Prévia do material em texto
Resumo para estudo - TORTORA Visão Geral do Sistema Nervoso 1. As estruturas que compõem o sistema nervoso incluem o encéfalo, 12 pares de nervos cranianos e seus ramos, a medula espinal, 31 pares de nervos espinais e seus ramos, os gânglios, os plexos entéricos e os receptores sensoriais. 2. O sistema nervoso ajuda a manter a homeostasia e integra todas as atividades do corpo, detectando as alterações (função sensorial), inter- pretando-as (função integrativa) e reagindo a elas (função motora). Histologia do Tecido Nervoso 1. O tecido nervoso consiste em neurônios (células nervosas) e neu- róglia. Os neurônios têm a propriedade da excitabilidade elétrica e são responsáveis pelas funções mais especiais do sistema nervoso: percepção, pensamento, lembrança, controle da atividade muscular e regulação das secreções glandulares. 2. A maioria dos neurônios tem três partes. Os dendritos formam a principal região receptora ou de entrada. A integração ocorre no corpo celular, que inclui organelas celulares típicas. A parte de saída, normalmente, é um único axônio, que propaga impulsos nervosos em direção a outro neurônio, a uma fibra muscular ou a uma célula glandular. 3. As sinapses são o local de contato funcional entre duas células excitáveis. Os terminais axônicos contêm vesículas sinápticas preenchidas com moléculas neurotransmissoras. 4. O transporte axônico lento e o transporte axônico rápido são sistemas para levar e trazer substâncias do corpo celular para os terminais axônicos. 5. Com base na sua estrutura, os neurônios são classificados como multipolares, bipolares ou unipolares. 6. Os neurônios são classificados funcionalmente como neurônios sensoriais (aferentes), neurônios motores (eferentes) e intemeurô- nios. Os neurônios sensitivos levam informações sensoriais para o SNC. Os neurônios motores levam informações para fora do SNC até os efetores (músculos e glândulas). Os interneurônios locali- zam-se dentro do SNC, entre os neurônios motores e sensoriais. 7. A neuróglia sustenta, alimenta e protege os neurônios e mantém o líquido intersticial que banha os neurônios. A neuróglia no SNC inclui astrócitos, oligodendrócitos, micróglia e células ependimá- rias. A neuróglia no SNP inclui as células de Schwann e as células- satélite. 8. Dois tipos de neuróglia produzem bainhas de mielina: oligodendrócitos mielinizam os axônios no SNC e as células de Schwann mielinizam os axônios no SNP. 9. A substância branca consiste em agregados de processos mielinizados, enquanto a substância cinzenta contém corpos celulares, dendritos e terminais axônicos de neurônios, axônios amielínicos e neuróglia. 10. Na medula espinal, a substância cinzenta forma um núcleo interno, em forma de H, que é envolvido por substância branca. No encéfalo, uma camada fina e superficial de substância cinzenta recobre os hemisférios cerebrais e cerebelares. Organização do Sistema Nervoso 1.O sistema nervoso central (SNC) consiste no encéfalo e na medula espinal. O sistema nervoso periférico (SNP) consiste em todos os tecidos nervosos fora do SNC. 2. Os componentes do SNP incluem a parte somática do sistema nervoso (PSSN), a divisão autônoma do sistema nervoso (DASN) e a parte entérica do sistema nervoso entérico (PESN). 3. A PSSN consiste nos neurônios sensoriais que conduzem impulsos dos receptores dos sentidos especiais e somáticos para o SNC e para os neurônios provenientes do SNC para os músculos esqueléticos. 4. A DASN contém neurônios sensoriais provenientes dos órgãos viscerais e neurônios motores que conduzem impulsos do SNC para o tecido muscular liso, cardíaco e glândulas. 5. A PESN consiste em neurônios situados nos plexos entéricos, no trato gastrointestinal (GI), que atuam, até certo ponto, independentemente da DASN e do SNC. O SNE monitora as alterações sensoriais e controla a atuação do trato gastrointestinal. Sinais Elétricos nos Neurônios 1. Neurônios se comunicam entre si usando potenciais graduados que são usados apenas para comunicação de curta distância e potenciais de ação que permitem comunicação por longas distâncias no interior do corpo. 2. Os sinais elétricos produzidos pelos neurônios e fibras musculares baseiam-se em quatro tipos de canais iônicos: canais de vazamento, canais controlados por ligantes, canais mecanicamente controlados e canais controlados por voltagem. 3. Existe um potencial de membrana em repouso, na membrana plasmática de células excitáveis que não são estimuladas (em repouso). O potencial de membrana em repouso existe em razão de um pequeno acúmulo de íons negativos no citosol, ao longo da superfície interna da membrana, e de um acúmulo igual de íons positivos no líquido extracelular, ao longo da superfície externa da membrana. 4. Um valor normal para o potencial de repouso da membrana é -70 mV. A célula que apresente um potencial de membrana é considerada polarizada. 5. O potencial de membrana em repouso é determinado por três fatores principais: (1) distribuição desigual dos íons no líquido extracelular e citosol; (2) incapacidade da maioria dos ânions citosólicos para deixar a célula e (3) natureza eletromagnética das ATPases Na /K . 6. Um potencial graduado é um pequeno desvio do potencial de membrana em repouso que ocorre porque os canais controlados por ligantes ou os canais mecanicamente controlados abrem-se ou fecham-se. Um potencial graduado hiperpolarizante toma o potencial de membrana mais negativo (mais polarizado); um potencial graduado despolarizante toma o potencial de membrana menos negativo (menos polarizado). 7. A amplitude do potencial graduado varia, dependendo da intensidade do estímulo. 8. Segundo o princípio do tudo ou nada, se o estímulo for suficientemente intenso para gerar um potencial de ação, o impulso gerado tem tamanho constante. Um estímulo ainda mais intenso não gera um potencial de ação maior. Ao contrário, quanto maior a intensidade do impulso acima do limiar, maior a frequência dos potenciais de ação. 9. Durante um potencial de ação, os canais de Na e K controlados por voltagem abrem-se e fecham-se em sequência. Isso resulta, primeiro, em despolarização, a inversão da polarização da membrana (de —70 mV a +30 mV). Em seguida, ocorre repolarização, o restabelecimento do potencial de membrana em repouso (de +30 mV para —70 mV). 10. Durante a parte inicial do período refratário (PR), não pode ser gerado outro impulso de nenhuma maneira (PR absoluto); pouco depois, pode ser gerado apenas por um estímulo maior do que o normal (supraliminar) (PR relativo). 11. Como um potencial de ação se propaga de um ponto a outro, ao longo da membrana, sem diminuir, é útil para a comunicação por longas distâncias. 12. A propagação do impulso nervoso, na qual o impulso “salta” de um nó de Ranvier para o seguinte, ao longo de um axônio mielinizado, é chamada de condução saltatória. A condução saltatória é mais rápida do que a condução contínua. 13. Axônios com grande diâmetro conduzem impulsos em velocidades maiores do que axônios com menor diâmetro. 14. A intensidade de um estímulo é codificada na frequência dos potenciais de ação e no número de neurônios sensoriais que são recrutados. Transmissão dos Sinais pelas Sinapses 1. A sinapse é a junção funcional entre um neurônio e outro, ou entre um neurônio e um efetor, como um músculo ou uma glândula. Os dois tipos de sinapses são a elétrica e a química. 2. Uma sinapse química produz transferência unidirecional de informação — de um neurônio pré-ganglionar para um neurônio pós- ganglionar. 3. Um neurotransmissor excitatório é aquele que pode despolarizar a membrana do neurônio pós- ganglionar, trazendo o potencial da membrana para mais perto do limiar. Umneurotransmissor inibi- tório hiperpolariza a membrana do neurônio pós- ganglionar, afastando o potencial do limiar. 4. Há dois tipos principais de receptores de neurotransmissores: receptores ionotrópicos e receptores metabotrópicos. Um receptor ionotrópico contém um sítio de ligação de neurotransmissores e um canal iônico. Um receptor metabotrópico contém um sítio de ligação de neurotransmissores e está acoplado a um canal iônico separado por uma proteína G. 5. O neurotransmissor é removido da fenda sináptica de três formas: difusão, degradação enzimática e captação por células (neurônios e neuróglia). 6. Se diversos botões terminais pré-sinápticos liberam seus neurotransmissores quase ao mesmo tempo, o efeito combinado pode gerar um impulso nervoso, em consequência da somação. A somação pode ser temporal ou espacial. 7. O neurônio pós-ganglionar é um integrador. Recebe sinais excita- tórios e inibitórios, integra-os e, em seguida, responde adequadamente. Neurotransmissores 1. Neurotransmissores tanto excitatórios quanto inibitórios estão presentes no SNC e no SNP. Um determinado neurotransmissor pode ser excitatório, em alguns locais, e inibitório, em outros. 2. Os neurotransmissores podem ser divididos em duas classes, com base em seu tamanho: (1) neurotransmissores com moléculas pequenas (acetilcolina, aminoácidos, aminas biogênicas, ATP e outras purinas e óxido nítrico) e (2) neuropeptídeos, que são formados por 3 a 40 aminoácidos. 3. A transmissão nas sinapses químicas pode ser modificada por alteração da síntese, liberação ou remoção de um neurotransmissor ou pelo bloqueio ou pelo estímulo dos receptores de neurotransmissores. Circuitos Neurais 1. Os neurônios no sistema nervoso central são organizados em redes chamadas de circuitos neurais. 2. Os circuitos neurais incluem circuitos simples em série, divergentes, convergentes, reverberativos e paralelos pós-descarga. Regeneração e Reparo do Tecido Nervoso 1. O sistema nervoso apresenta plasticidade (a capacidade de alteração, com base na experiência), mas possui poderes muito limitados de regeneração (a capacidade de replicação ou de reparar neurônios lesados). 2. A neurogênese, o nascimento de novos neurônios a partir de cé- lulas-tronco indiferenciadas, é normalmente muito limitada. O reparo dos axônios lesados não ocorre na maioria das regiões do SNC 3. Axônios e dendritos associados com um neurolema, no SNP, podem passar por reparo se o corpo celular estiver intacto, as células de Schwann estiverem funcionais e a formação de tecido cicatricial não ocorrer muito rapidamente. Anatomia da Medula Espinal 1. A medula espinal é protegida pela coluna vertebral, pelas meninges, pelo líquido cerebrospinal e pelos ligamentos denticulados. 2. As três meninges são revestimentos que se estendem continuamente em tomo da medula espinal e do encéfalo. São a dura-máter, a aracnoide-máter e a pia-máter. 3. A medula espinal começa como uma continuação do bulbo (medula oblonga) e termina, no adulto, aproximadamente na segunda vértebra lombar. 4. A medula espinal contém as intumescências cervical e lombar, que servem como pontos de origem dos nervos para os membros. 5. A parte inferior, coniforme, da medula espinal é o cone medular, a partir do qual originam-se o filamento terminal e a cauda equina. 6. Os nervos espinais se ligam a cada parte da medula espinal por meio de duas raízes. A raiz posterior contém axônios sensoriais e a raiz anterior, os axônios de neurônios motores. 7. A fissura mediana anterior e o sulco mediano posterior dividem parcialmente a medula espinal em metades direita e esquerda. 8. A substância cinzenta é dividida em cornos, na medula espinal, e a substância branca, em funículos. No centro da medula espinal está o canal central, que se estende por toda a sua extensão. 9. Partes da medula espinal observadas em corte transverso são a comissura cinzenta; o canal central, os cornos anterior, posterior e lateral da substância cinzenta; os funículos anterior, posterior e lateral da substância branca, que contêm os tratos ascendentes e descendentes. Cada parte possui funções específicas. 10. A medula espinal conduz informações sensitivas e motoras através dos tratos ascendentes e descendentes, respectivamente. Nervos Espinais 1. Os 31 pares de nervos espinais são nomeados e numerados de acordo com a região e o nível da medula espinal dos quais emergem. 2. Há 8 pares de nervos cervicais, 12 pares de nervos torácicos, 5 pares de nervos lombares, 5 pares de nervos sacrais e 1 par de nervos coccígeos. 3. Os nervos espinais, normalmente, estão conectados à medula espinal por uma raiz posterior e uma raiz anterior. Todos os nervos contêm axônios sensoriais e motores (são nervos mistos). 4. Três revestimentos de tecido conjuntivo associados com os nervos espinais são o endoneuro, o perineuro e o epineuro. 5. Ramos de um nervo espinal incluem o ramo posterior, o ramo anterior, o ramo meníngeo e os ramos comunicantes. 6. Os ramos anteriores dos nervos espinais, exceto de T2 a TI2, formam redes de nervos chamadas de plexos. 7. Emergindo dos plexos estão os nervos com nomes que, normalmente, descrevem as regiões gerais que suprem ou o trajeto que seguem. 8. Os nervos do plexo cervical inervam a pele e os músculos da cabeça, do pescoço e da parte superior dos ombros; se conectam a alguns nervos cranianos e inervam o diafragma. 9. Os nervos do plexo braquial inervam os membros superiores e diversos músculos do pescoço e do ombro. 10. Os nervos do plexo lombar inervam a parede anterolateral do abdo- me, os órgãos genitais externos e parte dos membros inferiores. 11. Os nervos do plexo sacral inervam as nádegas, e parte dos membros inferiores. 12. Os nervos do plexo coccígeo inervam a pele da região coccígea. 13. Os ramos anteriores dos nervos T2-T12 não formam plexos e são chamados de nervos intercostais. São distribuídos diretamente para as estruturas que suprem nos espaços intercostais. 14. Os neurônios sensoriais dentro dos nervos espinais e do nervo craniano V (nervo trigêmeo) inervam segmentos constantes e específicos da pele chamados dermátomos. 15. O conhecimento dos dermátomos ajuda um médico a determinar que parte da medula espinal ou quais nervos espinais estão lesados. Fisiologia da Medula Espinal 1. Os tratos da substância branca, na medula espinal, são vias expressas para a propagação de impulso nervoso. Ao longo desses tratos, impulsos sensitivos ou sensoriais fluem em direção ao encéfalo, e os impulsos motores fluem do encéfalo para os músculos esqueléticos e outros tecidos efetores. 2. Os impulsos sensitivos seguem ao longo de duas vias principais na substância branca da medula espinal: os tratos espinotalâmicos e os funículos posteriores. 3. Efluxos motores se propagam ao longo de duas vias principais na substância branca da medula espinal: vias diretas e indiretas. 4. Uma segunda função principal da medula espinal é atuar como um centro de integração para os reflexos espinhais. Essa integração ocorre na substância cinzenta. 5. Um reflexo é uma sequência rápida e previsível de ações involuntárias, como contrações musculares ou secreções glandulares, que ocorrem em resposta a certas alterações no ambiente. 6. Os reflexos podem ser espinhais ou cranianos e somáticos ou autônomos (viscerais). 7. Os componentes de um arco reflexo são receptor sensorial, neurônio sensorial, centro de integração, neurônio motor e efetor. 8. Os reflexos espinhais somáticos incluem o reflexo de estiramento, o reflexo tendinoso, o reflexo flexor (de retirada) e o reflexo extensor cruzado; todos exibem inervação recíproca. 9. Um arco reflexo monossináptico ou arco reflexo com doisneurônios consiste em um neurônio sensorial e um neurônio motor. Um reflexo de estiramento, como o reflexo patelar, é um exemplo. 10. O reflexo de estiramento é ipsilateral e importante na manutenção do tônus muscular. 11. Um arco reflexo polissináptico contém neurônios sensoriais, interneurônios e neurônios motores. O reflexo tendinoso, o reflexo flexor (de retirada) e o reflexo extensor cruzado são exemplos. 12. O reflexo tendinoso é ipsilateral e evita dano aos músculos e tendões quando a força se toma muito extrema. O reflexo flexor é ipsilateral e movimenta um membro para longe da fonte de estímulo doloroso. O reflexo extensor cruzado estende o membro contralateral ao membro dolorosamente estimulado, permitindo que o peso do corpo mude, quando um membro de apoio é retirado. 13. Diversos reflexos somáticos importantes são usados para diagnosticar diversos distúrbios. Esses incluem o reflexo patelar, o reflexo aquileu, o sinal de Babinski e o reflexo abdominal. Organização, Proteção e Suprimento Sanguíneo do Encéfalo 1. As principais partes do encéfalo são o tronco encefálico, o cerebelo, o diencéfalo e o cérebro. 2. O encéfalo é protegido pelos ossos do crânio e pelas meninges cranianas. 3. As meninges cranianas são contínuas com as meninges espinais. De superficial para profundo, elas são a dura-máter, a aracnoide- máter e a pia- máter. 4. O fluxo sanguíneo para o encéfalo é basicamente via artérias carótida interna e vertebral. 5. Qualquer interrupção no suprimento de oxigênio ou de glicose para o encéfalo resulta em enfraquecimento, lesão permanente, ou morte das células encefálicas. 6. A barreira hematoencefálica (BHE) produz movimento de diferentes substâncias entre o sangue e o tecido encefálico em velocidades diferentes e impede o movimento de algumas substâncias do sangue para o encéfalo. Líquido Cerebrospinal 1. O líquido cerebrospinal (LCS) é formado nos plexos corióideos e circula pelos ventrículos laterais, terceiro ventrículo, quarto ventrí- culo, espaço subaracnóideo e canal central. Grande parte do líquido é absorvida no sangue, por meio das granulações aracnóideas do seio sagital superior. 2. O líquido cerebrospinal proporciona proteção mecânica, química e a circulação de nutrientes. Tronco Encefálico 1. O bulbo (medula oblonga) é contínuo com a parte superior da medula espinal e contém tratos sensitivos e motores. Contém um centro cardiovascular, que regula a frequência cardíaca e o diâmetro dos vasos sanguíneos, e uma área respiratória rítmica, que ajuda a controlar a respiração. Além disso, contém o núcleo grácil, o núcleo cuneiforme, o núcleo gustatório, os núcleos cocleares e os núcleos vestibulares, que são componentes das vias sensitivas para o encéfalo. Além disso, presente no bulbo (medula oblonga) encontra-se o núcleo olivar inferior, que fornece instruções usadas pelo cerebelo para ajustar a atividade muscular, quando aprendemos novas habilidades motoras. Outros núcleos do bulbo (medula oblonga) coordenam o vômito, a deglutição, o espirro, a tosse e o soluço. O bulbo (medula oblonga) também contém núcleos associados com os nervos cranianos VIII-XII. 2. A ponte é superior ao bulbo (medula oblonga), conectando a medula espinal ao encéfalo e ligando partes do encéfalo entre si, por meio de tratos. Os núcleos pontinos retransmitem impulsos nervosos, relacionados aos movimentos esqueléticos voluntários, do córtex cerebral para o cerebelo. A ponte também contém os centros apnêustico e pneumotáxico, que ajudam a controlar a respiração. Os núcleos vestibulares, que estão presentes na ponte e no bulbo (medula oblonga), são parte da via de equilíbrio para o encéfalo. Também estão presentes na ponte os núcleos associados com os nervos cranianos V-VII1. 3. O mesencéfalo conecta a ponte e o diencéfalo e circunda o aqueduto do mesencéfalo. Contém tratos sensitivos e motores. Os colículos superiores coordenam os movimentos da cabeça, olho e tronco em resposta aos estímulos visuais; os colículos inferiores coordenam os movimentos da cabeça, olhos e tronco em resposta aos estímulos auditivos. O mesencéfalo também contém os núcleos associados com os nervos cranianos 111 e IV. 4. Uma grande parte do tronco encefálico consiste em pequenas áreas de substância cinzenta e substância branca chamadas de formação reticular, que ajuda a manter a consciência, provoca o despertar do sono e contribui para a regulação do tônus muscular. Cerebelo 1. O cerebelo ocupa as faces inferior e posterior da cavidade do crânio. Consiste em dois hemisférios laterais e, medialmente, um verme constrito. 2. O cerebelo se conecta ao tronco encefálico por meio de três pares de pedúnculos cerebelares. 3. O cerebelo facilita e coordena as contrações dos músculos esqueléticos. Também mantém a postura e o equilíbrio. Diencéfalo 1. O diencéfalo circunda o terceiro ventrículo e consiste no tálamo, hipotálamo e epitálamo. 2. O tálamo encontra-se superiormente ao mesencéfalo e contém núcleos que atuam como estações retransmissoras para grande parte dos impulsos sensitivos para o córtex cerebral. Além disso, contribui para as funções motoras, transmitindo informações do cerebelo e núcleos da base para a área motora primária do córtex cerebral. Além disso, o tálamo exerce uma função na manutenção da consciência. 3. O hipotálamo localiza-se abaixo do tálamo. Controla e integra a divisão autônoma do sistema nervoso, produz hormônios e regula os padrões comportamentais e emocionais (junto com o sistema límbico). O hipotálamo também contém um centro da fome e um centro da saciedade, que regulam a ingestão de alimento, e um centro da sede, que regula a ingestão de líquidos. Além disso, o hipotálamo controla a temperatura corporal, atuando como o termostato do corpo. Também está presente no hipotálamo o núcleo supraquiasmático, que regula os ritmos circadianos e atua como o relógio biológico interno do corpo. 4. O epitálamo consiste na glândula pineal e nos núcleos habenulares. A glândula pineal secreta melatonina, que é considerada promotora do sono e ajuda a ajustar o relógio biológico do corpo. 5. Os órgãos circunventriculares (CVO) monitoram as alterações químicas no sangue, porque não possuem barreira hematoencefálica. Cérebro 1. O cérebro é a maior parte do encéfalo. Seu córtex contém giros (convoluções), fissuras e sulcos. 2. Os hemisférios cerebrais são divididos em quatro lobos: frontal, parietal, temporal e occipital. 3. A substância branca do cérebro encontra-se profunda ao córtex e consiste, basicamente, em axônios mielinizados, que se estendem a outras regiões, como fibras de projeção, comissurais e de associação. 4. Os núcleos da base são diversos grupos de núcleos em cada hemisfério cerebral. Ajudam a iniciar e a finalizar os movimentos, suprimem movimentos indesejados e regulam o tônus muscular. 5. O sistema límbico inclui a parte superior do tronco encefálico e o corpo caloso. Atua nos aspectos emocionais de memória e de comportamento. Organização Funcional do Córtex Cerebral 1. As áreas sensitivas do córtex cerebral permitem a percepção de informação sensitiva. As áreas motoras controlam a execução dos movimentos musculares. As áreas de associação estão relacionadas com funções integrativas mais complexas, como memória, traços de personalidade e inteligência. 2. A área somatossensorial primária (áreas 1, 2 e 3) recebe impulsos nervosos dos receptores sensitivos somáticos para o tato, pressão, vibração, prurido, cócegas, temperatura, dor e propriocepção, e está comprometida com a percepção dessas sensações. Cada ponto dentro da área recebe impulsos provenientes de uma parte específica da face ou do corpo. 3. A área visual primária (área 17) recebeinformação visual e está comprometida com a percepção visual. 4. A área auditiva primária (áreas 41 e 42) recebe informação relacionada ao som e está comprometida com a percepção auditiva. 5. A área gustativa primária (área 43) recebe impulsos para o paladar e está implicada na percepção gustativa e discriminação do paladar. 6. A área olfatória primária (área 28) recebe impulsos relacionados ao odor e está implicada na percepção olfativa. 7. As áreas motoras incluem a área motora primária (área 4), que controla as contrações voluntárias de músculos ou grupos de músculos específicos, e a área da fala de Broca (áreas 44 e 45), que controla a produção da fala. 8. A área de associação somatossensorial (áreas 5 e 7) permite que determinemos a forma e a textura exatas de um objeto, simplesmente tocando-o, e percebamos a relação de uma parte do corpo com a outra. Também armazena memórias das experiências sensitivas somáticas passadas. 9. A área de associação visual (áreas 18 e 19) relaciona as experiências visuais presentes às passadas e é essencial para reconhecer e avaliar o que é visto. 10. A área de reconhecimento facial (áreas 20, 21 e 37) armazena informações sobre rostos e permite que reconheçamos as pessoas por seus rostos. 11. A área de associação auditiva (área 22) permite que reconheçamos um som específico, como fala, música ou ruído. 12. O córtex orbitofrontal (área 11) permite que identifiquemos odores e discriminemos entre diferentes odores. 13. A área de Wemicke (área 22 e, possivelmente, 39 e 40) interpreta o significado da fala, traduzindo palavras em pensamentos. 14. A área de integração comum (áreas 5, 7, 39 e 40) integra interpretações sensitivas provenientes das áreas de associação e impulsos originados de outras áreas, permitindo pensamentos baseados em influxos sensitivos. 15. O córtex pré-frontal (áreas 9, 10, 11 e 12) está relacionado com personalidade, intelecto, habilidades complexas de aprendizado, julgamento, raciocínio, consciência, intuição e desenvolvimento de idéias abstratas. 16. A área pré-motora (área 6) gera impulsos nervosos que provocam a contração de grupos de músculos específicos em sequências definidas. Também atua como um banco de memória para movimentos complexos. 17. A área dos campos oculares frontais (área 8) controla os movimentos voluntários de busca dos olhos. 18. Existem diferenças anatômicas sutis entre os dois hemisférios e cada um possui funções exclusivas. Cada hemisfério recebe sinais sensitivos provenientes do lado oposto do corpo e controla seus movimentos. O hemisfério esquerdo é mais importante para a linguagem, habilidades numéricas e científicas e raciocínio. O hemisfério direito é mais importante para o conhecimento artístico e musical, percepção de padrões e espacial, reconhecimento de rostos, conteúdo emocional da linguagem, identificação de odores e geração de imagens mentais da visão, audição, tato, paladar e olfato. 19. As ondas cerebrais geradas pelo córtex cerebral são registradas a partir da superfície da cabeça em um eletroencefalograma (EEG). O EEG pode ser usado para diagnosticar epilepsia, infecções e tumores. Nervos Cranianos 1. Doze pares de nervos cranianos originam-se do nariz, olhos, orelha interna, tronco encefálico e medula espinal. 2. Os nervos cranianos são nomeados essencialmente com base na sua distribuição e são numerados de I-X1I, em ordem de fixação no encéfalo. O Quadro 14.4 resume os tipos, as localizações, as funções e os distúrbios dos nervos cranianos. Desenvolvimento do Sistema Nervoso 1. O desenvolvimento do sistema nervoso começa com um espessa- mento de uma região do ectoderma chamada de placa neural. 2. Durante o desenvolvimento embrionário, as vesículas encefálicas primárias se formam a partir do tubo neural e atuam como precursoras de diversas partes do encéfalo. 3. O telencéfalo forma o cérebro, o diencéfalo desenvolve-se no tálamo e no hipotálamo, o cérebro médio forma o mesencéfalo, o metencéfalo forma a ponte e o cerebelo, e o mielencéfalo forma o bulbo (medula oblonga). Envelhecimento e Sistema Nervoso 1. O encéfalo cresce rapidamente durante os primeiros anos de vida. 2. Os efeitos relacionados à idade envolvem perda de massa encefá- lica e diminuição da capacidade de enviar impulsos nervosos. Comparação entre a Divisão Autônoma e a Parte Somática do Sistema Nervoso 1. A parte somática do sistema nervoso funciona sob controle consciente; a DASN, normalmente, funciona sem controle consciente. 2. O influxo sensitivo para a parte somática do sistema nervoso origina-se, principalmente, dos sentidos especiais e dos sentidos somáticos; o influxo sensitivo para a DASN é proveniente dos intereceptores, com contribuições provenientes dos sentidos somáticos e especiais. 3. Os axônios dos neurônios motores somáticos estendem-se a partir do SNC e fazem sinapse diretamente com um efetor. As vias motoras autônomas consistem em dois neurônios motores em série. O axônio do primeiro neurônio motor estende-se a partir do SNC e faz sinapse, em um gânglio, com o segundo neurônio motor; o segundo neurônio faz sinapse com um efetor. 4. A parte eferente (motora) da DASN tem duas divisões: simpática e parassimpática. Grande parte dos órgãos do corpo recebe inervação dupla; normalmente, uma parte da DASN provoca excitação e a outra, inibição. 5. Os efetores da parte somática do sistema nervoso são os músculos esqueléticos; os efetores da DASN incluem o músculo cardíaco, o músculo liso e as glândulas. Anatomia das Vias Motoras Autônomas 1. Um neurônio pré-ganglionar é o primeiro de dois neurônios motores em qualquer via motora autônoma; o axônio do neurônio pré-ganglionar estende-se até um gânglio autônomo, no qual faz sinapse com um neurônio pós-ganglionar, o segundo neurônio na via motora autônoma. Os neurônios pré-ganglionares são mielinizados; os neurônios pós-ganglionares são amielínicos. 2. Os corpos celulares dos neurônios simpáticos pré-ganglionares localizam-se nos cornos laterais da substância cinzenta dos 12 segmentos torácicos e dos primeiros dois ou três segmentos lombares da medula espinal; os corpos celulares dos neurônios parassimpá- ticos pré-ganglionares encontram-se nos núcleos de quatro nervos cranianos (III, VII, IX e X), no tronco encefálico, e nos comos laterais da substância cinzenta do segundo ao quarto segmentos sacrais da medula espinal. 3. Existem dois grupos principais de gânglios autônomos: gânglios simpáticos e gânglios paras simpáticos. Os gânglios simpáticos incluem os gânglios do tronco simpático (em ambos os lados da coluna vertebral) e os gânglios pré-vertebrais (anteriores à coluna vertebral). Os gânglios parassimpáticos são conhecidos como gânglios terminais (próximo ou dentro dos efetores viscerais). 4. Os neurônios simpáticos pré-ganglionares fazem sinapse com os neurônios pós-ganglionares nos gânglios do tronco simpático ou nos gânglios pré- vertebrais; os neurônios parassimpáticos pré- ganglionares fazem sinapse com os neurônios pós- ganglionares nos gânglios terminais. Neurotransmissores e Receptores da DASN 1. Os neurônios colinérgicos liberam acetilcolina. Na DASN, os neurônios colinérgicos incluem todos os neurônios simpáticos e parassimpáticos pré-ganglionares, os neurônios simpáticos pós- ganglionares, que inervam a maioria das glândulas sudoríparas, e todos os neurônios pós-ganglionares parassimpáticos. 2. A acetilcolina liga-se aos receptores colinérgicos. Os dois tipos de receptores colinérgicos, ambos os quais fixam a acetilcolina, são os receptores nicotínicos e muscarínicos. Os receptores nicotínicos estão presentes nas membranas plasmáticas dos dendritos e corpos celulares de ambos os neurônios parassimpáticose simpáticos pós- ganglionares, nas membranas plasmáticas das células cromafms, da medula da glândula suprarrenal e na placa terminal motora na junção neuromuscular. Os receptores muscarínicos estão presentes nas membranas plasmáticas de todos os efetores inervados pelos neurônios pós- ganglionares parassimpáticos e na maioria das glândulas sudoríparas inervadas pelos neurônios pós-ganglionares simpáticos colinérgicos. 3. Na DASN, os neurônios adrenérgicos liberam norepinefrina. A maioria dos neurônios pós- ganglionares simpáticos é adrenérgica. 4. A epinefrina e a norepinefrina ligam-se aos receptores adrenérgicos encontrados nos efetores viscerais inervados pela maioria dos neurônios pós- ganglionares simpáticos. Os dois tipos principais de receptores adrenérgicos são os receptores alfa e beta. 6. Um agonista é uma substância que se liga a um receptor, ativando-o, e imita o efeito de um hormônio ou neurotransmissor natural. Um antagonista é uma substância que se liga a um receptor, bloqueando-o, evitando, dessa forma, que um neurotransmissor ou hormônio natural exerça seu efeito. Fisiologia da DASN 1. A parte simpática favorece as funções do corpo que são capazes de suportar atividade física vigorosa e rápida produção de ATP (resposta de luta ou fuga); a parte parassimpática regula as atividades que conservam e restabelecem a energia do corpo. 2. Os efeitos da estimulação simpática são mais duradouros e mais difundidos do que os efeitos da estimulação parassimpática. Integração e Controle das Funções Autônomas 1. Um reflexo autônomo ajusta as atividades do músculo liso, do músculo cardíaco e das glândulas. 2. Um arco reflexo autônomo consiste em um receptor, um neurônio sensitivo, um centro de integração, dois neurônios motores autônomos e um efetor visceral. 3. O hipotálamo é o principal centro de integração e controle da DASN. Está conectado às partes simpática e parassimpática.