Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 1 de 169 
 
Aula 1 – Conceito de Gene 
Introdução 
 Objectivos da Biologia Molecular 
A Biologia Molecular é o estudo da 
Biologia a nível molecular, com especial foco no 
estudo da estrutura e função do material 
genético e seus produtos de expressão, as 
proteínas. Mais concretamente, investiga as 
interacções entre os diversos sistemas celulares, 
incluindo a relação entre DNA, RNA e síntese 
proteica. 
Um dos objectivos da Biologia Molecular é compreender como a 
informação é armazenada nos genes (aspectos estruturais) e como essa 
informação é usada pelas células (aspectos funcionais). 
 
 Evolução do Conceito de Informação Hereditária 
Os traços hereditários são definidos pela sua capacidade de passar 
duma geração para a outra duma forma previsível. 
 Cronologia do DNA 
Gregor Mendel (1865) – descreve as leis 
básicas da hereditariedade a partir de um estudo 
sobre sucessivas gerações de ervilhas verdes e 
amarelas. Concluiu que existiam elementos 
autónomos que controlavam as características 
hereditárias. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 2 de 169 
 
Os factores hereditários são transmitidos inalterados de geração em 
geração – experiências com ervilheiras-de-cheiro. 
 
Johann Friedrich Miescher (1869) – Extrai o que se tornará 
conhecido como DNA do núcleo de glóbulos brancos e esperma. 
 
Francis Galton (1876) – Propõe a "lei da hereditariedade ancestral" –
cada progenitor contribuía com ¼ dos traço herdados e os avós contribuíam 
com o resto. Foi o pai da eugenia (Definição: estudo dos agentes sob o 
controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das 
futuras gerações seja física ou mentalmente). 
 
Walther Flemming (1878) – Descobriu no núcleo 
das células, a cromatina, e observou durante a mitose a 
divisão desta substância em filamentos mais tarde 
denominados cromossomas. 
 
 
 
Theodor Boveri (1888) – Sugere pela primeira vez que os 
cromossomas tenham um papel principal na hereditariedade. Verifica que o 
esperma e o óvulo contribuem com o mesmo número de cromossomas durante 
a fertilização. 
 
DeVries, Correns, Tschermak (1900) – Confirmam 
independentemente as experiências de Mendel, sem terem conhecimento 
prévio destas. 
 
Sutton and Boveri (1903) – Propõem independentemente que os 
factores hereditários se localizam nos cromossomas. 
 
Bateson (1905) – Propõe o termo "Genética" para descrever o estudo 
da hereditariedade. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 3 de 169 
 
Garrod (1908) – Confirma a hereditariedade recessiva na doença alfa-
fenilcetonuria. 
 
Johannsen (1909) – Propõe que os factores hereditários de Mendel 
sejam designados “genes”. 
 
Morgan (1910) – Inicia os seus trabalhoscom a mosca da fruta 
Drosophila melanogaster. Conclui que um gene está sempre num determinado 
local dum dado cromossoma e introduz assim, o conceito de "mapeamento 
genético". 
 
1920 – Os cromossomas são constituídos por DNA e proteínas. 
 
Griffith (1928) – Propõe o conceito de princípio transformante, em 
experiências com Streptococcus pneumoniae (S e R). 
 Experiência de Griffith: 
Griffith usou duas estirpes que são distinguíveis pela 
aparência das suas colónias quando crescidas em culturas laboratoriais. Numa 
das estirpes, um tipo virulento normal, as células estão cobertas por uma 
cápsula, dando às colónias uma aparência lisa (smooth): daí chamar-se S a 
esta estirpe. Na outra estirpe, um tipo mutante, não virulento, que cresce nos 
ratos mas não é letal, a cápsula está ausente, dando a estas colónias um 
aspecto rugoso (rough), sendo esta estirpe chamada de R. 
Griffith matou algumas células virulentas, fervendo-as, e 
injectou-as nos ratos. Os ratos sobreviveram, mostrando que as carcaças das 
células não causam a morte. No entanto, ratos injectados com uma mistura de 
células virulentas mortas pelo calor e células não virulentas vivas morreram. 
Mais surpreendente ainda: células vivas podiam ser recuperadas dos ratos 
mortos; estas células davam colónias lisas e eram virulentas após injecção 
subsequente. De alguma forma, os destroços das células S mortas, 
converteram as células R vivas a células S vivas – princípio transformante. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 4 de 169 
 
 
 
Caspersson e Schultz (1938) – Supunham que a informação 
hereditária (genes) estava contida nas proteínas dos cromossomas. 
 
Avery (1944) – O princípio transformanteé oácido 
desoxirribonucleicoou DNA. 
 Experiência de Avery, MacLeod e McCarty: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 5 de 169 
 
Beadle e Ephrussi (1945) – Propõem que cada gene controla a 
actividade dum único enzima. 
 
Chargaff (1949) – Em todos os organismos, é mantida a igualdade: 
A/T = G/C, o que implica: (A+G) = (T+C), ou seja: [A]=[T] e [G]=[C]. 
 
Chase e Hershey (1952) – Confirmam que o DNA é o material 
genético, convencendo finalmente a comunidade científica. 
 Experiência de Chase e Hershey: 
Levaram a cabo experiências com o fago T2: 
consiste unicamente numa cápside que contém o material genético, e infecta 
uma bactéria quando adere à sua membrana externa, injectando o material 
genético. Como consequência, o sistema genético da bactéria reproduz o vírus. 
Numa primeira experiência, marcaram o DNA dos 
fagos com o isótopo radioactivo fósforo-32 (P-32). Deixaram que os fagos da 
cultura bacteriana infectassem as bactérias E.coli e posteriormente retiraram 
as coberturas proteicas das células infectadas mediante centrifugação. 
Descobriram que o indicador radioactivo era visível somente nas células 
bacterianas e não nas coberturas proteicas. 
 
 
 
Numa segunda experiência, 
marcaram os fagos com o isótopo 
enxofre-35 (S-35). O aminoácidos 
cisteína e metionina contêm enxofre, 
diferentemente do DNA. 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 6 de 169 
 
Depois da separação, descobriu-se que 
o indicador estava presente nas coberturas 
proteicas, mas não nas bactérias infectadas. 
Com isto confirmou-se que é o material 
genético o que infecta as bactérias. 
 
 
 
 
 
Rosalind Franklin e Maurice Wilkins (1950s) – Uso da difracção de 
raios X na análise de fibras de DNA - as moléculas são helicoidais com dois 
tipos de periodicidade. 
 
Watson e Crick (1953) – Propõem a estrutura do DNA em dupla hélice 
e um mecanismo para a sua replicação. 
 
1960 – Descoberta do RNA mensageiro (mRNA). 
 
Jacob e Monod (1961) – Teoria da regulação génica. 
 
Nirenberg (1961) – Descobre o 1º tripleto originando a descoberta do 
código genético. 
 
Gilbert e Sanger (1977) – Técnica de sequenciação do DNA. 
 
Hood ( 1986) – Construiu o primeiro sequenciador automático. 
 
1986 - Início do projecto de sequenciação Genoma Humano. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 7 de 169 
 
O Gene 
 Gene 
Unidade de informação biológica (de hereditariedade). A informação 
genética serve de base para processos bioquímicos. 
O gene é a sequência de ácidos nucleicos que transporta a informação 
para uma dada proteína ou moléculade RNA com actividade funcional. 
 Há genes que codificam somente RNA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 8 de 169 
 
 Actividade dos Genes 
1. Genes Constitutivos (“housekeeping”) – encontram-se sempre 
em actividade, devido às suas proteínas serem 
permanentemente necessárias às células. 
 
 
 
 
2. Genes Indutíveis – genes que permanecem silenciados até a 
célula ser exposta a determinado estímulo que induz a sua 
expressão. 
 
3. Pseudogenes – genes homólogos a outros genes, mas que não 
são expressos – não “funcionam” 
 
 
 
 
 Organização Genómica 
1. Genes Descontínuos (Split genes) – a informação biológica 
contida em alguns genes (de Eucariotas) é descontínua, 
encontrando-se separada por sequências intervenientes ou 
intrões de DNA. 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 9 de 169 
 
2. Operão – cluster de genes codificantes para uma série de 
proteínas (enzimas) que pertencem à mesma via metabólica. 
 
 
 
 
 
 
 
Cluster: agrupamento de células da mesma família, mesmo 
sendo codificados por genes diferentes (ex: família das globulinas – α, β, 
γ-globulinas. 
 
3. Famílias multigénicas – clusters de genes relacionados entre 
si, sendo as respectivas sequências semelhantes ou iguais. 
 
 
 
 
 
 
 
Organização Genómica em diferentes espécies 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 10 de 169 
 
Aula 2 – Natureza do Material Gene tico 
Material Genético 
 Ácidos Nucleicos 
1. Contém informação acerca da estrutura das proteínas (DNA); 
2. Participam na selecção e ligação dos aminoácidos necessários 
para formar as proteínas (RNA); 
3. Formam-se através de ligações fosfodiéster entre nucleótidos 
sucessivos; 
4. Para participar nessas ligações, na posição 3’ tem de haver –
OH. A formação desta ligação dá-se de 5’ para 3’. 
 
Dogma central da Biologia Molecular: 
foi descrito em 1958 por Francis Crick na tentativa de relacionar o DNA, o RNA 
e as proteínas. Diz que o DNA pode replicar-se e dar origem a novas moléculas 
de DNA, pode ainda ser transcrito em RNA, e este por sua vez traduz o código 
genético em proteínas. No entanto, algumas descobertas posteriores não 
coincidiram com este Dogma: 
 O RNA pode sofrer replicação em alguns vírus e plantas 
 O RNA viral, através de uma enzima denominada transcriptase 
reversa, pode ser transcrito em DNA 
 O DNA pode directamente traduzir proteínas específicas sem 
passar pelo processo de transcrição, porém o processo ainda 
não está bem claro 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 11 de 169 
 
Código Genético: 
 
 
 
 
 
Nucleótido: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diferentes pentoses: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Ribose – Tem o grupo –OH na extremidade 2’ 
 Desoxirribose – em vez do grupo –OH na extremidade 2’, tem um H 
 Bases azotadas – dão especificidade às moléculas 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 12 de 169 
 
Formação da 
dupla hélice 
Esqueleto 
hidrófilo 
Desoxirriboses e 
fosfatos virados 
para o exterior 
Interior 
hidrófobo 
Bases viradas 
para o interior 
O emparelhamento 
origina um minor groove 
e um major groove (este 
ideal para a ligação das 
proteinas) 
Há emparelhamento 
específico A-T e C-G 
Estrutura das bases azotadas: 
 
 
 DNA 
A estrutura tridimensional do DNA – a dupla hélice – surge a partir das 
características químicas e estruturais das suas duas cadeias polinucleotídicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 13 de 169 
 
 
 
 
As duas cadeias polinucleotídicas são 
complementares e anti-paralelas (dá estabilidade). 
A estrutura da dupla hélice é estabilizada 
por ligações de hidrogénio, forças de Van der Waals 
e interacções dipolo-dipolo. 
 
 
 
Propriedades do DNA: 
 Desnaturação e Annealing (Renaturação) 
 
Desnaturação: 
 Separação reversível das cadeias 
 Quebra das ligações de hidrogénio 
 Ligações covalentes não são desfeitas 
 
Renaturação: 
 Remoção das condições desnaturantes 
 DNA aquecido – arrefecimento 
 Restabelecimento de pH ~7,0 
 Formação de novas ligações de hidrogénio 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 14 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Conteúdo em GC 
O aumento do conteúdo em GC aumento o valor de Tm 
(temperatura à qual metade do DNA se encontra desnaturado). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Superenrolamentos (Supercoiling) 
o Ocorre só em DNA “fechado” sem pontas livres/soltas 
o O DNA “fechado” pode ser circular ou linear 
o As pontas não têm liberdade rotacional 
o Corresponde ao sobre enrolamento da dupla hélice de 
DNA como resultado de uma tensão estrutural 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 15 de 169 
 
DNA torcido 
na direcção da 
hélice 
superenrolamento 
positivo 
bases mais firmes 
na direcção oposta 
à da hélice 
superenrolamento 
negativo 
bases mais 
"frouxas" 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O DNA pode ser torcido num processo denominado superenrolamento. 
No estado relaxado do DNA, uma fita normalmente dá uma volta completa ao 
eixo da dupla hélice a cada 10,4 pares de base, mas se o DNA está torcido, as 
cadeias ficam mais ou menos enroladas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 16 de 169 
 
Na natureza, o DNA apresenta um ligeiro superenrolamento negativo 
que é causado pela acção da enzima topoisomerase. Estes enzimas também 
são necessárias para aliviar o stress de torção causado no DNA durante os 
processos de transcrição e replicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 3 – Empacotamento do Material Gene tico 
Eucariotas VS Procariotas 
 Eucariotas 
Nos eucariotas as células têm compartimentos separados por 
membranas, como o núcleo e o mitocôndrio. O genoma fica restringido ao 
núcleo. 
 Procariotas 
Nos procariotas, não existem compartimentos internos. O genoma não 
está num compartimento específico. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 17 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
Empacotamento do Material Genético 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Empacotamento em Vírus 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 18 de 169 
 
 Empacotamento em Procariotas 
Nos procariotas, o genoma é normalmente constituído por um só 
cromossoma circular. 
Logo, o DNA enrolado aleatoriamente tem um volume 1000x superior 
ao volume da célula. Repulsão entre cargas negativas dos fosfatos. 
Nos Procariotas, o DNA acumula-se no nucleóide. 
 
 
 
 
 
 
 
Quando ocorre a lise bacteriana,as fibras de DNA são libertadas sob a 
forma de loops agarrados à membrana da célula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Empacotamento em Eucariotas 
O empacotamento do material genético denomina-se cromatina, nos 
eucariotas. 
Dá-se o nome de cromatina ao complexo de DNA e proteínas (que 
juntas denomina-se cromossoma) que se encontra dentro do núcleo celular nas 
células eucariotas. As principais proteínas da cromatina são as histonas. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 19 de 169 
 
Numa célula eucariota, quase todo o DNA está compactado na 
cromatina. O DNA é "empacotado" na cromatina para diminuir o seu tamanho e 
para permitir maior controle por parte da célula de tais genes. 
Grande parte da cromatina é localizada na periferia do núcleo, 
possivelmente pelo fato de uma das principais proteínas associadas com a 
heterocromatina ligar-se a uma proteína da membrana nuclear interna. 
Conhecem-se dois tipos de cromatina: 
 Eucromatina – consiste em DNA activo, ou seja, que pode-se 
expressar como proteínas e enzimas. O DNA está menos empacotado. 
 Heterocromatina – consiste em DNA 
inactivo e que parece ter funções estruturais durante o 
ciclo celular. O DNA está altamente empacotado, o que 
não permite o acesso a enzimas como os RNA e DNA 
polimerases, por isso diz-se que a heterocromatina é 
inactiva. 
 
Estrutura da cromatina 
 A fibra de 10 nm 
A fibra de 10 nm, num estado parcialmente 
"desenrolado", consiste num "rosário" em que as 
"contas" são os nucleossomas (baixa concentração 
salina). 
 A fibra de 30 nm 
A fibra de 30 nm apresenta uma 
estrutura "enrolada" – Condições fisiológicas. 
 
 
 
Ampliação a 10 nm. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 20 de 169 
 
A descoberta do Nucleossoma 
 Nucleossoma 
O nucleossoma é o nome dado à unidade fundamental da cromatina 
e consiste numa unidade de DNA, dividida em duas espirais, que se enrolam 
em torno de um disco proteico, constituído por quatro pares de proteínas 
chamadas histonas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O nuclease de micrococcus hidrolisa, inicialmente 
(digestão parcial), entre os nucleossomas: nos mono-
nucleossomas, os fragmentos de DNA têm ~200 pb. 
Aumentando o tempo de digestão pelo nuclease de 
micrococcus o tamanho das bandas de DNA vai diminuindo 
sucessivamente, em passos discretos: 200, 165 e 146 pb. 
 
 
Estrutura cristalina do nucleossoma 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 21 de 169 
 
 
 
 
 
 
Sequências de DNA que ficam em voltas diferentes do nucleossoma 
podem ficar próximas. 
 
 
 
 
 
 Propriedades das histonas 
Robert Kornberg estabeleceu que os nucleossomas são constituídos 
por partes equimolares de todas as histonas, à excepção da H1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Proteínas não-histónicas (NHPs) – todas e quaisquer proteínas 
associadas à cromatina, incluindo as que possuem funções de expressão 
genética (topoisomerases, RNA polimerases, etc.) ou condensação 
(condensinas, coesinas, etc.). 
Proteínas HMG (“high mobility group”) – constituem um grupo bem 
definido das NHPs, com elevado número de resíduos polares (função 
estrutural). 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 22 de 169 
 
 Função das histonas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Histona H1 – é necessária para que os complexos histona-DNA (a H1 
liga-se externamente ao centro do nucleossoma) formem uma fibra de 30nm de 
espessura, enrolando assim o DNA de uma forma ainda mais eficaz. 
 
Histonas H2A, H2B, H3 e H4 – As histonas H3 e H4 apresentam 
sequências idênticas em organismos distintos, sugerindo que desempenham 
funções idênticas em todos os eucariotas. 
Os tipos H2A e H2B possuem 
também sequências idênticas, com 
algumas variações específicas nas 
espécies. Duas histonas de cada 
classe (H2A,H2B, H3 e H4) agregam-
se para formar um nucleossoma, 
juntamente com DNA, o chamado 
octâmero. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 23 de 169 
 
Nucleossomas e Condensação da Cromatina 
 
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=Pj9cdVeIntY 
 
Aula 4 – A ativaça o da cromatina 
Nucleossoma: permite que o DNA se encontre estático. No entanto, a 
sua estrutura tem de ser flexível para que possam ocorrer processos de 
transcrição (de mRNA) e de replicação (por exemplo na divisão celular). 
 
Até que ponto é mantida a estrutura nucleossómica da cromatina 
durante a replicação e a transcrição? 
São visíveis nucleossomas em ambas as 
fibras de cromatina recém-replicada. 
A estrutura nucleossómica da cromatina 
deve desfazer-se durante a duplicação do DNA, 
mas é rapidamente reformada em ambas as 
hélices da cromatina recém-replicada. Como? 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 24 de 169 
 
Existem dois modelos para explicar o que acontece aos nucleossomas 
pré-existentes: 
 
Modelo dispersivo: cada molécula-filha é formada por porções da 
molécula inicial e por regiões sintetizadas de novo, a partir dos nucleótidos 
presentes na célula. 
Modelo conservativo: a molécula de DNA progenitora mantém-se 
íntegra, servindo apenas de molde para a formação da molécula-filha, a qual 
seria formada por duas novas cadeias de nucleótidos. 
Como se formam os novos nucleossomas? 
In vitro o DNA pode interatuar diretamente com 
um octâmero de histonas, ou pode interatuar com o 
tetrâmero H32-H42, ao que se segue a adição de dois 
dímeros H2A E H2B. 
In vivo a integridade dos nucleossomas durante 
a replicação pode ser testada por experiencias de 
cross-linking das histonas, isto faz-se atraves de: 
1. Crescer células na presença de 
aminoácidos “pesados” (por exemplo, marcados 
radioativamente) 
2. Posteriormente deixar a replicação do 
DNA prosseguir em presença de aminoácidos “normais”; 
3. Adicionar agentes de cross-linking e separar os nucleossomas 
por gradientes de densidade (os octâmeros iniciais têm aminoácidos pesados e 
por isso são mais densos do que os “novos”). 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 25 de 169 
 
Se ocorrer conservação dos nucleossomas o que se espera é obter 
uma banda numa zona de maior densidade, que corresponde aos octâmeros 
originais, e uma banda numa zona de menor densidade, que corresponde aos 
nucleossomas “novos”, como é visível na figura correspondente à hipótese A. 
No entanto não é o que se obtém, o que se obtém é uma banda de 
densidade intermédia entre a densidade dos nucleossomas novos e antigos. 
Isto indica que as histonas se separam e voltam depois a ligar-se, sendo o 
octâmero formado tanto por histonas novas como pelas histonas “originais”, ou 
seja, não há conservação do nucleossoma inteiro. Isto é visível na figura 
correspondente à hipótese B. 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 26 de 169 
 
 Formação in vivo dos novos nucleossomas 
Durante a replicação, o garfo replicativo 
desloca os octâmeros de histonas que se 
dissociam em tetrâmeros – 2(H3+H4) – e em 
dímeros – H2A e H2B. Estes tetrâmeros e dímeros 
antigos misturam-se que outros tetrâmeros e 
dímeros novos. A ligação dashistonas ao DNA 
inicia-se por ligação dos tetrâmeros 2(H3+H4) – 
ligação assistida por CAF-1, e depois é que ocorre 
a ligação dos dímeros H2A e H2B para formar o 
octâmero. A montagem dos octâmeros é aleatória quanto ao facto de ser uma 
histona antiga ou nova. Quanto à transcrição é possível que ocorra da mesma 
forma. 
Para ajudar à assemblagem dos nucleossomas são necessárias 
proteínas acessórias: 
 CAF-1 e ASF1 são proteínas de assemblagem de histonas 
associadas à maquinaria de replicação; 
 HIRA e a variante histónica H3.3 são usadas para assemblagem 
independente da replicação. 
 
Nucleossomas em fase 
Os nucleossomas têm um posicionamento 
(ou faseamento) pré-determinado? 
 O posicionamento dos nucleossomas 
colocaria um local de restrição em posição única, 
relativamente ao DNA linker, reconhecido pela 
nuclease de micrococcus, que hidrolisa os 
monómeros de DNA. O fragmento de restrição 
tinha sempre o mesmo tamanho, pelo que se 
obtém uma única banda no gel de eletroforese. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 27 de 169 
 
Na ausência de posicionamento dos nucleossomas, 
um dado local de restrição fica em todas as posições 
possíveis em diferentes cópias do genoma. São produzidos 
fragmentos de todos os tamanhos quando um enzima de 
restrição hidrolisa num local especifico (vermelho) e a 
nuclease micrococcal hidrolisa junto das junções entre 
nucleossomas (verde). 
 
 Transcrição 
 O que acontece aos nucleossomas? 
 O RNA polimerase tem um tamanho maior do que o nucleossoma, 
o que lhe dificulta seguir o DNA à volta deste. 
 Quando o DNA está associado aos nucleossomas, o RNA 
polimerase e os fatores de transcrição não têm acesso ao DNA. 
 
 Quando o RNA polimerase e os fatores de transcrição estão 
ligados ao DNA, os octâmeros de histonas (nucleossomas) não têm acesso ao 
DNA. 
 
Logo os nucleossomas têm de se dissociar para que os fatores de 
transcrição e o RNA polimerase se possam ligar. Depois da transcrição, os 
nucleossomas formam-se rapidamente. 
A transcrição vai envolver o relaxamento e o desenrolamento do DNA 
em certas regiões da cromatina – vai ocorrer portanto, uma alteração 
conformacional do DNA. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 28 de 169 
 
 Histonas e ativação da cromatina 
 
 Experiência 1 
Quando o DNA é exposto em simultâneo a 
histonas e fatores basais de transcrição, as 
histonas formam nucleossomas na TATA box 
e bloqueiam o acesso aos fatores basais de 
transcrição. 
 
 Experiência 2 
Quando o DNA é exposto aos fatores basais 
antes das histonas (passo 1), os fatores basais 
associam-se à TATA box, deixando as 
histonas de fora, quando posteriormente 
adicionadas. 
 
 Experiência 3 
Quando o DNA é exposto em 
simultâneo a histonas, fatores basais e 
ativadores, estes permitem a ligação 
dos fatores à TATA box, bloqueando o 
acesso das histonas. 
 
 Conclusões a retirar destas experiências 
o Histonas e fatores basais de transcrição competem para o acesso 
à TATA box. Em simultâneo, ‘ganham’ as histonas. 
o As histonas podem, portanto, ajudar à repressão de genes. 
o Para haver ativação dos genes, as histonas têm de ser removidas 
da TATA box. 
o As proteínas ativadoras podem desempenhar uma função de 
disrupção do nucleossoma e ativação de transcrição dos genes. 
o No interior da região codificante, o nucleossoma não inibe a 
transcrição, embora possa abrandar a passagem do RNA polimerase. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 29 de 169 
 
o Genes constitutivos (de housekeeping: ou seja, genes sempre 
“ligados”) são normalmente desprovidos de nucleossomas na TATA box, ao 
contrário dos genes indutíveis (ie, genes que so tem função em determinadas 
alturas). Estas zonas sem nucleossomas só ocorrem quando o gene é ativo. 
o Locais de hipersensibilidade ao DNase I 
Os locais de hipersensibilidade são criados pela estrutura da cromatina 
e variam de tecido para tecido (já que depende se o gene se encontra ativo ou 
não). Pensa-se que estes locais resultam da ligação de proteínas de regulação 
que excluem os nucleossomas. Existem de locais de hipersensibilidade ao 
DNase I nas regiões que regulam a transcrição, nas origens de replicação de 
genes ativos e nos centrómeros, ou seja, são desprovidos de nucleossomas 
todos os locais onde a dupla hélice inicia uma função 
 Estes locais permitem a associação de proteínas não histónicas. São 
zonas muito sensíveis a enzimas de restrição. 
 
As localizações dos locais de hipersensibilidade podem ser 
determinados utilizando o enzima DNase I: 
1. O DNase I vai hidrolisar num local de 
hipersensibilidade, já que é o local mais 
exposto; 
2. A molécula de DNA encontra-se 
agora hidrolisada. 
3. Hidrolisando com outro enzima de 
restrição (local de hidrólise conhecido) 
obtém-se um fragmento que numa ponta foi 
hidrolisado pelo DNase I e noutra ponta foi 
hidrolisado com o enzima de restrição. 
4. Como se sabe onde o enzima de 
restrição hidrolisa, através de uma 
eletroforese sabe-se o tamanho do 
fragmento em causa e, desta forma, onde 
se encontrava o local de hipersensibilidade. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 30 de 169 
 
o Os nucleossomas são deslocados e reassemblados durante a 
transcrição 
A maioria dos genes transcritos retêm uma 
estrutura nucleossómica, apesar das alterações na 
organização da cromatina durante a transcrição. 
Alguns genes altamente transcritos parecem 
ser casos excecionais, sendo desprovidos de 
nucleossomas. 
Experiências mostram que o nucleossoma 
continua ligado ao DNA, mas numa posição 
diferente. O nucleossoma deve voltar à sua 
posição inicial apos o processo de transcrição 
estar concluído. 
 
 
Os promotores ativos estão marcados por locais 
de hipersensibilidade ao DNase porque os octâmeros 
de histonas foram deslocados do DNA. 
Quando o RNA polimerase começa a síntese de 
RNA, este encontra-se ligado aos locais onde o DNA 
está livre de histonas. Para prosseguir durante a 
elongação, as histonas e os octâmeros que se 
encontram à frente têm de ser deslocados. No entanto, 
para evitar que o DNA fique exposto (a enzimas de 
restrição, por exemplo) é necessário que estas 
proteínas se voltem a ligar rapidamente. 
In vitro, para que ocorra transcrição é 
necessário adicionar a proteína FACT (facilitates 
chromatin transcription) que funciona como um factor 
de elongação na transcrição. Esta proteína vai causar 
a dissociação da subunidade H2A-H2B do octâmero, 
ou seja, vai produzir “hexassomas”. Esta proteína pode 
também estar envolvida na montagem dos octâmeros 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 31 de 169 
 
no final do processo de transcrição. Outros fatores são responsáveis pela 
libertação dos dímero H3 e H4. 
 Acetilação de Histonas 
A ativação da transcrição está associada com a 
acetilação das histonas (adição de um grupo acetil – 
COCH3) na região promotora. 
As histonas possuem "caudas flexíveis" que podem 
sair do nucleossoma e sofrer acetilações nos resíduos de 
lisina. 
Os enzimas que catalisam a acetilação das 
histonas podem ser de dois tipos: 
 Histona acetiltransferases ou HATs – enzimas que promovem a 
acetilação das histonas; que se dividem em: 
o Grupo A – envolvidos na transcrição; 
o Grupo B – atuam em histonassintetizadas de novo no 
citosol, estão também envolvidos na formação dos 
nucleossomas; 
 Histona diacetilase ou HDACs – enzimas que promovem a 
desacetilação das histonas, provocam a condensação da cromatina 
e a inibição da transcrição. A tricostatina e o ácido butírico são 
inibidores dos HDACs, e no laboratório podem ser utilizados como 
ativadores de genes normalmente inativos ou pouco expressos. 
 
Os ativadores e os repressores dos genes 
atuam via acetilação e desacetilação das caudas das 
histonas 
Demonstrou-se que fatores coativadores da 
transcrição conhecidos possuíam atividade de histona 
acetilases (HAT) atuando nas "caudas" das histonas. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 32 de 169 
 
 
 A alteração do promotor envolve alterações na cromatina 
A remodelação de complexos pode facilitar a 
ligação de complexos de acetiltransferases e vice 
versa. 
A metilação de histonas também pode 
recrutar complexos que modificam cromatina. 
Diferentes modificações e complexos 
facilitam a elongação da transcrição. 
A metilação do DNA e das histonas está 
associada à cromatina inativada a longo prazo (e.g., 
genes silenciados) 
 
 
 
A formação de heterocromatina é iniciada quando a 
proteína RAP1 se liga ao DNA. SIR3/SIR4 ligam-se a 
RAP1 e também às histonas H3/H4. O complexo vai 
polimerizando ao longo da cromatina e pode ligar os 
telómeros à matriz nuclear. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 33 de 169 
 
Aula 5 – Auto perpetuaça o do DNA 
Replicação Semi-Conservativa 
 Experiência de Meselson & Stahl 
Meselson e Stahl, em 1958, realizaram experiências que tinham como 
objectivo comprovar a hipótese semi-conservativa, trabalhando com a 
marcação do DNA por incorporação de 15N. 
Os cientistas imaginaram que, se as duas cadeias polinucleotídicas de 
uma molécula de DNA fossem marcadas, seria possível fazer uma previsão 
sobre o destino dessas cadeias no decorrer das gerações seguintes. 
 
 
 
Células de E.coli crescem em meio contendo apenas 15N (azoto 
pesado – isótopo estável com 8 neutrões e 7 protões) durante várias gerações. 
O DNA é extraído e centrifugado em gradiente de densidade. 
As células são lavadas e passam a crescer em meio com 14N (azoto 
normal – 7 neutrões e 7 protões). 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 34 de 169 
 
 A replicação 
O DNA replicado é visualizado sob a forma dum "olho" flanqueado pelo 
DNA ainda não replicado. 
O "olho replicativo" forma uma estrutura em θ (theta) na replicação 
duma molécula de DNA circular. 
 
 
 
 O replicão 
É a unidade de replicação, ou seja, a porção de DNA que é replicado 
pela mesma origem de replicação (Ori) e "entra em acção" apenas uma vez por 
ciclo celular. Uma vez iniciada a replicação, esta só pára quando todo o 
genoma da célula tiver sido replicado. 
Nos procariotas existe apenas um replicão, enquanto nos eucariotas 
existe grande número de replicões que têm de entrar em acção quase em 
simultâneo para todo o genoma ter sido replicado antes da divisão celular. 
As regiões Ori são ricas em timina e adenina – a natureza destas 
ligações é mais fraca que as de guanina e citosina, o que facilita a abertura da 
cadeia dupla, e são reconhecidas por um par de enzimas, os helicases. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 35 de 169 
 
 
 
 
 
 
 Garfos Replicativos 
Os garfos replicativos estão organizados em focino núcleo. A 
replicação do DNA a partir dos garfos de replicação é bidireccional. 
 
 
 
 
Em E. coli há um replicão: os términos 
da replicação encontram-se no local de 
encontro dos dois garfos replicativos. 
Em Eucariotas há vários replicões por 
cromossoma – há fusão de replicões. 
Núcleo onde se vê todo o DNA 
corado com iodeto de propídeo. 
Núcleo marcado com um anticorpo anti-brometo 
de desoxiuridina (BrdU) que identifica o DNA em 
replicação 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 36 de 169 
 
 Replicação em Círculos Rolantes 
A origem inicia a replicação apenas numa das cadeias, produzindo 
multímeros da sequência original em cadeia simples (replicação unidireccional). 
Como exemplo pode ser a replicação do genoma de certos fagos 
(como o fago M13). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 37 de 169 
 
 Replicação em D-loops 
Há uma origem de replicação diferente em cada uma das duas cadeias 
(L e H): 
1. Replicação da cadeia H inicia-se num "D loop" (com primer de 
RNA). 
2. Replicação da cadeia L inicia-se quando origem L fica exposta 
pela passagem do garfo replicativo do D-loop. 
 
Exemplo: a replicação do DNA mitocondrial e no DNA dos 
cloroplastos. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 38 de 169 
 
 O problema dos replicões lineares 
PROBLEMAS: 
 Tem de ser usada uma estratégia especial para poder replicar a cadeia 
de DNA com uma extremidade 5’ num replicão linear. 
 O DNA polimerase só funciona na direcção 5'-3' e precisa de uma 
extremidade 3'-OH como "primer“. 
SOLUÇÕES: 
 Conversão da molécula linear em circular (fagos T4 e λ) 
 Formação duma estrutura especial, e.g., hairpin (Paramecia) 
 Extremidades de comprimento variável (eucariotas) 
 Presença duma proteína que permite a iniciação da síntese na própria 
extremidade (adenovírus, vírus de RNA da poliomielite) 
 
 
Deslocação da cadeia: Um modo 
de replicação do DNA de alguns 
vírus que é iniciada separadamente 
nas duas extremidades da molécula 
e em que a nova cadeia de DNA 
cresce por deslocação da cadeia 
mãe (homóloga). 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 39 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Telómeros e Telomerase 
 
Os extremos dos 
cromossomas normais são constituídos 
por estruturas denominadas telómeros 
que impedem a união de cromossomas. 
São estruturas constituídas por fileiras 
repetitivas de proteínas e DNA não 
codificante. 
Os telómeros estão presentes principalmente em células eucarióticas, 
visto que o DNA das células procarióticas forma cadeias circulares, logo não 
tem locais de terminação, embora existam excepções como: bactérias com 
DNA linear e que possuem telómeros. 
 
 
Telomerase: enzima que tem como função adicionar sequências 
específicas e repetitivas de DNA à extremidade 3' dos cromossomas, onde se 
encontra o telómero. Este enzima é um transcriptase reversa, tendo na sua 
estrutura um modelo em RNA que utiliza para sintetizar o DNA telomérico, em 
eucariotas. 
A proteína terminal de adenovírus liga-se à 
extremidade 5’ do DNA, proporcionando um 
grupo C-OH (citidina com 3’-OH) que o 
polimerase usa para iniciar a síntese da 
nova cadeia de DNA. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 40 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Replicação e Ciclo Celular 
O telomerase posiciona-se na cadeia 
de DNA protuberante por emparelhamento de 
bases com a sua molécula de RNA – 
ribozima. Vai adicionando as bases de acordo 
com o "molde". O ciclo recomeçade novo 
após a adição duma unidade completa 
(GGGTTG). O telomerase está activo nas 
células germinais e estaminais onde é muito 
importante manter as sequências 
cromossómicas intactas. 
Nas células somáticas, o 
encurtamento do telómero dá um limite ao 
número de divisões celulares possíveis e 
conduz à senescência. 
A senescência celular é importante na 
supressão do cancro. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 41 de 169 
 
Em E. coli, a replicação do cromossoma bacteriano demora 40 
minutoa, seguido de divisão celular 20 minutos depois. 
Quando a bactéria esta a crescer rapidamente, a replicação pode 
decorrer mais rapidamente do que a divisão celular. O resultado podem ser 
cromossomas bacterianos com múltiplos garfos replicativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Replicação em Eucariotas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em bactérias, a segregação 
cromossómica pode necessitar de 
recombinação em locais específicos. 
Um cromossoma circular replica-se 
produzindo duas moléculas-filhas 
monoméricas que segregam com as 
células-filhas 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 42 de 169 
 
Aula 6 – Mecanismos de Replicaça o do DNA 
 
DNA polimerase – enzima que catalisa a 
síntese da nova cadeia polinucleotídica de DNA 
O DNA é sintetizado pela adição de 
nucleótidos à extremidade 3’-OH da cadeia 
nascente, de forma que a nova cadeia cresce na 
direção 5’ 3’. Os DNA polimerase necessitam de: 
 Uma cadeia molde; 
 Uma extremidade 3’-OH livre; 
 Nucleótidos 
 
 
A separação das duas cadeias na extremidade livre (ou seja, no garfo 
replicativo) cria forças de torsão crescentes e faz com que o DNA ainda não 
separado fique mais enrolado. Para corrigir estas forças de torção existe um 
família de enzimas, os topoisomerases: 
Topoisomerase tipo I: enzimas que hidrolisam uma cadeia de DNA 
(dando origem aos nicks) 
Topoisomerase tipo II: enzimas que hidrolisam duas cadeias de DNA. 
 
Mecanismo de ação do DNA topoisomerase I 
A topoisomerase I introduz 
um nick no DNA, permitindo a 
rotação duma cadeia em torno da 
outra, aliviando a força de torsão 
que se acumula à frente do garfo 
replicativo. O nick é transitório, 
sendo religado imediatamente após 
o topoisomerase I ter libertado a 
outra cadeia. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 43 de 169 
 
Algumas topoisomerases só reconhecem 
superenrolamentos negativos e outras só reconhecem 
superenrolamentos positivos. As topoisomerases dos 
eucariotas são semelhantes, mas reconhecem 
enrolamentos positivos ou negativos e ligam-se 
covalentemente à cadeia de DNA que hidrolisam. 
 
As topoisomerases são 
responsáveis por separar os 
cromossomas no final da replicação 
em E. coli, através do processo de 
decatenação (processo em que se 
desligam duas moléculas de DNA que 
se encontram interligadas, é o oposto 
de catenação) 
 
Replicação do DNA 
1. Abertura da dupla hélice 
A replicação requer uma helicase para separar as cadeias da dupla 
hélice de DNA usando energia à custa da hidrólise de ATP. 
As SSBPs ("single-stranded binding proteins") são necessárias 
para manter separadas as duas cadeias simples 
 
2. O Priming é necessário para o início da síntese de DNA 
Todos os DNA polimerases requerem uma extremidade 3’-OH livre 
para iniciar a síntese de DNA. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 44 de 169 
 
3. Elongação e Topoisomerases 
A estrutura antiparalela das duas cadeias de DNA constitui um 
problema para a replicação. Enquanto o garfo de replicação avança, ambas as 
cadeias filhas devem ser sintetizadas enquanto as cadeias mãe se encontram 
expostas. No entanto o garfo replicativo avança no sentido 5’-3’ numa cadeia e 
no sentido 3’-5’ noutra, e os ácidos nucleicos são sintetizados apenas na 
direção 5’-3’. Este problema é resolvido sintetizando a cadeia 3’-5’ numa série 
de pequenos fragmentos que são formados no sentido 5’-3’. 
Na cadeia líder, a síntese de DNA procede de forma continua na 
direção 5’-3’, enquanto molécula de DNA é “desenrolada”. Na cadeia atrasada, 
(uma parte do DNA original tem de estar exposto) formam-se segmentos na 
direção oposta à do garfo replicativo. Estes fragmentos, denominados, 
fragmentos de Okazaki vão se juntando, formando uma cadeia atrasada 
completa. 
 
 
 
 
Síntese das cadeias líder e atrasada em E. coli: 
a) Intervenção de DNA helicases (que separam as duas cadeias), 
SSBPs ("single stranded binding proteins") que impedem o re-emparelhamento 
do DNA e de topoisomerases 
b) Síntese de primer de RNA (10-60 nt) pela primase 
c) A síntese das duas cadeias é catalisada por um dímero assimétrico 
da DNA polimerase III. 
 
Replicação da cadeia atrasada 
a) O primer de RNA (10-60 bases) é 
sintetizado pela primase, baseado na cadeia-mãe de 
DNA 
b) A DNA polimerase sintetiza a nova cadeia 
DNA a partir do 3’-OH do primer de RNA 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 45 de 169 
 
c) A polimerase remove o RNA a 5’ no final do fragmento de Okazaki 
seguinte e preenche o espaço com DNA 
d) A DNA ligase une dois fragmentos de Okazaki adjacentes e 
terminados 
 
4. Terminação 
Em E.coli, a replicação termina numa zona de repetições de 20 bp 
(zonas de terminação de replicação = "ter") 
As duas moléculas de DNA resultantes estão interligadas – catenanos 
A separação (decatenação) é feita pela topoisomerase IV. 
 
Enzimas incluídos no modelo de síntese de DNA (E. coli) 
 Helicase: abre as cadeias da dupla hélice original 
 Single stranded BPs (SSB): impedem o reemparelhamento das 
cadeias 
 Topoisomerase II: reduz a tensão na dupla hélice à frente do RF 
 Primase (RNA polimerase): inicia as novas cadeias de DNA 
 DNA polimerase III: é o principal enzima replicativo 
 DNA polimerase I: remove os primers de RNA 
 DNA ligase: liga os fragmentos de Okazaki na cadeia atrasada 
 Topoisomerase IV: faz a descatenação dos dois novos 
cromossomas (circulares) 
 
Assemblagem in vivo do DNA Polimerase III 
O DNA polimerase é constituído por 10 proteínas: 
 Existem 2 copias do centro ativo. Cada centro ativo contém uma 
subunidade α (que confere atividade ao DNA polimerase), uma subunidade ɛ 
(que confere atividade de proofreading 3’-5’). 
 Existem 2 cópias da subunidade de dimerização, Ƭ, que ligam os 
dois centros catalíticos 
 Existem 2 cópias de subunidade de processividade, β, que são 
responsáveis por ligar os centros catalíticos às respetivas cadeias; 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 46 de 169 
 
 O complexo γ é um grupo de 5 proteínas, “clamp loader”, que 
posiciona as subunidades de processividade no DNA, formando um clamp à 
sua volta. É responsável por adicionar um par de dímeros β a cada cadeia de 
DNA. 
 
Mecanismo de assemblagem: 
1. O dímero β e o complexo γ 
reconhecem o primer e formam um complexo 
inicial. Nesta reação, o complexo γ hidrolisa o ATP 
e transfere as subunidades β para o primer. O par 
de subunidades β forma um clamp que se liga à 
volta do DNA e assegura a processividade. A 
hidrolise do ATP permite a ligação da subunidade β 
ao DNA. 
2. A ligação ao DNA altera a 
conformação da subunidade β na ligação ao 
complexo γ,aumentando a afinidade da subunidade 
β para o centro ativo do polimerase. Esta alteração conformacional é o que vai 
permitir que o centro ativo se ligue ao DNA. 
3. O dímero τ liga-se ao centro ativo do polimerase promovendo a 
dimerização através da ligação de dois centros ativos. O holoenzima é 
assimétrico porque apenas tem um complexo γ. 
Modelo dimérico do DNA polimerase 
Enquanto uma subunidade 
sintetiza a cadeia líder de forma contínua, 
a outra subunidade vai sintetizando de 
forma descontínua a cadeia atrasada, 
iniciando e terminando os fragmentos de 
Okazaki. O “clamp” associado à cadeia 
atrasada dissocia-se e reassocia-se para 
cada fragmento de Okazaki. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 47 de 169 
 
Enzimas e fatores de replicação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DNA polimerases 
 DNA polimerase I: reparação de DNA; remove os primers de 
RNA nos fragmentos de Okazaki e substitui-os por DNA 
 DNA polimerase II: reparação de DNA; função não muito bem 
esclarecida 
 DNA polimerase III: sintetiza cadeias de DNA. Faz parte dum 
grande complexo, o holoenzima do DNA polimerase III. Uma das 
subunidades deste holoenzima é a subunidade β, que mantém 
a polimerase III associada ao DNA. 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 48 de 169 
 
Aula 7 – A Transcriça o em Procariotas 
O Ácido Ribonucleico (RNA) 
O RNA desempenha as suas funções em cadeia simples 
e a sua diversidade estrutural é muito superior à do DNA. As 
principais funções do RNA são o armazenamento e 
transmissão da informação genética e a catálise enzimática 
(ribozimas). 
O processo de síntese de RNA a partir da informação 
armazenada de forma permanente no DNA chama-se 
transcrição. 
Na transcrição, um sistema enzimático complexo 
converte a informação contida num segmento de DNA em 
cadeia dupla numa cadeia de RNA cuja sequência de bases é 
complementar a uma das cadeias de DNA. 
O processo é semelhante para os três tipos de RNA: mRNA, tRNA e 
rRNA. 
 
Transcrição e Replicação 
Semelhanças: 
 O mecanismo fundamental da reacção é semelhante; 
 A transcrição dá-se de 5’ → 3’; 
 Ambas necessitam dum molde para a síntese do DNA/RNA; 
 Os processos dividem-se em três fases: iniciação, elongação e 
terminação. 
 
Diferenças: 
 A transcrição é selectiva – apenas um gene ou um grupo 
específico de genes é transcrito de cada vez; 
 Na transcrição, apenas uma das cadeias é transcrita; 
 A transcrição não necessita de um iniciador (primer); 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 49 de 169 
 
 A iniciação da transcrição é complexa, dividindo-se em ligação 
dos factores ao DNA e iniciação da síntese de RNA. 
 Unidade Transcricional 
Uma unidade transcricional é uma porção de DNA transcrita numa 
única molécula de RNA (transcrito primário), começando no promotor e 
acabando no terminador. 
 
 
 
 
 
 A transcrição pelo RNA polimerase 
A função do RNA polimerase é copiar uma das cadeias de DNA em 
RNA. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 50 de 169 
 
 Cadeia Codificante e Cadeia Molde 
As duas cadeias de DNA têm funções distintas na transcrição, só uma 
serve de molde à síntese do RNA: cadeia molde. 
A cadeia de DNA complementar à cadeia molde designa-se por cadeia 
não molde ou cadeia codificante (má designação que traduz o facto de ser 
idêntica à molécula de RNA sintetizada, excepto devido à presença de ribose e 
uracilo). 
 
 
 
 
 
A cadeia codificante de um dado gene pode estarem qualquer uma das 
cadeias de DNA num cromossoma. 
 
 
 
 
 
As sequências que regulam a transcrição são por convenção descritas 
pela sequência na cadeia não-molde (por isso chamada "codificante"). 
 A “bolha” Transcricional 
 
 
 
 
 
 
 
 
Durante a transcrição, a 
"bolha" transcricional é 
mantida no interior do 
RNA polimerase. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 51 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 As fases da transcrição: 
1. Pré-iniciação – reconhecimento do DNA molde. 
2. Iniciação – início da síntese da cadeia de RNA pela adição dos 
primeiros 2-9 ribonucleótidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A síntese de RNA ocorre 
na "Bolha" Transcricional. 
 
 
 
O RNA polimerase não 
necessita de primer. O primeiro 
nucleótido fica intacto (sem 
perda de pirofosfato). 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 52 de 169 
 
3. Elongação – aumento da cadeia de RNA na direcção 5’ → 3’ 
pela adição de ribonucleótido. 
 
 
 
 
 
 
4. Terminação – libertação do polimerase e da cadeia de RNA 
completa. 
 
 
 
 
 
 
 A transcrição em Procariotas 
O alinhamento de múltiplos promotores evidencia a conservação de 
nucleótidos em determinadas posições a montante do local de início da 
transcrição. 
O promotor é uma sequência específica no DNA à qual os RNA 
polimerases se ligam. 
 
 O Promotor 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 53 de 169 
 
Mutações no promotor do operão Lac podem resultar quer no 
aumento ou na diminuição da actividade de transcrição, consoante a 
mutação se aproxima ou afasta da sequência canónica de consensus. 
 
 
 Promotores em Procariotas 
Um promotor típico possui 3 componentes: 
1. a sequência a –35; 
2. a sequência a –10; 
3. o início da transcrição (“startpoint”). 
 
Uma das cadeias de DNA no promotor possui os pontos de contacto 
para o RNA polimerase. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 54 de 169 
 
 O RNA polimerase de E.coli 
Os RNA polimerases de bactérias, especialmente de Escherichia coli, 
são os melhores caracterizados genética e bioquimicamente. 
Em todas as bactérias, um único tipo de RNA polimerase é responsável 
pela síntese de rRNA, mRNA e tRNA ao contrário dos eucariotas, onde o 
rRNA, mRNA e tRNA são descritos, tipicamente, por diferentes RNA 
polimerases: Pol I, II e III. 
 
Holoenzima (“Enzima completo”) – forma do RNA polimerase que é 
competente para iniciar a transcrição. Consiste nas cinco subunidades do 
enzima core e no factor σ. A composição das suas subunidades está na figura 
seguinte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O "core" dos RNA polimerases bacterianas são complexos de ~400 
kDa com múltiplas subunidades e com a estrutura geral α2ββ′ω. 
As subunidades β e β′são as principais subunidades catalíticas. 
O domínio CTD ("C-terminal domain") – é o domínio do RNA 
polimerase que está envolvido na estimulação da transcrição por contacto com 
as proteínas reguladoras. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 55 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Papel da Subunidade σ 
A subunidade σ é primeiramente responsável pelo 
reconhecimento do promotor. 
 Subunidades sigma distintas reconhecem diferentes 
sequências de consensus. 
 Factor anti-sigma – Uma proteína que se liga a um factorsigma inibindo a sua capacidade de se ligar a promotores específicos. 
 Aminoácidos da subunidade σ contactam bases específicas na 
cadeia não transcrita da sequência –10 do promotor. 
 A hélice da subunidade sigma determina a sua especificidade. 
 A subunidade α também contribui para o reconhecimento do 
promotor. 
 A subunidade σ mais comum é a σ70. 
 A subunidade σ não possui centro activo para proofreading. 
 Os erros na transcrição são de 1 em 104-105 nucleótidos 
incorporados. A correcção de um erro faz-se por reversão da actividade de 
polimerase. 
 A subunidade σ dissocia-se do enzima logo após o 
reconhecimento, ficando apenas o enzima core durante o resto da transcrição. 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 56 de 169 
 
O modelo para o movimento do enzima é sugerido pela sua estrutura 
cristalográfica: 
 
O DNA move-se através dum 
canal no RNA polimerase e faz uma 
curva acentuada no centro activo. 
 
Alterações de conformação em 
certos módulos flexíveis do enzima 
controlam a entrada nucleótidos no 
centro activo. 
 
 Complexos de Iniciação do RNA polimerase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O RNA polimerase liga-se ao 
promotor, formando um complexo fechado 
(o DNA está intacto). 
 
O DNA desemparelha parcialmente 
junto à região -10, formando um complexo 
aberto. 
 
A transcrição inicia-se levando a 
uma alteração conformacional no 
complexo. 
 
Na presença do complexo ternário, a 
iniciação é abortiva. 
 
Passa-se à fase da elongação, com 
a libertação da subunidade σ. 
 
O reconhecimento de diferentes 
promotores é feito mediante o uso de 
diferentes subunidades σ. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 57 de 169 
 
 Posicionamento do RNA polimerase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inicialmente, o RNA 
polimerase contacta com 
a região entre -55 e +20. 
 
 
 
Quando a subunidade sigma se 
dissocia, o enzima core contrai-se 
até -30. 
 
 
Quando o enzima se move alguns 
pares de bases, torna-se mais 
compactamente organizado no 
complexo de elongação. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 58 de 169 
 
 Reconhecimento do Alvo pelo RNA polimerase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 59 de 169 
 
 Reciclagem da subunidade σ e do Enzima core 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 60 de 169 
 
 Acção dos Enhancers 
São sequências estimuladoras da 
transcrição que podem acelerar a 
conversão do complexo binário fechado 
em complexo aberto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Elongação da Transcrição 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 61 de 169 
 
 Reinício da Transcrição 
Um RNA polimerase parada pode reiniciar a transcrição por uma 
reacção de hidrólise na extremidade 3’. 
 
 
 
 
 
 
 
 Terminação por Palindromas 
Palindroma – tem a propriedade de poder ser lida tanto da direita para 
a esquerda como da esquerda para a direita. 
 Exemplo: 
 5'-GAATTC-3' 
 3'-CTTAAG-5' 
Este tipo de segmento é um palíndroma de DNA, que significa que 
ambos os segmentos têm a mesma sequência de nucleótidos, mas com ordem 
inversa. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 62 de 169 
 
 
 
 
 
Os terminadores intrínsecos incluem 
regiões palindromas de 7 a 20 pb. 
 
 
 
A estrutura em "stem-and-loop" inclui 
uma região rica em GC’s ("stem") e 
outra com uma série de U’s. 
 
 
 Terminação Independente de Rho (ρ) 
Os sinais independentes de ρ formam uma pequena região em "hairpin" e 
possuem uma sequência de 3 A’s na cadeia molde junto da extremidade 3’ do 
"hairpin". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 63 de 169 
 
 Terminação Dependente de Rho 
(ρ) 
 
 
 
1. O factor Rho, liga-se a um local rut ("rho utilization site"); 
2. O factor Rho persegue o RNA polimerase, ligado a este; 
3. Quando o polimerase abranda (ou pára) num stem-and-loop, o factor 
Rho, consegue "apanhá-lo”; 
4. Rho induz a terminação desfazendo o híbrido DNA-RNA e todos os 
componentes são libertados. 
 Transcrição e Tradução 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 64 de 169 
 
 
 Anti-Terminação 
Pode ser usado um mecanismo de anti-terminação para controlar a 
transcrição. Os factores de anti-terminação atuam como subunidades do RNA 
polimerase que ignoram (fazem o readthrough) os sinais de terminação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 65 de 169 
 
Aula 8 – A transcriça o em Eucariotas 
Principais diferenças em relação à transcrição de procariotas 
 O processo é mais complexo, devido à estrutura nucleossómica do 
DNA. 
 Existem 3 RNA polimerases diferentes no núcleo das células 
eucarióticas: RNA polimerases I, II e III (para além da RNA polimerase 
mitocondrial e, nas plantas, da RNA polimerase dos cloroplastos); nos 
procariotas apenas existe um RNA polimerase com capacidade de 
reconhecimento do promotor (subunidade α). 
 Cada um dos RNA polimerases nucleares não se liga diretamente ao 
seu promotor respetivo mas sim a proteínas designadas fatores de transcrição 
que, por sua vez, se ligam a sequências de DNA específicas que constituem 
cada promotor. 
 Os mRNAs são mais estáveis e os processos de transcrição e 
tradução são espacialmente e temporalmente separados (ou seja, a transcrição 
ocorre no núcleo e a tradução ocorre no citoplasma). 
 
Fatores auxiliares 
Fatores Basais - são necessários ao início da transcrição em todos os 
promotores. Formam um complexo com a RNA polimerase em torno do início 
da transcrição (IT). 
Fatores a Montante (“Upstream Factors”) – são proteínas que se ligam 
ao DNA a montante do IT. São ubiquitários e a sua atividade não é regulada. 
Fatores Indutíveis - atuam como os fatores a montante, mas possuem 
atividade reguladora. Ligam-se a elementos de resposta. 
Fator de Transcrição  Qualquer proteína necessária para o início da 
transcrição, mas que não seja parte integrante da RNA polimerase. 
Enhancers  Sequências que estimulam a transcrição, mas que se 
situam a uma distância considerável do IT (a montante ou a jusante) e em 
qualquer orientação. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 66 de 169 
 
RNA polimerases 
 
 
Transcrição pelo RNA polimerase I 
A RNA Polimerase I usa um promotor bipartido: 
 
 
Spacer não-transcrito – Uma região entre a unidade transcricional 
num "cluster" de genes em tandem. 
O promotor da RNA polimerase I consiste num promotor core e num 
elemento a montante do promotor (UPE, "upstream promoter element"). 
O fator UBF1 enrola o DNA em torno duma estruturaproteica para 
trazer o core e o UPE em proximidade. 
 
Transcrição pelo RNA polimerase III 
A RNA Polimerase III usa três tipos de promotores: 
Promotores internos (tipo I e II)  que têm curtas sequências de 
consensus localizadas dentro da unidade transcricional e que induzem a 
iniciação a ocorrer a uma distância fixa "upstream". 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 67 de 169 
 
Promotores upstream  Contêm três curtas sequências de 
consensos "upstream" do início da transcrição e às quais se ligam fatores de 
transcrição. 
 
 
Transcrição pelo tRNAs em levedura 
A eficiência da transcrição depende do correto posicionamento de dois 
nucleossomas a montante do gene do tRNA e da maquinaria de transcrição no 
gene. 
 
Transcrição pelo RNA polimerase II: complexo de iniciação 
A RNA pol II requere sete fatores gerais de transcrição, ou GTFs 
("general transcription factors") e ATP para iniciar a transcrição. 
 
A ligação do TFIID à TATA box (ou Inr) é o primeiro passo da iniciação: 
a TBP posiciona a RNA Pol II na TATA box. 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 68 de 169 
 
Iniciação de transcrição 
Elementos "upstream" e os fatores que a eles se ligam aumentam a 
frequência da iniciação 
 
 Papel do TFIIH 
 O TFIIH funciona como local de ancoragem de um complexo de 
enzimas envolvidos na reparação do DNA 
 Mutações no "domínio XPD" do TFIIH são causadoras de 
doenças 
 
Fatores de iniciação do RNA polimerase II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 69 de 169 
 
A TBP é um Fator Universal de Posicionamento 
A TBP é a componente do fator de posicionamento 
que é requerida para os três tipos de RNA polimerases se 
ligarem ao seu promotor. 
Para o RNA polimerase II é o fator TFIID, que 
consiste na TBP mais aproximadamente 14 TAFs. 
As três polimerases ligam-se via fatores de 
compromisso. 
 
 
Promotor do RNA polimerase II 
Um promotor típico do RNA polimerase II consiste em dois tipos de 
regiões: 
1. Promotor core – que inclui a 
TATA box, onde se ligam os fatores basais, e 
situado perto do início da transcrição (IT). 
2. Sequências a Montante – onde 
se ligam os fatores a montante. Estas podem 
incluir os elementos de resposta, onde se ligam os fatores indutíveis 
(elementos reguladores), no caso dos genes indutíveis. 
 
Função de Diferentes Regiões no Promotor 
 TATA box (TATAAAA) – situa-se a cerca de -30 nucleótidos do 
início da transcrição. Quando mutada, altera-se o local de início da 
transcrição. 
 CAAT box (GGCCAATCT) - a cerca de -75/-80 do IT; mutações 
sugerem um papel na determinação da eficiência da transcrição, e não 
na especificidade do promotor. Funciona em qualquer orientação. 
 GC box (GGGCGG) - a cerca de -90 do IT ocorre frequentemente 
em múltiplas cópias e em qualquer orientação. Atua sobre os fatores 
basais, determinando a frequência da transcrição. 
 Octâmero (ATTTTGCAT) - responsável por interações proteína-
proteína que determinam a eficiência da transcrição. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 70 de 169 
 
Promotores vs. Enhancers 
Enhancers 
São sequências de DNA que atuam: 
A distâncias geralmente grandes do início da transcrição. Esta 
distância ao promotor é variável. 
 Em qualquer orientação. 
 Podem-se localizar a jusante do início da transcrição. 
Promotores 
Sequências de DNA que se encontram a uma distância (relativamente) 
fixa e curta do início da transcrição. 
 
 
O Aparelho Transcricional em Eucariotas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 71 de 169 
 
Aula 9 – Regulaça o da Transcriça o em Procariotas 
Porquê regular a Expressão dos Genes? 
 Procariotas 
O gene 1 é um gene constitutivo (ou de “housekeeping”). 
 
Os genes 2 e 3 são genes indutíveis, sendo activados consoante o tipo 
de glícido presente no meio. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 72 de 169 
 
 Eucariotas 
1. Genes de plantas que respondem à luz; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Hormonas que regulam a expressão génica; 
 
3. Células especializadas expressam genes diferentes. 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 73 de 169 
 
Regulação Transcricional 
 Regulação Negativa 
Na regulação negativa, um repressor liga-se ao operador evitando que 
um gene seja expresso. 
Exemplo: operões repressíveis que são controlados negativamente 
pelo produto final da via biossintética a que pertencem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Regulação Positiva 
Na regulação positiva, é necessário um factor de transcrição ligar-se ao 
promotor a fim de permitir que o RNA polimerase inicie a transcrição. 
Exemplo: operões indutíveis que são controlados positivamente pelo 
substrato da respectiva via metabólica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 74 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
Um repressor pode evitar a iniciação pelo 
RNA polimerase. 
 
Factores de transcrição permitem que o 
RNA polimerase se ligue ao promotor. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 75 de 169 
 
 
 Operão da Lactose 
Operão indutível em procariotas, requerido para o transporte e o 
metabolismo da lactose em Escherichia coli e outras bactérias. 
 O operão lac é regulado por diversos factores, em particular a 
disponibilidade de glicose e lactose no meio extracelular. 
A regulação genética do operão lac foi o primeiro mecanismo complexo 
de regulação génica a ser elucidado e é um dos principais exemplos de 
regulação genética em procariotas. 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 76 de 169 
 
 Organização do Operão Lac 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Regulação Alostérea do Operão Lac 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 77 de 169 
 
 Regulação do operão Lac 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 78 de 169 
 
 Repressão do Operão Lac pela Glucose 
Quando existe glicose, que é preferencialmente usada, os genes 
que codificam os enzimas envolvidos no catabolismo de outros glúcidos não 
são expressos, ou seja, a glicose reprime o operão lac na presença do seu 
indutor lactose. 
A repressão pela glicose é mediada por um sistema positivo de 
controlo, que está dependente dos níveis de cAMP. O enzima que converte em 
ATP em cAMP é activado quando os níveis de glicose estão baixos, o cAMP 
liga-se a uma proteína reguladora da transcrição, a CAP, que por sua vez se 
liga à sua sequencia alvo (localizado antes do inicio do operão) e faz com que 
a subunidade σ do RNA polimerase se ligue mais facilmente ao promotor.Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 79 de 169 
 
 CAP e RNA polimerase 
CAP – “catabolite activator protein” é um activador 
transcricional. 
Duas moléculas de cAMP (AMP cíclico) ligam-se à CAP 
com cooperatividade negativa e funcionam como efectores alostérios 
aumentando a afinidade da proteína para o DNA. 
CAP tem uma estrutura em hélice que lhe permite ligar-se 
a sucessivas “major grooves” de DNA. Isto abre a molécula de DNA, 
permitindo que o RNA polimerase se ligue e transcreva os genes 
envolvidos no catabolismo da lactose. Assim, CAP aumenta a 
expressão do operão lac, quando a lactose está presente, mas a 
glicose não. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Repressão do Operão Lac 
O repressor Lac é controlado 
por uma pequena molécula indutora. Um 
indutor pode funcionar convertendo uma 
proteína repressora numa forma com baixa 
afinidade para o operador. 
O repressor tem 2 locais de 
ligação: um para o operador do DNA e 
outro para o indutor. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 80 de 169 
 
Indutor gratuito – indutores que se assemelham a autênticos 
indutores da transcrição, mas não são substratos para os enzimas induzidos. 
 Operão do Triptofano 
A regulação da transcrição do operão do triptofano pode ser 
generalizada para os restantes aminoácidos e é uma regulação por 
repressão do produto final pois, ao contrário do operão da lactose que está 
sempre silenciado na ausência do substrato, o operão do triptofano está 
sempre activo, sendo reprimido apenas quando este aminoácido abunda na 
célula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 81 de 169 
 
 Mecanismo de Atenuação 
A regulação por atenuação é exclusiva dos procariotas pois implica 
que a transcrição e a tradução ocorram em simultâneo, o que não se verifica 
em organismos eucariotas. 
A atenuação da transcrição age impedindo o alongamento a partir de 
determinados sítios, que não são mais do que sequências específicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 82 de 169 
 
Aula 10 – Regulaça o da transcriça o em Eucariotas 
 
A expressão dos genes em eucariotas é, 
principalmente, controlada no início da 
transcrição. Este controlo envolve mudanças 
estruturais da cromatina na região do promotor, 
acompanhado com a ligação do aparelho 
transcricional basal ao promotor. 
Os intrões são depois removidos do 
mRNA transcrito. O RNA maduro migra depois do 
núcleo para o citoplasma. Esta transição pode ser 
especificamente controlada em células 
embrionárias. A regulação dos fatores de 
transcrição permite controlar um elevado número 
de genes alvo. 
 Um gene é regulado por uma sequência promotora (e, por vezes um 
ou mais enhancers) que compreende vários elementos em cis. 
 Cada um destes elementos é reconhecido por uma proteína 
específica: elementos em trans (ou fatores de transcrição). O conjunto destes 
elementos é indispensável para a RNA polimerase iniciar a sua atividade, em 
conjunto com os fatores basais. 
 Os fatores de transcrição só se encontram presentes na sua forma 
ativa sob condições em que o gene deve ser expresso. Na sua ausência, o 
gene não é ativado por via desse fator. 
 
Gene Humano da Metalotioneína 
Um elemento que causa que um gene responda a um dado fator é 
denominado elemento de resposta. Exemplos de elementos de resposta: 
GRE – Glucocorticoid response element 
MRE – Metal response element 
TRE – TPA (tumour promoting agent) response element 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 83 de 169 
 
A região à qual os fatores se ligam não fica muito longe da região que 
vão ativar. Podem localizar-se tanto nos promotores como nos enhancers. A 
ligação do ativador ao elemento de resposta é necessária para que o RNA 
polimerase inicie a transcrição. Um ativador pode apenas estar ativo em 
determinadas condições e são essas condições que vão determinar quando o 
gene vai ser expresso. 
O gene da metalotioneína é um exemplo de como um gene pode ser 
regulado por vários fatores. Este gene está ativo, mas é induzido por elevadas 
concentrações de metais pesados (como o cádmio) ou por glucocorticoides. 
 A TATA e a GC box estão localizadas perto da região de 
iniciação. Para a expressão basal são também necessários dois elementos 
basais, BLE – basal level elements, que se encaixam na categoria de 
enhancers. Estes elementos, embora perto do local de iniciação, podem ser 
movidos para outro sitio sem perder a sua atividade. 
 
 
 
 
 
Ativação da transcrição 
 Ativadores: determinam a frequência da transcrição. 
 Repressores: proteínas que inibem a expressão dum gene. 
o Podem atuar evitando que ocorra a transcrição ligando-se 
a um operador no DNA ou prevenindo a tradução ligando-
se ao RNA. 
 Epigenética: inclui alterações que influenciam o fenótipo sem 
alteração do genótipo. 
o Estas consistem em alterações nas propriedades da 
célula que são herdadas, mas que não representam uma 
alteração da informação genética. 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 84 de 169 
 
Vários Elementos – Um Gene 
 Cada acontecimento 
regulador depende apenas da ligação 
de um fator em trans no elemento em 
cis correspondente. 
 Cada elemento regulador 
(promotor ou enhancer) pode por si só 
ativar o gene, independentemente dos 
restantes. 
 Para um dado fator de 
transcrição, o respetivo elemento em cis e a região ativada (promotor) situam-
se em locais diferentes, o que explica como diferentes regiões reguladoras, a 
distâncias variáveis do promotor, possam funcionar independentemente. 
 
Domínios Zinc Finger 
Alguns aminoácidos ligam o ião zinco e formam um domínio 
independente na proteína. 
O ião zinco é ligado por aminoácidos 
conservados de histidina e cisteína. 
Os zinc finger são domínios comuns no DNA 
que liga proteínas; os zinc fingers organizam-se 
numa série de repetições tandem. 
O C-terminal de cada finger forma hélices α enquanto o N-terminal 
forma folhas β. 
 
O Finger pode estar envolvido na ligação do 
RNA e não do DNA ou pode não estar relacionado 
com a ligação de nenhum ácido nucleico. 
Os aminoácidos antes do primeiro zinc 
finger determinam a sequência do DNA alvo; os que 
se encontram antes do segundo controlam o 
espaçamento entre os locais em que são reconhecidos por cada subunidade 
de um dímero. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 85 de 169 
 
 
A evidência de que o primeiro zinc 
finger é que ligava o DNA veio da 
experiência de trocar a especificidade da 
sequência antes desse finger. O finger do 
recetor de estrogénio (localizado antes do 
primeiro finger) foi eliminado e substituído 
pela sequencia do recetor de 
glucocorticoide. A nova proteína passou a 
apresentar especificidade para o GRE (o alvo do recetor do glucocorticoide) em 
vez de apresentar para o ERE (o alvo do recetor de estrogénio). 
 
Ativação da transcrição por hormonas esteróides 
Uma hormona esteroide pode atravessar a membrana celular por 
difusão simples. Dentro da célula, o 
glucocorticoide liga-se ao seu recetor (alocalização destes recetores ainda não está 
esclarecida, pensa-se que existem em equilíbrio 
entre o núcleo e o citoplasma), o que converte a 
proteína para a sua forma ativa que tem uma 
elevada afinidade para o DNA, pelo que o 
complexo hormona-recetor se encontra sempre 
localizado no núcleo. 
O recetor ativado reconhece uma sequência específica que identifica o 
GRE. O GRE, normalmente, encontra-se localizado no enhancer, que se 
encontra a alguns pares de bases do promotor. Quando o complexo hormona-
recetor se liga ao enhancer, o promotor mais perto é ativado e dando início à 
transcrição. 
A ativação do enhancer corresponde ao mecanismo geral pelo qual os 
esteroides regulam alguns genes. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 86 de 169 
 
Aula 11 – Processamento de RNAs: mRNAs de Eucariotas 
Processamento do mRNA em Eucariotas 
Nos procariotas, o mRNA está pronto a ser traduzido logo após a 
transcrição. Já nos organismos eucariotas, o transcrito de pré-mRNA 
sintetizado no núcleo ainda vai sofrer extensas modificações até poder ser 
utilizado no processo de tradução. 
O processamento de mRNA de eucariotas ocorre no núcleo e inclui: 
 Capping em 5’ – adição ao terminal 5’ de um nucleótido com 
uma base modificada, 7-metil guanilato. É neste terminal que se vão ligar os 
ribossomas para que se dê a tradução completa do mRNA; 
 Poliadenilação – adição de nucleótidos de adenina ao terminal 3’ 
e formação de uma cauda poli-A de comprimento variável (pode atingir 200-300 
bases). Para além de regular mecanismos de tradução e estabilidade, esta 
cauda tem ainda um papel protector na medida em que atrasa a digestão do 
RNA pelo RNase, permitindo assim que a sua sequência codificante se 
mantenha íntegra durante um período de tempo maior. 
 A poliadenilação não é um processo exclusivo dos 
eucariotas, tendo-se vindo a verificar que também ocorre em 
alguns mRNA’s de procariotas; 
 
 Splicing – remoção de intrões e colagem de exões – intrões são 
sequências que não codificam para o mRNA final, em oposição ao exões, que 
codificam informação para o mRNA maduro. Ocorre em grandes complexos, os 
spliceossomas, formados por proteínas e pequenos RNA’s nucleares 
(snRNA). Os snRNA’s reconhecem sequências nos locais de splicing do pré-
mRNA e catalisam a reacção de splicing. A maioria dos genes de eucariotas 
contém múltiplos intrões pelo que é possível juntar exões em diferentes 
combinações através de mecanismos de splicing alternativo. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 87 de 169 
 
Estes mecanismos, muito importantes na regulação da expressão 
genética, permitem ainda que intrões passem a ser considerados exões, não 
sendo removidos e permitindo novas combinações. 
 Capping 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O cap bloqueia a extremidade 5’ do mRNA e pode ser metilado em 
várias posições. 
1. Presente em todos os "caps" (posição 7 da guanina terminal). 
Enzima: guanina 7-metiltransferase 
2. Posição 2-O da base primeiro (da cadeia original). Enzima: 2’-O-
metiltransferase. 
3. Em 10% dos casos, também há metilação na posição 2-O da 
segunda base original: "CAP 2". 
 
 
 
 
 
 
CAP 1 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 88 de 169 
 
 O cap tem influência na eficiência da tradução. 
 Cap0 → uma só metilação na posição 7da guanina (pelo guanina-
7-metil-transferase). 
 Cap1 → a 1ª base transcrita (geralmente A ou G) pode também 
estar metilada (pelo 2’-O-metil-transferase) no oxigénio 2’. Esta metilação 
predomina nos mRNAs de eucariotas, à excepção dos unicelulares. 
 A adição dum grupo metilo no azoto N6do cap1pode ocorrer nos 
Eucariotas superiores, se a base deste 2º nucleótido fôr a adenina. 
 Cap2 → a 2ª base transcritapode também apresentar metilação 
no oxigénio 2’ → (10-15% dos mensageiros). 
 Podem ainda ocorrermetilações internasno mRNA (nas adeninas) 
 
 Poliadenilação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A sequência AAUAAA é 
necessária para a clivagem e 
poliadenilação da extremidade 3’. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 89 de 169 
 
1. A poliadenilação inicia-se quando o complexo da RNA polimerase II 
sintetiza o sinal AAUAAA na extremidade 3’ da molécula do mRNA precursor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. O CPSF liga-se ao sinal de consensos (AAUAAA) e forma um complexo 
contendo os endonucleases CFI e CFII que clivam o transcrito a juzante do 
sinal de poliadenilação, formando nova extremidade 3’. A PAP liga-se agora a 
esta extremidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Os endonucleases dissociam-se e a nova extremidade 3’ é poliadenilada 
pela actividade da PAP. 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 90 de 169 
 
A poliadenilação do mRNA: 
 Ocorre em 2/3 dos mRNAs de Eucariotas ausente nas histonas); 
 É um acontecimento precoce na biossíntese do mRNA: ~1 min 
após a polimerase passar AAUAAA; 
 O tamanho da cauda é ~200 A; 
 A adição da cauda é catalisada pelo enzima poli(A) polimerase 
(PAP). A sua actividade é distributiva (liga-se e dissocia-se para cada base 
ligada), para a síntese dos primeiros ~20 A; 
 A actividade da PAP torna-se processiva (uma cadeia 
polimerizada durante uma associação), para a síntese dos restantes ~200 A, 
quando mediada pelo CPSF (cleavage poliadenylation specificity factor) e do 
seu cofactor CstF, e em presença da PABP (poly(A) binding protein); 
 Para cada espécie de mRNA, apenas 70% possui cauda; 
 A presença da cauda poli(A) está relacionada com estabilidade e 
com o transporte núcleo-citoplasma; 
 Principal consequência prática: isolamento de mRNA. 
 
Alguns mensageiros (de Eucariotas) não possuem cauda poli(A). 
Exemplo: mensageiros das histonas: a formação da sua extremidade 
3’depende da estrutura secundária e do snRNA U7. 
A formação da extremidade 3’ nos mRNAs das histonas depende dum 
hairpin conservado e duma sequência que emparelha com o RNA U7. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 91 de 169 
 
Os mRNAs eucariotas são modificados, processados e transportados 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Splicing 
O splicing depende apenas do reconhecimento de pares de junções de 
splicing – as junções de splicing são lidas aos pares. 
Todos os locais de splicing 5′ são funcionalmente equivalentes, assim 
como todos os locais de splicing 3′. 
Outras sequências adicionais conservadas, quer a 5′ quer a 3′ dos 
locais de splicing, definem estes últimos como funcionais entre os numerosos 
potenciais locais presentes no pré-mRNA. 
Na figura seguinte mostra-se a remoção de 3 intrões por splicing 
correto através do reconhecimento de pares de junções de splicing. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 92 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O splicing nuclear decorre por duas reacções de esterificação. 
O intrão é libertado como um "lariat" quando é clivado no seu local de 
splice 3′ e os exões à esquerda e à direita são então ligados entre si.Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 93 de 169 
 
O splicing do pré-mRNA decorre através da formação dum "Lariat". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A estrutura do Spliceossoma e as snRNPs 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 94 de 169 
 
 O splicing ocorre no Núcleo com a participação das snRNPs 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Splicing – consiste na remoção dos intrões do transcrito primário e 
junção dos exões formando a sequência do RNA maduro. 
snRNPS: small nuclear ribonucleoproteins (complexos de RNA e 
proteína, constituintes do spliceossoma). 
 
 snRNP’s e snRNAs 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 95 de 169 
 
 
 Composição do Spliceossoma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Comprometimento do pré-mRNA para a via de Splicing 
 
 
A U1-snRNP inicia o splicing ligando-se ao local de splice 5′ por uma 
interacção RNA – RNA. 
 
Em organismos eucarióticos multicelulares, as proteínas SR 
desempenham um papel essencial na formação do complexo E. 
 
O complexo E (de "comprometimento") contém a U1-snRNP ligada ao 
local de splice 5′ e a proteína U2AF (e outras) ligada à cauda de polipirimidinas 
entre o "branch site" e o local de splice 3′. 
 
Cinco snRNPs estão envolvidas 
no splicing: U1, U2, U5, U4, e U6. 
 
Conjuntamente com algumas 
proteinas adicionais, as snRNPs 
formam o spliceossoma. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 96 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O emparelhamento dos splice sites 5’ e 3’ segue duas vias possíveis: 
1. Definição do intrão, ou 
2. Definição do exão 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 97 de 169 
 
 
 Via de Assemblagem do Spliceossoma 
 
 
 Consensus em locais de Splicing 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 98 de 169 
 
 
 
Aula 12 – Processamento de RNAs de Eucariotas –II 
Intrões e Mecanismos de Splicing 
Existem quatro mecanismos principais de splicing: 
 Intrões "nucleares" GU-AG: genes nucleares de mRNA. 
 Intrões do Grupo I (GI): intrões de Protozoários. Ex.: genes 
mitocondriais de fungos e levedura. 
 Intrões do Grupo II (GII): situam-se entre os intrões "GU-AG" 
(formam lariats) e os GI (self-splicing). Ex.: genes mitocondriais. 
 Intrões de tRNAs de levedura: presentes no respetivo loop do 
anticodão. 
 
E ainda dois mecanismos adicionais: 
 Intrões do Grupo III (GIII): mecanismo diferente para genes de 
organitos. 
 Intrões de arquibactérias: intrões presentes em Procariotas. 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 99 de 169 
 
Intrões do grupo I 
Os intrões do grupo I levam a cabo "self-splicing" por 
transesterificação. 
Os únicos fatores necessários para o auto-splicing (ou "selfsplicing") in 
vitro pelos intrões do grupo I são dois iões metálicos e um nucleótido de 
guanosina. 
Os genes para dois rRNAs têm uma 
organização normal, sendo que são expressos 
da mesma unidade de transcrição. O produto é 
um RNA 35S que é precursor do small rRNA na 
extremidade 5’, e um RNA 26S que é 
precursor do large rRNA na extremidade 3’. 
Nalgumas espécies a sequencia que 
codifica para o 26S pode estar interrompida por 
um pequeno intrão. Quando o precursor do 35S 
é incubado in vitro, o splicing ocorre como uma 
reação autónoma. O intrão é removido do precursor e acumula-se na forma 
linear, que é depois transformado numa forma circular. O splicing do rRNA 
percursor 35S de pode ser seguido por eletroforese em gel de agarose. 
 
 
O splicing ocorre por duas 
transesterificações, sem ser necessário qualquer 
input de energia (ATP), mas só com um nucleótido 
de guanina como cofator (equivalente ao A do 
branch point nos intrões nucleares) 
1. A extremidade 3′–OH do cofator de 
guanosina ataca a extremidade 5′ do intrão na 1ª 
transesterificação. 
2. A extremidade 3′–OH gerada no fim do 
primeiro exão ataca a junção entre o intrão e o 2º 
exão na 2ª transesterificação. 
3. O intrão é libertado como molécula linear 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 100 de 169 
 
que circulariza quando a sua extremidade 3′–OH ataca a ligação numa das 
duas posições internas. Este intrão excisado tem atividade catalítica. 
 
 
Os intrões do grupo I formam uma 
estrutura secundária característica constituída por 
9 regiões emparelhadas (duplexes): P1-P9. 
 As regiões "core" de P3, P4, P6, e P7 
possuem atividade catalítica. 
 As regiões P4 e P7 são ambas formadas 
por emparelhamento entre sequências de 
consensus conservadas. 
 Uma sequência adjacente a P7 emparelha 
com a sequência que contém o G reativo. 
A estrutura do intrão do grupo I é conservada. 
 
Semelhanças entre Splicing de Intrões de mRNAs Nucleares e 
Intrões de Grupo II 
1. O splicing de intrões de mRNAs nucleares e o splicing de intrões GII 
involve a formação de estruturas secundárias em lariat. 
2. As sequências de consensus são mais específicas nos intrões 
nucleares (o splicing de grupo II involve sequências de consensus que, em 
várias posições podem ser ocupadas por qualquer purina, R, ou por qualquer 
pirimidina, Y) 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 101 de 169 
 
Splicing de Intrões grupo I e grupo II 
Tal como o splicing de intrões nucleares, o splicing de intrões GI e GII 
decorre por duas reações de trans-esterificação: 
1. Um grupo –OH livre ataca a junção exão1-intrão. 
2. O grupo –OH criado em 1. na extremidade do exão 1 ataca junção 
intrãoexão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Splicing de Intrões de tRNAs (levedura) 
Implica: 
1. Atividade nucleásica que origina um intrão linear. 
2. Atividade de ligação que junta covalentemente as duas metades da 
molécula. 
 
Não ocorre nenhuma sequência de consensus que possa ser 
reconhecida pelos enzimas de splicing. 
Todos os intrões possuem uma sequência complementar ao anticodão 
do tRNA. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 102 de 169 
 
Resumo das várias reações de splicing in vitro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cis e Trans Splicing 
Dois Tipos Básicos de Reações de Spicing: 
1. Cis-Splicing: Reações intramoleculares (regra geral) 
2. Trans-Splicing: Reações intermoleculares (raro, mas possível) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 103 de 169 
 
Splicings alternativos 
Diferentes modos de splicing alternativo podem originar diferentes 
produtos proteicos a partir dum mesmo gene: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Editing de mRNAs 
RNA Editing - altera a sequência dum RNA (mRNA), pela inserção de 
novos nucleótidos, ou pela remoção dos já existentes. 
Este processo foi descoberto em 1986 em estudos dos genes 
mitocondriais de Trypanosoma brucei. 
Este mecanismo,juntamente com o splicing contraria o dogma central 
da Biologia Molecular, segundo o qual uma sequência de mRNA pode apenas 
representar o que está codificado no DNA 
 
Mecanismo 
O RNA guia proporciona o molde (template) para a adição (mais 
raramente, a deleção) de uridinas. 
O RNA editing é catalizado no editossoma, em complexo que contém 
atividades de: 
 Endonuclease 
 Exonuclease 
 Terminal uridiltransferase 
 RNA ligase. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 104 de 169 
 
Aula 13 – O RNA mensageiro: mRNA 
RNA mensageiro - Introdução 
Apesar de ser o DNA que determina a sequencia de aminoácidos, não 
o faz directamente, o que se prova pelo facto do DNA se localizar no núcleo e 
síntese proteica se realizar no citoplasma, logo é preciso uma molécula que 
transporte a informação para os ribossomas – mRNA. 
O RNA mensageiro é originado tendo como molde o DNA num 
processo denominado transcrição. 
 
RNA mensageiro de Eucariotas e Procariotas 
 RNA de Eucariotas 
 
 
 
 
 
 
 mRNA de Eucariotas e Procariotas 
 
Características dos mRNA de procariotas e Eucariotas: 
 3′ UTR (3′"untranslated region") – a sequência não traduzida a 
juzante da região codificante dum mRNA. 
 5′ UTR (5′"untranslated region") – a sequência não traduzida a 
montante da região codificante dum mRNA. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 105 de 169 
 
 
 Diferentes tipos de mRNA 
1. mRNAs policistrónicos – típicos em procariotas e têm cerca de 
3000 a 8000 nucleótidos. 
 
2. mRNAs monocistrónicos – típicos em eucariotas e têm cerca 
de 150 a 14000 nucleótidos. 
 
 
 
 
 Cistrão – unidade genética que preenche uma função única, que 
consiste em servir de modelo para a síntese de uma só cadeia polipeptídica. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 106 de 169 
 
3. mRNAs multicistrónicos – tem-se como exemplo os genes de 
ubiquitina em Eucariotas. 
 
 
As regiões codificantes (geralmente iguais) nos mRNAs multicistrónicos 
sucedem-se sem interrupção por codões STOP e com um único início de 
iniciação (pode ter 7 ou mais unidades). O resultado é uma poliproteína que 
depois é processada por uma protease específica (modificação pós 
traducional), originando cadeias individuais. 
Tradução de mRNAs policistrónicos 
1. Região intercistrónica longa (30-40 nucleótidos) – Se a região 
intercistrónica for maior do que a área coberta pelo ribossoma, este dissocia-se 
e reinicia a tradução independentemente no próximo cistrão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 107 de 169 
 
2. Região intercistrónica curta (mín: -1, 1 ou 2 nucleótidos) – Se 
a região intercistrónica for menor do que a área coberta pelo ribossoma, este 
pode fazer leitura das sequências de iniciação e terminação simultaneamente. 
Assim, a tradução de cistrões adjacentes pode ocorrer continuamente, isto é, 
sem a dissociação do ribossoma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os mRNA são instáveis 
A instabilidade dos mRNA é devida à acção dos ribonucleases. Os 
ribonucleases diferem na sua preferência de substratos e modo de ataque: 
 Endoribonuclease – é um ribonuclease que cliva um RNA num (ou 
mais) local interno. 
 Exoribonuclease – é um ribonuclease que remove os 
ribonucleótidos terminais dum RNA. 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 108 de 169 
 
Degradação do mRNA 
 Em Procariotas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Em Levedura 
A degradação de mRNAs em levedura requer: 
1. Desadenilação: remoção da cauda poli-A 3’ (a PABP 
protege contra o decapping 5’: com a desadenilação este efeito é 
abolido); 
2. "Decapping" (remoção do "cap" a 5’) 
3. Clivagem por um endonuclease. 
 
 
A degradação de mRNAs em 
Procariotas ocorre durante a tradução e: 
 Envolve vários enzimas; 
 Inicia-se pela remoção de 
pirofosfato da extremidade 5′; 
 Os mRNAs monofosforilados são 
depois degradados em ciclos de 2 passos: 
1. Clivagem endonucleolítica 
2. Digestão 3′ → 5′ dos 
fragmentos resultantes 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 109 de 169 
 
4. Actividade exonucleolítica que degrada o mRNA: 
a) exonuclease 5’→ 3’ XRN1, 
b) ou 3’→ 5’ pelo "exosoma"– um complexo de exo- e 
endonucleases 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RNA mensageiro em Eucariotas 
Os mRNAs eucarióticos existem sob a forma de mRNPs desde que 
nascem até que morrem (desde a transcrição até a tradução) que confere aos 
mRNAs uma maior estabilidade do que nos Procariotas. 
Os mRNAs associam-se com uma população de proteínas que se 
altera durante a sua maturação nuclear e vida no citoplasma. 
Algumas proteínas das mRNP adquiridas no núcleo desempenham 
funções no citoplasma. 
Existe um elevado número de "RNA-binding proteins" (RBPs), a 
maioria das quais permanece por caracterizar. 
Diferentes mRNAs associam-se com conjuntos de distintos (mas com 
alguma sobreposição) de proteínas reguladoras, originando os regulões de 
RNA. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 110 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Degradação do mRNA em Eucariotas 
Muitos mRNAs instáveis têm uma sequência com várias repetições do 
motivo AUUUA na região 3’UTR antes da cauda poli-A. Esta sequência chama-
se ARE – (AUUUA)n Rich Element. 
A degradação de mRNAs em Eucariotas pode ser desencadeada por 
um motivo ARE na região 3’UTR. Segue-se: 
1) Remoção da cauda poli-A; 
2) Degradação por endonucleases. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 111 de 169 
 
A maioria dos mRNA eucarióticos é degradada por duas vias 
dependentes da desadenilação. 
As duas principais vias de decaimento do mRNA iniciam-se por 
desadenilação catalisada por poli(A)-nucleases. 
À desadenilação pode seguir-se: 
1) O "decapping" (remoção do "cap") e digestão exonucleolítica 5′→3′; 
2) Apenas digestão exonucleolítica 3′→5′. 
 
 
 
 
Outras vias de degradação de mRNA Eucarióticos visam mRNAs específicos: 
 
 A degradação do mRNAs das histonas, sem cauda poli(A), inicia-se 
pela adição duma cauda poli(U) na extremidade 3′; 
 A degradação de alguns mRNAs pode iniciar-se por clivagem 
endonucleolítica específica de sequência ou de estrutura; 
 Um número desconhecido de mRNAs são marcados para 
degradação ou repressão traducional por micro RNAs (miRNAs). 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 112 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos: 
 Degradação do mRNA da Ferritina 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 113 de 169 
 
 Degradação de mRNAs Nucleares 
 
 Nonsense-Mediated Decay (NMD) 
Mutações que dão origem a um codão STOP prematuro (= UAA, UAG 
ou UGA: mutações nonsense) podem activar um sistema citoplasmático de 
degradação de mRNAs não-funcionais: o NMD. 
O NMD é dependente de: 
1)Codão de terminação prematuro (PTC); 
2) Elementos a juzante da mutação nonsense ("DSE -distal sequence 
elements") que promovem a associação de nucleases. 
RNAs nucleares aberrantes são identificados e destruídos por sistema 
de vigilânciado RNA chamado Nonsense-Mediated Decay (NMD). 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 114 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O reconhecimento dum codão de terminação como prematuro (PTC) 
envolve uma 3′UTR com estrutura ou comprimento pouco usuais (em muitos 
organismos) ou a presença de complexos junção de exão (EJC) no mRNA 
citoplasmático (em mamíferos). 
O primeiro acontecimento de tradução que ocorre para um mRNA 
recém-sintetizado e exportado designa-se por ciclo pioneiro de tradução 
("pioneer round of translation"). 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 115 de 169 
 
 Sistemas de Vigilância de mRNAs citoplasmáticos 
 
1. Nonsense-mediated decay(NMD) – visa degradar mRNAs com 
um codão STOP prematuro; 
 
 
 
 
2. Nonstop decay (NSD) – visa degradar mRNAs sem um STOP 
in-frame e requer um conjunto de proteínas SKI conservadas; 
 
 
 
 
3. No-go decay (NGD) – visa degradar mRNAs com ribossomas 
estacionados ("stalled") nas suas regiões codificantes. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 116 de 169 
 
 Transporte do mRNA do núcleo para o citoplasma 
O splicing é essencial para o transporte do mRNA do núcleo (onde é 
sintetizado) para o citoplasma (onde dirige a síntese proteica): o spliceossoma 
é reconhecido pelo complexo EJC, e o RNA não pode sair do núcleo antes 
do splicing. 
Uma das proteinas EJC é REF, que recruta uma proteína de 
Transporte (TAP/Mex). Este interage directamente com proteínas do poro 
nuclear → Exportação. 
O transporte é muito mais lento se o mRNA não possuir intrões. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 117 de 169 
 
mRNA: Procariotas vs. Eucariotas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 14 – Ribossomas e RNA ribossomal 
O Ribossoma 
As duas subunidades em Procariotas tem coeficientes de 
sedimentação 30S e 50S (combinado 70S), sendo S a unidade Svedberg, ou 
seja, o coeficiente de sedimentação 
 
 
 
 
 
Onde é a velocidade terminal e é a aceleração no centrífugo) 
Maior valor S, maior massa molecular, ou seja, partículas com maior 
densidade sedimentam mais rapidamente. 
 
Subunidades: 50S & 30S (Procariotas) 
 O core da subunidade 50S é formado pelos rRNA 5S e 23S, e da 
subunidade 30S pelo rRNA 16S. 
 As proteínas são elementos secundários (estruturais). 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 118 de 169 
 
 Não há proteínas na proximidade do centro ativo da síntese 
proteica. 
 Subunidade 50S – atividade de peptidiltransferase (a função 
enzimática primária do ribossoma que 
forma ligações peptídicas entre 
aminoácidos adjacentes usando os tRNAs 
durante a biossíntese proteica) 
As duas subunidades associam-
se, constituindo um túnel por onde passa o 
mRNA durante o processo de síntese. 
 
O Ribossoma 70S 
 
 
Ribossomas de Procariotas e de Eucariotas 
Ribossoma bacteriano 
 57 Proteínas de grande diversidade; 
 3 rRNAs 
 Massa molecular 6 – 75 KDa 
 Domínios globulares aninhados no ribossoma ou "em serpente" 
para contactar com rRNA 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 119 de 169 
 
Ribossoma eucariota 
 Maiores e mais complexos: 82 proteínas; 4 rRNAs 
 Diâmetro 23 nm e coeficiente de sedimentação 80S 
 
Síntese de rRNA 
Os RNA ribossomais em Eucariotas são sintetizados no nucléolo sob a 
forma de um único precursor (45S em eucariotas superiores, 35S em 
leveduras) que é depois clivado. 
Além da ação das endonucleases e exonucleases, o processamento 
dos rRNAs envolve pequenas moléculas de RNA – snoRNAs (small nucleolar 
RNAs). 
Os snoRNAs conduzem uma série de pequenas alterações que 
constituem a maturação dos rRNAs. 
 
1. Síntese do rRNA 
2. O rRNA tem estrutura secundária determinada por 
emparelhamento de bases ao longo da molécula de rRNA 
3. O rRNA associa-se com proteínas para formar as subunidades 
ribossomais 
4. As duas subunidades formam o ribossoma; Os contactos entre as 
subunidades ribossomais são principalmente entre moléculas de RNA, no 
entanto, também há contactos entre proteínas ribossomais. 
Centros Ativos do Ribossoma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 120 de 169 
 
rRNA e Atividade do Ribossoma 
Muitas bases individuais no rRNA têm funções específicas identificadas 
por estudos estruturais e funcionais: 
 Interação com mRNA 
 Interação com tRNA 
 Relevância na síntese proteica 
 Interação com fatores proteicos envolvidos na tradução 
 
Polissomas 
Múltiplos ribossomas progridem ao longo duma molécula de mRNA, 
formando um "poli-ribossoma" ou polissoma. 
Quanto maior a molécula de RNA mensageiro a ser traduzida, mais 
ribossomas se ligam à molécula. 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 121 de 169 
 
Aula 15 – O RNA de transfere ncia: tRNA 
RNA de transferência 
O tRNA é uma molécula de RNA de pequenas dimensões, responsável 
pela formação de um complexo activado com cada aminoácido e pelo 
transporte deste até ao tripleto que lhe corresponde na cadeia de RNA 
mensageiro (mRNA) 
Cada tRNA é específico de um 
aminoácido (exemplo: a designação tRNAAla 
corresponde a um tRNA específico de 
alanina), existindo vários tRNAs para cada um 
dos aminoácidos (tRNA isoaceitadores). 
 
 
Os vários tRNA são caracterizados por: 
1. Comportarem nucleótidos raros; 
2. Assumirem uma estrutura secundária em folha de trevo, com 4 zonas de 
emparelhamento entre bases complementares e 3 dobras; 
3. Possuírem uma sequência trinucleotídica terminal pCpCpA, na 
extremidade 3’, indispensável à ligação do aminoácido; 
4. Possuírem numa das dobras um tripleto nucleotídico, designado por 
anticodão e que constitui um determinante na incorporação do 
aminoácido na proteína. 
 
 
 
Estrutura em forma de trevo do tRNA. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 122 de 169 
 
 Estrutura em forma de trevo e respectivos “braços” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Exemplos de tRNAs 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 123 de 169 
 
 
As variações podem ser: 
1. No tamanho do braço extra; 
2. Na sequência do braço aceitador de aminoácidos; 
3. Na presença de bases modificadas que dá reconhecimento 
específico ao enzima aminoacil-tRNA-sintetase; 
4. Na sequência do anticodão. 
 
 Estrutura tridimensional do tRNA 
 
 Estrutura tridimensional do tRNA 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 124 de 169 
 
 tRNA como molécula adaptadora 
O RNA de transferência é uma molécula adaptadora de ácidos 
nucleicos para proteínas (reconhece o aminoácido e o codão). 
As moléculas de tRNA possuemalgumas características comuns entre 
si, mas também apresentam a possibilidade de distinção por parte de outras 
moléculas (nomeadamente, pelos aminoacil-tRNA-sintetases). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Actividade dos aminoacil-tRNA-sintetases 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 125 de 169 
 
 Activação dos aminoácidos 
 
 
Cada aminoacil-tRNA sintetase é específico para um aminoácido e um 
ou mais tRNA correspondentes. 
O processo de activação dos aminoácidos ocorre no citoplasma. 
 
 Classes dos aminoacil-tRNA-sintetases 
Os aminoacil-tRNA sintetases dividem-se em dois grupos, de acordo 
com a sua própria estrutura e mecanismo de acção: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Aminoacil-tRNA-sintetases: Proofreading 
Os enzimas fazem proofreading para corrigir erros na selecção dos 2 
substratos – tRNA e aminoácidos. 
Há mais erros na selecção de aminoácidos (1/10-4) do que na selecção 
dos tRNAs (1/10-6). 
Os tRNAs são moléculas maiores, com mais características únicas. 
Existem 2 mecanismos de proofreading: 
1. Cinético: O enzima possui maior afinidade para o "seu" tRNA 
correcto, sendo que a reacção de aminoacilação dum tRNA incorrecto é muito 
lenta; 
2. Especifico: O enzima pode reconhecer erros ou quando um 
aminoácido errado entra ou já depois da ligação do aminoácido errado ao 
tRNA. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 126 de 169 
 
 
 O tRNA é reconhecido pelo seu Anticodão 
Cada tRNA é reconhecido pelo seu anticodão e não pelo aminoácido 
que transporta. 
Uma vez carregado o tRNA, o aminoácido deixa de ter qualquer 
influencia na especificidade que passa a depender apenas do anticodão. 
Todas as ligações entre tRNA e aminoácidos são quimicamente 
idênticas. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 127 de 169 
 
 Um segundo Código Genético? 
 
Modificações pós-transcricionais no RNA 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 128 de 169 
 
Aula 16 – Sí ntese proteica: iniciaça o 
A síntese proteica divide-se em 3 fases: 
 Iniciação – as fases da tradução até à síntese da primeira 
ligação peptídica do polipéptido; 
 Elongação – a fase da tradução na qual o polipéptido é 
elongado pela adição de novas subunidades individuais (aminoácidos); 
 Terminação – uma reação distinta que acaba a tradução pela 
paragem da adição. 
 
Subunidade 30 S e Fator IF-3 
Apesar de a subunidade 30S 
estar envolvida no processo de 
iniciação, por si só não liga o mRNA e 
o tRNA. São necessárias proteínas 
adicionais denominadas fatores de 
iniciação (IF). Estes fatores são 
encontrados apenas na subunidade 
30S e soltam-se quando as 
subunidades 30S e 50S se associam. 
Se não ocorrer desassociação dos 
fatores de iniciação, a subunidade 
50S não se associa à subunidade 
30S. 
 
 
Fatores de Iniciação em E. coli 
 Estão apenas envolvidos na formação do complexo de iniciação, 
não estando presentes nos ribossomas 70S, e não desempenham qualquer 
função nos passos da elongação. 
 Este comportamento distingue os fatores de iniciação das 
proteínas estruturais do ribossoma. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 129 de 169 
 
 
 
 
A Reação de Formilação 
Em bactérias e em organelos eucariotas, o tRNA iniciador contém um 
resíduo de metionina que foi formilado no seu grupo amina, formando a 
molécula N-formil-metionil-tRNA. Este tRNA é conhecido como tRNAf
Met e o 
nome deste aminoaceil-tRNA é abreviado para fMet-tRNAf. 
O tRNA iniciador fica com o seu aminoácido alterado numa reação de 
dois passos: 
1. É carregado com o 
aminoácido formando Met-tRNAf; 
2. Formilação do NH2 
livre, bloqueando o aminoácido. 
Este aminácido bloqueado embora 
impeça que o iniciador participe na 
elongação da cadeia, não interfere 
na sua habilidade para iniciar a 
proteína. 
Este tRNA só é utilizado na 
iniciação. Apenas reconhece os 
codões AUG e GUG (e por vezes o UUG). 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 130 de 169 
 
Apenas o fMet-tRNAi entra no site P: 
 Apenas o fMet-tRNAi pode ser utilizado na iniciação pelas 
subunidades 30S. 
 Apenas os restantes aminoacil-tRNAs (aatRNAs) podem ser 
utilizados na elongação pelo ribossoma 70S. 
 
Processamento do 1º aminoácido 
As proteínas recém-sintetizadas em bactérias possuem formil-
metionina (fMet) como primeiro aminoácido, mas o grupo formilo, e por vezes 
também a metionina, são removidos durante a síntese proteica. 
 
A Iniciação da Tradução em Eucariotas 
Vários fatores de iniciação eucarióticos são necessários para as várias 
fases da tradução, incluindo: 
 Desenrolamento do mRNA e sua ligação do tRNA iniciador; 
 Associação da subunidade 40S ao mRNA 
 Movimento ao longo do mRNA; 
 Associação da subunidade 60S. 
O tRNA iniciador eucariótico é um Met-tRNA que é diferente do Met-
tRNA usado na elongação, mas a metionina não é formilada. 
Fatores de iniciação em eucariotas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 131 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O codão de iniciação em Eucariotas 
Modelo de scanning de M.Kozak é 
válido para a maior parte dos mRNAs: 
 a subunidade ribossomal 40S 
eucariótica liga-se à extremidade 5’ do 
mRNA cap) e migram a partir daí, 
escrutinando o mRNA até encontrarem o 
local de iniciação, ou seja, o codão 
iniciador AUG 
 O local de inicição eucariótico 
consiste numa sequência de 10 
nucleótidos que inclui um codão AUG. 
 A subunidade ribossomal 40S 
eucariótica associa-se ao complexo no 
local de iniciação (codão AUG). 
 
Iniciação Alternativa da Tradução 
Um AUG interno pode ser o iniciador. 
1. O 1º AUG nem sempre é o local de iniciação (Ex.:mRNAs 
codificantes para factor de crescimento de fibroblastos(FGF-1 e FGF-2), 
mRNAs virais, etc.) 
2. A iniciação da tradução inicia-se em mais do que um AUG, na 
mesma ORF ou em ORFs diferentes. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 132 de 169 
 
 
Iniciação em Procariotas vs. Eucariotas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 17 – Sí ntese Proteica: Elongaça o e Terminaça o 
 
A Elongação da Tradução em Procariotas 
O EF-Tu-GTP (um fator de elongação) é uma proteína G monomérica 
cuja forma ativa (ligada a GTP) que se liga aos aminoacilo-tRNAs. 
O complexo EF-Tu-GTP-aminoacil-tRNA liga-se ao sítio A do 
ribossoma. 
O EF-Tu-GTP coloca o aminoacil-tRNA no ribossoma, sendo depois 
libertado como EF-Tu-GDP. 
O EF-Ts é necessário para reciclar o EF-Tu-GDP a EF-Tu-GTP. A 
reacção de elongação consome assim GTP, libertando GDP. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 133 de 169 
 
O único amino-acil-tRNA que não é reconhecido pelo EF-Tu-GTP é o 
fMet-tRNAi, o que faz com que este não seja incorporado emcodões metionina 
internos (AUG). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Formação da Ligação Peptídica no Ribossoma 
A formação da ligação peptídica ocorre 
por reacção entre o polipéptido do peptidil-tRNA 
(no site P) e o resíduo de aminoácidodo 
aminoacil-tRNA (site A). 
A subunidade 50S tem atividade de 
peptidil transferase que é proporcionada por um 
ribozima de rRNA. 
A cadeia polipeptídica nascente é 
transferida do peptidil-tRNA no site P para o 
aminoacilo-tRNA no site A. 
A formação da ligação peptídica gera um 
tRNA desacilado no site P e um peptidil-tRNAno 
site A. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 134 de 169 
 
 A Translocação Move o Ribossoma 
 
 
A translocação do ribosoma move o mRNA 
através do ribossoma avançando três bases (um 
codão) em direcção à extremidade 3’ do mRNA. 
A translocação move o tRNA desacilado 
para o site E, onde é libertado, passando o 
peptidil-tRNA para o site P. 
Esvazia o sitio A, ficando exposto o terceiro 
codão que pode receber um novo aminoacil-tRNA. 
O movimento do ribossoma depende do 
factor EF-G. 
 O ribossoma eucariota não tem local 
E. A saída do tRNA descarregado faz-se 
directamente a partir do local P. 
 
 O ciclo da Elongação da Tradução 
 
Os factores EF-Tu e EF-G alternam na 
sua ligação ao ribossoma durante o ciclo de 
elongação em Procariotas. 
 
O GMP-PCP é um análogo do GTP que 
não pode ser hidrolisado e que é usado para 
testar em que fase duma reação é necessário 
ocorrer a hidrólise de GTP. 
 
A kirromicina é um antibiótico que inibe 
a síntese proteica atuando no EF-Tu. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 135 de 169 
 
 Translocação e Ribossoma 
 
Modelo do estado híbrido – A translocação ocorre em duas etapas: 
 
1. A subunidade 50S desloca-se relativamente à subunidade 30S 
2. A subunidade 30S move-se posteriormente ao longo do mRNA, 
restaurando a conformação original do ribossoma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 18 – O Co digo Gene tico 
 Um codão é um tripleto de nucleótidos que codifica para um 
aminoácido específico 
 A tradução decorre com a leitura sequencial dos codões e sem 
sobreposição destes. 
 O primeiro codão da sequência inicia uma grelha de leitura. 
 Não há pontuação, i.e. os codões são contínuos. 
 
Grelhas de Leitura Aberta 
Cada sequência numa cadeia 
simples de DNA possui três grelhas de 
leitura aberta ou ORFs (Open Reading 
Frames) 
 
Um segmento de DNA em cadeia 
dupla possui assim seis grelhas de 
leitura aberta possíveis. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 136 de 169 
 
O Código Genético Universal 
61 dos 64 tripletos possíveis codificam para 20 aminoácidos. 
3 codões (codões stop) não representam aminoácidos mas levam à 
terminação. 
Codão de iniciação AUG: para além de sinal de iniciação (metionina) 
também codifica para metionina no interior da cadeia polipeptídica 
Codões de terminação: UAA, UAG, UGA (1 em 20). 
O número de codões para cada aminoácido não se correlaciona a 
respectiva frequência de utilização nas proteínas. 
A Não-Universalidade do Código Genético 
Nos genomas nucleares, as alterações normalmente afetam apenas os 
codões de terminação. Em algumas espécies ocorreram alterações ao código 
genético universal. Estas alterações são mais comuns nos genomas 
mitocondriais, nos quais se pode reconstruir as alterações por uma árvore 
filogenética. 
 
A Degenerescência do Código 
Vários aminoácidos são representados por mais do que um codão. 
Codões com o mesmo significado designam-se por codões sinónimos. 
Codões sinónimos diferem frequentemente apenas na 3ª base. 
Tal facto, conjuntamente com uma tendência para aminoácidos 
semelhantes serem codificados por codões também semelhantes, minimiza o 
efeito das mutações silenciosas. 
 
O Conceito de Wobble 
Cada codão necessita dum tRNA específico ou pode o mesmo tRNA 
emparelhar com 2 ou mais codões duma mesma família? 
 Frequentemente, cada tRNA reconhece mais do que um codão, 
pois a 1ª base do anticodão consegue emparelhar com 
diferentes bases na correspondente 3ª posição do codão. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 137 de 169 
 
 Múltiplos codões representam o mesmo aminoácido que 
frequentemente apenas diferem na base da 3ª posição (a 
"hipótese do wobble"). 
Hipótese de Wobble: O emparelhamento entre codão e anticodão para 
as duas primeiras bases (do codão) segue as regras usuais (G-C e A-U), mas 
na 3ª posição podem ocorrer wobbles (vacilações/ baloiços), devido à 
flexibilidade da conformação do loop do anticodão dos tRNAs. 
Existem apenas três casos em que um significado único é conferido 
pela presença de uma base única na terceira posição: 
AUG - metionina 
UGG - triptofano 
UGA – stop 
C e U nunca têm significado único na 3ª posição e A (na 3ª posição) 
nunca codifica um aminoácido único. 
 
Wobbles 
Emparelhamentos G-U (U e G podem reconhecer 2 bases: A/G e C/U) 
 
O Wobble no emparelhamento de bases permite que algumas bases 
na 1ª posição do anticodão reconheçam mais do que uma base na 3ª posição 
do codão, o que é devido duma monitorização mais frouxa no emparelhamento 
pelo rRNA no local A do ribossoma. 
 
tRNAs Supressores 
As mutações "nonsense" podem ser suprimidas por um tRNA com um 
anti-codão mutante. Que também suprimem os codões STOP "naturais", 
sintetizando assim proteínas mais longas do que as wild-type. 
Os tRNAs supressores também suprimem codões "missense". A 
supressão de mutações "missense" ocorre quando o tRNA reconhece um 
codão diferente do usual, de tal forma que um aminoácido é substituído por 
outro. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 138 de 169 
 
 Factores de Elongação: Procariotas e Eucariotas 
 
 
Terminação da Tradução em Procariotas 
1) Hidrólise da ligação no peptidil-tRNA presente no local P 
2) Libertaçãoda proteína livre e do tRNA descarregado 
3) Dissociação do ribossoma nas subunidades 30S e 50S 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 139 de 169 
 
 Factores de Terminação 
 
 
 
 
 
 
 
 Os Codões de Terminação São Reconhecidos por Factores 
Proteicos 
Por analogia de estruturas moleculares, o complexo EF-Tu-tRNA, o 
factor de translocação EF-Ge os factores de libertação RF1/2-RF3 ligam-se ao 
mesmo site ribossomal. 
Os codões de terminação são reconhecidos por factores de libertação 
proteicos, e não por aminoacil-tRNAs. 
RF1 – Factor de libertação bacteriano que 
reconhece UAA e UAG como sinais de 
terminação da tradução polipeptídica. 
RF2 – Factor de libertação bacteriano que 
reconhece UAA e UGA como sinais de 
terminação. 
RF3 – factor de libertação proteico 
relacionado com o factor de elongação EF-G. O 
RF3 funciona para libertar os factores RF1 ou 
RF2 do ribossoma quando actuam como 
terminadores da tradução. 
As estruturas tridimensionais dos factores de terminação de classe 1 
assemelham-se ao aminoacil-tRNA-EF-Tu e EF-G. O factor EF-G é essencial 
no passo de translocação e a sua estrutura é semelhante à do complexo 
aminoacil-tRNA-EF-Tu-GTP. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 140 de 169 
 
Inibição da Síntese Proteica 
A selecção natural permitiu obter compostos que afectam a síntese 
proteica bacteriana e não a do hospedeiro. 
A especificidade de alguns antibióticos deve-se precisamente a tal 
selectividade. 
 A inibição da síntese proteica é o alvo primáriode muitos 
antibióticos e toxinas naturais. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 141 de 169 
 
 Inibição da Síntese Proteica pela Puromicina 
Puromicina – um antibiótico que termina a síntese mimetizando um 
tRNA e ficando ligado à cadeia polipeptídica nascente. 
 
 
Esta tem estrutura semelhante à 
extremidade 3’ do tRNA e a translocação 
do ribossoma é bloqueada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Síntese Peptídica não ribossomal 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 142 de 169 
 
 Exemplo: Biossíntese da Gramicidina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 143 de 169 
 
Aula 19 – Folding e Degradaça o de Proteí nas 
 
Proteínas: Diversidade de conformação 
As proteínas funcionam conforme a sua conformação. 
 
 
 
 
 
 
Folding de Proteínas 
O folding de proteínas é o processe pelo qual as proteínas adquirem a 
estrutura terciária que lhes é termodinamicamente mais favorável. 
Consiste num processo por etapas em que as ligações mais 
adequadas vão sendo estabelecidas e a proteína adquire a sua estrutura 
(conformação) funcional. 
 Essas ligações que se estabelecem são de natureza covalente. 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 144 de 169 
 
 Ligações intra-moleculares em Proteínas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Passos na via de Folding de uma proteína globular 
1) Formação rápida e reversível de estrutura secundária localizada 
(folding); 
2) Formação dos domínios por interacção cooperativa de regiões já 
folded; 
a. Domínio – parte da proteína com um fold próprio e funcional, 
que é independente do resto da proteína 
3) Formação do “glóbulo fundido” (molten globule) dos domínios; 
4) Ajuste na conformação dos domínios; 
5) Estrutura final monomérica. 
 
 
 
 
Ligações intra-moleculares: 
 Ligações de hidrogénio 
 Ligações hidrófobas 
 Ligações de van der Waals 
 Ligações iónicas 
 Ligações perssulfureto 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 145 de 169 
 
 Folding e energia 
As proteínas adquirem a conformação que lhes é mais favorável do 
ponto de vista energético – existem as hipóteses cinética e termodinâmica 
do folding de proteínas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Existem várias vias possíveis 
para o folding duma proteína até à sua 
conformação nativa. A imagem ao 
lado é uma representação do folding – 
diagrama de energia (funil de folding) 
– sendo que o pico do funil corresponde 
ao mínimo de energia, ou seja, à 
conformação nativa. 
 
 Chaperones moleculares 
Os chaperones moleculares assistem 
ao folding correcto das proteínas in vivo. 
Estes não são componentes das 
proteínas funcionais e não possuem qualquer 
informação espacial para o folding. 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 146 de 169 
 
 A Hsp70 Liga-se Co-Traducionalmenteàs Cadeias Nascentes 
As hsp70 são proteínas menores, que se ligam em sequências 
hidrófobas expostas e mantêm a cadeia peptídica unfolded até que ela possa 
assumir a conformação tridimensional correta. 
Este chaperone tem duas tarefas importantes: ajudar o folding e 
impedir que várias proteínas malformadas, com sequências hidrófobas 
expostas, formem agregados, que podem ser nocivos. Ela ajuda proteínas que 
estão a ser sintetizadas em ribossomas livres no citoplasma ou proteínas que 
foram transferidas através para o retículo endoplasmático. 
 
 
 
 
 
 
 O Sistema GroEL-GroES 
Este sistema entra em “acção”, uma vez que há proteínas que não 
cabem dentro das chaperoninas – por terem grandes dimensões. O mecanismo 
em detalhe é explicado mais à frente. De seguida mostra-se apenas um 
resumo. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 147 de 169 
 
 
 Enzimas envolvidos no Folding 
a) Perssulfureto Isomerase (PDI); 
b) Peptidil Prolil Isomerase (PPI); 
c) Colagénio – Alguns resíduos trans de prolina do colagénio são 
modificados pelos 3- e 4-prolilhidroxilases 
 Principais Famílias de Chaperones 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 148 de 169 
 
 Chaperones e Translocação de Proteínas 
Translocação para o Mitocôndrio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Doenças Associadas ao Folding 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 149 de 169 
 
 Folding e Doença Humana 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 150 de 169 
 
Alzheimer 
As moléculas de APP na membrana celular e em vesículas 
intracelulares (endossomas) são clivadas pela β-secretase (BACE) e pelo 
complexo presenilina–γ-secretase (PS–γ) libertando a região Aβ. 
Uma porção dos péptidos Aβ pode oligomerizar, inicialmente 
intravesicularmente, sendo depois libertados para o fluido intersticial do 
cérebro, onde os oligómeros solúveis se difundem para as fendas sinápticas 
interferindo com a sua função por mecanismos desconhecidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os oligómerosde Aβ podem polimerizar mais em fibras amilóides 
que se agregam em placas esféricas, resultando na distorção e mau 
funcionamento dos axónios e dendritos adjacentes. 
Em paralelo, ocorre a activação de cinases no citoplasma do neurónio, 
levando à híper-fosforilação da proteína Tau, associada aos microtúbulos e 
sua polimerização em filamentos insolúveis que se agregam como "tangles" 
neurofibrilhares. 
Os microglia activados e os astrócitos reactivos perto das placas 
participam numa resposta inflamatória local contribuindo para a 
neurotoxicidade. 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 151 de 169 
 
 Vias de Degradação das Proteínas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 20 – Sorting de Proteí nas 
 
Localização Intracelular de Proteínas 
 As proteínas podem ir para a sua devida localização após terem sido 
completamente sintetizadas no citoplasma, em ribossomas ‘livres’ , ou seja, 
póstraducionalmente. Para tal, possuem sinais de localização. 
 Alternativamente, podem ser inseridas nos organitos 
cotraducionalmente como p.ex, as proteínas destinadas à via secretora (RE, 
Golgi, membrana, meio extracelular ou ainda endossomas ou lisossomas). 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 152 de 169 
 
Ribossomas e destinos das proteínas 
 
As proteínas sintetizadas nos ribossomas livres seguem a via pós-
traducional enquanto as proteínas sintetizadas nos ribossomas ligados ao 
reticulo endoplasmático seguem a via secretora. As proteínas da via secretoranunca são libertadas diretamente no citosol. 
 
Sinais de Sorting: O Código Postal das Proteínas 
As proteínas sintetizadas nos ribossomas livres do citoplasma são 
dirigidas para os seus destinos específicos através de sinais (sequências de 
aminoácidos) que funcionam como ‘códigos postais’. 
A sequência de sinal é comum a todas as proteínas com o mesmo 
destino. Se se alterar essa sequência a proteína é enviada para outro local da 
célula. 
 
 
A Via Secretora em Eucariotas 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 153 de 169 
 
 
Translocação de proteínas da via secretora 
 
 
 
Topografia de Proteínas de Membrana 
A topografia das proteínas de membrana depende do número e 
orientação das regiões transmembranares: 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 154 de 169 
 
As Proteínas são Transportadas em Vesículas com Revestimentos 
A formação das vesículas é desencadeada pela associação das 
proteínas de revestimento à membrana. Estas proteínas de revestimento vão 
provocar o dobramento da membrana até à formação da vesícula 
 
A Hipótese das SNAREs 
A especificidade para ‘atracar’ é dada 
pelas SNARES. 
A v-SNARE transportada pela vesícula é 
reconhecida pela t-SNARE na membrana, 
formando um SNARE-pin. 
O NSF e a SNAP permanecem ligados à 
outra extremidade do SNARE-pin durante a 
fusão. 
Após a 
fusão, dá-se a 
hidrólise de ATP e o 
NSF e a SNAP 
dissociam-se para 
libertar a SNARE. 
 
Proteínas Rab 
Rab’s: são proteínas que se ligam ao GTP, 
"small GTPase"s (activas na forma ligada) e que 
influenciam determinados passos do transporte de 
proteínas na via secretora. 
 
Vias de tráfego para o lisossoma 
Os endossomas distribuem as proteínas 
endocitadas e proporcionam uma via para o lisossoma. 
As proteínas são transportadas pelas vesículas revestidas de clatrina 
da membrana para os endossomas precoces. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 155 de 169 
 
Podem depois regressar à membrana ou continuar para os 
endossomas tardios e lisossomas. 
As proteínas recém-sintetizadas podem ser encaminhadas para os 
endossomas tardios (e, de seguida, para os lisossomas) a partir do Golgi. 
O sinal no targeting para o lisossoma é o reconhecimento do fosfato de 
6- manose por um recetor específico. 
 
 
Aula 21 – A Base Molecular e Funcional da Fibrose Quí stica 
 
Fibrose Quística 
É a doença autossómica 
recessiva letal mais comum em 
Caucasianos, ou seja, afecta os 
autossomas e só tem a doença 
quem possui a mutação nos dois 
alelos. 
A causa de morte pode 
ser a falta de ar. 
 
 Diagnóstico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 156 de 169 
 
 Fisiopatologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Doença Respiratória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A presença dum espesso muco impede a ‘limpeza’ (clearance) das vias 
respiratórias e atrai bactérias patogénicas e células do sistema imunitário. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 157 de 169 
 
 A Cascata da Patogénese da CF 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1,900 Mutações CFTR: 5 Classes Funcionais 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 158 de 169 
 
Corrigir as ~1,900 Mutações CFTR por Classe Funcional 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Controlo de Qualidade do Retículo Endoplasmático (RE) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 159 de 169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Resgatar Mutações de Classe II 
 
1. Corrigir o folding e inibir a degradação 
2. Aumentar o número (e a função) de canais CFTR na superfície 
3. Fase secundária de ensaio clínico para o VX-809 mostrou 
diminuição da concentração salina no suor mas não teve efeito na 
função respiratória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 160 de 169 
 
 Resgatando Mutações de Classe III/IV 
 
Classe III – Defeito de Regulação: O canal não responde 
Classe IV – Defeito de Condutância: Menos iões passam pelo canal 
 
 
 
 
 
 
 Resgatando Mutações de Classe V 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Novas Terapias 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 161 de 169 
 
Aula 22 e 23 – Me todos para o Estudo da Regulaça o da Expressa o 
dos Genes 
Gel-Mobility Shift Assay 
 
Permite identificar interações proteína – DNA ou proteína – RNA. A 
técnica baseia-se no facto de que complexos proteína – DNA migram mais 
lentamente que DNA livre quando sujeitos a uma eletroforese em gel de 
agarose ou em gel de poliacrilamida (não desnaturante) 
Complexos proteina – DNA formados de DNA circular podem migrar 
mais rápido que o DNA livre. 
Esta técnica permite estudar alterações da conformação do DNA 
induzidas pela ligação de proteínas. 
 
 
DNA footprinting 
Esta técnica tem ser aplicada num gel de alta resolução, como o gel de 
acrilamida que apresenta resolução de 1 nucleótido. 
Após a amplificação do DNA em estudo, adiciona-se uma proteína de 
interesse que se vai ligar a uma zona especifica deste DNA, impedindo a sua 
clivagem por um enzima de restrição. Comparando o gel de eletroforese obtido 
ao adicionar esta proteína e o gel sem a adicionar verifica-se que no caso da 
adição há uma zona que não foi clivada por não aparecer no gel. É assim 
possível determinar a zona a que a proteína se liga no DNA em estudo. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 162 de 169 
 
 
Determinação da Atividade de Promotores 
O promotor é clonado com um gene repórter a jusante. Coloca-se 
numa célula em que o gene repórter seja normalmente expresso. Os níveis de 
enzima na célula são proporcionais à “força” do promotor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 163 de 169 
 
Sistema “Tet-off” 
Permite desativar irreversivelmente o promotor. A presença de 
tetraciclina impede a transcrição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sistema “Tet-on” 
O promotor é ativado na presença de tetraciclina. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 164 de 169 
 
Pulse-chase com radioisótopos 
Permite analisar processos celulares ao longo do tempo 
 
O sistema do duplo hibrido em levedura 
 
Neste sistema, um par de 
factores de transcrição responsáveis 
pela expressão de um gene de 
levedura é substituído por proteínas 
híbridas, cada uma feita, em parte, 
pelo factor de transcrição pela 
proteína de teste. Assim é testada a 
capacidade deste par de híbridos de 
dirigir a expressão do gene alvo de 
levedura. 
Para utilizar o sistema, 
devem ser realizadas duas 
experiênciasde clonagem de 
levedura. 
 
A primeira experiência de clonagem envolve o gene cujo produto da 
proteína que ele codifica está a ser estudado. Este gene é ligado ao gene que 
codifica para um factor de transcrição (do par) e essa conjugação é inserida 
num vector de levedura. As leveduras recombinantes, que são produzidas não 
são capazes de expressar o gene-alvo, uma vez que este factor de transcrição 
modificado não pode interagir com o seu parceiro (b). 
 
Na segunda experiência de clonagem, é feita uma versão híbrida do 
parceiro e este é clonado em células de levedura. A restauração da expressão 
do gene alvo indica que os dois factores de transcrição podem interagir. As 
fusões são concebidas de tal modo que só podem acontecer se as interacções 
ocorrerem entre os componentes da proteína teste dos híbridos, não entre os 
segmentos de factor de transcrição (c). 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 165 de 169 
 
Pares de interacção de proteínas de teste são então identificados. A 
segunda experiência de clonagem pode envolver uma biblioteca de 
recombinantes que representam proteínas diferentes, de modo a que uma 
proteína pode ser testada contra muitas outras. 
 
FRET-Fluorescence Resonance Energy Transfer 
É um processo físico onde há transferência de energia entre o dador e 
o aceitador. A diminuição da fluorescência do dador e o aumento da 
fluorescência do aceitador pode ser medida por microscopia. Este processo 
permite estudar a interação direta entre proteínas numa célula viva. 
Para poder ocorrer FRET: 
 Os espetros de emissão e absorção tem de se sobrepor, ou seja, os 
fluoróforos têm de ser complementares (o comprimento de onda de excitação 
de um deve corresponder ao comprimento de onda de emissão do outro); 
 
 
 
 
 
 O raio da distância entre os fluoróforos tem de ser inferior a 100 Å. 
 
 
 
 
Neste exemplo, a proteína e o seu aceitador são marcados por 
fluorescência. Como apenas se deteta fluorescência quando as moléculas se 
encontram suficientemente perto, apenas se deteta fluorescência quando a 
proteína e o seu aceitador se ligam, provocando a proximidade necessária 
entre o dador e o aceitador. 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 166 de 169 
 
 
Nesta estratégia, a excitação do CFP resulta na emissão a partir duma 
proteína vizinha, tal como a proteína com YFP (fluorescência azul) se esta 
estiver suficientemente perto. 
FRET: "Photobleaching" do Aceitador 
No modo "photobleaching" do aceitador, a molécula aceitadora é 
sujeita a "bleaching", resultando um aumento de brilho ("unquenching") no 
dador de fluorescência. Como o aceitador deixa de absorver energia, a energia 
emitida pelo dador é detetada com maior intensidade, observando-se uma 
maior fluorescência. 
Ao aplicar esta técnica, se não se observar nenhuma alteração nos 
fluoróforos, significa que não existia FRET e portanto o fluoróforos ou estavam 
muito afastados ou não eram complementares. 
 
FRET: Emissão Sensibilizada 
Esta técnica (modo emissão sensibilizada), permite: 
 Analisar interações proteína:proteína in vivo; 
 Investigar alterações conformacionais das proteínas. 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 167 de 169 
 
FRAP - Fluorescence Recovery After Photobleaching 
Mede a dinâmica da mobilidade molecular em membranas ou células 
vivas. Especialmente a capacidade de uma molécula se mover entre os 
diferentes organitos da célula. 
Por exemplo, (A) a bicamada fosfolipidica é 
marcada com um fluoróforo depois (B) realiza-se um 
"photobleaching" direcionado a uma zona especifica 
da membrana. (C) Ao observar a intensidade de 
fluorescência ao longo do tempo, o marcador 
“antigo” é substituído por um “novo” e, 
eventualmente, (D) volta-se ao estado inicial. 
 
 
 
 
FLIP - Fluorescence Loss In Photobleaching 
É uma variante da técnica de FRAP, tem o mesmo objetivo: analisar o 
movimento de partículas na célula. 
 
RNA interference (RNAi) – Mecanismo Natural 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 168 de 169 
 
Mecanismo: 
A. Passo precursor. Longos precursores de 
dsRNA e miRNA são processados em 
siRNA/miRNA duplexes pelo enzima DICER 
(uma RNase-III-like). Provavelmente ocorre um 
passo de amplificação. 
B. Passo efetor. Estes dsRNAs são depois 
desenrolados e incorporados em complexo 
nucleásicos efetores, designados RISCs (RNA-
induced silencing complexes) que atuam 
induzindo a clivagem dos mRNAs, a repressão 
da tradução ou a modificação da cromatina. 
 
Small interfering RNAs (siRNAs) 
 dsRNAs curtos (19-22 bp) com extremidades protuberantes com 2 
nucleótidos. 
 Produzidos por síntese química, por transcrição in vitro, ou cassette de 
expressão (introduzida nas células por transfeção). 
 Permitem a perturbação da função dos genes. 
 Pode ser aplicado em high-throughput à escala da célula/sistema. 
 
Microscopia de High-Throughput 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Apontamentos de Biologia Molecular, Licenciatura em Bioquímica 
Página 169 de 169 
 
A variante termosensível da proteína G do vírus VSV (ts-O45-G) fica 
retida no retículo endoplasmático (RE) à temperatura de 39.5ºC. Após a 
transfeção com esta proteína fundida com YFP (A), as células são inicialmente 
incubadas a este temperatura e a ts-O45-G acumula-se no RE (B). Após 16h, 
as células passam para 32ºC (temperatura permissiva) e a ts-O45-G vai para a 
membrana plasmática (C). Num siRNA screen, são avaliados os efeitos de 
siRNAs neste tráfego membranar da ts-O45-G. 
 
Os ensaios para imagiologia de fluorescência de high-throughput têm de 
ser concebidos de forma que: 
 A preparação de amostra em larga escala possa ser efetuada 
automaticamente; 
 A aquisição das imagens seja rápida e quantitativa; 
 As imagens sejam armazenadas de modo a poderem ser analisadas 
automaticamente.

Mais conteúdos dessa disciplina