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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM 
ENSINO DE GEOGRAFIA 
 
 
1º Ano 
Disciplina: PENSAMENTO GEOGRÁFICO 
Código: 
Total Horas/1o Semestre: 
Créditos (SNATCA): 
Número de Temas: 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUTO SUPER 
 
 
 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 i 
 
Direitos de autor (copyright) 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e 
contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total 
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrónicos, mecânico, 
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto 
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). 
A não observância do acima estipulado o infrator é passível a aplicação de processos judiciais 
em vigor no País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 ii 
 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Direcção Académica 
Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa 
Beira - Moçambique 
Telefone: +258 23 323501 
Cel: +258 82 3055839 
Fax: 23323501 
E-mail: isced@isced.ac.mz 
Website: www.isced.ac.mz 
 
Agradecimentos 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual 
agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: 
Pela Coordenação 
Pelo design 
Direção Académica do ISCED 
Direção de Qualidade e Avaliação do ISCED 
Financiamento e Logística 
 
Pela Revisão 
Instituto Africano de Promoção da Educação a 
Distancia (IAPED) 
Sualé Amade, Mestre em Gestão Ambiental 
Elaborado Por: António dos Anjos Luís, Mestrado em Ciência e Sistemas de Informação 
Geográfica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 iii 
 
Índice 
Visão geral 1 
Bem-vindo à Disciplina de Pensamento Geográfico ......................................................... 1 
Objetivos do Módulo ........................................................................................................ 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 1 
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 1 
Ícones de actividade ......................................................................................................... 3 
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 3 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 5 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 5 
Avaliação ........................................................................................................................... 6 
TEMA – I: O SABER GEOGRÁFICO. 9 
UNIDADE Temática 1.1. A curiosidade do homem e a sua aventura na Terra ................. 9 
Introdução ......................................................................................................................... 9 
Sumário ........................................................................................................................... 15 
Auto-avaliação ................................................................................................................ 15 
Avaliação ......................................................................................................................... 16 
REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 17 
TEMA – II: O EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO. 18 
Unidade Temática 2.1. A Geografia na Antiguidade ...................................................... 18 
Introdução ....................................................................................................................... 18 
Sumário ........................................................................................................................... 26 
Autoavaliação ................................................................................................................. 27 
Avaliação ......................................................................................................................... 28 
Referencias Bibliográficas ............................................................................................... 29 
UNIDADE Temática 2.2. A Geografia na idade Média .................................................... 29 
Introdução ....................................................................................................................... 29 
Sumário ........................................................................................................................... 35 
Autoavaliação ................................................................................................................. 35 
Referencias Bibliograficas ............................................................................................... 35 
UNIDADE Temática 2.3. A Geografia na era dos Descobrimentos ................................. 36 
Introdução ....................................................................................................................... 36 
Sumário ........................................................................................................................... 43 
Autoavaliação ................................................................................................................. 44 
Avaliação ......................................................................................................................... 45 
Referencias Bibliográficas ............................................................................................... 45 
UNIDADE Temática 2.4. A Institucionalização da geografia ........................................... 46 
Introdução ....................................................................................................................... 46 
Sumário ........................................................................................................................... 51 
Auto-avaliação ................................................................................................................ 51 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 iv 
 
Avaliação ......................................................................................................................... 52 
Referencias Bibliográficas ............................................................................................... 53 
Sumário ........................................................................................................................... 59 
Exercícios de AUTO-AVAL Avaliação ............................................................................... 60 
Referencias Bibliográficas Referências Bibliográficas ..................................................... 61 
TEMA – III: OUTRAS CONTRIBUICOES GEOGRÁFICAS. 62 
Unidade Temática 3.1. Geografia Ratzeliana e o seucontexto ...................................... 62 
Introdução ....................................................................................................................... 62 
Sumário ........................................................................................................................... 69 
Auto-avaliação ................................................................................................................ 69 
Avaliação ......................................................................................................................... 70 
Referências Bibliográficas ............................................................................................... 71 
UNIDADE Temática 3.2. A Geografia Vidaliana e o seu contexto ................................... 72 
Introdução ....................................................................................................................... 72 
Sumário ........................................................................................................................... 78 
Autoavaliação ................................................................................................................. 79 
Avaliação ......................................................................................................................... 80 
Referências Bibliográficas ............................................................................................... 81 
UNIDADE Temática 3.3. A abordagem regional vidaliana .............................................. 81 
Introdução ....................................................................................................................... 81 
Sumário ........................................................................................................................... 89 
Autoavaliação ................................................................................................................. 90 
Avaliação ......................................................................................................................... 91 
Referências Bibliográficas ............................................................................................... 91 
UNIDADE Temática 3.4. Os movimentos de renovação ................................................. 92 
Introdução ....................................................................................................................... 92 
Sumário ........................................................................................................................... 97 
Autoavaliação ................................................................................................................. 97 
Avaliação ......................................................................................................................... 98 
Referências Bibliográficas ............................................................................................... 99 
TEMA – IV: GEOGRAFIA COMO CIENCIA. 100 
UNIDADE Temática 4.1. Geografia como Ciência ......................................................... 100 
Introdução ..................................................................................................................... 100 
Sumário ......................................................................................................................... 113 
Autoavaliação ............................................................................................................... 113 
Avaliação ....................................................................................................................... 114 
Referências Bibliográficas ............................................................................................. 115 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 1 
 
Visão geral 
Bem-vindo à Disciplina de Pensamento Geográfico 
Objetivos do Módulo 
O objetivo geral da disciplina visa fazer compreender o aluno a 
evolução histórica do pensamento geográfico, seus principais 
autores e a sistematização desse conhecimento numa área 
específica do saber científico 
 
 
Objectivos 
Específicos 
 Analisar as atuais perspetivas da ciência geográfica, enfatizando 
os movimentos de renovação do pensamento geográfico 
 Conhecer as diferentes escolas da Geografia 
 Conhecer os fundamentos da geografia quantitativa e 
qualitativa 
 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para estudantes do 1º ano do curso de 
Ensino em Geografia do ISCED bem como para todos os leitores que 
desejam atualizar e consolidar seus conhecimentos nessa 
disciplina, adquirindo o manual sem ter que se inscrever na 
disciplina. 
Como está estruturado este módulo 
Este módulo de Pensamento Geográfico, para estudantes do 1º ano 
do curso de licenciatura em Ensino de Geografia, à semelhança dos 
restantes do ISCED, está estruturado como se segue: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, 
resumindo os aspetos-chave que você precisa conhecer para 
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção 
com atenção antes de começar o seu estudo, como componente 
de habilidades de estudos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 2 
 
Conteúdo desta Disciplina / Módulo 
Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez 
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente 
unidades, Cada unidade temática se caracteriza por conter uma 
introdução, objectivos, conteúdos. 
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são 
incorporados antes o sumário, exercícios de autoavaliação, só 
depois é que aparecem os exercícios de avaliação. 
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros 
exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e atividades 
práticas algumas incluindo estudo de caso. 
 
Outros recursos 
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, 
num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de 
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta 
uma lista de recursos didáticos adicionais ao seu módulo para você 
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro 
de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso 
como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste 
material físico ou eletrónico disponível na biblioteca, pode ter 
acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as 
possibilidades dos seus estudos. 
 
Autoavaliação e Tarefas de avaliação 
Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final 
de cada unidade temática. As tarefas dos exercícios de auto - 
avaliação apresentam exercícios resolvidos com detalhes 
(orientação das paginas e ou do paragrafo) 
 
Comentários e sugestões 
Este e o principal documento da disciplina. Contudo para cada tema 
recomenda-se que os estudantes usem outras fontes 
nomeadamente as que aparecem na lista bibliográfica de cada 
unidade temática ou mesmo através da pesquisa na internet. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 3 
 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas 
margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes 
partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela 
específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança 
de actividade, etc. 
Habilidades de estudo 
O principal objetivo deste campo é o de ensinar aprender a 
aprender. Aprender aprende-se. 
Durante a formação e desenvolvimento de competências, para 
facilitar a aprendizagem e alcançarmelhores resultados, implicará 
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons 
resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e 
eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. 
Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro 
estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, 
procedendo como se segue: 
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de 
leitura. 
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação 
crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua 
aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas atividades práticas ou as 
de estudo de caso se existirem. 
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, 
respectivamente como, onde e quando... Estudar, como foi referido 
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo 
reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo 
melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à 
noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? 
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio 
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada 
hora, etc. 
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado 
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 4 
 
ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando 
achar que já domina bem o anterior. 
Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e 
estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é 
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos 
de cada tema, no módulo. 
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por 
tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora 
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-
se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o 
intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das 
actividades obrigatórias. 
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual 
obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento 
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume 
de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando 
interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por 
fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em 
insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente 
incapaz! 
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma 
avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda 
sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões 
de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude 
pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que 
está a se formar. 
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que 
matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que 
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo 
quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. 
É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será 
uma necessidade para o estudo das diversas matérias que 
compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar 
a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as 
partes que está a estudar e pode escrever conclusões, exemplos, 
vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a 
margem para colocar comentários seus relacionados com o que 
está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir 
à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; 
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado 
não conhece ou não lhe é familiar; 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 5 
 
Precisa de apoio? 
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o 
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas 
como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros 
ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, página trocada ou 
invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento 
e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, 
SMS, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando 
a preocupação. 
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes 
(Pedagógico e Administrativo) é a de monitorar e garantir a sua 
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da 
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se 
torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante 
– CR, etc. 
As sessões presenciais são um momento em que você caro 
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do 
seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED 
indicada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período 
pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica 
e/ou administrativa. 
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% 
do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida 
em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem 
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se 
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver 
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos 
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade 
temática, no módulo. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e 
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é 
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues 
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. 
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não 
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do 
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de 
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da 
disciplina/módulo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 6 
 
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os 
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. 
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, 
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, 
respeitando os direitos do autor. 
O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma 
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, 
sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade 
científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a 
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). 
Avaliação 
Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, 
estando eles fisicamente separados e muito distantes do 
docente/tutor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma 
avaliação mais fiável e consistente. 
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com 
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os 
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial 
conta com um máximo de 10% do total de tempo do módulo. A 
avaliação do estudante consta detalhada do regulamentado de 
avaliação. 
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e 
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de 
frequência para ir aos exames. 
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou módulo e 
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam nomínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, 
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. 
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. 
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) 
trabalhos e 1 (um) (exame). 
Algumas atividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados 
como ferramentas de avaliação formativa. 
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em 
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de 
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as 
 
1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade 
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 7 
 
recomendações, a identificação das referências bibliográficas 
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. 
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de 
Avaliação do ISCED. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 9 
 
TEMA – I: O SABER GEOGRÁFICO. 
UNIDADE Temática 1.1. O saber geográfico e o seus elementos 
UNIDADE Temática 1.2. Exercícios Integrados deste Tema 
 
UNIDADE Temática 1.1. A curiosidade do homem e a sua aventura na Terra 
Introdução 
Nesta primeira aula da disciplina de Pensamento Geográfico, vamos 
aprender o que se entende por saber geográfico. Nesse sentido, 
estudaremos: como esse saber é essencial para os homens; de que 
maneira os conhecimentos geográficos servem para ordenar a 
superfície da Terra, gerir, explorar, organizar e substituir uma primeira 
natureza, que chamamos “intocada”, por uma natureza segunda, 
entendida como a natureza transformada pelo homem; e como a 
Geografia e os saberes geográficos ajudam a compreender as relações 
humanas e as inter-relações do homem e do seu entorno, fazendo 
brotar, na superfície, os meios humanos, as paisagens, as regiões, os 
territórios. Usando elementos do cotidiano e de nossa 
formação/informação básica, pretendemos auxiliá-lo na compreensão 
de como se estrutura o espaço geográfico e de como ele é apreendido 
pela Geografia enquanto ciência. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
Específicos 
 
 
 
 Compreender como o saber geográfico se relaciona à aventura humana na 
Terra; 
 Identificar de que maneira as necessidades do homem criam espacialidades 
diversas; 
 Relacionar os elementos que compõem o saber geográfico. 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 10 
 
 
A curiosidade do homem e sua aventura na Terra 
Antes de começarmos este estudo, é importante distinguirmos 
Geografia (enquanto ciência) de conhecimento ou saber geográfico. O 
saber geográfico é algo mais do que a Geografia enquanto ciência que 
se institucionaliza no século XIX. Essa institucionalização significou a 
sistematização científica do saber geográfico desenvolvido no processo 
civilizatório. Nesse sentido, não podemos confundir ciência geográfica 
com saber geográfico, uma vez que este último não se resume às formas 
instituídas pela academia. O saber geográfico enquanto conhecimento 
acerca do mundo está presente em todos os tempos e em todas as 
civilizações. Assim, quando falamos de geografia, antes da sua 
sistematização, estamos, na verdade, falando de saber geográfico. 
Você sabia que a geografia tem a idade da humanidade? Caso tenha 
respondido positivamente, você deve ter entendido que ela é, como 
todo saber, a expressão de uma curiosidade e a resposta a essa 
curiosidade. Habitante da superfície da Terra, o homem tem, desde o 
início dos tempos, procurado saber onde se encontra, conhecer o que 
existe além do lugar onde mora, inventariar cada elemento da extensão 
terrestre, identificar e nomear os lugares, descrever e conferir 
representações. 
Poder se situar, de forma absoluta (onde estou?) e relativa (o que existe 
aquém e além do lugar onde estou?); poder se deslocar e construir um 
itinerário; conhecer as terras longínquas onde jamais se esteve e a 
diversidade dos homens que lá vivem, os recursos, as riquezas para 
explorar; representar e transmitir saberes: tal é a longa busca 
empreendida pelo saber geográfico. Essa aventura geográfica da 
humanidade comporta a história da exploração e da descoberta da 
Terra, bem como a extraordinária história de sua representação 
cartográfica. A seguir, vemos dois exemplos: um da Antiguidade grega 
e outro do século XVIII. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 11 
 
 
 a b 
Figura 1- (a) Cópia de mapas gregos antigos representando o continente 
Antártico sem gelo; (b) Mapa de Buache desenhado em 1737 
 
O homem jamais se contentou em apenas observar a Terra. Por meio 
de uma constante interação com o meio, ele tem deixado as suas 
marcas: tira da Terra os elementos essenciais à sua vida. Com essa 
intervenção, as sociedades humanas “desnaturam” a superfície da 
Terra, o que implica sua transformação. 
Com estas palavras, você já deve estar imaginando que o homem é um 
agente geográfico quando ele descobre novos lugares, drena, cultiva, 
constrói, substitui o meio natural por um meio artificial, ou melhor, por 
um meio “humano”. 
A ação geográfica dos homens implica inscrição de traços, de linhas, de 
superfícies de volume (áreas produtivas, manchas urbanas), sendo 
alguns destes visíveis, como rotas, campos, construções, e outros não 
diretamente percetíveis, como relações sociais, fronteiras, fluxos de 
relações. Pontos, linhas, superfícies, volume, densidade são, de maneira 
ampla, escrituras geográficas. As paisagens atestam a diversidade dessa 
escritura. 
Tomando por base Milton Santos (2006), podemos dizer que a 
paisagem é constituída por um conjunto de formas que, num dado 
momento, exprime as heranças que representam as sucessivas relações 
localizadas entre o homem e a natureza. Conjunto de elementos 
naturais e artificiais que fisicamente caracterizam uma determinada 
área. 
Depois de ter “escutado”, atentamente, o que disse o professor Milton 
Santos, você deve estar percebendo que o saber geográfico está 
relacionado à análise da paisagem, à compreensão de seus significados 
e de seus valores. Veja que o saber geográfico nasce da forma de olhar 
que os homens constroem sobre seu meio, das questões que eles se 
colocam sobre o sentido de sua presença nesse meio, sobre as 
influências que eles sofrem do meio e sobre os efeitos de suas 
intervenções. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 12 
 
A partir dessa breve exposição, você deve ter percebido que o saber 
geográfico surge da curiosidade humana e das interrogações que os 
homens se colocam diante das possibilidades e das limitações de suas 
ações frente às condições do meio; e que suas ações implicam marcas 
e um perpétuo conflito entre a realização de suas necessidades e o 
meio. 
Elementos do saber geográfico 
Neste item, veremos cinco elementos importantes para a compreensão 
do desenvolvimento do saber geográfico, vá se familiarizando com eles, 
pois serão importantes para sua formação como professor de 
Geografia. Esses elementos variam no tempo, mas são sempre 
importantes para a análise geográfica. 
Posições e contornos 
Os homens desenvolveram esforços consideráveis para poder se situar 
e ter uma ideia da forma,dos contornos e da articulação entre os 
continentes. De diversas maneiras, o homem enfrentou as difíceis 
etapas do reconhecimento da Terra; os navegadores foram os principais 
descobridores dos limites das terras e dos litorais. Sobre seus barcos, 
guiados pelo fio condutor das costas, impulsionados pelos ventos e 
pelas correntes, esses homens empreenderam viagens e expedições em 
direção a terras míticas, imaginárias ou reais. Eles desenharam os 
contornos das costas; depois, com seus barcos mediram as distâncias, a 
duração das navegações, identificaram as posições topográficas. Deram 
às terras descobertas milhares de nomes. 
Foi subindo e descendo rios ou acreditando descobrir suas 
desembocaduras ou mares interiores que os homens adentraram os 
continentes. As viagens de exploração por via terrestre, mais difíceis, 
foram raras e tardias. 
Veja que a identificação da configuração dos continentes e oceanos 
necessitava da resolução de três séries de problemas: 1) o 
conhecimento da forma da Terra; 2) o conhecimento de suas 
dimensões; e 3) a definição das coordenadas de um lugar. A 
esfericidade da Terra foi admitida e suas dimensões foram medidas 
desde a Antiguidade. Entretanto, enquanto a latitude e a longitude2 não 
foram definidas com precisão, os homens não puderam “dominar” 
efetivamente o seu Planeta. A partir disso, fica claro que a atitude de se 
orientar constitui uma das bases de todo saber geográfico. 
 
 
2 Distância em graus de qualquer ponto da Terra tomando como referência a linha do equador e distância 
em graus de qualquer ponto da Terra tomando como referência o meridiano de Greenwich, 
respetivamente. Você verá melhor esses dois conceitos na disciplina Leitura Cartografia 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 13 
 
Identificação e Inventário dos Lugares 
O conhecimento dos contornos e das posições geográficas depende de 
outro conhecimento, aquele do conteúdo de cada lugar da superfície 
terrestre. A curiosidade dos homens apenas se satisfaz quando ele 
preenche os vazios das cartas e substitui os lugares míticos e 
imaginários por lugares “reais”. 
Diversas finalidades deram sustentação a esta empreitada: terras a 
conquistar, impérios a dominar, riquezas para se apropriar, populações 
para descobrir, rios e fontes, montanhas e lagos para inventariar. Assim, 
o desejo de conhecer foi sempre orientado e seletivo em relação às 
intenções dos homens e das sociedades. Ele varia com a escala que se 
deseja atingir, ou seja, varia em função da distância e do afastamento 
dos lugares que se quer conhecer. Conhecer significa criar itinerários 
que são “memorizados” graças à observação dos traços da topografia 
próxima e longínqua, à memorização das cores da vegetação, das 
nuances do relevo etc. 
 
Figura 2- Registo dos lugares nas primeiras sociedades 
Para melhor inventariar e identificar, primeiramente, fixa-se os 
fenômenos mais remarcáveis ou que fornecem os melhores marcos e 
sinais: o traçado dos rios, os obstáculos montanhosos, os desfiladeiros, 
os vulcões, os lagos, os animais e também as cidades. Em segundo lugar, 
elenca-se os fenômenos menos visíveis, relações de troca, tipos de 
organização social, religiosidade etc. 
Gostaríamos de frisar que um bom inventário leva em consideração 
também – e não é menos importante – os lugares habitados, rotas, 
construções religiosas, riachos, paradas etc. 
As cidades, os portos, as redes de rotas representam nós e linhas de 
funcionamento das sociedades 
 
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 14 
 
humanas e são reveladoras de dados essenciais. É fundamental chamar 
sua atenção para o fato de que o inventário dos lugares comporta um 
outro aspecto essencial: aquele de sua denominação. A toponímia é 
uma etapa indispensável do conhecimento da superfície da Terra. 
A Terra torna-se Terra dos homens quando deixa de ser anônima e é 
nomeada por eles. Todo lugar nomeado pelo homem torna-se 
significativo no sentido forte do termo. Baptizar o terreno e cobri-lo de 
uma camada de nomes transforma o conhecimento dos lugares em 
saber coletivo. Desde o instante em que os lugares têm um nome, eles 
são integrados a uma grade social de localização. Seu conhecimento 
geográfico deixa de ser fechado no círculo estreito das pequenas 
comunidades e se socializa para além do local. 
A gente ouve falar de vilarejos, de cidades, de montanhas, de reinos que 
jamais vimos e que não veremos nunca. A existência, além do que é 
pessoalmente conhecido, de uma esfera muito mais ampla e que existe 
apenas como um universo de palavras tem efeitos múltiplos: ela suscita, 
para alguns, uma fascinação por aqueles lugares dos quais ouviram 
falar; ela alimenta sua imaginação; ela faz nascer uma necessidade de 
evasão. 
A camada de nomes que constitui a toponímia alarga a esfera dos 
deslocamentos e das trocas para além do que foi percorrido pelo 
indivíduo. 
Localização e Distribuição 
Você já deve estar sabendo que o saber geográfico se particulariza por 
sua primazia com os dados de localização. 
É importante salientar que, além de coletados através de critérios 
rigorosos, é necessário que eles sejam cartografados. 
O que o geógrafo procura ver na paisagem não é a simples localização 
deste ou daquele objeto geográfico particular (fazenda, cidade, capela 
e outros), mas a distribuição de todos os objectos de uma mesma 
espécie (as casas, as cidades, as vilas, a vegetação, as florestas) e as 
diversas fisionomias de conjunto que revelam o meio. 
A relação homem-natureza 
Os homens se colocam, desde sempre, questões relativas às relações 
entre as sociedades e o seu meio, mesmo antes de ter um saber 
geográfico sistematizado. Hipócrates (século V antes de Cristo), em seu 
tratado Sobre os Ares, as Águas e os Lugares, já opunha os povos das 
regiões elevadas e húmidas a povos de regiões sem água e de variações 
climáticas bruscas. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 15 
 
Veja que foi e ainda é normal que, inseridos em meios naturais diversos, 
os homens tenham de retirar desses meios o seu sustento, os materiais 
para construir suas casas, as matérias-primas para sua produção, dentre 
outras coisas. Bem como que se interroguem sobre as influências desse 
meio no seu comportamento. 
O saber geográfico como totalizador da superfície terrestre 
Por sua vez, no século XIX, o nível de descrição da superfície da Terra já 
permitia uma visualização de sua totalidade. Além das descrições de 
lugares particulares, de inventários sobre as diversas partes da Terra, o 
saber geográfico segue na direção de compreender os conjuntos de 
elementos naturais e humanos e a solidariedade entre seus 
componentes, numa dimensão totalizante. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática, aprendemos que a curiosidade do homem foi 
e é um importante elemento para a constituição das sociedades e da 
Geografia. Vimos também que as necessidades básicas nos impõem 
atividades diversas e que, para satisfazê-las, deixamos as nossas marcas 
e impressões na superfície da Terra. Aprendemos ainda que as 
paisagens são um elemento revelador para a análise da Geografia. 
 
Auto-avaliação 
1. Ao conjunto de elementos naturais e artificiais que fisicamente 
caracterizam uma determinada área chama-se: 
A. Paisagem 
B. Pensamento Geográfico 
C. Saber geográfico 
D. Todas opções estão correctas. 
2. O homem enfrentou as difíceis etapas do reconhecimento da Terra; 
os principais descobridores dos limites das terras e dos litorais foram: 
A. Os geógrafos 
B. Os navegadores 
C. Os expositores 
D. Antropólogos 
 
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 16 
 
3. A latitude e a longitude são elementos muito importante para 
dominar e delimitar o planeta Terra, mas o que constitui uma das 
bases de todo saber geográfico é: 
A. Longitude 
B. Meridianos 
C. Latitude 
D. Equador 
4. A toponímia é uma etapa indispensável do conhecimento da 
superfície da Terra. 
5. O que o geógrafo procura ver na paisagem é a simples localização 
deste ou daquele objeto geográfico particular, a distribuição de todos 
os objectos de uma mesma espécie e as diversas fisionomias de 
conjunto que revelam o meio. 
Guião de Correcção 
1-A; 2-B; 3-C; 4-V; 5-V 
Avaliação 
1. O conceito de lugar articula-se a partir da relação ou compreensão 
do ser diante do espaço geográfico, ou seja, o lugar é o espaço 
apropriado ou percebido pelas relações humanas. 
2. A respeito do conceito de região, avalie as proposições a seguir a que 
esta incorrecta: 
A. Uma região pode ser criada com a finalidade de realizar estudos 
sobre as características gerais de um território, assim como para 
entender determinados aspectos do espaço. 
B. A região resulta de uma elaboração racional e intencional do ser 
humano. Tem a finalidade de facilitar a análise, a gestão e a 
compreensão de uma determinada área e dos elementos que a 
compõem. 
C. Em geral, a região pode ser entendida como uma área que foi dividida 
obedecendo-se a um critério específico. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 17 
 
D. Algumas regiões surgem de forma natural e são estabelecidas sem 
que seja necessária a especificação de um critério que as defina ou 
classifique. 
 
3. Onde surgiu o conhecimento Geográfico? 
A. No mundo Árabe. 
B. Na América. 
C. No Brasil. 
D. Na Grécia Antiga. 
 
4. A Geografia é a ciência que estuda e analisa o espaço produzido 
pelo homem 
5. O Espaço Geográfico é um importante conceito para a Geografia, 
haja vista que ele é o objeto principal de estudo dessa área do 
conhecimento. o espaço geográfico é um conjunto de sistemas de 
objetos e ações, isto é, os itens e elementos artificiais e as ações 
humanas que manejam tais instrumentos no sentido de construir e 
transformar o meio, seja ele natural ou social. Essa ideia foi defendida 
por: 
A. Milton Santos 
B. Frederich Engels. 
C. André Cholley 
D. Alexander Von Humboldt 
Guião de Correcção 
1-V; 2-D; 3-D; 4-V; 5-A 
REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
DANTAS, Aldo. Pierre Monbeig: um marco da geografia brasileira. Porto 
Alegre: Sulina, 2005. 
KAERCHER, Nestor André. A geografia é o nosso dia-a-dia. In: 
CASTROGIOVANNI, António Carlos (Org.). Geografia em sala de aula. 
Porto Alegre: Editora da Universidade/AGB, 1998. 
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: EDUSP, 2006. 
 
 
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/milton-santos.htm
 
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 18 
 
 
 
 
 
TEMA – II: O EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO. 
Unidade Tematica 2.1. Geografia na Antiguidade 
Unidade Tematica 2.2 Geografia na Idade Média 
Unidade Tematica 2.3 Geografia na era dos descobrimentos 
Unidade Tematica 2.4 A Institucionalização da Geografia 
Unidade temática 2.5. Exercícios Integrados deste Tema 
 
Unidade Temática 2.1. A Geografia na Antiguidade 
Introdução 
Como você aprendeu na aula 1 (O saber geográfico) o conhecimento 
geográfico está fundado na relação homem/natureza (notadamente a 
biosfera), na ação humana e na maneira como estão distribuídos os 
fenômenos físicos e humanos na superfície da Terra. 
Nesta aula, você irá estudar como se deu a evolução desse 
conhecimento na antiguidade, principalmente a influência dos gregos e 
romanos na construção das ideias geográficas. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
 Compreender a evolução do pensamento geográfico na Antiguidade. 
 Relacionar as necessidades dos povos antigos com a produção e compreensão 
do espaço geográfico. 
 Compreender a influência dos gregos e romanos no desenvolvimento do 
conhecimento geográfico. 
 Perceber como surge a Geografia geral e regional. 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 19 
 
A indagação geográfica 
Para darmos início ao conteúdo desta aula, poderíamos, antes, nos 
fazer a seguinte indagação: qual é a questão específica que se coloca 
para a Geografia? 
Entre tantas possibilidades de respostas, poderíamos responder da 
seguinte maneira: a questão específica da Geografia é entender por que 
e como as distribuições espaciais estão estruturadas da maneira que 
estão. 
Lembramos a você que as distribuições espaciais são estruturadas a 
partir das ações humanas individuais e coletivas sobre a extensão 
terrestre. 
Quando Começam as Indagações Geográficas? 
Os primeiros indícios de uma preocupação com a distribuição dos 
fenômenos surgiram desde os primórdios da humanidade. Nesse 
período, o homem pouco modificava a natureza, uma vez que estava 
muito subordinado às condições naturais o que, provavelmente, lhe 
impunha uma condição de nômade. Essa condição se exprime no 
constante deslocamento à procura de meios de subsistência ou em 
atividades guerreiras e condiciona a uma necessidade de conservar 
informações sobre os caminhos percorridos e as suas direções. 
 
Dessa maneira, surgem os primeiros esboços representando a 
superfície da Terra, isto é, os primeiros mapas. Você pode confirmar 
essa informação perguntando a qualquer pessoa, mesmo aquelas que 
não sabem ler, qual o melhor caminho para ir a um lugar. Ela será capaz 
de fazer um esboço, mostrando o caminho a seguir, os fatos mais 
importantes que existem ao longo do percurso e os principais 
obstáculos. Há mesmo quem diga que fazer mapas é uma aptidão inata 
do ser humano. 
 
Desde a Antiguidade, a cartografia tem grande importância. O mapa 
mais antigo de que se tem notícia data de 2500 a.C. e é uma 
representação de um rio, provavelmente o Eufrates, com uma 
montanha de cada lado desaguando por um delta de três braços. 
 
Nesse período, a concepção existente era de uma Terra plana, com a 
forma de um disco e constituída por uma massa flutuante na água, com 
a abóbada celeste por cima. 
 
A expansão política, comercial e marítima dos povos do mediterrâneo 
(Mesopotâmia, Fenícia, Egipto) levou à elaboração de mapas marítimos 
e, sobretudo, à descrição de lugares e de povos. Tais descrições eram 
denominadas de périplos. 
 
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 20 
 
 
O périplo mais antigo data do século VII a.C. e foi feito por marinheiros 
fenícios a serviço do faraó egípcio. 
 
Foi na Grécia antiga que a ciência geográfica recebeu seu nome, 
entretanto, outros povos que vieram antes dos gregos, já tinham 
conhecimentos geográficos, entre estes, destacamos os egípcios, 
babilônios e fenícios. 
 
Os egípcios 
•Umas das mais antigas civilizações do mundo: 5 mil anos a.C.; 
•Se estabeleceram às margens do Rio Nilo e tiveram na agricultura a 
principal atividade; 
•Devido às condições climáticas da região essa era a única área que 
permitia atividade agrícola, no período de cheias; 
•Os egípcios estudaram a periodicidade das estações do ano 
observando o movimento do Sol, Lua e estrelas. 
 
 
Figura 3-Registo dos egípcios 
 
Os fenícios e babilônios 
•Povos que habitavam a região do atual Oriente Médio; 
•Fenícios ocupavam uma faixa do litoral do Mar Mediterrâneo, onde 
atualmente fica o Líbano; 
•Dedicavam-se ao comércio e faziam inúmeras viagens pelo Mar 
Mediterrâneo e Mar Vermelho;ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 21 
 
•Chegaram a ultrapassar o Estreito de Gibraltar e atingir o Oceano 
Atlântico; 
•Conheciam muito bem esses litorais, ilhas, golfos e baías. 
 
 
 
Figura 4-Rotas comerciais dos fenícios e babilônios 
 
 
•Os babilônios habitavam a região da Mesopotâmia, entre os rios Tigre 
e Eufrates, atual Iraque; 
•Esse povo serviu-se de crenças espirituais e mitológicas para explicar 
os fenômenos naturais que eram inexplicáveis; 
•Os babilônios supunham que a Terra era uma grande montanha 
redonda cercada por mares; 
•No interior da montanha estava o reino dos Mortos e sobre ela, no 
céu, a Morada dos Deuses; 
•O mais antigo mapa que se tem notícia foi elaborado pelos babilônios. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 22 
 
 
Figura 5- Localização geográfica do império da Babilónia 
 
 
A Sistematização do Conhecimento Geográfico 
 
A palavra geografia (descrever a Terra) foi criada pelos gregos, povos 
que originalmente vão se preocupar com a sistematização desse 
conhecimento. 
Para Nelson Werneck Sodré (1987), talvez a Geografia seja a ciência de 
história mais longa entre todas que conhecemos. 
Ela começa com as descrições, nas comunidades de tradição oral, das 
migrações e das diferenciações dos lugares. Isso mostra que é 
importante que o conhecimento seja registado e transmitido. É na 
Grécia, já com o domínio da escrita e em decorrência de sua posição 
geográfica no Mediterrâneo, em relação às outras partes do mundo 
conhecido, que cabe (aos gregos) coletar e sistematizar os 
conhecimentos de natureza geográfica. 
 
O primeiro mapa grego de que se tem notícia foi elaborado por 
Anaximandro de Mileto (650-615 a.C.), que viajou e escreveu relatos 
das suas viagens. Discípulo de Tales de Mileto é provável que 
Anaximandro de Mileto tenha sido o inventor do gnómon, instrumento 
que serve para medir a altura do Sol (Figura 2). 
 
 
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 23 
 
 
Figura 6-Gnomon 
 
O segundo mapa da Antiguidade foi elaborado por Hecateu de Mileto 
(560-480 a.C.). Viajou por toda parte do mundo conhecido, escreveu a 
Descrição da Terra, obra ilustrada por um mapa onde a Terra é 
representada por um disco com água em sua volta. 
Outros documentos importantes dessa época são os poemas épicos 
Ilíada e Odisseia, de Homero, conhecidos e apreciados por seu valor 
literário e pelas informações geográficas contidas na descrição dos 
lugares distantes e das longas viagens marítimas. 
Os dois pontos de vista da Geografia 
 
Você deve ter percebido, até aqui, que duas são as preocupações que 
fundamentam os conhecimentos geográficos desse período. Um está 
relacionado com a física terrestre – forma, dimensão, posição sideral. A 
outra, com a descrição das diferenças da constituição da superfície 
terrestre e com as diversas culturas que nela se instalam. Essas duas 
dimensões dão origem a dois pontos de vistas: o da Geografia Geral e o 
da Geografia Regional. 
 
Dois “geógrafos” gregos 
 
 Erastóstenes (276-194 a.C.) – Além de demonstrar a existência 
da curvatura da Terra e calcular suas dimensões com notável 
precisão, também localizou mares, terras, montanhas, rios e 
cidades no primeiro sistema de coordenadas geográficas, no 
qual estavam presentes as latitudes e as longitudes. 
 
 
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 24 
 
Estudou, ainda, questões relativas à hidrografia e à climatologia, às 
zonas climáticas e às cheias dos rios, notadamente aquelas relativas ao 
Nilo. Contudo, os níveis de generalização traziam consigo margens de 
erros consideráveis, fortalecendo a abordagem regional. 
Matemático, filósofo e astrónomo grego da escola de Alexandria. 
Graças a medição ingeniosa de um arco de meridiano, foi o primeiro a 
medir corretamente a circunferência da terra (em 40 000 Km. 
aproximadamente). 
 
Figura 7-Erastostenes 
 Heródoto (484-425 a.C.) – Filósofo e historiador, considerado o 
pai da História e da Geografia, inseriu a história dos povos no 
contexto geográfico. Suas crônicas registam a gênese da 
Geografia Regional e retratam os mais diferentes e distantes 
países. São conhecidas suas viagens à Fenícia, ao Egipto e à 
Babilônia. Ao estudar as cheias do rio Nilo, Heródoto associou a 
sua desembocadura à letra grega delta, razão pela qual é 
encontrada até os dias atuais a foz em delta nos livros escolares. 
 
 
Figura 8- Mapa de Eratóstenes 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 25 
 
Dois “geógrafos” romanos 
 
 Estrabão (64 a.C – 20 d. C) – Grande enciclopedista destaca o 
caráter filosófico e transdisciplinar da Geografia. Em sua obra, 
afirmava que o amplo conhecimento, necessário ao 
empreendimento de qualquer trabalho geográfico, deve estar 
relacionado tanto com as coisas humanas como divinas, 
conhecimento que constitui a Filosofia. 
 
Ao contrário dos gregos, interessava-se por uma abordagem mais 
humana, cujos ensinamentos destinavam-se às ações de governo. Além 
do mais, ensinava que os geógrafos não deviam preocupar-se com o 
que estava fora do mundo habitado. Assim como Heródoto, Estrabão 
foi um grande viajante, tendo descrito no seu livro várias partes do 
mundo daquela época. Por tal feito, é, ainda hoje, considerado um dos 
mais importantes geógrafos da Antiguidade. Estrabão tinha como 
metodologia geográfica a localização e delimitação dos aspetos físicos 
de uma região seguidas da descrição da população, com suas lendas, 
costumes e atividades econômicas. 
 
 Ptolomeu (90 – 168 d.C.) – É o último grande geógrafo da 
antiguidade, foi também astrônomo e matemático. Interessou-
se pelas técnicas de projeção cartográfica e elaboração de 
mapas. Em sua obra Geographia, de 8 volumes, traz os princípios 
de construção de globos e projeções de mapas, indica os 
princípios da Geografia, Matemática e da cartografia, além de 
organizar um grande vocabulário com todos os nomes de 8000 
lugares que conhecia, localizando-os por meio da latitude e da 
longitude. 
Em sua obra “el Almagesto” descreve os princípios da Teoria 
Geocêntrica, o movimento circular uniforme e a divisão do Universo em 
dois domínios) o Cosmos e o mundo sub lunar), que estiveram vigentes 
até ao final da idade media e o Renascimento; imaginou a terra imóvel 
no centro do universo. Foi o primeiro a fazer mapas com coordenadas. 
 
 
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 26 
 
 
Figura 9-Representação da teoria Geocêntrica de Ptolomeu 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática, aprendemos que o saber geográfico não é 
algo que começou a ser produzido recentemente. Chega-se mesmo a 
afirmar que o seu início remonta às primeiras comunidades gentílicas. 
O rótulo geografia, por outro lado, somente passou a ser utilizado na 
antiguidade clássica e é fruto direto do pensamento grego. 
 
No processo histórico de construção desta especificidade do saber 
humano, os (as) gregos (as) são considerados (as) os (as) primeiros (as) 
a registar de forma sistematizada os conhecimentos geográficos. Tais 
contribuições decorrem do posicionamento geográfico da Grécia, que 
possibilitou a navegação, o comércio e o domínio sobre os povos do 
mediterrâneo, além do desenvolvimento social, político, econômico e 
cultural. 
Os (as) romanos (as), partindo dos conhecimentos herdados dos (as) 
gregos (as), ampliaram significativamente estes conhecimentos, 
tornando-se os (as) responsáveispelas grandes contribuições que 
passariam ser, mais tarde, fundamentais no desenvolvimento da 
Geografia enquanto ciência (Um dos grandes problemas enfrentados 
pelos que pretendem desenvolver uma pesquisa mais aprofundada 
acerca da história da Geografia, é a ausência quase que total de 
informações sobre as produções teórico-metodológicas dos povos 
orientais, sobretudo os da Antiguidade, fato que nos obriga, neste 
processo de construção, a citar apenas os feitos dos geógrafos 
ocidentais, e, mais particularmente, os dos greco-romanos). 
Autores como Eratóstenes, Tales de Mileto, Anaximandro, Heródoto, 
Hipócrates, Hiparco, além de outros, produziram os conhecimentos 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 27 
 
alicerçadores do que mais tarde seria a geografia científica, fato que 
justifica alguns comentários sobre eles. 
Apesar da imensa contribuição destes autores citados, foram, sem 
dúvida, Estrabão e Cláudio Ptolomeu os maiores responsáveis pela 
sistematização dos conhecimentos geográficos na Antiguidades 
Clássica. Suas obras, ressaltamos, serviram de modelo para os 
geógrafos responsáveis pela grande retomada da produção de 
conhecimentos geográficos, ocorrida a partir do século XV. 
 
Auto-avaliação 
1. Desde a Antiguidade, a cartografia tem grande importância para 
representar os contornos do planeta terra. O mapa mais antigo foi em: 
A. 2500 a.C. B. 2500 d. C 
C. 2000 a. C D. 2000 d.C 
 
2. A expansão política, comercial e marítima dos povos do mediterrâneo 
(Mesopotâmia, Fenícia, Egipto) levou à elaboração de mapas marítimos 
e, sobretudo, à descrição de lugares e de povos. Essas descrições eram 
chamados de: 
 
A. terráqueo B. périplos. 
 C. Trilho D. todas opções estão correctas. 
3. Atende as características: antigas civilizações do mundo: 5 mil anos 
a.C. e situada as margens do Rio Nilo com a principal actividade 
agricultura. Estas particularidades refere-se aos: 
A. Os fenícios B. Os babilônios 
C. Os egípcios D. Todos 
 
4. Ocupavam uma faixa do litoral do Mar Mediterrâneo, dedicavam-se 
ao comércio e faziam viagens pelo Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho 
e litorais, ilhas, golfos e baías. São características típicas de: 
A. Os babilônios B. Os egípcios 
C. Gregos D. Fenícios 
5. A Geografia é uma ciência que tem por objetivo o estudo da 
superfície terrestre e a distribuição 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 28 
 
espacial de fenômenos significativos na paisagem. Os primeiro que 
coletar e sistematizar os conhecimentos de natureza geográfica foram: 
A. Gregos B. Egípcios 
C. Babilónicos D. Todos 
Guião de Correcção 
1-A; 2-B; 3-C; 4-D; 5-A 
Avaliação 
1. O primeiro mapa grego de que se tem notícia foi elaborado por: 
A. Eratóstenes (276-194 a.C.) 
B. Anaximandro de Mileto (650-615 a.C.) 
C. Heródoto (484-425 a.C.) 
D. Ptolomeu (90 – 168 d.C.) 
 
2. O segundo mapa da Antiguidade que fazia a Descrição da Terra, obra 
ilustrada por um mapa onde a Terra é representada por um disco com 
água em sua volta, foi elaborado por: 
 
A. Anaximandro de Mileto (650-615 a.C.) 
B. Heródoto (484-425 a.C.) 
C. Ptolomeu (90 – 168 d.C.) 
 D. Hecateu de Mileto (560-480 a.C.) 
3. No processo histórico de construção desta especificidade do saber 
humano, os gregos são considerados os primeiros a registar de forma 
sistematizada os conhecimentos geográficos. 
4. Eratóstenes foi ele que localizou mares, terras, montanhas, rios e 
cidades no primeiro sistema de coordenadas geográficas. 
5. Qual o objeto de estudo da Geografia? 
 
A. Interpretação de Mapas. 
B. Descrição dos Lugares. 
C. Observação da Paisagem. 
D. Estudo do Espaço Geográfico. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paisagem
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 29 
 
Guião de Correcção 
1-B; 2-D; 3-V; 4-V; 5-D 
Referencias Bibliográficas 
ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia: ciência da sociedade. Recife: 
Editora Universitária/UFPE, 2006. 
BAILLY, A. FERRAS, R. Élements d’éspistemoligie de la géographie. 
Paris: Armand Colin, 1997. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la géopgraphie. Paris: PUF, 1996. 
SANTOS, Milton. O país distorcido. São Paulo: Publi folha, 2002. p. 82. 
 
UNIDADE Temática 2.2. A Geografia na idade Média 
Introdução 
 
Esta aula discute a influência das mudanças ocorridas na passagem da 
Antiguidade para o medievo e suas repercussões no conhecimento 
geográfico, assim como a influência árabe no desenvolvimento da 
Geografia. 
 período. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
 Compreender a evolução do pensamento geográfico na Idade Média. 
 Entender que as mudanças ocorridas na sociedade com a queda do Império 
Romano e ascensão Medieval repercutem no desenvolvimento do 
conhecimento geográfico. 
 Compreender a influência dos árabes no desenvolvimento da Geografia. 
 
Quadro geral do Sistema Feudal 
 
A obra de Ptolomeu, que vimos no final da aula sobre a Geografia na 
Antiguidade, encerra a primeira etapa da Geografia. A própria riqueza 
que essa obra produziu por meio de uma ampla sistematização e o 
método de documentação que preconizou mantiveram-se durante 
muitos séculos presentes no pensamento geográfico. Como Aristóteles 
para a Filosofia, Ptolomeu será, até o Renascimento, a autoridade 
 
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 30 
 
inconteste em matéria do conhecimento da Terra e do sistema Mundo. 
E, desse modo, a Idade Média é, para a Geografia, um período de 
estagnação e mesmo de retrocesso do conhecimento produzido por 
essa ciência. 
 
A queda do Império Romano e a difusão do Cristianismo dão início a 
esse novo momento da história da humanidade, instalando um 
processo de fragmentação na produção do conhecimento científico e 
geográfico. As causas para essa fragmentação podem ser encontradas 
no contexto social, econômico e religioso daquela época. 
 
As invasões bárbaras vão provocar uma situação de guerra generalizada 
em boa parte do espaço europeu ocupado pelo Império Romano. Tal 
situação irá provocar na Europa consequências importantes que 
levaram ao isolacionismo espacial das sociedades e à instauração do 
sistema feudal, conforme você pode perceber na passagem a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Europa que daí surge está dividida em uma série de pequenas áreas 
politicamente diferenciadas, deixando de existir uma política uniforme 
sobre todo o território. Veja que a desarticulação dos sistemas de 
comunicação ligada ao fato de a Europa se encontrar relativamente 
despovoada dificultava o deslocamento de pessoas e a troca de ideias 
e de bens entre suas diferentes áreas. 
O sistema que se constitui é essencialmente isolacionista e tenta 
resolver seus problemas a partir da auto – subsistência do próprio 
feudo, prejudicando a mobilidade de pessoas, as trocas e a ampliação 
do horizonte geográfico que se verificou na Antiguidade. 
A influência da Igreja 
Nesse período, a Igreja Católica representa o maior poder europeu 
associada às diversas aristocracias, uma vez que se constitui na única 
instituição com influência sobre todos os feudos. Dessa maneira, as 
respostas para as questões da vida cotidiana, individual, social e 
políticas passaram a ser dadas a partir de interpretações bíblicas. É claro 
que o homem continua se perguntando sobre as questões geográficas. 
Entretanto, indagações sobre “como” e 
O fervor intelectual que havia favorecido a reflexão sobre a forma e a configuração 
da Terra desapareceu. O Estoicismo deixoude apoiar-se na hipótese geocêntrica e 
na imagem de um mundo harmonioso que daí emanava. A deslocação progressiva 
da administração tornou inúteis os levantamentos de informações tão procuradas 
na época de Augusto. As formas de construção social que triunfaram na Idade 
Média assentam em relações pessoais: é através de notáveis locais que o poder se 
exerce à distância; como tal, não é necessário formalizar o saber geográfico nesta 
sociedade: o conhecimento das pessoas é sufi ciente. (CLAVAL, 1996, p. 17-8). 
 
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 31 
 
“onde” continuam a ser feitas, só que agora as respostas são buscadas 
nas ordens religiosas e não nas cosmologias, como era mais comum 
anteriormente. 
A Bíblia era um instrumento que continha referências cosmológicas e 
geográficas, as quais davam respostas a tais perguntas. Veja que, no 
fundo, é a Igreja e não a ciência que busca respostas para indagações 
da realidade sócio espacial. 
Vale destacar que nesse período ocorre certo imobilismo populacional 
e uma diminuição dos eventos das viagens e, com isso, um maior 
desconhecimento do mundo real. Esses fatores aliados ao poder da 
Igreja provocam a diminuição da busca de respostas nas ciências. “Era 
natural que em um período de lutas constantes houvesse grande 
dificuldade de comunicação e uma queda no ritmo do comércio e nas 
preocupações filosóficas e, consequentemente, um retrocesso do 
conhecimento na Europa Ocidental”. (ANDRADE, 2006, p. 46). 
Depois de Ptolomeu houve um declínio evidente na exatidão dos mapas 
do mundo, declínio que perdurou até ao século XIV. Portanto, durante 
a Idade Média, período que se estendeu da queda do Império Romano 
(476 d.C.) a tomada de Constantinopla (1453 d.C.), a Cartografia 
experimentou uma fase de estagnação, onde todas as conquistas 
científicas realizadas anteriormente foram substituídas por uma 
representação simbólica, de caráter religioso. 
Isodoro (570-636 d.C.), bispo de Sevilha, criou o mapa etimologias, 
também conhecido como mapa T-0 (Figura 5). Este mapa esquemático 
tinha o seguinte significado: o "T" representava os três cursos d'água 
que dividiam o ecúmero, o Mediterrâneo, que separa a Europa da 
África; o Nilo, separando a África da Ásia; e o Don, entre a Ásia e a 
Europa. O ecúmero teria sido dividido por Noé entre seus três filhos 
após o Dilúvio. Além disso, o "T" também simbolizava a cruz e na sua 
junção estaria localizada Jerusalém, centro do mundo. Esses mapas, em 
sua maioria, eram circulares e emoldurados por um grande oceano. 
 
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 32 
 
 
Figura 10- Mapa T em O, típico da era medieval 
 
Neste mapa a Ásia ocupava sempre a metade superior do “O”, com a 
Europa e a África ocupando, cada uma, a metade da parte inferior. O 
mediterrânico uma posição meridiano entre os dois continentes. 
Jerusalém estava no centro do círculo, segundo o texto bíblico «esta 
Jerusalém; no meio das nações eu a coloquei e suas terras ao redor 
dela». O paraíso aparecia localizado a leste na parte superior do mapa. 
Nestes mapas foram incluídos elementos teológicos, perdeu-se a noção 
de localização rigorosa dos lugares e não existia sistemas de projeção. 
Considerava-se a terra de forma plana representada circularmente. 
Nem tudo foi sombra na Idade Média 
Se por um lado o conhecimento declinava no mundo ocidental “em 
outras áreas, porém, a formação de Estados fortes e a intensificação das 
viagens e do comércio permitiram que as tradições culturais gregas e 
latinas se integrassem com a de povos do Oriente e houvesse maior 
difusão cultural” (ANDRADE, 2006, p.46). Aqui um fator merece 
destaque: a expansão Árabe-Muçulmana. 
A expansão Árabe-Muçulmana 
A civilização Árabe-Muçulmana emerge depois da queda de Roma e se 
baseia na nova e vigorosa religião do Islã. Surgida no século VII, seu 
fundador foi Maomé (570-632), um próspero mercador da cidade de 
Meca. 
Maomé acreditava ter visto o anjo Gabriel que lhe ordenou “recitar em 
nome do Senhor”. Tomado por essa visão, Maomé se considera o 
escolhido e se transforma em profeta. 
 
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 33 
 
Nesse período, a maioria do povo árabe acreditava em deuses tribais, 
entretanto, nos grandes centros, a maioria da população já havia 
tomado conhecimento do Judaísmo e do Cristianismo, o que facilitou a 
aceitação de um Deus único anunciado por Maomé. Os padrões 
islâmicos de moralidade e as normas que regulam a vida cotidiana são 
fixados pelo Alcorão, que os muçulmanos acreditam conter a palavra de 
Alá, revelada a Maomé. Para eles, o Islã é o aperfeiçoamento do 
Judaísmo e do Cristianismo e reconhecem Jesus como um grande 
profeta, mas não divino. Maomé unifica as tribos árabes, envolvidas em 
constantes disputas, através da difusão da fé islâmica. 
 
Entre os séculos VIII e IX, a civilização muçulmana conhece o seu 
apogeu. Enquanto o conhecimento estava em baixa na Europa 
ocidental, os muçulmanos desenvolviam grandes conhecimentos 
embasados nas realizações dos gregos antigos através da tradução de 
obras gregas para o árabe. Com as suas conquistas, o império árabe 
estende-se desde a Espanha até a Índia e foi unificado, principalmente, 
pela fé. Por volta do século XI, começam a perder seu domínio. 
 
Os árabes encontravam-se assim extraordinariamente bem colocados 
para realizarem a exploração do domínio da Antiguidade clássica. O 
interesse pelas viagens e pelo conhecimento de outros lugares era 
grande. 
 
As peregrinações a Meca, exigência do Corão, significavam também 
grandes distâncias a percorrer. Assistiu-se assim a um período de 
desenvolvimento do conhecimento de muitos lugares. 
Os árabes procuravam também estabelecer relações com outros povos 
distantes. No século XII, Edrisi enriqueceu os seus conhecimentos 
geográficos com longas viagens e, ao serviço do rei da Sicília, elaborou 
e 1154 um mapa-múndi, que é considerado a obra mais importante da 
cartografia árabe. No século XIV, Ibn Batutah percorreu o Egipto, a 
Arábia, a Palestina, a Rússia, o Iraque, o Irão, o Afeganistão, a Índia e a 
China. Ultrapassou o Equador, demonstrando que a zona tórrida era 
habitada. O relato das suas viagens, rico de observações e de 
informações pessoais, é, sobretudo, uma descrição da sociedade 
muçulmana da 1ª metade do século XIV. 
 
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 34 
 
 
Figura 11- Itinerários e expansão árabe na idade media 
Os árabes mantiveram, deste modo, as tradições da geografia 
descritiva. Foram também eles que traduziram no século IX a geografia 
de Ptolomeu, com o nome de Almagesto. Desenvolveram a astronomia, 
a matemática, a geometria. Aperfeiçoaram o astrolábio e a bússola. 
E enquanto a cartografia ocidental ia pouco além de uma ilustração 
decorativa de textos teológicos, o mundo muçulmano recolheu e 
desenvolveu a antiguidade clássica. 
As suas cartas são no entanto esquemáticas: não há nem projetado, 
nem coordenadas, e a configuração real das várias regiões é 
inteiramente ignorada. A latitude e a longitude foram utilizadas pelos 
astrónomos nas suas observações, mas geógrafos, ao elaborarem os 
mapas, não se serviam desses dados. Existia no mundo árabe uma 
separação entre os geógrafos e astrónomos, que não aconteceu na 
antiguidade. 
 
 
Figura 12-Cartogramas usados pelos árabes na idade média 
 
 
 
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 35 
 
Sumário 
Na aula 1 (O saber geográfico), você observou a diferençaexistente 
entre o conhecimento geral e o geográfico. 
 
Agora, você terá visto como esses conhecimentos e, em particular, o 
geográfico, recrudesceu no início da Idade Média. A partir desse 
período, a influência do Cristianismo passa a ocorrer, também, no cerne 
do conhecimento e as respostas para as indagações do homem passam 
a ser pautadas nos conhecimentos da Bíblia e no desenvolvimento do 
conhecimento humano, como o incremento de tecnologias que 
viabilizassem os empreendimentos da Igreja Católica – as cruzadas, por 
exemplo. Viu ainda que a influência dos árabes é grande nesse período 
e que ela foi fundamental para o desenvolvimento geográfico dessa 
época. 
Autoavaliação 
1. A Europa, da Idade Média, é uma sociedade relativamente 
estável e fechada. Mas, esse período inicia grande processo de 
abertura e expansão comercial e marítima. 
2. Qual das alternativas abaixo aponta características da religião 
na Idade Média? 
 
A - Várias igrejas cristãs e protestantes atuavam na Europa Medieval. 
B - A Igreja Católica dominava na Europa Medieval, controlando a 
produção cultural e tendo grande influência sobre a vida espiritual das 
pessoas. 
C - As pessoas não davam importância à religião na Idade Média, sendo 
que grande parte da população era composta por ateus. 
D - Embora monopolizasse a vida religiosa na Idade Média, a Igreja 
Católica era muito aberta aos avanços científicos e manifestações 
culturais diversas. 
Guião de Correcção 
1-V; 2-B 
Referencias Bibliograficas 
ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia: ciência da sociedade. Recife: 
Editora Universitária/UFPE, 2006. 
BAILLY, A.; FERRAS, R. Élements d’éspistemoligie de la géographie. 
Paris: Armand Colin, 1997. 
 
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 36 
 
CLAVAL, Paul. Histoire de la géopgraphie. Paris: PUF, 1996. 
FERREIRA, Conceição Coelho; SIMÕES, Natércia Neves. A evolução do 
pensamento geográfico. Lisboa: Gradiva, 1990. (Panfl etos Gradiva, 5). 
MARCO Pólo. Direção de Giuliano Montaldo. São Paulo: Versátil, 1982. 
AS MONTANHAS da lua. Direção de Bob Rafelson. [S. l.]: Tel Vídeo/20.20 
Vision, 1990. 
O NOME da rosa. Direção de Jean-Jacques Annaud. São Paulo: Warner 
Bros, 1986. 
 
UNIDADE Temática 2.3. A Geografia na era dos Descobrimentos 
Introdução 
 
Nesta aula, veremos as mudanças ocorridas no período de transição 
entre a Idade Média e os Tempos Modernos, destacando os 
acontecimentos que deram origem à chamada Renascença e ao 
Iluminismo e a forma como essas mudanças influenciaram e 
demandaram uma nova ordem espacial. 
 
 deseríodo. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
 Compreender a importância da Renascença e do Iluminismo para os tempos 
modernos. 
 Mostrar a relação entre mudanças sociais e estruturas espaciais ocorridas na 
transição do Feudalismo para o Capitalismo. 
 Relacionar mudanças ocorridas na estrutura social com a estruturação 
espacial. 
 
O Renascimento 
 
O Renascimento3 foi um dos mais importantes momentos de inflexão 
(mudança de direção) da história do ocidente e significa uma rotura 
 
3 Segundo o dicionário Michaelis, o Renascimento pode ser definido como o movimento literário, 
científico e artístico surgido na Itália, no século XV, e difundindo-se pelos outros países da Europa, 
no século XVI; sua característica principal foi a imitação dos modelos da civilização grega e latina. 
 
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 37 
 
entre o mundo medieval, caracterizado como uma sociedade agrária, 
estamental, teocrática e fundiária, e o mundo moderno, caracterizado 
pela urbanização, pelo modo burguês de pensar e, principalmente, por 
se caracterizar como uma sociedade de trocas. 
 
O Renascimento vai do século XV ao XVII. Neste momento ocorrem 
significativas mudanças. Na Europa, estas mudanças estão na origem do 
que viria a ser o mundo contemporâneo. 
Como vimos na aula anterior, a Europa, da Idade Média, é uma 
sociedade relativamente estável e fechada. Mas, esse período inicia 
grande processo de abertura e expansão comercial e marítima. 
A identidade das pessoas, de forte vinculação com o clã (tribo 
constituída de varias famílias subordinadas a um chefe hereditário) com 
a propriedade fundiária, passa a ter como referência o nacionalismo e 
o cultivo da própria individualidade. 
O homem vai tornando-se, aos poucos, o centro das preocupações, 
possibilitando paulatinamente a instalação de mentalidade laica (o que 
se opõe à eclesiástica), a qual vai se desligando do sagrado e das 
questões transcendentais tão características da Idade Média. Essas 
mudanças afetaram todas as esferas sociais: 
Na esfera econômica, o comércio e a manufatura tiveram grande 
expansão e o capitalismo substitui amplamente as formas medievais de 
organização econômica. 
Na esfera política, o governo central torna-se mais forte e viabiliza a 
consolidação do Estado, nova forma de governar. Na esfera religiosa, 
veremos a ascensão do protestantismo. 
Na esfera social, surge o que hoje chamamos de classe média, que 
assume um papel importante no campo da política e da cultura. Na 
esfera cultural, o clero perde o monopólio do ensino e a teologia cede 
lugar à ciência na explicação do mundo. 
A sociedade renascentista é uma sociedade fascinada pela vida da 
cidade, pelo comércio e pelos prazeres terrenos. A ideia de viver bem 
neste mundo passa a rivalizar com a promessa do paraíso. 
Ao se afastarem da orientação religiosa predominante na Idade Média, 
a sociedade que daí emerge vai discutir a condição humana na sua 
relação com o mundo, abrindo, assim, novas possibilidades de reflexão 
sobre questões políticas e morais. 
 
 
 
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 38 
 
Note que nesse processo de transição do medieval para a modernidade 
o mundo vai tornando-se cada vez mais laico e independente da tutela 
da religião e o homem vai sendo levado a pensar e analisar a realidade 
que o cerca em toda a sua objetividade e não como resultado da 
vontade divina. 
Perceba que neste momento aparecem novas instituições políticas e 
sociais – nações, estados, novas legislações, novas classes sociais, 
exércitos etc. – o que implica também numa nova maneira de pensar a 
vida social, a história e a geografia. As cidades ganham vida, atraindo 
pessoas de diferentes lugares dispostas a conquistar um espaço no 
mundo, a competir e a enriquecer. 
A cidade vai transformar-se também no lócus de sustentação do 
desenvolvimento do capitalismo, inaugurando também uma nova 
divisão social e territorial do trabalho (trataremos melhor desse assunto 
na aula seguinte, na qual veremos as consequências espaciais de toda 
essa transformação). 
O Iluminismo 
Mais que um movimento, o Iluminismo foi um modo de pensar. Falando 
de modo geral, foi uma consequência da “revolução científica” do final 
do século XVII, que havia transformado a concepção que a maior parte 
das pessoas instruídas tinha a respeito do mundo habitado. 
Como vimos a pouco, o Renascimento inicia o movimento de transição 
da sociedade medieval para o capitalismo moderno. Sistema 
econômico voltado para a produção concentrada de bens, para a troca, 
para a expansão comercial, para a circulação crescente de mercadorias 
e para o adensamento populacional. Perceba que é um sistema que 
demanda constantemente ajustes e ordenamento espacial. 
Essa sociedade que emerge é individualista e financista. Voltada para 
expansão comercial e busca do lucro, ela engendra novos valores e 
atitudes que passam a reger o comportamento social. Veja quea nova 
sociedade mexe de maneira radical com a estruturação espacial: 
expansão significa busca e dominação de novos territórios; produção 
concentrada exige deslocamento de população e novo papel para as 
cidades; circulação demanda vias de comunicação e de fluxos, dando 
origem a redes urbanas hierarquizadas. 
O Desenvolvimento Científico 
Essas novas condições fizeram do comércio a principal atividade motora 
da sociedade que daí emergia. Para esse fim, organizavam-se viagens 
internacionais e faziam-se guerras nas quais eram disputadas as 
melhores rotas comerciais, as fontes de produtos e matérias-primas e a 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 39 
 
clientela. As grandes navegações ocorreram nesse cenário. 
 
A valorização e intensificação das trocas, a descoberta de novas rotas e 
do desenvolvimento das redes urbanas, e a possibilidade, cada vez 
maior, de se auferir lucro repercutiram no estímulo à produção. 
Tornava-se urgente produzir mais e em condições capazes de responder 
à demanda que se tornava cada vez mais intensa. 
 
Esse quadro passa a exigir dos produtores uma outra racionalidade e, 
principalmente, planeamento. Além disso, a intensificação e ampliação 
dos mercados requerem um desenvolvimento tecnológico que 
acompanhe os novos ritmos da produção em larga escala para um 
mercado que já se reveste de tendências mundiais. 
 
Perceba que nesse caso estão dadas as condições para o 
desenvolvimento tecnológico voltado para a invenção e produção de 
máquinas que potencializasse a produção e o barateamento dos 
produtos. Isso provoca um verdadeiro corre-corre por engenhos 
tecnológicos. 
O planeamento, a racionalidade e o desenvolvimento da pesquisa 
científica vão, aos poucos, sendo disseminados visando à produção, e 
também vão se disseminando na vida cotidiana. 
Essa turbulência provoca a curiosidade dos homens no sentido da busca 
do entendimento dos mecanismos que regulam o mundo circundante, 
ou seja, o homem da modernidade procura compreender os 
mecanismos da vida e da natureza. 
Com a saída sistemática de populações do campo em direção à cidade, 
o interesse pela produção agrícola tornou-se iminente dado que, pela 
primeira vez na história, dever-se-ia produzir para um contingente de 
produtores não primários. Essa preocupação manifesta-se numa 
verdadeira revolução agrícola que buscava aumentar a produção e a 
produtividade de alimentos. E esse movimento somente foi possível 
porque junto com a revolução agrícola vieram também a revolução 
científica, tecnológica e industrial. 
 
As Grandes Navegações 
 
Imagine que, diante do quadro apresentado até aqui, os interesses 
econômicos e de expansão manifestavam-se de forma nunca vista na 
história. São esses interesses que vão provocar, entre os séculos XVI e 
VXII, o ingresso da Europa Ocidental numa era de agressiva exploração 
ultramarina e expansão econômica que transformará em definitivo o 
mundo em que vivemos. Os exploradores europeus descobriram um 
novo caminho para a Índia, fazendo o 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 40 
 
contorno do continente Africano. Conquistaram, colonizaram e 
exploraram a América, o que provocou um extraordinário aumento nas 
atividades mercantis e no suprimento monetário, promovendo o 
desenvolvimento do capitalismo. 
 
As Grandes Navegações levaram ao progresso da Cartografia, além de 
inúmeras invenções como a bússola, a caravela e o astrolábio. 
 
 
Figura 13- bússola, a caravela e o astrolábio. 
 
 Os primeiros mapas desse período eram elaborados de acordo com 
as necessidades dos navegadores, que descreviam os litorais por 
onde passavam, deixando de lado a descrição do interior dos 
continentes. 
 Esses mapas eram denominados portulanos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 41 
 
 
Figura 14- mapas portulanos 
As grandes navegações (ou os grandes descobrimentos) foram 
fundamentais para o alargamento do horizonte geográfico a partir da 
Europa. Para superar as dificuldades na busca de novas terras, os 
navegadores tiveram que aprimorar seus instrumentos de observação 
da natureza. Alguns instrumentos serviram, portanto, como 
potencializadores da capacidade de observação e de registo do que os 
homens conseguiam ver e conhecer. A combinação dos usos de 
instrumentos, resultado das invenções do ser humano, foi fundamental 
para que as navegações ocorressem muito além das proximidades dos 
continentes. Depois de ultrapassar o Cabo Bojador, no Marrocos, os 
portugueses foram além, acompanhando a costa oeste da África, até 
chegarem ao Oceano Índico depois de ultrapassarem o Cabo da Boa 
Esperança 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 42 
 
 
Figura 15- Cabo da Boa Esperança, África do Sul 
 
Daí, chegar à Índia, acertar o rumo para a América, ir além do Estreito 
de Magalhães, foi resultado de um passo arrojado e corajoso que os 
navegadores portugueses, depois os espanhóis, desafiando as 
condições naturais e adversas de correntes marítimas e de ventos, 
puderam chegar a terras antes desconhecidas por eles. 
 
Para que isso ocorresse, no entanto, foi necessário o desenvolvimento 
de outros conhecimentos. A elaboração de mapas com o domínio da 
linguagem matemática e das projeções cartográficas foi necessária para 
que as rotas fossem, ao longo do tempo, definidas com mais precisão. 
 
Um novo desafio se colocava: a Terra, de formato esférico, precisava 
ser representada em um plano constituído pela folha que se colocava 
sobre a mesa dos cartógrafos. As medidas de latitude e longitude 
precisavam ser respeitadas e, para isso, a precisão matemática se 
tornava cada vez mais necessária. 
A linguagem da ciência, no Renascimento, consolidava-se como sendo 
a matemática. Por meio de pontos, retas e ângulos, poder-se-ia localizar 
qualquer ponto, pessoa, lugar etc. num sistema tridimensional de 
coordenadas. Cabia, com as mudanças paradigmáticas do 
Renascimento, compreender como o mundo funcionava, muito mais do 
que compreender por que ele foi criado. O ser humano emerge como 
centro do universo e sua posição nesse universo, mesmo tendo como 
referência a Terra, era importante para se ampliar os horizontes da 
ciência. 
Para que isso ocorresse, os europeus foram responsáveis pela conquista 
de novas terras, associando-se ou dizimando outras populações que já 
aí viviam. Sua capacidade de conquista foi potencializada por alguns 
elementos: a caravela, mais leve e ágil e que podia ultrapassar, por 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 43 
 
causa das suas velas, cabos com ventos contrários; a pólvora, elemento 
básico para a demonstração do poderio bélico, que possibilitou o 
avanço dos conquistadores sem se arriscarem no corpo-a-corpo das 
batalhas; e a bússola, instrumento que permitiu a orientação dia e noite 
nos deslocamentos pelos mares e pelas terras. 
A esses elementos, acrescenta-se a imprensa, invenção que permitiu o 
registo dos conhecimentos e sua divulgação em diferentes línguas para 
todos aqueles que pudessem decifrar os códigos das letras e sílabas, e 
das representações cartográficas. 
 
Atitudes como a observação, a anotação, o uso de instrumentos, a 
descrição e a explicação foram incorporados pela Geografia e, ainda 
hoje, são importantes para a abordagem do temário geográfico. Para 
completar esse quadro, é importante lembrar o papel do método 
científico, que serviu para que os cientistas se orientassem, registassem 
e transformassem a observação dos fatos em elementoscientíficos. 
O método científico, como ele foi organizado no Renascimento, 
continha alguns princípios que, quando seguidos, davam o estatuto de 
ciência ao que era enunciado. Observar sempre, experimentar, utilizar 
a linguagem matemática, decompor o facto estudado, não deixar de 
lado nenhum aspecto do facto para que ele tivesse todas as suas 
possibilidades esgotadas, eram os princípios que deviam ser seguidos 
por todos aqueles que tinham, como objectivo, fazer ciência. 
 
Sumário 
Nesta aula, mostramos as principais mudanças ocorridas à época da 
Renascença e do Iluminismo, dois momentos que significaram o 
período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. 
Destacamos ainda as relações entre o clima intelectual, o 
desenvolvimento político, cultural, social e econômico e a relação 
recíproca entre essas mudanças e as mudanças de ordem espacial. 
Este período significou para a geografia, como para quase todo os 
sectores do saber humano, uma época de renovação e de fabril 
actividade. 
Foi o tempo das grandes viagens, que revelaram mundos 
desconhecidos, e das grandes descobertas científicas, que forneceram 
novas bases a todos os conhecimentos. 
Três factos importantes caracterizaram este momento único: 
— Um prodígio alargamento do horizonte geográfico; 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 44 
 
— O grande desenvolvimento da cartografia; 
— Os progressos das ciências físicas auxiliares da geografia. 
 
Autoavaliação 
1. O Renascimento inicia o movimento de transição da sociedade 
medieval para o capitalismo moderno 
2. O desenvolvimento da pesquisa científica vão, aos poucos, sendo 
disseminados visando à produção, e também vão se disseminando na 
vida cotidiana. Foi no desenvolvimento cientifico que: 
A. Ocorreram as grandes navegações 
B. Queda do império Romano 
C. Descoberta da Geografia 
D. Todas opções estão correctas. 
3. Os primeiros mapas desse período eram elaborados de acordo com 
as necessidades dos navegadores, que descreviam os litorais por onde 
passavam 
4. Os primeiros mapas desse período eram elaborados de acordo com 
as necessidades dos navegadores, que descreviam os litorais por onde 
passavam. Esse tipos de mapa eram denominados por: 
A. Bússola 
B. caravela 
C. astrolábio 
D. portulanos. 
5. Os grandes descobrimentos foram fundamentais para o alargamento 
do horizonte geográfico a partir da: 
A. Africa B. Ásia 
C. Europa D. América 
 
 
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 45 
 
Guião de Correcção 
1-V; 2-A; 3-V; 4-D; 5-C 
Avaliação 
1. A elaboração de mapas com o domínio da linguagem matemática e 
das projeções cartográficas foi necessária para que as rotas fossem, ao 
longo do tempo, definidas com menor precisão. 
2. O método científico, como ele foi organizado no Renascimento, 
continha alguns princípios que, quando seguidos, não davam o estatuto 
de ciência. 
3. As principais mudanças ocorridas à época da Renascença e do 
Iluminismo, são dois momentos que significaram o período de transição 
entre: 
A. A Idade Moderna e a Idade Média 
B. a Idade Média e a Idade Moderna. 
C. Contemporânea e a Idade Moderna. 
D. Contemporânea e a Idade Média 
4. Nas grandes navegações, podemos destacar um dos factos muito 
importantes para contributo do sucesso da Geografia: 
A. O grande desenvolvimento da cartografia 
B. Revolução Industrial 
C. Avanço Tecnológico 
D. Todas opções estão correctas. 
5. Os progressos das ciências físicas auxiliares da geografia foram 
marcado na era de descobrimentos. 
Guião de Correcção 
1-F; 2-F; 3-B; 4-A; 5-V 
Referencias Bibliográficas 
ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia: ciência da sociedade. Recife: 
Editora Universitária/UFPE, 2006. 
BAILLY, A.; FERRAS, R. Élements d’éspistemoligie de la géographie. 
Paris: Armand Colin, 1997. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la géopgraphie. Paris: PUF, 1996. 
PERRY, Marvin. Civilização ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 46 
 
TARNAS, Richard. A epopéia do pensamento ocidental. Rio de Janeiro: 
Bertrand Brasil, 2000. 
 
 
 
UNIDADE Temática 2.4. A Institucionalização da geografia 
Introdução 
 
A Geografia moderna surge na Alemanha, a então Prússia, no século 
XIX, marcada pelas particularidades desse país. Mostrar isso é um dos 
intuitos desta aula. Mostraremos também que o contexto cultural, 
político e filosófico devem estar relacionadas quando se trata de 
entender o desenvolvimento de qualquer ciência. 
Você verá ainda como se dá o processo de sistematização e 
institucionalização da Geografia, quais foram os pressupostos materiais 
e históricos que deram sustentação a essa sistematização e quais os 
pressupostos imateriais/subjectivos. Esta aula tenta responder às 
seguintes questões: por que a geografia, um conhecimento de longa 
data, vai se transformar em um saber sistematizado e científico apenas 
no século XIX e por que é na Alemanha que isso acontece? Quais as 
relações entre o contexto da modernidade4 e o surgimento dessa 
ciência? 
 desse período. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
 Compreender como as transformações ocorridas na modernidade 
influenciaram o processo de desenvolvimento das ciências em geral e da 
Geografia em particular. 
 Identificar as mudanças ocorridas nesse período que influenciaram, 
especificamente, o pensamento geográfico. 
 Relacionar os processos históricos, sociais, econômicos e políticos com o 
desenvolvimento e sistematização do conhecimento geográfico. 
 Articular a especificidade da Alemanha no século XIX com o surgimento da 
Geografia moderna. 
 
4 Estilo e costume de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século 
XVII e que vai, paulatinamente, influenciando todo o mundo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 47 
 
 
Contexto geral 
 
Como você viu na aula sobre Geografia na Antiguidade, as primeiras 
indagações geográficas sobre a localização e distribuição dos 
fenômenos remontam às origens da humanidade. 
Entretanto, de forma mais rigorosa, a Geografia como conhecimento 
mais sistematizado nasce na Grécia, onde Anaximandro de Mileto (650-
615 a.C.) constrói o primeiro “mapa do mundo” e Hecateu de Mileto 
(560-480 a.C.) constrói o segundo. Por outro lado, a Geografia enquanto 
ciência autônoma e sua institucionalização ocorrerão somente no 
século XIX. 
Perceba que desde o início o conhecimento geográfico apresentou-se 
polarizado entre duas tendências opostas e complementares. De um 
lado, os geômetras (versados em Geometria) e os astrônomos, com 
uma visão mais geral; de outro, os desbravadores, os aventureiros e 
curiosos, os historiadores, os filósofos e os políticos que, preocupados 
com os aspectos diferenciados da superfície terrestre, das diversas 
formas de produção, dos povos e de seus costumes, refletem sobre as 
relações entre os diferentes territórios e as várias sociedades humanas. 
Vimos também que no decorrer da história da humanidade os périplos 
e conquistas se multiplicam, os contactos com os povos “bárbaros” vão 
pari passu (simultaneamente) alargando o horizonte geográfico. 
A gênese da Geografia moderna 
 
A constituição da Geografia enquanto saber científico sistematizado e 
institucionalizado é fruto de um processo lento que tem por base 
factores diversos no que se refere aos fenômenos históricos e 
estruturais relacionados a determinado grau de desenvolvimento 
material das sociedades e às ideias a elesvinculadas, ou seja, o 
desenvolvimento da geografia (assim como de todas as outras ciências) 
prescinde do desenvolvimento da vida material e do pensamento 
filosófico-científico. 
Dessa forma, a geografia moderna, em seu nascedouro, necessitou de 
uma série de condições históricas para poder se tornar realidade. Essas 
condições históricas a que nos referimos dizem respeito ao processo de 
transição do Feudalismo para o Capitalismo. 
Podemos dizer que a grande revolução para o conhecimento geográfico 
começa a ser preparada a partir da extraordinária expansão do espaço 
conhecido, do domínio da configuração da Terra e do desprezo às ideias 
e crenças a respeito da superfície terrestre que vem com a Idade 
Moderna. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 48 
 
Mas, para que a geografia desponte como um saber autônomo, 
particular, faz-se necessárias ainda certas condições que só estarão 
suficientemente amadurecidas no século XIX. 
Pressupostos para o surgimento da Geografia moderna 
Como vimos anteriormente, a institucionalização da Geografia 
dependeu tanto de factores externos quanto de factores de ordem 
interna à lógica do conhecimento científico em geral. Vimos também 
que o desenvolvimento dessa lógica está intimamente ligada ao 
processo mais amplo de desenvolvimento histórico da humanidade. 
 
Em se tratando especificamente da institucionalização do 
conhecimento geográfico moderno, que é o nosso caso, podemos dizer 
que quatro ordens de factores ou pressupostos fundamentais 
contribuíram para a erupção da sistematização da Geografia como 
ciência: 
 
a. O efetivo conhecimento do planeta (alargamento do horizonte 
geográfico, ampliação do ecúmeno – áreas da Terra habitadas 
pelo homem); 
b. Acúmulo de informações sobre os diferentes lugares; 
c. Aperfeiçoamento das técnicas cartográficas; 
d. Desenvolvimento do conhecimento científico-filosófico. 
 
O conhecimento do planeta 
 
O conhecimento efetivo da extensão real da Terra é um pressuposto 
fundamental para a emergência da Geografia moderna e as condições 
materiais para a realização de tal conhecimento encontram se na 
expansão europeia que se concretiza através das grandes navegações e 
descobertas e na constituição de um espaço mundial de relações. 
No século XIX, a constituição de um espaço mundial já é uma realidade 
efectiva e consolida definitivamente aquele processo que se inicia com 
as primeiras evidências de decadência do sistema feudal, ou seja, no 
século XIX, com a Revolução Industrial, o Capitalismo está consolidado. 
Essa consolidação atua de forma decisiva no processo de reafirmação 
das relações mercantis de produção que, ao se articular em escala 
planetária, estende a influência das sociedades europeias em todo o 
globo. 
Preste atenção, também, ao facto de que a constituição de uma 
economia mundial desembocou numa exploração colonial, pois esse 
processo de expansão econômica exigiu uma necessária apropriação e 
submissão de novos territórios e sua incorporação ao sistema 
produtivo. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 49 
 
Este processo se baseia, pelo menos, em dois elementos fundantes da 
Geografia: apropriação e exploração. A apropriação desses novos 
territórios ocorre de forma lenta e vai, paulatinamente, fragmentando 
os modos de vida locais, promovendo novos ordenamentos e “ajustes 
espaciais”. Além disso, coloca o europeu expansionista em contacto 
com realidades espaciais bastante diversas da sua. 
Para ter o conhecimento dessas novas realidades particulares e de suas 
localizações (lembre-se de que localização e nomeação dos lugares são 
elementos constitutivos do saber geográfico, veja aula 1), o 
levantamento de informações sobre esses lugares singulares torna-se 
imprescindível. 
 
O acúmulo de informações 
 
Como vimos, os grandes descobrimentos dão origem a um 
conhecimento cada vez mais apurado da realidade do planeta, factor 
primordial para o surgimento de uma Geografia moderna. Junto a esse 
conhecimento, faz-se necessária a sistematização de informações sobre 
os diferentes pontos da Terra, ou seja, sobre os diferentes territórios 
que vão sendo incorporados às relações mercantis. 
 
A descoberta de novas terras torna possível a expansão das relações 
capitalistas. A apropriação e incorporação de novos territórios exigem, 
como já foi dito, o conhecimento de realidades distintas entre si e 
distintas do quadro europeu de referência. 
Assim, a exploração colonial demanda o levantamento constante de 
informações que vai sendo feito de forma criteriosa, dando origem a 
grande acervo de dados. O acúmulo de informações é primordial nesse 
momento de expansão, uma vez que o “mundo”, tal qual o conhecemos 
hoje, está sendo descoberto e apropriado (dominado) e do qual se tem 
poucas informações. Além disso, conhecer e localizar detalhadamente 
os diferentes lugares é uma tarefa demandada pela própria necessidade 
de realização da expansão capitalista que, para aumentar seu domínio 
e fortalecer suas atividades nos territórios colônias, necessita de 
informação. 
A cartografia 
O avanço e aprimoramento da cartografia (instrumento por excelência 
geográfico) se constituem efetivamente num outro pressuposto da 
Geografia moderna. Esse avanço na linguagem cartográfica é uma 
demanda primária e uma exigência prática para o pleno 
desenvolvimento das relações comerciais que requer o 
estabelecimento preciso de rotas de navegação, assim como a 
localização exata dos lugares e portos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 50 
 
 
O tráfego terrestre também se amplia em função da regularidade 
crescente das trocas e do atendimento de distâncias maiores a serem 
percorridas. 
É a economia “global” que emerge, articulando regiões diferentes e 
distantes e demandando a confeção, cada vez mais detalhada, de 
mapas confiáveis que facilitem o deslocamento mais rápido e seguro 
dos meios de transporte, os quais também sofrem grande 
desenvolvimento nesse período. Mapas mais confiáveis propiciam 
ainda o conhecimento e a extensão real das colônias. 
 
A técnica de impressão, recém-descoberta nesse período, populariza o 
instrumental cartográfico que vai se juntar às descrições dos viajantes 
naturalistas do século XVII, dando-lhes cunho mais geográfico. 
 
Alemanha: berço da institucionalização da Geografia moderna 
 
Na Alemanha, emergem questões da prática social e da sua 
particularidade histórica que irão estimular a sistematização e 
institucionalização da geografia no seio da sociedade germânica. 
 
O repertório geográfico e os interesses sociais e políticos engendrados 
na sociedade alemã formam um par indissociável para a discussão dos 
problemas colocados para os alemães e seu contexto histórico frente às 
mudanças e transformações por que passavam as diferentes sociedades 
europeias. 
 
Um dos elementos fundamentais para a tessitura do “ajuste espacial”, 
demandado pelo processo de modernização, é a constituição do 
Estado. Enquanto outros países constituem seu Estado Nacional, a 
Alemanha encontra dificuldade para sua unificação frente à extrema 
diversidade entre as várias unidades germânicas, a ausência de relações 
mais duradouras entre elas e a falta de um centro organizador do 
espaço que faça convergir as relações econômicas e amenizem as 
disputas de fronteiras. 
 
A Alemanha é, nesse período, um país em situação de atraso em 
relação às demais nações europeias e tal situação parece ser um 
aspecto fundamental para fazer da discussão geográfica um tema da 
maior importância para a sociedade alemã. 
Essas singularidades germânicas vão marcar profundamente todos os 
planos da história da Alemanha, das relações econômicas, passando 
pela organizaçãopolítica, até as formas de pensamento. É nele inclusive 
que residem as determinações históricas específicas explicativas do 
afloramento pioneiro do processo de sistematização do pensamento 
geográfico nesse país (MORAES, 2002, p.26). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 51 
 
 
Como você deve estar percebendo, a maior parte dos temas colocados 
pelo processo de sistematização da Geografia constitui dificuldades 
vividas pela sociedade alemã ainda não unificada. A geografia nasce 
nesse contexto específico da Alemanha para dar respostas a duas 
questões fundamentais: resolver uma questão territorial premente 
para a constituição de um Estado Nacional e a conquista de um lugar de 
destaque para a Alemanha no cenário apresentado pela realidade 
europeia do século XIX. 
 
Os acontecimentos históricos e as necessidades práticas da sociedade 
alemã são pontos importantes para a compreensão do surgimento da 
Geografia moderna, mas não são suficientes. O nascimento de uma 
ciência ou de uma ideia depende de factores históricos, mas também 
de homens concretos. E em se tratando de Geografia alemã, esses 
homens são Humboldt e Ritter, que teremos oportunidade de conhecer 
na próxima unidade. 
 
Sumário 
Esta aula mostra a relação entre o desenvolvimento da ciência 
geográfica e o das condições materiais da vida social dentro do contexto 
histórico da modernidade. Analisa os pressupostos para a 
sistematização da Geografia e a especificidade da Alemanha no século 
XIX, país que primeiro fará a sistematização do conhecimento 
geográfico, dando-lhe estatuto científico e institucional. 
 
Auto-avaliação 
1. A Geografia enquanto ciência autônoma e sua institucionalização 
ocorrerão somente no século: 
A. XIX B. XX C. XVII D. XV 
2. A constituição da Geografia enquanto saber científico sistematizado 
e institucionalizado é fruto de um processo rápido que tem por base 
factores diversos como aos fenômenos históricos e estruturais. (F) 
3. A constituição da Geografia enquanto saber científico sistematizado 
e institucionalizado é fruto de um processo que envolve fenômenos 
históricos. Essas condições históricas a que nos referimos dizem 
respeito ao processo de transição do: 
A. Capitalismo para o Socialismo 
B. Feudalismo para o Capitalismo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 52 
 
C. Feudalismo para o Socialismo 
D. Socialismo para o Marxismo 
4. O conhecimento geográfico começa a ser preparada a partir da 
extraordinária expansão do espaço conhecido, do domínio da 
configuração da Terra e do desprezo às ideias e crenças a respeito da 
superfície terrestre que apareceu com a: 
A. Idade Media 
B. Idade Antiga 
C. Idade Moderna 
D. Todas as idades 
5. O conhecimento efetivo da extensão real da Terra é um pressuposto 
fundamental para a emergência da Geografia moderna 
Guião de Correcção 
1-A; 2-F; 3-B; 4-C; 5-V 
Avaliação 
1. Os grandes descobrimentos dão origem a um conhecimento cada vez 
mais apurado da realidade do planeta, factor primordial para o 
surgimento de uma Geografia moderna. A institucionalização da 
Geografia foi na: 
A. França 
B. Itália 
C. América 
D. Alemanha 
2. O nascimento de uma ciência ou de uma ideia depende de factores 
económicos, mas também de seres homens concretos. 
3. As primeiras colocações, no sentido de uma Geografia sistematizada, 
vão ser a obra de dois autores prussianos ligados à aristocracia: 
Alexandre Von Humboldt, conselheiro do rei da Prússia, e Karl Ritter, 
tutor de uma família de banqueiros. 
Guião de Correcção 
1-D; 2-F; 3-V 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 53 
 
Referencias Bibliográficas 
 
ANDRADE, Manuel Correia. Geografia: ciência da sociedade. Recife: Editora 
Universitária/UFPE, 2006. 
MORAES, António Carlos Robert. A gênese da geografia moderna. São Paulo: 
ANNABLUME/HUCITEC, 2002. 
MORAES, António Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. São Paulo: 
HUCITEC, 1983. 
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia. São Paulo: Contexto, 2007. 
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: EDUSP, 2006. 
 
UNIDADE Temática 2.5. A geografia de Humboldt e Ritter 
Introdução 
No período que analisaremos nesta aula, você verá que a geografia vai deixando 
de ser apenas uma obra de erudição a serviço de outras ciências, no papel de 
auxiliar; que ela deixa de ser um amontoado de conhecimentos, uma enumeração 
mais ou menos ordenada de nomes de rios, montanhas ou cidades; e que deixa 
também de ser um agregado de nomes e de números. Você verá ainda que a 
geografia se beneficia dos acontecimentos gerais e do desenvolvimento de outras 
ciências. 
 
Ligados a essas mudanças, encontraremos os pais da geografia moderna: 
Humboldt e Ritter. São esses dois sábios geógrafos os primeiros a se preocuparem 
com a Geografia enquanto ciência e como um saber sistematizado. Viveram na 
mesma época, caminharam por vias diversas, mas suas ideias convergiam 
significativamente para os mesmos princípios. 
De modo geral, podemos dizer que o conjunto da obra desses dois alemães 
respondia ao desafio da sociedade europeia em que viviam: desenvolvimento do 
Capitalismo, colonização e a formação específica da Alemanha. 
 
 desse período. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
Específicos 
 
 
 
 Compreender como o panorama de ampliação do 
horizonte geográfico contribuiu para o alargamento das 
ciências em geral e da Geografia em particular. 
 
 Identificar as mudanças ocorridas nesse período que 
influenciaram, especificamente, o pensamento de 
Humboldt e de Ritter. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 54 
 
 
 Relacionar os processos históricos, sociais, econômicos e 
políticos com o desenvolvimento e a sistematização do 
conhecimento geográfico elaborado por Humboldt e 
Ritter. 
 
 Refletir geograficamente, utilizando-se da relação entre 
forças locais e gerais na explicação dos fenômenos. 
 
 
Panorama geográfico Séculos XVIII e XIX 
O século XVIII foi o século da exploração dos oceanos e da elaboração do material 
cartográfico, o que preparou as vias para o desenvolvimento da Geografia 
moderna. 
A navegação à vela aperfeiçoa-se. As caravelas dão lugar a navios mais longos, 
mais largos e mais pesados, chamadas galeotas. Os navios aumentam a sua 
capacidade de tonelagem e de calado (distância vertical entre a superfície da água 
e a parte mais baixa do navio naquele ponto). São navios que andam mais rápido 
e bem armados, e que vão munidos de aparelhos de bordo que permitem uma 
navegação mais segura pela determinação exata, não apenas em termos de 
latitudes, mas das longitudes. 
 
Com o desenvolvimento de técnicas que tornaram as medições de longitude mais 
precisas foi possível fazer medições, cada vez mais rigorosas, das dimensões da 
Terra que vão possibilitar a precisão da forma do globo terrestre. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com essas medições, os erros das cartas vão sendo paulatinamente eliminados, 
dando uma precisão cada vez maior à cartografia, que culmina com a publicação 
em 1780 do Atlas Universal de Bourguignon d’Anville, no qual foram suprimidas 
indicações errôneas e as deformações de representação que existiam desde 
Ptolomeu. 
 
Esse desenvolvimento da cartografia permitiu a exploração dos oceanos. No 
século XVIII, são feitas grandes e ousadas missões de reconhecimentos das 
Em 1617, o holandês Snellius criou o método das medições geodésicas. Mas a 
primeira medição exata do arco do meridiano foi do francês Picard em 1669- 
1670. De 1638 a 1712, por instigação da Academia das Ciências, Cassini e Lahire 
determinaramas medidas geométricas da França. Em 1735, Claivaut e 
Maupertuis eram enviados à Lapónia para medirem o arco do meridiano, 
enquanto Bouguer e La Condamine iam ao Peru a fim de realizarem uma 
operação semelhante; achou-se que as dimensões do arco eram maiores no 
equador do que perto dos pólos; estas missões forneceram assim prova do 
achatamento da terra junto dos pólos (CLOZIER, [1974?], p.73). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 55 
 
localizações e descobertas dos continentes. É graças a essa ousadia que se 
descobre que o hemisfério Sul é oceânico, se estabelece a carta do Pacífico em 
suas grandes linhas e se pode afirmar que os mares cobrem um espaço duas vezes 
maior do que as terras. 
 
Esse período é decisivo para o conhecimento geográfico da Terra. Os continentes 
se revelam; as regiões mais hostis, como os desertos e as regiões polares, são 
exploradas; e são feitas sondagens sobre o relevo submarino e a alta atmosfera. 
 
Se o século XVIII foi de grande desenvolvimento para as descobertas marítimas, o 
século XIX é o século, por excelência, da penetração dos continentes. Por volta de 
1800, a África, excepto algumas regiões, é ainda um continente incógnito; a 
Austrália é totalmente desconhecida; a Ásia Central e o interior do continente 
americano mal começaram a ser conhecidos. 
 
O avanço para o interior dos continentes e a ocupação colonial que daí resultam 
vão colocar “frente a frente” povos, costumes, histórias e sociedades diferentes. 
O europeu explorador deparar-se-á com novos climas, novas paisagens, novos 
gêneros de vida. O desenvolvimento dos meios de transporte intensifica as 
viagens de mapeamento do interior dos continentes, pois a mobilidade se torna 
mais eficaz com o advento da máquina a vapor e, por terra, o desenvolvimento da 
rede de estradas de ferro vai se tornando uma realidade concreta, o que permite 
um extraordinário progresso na circulação de bens e pessoas. Com a expansão 
colonial, o mundo vai se revelando e as relações de apropriação, exploração e 
dominação vão sendo tecidas em conjunto com a incorporação territorial e as 
grandes vias de circulação demandadas pela expansão industrial. 
 
A Revolução Industrial, que começa a partir do fim do século XVIII, promove 
também uma revolução nas técnicas de produção, nas formas de transformação 
da natureza, demandando progressivamente matérias-primas e mercado. Tais 
revoluções, industrial e técnica, que ocorreram principalmente na França, Bélgica 
e Holanda, modificam irreversivelmente o equilíbrio dos continentes e das 
sociedades. Graças a essas revoluções, a Europa vai exercer, no século XIX, 
hegemonia política e econômica sobre o mundo através dos Estados, das 
companhias de navegação e das sociedades capitalistas. 
 
Panorama intelectual e científico 
 
Como vimos em aulas passadas, as transformações materiais que se iniciaram 
com o fim da Idade Média formam um par inseparável com as transformações 
no mundo das ideias. 
 
A extraordinária expansão do conhecimento sobre o horizonte geográfico e sobre 
a configuração da Terra, a dessacralização da natureza e a quebra de algumas 
crenças a respeito da superfície terrestre marcam as transformações das ideias 
nos tempos modernos. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 56 
 
Algumas descobertas da Física e da Astronomia têm grande repercussão nos 
conhecimentos geográficos. Newton descobre a lei da gravitação universal; 
Copérnico, com o seu sistema heliocêntrico, joga por “água abaixo” a crença de 
que a Terra era o centro do sistema planetário; Kepler descreve as leis dos 
movimentos planetários. Das explicações teológicas de origem divina, passa-se 
para a sistematização com base na observação e experimentação. 
 
As indagações das ciências nascentes vão incidir sobre os fenômenos naturais, daí 
o desenvolvimento fantástico que ocorre nos estudos sobre a natureza nos 
séculos XVII e XVIII. É desse período a sistematização da Zoologia, da Botânica e 
da Geologia, que tiveram como combustível principal as informações oriundas das 
grandes expedições que se tornaram também missões científicas. 
 
Movida pelos avanços de outras ciências, a Geografia deixa de ser obra de 
erudição, deixa de ser um conjunto de conhecimentos práticos, uma enumeração 
mais ou menos ordenada de montanhas, rios ou cidades. Deixa der ser um 
agregado de nomes e números. À Geografia cabe não apenas descrever, mas 
também explicar. 
O século XIX, do ponto de vista do desenvolvimento da ciência, é especialmente 
importante para a sistematização e institucionalização da Geografia. É no final do 
século XVIII e início do XIX que se instala um novo sistema de positividades, 
apoiado nas observações dos factos, sobretudo a partir dos estudos da Física por 
parte de Newton. Para Newton, o conhecimento deve resultar da observação, do 
cálculo e da comparação dos resultados, o que permitiria a elaboração de leis. 
Dois factos marcam as ciências, em geral, e a Geografia em particular, no século 
XIX: o reconhecimento de que a história dos homens, seu passado e seu futuro 
dependem dos próprios homens; e, a partir disso, o homem poderá manter uma 
outra relação com a natureza. O homem agora depende de si mesmo e da relação 
que estabelece em sociedade e com a natureza, abandonando assim os desígnios 
divinos. 
Quatro grandes aportes (teorias de explicação), que já se esboçavam em tempos 
anteriores, vão se consolidar no ideário científico do século XIX: 
1) A racionalidade que dava primazia à experiência, a explicação científica 
concerne sempre à razão pura; 
2) A dessacralização e banalização da natureza, o que possibilitará a intervenção 
humana na ordem natural e na valorização da positividade do trabalho; 
3) A fé na ciência; 
4) A fé no progresso. 
 
Datam também do final do século XVIII e início do XIX os primeiros censos, o que 
vai incrementar os dados de outros fenômenos que já vinham sendo levantados. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 57 
 
O interesse em cartografar os fenômenos aumenta e, assim, surgem os primeiros 
mapas temáticos, em que são representadas as distribuições de populações, os 
climas, a vegetação, o relevo, a hidrografia etc. 
 
Como já vimos, o século XIX é o século das grandes explorações ao interior dos 
continentes e, ligadas a estas, surgem as sociedades de Geografia que vão 
organizar expedições, conferências, exposições, elaborar mapas, instalar estações 
meteorológicas e editar revistas. 
 
As sociedades geográficas são financiadas e apoiadas pelas políticas 
expansionistas dos Estados colonialistas e essa ligação com as estruturas de poder 
levou a uma expansão do ensino de Geografia nas universidades e ao 
reconhecimento oficial da geografia como ciência. 
 
Outra marca que decorre do expansionismo e da formação dos Estados Nacionais 
é a presença da Geografia no ensino primário e secundário. Para melhor conhecer 
a pátria, é preciso saber Geografia. 
 
Humboldt (1769-1859) 
 
Humboldt é considerado, juntamente com Ritter, o pai da Geografia moderna. 
Nascido em 1769, pertencia a uma família aristocrática prussiana. Seu pai 
preocupou-se desde cedo em dar uma esmerada educação aos filhos através de 
preceptores. Alexandre de Humboldt recebeu precocemente uma boa formação 
em Economia Política, Matemática, Ciências Naturais, Botânica, Física e 
Mineralogia. 
 
Viaja para a Venezuela, onde sobe o rio Orenoco até o Cassiquiare que faz parte 
da bacia do rio Negro, afluente do Amazonas. A etapa seguinte leva-o através da 
Colômbia até o Equador e ao Peru. Esse deslocamento lhe dá a oportunidade de 
escalar alguns dos picos mais altos dos Andes e de medir as suas altitudes. Através 
desse procedimento,observa a variação do clima com a altitude, tendo 
introduzido a terminologia de quente, temperado e frio, ainda hoje utilizada. 
Segue para o México e depois para Cuba. Volta à Europa após passar pelos Estados 
Unidos. Essa viagem durou quatro anos e com ela recolhe uma riqueza tão grande 
de dados que sua publicação leva vários anos. 
 
Os trabalhos que decorrem de suas viagens estão voltados para a explicação 
daquilo que diferencia as diversas áreas do globo, tentando encontrar as relações 
que se estabelecem entre os diversos fenômenos da superfície da Terra, de modo 
a produzir espaços com características diferentes. Ou seja, interessou-se pela 
diferenciação espacial e considerou a paisagem resultante da interação de vários 
fenômenos. 
 
Comparou as formações vegetais de regiões diversas entre si, como foi o caso da 
América Latina e da Sibéria. Tentou encontrar semelhanças entre as culturas dos 
povos asiáticos e dos índios americanos. Das suas investigações feitas em escalas 
 
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 58 
 
diferentes (mundial, continental ou regional) resultou uma sistematização do 
conhecimento geográfico. Assim, com Humboldt, a Geografia passa a ser uma 
ciência sistemática. Os fenômenos poderiam ser estudados tanto no nível mundial 
quanto no regional. 
 
A utilização de comparações universais foi talvez a sua contribuição mais 
importante. Ele comparava sistematicamente as paisagens das áreas que 
estudava com outras partes da Terra. O seu método era empírico e indutivo. Partia 
dos casos particulares para os gerais, tentando obter uma lei geral, válida também 
para os casos não observados. 
 
Humboldt foi essencialmente um grande viajante naturalista de sua época. Ao 
contrário de boa parte de seus colegas geógrafos, que permaneceram nos 
gabinetes, ele entende que a pesquisa deve se iniciar no campo. Os seus 
conhecimentos de Mineralogia, Geologia e Botânica permitem-lhe desvendar 
muitos traços interessantes nas paisagens e relacioná-los. Em lugar de justapor 
informações, procura compreender como os fenômenos se condicionam. No caso 
dos Andes, visto há pouco, a partir da altitude, ele introduz um escalonamento 
das formas de vegetação e tipos de agricultura, passando das terras quentes para 
as terras temperadas e, em seguida, para as terras frias. Nas pesquisas de 
biogeografia, introduz o conceito de meio. 
Para melhor compreender a distribuição dos fenômenos geográficos, Humboldt 
utilizasse das observações que faz em diferentes escalas, inaugurando a ideia de 
que os lugares não se explicam em si mesmos. Foi ele o primeiro a perceber a 
influência das correntes marítimas sobre os climas. Percebe isso especialmente 
nas costas do Peru, onde empresta o nome a uma corrente fria que se origina no 
polo Sul e ameniza a temperatura nas costas desse país. Foi ele também o 
primeiro a perceber os mecanismos que regem tais correntes. Humboldt 
igualmente sabe fazer uso dos dados estatísticos, que as administrações coloniais 
acumulavam, para tratar das realidades humanas da América hispânica. Em um 
de seus livros (Ensaio político sobre o reino de Nova Espanha, 1811), analisa a 
situação calamitosa da escravidão em Cuba. 
 
Para Humboldt a explicação dos fenômenos deve partir do meio, mas devemos 
ter sempre em mente que este reflete realidades em outras escalas: outra marca 
de Humboldt. 
Ritter (1779-1859) 
 
Ritter nasce dez anos depois de Humboldt e morre no mesmo ano em que este; 
teve uma vida pouco movimentada. Enquanto Humboldt foi um grande viajante, 
Ritter foi um homem que se dedicou mais à reflexão, ao magistério e ao intuito 
explícito de sistematização da Geografia. Sua obra é explicitamente metodológica, 
vemos isso, por exemplo, no título de seu livro mais importante: Geografia 
comparada. 
 
 
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 59 
 
A formação de Ritter em História e Filosofia também difere daquela de Humboldt. 
Mas, a ideia de unidade terrestre e da relação entre o lugar, a região e o todo 
terrestre está presente nos dois autores. Ritter propõe o método descritivo 
regional e utiliza comparação para fazer compreender as especificidades de cada 
país e as configurações de sua história. Com Ritter, a geografia deixa de ser uma 
modesta descrição da Terra e torna-se indispensável para quem quer 
compreender a cena mundial, a dinâmica das civilizações e a maneira através da 
qual os povos exploram o seu ambiente. 
 
O problema essencial estudado por Ritter é o das relações, das conexões que se 
estabeleciam entre os factos físicos e humanos. Para ele, a Terra e seus habitantes 
desenvolvem mútuas e estreitas relações onde um elemento não pode ser 
considerado em sua plenitude sem que se considerem tais relações. Nesse 
sentido, a História e a Geografia devem estar sempre juntas. 
 
Dessa forma, foi um observador atento do devir histórico dos povos que 
habitavam em cada uma das regiões que estudava. Entendia o espaço terrestre 
como o teatro da história e considerava que quanto maior o desenvolvimento 
cultural maior harmonia seria estabelecida entre o homem e a natureza. 
 
Após a morte de Humboldt e de Ritter, a geografia sofre certo declínio. No 
entanto, mantém-se como disciplina com grande dinamismo e se expressa por 
duas vias: através das inúmeras sociedades de Geografia e a permanência como 
disciplina lecionada no ensino primário e secundário. Do ponto de vista da 
institucionalização, os impactos de seus ensinamentos não foram imediatos: as 
cátedras de Geografia permanecem raras nas universidades e os estudantes que 
frequentam as suas aulas seguem carreiras variadas. 
Sumário 
Sumário 
 
Esta aula mostra a partir de que elementos Humboldt e Ritter partem para se 
tornar os primeiros sistematizadores da Geografia moderna. Mostra também que 
existe uma íntima relação entre o desenvolvimento da ciência geográfica e a 
expansão colonial de desenvolvimento do Capitalismo, assim como o 
desenvolvimento da vida material e aquele das ideias. 
 
____________________________ 
Autoavaliação 
1. Na causalidade, o geógrafo, ao observar um fato, deve identificar as causas 
que levam à sua existência, procurando estabelecer as relações de causa e 
efeito. 
2. Com o desenvolvimento da cartografia permitiu a exploração dos oceanos. As 
descobertas dos continentes foi precisamente no: 
 
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A. Século XVIII 
B. Século XVII 
C. Século XVI 
D. Século XV 
3. Apos grande desenvolvimento para as descobertas dos continentes. O século a 
seguir é conhecido de penetração dos continentes. O referido século é: 
A. Século XVIII 
B. Século XIX 
C. Século XVII 
D. Século XVI 
4. O desenvolvimento dos meios de transporte intensifica as viagens de 
mapeamento do interior dos continentes, pois a mobilidade se torna mais eficaz 
com o advento da máquina a vapor. 
5. A Revolução Industrial, que começa a partir do fim do século XVIII, promove 
também uma revolução nas técnicas de produção, nas formas de transformação 
da natureza, demandando progressivamente matérias-primas e mercado. As 
principais revoluções, industrial e técnica, ocorreram principalmente na: 
A. Alemanha, China e Holanda 
B. China, Japão e França 
C. França, Bélgica e Holanda 
D. Alemanha, China e Bélgica 
 
Guião de Correcção 
1-V; 2- B; 3- B; 4-V; 5-C 
Exercícios de AUTO-AVAL Avaliação 
1. Por motivos de avanços de outras ciências, a Geografia deixa de ser obra de 
erudição, deixa de ser um conjunto de conhecimentos práticos, uma enumeração 
mais ou menos ordenada de montanhas, rios ou cidades. Até hoje é considerado 
o pai da Geografia moderna o geógrafa: 
A. A. Frederich Engels. 
B. André Cholley 
C. FredericoRatzel. 
D. Alexander Von Humboldt 
 
2. Foi através de Ritter, a geografia deixa de ser uma modesta descrição da Terra 
e torna-se indispensável para quem quer compreender a cena mundial, a 
dinâmica das civilizações e a maneira através da qual os povos exploram o seu 
ambiente. 
 
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 61 
 
 
3. Foi nos séculos XVIII e XIX que a sistematização do conhecimento geográfico. O 
interesse em cartografar os fenômenos aumenta e, assim, surgem os primeiros 
mapas temáticos, em que são representadas as distribuições de populações, os 
climas, a vegetação, o relevo, a hidrografia. A geografia sofre certo declínio, por 
causa da morte de: 
 
A. Alexander Von Humboldt e Karl Ritter 
B. André Cholley e Frederich Engels 
C. Frederico Ratzel e Karl Ritter 
D. Frederich Engels e Alexander Von Humboldt 
 
4. Karl Ritter: Geógrafo alemão; foi o primeiro a relacionar clima, solo e 
vegetação, onde em sua obra Kosmos, mostrou que tudo funciona em plena 
interação. 
5. Alexandre Von Humboldt: Geógrafo alemão; descreve a relação entre natureza 
e o Homem, ou seja, a influência dos fenômenos físicos na atividade humana. 
Guião de Correcção 
1-D; 2-V; 3-A; 4-F; 5-F 
Referencias Bibliográficas Referências Bibliográficas 
 
ANDRADE, Manuel Correia. Geografi a, ciência da sociedade. Recife: Editora 
Universitária/UFPE, 2006. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la gèogaphie. Paris: PUF, 1995. 
CLOZIER, René. História da geografi a. Lisboa: Publicação Geral da América, 
[1974?]. 
MORAES, Antonio Carlos Robert. A gênese da geografi a moderna. São 
Paulo: ANNABLUME/HUCITEC, 2002. 
______. Geografi a: pequena história crítica. São Paulo: HUCITEC, 1983. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TEMA – III: OUTRAS CONTRIBUICOES GEOGRÁFICAS. 
Unidade Tematica 3.1. Geografia Ratzeliana e o seu contexto 
Unidade Tematica 3.2 Geografia Vidaliana e o seu contexto 
Unidade Tematica 3.3 Abordagem Regional Vidaliana 
Unidade Tematica 3.4 A Os movimentos de Renovação 
Unidade temática 3.5. Exercícios Integrados deste Tema 
 
Unidade Temática 3.1. Geografia Ratzeliana e o seu contexto 
Introdução 
Friedrich Ratzel (1844-1904) e sua obra foram de fundamental 
importância para o processo de sistematização da Geografia moderna. 
Foi de sua autoria uma das pioneiras formulações de um estudo 
geográfico especificamente dedicado à discussão dos problemas 
humanos, o qual denominou de antropogeografia. Seu projecto teórico, 
com forte carácter interdisciplinar, teve a preocupação central de 
entender: a difusão e distribuição dos povos sobre a superfície da Terra; 
as diversas formas de circulação de pessoas e bens materiais; a 
influência das condições naturais sobre o comportamento humano; as 
formações territoriais e, intimamente vinculada a estas, a dimensão 
política da relação homem-natureza. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
Específicos 
 
 
 
 Entender em que contexto histórico se desenvolve o pensamento ratzeliano. 
 Compreender a dimensão determinista da obra de Ratzel para a 
sistematização da Geografia. 
Contexto histórico 
Após o falecimento, em 1859, dos dois principais pioneiros da Geografia 
moderna, Ritter e Humboldt, o desenvolvimento dos estudos 
geográficos acelerou-se, uma vez que esses dois estudiosos colocaram, 
por assim dizer, a pedra fundamental para a construção e evolução da 
Geografia como ciência. A seguir, estudaremos três aspetos gerais do 
desenvolvimento dessa ciência: o contexto político econômico; a 
Geografia como ciência; e o ensino da Geografia. 
Contexto político-económico 
 
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 63 
 
Com o processo de expansão colonial, os conflitos entre populações 
nativas e o elemento europeu são cada vez mais intensos e demandam 
intervenções. O domínio político aparece como garantia de abertura 
real dos espaços ao comércio mundial e impõe o respeito aos interesses 
ocidentais. 
A independência da América espanhola e portuguesa reduz fortemente 
o domínio ocidental sobre o mundo no século XIX. É nesse momento 
que surge o que os historiadores chamam de novo imperialismo 
(diferente do colonialismo de povoamento e comércio que floresceu 
entre os séculos XVI e XVIII) e que foi o resultado direto da 
industrialização. Com isso, intensificam-se a actividade e a competição 
econômica, os europeus disputam matérias-primas, mercados para 
seus produtos manufaturados e lugares onde investir seu capital. Para 
tanto, os políticos e industriais vão entender que somente garantirão as 
suas necessidades econômicas e de suas nações através da aquisição de 
territórios ultramarinos. 1870 é um ano que marca um novo avanço 
ultramarino dos europeus, não mais apenas sob a égide de Portugal e 
Espanha. Percebemos que no século XIX progride rapidamente a 
constituição de um espaço econômico mundial influenciado pelo 
desenvolvimento da navegação a vapor, o que provoca uma reviravolta 
na relação dos homens com as distâncias. 
A construção do Canal de Suez – ligando o mar Mediterrâneo ao mar 
Vermelho – terminada em 1869, promove a aproximação entre a 
Europa, a Ásia Meridional e Oriental e a Austrália; as estradas de ferro 
já haviam alterado o ordenamento espacial da Europa; a primeira 
estrada de ferro transcontinental é inaugurada nos Estados Unidos em 
1866. Como já estudamos, a integração dos espaços continentais, após 
os oceânicos, intensificam-se no século XIX e integram esses espaços às 
relações internacionais: as imensidões interiores da Ásia e da África são 
finalmente integradas às redes mundiais de troca. 
Em 1860, somente a Grã-Bretanha e os Países Baixos dispunham de 
verdadeiros impérios colônias. Entretanto, no espaço de uma geração, 
França, Portugal, Bélgica e Espanha dotam-se de colônias mais ou 
menos extensas. Por volta de 1900, o movimento se alastra para outros 
países, como é o caso da Itália e Alemanha que procuram aumentar o 
seu império ainda modesto. Um novo ator entra em cena, os Estados 
Unidos, e retira da Espanha as suas possessões no Pacífico e nas 
Antilhas, o Japão começa sua expansão sobre Coreia e China; e a Rússia 
anexa-se à Ásia Central. 
 
 
 
 
 
 
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 64 
 
A Geografia como ciência 
 
Essas alterações provocam um reordenamento e uma necessidade cada 
vez maior da formalização dos saberes geográficos. Veja que, 
inicialmente, as práticas comerciais demandam conhecimento apenas 
das redes de portos, que permanecem em certa estabilidade, 
relacionadas às áreas produtivas e aos mercados que encontravam de 
modo geral, próximos ao litoral. 
As novas possibilidades de troca exigem outras formas de organização. 
É nesse contexto que vamos assistir à substituição das casas de 
comércio familiares por grandes firmas de exportação e importação que 
demandam cada vez mais conhecimentos ligados à Geografia para a 
formação de seus agentes deslocados para regiões remotas. É aí que as 
sociedades de Geografia comercial, marítima e colonial se multiplicam 
e dão respostas a essas necessidades. 
A História e a Geografia que eram as ciências que vinham abordando os 
fatos humanos deixam de ser exclusivas nesse aspecto à medida que a 
Sociologia, a Etnologia, a Antropologia e as Ciências Políticas vão 
surgindo. É o período também de desenvolvimento da economia 
política. Com o aparecimento de outras ciências no campo dos estudos 
humanos e sociais os geógrafos são confrontados com o problema da 
delimitação face aos novos campos científicos, os quais evidentementenão ignoram a dimensão espacial dos seus domínios. 
Em 1859, Charles Darwin (1809-1882) publica o que seria o seu mais 
importante livro, Origem das Espécies. Tal facto tem significado 
particular para a Geografia. A ideia de que os seres vivos evoluem já 
estava formulada desde meados do século XVIII e início do século XIX. 
Lamarck (1744-1829) será o primeiro a fazer uma sistematização dessa 
ideia concluindo que o organismo se adapta ao meio onde está inserido 
e acaba por se modificar. É durante a viagem de circum-navegação que 
realiza entre 1831 e 1836 a bordo do famoso Beagle que Charles Darwin 
formula a sua teoria. Darwin se depara, nas ilhas Galápagos com uma 
flora e fauna muito ricas e que não se assemelham às dos espaços 
continentais próximos. Para ele, essas diferenças explicam-se por meio 
da diferenciação no lugar e a partir de uma origem comum longínqua, 
e o único factor que pode explicar as diferenças das formas encontra-
se no meio. 
O evolucionismo darwinista leva à Geografia uma tarefa fundamental: 
a de identificar a diferenciação das formas vivas. Lembre-se de que a 
ideia de que a Geografia deve ter vocação explicativa e analisar os 
fenômenos em diversas escalas vem desde as obras de Humboldt e 
Ritter. 
 
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 65 
 
A explicação geográfica estaria na relação entre os fenômenos locais, 
regionais e gerais e na relação do homem com o meio: o darwinismo é 
uma apelação ao desenvolvimento de uma ciência das relações dos 
seres vivos com o ambiente. Outro nome que vai influenciar os estudos 
da Geografia nesse período (e continua a influenciar ainda hoje vários 
ramos da ciência) é o do biólogo alemão Ernest Haeckel (1834- 1919) 
que propõe em 1866, em seu livro Morfologia Geral dos Organismos, o 
termo ecologia para designar o novo campo de estudo: aquele que 
investigará as relações dos seres vivos com o ambiente. 
O ensino de Geografia 
O interesse por conhecimentos geográficos úteis à vida comercial 
internacional nunca havia sido tão grande como nas últimas três 
décadas do século XIX. Nesse mesmo período, a engenharia política dos 
estados europeus apontava em direção aos nacionalismos e essa tarefa 
recai, entre outros, sobre o ensino da Geografia na escola elementar, 
que teria a função de dar aos cidadãos uma consciência clara sobre o 
espaço em que se desenvolve a sua existência. Por outro lado, as elites 
tinham a necessidade de um bom conhecimento dos mapas e das rotas 
do comércio. 
Na França, por exemplo, após a derrota de 1870 (derrota da França 
frente à Prússia), é confiado a Emile Levasseur um estudo (Relatório 
Levasseur) sobre as causas da inferioridade dos oficiais franceses frente 
aos prussianos. Esse relatório conclui que a inferioridade francesa recai 
no baixo nível dos oficias quanto ao conhecimento das línguas e da 
Geografia. O relatório recomenda que seja feita uma reforma do ensino, 
particularmente do ensino de Geografia. 
O essencial das recomendações desse relatório está presente, ainda 
hoje, nos programas do ensino primário e secundário da França (nas 
próximas aulas vocês estudarão como se deu o desenvolvimento da 
Geografia na França). Nos outros países da Europa Ocidental ocorre o 
mesmo com o ensino da Geografia, pouco tempo antes na Alemanha e 
um pouco mais tarde na Inglaterra. 
Como estamos vendo, em todo o nosso curso, o contexto intelectual no 
qual se desenvolve a Geografia modifica-se par e passo com as 
mudanças econômicas, políticas e culturais. E você deve estar lembrado 
que à medida que o Capitalismo se desenvolve exige mais racionalidade 
e respostas da ciência; é a fé na ciência e no progresso. Esse 
cientificismo que vai se firmando tem também a ambição de abarcar as 
realidades sociais tal como fez anteriormente com as realidades do 
mundo físico e biológico. 
 
 
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Ratzel e a Antropogeografia 
Ao longo do século XIX, a Geografia vai se desenvolver mais 
rapidamente na Alemanha do que na Grã-Bretanha. Nesta, a Geografia 
permanece vinculada aos modelos do século XVIII, no qual se privilegia 
a exploração das pesquisas históricas em detrimento do estudo das 
relações que estabelecem entre os grupos humanos e os meios em que 
vivem. Dessa forma, o impacto do evolucionismo de Darwin foi mais 
directo na Alemanha que em sua pátria. 
Friedrich Ratzel (1844-1904) é filho de uma modesta família do 
Sudoeste da Alemanha. Na universidade, estuda Zoologia. Tem 
contacto com o darwinismo através de Moritz Wagner que introduziu 
as teses do cientista inglês na Alemanha e se distingue pelo papel que 
dava às migrações para explicar a diferenciação das espécies. A primeira 
obra de Ratzel (Essência e Destino do Mundo orgânico, 1869) é 
inspirada nesse mestre. 
 
Ratzel participa ativamente, como militar, da guerra de 1870 contra a 
França e em seguida a sua carreira toma novos rumos, mas sua ligação 
com a política e com a conquista de território continua através das 
análises científicas que irá fazer criando mesmo um novo ramo da 
Geografia, a Geopolítica. Depois da guerra, Ratzel parte para os Estados 
Unidos, como jornalista, onde passa vários anos. Nesse período, visita 
também o México. De volta à Alemanha, defende uma tese sobre a 
imigração chinesa na Califórnia. 
Ao doutor Ratzel é designada, em 1876, uma cátedra de Geografia na 
Universidade de Munique. Em 1886, ele troca essa universidade pela 
Universidade de Leipzig, considerada de maior prestígio. 
A concepção de Geografia de Ratzel tem forte influência das 
formulações de Humboldt e Ritter, autores que estudou detidamente. 
Mas essa concepção é estruturada também sob forte influência de 
Darwin. Ratzel procura estabelecer leis gerais que rejam a influência do 
meio sobre os grupos humanos, dedicando-se ao estudo das relações 
que se desenvolvem entre as sociedades e o ambiente em que vivem, 
mas introduz uma outra ideia: o movimento é uma das características 
centrais do mundo vivo, em especial do homem. Essa ideia leva-o a 
interessar-se pelos fenômenos de circulação que as sociedades 
desenvolvem de um ponto da Terra a outro. 
Veja no texto a seguir o que diz Antônio Carlos Robert de Moraes sobre 
a importância da obra de Ratzel. 
 
 
 
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Ratzel dividiu a Geografia em três grandes ramos: Geografia Física, 
Biogeografia e a Antropogeografia. Vai dedicar seus estudos 
fundamentalmente a esta última. 
A Antropogeografia 
Para Ratzel, a Antropogeografia seria dedicada a três questões básicas. 
A mais fundamental seria aquela voltada para a indagação da influência 
que as condições naturais exercem sobre os homens, sobre a sociedade 
e sobre a história. Para ele, a diversidade das condições naturais deveria 
também ser considerada na explicação para a diversidade dos povos 
“pois o substrato da humanidade seria a Terra, onde as sociedades se 
desenvolvem em íntimo relacionamento com os elementos naturais. O 
estudo da acção de tais elementos sobre a evolução das sociedades 
seria o objecto primordial da pesquisa antropogeográfica”. (MORAES, 
1990, p. 9). 
 
A segunda questão colocada por Ratzel para os estudos da 
Antropogeografia é relativa à circulação e distribuição das sociedades 
humanas. Para ele, a localização dos grupos humanos estaria 
relacionada à mobilidade de seu passado, assim sendo, os estudos 
antropogeográficos deveriam se interessar em levantar dados sobre as 
áreas de origem de cada povo e os seus itinerários. Esse procedimento 
de pesquisa deveria fornecer elementos para se entender os 
condicionantes pretéritos, os quais migrariam com os povos. 
A terceiraquestão de interesse da Antropogeografia deveria ser o 
estudo da formação dos territórios. 
Além de ser o fundador da moderna Geografia humana, ao introduzir 
esta terceira questão, Ratzel será também o primeiro geógrafo a trazer 
para essa ciência a discussão sobre os elementos políticos na relação 
A obra de Friedrich Ratzel representou um papel fundamental no processo de 
sistematização da geografia moderna. Ela contém a primeira proposta explícita 
de um estudo geográfico especificamente dedicado à discussão dos problemas 
humanos. Foi, assim, de sua autoria uma das pioneiras formulações – sem 
dúvida a mais trabalhada – de uma geografia do homem. A importância de sua 
obra também emerge por ela ter sido uma das originárias manifestações do 
positivismo nesse campo do conhecimento científico. Ratzel foi um dos 
introdutores desse método – que posteriormente se assentou como dominante 
– no âmbito do pensamento geográfico. O significado de sua produção para o 
desenvolvimento da geografia pode ainda ser apontado no facto de ele ter 
aclarado aquela que viria a ser a principal via de indagação dos geógrafos, ou 
seja, a questão da relação entre a sociedade e as condições ambientais 
(MORAES, 1990, p. 7). 
 
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entre o homem e a natureza, tratados anteriormente apenas sob o 
ponto de vista técnico e econômico. Para ele, há na relação homem-
natureza uma dimensão política essencial que se expressa e se 
materializa na propriedade e no Estado. 
Positivismo e Determinismo na obra de Ratzel 
Você já deve ter lido ou ouvido alguém fazer relação entre o nome de 
Ratzel e o Determinismo geográfico e/ou contrapondo este ao 
possibilismo de Vidal de la Blache (assunto que estudaremos na 
próxima aula). Iremos, então, tentar entender o que é o Determinismo 
e qual a ligação deste com a obra de Ratzel. 
Como já vimos nas aulas anteriores, o período de transição da Idade 
Média para a Moderna e a consequente consolidação do Capitalismo 
foi um período de grandes transformações sociais, econômicas, 
políticas, espaciais, culturais e também de grandes mudanças nas 
ciências e nas formas de pensar o mundo. Vimos ainda que as formas 
de pensar o mundo, originárias desse período, têm forte relação com o 
desenvolvimento das Ciências Naturais, principalmente a partir dos 
estudos de Física de Newton. Para este, o conhecimento deveria ser o 
resultado da observação, do cálculo e da comparação dos resultados, 
de modo a permitir a elaboração de leis. 
Essa ideia de que a ciência deveria ser positiva se espalhou para todos 
os ramos das ciências, inclusive das chamadas ciências humanas e 
sociais, entre elas a Geografia. Mas, é somente em meados do século 
XIX que surge o Positivismo. Embasado nas elaborações de Auguste 
Comte (1791-1857), o Positivismo fundamenta-se no palpável, no que 
é passível de comparação e de experimentação. Na concepção 
positivista, para se alcançar o conhecimento, a observação é 
imprescindível. 
 
O Determinismo geográfico tem suas raízes fincadas no Positivismo, 
principalmente em sua fase evolucionista. Essa fase tem como base 
fundamental a teoria darwinista da evolução das espécies, na qual o 
homem nada mais é que um ser dependente dos processos naturais. 
 
O Determinismo considerava o homem com um produto do meio, logo, 
deveria adaptar-se ao meio ambiente para que pudesse sobreviver. 
Para seus defensores, as condições naturais, especialmente a climática, 
determinam o comportamento do homem, interferindo inclusive na 
sua capacidade de progredir. Assim sendo, em áreas climáticas mais 
propícias (as zonas climáticas temperadas) floresceriam povos mais 
desenvolvidos. Tais ideias foram adotadas por alguns estudiosos da 
Geografia, e fora dela, que viam nelas a possibilidade de explicar a 
sociedade através de mecanismos que ocorrem na natureza. 
 
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É comum, nos manuais e nas obras de vulgarização e/ou divulgação, a 
associação do nome e da obra de Ratzel ao Determinismo geográfico. 
Como podemos ver nos trechos que se seguem. 
 
Sumário 
A aula contextualiza o período em que Ratzel, fundador da moderna 
Geografia humana, vive, assim como a influência que sofreu do 
desenvolvimento das ciências naturais, principalmente aquelas 
oriundas do evolucionismo darwinista. Discute as relações entre as 
elaborações ratzelianas e o positivismo, bem como a pecha de que seria 
ele o maior representante e elaborador do Determinismo geográfico. 
Mostra ainda que não se pode de forma simplista acusar esse pensador 
de se utilizar de um Determinismo absoluto. 
Auto-avaliação 
1. O princípio da Extensão foi enunciado por Frederico Ratzel e, de 
acordo com o mesmo, o geógrafo, ao estudar uma determinada área, 
deve, primeiramente, utilizando-se de um mapa, localizá-la, 
identificando os seus limites. 
 
2. “Esse autor, porém, traria a grande contribuição para a formulação 
esquemática do conhecimento geográfico, com seu livro 
Antropogeografia e com a propagação das idéias deterministas, que 
consideravam a existência de uma grande influência do meio natural 
sobre o homem. De formação antropológica, ele foi bastante 
influenciado pelas idéias evolucionistas de Charles Darwin e Ernest 
Haeckel, admitindo que, na luta pela vida, venceriam sempre os mais 
fortes e que a vitória dos mais fortes, dos mais aptos sobre os mais 
fracos era o resultado lógico da luta pela vida. O texto está se referindo 
ao seguinte pensador da Geografia 
 
A. Frederich Engels. 
B. André Cholley 
C. Alexander Von Humboldt 
D. Frederico Ratzel. 
3. Os dois principais pioneiros da Geografia moderna, que colocaram, 
alicerce para a construção e evolução da Geografia como ciência são: 
A. Ritter e Humboldt 
B. Cholley e Engels 
C. Ratzel e Ritter 
D. Engels e Humboldt 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 70 
 
4. A Geografia Humana é a ciência que estuda o espaço geográfico, 
concebendo-o não tão-somente como um meio, mas também como um 
agente e um produto das atividades humanas, sendo também visto 
como um organismo vivo e dinâmico. Assim, podemos dizer que os 
estudos dessa área do conhecimento resumem-se: 
A. Às sociedades em geral 
B. À relação entre homem e espaço 
C. À distribuição das práticas culturais 
D. À dinâmica dos conhecimentos abstratos humanos 
 
5. A História e a Geografia que eram as ciências que vinham abordando 
os fatos humanos deixam de ser exclusivas nesse aspecto à medida que 
a Sociologia, a Etnologia, a Antropologia e as Ciências Políticas vão 
surgindo. 
Guião de Correcção 
1-V; 2-D; 3- A; 4-B; 5-V 
Avaliação 
1. O evolucionismo darwinista leva à Geografia uma tarefa 
fundamental: a de identificar a diferenciação das formas vivas. O livro 
de Charles Darwin “Origem das Espécies” foi publicado em: 
A. 1985 
B.1895 
C. 1859 
D. 1598 
2. O primeiro cientista a fazer uma sistematização das ideias que o 
organismo se adapta ao meio onde está inserido e acaba por se 
modificar é: 
A. Ernest Haeckel 
B. Charles Darwin 
C. Emile Levasseur 
D. Jean-Baptiste Lamarck 
3. O nome que vai influenciar os estudos da Geografia nesse período (e 
continua a influenciar ainda hoje vários ramos da ciência) é o grande 
biólogo alemão que propõe em 1866, em seu livro Morfologia Geral dos 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 71 
 
Organismos, o termo ecologia para designar o novo campo de estudo 
que investigará as relações dos seres vivos com o ambiente. O nome 
que se refere acima é: 
A. Ernest Haeckel 
B. Charles Darwin 
C. Emile Levasseur 
D. Jean-BaptisteLamarck 
4. A concepção de Geografia de Ratzel tem forte influência das 
formulações de Humboldt e Ritter. Ratzel dividiu a Geografia em três 
grandes ramos: 
A. Geografia Regional, Geomorfologia e Antropogeografia 
B. Geografia Física, Biogeografia e a Antropogeografia. 
C. Geografia Económica, Geofísica e Geomorfologia 
D. Geodesia, Geografia Económica e Geoprocessamento. 
5. Geografia verifica que os fatores físicos e humanos não agem de 
forma isolada na formação de uma paisagem, existindo, pois, uma inter-
relação entre eles. Estes fatores agem de maneira integrada. 
Guião de Correcção 
1-C; 2-D; 3-A; 4-B; 5-V 
Referências Bibliográficas 
CLAVAL, Paul. Histoire de la gèogaphie. Paris: PUF, 1995. CORRÊA, 
Roberto Lobato. Região e organização espacial. São Paulo: Ática, 1991. 
MARTINS, Luciana de Lima. Friedrich Ratzel hoje: a alteridade de uma 
geografia. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 54, n. 3, p. 
105-113, jul./set. 1992. 
MORAES, António Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 
São Paulo: HUCITEC, 1983. 
______. Ratzel. São Paulo: Ática, 1990. (Coleção Grandes Cientistas 
Sociais). 
MOREIRA, Ruy. O que é geografia. São Paulo: Brasiliense,1989. 
PINCHEMEL, Philippe; PINCHEMEL, Geneviève. La face de la Terre. Paris: 
Armand Colin, 1997. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 72 
 
RATZEL, F. Las razas humanas. Barcelona: Montaner y Simon, 1906. v 1. 
 
UNIDADE Temática 3.2. A Geografia Vidaliana e o seu contexto 
Introdução 
Friedrich Ratzel (1844-1904) e sua obra foram de fundamental 
importância para o processo de sistematização da Geografia moderna. 
Foi de sua autoria uma das pioneiras formulações de um estudo 
geográfico especificamente dedicado à discussão dos problemas 
humanos, o qual denominou de antropogeografia. Seu projecto teórico, 
com forte carácter interdisciplinar, teve a preocupação central de 
entender: a difusão e distribuição dos povos sobre a superfície da Terra; 
as diversas formas de circulação de pessoas e bens materiais; a 
influência das condições naturais sobre o comportamento humano; as 
formações territoriais e, intimamente vinculada a estas, a dimensão 
política da relação homem-natureza. 
Em meados do século XIX, a disputa entre a Prússia e a França se 
acelera, culminando na guerra de 1870. Dessa guerra, a França sai 
derrotada e perde o controlo da Alsácia e da Lorena. Nesse período, a 
geografia obtém grande desenvolvimento e, apoiada pelo Estado, é 
implantada em todo o Ensino Básico, surgindo as primeiras cátedras e 
os institutos de Geografia. 
Até o advento da guerra, os estudos geográficos eram muito 
negligenciados pelos franceses, ao contrário da Prússia, que já contava 
com grandes nomes no ramo da ciência geográfica. Após terem sido 
derrotados, os franceses perceberam a importância do ensino da 
geografia e do desenvolvimento da pesquisa geográfica, como 
mostraremos no decorrer desta aula. Mesmo sendo derrotados pelos 
alemães, os franceses esforçaram-se para transferir para seu país o 
modelo de ensino adotado na Alemanha. 
Caberá a Paul Vidal de la Blache a tarefa maior de implantação e 
institucionalização da Geografia francesa. Tomando como referência, as 
formulações de sábios alemães (Humboldt, Ritter, Ratzel), Vidal de la 
Blache elabora com originalidade a sua geografia e dá sustentação para 
a criação de Escola Francesa de Geografia, que irá, durante muito 
tempo, influenciar o desenvolvimento dessa área em várias partes do 
mundo. 
Para construir o edifício teórico e metodológico da Geografia, Vidal de 
la Blache se embasará na ideia de totalidade, de “possibilismo”, de 
mapeamento das densidades e de gênero de vida. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 73 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
 Compreender o contexto em que a Geografia surge como ciência na França, 
influenciada pelo pensamento geográfico alemão. 
 Perceber a partir de que fenômenos Vidal de la Blache constrói os conceitos 
fundamentais para o desenvolvimento da Geografia francesa. 
 Apreender qual a importância de elementos e conceitos como totalidade, 
densidade, gênero de vida e possibilismo para a análise geográfica. 
 
Contexto geral 
 
Para Vincent Berdoulay (grande especialista francês em história do 
pensamento geográfico), a Escola Francesa de Geografia, formada nas 
últimas décadas do século XIX e início do século XX, teve em Vidal de la 
Blache (1845-1918) o seu maior elaborador e ocupa um lugar 
importante na história das ideias e das ciências. A formação dessa 
escola, como veremos, corresponde a um momento crucial do 
desenvolvimento do pensamento geográfico. 
 
Um dado importante é o facto da Geografia se desenvolver tanto como 
ciência como disciplina escolar no Ensino Básico, Médio e Superior. A 
escola de Vidal de la Blache vai ter grande influência e considerável 
notoriedade no mundo até por volta dos anos 1950. Como veremos na 
próxima aula (Pierre Monbeig: o nascimento da Geografia científica no 
Brasil), o pensamento geográfico de Vidal de la Blache terá grande 
influência na implantação da Geografia no Brasil. 
Como estamos fazendo até aqui, é importante elucidar, minimamente, 
o contexto geral em que se dá a implantação da Geografia na França. 
Para começar, esse é um período situado entre duas grandes crises: a 
guerra de 1870 (guerra franco-prussiana) e a primeira guerra mundial. 
É também um dos períodos cruciais na história da França, que 
corresponde à implantação de um novo regime político, a Terceira 
República, o qual implicará em novos ajustamentos de base ideológica 
e social. 
É uma época em que o interesse por questões geográficas se dissemina 
entre os círculos cultos e a população em geral. Ocorre aí um clamor 
generalizado a favor da acumulação de uma massa de informações 
sobre o globo e sobre o território nacional. A Geografia se instala de 
forma impressionante na universidade e nos programas de ensino 
primário e secundário. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 74 
 
O desafio alemão 
 
Na segunda metade do século XIX, a França e a Alemanha, no caso ainda 
a Prússia, disputam a hegemonia, no controle continental da Europa. 
Havia, entre estes dois países, um choque de interesses nacionais, uma 
disputa entre imperialismos. Tal situação culminou com a guerra 
franco-prussiana, em 1870, na qual a Prússia saiu vencedora. A França 
perde os territórios de Alsácia e Lorena, vitais para sua industrialização, 
pois neles se localizavam suas principais reservas de carvão. 
 
No contexto da guerra, caiu o Segundo Império de Luís Bonaparte, 
ocorreu o levante da Comuna de Paris, e, sob as suas ruínas, ergueu se, 
com o beneplácito prussiano, a Terceira República francesa. Foi nesse 
período que a Geografia se desenvolveu. E se desenvolveu com apoio 
deliberado do Estado francês. Esta disciplina foi colocada em todas as 
séries do ensino básico, na reforma efetuada pela Terceira República. 
Foram criadas, nessa época, as cátedras e os institutos de Geografia. 
(MORAES, 1983, p. 63-64). 
 
O resultado da guerra, ou seja, a derrota humilha profundamente 
grande parte da população francesa. A partir dessa derrota, a Alemanha 
aparece para os franceses como um desafio nos domínios político, 
intelectual e econômico. Após a guerra, os franceses tomam, 
dolorosamente, a consciência da negligência com os conhecimentos 
geográficos que tinham até então. Constataram que o inimigo estava 
mais bem preparado no tocante ao conhecimento do território e 
descobriram, a duras penas, sua ignorância geográfica. Para eles, a 
superioridade militar e econômica da Alemanha derivara de seugrande 
desenvolvimento científico. Dessa forma, a Alemanha se constituía, ao 
mesmo tempo, em inimigo e exemplo a ser seguido. 
O professor Vidal de La Blache 
 
Vidal nasce no sul da França. Membro de uma família de professores e 
militares, seu pai, professor, deseja para o filho a mesma profissão, por 
isso o envia para um colégio interno em Paris onde teria melhores 
condições para fazer uma carreira brilhante. Na Escola Normal Superior, 
onde estuda, se dedica, principalmente, aos estudos de história. Vai 
para Escola de Atenas, onde fica por três anos, e prepara sua tese sobre 
a Ásia Menor. Percorrendo a Turquia para preparação de seu trabalho, 
toma como guia a obra que Carl Ritter havia escrito sobre esse país. A 
partir desse contacto inicial, passa a se dedicar aos estudos geográficos, 
tornando-se um dos grandes nomes dessa ciência. 
 
Como vimos a pouco, a derrota de 1870 leva a França a uma política de 
promoção da Geografia que começa pelo ensino primário e secundário, 
seguido pelo seu desenvolvimento nas universidades e pela política de 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 75 
 
incentivo à criação de instituições geográficas. Vidal vai saber tirar 
proveito dessa situação. 
 
Em 1875, é nomeado conferencista de Geografia da Universidade de 
Nancy; em 1880, torna-se subdiretor da Escola Normal Superior onde 
fica até 1898, ano em que vai para a Sorbonne. 
 
Vidal foi um professor irrepreensível e um viajante incansável. 
Conheceu muito bem a França e a Europa, assim como boa parte do 
norte da África e da América do Norte. Produziu uma obra pouco 
volumosa, mas muito densa. Formou e incentivou os jovens que 
estavam à sua volta e que em boa parte se transformaram em grandes 
geógrafos. 
 
Vidal, mesmo sendo original, nunca escondeu o quanto foi devedor aos 
mestres alemães, sobretudo Ritter e Ratzel. 
 
Para ele, a geografia deveria partir de uma ideia simples: explicar a 
desigual repartição dos homens sobre a superfície da Terra e suas 
densidades. Para tanto, deveríamos dar um tratamento cartográfico 
aos dados e considerar na análise os sinais expressos pela paisagem e a 
relação dos assentamentos humanos com o solo. 
A geografia de Vidal de la Blache 
Veremos aqui quatros aspetos importantes da Geografia Vidaliana – a 
ideia de totalidade, a questão das densidades e do trabalho de campo, 
os gêneros de vida e o possibilismo. Na aula seguinte, veremos 
especificamente a sua noção de região. 
 
A influência de Ritter: a ideia de totalidade 
 
Vidal toma como ponto de partida para as suas reflexões geográficas a 
ideia de totalidade desenvolvida por Ritter, entretanto, ele vê nessa 
ideia um convite para a análise de relações complexas e das conexões 
entre os diversos fenômenos e não um chamamento à reflexão sobre o 
destino do mundo e da humanidade, como era a preocupação de 
Ritrter. Veja no texto a seguir um trecho do próprio Vidal sobre esse 
ponto. 
 
“A ideia de que a Terra é um todo, cujas partes estão coordenadas, 
fornece à Geografia um princípio de método cuja fecundidade aparece 
melhor à medida que amplia a sua aplicação. Se nada existe 
isoladamente no organismo terrestre, se por toda parte repercute leis 
gerais de modo que não se pode tocar em uma parte sem provocar 
encadeamentos de causa e efeito, a tarefa do geógrafo toma um 
carácter diferente daquele que lhe é atribuído. Qualquer que seja a 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 76 
 
fração da Terra que ele estude, ele não pode aí se fechar. Um elemento 
geral se introduz em toda pesquisa local. Não existe, efetivamente, 
região cuja fisionomia não dependa de influências múltiplas e 
longínquas da qual importa determinar o foco. Cada região age 
imediatamente sobre sua vizinha e é influenciada por ela”. 
 
(VIDAL DE LA BLACHE, 1896, p. 122) 
 
Os mapas de densidade e o trabalho de campo 
 
Um dos pontos importantes para os estudos da Geografia vidaliana 
eram as cartas de densidade. Para ele, essas cartas colocavam o 
problema fundamental de toda a Geografia humana: aquele das 
relações que os grupos humanos estabelecem com os lugares onde 
vivem e com o seu entorno. 
 
 
Figura 16-Exemplo de um mapa de densidade 
 
Dessa forma, a Geografia deve analisar e explicar as relações entre os 
grupos humanos e o meio ambiente onde moram. Nesse sentido, a 
tarefa mais importante dela é estudar e explicar os mapas de 
densidades, porque eles dão uma ideia clara dessas relações. 
 
A prática vidaliana do trabalho de campo é indissociável de suas 
pesquisas e de sua compreensão de Geografia. O campo, em certa 
medida, deve substituir o livro, o texto e, até mesmo, o arquivo 
histórico. Ele adquire um valor heurístico fundamental, visto que 
constitui o substrato no qual se lê a relação homem/meio e que vai se 
transformar na problemática explícita 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 77 
 
da Geografia humana francesa. Assim sendo, as manifestações 
elementares da vida, as formas de trabalho, de deslocamentos, de 
habitat, de vestuário, observados no campo, são consideradas como 
sinais das interações entre as sociedades locais e o meio. 
O gênero de vida 
 
Ao abordar a relação entre o meio e a acção humana, Vidal de la Blache, 
considerava que o meio é uma força viva, que tem movimento próprio 
e regras de conexão que escapam à intervenção humana. Por outro 
lado, a acção do homem tem grande capacidade de transformação. 
O conjunto das acções e as formas através das quais os homens tiram 
proveito das possibilidades oferecidas pela natureza é dada pela 
diversidade dos gêneros de vida. A noção de gênero de vida permite à 
análise geográfica vidaliana compreender as relações que os homens 
tecem com o seu meio. Relações que são estabelecidas pelas técnicas, 
pelas formas de trabalho, pelas formas de habitação, pela cultura etc. 
 
No seu entendimento, como os grupos humanos, necessariamente, têm 
que se adaptarem (se defrontarem, estabelecerem relações com as 
condições ambientais), essa adaptação se traduz na adoção de um 
modo de vida, de um gênero de vida: caça, pesca, criação de bovinos, 
ovelhas, suínos, cavalos, agricultura etc. O estabelecimento do gênero 
de vida seria a acção humana destinada a extrair do meio ambiente o 
que se necessita para comer, vestir-se, proteger-se do vento, da chuva, 
do frio e a forma como dispor de ferramentas diversas. O gênero de vida 
aparece como um conjunto de técnicas e hábitos. 
 
Para o mestre francês, a adaptação de um grupo humano a um meio 
ambiente específico dependia: 
1. Das técnicas produtivas e da possibilidade de inventar novas 
técnicas; 
2. Da capacidade da tradição em transmitir, para gerações futuras, 
as técnicas produtivas; 
3. Das técnicas de transporte e da possibilidade de desenvolver 
trocas com grupos de localidade diversa; 
4. Da força do hábito. 
 
O Possibilismo 
 
O possibilismo é comumente reduzido à seguinte ideia: a natureza 
propõe, o homem dispõe. Esta é, sem dúvida, a noção mais conhecida 
para definir a abordagem das relações homem/meio da escola francesa 
de Geografia e, em particular, de seu fundador Paul Vidal de la Blache. 
No entanto, o autor desse neologismo não é Vidal de la Blache e sim o 
historiador Lucien Febvre, em seu livro “A terra e a evolução humana”. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 78 
 
Nesse livro, Febvre, inspirado nas elaborações de Vidal de la Blache, faz 
deste a referência para os “possibilistas” em oposição aos 
“deterministas” e se arroga o papel de encarnar o espírito da escola 
francesa de Geografia. 
 
O possibilismo constituiriase, assim, numa alternativa ao determinismo 
do meio físico na análise das relações que o homem mantém com esse 
meio. O possibilismo é a rejeição à ideia de que o homem é, antes de 
tudo, passivo, submisso às condições locais e constrangido a se adaptar. 
 
Na análise de Vidal, a compreensão das relações homem/meio se dá em 
toda sua complexidade, dando relevante atenção às iniciativas 
humanas transformadoras da natureza. 
 
Sua posição é frontalmente anti determinista, ou seja, contrário ao 
determinismo, mas considera que o homem sofre influências do meio 
no sentido de que existe uma diferenciação natural frente à qual o 
homem se depara e que em cada meio dado a natureza apresenta um 
conjunto de possibilidades, com limites próprios e que é em função dos 
dados históricos, culturais e técnicos que algumas dessas possibilidades 
serão exploradas pelos seus habitantes. 
“Uma individualidade geográfica não resulta da simples consideração 
da geologia e do clima. Isso não é uma coisa dada de antemão pela 
natureza. É preciso partir da ideia de que uma região é um reservatório 
onde dormem energias na qual a natureza depositou o germe, mas cujo 
emprego depende do homem. É ele quem, ao submetê-las ao seu uso, 
traz à luz sua individualidade. Ele estabelece uma conexão entre os 
traços dispersos; aos efeitos incoerentes de circunstâncias locais ele 
substitui um concurso sistemático de forças. É só então que uma região 
se precisa e se diferencia e transforma-se, por extensão, numa medalha 
cunhada à esfinge de um povo”. 
 
(VIDAL DE LA BLACHE, 1979, p.8) 
 
Sumário 
Esta aula mostra como, a partir da derrota sofrida pela França frente à 
Alemanha em 1870, a Geografia obtém grande impulso no ensino 
francês. Mostra também que Paul Vidal de La Blache é o grande nome 
da Geografia francesa desse período e é quem desenvolverá os 
elementos constitutivos da análise geográfica da Escola Francesa de 
Geografia. Para esse mestre francês, a Geografia deveria ter como base 
para sua análise noções como totalidade, densidade, gênero de vida e 
possibilismo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 79 
 
Autoavaliação 
1. Apos a derrota da França a geografia obtém grande desenvolvimento e, 
apoiada pelo Estado, é implantada em todo o Ensino Básico, surgindo 
as primeiras cátedras e os institutos de Geografia. A implantação e 
institucionalização da Geografia francesa foi ao cargo de: 
 
A. Charles Darwin 
B. Emile Levasseur 
C. Paul Vidal de la Blache 
D. Jean-Baptiste Lamarck 
2. A partir do conceito de REGIÃO, assinale a opção CORRETA: 
A. O Conceito de Região na Geografia refere-se à porção do espaço que 
agrupa elementos diferentes. 
B. Por regionalização pode-se entender a divisão de um grande espaço 
em regiões, sem nenhum critério anteriormente estabelecido. 
C. Para estudar todos os países do mundo não precisamos regionalizar 
as informações, podemos estudar todos os dados geográficos 
juntos. 
D. Cada região se diferencia das outras por apresentar particularidades 
próprias, ou seja, semelhança entre seus elementos 
 
3. A relação entre o meio e a acção humana, o meio é uma força viva, 
que tem movimento próprio e regras de conexão que escapam à 
intervenção humana. Por outro lado, a acção do homem tem grande 
capacidade de transformação. Essas ideias são atribuídas ao: 
A. Ernest Haeckel 
B. Emile Levasseur 
C. Jean-Baptiste Lamarck 
D. Paul Vidal de la Blache 
4. O estabelecimento do gênero de vida seria a acção humana destinada 
a extrair do meio ambiente o que se necessita para comer, vestir-se, 
proteger-se do vento, da chuva, do frio e a forma como dispor de 
ferramentas diversas. 
5. O determinismo geográfico colocava o homem numa condição de 
submissão aos aspectos naturais (a natureza é que determina a ação 
humana), ou seja, sugeria que é o meio ambiente em que uma pessoa 
vive que define suas características físicas e psicológicas. Esta corrente 
surgiu na Alemanha foi idealizado por: 
A. Friedrich Ratzel 
B. Emile Levasseur 
C. Jean-Baptiste Lamarck 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 80 
 
D. Paul Vidal de la Blache 
Guião de Correcção 
1-C; 2-D; 3-D; 4V; 5-A 
Avaliação 
1. O possibilismo é comumente reduzido à seguinte ideia: a natureza 
propõe, o homem dispõe ou seja afirmava que a relação homem-
natureza é percebida a partir da interpretação da paisagem. Esta 
corrente foi idealizado por: 
A. Friedrich Ratzel 
B. Emile Levasseur 
C. Jean-Baptiste Lamarck 
D. Paul Vidal de la Blache 
2. Qual é a ideologia da corrente determinista: 
A. O homem é dependente dos aspectos e fenômenos naturais, não 
sendo capaz de superá-los. 
B. O homem não é dependente dos aspectos e fenômenos naturais. 
C. Que o homem que habitam as regiões mais quentes são mais 
inteligentes do que os das áreas mais frias. 
D. Que o homem consegue prever e evitar os fenômenos naturais (ex: 
terremoto) 
 
3. Qual é a ideologia da corrente do possibilismo: 
A. O homem é dependente dos aspectos e fenômenos naturais, não 
sendo capaz de superá-los. 
B. O homem não consegue transformar a natureza para o seu próprio 
benefício. 
C. O homem tem as condições necessárias para se adaptar à natureza 
e transformá-la para o seu próprio benefício. 
D. Que o homem que habitam as regiões mais quentes são mais 
inteligentes do que os das áreas mais frias. 
4. Assinale, a seguir, a alternativa que melhor indica o conceito atual de 
espaço geográfico: 
A. Compreende o substrato superficial onde habitam os seres vivos 
terrestres. 
B. Abrange o meio físico da Terra e suas dinâmicas naturais, tais como 
o clima, o relevo e a vegetação. 
C. É o resultado da interação mediada pelas técnicas entre as práticas 
humanas e suas sociedades com a superfície terrestre e seus 
elementos. 
D. É tudo aquilo que pode ser contemplado pela visão em um 
ambiente imediatamente próximo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 81 
 
5. Assinale a opção INCORRETA em relação as características do 
Espaço Geográfico: 
A. Espaço geográfico é que predominam os aspectos originais da 
natureza. 
B. Lugar é a parte do espaço geográfico onde vivemos e interagimos 
com a paisagem. 
C. O espaço geográfico é a natureza transformada pelos seres 
humanos, por meio de seu trabalho ao longo da história. 
D. Para entendermos o espaço geográfico faz-se necessário 
compreender a sociedade que o criou e continua a transformá-lo ao 
longo do tempo. 
Guião de Correcção 
1-D; 2-A; 3-C; 4- C; 5- A 
Referências Bibliográficas 
ANDRADE, Manuel Correia. Geografia, ciência da sociedade: uma 
introdução à análise do pensamento geográfico. Recife: Editora 
Universitária/UFPE, 2006. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la Gèogaphie. Paris: PUF, 1995. 
MORAES, António Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 
São Paulo: HUCITEC,1983. 
VIDAL DE LA BLACHE, Paul. Le principe de la géographie générale. 
Annales de Géographie, v. 5, n. 20, p. 122-142, 1896. 
VIDAL DE LA BLACHE, Paul. Tableau de la géographie de la France. Paris: 
Tallandier, 1979. 
 
 
UNIDADE Temática 3.3. A abordagem regional vidaliana 
Introdução 
A questão regional é uma das mais tradicionais em Geografia, sendo a 
região um conceito chave dessa ciência. Entretanto, trataremos, nesta 
aula, apenas da concepção de região elaborada por Vidal de la Blache. 
Isso porque é esse geógrafo a maior expressão da chamada Geografia 
regional. Como vimos na aula sobre a Geografia vidaliana e o seu 
contexto, até Vidal de la Blache, a 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 82 
 
Geografia não se constituía num ramo autônomodo conhecimento, é 
com ele que atinge status de ciência na França. Ele é um pensador do 
possível, das diversas possibilidades que o homem tem diante do 
imperativo de habitar a Terra. Procurou salientar a importância da 
vinculação entre o geral e o particular e a complexidade das entidades 
(regiões) geográficas, para tanto, desenvolve a ideia de unidade 
terrestre. Considerava fundamental para análise geográfica a 
diferenciação da superfície terrestre, das sociedades e a compreensão 
de como estão articuladas, ou seja, como as diversidades dos lugares se 
expressam numa determinada organização espacial. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 Compreender a noção de região para Vidal de la Blache. 
 Entender a importância do conceito de região para a análise geográfica. 
 Perceber, na análise regional, a dialética das escalas. 
 
A evolução do pensamento regional Vidaliano 
Apoiando-se, por um lado, nos resultados obtidos pelos geólogos e, por 
outro, em sua formação essencialmente de historiador, Vidal concebe 
o espaço dos países como sendo a combinação da história do solo e a 
história dos homens. 
Partindo de quadros naturais – geologia, geomorfologia, vegetação 
relevo, clima, hidrografia –, ele mostra como a geologia e o clima 
oferecem uma série de possibilidades, cujo emprego depende dos 
homens, e que é o grupo humano que, ao fazer uso da natureza, 
diferencia uma região “transformando a sua extensão numa medalha 
cunhada como a esfinge de um povo” (VIDAL DE LA BLACHE, 1979, p.8). 
Para Vidal, cabe ao geógrafo explicar e compreender a lógica interna de 
cada fragmento da superfície terrestre revelando sua individualidade, 
cuja réplica exata não se encontra em nenhuma outra parte. É 
atribuição do geógrafo estudar a organização de cada espaço 
diferenciado e individualizado. 
Desde 1889, Vidal propõe uma primeira concepção das “divisões 
fundamentais do solo francês”. Quinze anos de reflexão sobre o tema o 
levam à elaboração de seu mais famoso livro Tableau de la géographie 
de la France (Quadro da Geografia da França), em 1903, no qual ele 
apresenta um espaço hierarquizado em graus diferenciados. No 
entanto, o ponto de partida permanece sendo a “região natural”, 
apoiada na geologia, no relevo ou no clima – Bassin parisien, Massif 
Central, Midi océanique. Essas regiões se diversificam em unidades 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 83 
 
mais reduzidas e são compreendidas segundo aspectos históricos, em 
função de elementos políticos e de desenvolvimento econômico – as 
rotas – ou em função de elementos oriundos do raio de influência de 
uma cidade. 
Por sua vez, tais regiões se revestem de aspectos e traços bastante 
diferenciados, cuja originalidade se exprime numa certa fisionomia, 
num estilo particular de organização espacial engendrada pelo 
casamento entre a natureza e a história. Essa fisionomia é o que nós 
chamamos hoje de paisagem. 
 
Compreendendo o Tableau e o papel das cidades 
Para compreendermos o espírito do Tableau de la France, é necessário 
lembrarmos que foi encomendado a Vidal por Ernest Lavisse para servir 
de introdução a uma “História da França” e que deveria tratar da 
geografia francesa até 1789. É em função desse aspecto que 
encontramos no Tableau elementos fixos e permanentes inseridos em 
quadros que remontam aos aspectos mais antigos e tradicionais 
daquele país. Mas, Vidal não ignora as transformações que o 
desenvolvimento urbano e a concentração industrial promoveram, no 
início do século XX, na estrutura regional da França. Ele demonstra isso 
em artigos que escreve entre 1910 e 1917. 
Mostrou como algumas cidades, Lyon em particular, passavam a ser 
grandes geradoras de unidade regional e organizavam em torno de si 
uma região de tipo novo, que ele qualificou de nodal, termo tomado 
emprestado ao geógrafo inglês Mackinder. Essas regiões definiram-se 
em função do seu centro. 
 Num artigo escrito em 1917 e intitulado “A renovação da vida 
regional”, diz Vidal: “Quando se trata de região, não é necessário 
procurar os limites. É necessário conceber a região como uma espécie 
de auréola que se estende sem limites bem determinados, que circunda 
e que avança” (VIDAL DE LA BLACHE,1917, p. 104). 
A cidade não é uma novidade para os geógrafos dessa época, uma vez 
que, em vários momentos do desenvolvimento da humanidade, a 
cidade aparece como organizadora de um espaço que a circunda. A 
novidade reside na amplitude do fenômeno, no raio de influência das 
cidades, viabilizado pelo desenvolvimento das comunicações e das 
estradas de ferro. Essa “renovação regional” Vidal sente perfeitamente 
– de forma mais marcante no final de sua vida – e exprime, cabalmente, 
em sua obra La France de l’Est (1917). Ele se torna mesmo um defensor 
de uma reforma administrativa do país, propondo, em 1910, um recorte 
em 17 regiões geográficas, concebidas a partir de espaços organizados 
pelas maiores cidades. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 84 
 
Entre os geógrafos de seu tempo, é Vidal quem coloca a reflexão e a 
análise regional no centro de sua obra. Ele se interessa pela história da 
exploração do mundo, pelas formas de povoamento, pelos gêneros de 
vida, pela demografia etc. No entanto, a preocupação regional, que se 
esboça por volta de 1880, permanece central e evolui bastante até os 
seus últimos trabalhos, dentre eles La France de l’Est, publicado às 
vésperas de sua morte, no ano de 1918, em plena guerra mundial. Ao 
finalizar essa obra e deixar inacabados os Príncipes de Géographie 
humaine, Vidal indica o peso que tem a démarche regional em suas 
elaborações. 
 
É num artigo escrito em 1888, Des divisions fondamentales du sol 
français, que Vidal inicia sua reflexão sobre a questão regional da 
França: questão capital em seu pensamento, que o acompanhará até o 
fim de sua vida. 
Região e Ensino 
O texto de 1888 destina-se aos professores de geografia do ensino 
médio e pretende dar algumas indicações de método apoiadas em 
exemplos da realidade francesa. A ideia é que os alunos percebam que 
a Geografia é uma coisa viva. Segundo o próprio Vidal, o texto deveria, 
sobretudo, inspirar o desejo de ver. Ver com os próprios olhos e 
compreender as diferenças das regiões. 
Diferenças que escapam à observação superficial, mas que se 
descobrem de imediato quando se tem um olhar atento e se associam 
a ele lembranças e impressões. Para Vidal de La Blache, isso é o que de 
melhor poder-se-ia desejar para o estudo da escola da França. Uma das 
dificuldades, apontadas por esse geógrafo no ensino de Geografia é a 
incerteza sobre as divisões que melhor convém para a descrição das 
regiões. Para ele, essa incerteza implica a própria concepção que se tem 
da Geografia. Os factos, diz Vidal, se esclarecem segundo a ordem na 
qual nós os agrupamos. A Geografia não seria uma nomenclatura à qual 
se juntam outros conhecimentos práticos do mesmo gênero. Se se 
separa o que deve ser relacionado, se se une o que deve ser separado, 
toda a ligação natural está quebrada. 
A noção que Vidal de la Blache tem de região é uma noção fundada no 
princípio da “unidade terrestre”, segundo o qual a região se constituiria 
enquanto parte de um todo e ela mesma se constituiria numa unidade, 
em que, havendo a quebra das ligações naturais, seria impossível 
reconhecer o encadeamento que religa os fenômenos dos quais se 
ocupa a Geografia e que é sua razão de ser científica. 
 
Vidal de la Blache insiste no facto de que a Geografia deve ser tratada 
como ciência e não como uma simples nomenclatura. A região, para ele, 
não é a descrição de um mosaico de 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico85 
 
paisagens. Existe, na sua noção de região, uma visão de movimento, de 
imbricações dos seres regionais. As regiões de um país são peças que 
mantêm relações entre si, formando um todo. 
Vidal mostra que existem regiões naturais, mas para a Geografia, 
interessa a relação entre essa região natural e as regiões históricas, e 
essa unidade natural/histórica não se realiza sem implicações 
complexas. Não existe uma superposição automática entre elas. A ideia 
é que existe uma base geográfica no desenvolvimento histórico de um 
povo. Não nos parece haver dúvidas de que a região é um tema central 
no pensamento de Vidal de la Blache, que é um pensamento que evolui. 
Segundo Sanguin (1993, p. 327). 
Há primeiro a região versão 1888 (a do artigo Des divisions 
fondamentales du sol français), onde ele tenta encontrar um princípio 
integrador suscetível de clarificar o conceito em geografia. Em outras 
palavras, esse artigo é um exercício para dar uma definição funcional à 
palavra região. Passamos em seguida à região versão 1903 (a do 
Tableau de la géographie de la France). 
Paul fez sua a ideia central desenvolvida por Michelet. Existe uma base 
geográfica na história de um povo: tal é a pátria, tal é o homem, 
segundo Michelet. Enfim, chegamos à região vidaliana versão 1910 (a 
do artigo Régions françaises), no qual, de uma forma visionária, Paul 
propõe, 80 anos antes, uma França constituída de regiões concebidas 
pela Europa do Mercado único e pela Comunidade saída do Tratado de 
Maastricht! 
Sem sombra de dúvida, a ideia de região evolui no pensamento 
vidaliano, no entanto, parece-nos que toda essa evolução tem um fio 
condutor que acompanhou esse grande geógrafo durante toda a sua 
carreira: aquele que se funda sobre a concepção da relação 
homem/natureza. 
 
Em seu Principes de géographie humaine, e em outros escritos, Vidal 
expõe a sua concepção geral da relação homem/natureza. Para ele, o 
homem participa da natureza. Homem e natureza não são termos 
opostos: o homem faz parte da criação e é o seu colaborador mais ativo. 
“Ele não age sobre a natureza senão nela e por ela” (VIDAL DE LA 
BLACHE, 1896, p.122). 
 
Em função da realização de suas necessidades vitais – respiração, 
alimentação, habitação etc. –, o homem, segundo Vidal, permaneceria, 
assim como os outros animais, embebido nas influências do meio 
ambiente. Essa influência estabeleceria uma “ligação” entre as 
condições naturais e os factos geográficos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 86 
 
No entanto, considera o autor, essa ligação não seria absoluta e sofreria 
as influências do tempo, pois os homens são dotados de capacidade 
criadora, o que faria com que essas influências do meio se modificassem 
com a evolução técnica das sociedades e o homem tiraria cada vez mais 
partido das possibilidades oferecidas pela natureza. O poder de ação do 
homem sobre a natureza está ligado, na concepção vidaliana, ao grau 
de evolução das sociedades humanas. 
Vidal reconhece que é “verdadeiramente muito difícil desvendar, nas 
grandes sociedades civilizadas, a influência do meio local”, mas elas 
“são resultado infinitamente complicados de uma longa acumulação da 
actividade humana” (VIDAL DE LA BLACHE, 1896, p. 123). Nesse ponto, 
Vidal de La Blache concebe a actividade humana como mediatizadora 
entre a influência do meio e as formas de organização espacial das 
sociedades. 
 
Em Vidal, existe uma concepção que explicaria, ao mesmo tempo, a 
dependência e a liberdade do homem em relação à natureza. Para ele, 
o homem é definido como um ser saído da natureza e que não pode e 
jamais poderá desligar-se dessa entidade, que o contém e à qual deve 
sua existência. 
Na sua ideia mesma de região, está a marca dessa tensão entre as 
sociedades e a natureza, entre liberdade e dependência. 
Região e Estado 
Mesmo o Estado tem, na concepção vidaliana, um componente regional 
ligado às condições naturais. Segundo Mercier (1995, p. 220/221), tanto 
Ratzel quanto Vidal: 
 
Sustentam que a diferenciação regional e a solidariedade inter-regional 
subjacente à criação do Estado resultam de uma dinâmica geográfica 
determinada, ao mesmo tempo, pela capacidade técnica das 
sociedades humanas, as condições naturais nas quais elas evoluem e a 
intensidade das trocas entre uma sociedade e suas vizinhas. 
 
O papel das trocas 
As trocas ocupam um lugar significativo na análise de Vidal, uma vez 
que estão diretamente ligadas à geração de uma rede de circulação que 
é ao mesmo tempo fruto e causa da intensificação dessas mesmas 
trocas e que transformam e alteram profundamente as formas de 
ocupação do espaço. 
A intensificação das trocas geraria o que Vidal chama de solidariedade 
regional. Isso deslocaria o foco da análise regional do princípio da 
homogeneidade para a da solidariedade regional. Vidal de la Blache é 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 87 
 
um homem atento às mudanças de seu tempo, essa ideia de 
solidariedade regional tem em seu cerne o desenvolvimento das 
cidades. Para Vidal de la Blache (1993, p. 309), “Cidades e rotas são as 
grandes iniciadoras da unidade; elas criam a solidariedade das regiões. 
[...]. Esse papel nas condições econômicas do mundo atual, se precisa e 
se define”. 
As monografias regionais 
Vidal de la Blache é, sem dúvida, a maior expressão da Geografia 
francesa, principalmente, em se tratando de Geografia regional. Para 
ele, uma monografia regional, ou seja, um trabalho científico em 
Geografia, deveria estar atenta para os elementos que compõem a 
região: os elementos do meio físico, sobretudo, o solo; formas de 
habitação, actividades humanas, e como as comunidades se integram 
com o meio físico e com outras comunidades; além de estar atenta para 
elementos solidários que pudessem parecer estranhos à região 
estudada. 
Vidal e o Movimento Regionalista 
Por volta de 1860, por influência das ideias de Proudhon (1809-1865), 
Mistral (1830 - 1914) e Barres (1862 – 1923), desenvolveu-se na França 
um movimento regionalista, que se articula em torno da revista L’Acion 
Régionaliste e da Federação Regionalista Francesa. Entre 1890 e 1910, 
esse movimento defendeu uma reforma territorial na França. A partir 
de 1910, Vidal se insere nesse movimento. 
A primeira tomada de posição regionalista de Vidal foi muito discreta. 
Manifestou-se em um comentário que ele fez, em 1898, sobre o livro 
de Pierre Foncin “Les Pays de France. Projet de fédéralisme 
administratif. (Compte rendu du livre de Pierre Foncin: Les pays de 
France) Annales de Geographie, 1898). Nesse livro, Foncin propõe ao 
movimento regionalista uma doutrina e um programa. Em seu 
comentário, Vidal subscreve a ideia de “livrar a França da opressão da 
centralização”. Como Foncin, ele lamenta a ineficácia da organização 
territorial em vigor na França e concorda que seria necessário dotar a 
França de uma circunscrição administrativa melhor adaptada às 
“unidades locais naturais”. 
Esse breve comentário revela duas orientações que Vidal, nessa época, 
dava à sua reflexão sobre a região. De um lado, ele queria dotar a 
Geografia de uma definição do conceito de região e de um método de 
análise regional. Ele sustenta, como vários outros, que a realidade 
regional não corresponde necessariamente a divisões administrativas. 
Por outro lado, ele revela a sua sensibilidade política e faz elogios às 
vantagens de Estados onde a diversidade regional se exprime. Ao 
descrever a Suíça, deixa transparecer o valor moral que ele atribui à 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 88 
 
autonomia dos organismos locais. Para ele, a Suíça havia atingido um 
alto nível de civilização porque cada região era dotadade uma 
identidade política própria. 
Se, por um lado, Vidal, ao comentar Foncin, concorda com a reforma 
regional, ele não se torna efetivamente um advogado do movimento 
regionalista. No entanto, dá um passo nessa direção quando publica, 
em 1903, o seu célebre Tableau de la géographie de la France. 
Nesse trabalho, ele adopta uma posição regionalista, sem se referir 
diretamente a nenhuma posição política ou debate partidário. Ele se 
situa “acima” de qualquer querela doutrinária ou política e reclama 
para si tão-somente a análise científica. Restringe-se a dizer, no final de 
sua obra, que a reforma regional emana da própria Geografia e que uma 
regionalização está verdadeiramente inscrita na história do solo e do 
povo francês, que somente “o esquecimento” ou “a complacência” 
poderiam contrariar tal reforma. Ele explica que a centralização é uma 
herança do século XVIII e que nessa época uma coação política externa 
havia favorecido essa centralização. 
A França precisava rivalizar com os outros Estados europeus e esse 
esforço de afirmação e de resistência exigia que a unidade do país fosse 
incontestável. Entretanto, essa centralização havia, segundo Vidal, 
sufocado o pleno desenvolvimento e a manifestação da Geografia 
francesa e no século XIX o dinamismo local começava a se manifestar, 
mostrando que a Geografia regional da França iniciava a retomada de 
seus direitos. 
Alguns anos mais tarde, Vidal decide defender mais abertamente o 
movimento regionalista. Sua atitude se manifesta, primeiramente, 
(VIDAL DE LA BLACHE, 1909), quando comenta o livro de Lucien Gallois, 
Régions naturelles et noms de pays, no qual denuncia abertamente e 
sem rodeios “o despotismo” que mantém a França num “excesso de 
centralização”. Essa nova coloração é o prelúdio de um outro artigo, 
publicado em 1910, Regions françaises. 
 
Nesse artigo, Vidal ultrapassa, sem hesitação, os horizontes científicos, 
para elaborar e legitimar um autêntico programa regionalista. Desde a 
primeira linha, ele denuncia a inércia da classe política e se congratula 
com a clarividência dos partidários da reforma regional. Com essa 
amostra, manifesta a sua intenção de tomar partido em um debate 
político de sua época. Aliás, ele critica “a insuficiência das divisões 
administrativas atuais”. 
Mesmo reconhecendo um certo valor nas divisões departamentais, 
lamenta a ausência de entidades regionais mais amplas. Para ele, o 
departamento, criado no rasto da Revolução, trazia uma forte marca de 
uma França largamente rural. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 89 
 
Contudo, a geografia da França havia mudado bastante no século XIX. A 
grande indústria havia ampliado consideravelmente a escala dos 
fenômenos econômicos e isso simultaneamente à formação de centros 
urbanos que drenavam grandes hinterlândias. 
O Método Regional 
Vidal se interessa muito pelas realidades geográficas extensas: nações 
ou grandes zonas geográficas, como o Mediterrâneo. Se ele efetua 
recortes regionais, é para melhor compreender a natureza das 
entidades que lhe interessam. Seu método repousa sobre uma 
incessante dialética das escalas. Para ele, essa dialética se realiza 
quando analisa a situação dos lugares ou de pequenos conjuntos 
territoriais: pontos ou áreas mais ou menos extensos. A outra vertente 
dessa dialética das escalas procede de modo inverso, indo das grandes 
áreas naturais, das nações, das grandes regiões em direção aos “pays”, 
ao local. Essas operações de regionalização que “revelam” 
componentes que existem no seio de um grande espaço o apaixonam. 
Quando os critérios de partição são mudados, a forma do recorte toma 
toda sua amplitude. É o que torna a démarche regional insubstituível no 
pensamento vidaliano. Ela revela, assim, a complexidade dos objectos 
estudados quer se trate de nações, de grandes espaços, ou do estudo 
do local. 
 
Para descrever a França, Vidal utiliza sucessivamente várias perspetivas: 
ele a recorta em regiões naturais (1988); analisa conjuntos onde se 
desenvolvem formas de sociabilidade originais, mas que têm na França 
a particularidade de se completar (VIDAL DE LA BLACHE, 1979); faz um 
inventário dos pequenos “pays” e das paisagens agrárias (VIDAL DE LA 
BLACHE, 1904). Retornando dos Estados Unidos, se volta para a análise 
com base nas grandes cidades, nas zonas de influência que elas talham 
no seio do território nacional (VIDAL DE LA BLACHE, 1993). 
 
Nesse sentido, a démarche regional vidaliana não pode ser concebida 
de maneira estática, uma vez que é dinâmica. Abrindo vários flancos, 
ela permite envolver na análise a natureza, a natureza humana, a 
cultura e todo o conjunto complexo de “objectos e de acções” que 
constituem a estrutura do território. 
Sumário 
 
Nesta unidade, discutimos a evolução do pensamento regional de Paul 
Vidal de la Blache. Você percebeu que, para esse autor, a região é um 
recorte espacial relacionado à diferenciação natural e cultural dos 
lugares. Mostramos também que elementos como clima, geologia, 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 90 
 
cultura, história e técnica se imbricam e dão singularidades ao local e 
que o advento das cidades promovem um novo reordenamento 
regional. 
Autoavaliação 
1. Uma região pode ser criada com a finalidade de realizar estudos sobre 
as características gerais de um território, assim como para entender 
determinados aspectos do espaço. 
2. A região resulta de uma elaboração racional e intencional do ser 
humano. Tem a finalidade de facilitar a análise, a gestão e a 
compreensão de uma determinada área e dos elementos que a 
compõem. 
3. Em geral, a região pode ser entendida como uma área que foi dividida 
obedecendo-se a um critério específico. 
4. Algumas regiões surgem de forma natural e são estabelecidas sem que 
seja necessária a especificação de um critério que as defina ou 
classifique. Elas são chamadas de regiões naturais. 
 
5. O espaço geográfico é aquele que foi modificado pelo homem ao longo 
da história. Nele estão contidos alguns elementos. 
I Um dos principais da geografia, está ligado a espaços que nos são familiar 
e que fazem parte da nossa vida. Desde a infância, começamos a 
construir e organizar nosso próprio espaço e a conhecer o espaço das 
pessoas com as quais convivemos. 
II Refere-se às configurações externas do espaço. Por muitas vezes, ela foi 
definida como “aquilo que a visão alcança”. 
III É classicamente definido como sendo um espaço delimitado. Tal 
delimitação se dá através de fronteiras, sejam elas definidas pelo 
homem ou pela natureza. 
IV É uma área ou espaço que foi dividido obedecendo a um critério 
específico. Trata-se de uma elaboração racional humana para melhor 
compreender uma determinada área ou um aspecto dela. Pela análise 
realizada a sequência correta é: 
 
A. Lugar, paisagem, território, região. 
B. Paisagem, território, lugar, região. 
C. Território, lugar, paisagem, região. 
D. Região, paisagem, lugar, território. 
Guião de Correcção 
1-F; 2-F; 3-V; 4-F; 5-A 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 91 
 
Avaliação 
1. A partir do conceito de REGIÃO, assinale a opção CORRETA: 
A. O Conceito de Região na Geografia refere-se à porção do espaço que 
agrupa elementos diferentes. 
B. Cada região se diferencia das outras por apresentar particularidades 
próprias, ou seja, semelhança entre seus elementos. 
C. Para estudar todos os países do mundo não precisamos regionalizar 
as informações, podemos estudar todos os dados geográficos juntos. 
D. O conceito de região é menor que a escala local, e maior que a escala 
nacional. 
Correlacione a segunda coluna de acordo com a primeira: 
 
2. 
Espaço 
geográficoConjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de 
ações, que procura revelar as práticas sociais dos diferentes 
grupos. 
3. Paisagem É, numa determinada porção do espaço, o resultado da 
combinação dinâmica, portanto instável, de elementos 
físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo 
dialeticamente, uns sobre os outros, fazem da paisagem um 
conjunto indissociável, em perpétua evolução. 
4. Território Para algumas correntes da geografia, pode ser entendido(a) 
como uma classe de área, que pode apresentar grande 
uniformidade interna e grandes diferenças quando 
comparada a outras áreas. 
5. Lugar É marcado(a) pelas relações de consenso, conflito, 
dominação e resistência, onde se cria identidade e onde se 
vive. 
6. Região As relações de poder construídas e estabelecidas são 
determinantes para a sua definição e delimitação. 
Guião de Correcção 
1-B; 
Referências Bibliográficas 
ANDRADE, Manuel Correia. Geografia, ciência da sociedade. Recife: 
Editora Universitária/ UFPE, 2006. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la gèogaphie. Paris: PUF, 1995. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la Géographie française de 1870 à nos jour. 
Paris: NATAN, 1998. 
DANTAS, Aldo. Pierre Monbeig: um marco da geografi a brasileira. Porto 
Alegre: Sulina, 2005. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 92 
 
MERCIER, Guy. La région e l´’état selon Friedrich Ratzel et Paul Vidal de 
la Blache. Annales de Géographie, Paris, v. 583, p. 211-235, 1995. 
MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 
São Paulo: HUCITEC, 1983. 
 SANGUIN, André-Louis. Vidal de la Blache: un génie de la géographie. 
Paris: Belin, 1993. VIDAL DE LA BLACHE, Paul. Le principe de la 
géographie générale. Annales de Géographie, v. 5, n. 20, p. 122-142, 
1896. 
______. Régions naturelles et noms de pays. Journal des Savants, p. 
389-401, sept./oct. 1909. 
______. De la signifi cations populaire des noms pays. Roma Tipografia 
Della R. Academia dei Lincei, 1904. 
______. La rénovaion de la vie régionale: foi et vie. Cheir, 1917. 
______. Tableau de la géographie de la France. Paris: Tallandier, 1979. 
______. Régions françaises. In: SANGUIN, André-Louis. Vidal de la 
Blache: un génie de la géographie. Paris: Belin, 1993. 
 
UNIDADE Temática 3.4. Os movimentos de renovação 
Introdução 
A Geografia começa a viver a partir da década de 1950, em todo o 
mundo, uma dramática crise de transição. Essa crise adveio do 
rompimento de grande parte dos geógrafos em relação à perspetiva 
tradicional, aquela que se fundamentava no positivismo. Esse 
rompimento ensejou a busca de novos caminhos, de nova linguagem, 
de novas propostas, enfim, de uma maior liberdade para reflexão e 
criação. Com o movimento de renovação, a Geografia passa a trabalhar 
a partir de críticas e propostas; abrem-se novas discussões e buscam-se 
caminhos até então desconhecidos. Instala-se, de maneira sólida, um 
tempo de críticas e de propostas no âmbito dessa ciência. As principais 
propostas geradas a partir desse momento são os movimentos que 
deram origem às geografias quantitativa, radial e da perceção. São 
esses três movimentos que analisaremos nesta aula. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 Compreender a realidade colocada para o mundo nos pós Segunda Guerra 
Mundial. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 93 
 
Específicos 
 
 Entender a relação entre realidade social e histórica do período estudado e 
suas vinculações com os movimentos de renovação da Geografia. 
 Perceber as especificidades que compõe as propostas da geografia 
quantitativa, radical e da perceção. 
 
 
Contexto geral 
 
O contexto dos pós Segunda Guerra Mundial modifica profundamente 
a maneira de se conceber os problemas da sociedade. O mundo que se 
reconstitui, depois da guerra, é um mundo dominado por dois blocos 
antagônicos, no qual se firma um Terceiro Mundo confrontado com 
grande explosão demográfica e miséria. 
Um crescimento espetacular dos fluxos de homens, mercadorias, 
informações e finanças se estabelecem fortemente nesse período e 
acirram as rivalidades geopolíticas: é o tempo da Guerra Fria. A 
evolução das técnicas e os processos históricos modificam 
profundamente as relações econômicas e políticas até então 
estabelecidas. Começa a se estabelecer o período que Milton Santos 
denominou de técnico científico-informacional (Milton Santos: o 
filósofo da técnica). 
 
Os meios de aquisição de dados também tornam-se mais sofisticados. 
A fotografia aérea, desenvolvida desde a Primeira Guerra Mundial, 
toma novo impulso. As imagens de radar atravessam as coberturas 
nebulosas. O aperfeiçoamento de satélites de observação possibilita 
uma cobertura cada vez mais regular da Terra, com uma resolução cada 
vez melhor, chegando à ordem de metro. 
 
O progresso das técnicas de modelação e de cálculo encontra grande 
eco nas ciências. Ocorre nesse momento grande expansão do 
Capitalismo, que vai permitir o desenvolvimento das corporações 
transnacionais, as quais ampliam seus programas de acção, visando 
controlar as matérias-primas e o mercado consumidor em escala 
mundial. Os métodos matemático-estatísticos, para a confeção de 
modelos abstratos a serem aplicados em realidades diversas, são a 
febre desse momento. É nesse ambiente que surgem as correntes de 
renovação da geografia. 
 
 
A Geografia Quantitativa 
 
Denominada também como Nova Geografia, Geografia Pragmática ou 
Geografia Teorética, essa nova corrente de pensamento rompe com a 
chamada Geografia Clássica. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 94 
 
De modo geral, podemos dizer que essa corrente vai se apoiar no uso 
maciço da estatística, com o emprego de diagramas, matrizes, análise 
fatorial e equações matemáticas. Dá pouca importância aos trabalhos 
de campo, que é substituído pelo laboratório, onde seriam feitas 
medições matemáticas e traçados gráficos estatísticos, procurando 
visualizar a problemática da paisagem através de modelos sistêmicos. 
 
Para os autores filiados a esta corrente, o temário geográfico poderia 
ser explicado totalmente com o uso de métodos matemáticos. Todas as 
questões aí tratadas – as relações e interações de fenômenos de 
elementos, as variações locais da paisagem, a acção da natureza sobre 
os homens etc. – seriam passíveis de ser expressas em termos 
numéricos (pela mediação de suas manifestações) e compreendidas na 
forma de cálculos. Para eles, os avanços da estatística e da computação 
propiciam uma explicação geográfica. Por exemplo, ao se estudar uma 
determinada região, a análise deveria começar pela contagem dos 
elementos presentes (número de estabelecimentos agrícolas, total de 
população, extensão, número e tamanho das vilas e cidades etc.); este 
procedimento forneceria tabelas numéricas de cada dado, as quais 
seriam trabalhadas estatisticamente pelo computador (médias, 
variâncias, desvio-padrão, medianas etc.) e relacionadas (correlação 
simples e múltipla, regressão linear, covariação, análise de 
agrupamento etc.); ao final, surgiriam resultados numéricos, cuja 
interpretação daria a explicação da região estudada. Poder-se-iam 
formular juízos do seguinte tipo: a estrutura fundiária é explicável pela 
topografia, em relação ao tipo de produto na razão de 70%; o tamanho 
das cidades relaciona-se com o sistema viário em 0,6 numa escala de 0 
a 1; variando a produtividade agrícola, variará o volume de estradas 
asfaltadas, na proporção de 7.0 numa escala de 1 a 10; e assim por 
diante. A relação de várias destas constatações permitiria chegar à 
explicação geral da área estudada. (MORAES, 1983, p.103). 
A Geografia crítica ou radical 
 
Como já mencionamosno início desta aula, o mundo passa por grandes 
transformações a partir do final da Segunda Guerra Mundial, tais como: 
 Início e fim da Guerra Fria, através da política de coexistência pacífica 
que amortece as tensões entre os dois blocos hegemônicos, o que 
permite o florescimento da reflexão marxista no ocidente; 
 Mudanças nos países do Terceiro Mundo; 
 Crise do sistema de dominação ocidental. 
O processo de descolonização, ocorrido após a Segunda Guerra 
Mundial, de muitos países da África, como a Guiné e a Argélia, é fruto 
dessas mudanças e contribuiu para alterar de modo significativo as 
relações internacionais. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 95 
 
Vêm a baila os problemas do chamado mundo subdesenvolvido, o que 
dá origem a movimentos com o dos Países não-alinhados – conjunto de 
países que tinham a pretensão de não se alinharem nem ao bloco 
capitalista nem ao bloco comunista – e também à Conferência Mundial 
de Comércio e Desenvolvimento, realizada em Bruxelas em 1964, que 
permitiu levantar muitos dos problemas sociais e econômicos do 
subdesenvolvimento e influenciou não só a economia como também as 
outras ciências sociais. 
Toma-se consciência que, em boa medida, os problemas do 
subdesenvolvimento são consequência da dominação capitalista e se 
reconhece as relações entre o atraso econômico, a dependência e a 
relações comerciais internacionais. Entra em crise o sistema de 
dominação levado a cabo pela Europa e Estados Unidos da América 
(EUA). Essas mudanças refletem-se nas ciências sociais, que vão buscar 
uma nova compreensão para os países dependentes e para o papel das 
potências ocidentais e do próprio sistema capitalista. 
No campo da Geografia, os procedimentos metodológicos descritivos 
da Geografia Tradicional e o tecnicismo quantitativo da Geografia 
Teorética começam a ser criticados por não conseguirem explicar a 
nova realidade posta. Esse movimento de crítica é denominado de 
radical. Tem sua origem nos Estados Unidos, em meio à turbulência 
social originada pela intervenção americana no Vietnam. 
Para além da pesquisa sobre a produção e organização do espaço, das 
causalidades estruturais e históricas ligadas às formações sociais, essa 
corrente acrescentava, às suas formulações, forte contestação à 
realidade social, notadamente à sociedade capitalista americana, onde 
se exacerbavam os problemas sociais, com destaque aos das grandes 
cidades. 
 
Esse movimento era composto, basicamente, de jovens geógrafos que 
criticavam a inoperância das barreiras disciplinares, a falta de 
pertinência da Geografia social e sua frequente associação com os 
interesses e instituições dominantes e de todos aqueles que 
contribuíam para a manutenção do status quo, ou seja, acreditavam 
que a Geografia de então contribuía mais para o controle do que para a 
resolução dos problemas sociais tal como eles se expressavam no 
território, tanto em escala mundial, das relações entre centro e 
periferia, como em escala urbana. Assim sendo, suas pesquisas, com 
base teórico-marxista, se voltaram para temas como a produção do 
espaço, a pobreza, a fome, a saúde, a criminalidade, os problemas 
urbanos, o imperialismo e a geopolítica. 
 
O designativo de crítica diz respeito, principalmente, a uma postura 
frente à realidade, frente à ordem constituída. São os autores que se 
posicionam por uma transformação da 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 96 
 
realidade social, pensando o seu saber como uma arma desse processo. 
São, assim, os que assumem o conteúdo político de conhecimento 
científico, propondo uma Geografia militante, que lute por uma 
sociedade mais justa. São os que pensam a análise geográfica como 
instrumento de libertação do homem. 
Os autores da geografia crítica vão fazer uma avaliação profunda das 
razões da crise; são os que acham fundamental evidenciá-la. Vão além 
de um questionamento puramente acadêmico do pensamento 
tradicional, buscando suas raízes sociais. Ao nível acadêmico criticam o 
empirismo exacerbado da Geografia Tradicional, que manteve suas 
análises presas ao mundo das aparências [...]. 
A vanguarda desse processo crítico renovador vai ainda mais além, 
apontando o conteúdo de classe da Geografia tradicional. Seus autores 
mostram as vinculações entre as teorias geográficas e o imperialismo, a 
ideia de progresso veiculando sempre uma apologia da expansão. 
Mostram o trabalho dos geógrafos, como articulado às razões do 
Estado. Desmistificam a pseudo “objectividade” desse processo, 
especificando como o discurso geográfico escamoteou as contradições 
sociais. (MORAES, 1983, 112-113). 
A Geografia da Perceção 
 
Também conhecida com Geografia comportamental, a Geografia da 
perceção surge como uma corrente de pensamento que se aproxima da 
psicologia e tem nas formulações fenomenológicas de Edmund Husserl 
(1859-1938) o seu suporte teórico. A fenomenologia coloca importância 
primordial no indivíduo para o processo de construção do 
conhecimento. 
 
Para esta corrente, o mundo deve ser descrito segundo a maneira como 
é visto, sentido e percebido pelo indivíduo. Desenvolvida nos Estados 
Unidos por Yifu Tuan, esta corrente ficou também conhecida como 
Topofilia. Topofilia quer dizer, literalmente, amor aos lugares (Topo, 
lugar, e filia, amor). Esse termo foi utilizado pelo pela primeira vez pelo 
filósofo Gaston Bachelard, no seu livro “A poética do espaço”. 
 
Para ele, tratava-se de considerar os “espaços felizes” e os espaços 
vividos. Para Tuan, Topofilia designa a ligação afetiva que existe entre 
cada indivíduo e os lugares. Nesse caso, trata-se de um sentimento 
extremamente particular. Sabemos que os indivíduos estabelecem 
relações significativas com os lugares e que os lugares significam 
sempre “alguma coisa” para os seres humanos. Assim sendo, caberia ao 
geógrafo (da perceção) pesquisar essa “alguma coisa”, levando em 
consideração que os seres humanos interpretam os lugares e, 
simultaneamente, lhes dão sentido. Trata-se, então, de compreender 
as modalidades segundo as quais os 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 97 
 
seres humanos constroem suas relações com os lugares, quer eles seja 
simbólicos, constitutivos de identidade, ou mais banais e familiares. 
Entretanto, devemos chamar a atenção para o facto de que a ligação 
dos seres humanos com os lugares é intermediada por factores 
culturais, sociais, econômicos e, mesmo, de origem biológica. Nesse 
sentido, para se compreender as preferências, afetividades e atitudes 
de cada indivíduo ou grupo, é necessário levar em consideração aqueles 
factores. 
Para compreender a preferência ambiental de uma pessoa, 
necessitaríamos examinar sua herança biológica, criação, educação, 
trabalho e arredores físicos. No nível de atitudes e preferências de 
grupo, é necessário conhecer a história cultural e a experiência de um 
grupo no contexto de seu ambiente físico. Em nenhum dos casos é 
possível distinguir nitidamente entre factores culturais e o papel do 
meio ambiente físico. Os conceitos de “cultura” e “meio ambiente” se 
superpõem do mesmo modo que os conceitos de “homem” e 
“natureza” [...]. 
 
Na sociedade ocidental o mapa mental da dona de casa com crianças 
pequenas, provavelmente, é diferente do de seu esposo. Os caminhos 
de circulação do casal, durante os dias de trabalho, dificilmente 
coincidem, exceto dentro de casa. Quando saem às compras, o homem 
e a mulher vão querer olhar lojas diferentes. Eles podem ir de braço 
dado, mas com isso não vão ver ou escutar as mesmas coisas. 
 
Ocasionalmente, são arrancados de seus próprios mundos preceptivos 
para atender cortesmente ao pedido do outro, como por exemplo,quando o marido pede à esposa que admire os tacos de golfe na vitrina. 
Pense em uma rua movimentada e procure lembrar as suas lojas: certas 
lojas aparecerão nitidamente, enquanto outras se dissolverão em uma 
névoa como um sonho. Os papéis dos sexos têm muita a ver com as 
diferenças nos padrões (TUAN, 1980 p. 68-70). 
 
Sumário 
Considerando as transformações ocorridas com o final da Segunda 
Guerra Mundial, você estudou os movimentos de renovação da 
Geografia, denominados de quantitativo, radical e da perceção, os quais 
foram influenciados por essas mudanças. 
 
Autoavaliação 
1. A Geografia começa a viver em todo o mundo, uma dramática crise de 
transição. Essa crise adveio do 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 98 
 
rompimento de grande parte dos geógrafos em relação à perspetiva 
tradicional, aquela que se fundamentava no positivismo. Esta crise foi: 
A. A partir da década de 1950 
B. A partir da década de 1590 
C. A partir da década de 1920 
D. Todas opções estão erradas 
 
2. A Nova Geografia defende que o subdesenvolvimento é um estágio para 
se chegar ao desenvolvimento. 
 
3. A Nova Geografia defende que Todo o conhecimento apoia-se na 
experiência (empirismo). 
4. A Geografia Crítica apóia-se em dados estatísticos e planos para explicar 
a espacialidade social. 
 
5. Uma das grandes metas conceituadas da geografia foi justamente 
de um lado, esconder o papel do Estado bem como o das classes 
sociais na organização da sociedade e do espaço. A justificativa da 
obra colonial fio um outro aspecto do mesmo programa (M. Santos) ”. 
As nações teórico-metodológicas que invertem essas metas 
conceituadas estão contidas na: 
A. Geografia teórica 
B. geografia descritiva 
C. geografia crítica 
D. geografia de perceção 
 
Guião de Correcção 
1-A; 2-V; 3-V; 4-V; 5-C 
Avaliação 
1. A Geografia comportamental, a Geografia da perceção surge como uma 
corrente de pensamento que se aproxima da psicologia e tem nas 
formulações fenomenológicas. Para esta corrente, o mundo deve ser 
descrito segundo a maneira como é visto, sentido e percebido pelo 
indivíduo. Esta corrente foi desenvolvida por: 
A. Friedrich Ratzel 
B. Gaston Bachelard 
C. Milton Santos 
D. Yifu Tuan 
2. A geografia crítica desmascara a geografia tradicional e a nova geografia 
ao demostrar o papel da geografia na legitimação dos interesses das 
classes hegemônicas. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 99 
 
3. Segundo o princípio da causalidade, o geógrafo só realiza a 
Geografia plenamente como ciência quando demonstra, comprove e 
explica o fenômeno estudado, evidenciando suas causas e 
consequências. 
4. A geografia crítica sucede a corrente do pensamento geográfico 
denominada nova geografia ou geografia quantitativa. 
5. O Determinismo Geográfico de Ratzel, surge como resposta ao 
Possibilismo de Vidal de la Blache. 
Guião de Correcção 
1-D; 2-V; 3-V; 4-V; 5-F 
Referências Bibliográficas 
BACHELARD, G. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 
BAILLY, A. FERRAS, R. Élements d’éspistemoligie de la géographie. Paris: 
Armand Colin, 1997. 
CLAVAL, Paul. Histoire de la géopgraphie. Paris: PUF, 1996. 
MORAES, António Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 
São Paulo: HUCITEC, 1983. 
MOREIRA, Ruy. Para onde vai o pensamento geográfico? São Paulo: 
Contexto, 2006. 
TUAN, Yi-fi . Topofilaia. São Paulo: Difel, 1980. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 100 
 
TEMA – IV: GEOGRAFIA COMO CIENCIA. 
Unidade Tematica 4.1. Geografia como Ciência 
 
UNIDADE Temática 4.1. Geografia como Ciência 
Introdução 
Friedrich Ratzel (1844-1904) e sua obra foram de fundamental 
importância para o processo de sistematização da Geografia moderna. 
Foi de sua autoria uma das pioneiras formulações de um estudo 
geográfico especificamente dedicado à discussão dos problemas 
humanos, o qual denominou de antropogeografia. Seu projecto teórico, 
com forte carácter interdisciplinar, teve a preocupação central de 
entender: a difusão e distribuição dos povos sobre a superfície da Terra; 
as diversas formas de circulação de pessoas e bens materiais; a 
influência das condições naturais sobre o comportamento humano; as 
formações territoriais e, intimamente vinculada a estas, a dimensão 
política da relação homem-natureza. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
Específicos 
 
 
 
 Entender em que contexto histórico se desenvolve o pensamento ratzeliano. 
 Compreender a dimensão determinista da obra de Ratzel para a 
sistematização da Geografia. 
Geografia como Ciência 
A geografia é um dos saberes mais antigos que existem. De forma 
resumida, podemos dizer que ela é o estudo do espaço que os seres 
humanos habitam. Assim sendo, seu início coincide com o advento dos 
primeiros mapas, na Antiguidade, pois a elaboração de um mapa - para 
mostrar o caminho para um lugar, para localizar cada objecto ou 
fenômeno numa determinada região, etc. - já pressupõe um estudo 
geográfico. O mapa é um excelente instrumento para a geografia e, 
normalmente, os estudos ou trabalhos dessa disciplina são 
acompanhados por mapas. 
A palavra Geografia (geo, “Terra”; grafia, “descrição”, “escrita”) foi 
criada pelo filósofo grego Eratóstenes no século III a.C. Esse filósofo foi 
um estudioso da geografia, algo muito comum na época, quando 
praticamente todos os sábios ou estudiosos eram filósofos (filo, 
“amigo”; Sofia, “saber”, “sabedoria”) e, 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 101 
 
com frequência, se ocupavam de quase todos os temas ou assuntos que 
hoje dividimos entre várias disciplinas distintas. Foi somente nos 
séculos XVII, XVIII e XIX, dependendo de cada caso, que as ciências 
modernas (química, física, geologia, geografia, astronomia, sociologia, 
economia, etc.) se definiram mais precisamente, isto é, tornaram-se 
autônomas ou independentes da filosofia e adquiriram os seus 
conceitos e métodos próprios e específicos. 
Para que uma disciplina torne-se ciência é necessário que a mesma 
tenha um objecto de estudo e um objectivo que a diferencie das 
demais, que seja peculiar, própria, particular a ela. 
 Foi somente no século XIX que a geografia se tornou uma ciência 
específica, tendo-se separado da filosofia, da astronomia, da geologia e 
de outros saberes que, até então, eram mais ou menos integrados com 
ela. Isso ocorreu como consequência da especialização dos saberes, isto 
é, de uma maior delimitação de cada objecto ou campo de estudos. 
Os Aspectos teórico e prático da geografia 
A geografia sempre apresentou dois aspectos: um teórico e outro 
prático ou estratégico. O aspecto teórico da disciplina refere-se aos 
conhecimentos sobre o mundo como um todo, ou seja, a geografia 
geral, e também aos estudos sobre um determinado lugar ou região, a 
geografia regional. Por exemplo: as densidades demográficas no 
mundo, o comércio internacional, os climas do nosso planeta, etc. 
(geografia geral); ou o estudo da Europa ocidental, da Grécia ou da 
Amazônia (geografia regional). 
O aspecto estratégico da geografia diz respeito à sua utilidade prática 
para o Estado (isto é, para o poder público), para os militares (para fazer 
a guerra), para as empresas e indivíduos em geral (para conhecer o 
mundo e os lugares a fim de neles poder atuar mais eficazmente). 
Afinal, todos os povos, todas as sociedades humanas, habitam um 
determinado espaço, que é o seu território. E não é possível que exista 
um governo (isto é, a cúpula ou comando do Estado) que administre 
uma sociedade,cobrando impostos e garantindo a lei e a ordem, sem 
dispor de informações geográficas a respeito dessa sociedade e do seu 
território: conhecimentos e mapas sobre os recursos naturais (solos, 
minérios, recursos hídricos, etc.), sobre a população (número de 
habitantes e suas características - sexo, idade, faixas de rendimentos -, 
locais onde eles se concentram), etc. 
Durante muito tempo a Geografia se caracterizou por ser uma disciplina 
meramente descritiva e voltada para memorização, tendo como 
objecto principal o fornecimento de conhecimento de carácter 
informativo (catalogando nome de continentes, países, Estados, 
montanhas, rios, etc.). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 102 
 
Nos dias atuais a Geografia mudou sua imagem e passou a caracterizar-
se por interpretativa, ou seja, procura estudar como os homens 
organizam o espaço que habita e nele age, reage, interage e transforma. 
A geografia estuda tudo aquilo necessário à manutenção da vida 
humana neste espaço organizado. Etimologicamente a Geografia teria 
a função de explicar todos os fenômenos apresentados no globo, 
porém, o seu objecto de estudo e objectivo define a Geografia como o 
estudo da manutenção do homem no meio. A Geografia é uma ciência 
porque tem um objecto de estudo (a Terra, apesar de ser esta objecto 
de estudo de outras ciências). Porém, seu objectivo (estudar a 
organização do espaço humano) é específico, próprio, singular. 
Surge a Geografia moderna com Humboldt e Ritter 
Dois estudiosos germânicos do século XIX são considerados os criadores 
da geografia moderna ou científica: Alexandre Von Humboldt (1769-
1859) e Karl Ritter (1779-1859). Eles produziram importantes trabalhos 
de pesquisa no estudo da geografia física (climas e suas relações com a 
vegetação, às águas e o relevo, interação entre os elementos naturais 
de uma paisagem), como foi o caso principalmente de Humboldt, ou 
então da geografia humana (os povos e seus territórios, os Estados e 
suas relações políticas, econômicas, etc.), como foi o caso de Ritter. 
 
Figura 17- Alexander von Humboldt (1769- 1859) 
 Alexander von Humboldt foi um viajante incansável, que conheceu 
todos os continentes. Em suas viagens, fazia anotações, ilustrações, 
mapas, e recolhia dados para estabelecer as relações entre os 
fenômenos da geografia física. Ao contrário de inúmeros estudos 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 103 
 
anteriores, que apenas recolhiam factos isolados, ele procurou integrá-
los, formando um conjunto ou um sistema de fenômenos interligados e 
que se influenciam mutuamente. Procurou também deixar de lado os 
conhecimentos ou crenças especulativos e se ater somente àquilo que 
pode ser comprovado cientificamente, por meio da observação e do 
raciocínio. 
Um dos grandes méritos de Humboldt foi ter percebido que a natureza 
não é algo estático ou "eterno", como se pensava até então. Ele 
assinalou a dinamicidade da natureza, as suas alterações com o 
decorrer do tempo. Observou que ocorreram modificações climáticas e 
geológicas na superfície terrestre e que todos os aspetos da natureza - 
inclusive os seres vivos - não existiram sempre da mesma forma. 
Karl Ritter não foi um viajante pertinaz (persistente), tal como 
Humboldt. Trabalhou muito mais com pesquisas bibliográficas do que 
com pesquisas de campo, procurando sempre verificar o que era 
fantasia e separá-la dos factos ou conhecimentos comprováveis ou 
aceitáveis. 
Ritter também insistiu nas inter-relações entre fenômenos (não apenas 
entre os naturais, mas também entre os humanos e, principalmente, 
entre a humanidade e a natureza) que ocorrem no espaço geográfico. 
Contrariando a maioria dos estudiosos do período, que pensavam que 
o homem fosse um produto do meio natural, ele assinalou o domínio 
progressivo (embora problemático) que a humanidade exerce sobre a 
natureza graças à tecnologia. Ritter também percebeu que o mundo 
estava ficando pequeno, isto cada vez mais integrado, com uma 
multiplicação (intercâmbios entre todas as regiões do globo. 
 
Figura 18- KARL RITTER 1779-1859 
Podemos ainda relacionar o advento da geografia moderna com o seu 
momento histórico, o século XIX. Nessa época, a humanidade já tinha 
unificado todo espaço planetário, processo que se iniciou no século XV, 
com a expansão marítimo-comercial europeia, e se prolongou nos 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 104 
 
séculos posteriores, com a conquista da Oceânia e um melhor 
conhecimento da África, a o século XIX, com o estudo das regiões 
polares, as últimas a serem exploradas pelos povos europeus. 
Não foi por acaso que os trabalhos desses de geógrafos, Humboldt e 
Ritter, surgiram nesse período em que o conhecimento geográfico 
acumulado sob o mundo já permitia separar a realidade da fantasia dos 
mitos. A construção da geografia moderna, portanto, só pôde ocorrer 
num momento em que praticamente toda a superfície terrestre havia 
sido conhecida, estudada e mapeada. 
As concepções, correntes ou escolas geográficas 
Na tentativa de formular as leis que regem as relações entre o homem 
e a natureza, surgiram duas importantes correntes geográficas no 
século XIX que foram: 
A Escola Determinista ou Ambientalista 
Teoria formulada no século XIX pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel 
que fala das influências que as condições naturais exerceriam sobre o 
ser humano, sustentando a tese de que o meio natural determinaria o 
homem. 
O determinismo geográfico sustentava que as condições ambientais, 
em especial o clima, são capazes de influenciar o desenvolvimento 
intelectual e cultural das pessoas. Esta teoria afirmava que nas áreas 
temperadas a humanidade teria um desenvolvimento mais elevado do 
que nas áreas tropicais, quente e húmidas; 
As afirmações de Ratzel estavam fortemente ligadas ao momento 
histórico que vivia, durante a unificação da alemã. O expansionismo do 
Império Alemão, arquitetado pelo primeiro-ministro da Prússia Otto 
von Bismarck (1815-1898), foi legitimado pelas duas principais 
correntes de pensamento ratzeliano, o determinismo geográfico e 
o espaço vital (espaço necessário à sobrevivência de uma dada 
comunidade). A primeira explicaria a superioridade de algumas raças - 
nesse caso, a alemã -, que naturalmente se desenvolveriam mais do que 
outras, e a segunda justificaria a conquista de novos territórios para 
suprir a maior demanda de recursos para seu desenvolvimento, ou seja, 
ou expansionismo. 
Os discípulos do determinismo foram além das proposições ratzelianas, 
chegando a afirmar que o homem seria um produto do meio. 
Defendiam que um meio natural mais hostil proporcionaria um maior 
nível de desenvolvimento ao exigir um alto grau de organização social 
para suportar todas as contrariedades impostas pelo meio. Ex: O 
inverno justificaria o desenvolvimento das sociedades europeias, que 
não tiveram grandes dificuldades em subjugar os povos tropicais, mais 
indolentes e atrasados. Essa ideia justificou o expansionismo 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 105 
 
neocolonial na África e na Ásia entre o fim do século XIX e o início do 
século XX. Pensamentos que, mais tarde, foram aproveitadas pelos 
cientistas e políticos da Alemanha Nazista. 
A Escola Possibilista 
Fundada na França pelo francês Vidal De La Blache (1845-1918), esta 
contesta a teoria anterior defendendo a ideia de que a natureza exerce 
influências sobre o homem, mas este pode escolher e modificar o meio 
físico, conforme sua capacidade de desenvolvimento técnico, visto que 
as novas técnicas possibilitaram que a humanidadetivesse a capacidade 
de dominar o meio de acordo com suas necessidades. 
Enquadrado no pensamento político dominante, num momento em 
que a França tornou-se uma grande soberania, ele realizou estudos 
regionais procurando provar que a natureza exercia influências sobre o 
homem, mas que homem tinha possibilidades de modificar e de 
melhorar o meio, dando origem ao possibilismo. A natureza passou a 
ser considerada fornecedora de possibilidades e o homem o principal 
agente geográfico. 
 
Geografia Regional ou Método Regional 
Representou a reafirmação de que os aspectos próprios da Geografia 
eram o espaço e os lugares. O método era comparar regiões, segundo 
critérios de similaridade e diferenciação. 
Os geógrafos regionais dedicaram-se à coleta de informações 
descritivas sobre lugares, dividir a Terra em regiões. 
As bases filosóficas foram desenvolvidas por Vidal de La Blache e 
Richard Hartshorne. Hartshorne não utilizava o termo região: para ele 
os espaços eram divididos em classes de área, nas quais os elementos 
mais homogêneos determinariam cada classe, e assim as 
descontinuidades destes trariam as divisões das áreas. Este 
pensamento geográfico ficou conhecido como método regional. 
Geografia Pragmática (Nova Geografia, Geografia Teorética ou 
Quantitativa) 
Corrente de pensamento da década de 1950 que surgiu da necessidade 
de exatidão, através de conceitos mais teóricos e apoiados em uma 
explicação matemático-estatística. 
As principais características dessa corrente geográfica são: 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 106 
 
-Todo o conhecimento apoia-se na experiência (empirismo); 
- Deve existir uma linguagem comum entre todas as ciências; 
- Recusa de um dualismo científico entre as ciências naturais e as 
ciências sociais. 
-Maior rigor na aplicação da metodologia científica; 
- O uso de técnicas estatísticas e matemáticas; 
- A investigação científica e os seus resultados devem ser expressos de 
uma forma clara, o que exige o uso da linguagem matemática e da 
lógica. 
Foi usada como um forte instrumento de poder estatal, pois manipulava 
dados através de resultados estatísticos. 
Predominou na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, principalmente na 
década de 1960 a meados de 1970. A partir da década de 1960, a 
Geografia Pragmática começou a sofrer duras críticas. Uma das 
principais críticas é o facto de não considerar as peculiaridades dos 
fenômenos, pois o método matemático explica o que acontece em 
determinados momentos, mas não explica os intervalos entre eles, 
além de apresentar dados considerando o “todo” de forma homogênea, 
desconsiderando, portanto, as particularidades. 
Geografia Crítica ou Geografia Marxista 
A referência a uma geografia crítica é feita com muita ênfase na obra "A 
Geografia - isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra", do 
francês Yves Lacoste. 
Essa corrente de pensamento geográfico surgiu na França, em 1970, e 
depois na Alemanha, Brasil, Itália, Espanha, Suíça, México e outros 
países. 
Ganhou mais força na Alemanha, Espanha, França e Brasil, com um 
grande movimento de renovação da geografia na década de 80. 
No Brasil, o grande nome da Geografia Crítica foi Milton Santos, que 
publicou os primeiros trabalhos da nova escola nesse país. 
A Geografia crítica estabelece o rompimento da neutralidade no estudo 
da geografia e propõe engajamento e criticidade junto a toda a 
conjuntura social, econômica e política do mundo. Estabelece também 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 107 
 
uma leitura crítica frente aos problemas e interesses que envolvem as 
relações de poder e pró-atividade frente as causas sociais, defendendo 
a diminuição das disparidades sócio-econômicas e diferenças regionais. 
Defendia ainda a mudança do ensino da geografia nas escolas, ao 
estabelecer uma educação que estimulasse a inteligência e o espírito 
crítico. 
O pensamento crítico na geografia significou, principalmente, uma 
aproximação com os movimentos sociais, principalmente na busca da 
ampliação dos direitos civis e sociais, como o acesso a educação de boa 
qualidade, a moradia, pelo acesso à terra, o combate à pobreza, entre 
outras temáticas. 
Geografia Humanística ou Cultural 
Tem como base os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer, 
Edward Relph e Mercer e Powell. 
A Geografia Humanística ou Cultural procura valorizar a experiência do 
indivíduo ou do grupo, visando compreender o comportamento e as 
maneiras de sentir das pessoas em relação aos seus lugares, ou seja, a 
cultura dos grupos sociais. 
Para cada indivíduo, para cada grupo humano, existe uma visão do 
mundo, que se expressa através das suas atitudes e valores para com o 
ambiente. É o contexto pelo qual a pessoa valoriza e organiza o seu 
espaço e o seu mundo, e nele se relaciona. 
Os geógrafos culturais argumentam que sua abordagem merece o 
rótulo de "humanística", pois estudam os aspectos do homem que são 
mais distintamente humanos: significações, valores, metas e propósitos 
(Entrikin, 1976). 
O lugar é aquele em que o indivíduo se encontra ambientado no qual 
está integrado, tem significância afetiva para uma pessoa ou grupo de 
pessoas. 
O espaço envolve um complexo de ideias. A perceção visual, o tato, o 
movimento e o pensamento se combinam para dar o sentido 
característico de espaço, possibilitando a capacidade para reconhecer e 
estruturar a disposição dos objectos. 
A integração espacial faz-se mais pela dimensão afetiva que pela 
métrica. Estar junto, estar próximo, significa o relacionamento afetivo 
com outra pessoa ou com outro lugar. Lugares e pessoas fisicamente 
distantes podem estar afetivamente muito próximos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo: Pensamento Geográfico 
 108 
 
O estudo do espaço é a análise dos sentimentos e ideias espaciais das 
pessoas e grupos de pessoas. Valoriza-se o contexto ambiental e os 
aspectos que redundam no encanto e na magia dos lugares, na sua 
personalidade e distinção. 
Geografia Ambiental 
Ramo da geografia que descreve os aspectos espaciais da interação 
entre humanos e o mundo natural. Requer o entendimento dos 
aspectos tradicionais da geografia física e humana, assim como os 
modos que as sociedades conceitualizam o ambiente. 
Emergiu como um ponto de ligação entre a geografia física e humana 
como resultado do aumento da especialização destes dois campos de 
estudo. 
Como a relação do homem com o ambiente tem mudado em 
consequência da globalização e mudança tecnológica, uma nova 
aproximação é necessária para entender esta relação dinâmica e 
mutável. 
Exemplos de áreas de pesquisa em geografia ambiental incluem 
administração de emergência, gestão ambiental, sustentabilidade e 
ecologia política. 
Os princípios metodológicos 
Princípios normas que regem o estudo permitindo realizar uma 
investigação eficiente dos fenómenos geográficos. Em geografia estes 
foram de grande importância para a construção de competências e 
habilidades do conhecimento geográfico, pois deram a forma e o 
sentido à ciência geográfica. Tais princípios são: 
O Princípio da Extensão 
Criado pelo alemão Friedrich Ratzel. Neste, o geógrafo deve localizar o 
facto geográfico e determinar sua área de ocorrência e a Cartografia é 
indispensável; 
O Princípio da Analogia 
Seus defensores foram o alemão Karl Ritter e o francês Paul Vidal De La 
Blache. Neste, o estudo de um fenômeno geográfico supõe a 
preocupação constante em estabelecer semelhanças e as diferenças 
dos fenômenos ocorridos em outras partes do globo; 
O Princípio da Causalidade 
Criado por Alexander Von Humboldt, entende que toda causa tem seu 
efeito; todo efeito tem suacausa; todas as coisas acontecem de acordo 
 
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com a Lei; o acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não 
reconhecida; existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à 
Lei. Tudo o que você faz, pensa, sente toda ação e reação desencadeada 
por esses pensamentos, atitudes e sentimentos, provocam uma 
resposta consequente e subsequente. 
 Este estabelece que se deve sempre buscar as causas e determinar 
as consequências do facto geográfico, pois nada acontece por acaso; 
 
Há uma estreita relação em todas as coisas. O simples facto de eu 
estar escrevendo esta matéria trará algumas consequências em 
minha vida, e provavelmente trará algumas consequências na sua. 
Essas consequências podem ser pequenas, grandes ou enormes, 
depende da reação de cada um a esta matéria. Ela poderá não atingi-
lo em absolutamente nada, mas pode gerar um sentimento de 
necessidade por algum motivo, seja este consciente ou inconsciente. 
O Princípio da Conexão ou Coexistência ou ainda Interação 
 Formulado pelo francês Jean Brunhes. Este estabelece que os factos 
geográficos físicos ou humanos nunca aparecem isolados e estão 
sempre interligados por elos de relacionamento, o objectivo é 
identificar e analisar as relações existentes; 
O Princípio da Actividade 
Formulado também por Brunhes, estabelece o carácter dinâmico do 
facto geográfico que deve ser estudado em seu passado para poder ser 
compreendido no presente para se ter uma imagem de seu futuro. 
Categorias Geográficas 
Originalmente, as categorias são formas, modos de ser (...) É algo que 
se sobrepõe ao conceito, dando – lhe conteúdo, e esse conteúdo deve 
ser concreto. O conceito define a ideia ou conjunto de ideias a respeito 
do objecto pelo pensamento, por suas características gerais. Assim, o 
conjunto de categoria de uma ciência está relacionado ao objecto de 
conhecimento dessa ciência. Por exemplo, a física trabalha com as 
categorias massa, corpo, luz energia, átomo, etc.; As categoria 
fundamentais do conhecimento geográfico são, entre, outras espaço, 
lugar, área, região, território, paisagem e população que definem o 
objecto da Geografia em seu relacionamento. 
Paisagem 
A paisagem é um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais; 
é formada por frações de ambas, seja quanto ao tamanho, volume, cor, 
utilidade, ou por qualquer outro critério. A paisagem é sempre 
heterogênea. A vida em sociedade 
 
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supõe uma multiplicidade de funções, e quanto maior o número destas, 
maior a diversidade de formas e de factores. Quanto mais complexa a 
vida social, tanto mais nos distanciamos de um modo natural e nos 
endereçamos a um mundo artificial. 
A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, enquanto 
grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é aquela que 
ainda não foi mudada pelo esforço humano. Se no passado havia a 
paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não 
existe mais. 
Se um lugar não é fisicamente tocado pela força do homem, ele, 
todavia, é objecto de preocupação e de intenções econômicas ou 
políticas, tudo hoje se situa no campo de interesses da História, sendo 
desse modo, social. 
Para Milton Santos, paisagem é tudo aquilo que nós vemos, o que nossa 
visão alcança é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do 
visível, aquilo que a vista abarca. Não é formado apenas por volume, 
mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc. 
Território 
O território é a base geográfica de uma nação. De tamanho variável, 
essa porção da superfície terrestre deve incorporar os solos e subsolos, 
os rios e lagos, as águas marítimas contíguas e o espaço aéreo. Daí a 
inegável importância estratégica do território, razão das lutas 
empreendidas por todas as espécies do mundo animal e todas as 
sociedades humanas. 
Lugar 
 Lugar é a porção ou parte do espaço onde vivemos. Ele é palco de nossa 
existência real, é nele que ocorre o nosso cotidiano, as nossas 
experiências de vida. Todos nós criamos uma identidade com o lugar no 
qual vivemos; Isto quer dizer que ele significa algo para nós, que a nossa 
memória guarda sobre eles determinadas perceções e vivências com as 
quais nos identificamos. Portanto, estabelecemos com o lugar uma 
relação de afetividade. Quando mudamos, por exemplo, de uma cidade 
para outra ou mesmo de um bairro ou rua para outra, dentro de uma 
mesma cidade, temos de nos adaptar às novas condições não só 
materiais, mas também de significados, de vínculos. 
Região 
A região é uma determinada posição do espaço terrestre (de dimensão 
variável), passível de ser individualizada, em função de um carácter 
próprio ou homogêneo arbitrado para fins de territorização. Com 
relação à globalização dos anos 1990, a 
 
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conceito regional perde importância em virtude da mundialização da 
economia, dos hábitos culturais e dos problemas ambientais. A ordem 
mundial provocou a queda de fronteiras produzindo uma única região, 
o mundo. 
Espaço geográfico 
Segundo Melhem Adas, o espaço geográfico somente surge após o 
território ser trabalhado, modificado ou transformado pelo homem, ou 
quando, ele imprime na paisagem as marcas de sua atuação e 
organização social. Possuí, além de uma dinâmica natural, uma 
dinâmica social exercida pelas formações sociais que nele atuam (...) 
A medida que se apropria da natureza (espaço natural) e a transforma, 
o homem (a sociedade) cria ou produz o espaço geográfico, e o faz 
através do trabalho. Utiliza, para tanto as técnicas de que dispõe 
segundo o momento histórico e segundo suas representações, ou seja, 
crenças, valores, normas e interesses econômicos, factores que 
orientam suas intervenções e relações com os elementos naturais ou 
físicos do espaço. 
Assim, no processo de produção do espaço geográfico, o homem se 
apropria do espaço natural, que pode ser chamado de primeira 
natureza, e o transforma em uma segunda natureza, segundo suas 
necessidades e interesses. A segunda natureza, portanto, nada mais é 
do que a natureza humanizada. 
 
A importância do estudo da Geografia 
 
 Em um mundo marcado por desigualdades socioeconômicas, étnicas 
e religiosas além de inúmeros problemas ambientais, a Geografia 
assume cada vez um papel de maior importância. 
 A Geografia estimula a exploração racional dos recursos além de 
levar ao conhecimento das pluralidades culturais, evitando 
preconceitos e predisposições contra os diversos grupos sociais. 
 Em uma época em que as informações são transmitidas pelos meios 
de comunicação em grande volume e com grande rapidez, é 
impossível compreender o mundo sem conhecimentos geográficos. 
 É preciso compreender a organização e transformações do espaço 
geográfico para entender o mundo em que vivemos. 
Perspetivas e desafios da Geografia para o século XXI 
Em pesquisa e desenvolvimento científico é sempre arriscado trabalhar 
com as previsões dos avanços. Não se pode falar do futuro sem se cair 
no mundo da imaginação e da crença. 
 
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As tendências podem apenas abrir frestas em janelas, mas não mostrar 
tudo que se aproxima. Os factos que não escaparão de nenhum 
pesquisador é o uso da tecnologia que avança no campo do 
mapeamento genético e sua manipulação, da química inteligente, da 
nanotecnologia, das redes virtuais em todos os sentidos e dinâmicas, da 
computação quântica e, talvez, a imbricação de todos esses conjuntos 
de agrupadostecnológicos embutidos em artefactos, produtos e até 
novas formas de vida artificializada. 
 
A Geografia é uma ciência do espaço e toda essa dimensão tecnológica 
que ora parece ameaçadora, ora libertadora, será a força motriz da 
transformação, uso e abandono de espaços, de países e de parcelas da 
sociedade. Nisso nada há de diferente, mas da mesma forma que se 
pode avaliar a transformação do espaço como uma fatalidade de 
expropriação contínua e acelerada do empobrecimento da maior parte 
da população mundial, é impossível afirmar que a sociedade se manterá 
como espectadora de acontecimentos tão radicais. 
Não sabemos que desafios deverão surgir, mas a fome e alimentação 
inadequada, falta de acesso aos recursos naturais de qualidade, 
desemprego estrutural e conjuntural, perda de direitos e conquistas 
sociais, conflitos étnicos religiosos e destruição por crises econômicas, 
por exemplo, estarão em pauta em todas as frentes que a Geografia vai 
atuar nas próximas décadas. 
 
Entretanto, não há qualquer certeza sobre o agravamento, mudança ou 
desaparecimento de problemas que hoje são tão vigorosos. 
A geopolítica, os modelos econômicos, a evolução dos eixos de mercado 
e poder estão sendo transformados e países líderes nos últimos três 
séculos estão dividindo sua preponderância de forma muito acelerada. 
A matriz energética que sustentou o século XX está sendo questionada, 
substituída ou consorciada por outras matrizes. Ações globais estão 
sendo tomadas para conter processos de destruição ambiental e seus 
impactos sociais e polemicamente tratados no campo da climatologia, 
recursos hídricos e dos bens comuns naturais. 
Delongar nas variáveis não irá servir a muita coisa. O correto parece, é 
assumir uma posição responsável sobre a óbvia esgotabilidade da 
natureza e da sociedade diante da força da vida humana e da natureza 
em moldes que não comprometam os limites das virtualidades 
espaciais. 
Habilitar a sociedade em bases políticas, técnicas, científicas e 
informacionais, resguardada pelos valores democráticos, é o desafio 
central das várias ciências e não será diferente para Geografia. 
 
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Sumário 
A aula faz um resumo da história do pensamento geográfico dando 
enfase aos aspectos que dão cientificidade a geografia, nomeadamente 
as escolas ou doutrinas geográficas, os princípios bem como a 
metodologia. 
Autoavaliação 
1. São várias as Correntes de Pensamentos Geográficos ou Paradigmas da 
Geografia a última corrente a ser incorporada que passou a existir 
conflitualmente com as anteriores foi: 
 
A. Geografia teórica 
B. Determinismo Ambientalismo 
C. Método Regional 
D. Geografia cultural. 
 
2. A GEOGRAFIA é uma das ciências humanas que tem por objecto o estudo 
do espaço, é concebida também como o estudo da superfície terrestre 
e a distribuição espacial de fenômenos geográficos, frutos da relação 
recíproca entre homem e meio ambiente que podemos chamar de 
ecologia, mas também pode ser uma prática humana de conhecer o 
espaço onde se vive para compreender e planejar onde se vive. A 
palavra Geografia (geo, “Terra”; grafia, “descrição”, “escrita”) foi criada 
pelo filósofo grego: 
 
A. Eratóstenes no século III a.C. 
B. Tales de Mileto século IV a.C 
C. Anaximandro seculo V. d.C 
D. Todas opções estão correctas. 
 
3. Assinale a opção CORRETA em relação ao conceito de Paisagem. 
A. Paisagem representa o que ouvimos de um determinado lugar. 
B. Paisagem é uma fotografia de um lugar só com características 
naturais. 
C. Paisagem é o que vemos e observamos de um lugar. 
D. Paisagem geográfica é apenas um quadro bonito de um lugar. 
 
4. A paisagem em que predominam os aspectos originais da natureza como 
a vegetação, o relevo e a hidrografia é chamada de paisagem natural. 
Assinale a alternativa abaixo que contenha apenas paisagens naturais. 
 
A. Rodovia, edifícios e represa. 
B. Geleira, floresta e conjunto de montanhas. 
C. Hidrelétrica, cidade e lago. 
D. Ruas avenidas, florestas. 
 
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5. A Geopolítica é o ramo da Geografia Econômica que busca explicar a 
expansão peIa superfície terrestre, da influência dos grandes grupos 
econômicos e dos países a eles ligados, em função dos recursos naturais 
existentes. 
 Guião de Correcção 
1-D; 2-A; 3-C; 4- B;5-F 
Avaliação 
1. A Geografia, como ciência, possui um método próprio de análise, o 
chamado método geográfico, que se baseia em cinco princípios. 
2. Toda paisagem que reflete uma porção do espaço ostenta marcas de 
um passado mais ou menos remoto, apagado ou modificado de maneira 
desigual, mas sempre presente”. (Olivier Dolfus, 1991). De acordo com 
o texto, é correcto afirmar que: 
A. A paisagem é um conjunto de formas heterogêneas de idades 
diferentes. 
B. A paisagem é estática, ao passo que o espaço é dinâmico. 
C. As paisagens refletem, sempre, as marcas das desigualdades sociais, 
por serem produzidas sob o modo de produção capitalista. 
D. A paisagem é uma representação do espaço, mas não é espaço, 
portanto, exibe as formas, mas esconde a essência de sua produção. 
 
3. A paisagem é um dos conceitos básicos da ciência geográfica e suas 
modificações ocorreram ao longo da História. Sobre as paisagens, é 
INCORRETO afirmar que: 
A. Após a Revolução Industrial, os crescimentos econômico e 
demográfico reordenaram e deram à paisagem geográfica novos 
significados sócio - culturais em vários países europeus. 
B. Durante a introdução da cultura no interior de Moçambique no 
período colonial, a paisagem ficou inalterada. 
C. No final da Idade Média, as Ligas Hanseáticas, o comércio e a 
formação dos burgos contribuíram para a elaboração de novas 
paisagens culturais na Europa. 
D. Na Idade Moderna, a prática político-social dos cercamentos dos 
campos ou “enclosures”, contribuiu para a modificação das paisagens 
rural e urbana. 
 
4. Assinale a opção INCORRETA em relação às características da 
Paisagem: 
A. As paisagens representam apenas elementos naturais de um 
determinado lugar. 
 
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B. A Paisagem é tudo o que os nossos olhos vêem de um determinado 
local. 
C. As paisagens mudam. 
D. As paisagens podem ser bonitas ou feias. 
5. O espaço geográfico é composto por “formas visíveis” e “formas 
invisíveis”. Assinale a alternativa abaixo que contenha apenas 
“formas invisíveis” do espaço geográfico. 
A. Rodovias e legislação 
B. Hidrelétricas e praias 
C. Fluxo de comunicação e fluxo de informação 
D. Fábricas e fluxo de informação 
Guião de Correcção 
1-V; 2-D; 3-B; 4-A; 5-C 
Referências Bibliográficas 
CLAVAL, Paul. Histoire de la gèogaphie. Paris: PUF, 1995. CORRÊA, 
Roberto Lobato. Região e organização espacial. São Paulo: Ática, 1991. 
MARTINS, Luciana de Lima. Friedrich Ratzel hoje: a alteridade de uma 
geografia. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 54, n. 3, p. 
105-113, jul./set. 1992. 
ALMEIDA, Lucia Marina Alves de & RIGOLIN, Tércio. Fronteiras da 
Globalização – O mundo natural e o espaço humanizado. São Paulo: 
Ática. 2011. p. 08 – 16. Vol. 1. 
PENA, Rodolfo Alves. Friedrich Ratzel. Disponível em < 
http://www.brasilescola.com/geografia/friedrich-ratzel.htm >. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXÉRCÍCIOS FINAIS PARA PREPARAÇÃO DE EXAMES DO MÓDULO 
1. Vidal de La Blache criou uma doutrina, o Possibilismo, e fundou a 
escola francesa de Geografia. E, mais, trouxe para a França o eixo da 
discussão geográfica, situação que se mantevedurante todo o 
primeiro quartel do século XX. 
2. O que significa “determinismo geográfico”? 
A. Trata-se de um princípio geográfico que leva em consideração apenas 
a ação do homem sobre o meio natural. 
B. Trata-se de uma escola geográfica que defende a ideia de que o 
crescimento da população deve ser controlado pelo Estado. 
C. Trata-se de uma corrente da Geografia que considera as condições 
naturais como determinantes do desenvolvimento ou não do espaço 
geográfico. 
D. Trata-se de um princípio da chamada Geografia Marxista que vê na 
natureza a causa principal do desenvolvimento econômico do espaço 
geográfico. 
 
3. O determinismo geográfico deve ser entendido como a corrente da 
Geografia que defende a possibilidade de a ação humana vencer as 
determinações do meio natural. 
4. A Analogia foi o princípio enunciado por Vidal de la Blache. 
5. Determinismo, Trata-se de uma tendência da Geografia que considera 
que a sociedade pode vencer as adversidades naturais. 
6. O Determinismo geográfico tem suas raízes fincadas no Positivismo, 
principalmente em sua fase evolucionista. Essa fase tem como base 
fundamental a teoria darwinista da evolução das espécies, na qual o 
homem nada mais é que um ser dependente dos processos naturais. 
7. O Determinismo não considerava o homem com um produto do meio, 
logo não deveria adaptar-se ao meio ambiente para que pudesse 
sobreviver. 
8. Frederico Ratzel admitiu o determinismo geográfico no 
relacionamento do meio com o homem, como se o meio fosse a causa 
e o homem a consequência. Para Ratzel, o homem é um produto do 
meio em que vive, subordinado, condicionado e fatalizado pelos 
imperativos fatores do meio natural. 
9. Paul Vidal de La Blache, defensor do princípio de extensão e 
do determinismo geográfico, é considerado o Pai da Antropogeografia. 
10. A ideologia segundo a qual os povos mais inteligente e os mais cultos 
são os das zonas temperadas, enquanto os da zona trópica, em função 
do clima quente, são os mais indolentes, resultando disso o 
desenvolvimento e o subdesenvolvimento, essa postura é defendida 
pelo (a): 
 
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A. Geografia crítica 
B. Darwinismo geográfico 
C. Determinismo geográfico 
D. Possibilismo geográfico 
11. Vidal de la Blache é, sem dúvida, a maior expressão da Geografia 
francesa, principalmente, em se tratando de Geografia regional. 
12. Vidal se interessa muito pelas realidades geográficas extensas: nações 
ou grandes zonas geográficas, como o Nilo. 
13. A démarche regional vidaliana não pode ser concebida de maneira 
estática, uma vez que é dinâmica. 
14. Jean Brunhes formulou o princípio da Atividade, no qual assinala que a 
paisagem não é estática mas está em constante transformação e é, 
portanto, dinâmica. 
15. A nova geografia (geografia quantitativista), no pó 45, escamoteia a 
realidade vivência pelos países subdesenvolvidos, ao afirmar que a 
situação de pobreza de miséria existente é um estágio superável da 
adoção de política de planeamento eficaz. 
16. A geografia crítica segue os mesmos postulados da geografia 
tradicional e d e nova geografia. Essa corrente de pensamento 
geográfico surgiu na França em: 
A. 1970 
B.1980 
C. 1960 
D. 1990 
 
17. A Geografia é uma ciência do espaço e toda essa dimensão 
tecnológica que ora parece ameaçadora, ora libertadora, será a força 
motriz da transformação, uso e abandono de espaços, de países e de 
parcelas da sociedade. 
 
18. A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, 
enquanto grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é 
aquela que ainda não foi mudada pelo esforço humano. 
19. A paisagem é um conjunto homogéneo de formas naturais e 
artificiais; é formada por frações de ambas, seja quanto ao tamanho, 
volume, cor, utilidade, ou por qualquer outro critério. 
 
20. Os factos geográficos devem ser estudado em seu passado para 
poder ser compreendido no presente para se ter uma imagem de seu 
futuro. Este princípio chama-se de: 
A. Princípio da Analogia 
B. Princípio da Causalidade 
C. Princípio da Conexão 
D. Princípio da Actividade 
 
 
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21. Os factos geográficos físicos ou humanos nunca aparecem isolados 
e estão sempre interligados por elos de relacionamento, o objectivo é 
identificar e analisar as relações existentes, refere-se ao: 
A. Princípio da Analogia 
B. Princípio da Causalidade 
C. Princípio da Conexão 
D. Princípio da Actividade 
22. Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa; todas as 
coisas acontecem de acordo com a Lei ou seja tudo o que você faz, 
pensa, sente toda ação e reação desencadeada por esses pensamentos, 
atitudes e sentimentos, provocam uma resposta consequente e 
subsequente, esta relacionado à: 
A. Princípio da Analogia 
B. Princípio da Causalidade 
C. Princípio da Conexão 
D. Princípio da Actividade 
23. O estudo de um fenômeno geográfico supõe a preocupação 
constante em estabelecer semelhanças e as diferenças dos fenômenos 
ocorridos em outras partes do globo. Esta associado ao: 
A. Princípio da Analogia 
B. Princípio da Causalidade 
C. Princípio da Conexão 
D. Princípio da Actividade 
24. Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa; todas as 
coisas acontecem de acordo com a Lei ou seja tudo o que você faz, 
pensa, sente toda ação e reação desencadeada por esses pensamentos, 
atitudes e sentimentos, provocam uma resposta consequente e 
subsequente, foi criado por: 
A. Eratóstenes no século 
B. Alexander Von Humboldt, 
C. Tales de Mileto século 
 D. Anaximandro século 
25. O estudo de um fenômeno geográfico supõe a preocupação constante 
em estabelecer semelhanças e as diferenças dos fenômenos ocorridos 
em outras partes do globo. Este principio foram defendido por: 
A. Karl Ritter e La Blache 
B. Ritter e Von Humboldt, 
C. Friedrich Ratzel e La Blache 
 D. Todos 
 
26. Os factos geográficos físicos ou humanos nunca aparecem isolados e 
estão sempre interligados por elos de relacionamento, o objectivo é 
 
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identificar e analisar as relações existentes. Formulado pelo: 
A. Karl Ritter e La Blache 
B. Ritter e Von Humboldt, 
C. Friedrich Ratzel e La Blache 
D. Jean Brunhes 
 
27. Os factos geográficos devem ser estudado em seu passado para 
poder ser compreendido no presente para se ter uma imagem de seu 
futuro. Este princípio foi criado por: 
A. Karl Ritter e La Blache 
B. Ritter e Von Humboldt, 
C. Friedrich Ratzel e La Blache 
D. Jean Brunhes 
 
Guião de Correcção 
1-V; 2- C; 3-F; 4-V; 5-F; 6-V; 7-F; 8-V; 9-F; 10-C; 11-V; 12-F; 13-V; 14-V; 
15-V; 16-A; 17-V; 18-V;19-F; 20-D; 21-C; 22-B; 23-A; 24-B; 25-A; 26-D; 
27-D.

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