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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA Introdução ao Estudos Teológicos (CEL1004) ATIVIDADE ESTRUTURADA Entre o sagrado e o humano: a hierofania nossa de cada dia São Paulo 2021 ATIVIDADE ESTRUTURADA Entre o sagrado e o humano: a hierofania nossa de cada dia Trabalho apresentado para o curso Bacharel em Teologia, da disciplina Introdução aos Estudos Teológicos Universidade Estácio de Sá Professor São Paulo/SP 2021 Entre o Sagrado e o humano: hierofania nossa de cada Introdução O homem está em constante procura como se lhe faltasse algo, tanto material, afetiva, profissional, quanto espiritual. O homem como ser inquieto, mesmo que tenha vivenciado inúmeras experiências promovidas por manifestações sagradas, vive em uma constante busca. Na experiência de busca, o sagrado é algo essencialmente subjetivo, intransferível e inesgotável. E como toda busca humana visa satisfação, seu estado diante do sagrado, não se contenta com o que satisfaz seus sentidos meramente imanentes, e o desejo aumenta a busca pela plenitude, e a imaginação orienta todos os sentimentos para aquilo que está “além”. Estudiosos das religiões costumam dividir o fenômeno religioso em sagrado e profano, assim uma visão dualista de oposição estabelece uma exclusão automática. Não podemos falar sobre o sagrado sem estabelecer uma linha entre o sagrado e o profano. O sagrado é o humano O sagrado só pode ser entendido como uma manifestação diferente da realidade natural ou algo sobrenatural, esplendoroso e misterioso. E, seguindo esse raciocínio, o profano é então, um fato natural, normal e auto explicativo. O sagrado é, desse modo, um conjunto de conceitos metafísicos irrefutáveis, com o intuito de afirmar a plena manifestação de uma entidade divina em uma bela hierofania. A palavra hierofania vem de duas palavras gregas: “hierós” (santo, sagrado) e “fanein” (manifestar). Hierofania é então toda e qualquer manifestação do Sagrado. O sagrado, segundo Mircea Eliade, está no mundo e, ao mesmo tempo, se opõe ao mundo. Uma pedra é e sempre será uma pedra, mas quanto ao significado hierofânico ou dimensão simbólica será uma pedra especial, pois nela se manifesta, de alguma maneira, o Sagrado. "(...)uma pedra sagrada é venerada porque é sagrada e não porque é pedra; é a sacralidade manifestada pelo modo de ser da pedra que revela sua verdadeira essência". Os elementos hierofânicos se conectam ao homem, seja qual for a sua fé, levando-o sempre a enxergar neles uma “manifestação do Sagrado”. São objetos, ou instituições, que funcionam como “sinais” da presença de uma realidade transcendente e absoluta. As religiões e as mediações do Sagrado As religiões como instituição terrena, precisam proporcionar aos seus seguidores caminhos e possibilidades para uma conexão entre o humano e o sagrado expressando na sua liturgia, nos seus ritos, tradições e inúmeras simbologias esta aproximação. A base doutrinal de toda religião evidencia a presença de um deus em suas múltiplas formas, sejam elas monoteístas, politeístas ou não-teístas, a crença no sagrado, como matéria transcendente, sobrenatural e mística, está acima da compreensão humana. O rito, o culto e a devoção pessoal e coletiva são formas de aproximação do indivíduo com o Sagrado, isso evidencia a importância que as religiões possuem como mediadoras entre o ser humano e o sagrado, e cumprem este papel de inúmeros modos. Ao observarmos uma missa católica podemos constatar como está religião cristã, oferece através de seus rituais e simbologias um caminho de conexão entre o homem e o Deus cristão. "A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja: nós vamos à missa para encontrarmos o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por ele" ( Papa Francisco). A missa é chamada pelos padres católico de Celebração Eucaristica, sua liturgia pode ser dividida em duas partes essenciais, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Podendo-se ainda fazer uma subdivisão em: ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística, rito da Comunhão e ritos finais. "Se for impossível a participação, na Celebração Eucarística, por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se muito que os fiéis tomem parte na liturgia da Palavra, se a houver na igreja paroquial ou noutro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do bispo diocesano, ou consagrem um tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de famílias, conforme a oportunidade" ( PAPA SÃO JOÃO PAULO II. Código de Direito Canônico, cânon 1248, § 2). Liturgia da Palavra, essa parte inicia-se com a proclamação da primeira leitura e vai até a oração dos fiéis, quando a Palavra é proclamada, o convite que a proclamação da Palavra é de que os seguidores coloquem em prática aquilo que foi anunciado. Com a apresentação dos elementos que serão consagrados, inicia-se a Liturgia Eucarística, esse momento é presidido por um sacerdote. De forma que todos os gestos, palavras e preces levam a assembleia a participar da Ceia que Jesus fez com seus discípulos. A oferenda do pão e do vinho feitas pelo sacerdote é o próprio ato de Cristo na última ceia. Com a invocação do Espírito Santo sobre os elementos, eles se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus (Transubstanciação é o fenômeno no qual os elementos oferecidos pelo sacerdote permanecem os mesmos na essência mas não na substância). Conclusão Desde o início a humanidade, através do senso religiosos, tenta explicar os aspectos da natureza, que por não terem uma explicação lógica, só podiam ser compreendidos como sagrados, realizados pela ação de uma divindade ou um deus. Para cultuar esses deus surgiram os aspectos do culto que se materializaram, então em preces, danças, músicas, oferendas e, para isso, as civilizações organizaram sistemas religiosos. Todas as religiões oferecem formas de conexão entre o humano e o sagrado, e para isso, criaram um sistema de símbolos ritualísticos, onde fazem uso de todo tipo de objetos, locais, inscritos, líderes que são tidos por sagrados, para dar respaldo a suas crenças. Esta conexão entre o homem e deus, oferecida pelas religiões, não ocorre apenas nas liturgias, ou nos espaços dos cultos públicos, mas também individualmente, e na prática da devoção popular, o que não invalida a conexão com o sagrado. A prática da fé, que nasce da crença particular de cada indivíduo numa divindade, é uma poderosa chave de conexão com o sagrado que pode ser exercida em qualquer espaço ou lugar. Por isso se observa, na atual conjuntura sociocultural do planeta, a todo momento, o surgimento de novas doutrinas que são reformuladas, reafirmadas e confirmadas, originando novas formas de culto. Contudo, este processo originado no meio das comunidades religiosas, é fruto do descontentamento do próprio ser humano com seu grupo religioso, ou simplesmente uma necessidade do indivíduo de experimentar novas sensações com o sagrado, uma relação mais íntima e pessoal. Referências https://formação.cançãonova.com A importância da missa aos domingos https://domtotal.com O homem diante do Sagrado: uma experiência de busca por Aldo Reis Mestre em Ciências da Religião PUC Minas As Religiões e as mediações do Sagrado por Alex Kiefer Silva Mestre em Ciências da Religião PUC Minas http://alvanomutz.blogspot.com/2006/08/hierofania ELIADE. Mircea O sagrado e o profano [tradução Rogério Fernandes]. São Paulo. Martins Fontes, 1992. https://domtotal.com