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1492: A Conquista Do Paraiso Andreia Gomes de França1 O presente texto tem por objetivo fazer uma análise a respeito do filme intitulado “1492: a conquista do paraíso”, onde este tem como foco abordar de que forma foi feita a ocupação, da américa pelos espanhóis e como se deu o processo de colonização do índio em curso histórico de relações estabelecidas entre o Novo e Velho Mundo. De início, podemos afirmar que o filme focaliza também espírito vanguardista de Colombo, suas negociações com a coroa espanhola e a tentativa de estabelecer colônias na América, retratando até a velhice, aquele que é considerado um dos navegantes mais ousados de sua época. Apesar do aparente sucesso de sua viagem, Colombo termina seus dias num relativo esquecimento, sem conseguir as honras devidas às suas conquistas De acordo com a historiografia, alguns acontecimentos levaram ao processo de encontro entre europeus e a terra até então desconhecida, movimento comumente denominado de descoberta do Novo Mundo. Neste aspecto, temos então o fato de que Cristóvão Colombo, que queria provar que poderia chegar a Índia pelo ocidente, e assim buscar uma nova rota para o comércio de especiarias na Índia, procurava então ter uma audiência com a rainha para conseguir dinheiro e assim poder explorar as novas terras. Cristóvão Colombo, esse navegador, convencido da esfericidade da Terra, consegue o apoio dos reis católicos Fernando e Isabel para empreender uma viagem até o Oriente, navegando em direção ao Ocidente. Como o filme destaca, Colombo inicia um longo movimento para provar suas teorias e até mesmo se opõe a Igreja Católica, considerando que a igreja tinha influência sobre os estados, e queimava os hereges em praça pública, mas ele recebe apoio da universidade e de alguns nobres com grande influência na corte. Como mostrado pelo filme, os reis espanhóis concederam a Colombo os títulos e cargos de almirante, vice-rei, governador e capitão geral de todas as terras e ilhas que descobrisse. Esses títulos eram vitalícios e hereditários, tudo isso foi dado ao genovês Cristóvão Colombo no caso de descoberta de novas terras. No dia 3 de agosto de 1492 parte do porto e no dia 21 de outubro de 1492, dois meses após a partida de Palos, a expedição atinge a ilha que os indígenas davam o nome de Guaanami, Colombo a batiza com o nome de São Salvador, onde se enfrentou dificuldades durante a viagem, com dúvidas da tripulação quanto a certeza de se encontrar terra firme. De forma 1 Graduanda do Curso de História Licenciatura da Universidade Federal do Acre – UFAC suavizada e de certa forma enaltecedora da figura de Colombo, podemos destacar que o filme se direciona a mostrar o contato com o índio, ou melhor, nativo sendo amistoso e sem grandes dificuldades para se estabelecer relações. Quanto ao contato com os povos nativos, podemos destacar que de início, o filme aponta para um contato amistoso e mostra Colombo fazendo uma aproximação não violenta e cordial com os nativos, de modo que os índios os recebe com certa alegria, Colombo diz em suas cartas que os nativos andavam nus e descobertos, ele escreve que descobriu um paraíso na terra. Nesta concepção podemos destacar o modo vida que se tinha no Brasil, por exemplo, “[...] com exceção de algumas tribos do alto Amazonas, todos os índios da Amazônia e do centro ou da costa do Brasil viviam em grande parte nus. A decoração, portanto, consistia na pintura do corpo e em ornamentos de penas ou de pedras usados no pescoço, punhos, orelhas, nariz, tornozelos ou cintura [...]”. (p.108). Para se ter a viagem a terras até então desconhecidas no Velho Mundo, visando o estabelecimento de novas rotas comerciais com o oriente, temos o motivo para a exploração das novas terras que era ainda maior, era de força econômica, pois a Espanha precisava de ouro e prata, e com o achado do novo mundo a Espanha ficou seduzida, a fazer a exploração das novas terras descobertas por Colombo, lembrando que é neste período em que o sistema econômico era o mercantilismo, que tinha como base a reservas de metais preciosos ouro e prata. Com o achado do novo mundo por Colombo a Espanha mais tarde tornar-se-ia uma potência econômica com grande quantidade de ouro e prata, vindos do novo mundo. Mesmo que o filme não expresse de forma muito crítica a relação de exploração que se teve durante a colonização do continente que futuramente se chamaria América, podemos destacar duas forças que motivaram à colonização do novo mundo, a força da igreja católica que influenciava os reis católicos da Espanha a introduzir o catolicismo, com a ajuda dos jesuítas, que vinham junto com os colonos, para catequizar os índios, a igreja que vinha converter o índio, a cultura e aos costumes dos Europeus, para melhor domesticá-los, e usá-los como força de trabalho. A econômica é uma das mais fortes a ser considerada nesse processo de colonização. Como nos mostra o desenrolar do filme, depois de ir e voltar da Europa, Colombo dá início a primeira construção a se levantar que foi a igreja. Aos poucos ia se formando, com certo progresso, o novo mundo. Os nativos foram usados como escravos para os europeus explorando o ouro para eles. Aos poucos o europeu vai impondo ao índio sua cultura, língua, religião e tecnologia de forma agressiva e violenta, onde se afirmava que na época da colonização, o fraco potencial de trabalho cívico e o traço cultural até então desconhecido, proporcionou o massacre de boa parte da população indígena há muito estabelecida neste território”. O filme também procura redimir a figura de seu protagonista, que é considerado um visionário e gênio, sendo ele vítima da ambição de uma nobreza que tinha desejos para com o Novo Mundo, levando de forma selvagem a exploração dos nativos e dos recursos que a nova terra podia oferecer. E, apesar, de não ter conseguido as glórias da sua conquista, termina o filme como grande herói, o descobridor de um novo continente. Entretanto, uma história da América Latina e os resultados em consequência com o contato com culturas diferentes das que se encontravam dizem respeito aos povos que nela habitavam antes do primeiro contato com os europeus. Sendo assim, podem os destacar que “A pré-história remota, no caso das Américas, tem início por volta de 35000 a.C., quando aparentemente o homem chegou pela primeira vez ao continente através do estreito de Bering. Existem alguns testemunhos de provável presença do homem, por volta de 20000 a.C. na região ocupada pelo México atual. […] Durante um longo período habitaram a terra apenas alguns bandos de caçadores e coletores de alimentos. Seriam necessários mais três ou quatro milênios para que o homem da Mesoamérica iniciasse […] o processo que veio a desembocar na agricultura. […] Em várias partes do México central e meridional e na América Central, começaram a proliferar aldeias de agricultores e artesãos de cerâmica. ” (p. 27) Em questão de território brasileiro, “O MODO mais satisfatório de classificar as muitas centenas de tribos indígenas que viviam na região hoje ocupada pelo Brasil, quando os europeus chegaram, é por grupo linguístico e pela geografia e hábitat. Quatro eram as principais famílias linguísticas (na ordem provável de tamanho da população): tupi (ou tupi-guarani), jê, caraíba e aruaque [...]”. ( p. 101). No que se refere ao filme, podem os então estabelecer uma vinculação com a ideia de que o contato com os nativos se deu dentro do mito do “bom selvagem”, que seria inocente e mais próximo dos primeiros homens, o que significa dizer que os indígenas não possuíam um nível de civilização avançado e precisaria do homem europeu para tutelá-lo. Nesse sentido, podemos apontar que “o encontro entre colonizados e colonizadores não foi, literalmente, um encontro de culturas, mas sim um desencontro de culturas, uma desordem natural dos aspectos sociais”. Logo, aquele encontro não foi pautado em passividade ou calmaria, mas sim em caos e conflitos puramente territoriais, o que torna o filme um antro de ideologias incoerentes, não obstante amaior parte de seu conteúdo se volte às questões reais e comprovadas desta narrativa. Finalmente, cabe salientar como o continente americano é representado e, neste aspecto, velhos estereótipos são reforçados, considerando que comumente o mundo europeu se apresentou como superior ao Novo Mundo. Além disso, é evidente a concepção de que o início da conquista de um novo território, favorecendo as leituras eurocêntricas, onde se coloca que continente americano não passava de florestas, rios e animais. Dessa forma, os registros históricos são de grande importância para entendermos de que maneira eram vistos nativos pelos colonizadores, e a esse exemplo destaca-se o que tínhamos no território brasileiro “ Os aventureiros ignorantes que se embrenharam pelo interior do Brasil nos séculos XVII e XVIII não trouxeram informações sobre as tribos com que se depararam. [...] a mais heroica das revoltas indígenas no Brasil aconteceu entre 1670 e 1720, liderada por Mandu Ladino, um índio educado com missão, quando breve período os tupis e os jês do Ceará e do Rio Grande do Sul deixaram de lado sua tradicional inimizade e se uniram contra o invasor colonial [...]” (p. 120). Por fim, podemos evidenciar que, assim como o filme relata, podemos inferir que este processo contribuiu sumariamente para o progresso da civilização moderna, conquanto seus meios de execução tenham deflagrado os aborígenes locais, uma vez que se considera que mesmo com os obstáculos e empecilhos no translado, os objetivos foram alcançados e a colonização sucedeu conforme as expectativas, apesar da reação dos nativos quando da chegada das caravanas, sempre atentando para os objetivos de exploração que coroa espanhola possuía e também a Igreja Católica de expandir seus domínios. REFERENCIA: 1492: A CONQUISTA do Paraiso. Direção de Ridley Scott, Estados Unidos, Reino Unido e França: France 3 e Gourmont, 1992. 2 (DVD). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QI24sP65RBE >. Acesso em: 2 de dezembro 2020. (155 minutos). HEMMING, John. Os Índios do Brasil em 1500. In: BETHELL, Leslie (org.). América Latina Colonial. Vol. 1. São Paulo: Edusp, 2008. MURRA, John. As sociedades andinas anteriores a 1532\u200b. In: BETHELL, Leslie. (Org.). História da América Latina. Vol. 1. São Paulo: Edusp, 2008. PORTILLA, Miguel Leon. A Mesoamérica antes de 1519. In BETHELL, Leslie. História da América Latina: História da América Latina. Vol. 1. São Paulo: Edusp, 2008.