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Casco (ungula) do equino

Anatomia e morfologia do casco equino: redução ao 3º dedo; definição ampliada (estojo córneo, falange distal, articulação, cartilagens, osso navicular, tendão e bursa); descrição do formato, ângulos, parede (dorsal, quartos, calcanhares) e face solear (sola, cunha/ranilha).

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Casco (ungula) do equino 
- esqueleto digital do equino se reduz a um terceiro dedo, que compõe o casco; 
-Alguns indivíduos podem nascer com um segundo ou quarto dedo adicional 
(polidatilia), que costuma ser mais curto que o dedo principal e não faz contato com 
o solo. 
-A redução do esqueleto a uma única estrutura de carga coloca o terceiro dedo sob 
uma força mecânica significativa → A integridade e a condição do casco são 
essenciais para o equino; 
-definição: em outros contextos ele inclui o estojo córneo da falange distal, mas 
também o apêndice córneo, bem como as seguintes estruturas musculoesqueléticas 
envolvidas : 
● Parte distal da falange média (os coronale); 
● Articulação interfalângica distal 
● Falange distal 
● Cartilagem ungular lateral e medial 
● Osso sesamoide distal (navicular) com a parte terminal do tendão flexor profundo 
dos dedos; 
● Bolsa navicular (bursa podotrochlearis). 
 
 
➔ Formato 
 
-potro recém-nascido >> são bilateralmente simétricos e apresentam o mesmo 
formato em todos os quatro pés; 
-equino adulto > diferenças são o resultado das forças exercidas sobre o casco 
durante a locomoção > Esse processo se inicia imediatamente após o nascimento, e 
após alguns meses é possível diferenciar os pés esquerdos e direitos e anteriores e 
posteriores em um indivíduo; 
-O confinamento de cavalos jovens normalmente resulta no desenvolvimento de 
deformidades nos cascos; 
-O ângulo do dedo com o solo é de cerca de 45 a 50º no membro torácico e 
ligeiramente maior (de 50 a 55º) no membro pélvico; 
-Os quartos (paredes lateral e medial do casco) descem em direção ao solo de modo 
mais íngreme na face medial, o que pode ser usado para identificar espécimes de 
casco direito e esquerdo; 
-A forma da face de contato difere entre os pés dianteiros e traseiros: a sola dos 
cascos frontais é mais circular, enquanto a face de contato dos cascos traseiros é oval 
com o ápice na altura do dedo; 
 
 
➔ Parede 
 
-dividida em várias partes: 
● Parte dorsal ou dedo > é o ponto mais dorsal do casco; 
● Lados ou quartos > são a parte da parede que segue o dedo no sentido 
palmar/plantar até a parte mais larga do casco; 
● Calcanhares > parte traseira arredondada do casco; 
● Partes inflexas laterais e mediais > calcanhares voltam sobre si mesmos para 
prosseguir adiante em uma distância curta ao lado da cunha como as partes inflexas, 
as quais proporcionam estabilidade para o tecido ósseo relativamente delgado e 
móvel dos calcanhares; 
 
 
➔ Face Solear 
 
-face de contato do casco; 
-compõe-se de: 
● Margem solear >> 
● Sola córnea >> preenche o espaço entre a parede e a cunha e forma a maior parte 
da face inferior do casco; ligeiramente côncava, de forma que apenas a margem da 
sola e a cunha fazem contato com o solo firme; A maior parte do peso do corpo, 
portanto, recai sobre a margem da sola; formada por um corpo apical e pilares lateral 
e medial que se projetam do corpo no sentido palmar/ plantar ao ângulo da sola 
entre as partes inflexas e os quartos; 
Não há tela subcutânea sob o segmento solear; A derme está em contato direto com a 
face da sola da falange; Sua superfície é pontilhada por papilas longas com 
orientação ligeiramente apical; A epiderme possui uma estrutura tubular; 
As camadas profundas do tecido córneo solear compõem-se de uma combinação de 
túbulos e de tecido córneo intertubular que formam uma unidade firme semelhante 
ao tecido córneo coronário, porém mais macia; As camadas superficiais possuem 
uma consistência esfarelada e coloração cinza esbranquiçada; elas descamam com 
facilidade e, desse modo, mantêm a concavidade natural da sola; 
● Cunha córnea, ranilha > se projeta da parte traseira entre os dois pilares da sola, 
dos quais ela é separada por dois sulcos paracuneais medial e lateral; 
A ranilha consiste em dois pilares que se encontram no ápice da cunha, o qual aponta 
para o dedo; A base da cunha completa o espaço entre os calcanhares, onde forma a 
parte palmar/plantar do casco; A face de contato da cunha é marcada por um sulco 
central e uma espinha interna correspondente, o suporte da cunha; 
Dependendo do solo e do modo como o equino é calçado, a cunha contribui para a 
face de suporte de peso do casco; 
é a estrutura amortecedora mais importante do casco; Sua forma de “W” em secção 
transversal e seu tecido córneo elástico permitem que a cunha resista a forças de 
pressão ao fazer contato com o solo e, dessa forma, dissipa grande parte do impacto 
resultante. 
Quando o pé perde o contato com o solo, a pressão é liberada e a cunha retoma sua 
forma original; A almofada digital sob a cunha complementa essa função 
amortecedora; A derme é densamente coberta com papilas volumosas, as quais são 
mais curtas que as da derme solear e possuem uma orientação em espiral; A 
epiderme não possui uma camada granulosa e o tecido córneo produzido é 
razoavelmente macio e elástico; Os túbulos córneos espiralam para a superfície 
seguindo a matriz dérmica; é um local suscetível à ação de corpos estranhos , como 
pregos, por exemplo, que podem penetrar estruturas subjacentes vitais como a bolsa 
navicular. Essas lesões exigem cuidados veterinários imediatos 
● Coxim córneo, bulbo > base da cunha é contínua proximalmente com os coxins 
córneos; os coxins dos calcanhares podem ser divididos em partes lateral e medial 
separadas por um sulco ( fossa intratorica ), a continuação do sulco central da 
cunha; 
A almofada digital sob a cunha continua sob os coxins do casco; 
A derme também é contínua com a da cunha; Sua face apresenta papilas finas 
semelhantes às do segmento perióplico. A epiderme inclui uma camada granulosa e a 
cornificação é do tipo macio; A camada córnea é relativamente delgada e compõe-se 
predominantemente de tecido córneo intertubular; A epiderme dos coxins do casco e 
na base da cunha contém glândulas sudoríparas modificadas (glandulae tori); 
 
 
 
 
 
➔ Segmentos-Após o isolamento do estojo córneo, os três segmentos proximais do casco podem 
ser facilmente identificados no interior do estojo córneo e na superfície da derme 
● Segmento perióplico ou limbo > O sulco do limbo se situa próximo à coroa, 
entre os segmentos perióplico e coronário; forma uma faixa com poucos milímetros 
de espessura no sentido imediatamente distal à pele pilosa e se prolonga até os 
coxins do casco no sentido palmar/plantar; A tela subcutânea é modificada para 
formar a almofada perióplica saliente , a qual une os coxins do casco na face 
posterior; A derme é pontilhada de papilas delgadas; A epiderme compreende a 
camada externa da parede > forma uma faixa de tecido córneo macio com 
consistência de borracha e poucos milímetros de espessura próxima à coroa, mas se 
resseca em uma camada delgada e brilhosa distalmente; compõe-se de uma mescla 
de tecido córneo tubular e intertubular, a qual perde sua estrutura tubular mais 
distalmente; O tecido córneo costuma se desgastar quando alcança a metade da 
parede do casco; As células córneas e o material de ligação membranoso são capazes 
de ligar moléculas de água, de forma que o tecido córneo perióplico atua como um 
reservatório de líquidos para manter o tecido córneo coronário subjacente 
umedecido e, portanto, elástico. O componente lipídico do material de ligação 
membranoso impede que o tecido córneo absorva ou perca água em demasia; 
● Segmento coronário ou coroa (corona) > distal ao limbo; A tela subcutânea 
subjacente é espessada para formar a almofada coronária que se projeta para fora na 
coroa; A derme coronária forma uma grande quantidade de papilas de até 8 mm de 
comprimento, dispostas em fileiras e direcionadas distalmente; A epiderme 
coronária produz tecido córneo de uma estrutura tubular distinta correndo 
distalmente em direção à margem de sustentação do peso paralelamente à face 
parietal da falange distal; é bastante resistente ao estresse e à pressão e forma a 
camada média da parede do casco; O tecido córneo coronário pode ser subdividido 
em camadas externa, média e interna , caracterizadas por diferentes tipos de 
túbulos córneos; 
I. A camada externa é composta predominantemente de túbulos córneos ovais 
em secção transversal. 
II. Nas camadas externa e média, as células córneas que formam os túbulos se 
dispõem em diversas lâminas, de modo semelhante a uma cebola. Essa forma 
de construção proporciona resistência máxima contra forças que se irradiam 
diretamente de fora para dentro . 
III. A camada interna do tecido córneo coronário é formada por túbulos córneos 
redondos, os quais contêm células córneas fusiformes em seu córtex. Essa 
disposição proporciona resistência contra forças proximodistais, agindo 
portanto como amortecedores . 
O limite entre as camadas interna e média, onde os dois tipos diferentes de tecido 
córneo se unem, é suscetível a fissuras, as quais podem levar a rachaduras na parede 
do casco; 
● Segmento parietal ou parede > forma o segmento interno sob o tecido córneo 
coronário; se torna visível apenas na face da sola como a zona branca (zona alba), a 
união entre a sola e a parede; 
Não há tela subcutânea sob o segmento parietal; A camada reticular da derme é 
contígua à face parietal da falange distal; A derme compõe-se de cerca de 600 
lâminas primárias que correm em uma direção proximodistal > As lâminas primárias 
carregam cerca de 110 lâminas secundárias cada, as quais também se orientam 
proximodistalmente; Também possuem papilas na crista em sua origem proximal e 
na terminação distal; a epiderme também forma lamelas primárias e secundárias que 
se entrelaçam com as lâminas dérmicas; Apenas as lâminas primárias possuem uma 
camada córnea; Elas se deslocam gradualmente em direção ao solo, empurradas por 
proliferação contínua, e aparecem na face de contato como a zona branca; A 
epiderme sobre as papilas da crista forma túbulos córneos, os quais normalmente 
perdem sua estrutura tubular antes de alcançarem a face de contato; O processo de 
cornificação para o corno lamelar é do tipo rígido, enquanto a cornificação sobre as 
papilas é do tipo suave. O tecido córneo terminal formado pela epiderme sobre as 
papilas terminais na extremidade distal das lâminas compõe-se de túbulos córneos 
com um diâmetro mais largo e espaços medulares maiores. Na zona branca, torna-se 
visível como um tecido córneo marrom-amarelado, preenchendo as lacunas entre o 
tecido córneo lamelar. O tecido córneo da parede forma a união entre o tecido córneo 
coronário e o segmento parietal, o qual está firmemente fixado ao osso subjacente. As 
longas células córneas das lâminas epidérmicas se caracterizam por múltiplas 
câmaras preenchidas com líquido que proporcionam a elasticidade de uma cama de 
água multicompartimentada. A zona branca (zona alba) forma uma união flexível 
entre o tecido córneo coronário rígido e o tecido córneo solear mais suave; A 
composição heterogênea da zona branca, em que o tecido córneo laminar rígido se 
mescla com o tecido córneo tubular macio faz com que a zona branca seja um ponto 
fraco para lesões mecânicas, químicas e biológicas. 
A medula dos túbulos córneos se decompõe precocemente e permite que líquidos e 
agentes infecciosos se estabeleçam, resultando em infecções ascendentes . Em sua 
função como barreira contra influências ambientais, o tecido córneo do casco é mais 
eficaz no cavalo-de-Przewalsky não domesticado do que nas raças modernas de 
cavalos; 
 
 
 
➔ Suspensão da falange distal 
 
-está suspensa no estojo córneo pela derme e epiderme dos segmentos proximais que 
formam a parede do casco e estão firmemente unidos ao periósteo; 
-Essa disposição anatômica protege a falange distal contra a sobrecarga; 
-O estresse compressor sobre o osso se transforma em forças tensoras por meio da 
suspensão da falange distal na parede do casco e então transforma-se em estresse 
compressor na margem solear; 
-A derme se une à face parietal da falange distal por zonas de inserção lineares 
orientadas proximodistalmentecompostas por cartilagem fibrosa não mineralizada 
na superfície, e por cartilagem fibrosa mineralizada sobreposta; 
-Além de proporcionarem fixação para a derme, essas zonas de inserção também 
formam lâminas cartilaginosas responsáveis pelo crescimento da falange distal. 
-O periósteo preenche os espaços entre essas zonas cartilaginosas e é local de 
ossificação intramembranosa; 
-As fibras colágenas da derme se prolongam através da camada reticular para formar 
as lâminas dérmicas primárias, as quais contêm lâminas secundárias que se 
entrelaçam com as lâminas epidérmicas; 
-Com início na falange distal, a orientação proximodistal oblíqua das fibras colágenas 
é contínua ao longo das lâminas primárias e secundárias. 
-As células córneas e os filamentos de queratina se orientam na mesma direção. 
-O desenvolvimento de lâminas secundárias proporciona uma superfície maior e, 
dessa forma, uma união mais firme que pode resistir às forças consideráveis às quais 
o casco do equino está sujeito . 
-Em equinos com laminite, a suspensão da falange se deteriora, e o osso começa a 
afundar ou a girar >> Caso todos os segmentos sejam afetados, como ocorre em 
casos muito graves, a base do casco se desprende totalmente da derme; 
 
➔ VASCULARIZAÇÃO 
 
 
★ Artérias 
- ocorre por meio de 2 artérias 
I. as artérias digitais palmares/plantares lateral e medial >> são ramos 
da artéria digital palmar comum e da artéria metatarsal dorsal III , 
respectivamente. 
-No membro pélvico, as artérias digitais plantares comuns menores II e III 
também contribuem para a formação das artérias digitais. 
-Os ramos para os coxins dos calcanhares e as artérias coronárias medial e lateral se 
desprendem na altura da falange média; 
Depois de enviar ramos para a cunha e para as diferentes partes da parede do casco, 
essas artérias entram a falange distal a partir das faces medial e lateral e se 
anastomosam no interior do osso para formar o arco terminal; 
A partir do arco terminal, de 8 a 10 vasos se projetam distalmente e deixam o osso na 
margem solear para formar a artéria da margem solear ; 
 
★ Veias 
 
-A derme do casco inclui uma densa rede venosa que forma a veia da margem 
solear distalmente e está conectada ao arco terminal venoso; 
-Uma rede venosa adicional se encontra no interior das cartilagens do casco; 
-Veias maiores atravessam a cartilagem do casco e se conectam ao plexo venoso da 
derme solear e parietal; 
-A drenagem venosa ocorre por meio de várias veias coronárias , dos ramos das 
veias da almofada digital e da veia da margem solear >> Estas terminam por 
desembocarem nas veias digitais palmares/ plantares lateral e medial ou no 
arco terminal , formado por essas veias inseridas na falange distal; 
 
★ Drenagem Linfática 
 
-A linfa do casco do membro torácico drena para os linfonodos cubitais e a linfa 
do membro pélvico para o linfonodo poplíteo profundo ; 
 
 
★ Inervação 
 
● Membro Pélvico 
 
-Os nervos digitais comuns II e III são ramos do nervo tibial ; 
Seu padrão de ramificação é semelhante ao dos nervos correspondentes do membro 
torácico; 
-O dedo do casco recebe inervação adicional por nervos metatarsais dorsais 
lateral e medial, ramos do nervo fibular profundo >>> Todos esses nervos 
são bloqueados em diversos níveis no diagnóstico de claudicação. 
O princípio por trás desse procedimento é que um equino claudicante irá se 
recuperar quando a área dolorida for dessensibilizada. Várias injeções, nas quais 
áreas cada vez maiores são dessensibilizadas, são necessárias para identificar o local 
da lesão; 
 
● Membro Torácico 
 
-Ao contrário de outras espécies , a inervação sensorial do casco frontal no equino 
ocorre exclusivamente pelos ramos do nervo mediano . 
-Os nervos digitais palmares comuns II e III prosseguem como nervos 
digitais palmares lateral e medial após emitirem um ramo dorsal para os 
segmentos perióplico, coronário e parietal; 
-Os nervos digitais palmares enviam ramos para os coxins do casco, para a 
articulação interfalângica distal e para o complexo navicular e inervam a parte 
palmar das cartilagens do casco, a parede, a sola, a cunha e os coxins do casco; 
 
 
 
 
 
 
 
 
➔ Biomecânica do casco 
 
-As forças que atuam sobre a falange distal são transmitidas para a parede do casco e 
desencadeiam seu mecanismo funcional; 
A parte proximal da parede se retrai, enquanto os calcanhares se separam. 
A sola se achata e a cunha se alarga; 
-Quando o pé deixa o solo, o casco recupera sua forma original, o que é possível 
devido à natureza elástica do tecido córneo do casco; 
-Encontram-se evidências desse movimento dos calcanhares na face proximal polida 
das ferraduras nessa área; 
-É fundamental que as ferraduras não sejam pregadas à parede nessa região, pois do 
contrário esse mecanismo será impedido . Portanto, a ferradura é pregada à parede 
apenas na altura do dedo e dos quartos ; 
 
➔ Produção da camada córnea 
 
-O índice de produção da camada córnea varia nos diferentes segmentos, indivíduo 
para outro e de modo geral é mais rápido em equinos com menos de 5 anos de idade . 
-O tecido córneo coronário é produzido em um índice de cerca de 8 a 10 cm ao ano. 
Portanto, ele se renova completamente a cada ano , e melhorias na qualidade do 
tecido córneo que podem ser alcançadas por meio de complementos alimentares 
levarão um ano para se tornarem evidentes . 
-O tecido córneo da sola e da cunha cresce cerca de 6 mm ao ano. 
-Cavalos-de-Przewalsky não domesticados exibem um ciclo sazonal com índices 
de crescimento mais elevados no verão e mais baixos no inverno;

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