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METABOLISMO DO POTÁSSIO 7 INTRODUÇÃO O Potássio é o cátion intracelular mais abundante e sua influência se faz sentir em vários processos metabólicos da célula. *CALEMIA: significa o nível plasmático ou sérico de potássio. A membrana celular das células de tecidos excitáveis possui canais de vazamento de Potássio, como também, a bomba de contratransporte de Na/K/ATPase. O gradiente de concentração de K trasnmembrana é o principal determinante dessa polaridade, tendo assim, influência nas propriedades eletrofisiológicas. DISTRIBUIÇÃO DE POTÁSSIO O Potássio total do corpo está em torno de 55 mEq/Kg em homens e 49mEq/kg em mulheres. Assim: · 90% intracelulares. · 10% extracelulares. · Sendo 2% encontrado no plasma e fluido intersticial. · Restante está no tecido ósseo. INTERPRETAÇÃO DO POTÁSSIO PLASMÁTICO A Capacidade Total do Potássio: refere-se à soma de todos os ânions e outros grupos químicos fora do líquido extracelular e capazes de reter o K+ ou ligarem-se a estes. · Depleção de Potássio – diminuição do K total em relação à capacidade do potássio. · Excesso de Potássio – aumento da relação potássio total/capacidade do K. BALANÇO DO POTÁSSIO · Ingesta + Excreta. · Ingesta: entre 50/150 mEq/L. · Excreta: pele (16/18 mEq/L) e fezes (5/10 mEq/L). Perdas consideráveis desse íon podem ocorre em diarreias, esteatorréias e na utilização de laxantes. Como ocorre uma pequena excreção cutânea + intestinal, cabe ao rim a responsabilidade da maior parte de excreção do K. · Excreção Renal de Potássio. A excreção renal do potássio depende de 3 processos: TFG (quase não se altera), reabsorção nos túbulos e secreção nos túbulos. A maior parte do potássio excretado resulta da secreção do néfron distal. · Todo o potássio é filtrado no glomérulo. · 60-70% é reabsorvido no TCP. · 20-30% é reabsorvido no ramo ascendente espesso da alça de Henle. · 5% é reabsorvido no TCD. · Néfron distal (parte final do TCD + parte inicial do ducto coletor): reabsorção e secreção de potássio. Quando mais sódio chegar ao néfron distal, mais potássio e H+ serão secretados = o aporte de sódio ao néfron distal é um fator determinante na excreção de potássio. ALDOSTERONA: aumenta o número de canais de sódio e estimula a bomba de Na/K-ATPase, aumentando a reabsorção de sódio e a secreção de potássio (troca um sódio por um potássio). · Espironolactona (antagonista da aldosterona): pode fazer hipercalemia, pois diminui a secreção de potássio no néfron distal. OUTROS HORMÔNIOS ATUANTES NA HOMEOSTASIA DO POTÁSSIO · Adrenalina – receptores beta-2 adrenérgicos estimulam a entrada de potássio na célula. · Betabloqueadores podem causar hipercalemia. · Na cetoacidose diabética, quando for administrado insulina, pode ser necessário corrigir antes o potássio, para evitar hipocalemia. O paciente com ceteacidose perde muito potássio pela poliúria. PAPEL DO BALANÇO ÁCIDO-BÁSICO Existe evidencia de que a produção de amônia está intimamente ligada com a homeostase do potássio. Assim: · Depleção de potássio = aumento de excreção de amônio (NH4+). · Aumento na produção renal de amônia (NH3). · Aumento do pH. O metabolismo do sódio parece estar ligado com a homeostase potássio/ácido-básico. Isso ocorreria, pois: · Depleção de potássio – aumenta a atividade da renina plasmática e diminui a secreção da aldosterona. · Aumento da reabsorção do sódio no túbulo proximal e diminui no TCD. · Excesso de potássio – diminuição da atividade de renina e aumento da aldosterona. · Diminui a reabsorção proximal e estimula a distal do sódio. Estes ajustes ajudam a manter a homeostase de sódio e potássio. Acredita-se também que a produção de amônia possa minimizar as alterações ácido-básicasquando a reabsorção de sódio é modificada. Se existe menos amônia para tamponar o H no lúmen, o pH urinário cai muito, elevando o gradiente transtubular para a secreção de H e, portanto, diminuindo a secreção de ácido. A amônia tampona o H no lúmen, transformando-se em amônio (NH4). Com isto, o pH no lúmen não cai muito e, por conseguinte, o gradiente transtubular para a secreção de H também não é muito grande, e logo a excreção de ácido não é reduzida. SRAA HIPOCALEMIA/DEPLEÇÃO DE POTÁSSIO Queda do potássio sérico extracelular <3,5 mEq/L – classificada em 3 estágios: · Leve – 3/3,5 mEq/L. · Moderada – 2,5/3 mEq/L. · Grave - <2,5 mEq/L. Etiologia · Diminuição da ingesta. · Aumento das perdas – renal ou extra-renal. Na maioria das vezes, é multifatorial, tanto por ingesta diminuída quanto por disfunção renal. Ingesta normal: 3-7g/dia de KCl. Desvio Transcelular ou Redistribuição · Alterações do estado ácido-básico: alcalose metabólica ou respiratória, íons hidrogênio saem das células para minimizar as mudanças do pH extracelular. Isso leva a entrada de potássio nas células para ocorrer eletroneutralidade. Diante de uma acidose, pode ocorrer hipocalcemia, mas não é comum. Isso poderia ser por uma diarreia intensa, sepse (acidose lática) e na IRA causada por aminoglicosídeos e anfotericina B. Perdas Gastrintestinais Manifestações Clínicas Geralmente ocorrem quando o potássio ficar <3mEq/L. Os principais sintomas são fraqueza muscular, fadiga, intolerância ao exercício e cãibras musculares. · CARDIOVASCULAR – arritmia (mais comum é extra-sístole), hipertensão. Alteração chave no ECG é a onda U patológica. · NEUROMUSCULAR: · ML: constipação, íleo paralítico, disfunção vesical. · MEE: fraqueza, tetania, paralisia, mialgias, rabdomiólise. · RENAL: · Diminuição da TFG. · Diminuição do fluxo sanguíneo total. · Aumento da produção de amônia. · Fosfatúria, hipercalciúria. Alterações no ECG · Achatamento da onda T, infradesnível do sST e aumento da amplitude da onda U. · Alterações graves: aumento do iPR e alargamento do QRS. Onda U patológica: U> T (onda T achatada ou invertida). Diagnóstico · Descartar pseudohipocalemia. · Uso de insulina, beta-agonista, alcalose. · Dosagem de K plasmático. · Definir se for perda renal ou extra-renal. PERDA RENAL: definir se é por poliúria, hiperaldosteronismo ou síndrome tubular. Para isso, colhe-se gasometria arterial e se calcula o gradiente transtubular de potássio. HIPOCALEMIA RENAL: solicitar dosagem de HCO3, que auxilia na diferenciação dos distúrbios ácido-básicos. Tratamento Feito se K <3 e/ou sintomatologia e/ou alterações no ECG. Elevar o K (>3) o mais rápido possível. ETAPA RÁPIDA: 10-20 mEq/L em 100-150ml SF EV. ETAPA DE MANUTENÇÃO: após estabilizar o potássio >3. Deve-se repor 40-80mEq/dia de KCl VO, além de repor os níveis de H/HCO3. *TRATAR A CAUSA DE BASE. HIPERCALCEMIA Existem duas formas de fazer hipercalemia: por retenção de potássio (não secreta no néfron distal) ou por saída de potássio da célula. PSEUDO-HIPERCALEMIA: é mais comum que a pseudo-hipocalemia. A dosagem plasmática está alta mas não há sintomas. Ocorre quando há aumento celular (leucocitose, trombocitose) e por erro na técnica (garrote prolongado, hemólise). Quando há suspeita, dosar postássio no plasma. BETABLOQUEAODR: não deixa o potássio entrar. CETOACIDOSE DIABÉTICA: tem hipocalemia porque há muita poliúria, mesmo que tenha pouca insulina. Por isso tem que se corrigir o potássio antes de administrar a insulina. Manifestações Clínicas · CARDÍACAS: alteração no ECG (onda T apiculada), arritmias. · NEUROMUSCULARES: parestesia, fraqueza, paralisia. · RENAIS: natriurese, diminuição da produção de NH4. · ENDÓCRINAS: aumento da secreção de aldosterona e insulina. Alterações no ECG Costumam a aparecer com os níveis de potássio acima de 6 mEq/L. · 1ª fase: onda T apiculada e simétrica. · 2ª fase: alargamento do iPR e redução da amplitude da onda P. · 3ª fase: alargamento do QRS. · 4ª fase: ritmo sinusoidal. Diagnóstico · Descartar pseudo-hipercalemia e saída de potássio das células (acidose, betabloqueadores, hiperosmolaridade). · Se for retenção de potássio, diferenciar se é por insuficiência renal ou por hipoaldosteronismo. Faz-se o GTTK na gasometria arterial: Tratamento Antagonizara ação do potássio na membrana celular; isso se faz com cálcio. É a primeira etapa, mas não baixa o potássio. Desviar o potássio do extra para o intra. Remover o potássio do organismo: furosemida, resina de troca iônica, diálise peritoneal ou hemodiálise (se o paciente já faz diálise). TIAZÍDICOS · Bloqueio da bomba Na/Cl-ATPase. · Aumento da osmolaridade tubular. · Água permanece e se perde (aumento da diurese). Utilização · Edemas generalizados. · Agentes anti-hipertensivos (geralmente em associação). Consequências · Perda de Na produz aumento de secreção de aldosterona. · A ALD age no TC promovendo a reabsorção de Na e perda de K (hipocalemia). · A bomba de Na/Cl-ATPase transporta também o ácido úrico – reduzindo a secreção tubular dessa substância (hiperuricemia). Representantes · Bendrofluazida. · Ciclopentiazida. · Hidroclorotiazida.