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Aluna: Luisa Trindade Vieira - 72D Disciplina: Parasitologia Professores: Matheus e Marcilene Faculdade Ciências Médicas MG Conceitos básicos: PARASITO: É um ser vivo de menor porte que vive associado a um hospedeiro, dependendo deste para seu abrigo, alimentação e reprodução. ***Parasitismo é diferente do comensalismo, pois comensalismo há associação com benefício para ambos os indivíduos. Já o parasitismo é maléfico, para o hospedeiro, devido ele se nutrir a custa do indivíduo, podendo causar doenças ou não, pois tudo depende da nutrição/saúde dos indivíduos. • Objetivo principal do parasito: Perpetuação de espécie, se ligando ao hospedeiro, e o utilizando para sua multiplicação/reprodução (ele utiliza a quantidade de nutrientes necessárias do hospedeiro para sua multiplicação); ⤷ Nunca podemos dizer que o objetivo de um parasito é deixar seu hospedeiro doente, pois a doença é consequência, ou seja, diante da retirada de nutrientes que a pessoa fica doente. Mas como o parasito quer se reproduzir no organismo, ele precisa que esse organismo esteja viável, com isso, os parasitos mais evoluídos são os que demoram mais para ocasionar sintomas/doenças em seus hospedeiros, pois eles poderão se reproduzir por mais tempo e mais vezes, sem ativação do sistema imune, gerando maior perpetuação da espécie.. PROPAGAÇÃO DE UMA PARASITOSE: Possuem algumas condições muito importantes para que os parasitas se propaguem, e que estão relacionadas ao foco natural da doença: • Biótopo (LOCAL): Onde o parasita se desenvolve, e que facilita sua dispersão (local propício, como por exemplo no Brasil, que é um local quente e úmido); • Biocenose (HOSPEDEIROS): Hospedeiros necessários para o parasita se perpetuar, e dependendo do caso, o parasita possui mais de um hospedeiro, sendo um definitivo e um intermediário, sendo o hospedeiro intermediário importante para o desenvolvimento de parte do ciclo biológico do parasita, para que depois ele possa interagir com seu hospedeiro definitivo. ⤷ PARA QUE SE OCORRA O FOCO NATURAL DA DOENÇA, É NECESSÁRIO: § É necessária a presença simultânea do agente etiológico (o parasito), de hospedeiros e vetores (muitas vezes a parasitose é transmitida por vetores); § Além disso, é necessária que haja uma densidade populacional de hospedeiros e vetores, para que a parasitose seja dispersa. Ou seja, quanto mais hospedeiros (pessoas infectadas), e vetores, mais propícia é a propagação da doença. **Para que uma doença seja contida, é necessário que ocorra o combate de vetores, ou diminuir a população de hospedeiros intermediários, ou tratar hospedeiros definitivos; § Condições ambientais (naturais e sociais) também favorecem, como o clima (doenças tropicais) e as condições socioeconômicas, inconsciência de higiene corporal... DOENÇAS PARASITÁRIAS SÃO DOENÇAS MUITO RELACIONADAS AS CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS → PODEM SER CONSIDERADAS DOENÇAS RELACIONADAS A POBREZA (falta de informação, poder público que não chega de forma efetiva, locais que não possuem estrutura física para tratar da população, além de não possuírem saneamento básico, e as noções de higiene pessoal que estão ausentes). ⤷ A partir de 2020, com a pandemia COVID-19, ocorreu o “marco do saneamento” que foi aprovado pela câmara, o que vai permitir (talvez, rs) que seja levado saneamento básico de uma forma mais efetiva para a população. PARASITISMO: Associação íntima de 2 espécies diferentes, podendo ela ser duradoura (anos e anos, sem promover ativação do sistema imune), ou curta. Sendo que essa relação é unilateral, pois apenas o parasito que possui uma dependência metabólica do hospedeiro. INFECÇÃO X DOENÇA INFECCIOSA: • Infecção: Momento que o parasito entra em contato com o hospedeiro e começa a multiplicar e se desenvolver. Sendo que esse contato/interação que promove uma infecção, não necessariamente gerando uma doença infecciosa; • Doença infecciosa: É o organismo que se encontra infectado pelo parasito, mas que além disso ocorre resposta imune (na maioria das vezes), pois o antígeno acarreta uma desnutrição ou uma lesão tecidual, ocasionando então em uma doença infecciosa (quando já ocorre sinais e sintomas) → DANO NA RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO. VIAS DE PENETRAÇÃO DO PARASITO: • Contato direto com a pele ou mucosa; • Através de aerossóis; • Ingestão; • Inoculação por vetores; • Inoculação acidental por seringas ou transfusão de sangue; • Transmissão congênita; • Via sexual; DINÂMICA GERAL DAS INFECÇÕES: Para que o parasito se estabeleça no organismo do hospedeiro ele deve vencer algumas barreiras, podendo elas serem: • Mecânicas: Como por exemplo a pele/epiderme, o peristaltismo (movimentação do intestino) • Químicas: O suco gástrico por exemplo (que é muito ácido) → A maioria dos parasitos que entram no organismo pela ingestão de alimentos contaminados possuem uma proteção contra o baixo pH do suco gástrico; • Biológicas: Como a resposta imune, por exemplo. Vencidas essas barreiras, ocorre o início do processo de estabelecimento do hospedeiro. A CAPACIDADE DE INVASÃO DE UM PARASITO DEPENDE DE: • Mecanismos próprios do parasito, que pode promover a lise tecidual; • A resposta do hospedeiro: se a resposta está ok ou não, ou seja, se o indivíduo é imuno- competente, a possibilidade do parasito se multiplicar e se dispersar é menor; • Incapacidade de resposta. O HOSPEDEIRO E O PARASITO NÃO SE INTERAGEM DE FORMA ALEATÓRIA!! ⤷ O parasito possui preferência por espécie, órgão, tecido ou célula, diante da presença de receptores específicos, que cada parasito possui → MECANISMO MUITO FINO DE INTERAÇÃO ALÉM DISSO, O HOSPEDEIRO POSSUI O MECANISMO DE REJEIÇÃO: • Ele limita a invasão do agente, por meio de uma reação inflamatória, fagocitose, e imunológicas humoral celular. → Mecanismos que tentam protejer o nosso organismo da ação do nosso parasito.. VIRULÊNCIA X PATOGENICIDADE: • Patogenicidade: habilidade do agente infeccioso provocar uma lesão • Virulêcia: Severidade, rapidez com que o agente infeccioso provoca lesões **Um parasito pode ter uma virulência maior que outro, ou seja, os dois tem habilidade de provocar lesão, porém a habilidade de um é maior que a do outro. MECANISMO DE ESCAPE: são mecanismos para que eles permaneçam no organismo do hospedeiro por mais tempo, permitindo com que sua espécie se propague de maneira mais efetiva, sendo esses mecanismos: • Variação antigênica; • Evasão dos macrófagos: Prevenção da ação do fagolisossomo, prevenção da ação lisossomal, escape para o citoplasma; • Resistência à lise pelo sistema do complemento; • Imunossupressão; • Secreção de enzimas antioxidantes. FORMAS DE AÇÃO DO PARASITO SOBRE O HOSPEDEIRO: Quando o parasita se instala no organismo do hospedeiro ele pode promover algumas complicações, por meio das ações: • Mecânica e traumática: Obstrução intestinal, sendo que ele pode interagir com a mucosa intestinal, podendo ocasionar lesões (perfuração, ocasionando cólicas, diarréias, desinterias....) • Espoliativa: Larvas e vermes que retiram os nutrientes ocasionando em anemia, desnutrição... • Tóxica e imunogênica: Parasito produz produtos tóxicos (enzimas proteolíticas), além disso, o hospedeiro pode sofrer de, alergia e reações de hipersensibilidade por ação de seu sistema imune no combate ao antígeno. O antígeno do parasito + o sistema imune do hospedeiro podem ocasionar uma anafilaxia (infecção, relacionada aos produtos do parasito). EFEITOS DA INFECÇÃO PARASITÁRIA NO HOSPEDEIRO: Anemia: • Sucção ou perda sanguínea; • Destruição de hemácias; • Depressão da medula óssea; • Deficiência de vitamina B12. Perda de peso: • Alimentos digeridos; • Prevenção da absorção de lipídeos (fezes saem com gordura). Efeitos mecânicos: • Obstrução e perfuração intestinal; • Atrofia por pressão. Intoxicação ou reações alérgicas: • Substâncias tóxicas produzidas pelo parasita no sangue. Irritação localizada: • Distúrbios gastrointestinais:Cólica, dispepsia, diarréia, disenteria; Facilitação à infecções bacterianas secundárias → Depende do quadro de saúde do hospedeiro, em certos casos, ele fica predisposto a pegar doenças bacterianas. **MUITAS VEZES OS PACIENTES APRESENTAM MAIS DE UMA PARASITOSE, O QUE PREJUDICA AINDA MAIS OS QUADROS DE SAÚDE. TIPOS DE HOSPEDEIROS: São dois tipos de hospedeiros, sendo eles: Hospedeiros definitivos: Onde o parasita é encontrado na forma adulta, ou seja, onde ele irá se reproduzir e encontrar seus nutrientes necessários para seu metabolismo. Vários helmintos, tem como ciclo biológico o hospedeiro definitivo. São eles: • Animal; • Ser humano. Hospedeiros intermediários: São animais que podem transmitir o parasito, e ocorre o desenvolvimento das fases jovens ou assexuadas de um parasito, como por exemplo na malária, na leishmaniose... Nesse caso, o ciclo biológico se completa somente quando há a participação de um outro animal no ciclo. São eles: • Artrópodes; • Moluscos. Os hospedeiros intermediários e definitivos são identificados dentro do ciclo biológico, podendo o ciclo ser: • MONOXÊNICO: Participação de apenas um único hospedeiro dentro do ciclo (hospedeiro definitivo/HD); • HETEROXÊNICO: Parte do ciclo é desenvolvido em um hospedeiro intermediário (HI → em alguns ciclos eles são chamados de hospedeiros invertebrados), nesses hospedeiros, ocorre o desenvolvimento das formas infectantes do parasito, ou seja, sem o hospedeiro intermediário, não ocorre infecção do ser humano. (Esquitossomose é um exemplo, o hospedeiro intermediário é um molusco, e depois vai para o hospedeiro definitivo, que é o homem). VETORES: Veiculam os parasitos, podendo ser eles: • Biológicos: Ocorre o desenvolvimento do parasito nele, sendo esse o hospedeiro intermediário. • Mecânicos: Nesses vetores os parasitas não se reproduzem, eles serão apenas transportados no próprio corpo do vetor (como por exemplo a musca doméstica, que podem veicular cistos de ameba); • Inanimados ou fômite: Ocorre o transporte do parasito por objetos, como seringas, espéculos, verduras... CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITOS: Protozoários: Seres unicelulares, que demandam a sua presença no organismo do hospedeiro para que ocorra o seu desenvolvimento. São eles: • Amebas; • Tipanossomas; • Leishmanias; • Plasmódios; • Toxoplasma. Helmintos: São seres multicelulares, sendo que muitos deles encontramos machos e fêmeas que reproduzem de forma sexuada, e a fêmea libera ovos que são importantes para a dispersão dos parasitas no meio • Schistossomas; • Taenias; • Lembrigas; • Ancilóstoma. Artrópodes: • Insetos e carrapatos; • Moscas; • Mosquitos; • Barbeiros; • Piolhos; • Sarnas; • Carrapatos; • Aranhas; • Escorpiões. CATEGORIAS TAXONÔMICAS: ReFiCoFaGE • Reino; • Filo; • Classe; • Ordem; • Família; • Gênero; • Espécie. CONCEITOS EPIDEMIOLÓGICOS SÃO EXTREMAMENTE IMPORTANTES NESSA MATÉRIA!!! **Uma boa anamnese do paciente pode te encaminhar para um possível diagnóstico de maneira mais rápida!! Sempre perguntar sobre contato com barbeiros e outros insetos, local onde vive, se o paciente viajou recentemente... As medidas profiláticas são importantíssimas para a manutenção da saúde da população! Com isso, as doenças parasitárias são muito mais relativas às condições socioeconômicas, do que com questões ambientais.