 0.00
Total 
Custo de oportunidade ____________ se optar por ________
39
14 De acordo com a questão anterior (13), se não houvesse o custo de estocagem, 
qual seria a melhor alternativa e respectivo custo de oportunidade? 
Evidencie os resultados sob o enfoque econômico.
Dados Opção A (R$) Opção B (R$)
Custos anuais de compras
Resultado sob enfoque econômico: ____________________________
Custo de oportunidade ____________ se optar por ________
Custo de oportunidade ____________ se optar por ________
Melhor opção alternativa letra ______________
40
41
TÓPICO 2
MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, analisaremos algumas considerações acerca da perspectiva de 
negociação do empreendimento para grupos interessados, ou de compra de acervos porparte de nossa empresa. Que tipo de consideração deve ser realizado em tais circunstâncias 
e quais informações fornecidas pela contabilidade são relevantes nesse processo, além de 
todos os ajustes e meios necessários para esse fim.
Analisaremos, basicamente, três métodos de avaliação de empresa: 
Método do Valor Contábil, Método do patrimônio Líquido Corrente e Método de 
Capitalização de Lucros.
2 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
Sempre quando se comenta avaliação de empresas, seja num todo, ou em 
apenas numa fração, a contabilidade ou propriamente o contador, sente que o 
grau de subjetividade pode acarretar barreiras na conclusão dos trabalhos. São 
vários os fatores que precisam ser levados em consideração nesse cálculo, porém, 
a contabilidade pode fornecer subsídios para que estes cálculos cheguem o mais 
próximo da realidade.
 
Para Padoveze (2004), quando se avalia uma empresa é preciso tomar 
uma série de cuidados, uma vez que o valor de mercado normalmente é diferente 
do valor contábil. Isso ocorre porque normalmente a contabilidade está avaliada 
a custo histórico o que, de fato, provoca variações substanciais no patrimônio 
líquido dessa entidade. 
Entretanto, a Lei 11.638/2007 trouxe várias mudanças para a contabilidade 
e, dentre elas, a possibilidade de amenizar essas variações e oscilações do mercado 
e que até então não eram reconhecidas contabilmente.
Segundo Iudícibus (1998), a teoria da avaliação de empresas escapa ao 
âmbito isolado da Contabilidade, uma vez que toda avaliação do valor de uma 
empresa admite uma noção de risco, uma apreciação por parte do investidor do 
risco e dos benefícios prospectivos da assunção dos riscos. A Contabilidade avalia 
os recursos à disposição de uma empresa, todos os bens, direitos e obrigações, 
em que o resultado será o patrimônio líquido, que é acompanhado em suas 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
42
mutuações. Entretanto, a Contabilidade não avalia a empresa como um todo, pois 
isto somente pode ser feito pelo investidor. Todavia, nenhum contador poderá 
furtar-se a oferecer algum aconselhamento aos proprietários da empresa quando 
estes receberem uma proposta por parte de um grupo, alegando a separação 
de funções entre investidor e contador. Deverá estar em condições de oferecer 
algum tipo de suporte ao proprietário em suas negociações e, se o caso for muito 
complexo, deverá saber quando é hora de pedir o auxílio de outros especialistas. 
Antes de se analisar qualquer método de avaliação de empresas, faz-se necessário 
entender o sentido do custo de oportunidade, item este, apresentado no Tópico 
1 desta unidade.
Cabe frisar que todos os métodos de avaliação de empresas existentes 
hoje no mercado são apenas auxiliadores – aproximados – para se chegar a um 
denominador comum, nada concreto. Esses valores apenas servirão como base 
para a tomada de decisão, uma vez que, por ser um processo de avaliação, 
sempre haverá certo grau de subjetividade e, cada pessoa analisa, no final, o custo 
benefício da negociação.
NOTA
Em resumo, por exemplo, pode-se dizer que cada comprador tem ou poderá ter 
uma percepção diferente do negócio, sendo que, então, para um o valor de tal empresa poderá 
ser 100, para outro poderá ser 90, dependendo da visão do negócio da cada interessado.
Pode-se dizer que o valor inicial de cada empresa tem como base o 
patrimônio líquido. De acordo com Padoveze (2004, p. 567), “[...] a criação de valor 
para o acionista é refletida no valor da empresa, número este que a contabilidade 
financeira apresenta no balanço patrimonial sob a figura do patrimônio líquido. 
Igualmente, a geração básica de valor se dá por meio do lucro obtido na venda de 
produtos e serviços”.
3 MÉDODO DO VALOR CONTÁBIL COMO BASE PARA A 
AVALIAÇÃO
Pode-se dizer que é o método mais simples para se avaliar uma empresa. 
Contudo, somente a utilização desse método não resultaria numa informação 
eficaz para concretizar uma negociação de empresas ou sua avaliação. Então, se 
este método não é eficaz, para que analisá-lo? É muito simples, pois este método 
é a base original para os demais métodos de avaliação. 
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
43
NOTA
É nesse método que teremos os valores de partida e, sem eles, de nada adiantaria 
aplicar qualquer outro método de avaliação. 
Nesse método, parte-se do valor do patrimônio líquido. Serão subtraídos 
do ativo os itens obsoletos e do tipo: gastos pré-operacionais a amortizar 
despesas antecipadas e semelhantes. De acordo com Iudícibus (1998), esta base 
de avaliação é, normalmente, excessivamente conservado ra, por considerar e 
limitar o valor da empresa apenas ao valor contábil do patrimônio líquido, uma 
vez que a empresa está num processo de continuidade podendo multiplicar seus 
recursos. Outros fatores, como, por exemplo, mudança nos preços específicos dos 
ativos, inflação etc. tornariam a avaliação inadequada, mesmo que fosse aceita 
como conceitualmente correta. Além do mais, nada retrata sobre a perspectiva de 
lucratividade futura da empresa. Este método, salvo casos especialíssimos, não é 
aconselhável.
O método do valor contábil se utiliza basicamente da contabilidade 
financeira, que segue um princípio contábil denominado custo base como valor. 
Portanto, para fins de avaliação patrimonial é interessante analisar vários pontos 
que podem estar distorcidos contabilmente, uma vez que a empresa deve ser 
analisada também a valor de mercado e não somente de custo.
Para Padoveze (2004), o valor de mercado normalmente é diferente do valor 
contábil porque as avaliações contábeis, obtidas de critérios gerais de avaliação de 
ativos e passivos, fundamentadas em documentação existente, valores históricos 
ou até mesmo em ajustes de avaliação patrimonial ou reavaliação, por mais 
acuradas que sejam, dificilmente são iguais ao valor que o mercado pode pagar 
em determinado momento.
A seguir é evidenciado um balanço patrimonial que será analisado pelo 
Método do valor Contábil: 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
44
Ativo 
 Circulante 190.00 
 Caixa 100.00 
 Estoques 40.00 
 Despesas antecipadas 50.00 
 Não circulante 20.00 
 Realizável a LP 20.00 
 Investimentos 1.000.00 
 Imobilizado 2.000.00 
 (-) Depreciação acumulada (330.00) 
 Intangível diferido 200.00 
 (-) Amortização acumulada (80.00) 
Total do Ativo 3.000.00 
BALANÇO PATRIMONIAL DA CIA. JOY EM 31/12/2207
Passivo 
 Circulante 160.00 
 Fornecedores 100.00 
 Tributos a pagar 60.00 
 Não Circulante 120.00 
 Financiamentos 120.00 
 Patrimônio Líquido 2.720.00 
 Capital 1.720.00 
 Reservas de capital 200.00 
 Reservas de reavaliação 300.00 
 Reservas de lucros 100.00 
 Lucros a destinar 400.00 
Total do Passivo 3.000.00 
Neste caso, poderíamos concluir que o valor da Cia. Joy avaliado pelo 
valor contábil seria:
Patrimônio Líquido = $ 2.720,00
(-) Despesas Antecipadas = $ 50,00
(-) Diferido Líquido = $ 120,00
Valor da empresa = $ 2.550,00
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
45
NOTA
Note que ao subtrairmos os valores do patrimônio líquido estamos subtraindo 
os valores líquidos de amortização.
Então, numa possível negociação dessa empresa, se avaliada pelo método 
contábil, o valor de venda poderia partir de $ 2.550,00.
NOTA
Lembrando que esse método é apenas uma base. Dificilmente essa empresa 
seria vendida pelo valor de $ 2.550,00, sem levar em consideração outros fatores que ainda 
serão vistos no decorrer deste tópico.
4 MÉTODO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO CORRENTE COMO 
BASE PARA A AVALIAÇÃO
Esse método de avaliação de empresa é mais consistente do que o método 
do valor contábil, uma vez que avalia os ativos e passivos a preçode reposição. Ou 
seja, esses ativos e passivos são avaliados através de um processo de levantamento 
de valores, seja por auditores ou peritos em cada área específica. 
Além dessa atualização por levantamento, os ativos que estariam obsoletos 
como também os créditos incobráveis ou irrecuperáveis seriam eliminados do 
valor da empresa, deixado assim, o patrimônio líquido mais próximo da realidade. 
De acordo com Iudícibus (1998, p. 288), “[...] o patrimônio líquido assim 
resultante seria um valor adequado para o valor da empresa. Mais uma vez, 
embora melhor que o método anterior, em termos de valor para o comprador ou 
vendedor em perspectiva, ainda pouco nos diz (somente o patrimônio líquido, 
embora em termos correntes)”.
Ainda segundo Iudícibus (1998), para o eventual vendedor da empresa, 
equivaleria a vender o negócio quase que pelo exato valor do que nele foi investido 
e reinvestido pelos sócios durante os anos, sem receber qualquer adicional. 
Dessa forma, se a empresa estiver numa perspectiva favorável de lucratividade, 
mercado e organização, será uma venda por um valor conservador. Entretanto, se 
estiver numa situação inversa, poderá ser até demais para o eventual comprador.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
46
Veja o exemplo a seguir: 
BALANÇO PATRIMONIAL DA CIA. JOY EM 31/12/2207
Ativo 
 Circulante 190.00 
 Caixa 100.00 
 Estoques 40.00 
 Despesas antecipadas 50.00 
 Não Circulante 20.00 
 Realizável a LP 20.00 
 Investimentos 1.000.00 
 Imobilizado 2.000.00 
 (-) Depreciação acumulada (330.00) 
 Intangível diferido 200.00 
 (-) Amortização acumulada (80.00) 
Total do Ativo 3.000.00 
Passivo 
 Circulante 160.00 
 Fornecedores 100.00 
 Tributos a pagar 60.00 
 Não circulante 120.00 
 Financiamentos 120.00 
 Patrimônio líquido 2.720.00 
 Capital 1.720.00 
 Reservas de capital 200.00 
 Reservas de reavaliação 300.00 
 Reservas de lucros 100.00 
 Lucros a destinar 400.00 
Total do Passivo 3.000.00 
Levando em consideração as informações do Balanço da Cia. Joy e 
considerando um laudo com as seguintes informações:
Apuração dos valores que demonstraram inconsistência com o Balanço 
Patrimonial: saldos corretos seriam estes:
Saldo dos estoques $ 45
Imobilizado $ 1.900
Realizável a longo prazo $ 0,00
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
47
Sendo, teríamos as seguintes variações:
Estoques, de $ 40 para $ 45. Ganho de $ 5
Imobilizado, de 1.670 para 1.900. Ganho de $ 230
Realizável a longo prazo, de $ 20 para $ o. Perda de $ 20.
 
Teríamos então o valor da Cia. Joy em $ 
Patrimônio Líquido = $ 2.720,00
(+) Estoques = $ 5,00
(+) Imobilizado = $ 230,00
(-) Realizável a LP = $ 20,00
Valor da empresa = $ 2.935,00
NOTA
Note que o imobilizado é avaliado pelo seu valor líquido no Balanço Patrimonial.
Um pouco mais real, porém ainda subjetivo, o método do patrimônio 
líquido corrente traz uma perspectiva a valor de mercado para a possível 
negociação da empresa.
5 MÉTODO DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS COMO BASE 
PARA AVALIAÇÃO
O método de capitalização de lucros é o mais completo método para se 
chegar a uma base segura do valor da empresa ou, pelo menos, o mais próximo 
possível da realidade. 
Segundo Iudícibus (1998), por esse método o valor da empresa poderia 
ser calculado da seguinte forma: o valor atual dos lucros futuros, até o horizonte, 
descontado pelo custo de oportunidade do investimento em cada início de período 
em que se gerar lucro, somado ao valor de realização do patrimônio líquido no 
início do horizonte, o todo descontado a uma taxa adequada. Assim, não somente 
o patrimônio líquido seria aqui considerado, mas uma série de fatores adicionais 
que serão vistos individualmente a seguir.
Portanto, teríamos que considerar os seguintes elementos nesse método 
de avaliação:
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
48
•	 Horizonte do empreendimento.
•	 Lucro projetado ou fluxo de caixa projetado.
•	 Investimento inicial do período em que se gerar lucro, ou de cada período em 
que se gerar lucro.
•	 Taxa de desconto adequada.
A taxa anteriormente mencionada refere-se à taxa de mercado mais 
apropriada do período, sendo, por exemplo, aquela utilizada para calcular 
o custo de oportunidade do investimento ou até mesmo algum índice oficial 
(SELIC, INPC, IGP-M etc.) para descontar as séries a fim de trazê-las ao momento 
presente, podendo utilizar-se de até duas ou mais taxas diferentes.
Iudícibus (1998) comenta que podem ser utilizadas taxas médias 
ponderadas de retorno sobre o ativo ou patrimônio líquido, já ocorridas na 
experiência da empresa, ou margem de lucro operacional sobre vendas etc. Cada 
variante, todavia, tem suas limitações conceituais.
Em resumo, os elementos anteriormente mencionados poderiam ser 
alocados numa fórmula desta maneira evidenciada:
VE = L1 – C1 + L2 – C2 + ... + Ln – Cn + Vr
 1 + i (1 + i)2 (1 + i)n
Onde, 
VE = Valor da empresa.
L1, L2... Ln são os lucros esperados.
C1, C2... Cn são os custos de oportunidade de ganhar tais lucros. Estes 
custos podem ser expressos como o montante de receita que foi desprezada por 
termos investido o patrimônio líquido, no início de cada período, na empresa.
i = taxa de desconto adequada.
Vr = valor de realização dos elementos tangíveis e identificáveis do 
Patrimônio no momento zero.
Exemplo: Determinada empresa apresenta as seguintes informações:
 Ano 1 Ano 2 Ano 3
Lucros esperados 1000 1200 1300
Custo de oportunidade 400 450 700
Taxa de desconto 10% 10% 10%
Valor do patrimônio atual 8000 
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
49
Qual seria o valor dessa empresa?
Solução:
VE = 1000 – 400 + 1200 – 450 + 1300 + 700 + 8000
 1 + 0,10 (1 + 0,10)2 (1 + 0,10)3
VE = 545,45 + 619,83 + 450,79 + 8000 = 9.616,07
NOTA
Uso da calculadora financeira. Para elevar qualquer número ao expoente proceda 
da seguinte maneira: por exemplo, para fazer esse cálculo (1 + 0,10)2, você deve digitar na 
calculadora: 
f CLX
1,10 ENTER
2 yx
O resultado pela fórmula será de 1,21. Portanto, em nosso exemplo 
anterior, teríamos que fazer o seguinte cálculo: 
1200 – 450 = 750,00 = 619,83
(1 + 0,10)2 1,21
Se for elevar a 3, a única diferença será: 
f CLX
1,10 ENTER 
3 yx , e assim por diante até terminar o cálculo. 
Esta pode ser considerada uma das formas mais completas de expressar o 
valor teórico da empresa.
Porém, conforme Iudícibus (1998), é preciso analisar especificamente as 
dificuldades conceituais e práticas para apurar e definir certos fatores, como por 
exemplo:
•	 Como prever os lucros futuros.
•	 Como determinar o horizonte do empreendimento.
•	 Que taxa de desconto, conceitualmente, seria a mais adequada e, uma vez 
definida, como calculá-la.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
50
Analisando tais fatores, talvez a maior dificuldade conceitual estivesse na 
escolha da taxa de desconto a ser utilizada. Por outro lado, do ponto de vista 
prático, as maiores dificuldades estivessem nas estimativas dos lucros futuros e 
o horizonte do empreendimento. São fatores subjetivos que dependem, muitas 
vezes, da visão de negócio das partes relacionadas.
É certo que uma taxa deve ser utilizada nesse cálculo, mas qual seria essa 
taxa? De acordo com Iudícibus (1998, p. 290), “o problema consiste em definir o 
que vem a ser esta taxa i, e como pode ser mensurada. Frequentemente, esta taxa 
é denominada "custo do capital".
Uma forma comum e prática conceitualmente para se calcular o "custo do 
capital" será evidenciada a seguir.
5.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DO CAPITAL
Para ocálculo do Custo Médio Ponderado de Capital utilizaremos alguns 
componentes, como, por exemplo:
•	 Empréstimos
•	 Ações preferenciais
•	 Ações ordinárias
•	 Lucros a destinar
NOTA
De acordo com Iudícibus (1998, p. 290), “[...] o raciocínio envolvido sob o custo 
médio ponderado do capital é relativamente complexo, e alguns autores não concordam 
com esta abordagem”.
Ainda, segundo Iudícibus (1998), este método considera que os 
resultados distribuídos, pagos ou creditados aos sócios, acionistas ou associados, 
têm grande importância para a avaliação da empresa. Além disso, supõe que 
a empresa obtenha recursos nas proporções indicadas pela média ponderada 
e que, aceitando propostas que rendam mais que o custo médio do capital, a 
empresa possa incrementar o valor de mercado de suas ações, no longo prazo. 
Para Iudícibus (1998), dentre os fatores considerados importantes neste 
método e que são mantidos constantes, destacam-se:
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
51
1 através do tempo, a empresa se financia nas mesmas proporções especificadas 
no modelo de ponderação para a estrutura de capital;
2 o risco da empresa, como um todo, não é afetado pela aceitação de qualquer 
projeto de investimento ou combinação de projetos de investi mento;
3 a empresa pretende manter uma relação "dividendo-payout" constante.
Vejamos a seguir, cada um desses componentes utilizados para o cálculo 
do Custo Médio Ponderado de Capital.
Em relação aos empréstimos, é comum que para o cálculo de seu custo 
seja considerada a taxa somente depois que se tenha inserido o imposto de renda 
e a contribuição social.
NOTA
Essa prática de se calcular o custo do empréstimo após inserir o imposto de 
renda e a contribuição social vale apenas para as empresas optantes do Lucro Real. Para 
aquelas optantes do Lucro Presumido ou Simples Nacional não haveria nenhum reflexo, uma 
vez que sua tributação é com base no faturamento e não no resultado.
Assim, numa empresa optante do Lucro Real, se o custo antes do imposto 
é de, digamos, 20%, o custo após o imposto a uma taxa de 30%, será apenas de 
14%. Veja o exemplo a seguir:
Determinada empresa captou $ 20.000 de empréstimos de terceiros. Sobre 
este valor a empresa pagou $ 5.000 de juros, ou seja, a princípio estaria pagando 
25% de juros. Considerando impostos sobre o lucro a uma taxa de 24% e um lucro 
de $ 10.000 antes dos impostos, será que o custo em % da captação de empréstimos 
de terceiros após esses impostos será mesmo de 25%? 
Resolução:
Custo dos empréstimos $ 5.000 
Lucro $10.000
Impostos $ 2.400 
Lucro final $ 7.600
Neste caso, se não tivéssemos o custo dos empréstimos, ficaria:
Lucro $ 15.000
Impostos $ 3.600 
Lucro final $ 11.400
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
52
A taxa de juros dos empréstimos passaria de 25% para apenas 19%, uma 
vez que a empresa pagou agora, sem o custo dos empréstimos $ 1.200 a mais 
de impostos. Esses $ 1.200 em relação aos $ 20.000 de empréstimos de terceiros 
correspondem a 6%. Ou seja, o custo de um empréstimo de $ 20.000 a uma taxa 
de 25% de juros ($ 5.000), na verdade, custaria apenas 19%, pois ela encareceria 
em juros de $ 5.000, mas em contrapartida pagaria $ 1.200 a menos de impostos.
Para acharmos a economia gerada pela captação de recursos que oneram a 
empresa através de encargos financeiros, podemos fazer também o seguinte cálculo:
Valor dos juros (encargos) $ 5.000
Impostos sobre o lucro X 24%
Economia gerada $ 1.200
Sendo assim, os encargos financeiros fazem com que o lucro diminua. 
Essa diminuição do lucro faz como que os impostos sejam pagos a menor 
também e, portanto, essa variação do lucro a menor faz com que numa etapa 
seguinte a empresa possa pagar menos impostos, uma vez que a base de cálculo 
da tributação irá diminuir também. 
Vale frisar que esse cálculo vale apenas para as empresas optantes do lucro 
real. E se ainda a empresa estiver obrigada a pagar o adicional de 10% de imposto 
de renda, a economia poderá ser ainda maior, ou seja, poderá chegar a até a 34%.
Já em relação às ações preferenciais, seu custo pode ser considerado 
como sendo a taxa anual estabelecida de dividendos, se forem fixos. Esta taxa, 
normalmente, não é corrigida pelo imposto de renda, pois o dividendo preferencial 
é pago, usualmente, após os impostos.
Portanto, em relação às ações preferenciais o custo é definido pelos 
próprios acionistas.
Já em relação às ações ordinárias, Iudícibus (1998, p. 291) define que “[...] 
é um dos conceitos mais complexos de serem mensurados. Teoricamente, poderia 
ser conceituado como sendo ‘a taxa mínima de retorno’ que a empresa precisa 
ganhar na parcela do projeto financiada por ações ordinárias, de maneira que o 
valor de mercado da ação não seja afetado”. Veja o exemplo a seguir:
Supondo que a taxa requerida de retorno nas ações ordinárias seja de 14%, 
após os impostos, e que o custo do endividamento (empréstimos) seja de 11%, 
após o imposto. Devemos supor, ainda, que todos os fundos fossem provindos: 
50% de empréstimos e 50% de investimentos dos acionistas. A taxa mínima 
desejada de retorno num projeto seria:
Empréstimos 0,50 x 0,11 = 0,055
Ações Ordinárias 0,50 x 0,14 = 0,070
Total de 0,125 ou 12,5%
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
53
Considere, agora, um projeto, cujo custo seja de $ 100.000,00, com um 
retorno (após os impostos) de $ 12.500,00 anuais. Através dessas informações 
pode-se concluir que:
Retorno total após o Imposto de Renda $ 12.500,00
(-) Juros (0,11 x $ 50.000,00) = $ 5.500,00
(-) retorno nas Ações Ordinárias (0,14 x $ 50.000,00) = $ 7.000,00
 0,00
Portanto, uma vez que o projeto custe $ 100.000 e que 50% dos recursos 
provém de ações ordinárias e outros 50% de empréstimos, o custo de cada uma 
das fontes será de $ 7.000 e $ 5.500 respectivamente. 
Dessa forma, a empresa já sabe que este projeto deve apresentar um 
resultado positivo de 12,5% (0,055 para remunerar os empréstimos e mais 0,070 
para remunerar as ações ordinárias, ou seja, 0,125 na forma decimal e 12,5,% na 
forma percentual).
Qualquer resultado abaixo de 12,5% sobre o projeto que custaria $ 
100.000, a empresa estaria deixando de remunerar ou os empréstimos ou as ações 
ordinárias, portanto, conclui-se que 12,5% é o ponto de equilíbrio.
NOTA
Como é comum, o retorno cobrado pelos empréstimos dificilmente não é pago, 
recaindo qualquer variação sobre as ações. Portanto, se a empresa não conseguir 12,5% de 
retorno o valor de mercado das ações declinaria, uma vez que a empresa não conseguiria 
remunerar os 14% esperados.
Mas de que forma o acionista poderia chegar a uma taxa requerida de 
retomo nas ações ordinárias? Por exemplo: nos 14% do exemplo anterior, qual foi 
a base utilizada para se chegar a esse percentual?
É simples, imagine que o dividendo esperado por ação seja de $ 24,00, 
o valor corrente de mercado da ação de $ 200,00 e que se espera uma taxa de 
crescimento de 2% ao ano, no que se refere aos dividendos. O modelo de avaliação 
seria:
MP = D1, onde:
 r-i 
Onde:
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
54
MP = valor de mercado da ação ordinária
D1 = dividendo por ação esperado no fim do período 1
r = taxa de desconto de mercado (custo da ação ordinária)
i = taxa constante de crescimento.
Transformando, fica:
r = D1 + i
 MP
Em nosso exemplo:
r = $ 24,00 + 0,02 = 0,14 ou 14%
 $ 200,00
Assim, conforme Iudícibus (1998), r é o custo das ações ordinárias e, a 
fim de ser uma estimativa realista, os investidores no mercado deveriam, de fato, 
pensar que os dividendos por ação irão crescer,anualmente, à taxa i. 
Esse crescimento anual torna-se muito subjetivo, uma vez que depende 
de diversos fatores que irão influenciar o resultado do investimento. Daí a 
importância de sempre aplicar o conceito de custo de oportunidade.
Quanto aos lucros a destinar, que também fazem parte de um dos 
componentes do custo ponderado médio de capital, Iudícibus (1998) comenta 
que “[...] várias formas podem ser utilizadas para calcular os custos dos lucros 
retidos. Uma delas é o custo de oportunidade, isto é, quanto a empresa poderia 
ganhar investindo os fundos que ficaram retidos, externamente”.
Após analisarmos os componentes que fazem parte do custo ponderado 
médio de capital, vejamos, a seguir, como poderíamos calculá-lo:
Suponha que seja esta a proporção de acordo com a Quadro 3:
QUADRO 4 – COMPONENTES QUE FAZEM PARTE DO CUSTO 
PONDERADO MÉDIO DE CAPITAL
Empréstimos $ 100 46,5%
Ações preferenciais $ 15 7,0%
Ações ordinárias $ 45 20,9%
Lucros a destinar $ 55 25,6%
 Total $ 215 100%
FONTE: Iudícibus (1998)
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
55
Suponhamos que cada uma dessas fontes de capital tenha os seguintes 
custos conforme o Quadro 5:
NOTA
A atualização desses custos deve ser feita a cada novo projeto, pois a variação 
defenderá das taxas cobradas pelo mercado bem como do custo de oportunidade dos 
acionistas.
QUADRO 5 – CUSTOS DAS FONTES DE CAPITAL
 Proporção Custo Custo Ponderado
Empréstimos 46,5% 14% 6,51%
Ações preferenciais 7,0% 12% 0,84%
Ações ordinárias 20,9% 8% 1,672%
Lucros retidos 25,6% 8% 2,048%
Custo ponderado médio de capital 11,07%
FONTE: Iudícibus (1998)
Conforme Iudícibus (1998, p. 293), “[...] a taxa de custo médio ponderado de 
capital poderia, perfeitamente, ser utilizada para calcular o custo de oportunidade 
a ser descontado do lucro previsto em cada ano [neste caso, multiplicaríamos 
a taxa pelo patrimônio líquido inicial a ser investi do], e também como taxa de 
desconto para o valor atual”.
Portanto, nosso Custo Ponderado Médio de Capital seria de 11,07%, 
ou seja, esse seria o ponto de equilíbrio caso a empresa desejasse captar algum 
recurso. Qualquer retorno desse investimento abaixo de 11,07% faria com que 
a empresa deixasse de pagar alguma das fontes, o que levaria a um possível 
resultado negativo na empresa ou o declínio em suas ações.
NOTA
Como afirma Van Horne, citado por Iudícibus (1998, p. 293), “[...] esta média 
ponderada do custo do capital, se for calculada de forma cuidadosa, pode levar a excelentes 
decisões no que se refere a orçamentos de capital”.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
56
5.2 HORIZONTE E PREVISÃO DO LUCRO PROJETADO
Na maioria das vezes o lucro a ser projetado é aquele resultante da média 
histórica de lucros da própria empresa, onde poderiam ser descartados os valores 
que tiveram uma oscilação distante da média, ou seja, os picos mais altos e mais 
baixos dos resultados.
O número de anos que se utilizará no cálculo da média poderá variar 
em torno de 2 anos dependendo da negociação entre as partes. Uma empresa 
com histórico padrão ou regular de lucros, sem grandes sobressaltos (variações), 
oferece um grau de risco menor que outra com histórico de lucros tumultuado. 
Quanto menor a flutuação dos lucros, menor poderá ser a taxa de desconto e 
maior o valor atual.
Ressalta-se que o lucro a ser projetado é um dos pontos cruciais levado em 
consideração pelos investidores. Padoveze (2004, p. 578) comenta que
A capacidade de geração de lucros é que possibilitará o que se busca 
num investimento de risco: a geração de caixa e, consequentemente, 
o retorno do investimento. Gerando lucros e caixa, a empresa terá 
condições de distribuir resultados e, com isso, possibilitará tanto 
fluxos futuros de dividendos como manter sua atratividade junto aos 
atuais e potenciais acionistas e investidores. A possibilidade real de 
dividendos futuros influenciará decididamente da avaliação da ação 
no mercado, trazendo sua cotação e preços que reflitam o patrimônio 
da empresa, sua rentabilidade futura e, portanto, seu desempenho 
empresarial.
Quanto ao horizonte do empreendimento, Iudícibus (1998) afirma 
que este é um problema da avaliação de empre sas à qual “regras de bolso” ou 
“caminhos curtos” são de difícil aplicação, uma vez que deverá ser estimado 
por especialistas, que levarão em conta a dinamicidade do setor, a existência 
de possíveis e prováveis sucedâneos, bem como farão uma análise do produto 
oferecido à luz da sua utilidade para as partes relacionadas na negociação. 
É certo que as empresas já estabelecidas no mercado há mais de 20 anos 
têm chances muito maiores de continuar no mercado do que aquelas constituídas 
há menos de um ano. Entretanto, vários outros fatores devem ser levados em 
consideração, como, por exemplo, setores, clientes, ponto comercial, fornecedores 
etc., além de outros fatores macroeconômicos.
 
Iudícibus (1998, p. 293) comenta que “[...] desde que não haja suficiente 
evidência de que o horizonte de um empreendimento seja limitado no tempo, 
deveremos pressupor que, na verdade, seja ilimitado. Nesse caso, o lucro a ser 
projetado se transforma numa anuidade constante, e será dividido pela taxa de 
desconto”.
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
57
5.3 CUSTO DE OPORTUNIDADE E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
INICIAL
No investimento inicial de cada empreendimento ou em sua própria 
continuidade se faz necessário analisar o custo de oportunidade
Para Iudícibus (1998, p. 294), “[...] este cálculo vai depender da hipótese 
de reinvestimento adotada. Aliás, o próprio lucro deveria, a rigor, ser um lucro 
após o imposto de renda. Uma forma de prever ou calcular o patrimônio líquido 
inicial a ser investido é pressupor que o mesmo patrimônio que gerou o lucro 
gera o custo de oportunidade”.
Ou seja, no investimento inicial é preciso prever que sejam superadas as 
expectativas de rentabilidade cobrindo o custo de oportunidade. Veja o exemplo 
a seguir:
Determinada empresa, com um capital inicial de $ 20.000 gerou $ 4.000 de 
lucro. Considerando uma taxa mínima de retorno desejado de 14%, qual seria o 
patrimônio líquido final?
Poderíamos resolver essa questão da seguinte forma:
Patrimônio Líquido Final = ($ 20.000+ $ 4.000) – ($ 20.000 x 14%)
Patrimônio Líquido Final = $ 24.000 - $ 2.800
Patrimônio Líquido Final = $ 21.200
Em nosso exemplo, o patrimônio líquido final superou o patrimônio 
líquido inicial. Repare que o custo de oportunidade já foi descontado. Portanto, 
uma vez que o valor do patrimônio líquido inicial foi superado o investimento é 
considerado viável.
Entretanto, segundo Iudícibus (1998, p. 295),
Na prática, substitui-se o patrimônio líquido inicial pelo patrimônio 
líquido conhecido e calcula-se um certo custo de oportunidade, o qual 
é descontado do lucro a ser projetado. Entretanto, isto pode apresentar 
grandes distorções, pois é possível que o lucro projetado seja inferior 
ao custo de oportunidade de obtê-lo. Se isto for, efetivamente, 
uma tendência do empreendimento, realmente o valor atual será 
negativo. Todavia, suponha que a empresa acabe de realizar grandes 
investimentos em imobilizado, os quais somente irão gerar receitas 
apreciáveis a partir dos próximos dois anos. Ao aplicar um custo médio 
de capital ao patrimônio líquido de hoje, um valor grande resultará 
como custo de oportunidade, ao passo que o lucro terá sido calculado 
em base de valores passados. Por isso, o lucro projetado deverá levar 
em conta, na medida do possível, eventos que tendam a fazer mudar, 
no futuro, o histórico de lucratividade passada.
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
58
Nem todos os investidores descontam o custo de oportunidade dos 
lucros projetados, na premissa de que a empresa, tendooptado por certo tipo 
de investimento, já considerou os custos de oportunidade antes de tais decisões 
de investimento. Porém, é preciso sempre levar em consideração a hipótese de 
que poderia haver alguma alternativa mais vantajosa de investimento, mesmo 
que este já esteja concretizado. Se todos os investidores pensassem dessa forma 
a maioria das empresas não esperaria ficar totalmente no vermelho para então 
decidir encerrar o negócio.
De acordo com Iudícibus (1998), o custo de oportunidade está presente, 
quer o consideremos explicitamente, quer não. No caso do eventual comprador 
de uma empresa, então, seria inadmissível que ele pagasse, por essa, mais do 
que ela possa valer, pois, ao adquirir o empreendimento, imediatamente estará 
assumindo seus custos de oportunidade, da mesma forma que o faria o eventual 
vendedor, se continuasse operando.
É óbvio que nenhum comprador de empresa espera que o custo de 
oportunidade seja superior ao lucro esperado, pelo contrário, pois senão não 
veríamos tantas transações feitas atualmente no mercado.
Conforme Iudícibus (1998, p. 296)
Em situações práticas, várias informações adicionais são utilizadas 
para uma tomada de decisão. Alguns autores aconselham (além dos 
métodos do valor patrimonial e da capitalização de lucros, que vimos 
até o momento) o método do valor de mercado. Basicamente, este 
método consiste em tomar, como base de avaliação, o valor de mercado 
das ações da empresa no momento. Existem variantes deste método, 
mas um problema conceitual reside no fato de que nem sempre o 
mercado, num particular momento, está avaliando corretamente as 
potencialidades da empresa. Além do mais, este valor (de mercado) 
é muito flutuante. Pode muito bem acontecer que, no segundo dia 
do início dos cálculos para a estimativa do valor da empresa, o valor 
unitário de mercado mude. Fica muito difícil escolher uma base para 
cálculo, pois o valor pode flutuar bastante em certas circunstâncias.
Mesmo sob controvérsias o método de capitalização de lucros deve ser 
utilizado ou, pelo menos, senão esse, algum método que dê suporte às partes 
relacionadas, tanto para o vendedor como para o comprador. Caso contrário, 
alguma das partes poderá sair com grande vantagem sobre a outra, o que não 
seria justo na negociação.
Todos os elementos: horizonte do empreendimento, lucro projetado, 
investimento inicial e taxa de desconto podem ser objeto de críticas, pois todos eles 
têm certo grau de subjetividade. Contudo, Padoveze (2004, p. 581) comenta que: 
Todos os elementos devem ser trabalhados no sentido de se obter a 
melhor solução, seja com alguns caminhos práticos, seja com o auxílio 
de métodos quantitativos e probabilísticos. Mesmo considerando 
todos esses problemas, o valor da empresa deve ser calculado segundo 
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
59
a melhor competência dos gestores empresariais, lembrando sempre 
que a importância do valor da empresa está em se ter o melhor 
parâmetro para a gestão de controladoria, que é o processo de criação 
de valor.
 
Enfim, na prática sabe-se que sempre haverá especificidades a ser 
analisadas, cada caso é um caso, porém o método de avaliação de empresas visto 
nessa Unidade denominado método de capitalização de lucros poderá auxiliar 
muito na negociação. 
Veja o exemplo a seguir, adaptado de Iudícibus (1998, p. 297):
A Empresa “Vendável S. A.” apresentou o histórico de lucros a seguir nos 
últimos 10 anos:
 Receitas Despesas Retorno sobre
Anos Operacionais Operacionais Lucro Patrimônio
 Líquido*
1 (antigo) 500 320 180 25%
2 590 380 210 23%
3 650 430 220 21%
4 680 450 230 22%
5 735 490 245 25%
6 812 500 312 24%
7 990 657 333 23%
8 1.200 990 210 19%
9 1.500 1.100 400 21%
0 (atual) 1.610 1.200 410 23%
Totais 9.267 6.517 2.750 
Médias 927 652 275 23%
* Patrimônios Líquidos Avaliados a valor de realização ($ 1.783,00, o último).
Nota-se que a empresa teve um histórico bastante regular de lucros. Nos 
dois últimos anos, o valor corrigido do lucro aumentou muito.
O horizonte econômico do empreendimento, avaliado por uma empresa 
de consul toria especializada, foi estimado em 10 anos, no mínimo. A empresa 
efetuou investi mentos em novas máquinas nos anos 9 e 10, com a finalidade de 
diminuir despesas e aumentar a produção e, portanto, os lucros.
O eventual vendedor estimou o valor de sua empresa, conforme 
apresentado a seguir:
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
60
VE = $ 1.783 + 450 (lucro esperado nos próximos anos), descontando a 
uma taxa 10% sobre o último PL projetado para os próximos 10 anos. A taxa de 
10% foi escolhida tendo-se em vista, aproximadamente, uma oportunidade de 
investimento com risco quase nulo e levando-se em conta também a regularidade 
do histórico de lucros.
VE = 1.783 + 272 + 272 + ... + 272 . 
 1+0,10 (1+0,10)2 (1+0,10)10 
VE = 1.783 + 1.671 = 3.454,00 aproximadamente
Onde: 272 = 450 – (1.783 x 10%)
Onde: 1.671,00 = 247,27 + 224,79 + 204,36 + 185,78 + 168,89 + 153,54 + 139,58 
+ 126,89 + 115,35 + 104,87 = 1.671,32
O eventual comprador considerou muito alto o valor, na premissa de 
que a taxa de desconto deveria ser uma taxa de risco equivalente ao valor do 
empreendimento, mas não de risco nulo. Depois de demoradas consultas, chegou 
à taxa de 15% como referência.
Por outro lado, na análise das contas constantes do balanço, chegou à conclu-
são (segundo parecer de seus auditores) de que, dos $ 1.783, $ 90 eram de difícil 
recebimento e $ 100 de equipamentos, embora em condições de produção, estavam 
obsoletos. Após discussões, o comprador aceitou que se descontassem $ 100 dos $ 190 
possíveis, com o que concordou o vendedor. Por outro lado, achou o valor do lucro 
de $ 450 muito alto para ser projetado. Pediu que fosse projetado o último:
VE = 1.683 + 158 + 158 + ... + 158 
 1+0,15 (1+0,15)2 (1+0,15)10 
VE = 1.683 + 793 = 2.476,00 aproximadamente.
O eventual vendedor não ficou satisfeito: alegava que, se simplesmente 
liquidasse seu ativo e pagasse suas dívidas, agora lhe sobrariam $ 1.683 e que, se 
aplicasse os $ 1.683 a 10% a.a., em 10 anos teria $ 4.365. O eventual comprador 
contra-argumentou que este raciocínio não era válido, pois se o vendedor 
aceitasse sua oferta de $ 2.476, também poderia aplicar o dinheiro a 10%, o que 
lhe renderia, em 10 anos, $ 6.422. De fato, o raciocínio do vendedor estava viciado. 
O valor atual dos $ 4.365 era o próprio $ 1.683. Seria muito melhor, então, aceitar 
a proposta do comprador de $ 2.476. Finalmente, o comprador e o vendedor 
concordaram em: $ 1.400 para o valor do patrimônio líquido e $ 1.232 para o 
valor descontado dos lucros futuros (aproximadamente a média da avaliação do 
comprador e vendedor).
Em resumo e finalmente, então, a empresa foi vendida por $ 2.632,00.
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
61
O cálculo do Valor da Empresa – VE pode ser feito seguindo a fórmula 
anteriormente descrita, cálculo por cálculo, mês a mês ou diretamente na 
calculadora financeira. Vamos analisar os dados do exemplo anterior, no qual 
utilizamos os seguintes dados e fórmula:
 
VE = 1.783 + 272 + 272 + ... + 272 
 1+0,10 (1+0,10)2 (1+0,10)10 
VE = 1.783 + 1.671 = 3.454,00 aproximadamente
Onde: 1.671,00 = 247,27 + 224,79 + 204,36 + 185,78 + 168,89 + 153,54 + 139,58 
+ 126,89 + 115,35 + 104,87 = 1.671,32.
Pelo fato de o horizonte do empreendimento ser de 10 anos, foram precisos 
10 cálculos para se chegar ao valor de 1.671,32.
Porém, poderíamos chegar a esse mesmo valor na calculadora financeira 
conforme indicado a seguir:
f CLX
272 g CFj
10 g Nj
10 i
f NPV
O resultado será exatamente $ 1.671,32, bastando apenassomar o valor de 
$ 1.783,00 (patrimônio líquido) para chegarmos ao Valor da Empresa – VE.
Em relação ao uso da calculadora financeira. Digitamos anteriormente 
272 g CFj e depois 10 g Nj somente porque o valor de $ 272 será igual para os 10 
anos seguintes. Mas se por acaso tivéssemos valores diferentes, como deveríamos 
proceder? Veja outro exemplo, a seguir, com um horizonte de empreendimento 
de 5 anos, patrimônio líquido de $ 1.900,00, taxa de 8% a.a. e retorno distintos:
VE = 1.900,00 + 300,00 + 320,00 + 330,00 + 340,00 + 345,00 
 1+0,08 (1+0,08)2 (1+0,08)3 (1+0,08)4 (1+0,08)5
Então, na calculadora financeira faríamos de seguinte forma:
f CLX
300 g CFj
320 g CFj
330 g CFj
340 g CFj
345 g CFj
8 i
f NPV
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
62
LEITURA COMPLEMENTAR
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS: DA MENSURAÇÃO ECONÔMICA À 
CONTÁBIL
Prof. Dr. Eliseu Martins
Diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – USP
Prof. Titular do Departamento de Contabilidade e Atuária – FEA/USP
[...]
A avaliação patrimonial das empresas tem provocado enormes discussões 
acadêmicas e profissionais ao longo do tempo (séculos), confusões conceituais, 
críticas quanto à relevância e à utilidade da Contabilidade, conferências, artigos 
etc. (Ganhavam muito com isso os produtores de papel; agora dividem os 
ganhos com os provedores e demais integrantes da cadeia da internet. Ah! Ia me 
esquecendo: ganham os mestrandos e doutorandos que continuam podendo fazer 
teses sobre esse assunto e os professores que temos oportunidade de pesquisar e 
também escrever a respeito da matéria.)
A grande confusão parece, pelo menos em parte, devida à não percepção 
de que todos os modelos até hoje surgidos nada mais são do que visões 
temporalmente diferentes do mesmo objeto: o patrimônio. 
Parece que, como fruto dessa falta de visão conjunta e abrangente, nasceu 
a ideia de que os modelos são conflitantes, mutuamente excludentes; de que a 
avaliação contábil nada tem a ver com a avaliação patrimonial, e avaliar uma 
empresa é, primeiramente, desprezar a avaliação contábil; lucro é uma coisa, 
caixa é outra e outras bobagens.
Avaliar uma empresa é sim, considerar a avaliação contábil, levando em 
consideração os ativos passivos e patrimônio líquido e principalmente o custo de 
oportunidade.
O resultado obtido seria de $ 1.298,80 e após adicionar o patrimônio 
líquido de $ 1.900,00 o Valor da Empresa – VE resultaria em $ 3.198,80.
UNI
Caro/a acadêmico/a! Para aprofundar os seus conteúdos, sugerimos a leitura 
complementar, parte do artigo de Eliseu Martins (2000) originalmente publicado no Caderno 
de Estudos FIPECAFI. A partir dele você poderá compreender um pouco mais sobre o 
processo de avaliação de empresas e o custo de oportunidade.
TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
63
O conceito de custo de oportunidade é um dos mais relevantes na 
economia e nas decisões, não só do homem como de qualquer ser vivo que decide. 
É natural, instintivo, intuitivo. (Se o leitor chegou até aqui, arcou com o custo de 
oportunidade relativo ao que teria ganhado se tivesse aproveitado esse tempo 
para fazer o que considerava a segunda melhor alternativa no momento. Espero 
que não se considere no prejuízo.) Mas sua não consideração na Contabilidade 
é a segunda (e última) mentira com a qual convivemos. Dizer, por exemplo, que 
uma empresa lucrou porque obteve um resultado que foi de apenas 2% sobre o 
valor do patrimônio líquido investido quando qualquer alternativa (inclusive a 
aplicação nos títulos de maior liquidez e menor risco produz mais do que isso) 
não é dizer a verdade. A consideração do custo do capital próprio como sendo 
nulo é algo insustentável conceitualmente, é cegueira que parece nos pegar de 
nascença.
Aliás, aproveitando-se dessa nossa doença quase congênita é que nasceu 
a óbvia ideia do Economic Value Added - EVA. Na verdade, quantos profissionais 
e professores de Contabilidade já discutiram e tentaram implantar a ideia, pelo 
menos, do Juro Sobre o Capital Próprio (não só gerencialmente, como o método de 
custeio RKW do início do século, mas também na Contabilidade Financeira – como 
Schlatter, Anthony e outros até muito mais antigos). O que é essa nova febre do 
EVA? (Nenhuma recriminação aos seus idealizadores, divulgadores e seguidores 
– muito pelo contrário – que pena que não apareceram mais cedo, pois com um 
bonito nome em inglês e com uma boa dose de marketing conseguiram acordar 
tantos executivos que com certeza conheciam a ideia, mas não a praticavam.) O 
EVA nada mais é do que apenas atribuir um custo ao capital próprio e deduzi-lo 
do lucro! 
O Prof. Armando Catelli vem trabalhando há quase 30 anos no 
desenvolvimento de um modelo, conhecido por GECON, muito mais completo e 
rico, calcado exatamente no mesmo conceito, o de custo de oportunidade, só que 
aplicado de forma muito mais ampla (ele precisa mudar o nome e contratar uma 
boa campanha mercadológica!).
Voltando ao custo de oportunidade: nossa Contabilidade só irá medir bem 
o lucro quando introduzir de forma completa, abrangente e definitiva, os efeitos 
da inflação e o custo de oportunidade do capital próprio. De uma maneira bem 
simples, podemos definir como custo do capital próprio aquele percentual de 
retorno abaixo do qual os sócios não estariam interessados em entrar no negócio. 
Ele abrange não só a figura do juro que se obteria com a aplicação de menor risco 
no mercado (caderneta de poupança, ou título do governo federal, por exemplo) 
como o adicional decorrente do acréscimo de risco proporcionado pelo negócio. 
E esse custo pode ser aplicado de forma acoplada a qualquer princípio 
de avaliação: custos passados, custos de reposição, valores de venda e valores 
futuros. Pode ser (e é muitas vezes) aplicado a qualquer modelo de gestão ou de 
custeamento (custeio por absorção, variável, por atividade etc.). Carrega a prática 
do custo de oportunidade, é claro, todos os problemas relativos à definição de 
UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
64
qual o seu percentual para cada uma das empresas (cada uma tem um risco) 
e, se aplicado gerencialmente de forma analítica, de cada um dos diferentes 
percentuais aplicáveis a cada negócio (se diferentes negócios praticados pela 
mesma empresa), a cada linha de produção, a cada produto, a cada divisão etc., 
já que cada um também tem um risco diferente.
Nós, Contadores, não tivemos a devida coragem de implementá-lo, 
só que outros o estão fazendo e ganhando dinheiro e notoriedade. Pior, não 
conseguimos implantar nem a parcela relativa ao Juro Sobre o Capital Próprio 
(que seria igual para todos, sem incluir o risco do negócio). E ainda tivemos de 
ver que sua introdução, no Brasil, foi feita para fins fiscais. Nesse caso, parabéns 
à Receita Federal. Continuamos a reboque.
FONTE: Adaptado de: MARTINS, Eliseu. Avaliação de empresas: da mensuração contábil 
à econômica. Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/cad24/
Revista_24_Art_2.pdf>. Acesso em: 6 jul. 2011.
65
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste Tópico, analisamos alguns métodos para se avaliar uma empresa 
numa possível negociação. Vimos o Método Contábil, Método do Patrimônio 
Líquido Corrente e Método de Capitalização de Lucros. O Método de Capitalização 
de Lucros é o único aconselhável, já os demais servem apenas de base. Conhecemos 
as principais informações que devem ser levadas em consideração quando se 
deseja analisar o valor de uma empresa. Vimos que é imprescindível calcular, da 
melhor maneira possível, um lucro projetável; comparar o valor atual dos lucros 
futuros com retornos de investimentos alternativos; e estimar o provável valor de 
realização dos ativos identificáveis menos o passivono momento zero.
66
1 Supondo que a taxa requerida de retorno nas ações ordinárias seja de 12%, 
após os impostos, e que o custo do endividamento (empréstimos) seja de 
18%, após o imposto. Devemos supor, ainda, que todos os fundos fossem 
provindos: 70% de empréstimos e 30% de investimentos dos acionistas. 
Qual seria a taxa mínima de retorno desejada?
Considere agora que os fundos fossem provindos: 40% de empréstimos 
e 60% de investimentos dos acionistas, ambos dentro da mesma taxa requerida. 
Qual seria a taxa mínima de retorno desejada?
Levando em consideração que esta empresa captasse 200.000,00, qual 
seria o retorno mínimo de acordo com as duas taxas mínimas encontradas 
anteriormente?
2 Calcule o Custo Ponderado Médio de Capital da seguinte proporção:
AUTOATIVIDADE
 Proporção Custo
Empréstimos $ 133.000 23%
Ações preferenciais $ 152.000 16%
Ações ordinárias $ 83.000 14%
Reserva de capital $ 132.000 12%
3 De acordo com as informações da questão anterior, caso a empresa captasse 
500.000,00, qual seria o retorno necessário para cobrir todas as fontes? Qual 
seria o retorno de cada uma das fontes em $?
4 Determinada empresa, com um capital inicial de $ 200.000, gerou $ 34.000 
de lucro. Considerando uma taxa mínima de retorno desejado de 19%, qual 
seria o patrimônio líquido final? É um investimento viável?
5 Imagine que o dividendo esperado por ação seja de $ 31,50, o valor corrente 
de mercado da ação de $ 350,00 e que se espera uma taxa de crescimento de 
2% ao ano, no que se refere aos dividendos. Qual seria a taxa requerida de 
retorno nas ações ordinárias?
6 Qual seria o valor da Empresa Andorinha Ltda., avaliando-a pelo método do 
valor contábil?
67
Ativo 331.460.00 Passivo 331.460.00
Ativo circulante 106.960.00 Passivo circulante 36.640.00
Caixa 5.240.00 Fornecedores 14.000.00
Bancos 17.230.00 Tributos a pagar 5.300.00
Duplicatas a receber 50.600.00 Salários a pagar 9.000.00
Aplicações financeiras 12.890.00 Seguros a pagar 2.340.00
Estoque 15.000.00 Financiamentos 6.000.00
Despesas pagas 
antecipadamente
6.000.00 Passivo não 
circulante
3.000.00
Ativo não circulante 224.500,00 Exigível a Longo 
Prazo
3.000.00
Realizável a longo prazo 1.200.00 Financiamentos 3.000.00
Tributos a compensar 1.200.00 Patrimônio líquido 291.820.00
Imobilizado 221.000.00 Capital social 178.800.00
Máquinas e equipamentos 58.000.00 Capital subscrito 180.000.00
(-) Depreciação acumulada (13.000.00) (-) Capital a 
Integralizar
(1.200.00)
Computadores 10.000.00 Reserva de 
reavaliação
40.000.00
(-) Depreciação acumulada (6.000.00) Reserva de 
reavaliação
40.000.00
Terrenos 100.000.00 Reserva de lucros 12.640.00
Edificações 80.000.00 Fundo de reserva 12.640.00
(-) Depreciação acumulada (8.000.00) Reservas de Capital 10.000.00
Intangível 2.300,00 Reservas de Capital 10.000.00
Gastos pré-operacionais 3.500.00 Sobras a destinar 50.380.00
(-) Amortização acumulada (1.200.00) Sobras a destinar 50.380.00
7 Considerando as informações da Empresa Andorinha Ltda. e um laudo com 
os seguintes saldos:
Duplicatas a receber: 48.000,00
Estoques: 16.000,00
Computadores: 8.000,00
Terrenos: 150.000,00
Após os ajustes desses saldos, qual seria o valor da Empresa Andorinha 
Ltda. avaliando-a pelo método do Patrimônio Líquido Corrente?
8 Determinado comércio apresenta as seguintes informações:
68
 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5
Lucros esperados 23.000 25.500 26.700 30.000 33.000
Custo de oportunidade 11.800 13.400 14.800 16.300 17.100
Taxa de desconto 12% 12% 12% 12% 12%
Valor do patrimônio 
atual
188.000
 
Qual seria o valor dessa empresa, avaliando-a pelo Método de 
Capitalização de Lucros?
Utilize a seguinte fórmula:
VE = L1 – C1 + L2 – C2 + ... + Ln – Cn + Vr
 1 + i (1 + i)2 (1 + i)n
9 Determinada empresa captou $ 80.000 de empréstimos de terceiros. Sobre 
este valor a empresa pagou $ 16.000 de juros. Considerando impostos sobre 
o lucro a uma taxa de 24% e um lucro de $ 28.000 antes dos impostos, qual 
seria o custo em % da captação de terceiros após esses impostos? 
10 A Empresa “Mahion Hese” apresentou o histórico financeiro a seguir nos 
últimos 10 anos:
 Receitas Despesas
Anos Operacionais Operacionais
 
1 456.000 310.000
2 590.000 380.000
3 550.000 330.000
4 480.000 310.000
5 635.000 460.000
6 640.000 500.000
7 600.000 510.000
8 655.000 460.000
9 710.000 480.000
0 790.000 520.000
Patrimônio Líquido Avaliado a valor de realização ($ 1.550.000,00 o último).
O horizonte econômico do empreendimento, avaliado por empresa de 
consul toria especializada, foi estimado em 10 anos, no mínimo. 
O eventual vendedor estimou o valor de sua empresa considerando o 
último PL e a média de lucros dos últimos 2 anos, descontando a uma taxa 10% 
69
sobre o PL. A taxa de 10% foi escolhida tendo-se em vista, aproximadamente, 
uma oportunidade de investimento com risco quase nulo, e levando-se em 
conta também a regularidade do histórico de lucros.
O eventual comprador considerou muito alto o valor, na premissa de 
que a taxa de desconto deveria ser uma taxa de risco equivalente ao valor do 
empreendimento, mas não de risco nulo. Depois de demoradas consultas, 
chegou à taxa de 13%, como referência. Por outro lado, na análise das contas 
constantes do balanço, chegou à conclu são (segundo parecer de seus auditores) 
de que, dos $ 1.550.000, $ 40.000 eram de difícil recebimento e $ 150.000 de 
equipamentos, embora em condições de produção, estavam obsoletos. Achou 
também que o valor do lucro (média de 2 anos) não condizia com a realidade e 
pediu que fosse projetada a média dos últimos 4 anos.
Após discussões, o comprador aceitou que se descontassem do PL $ 
150.000 dos $ 190.000 possíveis para que então chegassem a um acordo e que 
seria tomado como base de lucro o último exercício. A taxa de desconto ficaria 
em 13%, porém o horizonte do empreendimento ficou em apenas 8 anos devido 
aos baixos lucros em relação ao Patrimônio Líquido.
Qual seria o valor da empresa:
a) na estimativa do vendedor?
b) na estimativa do comprador?
c) na terceira opção em que foi feito o acordo?
70
71
UNIDADE 2
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 
E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS 
E SOCIEDADES CONTROLADORAS, 
CONTROLADAS E COLIGADAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você será capaz de:
• planejar, calcular e contabilizar os juros sobre capital próprio e analisar seu 
efeito na investida e nos investidores;
• distinguir os investimentos avaliados pelo método de custo e pelo método 
de equivalência patrimonial;
• interpretar as regras legais para reconhecimento de investimentos em con-
troladas e coligadas.
Esta unidade de estudo divide-se em dois tópicos. Neles, você encontrará as 
regras para cálculo e pagamento dos juros sobre capital próprio e sua pos-
sibilidade de dedutibilidade ou não para fins de imposto de renda e con-
tribuição social e a análise de investimentos em sociedades controladoras, 
controladas e coligadas.
TÓPICO 1 – JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
TÓPICO 2 – AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CON-
TROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
72
73
TÓPICO 1
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico, analisaremos o conceito de cálculo e contabilização 
dos juros sobre o capital próprio. Veremos sua importância para fins tributários e 
a necessidade de se analisar seu pagamento ou não, tanto por parte da investida, 
que é responsável pelo seu pagamento quanto por parte do investidor o qual terá 
direito do crédito.
Analisaremos os impostos incidentes sobre seu pagamento e recebimento 
envolvendo pessoas físicas e jurídicas, optantes do simples, lucro real ou presumido.
Calcularemos os juros pro rata pelo métodolinear e exponencial e 
analisaremos as principais diferenças entre esses.
2 CONCEITUALIZAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL 
PRÓPRIO
Juros remuneratórios do Capital Próprio ou Juros sobre o Capital Próprio 
(JCP) representam o valor que a empresa paga ao seu titular, sócio, acionista ou 
associado, como remuneração dos valores por eles investidos na composição do 
capital da própria empresa. 
Uma pesquisa realizada entre anos de 1996 e 2005 por Ariovaldo dos Santos, 
com aproximadamente 3.000 empresas, demonstrou o seguinte, a respeito da 
utilização dos juros sobre capital próprio, portanto, conforme Santos (2011, p. 43):
Os resultados mostraram que, dentre as empresas pesquisadas, 
aproximadamente 42% delas têm utilizado a alternativa do pagamento 
ou crédito aos seus sócios e acionistas na forma de juros sobre o capital 
próprio. Também ficou constatado que a distribuição desses 42% 
de empresas é bastante equilibrada entre as empresas industriais, 
comerciais e de prestação de serviços. O grande desequilíbrio ficou por 
conta da segregação feita entre empresas com e sem ações na Bolsa. 
Enquanto cada três empresas com ação na Bolsa duas pagam JSCP, 
entre as que não têm ação na Bolsa de cada três apenas uma efetua 
o pagamento referido. Finalmente, as empresas foram segregadas, 
de acordo com a origem de seus respectivos capitais, em nacionais, 
estrangeiras e estatais. Nesse grupamento, os destaques ficaram para 
as empresas estatais e estrangeiras, que, praticamente, de cada duas 
empresas pesquisadas uma remunera seus acionistas na forma de JSCP.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
74
A pesquisa demonstrou também que o percentual de empresas que 
pagam juros sobre capital próprio vem crescendo a cada ano. O resultado desse 
crescimento pode ser explicado pela própria difusão do conceito de juros sobre 
capital próprio no mercado ou até pela exigência dos investidores interessados 
nesse tipo de rendimento.
Obviamente que toda vez que um investidor aplica qualquer importância 
numa investida, como, por exemplo, comprando ações ou cotas de uma empresa, 
este, então, certamente estará almejando obter rendimentos futuros.
Esses rendimentos podem vir pela distribuição de dividendos, caso o 
investimento seja efetuado numa sociedade anônima, pela distribuição de lucros, 
caso o investimento seja efetuado numa empresa limitada, ou pela destinação das 
sobras caso o investimento seja efetuado numa cooperativa. Entretanto, ambas as 
formas de investimentos podem fornecer outra forma de rendimento, conhecida 
como Juros sobre Capital Próprio.
Os rendimentos como dividendos, distribuição de lucros ou sobras 
acontecem na maioria das vezes no final do período, trimestre ou ano. Já os juros 
sobre capital próprio tendem a acontecer em qualquer época do ano. Porém, 
costuma-se observar que a maioria das empresas opta em pagar os juros sobre 
capital próprio somente no final do período também.
A base de cálculo dos juros sobre capital próprio nada mais é do 
que simplesmente o investimento que ocorre no capital das empresas Esse 
investimento pode ocorrer pelas seguintes formas:
 
	no período de constituição da empresa, quando os sócios, acionistas ou 
associados integralizam o capital da empresa;
	numa etapa seguinte à constituição, quando a empresa já está operacionalizando. 
O investimento nessa etapa é reconhecido como aporte de capital. Na maioria 
das vezes esse aporte tem o objetivo de financiar novos investimentos na 
empresa. Nessa etapa a empresa analisa a viabilidade do custo de capital 
próprio (captação de recursos através de sócios, acionistas ou associados) e a 
viabilidade do custo de capital de terceiros (captação de recursos através de 
empréstimos, financiamentos etc.).
A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, foi responsável pela extinção 
da correção monetária de balanços. Nessa mesma lei, foi criada a figura dos juros 
sobre capital próprio. Portanto, de acordo com a Lei nº 9.249/96:
Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações 
financeiras de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei 
nº 8.200, de 28 de junho de 1991.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
75
Parágrafo único. Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção 
monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários.
Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do 
lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios 
ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as 
contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de 
Juros de Longo Prazo – TJLP.
Conforme disposto no art. 9º da Lei n° 9.249/1995, a base para a 
remuneração dos juros sobre capital próprio fica limitado a Taxa de Juros de 
Longo Prazo (TJLP). Nos últimos anos tem se observado que essa taxa ficou fixa 
em 6% ao ano.
Ribeiro (2005, p. 147) afirma que “a TJLP é calculada trimestralmente 
pelo Conselho Monetário Nacional – CMN e expressa em termos anuais. A sua 
divulgação se dá por meio de resoluções do Banco Central do Brasil (BACEN)”.
UNI
Além da TJLP, deve-se analisar se a empresa possui lucros ou reservas de lucros 
em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. 
Exemplos dessa condição serão apresentados no decorrer dessa unidade.
Para Ribeiro (2005, p. 142), “apesar de facultativo, o Juro sobre o Capital 
Próprio representa um rendimento extra que os titulares das empresas recebem 
além da participação nos lucros, embora a legislação tenha previsto também que 
esses juros possam substituir os dividendos obrigatórios”.
NOTA
Somente as cooperativas podem desconsiderar a TJLP para pagamento de juros 
sobre capital próprio aos seus associados. Atualmente, as cooperativas podem pagar até 
12% ao ano ao invés de considerar o percentual da TJLP. Quanto às demais regras para 
pagamento dos juros sobre capital próprio são mesmo seguidas pelas demais empresas.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
76
3 TRATAMENTO LEGAL
De acordo com Ribeiro (2005, p. 143), “ [...] tratam do assunto mais de duas 
dezenas de dispositivos da legislação tributária, entre leis, decretos, Instruções 
Normativas, Atos Declaratórios e outros, inclusive deliberação da CVM”. Vejam 
alguns deles:
	Lei nº 9.249, de 26/12/1995;
	Lei nº 9.430, de 27/12/1996 – artigos 51, 55, 78 e 88;
	Lei nº 9.532, de 10/12/1997;
	Lei nº 9.779, de 19/1/1999 – artigo 8º;
	Lei nº 9.959, de 27/1/2000;
	Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, artigos 
347, 348, 668 e 685;
	Instrução Normativa SRF nº 11, de 21/2/1996;
	Instrução Normativa SRF nº 41, de 22/04/1998;
	Comunicado 6.548 Bacen, de 30/12/1998;
	Deliberação CVM nº 207, de 13/12/1996.
Conforme já foi comentado anteriormente, a Lei nº 9.249/1995 foi 
responsável pela instituição dos juros sobre capital próprio. Por esse fato, é 
descrito a seguir, além do art. 9º já descrito anteriormente, outros artigos da lei, 
que são considerados essenciais no processo de provisão e pagamento dos juros 
sobre capital próprio:
Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro 
real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou 
acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as 
contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de 
Juros de Longo Prazo – TJLP.
§ 1° O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência 
de lucros computados antes da dedução dos juros, ou de reserva de lucros, em 
montante igual ou superior ao valor deduas vezes os juros a serem pagos ou 
creditados.
§ 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à 
alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.
§ 3º O imposto retido na fonte será considerado:
I - antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de 
beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real;
II - tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa 
jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o 
disposto no § 4º.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
77
§ 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro 
presumido o arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à 
base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. 
§ 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será 
considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa 
jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do 
imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido.
De acordo com Ribeiro (2005), a lei não obriga que as empresas provisionem 
e paguem aos seus titula res os juros sobre o capital próprio, entretanto, permite 
que a soma dos va lores pagos a esse título seja deduzida da base de cálculo da 
provisão para contribuição social e da base de cálculo da provisão para o Imposto 
de Renda, desde que o respecti vo valor seja calculado de acordo com a TJLP e que 
existam no momento do crédito lucros ou reservas de lucros em montante igual 
ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.
3.1 IMPOSTO DE RENDA
O Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/1999, promovido pelo 
Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, descreve em seu artigo 347 o seguinte:
Art. 347 A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro 
real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou 
acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as 
contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de 
Juros de Longo Prazo – TJLP. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º).
§ 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência 
de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados 
e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os 
juros a serem pagos ou creditados. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 1º, e Lei nº 
9.430, de 1996, art. 78).
§ 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 
668. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º).
§ 3º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de 
remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos 
de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. 
(Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 7º).
§ 4º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será 
considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa 
jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do 
imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Lei nº 9.249, 
de 1995, art. 9º, § 8º).
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
78
Neves e Viceconti (2004) comentam, então, que para fatos geradores 
ocorridos a partir de 1 de janeiro de 1996, a pessoa jurídica poderá deduzir, para 
efeito da apuração do lucro real (somente para aquelas empresas optantes do 
lucro real), observado o regime de competência, os juros pagos ou creditados 
individualmente ao titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do 
capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitadas à 
variação pro rata dia da taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP.
Portanto, o valor provisionado e creditado dos juros sobre capital próprio 
para efeito de dedutibilidade como despesa financeira não poderá exceder a 
cinquenta por cento do maior entre os seguintes valores:
	do resultado líquido positivo (lucro ou sobra) correspondente ao período de 
apuração do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto 
de renda e da dedução dos referidos juros; ou 
	do saldo de reservas de lucros de períodos anteriores.
Assim, os juros sobre capital próprio podem ser pagos no período mesmo 
que nesse a empresa não apresente lucros. Porém, faz-se necessário então que 
essa empresa tenha lucros que venham de períodos anteriores. O valor desses 
lucros deve ser em montante superior a duas vezes o valor dos juros sobre 
capital próprio a ser creditado, por exemplo. Se a empresa quiser pagar $ 100 de 
juros sobre capital próprio terá que ter em lucros de períodos anteriores o valor 
equivalente a $ 200. 
NOTA
Não é possível somar os lucros de períodos anteriores com os lucros do período 
para então creditar juros sobre capital próprio. Por exemplo, se a empresa quiser pagar $ 100 
de juros sobre capital próprio e tiver $ 150 de lucros de períodos anteriores e $ 180 de lucro 
no período. O máximo de juros sobre capital próprio que poderá ser creditado será de $ 90, 
ou seja, a metade do maior valor entre as duas hipóteses existentes, lucros do período ou 
lucro de períodos anteriores.
A Lei nº 11.638/2001 extinguiu a possibilidade de a empresa deixar os 
lucros do período na conta de lucros a acumulados, tendo sempre a obrigação de 
destiná-los. Assim, os únicos valores de lucros de períodos anteriores poderão 
existir na empresa numa conta específica do patrimônio líquido denominado 
reserva de lucros.
As reservas de lucro são constituídas pelos lucros obtidos pela empresa, 
retidas com finalidade específica e geralmente já definidas em estatuto, tanto em 
sua constituição como em sua utilização.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
79
As reservas de lucros são subdivididas em quatro grupos:
	Reserva legal
	Reservas estatutárias
	Reserva para contingência
	Reserva de lucros a realizar.
Quanto à reserva legal, a Lei nº 6.404/76 prevê o seguinte:
Art. 193 Do lucro líquido do exercício, 5% serão aplicados, antes de qualquer 
outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% do 
capital social.
§ 1º A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício 
em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital 
exceder de 30% do capital social.
§ 2º A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e 
somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o 
capital. 
Por sua vez, nas reservas estatutárias, a Lei 6.404/76 prevê o seguinte:
Art. 194 O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma:
I – indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade;
II – fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos 
que serão destinados à sua constituição; e
III – estabeleça o limite máximo da reserva. 
Já nas reservas para contingências, a Lei 6.404/76 prevê o seguinte:
Art. 195. A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, 
destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finalidade de 
compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda 
julgada provável, cujo valor possa ser estimado.
§ 1º A proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da 
perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a 
constituição da reserva.
§ 2º A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões 
que justificaram a sua constituição ou em que ocorrer a perda.
E quanto às reservas de lucros a realizar, a Lei nº 6.404/76 prevê o seguinte:UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
80
Art. 197 No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado 
nos termos do estatuto ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do 
exercício, a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, 
destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar. 
NOTA
Conforme a Lei 6.404/76, art. 199, o saldo das reservas de lucros, exceto as 
para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o 
capital social. Atingindo esse limite, a assembleia deliberará sobre aplicação do excesso na 
integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos.
Somente se considera creditado o valor dos juros sobre o capital próprio, 
quando este for registrado contabilmente como uma despesa na pessoa jurídica 
pagadora (investida) com lançamento a débito e em contrapartida com lançamento 
na conta a crédito de seu passivo, representando, dessa forma, uma obrigação da 
investida com os sócios, acionistas ou associados.
3.2 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO
De acordo com Neves e Viceconti (2004), as mesmas regras aplicáveis 
ao imposto de renda valem também para a Contribuição Social sobre o Lucro 
Líquido (CSLL), ou seja, a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio tem as 
mesmas condições estabelecidas para Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 
(CSLL) para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. No ano-
calendário de 1996, tais juros eram indedutíveis na base de cálculo da referida 
contribuição.
NOTA
A empresa poderá creditar aos seus titulares os juros sobre capital próprio, em 
montante igual ao obtido pela aplicação da TJLP, porém, na etapa seguinte, terá que analisar 
os limites de lucro do período ou lucros de períodos anteriores, para ver se permitem seu 
pagamento. A diferença que superar o maior desses dois limites não será dedutível para o 
cálculo das Provisões para CSLL e para o IRPJ, devendo ser adicionado na base de cálculo 
desses tributos na apuração do lucro real.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
81
4 REGISTRO COMO DESPESA FINANCEIRA
Os juros sobre capital próprio são reconhecidos na Demonstração de 
Resultado do Exercício na empresa pagadora (investida) como despesa de juros 
sobre capital próprio no grupo Despesa Financeira. Para fins de dedutibilidade, 
nas empresas optantes do lucro real, essa despesa é dedutível para o cálculo do 
IRPJ e da CSLL, é claro, desde que siga as regras legais para crédito desses juros 
já vistas anteriormente.
Porém, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de sua 
Deliberação número 207, de 13 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte:
I – Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título 
de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, 
devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem 
afetar o resultado do exercício.
Entretanto, para não causar confusão sobre a possibilidade ou não dessa 
despesa financeira para fins dedutíveis a própria CVM dispôs, no inciso VIII e IX 
da referida Deliberação o seguinte:
VIII – Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições 
tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados 
ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à 
reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma que o lucro líquido 
ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação.
IX – A reversão, de que trata o item anterior, poderá ser evidenciada na última 
linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro líquido 
ou do prejuízo do exercício.
Neves e Viceconti (2004, p. 412) comentam que “[...] a reversão em tela 
pode ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do 
saldo da conta do lucro ou prejuízo líquido do exercício”. Veja o exemplo a seguir:
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
82
Apresentacao da DRE Valores R$
Lucro Bruto R$ 200.000,00 
(-) Despesas Operacionais, exceto os juros R$ 135.000,00 
(-) Juros sobre o capital próprio R$ 35.000,00 
(=) Lucro Operacional Líquido R$ 30.000,00 
(-) IRPJ + CSLL R$ 7.200,00 
(=) Lucro Líquido antes da reversão dos juros R$ 22.800,00 
(+) Reversão R$ 35.000,00 
(+) Lucro Líquido do Exercício R$ 57.800,00 
Note que os juros sobre capital próprio são reconhecidos como despesa 
financeira para fins de dedução do IRPJ e da CSLL e logo após são revertidos. 
Essa reversão faz com que os juros sobre capital próprio recaiam na conta Lucros 
a Destinar. 
Veja o exemplo a seguir na empresa pagadora (investida): 
Débito: Despesa de Juros sobre capital próprio (despesa financeira da DRE)
Crédito: Juros sobre capital próprio a pagar (obrigação no passivo)
Lançamento pela reversão:
Débito: Lucros a destinar (na conta do patrimônio líquido)
Crédito: Reversão de Juros sobre capital próprio (estorno despesa 
financeira da DRE).
5 RESERVA DE REAVALIAÇÃO E AJUSTE DE AVALIAÇÃO 
PATRIMONIAL
A Lei nº 11.638, de 2007, eliminou a possibilidade de que sejam efetuadas 
reavaliações nas empresas. Porém, para as empresas que a tinham feito até a data 
31 de dezembro de 2007 ainda restava saldo nessa conta. Entretanto, a mesma lei 
em seu art. 6º comenta:
Art. 6º Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos 
até sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que 
esta Lei entrar em vigor.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
83
Portanto, um grande número de empresas ainda possui saldo nessa conta, 
que faz parte do patrimônio líquido e denominada reserva de reavaliação.
De acordo com Iudícibus et al. (2010, p. 380):
Tal eliminação está em desencardo com as normas internacionais que 
permitem esse tipo de procedimento. Entretanto, o principal motivador 
para a impossibilidade de realização de novas reavaliações no Brasil foi 
o mau uso desse mecanismo. São muitos os exemplos de empresas que 
procederam à reavaliação de seus ativos para transformar Patrimônios 
Líquidos negativos em positivos, para diminuir os dividendos a 
serem distribuídos, para conseguir concordata ou algum tipo de 
favorecimento jurídico, ou até mesmo participar de concorrências 
públicas.
Por sua vez, o ajuste de avaliação patrimonial foi criado originalmente 
pela Lei nº 11.941/2009. Depois, o ajuste de avaliação patrimonial foi incorporado 
à Lei nº 11.638/2007, em seu art. 182, que possui a seguinte redação:
§ 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não 
computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, 
as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos 
do ativo (§ 5º do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3º do art. 226 desta Lei) 
e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado.
Portanto, a natureza dessa conta é a mesma da reserva de reavaliação, ou 
seja, é destinada a receber ajustes contábeis realizados nos ativos ou passivos das 
empresas.
De acordo com Perez e Oliveira (2010) o texto definido pelo art. 182 da Lei 
11.638/2007 é sucinto e não define exatamente o que pode ou deve ser ajustado a 
valor justo, entretanto, essa correção busca expressar a realizada patrimonial de 
uma empresa.
Para conhecer mais sobre o que pode ser ajustado contabilmente e de que 
forma proceder leia os seguintes pronunciamento contábeis disponíveis no sítio do Conselho 
Federal de Contabilidade – CFC: <http://www.cfc.org.br>: CPC 02, 10, 13, 14 3 15.
ATENCAO
Tanto a conta Ajuste de Avaliação Patrimonial como conta Reservade 
Reavaliação são contas específicas que compõem o patrimônio líquido e, para o 
cálculo dos juros sobre capital próprio, essas contas não serão consideradas como 
parte integrante do patrimônio líquido.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
84
NOTA
Caso a empresa ainda tinha algum saldo na conta de reserva especial de 
correção monetária dos bens do Ativo Permanente, que provém antes do ano de 1995, esta 
também não será considerada como parte integrante do patrimônio líquido.
Contudo, a realização dessas reservas que forem adicionadas ao resultado 
líquido da empresa poderá ser adicionada para o cálculo dos juros sobre capital 
próprio, como, por exemplo, ocorre na depreciação ou venda de bens que foram 
reavaliados ou sofreram ajustes de avaliação patrimonial.
Por exemplo: suponhamos que determinada empresa tenha como 
composição de seu patrimônio líquido as seguintes contas:
CAPITAL SOCIAL 3.800.000.00 
RESERVAS DE CAPITAL 200.000.00 
RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 
RESERVAS DE LUCROS 300.000.00 
TOTAL 4.800.000.00 
Portanto, a base de cálculo dos juros sobre capital próprio que deverá ser 
multiplicada pela TJLP é a seguinte:
CAPITAL SOCIAL 3.800.000.00 
RESERVAS DE CAPITAL 200.000.00 
(-) RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 
RESERVAS DE LUCROS 300.000.00 
Total da Base de Cálculo 4.300.000.00 
Caso a TJLP fosse de 6% o valor dos juros sobre capital próprio seria esse:
$ 4.300.000 x 6% = 258.000
Porém, para que se possam creditar os $ 258.000 como juros sobre capital 
próprio e que consequentemente sejam dedutíveis para IRPJ e CSLL seria 
necessário que a empresa tivesse um lucro no período de pelo menos $ 516.000 
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
85
(o dobro do valor dos juros que se pretende creditar) ou numa segunda hipótese 
que se tivesse $ 516.000 em reserva de lucros (também dobro do valor dos juros 
que se pretende creditar).
NOTA
Mais exemplos sobre o cálculo de juros sobre capital próprio serão vistos a 
seguir, ainda nesta unidade. Por enquanto é importante que você entenda que as reservas 
de reavaliação e de ajuste de avaliação patrimonial não fazem parte da base de cálculo dos 
juros sobre capital próprio.
6 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE
Sobre o valor dos juros sobre capital próprio creditado aos seus 
investidores, tanto para pessoa física como jurídica, haverá a incidência de 15% 
de imposto de renda retido na fonte. 
Esse imposto de renda na fonte deverá ser pago à Receita Federal do 
Brasil até o terceiro dia útil da semana subsequente a do pagamento ou crédito 
dos juros respectivos.
NOTA
O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração 
do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividen dos, sem prejuízo do pagamento 
do imposto de renda na fonte.
7 JUROS SOBRE JUROS
Numa possível negociação entre o investidor (recebedor) e a investida 
(pagador) os juros sobre capital próprio podem ser pagos em parcelas ou 
numa data futura programada. Caso isso ocorra pode ser que se negocie uma 
remuneração pelo atraso no pagamento, ou seja, juros sobre juros.
Sobre os juros sobre capital próprio há incidência de 15% de IRRF, porém 
sobre os juros sobre juros o IRRF é equiparado a uma aplicação financeira de renda 
fixa e sobre esse valor incide imposto de renda na fonte a alíquota de 15% a 22,5%.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
86
A variação do IRRF dos juros sobre juros ocorre da seguinte forma:
	Se for pago antes de 6 meses haverá incidência de 22,5%.
	Se for pago no período de 6 meses a um ano haverá incidência de 20%.
	Se for pago no período de 1 ano a dois anos haverá incidência de 17,5%.
	Se for pago no período superior a 2 anos 15%.
Veja o exemplo a seguir com base no modelo de Neves e Viceconti (2004):
Dados hipotéticos em 31/12/2001
1 – Valor do PL da Cia. ANDRADE:
CAPITAL SOCIAL 3.000.000.00 
RESERVAS DE CAPITAL 240.000.00 
RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 200.000.00 
RESERVAS DE LUCROS 560.000.00 
TOTAL 4.000.000.00 
No saldo desta conta, não está incorporado o resultado do exercício 
31/12/2001, equivalente a R$ 800.000,00, antes da provisão para o imposto de 
renda e da dedução dos juros sobre o capital próprio. Salvo a incorporação do 
resultado, não houve alteração no valor do Patrimônio Líquido no ano-calendário 
de 2001.
2 – TJLP em 2001: 
10% ao ano
3 – Cálculo dos juros:
Base de cálculo: R$ 4.000.000,00 - 200.000,00 = 3.800.000,00
Valor dos juros: R$ 3.800.000,00 x 10% = R$ 380.000,00
Após aplicação da TJLP sobre a base de cálculo é preciso partir para o 
segundo passo: descobrir se a empresa realmente pode pagar esse valor de $ 
380.000,00 para fins de dedução de IRPJ e CSLL.
Portanto, vamos analisar as duas hipóteses possíveis:
a) Hipótese de lucro no período. Para que sejam pagos $ 380.000,00 é preciso que 
se tenha de lucro no período o dobro desse valor, ou seja, $ 760.000,00.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
87
b) Hipótese de lucro de períodos anteriores. Para que sejam pagos $ 380.000,00 é 
preciso que se tenha de lucro de períodos anteriores o dobro desse valor, ou 
seja, $ 760.000,00.
Sendo assim, a hipótese “b” permitiria que fossem pagos apenas $ 
280.000,00 de juros sobre capital próprio, uma vez que a empresa possui como 
reserva de lucros o montante de $ 560.000,00 (560.000,00 / 2 = 280.000,00).
Já a hipótese “a” permitiria que fossem pagos $ 400.000,00 de juros sobre 
capital próprio, uma vez que a empresa possui de lucro no período o montante 
de $ 800.000,00 (800.000,00 / 2 = 400.000,00).
Porém, pelo fato de o resultado da TJLP sobre a base de cálculo dos juros 
sobre capital próprio ficar em $ 380.000,00, será desconsiderado o valor máximo 
de $ 400.000,00 da hipótese “a” e pagos apenas os $ 380.000,00.
Se por acaso a empresa tivesse um lucro no período equivalente a apenas 
$ 100.000,00, o máximo que poderia ser pago de juros sobre capital próprio seriam 
os $ 280.000,00 com base na hipótese “b”.
4 – Contabilização dos juros sobre capital próprio:
1 – dos juros em 31/12/2001
Debita-se: Despesas de Juros sobre Capital Próprio 380.000,00 (DRE)
Credita-se: Juros sobre do Capital Próprio a Pagar 380.000,00 (Passivo 
circulante)
2 – incidência do Imposto de Renda na Fonte: (15% x R$ 380.000,00)
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 57.000,00 (Passivo 
Circulante)
Credita-se: IRRF a Recolher 57.000,00 (Passivo 
Circulante)
Suponhamos que o saldo de juros sobre capital próprio a pagar, que 
correspondia em 31/12/2001 a R$ 323.000,00 (R$ 380.000,00 - R$ 57.000,00), tenha 
sido efetivamente pago em 30/08/2002, acrescido de juros equivalentes a 2% (taxa 
hipotética) desse total, ou seja, R$ 6.460,00 (2% x R$ 323.000,00). Sobre esses juros 
de R$ 6.460,00 (juros sobre juros) incidirá imposto de renda na fonte de 20%, 
totalizando R$ 1.292,00 (20% x R$ 6.460,00). 
Incidirá 20% de IRRF porque os juros sobre juros estariam sendo pagos 
8 meses depois do registro do crédito do principal. Caso fosse antes de 6 meses 
incidiria 22,5% de IRRF conforme evidenciado anteriormente.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
88
NOTA
A variação do IRRF conforme o prazo de pagamento vale apenas para o cálculo 
dos juros sobre juros. O IRRF sobre o juros sobre capital próprio será sempre de 15%.
5 – Contabilização dos juros sobre juros:
1 – Reconhecimento da despesa de juros
Debita-se: despesa de juros 6.460,00 (DRE)
Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 6.460,00 (Passivo Circulante)
2 – Incidênciado IRRF a alíquota de 20%
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 1.292,00 (Passivo Circulante)
Credita-se: IRRF a recolher 1.292,00 (Passivo Circulante)
6 – Pagamentos dos juros sobre capital próprio e juros sobre juros:
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 328.168,00 (Passivo Circulante)
Credita-se: Banco Conta Movimento 328.168,00 (Ativo Circulante)
8 REFLEXOS NAS INVESTIDORAS
O investidor, aquele que teria o direito de receber os juros sobre capital 
próprio, pode ser pessoa física ou pessoa jurídica. Quando for pessoa jurídica, 
a forma de os juros serem reconhecidos dependerá de sua própria forma de 
tributação, por exemplo, lucro real, lucro presumido ou simples nacional.
No recebimento dos juros sobre capital próprio pela pessoa jurídica 
optante do lucro presumido e lucro real os referidos juros serão registrados 
como receita financeira e integrarão base de cálculo do imposto de renda e da 
contribuição social sobre o lucro.
Já no recebimento dos juros sobre capital próprio pela pessoa jurídica 
optante do simples nacional, os referidos juros serão também registrados como 
receita financeira, porém não integrarão base de cálculo do imposto de renda e da 
contribuição social sobre o lucro.
Com base no modelo de Neves e Viceconti (2004), veja o exemplo a seguir, 
tendo como informações os dados da Cia. ANDRADE, vista no exemplo anterior:
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
89
	a Cia. ANDRADE é controlada (investida) pela Cia. ZULIPA (investidora), que 
detém 60% de seu capital;
	em decorrência do montante dos juros pagos pela Cia. ANDRADE, 60% foram 
creditados à sua controladora (60% x R$ 380.000,00 = R$ 228.000,00);
	do imposto retido pela Cia. ANDRADE (R$ 57.000,00), 60% corresponde aos 
juros creditados à Cia. ZULIPA, ou seja, 60% x R$ 57.000,00 = RS 34.200,00;
	a Cia. ZULIPA , por sua vez, efetua crédito de juros sobre o capital próprio a 
seus sócios e acionistas no valor de R$ 800.000,00 e o imposto de renda na fonte 
correspondente é de R$ 120.000,00 (15% x R$ 800.000,00). Ela poderá compensar 
os R$ 34.200,00 retidos pela Cia. ANDRADE com os R$ 120.000,00 devidos pelo 
crédito dos juros sobre seu capital próprio e recolher à Receita Federal do Brasil 
apenas a diferença;
	em agosto de 2002 a Cia. ZULIPA recebe os juros que lhe eram devidos pela 
Cia. ANDRADE, R$ 193.800,00, acrescidos dos juros sobre juros de 2% (R$ 
193.800,00 x 2% = R$ 3.876,00) e deduzido o imposto de renda na fonte incidente 
sobre esses últimos (R$ 3.876,00 x R$ 20% = R$ 775,20).
Contabilização na Cia. ZULIPA (investidora)
Obs.: A Cia. ZULIPA recebeu os juros sobre capital próprio da Cia. 
ANDRADE. A própria Cia. ZULIPA efetuou o crédito de juros sobre capital 
próprio aos seus investidores.
1 – pelo crédito dos juros pagos recebidos da Cia. ANDRADE: (60% x R$ 380.000,00 
= R$ 228.000,00).
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 228.000,00 (Ativo Circulante)
Credita-se: Receita de Juros sobre Capital Próprio 228.000,00 (DRE)
2 – registro do Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF) Compensável: (60% x R$ 
57.000,00 = RS 34.200,00).
Debita-se: IRRF a Compensar 34.200,00 (Ativo Circulante)
Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 34.200,00 (Ativo Circulante)
3 – crédito aos acionistas dos juros incidentes sobre o capital próprio da Cia. 
ZULIPA: (pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio no valor de R$ 
800.000,00).
Debita-se: Despesas de Juros sobre o Capital Próprio 800.000,00 (DRE)
Credita-se: Juros sobre de Capital Próprio a Pagar 800.000,00 (Passivo Circulante
 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
90
4 – incidência do IRRF sobre juros a pagar: (15% x R$ 800.000,00 = RS 120.000,00).
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 120.000,00 (Passivo Circulante)
Credita-se: IRRF a Recolher 120.000,00 (Passivo Circulante)
5 - compensação do IRRF a pagar com o IRRF a compensar na Cia. ZULIPA:
Debita-se: IRRF a Recolher 34.200,00 (Passivo Circulante)
Credita-se: IRRF a Compensar 34.200,00 (Ativo Circulante)
6 – reconhecimento de juros sobre juros em 2002: (2% de R$ 193.800,00 = R$ 
3.876,00, onde R$ 193.800,00 = R$ 228.000,00 – R$ 34.200,00).
Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 3.876,00 (Ativo Circulante)
Credita-se: Receita Financeira 3.876,00 (DRE)
7 – incidência do IRRF sobre os referidos juros: (3.876,00 x R$ 20% = R$ 775,20).
Debita-se: IRRF a Compensar 775,20 (Ativo Circulante)
Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 775,20 (Ativo Circulante)
8 – recebimento dos juros sobre o capital próprio: (196.900,80 = (228.000,00 – 
34.200) + (3.876,00 – 775,20).
Debita-se: Banco conta Movimento 196.900,80 (Ativo Circulante)
Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 196.900,80 (Ativo Circulante)
NOTA
Caso a Cia. ZULIPA não tivesse pago os juros sobre seu capital próprio, o IRRF a 
compensar de R$ 34.200,00 poderia ser compensado com o imposto devido com base no 
lucro real do período, ou seja seu o IRPJ.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
91
8.1 INVESTIDORES DIVERSOS E SUA FORMA DE TRIBUTAÇÃO
Desde 1º de janeiro de 1997, os investidores enquadrados no lucro presumido 
ou lucro real reconhecerão as receitas financeiras de juros sobre capital próprio 
recebidos como receita tributável, tanto para IRPJ e CSLL como para PIS e COFINS.
Assim, toda a empresa enquadrada no lucro presumido ou lucro real 
que receber juros sobre capital próprio tributará essa receita como sendo outras 
receitas financeiras.
Entretanto, essas empresas enquadradas lucro presumido ou lucro real 
poderão utilizar o IRRF retido nesse recebimento para compensar com seu IRPJ, 
ou seja, o IRRF para essas empresas será considera do antecipação do devido no 
período de apuração. Esse foi o caso que aconteceu no exemplo anterior em que a 
Cia. ZULIPA pode recuperar o IRRF sobre os juros sobre capital próprio recebido 
da Cia. ANDRADE.
Já as pessoas jurídicas isentas e as pessoas físicas não poderão recuperar o 
IRRF retido quando receberem juros sobre capital próprio. Portanto, nesses casos, 
a tributação na fonte é definitiva.
E quanto às pessoas jurídicas imunes, essas nem precisarão ter o desconto do 
IRRF, poderão receber integralmente os juros sobre capital próprio de suas investidas.
Vejamos os exemplos a seguir para melhor entendimento dessas situações. 
Suponhamos uma situação única de recebimento de $ 100.000,00 de juros sobre 
capital próprio com 15% de IRRF, ou seja, $ 15.000,00. 
1º Exemplo: Investidor optante do lucro presumido ou real.
O lançamento contábil desse recebimento seria:
Débito: IRRF a Compensar 15.000,00
Débito: Caixa 85.000,00
Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00
Nesse caso, a empresa poderia compensar os 15.000,00 de IRRF com seu 
possível IRPJ a pagar. Porém, os 100.000,00 entrariam na base de cálculo do PIS, 
COFINS, IRPJ e CSLL.
2º Exemplo: Investidor pessoa jurídica isenta.
O lançamento contábil desse recebimento seria:
Débito: Despesas de IRRF 15.000,00
Débito: Caixa 85.000,00
Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
92
Nesse caso, a empresa não poderia compensar os 15.000,00 de IRRF, que 
já seriam reconhecidos como despesa. Porém, os 100.000,00 não entrariam na base 
de cálculo do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL.
3º Exemplo: Investidor pessoa física.
Se houvesse um lançamento contábil desse recebimento seria:
Débito: Despesas de IRRF15.000,00
Débito: Caixa 85.000,00
Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00
Nesse caso pessoa física não poderia compensar os 15.000,00 de IRRF com seu 
IRPF, pois seriam reconhecidos como despesa. Porém, os 100.000,00 não entrariam 
na base de cálculo em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF.
4º Exemplo: Investidor pessoa jurídica imune.
O lançamento contábil desse recebimento seria:
Débito: Caixa 100.000,00
Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00
Nesse caso, pessoa jurídica imune receberia 100% dos juros sobre capital 
próprio, sem o desconto dos 15% do IRRF. Inclusive, os 100.000,00 não entrariam 
na base de seus impostos.
8.2 CONVENIÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO DO PONTO DE VISTA 
DO ÔNUS TRIBUTÁRIO
A pessoa jurídica optante pelo lucro real que optar em efetuar o pagamento 
dos juros sobre o capital próprio para investidores pessoas físicas terá menor carga 
tributária do que aquela que não o fizer. A grande diferença seria a seguinte:
	a empresa que resolvesse pagar juros sobre capital próprio teria que recolher 
15% de IRRF, porém, diminuiria sua base tributária, gerando um ganho de 24% 
ou até 34% se recair no adicional de IRPJ. Em resumo, poderia ter um ganho 
líquido de 9% a 19%, desde que apurasse lucro. Se não tiver lucro não seria 
vantagem pagar juros sobre capital próprio.
	a empresa que não resolvesse pagar juros sobre capital próprio não recolheria 
os 15% de IRRF, porém, sua base tributária ficaria normal, sem a redução da 
despesa financeira de juros sobre capital próprio, Em resumo, poderia deixar 
de pagar de 9% a 19%, desde que apurasse lucro.
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
93
NOTA
Para fins tributários as pessoas jurídicas enquadradas no lucro presumido ou 
simples não teriam vantagem em pagar juros sobre capital próprio.
Veja o exemplo a seguir com base no modelo de Neves e Viceconti (2004):
Demonstração de Resultado Anual com juros (R$) sem juros (R$)
Lucro antes dos juros, da CSLL e do IR 200.000.00 200.000.00 
Juros sobre o capital próprio (20.000.00) - 
(=) Base de cálculo da CSLL e do IR 
(supondo-se inexistência de ajustes) 180.000.00 200.000.00 
(-) CSLL (9%) (16.200.00) (18.000.00)
(-) IR (15%) (27.000.00) (30.000.00)
(=) Lucro líquido (após CSLL e IR) 136.800.00 152.000.00 
 
Rendimentos dos Sócios 
Lucro líquido + juros 156.800.00 152.000.00 
 (-) IR Fonte sobre os juros (3.000.00) - 
 = Rendimento Líquido 153.800.00 152.000.00 
A única diferença foi os R$ 1.800,00 (153.000,00 – 152.000,00). Essa diferença 
pode ser explicada da seguinte forma. A empresa que não pagou juros sobre capital 
próprio tributou normalmente 15% de IRPJ e 9% de CSLL sobre 200.000,00, porém, 
a empresa que pagou os juros sobre capital próprio teve que pagar 15% de IRRF, 
mas em contrapartida, o resultado tributável diminui para 180.000,00 gerando uma 
economia de 15% de IRPJ e 9% de CSLL sobre os 20.000,00. Em resumo, sobre os 
20.000,00 de juros sobre capital próprio pode-se dizer que a empresa que decidiu 
pagar teve uma despesa de 15% de IRRF e uma economia de 15% de IRPJ, gerando 
resultado nulo, porém essa mesma empresa economizou 9% de CSLL, ou seja, 
1,800,00 (20,000,00 X 9%), uma vez que sua base tributável diminuiu.
Se por acaso a empresa que decidiu pagar os juros sobre capital próprio 
recaísse no adicional de 10% de IRPJ a economia poderia ser de até 19%.
Agora, quando o pagamento de juros sobre capital próprio envolve duas 
pessoas jurídicas optantes pelo lucro real é preciso tomar um cuidado especial. 
Vejamos as seguintes situações:
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
94
	se ambas as empresas não estiverem sujeitas ao adicional do IRPJ, mas 
apresentarem lucros, no geral, não seria vantajoso o pagamento dos juros sobre 
capital próprio para fins tributários, pois diminuiria a base de cálculo tributável 
na empresa pagadora e aumentaria na empresa recebedora, a princípio, gerando 
efeito nulo. Entretanto, não seria vantajoso porque na empresa recebedora a 
receita de juros sofreria tributação de PIS e COFINS;
	se ambas as empresas estiverem sujeitas ao adicional do IRPJ, a situação seria a 
mesma, gerando efeito nulo. Entretanto, não seria vantajoso porque na empresa 
recebedora a receita de juros sofreria tributação de PIS e COFINS;
	se a empresa pagadora estivesse sujeita ao adicional e a recebedora não, mas 
esta última apresentasse lucros. No geral, seria vantajoso o pagamento dos 
juros sobre capital próprio para fins tributários, pois diminuiria a base de 
cálculo tributável na empresa pagadora porque esta estaria sujeita ao adicional 
de 10% de IRPJ e a recebedora não, mesmo que na empresa recebedora a receita 
de juros sofreria tributação de PIS e COFINS;
	se a empresa pagadora tiver lucro e a recebedora tiver prejuízo será sempre 
vantajoso.
Neves e Viceconti (2004) apresentam a seguir um exemplo em que o efeito 
tributário de juros sobre capital próprio seria nulo.
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO (em R$) — TRIMESTRAL
 Cia. Alpha Cia. Beta
a) Sem os juros Recebedora Pagadora
Lucro Líquido antes do IRPJ e CSLL 120.000,00 90.000,00
(-) CSLL -10.800,00 -8.100,00
(-) IRPJ (24.000.00) (16.500.00)
(=) Lucro Líquido 85.200,00 65.400,00
b) Com os juros 
Lucro Líquido antes do IRPJ e CSLL 120.000,00 90.000,00
(±) Juros 18.000.00 (18.000.00)
(=) Lucro Líquido antes da CSLL e IR 138.000,00 72.000,00
(-)CSLL -12.420,00 -6.480,00
(-)IRPJ -28.500,00 -12.000,00
(=)Lucro Líquido 97.080,00 53.520,00
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
95
Como se pode perceber no quadro, o total do IRPJ e da CSLL pago pelas 
duas empresas continue o mesmo, ou seja, IRPJ (R$ 24.000,00 + R$ 16.500,00 = R$ 
40.500,00 = R$ 28.500,00 + R$ 12.000,00), e CSLL (R$ 10.800,00 + R$ 8.100,00 = R$ 
18.900,00 = R$ 12.420,00 + R$ 6.480,00).
Entretanto, a Cia. Alpha teria que inserir em sua base de cálculo de PIS e 
COFINS os 18.000,00 de juros recebidos, o que de fato, tributariamente tornaria o 
pagamento dos juros sobre capital próprio inviável nessa situação.
Portanto, toda a vez que pretenda pagar os juros sobre capital próprio é 
obrigatório que se proceda às seguintes indagações:
1. Qual o é objetivo de se pagar os juros sobre capital próprio?
2. Qual é a forma de tributação da empresa pagadora (investida)?
3. Qual é a forma de tributação da empresa recebedora (investidora)?
4. Qual é o efeito tributável geradora tanto na recebedora como na pagadora?
Depois de estar ciente de todos esses fatos será muito mais simples decidir 
se a empresa deve ou não pagar juros sobre capital próprio naquele período.
9 CÁLCULO DOS JUROS PRO RATA
O patrimônio líquido pode apresentar mudanças de valores do decorrer 
do ano. Essas mudanças acorrem na maioria das vezes pela incorporação do 
resultado do ano anterior ou pela integralização e/ou retirada de capital.
Quando ocorrem essas mudanças no patrimônio líquido da pessoa jurídica 
que estaria creditando os juros sobre capital próprio aos seus investidores, se faz 
necessário, então, que tais juros sejam calculados com base na variação pro rata 
(por dia) da TJLP.
Há dois critérios utilizados para se calcular a variação pro rata da TJLP: 
o critério exponencial e o critério linear, no entanto, até o momento não há base 
legal ou até alguma indicação mais concreta que obrigue as empresas a optarem 
definitivamente uma ou outra.
De acordo com Neves e Viceconti (2004, p. 422):
O Banco Central do Brasil expediu a Circular nº 2.722/96 de 26-09-96, 
que estabelece condições para remessa de juros sobre o capital próprio 
da pessoa jurídica a sócios ou acionistas residentes no exterior. No 
Anexo aesta Circular, consta um demonstrativo onde é sugerido o 
critério exponencial. Entretanto, a RFB no que tange ao Programa de 
Recuperação Fiscal – Refis e ao parcelamento a ele alternativo, por 
meio do decreto nº 3.431/2000, adota o cálculo LINEAR, que é mais 
simples do que o EXPONENCIAL estabelecido pelo BACEN.
 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
96
Seguindo o modelo de Neves e Viceconti (2004), será apresentado a seguir 
um exemplo de cálculo utilizando-se o critério exponencial e o critério linear:
Saldo da conta Capital em 01/01/1996: R$ 100.000,00
Aumento de Capital em 21/03/1996: R$ 40.000,00
Balanço levantado em 30/06/1996 para fins de distribuição
Sabe-se que a TJLP anual era a seguinte em 1996:
Jan/Fev= 17,72% (taxa igual para os meses de janeiro e fevereiro)
Mar/Abr/Mai = 18,34% (taxa igual para os meses de março a maio)
Jun/Jul/Ago = 15,44% (taxa igual para os meses de junho a agosto)
Pelo método exponencial: 
Janeiro = (1,1772)1/12 = 1,0136 ou 1,36% a.m.
Fevereiro = (1,1772)1/12 = 1,0136 ou 1,36% a.m.
Março = (1,1834)1/12 = 1,0141 ou 1,41% a.m.
Março = (1,0141)10/30 = 1,0046 ou 0,46% em 10 dias
Abril/maio = (1,1834)1/12 = 1,0141 ou 1,41% a.m.
Junho = (1,1544)1/12 = 1,0120 ou 1,20% a.m.
Note que, por exemplo, no mês de janeiro, a TJLP era de 17,72% a.a. Para 
se chegar a TJLP foram feitos os seguintes cálculos:
1 – Deve-se apanhar a TJLP anual evidenciado em percentual, ou seja, 17,72% e, em 
seguida, evidenciar na forma decimal, ou seja, 0,1772. Para isso basta apanhar 
17,72 e dividir por 100.
2 – Deve-se apanhar 0,1772 e acrescentar 1 a fórmula, resultando então em 1,1772.
3 – Deve-se elevar 1,1772 a um doze avos 1/12. Na calculadora financeira, você 
poderá proceder da seguinte forma nesse cálculo.
F CLX
1 ENTER
12 ÷
STO 0
1,1772 ENTER
RCL O
yx
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
97
O resultado obtido será = 1,01369 
4 – Para transformar na TJLP mensal basta apanhar 1,01369 e subtrair 1, portanto: 
1,01369 – 1 = 0,01369 na forma decimal ou 0,01369 x 100 = 1,36817% na forma 
em percentual. 
No mês de março foi preciso encontrar a TJLP para dez trinta avos, uma 
vez que o capital ficou aplicado por 10 dias naquele mês. Portanto, para se chegar 
aquele resultado, deve-se proceder da mesma forma que é transformada a TJLP 
anual para mensal. Sendo assim, no cálculo em questão, a TJLP será transformada 
de mensal para diária.
Depois de encontrada a TJLP mensal e diária é preciso aplicar ao capital o 
fator de multiplicação encontrado em cada mês.
Fator de acumulação para os R$ 100.000,00: (note que os R$ 100.000,00 
estiveram aplicados na empresa desde janeiro, portanto, o fator de multiplicação 
será integral para todos os meses).
1,0136 x 1,0136 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0120 = 1,0843 
Fator de acumulação =1,0843 -1 = 0,0843 ou 8,43%
Fator de acumulação para os R$ 40.000,00: (note que os R$ 40.000,00 
estiveram aplicados na empresa desde março, por 10 dias e os demais meses 
integrais).
1,0046 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0120 = 1,0455 
TJLP pro rata = 1,0455 -1 = 0,0455 ou 4,55%
Cálculo dos juros sobre capital próprio:
R$ 100.000,00 x 8,43% = R$ 8.430,00
R$ 40.000,00 x 4,55% = R$ 1.820,00
TOTAL R$ 10.250,00
Agora, somente bastaria analisar se a empresa de fato poderia creditar os 
R$ 10.250,00 para fins de dedutibilidade. 
Pelo método Linear:
Janeiro/Fevereiro 17,72% / 12 = 1,4767% a.m.
Março 18,34% / 12 = 1,5283% a.m.
Março (1,5283% / 30) x 10 = 0,5094% em 10 dias.
Abril/maio 18,34% / 12 = 1,5283% a.m.
Junho 15,44% / 12 = 1,2867% a.m.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
98
Note que neste método o cálculo é bem mais simples. Para transformar 
a TJLP anual em mensal basta apenas dividi-la por 12. Da mesma forma, a TJLP 
diária, onde basta apenas dividir a TJLP mensal por 30.
Fator de acumulação para os R$ 100.000,00:
1,4767% + 1,4767% + 1,5283% + 1,5283% + 1,5283% + 1,2867% = 8,825%
Fator de acumulação para os R$ 40.000,00
0,5094% + 1,5283% + 1,5283% + 1,2867% = 4,8527%
Note que para descobrir o fator de multiplicação neste critério basta 
apenas fazer a equação de soma das taxas, enquanto que no método exponencial 
as taxas são multiplicadas umas pelas outras.
R$ 100.000,00 x 8,825% = R$ 8.825,00
R$ 40.000,00 x 4,8527% = R$ 1.941,00
TOTAL R$ 10.766,00
Agora, somente bastaria analisar se a empresa de fato poderia creditar os 
R$ 10.766,00 para fins de dedutibilidade. 
NOTA
Observe que o cálculo pela convenção linear tem como resultado um valor 
de juros maior que o da convenção exponencial. Os cálculos foram feitos usando-se o ano 
comercial (360 dias), mas não há impedimento de se usar o ano civil (365 dias) e o número 
de dias exatos de cada mês transcorrido (por exemplo, 28 dias no mês de fevereiro).
10 IMPUTAÇÃO DOS JUROS AOS DIVIDENDOS 
OBRIGATÓRIOS
As sociedades anônimas poderão optar pela imputação dos juros sobre o 
capital próprio, ao valor dos dividendos obrigatórios conforme trata o art. 202 da 
Lei nº 6.404/76 descrito a seguir:
Art. 202 Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório em 
cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for 
omisso, a parcela determinada de acordo com as seguintes normas:
I – metade do Lucro Líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes 
valores:
TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO
99
a) importância destinada à constituição da reserva legal;
b) importância destinada à formação da reserva para contingências.
§ 2º Quando o estatuto for omisso e a assembleia geral deliberar alterá-lo para 
introduzir norma sobre a matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser 
inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do Lucro Líquido ajustado nos termos 
do inciso I deste artigo.
NOTA
Mesmo que sejam imputados aos dividendos obrigatórios os juros sobre capital 
próprio, deverão ser registrados como despesas financeiras.
100
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, vimos a conceitualização, o cálculo, a contabilização e todos 
os procedimentos legais que devem ser levados em consideração nesse tema 
denominado Juros sobre Capital Próprio.
Analisamos que mesmo aquela empresa que tenha apurado prejuízo 
no período poderá pagar juros sobre capital próprio, desde que tenha saldo em 
lucros de períodos anteriores, na conta reservas de lucro. Porém, essa situação 
tornaria inviável pelo aspecto tributário, uma vez que é preciso reter 15% de IRRF 
sobre o valor dos juros sobre capital próprio, que quando for reconhecido, na 
empresa recebedora, poderá sofrer novamente uma tributação.
Constatou-se que os juros sobre capital próprio podem fornecer certa 
vantagem tributária às empresas. Porém, para isso, faz-se necessário conhecer 
vários aspectos, como, por exemplo: Qual o objetivo de pagar os juros sobre 
capital próprio. Qual a forma de tributação da empresa pagadora (investida). 
Qual a forma de tributação da empresa recebedora (investidora). Qual o efeito 
tributável gerador tanto na recebedora como na pagadora.
101
AUTOATIVIDADE
1 Assinale a alternativa correta:
a) ( ) A partir de 01/01/1996, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de 
apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individual mente ao titular, 
sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados 
sobre as contas do patrimônio líquido e limitadas à variação, pro rata dia, da 
Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP.
b) ( ) O valor dos juros, para efeito de dedutibilidade na base de cálculo do 
IRPJ e CSLL, não poderá exceder a 50% do lucro antes do cômputo desses 
tributos ou do saldo de reservas de lucros,dos dois o menor.
c) ( ) O pagamento de juros sobre os juros sobre capital próprio, creditados e 
não pagos, está sujeito à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 
15%.
d) ( ) As parcelas da reserva de reavaliação que forem computadas na 
determinação do lucro real somente poderão servir de base de cálculo para 
determinação do valor dos juros sobre o capital próprio, no período de apuração 
seguinte a tal fato.
2 Assinale a alternativa incorreta:
a) ( ) O valor dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital 
próprio ficará sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 
15%.
b) ( ) O imposto de renda na fonte sobre a remuneração do capital próprio 
será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa 
jurídica isenta.
c) ( ) O imposto na fonte sobre a remuneração do capital próprio será 
considerado antecipação do devido (IRRF a Recuperar) na declaração de 
rendimentos, no caso do beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de 
tributação com base no lucro real.
d) ( ) A partir de 01/01/1997 a tributação sobre os juros sobre o capital próprio 
recebidos por empresa tributada pelo lucro presumido, será con siderada definitiva.
Observe os dados hipotéticos a seguir para responder às questões 3 a 5:
Valor do PL da Cia. PVSN
CAPITAL SOCIAL 2.000.000.00 
RESERVAS DE CAPITAL 400.000.00 
RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 
RESERVAS DE LUCROS 1.600.000.00 
TOTAL 4.500.000.00 
102
Obs.: Lucro no ano de 2006 antes dos impostos: 150.000,00. A Taxa de 
Juros de Longo Prazo (TJLP) de 2006 é de 10% (valor hipo tético).
3 O valor dos juros sobre o próprio capital que poderá ser deduzido na apuração 
do Lucro Real pela Cia. PVSN, em 31/12/2006, e o valor do Imposto de Renda 
na Fonte sobre ele incidente, são respectivamente (em R$):
a) ( ) 4.000.000,00 e 400.000,00
b) ( ) 600.000,00 e 60.000,00
c) ( ) 400.000,00 e 60.000,00
d) ( ) 60.000,00 e 400.000,00
4 Assinale a alternativa que contenha a contabilização correta na pessoa jurídica 
investida, ou seja, aquela que efetuou o crédito dos juros (Cia. PVSN), em 
31/12/2006:
a) ( ) D - Despesas de juros 400.000,00
 C - Juros a pagar 400.000,00
b) ( ) D - Despesas de juros 400.000,00
 C - Juros sobre Capital Próprio a Pagar 340.000,00
 C- IRRF a Recolher 60.000,00
c) ( ) D - Juros a Receber 360.000,00
 C - Receita de Juros 360.000,00
d) ( ) D - Juros sobre Capital Próprio a Receber 340.000,00 
 C - Juros Ativos 340.000,00
5 Assinale a alternativa que contenha a contabilização correta na empresa 
investidora (Silpa S/A), que detém 50% das ações representativas do capi tal 
da investida PVSN: 
a) ( ) D – Juros Ativos 180.000,00
 C – Juros Passivos 180.000,00
b) ( ) D – Juros a Receber 200.000,00
 C – Receita de Juros 200.000,00
c) ( ) D – Juros a Receber 180.000,00
 ( ) C – Receita de Juros 180.000,00
d) ( ) D – Juros sobre Capital Próprio a Receber 170.000,00
 ( ) D – IRRF a Compensar 30.000,00
 ( ) C – Receita de Juros 200.000,00
103
6 A Companhia Fabril de Juta decidiu, em 31/12/X1, creditar Juros sobre o 
Capital Próprio aos seus acionistas, considerando:
a) Patrimônio Líquido em 31.12.X0:
Capital Social 300.000
Reservas de Capital 50.000
Reservas de Reavaliação 100.000
Reservas de Lucros 140.000
Total 590.000
b) Resultado do exercício em 31/12/X1 antes da Provisão para CSLL/IRPJ e antes 
de calculados e deduzidos os JCP: $ 80.000.
c) Considerar que os saldos das contas do Patrimônio Líquido apresentado 
não sofreram alterações durante o exercício de X0 e permanecem os mesmos 
ainda na data de crédito dos JCP (31/12/X1).
d) Considerar que a CSLL e IRPJ serão constituídos pelas respectivas taxas de 
9% e 15% nesse exercício de X1, e que não ocorreram adições nem exclusões 
para fins de apurar sua base de cálculo.
e) TJLP para o exercício de X1: 10%.
f) Considerar que a Companhia Fabril de Juta tem dois acionistas: Nelson S/A 
e Marciano S/A, ambos com 50% do capital.
g) Considerar que a Marciano S/A tenha recebido os juros, por uma questão de 
negociação entre essa e a Fabril, somente 4 meses depois da provisão, ou seja, 
em abril de X2 é que foi realizado o pagamento. Sobre esse valor foi creditado 
a título de juros sobre juros 5% e a alíquota do IRRF sobre esse foi de 22,5%.
Pede-se:
1 – Apuração da base de cálculo dos JCP.
2 – Cálculo dos limites para fins de dedutibilidade considerando as hipóteses 
possíveis.
3 – Cálculo e memória de cálculo do lucro líquido da Fabril de Juta.
4 – Contabilização na Fabril de Juta em 31/12/01 dos JCP a cada um dos acionistas 
e respectivos impostos sobre esses.
5 – Contabilização na Nelson S/A em 31/12/01 dos JCP a receber e respectivos 
impostos sobre esses.
6 – Contabilização na Marciano S/A:
	em 31/12/01 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre esses.
	em 30/04/02 dos juros sobre juros e respectivos impostos sobre esses.
	em 30/04/02 do recebimento dos juros sobre juros e JCP.
7 Vamos supor, no entanto, que a Companhia Fabril de Juta (exercício 6) tenha 
decidido imputar o valor de $ 49.000 referente aos Juros sobre o Capital Próprio, 
aos dividendos obrigatórios de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/1976. Nesse 
caso específico, para as sociedades por ações, os acionistas receberão o mes-
mo valor, entretanto, com a denominação de dividendos obrigatórios. Faça a 
contabilização na Fabril de Juta em 31/12/01 considerando essas informações.
104
8 Considerando as mesmas informações da Companhia Fabril de Juta (exercício 
6), porém com as seguintes modificações: 
Patrimônio Líquido em 31/12/X0:
Capital Social 440.000
Reservas de Capital 50.000
Reservas de Reavaliação 100.000
Total 590.000
Qual seria o valor de JCP a ser provisionado em 31/12/X1 para fins de 
dedutibilidade?
9 Calcule os JCP utilizando como base o critério exponencial e o critério linear, 
considerando:
Conta Capital em 01/01/2008: R$ 200.000,00
Aumento de Capital em 10/02/2008: R$ 30.000,00
Aumento de Capital em 20/04/2008: R$ 50.000,00
Balanço levantado em 31/05/2008 para fins de distribuição
Os cálculos devem ser feitos usando-se o ano comercial (360 dias).
Use 5 casas decimais.
Sabe-se que a TJLP anual era a seguinte em 2008 (taxa hipotética):
Jan/Fev/Mar = 12,25
Abr/Mai/jun = 13,89
10 A Livraria Saturno S/A decidiu, em 31/12/2005, creditar juros sobre o Capital 
Próprio aos seus acionistas, considerando:
a) Patrimônio Líquido em 31/12/05:
Capital Social 630.000
Capital a realizar (100.000)
Reservas de Capital 50.000
Reservas de Reavaliação 70.000
Reservas de Lucros 100.000
Total 750.000
b) Resultado do exercício em 31/12/2005 antes da Provisão para CSLL/IR e 
antes de calculados e deduzidos os JCP: $ 116.000.
c) Considerar que os saldos das contas do Patrimônio Líquido apresentado não 
sofreram alterações durante o exercício de 2004 e permanecem os mesmos ainda 
na data de crédito dos JCP em 31/12/05.
d) Considerar que a CSLL e IRPJ serão constituídos pelas respectivas taxas de 
9% e 15% nesse exercício de 2005, e que não ocorreram adições nem exclusões 
para fins de apurar sua base de cálculo.
e) TJLP para o exercício de 2005: 10%.
105
f) Considerar que a Livraria Saturno tem dois acionistas: Papel Bom Ltda. e 
Master Papel S/A, com 30% e 70% respectivamente do capital, e optantes do 
lucro real.
g) Considerar que a Master Papel S/A tenha recebido os juros, por uma questão 
de negociação entre essa e a Saturno S/A, somente 8 meses depois da 
provisão, ou seja, em agosto de 2006 é que foi realizado o pagamento. Sobre 
esse valor foi creditado a título de juros sobre juros 10% e a alíquota do IRRF 
sobre esse foi de 20%.
Pede-se:1 – Apuração da base de cálculo dos JCP.
2 – Cálculo dos limites para fins de dedutibilidade considerando as hipóteses 
possíveis. Caso o cálculo com base na TJLP ultrapasse os limites de dedutibilidade, 
pretende-se pagar os JCP somente até o maior limite.
3 – Cálculo e memória de cálculo do lucro líquido da Livraria Saturno S/A.
4 – Contabilização na Livraria Saturno S/A em 31/12/05 dos JCP a cada um dos 
acionistas e respectivos impostos sobre estes.
5 – Contabilização na Papel Bom Ltda. em 31/12/05 dos JCP a receber e respectivos 
impostos sobre estes.
6 – Contabilização na Máster Papel S/A:
	 	em 31/12/05 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre estes.
	 	em 31/08/06 dos juros sobre juros e respectivos impostos sobre estes.
	 	em 31/08/06 do recebimento dos juros sobre juros e JCP.
106
107
TÓPICO 2
AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS 
E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E 
COLIGADAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste segundo tópico, analisaremos a avaliação de investimentos 
simples, que são avaliados contabilmente pelo método de custo. Analisaremos 
também os investimentos permanentes, avaliados contabilmente pelo método de 
equivalência patrimonial.
Conheceremos as principais diferenças entre sociedades coligadas, 
controladas e controladoras, além da figura do ágio e deságio em sua 
fundamentação pela aquisição de investimentos.
Veremos alguns dos principais investimentos significativos conforme 
enunciado pela Lei 11.638/2007, além de analisarmos a obrigatoriedade ou não 
da equivalência patrimonial.
2 MÉTODO DE CUSTO
De modo geral, são avaliados pelo custo os in vestimentos, sob a forma 
de ações ou quotas, efetuados em empresas não consideradas coligadas ou con-
troladas, bem como os investimentos que não tenham influência significativa.
ESTUDOS FU
TUROS
O conceito de controlada, coligada, equiparada à coligada além do tema 
influência significativa serão vistos mais adiante.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
108
De acordo com Ribeiro (2005), as contas representativas dos investimentos 
sujeitos à avaliação pelo Método do Custo de Aquisição são posicionadas no 
Balanço Patrimonial da seguinte forma:
ATIVO CIRCULANTE 
DISPONIBILIDADES
Aplicações de Liquidez Imediata
 
INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS A CURTO PRAZO
Aplicações Temporárias em Ouro
Ações ou Quotas de Outras Empresas
Outros Títulos e Valores Mobiliários
(-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado 
ATIVO NÃO CIRCULANTE 
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 
INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS A LONGO PRAZO
Aplicações Temporárias em Ouro 
Ações ou Quotas de Outras Empresas 
Depósitos e Aplicações com Incentivos Fiscais
Outros Títulos e Valores Mobiliários
(-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado
INVESTIMENTOS 
AVALIADOS PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO
Participações em Outras Empresas
Participações em Fundos de Investimentos com Incentivos Fiscais
(-) Provisão para Perdas Permanentes
 
OUTROS INVESTIMENTOS
Aplicações Permanentes em Ouro
(-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado
Imóveis de Renda
(-) Depreciação Acumulada
Obras de Arte
Os investimentos avaliados pelo custo de aquisição são aqueles 
investimentos simples que podem ser liquidados (transformados em dinheiro) 
mais facilmente. Segundo Ribeiro (2005, p. 61), “ [...] no método de custo não 
importa a geração efetiva dos lucros ou reservas, mas as datas e os atos formais 
de sua distribuição. Assim, deixam-se de reconhecer na empresa investidora os 
lucros e reservas gerados e não distribuídos”.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
109
2.1 PARTICIPAÇÕES EM OUTRAS EMPRESAS
As participações em outras empresas são avaliadas pelo método de custo 
no seguinte caso: quando a participação no capital votante da investida for 
inferior a 20% desde que não tenha influência significativa.
A influência significativa é conceituada de acordo com o Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis em seu Pronunciamento Técnico CPC 18 da seguinte 
forma:
Influência Significativa: é o poder de participar nas decisões financeiras e 
operacionais da investida, sem controlar de forma individual ou conjunta essas 
políticas.
Veja o que a Lei nº 11.638/2007 define sobre o termo influência significativa:
 Art. 243 [...]
§ 4º Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou 
exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional 
da investida, sem controlá-la.
§ 5º É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 
20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlá-la.
NOTA
Portanto, uma vez que não haja uma participação de 20% ou mais na investida 
e que não haja influência significativa, o investimento será avaliado pelo método de custo. 
A CVM, na Instrução nº 469, de 02/05/08 e nota explicativa, se pronunciou 
sobre o assunto:
A influência significativa introduzida pela nova redação do art. 248 da 
Lei nº 6.404, de 1976, é entendida pelas normas internacionais de contabilidade 
como o poder de participar nas decisões das políticas financeira e operacional 
da investida, sem, contudo, exercer o controle sobre tais políticas. São assim, 
evidências de influência significativa:
1) Participação nas suas deliberações sociais, inclusive com a existência de 
administradores comuns.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
110
2) Poder de eleger ou destituir um ou mais de seus administradores.
3) Volume relevante de transações, inclusive com o fornecimento de assistência 
técnica ou informações técnicas essenciais para as atividades da investidora.
4) Significativa dependência tecnológica e/ou econômico-financeira.
5) Recebimento permanente de informações contábeis detalhadas, bem como 
de planos de investimento.
6) Uso comum de recursos materiais, tecnológicos ou humanos.
NOTA
Mesmo que não haja participação em percentual na investida, desde que haja 
evidências de influência significativa, o investimento já não será avaliado pelo método de 
custo, mas, sim, pelo método de equivalência patrimonial.
2.2 NOTAS EXPLICATIVAS
A Lei nº 6.404/76, em seu art. 176, § 5º, inciso IV, alínea b, menciona a 
obrigatoriedade do uso de notas explicativas para investimentos em outras 
sociedades quando significativos. Dessa forma, somente os investimentos 
avaliados pelo método de custo não teriam, diretamente, necessidade de 
evidenciação em notas explicativas.
Entretanto, a própria Lei nº 6.404/76, sugere que sempre que uma 
informação puder contribuir à melhoria da compreensão das demonstrações 
contábeis da em presa, deverá ser adicionada em forma de notas.
Dessa maneira, conforme Ribeiro (2005), com objetivo de detalhar as con-
tas de investimentos (em outras sociedades, pelo mé todo de custo, e em outros 
investimentos), assim como as reversões de investimentos temporários para 
permanentes, recomenda-se o uso das notas explicativas.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
111
2.3 DIVIDENDOS OU LUCROS RECEBIDOS
Os dividendos recebidos nos investimentos avaliados pelo método de 
custo têm um tratamento diferenciado de acordo com o tempo de aplicação. Se 
o investimento der algum retorno antes de seis meses de aquisição das ações ou 
quotas, esse retorno deve ser creditado da própria conta investimento. Porém, 
se o investimento der algum retorno após seis meses de aquisição das ações ou 
quotas, esse retorno deve ser creditado em outras receitas operacionais. 
Veja o exemplo a seguir:
Em 01/02/2011, a empresa Sulform S/A aplicou $ 1.000 na empresa Magma 
S/A. Sabe-se que o investimento éavaliado pelo método de custo. Em 31/12/2011, a 
empresa Magma S/A anunciou a distribuição de dividendos aos seus investidores 
para ser pago somente em 31/03/2012, ou seja, somente três meses depois. 
Portanto, a empresa Sulform S/A terá o direito de receber a quantia de 
$ 100. Pergunta-se: de que forma a empresa Sulform S/A irá contabilizar esse 
ganho? Em que data?
Somente em 31/03/2012 a empresa Sulform S/A fará o seguinte lançamento:
 
Débito: Caixa $ 100
Credito: Outras Receitas Operacionais $ 100
NOTA
Note que nos investimentos avaliados pelo método de custo o reconhecimento 
da variação desses ocorre somente na data do efetivo recebimento do ganho. Perceba 
também que desde a data da aquisição do investimento (01/02/2011) até o reconhecimento 
do ganho (31/12/2012) já se passaram mais de seis meses.
Agora, suponha a seguinte situação: Em 01/02/2011, a empresa Sulform 
S/A aplicou $ 1.000 na empresa Magma S/A. Sabe-se que o investimento é 
avaliado pelo método de custo. Em 31/03/2011, a empresa Magma S/A anunciou 
a distribuição de dividendos aos seus investidores para serem pagos somente em 
30/06/2011, ou seja, somente três meses depois. 
Portanto, a empresa Sulform S/A terá o direito de receber a quantia de 
$ 100. Pergunta-se: de que forma a empresa Sulform S/A irá contabilizar esse 
ganho? Em que data?
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
112
Somente em 30/06/2011 a empresa Sulform S/A fará o seguinte lançamento:
Débito: Caixa $ 100
Credito: Investimento em Magma S/A $ 100
NOTA
Perceba que deste a data da aquisição do investimento (01/02/2011) até o 
reconhecimento do ganho (30/06/2011), passaram-se menos de seis meses. Por esse motivo, 
a empresa Sulform S/A não reconhecerá em sua Demonstração do Resultado do Exercício o 
ganho de $ 100, apenas dá entrada no caixa e baixará a própria conta investimento.
Nesse caso, uma vez que o reconhecimento do ganho se deu antes de seis 
meses, a empresa Sulform S/A passará a ter registrado em sua contabilidade um 
investimento na empresa Magma S/A de apenas $ 900.
3 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
O Método da Equivalência Patrimonial pode ser definido como método 
de atualização do investimento em controladas e coligadas e deve ser feito 
mensalmente, de acordo com o percentual de participação da investida na 
investidora sobre o patrimônio líquido da própria investida.
De acordo com o CPC 18 é o método de contabilização por meio do qual 
o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente ajustado 
pelo reconhecimento da participação atribuída ao investidor nas alterações dos 
ativos líquidos da investida. O resultado do período do investidor deve incluir a 
parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida.
Conforme Iudícibus et al. (2010), o conceito básico do método de 
equivalência patrimonial é fundamentado no fato de que o resultado e quaisquer 
outras variações patrimoniais da investida sejam reconhecidos na investidora no 
momento de sua geração na investida, independente dessa variação ser ou não 
distribuída.
Veja a seguir o exemplo de método de equivalência patrimonial com base 
no modelo de Ribeiro (2005):
Suponha-se que no Balanço Patrimonial da Empresa A, levantado em 
31/12/2009, conste no Ativo Não Circulante um investimento no valor de $ 240.000, 
no capital da Com panhia B. Vamos assumir que a participação de A no capital de 
B corresponda a 40%.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
113
Suponha-se, agora, que em 31/12/2010, no Balanço Patrimonial de B, 
constem as seguintes contas e valores:
Patrimônio Líquido
Capital 600.000
Reserva de lucros 300.000
Total 900.000
Portanto, ao apurar os seus resultados em 31/12/2010, a investidora 
(Empresa A) deverá atualizar o valor do seu investimento na investida (Empresa 
B), em decorrência da variação ocorrida no Patrimônio Líquido dessa, para que 
o valor do investimento constante do Ativo Não Circulante de A continue a 
equivaler a 40% do Patrimônio Líquido de B.
O cálculo para fins de atualização do investimento é simples: como a 
participação de A em B corresponde a 40% do capital de B, pode-se concluir então:
40% de $ 900.000 = $ 360.000
Esse valor encontrado, pela aplicação do percentual de participação no valor 
do Patrimônio Líquido de B, que foi igual a $ 360.000, corresponde ao valor atualizado 
do investimento de A em B, que deverá figurar no Balanço Patrimonial de A.
Para apurar o valor da variação:
Valor do Investimento Atualizado (40% do PL atual de B) 360.000
(-) Valor Original do Investimento (240.000)
= Valor da Correção 120.000
Contabilização:
D - Investimentos na Coligada B 120.000
C - Receitas de Participações Societárias 120.000
Essa contabilização de $ 120.000 corresponde à atualização do investimento 
de A em B de acordo com o método de equivalência patrimonial.
Note que a conta Investimentos foi debitada em $ 120.000, onde 
consequentemente aumentará seu saldo no Balanço da investidora em 31/12/2010, 
resultando num valor total de $ 360.000 que equivale a 40% do Patrimônio Líquido 
de B.
Já o crédito também no valor de $ 120.000 corresponde a uma receita 
de participação societária a ser reconhecida na demonstração de resultado do 
exercício como sendo outras receitas operacionais.
Se por acaso ocorrer prejuízo, ou seja, redução no valor do Patrimônio 
Líquido da investida, o registro contábil da atualização do Investimen to seria esse:
D - Despesas em Participações Societárias a Investimentos
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
114
C - Redução do Investimento que se processa pela aplicação do Método da 
Equivalência etc.
NOTA
Tanto o resultado positivo como o negativo de equivalência patrimonial que 
afetam o resultado da empresa não devem influenciar no cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez 
que no caso de receita deverá ser excluído e, no caso de despesa, deverá ser adicionado para 
o cálculo desses impostos. Também não afetarão o cálculo do PIS e COFINS. E na tributação 
das empresas optantes do Simples Nacional.
Esse resultado de equivalência patrimonial não será tributado na 
investidora pelo fato de já ser tributado originalmente na investida. 
De acordo com Ribeiro (2005), o procedimento normal das empresas, 
ao apurar o resultado do exercício, é efetuar os cálculos e a contabilização das 
destinações do Lucro Líquido do Exercício. Essas destinações, nas sociedades, 
por ações e nas cooperativas ficarão, respectivamente, sujeitas à aprovação 
dos acionistas e associados em assembleia a ser realizada após a apuração do 
resultado e elaboração das demonstra ções contábeis. 
Basicamente, as destinações do resultado do exercício são as seguintes:
 constituição de reservas (predefinidas ou não em estatuto);
 compensação de prejuízos acumulados, apurados em exercícios anteriores;
 aumento de capital;
 distribuição aos investidores.
Conforme a NBC T1, a constituição de reservas é, às vezes, já definida em 
estatuto ou por lei para dar à entidade e seus credores uma margem maior de 
proteção contra os efeitos de prejuízos que possam vir a acontecer. Outras reservas 
podem ser constituídas em atendimento a leis que concedam isenções ou reduções 
nos impostos a pagar quando são feitas transferências para tais reservas. A existência 
e o valor de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações que 
podem ser importantes para a tomada de decisão dos usuários. As transferências 
para tais reservas são apropriações de lucros acumulados, portanto não constituem 
despesas, uma vez que seus saldos são compostos porlucros já tributados.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
115
Das destinações apresentadas anteriormente somente a distribuição de 
lucros será configurada fora do patrimônio líquido da empresa, geralmente no 
passivo circulante. Portanto, as demais destinações apenas serão reconhecidas 
em outras contas, mas dentro do patrimônio líquido.
De acordo com Ribeiro (2005), é preciso, ao efetuar os cálculos para o fim 
de aplicar a avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, 
verificar se a investida efetuou a contabilização de lucros a distribuir, cujo valor 
deve ser adicionado ao PL da investida para fins de cálculo, uma vez que estes já 
estariam evidenciados no passivo circulante.
Quando então, nesses casos em que a investida já reconhece parte do 
resultado do exercício como uma obrigação a ser paga aos investidores, a 
investidora poderá optar em contabilizar a parte referente aos lucros a receber a 
débito da própria conta que registra o Investimento, ou a débito da conta Lucros 
a Receber, do Ativo Circulante, uma vez que já se conhece o valor distribuído.
 
A contabilização dessa opção poderia ser evidenciada por meio do 
exemplo anterior, em que a investidora reconheceu por meio de equivalência 
patrimonial um resultado positivo de $ 120.000, supondo que, desses $ 120.000 
de lucro, $ 40.000 seriam distribuídos como forma de dividendos. Então, a 
investidora poderia reconhecer essa variação do investimento por duas formas:
1 – Reconhecer integralmente o valor do investimento:
D – Investimentos na Coligada B 120.000
C – Receitas de Participações Societárias 120.000
 
Onde que, no momento da cobrança desses dividendos a receber faria o 
seguinte lançamento:
D – Caixa/Bancos 40.000
C – Investimentos na Coligada B 40.000
2 – Reconhecer parcialmente o valor do investimento e já reconhecer o valor dos 
dividendos a receber:
D – Investimentos na Coligada B 80.000
D – Dividendos a Receber 40.000
C – Receitas de Participações Societárias 120.000
Em que, no momento da cobrança desses dividendos a receber faria o 
seguinte lançamento:
D – Caixa/Bancos 40.000
C – Dividendos a Receber 40.000
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
116
NOTA
Toda a vez que se paga ao investidor o resultado obtido pelo investimento, tal 
investimento se descapitaliza. Note nos exemplos que o reconhecimento de dividendos a 
receber ou seu pagamento reduzem o valor do investimento.
3.1 ASPECTOS LEGAIS
Os principais documentos que tratam da avaliação de investimentos pelo 
Método da Equivalência Patrimonial são:
 art. 248 da Lei n° 11.638/2007;
 art. 384 a 391 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99); e art. 1º a 20 da 
INSTRUÇÃO CVM nº 247, de 27 de março de 1996;
 Pronunciamento Técnico CPC 18 – Investimento em Controlada e Coligada.
3.2 MÉTODO DO CUSTO X MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA
Tanto o método de custo como o método de equivalência são utilizados 
para registrar investimentos no capital de outras empresas. Conforme enunciado 
na Lei 11.638/2007, no método de equivalência os investimentos serão registrados 
da seguinte forma:
Art. 248 No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas 
sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe 
com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em 
outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle 
comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo 
com as seguintes normas:
I – o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado 
com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, 
com observância das normas desta lei, na mesma data, ou até sessenta dias, 
no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio 
líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de 
negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, 
ou por ela controladas;
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
117
II – o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o 
valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de 
participação no capital da coligada ou controlada;
III – a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e 
o custo de aquisição corrigido monetariamente, somente será registrada como 
resultado do exercício:
a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada;
b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; se no caso 
de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão 
de Valores Mobiliários.
§ 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste 
artigo, serão computados como parte do curso de aquisição os saldos de 
créditos da companhia contra as coligadas e controladas.
§ 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá 
elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I.
Porém, conforme enunciado na Lei nº 11.638/2007, os demais valores do 
ativo serão registrados da seguinte forma:
Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes 
critérios:
[...]
b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme 
disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização.
Assim, Ribeiro (2005, p. 95) comenta que:
A grande vantagem da aplicação do Método da Equivalência 
Patrimonial, princi palmente para aqueles que aplicam recursos 
financeiros no mercado de capitais, por intermédio das Bolsas de 
Valores ou diretamente na subscrição de capital de outras empresas, 
está no reconhecimento dos resultados auferidos pelas investidas, no 
mo mento em que eles são apurados, passando a integrar os resultados 
da investidora, independentemente de ocorrer ou não a distribuição 
de dividendos pelas investidas. 
Dessa forma, nos investimentos avaliados pelo método de custo os 
resultados obtidos pela variação destes somente serão reconhecidos pela 
investidora em sua Demonstração do Resultado do Exercício por ocasião da 
distribuição e/ou do recebimento dos dividendos. 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
118
Por sua vez, nos investimentos avaliados pelo método de equivalência 
patrimonial, os resultados obtidos pela variação destes investimentos serão 
reconhecidos pela investidora em sua Demonstração do Resultado do Exercício 
por ocasião da variação ocorrida no Patrimônio Líquido das empresas investidas, 
mantendo constantemente o valor dos investimentos equivalentes ao percentual 
de participação no capital das empresas controladas, coligadas e de suas 
equiparadas.
3.3 QUEM DEVE APLICAR A EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
Indiferente da forma de tributação, lucro presumido, lucro real ou simples 
nacional, e de sua natureza societária, Limitada ou Sociedade por Ações, todas as 
empresas devem aplicar o método de equivalência patrimonial, desde que possuírem 
influência significativa ou possuírem investimentos em coligadas ou controladas.
NOTA
As empresas que possuírem, na data do balanço, investimentos permanentes 
em coligadas, suas equiparadas e em controladas, ou com influência significativa, localizadas 
no país e no exterior devem aplicar o método de equivalência patrimonial.
Ribeiro (2005) comenta que, para saber quais Investimentos estarão 
sujeitos à avaliação pelo MEP, é preciso inicialmente conhecer o que são empresascoligadas, quais empresas são equiparadas às coligadas, o que são em presas 
controladas, o que significa influência significativa, além de outros conceitos.
As sociedades que estejam sob controle comum também são obrigadas a 
atualizar seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial. De acordo 
com Perez e Oliveira (2010), o controle comum está diretamente relacionado 
à essência econômica da entidade contábil e, como tal, deve ser entendida. A 
dimensão econômica da entidade é delimitada como o conjunto de entes, ainda 
que juridicamente distintos, que estejam em um mesmo grupo ou que seu controle 
seja exercido por um mesmo ente ou conjunto de entes. Veja o exemplo a seguir:
1) A companhia XYZ controla as companhias A, B e C.
2) A companhia A é uma companhia aberta e participa com 5% (indiferente a 
participação aqui) do capital votante das companhias B e C.
3) Assim, a companhia A avaliará os investimentos em B e C pelo método da 
equivalência patrimonial, já que todas estão sob o controle comum de XYZ.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
119
3.3.1 Coligadas
São coligadas as sociedades quando uma participa, com 20% ou mais, do 
capital votante da outra, sem controlá-la ou quando haja influência significativa.
Lembrando que o conceito de influência significativa foi explanado no 
item 2.1 desta unidade.
O CPC 18 define o termo coligada como sendo uma entidade, incluindo 
aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma parceria, sobre a qual 
o investidor tem influência significativa e que não se configura como controlada ou 
participação em empreendimento sob controle conjunto (joint venture).
Pode acontecer que em determinado período, a participação na investida 
fique em menos do que 20%. Esse fato geralmente ocorre pelos seguintes motivos:
1 – aumento do valor do patrimônio líquido da investida decorrente da chamada 
de capital sem que a investidora subscreva o aumento;
2 – redução do valor contábil do investimento.
Nesses casos, conforme Ribeiro (2005), as empresas deverão observar a 
Instrução CVM, que deter mina expressamente que elas continuarão avaliando 
aqueles investimentos pelo método da equivalência, quando a sua redução não 
for de caráter permanente. Caso a redução seja de caráter permanente não haveria 
mais a necessidade de avaliar o investimento por equivalência patrimonial.
3.3.2 Equiparadas às coligadas
São equiparadas às coligadas quando uma participa indiretamente com 
20% ou mais do capital votante da outra, sem controlá-la, por exemplo:
A empresa A possui uma participação de 80% da empresa B. Por sua vez, 
a empresa B possui uma participação de 30% na empresa C sem controlá-la.
Logo, pode-se concluir que: 
 A é controladora de B, uma vez que possui 80% dessa (participação direta); 
 C é coligada de B, uma vez que B possui uma participação de 30% na empresa 
C sem controlá-la. (Participação direta);
 C é equiparada a coligada de A, uma vez que A possui uma participação de 
80% em B e B possui uma participação de 30% na empresa C sem controlá-
la; logo, A participa indiretamente de C em 24% (80% x 30%) (Participação 
indireta).
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
120
Note que o resultado de participação indireta foi de 24%. Se o resultado 
fosse abaixo de 20% seria um investimento simples, avaliado pelo método de custo.
UNI
A participação no capital votante pode ser direta ou indiretamente através de 
participações em outras empresas.
3.3.3 Controladas
De acordo com o CPC 18, considera-se controlada a entidade, incluindo 
aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma parceria, na 
qual a controladora, diretamente ou por meio de outras controladas, é titular de 
direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas 
deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.
Pode-se dizer também que são controladas: as subsidiárias integrais, 
as filiais, agências, sucursais, dependências ou escritórios de representação no 
exterior, sempre que os respectivos ativos e passivos não estejam incluídos na 
contabilidade da investidora, por força de normatização específica.
3.3.4 Variações no patrimônio líquido da investida
Sempre quando o investimento for avaliado pelo método de equivalência 
patrimonial é preciso analisar as variações ocorridas no patrimônio líquido total 
da investida, mesmo que a participação seja pelo capital votante.
As variações no patrimônio líquido podem ocorrer por diversos motivos, 
para mais ou para menos. Dentre os principais, destacam-se:
a) redução decorrente de: 
 prejuízos apurados pela empresa;
 ajustes de exercícios anteriores;
 retirada de sócios, acionistas ou associados;
 distribuição de lucros ou sobras;
 ajustes de avaliação patrimonial.
b) aumento decorrente de: 
 lucros apurados pela empresa;
 ajustes de exercícios anteriores;
 entrada de sócios, acionistas ou associados;
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
121
 reavaliações;
 ajustes de avaliação patrimonial.
As variações do patrimônio líquido na investida refletem contabilmente na 
investidora em seu ativo no grupo investimentos e na demonstração do resultado 
do exercício em outras receitas ou despesas operacionais.
Quando as variações no patrimônio líquido da investida decorrem de 
ajustes de avaliação patrimonial ou reavaliações, tais variações deverão ser 
registradas no grupo investimentos também, porém, numa conta específica 
denominada ágio ou deságio, que será reconhecida logo abaixo da conta 
investimentos. Veja o modelo a seguir:
ATIVO
ATIVO NÃO CIRCULANTE 
INVESTIMENTOS 
AVALIADOS PELO MEP
Investimento em empresa X
Ágio por reavaliação em empresa X 
Ágio por ajuste de avaliação patrimonial em empresa X 
(-) Deságio por ajuste de avaliação patrimonial em empresa X
3.4 AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS COM ÁGIO OU 
DESÁGIO
Quando na aquisição de investimentos o valor pago difere do valor apurado 
por equivalência patrimonial, então se entende que há a figura do ágio ou deságio.
 
O valor pago pode ser considerado o custo de aquisição e, por sua vez, 
a equivalência patrimonial, como já visto nesta unidade, pode ser considerada 
como sendo o percentual de participação da investida na investidora sobre o 
patrimônio líquido da própria investida.
Para fins contábeis, a Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu art. 13, 
descreve o seguinte:
Art. 13 Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em 
coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse 
desdobramento contabilizados em subcontas separadas: 
I – equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas 
nos termos do art. 10; e 
II – ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença 
para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do 
investimento e a equivalência.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
122
Assim, o valor da equivalência patrimonial deve recair numa conta 
específica denominada Investimento, no grupo Investimentos, Ativo Não 
Circulante. Já as contas de ágio ou deságio devem ser contabilizadas em contas 
específicas, denominadas Ágio ou Deságio, mas também no grupo Investimentos, 
Ativo Não Circulante. Veja o exemplo a seguir, como base no modelo de Ribeiro 
(2005):
A investidora Alfa adquiriu 60% das ações representativas do capital da 
investida Beta, a fim de controlá-la. Vamos assumir que a venda tenha sido fixada 
em função do Valor Patrimonial Contábil das ações, acrescido de ágio calculado 
pela diferençaentre o valor de mercado e o valor líquido contábil dos bens do 
Ativo Imobilizado da investida.
 
O Patrimônio Líquido da investida, na data da transação estava assim 
evidenciado:
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital 200.000
Reservas de lucros 20.000
Total 220.000
Porém, a diferença entre o valor de mercado e o valor líquido contábil dos 
bens do ativo imobilizado foi igual a $ 60.000.
Portanto, o valor patrimonial apurado contábil das ações:
Patrimônio Líquido da investida 220.000
(+) Diferença entre o valor de mercado
e o valor líquido contábil do Imobilizado 60.000
Patrimônio Líquido ajustado 280.000
Calculando a equivalência patrimonial: 60% de $ 280.000 = $ 168.000
Portanto, as ações representativas de 60% do capital da investida Beta 
foram vendidas para a investidora Alfa por $ 168.000.
 
Perceba que o valor do patrimônio líquido da investida Beta aumentou em 
$ 60.000 decorrente a valorização de seus bens no ativo imobilizado que estavam 
subavaliados.
 
Entretanto, essa valorização não ocorreu de fato nos registros contábeis, 
ou seja, foi apenas um levantamento gerencial, sem lançar débitos e créditos, 
porém, a investida Beta sabe que seus bens do imobilizado estariam valendo $ 
60.000 a mais e, por isso, seu patrimônio líquido numa negociação poderia ser 
acrescido desse valor.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
123
NOTA
Atualmente, de acordo com a Lei 11.638/2007, por se tratar de uma reorganização 
societária, nada impediria que a empresa Beta reconhecesse de fato essa valorização em sua 
contabilidade financeira, registrando os débitos e créditos necessários.
Pois bem, uma vez que a investidora Alfa adquiriu 60% das ações 
representativas da empresa Beta, serão necessários os seguintes lançamentos 
para o registro contábil na investidora Alfa:
Crédito Bancos Conta Movimento 168.000 (valor total pago)
Débito Participação na Controlada Beta 132.000 *
Débito Ágio por Diferença de Valor de Mercado 36.000
* (valor registrado por equivalência patrimonial, ou seja, $ 220.000 x 60%).
Veja como o investimento será apresentado no Balanço Patrimonial da 
Investidora:
ATIVO NÃO CIRCULANTE
INVESTIMENTOS
AVALIADOS PELA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
Participação na empresa Beta 132.000
(+) Ágio por Diferença de Valor de Mercado 36.000
Total 168.000
Porém, suponha-se que a investidora tenha pagado, pelo mesmo 
investimento, a importância de $ 100.000 ao invés de $ 168.000, então os lançamentos 
contábeis seriam assim registrados:
Crédito Bancos Conta Movimento 100.000 (valor total pago)
Débito Participação na Controlada Beta 132.000 *
Crédito Deságio por Diferença de Valor de Mercado 32.000
Veja como o Investimento seria então apresentado no Balanço Patrimonial da 
Investidora:
ATIVO NÃO CIRCULANTE
INVESTIMENTOS
AVALIADOS PELA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
Participação na empresa Beta 132.000
(-) Deságio por Diferença de Valor de Mercado 32.000
Total 100.000
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
124
Em relação a esse exemplo é preciso destacar que:
 as contas que registram o ágio são de natureza devedora;
 as contas que registram o deságio são de natureza credora, ou seja, são contas 
retificadoras do ativo;
 indiferente se a empresa tenha pago com ágio ou deságio, o valor do investimento 
será registrado pela equivalência patrimonial, portanto, indiferente do valor 
pago.
Quanto à figura do ágio e deságio, Ribeiro (2005, p. 116) pontua que
[...] cabe salientar que no momento em que a investidora aplicar 
recursos no capital de outras empresas (aquisição, quando adquire 
ações de empresa já existente, ou subscrição, quando constitui nova 
empresa ou subscreve aumento de capital em empresa já existente), 
poderá ou não ocorrer ágio ou deságio. Um exemplo de aplicação 
sem ágio ou deságio ocorre quando a investidora constitui sozinha 
ou com outras empresas o capital de uma coligada e/ou controlada. 
Nesse caso, no momento da constituição do capital subscrito pela 
investidora, não haverá variação entre o valor investido e o valor do 
Patrimônio Líquido da investida.
Nos demais casos, que não sejam constituição de empresas, mas, sim, 
aquisições de coligadas e/ou controladas, será necessário calcular a equivalência 
patrimonial para o possível registro do ágio ou deságio.
3.4.1 Fundamento econômico do ágio e do deságio
A Instrução 247/1996 da CVM, em seu art. 14, descreve o seguinte: 
Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição 
do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento 
econômico que o determinou.
Os dois fundamentos econômicos que fundamentam o ágio ou deságio 
são esses:
a) Diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de ativos da investida. Esse 
fundamento refere-se à diferença a maior ou a menor entre o valor de mercado 
e o valor líquido contábil dos bens do Ativo Circulante ou Não Circulante. 
b) Diferença entre o valor pago e o valor de mercado dos ativos da investida. Esse 
fundamento refere-se à expectativa de ganhos futuros sobre a investida, ou 
seja, os possíveis lucros projetados.
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
125
Ribeiro (2005) destaca que a conta de Investimento deve ser detalhada em 
notas explicativas quanto aos seus três componentes (se existirem): 
 valor patrimonial da participação da controladora no valor contábil do 
patrimônio líquido da controlada adquirida, ou seja, o valor do investimento 
por equivalência patrimonial;
 valor da mais-valia dos ativos líquidos adquiridos atribuída à controladora, ou 
seja, o fundamento “a”;
 e ágio por rentabilidade futura (goodwill) atribuído à controladora, ou seja, o 
fundamento “b”.
NOTA
O ágio só é classificado no subgrupo de intangíveis no balanço consolidado, 
conforme NBC T19.8 – Ativo Intangível, nunca no balanço individual, onde permanece no 
subgrupo de Investimentos.
3.4.2 Amortização do ágio e deságio
A amortização do ágio e deságio acontecerá de acordo com o fundamento 
econômico que os originaram. A Instrução 247/1996 da CVM, em seu art. 14, 
descreve o seguinte quanto ao fundamento “a”:
§ 1º O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de 
parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor 
contábil, deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado 
na coligada e controlada, por depreciação, amortização, exaustão ou baixa em 
decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento.
 
Portanto, nesse caso, se os bens que originam o ágio ou deságio tiverem 
uma vida útil de 120 meses, tanto o ágio como o deságio será amortizado também 
em 120 meses. Porém, se caso tais bens fossem vendidos, a baixa do ágio ou 
deságio se daria totalmente pela data da venda dos referidos bens.
Já quanto ao fundamento “b”, a Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu 
art. 14, descreve o seguinte:
§ 2º O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição 
do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou 
controlada, deverá ser amortizado da seguinte forma. 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
126
a) o ágio ou o deságio decorrente de expectativa de resultado futuro no prazo, 
extensão e proporção dos resultados projetados, ou pela baixa por alienação 
ou perecimento do investimento,devendo os resultados projetados serem 
objeto de verificação anual, a fim de que sejam revisados os critérios utilizados 
para amortização ou registrada a baixa integral do ágio.
 
Portanto, o ágio ou o deságio decorrente de expectativa de resultado futuro 
deve ser amortizado conforme esse resultado for acontecendo. Por exemplo, se a 
investidora projetar um resultado futuro de 8 anos, o ágio ou deságio deverá ser 
amortizado em até 96 meses.
b) o ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou 
permissão delegadas pelo Poder Público no prazo estimado ou contratado 
de utilização, de vigência ou de perda de substância econômica, ou pela 
baixa por alienação ou perecimento do investimento.
§ 3º O prazo máximo para amortização do ágio previsto na letra “a” do 
parágrafo anterior não poderá exceder a dez anos; 
§ 4º Quando houver deságio não justificado pelos fundamentos econômicos 
previstos nos parágrafos 1º e 2º, a sua amortização somente poderá ser 
contabilizada em caso de baixa por alienação ou perecimento do investimento.
Portanto, no caso do deságio não justificado, este ficará registrado na 
investidora até que a mesma se desfaça do investimento na investida.
§ 5º O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos, previstos nos 
parágrafos 1º e 2º, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no 
resultado do exercício, esclarecendo-se em nota explicativa as razões da sua 
existência.
Já o ágio não justificado deve ser reconhecido como perda, ao contrário 
que acontece com o deságio não justificado, uma vez que esse ficaria registrado 
no ativo.
Ribeiro (2005, p. 119) destaca que
E importante salientar, também, que a conta que registra o Ágio é de 
natureza deve dora, gerando, portanto, no momento da amortização, 
uma despesa para a investidora, despesa essa integrante do grupo 
das “Outras Despesas Operacionais”, subgrupo “Des pesas com 
Participações Societárias”, podendo ser intitulada de “Amortização 
de ágios”. Porém, observe que a conta que registra o Deságio é de 
natureza credora, logo, sua amortização gerará para a investidora 
uma receita que também deve ser contabilizada conta do grupo das 
“Outras Receitas Operacionais”, subgrupo “Receitas de Participações 
Societárias”, podendo ser intitulada de “Amortização de Deságios”. 
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
127
Essas contas explicam o porquê do registro do ágio não justificado como 
perda e do deságio não justificado como ativo. O ágio representa uma perda, uma 
despesa, o deságio, representa um ganho, uma receita. Assim, contabilmente, é 
necessário o mínimo de conservadorismo, ou seja, é preciso antecipar as perdas, 
mas não os lucros.
3.5 LUCRO OU PREJUÍZO NÃO REALIZADO
Geralmente entre investidoras e investidas ocorrem transações de 
compra e venda de ativos, tais como: mercadorias, investimentos, bens do ativo 
imobilizado etc. Nessas operações é comum a geração de lucro ou prejuízo, que 
podem ser considerados como lucros ou prejuízos não realizados.
A Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu art. 9, descreve o seguinte:
Art. 9º O valor do investimento, pelo método da equivalência patrimonial, será 
obtido mediante o seguinte cálculo:
I – Aplicando-se a porcentagem de participação no capital social sobre o valor 
do patrimônio líquido da coligada e da controlada; e
II – Subtraindo-se, do montante de lucros não realizados. 
§1º Para os efeitos do inciso II deste artigo, serão considerados lucros não 
realizados aqueles decorrentes de negócios com a investidora ou com outras 
coligadas e controladas, quando:
a) o lucro estiver incluído no resultado de uma coligada e controlada e 
correspondido por inclusão no custo de aquisição de ativos de qualquer 
natureza no balanço patrimonial da investidora; ou
b) o lucro estiver incluído no resultado de uma coligada e controlada e 
correspondido por inclusão no custo de aquisição de ativos de qualquer 
natureza no balanço patrimonial de outras coligadas e controladas.
ESTUDOS FU
TUROS
A definição de lucros ou prejuízos não realizados será também analisada na 
Unidade 3. No tópico em que envolvemos a Consolidação das Demonstrações Contábeis fica 
mais fácil de compreender a figura dos lucros não realizados quanto se trata de consolidação.
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
128
Considere o seguinte exemplo: a investida Albatroz vendeu mercadorias 
por $ 100 a sua investidora Almeida. Sabe-se que a mercadoria custou para a 
investida o valor de $ 70, portanto, gerando um lucro na operação de $ 30. Esse 
lucro de $ 30 pode ser considerado um lucro não realizado, uma vez que foi uma 
transação inter companhias e que deve ser excluído do processo de equivalência 
patrimonial. Considere ainda que:
Resultado da investida no exercício (resultado na DRE) $ 200
Participação da investidora no capital social da investida 40%
Equivalência patrimonial antes do ajuste em decorrência de lucros não
 realizados
$ 80
Menos: lucro não realizado de operações intercompanhias ($ 30)
Resultado da equivalência patrimonial registrado como receita $ 50
Perceba que 100% dos lucros não realizados foram expurgados do 
cálculo de equivalência patrimonial, mesmo que a participação da investidora na 
investida seja de apenas 30%. Esse procedimento se faz necessário uma vez que 
100% do lucro de $ 30 foi intercompanhias.
Porém, caso a investidora venha a revender tais mercadorias a terceiros, 
então não haveria mais lucros não realizados, mas, sim, apenas lucros realizados, 
uma vez que tais mercadorias já não estariam sob propriedade da investidora.
 
Para um melhor entendimento de tal conceito, Perez e Oliveira (2010, p. 50) 
comentam “[...] que as diversas empresas que constituem um grupo econômico 
devem ser vistas como se fossem uma ‘única entidade’, sendo impor tante, portanto, 
considerar somente os resultados efetivamente realizados nas operações comerciais 
com terceiros, ou seja, com as empresas que não pertençam ao grupo”.
Perez e Oliveira (2010, p. 57) apresentam o seguinte exemplo de lucros 
não realizados:
A controlada B vendeu à investidora A, durante o exercício de 2011, o total 
de $ 3.000 de matérias-primas, as quais custaram $ 1.700. Consequentemente, 
a controlada B registrou:
$
Vendas no exercício 3.000
(-) Custo das vendas, incluindo os tributos (1.700)
Lucro - Margem de 43,3% das vendas 1.300
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
129
A investidora A, por ocasião do encerramento do exercício, constatou 
que do total das compras de $ 3.000, permaneciam em estoques, como matérias-
primas, produtos em elaboração ou incorporadas aos produtos acabados, o 
saldo de $ 400. Com base nessas informações, o lucro final da controlada B 
deve ser ajustado em $ 173,20, correspondente ao lucro não realizado, obtido 
da seguinte maneira:
Saldo das matérias-primas adquiridas da controlada $ 400
Margem de rentabilidade da controlada 43,3%
Lucro não realizado $ 173,20
UNI
Caro/a acadêmico/a! Para aprofundar os seus conteúdos, sugerimos a Leitura 
Complementar do texto a seguir de parte do Artigo de Ariovaldo dos Santos (2007), 
originalmente publicado no sexto Congresso USP de Controladoria e Contabilidade 2006. A 
partir dele, você compreenderá um pouco mais sobre o surgimento dos juros sobre capital 
próprio no Brasil.
LEITURA COMPLEMENTAR
QUEM ESTÁ PAGANDO JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO NO BRASIL?
1994 foi um ano em que mais um plano econômico foi colocado em prática. 
Tratava-se do Plano Real que, ao contrário dos outros planos implantados a partir 
dos anos oitenta, não vinha com congelamentos de preços, tablitas, confiscos de 
contas correntes e poupanças,controle de preços etc. Sua implantação foi realizada 
em duas fases distintas. A primeira delas ocorreu com a criação da Unidade Real 
de Valor – URV a partir de março. Nessa fase, todos os valores da economia e 
dos contratos que estavam em vigor naquele instante foram transformados nesse 
novo índice da economia. Convém lembrar que a URV não era uma nova moeda, 
mas, sim, uma espécie de índice que foi utilizado como conversor da moeda.
A segunda fase do Plano Real veio com a transformação da moeda e 
isso ocorreu em julho de 1994. Independentemente das análises, contrárias ou 
favoráveis, que se possa fazer dos resultados deste plano, uma coisa é indiscutível: 
nossos níveis de inflação tiveram reduções bastante significativas e muito mais 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
130
duradouras do que os atingidos em planos anteriores. Em junho de 1994, a taxa 
de inflação mensal chegava à casa dos 50%, enquanto no segundo semestre desse 
ano a média mensal foi de 2,9%. Outro dado que não pode ser esquecido é que 
essa variação de preços do segundo semestre de 1994 estava contaminada por 
parte das variações de preços de maio e junho, refletidas somente nos meses 
subsequentes. Isso significa que o país voltava a experimentar taxas de inflação 
que havia vivido no final dos anos 1960 e início dos anos 1970. No primeiro 
semestre de 1995, esse índice médio mensal foi de 1,7%. Óbvio que um índice de 
1,7% de inflação mensal pode ser considerado extremamente alto, mas para um 
país que tinha vivido os últimos 25 anos com taxas médias sempre muito mais 
elevadas do que essa, os resultados podiam ser considerados como muito bons.
A lógica central do Plano Real fundamentou-se no ataque ao que se 
convencionou chamar de inflação inercial e proibiu as atualizações monetárias 
automáticas de todos os tipos de contratos, inclusive os de aluguéis e de trabalho. 
Após mais de uma década de sua implantação, o Plano Real demonstrou ser 
bastante eficaz no combate à inflação. Porém, deve-se ressalvar que, mesmo com 
todos os méritos que o Plano Real possa ter demonstrado, uma coisa é certa, a 
inflação foi bastante reduzida, mas não eliminada. 
Em 31 de agosto de 1995, o Ministro da Fazenda encaminhou a Exposição de 
Motivos no 325/MF relativa a Projeto de Lei que, posteriormente, foi transformada 
na Lei nº 9.249/95. O item 2 da referida Exposição de Motivos afirma:
A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as 
vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos 
diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas jurídicas, 
ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os 
rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no 
País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de 
Estabilização Econômica.
Mesmo não tendo eliminado completamente o processo inflacionário, 
em dezembro de 1995, com o objetivo de suprimir de vez a cultura da memória 
inflacionária, foi editada a Lei 9.249, com vigência a partir de janeiro de 1996, que 
em seus arts. 4º e 5º determina:
Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras 
de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei nº 8.200, de 
28 de junho de 1991.
Parágrafo único. Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção 
monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários.
Como se percebe do texto legal, a proibição de utilização de sistemas 
que possam considerar os efeitos da inflação não é restrita a aspectos fiscais, 
mas inclui também os aspectos societários. Isso significa que a perda do poder 
de compra da moeda não só não deve ser considerada no cálculo dos impostos 
TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
131
(imposto de renda da pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro), como 
também para efeito dos dividendos. Dessa forma, a legislação impediu qualquer 
possibilidade de as empresas buscarem, através de suas assembleias de acionistas, 
mecanismos legais para cálculo e pagamento de dividendos a partir de resultados 
que considerem os efeitos da perda de poder aquisitivo da moeda.
Outra grande novidade, do ponto de vista fiscal, incluída nessa Lei nº 
9.249/95, foi a criação da possibilidade de as empresas passarem a remunerar, 
através do pagamento de juros, como despesas dedutíveis para o cálculo do 
imposto de renda e da contribuição social, o capital dos acionistas. A faculdade 
desse pagamento está prevista no art. 9º que prevê:
A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os 
juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a título 
de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio 
líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – 
TJLP.
Na fundamentação para a introdução dessa nova forma de remunerar 
o acionista, o Ministro da Fazenda, no item 10 de sua Exposição de Motivos, 
justificou: 
“Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos 
do capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio 
investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos ao 
acionista, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”. 
(BRASIL, Lei nº 9.430). 
Deve-se ressalvar que, apesar de sua difusão no Brasil ter acontecido a 
partir da Lei nº 9.249/95, a figura dos juros sobre o Capital no Brasil já havia sido 
incluída na Lei nº 6.404/76. Referida Lei, em seu art. 179, prevê o seguinte:
As contas serão classificadas do seguinte modo:
I – [...]
V – no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão 
para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros 
pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das 
operações sociais. 
Como se pode perceber desse texto legal, a permissão para a contabilização 
de remuneração atribuída aos acionistas a título de juros estava restrita aos valores 
pagos no período que antecedesse ao início das operações. Tal possibilidade 
acabava por abranger apenas investimentos que tivessem prazos de maturação 
mais longos e isso, praticamente, restringia a utilização desses “juros” às 
UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS
132
empresas concessionárias de serviços públicos, mais especificamente aquelas que 
desenvolviam suas operações nas aéreas de energia elétrica, saneamento básico e 
telecomunicações.
Em trabalho publicado sobre a história dos juros sobre o capital próprio, 
quando da apresentação de suas conclusões, Martins afirma:
A figura dos juros sobre o Capital Próprio veio para tentar reduzir uma 
iniquidade fiscal muito séria criada com a extinção da correção monetária dos 
balanços. Não se trata de uma benesse ou de uma liberalidade gratuita por parte 
do Governo, mas de uma tentativa (razoavelmente bem sucedida, reconheça-se) 
de redução dessa iniquidade comentada. (MARTINS, 2004, p. 6).
FONTE: Adaptado de: SANTOS, Ariovaldo dos. Quem está pagando juros sobre capital próprio 
no Brasil? Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/30anos/ariovaldo_
pg33a44.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2011.
133
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, analisamos a avaliação de investimentos simples os quais 
são avaliados contabilmente pelo método de custo. Analisaremos também os 
investimentos permanentes, avaliados contabilmente pelo método de equivalência 
patrimonial.
Conhecemos as principais diferenças entre sociedades coligadas, 
controladas e controladoras, além da figura do ágio e deságioem sua 
fundamentação pela aquisição de investimentos.
Vimos a relação da influência significativa conforme enunciado pela Lei 
nº 11.638/2007, além da obrigatoriedade ou não da equivalência patrimonial.
134
AUTOATIVIDADE
1 A Companhia Investidora ABC adquire ações da investida DEF. O investimento 
é significativo e realizado em empresa controlada. Sabe-se que o Patrimônio 
Líquido da investida é de R$ 800.000,00 e que a Investidora ABC adquire 60% 
de suas ações, pagando à vista R$ 500.000,00. O lança mento correto do fato 
acima na investidora será:
a) ( ) D – Investimento em Controladas
 C – Caixa 500.000,00
b) ( ) D – Investimentos em Controladas
 C – Caixa 480.000,00
c) ( ) C – Caixa 500.000,00
 D – Investimentos em Controladas 480.000,00 
 D – Ágio em Investimentos 20.000,00
d) ( ) C – Investimentos em Controladas 500.000,00
 D – Caixa 480.000,00
 C – Deságio em Investimentos 20.000,00
2 A controladora Cia. Andressa possui 60% do Capital votante de uma empresa 
con trolada. O investimento está registrado na contabilidade da investidora por 
R$ 3.000,00. Se o patrimônio líquido da investida estiver representado por:
Capital Social
Reservas
Prejuízos acumulados
R$ 3.000,00 
R$ 2.000,00 
R$ (1.000,00)
Total R$ 4.000,00
O lançamento contábil da Equivalência na investidora será: 
a) ( ) D – investimentos em Coligadas e Controladas
 C – Ganhos de Investimentos 600,00
b) ( ) D – Resultado Negativo na Equivalência Patrimonial
 C – Investimento em Coligadas e Controladas 600,00
c) ( ) D – Investimento em Coligadas e Controladas
 C – Perdas de Investimentos 600,00
d) ( ) D – Investimentos em Coligadas e Controladas
 C – Resultado Positivo na Equivalência Patrimonial 600,00
135
3 Na Cia. Clélia, cujo exercício social coincide com o ano-calendário, o 
Balancete de Verificação em 31/12/X1, antes da avaliação dos investimen tos 
significativos e influentes, apresentava, entre outros, os seguintes saldos:
Investimentos Significativos em Controladas: R$ 
Companhia Isa 180.000,00 
Companhia Cláudia 120.000,00
Os Patrimônios Líquidos das empresas controladas, cujos exercícios 
sociais também coincidem com o ano-calendário, totalizavam, nos Ba lanços 
Patrimoniais levantados em 31/12/X1, respectivamente R$ 350.000,00 e R$ 
200.000,00, ambos positivos. Informações adicionais:
 as empresas controladas não distribuíram dividendos no ano-base de X1;
 os saldos indicados no Balancete de Verificação citado são idênticos ao do 
Balanço Patrimonial de 31/12/X0;
 Participações da investidora no Capital Votante das Controladas em 31/12/
X0 e 31/12/X1:
 Companhia Isa 60%
 Companhia Cláudia 70%
A contabilização correta, a ser efetuada em 31/12/X1, pela investidora é:
a) ( ) D – Resultado Positivo na Equivalência Patrimonial 50.000,00
 C – Participação na Cia. Isa 30.000,00
 C – Participação na Cia. Cláudia 20.000,00;
b) ( ) C – Resultado Negativo em Participações Societárias 250.000,00
 D – Participação na Cia. Isa 170.000,00
 D – Participação na Cia. Cláudia 80.000,00;
c) ( ) C – Resultado Positivo em Participações Societárias 50.000,00
 D – Participação na Cia. Isa 30.000,00
 D – Participação na Cia. Cláudia 20.000,00;
d) ( ) C – Resultado Negativo em Participações Societárias 50.000,00
 D – Participação na Cia. Isa 20.000,00
 D – Participação na Cia. Cláudia 30.000,00.
Utilize as informações a seguir para responder às questões de nº 7 a 10:
No início do exercício, a Cia. Investidora adquiriu 30% do Capital 
Votante da Cia. Investida, que era representado unicamente pela Conta Capital, 
no valor de R$ 300 mil, sabendo-se que:
 a aquisição foi realizada por R$ 90 mil;
 que a Cia. Investida é coligada da Investidora e este investimento é 
considerado significativo;
 que o Lucro Líquido do período da Investida foi de R$ 100 mil.
136
4 Pode-se indicar por quanto estará avaliado o investimento no Balanço 
Patrimonial da Cia. Investidora, no final do período (em R$ mil):
a) ( ) 150 
b) ( ) 120 
c) ( ) 90 
d) ( ) 60 
5 Na Demonstração do Resultado do Exercício da Cia. Investidora, aparecerá, 
como Resultado de Equivalência Patrimonial, uma receita (em R$) de 
(considerados os dados da questão anterior):
a) ( ) 30 mil 
b) ( ) 60 mil 
c) ( ) 100 mil 
d) ( ) 200 mil
6 Se após os lançamentos contábeis de ajustes do Investimento na Cia. 
Investidora, a Cia. Investida distribuir R$ 50 mil de dividendos, a Investidora 
fará o seguinte lançamento contábil:
a) ( ) D – Caixa
 C – Dividendos 15.000,00
b) ( ) D – Caixa 
 C – Receita 15.000,00
c) ( ) D – Caixa
 C – Investimento 15.000,00
d) ( ) D – Caixa 
 C – Lucro 15.000,00
7 Se a investidora tivesse pago R$ 100 mil pelas ações da Investida, o lançamento 
contábil seria (supondo-se pagamento à vista em dinheiro):
a) ( ) D – Caixa
 C – Investimentos 100.000,00
b) ( ) C – Ágio 100.000,00
 D – Caixa 10.000,00
 D – Investimentos 90.000,00
c) ( ) D – Ágio 90.000,00
 C – Caixa 100.000,00
 D – Investimentos 10.000,00
137
d) ( ) D – Ágio 10.000,00
 C – Caixa 100.000,00
 D – Investimentos 90.000,00
8 De acordo com a Instrução CVM nº 247/96, qual seria o resultado da equivalência 
patrimonial a ser registrada, contabilmente, por uma controladora que 
dispusesse dos seguintes dados?
Património Líquido da Controlada R$ 1.600,00
% Participação 70%
Lucros Realizados R$ 200,00
Lucros não realizados entre a Controlada e a Controladora R$ 300,00
Valor Contábil do Investimento R$ 720,00
a) ( ) R$ 190,00
b) ( ) R$ 253,00
c) ( ) R$ 100,00
d) ( ) R$ 400,00
9 Preencha a tabela a seguir com: Controlada, Coligada, Equiparada a Coligada 
ou Investimento simples avaliado pelo método de custo.
% da investidora 
na
Preponderância 
nas deliberações
Tipo de relacionamento?
Investida B 5% Sim
Investida C 22% Não 
Investida D 9% Não 
Investida E 15% Sim 
Investida F 21% 
indiretamente
Não
10 O que se pode afirmar da empresa A em relação à empresa C?
Empresa A
Empresa B Empresa C
Terceiros
70%
40%
20% 40%
138
11 A entidade ABC adquire, em fevereiro de 2003, investimento representativo 
de 25% do capital votante da entidade XYZ, considerado significativo. Em 
agosto de 2003, por força de acordo de acionistas, passa a exercer o controle 
sobre a administração dessa entidade. A entidade ABC deve adotar o método 
de equivalência patrimonial para avaliação desse investimento a partir de:
a) ( ) fevereiro de 2003.
b) ( ) agosto de 2003.
c) ( ) dezembro de 2003.
d) ( ) janeiro de 2004.
12 A figura contábil do ágio pode ocorrer por origens e circunstâncias diversas, 
entre elas há expectativa:
a) ( ) de rentabilidade futura da Participação Societária adquirida.
b) ( ) das despesas futuras da Participação Societária adquirida.
c) ( ) de o valor do Imobilizado Líquido da empresa investida tender a zero.
d) ( ) de prejuízos futuros da Participação Societária adquirida.
13 Preencha a tabela abaixo: Equivalência ou Custo
Valor do 
Investimento
Capital 
Votante da 
investida
Preponderância 
nas deliberações
Método de 
avaliação?
Empresa B 3.000 13.000 Não 
Empresa C 1.500 13.000Não 
Empresa D 1.500 5.000 Não 
Empresa E 500 5.000 Sim 
Empresa F 3.000 10.000 Sim 
Empresa G 500 10.000 Não 
14 Com base nos dados e informações a seguir, proceda ao cálculo e à 
contabilização para atualizar o valor do investimento pelo Método de 
Equivalência Patrimonial na investidora em 31/12/X2:
1. Ativo Não Circulante da investidora em 31/12/X1:
 Investimentos Avaliados pela Equivalência Patrimonial
 Participação na Controlada C 70.000
2. Patrimônio Líquido da Controlada C em 31/12/X1:
 Capital 100.000
3. Patrimônio Líquido da Controlada C em 31/12/X2:
 Capital 100.000
 Lucros acumulados 50.000
 Total 150.000
139
Informações complementares:
 A participação da investidora na controlada equivale a 70% do capital da 
investida.
 Expurgar do PL da investida Lucro não realizado no valor de $ 10.000, 
decorrente de Lucro auferido pela investida em vendas para a investidora.
15 A Cia. Significativo avaliará seu investimento em sua controlada, a Cia. Alfa, 
pelo método de Equivalência Patrimonial.
 A participação no capital votante da Cia. Alfa é de 20%.
Momento X1
Cia. Significativo
ATIVO
Investimentos
Part. na Cia. Cia. Alfa 100.000
Cia. Alfa 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital 400.000
Reserva Capital 100.000
Total 500.000
Momento X2
A Cia. Alfa obteve um Lucro Líquido de $ 150.000.
Momento X3:
A Cia. Cia. Alfa distribuiu $ 50.000 em dividendos.
Momento X4:
A Cia. Cia. Alfa reavalia seu Ativo em $ 200.000 e consequentemente aumenta 
o seu Patrimônio Líquido com Reservas de Reavaliação em $ 200.000.
O valor da conta "Investimento/Participação na Cia. Alfa”, da Cia. 
Significativo, no momento X4, será de:
a) ( ) $ 210.000
b) ( ) $ 200.000
c) ( ) $170.000
d) ( ) $160.000
16 A Nossa Firma de Comércio S/A comprou, à vista, por R$ 18.000,00, ações 
equivalentes a 40% do capital votante da Cia. Sideral de Indústria. Essa 
empresa tem um Patrimônio Líquido formado de:
 Capital Social R$ 40.000,00
 Reservas de Capital R$ 12.000,00
 Reservas de Lucros R$ 8.000,00
140
O investimento é significativo e deverá ser avaliado pelo Método da 
Equivalência Patrimonial para fins de balanço. Por ocasião da operação de 
compra acima descrita, a empresa investidora deverá efetuar o seguinte 
lançamento contábil:
17 Pelo Método da Equivalência Patrimonial os Investimentos têm seus valores 
atualizados, para mais ou para me nos, em decorrência de:
a) ( ) variação ocorrida no Custo de aquisição em relação ao valor de mercado.
b) ( ) variações para mais ou para menos no Patrimônio Líquido das investidas.
c) ( ) variações para menos no valor patrimonial da ação da investidora.
d) ( ) somente pelos lucros apurados nas investidoras.
18 Analise o seguinte lançamento no grupo “Despesas Operacionais”:
D – Despesas de Participações Societárias
C – Participação na Coligada B. 
Esse lançamento registra:
a) ( ) o lucro auferido pela investida.
b) ( ) a diminuição do Ativo Circulante da Investidora.
c) ( ) o Prejuízo apurado pela investida em decorrência de aumento de Capital.
d) ( ) a redução ocorrida no PL da investida em decorrência de prejuízos por ela 
apurados.
19 No exercício seguinte, ocasião em que a investidora receber em cheque os 
dividendos, devidamente contabilizados como acréscimo da conta que 
registra investimento no final do exercício anterior, o correto será debitar a 
conta Caixa ou Bancos conta Movimento e creditar a conta:
a) ( ) Que registra o respectivo investimento.
b) ( ) Dividendos a Receber.
c) ( ) Receitas de Participações Societárias.
d) ( ) Ganhos em contas do Ativo Permanente.
20 A Controlada B apurou lucro líquido, no final de X1, no valor de $ 500, e 
contabilizou $ 200 como dividendos a pagar para sua Controladora A, 
permanecendo o res tante no PL.
Em relação a esse lucro de $ 500, a investidora:
a) ( ) obrigatoriamente debitará $ 200 na conta Dividendos a Receber e $ 300 
na conta que registra o investimento.
b) ( ) poderá optar em debitar $ 500 na conta que registra o investimento ou $ 
200 em Dividendos a Receber e $ 300 na conta que registra o investimento.
c) ( ) creditar $ 200 em Dividendos a Pagar e $ 300 no PL.
d) ( ) creditar $ 200 em Dividendos a Receber e debitar $ 300 em Receita de 
Participação.
141
21 A Investidora A, proprietária de 4% das ações representativas do capital da 
So ciedade Z, avaliou tal investimento pelo MEP, observando rigorosamente 
as dis posições contidas na Instrução CVM nº 247/1996. O procedimento da 
investidora está:
a) ( ) correto, uma vez que o investimento é significativo.
b) ( ) correto, uma vez que controla a Sociedade Z.
c) ( ) errado, uma vez que o percentual de 4% na participação do Capital 
de outra empresa não caracteriza a existência de coligada nem de 
controlada.
d) ( ) correto, tendo em vista que assim determina a Lei nº 11.638/2007.
22 Para fins de obter o valor atualizado do investimento pelo MEP, os lucros 
não realizados decorrentes de negócios entre a investida e a investidora 
serão:
a) ( ) adicionados ao valor encontrado após a aplicação do percentual de 
partição sobre o valor do PL da investida.
b) ( ) subtraído do valor encontrado após a aplicação do percentual de 
participação sobre o valor do PL da investida.
c) ( ) incluído no total do PL para fins de cálculo.
d) ( ) será subtraído do total do PL para fins de cálculo.
142
143
UNIDADE 3
CONSOLIDAÇÃO DAS 
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E 
CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:
• interpretar os aspectos contábeis e fiscais envolvendo a consolidação das 
demonstrações financeiras;
• elaborar as demonstrações financeiras consolidadas;
• interpretar os aspectos fiscais e contábeis envolvendo operações entre ma-
triz e filial;
• elaborar as demonstrações financeiras envolvendo operações entre matriz 
e filial.
Esta unidade de estudos está dividida em dois tópicos. Neles você encontrará 
os aspectos fiscais e contábeis necessários à elaboração do Balanço Patrimo-
nial e da Demonstração do Resultado do Exercício consolidada e a estrutura 
das demonstrações financeiras consolidadas. Irá encontrar também as opera-
ções diversas envolvendo matriz e filial, bem como os exercícios de fixação 
que serão desenvolvidos no decorrer dos estudos de cada tópico.
TÓPICO 1 – CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
TÓPICO 2 – CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
144
145
TÓPICO 1
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES 
FINANCEIRAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico analisaremos as principais operações envolvendo a 
consolidação das demonstrações financeiras.
Iremos analisar os aspectos fiscais e contábeis necessários à consolidação, 
bem como a estrutura necessária para evidenciar tais demonstrações.
Analisaremos especificamente duas demonstrações contábeis: Balanço 
Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício e o efeito das operações 
com terceiros e intercompanhias.
2 CONCEITUALIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 
CONSOLIDADAS
Desde 1950, com o surgimento da contabilidade gerencial, várias empresas, 
principalmente as grandes corporações, viram a necessidade de controlar melhor 
seus investimentos realizados em outras sociedades empresariais.
Perez e Oliveira (2010) comentam que determinados conglomerados 
empresariais tiveram grande crescimento nas últimas décadas. Atualmente, em 
nível internacional e mesmo no Brasil, é possível a constatação da existência de 
vários grupos econômicos constituídos por dezenas de empresas, que exploram 
inúmeros setores industriais, financeiros e de prestação de serviços em vários 
países.Tem-se observado que, no Brasil, é cada vez mais comum o número de 
empresas que vêm se reestruturando societariamente (juntando-se com outras 
empresas) para se tornarem mais fortes no mercado.
Santos e Machado (2005, p. 8) explicam que
Nos últimos anos houve um expressivo aumento de empresas que 
passaram a ter investimentos permanentes em outras sociedades. Em 
função disso, a quantidade de empresas que passou a adotar o Método 
de Equivalência Patrimonial e apresentar demonstrações consolidadas 
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
146
aumentou significativamente, principalmente em virtude do intenso 
período de privatizações por que passou o Brasil. Em 1995, dentre as 
550 maiores empresas (500 privadas e 50 estatais) listadas na edição de 
Melhores e Maiores, da Editora Abril, 88 apresentavam demonstrações 
consolidadas; em 2003, esse número saltou para 117 empresas, com 
aumento de 33%. Empresas dos mais variados segmentos adquiriram 
o controle de empresas de telecomunicações, saneamento, energia, 
concessões de rodovias e ferrovias etc. A KPMG Brasil (2005) divulgou 
estudo feito por ela, intitulado Fusões e Aquisições, que mostra o 
crescimento das aquisições no Brasil da década de 90 para cá. Segundo 
a pesquisa, na década de 90 houve um crescimento acumulado de 
134% no número de fusões e aquisições em relação à década anterior, 
sendo que 61% das operações envolveram investimentos estrangeiros. 
A pesquisa mostra, ainda, que nos últimos 10 anos (1995 a 2004) 
ocorreram 3.021 transações desse tipo.
De acordo com Perez e Oliveira (2010), esse processo de reestruturação 
societária ocorre principalmente em decorrência dos processos de:
•	 aquisição parcial ou total do controle societário de empresas já constituídas e 
em plena atividade; e/ou
•	 formação das chamadas joint-ventures – sociedades controladas em conjunto 
por diversos investidores.
UNI
Os processos de reestruturação societária, dentre eles fusão, cisão, incorporação, 
liquidação, transformação e liquidação, serão vistos no decorrer do curso de Ciências 
Contábeis.
Segundo Iudícibus et al. (2010, p. 647), “ [...] as entidades controladas 
em conjunto têm se mostrado como uma nova tendência mundial em termos de 
investimentos em empreendimentos conjuntos [...]. Trata-se de uma alternativa 
interessante para acumular capital necessário à expansão e manutenção das 
atividade econômicas”.
Perez e Oliveira (2010, p. 93) comentam que
A Contabilidade não permaneceu indiferente a essa tendência de 
grande concentração de empresas sob comandos centralizados. Sempre 
preocupados com seus diversos usuários, os pesquisadores e outros 
profissionais da área contábil sentiram de imediato a necessidade de 
desenvolver novas técnicas e procedimentos que suprissem a lacuna de 
informações, dados e relatórios contábeis e financeiros especialmente 
desenvolvidos para a "entidade" representada pelo conjunto de 
empresas de um único grupo empresarial.
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
147
Sendo assim, o método de consolidação das demonstrações financeiras 
veio para suprir essa necessidade de conglomerados empresariais, uma vez que 
fornece maiores e melhores informações de natureza financeira e econômica, se 
comparado à análise individual de cada uma das demonstrações em separado 
das sociedades pertencentes a um mesmo grupo.
No Brasil, a obrigatoriedade da consolidação das demonstrações contábeis 
teve início com a Lei 6.404, de 1976, porém, conforme Santos e Machado (2005, p. 8), “ 
[...] esse tipo de demonstração é utilizado nos Estados Unidos há cerca de um século. 
Em outros países iniciou-se bem mais tarde, aparecendo na legislação inglesa apenas 
em 1947, na alemã em 1965, no Japão em 1976 e na francesa em 1985”.
3 TRATAMENTO LEGAL
A exigência da normatização frente às normas internacionais de 
contabilidade adequou ainda mais o processo de consolidação das demonstrações 
financeiras nos últimos tempos.
 
A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, conhecida como Lei das 
Sociedades por Ações, normatizou, em seus artigos 249 e 250, os procedimentos 
para elaboração e publicação das demonstrações contábeis:
No art. 249 da Lei nº 11.638 foram delegados poderes para que a Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM) emita normas de caráter obrigatório para as 
companhias de capital aberto, porém o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, 
em seu CPC 36, foi quem definiu, de fato, como, quem e de que forma as 
demonstrações financeiras consolidadas devem ser elaboradas e publicadas.
4 O QUE SÃO DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
CONSOLIDADAS
Pode-se dizer que as demonstrações contábeis consolidadas são resultado 
da somatória das demonstrações contábeis de várias empresas pertencentes a 
um mesmo grupo econômico. No entanto, excluídos os saldos e os resultados de 
operações que tenham reciprocidade, ou seja, operações e resultados efetuados 
entre essas empresas.
Perez e Oliveira (2010, p. 95) definem que “o objetivo da consolidação 
de demonstrações contábeis é refletir o resultado das operações e a verdadeira 
situação econômica, patrimonial e financeira de todo o grupo de empresas sob 
um único comando, como se fosse uma única empresa, e apresentar o resultado 
das operações do grupo de empresas”.
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
148
Portanto, se tivermos uma investidora que participa no capital de uma 
investida, ambas possuirão sua situação econômica e financeira individualmente, 
porém, na consolidação, haverá a junção dessa situação patrimonial e financeira 
de ambas, formando assim um grupo econômico.
Por exemplo, imagine que a empresa A participe da empresa B e da 
empresa C. Todas as três empresas são distintas, individuais, com personalidade 
jurídica própria. Porém, na consolidação haveria a formação do Grupo ABC e 
seriam somadas as demonstrações contábeis de cada uma das três empresas, 
subtraindo-se apenas os saldos e operações com reciprocidade.
Não haveria nenhuma influência em relação à questão societária e fiscal 
do grupo ABC, uma vez que:
•	 todos os impostos, sendo da esfera federal, estadual ou municipal, são 
calculados e apurados individualmente. Então, levando em consideração 
o exemplo anterior, mesmo que a empresa A tivesse um saldo de impostos 
a compensar e a empresa B um saldo de impostos a pagar, não haveria a 
possibilidade de compensação, uma vez que a apuração é individual;
•	 os resultados são apurados individualmente, não havendo a possibilidade de 
compensação de lucro de uma com o prejuízo de outra pertencente ao mesmo 
grupo. 
De acordo com Perez e Oliveira (2010, p. 95), as demonstrações contábeis 
consolidadas
Possibilitam uma apreciação mais criteriosa e transparente com relação 
às garantias de seus créditos e lucratividade de seus investimentos. 
Além disso, também oferecem dados adicionais para análise, tais 
como:
• índices de liquidez e endividamento do grupo;
• índices de lucratividade por empresa e global;
• potencial do grupo de geração de recursos;
• todos os índices aplicáveis à controladora e a cada controlada podem 
ser analisados e comparados com os índices consolidados.
Perez e Oliveira (2010, p. 96) comentam que
Esta é a principal utilidade das demonstrações contábeis consolidadas, 
pois elas possibilitam:
• melhor administração e gerenciamento dos recursos financeiros 
gerados e apli cados pelo grupo de empresas;
• fluxo de caixa global;
• avaliação das necessidades de recursos de terceiros e/ou de acionistas;
• reciprocidade bancária;
• melhor avaliação de desempenho isolado e global;
• melhor planejamento tributário;
• evitar pagamento de tributos sobre lucros não realizados decorrentes 
de ope rações entre empresas consolidadas.
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃODAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
149
Dessa forma, a consolidação tem um papel fundamental para a 
contabilidade gerencial, uma vez que torna o grupo mais forte do que se analisada 
cada empresa em separado.
O processo de consolidação das demonstrações contábeis envolve as 
seguintes demonstrações: o balanço patrimonial consolidado, a demonstração 
consolidada do resultado do exercício e a demonstração consolidada do fluxo 
de caixa, complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos 
necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados 
consolidados.
5 EMPRESAS OBRIGADAS A ELABORAR AS DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS CONSOLIDADAS
A Lei 11.638/2007, em seu art. 249, define o seguinte:
Art. 249 A companhia aberta que tiver mais de 30% (trinta por cento) do valor 
do seu patrimônio líquido representado por investimentos em sociedades 
controladas deverá elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstrações 
financeiras, demonstrações consolidadas nos termos do art. 250; parágrafo 
único: A Comissão de Valores Mobiliários poderá expedir normas sobre as 
sociedades cujas demonstrações devam ser abrangidas na consolidação, e: 
a) determinar a inclusão de sociedades que, embora não controladas, sejam 
financeira ou administrativamente dependentes da companhia;
b) autorizar, em casos especiais, a exclusão de uma ou mais sociedades 
controladas.
Note que no art. 249 foram delegados poderes para que a Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM) emita normas de caráter obrigatório para as 
companhias de capital aberto.
Sendo assim, a Instrução 247, de 27 de março de 1996, define o seguinte 
sobre a elaboração das demonstrações contábeis consolidadas:
Art. 21 Ao fim de cada exercício social, as demonstrações contábeis consolidadas 
devem ser elaboradas por: 
I. Companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, 
incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no art. 32 desta 
Instrução; e 
II. Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. 
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
150
Entretanto, de acordo com o CPC 36, todas as sociedades por ações 
que possuírem investimentos em controladas são obrigadas a elaborar as 
demonstrações contábeis consolidadas, indiferente se forem de capital aberto ou 
fechado. Segundo Iudícibus et al. (2010), esse foi um dos maiores avanços que o 
CPC 36 trouxe para a contabilidade.
 
Porém, é recomendável que todas as empresas, sejam elas Sociedades 
Anônimas ou Limitadas, elaborem as demonstrações contábeis consolidadas de 
suas controladas e até mesmo coligadas, uma vez que o processo de consolidação 
visa enriquecer a informação contábil. Obviamente que, nos casos não obrigatórios, o 
processo de elaboração das demonstrações consolidadas seja feito apenas para atender 
às necessidades dos usuários das informações contábeis.
Além disso, Perez e Oliveira (2010, p. 95) comentam que
É possível também, e recomendável, a consolidação das demonstrações 
contábeis de empresas que, mesmo sem a participação societária das 
pessoas jurídicas, sejam propriedade de uma mesma pessoa física 
ou de uma família. Por exemplo, o Sr. Francisco Dantas é acionista 
majoritário das Empresas A, B e C. Para atender a suas necessidades 
de maiores e melhores informações com relação, por exemplo, a seu 
verdadeiro patrimônio, talvez fosse necessária a apresentação das 
demonstrações contábeis consolidadas das três empresas. 
 
A Instrução 247, de 27 de março de 1996, define em seu art. 23 o seguinte:
Art. 23 Poderão ser excluídas das demonstrações contábeis consolidadas, sem 
prévia autorização da CVM, as sociedades controladas que se encontrem nas 
seguintes condições: 
I – Com efetivas e claras evidências de perda de continuidade e cujo patrimônio 
seja avaliado, ou não, a valores de liquidação; ou 
II – Cuja venda por parte da investidora, em futuro próximo, tenha efetiva e 
clara evidência de realização devidamente formalizada. 
§ 1º Em casos especiais justificados, poderão ser ainda excluídas da consolidação, 
mediante prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários, as sociedades 
controladas cuja inclusão, a critério da CVM, não represente alteração relevante 
na unidade econômica consolidada ou que venha distorcer essa unidade 
econômica.
§ 2º No balanço patrimonial consolidado, o valor contábil do investimento 
na sociedade controlada excluída da consolidação deverá ser avaliado pelo 
método da equivalência patrimonial.
§ 3º Não será considerada justificável a exclusão, nas demonstrações contábeis 
consolidadas, de sociedade controlada cujas operações sejam de natureza 
diversa das operações da investidora ou das demais controladas.
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
151
Ribeiro (2005) comenta que o processo de consolidação é de responsabilidade 
da empresa controladora do conjunto, sendo que os procedimentos utilizados 
nesses registros podem ser por meio de processo manual, eletrônico, ou outro, 
em livros contábeis como Diário e Razão, devidamente segregados da escrita 
contábil regular da empresa responsável pela consolidação ou em papéis de 
trabalho adequadamente reservados para esse fim.
NOTA
Não devem integrar os Demonstrativos Consolidados os patrimônios de 
empresas controladas nas quais o controle seja apenas temporário.
6 DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS E EM SEPARADO 
(INDIVIDUAL) CONFORME A RESOLUÇÃO 1.262/2009 DO 
CFC
A Resolução 1.262/2009 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) 
aprovou a Interpretação Técnica ITG 09, a qual define regras sobre as Demonstrações 
Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas 
e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. Alguns dos principais 
enunciados da Resolução são assim descritos:
•	 Do ponto de vista conceitual, as demonstrações individuais só deveriam 
ser divulgadas publicamente para o caso de entidades que não tivessem 
investimentos em controladas, ou em joint-ventures (controladas em 
conjunto). No caso de existência desses investimentos, todas as entidades 
deveriam divulgar publicamente somente as demonstrações consolidadas, 
conforme estabelecido nas normas internacionais de contabilidade emitidas 
pelo IASB.
•	 Todavia, a legislação societária brasileira e alguns órgãos reguladores 
determinam a divulgação pública das demonstrações contábeis individuais 
de entidades que contêm investimentos em controladas ou em joint-ventures 
mesmo quando essas entidades divulgam suas demonstrações consolidadas; 
inclusive é pacífico o entendimento de que a legislação societária requer que 
as demonstrações contábeis individuais, no Brasil, sejam a base de diversos 
cálculos com efeitos societários (determinação dos dividendos mínimos 
obrigatórios e total do valor patrimonial da ação etc.). Esta interpretação, 
enquanto vigente a determinação legal para divulgação das demonstrações 
individuais da controladora ou controladora em conjunto, requer 
procedimentos contábeis específicos para as demonstrações individuais das 
controladoras (controle integral ou conjunto).
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
152
•	 Como consequência, o CFC esclarece, por meio desta interpretação, 
que, enquanto mantida essa legislação, será requerida a apresentação 
das demonstrações individuais de todas as entidades, mesmo quando 
apresentadas as demonstrações consolidadas (integral ou proporcional). 
Requer, todavia, que as demonstrações individuais das entidades que 
têm investimentos em controladas e joint-ventures sejam obrigatoriamente 
divulgadas em conjunto com as demonstrações consolidadas (integral ou 
proporcional) sempre que requerido legalmente ou pelas disposições da 
NBC TG 36 – Demonstrações Consolidadase da NBC TG 19 – Investimento 
em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint-Venture).
•	 Do ponto de vista conceitual, as demonstrações separadas só deveriam ser 
apresentadas naquelas circunstâncias em que os investimentos societários 
mensurados pela equivalência patrimonial ou apresentados na forma de 
demonstrações contábeis consolidadas não representem de forma completa 
a razão e a destinação desses investimentos (ver itens 12 e 13 adiante). São 
raros os casos onde há justificativa para a apresentação das demonstrações 
separadas. De acordo com as normas internacionais, existem apenas 
três motivos que levariam à elaboração e divulgação das demonstrações 
separadas: (a) por opção, ou seja, a entidade opta pela apresentação adicional 
das demonstrações separadas; (b) por exigência legal local, ou seja, quando 
por força de lei local se exigir que os investimentos em coligadas controladas 
e controladas em conjunto sejam mensurados pelo custo ou pelo valor 
justo; e (c) por ter sido dispensada da aplicação do método de equivalência 
patrimonial ou da consolidação (integral ou proporcional), situação em 
que a entidade deve mensurar os investimentos em coligadas, controladas 
e controladas em conjunto pelo custo ou pelo valor justo e então publicar 
as demonstrações contábeis separadas. No caso brasileiro, nossa legislação 
societária não exige que tais investimentos sejam avaliados a custo ou a 
valor justo, bem como não dispensa a aplicação do método de equivalência 
patrimonial no balanço individual quando de investimentos em coligadas, 
em controladas e em controladas em conjunto. 
7 PROCESSO DE ELABORAÇÃO
De acordo com o CPC 36, para a elaboração de demonstrações contábeis 
consolidadas, a entidade controladora combina suas demonstrações contábeis 
com as de suas controladas, linha a linha, ou seja, somando os saldos de itens 
de mesma natureza: ativos, passivos, receitas e despesas, excluindo apenas as 
operações e saldos que tenham reciprocidade. 
Portanto, o disponível de uma empresa será somado com o disponível 
de outra e assim por diante, em todas as contas que compõem as demonstrações 
contábeis, para então formar o consolidado. 
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
153
As operações e saldos que guardem reciprocidade são aqueles resultantes 
das atividades intercompanhias, como, por exemplo, vendas de mercadorias, 
produtos e serviços entre controladora e controlada, gerando, possivelmente, 
receitas e despesas, impostos e também contas a receber e contas a pagar. Tudo 
isso deve ser eliminado no processo de consolidação.
UNI
Para que o processo de eliminação de saldos seja feito com eficiência é preciso 
que as operações intercompanhias sejam sempre controladas.
Iudícibus et al. (2010, p. 653) comentam que “ [...] é por meio desse controle 
que será possível apurar os valores das vendas, despesas, juros, comissões e 
outras receitas ocorridas durante o exercício entre as empresas que integram as 
demonstrações consolidadas”.
Na maioria das vezes, as empresas que são obrigadas a elaborar as 
demonstrações contábeis consolidadas mantêm um plano de contas contábeis 
específico para o registro dessas operações intercompanhias, o que, de fato, 
facilita muito o trabalho de consolidação. 
A Lei 11.638/2007 define o seguinte sobre o processo de consolidação:
Art. 250 Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: 
I – as participações de uma sociedade em outra;
II – os saldos de quaisquer contas entre as sociedades;
III – as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados 
e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a 
resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades.
§ 1º A participação dos acionistas controladores no patrimônio líquido e no lucro 
líquido do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e 
na demonstração consolidada do resultado do exercício.
§ 2º A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não 
for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo não circulante, com 
dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de 
nota explicativa.
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
154
§ 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição 
constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios 
futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. 
§ 4º Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exercício social 
termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exercício da 
companhia, elaborarão, com observância das normas desta Lei, demonstrações 
financeiras extraordinárias em data compreendida nesse prazo.
Já a CVM, por meio da Instrução 247, de 27 de março de 1996, define o 
seguinte:
Art. 24 Para a elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, a 
investidora deverá observar, além do disposto no artigo 10, os seguintes 
procedimentos: 
1. Excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de 
transações entre as sociedades incluídas na consolidação; 
2. Eliminar o lucro não realizado que esteja incluído no resultado ou no 
patrimônio líquido da controladora e correspondido por inclusão no balanço 
patrimonial da controlada. 
3. Eliminar do resultado os encargos de tributos correspondentes ao lucro não 
realizado, apresentando-os no ativo circulante/realizável a longo prazo – 
tributos diferidos, no balanço patrimonial consolidado. 
Parágrafo único: No processo de consolidação das demonstrações contábeis, 
não poderá ser efetuada a compensação de quaisquer ativos ou passivos pela 
dedução de outros passivos ou ativos, a não ser que exista um direito de 
compensação e a compensação represente a expectativa quanto à realização do 
ativo e à liquidação do passivo.
Art. 25 A participação dos acionistas não controladores, no patrimônio líquido 
das sociedades controladas, deverá ser destacada em grupo isolado, no balanço 
patrimonial consolidado, imediatamente antes do patrimônio líquido.
Art. 28 Para a elaboração da demonstração consolidada do resultado do 
exercício a investidora deverá: 
I – Incluir os resultados de sociedade controlada, adquirida ou vendida no 
transcorrer do exercício social, tomando por base a data do respectivo 
registro ou baixa nos seus investimentos permanentes; e 
II – Excluir todas as receitas e despesas decorrentes de negócios entre a 
investidora e as sociedades controladas, bem como entre estas. 
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
155
O lucro não realizado é decorrente das operações intercompanhias que 
fazem parte do consolidado. Santos e Machado (2005, p. 10) comentam que
Quando ocorre a transação de venda de ativos entre as controladas 
e coligadas e entre elas e a investidora e se esses ativos ainda não 
tiverem sido revendidos para terceiros até a data do encerramento do 
exercício, considera-se que o resultado dessa venda não foi realizado, 
pois houve uma transação apenas doméstica (intercompanhias), não 
havendo, portanto, resultado econômico na análise do grupo. Esse 
resultado será considerado realizado somente quando esses ativos 
forem revendidos a terceiros. Assim, enquanto permanecer no balanço 
da controladora, considera-se que o Lucro não foi Realizado.
UNI
Ao final deste tópico serão apresentados alguns exemplos práticos que 
evidenciam em números o significado do processo de elaboração das demonstrações 
contábeis consolidadas, as quais são destacadas na Lei 11.638/2007 e na Instrução 247/96 da 
CVM.
Veja um simples exemplo a seguir com base no modelo de Perez e Oliveira 
(2010):
Do total de suas contas a receber, a Sociedade A tem a receber $ 100 da 
Sociedade B, logo, do total de seu Contas a Pagar,a Sociedade B tem $ 100 a pagar 
à Sociedade A. Assim sendo, deve-se eliminar as contas a receber de A contra as 
contas a pagar de B:
 A B A + B D C AB
ATIVO
500 400 900 100 800
DIREITOS
PASSIVO
200 300 500 100 400
OBRIGAÇÕES
O Consolidado representa os Direitos e obrigações das Sociedades A e B 
em relação a terceiros. Observe que o lançamento é efetuado extracontabilmente, 
não afetando a contabili dade e os controles operacionais de ambas as empresas.
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
156
É importante que, antes do encerramento das demonstrações contábeis 
de cada em presa, haja conferência e conciliação de saldos para garantir que sejam 
iguais, caso contrário haverá diferença no consolidado.
Já na Demonstração do Resultado do Exercício é preciso excluir todas as 
contas de receita e despesa intercompanhias. Portanto, conforme Perez e Oliveira 
(2010), para a elaboração da Demonstração Consolidada do Resultado do exercício 
devem ser efetuadas as seguintes eliminações:
•	 todas as receitas e despesas decorrentes de transações entre a investidora e as 
sociedades controladas, bem como entre as controladas e coligadas se for o 
caso;
•	 os lucros não realizados decorrentes de transações entre as sociedades – contas 
do resultado em que estão contidas as parcelas de lucros em contrapartida das 
contas do ativo em que os lucros estiverem contidos;
•	 os tributos correspondentes aos lucros não realizados – conta Imposto de 
Renda – na demonstração de resultado em contrapartida da conta de ativo do 
circulante ou do realizável a longo prazo – impostos diferidos;
•	 as participações dos acionistas minoritários/não controladores no lucro ou 
prejuízo do exercício, das sociedades controladas, deverão ser destacadas e 
apresentadas, respectivamente, como dedução ou adição ao lucro líquido ou 
prejuízo do exercício consolidado;
•	 deverão ser incluídos na demonstração consolidada do resultado do exercício 
os resultados de sociedade controlada adquirida ou vendida no transcorrer do 
exercício social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa em 
seus investimentos permanentes.
A Instrução 247/96 da CVM define o seguinte em relação às datas das 
demonstrações contábeis envolvidas no processo de consolidação:
Art. 10 O patrimônio líquido da coligada e controlada deverá ser determinado 
com base nas demonstrações contábeis levantadas na mesma data das 
demonstrações contábeis da investidora.
§ 1º Na impossibilidade de cumprimento ao disposto no caput deste artigo, 
admite-se a utilização de demonstrações contábeis da coligada e controlada em 
um período máximo de defasagem de até 60 (sessenta) dias antes da data das 
demonstrações contábeis da investidora.
§ 2º O período de abrangência das demonstrações contábeis da coligada e 
controlada deverá ser idêntico ao da investidora, independentemente das 
respectivas datas de encerramento. 
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
157
§ 3º Admite-se a utilização de períodos não idênticos, nos casos em que este 
fato representar melhoria na qualidade da informação produzida, sendo a 
mudança evidenciada em nota explicativa. 
Portanto, para elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, as 
demonstrações contábeis individuais devem ser encerradas com a mesma data, 
permitindo apenas datas não idênticas, de até 60 dias, desde que represente 
melhoria na qualidade da informação produzida, por exemplo: A consolidação 
das demonstrações contábeis da Empresa A com as da Empresa B devem 
ser encerradas em 31/05/2010, permitindo apenas que uma das datas não seja 
idêntica, desde que represente melhoria na qualidade da informação produzida. 
Nesse exemplo, o período máximo de defasagem por parte da investida seria a 
entrega das demonstrações contábeis com data de 31/03/2010.
8 NOTAS EXPLICATIVAS
A Instrução 247/96 da CVM define o seguinte em relação às notas 
explicativas sobre as demonstrações contábeis:
Art. 31 As notas explicativas que acompanham as demonstrações contábeis 
consolidadas devem conter informações precisas das controladas, indicando: 
I – Critérios adotados na consolidação e as razões pelas quais foi realizada a 
exclusão de determinada controlada; 
II – Eventos subsequentes à data de encerramento do exercício social que 
tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os 
resultados futuros consolidados; 
III – Efeitos, nos elementos do patrimônio e resultado consolidados, da aquisição 
ou venda de sociedade controlada, no transcorrer do exercício social, assim 
como da inserção de controlada no processo de consolidação, para fins de 
comparabilidade das demonstrações contábeis; e 
IV – Eventos que ocasionaram diferença entre os montantes do patrimônio 
líquido e lucro líquido ou prejuízo da investidora, em confronto com os 
correspondentes montantes do patrimônio líquido e do lucro líquido ou 
prejuízo consolidados. 
9 EXEMPLOS DE CONSOLIDAÇÃO
Exemplo 1, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Em 02/01/X2, a Cia. A adquire 100% das ações da Cia. B por R$ 600.000,00.
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
158
Uma vez que a Cia. A tem 100% do capital da Cia. B e o investimento é 
avaliado pela equivalência patrimonial, a eliminação a ser feita corresponde à 
baixa no valor da conta de investimentos de A contra o PL de B, porque ambas 
têm o mesmo valor. Após a eliminação, basta somar os saldos, e teremos o Balanço 
consolidado.
Razão do ajuste:
A soma algébrica dos ativos e passivos não exigíveis de B, que serão 
adicio nados aos de A na consolidação, corresponde ao patrimônio líquido de B; 
este, por sua vez, é igual ao valor do investimento registrado na controlado ra, que 
já foi computado no valor do patrimônio líquido dessa última. 
Balanços Patrimoniais em 02/01/X2 (em R$ 1.000,00)
ELEMENTOS Cia. A Cia. B Eliminações
Balanço de A 
consolidando 
B
D C em 02/01/X2
Ativo Circulante
Investimentos 
 Em B 
 Em outras
Imobilizado
1.640
600 
140
440
240
-o-
60
360
600 
(1)
1.880
-o-
200
800
TOTAL do ATIVO 2.820 660 600 2.880
Passivo
Patrimônio Líquido
 Capital 
 Reservas
700
1.600 
520
60
400 
200
400 (1) 
200 (1)
760
1.600 
520
TOTAL do PASSIVO 2.820 660 600
2.880
Exemplo 2, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Ainda em 02/01/X2, a Cia. A adquire 70% da Cia. C por R$ 210.000,00. O 
patrimônio líquido (PL) de C é de R$ 300.000,00. 
Ajustes:
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
159
(1) Eliminação do investimento de A em 100% do PL de B.
(2) Eliminação do investimento de A em 70% do PL de C, R$ 210.000,00, ou seja, 
70% x R$ 300.000,00.
(3) Eliminação da participação dos minoritários (30% do PL de C), R$ 90.000,00, 
ou seja, 30% x R$ 300.000,00.
ELEMENTOS Cia. A Cia. B Cia. C Eliminações
Balanço de A 
consolidando B
D C e C em 02/01/X2
Ativo Circulante
Investimentos 
 Em B 
 Em C
 Em outras
Imobilizado
1.430
600 
210
140
440
240
-o-
-o-
60
360
380
-o-
-o-
-o-
220
600 
(1) 
210 
(2)
2.050
-o-
-o-
200
1.020
TOTAL do ATIVO 2.820 660 600 810 3.270
Passivo
P a r t i c i p a ç ã o 
Minoritária
Patrimônio Líquido
 Capital 
 
 Reservas
700
1.600 
520
60
400 
200
300
120 
180
400 
(1)
84 (2)
36 (3)
200 
(1)
126 
(2)
 54 (3)
90 
(3)
1.060
90
1.600 
520
TOTAL do PASSIVO 2.820 660 600 900 90
3.270
Observe que a participação dos acionistas minoritários, nesse exemplo, ou 
seja, aqueles que detêm 30% do Patrimônio Líquido (PL) da Cia. C, foi excluída 
dessegrupo de contas, figurando numa posição intermediária en tre Passivo 
Exigível e o PL.
O objetivo deste procedimento é de que o Patrimônio Líquido consolidado 
reflita o valor que realmente pertence aos acionistas da empresa con troladora, 
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
160
excluindo-se, portanto, deste total, a parcela de propriedade dos acionistas 
minoritários.
Exemplo 3, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Dados:
1. Os Balanços Patrimoniais em 31/12/X1 da Controladora PASIL e da 
Controlada Beta:
Balanços Patrimoniais encerrados em 31/12/X1 (em R$)
CONTAS
Empresa 
Controladora
Empresa 
Controlada
ATTVO
Caixa 
Contas a Receber 
Clientes 
Mercadorias 
Participações Societárias Terrenos 
Móveis 
Máquinas
5.000 10.000 
- o -20.000 
32.500 20.500 
12.000 
- o -
2.500 
- o -15.000 12.500
 - o -15.000 6.000 
24.000
TOTAIS 100.000 75.000
PASSIVO
Fornecedores Impostos a Recolher 
Contas a Pagar Empréstimo
Capital Social 
Lucros a Destinar
15.000 25.000 
- o -
- o -40.000 
20.000
7.500 
- o -10.000
15.000 30.000 
12.500
TOTAIS 100.000 75.000
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
161
O objetivo desse exemplo é efetuar os lançamentos contábeis de ajustes a 
seguir indicados, necessários à consolidação dos balanços em 31/12/X1.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
•	 a controladora (PASIL) detém 100% do capital da controlada (BETA) e o 
investimento é avaliado pela equivalência patrimonial;
•	 a controlada tem a pagar à controladora a importância de R$ 10.000, registrada 
em contas a pagar;
•	 toda a produção da controlada se destina à venda para a controladora, que 
somente adquire produtos da controlada e sempre pelo dobro do custo da 
produção.
AJUSTES
1. A controlada tem a pagar à controladora a importância de 10.000,00, registrada 
em contas a pagar.
Ajuste:
1.1. A controladora tem a receber R$ 10.000,00 da controlada que, consequentemente, 
tem R$ 10.000,00 a pagar àquela. Na consolida ção, os saldos de Contas a 
Receber e de Contas a Pagar se com pensam, ficando, portanto, eliminados.
Contabilização:
D – Contas a Pagar (Controlada) 10.000,00
C – Contas a Receber (Controladora) 10.000,00
2. Toda a produção da controlada se destina à venda para a controlado ra, que 
adquire a mercadoria pelo dobro do custo de produção.
Ajuste:
2.1. A controladora só compra da controlada e esta só vende àque la, logo o 
saldo de clientes na controlada corresponde ao saldo de fornecedores na 
controladora, que se compensam na consolidação.
Contabilização:
D – Fornecedores (Controladora) 15.000,00
C – Clientes (Controlada) 15.000,00
2.2. A controlada vende mercadorias para a controladora pelo dobro do preço de 
custo; consequentemente, tanto no estoque de mer cadorias da controladora 
como no Patrimônio Líquido da controlada existe R$ 10.000,00 (metade do 
estoque da controladora) de lucros ainda não realizados.
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
162
Contabilização:
D – Lucros Acumulados (Controlada) 10.000,00
C – Mercadorias em Estoque (Controladora) 10.000,00 (50% x R$ 20.000,00)
NOTA
Esse lucro só será considerado realizado quando da venda, pela controladora, do 
restante do estoque para terceiros.
3. A controladora detém 100% do capital da controlada e o investi mento é 
avaliado pelo método da equivalência patrimonial. Ob serve que, do total do 
Patrimônio Líquido da controlada no va lor de R$ 42.500,00 (correspondente 
à soma do Capital mais Lucros a Destinar), foi retirada a importância de R$ 
10.000,00 relativa à parcela de lucros não realizados nas transações entre as 
companhias, de modo que a avaliação da participação societária totalizou R$ 
32.500,00 na controladora.
Ajuste:
3.1. A participação societária da controladora é eliminada contra Capital Social e 
os Lucros Acumulados da controlada.
Contabilização:
C – Participação Societária (Controladora) 32.500,00
D – Capital Social (Controlada) 30.000,00 
D – Lucros Acumulados (Controlada) 2.500,00
Portanto, o Balanço Consolidado seria assim evidenciado:
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
163
CONTAS
Empresa 
Controladora
Empresa 
Controlada
Débito Crédito
Saldos 
Consolidados
ATTVO
Caixa 
Contas a 
Receber 
Clientes 
Mercadorias 
Participações 
Societárias 
Terrenos 
Móveis 
Máquinas
5.000 
10.000 
- o -
20.000 
32.500 
20.500 
12.000 
- o -
2.500 
- o -
15.000 
12.500
 - o -
15.000 
6.000 
24.000
(1) 10.000
(2.1)15.000
(2.2) 10.000
(3) 32.500
7.500
-0-
-0-
22.500
-0-
35.500
18.000
24.000
TOTAIS 100.000 75.000 67.500 107.500
PASSIVO
Fornecedores 
Impostos a 
Recolher 
Contas a 
Pagar 
Empréstimo
Capital Social 
Lucros a 
Destinar
15.000 
25.000 
- o -
- o -
40.000 
20.000
7.500 
- o -
10.000
15.000 
30.000 
12.500
(2.1)15.000
(1) 10.000
(3) 30.000
(2.2) 10.000
(3) 2.500
7.500
25.000
-0-
15.000
40.000
20.000
TOTAIS 100.000 75.000 67.500 107.500
Exemplo 4, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Os balanços patrimoniais, referentes ao início do exercício, da controla-
dora A e controlada B, estão evidenciados a seguir:
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
164
CONTROLADORA A
ATIVO PASSIVO
Disponível 
Investimento 
Imobilizado (terreno)
320
 400
280
Patrimônio Líquido 
Capital 1.000
TOTAIS 1.000 1.000
CONTROLADA B
ATIVO PASSIVO
Estoques 400 Patrimônio Líquido
Capital 400
TOTAIS 400 400
A controladora detém 100% do capital da controlada. No decorrer do 
exercício ocorreram apenas as seguintes transações: 
1. A Cia. B vende metade dos seus estoques para Cia. A por R$ 250,00, à vista; 
2. A Cia. A vende, à vista, para terceiros, 60% (sessenta por cento) do estoque 
adquirido de B, por R$ 220,00.
As Demonstrações de Resultado e os Balanços Patrimoniais das duas 
companhias no final do exercício estão reproduzidos a seguir. Não estão 
considerados os efeitos fiscais.
DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO
Descrição Controladora A Controlada B
Vendas 220 250
(-) CMV 150 200
(=) Lucro Bruto 70 50
(+) Resultado da Equivalência 30 -o-
(=) Lucro Líquido 100 50
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
165
BALANÇOS PATRIMONIAIS
CONTROLADORA A CONTROLADA B
ATIVO PASSIVO ATIVO PASSIVO
Disponível 290 
Estoques 100 
Investimentos 30
Imobilizado 280
PL
Capital 1.000 
Lucros a Destinar 100
Disponível 250 
Estoques 200
PL
Capital 
400 
Lucros a Destinar 
50
TOTAIS 
1.100
1.100 450 450
Notas
1) CMV da Cia. A = 60% x R$ 250,00 = R$ 150,00
2) CMV da Cia. B = 50% x R$ 400,00 = R$ 200,00
3) Disponível Cia. A R$
Saldo Inicial 320,00
(-) Compras de B (250,00)
(+) Vendas a terceiros 220,00
(=) Saldo Final 290,00
4) Disponível Cia. B = R$ 250,00 (pela venda à vista à Cia. A)
5) Estoques Cia. A = 40% x R$ 250,00 = R$ 100,00
6) Estoques Cia. B = 50% x R$ 400,00 = R$ 200,00
7) Resultado da Equivalência, na Cia. A ^ 
Patrimônio Líquido de B no final do Exercício 450,00
(-) Lucros não realizados de B na venda para A = 40% x 50 = (20,00)
(=) Valor da Equivalência 430,00
(-) Valor registrado na contabilidade (400,00)
(=) Resultado Positivo na Equivalência 30,008) Investimento em B (Cia. A) = R$ 430,00
Procedimentos para consolidação
A consolidação será procedida da forma exposta a seguir. Entretanto, é 
necessário frisar que:
a) Nos estoques da Cia. A há um lucro não realizado de R$ 20,00, cor respondente 
a 40% (parcela não vendida da compra efetuada na Cia. B) de R$ 50,00 (lucro 
obtido por B na venda à Cia. A); este lucro deve ser excluído na consolidação 
dos balanços patrimoniais;
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
166
b) a Cia. B obteve uma margem de lucro de 20% sobre o preço da venda para A. 
50,00 / 250,00 x 100 = 20%
c) no custo da mercadoria vendida pela Cia. A (R$ 150,00) existe uma parcela 
que corresponde ao lucro interno da Cia. B na venda para a controladora A, 
que é de 20% x R$ 150,00 = R$ 30,00, que deve ser excluído na consolidação da 
demonstração de resultado.
d) o ganho na equivalência patrimonial da controladora deve ser excluí do 
igualmente na consolidação da demonstração de resultado.
Contas Empresas Ajustes Consolidado
A B Débito Crédito
Disponível 
Estoques 
Investimentos 
Imobilizado
290 
100 
430 
280
250 
200 (1) 20 
(2) 430
540 
280
280
Total 1.100 450 450 1.100
Capital
Lucros a Destinar
1.000 
100
400 
50
(2) 400
(1) 20 
(2) 30
1.000 
100
Total 1.100 450 450 1.100
Contas Empresas Ajustes Consolidado
A B Débito Crédito
Vendas 
CMV
220
(150)
250 
(200)
(3) 250
(3) 230
220 
120
Lucro Bruto
Equivalência
70
30
50
(4) 30
100
Lucro Líquido 100 50 100
Observe que, no lançamento 3 do papel de trabalho, no lado do débito 
houve a anulação da venda da controlada para a controladora, enquanto no lado 
do crédito houve a eliminação do custo da mercadoria vendida da controlada, 
bem como da parcela de R$ 30,00 embutida no custo da mercadoria vendida 
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
167
da controladora (que corresponde ao lucro interno da controlada relativo às 
mercadorias que foram vendidas pela controladora).
O Custo das Mercadorias Vendidas constante da Demonstração do 
Resultado Consolidada de R$ 120,00 correspondente efetivamente ao custo para 
o grupo referente à aquisição das mercadorias, ou seja, a controlada comprou as 
mer cadorias por R$ 200,00 e o grupo vendeu 60% deste total, então CMV = 60% x 
R$ 200,00 = R$ 120,00.
No lançamento 3, o total do débito (R$ 250,00) é maior que o total do 
crédito (R$ 230,00); a diferença de R$ 20,00 corresponde aos lucros nos esto ques, 
que já foram excluídos no lançamento 1; aparente, a diferença reside no fato de os 
lucros serem contados duas vezes (uma, na De monstração do Resultado e outra, 
nos Lucros a Destinar do Balanço).
 
O mesmo raciocínio é aplicado no lançamento 4, em que só há o débito de 
R$ 30,00 para anular o ganho na equivalência patrimonial; observe que a mesma 
importância já foi tirada de Lucros a Destinar no lançamento 2.
 
O lucro líquido consolidado pode assim ser decomposto para maior 
clareza:
Vendas a Terceiros 220,00
(-) Custo das Mercadorias Vendidas
compradas de terceiros 120,00
(=) Lucro nas transações com terceiros 100,00
Exemplo 5, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
 
A controladora Cia. PVSN vende uma máquina, em 10/01/2008, para outra 
controlada, a Cia. Palitos, por R$ 1.800.000,00. O imobilizado estava registrado no 
Ativo Permanente (AP) da Cia. PVSN da seguinte forma:
Ativo Permanente Imobilizado
Máquinas 1.500.000,00
(-) Depreciação Acumulada (300.000,00)
(=) Custo ou Valor Contábil do bem 1.200.000,00
A vida útil restante da máquina é estimada em oito anos.
É preciso não só eliminar o ganho de capital de R$ 600 000,00, obtido 
pela controladora na venda, como também eliminar o encargo de depreciação 
a maior, incorrido pela controlada pelo fato de ter pago um valor maior que o 
custo contábil da controladora. A razão disso é que, na consolidação, tudo se 
passa como se o grupo fosse uma empresa só. Portanto, se a máquina tivesse sido 
adquirida pela controlada pelo pre ço de custo de R$ 1.200.000,00, ela apareceria 
assim no balanço consolidado de 31/12/08:
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
168
Valor da máquina R$ 1.200.000,00
(-) Depreciação de 2008 (R$ 150.000,00) o qual seria (R$ 1.200.000,00 / 8)
(=) Valor contábil R$ 1.050.000,00
Como a controlada pagou R$ 1.800.000,00, se não houvesse o ajus te, ela 
apareceria assim:
Valor da Máquina R$ 1.800.000,00
(-) Depreciação de 2008 (R$ 225.000,00) o qual seria (R$ 1.800.000,00 / 8)
(=) Valor contábil R$ 1.575.000,00
A diferença de R$ 525.000,00 (R$ 1.575.000,00 - R$ 1.050.000,00) corresponde a:
Resultado não Operacional R$ 600.000,00
(-) Depreciação a maior (R$ 75.000,00)
(=) Diferença R$ 525.000,00
Ela será eliminada, no balanço consolidado, pelos seguintes lançamentos: 
C – Máquinas 600.000,00
D – Lucros Acumulados 525.000,00
D – Depreciação Acumulada – Máquinas 75.000,00
Na demonstração de resultado exclui-se o resultado não operacional positivo 
de R$ 600.000,00 e a despesa de depreciação de R$ 75.000,00 feita a maior em função 
desse ganho.
 
Observe que o valor de R$ 75.000,00 relativo à depreciação a maior 
corresponde também à seguinte expressão:
Ganho de capital na alienação R$ 600.000,00
(x) Percentagem de depreciação = 100% / 8 12.5% 
(=) Depreciação a maior na consolidação R$ 75.000,00
Exemplo 6, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Na consolidação deverão ser excluídos os resultados, ainda não realizados, 
de negócios entre as sociedades; esses lucros, contabilizados individualmente nas 
empresas envolvidas, na conso lidação podem representar resultados tributáveis, 
logo pode existir um lu cro eliminado com Imposto de Renda presente. Caso o 
lucro possa vir a ser incluído na consolidação, no futuro deverá ser eliminado, 
também, o im posto correspondente, que será posteriormente incluído quando 
aquele lu cro for apresentado à consolidação. Veja o exemplo a seguir:
•	 lucro bruto obtido pela vendedora, ainda existente no estoque da com pradora: 
R$ 1.000.000,00;
TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
169
•	 Imposto de Renda incorrido pela vendedora (15% x R$ 1.000.000,00) R$ 
150.000,00.
Contabilização (no Balanço Consolidado):
D – Lucros Acumulados 1.000.000,00
C – Mercadorias em Estoque 1.000.000,00
D – Imposto de Renda a Compensar (AC) 150.000,00
C – Lucros Acumulados 150.000,00
Na demonstração do resultado consolidada deverá ser eliminada a par-
te correspondente, ou seja, R$ 150.000,00, na conta relativa à constitui ção da 
Provisão para o Imposto de Renda. Se o Imposto de Renda for referente à venda 
de ativo imobilizado, o ajus te correspondente deverá ser efetuado em conta do 
ativo realizável a longo prazo (ARLP), tendo em vista que a recuperação do 
imposto ocor re na proporção da baixa dos ativos correspondentes (depreciação, 
amortização, alienação etc).
No exercício seguinte, quando os estoques no valor de R$ 1.000.000,00 
forem realizados por vendas efetuadas a terceiros, deverá ser realizado o seguinte 
ajuste do imposto:
D – Apuração do Resultado do Exercício 150.000,00
C – Imposto de Renda a Compensar (AC) 150.000,00
Observe que tais ajustes eliminam, no primeiro ano, o resultado líquido 
da transação interna; tal resultado foi incluído no ano seguinte, quando sua 
realização ocorreu de fato.
Se uma empresa vende com lucro umativo para outra empresa que esteja 
isenta do Imposto de Renda, a eliminação será apenas do lucro bruto envolvido 
na operação.
Exemplo 7, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004):
Os impostos recuperáveis não fazem parte do custo de aquisição da empresa 
compradora, tampouco da receita líquida da vendedora. Observe o exemplo abaixo 
que representa negociação de mercadorias entre controlada e controladora.
 
A Cia. Silpa (controladora) compra a prazo mercadorias para revenda da 
controlada, Cia. PVSN, da seguinte forma:
Valor 100.000,00
+ IPI 10% 10.000,00
Total da NF 110.000,00
ICMS destacado 18% 18.000,00
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
170
Se o custo da referida mercadoria na controlada Cia. PVSN for de 42.000,00, 
o seu lucro na referida operação será de R$ 40.000,00, ou seja:
Demonstração do Resultado Valores em R$
Faturamento Bruto 110.000,00
(-) IPI Faturado (10.000.00)
(=) Receita Bruta 100.000,00
(-) ICMS sobre Vendas (18.000,00)
(=) Receita Líquida 82.000,00
(-) Custo de Mercadorias Vendidas (42.000.00)
(=) Lucro Bruto 40.000,00
No Balanço Consolidado, esse lucro de R$ 40.000,00 deverá ser elimina do 
na consolidação, sem nenhum ajuste nos valores dos impostos recu peráveis (IPI 
e ICMS).
Na Demonstração de Resultado Consolidada haverá necessidade de eli-
minação de todos os itens da referida demonstração, da seguinte forma:
Contabilização:
D – Faturamento Bruto 110.000,00 
C – lPI Faturado 10.000,00
C – ICMS sobre Vendas 18.000,00
C – Custo das Mercadorias Vendidas 42.000,00
C – Mercadorias em Estoque 40.000,00
Ajustando-se o Faturamento Bruto, o IPI, o ICMS, e o CMV, estarão ajusta-
dos automaticamente a Receita Bruta, a Receita Líquida e o Lucro Bruto.
 
O valor do estoque na empresa compradora será de R$ 82.000,00 (110.000,00 
- R$ 10.000,00 - R$ 18.000,00).
171
Neste primeiro tópico analisamos as principais operações envolvendo 
a consolidação das demonstrações financeiras, em específico a consolidação do 
Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício.
Analisamos os aspectos fiscais e contábeis necessários à consolidação, 
bem como a estrutura necessária para evidenciar tais demonstrações.
Constatamos que todas as Sociedades Anônimas, de capital aberto ou 
fechado, são obrigadas a elaborar as demonstrações contábeis consolidadas 
quando essas possuírem controladas em seus investimentos permanentes. 
Porém, constatamos também que é aconselhado elaborar as demonstrações 
contábeis consolidadas, indiferente se for sociedade anônima ou não, se 
possuir investimentos em controladas ou apenas em coligadas, uma vez que tal 
procedimento visa enriquecer as informações contábeis.
RESUMO DO TÓPICO 1
172
1 O que você entende por Consolidação de Demonstrações Contábeis?
2 Estão sujeitas à consolidação:
a) ( ) BP, DRE, DLPA, DMPL e DFC
b) ( ) BP e DRE
c) ( ) BP e DFC
d) ( ) BP, DRE, DFC e DVA 
3 Entende-se por Lucros nos Estoques para fins de consolidação:
a) ( ) o valor do lucro auferido pela empresa do conjunto em vendas realizadas 
a outras empresas do conjunto, enquanto estas não tenham vendido as 
referi das mercadorias para terceiros.
b) ( ) o valor do lucro auferido pela empresa do conjunto, nas vendas para 
outras empresas do conjunto, independentemente de elas terem 
efetuado vendas para terceiros.
c) ( ) a parcela dos estoques que corresponda à diferença entre o preço de 
com pra e o preço de venda, incluso o ICMS e excluído o PIS e a Cofins.
d) ( ) a parcela dos estoques que corresponda à diferença entre o preço de 
com pra e o preço de venda, incluso o ICMS e excluído o IPI.
4 Dos procedimentos listados a seguir, indique aquele que não corresponde ao 
processo contábil de elaboração das demonstrações contábeis consolidadas.
a) ( ) Eliminação das despesas e receitas de variação cambial efetuadas com 
instituições financeiras indicadas pela controladora.
b) ( ) Exclusão de saldos de ativos e passivos em aberto de operações realizadas 
entre controladas e controladora.
c) ( ) Valores de despesas e receitas de prestação de serviços realizados entre 
empresas do grupo.
d) ( ) Operações de vendas efetuadas entre as empresas do grupo que efetuará 
a consolidação.
Com base nos dados a seguir responda às questões de 5 a 7.
A Cia. Itaici, controlada da Cia. Itacuruçá, em 02/01/2000 vende, à 
vista, uma máquina fresadora para sua investidora, cujos dados envolvidos na 
transação são os seguintes:
Dados do Ativo Fixo Vendido
Custo histórico 60.000.000
AUTOATIVIDADE
173
Depreciação Acumulada (30.000.000)
Valor de Venda 50.000.000
Taxa anual de depreciação: 10% Outras informações:
O período contábil das empresas é encerrado ao final do mês de 
dezembro.
Ambas são companhias abertas e pertencem ao mesmo conglomerado 
empresarial.
5 Os procedimentos contábeis de consolidação das demonstrações deverão 
contemplar:
a)( ) um lançamento de crédito, no valor de R$ 2.000.000, na conta de 
Depreciação Acumulada.
b) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 3.000.000, na conta de 
Depreciação Acumulada.
c) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 2.000.000, na conta de 
Depreciação Acumulada.
d) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 5.000.000, na conta de 
Depreciação Acumulada.
6 O valor líquido apurado como resultado não realizado em dezembro de 2000 
é:
a) ( ) $ 30.000.000 
b) ( ) $ 24.000.000
c) ( ) $ 20.000.000
d) ( ) $ 18.000.000
7 O valor a ser ajustado na conta de Máquinas e Equipamentos é:
a) ( ) $ 18.000.000 
b) ( ) $ 20.000.000 
c) ( ) $ 24.000.000
d) ( ) $ 30.000.000
8 Classificação da participação minoritária no Balanço Patrimonial Consolidado:
a) ( ) após o Patrimônio Líquido.
b) ( ) entre o Passivo Circulante e o Exigível a Longo Prazo.
c) ( ) como uma Conta Retificadora do ATIVO PERMANENTE.
d) ( ) após o Exigível a Longo Prazo e Antes do Patrimônio Líquido.
9 Com relação aos encargos de tributos correspondentes aos lucros não 
realizados:
174
a) ( ) não há necessidade de se efetuar qualquer eliminação ou ajuste para a 
consolidação das demonstrações contábeis.
b) ( ) devem ser apresentados no ativo circulante ou realizável a longo prazo 
no balanço consolidado.
c) ( ) devem ser apresentados no passivo circulante ou exigível a longo prazo 
no balanço consolidado.
d) ( ) devem ser apresentados no passivo, no grupo de resultados de exercícios 
futuros no balanço consolidado.
10 Não devem integrar os Demonstrativos Consolidados os patrimônios de 
empresas controladas nas quais:
a) ( ) o controle seja apenas temporário.
b) ( ) ocorra total dependência tecnológica.
c) ( ) ocorra dependência financeira integral.
d) ( ) o controle seja permanente e total.
 
11 A Cia. Alfa possui, em seu Circulante, as seguintes contas:
Ativo Passivo
Disponibilidades 10.000,00 
Contas a Receber 30.000,00 
Contas a Receber – Cia. Beta 10.000,00
Fornecedores 5.000,00 
Contas a Pagar 10.000,00
Total 50.000,00 15.000,00
A Cia. Beta possui, em seu Circulante, as seguintes contas:
Ativo Passivo
Disponibilidades 5.000,00 
Contas a Receber 10.000,00 
Fornecedores 30.000,00 
Contas a Pagar Cia. Alfa 10.000,00Total 15.000,00 40.000,00
Sabendo-se que a Cia. Alfa controla totalmente a Cia. Beta, o consolidado será 
de:
a) ( ) Ativo Circulante de R$ 65.000,00 e Passivo Circulante de R$ 45.000,00.
b) ( ) Ativo Circulante de R$ 65.000,00 e Passivo Circulante de R$ 55.000,00.
c) ( ) Ativo Circulante de R$ 55.000,00 e Passivo Circulante de R$ 45.000,00.
d) ( ) Ativo Circulante de R$ 55.000,00 e Passivo Circulante de R$ 55.000,00.
12 As Demonstrações Contábeis das empresas controladas por companhia de 
capital aberto, para fins de consolidação, devem ser levantadas:
a) ( ) em até 60 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da 
controladora;
175
b) ( ) em até 30 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da 
controladora;
c) ( ) em até 90 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da 
controladora;
d) ( ) não é admitida defasagem entre as datas das Demonstrações Contábeis 
da controlada e controladora.
Com base nos dados a seguir responda às questões de 13 a 17.
A empresa LM é subsidiária integral da Cia. ABC, que também possuía 
60% do capital da Cia. XY. Em 31/12/X7 os balanços patrimoniais da Cia. ABC e 
de suas controladas eram os seguintes:
 
Controladora 
ABC
Controlada 
LM Controlada XY
Ativo Circulante 
 Disponibilidades 1.000.00 15.000.00 22.000.00 
 Valores a receber 25.000.00 5.000.00 34.000.00 
 Estoques 45.000.00 20.000.00 
Ativo Não Circulante 
 Investimentos 
 
Participações na Cia. 
LM 20.000.00 
 
Participações na Cia. 
XY 60.000.00 
 Imobilizado Líquido 100.000.00 10.000.00 54.000.00 
Total do Ativo 251.000.00 30.000.00 130.000.00 
 
Passivo Circulante 
 Valores a pagar 16.000.00 5.000.00 
Passivo Não Circulante 
 
Empréstimos 
Bancários 35.000.00 10.000.00 25.000.00 
Patrimônio Líquido 
 Capital Social 200.000.00 20.000.00 100.000.00 
Total do passivo 251.000.00 30.000.00 130.000.00 
Outras informações:
•	 saldo da conta valores a pagar da Cia. XY correspondia a operações de 
repasses financeiros realizados com a controladora;
176
•	 em 31/12/X7, a Cia. LM tinha a receber $ 2.000 de sua controladora.
13 O valor apurado na consolidação do Balanço Patrimonial para as participações 
minoritárias é:
a) ( ) $ 20.000
b) ( ) $ 100.000
c) ( ) $ 120.000
d) ( ) $ 40.000
14 Em 31/12/X7, o grupo tinha a receber de terceiros:
a) ( ) $ 57.000
b) ( ) $ 64.000
c) ( ) $ 34.000
d) ( ) $ 5.000
15 O valor consolidado do capital social do grupo era:
a) ( ) $ 320.000
b) ( ) $ 200.000
c) ( ) $ 300.000
d) ( ) $ 220.000
16 Em 31/12/X7 as obrigações totais do grupo eram: 
a) ( ) $ 14.000
b) ( ) $ 70.000
c) ( ) $ 84.000
d) ( ) $ 16.000
17 O valor do Ativo Não Circulante Consolidado em 31/12/X7 era: 
a) ( ) $ 224.000
b) ( ) $ 234.000
c) ( ) $ 164.000
d) ( ) $ 244.000
18 Na consolidação dos Balanços de Controladora e Controlada, todos os itens 
seguintes deverão ser excluídos, exceto:
a) ( ) lucro não realizado nas transações de mercadorias entre controladora e 
contro lada.
b) ( ) lucro na venda de Ativos Imobilizados entre controladora e controlada.
c) ( ) contas a receber que representam contas a pagar na controlada.
d) ( ) participações societárias de empresas não controladas e não pertencentes 
ao grupo.
177
19 A empresa A controla 100% do Capital Social da empresa B. A situação do 
Ativo Não Circulante de ambas, no encerramento do Balanço Patrimonial, é 
a seguinte (em R$):
Ativo Permanente A B
Participação em sociedade controlada 
Imobilizado líquido 
Intangível
1.000,00 
5.000,00 
650,00
3.000,00 
150,00
Total 6.650,00 3.150,00
O Ativo Não Circulante consolidado será de (em R$):
a) ( ) 9.800,00
b) ( ) 8.800,00
c) ( ) 6.650,00
d) ( ) 8.000,00
Com base nos dados a seguir responda às questões de 20 a 27.
 I – Balanço Patrimonial 
 Controladora A Controlada B
Ativo 
 Disponível 95.000,00 125.000,00 
 Contas a receber – terceiros 120.000,00 
 Contas a receber – intercompanhias 140.000,00 
 Estoques 70.000,00 20.000,00 
 Investimentos na Controlada B 125.000,00 
 Imobilizado 350.000,00 35.000,00 
Total do Ativo 760.000,00 320.000,00 
 
Passivo 
 Fornecedores terceiros 50.000,00 120.000,00 
 Fornecedores intercompanhias 140.000,00 
 Outras contas a pagar 40.000,00 55.000,00 
 Capital 500.000,00 125.000,00 
 Lucros a Destinar 30.000,00 20.000,00 
Total do Passivo 760.000,00 320.000,00 
II – Demonstrações do Resultado do Exercício 
Demonstração de Resultados Controladora A Controlada B
Vendas 80.000,00 140.000,00 
Custos das Vendidas (70.000,00) (100.000,00)
Lucro Bruto 10.000,00 40.000,00 
Resultado da equivalência 20.000,00 
Lucro Líquido 30.000,00 40.000,00 
178
III – Outras informações adicionais:
•	 A controladora A constituiu a controlada B da qual tem 100% do capital.
•	 A controlada B vendeu para a controladora A por R$ 140.000,00 mercadorias 
que lhe custaram R$ 100.000,00.
•	 A controladora A vendeu metade dos estoques comprados da controlada B 
pelo preço de R$ 80.000,00.
•	 No período foram distribuídos dividendos pela controlada B, na ordem de 
R$ 20.000,00.
20 Após a consolidação dos Balanços, o valor total das Contas a Receber é de 
(em R$):
a) ( ) 120.000,00 
b) ( ) 140.000,00 
c) ( ) 80.000,00 
d) ( ) 260.000,00 
21 Após a consolidação dos Balanços, o valor total das dívidas com terceiros é 
de (em R$):
a) ( ) 95.000,00 
b) ( ) 170.000,00 
c) ( ) 255.000,00 
d) ( ) 265.000,00
22 Após a consolidação dos Balanços, o valor dos lucros a destinar é (em R$):
a) ( ) 40.000,00 
b) ( ) 30.000,00 
c) ( ) 50.000,00 
d) ( ) 80.000,00 
23 Após a consolidação dos Balanços, o valor total do Ativo é (em R$): 
a) ( ) 720.000,00 
b) ( ) 815.000,00 
c) ( ) 1.080.000,00 
d) ( ) 795.000,00 
24 No processo de consolidação das demonstrações contábeis, o valor do lucro 
não realizado é de (em R$):
179
a) ( ) 20.000,00 
b) ( ) 40.000,00 
c) ( ) 30.000,00 
d) ( ) 10.000,00 
25 O valor das Receitas de Vendas Consolidadas é de (em R$):
a) ( ) 80.000,00 
b) ( ) 140.000,00 
c) ( ) 120.000,00 
d) ( ) 220.000,00
26 O valor do Custo das Vendas Consolidado é de (em R$):
a) ( ) 30.000,00 
b) ( ) 70.000,00 
c) ( ) 50.000,00 
d) ( ) 100.000,00
27 O valor do Lucro Bruto Consolidado é de (em R$):
a) ( ) 10.000,00 
b) ( ) 30.000,00 
c) ( ) 40.000,00 
d) ( ) 20.000,00
28 Com base nas informações a seguir, faça as eliminações e monte o balanço 
consolidado “Alfa/Beta”, levando em consideração que: Em 02/01/07, a Cia. 
Alfa adquire 100% das ações da Cia Beta por R$ 500.000,00.180
ELEMENTOS Cia. Alfa Cia. Beta Eliminações
Balanço de A 
consolidando B
D C em 02/01/X2
Ativo Circulante
Investimentos 
 Em Beta 
 Em outras
Imobilizado
1.200 
500 
60
140
220
10
310
TOTAL do ATIVO 1.900 540
Passivo
Patrimônio Líquido
 Capital 
 Reservas
500
1.000 
400
40
400 
100
TOTAL DO PASSIVO 1.900 540 
Balanços Patrimoniais em 02/01/2007 (em R$ 1.000,00)
29 Com base nas informações a seguir faça as eliminações e monte o balanço 
consolidado “ABC”, levando em consideração que: Em 02/01/07, a Cia. Alfa 
adquire 100% das ações da Cia Beta por R$ 400.000,00. Ainda em 02/01/07 a 
Cia. Alfa adquire 60% das ações da Cia. Cisne por R$ 300.000,00.
181
ELEMENTOS
Cia. 
Alfa
Cia. 
Beta
Cia. 
Cisne
Eliminações
Balanço de A 
consolidando B
D C e C em 02/01/X2
Ativo Circulante
Investimentos 
 Em Beta 
 Em Cisne
 Em outras
Imobilizado
1.100
400 
300
120
580
310
90
330
410
20
570
T O T A L d o 
ATIVO
2.500 730 1.000
Passivo
Participação 
minoritária
Patrimônio 
Líquido
 Capital 
 
 Reservas
810
1.480 
210
330
300 
100
500
450 
50
T O T A L d o 
PASSIVO
2.500 730 1.000
30 Com base nos dados a seguir, faça OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS, AS 
ELIMINAÇÕES e MONTE O BALANÇO CONSOLIDADO da empresa 
“PB”:
1. Os Balanços Patrimoniais em 31/12/X1 da Controladora PASIL e da Controlada 
Beta:
182
Balanços Patrimoniais encerrados em 31/12/X1 (em R$)
CONTAS
Empresa 
Controladora
Empresa 
Controlada
ATIVO
Caixa 
Contas a Receber 
Clientes 
Mercadorias 
Participações Societárias Terrenos 
Móveis 
Máquinas
10.000 
25.000 
3.000
42.000 
57.000 
23.000 
1.000 
20.000
13.000 
10.600
30.000 
12.400 
22.000 
3.000 
24.000
TOTAIS 181.000 115.000
PASSIVO
Fornecedores Impostos a Recolher 
Contas a Pagar Empréstimo
Capital Social 
Lucros a Destinar
30.000 
12.000 
4.000
28.000
94.000 
13.000
8.500 
1.500
25.000
2.000 
50.000 
28.000
TOTAIS 181.000 115.000
Efetue os lançamentos contábeis de ajustes abaixo indicados, necessários 
à consolidação dos balanços em 31/12/X1.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
•	 A controladora (PASIL) detém 100% do capital da controlada (BETA) e o 
investimento é avaliado pela equivalência patrimonial.
•	 Toda a produção da controlada se destina à venda pela controladora, que 
somente adquire produtos da controlada e sempre pelo dobro do custo da 
produção.
AJUSTES (Faça os lançamentos contábeis) 
1. A controlada tem a pagar à controladora a importância de 25.000,00, 
registrada em contas a pagar. Logo, a controladora tem a receber R$ 25.000,00 
da controlada 
183
Na consolida ção, os saldos de Contas a Receber e de Contas a Pagar se 
com pensam, ficando, portanto, eliminados.
Contabilização:
D – ________________________________________
C – ________________________________________
2. Toda a produção da controlada se destina à venda pela controlado ra, que 
adquire a mercadoria pelo dobro do custo de produção. 
D – ________________________________________
C – ________________________________________
3. A controlada vende mercadorias para a controladora pelo dobro do preço de 
custo. Consequentemente, tanto no estoque de mer cadorias da controladora 
como no Patrimônio Líquido da controlada, existem R$ 21.000,00 (metade do 
estoque da controladora) de lucros ainda não realizados.
Contabilização:
D – ________________________________________
C – ________________________________________
4. A controladora detém 100% do capital da controlada e o investi mento é 
avaliado pelo método da equivalência patrimonial. A participação societária 
da controladora é eliminada contra Capital Social e os Lucros Acumulados 
da controlada.
Contabilização:
D – _________________________________________
D – _________________________________________
C – _________________________________________
AJUSTES
184
CONTAS
Empresa 
Controladora
Empresa 
Controlada
Débito Crédito
Saldo 
Consolidado
ATTVO
Caixa 
Contas a Receber 
Clientes 
Mercadorias 
Participações 
Societárias 
Terrenos 
Móveis 
Máquinas
10.000 
25.000 
3.000
42.000 
57.000 
23.000 
1.000 
20.000
13.000 
10.600
30.000 
12.400
 
22.000 
3.000 
24.000
TOTAIS 181.000 115.000
PASSIVO
Fornecedores 
Impostos a 
Recolher Contas a 
Pagar Empréstimo
Capital Social 
Lucros a Destinar
30.000 
12.000 
4.000
28.000
94.000 
13.000
8.500 
1.500
25.000
2.000 
50.000 28.000
TOTAIS 181.000 115.000
31 Com base nas informações a seguir faça:
1. A Demonstração do Resultado do Exercício de cada empresa separadamente.
2. O Balanço Patrimonial de cada empresa separadamente.
3. As eliminações necessárias para o Balanço consolidado.
4. As eliminações necessárias para a DRE consolidada.
185
CONTROLADORA A
ATIVO PASSIVO
Disponível 
Investimento 
Imobilizado
2.000
 5.000
10.000
Patrimônio Líquido 
Capital 17.000
TOTAIS 17.000 17.000
CONTROLADA B
ATIVO PASSIVO
Estoques
Imobilizado
1.000
4.000
Patrimônio Líquido 
Capital 5.000
TOTAIS 5.000 5.000
Obs.: A controladora detém 100% do capital da controlada. No decorrer 
do exercício, ocorreram apenas as seguintes transações: 
1. A Cia. B vende metade dos seus estoques para Cia. A por R$ 800,00, à vista.
2. A Cia. A vende, à vista, para terceiros, 70% (setenta por cento) do estoque 
adquirido de B, por R$ 750,00.
DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO
Itens Controladora A Controlada B
Vendas
(-) CMV
(=) Lucro Bruto
(+) Resultado da Equivalência
(=) Lucro Líquido
1 Faça a DRE de cada empresa separadamente.
186
BALANÇOS PATRIMONIAIS
CONTROLADORA A CONTROLADA B
ATIVO PASSIVO ATIVO PASSIVO
Disponível 
Estoques
Investimentos 
Imobilizado 
PL
Capital 
Lucros a Destinar 
Disponível 
Estoques 
Imobilizado 
PL
Capital 
Lucros a Destinar 
TOTAIS 
3 Faça as eliminações necessárias para o Balanço consolidado.
Contas Empresas Ajustes Consolidado
A B Débito Crédito
Disponível 
Estoques 
Investimentos 
Imobilizado
Total
Capital
Lucros a Destinar
Total
4 Faça as eliminações necessárias para a DRE consolidada.
Contas Empresas Ajustes Consolidado
A B Débito Crédito
Vendas 
CMV
Lucro Bruto
Equivalência
Lucro Líquido
2 Faça o Balanço de cada empresa separadamente.
187
TÓPICO 2
CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste segundo momento analisaremos operações contábeis envolvendo 
matriz e filial, desde conceitos até exemplos práticos envolvendo transferência de 
numerários, compras e transferências de mercadorias, com ou sem lucro.
Conheceremos o tratamento tributário que envolve as operações entre 
matriz e filial, sendo na apuração centralizada ou descentralizada.
2 CONCEITUALIZAÇÃO DE MATRIZ
A matriz pode ser conceituada como sendo a empresa principal, ou seja, 
aquela que gerou e é responsável por todos os demais estabelecimentos que 
estejam sob o mesmo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ.
De acordo com Neves e Viceconti (2004, p. 319), a matriz “[...] representa 
o estabelecimento sede ou principal, ou seja, aquele que tem primazia na direção 
e a que estão subordinados todos os demais, chamados de filiais, sucursais e 
agências. Representa, portanto, o estabelecimento mãe, exprimindo a fonte ou a 
origem [...]”.
Todo o estabelecimento é identificado através de um CNPJ. Este CNPJ 
é composto por oito dígitos iniciais que determinama raiz do cadastro, mais 
quatro dígitos que definem se é matriz ou filial e mais dois dígitos para controle 
na própria Receita Federal do Brasil – RFB.
Portanto, poderíamos ter uma matriz com o seguinte CNPJ 85.123.732/0001-
34, a primeira filial com o CNPJ 85.123.732/0002-87, a segunda filial com o CNPJ 
85.123.732/0003-12 e assim por diante.
188
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
NOTA
Note que os primeiros oito dígitos não se alteram e os quatro dígitos após a 
barra servem para identificar se é matriz ou identificar a sequência de filiais que foram abertas 
pela matriz. Portanto, se a matriz tiver 200 filiais, o CNPJ poderia estar assim representado, de 
acordo com o exemplo: CNPJ 85.123.732/0200-35.
3 CONCEITUALIZAÇÃO DE FILIAIS, SUCURSAIS E AGÊNCIAS
As diferenças entre filiais, sucursais ou agências são pequenas, porém cada 
uma apresenta alguma peculiaridade em especial que cabe, aqui, ser explanada.
Conforme adaptado de Neves e Viceconti (2004):
•	 Filial representa os estabelecimentos filhos da matriz, onde sua criação ou 
extinção depende de alterações contratuais ou estatutárias. Após a alteração 
contratual ou estatutária, esta, para valer legalmente, dependerá da devida 
efetivação do registro na Junta Comercial do Estado onde a filial estiver 
localizada. A filial pode ser qualquer estabelecimento mercantil que é 
dependente ou ligado a outro estabelecimento. De forma genérica, a filial é 
designada de agência ou sucursal. 
•	 Sucursal é tida como estabelecimento com maior autonomia administrativa, 
possuindo uma direção a que se atribui uma faculdade de decidir e operar 
com maior liberdade, enquanto que a filial tem dependência mais direta da 
matriz. Portanto, a sucursal tem categoria superior e posição hierárquica 
mais elevada que a filial e, em certos casos, com as próprias agências e filiais, 
compõem um departamento regional.
•	 Agência tem o mesmo significado de filial ou sucursal, porém no Brasil essa 
terminologia é designada para identificar agências bancárias ou dos correios. 
UNI
Trataremos neste tópico os conceitos de filial, sucursal e agência como sendo 
iguais para fins de contabilização.
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
189
4 FORMAS DE CONTABILIZAÇÃO ENTRE MATRIZ E FILIAL
A contabilidade entre matriz e filais pode ser centralizada ou descentralizada. 
É centralizada quando todas as operações contábeis são registradas unicamente 
na matriz, mesmo que esta tenha um plano de contas específico para registrar 
as operações e saldos das filiais, elaborando, por exemplo, um único balancete. 
Por sua vez, é descentralizada quando as operações contábeis são registradas 
individualmente, pela matriz e por suas filiais, elaborando, por exemplo, um 
balancete para a matriz e outro para cada uma das filais.
No entanto, mesmo optando pela escrituração descentralizada, é 
obrigatório, ao final de cada mês, incorporar as demonstrações contábeis de 
matriz e filial, conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, 
no art. 252.
Art. 252 É facultado às pessoas jurídicas que possuírem filiais, sucursais ou 
agências, manter contabilidade não centralizada, devendo incorporar ao final 
de cada mês, na escrituração da matriz, os resultados de cada uma delas.
De acordo com a Resolução 1.330, de 18 de março de 2011, do Conselho 
Federal de Contabilidade, em relação à escrituração contábil de filial:
1. A entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, quer como filial, 
agência, sucursal ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração 
descentralizado, deve ter registros contábeis que permitam a identificação das 
transações de cada uma dessas unidades.
2. A escrituração de todas as unidades deve integrar um único sistema contábil.
3. A opção por escrituração descentralizada fica a critério da entidade.
4. Na escrituração descentralizada deve ser observado o mesmo grau de 
detalhamento dos registros contábeis da matriz.
5. As contas recíprocas relativas às transações entre matriz e unidades, bem como 
entre estas, devem ser eliminadas quando da elaboração das demonstrações 
contábeis da entidade.
6. As despesas e as receitas que não possam ser atribuídas às unidades devem ser 
registradas na matriz e distribuídas para as unidades de acordo com critérios 
da administração da entidade.
190
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
NOTA
Portanto, na escrituração centralizada é lançado no livro diário da MATRIZ 
o movimento da matriz e da filial. Já na escrituração descentralizada, o movimento é 
reconhecido separadamente, ou seja, se possui um livro diário para a matriz e um livro diário 
para a filial, porém, ao final do mês, ambos os métodos terão que formar uma consolidação 
das contas patrimoniais e de resultados entre filial e matriz formando uma única entidade.
A opção pelo registro centralizado ou descentralizado é facultativa; 
portanto, cabe a cada empresa analisar a forma mais adequada ou necessária para 
o registro das operações contábeis.
Segundo Neves e Viceconti (2004), é importante salientar que, na 
contabilidade descentralizada, cada filial é tratada como se fosse uma entidade 
à parte, ou seja, como se fosse outra empresa, pois registra e separa todas as 
operações em ativos, passivos, receitas, custos, despesas e outros elementos, 
como se fosse qualquer outra empresa normal, apurando separadamente as 
demonstrações contábeis, inclusive o resultado do exercício.
UNI
Obviamente que, para fins gerenciais, é aconselhável sempre acompanhar o 
resultado separadamente de cada filial.
5 APURAÇÃO FISCAL E TRIBUTÁRIA
Quanto às obrigações acessórias, como, por exemplo, a emissão de notas 
fiscais, cada filial e/ou matriz deverá emitir individualmente seus documentos, 
cabendo, após a emissão, o registro centralizado ou descentralizado contabilmente, 
uma vez que a raiz do CNPJ será igual, porém, se necessário, cada matriz e filial 
terá sua Inscrição Estadual – IE.
Nas empresas optantes do Simples Nacional, onde há a apuração 
consolidada de vários impostos, a matriz e as filiais podem controlar 
separadamente o valor a ser pago do Simples, porém, ao final da apuração será 
gerado um único Documento de Arrecadação do Simples – DAS. Veja o exemplo 
a seguir com base no modelo apresentado pela Receita Federal do Brasil – RFB:
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
191
Considerando a empresa Mega Nacional Ltda., que possui uma matriz 
e duas filiais e possui receitas decorrentes da venda de mercadorias por ela 
industrializadas (Anexo II, Seção I, Tabela 1) e receitas decorrentes da prestação 
de serviços de instalação e manutenção de aparelhos de refrigeração (Anexo III, 
Seção III, Tabela 1).
Sabe-se que a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses é a seguinte:
Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo II: $ 480.000,00
Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo III: $ 285.000,00
Receitas decorrentes da Filial 1 conforme o Anexo III: $ 350.000,00
Receitas decorrentes da Filial 2 conforme o Anexo III: $ 575.000,00
Total da receita bruta (soma matriz e filiais): $ 1.690.000,00
Sabe-se também que a receita do mês (receita a ser tributada) é a seguinte:
Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo II: $ 40.000,00
Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo III: $ 25.000,00
Receitas decorrentes da Filial 1 conforme o Anexo III: $ 35.000,00
Receitas decorrentes da Filial 2 conforme o Anexo III: $ 50.000,00
Total da receita bruta do Período de Apuração (soma matriz e filiais): 
$150.000,00
Portanto:
•	 a base da Receita Bruta Acumulada para fins de determinação da alíquota do 
Simples será a soma da Receita Bruta Acumulada da empresa nos 12 meses 
anteriores ao Período de Apuração,ou seja, $ 1.690.000,00;
•	 o valor devido do Simples Nacional pela Matriz será (40.000 x 10,82%) + (25.000 
x 15,48%) = 4.328,00 + 3.870,00 = 8.198,00;
•	 o valor devido do Simples Nacional pela Filial 1 será (35.000 x 15,48%) = 
5.418,00;
•	 o valor devido do Simples Nacional pela Filial 2 será (50.000 x 15,48%) = 
7.740,00; e
•	 o valor devido do Simples Nacional total (matriz e filial) será (8.198,00 + 5.418,00 
+ 7.740,00) = 21.356,00.
O valor de 21.356,00 será recolhido num único DAS, porém, poderá ser 
reconhecido contabilmente, separadamente.
Os percentuais multiplicados pela receita são encontrados de acordo com 
a Receita Bruta Acumulada em cada um dos anexos indicados, ou seja, basta 
entrar em cada um dos anexos e encontrar a faixa de faturamento acumulado que 
se encaixe em 1.690.000,00
192
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
NOTA
Na apuração do Simples Nacional, quando a empresa possuir filiais, a receita 
bruta acumulada dos últimos 12 meses será a soma da receita da matriz e filais, mesmo que 
estas possuam atividades distintas.
Já nas empresas optantes pelo Lucro Presumido ou Lucro Real, em 
que a apuração do ICMS, ISSQN, IPI, INSS, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ é feita 
individualmente, o recolhimento desses impostos será da seguinte forma:
•	 ICMS será recolhido de acordo com a legislação de cada Estado. Em alguns 
estados, para aquelas entidades que possuírem matriz e filial dentro do mesmo 
Estado, desde que haja comunicação de centralização de recolhimento, poderão 
apurar o ICMS em Documento de Arrecadação – DARE único. Caso o Estado 
não permita a centralização, será obrigatório o recolhimento em quantos 
DARES forem necessários, ou seja, o recolhimento não poderá ser em DARE 
único juntando matriz e filial. 
•	 ISSQN – será obrigatório o recolhimento em quantas guias for necessário, ou 
seja, o recolhimento não poderá ser em guia única juntando matriz e filial. 
•	 IPI – será obrigatório o recolhimento em quantos DARFs forem necessários, ou 
seja, o recolhimento não poderá ser em guia única juntando matriz e filial. 
•	 INSS – será obrigatório o recolhimento em quantas guias forem necessárias, ou 
seja, o recolhimento não poderá ser em GPS única juntando matriz e filial. 
•	 PIS – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF.
•	 COFINS – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF.
•	 CSLL – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF.
•	 IRPJ – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF.
Cabe frisar que mesmo a apuração sendo centralizada, indiferente do 
imposto em questão, a Escrituração Fiscal Digital – EFD deverá ser confeccionada 
e enviada individualmente à RFB, não podendo ser centralizada na matriz.
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
193
NOTA
A empresa que possuir mais de um estabelecimento poderá, sem necessidade 
de autorização da CAIXA, optar pela centralização parcial ou total dos recolhimentos ao FGTS, 
desde que mantenha, em relação àquelas unidades, o controle de pessoal e dos registros 
contábeis também centralizados. A centralização dos recolhimentos ao FGTS não implica a 
centralização dos recolhimentos para a Previdência Social.
Ainda em relação ao ICMS, é importante destacar que:
•	 A centralização só pode ocorrer entre empresas do mesmo Estado. Veja os 
exemplos a seguir:
1 Matriz situada no Estado de Santa Catarina e filial no Estado do Paraná: a 
apuração do ICMS não poderá ser centralizada, uma vez que cada Estado 
tem sua legislação sobre o ICMS.
2 Matriz situada no Estado de Santa Catarina e filial também no Estado de 
Santa Catarina: a apuração do ICMS poderá ser centralizada, uma vez 
que a legislação estadual é única.
•	 Após centralização, o ICMS é recolhido pelo centralizador. A entidade deverá 
optar por apenas um centralizador, podendo ser a matriz ou uma das filiais.
•	 Para transferência de ICMS entre matriz e filial basta a opção pela centralização 
(ou seja, há necessidade de serem do mesmo Estado). Nessa hipótese, não será 
necessário pedir autorização ao fisco para fazer a transferência. A transferência 
será o limite do débito do centralizador.
•	 Não havendo centralização, o ICMS é recolhido individualmente por empresa. 
Nesse caso, para transferir ICMS entre matriz e filial é preciso autorização do 
fisco.
•	 O ICMS é diferido internamente nas operações entre matriz e filial, ou seja, 
nas vendas entre matriz e filial que estejam localizadas no mesmo estado. Por 
exemplo:
1. no estado de Santa Catarina, as operações internas entre matriz e filial, 
desde que seja optado pela apuração centralizada, o ICMS será diferido, 
conforme consta no Regulamento do ICMS/SC, Decreto 2.870 de 27 de 
agosto de 2001, Anexo 3, artigo 8º. inciso III.
194
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
6 EXEMPLOS
A seguir serão apresentados três exemplos com o objetivo de evidenciar 
as operações entre matriz e filial.
Exemplo 1: Transferência de numerários
Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende 
Mais Ltda. levantado em 31/12/X1.
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 80.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 100.000,00 
Registros Contábeis e Consolidação de Balanços
Suponha que durante o exercício de X2, os sócios tenham decidido ampliar 
o negócio abrindo uma filial.
Depois de legalizado o novo estabelecimento, a matriz transferiu a importância 
de R$ 10.000,00, da sua conta movimento para a conta movimento da filial.
Contabilização na Matriz:
Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00
Crédito – Bancos Conta Movimento (AC) 10.000,00
Contabilização na Filial:
Débito – Bancos conta Movimento (AC) 10.000,00
Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00
Agora, apenas para ilustrar um registro contábil comum na filial, suponha 
que a filial tenha adquirido, à vista, móveis e utensílios, no valor de R$ 6.000.
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
195
Contabilização na Filial:
Débito – Móveis e Utensílios (ANC) 6.000,00
Crédito – Bancos Conta Movimento (AC) 6.000,00
Considerando que no exercício de X2 tenham ocorrido somente esses 
fatos e que a contabilização seja descentralizada, os Balanços da matriz e da sua 
filial ficarão assim:
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 70.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 17.000,00 Capital Social 100.000,00
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
TOTAL DO ATIVO 
CIRCULANTE
 70.000,00 
ATIVO NÃO CIRCULANTE 30.000,00 
REALIZÁVEL A LONGO 
PRAZO
 10.000,00 
Conta Corrente Filial 10.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 100.000,00 
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 4.000,00 NÃO CIRCULANTE 10.000,00 
Bancos Conta 
Movimento 4.000,00 
EXIGÍVEL A LONGO 
PRAZO 10.000,00 
ATIVO NÃO 
CIRCULANTE 6.000,00 Conta Corrente Matriz 10.000,00 
IMOBILIZADO 6.000,00 
Móveis e Utensílios 6.000,00 
TOTAL DO ATIVO 10.000,00 TOTAL DO PASSIVO 10.000,00 
196
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
A escrituração da eliminação dodireito e da obrigação recíprocos, no 
exemplo em questão:
Registro contábil no diário da matriz:
Débito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00
Crédito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00
Então, o Balanço consolidado, ou seja, o Balanço que reflete realmente a 
situação patrimonial do conjunto, será:
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
CONSOLIDADO LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 74.000,00 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO 100.000,00
Bancos Conta 
Movimento 21.000,00 Capital Social 100.000,00
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
ATIVO NÃO 
CIRCULANTE 26.000,00 
IMOBILIZADO 26.000,00 
Móveis e Utensílios 26.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO 100.000,00
Exemplo 2: Transferência de mercadorias pelo custo
Obs.: Apuração do ICMS é descentralizada, uma vez que matriz e filial 
estão localizadas em Estados distintos.
Nas transferências internas de mercadorias, seja da matriz para as filiais 
ou vice-versa, seja entre as filiais, o ideal é que sejam efetuadas sempre pelo preço 
de custo, ou seja, pelo valor que o grupo pagou ao fornecedor de fora do grupo.
Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende 
Mais Ltda. levantado em 31/12/X1, situada no Estado de Santa Catarina.
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
197
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 80.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social
 
100.000,00 
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
ATIVO NÃO 
CIRCULANTE
 20.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO
 
100.000,00 
Em X2, a única operação que a Vende Mais Ltda. fez foi a transferência 
de todo seu estoque para sua filial, situada no Estado do Paraná, a qual até então 
não tinha movimento e nem saldo. Sabe-se que há a incidência de 12% de ICMS. 
Portanto, como o ICMS é calculado de dentro para fora, a matriz procedeu da 
seguinte forma para que a mercadoria fosse transferida pelo preço de custo:
Cálculo do valor da transferência pelo preço de custo com ICMS 12%:
Preço de custo – 44.000,00
ICMS – 12%
Para inserir o ICMS, sabendo que se calcula de dentro para fora, deve-se 
proceder da seguinte forma: 100% (-) 12% = 88% ou 0,88 na forma decimal, sendo 
que:
100% é sempre fixo.
12% é a alíquota do ICMS.
0,88 é o resultado de 88% dividido por 100.
Então, 44.000,00 dividido por 0,88 = 50.000,00 (esse o valor da transferência 
pelo preço de custo, mas com a incidência de 12% de ICMS).
Para tirar uma prova real:
50.000,00 menos 12% = 44.000,00, ou seja, o resultado da equação deverá 
ser sempre o preço de custo.
198
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
Contabilização na Matriz pela venda:
Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 50.000,00
Crédito – Receita de Vendas – Filial (DRE) 50.000,00
Débito – ICMS s/ Vendas – Filial (DRE) 6.000,00
Crédito – ICMS a recolher (PC) 6.000,00
Débito – CMV – Filial (DRE) 44.000,00
Crédito – Estoques (AC) 44.000,00
Contabilização na Matriz pela apuração do ICMS. A apuração é 
descentralizada, ou seja, a matriz e a filial têm apurações distintas. Uma vez que 
a matriz possui um saldo de ICMS a recuperar e na venda de mercadorias para a 
filial gerou R$ 6.000,00 de ICMS a recolher, a apuração do ICMS ficará dessa forma:
Débito – ICMS a recolher (PC) 6.000,00
Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 6.000,00
Note que o saldo de menor valor (ICMS a recolher) foi zerado.
Contabilização na Filial:
Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 50.000,00
Débito – Estoques de Mercadorias (AC) 44.000,00
Débito – ICMS a Recuperar (AC) 6.000,00
Considerando que no exercício de X2 ocorreram somente essas operações, 
veja como matriz e filial apurarão suas demonstrações contábeis.
a) Na Matriz:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
 Vende Mais Ltda.
Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2
Receita Bruta de Vendas 50.000,00 
(-) Impostos 6.000,00
(=) Receita Líquida 44.000,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida 44.000,00
(=) Resultado do Exercício 0,00 
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
199
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 30.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00
ICMS a Recuperar 3.000,00 
ATIVO NÃO CIRCULANTE 70.000,00
REALIZÁVEL A LONGO 
PRAZO
 50.000,00 
Conta Corrente Filial 50.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
100.000,00 
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO 
CIRCULANTE 50.000,00 NÃO CIRCULANTE 50.000,00 
Estoque de 
Mercadorias
 44.000,00 
EXIGÍVEL A LONGO 
PRAZO 50.000,00 
ICMS a Recuperar 6.000,00 Conta Corrente Matriz 50.000,00 
TOTAL DO ATIVO 50.000,00 TOTAL DO PASSIVO 50.000,00 
A escrituração da eliminação do direito e da obrigação recíprocos, no 
exemplo em questão:
Registro contábil no Diário da Matriz:
Débito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 50.000,00
Crédito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 50.000,00
Eliminação das contas de resultado entre matriz e filial:
Na Matriz 
Débito – Receita de Vendas – matriz (DRE) 50.000,00
Crédito – ICMS s/ Vendas – matriz (DRE) 6.000,00
Crédito – CMV – da matriz (DRE) 44.000,00
200
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
Então o Balanço consolidado, ou seja, o Balanço que reflete realmente a 
situação patrimonial do conjunto, será:
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
CONSOLIDADO LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 80.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 100.000,00 
Perceba que não houve alteração dos saldos consolidados, uma vez que a 
operação foi efetuada pelo preço de custo. 
Nesse caso também não há a necessidade de elaboração da Demonstração 
de Resultado do Exercício consolidada, uma vez que todos os saldos foram 
zerados, porque não houve resultado.
NOTA
Nesse exemplo, a matriz ficaria com um saldo de ICMS a recuperar de R$ 
3.000,00 e a filial com um saldo também de ICMS a recuperar de R$ 6.000,00.
Exemplo 3: Transferência de mercadorias com lucro
Obs.: Apuração do ICMS é descentralizada, uma vez que matriz e filial 
estão localizadas em Estados distintos.
A transferência de mercadorias com lucros sofre o mesmo processo da 
consolidação das demonstrações contábeis, ou seja, o lucro deve ser eliminado, 
servindo então, apenas para avaliação interna ou desempenho. Portanto, ao final 
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
201
do período o estoque estará evidenciado pelo seu preço de custo, uma vez que o 
lucro nas transações entre filiais e matriz ou vice-versa deve ser eliminado.
Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende 
Mais Ltda. levantado em 31/12/X1. Sabe-se que a Matriz está localizada no Estado 
de Santa Catarina e sua filial no Estado do Paraná.
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 80.000,00
PATRIMÔNIOLÍQUIDO
 100.000,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 
Estoque de Mercadorias 44.000,00 
ICMS a Recuperar 9.000,00 
ATIVO NÃO 
CIRCULANTE
 20.000,00 
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 100.000,00 
Obs.: A empresa optou pela Apuração do ICMS centralizada no Estado.
Em X2, a únicas operações da Vende Mais Ltda. foram estas:
1. Venda de todo seu estoque para sua filial, a qual até então não tinha movimento 
e nem saldo. Sabe-se que o estoque foi vendido por 80.000,00 e que há incidência 
de 12% de ICMS.
 
2. Transferência de 10.000,00 para a filial.
Contabilização na Matriz pela venda à filial:
Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 80.000,00
Crédito – Receita de Vendas – Filial (DRE) 80.000,00
Débito – ICMS s/ Vendas – Filial (DRE) 9.600,00
Crédito – ICMS a recolher (PC) 9.600,00
Débito – CMV – Filial (DRE) 44.000,00
Crédito – Estoques (AC) 44.000,00
Contabilização na Matriz pela transferência de 10.000,00 à filial:
202
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00
Crédito – Banco Conta Movimento (AC) 10.000,00
Contabilização na filial pela compra do estoque na matriz:
Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 80.000,00
Débito – Estoques de Mercadorias (AC) 70.400,00
Débito – ICMS a Recuperar (AC) 9.600,00
Contabilização na filial pelo recebimento em transferência de 10.000,00 da 
matriz:
Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00
Débito – Banco Conta Movimento (AC) 10.000,00
Ainda em X2 a filial vende 50% de seu estoque por 60.000,00 a terceiros 
com incidência de 17% de ICMS.
Contabilização na filial pela venda de 50% do estoque a terceiros com 18% 
de ICMS:
Débito – Clientes (AC) 60.000,00
Crédito – Receita de Vendas (DRE) 60.000,00
Débito – ICMS s/ Vendas (DRE) 10.200,00
Crédito – ICMS a recolher (PC) 10.200,00
Débito – CMV (DRE) 35.200,00
Crédito – Estoques (AC) 35.200,00
Considerando que, no exercício de X2, ocorreram somente essas operações, 
veja como matriz e filial apurarão suas demonstrações contábeis.
a) Na Matriz:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Vende Mais Ltda.
Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2
Receita Bruta de Vendas 80.000,00 
(-) Impostos 9.600,00
(=) Receita Líquida 70.400,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida 44.000,00
(=) Resultado do Exercício 26.400,00 
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
203
Em relação ao ICMS, tem-se:
ICMS a Recolher 9.600,00
( -) ICMS a Recuperar 9.000,00
(=) Saldo a Recolher 600,00
A contabilização da apuração do ICMS na matriz seria dessa forma:
Débito – ICMS a recolher (PC) 9.000,00
Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 9.000,00
Portanto, o Balanço Patrimonial na matriz ficará assim:
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 17.000,00
PASSIVO 
CIRCULANTE
600,00
Bancos Conta Movimento
 
17.000,00 
ICMS A RECOLHER 600,00
ATIVO NÃO CIRCULANTE 110.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 126.400,00
REALIZÁVEL A LONGO 
PRAZO
90.000,00 Capital Social
 
100.000,00 
Conta corrente Filial 90.000,00 Lucros a Destinar 26.400,00
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios
 
20.000,00 
 
TOTAL DO ATIVO 127.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 
127.000,00 
b) Na Filial:
204
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
 Vende Mais Ltda.
Filial LEVANTADO EM 31/12/X2
Receita Bruta de Vendas 60.000,00 
(-) Impostos 10.200,00
(=) Receita Líquida 49.800,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida 35.200,00
(=) Resultado do Exercício 14.600,00 
Em relação ao ICMS, tem-se:
ICMS a Recolher 10.200,00
(-) ICMS a Recuperar 9.600,00
(=) Saldo a Recuperar 600,00
A contabilização da apuração do ICMS na filial seria dessa forma:
Débito – ICMS a recolher (PC) 9.600,00
Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 9.600,00
Portanto, o Balanço Patrimonial na filial ficará assim:
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 106.400,00 CIRCULANTE 600,00 
Bancos Conta 
Movimento
 10.000,00 
ICMS a Recolher 600,00 
Clientes 60.000,00 NÃO CIRCULANTE 90.000,00 
Estoque de Mercadorias 35.200,00 
EXIGÍVEL A LONGO 
PRAZO 90.000,00 
Conta Corrente Matriz 90.000,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 14.600,00
Lucros a Destinar 14.600,00 
TOTAL DO ATIVO 105.200,00 TOTAL DO PASSIVO 105.200,00 
Agora, para a consolidação entre matriz e filial serão necessárias as 
seguintes eliminações:
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
205
a) Eliminação de direitos e obrigações recíprocos:
Débito – Contas Correntes (PELP Matriz) 90.000,00
Crédito – Contas Correntes (ARLP Filial) 90.000,00
b) Eliminação dos lucros da matriz embutido nos estoques da filial. (Lucros não 
realizados) e eliminação do CMV a maior na filial:
Memória de cálculo:
Venda: 80.000,00
(-) ICMS 9.600,00
(-) Custo 44.000,00
Lucro 26.400,00
Como 50% da mercadoria já foi revendida a terceiros, portanto, o lucro 
não realizado que ainda está incorporado no estoque da filial é de 13.200,00 (50% 
de 26.400,00). Nesse caso, deve-se também eliminar o valor de 13.200,00 de CMV 
reconhecido a maior na filial pelo lucro realizado.
Débito – Lucro a Destinar (PL Matriz) 26.400,00
Crédito – Estoque de Mercadorias (AC da filial) 13.200,00
Crédito – CVM (filial) 13.200,00 
 
c) Na apuração descentralizada do ICMS, portanto, cada entidade, matriz e filial, 
terão sua própria apuração do ICMS, não cabendo então qualquer lançamento 
de compensação, mesmo porque há apenas saldos de ICMS a recolher, tanto 
na matriz como na filial.
d) Eliminação das contas de resultado entre matriz e filial e transferência do 
resultado do exercício da matriz:
Na Matriz 
Débito – Receita de Vendas – matriz (DRE) 80.000,00
Crédito – ICMS s/ Vendas – matriz (DRE) 9.600,00
Crédito – CMV – da matriz (DRE) 44.000,00
Crédito – Lucros a Destinar 26.400,00 
 
e) Transferência do resultado do exercício da filial:
Débito – Resultado do Exercício (DRE) 27.800,00
Crédito – Lucros a Destinar 27.800,00 
 
O resultado passou de 14.600,00 para 27.800,00, uma vez que foram 
eliminados 13.200,00 de CMV a maior na filial.
206
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
Perceba que não estão sendo zeradas as contas de resultado da filial, uma 
vez que tais saldos provêm de operações com terceiros. Portanto, para transferir o 
resultado da Demonstração do Resultado do Exercício da filial para o patrimônio 
líquido consolidado, estamos considerando uma conta transitória denominada 
Resultado do Exercício. Essa conta é evidenciada na última linha da Demonstração 
do Resultado do Exercício da filial.
Feitas as eliminações, as demonstrações consolidadas serão assim:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
 Vende Mais Ltda.
Consolidado LEVANTADO EM 31/12/X2
Receita Bruta de Vendas 60.000,00 
(-) Impostos 10.200,00
(=) Receita Líquida 49.800,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida 22.000,00
(=) Resultado do Exercício 27.800,00 
BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. 
Consolidado LEVANTADOEM 31/12/X2
ATIVO R$ PASSIVO R$
ATIVO CIRCULANTE 109.000,00
PASSIVO 
CIRCULANTE
1.200,00
Bancos Conta Movimento 27.000,00 ICMS A RECOLHER 1.200,00
Clientes 60.000,00
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
 127.800,00
Estoques 22.000,00 Capital Social 100.000,00 
ATIVO NÃO 
CIRCULANTE
20.000,00 Lucros a Destinar 27.800,00
IMOBILIZADO 20.000,00 
Móveis e Utensílios 20.000,00 
TOTAL DO ATIVO 129.000,00 
TOTAL DO 
PASSIVO
 129.000,00 
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
207
UNI
Caro/a acadêmico/a!!! Para aprofundar seus conteúdos, sugerimos a Leitura 
Complementar a seguir, extraída do livro Contabilidade Avançada: textos e testes com 
respostas de José Hernandes Perez Junior e Luis Martins de Oliveira (2010). A partir desse texto 
você compreenderá um pouco mais sobre o processo de consolidação das demonstrações 
contábeis.
Será apresentado, a seguir, um roteiro para orientar os trabalhos dos 
profissionais responsáveis pela elaboração ou auditoria das demonstrações 
contábeis consolidadas.
LEITURA COMPLEMENTAR
ROTEIRO DE ORIENTAÇÃO PARA ELABORAÇÃO OU AUDITORIA DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS
1 Não obrigatoriedade da elaboração e publicação das Demonstrações Contábeis 
Consolidadas
A controladora pode deixar de apresentar as demonstrações contábeis 
consolidadas, somente se, além de permitido legalmente:
•	 a controladora é, ela própria, uma controlada (integral ou parcial) de outra 
entidade, a qual, em conjunto com os demais proprietários, incluindo aqueles 
sem direito a voto, foram consultados e não fizeram objeção quanto à não 
apresentação das demonstrações contábeis consolidadas pela controladora; 
•	 a controladora não é uma sociedade anônima; e
2 Critérios para consolidação
Na preparação do balanço consolidado, certifique-se de que:
•	 foram discutidas as possíveis exclusões de sociedades controladas no balanço 
a ser consolidado (exemplo: empresas em regime falimentar, em liquidação 
ou com atividades em áreas econômicas substancialmente diferenciadas das 
demais sociedades incluídas na consolidação);
•	 as demonstrações contábeis das sociedades controladas, para fins de 
consolidação, foram levantadas na mesma data ou até no máximo 60 
(sessenta) dias antes da data das demonstrações contábeis da controladora; as 
208
UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
demonstrações contábeis de cada companhia incluída no balanço consolidado 
estão de acordo com os livros oficiais individuais;
•	 foram observados e ajustados os eventos significativos ocorridos após os 
balanços preparados pelas subsidiárias até a data-base da consolidação 
(quando a data-base for anterior à data de fechamento);
•	 todos os princípios contábeis adotados pela controladora e pelas controladas 
são efetivamente semelhantes (nota: entende-se que a controladora, no caso, 
adotou princípios contábeis mais adequados e, dessa forma, as controladas 
devem seguir esses princípios);
•	 caso haja princípios contábeis diferentes, seus efeitos foram eliminados e 
ajustados antes de incluir a respectiva companhia no balanço combinado; 
•	 todos os saldos e operações entre as companhias que estão sendo consolidados 
foram conciliados e ajustados;
•	 foram conferidas as somas horizontais e verticais do balanço e resultado 
combinados.
3 Procedimentos para eliminações de saldos
Certifique-se de que:
a) foram eliminadas quaisquer participações recíprocas entre as sociedades 
incluídas na consolidação;
b) o investimento da controladora em suas controladas foi eliminado contra a 
correspondente proporção no patrimônio líquido dessas controladas incluídas 
na consolidação;
c) foram destacadas as participações dos acionistas minoritários, não 
controladores, do patrimônio líquido consolidado;
d) foram eliminados os lucros não realizados decorrentes de negócios entre a 
controladora e as sociedades controladas incluídas na consolidação, bem como 
decorrentes de negócios entre essas controladas;
e) foram eliminados os saldos de contas correntes e contas a pagar e a receber 
entre as companhias incluídas no consolidado;
f) foram eliminadas as receitas e despesas decorrentes de negócios entre a 
controladora e as sociedades controladas incluídas na consolidação, assim 
como as decorrentes de negócios entre as controladas;
g) as participações dos acionistas minoritários no resultado do exercício foram 
TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
209
apresentadas como dedução do resultado consolidado; 
h) foram demonstrados em controles auxiliares os cálculos das participações 
dos acionistas minoritários no lucro ou prejuízo e no patrimônio 
consolidado; 
i) foram diferidos os tributos decorrentes da eliminação dos lucros não realizados 
entre as sociedades incluídas na consolidação; 
j) durante o exercício ocorreu aumento de capital da controladora com lucro não 
realizado, anteriormente eliminado no consolidado; 
k) caso a resposta ao item j seja positiva, analisar o tratamento dispensado para 
retificar o patrimônio líquido consolidado;
l) certificar-se de que o lucro não realizado, eliminado no exercício anterior, 
continua sendo eliminado neste exercício ou que foi totalmente realizado no 
exercício (atentar para a realização por meio da depreciação, quando o lucro 
não realizado decorrer da venda de imobilizado); 
m) existe parcela de ágio ou deságio incluída no valor contábil do investimento 
não absorvida na consolidação;
n) se a resposta ao item n for positiva e o ágio ou deságio for resultante de 
diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bem ativo e 
o valor contábil na sociedade controlada incluído na consolidação, o mesmo 
deve ser demonstrado como correção desta conta específica do ativo; 
o) se a resposta ao item n for positiva e o ágio for resultante de diferença para 
mais em decorrência de expectativa de rentabilidade baseada em projeção de 
resultados, o mesmo deve ser apresentado no ativo permanente;
 
p) se a resposta ao item n for positiva e o deságio for resultante de diferença para 
menos em decorrência de expectativa de rentabilidade baseada em projeção 
de resultados, o mesmo deve ser apresentado como resultado de exercícios 
futuros.
4 Publicação das demonstrações contábeis consolidadas
Analise as demonstrações preparadas em forma final e certifique-se de 
que: 
a) estão sendo apresentadas as seguintes demonstrações contábeis consolidadas 
de forma comparativa:
1. balanço patrimonial;
2. resultado do exercício;
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UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL
3. movimentação nas contas do patrimônio líquido;
4. fluxo de caixa;
5. valor adicionado (se for o caso).
b) as demonstrações contábeis para publicação estão sendo apresentadas em 
conjunto com as demonstrações contábeis da controladora.
5 Notas explicativas
Confira as notas explicativas anexas às demonstrações contábeis 
consolidadas e veri fique se contêm os seguintes detalhes:
•	 reconciliação entre patrimônio líquido da controladora e o patrimônio líquido 
consolidado;
•	 reconciliação entre o resultado líquido da controladora e o resultado líquido 
consolidado;
•	 divulgação dos critérios adotados para consolidação;
•	 divulgação dos critérios para inclusão ou exclusão de controladas nas 
demonstrações financeiras consolidadas;
•	 divulgação de todos os dados de cada controlada (denominação, capital social, 
patrimônio líquido, lucro líquido);
•	 divulgação do percentual de participação da controladora em cada controlada;
•	 divulgação dos eventos subsequentes à data de encerramento do exercício social 
que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e 
os futuros resultados consolidados;
•	 divulgação

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