Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

BIOGRAFIA
Harry Stack Sullivan (1892-1949) é geralmente reconhecido como o mais original e distinto teórico americano nato em psiquiatria dinâmica. A maioria dos psiquiatras americanos faz uso significativo de conceitos e abordagens que ele desenvolveu. Durante muitos anos, a disputa teórica primária dentro dos círculos de psiquiatria dinâmica foi entre os freudianos clássicos e os sullivanianos ou psicanalistas interpessoais. Quando os psiquiatras usam o termo "distorção paratáxica", aplicam o conceito de auto-estima, consideram a importância de grupos de pares pré-adolescentes no desenvolvimento ou vêem o comportamento de um paciente como uma manipulação interpessoal, eles estão aplicando conhecimento que as idéias e observações de Sullivan forneceram.
 Sullivan graduou-se em medicina em Chicago em 1917. De 1921 a 1936, ele permaneceu na área de Washington, D.C., trabalhando com pacientes esquizofrênicos no hospital St. Elizabeth e então no Sheppard and Enoch Pratt. Ele desenvolveu uma reputação como um notável clínico com uma fantástica habilidade de comunicar-se com pacientes psicóticos e ele iniciou a primeira das que são agora denominadas comunidades terapêuticas.
 Posteriormente, entrou numa clínica privada em Nova Iorque e por fim retornou à área de Washington, onde estava envolvido em atividades clínicas, de consultoria e ensino. Nas décadas de 20 e 30, ele escreveu diversos ensaios sobre esquizofrenia, posteriormente coletados em Schizophrenia as a Human Process. Seus outros livros foram compilados por seus alunos a partir de suas palestras; a maioria foi publicada postumamente. Este processo explica um pouco da densidade e aparente desorganização de sua obra escrita.
ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO
Sullivan postulou sete fases de estágios de desenvolvimento, cada um deles crucial para a formação da personalidade humana. O fio condutor das relações interpessoais passa pelos estágios; as outras pessoas são indispensáveis ao desenvolvimento de um indivíduo, desde a infância até a fase adulta.
A mudança de personalidade pode ocorrer em qualquer ocasião, mas tem uma probabilidade maior de ocorrer durante a transição de um estágio para o estágio seguinte. Na verdade, esses ´períodos de transição são mais cruciais do que os estágios em si. Experiências dissociadas previamente ou ignoradas seletivamente podem entrar no auto-sistema durante um dos períodos de transição. Sullivan sugeria que, “a medida que uma pessoa ultrapassa algum desses limiares mais ou menos determinados de um estágio de desenvolvimento para outro, tudo o que havia acontecido antes se torna racionalmente aberto a influências”.
Seus sete estágios sâo primeira infância, infância, idade juvenil, pré adolescência , adolescência inicial, adolescência posterior e idade adulta.
PRIMEIRA INFÂNCIA
A primeira infância inicia-se com o nascimento e continua até que a criança desenvolva um discurso articulado ou sintáxico, normalmente entre 18 e os 24 meses. Sullivan acreditava que uma criança se torna um humano por meio do afeto recebido do cuidador materno. A satisfação de quase todas as necessidades humanas demanda a cooperação de outra pessoa. As crianças não podem sobreviver sem um cuidador materno para proporcionar-lhes alimento, abrigo, temperatura moderada, contato físico e a limpeza dos dejetos orgânicos.
A ligação empática entre a mãe e a criança leva, inevitavelmente, ao desenvolvimento de ansiedade em relação ao bebe. Sendo humana, a mãe entra no relacionamento com algum grau de ansiedade previamente adquirida. Sua ansiedade pode derivar de uma dentre varias experiências, mas a primeira ansiedade da criança está sempre associada á situação de alimentação e á zona oral. E, contraste com a mae, o repertorio de comportamentos da criança não é adequado para lidar com ansiedade. Dessa forma, sempre que as crianças se sentem ansiosas (uma condição originalmente transmitida a ela pela mae), elas tentarão empregar quaisquer meios para reduzir a ansiedade. Essas tentativas incluem normalmente a rejeição do seio, mas isso não consegue nem reduzir a tensão nem satisfazer a necessidade de alimento. A rejeição do seio por uma criança, obviamente, não é responsável pela ansiedade original da mae, mas contribui para tanto. Por fim, a criança distingue entre o seio bom e o seio mau: o primeiro associado á euforia relativa ao processo de alimentação e o segundo ligado a uma ansiedade continua.
Uma criança expressa tanto ansiedade quanto fome pelo choro. O cuidador materno pode confundir ansiedade com fome e forçar o seio a uma criança ansiosa (mas não faminta). A situação oposta também pode ocorrer quando a mae, por qualquer razão, falha ao satisfazer as necessidades do bebe. O bebe experimentara então, odio que aumentara a ansiedade da mae e interfirirá em sua habilidade de cooperar com seu bebe. Com uma tensão cada vez maior, a criança perde a capacidade de satisfazer-se, mas a necessidade de alimento, é claro, continua a aumentar. Finalmente, á medida que a tensão se aproxima do terror, a criança sente dificuldades em respirar. O bebe pode ate mesmo deixar de respirar e assumir uma colocação azulada, mas as proteções embutidas da apatia e do desapego sonolento impedem que a criança morra. A apatia e o desapego sonolento permitem que a criança adormeça apesar da fome.
Durante o processo de alimentação, a criança não recebe apenas aliemento, mas também satisfaz algumas necessidades de afeto. O afeto recebido pela criança, nesse período, exige a cooperação do cuidador materno e apresenta á criança varias estratégias exigidas pela situação interpessoal. O relacionamento entre mae e criança, no entanto, é como uma moeda de duas faces. A criança desenvolve uma personificação ambígua da mae, enxergando-a tanto como boa quanto como má; a mae é boa quando satisfaz as necessidades do bebe e má quando estimula a ansiedade.
Em torno da metade da primeira infância, as crianças aprendem como comunicar-se pela linguagem. No começo, sua linguagem não é validada por algum consenso, mas ocorre em um nível individualizado, ou paratóxico. Esse período da primeira infância é caracterizado por uma linguagem autista, ou seja, uma linguagem particular que faz pouco ou nenhum sentido para as outras pessoas. As primeiras comunicações acontecem na forma de expressões faciais e sonorização de vários fonemas. Ambos são apreendidos por repetição, e gestos e palavras balbuciadas eventualmente possuem o mesmo significado para criança e para as demais pessoas. Essa comunicação marca o inicio da linguagem sintáxica e o fim da primeira infância.
INFÂNCIA
O período da infância inicia-se com o advento da linguagem sintáxica e continua até o aparecimento da necessidade de amigos de status semelhante. A infância varia entre culturas e indivíduos, mas nas sociedades ocidentais abrange o período compreendido entre os 18 e os 24 meses e aproximadamente os 5 ou 6 anos.
Durante esse estagio, a mae permanece a outra mais significativa, ,as seu papel é diferente daquele desempenhado durante a primeira infância. As personificações duais da mae soa agora fundidas em uma só, e a percepção da criança em relação á mae é mais congruente com a mae “real”. Apesar disso, as personificações de mae boa e mae má geralmente são retidas em um nível paraxitatico. Além de combinar as personificações da mae, a criança distingue as varias pessoas que anteriormente formaram o conceito de cuidador materno, separando mae e pai e enxergando cada um deles como tendo papéis distintos.
Aproximadamente nesse mesmo período, as crianças fundem as personificações do eu em um único autodinamico. Uma vez que estabelecem linguagem sintática, não podem mais lidar conscientemente com o eu bom e o eu mau ao mesmo tempo; agora, classificam o comportamento como bom ou mau imitando o comportamento de seus pais.
Contudo, essas classificações distinguem-se das velhas personificações da infância porque são simbolizadas em um nível sintáxico, e porque se originam do comportamento das crianças em vez de surgirem do aumento eda diminuição de seus níveis de ansiedade. Além disso, o bem e o mal agora implicam valor moral ou social e não mais se referem á ausência ou á presença de uma tensão dolorosa chamada ansiedade.
Durante a infância, as emoções tornam-se reciprocas; uma criança é capaz de dar e receber afeto. O relacionamento entre a mae e a criança torna-se mais pessoal e menos unilateral. Em vez de ver a mae como boa ou má com base apenas na forma pela qual esta satisfaz as necessidades de alimento, a criança avalia a mãe de um modo mais sintáxico, conforme a eventualidade de ela demonstrar ou não sentimentos recíprocos de afeto, desenvolver um relacionamento fundamentado na satisfação mútua de necessidades ou exibir uma atitude de rejeição.
Além de seus pais, as crianças em idade pré-escolar frequentemente possuem um outro relacionamento significativo – o amigo imaginário. Esse amigo capacita a criança a um relacionamento são e seguro, que produz pouca ansiedade. Os pais algumas vezes observam seus filhos pré-escolares conversando com um amigo imaginário, chamando-o pelo nome e possivelmente até mesmo insistindo no oferecimento de um lugar extra na mesa ou em suas camas. Paralelamente, muitos adultos podem lembrar-se de suas próprias experiências de infância com amigos imaginários. Sullivan insistia em que ter um amigo imaginário não é um sinal de instabilidade ou patologia, mas um evento positivo que auxilia as crianças a tornar-se prontas para a intimidade com amigos reais durante o estágio pre-adolescente. Esses amigos oferecem a criança uma oportunidade para interagir com outra “pessoa” segura e que não aumentará seu nível de ansiedade. Esse relacionamento tranquilo e não-ameaçador com um amigo imaginário permite ás crianças tornarem-se mais independentes dos pais e a fazerem amigos nos anos seguintes.
Sullivan referia-se à infância como um período de rápida aculturação. Além 
de adquirir linguagem, as crianças aprendem os padrões culturais de limpeza, higiene pessoal, hábitos alimentares e expectativas associadas aos papéis sexuais. Elas também aprendem dois outros processos importantes: dramatizações e preocupações. As dramatizações são tentativas de agir ou soar como figuras de autoridade significativas, especialmente as de mãe e de pai. As preocupações são estratégias para evitar a ansiedade e as situações assustadoras, pelas quais a criança se mantém ocupada com uma atividade que costumava ser útil ou recompensadora. 
A atitude maldosa atinge seu ápice durante os anos pré-escolares, proporcionando a algumas crianças um intenso sentimento de viver em um país hostil ou inimigo. Ao mesmo tempo, elas aprendem que a sociedade estabeleceu algumas restrições em torno de sua liberdade. A partir desses limites e das experiências com aprovação e reprovação, as crianças desenvolvem seu autodinamismo, que as ajuda a lidar com a ansiedade e a estabilizar suas personalidades. De fato, o auto-sistema introduz tanta estabilidade que torna as futuras mudanças excessivamente difíceis.
IDADE JUVENIL
A idade juvenil inicia-se com o aparecimento da necessidade de iguais ou de colegas de mesmo 
status e termina quando o indivíduo encontra um único amigo para satisfazer suas necessidades de intimidade. Nos Estados Unidos, a idade juvenil acompanha aproximadamente os primeiros três anos de escola, começando próximo das idades de 5 ou 6 anos e encerrando em torno dos oito anos e meio. (É interessante o fato de que Sullivan tenha sido tão específico quanto à idade em que se encerra esse período e se inicia o estágio pré-adolescente. Lembre-se que Sullivan tinha 8 anos e meio quando iniciou um relacionamento com um menino de 13 anos de uma fazenda próxima.)Durante o estágio juvenil, acreditava Sullivan, uma criança deveria aprender a competir, comprometer-se e cooperar. O grau de competição encontrado entre crianças dessa idade varia de acordo com a cultura, mas Sullivan acreditava que as pessoas nos Estados Unidos geralmente davam excessiva ênfase à competição. Muitas crianças acreditavam que deveriam ser competitivas para ser bem-sucedidas. O compromisso também pode ser excessivo. Uma criança de 7 anos que aprende continuamente a ceder aos outros está em desvantagem no processo de socialização, e esse traço de submissão pode continuar a caracterizar o indivíduo ao longo de sua vida. A 
cooperação inclui todos os processos necessários para possibilitar a convivência com os outros. Na idade juvenil, a criança deve aprender a cooperar com os outros no mundo real dos relacionamentos interpessoais. A cooperação é um passo crítico na socialização, e é a tarefa mais importante com a qual as crianças são confrontadas neste estágio de desenvolvimento.
Durante a idade juvenil, as crianças associam-se a outras de igual estatura. Os relacionamentos um a um são raros, mas, caso existam, têm maiores chances de embasar-se em conveniência do que em uma intimidade genuína. Meninos e meninas brincam entre si com pouca consideração quanto ao sexo um do outro. Embora relacionamentos diádicos (entre duas pessoas) permanentes ainda estejam no futuro, as crianças dessa idade começam a realizar distinções entre elas e a distinguir os adultos. Elas vêem um professor como um indivíduo mais gentil do que os demais, ou um dos pais como mais indulgente do que o outro. O mundo real está entrando mais claramente em foco, permitindo-lhes operar cada vez mais no nível sintáxico.Até o fim do estágio juvenil, uma criança deverá ter desenvolvido uma orientação em relação à vida, a qual tornará mais fácil lidar consistentemente com a ansiedade, satisfazer as necessidades zonais e de afeto e estabelecer metas baseadas na memória e na previsão. Essa orientaçãoem relação à vida prepara a pessoa para os relacionamentos interpessoais mais profundos que se seguirão.
PRÉ-ADOLESCÊSCIA 
A pré-adolescência, que se inicia com a idade de oito anos e meio e termina na adolescência, é um período de intimidade com uma pessoa específi ca, em geral alguém do mesmo gênero. Todos os estágios anteriores foram egocêntricos, nos quais as amizades foram formadas com base no auto-interesse. Um pré-adolescente, pela primeira vez, assume um interesse honesto por outra pessoa. Sullivan (1953a) chamava esse processo de tornar-se um ser social de “o milagre silencioso da pré-adolescência” (p. 41), uma provável referência à transformação de personalidade experimentada durante sua própria pré-adolescência. A característica mais excepcional da pré-adolescência é o surgimento da capacidade de amar. Anteriormente, todos os relacionamentos interpessoais se baseavam na satisfação das necessidades pessoais, mas durante a pré-adolescência, a intimidade e o amor tornam-se a essência das amizades. A intimidade envolve um relacionamento em que os dois parceiros chegam a um consenso e atestam, de forma recíproca, o valor pessoal um do outro. O amor existe “quando a satisfação ou a segurança da outra pessoa tornase uma parte significativa para o indivíduo, como se isso fosse sua própria satisfação ou segurança” (Sullivan, 1953a, p. 42–43). Um relacionamento íntimo pré-adolescente geralmente envolve outra pessoa do mesmo sexo e quase da mesma idade ou de status social semelhante. As paixões por professores ou estrelas de cinema não são relacionamentos íntimos porque não são validados por ambas as partes. Os relacionamentos significativos dessa idade são, em geral, do tipo menino-menino ou menina-menina. Ser valorizado por um dos seus iguais é mais importante para o pré-adolescente do que ser querido por pais ou professores. Os colegas são capazes de expressar livremente opiniões e emoções entre si sem medo de humilhação ou de constrangimento. Esse intercâmbio livre de pensamentos e de sentimentos pessoais inicia o pré-adolescente no mundo da intimidade. Cada colega torna-se mais plenamente humano, adquire uma personalidade ampliada e desenvolve um interesse mais amplo pela humanidade de todas as pessoas. Sullivan acreditava que a pré-adolescência é o período mais livre de problemas e 
de preocupações navida. Os pais ainda são significativos, mesmo que tenham sido reavaliados sob uma luz mais realista. Os pré-adolescentes podem experimentar um amor desinteressado, que ainda não foi tocado pela libido. A cooperação que adquirem durante a idade juvenil evolui para a colaboração, ou a capacidade de trabalhar com outra pessoa, não para prestígio próprio, mas para o bem-estar do outro. Experiências durante a pré-adolescência são importantes para o desenvolvimento futuro da personalidade. Caso as crianças não descubram a intimidade nesse período, elas terão uma grande propensão a ser seriamente prejudicadas em seu posterior crescimento da personalidade. No entanto, influências negativas iniciais podem ser atenuadas pelos efeitos positivos de um relacionamento íntimo. Mesmo a atitude malevolente pode ser revertida, e muitos outros problemas juvenis, como solidão e egocentrismo, são diminuídos pela conquista da intimidade. Em outras palavras, os erros cometidos durante os estágios anteriores de desenvolvimento podem ser superados durante a pré-adolescência, mas os erros cometidos durante a pré-adolescência são difíceis de superar nos estágios posteriores. O período relativamente curto e descomplicado da pré-adolescência é abalado pelo surgimento da puberdade.

Mais conteúdos dessa disciplina