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-------NEUROHISTOLOGIA- ESTUDO DIRIGIDO----------- Questão 1: Descreva a classificação dos neurônios baseado no número de prolongamentos que partem do corpo celular e também utilizando o critério da morfologia do corpo celular. De acordo com o número de prolongamentos que partem do corpo celular, os neurônios são classificados de 3 formas distintas, neurônio multipolar, neurônio bipolar e neurônio pseudounipolar. O neurônio multipolar possui vários prolongamentos partindo do corpo celular, vários dendritos e axônios. Temos como exemplo o neurônio estrelado da medula espinhal, neurônios piramidais do córtex cerebral e os neurônios de Purkinje do cerebelo. Já o neurônio bipolar possui dois prolongamentos partindo do corpo celular, o prolongamento que segue em direção ao sistema nervoso periférico é o dendrito e o que segue em direção ao sistema nervoso central é o axônio. Os neurônios da retina, do epitélio olfatório e do gânglio coclear são exemplos de neurônio bipolar. Além disso, também temos o neurônio pseudounipolar que em seu desenvolvimento já foi um neurônio bipolar mas que se fundiram formando um único prolongamento que dá origem a dois ramos, um em direção ao SNC que funciona como axônio e o outro vai para o SNP que é o dendrito, encontramos esse neurônio nos gânglios da raiz dorsal do SNP. Em segunda análise, também podemos classificar os neurônios com base nos critérios morfológicos do corpo celular, podendo ser um neurônio estrelado que recebe esse nome por ter um aspecto histológico de estrela, esses neurônios são encontrados na substância cinzenta da medula espinhal, do córtex cerebral e do córtex cerebelar, entre outros lugares. No SNP, o neurônio estrelado, é encontrado no sistema nervoso autônomo. Além disso, também temos o neurônio piriforme que possui uma base mais arredondada e na parte de cima vai afinando, lembrando uma pêra. Esse neurônio está presente no SNC nos neurônios de Purkinje do córtex cerebelar, nos neurônios bipolares e ganglionares da retina. Já no SNP, está presente nos gânglios da raiz dorsal e neurônios bipolares do epitélio olfatório. Por último, o neurônio pode ser classificado como piramidal devido ao aspecto triangular que está presente no SNC nos neurônios piramidais do córtex cerebral. Questão 2: A primeira suposição dos cientistas do século XIX, ao descobrirem a presença de células não neuronais no SNC, foi a de que essas células representavam o arcabouço de sustentação mecânica dos neurônios. Por este motivo receberam o nome de neuroglia (que significa “cola neural”). Porém com o passar dos anos foram sendo descobertas outras funções da neuroglia. Quais são as células da glia? E quais seriam essas outras funções a elas atribuídas? As células da glia ou neroglia são divididas em células da glia central (SNC) e células da glia periférica (SNP). As células da glia central são os astrócitos (protoplasmáticos e fibrosos), oligodendrócitos, microglia e as células ependimárias. As neuroglias do SNC possuem diversas funções, tais como: a formação de “cicatrizes gliais” devido ao preenchimento de espaços após a degeneração de neurônios, nutrição e transporte, como é o caso dos astrócitos. Além disso, os astrócitos, que são as maiores células da neuroglia central, também fazem captura do excesso de neurotransmissores e de íons K + liberados no meio e induzem à formação da barreira hematoencefálica que é muito importante pois é uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que tem função de proteger o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias potencialmente neurotóxicas presentes no sangue e sendo essencial para função metabólica normal do cérebro. Outra função é a fagocitose de resíduos, como é o caso das microglias que são são células fagocitárias, derivadas de monócitos que durante o desenvolvimento embrionário atravessam a barreira hematoencefálica e tornam-se as principais células do sistema imunológico do SNC. Os oligodendrócitos também são células da neuroglia que possui funções importantes como isolamento elétrico dos axônios através da formação da bainha de mielina que é responsável pela condução saltatória de impulsos nervosos. Também, possui as células ependimárias que são células epiteliais colunares que revestem os ventrículos do cérebro e o canal central da medula. Em outro âmbito, as células da glia periférica são as células de Schwann e as células satélites. As células de Schwann podem ter um fenótipo mielinizante ou não-mielinizante, as células de Schwann mielinizantes tem a função de formar a bainha de mielina no SNP, tem o papel igual dos oligodendrócitos no SNC, já as células de Schwann não-mielinizantes são responsáveis pela sustentação de axônios não-mielinizados. Ademais, as células satélites têm a função parecida com os astrócitos no SNC de proteção e sustentação do corpo celular. Questão 3: Descreva o transporte axonal anterógrado e o retrógrado. O transporte axonal é o fluxo de substâncias ao longo do axoplasma, que é o citoplasma do axônio, que abastece a estrutura e função axonais, uma vez que o axônio é absolutamente dependente do corpo celular em função da ausência de organelas de síntese. O transporte anterógrado tem o auxílio da quinesina, já o transporte retrógrado possui o auxílio da dineína citoplasmática. Isso ocorre pois as moléculas de cinesina migram em direção à extremidade + dos microtúbulos possibilitando o movimento de vesículas e organelas do corpo celular para a extremidade do axônio (movimento anterógrado), enquanto as dineínas, que migram para a extremidade - (negativa) dos microtúbulos, realizam o transporte da extremidade do axônio para o corpo celular (movimento retrógrado). Questão 4: Sabemos que a medula espinal e o cerebelo apresentam o tecido nervoso organizado em regiões de substância branca e cinzenta. Dessa forma, responda às questões abaixo: a) Qual é o aspecto histológico da medula espinal em corte transversal? Possui a substância cinzenta internamente que é em formato de “H” medular. A substância cinzenta é formado por 2 colunas subdivididas em coluna anterior (ou ventral) e posterior (ou dorsal) que são unidas pela comissura central que apresenta o canal ependimário (ou canal central da medula espinal) que possui as células ependimária que produzem o líquido cefalorraquideano (LCR). Vale ressaltar que toda a substância cinzenta possui muitos neurônios multipolares estrelados e possui vias ascendentes que partem dos neurônios da medula espinal ( ou em neurônios dos gânglios espinais) que terminam no bulbo, ponte, mesencéfalo, cerebelo ou tálamo, diferente das vias descendentes que começam no córtex cerebral e no tronco encefálico e terminam em neurônios nos cornos ou colunas cinzenta anterior, intermédia e posterior da medula espinal. Também possui os fascículos próprios da medula que estão presentes em uma estreita faixa ao redor da substância cinzenta. Já na periferia temos a substância branca que é formada por tratos, esses tratos são regiões formadas com fibras nervosas predominantemente mielínicas, e em disposição predominantemente longitudinal na medula espinal. Além disso, também tem as meninges que revestem a medula espinal e a raiz nervosa dorsal. b) Qual é o aspecto histológico do cerebelo em corte transversal? O cerebelo é constituído por um córtex cerebelar externo e por uma substância branca interna que abriga os núcleos cerebelares, tem muitas fibras, pois é o local por onde passam inúmeros axônios. Além disso, há núcleos de células da glia. No córtex cerebelar, podemos encontrar as três camadas, a região mais próxima da substância branca é a camada granular, formada por grande quantidade de pequenos neurônios dispostos compactamente e por células granulares que estão entre os menores e mais numerosos neurônios do nosso encéfalo como um todo e as Células de Golgi, que são neurônios grandes, que se dispõem na camada granulosa e próximas a camada de Purkinje, apresentando uma árvore dendrítica que se ramifica e ascende para as camadas mais superiores.A região seguinte é formada por enormes neurônios com citoplasmas bem corados e facilmente visualizáveis, formado por neurônios grandes, piriformes, com um axônio longo, mielinizado, que desce para a camada de células granulares e sai para a substância branca, essas são as células de Purkinje. A camada mais externa de cada folha é a camada molecular, que possui relativamente poucos corpos celulares de neurônios. Os Neurônios da camada molecular são as células estreladas externas e as células em cesto que são conhecidas como interneurônios inibitórios. Cabe salientar que as células estreladas são neurônios multipolares pequenos que fazem sinapses com os dendritos de Purkinje. Já as células em cesto posicionam-se horizontalmente na porção mais inferior da camada molecular. Questão 5: Descreva os aspectos morfológicos do nervo e seus envoltórios. Os nervos são feixes de fibras nervosas envoltas por uma capa de tecido conjuntivo. Nos nervos há vasos sanguíneos, responsáveis pela nutrição das fibras nervosas. Agregados de fibras nervosas no SNP, formados, geralmente, pela união de uma raiz posterior (dorsal) e uma raiz anterior (ventral), e suas subsequentes ramificações, organizados por envoltórios de tecido conjuntivo. Os nervos possuem fibras motoras que conduzem impulsos do sistema nervoso central até os órgãos efetuadores (músculos ou glândulas), possui as fibras sensitivas que conduzem impulsos dos órgãos sensitivos para o sistema nervoso central. Mas a maioria dos nervos são mistos ou seja contêm tanto fibras sensitivas quanto motoras. Seus envoltórios são o epineuro, perineuro e endoneuro. O epineuro é a camada mais externa, envolvendo todo o nervo, é constituído de tecido conjuntivo denso modelado que reúne os feixes nervosos (ou fascículos) de um nervo, rico em vasos sanguíneos, composto por colágeno tipo I e fibroblastos. e com infiltração variada de tecido adiposo unilocular; O perineuro reveste cada fascículo nervoso e é derivado de invaginações do epineuro, possui um envoltório constituído por camadas concêntricas de fibroblastos envolvidos por lâmina basal e unidos por junções de oclusão (barreira hemato-nervosa). O endoneuro rodeia cada fibra nervosa. Por fim, o endoneuro é constituído por tecido conjuntivo frouxo em meio às fibras nervosas do feixe nervoso que é subdividido em endoneuro intrínseco (lâmina basal das células de Schwann + trama de fibras reticulares) e endoneuro intrafascicular. Corte transversal de um nervo, mostrando o endoneuro (E) e o perineuro (P) Questão 6: Em lâminas coradas com hematoxilina-eosina e visualizadas no microscópio óptico, como podemos diferenciar o gânglio da raiz dorsal dos gânglios do Sistema Nervoso Autônomo. Os gânglios são agregados de corpos celulares de neurônios localizados fora do sistema nervoso central. Eles diferenciam-se em dois tipos de gânglios: sensitivos e autônomos. Os sensitivos também chamados de gânglios da raiz dorsal, ou espinais, são maiores, localizados dorsolateralmente à medula espinal, em meio às raízes posteriores (ou dorsais). É formado por neurônios piriformes pseudounipolares e apresentam uma cápsula conjuntiva contínua com o epineuro das raízes nervosas dorsais e ventrais e dos nervos espinais. Podemos observar uma divisão de regiões no gânglio como o córtex e a medula. O córtex é uma região periférica, com predomínio de corpos celulares de neurônios piriformes pseudounipolares, envolvidos por camada completa de células satélites ganglionares que dão suporte para o funcionamento do neurônio. Já a medula é a região central, com predomínio de fibras nervosas (prolongamentos dos neurônios piriformes pseudounipolares) e menor quantidade de corpos celulares de neurônios piriformes pseudounipolares. Os gânglios do sistema nervoso autônomo (SNA), ou gânglios autônomos menores, representados pelos gânglios da cadeia simpática paravertebral pelos gânglios pré-vertebrais , e pelos gânglios intramurais das paredes de vários órgãos. Os gânglios do sistema nervoso autônomo possuem cápsula conjuntiva nos gânglios autônomos maiores, sendo pouco definida ou ausente, diferente dos gânglios da raiz dorsal. Não tem definição de regiões cortical ou medular e podemos observar agregados de neurônios estrelados multipolares, envolvidos por camada incompleta de células satélites ganglionares, em meio a fibras nervosas associadas a células de Schwann, ou seja não é contínuo. Além disso, diferentemente do dorsal que não há sinapses, os gânglios autônomos têm abundância de contatos sinápticos.