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Avaliação de Riscos Ambientais Antonio Fernando Silveira Alves APRESENTAÇÃO É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Avaliação de Riscos Ambientais, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmi- co e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis- ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple- mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 5 1 CONTEXTO HISTÓRICO ..................................................................................................................... 7 1.1 Histórico Mundial ............................................................................................................................................................8 1.2 Grandes Acidentes ..........................................................................................................................................................9 1.3 Consequências .............................................................................................................................................................13 1.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................13 1.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................14 2 RISCO AMBIENTAL .............................................................................................................................. 15 2.1 Conceito de Risco .........................................................................................................................................................15 2.2 Outros Conceitos Básicos ..........................................................................................................................................17 2.3 Tipos de Risco .................................................................................................................................................................26 2.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................31 2.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................31 3 TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS ................................................................... 33 3.1 Relação das Técnicas de Identificação de Perigos ............................................................................................33 3.2 Análise Preliminar de Perigos (APP) – Preliminary Hazard Analysis (PHA) ...............................................34 3.3 Análise de Perigos e Operabilidade – HazOp (Hazard and Operability Study) .......................................43 3.4 Análise “E se...” (“What if...?”) ......................................................................................................................................54 3.5 Lista de Verificação (Checklist) .................................................................................................................................55 3.6 Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE) – Failure Modes and Effects Analysis (FMEA) ..............57 3.7 Análise Histórica de Acidentes ................................................................................................................................64 3.8 Inspeção de Segurança ..............................................................................................................................................64 3.9 Análise de Árvore de Falhas (AAF) – Fault Tree Analysis (FTA) ......................................................................64 3.10 Análise de Árvore de Eventos (AAE) – Event Tree Analysis (ETA) ...............................................................71 3.11 Análise de Causas e Consequências ...................................................................................................................72 3.12 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................73 3.13 Atividades Propostas ................................................................................................................................................73 4 ESTUDO DE ANÁLISE DE RISCO AMBIENTAL (EAR) .................................................... 75 4.1 Etapas de um Estudo de Análise de Risco (EAR) ...............................................................................................75 4.2 Caracterização do Empreendimento e da Região ...........................................................................................77 4.3 Identificação dos Perigos e Consolidação de Cenários de Acidentes ......................................................78 4.4 Estimativa dos Efeitos Físicos e Análises de Vulnerabilidade .......................................................................78 4.5 Estimativa de Frequências.........................................................................................................................................84 4.6 Estimativa e Avaliação de Riscos.............................................................................................................................85 4.7 Avaliação dos Riscos ....................................................................................................................................................89 4.8 Gerenciamento de Riscos .........................................................................................................................................90 4.9 Comunicação de Riscos..............................................................................................................................................95 4.10 Resumo do Capítulo ................................................................................................................................................96 4.11 Atividades Propostas ...............................................................................................................................................96 RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ..................................... 97 REFERÊNCIAS ...........................................................................................................................................105 Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 5 INTRODUÇÃO Este material busca apresentar a você, aluno(a) da área de Ciências Exatas, na modalidade a distân- cia, os conceitos a respeito de Avaliação de Riscos Ambientais como parte importante da área Ambiental. Este é um tema de extrema importância e muito utilizado na área de Gestão Ambiental. O Estudo de Análisede Riscos (EAR) mantém uma correlação com os estudos de EIA/RIMA. Em algumas situações, o EAR acaba sendo um dos elementos do processo de Licenciamento Ambiental e do EIA/RIMA. Durante o desenvolvimento desta disciplina, iremos abordar conceitos importantes, como Técnicas de Identificação de Perigos, Avaliação de Riscos Ambientais, entre outros. Entre os objetivos principais desta disciplina, esperamos que você, ao concluir esta disciplina, esteja apto a aplicar os conceitos aqui apresentados, como identificar e aplicar a(s) técnica(s) mais adequada(s) de identificação de perigos para cada situação e desenvolva a habilidade para efetuar um Estudo de Aná- lise de Riscos, percorrendo todas as etapas desse processo. Entre os documentos oficiais que apresentaremos nesta apostila, iremos nos fundamentar basica- mente em dois documentos, sendo um deles elaborado pela CETESB e outro desenvolvido pela FEPAM. Em geral, esses documentos são referências para outros estados, mas, caso você venha a desenvolver atividades correlatas a esta área, verifique antes se o seu estado não possui um documento com parâme- tros específicos. Aproveitamos a oportunidade, para orientá-lo(a) em relação às leituras complementares indicadas nesta apostila. Tivemos a atenção especial de indicar textos importantes para você e que complemen- tarão os estudos aqui apresentados. Entre esses textos indicados, gostaríamos de destacar o texto que fala sobre Contabilidade Ambiental do BNDES. Indicamos também a leitura de sites, sendo dois deles muito importantes. O primeiro é o site do órgão responsável pela área de Riscos Ambientais nos EUA (a tradução desse site utilizando a ferramenta “tradutor” do Google funciona muito bem), e o segundo, um site com um software gratuito para efetuar os cálculos mais complexos para a Avaliação de Riscos. Não deixe também de consultar os links indicados nas referências bibliográficas no final desta apostila. Entre eles, relacionamos 10 links contendo um curso completo de Gestão de Riscos Ambientais, elaborado pela empresa D.N.V. para utilização do Ministério do Meio Ambiente. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 7 CONTEXTO HISTÓRICO1 Caro(a) aluno(a), neste capitulo iremos abor- dar as origens dos estudos de análise de riscos, fa- zendo uma ligação com o estudo de análise de riscos ambientais. Aproveitando o embasamento histórico, faremos um breve relato dos grandes acidentes ambientais mundiais ocorridos a partir dos anos 1960, cuja gravidade e impactos gera- dos levaram à implementação das primeiras leis e normas baseadas em análise de riscos ambien- tais, com o objetivo de minimizar o potencial de acidentes ambientais e suas consequências. No Brasil, o órgão responsável no âmbi- to federal pela elaboração das leis e normas é o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e seus ór- gãos vinculados, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), e colegiados, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). No entanto, as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente, por meio de seus órgãos vinculados, também possuem autonomia para efetuar essa normatização, de acordo com as particularidades de cada região. Na esfera es- tadual, merecem destaque a CETESB, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo, a FEPAM, Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler, do Rio Grande do Sul, e o INEA, Instituto Estadual do Ambiente, do Rio de Janeiro, que foi criado em 4 de outu- bro de 2007 e instalado em 12 de janeiro de 2009, unificando e ampliando a ação dos três órgãos ambientais vinculados à Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA): a Fundação Es- tadual de Engenharia e Meio Ambiente (FEEMA), a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Antes de efetuar essa abordagem histórica, vamos comentar brevemente alguns conceitos, sobre os quais estabeleceremos as teorias aqui apresentadas. Esses conceitos serão definidos precisamente nos capítulos posteriores. Em sua dissertação de mestrado, Berrêdo Viana (2010) afirma que palavras como impacto, avaliação, ambiente e risco não foram cunhadas propositadamente para expressar um conceito preciso, esclarecedor, como nas outras ciências. Foram apropriadas do vernáculo e fazem parte do jargão profissional desse campo, criando diversas ambiguidades na sua interpretação. Ao efetuar um estudo sobre o tema central desta disciplina, observamos, por meio da pes- quisa bibliográfica, que estes e outros termos ora são tratados como sinônimos, ora são definidos de forma distinta. Entre esses termos, vamos des- tacar três palavras e três expressões, que dividire- mos em dois grupos. O primeiro grupo inclui as palavras: Risco, Perigo e Dano. O segundo grupo inclui as expressões Análise de Riscos e Avalia- ção de Riscos e Gerenciamento de Riscos. Note AtençãoAtenção Os conceitos e metodologias estabelecidos nesta apostila estão baseados nas referências do IBAMA, CETESB e FEPAM. Os modelos de Es- tudo de Análise de Riscos (EAR) utilizados pela FEPAM e CETESB estão direcionados ao seg- mento industrial, e a avaliação de riscos aplica- -se à população externa da indústria, não in- cluindo, portanto, a avaliação dos riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores ou danos aos bens patrimoniais das instalações analisadas. Entende-se por consequências externas os da- nos causados às pessoas (mortes ou lesões) nas áreas circunvizinhas, situadas além dos limites físicos da instalação. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 8 que dependendo do contexto, esses termos pare- cem semelhantes. Porém, de acordo com o enfo- que que adotaremos nesta apostila, esses termos irão representar significados distintos. Berrêdo Viana (2010) verificou que a litera- tura mundial acaba por utilizar as expressões ava- liação de risco, gerenciamento de riscos e análise de risco como sinônimos, devido às diferenças nas traduções e discrepâncias entre os países. Por exemplo, segundo Kirchhoff (2004), no Canadá a avaliação de risco engloba a análise de risco, en- quanto que nos Estados Unidos a análise de riscos é algo abrangente, com diversas etapas, e, entre estas, a avaliação de risco. No desenvolvimento dos conceitos utiliza- dos nesta apostila, iremos utilizar o ponto de vista americano, uma vez que aparenta ser o mais co- mum, além de que a literatura nacional adotada nos documentos oficiais dos órgãos citados tende a essa escolha, como poderemos observar mais adiante, ao detalharmos os trabalhos da CETESB e da FEPAM. Dessa forma, asseguramos que todos os re- ferenciais teóricos adotados nesta apostila estão baseados nos documentos oficiais editados pelos órgãos citados. 1.1 Histórico Mundial As indústrias de processo, há mais de 40 anos, demonstraram as primeiras preocupações em relação às possíveis falhas e perigos oriundos de suas atividades, onde observaram que essas falhas poderiam causar perda de vida e de pro- priedade. A indústria alimentícia dos Estados Unidos manifestou esse interesse ainda nos anos 1920. Já na década de 1930, pesquisadores de labora- tórios de toxicologia, na indústria, iniciaram ava- liações das propriedades tóxicas de produtos po- tencialmente perigosos. Em 1931, o pesquisador H. W. Heinrich efe- tuou uma pesquisa sobre os custos de um aciden- te em termos de Seguro Social e introduziu, pela primeira vez, a filosofia de “acidentes com danos à propriedade”, ou seja, acidentes sem lesão, em relação aos acidentes com lesão incapacitante. A partir desse momento, diversos estudos sobre acidentes industriais com danos à proprie- dade multiplicaram-se, com o objetivo de estimar os custos derivados das perdas. No final dos anos 1960 surgiram vários rela- tórios sobre segurança nas plantas químicas, tais como Safety and Management, pela Association of British Chemical Manufactures(ABCM), 1964, e Safe and Sound, pelo British Chemical Industry Safety Coucil (BCISCl), 1969, ambos na Grã-Breta- nha. Também, nos Estados Unidos, Frank Bird Jr. fundamentou sua teoria de “Controle de Danos” (1966), a partir da análise de uma série de aciden- tes ocorridos numa empresa metalúrgica ameri- cana. Além disso, o desenvolvimento das tec- nologias utilizadas pelas indústrias resultou em grandes mudanças nas indústrias químicas e pe- troquímicas, tais como alterações nas condições de pressão e temperatura, tendo como conse- quência um aumento na energia armazenada nos processos, representando, portanto, um pe- rigo maior. Ao mesmo tempo, as instalações de processo começaram a crescer, quase dez vezes mais, em tamanho. Também, começaram a ope- rar em fluxo contínuo, aumentando o número de interligações com outras plantas, para a troca de subprodutos, tornando, dessa forma, os proces- sos mais complexos. Simultaneamente, outros temas emergiram no contexto social, tais como a poluição ambien- tal, e começaram a se tornar motivo de preocu- pação para o público e para os governos. Como consequência, a indústria foi obrigada a examinar os efeitos de suas operações sobre o público ex- Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 9 terno e, em particular, a analisar mais cuidadosa- mente os possíveis perigos decorrentes de suas atividades. Basicamente até o início da década de 1970, o foco principal em relação à segurança nas indústrias centrava-se na segurança dos equipa- mentos e do projeto em questão. Assim, a ênfase concentrava-se na produção, em detrimento dos aspectos de saúde e segurança. A preocupação ambiental era praticamente ignorada e esse tema quase não era mencionado nas discussões de in- vestimentos das empresas. Também não havia in- terferências externas, seja do poder público ou da população. Os governos não impunham grandes exigências de controle para a poluição ambiental. No entanto, a partir da década de 1970, devido à grande repercussão das consequências dos acidentes industriais que causaram a morte de milhares de pessoas e impactos de grandes dimensões ao meio ambiente, esse tema veio à tona de forma mais contundente, mobilizando os governos e a população. Em 1970, no Canadá, John A. Fletcher, pros- seguindo a obra iniciada por Bird, propôs o esta- belecimento de programas de “Controle Total de Perdas”, objetivando reduzir ou eliminar todos os acidentes que pudessem interferir ou paralisar um sistema. Em 1972, criou-se uma nova mentalidade baseada nos trabalhos desenvolvidos pelo enge- nheiro Willie Hammer, especialista em Seguran- ça de Sistemas, o qual empregou a experiência adquirida na Força Aérea e nos programas espa- ciais norte-americanos para desenvolver diversas técnicas a serem aplicadas na indústria, a fim de preservar os recursos humanos e materiais dos sistemas de produção. Em paralelo, a indústria nuclear começou a desenvolver suas atividades de consultoria na área de confiabilidade, e as indústrias passaram a adotar técnicas desenvolvidas pelas autoridades de energia atômica na avaliação de riscos maiores e na estimativa de taxas de falhas de instrumen- tos de proteção. 1.2 Grandes Acidentes Bhopal É bem provável que você já tenha ouvido falar sobre esse acidente ambiental, pois foi e ain- da é muito comentado na mídia mundial, devido às circunstâncias em que ocorreu e à grande ex- tensão de sua gravidade e danos à população e ao meio ambiente. Esse acidente ocorreu numa unidade da Union Carbide, situada nos arredores da cidade de Bhopal, na Índia. Na madrugada de 03/12/1984, uma nuvem tóxica de isocianato de metila cau- sou a morte de milhares de pessoas. O isocianato de metila é um produto utiliza- do na fabricação de inseticidas, comercialmente conhecidos como “Sevin” e “Temik”, da família dos carbamatos, utilizados como substitutos de pra- guicidas organoclorados, como o DDT. Em condições normais, o isocianato de me- tila é líquido à temperatura de 0 ºC e pressão de 2,4 bar. A causa provável do acidente foi atribuída à entrada de água num dos tanques do comple- xo industrial, causando a elevação da pressão dos tanques de armazenamento a mais de 14 bar e da temperatura dos reservatórios para aproximada- mente 200 ºC, causando assim uma reação alta- mente exotérmica. Os vapores emitidos deveriam ter sido neu- tralizados em torres de depuração; porém, como uma dessas torres se encontrava desativada, o sis- tema não funcionou possibilitando a liberação do produto para a atmosfera. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 10 Este é conhecido como a maior catástrofe da indústria química. O número de mortes esti- madas gira em torno de 4.000 pessoas, além de causar a intoxicação de cerca de 200.000 pessoas. Figura 1 – Foto das instalações da Union Carbide no dia do desastre ambiental. Fonte: http://www.greenpeace.org/international/en/multimedia/photos/a-view-of-the-abandoned-pestic/ Saiba maisSaiba mais Saiba maisSaiba mais Bhopal, Índia. O pior desastre químico da história 1984-2002 Leia este documento para saber um pouco mais sobre esse acidente ambiental, que teve grande repercussão mundial na época. Disponível em: http://www.greenpeace.org.br/bhopal/docs/Bho- pal_desastre_continua.pdf Flixborough Aproximadamente às 17 horas do dia 01/06/1974, ocorreu uma explosão na planta de produção de caprolactama da fábrica Nypro Ltda., situada em Flixborough, Inglaterra. A explo- são ocorreu devido ao vazamento de ciclohexa- no, causado pelo rompimento de uma tubulação temporária instalada como “by-pass” devido à re- moção de um reator para a realização de serviços de manutenção. O vazamento formou uma nu- vem de vapor inflamável que entrou em ignição, resultando uma violenta explosão seguida de um incêndio que destruiu a planta industrial. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 11 A ruptura da tubulação de 20 polegadas foi atribuída a um projeto mal elaborado, uma vez que a estrutura instalada para a sustentação do duto não suportou a sua movimentação, em função da pressão e da vibração a que o tubo foi submetido durante a operação. Estimou-se que cerca de 30 toneladas de ciclohexano vazaram, formando rapidamente uma nuvem de vapor inflamável, a qual encon- trou uma fonte de ignição entre 30 e 90 segundos após o início do vazamento. Os efeitos da sobre- pressão ocorrida foram estimados como sendo equivalentes à explosão de uma massa variando entre 15 e 45 toneladas de TNT. Ocorreram danos catastróficos nas edifica- ções próximas, situadas ao redor de 25 metros do centro da explosão. Além da destruição da planta, em função do incêndio ocorrido, 28 pessoas mor- reram e 36 foram gravemente feridas. Ocorreram ainda impactos nas vilas situadas nas proximida- des da planta, afetando 1.821 residências e 167 estabelecimentos comerciais. As perdas foram estimadas em US$ 412 milhões. Esse acidente tornou-se um marco na ques- tão da avaliação de riscos e prevenção de perdas na indústria química. O acidente levou ao estabe- lecimento do Advisory Committee on Major Ha- zards (ACMH), na Inglaterra, que durou de 1975 a 1983 e introduziu uma legislação para controle de riscos maiores nas indústrias. Seveso Por volta das 12h30 do dia 10/06/1976, numa planta industrial situada em Seveso, uma província de Milão, Itália, ocorreu a ruptura do disco de segurança de um reator, que resultou na emissão para a atmosfera de uma grande nuvem tóxica. O reator fazia parte do processo de fa- bricação de TCP (triclorofenol) e a nuvem tó- xica formada continha vários componen- tes, entre eles o próprio TCP, etilenoglicol e 2,3,7,8-tetraclorodibenzoparadioxina (TCDD). A nuvem se espalhou numa grande área, contami- nando pessoas, animais e o solo na vizinhança da unidade industrial. A planta operava em regime de batelada e, no momento do acidente, encontrava-separalisa- da para o final de semana. No entanto, o reator continha material a uma elevada temperatura. Provavelmente, a presença de etilenoglicol com hidróxido de sódio causou uma reação exotérmi- ca descontrolada, fazendo com que a pressão in- terna do vaso excedesse a pressão de ruptura do disco de segurança, causando a emissão. A reação ocorrida, associada a uma temperatura entre 400 e 500 °C, contribuiu para a formação do TCDD. O reator não possuía um sistema automá- tico de resfriamento e como a fábrica se encon- trava com poucos funcionários, já que paralisaria suas operações no final de semana, não foram desencadeadas ações de resfriamento manual do reator para minimizar a reação ocorrida. Dessa forma, a emissão ocorreu durante cerca de 20 mi- nutos, até que um operador conseguisse paralisar o vazamento. Toda a vegetação nas proximidades da planta morreu de imediato devido ao contato com compostos clorados. No total, 1.807 hecta- res foram afetados. A região denominada Zona A, com uma área de 108 hectares possuía uma alta concentração da dioxina TCDD (240 µg/m²). Foram evacuadas 736 pessoas da região, sendo que 511 retornaram para as suas casas no final de 1977, mas as que moravam na Zona A perderam suas residências, em função do nível de contaminação ainda existente nessa área, a qual permaneceu isolada por muitos anos. Toda a ve- getação e solo contaminados foram removidos e as edificações tiveram que ser descontaminadas. Os custos estimados na operação de evacuação das pessoas e na remediação das áreas conta- minadas foram da ordem de US$ 10 milhões. Os efeitos imediatos à saúde das pessoas se limita- ram ao surgimento de 193 casos de cloroacne (doença de pele atribuída ao contato com a dio- xina). Os efeitos à saúde de longo prazo ainda são monitorados. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 12 Esse acidente gerou um profundo impacto na Europa, ainda sob o impacto do acidente de Flixborough na Inglaterra, em 1974, e originou o desenvolvimento da Diretiva de Seveso – EC Di- rective on Control of Industrial Major Accident Hazards –, em 1982. Cidade do México Na manhã de 19/11/1984, por volta das 5h35 ocorreu a explosão de uma nuvem de vapor e uma série de BLEVEs na base de armazenamen- to e distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) da empresa PEMEX, localizada no bairro de San Juanico, Cidade do México. A base recebia GLP de três refinarias dife- rentes por meio de gasoduto. A capacidade prin- cipal de armazenamento da base era de 16.000 m³ (aproximadamente 8.960.000 kg) de GLP, dis- tribuídos em: duas esferas com capacidade in- dividual de 2.400 m³, quatro esferas menores de 1.600 m³ de capacidade individual e 48 cilindros horizontais (capacidades individuais variando de 36 m³ a 270 m³). No momento do acidente, a PE- MEX estava com o armazenamento em torno de 11.000 m³ de GLP. A catástrofe iniciou-se com o vazamento de gás devido à ruptura de uma tubulação de 8 po- legadas de diâmetro que transportava o gás de uma das esferas para os reservatórios cilíndricos. A sala de controle da PEMEX registrou por volta das 5h30 uma queda de pressão em suas insta- lações e também em um duto localizado a 40 km de distância, porém a sala de controle não conse- guiu identificar a causa dessa queda de pressão. A liberação aconteceu por 5-10 minutos, formando DicionárioDicionário BLEVE: do original inglês Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion. Fenômeno decorrente da explo- são catastrófica de um reservatório, quando um líquido nele contido atinge uma temperatura bem acima da sua temperatura de ebulição à pressão atmosférica com projeção de fragmentos e de ex- pansão adiabática (CETESB, 2003). uma imensa nuvem de gás inflamável, a qual foi levada por um vento de destino sudoeste, aju- dado pela inclinação do terreno, até encontrar a fonte de ignição e explodir. Nesse caso, a fonte de ignição direta foi o flare instalado inadequada- mente ao nível do solo, pois, no entendimento da empresa, dada a força dos ventos no local, a insta- lação do flare a uma altura mais elevada compro- meteria a sua eficiência. A explosão da nuvem atingiu cerca de 10 residências e iniciou o incêndio nas instalações da base. A vizinhança pensou tratar-se de um terremoto devido ao forte barulho da explosão. Por volta das 5h45 da manhã ocorreu o primeiro BLEVE, após um minuto outro BLEVE aconteceu, sendo o mais violento dessa catástrofe, gerando uma bola de fogo com mais de 300 m de diâme- tro. Ocorreram mais de 15 explosões, BLEVE nas quatro esferas menores e em muitos dos reser- vatórios cilíndricos, explosões dos caminhões- -tanque e botijões, chuva de gotículas de GLP, transformando tudo que atingiam em chamas; alguns reservatórios e pedaços das esferas trans- formaram-se em verdadeiros projéteis, atingindo edificações e pessoas. Os trabalhos de extinção do fogo e preven- ção de novas explosões terminaram às 23 horas. As consequências desse acidente foram trágicas: morte de 650 pessoas, mais de 6.000 feridos e destruição total da base. Vila Socó – Cubatão Este é outro exemplo de um acidente am- biental que provavelmente você tenha conheci- mento. Infelizmente, o Brasil não deixou de sofrer com os problemas decorrentes de um grande aci- dente ambiental. Por volta das 22h30 do dia 24/02/1984, mo- radores da Vila Socó (atual Vila São José), Cubatão/ SP, perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobras, que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa. A tubulação passava em região alagadiça, em frente à vila constituída por palafitas. Na noi- http://www.cetesb.sp.gov.br/gerenciamento-de-riscos/An%C3%A1lise-de-Risco-Tecnol%C3%B3gico/16-Gloss%C3%A1rio Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 13 te do dia 24, um operador alinhou inadequada- mente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação (falha operacional) que se encon- trava fechada, gerando sobrepressão e ruptura da mesma, espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Muitos moradores, visan- do a conseguir algum dinheiro com a venda de combustível, coletaram e armazenaram parte do produto vazado em suas residências. Com a mo- vimentação das marés, o produto inflamável es- palhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as palafitas. O número oficial de mortos é de 93, porém algumas fontes citam um número extraoficial su- perior a 500 vítimas fatais (baseado no número de alunos que deixou de comparecer à escola e à morte de famílias inteiras sem que ninguém re- clamasse os corpos), dezenas de feridos e a des- truição parcial da vila. 1.3 Consequências Esses acidentes caracterizaram-se por ex- trapolar as divisas das indústrias, projetando-se nas populações e meio ambiente a posteriori, com efeitos de médio e longo prazo. Como consequência, essas discussões le- varam ao surgimento das primeiras leis e regula- mentações sobre segurança industrial e controle ambiental nos principais países industrializados. 1.4 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a), neste capítulo você pôde verificar que a preocupação com a questão ambiental é algo relativamente recente no contexto industrial, pois até a década de 1970 esse tema era praticamente ignorado pelas grandes indústrias. A preocupação à época restringia-se a minimizar as perdas e danos relativos ao processo industrial, praticamente inexistindo a preocupação com os danos causados à po- pulação e ao meio ambiente. Devido à repercussão das consequências dos acidentes ambientais ocorridos nos anos 1970, esse tema veio à tona e tornou-se objeto de extrema importância para os governos, originando, assim, as pri- meiras normas e legislações ambientais. Você também conheceu e aprendeu um pouco mais sobre alguns dos principaisacidentes ambien- tais ocorridos em diversos países do mundo, onde foram expostas as causas e consequências, e também teve ciência dos documentos que servirão de base para os conceitos e referenciais teóricos que serão estudos no decorrer desta disciplina, cujo teor será discutido nos próximos capítulos. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 14 1. Faça uma pesquisa e comente sobre a aplicação do Estudo de Análise de Riscos (EAR) em ou- tras áreas da ciência. 2. Faça uma pesquisa e comente sobre outros acidentes ambientais que tiveram grande reper- cussão mundial. 3. Comente sobre os riscos da utilização da energia nuclear e faça uma reflexão posicionando-se em relação à sua utilização no Brasil. Você é a favor ou contra? Apresente seus argumentos, justifique. Dê consistência à sua posição! 4. Faça uma pesquisa e comente sobre alguns acidentes nucleares e suas consequências para a população e o meio ambiente. 1.5 Atividades Propostas Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 15 Caro(a) aluno(a), neste capítulo iremos efe- tuar uma breve discussão sobre o emprego das palavras Risco, Perigo e Dano, e em seguida apre- sentar as definições que serão utilizadas e as clas- sificações e definições para os diversos tipos de risco. Como afirmado no capítulo anterior, encon- tramos na literatura diversos significados para a palavra risco. Também é comum aplicarmos a pa- lavra risco em nosso cotidiano nos mais variados contextos e com significados distintos. Como exemplo, podemos citar o emprego da palavra risco, que utilizamos com o sentido probabilístico, matemático, a partir do qual essa palavra representa certa chance de algo aconte- cer. Dessa forma, entendemos que o risco é con- siderado elevado quando algum fato nos parece certo ou tem grande chance de acontecer, e con- sideramos um fato com risco baixo quando obser- vamos que a chance desse fato correr é reduzida. Sob a ótica ambiental, é costumeiro obser- var os efeitos das substâncias químicas conside- radas poluentes sobre o homem ou, mais ampla- mente, sobre o meio ambiente. Os efeitos podem decorrer das emissões contínuas ou intermiten- tes provenientes das indústrias, das diversas for- mas de transporte ou, genericamente, da ativida- de antrópica. É possível estimar e avaliar o risco dessas atividades, bem como propor formas de gerenciamento desse risco. RISCO AMBIENTAL2 2.1 Conceito de Risco Formalmente, o risco, tratado dentro da visão mencionada, é definido como a combi- nação entre a frequência de ocorrência de um acidente e a sua consequência. A adequada composição desses fatores possibilita estimar o risco de um empreendimento, sendo o estudo de análise de risco a ferramenta utilizada para esse fim. Com a estimativa realizada, é possível com- parar as diversas formas de expressão do risco com padrões previamente estabelecidos, fazen- do-se então a avaliação do risco, sendo, portanto, possível decidir sobre a viabilidade ambiental de um empreendimento. O emprego predominante do estudo de análise de risco acontece durante o licencia- mento ambiental de fontes potencialmente geradoras de acidentes ambientais. Risco segundo a Society for Risk Analysis é: o potencial de realização de consequências ad- versas indesejadas para a saúde ou vida humana, para o ambiente ou para bens materiais. AtençãoAtenção Antrópico: é um termo usado em Ecologia que se refere a tudo aquilo que resulta da atuação humana. Por exemplo: ação antrópica é a ação do ho- mem sobre o habitat e as modificações dela resultantes. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 16 Risco pode ser definido como a probabili- dade de uma comunidade sofrer consequências econômicas, sociais ou ambientais, em uma área particular e durante um tempo de exposição de- terminado. Exemplos: �� ferimento e/ou morte de seres vivos; �� avaria de bens; �� prejuízo na capacidade produtiva; �� interrupção da atividade econômica. São fatores de risco: �� a periculosidade; �� a vulnerabilidade; �� a exposição ao perigo. Se qualquer um desses fatores aumenta- rem, o risco aumenta. A CETESB (2013), por meio da Norma P4.261, define risco como sendo a medida de danos à vida humana, resultante da combinação entre a frequência de ocorrência e a magnitude das perdas ou danos (consequências). A adequada composição desses fatores possibilita estimar o risco de um empreendimen- to, sendo o estudo de análise de risco a ferramen- ta utilizada para esse fim. Consultando a apostila do curso sobre Es- tudo de Análise de Riscos e Programa de Geren- ciamento de Riscos do IBAMA, encontramos a seguinte definição: o Risco de uma determinada atividade pode ser entendido como o potencial de ocorrência de consequências indesejadas de- correntes da realização da atividade. Dois aspectos importantes dessa definição: 1. O potencial de ocorrência expressa o elemento de incerteza inerente ao con- ceito de risco. A sua expressão quanti- tativa pode ser feita com o conceito de probabilidade de ocorrência ou analo- gamente com a frequência esperada de ocorrência. 2. As consequências indesejadas caracte- rizam o fato de que o conceito de risco está intimamente ligado a algum tipo de dano, seja para a saúde, para a vida, para o meio ambiente ou para as finan- ças individuais ou sociais. Quantitativamente, o risco tem sido ex- presso como algum tipo de combinação (uma função matemática) entre a frequência espe- rada de ocorrência do evento indesejado e a magnitude das suas consequências. Observe que as três definições apresenta- das são idênticas e podem ser resumidas generi- camente como: RISCO = COMBINAÇÃO DE FREQUÊNCIA E CONSEQUÊNCIA O IBAMA destaca, ainda nesse estudo, dois conceitos importantes em análise de risco, que são os conceitos de risco e perigo. Embora ainda haja alguma confusão entre os dois, existe atual- mente um consenso bastante grande sobre as definições desses dois termos. Como destacado desde a introdução desta apostila, observe que são termos distintos. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 17 AtençãoAtenção PERIGO ≠ RISCO PERIGO Característica de uma atividade ou substância que expressa a sua condição de causar algum tipo de dano a pessoas, a instalações ou ao meio ambiente. Situação ou condição que tem potencial de acarretar consequências indesejáveis. É a propriedade intrínseca de uma substância perigosa ou de uma situação física de poder provocar danos à saúde humana e/ou ao ambiente RISCO Medida da capacidade que um perigo tem de se transformar em um acidente. Está relacionado com a chance de ocorrerem falhas que “libertem” o perigo e da magnitude dos danos gerados. Contextualização de uma situação de perigo, ou seja, a possibilidade da materialização do perigo ou de um evento indesejado ocorrer. Assim, temos que: PERIGO = “Fonte de Riscos” Analisando as definições apresentadas, va- mos definir o conceito de Risco de modo mais formal. Assim, Risco será definido como o produ- to da probabilidade de ocorrência de um de- terminado evento pela magnitude das conse- quências. R = P x C (Probabilidade x Magnitude da Consequência) Efetuando uma análise matemática da equação representada, concluímos que a única forma de se ter risco zero consiste na completa eliminação do perigo (o resultado de uma mul- tiplicação só é igual a zero se um dos fatores for zero), o que na maioria das vezes é impossível e este é o motivo de efetuarmos o Gerenciamento de Riscos. Mas, por outro lado, esses riscos podem e devem ser minimizados, tornando-os tão baixos quanto seja necessário, adotando para isso algu- mas salvaguardas. Mas alguns fatores devem ser levados em consideração, como os custos que es- sas alterações podem implicar. Para isso, foram adotados alguns critérios de aceitabilidade de riscos (seja qualitativo ou quantitativo). Caso contrário, não haveria como se tomardecisões relativas a investimentos em medidas para se aumentar a segurança de uma instalação. 2.2 Outros Conceitos Básicos Com base no Manual de Análise de Riscos (nº 01/2001) da FEPAM e no Manual de Orienta- ção para a Elaboração de Estudos de Análise de Riscos da CETESB – Norma P4.261, 2003 –, iremos apresentar algumas definições para os termos específicos e técnicos que serão utilizados no de- senvolvimento do Estudo de Análise de Risco. À frente de cada terno, temos a fonte uti- lizada. Alguns termos estão relacionados duas vezes, apresentando os conceitos utilizados pela CETESB e pela FEPAM. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 18 Acidente (CETESB) Evento específico não planejado e indesejável, ou uma sequência de eventos que geram conse- quências indesejáveis. Acidente (FEPAM) Acontecimento não desejado que possa vir a re- sultar em danos físicos, lesões, doença, morte, agressões ao meio ambiente, prejuízos na produ- ção etc. ALARA (FEPAM) Do inglês As Low as Reasonably Achievable (tão baixo quanto razoavelmente atingível), significa que os riscos devem ser reduzidos sempre que o custo das medidas necessárias para redução for razoável quando comparado com os benefícios obtidos em termos de redução de riscos. Às vezes também mencionado na forma ALARP – As Low as Reasonably Possible (tão baixo quanto razoavel- mente possível). Análise (FEPAM) Procedimento técnico baseado em uma determi- nada metodologia, cujos resultados podem vir a ser comparados com padrões estabelecidos. Análise de riscos (CETESB) Estudo quantitativo de riscos numa instalação in- dustrial, baseado em técnicas de identificação de perigos, estimativa de frequências e consequên- cias, análise de vulnerabilidade e na estimativa do risco. Análise de risco (FEPAM) Constitui-se em um conjunto de métodos e téc- nicas aplicados a uma atividade proposta ou exis- tente. Identifica e avalia qualitativa e quantitati- vamente os riscos que essa atividade representa para a população vizinha, ao meio ambiente e à própria empresa. Os principais resultados de uma análise de riscos são a identificação de cenários de acidentes, suas frequências esperadas de ocor- rência e a magnitude das possíveis consequên- cias. Análise de vulnerabilidade (CETESB) Estudo realizado por intermédio de modelos ma- temáticos para a previsão dos impactos dano- sos às pessoas, instalações e ao meio ambiente, baseado em limites de tolerância estabelecidos através do parâmetro Probit para os efeitos de so- brepressão advinda de explosões, radiações tér- micas decorrentes de incêndios e efeitos tóxicos advindos da exposição a uma alta concentração de substâncias químicas por um curto período de tempo. Área vulnerável (FEPAM) Área no entorno da atividade, onde ambiente, população e trabalhadores encontram-se expos- tos aos efeitos de acidentes. A abrangência dessa área é determinada pela Análise de Vulnerabili- dade. Auditoria (CETESB) Atividade pela qual se pode verificar, periodica- mente, a conformidade dos procedimentos de operação, manutenção, segurança e treinamen- to, a fim de se identificar perigos, condições ou procedimentos inseguros, para verificar se a ins- talação atende aos códigos e práticas normais de operação e segurança; realizada normalmente através da utilização de checklists, podendo ser feita de forma programada ou não. Auditoria (FEPAM) Conjunto de procedimentos que visam a avaliar a conformidade da atividade com os regulamen- tos, padrões, condições e restrições estabelecidos pela autoridade ambiental. Avaliação de riscos (CETESB) Processo pelo qual os resultados da análise de riscos são utilizados para a tomada de decisão, através de critérios comparativos de riscos, para definição da estratégia de gerenciamento dos ris- Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 19 cos e aprovação do licenciamento ambiental de um empreendimento. Antes de prosseguir com a leitura das defi- nições que estamos apresentando, volte e releia atentamente as definições apresentadas para os termos Análise de Riscos e Avaliação de Riscos. Neste momento, fica clara a diferenciação entre as expressões Análise de Risco e Avaliação de Risco, que chamamos a atenção no início do Capítulo 1. Segundo a definição da CETESB, a Avaliação de Risco é um processo que será aplicado após a Análise de Riscos e que será utilizado para definir as estratégias que serão implementadas para o Gerenciamento de Riscos. Já a Análise de Riscos é basicamente o processo pelo qual aplicamos as técnicas de Identificação dos Perigos (assunto do próximo capítulo), obtendo, assim, dados quanti- tativos e qualitativos e que servirão de base para efetuarmos a Avaliação de Riscos. O Estudo de Análise de Riscos compreende, ainda, outras etapas, que serão discutidas nos ca- pítulos posteriores desta apostila. BLEVE (CETESB) Do original inglês Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion. Fenômeno decorrente da explosão ca- tastrófica de um reservatório, quando um líquido nele contido atinge uma temperatura bem acima da sua temperatura de ebulição à pressão atmos- férica com projeção de fragmentos e de expansão adiabática. Bola de fogo (fireball) (CETESB) Fenômeno que se verifica quando o volume de vapor inflamável, inicialmente comprimido num recipiente, escapa repentinamente para a atmos- fera e, devido à despressurização, forma um volu- me esférico de gás, cuja superfície externa quei- ma, enquanto a massa inteira eleva-se por efeito da redução da densidade provocada pelo supera- quecimento. Categorias de risco (FEPAM) Hierarquia de risco estabelecida com base na po- tencialidade dos danos causados por acidentes, visando à priorização das ações de controle e fis- calização. Concentração letal 50 (CL50) (CETESB) Concentração calculada e estatisticamente obti- da de uma substância no ar que ingressa no orga- nismo por inalação e que, em condições bem de- terminadas, é capaz de causar a morte de 50% de um grupo de organismos de uma determinada espécie. É normalmente expressa em ppm (partes por milhão), devendo também ser mencionado o tempo de duração da exposição do organismo à substância. Confiabilidade (FEPAM) Probabilidade de que um equipamento ou siste- ma opere com sucesso por um período de tempo especificado e sob condições de operação defini- das. Curva F-N (CETESB) Curva referente ao risco social determinada pela plotagem das frequências acumuladas de aciden- tes com as respectivas consequências expressas em número de fatalidades. Curva de iso-risco (CETESB) Curva referente ao risco individual determinada pela intersecção de pontos com os mesmos valo- res de risco de uma mesma instalação industrial. Também conhecida como “contorno de risco”. Dano (CETESB) Efeito adverso à integridade física de um organis- mo. Diagrama de instrumentação e tubulações (P & ID) (CETESB) Representação esquemática de todas as tubula- ções, vasos, válvulas, filtros, bombas, compres- Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 20 sores etc. do processo. Os P & IDs mostram todas as linhas de processo, linhas de utilidades e suas dimensões, além de indicar também o tamanho e a especificação das tubulações e válvulas, incluin- do toda a instrumentação da instalação. Dispersão atmosférica (CETESB) Mistura de um gás ou vapor com o ar. Essa mistu- ra é o resultado da troca de energia turbulenta, a qual é função da velocidade do vento e do perfil da temperatura ambiente. Distância à população fixa (dp) (CETESB) Distância, em linha reta, da fonte de vazamento à pessoa mais próxima situada fora dos limites da instalação em estudo. Distância segura (ds) (CETESB) Distância determinada pelo efeito físico decor- rente do cenário acidental considerado, onde a probabilidade de fatalidade é de até 1% das pes- soas expostas. Dose letal 50 (DL50) (CETESB) Quantidade calculada e estatisticamenteobtida de uma substância administrada por qualquer via, exceto a pulmonar, e que, em condições bem determinadas, é capaz de causar a morte de 50% de um grupo de organismos de determinada es- pécie. Duto (CETESB) Qualquer tubulação, incluindo seus equipamen- tos e acessórios, destinada ao transporte de pe- tróleo, derivados ou de outras substâncias quími- cas, situada fora dos limites de áreas industriais. Efeito dominó (CETESB) Evento decorrente da sucessão de outros eventos parciais indesejáveis, cuja magnitude global é o somatório dos eventos individuais. Empreendimento (CETESB) Conjunto de ações, procedimentos, técnicas e benfeitorias que permitem a construção de uma instalação. Erro humano (CETESB) Ações indesejáveis ou omissões decorrentes de problemas de sequenciamento, tempo (timing), conhecimento, interfaces e/ou procedimentos, que resultam em desvios de parâmetros estabe- lecidos ou normais e que colocam pessoas, equi- pamentos e sistemas em risco. Estabilidade atmosférica (CETESB) Medida do grau de turbulência da atmosfera, nor- malmente definida em termos de gradiente ver- tical de temperatura. A atmosfera é classificada, segundo Pasquill, em seis categorias de estabili- dade, de A a F, sendo A a mais instável, F a mais estável e D a neutra. A classificação é realizada a partir da velocidade do vento, radiação solar e percentagem de cobertura de nuvem; a condição neutra corresponde a um gradiente vertical de temperatura da ordem de 1 ºC para cada 100 m de altitude. Estimativa de consequências (CETESB) Estimativa do comportamento de uma substân- cia química quando de sua liberação acidental no meio ambiente. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) (CETESB) Processo de realização de estudos preditivos so- bre um empreendimento, analisando e avaliando os resultados. O EIA é composto de duas partes: uma fase de previsão, em que se procura prever os efeitos de impactos esperados antes que ocor- ra o empreendimento e outra em que se procura medir, interpretar e minimizar os efeitos ambien- tais durante a construção e após a finalização do empreendimento. O EIA conduz a uma estimativa do impacto ambiental. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 21 Explosão (CETESB) Processo onde ocorre uma rápida e violenta libe- ração de energia, associado a uma expansão de gases acarretando o aumento da pressão acima da pressão atmosférica. Explosão de vapor confinado (CVE) (CETESB) A explosão de vapor confinado (CVE – Confined Vapour Explosion) é o fenômeno causado pela combustão de uma mistura inflamável num am- biente fechado, com aumento na temperatura e na pressão internas, gerando uma explosão. Esse tipo de explosão pode ocorrer com gases, vapo- res e pós. Nesse caso, grande parte da energia manifesta-se na forma de ondas de choque e qua- se nada na forma de energia térmica. Explosão de nuvem de vapor não confinado (UVCE) (CETESB) A explosão de nuvem de vapor não confinado (UVCE – Unconfined Vapour Cloud Explosion) é a rápida combustão de uma nuvem de vapor infla- mável ao ar livre, seguida de uma grande perda de conteúdo, gerada a partir de uma fonte de ig- nição. Nesse caso, somente uma parte da energia total irá se desenvolver sobre a forma de ondas de pressão e a maior parte na forma de radiação térmica. Fator de Distância (FD) (FEPAM) onde “distância (m)” é a menor distância, em me- tros, entre o ponto de liberação do fator de perigo e o ponto de interesse onde estão localizados os recursos vulneráveis. Fator de Perigo (FP) (FEPAM) MLA e MR ver adiante. Consideram-se situações graves aquelas onde se possa observar: a) Concentração no ar de substância tó- xica capaz de causar morte em 1% das pessoas expostas durante um tempo de 30 minutos; b) Fluxo de radiação térmica capaz de cau- sar morte em 1% das pessoas expostas durante um tempo de 60 segundos; c) Explosão gerando combinação de so- brepressão e impulso capaz de causar morte em 1% das pessoas expostas. Flashfire (CETESB) Incêndio de uma nuvem de vapor em que a mas- sa envolvida não é suficiente para atingir o estado de explosão. É um fogo extremamente rápido em que todas as pessoas que se encontram dentro da nuvem recebem queimaduras letais. Fluxograma de processo (CETESB) Representação esquemática do fluxo seguido no manuseio ou na transformação de matérias- -primas em produtos intermediários e acabados. É constituída de equipamentos de caldeiraria (tanques, torres, vasos, reatores etc.); máquinas (bombas, compressores etc.); e tubulações, vál- vulas e instrumentos principais, onde devem ser apresentados dados de pressão, temperatura, vazões, balanços de massa e de energia e demais variáveis de processo. Frequência (CETESB) Número de ocorrências de um evento por unida- de de tempo. Gerenciamento de riscos (CETESB) Processo de controle de riscos compreendendo a formulação e a implantação de medidas e proce- dimentos técnicos e administrativos que têm por objetivo prevenir, reduzir e controlar os riscos, bem como manter uma instalação operando den- tro de padrões de segurança considerados tolerá- veis ao longo de sua vida útil. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 22 IDLH (FEPAM) Do inglês Immediately Dangerous to Life and Health (imediatamente perigoso para vida e saú- de), representa a máxima concentração de subs- tância no ar, à qual pode se expor uma pessoa por 30 minutos sem danos irreversíveis. Valores de concentrações (IDLH) para substâncias são esta- belecidos pelo National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH). Incêndio (CETESB) Tipo de reação química na qual os vapores de uma substância inflamável combinam-se com o oxigênio do ar atmosférico e uma fonte de igni- ção, causando liberação de calor. Incêndio de poça (pool fire) (CETESB) Incêndio que ocorre numa poça de produto, a partir de um furo ou rompimento de um tanque, esfera, tubulação etc.; em que o produto estoca- do é lançado ao solo, formando uma poça que se incendeia, sob determinadas condições. Instalação (CETESB) Conjunto de equipamentos e sistemas que per- mitem o processamento, armazenamento e/ou transporte de insumos, matérias-primas ou pro- dutos. Para fins deste manual, o termo é definido como a materialização de um determinado em- preendimento. Jato de fogo (jet fire) (CETESB) Fenômeno que ocorre quando um gás inflamável escoa à alta velocidade e encontra uma fonte de ignição próxima ao ponto de vazamento. LC50 (FEPAM) Concentração da substância, no ar, para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis morrem em testes de inalação, para um tempo de exposição menor ou igual a 8 horas. *Obs.: Definição semelhante à concentração letal 50 (CL50), utilizada pela CETESB. LD50 (FEPAM) Dose de substância para a qual 50% dos mamífe- ros mais sensíveis morrem em testes de absorção cutânea ou por ingestão oral. *Obs.: Definição semelhante à dose letal 50 (DL50), utilizada pela CETESB. LCLO (FEPAM) A mais baixa concentração da substância, no ar, para a qual foi observada morte entre os mamífe- ros mais sensíveis, em testes de inalação. LDLO (FEPAM) A mais baixa dose da substância, para a qual foi observada morte entre os mamíferos mais sensí- veis, em testes de absorção ou por ingestão oral. Licença Prévia (LP) (FEPAM) Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabili- dade ambiental e estabelecendo os requisitos bá- sicos a serem atendidos nas fases de localização, implantação e operação. Licença de Implantação (LI) (FEPAM) Autoriza a instalação do empreendimento ou ati- vidade de acordo com as especificações constan- tes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e de- mais condicionantes, da qual constituem motivo determinante. Licença de Operação (LO) (FEPAM) Autoriza a operação da atividade ou empreendi-mento, após a verificação do efetivo cumprimen- to do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 23 Licenciamento ambiental (CETESB) Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, ins- talação, modificação, ampliação e a operação de empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais, consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar a degradação ambiental, considerando as disposições legais e as normas técnicas aplicáveis ao caso. Limite Inferior de Inflamabilidade (LII) (CETESB) Mínima concentração de gás que, misturada ao ar atmosférico, é capaz de provocar a combustão do produto, a partir do contato com uma fonte de ig- nição. Concentrações de gás abaixo do LII não são combustíveis, pois, nessa condição, tem-se exces- so de oxigênio e pequena quantidade do produto para a queima. Essa condição é denominada “mis- tura pobre”. Limite Superior de Inflamabilidade (LSI) (CETESB) Máxima concentração de gás que, misturada ao ar atmosférico, é capaz de provocar a combus- tão do produto, a partir de uma fonte de ignição. Concentrações de gás acima do LSI não são com- bustíveis, pois, nessa condição, tem-se excesso de produto e pequena quantidade de oxigênio para que a combustão ocorra. Essa condição é deno- minada “mistura rica”. Massa Liberada Acidentalmente (MLA) (FEPAM) É a maior quantidade de material perigoso capaz de participar de uma liberação acidental de subs- tância perigosa devido a vazamento ou ruptura de tubulações, componentes em linhas, bombas, vasos, tanques etc., ou por erro de operação ou de reação descontrolada ou de explosão confi- nada ou não, nas instalações em licenciamento. Na ausência de informações mais precisas, a MLA deve ser considerada como igual a 20% da massa de material estocado ou em processo. Havendo sistemas de segurança automáticos ou procedi- mentos que justifiquem o uso de um tempo de vazamento menor do que o necessário para vazar menos do que 20% da massa do material consi- derado, a MLA poderá ser estimada com base nesse tempo, desde que devidamente justificado. Massa de Referência (MR) (FEPAM) É definida para cada uma das substâncias perigo- sas conforme apresentado no Apêndice 1 desse manual. Essa massa pode ser entendida como a menor quantidade da substância capaz de causar danos a uma certa distância do ponto de libera- ção. Consideram-se situações graves aquelas onde se possa observar: a) Concentração no ar de substância tó- xica capaz de causar morte em 1% das pessoas expostas durante um tempo de 30 minutos; b) Fluxo de radiação térmica capaz de cau- sar morte em 1% das pessoas expostas durante um tempo de 60 segundos; c) Explosão gerando combinação de so- brepressão e impulso capaz de causar morte em 1% das pessoas expostas. Perigo (CETESB) Uma ou mais condições, físicas ou químicas, com potencial para causar danos às pessoas, à proprie- dade, ao meio ambiente ou à combinação destes. Planta (CETESB) Conjunto de unidades de processo e/ou armaze- namento com finalidade comum. Plano de Ação de Emergência (PAE) (CETESB) Documento que define as responsabilidades, diretrizes e informações, visando à adoção de procedimentos técnicos e administrativos, estru- turados de forma a propiciar respostas rápidas e eficientes em situações emergenciais. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 24 Ponto de ebulição (CETESB) Temperatura na qual a pressão interna de um lí- quido iguala-se à pressão atmosférica ou à pres- são à qual está submetido. Ponto de fulgor (CETESB) Menor temperatura na qual uma substância libe- ra vapores em quantidades suficientes para que a mistura de vapor e ar, logo acima de sua super- fície, propague uma chama, a partir do contato com uma fonte de ignição. População fixa (CETESB) Pessoa ou agrupamento de pessoas em residên- cias ou estabelecimentos industriais ou comer- ciais, presentes no entorno de um empreendi- mento. Vias com grande circulação de veículos, como rodovias, grandes avenidas e ruas movi- mentadas, devem ser consideradas como “popu- lação fixa”. Pressão de vapor (CETESB) Pressão exercida pelos vapores acima do nível de um líquido. Representa a tendência de uma subs- tância gerar vapores. É normalmente expressa em mmHg a uma dada temperatura Probabilidade (CETESB) Chance de um evento específico ocorrer ou de uma condição especial existir. A probabilidade é expressa numericamente na forma de fração ou de percentagem. Probit (CETESB) Parâmetro que serve para relacionar a intensi- dade de fenômenos como radiação térmica, so- brepressão e concentração tóxica com os danos que podem causar às estruturas ou pessoas. O Probit (unidade de probabilidade) é uma variável randômica com média 5 e variância 1. O valor do Probit é relacionado a uma determinada porcen- tagem por meio de curvas ou tabelas. Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) (CETESB) Documento que define a política e diretrizes de um sistema de gestão, com vistas à prevenção de acidentes em instalações ou atividades potencial- mente perigosas. Relatório Ambiental Preliminar (RAP) (CETESB) Documento de caráter preliminar a ser apresen- tado no processo de licenciamento ambiental no estado de São Paulo. Tem como função instru- mentalizar a decisão de exigência ou dispensa de EIA/RIMA para a obtenção da Licença Prévia. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) (CETESB) Documento que tem por objetivo refletir as con- clusões de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Suas informações técnicas devem ser expressas em linguagem acessível ao público, ilustradas por mapas com escalas adequadas, quadros, gráficos e outras técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender claramente as possíveis consequências ambientais e suas alternativas, comparando as vantagens e desvantagens de cada uma delas. Risco (CETESB) Medida de danos à vida humana, resultante da combinação entre a frequência de ocorrência e a magnitude das perdas ou danos (consequências). Risco individual (CETESB) Risco para uma pessoa presente na vizinhança de um perigo, considerando a natureza da injúria que pode ocorrer e o período de tempo em que o dano pode acontecer. Risco individual (FEPAM) Risco individual é a frequência anual esperada de morte devido a acidentes com origem em uma instalação para uma pessoa situada em um deter- minado ponto nas proximidades da mesma. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 25 Risco social (FEPAM) Risco social associado a uma instalação ou ativi- dade é o número de mortes esperadas por ano em decorrência de acidentes com origem na ins- talação/atividade, usualmente expresso em mor- tes/ano. Risco social (CETESB) Risco para um determinado número ou agrupa- mento de pessoas expostas aos danos de um ou mais acidentes. Rugosidade (CETESB) Medida da altura média dos obstáculos que cau- sam turbulência na atmosfera, devido à ação do vento, influenciando na dispersão de uma nuvem de gás ou vapor. Sistema (CETESB) Arranjo ordenado de componentes que estão inter-relacionados e que atuam e interatuam com outros sistemas, para cumprir uma tarefa ou fun- ção num determinado ambiente. Substância (CETESB) Espécie da matéria que tem composição definida. Substâncias tóxicas (FEPAM) São consideradas substâncias de ação tóxica, isto é, com risco grave para a saúde, após exposição, as substâncias que tenham um dos itens abaixo: �� LC50 # 2000 mg/m3, para um tempo de exposição # 4 horas, (LC50 = concen- tração da substância, no ar, para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis mor- rem em testes de inalação); �� LD50 – Cutânea # 400 mg/kg de massa corpórea (LD50 – Cutânea = dose para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveismorrem em testes de absorção cutâ- nea); �� LD50 – Oral # 200 mg/kg de massa cor- pórea (LD50 – Oral = dose para a qual 50% dos mamíferos mais sensíveis mor- rem em testes de absorção por via oral). No caso de não serem disponíveis os dados de LC50 ou LD50, para determinada substância, de- vem ser utilizados os LCLO ou LDLO correspon- dentes, que têm o significado de serem a mais baixa concentração ou a mais baixa dose para a qual foi observado qualquer caso de morte do mamífero mais sensível. Substâncias combustíveis e inflamáveis (FEPAM) Substâncias combustíveis são aquelas que po- dem reagir exotermicamente e de modo autos- sustentado com um agente oxidante, usualmen- te o oxigênio do ar, com emissão de luz e calor. São classificadas como substâncias inflamáveis as substâncias combustíveis cujo ponto de fulgor é inferior a 55 ºC. Substâncias explosivas (FEPAM) Substâncias explosivas são aquelas capazes de causar uma súbita liberação de gases e calor, ge- rando rápido aumento de pressão, quando sub- metidas a choque, pressão ou alta temperatura. Substância perigosa (FEPAM) Substância que se enquadre em qualquer uma das definições de substância tóxica e/ou combus- tível e inflamável e/ou explosiva. Unidade (CETESB) Conjunto de equipamentos com finalidade de armazenar (unidade de armazenamento) ou de provocar uma transformação física e/ou química nas substâncias envolvidas (unidade de proces- so). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 26 Uma das formas de classificar os riscos é considerar situações potenciais de perdas e da- nos ao homem e ao meio ambiente, dividindo-os em algumas classes e subclasses e tendo como ponto de partida os Riscos Ambientais (CERRI; AMARAL, 1998). 2.3 Tipos de Risco Os Riscos Ambientais podem ser classifica- dos como Riscos Naturais e Riscos Antrópicos, e estes são subdivididos em Riscos Tecnológicos e Riscos Sociais. Outras subdivisões para a classificação dos riscos seguirão adiante. Figura 2 – Pré-classificação dos riscos ambientais – parte I. Riscos antrópicos �� Riscos Sociais: podem ser causados pela sociedade ou riscos com conse- quências para a sociedade humana, como assaltos, guerras etc. �� Riscos Tecnológicos: são aqueles cuja origem está diretamente ligada à ação humana. Podem ser causados por va- zamentos de produtos tóxicos ou infla- máveis, radioativos, quedas de aviões, colisão de automóveis etc. Esses riscos são causados por diferentes ações antrópicas, como: �� utilização ou liberação de substâncias químicas, �� radiações ionizantes; �� organismos geneticamente modifica- dos. As atividades de risco são chamadas de perigosas, e incluem as atividades capazes de causar dano ambiental, como muitas atividades industriais, o transporte e o armazenamento de produtos químicos, o lançamento de poluentes e a manipulação genética, entre outros. Essas atividades podem acarretar danos materiais aos ecossistemas e à saúde do homem. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 27 Segundo Sevá Filho (1988), a abordagem desse tipo de risco deve levar em conta três fa- tores indissociáveis: o processo de produção (re- cursos, técnicas, equipamentos, maquinário); o processo de trabalho (relações entre direções em- presariais e estatais e assalariados); e a condição humana (existência individual e coletiva, ambien- te). Onde for encontrado pelo menos um desses fatores, haverá o risco tecnológico ou a probabili- dade de um problema causado por tal risco. Figura 3 – Fatores impactantes no risco antrópico. Fonte: Sevá Filho (1988). Saiba maisSaiba mais Saiba maisSaiba mais Os EUA são referência mundial quando se quer pesquisar algo sobre EAR. Eles desenvolveram uma complexa estru- tura para tratar desse tema. Por meio de seu órgão principal, US Environmental Protection Agency, o EPA, desenvol- veram metodologias para a avaliação, gerenciamento e redução dos riscos, que são aplicadas em diversas áreas e não somente na área industrial. No site desse órgão, você pode encontrar manuais, metodologias e instruções sobre o EAR. Mas não desanime no meio dessa leitura, caso não domine a língua inglesa. Faça uma simples busca no Google pelo termo US Environmental Protection Agency e clique no link “traduzir esta página”. A tradução fica muito bem feita para o português, o que nos possibilita acessar a todas as informações. O tradutor efetua, inclusive, a tradução de alguns guias e manuais. Não deixe de acessar esse site e aprender um pouco mais sobre esse tema tão rico. O endereço do site é: www.epa.gov Prosseguindo com o processo de classifica- ção dos riscos, temos que os Riscos Tecnológicos são subdivididos em dois tipos de risco: �� Agudos: são decorrentes do mau fun- cionamento de um sistema tecnoló- gico, como, por exemplo, acidentes industriais ampliados, vazamento de petróleo de um duto ou navio. �� Crônicos: são decorrentes da exposição da população a agentes físicos, como ruído, e/ou a agentes químicos, como substâncias presentes em águas sub- terrâneas utilizadas para abastecimen- to doméstico, e à liberação contínua de pequenas quantidades de poluentes. Riscos naturais Na caracterização de situações de risco na- tural, deve-se sempre levar em conta a ação do homem como deflagrador ou acelerador dos pro- cessos naturais. A intensidade e frequência dos Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 28 fenômenos podem ser aumentadas devido às ações antrópicas. Por sua vez, os Riscos Naturais também são subdivididos em dois grupos: Riscos Físicos e Ris- cos Biológicos. Figura 4 – Pré-classificação dos riscos ambientais – parte II. Os Riscos Biológicos são divididos em ris- cos associados à fauna e riscos associados à flora. Os riscos associados à fauna estão relacionados à atuação de agentes vivos, como organismos patogênicos. Como exemplos, podemos citar a dengue, febre amarela, picadas de animais, doen- ças provocadas por vírus e bactérias, pragas (roe- dores, gafanhotos etc.) e epidemias de gripe. Os riscos associados à flora estão relacionados a doenças provocadas por fungos, pragas (ervas daninhas), ervas tóxicas e venenosas etc. Já os Riscos Físicos são associados aos pro- cessos do meio físico, sendo divididos em 3 gru- pos: riscos atmosféricos (ar), geológicos (solo e rocha) e hidrológicos (água). Figura 5 – Classificação dos riscos físicos. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 29 �� Atmosféricos: como as situações de risco sempre estão associadas a proces- sos, temos que os riscos atmosféricos são oriundos de processos e fenôme- nos meteorológicos e climáticos. Po- dem ser de temporalidade curta, como os furacões, tornados, trombas de água, tempestades, granizo e raios, ou de temporalidade longa, como as secas. �� Hidrológicos: são os riscos oriundos de processos e fenômenos hidrológicos, como as chuvas intensas e inundações, enchentes e alagamentos. �� Geológicos: os riscos geológicos são associados aos processos geológicos, podendo ser subdivididos em dois gru- pos, relacionados predominantemente à geodinâmica interna ou externa. Po- demos citar como exemplos de riscos endógenos os sismos e atividades vul- cânicas, tsunamis (associados à geodi- nâmica interna), e como exemplos de riscos exógenos os escorregamentos, erosões e assoreamentos, subsidência e colapsos, solos expansivos, entre ou- tros (associados à geodinâmica exter- na). �� Siderais: são os riscos que têm origem fora do planeta, como uma queda de meteoritos. AtençãoAtenção Subsidência: processo caracterizado pelo afun- damento da superfície de um terreno em rala- ção às áreas circunvizinhas. É o processo oposto ao levantamento tectônico, que resulta numa elevação da superfície. A subsidência pode ser devida a fenômenos geológicos, tais como dis- solução, erosão, compactação do material de superfície, falhas verticais, terremotose vulca- nismos. Normalmente o fenômeno acontece de forma gradual e mais raramente de forma brusca e repentina. A seguir temos um esquema com a classifi- cação final dos riscos ambientais. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 30 Figura 6 – Classificação final dos riscos ambientais. Fonte: Amaral e Silva (1996 apud EDERSOL, 2007). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 31 Caro(a) aluno(a), neste capítulo apresentamos importantes conceitos e definições, que serão muito úteis em nossa disciplina. Voltamos a destacar, que neste momento deve estar muito claro para você, as diferenças entre Perigo, Risco e Dano. Também é importante reconhecer a diferença entre Identificação de Perigos, Análise de Riscos e Avaliação de Riscos. Além da definição de uma série de outros conceitos, verificamos também como os riscos são clas- sificados. 2.4 Resumo do Capítulo 2.5 Atividades Propostas 1. Escreva com suas palavras a definição de Perigo. Após responder a esta pergunta, procure a definição dada neste capítulo e verifique se você compreendeu o conceito e definiu correta- mente. 2. Escreva com suas palavras a definição de Risco. Após responder a esta pergunta, procure a defi- nição dada neste capítulo e verifique se você compreendeu o conceito e definiu corretamente. 3. Escreva com suas palavras a definição de Dano. Após responder a esta pergunta, procure a defi- nição dada neste capítulo e verifique se você compreendeu o conceito e definiu corretamente. 4. Escreva com suas palavras a definição de Análise de Risco. Após responder a esta pergunta, procure a definição dada neste capítulo e verifique se você compreendeu o conceito e definiu corretamente. 5. Escreva com suas palavras a definição de Avaliação de Risco. Após responder a esta pergunta, procure a definição dada neste capítulo e verifique se você compreendeu o conceito e definiu corretamente. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 33 Caro(a) aluno(a), neste capítulo vamos apre- sentar algumas técnicas de Identificação de Peri- gos. Entre as mais utilizadas, destacamos a Análise Preliminar de Perigos (APP) ou Análise Preliminar de Riscos (APR) e o HazOp – Estudo de Perigos e Operabilidade (em inglês, Hazard and Operability Study). Iremos apresentar, no total, 10 técnicas. Existem, ainda, outras técnicas além das apresen- tadas aqui. Vamos nos ater às mais comuns e utili- zadas na área ambiental. Já vimos nos capítulos anteriores que os grandes acidentes de origem tecnológica envol- vendo substâncias químicas, ocorridos nas déca- das de 1970 e 1980, motivaram os órgãos gover- namentais a promover diversos programas para o gerenciamento de riscos impostos por atividades industriais. TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS 3 AtençãoAtenção Não confunda Identificação de Perigos com Análise de Riscos e Avaliação de Riscos. Entre as técnicas que iremos estudar, as mais utilizadas são: APP – Análise Preliminar de Perigos. HazOp – Estudo de Perigos e Operabilidade (Hazard and Operability Study). Assim, as técnicas para a identificação de perigos e estimativa dos efeitos no homem e no meio ambiente, decorrentes de incêndios, explo- sões e liberações de substâncias tóxicas, já am- plamente utilizadas nas áreas aeronáutica, mili- tar e espacial, foram gradativamente adaptadas e aperfeiçoadas e passaram a ser incorporadas como “ferramentas” para o gerenciamento de ris- cos em atividades industriais, em particular nas indústrias química e petroquímica. 3.1 Relação das Técnicas de Identificação de Perigos Caro(a) aluno(a), existem diversas técnicas que podem ser utilizadas para a identificação de perigos num empreendimento. Entre as diversas técnicas utilizadas para a identificação de perigos, as mais comumente utilizadas, e aqui apresenta- das, são: 1. Análise Preliminar de Perigos (APP); 2. Estudo de perigos e operabilidade (Ha- zOp – Hazard and Operability Study); 3. Lista de verificação (checklist); 4. Análise “E se...?” (What if...?); 5. Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE); 6. Análise histórica de acidentes; 7. Inspeção de segurança; 8. Análise de causas e consequências. 9. Análise de Árvore de Falhas (AAF); 10. Análise de Árvore de Eventos (AAE). Não existe a melhor técnica. Dependendo da necessidade e da complexidade do empreen- dimento, pode ser necessária a combinação de duas ou mais técnicas no processo. O que se deve Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 34 fazer é combinar aquelas que resultem melhor avaliação, tanto qualitativa, quanto quantitativa dos riscos, ou seja, das ameaças de perdas even- tuais. Nos próximos tópicos, você poderá apren- der os fundamentos e metodologias dessas técni- cas e como utilizá-las. 3.2 Análise Preliminar de Perigos (APP) – Preliminary Hazard Analysis (PHA) A Análise Preliminar de Riscos (APP), tam- bém denominada Análise Preliminar de Riscos (APR), é uma técnica que foi desenvolvida espe- cificamente para aplicação nas etapas de plane- jamento de projetos, visando a uma identificação precoce de situações indesejadas, o que possibili- ta a adequação do projeto antes que recursos de grande monta tenham sido comprometidos. Trata-se, portanto, de uma técnica de po- tencial emprego em EIA, pois não exige o deta- lhamento da instalação industrial a ser analisada. Essa técnica está descrita como a técnica a ser utilizada nos manuais da CETESB e da FEPAM. Preparam-se planilhas nas quais, para cada perigo identificado, são levantadas suas possíveis causas, efeitos potenciais e medidas básicas de controle aplicáveis (preventivas ou corretivas). Além da identificação, os perigos são tam- bém avaliados com relação à frequência e grau de severidade de suas consequências. A análise preliminar de perigos pode ser uma etapa inicial, seguida de outras ferramentas de análise. Segundo o Manual de Orientação para a Ela- boração de Estudos de Análise de Riscos (Norma P4.261) da CETESB, a APP é uma técnica que teve origem no programa de segurança militar do De- partamento de Defesa dos EUA. Trata-se de uma técnica estruturada que tem por objetivo identi- ficar os perigos presentes numa instalação, que podem ser ocasionados por eventos indesejáveis. Essa técnica pode ser utilizada em insta- lações na fase inicial de desenvolvimento, nas etapas de projeto ou mesmo em unidades já em operação, permitindo, nesse caso, a realização de uma revisão dos aspectos de segurança existen- tes. A APP deve focalizar todos os eventos pe- rigosos cujas falhas tenham origem na instala- ção em análise, contemplando tanto as falhas intrínsecas de equipamentos, de instrumentos e de materiais, quanto os erros humanos. Também deve examinar maneiras pelas quais a energia ou material do processo pode ser liberado de forma descontrolada. Na APP devem ser identificados os perigos, as causas e os efeitos (consequências) sobre pes- soas e meio ambiente e as categorias de severida- de correspondentes, bem como as observações e recomendações pertinentes aos perigos identifi- cados, devendo os resultados ser apresentados em planilha padronizada. Assim, concluímos que a APP é uma avaliação qualitativa dos riscos. É precursora de outras análises. A elaboração da APP compreende as eta- pas: �� definição dos objetivos e do escopo da análise; �� definição das fronteiras do processo (instalação); �� coleta de informações sobre a região, a instalação e os perigos envolvidos; �� subdivisão do processo (instalação) em módulos; �� realização da APP com o preenchimen- to da planilha com os dados levantados; �� elaboração das estatísticas dos cenários identificados por categorias de risco, utilizando as tabelas de frequência e se- veridade; �� análise dos resultados. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 35 Para o desenvolvimento da APP, necessita- remos ter o conhecimento das informaçõesdes- critas no Quadro 1. Quadro 1 – Informações necessárias para a elaboração da APP. Fonte: CETESB (2003). Inicialmente, no processo de levantamento dos dados, utiliza-se a planilha no modelo a se- guir (Quadro 2). Quadro 2 – Modelos de planilhas para a elaboração da APP. Fonte: CETESB (2003). Exemplo Como exemplo, consideremos um proces- so que utilizará H2S líquido bombeado. O analis- ta de APP só dispõe da informação de que esse produto será usado no processo e nenhum outro detalhe do projeto. O analista sabe que o H2S é tóxico e identifica sua liberação como um perigo. Estuda então as causas para essa liberação: �� o cilindro pressurizado vasa ou rompe- -se; �� o processo não consome todo H2S; �� as linhas de alimentação de H2S apre- sentam vazamento ou ruptura; �� ocorre um vazamento durante o recebi- mento do H2S na planta. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 36 O analista determina, então, o efeito dessas causas. Nesse caso, havendo liberações maiores, poderão ocorrer mortes. A tarefa seguinte con- siste em oferecer orientação e critérios para os projetistas aplicarem no projeto da planta, reco- nhecendo cada um dos mecanismos de liberação em potencial significativos. Por exemplo, para o primeiro item, vazamento no cilindro, o analista poderia recomendar: �� estudar um processo que armazene substâncias alternativas de menor toxi- dez, capazes de gerar o H2S de acordo com as necessidades da operação; �� instalar um sistema de alarme na planta; �� minimizar o armazenamento local do H2S, sem excesso de manuseio ou de entregas, como, por exemplo, armaze- namento das necessidades de produ- ção para um período de duas semanas a um mês; �� desenvolver um procedimento de ins- peção de cilindros; �� estudar um recipiente cilíndrico dotado de um sistema de inundação disparado por um detector de vazamentos; �� instalar o cilindro de maneira a facilitar o acesso por ocasião das entregas, mas distante do tráfego de outras plantas; �� sugerir o desenvolvimento de um pro- grama de treinamento para todos os empregados, a respeito dos efeitos do H2S e das práticas de emergência, a ser entregue a todos os empregados, an- tes da ativação inicial da planta e, sub- sequentemente, a todos os novos em- pregados, junto com um estudo de um programa semelhante para os vizinhos da planta. Registro dos resultados Os resultados da APP são registrados con- venientemente num formulário (Quadro 3), que mostra os perigos identificados, as causas, o modo de detecção, efeitos potenciais, categorias de frequência e severidade e risco, as medidas corretivas/preventivas e o número do cenário. Quadro 3 – Modelos de planilhas para apresentação final da APP. Fonte: Fleming e Garcia (1999). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 37 A seguir, detalhamos o preenchimento de cada coluna. �� 1ª coluna: Perigo Esta coluna contém os perigos identificados para o módulo de análise em estudo. De uma for- ma geral, os perigos são eventos acidentais que têm potencial para causar danos às instalações, aos operadores, ao público ou ao meio ambiente. Portanto, os perigos referem-se a eventos como a liberação de material inflamável e tóxico. �� 2ª coluna: Causa As causas de cada perigo são discriminadas nesta coluna. Essas causas podem envolver tanto falhas intrínsecas de equipamentos (vazamentos, rupturas, falhas de instrumentação etc.) quanto erros humanos de operação e manutenção. �� 3ª coluna: Modo de Detecção Os modos disponíveis na instalação para a detecção do perigo identificado na primeira co- luna foram relacionados nesta coluna. A detecção da ocorrência do perigo tanto pode ser realizada através de instrumentação (alarmes de pressão, de temperatura etc.) quanto através de percep- ção humana (visual, odor etc.). �� 4ª coluna: Efeito Os possíveis efeitos danosos de cada perigo identificado são listados nesta coluna. Os principais efeitos dos acidentes envol- vendo substâncias inflamáveis e tóxicas incluem: �� incêndio em nuvem; �� explosão de nuvem; �� formação de nuvem tóxica. �� 5ª coluna: Categoria de Frequência do Cenário No âmbito da APP, um cenário de acidente é definido como o conjunto formado pelo perigo identificado, suas causas e cada um dos seus efei- tos. Como exemplo de cenário de acidente pos- sível, podemos mencionar uma grande liberação de substância inflamável devido à ruptura de tu- bulação, podendo levar à formação de uma nu- vem inflamável e tendo como consequência in- cêndio ou explosão da nuvem. De acordo com a metodologia de APP ado- tada, os cenários de acidentes foram classificados em categorias de frequência, as quais fornecem uma indicação qualitativa da frequência esperada de ocorrência para cada um dos cenários identifi- cados, conforme indicado a seguir, na Tabela 1. �� 6ª coluna: Categoria de Severidade Também de acordo com a metodologia de APP adotada, os cenários de acidentes foram clas- sificados em categorias de severidade, as quais fornecem uma indicação qualitativa do grau de severidade das consequências de cada um dos ce- nários identificados. As categorias de severidade utilizadas no presente trabalho estão descritos a seguir, na Tabela 2. �� 7ª coluna: Categoria de Risco Combinando-se as categorias de frequên- cia com as de severidade obtém-se a Matriz de Riscos, conforme descrito no Quadro 4, o qual fornece uma indicação qualitativa do nível de ris- co de cada cenário identificado na análise. �� 8ª coluna: Medidas/Observações Esta coluna contém as medidas que devem ser tomadas para diminuir a frequência ou seve- ridade do acidente ou quaisquer observações pertinentes ao cenário de acidente em estudo. A letra E (Existente) nesta coluna indica que as me- didas já foram tomadas. �� 9ª coluna: Identificador do Cenário de Acidente Esta coluna contém um número de iden- tificação do cenário de acidente. Foi preenchida sequencialmente para facilitar a consulta a qual- quer cenário de interesse. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 38 Tabela 1 – Categorias de frequências de ocorrência dos cenários. Fonte: Camacho (2004). Tabela 2 – Categorias de severidade da APP. Fonte: CETESB (2003). A classificação dos riscos é obtida pela com- binação das tabelas de frequências e de severida- de, como podemos na Figura 7. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 39 Figura 7 – Matriz de classificação de risco – APP. Fonte: Amorim (2013). De acordo com o problema apresentado no exemplo anterior, poderemos ter como resultado final a planilha a seguir (Quadro 4). Quadro 4 – Exemplo de apresentação do resultado final da APP. Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 40 Quadro 5– Exemplo de apresentação do resultado final da APP. Fonte: Amorim (2013). Conforme descrito na Norma P4.261 da CETESB, o relatório final de apresentação da APP deve conter a seguinte estrutura: �� descrição dos objetivos e escopo da análise; �� descrição do sistema, contemplando aspecto de operação, manutenção e possíveis modificações; �� descrição da metodologia e critérios adotados na análise; �� apresentação da Análise Preliminar de Riscos, contendo: 1. modelos de análise; 2. planilhas da APP; 3. estatísticas dos cenários de aciden- tes. �� conclusões gerais com cenários de risco sério ou crítico identificados na APP; �� referências bibliográficas; �� anexos contendo os fluxogramas utili- zados na APP. A seguir, apresentaremos as orientações para realização de Análise Preliminar de Risco (APR) descritas no Manual de Análise de Riscos (nº 01/2001) da FEPAM. Esse documento apresenta os tópicos que deverão ser contemplados em trabalhos de APR de plantas industriais a serem apresentados à DI- COPI/FEPAM. A APR, também conhecida como Análise Preliminar de Perigos (APP), é umatécnica quali- tativa para identificação de possíveis cenários de acidentes em uma dada instalação. Deve ser elaborada obedecendo à seguinte estrutura: 1. objetivo da aplicação da APR e abran- gência de análise; 2. descrição do sistema analisado, com ênfase em operação, manutenção e em prováveis alterações a serem propostas para o sistema; 3. metodologia utilizada, ressaltando os critérios aplicados na análise; 4. apresentação do sistema analisado, identificando os módulos de análise e apresentando as planilhas correspon- dentes com estatística dos cenários dos acidentes arrolados pela técnica; Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 41 5. apresentação das conclusões gerais da APR, arrolando os cenários de risco sé- rio ou crítico identificados; 6. listagem das recomendações decor- rentes da análise; 7. referências bibliográficas; 8. deverão integrar o estudo a ser enca- minhado todos os fluxogramas utiliza- dos na APR; 9. deverão integrar os anexos: plantas da fábrica com identificação de todas as unidades e entorno da unidade fabril com discriminação dos usos. Por ser uma atividade que envolve conhe- cimento em diversas áreas, a equipe responsável pela elaboração da APR deve ser formada por uma equipe multidisciplinar. Deverá constar do trabalho, a relação de to- dos os participantes da equipe, bem como suas funções no grupo e na empresa. Preferencialmen- te, a equipe que realizará a APR deverá ser com- posta de: 1. um especialista em análise de riscos, que deve explicar aos demais mem- bros do grupo como se faz a aplicação da técnica e conduzir as reuniões; 2. um membro da gerência da planta; 3. um engenheiro de projeto; 4. um engenheiro ou técnico ligado à produção; 5. um engenheiro de instrumentação; 6. um técnico envolvido nas rotinas ope- racionais do setor avaliado; 7. um secretário. De acordo com a metodologia da APR, os cenários de acidentes devem ser classificados em categorias de frequência, as quais fornecem uma indicação qualitativa da frequência esperada de ocorrência de cada cenário identificado, confor- me exemplificado na Tabela 3. Tabela 3 – Categorias de frequência da APP. Fonte: FEPAM (2001). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 42 Ainda de acordo com a metodologia da APR, os cenários de acidentes devem ser classificados em categorias de severidade, as quais fornecem uma indicação qualitativa do grau de severidade das consequências de cada cenário identificado. Na Tabela 4 são exemplificadas as categorias de severidade que poderão ser utilizadas. Tabela 4 – Categorias de severidade da APP. Obs.: Para classificação de um cenário em uma dada categoria de severidade não é necessário que todos os aspectos previstos na categoria estejam incluídos nos possíveis efeitos deste acidente. Fonte: FEPAM (2001). As categorias de frequência e severidade podem ser combinadas para se gerar categorias de risco. Na Figura 8, tem-se uma possível defini- ção das categorias de risco mencionadas. Figura 8 – Matriz de classificação de risco – APP. Fonte: FEPAM (2001). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 43 Depois de realizado o preenchimento da planilha, deve-se fazer um levantamento do nú- mero de cenários identificados em cada uma das combinações de classe de frequência e de severi- dade, montando-se uma tabela tal como a Tabela 5. Tabela 5 – Matriz de classificação de risco – APP. Obs.: onde, nAI corresponde ao número de cenários que foram classificados como sendo de categoria de frequência A (muito improvável) e de severidade I (desprezível). As demais en- tradas na tabela têm significado semelhante. Fonte: FEPAM (2001). 3.3 Análise de Perigos e Operabilidade – HazOp (Hazard and Operability Study) Esta técnica também é uma das mais utiliza- das no processo de Identificação dos Riscos. Em 1963, a Divisão de Química Orgânica Pesada da ICI estava projetando uma planta para produção de fenol. Devido a problemas de cus- tos, o projeto foi cortado em muitos pontos, per- dendo algumas de suas características originais, gerando assim algumas críticas. Em 1964, foi estabelecida uma equipe para aplicação de um exame crítico no projeto da plan- ta, a fim de detectar deficiências e investir da me- lhor forma possível. Durante quatro meses, três especialistas trabalharam no projeto, examinan- do detalhadamente todos os diagramas de linha da planta, encontrando muitos perigos potenciais e problemas operacionais que não haviam sido previstos no projeto. Portanto, o princípio da téc- nica que se baseava em “encontrar alternativas” foi modificado para “identificar desvios”, surgindo assim a técnica HazOp. O termo HazOp origina-se do inglês Hazard and Operability Study. Também conhecido como Estudo de Perigos e Operabilidade, o HazOp é uma técnica projetada para identificar perigos que possam gerar acidentes nas diferentes áreas da instalação, além de perdas na produção em ra- zão de descontinuidade operacional. Também é objetivo da técnica identificar problemas que possam contribuir para a redução da qualidade operacional da instalação (operabi- lidade da mesma). Cabe lembrar que num HazOp a operabilidade é tão importante quanto a iden- tificação dos perigos, sendo que, na maioria dos trabalhos, encontram-se mais problemas de ope- rabilidade quando comparados aos perigos. Tem se tornado extremamente claro que, embora os códigos de práticas sejam de grande valia, é particularmente importante suplementá- -los com uma técnica imaginativa, que antecipe os perigos quando novos projetos envolverem novas tecnologias. A necessidade de identificar erros ou omis- sões de projeto tem sido reconhecida há muito tempo, mas vem sendo realizada tradicionalmen- te com base em conhecimentos individuais de especialistas. Exemplo: O engenheiro de instrumentação verifica os sistemas de controle e, se está satisfei- to, aprova o projeto e o passa para o próximo es- Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 44 pecialista. Esse tipo de verificação individualizada melhora o projeto, mas tem pouca chance de de- tectar perigos relacionados com a interação das diversas funções ou especialidades. O HazOp é efetivo na identificação de inci- dentes previsíveis, mas também é capaz de iden- tificar as mais sutis combinações que levam a eventos pouco esperados. A Análise de Perigos e Operabilidade é uma técnica para identificação de perigos projetada para estudar possíveis desvios (anomalias) de projeto ou na operação de uma instalação. Consiste no trabalho integrado de uma equipe de especialistas que realiza um exame crítico sistemático, a fim de avaliar o potencial de riscos decorrentes da má operação ou mau fun- cionamento de itens individuais dos equipamen- tos e os efeitos na instalação, seguindo uma es- trutura dada por determinadas palavras-guia que permitam identificar desvios ou afastamentos da normalidade. A equipe procura identificar as causas de cada desvio e, caso sejam constatadas conse- quências consideradas relevantes, ou seja, as de elevada probabilidade ou magnitude, são avalia- dos os sistemas de proteção para determinar se estes são suficientes para controlar essas situa- ções. Se a equipe considerar que outras medidas ou dispositivos de segurança são necessários, então são feitas as respectivas recomendações. A técnica é então repetida até que cada seção do processo ou equipamento de interesse tenha sido revisado. A principal vantagem dessa discussão é que ela estimula a criatividade e gera ideias. Essa cria- tividade resulta da interação da equipe com dife- rentes formações. A melhor ocasião para a realização de um estudo de riscos e operabilidade é a fase em que o projeto se encontra razoavelmente consolida- do, pois o método requer consultas a desenhos, P & IDs e plantas de disposição física da instalação,entre outros documentos. Nessa altura, o projeto já está bem definido, a ponto de permitir a formulação de respostas ex- pressivas às perguntas do estudo. Além disso, nesse ponto ainda é possível al- terar o projeto sem grandes despesas. Do ponto de vista de custos, o HazOp é óti- mo quando aplicado a novas plantas, no momen- to em que o projeto está estável e documentado, ou para plantas existentes ao ser planejado um remodelamento. Os principais resultados obtidos do HazOp são: �� identificação de desvios que conduzem a eventos indesejáveis; �� identificação das causas que podem ocasionar desvios do processo; �� avaliação das possíveis consequências geradas por desvios operacionais; �� recomendações para a prevenção de eventos perigosos ou minimização de possíveis consequências. A Tabela 6 apresenta um exemplo de pla- nilha utilizada para o desenvolvimento da análise de perigos e operabilidade. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 45 Tabela 6 – Modelos de planilhas para a elaboração do HazOp. Fonte: CETESB (2003). Observe, a seguir, alguns exemplos de pala- vras-guia, parâmetros de processo e desvios. Quadro 6 – Modelos de palavras-guia, desvios e parâmetros (HazOp). Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 46 Quadro 7 – Modelos de palavras-guia, desvios e parâmetros (HazOp). Fonte: CETESB (2003). Quadro 8 – Modelos de palavras-guia, desvios e parâmetros (HazOp). Fonte: CETESB (2003). A seguir, apresentamos alguns exemplos de desvios e suas possíveis causas. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 47 Quadro 9 – Exemplos de desvios e possíveis causas (HazOp). Fonte: Amorim (2013). Embora o objetivo geral consista na identi- ficação dos perigos e problemas de operabilida- de, a equipe deve se concentrar em outros itens importantes para o desenvolvimento do estudo, tais como: �� verificar a segurança do projeto; �� verificar os procedimentos operacio- nais e de segurança; �� melhorar a segurança de uma instala- ção existente; �� certificar-se de que a instrumentação de segurança está reagindo da melhor forma possível; �� verificar a segurança dos empregados; �� considerar perda da planta ou de equi- pamentos; �� considerar perdas de produção; �� segurança pública; �� impactos ambientais. Os estudos HazOp devem ser realizados por uma equipe multidisciplinar, composta de 5 a 7 membros, embora um contingente menor possa ser suficiente para a análise de uma planta peque- na. Sendo a equipe numerosa demais, a unidade do grupo se perde e o rendimento tende a ser menor. Para a análise de um novo projeto, a equipe pode ser composta por: �� Engenheiro de projeto; �� Engenheiro de processo; �� Engenheiro de automação; �� Engenheiro eletricista; �� Líder da equipe. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 48 Para a análise de uma planta em operação, a equipe pode ser composta por: �� Chefe de fábrica; �� Supervisor de operação; �� Engenheiro de manutenção; �� Engenheiro de instrumentação; �� Engenheiro eletricista; �� Químico; �� Líder da equipe. Alguns projetos necessitarão da inclusão de diferentes disciplinas, como, por exemplo, enge- nheiro elétrico, engenheiro civil e farmacêutico- -bioquímico, entre outros. A equipe deve ter um líder que tenha expe- riência na condução de estudos de HazOp e que tenha em mente fatores importantes para asse- gurar o sucesso das reuniões, como: não competir com os membros da equipe, ter o cuidado de ou- vir a todos, não permitir que ninguém seja colo- cado na defensiva, manter o alto nível de energia, fazendo pausas quando necessário. Para que o estudo possa ser realizado, é im- portante que esteja disponível toda a documen- tação necessária, tais como: �� P & IDs (diagramas de tubulação e ins- trumentação); �� Fluxogramas de processo e balanço de materiais; �� Plantas de disposição física da instala- ção; �� Desenhos isométricos; �� Memorial descritivo do projeto; �� Folha com os dados dos equipamentos; �� Diagrama lógico de intertravamentos juntamente com a descrição completa. O volume de trabalho exigido nesse estágio depende do tipo da planta. Em plantas contínuas, os preparativos são mínimos. Os fluxogramas atualizados e desenhos de tubulações e instru- mentos existentes contêm, via de regra, informa- ções suficientes para o estudo. É importante não deixar que faltem cópias dos desenhos. No caso de plantas descontínuas, os pre- parativos são em geral mais extensos, sobretudo pela necessidade maior de operações manuais; assim, as sequências de operação constituem a maior parte do HazOp. Esses dados operacionais podem ser obtidos nas instruções operacionais, diagramas lógicos ou diagramas sequenciais de instrumentos. Havendo operadores fisicamente envolvi- dos no processo, como, por exemplo, alimentando vasos, suas atividades deverão ser representadas pelas instruções (ou protocolos) de fabricação. O primeiro requisito consiste na avaliação das horas necessárias à realização do estudo. Como regra geral, deverá ser estudada cada parte isoladamente. Por exemplo, cada tubulação principal alimentando um vaso utilizará em média 15 min do tempo da equipe. Um vaso com duas entradas, duas saídas e um alívio deverá utilizar cerca de 1 hora e meia. Nessas condições, torna- -se possível efetuar uma estimativa com base no número de tubulações e de vasos a serem anali- sados. O HazOp requer a divisão da planta em nodos (nós) de estudo (pontos estabelecidos nos desenhos de tubulação, instrumentação e procedimentos, entre os quais encontram-se os componentes da planta como bombas, vasos, trocadores de calor etc.) e que o processo, em tais pontos, seja analisado com auxílio das palavras- -guia. A equipe de estudo começa pelo início do processo, progredindo no sentido do seu fluxo natural, aplicando palavras-guia em cada nodo de estudo, identificando os problemas potenciais nesses pontos. Como exemplo, a palavra-guia alta combinada com o parâmetro pressão resulta num desvio de alta pressão. A equipe analisa os efeitos desse desvio no ponto em questão e determina suas possíveis causas, bem como suas consequências. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 49 É importante também que todas as linhas de serviço, incluindo linhas de vapor, água, ar comprimido, nitrogênio e drenagem sejam “ha- zopadas”, assim como as linhas de processo. Além disso, deverão ser observadas pequenas deriva- ções ou ramificações que podem não conter uma numeração. O sucesso do HazOp depende de vários fa- tores, a saber: �� fundamentalmente do grau de comple- mentação e precisão dos documentos e outros dados para a fase de estudo; �� da habilidade técnica e do discernimen- to da equipe; �� da habilidade da equipe em usar uma aproximação como um auxílio à sua imaginação para visualizar desvios, cau- sas e consequências; �� da habilidade da equipe em se concen- trar nos perigos mais importantes entre aqueles que forem identificados. O processo de registro constitui uma parte importante do HazOp. É impossível registrar to- dos os comentários e sugestões, contudo é im- portante que nenhuma ideia se perca. É altamente recomendável que os integran- tes da equipe revisem individualmente o relató- rio e depois se reúnam para uma revisão final do mesmo. O formulário HazOp que documenta os re- sultados da análise deve ser preenchido durante as reuniões do HazOp (vide exemplo nos Qua- dros 10, 11 e 12 a seguir). É também conveniente que as sessões se- jam gravadas para posterior transcrição. Outra forma de se documentar um HazOp é através de computadores. Para isso, entretanto, a pessoa encarregada pelo registro dos dados deve estar familiarizada com o programa e com a lin- guagem do computador, de forma que os dados possam ser digitados correta e rapidamente.Um registro lento poderá aumentar o tempo gasto para a conclusão do estudo. Entre os benefícios resultantes, podemos relacionar: �� Revisão sistemática e completa: pode produzir uma revisão completa do pro- jeto de uma instalação e sua operação. �� Avaliação das consequências dos erros operacionais: embora o HazOp não substitua uma análise completa de erro humano, ele pode auxiliar na iden- tificação de cenários nos quais os ope- radores podem errar, originando sérias consequências, justificando medidas adicionais de proteção. �� Prognóstico de eventos: o HazOp pode ser efetivo na descoberta de inci- dentes previsíveis, mas também pode identificar sequências de eventos raros que possam acarretar incidentes que nunca ocorreram. �� Melhoria da eficiência da planta: além da identificação dos perigos, o Ha- zOp pode descobrir cenários que levam a distúrbios na planta, como bloqueios não planejados, danos a equipamentos, produtos fora de especificação, bem como melhorias básicas na maneira pela qual a planta é operada. �� Melhor compreensão dos engenhei- ros e operadores com relação às operações da planta: uma série de in- formações detalhadas do projeto e da operação surge e é discutida durante um HazOp bem-sucedido. Entre as deficiências, pontos fracos ou difi- culdades que podem ser encontradas durante a aplicação do HazOp, destacamos: �� Pouco conhecimento dos procedimen- tos de aplicação do HazOp e dos recur- sos requeridos. �� Inexperiência da equipe: um HazOp realizado por equipes inexperientes pode não atingir os objetivos desejados Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 50 quanto à identificação dos perigos, ou ainda gerar recomendações não perti- nentes. �� Líder inexperiente ou não adequada- mente treinado: o líder de HazOp pre- cisa ser tecnicamente forte e experiente na técnica, de forma a extrair os conhe- cimentos de todos os participantes. �� Falha em se estabelecer um ambiente “seguro” para os membros da equipe: um HazOp deve ser uma troca livre de informações a respeito de como a plan- ta realmente é operada. A menos que os membros da equipe estejam livres de re- criminação e possam fazer declarações do tipo “aquele sistema de bloqueio não foi testado em dois anos”, o HazOp não cobrirá algumas falhas sérias de projeto ou de operação da planta. �� Acreditar em medidas de proteção desnecessárias: é fundamental que o líder force a equipe a avaliar a eficácia de cada medida de proteção antes de requerê-la. �� Atualização deficiente dos P & IDs: em muitos casos, os P & IDs de instalações existentes não foram mantidos atuali- zados, podendo causar atraso e aumen- to nos custos. A equipe pode falhar em identificar perigos importantes se os P & IDs ou outros documentos estiverem imprecisos ou desatualizados. �� Aplicação inadequada do HazOp para determinados sistemas: para alguns sis- temas, outras técnicas de identificação de perigos podem ser mais apropriadas. Num estágio inicial de um novo projeto, antes que os P & IDs estejam estabele- cidos, uma APP, ou mesmo um What if, poderá ser mais adequada. �� Extensas sessões de HazOp: na pressa pela conclusão do HazOp, as sessões são algumas vezes planejadas para cin- co dias consecutivos ou mais, em perío- do integral, levando a equipe ao extre- mo cansaço. Para HazOps que duram o dia todo, a eficiência da equipe cai drasticamente. Na prática, para estudos que duram mais do que uma semana, um HazOp de cinco horas por dia pode- rá ser melhor executado, sem o cansaço da equipe. Vamos ilustrar com dois exemplos um pro- cesso utilizando o HazOp. �� Exemplo 1: Considere, como um exemplo simples, o processo contínuo onde o ácido fosfórico e a amônia são misturados, produzindo uma subs- tância inofensiva, o fosfato de diamônio (DAP). Se for acrescentada uma quantidade inferior de ácido fosfórico, a reação será incompleta, com produção de amônia. Se a amônia for adicionada em quantidade inferior, haverá produção de uma substância não perigosa, porém indesejável. A equipe de HazOp recebe a incumbência de inves- tigar “os perigos decorrentes da reação”. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 51 Figura 9 – Unidade de produção de DAP. Fonte: Amorim (2013). Quadro 10 – Modelos de formulários para a elaboração do HazOp. Fonte: Amorim (2013). Quadro 11 – Modelos de formulários para a elaboração do HazOp. Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 52 Quadro 12 – Modelos de formulários para a elaboração do HazOp. Fonte: Amorim (2013). �� Exemplo 2: Uma reação exotérmica ocorre no reator EP 1. A temperatura da reação é controlada pelo ajuste da vazão de água através da malha de con- trole constituída pelos elementos TT 1, Ts 1, TC 1 e TV 1. O alarme de temperatura (TA 1) alerta o ope- rador quando a temperatura excede as condições operacionais estabelecidas. Nessa situação, a vál- vula de by pass (H 1) deve ser aberta manualmen- te para aumentar a vazão de água de refrigeração. Existe também uma válvula de alívio rápido (RV 1) no costado do reator com o objetivo de evi- tar a ruptura do vaso. Testes recentes indicam que poderá ocorrer uma reação descontrolada, com ruptura do vaso, caso a temperatura atinja um valor elevado. REAÇÃO: A + B = C + energia. �� A reação é controlada em 50 ºC; �� O alarme é acionado em 60 ºC; �� A temperatura da água é de 5 ºC. Analisar o subsistema Água de Refrigeração. Figura 10 – Representação do subsistema água de refrigeração. Fonte: Amorim (2013). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 53 Quadro 13 – Modelos de formulários para a elaboração do HazOp. Fonte: Amorim (2013). Quadro 14 – Modelos de formulários para a elaboração do HazOp. Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 54 O procedimento What-If é uma técnica de análise geral, qualitativa, cuja aplicação é bastan- te simples e útil para uma abordagem em primei- ra instância na detecção exaustiva de riscos, tanto na fase de processo, projeto ou pré-operacional, não sendo sua utilização unicamente limitada às empresas de processo. O What-If é um procedimento de revisão de riscos de processos que se desenvolve através de reuniões, questionamento de procedimentos, instalações etc., gerando também soluções para os problemas levantados. Utiliza-se de uma sistemática técnico-ad- ministrativa que inclui princípios de dinâmica de grupos. O What-If, uma vez utilizado, é aplicado periodicamente. Como resultados, espera-se determinar a revisão de um largo espectro de riscos, obtendo- -se um consenso entre as áreas de atuação (pro- dução, processo, segurança) sobre a operação se- gura da planta. Os resultados finais são apresentados por meio de um relatório detalhado, de fácil entendi- mento, que pode servir também de material para treinamento e base de revisões futuras. As etapas de elaboração do What-If são as- sim descritas: a) Formação do comitê de revisão: mon- tagens das equipes e seus integrantes; b) Planejamento prévio: planejamento das atividades e pontos a serem abor- dados na aplicação da técnica; c) Reunião organizacional: com a fina- lidade de discutir procedimentos, pro- gramação de novas reuniões, definição de metas para as tarefas e informação aos integrantes sobre o funcionamento do sistema sob análise; 3.4 Análise “E se...” (“What if...?”) d) Reunião de revisão de processo: para os integrantes ainda não familiarizados com o sistema em estudo; e) Reunião de formulação de questões: formulação de questões “O QUE - SE...”, começando do início do processo e continuando ao longo do mesmo, pas- so a passo, até o produto acabado colo- cado na planta do cliente; f) Reunião de respostas às questões (formulação consensual): em sequên- cia à reunião de formulação das ques- tões, cabe a responsabilidadeindividual para o desenvolvimento de respostas escritas às questões. As respostas serão analisadas durante a reunião de respos- ta às questões, sendo cada resposta ca- tegorizada como: �� resposta aceita pelo grupo tal como submetida; �� resposta aceita após discussão e/ou modificação; �� aceitação postergada, em depen- dência de investigação adicional. O consenso grupal é o ponto-chave desta etapa, onde a análise de riscos tende a se fortalecer; g) Relatório de revisão dos riscos do processo: o objetivo é documentar os riscos identificados na revisão, bem como registrar as ações recomendadas para eliminação ou controle dos mes- mos. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 55 Saiba maisSaiba mais Saiba maisSaiba mais ARAquá O software ARAquá foi desenvolvido para auxiliar as avaliações de riscos ambientais de agrotóxicos, considerando as possíveis contaminações de corpos d’água superficiais e subterrâneos, através da comparação de suas concentra- ções estimadas, em cenário de uso agrícola, com parâmetros de qualidade de água. A interface do ARAquá com o usuário foi planejada para ser amigável e os dados de entrada necessários são de fácil obtenção, quando comparado com outros softwares para o mesmo fim. O cadastramento pelo usuário de condições do clima e de propriedades do solo e do agrotóxico permite os cálcu- los para situações específicas, além daquelas pré-cadastradas que seguem com o software. Dessa forma, o ARAquá mostra-se adaptado às condições brasileiras de clima e solo e de pouca disponibilidade de dados. Requisitos mínimos: Processador: Pentium III 500 MHz ou posterior Memória: 256 MB Sistema Operacional: Windows XP/Vista Adobe Reader 7.0 ou posterior Resolução de Tela: 1024 X 768 pixels (Melhor Visualização) Fonte: http://www.sgte.embrapa.br/produtos/araqua.php Uma das ferramentas mais utilizadas é o Checklist, conhecido também como questionário. Baseia-se na elaboração e aplicação de uma sequência lógica de questões para a avaliação das condições de segurança de uma instalação, por meio de suas condições físicas, dos equipamen- tos utilizados e das operações praticadas. A lista de verificação aplica-se às etapas de elaboração de projeto, de construção, de opera- ção e durante as paradas para manutenção. 3.5 Lista de Verificação (Checklist) O Checklist simplificado que se segue foi de- rivado de questões What-If e cobre importantes aspectos de uma operação de produção. As pala- vras ou frases da listagem devem servir para esti- mular questões relativas a cada assunto. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 56 Quadro 15 – Modelos de formulários para a elaboração do checklist. Fonte: Campos (2012). Exemplo A frase “Materiais de Construção” deveria le- var a questões como: �� “Foi usado material adequado em tan- ques, tubulações, instrumentação, co- nexões de instrumentos, agitadores, tu- bos mergulhados, válvulas, ancoragem de tanques, flangeamentos e seus para- fusos, juntas de expansão etc.?” �� “Onde foram usados revestimentos plásticos de tubulações ou equipamen- tos, temperaturas e pressões são conve- nientemente baixas ou adequadamen- te controladas?” Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 57 A Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE), do inglês Failure Modes and Effects Analy- sis (FMEA), é uma técnica para análise de riscos que consiste no exame de componentes indivi- duais, com o objetivo de avaliar os efeitos que eventuais falhas podem causar no comporta- mento de um determinado sistema; é, portanto, uma análise sistemática com ênfase nas falhas de componentes, não considerando falhas operacio- nais ou erros humanos. É importante ressaltar que também não é objetivo da AMFE estabelecer as combinações de falhas dos equipamentos ou as sequências das mesmas, mas sim estabelecer como as falhas individuais podem afetar diretamente ou contri- buir de forma relevante ao desenvolvimento de um evento indesejado que possa acarretar conse- quências significativas. Assim, a aplicação da técnica AMFE, em sistemas ou plantas industriais, permite analisar como podem falhar os diferentes componentes, equipamentos ou sistemas, de forma que possam ser determinados os possíveis efeitos decorrentes dessas falhas, permitindo, consequentemente, definir alterações de forma a aumentar a confiabi- lidade dos sistemas em estudo, ou seja, diminuir a probabilidade da ocorrência de falhas indesejá- veis. Com base no anteriormente exposto, pode- -se concluir que os principais objetivos da AMFE são: �� Revisão sistemática dos modos de falha de componentes, de forma a garantir danos mínimos aos sistemas; �� Determinação dos possíveis efeitos que as possíveis falhas de um determinado componente poderão causar em outros componentes do sistema em análise; 3.6 Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE) – Failure Modes and Effects Analysis (FMEA) �� Determinação dos componentes cujas falhas possam redundar em efeitos críti- cos na operação do sistema em análise. A AMFE é basicamente um método quali- tativo que estabelece, de forma sistemática, uma lista de falhas com seus respectivos efeitos e pode ser de fácil aplicação e avaliação para a definição de melhorias de projetos ou modificações em sis- temas ou plantas industriais. Uma variação da AMFE é a AMFEC (Análise de Modos de Falhas, Efeitos e Criticidade), cuja di- ferença fundamental consiste em considerar, na análise das falhas identificadas, uma graduação do nível de criticidade dos efeitos decorrentes dessas falhas. Portanto, a AMFEC, além dos ob- jetivos e resultados obtidos com a aplicação da AMFE, propicia também a avaliação comparativa das diferentes falhas identificadas, em termos de importância ou prioridade para a definição do es- tabelecimento de modificações ou ações de ge- renciamento das possíveis anormalidades. A AMFE pode ser utilizada nas etapas de projeto, construção e operação. Na etapa de projeto, a técnica é útil para a identificação de proteções adicionais, que pos- sam ser facilmente incorporadas para a melhoria e o aperfeiçoamento dos aspectos de segurança dos sistemas. Na fase de construção, a AMFE pode ser uti- lizada para a avaliação das possíveis modificações que possam ter surgido durante a montagem de sistemas, o que é bastante comum; por fim, para instalações já em operação, a técnica é útil para a avaliação de falhas individuais que possam indu- zir a acidentes potenciais. Em geral, a aplicação da AMFE pode ser realizada por dois analistas que conheçam perfei- tamente as funções de cada equipamento ou sis- tema, assim como a influência destes nas demais partes ou sistemas de uma linha ou processo. Em Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 58 sistemas complexos, o número de analistas é, nor- malmente, incrementado, de acordo com a com- plexidade e especificidades das instalações. De forma geral, para se garantir a efetivida- de na aplicação da técnica, deve-se dispor de: �� Lista dos equipamentos e sistemas; �� Conhecimento das funções dos equipa- mentos, sistemas e planta industrial; �� Fluxogramas de processo e instrumen- tação (P & IDs); �� Diagramas elétricos, entre outros docu- mentos e informações, de acordo com a instalação ou processo a ser analisado. Na aplicação da AMFE, devem ser contem- pladas as seguintes etapas: �� Determinar o nível de detalhamento da análise a ser realizada; �� Definir o formato da tabela e informa- ções a serem apontadas; �� Definir o problema e as condições de contorno; �� Preencher a tabela da AMFE; �� Apontar as informações e recomenda- ções. O nível de detalhamento da análise a ser realizada na aplicação da AMFE dependerá, ob- viamente, da complexidade da instalação a ser analisada, bem como dos objetivos a serem al- cançados; assim, se a análise tiver por finalidade definir a necessidade ou não de proteçõesou sistemas de segurança adicionais (redundâncias), certamente a análise deverá ser mais detalhada e criteriosa, podendo haver a necessidade de estu- dar cada equipamento, acessórios, interfaces, in- tertravamentos etc. O formato da tabela a ser utilizado está tam- bém associado ao tipo de análise e nível de deta- lhamento desejado; na sequência estão apresen- tados dois tipos de tabelas, sendo o segundo um exemplo de tabela para a aplicação da AMFEC. A definição do problema e das condições de contorno deve contemplar a determinação prévia do que efetivamente será analisado; assim, de forma geral, como elementos mínimos devem ser considerados: �� A identificação da planta e/ou dos siste- mas a serem analisados; �� O estabelecimento dos limites físicos dos sistemas, o que implica normal- mente a utilização de fluxogramas de engenharia; �� O reconhecimento das informações ne- cessárias para a identificação dos equi- pamentos e suas relações como os de- mais sistemas da planta a ser analisada. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 59 Quadro 16 – Exemplo de tabela – AMFE. Fonte: Amorim (2013). Quadro 17 – Exemplo de tabela – AMFEC. Fonte: Amorim (2013). O Quadro 18, que segue, apresenta um exemplo de classificação para a categorização do nível de severidade (criticidade), associado aos possíveis efeitos decorrentes das falhas identi- ficadas, conforme previsto na tabela da AMFEC, anteriormente apresentada. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 60 Quadro 18 – Categorias de severidade – AMFEC. Fonte: Amorim (2013). O preenchimento da tabela deve ser reali- zado de forma sistemática, propiciando assim as condições para a redução de eventuais omissões nessa atividade; para tanto, em geral, utiliza-se como referência um fluxograma de engenharia ou outros documentos adicionais, de acordo com a complexidade da instalação em análise. Inicia-se o preenchimento da tabela, a par- tir do primeiro componente (equipamento) con- siderado de interesse para os objetivos da análise a ser realizada, seguindo o fluxo (sequência) nor- mal do processo até a sua etapa final, devendo-se considerar as seguintes recomendações: �� Identificação adequada dos equipa- mentos, considerando suas denomina- ções formais ou dados adicionais, caso necessário; �� Descrever adequadamente e contem- plar os diferentes modos de falha em relação ao modo normal de operação de cada equipamento considerado na análise; assim, por exemplo, um modo de falha de uma válvula de controle que opera normalmente aberta, pode ser “falha em abrir ou falha fechada”; �� Os analistas devem priorizar e se con- centrar na análise, em especial, nas si- tuações que possam provocar conse- quências relevantes; �� Para cada modo de falha identificado, deve-se procurar avaliar os efeitos em outros componentes ou no sistema; por exemplo, uma falha que possa gerar o vazamento de um líquido por um selo de uma bomba tem um efeito imediato ao redor desse equipamento e, caso o produto seja inflamável, poderá ocasio- nar um incêndio afetando outros equi- pamentos situados nas imediações. Por fim, para cada modo de falha e após a definição dos possíveis efeitos decorrentes da fa- lha em questão, devem ser apontadas eventuais recomendações, caso julgado necessário. Exemplos Na sequência, estão apresentados dois exemplos de forma a ilustrar a aplicação da téc- nica AMFE. A Figura 11, que segue, representa, de for- ma simplificada e esquemática, uma caixa d’água de uso domiciliar, para a qual foi desenvolvida uma AMFE, de forma a se estudar as possíveis per- das decorrentes de falhas de seus componentes. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 61 Figura 11– Esquema simplificado de caixa d’água. Fonte: Amorim (2013). O Quadro 19, apresentado na sequência, mostra a aplicação da técnica AMFE para a caixa d’água. Quadro 19 – Caixa d’água – AMFE. Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 62 A Figura 12 apresenta um esquema simpli- ficado de um processo industrial com um reator exotérmico, que tem a temperatura de reação controlada pela circulação de água; na sequência são mostrados os quadros relativos à aplicação da técnica, dessa vez considerando também os mo- dos de detecção das falhas e a severidade (criti- cidade) dos possíveis efeitos associados (AMFEC). Figura 12 – Reator exotérmico. Fonte: Amorim (2013). Quadro 20– Tabela AMFEC – reator exotérmico. , Fonte: Amorim (2013). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 63 Quadro 21 – Tabela AMFEC – reator exotérmico (continuação). Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 64 Quadro 22 – Tabela AMFEC – reator exotérmico (continuação). Fonte: Amorim (2013). 3.7 Análise Histórica de Acidentes Consiste no levantamento de acidentes ocorridos em instalações similares, utilizando-se a consulta a bancos de dados de acidentes ou re- ferências bibliográficas específicas. 3.8 Inspeção de Segurança Por definição, é um método que somente se aplica a instalações em operação. 3.9 Análise de Árvore de Falhas (AAF) – Fault Tree Analysis (FTA) A Análise de Árvore de Falhas (AAF) (Failu- re Tree Analysis – FTA) foi desenvolvida por H. A. Watson, nos anos 1960, para os Laboratórios Bell Telephone, no âmbito do projeto do míssil Minu- teman, sendo posteriormente aperfeiçoada e uti- lizada em outros projetos aeronáuticos da Boeing. A AAF é um método excelente para o estu- do dos fatores que poderiam causar um evento indesejável (falha) e encontra sua melhor aplica- ção no estudo de situações complexas. A Análise de Árvores de Falhas é uma téc- nica dedutiva que tem por objetivo identificar as Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 65 causas potenciais de acidentes e de falhas (even- tos indesejáveis – topo) num determinado siste- ma, a partir da combinação lógica das falhas dos diversos componentes do sistema, além de per- mitir a estimativa da probabilidade ou frequência de ocorrência de uma determinada falha ou aci- dente (obtenção da probabilidade de ocorrência do evento indesejado). Portanto, é um método que possibilita uma Análise Quantitativa e Qualitativa. A AAF consiste na construção de um pro- cesso lógico dedutivo que, partindo de um even- to indesejado predefinido (hipótese acidental), busca as suas possíveis causas. O processo segue investigando as sucessivas falhas dos componen- tes até atingir as chamadas falhas (causas) bási- cas, que não podem ser desenvolvidas, e para as quais existem dados quantitativos disponíveis. O evento indesejado é comumente chamado de “Evento-Topo”. A construção do processo lógico dedutivo é efetuada com o auxílio da Álgebra Booleana. Para a construção da árvore de falhas, a partir de um determinado “evento-topo”, três perguntas são consideradas fundamentais para a identificação dos eventos intermediários e bási- cos e de suas relações lógicas; são elas: �� Que falhas podem ocorrer? �� Como essas falhas podem ocorrer? �� Quais são as causas dessas falhas? DicionárioDicionário Álgebra Booleana: ramo da matemática que des- creve o comportamento de funções lineares ou variáveis binárias: on/off; aberto/fechado; verda- deiro/falso. Todas as árvores de falhas coerentes podem ser convertidas numa série equivalente de equações “booleanas”. Para proceder ao estudo quantitativo da AAF, é necessário conhecer e re- lembrar algumas definições da Álgebra de Boole. A Álgebra Booleana foi desenvolvida pelo mate- mático George Boole para o estudo da lógica. Pode-se também determinar caminhos crí- ticos, sequências de eventos com maior probabili- dade de levar ao evento indesejado (denominado evento-topo, por situar-se no topo, ou no tronco de uma árvore invertida, cujas bifurcaçõessão as raízes). Observações: pode ser realizada em dife- rentes níveis de complexidade. Ótimos resulta- dos podem ser conseguidos apenas com a forma qualitativa de análise. Completa-se excelente- mente com a Análise de Modos de Falhas e Efei- tos (AMFE). Alguns significados básicos: �� Evento: desvio, indesejado ou espera- do, do estado normal de um compo- nente do sistema; �� Evento-Topo: evento indesejado ou hi- pótese acidental. Localizado no topo da árvore de falhas, é desenvolvido até que as falhas mais básicas do sistema sejam identificadas, por meio de relações lógi- cas que estabelecem as relações entre as falhas; �� Evento Intermediário: evento que propaga ou mitiga um evento iniciador (básico) durante a sequência do aciden- te; �� Evento Básico: um evento é considera- do básico, quando nenhum desenvolvi- mento a mais é julgado necessário; �� Evento Não Desenvolvido: evento que não pode ser desenvolvido porque não há informações disponíveis. �� Porta Lógica (Comporta Lógica): for- ma de relacionamento lógico entre os eventos de entrada (input-lower) e o evento de saída (output-higher). Esses relacionamentos lógicos são normal- mente representados como portas E (AND) ou OU (OR). A diagramação lógica da árvore de falhas com bifurcações sucessivas é feita utilizando-se símbolos e comportas lógicas, indicando o rela- Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 66 cionamento entre os eventos considerados. As duas unidades básicas ou comportas lógicas en- volvidas são os operadores E e OU, que indicam o relacionamento casual entre eventos dos níveis inferiores que levam ao evento-topo. As combi- nações sequenciais desses eventos formam os di- versos ramos da árvore. A relação lógica entre os eventos-topo, in- termediários e básicos é representada por símbo- los lógicos, cujos principais são: Figura 13 – Símbolos lógicos utilizados em uma árvore de falhas. Fonte: Amorim (2013). De forma geral, a sequência para o desen- volvimento de uma árvore de falhas contempla as seguintes etapas: �� Seleção do evento indesejável ou falha, cuja probabilidade de ocorrência deve ser determinada. Seleção do “Evento-To- po” (na aplicação em estudos de análise de riscos, normalmente o evento-topo é definido a partir de uma hipótese aci- dental, identificada anteriormente, pela aplicação de técnicas específicas, como Análise Preliminar de Perigos, HazOp, Análise de Modos de Falhas e Efeitos e What-If, entre outras; �� Revisão dos fatores intervenientes: am- biente, dados do projeto, exigências do sistema etc., determinando as condi- ções, eventos particulares ou falhas que possam vir a contribuir para ocorrência do evento-topo selecionado; �� Construção da árvore de falhas, deter- minando os eventos que contribuem para a ocorrência do evento-topo, esta- belecendo as relações lógicas entre os mesmos; �� Montagem, através da diagramação sistemática, dos eventos contribuintes e falhas levantadas na etapa anterior, mostrando o inter-relacionamento en- tre esses eventos e falhas, em relação ao evento-topo. O processo inicia com os eventos que poderiam, diretamente, causar tal fato, formando o primeiro ní- vel – o nível básico. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 67 �� Seguir esse procedimento para os even- tos intermediários até a identificação dos eventos básicos em cada um dos “ramos” da árvore; �� À medida que se retrocede, passo a pas- so, até o evento topo, são adicionadas as combinações de eventos e falhas contribuintes. Desenhada a árvore de falhas, o relacionamento entre os even- tos é feito através das comportas lógi- cas; �� Realizar uma avaliação qualitativa da ár- vore elaborada, dando especial atenção para a ocorrência de eventos repetidos; �� Através de Álgebra Booleana são de- senvolvidas as expressões matemáticas adequadas, que representam as entra- das da árvore de falhas. Cada comporta lógica tem implícita uma operação ma- temática, podendo ser traduzidas, em última análise, por ações de adição ou multiplicação; �� Aplicação das probabilidades ou fre- quências nos eventos básicos; �� Cálculo das frequências dos eventos intermediários, de acordo com as rela- ções lógicas estabelecidas, ou seja, de- terminação da probabilidade de falha de cada componente; �� A probabilidade de ocorrência do even- to-topo será investigada pela combina- ção das probabilidades de ocorrência dos eventos que lhe deram origem. Entre os principais benefícios do uso da AAF, em estudos de análise de riscos pode-se destacar: �� Conhecimento detalhado de uma insta- lação ou sistema; �� Estimativa da confiabilidade de um de- terminado sistema; �� Cálculo da frequência de ocorrência de uma determinada hipótese acidental; �� Identificação das causas básicas de um evento acidental e das falhas mais pro- váveis que contribuem para a ocorrên- cia de um acidente maior; �� Detecção de falhas potenciais, difíceis de ser reconhecidas; �� Tomada de decisão quanto ao controle dos riscos associados à ocorrência de um determinado acidente, com base na frequência de ocorrência calculada e nas falhas contribuintes de maior signi- ficância. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 68 Figura 14 – Estrutura de uma árvore de falhas. Fonte: Campos (2012). Figura 15 – Exemplo genérico de uma árvore de falhas. Fonte: Campos (2012). Exemplo 1 A falha catastrófica de uma luminária é: “Fa- lha da luminária em acender”; logo, esse será o “evento-topo” da árvore de falhas. Considerando que os componentes desse sistema (luminária) são, de forma simplificada, a lâmpada, o fio, o interruptor e a corrente elétrica, o analista deve procurar identificar cada uma das possíveis causas (falhas) desses componentes, de forma a estabelecer uma relação lógica entre elas para subsidiar a elaboração da árvore de falhas; assim, as possíveis causas (falhas) que podem le- var ao evento-topo (falha da luminária em acen- der) incluem: Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 69 Figura 16 – Esquema para elaboração da árvore de falhas para falha de uma luminária. Fonte: Amorim (2013). Tomando por base a identificação desses eventos (falhas), vamos estruturar a árvore de fa- lhas para o evento-topo definido, conforme mos- tra a Figura 17. Figura 17 – Árvore de falhas para falha de uma luminária. Fonte: Amorim (2013). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 70 Exemplo 2 Evento indesejado para um congressista que não consegue chegar a tempo à conferência. Figura 18 – Árvore de falhas para um congressista que não consegue chegar a tempo à conferência. Fonte: Campos (2012). Exemplo 3 Evento indesejado para falha em um siste- ma de alarme de fogo domiciliar. Figura 19 – Árvore de falhas para sistema de alarme de fogo domiciliar. Fonte: Campos (2012). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 71 A Análise da Árvore de Eventos (AAE) é um método lógico-indutivo para identificar as várias e possíveis consequências resultantes de um cer- to evento inicial. É composta por um diagrama que descreve a sequência de eventos para que ocorra um aci- dente. Cada ramificação desse diagrama possui apenas duas possibilidades: Sucesso ou Fracasso. A técnica busca determinar as frequências das consequências decorrentes dos eventos in- desejáveis, utilizando encadeamentos lógicos a cada etapa de atuação do sistema. Como observado nas técnicas já apresen- tadas e nos exemplos anteriores, nas aplicações de análise de risco, o evento inicial da árvore de eventos é, em geral, a falha de um componente ou subsistema, sendo os eventos subsequentes determinados pelas características do sistema. Para o traçado da árvore de eventos as se- guintes etapas devem ser seguidas: a) Definir o evento inicial que pode con- duzir ao acidente; 3.10Análise de Árvore de Eventos (AAE) – Event Tree Analysis (ETA) b) Definir os sistemas de segurança (ações) que podem amortecer o efeito do even- to inicial; c) Combinar em uma árvore lógica de de- cisões as várias sequências de aconte- cimentos que podem surgir a partir do evento inicial; d) Uma vez construída a árvore de even- tos, calcular as probabilidades associa- das a cada ramo do sistema que conduz a alguma falha (acidente). A árvore de eventos deve ser lida da esquer- da para a direita. Na esquerda começa-se com o evento inicial e segue-se com os demais eventos sequenciais. A linha superior é NÃO e significa que o evento não ocorre, a linha inferior é SIM e significa que o evento realmente ocorre. O exemplo genérico da Figura 20 represen- ta, esquematicamente, o funcionamento da téc- nica de AAE. Figura 20 – Exemplo genérico para uma árvore de eventos (AAE). Fonte: Campos (2012). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 72 Exemplo fictício para proceder a análise quantitativa Investigar a probabilidade de descarrila- mento de vagões ou locomotivas, dado que exis- te um defeito nos trilhos. O descarrilamento pode ser causado por qualquer uma das três falhas assinaladas. Figura 21 – Árvore de eventos (AAE) – descarrilamento de vagões. Fonte: Campos (2012). 3.11 Análise de Causas e Consequências Visa à identificação dos fatores que podem causar acidentes. Sua metodologia utiliza a preparação de árvore de eventos, buscando o detalhamento de evento para determinação de suas causas básicas (árvore de falhas). Como resultados, deseja-se obter a deter- minação de medidas de redução de eventos aci- dentais. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 73 Caro(a) aluno(a), neste capítulo, estudamos as principais técnicas para a identificação de perigos num empreendimento, que foram: 1. Análise Preliminar de Perigos (APP); 2. Estudo de perigos e operabilidade (HazOp – Hazard and Operability Study). 3. Lista de verificação (Checklist); 4. Análise “E se...” (“What if...?”); 5. Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE); 6. Análise histórica de acidentes; 7. Inspeção de segurança; 8. Análise de causas e consequências. 9. Análise de Árvore de Falhas (AAF); 10. Análise de Árvore de Eventos (AAE). 3.12 Resumo do Capítulo 3.13 Atividades Propostas 1. Cite as principais características da metodologia de desenvolvimento de uma APP e quando que é indicada. Faça uma pesquisa e procure um exemplo que tenha utilizado a APP como técnica para Identificação de Risco. 2. Cite as principais características da metodologia de desenvolvimento de um HazOp e quando que é indicado. Faça uma pesquisa e procure um exemplo que tenha utilizado o HazOp como técnica para Identificação de Risco. 3. Analisando o evento indesejável “Queda de Elevador Provisório de Passageiros” por rompi- mento do cabo, monte a Árvore de Falhas (AAF) para esse evento. 4. Considere uma instalação na qual os reagentes A e B reagem entre si para formar o produto C. Suponha que a química do processo é tal que a concentração de B não deva nunca exceder a de A, senão ocorreria uma explosão: Reação química: A + B = C. Para o caso apresentado, considerando a variável Fluxo de A, selecione duas palavras-guia e monte a planilha HazOp1. 5. Liste a sequência de atividades que você teria que fazer para lavar 5 kg de roupa utilizando a lavadora automática. Em seguida monte uma tabela What-If. 1 Obs.: Exercícios 3 e 4 foram retirados do material de Estudos de Riscos, do professor A. Castellar (2008). Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 75 ESTUDO DE ANÁLISE DE RISCO AMBIENTAL (EAR)4 Com a publicação da Resolução nº 1, de 23/01/1986, do Conselho Nacional do Meio Am- biente (CONAMA), que instituiu a necessidade de realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para o licenciamento de atividades modi- ficadoras do meio ambiente, os estudos de aná- lise de riscos passaram a ser incorporados nesse processo, para determinados tipos de empreen- dimento, de forma que, além dos aspectos rela- cionados com a poluição crônica, também a pre- venção de acidentes maiores fosse contemplada no processo de licenciamento. A avaliação de riscos é uma atividade cor- relata ao EIA, mas os dois se envolvem em con- textos separados, por comunidades profissionais e disciplinares diferentes. O Estudo de Análise de Risco (EAR) é uma ferramenta amplamente utilizada nas ciências em geral e é empregado em áreas como segurança no trabalho, gestão de projetos, em computação para avaliar a fragilidade de hardwares e softwa- res, entre outras. Nesta apostila, para a elaboração de um Es- tudo de Análise de Risco (EAR), nos baseamos nas orientações contidas no Manual de Orientação para a Elaboração de Estudos de Análise de Riscos (Norma P4.261 ) da CETESB. A seguir, reproduziremos o capítulo da P4.261 da CETESB, que apresenta as definições e descreve as metodologias para a elaboração de um EAR. Neste momento, cabe um comentário. Va- mos nos restringir somente ao estudo da norma da CETESB. As demais normas, como a da FEPAM, são estruturalmente equivalentes, mas possuem algumas diferenças e especificidades em alguns pontos mínimos, e discutir esses aspectos não seria adequado neste momento, pois tornaria a leitura extensa e desgastante. Assim, vamos nos concentrar no aprendiza- do da estrutura básica de um EAR. Caso você sin- ta a necessidade de ampliar o seu conhecimento ou por questões profissionais, poderá, posterior- mente, observar essas diferenças mais detalhada- mente. 4.1 Etapas de um Estudo de Análise de Risco (EAR) De modo geral, um estudo de análise de risco pode ser dividido nas etapas que seguem (CETESB, 2003): �� Caracterização do empreendimento e da região; �� Identificação dos perigos e consolida- ção de cenários de acidentes; �� Estimativa dos efeitos físicos e análises de vulnerabilidade; �� Estimativa de frequências; �� Estimativa e avaliação de riscos; �� Gerenciamento de riscos. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 76 Vamos detalhar cada uma dessas etapas para sua melhor compreensão. Saiba maisSaiba mais Saiba maisSaiba mais Uma aplicação importante do EAR é a sua utilização pelas instituições financeiras. Porém, com o aumento da consciência ambiental e as exigências mercadológicas para que os empreendimentos em geral sejam sustentáveis, as instituições financeiras vêm utilizando o conceito de Análise de Risco Ambiental com a finalidade de exigir que seja cumprido o aspecto da sustentabilidade nas operações das grandes empresas, condicio- nando os resultados obtidos no EAR a liberação de linhas de crédito especiais e outros exemplos. Assim, aproveitamos a oportunidade para indicar a você uma leitura do artigo: Avaliação Contábil do Risco Ambiental, de Sebastião Bergamini Junior, publicado inicialmente na Revista do BNDES, Rio de Janeiro, v. 7, n. 14, p. 301-328, dez. 2000. Esse artigo está disponível na internet. Você pode efetuar o download no próprio site do BNDES. Disponível em: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Publicacoes/Consulta_Expres- sa/Setor/Meio_Ambiente/200012_12.html. Figura 22 – Etapas para a elaboração de estudos de análise de riscos. Fonte: CETESB (2003). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 77 Entre as finalidades desta etapa, destaca- mos a identificação de aspectos comuns que pos- sam interferir, tanto no empreendimento quanto no meio ambiente, assim como a identificação na região de atividades que possam interferir no empreendimento sob o enfoque operacional e de segurança, e, por fim, estabelecer uma relação direta entre o empreendimento e a região sob in- fluência. Como produto final dessa etapa, espera-se obter um diagnóstico das interfaces existentes entre o empreendimento em análisee o local de sua instalação e a caracterização dos aspectos re- levantes que subsidiarão os estudos de análise de risco, definindo os métodos, diretrizes ou necessi- dades específicas, além de propiciar o auxílio na determinação do nível de abrangência do estudo. Assim, essa etapa inicial do trabalho deve contemplar os seguintes aspectos: �� Realização de levantamento fisiográfico da região sob influência do empreendi- mento; �� Caracterização das atividades e dos as- pectos operacionais; �� Cruzamento das informações e inter- pretação dos resultados. Para efetuar um completo e eficaz levan- tamento de dados para a caracterização do em- preendimento e da região, devemos obter os da- dos referentes à localização do empreendimento que englobam: planta planialtimétrica do entor- no da instalação, corpos d´água, consumo huma- no, abastecimento industrial, utilização agrope- cuária, geração de energia e piscicultura. Quando o empreendimento objeto do EAR localizar-se em áreas litorâneas, devemos ma- pear e obter os dados referentes aos manguezais, praias (abertas ou protegidas), costões, estuários, portos e áreas de navegação, núcleos habitacio- 4.2 Caracterização do Empreendimento e da Região nais (tipo e nº de habitantes), áreas urbanas, áreas de expansão urbana, áreas rurais. Os aspectos referentes aos sistemas viários também são importantes, devendo-se observar as informações referentes às vias urbanas, consi- derando fluxo e tipo de tráfego, rodovias, ferro- vias, hidrovias e aeroportos. Também devem ser levados em conside- ração os dados referentes a cruzamentos e/ou interferências, como adutoras, galerias, eletrodu- tos, gasodutos, oleodutos, linhas de transmissão de energia elétrica, áreas geotecnicamente instá- veis, regiões sujeitas a inundações, áreas de pre- servação ou de proteção ambiental, áreas ecolo- gicamente sensíveis. Como vimos nos relatos dos grandes aci- dentes ambientais descritos no Capítulo 1, as características meteorológicas também represen- tam fatores importantes, devendo-se observar os dados referentes à temperatura, categoria de es- tabilidade atmosférica, umidade relativa do ar e velocidade e direção de ventos. Em relação à caracterização das atividades e dos aspectos operacionais do empreendimento, devemos obter os dados referentes à planta geral da instalação, do arranjo físico (layout), especifica- ção dos equipamentos, descrição das operações e procedimentos de segurança, identificação e caracterização de fontes de ignição. Em relação aos aspectos operacionais, de- vemos obter os dados referentes às substâncias envolvidas, como inventários, formas de armaze- namento, características físico-químicas, caracte- rísticas toxicológicas, fluxogramas de engenharia e de processo, instrumentação, dados opera- cionais que englobam informações referentes à pressão e vazão e sobre os sistemas de segurança. �� Distribuição populacional da região; �� Descrição física e layout da instalação em escala; Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 78 �� Carta planialtimétrica ou fotos aéreas que apresentem a circunvizinhança ao redor da instalação; �� Características climáticas e meteoroló- gicas da região; �� Substâncias químicas identificadas atra- vés de nomenclatura oficial e número CAS, incluindo quantidades, formas de movimentação, armazenamento e ma- nipulação, contemplando suas caracte- rísticas físico-químicas e toxicológicas. Devem ser consideradas as matérias- -primas, produtos auxiliares, interme- diários e acabados, bem como resíduos, insumos e utilidades; �� Descrição do processo e rotinas opera- cionais; �� Apresentação de plantas baixas das unidades e fluxogramas de processos, de instrumentação e de tubulações; �� Sistemas de proteção e segurança. 4.3 Identificação dos Perigos e Consolidação de Cenários de Acidentes Esta etapa tem por objetivo identificar os possíveis eventos indesejáveis que podem levar à materialização de um perigo, para que possam ser definidas as hipóteses acidentais que poderão acarretar consequências significativas. Para tanto, devem ser empregadas técnicas específicas para a identificação dos perigos, entre as quais cabe mencionar: 1. Análise Preliminar de Perigos (APP); 2. Estudo de perigos e operabilidade (Ha- zOp – Hazard and Operability Study). 3. Análise “E se...” (What if...?); 4. Lista de verificação (Checklist); 5. Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE). 4.4 Estimativa dos Efeitos Físicos e Análises de Vulnerabilidade Tomando-se por base as hipóteses de aci- dentes identificadas na etapa anterior, cada uma deverá ser estudada em termos das possíveis con- sequências que possam ser ocasionadas, mensu- rando-se os impactos e danos causados por essas consequências. Para tanto, deverão ser utilizados modelos de cálculo que possam representar os possíveis efeitos decorrentes das diferentes tipologias aci- dentais, tais como: �� Radiações térmicas de incêndios; �� Sobrepressões causadas por explosões; �� Concentrações tóxicas decorrentes de emissões de gases e vapores. Estimadas as possíveis consequências de- correntes dos cenários gerados pelas hipóteses acidentais, esses resultados deverão servir de base para a análise do ambiente vulnerável no entorno da instalação em estudo. A estimativa dos efeitos físicos decorrentes dos cenários acidentais envolvendo substâncias inflamáveis deverá ser precedida da elaboração de Árvores de Eventos, para a definição das dife- rentes tipologias acidentais. A Análise de Árvores de Eventos (AAE) de- verá descrever a sequência dos fatos que possam se desenvolver a partir da hipótese acidental em estudo, prevendo situações de sucesso ou falha, de acordo com as interferências existentes até a sua conclusão, com a definição das diferentes Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 79 tipologias acidentais. As interferências a serem consideradas devem contemplar ações, situações ou mesmo equipamentos existentes ou previstos no sistema em análise, que se relacionam com o evento inicial da árvore e que possam acarretar diferentes “caminhos” para o desenvolvimento da ocorrência, gerando, portanto, diferentes tipos de fenômeno. A estimativa dos efeitos físicos deverá ser realizada através da aplicação de modelos mate- máticos que efetivamente representem os fenô- menos em estudo, de acordo com as hipóteses acidentais identificadas e com as características e comportamento das substâncias envolvidas. Os modelos a serem utilizados deverão si- mular a ocorrência de liberações de substâncias inflamáveis e tóxicas, de acordo com as diferentes tipologias acidentais. Para uma correta interpretação dos resulta- dos, esses modelos requerem uma série de infor- mações que devem estar claramente definidas. Portanto, neste capítulo estão definidos os pres- supostos que deverão ser adotados para o desen- volvimento dessa etapa do estudo de análise de riscos, bem como a forma de apresentação dos resultados. Qualquer alteração nos dados aqui apresentados deverá ser claramente justificada. Deve-se ressaltar que todos os dados utili- zados na realização das simulações deverão ser acompanhados das respectivas memórias de cál- culo, destacando-se, entre outros, os cálculos das taxas de vazamento, as áreas de poças e as mas- sas das substâncias envolvidas nas dispersões e explosões de nuvens de gás ou vapor. Condições atmosféricas Nos estudos de análise de riscos deverão ser utilizados dados meteorológicos reais do local em estudo, quando estes estiverem disponíveis, devendo-se considerar, no mínimo, os valores dos últimos três anos, considerando: �� temperatura ambiente e umidade relativa do ar: adotar a média para os períodos diurno e noturno; �� velocidade do vento: adotar a média para os períodos diurno e noturno, indi- cando a altura da medição; �� categoria de estabilidade atmosféri- ca (Pasquill): adotar aquelas compatí-veis com as velocidades de vento para os períodos diurno e noturno, de acor- do com a Tabela 7; �� direção do vento: adotar pelo menos oito direções com suas respectivas pro- babilidades de ocorrência, indicando o sentido do vento DE: PARA. Ex.: (N:S 15%; NW:SE 21%). Quando as informações meteorológicas reais não estiverem disponíveis, deverão ser ado- tados os seguintes dados: Período diurno: �� temperatura ambiente: 25 oC; �� velocidade do vento: 3,0m/s; �� categoria de estabilidade atmosférica: C; �� umidade relativa do ar: 80%; �� direção do vento: 12,5% (distribuição uniforme em oito direções). Período noturno: �� temperatura ambiente: 20 oC; �� velocidade do vento: 2,0 m/s; �� categoria de estabilidade atmosférica: E; �� umidade relativa do ar: 80%; �� direção do vento: 12,5 %( distribuição uniforme em oito direções). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 80 Tabela 7 – Categorias de estabilidade em função das condições atmosféricas(*). Fonte: CETESB (2003). Topografia O parâmetro relacionado com a topogra- fia de uma região é denominado rugosidade da superfície do solo, o que considera a presença de obstáculos, tais como aqueles encontrados em áreas urbanas, industriais ou rurais. Os valores típicos de rugosidade que deve- rão ser adotados para diferentes superfícies são: �� Superfície marítima: 0,06; �� Área plana com poucas árvores: 0,07; �� Área rural aberta: 0,09; �� Área pouco ocupada: 0,11; �� Área de floresta ou industrial: 0,17; �� Área urbana: 0,33. Tempo de vazamento Nos casos dos vazamentos estudados, de- verá ser considerado um tempo mínimo de de- tecção e intervenção de dez minutos. Área de poça Nos reservatório onde existam bacias de contenção, a superfície da poça deverá ser aque- la equivalente à área delimitada pelo dique, des- de que a quantidade de substância envolvida no vazamento seja suficiente para ocupar todo esse volume. Para os reservatórios sem bacia de conten- ção, a área de espalhamento da substância deve- rá ser estimada considerando-se uma altura de 3 cm. Massa de vapor envolvida no cálculo de explosão confinada Para a estimativa da massa de vapor exis- tente no interior de um recipiente, deverá ser considerada a fase vapor correspondente a, no mínimo, 50% do volume útil do recipiente. Rendimento de explosão Caso o modelo utilizado para cálculo da so- brepressão proveniente de uma explosão requei- ra o seu rendimento, esse valor não deverá ser inferior a 10%, quando a massa considerada no cálculo da explosão for aquela dentro dos limites de inflamabilidade. Para as substâncias altamente reativas, tais como o acetileno e óxido de eteno, deverá ser uti- lizado rendimento não inferior a 20 %. A utilização de outros valores que não os aqui citados deve ser respaldada por literatura técnica reconhecida e atualizada. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 81 Valores de referência Substâncias inflamáveis O valor de referência a ser utilizado no es- tudo de dispersão deverá ser a concentração cor- respondente ao Limite Inferior de Inflamabilidade (LII). Para o flashfire deverá ser considerado que, na área ocupada pela nuvem de vapor inflamável (delimitada pelo LII), o nível de radiação térmica corresponderá a uma probabilidade de 100 % de fatalidade. Para os casos de incêndios (jato, poça e fire- ball), os níveis de radiação térmica a serem adota- dos deverão ser de 12,5 kW/m2 e 37,5 kW/m2, que representam, respectivamente, uma probabilida- de de 1% e de 50% de fatalidade da população afetada, para tempos de exposição de 30 e 20 se- gundos. DicionárioDicionário Bola de fogo (fireball) (CETESB): fenômeno que se verifica quando o volume de vapor inflamável, inicialmente comprimido num recipiente, escapa repentinamente para a atmosfera e, devido à des- pressurização, forma um volume esférico de gás, cuja superfície externa queima, enquanto a massa inteira eleva-se por efeito da redução da densida- de provocada pelo superaquecimento. Para os casos de sobrepressões decorrentes de explosões (CVE, UVCE e BLEVE), deverão ser adotados os valores de 0,1 e 0,3 bar. O primeiro representa danos reparáveis às estruturas (pare- des, portas, telhados) e, portanto, perigo à vida, correspondendo à probabilidade de 1% de fatali- dade das pessoas expostas. O segundo represen- ta a sobrepressão que provoca danos graves às estruturas (prédios e equipamentos) e, portanto, representa perigo à vida, correspondendo à pro- babilidade de 50% de fatalidade. Observação: para a etapa de modelagem matemática de consequências, os derivados de petróleo listados na Tabela 8 poderão ser simula- dos como substâncias puras. Tabela 8 – Substâncias puras equivalentes a derivados de petróleo. Fonte: CETESB (2003). Substâncias tóxicas Para as substâncias tóxicas cuja função ma- temática do tipo PROBIT esteja desenvolvida, de- verão ser adotados como valores de referência as concentrações tóxicas que correspondem às pro- babilidades de 1% e 50% de fatalidade, para um tempo de exposição de pelo menos 10 minutos nos casos de liberações contínuas. Para as liberações instantâneas, caso esse tempo seja inferior, a concentração de referência deverá ser calculada mantendo-se as probabilida- Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 82 des de 1% e 50% de fatalidade, para o tempo de passagem da nuvem. Distâncias a serem consideradas Para cada cenário acidental estudado, as distâncias a serem apresentadas deverão ser sem- pre consideradas a partir do ponto onde ocorreu a liberação da substância. Para os cenários acidentais envolvendo in- cêndios, as distâncias de interesse são aquelas correspondentes aos níveis de radiação térmica de 12,5 kW/m2 e 37,5 kW/m2. No caso de flashfire, a distância de interesse será aquela atingida pela nuvem de concentração referente ao Limite Inferior de Inflamabilidade (LII). Ressalta-se que a área de interesse do flash- fire é aquela determinada pelo contorno da nu- vem nessa concentração. Para o evento “explosão não confinada de nuvem de vapor na atmosfera (UVCE)”, a distância a ser considerada para os ní- veis de 0,1 bar e 0,3 bar de sobrepressão deverá ser aquela fornecida pelo modelo de cálculo da explosão utilizado, acrescida da distância equiva- lente ao ponto médio da nuvem inflamável. Para o evento “explosão confinada (CVE)”, a distância a ser considerada para os citados ní- veis de sobrepressão, deverá ser aquela fornecida pelo modelo de cálculo utilizado, medida a partir do centro do recipiente em questão. Quando fo- rem utilizados modelos de multienergia, o ponto da explosão deverá ser o centro geométrico da área parcialmente confinada. Já, para os cenários envolvendo a dispersão de nuvens tóxicas na atmosfera, a distância apre- sentada deverá ser aquela correspondente à con- centração utilizada como referência, conforme apresentado no item Substâncias Tóxicas. Apresentação dos resultados Tabelas Para cada um dos cenários acidentais con- siderados no estudo, deverão ser apresentados, de forma clara, os dados de entrada, como pres- são, temperatura, área de furo ou ruptura, área do dique e quantidade vazada, entre outros, bem como os dados meteorológicos assumidos. Os resultados deverão ser tabelados de for- ma a relacionar os valores de referência adotados e as respectivas distâncias atingidas. A seguir, apresentam-se algumas sugestões da forma de apresentação dos dados de entrada (Tabela 9) e dos resultados (Tabelas 10 e 11) para um determinado cenário acidental. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 83 Tabela 9 – Exemplo – dados de entrada. Fonte: CETESB (2003). Tabela 10 – Exemplo – resultados – gás tóxico. Fonte: CETESB (2003). Tabela 11 – Exemplo – resultados – líquido inflamável. Fonte: CETESB (2003). Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância| www.unisa.br 84 Mapas Os resultados dos efeitos físicos decorren- tes de cada um dos cenários acidentais deverão ser plotados em carta planialtimétrica atualizada, em escala 1:10.000, quando as dimensões da ins- talação forem compatíveis com a escala, de forma que se tenha uma clara visualização do empreen- dimento e do seu entorno. Caso contrário, deverá ser utilizada uma escala maior, mais adequada. O mapeamento deverá ser acompanhado da interpretação dos resultados obtidos, isto é, deverão ser relacionadas às áreas afetadas, que deverão estar devidamente caracterizadas, ou seja, deverão conter informações sobre os tipos de edificação (residenciais, industriais, comerciais, hospitalares, escolares, recreativas) presentes nas áreas de risco e o número de pessoas atingidas, entre outras informações relevantes. 4.5 Estimativa de Frequências A elaboração de estudos quantitativos de análise de risco requer a estimativa das frequên- cias de ocorrência de falhas de equipamentos re- lacionados com as instalações ou atividades em análise. Da mesma forma, a estimativa de proba- bilidades de erro humano deve muitas vezes ser quantificada no cálculo de risco. Esses dados são normalmente difíceis de serem estimados, em função da indisponibilidade de estudos desse tipo. Para cálculo das frequências de ocorrência dos cenários acidentais podem ser utilizadas as seguintes técnicas: �� Análise histórica de falhas decorrentes de acidentes, através de pesquisas em referências bibliográficas ou em banco de dados de falhas; �� Análise de Árvores de Falhas (AAF); �� Análise de Árvores de Eventos (AAE). Em determinados estudos, os fatores exter- nos ao empreendimento podem contribuir para o risco de uma instalação. Nesses casos, devem ser também levadas em consideração as probabi- lidades ou frequências de ocorrência de eventos indesejados causados por terceiros ou por agen- tes externos ao sistema em estudo, como, por exemplo, terremotos, enchentes, deslizamentos de solo e queda de aeronaves, entre outros. Os dados referentes às falhas de equipa- mentos normalmente estão disponíveis nos fa- bricantes, os quais, na maioria das vezes, mantêm bancos de dados baseados nos testes de confiabi- lidade realizados nas linhas de fabricação. Da mesma forma, algumas indústrias man- têm seus próprios bancos de dados com vistas a não só aperfeiçoar a especificação de seus equi- pamentos, mas também prevenir acidentes e, principalmente, subsidiar programas de manu- tenção. Com relação ao erro humano, os dados de confiabilidade ou probabilísticos de falhas devem ser utilizados com muita cautela, uma vez que AtençãoAtenção Entre as técnicas de identificação de perigos que estudamos, as mais indicadas para o cálcu- lo das frequências de ocorrência dos cenários acidentais são: • Análise histórica de falhas decorrentes de acidentes, através de pesquisas em refe- rências bibliográficas ou em banco de dados de falhas; • Análise de Árvores de Falhas (AAF); • Análise de Árvores de Eventos (AAE). Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 85 diversos fatores influenciam nesse processo, tais como: �� tipos de falha; �� condições ambientais; �� características dos sistemas envolvidos; �� tipos de atividade ou operações realiza- das; �� capacitação das pessoas envolvidas; �� motivação; �� disponibilidade e qualidade de normas e procedimentos operacionais; �� tempo disponível para execução de ta- refas. Um fator que deve ser levado em conside- ração na análise do erro humano durante a reali- zação de uma determinada operação diz respeito aos erros de manutenção, os quais são responsá- veis por cerca de 60 a 80% das causas de acidentes maiores envolvendo erro humano (AICHE, 2000). 4.6 Estimativa e Avaliação de Riscos A estimativa e a avaliação dos riscos de um empreendimento dependem de uma série de va- riáveis, por vezes pouco conhecidas e cujos resul- tados podem apresentar diferentes níveis de in- certeza. Isso decorre principalmente de que não se podem determinar todos os riscos existentes ou possíveis de ocorrer numa instalação e tam- bém da escassez de informações nesse campo. De acordo com a visão da CETESB (2003), os riscos a serem avaliados devem contemplar o levantamento de possíveis vítimas fatais, bem como os danos à saúde da comunidade existente nas circunvizinhanças do empreendimento. Sendo o risco uma função que relaciona as frequências de ocorrências de cenários acidentais e suas respectivas consequências, em termos de danos ao homem, pode-se, com base nos resulta- dos quantitativos obtidos nas etapas anteriores do estudo, estimar o risco de um empreendimento. Assim, nos estudos de análise de riscos submetidos à CETESB, cujos cenários acidentais extrapolem os limites do empreendimento e pos- sam afetar pessoas, os riscos deverão ser estima- dos e apresentados nas formas de Risco Social e Risco Individual. Risco social O risco social refere-se ao risco para um de- terminado número ou agrupamento de pessoas expostas aos danos decorrentes de um ou mais cenários acidentais. A apresentação do risco social deverá ser feita através da curva F-N, obtida por meio da plo- tagem dos dados de frequência acumulada do evento final e seus respectivos efeitos represen- tados em termos de número de vítimas fatais. A estimativa do risco social num estudo de análise de riscos requer as seguintes informações: �� tipo de população (residências, estabe- lecimentos comerciais, indústrias, áreas rurais, escolas, hospitais etc.); �� efeitos em diferentes períodos (diurno e noturno) e respectivas condições me- teorológicas, para o adequado dimen- sionamento do número de pessoas ex- postas; �� características das edificações onde as pessoas se encontram, de forma que Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 86 possam ser levadas em consideração eventuais proteções. Diferentes distribuições ou características das pessoas expostas podem ser consideradas na estimativa dos riscos por intermédio de sim- plificações, como, por exemplo, através do uso de dados médios de distribuição populacional; no entanto, deve-se estar atento quanto ao emprego dessas generalizações, que pode induzir a erros significativos na estimativa dos riscos, razão pela qual esses procedimentos devem ser tratados com a devida cautela. Ressalta-se que os dados oriundos de censos de densidade demográfica em áreas urbanas não devem ser utilizados para a estimativa da população exposta numa deter- minada área. Para cada tipologia acidental, deverá ser estimado o número provável de vítimas fatais, de acordo com as probabilidades de fatalidades as- sociadas aos efeitos físicos e em função das pes- soas expostas nas direções de vento adotadas, considerando-se em cada uma dessas direções as duas velocidades médias de vento, correspon- dentes aos períodos diurno e noturno. A estimativa do número de vítimas fatais poderá ser realizada considerando as probabili- dades médias de morte, conforme segue: �� aplicar a probabilidade de 75% para as pessoas expostas entre a fonte do va- zamento e a curva de probabilidade de fatalidade de 50%; �� aplicar a probabilidade de 25% para as pessoas expostas entre as curvas com probabilidades de fatalidade de 50% e 1%. A Figura 23 mostra de forma mais clara a es- timativa do número de ritmos. Figura 23 – Estimativa do número de vítimas para o cálculo do risco social. Fonte: CETESB (2003). Considerando o anteriormente exposto, o número de vítimas fatais para cada um dos even- tos finais poderá ser estimado, conforme segue: Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 87 Onde: Nik = número de fatalidades resultante do evento final; Nek1 = número de pessoas presentes e expostas no quadrante k até a distância delimitada pela cur- va correspondente à probabilidade de fatalidade de 50%; Nek2 = número de pessoaspresentes e expostas no quadrante k até a distância delimitada pela cur- va correspondente à probabilidade de fatalidade de 1%. Para o caso de flashfire, o número de pessoas expostas é o correspondente a 100% do número das pessoas presentes dentro da nuvem, até o limite da curva correspondente ao Limite Inferior de Inflama- bilidade (LII); assim tem-se: Onde: Nik = número de fatalidades resultante do evento final i; Nek = número de pessoas presentes no quadrante k até a distância delimitada pela curva correspon- dente ao LII. Para cada um dos eventos considerados no estudo, deve ser estimada a frequência final de ocor- rência, considerando-se as probabilidades correspondentes a cada caso, como, por exemplo, a incidên- cia do vento no quadrante e a probabilidade de ignição, entre outras; assim, tomando como exemplo a liberação de uma substância inflamável, a frequência de ocorrência do evento final i poderá ser calculada da seguinte forma: Onde: Fi = frequência de ocorrência do evento final i; fi = frequência de ocorrência do evento final i; pk = probabilidade do vento soprar no quadrante k; pi= probabilidade de ignição. O número de pessoas afetadas por todos os eventos finais deve ser determinado, resultando numa lista do número de fatalidades, com as respectivas frequências de ocorrência. Esses dados devem então Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 88 ser trabalhados em termos de frequência acumulada, possibilitando assim que a curva F-N seja construí- da; assim, tem-se: Onde: FN = frequência de ocorrência de todos os eventos finais que afetam N ou mais pessoas; Fi = frequência de ocorrência do evento final i; Ni= número de pessoas afetadas pelos efeitos decorrentes do evento final i. Risco individual O risco individual pode ser definido como o risco para uma pessoa presente na vizinhança de um perigo, considerando a natureza do dano que pode ocorrer e o período de tempo em que este pode acontecer. Os danos às pessoas podem ser expressos de diversas formas, embora as injúrias sejam mais difíceis de serem avaliadas, dada a indisponibili- dade de dados estatísticos para serem utilizados em critérios comparativos de riscos; assim, o risco deverá ser estimado em termos de danos irrever- síveis ou fatalidades. O risco individual pode ser estimado para aquele indivíduo mais exposto a um perigo, para um grupo de pessoas ou para uma média de in- divíduos presentes na zona de efeito. Para um ou mais acidentes, o risco individual tem diferentes valores. A apresentação do risco individual deverá ser feita através de curvas de iso-risco (contornos de risco individual), uma vez que estas possibili- tam visualizar a distribuição geográfica do risco em diferentes regiões. Assim, o contorno de um determinado nível de risco individual deverá re- presentar a frequência esperada de um evento capaz de causar um dano num local específico. Para o cálculo do risco individual num de- terminado ponto da vizinhança de uma planta in- dustrial, pode-se assumir que as contribuições de todos os eventos possíveis são somados. Dessa forma, o risco individual total num determinado ponto pode ser calculado pelo somatório de to- dos os riscos individuais nesse ponto, conforme apresentado a seguir: Onde: RIx,y = risco individual total de fatalidade no ponto x,y; (chance de fatalidade por ano (ano-1)) RIx,y,i= risco de fatalidade no ponto x,y devido ao evento i; (chance de fatalidade por ano (ano-1)) n = número total de eventos considerados na análise. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 89 Os dados de entrada na equação anterior são calculados a partir da equação: Onde: RIx,y,i = risco de fatalidade no ponto x,y devido ao evento i; (chance de fatalidade por ano (ano-1)) Fi = frequência de ocorrência do evento final i; pfi = probabilidade que o evento i resulte em fatalidade no ponto x,y, de acordo com os efeitos resultantes das consequências esperadas. Saiba maisSaiba mais Saiba maisSaiba mais Você pode complementar este tema (EAR), observando e analisando um EAR completo. Um bom exemplo é o EAR feito para a Usina Termelétrica de Tefé, situada no Amazonas. Não deixe de conferir! Disponível em: http://www.ipaam.am.gov.br/arquivos/download/arqeditor/RIMA/ANEXO%20XII%20-%20EAR.pdf A avaliação dos riscos impostos ao ser hu- mano por um empreendimento depende de uma série de variáveis, cujo resultado pode apre- sentar um nível razoável de incerteza, decorrente principalmente da escassez de informações nes- se campo. A análise comparativa de riscos requer o estabelecimento de níveis de riscos (limites), a serem utilizados como referências que permitam comparar situações muitas vezes diferenciadas. O estabelecimento desses níveis envolve a discussão da tolerabilidade dos riscos, que de- pende de um julgamento por vezes subjetivo e pessoal, envolvendo temas complexos, como, por exemplo, a percepção dos riscos, que varia consi- deravelmente de indivíduo para indivíduo. Apesar dessas dificuldades, a definição de critérios de tolerabilidade de riscos é importante 4.7 Avaliação dos Riscos na medida em que há a necessidade de se avaliar os empreendimentos com potencial para causar danos à população, decorrentes de acidentes en- volvendo produtos perigosos. Assim, independentemente das limitações existentes, foi realizado um amplo levantamen- to dos critérios internacionais atualmente vigen- tes (Reino Unido, Holanda, Hong Kong, Austrália, Estados Unidos e Suíça), a partir dos quais foram estabelecidos os critérios de tolerabilidade para os riscos social e individual, assumindo-se valores médios entre os critérios pesquisados. A Figura 24 apresenta a curva F-N adotada como critério para a avaliação do risco social. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 90 Figura 24 – Curva F-N de tolerabilidade para risco social. Fonte: CETESB (2003). Os riscos situados na região entre as curvas limites dos riscos intoleráveis e negligenciáveis, denominada ALARP (As Low As Reasonably Prac- ticable), embora situados abaixo da região de in- tolerabilidade, devem ser reduzidos tanto quanto praticável. Para o risco individual, foram estabelecidos os seguintes limites: �� Risco máximo tolerável: 1 x 10-5 ano-1; �� Risco negligenciável: < 1 x 10-6ano-1. Para a aprovação do empreendimento, de- verão ser atendidos os critérios de risco social e individual conjuntamente, ou seja, as curvas de riscos social e individual deverão estar situadas na região negligenciável ou na região ALARP. Entretanto, nos casos em que o risco social for considerado atendido, mas o risco individual for maior que o risco máximo tolerável, a CETESB, após avaliação específica, poderá considerar o empreendimento aprovado, uma vez que o enfo- que principal na avaliação dos riscos está voltado aos impactos decorrentes de acidentes maiores, afetando agrupamentos de pessoas, sendo, por- tanto, o risco social o índice prioritário nessa ava- liação. Nos estudos de análise de riscos em dutos, os riscos deverão ser avaliados somente a partir do risco individual, de acordo com os seguintes critérios: �� Risco máximo tolerável: 1 x 10-4 ano-1; �� Risco negligenciável: < 1 x 10-5ano-1. O conceito da região denominada ALARP (As Low As Reasonably Practicable) também se aplica na avaliação do risco individual; assim, os valores de riscos situados na região entre os limi- tes tolerável e negligenciável, também, deverão ser reduzidos tanto quanto praticável. 4.8 Gerenciamento de Riscos As recomendações e medidas resultantes do estudo de análise e avaliação de riscos para a redução das frequências e consequências de eventuais acidentes devem ser consideradas como partes integrantes do processo de geren- ciamento de riscos; entretanto, independente- mente da adoção dessas medidas, uma instalação que possua substâncias ou processosperigosos deve ser operada e mantida, ao longo de sua vida útil, dentro de padrões considerados toleráveis, razão pela qual um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve ser implementado e consi- derado nas atividades, rotineiras ou não, de uma planta industrial. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 91 Embora as ações previstas no PGR devam contemplar todas as operações e equipamentos, o programa deve considerar os aspectos críticos identificados no estudo de análise de riscos, de forma que sejam priorizadas as ações de geren- ciamento dos riscos, a partir de critérios estabele- cidos com base nos cenários acidentais de maior relevância. O objetivo do PGR é prover uma sistemáti- ca voltada para o estabelecimento de requisitos contendo orientações gerais de gestão, com vis- tas à prevenção de acidentes. Programa de Gerenciamento de Riscos I O escopo aqui apresentado se aplica a em- preendimentos de médio e grande porte, deven- do contemplar as seguintes atividades: �� Informações de segurança de processo; �� revisão dos riscos de processos; �� gerenciamento de modificações; �� manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos; �� procedimentos operacionais; �� capacitação de recursos humanos; �� investigação de incidentes; �� Plano de Ação de Emergência(PAE); �� auditorias. No âmbito do licenciamento ambiental, o PGR é parte integrante do processo de avalia- ção do estudo de análise de riscos. Dessa forma, as empresas em avaliação pelo órgão ambiental deverão apresentar um relatório contendo as di- retrizes do PGR, no qual deverão estar claramente relacionadas as atribuições, as atividades e os do- cumentos de referência, tais como normas técni- cas, legislações e relatórios, entre outros. Todos os itens constantes do PGR devem ser claramente definidos e documentados, apli- cando-se tanto aos procedimentos e funcionários da empresa quanto em relação a terceiros (em- preiteiras e demais prestadores de serviço) que desenvolvam atividades nas instalações envolvi- das nesse processo. Toda a documentação de registro das ativi- dades realizadas no PGR, como, por exemplo, os resultados de auditorias, serviços de manutenção e treinamentos, devem estar disponíveis para ve- rificação sempre que necessária pelos órgãos res- ponsáveis, razão pela qual devem ser mantidos em arquivo por, pelo menos, seis anos. Informações de segurança de processo As informações de segurança de processo são fundamentais no gerenciamento de riscos de instalações perigosas. O PGR deve contemplar a existência de informações e documentos atuali- zados e detalhados sobre as substâncias químicas envolvidas, tecnologia e equipamentos de pro- cesso, de modo a possibilitar o desenvolvimento de procedimentos operacionais precisos, assegu- rar o treinamento adequado e subsidiar a revisão dos riscos, garantindo uma correta operação do ponto de vista ambiental, de produção e de se- gurança. Assim, as informações de segurança de processo devem incluir: �� Informações das substâncias quími- cas do processo: incluem informações relativas aos perigos impostos pelas substâncias, inclusive intermediárias, para a completa avaliação e definição dos cuidados a serem tomados, quando consideradas as características perigo- sas relacionadas com inflamabilidade, reatividade, toxicidade e corrosividade, entre outros riscos; assim, é de funda- mental importância a disponibilidade de fichas de informação e orientações específicas sobre tais riscos. �� Tecnologia de processo: inclui infor- mações do tipo diagrama de blocos, fluxogramas de processo, balanços de materiais e de energia, contendo in- ventários máximos, limites superiores e inferiores, além dos quais as operações Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 92 podem ser consideradas inseguras para parâmetros como temperatura, pres- são, vazão, nível e composição e respec- tivas consequências dos desvios desses limites. �� Equipamentos de processo: inclui in- formações sobre os materiais de cons- trução, diagramas de tubulações e ins- trumentação (P & IDs), classificação de áreas, projetos de sistemas de alívio e ventilação, sistemas de segurança, shut- -down e intertravamentos, códigos e normas de projeto. �� Procedimentos operacionais: esses procedimentos são partes integrantes das informações de segurança do pro- cesso, razão pela qual um plano especí- fico deve estabelecer os procedimentos a serem seguidos em todas as opera- ções desenvolvidas na planta industrial. Revisão dos riscos de processo O estudo de análise e avaliação de riscos im- plementado durante o projeto inicial de uma ins- talação nova deve ser revisado periodicamente, de modo a serem identificadas novas situações de risco, possibilitando assim o aperfeiçoamento das operações realizadas, de modo a manter as instalações operando de acordo com os padrões de segurança requeridos. A revisão dos estudos de análise de riscos deverá ser realizada em periodicidade a ser defi- nida no PGR, a partir de critérios claramente esta- belecidos, com base nos riscos inerentes às dife- rentes unidades e operações. A realização de qualquer alteração ou am- pliação na instalação industrial, a renovação da licença ambiental ou a retomada de operações após paradas por períodos superiores a seis me- ses, são situações que requerem obrigatoriamen- te a revisão dos estudos de análise de riscos, in- dependentemente da periodicidade definida no PGR, considerando-se sempre os critérios para a classificação de instalações industriais. Gerenciamento de modificações As instalações industriais estão permanen- temente sujeitas a modificações com o objetivo de melhorar a operacionalidade e a segurança, in- corporar novas tecnologias e aumentar a eficiên- cia dos processos. Assim, considerando a com- plexidade dos processos industriais, bem como outras atividades que envolvam a manipulação de substâncias químicas perigosas, é imprescin- dível ser estabelecido um sistema gerencial apro- priado para assegurar que os riscos decorrentes dessas alterações possam ser adequadamente identificados, avaliados e gerenciados previa- mente à sua implementação. Dessa forma, o PGR deve estabelecer e im- plementar um sistema de gerenciamento con- templando procedimentos específicos para a ad- ministração de modificações na tecnologia e nas instalações. Entre outros, esses procedimentos devem considerar os seguintes aspectos: �� Bases de projeto do processo e mecâni- co para as alterações propostas; �� Análise das considerações de seguran- ça e de meio ambiente envolvidas nas modificações propostas, contemplan- do inclusive os estudos para a análise e avaliação dos riscos impostos por es- sas modificações, bem como as impli- cações nas instalações do processo à montante e à jusante das instalações a serem modificadas; �� Necessidade de alterações em proce- dimentos e instruções operacionais, de segurança e de manutenção; �� Documentação técnica necessária para registro das alterações; �� Formas de divulgação das mudanças propostas e suas implicações ao pes- soal envolvido; �� Obtenção das autorizações necessá- rias, inclusive licenças junto aos órgãos competentes. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 93 Manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos Os sistemas considerados críticos em insta- lações ou atividades perigosas, sejam estes equi- pamentos para processar, armazenar ou manusear substâncias perigosas, ou mesmo relacionados com sistemas de monitorização ou de segurança, devem ser projetados, construídos e instalados no sentido de minimizar os riscos às pessoas e ao meio ambiente. Para tanto, o PGR deve prever um programa de manutenção e garantia da integri- dade desses sistemas, com o objetivo de garantir o correto funcionamento dos mesmos, por inter- médio de mecanismos de manutenção preditiva,preventiva e corretiva. Assim, todos os sistemas nos quais operações inadequadas ou falhas pos- sam contribuir ou causar condições ambientais ou operacionais inaceitáveis ou perigosas devem ser considerados como críticos. Esse programa deve incluir o gerenciamento e o controle de to- das as inspeções e o acompanhamento das ativi- dades associadas com os sistemas críticos para a operação, segurança e controle ambiental. Essas operações iniciam com um programa de garantia da qualidade e terminam com um programa de inspeção física que trata da integridade mecânica e funcional. Dessa forma, os procedimentos para inspeção e teste dos sistemas críticos devem in- cluir, entre outros, os seguintes itens: �� Lista dos sistemas e equipamentos críti- cos sujeitos a inspeções e testes; �� Procedimentos de testes e de inspeção em concordância com as normas técni- cas e códigos pertinentes; �� Documentação das inspeções e testes, a qual deverá ser mantida arquivada durante a vida útil dos equipamentos; �� Procedimentos para a correção de ope- rações deficientes ou que estejam fora dos limites aceitáveis; �� Sistema de revisão e alterações nas ins- peções e testes. Procedimentos operacionais Todas as atividades e operações realizadas em instalações industriais devem estar previstas em procedimentos claramente estabelecidos, que devem contemplar, entre outros, os seguin- tes aspectos: �� Cargos dos responsáveis pelas opera- ções; �� Instruções precisas que propiciem as condições necessárias para a realização de operações seguras, considerando as informações de segurança de processo; �� Condições operacionais em todas as etapas de processo, ou seja: partida, operações normais, operações tempo- rárias, paradas de emergência, paradas normais e partidas após paradas, pro- gramadas ou não; �� Limites operacionais. Os procedimentos operacionais devem ser revisados periodicamente, de modo que repre- sentem as práticas operacionais atualizadas, in- cluindo as mudanças de processo, tecnologia e instalações. A frequência de revisão deve estar clara- mente definida no PGR, considerando os riscos associados às unidades em análise. Capacitação de recursos humanos O PGR deve prever um programa de treina- mento para todas as pessoas responsáveis pelas operações realizadas na empresa, de acordo com suas diferentes funções e atribuições. Os treina- mentos devem contemplar os procedimentos operacionais, incluindo eventuais modificações ocorridas nas instalações e na tecnologia de pro- cesso. O programa de capacitação técnica deve ser devidamente documentado, contemplando as seguintes etapas: Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 94 �� Treinamento inicial: todo o pessoal envolvido nas operações da empre- sa deve ser treinado antes do início de qualquer atividade, de acordo com critérios preestabelecidos de qualifica- ção profissional. Os procedimentos de treinamento devem ser definidos de modo a assegurar que as pessoas que operem as instalações possuam os co- nhecimentos e habilidades requeridos para o desempenho de suas funções, incluindo as ações relacionadas com a pré-operação e paradas, emergenciais ou não. �� Treinamento periódico: o programa de capacitação deve prever ações para a reciclagem periódica dos funcioná- rios, considerando a periculosidade e complexidade das instalações e as fun- ções; no entanto, em nenhuma situação a periodicidade de reciclagem deve ser inferior a três anos. Tal procedimento visa a garantir que as pessoas estejam permanentemente atualizadas com os procedimentos operacionais. �� Treinamento após modificações: quando houver modificações nos pro- cedimentos ou nas instalações, os funcionários envolvidos deverão, obri- gatoriamente, ser treinados sobre as alterações implementadas antes do re- torno às suas atividades. Investigação de incidentes Todo e qualquer incidente de processo ou desvio operacional que resulte ou possa resultar em ocorrências de maior gravidade, envolvendo lesões pessoais ou impactos ambientais, deve ser investigado. Assim, o PGR deve contemplar as di- retrizes e critérios para a realização dessas inves- tigações, que devem ser devidamente analisadas, avaliadas e documentadas. Todas as recomendações resultantes do processo de investigação devem ser implementa- das e divulgadas na empresa, de modo que situa- ções futuras e similares sejam evitadas. A documentação do processo de investiga- ção deve contemplar os seguintes aspectos: �� Natureza do incidente; �� Causas básicas e demais fatores contri- buintes; �� Ações corretivas e recomendações identificadas, resultantes da investiga- ção. Plano de Ação de Emergência (PAE) Independentemente das ações preventivas previstas no PGR, um Plano de Ação de Emergên- cia (PAE) deve ser elaborado e considerado como parte integrante do processo de gerenciamento de riscos. O PAE deve se basear nos resultados obti- dos no estudo de análise e avaliação de riscos, quando realizado, e na legislação vigente, deven- do também contemplar os seguintes aspectos: �� introdução; �� estrutura do plano; �� descrição das instalações envolvidas; cenários acidentais considerados; área de abrangência e limitações do plano; �� estrutura organizacional, contemplan- do as atribuições e responsabilidades dos envolvidos; �� fluxograma de acionamento; �� ações de resposta às situações emer- genciais compatíveis com os cenários acidentais considerados, de acordo com os impactos esperados e avaliados no estudo de análise de riscos, consideran- do procedimentos de avaliação, contro- le emergencial (combate a incêndios, isolamento, evacuação, controle de va- zamentos etc.) e ações de recuperação; �� recursos humanos e materiais; Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 95 �� divulgação, implantação, integração com outras instituições e manutenção do plano; �� tipos e cronogramas de exercícios teó- ricos e práticos, de acordo com os dife- rentes cenários acidentais estimados; �� documentos anexos: plantas de locali- zação da instalação e layout, incluindo a vizinhança sob risco, listas de aciona- mento (internas e externas), listas de equipamentos, sistemas de comunica- ção e alternativos de energia elétrica, relatórios etc. Auditorias Os itens que compõem o PGR devem ser periodicamente auditados, com o objetivo de se verificar a conformidade e efetividade dos proce- dimentos previstos no programa. As auditorias poderão ser realizadas por equipes internas da empresa ou mesmo por audi- tores independentes, de acordo com o estabeleci- do no PGR. Da mesma forma, o plano deve prever a periodicidade para a realização das auditorias, de acordo com a periculosidade e complexidade das instalações e dos riscos delas decorrentes, não devendo, no entanto, ser superior a três anos. Todos os trabalhos decorrentes das audi- torias realizadas nas instalações e atividades cor- relatas devem ser devidamente documentados, bem como os relatórios decorrentes da imple- mentação das ações sugeridas nesse processo. Programa de Gerenciamento de Riscos II O escopo aqui apresentado se aplica a em- preendimentos de pequeno porte, devendo con- templar as seguintes atividades: �� informações de segurança de processo; �� manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos; �� procedimentos operacionais; �� capacitação de recursos humanos; �� Plano de Ação de Emergência (PAE). O conteúdo de cada uma das atividades acima relacionadas deve contemplar o descrito nos respectivos subitens apresentados anterior- mente. 4.9 Comunicação de Riscos Por que comunicar riscos ambientais? A comunicação de risco surgiu para infor- mar sobre os riscos para a segurança e a saúde que as pessoas estão expostas. O crescente inte- resse público pelas questões ambientais, em par- ticular os riscos de impactos ambientais negativos provocados porresíduos industriais – inclusive os gerados em acidentes –, vem impondo às empre- sas uma revisão de sua estratégia da gestão am- biental, com a comunicação de risco tornando-se um dos elementos decisivos no gerenciamento dessa atividade. Objetivos da comunicação de risco A comunicação de risco pode ser elaborada visando a diversos objetivos, como, por exemplo: �� Alertar o público para um risco especí- fico; �� Acalmar o público para um risco espe- cífico; �� Informar sobre a revisão de estimativas de risco; �� Mudar o comportamento; �� Auxiliar ou buscar auxílio; Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 96 �� Buscar a participação pública e gover- namental no processo decisório; �� Superar oposição pública e governa- mental às decisões; �� Garantir a sobrevivência da organiza- ção. De um modo mais genérico, os objetivos de uma comunicação de risco são alocados em seis categorias: Prezado(a) aluno(a), neste capítulo final, você estudou todas as etapas que contemplam um EAR, estando entre elas, algumas destacadas nos capítulos iniciais, como a Identificação dos Perigos. Obser- vou também que o EAR deve ser apresentado numa estrutura preestabelecida. Nesta apostila, desta- camos apenas as instruções e procedimentos descritos na norma P4.261 da CETESB. Como afirmado anteriormente, outras normas como a norma da FEPAM apresentam pequenas diferenças, mas podemos dizer que estruturalmente são equivalentes. Caso tenha a necessidade de trabalhar com outro padrão não mencionado aqui, bastará você efetuar os pequenos ajustes necessários. 4.10 Resumo do Capítulo 4.11 Atividades Propostas �� Educação e informação; �� Aprimoramento do conhecimento pú- blico; �� Mudança de comportamento e ações preventivas; �� Metas organizacionais; �� Metas de cunho legal; �� Resolução de problemas e conflitos. 1. Quais são os mais relevantes atributos da Comunicação de Risco? 2. Quais são as três principais questões que devem ser levantadas para um bom planejamento no campo da comunicação de risco? 3. Quais são as cinco práticas essenciais que influenciam a efetividade da comunicação de risco? Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 97 CAPÍTULO 1 1. Entre as diversas aplicações em outras áreas do Estudo de Análise de Riscos podemos citar a aplicação na área de Segurança no Trabalho, que com o auxílio de diversas técnicas e elabora- ção de mapas de riscos procura-se detalhar e reduzir ao mínimo os riscos de acidentes sofridos pelos empregados no ambiente de trabalho. Podemos citar também a aplicação na área das Ciências Atuariais (Seguros), cujo estudo de forma mais ampla e complexa busca quantificar o risco de um determinado evento ocorrer e, assim, servir de base para a determinação do custo a ser pago pelo contratante. Também é utilizado na Administração, na área de Gerenciamento de Projetos. Outra aplicação ocorre na área de TI e Informática, onde são aplicados os conceitos de EAR avaliando-se questões como tempo de downtime de operações e abrangendo diversas áreas que vão desde a parte lógica – softwares específicos que não podem ficar sem acesso (como banco de dados) – até a parte estrutural (como rede/internet, servidores, armazenamen- to de dados etc.), além das questões de custos-benefícios em nível de investimento financeiro. Em Economia, análise de risco é a verificação dos pontos críticos que possam vir a apresentar não conformidade durante a execução de um determinado objetivo. Já no Mercado Financeiro pode ser aplicado para tomada de decisões sobre investimentos ou ainda sobre a liberação de crédito. Outra área que merece destaque é a utilização do Estudo de Análise de Risco Ambien- tal pelas instituições financeiras. Uma adequada avaliação dos riscos ambientais vem sendo crescentemente demandada por diversos interessados: as empresas, em função dos custos fi- nanceiros e da imagem pública; a comunidade de negócios, para melhor instrumentalizar a precificação de suas transações; as instituições financeiras públicas, pelo seu papel estratégico no desenvolvimento sustentável e na proteção ambiental; e a sociedade organizada, para de- monstrar seu esforço na defesa do bem comum. A comunidade de negócios vem desenvol- vendo sistemas de avaliação de risco ambiental ao estilo de classificação de risco de crédito (rating), os quais têm o objetivo de avaliar duas questões-chave da empresa: mensurar o mon- tante de seus custos e passivos ambientais; e qualificar sua capacitação efetiva em administrar esses custos e passivos. Tais sistemas estão em fase embrionária, considerando situações em diversos níveis de complexidade, e sua utilização no ambiente nacional provavelmente se dará no longo prazo. Na ausência desses sistemas de rating, a comunidade de negócios baseia-se em avaliações sistemáticas realizadas por empresas de auditoria ambiental e consultores espe- cializados. RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 98 2. �� Entre os grandes acidentes ambientais ocorridos, além dos já citados no Capítulo 1, pode- mos mencionar: �� Baia de Minamata (Japão – 1958), lançamento de mercúrio usado como catalisador usado no processo de produção do cloreto de vinila, matéria-prima do PVC. 143 mortes, 899 reco- nhecidas como afetadas pela doença de Minamata. �� Oppau, na Alemanha, em setembro de 1921, com explosão de um silo estocando uma mis- tura de sulfato de amônia e nitrato de amônia, com a morte de 561 pessoas, ferimentos em 2.000 pessoas e destruição de 700 residências. �� Texas City, nos Estados Unidos, em 1947, explosão em navio com nitrato de Amônio, cau- sando 552 mortes e 3.000 feridos. �� Feyzin, na França, em janeiro de 1966, com fogo em esferas de propano, que matou 18 pessoas e feriu 81 pessoas. Destruiu 5 esferas de armazenamento de propano. Perdas de 68 milhões de dólares. �� Rio de Janeiro, no Brasil, em setembro de 1972, ocorreu BLEVE em estocagem de GLP, com 37 mortes e 53 feridos. �� Potchefstroom, na África do Sul, em 1973, com vazamento de amônia e 18 mortes e 65 intoxicados. �� Rio de Janeiro, no Brasil, em março de 1975, vazamento de 6.000 toneladas de petróleo de navio. �� São Sebastião, no Brasil, com vazamento de 6.000 toneladas de petróleo de navio. �� Portstall, no Reino Unido, em março de 1978, com vazamento de 230.000 toneladas de petróleo de um navio encalhado e perdas de US$ 85,2 milhões. �� Los Afaques, na Espanha, em julho de 1978, com explosão tipo BLEVE de um caminhão tanque com 45 m3 de propileno e com 216 mortos e 200 feridos. �� Piper Alpha, no Mar do Norte, em julho de 1988, vazamento de gás em plataforma de pe- tróleo, com 167 mortos e perdas de US$ 3,4 bilhões. �� Quebec no Canadá, em agosto de 1988, com incêndio em armazém com 8.000 peças com resíduos de bifenilapolicloradas, que culminou com a evacuação de 4.000 pessoas em 17 dias. �� Alasca, nos Estados Unidos, em março de 1989, com vazamento de 40.000 toneladas de petróleo de navio encalhado e morte de 100.000 aves. �� Ufa, na Rússia, em junho de 1989, com VCE em duto de gás natural, com 645 mortes e 500 feridos. �� Catzacoala, em março de 1991, explosão em planta de processo e vazamento de cloro, com perdas de US$ 150 milhões. �� Guadalajara, no México, em abril de 1991, com explosão em duto de gasolina, causando 300 mortes. �� Mill Bay, no Reino Unido, em fevereiro de 1996, com vazamento de 70.000 toneladas de petróleo de um navio, com 2.300 pássaros mortos. �� Araras, no Brasil, em 1998, explosão de caminhão tanque com gasolina e óleo diesel, pro- vocando 54 mortes. Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 99 �� Rio de Janeiro, no Brasil, em 2000, vazamento de 1.500.000 de litros de óleo e danos ao meio ambiente. �� Araucária, no Brasil, em julho de 2000, vazamento de 4.000.000 de litros de óleo e danos ao meio ambiente. �� Rio de Janeiro,no Brasil, em março de 2001, explosão em plataforma de petróleo, com 11 vítimas fatais e prejuízos de US$ 500 milhões. �� Cidade do Texas, nos Estados Unidos, em março de 2005, quando houve o vazamento de hidrocarbonetos leves, seguido de explosão. Mais de 100 pessoas ficaram feridas e 15 pes- soas morreram, além dos prejuízos materiais. Todos esses eventos tiveram em comum, como consequência de suas ocorrências, ou o alto número de fatalidades ou danos ao meio ambiente, com contaminação da fauna, da flora, águas e ar, além de altos prejuízos materiais. 3. Temos o risco de contaminação do meio ambiente pelos resíduos radioativos que demandam um forte esquema de segurança para deixá-los isolados. Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265 kg de resíduo de Plutônio-239, que tem uma meia- -vida de 24.000 anos. Isso já produz material de sobra para se produzirem danos consideráveis às populações humanas e ao meio ambiente em geral. Podemos destacar também os riscos de acidentes nucleares com as usinas em funcionamento, como os exemplos de Chernobyl, na Rússia, em abril de 1986 e Fukushima I, Japão, ocorrido após um terremoto e um tsunami em 11 de março de 2011. Esses riscos podem servir de base para os argumentos para as pessoas que se posicionam contra a utilização da Energia Nuclear. Em contrapartida, como argumentos a favor da utilização da Energia Nuclear, podemos citar o fato de a Energia Nuclear poder ser utilizada em substituição aos combustíveis fósseis e não gerar gases de Efeito Estufa. Comparando-se com a energia hidrelétrica, apresenta a vantagem de não necessitar o alaga- mento de grandes áreas para a formação dos lagos de reservatórios, evitando assim a perda de áreas de reservas naturais ou de terras produtivas, bem como a remoção de comunidades inteiras das áreas que são alagadas. Outra vantagem da energia nuclear em relação à geração hidrelétrica é o fato de que a energia nuclear é imune a alterações climáticas futuras que por- ventura possam trazer alterações no regime de chuvas. Já que a maior parte (cerca de 96%) do combustível nuclear queimado é constituída de Urânio natural, uma grande parte do combustível utilizado nos reatores nucleares é reprocessada em plantas de reprocessamento como a Urenco no Novo México. Cerca de 60% do combustível nuclear é mandado diretamente para o reprocessamento. O reprocessamento visa a enrique- cer novamente o urânio exaurido, tornando possível que ele seja novamente utilizado como combustível. A parte do combustível que não é reprocessada imediatamente é armazenada para reproces- samento futuro, ou é armazenada definitivamente em depósito próprio. Cerca de 4% do total do combustível queimado é constituído dos chamados produtos de fissão e da série dos actinídeos, que são originados a partir da fissão do combustível nuclear. Estes podem incluir elementos altamente radioativos como o Plutônio, Amerício e Césio. Atualmen- te esses elementos são separados do urânio que será reprocessado e são armazenados em Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 100 depósitos projetados especificamente para armazenamento de elementos radioativos ou utili- zados em pesquisas. O Plutônio tem valor estratégico e científico particularmente alto por ser utilizado na fabricação de armamentos nucleares e também para pesquisas relacionadas aos chamados Fast Breed Reactors, que são reatores que operam utilizando uma combinação de urânio natural e plutônio como combustível. O Plutônio também é utilizado como combustível de satélites artificiais. 4. Podemos citar os quatro acidentes relacionados a seguir: �� Goiânia, no Brasil, em setembro de 1987, exposição à radiação ionizante, resultou em 4 mortos, 129 contaminados e a geração de 13,4 toneladas de lixo contaminado com Cé- sio-137. �� Chernobyl, na Rússia, em abril de 1986, com explosão em usina nuclear, com missão de Urânio e 135.000 pessoas evacuadas. O acidente contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000 km² (corresponde a mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300 km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos. �� A falha de resfriamento pode ser causada por erros humanos, impacto de catástrofes na- turais ou ataques terroristas. Foram falhas de funcionários no caso do acidente da usina Three Mile Island perto de Harrisburg, Pennsylvania, EUA, que levou à destruição completa do reator e ao vazamento de substâncias radioativas com mais de 1,6 · 1015 Bq no dia 28 de março de 1979 (nível 5 na escala INES). �� Um terremoto da 8,9 na escala Richter e o subsequente tsunami levou ao acidente nuclear de Fukushima I (nível 7 na escala INES). A falha de resfriamento fez os níveis de água nos tanques de arrefecimento baixar, provocando aquecimento dos combustíveis e a formação de hidrogênio em 4 dos 6 blocos da central. As seguintes explosões destruíram os prédios e causaram vazamentos em contêineres de segurança com liberação de materiais radioa- tivos. CAPÍTULO 2 As respostas das questões encontram-se descritas ao longo do capítulo. CAPÍTULO 3 As respostas das questões 1 e 2 encontram-se descritas ao longo do capítulo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Rio_de_Janeiro http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Rio_de_Janeiro http://pt.wikipedia.org/wiki/Becquerel http://pt.wikipedia.org/wiki/Tsunami Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 101 3. 4. A é transferido numa vazão especificada (ou seja, o parâmetro é o “fluxo de A” ou “vazão de A”). O primeiro desvio é obtido aplicando-se a palavra-guia “NENHUM” à intenção. Isso é combina- do com a intenção para fornecer: “NENHUM” + “FLUXO DE A” = “NENHUM FLUXO DE A” O fluxograma é então examinado para estabelecer as causas que podem produzir uma parada completa do fluxo de A. Algumas destas são causas claramente possíveis e, portanto, pode-se dizer que este é um des- vio importante. Outras, não. Em seguida, para as causas possíveis deve-se passar para a próxima etapa e avaliar as conse- quências. Antonio Fernando Silveira Alves Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 102 5. 1. Selecionar roupa; 2. Ligar a máquina; 3. Encher de água; 4. Adicionar sabão; 5. Adicionar roupa; 6. Programar lavagem; 7. Desligar a máquina; 8. Retirar roupa; 9. Estender para secagem. CAPÍTULO 4 1. Informar e conscientizar acerca dos riscos de segurança e saúde aos quais as pessoas estão expostas e ser capaz de explicar os fatores de risco associados às endemias, aos acidentes am- bientais e à atividade humana são algumas das principais atribuições da comunicação de risco, que, ao mesmo tempo que tem de evitar alarde e preocupação indevida à população, deve romper com a barreira da linguagem inerente ao vocabulário técnico-científico. A comunica- ção de risco busca, antes de tudo, sensibilizar a população e a comunidade científica sobre os desafios envolvidos em uma grande crise na área de saúde pública ou em quaisquer outras áreas correlatas. 2. Para comunicar ao público e aos meios de comunicação de forma adequada, é necessário inda- gar-se sobre: (1) quais informações são cruciais em mensagens iniciais a fim de promover rea- ções apropriadas durante uma situação de crise? (2) quais são as mensagens a serem emitidas antes, durante e após um incidente? (3) quais são os obstáculos à comunicação eficaz e como eles podem ser minimizados? Avaliação de Riscos Ambientais Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 103 3. As cinco práticas são: (1) construção, manutenção ou restauração da confiança do público na- queles responsáveis por gerenciar a crise e prover informações sobre o tema; (2) comunicados rápidos, de forma a contribuir para o controle eficaz de umasituação de crise; (3) transparência, que pode ser definida como a comunicação que é aberta, franca, facilmente entendida, com- pleta e precisa; (4) respeito à preocupação do público, que deve ser vista como legítima, bem como pesquisada e respeitada como uma força que irá influenciar no impacto da emergência sanitária; (5) planejamento antecipado, vital para a efetiva comunicação em uma crise. O pla- nejamento da comunicação da crise deve ser uma parte do planejamento da administração da própria crise desde o começo. Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br 105 AMERICAN INSTITUTE FOR CHEMICALS ENGINEERS (AICHE). Center for Chemical Process Safety (CCPS). Guidelines for chemical process quantitative risk analysis. 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SEVÁ FILHO, A. O. No limite dos riscos e da dominação: a politização dos investimentos industriais de grande porte. 1988. Tese (Livre-Docência) – Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1988. Avaliação de Riscos Ambientais_2013_3_online INTRODUÇÃO 1 CONTEXTO HISTÓRICO 1.1 Histórico Mundial 1.2 Grandes Acidentes 1.3 Consequências 1.4 Resumo do Capítulo1.5 Atividades Propostas 2 RISCO AMBIENTAL 2.2 Outros Conceitos Básicos 2.3 Tipos de Risco 2.4 Resumo do Capítulo 2.5 Atividades Propostas 3 TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS 3.2 Análise Preliminar de Perigos (APP) – Preliminary Hazard Analysis (PHA) 3.3 Análise de Perigos e Operabilidade – HazOp (Hazard and Operability Study) 3.4 Análise “E se...” (“What if...?”) 3.5 Lista de Verificação (Checklist) 3.6 Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE) – Failure Modes and Effects Analysis (FMEA) 3.7 Análise Histórica de Acidentes 3.8 Inspeção de Segurança 3.9 Análise de Árvore de Falhas (AAF) – Fault Tree Analysis (FTA) 3.10 Análise de Árvore de Eventos (AAE) – Event Tree Analysis (ETA) 3.11 Análise de Causas e Consequências 3.12 Resumo do Capítulo 3.13 Atividades Propostas 4 ESTUDO DE ANÁLISE DE RISCO AMBIENTAL (EAR) 4.2 Caracterização do Empreendimento e da Região 4.3 Identificação dos Perigos e Consolidação de Cenários de Acidentes 4.4 Estimativa dos Efeitos Físicos e Análises de Vulnerabilidade 4.5 Estimativa de Frequências 4.6 Estimativa e Avaliação de Riscos 4.7 Avaliação dos Riscos 4.8 Gerenciamento de Riscos 4.9 Comunicação de Riscos RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS REFERÊNCIAS