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TIPOS DE PLACENTA E SEU PAPEL NA TRANSFERÊNCIA IMUNOLÓGICA DA MÃE PARA O FETO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 2 PLACENTA .......................................................................................................... 4 2.1 PLACENTA ADECIDUADA ........................................................................... 5 2.2 PLACENTA DECIDUADA. ............................................................................ 5 2.3 PLACENTA DIFUSA ..................................................................................... 5 2.4 PLACENTA COTILEDONÁRIA ..................................................................... 6 2.5 PLACENTA ZONÁRIA .................................................................................. 6 2.6 PLACENTA DISCOIDAL ............................................................................... 6 2.7 PLACENTA EPITELIOCORIAL ..................................................................... 6 2.8 PLACENTA SINDESMOCORIAL OU SINEPITELIOCORIAL ....................... 6 2.9 PLACENTA HEMOCORIAL .......................................................................... 6 2.10 PLACENTA ENDOTÉLIOCORIAL ............................................................. 7 3 CARACTERÍSTICAS IMUNOLÓGICAS - MAMÍFEROS ..................................... 7 4 CARACTERÍSTICAS IMUNOLÓGICAS - BOVINOS .......................................... 8 5 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 9 3 1 INTRODUÇÃO O sistema imunológico apresenta um importante papel no funcionamento pleno do corpo, para uma melhor compreensão é necessário entender o funcionamento desde suas primeiras defesas, logo, o estudo placentário e tudo que envolve o início da vida, é indispensável, pois o fortalecimento imunológico acontece conforme a vida se inicia e gradualmente ocorre essa evolução imunológica. A placenta como órgão essencial para desenvolvimento fetal e embrionário, torna-se alvo de muitos estudos, para classificá-la e entender seu papel em cada espécie animal, tanto para mãe quanto para o feto. 4 2 PLACENTA A placenta é um órgão altamente adaptado, crucial para formação de uma nova vida e capaz de promover um desenvolvimento pleno embrionário e fetal. O que inclui para ser um órgão capaz de tudo é a capacidade de ter bastantes recursos, como ter muitos fatores imunossupressores, que incluem estradiol e progesterona e, possivelmente, também a gonadotrofina coriônica. Algumas isoformas da α- fetoproteína, a principal e mais abundante proteína encontrada no soro fetal, são imunorreguladoras. Além disso, algumas glicoproteínas associadas à gestação, incluindoa α2 macroglobulina, α-fetoproteína e os interferons placentários, apresentam propriedades imunossupressoras. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) A placenta pode receber e se apresentar por diversas classificações, com base em diferentes critérios, como: forma anatômica, formação de vasos placentários, histologia, nutrição, implantação, entre outros. A via através da qual os anticorpos maternos alcançam o feto é determinada pela estrutura da placenta, mamíferos que possuem 2 tipos placentários com classificação quanto ao aspecto histológico, como placenta tanto sindesmocorial quanto epiteliocorial, a passagem transplacental de imunoglobulinas é bloqueada. Assim, esses recém-nascidos são inteiramente dependentes dos anticorpos recebidos via colostro. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) (LOBO et al., 2016) A classificação também pode variar de acordo com a vilosidade do cório fetal e a cripta da mucosa uterina, sendo classificadas como adeciduada e deciduada e também quanto a distribuição dos vilos que são responsáveis por classificar como difusa, cotiledonária, zonária e discoidal. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) (LOBO et al., 2016) Fig. 2. - Tipos de placentas de acordo com anatomia macroscópica. A: placenta cotiledonária, em gado e outros ruminantes; cotilédones (a). B: placenta difusa, em cavalos, porcos e baleias; microcotiledôneas (b). C: placenta zonária, em carnívoros; placenta zonária (d). D: placenta discoidal, em humanos, primatas e roedores; cordão biliar (e), sulcos cotiledonares (f). 5 Figura 1 - FONTE: (LOBO et al., 2016) 2.1 PLACENTA ADECIDUADA Espécies que possuem a placenta com classificação são os ruminantes, equinos, muares e suínos. Quando a placenta é classificada dessa forma, significa dizer que esse a placenta não elimina os anexos fetais juntamente com o feto no momento do parto. Pois não ocorre lesão das paredes que estão envolvidas no processo, apesar de existir um intenso contato entre o epitélio corial e o epitélio uterino. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.2 PLACENTA DECIDUADA. Carnívoros, primatas e roedores são as espécies que têm essa classificação da placenta, nessa classificação ocorre o oposto da placenta adeciduada, ou seja, quando ocorre o parto os anexos fetais são eliminados juntamente ao feto, devido a união existente entre as partes fetais e maternas, ocorre uma pré-dissolução da mucosa uterina, facilitando a expulsão dos anexos fetais. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.3 PLACENTA DIFUSA É encontrada na porca e na égua. Tem a maior parte do saco coriônico uniformemente unido ao endométrio por pregas ou vilos, local esse onde ocorrem as trocas fisiológicas. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 6 2.4 PLACENTA COTILEDONÁRIA A placenta cotiledonária é características dos ruminantes, seu formato é diferente quando comparado a dos ovinos (convexas) e bovinos (côncavas). Suas vilosidades coriônicas aparecem agrupadas em regiões circulares bem definidas denominadas de cotilédones. (LOBO et al., 2016) Os cotilédones se projetam em forma de cogumelo a partir da superfície do endométrio, fazem contato com áreas predeterminadas do endométrio chamadas de carúnculas, que se projetam para fora da superfície do útero. O tamanho das carúnculas aumenta de acordo com a continuidade da gravidez e a área entre uma carúncula e outra é desprovida de qualquer inserção entre a placenta fetal e o útero materno. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.5 PLACENTA ZONÁRIA Os carnívoros são representantes dessa classificação placentária, se trata de quando os vilos coriônicos ocupam uma faixa central, assim se unem ao endométrio. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.6 PLACENTA DISCOIDAL Pode ser observado em uma fase da gestação de primatas e humanos, onde uma área do cório com formato de um disco se une ao endométrio. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.7 PLACENTA EPITELIOCORIAL É a placenta em que o epitélio coriônico fetal fica em contato direto com o epitélio uterino intacto. Esse tipo de placenta é a mais comum nos mamíferos, é encontrada nas espécies suína, equina, bovina e ovina. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.8 PLACENTA SINDESMOCORIAL OU SINEPITELIOCORIAL A placenta dos ruminantes pode se enquadrar em mais de uma classificação, também se enquadra na placenta sindesmocorial, se trata de quando epitélio coriônico fica em contato direto com tecidos uterinos, e devido suas numerosas células trofoblásticas fetais que se fundem com células endometriais para a formação de células binucleadas. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.9 PLACENTA HEMOCORIAL Esse tipo de placenta permite que a IgG materna, seja transferida diretamente para o feto. A IgG materna pode entrar na corrente sanguínea fetal, e o bebê humano recém- 7 nascido possui níveis de IgG circulantes comparáveis aos da sua mãe. É o tipo de placenta dos primatas, humanos e alguns roedores. É aderida ao útero em apenas uma área onde seu formato é de disco, que dá origem ao seu nome discoide. (LOBO et al., 2016) (OLIVEIRA, 2015) 2.10 PLACENTA ENDOTÉLIOCORIALOs cachorros e os gatos possuem uma placenta endotéliocorial, nessa classificação o córion está em contato direto com o endotélio dos vasos sanguíneos da mãe, o que influencia a 5% a 10% de IgG ser diretamente transferida da mãe para a prole, porém a maior parte deve ser obtida através do colostro. Ela é firmada por uma zona que tem o formato de uma cinta e por isso o nome zonária. (LOBO et al., 2016) (TIZARD; SCHUBOT, 2014) (OLIVEIRA, 2015) 3 CARACTERÍSTICAS IMUNOLÓGICAS - MAMÍFEROS Os mamíferos tem um período longo de gestação, mas após seu nascimento, o seu sistema imune adaptativo está completamente desenvolvido, mas pode não funcionar no nível observado em animais adultos por várias semanas. E ao virem ao ambiente externo, são rodeados de micróbios de diversos tipos, o seu sistema imune deve ser capaz de combater parcialmente tentativas de invasão, havendo uma troca de entre o sistema imune da mãe com a prole por meio placentário. As respostas imunes inatas são cruciais para a sobrevivência nas primeiras semanas de vida, e as respostas imunes adaptativas tende a ter um intervalo prolongado após sua resposta primária, e ainda com baixa concentrações de anticorpos. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) Assim, os mamíferos recém-nascidos, necessitam de assistência para se defender nesse período. O plano de vacinação em mamíferos recém-nascidos deve considerar sua inabilidade para gerar respostas humorais na presença de imunidade maternal persistente. (LOBO et al., 2016) Uma das funções da placenta é a transferência de imunoglobulinas direta, que ocorre nas espécies de primatas, ou pela ingestão do colostro que é rico em imunoglobulinas imediatamente após o nascimento. Mesmo o colostro tendo um papel importante, as próximas vezes que o feto amamentar será essencial, já que o leite proporciona um suprimento constante de imunoglobulina (imunoglobulina A [IgA] na maioria das espécies) que ajuda a proteger o recém-nascido contra infecções intestinais. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) 8 Em humanos, um número substancial de linfócitos T maternos cruza a placenta para residir nos linfonodos fetais. Isso induz os linfócitos Treg que suprimem a imunidade antimaterna. 4 CARACTERÍSTICAS IMUNOLÓGICAS - BOVINOS Como uma característica única e curiosa de bovinos, em 1945, Owen foi estudou que quando as vacas estavam prenhes de filhotes gêmeos, os vasos sanguíneos das duas placentas se fundiam. Chamando assim de bovinos quiméricos, isso os tornam mais suscetíveis a desenvolver resposta imunológica adquirida com menos tempo, já que o sangue dos gêmeos se misturava livremente e as células-tronco da medula óssea de um animal colonizavam o outro. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) FIGURA 1 - A fusão de placentas de bovinos gêmeos dizigóticos resulta no desenvolvimento de quimeras de bezerros. As células-tronco hemapoiéticas de cada animal coloniza a medula óssea do outro. Cada quimera é tolerante às células do seu irmão gêmeo e aceitará um enxerto de pele do mesmo, apesar das diferenças genéticas. Figura 2 - fonte: (TIZARD; SCHUBOT, 2014) O período gestacional da vaca é de 280 dias, uma gestação longa, dando tempo para o sistema imune ser formado e fortalecido, os linfócitos sanguíneos são detectados no feto no 45° dia, os linfócitos B IgM+ no 59° dia, e os linfócitos B IgG+ no 135° dia. Pode assim ser considerada que as respostas imunes ao serem detectadas,são 9 precoces e tenham mais sensibilidade ao identificar vírus, foi possível relatar que os fetos respondem ao rotavírus com 73 dias, ao parvovírus com 93 dias e ao vírus da parainfluenza 3 com 120 dias. Os linfócitos sanguíneos fetais podem responder aos mitógenos entre 75 e 80 dias, mas essa capacidade é temporariamente perdida próximo ao momento do nascimento, por causa da alta quantidade de esteroides no soro. (CHUCRI, 2009) Apesar de uma boa resposta imunológica, o sistema imune adaptativo do bezerro não é totalmente funcional, algumas infecções são severas no feto e leves na mãe, como a herpevírus bovino, diarreia viral bovina e a toxoplasmose. Por essa razão, a presença de imunoglobulinas no soro de um recém-nascido que não tenha recebido o colostro sugere uma infecção intrauterina. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) É possível observar nos ruminantes o interferon τ, que é uma proteína de 20 kDa produzida pelos trofoblastos durante o início da gestação. Ele é capaz de regular as respostas imunes na placenta. (TIZARD; SCHUBOT, 2014) 5 REFERÊNCIAS ABBAS, Abul K. et al. Imunologia básica. 4. ed. Rio de Janeiro - Rj: Elsevier Editora Ltda, 2013. Tradução de: Bárbara de Alencar Leão Martins. CHUCRI, Thaís Martins. Imunofenotipagem de leucócitos da placenta bovina. 2009. 85 f. Monografia (Especialização) - Curso de Medicina Veterinária, Cirurgia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. LOBO, Sonja E. et al. The Placenta as an Organ and a Source of Stem Cells and Extracellular Matrix: a review. Cells Tissues Organs, [S.L.], v. 201, n. 4, p. 239-252, 2016. S. Karger AG. OLIVEIRA, Aline Conceição de. Aspectos da Fisiologia da Placenta nos Animais Domésticos e Retenção de Placenta nos Bovinos - Revisão de Literatura. 2015. 29 f. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal Campina Grande, Patos - Pb, 2015. 10 TIZARD, Ian R.; SCHUBOT, Richard M. Imunologia veterinária. 9. ed. Rio de Janeiro - Rj: Elsevier, 2014. 1217 p. Tradução de: Luciana Medina, Mateus D. Luchese.