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02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 1/28 PLÁSTICAPLÁSTICA Me. Thaís Kawamoto Amarães I N I C I A R 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 2/28 introdução Introdução Conteúdo e forma são componentes irredutíveis das artes e, consequentemente, das composições visuais. Quando criamos um desenho, estamos também transmitindo uma mensagem, o conteúdo de modo direto ou indireto. Não é possível controlar o modo como o observador irá decodi�car uma imagem; no entanto, existem mecanismos que podem ser empregados na composição para facilitar essa leitura. Dessa maneira, aumentamos as chances de o observador conseguir interpretar de modo adequado o registro que desejamos criar ou a história que queremos contar por meio de nossas imagens. Iremos agora, então, aprofundar nossos estudos na composição da materialidade dos objetos, trabalhando com textura, forma e cor. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 3/28 Caro(a) estudante(a), provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre os cinco sentidos, seus órgãos receptores e como eles atuam. Porém, qual a �nalidade dos sentidos? Qual o seu papel em nosso dia a dia? Por meio dos cinco sentidos, nós, seres humanos, somos capazes de identi�car e apreender o meio em que vivemos. Por meio da visão e da audição, por exemplo, conseguimos identi�car situações de perigo, como um carro passando na rua ou um animal se aproximando. Os sentidos são utilizados, então, como modo de reconhecermos o nosso entorno e identi�carmos situações de risco à nossa sobrevivência. Essa é a função básica dos sentidos; porém, não é sua única �nalidade. Quando tratamos da sintaxe visual e das composições plásticas, o uso dos sentidos não estará relacionado à sobrevivência e à segurança, mas sim à comunicação. Os sentidos são responsáveis pelo modo como identi�camos o ambiente no qual estamos. Da mesma forma, é por meio dele que iremos apreender as mensagens transmitidas pelas outras pessoas. Textura, Materialidade e o SentidoTextura, Materialidade e o Sentido TátilTátil 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 4/28 Imagine a seguinte situação: quando uma pessoa fala, emitindo uma informação, é por meio do sentido da audição que o receptor irá reconhecer essa mensagem, para que possa decodi�cá-la. Na linguagem visual, o sentido da visão é o mais empregado, porém não é o único. Segundo Dondis (2003), a textura, apesar de ser um elemento visual, faz referência às qualidades de outro sentido: o tato. A textura, enquanto atributo do objeto, pode ser apreendida tanto pela visão quanto pelo tato, ou ainda pela combinação dos dois sentidos. Quando conseguimos conciliar as qualidades táteis e óticas em uma textura, a experiência que o observador tem é muito mais rica e sensível. Nas composições visuais, a textura pode não apresentar qualidades táteis; por exemplo: um papel de parede que remeta à estética da madeira, porém sem contar com variações de altura ou relevo. Já nas situações em que os dois sentidos são trabalhados, como uma lixa áspera, o aspecto observado e a sensação despertada são experiências singulares. O sentido do tato normalmente é ativado como modo de con�rmar o que o olho apreendeu, ou seja, a visão cria um julgamento subjetivo, que é con�rmado, ou não, pela objetividade do tato. De acordo com Dondis (2003), a maior parte da nossa experiência com textura nas composições plásticas é apenas ótica, e não tátil. A representação grá�ca sobre o papel, seja por meio de técnicas manuais ou digitais, limita as variações de altura na superfície. Quando observamos uma fotogra�a, por exemplo, identi�camos as texturas representadas; porém, ao tocarmos a imagem, não conseguimos distinguir aquilo que as pistas visuais nos apontaram. Saindo do plano bidimensional da folha do papel, quando consideramos objetos reais tridimensionais, as possibilidades de explorar a textura do objeto aumentam. Se, nas representações grá�cas, a variação de cor e tom é utilizada para representar textura, na criação de objetos tridimensionais o sentido do tato pode ser estimulado. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 5/28 Por meio do tato, conseguimos diferenciar uma escultura em argila de outra, feita em mármore. Do mesmo modo, é possível distinguir um tecido em seda de outro em lã. Além da variação da trama, do relevo e das alturas de cada um desses objetos, por meio do tato também é possível determinar a temperatura, a maciez e a rigidez de cada material. Segundo Oliveira (2007), a materialidade do objeto está relacionada à sua representação, já que: A representação material da forma é dada com a manipulação e o domínio completo dos meios físicos disponíveis no momento justo da representação; se o humano não domina os meios materiais para esta representação, suas idéias permanecem no imaginário, não encontrando um eco tátil e visual capaz de produzir o conhecimento da representação (OLIVEIRA, 2007, p. 20). Para que as composições grá�cas criadas sejam capazes de representar os atributos pertinentes à materialidade do objeto, é necessário, então, identi�carmos que cada material apresenta uma textura particular. O desenho de um cubo em madeira, por exemplo, será diferente do desenho de saiba mais Saiba mais As texturas são qualidades presentes tanto na representação grá�ca quanto na arquitetura, na escultura e até mesmo na moda. Cada tecido apresenta um tipo de trama, e a composição dos �os também ajuda a determinar a variedade nos relevos. Para saber mais sobre como estilistas vêm explorando o uso das texturas em seus des�les de moda, acesse a reportagem disponível. ACESSAR https://www.metropoles.com/colunas-blogs/ilca-maria-estevao/textura-estampas-e-neon-marcam-desfile-de-lenny-niemeyer-no-spfwn47 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 6/28 um cubo de mesma dimensão e proporção, porém em mármore. Isso ocorre não apenas pelas diferenças óticas de cada uma dessas matérias, mas também pela variação de textura e qualidades táteis. Antes de criar suas composições plásticas, caro(a) estudante, procure identi�car quais os estímulos visuais e táteis que cada material apresenta. Desse modo, quando for representar tal material gra�camente, você saberá, de forma clara, quais aspectos deve reproduzir. reflitaRe�ita O Surrealismo foi um movimento artístico criado em 1924, com a publicação do Manifesto do Surrealismo, por André Breton. Esse estilo é marcado pela representação do irracional e do subconsciente. Dentre os pintores desse período, podemos apontar René Magritte, que em 1929 criou uma de suas mais famosas obras: A traição das imagens. No quadro, uma imagem realista de um cachimbo é acompanhada pela frase “Ceci n´est pas une pipe”, que em francês signi�ca: “Isso não é um cachimbo”. Assim sendo, a pintura de um cachimbo não é um cachimbo, mas sim, apenas, uma representação grá�ca de tal objeto. Fonte: Stangos (1991). 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 7/28 atividade Atividade O ser humano conta com cinco sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição. É por meio deles que podemos apreender o ambiente ao nosso entorno, reconhecendo formas e �guras. A textura é uma das qualidades apresentadas pelos objetos, e essa propriedade pode ser distinguida pelos sentidos: a) Olfato e paladar. b) Tato e audição. c) Tato e visão. d) Visão e audição. e) Olfato e audição.02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 8/28 Nas composições grá�cas, a materialidade dos objetos desenhados é de�nida pelo material utilizado na representação, como o tipo de papel, as técnicas empregadas e a conceituação simbólica do objeto ou elemento representado. Quando fazemos um desenho de observação e registramos uma paisagem, por exemplo, a materialidade daquela composição é determinada pelo tipo de tela que usamos, pela técnica de pintura e pelo simbolismo que a imagem carrega, imagem essa agora aprisionada nesse registro grá�co. Segundo Ching (2012), para a representação grá�ca de texturas, é necessário trabalharmos a escala de traços ou pontos sobre o objeto. Quando criamos composições manuais, a própria superfície de desenho, ou seja, a textura do papel, ajuda a determinar a textura do objeto representado. Um papel rugoso retém tinta ou gra�te. Desse modo, a textura física da superfície confere ao desenho a textura visual. No entanto, nem sempre trabalhamos com representações manuais ou com papéis rugosos. Assim sendo, como podemos representar gra�camente a textura dos objetos? Textura, Materialidade e o SentidoTextura, Materialidade e o Sentido Tátil IITátil II 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 9/28 Ching (2012) aponta que alguns fatores modi�cadores são fundamentais para a percepção visual de textura. O contraste, a escala, a distância e a luminosidade são utilizados para representar gra�camente a textura do objeto. O contraste é uma das técnicas visuais mais empregadas na composição plástica. Segundo Dondis (2003), essa técnica permite o controle e�caz da mensagem visual. Para que seja possível compreender o que signi�ca “perto”, por exemplo, costumamos associá-lo à situação oposta, ou seja, “longe”. Do mesmo modo, quando criamos composições visuais, as situações opostas, como claro e escuro, pequeno e grande, reto e curvo, ajudam a distinguir as partes. Para Dondis (2003), essa polaridade é importante também para a sintaxe visual, pois ver signi�ca “[...] classi�car os padrões, com o objetivo de compreendê-los ou reconhecê-los. A ambigüidade é seu inimigo natural, e deve ser evitada para que o processo de visão funcione adequadamente (DONDIS, 2003, p. 111). Isso signi�ca que em situações nas quais existem diferenças e variações, porém em que elas não sejam perceptíveis, o resultado �nal pode ser confuso para a leitura visual. Na representação de texturas, o contraste irá in�uenciar a aparência de força ou sutileza do traçado. Uma textura contra um fundo uniforme e liso será mais evidente do que a mesma textura, porém posicionada sobre um fundo de textura semelhante. Com relação à escala, é possível apontarmos que a escala relativa do desenho irá determinar se uma textura é percebida ou não. Por exemplo, quando observamos um gramado, não conseguimos distinguir as texturas individuais de cada folha de grama, pois toda a extensão do gramado é compreendida como um grande plano, no qual as folhas são as texturas. A direção que a textura adota nesse plano ajuda a evidenciar o seu comprimento ou a sua largura. Segundo Ching (2012), quanto mais �na a escala da textura, maior será o aspecto de superfície lisa. Com relação à 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 10/28 distância, o autor ainda a�rma que mesmo superfícies ásperas, quando observadas de longe, podem parecer lisas. A luminosidade, por sua vez, está relacionada ao modo como percebemos uma textura. Quando uma luz incide sobre uma superfície lisa, como o mármore, o efeito é diferente daquele produzido quando a mesma luz incide sobre uma superfície de madeira. Enquanto as superfícies lisas e brilhantes re�etem a luz, as superfícies foscas absorvem e difundem a luz de modo não homogêneo. Já ao aplicarmos uma luz sobre as superfícies ásperas, serão produzidos diferentes padrões de sombras, revelando o tipo de textura. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_1… 11/28 atividade Atividade Para evidenciar uma textura visual, o artista precisa trabalhar contraste, escala, distância e luminosidade em suas composições. Por meio desses parâmetros, é possível con�gurar a textura de modo que ela seja facilmente identi�cada pelo observador. Considerando o fator “distância”, assinale, a seguir, a alternativa correta: a) Quanto mais distante o objeto, maior o número de detalhes da textura. b) Quanto mais próximo o objeto, mais simples a sua textura. c) A distância do objeto com relação ao observador não in�uencia no modo como a textura é representada. d) Quanto mais distante o objeto, maior a tendência a ser percebida como superfície lisa. e) Quanto mais distante o objeto, mais intensa a sua hachura. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 12/28 Quando criamos um desenho, seja ele de observação ou não, manipulamos forma, cor e textura de modo associado. Mesmo quando a cor e a textura são adicionadas em um momento posterior à criação da forma, ainda assim existem inter-relações que devemos considerar entre esses atributos. É fundamental, então, que o artista apresente domínio na manipulação das estratégias compositivas, operando a partir dessa tríade (forma, cor e textura). Tons e texturas Os tons e as texturas, quando trabalhados de modo coordenado, são capazes de acentuar formatos e modelar superfícies dos objetos. Ao combinarmos a criação de linhas com tonalidades, conseguimos reproduzir a sensação tátil, mesmo que não exista a variação de relevo e de alturas no papel. Essa textura visual, além de ajudar a identi�car qual o material que compõe o objeto, comunica, também, a sensação de luz, massa e espaço (CHING, 2012). Forma, Cor e Textura: Inter-Forma, Cor e Textura: Inter- RelaçõesRelações 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 13/28 Segundo Dondis (2003), o tom é formado pela quantidade de claro e escuro no objeto representado; na natureza, essa gradação é feita de modo sutil. O mundo em vivemos é dimensional, e o tom é um dos melhores instrumentos de que dispõe o visualizador para indicar e expressar esta dimensão. A perspectiva é o método para a criação de muitos dos efeitos visuais especiais de nosso ambiente natural, e para representação do modo tridimensional que vemos em uma forma grá�ca bidimensional (DONDIS, 2003, p. 62). Mesmo quando utilizamos técnicas de perspectivas para representar um objeto, apenas as linhas traçadas não são su�cientes para indicar a materialidade da forma. Ao acrescentarmos um fundo tonal, é possível reforçar a ilusão de realidade e sensação de volume e sombra. Embora a cor seja um importante atributo do objeto, o tom é mais relevante para as representações. A nossa percepção aceita representações monocromáticas, desde que exista a variedade tonal. Basta pensarmos nas fotogra�as em preto e branco, nas quais as escalas de cinza são su�cientes para que seja possível compreender as texturas, os volumes e as profundidades da imagem. Segundo Ching (2012), isso acontece pelo fato de a visão humana ser resultado do estímulo das células nervosas do olho que assinalam padrões de intensidade de luz e cor. Por meio dos padrões de claro e escuro, apreendemos as características do nosso ambiente, como a forma e o tamanho dos objetos. Do mesmo modo que essa gradação é fundamental para a percepção dos objetos em nosso entorno, os valores tonais também são necessários para indicar o efeito da luz sobre as formas e sua distribuição no espaço em nossos desenhos. A cor e o valor tonalse relacionam na criação de tais desenhos. A cor é formada por matiz, saturação e brilho. É por meio da variação de brilho, ou seja, de luminosidade, que teremos os diversos tons, também denominados valores tonais. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 14/28 De acordo com Ching (2012), o tom é uma das propriedades da cor mais difíceis de serem identi�cadas. Algumas cores re�etem mais luz do que outras; por esse motivo, percebemos algumas cores como mais claras do que as demais. O modo como uma luz incide sobre uma superfície também afeta a nossa percepção de tom. Quando essa luz é direta, temos a impressão de que a cor da região iluminada é mais clara do que o restante. Se observarmos com atenção um objeto sob a luz natural, iremos perceber que as sombras que ele produz são diferentes daquelas geradas em um estúdio, um ambiente controlado. É possível notar que existe uma gradação de tons que, muitas vezes, nos passa despercebida. Nas artes visuais, um estilo conhecido como Impressionismo buscou reproduzir essa gradação de cores, sombras e brilhos das superfícies. O Impressionismo surgiu em 1874, na Europa. Artistas como Edgar Degas e Édouard Manet criaram pinturas nas quais o aparente esquematismo das �guras sem contornos nítidos era, na verdade, uma tentativa de reproduzir a materialidade dos objetos, do modo como a nossa visão percebe a realidade (ARGAN, 2006). Hachuras As hachuras são uma série de traços que segue um padrão para preenchimento de uma superfície. Na arquitetura, por exemplo, as hachuras são utilizadas para determinarem elementos em corte, como o concreto, a alvenaria e o solo. Nas composições plásticas, estaremos empregando as hachuras para criarmoa os valores tonais em nossa textura e determinar o volume das formas. Segundo Ching (2012), existem diversas técnicas empregadas para a aplicação de hachuras; dentre elas, três métodos são os mais utilizados: as hachuras paralelas, as cruzadas e as com movimento circular. Para caracterizar cada uma dessas hachuras, o desenhista precisa cuidar do espaçamento, da densidade, da textura e da direção do traçado. É necessário, ainda, cuidar 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 15/28 para que a superfície da folha não seja completamente preenchida. Quando isso acontece, perdemos a noção de profundidade do desenho. As hachuras paralelas são compostas por traços relativamente paralelos entre si, realizados em uma única direção. Esses traços podem ser feitos tanto à mão livre quanto com a utilização de instrumentos de apoio, como a régua. Se criarmos as linhas de um modo próximo, elas perdem seu valor individual e se mesclam, formando um valor tonal (CHING, 2012). Por meio do espaçamento e da densidade, conseguimos controlar a luminosidade do tom. Para a criação de uma hachura à mão livre, Ching (2012) orienta que sejam seguidos alguns cuidados: Para de�nir os limites da hachura: �xar o início de cada traço com uma pequena pressão sobre o papel. Para descrever superfícies curvas: suavizar o �nal dos traços. Para estender o valor tonal a uma área maior: suavizar a de�nição de bordas e sobrepor cada grupo de traços aleatoriamente; desse modo, evita-se a criação de “faixas” marcadas. Para aumentar o valor tonal: aplicar camadas adicionais de traços diagonais. Para enfatizar os contornos de uma forma: criar traços que sigam esses contornos. Nas hachuras cruzadas, duas ou mais séries de linhas paralelas são criadas para determinar os valores tonais. Do mesmo modo como operamos na criação de hachuras paralelas, as hachuras cruzadas podem ser construídas à mão livre ou com réguas, com traços curtos ou longos. Quando utilizamos, de modo perpendicular, dois conjuntos de linhas paralelas, teremos uma hachura quadriculada que reproduz a sensação de dura, de uma superfície rígida. Já quando combinamos três ou mais conjuntos de linhas, o efeito obtido por meio da trama criada é mais �exível, permitindo uma maior variedade de valores tonais e texturas (CHING, 2012). 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 16/28 As hachuras com movimentos circulares empregam uma rede aleatória de traços multidirecionais. Para obtermos resultados satisfatórios, esse tipo de hachura é, normalmente, criado à mão livre, sem o uso de régua. Nessa hachura, é possível variarmos tanto o formato quanto a densidade e a direção do traçado. Os traços podem ser retos ou curvos, contínuos ou interrompidos. Quando entrelaçamos os riscos da hachura criada, proporcionamos estruturas de valor tonal mais coesas (CHING, 2012). As hachuras não precisam trabalhar exclusivamente com a criação de traços. Pontos também podem ser empregados nesse processo. O pontilhismo é uma técnica de sombreamento que opera a partir de pequenos pontos distribuídos pela �gura. Para um bom resultado, o desenhista deve ter o controle do tamanho dos pontos, bem como de seu espaçamento. Ao aumentarmos o tamanho dos pontos, ao invés de uma variação tonal, teremos uma sensação de textura áspera (CHING, 2012). Escala de valores tonais Como mencionamos, a luminosidade e a escuridão apresentam uma gradação, a qual é conhecida como escala de valores tonais. Nessa escala, o branco é a cor mais clara e o preto é a cor mais escura. Entre esses dois extremos, existem vários tons de cinza intermediários. Segundo Dondis (2003), na Bauhaus e em várias outras escolas de arte e design, sempre se desa�ou os estudantes a explorarem quantas gradações tonais é possível identi�car entre o preto e o branco. Com muita sensibilidade, é possível apontar trinta e oito tons de cinza entre esses dois extremos. Porém, a variação é extremamente sutil, uma vez que, na prática, é muito complexo identi�car tal gradação. Uma escala de dez tons, incluindo o preto e o branco, já é su�ciente para a prática de representação grá�ca. Por meio dessas tonalidades, é possível representar a profundidade dos objetos e a luminosidade que incide sobre eles. Observe a �gura a seguir: 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 17/28 Por meio das texturas, também é possível reproduzir esses valores tonais. Utilize as técnicas de pontilhismo e textura apresentadas e pratique a reprodução desses valores tonais, tanto em série escalonada (ou seja, como os quadrados apresentados na �gura) quanto em série gradual (criando transições entre cada tom). Essa prática irá ajudá-lo(a) não apenas a identi�car a variedade de tons, mas também a dominar a criação de texturas e a desenvolver o controle para reproduzir qualquer tom desejado em suas composições plásticas. Para a modelagem de formas tridimensionais, é necessário empregar as técnicas de sombreamento, atribuindo volume e profundidade em representações sobre o plano bidimensional, como o papel. Os valores tonais são utilizados para descrever a natureza das superfícies. Durante o processo de de�nir os limites tonais que determinam os formatos dos volumes, é preciso atenção às arestas. As arestas são os limites onde dois formatos de tonalidade contrastante se encontram. Enquanto a mudança incisiva de tom indica uma aresta dura, transições de tons suaves descrevem superfícies curvilíneas. Figura 3.1 - Gradação tonal de cinza Fonte: Elaborada pela autora. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 18/28 atividade Atividade Por meio das hachuras, é possível criar gradações tonais e caracterizar o volume, a forma e a profundidade dos objetos representados. Na técnica de hachuras cruzadas, quanto maior o número de conjuntos de linhas paralelas: a) Mais rígida a forma e menos valores tonais podemser explorados. b) Mais �exível a forma e mais valores tonais podem ser explorados. c) Mais rígida a forma e mais valores tonais podem ser explorados. d) Mais �exível a forma e menos valores tonais podem ser explorados. e) Mais rígida a forma e menos texturas podem ser criadas. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 19/28 Para a construção de representações grá�cas, o artista pode usar as mais diversas técnicas. No campo do desenho digital, existem hoje vários softwares para a manipulação de imagens. Nas representações manuais, também encontramos uma vasta gama de opções. Lápis, nanquim, canetas hidrocor e lápis de cor pastel são apenas alguns dos materiais que podem ser utilizados pelo artista suas criações. Contudo, para que as técnicas escolhidas sejam aplicadas corretamente, alguns princípios de representação do modelo devem ser seguidos. Desse modo, iremos analisar aspectos relativos à luminosidade, à luz, à sombra e a valores tonais. Luminosidade Segundo Ching (2012), a luz é empregada para descrever as características tridimensionais dos objetos e dos ambientes ao nosso entorno. Embora não seja possível ver a luz, seu efeito é totalmente perceptível. É graças a ela que conseguimos perceber o volume e a cor dos elementos no espaço. Forma, Cor e Textura:Forma, Cor e Textura: RepresentaçãoRepresentação 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 20/28 Na criação de desenhos, o valor tonal é o equivalente grá�co às sombras geradas pela ação da luz. Quando representamos os padrões de claro e escuro, estamos conferindo a sensação de profundidade espacial aos objetos. Para que nossas representações sejam coerentes, é necessário compreender qual o comportamento natural dos objetos quando uma luz incide sobre eles. No momento em que uma luz atinge o objeto, ela gera uma região mais iluminada, outra mais sombreada e sombras no entorno. Os valores tonais irão variar conforme a superfície “gira” em relação à fonte de luz. É possível perceber que em superfícies suaves e re�etivas, ou em regiões diretamente voltadas para a fonte de luz, surgirão áreas iluminadas, como pontos de destaque. Ao iluminarmos um objeto, teremos dois principais tipos de sombra: as sombras próprias e as sombras projetadas. Enquanto as sombras próprias são os valores tonais mais escuros aplicados sobre o próprio objeto nas regiões menos iluminadas, as sombras projetadas são os valores tonais escuros criados sobre uma superfície, ou seja, são as sombras geradas pelo objeto (CHING, 2012). Para a modelagem de formas tridimensionais, o primeiro passo é determinar a tonalidade local, que se refere ao valor tonal de cada área de superfície do objeto. Essa gradação tonal é independente do tipo e da quantidade de iluminação. Após de�nir tais valores tonais, é preciso representar a interação entre tonalidade local, luz e sombra própria, uma vez que a luz que ilumina a superfície interfere no produto �nal. A gradação tonal é, portanto, um processo gradual que deve ser construído progressivamente. Luz e sombra Para a construção da gradação tonal, é necessário compreendermos a dinâmica estabelecida entre luz e sombra. A natureza da fonte de luz é um fator fundamental para de�nir como será dada essa relação; uma luz forte, por exemplo, produz efeitos distintos de uma luz difusa. Enquanto uma luz forte gera contrastes extremos de claro e escuro, a fonte de luz difusa 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 21/28 proporciona menos contrastes de tonalidades entre as superfícies iluminadas e suas sombras. Segundo Ching (2012), por meio das sombras projetadas é possível compreendermos qual a posição relativa dos objetos no espaço. As sombras projetadas indicam a distância entre os objetos e as superfícies, ancoram o objeto sobre uma base e evidenciam a forma dessa base. O formato e a posição da sombra projetada revelam a localização da fonte de luz e a direção de seus raios. As sombras projetadas são representadas na direção oposta à direção da fonte de luz. Desse modo, é possível estabelecer as seguintes relações: Iluminação de topo: gera sombras projetadas logo abaixo do objeto. Iluminação frontal: gera sombras projetadas mais profundas, atrás do objeto. Iluminação lateral: deixa um lado do objeto em penumbra e gera sombras projetadas no lado oposto ao lado da fonte de luz. Iluminação posterior: gera sombras projetadas profundas, na direção do observador, ressaltando o contorno do objeto. As sombras próprias e as sombras projetadas não são uniformes em valores tonais. A sombra projetada é, normalmente, mais escura na porção em que se encontra com a superfície de sombra própria, tornando-se mais clara conforme se distancia dela. As superfícies também não são completamente opacas; desse modo, é necessário cuidado durante o processo de gradação tonal, para que não sejam criadas áreas de tons escuros e pesados. Mapeamento de valores tonais O mapeamento consiste no ato de mapear, ou seja, registrar e localizar informações e características dentro do modelo. Por meio do mapeamento de valores tonais, podemos iniciar de modo fácil a nossa modelagem de objetos tridimensionais. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 22/28 Para começar o mapeamento, partimos de apenas dois grupos tonais: claro e escuro. Desse modo, demarcamos de maneira preliminar, na composição, quais as regiões claras e quais as áreas escuras. Mesmo quando uma sombra parece indistinta, ela deve ser delimitada no processo de mapeamento. O mapa de valores tonais criado servirá como ponto de partida para as gradações mais re�nadas. Após de�nir o padrão geral de tonalidades, iremos trabalhar dos tons claros para os tons escuros, uma vez que é mais simples adicionar tons, escurecendo uma região do desenho, do que clarear uma área já pigmentada. Segundo Ching (2012), alguns cuidados devem ser tomados para que a gradação tonal seja feita corretamente, de modo a con�gurar a materialidade dos objetos que desejamos representar. Por meio da delimitação de camadas, podemos estabelecer áreas de tonalidades distintas. Devemos evitar desenhar os tons em sucessão, pois, dessa forma, corremos o risco de fragmentar o desenho e torná-lo confuso. É importante, também, estabelecer texturas. Por meio delas, conseguimos uni�car as áreas e dar coesão à composição. A luminosidade deve ser preservada, já que, por meio dela, os volumes e as profundidades são evidenciados. A gama de valores tonais com a qual iremos trabalhar in�uencia no peso, na harmonia e na atmosfera de nossa composição. Quando trabalhamos com tonalidades predominantemente claras, o resultado é uma composição delicada, elegante e luminosa. Em desenhos com tonalidades médias, o resultado é uma composição harmônica e equilibrada. Porém, se não empregarmos contrastes positivos, esse tipo de desenho torna-se tediosos e sem vida. Já em situações nas quais o tom escuro é predominante, temos como resultado composições que transmitem força e estabilidade (CHING, 2012). Uma ampla variedade de tons ajuda a criar uma transição harmônica entre claro e escuro. No entanto, quando criamos tons em excesso, corremos o risco de fragmentar a unidade e a harmonia da composição. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 23/28 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 24/28 atividade Atividade A maneira como a luz incide sobre o objeto e a posição ocupada pela fonte de luz in�uenciam no modo como as sombras projetadas são criadas sobreas superfícies nas quais o objeto está posicionado. Considerando a iluminação de topo, assinale, a seguir, a alternativa correta: a) As sombras são projetadas abaixo do objeto. b) As sombras projetadas são profundas. c) As sombras são projetadas na direção do observador. d) As sombras projetadas ressaltam o contorno do objeto. e) As sombras são projetadas ao lado do objeto. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 25/28 indicações Material Complementar FILME Roma Ano: 2018 Comentário: O �lme sugerido se passa em Roma, um bairro de classe média da Cidade do México, na década de 1970. A narrativa explora a rotina de uma família e as transformações pelas quais cada pessoa da casa passa. Roma ganhou o Oscar no ano de 2019, nas categorias de melhor fotogra�a, melhor diretor e melhor �lme estrangeiro. A história contada no �lme é toda retratada em preto e branco. É possível perceber que, mesmo sem empregar cores, a composição visual é capaz de transmitir estímulos no observador. As gradações tonais nas 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 26/28 escalas de cinza são su�cientes para criarem uma composição com qualidade estética. Para conhecer mais sobre o �lme, acesse o trailer disponível. T R A I L E R LIVRO Fundamentos do desenho artístico Parramón Ediciones Editora: Wmf Martins Fontes ISBN: 9788578277857 Comentário: Por meio da leitura sugerida, caro(a) estudante, você poderá aprofundar os conhecimentos adquiridos até aqui sobre a composição visual e como criar representações grá�cas. Na obra indicada, são apresentados princípios elementares do desenho, desde os tipos de materiais utilizados até as técnicas de composição e valorização tonal. O livro conta com diversas imagens nas quais você poderá acompanhar o passo a passo para a construção de seus desenhos artísticos. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 27/28 conclusão Conclusão Quando criamos uma imagem, precisamos ter em mente o seu objetivo. Seja para contar uma história, expressar uma opinião, registrar um processo ou até mesmo para inspirar outras pessoas, o objetivo da imagem irá nos direcionar durante o processo compositivo. Como analisamos, a forma, a cor e a textura são propriedades do objeto que atuam de forma conjunta em sua materialidade. Desse modo, não faz sentido que tais atributos sejam tratados de forma isolada em uma composição. Para que a experiência visual do observador seja agradável e efetiva, tais características do objeto ou do espaço projetado devem ser con�guradas de modo conjunto em nosso processo de representação grá�ca. referências Referências Bibliográ�cas ARGAN, G. C. Arte Moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. 02/04/2021 Ead.br https://unifacs.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666797_… 28/28 DONDIS, A. Sintaxe da linguagem visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. OLIVEIRA, E. A. PupPET: bonecos de PET e outros materiais descartados. 2007. 124 f. Dissertação (Mestrado em Artes e Design) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007. STANGOS, N. Conceitos de Arte Moderna. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1991. IMPRIMIR