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MEDICINA AEROESPACIAL 
 
1 
 
Medicina Aeroespacial 
 
A medicina aeroespacial, antigamente chamada de medicina de aviação, estuda o organismo do 
homem que voa, suas reações mediante a exposição aos efeitos estressantes da atividade aérea, 
estabelecendo os limites de sua resistência e os meios de proteção necessários para evitar danos 
temporários ou definitivos. 
Os conhecimentos referentes à medicina aeroespacial permite ao tripulante ser conhecedor dos agentes 
agressivos ao organismo em sua atividade profissional; dos recursos capazes de neutralizá-los; da 
proteção proporcionada por uma série de dispositivos e normas de ação; iluminar o desconhecido, 
evitando assim quadros de intranqüilidade, apreensão, temor e ansiedade durante o trabalho aéreo. 
 
1.0 Ambiente Aeronáutico 
 
1.1 Atmosfera 
 
É o meio aéreo composto por uma mistura de gases envolvendo a superfície terrestre até uma altitude 
aproximada de 330 mil pés. 
 
Está dividida em várias camadas: 
• Troposfera (onde se dá a maior parte da aviação comercial); 
• Estratosfera; 
• Ionosfera / Termosfera; 
• Exosfera. 
 
Em sua composição temos: 
Nitrogênio (Azoto)________________________________________________78% 
Oxigênio________________________________________________________ 21% 
Gases raros (argônio, hélio, hidrogênio, xenônio, dióxido de carbono e vapor d’água)____ 1% 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 01: Ar mais rarefeito com a altitude 
 
 
1.2 Pressão Atmosférica 
 
A atmosfera exerce uma pressão pelo peso de seus gases sobre a superfície terrestre. A essa pressão 
dá-se o nome pressão atmosférica ou baromêtrica que, ao nível do mar e, em condições padrão de 
umidade e temperatura, é representada por uma Coluna de Mercúrio de 760 milímetros, com 1 
centímetro de diâmetro, portanto, a pressão atmosférica no nível do mar é de é igual a 760 mmHg e 
corresponde a 1 Atm ou 1013.2 milibares. Para medir-se a Pressão Atmosférica utiliza-se um aparelho 
denominado Barômetro. 
À medida que se ganha altura há uma progressiva queda da pressão atmosférica, devido à progressiva 
redução do peso exercido pela atmosfera sobre a superfície terrestre. Como a atmosfera é uma mistura 
de gases, consequentemente com a queda da pressão atmosférica haverá uma queda da pressão parcial 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
2 
 
de cada um dos gases que a compõe. Dentre eles, o oxigênio, indispensável a sobrevivência do 
homem 
Em todas as fases da história das atividades aeroespaciais, ficou provado que à medida que o ser 
humano se afasta da superfície terrestre, surgem condições adversas à sua sobrevivência. Há uma divisão 
“fisiológica” que dá uma idéia da problemática do voo: 
 Zona fisiológica, indiferente ou reação compensada: do nível do mar a 10.000 pés, onde 
apenas pequenos problemas fisiológicos podem surgir. Taquicardia, taquisfigmia e taquipnéia 
tentativa do organismo de impedir que as células fiquem carentes quando se inspira ar rarefeito. 
 Zona fisiológica deficiente ou zona de reações orgânicasdescompensadas: faixa entre 
10.000 e 50.000 pés, onde a pressurização garante a possibilidade do voo (que seria impossível sem 
ela). É onde ocorre a maior parte da aviação comercial. 
 Zona equivalente ao espaço: acima de 50.000 pés, onde somente cabines pressurizadas não 
são suficientes para manter a vida do ser humano. São necessárias cabines seladas e roupas 
pressurizadas. 
 
 
 
 
Figura 02: Divisão fisiológica 
 
 
O corpo humano foi “projetado” para viver sob condições especiais de temperatura e pressão. Em se 
tratando das limitações das capacidades humana, sabe-se que o limite da fisiologia humana é até 
aproximadamente 10 mil pés de altitude. 
 De 10 mil a 12 mil pés de altitude o organismo ainda consegue se adaptar. A partir daí, começamos a 
sentir os efeitos da despressurização, passando a ser necessário o uso de equipamento suplementar de 
oxigênio. As aeronaves são normalmente pressurizadas de 6 a 8 mil pés. 
 
1.3 Influência da pressão atmosférica sobre o organismo humano segundo as leis físicas dos 
gases 
 
 Lei de Boyle 
“À uma temperatura constante, o volume da massa de um gás é inversamente proporcional à pressão 
que suporta”. Assim sendo, em elevadas altitudes, com a diminuição da Pressão Atmosférica, os gases 
aprisionados em cavidades, dilatam-se. Esta lei explica o princípio da aerodilatação. 
 
Lei de Henry 
“A quantidade de um gás dissolvido em um líquido varia diretamente com a pressão, se a temperatura 
for constante”. 
A quantidade de um gás dissolvido em uma solução depende da pressão exercida sobre esta solução. 
Se a pressão diminui, menos gás fica dissolvido e o excesso forma bolhas. Esta lei explica o príncipio 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
3 
 
do aeroembolismo ou doença da descompressão, onde o gás envolvido é o Nitrogênio, essas bolhas 
podem interromper a circulação de várias partes do corpo, entre elas coração, cérebro e pulmões. 
* Importante para aeronautas e mergulhadores. 
 
Lei de Dalton 
“A pressão total de uma mistura de gases é igual à soma das pressões de cada gás da mistura”. A 
pressão atmosférica é igual a soma das pressões parciais de cada gás que a compõe. 
Como a atmosfera é uma mistura de gases, entende-se que a queda da pressão atmosférica é 
consequência da queda de pressão parcial de cada um dos gases que compõe a atmosfera. Dentre eles, 
o oxigênio, indispensável à sobrevivência, também sofre alteração, tendo sua concentração 
parcialmente diminuída. 
Se a pressão atmosférica varia com a altitude, a pressão parcial de cada um dos gases componentes da 
atmosfera também varia. Assim, a pressão parcial dos gases aos quais qualquer organismo está 
submetido, será determinada pela altitude em que o mesmo se encontra. Esta lei explica o principio da 
hipóxia. 
 
1.4 Fatores Potenciais de Risco 
 
1.4.1 Oscilações do Valor da Pressão atmosférica 
 
À medida que ganhamos altitude, ocorre uma progressiva queda da pressão atmosférica devido a uma 
progressiva redução do peso exercido pela atmosfera sobre a superfície da Terra. 
A queda progressiva da pressão pode desencadear ao organismo humano quadros de aerodilatação 
(doenças pela expansão dos gases), aeroembolia (doença da descompressão pela formação de bolhas 
de nitrogênio), hipóxia (deficiência de oxigênio pela diminuição da pressão parcial de oxigênio). 
 
1.4.2 Oscilações do grau da temperatura atmosférica com variações da altitude 
 
À medida que aumenta a altitude, há uma progressiva queda nos valores da temperatura de 2º C para 
cada 1000 pés de altura até alcançar 45.000 mil pés (15.000 metros), onde ocorre a estabilização da 
temperatura até 47.000 mil pés. A partir daí encontra-se a camada de inversão térmica, onde a 
temperatura passa a aumentar devido a maior proximidade da fonte solar. 
Durante o voo, essa queda acentuada da temperatura pode provocar: desconforto, entorpecimento, 
geladuras e até choque. 
 
1.4.3 Oscilações nos valores dos graus de umidade e de luminosidade 
 
À medida que aumenta a altitude, há uma queda progressiva nos valores do grau de umidade, o 
inverso acontece com a luminosidade que tende a aumentar progressivamente devido as radiações 
solares e os raios cósmicos se tornarem mais intensos, a exposição ao excesso de luminosidade pode 
provocar ofuscamento. 
O ar no interior das aeronaves é mais seco, como meio de proteção aos delicados aparelhos 
eletrônicos, atingindo concentrações de umidade próximas a 10%, sendo que a concentração ideal de 
umidade do ar ambiente está numa faixa entre 30 e 40%. 
A baixa umidade do ar presente no interior das aeronaves pode ocasionar desidratação das mucosas e 
do organismo, para evitar que isso ocorra é necessário aumentar a ingestão de líquidos, pelo menos 2 a 
3 litros por dia, fazer uso de creme hidratante nas partesexpostas, colírios nos olhos, respirar através 
de lenço umedecido com água, utilizar substâncias capazes de umedecer a mucosa nasal, tais como: 
soro fisiológico. 
 
1.4.4 Turbulência 
 
É toda e qualquer agitação vertical do ar ou correntes de ar ascendentes ou descendentes que venham 
a ocasionar desde pequenos tremores a grandes solavancos na aeronave, durante o voo. São 
fenômenos muito ruins, pois além de torná-los desagradáveis, podem afetar a estrutura das aeronaves, 
danificando-as, devido aos elevados esforços. 
Durante uma turbulência, a aeronave se submete a forças de aceleração e desaceleração linear e 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
4 
 
angular repetitiva, o que provocará uma estimulação excessiva dos já estudados órgãos do equilíbrio, 
causando hiperexcitabilidade do labirinto, da visão e das fibras proprioceptivas. Aliado a isso, ainda 
há o deslocamento de vísceras. Tal situação é a maior causa de enjoos a bordo. 
 
1.4.5 Aceleração 
 
Aceleração pode ser definida como a taxa de mudança de velocidade de um corpo. 
Existem várias formas de classificação da aceleração. Dependendo da forma de movimento, da 
direção e da intensidade pode-se ter aceleração linear, angular, transversa, gravitacional etc. A 
aeronave está sujeita a todas elas. 
A aceleração e desaceleração linear e angular repetitiva, pode ser percebida durante uma situação de 
turbulência, por exemplo, ocasionando respostas orgânicas diversas – como já visto no tópico de 
turbulências. 
Uma medida de aceleração que merece destaque é a força-G, cuja unidade é igual a uma vez a 
aceleração da gravidade terrestre, que é de 9, 82 m/s2. A força que uma pessoa exerce quando sentada 
está em resposta direta à força gravitacional imposta sobre o corpo. Esta força é igual ao peso e é 
conhecida como "G1". 
A exposição do corpo humano a elevados índices G afeta principalmente a manutenção da consciência 
e a visão do indivíduo, pois a primeira depende do cérebro receber corretamente um suprimento 
constante de sangue, enquanto a segunda exige a disponibilidade de sangue na retina. Em ambos os 
casos, o suprimento de sangue depende da atuação do coração, na tarefa de bombeamento do mesmo, 
permitindo sua chegada aos órgãos do corpo - incluindo-se aí o cérebro e os olhos. Sobre todo este 
mecanismo fisiológico, o efeito de altas forças-G é reduzir a pressão do sangue e o fluxo sanguíneo 
em geral, devido à dificuldade do coração bombear o sangue de forma apropriada. 
Sob altas forças-G, os olhos reagem primeiro diante da pressão sanguínea reduzida, num processo que 
se inicia com a perda das cores e claridade da imagem. Em seguida, ocorre a diminuição no campo 
visual, com um estreitamento das bordas para o centro até chegar a perda total da visão. Caso haja 
redução das forças-G, estes sintomas da visão revertem-se quase imediatamente. Já no caso do 
cérebro, a situação é mais complexa. Como os olhos, ele possui uma reserva de 5 a 7 segundos de 
oxigênio, capaz de manter seu funcionamento diante de um colapso súbito no suprimento de sangue. 
Esgotada esta reserva, porém, o cérebro simplesmente desliga, e de modo quase imediato(desmaio). 
Na aviação comercial, as forças gravitacionais não são um fator significativo, mas são aplicadas no 
organismo durante decolagens, pousos e manobras de voo, potencializando ou minimizando seus 
efeitos. 
A engenharia aeronáutica procura minimizar tais efeitos utilizando sistemas que propiciem à aeronave 
realizar manobras suaves, criando um ambiente estável. 
 
1.4.6 Variações na grandeza e na direção da velocidade das aeronaves 
 
 A grandeza da velocidade alcançada pelas aeronaves comerciais modernas não influi sobre o ser 
humano. 
O que provocará grandes perturbações orgânicas serão as variações de grandeza e da direção da 
velocidade, quando se fizerem intensas e repentinamente, dando lugar ao desencadeamento das 
acelerações e desacelerações. 
A técnica aeronáutica aplicada às atividades da aviação comercial condiciona a anulação das citadas 
variações (acelerações e desacelerações), seu estudo é mais focalizado na aviação militar e acrobática. 
 
1.4.7 Defasagens de tempo 
 
O organismo de um aeronavegante pode sofrer com as alterações do ciclo circadiano, são os ritmos 
que se desenvolvem no decurso de 24 horas, onde está determinado quando deve acontecer a vigília, o 
sono, a secreção dos sucos digestivos, o hábito intestinal entre outros. Desde seu nascimento o 
organismo humano funciona num regime de ritmos. Habitua-se e adapta-se à sucessão dia noite dia 
noite. 
O cruzamento de fusos horários altera o ritmo circadiano, que pode ser retomado dentro de 24 a 48 
horas após o voo. A regulamentação das companhias aéreas da aviação comercial inclui os horários 
adequados ao repouso do tripulante e cabe a ele aproveitar esse tempo de modo correto, com o intuito 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
5 
 
de evitar os indesejáveis efeitos do cruzamento de fusos. 
Às alterações do ciclo circadiano dá-se o nome de JETLAG, que é um conjunto de sintomas de 
desconforto físico e emocial relacionado com o fuso horário. O nosso relógio biológico modifica-se, 
porque o ritmo dia/noite a que estávamos habituados altera e o padrão natural do corpo. Dividido em 
24 fusos horários, quando atravessamos em pouco tempo vários fusos horários, frequentemente 
sentimos o famoso “jet lag”. A problemática pode ser ainda maior, se a diferença horária no local de 
chegada causar dessincronização entre o ciclo de vigília-sono e o ciclo de luminosidade/escuridão. 
Este sintoma de cansaço reduz e muito a proficiência do aeronauta. 
Os Efeitos do jet lag inclue: fadiga, irritabilidade, insônia, dor de cabeça, dificuldade de concentração, 
entre outros. 
 
1.5 Efeitos sobre o psiquismo do homem 
 
Nas condições atuais de Aeroespecialização, um voo somente poderá exercer uma influência 
desfavorável ao plano mental do ser humano quando existir: 
 
1- Inadequadação das condições dos passageiros e dos tripulantes para participarem do voo. Esta 
inadequadação pode ser consequência de: 
 
 Predisposição pessoal a reações mentais inadequadas, pela atuação dos fatores ligados à prática 
das atividades aéreas. Assim, uma instabilidade emocional ou a predominância de reações de 
medo, ou os estados depressivos ou ansiosos já poderão fazer desencadear perturbações psíquicas 
sob a influência de qualquer estímulo que vier a surgir durante a realização do voo; 
 Fatores que provocam uma fadiga pessoal, causando um desgaste ou desequilíbrio dos controles 
nervosos ou psíquicos; 
 Deficiência da capacidade profissional dos tripulantes, desencadeando uma insegurança 
operacional a bordo; 
 
2- Inadequação das condições operacionais de voo, que pode ser: 
 
 Deficiência da manutenção e da capacidade operacional da aeronave, gerando o aparecimento de 
condições inadequadas durante o voo as quais se converterão em estímulos predisponentes ou 
determinantes de reações psíquica desfavoráveis, tanto nos pax’s, como nos tripulantes; 
 Deficiência ou insuficiência da infra-estrutura aérea da organização que é responsável pelo bom 
atendimento dos serviços de bordo ou para o voo; 
 Causas psíquicas desfavoráveis e imprevisíveis, que poderão determinar acidentes ou incidentes 
durante o voo, provocando uma série maior ou menor de reações psíquicas inadequadas. 
 
Com o aprimoramento da técnica aeronáutica, em todos os setores em contato com a segurança do 
voo, é que se conseguirá a obtenção de um suficiente grau de eficiência aérea, que é a forma 
indispensável para um sistema adequado de segurança de voo. Além de, eliminar todos aqueles fatores 
desfavoráveis ou predisponentes da intranquilidade do ambiente de voo, ainda irá garantir um maior 
rendimento do trabalho aéreo. 
 
1.6 Fadiga Aérea 
 
A exposição às condições adversas do meio ambiente aéreo exigem do organismouma reação de 
defesa ou de compensação. Situações como queda de pressão, aceleração, ruídos, vibrações, 
juntamente com mudança de clima, alimentação e cruzamento de fusos horário formam os chamados 
fatores estressantes do voo, que se prolongados excessivamente, podem levar ao esgotamento ou 
descompensação. 
A soma de todos os fatores de estresse mencionados, sem falar nos aspectos emocionais, como por 
exemplo, a ausência prolongada do lar e da família, problemas pessoais que o tripulante se obriga a 
deixar em terra, entre outros, pode levar o tripulante ao estado de fadiga aérea. 
A Fadiga é um conjunto de manifestações geradas pelo trabalho intenso e prolongado que se estende 
acima de um determinado limite. Ela manifesta-se inicialmente por um mau desempenho profissional, 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
6 
 
que se expressa por displicência nas tarefas a serem executadas e faltas frequentes aos compromissos 
de escala. 
Simultaneamente, diversos sintomas clínicos começam a surgir tais como: dor de cabeça, falta de 
apetite, esquecimento, astenia, diarreias ou constipação, palpitações, irritabilidade e baixa capacidade 
de concentração. Dor no peito, "tics" faciais, perturbações visuais ou auditivas, emagrecimento sem 
razão aparente e redução na atividade sexual também podem estar presentes. 
Se o tripulante não identificar corretamente seus sintomas e não buscar de imediato um atendimento 
médico especializado, outros sintomas podem surgir, e se manifestam através de tremores, 
agressividade, sarcasmo, faltas frequentes ao serviço, uso imoderado de fumo e álcool, podendo 
evoluir para os quadros neuróticos em suas variadas apresentações - fobias, ansiedades, depressões, 
obsessão, compulsão, etc. ou ainda para as terríveis e muitas vezes irreversíveis dependências físicas e 
psíquicas ao álcool e drogas lícitas e ilícitas. 
Portanto, levar conhecimento sobre isso aos tripulantes é a melhor forma de manter os fatores de 
estresse no limite da reversibilidade. Conhecendo-se o organismo em sua atividade profissional e os 
recursos de proteção proporcionados por uma série de dispositivos e normas de ação, afasta o 
desconhecido, gerador de intranquilidade, apreensão, temores e ansiedade, muitas vezes 
desnecessários e que podem resultar em comprometimento do desempenho individual e da segurança 
do voo. 
 
2.0 O homem e os efeitos das condições de voo 
 
A atividade aeronáutica impõe ao indivíduo situações às quais seu organismo não está sujeito 
habitualmente. Portanto, visando entender os fenômenos provenientes de tal atividade, noções básicas 
sobre anatomia e fisiologia são necessárias. A anatomia (anatome = cortar em partes, cortar 
separando) refere-se ao estudo da estrutura e das relações entre estas estruturas. A fisiologia (physis + 
lógos + ia) lida com as funções das partes do corpo, isto é, como elas trabalham. 
Define-se corpo humano como sendo a estrutura física do ser humano, possui em sua composição 
células, que juntas formam os tecidos, que se reúnem e se integram formando os órgãos, que se 
reúnem formando os aparelhos ou sistemas, que por fim se juntam e se integram formando o 
organismo humano. Os principais sistemas são: 
Tegumentar - Formado pela pele, cabelos e unhas, serve para proteção e revestimento; 
Esquelético - Formado pelos ossos, cartilagens e conexões entre os ossos; 
Muscular - Formado pelos músculos e tendões; 
Nervoso - Recebe e associa estímulos externos e internos, controlando, coordenando e regulando as 
reações motoras como o tato, a audição, o olfato, a visão, o paladar, as sensações de frio ou calor etc; 
Vascular - Conjunto de órgãos encarregados da circulação sangüínea, abrangendo o coração, as 
artérias, as veias, os capilares sangüíneos e os vasos; 
Respiratório - Conjunto de órgãos encarregados de conduzir ar e de efetuar as trocas gasosas entre 
este e o sangue; 
Urogenital - Constituído pelos órgãos formadores e eliminadores de urina e pelos órgãos genitais 
masculinos e femininos responsáveis pela reprodução da espécie; 
Endócrino -Produz substâncias químicas em pequenas quantidades chamadas hormônios, que 
auxiliam na regulação das funções e atividades orgânicas. 
 
2.1 Aparelho Visual 
 
Os olhos talvez desempenhem a função mais importante na manutenção do equilíbrio. Por 
experiência, aprende-se o significado do horizonte, como determinar onde está o "lado de cima" e o 
"lado de baixo" mediante a posição de determinados objetos familiares dentro do campo visual. 
Durante o voo, o sistema visual é o sentido de orientação mais fiel porque é através de suas 
modalidades que obtemos informações imprescindíveis como: distância, profundidade, altitude do 
avião, leitura de mapas, interpretação dos instrumentos da aeronave, etc. 
O olho é o órgão do nosso corpo que permite captar imagens do ambiente em redor. É nele que se 
inicia o processo que entendemos por visão, processo esse que, no caso do ser humano, é responsável 
por mais de 90% das informações que somos capazes de captar. Portanto, qualquer lesão neste órgão, 
implicando na queda da qualidade visual, pode ter, como consequência, sérias limitações à interação 
do indivíduo com o mundo ao seu redor. 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
7 
 
A capacidade de ver depende das ações de várias estruturas dentro e ao redor do globo ocular. A 
imagem abaixo ilustra os componentes essenciais do sistema óptico: 
 
 
Figura 03: Anatomia do aparelho visual 
 
O globo ocular é uma esfera com cerca de 2,5 cm de diâmetro e 7 g de peso. Quando se olha na 
direção de algum objeto, a imagem atravessa primeiramente a córnea, uma película transparente que 
protege o olho. 
Após a córnea, a imagem chega à íris, que regula a quantidade de luz recebida por meio de uma 
abertura chamada pupila, batizada popularmente de "menina dos olhos". Quanto maior a dilatação da 
pupila, mais luz entra no olho. . . . . . 
Passada a pupila, a imagem chega a uma lente, o cristalino, e é focada sobre a retina - que é uma 
estrutura que forra o olho por inteiro internamente, contem estruturas denominadas cones e bastonetes. 
A maior concentração de cones fica na região central da retina, são sensíveis a cores e são capazes de 
captar detalhes finos, já os bastonetes são mais populosos nas regiões periféricas da retina e tem a 
função de diferenciação através das tonalidades de cinza. 
A adaptação visual na escuridão varia de acordo com os cones e bastonetes, os cones levam 
aproximadamente 8 minutos para atingirem sua sensibilidade máxima, já os bastonetes levam cerca de 
30 minutos. 
A lente do olho produz uma imagem invertida, e o cérebro a converte para a posição correta. Na 
retina, mais de cem milhões de células fotorreceptoras transformam as ondas luminosas em impulsos 
eletroquímicos, que são decodificados pelo cérebro. 
Pode estabelecer-se uma analogia entre o olho e uma câmara fotográfica da seguinte forma: uma 
máquina fotográfica precisa de uma lente e de um filme para produzir uma imagem. De igual modo, o 
globo ocular precisa de uma lente (córnea, cristalino e vítreo) para refratar, ou focar, a luz sobre o 
filme (retina). Se qualquer um, ou mais, destes componentes não estiver funcionando corretamente, o 
resultado é uma imagem de má qualidade. Na nossa câmara, a retina representa o filme. 
As lágrimas não são compostas apenas de água. Numa gota pode haver mais de 60 combinações 
proteicas, além de minerais e substâncias bactericidas, que protegem o olho de infecções. Quando 
piscamos, as lágrimas banham os olhos, conservando a córnea úmida. O fluido é drenado pelo canto 
interno do olho para um saco lacrimal e daí para o nariz. 
 
As doenças oftalmológicas provocam a diminuição da acuidade visual e podem, eventualmente, levar 
à perda de visão. A diminuição da acuidade visual é causada, fundamentalmente, por defeitos 
refrativos passíveis decorreção óptica, como é o caso da: 
 
 Miopia: a imagem é focada à frente da retina e traduz-se por uma dificuldade de visão ao longe. 
 Hipermetropia: imagem é formada após a retina, isso acontece principalmente porque o olho do 
hipermétrope é um pouco menor do que o normal. O grau do hipermétrope, geralmente diminui 
com o crescimento do olho, e é comum assistir a pessoas que necessitavam de óculos durante a 
infância, mas que deixaram de os usar na idade adulta. 
 Astigmatismo: é uma deficiência visual, causada pelo formato irregular da córnea ou do cristalino 
formando uma imagem em vários focos. Uma córnea normal é redonda e lisa. Nos casos de 
astigmatismo, a curvatura da córnea é mais ovalada, como uma bola de futebol americano. Este 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Retina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93culos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inf%C3%A2ncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vis%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3rnea
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristalino
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem
http://pt.wikipedia.org/wiki/Foco
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curvatura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oval
http://pt.wikipedia.org/wiki/Futebol_americano
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
8 
 
desajuste faz com que a luz se refrate por vários pontos da retina em vez de se focar em apenas um. 
Para as pessoas que sofrem de astigmatismo, todos os objetos, próximos ou distantes, ficam 
distorcidos. As imagens ficam embaçadas porque alguns dos raios de luz são focalizados e outros 
não. 
 Presbiopia (ou vista cansada): dificuldade de visão ao perto, que é, normalmente, sentida por 
volta dos 45 anos. Deve-se à perda da elasticidade progressiva do cristalino fruto da idade. 
 
A diminuição da acuidade visual causa importante déficit funcional e considerável morbidade a seus 
portadores. Seu reconhecimento é importante, pois na maior parte das vezes tal deficiência pode ser 
corrigida com terapêutica adequada. A acuidade visual pode ser medida através de escalas optótipos. 
A prevenção primária e a detecção precoce, bem como o acesso a terapêuticas cirúrgicas 
oftalmológicas, são determinantes para a redução da morbilidade das doenças da visão. A maior parte 
da disfunção visual, tanto na criança como no adulto, pode ser prevenida através de um diagnóstico 
oftalmológico precoce. 
 
2.2 Aparelho cardiovascular 
 
 
 
Figura 04: sistema circulatório 
 
É o sistema de transporte interno do organismo. Seu objetivo é levar elementos nutritivos e oxigênio a 
todos os tecidos do organismo, eliminar os produtos finais do metabolismo e levar os hormônios que 
partem das correspondentes glândulas endócrinas até os órgãos sobre os quais atuam. O aparelho 
circulatório compreende basicamente: sangue, vasos sanguíneos e coração (Figura 03). 
O sangue é o líquido circulante dos vasos sanguíneos que recebe os nutrientes e o oxigênio, 
distribuindo-os pelo corpo. Trata-se de um tecido vivo e no corpo de um adulto, circulam, em média, 
5 litros de sangue, variando de acordo com o peso, o que corresponde a 8% do peso corporal, 
geralmente. Ele é produzido na medula óssea dos ossos chatos, vértebras, costelas, quadril, crânio e 
esterno. Entre seus componentes estão: 
 
• Plasma ou soro - Líquido amarelo claro que representa 55% do volume total de sangue, constituído 
por 90% de água, onde se encontram dissolvidas proteínas, açúcares, gorduras, sais minerais, 
vitaminas, fatores de coagulação e outras estruturas sólidas necessárias à vida das células; 
• Plaquetas - Fragmentos de células que participam do processo de coagulação, o que as torna 
importantíssimas para auxiliar na interrupção dos sangramentos; 
• Leucócitos - São os glóbulos brancos, que possuem funções diversas, relacionadas ao sistema 
imunológico, ligadas à defesa do organismo contra a presença de elementos estranhos a ele, como por 
exemplo, as bactérias; 
• Hemácias - São os glóbulos vermelhos do sangue, cuja função é transportar o oxigênio dos pulmões 
para as células de todo o organismo, e eliminar o gás carbônico das células, transportando-o para os 
pulmões. 
Para alcançar todas as regiões do nosso organismo, o sangue percorre canais apropriados que se 
chamam vasos. Conforme tipo e calibre podem ser: 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Refra%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Luz
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
9 
 
• Artérias - Vasos que partem do coração para os vários tecidos do organismo, através dos quais 
corre um sangue rico em oxigênio (O2) e em substâncias nutritivas; 
• Veias - Seguem o percurso inverso, isto é, partem dos vários tecidos do organismo e se dirigem ao 
coração, trazendo o sangue rico em anidrido carbônico(CO2) e substâncias de rejeição; 
• Capilares - Vasos microscópicos situados nos tecidos, que servem de conexão entre as veias e as 
artérias e cuja função mais importante é o intercâmbio de materiais nutritivos, gases e desperdícios 
entre o sangue e os tecidos. 
 
O coração é o órgão central da circulação. É um músculo oco cuja função é recolher o sangue 
proveniente das veias e lançá-lo nas artérias. O coração está envolvido por uma túnica que se chama 
pericárdio (revestimento externo), enquanto as suas cavidades internas estão forradas por uma 
membrana delgada denominada endocárdio. A parte muscular do coração se chama miocárdio. O 
volume do coração varia nos diversos indivíduos e tem o tamanho equivalente a uma mão fechada. 
Está localizado na cavidade torácica, diretamente atrás do esterno, deslocado em direção ao lado 
esquerdo. 
O coração está dividido em duas partes: direita e esquerda, separadas por um septo muscular. Seja do 
lado direito, seja do esquerdo, encontramos duas cavidades: uma superior, o átrio e a outra inferior, o 
ventrículo. Átrio e ventrículo estão em comunicação por meio de válvulas. Ao todo, o coração está 
dividido em quatro cavidades: o átrio e o ventrículo da direita, e o átrio e o ventrículo da esquerda.O 
átrio e o ventrículo do mesmo lado se comunicam entre si, mas não há nenhuma comunicação com as 
cavidades do outro lado: o sangue da metade esquerda não se mistura com o sangue da metade direita 
(Figura 03). 
 
Os átrios recebem o sangue do interior do organismo e o impulsiona aos ventrículos (a partir daí irão 
para os pulmões ou para o resto do corpo). Por sua função de bombeamento, o coração está provido de 
válvulas que evitam o retrocesso do sangue: 
 
• Válvula Tricúspide, entre o átrio e ventrículo direito; 
• Válvula Mitral, entre o átrio e ventrículo esquerdo; 
• Válvulas Semilunares, nas saídas dos ventrículos: aorta (lado esquerdo) e pulmonar (lado direito). 
 
 
 
 
Figura 05: Anatomia do coração 
 
Para funcionar como uma bomba, o coração deve dilatar suas cavidades, de modo que se encham de 
sangue, e, em seguida, comprimi-las, de modo que o sangue seja lançado nas artérias. À dilatação dá-
se o nome de diástole e a contração sístole. O período entre cada contração e dilatação constitui o 
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b2/Diagram_of_the_human_heart_(cropped)_pt.svg
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
10 
 
batimento cardíaco, também denominado frequência cardíaca ou pulso, que pode ser verificado 
através da palpação das artérias (radial, carótida, femoral ou braquial), com auxílio dos dedos 
indicador e médio. O número normal de batimentos cardíacos por minuto, em individuo em repouso, 
deve oscilar entre 60 a 100. Caso a frequência esteja acima de 100, tem-se caracterizada a taquicardia; 
mas se estiver abaixo de 60, a situação é de bradicardia. 
 
Basicamente, o que acontece é que o sangue venoso de todo organismo, carregado de produtos de 
rejeição das células, se reúne em duas grandes veias: a veia cava inferior e a veia cava superior. 
Ambas essas veias desembocam, separadamente, no átrio direito. Daí, o sanguepassa para o 
ventrículo direito e é lançado na artéria pulmonar que o leva aos pulmões. Nos pulmões, o sangue 
abandona o anidrido carbônico e se carrega de oxigênio, transformando-se de venoso para arterial e 
retornando ao coração pelas veias pulmonares. Do átrio esquerdo, ele passa ao ventrículo esquerdo e 
pela aorta, onde será enviado para todo organismo, para abandonar o oxigênio e as substâncias 
nutritivas e se carregar de produtos de rejeição e de anidrido carbônico, para voltar ao coração e 
recomeçar o ciclo (Figura 04). Dessa forma, constituem-se: 
 
 
• Pequena circulação: trajeto do sangue percorrido entre o coração e o pulmão com o objetivo de 
oxigená-lo. Resumidamente, a pequena circulação ou circulação pulmonar é composta por: ventrículo 
direito - artéria pulmonar - pulmão - veias pulmonares - átrio esquerdo - ventrículo esquerdo. A partir 
daí o sangue passa para a artéria aorta dando início à grande circulação. 
 
• Grande circulação: trajeto do sangue percorrido entre o coração e todo organismo com objetivo de 
oxigenação dos tecidos, o sangue do ventrículo esquerdo vai para todo o organismo, pela artéria aorta, 
e do organismo até o átrio direito, pela veia cava. Resumidamente, a grande circulação ou circulação 
sistêmica inicia-se no ventrículo esquerdo e termina no átrio direito do coração. 
 
 
 
 Figura 06: Circulação sanguínea 
 
A pressão com que o sangue é lançado na corrente circulatória e atinge os tecidos é chamada de 
pressão arterial e pode ser medida através de um aparelho chamado esfigmomanômetro. A pressão 
arterial normal é de 120 X 80 mmHg, onde 120 representa a máxima sistólica e 80, a mínima 
diastólica. 
Se a pressão diastólica (mínima) for igual ou superior a 90 mmHg, ou seja, se a pressão arterial estiver 
elevada, está caracterizada a hipertensão arterial, cujos sintomas são cefaleia e escotomas (a pessoa vê 
pontos luminosos). 
Se a pressão diastólica (mínima) for igual ou inferior a 50 mmHg, está caracterizada a hipotensão 
arterial (queda da pressão arterial), cujos sintomas são sonolência, tontura, vertigens, sudorese fria, 
mal estar e palidez. 
 
2.3 Aparelho respiratório 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ventr%C3%ADculo_esquerdo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_circula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ventr%C3%ADculo_esquerdo
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81trio_direito
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
11 
 
O sistema respiratório do ser humano compreende as vias aéreas (fossas nasais, faringe, laringe, 
traquéia e brônquios primários) e os pulmões (brônquios secundários, bronquíolos terminais, 
bronquíolos respiratórios e alvéolos pulmonares) (figura 05). Para que o ar chegue aos pulmões, ele 
passa primeiro pelas vias respiratórias, através da cavidade nasal, aonde é umedecido, filtrado e 
aquecido, pois o ar na forma que se encontra na atmosfera pode acarretar malefício ao organismo. O 
trajeto do ar no nosso corpo inicia-se pelo nariz, passa pela faringe, laringe, traqueia, brônquios, 
bronquíolos e alcançam os alvéolos. 
Os pulmões são dois órgãos de consistência esponjosa situados no tórax, o direito é maior que o 
esquerdo, pois possui três lóbulos, enquanto que o esquerdo só tem dois, esses lóbulos contêm os 
alvéolos, que são dilatações terminais dos brônquios, constituem-se de numerosas e minúsculas 
cavidades, onde se processam as trocas gasosas (também chamada de hematose) entre o ar 
atmosférico e o sangue. Juntamente com a traqueia, brônquios e bronquíolos, os pulmões formam a 
chamada árvore respiratória que através da traquéia, comunica-se com a laringe, nasofaringe e nariz, 
formando em seu conjunto o aparelho respiratório. 
Os pulmões são revestidos por uma membrana chamada pleura visceral, que se dobra para recobrir a 
face interna do tórax, a pleura parietal. Entre essas duas pleuras existe um líquido viscoso (líquido 
pleural) que atua como lubrificante, facilitando ou mesmo permitindo os movimentos respiratórios, 
evitando o desgaste dos alvéolos e da musculatura. O espaço pleural contém ar a uma pressão inferior 
à do ar atmosférico, o que faz com que os pulmões mantenham-se justapostos à parede do tórax. 
 
Os pulmões, com o coração e os vasos da base estão contidos na caixa torácica, que é separada do 
abdômen pelo diafragma. Ela tem um arcabouço ósseo formado pelo esterno, costelas e coluna 
vertebral. Entre as costelas, existem os músculos intercostais que, junto com o diafragma, 
desempenham um papel importante nos movimentos respiratórios. 
A respiração é uma função essencial para o organismo por ser o mecanismo responsável pela troca 
gasosa entre ele e o meio externo. Ela ocorre através de uma sequencia de movimentos respiratórios: 
 
Movimento de inspiração (expansão pulmonar): a inspiração afasta as paredes do tórax e o 
diafragma dos pulmões, e cria uma pressão negativa, ou sucção. A pressão da atmosfera força o ar 
através da traqueia para inflar os pulmões, quando o ar chega aos alvéolos, o oxigênio (O2) passa por 
difusão para o sangue. 
Movimento de expiração (retração pulmonar): a expiração acontece quando os músculos do tórax e 
diafragma estão relaxados. Nesta fase passiva, o diafragma eleva-se e as costelas abaixam, o que 
diminui o volume da caixa torácica, com consequente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair 
dos pulmões, eliminando assim o gás carbônico (CO2) resultante da respiração celular. 
 O oxigênio que passa do alvéolo ao sangue forma a oxiemoglobina, pois é transportado pela 
 
 
Figura 07: aparelho respiratório e alvéolo pulmonar 
 
 
 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
12 
 
hemoglobina até os tecidos. Uma vez que o oxigênio tenha chegado à célula, acontece o processo de 
liberação de gás carbônico. Ao penetrar na hemácia, o gás carbônico reage com a água, produzindo 
ácido carbônico, em presença de uma enzima, a anidrase carbônica. O ácido carbônico dissocia íons 
de hidrogênio e de bicarbonato. Os íons de bicarbonato saem da hemácia e são transportados pelo 
plasma até o pulmão, onde ocorre o processo inverso, ou seja, o gás carbônico sai pelos alvéolos. 
 
A respiração compreende três fases: 
Externa (primeira fase): Destina-se a ventilar os pulmões e promover a troca gasosa, ou seja, entrada 
de oxigênio e saída de gás carbônico. Através da inspiração, os músculos intercostais e o diafragma se 
contraem, o volume da caixa torácica aumenta, os pulmões se expandem e há entrada do ar que está 
com maior pressão na atmosfera. Em seguida, após a hematose (troca gasosa), o ar contido nos 
pulmões é expelido para o exterior através da expiração, fazendo com que os músculos voltem ao 
normal, assim como o volume dos pulmões; 
Intermediária (segunda fase): Objetiva o transporte de gases. Por difusão, o oxigênio passa para os 
alvéolos pulmonares e vai para a corrente sanguínea. Através das hemácias (glóbulos vermelhos), o 
oxigênio é transportado dos alvéolos pulmonares até as células, numa ligação hábil, a 
oxihemoglobina. É ela que dá a cor vermelho-viva ao sangue arterial. No percurso inverso, das células 
aos alvéolos pulmonares, as hemácias conduzem o gás carbônico, através da formação carbamino-
hemoglobina. É ela que confere a cor escura ao sangue venoso; 
Interna (terceira fase): Corresponde à realização da respiração celular, onde após várias reações, as 
células obtêm o necessário para sua sobrevivência. 
A frequência respiratória pode ser observada através dos movimentos torácicos. O número normal de 
movimentos respiratórios por minuto deve variar de 15 a 20. As anormalidades com relação aos 
movimentos respiratórios podem ser: 
 
• Taquipnéia: freqüência de movimentos respiratórios acima de 20 irpm; 
• Bradipnéia: freqüência de movimentos respiratórios abaixo de 15 irpm; 
• Apnéia: ausência de movimento respiratório; 
• Dispnéia: dificuldade para respirar (falta de ar). 
 
Volumes eCapacidades Pulmonares 
A cada ciclo respiratório que executamos, certo volume de ar entra e sai de nossas vias respiratórias 
durante uma inspiração e uma expiração, respectivamente. Em uma situação de repouso, em um 
jovem e adulto saudável, aproximadamente 500 ml de ar entram e saem a cada ciclo. Este volume de 
ar, que inspiramos e expiramos normalmente a cada ciclo, corresponde ao que chamamos de Volume 
Corrente. 
Além do volume corrente, inspirado em uma respiração normal, numa situação de necessidade 
podemos inspirar um volume muitas vezes maior, numa inspiração forçada e profunda. Tal volume é 
chamado de Volume de Reserva Inspiratório e corresponde a, aproximadamente, 3.000 ml de ar num 
jovem e saudável adulto. 
Da mesma forma, se desejarmos, podemos expirar profundamente, além do volume que normalmente 
expiramos em repouso, um maior volume de ar que é denominado Volume de Reserva Expiratório e 
corresponde a, aproximadamente, 1.100 ml. 
Mesmo após uma expiração profunda, um considerável volume de ar ainda permanece no interior de 
nossas vias aéreas e de nossos alvéolos. Trata-se do Volume Residual, de aproximadamente 1.200 ml. 
A soma dos Volumes Corrente, de Reserva Inspiratório, de Reserva Expiratório mais o Volume 
Residual, corresponde à nossa Capacidade Pulmonar Total (aprox.5.800 ml). 
 
2.3.1 HIPÓXIA (“mal da altitude ou mal da montanha”) 
 
A palavra hipóxia vem do grego e significa "pouco oxigênio". Para ausência total de oxigênio, usa-se 
o termo anóxia. 
O oxigênio é um gás que atua na célula, como comburente, participando das reações de oxidação, nas 
quais libera a energia indispensável à manutenção da vida. É um processo que ocorre através da 
respiração. Na ausência de oxigênio, não há combustão nem respiração aeróbia. 
Retornando à fisioanatomia da respiração e circulação, observa-se que o sistema respiratório do ser 
humano compreende as vias aéreas (fossas nasais, faringe, laringe, traquéia e brônquios primários) e 
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13 
 
os pulmões (brônquios secundários, bronquíolos terminais, bronquíolos respiratórios e alvéolos 
pulmonares). 
Trajeto do ar no corpo: boca e nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. 
Os pulmões, com o coração e os vasos da base estão contidos na caixa torácica, que é separada do 
abdômen pelo diafragma. Ela tem um arcabouço ósseo formado pelo esterno, costelas e coluna 
vertebral. Entre as costelas, existem os músculos intercostais que, junto com o diafragma, 
desempenham um papel importante nos movimentos respiratórios. 
A absorção de oxigênio pelo sangue depende do diferencial entre a pressão interna dos pulmões e a 
pressão atmosférica. Quando se inspira, a contração do diafragma provoca a expansão da caixa 
torácica, aumentando o volume dos pulmões e abaixando sua pressão interna. A pressão atmosférica, 
agora sendo maior, empurra o ar para dentro dos pulmões através da boca e nariz. O oxigênio então é 
levado para todas as células do corpo através do sangue. Em grandes altitudes, a pressão atmosférica é 
inferior a pressão parcial de oxigênio nos pulmões, ou seja, não existe pressão suficiente para 
empurrar o oxigênio dos pulmões para a corrente sanguínea, ocasionando insuficiência de oxigênio e 
todas as suas consequências. 
No nível do mar, sem respiração, o organismo humano entra em inconsciência em aproximadamente 4 
a 5 minutos. Com a altitude, esse tempo vai se reduzindo. Por meio de testes em câmaras de 
descompressão, estabeleceu-se o tempo aproximado em que, na altitude, sem oxigênio, a pessoa 
conserva a consciência. É o chamado Tempo Útil de Consciência (TUC) ou Tempo útil de Lucidez 
(TUL), que varia dependendo da resistência da pessoa à hipóxia e com o repouso ou a atividade 
motora do momento. 
As condições hipobáricas caracterizam-se quando há a queda da pressão dos gases, conforme a já 
mencionada Lei de Dalton, Por exemplo, em La Paz a pressão parcial do O2 é de aproximadamente 95 
mmHg, enquanto ao nível do mar, ela é de 760 mmHg. Nessa pressão, o organismo tende à hipóxia. 
Como o ar entra com muito menos pressão no pulmão, há imediatamente um reajuste na frequência 
respiratória (aumenta), na frequência cardíaca e na pressão arterial (também aumentam), afim de que 
haja um aumento do fluxo sanguíneo. Portanto, há uma queda brutal da capacidade física. A hipóxia é 
um processo que se instala entre 12 e 24 horas, sendo que quanto maior a altitude, maiores são os 
sintomas. 
 
 
Altura em pés 
 
Valor da pressão 
atmosférica 
 
Valor da pressão parcial 
de oxigênio 
30.000 
 
226,6 mmHg 47,2 mmHg 
19.000 
 
364 mmHg 76,1 mmHg 
4.000 
 
656,3 mmHg 137,3 mmHg 
1.000 
 
732 mmHg 153,0 mmHg 
Nível do mar 
 
760 mmHg 159,6 mmHg 
 
*QTO MAIOR A ALTITUDE MENOR A PRESSÃO ATMOSFÉRICA, MENOR TOLERÂNCIA AO OXIGÊNIO. 
 
Classificação de hipóxia 
 
1. Anêmica: redução da capacidade carreadora de oxigênio da hemoglobina. As causas desta forma de 
hipóxia incluem anemia, perda sangüínea, envenenamento por monóxido de carbono, medicamentos à 
base de sulfa e tabagismo excessivo. 
 
2. Estagnante ou isquêmica: devido a deficiência circulatória. 
Ex.: Trombose, cargas G, insuficiência cardíaca, etc. 
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14 
 
 
3. Histotóxica: devido a ação de toxinas que agem nas enzimas respiratórias. 
Ex.: álcool, narcóticos, cianeto, etc. 
 
4..Hipóxia hipobárica ou hipóxica: (baixa de oxigênio pela baixa de pressão) diz respeito a 
diminuição da pressão parcial do oxigênio no organismo devido a baixa concentração de oxigênio na 
atmosférica. 
 
 
Quanto maior for à altitude, mais rapidamente se instalam os sintomas da hipóxia. São eles: 
 
• Sonolência; 
• Inquietação; 
• Irritabilidade; 
• Cansaço; 
• Perda da auto crítica; 
• Perda da coordenação motora; 
• Euforia ou depressão; 
• Agressividade ou ironização; 
• Alterações da audição; 
• Prejuízo no julgamento; 
• Cianose; 
• Tremores; 
• Inconsciência. 
 
SINTOMAS X ALTITUDE 
Altitude TUL Sintomas 
10 - 14 mil pés horas Cefaleia, apatia, fadiga... 
15 - 18 mil pés ½ hora Raciocínio e visão, euforia, excesso de confiança, má 
coordenação, sonolência, tontura... 
20 - 25 mil pés 5 min Idem a zona 15 – 18, apenas mais pronunciado, com eventual 
inconsciência. 
35 - 45 mil pés 15 – 45s Inconsciência imediata (com pequeno ou nenhum aviso) 
 
Dependendo da altitude e do tempo de exposição, a hipóxia pode levar à morte. 
O tratamento da hipóxia é a oxigenoterapia. A aviação comercial está protegida contra hipóxia, pois a 
cabine é pressurizada. 
 
2.3.1.1 Tratamento a bordo 
 
Devido à possibilidade de ocorrer uma despressurização de cabine, a aeronave é equipada com dois 
sistemas de oxigênio, que são: SISTEMA FIXO DE OXIGÊNIO DE EMERGÊNCIA e SISTEMA 
PORTÁTIL DE OXIGÊNIO. 
O sistema fixo de oxigênio de emergência subdivide-se em: sistema fixo de oxigênio de emergência 
para a cabine de comando e sistema fixo de oxigênio de emergência para a cabine de passageiros, que 
fornecerá oxigênio para as: 
 
– Unidades de Serviço de Passageiros (PSU’s); 
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15 
 
– Unidades de Serviço de Comissários (ASU’s); 
– Unidades de Serviço dos Lavatórios (LSU’s); 
– Cabine de descanso da tripulação; 
– Galleys (em algumas aeronaves). 
 
Com relação ao sistema fixo de oxigênio de emergência para a cabine de passageiros, em algumas 
aeronaves o oxigênio está armazenado em cilindros fixos localizados no porão de aviônica ou 
dianteiro. Em outras, o oxigênio pode ser obtido através de módulos geradores químicos de oxigênio 
que estão distribuídos ao longo da cabine. 
Quando o oxigênio é armazenado em cilindros fixos, ele é liberado através de válvulas shut-off, 
passando em alta pressão através de um duto, até o regulador, onde a pressão é reduzida. Em seguida,já com baixa pressão, o oxigênio passa, através de dutos, para as PSU's (Passenger Service Units), 
LSU's (Lavatory Service Units), ASU's (Attendant Service Units), cabine de descanso da tripulação 
técnica (em algumas aeronaves) e galleys (em algumas aeronaves), onde estão as mangueiras e as 
máscaras oro-nasais. 
Ocorrendo uma despressurização, quando a cabine atingir uma altitude-pressão de 14.000 pés, o 
sistema fixo de oxigênio será acionado automaticamente. 
Após o acionamento do sistema, as tampas dos alojamentos das máscaras se abrirão (por pressão do 
fluxo de oxigênio) e as máscaras cairão. Para que o oxigênio chegue até às máscaras, é necessário que 
elas sejam puxadas em direção ao rosto e, posteriormente, colocadas sobre o nariz e a boca. 
Se houver falha no acionamento automático do sistema, o mesmo poderá ser acionado eletricamente, 
através de um interruptor localizado no painel superior da cabine de comando (painel overhead). Ou 
ainda manualmente (em algumas aeronaves), através de uma alavanca localizada também na cabine 
de comando, ou individualmente. 
Após uma despressurização, caso a tampa de algum alojamento de máscaras do sistema fixo de 
oxigênio não se abra (seja ele alimentado por cilindros fixos ou por módulos geradores químicos), o 
procedimento a ser adotado será o de abri-lo individualmente. Para isso deve-se agir de acordo com o 
sistema específico de cada aeronave. 
A abertura dos compartimentos das máscaras de oxigênio das PSU's, ASU's, LSU's (e da cabine de 
descanso da tripulação técnica e galleys de alguns aviões) pode acontecer de 4 formas: 
• Automaticamente: quando a altitude-pressão da cabine atingir 14.000 pés; 
• Eletricamente: através de um switch no painel superior (overhead) da cabine de comando; 
• Manualmente: Através de uma alavanca, localizada na cabine de comando de algumas aeronaves; 
• Individualmente: Inserindo um objeto pontiagudo no orifício da tampa do compartimento ou 
inserindo um objeto achatado tipo cartão (dependendo da aeronave). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 08: abertura individual 
 
Quando o oxigênio provém de módulos geradores químicos, esses podem ser acionados da mesma 
forma. As máscaras estão ligadas ao gerador por meio de uma mangueira. Cordéis prendem as 
máscaras ao pino acionador e o fluxo do gerador será iniciado quando qualquer uma das máscaras 
ligadas ao mesmo for puxada. Uma vez acionado, o gerador passará a fornecer um fluxo contínuo e 
ininterrupto de oxigênio durante, aproximadamente, 15 minutos para todas as máscaras ligadas a ele. 
Durante o ciclo de geração de oxigênio, a temperatura na face externa do módulo pode chegar a 
260°C, razão pela qual o módulo é protegido por uma placa metálica, cuja finalidade é evitar 
queimaduras. Essa alta temperatura faz também com que, ao ser acionado o gerador, ele exale um 
cheiro característico de queimado. 
 
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16 
 
O oxigênio que supre a cabine de comando provém de um cilindro independente, localizado no 
compartimento de aviônica ou no de carga, dependendo da aeronave. 
Uma vez acionado, o oxigênio chega às máscaras oro-nasais através de dutos. A finalidade do sistema 
é utilizá-lo não só em caso de despressurização, mas também na presença de fumaça ou gases tóxicos 
na cabine de comando (nesse caso, a máscara será usada juntamente com o par de óculos). 
 
O painel da máscara, denominado Painel Regulador de Fluxo de Oxigênio é composto por: 
• interruptor de acionamento: ON / OFF; 
• seletor do teor de oxigênio: 100% / NORMAL; 
• seletor do fluxo de oxigênio: EMERGENCY (ON/OFF) / NORMAL / TEST; 
• indicador do fluxo. 
Para teste do sistema: 
• posicionar o interruptor de acionamento em ON; 
• posicionar o seletor do teor de oxigênio em 100%, assim o sistema está preparado para fornecer 
oxigênio puro (100%) e sob demanda; 
• para testar o fluxo contínuo sob pressão, deve-se posicionar e manter posicionado o seletor de fluxo 
de oxigênio em TEST, verificando no visor do painel regulador, a indicação da passagem de fluxo. 
 
Para fornecimento de fluxo sob demanda: 
• posicionar o interruptor de acionamento em ON; 
• manter o seletor de oxigênio em 100% durante todo o vôo. Caso queira oxigênio misturado com o ar 
da cabine, colocar o seletor em NORMAL. 
Para o fornecimento de fluxo contínuo sob pressão: 
• posicionar o interruptor de acionamento em ON; 
• posicionar o seletor do fluxo de oxigênio em EMERGENCY; 
• vestir e ajustar a máscara. O oxigênio, a 100%, fluirá sob pressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 09: Painel regulador do fluxo de oxigênio 
 
 
Em algumas aeronaves, o painel regulador do fluxo de oxigênio encontra-se acoplado à própria 
máscara. 
Todo tripulante viajando na condição de extra e ocupando assento na cabine de comando, deve checar 
se o sistema fixo está pronto para uso em uma situação de emergência, testando o fluxo e mantendo o 
sistema armado até o final do voo. 
 
O sistema portátil de oxigênio subdivide-se em: 
 
• Sistema portátil de oxigênio de emergência: composto pelo capuz antifumaça (CAF), também 
conhecido como smoke hood ou PBE (Protective Breathing Equipment), especifico para uso em 
combate ao fogo ou despressurização, dependendo dos padrões da companhia aérea; 
 
 
 
 
 
 
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Figura 10: CAF (Capuz anti-fumaça) 
 
 
• Sistema portátil de oxigênio terapêutico: constituído por cilindros portáteis com capacidade para 
311 litros de oxigênio. Quando carregados em sua capacidade normal indicarão, em seus manômetros, 
1800 psi a 21°C. Cada cilindro está equipado com uma alça de lona para seu transporte e possui duas 
saídas de fluxo contínuo: a vermelha (HI) com fluxo de 4 litros por minuto e a verde (LO) com fluxo de 
2 litros por minuto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11: Cilindro portátil de oxigênio 
As máscaras desse sistema são do tipo oro-nasais e misturadoras. São feitas de plástico transparente, 
descartáveis e estão ligadas a uma mangueira em cuja extremidade se encontra um pino de encaixe. 
Sua adequação é atender aos ocupantes da aeronave que se encontrem com insuficiência respiratória. 
Para sua operação, basta adaptar o pino de encaixe da mangueira na saída de 4l/min (para todos os 
casos); girar a válvula de abertura no sentido anti-horário e verificar a passagem do fluxo de oxigênio 
através da indicação verde (êmbolo) ao longo da mangueira. Após esse procedimento, ajustar a 
máscara no rosto da pessoa, moldando a pequena tira metálica de uma das bordas sobre o nariz; fixar a 
tira elástica ao redor da cabeça do indivíduo e recomendar que ele respire normalmente. Informar à 
cabine de comando sobre a situação. 
Para bebês e asmáticos, recomenda-se o uso de oxigênio umidificado (introduzir a mangueira, sem a 
máscara, em um copo com água e deixando a vítima respirar através das bolhas). 
 
2.3.2 Hiperventilação 
 
É a síndrome pela qual a frequência da respiração sofre uma alteração, passando a ser mais rápida e 
intensa do que a normal, é o aumento da quantidade de ar que ventila os pulmões. Acontece quando a 
acidez do sangue é superior ao valor normal (por acúmulo de dióxido de carbono), fato esse que 
estimula o centro respiratório do cérebro, induzindo um aumento da frequência respiratória, a 
hiperventilação, elevando o ph sanguíneo, fenômeno conhecido como alcalose respiratória 
Causas: 
Por lesão cerebral (hemorragia, traumatismo, etc) que afeta o centro da respiração. Por doenças de 
base que não permitem que os pulmões eliminem as quantidades adequadas de dióxido de carbono 
(enfisema, edema pulmonar e asma, dentre outras). Os problemas de disfunções nervosas que 
acometam aos músculos da respiração também podem produzir um estado que induza a 
hiperventilação. A síndrome de hiperventilação, que é uma respiração rápida e frequente,pode ser 
causada por ansiedade ou fortes dores. Quando uma pessoa viaja para lugares de maior altura, também 
pode apresentar essa síndrome. 
 
Sintomas: 
Sensação de estar flutuando, tontura, vertigem, dores no peito, parestesias (formigamento ou 
adormecimento) em vários locais do corpo, como a ponta dos dedos em volta da boca, taquicardia, 
palpitações, visão borrada, sensação de falta de ar, disfagia (dificuldade de deglutir), náuseas, dor 
abdominal, distensão abdominal, dores musculares, tremores, tetania , ansiedade, medo, fadiga, 
exaustão, sonolência, fraqueza. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ar
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pulm%C3%B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcalose_respirat%C3%B3ria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tontura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vertigem
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parestesia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taquicardia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Palpita%C3%A7%C3%B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Disfagia
http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A1usea
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tremor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tetania
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fadiga
http://pt.wikipedia.org/wiki/Exaust%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonol%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fraqueza
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
18 
 
Tratamentos: 
Quando existem doenças pulmonares de base, devem ser tratadas adequadamente para restabelecer o 
equilíbrio ácido-básico. Quando a alcalose respiratória foi produzida pelo fato de a pessoa estar 
realizando hiperventilação, torna-se imprescindível que fique concentrada em reduzir a frequência de 
sua respiração. Uma maneira rápida de aumentar os valores de dióxido de carbono no sangue é 
respirar dentro de uma sacola, pois é inspirado novamente o gás que tinha sido espirado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.3 Aparelho Auditivo 
 
 
 
Figura 12: Aparelho auditivo 
 
O aparelho auditivo é composto de: 
 
• Ouvido Externo - Pavilhão auricular e conduto auditivo externo, limitado por uma membrana 
vibratória denominada tímpano, tem a função de captar e direcionar o som para o ouvido médio; 
• Ouvido Médio - Cavidade separada do ouvido externo pelo tímpano, e que se comunica com o 
exterior por meio de um canal - a Trompa de Eustáquio (tuba auditiva que conecta o ouvido médio a 
cavidade nasal) - cuja extremidade profunda localiza-se na faringe, logo abaixo das lojas 
amigdalianas. No interior do ouvido médio existe ar atmosférico, que se comunica com o exterior 
através da Trompa de Eustáquio. Qualquer obstrução neste canal causará alterações na pressão do ar 
acumulado no ouvido médio, podendo resultar em graves consequências, representadas pelas 
otobaropatias, como será visto adiante. Na orelha média estão localizados três ossículos conhecidos 
como: martelo, bigorna e estribo que tem a função de transferir e amplificar as vibrações das ondas 
sonoras. 
 • Ouvido Interno – também conhecido como labirinto, abrange os canais semicirculares, 
 OUVIDO EXTERNO OUVIDO MÉDIO OUVIDO INTERNO 
 
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19 
 
responsáveis pelo equilíbrio, e o caracol ou cóclea, onde se aloja o aparelho sensorial da audição. 
O aparelho vestibular contém duas estruturas distintas: os canais semicirculares, que detectam 
alterações de aceleração angular, e os otólitos, que detectam alterações de aceleração linear e de 
gravidade. Tanto os canais semicirculares, como os otólitos, fornecem informações ao cérebro quanto 
à posição e movimento do corpo. 
Quando uma aceleração é aplicada à cabeça, o fluido (endolinfa) presente nos canais semicirculares 
no plano de rotação, retarda-se por causa de sua inércia, estimulando os receptores sensoriais, os quais 
enviam impulsos nervosos ao cérebro, indicando que o movimento está ocorrendo. Depois de um 
curto período de duração (aproximadamente 20 segundos), o fluido atinge a mesma velocidade que o 
canal da orelha e a sensação de movimento para. Isso pode ser exemplificado através de um copo com 
água. Inicialmente, o copo se move, mas a água não. Porém, se o movimento no copo continuar, a 
velocidade da água vai se igualar à do copo. 
Em voo, este fenômeno cria um problema de orientação porque em movimentos que durem mais que 
20 segundos, numa curva, por exemplo, pode-se perder a sensação de rotação, e quando a curva 
acabar, como o canal da orelha para e o fluido continua, pode-se ter a sensação de rotação, mesmo se 
parado. 
Em poucas palavras, as características de reação do sistema vestibular são específicas para a operação 
terrestre, onde as acelerações são seguidas de imediato por uma desaceleração. A atividade aérea 
impõe padrões inusitados de movimento, o que faz o aparelho vestibular reagir erroneamente, 
provocando “ilusões” de movimentos e posições corporais em relação ao espaço. 
 
2.5.1 Influência dos Ruídos e Vibrações 
 
O termo ouvir descreve o processo de perceber som. Ouvir perde só para a visão em termos de 
mecanismo sensorial psicológico de obtenção de informações importantes durante a operação de uma 
aeronave. 
 
De acordo com a anatomia do aparelho auditivo vista anteriormente, as ondas sonoras do ambiente são 
captadas pelo pavilhão auricular externo e conduzidas pela tuba auditiva, fazendo o tímpano vibrar. 
Tal vibração é mecanicamente transmitida a um conjunto de pequenos ossos da orelha média, que por 
sua vez produzem vibração de uma membrana flexível da cóclea e causa uma onda de pressão no 
fluido dentro dela, movendo centenas de cílios (receptores sensoriais). O movimento destes cílios 
envia um sinal elétrico ao cérebro através do nervo auditivo. O sinal é processado pelo cérebro e 
identificado como um tipo particular de som. 
 
O termo som é usado para descrever uma energia mecânica radiante transmitida através de ondas de 
pressão longitudinais em um meio (sólido, líquido ou gasoso). 
O termo ruído se refere a som, mas em especial aquele que incomoda o bem estar em função da sua 
intensidade, e pode causar danos fisiológicos graves e irreversíveis. Em outras palavras, ruído é 
qualquer som indesejável e perturbador. Categorizar um som como um ruído pode ser muito subjetivo. 
Por exemplo, ouvir músicas de rock em tom alto, pode ser considerado pelos mais jovens, 
principalmente, algo muito agradável. Já os adultos, podem considerar isso apenas um ruído, 
independentemente do volume. 
 
O ambiente da aviação é caracterizado por múltiplas fontes de ruído, tanto em terra, como em ar. A 
exposição de tripulantes ao ruído é uma discussão iniciada desde a apresentação da primeira aeronave 
a jato e tem sido um problema permanente desde então. Há ruídos produzidos pelos equipamentos da 
aeronave: sistemas de transmissão, motores, atuadores hidráulicos e elétricos, sistemas de 
pressurização e ar condicionado da cabine, sistemas de alarme da cabine de comando, equipamento de 
comunicação. Há ruídos causados também pela interação entre o ambiente aéreo e a fuselagem da 
aeronave: asas, superfícies de controle e trens de pouso. 
 
 
FONTE DE SOM / RUÍDO 
 
NÍVEL (Db) 
Voz sussurrada 20-30 
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20 
 
Residência Urbana, Escritório (normal) 40-60 
Conversação Masculina (normal) 60-65 
Escritório (barulhento), Rua (baixo movimento) 60-80 
Cabine de Avião (jato) 60-88 
 
Cabine de Avião (pequeno turbo-hélice) 70-90 
Sistema de PA (Public Address) 90-100 
Rua (cidade movimentada) 80-100 
Cabine de helicóptero 80-102 
Aparador de grama 100-110 
Trovão 110-120 
Show de Rock 115-120 
Turbina (jato) 130-160 
Decolagem de Jato (vizinhanças) 150 
 
O limiar de conforto auditivo equivale a 85 db, a exposição a elevados níveis de decibéis, pode 
desencadear alguns efeitos no organismo, dentre os efeitos fisiológicos podemos citar:• Desconforto: Pode ocorrer durante exposição à ruídos além de 120 dB; 
• Dor: Pode ocorrer durante exposição à ruídos além de 130 dB; 
• Ruptura de tímpanos: Pode ocorrer durante exposição à ruídos além de 140 dB; 
• Surdez temporária: Causada pela exposição sem proteção a sons contínuos e altos (acima de 90 
dB), seja por curto período de tempo, ou por algumas horas. A audição volta ao normal dentro de 
algumas horas após cessar a exposição ao ruído; 
• Surdez permanente: Causada pela exposição sem proteção a sons altos (acima de 90 dB) por 8 
horas ou mais ao dia, durante anos. Inicialmente, pode passar despercebida pelo indivíduo por 
algum tempo, mas é irreversível. 
 
Quanto aos efeitos psicológicos, tem-se: 
• Efeitos subjetivos: Ruídos perturbadores em nível alto que causam distração, fadiga, irritabilidade, 
agressividade, má qualidade de sono (despertares repentinos), perda de apetite, dor de cabeça, 
vertigem, náusea e perda de concentração e memória; 
• Interferência na conversação: Ruídos altos podem interferir ou mascarar conversação normal, 
dificultando o entendimento; 
• Performance: Ruídos são distrações e podem aumentar o número de erros em determinadas tarefas. 
Tarefas que requerem vigília, concentração, cálculos e julgamentos podem ser seriamente afetadas 
pela exposição a ruídos além de 90 dB. 
 
A proteção contra os ruídos provenientes da aviação é respeitar os limites de exposição aos mesmos e 
por isso devemos usar os equipamentos de proteção. Os dois protetores auriculares mais comuns são 
os abafadores – como conchas que envolvem todo pavilhão auricular e os earplugs – instalados dentro 
do cunduto auditivo externo podendo ser de espuma ou silicone. O uso individual de qualquer um 
destes equipamentos ou o uso combinado deles atenuará as ondas de ruído antes que elas atinjam os 
tímpanos, se constituindo em eficazes meios na redução da frequência do som. 
 
Quando há atuação das vibrações simultaneamente aos ruídos, este se torna ainda mais danoso. As 
vibrações de infra-sons e ultra-sons penetram no organismo pelos pés e pelo assento e se propagam 
por todo organismo. Se forem de níveis elevados podem trazer repercussões sobre a audição, sistema 
nervoso, aparelho circulatório. 
 
2.6 Aparelho Digestivo 
 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
21 
 
 
 
Figura 13: Aparelho digestivo 
O sistema ou aparelho digestivo (também chamado sistema digestores) é o sistema responsável pela 
degradação dos alimentos, absorção dos nutrientes necessários a sobrevivência, processando os 
alimentos para que os minerais, vitaminas, açúcares, gorduras e proteínas que ele contém sejam 
absorvidos pelo corpo, assim como pela eliminação dos resíduos. 
O sistema digestivo ou gastrointestinal inclui o tubo digestivo que é constituído por: boca, faringe, 
esófago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e reto, e órgãos glandulares (glândulas 
salivares, glândulas estomacais, fígado e pâncreas) que segregam substâncias que são lançadas no 
interior desse tubo. Tem a função de 
É na cavidade bucal que a digestão começa, os dentes e a língua preparam o alimento para a digestão, 
por meio da mastigação, os dentes reduzem os alimentos em pequenos pedaços, misturando-os a 
saliva, o que irá facilitar a futura ação das enzimas. A língua além de sentir o sabor, ajuda os músculos 
da faringe a empurrar a mistura de comida e saliva (bolo alimentar) para o esôfago e daí para o 
estômago. Na superfície da língua existem dezenas de papilas gustativas, cujas células sensoriais 
percebem os quatro sabores primários: doce, azedo, salgado e amargo. 
 O estômago armazena, mistura e começa a digestão das gorduras. O alimento pode passar várias 
horas no estômago, onde é misturado com ácido e mais enzimas e, parcialmente digerido por eles até 
atingir uma massa de consistência semilíquida (quimo). Depois de passar para o duodeno, o quimo 
sofre nova quebra pelos sucos digestivos do fígado e do pâncreas. O fígado tem como função 
armazenar glicose e ferro, metabolizar lipídeos, sintetizar proteínas, degradar álcool e outras drogas 
auxiliando na desintoxicação do organismo, destróir hemácias velhas ou anormais entre outras 
funções, já o pâncreas é responsável pela produção de insulina, substância fundamental na 
metabolização das moléculas de açúcar. Nos intestinos a etapa final da digestão é completada. Os 
nutrientes são quebrados em unidades químicas bem pequenas para poderem passar pela parede do 
intestino delgado, onde ocorre à parte mais importante da digestão, a absorção dos nutrientes 
atingindo assim a rede de vasos sanguíneos e linfáticos que vai levá-los para o fígado. Os materiais 
que não servem vão para o intestino grosso onde ficam armazenados até serem expelidos pelo canal 
do ânus em intervalos regulares (fezes). 
 
3.0 DISBARISMOS 
 
Vilosidades intestinais: absorção dos nutrientes 
pelo sangue e pela linfa 
Intestino Grosso: alimentos são digeridos, e avançam 
em direção ao reto. A água é absorvida. 
Intestino Delgado: prossegue a simplificação molecular, 
os nutrientes vão avançando e se misturando. 
Estômago: os alimentos são misturados e 
prosseguem em direção ao intestino delgado 
 
 
Glândulas 
salivares 
Boca: com a mastigação o tamanho dos alimentos 
é reduzido 
Faringe: começa a simplificação molecular 
 
Pâncreas 
Fígado 
Esôfago: a deglutição é facilitada pela saliva 
http://www.prof2000.pt/users/anteduardo/oestomago.htm
http://www.prof2000.pt/users/anteduardo/osintestinos.htm
http://www.prof2000.pt/users/anteduardo/ofigado.htm
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
22 
 
Considera-se disbarismos os estados patológicos decorrentes das variações da pressão barométrica 
com exceção da hipóxia. 
 
3.1 AERODILATAÇÃO, AEROBAROPATIA CAVITÁRIA OU AEROBAROTRAUMA 
 
É o termo utilizado para designar a expansão gasosa nas cavidades orgânicas devido à queda da 
pressão atmosférica que acompanha a ascensão da aeronave. A expansão gasosa pode acontecer nos 
seios da face, na cavidade dentária, no ouvido médio e no sistema digestivo – estômago e intestinos - 
acompanhada de sintomas que podem provocar desconfortos ou incapacidade ao aeronauta. 
A pressurização das aeronaves, em geral, é suficiente para equalizar as pressãoes interna e externa do 
organismo, porém, se houver qualquer alteração das vias aéreas superiores (fossas nasais, faringe, 
laringe), como um resfriado, esta equalização se torna ineficiente ou insuficiente. Diminuindo a 
pressão atmosférica, os gases contidos nas várias cavidades do organismo tendem a se dilatar e, se não 
escapam, provocam fortes dores nesses órgãos. Como medida preventiva algumas práticas são 
recomendadas, como: evitar ingerir bebidas gaseificadas, alimentos facilmente fermentáveis (antes do 
voo), manter os dentes conservados, estar atento a indivíduos portadores de resfriados e inflamações 
de garganta. 
 
 
 
Figura 14: Cavidades que possuam ar em seu interior, como seios paranasais, ouvido interno e sistema digestivo estão sujeitas 
as variações de pressão, consequentemente suscetíveis a desconforto durante o voo em determinados casos. 
 
 
3.1.1 AEROSINUSOBAROPATIA, BAROSINUSITE OU AEROSINUSITE 
 
 
 
Figura 15: seios da face 
 
Os seios da face ou cavidades paranasais são espaços repletos de ar situados dentro dos ossos da face, 
dispostos aos pares: maxilares, etmoidais, frontais e esfenoidais, um para cada lado, estes se 
comunicam com as fossas nasais através de orifícios ou canais. 
Durante os procedimentos de pouso e decolagem, a pressão existente nos seios da face 
tendem a se equalizar com a pressão da cabine. Quando não é possível esta 
equalização, há uma expansão dos gases existentes nesta cavidade, gerando fortes 
dores no seio afetado, a esse acontecimento da se o nome de barosinusite ou 
aerosinusobaropatia . 
MEDICINA AEROESPACIAL23 
 
Os seios mais comumente acometidos são os frontais, seguidos pelos maxilares. Para 
que o equilíbrio das pressões se estabeleça nas diferentes altitudes, os seios e a 
nasofaringe devem estar livres de qualquer doença, como infecções das vias aéreas 
superiores, rinite alérgica, desvio de septo, pólipos e sinusite. Se existir qualquer uma 
destas alterações, o aeronavegante poderá desenvolver barosinusite. 
Nas decolagens a pressão decresce com a ascensão da aeronave, o que faz com que o 
volume de ar se expanda dando lugar a uma dor sinusal, esta dor não será aliviada até 
que haja a desobstrução através do uso de algum descongestionante nasal. Já nos 
pousos ou sob a água, o bloqueio desses seios pode desencadear ruptura dos vasos 
capilares da mucosa, acompanhada de forte dor e sangramento. 
As barosinusites podem ser divididas em obstrutivas e não obstrutivas, as obstrutivas 
são causadas por desvio de septo ou presença de carne esponjosa, requer tratamento 
através de correção cirúrgica; as não obstrutivas são causadas pela presença de 
secreções rino ou nasofaringeas, rinite alérgica, etc., para tratamento é recomendável 
fazer uso de analgésicos, antialérgicos, descongestionantes nasais e antigripais, 
sempre se atentando para os efeitos colaterais que podem surgir. 
 
 
 
3.1.2 AEROOTOBAROPATIA, BAROTITE OU AEROTITE 
 
O ouvido médio está localizado dentro do osso temporal e separado do ouvido externo pelo tímpano. 
É um pequeno espaço aéreo onde se encontram três ossinhos que são o martelo, a bigorna e o estribo, 
comunica-se com o ambiente e com a nasofarige através da Trompa de Eustáquio (ou tubo auditivo). 
A pressão existente no interior do ouvido médio, em geral, é idêntica a do ambiente. Em condições de 
normalidade, a Trompa de Eustáquio funciona como uma válvula unidirecional, quando a pressão 
interna aumenta, ela permite a saída do ar de forma passiva. No entanto, se a pressão interna diminui, 
a trompa comumente não permite a entrada do ar, a não ser que a abertura seja provocada. 
Quando, por algum motivo, a pressão interna do ar presente no ouvido médio tornar-se desigual a 
pressão do ambiente, e a Trompa de Eustáquio não permitir a passagem do ar para que ocorra a 
equalização dessas pressões, pode ocorrer o barotrauma. 
Durante o procedimento de decolagem, à medida que a altitude aumenta, a pressão atmosférica 
diminui e o ar presente no ouvido médio se expande, e procura escapar intermitentemente através da 
Trompa de Eustáquio. Uma bolha de ar é forçada para o exterior, quando esta bolha de ar atinge o 
exterior, ouvimos um "click" e as pressões são igualadas para a altitude em que nos encontramos. 
Durante a descida, à medida que a altitude aumenta, a pressão barométrica diminui, e o volume de ar 
presente no ouvido médio vai reduzindo, criando assim uma pressão negativa em relação ao ambiente. 
O barotrauma do ouvido médio, que leva a barotite ou aerootobaropatia, ocorre mais 
frequentemente nos procedimentos de pouso, pode ser uni ou bilateral, é mais comum na presença de 
condições que dificultem a abertura do tubo auditivo, como: infecções (resfriado, gripe, otite, 
faringite, amidalites, irritação da garganta, infecções de ouvido...) ou alergias, e em crianças, já que 
estas possuem a Trompa de Eustáquio com um diâmetro menor que a dos adultos. Popularmente 
conhecida como bloqueio dos ouvidos. A barotite é definida como uma inflamação traumática aguda 
ou crônica causada por alterações da pressão atmosférica. 
 
Profilaxia: 
 
Os riscos da barotite podem ser reduzidos através de manobras que promovam a abertura ativa da 
Trompa de Eustáquio. Por isso, é importante permanecer acordado durante pousos e decolagens. 
A abertura da Trompa de Eustáquio pode ser facilitada através das seguintes manobras: 
 Bocejar, deglutir; 
 Mascar chicletes; 
 Beber pequenas quantidades de líquidos; 
 Fazer uso de descongestionante nasal; 
 Manobra de valsalva: pinçar as narinas, fechar a boca e realizar um expiração suavemente 
forçada (deve ser executada com cuidado e caso a pessoa não esteja gripada); 
 As crianças de baixa idade devem ingerir líquidos ou serem amamentadas. 
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24 
 
 
 
*Não voar resfriado ou gripado* 
 
Sintomas: 
 
As manifestações mais comuns incluem dor, sensação de plenitude (“enchimento”), diminuição da 
acuidade auditiva, zumbido, náuseas, vômitos, dores mais intensas podem desencadear vertigens, em 
casos mais graves surdez, até mesmo extravazamento de líquido sero-sanguinolento, consequência da 
perfuração timpânica, e em caso de febre (indicativo de infecção) procurar auxílio médico. 
 
3.1.4 AERODONTALGIA 
 
 
 
 
Os dentes também podem provocar fenômenos dolorosos durante a permanência em grandes altitudes 
sem, entretanto, apresentarem gravidade. A dor pode se tornar mais severa ou não, com o aumento da 
altitude. A descida normalmente alivia os sintomas. 
A dor de dente provocada por variações bruscas da pressão atmosférica dá-se o nome de 
aerodontalgia. 
Como tratamento pouco pode ser feito, o alívio vem com a abertura do dente, permitindo a saída do ar 
do interior, normalmente não passa com analgésicos de uso comum. 
As causas mais comuns são: cáries mal obturadas, reação da polpa vital exposta, reação de 
degeneração pulpar com formação de gases sob obturações mal executadas e, uma causa pouco 
comum, a presença de abscessos na raiz do dente. 
De modo geral, o melhor remédio para estes casos é a prevenção, através de uma boa higiene e de 
visitas periódicas ao dentista. 
 
3.1.5 AEROGASTRIA, AEROGASTROBAROPATIA, AEROENTEROBAROPATIA OU 
AEROCOLIA 
 
A expansão dos gases nas cavidades do aparelho digestivo pode ser denominada 
aerogastrobaropatia, quando no estômago, ou aeroenterobaropatia, quando no intestino. 
Causa cólicas, dor na área gástrica, opressão torácica, falta de ar, hipermotilidade intestinal, 
borborigmo (ruídos dos gases), flatus/meteorismo, eructações, hipotensão arterial, síncope (desmaio 
súbito). 
O tratamento é mais de caráter preventivo, evitando a ingestão de alimentos formadores de gases 
(feijão, cebola, repolho, pepino, massas e doces, melão etc.) e bebidas gaseificadas. No entanto, a 
diminuição dos sintomas pode ser obtida através da equalização das pressões. A movimentação do 
corpo auxilia na eliminação dos gases (caminhada e massagem abdominal) e se necessário, uma 
medicação antiespasmódica pode ser administrada. 
 
3.2 AEROEMBOLISMO OU DOENÇA DA DESCOMPRESSÃO 
 
É a condição produzida pela súbita baixa da pressão barométrica que ocorre em grandes altitudes, em 
especial, produzindo queda do valor da pressão parcial do nitrogênio. 
Seus efeitos sobre o organismo se caracterizam pelos sintomas gerados pela libertação no corpo 
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25 
 
humano de bolhas de nitrogênio (mas também de outros gases como o oxigênio, gás carbônico e vapor 
d'água) que normalmente se encontram diluídos nos líquidos orgânicos. Tal fenômeno pode ser 
explicado através da Lei de Henry: "A quantidade de um gás dissolvido por um líquido varia 
diretamente com a pressão, se a temperatura for constante". 
Os sintomas produzidos pela baixa súbita de pressão atmosférica são incômodos e limitam a duração 
do voo, principalmente em altitudes acima de 30.000, onde podem incapacitar alguém rapidamente. 
A melhor forma de entender o mecanismo da liberação de bolhas gasosas ao nível dos tecidos é 
observar o que ocorre em uma garrafa de refrigerante. Quando a mesma está fechada, existe em seu 
interior uma determinada pressão que mantém os gases em dissolução no líquido. Ao se retirar a 
tampa, há um desequilíbrio momentâneo de pressão: a pressão do líquido passa a ser maior e com isso 
são libertadas inúmeras bolhas de ar. Ao se fechar novamente a garrafa, os gases libertados irão 
progressivamenteigualando as duas pressões e as bolhas de gás vão diminuindo até cessarem de sair 
do líquido. O mesmo ocorre com o sangue. Quando a pressão atmosférica baixa subitamente a 
determinados níveis, os gases em solução nos líquidos orgânicos são libertados e vão se localizar em 
locais dos mais variados, podendo provocar sintomas graves. O nitrogênio é o gás que tem maior 
volume em solução dissolvido nos líquidos orgânicos, em condições normais. 
As manifestações clínicas do aeroembolismo podem ser classificadas em 4: 
 
 CHOKES (sufocação): Ocorre quando há formação de bolhas gasosas de nitrogênio nos vasos 
sanguíneos dos pulmões, podendo resultar em hipóxia (que será vista com mais detalhes 
posteriormente) e outros sintomas respiratórios, como sensação de queimação ou de dor 
pontiaguda sob o esterno, encurtamento da respiração, opressão no tórax e no abdômen, 
sentimentos de sufocação, dor intensa à inspiração profunda, tosse seca involuntária e cianose; 
 BENDS (encurvamento): Resultam de bolhas gasosas de nitrogênio nas articulações, causando 
intensa dor na articulação e no membro. A dor geralmente é leve, de início, mas pode se 
intensificar e causar incapacidade; 
 ITCH, PARESTESIA OU CREEPS (pele): Produz um formigamento ou insensibilidade da pele 
e pode resultar em irritação e manchas avermelhadas. Causada por formação de bolhas gasosas 
de nitrogênio sob a pele, na camada adiposa, principalmente; 
 STAGGERS (Sistema Nervoso Central): A formação de bolhas nos vasos sangüíneos pode 
bloquear o fluxo de sangue a órgãos vitais, incluindo o cérebro. Como resultado, pode ocorrer 
dor facial e mandibular, distúrbios visuais (visão embaçada, pontos cegos, escotomas cintilantes), 
distúrbios sensoriais, paralisia parcial, confusão, convulsão e perda da consciência. 
 
Indivíduos que viajam de avião pouco tempo após o mergulho podem sofrer efeitos mais graves da 
doença por descompressão, quando expostos a mudanças na altitude e na pressão. Mergulhar a uma 
profundidade de aproximadamente 30 pés leva o corpo a absorver duas vezes a quantidade de 
nitrogênio normalmente presente. Subsequentemente, voar acima de 8.000 pés seria o equivalente a 
um não mergulhador voar a 40.000 pés em uma aeronave não pressurizada. A Lei de Henry é aplicada 
e o nitrogênio pode escapar para dentro do corpo, resultando na doença por descompressão. A Federal 
Aviation Administration recomenda que os mergulhadores autônomos retardem o voo, em pelo menos, 
12 horas, quando tiverem se submetido a profundidades abaixo de 30 pés ou, pelo menos, 24 horas 
após uma elevação que necessitou parada de descompressão. 
Para tratar todas as formas de aeroembolismo é necessário oxigênio a 100% no nível do mar, o que 
promoverá a desnitrogenação dos tecidos. 
A pressurização das cabines veio resolver satisfatoriamente este problema, que juntamente com a 
hipóxia são os fatores que mais impedem e tornam difícil a sobrevivência do homem em grandes 
altitudes. O aeroembolismo é uma ocorrência que na aviação comercial não é muito comum, é 
somente encontrada em situações de emergência, causadas por ruptura de uma janela ou porta da 
cabine pressurizada, acima de 30.000pés. 
 
4.0 PRESSURIZAÇÃO 
 
É a manutenção da pressão interna da cabine em nível compatível com a vida fisiológica do ser 
humano. A pressurização no interior da cabine permite que o ser humano tenha um ambiente 
semelhante ao da superfície, mesmo voando num jato a 34.000 ft de altitude, a aproximadamente 
10.200 m, onde as condições atmosféricas são totalmente hostis, impossibilitando a vida humana. 
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26 
 
Todas as alterações orgânicas decorrentes das variações das propriedades físicas do ambiente do voo 
são reduzidas graças ao progresso atingido pela Ciência Aeronáutica. Dentre os meios atualmente 
utilizados para isso, destacam-se as cabines pressurizadas. 
Até a descoberta das cabines pressurizadas (1943), os voos comerciais não podiam ser feitos acima de 
12.000 pés. Hoje os aviões à jato voam até 42.000 pés e os supersônicos até 65.000 pés.Em qualquer 
um dos casos, no entanto, a cabine da aeronave deve estar pressurizada a uma altitude correspondente 
a no máximo 8.000 pés. Habitualmente, essa pressurização gira em torno de 6.000 a 7.500 pés. 
Para tanto, como mostra o esquema de pressurização na sequência, o ar externo é sangrado pelos 
motores e é injetado pra dentro da aeronave, criando uma pressão interna maior que a pressão externa. 
 
 
 
Figura 16: Sistema de pressurização 
 
Entre as vantagens da cabine pressurizada estão: 
• segurança de voo em grandes altitudes sem a necessidade do uso de máscaras de oxigênio; 
• conquista de índices mínimos de aeroembolismo e aerobaropatias (expansão dos gases) e; 
• melhor controle e estabilidade da temperatura e da ventilação no ambiente da cabine. 
 
4.1 Despressurização 
 
Voando a uma grande altitude, a aeronave leva no interior da sua cabine uma atmosfera de menor 
altitude, e, portanto, de maior pressão que a do ambiente externo no qual a aeronave se encontra. Desta forma, as 
influências mais negativas do voo sobre o organismo só ocorrerão por força de uma situação de 
despressurização, onde há perda parcial ou total da pressurização de uma aeronave. A despressurização é o 
maior risco que poderão enfrentar os ocupantes de uma aeronave . 
Quanto menor o tempo de despressurização, maior serão os danos sofridos pelos ocupantes. A 
despressurização pode ser classificada de acordo com o tempo: 
 
TEMPO 
 
<01 (menor que 1 seg.) 1 A 10 SEG. 10<(maior que 10 seg.) 
TIPO 
 
Explosiva Rápida Lenta 
 
CAUSAS 
 
 
Consequência de 
acidentes (mais rara) 
 
 
Vazamento de pressão 
em portas e/ou janelas 
(mais frequente) 
vazamentos mínimos na 
cabine, facilmente 
controlável e com 
grande margem de 
segurança; 
 
 
 
 
Efeitos no corpo: 
 
 saída brusca de ar dos pulmões, exalado violentamente pelo nariz e boca, trazendo a sensação de 
um súbito aumento dos pulmões dentro do tórax; 
 momentânea sensação de ofuscamento ou de confusão; 
 hipóxia severa, caso o equipamento de oxigênio não venha a ser utilizado imediatamente; 
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 aeroembolismo severo; 
 aerobaropatias, por descompressão dos gases cavitários. 
 
 
Efeitos na cabine: 
 
• Queda brusca da temperatura 
• intenssa neblina devido queda brusca de temperatura e pressão (condensação); 
• Possível cheiro de queimado (por ação dos módulos geradores químicos). 
 
Os cuidados a serem tomados em caso de despressurização, serão: 
 
• Descida rápida à razão de 4.000 a 6.000 pés por minuto; 
• Emprego de oxigênio por meio de máscaras em benefício dos passageiros e tripulantes. 
 
5.0 Orientação x Desorientação espacial 
 
Por orientação espacial compreende-se a habilidade natural do ser humano em manter a orientação e 
postura natural de seu corpo em relação ao ambiente que o envolve, seja em repouso ou durante 
movimento. 
No voo, o problema da orientação é muito maior do que em solo porque o corpo pode ser influenciado 
por uma variedade de impressões ilusórias devido às acelerações impostas sobre ele pelo movimento 
da aeronave. 
Desta forma, as pessoas envolvidas na atividade aeronáutica estão sujeitas à situação de desorientação 
espacial, estado de confusão criado pelo desencontro de informações enviadas ao cérebro através dos 
órgãos sensoriais, resultando em problemas para reconhecer a posição da aeronave em relação a um 
ponto de referência específico. 
Os órgãos sensoriais responsáveis pela orientação são chamados de órgãos do equilíbrio. Os órgãos 
sensoriais que se constituem nas principais fontes de informação através das quais o ser humano é 
capaz de manter o equilíbrio (orientação) em relação à superfície da terra são: o aparelho vestibular 
(orelha interna), o sistema proprioceptivo(pele e articulações) e o aparelho visual. 
O sistema labiríntico é a central de informações, que recolhe os impulsos de todos os sensores e o 
sistema nervoso central as recebe para serem analisadas. As informações recebidas devem ser 
coerentes. A chegada de informações conflitantes pode resultar em tontura e enjoo até que o sistema 
se habitue a esta nova realidade. 
 
Desorientação Espacial 
 
Desorientação espacial ou "vertigem de piloto" é uma condição a qual existe quando um piloto não 
pode determinar acuradamente a localização da superfície da Terra. Todos os pilotos são suscetíveis a 
ela e podem experimentar ilusões sensoriais enquanto voando à noite ou em certas condições 
meteorológicas. Estas ilusões podem conduzir a um conflito entre indicações de atitude real e o que o 
piloto "sente" da atitude no espaço que ele está. Pilotos desorientados não podem estar a par de seu 
erro de orientação ao todo. Muitos acidentam enquanto atarefadamente engajados em algumas tarefas 
que toma suas atenções para longe dos instrumentos de vôo. Outros percebem um conflito entre seus 
sentidos corporais e os instrumentos de vôo, mas acidentam porque eles não podem resolver o 
conflito. 
É importante lembrar que ilusões sensoriais ocorrem independentes de proficiência e experiência de 
piloto. Um entendimento básico dos órgãos de equilíbrio, dos mecanismos fisiológicos de várias 
ilusões e as condições de voo onde estas ilusões podem ser esperadas pode ajudar o piloto bem-
sucedido a enfrentar desorientação espacial. 
Nossos olhos são os principais responsáveis pela nossa orientação durante o vôo. Temos os órgãos de 
equilíbrio em nossos ouvidos, mas eles não são muito eficazes como sensores de orientação durante o 
voo, pois perdemos a sensação de equilíbrio e de orientação fornecidos pelos nossos olhos, que tem no 
“horizonte” a mais importante referência. 
 
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Tipos de Desorientação 
 
Tipo I: o piloto está distraído para o fato de que ele está desorientado e controla o avião 
completamente em resposta às falsas sensações de atitude e movimento dele ou dela. 
Tipo II: o piloto imagina que algo esta errado com o modo do avião estar voando, mas NÃO imagina 
que a fonte do problema está na desorientação espacial. 
 
 Quando um piloto está extremamente ocupado manipulando os controles do cockpit, ansioso, 
mentalmente estressado ou fatigado, a proficiência do piloto sobre os instrumentos de voo é 
reduzida. 
 Quando um piloto está distraído nos cheques cruzados dos instrumentos, durante fases de voo 
com tarefas intensas e em condições marginais meteorológicas ou de visibilidade, a habilidade do 
piloto para reconhecer e/ou impedir desorientação espacial é severamente diminuída. 
 Muitos acidentes e incidentes com desorientação espacial têm sido relatados durante a 
penetração da curva, aproximação final, subida após a decolagem, perfil de subida. 
 
No Tipo II existe uma grande probabilidade de que o piloto, caso não perceba a tempo que está num 
processo de desorientação, venha a ser vítima da falsa sensação e acabe levando a aeronave para uma 
atitude de voo tão crítica que sua recuperação se torna irreversível. 
 
6.0 Saúde e as condições psicofísicas para o voo 
 
6.1 Saúde 
 
A World Health Organization (WHO), ou Organização Mundial da Saúde (OMS) é a agência da 
Organização das Nações Unidas (ONU) especializada em saúde. Esta organização define saúde como 
"o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença 
ou enfermidade" e tem como compromisso provê-la, em seu nível mais alto possível, a todos os 
povos. 
 
Avaliações Periódicas 
 
Os pilotos e comissários devem possuir seus certificados de capacidade física válidos para poder 
exercer os privilégios concedidos em seus certificados de habilitação técnica de voo. 
Os exames médicos periódicos exigidos para as certificações médicas são conduzidos por pessoal 
médico credenciado, conhecedores de segurança de voo e que possuem treinamento em medicina 
aeroespacial. 
6.2 Higiene 
 
É o estudo de medidas para prevenir as doenças e preservar a saúde. A higiene pessoal refere-se aos 
cuidados que cada um deve ter quanto ao asseio corporal e aos bons hábitos para prevenir doenças. 
Ao viajar as pessoas se expõem a um ambiente diverso daquele onde residem e podem ficar expostas a 
novos riscos ou a riscos maiores do que os existentes no seu local de origem, inclusive em relação a 
agentes infecciosos. O viajante, por desconhecer os riscos ou por não observar adequadamente as 
medidas de proteção, pode ficar mais vulnerável a adquirir infecções e vir a adoecer rapidamente ou, 
ainda, permanecer sem apresentar manifestações de doença (assintomático) por tempo prolongado. 
Em qualquer das duas situações, o viajante, além de danos à própria saúde, pode transmitir doenças 
infecciosas para outras pessoas ou servir de fonte de infecção para vetores. Em razão disto, 
geralmente, o viajante é quem introduz ou reintroduz novas doenças em locais onde elas nunca 
existiram ou já foram eliminadas (como a malária e a febre amarela). No entanto, também pode ser 
uma excelente sentinela em termos de vigilância epidemiológica. Quando recebe as medidas 
profiláticas e as informações adequadas (sentinela informada), tem menor risco de adoecer e, se isto 
ocorrer, mais chance de diagnóstico e tratamento precoce, o que reduz o risco potencial, quando do 
retorno, de introdução de novas doenças ou reintrodução das que foram eliminadas. 
As doenças infectocontagiosas podem ser transmitidas, contagiando indivíduos, desde que, tenham 
mantido contato com portadores. Este contágio pode se dar através de secreções, sangue, perdigotos 
(gotículas de saliva em suspensão), beijo, relações sexuais etc. 
http://www.cives.ufrj.br/informacao/malaria/mal-iv.html
http://www.cives.ufrj.br/informacao/fam/fam-iv.html
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29 
 
Há enfermidades cuja notificação deve ser feita somente às autoridades locais de Saúde Pública. 
Outras são de notificação à autoridade estadual. Outras ainda são notificadas em nível nacional e um 
quarto grupo é notificado internacionalmente à Organização Mundial de Saúde (OMS). Neste último 
grupo está o cólera-morbo, a peste bubônica, a febre amarela, a AIDS e, até 1981, a varíola, que a 
partir desta data, foi considerada erradicada em todo mundo. 
O Regulamento Sanitário Internacional tem por objetivo prevenir a propagação de doenças entre as 
populações do mundo e estabelece normas de colaboração entre os países, visando reduzir ou eliminar 
as fontes de propagação de enfermidades, ele prevê ainda quais vacinas são exigidas aos viajantes 
internacionais. A obrigatoriedade é determinada pelas exigências do país de destino. O departamento 
de Saúde dos Portos deve ser sempre consultado. 
 
Conceitos 
 
Endemias: doença de presença contínua em determinada área geográfica. 
Epidemias: doença epidêmica é quando ocorre uma eclosão e o número de casos que surgem excede 
ao da incidência normal esperada em determinada coletividade. 
Pandemias: Quando pessoas de uma extensa região geográfica são atingidas por uma doença. 
 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
 
Doença de Chagas 
 
Doença de evolução lenta considerada um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, bem 
como na América do Sul, calcula-se que haja aproximadamente 7 milhões de indivíduos chagásicos, 
principalmente no meio rural. 
 
Agente Etiológico: Protozoário Trypanossoma Cruzi, mais conhecido como barbeiro. 
Transmissão: Através da penetração das fezes ou, em alguns casos, pelo regurgitamento do conteúdo 
estomacal do barbeiro na pele não íntegra e nas mucosas, transfusão sanguínea, congenitamente, 
amamentação e relações sexuais. 
 Período de Incubação: em média de 8 a 10 dias. 
Sinais e sintomas: Na fase aguda, começacom febre de moderada a grave, edema palpebral, dilatação 
do baço e fígado, formação de chagomas (formações tumores no local ou em lugares diferentes), 
prostração, perturbações nervosas, meningoencefalites (neste caso pode levar a morte, principalmente 
crianças), miocardite etc. Na fase crônica, os sintomas da fase aguda desaparecem, aparecendo 
perturbações cardíacas: taquicardia, hipotensão, arritmias, cardiomegalia, insuficiência cardíaca. 
Ainda pode haver lesões digestivas e intestinais. 
Epidemiologia: Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e interior de São 
Paulo. 
Tratamento: O melhor é a prevenção, através de moradia em habitação adequada, boa higiene, 
combate ao inseto e controle de bancos de sangue. A medicação existente serve apenas para amenizar 
os sintomas, pois não há cura para esta doença e, em casos crônicos, pode ser necessária uma 
intervenção cirúrgica. 
 
Malária 
 
Doença causada por um protozoário do gênero plasmodium, também conhecida como: impaludismo, 
febre intermitente, febre palustre, maleita...) 
 
Transmissão: pela incubação do agente através da picada do mosquito Anopheles fêmea, que tenha 
previamente adquirido a infecção de outro enfermo ou portador; no momento do parto (congênita, 
muito rara); através de transfusão de sangue ou injeções com seringas não esterilizadas. 
Período de incubação: Varia de acordo com o tipo de plasmodium, mas pode variar de 8 a 30 dias 
Sinais e sintomas: Mal estar geral, cefaleia, indisposição, sono, irritabilidade nervosa, anorexia, 
hipertermia (febre) de início abrupto; sendo que durante o acesso endêmico ou malárico, somado a 
isso, o portador apresenta calafrios violentos, tremores de frio e calor, febre intensa, sudorese intensa 
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(característico porque muitas vezes ocorre em dia certo e hora prevista, dependendo do tipo de 
plasmodium). Dependendo do tipo do agente etiológico, o acesso malárico é variável na 
periodicidade, intensidade e duração. Há casos de repetição do acesso em menos de 36 h; outros em 
até 72 h. Nos intervalos do acesso malárico, a pessoa pode apresentar-se sem nenhum sintoma. 
Epidemiologia: No Brasil, é considerada a maior endemia parasitária e tem prevalência na região 
Norte - Amazônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mas também ocorre na África, Índia, China e 
América Central. 
Tratamento: Sintomático, através de medicação específica. O ideal é combater os mosquitos, fazer 
uso de repelentes, mosquiteiros e telas em janelas e portas. Para viajar à determinadas regiões, 
recomenda-se o uso de medicação específica 2 semanas antes de viajar, durante a estadia, e ainda por 
mais 6 semanas após o retorno. 
 
Esquistossomose 
 
Doença endêmica parasitária, também conhecida como barriga d’água, doença do caramujo ou 
xistose, causada por um verme chamado Shistossoma Mansoni, que ataca principalmente o fígado e o 
baço. 
 
Transmissão: Tendo contato com água, açudes e represas onde haja caramujos contaminados com 
larvas do verme Schistossoma mansoni. Os caramujos são contaminados na água onde se despejam 
esgotos ou quando as fezes das pessoas são feitas próximo a rios, riachos, represas ou lagos e 
carregadas pelas chuvas e enxurradas. O verme adulto vive no intestino humano. Os ovos, postos 
pelas fêmeas, são eliminados pelas fezes da pessoa doente. Quando caem na água saem embriões 
(miracídios) de dentro dos ovos e entram no caramujo, onde crescem e viram larvas (cercarias). As 
larvas do Schistossoma mansoni, chamadas de cercarias saem do caramujo e entram no corpo pela 
pele das pessoas que têm contato com essa água. O homem infectado elimina os ovos através das 
fezes e dá continuidade ao ciclo de contaminação. 
Período de Incubação: 4 a 6 semanas 
Sinais e sintomas: Ainda no período de incubação, podem surgir distúrbios gastrointestinais, tipo 
diarréias. Na fase aguda, o indivíduo apresenta manifestação cutânea do tipo urticária, mal estar, 
surtos febris, manifestação pulmonar (tosse), alergias, pode haver diarreia, hipotensão e 
emagrecimento. Na fase crônica, surgirão diarreias muco-sanguinolentas, alterações de tamanho no 
baço e fígado (hepatoesplenomegalia), e ascite, que é o aumento da cavidade abdominal por acúmulo 
de líquidos, conhecida como barriga d’água. 
Epidemiologia: Nordeste do Brasil, Minas Gerais e São Paulo. 
Tratamento: Através de agentes químicos (medicação específica), físicos (cumprimento de medidas 
de saneamento básico, como construção de fossas e esgotos) e biológicos (cultivo de peixes que se 
alimentam deste tipo de caramujo, como as tilápias). 
 
Febre Amarela 
 
Doença aguda, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti (urbana) e Haemagogus (silvestre). Doença 
primária de animais selvagens (macacos, marsupiais e roedores), atinge o homem por meio do 
mosquito. Ataca o fígado, rim e coração. 
 
Transmissão: Através da picada de inseto. 
Período de incubação: 3 a 6 dias 
Sinais e sintomas: Aparece de forma abrupta, apresentando febre alta, calafrios, pulso lento, icterícia 
(pela destruição das células do fígado), vômitos hemorrágicos (hematémese), mialgia (dor muscular), 
cefaleia, dores nas articulações, prostração, petequias (pontos hemorrágicos na pele) e eventualmente 
evacuação de sangue (melena). Trata-se de uma doença aguda, que pode levar o paciente à morte. Os 
doentes que se recuperam, ficam imunes para toda a vida. 
Epidemiologia: Ásia, África e América do Sul; 
Tratamento: Sintomático, através de medicação específica. O ideal é combater o inseto vetor e 
vacinação, cuja dose é única (via subcutânea), 10 dias antes da exposição às regiões de foco. Apesar 
da vacina garantir imunidade por 17 anos, a revacinação é exigida a cada 10, exceto em indivíduos 
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expostos que devem ser revacinados a cada 5 anos. 
 
Dengue 
 
Doença infecciosa causada por um arbovírus, que ocorre principalmente em áreas tropicais e 
subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou 
imediatamente após períodos chuvosos. 
 
Transmissão: Através da picada do vetor, mosquito Aedes Aegypti (forma urbana). 
Período de incubação: 3 a 15 dias, mais comum de 5 a 6 dias. 
Sinais e sintomas: Semelhante a sintomas de gripe: febre alta, cefaleia, dor atrás dos olhos que piora 
com o movimento, prostração, mialgias (dores musculares), dores articulares, exantema (manchas 
vermelhas na pele), náuseas, vômitos, tonturas e pode levar a morte em caso de comprometimento 
renal ou hemorragias. 
Epidemiologia: Mesma da febre amarela - América do Sul, África, Ásia. 
Tratamento: Sintomático, através de analgésicos. Mas, medidas sanitárias para eliminação do 
mosquito (dedetização da área e eliminação de recipientes com água parada) são fundamentais. 
 
Cólera 
 
A cólera é uma doença causada pela bactéria Vibrio Cholerae e é exclusivamente humana, isto é, só 
atinge seres humanos. 
É característica de regiões com saneamento básico precário, portanto não é motivo de preocupação em 
locais onde o saneamento básico e hábitos higiênicos da população são satisfatórios. 
 
Transmissão: Através do consumo de água contaminada, considerando que isto ocorre devido à água 
não fervida, clorada ou tratada, bem como por contaminação alimentar. Alimentos não lavados 
corretamente ou manipulados por alguém doente. 
 Período de incubação: pode ser de poucas horas a 5 dias. 
Sinais e sintomas: Doença de evolução rápida, com duração de 12 horas a 7 dias. Caracterizada por 
infecção intestinal aguda. O indivíduo apresenta diarreia aquosa (com aparência de água de arroz, 
acompanhada de muco), vômitos, desidratação rápida (em consequência da grande perda de líquidos e 
eletrólitos), prostração e até morte. 
Epidemiologia: Países da América do Sul (Peru, Equador, Colômbia e Brasil), Ásia, África,Oriente 
Médio e partes da Europa. 
Tratamento: Através de medicação específica (antibiótico-terapia) e hidratação oral. O ideal é a 
prevenção, através de melhorias no sistema de saneamento básico, higienização dos alimentos e 
tratamento da água. 
Prevenção: Tratar a água a ser usada para beber, cozinhar, com cloro ou, na falta deste, fervida e 
higiene pessoal. Limpar as verduras e legumes com água clorada, não comer peixes e frutos do mar 
crus; mariscos, ostras e similares devem ser evitados mesmo cozidos; proteger os alimentos após o 
preparo de possível contaminação. 
 
Peste 
 
É uma doença infecciosa aguda, transmitida aos seres humanos, principalmente, através da picada de 
pulgas infectadas por roedores que são os portadores primários. 
Transmissão: Através da picada de pulgas infectadas, contato com outras pessoas infectadas , caso 
haja contato com o bubão supurado, comum em habitações superlotadas ou de condições higiênicas 
precárias, ingestão de excrementos de pulgas contaminadas ou dos próprios insetos contaminados. 
Período de incubação: forma ganglionar: 2 a 6 dias; forma pulmonar: 3 a 4 dias. 
Sinais e sintomas: Inflamação dos gânglios linfáticos, tremedeira, dor de cabeça, sonolência, 
intolerância à luz, apatia, vertigem, dores nos membros e nas costas, febre alta, delírios e diarreia. 
Epidemiologia: Estados Unidos (Novo México), América do Sul (Venezuela, Argentina, Bolívia, 
Peru, Equador) e Brasil (Nordeste e Sudeste). 
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Tratamento: Sem tratamento, a peste bubônica é fatal em 60% dos casos, ao passo que a peste 
pneumônica é quase sempre fatal. Atualmente, o quadro de letalidade é mínimo devido à 
administração de antibióticos. Existem vacinas específicas que podem assegurar a imunidade quando 
aplicadas repetidas vezes. No entanto, a maneira mais eficaz de combate à doença continua a ser a 
prevenção com o extermínio dos ratos urbanos e de suas pulgas, porém devemos, como forma de 
precaução, evitar gotículas de saliva ou de secreções nasais, meios de contágio da infecção. A vacina 
específica é raramente usada como medida preventiva. 
 
Raiva ou Hidrofobia 
 
A raiva é causada por um vírus que se aloja e cresce no sisyema nervoso central, indo depois para as 
glândulas salivares, onde continua a se propagar. Esta é uma doença infecciosa aguda de prognóstico 
fatal em todos os casos. 
Transmissão: ocorre quando o vírus da raiva existente na saliva do animal infectado penetra no 
organismo, através da pele ou mucosas, por mordedura, arranhadura ou lambedura, mesmo não 
existindo necessariamente agressão. No Brasil, o principal animal que transmite a raiva ao homem é o 
cão. O morcego hematófago é um importante transmissor da raiva, pois pode infectar bovinos, 
eqüinos e morcegos de outras espécies. Todos estes animais podem transmitir a raiva para o homem. 
Período de incubação: 6 a 8 meses (2 a 3 meses em média) 
Sinais e sintomas: transformação de caráter, inquietude, febre, mal-estar, delírios, convulsões, pode 
levar a quadro de alucinação, paralisia dos músculos respiratórios, podendo levar a morte. 
Tratamento: Lavar a ferida com água e sabão, aplicando logo após um anti-séptico (álcool, 
methiolate ou mercúrio cromo), soro anti-rábico e vacina anti-rábica. 
 
Leptospirose 
 
A Leptospirose é uma infecção aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria do gênero 
Leptospira, que é transmitida por animais de diferentes espécies (roedores, suínos, caninos, bovinos) 
para os seres humanos. Esse microorganismo pode sobreviver indefinidamente nos rins dos animais 
infectados sem provocar nenhum sintoma e, no meio ambiente, por até seis meses depois de ter sido 
excretado pela urina. No Brasil, os ratos urbanos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos) são os 
principais transmissores da doença e o número de casos aumenta na estação das chuvas, por causa das 
enchentes e inundações. 
Transmissão: Através do contato com a urina do roedor contaminado, o que se dá diretamente ou 
através da água poluída (enchente), andando descalço em solo molhado ou lamacento ou nadando em 
rios e lagos. A leptospirose não é contagiosa entre pessoas. Não há transmissão de uma pessoa 
para outra. É transmitida entre os animais e dos animais para o homem, sempre pelo contato da urina 
do animal com a pele ou mucosa do homem, íntegras ou não. 
 Período de incubação: 10 dias em média. 
Sinais e sintomas: pode ser assintomática, quando se instalam, os sintomas são febre alta, mal estar, 
dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios estão entre as 
manifestações da doença. Também são frequentes dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia, 
podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados. Alguns 
doentes podem apresentar tosse e faringite. Podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo e 
ocorrer meningite. Nos enfermos de casos mais graves aparecem manifestações hemorrágicas 
(equimoses, sangramentos em nariz, gengivas e pulmões) e o funcionamento inadequado dos rins, o 
que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, supressão total da urina. A evolução para a 
morte pode ocorrer em cerca de 10% das formas graves. 
Tratamento: O tratamento de pessoas com leptospirose é feito principalmente com hidratação. O 
emprego de antibióticos reduz as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com 
leptospirose sem icterícia podem ser tratadas no domicílio. As que desenvolvem meningite ou icterícia 
devem ser internadas. 
 
Tétano 
 
O tétano é uma doença infecciosa e não contagiosa causada pela toxina da Clostridium tetani - uma 
bactéria gram-positiva e anaeróbica, que penetra no organismo via lesões da pele e provoca espasmos 
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33 
 
nos músculos voluntários, principalmente os do pescoço, sendo que os músculos respiratórios podem 
ser atingidos, causando a morte por asfixia. Age sobre as células motoras do sistema nervoso central. 
Transmissão: normalmente encontrado: em águas putrefatas, instrumentos de lavoura, latas velhas 
contaminadas com poeira ou terra, pregos oxidados, agulhas de injeção não esterilizadas, espinhos e 
pequenos galhos de árvores, terra contaminada por fezes de animais ou humanos e fezes animais ou 
humanas. 
Período de incubação: aproximadamente três semanas, sendo que quanto menor o período de 
incubação, maior será a gravidade da doença. 
Sinais e sintomas: Ataca o sistema nervoso central, causando rigidez muscular em diversas regiões do 
corpo. Entre os principais sintomas, observa-se o trismo (alteração nervosa que impossibilita a 
abertura da boca, pela contração dos músculos mastigadores), riso sardônico (produzido por espasmos 
dos músculos faciais), dores nas costas, rigidez abdominal e da nuca, espasmos, convulsões, 
irritabilidade. O quadro pode se tornar complicado e causar parada respiratória ou cardíaca. 
Tratamento: Lavagem do ferimento com água e sabão, desinfetando-o com água oxigenada ou 
solução de permanganato de potássio e aplicando um antibiótico em pó. Há necessidade de penicilina 
procainada, soro antitetânico e vacina (que deve ser reaplicada a cada 10 anos). 
 
O esquema de vacinação, que inclui a vacina antitetânica, é uma das principais formas de prevenir a 
doença: a vacina tetravalente (tétano, coqueluche, difteria e meningite B) é administrada em três 
doses, aos dois, quatro e seis meses com dois reforços pela DTP (tétano, coqueluche e difteria) aos 15 
meses e entre 04 e 06 anos. 
 
Tuberculose 
 
A tuberculose, transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis, mais conhecido como bacilo de Koch, é 
provavelmente a doença infecto-contagiosa que mais mortes ocasiona no Brasil. Estima-se, ainda, que 
mais ou menos 30% da população mundial estejam infectados, embora nem todos venham a 
desenvolver a doença. 
Transmissão: Atravésdo contato com secreções das vias respiratórias, perdigotos ou ingestão de leite 
não pasteurizado, produzido por vacas tuberculosas (no caso da forma não pulmonar – não se 
transmite diretamente). Para que a primo-infecção ocorra, é necessário que ele chegue aos alvéolos. Se 
não alcançar os pulmões, nada acontece. A partir dos alvéolos, porém, pode invadir a corrente 
linfática e alcançar os gânglios (linfonodos), órgãos de defesa do organismo. É maior o risco de 
transmissão durante contatos prolongados em ambientes fechados e com pouca ventilação. 
 Período de incubação: 4 a 6 semanas 
Sinais e sintomas: Tosse, fadiga, febre (geralmente noturna), emagrecimento, falta de apetite, 
rouquidão, dor torácica e hemoptise (tosse com sangue). Pode ainda gerar complicações, como 
hemorragia pulmonar, broncoaspiração, pneumotórax e/ou hemotórax. 
Tratamento: Repouso, isolamento respiratório, alimentação hipercalórica e proteica e antibiótico 
específico. Mas o melhor é evitar a doença através de educação sanitária, vacinação (BCG) e 
pasteurização do leite. 
Compilcações: Hemorragias, de pequena a grande volume de sangue. A morte sobrevém não da 
hemorragia e sim da aspiração do sangue pelo pulmão; Pneumotórax, colapso de todo ou uma parte do 
pulmão causando dor no peito, falta de ar, agitação, respiração profunda, hipotensão, palidez e 
cianose, podendo desencadear parada respiratória. 
 
Meningite Meningocócica 
 
A meningite é uma doença que consiste na inflamação das meninges – membranas que envolvem o 
encéfalo e a medula espinhal. Ela pode ser causada, principalmente, por vírus ou bactérias. O quadro 
das meningites virais é mais leve e seus sintomas se assemelham aos da gripe e resfriados. Entretanto, 
a bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é altamente 
contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria. Ela, causada pela 
Neisseria meningitidis, pode causar inflamação nas meninges e, também, infecção generalizada 
(meningococcemia). O ser humano é o único hospedeiro natural desta bactéria cujas sequelas podem 
ser variadas: desde dificuldades no aprendizado até paralisia cerebral, passando por problemas como 
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surdez. 
Transmissão: Através do contato com secreções de garganta e nariz contaminadas por diferentes 
agentes, como vírus ou fungos, e até mesmo por processos traumáticos. 
 Período de incubação: 2 a 10 dias. 
Sinais e sintomas: tem início repentino e evolução rápida, pode levar ao óbito em menos de 24 - 48 
horas. Manifesta-se através de rigidez na nuca (sinal característico), febre, cefaleia, vômitos em jato e 
manchas avermelhadas. Em casos fulminantes: prostração súbita, colapso e choque. Pode levar à 
morte ou deixar sequelas irreversíveis. 
Tratamento: Antibiotico-terapia e isolamento respiratório. Mas o ideal é prevenir através de 
vacinação encontrada em alguns Postos de Saúde, principalmente em crianças com menos de 3 anos 
de idade. 
Prevenção: Vacinação apropriada, em caso de epidemia: não visitar pessoas doentes, evitar locais 
fechados e aglomerações de pessoas. 
 
Hepatite 
 
Hepatite é toda e qualquer inflamação do fígado e que pode resultar desde uma simples alteração 
laboratorial (portador crônico que descobre por acaso a sorologia positiva), até doença fulminante e 
fatal (mais frequente nas formas agudas). 
 
Hepatite A 
É uma doença infecciosa, transmitida entre os seres humanos, que pode evoluir de forma aguda ou 
crônica, provocando lesões, sobretudo no fígado. Pode ser, às vezes, grave e fatal, mas normalmente 
tem um bom prognóstico, costuma ser benigna e curta. 
Transmissão: O vírus é resistente aos meios comuns de desinfecção, como a fervura. Sua transmissão 
é mais comum devido contato entre humanos, mas oro-fecal apenas (vírus pode estar presente na urina 
e nas fezes) e não por vias respiratórias. A transmissão da hepatite A geralmente ocorre quando o 
vírus é ingerido pela boca a partir do contato com objetos, alimentos ou líquidos contaminados por 
fezes de pessoa infectada. Uma pessoa infectada pode transmitir a hepatite A mesmo não 
apresentando sintomas. 
A pessoa pode contrair hepatite A quando: 
 
 Uma pessoa infectada não lava as mãos depois de ir ao banheiro e toca outros objetos ou alimentos. 
 Um pai ou enfermeiro não lava as mãos apropriadamente depois de trocar fraldas ou limpar as 
fezes de uma pessoa infectada. 
 Ao realizar certas atividades sexuais, como contato oral-anal com uma pessoa infectada. 
 Através de água ou alimentos contaminados, principalmente em áreas onde há condições sanitárias 
ruins ou má higiene. objetos contaminados, relação sexual, alimentos e água contaminados. Por 
transfusão sanguínea e uso de seringas e agulhas compartilhadas é pouco comum o contágio. 
 
Período de incubação: 10 a 50 dias 
Sinais e sintomas: Inicialmente assintomático depois paciente apresenta sintomas similares a de um 
quadro gripal, febre (mais comum na hepatite A), mal estar, fadiga, perda do apetite, icterícia, urina 
escura, fezes esbranquiçadas e distúrbios gastrointestinais. Provoca lesão no fígado, podendo ser 
degenerativa ou inflamatória. 
Epidemiologia: Regiões temperadas, durante o inverno e primavera. 
Tratamento: Isolamento, repouso e dieta hipercalórica e hipolipídica. 
Prevenção: Educação Sanitária, vacinação, a qual é recomendada para todas as crianças. Também se 
pode ajudar na prevenção ao lavar as mãos com sabão e água quente após usar o banheiro, trocar 
fraldas ou antes de preparar alimentos. 
 
Hepatite B 
 
A hepatite B doença contagiosa que varia de gravidade, de moderada durando algumas semanas, até 
grave para toda a vida. Essa doença é decorrente de infecção pelo vírus da hepatite B. Pode ser aguda 
ou crônica. A Hepatite B aguda é uma doença de curta duração que ocorre dentro dos primeiros 6 
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADgado
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meses depois da exposição ao vírus. A infecção aguda pode se transformar em crônica. A hepatite B 
crônica é uma doença de longa duração que ocorre quando o vírus permanece no organismo da 
pessoa. 
 
Transmissão: o vírus está presente no sangue, na saliva, no sêmen e nas secreções vaginais da pessoa 
infectada. A transmissão pode ocorrer por via perinatal, isto é, da mãe para o feto na gravidez, durante 
e após o parto; pelo uso de drogas injetáveis e por transfusões de sangue (risco que praticamente 
desapareceu desde que o sangue dos doadores passou a ser rotineiramente analisado). 
As relações sexuais constituem outra via importante de transmissão da hepatite B, considerada uma 
doença sexualmente transmissível (DST), porque o vírus atinge concentrações altas nas secreções 
sexuais. 
Período de incubação: 3 a 6 meses 
Sinais e sintomas: febre, mal-estar, desconforto, dor abdominal, dor nas articulações e erupções na 
pele. Mais tarde, pode aparecer icterícia, a urina tornar-se escura (cor de coca-cola) e as fezes mais 
claras do que o habitual. 
Tratamento: Quadro agudo, tratamento similar a hepatite A ; Quadro crônico: medicamentoso e em 
caso de insuficiência hepática é indicado o transplante hepático. 
Prevenção: Evitar o contato com sangue infectado ou de quem se desconheça o estado de saúde, não 
partilhar objetos cortantes e perfurantes, nem instrumentos usados para a preparação de drogas 
injetáveis, usar sempre preservativo nas relações sexuais são as principais formas de prevenir o 
contágio. A realização de tatuagens, a colocação de piercing e de tratamentos com acupuntura só deve 
ser feita se os instrumentos utilizados estiverem adequadamente esterilizados ou forem descartáveis. 
 
Hepatite C 
 
A hepatite C é causada por um vírus transmitido principalmente pelo sangue contaminado, mas a 
infecção também pode passar através das vias sexual e vertical (da mãe para filho).O portador do 
vírus da hepatite VHC pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a lesões no fígado 
(cirrose) e câncer hepático. 
Transmissão: Através de sangue ou produtos sanguíneos contaminados. A transmissão por via sexual 
é rara, mas pode ocorrer. Existe um risco de 6% da mãe infectada poder transmitir o vírus ao feto. É 
frequente nos toxicodependentes intravenosos. Com o despiste sistemático do anti-VHC nos doadores 
de sangue, a partir de 1992, a hepatice C pós-transfusional tornou-se excepcional. 
Período de incubação: 6 a 12 semanas 
Sinais e sintomas: Em 75% dos casos os infectados pelo VHC não apresentam sintomas. Podem 
ocorrer letargia, mal-estar geral e intestinal, febre, perda de apetite, intolerância ao álcool, dores na 
zona do fígado e, muito raramente, icterícia. O indivíduo com infecção crônica pelo vírus da hepatite 
C pode não apresentar qualquer sintoma e, no entanto, estar a desenvolver uma cirrose ou um cancro 
do fígado. 
Tratamento: Similar a hepatite A mais uso de medicamentos específicos (interferon e ribavirina) 
Prevenção: Similar a hepatite B 
 
*Não há vacina contra a Hepatite C* 
 
AIDS (Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida) 
 
AIDS é uma doença do sistema imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana 
(HIV). Esta condição reduz progressivamente a eficácia do sistema imunológico e deixa as pessoas 
suscetíveis a infecções oportunistas e tumores. 
Transmissão: através do contato direto de uma membrana mucosa ou na corrente sanguínea com um 
fluido corporal que contêm o HIV, tais como sangue, sêmen, secreção vaginal, fluido preseminal e 
leite materno. Esta transmissão pode acontecer durante ato sexual, transfusão de sangue, agulhas 
contaminadas, o intercâmbio entre a mãe e o bebê durante a gravidez, parto, amamentação ou outra 
exposição a um dos fluidos corporais acima. 
Sinais e sintomas: Compromete o sistema imunológico e agride o sistema nervoso central, a medula 
óssea e os nódulos linfáticos, causando emagrecimento, diarreia, queda de cabelo e aparecimento de 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_imunol%C3%B3gico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%ADrus_da_imunodefici%C3%AAncia_humana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_oportunista
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tumor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Membrana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mucosa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sangue
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%AAmen
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Secre%C3%A7%C3%A3o_vaginal&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fluido_pr%C3%A9-ejaculat%C3%B3rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leite_materno
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexo_anal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transfus%C3%A3o_de_sangue
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gravidez
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amamenta%C3%A7%C3%A3o
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infecções oportunistas, como pneumonia. 
Tratamento: Atualmente, novos medicamentos podem fazer o aidético ter uma expectativa de vida 
bem longa, porém com algumas limitações. Mas a chave está na prevenção, através das campanhas de 
conscientização, educação sexual e controle de banco de sangue. 
 
6.3 Conservação da aptidão física 
 
O organismo humano é capaz de adaptar-se até certo ponto e sem grandes dificuldades a variação de 
pressão à que o aeronavegante está suscetível, bem como de concentração de oxigênio e nitrogênio, 
mas para isso é necessário que o corpo esteja em boas condições de saúde e em perfeita harmonia com 
a mente, para que essa adaptação aconteça sem maiores dificuldades. 
Para se manter o corpo sempre saudável, deve-se observar certas regras e padrões para conseguir um 
perfeita harmonia entre corpo, mente e natureza. 
A higiene pessoal é o primeiro item a ser observado com o objetivo de adquirir, manter e prevenir 
condições que venham a afetar a integridade de um corpo saudável. A agradável sensação de ver uma 
pessoa com uma boa aparência induz e transmite um bem estar interior que é visto no exterior por uma 
boa higiene pessoal. 
O banho diário com sabonetes comuns, geralmente, é suficiente para remover as camadas de células 
mortas e restabelecer a oxigenação cutânea natural e prevenir doenças. Trata-se da limpeza da pele, o 
importante componente que protege o organismo da ação maléfica das impurezas do ambiente, regula 
sua temperatura com a eliminação do calor através do suor e, ainda, é responsável pelo seu contato 
com o meio externo através da sensibilidade do tato; 
O cuidado com os cabelos, mantendo-os sempre limpos e penteados; lavar as mãos frequentemente, 
manter as unhas limpas e aparadas, o hábito de lavá-las deve ser cultivado sem negligência, em 
especial antes das refeições; escovar os dentes ao acordar, após as refeições e ao deitar, usando fio 
dental, constituem medidas simples e básicas de asseio corporal. 
Cuidados especiais devemos ter com a boca, pois é ela a porta de entrada para grande parte de 
microorganismos causadores de doenças, iniciando com os causadores de cárie dentária, que é 
consequência de uma complexa interação de fatores: bactéria, dieta e sensibilidade do hospedeiro. As 
cáries dentárias podem ser prevenidas por métodos simples como, escovação (movimentos circulares 
e de cima para baixo nos dentes superiores e de baixo para cima nos dentes inferiores) e aplicação de 
fluor pelo menos uma ou duas vezes ao ano. 
A atividade do ser humano em suas diversas atribuições faz com que o corpo libere constantemente 
energia e, em consequência, necessita de tempo e condições favoráveis para restabelecimento dessa 
energia, o sono tem inúmeras funções, dentre as quais, está a promoção da restauração física e mental, 
incluindo a promoção de estímulos que proporcionem o crescimento cerebral, a extinção de memórias 
indesejáveis, a consolidação da memória, a restauração dos processos químicos e físicos deteriorados 
durante a vigília e, principalmente, a conservação de energia. Sua duração varia de indivíduo para 
indivíduo, algumas pessoas necessitam de períodos curtos de sono diário, porém outras só se 
encontram em plena forma para a atividade após 8 ou 10 horas de sono. O ritmo biológico, com fases 
de repouso e atividade ou sono e vigília, no período de 24 horas é chamado de ritmo circadiano. 
Uma noite intranquila leva qualquer indivíduo a um dia seguinte longo, com acúmulo de cansaço, sem 
disposição para executar bem qualquer tarefa, contribuindo até na mudança alimentar, pois ninguém 
consegue alimentar-se satisfatoriamente. A alimentação é uma importante fonte energética necessária 
à reposição das perdas de energia quando em atividade. 
Uma alimentação deficiente pode levar a uma queda dos níveis de glicose no organismo, 
hipoglicemia, que por sua vez leva a uma deficiência na coordenação muscular, de acuidade visual e 
de capacidade de julgamento, por outro lado, os excessos alimentares também devem ser evitados, 
antes e durante os voos, para prevenir a formação de gases no tubo digestivos e a sonolência. A 
expansão dos gases com o aumento da altitude pode resultar em severas dores com grande 
desconforto. Deve acontecer pelo menos 3 vezes por dia (recomenda-se 5) e ser rica em nutrientes, 
vitaminas e sais minerais, pois comer não significa estar alimentado. O ser humano precisa de 
alimentos variados e balanceados que atendam vários órgãos do corpo de acordo com a idade. Ao que 
se poderia acrescentar para o caso dos tripulantes em dias de voo, que deem preferência a refeições 
ricas em hidrato de carbono, com pouca gordura e proteína. Além disso, a hidratação em abundância 
não deve ser esquecida. 
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Portanto, uma alimentação adequada e equilibrada, ingerida em intervalos regulares, é um fator 
importante para aqueles que desempenham atividadeaérea. 
Os benefícios da atividade física sistemática ajudam a manter a saúde física e mental dos aeronautas, 
tendo em vista os estímulos cardiovasculares, melhora da composição corporal, prevenção de doenças 
como hipertensão e diabetes, melhora no perfil lipídico do sangue (redução do colesterol ruim e 
aumento do bom, redução dos triglicerídeos), produção de hormônios de satisfação e bem estar 
(endorfina), dentre outros. 
 
6.4 Riscos auto-impostos 
 
A engenharia aeronáutica vem tentando ao longo dos anos minimizar os fatores estressantes existentes 
nos voos, porém muitos ainda estão presentes, como: hipóxia, disbarismos: aerodilatação e 
aeroembolismo, ruídos e vibrações, turbulências, radiações, mudanças climáticas rápidas e sucessivas, 
baixa umidade do ar no interior das aeronaves, ação de forças de aceleração, alimentação irregular, 
alterações do ritmo circadiano, tensão emocional. 
Algumas se fazem presente apenas em situações de emergência (disbarismo, hipóxia, grandes 
turbulências e radiações), e são cada vez mais raras. Os demais fatores são contribuintes para o 
desgaste natural que toda profissão tem, a fadiga profissional, que para os aeronautas é conhecida 
como fadiga aérea. 
No que concerne à dimensão psíquica, prescreve a higiene mental: escolher a profissão para a qual se 
tenha realmente vocação, pois só assim seu desempenho poderá revestir-se de entusiasmo, dedicação e 
amor, buscando condições para uma realização pessoal completa, abrangendo nisso hábitos de leitura 
e de aprendizagem que possam proporcionar horizontes mais amplos que o da rotina do trabalho 
cotidiano. 
E, por fim, no que se relaciona com a dimensão espiritual do homem, a higiene preconiza ter bem 
definidos os princípios éticos, morais e religiosos sobre os quais devem se pautar sua conduta, 
adotando uma filosofia capaz de assegurar felicidade, paz e um sentido para a vida. 
E já que a higiene ensina a preservar a saúde, faz parte de suas lições, a condenação do uso de fumo, 
álcool e outros tóxicos. Para entender a razão disso, se faz necessário ver como cada um desses 
elementos se constitui em ameaça à saúde: 
FUMO 
Contém inúmeras substâncias tóxicas, além da nicotina, a fumaça do cigarro contem o monóxido de 
Carbono. Este gás compete com o oxigênio em sua ligação com a hemoglobina das hemácias (células 
do sangue encarregadas de levar o oxigênio do pulmão para o corpo) tendo afinidade, algumas vez, 
maior do que o oxigênio, ocupando e utilizando a hemoglobina a que estiver ligado. 
Isto determina que um indivíduo que fuma três cigarros ao nível do mar tenha 4 % do seu volume 
sanguíneo indisponível ao oxigênio. É como se estivesse a 8.000 pés de altitude e, consequentemente, 
sob o efeito de uma hipóxia. 
Portanto, o organismo de um fumante, fisiologicamente, sempre estará alguns milhares de pés acima 
do que indica o altímetro da aeronave. 
Como consequência ao fumo podemos citar: câncer de brônquios, bronquite crônica, enfisema 
pulmonar, doenças coronarianas, hipertensão arterial, arteriosclerose e outros problemas tão graves 
quanto os já citados; 
 
ÁLCOOL 
 
Uma vez na circulação sanguínea, é levado pelo plasma a todo o organismo, criando uma situação 
difícil para que as células metabolizem o oxigênio e a glicose de que tanto precisam. Assim, além de 
interferir prejudicialmente na cadeia respiratória, leva à diminuição da concentração, da memória e da 
habilidade profissional. O álcool também deixa o indivíduo muito mais suscetível à desorientação 
espacial e à hipóxia, uma vez que diminui a capacidade do cérebro de utilizar o oxigênio. Somados 
aos problemas imediatos já citados, dependendo da dose, da frequência, dos hábitos alimentares e da 
sensibilidade individual, pode levar ao aparecimento de cirrose hepática, gastrites, alteração de 
comportamento e até psicoses; 
Uma pequena dose de licor, um copo de cerveja ou meio copo de vinho alteram a destreza requerida 
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para voar. Dezesseis horas após a ingestão, ele ainda é encontrado nos tecidos, o que o torna 
terminantemente proibido para os tripulantes, no mínimo 24 horas antes, e durante todo o voo (onde 
seus efeitos são potencializados devido à pressurização), não existe nada que possa aumentar o ritmo 
de eliminação do álcool pelo organismo. 
 
TÓXICOS 
 
São inúmeros os que podem ser citados (maconha, cocaína, heroína, ópio, barbitúricos etc). Excluído 
o fator dependência que alguns deles causam em seus usuários, provocam vários outros efeitos 
prejudiciais ao organismo, como alucinações, delírios, esquizofrenia etc, podendo até levar à morte. 
 
AUTOMEDICAÇÃO 
 
Os medicamentos, tanto as doenças para as quais eles são indicados, podem prejudicar a percepção, a 
capacidade de decisão e a coordenação motora, alterando significativamente a performance dos 
tripulantes. Nenhuma atividade é tão perigosa quanto a aviação sob os efeitos de automedicação. 
 
Medicamentos contra indicados ao voo: 
 
 Analgésicos, antitérmicos (dores, resfriados, gripes) 
Efeitos indesejados: sonolência e diminuição de reflexos. 
Consequência: afastamento de vôo por oito à doze horas. 
 
 Anti-alérgicos 
Efeitos indesejados: sonolência e diminuição de reflexos. 
Consequência: afastamento de vôo por doze à vinte e quatro horas. 
 Anti-ácidos e digestivos 
Efeitos indesejados: alterações visuais. 
Consequência: afastamento de vôo por oito à doze horas. 
 
 Efervescentes 
Efeitos indesejados: aumentam a quantidade de gases, aumentam a distensão abdominal 
Consequência: afastamento de voo por seis horas. 
 
 Descongestionantes nasais típicos 
Efeitos indesejados: adrenérgico e lesão da mucosa. 
Consequência: agravamento pela atividade, problemas de ouvido médio. 
 
 Sistêmicos 
Efeitos indesejados: sonolência e diminuição de reflexos. 
Consequência: afastamento de voo por doze à vinte e quatro horas. 
 
 Anti-diarréicos (derivados opiáceos) 
Efeitos indesejados: sonolência e alterações dos reflexos; máscara a etiologia. 
Consequência: afastamento do voo por doze à vinte e quatro horas. 
 
 Antibióticos e bactericidas 
Efeitos indesejados: disbacteriose com diarréia ou problemas gástricos, náuseas e outras 
complicações. 
Consequência: afastamento de voo até o fim do tratamento. 
 
 Tranquilizantes, hipnóticos 
Efeitos indesejados: diminuição de reflexos, sonolência. 
Consequência: afastamento de voo por vinte e quatro horas. 
 
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 Anorexígenos, estimulantes 
Efeitos indesejados: alteração no solo, no apetite e nos reflexos. 
Consequência: afastamento de voo por vinte e quatro horas. 
 
 Anestésicos locais 
Efeitos indesejados: alterações dos reflexos e bradicardia. 
Consequência: afastamento de voo por doze horas. 
 
 Diuréticos 
Efeitos indesejados: aumentam a perda de líquido, desidratação, perda de potássio. 
Consequência: afastamento de voo por doze à vinte e quatro horas. 
 
 Anti-hipertensivos 
Efeitos indesejados: alteração no batimento cardíaco, hipotensão sonolência e diminuição de 
reflexos 
Consequência: afastamento de voo. 
 
 Anti-inflamátorios não hormonais e contra cólicas 
Efeitos indesejados: problemas gástricos e sonolência com diminuição dos reflexos. 
Consequência: afastamento das atividades por doze à dezoito horas. 
 
 6.5 Condições psicofísicas que restringem a aptidão para pilotar 
 
Viagens de avião muitas vezes são relacionadas a desconforto e até problemas de saúde, tanto pela 
posição incômoda e pouco espaço entre as poltronas, quanto pelo longo período na cabine da 
aeronave. 
A seguir seguem recomendações práticas aos passageiros, médicos e tripulantes sobre os cuidados a 
serem tomados antes e durante os voos, tendo em vista, principalmente, as doenças pré-existentes. 
 
RESFRIADO/ GRIPE 
 
A Gripe é uma infecção das vias respiratórias, altamente contagiosa,pois quando uma pessoa gripada 
espirra ou tosse, espalha no ar os vírus, que podem ser inalados por qualquer pessoa que esteja por 
perto, portanto altamente transmissível. 
Os sintomas da Gripe são conhecidos, mas muitas vezes, a gripe é confundida com o resfriado 
também provocado por vírus, mas que produz sintomas mais brandos. 
A Gripe quando não tratada corretamente, pode evoluir para complicações como bronquite, 
pneumonia, sinusite e otite. Crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas (diabetes, cardiopatias, 
asma, AIDS) são mais suscetíveis a essas complicações. 
O resfriado pode ser causado por diversos vírus e tem os sintomas mais amenos do que nos quadros 
gripais. 
A gripe pode ter um impacto devastador. A história registra vários surtos. Se você apresentar febre 
alta (35°C ou mais) e dois ou mais sintomas de gripe procure imediatamente seu médico. Os mais 
comuns sintomas são tosse, febre, nariz congestionado, coriza, dores de cabeça e garganta, mal-estar 
geral, acompanhados de calafrios e dores musculares fortes. 
Já existe um medicamento antiviral específico contra a gripe diferente dos sintomáticos (analgésicos, 
antipiréticos, etc) que tratam apenas os sintomas da gripe. Seu médico poderá receitar uma medicação 
contra o vírus da gripe que reduzirá a severidade dos sintomas e a duração da doença. Mas para o 
tratamento ser bem sucedido, é importante iniciá-lo em até 48 horas após o início dos sintomas. 
A gripe agora tem um tratamento específico e eficaz. Quanto antes você procurar um médico, melhor. 
A forma mais eficaz de proteção é a vacinação. A vacinação deve ser realizada todos os anos. 
 
Uma regra a ser observada é a de não voar resfriado ou gripado. O muco pode obstruir ou impedir a 
equalização da pressão do ouvido médio, causando zumbidos, surdez, dores e, em casos de rápidas 
ascensões ou descidas, hemorragias e rupturas do tímpano. 
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Pode também ocorrer o transporte pelas bolhas de ar que vão para o ouvido médio, de gotas de muco 
infectado para dentro do ouvido, desencadeando um quadro de otite média aguda, com sintomas de 
dor, febre, surdez e latejamento lancinante. 
Se isso ocorrer, o aeronauta deve consultar imediatamente um otorrino; A ruptura do tímpano pode 
significar uma parada temporária de 60 dias na atividade profissional do aeronauta, muitas vezes 
tornando-se necessária uma correção por cirurgia (timpanoplastia). Outras vezes, isto pode levar à 
incapacidade definitiva para a atividade aérea. 
A medida preventiva adequada é a de não voar resfriado. O tratamento indicado é pelo menos durante 
2 ou 3 dias realizar desinfecção das vias aéreas superiores, inalação e - sob controle médico - 
tratamento descongestionante e antibiótico, promovendo a recuperação do aeronauta, proporcionando 
assim o afastamento de complicações que o voo pode causar nesses quadros. 
 
Sintomas 
 
Em qualquer estado patológico que implique na congestão das mucosas ou no entupimento dos 
orifícios dos seios da face, como nos casos de resfriados, sinusites, estados alérgicos, aumento da 
secreção nasal, surge imediatamente a dor, pela impossibilidade das pressões interna e externa se 
igualarem. 
As manobras usadas para a equalização das pressões no ouvido médio e nos seios da face, já citadas 
anteriormente, só devem ser usadas quando não houver processo inflamatório de rinofaringite, com 
catarro e coriza, para não projetar para dentro das citadas cavidades material infectante. 
O tratamento das aerosinusites pode ser feito com substâncias vasoconstritoras da mucosa - desde que 
com controle médico. Se os fenômenos persistirem, deve ser feita uma pesquisa mais profunda para 
serem procurados tumores, desvios de septo, pólipos ou reações alérgicas da mucosa, capazes de 
provocar a congestão e a obstrução dos orifícios dos seios da face. 
 
SINUSITE 
 
A sinusite aguda ou crônica é uma contraindicação ao voo por ser uma infecção e pelo risco de 
obstrução do seio nasal. Pode levar a complicações no momento do pouso ou se houver uma 
despressurização. No caso de voar nestas condições podem desenvolver-se enxaqueca severa, dor 
facial, orbital, e sangramento nasal. 
Como evitar: A terapia indicada deve ser com o uso de antibióticos de largo espectro, agentes de 
mucolíticos, descongestionantes orais, corticosteroides e uso temporário de descongestionantes nasais. 
A solução fisiológica também contribui para a limpeza e umidificação da mucosa nasal. 
 
OTITE 
 
A otite média aguda é uma infecção por bactérias ou vírus, que provoca inflamação e/ou obstruções e 
que se não for tratada pode levar à perda total da audição. Costuma ocorrer durante ou logo após 
gripes, resfriados, infecções na garganta ou infecções respiratórias. 
O tratamento requer o uso de antibióticos e analgésicos. Em dois ou três dias, a febre desaparece, mas 
a audição pode levar mais tempo para voltar ao normal. Se a perda auditiva não regredir, pode ser 
sinal de secreção retida atrás do ouvido médio, que será retirada cirurgicamente através de uma 
pequena incisão no tímpano. O tímpano geralmente se regenera espontaneamente. 
Infecções ativas e cirurgias recentes são contraindicações para o voo. O uso de tubo de drenagem da 
orelha média na membrana timpânica não é contraindicação ao voo. 
 
Recomendações e prevenções das otites 
• Evite o uso de cotonetes, pois podem retirar a cera protetora do ouvido ou empurrá-la para dentro do 
canal auditivo ou até mesmo machucá-lo; 
• Utilize protetores macios para evitar a entrada de água quando for nadar; 
• Limpe, com frequência, as secreções nasais provocadas por gripes e resfriados, para evitar que o 
catarro se acumule no nariz e na garganta. Essa recomendação vale especialmente para bebês e 
crianças pequenas; 
• Nunca amamente seu bebê deitado. Essa posição favorece a entrada de líquidos em sua tuba auditiva 
que predispõe infecções; 
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• Não introduza objetos que possam ferir a pele para limpar ou coçar o ouvido; 
• Enxugue a orelha com cuidado, usando uma toalha macia enrolada na ponta do dedo; 
• Cuidado com a automedicação e não siga sugestões de conhecidos para aliviar a dor de ouvido(leite 
de peito, ervas, azeite não devem ser colocados dentro do ouvido); 
• Procure atendimento médico sempre que apresentar dor de ouvido, coceira intensa ou diminuição de 
audição. 
 
LABIRINTITE 
 
Labirintite é uma desordem do equilíbrio causada por processo que afeta o sistema vestibular no 
ouvido interno. Seu nome correto é labirintopatia ou vestibulopatia, uma vez que o sufixo (ite) designa 
processos inflamatórios ou infecciosos e nem sempre é o caso da Labirintite. 
Como sinais e sintomas do quadro de labirintite podemos citar: tontura, surdez, zumbido (chiado ou 
barulho de grilos no ouvido), náuseas, vômitos, dor de cabeça, formigamento nas mãos, visão turva 
(ou também estrelinhas que correm nas vistas) ou ainda outros sintomas menos frequentes. 
O tratamento tem como base seguir corretamente as orientações dadas pelo médico, no que diz 
respeito a medicamentos, tempo de tratamento e outros recursos auxiliares (dieta fracionada, atividade 
física, reabilitação do labirinto) este é o caminho para uma recuperação segura e duradoura. 
 
ALCOOLISMO 
 
É uma doença aonde o indivíduo manifesta tolerância e dependência ao álcool, afetando a sua saúde e 
prejudicando a sua função social. A dependência ao álcool se caracteriza pelo aparecimento de 
sintomas e sinais de abstinência após a interrupção da ingestão da bebida. Ex. tremor, delírio, 
alucinações, distúrbios convulsivos. 
 
Quadro clínico: incoordenação motora e visual, distúrbios de comportamento (euforia, depressão...), 
e de consciência (sonolência e até coma), náuseas, vômitos... 
O tratamento mais adequado é evitar a ingestão de álcool, caso necessário, procure auxíliode 
profissionais capacitados para ajudá-lo. 
 
ANEMIAS 
 
Segundo o RBHA 67 o inspecionando não deve ter alterações hematológicas detectadas por exames 
laboratoriais específicos, tais como: 
A anemia é uma patologia onde ocorre a diminuição dos níveis de hemoglobina na circulação. A 
principal função da hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias, é o transporte de oxigênio dos 
pulmões para o conjunto de células. 
Independente da causa da anemia, níveis de hemoglobina abaixo de 8,5 mg/dl associados à diminuição 
da pressão de oxigênio durante o voo, podem levar ao aparecimento de escotomas (pontos cegos na 
visão) e à perda de consciência. Na anemia crônica há uma maior tolerância a níveis mais baixos de 
hemoglobina. 
Como evitar: Recomenda-se o uso de suporte de oxigênio para se evitar uma crise em portadores de 
anemia falciforme e no caso de hemoglobina < 8,5 mg/dL. 
 
DIABETES 
 
Diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal do açúcar ou 
glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo porém, quando em excesso, 
pode trazer várias complicações à saúde como por exemplo o excesso de sono no estágio inicial, 
problemas de cansaço e problemas físico-táticos em efetuar as tarefas desejadas. Quando não tratada 
adequadamente, podem ocorrem complicações como Ataque cardíaco, derrame cerebral, insuficiência 
renal, problemas na visão, amputação do pé e lesões de difícil cicatrização, dentre outras 
complicações. 
Embora ainda não haja uma cura definitiva para o diabetes, há vários tratamentos disponíveis que, 
quando seguidos de forma regular, proporcionam saúde e qualidade de vida para o paciente portador. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hemoglobina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hemoglobina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prote%C3%ADna
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hem%C3%A1cias
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxig%C3%AAnio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pulm%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecidos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Metabolismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%BAcar
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infarto_agudo_do_mioc%C3%A1rdio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Derrame_cerebral
http://pt.wikipedia.org/wiki/Insufici%C3%AAncia_renal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Insufici%C3%AAncia_renal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Retinopatia_diab%C3%A9tica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amputa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cicatriza%C3%A7%C3%A3o
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
42 
 
 Os inspecionandos para obtenção de qualquer CCF que tenham história clínica comprovada 
ou diagnóstico estabelecido de diabetes melito insulino-dependente serão julgados 
incapazes definitivamente para o exercício da atividade aérea. RBHA 67 
 Os candidatos portadores de glicemia inferior a 50mg/dl e superior a 140mg/dl, confirmada 
após duas repetições, em dias diferentes, serão incapacitados para o fim a que se destinam. 
 Para as glicemias entre 50 e 69 mg/dl, assim como, entre 115 e 139 mg/dl , confirmadas 
após duas repetições, em dias diferentes, o julgamento ficará na dependência de parecer da 
clínica especializada. 
 Os detentores de CCF de qualquer classe em uso de hipoglicemiantes por via oral, nas 
revalidações, podem ser considerados aptos desde que fique constatado, após um período de 
observação de 60 dias, um controle satisfatório da glicemia (>69mg/dl e <140mg/dl) que, a 
critério do especialista, não irá influenciar em suas funções nem na segurança do vôo: 
 Neste caso, os pilotos detentores de qualquer CCF serão julgados “APTO por 180 dias”. 
 Os detentores de CCF de qualquer classe que possuam o diagnóstico de diabetes melito, mas 
que mostrem controlar a patologia sem o uso de qualquer medicação anti-diabética, podem 
ser considerados aptos, a critério do especialista. 
 Os casos de Hipoglicemia Reativa ou outra Hipoglicemia de difícil controle ou fora de 
possibilidade de controle, a critério do especialista, incapacitará definitivamente o 
aeronavegante para a atividade aérea. 
 
Prevenção 
 
Exercícios físicos ajudam na prevenção de complicações do diabetes ao manter sobre controle os 
níveis de glicemia.
 
Quanto melhor o apoio social melhor será o controle glicêmico, a qualidade de vida e menor o número 
de complicações do diabético. 
 
Os riscos de complicações podem ser reduzidos com mudanças na dieta e atividades físicas regulares. 
A prática de exercícios físicos traz benefícios como a melhor utilização do oxigênio pelo organismo, 
aumento da captação da glicose pelo músculo e aumento da sensibilidade celular à insulina a partir das 
primeiras semanas e que dura enquanto eles estiverem sendo regularmente. Com a insulina sendo 
usada de forma mais eficaz o portador de diabetes passa a precisar de doses menores para queimar a 
glicose extra. 
 
ENXAQUECA 
 
A enxaqueca ou migrânea é uma dor de cabeça, em geral latejante e unilateral associada a náuseas, 
vômitos, sensibilidade à luz, barulho e odores, alterações do sono e depressão. As crises de dor são 
recorrentes e tendem a ser menos intensas à medida que o paciente fica mais velho. 
 
Causas 
A causa da Enxaqueca é desconhecida. 
A condição aparentemente resulta de uma série de reações disfuncionais do sistema nervoso central 
causada por mudanças no corpo ou no ambiente. 
Há geralmente uma história familiar, sugerindo que a Enxaqueca tenha um fator hereditário. 
O paciente mostra uma sensibilidade exagerada a fatores desencadeantes que produzem inflamação 
nos vasos sanguíneos e nervos ao redor do cérebro, causando a dor. 
 
Os principais fatores desencadeantes da Enxaqueca são: 
 
Atividades físicas 
Álcool (principalmente vinho tinto). 
Mudanças ambientais e climáticas. 
Alimentos contendo cafeína (café, coca-cola), feniletilamina (chocolate), tiramina (queijos, vinhos), 
glutamato monossódico (comida chinesa) e nitratos (comida enlatada, hot-dog). 
Luminosidade. 
Alterações hormonais da mulher (menstruação, por exemplo). 
Jejum. 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
43 
 
Perda ou excesso de sono. 
Excesso de medicações analgésicas. 
Perfumes e odores fortes. 
Estresse, ansiedade e depressão. 
Fadiga. 
 
Sinais e Sintomas 
 
A dor da Enxaqueca é geralmente descrita como latejante ou pulsátil e é intensificada pelas atividades 
físicas rotineiras, tosse, esforço e abaixar a cabeça. 
A Cefaleia costuma ser intensa interferindo com as atividades do dia a dia e pode despertar a pessoa a 
noite. A crise é debilitante e os pacientes ficam prostrados e esgotados mesmo após a cefaleia ter 
melhorado. A dor atinge a sua maior intensidade em 1 a 2 horas e gradualmente melhora, mas pode 
persistir por 24 horas ou mais. 
A Enxaqueca costuma se acompanhar de náuseas, vômitos, sensibilidade luz (fotofobia) e 
sensibilidade aos sons (fonofobia). Mãos, pés podem ficar frios e suados e os odores não usuais ficam 
intoleráveis. 
O estado Enxaquecoso é uma complicação em que cefaleia intensa persiste sem melhora por 72 horas 
ou mais. Pode requerer hospitalização. 
 
Tratamento 
 
O médico deverá avaliar cada caso de Enxaqueca para decidir o tratamento apropriado. Os objetivos 
são reduzir o número e a intensidade das crises (tratamento profilático) e aliviar e encurtar a duração 
da dor (tratamento abortivo). 
 
Caso haja dores de cabeça leves, estas podem ser aliviadas apenas com o repouso ou sono, em um 
quarto escuro e silencioso; aplicação de gelo na cabeça ou compressão da artéria temporal do lado da 
dor também podem provocar alívio temporário. 
Muitas Enxaquecas podem melhoras apenas com uso de analgésicos comuns. Devem ser tomados 
logo após o início da crise, sendo mais eficazes em cefaleias infrequentes. 
 
Prevenção 
 
Além das medicações profiláticas a Enxaqueca pode ser prevenida evitando os fatores desencadeantes 
e com manuseiodo estresse. Os pacientes devem identificar os seus fatores desencadeantes para que 
possam evita-los ou manipula-los. 
 
 
 
 
DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS 
 
O candidato não deve ter antecedentes e nem diagnóstico de: Psicose; Alcoolismo; Dependência de 
fármacos; Desordens da personalidade; e Anomalia mental e/ou neurose que dificultem o solicitante 
de exercer com segurança as atribuições correspondentes às licenças que solicitou ou possui. 
Nos exames subsequentes, o inspecionando não deve apresentar quadro clínico ou patologia 
psiquiátrica. 
Testes psicológicos fazem parte do exame psiquiátrico das inspeções iniciais. Nas revalidações, a 
critério do especialista. 
 
EPILEPSIA 
 
Segundo RBHA 67 o inspecionando com antecedente clínico de quadro epilético ou diagnóstico 
comprovado fica impossibilitado de exercer função em atividade aérea. 
 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
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6.6 Treinamento fisiológico 
 
São treinamentos realizados em equipamentos que simulam os fatores a que os aeronavegantes estão 
expostos durante um voo, levando-o a experimentar, controladamente, as reações de seu organismo 
aos vários estímulos estressantes. 
Tem como objetivo fazer o aeronavegante identificar os problemas fisiológicos ocasionados ao 
organismo humano pelo voo; distinguir os procedimentos e equipamentos adequados prevenção e 
solução de problemas fisiológicos em voo; empregar equipamentos e sistemas; reconhecer a 
importância dos conhecimentos sobre fisiopatologia aeroespacial para segurança de voo. 
Para auxiliar o aeronavegante a atingir esses objetivos, são realizados treinamentos nos equipamentos: 
Câmara hipobárica, simulador de ejeção automática, Cadeira de Barany (induz a desorientação 
espacial, devido a estimulação do sistema vestibular, simulador de visão noturna e centrífuga humana. 
O treinamento fisiológico gera benefícios à melhoria da segurança de voo, já que o piloto obterá 
conhecimentos específicos sobre sua fisiologia, seus limites relacionados a atividade aérea, 
reconhecimento prático da utilização adequada dos equipamentos de proteção ao organismo em voo, 
prevenção de situações potencialmente perigosas ou críticas, e por fim o aperfeiçoamento do 
conhecimento orgânico para um melhor desempenho operacional para o voo. 
 
PRIMEIROS SOCORROS 
 
Primeiros Socorros são os cuidados prestados inicialmente às vítimas de acidente ou mal súbito, no 
local em que ocorreram ou se manifestaram e, normalmente, por pessoa leiga, antes da chegada de 
profissional da área médica. 
Uma das principais atribuições dos socorristas é com relação a sua própria segurança, em especial em 
termos de biossegurança, uma vez que durante um atendimento, ele pode entrar em contato com 
indivíduos portadores de doenças transmissíveis ou infecto-contagiosas. 
As autoridades sanitárias internacionais recomendam o uso de EPI (Equipamento de Proteção 
Individual) que consiste em luvas de látex ou vinil, proteção para olhos, face e máscara para 
insuflação. 
 
Ações específicas de primeiros socorros 
 
POLITRAUMATZADO 
 
Apresentam lesões traumáticas em várias regiões ou segmentos corpóreos. Está vítima deverá ser 
avaliada periodicamente e minuciosamente, pois a gravidade, onde há grande risco de vida, poderá 
instalar-se a qualquer momento. 
São necessários curtos intervalos de avaliação, pois este tipo de paciente é muito instável e exige 
mudanças frequentes nos planos de tratamento. 
 
 
 
 HEMORRAGIAS 
 
Hemorragia é quando existe perda de sangue de vasos rompidos por feridas de qualquer natureza, 
como por exemplo, traumatismos ou enfermidades. Atente para a origem do sangramento: arterial, 
venoso ou capilar. A quantidade de sangue circulante no corpo humano é de aproximadamente 5 
litros, podendo variar de acordo com peso.A perda da metade do sangue circulante, na maioria das 
vezes é fatal. Assim sendo, é vital estancar a hemorragia temporariamente até a chegada do socorro 
definitivo. 
 
Dependendo do local, as hemorragias podem ser classificar em: 
 
 Externas - São visíveis, pois o sangue flui para fora do corpo, por conta de ruptura da pele e outros 
tecidos; 
 Internas - Ocorre por ruptura de órgãos internos e o sangue não se exterioriza, ficando coletado no 
 abdôme, tórax, caixa craniana etc. 
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TÉCNICAS DE HEMOSTASIA 
 
Hemostasia é cessar o sangramento. As plaquetas são as células que participam ativamente do 
processo de hemostasia. 
 
As técnicas hemostásicas a serem consideradas são as seguintes: 
 
 Compressão local ou bandagem constritiva (compressiva) - É um método bastante eficiente para 
 controlar hemorragia. Consiste na compressão direta da lesão e pode ser feita com a própria mão, 
 ou usando gaze, panos, lenços ou outros materiais, preferencialmente limpos; 
 Elevação do membro atingido - Visa diminuir o fluxo sanguíneo naquela área com o auxílio da 
 gravidade. 
 Pontos de pressão - São pontos através dos quais passam artérias que levam o sangue para os 
 membros e que, quando comprimidos, fazem diminuir ou cessar o sangramento. Os principais 
 pontos de pressão são: braquial, localizado nos braços; e femoral, localizado na virilha. 
 
 ESTADO DE CHOQUE 
 
O estado de choque pode ocorrer em todos os casos de lesões graves ou hemorragias. Existem outras 
situações que podem causar estado de choque, como queimaduras e ferimentos graves ou extensos, 
esmagamentos, perda de sangue, acidentes por choque elétrico, envenenamento por produtos 
químicos, ataque cardíaco, exposição a extremos de calor ou frio, dor aguda, infecções, intoxicações 
alimentares e fraturas. A gravidade do choque varia de indivíduo para indivíduo, podendo às vezes 
provocar a morte. 
Alguns sintomas facilmente reconhecíveis caracterizam bem o estado de choque, assim como palidez 
com expressão de ansiedade; pele fria e molhada; sudação na fronte e nas palmas das mãos; náusea e 
vômitos; respiração ofegante, curta rápida e irregular; frio com tremores; pulso fraco e rápido; visão 
nublada e perda total ou parcial de consciência. Diante desse quadro, enquanto se espera a chegada do 
recurso médico ou se providencia o transporte, a vítima, depois de rapidamente inspecionada, deve ser 
colocada em posição inclinada, com a cabeça abaixo do nível do corpo. A causa do estado de choque 
deve ser combatida, evitada ou contornada, se possível. No caso de Ter sido provocada por 
hemorragia, controle-a imediatamente. 
 
A roupa do acidentado deve ser afrouxada no pescoço, no peito e na cintura e retirada da boca 
dentaduras, gomas de mascar, etc. O aparelho respiratório superior da vítima deve ser conservado 
totalmente desimpedido. Caso a vítima vomite, sua cabeça deve ser lateralizada. As pernas do 
acidentado devem ser elevadas, caso não haja fratura. Mantenha-o agasalhado, utilizando cobertores e 
mantas. Se não houver hemorragia, as pernas e os braços devem ser friccionados para restauração da 
circulação. 
Não devem ser ministrados: líquidos a uma pessoa inconsciente ou semiconsciente; ou, caso suspeite 
de uma lesão abdominal. 
TRAUMATISMOS FECHADOS (LESÕES) 
 
São alterações sofridas pelo organismo, estando diretamente relacionadas à ação de agente físico e 
força de impacto com o mesmo, onde não há lesão cutânea. 
 
CONTUSÕES 
 
Lesão causada por algum impacto com acometimento do tecido cutâneo, muscular ou até mesmo de 
órgãos internos, sem no entanto, romper a pele. Só há atrito entre os tecidos. 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
 Gelo no local (devido à sua ação anestésica, analgésica e vasoconstritora); 
 Analgésico, enfaixamento compressivo e repouso. 
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ENTORSES 
 
Traumatismos que lesam as articulações, originadosdevido a um movimento abrupto que exceda a 
elasticidade da articulação ou por impacto, podendo determinar rompimento nos ligamentos. 
Normalmente ocorre em grandes articulações como ombros, cotovelos e tornozelos. 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
 Gelo, analgésico, imobilização e repouso. 
 
 
LUXAÇÕES 
 
Traumatismos que lesam as articulações determinando perda de contato entre as superfícies ósseas, 
ocorrendo lesão dos ligamentos e/ou cápsula articular. 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
 Gelo no local, analgésico, imobilização e repouso. Nunca tentar recolocar a articulação no local. 
 
FRATURAS 
 
Traumatismos determinados por lesão óssea. Podem ser fechadas quando não ocorre lesão cutânea, ou 
abertas, quando o osso se expõe através da pele. As causas mais comuns envolvem acidentes de 
grande impacto (aviões, carros e motos). 
À porção próxima ao local lesado, onde se observa deformidade, tecido arroxeado e com edema, é o 
foco da fratura. 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
 Imobilização, podendo ser empregado gelo e administração de analgésico. 
 
TRAUMAS 
 
TRAUMATISMOS TORÁCICOS (Pneumotórax) 
 
Lesão pulmonar. Entre seus sinais e sintomas estão: dor aguda (tipo pontadas) que aumenta com o 
movimento respiratório, hemoptise e dificuldade respiratória. 
As lesões pulmonares abertas, geralmente, apresentam uma característica importante que é o 
sangramento com bolhas (espumoso), podendo gerar um pneumotórax. 
O tratamento envolve curativo de 3 pontas, se possível, e manter vias aéreas desobstruidas. 
TRAUMATISMOS ABDOMINAIS – EVISCERAÇÃO 
 
Trata-se de uma região muito susceptível a traumatismos por não possuir proteção óssea, tornando-a 
vulnerável a complicações por acometimento de órgãos internos (vísceras). 
Podem ser superficiais, quando só atingem a pele, o tecido subcutâneo e o tecido muscular; ou 
profundas, quando lesam o peritôneo e/ou vísceras, podendo determinar evisceração (saída das 
vísceras pelo orifício do trauma). 
 
PROCEDIMENTO 
 
 Manter a vítima em jejum absoluto (inclusive de líquidos); 
 Em caso de evisceração, não tocar as vísceras e nunca tentar recolocá-las na cavidade; 
 Cobrir com compressas preferencialmente esterilizadas e umedecidas; Na presença de qualquer 
corpo estranho, não tentar removê-lo. 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
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OBJETOS EMPALADOS E TRANSFIXADOS 
 
Quando um objeto é introduzido no corpo (como uma faca no abdomen) e não atravessa, é chamado 
de empalado. Quando entra por um lado e sai pela outra extremidade, chamamos de transfixante. 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
Em ambos os casos, não retirar o objeto, movê-lo o mínimo possível, e tentar imobilizá-lo junto à 
parte do corpo atingida, utilizando uma bandagem (que também estará protegendo o ferimento e 
colaborando para uma hemostasia). 
 
QUEIMADURAS POR FOGO 
 
As queimaduras, ao destruírem tecidos, podem matar vítimas por infecção ou degeneração para um 
estado de choque. O nível dos tecidos do corpo que forem atingidos definirá a classificação das 
queimaduras. Independentemente da origem, classificação ou extensão, os primeiros socorros serão os 
mesmos. 
 
Primeiro Grau 
Deixa a pele seca, avermelhada, flácida, dolorida, e podendo apresentar inchaço moderado. A vítima 
pode sentir leve dor. A recuperação ocorre em aproximadamente uma semana. 
 
Segundo Grau 
Aspecto úmido será apresentado no local, com formação de bolhas e inchaço. A vítima sente dor que 
varia de moderada a intensa. Necessitam de atendimento médico e a vítima leva, em média, duas ou 
três semanas para se recuperar. 
 
Terceiro Grau 
A pele se apresenta totalmente seca, com aspecto de couro. A vítima não sente dor porque os 
terminais nervosos foram destruídos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Queimadura de 1º grau 
ou superficial – epiderme 
 
 
 Queimadura de 2º grau 
ou de espessura parcial - 
derme. 
 
 Queimadura de 3ºgrau ou de 
espessura total – além da 
derme. 
 
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
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Figura 17: Classificação das queiamduras 
 
 
PROCEDIMENTOS: 
 
 Afastar a vítima da fonte de calor; 
 Resfriar a área com água fria por no mínimo 20 minutos ou aplicar compressas frias; 
 Manter as bolhas intactas, pois sua função é proteger contra infecção; 
 Avaliar ABCs; 
 Cobrir a queimadura com compressa estéril seca não aderente, para manter o local limpo; 
 Administrar água à vítima; 
 
QUEIMADURAS POR CHOQUE ELÉTRICO 
 
A severidade do trauma depende do tipo de corrente, magnitude da energia aplicada, resistência, 
duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A corrente de alta tensão geralmente causa 
os danos mais graves, porém lesões fatais podem ocorrer mesmo com as baixa voltagens das 
residências. 
A complicação mais importante das queimaduras elétricas é a parada cardíaca. A lesão local nestas 
queimaduras raramente necessita de cuidado imediato, porém as paradas respiratórias e cardíaca sim. 
Geralmente a parada respiratória ocorre primeiro e, se não for tratada de imediato, rapidamente 
seguida pela parada cardíaca. 
 
PICADAS OU MORDEDURAS DE INSETOS E/OU ANIMAIS PEÇONHENTOS 
 
Picadas de Insetos 
 
As picadas de insetos como abelhas, vespas e marimbondos provocam muita dor e assustam, mas os 
riscos são pequenos, mesmo que as picadas sejam numerosas. Após a picada, há inchaço. Pessoas 
alérgicas podem, com apenas uma única picada, ter choque anafilático que pode ser fatal. 
É importante ao socorrer uma picada desses insetos, remover o ferrão com pinças. Vespas e 
marimbondos não deixam o ferrão. Abelhas morrem depois de picar, deixando o ferrão. Aplique uma 
compressa fria para aliviar a dor e reduzir o inchaço. Quando a picada ocorrer na boca, dê gelo para a 
vítima chupar. 
 
Picadas de Carrapatos 
 
Em caso de picadas de carrapatos, esses devem ser removidos o mais depressa possível e colocados 
em um vidro, para serem examinados em um serviço médico. Os carrapatos podem se vetores de 
doenças e devem ser retirados com uma pinça, puxando-os pela cabeça em movimentos de vale. Não 
tente retirá-los de uma vez só, pois a cabeça ficará presa na pele. 
 
Picadas de Escorpiões 
 
Os escorpiões são pouco agressivos e têm hábitos noturnos. Encontram-se geralmente em pilhas de 
madeira, cercas, sob pedras e adaptam-se bem ao ambiente doméstico. 
Os sintomas mais comuns são: náuseas, vômitos, salivação, tremores e até convulsão. Podem ocorrer 
alterações cardíacas, de pressão arterial, respiratórias e choque. 
Mais importante que isso é prevenir, evitando amontoar sapatos, roupas e utensílios domésticos, 
examinando e sacudindo-os antes de usar. 
Manter sempre berços e camas afastados da parede. Evitar acúmulo de ferro velho, telhas, e tijolos 
perto de residências. Limpar constantemente ralos de banheiros e cozinhas. 
Os primeiros socorros consistem em transportar o acidentado rapidamente à unidade de saúde para a 
aplicação do soro específico, se necessário. Ele deve ser mantido em repouso, e não se esqueça de 
levar o animal que causou o acidente para identificação. 
 
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Picadas de Aranhas 
 
As picadas de aranhas também assustam muito. É importante reconhecê-las: 
 
• Aranha armadeira (Phoneutria) - É muito agressiva, com hábitos vespertinos e noturnos. É 
encontrada em bananeiras e folhagens. Não faz teia. Quando dá picada, há dor intensa no local, 
náuseas, salivação, suores e tremores. O tratamento é feito com soro. 
 
• Aranha marrom (Loxoceles) - É pouco agressiva, com hábitos noturnos. Encontra-se em pilhas de 
tijolos, telhas, beira de barrancos e interior das residências. Faz teia semelhante a flocos de algodão. A 
picada provoca dor semelhante à queimadura de 
cigarro. Algumas horas após, surgem edema local e necrose. O acidentado pode apresentar mal-estar,náuseas, febre e urina cor de Coca-Cola. O tratamento é feito com soro. 
 
• Viúva-negra (Latrodectus) - É pouco agressiva. Vive em teias que constrói sob vegetação em 
arbustos, barrancos e jardins. A picada provoca angústia, excitação, confusão mental, dores 
musculares, rigidez do abdome e suores. O tratamento é feito com 
soro. 
 
• Caranguejeira - É uma aranha que atinge grandes dimensões. Tem pêlos que em contato com a pele 
produzem irritação. Algumas são agressivas. Possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas 
dolorosas. Há dor no local e irritação na pele. Para o tratamento não é necessário soro. 
 
Picadas de Cobras 
 
As picadas de cobras geralmente são reconhecidas pela marca dos dentes na pele, pela dor no local 
atingido, por inchaço e bolas que surgem no local. Toda picada de cobra, mesmo sem qualquer 
sintoma, merece atendimento médico. Se possível, capture a 
cobra para identificação no serviço especializado. Apenas 1% das picadas de cobras venenosas é fatal, 
quando a vítima não é socorrida a tempo. 
 
É sempre melhor prevenir. Mas ao ser picado por animais peçonhentos (venenosos), aja com cautela e 
sem desespero. É importante não perder tempo. 
Algumas orientações básicas são exatamente importantes e podem salvar vidas: 
 
•Não coloque torniquete nem tente sugar o veneno. 
 
• Não faça ferimentos adicionais para drenar. 
 
• Não dê nada para beber ou comer. 
 
• Não dê sedativos ou aspirina. 
 
Procedimento: 
 
• A vítima deve permanecer deitada e quieta. 
 
• Lavar a ferida com água e sabão. 
 
• Manter a parte ferida abaixo do nível do coração, de forma que o veneno fique contido no local. 
 
• A vítima deve ser levada imediatamente, deitada, para um serviço de saúde mais próximo. 
 
• Sempre que possível leve o animal para ser identificado. 
 
Não se esqueça: O soro específico é gratuito e distribuído pelo Ministério da Saúde. 
 
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A jararaca, jararacuçu do rabo branco, patrona, malha de sapo, etc., quando picam, deixam inchaço, 
dor e hemorragia no local das picadas. 
 
A cascavel, aracambóia, boicininga etc., tem um gizo ou chocalho na cauda. Como sintomas da 
picada, surgem dificuldades em abrir os olhos, visão dupla, pálpebras caídas, dor muscular 
generalizadas e urina avermelhada. 
A coral, coral-verdadeira, boicorá, apresenta coloração em anéis, vermelhos, brancos, pretos e 
amarelos, em toda sua circunferência. Na picada surge pequena reação local, visão dupla, pálpebras 
caídas, falta de ar e dificuldade para engolir. 
A surucucu, pico-de-jaca, surucutinga, é a maior serpente venenosa das Américas, encontradas nas 
matas fechadas e florestas tropicais. Os sintomas são inchaço no local da picada, dor, hemorragia, 
diarreia e alteração dos batimentos cardíacos. 
 
INTOXICAÇÃO 
 
A intoxicação ocorre quando uma substância entra em contato com um organismo e provoca uma 
série de efeitos adversos, afetando sua homeostase, rompendo o equilíbrio orgânico. 
 
Provocada por fumaça 
 
Perante uma intoxicação por inalação de fumaça, deve-se retirar o indivíduo afetado do local para 
respirar ar puro, caso disponível ministrar oxigênio, obter o máximo de informação sobre a substância 
inalada e solicitar a rápida transferência para um centro de saúde, de modo a que receba o tratamento 
adequado. 
 
Provocada por produtos químicos 
 
Causada pela ingestão de alguma substância tóxica ao organismo. Isso atrapalhará o bom 
funcionamento das células, impedindo que respirem direito e comprometendo todo o seu 
funcionamento. Em um primeiro momento, os produtos químicos provocam lesões só por onde 
passam – boca, esôfago e estômago. Depois, caem na corrente sanguínea e se espalham pelo corpo, 
podendo levar à morte. 
 
Já diziam os antigos que a diferença entre o veneno e o remédio é a quantidade ingerida 
 
Procedimento: 
Leve a vítima imediatamente ao pronto-socorro, 
Leve junto o recipiente do produto químico, remédio, inseticida ou agrotóxico para o médico analisar. 
É mais fácil tratar quando as substâncias ainda não passaram para o sangue. Isso pode demorar de 
trinta minutos a duas horas. No caso dos medicamentos, de uma a quatro horas. 
Procure manter a vítima calma e consciente. 
Em caso de substância em contato com a pele deve-se suspeitar de intoxicação. Substâncias tóxicas 
provocam vermelhidão, coceira, escamação, inchaço ou ferida. Em casos mais graves, isto é, quando 
atravessam as camadas da pele e passam para o sangue, os efeitos são a náusea, a confusão mental e o 
relaxamento muscular. 
Não tente resolver o problema em casa. Não induza o vômito, e a simples providência de oferecer leite 
ao acidentado, por exemplo, acelera a absorção dos tóxicos, agravando a situação. Enfim, as medidas 
domésticas podem piorar o estado do intoxicado e atrasar o início do tratamento médico. 
 
Provocada por alimentos 
 
Intoxicação alimentar, ou gastrintestinal é causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados 
por bactérias (Salmonella, Shigella, E.coli, Staphilococus, Clostridium), vírus (Rotavírus), ou por suas 
respectivas toxinas, ou ainda por fungos ou por componentes tóxicos encontrados em certos vegetais 
(comigo-ninguém-pode, mandioca brava) e produtos químicos. A contaminação pode ocorrer durante 
a manipulação, preparo, conservação e/ou armazenamento dos alimentos. 
Nas crianças e idosos, a intoxicação alimentar pode ser uma doença grave. 
http://www.infoescola.com/fisiologia/homeostase/
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
51 
 
 
Sintomas 
 
Independentemente do microrganismo determinante, os efeitos da intoxicação alimentar aguda são 
todos parecidos: náuseas, vômitos, diarreia, febre, dor abdominal, cólicas, mal-estar. Nos quadros 
mais graves, podem ocorrer desidratação, perda de peso e queda da pressão arterial. 
 
Prevenção 
 
A prevenção das intoxicações alimentares está diretamente associada ao saneamento básico, aos 
cuidados no preparo dos alimentos e a medidas básicas de higiene, como lavar as mãos antes das 
refeições e depois de usar o banheiro. 
A grande dificuldade da prevenção é o fato de os alimentos contaminados não apresentarem sinais da 
presença do microorganismo. Ao contrário, em geral, sua aparência, gosto e cheiro costumam ser 
absolutamente normais. 
 
Tratamento 
 
Paciente com intoxicação alimentar deve fazer repouso e ingerir muito líquido. Nos casos de perda 
maior de líquidos e risco de desidratação, devem ser indicados medicamentos para controlar as 
náuseas e os vômitos, assim como ministrar a reposição de líquidos e sais por via endovenosa. 
O tratamento das infecções alimentares bacterianas inclui o uso de antibióticos específicos. 
 
Translado de vítimas em aeronaves 
 
O transporte aeromédico consiste no resgate ou na remoção de doentes graves, por meio de 
helicópteros ou aeronaves, em locais que ambulâncias tradicionais não possam facilmente ou 
rapidamente alcançar (transporte primário), ou mesmo em situações em que o doente necessite de um 
transporte inter-hospitalar que seja mais adequado por via aérea (transporte secundário) (INEM, 
2007). É considerado um transporte seguro, e apesar de ter algumas desvantagens é bastante rápido, o 
que proporciona uma assistência quase imediata aos feridos/pacientes, podendo salvar muitas vidas. 
Por trás deste tipo de transporte, encontra-se uma tripulação competente e em sintonia, que cumpre 
determinados requisitos, e equipamentos e materiais especializados, que tornam possível que todo o 
transporte seja feito sem qualquer incidente. 
A sofisticação do transporte aeromédico, depende das necessidades e das características de cada país. 
Uma das principais distinções diz respeito às dimensões territoriais, mas não só a extensão territorial é 
um fator importante. A distribuição populacional, a existência de povoações isoladas e o elevadonúmero de acidentes rodoviários, também são características importantes. 
As aeronaves sofreram uma grande transformação, passando de equipamentos rudimentares para 
helicópteros, jatos e aviões com equipamentos de alta tecnologia, de modo a poderem responder a 
qualquer tipo de situação. No Brasil no ano de 2008, foram realizados cerca de cinco a sete mil 
transfortes. 
Transporte Aeromédico: É um procedimento altamente especializado que exige aviões ambulância 
aérea, conforme configurado, pessoal treinado e equipamentos especiais de acordo com os 
regulamentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Resgate
http://pt.wikipedia.org/wiki/Helic%C3%B3pteros
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aeronaves
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambul%C3%A2ncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transporte_aerom%C3%A9dico#refINEM2007
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transporte_aerom%C3%A9dico#refINEM2007
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sinistralidade_rodovi%C3%A1ria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Avi%C3%B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alta_tecnologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
52 
 
O transporte Aeromédico consiste em um transporte de pacientes por via aérea, em aeronaves de asa 
rotativa ou asa fixa e possui 2 modalidades: 
 
 
 
 
MODALIDADE RESGATE (transporte primário): atendimento e a estabilização inicial do 
paciente são feitas no local, seguidas do preparo e transporte para uma unidade de saúde ou hospital, 
previamente contactada pelo médico a bordo para estar devidamente preparada para continuar o 
atendimento do doente. Esta atividade é conhecida como EVAM (evacuação aeromédica) ou MMI 
(missão de misericórdia) e internacionalmente MEDEVAC (medical evacuation). 
 
MODALIDADE INTER-HOSPITALAR OU REMOÇÃO (transporte secundário): realizado 
sempre entre unidades de saúde, quando o hospital onde se encontra o paciente não tem recursos 
humanos, diagnósticos ou terapêuticos necessários para o seu tratamento e desde que o paciente 
apresente condições para tal procedimento. A remoção é da responsabilidade do médico e envolve 
diversos aspectos, nomeadamente, éticos, logísticos, financeiros, técnicos, operacionais e legais. O 
prognóstico do paciente não deve ser comprometido com a remoção, e esta só pode ser efectuada com 
o consentimento ou do paciente (caso esteja consciente) ou do representante legal, que devem estar 
previamente esclarecidos sobre os seus riscos e benefícios. 
 
DIRETRIZES GERAIS DE TRANSPORTE AEROMÉDICO: 
É aconselhável a utilização de aeronaves pressurizadas, as não pressurizadas podem ser utilizadas, 
porém, deve-se seguir as mormas e procedimentos vigentes. 
 
Seleção do Paciente 
 
O transporte primário de pacientes é solicitado nas seguintes situações: 
 
• Vítima inconsciente. 
• Estado de choque instalado. 
• Grande queimado. 
• Hemorragia abundante. Choque. 
• Envenenado, mesmo consciente. 
• Picado por animal peçonhento. 
• Acidentado com fratura de membros inferiores, bacia ou coluna 
vertebral. 
• Acidentados com luxação ou entorse nas articulações dos membros inferiores. 
 Vantagens e desvantagens 
 
São considerados como ambulâncias rápidas e podem voar a 270 Km/h; possuem a opção de 
desembarcar a tripulação médica e içar a vítima com macas especiais (SKED ou OFF-SHORE). 
Mas a principal vantagem desta forma de transporte é a diminuição da mortalidade dos feridos e 
doentes. Relativamente às desvantagens são inúmeras, dentre elas os altos custos de operação e de 
manutenção das aeronaves. Outras desvantagens dizem respeito, às consequências de se tratar de um 
transporte aéreo, pois o corpo humano, quando confrontado com alterações de pressão atmosférica, 
temperatura e volume, pode sofrer consequências clínicas. A hipoxia é uma dessas consequências. 
Resulta da descompressão acima dos 18 mil pés de altitude, complicando-se quanto maior for a 
altitude e o tempo de exposição. Uma forma de reduzir esta complicação é a utilização de cabines 
pressurizadas, mas muitas vezes são os fatores individuais ou mesmo a doença clínica que a 
provocam. 
O stress de voo também pode levar a consequências clínicas, pois afeta, não só os pacientes, como 
também a tripulação. A tripulação tem de estar bem preparada para conseguir controlar os seus níveis 
de stress pois estes podem comprometer, não só a qualidade da assistência ao paciente, como o seu 
próprio organismo. Na origem do stress, para a tripulação, encontram-se fatores como a mudança de 
clima, a alimentação, as vibrações e ruídos, a mudança de fuso horário, o baixo nível de umidade do ar 
na cabine e a fadiga. De forma a combater estes fatores, os tripulantes devem ter uma indumentária 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Diagn%C3%B3stico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuten%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpo_humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Press%C3%A3o_atmosf%C3%A9rica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Temperatura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Volume
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3xia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pressuriza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pressuriza%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estresse
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tripula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Organismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Clima
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alimenta%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vibra%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ru%C3%ADdo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fuso_hor%C3%A1rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Humidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fadiga
http://pt.wikipedia.org/wiki/Indument%C3%A1ria
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
53 
 
adequada à temperatura existente, prevenindo infecções respiratórias e tornando o seu trabalho mais 
confortável. Os tripulantes devem estar equipados com proteções auriculares a fim de se defenderem 
dos ruídos, evitar o desconforto e danos temporários ou permanentes nos ouvidos. A cada quatro horas 
deve-se ingerir 250 ml de água para combater a fadiga, a falta de concentração e a indolência. 
Os equipamentos médicos também estão sujeitos aos efeitos da altitude. Equipamentos que possam ter 
variações de pressão consoante a altitude necessitam de um cuidado especial, pois podem arrebentar 
ou ter influência no tratamento que se presta. Para combater tais fatores é usual recorrer-se a aparelhos 
eletrónicos que não são sujeitos a tais alterações. 
 
Requisitos 
 
Tripulação 
O transporte aeromédico requer uma tripulação experiente e altamente treinada para emergências 
médicas, bem como material e equipamentos especializados para lidar com qualquer situação. 
. 
 
Tripulação durante uma remoção/resgate aeromédica. 
 
 
Em ambas as modalidades do transporte aeromédico é imprescindível a presença de um médico, de 
um piloto e de um enfermeiro a bordo. Quando a remoção é feita sem equipamento avançado de vida, 
o enfermeiro pode ser substituído por um técnico de enfermagem. 
O ambiente de trabalho no transporte aeromédico é bastante limitado, o que impõe diversas condições 
aos pacientes e à tripulação que influenciam os cuidados prestados aos pacientes. Deste modo é 
importante que toda a tripulação esteja bem treinada, que conheça a fisologia de voo e altitude e as 
suas complicações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Interior da aeronave King Air 200, Interior do helicóptero Christoph Westfalen, 
 
Coordenação de Cabine 
 
A coordenação de cabine (crew coordination) tem por base um conjunto de princípios que devem ser 
seguidos, para que haja uma sintonia entre os elementos da tripulação. Estes princípios são também 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infec%C3%A7%C3%B5es_respirat%C3%B3rias
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvidos
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aten%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Indol%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Materialhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Equipamentos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flygambulans34.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:King_Air_200_air_ambulance.JPG
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:ITH_Christoph_Westfalen_-_Heckansicht.jpg
MEDICINA AEROESPACIAL 
 
54 
 
importantes, na medida em que facilitam os procedimentos durante o transporte aeromédico, 
permitindo que este ocorra sem qualquer tipo de incidentes. Procurar uma atualização continua de 
forma a orientar a tripulação. 
 
 Fornecer informações básicas aos acompanhantes quanto à aeronave, saídas de emergência, 
distúrbios fisiológicos durante o voo, áreas de circulação e áreas restritas; 
 Evitar manifestar-se em público sobre erros ocorridos a bordo; 
 Utilizar, com habilidade, a manipulação de material de emergência, incluindo extintores, 
transmissores de emergência (ELTS) e demais equipamentos disponíveis para essas situações; 
 Executar, com habilidade, equipamentos de comunicação e intercomunicação; 
 Executar embarques e desembarques de pacientes com os rotores ou motores em funcionamento; 
 Informar todos os tripulantes sobre o uso de aparelhos e equipamentos a bordo, tais como 
cardioversores (no caso de paragem cardíaca), computadores, telemóveis, para evitar interferências no 
sistema de navegação aérea; 
 Respeitar, conscientemente, a função de cada elemento da tripulação, executando as suas funções 
com segurança, competência técnica, clareza, habilidade e qualidade; 
 Realizar simulações periódicas de emergência médica a bordo e no solo; 
 Tratar os incidentes críticos em reuniões de briefing; 
 A segurança do transporte; 
 A triagem clínica do caso (observando a patologia, a evolução clínica e o custo benefício do 
transporte em cada atendimento)... 
 
Diretrizes Gerais de Transporte Aeromédico: 
 
 Estabilizar o paciente, 
 Seguir uma ordem: CAB. 
 
C: Circulação . 
A: Abrir Vias Aéreas . 
B: Ventilação. 
 
 Definir o hospital de destino e Coordenar com o piloto a necessidade de alternar devido as condições 
de vôo desfavoráveis. 
 Vítima de trauma, deve ser colocado o colar cervical e verificar as imobilizações já feitas 
anteriormente; 
 Manter sempre o piloto informado sobre as condições da vítima e as possiveis variações que ocorrer 
com a vítima durante o voo. 
 
TRANSPORTE DE CADÁVERES 
O transporte de cadáveres a bordo de aeronaves civis deve obedecer as normas da IAC 1606. 
 
 Os cadáveres embalsamados, método de conservação de restos mortais humanos com o objetivo de 
promover sua conservação total e permanente,serão equiparados à carga comum, podendo ser 
transportado em viagens regulares de passageiros, tanto nacionais como internacionais. 
 O transporte de cadáveres em aeronaves comerciais com passageiros se fará, 
obrigatoriamente, nos porões. 
 Os cadáveres que apenas tenham sofrido preparo para conservação só poderão ser 
transportados em aeronave de carga ou especialmente fretados e em território nacional. 
 Os cadáveres que se destinam a outros países só poderão ser transportados se estiverem 
embalsamados, com a documentação de exportação em ordem. 
 
CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Extintores
http://pt.wikipedia.org/wiki/Computadores
http://pt.wikipedia.org/wiki/Telem%C3%B3veis
http://pt.wikipedia.org/wiki/Simula%C3%A7%C3%A3o
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A Caixa de Primeiros Socorros tem a finalidade de fornecer o material necessário em uma situação 
adversa, de acidentes ou mal súbitos, onde a vítima possa receber o primeiro atendimento antes da 
chegada de equipe qualificada. 
Pode possuir alguns itens que são necessários em situações diversas, deve ser mantida sempre em 
lugar de fácil acesso e sob responsabilidade de uma pessoa previamente treinada. 
No que se refere aos itens básicos, podemos citar: 
 
algodão hidrófilo, ataduras de gaze, ataduras de crepom, bandagem, bolsa para água quente/fria, 
compressas limpas, compressas de gaze estéril comum e do tipo sem adesivo, curativo oclusivo, 
esparadrapo ou fita adesiva, Band –aid, faixa elástica (para entorses no tornozelo), faixa triangular 
(para entorse no tornozelo ou lesões do braço), frasco de soro fisiológico, líquido anti-séptico, luvas 
de procedimentos, sacos plásticos, talas variadas, tesoura sem ponta, Spay anti-séptico, 
Medicamentos(antianginoso, antiemético, antiespasmódico, antitérmico, analgésico, antidiarréico...) 
*O conteúdo do kit de primeiros socorros, vai variar de empresa para empresa. 
A validade do produto estará discriminado em cada item, assim como informações sobre cuidados 
especiais. Cabe a um membro da equipe ficar responsável pelo check destas informações.

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