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RESENHA-SUOR-JORGE AMADO

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Jhessica Mota

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RESENHA LIVRO SUOR-JORGE AMADO
Jorge Amado conta histórias como um bate-papo.  Elas vêm e vão tão facilmente quanto a respiração da vida. Embora seja seu primeiro romance, Amado sabe criar uma atmosfera, um encadeamento social que transcende o conto. Ao não dizer o nome do personagem e não se aprofundar na vida de ninguém, Suor inseriu o leitor dentro do casarão.
O tom político começou com timidez e, aos poucos, ganhou força para consumir a história. Mas isso é estranho porque é um tom político ultrapassado. A visão romântica de Jorge Amado sobre o comunismo mudou com o tempo, e essa visão não existe mais hoje. O proletariado se reunirá com os ricos por uma causa que nem mesmo é sua? É difícil ouvir, até mesmo curioso. Infelizmente, os tempos são diferentes e a mentalidade também é diferente. Desatualizado. No entanto, mesmo assim, o suor não está desatualizado. 
Em primeiro lugar, por se tratar de um registro de seu tempo - assim como a obra de Monteiro Lobato, os livros de hoje nunca podem ser classificados como racistas, mas sim como escravos de ontem. Afinal, essa é uma forma de perceber a antropologia nacional por meio da literatura. Suas mudanças, nuances, transformações. É uma história escrita pelo próprio Amado, e não pode mais ser traduzida como é hoje.
Por outro lado, o livro ainda existe como registro histórico. Essa situação de aluguel é insalubre de uma forma quase inacreditável - a começar pelo próprio título, a ideia de que esse título já se refere a algo apertado - assim distribui vida. As pessoas ainda estão amontoadas em pequenos galpões, cercadas por pequenas fotos. Hoje, 85 anos após o lançamento de Suor, Suor continua traduzindo o Brasil que existe lá. Infelizmente, o Brasil parece tolerável em sua estrutura social.
Assim, por fim, Suor é um livro imperativo na obra de Jorge Amado. Reúne dois aspectos muito importantes que só os livros podem reunir: a História de um povo e a reflexão que atravessa os tempos. É poético e triste ver como a coisa foi construída. Triste pela persistência do abismo social. Poético por estar nas palavras do escritor baiano, que tece uma narrativa doce que se contrapõe ao que é contado em sua essência. Doce e salgado. Forte e fraco. Leve e pesado. Abrigo e suor.

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