Prévia do material em texto
2011 Contabilidade avançada Prof. Fabio Darci Kowalski Copyright © UNIASSELVI 2011 Elaboração: Prof. Fabio Darci Kowalski Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 657.046 K884 c Kovalski, Fabio Darci Contabilidade avançada / Fabio Darci Kowalski. Indaial : Uniasselvi, 2011. 227 p. il. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7830-449-2 1. Contabilidade avançada I. Centro Universitário Leonardo da Vinci III apresentação Caro(a) acadêmico(a)! Iniciamos os estudos de Contabilidade Avançada. Vamos mergulhar num universo mágico, onde as tecnologias da informação nos permitem a utilização de técnicas da aprendizagem de maneira a trilhar com mais eficiência os caminhos do saber fazer. É você quem deve controlar o seu processo de aprendizagem. Deverá seguir caminhos que, em parte, estão estabelecidos, tais como os encontros presenciais, os encontros midiáticos, o período de autoestudo, a realização de autoatividades e caminhos de aprendizagem traçados por você, que terão convergências momentâneas com os caminhos de outros aprendizes, momentos em que as interações serão necessárias, possíveis e, certamente, intensas. Você deverá vivenciar situações nas quais os Sistemas de Informação serão usados como recursos educacionais. A Contabilidade Avançada abrange determinados temas que auxiliam diariamente o contador na tomada de decisão. Por se tratar de um assunto mais técnico, a contabilidade avançada somente é apresentada nas disciplinas finais dos cursos de graduação em Ciências Contábeis, uma vez que o acadêmico, nesta fase, já possui uma visão mais ampla sobre a sistemática contábil. A contabilidade avançada permite ao contador se diferenciar no mercado de trabalho, pois abrange temas que podem gerar grande economia para as empresas. O Caderno de Estudos da disciplina de Contabilidade Avançada foi construído com esta intenção. Apresentamos, na sua Unidade 1, o custo de oportunidade e o método de avaliação de empresas. Na Unidade 2, os juros sobre capital próprio e a avaliação de investimentos e sociedades controladoras, controladas e coligadas. E, por fim, na Unidade 3, apresentamos a consolidação das demonstrações financeiras e a contabilidade de matriz e filial. Então, mãos à obra! Prof. Fabio Darci Kowalski IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI VII UNIDADE 1: CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................................................................... 1 TÓPICO 1: CUSTO DE OPORTUNIDADE ................................................................................... 3 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 3 2 A EVOLUÇÃO E CONCEITOS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE .................................... 3 3 ENFOQUE ECONÔMICO E CONTÁBIL ................................................................................. 9 4 TAXA DE OPORTUNIDADE ......................................................................................................... 11 5 PROCESSO DECISÓRIO ................................................................................................................ 11 6 A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ................................... 12 7 MODELOS DE APLICAÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ......... 12 8 A TEORIA DA UTILIDADE E OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE .................................... 14 9 APLICABILIDADE DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE ........................... 16 10 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA E CUSTO DE OPORTUNIDADE ...................................... 17 11 CUSTO DE OPORTUNIDADE NOS ESTOQUES .................................................................. 20 12 APLICAÇÃO DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ÀS DECISÕES DE PREÇO ................ 21 13 A NATUREZA ECONÔMICA DOS CUSTOS .......................................................................... 22 13.1 CUSTOS SOCIAIS ................................................................................................................... 22 13.2 CUSTOS EXPLÍCITOS ........................................................................................................... 22 13.3 CUSTOS IMPLÍCITOS OU DE OPORTUNIDADE ........................................................... 23 13.4 CUSTO DO CAPITAL ............................................................................................................ 23 14 CONTROVÉRSIAS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ....................................................... 23 15 EVA – ECONOMIC VALUE ADDED ............................................................................................ 24 16 EXEMPLOS DIVERSOS ................................................................................................................ 26 RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 34 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 35 TÓPICO 2: MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................... 41 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 41 2 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ........................................................................................................ 41 3 MÉDODO DO VALOR CONTÁBIL COMO BASE PARA A AVALIAÇÃO ........................ 42 4 MÉTODO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO CORRENTE COMO BASE PARA A AVALIAÇÃO .................................................................................................................................. 45 5 MÉTODO DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS COMO BASE PARA AVALIAÇÃO ........ 47 5.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DO CAPITAL ...................................................................... 50 5.2 HORIZONTE E PREVISÃO DO LUCRO PROJETADO ........................................................ 56 5.3 CUSTO DEOPORTUNIDADE E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO INICIAL ........................... 57 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 62 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 65 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 66 UNIDADE 2: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS ......................................................................... 71 sumário VIII TÓPICO 1: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO .......................................................................... 73 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 73 2 CONCEITUALIZAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO .................................... 73 3 TRATAMENTO LEGAL .................................................................................................................. 76 3.1 IMPOSTO DE RENDA ................................................................................................................ 77 3.2 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ..................................................... 80 4 REGISTRO COMO DESPESA FINANCEIRA ............................................................................ 81 5 RESERVA DE REAVALIAÇÃO E AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL ................... 82 6 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE .............................................................................................. 85 7 JUROS SOBRE JUROS .................................................................................................................... 85 8 REFLEXOS NAS INVESTIDORAS ............................................................................................... 88 8.1 INVESTIDORES DIVERSOS E SUA FORMA DE TRIBUTAÇãO ........................................ 91 8.2 CONVENIÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO DO PONTO DE VISTA DO ÔNUS TRIBUTÁRIO ..................................................................................................................................... 92 9 CÁLCULO DOS JUROS PRO RATA ............................................................................................ 95 10 IMPUTAÇÃO DOS JUROS AOS DIVIDENDOS OBRIGATÓRIOS .................................. 98 RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 100 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 101 TÓPICO 2: AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS ................................................................................................... 107 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 107 2 MÉTODO DE CUSTO ..................................................................................................................... 107 2.1 PARTICIPAÇÕES EM OUTRAS EMPRESAS .......................................................................... 109 2.2 NOTAS EXPLICATIVAS ............................................................................................................. 110 2.3 DIVIDENDOS OU LUCROS RECEBIDOS .............................................................................. 111 3 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL ..................................................................... 112 3.1 ASPECTOS LEGAIS .................................................................................................................... 116 3.2 MÉTODO DO CUSTO X MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA ................................................. 116 3.3 QUEM DEVE APLICAR A EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL ........................................... 118 3.3.1 Coligadas ............................................................................................................................ 119 3.3.2 Equiparadas às coligadas ................................................................................................. 119 3.3.3 Controladas ........................................................................................................................ 120 3.3.4 Variações no patrimônio líquido da investida .............................................................. 120 3.4 AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS COM ÁGIO OU DESÁGIO ...................................... 121 3.4.1 Fundamento econômico do ágio e do deságio .............................................................. 124 3.4.2 Amortização do ágio e deságio ....................................................................................... 125 3.5 LUCRO OU PREJUÍZO NÃO REALIZADO .......................................................................... 127 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 129 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 133 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 134 UNIDADE 3: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL .......................................................... 143 TÓPICO 1: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS .......................... 145 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 145 2 CONCEITUALIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS ........................................................................................................................... 145 3 TRATAMENTO LEGAL .................................................................................................................. 147 4 O QUE SÃO DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS ................................... 147 IX 5 EMPRESAS OBRIGADAS A ELABORAR AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS ........................................................................................................................... 149 6 DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS E EM SEPARADO (INDIVIDUAL) CONFORME A RESOLUÇÃO 1.262/2009 DO CFC ................................................................... 151 7 PROCESSO DE ELABORAÇÃO ................................................................................................... 152 8 NOTAS EXPLICATIVAS ................................................................................................................. 157 9 EXEMPLOS DE CONSOLIDAÇÃO .............................................................................................. 157 RESUMO DO TÓPICO 1 .................................................................................................................... 171 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 172 TÓPICO 2: CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL ............................................................... 187 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 187 2 CONCEITUALIZAÇÃO DE MATRIZ .......................................................................................... 187 3 CONCEITUALIZAÇÃO DE FILIAIS, SUCURSAIS E AGÊNCIAS....................................... 188 4 FORMAS DE CONTABILIZAÇÃO ENTRE MATRIZ E FILIAL ............................................ 189 5 APURAÇÃO FISCAL E TRIBUTÁRIA ......................................................................................... 190 6 EXEMPLOS ........................................................................................................................................ 194 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 207 RESUMO DO TÓPICO 2 .................................................................................................................... 211 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 212 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 222 X 1 UNIDADE 1 CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade você será capaz de: • interpretar o custo de oportunidade em relação a investimentos; • conhecer algumas das principais formas de avaliação de empresas. Esta unidade de estudo está dividida em dois tópicos. Neles, você encontrará a definição e interpretação do custo de oportunidade, bem como uma abordagem acerca dos métodos contábeis de se avaliar uma empresa, além de vários exemplos práticos e exercícios de fixação, que serão desenvolvidos no decorrer dos estudos de cada tópico. TÓPICO 1 – CUSTO DE OPORTUNIDADE TÓPICO 2 – MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 CUSTO DE OPORTUNIDADE 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico, identificaremos e interpretaremos o custo de oportunidade. Veremos os principais conceitos do custo de oportunidade, sua aplicabilidade no mercado por meio de exemplos práticos em investimentos diversos e a diferenciação entre seu enfoque econômico e contábil. Constataremos que para todo e qualquer investimento, faz-se necessário um estudo prévio, uma comparação entre o custo benefício, financeiro e/ou econômico, além da consideração do fator risco. 2 A EVOLUÇÃO E CONCEITOS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE Sabe-se que a Contabilidade, em geral, tem a função de controlar a movimentação patrimonial, em que se registram as alterações dos valores de bens, direitos e obrigações e demonstrar a posição financeira da empresa. Estas informações são direcionadas aos usuários externos, como, por exemplo, acionistas, credores e autoridades governamentais. Os dados analisados são passados, ou seja, fatos que já ocorreram, sem deixar qualquer argumento ou ferramenta para uma tomada de decisão errônea, executada pelos administradores. Neste contexto, a Contabilidade pode ser visualizada como um sistema a fim de fornecer informações financeiras e operacionais direcionadas para os usuários internos – administradores, funcionários etc. – melhorando, então, a tomada de decisão. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 4 NOTA O custo de oportunidade é um método utilizado pelos gestores. Sua finalidade é analisar as diversas formas de maximizar seus resultados. Estas análises podem verificar se o retorno sobre o capital investido é positivo ou não, pois se verifica o custo benefício de determinadas mudanças ou acontecimentos existentes na empresa. As empresas que disponibilizam recursos financeiros para determinados investimentos, ficam de frente com diversas alternativas e possibilidades de sua aplicação. Sabe-se que estes recursos para investimento são bastante escassos e, por esta razão, os gestores devem analisar a melhor alternativa de investimento, utilizando-se das ferramentas existentes para tal tomada de decisão. Quando a empresa tem mais de uma alternativa para tomada de decisão, pode estar diante do conceito de custos de oportunidade. Neste contexto, verifica- se a importância da análise antes da tomada de decisão, pois, caso esta decisão seja errada, a empresa arcará com seus reflexos, que na maioria das vezes resultam em prejuízos capazes de comprometer o equilíbrio financeiro. UNI Na busca de informações sobre o resultado das organizações, sentimos ser necessário abordar também o EVA (Economic Value Added), pois seria uma alternativa de operacionalizar este conceito e avaliar o resultado esperado pelos acionistas. A conceitualização do EVA será analisada no decorrer deste tópico. As empresas estão diante da necessidade da informação. Muitas vezes, a contabilidade financeira não consegue satisfazer a necessidade de seus usuários sob a ótica da informação gerencial, ou seja, da informação voltada à maximização dos resultados. Pode-se ainda dizer que a tradicional contabilidade prepara informações para os usuários externos, que têm objetivos bem diferentes dos usuários internos. As decisões dos gestores estão relacionadas às alternativas existentes para a aplicação de recursos. Neste sentido, ressalta-se a necessidade da análise das alternativas antes da tomada de decisões. Desta forma, diminuem as possibilidades de investimento em alternativas com menos rentabilidade. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 5 NOTA Pode-se entender então que o custo de oportunidade ocorre quando existirem no mínimo duas alternativas possíveis para a tomada de decisão. Na concepção de Beuren (1993, p. 2), “um aspecto relevante é que a opção de uma alternativa implica o abandono ou sacrifício da(s) não escolhida(s). Assim, o custo de oportunidade da alternativa escolhida é o custo da alternativa abandonada que lhe proporcionaria maior satisfação”. Então, este custo equivale ao valor de um recurso e à sua melhor utilização, ou seja, é o custo de escolher a melhor alternativa, com condições de obter um maior benefício. Neste sentido, percebe-se que as empresas estão utilizando o conceito do custo de oportunidade em todos os momentos, pois os gestores estão optando por determinadas alternativas no seu dia a dia. O custo de oportunidade não está relacionado apenas às alternativas de investimento, mas, sim, em qualquer decisão que o gestor tenha que optar podendo ser em compras, vendas, estoques etc. O custo de oportunidade é um tema relativamente antigo, tendo seu desenvolvimento na teoria econômica. Atualmente existem vários conceitos sobre o tema, principalmente na área contábil, onde tem sido muito discutidos, principalmente, no meio acadêmico. Segundo Nascimento (1998, p. 34), A trajetória de estudo dos custos de oportunidade tem sua origem no resultado das observações dos pensadores da Teoria Econômica. Não obstante o assunto ter se tornado um tema relativamente discutido pelas Teorias Contábil, de Administração e Econômica, foi na Economia Clássica, a partir das discussões acerca da Teoria do Valor, que o assunto teve seu berço e uma de suas fases mais importantes. Para que as decisões da empresa sejam cuidadosamente analisadas e que resultem em resultado positivo, faz-se necessário entender o conceito de custo de oportunidade. Representa o custo de oportunidade o quanto a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em outra, implicando a sua apuração na comparação entre os resultados de diferentes alternativas de aplicação de recursos. (MARTINS, 1998, p. 250). UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 6 Neste sentido, o custo de oportunidade não representa saída de dinheiro do caixa, como, por exemplo, os demais custos existentes na empresa. Para melhor interpretação compara-se com o custo de mão de obra, sendo que neste sim ocorre um efetivo desembolso, ou seja,uma saída de dinheiro. O custo de oportunidade poderia ser a diferença ao menor preço que se obtém em decidir investir em determinada alternativa ao invés de optar por uma segunda possibilidade de investimento. Imagine que determinada empresa efetuará um investimento na primeira alternativa existente em seu contexto, e que este resulte em um lucro $ 10. Caso esta mesma empresa invista a mesma expressão monetária na segunda alternativa teria um lucro $ 15. Sendo assim, a alternativa que será deixada para trás seria o custo de oportunidade. Pode-se concluir neste simples exemplo que se a empresa optar pela primeira alternativa o custo de oportunidade será $ 15, pois este é o valor que se está desprezando, porém, se a empresa optar pela segunda alternativa, o custo de oportunidade será $ 10, pois este é o valor que se está desprezando. Beuren (1993, p. 1) faz algumas considerações sobre custo de oportunidade, entre elas a seguinte: Um ponto que deve ser ressaltado é que a contabilização do custo de oportunidade não se limita apenas à sua importância na apuração do resultado econômico da empresa. A aplicação efetiva do conceito de custo de oportunidade na Contabilidade está, também, voltada a fornecer subsídios importantes para a avaliação de desempenho dos gestores, taxa de retorno nas decisões sobre investimentos, decisões do tipo comprar x fabricar, formação e acompanhamento do cálculo do preço de venda etc. Nos dias atuais, os recursos para investimento são cada vez mais escassos. As empresas, os investidores etc. devem ter todas as ferramentas possíveis para avaliar o desempenho do capital investido, eliminando, assim, as possibilidades ou as alternativas que resultem em prejuízos. Por esta razão os gestores devem não só conhecer o conceito do custo de oportunidade, como, também, utilizá-lo no processo decisório. Para Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 389), “O custo de oportunidade corresponde ao valor de um determinado recurso em seu melhor uso alternativo. Representa o custo da escolha de uma alternativa em detrimento de outra capaz de proporcionar um maior benefício, ou seja, é o custo da melhor oportunidade a que se renuncia quando da escolha de uma alternativa”. Nascimento (1998, p. 110) cita diversas definições de custos de oportunidade por outros autores: Glautier e Underdown: Pode ser medido como o valor da próxima melhor alternativa abandonada, ou o recebimento líquido de caixa TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 7 perdido como resultado da escolha de uma alternativa em vez da melhor seguinte. Dopuch e Birnberg: O custo de oportunidade de qualquer ativo é o valor que pode ser recebido se o ativo for usado em sua próxima melhor alternativa. Shillinglaw: Custo diferencial mensurado pela entrada líquida de caixa, que se perderá se este for desviado de seu melhor uso alternativo. Esse custo diferencial é conhecido como o custo de oportunidade. Matz e Frank: Custo de oportunidade é o valor mensurável de uma oportunidade secundária pela rejeição de um uso alternativo de recurso. Benke e Edwards: É a medida de sacrifício feito no sentido de seguir um curso particular de ação. Entretanto, segundo Nascimento (1998), com relação ao atributo que deve ser imputado ao custo de oportunidade – lucro abandonado, o recebimento que poderia ter sido obtido, o valor da melhor alternativa abandonada etc. – converge na essência do conceito, ou seja, a decisão por um curso de ação implica a renúncia de outras alternativas e dos benefícios delas decorrentes. Dessa forma, o custo de oportunidade representa a escolha da melhor alternativa dentre duas ou mais possíveis, é o comparativo do benefício da alternativa escolhida com o benefício possível das demais. Fischer (1971, p. 25) comenta que “um processo de escolha racional não pode levar em consideração apenas a comparação dos benefícios com seus custos, num sentido restrito. O verdadeiro resultado da escolha aparecerá com o julgamento do resultado de alternativas de decisões rejeitadas”. NOTA De fato, os custos de oportunidade existem em razão da consequência comparativa de diversas alternativas, e que estas, por sua vez, possuem características distintas, o que poderá elevar o grau de dificuldade na sua escolha. Deste modo, Nascimento (1998, p. 105) entende que A questão da diferenciação dos riscos existentes em cada alternativa de aplicação de recursos é um fator de dificuldade para a implementação plena do conceito de custos de oportunidade. Essa reconhecida limitação tem levado os estudiosos das áreas financeira e contábil a buscarem meios alternativos que permitam a aplicação prática do conceito. Os riscos existentes nas alternativas são subjetivos, pois o retorno pode ser positivo como também negativo. Esses riscos devem ser julgados diante de UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 8 várias alternativas, como, por exemplo, uma aplicação segura, como no caso da poupança que limita o rendimento à correção atual, ou uma aplicação na bolsa de valores, na qual os rendimentos podem ser bem superiores à poupança, o que faz o risco aumentar consideravelmente. Martins (1998, p. 255) também faz uma reflexão sobre os riscos, pois diz que “normalmente esse tipo de comparação tende a ser um pouco difícil, em função, principalmente, do problema do risco”. Vamos considerar a definição de Pindyck e Rubinfeld (1994) citado por Santos (1995, p. 9), para que depois possamos exemplificar os riscos existentes nas alternativas. [...] considere uma empresa que possua um edifício, portanto que não paga aluguel pelo espaço ocupado por seus escritórios. Será que isto estaria significando que o custo do espaço ocupado pelos escritórios é zero para a empresa? [...] um economista observaria que a empresa poderia ter recebido aluguéis por tal espaço, caso o tivesse alugado a uma outra companhia. Este aluguel não realizado corresponde ao custo de oportunidade de utilização do espaço dos escritórios, devendo ser inserido como parte dos custos econômicos das atividades da empresa. Considerando esta definição poderíamos dar o seguinte exemplo: uma empresa vai utilizar seus recursos na compra de um prédio para alugar. O valor que ela ganharia de aluguel é uma boa maneira de medir o custo de oportunidade em comparativo, por exemplo, com o investimento numa outra fábrica de ramo diferente ou até mesmo igual ao que já atua. O grau de risco de um e outro empreendimento é bastante diferente. Por isso a comparação entre os retornos é também sem muito sentido. Segundo Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 390), Os pontos abordados a seguir estão implícitos ao conceito de custo de oportunidade: a) o custo de oportunidade de um fator representa, economicamente, o seu verdadeiro valor; b) o problema da decisão consiste na escolha de duas ou mais alternativas viáveis de uso dos recursos; c) usos alternativos dos mesmos recursos podem propiciar diferentes resultados; e d) o que é sacrificado quando da opção por uma alternativa é a possibilidade de obtenção de melhores resultados em outras oportunidades. Esses pontos sustentam algumas definições do Modelo de Gestão Econômica relativamente à adoção do conceito: a) as alternativas consideradas devem ser viáveis e possíveis diante da estrutura operacional do negócio; b) a diferença entre o custo de oportunidade dos recursos consumidos no processo de obtenção de produtos/serviços e o custo efetivamente incorrido espelha o valor adicionado pela atividade (resultado econômico); TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 9 c) as alternativas devem considerar a natureza, o estado atual e futuro da situação em avaliação; d) para avaliação de desempenhos das áreas, devem ser consideradas as alternativas que estão dentro dos limites de autoridadee responsabilidade dos seus respectivos gestores; e e) o mercado desempenha importante papel na determinação do custo de oportunidade. Considera-se então, que não basta apenas analisar duas ou mais alternativas. Para que se possa verificar o custo de oportunidade é preciso que essas alternativas tenham certa afinidade, que propiciem um horizonte de tempo de retorno de investimento parecido e que não haja excessiva diferenciação de mercado, como, por exemplo, produto, ponto comercial, carteira de clientes fatores macroeconômicos etc. Simplificando, pode-se dizer que analisar o custo de oportunidade em se investir numa fábrica de sorvete ou numa metalurgia pode dificultar e até neutralizar a eficácia do resultado desse custo de oportunidade, seja pela diferenciação operacional ou pelos demais fatores que poderiam ser relacionados às duas alternativas propostas. 3 ENFOQUE ECONÔMICO E CONTÁBIL O custo de oportunidade pode ter dois enfoques, ou seja, o enfoque econômico e o contábil. Pode-se verificar que o enfoque econômico é muito mais utilizado, enquanto que o contábil fica um pouco de lado em razão de não ter uma forma específica de ser contabilizado na contabilidade financeira, sendo, principalmente, utilizado na contabilidade de custos e gerencial. Sob o enfoque econômico o custo de oportunidade, ou custo alternativo, surge quando o decisor opta por uma determinada alternativa de ação em detrimento de outras viáveis e mutuamente exclusivas, sendo assim representa o benefício que foi desprezado ao se escolher uma determinada alternativa em função de outras. Sob o enfoque contábil, diversos pesquisadores contábeis procuraram operacionalizar o conceito de custo de oportunidade, sob diversos ângulos, dentre os quais a aplicação do conceito de custo de oportunidade como uma informação relevante no processo decisório, por meio de sua incorporação nos modelos de decisão dos gestores, de forma paralela ao sistema formal de informação contábil, notadamente na Contabilidade de Custos e na Contabilidade Gerencial. (SANTOS, 1995, p. 2). Assim, o enfoque econômico no custo de oportunidade é direcionado a opção que foi aceita num comparativo daquilo que se deixou para trás, seus possíveis benefícios. O enfoque contábil, por sua vez, representa as informações contábeis geradas, capazes de proporcionar ao tomador da decisão uma visão mais ampla de sua gestão. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 10 Segundo Santos (1995 p. 5), para melhor esclarecimento do conceito de custo de oportunidade, sob o ponto de vista econômico, apresentam-se em ordem cronológica, algumas definições expressas por diversos economistas sobre o tema: WIESER (1860): Renda líquida gerada pelo uso de um bem ou serviço no seu melhor uso alternativo; MEYERS (1942, p.194): Custo de produção de qualquer unidade de mercadoria é o valor dos fatores de produção empregados na obtenção desta unidade – o qual se mede pelo melhor uso alternativo que se poderia dar aos fatores se aquela unidade não tivesse sido produzida; BILAS (1967, p.168): Os custos dos fatores para uma empresa é igual aos valores destes mesmos fatores em seus melhores usos alternativos; LIPSEY E STEINER (1969, p. 215): O custo de se utilizar alguma coisa num empreendimento específico é o benefício sacrificado (ou custo de oportunidade) por não utilizá-lo no seu melhor uso alternativo; LEFTWICH (1970, p. 123): O custo de uma unidade de qualquer recurso usado por uma firma é o seu valor em seu melhor uso alternativo. Da mesma forma, mas sob o enfoque contábil, Santos (1995) apresenta em ordem cronológica uma resenha de várias definições expressas nesta área: MORSE (1978, p. 32): É o recebimento líquido de caixa esperado, que poderia ser obtido se o recurso fosse usado na outra ação alternativa mais desejável; KAPLAN (1982, p. 28): O Custo de oportunidade de um ativo é o seu valor quando o mesmo é utilizado na próxima melhor alternativa; BACKER E JACOBSEN (1984, p. 10): É o custo resultante de uma alternativa a qual se tenha renunciado; HORNGREN (1986, p. 528): É o sacrifício mensurável da rejeição de uma alternativa; é o lucro máximo que poderia ter sido obtido se o bem, serviço ou capacidade produtivos tivessem sido aplicados a outro uso operacional; GLAUTIER E UNDERDOWN (1986, p. 638): Pode ser medido como o valor da próxima melhor alternativa abandonada, ou o recebimento líquido de caixa perdido como resultado de preferir uma alternativa ao invés da melhor seguinte; MARTINS (1990, p. 208): O quanto a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em outra. Ainda na visão de Santos (1995), a análise dos dois enfoques apresenta os seguintes pontos em comum: a) O conceito de custo de oportunidade pressupõe, pelo menos, a existência de duas ou mais alternativas viáveis e mutuamente exclusivas para o decisor. b) O custo de oportunidade refere-se a algum atributo específico do objeto de mensuração ou avaliação. c) O custo de oportunidade está associado ao valor dos bens e serviços utilizados. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 11 4 TAXA DE OPORTUNIDADE Para análise desta taxa devem-se levar em consideração as atividades de uma forma abrangente, ou seja, todas as atividades são capazes de gerar resultados econômicos e financeiros para a empresa. Neste sentido, é necessário definir quais as taxas de oportunidade, que servirão de padrão de comparação com as operações reais da empresa, podendo ser na remuneração dos recursos financeiros contidos no ativo e no passivo da empresa, decorrente dos investimentos dos sócios e acionistas. Esta comparação, através de seu resultado, é de grande importância para verificar se a empresa ganhou ou perdeu quando tomou determinada decisão. Também é possível avaliar se o gestor está agindo de maneira correta ou não. Sobre este entendimento, Guerreiro (1989, p. 15) diz que O custo de oportunidade do acionista sobre os ativos é calculado com base em taxa de juro real de captação no mercado financeiro, a responsabilidade do acionista sobre os passivos operacionais (fornecedores de bens e serviços) é calculada com base em taxa de juro real de aplicação no mercado financeiro, e a responsabilidade dos acionistas sobre os passivos exigíveis (empréstimos bancários) é calculada com base no juro real de captação do mercado financeiro. NOTA Quando o gestor tem que tomar determinadas decisões com relação a finanças em determinada área de atividade, ele deve considerar o custo de oportunidade e as variações na captação ou aplicação de recursos da empresa, em relação a esse custo, que poderá proporcionar receita ou despesa financeira da atividade de finanças, podendo ser uma atuação interna da empresa. 5 PROCESSO DECISÓRIO Com um mercado cada vez mais globalizado, faz-se necessário oferecer produtos e serviços com diferenciais (benefícios), que possam atrair um maior número de clientes possível. Cabe à empresa tomar decisões que influenciarão em seu futuro econômico. Dessa forma, escolher a opção mais vantajosa é questão de sucesso ou fracasso nas organizações. Segundo Nascimento (1998), em uma organização as decisões ocorrem de forma sistematizada. Do planejamento empresarial, formal ou não, até as fases de execução e controle, os passos mais comuns observados, em síntese, são: (I) a identificação do problema a ser solucionado; (II) o estudo das diversas alternativas de solução; (III) a opção pela melhor alternativa. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 12 Ainda, segundo Nascimento (1998), Na empresa, toda vez que existirem problemas de escolha entre várias alternativas de ação, estará presente o conceito de custos de oportunidade. Quando analisa várias alternativas de decisão,o decisor, intuitiva ou propositadamente, sempre se perguntará se o benefício a ser obtido, em relação ao sacrifício de recursos correspondentes, será o melhor possível nas circunstâncias em que a decisão está sendo tomada. Essa é a exata essência do conceito de custos de oportunidade. 6 A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE Nascimento (1998, p. 54) apresenta uma síntese das principais contribuições dos autores da Economia Clássica destacados para o tema custos de oportunidade: Smith: Ao defender que o preço de uma mercadoria seria composto pelos elementos trabalho, capital e terra, entendeu que o trabalho era o elemento principal. O preço de um dado bem seria estabelecido pela quantidade de trabalho necessário para sua obtenção, ou seja, o trabalho seria uma unidade de troca, portanto, com vários empregos alternativos; Ricardo: Em suas discussões sobre as vantagens do comércio exterior, Ricardo alerta para o fato de que, se ao invés de destinarmos nossos esforços na produção dos bens “A” e “B”, conseguindo apenas resultados razoáveis, usarmos nossa capacidade para a obtenção somente do bem “A”, para o qual somos mais produtivos, o excedente gerado na produção nos permitirá adquirir maior quantidade de B do que aquela que poderíamos elaborar. Esse e outros entendimentos do autor induzem ao conceito de custos de oportunidade; Sênior: Sênior entendeu que o valor de um bem era composto não apenas por capital terra e trabalho. Existia um outro elemento – abstinência – que seria um fator determinante no preço. A abstinência era um termo utilizado para expressar a conduta de alguém que se abstém ou renuncia ao uso de algo, preferindo a produção de uma outra coisa. No entendimento do autor, esse fator seria o que proporciona a existência dos outros fatores componentes do preço de um produto. A teoria de Sênior tornou iminente a Teoria de Custos de Oportunidade. 7 MODELOS DE APLICAÇÃO DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE Ao longo do tempo, vários foram os modelos criados para o cálculo e a contabilização do custo de oportunidade. De acordo com Nascimento (1998), nem todos aplicam o conceito diretamente a cada decisão tomada na empresa e, sim, a um conjunto de decisões. Um dos caminhos preferidos para a aplicação do conceito é o reconhecimento dos juros sobre o capital empregado nas operações. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 13 Nascimento (1998, p. 188), resume os pontos mais representativos da evolução do conceito de custos de oportunidade: Solomons: Assume que os custos envolvidos numa decisão não se restringem aos desembolsos. Para ele, o custo de utilização de um ativo é o maior valor que poderia ser obtido se aquele ativo tivesse sido empregado em uma outra alternativa. Esse autor introduz o conceito de que a base de avaliação das alternativas, para fins de comparação de resultados, é o valor presente do fluxo de benefícios líquidos esperado para cada alternativa. Fisher: Buscou relacionar a essência dos custos de oportunidade com os custos efetivamente incorridos. Segundo esse autor, custos devem ser analisados sempre sob dois diferentes enfoques: como o valor da alternativa abandonada e como uma consequência direta de uma política ou programa executado. Apesar de essa parecer uma posição óbvia dos autores da Escola Contábil, poucos são os que buscam uma conciliação entre os dois conceitos de custos. Gray e Johnston: Esses autores entenderam que custo de oportunidade é um lucro que poderia ter sido obtido se um conjunto de recursos tivesse sido aplicado em um uso alternativo. Aqui, vemos introduzido o conceito de conjunto de recursos, o que nos parece lógico, pois, uma decisão, normalmente, envolve mais do que o consumo de um recurso, e a análise do conjunto parece mais razoável do que avaliar o custo de oportunidade de cada elemento componente. Os autores também introduzem o conceito de custos de oportunidade positivos e negativos, sendo positivos quando, num processo de escolha, deixa-se de conseguir algum lucro e, negativo, quando simplesmente se evita uma despesa em função de alguma política ou decisão adotada. Martins: Também para Martins, os custos de oportunidade representam o quanto a empresa sacrificou, em termos de remuneração, por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em outra. Entretanto, esse autor ressalva que, no momento de cada decisão, as alternativas podem ter níveis diferentes de riscos, o que dificulta a comparação direta entre os resultados potenciais. O autor defende que os custos de oportunidade devem ser vistos a partir de dois diferentes enfoques: custo de oportunidade em relação a alternativas de igual risco, ou, para efeito de comparação de resultados, tomando-se como base o investimento de risco zero, ou seja, a taxa de juros praticada pelo mercado para papéis governamentais. Martins observa ser necessária a comparação dos resultados das alternativas com moedas de mesmo poder aquisitivo, isto é, deve ser considerado o efeito inflacionário. Leininger: Propõe que os custos de oportunidade sejam analisados com base em duas dimensões diferentes: sob a situação de lucro e sob a situação de custo. Para a situação de lucro, o custo de oportunidade é a diferença entre o lucro, se a política correta tivesse sido adotada, e o lucro resultante da política empregada. Para a situação de custo, o custo de oportunidade é a diferença UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 14 entre o custo incorrido e o custo que poderia incorrer caso tivesse sido adotada a política correta. A contribuição desse autor consiste principalmente na tentativa de recortar a abrangência das definições existentes sem afetar a essência do conceito de custos de oportunidade. Schlatter e Schlatter: Propõem um modelo de aplicação do conceito de custos de oportunidade através do custo do capital próprio, calculado através de uma taxa de juros aplicada sobre o valor do ativo fixo. Anthony: Também aplica o conceito de custo de oportunidade através do custo do capital próprio, mensurado através de taxa ponderada pela estrutura de capital da organização, próprio e terceiros. Diferentemente de Schlatter & Schlatter, entretanto, a base para a obtenção do valor dos juros é o valor dos recursos consumidos nas operações. Catelli: Aplica o conceito de custos de oportunidade na apuração dos preços de transferência entre atividades. Ele define que o valor a ser transferido é o do menor preço de mercado à vista, por entender que essa seria a melhor oportunidade de compra que uma “área-cliente” teria se adquirisse o material necessário às suas atividades diretamente do mercado. A essência do conceito é também aplicada para o financiamento de ativos, nesse caso, as áreas remuneram à área financeira o custo do capital utilizado. Os juros são calculados através da menor taxa de captação de mercado por representar o melhor negócio possível para as áreas, caso tivessem de captar os recursos diretamente do mercado. O conceito de margem operacional também representa um enfoque dos custos de oportunidade. Se positiva, representa que a decisão correta foi tomada, se negativa, significa um custo de oportunidade em decorrência de a decisão tomada não ter sido a mais apropriada. Catelli também emprega o conceito de juros sobre o capital próprio concomitantemente ao de custos de oportunidade. Stewart III: Associou o conceito de custo de oportunidade do investidor à taxa de retorno do investimento. Desenvolveu um modelo de mensuração voltado à avaliação de administradores com a aplicação direta do conceito de custos de oportunidade. 8 A TEORIA DA UTILIDADE E OS CUSTOS DE OPORTUNIDADE A teoria da utilidade está ligada ao grau de satisfação que o ser humano tem ao suprir determinada necessidade. Quanto maior o número de pessoasque tendem a adquirir determinado produto ou serviço, consequentemente, podem se tornar escassos. A escassez está relacionada com a lei da oferta e da procura. Quanto maior for a procura maior será o preço de venda, dessa forma, quanto maior for a oferta menor será o preço de venda. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 15 NOTA Os custos de oportunidade estão intimamente ligados a esta questão, pois a parir do momento que determinado produto ou serviço estiver em falta, poderá ser uma alternativa vantajosa sobre as demais, em se tratando do fator preço. Assim, Nascimento (1998, p. 83) apresenta as principais contribuições dadas por diversos autores onde são tratados o tema utilidade e o custo de oportunidade: Menger: Promoveu grandes mudanças na Teoria do Valor existente até então. Para ele, o valor de um bem é derivado de sua capacidade de satisfazer as necessidades humanas, de sua utilidade. Menger abriu caminho para que a alocação de recursos produtivos fosse estudada a partir do enfoque do grau de importância, ou de utilidade, que tais recursos têm para quem os possui e os deseja aplicar. Pareto: Também esse autor entendeu que o valor de um bem está diretamente ligado a sua utilidade. Em termos de avaliação entre o consumo de um ou outro produto, entretanto, as utilidades de ambos não devem ser simplesmente comparadas. A satisfação plena pelo consumo de um produto pode estar ligada ao consumo de outros. Além de existir essa interdependência, que impede que o valor de um produto seja simplesmente parametrizado por outro não consumido, Pareto afirmou que o grau de utilidade de um bem é dinâmico, ou seja, depende das circunstâncias em que a análise é feita. Samuelson: O autor entendeu que o termo satisfação não se aplica diretamente às empresas que adquirem matérias-primas para transformá-las e venderem os bens decorrentes. A satisfação deve ser vista apenas sob o ponto de vista do consumidor final, e deve ser entendida como o meio que a empresa tem para estabelecer o preço que cobrará por seus produtos. Hicks: Relacionou a satisfação gerada pelo consumo de um bem a seu preço, à demanda pelo mesmo e à renda de quem toma a decisão de consumo. O autor introduziu o conceito de utilidade do dinheiro. Wieser: Defendeu que o valor de um fator de produção, em qualquer uso, é a utilidade abandonada de outros bens que poderiam ter sido produzidos com os mesmos fatores. Esse autor dedicou-se ao estudo da alocação de recursos produtivos à luz da Teoria da Utilidade. Em seu entendimento, os custos se originam da própria limitação do ato de produzir, pois à medida que se toma uma decisão de produção, dada a escassez de recursos, os fatores de produção UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 16 ficam comprometidos com aquele uso particular, sendo importante, a partir daí, conhecerem-se os valores dos bens que poderiam ter sido produzidos com aqueles recursos e não o foram. Esse raciocínio promoveu o interesse dos autores da Teoria Econômica para o que, mais tarde, se chamaria custos de oportunidade. Green: A “Lei de Wieser”, como era conhecida a teoria defendida por aquele autor, enfim, foi “batizada” por Green como custos de oportunidade, mediante artigo no qual ele se refere a custos como uma combinação de fatores, dentre os quais, o sacrifício de oportunidades. Wicksteed: Entendeu que os custos de oportunidade não influenciavam o preço do bem. O conceito, porém, era importante para a decisão de alocação de recursos. Dessa forma, esse autor procurou vincular o conceito a decisões futuras, minimizando sua importância no resultado de decisões passadas. Davenport: O autor se dedicou a um estudo detalhado dos conceitos de custos. Concluiu haver tipos diferentes de custos de oportunidade. Em sua opinião, o conceito deve variar de acordo com o enfoque do problema econômico sob análise; por exemplo, numa decisão de investimento, o custo de oportunidade pode ser o juro que seria obtido sobre o capital consumido. Segundo Davenport, custos de oportunidade sempre existirão, a menos que não haja aplicações alternativas para o recurso em questão. Em suas observações, também enfatizou o uso do conceito de custos de oportunidade como um fator a ser considerado pelo decisor antes da tomada de decisão. 9 APLICABILIDADE DO CONCEITO DE CUSTO DE OPORTUNIDADE Ao longo do tempo, vários foram os modelos criados para o cálculo e a contabilização do custo de oportunidade. Mas sabe-se que na contabilidade, de acordo com os princípios contábeis, não existe, pelo menos até o momento, espaço para uma conta específica do custo de oportunidade. Muitas empresas utilizam os juros sobre capital próprio para remunerar seus acionistas, entende-se então, que este procedimento se aproxima muito do conceito do custo de oportunidade, pois, desta forma, o acionista pode verificar qual está sendo o retorno do capital que foi investido na empresa, conseguindo comparar com outras alternativas que o mercado oferece. Poder-se-ia dizer que o acionista quando investiu na empresa, provavelmente, desprezou alternativas que no momento existiam para aplicar seu capital e que, então, ele estava diante do conceito do custo de oportunidade. De acordo com Nascimento (1998, p. 129), são evidenciados “vários modelos para o cálculo e contabilização dos custos de oportunidade. Nem todos aplicam o conceito diretamente a cada decisão tomada na empresa e, sim, a um TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 17 conjunto de decisões. Um dos caminhos preferidos para a aplicação do conceito é o reconhecimento dos juros sobre o capital, empregado nas operações. Diante da legislação brasileira até 31/12/1995, existia a correção monetária de balanço em que eram corrigidos os direitos dos acionistas. Com sua extinção em janeiro de 1996, surge a forma de remunerar o capital social investido pelos acionistas, através dos juros sobre o capital próprio. Então, mesmo que na contabilidade tradicional financeira não se reconhece o custo de oportunidade, ele tenta se desenvolver através dos juros sobre o capital próprio, mensurado através de taxa determinada pelo mercado (TJLP – Taxa de juros de Longo Prazo). Nascimento (1998, p. 162) define que “Juros sobre o Capital Próprio corresponde ao ‘custo de oportunidade’ do acionista, calculado sobre o valor do patrimônio líquido do balanço imediatamente anterior”. ESTUDOS FU TUROS O tópico Juros sobre Capital Próprio será apresentado na Unidade 2 deste Caderno de Estudos. Com relação à aplicação do conceito do custo de oportunidade na pessoa jurídica, poderíamos descrever que ela própria consome seu capital quando este é aplicado em determinadas ações da companhia. Desta forma, estaria utilizando o conceito do custo de oportunidade através da remuneração sobre o capital próprio. 10 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA E CUSTO DE OPORTUNIDADE Nas atividades operacionais das empresas, devem-se levar em consideração as entradas de recursos, processamento e a saída dos produtos. No seu desenvolvimento operacional, a empresa é considerada como uma área, e cada atividade desenvolvida uma etapa do processo. Cada empresa tem seu produto que é transferido para outra área ou empresa – são etapas que completam o produto até o seu término. Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 392), “preço de transferência é definido como o valor pelo qual são transferidos bens e serviços entre as atividade e áreas internas de uma organização”. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 18 Neste sentido, é necessário, entretanto, conhecer o preço de transferência do produto ao sair de cada empresa ou área, para depois poder avaliar o modo correto de realizar estas atividades, ou seja, avaliar o nível de eficiência. Ainda Pereira e Oliveira (apudCATELLI, 2001, p. 393), o conceito de preço de transferência fundamenta-se nas seguintes premissas: a) toda empresa é um processo de transformação de recursos em produtos/serviços, composto de diversas atividades que interagem entre si; b) as atividades possuem caráter econômico, que se materializam pelo consumo de recursos e geração de produtos/serviços; c) os recursos consumidos, por serem escassos, possuem valor econômico (custos), e os produtos/serviços gerados, por satisfazerem necessidades ambientais, também o possuem (receitas); e d) as atividades contribuem para os resultados econômicos da empresa. Assim, toda a atividade pode ser considerada distinta, desde que haja controles necessários para seu gerenciamento. De acordo com Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 393), sob esse enfoque, entende-se que a incorporação do conceito de preço de transferência ao sistema de informações da empresa deve apoiar a gestão no sentido de: a) permitir uma constante avaliação dos níveis de eficiência e eficácia da empresa, a partir das relações econômicas entre as suas atividades; b) permitir avaliações de desempenhos justas, a partir da correta mensuração da contribuição das atividades e das áreas para o resultado global da empresa; c) suportar e permitir simulações e avaliação das decisões tomadas na empresa; d) induzir comportamentos adequados dos gestores; e) não permitir o repasse de ineficiências entre as áreas; f) promover a capacidade competitiva da empresa. O preço de transferência deve ser analisado em cada área para que se tenha noção de qual alternativa seria mais viável supondo, como exemplo, que a empresa tenha a alternativa de produzir ou adquirir de terceiros um determinado produto ou serviço. Segundo Pereira e Oliveira (apud CATELLI, 2001, p. 397), nesse sentido, entende-se que o emprego do conceito de custo de oportunidade na intermediação das relações econômicas entre as áreas guarda as seguintes conotações: a) o mercado representa a fonte alternativa de obtenção de bens e serviços; b) os efeitos das decisões tomadas pelos gestores são fixados em suas próprias áreas, evitando-se o repasse de ineficiências entre as mesmas; c) orienta os gestores para a tomada das decisões que mais interessam à empresa como um todo e não à sua área específica; d) incorpora um parâmetro de alta qualidade ao processo decisório dos gestores; TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 19 e) contempla a noção de valor econômico, consubstanciado pela melhor oportunidade identificada no mercado para obtenção dos produtos, tendo em vista a missão das áreas; f) restringe a amplitude da noção de preços, visto que a oportunidade (preço) é específica para a entidade em questão, devendo considerar as particulares dificuldades ou facilidades enfrentadas para adquirir ou colocar os bens e serviços demandados, frente à alternativa de produzi-los internamente; g) permite avaliações corretas da evolução do patrimônio da entidade; e h) os preços praticados por outras empresas no mercado, ao serem incorporados à estrutura de resultados internos de uma empresa, confrontados com os custos incorridos para produzi-los internamente, fornecem uma ideia da capacidade da atividade interna em suportar condições competitivas. NOTA Considerando essas conotações, o preço de transferência deve ser o custo de oportunidade, representado pelo menor custo de mercado, ou seja, é o custo que a empresa necessitaria incorrer, caso não desenvolvesse a atividade que gerou aquele produto, ou até no caso de terceirizar aquela atividade. Conforme Pereira e Oliveira citado por Catelli (2001, p. 398), O modelo de preço de transferência, conforme utilizado no Sistema de Gestão Econômica baseia-se no conceito de custo de oportunidade. Estrutura-se a partir da premissa de que o valor dos produtos e serviços transacionados entre as unidades deveria refletir o valor do benefício possível de ser auferido na melhor alternativa econômica de obtenção dos bens e serviços demandados. Por melhor alternativa econômica, devemos entender aquela que possibilite à organização o maior incremento de resultado econômico possível. Desse modo, a melhor alternativa será sempre escolhida à luz dos resultados possíveis de serem obtidos, a partir das opções de uso alternativo do produto de uma determinada área, lembrando que o produto de uma área constitui o recurso ou insumo da área que o recebe. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 20 11 CUSTO DE OPORTUNIDADE NOS ESTOQUES Com a atual economia, sabe-se que os estoques merecem uma atenção especial. É no estoque que pode estar o testemunho do desequilíbrio financeiro das empresas, visto que muitos produtos ou mercadorias não têm a necessidade de serem estocados em grandes quantidades. NOTA Caso as empresas tenham estes estoques em quantidade desnecessária estariam com um capital parado ao invés de investido em uma segunda alternativa, podendo ser até mesmo em estoque, mas com características diferentes da primeira opção. Deve levar em consideração o custo de oportunidade na forma da compra destes estoques, principalmente quando se tratar quantidade (x) preço e também forma de pagamento (x) preço. O Estoque exige capital que pode ser utilizado para outros investimentos. Para estabelecer o custo de oportunidade do capital empatado nos estoques, no caso de uma indústria, deve-se buscar apenas o montante correspondente ao desembolso feito pela empresa na aquisição de materiais, mão de obra direta e outros que variam em relação ao volume de produção. Outros custos de fabricação que são absorvidos no custo do produto, e não variam em relação ao produto não devem ser considerados como base de cálculo do custo de oportunidade do capital investido em estoques, por não considerarem um desembolso direto de estoques. (FARIA; COSTA, 2005, p. 43). A alternativa que a empresa renuncia ao investir ou manter os estoques não é registrada na contabilidade tradicional, porque não resulta em saída de caixa especificamente, mas, sim, na renúncia de uma rentabilidade meio a esta. Nesta mesma linha de pensamento, Faria e Costa, (2005) comentam que ao investir em estoques, a empresa renuncia a taxa de retorno que poderia obter com tais investimentos em outras alternativas. A determinação da taxa de oportunidade mais adequada ao custo de oportunidade de manter estoques é inerente ao tipo de investimento que se faria, caso os recursos não fossem aplicados em estoques. Para que a empresa consiga identificar a taxa de oportunidade para tais estoques, deve considerar qual a segunda opção ou alternativa de investimento, caso contrário não consegue fazer tal comparação. Para uma melhor visualização, apresenta-se a Figura 1 do Balanço Patrimonial, que identificará as fontes de recurso e sua aplicação. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 21 FIGURA 1 – FONTES DE RECURSO E SUA APLICAÇÃO FONTE: Faria e Costa, 2005 Através da Figura 1, pode-se observar a origem e o destino dos recursos. O mesmo também pode ser observado na contabilidade tradicional. 12 APLICAÇÃO DO CUSTO DE OPORTUNIDADE ÀS DECISÕES DE PREÇO De acordo com Santos (1995), os gestores de preço devem desenvolver um modelo de decisão de preço de venda que leve em consideração o conceito de custo de oportunidade que pode ser aplicado em duas diferentes situações: (I) na apuração do custo do objeto de custeio; e (II) na remuneração dos investimentos realizados pelos acionistas na empresa. A apuração do custo do objeto de custeio pode ser definida como os desembolsos realizados, como, por exemplo, materiais, mão de obra, alugueis etc., como também gastos que poderiam ter sido despendidos de forma útil em outro lugar. Outro caso é o estoque que permanece parado nas empresas, ou seja, este investimentoem materiais poderia ser utilizado de forma útil em outro lugar. De acordo com Santos (1995), Durante este período, todos os insumos agregados ao produto permanecem estocados na empresa, que suporta com os custos de financiar estes estoques até o momento da venda. Este custo de estocagem é calculado multiplicando-se o custo do insumo por uma taxa de remuneração capitalizada pelo período de tempo que permaneceu imobilizado na empresa. Esta taxa de remuneração é o custo de oportunidade, isto é, o rendimento alternativo máximo que a empresa obteria se tivesse aplicado seus recursos em outra atividade, como, por exemplo, no mercado financeiro. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 22 Mesmo a remuneração dos investimentos realizados pelos acionistas na empresa pode ser definida pelo custo de se aplicar em outro investimento, como, por exemplo, fundos de investimento, mercado de capitais etc., ou seja, o comparativo dos benefícios que este teria se os acionistas deixassem de aplicar na empresa. De acordo com Santos (1995, p. 24), Conceitualmente, as taxas ideais a serem utilizadas no cálculo do custo de oportunidade dos investimentos realizados seriam ou o retorno exigido pela empresa, ou o seu custo de capital. No entanto, em uma atitude conservadora, por razões operacionais e de disponibilidade de informações, diversos gestores de preços têm se utilizado das taxas médias de captação de recursos no mercado financeiro, ou das taxas de captação conseguidas pela empresa no mercado financeiro. Por outro lado, os investimentos realizados devem estar mensurados segundo critérios econômicos adequados, de tal forma que possam refletir a respectiva capacidade potencial de geração de benefícios ou serviços futuros. Estes investimentos realizados pela empresa correspondem ao conceito de ativo, segundo a ciência contábil. 13 A NATUREZA ECONÔMICA DOS CUSTOS Segundo Nascimento (1998), para a Economia, os custos são de natureza complexa e até mesmo subjetiva e estão subdivididos em várias categorias. Os conceitos de custo mais comumente observados na literatura econômica moderna apresentam dois tipos de custo: os sociais e aqueles de naturezas econômicas – explícitos e implícitos, ou custos de oportunidade. 13.1 CUSTOS SOCIAIS São os custos originados em decorrência das atividades operacionais da empresa. Estes custos podem afetar tanto a empresa como a sociedade. Um exemplo deste tipo de custo é o que afeta o meio ambiente. Segundo Nascimento (1998, p. 84), “[...] existem limitações para a mensuração, mas, estatisticamente, há mecanismos que possibilitam a criação de modelos de mensuração desta natureza de custo, ainda que num estágio primário, de forma que as organizações que externalizam seus custos possam refleti-los nos resultados de suas operações”. 13.2 CUSTOS EXPLÍCITOS Podem ser definidos como a diferença entre o custo apurado pela contabilidade tradicional e o custo econômico, ou seja, podemos levar em consideração, neste caso, por exemplo, o custo de reposição. De acordo com Nascimento (1998, p. 92), “há concordância de que devem ser agregados aos custos as matérias-primas, a mão de obra, as depreciações e outros fatores levados em conta pela Contabilidade. Questiona-se, porém, o fato de esses fatores serem considerados por seus valores históricos [...]”. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 23 13.3 CUSTOS IMPLÍCITOS OU DE OPORTUNIDADE São os custos que envolvem o processo de escolha de uma alternativa ou outra. De modo que somente as alternativas escolhidas são contabilizadas, o restante passa a ser não mensurado pela contabilidade. Segundo Heymann e Bloom citado por Nascimento (1998, p. 95), “A ocorrência desse tipo de custo implica desembolsos futuros ou diminuição do resultado líquido potencial das organizações onde ocorrem”. Estes custos são importantes elementos no processo decisório, em função de as decisões envolverem permanentemente um processo de escolha, e de que todo o ato de escolha envolve um ato de sacrifício, conforme já visto no decorrer desta unidade. 13.4 CUSTO DO CAPITAL O custo do capital pode ser conceituado como o valor de retorno obtido pelo investimento feito para que o mesmo (investimento) permaneça, no mínimo, preservado. O custo do capital está intimamente ligado à maneira como este capital foi obtido, pois isso pode variar de empresa para empresa. Conforme Nascimento (1998, p. 96), “sob esse ponto de vista, sempre que a implementação de um projeto implicar retorno econômico superior ao custo do capital, o valor da empresa será aumentado, ocorrendo o inverso quando a implementação de projetos leve à obtenção de retorno econômico inferior”. 14 CONTROVÉRSIAS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE De acordo com Nascimento (1998), o interesse gerado pelo assunto custos de oportunidade, entre os autores, leva ao aparecimento de controvérsias quanto a sua conceituação. Além das pequenas divergências contidas nas definições, surgem, na literatura, termos diferentes para o conceito, gerando controvérsias quanto a seus reais significados. Um exemplo disso são os casos dos custos diferenciais, custos incrementais e custos de oportunidade. Segundo Nascimento (1998) “ [...] em 1970, McRae, professor de Contabilidade na University of Witwatersrand, África do Sul, publicou artigo criticando as opiniões de diversos autores que tratam os termos custos de oportunidade e diferenciais, ou incrementais, como sinônimos”. Mas, de acordo com Nascimento (1998), trata-se de conceitos sinônimos que deveriam ser empregados sempre com os mesmos objetivos. Se isso é verdade, o que constatamos é que os custos de oportunidade ganham na literatura outros UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 24 termos que originam discussões acadêmicas, nem sempre férteis, e que desviam a atenção que deveria ser absorvida por tentativas de se entender todos os aspectos que envolvem o fenômeno, para permitir sua aplicação sistemática. 15 EVA – ECONOMIC VALUE ADDED O conceito do EVA (Economic Value Added), ou Valor Econômico Agregado, apesar de ter se popularizado nas ultimas décadas, na verdade, não é nenhuma novidade nos meios acadêmico e empresarial, pois se originou na primeira década do século XX, teoria neoclássica, em que representa uma tentativa de operacionalizar o conceito de custo de oportunidade. O termo EVA está registrado por Stern Stewart e Co., uma firma de consultoria americana. A Stern Stewart e Co. desenvolveu o EVA para gestores incorporarem dois princípios básicos de finanças dentro de suas tomadas de decisões. O primeiro é que o objetivo financeiro primordial de qualquer empresa deve ser maximizar a riqueza de seus acionistas. O segundo é que o valor da companhia depende de extensão do que os investidores esperam como retorno futuro: exceder o custo do capital. Assim, o EVA apura o valor que foi criado por uma organização durante um determinado período para seus acionistas. Sabe-se que o valor econômico adicionado (EVA), avalia uma linha de produtos financeiramente desejável, usando seu lucro residual, ou seja, esta ferramenta avalia o desempenho de uma empresa. Para KASSAI (2000, p. 193), “ [...] o valor econômico agregado, ou EVA, é, pois, o valor que a empresa agrega após remunerar todos os recursos investidos, quer sejam financiados pelo custo de capital de terceiros (Ki) ou pelo custo de capital próprio (Ke)”. Então, para calcular o EVA é necessário identificar qual o retorno desejado pelos acionistas, ou o Custo do Capital Próprio. Diversas são as formas de interpretar o EVA, Erbhar (1999) entende que Quando empresas utilizam o EVA plenamente, que é o que devem fazer para mudar comportamento, este se torna muito mais do que apenas mais uma maneira de somar custos e calcularlucro. O EVA é: a) Uma medida de desempenho empresarial; b) A única medida de desempenho que oferece a resposta certa no sentido de que mais EVA é sempre definitivamente melhor para os acionistas; c) A estrutura que subjaz um novo e abrange sistema de gestão financeira empresarial; d) Um método simples e eficaz de alfabetizar em negócio até mesmo os trabalhadores menos sofisticados. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 25 e) A variável chave num sistema singular de remuneração variável que pela primeira vez realmente alinha os interesses de gerentes com os de acionistas; f) Uma estrutura que empresas poderão utilizar para comunicar suas metas e realizações a investidores. NOTA O principal objetivo do EVA é determinar o valor que foi criado de riqueza em um determinado período de tempo. Este período de análise geralmente é de um ano. Mas isto não quer dizer que a empresa vai medir o seu desempenho apenas uma vez por ano; este acompanhamento deve ocorrer mês a mês, e ser comparado no decorrer do período, ou seja, no decorrer do ano. Carvalho, (1999, p. 9) comenta que “o EVA é a versão moderna de lucro operacional menos o custo do capital. Se a empresa agregou valor, o EVA é positivo e os acionistas terão feito um bom negócio”. Entende-se, então, que o EVA é um instrumento que se propõe a medir a criação de valor (ou destruição) centrada num período determinado. Sua base de cálculo é o lucro operacional da empresa menos o custo do capital investido. Segundo G. Bennett Stewart III, citado por Denardin (2004, p. 7), “[...] o EVA é a única medida de performance que está totalmente consistente com a regra padrão de orçamento de capital: aceitar todos os investimentos cujos valores presentes líquidos são positivos e rejeitar todos os negativos”. O EVA considera todos os custos existentes, até mesmo o custo de oportunidade. O capital é considerado toda expressão monetária aplicado em ativos, como os imobilizados em geral, acrescentando as disponibilidades de caixa e os investimentos a longo prazo. O resultado desta ferramenta não se restringe apenas a avaliar o desempenho da empresa, mas também a incentivar o desempenho de seus colaboradores, pois isto resultará em aumento da riqueza, como consequência o desempenho da organização terá maior eficácia. Segundo Saurim, Mussi e Cordioli, citado por Denardin (2004, p. 9): A implantação do EVA como medida de desempenho pode levar a uma serie de mudanças, destacando-se as seguintes: a) Maior conscientização da gerência quanto ao valor do capital que é por ela gerido e, principalmente, do valor associado ao patrimônio líquido; b) Gestão mais empreendedora, principalmente, no que tange à busca de formas alternativas[...]; UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 26 c) Possibilidade de desdobramento do EVA, um indicador principalmente financeiro em indicador de gestão de unidades de negócios (Ex.: vendas, custos etc.), associados a este, indicadores de desempenho operacional (ex.: margem de vendas dos produtos, porcentagem de refugo de produtos etc.). Nota-se, então, que o EVA é de extrema importância para qualquer organização, pois possibilita um eficiente entendimento de oportunidade. Esta poderosa ferramenta de gestão está dividida em quatro pilares, conforme segue na Figura 2. FIGURA 2 – QUATRO PILARES DE GESTÃO DO EVA EVA NOPAT (Custo do Capital Capital) FONTE: Denardin (2004, p. 10) O primeiro pilar, o operacional, faz com que aumente o capital através da minimização de custos e a maximização dos lucros ou economia de impostos, já no segundo pilar o objetivo é reduzir os custos de capital e no terceiro é investir capital adicional em projetos com valor presente líquido positivo e no último pilar ocorre o contrário. 16 EXEMPLOS DIVERSOS Abordaremos, a seguir, diversos exemplos relacionados a este tópico para melhor interpretar este assunto. Exemplo 1 – EVA – Baseado no Modelo de Nascimento (1998) Situação 1 (base para as demais situações) Suponhamos uma situação em que o lucro operacional líquido da empresa seja de $ 250, o capital $ 1.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado pelo investidor) 15%. O valor calculado do EVA seria: EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou EVA = $ 250 – 15% X $ 1.000 = $ 100. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 27 A seguir, as hipóteses relacionadas com este cenário: a) criação de valor Imaginemos que, em decorrência de ganhos de produtividade, ou de eficiência administrativa, o lucro fosse aumentado de $ 250 para $ 300. EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou EVA = $ 300 – 15% X $ 1.000 = $ 150. Como se vê, o lucro em relação ao capital aumentaria de 25% para 30%, e o EVA subiria para $ 150, refletindo a eficiência da gestão dos recursos. b) Investimento com retorno sustentável Continuando o caso base, consideremos agora a decisão de adotar ou não um projeto que requeira um investimento de $ 1.000, e que, se implementado, represente um aumento de $ 200 no lucro, ou 20% de retorno, de forma sustentável: EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou EVA = $ 450 – 15% X $ 2.000 = $ 150. Nessa hipótese, a consequência seria um aumento no EVA. Ainda que a taxa consolidada de retorno diminuísse para 22,5%, o projeto deveria ser implementado, pois maximizaria o EVA. Na aplicação do conceito, a taxa de retorno nunca deve ser analisada individualmente. Nesse caso, embora menor, é calculada sobre uma base maior, gerando um ganho superior ao custo de oportunidade do investidor. c) Retirada de capital de usos não produtivos Ainda tendo como referência o caso base, imaginemos que $ 333 de excesso de capital de giro pudesse ser retirado do negócio sem afetar o lucro operacional líquido, assim, teríamos: EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital EVA = $ 250 – 15% X $ 667 = $ 150. A retirada do capital de um uso não produtivo, portanto, permite um aumento tanto no EVA quanto na taxa de retorno, refletindo o acerto da decisão. Situação 2: Decisões sobre implementações de projetos Imaginemos, agora, um cenário onde uma empresa apresente lucro líquido operacional de apenas $ 50 para um capital de $ 1.000. Com um retorno de apenas 5%, o EVA resulta num déficit de -$ 100, conforme os cálculos demonstrados a seguir: UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 28 EVA = LL – C* X capital, ou EVA = $ 50 – 15% X $ 1.000 = $ (100). Prosseguindo, se a empresa adotar um projeto que requeira capital adicional de $ 1.000, estima-se que este investimento lhe permitiria, de forma sustentável, acréscimo de $ 130 no lucro operacional líquido, mas como consequência, a taxa de retorno requerida pelos acionistas subiria para 9%. O cálculo do EVA seria: EVA = Lucro operacional líquido – C* X capital, ou EVA = $ 180 – 15% X $ 2.000 = $ (120). Mesmo que o retorno de capital praticamente dobrasse (de 5% para 9%), o EVA seria ainda mais negativo, como se observa acima, representando um empobrecimento do investidor, ou seja, o projeto não deve ser implementado. Em outras palavras, a última coisa a ser feita em uma empresa são investimentos que não recompensem o capital nela investido. Situação 3: fechamento de uma unidade fabril Suponha que uma unidade fabril ineficiente possa ser vendida e sua produção parcialmente transferida para outra unidade da mesma empresa. Assuma, também, que a venda da unidade fabril permitirá uma retirada de $ 500 líquidos de capital do negócio, e que seu fechamento significará uma diminuição permanente de $ 25 no lucro operacional líquido. O quadro demonstrativo dessa decisão seria: QUADRO 1 – DEMONSTRATIVO DO FECHAMENTO DE UMA UNIDADE FABRIL Situação original Valores residuais Lucro Líquido Operacional $ 250 $ 225 Capital $ 1.000 $ 500Retorno 25% 45% C* 15% 15% Retorno– C* 10% 30% X capital $ 1.000 $ 500 EVA $ 100 $ 150 FONTE: O autor TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 29 Conforme essa análise, o fechamento da unidade fabril é recomendável, ainda que isso implique a diminuição do valor das ações, do lucro da empresa e dos empregos, pois tal decisão permitiria um aumento no EVA. Ao se subtrair a perda incremental do lucro líquido operacional, e o capital resultante da venda da fábrica, a operação residual remanescente é mais rentável. O aumento do EVA é consequência direta da otimização do capital da empresa. A melhor forma de se ver isso é através da comparação dos valores residuais remanescentes com os valores originais. Exemplo 2 – Custo de oportunidade nos investimentos Neste exemplo, apresentado por Martins (1998), imagina-se que não há inflação e o custo de oportunidade em se aplicar, tomado pela empresa em termos reais, seja de 6% ao ano (fundos de investimentos) e que o valor do investimento em imobilizado para a fabricação de produtos seja de R$ 100.000,00. Opções: A – Investir R$ 100.000,00 em fundos a 6% ao ano. B – Investir no imobilizado da fábrica, considerando um faturamento de R$ 150.000,00, considerando que para este faturamento a fábrica obteve os seguintes custos: MP R$ 70.000,00, MO R$ 30.000,00, depreciação R$ 20.000,00 e outros custos R$ 20.000,00. Apuração dos dados: Opção (A) Investimento em fundos R$ 100.000,00 Rendimento (6%) R$ 6.000,00 Total no final do período R$ 106.000,00 Opção (B): Receitas: _______________________________R$ 150.000,00 CPV Matéria-prima: R$ 70.000,00 Mão de obra: R$ 30.000,00 Depreciação: R$ 20.000,00 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00 Lucro: R$ 10.000,00 Após a análise das opções, percebe-se que a opção (B) é mais vantajosa, pois daria um resultado no final do período de R$ 10.000,00 enquanto que a opção (A) teria, no final do mesmo período, um resultado de apenas R$ 6.000,00. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 30 Deste modo, pode-se dizer que o custo de oportunidade deste caso é o R$ 6.000,00, ou seja, esta é a opção desprezada diante das duas alternativas de aplicação dos R$ 100.000,00. Apuração dos dados da opção (B), após a identificação do custo de oportunidade: Receitas: _________________________________ R$ 150.000,00 CPV Matéria-prima: R$ 70.000,00 Mão de obra: R$ 30.000,00 Depreciação: R$ 20.000,00 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00 Lucro: R$ 10.000,00 (-) Custo de oportunidade R$ 6.000,00 Resultado Final R$ 4.000,00 Com a inclusão de custo de oportunidade de R$ 6.000,00, o resultado final seria de apenas de R$ 4.000,00. Isso significa que o verdadeiro valor do resultado da atividade, pois conseguiu superar o custo de oportunidade. Caso o lucro fosse igual ou inferior ao custo de oportunidade a alternativa da fábrica se tornaria inviável, dependendo sempre do risco de ambos os casos. IMPORTANT E Neste caso, não foram considerados os riscos em nenhuma das opções. Exemplo 3 – Custo de oportunidade nos estoques Uma empresa necessita aproximadamente 66.000 quilos de material em sua produção anual. Essa empresa possui disponibilidade suficiente para pagar a quantidade de materiais diretos que adquirir de uma só vez, porém, há duas possibilidades: a) Comprar os 66.000 quilos de uma só vez ao custo de 4,50 o quilo. b) Utilizar-se do capital de giro em aplicações de títulos do governo, remunerados a taxa de 0,6% ao mês a juros simples, uma vez que ela pode adquirir 5.500 quilos por mês ao custo de 5,00 o quilo. Qual seria a melhor alternativa e o respectivo custo de oportunidade? TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 31 QUADRO 2 – CUSTOS ANUAIS DE COMPRAS Dados Opção A (R$) Opção B (R$) Diferença (A-B) Custos anuais de compras 297.000 330.000 (33.000,00) FONTE: O autor QUADRO 3 – CUSTO DE OPORTUNIDADE Saldo Juros 330.000.00 31/jan 302.500.00 1.980.00 29/fev 275.000.00 1.815.00 31/mar 247.500.00 1.650.00 30/abr 220.000.00 1.485.00 31/mai 192.500.00 1.320.00 30/jun 165.000.00 1.155.00 31/jul 137.500.00 990.00 31/ago 110.000.00 825.00 30/set 82.500.00 660.00 31/out 55.000.00 495.00 30/Nov 27.500.00 330.00 31/dez 0.00 165.00 Total 12.870.00 FONTE: O autor Verifica-se que no Quadro 2, o custo de oportunidade é de $ 33.000,00, caso a empresa optasse em fazer a compra parcelada (Opção B), desde que não houvessem quaisquer formas de aplicação do capital. Mas conforme o Quadro 3, o custo de oportunidade é de $ 12.870,00 caso a empresa optasse em comprar tudo de uma só vez (Opção A), pois estaria deixando de receber os juros na aplicação de títulos do governo. Na junção das duas opções, o ganho real poderia ser assim evidenciado: Opção A = $ 33.000,00 Opção B = $ 12.870,00 Saldo = $ 20.130,00 de ganho na opção A UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 32 Portanto, se a empresa optar pela opção A, o custo de oportunidade será de $ 12.870,00, pois este é o valor que ela estaria deixando de receber. Agora, se sua opção for a B, o custo de oportunidade seria de 33.000,00, pois este é o valor que ela estaria desprezando. Ao invés de utilizarmos os $ 330.000 no Quadro 3 como ponto de partida para a aplicação, poderíamos considerar apenas os $ 297.000 que representariam o valor desembolsado de imediato pela compra dos materiais à vista, o que tornaria a opção B com retorno ainda menor, comprovando de fato que a melhor opção seria a A. Exemplo 4 – Custo de oportunidade sob enfoque econômico e enfoque contábil De acordo com o exemplo 2, em que a empresa tinha a opção de investir num fundo de investimentos, opção A, ou investir no imobilizado de uma fábrica, opção B, foi constatado que a melhor opção foi a B, pois o retorno seria de $ 10.000, enquanto na opção A seria de apenas $ 6.000. Com base nessas informações, qual seria a diferença do custo de oportunidade sob o enfoque contábil e sob o enfoque econômico? Primeiramente, é preciso definir a melhor opção, nesse caso foi a B. Portanto, com base no custo de oportunidade sob o enfoque contábil o resultado positivo gerado pela alternativa B foi de $ 10.000, mas sabe-se que está se desprezando um possível retorno de $ 6.000. Por sua vez, com base no custo de oportunidade sob o enfoque econômico, o resultado positivo gerado pela alternativa B foi de apenas $ 4.000, ou seja, sob o enfoque econômico o resultado obtido na melhor opção de investimento considera o custo de oportunidade no resultado. ESTUDOS FU TUROS No Tópico 2 desta unidade, analisaremos o método de avaliação de empresas pelo patrimônio líquido corrente. Nesse método, o custo de oportunidade também é utilizado em sua fórmula. Veremos que é utilizado o custo de oportunidade sob o enfoque econômico. TÓPICO 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE 33 Sendo assim, no enfoque contábil, o resultado líquido seria esse: Receitas: _______________________________ R$ 150.000,00 CPV Matéria-prima: R$ 70.000,00 Mão de obra: R$ 30.000,00 Depreciação: R$ 20.000,00 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00 Lucro: R$ 10.000,00 Já, no enfoque econômico, o resultado seria esse: Receitas: _______________________________ R$ 150.000,00 CPV Matéria-prima: R$ 70.000,00 Mão de obra: R$ 30.000,00 Depreciação: R$ 20.000,00 Outros custos: R$ 20.000,00 R$ 140.000,00 Lucro: R$ 10.000,00 (-) Custo de oportunidade R$ 6.000,00 Resultado final R$ 4.000,00 Note que no custo de oportunidade sob o enfoque econômico o investidor é mais conservador, uma vez que no resultado final é subtraído o custo de oportunidade. 34 Neste tópico, vimosdiversas abordagens relacionadas aos custos de oportunidade. Pelo fato de a globalização estar cada dia mais presente no meio gerencial, este tema merece ser refletido ainda mais, seja pelo fator econômico ou não. Constatou-se que se faz necessário entender o conceito de custos de oportunidade, de tal forma, que possa ser levado à praticabilidade. Em uma segunda etapa, faz-se necessário avaliar as alternativas propostas, se são possíveis e se podem ser comparadas. Por fim, na ligação da teoria com a prática, a comparabilidade evidencia o custo de oportunidade. RESUMO DO TÓPICO 1 35 1 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 155.000,00: a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 8% a.a.; b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento ao ano de R$ 239.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os seguintes custos: Mercadorias para revenda R$ 199.000,00, MOD R$ 11.000,00, depreciação R$ 8.000,00 e outros custos R$ 6.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade. Melhor opção letra ______. Custo de oportunidade é ________________. 2 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 110.000,00: a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 11% a.a.; b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento ao ano de R$ 180.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os seguintes custos: Mercadorias para revenda R$ 100.000,00, MOD R$ 30.000,00, depreciação R$ 15.000,00 e outros custos R$ 25.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade. Como seria o resultado da melhor opção de investimento se evidenciado pelo custo de oportunidade sob o enfoque econômico? 3 Determinada empresa tem duas opções de investir um montante de 110.000,00: a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 11% a.a.; b) Investir no imobilizado de um comércio, considerando um faturamento ao ano de R$ 180.000,00 e, para este faturamento, o comércio obteve os seguintes custos: Mercadorias para revenda R$ 100.000,00, MOD R$ 30.000,00, depreciação R$ 15.000,00 e outros custos R$ 25.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade. Como seria o resultado da melhor opção de investimento se evidenciado pelo custo de oportunidade sob o enfoque contábil? AUTOATIVIDADE 36 4 Qual seria a finalidade do custo de oportunidade para os gestores? 5 Determinada pessoa tem três opções de investir um montante de 120.000,00: a) Investimento no mercado (fundos de investimento) a 10% a.a.; b) Investir numa fábrica de sorvetes, considerando um faturamento ao ano de R$ 50.000,00 e, para este faturamento, obteve os seguintes custos: MP R$ 20.000,00, MOD R$ 5.000,00, depreciação R$ 2.000,00 e outros custos R$ 4.000,00. c) Investir num comércio de peças automotivas, considerando um faturamento ao ano de R$ 315.000,00, e, para este faturamento, obteve os seguintes custos: matérias para revenda R$ 220.000,00, MOD R$ 65.000,00, depreciação R$ 12.000,00 e outros custos R$ 10.000,00. Deseja-se saber qual seria a melhor opção de investimento e o respectivo custo de oportunidade. 6 Defina com suas palavras o que seria o custo de oportunidade. 7 Suponha uma situação em que o lucro operacional líquido da empresa seja de $ 400, o capital $ 2.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado pelo investidor) 12%. O valor calculado do EVA seria: 8 Com base o exercício 7. Considere agora a decisão de adotar ou não um projeto que requeira um investimento de $ 1.700 e que, se implementado, represente um aumento de $ 150 no lucro de forma sustentável. Esse projeto deveria ser implementado? 9 Suponhamos uma situação em que o lucro operacional líquido da empresa fosse de $ 400, o capital $ 2.000, e C* (custo de oportunidade arbitrado pelo investidor) 12%. Suponha que uma unidade fabril ineficiente possa ser vendida e sua produção parcialmente transferida para outra unidade da mesma empresa. Assuma, também, que a venda da unidade fabril permitirá uma retirada de $ 600 líquidos de capital do negócio, e que seu fechamento significará uma diminuição permanente de $ 50 no lucro operacional líquido. Preencha o quadro demonstrativo dessa decisão e analise a viabilidade ou não da venda dessa unidade fabril. 37 Situação original Valores residuais Lucro Líquido Operacional Capital Retorno C* Retorno – C* X capital EVA 10 Assinale a alternativa INCORRETA. Os custos de oportunidade existem em razão da consequência comparativa de diversas alternativas e que estas, por sua vez, possuem características distintas, o que poderá elevar o grau de dificuldade na sua escolha. Portanto, pode-se concluir que: a) ( ) A questão da diferenciação dos riscos existentes em cada alternativa de aplicação de recursos é um fator de dificuldade para a implementação plena do conceito de custos de oportunidade. b) ( ) Essa reconhecida limitação causada pelas características distintas de cada alternativa tem levado os estudiosos da área financeira e contábil a buscarem meios alternativos que permitam a aplicação prática do conceito de custo de oportunidade. c) ( ) Normalmente, esse tipo de comparação tende a ser um pouco difícil em função, principalmente, do problema do risco. d) ( ) Uma vez utilizado o custo de oportunidade como comparação entre diversas alternativas, semelhantes ou não, não haveria a necessidade de se levar em consideração os riscos, uma vez que esses riscos são objetivos. 11 O que você entende por taxa de oportunidade em relação ao conceito custo de oportunidade? 12 Qual a relação entre preço de transferência e custo de oportunidade? 38 13 Uma empresa necessita aproximadamente 50.000 quilos de material em sua produção anual. Essa empresa possui disponibilidade suficiente para pagar a quantidade de materiais diretos que adquirir de uma só vez, porém há duas possibilidades: a) Comprar os 60.000 quilos de uma só vez ao custo de 1,50 o quilo. Porém, se optar por esta alternativa, terá custos de estocagem equivalente a um total de $ 4.000,00 no ano. b) Utilizar-se do capital de giro em aplicações de títulos do governo, remunerados à taxa de 0,6% ao mês a juros simples, uma vez que ela pode adquirir 5.000 quilos por mês ao custo de 1,60 o quilo. Utilize como ponto de partida na aplicação de títulos o valor de 90.000,00. Qual seria a melhor alternativa e o respectivo custo de oportunidade? Dados Opção A (R$) Opção B (R$) Custos anuais de compras Custo de oportunidade ____________ se optar por ________ Saldo Juros a 0,6% 90.000.00 ................................. 31/jan 82.500.00 29/fev 75.000.00 31/mar 67.500.00 30/abr 60.000.00 31/mai 52.500.00 30/jun 45.000.00 31/jul 37.500.00 31/ago 30.000.00 30/set 22.500.00 31/out 15.000.00 30/nov 7.500.00 31/dez 0.00 Total Custo de oportunidade ____________ se optar por ________ 39 14 De acordo com a questão anterior (13), se não houvesse o custo de estocagem, qual seria a melhor alternativa e respectivo custo de oportunidade? Evidencie os resultados sob o enfoque econômico. Dados Opção A (R$) Opção B (R$) Custos anuais de compras Resultado sob enfoque econômico: ____________________________ Custo de oportunidade ____________ se optar por ________ Custo de oportunidade ____________ se optar por ________ Melhor opção alternativa letra ______________ 40 41 TÓPICO 2 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, analisaremos algumas considerações acerca da perspectiva de negociação do empreendimento para grupos interessados, ou de compra de acervos porparte de nossa empresa. Que tipo de consideração deve ser realizado em tais circunstâncias e quais informações fornecidas pela contabilidade são relevantes nesse processo, além de todos os ajustes e meios necessários para esse fim. Analisaremos, basicamente, três métodos de avaliação de empresa: Método do Valor Contábil, Método do patrimônio Líquido Corrente e Método de Capitalização de Lucros. 2 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Sempre quando se comenta avaliação de empresas, seja num todo, ou em apenas numa fração, a contabilidade ou propriamente o contador, sente que o grau de subjetividade pode acarretar barreiras na conclusão dos trabalhos. São vários os fatores que precisam ser levados em consideração nesse cálculo, porém, a contabilidade pode fornecer subsídios para que estes cálculos cheguem o mais próximo da realidade. Para Padoveze (2004), quando se avalia uma empresa é preciso tomar uma série de cuidados, uma vez que o valor de mercado normalmente é diferente do valor contábil. Isso ocorre porque normalmente a contabilidade está avaliada a custo histórico o que, de fato, provoca variações substanciais no patrimônio líquido dessa entidade. Entretanto, a Lei 11.638/2007 trouxe várias mudanças para a contabilidade e, dentre elas, a possibilidade de amenizar essas variações e oscilações do mercado e que até então não eram reconhecidas contabilmente. Segundo Iudícibus (1998), a teoria da avaliação de empresas escapa ao âmbito isolado da Contabilidade, uma vez que toda avaliação do valor de uma empresa admite uma noção de risco, uma apreciação por parte do investidor do risco e dos benefícios prospectivos da assunção dos riscos. A Contabilidade avalia os recursos à disposição de uma empresa, todos os bens, direitos e obrigações, em que o resultado será o patrimônio líquido, que é acompanhado em suas UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 42 mutuações. Entretanto, a Contabilidade não avalia a empresa como um todo, pois isto somente pode ser feito pelo investidor. Todavia, nenhum contador poderá furtar-se a oferecer algum aconselhamento aos proprietários da empresa quando estes receberem uma proposta por parte de um grupo, alegando a separação de funções entre investidor e contador. Deverá estar em condições de oferecer algum tipo de suporte ao proprietário em suas negociações e, se o caso for muito complexo, deverá saber quando é hora de pedir o auxílio de outros especialistas. Antes de se analisar qualquer método de avaliação de empresas, faz-se necessário entender o sentido do custo de oportunidade, item este, apresentado no Tópico 1 desta unidade. Cabe frisar que todos os métodos de avaliação de empresas existentes hoje no mercado são apenas auxiliadores – aproximados – para se chegar a um denominador comum, nada concreto. Esses valores apenas servirão como base para a tomada de decisão, uma vez que, por ser um processo de avaliação, sempre haverá certo grau de subjetividade e, cada pessoa analisa, no final, o custo benefício da negociação. NOTA Em resumo, por exemplo, pode-se dizer que cada comprador tem ou poderá ter uma percepção diferente do negócio, sendo que, então, para um o valor de tal empresa poderá ser 100, para outro poderá ser 90, dependendo da visão do negócio da cada interessado. Pode-se dizer que o valor inicial de cada empresa tem como base o patrimônio líquido. De acordo com Padoveze (2004, p. 567), “[...] a criação de valor para o acionista é refletida no valor da empresa, número este que a contabilidade financeira apresenta no balanço patrimonial sob a figura do patrimônio líquido. Igualmente, a geração básica de valor se dá por meio do lucro obtido na venda de produtos e serviços”. 3 MÉDODO DO VALOR CONTÁBIL COMO BASE PARA A AVALIAÇÃO Pode-se dizer que é o método mais simples para se avaliar uma empresa. Contudo, somente a utilização desse método não resultaria numa informação eficaz para concretizar uma negociação de empresas ou sua avaliação. Então, se este método não é eficaz, para que analisá-lo? É muito simples, pois este método é a base original para os demais métodos de avaliação. TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 43 NOTA É nesse método que teremos os valores de partida e, sem eles, de nada adiantaria aplicar qualquer outro método de avaliação. Nesse método, parte-se do valor do patrimônio líquido. Serão subtraídos do ativo os itens obsoletos e do tipo: gastos pré-operacionais a amortizar despesas antecipadas e semelhantes. De acordo com Iudícibus (1998), esta base de avaliação é, normalmente, excessivamente conservado ra, por considerar e limitar o valor da empresa apenas ao valor contábil do patrimônio líquido, uma vez que a empresa está num processo de continuidade podendo multiplicar seus recursos. Outros fatores, como, por exemplo, mudança nos preços específicos dos ativos, inflação etc. tornariam a avaliação inadequada, mesmo que fosse aceita como conceitualmente correta. Além do mais, nada retrata sobre a perspectiva de lucratividade futura da empresa. Este método, salvo casos especialíssimos, não é aconselhável. O método do valor contábil se utiliza basicamente da contabilidade financeira, que segue um princípio contábil denominado custo base como valor. Portanto, para fins de avaliação patrimonial é interessante analisar vários pontos que podem estar distorcidos contabilmente, uma vez que a empresa deve ser analisada também a valor de mercado e não somente de custo. Para Padoveze (2004), o valor de mercado normalmente é diferente do valor contábil porque as avaliações contábeis, obtidas de critérios gerais de avaliação de ativos e passivos, fundamentadas em documentação existente, valores históricos ou até mesmo em ajustes de avaliação patrimonial ou reavaliação, por mais acuradas que sejam, dificilmente são iguais ao valor que o mercado pode pagar em determinado momento. A seguir é evidenciado um balanço patrimonial que será analisado pelo Método do valor Contábil: UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 44 Ativo Circulante 190.00 Caixa 100.00 Estoques 40.00 Despesas antecipadas 50.00 Não circulante 20.00 Realizável a LP 20.00 Investimentos 1.000.00 Imobilizado 2.000.00 (-) Depreciação acumulada (330.00) Intangível diferido 200.00 (-) Amortização acumulada (80.00) Total do Ativo 3.000.00 BALANÇO PATRIMONIAL DA CIA. JOY EM 31/12/2207 Passivo Circulante 160.00 Fornecedores 100.00 Tributos a pagar 60.00 Não Circulante 120.00 Financiamentos 120.00 Patrimônio Líquido 2.720.00 Capital 1.720.00 Reservas de capital 200.00 Reservas de reavaliação 300.00 Reservas de lucros 100.00 Lucros a destinar 400.00 Total do Passivo 3.000.00 Neste caso, poderíamos concluir que o valor da Cia. Joy avaliado pelo valor contábil seria: Patrimônio Líquido = $ 2.720,00 (-) Despesas Antecipadas = $ 50,00 (-) Diferido Líquido = $ 120,00 Valor da empresa = $ 2.550,00 TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 45 NOTA Note que ao subtrairmos os valores do patrimônio líquido estamos subtraindo os valores líquidos de amortização. Então, numa possível negociação dessa empresa, se avaliada pelo método contábil, o valor de venda poderia partir de $ 2.550,00. NOTA Lembrando que esse método é apenas uma base. Dificilmente essa empresa seria vendida pelo valor de $ 2.550,00, sem levar em consideração outros fatores que ainda serão vistos no decorrer deste tópico. 4 MÉTODO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO CORRENTE COMO BASE PARA A AVALIAÇÃO Esse método de avaliação de empresa é mais consistente do que o método do valor contábil, uma vez que avalia os ativos e passivos a preçode reposição. Ou seja, esses ativos e passivos são avaliados através de um processo de levantamento de valores, seja por auditores ou peritos em cada área específica. Além dessa atualização por levantamento, os ativos que estariam obsoletos como também os créditos incobráveis ou irrecuperáveis seriam eliminados do valor da empresa, deixado assim, o patrimônio líquido mais próximo da realidade. De acordo com Iudícibus (1998, p. 288), “[...] o patrimônio líquido assim resultante seria um valor adequado para o valor da empresa. Mais uma vez, embora melhor que o método anterior, em termos de valor para o comprador ou vendedor em perspectiva, ainda pouco nos diz (somente o patrimônio líquido, embora em termos correntes)”. Ainda segundo Iudícibus (1998), para o eventual vendedor da empresa, equivaleria a vender o negócio quase que pelo exato valor do que nele foi investido e reinvestido pelos sócios durante os anos, sem receber qualquer adicional. Dessa forma, se a empresa estiver numa perspectiva favorável de lucratividade, mercado e organização, será uma venda por um valor conservador. Entretanto, se estiver numa situação inversa, poderá ser até demais para o eventual comprador. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 46 Veja o exemplo a seguir: BALANÇO PATRIMONIAL DA CIA. JOY EM 31/12/2207 Ativo Circulante 190.00 Caixa 100.00 Estoques 40.00 Despesas antecipadas 50.00 Não Circulante 20.00 Realizável a LP 20.00 Investimentos 1.000.00 Imobilizado 2.000.00 (-) Depreciação acumulada (330.00) Intangível diferido 200.00 (-) Amortização acumulada (80.00) Total do Ativo 3.000.00 Passivo Circulante 160.00 Fornecedores 100.00 Tributos a pagar 60.00 Não circulante 120.00 Financiamentos 120.00 Patrimônio líquido 2.720.00 Capital 1.720.00 Reservas de capital 200.00 Reservas de reavaliação 300.00 Reservas de lucros 100.00 Lucros a destinar 400.00 Total do Passivo 3.000.00 Levando em consideração as informações do Balanço da Cia. Joy e considerando um laudo com as seguintes informações: Apuração dos valores que demonstraram inconsistência com o Balanço Patrimonial: saldos corretos seriam estes: Saldo dos estoques $ 45 Imobilizado $ 1.900 Realizável a longo prazo $ 0,00 TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 47 Sendo, teríamos as seguintes variações: Estoques, de $ 40 para $ 45. Ganho de $ 5 Imobilizado, de 1.670 para 1.900. Ganho de $ 230 Realizável a longo prazo, de $ 20 para $ o. Perda de $ 20. Teríamos então o valor da Cia. Joy em $ Patrimônio Líquido = $ 2.720,00 (+) Estoques = $ 5,00 (+) Imobilizado = $ 230,00 (-) Realizável a LP = $ 20,00 Valor da empresa = $ 2.935,00 NOTA Note que o imobilizado é avaliado pelo seu valor líquido no Balanço Patrimonial. Um pouco mais real, porém ainda subjetivo, o método do patrimônio líquido corrente traz uma perspectiva a valor de mercado para a possível negociação da empresa. 5 MÉTODO DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS COMO BASE PARA AVALIAÇÃO O método de capitalização de lucros é o mais completo método para se chegar a uma base segura do valor da empresa ou, pelo menos, o mais próximo possível da realidade. Segundo Iudícibus (1998), por esse método o valor da empresa poderia ser calculado da seguinte forma: o valor atual dos lucros futuros, até o horizonte, descontado pelo custo de oportunidade do investimento em cada início de período em que se gerar lucro, somado ao valor de realização do patrimônio líquido no início do horizonte, o todo descontado a uma taxa adequada. Assim, não somente o patrimônio líquido seria aqui considerado, mas uma série de fatores adicionais que serão vistos individualmente a seguir. Portanto, teríamos que considerar os seguintes elementos nesse método de avaliação: UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 48 • Horizonte do empreendimento. • Lucro projetado ou fluxo de caixa projetado. • Investimento inicial do período em que se gerar lucro, ou de cada período em que se gerar lucro. • Taxa de desconto adequada. A taxa anteriormente mencionada refere-se à taxa de mercado mais apropriada do período, sendo, por exemplo, aquela utilizada para calcular o custo de oportunidade do investimento ou até mesmo algum índice oficial (SELIC, INPC, IGP-M etc.) para descontar as séries a fim de trazê-las ao momento presente, podendo utilizar-se de até duas ou mais taxas diferentes. Iudícibus (1998) comenta que podem ser utilizadas taxas médias ponderadas de retorno sobre o ativo ou patrimônio líquido, já ocorridas na experiência da empresa, ou margem de lucro operacional sobre vendas etc. Cada variante, todavia, tem suas limitações conceituais. Em resumo, os elementos anteriormente mencionados poderiam ser alocados numa fórmula desta maneira evidenciada: VE = L1 – C1 + L2 – C2 + ... + Ln – Cn + Vr 1 + i (1 + i)2 (1 + i)n Onde, VE = Valor da empresa. L1, L2... Ln são os lucros esperados. C1, C2... Cn são os custos de oportunidade de ganhar tais lucros. Estes custos podem ser expressos como o montante de receita que foi desprezada por termos investido o patrimônio líquido, no início de cada período, na empresa. i = taxa de desconto adequada. Vr = valor de realização dos elementos tangíveis e identificáveis do Patrimônio no momento zero. Exemplo: Determinada empresa apresenta as seguintes informações: Ano 1 Ano 2 Ano 3 Lucros esperados 1000 1200 1300 Custo de oportunidade 400 450 700 Taxa de desconto 10% 10% 10% Valor do patrimônio atual 8000 TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 49 Qual seria o valor dessa empresa? Solução: VE = 1000 – 400 + 1200 – 450 + 1300 + 700 + 8000 1 + 0,10 (1 + 0,10)2 (1 + 0,10)3 VE = 545,45 + 619,83 + 450,79 + 8000 = 9.616,07 NOTA Uso da calculadora financeira. Para elevar qualquer número ao expoente proceda da seguinte maneira: por exemplo, para fazer esse cálculo (1 + 0,10)2, você deve digitar na calculadora: f CLX 1,10 ENTER 2 yx O resultado pela fórmula será de 1,21. Portanto, em nosso exemplo anterior, teríamos que fazer o seguinte cálculo: 1200 – 450 = 750,00 = 619,83 (1 + 0,10)2 1,21 Se for elevar a 3, a única diferença será: f CLX 1,10 ENTER 3 yx , e assim por diante até terminar o cálculo. Esta pode ser considerada uma das formas mais completas de expressar o valor teórico da empresa. Porém, conforme Iudícibus (1998), é preciso analisar especificamente as dificuldades conceituais e práticas para apurar e definir certos fatores, como por exemplo: • Como prever os lucros futuros. • Como determinar o horizonte do empreendimento. • Que taxa de desconto, conceitualmente, seria a mais adequada e, uma vez definida, como calculá-la. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 50 Analisando tais fatores, talvez a maior dificuldade conceitual estivesse na escolha da taxa de desconto a ser utilizada. Por outro lado, do ponto de vista prático, as maiores dificuldades estivessem nas estimativas dos lucros futuros e o horizonte do empreendimento. São fatores subjetivos que dependem, muitas vezes, da visão de negócio das partes relacionadas. É certo que uma taxa deve ser utilizada nesse cálculo, mas qual seria essa taxa? De acordo com Iudícibus (1998, p. 290), “o problema consiste em definir o que vem a ser esta taxa i, e como pode ser mensurada. Frequentemente, esta taxa é denominada "custo do capital". Uma forma comum e prática conceitualmente para se calcular o "custo do capital" será evidenciada a seguir. 5.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DO CAPITAL Para ocálculo do Custo Médio Ponderado de Capital utilizaremos alguns componentes, como, por exemplo: • Empréstimos • Ações preferenciais • Ações ordinárias • Lucros a destinar NOTA De acordo com Iudícibus (1998, p. 290), “[...] o raciocínio envolvido sob o custo médio ponderado do capital é relativamente complexo, e alguns autores não concordam com esta abordagem”. Ainda, segundo Iudícibus (1998), este método considera que os resultados distribuídos, pagos ou creditados aos sócios, acionistas ou associados, têm grande importância para a avaliação da empresa. Além disso, supõe que a empresa obtenha recursos nas proporções indicadas pela média ponderada e que, aceitando propostas que rendam mais que o custo médio do capital, a empresa possa incrementar o valor de mercado de suas ações, no longo prazo. Para Iudícibus (1998), dentre os fatores considerados importantes neste método e que são mantidos constantes, destacam-se: TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 51 1 através do tempo, a empresa se financia nas mesmas proporções especificadas no modelo de ponderação para a estrutura de capital; 2 o risco da empresa, como um todo, não é afetado pela aceitação de qualquer projeto de investimento ou combinação de projetos de investi mento; 3 a empresa pretende manter uma relação "dividendo-payout" constante. Vejamos a seguir, cada um desses componentes utilizados para o cálculo do Custo Médio Ponderado de Capital. Em relação aos empréstimos, é comum que para o cálculo de seu custo seja considerada a taxa somente depois que se tenha inserido o imposto de renda e a contribuição social. NOTA Essa prática de se calcular o custo do empréstimo após inserir o imposto de renda e a contribuição social vale apenas para as empresas optantes do Lucro Real. Para aquelas optantes do Lucro Presumido ou Simples Nacional não haveria nenhum reflexo, uma vez que sua tributação é com base no faturamento e não no resultado. Assim, numa empresa optante do Lucro Real, se o custo antes do imposto é de, digamos, 20%, o custo após o imposto a uma taxa de 30%, será apenas de 14%. Veja o exemplo a seguir: Determinada empresa captou $ 20.000 de empréstimos de terceiros. Sobre este valor a empresa pagou $ 5.000 de juros, ou seja, a princípio estaria pagando 25% de juros. Considerando impostos sobre o lucro a uma taxa de 24% e um lucro de $ 10.000 antes dos impostos, será que o custo em % da captação de empréstimos de terceiros após esses impostos será mesmo de 25%? Resolução: Custo dos empréstimos $ 5.000 Lucro $10.000 Impostos $ 2.400 Lucro final $ 7.600 Neste caso, se não tivéssemos o custo dos empréstimos, ficaria: Lucro $ 15.000 Impostos $ 3.600 Lucro final $ 11.400 UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 52 A taxa de juros dos empréstimos passaria de 25% para apenas 19%, uma vez que a empresa pagou agora, sem o custo dos empréstimos $ 1.200 a mais de impostos. Esses $ 1.200 em relação aos $ 20.000 de empréstimos de terceiros correspondem a 6%. Ou seja, o custo de um empréstimo de $ 20.000 a uma taxa de 25% de juros ($ 5.000), na verdade, custaria apenas 19%, pois ela encareceria em juros de $ 5.000, mas em contrapartida pagaria $ 1.200 a menos de impostos. Para acharmos a economia gerada pela captação de recursos que oneram a empresa através de encargos financeiros, podemos fazer também o seguinte cálculo: Valor dos juros (encargos) $ 5.000 Impostos sobre o lucro X 24% Economia gerada $ 1.200 Sendo assim, os encargos financeiros fazem com que o lucro diminua. Essa diminuição do lucro faz como que os impostos sejam pagos a menor também e, portanto, essa variação do lucro a menor faz com que numa etapa seguinte a empresa possa pagar menos impostos, uma vez que a base de cálculo da tributação irá diminuir também. Vale frisar que esse cálculo vale apenas para as empresas optantes do lucro real. E se ainda a empresa estiver obrigada a pagar o adicional de 10% de imposto de renda, a economia poderá ser ainda maior, ou seja, poderá chegar a até a 34%. Já em relação às ações preferenciais, seu custo pode ser considerado como sendo a taxa anual estabelecida de dividendos, se forem fixos. Esta taxa, normalmente, não é corrigida pelo imposto de renda, pois o dividendo preferencial é pago, usualmente, após os impostos. Portanto, em relação às ações preferenciais o custo é definido pelos próprios acionistas. Já em relação às ações ordinárias, Iudícibus (1998, p. 291) define que “[...] é um dos conceitos mais complexos de serem mensurados. Teoricamente, poderia ser conceituado como sendo ‘a taxa mínima de retorno’ que a empresa precisa ganhar na parcela do projeto financiada por ações ordinárias, de maneira que o valor de mercado da ação não seja afetado”. Veja o exemplo a seguir: Supondo que a taxa requerida de retorno nas ações ordinárias seja de 14%, após os impostos, e que o custo do endividamento (empréstimos) seja de 11%, após o imposto. Devemos supor, ainda, que todos os fundos fossem provindos: 50% de empréstimos e 50% de investimentos dos acionistas. A taxa mínima desejada de retorno num projeto seria: Empréstimos 0,50 x 0,11 = 0,055 Ações Ordinárias 0,50 x 0,14 = 0,070 Total de 0,125 ou 12,5% TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 53 Considere, agora, um projeto, cujo custo seja de $ 100.000,00, com um retorno (após os impostos) de $ 12.500,00 anuais. Através dessas informações pode-se concluir que: Retorno total após o Imposto de Renda $ 12.500,00 (-) Juros (0,11 x $ 50.000,00) = $ 5.500,00 (-) retorno nas Ações Ordinárias (0,14 x $ 50.000,00) = $ 7.000,00 0,00 Portanto, uma vez que o projeto custe $ 100.000 e que 50% dos recursos provém de ações ordinárias e outros 50% de empréstimos, o custo de cada uma das fontes será de $ 7.000 e $ 5.500 respectivamente. Dessa forma, a empresa já sabe que este projeto deve apresentar um resultado positivo de 12,5% (0,055 para remunerar os empréstimos e mais 0,070 para remunerar as ações ordinárias, ou seja, 0,125 na forma decimal e 12,5,% na forma percentual). Qualquer resultado abaixo de 12,5% sobre o projeto que custaria $ 100.000, a empresa estaria deixando de remunerar ou os empréstimos ou as ações ordinárias, portanto, conclui-se que 12,5% é o ponto de equilíbrio. NOTA Como é comum, o retorno cobrado pelos empréstimos dificilmente não é pago, recaindo qualquer variação sobre as ações. Portanto, se a empresa não conseguir 12,5% de retorno o valor de mercado das ações declinaria, uma vez que a empresa não conseguiria remunerar os 14% esperados. Mas de que forma o acionista poderia chegar a uma taxa requerida de retomo nas ações ordinárias? Por exemplo: nos 14% do exemplo anterior, qual foi a base utilizada para se chegar a esse percentual? É simples, imagine que o dividendo esperado por ação seja de $ 24,00, o valor corrente de mercado da ação de $ 200,00 e que se espera uma taxa de crescimento de 2% ao ano, no que se refere aos dividendos. O modelo de avaliação seria: MP = D1, onde: r-i Onde: UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 54 MP = valor de mercado da ação ordinária D1 = dividendo por ação esperado no fim do período 1 r = taxa de desconto de mercado (custo da ação ordinária) i = taxa constante de crescimento. Transformando, fica: r = D1 + i MP Em nosso exemplo: r = $ 24,00 + 0,02 = 0,14 ou 14% $ 200,00 Assim, conforme Iudícibus (1998), r é o custo das ações ordinárias e, a fim de ser uma estimativa realista, os investidores no mercado deveriam, de fato, pensar que os dividendos por ação irão crescer,anualmente, à taxa i. Esse crescimento anual torna-se muito subjetivo, uma vez que depende de diversos fatores que irão influenciar o resultado do investimento. Daí a importância de sempre aplicar o conceito de custo de oportunidade. Quanto aos lucros a destinar, que também fazem parte de um dos componentes do custo ponderado médio de capital, Iudícibus (1998) comenta que “[...] várias formas podem ser utilizadas para calcular os custos dos lucros retidos. Uma delas é o custo de oportunidade, isto é, quanto a empresa poderia ganhar investindo os fundos que ficaram retidos, externamente”. Após analisarmos os componentes que fazem parte do custo ponderado médio de capital, vejamos, a seguir, como poderíamos calculá-lo: Suponha que seja esta a proporção de acordo com a Quadro 3: QUADRO 4 – COMPONENTES QUE FAZEM PARTE DO CUSTO PONDERADO MÉDIO DE CAPITAL Empréstimos $ 100 46,5% Ações preferenciais $ 15 7,0% Ações ordinárias $ 45 20,9% Lucros a destinar $ 55 25,6% Total $ 215 100% FONTE: Iudícibus (1998) TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 55 Suponhamos que cada uma dessas fontes de capital tenha os seguintes custos conforme o Quadro 5: NOTA A atualização desses custos deve ser feita a cada novo projeto, pois a variação defenderá das taxas cobradas pelo mercado bem como do custo de oportunidade dos acionistas. QUADRO 5 – CUSTOS DAS FONTES DE CAPITAL Proporção Custo Custo Ponderado Empréstimos 46,5% 14% 6,51% Ações preferenciais 7,0% 12% 0,84% Ações ordinárias 20,9% 8% 1,672% Lucros retidos 25,6% 8% 2,048% Custo ponderado médio de capital 11,07% FONTE: Iudícibus (1998) Conforme Iudícibus (1998, p. 293), “[...] a taxa de custo médio ponderado de capital poderia, perfeitamente, ser utilizada para calcular o custo de oportunidade a ser descontado do lucro previsto em cada ano [neste caso, multiplicaríamos a taxa pelo patrimônio líquido inicial a ser investi do], e também como taxa de desconto para o valor atual”. Portanto, nosso Custo Ponderado Médio de Capital seria de 11,07%, ou seja, esse seria o ponto de equilíbrio caso a empresa desejasse captar algum recurso. Qualquer retorno desse investimento abaixo de 11,07% faria com que a empresa deixasse de pagar alguma das fontes, o que levaria a um possível resultado negativo na empresa ou o declínio em suas ações. NOTA Como afirma Van Horne, citado por Iudícibus (1998, p. 293), “[...] esta média ponderada do custo do capital, se for calculada de forma cuidadosa, pode levar a excelentes decisões no que se refere a orçamentos de capital”. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 56 5.2 HORIZONTE E PREVISÃO DO LUCRO PROJETADO Na maioria das vezes o lucro a ser projetado é aquele resultante da média histórica de lucros da própria empresa, onde poderiam ser descartados os valores que tiveram uma oscilação distante da média, ou seja, os picos mais altos e mais baixos dos resultados. O número de anos que se utilizará no cálculo da média poderá variar em torno de 2 anos dependendo da negociação entre as partes. Uma empresa com histórico padrão ou regular de lucros, sem grandes sobressaltos (variações), oferece um grau de risco menor que outra com histórico de lucros tumultuado. Quanto menor a flutuação dos lucros, menor poderá ser a taxa de desconto e maior o valor atual. Ressalta-se que o lucro a ser projetado é um dos pontos cruciais levado em consideração pelos investidores. Padoveze (2004, p. 578) comenta que A capacidade de geração de lucros é que possibilitará o que se busca num investimento de risco: a geração de caixa e, consequentemente, o retorno do investimento. Gerando lucros e caixa, a empresa terá condições de distribuir resultados e, com isso, possibilitará tanto fluxos futuros de dividendos como manter sua atratividade junto aos atuais e potenciais acionistas e investidores. A possibilidade real de dividendos futuros influenciará decididamente da avaliação da ação no mercado, trazendo sua cotação e preços que reflitam o patrimônio da empresa, sua rentabilidade futura e, portanto, seu desempenho empresarial. Quanto ao horizonte do empreendimento, Iudícibus (1998) afirma que este é um problema da avaliação de empre sas à qual “regras de bolso” ou “caminhos curtos” são de difícil aplicação, uma vez que deverá ser estimado por especialistas, que levarão em conta a dinamicidade do setor, a existência de possíveis e prováveis sucedâneos, bem como farão uma análise do produto oferecido à luz da sua utilidade para as partes relacionadas na negociação. É certo que as empresas já estabelecidas no mercado há mais de 20 anos têm chances muito maiores de continuar no mercado do que aquelas constituídas há menos de um ano. Entretanto, vários outros fatores devem ser levados em consideração, como, por exemplo, setores, clientes, ponto comercial, fornecedores etc., além de outros fatores macroeconômicos. Iudícibus (1998, p. 293) comenta que “[...] desde que não haja suficiente evidência de que o horizonte de um empreendimento seja limitado no tempo, deveremos pressupor que, na verdade, seja ilimitado. Nesse caso, o lucro a ser projetado se transforma numa anuidade constante, e será dividido pela taxa de desconto”. TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 57 5.3 CUSTO DE OPORTUNIDADE E O PATRIMÔNIO LÍQUIDO INICIAL No investimento inicial de cada empreendimento ou em sua própria continuidade se faz necessário analisar o custo de oportunidade Para Iudícibus (1998, p. 294), “[...] este cálculo vai depender da hipótese de reinvestimento adotada. Aliás, o próprio lucro deveria, a rigor, ser um lucro após o imposto de renda. Uma forma de prever ou calcular o patrimônio líquido inicial a ser investido é pressupor que o mesmo patrimônio que gerou o lucro gera o custo de oportunidade”. Ou seja, no investimento inicial é preciso prever que sejam superadas as expectativas de rentabilidade cobrindo o custo de oportunidade. Veja o exemplo a seguir: Determinada empresa, com um capital inicial de $ 20.000 gerou $ 4.000 de lucro. Considerando uma taxa mínima de retorno desejado de 14%, qual seria o patrimônio líquido final? Poderíamos resolver essa questão da seguinte forma: Patrimônio Líquido Final = ($ 20.000+ $ 4.000) – ($ 20.000 x 14%) Patrimônio Líquido Final = $ 24.000 - $ 2.800 Patrimônio Líquido Final = $ 21.200 Em nosso exemplo, o patrimônio líquido final superou o patrimônio líquido inicial. Repare que o custo de oportunidade já foi descontado. Portanto, uma vez que o valor do patrimônio líquido inicial foi superado o investimento é considerado viável. Entretanto, segundo Iudícibus (1998, p. 295), Na prática, substitui-se o patrimônio líquido inicial pelo patrimônio líquido conhecido e calcula-se um certo custo de oportunidade, o qual é descontado do lucro a ser projetado. Entretanto, isto pode apresentar grandes distorções, pois é possível que o lucro projetado seja inferior ao custo de oportunidade de obtê-lo. Se isto for, efetivamente, uma tendência do empreendimento, realmente o valor atual será negativo. Todavia, suponha que a empresa acabe de realizar grandes investimentos em imobilizado, os quais somente irão gerar receitas apreciáveis a partir dos próximos dois anos. Ao aplicar um custo médio de capital ao patrimônio líquido de hoje, um valor grande resultará como custo de oportunidade, ao passo que o lucro terá sido calculado em base de valores passados. Por isso, o lucro projetado deverá levar em conta, na medida do possível, eventos que tendam a fazer mudar, no futuro, o histórico de lucratividade passada. UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 58 Nem todos os investidores descontam o custo de oportunidade dos lucros projetados, na premissa de que a empresa, tendooptado por certo tipo de investimento, já considerou os custos de oportunidade antes de tais decisões de investimento. Porém, é preciso sempre levar em consideração a hipótese de que poderia haver alguma alternativa mais vantajosa de investimento, mesmo que este já esteja concretizado. Se todos os investidores pensassem dessa forma a maioria das empresas não esperaria ficar totalmente no vermelho para então decidir encerrar o negócio. De acordo com Iudícibus (1998), o custo de oportunidade está presente, quer o consideremos explicitamente, quer não. No caso do eventual comprador de uma empresa, então, seria inadmissível que ele pagasse, por essa, mais do que ela possa valer, pois, ao adquirir o empreendimento, imediatamente estará assumindo seus custos de oportunidade, da mesma forma que o faria o eventual vendedor, se continuasse operando. É óbvio que nenhum comprador de empresa espera que o custo de oportunidade seja superior ao lucro esperado, pelo contrário, pois senão não veríamos tantas transações feitas atualmente no mercado. Conforme Iudícibus (1998, p. 296) Em situações práticas, várias informações adicionais são utilizadas para uma tomada de decisão. Alguns autores aconselham (além dos métodos do valor patrimonial e da capitalização de lucros, que vimos até o momento) o método do valor de mercado. Basicamente, este método consiste em tomar, como base de avaliação, o valor de mercado das ações da empresa no momento. Existem variantes deste método, mas um problema conceitual reside no fato de que nem sempre o mercado, num particular momento, está avaliando corretamente as potencialidades da empresa. Além do mais, este valor (de mercado) é muito flutuante. Pode muito bem acontecer que, no segundo dia do início dos cálculos para a estimativa do valor da empresa, o valor unitário de mercado mude. Fica muito difícil escolher uma base para cálculo, pois o valor pode flutuar bastante em certas circunstâncias. Mesmo sob controvérsias o método de capitalização de lucros deve ser utilizado ou, pelo menos, senão esse, algum método que dê suporte às partes relacionadas, tanto para o vendedor como para o comprador. Caso contrário, alguma das partes poderá sair com grande vantagem sobre a outra, o que não seria justo na negociação. Todos os elementos: horizonte do empreendimento, lucro projetado, investimento inicial e taxa de desconto podem ser objeto de críticas, pois todos eles têm certo grau de subjetividade. Contudo, Padoveze (2004, p. 581) comenta que: Todos os elementos devem ser trabalhados no sentido de se obter a melhor solução, seja com alguns caminhos práticos, seja com o auxílio de métodos quantitativos e probabilísticos. Mesmo considerando todos esses problemas, o valor da empresa deve ser calculado segundo TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 59 a melhor competência dos gestores empresariais, lembrando sempre que a importância do valor da empresa está em se ter o melhor parâmetro para a gestão de controladoria, que é o processo de criação de valor. Enfim, na prática sabe-se que sempre haverá especificidades a ser analisadas, cada caso é um caso, porém o método de avaliação de empresas visto nessa Unidade denominado método de capitalização de lucros poderá auxiliar muito na negociação. Veja o exemplo a seguir, adaptado de Iudícibus (1998, p. 297): A Empresa “Vendável S. A.” apresentou o histórico de lucros a seguir nos últimos 10 anos: Receitas Despesas Retorno sobre Anos Operacionais Operacionais Lucro Patrimônio Líquido* 1 (antigo) 500 320 180 25% 2 590 380 210 23% 3 650 430 220 21% 4 680 450 230 22% 5 735 490 245 25% 6 812 500 312 24% 7 990 657 333 23% 8 1.200 990 210 19% 9 1.500 1.100 400 21% 0 (atual) 1.610 1.200 410 23% Totais 9.267 6.517 2.750 Médias 927 652 275 23% * Patrimônios Líquidos Avaliados a valor de realização ($ 1.783,00, o último). Nota-se que a empresa teve um histórico bastante regular de lucros. Nos dois últimos anos, o valor corrigido do lucro aumentou muito. O horizonte econômico do empreendimento, avaliado por uma empresa de consul toria especializada, foi estimado em 10 anos, no mínimo. A empresa efetuou investi mentos em novas máquinas nos anos 9 e 10, com a finalidade de diminuir despesas e aumentar a produção e, portanto, os lucros. O eventual vendedor estimou o valor de sua empresa, conforme apresentado a seguir: UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 60 VE = $ 1.783 + 450 (lucro esperado nos próximos anos), descontando a uma taxa 10% sobre o último PL projetado para os próximos 10 anos. A taxa de 10% foi escolhida tendo-se em vista, aproximadamente, uma oportunidade de investimento com risco quase nulo e levando-se em conta também a regularidade do histórico de lucros. VE = 1.783 + 272 + 272 + ... + 272 . 1+0,10 (1+0,10)2 (1+0,10)10 VE = 1.783 + 1.671 = 3.454,00 aproximadamente Onde: 272 = 450 – (1.783 x 10%) Onde: 1.671,00 = 247,27 + 224,79 + 204,36 + 185,78 + 168,89 + 153,54 + 139,58 + 126,89 + 115,35 + 104,87 = 1.671,32 O eventual comprador considerou muito alto o valor, na premissa de que a taxa de desconto deveria ser uma taxa de risco equivalente ao valor do empreendimento, mas não de risco nulo. Depois de demoradas consultas, chegou à taxa de 15% como referência. Por outro lado, na análise das contas constantes do balanço, chegou à conclu- são (segundo parecer de seus auditores) de que, dos $ 1.783, $ 90 eram de difícil recebimento e $ 100 de equipamentos, embora em condições de produção, estavam obsoletos. Após discussões, o comprador aceitou que se descontassem $ 100 dos $ 190 possíveis, com o que concordou o vendedor. Por outro lado, achou o valor do lucro de $ 450 muito alto para ser projetado. Pediu que fosse projetado o último: VE = 1.683 + 158 + 158 + ... + 158 1+0,15 (1+0,15)2 (1+0,15)10 VE = 1.683 + 793 = 2.476,00 aproximadamente. O eventual vendedor não ficou satisfeito: alegava que, se simplesmente liquidasse seu ativo e pagasse suas dívidas, agora lhe sobrariam $ 1.683 e que, se aplicasse os $ 1.683 a 10% a.a., em 10 anos teria $ 4.365. O eventual comprador contra-argumentou que este raciocínio não era válido, pois se o vendedor aceitasse sua oferta de $ 2.476, também poderia aplicar o dinheiro a 10%, o que lhe renderia, em 10 anos, $ 6.422. De fato, o raciocínio do vendedor estava viciado. O valor atual dos $ 4.365 era o próprio $ 1.683. Seria muito melhor, então, aceitar a proposta do comprador de $ 2.476. Finalmente, o comprador e o vendedor concordaram em: $ 1.400 para o valor do patrimônio líquido e $ 1.232 para o valor descontado dos lucros futuros (aproximadamente a média da avaliação do comprador e vendedor). Em resumo e finalmente, então, a empresa foi vendida por $ 2.632,00. TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 61 O cálculo do Valor da Empresa – VE pode ser feito seguindo a fórmula anteriormente descrita, cálculo por cálculo, mês a mês ou diretamente na calculadora financeira. Vamos analisar os dados do exemplo anterior, no qual utilizamos os seguintes dados e fórmula: VE = 1.783 + 272 + 272 + ... + 272 1+0,10 (1+0,10)2 (1+0,10)10 VE = 1.783 + 1.671 = 3.454,00 aproximadamente Onde: 1.671,00 = 247,27 + 224,79 + 204,36 + 185,78 + 168,89 + 153,54 + 139,58 + 126,89 + 115,35 + 104,87 = 1.671,32. Pelo fato de o horizonte do empreendimento ser de 10 anos, foram precisos 10 cálculos para se chegar ao valor de 1.671,32. Porém, poderíamos chegar a esse mesmo valor na calculadora financeira conforme indicado a seguir: f CLX 272 g CFj 10 g Nj 10 i f NPV O resultado será exatamente $ 1.671,32, bastando apenassomar o valor de $ 1.783,00 (patrimônio líquido) para chegarmos ao Valor da Empresa – VE. Em relação ao uso da calculadora financeira. Digitamos anteriormente 272 g CFj e depois 10 g Nj somente porque o valor de $ 272 será igual para os 10 anos seguintes. Mas se por acaso tivéssemos valores diferentes, como deveríamos proceder? Veja outro exemplo, a seguir, com um horizonte de empreendimento de 5 anos, patrimônio líquido de $ 1.900,00, taxa de 8% a.a. e retorno distintos: VE = 1.900,00 + 300,00 + 320,00 + 330,00 + 340,00 + 345,00 1+0,08 (1+0,08)2 (1+0,08)3 (1+0,08)4 (1+0,08)5 Então, na calculadora financeira faríamos de seguinte forma: f CLX 300 g CFj 320 g CFj 330 g CFj 340 g CFj 345 g CFj 8 i f NPV UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 62 LEITURA COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO DE EMPRESAS: DA MENSURAÇÃO ECONÔMICA À CONTÁBIL Prof. Dr. Eliseu Martins Diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – USP Prof. Titular do Departamento de Contabilidade e Atuária – FEA/USP [...] A avaliação patrimonial das empresas tem provocado enormes discussões acadêmicas e profissionais ao longo do tempo (séculos), confusões conceituais, críticas quanto à relevância e à utilidade da Contabilidade, conferências, artigos etc. (Ganhavam muito com isso os produtores de papel; agora dividem os ganhos com os provedores e demais integrantes da cadeia da internet. Ah! Ia me esquecendo: ganham os mestrandos e doutorandos que continuam podendo fazer teses sobre esse assunto e os professores que temos oportunidade de pesquisar e também escrever a respeito da matéria.) A grande confusão parece, pelo menos em parte, devida à não percepção de que todos os modelos até hoje surgidos nada mais são do que visões temporalmente diferentes do mesmo objeto: o patrimônio. Parece que, como fruto dessa falta de visão conjunta e abrangente, nasceu a ideia de que os modelos são conflitantes, mutuamente excludentes; de que a avaliação contábil nada tem a ver com a avaliação patrimonial, e avaliar uma empresa é, primeiramente, desprezar a avaliação contábil; lucro é uma coisa, caixa é outra e outras bobagens. Avaliar uma empresa é sim, considerar a avaliação contábil, levando em consideração os ativos passivos e patrimônio líquido e principalmente o custo de oportunidade. O resultado obtido seria de $ 1.298,80 e após adicionar o patrimônio líquido de $ 1.900,00 o Valor da Empresa – VE resultaria em $ 3.198,80. UNI Caro/a acadêmico/a! Para aprofundar os seus conteúdos, sugerimos a leitura complementar, parte do artigo de Eliseu Martins (2000) originalmente publicado no Caderno de Estudos FIPECAFI. A partir dele você poderá compreender um pouco mais sobre o processo de avaliação de empresas e o custo de oportunidade. TÓPICO 2 | MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 63 O conceito de custo de oportunidade é um dos mais relevantes na economia e nas decisões, não só do homem como de qualquer ser vivo que decide. É natural, instintivo, intuitivo. (Se o leitor chegou até aqui, arcou com o custo de oportunidade relativo ao que teria ganhado se tivesse aproveitado esse tempo para fazer o que considerava a segunda melhor alternativa no momento. Espero que não se considere no prejuízo.) Mas sua não consideração na Contabilidade é a segunda (e última) mentira com a qual convivemos. Dizer, por exemplo, que uma empresa lucrou porque obteve um resultado que foi de apenas 2% sobre o valor do patrimônio líquido investido quando qualquer alternativa (inclusive a aplicação nos títulos de maior liquidez e menor risco produz mais do que isso) não é dizer a verdade. A consideração do custo do capital próprio como sendo nulo é algo insustentável conceitualmente, é cegueira que parece nos pegar de nascença. Aliás, aproveitando-se dessa nossa doença quase congênita é que nasceu a óbvia ideia do Economic Value Added - EVA. Na verdade, quantos profissionais e professores de Contabilidade já discutiram e tentaram implantar a ideia, pelo menos, do Juro Sobre o Capital Próprio (não só gerencialmente, como o método de custeio RKW do início do século, mas também na Contabilidade Financeira – como Schlatter, Anthony e outros até muito mais antigos). O que é essa nova febre do EVA? (Nenhuma recriminação aos seus idealizadores, divulgadores e seguidores – muito pelo contrário – que pena que não apareceram mais cedo, pois com um bonito nome em inglês e com uma boa dose de marketing conseguiram acordar tantos executivos que com certeza conheciam a ideia, mas não a praticavam.) O EVA nada mais é do que apenas atribuir um custo ao capital próprio e deduzi-lo do lucro! O Prof. Armando Catelli vem trabalhando há quase 30 anos no desenvolvimento de um modelo, conhecido por GECON, muito mais completo e rico, calcado exatamente no mesmo conceito, o de custo de oportunidade, só que aplicado de forma muito mais ampla (ele precisa mudar o nome e contratar uma boa campanha mercadológica!). Voltando ao custo de oportunidade: nossa Contabilidade só irá medir bem o lucro quando introduzir de forma completa, abrangente e definitiva, os efeitos da inflação e o custo de oportunidade do capital próprio. De uma maneira bem simples, podemos definir como custo do capital próprio aquele percentual de retorno abaixo do qual os sócios não estariam interessados em entrar no negócio. Ele abrange não só a figura do juro que se obteria com a aplicação de menor risco no mercado (caderneta de poupança, ou título do governo federal, por exemplo) como o adicional decorrente do acréscimo de risco proporcionado pelo negócio. E esse custo pode ser aplicado de forma acoplada a qualquer princípio de avaliação: custos passados, custos de reposição, valores de venda e valores futuros. Pode ser (e é muitas vezes) aplicado a qualquer modelo de gestão ou de custeamento (custeio por absorção, variável, por atividade etc.). Carrega a prática do custo de oportunidade, é claro, todos os problemas relativos à definição de UNIDADE 1 | CUSTO DE OPORTUNIDADE E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 64 qual o seu percentual para cada uma das empresas (cada uma tem um risco) e, se aplicado gerencialmente de forma analítica, de cada um dos diferentes percentuais aplicáveis a cada negócio (se diferentes negócios praticados pela mesma empresa), a cada linha de produção, a cada produto, a cada divisão etc., já que cada um também tem um risco diferente. Nós, Contadores, não tivemos a devida coragem de implementá-lo, só que outros o estão fazendo e ganhando dinheiro e notoriedade. Pior, não conseguimos implantar nem a parcela relativa ao Juro Sobre o Capital Próprio (que seria igual para todos, sem incluir o risco do negócio). E ainda tivemos de ver que sua introdução, no Brasil, foi feita para fins fiscais. Nesse caso, parabéns à Receita Federal. Continuamos a reboque. FONTE: Adaptado de: MARTINS, Eliseu. Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica. Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/cad24/ Revista_24_Art_2.pdf>. Acesso em: 6 jul. 2011. 65 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste Tópico, analisamos alguns métodos para se avaliar uma empresa numa possível negociação. Vimos o Método Contábil, Método do Patrimônio Líquido Corrente e Método de Capitalização de Lucros. O Método de Capitalização de Lucros é o único aconselhável, já os demais servem apenas de base. Conhecemos as principais informações que devem ser levadas em consideração quando se deseja analisar o valor de uma empresa. Vimos que é imprescindível calcular, da melhor maneira possível, um lucro projetável; comparar o valor atual dos lucros futuros com retornos de investimentos alternativos; e estimar o provável valor de realização dos ativos identificáveis menos o passivono momento zero. 66 1 Supondo que a taxa requerida de retorno nas ações ordinárias seja de 12%, após os impostos, e que o custo do endividamento (empréstimos) seja de 18%, após o imposto. Devemos supor, ainda, que todos os fundos fossem provindos: 70% de empréstimos e 30% de investimentos dos acionistas. Qual seria a taxa mínima de retorno desejada? Considere agora que os fundos fossem provindos: 40% de empréstimos e 60% de investimentos dos acionistas, ambos dentro da mesma taxa requerida. Qual seria a taxa mínima de retorno desejada? Levando em consideração que esta empresa captasse 200.000,00, qual seria o retorno mínimo de acordo com as duas taxas mínimas encontradas anteriormente? 2 Calcule o Custo Ponderado Médio de Capital da seguinte proporção: AUTOATIVIDADE Proporção Custo Empréstimos $ 133.000 23% Ações preferenciais $ 152.000 16% Ações ordinárias $ 83.000 14% Reserva de capital $ 132.000 12% 3 De acordo com as informações da questão anterior, caso a empresa captasse 500.000,00, qual seria o retorno necessário para cobrir todas as fontes? Qual seria o retorno de cada uma das fontes em $? 4 Determinada empresa, com um capital inicial de $ 200.000, gerou $ 34.000 de lucro. Considerando uma taxa mínima de retorno desejado de 19%, qual seria o patrimônio líquido final? É um investimento viável? 5 Imagine que o dividendo esperado por ação seja de $ 31,50, o valor corrente de mercado da ação de $ 350,00 e que se espera uma taxa de crescimento de 2% ao ano, no que se refere aos dividendos. Qual seria a taxa requerida de retorno nas ações ordinárias? 6 Qual seria o valor da Empresa Andorinha Ltda., avaliando-a pelo método do valor contábil? 67 Ativo 331.460.00 Passivo 331.460.00 Ativo circulante 106.960.00 Passivo circulante 36.640.00 Caixa 5.240.00 Fornecedores 14.000.00 Bancos 17.230.00 Tributos a pagar 5.300.00 Duplicatas a receber 50.600.00 Salários a pagar 9.000.00 Aplicações financeiras 12.890.00 Seguros a pagar 2.340.00 Estoque 15.000.00 Financiamentos 6.000.00 Despesas pagas antecipadamente 6.000.00 Passivo não circulante 3.000.00 Ativo não circulante 224.500,00 Exigível a Longo Prazo 3.000.00 Realizável a longo prazo 1.200.00 Financiamentos 3.000.00 Tributos a compensar 1.200.00 Patrimônio líquido 291.820.00 Imobilizado 221.000.00 Capital social 178.800.00 Máquinas e equipamentos 58.000.00 Capital subscrito 180.000.00 (-) Depreciação acumulada (13.000.00) (-) Capital a Integralizar (1.200.00) Computadores 10.000.00 Reserva de reavaliação 40.000.00 (-) Depreciação acumulada (6.000.00) Reserva de reavaliação 40.000.00 Terrenos 100.000.00 Reserva de lucros 12.640.00 Edificações 80.000.00 Fundo de reserva 12.640.00 (-) Depreciação acumulada (8.000.00) Reservas de Capital 10.000.00 Intangível 2.300,00 Reservas de Capital 10.000.00 Gastos pré-operacionais 3.500.00 Sobras a destinar 50.380.00 (-) Amortização acumulada (1.200.00) Sobras a destinar 50.380.00 7 Considerando as informações da Empresa Andorinha Ltda. e um laudo com os seguintes saldos: Duplicatas a receber: 48.000,00 Estoques: 16.000,00 Computadores: 8.000,00 Terrenos: 150.000,00 Após os ajustes desses saldos, qual seria o valor da Empresa Andorinha Ltda. avaliando-a pelo método do Patrimônio Líquido Corrente? 8 Determinado comércio apresenta as seguintes informações: 68 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Lucros esperados 23.000 25.500 26.700 30.000 33.000 Custo de oportunidade 11.800 13.400 14.800 16.300 17.100 Taxa de desconto 12% 12% 12% 12% 12% Valor do patrimônio atual 188.000 Qual seria o valor dessa empresa, avaliando-a pelo Método de Capitalização de Lucros? Utilize a seguinte fórmula: VE = L1 – C1 + L2 – C2 + ... + Ln – Cn + Vr 1 + i (1 + i)2 (1 + i)n 9 Determinada empresa captou $ 80.000 de empréstimos de terceiros. Sobre este valor a empresa pagou $ 16.000 de juros. Considerando impostos sobre o lucro a uma taxa de 24% e um lucro de $ 28.000 antes dos impostos, qual seria o custo em % da captação de terceiros após esses impostos? 10 A Empresa “Mahion Hese” apresentou o histórico financeiro a seguir nos últimos 10 anos: Receitas Despesas Anos Operacionais Operacionais 1 456.000 310.000 2 590.000 380.000 3 550.000 330.000 4 480.000 310.000 5 635.000 460.000 6 640.000 500.000 7 600.000 510.000 8 655.000 460.000 9 710.000 480.000 0 790.000 520.000 Patrimônio Líquido Avaliado a valor de realização ($ 1.550.000,00 o último). O horizonte econômico do empreendimento, avaliado por empresa de consul toria especializada, foi estimado em 10 anos, no mínimo. O eventual vendedor estimou o valor de sua empresa considerando o último PL e a média de lucros dos últimos 2 anos, descontando a uma taxa 10% 69 sobre o PL. A taxa de 10% foi escolhida tendo-se em vista, aproximadamente, uma oportunidade de investimento com risco quase nulo, e levando-se em conta também a regularidade do histórico de lucros. O eventual comprador considerou muito alto o valor, na premissa de que a taxa de desconto deveria ser uma taxa de risco equivalente ao valor do empreendimento, mas não de risco nulo. Depois de demoradas consultas, chegou à taxa de 13%, como referência. Por outro lado, na análise das contas constantes do balanço, chegou à conclu são (segundo parecer de seus auditores) de que, dos $ 1.550.000, $ 40.000 eram de difícil recebimento e $ 150.000 de equipamentos, embora em condições de produção, estavam obsoletos. Achou também que o valor do lucro (média de 2 anos) não condizia com a realidade e pediu que fosse projetada a média dos últimos 4 anos. Após discussões, o comprador aceitou que se descontassem do PL $ 150.000 dos $ 190.000 possíveis para que então chegassem a um acordo e que seria tomado como base de lucro o último exercício. A taxa de desconto ficaria em 13%, porém o horizonte do empreendimento ficou em apenas 8 anos devido aos baixos lucros em relação ao Patrimônio Líquido. Qual seria o valor da empresa: a) na estimativa do vendedor? b) na estimativa do comprador? c) na terceira opção em que foi feito o acordo? 70 71 UNIDADE 2 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você será capaz de: • planejar, calcular e contabilizar os juros sobre capital próprio e analisar seu efeito na investida e nos investidores; • distinguir os investimentos avaliados pelo método de custo e pelo método de equivalência patrimonial; • interpretar as regras legais para reconhecimento de investimentos em con- troladas e coligadas. Esta unidade de estudo divide-se em dois tópicos. Neles, você encontrará as regras para cálculo e pagamento dos juros sobre capital próprio e sua pos- sibilidade de dedutibilidade ou não para fins de imposto de renda e con- tribuição social e a análise de investimentos em sociedades controladoras, controladas e coligadas. TÓPICO 1 – JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO TÓPICO 2 – AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CON- TROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 72 73 TÓPICO 1 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico, analisaremos o conceito de cálculo e contabilização dos juros sobre o capital próprio. Veremos sua importância para fins tributários e a necessidade de se analisar seu pagamento ou não, tanto por parte da investida, que é responsável pelo seu pagamento quanto por parte do investidor o qual terá direito do crédito. Analisaremos os impostos incidentes sobre seu pagamento e recebimento envolvendo pessoas físicas e jurídicas, optantes do simples, lucro real ou presumido. Calcularemos os juros pro rata pelo métodolinear e exponencial e analisaremos as principais diferenças entre esses. 2 CONCEITUALIZAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Juros remuneratórios do Capital Próprio ou Juros sobre o Capital Próprio (JCP) representam o valor que a empresa paga ao seu titular, sócio, acionista ou associado, como remuneração dos valores por eles investidos na composição do capital da própria empresa. Uma pesquisa realizada entre anos de 1996 e 2005 por Ariovaldo dos Santos, com aproximadamente 3.000 empresas, demonstrou o seguinte, a respeito da utilização dos juros sobre capital próprio, portanto, conforme Santos (2011, p. 43): Os resultados mostraram que, dentre as empresas pesquisadas, aproximadamente 42% delas têm utilizado a alternativa do pagamento ou crédito aos seus sócios e acionistas na forma de juros sobre o capital próprio. Também ficou constatado que a distribuição desses 42% de empresas é bastante equilibrada entre as empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços. O grande desequilíbrio ficou por conta da segregação feita entre empresas com e sem ações na Bolsa. Enquanto cada três empresas com ação na Bolsa duas pagam JSCP, entre as que não têm ação na Bolsa de cada três apenas uma efetua o pagamento referido. Finalmente, as empresas foram segregadas, de acordo com a origem de seus respectivos capitais, em nacionais, estrangeiras e estatais. Nesse grupamento, os destaques ficaram para as empresas estatais e estrangeiras, que, praticamente, de cada duas empresas pesquisadas uma remunera seus acionistas na forma de JSCP. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 74 A pesquisa demonstrou também que o percentual de empresas que pagam juros sobre capital próprio vem crescendo a cada ano. O resultado desse crescimento pode ser explicado pela própria difusão do conceito de juros sobre capital próprio no mercado ou até pela exigência dos investidores interessados nesse tipo de rendimento. Obviamente que toda vez que um investidor aplica qualquer importância numa investida, como, por exemplo, comprando ações ou cotas de uma empresa, este, então, certamente estará almejando obter rendimentos futuros. Esses rendimentos podem vir pela distribuição de dividendos, caso o investimento seja efetuado numa sociedade anônima, pela distribuição de lucros, caso o investimento seja efetuado numa empresa limitada, ou pela destinação das sobras caso o investimento seja efetuado numa cooperativa. Entretanto, ambas as formas de investimentos podem fornecer outra forma de rendimento, conhecida como Juros sobre Capital Próprio. Os rendimentos como dividendos, distribuição de lucros ou sobras acontecem na maioria das vezes no final do período, trimestre ou ano. Já os juros sobre capital próprio tendem a acontecer em qualquer época do ano. Porém, costuma-se observar que a maioria das empresas opta em pagar os juros sobre capital próprio somente no final do período também. A base de cálculo dos juros sobre capital próprio nada mais é do que simplesmente o investimento que ocorre no capital das empresas Esse investimento pode ocorrer pelas seguintes formas: no período de constituição da empresa, quando os sócios, acionistas ou associados integralizam o capital da empresa; numa etapa seguinte à constituição, quando a empresa já está operacionalizando. O investimento nessa etapa é reconhecido como aporte de capital. Na maioria das vezes esse aporte tem o objetivo de financiar novos investimentos na empresa. Nessa etapa a empresa analisa a viabilidade do custo de capital próprio (captação de recursos através de sócios, acionistas ou associados) e a viabilidade do custo de capital de terceiros (captação de recursos através de empréstimos, financiamentos etc.). A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, foi responsável pela extinção da correção monetária de balanços. Nessa mesma lei, foi criada a figura dos juros sobre capital próprio. Portanto, de acordo com a Lei nº 9.249/96: Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 75 Parágrafo único. Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários. Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. Conforme disposto no art. 9º da Lei n° 9.249/1995, a base para a remuneração dos juros sobre capital próprio fica limitado a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Nos últimos anos tem se observado que essa taxa ficou fixa em 6% ao ano. Ribeiro (2005, p. 147) afirma que “a TJLP é calculada trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional – CMN e expressa em termos anuais. A sua divulgação se dá por meio de resoluções do Banco Central do Brasil (BACEN)”. UNI Além da TJLP, deve-se analisar se a empresa possui lucros ou reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Exemplos dessa condição serão apresentados no decorrer dessa unidade. Para Ribeiro (2005, p. 142), “apesar de facultativo, o Juro sobre o Capital Próprio representa um rendimento extra que os titulares das empresas recebem além da participação nos lucros, embora a legislação tenha previsto também que esses juros possam substituir os dividendos obrigatórios”. NOTA Somente as cooperativas podem desconsiderar a TJLP para pagamento de juros sobre capital próprio aos seus associados. Atualmente, as cooperativas podem pagar até 12% ao ano ao invés de considerar o percentual da TJLP. Quanto às demais regras para pagamento dos juros sobre capital próprio são mesmo seguidas pelas demais empresas. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 76 3 TRATAMENTO LEGAL De acordo com Ribeiro (2005, p. 143), “ [...] tratam do assunto mais de duas dezenas de dispositivos da legislação tributária, entre leis, decretos, Instruções Normativas, Atos Declaratórios e outros, inclusive deliberação da CVM”. Vejam alguns deles: Lei nº 9.249, de 26/12/1995; Lei nº 9.430, de 27/12/1996 – artigos 51, 55, 78 e 88; Lei nº 9.532, de 10/12/1997; Lei nº 9.779, de 19/1/1999 – artigo 8º; Lei nº 9.959, de 27/1/2000; Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, artigos 347, 348, 668 e 685; Instrução Normativa SRF nº 11, de 21/2/1996; Instrução Normativa SRF nº 41, de 22/04/1998; Comunicado 6.548 Bacen, de 30/12/1998; Deliberação CVM nº 207, de 13/12/1996. Conforme já foi comentado anteriormente, a Lei nº 9.249/1995 foi responsável pela instituição dos juros sobre capital próprio. Por esse fato, é descrito a seguir, além do art. 9º já descrito anteriormente, outros artigos da lei, que são considerados essenciais no processo de provisão e pagamento dos juros sobre capital próprio: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. § 1° O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros computados antes da dedução dos juros, ou de reserva de lucros, em montante igual ou superior ao valor deduas vezes os juros a serem pagos ou creditados. § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I - antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II - tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 77 § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido o arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. De acordo com Ribeiro (2005), a lei não obriga que as empresas provisionem e paguem aos seus titula res os juros sobre o capital próprio, entretanto, permite que a soma dos va lores pagos a esse título seja deduzida da base de cálculo da provisão para contribuição social e da base de cálculo da provisão para o Imposto de Renda, desde que o respecti vo valor seja calculado de acordo com a TJLP e que existam no momento do crédito lucros ou reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. 3.1 IMPOSTO DE RENDA O Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/1999, promovido pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, descreve em seu artigo 347 o seguinte: Art. 347 A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º). § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 78). § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). § 3º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 7º). § 4º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 8º). UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 78 Neves e Viceconti (2004) comentam, então, que para fatos geradores ocorridos a partir de 1 de janeiro de 1996, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeito da apuração do lucro real (somente para aquelas empresas optantes do lucro real), observado o regime de competência, os juros pagos ou creditados individualmente ao titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitadas à variação pro rata dia da taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. Portanto, o valor provisionado e creditado dos juros sobre capital próprio para efeito de dedutibilidade como despesa financeira não poderá exceder a cinquenta por cento do maior entre os seguintes valores: do resultado líquido positivo (lucro ou sobra) correspondente ao período de apuração do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou do saldo de reservas de lucros de períodos anteriores. Assim, os juros sobre capital próprio podem ser pagos no período mesmo que nesse a empresa não apresente lucros. Porém, faz-se necessário então que essa empresa tenha lucros que venham de períodos anteriores. O valor desses lucros deve ser em montante superior a duas vezes o valor dos juros sobre capital próprio a ser creditado, por exemplo. Se a empresa quiser pagar $ 100 de juros sobre capital próprio terá que ter em lucros de períodos anteriores o valor equivalente a $ 200. NOTA Não é possível somar os lucros de períodos anteriores com os lucros do período para então creditar juros sobre capital próprio. Por exemplo, se a empresa quiser pagar $ 100 de juros sobre capital próprio e tiver $ 150 de lucros de períodos anteriores e $ 180 de lucro no período. O máximo de juros sobre capital próprio que poderá ser creditado será de $ 90, ou seja, a metade do maior valor entre as duas hipóteses existentes, lucros do período ou lucro de períodos anteriores. A Lei nº 11.638/2001 extinguiu a possibilidade de a empresa deixar os lucros do período na conta de lucros a acumulados, tendo sempre a obrigação de destiná-los. Assim, os únicos valores de lucros de períodos anteriores poderão existir na empresa numa conta específica do patrimônio líquido denominado reserva de lucros. As reservas de lucro são constituídas pelos lucros obtidos pela empresa, retidas com finalidade específica e geralmente já definidas em estatuto, tanto em sua constituição como em sua utilização. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 79 As reservas de lucros são subdivididas em quatro grupos: Reserva legal Reservas estatutárias Reserva para contingência Reserva de lucros a realizar. Quanto à reserva legal, a Lei nº 6.404/76 prevê o seguinte: Art. 193 Do lucro líquido do exercício, 5% serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% do capital social. § 1º A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital exceder de 30% do capital social. § 2º A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Por sua vez, nas reservas estatutárias, a Lei 6.404/76 prevê o seguinte: Art. 194 O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma: I – indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade; II – fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos que serão destinados à sua constituição; e III – estabeleça o limite máximo da reserva. Já nas reservas para contingências, a Lei 6.404/76 prevê o seguinte: Art. 195. A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. § 1º A proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição da reserva. § 2º A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição ou em que ocorrer a perda. E quanto às reservas de lucros a realizar, a Lei nº 6.404/76 prevê o seguinte:UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 80 Art. 197 No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos termos do estatuto ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar. NOTA Conforme a Lei 6.404/76, art. 199, o saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembleia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos. Somente se considera creditado o valor dos juros sobre o capital próprio, quando este for registrado contabilmente como uma despesa na pessoa jurídica pagadora (investida) com lançamento a débito e em contrapartida com lançamento na conta a crédito de seu passivo, representando, dessa forma, uma obrigação da investida com os sócios, acionistas ou associados. 3.2 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO De acordo com Neves e Viceconti (2004), as mesmas regras aplicáveis ao imposto de renda valem também para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ou seja, a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio tem as mesmas condições estabelecidas para Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. No ano- calendário de 1996, tais juros eram indedutíveis na base de cálculo da referida contribuição. NOTA A empresa poderá creditar aos seus titulares os juros sobre capital próprio, em montante igual ao obtido pela aplicação da TJLP, porém, na etapa seguinte, terá que analisar os limites de lucro do período ou lucros de períodos anteriores, para ver se permitem seu pagamento. A diferença que superar o maior desses dois limites não será dedutível para o cálculo das Provisões para CSLL e para o IRPJ, devendo ser adicionado na base de cálculo desses tributos na apuração do lucro real. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 81 4 REGISTRO COMO DESPESA FINANCEIRA Os juros sobre capital próprio são reconhecidos na Demonstração de Resultado do Exercício na empresa pagadora (investida) como despesa de juros sobre capital próprio no grupo Despesa Financeira. Para fins de dedutibilidade, nas empresas optantes do lucro real, essa despesa é dedutível para o cálculo do IRPJ e da CSLL, é claro, desde que siga as regras legais para crédito desses juros já vistas anteriormente. Porém, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de sua Deliberação número 207, de 13 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte: I – Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. Entretanto, para não causar confusão sobre a possibilidade ou não dessa despesa financeira para fins dedutíveis a própria CVM dispôs, no inciso VIII e IX da referida Deliberação o seguinte: VIII – Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação. IX – A reversão, de que trata o item anterior, poderá ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro líquido ou do prejuízo do exercício. Neves e Viceconti (2004, p. 412) comentam que “[...] a reversão em tela pode ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro ou prejuízo líquido do exercício”. Veja o exemplo a seguir: UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 82 Apresentacao da DRE Valores R$ Lucro Bruto R$ 200.000,00 (-) Despesas Operacionais, exceto os juros R$ 135.000,00 (-) Juros sobre o capital próprio R$ 35.000,00 (=) Lucro Operacional Líquido R$ 30.000,00 (-) IRPJ + CSLL R$ 7.200,00 (=) Lucro Líquido antes da reversão dos juros R$ 22.800,00 (+) Reversão R$ 35.000,00 (+) Lucro Líquido do Exercício R$ 57.800,00 Note que os juros sobre capital próprio são reconhecidos como despesa financeira para fins de dedução do IRPJ e da CSLL e logo após são revertidos. Essa reversão faz com que os juros sobre capital próprio recaiam na conta Lucros a Destinar. Veja o exemplo a seguir na empresa pagadora (investida): Débito: Despesa de Juros sobre capital próprio (despesa financeira da DRE) Crédito: Juros sobre capital próprio a pagar (obrigação no passivo) Lançamento pela reversão: Débito: Lucros a destinar (na conta do patrimônio líquido) Crédito: Reversão de Juros sobre capital próprio (estorno despesa financeira da DRE). 5 RESERVA DE REAVALIAÇÃO E AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL A Lei nº 11.638, de 2007, eliminou a possibilidade de que sejam efetuadas reavaliações nas empresas. Porém, para as empresas que a tinham feito até a data 31 de dezembro de 2007 ainda restava saldo nessa conta. Entretanto, a mesma lei em seu art. 6º comenta: Art. 6º Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 83 Portanto, um grande número de empresas ainda possui saldo nessa conta, que faz parte do patrimônio líquido e denominada reserva de reavaliação. De acordo com Iudícibus et al. (2010, p. 380): Tal eliminação está em desencardo com as normas internacionais que permitem esse tipo de procedimento. Entretanto, o principal motivador para a impossibilidade de realização de novas reavaliações no Brasil foi o mau uso desse mecanismo. São muitos os exemplos de empresas que procederam à reavaliação de seus ativos para transformar Patrimônios Líquidos negativos em positivos, para diminuir os dividendos a serem distribuídos, para conseguir concordata ou algum tipo de favorecimento jurídico, ou até mesmo participar de concorrências públicas. Por sua vez, o ajuste de avaliação patrimonial foi criado originalmente pela Lei nº 11.941/2009. Depois, o ajuste de avaliação patrimonial foi incorporado à Lei nº 11.638/2007, em seu art. 182, que possui a seguinte redação: § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5º do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3º do art. 226 desta Lei) e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. Portanto, a natureza dessa conta é a mesma da reserva de reavaliação, ou seja, é destinada a receber ajustes contábeis realizados nos ativos ou passivos das empresas. De acordo com Perez e Oliveira (2010) o texto definido pelo art. 182 da Lei 11.638/2007 é sucinto e não define exatamente o que pode ou deve ser ajustado a valor justo, entretanto, essa correção busca expressar a realizada patrimonial de uma empresa. Para conhecer mais sobre o que pode ser ajustado contabilmente e de que forma proceder leia os seguintes pronunciamento contábeis disponíveis no sítio do Conselho Federal de Contabilidade – CFC: <http://www.cfc.org.br>: CPC 02, 10, 13, 14 3 15. ATENCAO Tanto a conta Ajuste de Avaliação Patrimonial como conta Reservade Reavaliação são contas específicas que compõem o patrimônio líquido e, para o cálculo dos juros sobre capital próprio, essas contas não serão consideradas como parte integrante do patrimônio líquido. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 84 NOTA Caso a empresa ainda tinha algum saldo na conta de reserva especial de correção monetária dos bens do Ativo Permanente, que provém antes do ano de 1995, esta também não será considerada como parte integrante do patrimônio líquido. Contudo, a realização dessas reservas que forem adicionadas ao resultado líquido da empresa poderá ser adicionada para o cálculo dos juros sobre capital próprio, como, por exemplo, ocorre na depreciação ou venda de bens que foram reavaliados ou sofreram ajustes de avaliação patrimonial. Por exemplo: suponhamos que determinada empresa tenha como composição de seu patrimônio líquido as seguintes contas: CAPITAL SOCIAL 3.800.000.00 RESERVAS DE CAPITAL 200.000.00 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 RESERVAS DE LUCROS 300.000.00 TOTAL 4.800.000.00 Portanto, a base de cálculo dos juros sobre capital próprio que deverá ser multiplicada pela TJLP é a seguinte: CAPITAL SOCIAL 3.800.000.00 RESERVAS DE CAPITAL 200.000.00 (-) RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 RESERVAS DE LUCROS 300.000.00 Total da Base de Cálculo 4.300.000.00 Caso a TJLP fosse de 6% o valor dos juros sobre capital próprio seria esse: $ 4.300.000 x 6% = 258.000 Porém, para que se possam creditar os $ 258.000 como juros sobre capital próprio e que consequentemente sejam dedutíveis para IRPJ e CSLL seria necessário que a empresa tivesse um lucro no período de pelo menos $ 516.000 TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 85 (o dobro do valor dos juros que se pretende creditar) ou numa segunda hipótese que se tivesse $ 516.000 em reserva de lucros (também dobro do valor dos juros que se pretende creditar). NOTA Mais exemplos sobre o cálculo de juros sobre capital próprio serão vistos a seguir, ainda nesta unidade. Por enquanto é importante que você entenda que as reservas de reavaliação e de ajuste de avaliação patrimonial não fazem parte da base de cálculo dos juros sobre capital próprio. 6 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Sobre o valor dos juros sobre capital próprio creditado aos seus investidores, tanto para pessoa física como jurídica, haverá a incidência de 15% de imposto de renda retido na fonte. Esse imposto de renda na fonte deverá ser pago à Receita Federal do Brasil até o terceiro dia útil da semana subsequente a do pagamento ou crédito dos juros respectivos. NOTA O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividen dos, sem prejuízo do pagamento do imposto de renda na fonte. 7 JUROS SOBRE JUROS Numa possível negociação entre o investidor (recebedor) e a investida (pagador) os juros sobre capital próprio podem ser pagos em parcelas ou numa data futura programada. Caso isso ocorra pode ser que se negocie uma remuneração pelo atraso no pagamento, ou seja, juros sobre juros. Sobre os juros sobre capital próprio há incidência de 15% de IRRF, porém sobre os juros sobre juros o IRRF é equiparado a uma aplicação financeira de renda fixa e sobre esse valor incide imposto de renda na fonte a alíquota de 15% a 22,5%. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 86 A variação do IRRF dos juros sobre juros ocorre da seguinte forma: Se for pago antes de 6 meses haverá incidência de 22,5%. Se for pago no período de 6 meses a um ano haverá incidência de 20%. Se for pago no período de 1 ano a dois anos haverá incidência de 17,5%. Se for pago no período superior a 2 anos 15%. Veja o exemplo a seguir com base no modelo de Neves e Viceconti (2004): Dados hipotéticos em 31/12/2001 1 – Valor do PL da Cia. ANDRADE: CAPITAL SOCIAL 3.000.000.00 RESERVAS DE CAPITAL 240.000.00 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 200.000.00 RESERVAS DE LUCROS 560.000.00 TOTAL 4.000.000.00 No saldo desta conta, não está incorporado o resultado do exercício 31/12/2001, equivalente a R$ 800.000,00, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos juros sobre o capital próprio. Salvo a incorporação do resultado, não houve alteração no valor do Patrimônio Líquido no ano-calendário de 2001. 2 – TJLP em 2001: 10% ao ano 3 – Cálculo dos juros: Base de cálculo: R$ 4.000.000,00 - 200.000,00 = 3.800.000,00 Valor dos juros: R$ 3.800.000,00 x 10% = R$ 380.000,00 Após aplicação da TJLP sobre a base de cálculo é preciso partir para o segundo passo: descobrir se a empresa realmente pode pagar esse valor de $ 380.000,00 para fins de dedução de IRPJ e CSLL. Portanto, vamos analisar as duas hipóteses possíveis: a) Hipótese de lucro no período. Para que sejam pagos $ 380.000,00 é preciso que se tenha de lucro no período o dobro desse valor, ou seja, $ 760.000,00. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 87 b) Hipótese de lucro de períodos anteriores. Para que sejam pagos $ 380.000,00 é preciso que se tenha de lucro de períodos anteriores o dobro desse valor, ou seja, $ 760.000,00. Sendo assim, a hipótese “b” permitiria que fossem pagos apenas $ 280.000,00 de juros sobre capital próprio, uma vez que a empresa possui como reserva de lucros o montante de $ 560.000,00 (560.000,00 / 2 = 280.000,00). Já a hipótese “a” permitiria que fossem pagos $ 400.000,00 de juros sobre capital próprio, uma vez que a empresa possui de lucro no período o montante de $ 800.000,00 (800.000,00 / 2 = 400.000,00). Porém, pelo fato de o resultado da TJLP sobre a base de cálculo dos juros sobre capital próprio ficar em $ 380.000,00, será desconsiderado o valor máximo de $ 400.000,00 da hipótese “a” e pagos apenas os $ 380.000,00. Se por acaso a empresa tivesse um lucro no período equivalente a apenas $ 100.000,00, o máximo que poderia ser pago de juros sobre capital próprio seriam os $ 280.000,00 com base na hipótese “b”. 4 – Contabilização dos juros sobre capital próprio: 1 – dos juros em 31/12/2001 Debita-se: Despesas de Juros sobre Capital Próprio 380.000,00 (DRE) Credita-se: Juros sobre do Capital Próprio a Pagar 380.000,00 (Passivo circulante) 2 – incidência do Imposto de Renda na Fonte: (15% x R$ 380.000,00) Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 57.000,00 (Passivo Circulante) Credita-se: IRRF a Recolher 57.000,00 (Passivo Circulante) Suponhamos que o saldo de juros sobre capital próprio a pagar, que correspondia em 31/12/2001 a R$ 323.000,00 (R$ 380.000,00 - R$ 57.000,00), tenha sido efetivamente pago em 30/08/2002, acrescido de juros equivalentes a 2% (taxa hipotética) desse total, ou seja, R$ 6.460,00 (2% x R$ 323.000,00). Sobre esses juros de R$ 6.460,00 (juros sobre juros) incidirá imposto de renda na fonte de 20%, totalizando R$ 1.292,00 (20% x R$ 6.460,00). Incidirá 20% de IRRF porque os juros sobre juros estariam sendo pagos 8 meses depois do registro do crédito do principal. Caso fosse antes de 6 meses incidiria 22,5% de IRRF conforme evidenciado anteriormente. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 88 NOTA A variação do IRRF conforme o prazo de pagamento vale apenas para o cálculo dos juros sobre juros. O IRRF sobre o juros sobre capital próprio será sempre de 15%. 5 – Contabilização dos juros sobre juros: 1 – Reconhecimento da despesa de juros Debita-se: despesa de juros 6.460,00 (DRE) Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 6.460,00 (Passivo Circulante) 2 – Incidênciado IRRF a alíquota de 20% Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 1.292,00 (Passivo Circulante) Credita-se: IRRF a recolher 1.292,00 (Passivo Circulante) 6 – Pagamentos dos juros sobre capital próprio e juros sobre juros: Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 328.168,00 (Passivo Circulante) Credita-se: Banco Conta Movimento 328.168,00 (Ativo Circulante) 8 REFLEXOS NAS INVESTIDORAS O investidor, aquele que teria o direito de receber os juros sobre capital próprio, pode ser pessoa física ou pessoa jurídica. Quando for pessoa jurídica, a forma de os juros serem reconhecidos dependerá de sua própria forma de tributação, por exemplo, lucro real, lucro presumido ou simples nacional. No recebimento dos juros sobre capital próprio pela pessoa jurídica optante do lucro presumido e lucro real os referidos juros serão registrados como receita financeira e integrarão base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Já no recebimento dos juros sobre capital próprio pela pessoa jurídica optante do simples nacional, os referidos juros serão também registrados como receita financeira, porém não integrarão base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Com base no modelo de Neves e Viceconti (2004), veja o exemplo a seguir, tendo como informações os dados da Cia. ANDRADE, vista no exemplo anterior: TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 89 a Cia. ANDRADE é controlada (investida) pela Cia. ZULIPA (investidora), que detém 60% de seu capital; em decorrência do montante dos juros pagos pela Cia. ANDRADE, 60% foram creditados à sua controladora (60% x R$ 380.000,00 = R$ 228.000,00); do imposto retido pela Cia. ANDRADE (R$ 57.000,00), 60% corresponde aos juros creditados à Cia. ZULIPA, ou seja, 60% x R$ 57.000,00 = RS 34.200,00; a Cia. ZULIPA , por sua vez, efetua crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios e acionistas no valor de R$ 800.000,00 e o imposto de renda na fonte correspondente é de R$ 120.000,00 (15% x R$ 800.000,00). Ela poderá compensar os R$ 34.200,00 retidos pela Cia. ANDRADE com os R$ 120.000,00 devidos pelo crédito dos juros sobre seu capital próprio e recolher à Receita Federal do Brasil apenas a diferença; em agosto de 2002 a Cia. ZULIPA recebe os juros que lhe eram devidos pela Cia. ANDRADE, R$ 193.800,00, acrescidos dos juros sobre juros de 2% (R$ 193.800,00 x 2% = R$ 3.876,00) e deduzido o imposto de renda na fonte incidente sobre esses últimos (R$ 3.876,00 x R$ 20% = R$ 775,20). Contabilização na Cia. ZULIPA (investidora) Obs.: A Cia. ZULIPA recebeu os juros sobre capital próprio da Cia. ANDRADE. A própria Cia. ZULIPA efetuou o crédito de juros sobre capital próprio aos seus investidores. 1 – pelo crédito dos juros pagos recebidos da Cia. ANDRADE: (60% x R$ 380.000,00 = R$ 228.000,00). Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 228.000,00 (Ativo Circulante) Credita-se: Receita de Juros sobre Capital Próprio 228.000,00 (DRE) 2 – registro do Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF) Compensável: (60% x R$ 57.000,00 = RS 34.200,00). Debita-se: IRRF a Compensar 34.200,00 (Ativo Circulante) Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 34.200,00 (Ativo Circulante) 3 – crédito aos acionistas dos juros incidentes sobre o capital próprio da Cia. ZULIPA: (pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio no valor de R$ 800.000,00). Debita-se: Despesas de Juros sobre o Capital Próprio 800.000,00 (DRE) Credita-se: Juros sobre de Capital Próprio a Pagar 800.000,00 (Passivo Circulante UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 90 4 – incidência do IRRF sobre juros a pagar: (15% x R$ 800.000,00 = RS 120.000,00). Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Pagar 120.000,00 (Passivo Circulante) Credita-se: IRRF a Recolher 120.000,00 (Passivo Circulante) 5 - compensação do IRRF a pagar com o IRRF a compensar na Cia. ZULIPA: Debita-se: IRRF a Recolher 34.200,00 (Passivo Circulante) Credita-se: IRRF a Compensar 34.200,00 (Ativo Circulante) 6 – reconhecimento de juros sobre juros em 2002: (2% de R$ 193.800,00 = R$ 3.876,00, onde R$ 193.800,00 = R$ 228.000,00 – R$ 34.200,00). Debita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 3.876,00 (Ativo Circulante) Credita-se: Receita Financeira 3.876,00 (DRE) 7 – incidência do IRRF sobre os referidos juros: (3.876,00 x R$ 20% = R$ 775,20). Debita-se: IRRF a Compensar 775,20 (Ativo Circulante) Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 775,20 (Ativo Circulante) 8 – recebimento dos juros sobre o capital próprio: (196.900,80 = (228.000,00 – 34.200) + (3.876,00 – 775,20). Debita-se: Banco conta Movimento 196.900,80 (Ativo Circulante) Credita-se: Juros sobre Capital Próprio a Receber 196.900,80 (Ativo Circulante) NOTA Caso a Cia. ZULIPA não tivesse pago os juros sobre seu capital próprio, o IRRF a compensar de R$ 34.200,00 poderia ser compensado com o imposto devido com base no lucro real do período, ou seja seu o IRPJ. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 91 8.1 INVESTIDORES DIVERSOS E SUA FORMA DE TRIBUTAÇÃO Desde 1º de janeiro de 1997, os investidores enquadrados no lucro presumido ou lucro real reconhecerão as receitas financeiras de juros sobre capital próprio recebidos como receita tributável, tanto para IRPJ e CSLL como para PIS e COFINS. Assim, toda a empresa enquadrada no lucro presumido ou lucro real que receber juros sobre capital próprio tributará essa receita como sendo outras receitas financeiras. Entretanto, essas empresas enquadradas lucro presumido ou lucro real poderão utilizar o IRRF retido nesse recebimento para compensar com seu IRPJ, ou seja, o IRRF para essas empresas será considera do antecipação do devido no período de apuração. Esse foi o caso que aconteceu no exemplo anterior em que a Cia. ZULIPA pode recuperar o IRRF sobre os juros sobre capital próprio recebido da Cia. ANDRADE. Já as pessoas jurídicas isentas e as pessoas físicas não poderão recuperar o IRRF retido quando receberem juros sobre capital próprio. Portanto, nesses casos, a tributação na fonte é definitiva. E quanto às pessoas jurídicas imunes, essas nem precisarão ter o desconto do IRRF, poderão receber integralmente os juros sobre capital próprio de suas investidas. Vejamos os exemplos a seguir para melhor entendimento dessas situações. Suponhamos uma situação única de recebimento de $ 100.000,00 de juros sobre capital próprio com 15% de IRRF, ou seja, $ 15.000,00. 1º Exemplo: Investidor optante do lucro presumido ou real. O lançamento contábil desse recebimento seria: Débito: IRRF a Compensar 15.000,00 Débito: Caixa 85.000,00 Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00 Nesse caso, a empresa poderia compensar os 15.000,00 de IRRF com seu possível IRPJ a pagar. Porém, os 100.000,00 entrariam na base de cálculo do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. 2º Exemplo: Investidor pessoa jurídica isenta. O lançamento contábil desse recebimento seria: Débito: Despesas de IRRF 15.000,00 Débito: Caixa 85.000,00 Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00 UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 92 Nesse caso, a empresa não poderia compensar os 15.000,00 de IRRF, que já seriam reconhecidos como despesa. Porém, os 100.000,00 não entrariam na base de cálculo do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. 3º Exemplo: Investidor pessoa física. Se houvesse um lançamento contábil desse recebimento seria: Débito: Despesas de IRRF15.000,00 Débito: Caixa 85.000,00 Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00 Nesse caso pessoa física não poderia compensar os 15.000,00 de IRRF com seu IRPF, pois seriam reconhecidos como despesa. Porém, os 100.000,00 não entrariam na base de cálculo em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF. 4º Exemplo: Investidor pessoa jurídica imune. O lançamento contábil desse recebimento seria: Débito: Caixa 100.000,00 Crédito Juros recebidos sobre capital próprio 100.000,00 Nesse caso, pessoa jurídica imune receberia 100% dos juros sobre capital próprio, sem o desconto dos 15% do IRRF. Inclusive, os 100.000,00 não entrariam na base de seus impostos. 8.2 CONVENIÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO DO PONTO DE VISTA DO ÔNUS TRIBUTÁRIO A pessoa jurídica optante pelo lucro real que optar em efetuar o pagamento dos juros sobre o capital próprio para investidores pessoas físicas terá menor carga tributária do que aquela que não o fizer. A grande diferença seria a seguinte: a empresa que resolvesse pagar juros sobre capital próprio teria que recolher 15% de IRRF, porém, diminuiria sua base tributária, gerando um ganho de 24% ou até 34% se recair no adicional de IRPJ. Em resumo, poderia ter um ganho líquido de 9% a 19%, desde que apurasse lucro. Se não tiver lucro não seria vantagem pagar juros sobre capital próprio. a empresa que não resolvesse pagar juros sobre capital próprio não recolheria os 15% de IRRF, porém, sua base tributária ficaria normal, sem a redução da despesa financeira de juros sobre capital próprio, Em resumo, poderia deixar de pagar de 9% a 19%, desde que apurasse lucro. TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 93 NOTA Para fins tributários as pessoas jurídicas enquadradas no lucro presumido ou simples não teriam vantagem em pagar juros sobre capital próprio. Veja o exemplo a seguir com base no modelo de Neves e Viceconti (2004): Demonstração de Resultado Anual com juros (R$) sem juros (R$) Lucro antes dos juros, da CSLL e do IR 200.000.00 200.000.00 Juros sobre o capital próprio (20.000.00) - (=) Base de cálculo da CSLL e do IR (supondo-se inexistência de ajustes) 180.000.00 200.000.00 (-) CSLL (9%) (16.200.00) (18.000.00) (-) IR (15%) (27.000.00) (30.000.00) (=) Lucro líquido (após CSLL e IR) 136.800.00 152.000.00 Rendimentos dos Sócios Lucro líquido + juros 156.800.00 152.000.00 (-) IR Fonte sobre os juros (3.000.00) - = Rendimento Líquido 153.800.00 152.000.00 A única diferença foi os R$ 1.800,00 (153.000,00 – 152.000,00). Essa diferença pode ser explicada da seguinte forma. A empresa que não pagou juros sobre capital próprio tributou normalmente 15% de IRPJ e 9% de CSLL sobre 200.000,00, porém, a empresa que pagou os juros sobre capital próprio teve que pagar 15% de IRRF, mas em contrapartida, o resultado tributável diminui para 180.000,00 gerando uma economia de 15% de IRPJ e 9% de CSLL sobre os 20.000,00. Em resumo, sobre os 20.000,00 de juros sobre capital próprio pode-se dizer que a empresa que decidiu pagar teve uma despesa de 15% de IRRF e uma economia de 15% de IRPJ, gerando resultado nulo, porém essa mesma empresa economizou 9% de CSLL, ou seja, 1,800,00 (20,000,00 X 9%), uma vez que sua base tributável diminuiu. Se por acaso a empresa que decidiu pagar os juros sobre capital próprio recaísse no adicional de 10% de IRPJ a economia poderia ser de até 19%. Agora, quando o pagamento de juros sobre capital próprio envolve duas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real é preciso tomar um cuidado especial. Vejamos as seguintes situações: UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 94 se ambas as empresas não estiverem sujeitas ao adicional do IRPJ, mas apresentarem lucros, no geral, não seria vantajoso o pagamento dos juros sobre capital próprio para fins tributários, pois diminuiria a base de cálculo tributável na empresa pagadora e aumentaria na empresa recebedora, a princípio, gerando efeito nulo. Entretanto, não seria vantajoso porque na empresa recebedora a receita de juros sofreria tributação de PIS e COFINS; se ambas as empresas estiverem sujeitas ao adicional do IRPJ, a situação seria a mesma, gerando efeito nulo. Entretanto, não seria vantajoso porque na empresa recebedora a receita de juros sofreria tributação de PIS e COFINS; se a empresa pagadora estivesse sujeita ao adicional e a recebedora não, mas esta última apresentasse lucros. No geral, seria vantajoso o pagamento dos juros sobre capital próprio para fins tributários, pois diminuiria a base de cálculo tributável na empresa pagadora porque esta estaria sujeita ao adicional de 10% de IRPJ e a recebedora não, mesmo que na empresa recebedora a receita de juros sofreria tributação de PIS e COFINS; se a empresa pagadora tiver lucro e a recebedora tiver prejuízo será sempre vantajoso. Neves e Viceconti (2004) apresentam a seguir um exemplo em que o efeito tributário de juros sobre capital próprio seria nulo. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO (em R$) — TRIMESTRAL Cia. Alpha Cia. Beta a) Sem os juros Recebedora Pagadora Lucro Líquido antes do IRPJ e CSLL 120.000,00 90.000,00 (-) CSLL -10.800,00 -8.100,00 (-) IRPJ (24.000.00) (16.500.00) (=) Lucro Líquido 85.200,00 65.400,00 b) Com os juros Lucro Líquido antes do IRPJ e CSLL 120.000,00 90.000,00 (±) Juros 18.000.00 (18.000.00) (=) Lucro Líquido antes da CSLL e IR 138.000,00 72.000,00 (-)CSLL -12.420,00 -6.480,00 (-)IRPJ -28.500,00 -12.000,00 (=)Lucro Líquido 97.080,00 53.520,00 TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 95 Como se pode perceber no quadro, o total do IRPJ e da CSLL pago pelas duas empresas continue o mesmo, ou seja, IRPJ (R$ 24.000,00 + R$ 16.500,00 = R$ 40.500,00 = R$ 28.500,00 + R$ 12.000,00), e CSLL (R$ 10.800,00 + R$ 8.100,00 = R$ 18.900,00 = R$ 12.420,00 + R$ 6.480,00). Entretanto, a Cia. Alpha teria que inserir em sua base de cálculo de PIS e COFINS os 18.000,00 de juros recebidos, o que de fato, tributariamente tornaria o pagamento dos juros sobre capital próprio inviável nessa situação. Portanto, toda a vez que pretenda pagar os juros sobre capital próprio é obrigatório que se proceda às seguintes indagações: 1. Qual o é objetivo de se pagar os juros sobre capital próprio? 2. Qual é a forma de tributação da empresa pagadora (investida)? 3. Qual é a forma de tributação da empresa recebedora (investidora)? 4. Qual é o efeito tributável geradora tanto na recebedora como na pagadora? Depois de estar ciente de todos esses fatos será muito mais simples decidir se a empresa deve ou não pagar juros sobre capital próprio naquele período. 9 CÁLCULO DOS JUROS PRO RATA O patrimônio líquido pode apresentar mudanças de valores do decorrer do ano. Essas mudanças acorrem na maioria das vezes pela incorporação do resultado do ano anterior ou pela integralização e/ou retirada de capital. Quando ocorrem essas mudanças no patrimônio líquido da pessoa jurídica que estaria creditando os juros sobre capital próprio aos seus investidores, se faz necessário, então, que tais juros sejam calculados com base na variação pro rata (por dia) da TJLP. Há dois critérios utilizados para se calcular a variação pro rata da TJLP: o critério exponencial e o critério linear, no entanto, até o momento não há base legal ou até alguma indicação mais concreta que obrigue as empresas a optarem definitivamente uma ou outra. De acordo com Neves e Viceconti (2004, p. 422): O Banco Central do Brasil expediu a Circular nº 2.722/96 de 26-09-96, que estabelece condições para remessa de juros sobre o capital próprio da pessoa jurídica a sócios ou acionistas residentes no exterior. No Anexo aesta Circular, consta um demonstrativo onde é sugerido o critério exponencial. Entretanto, a RFB no que tange ao Programa de Recuperação Fiscal – Refis e ao parcelamento a ele alternativo, por meio do decreto nº 3.431/2000, adota o cálculo LINEAR, que é mais simples do que o EXPONENCIAL estabelecido pelo BACEN. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 96 Seguindo o modelo de Neves e Viceconti (2004), será apresentado a seguir um exemplo de cálculo utilizando-se o critério exponencial e o critério linear: Saldo da conta Capital em 01/01/1996: R$ 100.000,00 Aumento de Capital em 21/03/1996: R$ 40.000,00 Balanço levantado em 30/06/1996 para fins de distribuição Sabe-se que a TJLP anual era a seguinte em 1996: Jan/Fev= 17,72% (taxa igual para os meses de janeiro e fevereiro) Mar/Abr/Mai = 18,34% (taxa igual para os meses de março a maio) Jun/Jul/Ago = 15,44% (taxa igual para os meses de junho a agosto) Pelo método exponencial: Janeiro = (1,1772)1/12 = 1,0136 ou 1,36% a.m. Fevereiro = (1,1772)1/12 = 1,0136 ou 1,36% a.m. Março = (1,1834)1/12 = 1,0141 ou 1,41% a.m. Março = (1,0141)10/30 = 1,0046 ou 0,46% em 10 dias Abril/maio = (1,1834)1/12 = 1,0141 ou 1,41% a.m. Junho = (1,1544)1/12 = 1,0120 ou 1,20% a.m. Note que, por exemplo, no mês de janeiro, a TJLP era de 17,72% a.a. Para se chegar a TJLP foram feitos os seguintes cálculos: 1 – Deve-se apanhar a TJLP anual evidenciado em percentual, ou seja, 17,72% e, em seguida, evidenciar na forma decimal, ou seja, 0,1772. Para isso basta apanhar 17,72 e dividir por 100. 2 – Deve-se apanhar 0,1772 e acrescentar 1 a fórmula, resultando então em 1,1772. 3 – Deve-se elevar 1,1772 a um doze avos 1/12. Na calculadora financeira, você poderá proceder da seguinte forma nesse cálculo. F CLX 1 ENTER 12 ÷ STO 0 1,1772 ENTER RCL O yx TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 97 O resultado obtido será = 1,01369 4 – Para transformar na TJLP mensal basta apanhar 1,01369 e subtrair 1, portanto: 1,01369 – 1 = 0,01369 na forma decimal ou 0,01369 x 100 = 1,36817% na forma em percentual. No mês de março foi preciso encontrar a TJLP para dez trinta avos, uma vez que o capital ficou aplicado por 10 dias naquele mês. Portanto, para se chegar aquele resultado, deve-se proceder da mesma forma que é transformada a TJLP anual para mensal. Sendo assim, no cálculo em questão, a TJLP será transformada de mensal para diária. Depois de encontrada a TJLP mensal e diária é preciso aplicar ao capital o fator de multiplicação encontrado em cada mês. Fator de acumulação para os R$ 100.000,00: (note que os R$ 100.000,00 estiveram aplicados na empresa desde janeiro, portanto, o fator de multiplicação será integral para todos os meses). 1,0136 x 1,0136 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0120 = 1,0843 Fator de acumulação =1,0843 -1 = 0,0843 ou 8,43% Fator de acumulação para os R$ 40.000,00: (note que os R$ 40.000,00 estiveram aplicados na empresa desde março, por 10 dias e os demais meses integrais). 1,0046 x 1,0141 x 1,0141 x 1,0120 = 1,0455 TJLP pro rata = 1,0455 -1 = 0,0455 ou 4,55% Cálculo dos juros sobre capital próprio: R$ 100.000,00 x 8,43% = R$ 8.430,00 R$ 40.000,00 x 4,55% = R$ 1.820,00 TOTAL R$ 10.250,00 Agora, somente bastaria analisar se a empresa de fato poderia creditar os R$ 10.250,00 para fins de dedutibilidade. Pelo método Linear: Janeiro/Fevereiro 17,72% / 12 = 1,4767% a.m. Março 18,34% / 12 = 1,5283% a.m. Março (1,5283% / 30) x 10 = 0,5094% em 10 dias. Abril/maio 18,34% / 12 = 1,5283% a.m. Junho 15,44% / 12 = 1,2867% a.m. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 98 Note que neste método o cálculo é bem mais simples. Para transformar a TJLP anual em mensal basta apenas dividi-la por 12. Da mesma forma, a TJLP diária, onde basta apenas dividir a TJLP mensal por 30. Fator de acumulação para os R$ 100.000,00: 1,4767% + 1,4767% + 1,5283% + 1,5283% + 1,5283% + 1,2867% = 8,825% Fator de acumulação para os R$ 40.000,00 0,5094% + 1,5283% + 1,5283% + 1,2867% = 4,8527% Note que para descobrir o fator de multiplicação neste critério basta apenas fazer a equação de soma das taxas, enquanto que no método exponencial as taxas são multiplicadas umas pelas outras. R$ 100.000,00 x 8,825% = R$ 8.825,00 R$ 40.000,00 x 4,8527% = R$ 1.941,00 TOTAL R$ 10.766,00 Agora, somente bastaria analisar se a empresa de fato poderia creditar os R$ 10.766,00 para fins de dedutibilidade. NOTA Observe que o cálculo pela convenção linear tem como resultado um valor de juros maior que o da convenção exponencial. Os cálculos foram feitos usando-se o ano comercial (360 dias), mas não há impedimento de se usar o ano civil (365 dias) e o número de dias exatos de cada mês transcorrido (por exemplo, 28 dias no mês de fevereiro). 10 IMPUTAÇÃO DOS JUROS AOS DIVIDENDOS OBRIGATÓRIOS As sociedades anônimas poderão optar pela imputação dos juros sobre o capital próprio, ao valor dos dividendos obrigatórios conforme trata o art. 202 da Lei nº 6.404/76 descrito a seguir: Art. 202 Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a parcela determinada de acordo com as seguintes normas: I – metade do Lucro Líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: TÓPICO 1 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO 99 a) importância destinada à constituição da reserva legal; b) importância destinada à formação da reserva para contingências. § 2º Quando o estatuto for omisso e a assembleia geral deliberar alterá-lo para introduzir norma sobre a matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do Lucro Líquido ajustado nos termos do inciso I deste artigo. NOTA Mesmo que sejam imputados aos dividendos obrigatórios os juros sobre capital próprio, deverão ser registrados como despesas financeiras. 100 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, vimos a conceitualização, o cálculo, a contabilização e todos os procedimentos legais que devem ser levados em consideração nesse tema denominado Juros sobre Capital Próprio. Analisamos que mesmo aquela empresa que tenha apurado prejuízo no período poderá pagar juros sobre capital próprio, desde que tenha saldo em lucros de períodos anteriores, na conta reservas de lucro. Porém, essa situação tornaria inviável pelo aspecto tributário, uma vez que é preciso reter 15% de IRRF sobre o valor dos juros sobre capital próprio, que quando for reconhecido, na empresa recebedora, poderá sofrer novamente uma tributação. Constatou-se que os juros sobre capital próprio podem fornecer certa vantagem tributária às empresas. Porém, para isso, faz-se necessário conhecer vários aspectos, como, por exemplo: Qual o objetivo de pagar os juros sobre capital próprio. Qual a forma de tributação da empresa pagadora (investida). Qual a forma de tributação da empresa recebedora (investidora). Qual o efeito tributável gerador tanto na recebedora como na pagadora. 101 AUTOATIVIDADE 1 Assinale a alternativa correta: a) ( ) A partir de 01/01/1996, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individual mente ao titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitadas à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. b) ( ) O valor dos juros, para efeito de dedutibilidade na base de cálculo do IRPJ e CSLL, não poderá exceder a 50% do lucro antes do cômputo desses tributos ou do saldo de reservas de lucros,dos dois o menor. c) ( ) O pagamento de juros sobre os juros sobre capital próprio, creditados e não pagos, está sujeito à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15%. d) ( ) As parcelas da reserva de reavaliação que forem computadas na determinação do lucro real somente poderão servir de base de cálculo para determinação do valor dos juros sobre o capital próprio, no período de apuração seguinte a tal fato. 2 Assinale a alternativa incorreta: a) ( ) O valor dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio ficará sujeito à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%. b) ( ) O imposto de renda na fonte sobre a remuneração do capital próprio será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica isenta. c) ( ) O imposto na fonte sobre a remuneração do capital próprio será considerado antecipação do devido (IRRF a Recuperar) na declaração de rendimentos, no caso do beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. d) ( ) A partir de 01/01/1997 a tributação sobre os juros sobre o capital próprio recebidos por empresa tributada pelo lucro presumido, será con siderada definitiva. Observe os dados hipotéticos a seguir para responder às questões 3 a 5: Valor do PL da Cia. PVSN CAPITAL SOCIAL 2.000.000.00 RESERVAS DE CAPITAL 400.000.00 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO 500.000.00 RESERVAS DE LUCROS 1.600.000.00 TOTAL 4.500.000.00 102 Obs.: Lucro no ano de 2006 antes dos impostos: 150.000,00. A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 2006 é de 10% (valor hipo tético). 3 O valor dos juros sobre o próprio capital que poderá ser deduzido na apuração do Lucro Real pela Cia. PVSN, em 31/12/2006, e o valor do Imposto de Renda na Fonte sobre ele incidente, são respectivamente (em R$): a) ( ) 4.000.000,00 e 400.000,00 b) ( ) 600.000,00 e 60.000,00 c) ( ) 400.000,00 e 60.000,00 d) ( ) 60.000,00 e 400.000,00 4 Assinale a alternativa que contenha a contabilização correta na pessoa jurídica investida, ou seja, aquela que efetuou o crédito dos juros (Cia. PVSN), em 31/12/2006: a) ( ) D - Despesas de juros 400.000,00 C - Juros a pagar 400.000,00 b) ( ) D - Despesas de juros 400.000,00 C - Juros sobre Capital Próprio a Pagar 340.000,00 C- IRRF a Recolher 60.000,00 c) ( ) D - Juros a Receber 360.000,00 C - Receita de Juros 360.000,00 d) ( ) D - Juros sobre Capital Próprio a Receber 340.000,00 C - Juros Ativos 340.000,00 5 Assinale a alternativa que contenha a contabilização correta na empresa investidora (Silpa S/A), que detém 50% das ações representativas do capi tal da investida PVSN: a) ( ) D – Juros Ativos 180.000,00 C – Juros Passivos 180.000,00 b) ( ) D – Juros a Receber 200.000,00 C – Receita de Juros 200.000,00 c) ( ) D – Juros a Receber 180.000,00 ( ) C – Receita de Juros 180.000,00 d) ( ) D – Juros sobre Capital Próprio a Receber 170.000,00 ( ) D – IRRF a Compensar 30.000,00 ( ) C – Receita de Juros 200.000,00 103 6 A Companhia Fabril de Juta decidiu, em 31/12/X1, creditar Juros sobre o Capital Próprio aos seus acionistas, considerando: a) Patrimônio Líquido em 31.12.X0: Capital Social 300.000 Reservas de Capital 50.000 Reservas de Reavaliação 100.000 Reservas de Lucros 140.000 Total 590.000 b) Resultado do exercício em 31/12/X1 antes da Provisão para CSLL/IRPJ e antes de calculados e deduzidos os JCP: $ 80.000. c) Considerar que os saldos das contas do Patrimônio Líquido apresentado não sofreram alterações durante o exercício de X0 e permanecem os mesmos ainda na data de crédito dos JCP (31/12/X1). d) Considerar que a CSLL e IRPJ serão constituídos pelas respectivas taxas de 9% e 15% nesse exercício de X1, e que não ocorreram adições nem exclusões para fins de apurar sua base de cálculo. e) TJLP para o exercício de X1: 10%. f) Considerar que a Companhia Fabril de Juta tem dois acionistas: Nelson S/A e Marciano S/A, ambos com 50% do capital. g) Considerar que a Marciano S/A tenha recebido os juros, por uma questão de negociação entre essa e a Fabril, somente 4 meses depois da provisão, ou seja, em abril de X2 é que foi realizado o pagamento. Sobre esse valor foi creditado a título de juros sobre juros 5% e a alíquota do IRRF sobre esse foi de 22,5%. Pede-se: 1 – Apuração da base de cálculo dos JCP. 2 – Cálculo dos limites para fins de dedutibilidade considerando as hipóteses possíveis. 3 – Cálculo e memória de cálculo do lucro líquido da Fabril de Juta. 4 – Contabilização na Fabril de Juta em 31/12/01 dos JCP a cada um dos acionistas e respectivos impostos sobre esses. 5 – Contabilização na Nelson S/A em 31/12/01 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre esses. 6 – Contabilização na Marciano S/A: em 31/12/01 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre esses. em 30/04/02 dos juros sobre juros e respectivos impostos sobre esses. em 30/04/02 do recebimento dos juros sobre juros e JCP. 7 Vamos supor, no entanto, que a Companhia Fabril de Juta (exercício 6) tenha decidido imputar o valor de $ 49.000 referente aos Juros sobre o Capital Próprio, aos dividendos obrigatórios de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/1976. Nesse caso específico, para as sociedades por ações, os acionistas receberão o mes- mo valor, entretanto, com a denominação de dividendos obrigatórios. Faça a contabilização na Fabril de Juta em 31/12/01 considerando essas informações. 104 8 Considerando as mesmas informações da Companhia Fabril de Juta (exercício 6), porém com as seguintes modificações: Patrimônio Líquido em 31/12/X0: Capital Social 440.000 Reservas de Capital 50.000 Reservas de Reavaliação 100.000 Total 590.000 Qual seria o valor de JCP a ser provisionado em 31/12/X1 para fins de dedutibilidade? 9 Calcule os JCP utilizando como base o critério exponencial e o critério linear, considerando: Conta Capital em 01/01/2008: R$ 200.000,00 Aumento de Capital em 10/02/2008: R$ 30.000,00 Aumento de Capital em 20/04/2008: R$ 50.000,00 Balanço levantado em 31/05/2008 para fins de distribuição Os cálculos devem ser feitos usando-se o ano comercial (360 dias). Use 5 casas decimais. Sabe-se que a TJLP anual era a seguinte em 2008 (taxa hipotética): Jan/Fev/Mar = 12,25 Abr/Mai/jun = 13,89 10 A Livraria Saturno S/A decidiu, em 31/12/2005, creditar juros sobre o Capital Próprio aos seus acionistas, considerando: a) Patrimônio Líquido em 31/12/05: Capital Social 630.000 Capital a realizar (100.000) Reservas de Capital 50.000 Reservas de Reavaliação 70.000 Reservas de Lucros 100.000 Total 750.000 b) Resultado do exercício em 31/12/2005 antes da Provisão para CSLL/IR e antes de calculados e deduzidos os JCP: $ 116.000. c) Considerar que os saldos das contas do Patrimônio Líquido apresentado não sofreram alterações durante o exercício de 2004 e permanecem os mesmos ainda na data de crédito dos JCP em 31/12/05. d) Considerar que a CSLL e IRPJ serão constituídos pelas respectivas taxas de 9% e 15% nesse exercício de 2005, e que não ocorreram adições nem exclusões para fins de apurar sua base de cálculo. e) TJLP para o exercício de 2005: 10%. 105 f) Considerar que a Livraria Saturno tem dois acionistas: Papel Bom Ltda. e Master Papel S/A, com 30% e 70% respectivamente do capital, e optantes do lucro real. g) Considerar que a Master Papel S/A tenha recebido os juros, por uma questão de negociação entre essa e a Saturno S/A, somente 8 meses depois da provisão, ou seja, em agosto de 2006 é que foi realizado o pagamento. Sobre esse valor foi creditado a título de juros sobre juros 10% e a alíquota do IRRF sobre esse foi de 20%. Pede-se:1 – Apuração da base de cálculo dos JCP. 2 – Cálculo dos limites para fins de dedutibilidade considerando as hipóteses possíveis. Caso o cálculo com base na TJLP ultrapasse os limites de dedutibilidade, pretende-se pagar os JCP somente até o maior limite. 3 – Cálculo e memória de cálculo do lucro líquido da Livraria Saturno S/A. 4 – Contabilização na Livraria Saturno S/A em 31/12/05 dos JCP a cada um dos acionistas e respectivos impostos sobre estes. 5 – Contabilização na Papel Bom Ltda. em 31/12/05 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre estes. 6 – Contabilização na Máster Papel S/A: em 31/12/05 dos JCP a receber e respectivos impostos sobre estes. em 31/08/06 dos juros sobre juros e respectivos impostos sobre estes. em 31/08/06 do recebimento dos juros sobre juros e JCP. 106 107 TÓPICO 2 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste segundo tópico, analisaremos a avaliação de investimentos simples, que são avaliados contabilmente pelo método de custo. Analisaremos também os investimentos permanentes, avaliados contabilmente pelo método de equivalência patrimonial. Conheceremos as principais diferenças entre sociedades coligadas, controladas e controladoras, além da figura do ágio e deságio em sua fundamentação pela aquisição de investimentos. Veremos alguns dos principais investimentos significativos conforme enunciado pela Lei 11.638/2007, além de analisarmos a obrigatoriedade ou não da equivalência patrimonial. 2 MÉTODO DE CUSTO De modo geral, são avaliados pelo custo os in vestimentos, sob a forma de ações ou quotas, efetuados em empresas não consideradas coligadas ou con- troladas, bem como os investimentos que não tenham influência significativa. ESTUDOS FU TUROS O conceito de controlada, coligada, equiparada à coligada além do tema influência significativa serão vistos mais adiante. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 108 De acordo com Ribeiro (2005), as contas representativas dos investimentos sujeitos à avaliação pelo Método do Custo de Aquisição são posicionadas no Balanço Patrimonial da seguinte forma: ATIVO CIRCULANTE DISPONIBILIDADES Aplicações de Liquidez Imediata INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS A CURTO PRAZO Aplicações Temporárias em Ouro Ações ou Quotas de Outras Empresas Outros Títulos e Valores Mobiliários (-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado ATIVO NÃO CIRCULANTE ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS A LONGO PRAZO Aplicações Temporárias em Ouro Ações ou Quotas de Outras Empresas Depósitos e Aplicações com Incentivos Fiscais Outros Títulos e Valores Mobiliários (-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO Participações em Outras Empresas Participações em Fundos de Investimentos com Incentivos Fiscais (-) Provisão para Perdas Permanentes OUTROS INVESTIMENTOS Aplicações Permanentes em Ouro (-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado Imóveis de Renda (-) Depreciação Acumulada Obras de Arte Os investimentos avaliados pelo custo de aquisição são aqueles investimentos simples que podem ser liquidados (transformados em dinheiro) mais facilmente. Segundo Ribeiro (2005, p. 61), “ [...] no método de custo não importa a geração efetiva dos lucros ou reservas, mas as datas e os atos formais de sua distribuição. Assim, deixam-se de reconhecer na empresa investidora os lucros e reservas gerados e não distribuídos”. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 109 2.1 PARTICIPAÇÕES EM OUTRAS EMPRESAS As participações em outras empresas são avaliadas pelo método de custo no seguinte caso: quando a participação no capital votante da investida for inferior a 20% desde que não tenha influência significativa. A influência significativa é conceituada de acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis em seu Pronunciamento Técnico CPC 18 da seguinte forma: Influência Significativa: é o poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida, sem controlar de forma individual ou conjunta essas políticas. Veja o que a Lei nº 11.638/2007 define sobre o termo influência significativa: Art. 243 [...] § 4º Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlá-la. § 5º É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlá-la. NOTA Portanto, uma vez que não haja uma participação de 20% ou mais na investida e que não haja influência significativa, o investimento será avaliado pelo método de custo. A CVM, na Instrução nº 469, de 02/05/08 e nota explicativa, se pronunciou sobre o assunto: A influência significativa introduzida pela nova redação do art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, é entendida pelas normas internacionais de contabilidade como o poder de participar nas decisões das políticas financeira e operacional da investida, sem, contudo, exercer o controle sobre tais políticas. São assim, evidências de influência significativa: 1) Participação nas suas deliberações sociais, inclusive com a existência de administradores comuns. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 110 2) Poder de eleger ou destituir um ou mais de seus administradores. 3) Volume relevante de transações, inclusive com o fornecimento de assistência técnica ou informações técnicas essenciais para as atividades da investidora. 4) Significativa dependência tecnológica e/ou econômico-financeira. 5) Recebimento permanente de informações contábeis detalhadas, bem como de planos de investimento. 6) Uso comum de recursos materiais, tecnológicos ou humanos. NOTA Mesmo que não haja participação em percentual na investida, desde que haja evidências de influência significativa, o investimento já não será avaliado pelo método de custo, mas, sim, pelo método de equivalência patrimonial. 2.2 NOTAS EXPLICATIVAS A Lei nº 6.404/76, em seu art. 176, § 5º, inciso IV, alínea b, menciona a obrigatoriedade do uso de notas explicativas para investimentos em outras sociedades quando significativos. Dessa forma, somente os investimentos avaliados pelo método de custo não teriam, diretamente, necessidade de evidenciação em notas explicativas. Entretanto, a própria Lei nº 6.404/76, sugere que sempre que uma informação puder contribuir à melhoria da compreensão das demonstrações contábeis da em presa, deverá ser adicionada em forma de notas. Dessa maneira, conforme Ribeiro (2005), com objetivo de detalhar as con- tas de investimentos (em outras sociedades, pelo mé todo de custo, e em outros investimentos), assim como as reversões de investimentos temporários para permanentes, recomenda-se o uso das notas explicativas. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 111 2.3 DIVIDENDOS OU LUCROS RECEBIDOS Os dividendos recebidos nos investimentos avaliados pelo método de custo têm um tratamento diferenciado de acordo com o tempo de aplicação. Se o investimento der algum retorno antes de seis meses de aquisição das ações ou quotas, esse retorno deve ser creditado da própria conta investimento. Porém, se o investimento der algum retorno após seis meses de aquisição das ações ou quotas, esse retorno deve ser creditado em outras receitas operacionais. Veja o exemplo a seguir: Em 01/02/2011, a empresa Sulform S/A aplicou $ 1.000 na empresa Magma S/A. Sabe-se que o investimento éavaliado pelo método de custo. Em 31/12/2011, a empresa Magma S/A anunciou a distribuição de dividendos aos seus investidores para ser pago somente em 31/03/2012, ou seja, somente três meses depois. Portanto, a empresa Sulform S/A terá o direito de receber a quantia de $ 100. Pergunta-se: de que forma a empresa Sulform S/A irá contabilizar esse ganho? Em que data? Somente em 31/03/2012 a empresa Sulform S/A fará o seguinte lançamento: Débito: Caixa $ 100 Credito: Outras Receitas Operacionais $ 100 NOTA Note que nos investimentos avaliados pelo método de custo o reconhecimento da variação desses ocorre somente na data do efetivo recebimento do ganho. Perceba também que desde a data da aquisição do investimento (01/02/2011) até o reconhecimento do ganho (31/12/2012) já se passaram mais de seis meses. Agora, suponha a seguinte situação: Em 01/02/2011, a empresa Sulform S/A aplicou $ 1.000 na empresa Magma S/A. Sabe-se que o investimento é avaliado pelo método de custo. Em 31/03/2011, a empresa Magma S/A anunciou a distribuição de dividendos aos seus investidores para serem pagos somente em 30/06/2011, ou seja, somente três meses depois. Portanto, a empresa Sulform S/A terá o direito de receber a quantia de $ 100. Pergunta-se: de que forma a empresa Sulform S/A irá contabilizar esse ganho? Em que data? UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 112 Somente em 30/06/2011 a empresa Sulform S/A fará o seguinte lançamento: Débito: Caixa $ 100 Credito: Investimento em Magma S/A $ 100 NOTA Perceba que deste a data da aquisição do investimento (01/02/2011) até o reconhecimento do ganho (30/06/2011), passaram-se menos de seis meses. Por esse motivo, a empresa Sulform S/A não reconhecerá em sua Demonstração do Resultado do Exercício o ganho de $ 100, apenas dá entrada no caixa e baixará a própria conta investimento. Nesse caso, uma vez que o reconhecimento do ganho se deu antes de seis meses, a empresa Sulform S/A passará a ter registrado em sua contabilidade um investimento na empresa Magma S/A de apenas $ 900. 3 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL O Método da Equivalência Patrimonial pode ser definido como método de atualização do investimento em controladas e coligadas e deve ser feito mensalmente, de acordo com o percentual de participação da investida na investidora sobre o patrimônio líquido da própria investida. De acordo com o CPC 18 é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente ajustado pelo reconhecimento da participação atribuída ao investidor nas alterações dos ativos líquidos da investida. O resultado do período do investidor deve incluir a parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida. Conforme Iudícibus et al. (2010), o conceito básico do método de equivalência patrimonial é fundamentado no fato de que o resultado e quaisquer outras variações patrimoniais da investida sejam reconhecidos na investidora no momento de sua geração na investida, independente dessa variação ser ou não distribuída. Veja a seguir o exemplo de método de equivalência patrimonial com base no modelo de Ribeiro (2005): Suponha-se que no Balanço Patrimonial da Empresa A, levantado em 31/12/2009, conste no Ativo Não Circulante um investimento no valor de $ 240.000, no capital da Com panhia B. Vamos assumir que a participação de A no capital de B corresponda a 40%. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 113 Suponha-se, agora, que em 31/12/2010, no Balanço Patrimonial de B, constem as seguintes contas e valores: Patrimônio Líquido Capital 600.000 Reserva de lucros 300.000 Total 900.000 Portanto, ao apurar os seus resultados em 31/12/2010, a investidora (Empresa A) deverá atualizar o valor do seu investimento na investida (Empresa B), em decorrência da variação ocorrida no Patrimônio Líquido dessa, para que o valor do investimento constante do Ativo Não Circulante de A continue a equivaler a 40% do Patrimônio Líquido de B. O cálculo para fins de atualização do investimento é simples: como a participação de A em B corresponde a 40% do capital de B, pode-se concluir então: 40% de $ 900.000 = $ 360.000 Esse valor encontrado, pela aplicação do percentual de participação no valor do Patrimônio Líquido de B, que foi igual a $ 360.000, corresponde ao valor atualizado do investimento de A em B, que deverá figurar no Balanço Patrimonial de A. Para apurar o valor da variação: Valor do Investimento Atualizado (40% do PL atual de B) 360.000 (-) Valor Original do Investimento (240.000) = Valor da Correção 120.000 Contabilização: D - Investimentos na Coligada B 120.000 C - Receitas de Participações Societárias 120.000 Essa contabilização de $ 120.000 corresponde à atualização do investimento de A em B de acordo com o método de equivalência patrimonial. Note que a conta Investimentos foi debitada em $ 120.000, onde consequentemente aumentará seu saldo no Balanço da investidora em 31/12/2010, resultando num valor total de $ 360.000 que equivale a 40% do Patrimônio Líquido de B. Já o crédito também no valor de $ 120.000 corresponde a uma receita de participação societária a ser reconhecida na demonstração de resultado do exercício como sendo outras receitas operacionais. Se por acaso ocorrer prejuízo, ou seja, redução no valor do Patrimônio Líquido da investida, o registro contábil da atualização do Investimen to seria esse: D - Despesas em Participações Societárias a Investimentos UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 114 C - Redução do Investimento que se processa pela aplicação do Método da Equivalência etc. NOTA Tanto o resultado positivo como o negativo de equivalência patrimonial que afetam o resultado da empresa não devem influenciar no cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que no caso de receita deverá ser excluído e, no caso de despesa, deverá ser adicionado para o cálculo desses impostos. Também não afetarão o cálculo do PIS e COFINS. E na tributação das empresas optantes do Simples Nacional. Esse resultado de equivalência patrimonial não será tributado na investidora pelo fato de já ser tributado originalmente na investida. De acordo com Ribeiro (2005), o procedimento normal das empresas, ao apurar o resultado do exercício, é efetuar os cálculos e a contabilização das destinações do Lucro Líquido do Exercício. Essas destinações, nas sociedades, por ações e nas cooperativas ficarão, respectivamente, sujeitas à aprovação dos acionistas e associados em assembleia a ser realizada após a apuração do resultado e elaboração das demonstra ções contábeis. Basicamente, as destinações do resultado do exercício são as seguintes: constituição de reservas (predefinidas ou não em estatuto); compensação de prejuízos acumulados, apurados em exercícios anteriores; aumento de capital; distribuição aos investidores. Conforme a NBC T1, a constituição de reservas é, às vezes, já definida em estatuto ou por lei para dar à entidade e seus credores uma margem maior de proteção contra os efeitos de prejuízos que possam vir a acontecer. Outras reservas podem ser constituídas em atendimento a leis que concedam isenções ou reduções nos impostos a pagar quando são feitas transferências para tais reservas. A existência e o valor de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações que podem ser importantes para a tomada de decisão dos usuários. As transferências para tais reservas são apropriações de lucros acumulados, portanto não constituem despesas, uma vez que seus saldos são compostos porlucros já tributados. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 115 Das destinações apresentadas anteriormente somente a distribuição de lucros será configurada fora do patrimônio líquido da empresa, geralmente no passivo circulante. Portanto, as demais destinações apenas serão reconhecidas em outras contas, mas dentro do patrimônio líquido. De acordo com Ribeiro (2005), é preciso, ao efetuar os cálculos para o fim de aplicar a avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, verificar se a investida efetuou a contabilização de lucros a distribuir, cujo valor deve ser adicionado ao PL da investida para fins de cálculo, uma vez que estes já estariam evidenciados no passivo circulante. Quando então, nesses casos em que a investida já reconhece parte do resultado do exercício como uma obrigação a ser paga aos investidores, a investidora poderá optar em contabilizar a parte referente aos lucros a receber a débito da própria conta que registra o Investimento, ou a débito da conta Lucros a Receber, do Ativo Circulante, uma vez que já se conhece o valor distribuído. A contabilização dessa opção poderia ser evidenciada por meio do exemplo anterior, em que a investidora reconheceu por meio de equivalência patrimonial um resultado positivo de $ 120.000, supondo que, desses $ 120.000 de lucro, $ 40.000 seriam distribuídos como forma de dividendos. Então, a investidora poderia reconhecer essa variação do investimento por duas formas: 1 – Reconhecer integralmente o valor do investimento: D – Investimentos na Coligada B 120.000 C – Receitas de Participações Societárias 120.000 Onde que, no momento da cobrança desses dividendos a receber faria o seguinte lançamento: D – Caixa/Bancos 40.000 C – Investimentos na Coligada B 40.000 2 – Reconhecer parcialmente o valor do investimento e já reconhecer o valor dos dividendos a receber: D – Investimentos na Coligada B 80.000 D – Dividendos a Receber 40.000 C – Receitas de Participações Societárias 120.000 Em que, no momento da cobrança desses dividendos a receber faria o seguinte lançamento: D – Caixa/Bancos 40.000 C – Dividendos a Receber 40.000 UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 116 NOTA Toda a vez que se paga ao investidor o resultado obtido pelo investimento, tal investimento se descapitaliza. Note nos exemplos que o reconhecimento de dividendos a receber ou seu pagamento reduzem o valor do investimento. 3.1 ASPECTOS LEGAIS Os principais documentos que tratam da avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial são: art. 248 da Lei n° 11.638/2007; art. 384 a 391 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99); e art. 1º a 20 da INSTRUÇÃO CVM nº 247, de 27 de março de 1996; Pronunciamento Técnico CPC 18 – Investimento em Controlada e Coligada. 3.2 MÉTODO DO CUSTO X MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA Tanto o método de custo como o método de equivalência são utilizados para registrar investimentos no capital de outras empresas. Conforme enunciado na Lei 11.638/2007, no método de equivalência os investimentos serão registrados da seguinte forma: Art. 248 No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: I – o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta lei, na mesma data, ou até sessenta dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 117 II – o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III – a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente, somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; se no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do curso de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. Porém, conforme enunciado na Lei nº 11.638/2007, os demais valores do ativo serão registrados da seguinte forma: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização. Assim, Ribeiro (2005, p. 95) comenta que: A grande vantagem da aplicação do Método da Equivalência Patrimonial, princi palmente para aqueles que aplicam recursos financeiros no mercado de capitais, por intermédio das Bolsas de Valores ou diretamente na subscrição de capital de outras empresas, está no reconhecimento dos resultados auferidos pelas investidas, no mo mento em que eles são apurados, passando a integrar os resultados da investidora, independentemente de ocorrer ou não a distribuição de dividendos pelas investidas. Dessa forma, nos investimentos avaliados pelo método de custo os resultados obtidos pela variação destes somente serão reconhecidos pela investidora em sua Demonstração do Resultado do Exercício por ocasião da distribuição e/ou do recebimento dos dividendos. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 118 Por sua vez, nos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial, os resultados obtidos pela variação destes investimentos serão reconhecidos pela investidora em sua Demonstração do Resultado do Exercício por ocasião da variação ocorrida no Patrimônio Líquido das empresas investidas, mantendo constantemente o valor dos investimentos equivalentes ao percentual de participação no capital das empresas controladas, coligadas e de suas equiparadas. 3.3 QUEM DEVE APLICAR A EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Indiferente da forma de tributação, lucro presumido, lucro real ou simples nacional, e de sua natureza societária, Limitada ou Sociedade por Ações, todas as empresas devem aplicar o método de equivalência patrimonial, desde que possuírem influência significativa ou possuírem investimentos em coligadas ou controladas. NOTA As empresas que possuírem, na data do balanço, investimentos permanentes em coligadas, suas equiparadas e em controladas, ou com influência significativa, localizadas no país e no exterior devem aplicar o método de equivalência patrimonial. Ribeiro (2005) comenta que, para saber quais Investimentos estarão sujeitos à avaliação pelo MEP, é preciso inicialmente conhecer o que são empresascoligadas, quais empresas são equiparadas às coligadas, o que são em presas controladas, o que significa influência significativa, além de outros conceitos. As sociedades que estejam sob controle comum também são obrigadas a atualizar seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial. De acordo com Perez e Oliveira (2010), o controle comum está diretamente relacionado à essência econômica da entidade contábil e, como tal, deve ser entendida. A dimensão econômica da entidade é delimitada como o conjunto de entes, ainda que juridicamente distintos, que estejam em um mesmo grupo ou que seu controle seja exercido por um mesmo ente ou conjunto de entes. Veja o exemplo a seguir: 1) A companhia XYZ controla as companhias A, B e C. 2) A companhia A é uma companhia aberta e participa com 5% (indiferente a participação aqui) do capital votante das companhias B e C. 3) Assim, a companhia A avaliará os investimentos em B e C pelo método da equivalência patrimonial, já que todas estão sob o controle comum de XYZ. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 119 3.3.1 Coligadas São coligadas as sociedades quando uma participa, com 20% ou mais, do capital votante da outra, sem controlá-la ou quando haja influência significativa. Lembrando que o conceito de influência significativa foi explanado no item 2.1 desta unidade. O CPC 18 define o termo coligada como sendo uma entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma parceria, sobre a qual o investidor tem influência significativa e que não se configura como controlada ou participação em empreendimento sob controle conjunto (joint venture). Pode acontecer que em determinado período, a participação na investida fique em menos do que 20%. Esse fato geralmente ocorre pelos seguintes motivos: 1 – aumento do valor do patrimônio líquido da investida decorrente da chamada de capital sem que a investidora subscreva o aumento; 2 – redução do valor contábil do investimento. Nesses casos, conforme Ribeiro (2005), as empresas deverão observar a Instrução CVM, que deter mina expressamente que elas continuarão avaliando aqueles investimentos pelo método da equivalência, quando a sua redução não for de caráter permanente. Caso a redução seja de caráter permanente não haveria mais a necessidade de avaliar o investimento por equivalência patrimonial. 3.3.2 Equiparadas às coligadas São equiparadas às coligadas quando uma participa indiretamente com 20% ou mais do capital votante da outra, sem controlá-la, por exemplo: A empresa A possui uma participação de 80% da empresa B. Por sua vez, a empresa B possui uma participação de 30% na empresa C sem controlá-la. Logo, pode-se concluir que: A é controladora de B, uma vez que possui 80% dessa (participação direta); C é coligada de B, uma vez que B possui uma participação de 30% na empresa C sem controlá-la. (Participação direta); C é equiparada a coligada de A, uma vez que A possui uma participação de 80% em B e B possui uma participação de 30% na empresa C sem controlá- la; logo, A participa indiretamente de C em 24% (80% x 30%) (Participação indireta). UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 120 Note que o resultado de participação indireta foi de 24%. Se o resultado fosse abaixo de 20% seria um investimento simples, avaliado pelo método de custo. UNI A participação no capital votante pode ser direta ou indiretamente através de participações em outras empresas. 3.3.3 Controladas De acordo com o CPC 18, considera-se controlada a entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma parceria, na qual a controladora, diretamente ou por meio de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Pode-se dizer também que são controladas: as subsidiárias integrais, as filiais, agências, sucursais, dependências ou escritórios de representação no exterior, sempre que os respectivos ativos e passivos não estejam incluídos na contabilidade da investidora, por força de normatização específica. 3.3.4 Variações no patrimônio líquido da investida Sempre quando o investimento for avaliado pelo método de equivalência patrimonial é preciso analisar as variações ocorridas no patrimônio líquido total da investida, mesmo que a participação seja pelo capital votante. As variações no patrimônio líquido podem ocorrer por diversos motivos, para mais ou para menos. Dentre os principais, destacam-se: a) redução decorrente de: prejuízos apurados pela empresa; ajustes de exercícios anteriores; retirada de sócios, acionistas ou associados; distribuição de lucros ou sobras; ajustes de avaliação patrimonial. b) aumento decorrente de: lucros apurados pela empresa; ajustes de exercícios anteriores; entrada de sócios, acionistas ou associados; TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 121 reavaliações; ajustes de avaliação patrimonial. As variações do patrimônio líquido na investida refletem contabilmente na investidora em seu ativo no grupo investimentos e na demonstração do resultado do exercício em outras receitas ou despesas operacionais. Quando as variações no patrimônio líquido da investida decorrem de ajustes de avaliação patrimonial ou reavaliações, tais variações deverão ser registradas no grupo investimentos também, porém, numa conta específica denominada ágio ou deságio, que será reconhecida logo abaixo da conta investimentos. Veja o modelo a seguir: ATIVO ATIVO NÃO CIRCULANTE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO MEP Investimento em empresa X Ágio por reavaliação em empresa X Ágio por ajuste de avaliação patrimonial em empresa X (-) Deságio por ajuste de avaliação patrimonial em empresa X 3.4 AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS COM ÁGIO OU DESÁGIO Quando na aquisição de investimentos o valor pago difere do valor apurado por equivalência patrimonial, então se entende que há a figura do ágio ou deságio. O valor pago pode ser considerado o custo de aquisição e, por sua vez, a equivalência patrimonial, como já visto nesta unidade, pode ser considerada como sendo o percentual de participação da investida na investidora sobre o patrimônio líquido da própria investida. Para fins contábeis, a Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu art. 13, descreve o seguinte: Art. 13 Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: I – equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do art. 10; e II – ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 122 Assim, o valor da equivalência patrimonial deve recair numa conta específica denominada Investimento, no grupo Investimentos, Ativo Não Circulante. Já as contas de ágio ou deságio devem ser contabilizadas em contas específicas, denominadas Ágio ou Deságio, mas também no grupo Investimentos, Ativo Não Circulante. Veja o exemplo a seguir, como base no modelo de Ribeiro (2005): A investidora Alfa adquiriu 60% das ações representativas do capital da investida Beta, a fim de controlá-la. Vamos assumir que a venda tenha sido fixada em função do Valor Patrimonial Contábil das ações, acrescido de ágio calculado pela diferençaentre o valor de mercado e o valor líquido contábil dos bens do Ativo Imobilizado da investida. O Patrimônio Líquido da investida, na data da transação estava assim evidenciado: PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital 200.000 Reservas de lucros 20.000 Total 220.000 Porém, a diferença entre o valor de mercado e o valor líquido contábil dos bens do ativo imobilizado foi igual a $ 60.000. Portanto, o valor patrimonial apurado contábil das ações: Patrimônio Líquido da investida 220.000 (+) Diferença entre o valor de mercado e o valor líquido contábil do Imobilizado 60.000 Patrimônio Líquido ajustado 280.000 Calculando a equivalência patrimonial: 60% de $ 280.000 = $ 168.000 Portanto, as ações representativas de 60% do capital da investida Beta foram vendidas para a investidora Alfa por $ 168.000. Perceba que o valor do patrimônio líquido da investida Beta aumentou em $ 60.000 decorrente a valorização de seus bens no ativo imobilizado que estavam subavaliados. Entretanto, essa valorização não ocorreu de fato nos registros contábeis, ou seja, foi apenas um levantamento gerencial, sem lançar débitos e créditos, porém, a investida Beta sabe que seus bens do imobilizado estariam valendo $ 60.000 a mais e, por isso, seu patrimônio líquido numa negociação poderia ser acrescido desse valor. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 123 NOTA Atualmente, de acordo com a Lei 11.638/2007, por se tratar de uma reorganização societária, nada impediria que a empresa Beta reconhecesse de fato essa valorização em sua contabilidade financeira, registrando os débitos e créditos necessários. Pois bem, uma vez que a investidora Alfa adquiriu 60% das ações representativas da empresa Beta, serão necessários os seguintes lançamentos para o registro contábil na investidora Alfa: Crédito Bancos Conta Movimento 168.000 (valor total pago) Débito Participação na Controlada Beta 132.000 * Débito Ágio por Diferença de Valor de Mercado 36.000 * (valor registrado por equivalência patrimonial, ou seja, $ 220.000 x 60%). Veja como o investimento será apresentado no Balanço Patrimonial da Investidora: ATIVO NÃO CIRCULANTE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Participação na empresa Beta 132.000 (+) Ágio por Diferença de Valor de Mercado 36.000 Total 168.000 Porém, suponha-se que a investidora tenha pagado, pelo mesmo investimento, a importância de $ 100.000 ao invés de $ 168.000, então os lançamentos contábeis seriam assim registrados: Crédito Bancos Conta Movimento 100.000 (valor total pago) Débito Participação na Controlada Beta 132.000 * Crédito Deságio por Diferença de Valor de Mercado 32.000 Veja como o Investimento seria então apresentado no Balanço Patrimonial da Investidora: ATIVO NÃO CIRCULANTE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Participação na empresa Beta 132.000 (-) Deságio por Diferença de Valor de Mercado 32.000 Total 100.000 UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 124 Em relação a esse exemplo é preciso destacar que: as contas que registram o ágio são de natureza devedora; as contas que registram o deságio são de natureza credora, ou seja, são contas retificadoras do ativo; indiferente se a empresa tenha pago com ágio ou deságio, o valor do investimento será registrado pela equivalência patrimonial, portanto, indiferente do valor pago. Quanto à figura do ágio e deságio, Ribeiro (2005, p. 116) pontua que [...] cabe salientar que no momento em que a investidora aplicar recursos no capital de outras empresas (aquisição, quando adquire ações de empresa já existente, ou subscrição, quando constitui nova empresa ou subscreve aumento de capital em empresa já existente), poderá ou não ocorrer ágio ou deságio. Um exemplo de aplicação sem ágio ou deságio ocorre quando a investidora constitui sozinha ou com outras empresas o capital de uma coligada e/ou controlada. Nesse caso, no momento da constituição do capital subscrito pela investidora, não haverá variação entre o valor investido e o valor do Patrimônio Líquido da investida. Nos demais casos, que não sejam constituição de empresas, mas, sim, aquisições de coligadas e/ou controladas, será necessário calcular a equivalência patrimonial para o possível registro do ágio ou deságio. 3.4.1 Fundamento econômico do ágio e do deságio A Instrução 247/1996 da CVM, em seu art. 14, descreve o seguinte: Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. Os dois fundamentos econômicos que fundamentam o ágio ou deságio são esses: a) Diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de ativos da investida. Esse fundamento refere-se à diferença a maior ou a menor entre o valor de mercado e o valor líquido contábil dos bens do Ativo Circulante ou Não Circulante. b) Diferença entre o valor pago e o valor de mercado dos ativos da investida. Esse fundamento refere-se à expectativa de ganhos futuros sobre a investida, ou seja, os possíveis lucros projetados. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 125 Ribeiro (2005) destaca que a conta de Investimento deve ser detalhada em notas explicativas quanto aos seus três componentes (se existirem): valor patrimonial da participação da controladora no valor contábil do patrimônio líquido da controlada adquirida, ou seja, o valor do investimento por equivalência patrimonial; valor da mais-valia dos ativos líquidos adquiridos atribuída à controladora, ou seja, o fundamento “a”; e ágio por rentabilidade futura (goodwill) atribuído à controladora, ou seja, o fundamento “b”. NOTA O ágio só é classificado no subgrupo de intangíveis no balanço consolidado, conforme NBC T19.8 – Ativo Intangível, nunca no balanço individual, onde permanece no subgrupo de Investimentos. 3.4.2 Amortização do ágio e deságio A amortização do ágio e deságio acontecerá de acordo com o fundamento econômico que os originaram. A Instrução 247/1996 da CVM, em seu art. 14, descreve o seguinte quanto ao fundamento “a”: § 1º O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil, deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciação, amortização, exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. Portanto, nesse caso, se os bens que originam o ágio ou deságio tiverem uma vida útil de 120 meses, tanto o ágio como o deságio será amortizado também em 120 meses. Porém, se caso tais bens fossem vendidos, a baixa do ágio ou deságio se daria totalmente pela data da venda dos referidos bens. Já quanto ao fundamento “b”, a Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu art. 14, descreve o seguinte: § 2º O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada, deverá ser amortizado da seguinte forma. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 126 a) o ágio ou o deságio decorrente de expectativa de resultado futuro no prazo, extensão e proporção dos resultados projetados, ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento,devendo os resultados projetados serem objeto de verificação anual, a fim de que sejam revisados os critérios utilizados para amortização ou registrada a baixa integral do ágio. Portanto, o ágio ou o deságio decorrente de expectativa de resultado futuro deve ser amortizado conforme esse resultado for acontecendo. Por exemplo, se a investidora projetar um resultado futuro de 8 anos, o ágio ou deságio deverá ser amortizado em até 96 meses. b) o ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público no prazo estimado ou contratado de utilização, de vigência ou de perda de substância econômica, ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento. § 3º O prazo máximo para amortização do ágio previsto na letra “a” do parágrafo anterior não poderá exceder a dez anos; § 4º Quando houver deságio não justificado pelos fundamentos econômicos previstos nos parágrafos 1º e 2º, a sua amortização somente poderá ser contabilizada em caso de baixa por alienação ou perecimento do investimento. Portanto, no caso do deságio não justificado, este ficará registrado na investidora até que a mesma se desfaça do investimento na investida. § 5º O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos, previstos nos parágrafos 1º e 2º, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exercício, esclarecendo-se em nota explicativa as razões da sua existência. Já o ágio não justificado deve ser reconhecido como perda, ao contrário que acontece com o deságio não justificado, uma vez que esse ficaria registrado no ativo. Ribeiro (2005, p. 119) destaca que E importante salientar, também, que a conta que registra o Ágio é de natureza deve dora, gerando, portanto, no momento da amortização, uma despesa para a investidora, despesa essa integrante do grupo das “Outras Despesas Operacionais”, subgrupo “Des pesas com Participações Societárias”, podendo ser intitulada de “Amortização de ágios”. Porém, observe que a conta que registra o Deságio é de natureza credora, logo, sua amortização gerará para a investidora uma receita que também deve ser contabilizada conta do grupo das “Outras Receitas Operacionais”, subgrupo “Receitas de Participações Societárias”, podendo ser intitulada de “Amortização de Deságios”. TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 127 Essas contas explicam o porquê do registro do ágio não justificado como perda e do deságio não justificado como ativo. O ágio representa uma perda, uma despesa, o deságio, representa um ganho, uma receita. Assim, contabilmente, é necessário o mínimo de conservadorismo, ou seja, é preciso antecipar as perdas, mas não os lucros. 3.5 LUCRO OU PREJUÍZO NÃO REALIZADO Geralmente entre investidoras e investidas ocorrem transações de compra e venda de ativos, tais como: mercadorias, investimentos, bens do ativo imobilizado etc. Nessas operações é comum a geração de lucro ou prejuízo, que podem ser considerados como lucros ou prejuízos não realizados. A Instrução nº 247/1996 da CVM, em seu art. 9, descreve o seguinte: Art. 9º O valor do investimento, pelo método da equivalência patrimonial, será obtido mediante o seguinte cálculo: I – Aplicando-se a porcentagem de participação no capital social sobre o valor do patrimônio líquido da coligada e da controlada; e II – Subtraindo-se, do montante de lucros não realizados. §1º Para os efeitos do inciso II deste artigo, serão considerados lucros não realizados aqueles decorrentes de negócios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando: a) o lucro estiver incluído no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por inclusão no custo de aquisição de ativos de qualquer natureza no balanço patrimonial da investidora; ou b) o lucro estiver incluído no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por inclusão no custo de aquisição de ativos de qualquer natureza no balanço patrimonial de outras coligadas e controladas. ESTUDOS FU TUROS A definição de lucros ou prejuízos não realizados será também analisada na Unidade 3. No tópico em que envolvemos a Consolidação das Demonstrações Contábeis fica mais fácil de compreender a figura dos lucros não realizados quanto se trata de consolidação. UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 128 Considere o seguinte exemplo: a investida Albatroz vendeu mercadorias por $ 100 a sua investidora Almeida. Sabe-se que a mercadoria custou para a investida o valor de $ 70, portanto, gerando um lucro na operação de $ 30. Esse lucro de $ 30 pode ser considerado um lucro não realizado, uma vez que foi uma transação inter companhias e que deve ser excluído do processo de equivalência patrimonial. Considere ainda que: Resultado da investida no exercício (resultado na DRE) $ 200 Participação da investidora no capital social da investida 40% Equivalência patrimonial antes do ajuste em decorrência de lucros não realizados $ 80 Menos: lucro não realizado de operações intercompanhias ($ 30) Resultado da equivalência patrimonial registrado como receita $ 50 Perceba que 100% dos lucros não realizados foram expurgados do cálculo de equivalência patrimonial, mesmo que a participação da investidora na investida seja de apenas 30%. Esse procedimento se faz necessário uma vez que 100% do lucro de $ 30 foi intercompanhias. Porém, caso a investidora venha a revender tais mercadorias a terceiros, então não haveria mais lucros não realizados, mas, sim, apenas lucros realizados, uma vez que tais mercadorias já não estariam sob propriedade da investidora. Para um melhor entendimento de tal conceito, Perez e Oliveira (2010, p. 50) comentam “[...] que as diversas empresas que constituem um grupo econômico devem ser vistas como se fossem uma ‘única entidade’, sendo impor tante, portanto, considerar somente os resultados efetivamente realizados nas operações comerciais com terceiros, ou seja, com as empresas que não pertençam ao grupo”. Perez e Oliveira (2010, p. 57) apresentam o seguinte exemplo de lucros não realizados: A controlada B vendeu à investidora A, durante o exercício de 2011, o total de $ 3.000 de matérias-primas, as quais custaram $ 1.700. Consequentemente, a controlada B registrou: $ Vendas no exercício 3.000 (-) Custo das vendas, incluindo os tributos (1.700) Lucro - Margem de 43,3% das vendas 1.300 TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 129 A investidora A, por ocasião do encerramento do exercício, constatou que do total das compras de $ 3.000, permaneciam em estoques, como matérias- primas, produtos em elaboração ou incorporadas aos produtos acabados, o saldo de $ 400. Com base nessas informações, o lucro final da controlada B deve ser ajustado em $ 173,20, correspondente ao lucro não realizado, obtido da seguinte maneira: Saldo das matérias-primas adquiridas da controlada $ 400 Margem de rentabilidade da controlada 43,3% Lucro não realizado $ 173,20 UNI Caro/a acadêmico/a! Para aprofundar os seus conteúdos, sugerimos a Leitura Complementar do texto a seguir de parte do Artigo de Ariovaldo dos Santos (2007), originalmente publicado no sexto Congresso USP de Controladoria e Contabilidade 2006. A partir dele, você compreenderá um pouco mais sobre o surgimento dos juros sobre capital próprio no Brasil. LEITURA COMPLEMENTAR QUEM ESTÁ PAGANDO JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO NO BRASIL? 1994 foi um ano em que mais um plano econômico foi colocado em prática. Tratava-se do Plano Real que, ao contrário dos outros planos implantados a partir dos anos oitenta, não vinha com congelamentos de preços, tablitas, confiscos de contas correntes e poupanças,controle de preços etc. Sua implantação foi realizada em duas fases distintas. A primeira delas ocorreu com a criação da Unidade Real de Valor – URV a partir de março. Nessa fase, todos os valores da economia e dos contratos que estavam em vigor naquele instante foram transformados nesse novo índice da economia. Convém lembrar que a URV não era uma nova moeda, mas, sim, uma espécie de índice que foi utilizado como conversor da moeda. A segunda fase do Plano Real veio com a transformação da moeda e isso ocorreu em julho de 1994. Independentemente das análises, contrárias ou favoráveis, que se possa fazer dos resultados deste plano, uma coisa é indiscutível: nossos níveis de inflação tiveram reduções bastante significativas e muito mais UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 130 duradouras do que os atingidos em planos anteriores. Em junho de 1994, a taxa de inflação mensal chegava à casa dos 50%, enquanto no segundo semestre desse ano a média mensal foi de 2,9%. Outro dado que não pode ser esquecido é que essa variação de preços do segundo semestre de 1994 estava contaminada por parte das variações de preços de maio e junho, refletidas somente nos meses subsequentes. Isso significa que o país voltava a experimentar taxas de inflação que havia vivido no final dos anos 1960 e início dos anos 1970. No primeiro semestre de 1995, esse índice médio mensal foi de 1,7%. Óbvio que um índice de 1,7% de inflação mensal pode ser considerado extremamente alto, mas para um país que tinha vivido os últimos 25 anos com taxas médias sempre muito mais elevadas do que essa, os resultados podiam ser considerados como muito bons. A lógica central do Plano Real fundamentou-se no ataque ao que se convencionou chamar de inflação inercial e proibiu as atualizações monetárias automáticas de todos os tipos de contratos, inclusive os de aluguéis e de trabalho. Após mais de uma década de sua implantação, o Plano Real demonstrou ser bastante eficaz no combate à inflação. Porém, deve-se ressalvar que, mesmo com todos os méritos que o Plano Real possa ter demonstrado, uma coisa é certa, a inflação foi bastante reduzida, mas não eliminada. Em 31 de agosto de 1995, o Ministro da Fazenda encaminhou a Exposição de Motivos no 325/MF relativa a Projeto de Lei que, posteriormente, foi transformada na Lei nº 9.249/95. O item 2 da referida Exposição de Motivos afirma: A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. Mesmo não tendo eliminado completamente o processo inflacionário, em dezembro de 1995, com o objetivo de suprimir de vez a cultura da memória inflacionária, foi editada a Lei 9.249, com vigência a partir de janeiro de 1996, que em seus arts. 4º e 5º determina: Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Parágrafo único. Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários. Como se percebe do texto legal, a proibição de utilização de sistemas que possam considerar os efeitos da inflação não é restrita a aspectos fiscais, mas inclui também os aspectos societários. Isso significa que a perda do poder de compra da moeda não só não deve ser considerada no cálculo dos impostos TÓPICO 2 | AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 131 (imposto de renda da pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro), como também para efeito dos dividendos. Dessa forma, a legislação impediu qualquer possibilidade de as empresas buscarem, através de suas assembleias de acionistas, mecanismos legais para cálculo e pagamento de dividendos a partir de resultados que considerem os efeitos da perda de poder aquisitivo da moeda. Outra grande novidade, do ponto de vista fiscal, incluída nessa Lei nº 9.249/95, foi a criação da possibilidade de as empresas passarem a remunerar, através do pagamento de juros, como despesas dedutíveis para o cálculo do imposto de renda e da contribuição social, o capital dos acionistas. A faculdade desse pagamento está prevista no art. 9º que prevê: A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. Na fundamentação para a introdução dessa nova forma de remunerar o acionista, o Ministro da Fazenda, no item 10 de sua Exposição de Motivos, justificou: “Com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos do capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos ao acionista, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”. (BRASIL, Lei nº 9.430). Deve-se ressalvar que, apesar de sua difusão no Brasil ter acontecido a partir da Lei nº 9.249/95, a figura dos juros sobre o Capital no Brasil já havia sido incluída na Lei nº 6.404/76. Referida Lei, em seu art. 179, prevê o seguinte: As contas serão classificadas do seguinte modo: I – [...] V – no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Como se pode perceber desse texto legal, a permissão para a contabilização de remuneração atribuída aos acionistas a título de juros estava restrita aos valores pagos no período que antecedesse ao início das operações. Tal possibilidade acabava por abranger apenas investimentos que tivessem prazos de maturação mais longos e isso, praticamente, restringia a utilização desses “juros” às UNIDADE 2 | JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS E SOCIEDADES CONTROLADORAS, CONTROLADAS E COLIGADAS 132 empresas concessionárias de serviços públicos, mais especificamente aquelas que desenvolviam suas operações nas aéreas de energia elétrica, saneamento básico e telecomunicações. Em trabalho publicado sobre a história dos juros sobre o capital próprio, quando da apresentação de suas conclusões, Martins afirma: A figura dos juros sobre o Capital Próprio veio para tentar reduzir uma iniquidade fiscal muito séria criada com a extinção da correção monetária dos balanços. Não se trata de uma benesse ou de uma liberalidade gratuita por parte do Governo, mas de uma tentativa (razoavelmente bem sucedida, reconheça-se) de redução dessa iniquidade comentada. (MARTINS, 2004, p. 6). FONTE: Adaptado de: SANTOS, Ariovaldo dos. Quem está pagando juros sobre capital próprio no Brasil? Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/30anos/ariovaldo_ pg33a44.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2011. 133 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, analisamos a avaliação de investimentos simples os quais são avaliados contabilmente pelo método de custo. Analisaremos também os investimentos permanentes, avaliados contabilmente pelo método de equivalência patrimonial. Conhecemos as principais diferenças entre sociedades coligadas, controladas e controladoras, além da figura do ágio e deságioem sua fundamentação pela aquisição de investimentos. Vimos a relação da influência significativa conforme enunciado pela Lei nº 11.638/2007, além da obrigatoriedade ou não da equivalência patrimonial. 134 AUTOATIVIDADE 1 A Companhia Investidora ABC adquire ações da investida DEF. O investimento é significativo e realizado em empresa controlada. Sabe-se que o Patrimônio Líquido da investida é de R$ 800.000,00 e que a Investidora ABC adquire 60% de suas ações, pagando à vista R$ 500.000,00. O lança mento correto do fato acima na investidora será: a) ( ) D – Investimento em Controladas C – Caixa 500.000,00 b) ( ) D – Investimentos em Controladas C – Caixa 480.000,00 c) ( ) C – Caixa 500.000,00 D – Investimentos em Controladas 480.000,00 D – Ágio em Investimentos 20.000,00 d) ( ) C – Investimentos em Controladas 500.000,00 D – Caixa 480.000,00 C – Deságio em Investimentos 20.000,00 2 A controladora Cia. Andressa possui 60% do Capital votante de uma empresa con trolada. O investimento está registrado na contabilidade da investidora por R$ 3.000,00. Se o patrimônio líquido da investida estiver representado por: Capital Social Reservas Prejuízos acumulados R$ 3.000,00 R$ 2.000,00 R$ (1.000,00) Total R$ 4.000,00 O lançamento contábil da Equivalência na investidora será: a) ( ) D – investimentos em Coligadas e Controladas C – Ganhos de Investimentos 600,00 b) ( ) D – Resultado Negativo na Equivalência Patrimonial C – Investimento em Coligadas e Controladas 600,00 c) ( ) D – Investimento em Coligadas e Controladas C – Perdas de Investimentos 600,00 d) ( ) D – Investimentos em Coligadas e Controladas C – Resultado Positivo na Equivalência Patrimonial 600,00 135 3 Na Cia. Clélia, cujo exercício social coincide com o ano-calendário, o Balancete de Verificação em 31/12/X1, antes da avaliação dos investimen tos significativos e influentes, apresentava, entre outros, os seguintes saldos: Investimentos Significativos em Controladas: R$ Companhia Isa 180.000,00 Companhia Cláudia 120.000,00 Os Patrimônios Líquidos das empresas controladas, cujos exercícios sociais também coincidem com o ano-calendário, totalizavam, nos Ba lanços Patrimoniais levantados em 31/12/X1, respectivamente R$ 350.000,00 e R$ 200.000,00, ambos positivos. Informações adicionais: as empresas controladas não distribuíram dividendos no ano-base de X1; os saldos indicados no Balancete de Verificação citado são idênticos ao do Balanço Patrimonial de 31/12/X0; Participações da investidora no Capital Votante das Controladas em 31/12/ X0 e 31/12/X1: Companhia Isa 60% Companhia Cláudia 70% A contabilização correta, a ser efetuada em 31/12/X1, pela investidora é: a) ( ) D – Resultado Positivo na Equivalência Patrimonial 50.000,00 C – Participação na Cia. Isa 30.000,00 C – Participação na Cia. Cláudia 20.000,00; b) ( ) C – Resultado Negativo em Participações Societárias 250.000,00 D – Participação na Cia. Isa 170.000,00 D – Participação na Cia. Cláudia 80.000,00; c) ( ) C – Resultado Positivo em Participações Societárias 50.000,00 D – Participação na Cia. Isa 30.000,00 D – Participação na Cia. Cláudia 20.000,00; d) ( ) C – Resultado Negativo em Participações Societárias 50.000,00 D – Participação na Cia. Isa 20.000,00 D – Participação na Cia. Cláudia 30.000,00. Utilize as informações a seguir para responder às questões de nº 7 a 10: No início do exercício, a Cia. Investidora adquiriu 30% do Capital Votante da Cia. Investida, que era representado unicamente pela Conta Capital, no valor de R$ 300 mil, sabendo-se que: a aquisição foi realizada por R$ 90 mil; que a Cia. Investida é coligada da Investidora e este investimento é considerado significativo; que o Lucro Líquido do período da Investida foi de R$ 100 mil. 136 4 Pode-se indicar por quanto estará avaliado o investimento no Balanço Patrimonial da Cia. Investidora, no final do período (em R$ mil): a) ( ) 150 b) ( ) 120 c) ( ) 90 d) ( ) 60 5 Na Demonstração do Resultado do Exercício da Cia. Investidora, aparecerá, como Resultado de Equivalência Patrimonial, uma receita (em R$) de (considerados os dados da questão anterior): a) ( ) 30 mil b) ( ) 60 mil c) ( ) 100 mil d) ( ) 200 mil 6 Se após os lançamentos contábeis de ajustes do Investimento na Cia. Investidora, a Cia. Investida distribuir R$ 50 mil de dividendos, a Investidora fará o seguinte lançamento contábil: a) ( ) D – Caixa C – Dividendos 15.000,00 b) ( ) D – Caixa C – Receita 15.000,00 c) ( ) D – Caixa C – Investimento 15.000,00 d) ( ) D – Caixa C – Lucro 15.000,00 7 Se a investidora tivesse pago R$ 100 mil pelas ações da Investida, o lançamento contábil seria (supondo-se pagamento à vista em dinheiro): a) ( ) D – Caixa C – Investimentos 100.000,00 b) ( ) C – Ágio 100.000,00 D – Caixa 10.000,00 D – Investimentos 90.000,00 c) ( ) D – Ágio 90.000,00 C – Caixa 100.000,00 D – Investimentos 10.000,00 137 d) ( ) D – Ágio 10.000,00 C – Caixa 100.000,00 D – Investimentos 90.000,00 8 De acordo com a Instrução CVM nº 247/96, qual seria o resultado da equivalência patrimonial a ser registrada, contabilmente, por uma controladora que dispusesse dos seguintes dados? Património Líquido da Controlada R$ 1.600,00 % Participação 70% Lucros Realizados R$ 200,00 Lucros não realizados entre a Controlada e a Controladora R$ 300,00 Valor Contábil do Investimento R$ 720,00 a) ( ) R$ 190,00 b) ( ) R$ 253,00 c) ( ) R$ 100,00 d) ( ) R$ 400,00 9 Preencha a tabela a seguir com: Controlada, Coligada, Equiparada a Coligada ou Investimento simples avaliado pelo método de custo. % da investidora na Preponderância nas deliberações Tipo de relacionamento? Investida B 5% Sim Investida C 22% Não Investida D 9% Não Investida E 15% Sim Investida F 21% indiretamente Não 10 O que se pode afirmar da empresa A em relação à empresa C? Empresa A Empresa B Empresa C Terceiros 70% 40% 20% 40% 138 11 A entidade ABC adquire, em fevereiro de 2003, investimento representativo de 25% do capital votante da entidade XYZ, considerado significativo. Em agosto de 2003, por força de acordo de acionistas, passa a exercer o controle sobre a administração dessa entidade. A entidade ABC deve adotar o método de equivalência patrimonial para avaliação desse investimento a partir de: a) ( ) fevereiro de 2003. b) ( ) agosto de 2003. c) ( ) dezembro de 2003. d) ( ) janeiro de 2004. 12 A figura contábil do ágio pode ocorrer por origens e circunstâncias diversas, entre elas há expectativa: a) ( ) de rentabilidade futura da Participação Societária adquirida. b) ( ) das despesas futuras da Participação Societária adquirida. c) ( ) de o valor do Imobilizado Líquido da empresa investida tender a zero. d) ( ) de prejuízos futuros da Participação Societária adquirida. 13 Preencha a tabela abaixo: Equivalência ou Custo Valor do Investimento Capital Votante da investida Preponderância nas deliberações Método de avaliação? Empresa B 3.000 13.000 Não Empresa C 1.500 13.000Não Empresa D 1.500 5.000 Não Empresa E 500 5.000 Sim Empresa F 3.000 10.000 Sim Empresa G 500 10.000 Não 14 Com base nos dados e informações a seguir, proceda ao cálculo e à contabilização para atualizar o valor do investimento pelo Método de Equivalência Patrimonial na investidora em 31/12/X2: 1. Ativo Não Circulante da investidora em 31/12/X1: Investimentos Avaliados pela Equivalência Patrimonial Participação na Controlada C 70.000 2. Patrimônio Líquido da Controlada C em 31/12/X1: Capital 100.000 3. Patrimônio Líquido da Controlada C em 31/12/X2: Capital 100.000 Lucros acumulados 50.000 Total 150.000 139 Informações complementares: A participação da investidora na controlada equivale a 70% do capital da investida. Expurgar do PL da investida Lucro não realizado no valor de $ 10.000, decorrente de Lucro auferido pela investida em vendas para a investidora. 15 A Cia. Significativo avaliará seu investimento em sua controlada, a Cia. Alfa, pelo método de Equivalência Patrimonial. A participação no capital votante da Cia. Alfa é de 20%. Momento X1 Cia. Significativo ATIVO Investimentos Part. na Cia. Cia. Alfa 100.000 Cia. Alfa PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital 400.000 Reserva Capital 100.000 Total 500.000 Momento X2 A Cia. Alfa obteve um Lucro Líquido de $ 150.000. Momento X3: A Cia. Cia. Alfa distribuiu $ 50.000 em dividendos. Momento X4: A Cia. Cia. Alfa reavalia seu Ativo em $ 200.000 e consequentemente aumenta o seu Patrimônio Líquido com Reservas de Reavaliação em $ 200.000. O valor da conta "Investimento/Participação na Cia. Alfa”, da Cia. Significativo, no momento X4, será de: a) ( ) $ 210.000 b) ( ) $ 200.000 c) ( ) $170.000 d) ( ) $160.000 16 A Nossa Firma de Comércio S/A comprou, à vista, por R$ 18.000,00, ações equivalentes a 40% do capital votante da Cia. Sideral de Indústria. Essa empresa tem um Patrimônio Líquido formado de: Capital Social R$ 40.000,00 Reservas de Capital R$ 12.000,00 Reservas de Lucros R$ 8.000,00 140 O investimento é significativo e deverá ser avaliado pelo Método da Equivalência Patrimonial para fins de balanço. Por ocasião da operação de compra acima descrita, a empresa investidora deverá efetuar o seguinte lançamento contábil: 17 Pelo Método da Equivalência Patrimonial os Investimentos têm seus valores atualizados, para mais ou para me nos, em decorrência de: a) ( ) variação ocorrida no Custo de aquisição em relação ao valor de mercado. b) ( ) variações para mais ou para menos no Patrimônio Líquido das investidas. c) ( ) variações para menos no valor patrimonial da ação da investidora. d) ( ) somente pelos lucros apurados nas investidoras. 18 Analise o seguinte lançamento no grupo “Despesas Operacionais”: D – Despesas de Participações Societárias C – Participação na Coligada B. Esse lançamento registra: a) ( ) o lucro auferido pela investida. b) ( ) a diminuição do Ativo Circulante da Investidora. c) ( ) o Prejuízo apurado pela investida em decorrência de aumento de Capital. d) ( ) a redução ocorrida no PL da investida em decorrência de prejuízos por ela apurados. 19 No exercício seguinte, ocasião em que a investidora receber em cheque os dividendos, devidamente contabilizados como acréscimo da conta que registra investimento no final do exercício anterior, o correto será debitar a conta Caixa ou Bancos conta Movimento e creditar a conta: a) ( ) Que registra o respectivo investimento. b) ( ) Dividendos a Receber. c) ( ) Receitas de Participações Societárias. d) ( ) Ganhos em contas do Ativo Permanente. 20 A Controlada B apurou lucro líquido, no final de X1, no valor de $ 500, e contabilizou $ 200 como dividendos a pagar para sua Controladora A, permanecendo o res tante no PL. Em relação a esse lucro de $ 500, a investidora: a) ( ) obrigatoriamente debitará $ 200 na conta Dividendos a Receber e $ 300 na conta que registra o investimento. b) ( ) poderá optar em debitar $ 500 na conta que registra o investimento ou $ 200 em Dividendos a Receber e $ 300 na conta que registra o investimento. c) ( ) creditar $ 200 em Dividendos a Pagar e $ 300 no PL. d) ( ) creditar $ 200 em Dividendos a Receber e debitar $ 300 em Receita de Participação. 141 21 A Investidora A, proprietária de 4% das ações representativas do capital da So ciedade Z, avaliou tal investimento pelo MEP, observando rigorosamente as dis posições contidas na Instrução CVM nº 247/1996. O procedimento da investidora está: a) ( ) correto, uma vez que o investimento é significativo. b) ( ) correto, uma vez que controla a Sociedade Z. c) ( ) errado, uma vez que o percentual de 4% na participação do Capital de outra empresa não caracteriza a existência de coligada nem de controlada. d) ( ) correto, tendo em vista que assim determina a Lei nº 11.638/2007. 22 Para fins de obter o valor atualizado do investimento pelo MEP, os lucros não realizados decorrentes de negócios entre a investida e a investidora serão: a) ( ) adicionados ao valor encontrado após a aplicação do percentual de partição sobre o valor do PL da investida. b) ( ) subtraído do valor encontrado após a aplicação do percentual de participação sobre o valor do PL da investida. c) ( ) incluído no total do PL para fins de cálculo. d) ( ) será subtraído do total do PL para fins de cálculo. 142 143 UNIDADE 3 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade você será capaz de: • interpretar os aspectos contábeis e fiscais envolvendo a consolidação das demonstrações financeiras; • elaborar as demonstrações financeiras consolidadas; • interpretar os aspectos fiscais e contábeis envolvendo operações entre ma- triz e filial; • elaborar as demonstrações financeiras envolvendo operações entre matriz e filial. Esta unidade de estudos está dividida em dois tópicos. Neles você encontrará os aspectos fiscais e contábeis necessários à elaboração do Balanço Patrimo- nial e da Demonstração do Resultado do Exercício consolidada e a estrutura das demonstrações financeiras consolidadas. Irá encontrar também as opera- ções diversas envolvendo matriz e filial, bem como os exercícios de fixação que serão desenvolvidos no decorrer dos estudos de cada tópico. TÓPICO 1 – CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS TÓPICO 2 – CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 144 145 TÓPICO 1 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico analisaremos as principais operações envolvendo a consolidação das demonstrações financeiras. Iremos analisar os aspectos fiscais e contábeis necessários à consolidação, bem como a estrutura necessária para evidenciar tais demonstrações. Analisaremos especificamente duas demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício e o efeito das operações com terceiros e intercompanhias. 2 CONCEITUALIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS Desde 1950, com o surgimento da contabilidade gerencial, várias empresas, principalmente as grandes corporações, viram a necessidade de controlar melhor seus investimentos realizados em outras sociedades empresariais. Perez e Oliveira (2010) comentam que determinados conglomerados empresariais tiveram grande crescimento nas últimas décadas. Atualmente, em nível internacional e mesmo no Brasil, é possível a constatação da existência de vários grupos econômicos constituídos por dezenas de empresas, que exploram inúmeros setores industriais, financeiros e de prestação de serviços em vários países.Tem-se observado que, no Brasil, é cada vez mais comum o número de empresas que vêm se reestruturando societariamente (juntando-se com outras empresas) para se tornarem mais fortes no mercado. Santos e Machado (2005, p. 8) explicam que Nos últimos anos houve um expressivo aumento de empresas que passaram a ter investimentos permanentes em outras sociedades. Em função disso, a quantidade de empresas que passou a adotar o Método de Equivalência Patrimonial e apresentar demonstrações consolidadas UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 146 aumentou significativamente, principalmente em virtude do intenso período de privatizações por que passou o Brasil. Em 1995, dentre as 550 maiores empresas (500 privadas e 50 estatais) listadas na edição de Melhores e Maiores, da Editora Abril, 88 apresentavam demonstrações consolidadas; em 2003, esse número saltou para 117 empresas, com aumento de 33%. Empresas dos mais variados segmentos adquiriram o controle de empresas de telecomunicações, saneamento, energia, concessões de rodovias e ferrovias etc. A KPMG Brasil (2005) divulgou estudo feito por ela, intitulado Fusões e Aquisições, que mostra o crescimento das aquisições no Brasil da década de 90 para cá. Segundo a pesquisa, na década de 90 houve um crescimento acumulado de 134% no número de fusões e aquisições em relação à década anterior, sendo que 61% das operações envolveram investimentos estrangeiros. A pesquisa mostra, ainda, que nos últimos 10 anos (1995 a 2004) ocorreram 3.021 transações desse tipo. De acordo com Perez e Oliveira (2010), esse processo de reestruturação societária ocorre principalmente em decorrência dos processos de: • aquisição parcial ou total do controle societário de empresas já constituídas e em plena atividade; e/ou • formação das chamadas joint-ventures – sociedades controladas em conjunto por diversos investidores. UNI Os processos de reestruturação societária, dentre eles fusão, cisão, incorporação, liquidação, transformação e liquidação, serão vistos no decorrer do curso de Ciências Contábeis. Segundo Iudícibus et al. (2010, p. 647), “ [...] as entidades controladas em conjunto têm se mostrado como uma nova tendência mundial em termos de investimentos em empreendimentos conjuntos [...]. Trata-se de uma alternativa interessante para acumular capital necessário à expansão e manutenção das atividade econômicas”. Perez e Oliveira (2010, p. 93) comentam que A Contabilidade não permaneceu indiferente a essa tendência de grande concentração de empresas sob comandos centralizados. Sempre preocupados com seus diversos usuários, os pesquisadores e outros profissionais da área contábil sentiram de imediato a necessidade de desenvolver novas técnicas e procedimentos que suprissem a lacuna de informações, dados e relatórios contábeis e financeiros especialmente desenvolvidos para a "entidade" representada pelo conjunto de empresas de um único grupo empresarial. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 147 Sendo assim, o método de consolidação das demonstrações financeiras veio para suprir essa necessidade de conglomerados empresariais, uma vez que fornece maiores e melhores informações de natureza financeira e econômica, se comparado à análise individual de cada uma das demonstrações em separado das sociedades pertencentes a um mesmo grupo. No Brasil, a obrigatoriedade da consolidação das demonstrações contábeis teve início com a Lei 6.404, de 1976, porém, conforme Santos e Machado (2005, p. 8), “ [...] esse tipo de demonstração é utilizado nos Estados Unidos há cerca de um século. Em outros países iniciou-se bem mais tarde, aparecendo na legislação inglesa apenas em 1947, na alemã em 1965, no Japão em 1976 e na francesa em 1985”. 3 TRATAMENTO LEGAL A exigência da normatização frente às normas internacionais de contabilidade adequou ainda mais o processo de consolidação das demonstrações financeiras nos últimos tempos. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, conhecida como Lei das Sociedades por Ações, normatizou, em seus artigos 249 e 250, os procedimentos para elaboração e publicação das demonstrações contábeis: No art. 249 da Lei nº 11.638 foram delegados poderes para que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emita normas de caráter obrigatório para as companhias de capital aberto, porém o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu CPC 36, foi quem definiu, de fato, como, quem e de que forma as demonstrações financeiras consolidadas devem ser elaboradas e publicadas. 4 O QUE SÃO DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS Pode-se dizer que as demonstrações contábeis consolidadas são resultado da somatória das demonstrações contábeis de várias empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico. No entanto, excluídos os saldos e os resultados de operações que tenham reciprocidade, ou seja, operações e resultados efetuados entre essas empresas. Perez e Oliveira (2010, p. 95) definem que “o objetivo da consolidação de demonstrações contábeis é refletir o resultado das operações e a verdadeira situação econômica, patrimonial e financeira de todo o grupo de empresas sob um único comando, como se fosse uma única empresa, e apresentar o resultado das operações do grupo de empresas”. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 148 Portanto, se tivermos uma investidora que participa no capital de uma investida, ambas possuirão sua situação econômica e financeira individualmente, porém, na consolidação, haverá a junção dessa situação patrimonial e financeira de ambas, formando assim um grupo econômico. Por exemplo, imagine que a empresa A participe da empresa B e da empresa C. Todas as três empresas são distintas, individuais, com personalidade jurídica própria. Porém, na consolidação haveria a formação do Grupo ABC e seriam somadas as demonstrações contábeis de cada uma das três empresas, subtraindo-se apenas os saldos e operações com reciprocidade. Não haveria nenhuma influência em relação à questão societária e fiscal do grupo ABC, uma vez que: • todos os impostos, sendo da esfera federal, estadual ou municipal, são calculados e apurados individualmente. Então, levando em consideração o exemplo anterior, mesmo que a empresa A tivesse um saldo de impostos a compensar e a empresa B um saldo de impostos a pagar, não haveria a possibilidade de compensação, uma vez que a apuração é individual; • os resultados são apurados individualmente, não havendo a possibilidade de compensação de lucro de uma com o prejuízo de outra pertencente ao mesmo grupo. De acordo com Perez e Oliveira (2010, p. 95), as demonstrações contábeis consolidadas Possibilitam uma apreciação mais criteriosa e transparente com relação às garantias de seus créditos e lucratividade de seus investimentos. Além disso, também oferecem dados adicionais para análise, tais como: • índices de liquidez e endividamento do grupo; • índices de lucratividade por empresa e global; • potencial do grupo de geração de recursos; • todos os índices aplicáveis à controladora e a cada controlada podem ser analisados e comparados com os índices consolidados. Perez e Oliveira (2010, p. 96) comentam que Esta é a principal utilidade das demonstrações contábeis consolidadas, pois elas possibilitam: • melhor administração e gerenciamento dos recursos financeiros gerados e apli cados pelo grupo de empresas; • fluxo de caixa global; • avaliação das necessidades de recursos de terceiros e/ou de acionistas; • reciprocidade bancária; • melhor avaliação de desempenho isolado e global; • melhor planejamento tributário; • evitar pagamento de tributos sobre lucros não realizados decorrentes de ope rações entre empresas consolidadas. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃODAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 149 Dessa forma, a consolidação tem um papel fundamental para a contabilidade gerencial, uma vez que torna o grupo mais forte do que se analisada cada empresa em separado. O processo de consolidação das demonstrações contábeis envolve as seguintes demonstrações: o balanço patrimonial consolidado, a demonstração consolidada do resultado do exercício e a demonstração consolidada do fluxo de caixa, complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados consolidados. 5 EMPRESAS OBRIGADAS A ELABORAR AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS A Lei 11.638/2007, em seu art. 249, define o seguinte: Art. 249 A companhia aberta que tiver mais de 30% (trinta por cento) do valor do seu patrimônio líquido representado por investimentos em sociedades controladas deverá elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstrações financeiras, demonstrações consolidadas nos termos do art. 250; parágrafo único: A Comissão de Valores Mobiliários poderá expedir normas sobre as sociedades cujas demonstrações devam ser abrangidas na consolidação, e: a) determinar a inclusão de sociedades que, embora não controladas, sejam financeira ou administrativamente dependentes da companhia; b) autorizar, em casos especiais, a exclusão de uma ou mais sociedades controladas. Note que no art. 249 foram delegados poderes para que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emita normas de caráter obrigatório para as companhias de capital aberto. Sendo assim, a Instrução 247, de 27 de março de 1996, define o seguinte sobre a elaboração das demonstrações contábeis consolidadas: Art. 21 Ao fim de cada exercício social, as demonstrações contábeis consolidadas devem ser elaboradas por: I. Companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no art. 32 desta Instrução; e II. Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 150 Entretanto, de acordo com o CPC 36, todas as sociedades por ações que possuírem investimentos em controladas são obrigadas a elaborar as demonstrações contábeis consolidadas, indiferente se forem de capital aberto ou fechado. Segundo Iudícibus et al. (2010), esse foi um dos maiores avanços que o CPC 36 trouxe para a contabilidade. Porém, é recomendável que todas as empresas, sejam elas Sociedades Anônimas ou Limitadas, elaborem as demonstrações contábeis consolidadas de suas controladas e até mesmo coligadas, uma vez que o processo de consolidação visa enriquecer a informação contábil. Obviamente que, nos casos não obrigatórios, o processo de elaboração das demonstrações consolidadas seja feito apenas para atender às necessidades dos usuários das informações contábeis. Além disso, Perez e Oliveira (2010, p. 95) comentam que É possível também, e recomendável, a consolidação das demonstrações contábeis de empresas que, mesmo sem a participação societária das pessoas jurídicas, sejam propriedade de uma mesma pessoa física ou de uma família. Por exemplo, o Sr. Francisco Dantas é acionista majoritário das Empresas A, B e C. Para atender a suas necessidades de maiores e melhores informações com relação, por exemplo, a seu verdadeiro patrimônio, talvez fosse necessária a apresentação das demonstrações contábeis consolidadas das três empresas. A Instrução 247, de 27 de março de 1996, define em seu art. 23 o seguinte: Art. 23 Poderão ser excluídas das demonstrações contábeis consolidadas, sem prévia autorização da CVM, as sociedades controladas que se encontrem nas seguintes condições: I – Com efetivas e claras evidências de perda de continuidade e cujo patrimônio seja avaliado, ou não, a valores de liquidação; ou II – Cuja venda por parte da investidora, em futuro próximo, tenha efetiva e clara evidência de realização devidamente formalizada. § 1º Em casos especiais justificados, poderão ser ainda excluídas da consolidação, mediante prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários, as sociedades controladas cuja inclusão, a critério da CVM, não represente alteração relevante na unidade econômica consolidada ou que venha distorcer essa unidade econômica. § 2º No balanço patrimonial consolidado, o valor contábil do investimento na sociedade controlada excluída da consolidação deverá ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial. § 3º Não será considerada justificável a exclusão, nas demonstrações contábeis consolidadas, de sociedade controlada cujas operações sejam de natureza diversa das operações da investidora ou das demais controladas. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 151 Ribeiro (2005) comenta que o processo de consolidação é de responsabilidade da empresa controladora do conjunto, sendo que os procedimentos utilizados nesses registros podem ser por meio de processo manual, eletrônico, ou outro, em livros contábeis como Diário e Razão, devidamente segregados da escrita contábil regular da empresa responsável pela consolidação ou em papéis de trabalho adequadamente reservados para esse fim. NOTA Não devem integrar os Demonstrativos Consolidados os patrimônios de empresas controladas nas quais o controle seja apenas temporário. 6 DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS E EM SEPARADO (INDIVIDUAL) CONFORME A RESOLUÇÃO 1.262/2009 DO CFC A Resolução 1.262/2009 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a Interpretação Técnica ITG 09, a qual define regras sobre as Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. Alguns dos principais enunciados da Resolução são assim descritos: • Do ponto de vista conceitual, as demonstrações individuais só deveriam ser divulgadas publicamente para o caso de entidades que não tivessem investimentos em controladas, ou em joint-ventures (controladas em conjunto). No caso de existência desses investimentos, todas as entidades deveriam divulgar publicamente somente as demonstrações consolidadas, conforme estabelecido nas normas internacionais de contabilidade emitidas pelo IASB. • Todavia, a legislação societária brasileira e alguns órgãos reguladores determinam a divulgação pública das demonstrações contábeis individuais de entidades que contêm investimentos em controladas ou em joint-ventures mesmo quando essas entidades divulgam suas demonstrações consolidadas; inclusive é pacífico o entendimento de que a legislação societária requer que as demonstrações contábeis individuais, no Brasil, sejam a base de diversos cálculos com efeitos societários (determinação dos dividendos mínimos obrigatórios e total do valor patrimonial da ação etc.). Esta interpretação, enquanto vigente a determinação legal para divulgação das demonstrações individuais da controladora ou controladora em conjunto, requer procedimentos contábeis específicos para as demonstrações individuais das controladoras (controle integral ou conjunto). UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 152 • Como consequência, o CFC esclarece, por meio desta interpretação, que, enquanto mantida essa legislação, será requerida a apresentação das demonstrações individuais de todas as entidades, mesmo quando apresentadas as demonstrações consolidadas (integral ou proporcional). Requer, todavia, que as demonstrações individuais das entidades que têm investimentos em controladas e joint-ventures sejam obrigatoriamente divulgadas em conjunto com as demonstrações consolidadas (integral ou proporcional) sempre que requerido legalmente ou pelas disposições da NBC TG 36 – Demonstrações Consolidadase da NBC TG 19 – Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint-Venture). • Do ponto de vista conceitual, as demonstrações separadas só deveriam ser apresentadas naquelas circunstâncias em que os investimentos societários mensurados pela equivalência patrimonial ou apresentados na forma de demonstrações contábeis consolidadas não representem de forma completa a razão e a destinação desses investimentos (ver itens 12 e 13 adiante). São raros os casos onde há justificativa para a apresentação das demonstrações separadas. De acordo com as normas internacionais, existem apenas três motivos que levariam à elaboração e divulgação das demonstrações separadas: (a) por opção, ou seja, a entidade opta pela apresentação adicional das demonstrações separadas; (b) por exigência legal local, ou seja, quando por força de lei local se exigir que os investimentos em coligadas controladas e controladas em conjunto sejam mensurados pelo custo ou pelo valor justo; e (c) por ter sido dispensada da aplicação do método de equivalência patrimonial ou da consolidação (integral ou proporcional), situação em que a entidade deve mensurar os investimentos em coligadas, controladas e controladas em conjunto pelo custo ou pelo valor justo e então publicar as demonstrações contábeis separadas. No caso brasileiro, nossa legislação societária não exige que tais investimentos sejam avaliados a custo ou a valor justo, bem como não dispensa a aplicação do método de equivalência patrimonial no balanço individual quando de investimentos em coligadas, em controladas e em controladas em conjunto. 7 PROCESSO DE ELABORAÇÃO De acordo com o CPC 36, para a elaboração de demonstrações contábeis consolidadas, a entidade controladora combina suas demonstrações contábeis com as de suas controladas, linha a linha, ou seja, somando os saldos de itens de mesma natureza: ativos, passivos, receitas e despesas, excluindo apenas as operações e saldos que tenham reciprocidade. Portanto, o disponível de uma empresa será somado com o disponível de outra e assim por diante, em todas as contas que compõem as demonstrações contábeis, para então formar o consolidado. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 153 As operações e saldos que guardem reciprocidade são aqueles resultantes das atividades intercompanhias, como, por exemplo, vendas de mercadorias, produtos e serviços entre controladora e controlada, gerando, possivelmente, receitas e despesas, impostos e também contas a receber e contas a pagar. Tudo isso deve ser eliminado no processo de consolidação. UNI Para que o processo de eliminação de saldos seja feito com eficiência é preciso que as operações intercompanhias sejam sempre controladas. Iudícibus et al. (2010, p. 653) comentam que “ [...] é por meio desse controle que será possível apurar os valores das vendas, despesas, juros, comissões e outras receitas ocorridas durante o exercício entre as empresas que integram as demonstrações consolidadas”. Na maioria das vezes, as empresas que são obrigadas a elaborar as demonstrações contábeis consolidadas mantêm um plano de contas contábeis específico para o registro dessas operações intercompanhias, o que, de fato, facilita muito o trabalho de consolidação. A Lei 11.638/2007 define o seguinte sobre o processo de consolidação: Art. 250 Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: I – as participações de uma sociedade em outra; II – os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III – as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. § 1º A participação dos acionistas controladores no patrimônio líquido e no lucro líquido do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração consolidada do resultado do exercício. § 2º A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo não circulante, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 154 § 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. § 4º Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exercício social termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exercício da companhia, elaborarão, com observância das normas desta Lei, demonstrações financeiras extraordinárias em data compreendida nesse prazo. Já a CVM, por meio da Instrução 247, de 27 de março de 1996, define o seguinte: Art. 24 Para a elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, a investidora deverá observar, além do disposto no artigo 10, os seguintes procedimentos: 1. Excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de transações entre as sociedades incluídas na consolidação; 2. Eliminar o lucro não realizado que esteja incluído no resultado ou no patrimônio líquido da controladora e correspondido por inclusão no balanço patrimonial da controlada. 3. Eliminar do resultado os encargos de tributos correspondentes ao lucro não realizado, apresentando-os no ativo circulante/realizável a longo prazo – tributos diferidos, no balanço patrimonial consolidado. Parágrafo único: No processo de consolidação das demonstrações contábeis, não poderá ser efetuada a compensação de quaisquer ativos ou passivos pela dedução de outros passivos ou ativos, a não ser que exista um direito de compensação e a compensação represente a expectativa quanto à realização do ativo e à liquidação do passivo. Art. 25 A participação dos acionistas não controladores, no patrimônio líquido das sociedades controladas, deverá ser destacada em grupo isolado, no balanço patrimonial consolidado, imediatamente antes do patrimônio líquido. Art. 28 Para a elaboração da demonstração consolidada do resultado do exercício a investidora deverá: I – Incluir os resultados de sociedade controlada, adquirida ou vendida no transcorrer do exercício social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa nos seus investimentos permanentes; e II – Excluir todas as receitas e despesas decorrentes de negócios entre a investidora e as sociedades controladas, bem como entre estas. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 155 O lucro não realizado é decorrente das operações intercompanhias que fazem parte do consolidado. Santos e Machado (2005, p. 10) comentam que Quando ocorre a transação de venda de ativos entre as controladas e coligadas e entre elas e a investidora e se esses ativos ainda não tiverem sido revendidos para terceiros até a data do encerramento do exercício, considera-se que o resultado dessa venda não foi realizado, pois houve uma transação apenas doméstica (intercompanhias), não havendo, portanto, resultado econômico na análise do grupo. Esse resultado será considerado realizado somente quando esses ativos forem revendidos a terceiros. Assim, enquanto permanecer no balanço da controladora, considera-se que o Lucro não foi Realizado. UNI Ao final deste tópico serão apresentados alguns exemplos práticos que evidenciam em números o significado do processo de elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, as quais são destacadas na Lei 11.638/2007 e na Instrução 247/96 da CVM. Veja um simples exemplo a seguir com base no modelo de Perez e Oliveira (2010): Do total de suas contas a receber, a Sociedade A tem a receber $ 100 da Sociedade B, logo, do total de seu Contas a Pagar,a Sociedade B tem $ 100 a pagar à Sociedade A. Assim sendo, deve-se eliminar as contas a receber de A contra as contas a pagar de B: A B A + B D C AB ATIVO 500 400 900 100 800 DIREITOS PASSIVO 200 300 500 100 400 OBRIGAÇÕES O Consolidado representa os Direitos e obrigações das Sociedades A e B em relação a terceiros. Observe que o lançamento é efetuado extracontabilmente, não afetando a contabili dade e os controles operacionais de ambas as empresas. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 156 É importante que, antes do encerramento das demonstrações contábeis de cada em presa, haja conferência e conciliação de saldos para garantir que sejam iguais, caso contrário haverá diferença no consolidado. Já na Demonstração do Resultado do Exercício é preciso excluir todas as contas de receita e despesa intercompanhias. Portanto, conforme Perez e Oliveira (2010), para a elaboração da Demonstração Consolidada do Resultado do exercício devem ser efetuadas as seguintes eliminações: • todas as receitas e despesas decorrentes de transações entre a investidora e as sociedades controladas, bem como entre as controladas e coligadas se for o caso; • os lucros não realizados decorrentes de transações entre as sociedades – contas do resultado em que estão contidas as parcelas de lucros em contrapartida das contas do ativo em que os lucros estiverem contidos; • os tributos correspondentes aos lucros não realizados – conta Imposto de Renda – na demonstração de resultado em contrapartida da conta de ativo do circulante ou do realizável a longo prazo – impostos diferidos; • as participações dos acionistas minoritários/não controladores no lucro ou prejuízo do exercício, das sociedades controladas, deverão ser destacadas e apresentadas, respectivamente, como dedução ou adição ao lucro líquido ou prejuízo do exercício consolidado; • deverão ser incluídos na demonstração consolidada do resultado do exercício os resultados de sociedade controlada adquirida ou vendida no transcorrer do exercício social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa em seus investimentos permanentes. A Instrução 247/96 da CVM define o seguinte em relação às datas das demonstrações contábeis envolvidas no processo de consolidação: Art. 10 O patrimônio líquido da coligada e controlada deverá ser determinado com base nas demonstrações contábeis levantadas na mesma data das demonstrações contábeis da investidora. § 1º Na impossibilidade de cumprimento ao disposto no caput deste artigo, admite-se a utilização de demonstrações contábeis da coligada e controlada em um período máximo de defasagem de até 60 (sessenta) dias antes da data das demonstrações contábeis da investidora. § 2º O período de abrangência das demonstrações contábeis da coligada e controlada deverá ser idêntico ao da investidora, independentemente das respectivas datas de encerramento. TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 157 § 3º Admite-se a utilização de períodos não idênticos, nos casos em que este fato representar melhoria na qualidade da informação produzida, sendo a mudança evidenciada em nota explicativa. Portanto, para elaboração das demonstrações contábeis consolidadas, as demonstrações contábeis individuais devem ser encerradas com a mesma data, permitindo apenas datas não idênticas, de até 60 dias, desde que represente melhoria na qualidade da informação produzida, por exemplo: A consolidação das demonstrações contábeis da Empresa A com as da Empresa B devem ser encerradas em 31/05/2010, permitindo apenas que uma das datas não seja idêntica, desde que represente melhoria na qualidade da informação produzida. Nesse exemplo, o período máximo de defasagem por parte da investida seria a entrega das demonstrações contábeis com data de 31/03/2010. 8 NOTAS EXPLICATIVAS A Instrução 247/96 da CVM define o seguinte em relação às notas explicativas sobre as demonstrações contábeis: Art. 31 As notas explicativas que acompanham as demonstrações contábeis consolidadas devem conter informações precisas das controladas, indicando: I – Critérios adotados na consolidação e as razões pelas quais foi realizada a exclusão de determinada controlada; II – Eventos subsequentes à data de encerramento do exercício social que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros consolidados; III – Efeitos, nos elementos do patrimônio e resultado consolidados, da aquisição ou venda de sociedade controlada, no transcorrer do exercício social, assim como da inserção de controlada no processo de consolidação, para fins de comparabilidade das demonstrações contábeis; e IV – Eventos que ocasionaram diferença entre os montantes do patrimônio líquido e lucro líquido ou prejuízo da investidora, em confronto com os correspondentes montantes do patrimônio líquido e do lucro líquido ou prejuízo consolidados. 9 EXEMPLOS DE CONSOLIDAÇÃO Exemplo 1, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Em 02/01/X2, a Cia. A adquire 100% das ações da Cia. B por R$ 600.000,00. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 158 Uma vez que a Cia. A tem 100% do capital da Cia. B e o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial, a eliminação a ser feita corresponde à baixa no valor da conta de investimentos de A contra o PL de B, porque ambas têm o mesmo valor. Após a eliminação, basta somar os saldos, e teremos o Balanço consolidado. Razão do ajuste: A soma algébrica dos ativos e passivos não exigíveis de B, que serão adicio nados aos de A na consolidação, corresponde ao patrimônio líquido de B; este, por sua vez, é igual ao valor do investimento registrado na controlado ra, que já foi computado no valor do patrimônio líquido dessa última. Balanços Patrimoniais em 02/01/X2 (em R$ 1.000,00) ELEMENTOS Cia. A Cia. B Eliminações Balanço de A consolidando B D C em 02/01/X2 Ativo Circulante Investimentos Em B Em outras Imobilizado 1.640 600 140 440 240 -o- 60 360 600 (1) 1.880 -o- 200 800 TOTAL do ATIVO 2.820 660 600 2.880 Passivo Patrimônio Líquido Capital Reservas 700 1.600 520 60 400 200 400 (1) 200 (1) 760 1.600 520 TOTAL do PASSIVO 2.820 660 600 2.880 Exemplo 2, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Ainda em 02/01/X2, a Cia. A adquire 70% da Cia. C por R$ 210.000,00. O patrimônio líquido (PL) de C é de R$ 300.000,00. Ajustes: TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 159 (1) Eliminação do investimento de A em 100% do PL de B. (2) Eliminação do investimento de A em 70% do PL de C, R$ 210.000,00, ou seja, 70% x R$ 300.000,00. (3) Eliminação da participação dos minoritários (30% do PL de C), R$ 90.000,00, ou seja, 30% x R$ 300.000,00. ELEMENTOS Cia. A Cia. B Cia. C Eliminações Balanço de A consolidando B D C e C em 02/01/X2 Ativo Circulante Investimentos Em B Em C Em outras Imobilizado 1.430 600 210 140 440 240 -o- -o- 60 360 380 -o- -o- -o- 220 600 (1) 210 (2) 2.050 -o- -o- 200 1.020 TOTAL do ATIVO 2.820 660 600 810 3.270 Passivo P a r t i c i p a ç ã o Minoritária Patrimônio Líquido Capital Reservas 700 1.600 520 60 400 200 300 120 180 400 (1) 84 (2) 36 (3) 200 (1) 126 (2) 54 (3) 90 (3) 1.060 90 1.600 520 TOTAL do PASSIVO 2.820 660 600 900 90 3.270 Observe que a participação dos acionistas minoritários, nesse exemplo, ou seja, aqueles que detêm 30% do Patrimônio Líquido (PL) da Cia. C, foi excluída dessegrupo de contas, figurando numa posição intermediária en tre Passivo Exigível e o PL. O objetivo deste procedimento é de que o Patrimônio Líquido consolidado reflita o valor que realmente pertence aos acionistas da empresa con troladora, UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 160 excluindo-se, portanto, deste total, a parcela de propriedade dos acionistas minoritários. Exemplo 3, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Dados: 1. Os Balanços Patrimoniais em 31/12/X1 da Controladora PASIL e da Controlada Beta: Balanços Patrimoniais encerrados em 31/12/X1 (em R$) CONTAS Empresa Controladora Empresa Controlada ATTVO Caixa Contas a Receber Clientes Mercadorias Participações Societárias Terrenos Móveis Máquinas 5.000 10.000 - o -20.000 32.500 20.500 12.000 - o - 2.500 - o -15.000 12.500 - o -15.000 6.000 24.000 TOTAIS 100.000 75.000 PASSIVO Fornecedores Impostos a Recolher Contas a Pagar Empréstimo Capital Social Lucros a Destinar 15.000 25.000 - o - - o -40.000 20.000 7.500 - o -10.000 15.000 30.000 12.500 TOTAIS 100.000 75.000 TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 161 O objetivo desse exemplo é efetuar os lançamentos contábeis de ajustes a seguir indicados, necessários à consolidação dos balanços em 31/12/X1. INFORMAÇÕES ADICIONAIS • a controladora (PASIL) detém 100% do capital da controlada (BETA) e o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial; • a controlada tem a pagar à controladora a importância de R$ 10.000, registrada em contas a pagar; • toda a produção da controlada se destina à venda para a controladora, que somente adquire produtos da controlada e sempre pelo dobro do custo da produção. AJUSTES 1. A controlada tem a pagar à controladora a importância de 10.000,00, registrada em contas a pagar. Ajuste: 1.1. A controladora tem a receber R$ 10.000,00 da controlada que, consequentemente, tem R$ 10.000,00 a pagar àquela. Na consolida ção, os saldos de Contas a Receber e de Contas a Pagar se com pensam, ficando, portanto, eliminados. Contabilização: D – Contas a Pagar (Controlada) 10.000,00 C – Contas a Receber (Controladora) 10.000,00 2. Toda a produção da controlada se destina à venda para a controlado ra, que adquire a mercadoria pelo dobro do custo de produção. Ajuste: 2.1. A controladora só compra da controlada e esta só vende àque la, logo o saldo de clientes na controlada corresponde ao saldo de fornecedores na controladora, que se compensam na consolidação. Contabilização: D – Fornecedores (Controladora) 15.000,00 C – Clientes (Controlada) 15.000,00 2.2. A controlada vende mercadorias para a controladora pelo dobro do preço de custo; consequentemente, tanto no estoque de mer cadorias da controladora como no Patrimônio Líquido da controlada existe R$ 10.000,00 (metade do estoque da controladora) de lucros ainda não realizados. UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 162 Contabilização: D – Lucros Acumulados (Controlada) 10.000,00 C – Mercadorias em Estoque (Controladora) 10.000,00 (50% x R$ 20.000,00) NOTA Esse lucro só será considerado realizado quando da venda, pela controladora, do restante do estoque para terceiros. 3. A controladora detém 100% do capital da controlada e o investi mento é avaliado pelo método da equivalência patrimonial. Ob serve que, do total do Patrimônio Líquido da controlada no va lor de R$ 42.500,00 (correspondente à soma do Capital mais Lucros a Destinar), foi retirada a importância de R$ 10.000,00 relativa à parcela de lucros não realizados nas transações entre as companhias, de modo que a avaliação da participação societária totalizou R$ 32.500,00 na controladora. Ajuste: 3.1. A participação societária da controladora é eliminada contra Capital Social e os Lucros Acumulados da controlada. Contabilização: C – Participação Societária (Controladora) 32.500,00 D – Capital Social (Controlada) 30.000,00 D – Lucros Acumulados (Controlada) 2.500,00 Portanto, o Balanço Consolidado seria assim evidenciado: TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 163 CONTAS Empresa Controladora Empresa Controlada Débito Crédito Saldos Consolidados ATTVO Caixa Contas a Receber Clientes Mercadorias Participações Societárias Terrenos Móveis Máquinas 5.000 10.000 - o - 20.000 32.500 20.500 12.000 - o - 2.500 - o - 15.000 12.500 - o - 15.000 6.000 24.000 (1) 10.000 (2.1)15.000 (2.2) 10.000 (3) 32.500 7.500 -0- -0- 22.500 -0- 35.500 18.000 24.000 TOTAIS 100.000 75.000 67.500 107.500 PASSIVO Fornecedores Impostos a Recolher Contas a Pagar Empréstimo Capital Social Lucros a Destinar 15.000 25.000 - o - - o - 40.000 20.000 7.500 - o - 10.000 15.000 30.000 12.500 (2.1)15.000 (1) 10.000 (3) 30.000 (2.2) 10.000 (3) 2.500 7.500 25.000 -0- 15.000 40.000 20.000 TOTAIS 100.000 75.000 67.500 107.500 Exemplo 4, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Os balanços patrimoniais, referentes ao início do exercício, da controla- dora A e controlada B, estão evidenciados a seguir: UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 164 CONTROLADORA A ATIVO PASSIVO Disponível Investimento Imobilizado (terreno) 320 400 280 Patrimônio Líquido Capital 1.000 TOTAIS 1.000 1.000 CONTROLADA B ATIVO PASSIVO Estoques 400 Patrimônio Líquido Capital 400 TOTAIS 400 400 A controladora detém 100% do capital da controlada. No decorrer do exercício ocorreram apenas as seguintes transações: 1. A Cia. B vende metade dos seus estoques para Cia. A por R$ 250,00, à vista; 2. A Cia. A vende, à vista, para terceiros, 60% (sessenta por cento) do estoque adquirido de B, por R$ 220,00. As Demonstrações de Resultado e os Balanços Patrimoniais das duas companhias no final do exercício estão reproduzidos a seguir. Não estão considerados os efeitos fiscais. DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO Descrição Controladora A Controlada B Vendas 220 250 (-) CMV 150 200 (=) Lucro Bruto 70 50 (+) Resultado da Equivalência 30 -o- (=) Lucro Líquido 100 50 TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 165 BALANÇOS PATRIMONIAIS CONTROLADORA A CONTROLADA B ATIVO PASSIVO ATIVO PASSIVO Disponível 290 Estoques 100 Investimentos 30 Imobilizado 280 PL Capital 1.000 Lucros a Destinar 100 Disponível 250 Estoques 200 PL Capital 400 Lucros a Destinar 50 TOTAIS 1.100 1.100 450 450 Notas 1) CMV da Cia. A = 60% x R$ 250,00 = R$ 150,00 2) CMV da Cia. B = 50% x R$ 400,00 = R$ 200,00 3) Disponível Cia. A R$ Saldo Inicial 320,00 (-) Compras de B (250,00) (+) Vendas a terceiros 220,00 (=) Saldo Final 290,00 4) Disponível Cia. B = R$ 250,00 (pela venda à vista à Cia. A) 5) Estoques Cia. A = 40% x R$ 250,00 = R$ 100,00 6) Estoques Cia. B = 50% x R$ 400,00 = R$ 200,00 7) Resultado da Equivalência, na Cia. A ^ Patrimônio Líquido de B no final do Exercício 450,00 (-) Lucros não realizados de B na venda para A = 40% x 50 = (20,00) (=) Valor da Equivalência 430,00 (-) Valor registrado na contabilidade (400,00) (=) Resultado Positivo na Equivalência 30,008) Investimento em B (Cia. A) = R$ 430,00 Procedimentos para consolidação A consolidação será procedida da forma exposta a seguir. Entretanto, é necessário frisar que: a) Nos estoques da Cia. A há um lucro não realizado de R$ 20,00, cor respondente a 40% (parcela não vendida da compra efetuada na Cia. B) de R$ 50,00 (lucro obtido por B na venda à Cia. A); este lucro deve ser excluído na consolidação dos balanços patrimoniais; UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 166 b) a Cia. B obteve uma margem de lucro de 20% sobre o preço da venda para A. 50,00 / 250,00 x 100 = 20% c) no custo da mercadoria vendida pela Cia. A (R$ 150,00) existe uma parcela que corresponde ao lucro interno da Cia. B na venda para a controladora A, que é de 20% x R$ 150,00 = R$ 30,00, que deve ser excluído na consolidação da demonstração de resultado. d) o ganho na equivalência patrimonial da controladora deve ser excluí do igualmente na consolidação da demonstração de resultado. Contas Empresas Ajustes Consolidado A B Débito Crédito Disponível Estoques Investimentos Imobilizado 290 100 430 280 250 200 (1) 20 (2) 430 540 280 280 Total 1.100 450 450 1.100 Capital Lucros a Destinar 1.000 100 400 50 (2) 400 (1) 20 (2) 30 1.000 100 Total 1.100 450 450 1.100 Contas Empresas Ajustes Consolidado A B Débito Crédito Vendas CMV 220 (150) 250 (200) (3) 250 (3) 230 220 120 Lucro Bruto Equivalência 70 30 50 (4) 30 100 Lucro Líquido 100 50 100 Observe que, no lançamento 3 do papel de trabalho, no lado do débito houve a anulação da venda da controlada para a controladora, enquanto no lado do crédito houve a eliminação do custo da mercadoria vendida da controlada, bem como da parcela de R$ 30,00 embutida no custo da mercadoria vendida TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 167 da controladora (que corresponde ao lucro interno da controlada relativo às mercadorias que foram vendidas pela controladora). O Custo das Mercadorias Vendidas constante da Demonstração do Resultado Consolidada de R$ 120,00 correspondente efetivamente ao custo para o grupo referente à aquisição das mercadorias, ou seja, a controlada comprou as mer cadorias por R$ 200,00 e o grupo vendeu 60% deste total, então CMV = 60% x R$ 200,00 = R$ 120,00. No lançamento 3, o total do débito (R$ 250,00) é maior que o total do crédito (R$ 230,00); a diferença de R$ 20,00 corresponde aos lucros nos esto ques, que já foram excluídos no lançamento 1; aparente, a diferença reside no fato de os lucros serem contados duas vezes (uma, na De monstração do Resultado e outra, nos Lucros a Destinar do Balanço). O mesmo raciocínio é aplicado no lançamento 4, em que só há o débito de R$ 30,00 para anular o ganho na equivalência patrimonial; observe que a mesma importância já foi tirada de Lucros a Destinar no lançamento 2. O lucro líquido consolidado pode assim ser decomposto para maior clareza: Vendas a Terceiros 220,00 (-) Custo das Mercadorias Vendidas compradas de terceiros 120,00 (=) Lucro nas transações com terceiros 100,00 Exemplo 5, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): A controladora Cia. PVSN vende uma máquina, em 10/01/2008, para outra controlada, a Cia. Palitos, por R$ 1.800.000,00. O imobilizado estava registrado no Ativo Permanente (AP) da Cia. PVSN da seguinte forma: Ativo Permanente Imobilizado Máquinas 1.500.000,00 (-) Depreciação Acumulada (300.000,00) (=) Custo ou Valor Contábil do bem 1.200.000,00 A vida útil restante da máquina é estimada em oito anos. É preciso não só eliminar o ganho de capital de R$ 600 000,00, obtido pela controladora na venda, como também eliminar o encargo de depreciação a maior, incorrido pela controlada pelo fato de ter pago um valor maior que o custo contábil da controladora. A razão disso é que, na consolidação, tudo se passa como se o grupo fosse uma empresa só. Portanto, se a máquina tivesse sido adquirida pela controlada pelo pre ço de custo de R$ 1.200.000,00, ela apareceria assim no balanço consolidado de 31/12/08: UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 168 Valor da máquina R$ 1.200.000,00 (-) Depreciação de 2008 (R$ 150.000,00) o qual seria (R$ 1.200.000,00 / 8) (=) Valor contábil R$ 1.050.000,00 Como a controlada pagou R$ 1.800.000,00, se não houvesse o ajus te, ela apareceria assim: Valor da Máquina R$ 1.800.000,00 (-) Depreciação de 2008 (R$ 225.000,00) o qual seria (R$ 1.800.000,00 / 8) (=) Valor contábil R$ 1.575.000,00 A diferença de R$ 525.000,00 (R$ 1.575.000,00 - R$ 1.050.000,00) corresponde a: Resultado não Operacional R$ 600.000,00 (-) Depreciação a maior (R$ 75.000,00) (=) Diferença R$ 525.000,00 Ela será eliminada, no balanço consolidado, pelos seguintes lançamentos: C – Máquinas 600.000,00 D – Lucros Acumulados 525.000,00 D – Depreciação Acumulada – Máquinas 75.000,00 Na demonstração de resultado exclui-se o resultado não operacional positivo de R$ 600.000,00 e a despesa de depreciação de R$ 75.000,00 feita a maior em função desse ganho. Observe que o valor de R$ 75.000,00 relativo à depreciação a maior corresponde também à seguinte expressão: Ganho de capital na alienação R$ 600.000,00 (x) Percentagem de depreciação = 100% / 8 12.5% (=) Depreciação a maior na consolidação R$ 75.000,00 Exemplo 6, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Na consolidação deverão ser excluídos os resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades; esses lucros, contabilizados individualmente nas empresas envolvidas, na conso lidação podem representar resultados tributáveis, logo pode existir um lu cro eliminado com Imposto de Renda presente. Caso o lucro possa vir a ser incluído na consolidação, no futuro deverá ser eliminado, também, o im posto correspondente, que será posteriormente incluído quando aquele lu cro for apresentado à consolidação. Veja o exemplo a seguir: • lucro bruto obtido pela vendedora, ainda existente no estoque da com pradora: R$ 1.000.000,00; TÓPICO 1 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 169 • Imposto de Renda incorrido pela vendedora (15% x R$ 1.000.000,00) R$ 150.000,00. Contabilização (no Balanço Consolidado): D – Lucros Acumulados 1.000.000,00 C – Mercadorias em Estoque 1.000.000,00 D – Imposto de Renda a Compensar (AC) 150.000,00 C – Lucros Acumulados 150.000,00 Na demonstração do resultado consolidada deverá ser eliminada a par- te correspondente, ou seja, R$ 150.000,00, na conta relativa à constitui ção da Provisão para o Imposto de Renda. Se o Imposto de Renda for referente à venda de ativo imobilizado, o ajus te correspondente deverá ser efetuado em conta do ativo realizável a longo prazo (ARLP), tendo em vista que a recuperação do imposto ocor re na proporção da baixa dos ativos correspondentes (depreciação, amortização, alienação etc). No exercício seguinte, quando os estoques no valor de R$ 1.000.000,00 forem realizados por vendas efetuadas a terceiros, deverá ser realizado o seguinte ajuste do imposto: D – Apuração do Resultado do Exercício 150.000,00 C – Imposto de Renda a Compensar (AC) 150.000,00 Observe que tais ajustes eliminam, no primeiro ano, o resultado líquido da transação interna; tal resultado foi incluído no ano seguinte, quando sua realização ocorreu de fato. Se uma empresa vende com lucro umativo para outra empresa que esteja isenta do Imposto de Renda, a eliminação será apenas do lucro bruto envolvido na operação. Exemplo 7, adaptado do modelo de Neves e Viceconti (2004): Os impostos recuperáveis não fazem parte do custo de aquisição da empresa compradora, tampouco da receita líquida da vendedora. Observe o exemplo abaixo que representa negociação de mercadorias entre controlada e controladora. A Cia. Silpa (controladora) compra a prazo mercadorias para revenda da controlada, Cia. PVSN, da seguinte forma: Valor 100.000,00 + IPI 10% 10.000,00 Total da NF 110.000,00 ICMS destacado 18% 18.000,00 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 170 Se o custo da referida mercadoria na controlada Cia. PVSN for de 42.000,00, o seu lucro na referida operação será de R$ 40.000,00, ou seja: Demonstração do Resultado Valores em R$ Faturamento Bruto 110.000,00 (-) IPI Faturado (10.000.00) (=) Receita Bruta 100.000,00 (-) ICMS sobre Vendas (18.000,00) (=) Receita Líquida 82.000,00 (-) Custo de Mercadorias Vendidas (42.000.00) (=) Lucro Bruto 40.000,00 No Balanço Consolidado, esse lucro de R$ 40.000,00 deverá ser elimina do na consolidação, sem nenhum ajuste nos valores dos impostos recu peráveis (IPI e ICMS). Na Demonstração de Resultado Consolidada haverá necessidade de eli- minação de todos os itens da referida demonstração, da seguinte forma: Contabilização: D – Faturamento Bruto 110.000,00 C – lPI Faturado 10.000,00 C – ICMS sobre Vendas 18.000,00 C – Custo das Mercadorias Vendidas 42.000,00 C – Mercadorias em Estoque 40.000,00 Ajustando-se o Faturamento Bruto, o IPI, o ICMS, e o CMV, estarão ajusta- dos automaticamente a Receita Bruta, a Receita Líquida e o Lucro Bruto. O valor do estoque na empresa compradora será de R$ 82.000,00 (110.000,00 - R$ 10.000,00 - R$ 18.000,00). 171 Neste primeiro tópico analisamos as principais operações envolvendo a consolidação das demonstrações financeiras, em específico a consolidação do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício. Analisamos os aspectos fiscais e contábeis necessários à consolidação, bem como a estrutura necessária para evidenciar tais demonstrações. Constatamos que todas as Sociedades Anônimas, de capital aberto ou fechado, são obrigadas a elaborar as demonstrações contábeis consolidadas quando essas possuírem controladas em seus investimentos permanentes. Porém, constatamos também que é aconselhado elaborar as demonstrações contábeis consolidadas, indiferente se for sociedade anônima ou não, se possuir investimentos em controladas ou apenas em coligadas, uma vez que tal procedimento visa enriquecer as informações contábeis. RESUMO DO TÓPICO 1 172 1 O que você entende por Consolidação de Demonstrações Contábeis? 2 Estão sujeitas à consolidação: a) ( ) BP, DRE, DLPA, DMPL e DFC b) ( ) BP e DRE c) ( ) BP e DFC d) ( ) BP, DRE, DFC e DVA 3 Entende-se por Lucros nos Estoques para fins de consolidação: a) ( ) o valor do lucro auferido pela empresa do conjunto em vendas realizadas a outras empresas do conjunto, enquanto estas não tenham vendido as referi das mercadorias para terceiros. b) ( ) o valor do lucro auferido pela empresa do conjunto, nas vendas para outras empresas do conjunto, independentemente de elas terem efetuado vendas para terceiros. c) ( ) a parcela dos estoques que corresponda à diferença entre o preço de com pra e o preço de venda, incluso o ICMS e excluído o PIS e a Cofins. d) ( ) a parcela dos estoques que corresponda à diferença entre o preço de com pra e o preço de venda, incluso o ICMS e excluído o IPI. 4 Dos procedimentos listados a seguir, indique aquele que não corresponde ao processo contábil de elaboração das demonstrações contábeis consolidadas. a) ( ) Eliminação das despesas e receitas de variação cambial efetuadas com instituições financeiras indicadas pela controladora. b) ( ) Exclusão de saldos de ativos e passivos em aberto de operações realizadas entre controladas e controladora. c) ( ) Valores de despesas e receitas de prestação de serviços realizados entre empresas do grupo. d) ( ) Operações de vendas efetuadas entre as empresas do grupo que efetuará a consolidação. Com base nos dados a seguir responda às questões de 5 a 7. A Cia. Itaici, controlada da Cia. Itacuruçá, em 02/01/2000 vende, à vista, uma máquina fresadora para sua investidora, cujos dados envolvidos na transação são os seguintes: Dados do Ativo Fixo Vendido Custo histórico 60.000.000 AUTOATIVIDADE 173 Depreciação Acumulada (30.000.000) Valor de Venda 50.000.000 Taxa anual de depreciação: 10% Outras informações: O período contábil das empresas é encerrado ao final do mês de dezembro. Ambas são companhias abertas e pertencem ao mesmo conglomerado empresarial. 5 Os procedimentos contábeis de consolidação das demonstrações deverão contemplar: a)( ) um lançamento de crédito, no valor de R$ 2.000.000, na conta de Depreciação Acumulada. b) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 3.000.000, na conta de Depreciação Acumulada. c) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 2.000.000, na conta de Depreciação Acumulada. d) ( ) um lançamento de débito, no valor de R$ 5.000.000, na conta de Depreciação Acumulada. 6 O valor líquido apurado como resultado não realizado em dezembro de 2000 é: a) ( ) $ 30.000.000 b) ( ) $ 24.000.000 c) ( ) $ 20.000.000 d) ( ) $ 18.000.000 7 O valor a ser ajustado na conta de Máquinas e Equipamentos é: a) ( ) $ 18.000.000 b) ( ) $ 20.000.000 c) ( ) $ 24.000.000 d) ( ) $ 30.000.000 8 Classificação da participação minoritária no Balanço Patrimonial Consolidado: a) ( ) após o Patrimônio Líquido. b) ( ) entre o Passivo Circulante e o Exigível a Longo Prazo. c) ( ) como uma Conta Retificadora do ATIVO PERMANENTE. d) ( ) após o Exigível a Longo Prazo e Antes do Patrimônio Líquido. 9 Com relação aos encargos de tributos correspondentes aos lucros não realizados: 174 a) ( ) não há necessidade de se efetuar qualquer eliminação ou ajuste para a consolidação das demonstrações contábeis. b) ( ) devem ser apresentados no ativo circulante ou realizável a longo prazo no balanço consolidado. c) ( ) devem ser apresentados no passivo circulante ou exigível a longo prazo no balanço consolidado. d) ( ) devem ser apresentados no passivo, no grupo de resultados de exercícios futuros no balanço consolidado. 10 Não devem integrar os Demonstrativos Consolidados os patrimônios de empresas controladas nas quais: a) ( ) o controle seja apenas temporário. b) ( ) ocorra total dependência tecnológica. c) ( ) ocorra dependência financeira integral. d) ( ) o controle seja permanente e total. 11 A Cia. Alfa possui, em seu Circulante, as seguintes contas: Ativo Passivo Disponibilidades 10.000,00 Contas a Receber 30.000,00 Contas a Receber – Cia. Beta 10.000,00 Fornecedores 5.000,00 Contas a Pagar 10.000,00 Total 50.000,00 15.000,00 A Cia. Beta possui, em seu Circulante, as seguintes contas: Ativo Passivo Disponibilidades 5.000,00 Contas a Receber 10.000,00 Fornecedores 30.000,00 Contas a Pagar Cia. Alfa 10.000,00Total 15.000,00 40.000,00 Sabendo-se que a Cia. Alfa controla totalmente a Cia. Beta, o consolidado será de: a) ( ) Ativo Circulante de R$ 65.000,00 e Passivo Circulante de R$ 45.000,00. b) ( ) Ativo Circulante de R$ 65.000,00 e Passivo Circulante de R$ 55.000,00. c) ( ) Ativo Circulante de R$ 55.000,00 e Passivo Circulante de R$ 45.000,00. d) ( ) Ativo Circulante de R$ 55.000,00 e Passivo Circulante de R$ 55.000,00. 12 As Demonstrações Contábeis das empresas controladas por companhia de capital aberto, para fins de consolidação, devem ser levantadas: a) ( ) em até 60 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da controladora; 175 b) ( ) em até 30 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da controladora; c) ( ) em até 90 dias antes da data das Demonstrações Contábeis da controladora; d) ( ) não é admitida defasagem entre as datas das Demonstrações Contábeis da controlada e controladora. Com base nos dados a seguir responda às questões de 13 a 17. A empresa LM é subsidiária integral da Cia. ABC, que também possuía 60% do capital da Cia. XY. Em 31/12/X7 os balanços patrimoniais da Cia. ABC e de suas controladas eram os seguintes: Controladora ABC Controlada LM Controlada XY Ativo Circulante Disponibilidades 1.000.00 15.000.00 22.000.00 Valores a receber 25.000.00 5.000.00 34.000.00 Estoques 45.000.00 20.000.00 Ativo Não Circulante Investimentos Participações na Cia. LM 20.000.00 Participações na Cia. XY 60.000.00 Imobilizado Líquido 100.000.00 10.000.00 54.000.00 Total do Ativo 251.000.00 30.000.00 130.000.00 Passivo Circulante Valores a pagar 16.000.00 5.000.00 Passivo Não Circulante Empréstimos Bancários 35.000.00 10.000.00 25.000.00 Patrimônio Líquido Capital Social 200.000.00 20.000.00 100.000.00 Total do passivo 251.000.00 30.000.00 130.000.00 Outras informações: • saldo da conta valores a pagar da Cia. XY correspondia a operações de repasses financeiros realizados com a controladora; 176 • em 31/12/X7, a Cia. LM tinha a receber $ 2.000 de sua controladora. 13 O valor apurado na consolidação do Balanço Patrimonial para as participações minoritárias é: a) ( ) $ 20.000 b) ( ) $ 100.000 c) ( ) $ 120.000 d) ( ) $ 40.000 14 Em 31/12/X7, o grupo tinha a receber de terceiros: a) ( ) $ 57.000 b) ( ) $ 64.000 c) ( ) $ 34.000 d) ( ) $ 5.000 15 O valor consolidado do capital social do grupo era: a) ( ) $ 320.000 b) ( ) $ 200.000 c) ( ) $ 300.000 d) ( ) $ 220.000 16 Em 31/12/X7 as obrigações totais do grupo eram: a) ( ) $ 14.000 b) ( ) $ 70.000 c) ( ) $ 84.000 d) ( ) $ 16.000 17 O valor do Ativo Não Circulante Consolidado em 31/12/X7 era: a) ( ) $ 224.000 b) ( ) $ 234.000 c) ( ) $ 164.000 d) ( ) $ 244.000 18 Na consolidação dos Balanços de Controladora e Controlada, todos os itens seguintes deverão ser excluídos, exceto: a) ( ) lucro não realizado nas transações de mercadorias entre controladora e contro lada. b) ( ) lucro na venda de Ativos Imobilizados entre controladora e controlada. c) ( ) contas a receber que representam contas a pagar na controlada. d) ( ) participações societárias de empresas não controladas e não pertencentes ao grupo. 177 19 A empresa A controla 100% do Capital Social da empresa B. A situação do Ativo Não Circulante de ambas, no encerramento do Balanço Patrimonial, é a seguinte (em R$): Ativo Permanente A B Participação em sociedade controlada Imobilizado líquido Intangível 1.000,00 5.000,00 650,00 3.000,00 150,00 Total 6.650,00 3.150,00 O Ativo Não Circulante consolidado será de (em R$): a) ( ) 9.800,00 b) ( ) 8.800,00 c) ( ) 6.650,00 d) ( ) 8.000,00 Com base nos dados a seguir responda às questões de 20 a 27. I – Balanço Patrimonial Controladora A Controlada B Ativo Disponível 95.000,00 125.000,00 Contas a receber – terceiros 120.000,00 Contas a receber – intercompanhias 140.000,00 Estoques 70.000,00 20.000,00 Investimentos na Controlada B 125.000,00 Imobilizado 350.000,00 35.000,00 Total do Ativo 760.000,00 320.000,00 Passivo Fornecedores terceiros 50.000,00 120.000,00 Fornecedores intercompanhias 140.000,00 Outras contas a pagar 40.000,00 55.000,00 Capital 500.000,00 125.000,00 Lucros a Destinar 30.000,00 20.000,00 Total do Passivo 760.000,00 320.000,00 II – Demonstrações do Resultado do Exercício Demonstração de Resultados Controladora A Controlada B Vendas 80.000,00 140.000,00 Custos das Vendidas (70.000,00) (100.000,00) Lucro Bruto 10.000,00 40.000,00 Resultado da equivalência 20.000,00 Lucro Líquido 30.000,00 40.000,00 178 III – Outras informações adicionais: • A controladora A constituiu a controlada B da qual tem 100% do capital. • A controlada B vendeu para a controladora A por R$ 140.000,00 mercadorias que lhe custaram R$ 100.000,00. • A controladora A vendeu metade dos estoques comprados da controlada B pelo preço de R$ 80.000,00. • No período foram distribuídos dividendos pela controlada B, na ordem de R$ 20.000,00. 20 Após a consolidação dos Balanços, o valor total das Contas a Receber é de (em R$): a) ( ) 120.000,00 b) ( ) 140.000,00 c) ( ) 80.000,00 d) ( ) 260.000,00 21 Após a consolidação dos Balanços, o valor total das dívidas com terceiros é de (em R$): a) ( ) 95.000,00 b) ( ) 170.000,00 c) ( ) 255.000,00 d) ( ) 265.000,00 22 Após a consolidação dos Balanços, o valor dos lucros a destinar é (em R$): a) ( ) 40.000,00 b) ( ) 30.000,00 c) ( ) 50.000,00 d) ( ) 80.000,00 23 Após a consolidação dos Balanços, o valor total do Ativo é (em R$): a) ( ) 720.000,00 b) ( ) 815.000,00 c) ( ) 1.080.000,00 d) ( ) 795.000,00 24 No processo de consolidação das demonstrações contábeis, o valor do lucro não realizado é de (em R$): 179 a) ( ) 20.000,00 b) ( ) 40.000,00 c) ( ) 30.000,00 d) ( ) 10.000,00 25 O valor das Receitas de Vendas Consolidadas é de (em R$): a) ( ) 80.000,00 b) ( ) 140.000,00 c) ( ) 120.000,00 d) ( ) 220.000,00 26 O valor do Custo das Vendas Consolidado é de (em R$): a) ( ) 30.000,00 b) ( ) 70.000,00 c) ( ) 50.000,00 d) ( ) 100.000,00 27 O valor do Lucro Bruto Consolidado é de (em R$): a) ( ) 10.000,00 b) ( ) 30.000,00 c) ( ) 40.000,00 d) ( ) 20.000,00 28 Com base nas informações a seguir, faça as eliminações e monte o balanço consolidado “Alfa/Beta”, levando em consideração que: Em 02/01/07, a Cia. Alfa adquire 100% das ações da Cia Beta por R$ 500.000,00.180 ELEMENTOS Cia. Alfa Cia. Beta Eliminações Balanço de A consolidando B D C em 02/01/X2 Ativo Circulante Investimentos Em Beta Em outras Imobilizado 1.200 500 60 140 220 10 310 TOTAL do ATIVO 1.900 540 Passivo Patrimônio Líquido Capital Reservas 500 1.000 400 40 400 100 TOTAL DO PASSIVO 1.900 540 Balanços Patrimoniais em 02/01/2007 (em R$ 1.000,00) 29 Com base nas informações a seguir faça as eliminações e monte o balanço consolidado “ABC”, levando em consideração que: Em 02/01/07, a Cia. Alfa adquire 100% das ações da Cia Beta por R$ 400.000,00. Ainda em 02/01/07 a Cia. Alfa adquire 60% das ações da Cia. Cisne por R$ 300.000,00. 181 ELEMENTOS Cia. Alfa Cia. Beta Cia. Cisne Eliminações Balanço de A consolidando B D C e C em 02/01/X2 Ativo Circulante Investimentos Em Beta Em Cisne Em outras Imobilizado 1.100 400 300 120 580 310 90 330 410 20 570 T O T A L d o ATIVO 2.500 730 1.000 Passivo Participação minoritária Patrimônio Líquido Capital Reservas 810 1.480 210 330 300 100 500 450 50 T O T A L d o PASSIVO 2.500 730 1.000 30 Com base nos dados a seguir, faça OS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS, AS ELIMINAÇÕES e MONTE O BALANÇO CONSOLIDADO da empresa “PB”: 1. Os Balanços Patrimoniais em 31/12/X1 da Controladora PASIL e da Controlada Beta: 182 Balanços Patrimoniais encerrados em 31/12/X1 (em R$) CONTAS Empresa Controladora Empresa Controlada ATIVO Caixa Contas a Receber Clientes Mercadorias Participações Societárias Terrenos Móveis Máquinas 10.000 25.000 3.000 42.000 57.000 23.000 1.000 20.000 13.000 10.600 30.000 12.400 22.000 3.000 24.000 TOTAIS 181.000 115.000 PASSIVO Fornecedores Impostos a Recolher Contas a Pagar Empréstimo Capital Social Lucros a Destinar 30.000 12.000 4.000 28.000 94.000 13.000 8.500 1.500 25.000 2.000 50.000 28.000 TOTAIS 181.000 115.000 Efetue os lançamentos contábeis de ajustes abaixo indicados, necessários à consolidação dos balanços em 31/12/X1. INFORMAÇÕES ADICIONAIS • A controladora (PASIL) detém 100% do capital da controlada (BETA) e o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial. • Toda a produção da controlada se destina à venda pela controladora, que somente adquire produtos da controlada e sempre pelo dobro do custo da produção. AJUSTES (Faça os lançamentos contábeis) 1. A controlada tem a pagar à controladora a importância de 25.000,00, registrada em contas a pagar. Logo, a controladora tem a receber R$ 25.000,00 da controlada 183 Na consolida ção, os saldos de Contas a Receber e de Contas a Pagar se com pensam, ficando, portanto, eliminados. Contabilização: D – ________________________________________ C – ________________________________________ 2. Toda a produção da controlada se destina à venda pela controlado ra, que adquire a mercadoria pelo dobro do custo de produção. D – ________________________________________ C – ________________________________________ 3. A controlada vende mercadorias para a controladora pelo dobro do preço de custo. Consequentemente, tanto no estoque de mer cadorias da controladora como no Patrimônio Líquido da controlada, existem R$ 21.000,00 (metade do estoque da controladora) de lucros ainda não realizados. Contabilização: D – ________________________________________ C – ________________________________________ 4. A controladora detém 100% do capital da controlada e o investi mento é avaliado pelo método da equivalência patrimonial. A participação societária da controladora é eliminada contra Capital Social e os Lucros Acumulados da controlada. Contabilização: D – _________________________________________ D – _________________________________________ C – _________________________________________ AJUSTES 184 CONTAS Empresa Controladora Empresa Controlada Débito Crédito Saldo Consolidado ATTVO Caixa Contas a Receber Clientes Mercadorias Participações Societárias Terrenos Móveis Máquinas 10.000 25.000 3.000 42.000 57.000 23.000 1.000 20.000 13.000 10.600 30.000 12.400 22.000 3.000 24.000 TOTAIS 181.000 115.000 PASSIVO Fornecedores Impostos a Recolher Contas a Pagar Empréstimo Capital Social Lucros a Destinar 30.000 12.000 4.000 28.000 94.000 13.000 8.500 1.500 25.000 2.000 50.000 28.000 TOTAIS 181.000 115.000 31 Com base nas informações a seguir faça: 1. A Demonstração do Resultado do Exercício de cada empresa separadamente. 2. O Balanço Patrimonial de cada empresa separadamente. 3. As eliminações necessárias para o Balanço consolidado. 4. As eliminações necessárias para a DRE consolidada. 185 CONTROLADORA A ATIVO PASSIVO Disponível Investimento Imobilizado 2.000 5.000 10.000 Patrimônio Líquido Capital 17.000 TOTAIS 17.000 17.000 CONTROLADA B ATIVO PASSIVO Estoques Imobilizado 1.000 4.000 Patrimônio Líquido Capital 5.000 TOTAIS 5.000 5.000 Obs.: A controladora detém 100% do capital da controlada. No decorrer do exercício, ocorreram apenas as seguintes transações: 1. A Cia. B vende metade dos seus estoques para Cia. A por R$ 800,00, à vista. 2. A Cia. A vende, à vista, para terceiros, 70% (setenta por cento) do estoque adquirido de B, por R$ 750,00. DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO Itens Controladora A Controlada B Vendas (-) CMV (=) Lucro Bruto (+) Resultado da Equivalência (=) Lucro Líquido 1 Faça a DRE de cada empresa separadamente. 186 BALANÇOS PATRIMONIAIS CONTROLADORA A CONTROLADA B ATIVO PASSIVO ATIVO PASSIVO Disponível Estoques Investimentos Imobilizado PL Capital Lucros a Destinar Disponível Estoques Imobilizado PL Capital Lucros a Destinar TOTAIS 3 Faça as eliminações necessárias para o Balanço consolidado. Contas Empresas Ajustes Consolidado A B Débito Crédito Disponível Estoques Investimentos Imobilizado Total Capital Lucros a Destinar Total 4 Faça as eliminações necessárias para a DRE consolidada. Contas Empresas Ajustes Consolidado A B Débito Crédito Vendas CMV Lucro Bruto Equivalência Lucro Líquido 2 Faça o Balanço de cada empresa separadamente. 187 TÓPICO 2 CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste segundo momento analisaremos operações contábeis envolvendo matriz e filial, desde conceitos até exemplos práticos envolvendo transferência de numerários, compras e transferências de mercadorias, com ou sem lucro. Conheceremos o tratamento tributário que envolve as operações entre matriz e filial, sendo na apuração centralizada ou descentralizada. 2 CONCEITUALIZAÇÃO DE MATRIZ A matriz pode ser conceituada como sendo a empresa principal, ou seja, aquela que gerou e é responsável por todos os demais estabelecimentos que estejam sob o mesmo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. De acordo com Neves e Viceconti (2004, p. 319), a matriz “[...] representa o estabelecimento sede ou principal, ou seja, aquele que tem primazia na direção e a que estão subordinados todos os demais, chamados de filiais, sucursais e agências. Representa, portanto, o estabelecimento mãe, exprimindo a fonte ou a origem [...]”. Todo o estabelecimento é identificado através de um CNPJ. Este CNPJ é composto por oito dígitos iniciais que determinama raiz do cadastro, mais quatro dígitos que definem se é matriz ou filial e mais dois dígitos para controle na própria Receita Federal do Brasil – RFB. Portanto, poderíamos ter uma matriz com o seguinte CNPJ 85.123.732/0001- 34, a primeira filial com o CNPJ 85.123.732/0002-87, a segunda filial com o CNPJ 85.123.732/0003-12 e assim por diante. 188 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL NOTA Note que os primeiros oito dígitos não se alteram e os quatro dígitos após a barra servem para identificar se é matriz ou identificar a sequência de filiais que foram abertas pela matriz. Portanto, se a matriz tiver 200 filiais, o CNPJ poderia estar assim representado, de acordo com o exemplo: CNPJ 85.123.732/0200-35. 3 CONCEITUALIZAÇÃO DE FILIAIS, SUCURSAIS E AGÊNCIAS As diferenças entre filiais, sucursais ou agências são pequenas, porém cada uma apresenta alguma peculiaridade em especial que cabe, aqui, ser explanada. Conforme adaptado de Neves e Viceconti (2004): • Filial representa os estabelecimentos filhos da matriz, onde sua criação ou extinção depende de alterações contratuais ou estatutárias. Após a alteração contratual ou estatutária, esta, para valer legalmente, dependerá da devida efetivação do registro na Junta Comercial do Estado onde a filial estiver localizada. A filial pode ser qualquer estabelecimento mercantil que é dependente ou ligado a outro estabelecimento. De forma genérica, a filial é designada de agência ou sucursal. • Sucursal é tida como estabelecimento com maior autonomia administrativa, possuindo uma direção a que se atribui uma faculdade de decidir e operar com maior liberdade, enquanto que a filial tem dependência mais direta da matriz. Portanto, a sucursal tem categoria superior e posição hierárquica mais elevada que a filial e, em certos casos, com as próprias agências e filiais, compõem um departamento regional. • Agência tem o mesmo significado de filial ou sucursal, porém no Brasil essa terminologia é designada para identificar agências bancárias ou dos correios. UNI Trataremos neste tópico os conceitos de filial, sucursal e agência como sendo iguais para fins de contabilização. TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 189 4 FORMAS DE CONTABILIZAÇÃO ENTRE MATRIZ E FILIAL A contabilidade entre matriz e filais pode ser centralizada ou descentralizada. É centralizada quando todas as operações contábeis são registradas unicamente na matriz, mesmo que esta tenha um plano de contas específico para registrar as operações e saldos das filiais, elaborando, por exemplo, um único balancete. Por sua vez, é descentralizada quando as operações contábeis são registradas individualmente, pela matriz e por suas filiais, elaborando, por exemplo, um balancete para a matriz e outro para cada uma das filais. No entanto, mesmo optando pela escrituração descentralizada, é obrigatório, ao final de cada mês, incorporar as demonstrações contábeis de matriz e filial, conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, no art. 252. Art. 252 É facultado às pessoas jurídicas que possuírem filiais, sucursais ou agências, manter contabilidade não centralizada, devendo incorporar ao final de cada mês, na escrituração da matriz, os resultados de cada uma delas. De acordo com a Resolução 1.330, de 18 de março de 2011, do Conselho Federal de Contabilidade, em relação à escrituração contábil de filial: 1. A entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, quer como filial, agência, sucursal ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração descentralizado, deve ter registros contábeis que permitam a identificação das transações de cada uma dessas unidades. 2. A escrituração de todas as unidades deve integrar um único sistema contábil. 3. A opção por escrituração descentralizada fica a critério da entidade. 4. Na escrituração descentralizada deve ser observado o mesmo grau de detalhamento dos registros contábeis da matriz. 5. As contas recíprocas relativas às transações entre matriz e unidades, bem como entre estas, devem ser eliminadas quando da elaboração das demonstrações contábeis da entidade. 6. As despesas e as receitas que não possam ser atribuídas às unidades devem ser registradas na matriz e distribuídas para as unidades de acordo com critérios da administração da entidade. 190 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL NOTA Portanto, na escrituração centralizada é lançado no livro diário da MATRIZ o movimento da matriz e da filial. Já na escrituração descentralizada, o movimento é reconhecido separadamente, ou seja, se possui um livro diário para a matriz e um livro diário para a filial, porém, ao final do mês, ambos os métodos terão que formar uma consolidação das contas patrimoniais e de resultados entre filial e matriz formando uma única entidade. A opção pelo registro centralizado ou descentralizado é facultativa; portanto, cabe a cada empresa analisar a forma mais adequada ou necessária para o registro das operações contábeis. Segundo Neves e Viceconti (2004), é importante salientar que, na contabilidade descentralizada, cada filial é tratada como se fosse uma entidade à parte, ou seja, como se fosse outra empresa, pois registra e separa todas as operações em ativos, passivos, receitas, custos, despesas e outros elementos, como se fosse qualquer outra empresa normal, apurando separadamente as demonstrações contábeis, inclusive o resultado do exercício. UNI Obviamente que, para fins gerenciais, é aconselhável sempre acompanhar o resultado separadamente de cada filial. 5 APURAÇÃO FISCAL E TRIBUTÁRIA Quanto às obrigações acessórias, como, por exemplo, a emissão de notas fiscais, cada filial e/ou matriz deverá emitir individualmente seus documentos, cabendo, após a emissão, o registro centralizado ou descentralizado contabilmente, uma vez que a raiz do CNPJ será igual, porém, se necessário, cada matriz e filial terá sua Inscrição Estadual – IE. Nas empresas optantes do Simples Nacional, onde há a apuração consolidada de vários impostos, a matriz e as filiais podem controlar separadamente o valor a ser pago do Simples, porém, ao final da apuração será gerado um único Documento de Arrecadação do Simples – DAS. Veja o exemplo a seguir com base no modelo apresentado pela Receita Federal do Brasil – RFB: TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 191 Considerando a empresa Mega Nacional Ltda., que possui uma matriz e duas filiais e possui receitas decorrentes da venda de mercadorias por ela industrializadas (Anexo II, Seção I, Tabela 1) e receitas decorrentes da prestação de serviços de instalação e manutenção de aparelhos de refrigeração (Anexo III, Seção III, Tabela 1). Sabe-se que a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses é a seguinte: Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo II: $ 480.000,00 Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo III: $ 285.000,00 Receitas decorrentes da Filial 1 conforme o Anexo III: $ 350.000,00 Receitas decorrentes da Filial 2 conforme o Anexo III: $ 575.000,00 Total da receita bruta (soma matriz e filiais): $ 1.690.000,00 Sabe-se também que a receita do mês (receita a ser tributada) é a seguinte: Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo II: $ 40.000,00 Receitas decorrentes da Matriz conforme o Anexo III: $ 25.000,00 Receitas decorrentes da Filial 1 conforme o Anexo III: $ 35.000,00 Receitas decorrentes da Filial 2 conforme o Anexo III: $ 50.000,00 Total da receita bruta do Período de Apuração (soma matriz e filiais): $150.000,00 Portanto: • a base da Receita Bruta Acumulada para fins de determinação da alíquota do Simples será a soma da Receita Bruta Acumulada da empresa nos 12 meses anteriores ao Período de Apuração,ou seja, $ 1.690.000,00; • o valor devido do Simples Nacional pela Matriz será (40.000 x 10,82%) + (25.000 x 15,48%) = 4.328,00 + 3.870,00 = 8.198,00; • o valor devido do Simples Nacional pela Filial 1 será (35.000 x 15,48%) = 5.418,00; • o valor devido do Simples Nacional pela Filial 2 será (50.000 x 15,48%) = 7.740,00; e • o valor devido do Simples Nacional total (matriz e filial) será (8.198,00 + 5.418,00 + 7.740,00) = 21.356,00. O valor de 21.356,00 será recolhido num único DAS, porém, poderá ser reconhecido contabilmente, separadamente. Os percentuais multiplicados pela receita são encontrados de acordo com a Receita Bruta Acumulada em cada um dos anexos indicados, ou seja, basta entrar em cada um dos anexos e encontrar a faixa de faturamento acumulado que se encaixe em 1.690.000,00 192 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL NOTA Na apuração do Simples Nacional, quando a empresa possuir filiais, a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses será a soma da receita da matriz e filais, mesmo que estas possuam atividades distintas. Já nas empresas optantes pelo Lucro Presumido ou Lucro Real, em que a apuração do ICMS, ISSQN, IPI, INSS, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ é feita individualmente, o recolhimento desses impostos será da seguinte forma: • ICMS será recolhido de acordo com a legislação de cada Estado. Em alguns estados, para aquelas entidades que possuírem matriz e filial dentro do mesmo Estado, desde que haja comunicação de centralização de recolhimento, poderão apurar o ICMS em Documento de Arrecadação – DARE único. Caso o Estado não permita a centralização, será obrigatório o recolhimento em quantos DARES forem necessários, ou seja, o recolhimento não poderá ser em DARE único juntando matriz e filial. • ISSQN – será obrigatório o recolhimento em quantas guias for necessário, ou seja, o recolhimento não poderá ser em guia única juntando matriz e filial. • IPI – será obrigatório o recolhimento em quantos DARFs forem necessários, ou seja, o recolhimento não poderá ser em guia única juntando matriz e filial. • INSS – será obrigatório o recolhimento em quantas guias forem necessárias, ou seja, o recolhimento não poderá ser em GPS única juntando matriz e filial. • PIS – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF. • COFINS – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF. • CSLL – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF. • IRPJ – deve ser recolhido de forma centralizada, em um único DARF. Cabe frisar que mesmo a apuração sendo centralizada, indiferente do imposto em questão, a Escrituração Fiscal Digital – EFD deverá ser confeccionada e enviada individualmente à RFB, não podendo ser centralizada na matriz. TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 193 NOTA A empresa que possuir mais de um estabelecimento poderá, sem necessidade de autorização da CAIXA, optar pela centralização parcial ou total dos recolhimentos ao FGTS, desde que mantenha, em relação àquelas unidades, o controle de pessoal e dos registros contábeis também centralizados. A centralização dos recolhimentos ao FGTS não implica a centralização dos recolhimentos para a Previdência Social. Ainda em relação ao ICMS, é importante destacar que: • A centralização só pode ocorrer entre empresas do mesmo Estado. Veja os exemplos a seguir: 1 Matriz situada no Estado de Santa Catarina e filial no Estado do Paraná: a apuração do ICMS não poderá ser centralizada, uma vez que cada Estado tem sua legislação sobre o ICMS. 2 Matriz situada no Estado de Santa Catarina e filial também no Estado de Santa Catarina: a apuração do ICMS poderá ser centralizada, uma vez que a legislação estadual é única. • Após centralização, o ICMS é recolhido pelo centralizador. A entidade deverá optar por apenas um centralizador, podendo ser a matriz ou uma das filiais. • Para transferência de ICMS entre matriz e filial basta a opção pela centralização (ou seja, há necessidade de serem do mesmo Estado). Nessa hipótese, não será necessário pedir autorização ao fisco para fazer a transferência. A transferência será o limite do débito do centralizador. • Não havendo centralização, o ICMS é recolhido individualmente por empresa. Nesse caso, para transferir ICMS entre matriz e filial é preciso autorização do fisco. • O ICMS é diferido internamente nas operações entre matriz e filial, ou seja, nas vendas entre matriz e filial que estejam localizadas no mesmo estado. Por exemplo: 1. no estado de Santa Catarina, as operações internas entre matriz e filial, desde que seja optado pela apuração centralizada, o ICMS será diferido, conforme consta no Regulamento do ICMS/SC, Decreto 2.870 de 27 de agosto de 2001, Anexo 3, artigo 8º. inciso III. 194 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 6 EXEMPLOS A seguir serão apresentados três exemplos com o objetivo de evidenciar as operações entre matriz e filial. Exemplo 1: Transferência de numerários Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende Mais Ltda. levantado em 31/12/X1. BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 80.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 Registros Contábeis e Consolidação de Balanços Suponha que durante o exercício de X2, os sócios tenham decidido ampliar o negócio abrindo uma filial. Depois de legalizado o novo estabelecimento, a matriz transferiu a importância de R$ 10.000,00, da sua conta movimento para a conta movimento da filial. Contabilização na Matriz: Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00 Crédito – Bancos Conta Movimento (AC) 10.000,00 Contabilização na Filial: Débito – Bancos conta Movimento (AC) 10.000,00 Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00 Agora, apenas para ilustrar um registro contábil comum na filial, suponha que a filial tenha adquirido, à vista, móveis e utensílios, no valor de R$ 6.000. TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 195 Contabilização na Filial: Débito – Móveis e Utensílios (ANC) 6.000,00 Crédito – Bancos Conta Movimento (AC) 6.000,00 Considerando que no exercício de X2 tenham ocorrido somente esses fatos e que a contabilização seja descentralizada, os Balanços da matriz e da sua filial ficarão assim: BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 70.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 17.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 TOTAL DO ATIVO CIRCULANTE 70.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 30.000,00 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 10.000,00 Conta Corrente Filial 10.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 4.000,00 NÃO CIRCULANTE 10.000,00 Bancos Conta Movimento 4.000,00 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 10.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 6.000,00 Conta Corrente Matriz 10.000,00 IMOBILIZADO 6.000,00 Móveis e Utensílios 6.000,00 TOTAL DO ATIVO 10.000,00 TOTAL DO PASSIVO 10.000,00 196 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL A escrituração da eliminação dodireito e da obrigação recíprocos, no exemplo em questão: Registro contábil no diário da matriz: Débito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00 Crédito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00 Então, o Balanço consolidado, ou seja, o Balanço que reflete realmente a situação patrimonial do conjunto, será: BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. CONSOLIDADO LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 74.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 21.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 26.000,00 IMOBILIZADO 26.000,00 Móveis e Utensílios 26.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 Exemplo 2: Transferência de mercadorias pelo custo Obs.: Apuração do ICMS é descentralizada, uma vez que matriz e filial estão localizadas em Estados distintos. Nas transferências internas de mercadorias, seja da matriz para as filiais ou vice-versa, seja entre as filiais, o ideal é que sejam efetuadas sempre pelo preço de custo, ou seja, pelo valor que o grupo pagou ao fornecedor de fora do grupo. Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende Mais Ltda. levantado em 31/12/X1, situada no Estado de Santa Catarina. TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 197 BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 80.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 Em X2, a única operação que a Vende Mais Ltda. fez foi a transferência de todo seu estoque para sua filial, situada no Estado do Paraná, a qual até então não tinha movimento e nem saldo. Sabe-se que há a incidência de 12% de ICMS. Portanto, como o ICMS é calculado de dentro para fora, a matriz procedeu da seguinte forma para que a mercadoria fosse transferida pelo preço de custo: Cálculo do valor da transferência pelo preço de custo com ICMS 12%: Preço de custo – 44.000,00 ICMS – 12% Para inserir o ICMS, sabendo que se calcula de dentro para fora, deve-se proceder da seguinte forma: 100% (-) 12% = 88% ou 0,88 na forma decimal, sendo que: 100% é sempre fixo. 12% é a alíquota do ICMS. 0,88 é o resultado de 88% dividido por 100. Então, 44.000,00 dividido por 0,88 = 50.000,00 (esse o valor da transferência pelo preço de custo, mas com a incidência de 12% de ICMS). Para tirar uma prova real: 50.000,00 menos 12% = 44.000,00, ou seja, o resultado da equação deverá ser sempre o preço de custo. 198 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL Contabilização na Matriz pela venda: Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 50.000,00 Crédito – Receita de Vendas – Filial (DRE) 50.000,00 Débito – ICMS s/ Vendas – Filial (DRE) 6.000,00 Crédito – ICMS a recolher (PC) 6.000,00 Débito – CMV – Filial (DRE) 44.000,00 Crédito – Estoques (AC) 44.000,00 Contabilização na Matriz pela apuração do ICMS. A apuração é descentralizada, ou seja, a matriz e a filial têm apurações distintas. Uma vez que a matriz possui um saldo de ICMS a recuperar e na venda de mercadorias para a filial gerou R$ 6.000,00 de ICMS a recolher, a apuração do ICMS ficará dessa forma: Débito – ICMS a recolher (PC) 6.000,00 Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 6.000,00 Note que o saldo de menor valor (ICMS a recolher) foi zerado. Contabilização na Filial: Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 50.000,00 Débito – Estoques de Mercadorias (AC) 44.000,00 Débito – ICMS a Recuperar (AC) 6.000,00 Considerando que no exercício de X2 ocorreram somente essas operações, veja como matriz e filial apurarão suas demonstrações contábeis. a) Na Matriz: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vende Mais Ltda. Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2 Receita Bruta de Vendas 50.000,00 (-) Impostos 6.000,00 (=) Receita Líquida 44.000,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida 44.000,00 (=) Resultado do Exercício 0,00 TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 199 BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 30.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 ICMS a Recuperar 3.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 70.000,00 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 50.000,00 Conta Corrente Filial 50.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 50.000,00 NÃO CIRCULANTE 50.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 50.000,00 ICMS a Recuperar 6.000,00 Conta Corrente Matriz 50.000,00 TOTAL DO ATIVO 50.000,00 TOTAL DO PASSIVO 50.000,00 A escrituração da eliminação do direito e da obrigação recíprocos, no exemplo em questão: Registro contábil no Diário da Matriz: Débito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 50.000,00 Crédito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 50.000,00 Eliminação das contas de resultado entre matriz e filial: Na Matriz Débito – Receita de Vendas – matriz (DRE) 50.000,00 Crédito – ICMS s/ Vendas – matriz (DRE) 6.000,00 Crédito – CMV – da matriz (DRE) 44.000,00 200 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL Então o Balanço consolidado, ou seja, o Balanço que reflete realmente a situação patrimonial do conjunto, será: BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. CONSOLIDADO LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 80.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 Perceba que não houve alteração dos saldos consolidados, uma vez que a operação foi efetuada pelo preço de custo. Nesse caso também não há a necessidade de elaboração da Demonstração de Resultado do Exercício consolidada, uma vez que todos os saldos foram zerados, porque não houve resultado. NOTA Nesse exemplo, a matriz ficaria com um saldo de ICMS a recuperar de R$ 3.000,00 e a filial com um saldo também de ICMS a recuperar de R$ 6.000,00. Exemplo 3: Transferência de mercadorias com lucro Obs.: Apuração do ICMS é descentralizada, uma vez que matriz e filial estão localizadas em Estados distintos. A transferência de mercadorias com lucros sofre o mesmo processo da consolidação das demonstrações contábeis, ou seja, o lucro deve ser eliminado, servindo então, apenas para avaliação interna ou desempenho. Portanto, ao final TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 201 do período o estoque estará evidenciado pelo seu preço de custo, uma vez que o lucro nas transações entre filiais e matriz ou vice-versa deve ser eliminado. Considere o seguinte Balanço Patrimonial da sociedade comercial Vende Mais Ltda. levantado em 31/12/X1. Sabe-se que a Matriz está localizada no Estado de Santa Catarina e sua filial no Estado do Paraná. BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. LEVANTADO EM 31/12/X1 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 80.000,00 PATRIMÔNIOLÍQUIDO 100.000,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 Capital Social 100.000,00 Estoque de Mercadorias 44.000,00 ICMS a Recuperar 9.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 100.000,00 TOTAL DO PASSIVO 100.000,00 Obs.: A empresa optou pela Apuração do ICMS centralizada no Estado. Em X2, a únicas operações da Vende Mais Ltda. foram estas: 1. Venda de todo seu estoque para sua filial, a qual até então não tinha movimento e nem saldo. Sabe-se que o estoque foi vendido por 80.000,00 e que há incidência de 12% de ICMS. 2. Transferência de 10.000,00 para a filial. Contabilização na Matriz pela venda à filial: Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 80.000,00 Crédito – Receita de Vendas – Filial (DRE) 80.000,00 Débito – ICMS s/ Vendas – Filial (DRE) 9.600,00 Crédito – ICMS a recolher (PC) 9.600,00 Débito – CMV – Filial (DRE) 44.000,00 Crédito – Estoques (AC) 44.000,00 Contabilização na Matriz pela transferência de 10.000,00 à filial: 202 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL Débito – Contas Correntes – Filial (ARLP) 10.000,00 Crédito – Banco Conta Movimento (AC) 10.000,00 Contabilização na filial pela compra do estoque na matriz: Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 80.000,00 Débito – Estoques de Mercadorias (AC) 70.400,00 Débito – ICMS a Recuperar (AC) 9.600,00 Contabilização na filial pelo recebimento em transferência de 10.000,00 da matriz: Crédito – Contas Correntes – Matriz (PELP) 10.000,00 Débito – Banco Conta Movimento (AC) 10.000,00 Ainda em X2 a filial vende 50% de seu estoque por 60.000,00 a terceiros com incidência de 17% de ICMS. Contabilização na filial pela venda de 50% do estoque a terceiros com 18% de ICMS: Débito – Clientes (AC) 60.000,00 Crédito – Receita de Vendas (DRE) 60.000,00 Débito – ICMS s/ Vendas (DRE) 10.200,00 Crédito – ICMS a recolher (PC) 10.200,00 Débito – CMV (DRE) 35.200,00 Crédito – Estoques (AC) 35.200,00 Considerando que, no exercício de X2, ocorreram somente essas operações, veja como matriz e filial apurarão suas demonstrações contábeis. a) Na Matriz: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vende Mais Ltda. Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2 Receita Bruta de Vendas 80.000,00 (-) Impostos 9.600,00 (=) Receita Líquida 70.400,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida 44.000,00 (=) Resultado do Exercício 26.400,00 TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 203 Em relação ao ICMS, tem-se: ICMS a Recolher 9.600,00 ( -) ICMS a Recuperar 9.000,00 (=) Saldo a Recolher 600,00 A contabilização da apuração do ICMS na matriz seria dessa forma: Débito – ICMS a recolher (PC) 9.000,00 Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 9.000,00 Portanto, o Balanço Patrimonial na matriz ficará assim: BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. Matriz LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 17.000,00 PASSIVO CIRCULANTE 600,00 Bancos Conta Movimento 17.000,00 ICMS A RECOLHER 600,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 110.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 126.400,00 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 90.000,00 Capital Social 100.000,00 Conta corrente Filial 90.000,00 Lucros a Destinar 26.400,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 127.000,00 TOTAL DO PASSIVO 127.000,00 b) Na Filial: 204 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vende Mais Ltda. Filial LEVANTADO EM 31/12/X2 Receita Bruta de Vendas 60.000,00 (-) Impostos 10.200,00 (=) Receita Líquida 49.800,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida 35.200,00 (=) Resultado do Exercício 14.600,00 Em relação ao ICMS, tem-se: ICMS a Recolher 10.200,00 (-) ICMS a Recuperar 9.600,00 (=) Saldo a Recuperar 600,00 A contabilização da apuração do ICMS na filial seria dessa forma: Débito – ICMS a recolher (PC) 9.600,00 Crédito – ICMS a Recuperar (AC) 9.600,00 Portanto, o Balanço Patrimonial na filial ficará assim: BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. FILIAL LEVANTADO EM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 106.400,00 CIRCULANTE 600,00 Bancos Conta Movimento 10.000,00 ICMS a Recolher 600,00 Clientes 60.000,00 NÃO CIRCULANTE 90.000,00 Estoque de Mercadorias 35.200,00 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 90.000,00 Conta Corrente Matriz 90.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 14.600,00 Lucros a Destinar 14.600,00 TOTAL DO ATIVO 105.200,00 TOTAL DO PASSIVO 105.200,00 Agora, para a consolidação entre matriz e filial serão necessárias as seguintes eliminações: TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 205 a) Eliminação de direitos e obrigações recíprocos: Débito – Contas Correntes (PELP Matriz) 90.000,00 Crédito – Contas Correntes (ARLP Filial) 90.000,00 b) Eliminação dos lucros da matriz embutido nos estoques da filial. (Lucros não realizados) e eliminação do CMV a maior na filial: Memória de cálculo: Venda: 80.000,00 (-) ICMS 9.600,00 (-) Custo 44.000,00 Lucro 26.400,00 Como 50% da mercadoria já foi revendida a terceiros, portanto, o lucro não realizado que ainda está incorporado no estoque da filial é de 13.200,00 (50% de 26.400,00). Nesse caso, deve-se também eliminar o valor de 13.200,00 de CMV reconhecido a maior na filial pelo lucro realizado. Débito – Lucro a Destinar (PL Matriz) 26.400,00 Crédito – Estoque de Mercadorias (AC da filial) 13.200,00 Crédito – CVM (filial) 13.200,00 c) Na apuração descentralizada do ICMS, portanto, cada entidade, matriz e filial, terão sua própria apuração do ICMS, não cabendo então qualquer lançamento de compensação, mesmo porque há apenas saldos de ICMS a recolher, tanto na matriz como na filial. d) Eliminação das contas de resultado entre matriz e filial e transferência do resultado do exercício da matriz: Na Matriz Débito – Receita de Vendas – matriz (DRE) 80.000,00 Crédito – ICMS s/ Vendas – matriz (DRE) 9.600,00 Crédito – CMV – da matriz (DRE) 44.000,00 Crédito – Lucros a Destinar 26.400,00 e) Transferência do resultado do exercício da filial: Débito – Resultado do Exercício (DRE) 27.800,00 Crédito – Lucros a Destinar 27.800,00 O resultado passou de 14.600,00 para 27.800,00, uma vez que foram eliminados 13.200,00 de CMV a maior na filial. 206 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL Perceba que não estão sendo zeradas as contas de resultado da filial, uma vez que tais saldos provêm de operações com terceiros. Portanto, para transferir o resultado da Demonstração do Resultado do Exercício da filial para o patrimônio líquido consolidado, estamos considerando uma conta transitória denominada Resultado do Exercício. Essa conta é evidenciada na última linha da Demonstração do Resultado do Exercício da filial. Feitas as eliminações, as demonstrações consolidadas serão assim: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vende Mais Ltda. Consolidado LEVANTADO EM 31/12/X2 Receita Bruta de Vendas 60.000,00 (-) Impostos 10.200,00 (=) Receita Líquida 49.800,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida 22.000,00 (=) Resultado do Exercício 27.800,00 BALANÇO PATRIMONIAL Vende Mais Ltda. Consolidado LEVANTADOEM 31/12/X2 ATIVO R$ PASSIVO R$ ATIVO CIRCULANTE 109.000,00 PASSIVO CIRCULANTE 1.200,00 Bancos Conta Movimento 27.000,00 ICMS A RECOLHER 1.200,00 Clientes 60.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 127.800,00 Estoques 22.000,00 Capital Social 100.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 20.000,00 Lucros a Destinar 27.800,00 IMOBILIZADO 20.000,00 Móveis e Utensílios 20.000,00 TOTAL DO ATIVO 129.000,00 TOTAL DO PASSIVO 129.000,00 TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 207 UNI Caro/a acadêmico/a!!! Para aprofundar seus conteúdos, sugerimos a Leitura Complementar a seguir, extraída do livro Contabilidade Avançada: textos e testes com respostas de José Hernandes Perez Junior e Luis Martins de Oliveira (2010). A partir desse texto você compreenderá um pouco mais sobre o processo de consolidação das demonstrações contábeis. Será apresentado, a seguir, um roteiro para orientar os trabalhos dos profissionais responsáveis pela elaboração ou auditoria das demonstrações contábeis consolidadas. LEITURA COMPLEMENTAR ROTEIRO DE ORIENTAÇÃO PARA ELABORAÇÃO OU AUDITORIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS 1 Não obrigatoriedade da elaboração e publicação das Demonstrações Contábeis Consolidadas A controladora pode deixar de apresentar as demonstrações contábeis consolidadas, somente se, além de permitido legalmente: • a controladora é, ela própria, uma controlada (integral ou parcial) de outra entidade, a qual, em conjunto com os demais proprietários, incluindo aqueles sem direito a voto, foram consultados e não fizeram objeção quanto à não apresentação das demonstrações contábeis consolidadas pela controladora; • a controladora não é uma sociedade anônima; e 2 Critérios para consolidação Na preparação do balanço consolidado, certifique-se de que: • foram discutidas as possíveis exclusões de sociedades controladas no balanço a ser consolidado (exemplo: empresas em regime falimentar, em liquidação ou com atividades em áreas econômicas substancialmente diferenciadas das demais sociedades incluídas na consolidação); • as demonstrações contábeis das sociedades controladas, para fins de consolidação, foram levantadas na mesma data ou até no máximo 60 (sessenta) dias antes da data das demonstrações contábeis da controladora; as 208 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL demonstrações contábeis de cada companhia incluída no balanço consolidado estão de acordo com os livros oficiais individuais; • foram observados e ajustados os eventos significativos ocorridos após os balanços preparados pelas subsidiárias até a data-base da consolidação (quando a data-base for anterior à data de fechamento); • todos os princípios contábeis adotados pela controladora e pelas controladas são efetivamente semelhantes (nota: entende-se que a controladora, no caso, adotou princípios contábeis mais adequados e, dessa forma, as controladas devem seguir esses princípios); • caso haja princípios contábeis diferentes, seus efeitos foram eliminados e ajustados antes de incluir a respectiva companhia no balanço combinado; • todos os saldos e operações entre as companhias que estão sendo consolidados foram conciliados e ajustados; • foram conferidas as somas horizontais e verticais do balanço e resultado combinados. 3 Procedimentos para eliminações de saldos Certifique-se de que: a) foram eliminadas quaisquer participações recíprocas entre as sociedades incluídas na consolidação; b) o investimento da controladora em suas controladas foi eliminado contra a correspondente proporção no patrimônio líquido dessas controladas incluídas na consolidação; c) foram destacadas as participações dos acionistas minoritários, não controladores, do patrimônio líquido consolidado; d) foram eliminados os lucros não realizados decorrentes de negócios entre a controladora e as sociedades controladas incluídas na consolidação, bem como decorrentes de negócios entre essas controladas; e) foram eliminados os saldos de contas correntes e contas a pagar e a receber entre as companhias incluídas no consolidado; f) foram eliminadas as receitas e despesas decorrentes de negócios entre a controladora e as sociedades controladas incluídas na consolidação, assim como as decorrentes de negócios entre as controladas; g) as participações dos acionistas minoritários no resultado do exercício foram TÓPICO 2 | CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 209 apresentadas como dedução do resultado consolidado; h) foram demonstrados em controles auxiliares os cálculos das participações dos acionistas minoritários no lucro ou prejuízo e no patrimônio consolidado; i) foram diferidos os tributos decorrentes da eliminação dos lucros não realizados entre as sociedades incluídas na consolidação; j) durante o exercício ocorreu aumento de capital da controladora com lucro não realizado, anteriormente eliminado no consolidado; k) caso a resposta ao item j seja positiva, analisar o tratamento dispensado para retificar o patrimônio líquido consolidado; l) certificar-se de que o lucro não realizado, eliminado no exercício anterior, continua sendo eliminado neste exercício ou que foi totalmente realizado no exercício (atentar para a realização por meio da depreciação, quando o lucro não realizado decorrer da venda de imobilizado); m) existe parcela de ágio ou deságio incluída no valor contábil do investimento não absorvida na consolidação; n) se a resposta ao item n for positiva e o ágio ou deságio for resultante de diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bem ativo e o valor contábil na sociedade controlada incluído na consolidação, o mesmo deve ser demonstrado como correção desta conta específica do ativo; o) se a resposta ao item n for positiva e o ágio for resultante de diferença para mais em decorrência de expectativa de rentabilidade baseada em projeção de resultados, o mesmo deve ser apresentado no ativo permanente; p) se a resposta ao item n for positiva e o deságio for resultante de diferença para menos em decorrência de expectativa de rentabilidade baseada em projeção de resultados, o mesmo deve ser apresentado como resultado de exercícios futuros. 4 Publicação das demonstrações contábeis consolidadas Analise as demonstrações preparadas em forma final e certifique-se de que: a) estão sendo apresentadas as seguintes demonstrações contábeis consolidadas de forma comparativa: 1. balanço patrimonial; 2. resultado do exercício; 210 UNIDADE 3 | CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E CONTABILIDADE DE MATRIZ E FILIAL 3. movimentação nas contas do patrimônio líquido; 4. fluxo de caixa; 5. valor adicionado (se for o caso). b) as demonstrações contábeis para publicação estão sendo apresentadas em conjunto com as demonstrações contábeis da controladora. 5 Notas explicativas Confira as notas explicativas anexas às demonstrações contábeis consolidadas e veri fique se contêm os seguintes detalhes: • reconciliação entre patrimônio líquido da controladora e o patrimônio líquido consolidado; • reconciliação entre o resultado líquido da controladora e o resultado líquido consolidado; • divulgação dos critérios adotados para consolidação; • divulgação dos critérios para inclusão ou exclusão de controladas nas demonstrações financeiras consolidadas; • divulgação de todos os dados de cada controlada (denominação, capital social, patrimônio líquido, lucro líquido); • divulgação do percentual de participação da controladora em cada controlada; • divulgação dos eventos subsequentes à data de encerramento do exercício social que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os futuros resultados consolidados; • divulgação