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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ
(A) DE DIREITO DA XXª VARA CÍVEL DA COMARCA DE
XXXXX/XX
10 linhas
Referente ao Processo nº XXX
XXX, já devidamente qualificada nos autos em epígrafe, vem, por
seus advogados, devidamente constituídos pelo instrumento
procuratório em anexo, com endereço para intimações
_________________, à presença e autoridade de V. Exª,
apresentar, nos termos do art. 335 do Código de Processo Civil de
2015, sua CONTESTAÇÃO à Ação de Indenização por Danos
Materiais, proposta por XXX, já devidamente qualificada, pelas
razões de fato e de direito a seguir expostas.
1. DO REQUERIMENTO INICIAL E DA
TEMPESTIVIDADE.
Ab initio, requer a contestante que todas as intimações e
comunicações de estilo do presente processo dirigidas a si sejam
realizadas em nome do seu procurador legal, XXX, inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de XXX, sob o nº XXX,
sob pena de nulidade nos termos dos arts. 272, §§ 2º, 3º e 5º e 280,
ambos do Código de Processo Civil de 2015[1].
No mesmo norte, indica como correio eletrônico o endereço XXX
para recebimento de eventuais intimações e comunicações de estilo
por meio digital.
Quanto à tempestividade da presente contestação, houve juntada de
petição pela ré em XXX, XXX-feira, requerendo o cancelamento da
audiência de tentativa de conciliação, assim o termo inicial da
contagem do prazo é XXX, XXX-feira, enquanto que o termo final
se dá em XXX, XXX-feira, consoante contagem de prazo em dias
úteis. (adequar para o caso concreto)
Neste sentido, observando-se a data de protocolo da presente peça é
possível inferir sua total tempestividade.
2. DO RESTABELECIMENTO DA REALIDADE FÁTICA.
(Descrever narrativa da parte autora)
(Reconstituir a realidade fática)
3. DO MÉRITO DA DEMANDA.
(Analisar se não é o caso de abordar alguma preliminar)
3.1 DA INEXISTÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR OS
DANOS MATERIAIS. DA IMPERÍCIA E IMPRUDÊNCIA
DO AUTOR AO CONDUZIR O VEÍCULO E DA ASSUNÇÃO
DO RISCO DE COLISÕES. DA MÁ-FÉ AUTORAL E DA
TENTATIVA DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.
Excelência, como visto o autor não agiu com qualquer prudência e
perícia na condução do seu veículo e tenta imputar à parte ré a
culpa por todo o ocorrido quando nem o próprio Boletim de
Ocorrência afirma que a contestante foi a culpada.
Ora, se o autor conduzia por trás do veículo da ré, cabia a esse
tomar as medidas preventivas de manter distância de segurança
frontal e lateral do automóvel à sua frente. Para tanto, veja-se a
redação dos arts. 26, I, 28 e 29, II do Código de Trânsito Brasileiro:
Art. 26. Os usuários das vias terrestres devem:
I - abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou
obstáculo para o trânsito de veículos, de pessoas ou de
animais, ou ainda causar danos a propriedades públicas ou
privadas;
[...]
Art. 28. O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu
veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados
indispensáveis à segurança do trânsito.
Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à
circulação obedecerá às seguintes normas:
[...]
II - o condutor deverá guardar distância de segurança
lateral e frontal entre o seu e os demais veículos, bem como
em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a
velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as
condições climáticas;
[...]
Portanto, a imprudência, negligência e imperícia do autor
culminam na assunção do risco de colisões, não importando em
qualquer ato ilícito cometido pela contestante, para tanto vejamos
alguns julgados que corroboram esse entendimento:
(pesquisar e colacionar jurisprudência relativa ao caso)
Partindo de uma inicial genérica, falaciosa e claramente adaptada
aos “fatos” o autor persegue uma indenização com base no Código
Civil e na teoria da responsabilidade civil, sendo que resta claro que
a culpabilidade maior do acidente decorreu da imperícia e
imprudência do mesmo que, vindo por trás do veículo da parte ré,
não tomou as medidas de segurança necessárias para evitar a
colisão nos termos do Código de Trânsito Brasileiro, preferindo
atribuir a culpa à contestante e considerando o ocorrido um ato
ilícito.
No entanto, Excelência, se estamos falando de ato ilícito é
necessário destacar que o dano material somente foi causado por
culpa exclusiva do condutor que vinha atrás do veículo colidido,
pior, no ponto cego do retrovisor deste, o que corrobora a tese de
que o autor foi imprudente e guiava sem qualquer perícia ao estar
muito próximo do carro conduzido pela ré, procurando enriquecer
ilicitamente quando não traz aos autos qualquer nota fiscal ou
comprovante de que o veículo encontra-se parado desde a
distribuição da ação.
Portanto, tendo por base o Código de Trânsito Brasileiro e a
jurisprudência pátria, requer a contestante que a demanda seja
julgada de forma TOTALMENTE IMPROCEDENTE e o autor
condenado nas penas previstas para os litigantes de má-fé (arts. 79
e 80, II e III, 81 do CPC/15) em decorrência dos fatos e razões de
direito elencadas nesta contestação.
3.2 DA INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL INDENIZÁVEL.
DO MERO ABORRECIMENTO DO COTIDIANO. DA
EXCLUDENTE DE ILICITUDE E DA AUSÊNCIA DE NEXO
CAUSAL QUE AMPARE O SUPOSTO DIREITO AUTORAL.
Por derradeiro, cabe à ré refutar o pedido formulado pelo autor de
condenação em indenização por danos morais, haja vista a
excludente de ilicitude e a ausência de nexo causal que ampare tal
pleito.
Como visto acima, e pela própria narrativa, o demandante
_______________________, ou seja, a contestante agiu em
consonância com o texto da lei enquanto que o motorista que vinha
à sua traseira não tomou as medidas de segurança e prevenção,
acabando por colidir, muito em virtude de estar guiando de forma
imprudente.
Ora, em que ponto resta a ilicitude do ato da ré? Ademais, se o autor
conduzia um veículo que veio a colidir na TRASEIRA de outro e
que a demandada sequer visualizou em seu retrovisor, qual o nexo
de causalidade do seu ato com a responsabilidade exclusiva do
acidente? Evidente que nenhum ou o mínimo em grau de culpa pelo
ocorrido.
Ademais, todos os condutores estão sujeitos a acidentes,
independente de conduzirem o veículo de forma prudente ou não, é
um risco do cotidiano e em nenhum momento a contestante
humilhou ou afrontou à honra do autor, tampouco existiram
vítimas na colisão ou lesões corporais.
Posto isto, vejamos a jurisprudência pátria acerca do assunto:
APELAÇÃO CÍVEL. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. ART. 331, I CPC.
CULPA EXCLUSIVA DA RÉ NÃO COMPROVADA. DANO
MATERIAL RATEADO ENTRE AS PARTES. DANO MORAL NÃO
CONFIGURADO.
[...]
3. A apelante não demonstra qualquer dano moral sofrido, apenas
afirmando a indisponibilidade do veículo, não se verificando,
assim, transtorno capaz de atingir sua personalidade,
improcedendo, pois, o pedido de indenização a título de danos
morais.
[...]
(TJ-PE - APL: 3186943 PE, Relator: Jones Figueirêdo, Data de
Julgamento: 19/12/2013, 4ª Câmara Cível, Data de Publicação:
08/01/2014)
RECURSO INOMINADO. INDENIZATÓRIA. ACIDENTE DE
TRÂNSITO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. COLISÃO
TRASEIRA. AUSÊNCIA DE LESÃO CORPORAL. SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS FUNDAMENTOS. O recurso visa
exclusivamente o reconhecimento do dano moral decorrente do
acidente de trânsito descrito na inicial. Como salientado na
sentença, somente na hipótese de lesões corporais
decorrentes do acidente automobilístico é que se tem
reconhecido, no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis, o
dano moral. Precedentes. Como na hipótese houve meros danos
materiais no veículo da autora/recorrente, não há dano moral
indenizável. RECURSO DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº
71004561429, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais,
Relator: Lucas Maltez Kachny, Julgado em 10/06/2014)
ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO NA PARTE TRASEIRA.
RECURSO PARA MAJORAÇÃO DOS DANOS MATERIAIS E
CONDENAÇÃO EM DANOS MORAIS. QUANTUM DOS DANOS
MATERIAIS MANTIDO. ORÇAMENTO DE MENOR VALOR.DANO MORAL NÃO CONFIGURADO.
[...]
2.Assim, correta a sentença que fixa o valor da indenização pelos
danos causados com base no menor orçamento trazido pelo autor,
compatível com as avarias descritas no processo.
[...]
3.Dano moral não configurado. A colisão de veículos no qual não
houve vítima e a possível indisponibilidade do veículo durante o
seu conserto, não são fatos que ensejam a indenização por danos
morais, configurando somente mero aborrecimento do cotidiano.
[...]
(TJ-DF - ACJ: 20150910075375, Relator: JOÃO LUIS FISCHER
DIAS, Data de Julgamento: 08/09/2015, 2ª Turma Recursal dos
Juizados Especiais do Distrito Federal, Data de Publicação:
Publicado no DJE : 17/09/2015 . Pág.: 248)
JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
COLISÃO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. RECURSO
CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA.
[...]
5. Está pacificado na jurisprudência pátria que aborrecimentos
próprios da vida em sociedade não são passíveis de se
qualificarem como ofensa aos atributos da personalidade, nem
fatos geradores de dano moral, ainda que tenham causado na
pessoa atingida pelo ocorrido certa dose de amargura, pois sua
compensação não tem como objetivo amparar sensibilidades
exageradas.
[...]
(TJ-DF - RI: 07076493320158070016, Relator: CARLOS
ALBERTO MARTINS FILHO, Data de Julgamento: 11/02/2016,
TERCEIRA TURMA RECURSAL, Data de Publicação: Publicado
no DJE : 17/02/2016 . Pág.: Sem Página Cadastrada.)
RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
COLISÃO EM ANIMAL (BOVINO). RODOVIA PEDAGIADA.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA CONCESSIONÁRIA DO
PODER PÚBLICO. DANO MATERIAL COMPROVADO. DANO
MORAL NÃO CONFIGURADO.
[...]
3. Danos morais não configurados. Ausência de comprovação de
abalo extraordinário que desse ensejo à indenização.
Aborrecimento próprio decorrente de acidentes de trânsito.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
(Recurso Cível Nº 71003864683, Segunda Turma Recursal Cível,
Turmas Recursais, Relator: Marta Borges Ortiz, Julgado em
27/02/2013)
Diante do exposto, resta cabalmente demonstrando que acidentes
de trânsito sem vítimas ou lesões corporais não são situações
passíveis de gerar o direito de indenizações por danos morais, razão
pela qual requer a parte contestante que o pleito em referência seja
julgando TOTALMENTE IMPROCEDENTE.
Por extrema cautela processual, não entendendo V. Exª de tal forma
requer a contestante que qualquer quantum indenizatório seja
limitado a um salário mínimo, uma vez que não há nos autos
qualquer prova de abalo moral ou da honra do autor a justificar
uma indenização maior do que tal sugestão.
4. DOS PEDIDOS.
Diante de todo o exposto, a parte demandada requer que V. Exª se
digne a:
a) Julgar a presente ação TOTALMENTE IMPROCEDENTE em
virtude da imprudência e imperícia do autor serem as reais causas
do acidente discutido nestes autos, tendo como base o Código de
Trânsito Brasileiro e a jurisprudência dominante;
b) Julgar TOTALMENTE IMPROCEDENTE o pleito de
reparação por supostos danos morais, haja vista que não existiram
vítimas no acidente e tampouco lesões corporais que justificassem
abalo emocional ou à honra do demandante;
c) Reconhecer que o autor alterou as verdades dos fatos e usam do
processo para tentar obter vantagem ilegal, sendo o mesmo
condenado nas penas previstas para os litigantes de má-fé,
consoante se extrai dos arts. 80 e 81 do CPC/15;
d) A condenação da parte autora, ainda, nas custas, despesas
oriundas do processo, enfim, nos ônus próprios da sucumbência e
em honorários advocatícios no percentual de 20% sobre o valor
atribuído à causa, nos termos do art. 85 do Código de Processo Civil
de 2015;
e) Eventualmente sendo acolhida a pretensão autoral de
indenização por danos morais, o que honestamente não se espera,
requer a limitação do quantum indenizatório para um salário
mínimo, tendo em vista as características da causa, bem como
requer a limitação de eventuais honorários de advocatícios de
sucumbência sejam limitados a 10% nos termos do art. 85, § 2º do
CPC/15, uma vez que os patronos autorais não dispenderam
maiores trabalhos e apresentaram uma exordial genérica e
falaciosa;
f) Por derradeiro, reitera que toda e qualquer intimação à parte ré
no presente processo deve ser realizada de forma exclusiva em de
XXX, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de
XXX, sob o nº XXX, sob pena de nulidade nos termos do art. 272,
§§ 2º, 3º e 5º e 280, ambos do Código de Processo Civil de 2015.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito
admitidos, em especial a oitiva de testemunhas que serão
oportunamente arroladas e do agente de trânsito responsável pela
lavratura do Boletim de Ocorrência, sem prejuízo das demais provas
que podem ser produzidas.
Nesses termos,
Pede deferimento,
Cidade/UF, data.
Advogado
OAB/UF
[1] Art. 272. Quando não realizadas por meio eletrônico,
consideram-se feitas as intimações pela publicação dos atos no
órgão oficial. [...] § 2º Sob pena de nulidade, é indispensável que da
publicação constem os nomes das partes e de seus advogados, com
o respectivo número de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil, ou, se assim requerido, da sociedade de advogados. [...] § 5º
Constando dos autos pedido expresso para que as
comunicações dos atos processuais sejam feitas em nome
dos advogados indicados, o seu desatendimento implicará
nulidade.
Art. 280. As citações e as intimações serão nulas quando feitas
sem observância das prescrições legais.
[2] Art. 5º da CF/88: Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes: [...] LV - aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes; [...]
[3] Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos
indispensáveis à propositura da ação. [...] Art. 321. O juiz, ao
verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts.
319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no
prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com
precisão o que deve ser corrigido ou completado. Parágrafo único.
Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição
inicial. [...] Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I - for
inepta; [...] IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. [...]
[4] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a
petição inicial; [...]

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