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Aul� 6 - in���ções ���m��o�íti���: ● Introdução Os dermatófitos são fungos que causam infecções cutâneas dermatológicas que se alimentam de queratina. Colonizam e invadem pele, pêlos e unhas. Crescem lentamente em meios laboratoriais especialmente formulados, como ágar dextrose Sabouraud; alguns requerem fatores de crescimento adicionais. - Aeróbios - Colônias frequentemente pigmentadas - Macroconídios formados em culturas. A foto abaixo é do Microsporum canis, o mais comum em casos clínicos. As dermatofitoses são micoses cutâneas superficiais causadas por fungos filamentosos, hialinos, septados, queratinofílicos, que afetam o extrato córneo e/ ou tecidos queratinizados. São micoses de grande importância em saúde pública, uma vez que são consideradas zoonoses. Originalmente, os principais fungos causadores da doença pertenciam aos gêneros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton. Em 2016, um estudo filogenético revisou a taxonomia dos dermatófitos. Nesta nova classificação, os fungos dermatófitos estão distribuídos entre os gêneros: - Arthroderma (21 espécies): São tipos de esporos disseminados por animais infectados e que dura muitos meses. - Epidermophyton (uma espécie), - Lophophyton (uma espécie), - Microsporum (três espécies), - Trichophyton (16 espécies). - Nannizzia (nove espécies) Artrósporos, disseminados de animais infectados, permanecem infectantes por vários meses. Os dermatófitos zoofílicos e antropofílicos são patógenos obrigatórios; os geofílicos são saprófitos no solo. Causam lesões características circulares na pele, denominadas tinha. ● Qual a diferença entre dermatofitose e dermatomicose? As dermatomicoses são micoses superficiais cutâneas causadas por fungos não-dermatofíticos, e podem ser classificadas como hialo hifomicoses, infecção micótica causada por fungos que quando parasitam o tecido apresentam hifas septadas hialinas; ou feohifomicoses, infecção micótica causada por fungos que apresentam melanina nas hifas. As dermatofitoses são popularmente denominadas tineas e podem estar localizadas em diferentes áreas do corpo, sendo denominadas de acordo com a sua localização. Essas promovem o aparecimento de sinais e sintomas de acordo com o local em que ocorrem e normalmente curam-se sozinhas ou tendem à cronicidade. ● Características: - Classificação: Os dermatófitos podem ser classificados em: antropofílicos - humanos zoofílicos - animais geofílicos - solo - Transmissão: A transmissão acontece por contato direto dos fungos com hospedeiros susceptíveis, ou indiretamente, por exposição à fômites contaminados. Alterações das barreiras da pele favorecem o desenvolvimento da doença, além de outros fatores inerentes aos agentes e aos hospedeiros. - Sintomas: Os sintomas podem ser brandos ou severos dependendo do estado imunológico do hospedeiro, e geralmente não ocorre invasão de tecidos subcutâneos ou órgãos internos. As lesões características nas infecções de pele são circulares, eritematosas(avermelhadas ) e pruriginosas, sendo consequentes da ação direta do fungo ou de reações de hipersensibilidade ao microrganismo e/ou a seus produtos metabólicos. - Patogênese: O patógeno se adere à superfície dos tecidos queratinizados, o artroconídio ( Conídio produzido em cadeia, a partir da divisão de uma hifa septada em células separadas) germina e a hifa penetra então rapidamente no estrato córneo, evitando que o fungo seja eliminado com a descamação do epitélio. Essa interação inicial entre os artroconídios e o estrato córneo ocorre após três a quatro horas de contato. ● Artroconídeo: ● Clamidoconídio: - É diferenciada dos demais por formar resistência fúngica. ● Macro e Microconídios: ● Características ● Microsporum canis ● Nannizzia gypsea (prev. Microsporum gypseum); ● Trichophyton tonsurans ● Clamidoconídios ● Características da patogênese: Na forma clássica da doença são encontradas lesões planas com alopecia circular, descamação e pelos quebradiços e presença de crostas. As hifas crescem centrifugamente a partir de uma lesão inicial em direção à pele normal, produzindo lesões circulares típicas. Alopecia, reparação tecidual e hifas inviáveis são encontradas no centro das lesões que eles desenvolvem. O crescimento de hifas pode resultar em hiperplasia epidérmica e hiperqueratose. Às vezes, ocorre infecção bacteriana secundária após foliculite micótica. Alguns gatos podem carregar os fungos assintomáticamente, servindo como fonte de contaminação ambiental e de contágio para outros animais ou seres humanos. ● Diagnóstico e tratamento A investigação laboratorial de dermatofitose é frequentemente necessária porque o diagnóstico na área clínica pode ser difícil. Os espécimes adequados para exame laboratorial incluem: - pêlos; - raspados profundos da pele das bordas das lesões - raspados de unhas afetadas - material de biópsias dos pseudomicetomas. Raspados de pele e pêlos tratados com KOH devem ser examinados microscópicamente quanto à presença de artrósporos. O arranjo dos artrósporos na haste dos pêlos é tipicamente ectotrix. - Cortes histológicos de pele e pseudomicetomas podem ser corados a fim de demonstrar estruturas fúngicas. - Os espécimes são cultivados em ágar dextrose Sabouraud (pH 6,9) com adição de 2 a 4% de extrato de levedura, 0,05 g/L de cloranfenicol e 0,4 g/L de ciclo-heximida. As placas inoculadas são incubadas aerobicamente a 25 a 27°C e examinadas duas vezes por semana por até cinco semanas. Critérios para identificação dos isolados: - morfologia colonial; - aparência microscópica dos macroconídios; - testes suplementares, incluindo crescimento em meio DTM (meio de teste para dermatófitos) Lâmpada de Wood: Se vê a fluorescência com o subproduto do crescimento fúngico. OBS: Não se fecha diagnóstico com fluorescência, somente com exames laboratoriais. “Se as lesões estão limitadas em extensão, tratamento com preparações como cal de enxofre ou xampu de miconazole pode ser eficaz (Moriello e DeBoer, 1995).” Aconselha-se a tosquia da cobertura de pêlos, particularmente se as lesões forem extensas. Griseofulvina e itraconazole, administrados oralmente, são as drogas de escolha para terapia sistêmica. Por serem potencialmente teratogênicas, não devem ser administradas em animais prenhes. Além disso, griseofulvina pode induzir neutropenia, não devendo ser empregada para gatos infectados pelo vírus da imunodeficiência felina. Animais com lesões suspeitas devem: - Ser isolados; - Confirmação laboratorial precoce é essencial; - Animais em contato com doentes devem ser examinados com lâmpada de Wood e monitorados rigorosamente para lesões na pele; - Áreas contaminadas devem ser aspirados para remoção de restos de pele e de pêlos infectados; - “Camas” contaminadas devem ser queimadas; por sua vez, utensílios de montaria devem ser desinfetados com hipoclorito de sódio 0,5%.