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1 
 
 
 
 
1. UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA 
A palavra ​Psiquiatria ​ deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a 
alma", sendo o ramo da medicina que se dedica ao diagnóstico, tratamento, 
reabilitação e prevenção das doenças mentais. A esquizofrenia, doença de 
Alzheimer e transtornos de humor são exemplos de afecções mentais graves, 
enquanto os transtornos de personalidade são tidos como de menor 
magnitude de severidade, entretanto, não dispendem de tratamentos e de 
devida atenção. 
É necessário entender a diferença e a importância da psiquiatria e 
psicologia. Enquanto a psiquiatria trata da anormalidade mental, a psicologia 
possui como foco a o funcionamento psicológico normal. Além disso, a 
psicologia é de responsabilidade de profissionais psicólogos, enquanto a 
psiquiatria é de cunho médico. 
A humanidade convive com a loucura há séculos e, antes de se tornar 
um tema essencialmente médico, o louco habitou o imaginário popular de 
diversas formas. De motivo de chacota e escárnio a possuído pelo demônio, 
até marginalizado por não se enquadrar nos preceitos morais vigentes, o louco 
é um enigma que ameaça os saberes constituídos sobre o homem. 
Na época da Renascença, a separação dos loucos se dava pelo seu 
banimento dos muros das cidades européias e o seu confinamento era um 
confinamento errante: eram condenados a andar de cidade em cidade ou 
colocados em navios que, na inquietude do mar, vagavam sem destino, 
chegando, ocasionalmente, a algum porto. 
No entanto, desde a Idade Média, os loucos são confinados em grandes 
asilos e hospitais destinados a toda sorte de indesejáveis – inválidos, 
portadores de doenças venéreas, mendigos e libertinos. Nessas instituições, os 
mais violentos eram acorrentados; a alguns era permitido sair para mendigar. 
No século XVIII, ​Phillippe Pinel​, considerado o pai da psiquiatria, propõe 
uma nova forma de tratamento aos loucos, libertando-os das correntes e 
2 
 
transferindo-os aos manicômios, destinados somente aos doentes mentais. 
Várias experiências e tratamentos são desenvolvidos e difundidos pela Europa. 
O tratamento nos manicômios, defendido por Pinel, 
baseia-se principalmente na reeducação dos alienados, no respeito às normas 
e no desencorajamento das condutas inconvenientes. Para Pinel, a função 
disciplinadora do médico e do manicômio deve ser exercida com firmeza, 
porém com gentileza. Isso denota o caráter essencialmente moral com o qual a 
loucura passa a ser revestida. 
No entanto, com o passar do tempo, o tratamento moral de Pinel vai se 
modificando e esvazia-se das idéias originais do método. Permanecem as 
idéias corretivas do comportamento e dos hábitos dos doentes, porém como 
recursos de imposição da ordem e da disciplina institucional. No século XIX, o 
tratamento ao doente mental incluía medidas físicas como duchas, banhos 
frios, chicotadas, máquinas giratórias e sangrias. 
Aos poucos, com o avanço das teorias organicistas, o que era 
considerado como doença moral passa a ser compreendido também como uma 
doença orgânica. No entanto, as técnicas de tratamento empregadas pelos 
organicistas eram as mesmas empregadas pelos adeptos do tratamento moral, 
o que significa que, mesmo com uma outra compreensão sobre a loucura, 
decorrente de descobertas experimentais da neurofisiologia e da 
neuroanatomia, a submissão do louco permanece e adentra o século XX. 
A partir da segunda metade do século XX, impulsionada principalmente 
por ​Franco Basaglia​, psiquiatra italiano, inicia-se uma radical crítica e 
transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Esse 
movimento inicia-se na Itália, mas tem repercussões em todo o mundo e muito 
particularmente no Brasil. 
Nesse sentido é que se inicia o movimento da Luta Antimanicomial que 
nasce profundamente marcado pela idéia de defesa dos direitos humanos e de 
resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais. 
Aliado a essa luta, nasce o movimento da ​Reforma Psiquiátrica​ que, 
mais do que denunciar os manicômios como instituições de violências, propõe 
a construção de uma rede de serviços e estratégias territoriais e comunitárias, 
profundamente solidárias, inclusivas e libertárias. 
3 
 
 
2. PSIQUIATRIA NO BRASIL 
A psiquiatria surge com a chegada da Família Real ao Brasil. Com o 
objetivo de colocar ordem na urbanização e disciplinar a sociedade a partir de 
embasamento nos conceitos da psiquiatria européia que destratava o “louco” e 
intervia no tratamento do doente mental com seu isolamento, tratando-o no 
hospital psiquiátrico. 
No final da década de 70 com a mobilização dos profissionais da saúde 
mental e dos familiares de pacientes com transtornos mentais, surge o 
movimento de reforma psiquiátrica. Esse movimento se inscreve no contexto 
de redemocratização do país e na mobilização político-social que ocorre na 
época. 
Importantes acontecimentos como a intervenção e o fechamento da 
Clínica Anchieta, em Santos/SP, e a revisão legislativa proposta pelo então 
Deputado ​Paulo Delgado​ por meio do projeto de lei nº 3.657, ambos ocorridos 
em 1989, impulsionam a Reforma Psiquiátrica Brasileira. 
Em 1990, o Brasil torna-se signatário da ​Declaração de Caracas​ a qual 
propõe a reestruturação da assistência psiquiátrica, e, em 2001, é aprovada 
a ​Lei Federal 10.216​ que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas 
portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em 
saúde mental. 
Dessa lei origina-se a ​Política de Saúde Mental​ a qual, basicamente, 
visa garantir o cuidado ao paciente com transtorno mental em serviços 
substitutivos aos hospitais psiquiátricos, superando assim a lógica das 
internações de longa permanência que tratam o paciente isolando-o do 
convívio com a família e com a sociedade como um todo. 
A Política de Saúde Mental no Brasil promove a redução programada de 
leitos psiquiátricos de longa permanência, incentivando que as internações 
psiquiátricas, quando necessárias, se dêem no âmbito dos hospitais gerais e 
que sejam de curta duração. Além disso, essa política visa à constituição de 
uma rede de dispositivos diferenciados que permitam a atenção ao portador de 
sofrimento mental no seu território, a desinstitucionalização de pacientes de 
longa permanência em hospitais psiquiátricos e, ainda, ações que permitam a 
4 
 
reabilitação psicossocial por meio da inserção pelo trabalho, da cultura e do 
lazer. 
Em parceria, a ​Coordenação Nacional de Saúde Mental​ e o ​Programa 
de Humanização no SUS​, ambos do ​Ministério da Saúde​, registraram o 
cotidiano de 24 casas localizadas em Barbacena/MG, nas quais residempessoas egressas de longas internações psiquiátricas e que, por suas histórias 
e trajetórias de abandono nos manicômios, mais parecem personagens do 
impossível. 
Antes, destituídos da própria identidade, privados de seus direitos mais 
básicos de liberdade e sem a chance de possuir qualquer objeto pessoal (os 
poucos que possuíam tinham que ser carregados junto ao próprio corpo), 
esses sobreviventes agora vivem. São personagens da cidade: transeuntes no 
cenário urbano, vizinhos, trabalhadores e também turistas, estudantes e 
artistas. Compuseram e compõem novas histórias no mundo. 
Essa mostra fotográfica de beneficiários do ​Programa de Volta para 
Casa​ e moradores de ​Serviços Residenciais Terapêuticos​ é, acima de tudo, 
uma homenagem aos que transpuseram os muros dos hospitais, da sociedade 
e os seus próprios. 
 
3.NOVOS MODELOS DE ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL 
O modelo de atenção aos pacientes com transtornos mentais previsto 
pelo Ministério da Saúde para o SUS busca garantir os direitos conferidos pela 
Lei no 10.216/01, direito de ser tratado preferencialmente em serviço 
comunitário de saúde mental, direito à inserção na família, no trabalho e na 
comunidade. 
O art. 5o desta lei prevê que “o paciente há longo tempo hospitalizado 
ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, 
decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto 
de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida”. 
Para tanto, o Ministério da Saúde tem perseguido a mudança do modelo 
hospitalocêntrico para um modelo baseado na excepcionalidade da internação 
e prevalência de assistência extra hospitalar. O modelo preconizado pelo 
Ministério da Saúde é o atendimento em Centros de Atenção Psicossocial 
(CAPS) e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, 
5 
 
entendidos como aqueles internados por período superior a um ano, por meio 
de projeto terapêutico voltado para a reinserção social. 
Embora a lei garanta a inserção na família (art. 2o, parágrafo único, 
inciso II), nem sempre ela e possível, pois depende das condições econômicas 
e sociais dos familiares. 
Para possibilitar a alta de pacientes para os quais a volta a família 
tornou-se impossível ou inadequada a reinserção social, foram criados os 
serviços residenciais terapêuticos (SRT). A fim de incentivar o retorno familiar, 
a Lei no 10.708/2003 criou a possibilidade de pagamento de beneficio 
assistencial mensal temporário de R$ 260,00 (Programa De Volta para Casa). 
Houve redução de 57 hospitais psiquiátricos, com a consequente 
diminuição de cerca de 30.000 leitos, que foram substituídos por mais de 100 
serviços de cuidados extra hospitalares e cerca de criação de 2000 leitos para 
assistência a saúde mental em hospitais gerais. 
O Ministério da Saúde ainda criou os serviços residenciais terapêuticos 
em saúde mental, entendidos como “moradias ou casa inseridas, 
preferencialmente, na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores de 
transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa 
permanência, que não possuem suporte social e laços familiares e que 
viabilizem sua inserção social”, a fim de substituir a internação psiquiátrica 
prolongada. 
A partir de então a política publica para a saúde mental, seguindo as 
diretrizes da Declaração de Caracas, passou a considerar que as internações 
em hospitais especializados em psiquiatria devem ocorrer somente naqueles 
casos em que foram esgotadas todas as alternativas terapêuticas ambulatoriais 
existentes, partindo da premissa de que o modelo de atenção extra-hospitalar 
tem demonstrado grande eficiência e eficácia no tratamento dos pacientes 
portadores de transtornos mentais. 
Sendo assim, a Lei nº 10.126/2001, reconheceu o direito a reinserção 
social dos pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e 
impulsionou o modelo atual de assistência ao paciente psiquiátrico: 
Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: 
I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo 
as suas necessidades; 
II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de 
beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na 
família, no trabalho e na comunidade; 
6 
 
III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; 
IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; 
V - ter direito a presença medica, em qualquer tempo, para esclarecer a 
necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; 
VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; 
VII - receber o maior numero de informações a respeito de sua doença e 
de seu tratamento; 
VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos 
possíveis; 
IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde 
mental. 
3.1 CAPS 
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) possibilita a organização de 
uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. Os CAPS são serviços 
de saúde municipais, abertos, comunitários que oferecem atendimento diário. 
Seu objetivo é oferecer atendimento à população, realizar o 
acompanhamento clínico e a reinserção social dos pacientes pelo acesso ao 
trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares 
e comunitários. 
Os Centros de Atenção Psicossocial existe em diferentes modalidades 
de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, CAPSad e CAPSi. 
7 
 
 
3.2 Hospital Dia 
O Hospital Dia em psiquiatria é uma modalidade de atendimento que 
possibilita a atenção integral ao paciente e à família evitando, em muitos casos, 
a internação É um tratamento intensivo, porém não afasta o paciente do 
convívio familiar. 
Através de recursos terapêuticos (oficinas, grupos verbais, grupos de terapia 
ocupacional, atividades físicas, etc.) oferecemos atenção multidisciplinar, 
focando o bem estar psicossocial e a qualidade de vida. 
Desde o início da atenção em nosso hospital dia, o paciente terá um projeto 
terapêutico individual estabelecendo-se o diagnóstico psiquiátrico nos 
diferentes eixos, a medicação adequada e atendimento terapêutico que 
possibilite a autonomia, ressociabilização e bem estar psíquico. 
 
8 
 
3.3Residências Terapêuticas 
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou 
simplesmente "moradia" – são casas localizadas no espaço urbano, 
constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas 
portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. 
O número de usuários pode variar desde 1 indivíduo até um pequeno 
grupo de no máximo 8 pessoas, que deverão contar sempre com suporte 
profissional sensível às demandas e necessidades de cada um. 
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja 
uma equipe da atenção básica, sejam outros profissionais) deverá considerar a 
singularidade de cada um dos moradores, e não apenas projetos e ações 
baseadas no coletivo de moradores. O acompanhamentoa um morador deve 
prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja 
hospitalizado. 
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a 
inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da 
comunidade. Ou seja, a inserção em um SRT é o início de longo processo de 
reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador. 
Cada casa deve ser organizada segundo as necessidades e gostos de 
seus habitantes: afinal é uma moradia! Por isso, a rigor, deverão existir tantos 
tipos de moradias quanto de moradores. No entanto, pensando em termos bem 
gerais, temos dois grandes tipos de SRTs: 
SRT I – O suporte focaliza-se na inserção dos moradores na rede social 
existente (trabalho, lazer, educação, etc.). O acompanhamento na residência é 
realizado conforme recomendado nos programas terapêuticos individualizados 
dos moradores e também pelos Agentes Comunitários de Saúde do PSF, 
quando houver. Devem ser desenvolvidas, junto aos moradores, estratégias 
para obtenção de moradias definitivas na comunidade. Este é o tipo mais 
comum de residências, onde é necessário apenas a ajuda de um cuidador 
(pessoa que recebe capacitação para este tipo de apoio aos moradores: 
trabalhador do CAPS, do PSF, de alguma instituição que faça esse trabalho do 
cuidado específico ou até de SRTs que já pagam um trabalhador doméstico de 
carteira assinada com recursos do De Volta Para Casa). 
9 
 
SRT II – Em geral, cuidamos de nossos velhos, doentes e/ou 
dependentes físicos, inclusive com ajuda de profissionais: o SRT II é a casa 
dos cuidados substitutivos familiares desta população institucionalizada, muitas 
vezes, por uma vida inteira. O suporte focaliza-se na reapropriação do espaço 
residencial como moradia e na inserção dos moradores na rede social 
existente. Constituída para clientela carente de cuidados intensivos, com 
monitoramento técnico diário e pessoal auxiliar permanente na residência, este 
tipo de SRT pode diferenciar-se em relação ao número de moradores e ao 
financiamento, que deve ser compatível com recursos humanos presentes 
24h/dia. 
 
3.4 Ambulatório com Equipe de Saúde Mental 
Os ambulatórios com equipe de saúde mental são considerados serviços 
de média complexidade, ou seja, unidades de saúde que oferecem atenção 
integral à comunidade incluindo o programa de saúde mental. A equipe 
especializada tem como um dos objetivos racionalizar os encaminhamentos 
para os serviços de maior complexidade, reduzindo a procura direta aos 
atendimentos de urgência e hospitalares,.Composta por médico psiquiatra, 
psicólogo e assistente social, e estes serviços devem contar com pelo menos 
dois profissionais de nível superior, que estejam capacitados para o trabalho 
em saúde mental. Alem dos profissionais de nível médio. Atendendo junto a 
Secretaria Municipal de Saúde, o Ambulatório de Saúde Mental é uma unidade 
especializada, onde são atendidos casos de urgência e emergência. As 
consultas são agendadas pelos usuários quando estes são encaminhados 
pelas UBSs - Unidades Básicas de Saúde. 
A demanda é passada por uma triagem onde as diversas sistuações são 
analisadas levando-se em consideração o grau de sofrimento do usuário 
(criança, adolescente, adulto e idoso) permitindo critérios de priorização no 
atendimento. Essa unidade deve ser composta por uma equipe multidisciplinar. 
 
 ​3.5 Ambulatório Especializado em Saúde Mental 
São unidades de saúde com equipe multiprofissional especializada em 
saúde mental: médico psiquiatra, médico clínico, psicólogo, equipe de 
enfermagem especializada, assistente social, terapeuta ocupacional, 
fonoaudiólogo, neurologista e pessoal auxiliar. A composição e atribuições 
serão definidas pelo Gestor Local, considerando a consolidação de um modelo 
de atenção à saúde voltada para um conceito de territorialização com o 
10 
 
conhecimento da configuração epidemiológica, reconhecimento da historia, das 
demandas e dos problemas da população. 
Atenção aos usuários nestas unidades de saúde deverá incluir as 
seguintes atividades, desenvolvidas pela equipe multiprofissional: 
● atendimento individual (consulta, psicoterapia, dentre 
outros); 
● atendimento grupal (grupo operativo, terapêutico, 
atividades socioterápicas, de orientação, atividades de sala de espera, 
atividades educativas em saúde). Por profissional de nível médio 
poderão ser realizados grupos de orientação e de sala de espera; 
● visitas domiciliares por profissional de nível superior ou 
médio; 
● atividades comunitárias por profissional de nível superior 
ou médio, especialmente na área de referência do serviço de saúde. 
 
4. O SER HUMANO 
O ser humano é um ser social. Desde que nascemos somos inseridos 
em grupos sociais, seja por nossas escolhas, como os amigos, seja por 
imposição de uma série de variantes, como a família. 
 Esses grupos ao qual pertencemos nos influenciam e são influenciados 
por cada um de seus membros mutuamente e individualmente e também nos 
norteiam como pensar e nos comportar. 
 
5. RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO E TRATAMENTOS EM SAÚDE 
MENTAL 
O Relacionamento terapêutico foi criado, desenvolvido e implementado 
na Enfermagem em Saúde Mental por Hildegard Peplau. Peplau desenvolveu a 
“Teoria das Relações Interpessoais em Enfermagem” fundamentada em sua 
experiência prática na aplicação de seus princípios nos Hospitais Psiquiátricos, 
assistência Domiciliar e Ambulatorial. Apoiou seus estudos na “Teoria 
Interpessoal da Psiquiatria” de Harry Stack Sullivan. 
5.1 Conceito de Relacionamento Terapêutico RT: 
Constitui-se em um processo com várias etapas ou fases com 
características próprias, atividades, fenômenos que surgem durante o 
desenvolvimento de suas diferentes etapas e desafios, ou problemas, que 
exigem supervisão para o seu desenvolvimento. 
11 
 
1-Auto conhecimento: É o desenvolvimento da capacidade de conhecer 
as próprias atitudes que estão presentes e que dão vida ao comportamento de 
ser humano. 
2-Capacidade de Amar e Ser Amado: Todo ser humano tem 
necessidade de amar e ser amado. Amor é a capacidade de demonstrar afeto 
por outra pessoa de modo reflexivo sem esperar reciprocidade. Amar o cliente 
significa experimentar e demonstrar a ele compreensão, aceitação, respeito, 
paciência, proteção, segurança, entre outros. 
3-Aceitação e Não Julgamento: O enfermeiro deve aceitar o cliente 
como ele é, demonstrando compreensão e aceitação empática do porquê ele 
age daquela maneira no momento em que o comportamento se manifesta. É a 
expressão de seu transtorno. Agindo assim, é propiciada ao cliente a 
oportunidade de experimentar segurança e confiança. 
4-Dependência Aceita, Interdependência e Independência: No RT, essa 
dependência tem que ser aceita pelo Enfermeiro e ele precisa estar atento para 
percebê-la e demonstrar aceitação desta, sem estimulá-la. Assim que as 
condições do cliente permitiram, o Enfermeiro deverá ajudá-lo a aceitar a 
interdependência necessária e saudávele estimular a independência possível 
para cada cliente em particular. 
5-Empatia e Envolvimento Emocional: O conceito de empatia é 
multidimensional e contêm aspectos cognitivos, emocionais, comunicacionais e 
relacionais. O Enfermeiro deve adquirir maturidade suficiente a ponto de poder 
experimentar a empatia sem que haja envolvimento emocional. 
6-Confiança:É o sentimento de fidedignidade em relação a o outro. A 
confiança permite à pessoa aprender como lidar como mundo e a resolver os 
desafios que se apresentam. As características de confiança incluem respeito, 
honestidade, consistência e a crença no potencial do outro. 
7-Respeito Mútuo:Ter respeito pela pessoa é a creditar em sua 
dignidade e seu valor, independente de seu comportamento; aceitar a pessoa 
que cada ser humano é sem julgá-la. 
 
6. PAPEL DA ENFERMAGEM NA PSIQUIATRIA 
O estudo da Enfermagem em Saúde Mental é de certo modo fascinante, 
uma vez que, por vezes, nos leva a reflexões sobre nossos comportamentos. 
Em muitas situações pode-se perceber a tentativa de estudante de 
enfermagem em identificar sinais e sintomas das “doenças mentais” em seu 
próprio organismo. 
12 
 
 Cada vez mais, o conhecimento em saúde mental torna-se 
necessários a todos os profissionais da área da saúde, principalmente para a 
enfermagem, pois hoje, com todas as mudanças ocorridas no cenário atual das 
Políticas de Saúde Mental Nacional e Internacional vivencia-se uma realidade 
diferente de algumas décadas atrás, em que o doente mental, não está único e 
exclusivamente dentro dos hospitais especializados em psiquiatria, mas sim, 
ocupam todos os serviços de saúde instituídos na comunidade. 
 O campo de trabalho da enfermagem se expande e seu 
significado torna-se notável. Sabe-se que cabe a ela o cuidado e a promoção 
da ressocialização de cada pessoa, respeitando sua subjetividade. Para 
efetivação do seu trabalho, o profissional pode desenvolver atividades junto ao 
portador de transtorno mental, famílias e comunidade, contribuindo para um 
convívio mais saudável na sociedade. 
 Os técnicos de enfermagem, enquanto profissionais de saúde, 
devem munir-se de instrumentos que possibilitem melhor entendimento sobre a 
saúde mental, o que permitirá adequar os cuidados básicos, para planejar e 
implementar ações direcionadas aos portadores de transtorno mental, visando 
à melhoria da qualidade da assistência em nível comunitário, contribuindo para 
discussões desta temática, em nível nacional. 
 
 
7. TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS 
De modo geral, os tratamentos psiquiátricos dividem-se em duas 
categorias; somáticos ou psicoterapêuticos. Os tratamentos somáticos incluem 
as terapias farmacológicas e eletroconvulsivantes. Os tratamentos 
psicoterapêuticos incluem a psicoterapia (individual, de grupo ou familiar), as 
técnicas de terapia do comportamento (como os métodos de relaxação e a 
hipnose) e a hipnoterapia. Muitas perturbações psiquiátricas requerem, para o 
seu tratamento, uma combinação de fármacos e de psicoterapia. No caso das 
grandes perturbações psiquiátricas, a maior parte dos estudos sugere 
tratamentos que compreendam tanto fármacos como psicoterapia, o que 
resulta mais eficaz que qualquer deles utilizados separadamente. 
7.1 Tratamento farmacológico 
Durante os últimos 40 anos desenvolveu-se um grande número de 
fármacos psiquiátricos altamente eficazes e amplamente usados pelos 
psiquiatras e por outros médicos. Estes fármacos são, muitas vezes, 
classificados de acordo com a perturbação principal para a qual se prescrevem. 
Por exemplo, os antidepressivos, como a imipramina, a fluoxetina e o 
buproprion, usam-se para tratar a depressão. Os fármacos antipsicóticos, como 
a clorpromazina, o haloperidol e o tioxiteno, são úteis para perturbações 
13 
 
psiquiátricas como a esquizofrenia. Os novos antipsicóticos, como a clozapina 
e a risperidona, podem ser úteis para alguns doentes que não tenham 
respondido a outros fármacos mais tradicionais. Os fármacos ansiolíticos, como 
o clonazepam e o diazepam, podem utilizar-se para tratar as perturbações por 
ansiedade, como a perturbação por pânico e as fobias. estabilizantes do 
humor, como o lítio e a carbamazepina, foram usados, com certo êxito, em 
pacientes com doenças maníaco-depressivas. 
 
7.2 Psicoterapia 
Durante os últimos anos efetuaram-se grandes avanços no campo da 
psicoterapia. A psicoterapia é o tratamento que o terapeuta aplica ao doente 
mediante técnicas psicológicas e fazendo uso sistemático da relação 
doente-terapeuta. Os psiquiatras não são os únicos profissionais da saúde 
preparados para praticar a psicoterapia. Também podem incluir-se psicólogos 
clínicos, trabalhadores sociais, enfermeiros, alguns conselheiros espirituais e 
muitos outros que não são profissionais da saúde. No entanto, os psiquiatras 
são os únicos profissionais da saúde mental autorizados a receitar fármacos. 
Embora a psicoterapia individual se pratique de muitas formas 
diferentes, de modo geral os profissionais da saúde mental são especializados 
numa das quatro escolas de psicoterapia seguintes: a dinâmica, a 
cognitivo-comportamental, a humanista ou a comportamental. 
A psicoterapia dinâmica deriva da psicanálise e baseia-se em ajudar o 
doente a compreender as suas estruturas e conflitos internos que podem estar 
a criar sintomas e dificuldades nas suas relações. A terapia 
cognitivo-comportamental centra-se primariamente nas distorções do 
pensamento do doente. A terapia interpessoal centra-se no modo como uma 
perda ou uma alteração numa relação afeta o doente. A terapia 
comportamental está orientada para ajudar os doentes a modificar a sua forma 
de reagir diante de acontecimentos que ocorrem à sua volta. Na prática, muitos 
psicoterapeutas combinam várias técnicas segundo as necessidades do 
doente. 
A psicoterapia é apropriada para uma variedade ampla de situações. 
Inclusive as pessoas que sofrem de perturbações psiquiátricas podem 
encontrar nela ajuda para enfrentar problemas como dificuldades no trabalho, 
perda de um ente querido ou uma doença crônica na família. Também se 
utilizam amplamente a psicoterapia de grupo e a terapia familiar. 
 
 
14 
 
Tipos de Psicoterapias. 
Arteterapia ​ 
É uma forma de terapia que utiliza recursos expressivos, artisticos e 
vivênciais com o objetivo de facilitar o auto-conhecimento e a comunicação 
do cliente. 
Programação Neurolingüística​ 
A PNL é um modelo de comunicação e comportamento que enfatiza o 
papel da linguagem na determinação de nosso estado físico e psicológico. 
Psicoterapias Corporais Para esta psicoterapia, nossas emoções 
possuem um correlato físico, tornando-se necessário o contato com o 
corpo, juntamente com a verbalização. 
Psicoterapia Familiar​: Corresponde a uma serie de psicoterapias que 
são centradas nos problemas interativos das crises de relacionamento de 
casal ou no interior da família. 
Cognitiva​ : Sistema de terapia cujo princípio básico é de que as 
cognições(pensamentos, crenças, interpretações) de um indivíduo frente a 
situações influenciamsuas emoções e comportamentos. O terapeuta atua 
sobre as cognições, a fim de alterar as emoções e comportamentos que as 
acompanham. 
Psicanálise​ 
A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento do 
desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos 
mentais inconscientes. 
Hipnose e hipnoterapia 
A hipnose e a hipnoterapia estão a ser utilizadas de modo crescente 
para tratar a dor e as perturbações físicas que têm um componente psicológica. 
Estas técnicas podem promover a relaxamento, fazendo, consequentemente, 
com que a ansiedade e a tensão se reduzam. Por exemplo, a hipnose e a 
hipnoterapia pode ajudar as pessoas com cancro que, além da dor, têm 
ansiedade ou depressão. 
 
 
 
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7.3 Eletroconvulsoterapia 
A ECT - eletroconvulsoterapia é um tratamento extremamente eficaz e 
seguro para doenças psiquiátricas, principalmente a depressão. O objetivo é 
promover uma estimulação elétrica no cérebro com a finalidade de induzir uma 
crise convulsiva que dura ao redor de 30 segundos, mas já suficiente para 
aliviar os sintomas das doenças. O tratamento é feito em sessões, o número de 
aplicações é definido pelo psiquiatra. Tudo é feito em um ambiente hospitalar, 
com o paciente anestesiado para que não sinta desconforto ou dor e a 
liberação é feita no mesmo dia. 
Apesar do alto índice de eficácia e da segurança do tratamento, a 
técnica ainda é incompreendida e confundida com tratamento doloroso, 
antiquado ou mesmo tortura. Antigamente a ECT era conhecida como 
“eletrochoque”. Nos anos 50, com a descoberta de remédios com efeitos 
antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores do humor, a ECT começou a 
ser vista negativamente. No entanto, nenhuma droga, até o momento, se 
iguala, em eficácia, à ECT. Quando os profissionais começaram a observar as 
limitações do efeito das medicações o interesse pela ECT voltou a crescer. Em 
1959, foi relatado o uso de anestesia durante o procedimento. A partir dos anos 
70 a técnica foi extremamente aprimorada, com o desenvolvimento de 
aparelhos mais sofisticados, que permitem um controle preciso da carga 
fornecida, uso de anestesia, oxigenação, relaxamento muscular e monitoração 
detalhada das funções vitais. 
Atualmente, estima-se que 50 mil pessoas recebam ECT por ano nos 
Estados Unidos, no Brasil ainda não há dados precisos, mas a técnica é 
amplamente utilizada nos melhores e mais conceituados hospitais de todo o 
país. Infelizmente o preconceito e a falta de informação ainda existem, mas a 
cada dia mais profissionais e pacientes reconhecem que a ECT é uma 
intervenção eficaz, segura e, muitas vezes, capaz de salvar a vida em certos 
transtornos nos quais outras intervenções tiveram pouco ou nenhum efeito. 
O tratamento surgiu na década de 30, quando os neuropsiquiatras 
italianos, Ugo Cerletti e Lucio Bini, iniciaram pesquisas induzindo convulsões 
com eletricidade. Em 1938, Cerletti realizou a primeira terapia convulsiva 
induzida eletricamente com finalidade terapêutica. Descobriu-se, então, que o 
tratamento reduz o risco de suicídio, quase a ponto de desaparecimento, 
rapidamente. Em poucos anos, a ECT tornou-se um dos principais métodos de 
tratamento da esquizofrenia e transtornos do humor. 
Os quadros depressivos são os que melhor respondem a este 
tratamento. Todos os subtipos podem se beneficiar do tratamento: refratária, 
unipolar, bipolar, catatônica, associada a transtorno de personalidade ou a uma 
outra doença orgânica. 
A ECT tem indicação como primeiro tratamento nos quadros nos quais: 
● Há um risco de suicídio iminente; 
● Uma desnutrição que põe em risco a vida do paciente; 
● A presença de sintomas catatônicos; 
● Presença de sintomas psicóticos graves; 
Em situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido 
aos seus efeitos colaterais (por exemplo: pacientes idosos, durante a gestação 
e amamentação). 
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Outros quadros também podem ter indicação: mania e seus subtipos, 
esquizofrenia e outras psicoses funcionais resistentes ao uso de antipsicóticos, 
epilepsia refratária e transtornos mentais em epilépticos, síndrome neuroléptica 
maligna e doença de Parkinson (há melhora dos sintomas extrapiramidais e 
depressivos). 
 
 
8. SAÚDE X DOENÇA MENTAL 
Em geral, entende-se ter saúde mental como o oposto de doença mental 
ou a ausência de psicopatologia, ou seja, um estado de saúde normal. 
A nossa mente não é uma entidade separada do resto de nós. Quando 
estamos desestruturados, a nossa saúde física também é afetada. Muitas 
condições físicas são, na realidade, enraizadas em uma aflição psíquica, ou em 
uma história de estresse que nunca foi cuidada. Nossas relações pessoais e de 
trabalho, e nossas habilidades são afetadas por ambas as questões de saúde 
física e mental. 
No entanto, a boa notícia é que a maioria das pessoas que experimenta 
problemas de saúde mental e emocional pode administrar ou superar esses 
problemas e com tratamento, viver uma vida plena. 
 ​8.1 Problemas de saúde mental e emocional 
Um problema de saúde mental ou emocional pode ser de curto prazo, 
como uma reação a um estressor (como uma perda, doloroso acontecimento, 
doença, medicação, etc.). Se a situação não se reduzir ou se os sintomas de 
angústia estão interferindo com outros aspectos da vida, a assistência de um 
profissional de saúde mental pode ser necessária. Geralmente, não se pensa 
duas vezes em procurar ajuda para evitar um problema físico (como no caso de 
ter quebrado um osso procuramos por um ortopedista, ou diante de uma cárie, 
procuramos um dentista). Mas algumas pessoas acreditam que é vergonhoso 
procurar ajuda para um problema de saúde emocional, ou pensam que um 
problema emocional significa que você está "louco". (Leia mais sobre os ​stigma 
das doenças mentais​) 
Em muitas situações, quanto mais cedo se pedir ajuda, menores serão 
as dificuldades com o problema. 
Tal como acontece com condições médicas, como a doença cardíaca ou 
diabetes, existem alguns problemas de saúde mental (tais como depressão 
maior, esquizofrenia ou transtorno bipolar), que tendem a correr em famílias – 
seja em função da genética ou do estilo de interação familiar. 
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A maioria das pessoas que tem problemas de saúde mental pode 
superá-los ou aprender a viver com eles, especialmente se procurar ajuda na 
hora certa, e não esperar o problema se agravar. 
8.2 O que é a doença mental? 
No passado, o tema da doença mental foi cercado de mistério e medo. 
Hoje, nós temos feito enormes progressos na nossa compreensão e, 
sobretudo, em nossa capacidade de oferta de tratamentos eficazes. No 
entanto, dúvidas sobre as doenças mentais não respondidas, muitas vezes 
impedem que as pessoas procurem ajuda. 
Não existe uma definição precisa de "doença mental", e de muitas 
formas, o termo é enganador. Há muita sobreposição entre transtornos mentais 
e físicos, e é comum que se tenha uma interação entre elementos de ambos. 
Em geral, pode afirmar-se que uma doençamental é uma condição que 
impacta de forma adversa os processos individuais de pensamento, as 
emoções, comportamentos e / ou interações com outras pessoas, e interfere 
negativamente com a sua capacidade de gerir eficazmente a vida. 
8.3 De acordo com a NAMI (Aliança Nacional de Doenças Mentais 
americana): 
- Doenças mentais são distúrbios graves que causam alterações 
biológicas no cérebro e são debilitantes em diferentes graus. 
- Os sintomas de doenças mentais tipicamente começam a aparecer na 
adolescência ou idade adulta jovem. Doença mental atinge cerca de 5% dos 
adultos e 9% das crianças e dos adolescentes nos Estados Unidos. 
- Há muitos equívocos a respeito das doenças mentais. Isto infelizmente 
contribui para o fato de que muitas pessoas não procuram tratamento. 
- Não tratada, a doença mental pode resultar em desemprego, abuso de 
substâncias psicoativas, deterioramento das relações interpessoais, e nos 
casos mais graves encarceramento e suicídio. 
- A fim de conquistar o estigma da doença mental, é importante 
compreender que essas condições não estão relacionadas com o caráter, 
inteligência, ou vontade. 
- Doenças mentais são doenças como quaisquer outras, e com 
intervenções modernas, são altamente tratáveis. 
 
 
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9. DOENÇAS FÍSICAS E ASÉCTOS PSICOLÓGICOS 
Doenças de fundo emocional são estudadas há muito tempo pela 
psicologia. A psicossomática é um tema fascinante e trata da intercomunicação 
mente x corpo. 
Muito se fala sobre o poder de nosso cérebro sobre a saúde e nos faz 
pensar: "Já que somos “poderosos” em criar doenças será que podemos 
aplicar este poder na cura das doenças? Seu cérebro pode ser o seu próprio 
médico?" 
Doença psicossomática e Somatização se referem a aspectos diferentes 
do mesmo ponto: a influência da mente sobre a saúde de nosso corpo. 
Toda doença tem fundo emocional? 
Não, mas existem correntes que defendem esta ideia. Creio ser um 
pouco exagerado considerar que toda vez que ficamos doentes teremos nossa 
cabeça como responsável. Nosso corpo funciona independente de nosso 
pensamento e intenção, seu coração bate, seu sangue circula quer você queira 
ou não. A única ponta de verdade que consigo ver na afirmação de que toda 
doença tem fundo emocional é que toda pessoa angustiada, nervosa, 
preocupada, triste, irada, enfim com emoções negativas, terão seus sistemas 
imunológicos abalados. Com o sofrimento emocional e psicológico seu corpo 
produz cortizol, o hormônio do stress e com a repetição desta descarga 
hormonal seu organismo vai ficando cada vez mais e mais debilitado a ponto 
de adoecer. Mas o inverso também é verdadeiro, ou seja, toda vez que sua 
saúde física estiver abalada você sofrerá conseqüências emocionais e 
psicológicas. Quando uma pessoa descobre que tem câncer ficará abalada 
emocional e psicologicamente. Se ela não tiver ajuda para se controlar 
emocionalmente poderá ter sua resistência prejudicada e interferir em sua 
recuperação. Por isso é muito importante o acompanhamento psicológico nos 
casos mais graves. 
Quando alguém diz que a pessoa está somatizando está dizendo que 
esta pessoa apresenta sintomas físicos mesmo não havendo uma doença 
física - a causa destes sintomas é emocional. Por exemplo, o caso da pessoa 
que sente taquicardia, o coração dispara e ela vai ao médico achando que está 
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com problema no coração, chegando lá ela faz exames, e não acusando nada, 
o médico dispensa o paciente dizendo que ele está bem fisicamente. Esta 
taquicardia pode ser sintoma de pânico - síndrome do pânico. Isso é 
somatização. Os exames não acusam nada porque a pessoa não tem nada 
fisicamente, o sofrimento físico é um reflexo do sofrimento emocional, que está 
escondido. O correto nessa situação é que o médico encaminhe a pessoa para 
um tratamento com psicólogo. Só o psicólogo pode tratar e amenizar esse 
sofrimento, que apesar de estar se manifestando no corpo é essencialmente 
mental, é psicológico. A ajuda deve ser feita a nível emocional.Somatização é 
quando a pessoa apresenta sintomas cuja avaliação do médico não identifica 
qualquer problema orgânico, mas identifica uma causa psicológica, e o 
tratamento é feito com o psicólogo. 
Quando usamos o termo “doença psicossomática” dizemos que a causa 
é psicológica, mas a pessoa apresenta alterações clínicas detectáveis por 
exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos - 
chamamos de doença psicossomática. É uma doença física, verdadeira mas 
com causa psicológica, ou seja, a doença apareceu no corpo, como uma 
alergia por exemplo. Neste caso a pessoa deve tratar tanto com o psicólogo 
como com o médico. Com o médico ela trata o corpo, e com o psicólogo trata a 
mente - a cabeça, as emoções. 
 
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