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Ciclo celular Introdução O ciclo celular está presente em quase todos os tipos celulares e tem duas fases; uma chamada de M, que é de divisão, e uma chamada de Intérfase, em que a célula não está se dividindo. A Intérfase, por sua vez, é dividida em três períodos: G1, S e G2. Um óvulo maduro de Xenopus fornece um sistema conveniente para estudar o ciclo celular. A atividade de MPF foi descoberta pela injeção de citoplasma de óvulos de Xenopus em oócitos de Xenopus. Um oócito de Xenopus é injetado com o citoplasma coletado de um óvulo de Xenopus na fase M. O extrato celular promove a transição do oócito para a fase M da primeira divisão meiótica (um processo chamado de maturação), causando a degradação do grande núcleo e a formação de um fuso. Quando o citoplasma injetado é coletado de um óvulo em clivagem na interfase, o oócito não entra na fase M. Portanto, o extrato em deve conter alguma atividade – um fator promotor da maturação (MPF) – que promova o início da fase M. Fazendo o isolamento de proteínas, foi possível analisar o comportamento de proteínas que possuíam uma alta concentração durante a fase M e uma baixa concentração durante a intérfase no ciclo celular do Xenopus. Foi possível descobrir quais proteínas tinham esse comportamento. Uma das proteínas encontradas foi a ciclina M. Sua concentração aumentava no período da intérfase, atingindo seu máximo na fase M e caia abruptamente no início da intérfase seguinte. Há também o aumento do fator promotor de fase M (MPF) na mitose e sua queda abrupta no final da mitose e início da intérfase. Ciclina-Cdk A ciclina é uma proteína que fica ligada a uma kinase, formando um complexo ciclina-Cdk A interação entre a ciclina e a kinase (Cdk), ativando o fator promotor de fase M (MPF) ocorre da seguinte maneira: Combinando a Cdk mitótica com a kinase ciclina M, é produzido uma M-Cdk inativa, que possui uma fosfatase inibidora. Existem duas kinases envolvidas nesse processo; uma kinase de ativação, que adiciona um fosfato de ativação, e uma kinase de inibição, que adiciona um fosfato inibitório. Enquanto se tem um complexo fosforilado com dois fosfatos, um inibitório e outro de ativação, esse complexo M-Cdk continua inativo, e se injetado na célula, não provoca divisão celular. É necessário que se perca o fosfato inibitório para que a ativação ocorra. Quando esse complexo sofre a ação de uma fosfatase, que remove o fosfato inibitório, o M-Cdk se torna ativo. Adicionando-se um complexo M-Cdk ativo em uma célula, ela entra em divisão. Quando o complexo inativo recebe a ação de uma fosfatase, se tornando ativo, ocorre um processo de retroalimentação positiva: o MPF ativo acelera a ação da fosfatase, fazendo com que mais MPF inativos se tornem ativos – reação em cascata. Na verdade, existem dois complexos ciclina-Cdk atuantes em diferentes estágios do ciclo celular: o cliclina-Cdk de fase M e o ciclina-Cdk de fase S. O complexo ciclina-Cdk faz a célula sair de G1 e entrar em S. No ciclo celular, os Cdks são regulados pela degradação das ciclinas.. No período G1, são combinados os Cdk de fase S com as ciclinas de fase S; esses complexos (ciclina-Cdk S) são ativados e se inicia a fase S. Assim que a célula inicia a fase S, a ciclina de fase S é degradada. No fim da fase S e começo da fase G2 um Cdk de fase M e uma ciclina de fase M. Quando esse complexo (ciclina- Cdk M) é ativado, a célula entra em divisão. Logo depois, ele é degradado. Assim, existem moléculas que controlam esse mecanismo por meio de pontos de checagem: Ponto de checagem G1: 1. A célula está grande o suficiente? 2. O ambiente em que a célula está é favorável? 3. O seu DNA está íntegro? Ponto de checagem G2: 1. Todo DNA foi replicado? 2. A célula está grande o suficiente? A célula checa se o DNA está danificado por meio de uma proteína p53, que é feita o tempo inteiro e permanece inativa no núcleo. Lesões no DNA fazem com que essa proteína seja ativada. Essa p53 ativa liga-se à região reguladora do gene p21.. Ocorre, assim, a transcrição de um RNAm p21 que é traduzido em uma proteína p21 (inibidora de Cdk) que se liga ao complexo ciclina-Cdk de fase S, inativando-o. Assim, o complexo Cdk S não funciona. Logo, a célula não sai do G1 e não entra em S. No momento em que as lesões no DNA são recuperadas, todo esse processo para de acontecer, fazendo com que fiquemos apenas com as Cdks S ativas. Dessa forma, a célula pode passar da fase G1 para a fase S, com posterior divisão dessa célula. A célula toma a decisão de entrar ou não no ciclo celular a partir do fim do período G1. Ela pode avançar para o período S, duplicando seu DNA para sofrer divisão, ou pode parar em Go, ficando em repouso. Nesse último caso, há uma ligação permanente entre a proteína p21 e o complexo ciclina-Cdk S, bloqueando o avanço para a fase S. Célula em proliferação Uma célula sabe que precisa dividir para crescimento do organismo. Uma célula em repouso possui um receptor de fator de crescimento inativo na membrana. No núcleo, há um regulador de transcrição inativado pela proteína Rb ativada. Com o recebimento de um fator de crescimento mitógeno, que pode ser um hormônio, pelo receptor de membrana, ele ativa o complexo ciclina-Cdk por via de sinalização intracelular. O complexo ciclina-Cdk fosforila a proteína Rb, tornando-a inativada. Uma vez que ela é inativada, ela se desliga do regulador de transcrição, ativando-o. Assim, essa proteína regula vários genes que entram em processo de transcrição, tradução e, posteriormente, a proliferação celular ocorre. Fatores de crescimento Fator Efeito característico Fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) Estimula proliferação de células do tecido conjuntivo Fator de crescimento epidérmico (EGF) Estimula proliferação das células da pele Fator de crescimento de fibroblastos (FGF) Estimula a proliferação de fibroblastos Fator de crescimento de hepatócitos (HGF) Estimula a proliferação de células hepáticas Eritropoietina Estimula a proliferação e a diferenciação das células vermelhas do sangue em desenvolvimento. Exceto a eritropoietina, todos os fatores de crescimento listados estimulam a proliferação de vários outros tipos celulares. Cerca de 480 genes estão envolvidos na regulação do ciclo celular. Dentre esses fatores, 362 genes estão em comum entre as células tumorosas e normais em divisão. Oncogênese A proliferação celular normal comparada à proliferação descontrolada provocada por uma oncogênese possui mecanismos semelhantes à da célula normal. Porém, essa cascata ocorre na ausência do mitógeno, ou seja, esses eventos ocorrem por algum motivo ou erro, independentemente da existência de fatores de crescimento. As células filhas que eventualmente serão formadas, também se multiplicarão nessa mesma condição; assim, há a multiplicação descontrolada e rápida desses tecidos, formando uma massa tumorosa. O núcleo permanece fragmentado e seu DNA, desorganizado.