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Prévia do material em texto

HISTÓRIA DA
ARTE E DO DESIGN
PROFESSORES
Dra. Paula Piva Linke
Me. Ana Paula Furlan
Esp. Dênis Martins de Oliveira
Esp. Vanessa Barbosa dos Santos 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
2 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
LINKE, Paula Piva; FURLAN, Ana Paula; OLIVEIRA, Dênis Martins de; 
SANTOS, Vanessa Barbosa dos.
 História da Arte e do Design. Paula Piva Linke; Ana Paula Furlan; Dênis 
Martins de Oliveira; Vanessa Barbosa dos Santos.
 Maringá - PR.:UniCesumar, 2017. Reimpresso em 2019.
 182 p.
 “Graduação em Design - EaD”.
 1. História. 2. Arte. 3. Design. 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0442-7
CDD - 22ª Ed. 701.1
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD 
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração 
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, 
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional 
Débora Leite, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine, Head de Produção de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo 
Diogo R. Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard, 
Coordenador(a) de Conteúdo Sandra Franchini e Larissa Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny 
Coelho, Editoração Melina Belusse Ramos, Designer Educacional Nayara G. Valenciano, Revisão 
Textual Cíntia Prezoto Ferreira, Ilustração Gabriel Amaral, Fotos Shutterstock.
Impresso por:
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional 
e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa 
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, 
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. 
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais 
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos 
pelo MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 
maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindasboas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
boas-vindas
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Débora do Nascimento Leite
Diretoria de Design Educacional
Janes Fidélis Tomelin
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Kátia Solange Coelho
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Leonardo Spaine
Diretoria de Permanência
autores
Dra. Paula Piva Linke
Doutorado em Ciência Ambiental pelo Procam (USP) com bolsa Capes, desenvolvendo pesquisa na área de Moda e 
Sustentabilidade. Mestrado em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especialização em História e 
Sociedade (UEM). Especialização em Moda pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar). Graduação em Moda (Uni-
cesumar). Atuou como professora do curso de Moda, Artes Visuaise Jornalismo no ano de 2013, e em 2014 apenas no 
curso de Moda, ministrando as disciplinas de História da Moda e Laboratório de Criação (Unicesumar). Atualmente é 
docente nos cursos de Educação a Distância (Unicesumar), no qual atua nas áreas de História da Moda e Desenho de 
Moda. Também realiza pesquisas na área de sustentabilidade e moda, bem como moda e cultura. 
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo, dis-
ponível no endereço a seguir:
Link: <http://lattes.cnpq.br/1818751167908774>.
Me. Ana Paula Furlan
Mestrado em Educação para o Ensino de Ciência pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especialização em 
Design de Produto pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Graduação em Moda pelo Centro Universitário de 
Maringá (Unicesumar). Atualmente é docente e coordenadora do setor de estágios no Unicesumar. Consultora de 
produtos em empresas de confecção. 
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo, dis-
ponível no endereço a seguir:
<https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=C4EACC54908782E9D54FB7370F806F47>
Esp. Dênis Martins de Oliveira
Especialização em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário de Maringá (Unicesumar/2016). Graduação 
em Artes Visuais (Unicesumar/2012).
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo, dis-
ponível no endereço a seguir:
Link: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4654860J3>
Esp. Vanessa Barbosa dos Santos
Especialização em Artes Visuais, Cultura e Criação pelo SENAC-PR (2013). Graduação em Design de Interiores pelo Centro 
de Ensino Superior de Maringá (2007). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Design Gráfico.
Link: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8153006Y1>
apresentação do material
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN
Paula Piva Linke; Ana Paula Furlan; Dênis Martins de Oliveira e Vanessa Barbosa dos Santos
Prezado(a) aluno(a) do curso de Tecnologia em Design, este é seu livro da dis-
ciplina de História da Arte e do Design. Ele integra cinco unidades de estudo e 
foi elaborado para que você compreenda da melhor maneira possível os assuntos 
referentes à disciplina.
Analisar a evolução histórica do ser humano, bem como as diferentes manifesta-
ções artísticas e estilísticas expressas nos diferentes períodos se faz necessário em 
praticamente todas as profissões que têm em sua organização a essência criativa; 
compreender como as manifestações de arte ocorreram nos diferentes períodos 
trará a você, aluno(a), uma bagagem rica de conteúdos e assuntos pertinentes para 
sua completa formação acadêmica.
A disciplina de História da Arte e do Design tem por objetivo levar a você conhe-
cimentos acerca dos principais movimentos artísticos e estilísticos, para que você 
compreenda como as questões sociais influenciaram a arte e como contribuíram 
para o despertar de novos conceitos e percepções nos mais diversos campos, dentre 
eles, o do Design. Assim, iniciaremos nossos estudos a partir da História da Arte, 
assunto que será abordado nas Unidades um, dois e três do livro.
Compreender o mundo ao nosso redor por meio das manifestações artísticas cons-
truídas até aqui é um dos objetivos deste livro. Munido do conteúdo pertinente à 
história da humanidade, apresentado mediante as diversas expressões artísticas, 
você, aluno(a), conhecerá como se deu a construção das diversas culturas nos 
diferentes períodos e, também, como esta influenciou e está presente em nossa 
sociedade até os dias atuais.
Assim, o livro de História da Arte e do Design foi elaborado a partir de referenciais 
bibliográficos ricos em informações que, mesclados com nossa experiência nos 
diferentes assuntos tratados no decorrer do livro, trarão a você, de maneira clara 
e objetiva, os diferentes assuntos, para que você absorva da melhor forma todo o 
conteúdo necessário para uma formação plena.
Iniciamos, então, nossos estudos, como mencionado, a partir dos conceitos per-
tinentes ao estudo da História da Arte. Na primeira Unidade, temos a definição 
de arte, que se faz necessária para que você analise todo o conteúdo das unidades 
um e dois com clareza; apresentam-se, também, as manifestações de arte expressas 
na Pré-história, bem como no Egito Antigo, expressões essas em que suas carac-
terísticas perduram por diversos anos e refletem no estilo expressivo de outros 
povos. Veremos, ainda, as manifestações de arte na Mesopotâmia e em Creta. Na 
sequência, temos a importância da arquitetura, da pintura e da escultura na Grécia 
antiga, bem como em Roma.
Na Unidade dois passamos pela influência da arte Bizantina, chegando à Idade 
Média, com o estilo cristão, românico e gótico. Em seguida, há uma continua-
ção das questões históricas e artísticas, apresentando o período conhecido como 
Renascimento, salientando as mudanças que ele trouxe não só para a sociedade, 
mas também para as questões artísticas e estilísticas que foram se modificando 
conforme as questões sociais foram se transformando. Assim, o homem passa a 
compreender, de maneira clara, sua capacidade de transformar a realidade que 
o cerca e um novo período ganha destaque na história, o Renascimento. Nessa 
unidade, também analisaremos as manifestações de arte durante os séculos XVII e 
XVIII, denominados Barroco e Rococó, e observaremos como tais manifestações 
se fundiram com as manifestações sociais ocorridas no período.
Ainda em se tratando de História da Arte, na Unidade três veremos o surgimento 
da Arte Moderna e os movimentos que a influenciaram, como o Impressionismo 
e o Pós-impressionismo. Veremos, portanto, a arte do final do século XIX e os 
movimentos que permeiaram o século XX. 
Após finalizada a História da Arte, o livro busca apresentar, a você, o Design, por 
meio das Unidades quatro e cinco. A Unidade quatro apresentará o significado 
do termo design, assim como os principais movimentos artísticos e estilísticos 
que influenciaram o design contemporâneo, como o Arts e Crafts e o Bauhaus. 
Por fim, lhe será apresentado seu histórico e representação pelo mundo, além das 
suas manifestações no Brasil. 
Na última unidade de nosso livro, apresentamos os diversos tipos de design, suas 
particularidades, bem como possíveis vertentes oriundas das especificidades de 
cada tipo de design.
Desejamos a você, caro(a) aluno(a), um excelente estudo e sucesso em sua carreira, 
pois acreditamos que os conteúdos aqui apresentados são de suma importância 
para sua formação, que será plena e de grandes conquistas futuras.
sumário
UNIDADE I
DOS PRIMÓRDIOS À 
ARTE CLÁSSICA
14 A Origem Da Arte: Primeiras Manifestações
22 A Arte Egípcia
26 Creta e Grécia
34 A Arte Romana
UNIDADE II
DA IDADE MÉDIA 
AO SÉCULO XVIII
50 Idade Média
56 Renascimento
64 Barroco e Rococó
UNIDADE III
ARTE
NO SÉCULO XIX E XX
86 Impressionismo e Pós-Impressionismo
92 Arte Moderna
100 Arte Pós-Moderna
UNIDADE IV
O DESIGN
118 O Design e sua Origem
123 Movimentos Importantes para o Design
128 O Design pelo Mundo
UNIDADE V
ÁREAS DO DESIGN
150 Design de Interiores
153 Design de Moda
158 Design Efêmero
160 Design Gráfi co
164 Design de Produto
165 Design Digital
Professora Dra. Paula Piva Linke 
Professor Esp. Dênis Martins de Oliveira
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• A origem da arte: primeiras manifestações
• A arte egípcia 
• Creta e Grécia
• A arte romana
Objetivos de Aprendizagem
• Descrever o conceito de arte e explicar como ela se 
desenvolveu na Pré-História e na Mesopotâmia.
• Apresentar as principais características da arte no Egito 
Antigo. 
• Explicitar as principais características da arte em Creta e na 
Grécia. 
• Apresentar a Arte Romana e sua transição para o 
Cristianismo.
DOS PRIMÓRDIOS À ARTE CLÁSSICA 
I
unidade
INTRODUÇÃO
Olá caro(a) aluno(a), sejabem-vindo(a) à disciplina de História da 
Arte de Design. O objetivo desta unidade é o de apresentá-lo(a) a arte, o 
conceito propriamente dito e como ela se manifestou em diversas civili-
zações, especificamente da Pré-História à Antiguidade Clássica. 
Esta unidade encontra-se dividida em quatro partes. A primeira delas 
se refere a conceituação e ao entendimento do que é arte e, em seguida, 
as primeiras manifestações artísticas do início da história do homem, ou 
seja, na Pré-História e na civilização mesopotâmica, serão apresentadas. 
A arte na Pré-História e na Mesopotâmia marcaram o início da jornada 
do homem na produção de objetos e do belo, desenvolvendo-se em di-
versas outras civilizações. 
Na segunda parte, você verá como se desenvolveu a arte na civiliza-
ção egípcia, uma civilização que se fundou no deserto, às margens do rio 
Nilo, e que teve mais de 3.000 anos de história, cuja arte se voltou para os 
aspectos religiosos que influenciavam a vida cotidiana dessa civilização.
Na terceira parte, você terá acesso a arte da civilização cretense e gre-
ga, duas civilizações que se destacaram devido a sua produção cultural, 
filosófica e política. Destaca-se, nessas culturas, a arte voltada à arquite-
tura e escultura, assim como a utilização do mármore como material base 
para as esculturas. 
Por fim, na quarta parte, você verá a arte romana. Observará como 
essa civilização, com base em muitos valores estéticos gregos, inovou e 
criou suas próprias manifestação de arte. Essa civilização foi o berço do 
Cristianismo, que também influenciou a arte em diferentes momentos 
históricos. 
O objetivo desta unidade, caro(a) aluno(a), é o de apresentá-lo(a) aos 
primórdios da arte, desde as primeiras manifestações do homem. Espero 
que aprecie a leitura e os conteúdos que lhe serão apresentados.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
14 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
Olá caro(a) aluno(a), vamos iniciar nossos estudos 
procurando entender o que é arte e como ela se 
manifesta. Santos (2005) afi rma que, desde os pri-
mórdios tempos, o homem esteve envolvido com o 
fazer, mas o fazer referente à produção de objetos e 
conhecimento. 
Desde a Pré-História, o homem, ao aprender a 
confeccionar objetos, os utilizou como ferramentas 
para auxiliá-lo nas mais diversas atividades, desde as 
domésticas até as relacionadas ao trabalho. Assim, 
foram desenvolvidos uma grande variedade de obje-
tos, com os mais variados usos. Esses objetos foram 
criados por diversas civilizações ao longo do tempo 
e têm não somente uma valor funcional, mas estético 
também, pois é da natureza humana desenvolver o 
belo nos objetos mais corriqueiros (SANTOS, 2012). 
Ao longo da história, esses objetos produzidos 
pelas diversas civilizações foram estudados com o 
intuito de decifrar como viviam os diferentes povos, 
e por apresentar particularidades que expressam a 
cultura daquele povo, tais objetos passaram a ser re-
conhecidos como objetos de arte.
A Origem da Arte: 
Primeiras Manifestações
Marigleide
Realce
Marigleide
Realce
Marigleide
Realce
Marigleide
Realce
 DESIGN 
 15
Em outras palavras, 
o homem cria objetos não apenas para se ser-
vir utilitariamente, mas também para expressar 
seus sentimentos diante da vida e, mais ainda, 
para expressar sua visão de momento histórico 
em que vive (SANTOS, 2005, p. 07). 
Por estar rodeados por objetos, a autora prossegue afir-
mando, ainda, que a arte é algo que não está desconec-
tada da vida cotidiana, mas sim intimamente ligado a 
ela, pois os objetos, assim como as moradias que foram 
utilizadas em outros períodos, foram reconhecidos 
como obras de arte por apresentarem significativa-
mente um hábito ou forma de viver de uma sociedade 
em um dado período histórico (SANTOS, 2005). 
Contudo, a arte além do cotidiano também expres-
sa valores estéticos reconhecidos como arte por uma 
determinada sociedade, objetos construídos para a con-
templação. Assim sendo, pode-se entender a arte como: 
A obra de arte é um objeto de prazer, que visa 
provocar determinada experiência gratificante, 
que consiste numa espécie de vivência senso-
rial-perceptivo-intelectual, onde são engaja-
das especialmente a memória e a imaginação 
(TREVISAN, 1990, p. 91-92).
Para Coli (1995), a obra de arte passa por um julgamen-
to estético de críticos e especialistas que determinam o 
que é ou não reconhecimento como arte. Normalmen-
te, um objeto é considerado uma obra de arte devido a 
sua estética ou historicidade, pois é um exemplar único 
O que é Arte?
A arte é uma das melhores maneiras do ser 
humano expressar seus sentimentos e emo-
ções. Ela pode estar representada de diversas 
maneiras: por meio da pintura plástica, da 
escultura, do cinema, do teatro, da dança, da 
música, da arquitetura, dentre outros. A arte é 
o reflexo da cultura e da história dos diferen-
tes povos, considerando os valores estéticos 
da beleza, do equilíbrio e da harmonia.
Considerando o contexto atual de socieda-
de, podemos, ainda, dizer que a arte pode 
ser também definida como algo inerente ao 
ser humano, feito por artistas a partir de um 
senso estético, com o objetivo de despertar 
e estimular o interesse da consciência de um 
ou mais espectadores, além de causar algum 
efeito. Cada expressão artística possui seu 
significado único e diferente.
Fonte: História da Arte ([2017], on-line)1.
SAIBA MAIS
ou representativo de uma cultura, apresentando sécu-
los de idade ou valores que o identificam como um ob-
jeto que deve ser mantido como obra de arte.
Para o autor, ainda há muitos problemas em se de-
finir o que é arte e quais são os objetos representativos 
que devem ser colocados em museus. Isso se deve em 
função das diversas linhas de pensamento que discu-
tem e estudam a arte e sua história (COLI, 1995). 
Marigleide
Realce
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
16 
No entanto, caro(a) aluno (a), a arte está relacionada 
a produção cotidiana de uma determinada socie-
dade, assim como templos, casas e palácios relacio-
nados a personalidades importantes e aos objetos 
construídos para contemplação, como por exemplo, 
os quadros. 
Além disso, Santos (2012) chama atenção, ainda, 
para a temporalidade. Muitos dos objetos que per-
meiam os museus têm séculos de história e represen-
tam a forma como viviam determinadas sociedades. 
Compreender o valor desses objetos, muitas vezes, é 
uma tarefa difícil, pois tendemos a olhar com estra-
nheza aquilo que não nos é familiar, ou seja, avalia-
mos a arte com os olhos do presente, sem procurar 
entender a importância dela para quem a produziu. 
Assim sendo, ao observar uma obra de arte ou 
mesmo durante a leitura deste livro, busque entender a 
arte como uma manifestação cultural de um determi-
nado período histórico e de uma civilização, compre-
endendo os valores estéticos e as regras que a orientam. 
Contudo, você deve estar se perguntando: como 
se deu o entendimento sobre a arte ou mesmo como 
se conhece a história e os objetos de arte produzidos 
por civilizações que desapareceram há milhares de 
anos? A resposta para essa pergunta não é simples, 
mas graças a permanência de resquícios de civiliza-
ções que permaneceram, mesmo com o passar do 
tempo, e ao trabalho de arqueólogos, antropólogos 
e historiadores é que foi possível entender a arte das 
diversas civilizações que habitaram a terra (SAN-
TOS, 2012). 
Os trabalhos de escavação de sítios arqueológi-
cos, catalogação e pesquisa dos mais variados artefa-
tos históricos permitem entender como viviam tais 
civilizações e como se expressavam culturalmente, 
produzindo arte. 
Graças aos estudos de diferentes pesquisadores, 
foi possível até mesmo compreender como viviam 
os povos pré-históricos, os ancestrais do homem, e 
como se deu o processo civilizatório. 
As primeiras manifestações artísticas se deram 
ainda na pré-história. Vou usar a expressar arte para 
me referir a produção de objetos, artefatos, arquite-
tura e outras formas de expressão humana que pos-
sibilitam contarnossa história e são representativos 
de uma determinada civilização. 
Veremos, a seguir, como se deu as expressões ar-
tísticas na Pré-História e, em seguida, na civilização 
mesopotâmica. 
PRÉ-HISTÓRIA 
De acordo com Santos (2005), a Pré-História marca 
o surgimento da civilização humana, onde não havia 
escrita e os objetos descobertos por escavações au-
xiliam a contar a história de como viviam os povos 
primitivos. 
Como a duração da pré-história foi muito longa, 
os historiadores a dividiram em três períodos: 
Paleolítico inferior (cerca de 500.000 a.C), Pa-
leolítico superior (30.000 a.C) e Neolítico (por 
volta de 10.000 a.C) (SANTOS, 2005, p. 11).
Devido a extensão desse período e ao objetivo do li-
vro que é estudar a História da Arte, vamos nos ater 
a dois períodos específicos ao Paleolítico superior e 
ao Neolítico, períodos que marcam os primeiros re-
gistros das manifestações artísticas do homem. 
De acordo com Santos (2012), as primeira mani-
festação artísticas referentes ao Paleolítico superior 
eram muitos simples. Sua maioria é encontrada em 
cavernas, pois, naquele momento, o homem ainda 
era nômade e habitava cavernas, locais que serviram 
de base para suas manifestações. 
 DESIGN 
 17
Inicialmente, os homens pré-históricos apenas 
faziam riscos nas paredes ou “mãos em negativo”, 
sendo que somente muito tempo depois começaram 
a pintar animais. Os desenhos feitos nas paredes das 
cavernas são conhecidos como pinturas rupestres e 
são as formas de expressão do homem pré-histórico 
(JANSON, H.; JANSON, A., 1996). 
O pó, que era a tinta utilizada na pintura de 
mãos em negativo, era obtido por meio da 
trituração de rochas com diversos pigmentos.
(Maria das Graças Vieira Proença dos Santos)
REFLITA
Figura 1 - Mãos em negativo
A técnica de mão em negativo consistia em colocar 
a mão sobre as paredes das cavernas e, em seguida, 
aplicar um pó colorido sobre as mãos e a parede, as-
sim, ao retirar as mãos, ficava a silhueta da mesma 
na parede. Observe um exemplo na Figura 1. 
Após dominar a técnica de mãos em negativo, 
iniciou-se o desenho com ilustrações de animais, 
sendo a principal característica desses desenhos o 
naturalismo, ou seja, se desenhava um animal de 
acordo com a visão que se tinha dele (JANSON, H.; 
JANSON, A., 1996). 
Em outras palavras, como afirmam Gombrich e 
Cabral (1999), as pinturas rupestres apresentam certo 
grau de complexidade com traços, linhas e cores que 
expressavam as características do animal, bem como 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
18 
a crença de que ao pintar um animal ferido duran-
te uma caçada, permitia que ele morresse com mais 
facilidade. Portanto, as pinturas também apresentam 
um aspecto mítico. O autor prossegue afirmando que:
A explicação mais provável para as pinturas 
rupestres ainda é a de que se trata das mais 
antigas relíquias da crença universal no poder 
produzido pelas imagens; dito em outras pa-
lavras, parece que esses caçadores primitivos 
imaginavam que, se fizessem uma imagem de 
sua presa- e até a espicaçassem com suas lanças 
e machados de pedra-, os animais verdadeiros 
também sucumbiriam ao seu poder (GOM-
BRICH; CABRAL, 1999, p. 42).
As pinturas rupestres apresentam particularidades 
referentes à construção do desenho. Santos (2005) 
afirma que os animais que representavam força e mo-
vimento eram carregados de traços que expressavam 
tais características, enquanto que para outros animais 
mais dóceis, os traços eram mais leves e revelavam 
fragilidade. Observe um exemplo na Figura 2.
Além da pintura, também havia trabalhos com a 
escultura, onde predominava a figura feminina, assim 
como na pintura rupestre. A escultura possuia forma 
rudimentar, com a cabeça surgindo como um prolon-
gamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado 
e grandes nádegas. Veja um exemplo na Figura 3.
Já no período seguinte, no Neolítico, por vol-
ta de 10.000 a.C, as manifestações de arte mudam 
significativamente, primeiramente devido ao fato 
que o homem aprende a construir instrumento 
com pedra polida, mas principalmente devido ao 
desenvolvimento da agricultura e da domesticação 
de animais, o que possibilitou ao homem aban-
donar a vida nômade e se fixar em um território, 
dando início às primeiras civilizações primitivas 
(JANSON, H.; JANSON, A., 1996). 
Figura 4 - Pintura rupestre do Neolítico 
Figura 2 - Pintura rupestre
Figura 3 - Reprodução da Vênus de Willendorf 
 DESIGN 
 19
A partir de então, o homem aprendeu a tecer a 
palha, construir cerâmica e moradias, assim como 
aprendeu a produzir o fogo. Todas essas transforma-
ções são conhecidas como Revolução Neolítica, pois 
modificou a forma de viver do homem primitivo 
(SANTOS, 2012). 
Todas essas transformações também modifica-
ram o estilo da arte, que deixou de ser naturalista 
para se tornar simplificado e geometrizado. Inicia-se 
aqui um processo de interpretação da imagem, onde 
as figuras sugerem animais e seres humanos (STRI-
CKLAND; BOSWELL, 2014). Observe a Figura 4.
Além de representar animais, iniciou-se uma 
nova temática, a vida cotidiana, sendo representa-
da por danças, colheitas e demais atividades. Com 
a preocupação de criar movimento nas pinturas, a 
forma de desenho das figuras foi se solidificando, se 
simplificando, com traços leves e fluidos e pouca cor. 
A partir de então, surgiu o primeiro sistema de es-
crita baseado em figuras: a escrita pictográfica, que 
consiste em representar seres e ideias por meio do 
desenho (SANTOS, 2005). 
Além da pintura, a cerâmica também se desenvol-
veu, havendo um forte senso estético, o objeto além 
de funcional também deveria ser belo. A utilização do 
metal também se mostrou presente em esculturas que 
representavam mulheres e guerreiros. A construção 
de moradias também se tornou comum. Os Nuragues 
eram edificações em pedra em forma de cone sem a 
utilização de argamassa que servia como moradia 
(JANSON, H.; JANSON, A., 1996).
MESOPOTÂMIA
A Figura 5 traz um exemplo da arte de baixo relevo 
dos povos mesopotâmicos. Essa arte expressa, nor-
malmente, grandes autoridades ou fatos marcantes, 
Figura 5 - Baixo relevo da mesopotâmia
como guerras. Este é mais um exemplo das antigui-
dades da arte que foram descobertas por antropólo-
gos e que nos ajudam a entender um pouco sobre a 
história desse povo. 
As descobertas que ocorreram na pré-histó-
ria, como o controle sobre o fogo, a agricultura 
e a domesticação de animais, levou o homem a 
viver em comunidade, o que deu origem às pri-
meiras civilizações. Dentre essas civilizações des-
taca-se a Mesopotâmia (GOMBRICH; CABRAL, 
1999). 
A civilização mesopotâmica se desenvolveu 
por volta do século VI a.C, mesmo período histó-
rico em que desenvolvia o Egito. Localizada entre 
dois rios, Tigre e Eufrates, território hoje corres-
pondente ao Iraque e proximidades, essa civiliza-
ção foi povoada por diferentes povos, tais como: 
sumérios, assírios, babilônicos e persas (STRI-
CKLAND; BOSWELL, 2014). 
A arte se desenvolveu de forma específica em 
cada um desses povos, contudo, há que se destacar 
algumas características para escrita, arquitetura, 
música, dentre outros elementos de manifestações 
que ocorreram nessa região. Vejamos cada uma de-
las a seguir. 
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HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
20 
Figura 6 - Escrita cuneiforme 
vimento da arquitetura e mesmo da urbanização. 
Gombrich e Cabral (1999) afirmam que os povos da 
Mesopotâmia foram os primeiros urbanistas, pois 
suas cidades eram organizadas e estruturadas. 
Devido a escassez de pedras, utilizavam-se tijolos 
para a construção de templos e palácios caracteriza-
dos pelo luxo e grandiosidades no espaço e formato. 
Os zigurates eram templos de base retangular, com vá-
rios andares, e se destacaram na arquitetura. Contudo, 
foram os jardins suspensos dos babilônios que cha-
mavam a atenção, pois os palácios eram construídos 
possuindo vários andares, e em cada uma deles 
havia imensos jardins (STRICKLAND; 
BOSWELL, 2014). Observe, nasimagens a seguir, o zigurate e o 
jardins suspensos. 
Já a escultura e pin-
tura se destacavam como 
elementos decorativos. Na 
escultura, se usava a técnica 
do baixo relevo, onde o traba-
lho era desenvolvido sobre paredes 
ou murais. As cenas retratadas 
representavam criaturas míticas 
ou então cenas de batalhas e seus 
heróis. A pintura mural era um 
complemento da escultura, nor-
malmente feita com cores vivas 
e brilhantes, sendo utilizadas 
largamente em paredes e 
murais (GOMBRICH; CA-
BRAL, 1999). Veja o exem-
plo na figura que se segue. 
A música, o canto e a 
dança possuem valores mí-
tico-religiosos, ou seja, estão 
A escrita que se desenvolveu na Mesopotâmia é 
chamada de cuneiforme, foi desenvolvida pelos su-
mérios e utilizada por outros povos. A característica 
principal dessa escrita é que cada imagem significava 
uma ideia, e a mesma estava ligada a fins de registros 
religiosos e políticos. Essa escrita recebeu o nome de 
cuneiforme devido a presença de cunhas feitas em pla-
cas de argila, o que proporcionou a construção da es-
crita, visto que ainda não havia o papel (GOMBRICH; 
CABRAL, 1999). Observe um exemplo na Figura 6.
Além da escrita, houve um intenso desenvol-
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sf.

1. Peça metálica ou de madeira dura com formato de diedro agudo, que se introduz numa brecha para melhor fender algo (um tronco, pedra etc.) ou para calçar, fixar certos objetos (uma porta, um móvel etc.)

2. Peça que fixa a lâmina de certas ferramentas, esp. a plaina.

3. Mil. Estratégia que consiste em introduzir em território inimigo soldados, espiões ou comandos especiais.

4. Liter. Palavra acessória para completar a medida de um verso ou lhe aperfeiçoar a eufonia; CAVILHA; RÍPIO

5. Zool. Nas caudas das aves de rapina, cada uma das penas externas

6. Fig. Intervenção de pessoa influente em benefício de alguém; PISTOLÃO

7. Art.gr. Peça de monotipo que determina a largura certa do tipo que está sendo fundido

8. Geol. Massa de terra susceptível de deslizamente sobre uma superfície interna em caso de cisalhamento ou ruptura do maciço terroso

[F.: De or. contv. Ideia de 'cunha': cunei-: cuneiforme.]
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Figura 7 - Zigurate e jardins suspensos nos palácios 
ligados às crenças voltadas a religião, mitos e lendas de 
cada povo que viveu nas terras entre os rios Tigre e Eu-
frates (GOMBRICH; CABRAL, 1999).
Outro elemento a ser destacado se refere a cerâmica 
que era feita de argila, assim como tijolos esmaltados 
utilizados na construção como elementos decorativos. 
No que se refere a ourivesaria, houve destaque para a 
produção de estátuas de cobre e ouro, assim como jóias 
tais como: colares, braceletes e brincos, destacando-se 
também utensílios domésticos produzidos em metais 
finos, como afirma Gombrich (1999). 
Além dos mesopotâmicos, muitas outras civili-
zações foram se desenvolvendo nesse período, como 
o Egito, que veremos a seguir. 
Figura 8 - Escultura e pintura em baixo relevo 
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HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
22 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
A Arte Egípcia 
O Egito se desenvolveu às margens do rio Nilo. 
Inicialmente, as tribos nômades se fi xaram às 
margens do rio para obtenção de água e aprende-
ram a agricultura, que se mostrou bastante van-
tajosa devido às cheias do rio que inundava as 
terras das margens e as fertilizava, deixando uma 
grande quantidade de húmus quando a água re-
tornava ao seu volume original (STRICKLAND; 
BOSWELL, 2014). 
Janson H. e Janson A. (1996) ressaltam que a so-
ciedade egípcia iniciou-se como império por volta de 
3.000 a.C, quando houve a unifi cação do alto e do bai-
xo Egito por meio do Faraó Menés, que deu origem a 
primeira das 30 dinastias que reinaram no Egito. 
A cultura, assim como o próprio império e sua 
política, é fortemente infl uenciada pela religião. O 
Faraó é considerado chefe político e religioso, re-
presentante de deus entre os homens. Assim sendo, 
toda a produção cultural e social desse povo está 
atrelada às crenças religiosas (SANTOS, 2005). 
Havia uma grande preocupação com a vida ter-
rena, a qual não só era garantida por meio de diver-
sos rituais e oferendas, mas também com a passagem 
para a morte e a vida após a morte, a qual exigia uma 
morada para a alma e o corpo após a morte, assim 
como a conservação do corpo para que se pudes-
se retornar a vida após o julgamento de Osíris, deus 
responsável por julgar os mortos (SANTOS, 2012). 
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 23
Devido a essas crenças, muitos conhecimentos fo-
ram desenvolvidos de forma avançada no Egito, como 
a medicina e o embalsamamento para a conservação 
do corpo; a arquitetura por meio de grandes monu-
mentos; e grandes obras de engenharia, como canais 
de irrigação e palácios. A arte, assim como a forma de 
se viver no Egito, também se voltava à religião. 
O conhecimento que se tem da cultura e da for-
ma de vida dos egípcios se deve ao fato de que eles 
desenvolveram um sistema de escrita organizado. 
A escrita hieroglífi ca era formada pela combinação 
dos hieróglifos - são pequenas fi guras que possuíam 
signifi cado próprio e que, agrupadas, proporciona-
vam a construção da escrita, como afi rma Janson H. 
e Janson A. (1996). Veja um exemplo na Figura 9. 
Os egípcios deixaram registros detalhados de 
sua forma de vida, organização social e crenças por 
meio de sua escrita, o que nos possibilita entender 
como viviam. 
Além da escrita, também desenvolveram a ar-
quitetura por meio de monumentos mortuários, 
como as pirâmides do egito, que são os túmulos que 
deveriam abrigar o corpo e a alma do Faraó após a 
morte. As pirâmides se desenvolveram de diferentes 
formas ao longo da história do Egito, assim como a 
arte. Com mais de 3 mil anos de história, dividiu-se a 
história do Egito em Antigo Império (2.700 — 2200 
a.C.), Médio Império (2.033 — 1.710 a.C.) e Novo 
Império (1559 — 1.069 a.C.) (SANTOS, 2005). 
No Antigo Império, iniciou-se a construção das 
pirâmides. É nesse momento que se iniciam as cons-
truções monumentais, a primeira delas foi a pirâ-
mide de Djoser, construída pelo arquiteto Imotep, 
sendo a primeira das obras de grandes proporções 
Figura 9 - Escrita egípcia por meio de hieróglifos
Figura 10 - Pirâmide de Djoser
do Egito, como afi rma Santos (2005). Observe um 
exemplo dessa pirâmide na Figura 10.
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HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
24 
Figura 11 - Pirâmides do Egito
Além da pirâmide, que era o túmulo do Faraó, todo o 
seu interior era preparado para a nova vida do sobera-
no, a fim de garantir que fosse julgado de forma corre-
ta. Sendo assim, o interior da pirâmide era preparado 
para a nova vida. No interior desses monumentos, a 
vida do faraó deveria ser contada e todos os seus feitos 
narrados, para tanto, os escritos eram feitos nas diver-
sas paredes das câmaras que compunham a pirâmide. 
Além disso, havia também a presença da pintura e de 
baixos relevos para ornamentar e enfatizar os feitos do 
soberano (GOMBRICH; CABRAL, 1999). 
Após experimentos e anos de prática, os egíp-
cios mudaram o formato da pirâmide, adaptando 
o modelo de Imotep e construindo as pirâmides de 
Quéops, Quéfren e Miquerinos. Ademais, entre as 
grandes obras também se destacou a Esfinge, que re-
presenta o faraó Quéfren. Contudo, devido ao tem-
po, acabou mudando sua aparência para uma figura 
enigmática como destaca Santos (2005).
Santos (2005) ressalta que a pintura e o baixo re-
levo seguiam a lei da frontalidade, obrigatória na 
arte egípcia. “Essa lei determinava que o tronco da 
pessoa fosse representado sempre de frente, enquan-
to sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de 
perfil” (SANTOS, 2005, p. 19). 
Figura 12 - Pintura de baixo relevo seguindo a lei da frontalidadeA pintura e mesmo a escultura em baixo re-
levo representavam muitas vezes a figura do 
Faraó perante Osíris, o deus responsável por 
julgar os mortos. Esses dois elementos artís-
ticos eram muito usados na decoração de 
interiores em composições com a escrita para 
registrar os grandes feitos do faraó. 
(Maria das Graças Vieira Proença dos Santos)
REFLITA
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 25
A intenção dessa forma de pintura era que o ob-
servador entendesse imediatamente que se tratava 
de uma mera representação. Observe um exemplo 
na Figura 12. 
Em se tratando da escultura, cabe ressaltar ain-
da que havia uma grande preocupação em repre-
sentar os indivíduos em seus mínimos detalhes, 
desde a fisionomia do rosto ao formato do corpo. 
De acordo com Santos (2005), a escultura foi a ma-
nifestação artística que possuiu maior representa-
tividade, pois ganhou as mais belas representações 
do Antigo Império. 
O Médio Império trouxe pouca representativi-
dade a arte, continuou com a pintura e escultura em 
baixo relevo; no entanto, a escultura tradicional mu-
dou drasticamente, pois nesse período havia uma 
preocupação em representar um ideal e não mais o 
indivíduo em sua aparência real. Assim, a escultura 
tornou-se apenas decorativa e apresenta os sobera-
nos e deuses com uma aparência eleita como perfei-
ta (JANSON, H.; JANSON, A., 1996). 
Os autores prossegue afirmando que o Novo Im-
pério trouxe grandes transformações a arte, princi-
palmente no que se refere a construção de grandes 
monumentos e as modificações na estrutura da pin-
tura (JANSON, H.; JANSON, A., 1996). 
Gombrich e Cabral (1999) destacam que os Fa-
raós diminuíram o poder dos sacerdotes, o que pos-
sibilitou rever alguns padrões estéticos, como ocorre 
no caso da pintura, onde se ousou representar mo-
vimento e figuras mais elaboradas; contudo, devido 
às disputas de poder e retomada do poder por parte 
dos sacerdotes, fez com que a pintura voltasse a lei da 
frontalidade. 
Os autores destacam, ainda, o desenvolvimen-
to de objetos fúnebres, objetos que eram colocados 
na câmara do faraó, tais como urnas, vasos, mobília, 
jóias, carroças, dentre outros objetos. Destaca-se en-
tre esses objetos o sarcófago, uma urna mortuária que 
guardava o corpo mumificado do faraó (GOMBRI-
CH; CABRAL, 1999). Observe um exemplo de sarcó-
fago na Figura 13. 
Os egípcios dominaram o trabalho com metais 
e pedras preciosas, assim uma grande parte dos 
objetos, inclusive o sarcófago, eram feitos de outro 
maciço e adornados com pedras preciosas (SAN-
TOS, 2012). 
Contudo, apesar dessa vasta riqueza, assim 
como qualquer império, o Egito teve suas crises e 
passou por diversas invasões, o que provocou mu-
danças significativas em sua cultura e arte, modifi-
cando o estilo de vida desse povo. O império entrou 
em decadência após ser invadido por diversos po-
vos, como gregos e romanos. 
A arte egípcia retrata uma forma de pensar 
e viver onde a religião e as crenças estão 
intimamente ligadas à vida cotidiana e que 
permanece até a atualidade. 
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Figura 13 - Sarcófago 
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HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
26 
Creta e Grécia 
Assim como se desenvolveu o Egito às margens do 
rio Nilo, muitas outras civilizações se desenvolve-
ram e se destacaram, deixando vestígios que nos 
permitem entender sua história. Uma das civiliza-
ções que se desenvolveu no que seria hoje atuais 
ilhas gregas, foi a civilização de Creta, ou civilização 
Minóica (SANTOS, 2012). 
Janson H. e Janson A. (1996) apontam que essa ci-
vilização apresenta uma história bem peculiar. Pouco se 
sabe ainda sobre seu estilo de vida e cultura, pois sua es-
crita ainda não foi decifrada. Além disso, Santos (2005) 
destaca que são poucos os resquícios de monumentos e 
objetos produzidos por tal cultura que permaneceu, já 
que seus monumentos eram, em sua maioria, feitos de 
tijolos de barro, não resistindo à passagem do tempo. 
Essa civilização existiu por volta de 2.600 a 1.460 
a.C, sendo extinta devido às invasões de outros po-
vos. No que se refere à arquitetura, ela era bastante 
complexa para a época, sendo o Palácio de Cnossos 
seu maior exemplar. 
Cnossos destaca-se como sítio arqueológico 
mais importante de Creta. As escavações reali-
zadas entre 1900 e 1935 por sir Arthur Evans 
na região, revelam afrescos, belos e delicados 
recipientes pintados e estatuetas de mármore e 
fiança. Todas essas descobertas proporcionaram 
informações importantes sobre a indumentária 
e a Arte cretense (COSGRAVE, 2012, p. 33).
Observe, caro(a) aluno(a), o palácio de Cnossos na 
Figura 14.
 DESIGN 
 27
A arquitetura do palácio apresenta características 
importantes; a primeira delas se refere à organiza-
ção do espaço com salas que levam a imensos pátios, 
proporcionando luminosidades e ambientes abertos 
para descanso e jardins. Outro aspecto relevante é 
que o mesmo possuía, no mínimo, dois andares; es-
tima-se que fossem três ou quadro, o que pressupu-
nha distribuir colunas e escadas de forma adequada 
para dar sustentação ao prédio. 
Para Janson H. e Janson A. (1996), o palácio é 
um exemplar elaborado da arquitetura que também 
expressa a arte decorativa, muito utilizada, especial-
mente, em murais.
A pintura era empregada como decoração em 
grandes afrescos e murais decorativos. Os temas 
mais comuns envolvem atividades cotidianas e mes-
mo a vida marinha, visto que Creta era uma ilha. 
Observe alguns exemplos na Figura 15:
Figura 14 - Palácio de Cnossos 
Figura 15 - Murais decorativos do Palácio de Cnossos 
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Técnica de pintura em parede ou teto, feita com tinta diluída em água sobre revestimento ainda fresco e úmido
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
28 
A pintura seguia alguns padrões. Ela tinha influên-
cia egípcia, pois aplicava alguns dos princípios da lei 
da frontalidade, a diferença aqui é que havia mais 
dinamicidade e cor nos afrescos. As cores mais uti-
lizadas eram o vermelho, azul e branco, assim como 
tons de ocre, azul e marrom (SANTOS, 2005). 
Além da pintura havia um intenso trabalho com 
metais e cerâmica. E, em termos de metais, havia 
larga fabricação de joias e pequenos adereços, assim 
como pequenas estátuas de bronze e ferro (COS-
GRAVE, 2012). Já a escultura se desenvolveu em pe-
quenos exemplares decorativos, e havia uma grande 
representação de mulheres. Essa civilização ainda é 
um mistério, mas podemos observar seu desenvolvi-
mento pelos afrescos e pintura. 
A Grécia, assim como o Egito, é uma civilização 
que deixou muitos vestígios para estudos e desen-
volveu-se de forma bastante ampla nas artes, princi-
palmente na escultura e na arquitetura. 
A Grécia possuía abundância e variedade de 
materiais para utilização em diversas áreas, 
como a arquitetura e escultura. Dentre esses 
materiais destacam-se a madeira, as pedras 
calcárias e o mármore. 
O mármore foi um dos materiais mais utili-
zados, sendo empregado em grandes cons-
truções públicas e templos, assim como em 
decoração de interiores. Contudo, é na escul-
tura grega que esse material possibilitou a 
elaboração de estátuas detalhadas em termos 
de anatomia e vestuário, visto que possibilita-
va entalhar com detalhes rugas, expressões 
faciais, dobras de roupas e tecidos. 
Fonte: Gombrich (1999).
SAIBA MAIS
Dentre os povos da Antiguidade, os gregos foram os 
que mais tiveram liberdade artística, não se subme-
tendo a sacerdotes ou reis autoritários, mas sim prio-
rizado a criação e a valorização da estética, buscan-
do sempre produzir o belo (SANTOS, 2005). 
A civilização grega se desenvolveu por volta do 
século XII a.C, quando os diversos povos que viviam 
na região começaram a intensificar o comércio entre 
si e fortalecer suas fronteiras formando as cidades 
estados ou as Pólis. Contudo, é somente a partir do 
século VII a.C que essas cidades se fortalecem e, 
devido ao comércio com outros povos, acabam por 
incorporar certas influências e adaptá-las à sua cul-tura, nascendo assim uma identidade cultural entre 
as cidades, formando a civilização grega (SANTOS, 
2012). 
A arte grega passou por três momentos distintos: 
Período Arcaico (800 a 500 a.C), Período Clássico 
(500 a 336 a.C) e Período Helenístico (336 a 146 a.C). 
Janson H. e Janson A. (1996) afirmam que cada um 
desses períodos apresenta características marcantes 
em termos de desenvolvimento artístico. Vejamos 
cada um deles. 
No Período Clássico (500 a 336 a.C) se desta-
ca a arquitetura e a escultura e também a pintura. 
No que se refere à arquitetura, cabe destacar que os 
gregos tinham uma preocupação maior com obras 
monumentais dedicadas aos deuses ou ao estado, 
ficando as moradias em segundo plano (GOMBRI-
CH, 1999). 
A base das construções gregas se dá por meio 
das colunas, que é o suporte para qualquer tipo de 
construção. As colunas são compostas por três par-
tes: base, fuste e capitel. 
• Base: o suporte da coluna, uma espécie de 
pedestal entre o piso do edifício e o fuste. 
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 29
• Fuste: o corpo alongado vertical da coluna, 
que determina a altura da construção. Ge-
ralmente, tem a forma cilíndrica. 
• Capitel: é a parte superior da coluna, cuja ca-
racterística decorativa é a mais evidente nas 
ordens gregas (TRINDADE, 2007, p. 37).
As colunas não servem apenas como sustentação, 
mas também como elementos decorativos, princi-
palmente por meio do modelo do capitel que pode 
ser no estilo Dórico, Jônico e Coríntio. Veja como 
Trindade (2007) descreve cada uma delas e observe 
o exemplo na figura seguinte: 
• Ordem Dórica: simples e maciça.
• Ordem Jônica: mais detalhada e com mais 
leveza.
• Ordem Coríntia: carregada de detalhes, mais 
ornamentada e detalhada do que a Jônica.
Figura 16 - Estilos das colunas gregas, Dórico, Jônico e Conríntio.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
30 
Figura 17 - Polímedes de Argos — Os irmãos Cleóbis e Biton (c.615-590 a.C.)
Fonte: Wikipédia (2015, on-line)2.
A principal manifestação arquitetônica desse perío-
do foram os templos, construídos não somente como 
locais para adoração aos deuses, mas sim como local 
de proteção as estátuas dos deuses (SANTOS, 2005). 
O grande destaque da arquitetura desse momen-
to vai para o tempo de Héraion de Olímpia, dedi-
cado a deusa Hera, como afirma Trindade (2007). 
Os templos também apresentavam ornamentação e 
culturas ainda bastante primitivas.
As esculturas do período arcaico têm uma forte 
influência egípcia, são bastante rígidas e apresentam 
a lei da frontalidade assim como uma preocupação 
exagerada com as simetria, o que tornava a escultura 
rígida e sem movimento. Esse tipo de escultura era 
chamado de Kouros, que significava homem jovem. 
Observe o exemplo na Figura 17.
No que se refere à pintura, nada restou dos pai-
néis e murais presentes em tempos. A cerâmica é 
que nos oferece uma grande quantidade de exempla-
res da pintura no período arcaico. As temáticas que 
aparecem se referem a cenas cotidianas, mitologia e 
lendas, como afirma Janson H. e Janson A. (1996). 
Nesse período, as cores da cerâmica eram aper-
feiçoadas de forma que as figuras fossem trabalhadas 
com tinta preta e detalhadas com uma ferramenta 
que retirava a cor, proporcionando maiores detalhes 
aos exemplares e movimento (SANTOS, 2012). 
O período arcaico apenas marca o ínicio da arte 
na Grécia. É no Período Clássico (500 a 336 a.C) 
que a arte grega floresce, expandindo-se e ganhando 
maior apelo estético, principalmente na escultura, 
como destaca Trindade (2007). 
A arquitetura do Período Clássico mostra-se monu-
mental. O maior exemplo desse período é o Parthenon, 
templo dedicado a deusa Atena, protetora da Cidade de 
Atena. A estrutura do templo foi pensada de forma a dar 
estabilidade e proporcionar amplitude. Havia uma preo-
cupação muito grande com a estética, o que proporcio-
nou o surgimento e utilização da coluna no estilo Corín-
tio, largamente utilizada por ser mais decorada. Observe 
o templo da deusa Atena na Figura 18.
Além dos templos, muitos teatros foram cons-
truídos. Nesse período, o teatro era composto “por 
3 partes: uma cena, a orquestra (espaço circular ou 
semicircular central, onde ficava o coro) e um semi-
círculo de degraus onde ficava a platéia” (TRINDA-
DE, 2007, p. 40). 
Os gregos apreciavam a música, a dança e 
também a encenação, que se dava em espaços pú-
blicos dedicados a essas atividades, os teatros. De-
Marigleide
Realce
 DESIGN 
 31
Figura 18 - Parthenon 
senvolveu-se, na Grécia, os gêneros de comédia e 
tragédia. 
Ainda nesse período, a arquitetura era voltada 
para obras públicas e monumentais que passaram 
a receber ornamentos cada vez mais sofisticados, 
como as esculturas. 
A escultura e a pintura, como afirma Janson H. e 
Janson A. (1996), eram antropocêntricas, ou seja, o 
O teatro tem sua origem na Grécia Antiga, 
tendo como destaque, principalmente, os 
gêneros de tragédia e comédia. 
REFLITA
homem era o centro da representação, havendo uma 
preocupação muito grande com a perfeição estética 
na construção da pintura e também da escultura.
É nesse período que a escultura se desenvolve 
buscando movimento, leveza e estética, assim os ar-
tistas estudam a forma do corpo, posições, músculos 
e materiais que possibilitem compor as novas estátu-
as. Inicialmente, o material utilizado era o mármore, 
contudo, devido a sua fragilidade, em muitos casos 
era substituído pelo bronze (SANTOS, 2005). 
Nesse período, a preocupação era que a escul-
tura apresentasse movimento e perfeição estética. 
A obra deveria ser bela de todos os ângulos, sendo 
as estátuas, exemplificadas na Figura 19, os maiores 
exemplares desse período. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
32 
Figura 19 - Poseidon e Discóbolo em mármore
Fonte: Trindade (2007, p. 41).
Na pintura, houve inversão nas cores, pois antes 
elas eram representadas em preto e, nesse período, 
passaram a ser representadas em tons claros, crian-
do maior contraste cromático e movimento. Obser-
ve a diferença na Figura 20.
Ao inverter as cores proporciona-se maior har-
monia e movimento, assim como leveza ao trabalho 
de pintura em cerâmicas. 
O período Helenístico (336 a 146 a.C) marca 
uma fase onde as culturas grega e oriental se fun-
diram, dando origem ao mundo Helenístico sob 
domínio de Alexandre, O Grande, que conquistou 
muitas terras e disseminou a cultura grega que aca-
bou por ser influenciada por outros elementos cul-
turais também (TRINDADE, 2007).
Esse é o momento em que o escultor tem maior 
liberdade de expressão e veremos a temática feminina 
entrando com força na escultura. Mulheres seminuas 
ou nuas aparecem com frequência; além disso, a dra-
maticidade é incorporada à escultura (SANTOS, 2012). 
Em se tratando da escultura, a intenção era 
proporcionar ao observador inquietação, seja pela 
 DESIGN 
 33
beleza ou pela dramaticidade da obra. A expressão 
corporal e mesmo facial era trabalhada em detalhes 
para expressar vida e provocar emoções. 
Os maiores exemplares desse período foram Vênus 
de Milo e Vitória (Nike) de Samotrácia. A primeira re-
presenta a deusa Vênus seminua, com corpo delineado 
apresentando sensualidade. A segunda é uma estátua 
que representa a vitória de uma batalha militar; a es-
tátua foi colocada na proa de um navio. Essa obra traz 
movimento devido as asas simbolizando a vitória e ao 
drapeado, que parece se esvoaçar com o vento. 
No que se refere à escultura, ela se volta para 
a moradia, que passa a ganhar atenção com co-
lunas, murais e ambientes suntuosos. Os teatros 
também se modificam, aproximando mais o pú-
blico dos atores. 
Após esse período, a cultura grega começa a en-
trar em decadência devido às invasões e influências 
de outros povos. Contudo, ela influenciou profun-
damente outra civilização, Roma, que aprimorou 
muito do que se desenvolveu na Grécia. 
Figura 20 - Pintura no estilo arcaico e pintura no estilo clássico 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
34 
A Arte Romana
A formação de Romaenvolve uma série de lendas e 
mitos sobre dois irmãos alimentados por uma loba, 
contudo, apesar desses mitos, se sabe que essa civi-
lização teve origem por volta dos anos de 700 a.C e 
sofreu fortes influências dos etruscos e gregos que 
habitavam a região da Itália, dando origem aos ro-
manos (SANTOS, 2005). 
Gombrich e Cabral (1999) ressaltam que os ro-
manos construíram sua cultura com bases etruscas 
e gregas para, então desenvolver um estilo próprio. 
Janson H. e Janson A. (1996) destacam que, devido 
a essas influências, a arquitetura romana desenvol-
veu-se de forma distinta e promoveu inovações no 
mundo antigo. 
Em se tratando da arquitetura, dos etruscos, os 
romanos aprenderam a projetar a abóbada, compos-
ta por várias pedras, formando um espaço côncavo, 
onde as pedras se apoiavam umas sobre as outras, 
dispensando o uso exagerado de colunas como fa-
ziam os gregos (SANTOS, 2012).
A autora prossegue afirmando que dos gregos 
os romanos utilizaram as colunas, não apenas como 
sustentação, mas como elementos decorativo que 
compunham a estrutura de templos e prédios públi-
cos (SANTOS, 2012).
Devido a essas duas influências, a arquitetura ro-
mana tornou-se mais ampla, com grandes espaços 
internos, que possibilitam a circulação de pessoas e 
 DESIGN 
 35
proporcionam a sensação de amplidão. O referido 
autor destaca que por volta do século I d.C, os roma-
nos possuíam um estilo próprio. 
No que se refere a construção de templo, os ro-
manos valorizavam o espaço interno por meio das 
abóbadas e apreciavam também as colunas que eram 
utilizadas nas fachadas frontais e mesmo como ele-
mentos decorativo na parte interna, sem a função de 
sustentação. 
Além disso, Trindade (2007) destaca que os 
templos eram construídos em planos mais elevados, 
sendo acessados por meio de escadarias que davam 
acesso a uma fachada frontal, bem diferente das la-
terais do templo, aspecto bem divergente dos gregos. 
O maior exemplo desse tipo de arquitetura é o tem-
plo chamado de Panteão, projetado para reunir uma 
grande variedade de deuses, possibilitando que uma 
quantidade opulenta da população pudesse se reu-
nir para o culto. Observe esse templo na Figura 21. 
Os romanos também desenvolveram diferentes 
aspectos na arquitetura do teatro. Muito apreciado-
res de diversos espetáculos, assim como as lutas en-
tre gladiadores, os romanos desenvolveram diversos 
teatros e anfiteatros. Ao dominar a arquitetura base-
ada em arcos, os romanos aprenderam a distribuir o 
peso e dar maior sustentação à construção, podendo 
fazê-la em qualquer espaço com proporções gigan-
tescas (TRINDADE, 2007).
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
36 
Figura 21 - Panteão 
Posteriormente, na Era Cristã, o Panteão foi 
adaptado a religião católica, sendo um dos 
únicos templos pagãos que hoje é ocupado 
por uma igreja cristã. 
Toda a estrutura externa e interna do templo 
se manteve; as colunas decoradas, o frontão 
e o espaço aberto na parte da frente também. 
O monumento se manteve e é considerado 
patrimônio cultural.
Embora o templo traga uma influência não 
cristã, sua adaptação a religião católica o fez 
permanecer. 
Fonte: Santos (2005).
SAIBA MAIS
Por apreciar as lutas entre gladiadores, que podia 
ser vista de todos os ângulos, os romanos construí-
am um novo estilo de arquitetura para o espetáculo, 
com uma arena central oval e as arquibancadas dis-
tribuídas ao redor da arena. O maior exemplar desse 
tipo de arquitetura é o Coliseu. 
Além do anfiteatros e templos, outro elemento 
que tinha fundamental importância para os roma-
nos eram as moradias. Santos (2012) destaca que os 
romanos possuíam uma estrutura rígida e formal 
para as casas, que consistia em um retângulo no qual 
a entrada se dava por uma das partes menores, onde 
havia uma sala principal, o átrio. Nessa sala havia 
um espaço aberto no teto e um tanque para coletar 
água da chuva no chão, bem embaixo do espaço do 
teto. Esse espaço aberto possibilitava a entrada de ar 
e luz no ambiente. 
Figura 22 - Vista interna do Coliseu 
 DESIGN 
 37
Os estádios de futebol foram inspirados no 
Coliseu graças a sua estrutura.
Devido a sua distribuição de espaço, o Coli-
seu serviu de inspiração para a construção 
dos estádios de futebol dos dias atuais. 
REFLITA
A partir dessa entrada, o átrio se seguia para o 
cômodo principal da casa e para dos demais cômo-
dos. Os cômodos eram bem organizados, contu-
do, os romanos apreciavam o peristilo, um espaço 
aberto rodeado por colunas que foi incorporado aos 
fundos das casas romanas, dando acesso a outros 
cômodos. Observa-se, portanto, que os romanos 
incorporaram elementos de diferentes culturas à ar-
quitetura, adaptando-os às suas necessidades.
A pintura que se desenvolveu em Roma é bas-
tante particular, estando muito ligada a decoração 
de interiores e é classificada em quatro estilos, como 
afirma Santos (2005). 
O primeiro deles não se refere especificamente à 
pintura, mas sim a recobrir as paredes de uma sala 
com gesso imitando mármore; contudo, mais tarde, 
o gesso foi dispensado, pois os pintores perceberam 
que apenas a pintura poderia imitar o mármore, sem 
a necessidade do gesso (SANTOS, 2005). 
O segundo estilo se refere à possibilidade de 
criar painéis que davam a ilusão de janelas abertas 
com paisagens cotidianas, ou seja, por meio do estu-
do de profundidade e iluminação, criava-se ilusões 
de portas e janelas com diversas paisagens ou faziam 
grandes pinturas murais, acrescentando barrados 
próximos ao piso e ao teto e montavam cenas deco-
rativas em toda a parede (SANTOS, 2005). 
Santos (2005) afirma que o terceiro estilo valo-
rizava a delicadeza com pequenos detalhes; assim, 
as grandes pinturas murais foram aos poucos aban-
donadas, isso por volta do século I a.C. Já o quarto 
estilo é a junção da ilusão do espaço buscando am-
plitude e da delicadeza do terceiro estilo. Nesse esti-
lo, pequenos painéis eram distribuídos nas paredes, 
proporcionando harmonia e delicadeza. 
Figura 23 - Escultura do Imperador Augusto
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
38 
desenvolveu muito como elemento decorativo de pai-
néis e paredes, ou seja, a escultura mural, como afirmam 
Gombrich e Cabral (1999). A escultura mural relatava 
grandes feitos de generais, imperadores e batalhas. Esse 
tipo de escultura era comum em palácios, templo, obras 
públicas e mesmo no interior de algumas casas. 
As esculturas romanas eram muito detalhadas 
e expressivas, assim como sua arquitetura. Após o 
século I d.C., Roma começou a sofrer invasões cons-
tantes e, por volta do século V, foi completamente 
invadida pelos povos bárbaros, marcando a queda 
do império e o início da Idade Média.
Caro(a) aluno(a), espero que tenha apreciado a 
leitura referente ao início da arte e como ela se de-
senvolveu nas civilizações antigas. Até breve. 
No que se refere à escultura, os romanos eram 
grandes admiradores da escultura grega e aprende-
ram muito ao observar e estudar tal estilo; contudo, 
os romanos apresentavam uma preocupação mais 
realista, ou seja, buscavam retratar os indivíduos 
com todos o seus traços, inclusive imperfeições, bem 
diferente do ideal de beleza grega (SANTOS, 2012). 
Portanto, as estátuas romanas apresentam-se 
de forma a colocar os traços étnicos no indivíduo, 
de acordo com suas imperfeições; o mesmo se valia 
para o vestuário, que expressava movimento e acom-
panhava o corpo. As poses buscavam imponência e 
respeito, retratando perfeitamente a anatomia do 
corpo, como afirma Santos (2005). 
Além das estátuas, a escultura romana também se 
Figura 24 - Escultura mural 
 39
considerações finais
Caro(a) aluno(a), entender o que é arte e como ela se manifesta não é algo simples. Lem-
bre-se que a arte está relacionada aos objetos que o ser humano produz e que são represen-
tativos de uma determinada cultura, seja pelo seu valor histórico ou pela raridade. 
Portanto, podemos entender que, em sua maioria, a produção humana está ligada à 
arte. Desde a Pré-Históriaaté os dias atuais, o homem produz objetos para contar sua 
história, seja com utensílios ou para simples contemplação; são esses objetos que nos per-
mitem entender como viviam os povos da Antiguidade.
A arte da Pré-História estava mais associada às pinturas rupestres; no entanto, com 
o desenvolvimento das civilizações, a arte se desenvolveu de forma diferenciada em cada 
uma delas. 
As civilizações que se desenvolveram à margem dos rios Tigre e Eufrates deram origem 
a Mesopotâmia, que trouxeram elementos importantes para a urbanização, assim como 
jardins suspensos. 
Os egípcios, por exemplo, têm em sua arte uma forte influência religiosa voltada para 
a vida após a morte. O conhecimento dessa cultura se deu devido ao sistema de escrita 
detalhado, que possibilitou entender como viviam. 
Já os gregos se inspiraram nos egípcios, mas aprimoraram a arte se desenvolvendo 
muito na escultura e arquitetura. Na escultura, usaram as colunas como suporte para seus 
templos, assim como elementos decorativos, havendo uma proporção com a naturalidade 
da obra, assim como a estética. 
Os romanos tiveram influência grega e também etrusca e inovaram na arquitetura por 
meio dos arcos e abóbadas, criando o Panteão e o Coliseu. Na escultura, se preocuparam 
com a expressão da realidade, retratando os indivíduos como eram, com suas imperfeições 
e características particulares. 
O que podemos perceber, caros(as) alunos(as), é que a arte assume características úni-
cas para cada período histórico e para cada civilização. Espero que tenham apreciado a 
leitura. Até breve!
40 
atividades de estudo
1. Os objetos fazem parte do cotidiano e muitos deles expressam a arte devido ao seus 
valor histórico e de raridade. Por que os homens criam objetos? Explique.
2. Os homens pré-históricos deram início às manifestações artísticas. Qual é a mani-
festação artística mais comum desse período?
a. Pintura em cerâmica.
b. Cestaria.
c. Pinturas rupestres.
d. Escultura.
e. Nenhuma das opções anteriores está correta.
3. A Mesopotâmia é uma civilização que se desenvolveu entre os rios Tigre e Eufrates. 
Referente a arte que ali se desenvolveu, leia as alternativas que seguem.
I. A escrita que se desenvolveu na Mesopotâmia é chamada de multiforme.
II. Devido a escassez de pedras, utilizavam-se tijolos para a construção de templos e 
palácios caracterizados pelo luxo e grandiosidades no espaço e formato.
III. Já a escultura e pintura se destacavam como elementos decorativos.
IV. Havia grandes construções de palácios com jardins suspensos.
Marque a alternativa correta.
a. I, II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. I, II e IV estão corretas.
d. II, III, e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
4. O Egito foi uma das civilizações mais avançadas e produziu grandes monumentos 
artísticos. Referente à arte egípcia, leia as alternativas e marque V para verdadeiro e 
F para falso.
( ). Desenvolveram um sistema de escrita organizado, a escrita hieroglífica, formada pela 
combinação dos hieróglifos, pequenas figuras que possuíam significado próprio.
( ). Desenvolveram a arquitetura por meio de monumentos mortuários, como as pirâmi-
des do Egito, que são túmulos que deveriam abrigar o corpo e a alma do Faraó após 
a sua morte.
Marigleide
Lápis
 41
atividades de estudo
( ). A pintura e a escultura seguiam a lei da simetria.
( ). A escultura foi a manifestação artística que possuiu maior representatividade, pois 
ganhou as mais belas representações do Antigo Império.
Marque a alternativa correta.
a. V, V, V, F.
b. F, V, V, V
c. V, F, V, V
d. V, V, F, V
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
5. Creta foi uma civilização que se desenvolveu em uma das diversas ilhas gregas, apre-
sentando várias particularidades referentes à arte. Leia as alternativas abaixo e 
marque a opção incorreta referente à arte cretense.
a. Cnossos destaca-se como sítio arqueológico mais importante de Creta.
b. A arquitetura era bela, mas pouco desenvolvida.
c. A pintura era empregada como decoração em grandes afrescos e murais decorati-
vos.
d. O trabalho com metais e cerâmicas era bem desenvolvido.
e. Nenhuma das opções anteriores está correta.
6. A escultura e a pintura grega eram antropocêntricas. Explique o que isso significa.
7. Roma sofreu duas grandes influências na construção de sua arte. Que influências 
foram essas? Marque a opção correta.
a. Etrusca e grega.
b. Cretense e grega.
c. Egípcia e etrusca.
d. Egípcia e grega.
e. Nenhuma das opções anteriores está correta.
42 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Origem da arte
O mundo da arte pode ser observado, compreendido e apreciado. É através do conheci-
mento que o ser humano desenvolve sua imaginação e criação adquirindo conhecimento, 
modifi cando sua realidade, aprendendo a conviver com seus semelhantes e respeitando 
as diferenças. 
A arte é quase tão antiga quanto o homem, pois ela é uma forma de trabalho, e o traba-
lho é uma propriedade do homem. Entre suas características, pode ser defi nida como um 
processo de atividades deliberadas para adaptar as substâncias naturais as vontades hu-
manas; é a relação de conexão entre o homem e a natureza, comum em todas as formas 
sociais.
O homem executa seu trabalho através da transformação da natureza. A arte, como um 
trabalho mágico do homem, é utilizada como uma tentativa de transformação da natureza, 
que sonha em modifi car os objetos, dar uma nova forma à sociedade. Trata-se de externar 
uma imaginação do que signifi ca a realidade, portanto, o homem é considerado, por princí-
pio, um mágico, pois é capaz de transformar a realidade através da arte.
Para executar suas atividades, o homem, através das artes, como por exemplo, as pinturas 
em paredes, gerou conhecimento e criou ferramentas para atender seus interesses. O ho-
mem cria a arte como uma forma para sobreviver no meio, expressar o que pensa, divulgar 
suas crenças (ou a de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explo-
rar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas. 
Para que a arte exista é necessário a existência de três elementos: o artista, o observador e 
a obra de arte. O artista é aquele que tem o conhecimento concreto, abstrato e individual 
sobre determinado assunto, que se estressa e transmite esse conhecimento através de um 
objeto artístico (pintura, escultura, dentre outros) que represente suas ideias. O segundo, o 
observador, é aquele que faz parte do público que observa a obra para chegar ao caminho 
de mundo que ela contém. Ainda terá que ter algum conhecimento de história e história da 
arte para poder entender o contexto de tal arte. O terceiro, a obra de arte, é a criação do 
objeto artístico que vai até o entendimento do observador, pois todas as artes têm um fi m 
em si, ou seja, uma tradução.
Fonte: Ferreira e Oliveira ([2017], on-line)3
 DESIGN 
 43
História da arte
 Maria das Graças Vieira Proença dos Santos
Editora: Ática
Sinopse: poucas obras conseguem, como esta, apresentar de 
maneira tão abrangente e tão didática toda a história da arte 
ocidental. Da Pré-História ao Pós-Moderno, desfi lam por suas 
páginas as obras mais signifi cativas da produção cultural do 
Ocidente. O texto do livro - conciso e agradável - é apoiado por 
mais de 350 reproduções, além de numerosos esquemas. Uma leitura utilíssima para estu-
dantes e para o público em geral. 
O vídeo apresenta brevemente as mais importantes obras da arquitetura e da Arte Romana, 
explicando sua estrutura e função. 
Acesse o link disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=J8s6UiJV3jo>.
44 
referências
COLI, J. O que é Arte. 15. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.
COSGRAVE, B. História da indumentária e da moda: Da antiguidade aos dias atu-
ais. Barcelona: GG moda, 2012.
GOMBRICH, E. H.; CABRAL, Á. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 
1999.
JANSON, H. W.; JANSON, A. F. Iniciação a história da arte. 2.ed. São Paulo: Mar-
tins Fontes, 1996.
SANTOS, M. G. V. P. História da arte. 16. ed. São Paulo: Ática, 2005.
______. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2012.
STRICKLAND, C.; BOSWELL, J. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. 
15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.
TREVISAN, A. Como apreciar a arte; do saber ao sabor: uma síntese possível. Porto 
Alegre: Mercado Aberto, 1990.
TRINDADE, S. História da Arte. Bahia: Faculdade de Tecnologia e Ciências, 2007.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <http://historia-da-arte.info/o-que-e-arte.html>. Acesso em: 02 ago. 2017.
2 Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Kouros>. Acesso em: 02 ago. 2017.
3 Em: <https://www2.ufersa.edu.br/portal/view/uploads/setores/241/texto%205.
pdf>. Acesso em: 25 set. 2017.
 45
gabarito
1. O homem cria objetos não apenas para se servir utilitariamente, mas também 
para expressar seus sentimentos diante da vida e, mais ainda, para expressar 
sua visão do momento histórico em que vive.
2. c)
3. d)
4. d)
5. b)
6. O homem era o centro da representação, havendo uma preocupação muito 
grande com a perfeição estética na construção da pintura e também da escul-
tura.
7. a)
Prof.ª Dr.ª Paula Piva Linke 
Prof.ª Me. Ana Paula Furlan
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Idade Média 
• Renascimento
• Barroco e Rococó
Objetivos de Aprendizagem
• Descrever a arte na sociedade bizantina e na Idade Média.
• Caracterizar as mudanças sociais e artísticas que 
ocorreram entre os séculos XIV e XVI.
• Apresentar e caracterizar o Barroco e o Rococó. 
DA IDADE MÉDIA AO SÉCULO XVIII
II
unidade
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) a segunda Unidade do livro de 
História da Arte e do Design. O objetivo desta unidade é o de apresentar 
a você a arte do período medieval, renascentista e os movimentos que se 
desenvolveram no século XVII e XVIII, ou seja, o Barroco e o Rococó. 
A intenção é que você compreenda como a sociedade humana evo-
luiu ao longo do tempo e como isso se reflete na arte e na forma de viver, 
portanto, é sempre importante associar os períodos históricos às mani-
festações artísticas. 
Iniciaremos esta unidade com a arte medieval. Após a queda do Im-
pério Romano, houve um grande êxodo urbano e as pessoas passaram a 
morar em grandes propriedade rurais, sobre a proteção dos senhores feu-
dais. Assim surgiu o feudalismo, que marca a Idade Média, assim como a 
influência religiosa na arte.
No fim da Idade Média, por volta do final do século XIV, mas cer-
tamente no século XV, houve o renascimento do comércio, da vida na 
corte e nas cidades. Esse período ficou conhecido como Renascimento, 
movimento artístico e cultural que teve início na Itália e marcou a reto-
mada de alguns valores artísticos da antiguidade clássica, principalmente 
inspirados na Grécia e em Roma.
Por volta do século XVII, inicia-se outro movimento artístico, o Bar-
roco, que influencia principalmente a arquitetura, apresentando grandes 
proporções na decoração de interiores com muitos elementos decorati-
vos, pouca luz e tons escuros. Em seguida, no século XVIII, vem o Roco-
có, que nega os exageros do Barroco e preza por uma arte mais leve, com 
forte apreço decorativo em tons mais claros, com mais luz e cores mais 
leves. 
O que veremos nesta unidade, além do vasto período histórico que 
estudaremos, é como se deu as transformações na arte, desde a pintura 
até a arquitetura, e como elas refletem os ideais de uma sociedade. Espero 
que aprecie a leitura.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
50 
Idade Média
A Idade Média foi um período que durou mil anos, 
aproximadamente entre o século V e o século XIV. 
Nesse período, se desenvolveram manifestações artís-
ticas condizentes com o modo de vida da população. 
Santos (2005) destaca que a Idade Média tem 
uma forte influência cristã na arte, isso se deve ao 
fato de que a Igreja Católica adquiriu alto poder po-
lítico e espiritual, influenciando a arte. 
A arte cristã se iniciou muito antes da Idade Mé-
dia, por volta do séculos III e IV, momento em que os 
cristãos ainda eram perseguidos pelo Império Roma-
no. Gombrich e Cabral (1999) ressaltam que, devido a 
essas perseguições, as manifestações artísticas, em sua 
maioria, eram apenas pequenas pinturas realizadas 
nas catacumbas com adorno ao túmulo dos católicos. 
Para Santos (2012), essa arte era ainda muito pri-
mitiva e feita pela população, não havendo artistas. 
Contudo, com o fim das perseguições e com o Império 
Romano se tornando cristão, essa arte foi desenvolvida 
em pequenas estátuas e as pinturas se tornaram mais 
elaboradas. Entretanto, devido a invasão dos povos 
bárbaros, a população europeia que vivia nas cidades 
foi aos poucos migrando para grandes propriedades 
de terras, vivendo sob a proteção de um lorde, assim, a 
vida na cidade deu lugar a vida no campo. 
Contudo, Janson H. e Janson A. (1996) desta-
 DESIGN 
 51
cam que houve uma parte do Império Romano que 
sobreviveu, na cidade de Constantinopla, e formou 
um pequeno império, que permaneceu até o século 
XV, quando foi invadida. 
Nessa sociedade, a arte adquiriu características 
específicas, visto que o imperador era também um 
representante de deus na terra, tornando as obras 
públicas monumentais, assim como as basílicas. 
Gombrich e Cabral (1999) ressaltam que a arqui-
tetura seguiu algumas influências romanas, com colu-
nas, arcos e abóbadas, mas a estrutura foi melhorada de 
forma a se tornar mais resistente e proporcionar maior 
suporte aos monumentos. O maior exemplar de arqui-
Figura 1 - Basílica de Santa Sofia
tetura dessa civilização é a Basílica de Santa Sofia.
Além da arquitetura, desenvolveu-se a pintura, 
os mosaicos e a pintura de ícones, como destaca 
Trindade (2007). Esses elementos eram muito utili-
zados na decoração de interiores. 
Na pintura foi utilizada a frontalidade, que con-
sistia em desenhar as figuras sempre na posição 
frontal, como sinônimo de imponência e superio-
ridade, respeitando também a visão do observador, 
que poderia contemplar a figura em sua vista mais 
expressiva. Trindade (2007) acrescenta, ainda, que a 
posição dos pés, mãos, dobras das roupas e demais 
detalhes foram cuidadosamente estudados. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
52 
Cabe destacar, ainda, que os imperadores eram 
representados quase como santos, e a própria figu-
ra de Jesus era representada como imperador, ou 
seja, aproximava-se a figura terrena e divina (STRI-
CKLAND; BOSWELL, 2014). 
Os mosaicos seguiram basicamente as mesmas 
regras da pintura, mas ao invés de tinta usavam-se 
pedras preciosas para representar cenas bíblicas, 
personalidades importantes e demais elementos que 
faziam parte da cultura bizantina. 
A pintura de ícones nos quadros seria a repre-
sentação dos ancestrais. Tais pinturas eram realiza-
das sobre placas de metal ou couro. Esse material re-
Figura 2: - Mosaico da civilização bizantina 
cebia uma camada de tinta à base de ouro e a figura 
de santos era pintada sobre essa base dourada, sendo 
os detalhes de bordados e rendas feitos por uma fer-
ramenta que retirava uma camada de tinta, deixan-
do a mostra o fundo dourado (SANTOS, 2012). 
Enquanto isso, no restante da Europa, até o sécu-
lo X, apenas alguns povos bárbaros se dedicavam à 
produção de pequenos objetos decorativos e de ouri-
vesaria, visto que a outra parte da população vivia no 
campo e pouco se dedicou a esse ofício. O pouco que 
se produzia vinha dos conventos, contudo, por volta 
do século XVIII e IX, o Império Carolíngio, sobre o 
governo de Carlos Magno, desenvolveu no palácio do 
imperador uma escola voltada à produção artística, na 
qual eram produzidos pequenas esculturas, pinturas 
e objetos voltados à decoração e ao cristianismo, mas 
após a morte do imperador essa iniciativa desapareceu. 
Entre os séculos XI e XII desenvolveu-se o estilo 
românico, que se fortaleceu, principalmente, na ar-
quitetura. O grande avanço desse estilo se deu por 
meio da invençãoda abóbada de berço e abóbada de 
aresta. As principais características desse estilo são: 
a utilização de abóbodas; pilares maciços; paredes 
espessas, para dar sustentação; e aberturas estreitas, 
como janelas (SANTOS, 2005). 
As paredes espessas e os pilares davam susten-
tação às abóbadas que ainda apresentavam proble-
mas em sua estrutura, pois exigiam grandes colunas 
e uma boa base para sustentação, fazendo com que 
o ambiente fosse mais pesado e com pouca ilumina-
ção, como afirma Trindade (2007). 
As igrejas românicas eram consideradas “for-
talezas de Deus” devido ao seu tamanho e solidez. 
Nesse período, a arte é uma extensão do serviço di-
vino, como destaca Santos (2005), visto que toda a 
produção era voltada às questões religiosas.
Contudo, é nos séculos XII, XIII e XIV que a 
Figura 3 - Mosteiro de Saint-Pierre — arquitetura românica 
 DESIGN 
 53
arte começa a se desenvolver de forma mais intensa. 
Isso se deve ao fato de que inicia-se no século XII, 
e se intensifica no século XIII, o renascimento do 
comércio e da vida nas cidades, o que impulsiona a 
arte de forma significativa. 
Nesse período (séculos XII — XIV) se desenvol-
ve o estilo gótico. “O termo gótico foi empregado 
de modo pejorativo, em 1.550, por Vasari, para de-
signar este estilo considerado por ele como bárbaro 
(dos godos)” (TRINDADE, 2007, p. 53). De acordo 
com Read (1983), a arte gótica se desenvolveu devi-
do ao renascimento urbano-comercial e expressa o 
sentimento transcendental religioso. 
Trindade (2007) afirma que esse estilo possui ca-
racterísticas específicas, tais como:
[...] o verticalismo; o arco quebrado ou ogival; 
abóboda de arcos cruzados; paredes altas e del-
gadas com aberturas amplas e altas graças ao uso 
de arcobotantes e contrafortes, que ajudavam na 
sustentação da construção; fachada com três 
portais; estrutura com três a cinco naves; vitrais 
coloridos e rosáceas (TRINDADE, 2007, p. 53). 
O primeiro exemplar desse estilo foi Abadia de Saint 
Denis. Cabe lembrar, que em sua maioria, as catedrais e 
igrejas desse estilo encontram-se em cidades, devido à 
retomada da vida em centros urbanos (STRICKLAND; 
BOSWELL, 2014). Contudo, o exemplar mais famoso 
desse estilo é a Catedral de Notre-Dame, em Paris.
A retomada na vida na cidade faz com que 
haja uma nova organização social, que se 
reflete na arte e passa a se manifestar mais 
intensamente nos centros urbanos por meio 
da arquitetura. 
REFLITA
Figura 4 - Catedral de Notre-Dame em Paris — estilo gótico
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
54 
A escultura e os vitrais também foram muito utiliza-
dos, porém como elementos complementares à arqui-
tetura, ou seja, como elementos decorativos embuti-
dos na estrutura das catedrais e demais monumentos. 
No que se refere aos vitrais, eles não são apenas ele-
mentos decorativos, mas também são compostos por 
imagens bíblicas, com o intuito de catequizar, possi-
bilitar a iluminação e adornar as igrejas.
Read (1983) destaca que os temas voltados ao 
louvor eram muito comuns nos vitrais e as cores 
eram sempre variadas, sendo o azul e o vermelho as 
mais comuns.
Figura 5 - Vitral da rosácea de Notre-Dame
A arquitetura desse estilo se desenvolveu basicamen-
te em igrejas, contudo, começou a ser aplicada em 
algumas moradias de nobres ou ricos comerciantes, 
ou mesmo em prédios públicos, mas sua maior ex-
pressão encontra-se nas temáticas religiosas. 
No que se refere à pintura, houve uma preocu-
pação com o realismo, sendo a temática religiosa 
a mais explorada. “As figuras representadas eram 
pouco volumosas, cobertas por muita roupa, com o 
olhar voltado para cima, em direção ao plano celes-
te” (TRINDADE, 2007, p. 54). 
O estilo de pintura que se desenvolveu, embora 
preocupado com o naturalismo, ainda era bastante 
rígido e engessado, não havia perspectiva nas obras 
ou movimento, por isso, as figuras formavam obras 
estáticas e sólidas. Contudo, conforme se aproxima-
va do período do Renascimento, no final do século 
XVI, as obras foram se tornando mais complexas. 
A rosácea é um vitral em forma circular que 
normalmente é colocado acima da entrada 
principal da igreja, proporcionando decora-
ção e iluminação. Os vitrais das rosáceas são 
construídas com temas variados. 
Como o próprio nome já diz, esse elemento 
tem o formato de uma flor e é representada 
por meio de um círculo, com uma pequena 
esfera central da qual saem nervuras, as quais 
representam as pétalas de uma flor. Devido 
ao seu local de destaque na arquitetura, os 
vitrais são bem detalhados e coloridos. 
Esse elemento arquitetônico encontra-se em 
praticamente todas as igrejas do estilo gótico, 
entre os séculos XII e XIV. 
Fonte: Santos (2005). 
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 55
Os pintores desse período que mais se destacaram 
foram Giotto di Bondone (1267-1337) e Jan van 
Eyck (1309-1441). Para Trindade (2007), Giotto 
“estava em busca do humano, almejava dar um 
caráter humano às figuras que representava, um 
prenúncio do humanismo renascentista” (TRIN-
DADE, 2007, p. 54), enquanto que Van Eyck 
procurava registrar na pintura os aspectos da 
vida urbana e da sociedade de sua época. Em 
suas pinturas evidencia-se um cuidado com a 
perspectiva, objetivando mostrar os detalhes e 
as paisagens (TRINDADE, 2007, p. 54). 
Juntamente com todas essas mudanças na arte, vem 
também as mudanças na forma de vida. Com a retoma-
da da vida nas cidades, surge uma nova classe social: a 
burguesia, que é composta pelos comerciantes. 
Muitos desses comerciantes enriqueceram e pas-
saram a consumir obras de arte em larga escala, pa-
trocinando pintores e incentivando estudos e diversos 
trabalhos voltados à escultura, pintura e arquitetura. 
Portanto, a partir da retomada da vida nas cida-
des e do fortalecimento do comércio, veremos tam-
bém um renascimento nas artes e na ciência. Tema 
do nosso próximo tópico. 
Figura 6 - Quadro central do políptico. Retábulo do Cordeiro — Adoração do Cordeiro Mútico (1426- 1432), de Jan Van Eyck
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
56 
Renascimento 
O Renascimento marca um período histórico de 
grande desenvolvimento artístico, filosófico e cien-
tífico. Esse desenvolvimento que ocorreu entre os 
séculos XIV e XVI marca uma busca intensa pelos 
conhecimentos greco-romanos, assim como um in-
tenso desenvolvimento que superou a herança da 
Grécia e de Roma (SANTOS, 2012). 
Janson (1996) afirma que nesse momento a 
filosofia moral do homem se deslocou da religião 
para o homem, ou seja, surgiu o humanismo (an-
tropocentrismo), onde o homem é o centro do 
universo. Para o autor, essa mudança de pensa-
mento caracteriza a passagem da Idade Média para 
a Idade Moderna.
Cabe destacar ainda que houve um grande flo-
rescimento da arte, ou seja, devido ao retorno da 
vida na corte, nas cidades e ao fortalecimento dos 
reis, havia um terreno propício para a arquitetura 
e pintura, que foram largamente patrocinadas por 
burgueses enriquecidos e nobres ansiosos para de-
monstrar seu poder e status (BAUMGART, 1999). 
Assim sendo, o Renascimento movimentou, 
consideravelmente, o mercado pela diversificação 
dos produtos de consumo na Europa, a partir do sé-
 DESIGN 
 57
culo XV. Alguns europeus, enriquecidos com o co-
mércio nesta época, melhorando suas condições fi-
nanceiras, posteriormente, passaram a ter condições 
para investir em obras de arte de escultores, pintores 
e arquitetos (CHENEY, 1995). 
Esses artistas tinham apoio financeiro dos gover-
nantes europeus e também do clero, assim como de 
nobres e burgueses. Essa ajuda, que era conhecida na 
época como mecenato, vinha dos mecenas — gover-
nantes e burgueses — e algumas famílias favorecidas 
financeiramente, chamadas de Nobres. Eles favoreciam 
os artistas, pois encomendavam a eles pinturas de re-
tratos e esculturas possibilitando um amplo campo de 
trabalho (GOMBRICH; CABRAL, 1999).
Cabe destacar que o Renascimento cultural reve-
lou-se primeiro na região italiana de Toscana, mais 
precisamente nas cidadesde Florença e Siena, mas 
logo se estendeu para o restante da Península Itálica 
e, finalmente, alargou-se para quase todos os países 
da Europa Ocidental. Cosgrave nos fala:
O Renascimento foi difundido pela Europa 
oriental, mas os principais encontravam-se nos 
estados ricos da Itália central e setentrional, em 
particular, Florença, Roma e Veneza e em Fran-
dles, que se tornou um importante centro para 
o comércio e as artes (COSGRAVE, 2012, p. 
117).
Durante o Renascimento o comércio se de-
senvolveu na Península Itálica. As cidades 
de Veneza, Gênova e Florença assistiram um 
expressivo movimento artístico e, por essa ra-
zão, a Itália passou a ser considerada o berço 
do Renascimento. 
(Horst Woldemar Janson)
REFLITA
O Renascimento se estendeu do século XIV ao XVI, 
e depois deu origem ao Maneirismo, que foram di-
ferentes interpretações do Renascimento ocorridas 
em cada país, dando origem, em seguida, ao Barro-
co. Devido ao extenso período de tempo em ascen-
são, o Renascimento é dividido em fases: Trecento, 
Quattrocento e Cinquecento. Vejamos as caracterís-
tica de cada uma delas. 
- Trecento: aconteceu no século XlV e foi um 
período de mudança da cultura medieval para a 
cultura renascentista. Mesclava sentimentos, carac-
terísticas físicas e comportamentos da vida humana 
com a religiosidade. O dialeto toscano, oriundo da 
língua italiana, estava presente nas obras literárias, 
assim como o humanismo; houve um resgate da cul-
tura greco-romana, visível na literatura renascentis-
ta (JANSON; LEAL, 2001). 
- Quattrocento: aconteceu no século XV. Nesse 
período, era possível perceber fortemente aspectos 
da cultura greco-romana e do paganismo, caracte-
rizado pela mitologia e personagens da literatura 
clássica; acontecia o mecenato; as artes plásticas 
utilizavam-se dos métodos de pintura a óleo; houve 
a quebra de aspectos das artes plásticas e literatura 
da Idade Média, e a arquitetura vivenciou o apogeu; 
pinturas e esculturas apresentavam perfeição esté-
tica, com uma mistura do moderno com o clássico 
(JANSON; LEAL, 2001). 
- Cinquecento: aconteceu no século XVI. Nesse 
período, houve uma conciliação de temas profanos 
com temas religiosos; houve a compleição do huma-
nismo na literatura, também na pintura e escultura; 
houve também a expansão do Renascimento à ou-
tros países da Europa: Holanda, Espanha, Portugal, 
França e Alemanha (JANSON; LEAL, 2001). 
Durante o Renascimento, que apresenta essas fa-
ses distintas, houve uma preocupação muito grande 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
58 
com a educação, ou seja, um indivíduo bem educa-
do e formado deveria dominar diferentes conheci-
mentos e isso foi expandido para a arte, o que possi-
bilitou desenvolver obras que se destacaram devido 
à perfeição e às técnicas utilizadas em sua execução 
(STRICKLAND; BOSWELL, 2014). 
O Universalismo era uma característica mar-
cante no Renascimento. Para ser universalista, 
era preciso um desenvolvimento de todas as 
áreas do saber. O pintor Leonardo da Vinci 
era considerado um modelo de homem uni-
versalista, pois era matemático, físico e pintor. 
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
Em se tratando da arte, destaca-se em especial a 
arquitetura, a escultura e a pintura. Vejamos agora 
como cada uma delas se manifestou na Itália, berço 
do Renascimento. 
Em termos da arquitetura renascentista, a prin-
cipal característica consiste em:
[...] busca de uma ordem e de uma disciplina 
que superasse o ideal de infinitude do espaço 
das catedrais góticas. Na arquitetura renascen-
tista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-
-se em relações matemáticas estabelecidas de 
tal forma que o observador possa compreender 
a lei que o organiza, de qualquer ponto em que 
se coloque (SANTOS, 2005, p. 79). 
Um dos primeiros arquitetos que veio a desenvolver 
a arquitetura renascentista foi Filippo Brunelleschz, 
que projetou “a cúpula da catedral de Florença — 
conhecida também por igreja de Santa Maria del 
Fiore —, o Hospital dos Inocentes e a Capela Pazzi” 
(SANTOS, 2005, p. 79). Observe a igreja de Santa 
Maria del Fiore a seguir. 
Figura 7 - Igreja Santa Maria del Fiore
 
A construção da cúpula da Igreja Santa Maria del 
Fiore exigiu estudos de geometria e estrutura. Fi-
lippo Brunelleschi estudou o Panteão e depois de-
senvolveu uma estrutura que pudesse apenas ser 
assentada sobre o tambor octagonal, integrando-se 
completamente à estrutura da igreja projetada por 
outro arquiteto (SANTOS, 2005). 
Além da arquitetura, a escultura teve notorie-
dade, mais especificamente devido a dois escul-
tores, Michelangelo e Verrochio. De acordo com 
Santos (2012), Andrea del Verrochio tem um tra-
balho minucioso na escultura. Ele começou como 
ourives, o que acabou por influenciar suas escultu-
ras, cujos detalhes são extremamente bem traba-
lhados. Em uma de suas esculturas, trabalhou de 
forma detalhada os arreios de um cavalo, mostran-
do sua maestria como ourives e escultor. A grande 
contribuição de Verrochio se deu por meio da ex-
pressão de volumes, assim como estudos para ex-
plorar luz e sombra. 
 DESIGN 
 59
Michelangelo trabalha suas esculturas com vi-
gor, estudando atentamente o corpo humano. Ele 
explora o equilíbrio dos membros, dos músculos, 
das veias e estuda as poses com cuidado. Contudo, 
Figura 8 - Davi e Pietá — Michelangelo 
ele se destaca ao trabalhar de maneira significativa a 
expressão facial de suas estátuas, não apenas a pose, 
mas o rosto revela sentimento. Essa é uma das gran-
des contribuições de Michelangelo. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
60 
Uma das grandes contribuições do Renascimento 
está na pintura. As principais características da pin-
tura desse período, segundo Janson e Leal (2001), 
são a perspectiva, o uso do claro e escuro e o realis-
mo. 
De acordo com Gombrich e Cabral (1999), esses 
elementos já foram dominados em outros períodos, 
mas a arte assumiu outras características, sendo es-
tes os elementos mais explorados no final da Idade 
Média e no Renascimento. Outra inovação é que 
nesse momento se desenvolve o estilo pessoal de 
cada artista e não apenas uma arte a serviço da Igre-
ja ou do Estado. Nesse momento, o artista se desen-
volve elaborando suas técnicas, estilo e criatividade. 
Cabe aqui destacar alguns dos nomes mais fa-
mosos do renascimento: Masaccio, Fra Angelico, 
Paollo Uccello, Piero della Francesca, Botticelli, Le-
onardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. Vejamos al-
gumas características de cada um deles. 
• Masaccio: primeiro pintor do século XV a 
conceber a pintura como imitação do real — 
realismo intenso. 
• Fra Angelico: herdeiro do realismo de Ma-
saccio, contudo acrescentou a seu trabalho 
uma tendência religiosa. Suas obras estão im-
pregnadas de um sentido místico. 
• Paollo Uccello: trabalha suas obras segundo 
os princípios da matemática. Seus temas são, 
em sua maioria, fantasias medievais. Sua con-
tribuição vem da fluidez do movimento.
• Botticelli: preocupava-se em expressar um 
ideal de beleza por meio do ritmo. Suas obras 
expressam beleza e melancolia; beleza por 
herdarem a graça divina e melancolia por te-
rem perdido essa graça. 
Figura 9 - Madona com o menino — Masaccio
Fonte: Santos (2005, p. 83).
 DESIGN 
 61
Figura 10 - Anunciação — Fra Angelico 
Figura 12 - A Ressurreição de Cristo – Piero della Francesca
Fonte: Santos (2005, p. 85).
Figura 11 - São Jorge e o Dragão - Paollo Uccello
Fonte: Santos (2005, p. 84).
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
62 
• Leonardo da Vinci: foi muito mais do que 
um simples pintor, estudou anatomia, urba-
nismo e ciência de uma forma geral. Na pin-
tura, se destacou por seus trabalhos com do-
mínio das técnicas de luz e sombras, dando 
dramaticidade e leveza aos temas que pintou.
• Michelangelo: Michelangelo também traba-
lhou na pintura de forma a expressar a per-
feição do corpo, seus movimentos, músculos 
e suavidade na composição. 
• Rafael: representou de forma exemplar os 
ideais clássicos de harmonia e regularidade 
dasformas e cores. Trabalhava com o equilí-
brio e a simetria para proporcionar regulari-
dade, ou seja, ordem e segurança. 
Figura 13 - A Primavera — Botticelli 
Fonte: Santos (2005, p. 87).
Estes são os pintores que mais se destacaram na Itá-
lia. Cabe destacar ainda que o Renascimento se es-
palhou para outros países, assumindo características 
variadas. Após o renascimento surge um movimen-
to chamado Maneirismo. Para Trindade:
O termo Maneirista foi usado por Vasari para 
designar a maneira individual do trabalho ar-
tístico. Bellori e Malvasia, no século XVII, liga-
ram esse conceito a um estilo afetado e trivial 
da arte, uma ruptura do classicismo renascen-
tista. Para alguns historiadores da arte, o Ma-
neirismo é o declínio do Renascimento ou a 
transição entre o Renascimento e o Barroco e, 
para outros, é um estilo artístico (TRINDADE, 
2007, p. 60). 
 DESIGN 
 63
Caro(a) aluno(a), o Maneirismo faz parte de um 
momento de transição, marcando o fim do Renas-
cimento e posteriormente a ascensão do Barroco e, 
Figura 14 - A Virgem dos Rochedos — Leonardo Da Vinci 
Fonte: Santos (2005, p. 88).
Figura 15 - A Criação do Homem — Michelangelo 
Fonte: Santos (2005, p. 89).
Figura 16 - A Escola de Atenas — Rafael 
Fonte: Santos (2005, p. 90).
em seguida, do Rococó. Após compreender como se 
expressava a arte no Renascimento, veremos, enfim, 
o Barroco e o Rococó. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
64 
Barroco e Rococó 
Caro(a) aluno(a), para darmos continuidade à Histó-
ria da Arte, veremos, neste tópico, o estilo Barroco e 
também o Rococó. Iniciemos pelo Barroco. De acor-
do com Trindade (2007), esse movimento se desen-
volveu na europa entre os anos de 1600 e aproxima-
damente 1730, ou seja, entre os séculos XVII e XVIII. 
“O significado do termo barroco é irregular, grotesco, 
deriva da palavra portuguesa que designava uma pé-
rola de formato irregular” (TRINDADE, 2007, p. 62). 
Assim como definição do termo que se refere a irre-
gularidades, o próprio movimento carrega consigo uma 
série de inquietações que irão se manifestar na arte. 
Santos (2012) ressalta que o momento de surgimen-
to do Barroco é marcado por uma série de conflitos, 
mais especificamente religiosos, pois a Igreja Católica 
passava por uma reforma com o intuito de restaurar a 
espiritualidade e combater a corrupção dentro da Igre-
ja. Portanto, há uma série de conflitos e o homem se 
sente dividido entre o terreno e o espiritual. 
Além disso, Janson e Leal (2001) destacam que 
nesse período houve o fortalecimento dos Estados 
Absolutistas, ou seja, dos reinos, do poder dos Reis 
e a estruturação de uma cultura e língua para cada 
país europeu. Assim sendo, o Barroco encontra um 
terreno propício para se propagar, sendo patrocina-
do pela Igreja e também pelos nobres e reis que de-
 DESIGN 
 65
sejavam expor seu poder e riqueza por meio da arte, 
seja na arquitetura, pintura ou escultura. 
De acordo com Santos (2005, p. 103), o Barroco
originou-se na Itália, mas não tardou a irradiar-
-se por outros países da Europa e a chegar tam-
bém ao continente americano, trazido pelos 
colonizadores portugueses e espanhóis. 
A autora prossegue afirmando que, ao se difun-
dir em diversos países, esse estilo adquiriu diferentes 
características, pois foi influenciado pela cultura de 
cada país. Contudo, existem várias características 
comuns que precisam ser destacadas, são elas: 
[...] as obras barrocas romperam o equilíbrio en-
tre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciên-
cia, que os artistas renascentistas procuram rea-
lizar de forma muito consciente; na arte barroca, 
predominam as emoções e não o racionalismo 
da arte renascentista (SANTOS, 2005, p. 103).
Em outras palavras, evidencia-se no Barroco a dra-
maticidade e a capacidade de expressão das obras de 
arte. Vejamos então como esse movimento se mani-
festou na arquitetura, escultura e pintura. 
Em termos gerais, a arquitetura barroca deixa 
de lado o racionalismo do Renascimento e trabalha 
com os exageros, o luxo e as curvas, havendo uma 
valorização dos efeitos decorativo. Isso também é 
válido para os arredores dos monumentos, pois os 
jardins, praças e demais ambientes externos são 
considerados como elementos integrantes da arqui-
tetura. Cabe salientar que a arquitetura barroca se 
voltou para a construção de palácios e igrejas, como 
destacam Gombrich e Cabral (1999). 
Um dos maiores exemplos da arquitetura barro-
ca é o Palácio de Versalhes, construído sobre o rei-
nado de Luís XIV. 
Figura 17 - Palácio de Versalhes 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
66 
Cabe destacar que o Barroco não preocupava-se 
apenas com a parte externa e a grandiosidade das 
construções, mas também com o interior, que deve-
ria ser ricamente trabalhado por meio da escultura 
e pintura. Os interiores da arquitetura barroca têm 
como característica a sobrecarga de elementos deco-
rativos, uso exagerado da cor dourada, uso de tons 
escuros e a pintura e a escultura se fundem com a 
arquitetura. Observe na figura a seguir o interior do 
Palácio de Versalhes, que serve como exemplo para 
a explicitação. 
Figura 18 - Interior do Palácio de Versalhes 
Figura 19 - A Glória de Santo Inácio 
Fonte: Santos (2005, p. 106).
A intenção do interior era expor a beleza da de-
coração e deixar o observador perplexo pela gran-
diosidade dos detalhes compostos pela fusão entre a 
pintura, arquitetura e escultura. Observe um exem-
plo na Figura 19. 
A intenção do interior era expor a beleza da de-
coração e deixar o observador perplexo pela gran-
diosidade dos detalhes compostos pela fusão entre a 
pintura, arquitetura e escultura. Observe um exem-
plo na figura a seguir. 
Em relação à escultura, Santos (2005) afirma que:
Havia nas esculturas renascentistas um equilí-
brio entre os aspectos intelectuais e emocionais. 
Já nas obras barrocas, esse equilíbrio desapare-
ce, dando lugar à exaltação dos sentimentos. As 
formas procuram expressar o movimento e re-
cobrem-se de efeitos decorativos. Predominam 
as linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso 
do dourado. Os gestos e os rostos das persona-
gens revelam emoções violentas e atingem uma 
dramaticidade desconhecida no Renascimento 
(SANTOS, 2005, p. 107).
O escultor e também arquiteto que mais se destacou 
foi Bernini. Uma de suas obras foi nomeada com 
um dos mais belos exemplares da arquitetura bar-
roca: Êxtase de Santa Teresa. Observe a escultura na 
Figura 20.
Além da escultura, a pintura também se desta-
cou, seja por meio de quadros ou complementan-
do cenários arquitetônicos em ambientes internos, 
como palácios e igrejas (TRINDADE, 2007).
 DESIGN 
 67
Figura 20 - Êxtase de Santa Teresa — Bernini 
A fusão entre a arquitetura, pintura e escul-
tura ocorria de tal forma no Barroco que, em 
muitos casos, era difícil separar ou mesmo 
visualizar onde termina um elemento e se 
inicia o outro. Essa é uma das características 
muito marcantes do Barroco.
Essa fusão não permitia a existência de espa-
ço abertos, sem decoração, vazios. A intenção 
é que todos os espaços internos fossem pre-
enchidos, teto, paredes, colunas. Assim sendo, 
esse estilo arquitetônico causava deslumbre 
devido ao excesso de informações e a falta de 
luminosidades, visto que não haviam espaços 
vazios para a propagação de luz. 
Assim, a pintura, em junção com entalhes e es-
culturas, criava um ambiente completamente 
diferente do externo, que era mais limpo. Em 
sua maioria o teto era preenchido com pintu-
ra e adornado com entalhes, enquanto que 
as colunas eram preenchidas por estátuas e 
entalhes. Os temas religiosos eram os mais 
utilizados nesse tipo de decoração. 
Fonte: Janson e Leal (2001). 
SAIBA MAIS
Santos (2005, p. 104) destaca que a pintura tem algu-
mas característica específicas, tais como: 
• O primeiro é a disposição dos elementos dos 
quadros, que sempre forma uma composição 
em diagonal. 
• As cenas representadas envolvem-se em 
acentuado contraste de claro-escuro, o que 
intensifica a expressãode sentimentos. 
• A pintura barroca é realista, mas a realidade 
que lhe serve de ponto de partida não é só a 
vida de reis e rainhas de cortes luxuosas, mas 
também a do povo simples.
Existem vários pintores representativos desse movi-
mento, mas merece destaque Caravaggio. Janson e 
Leal (2001) afirmam que o pintor buscava seus mo-
delos entre o povo, inovando ao retratar cenas que 
envolviam o cotidiano e não apenas a aristocracia. 
Ele revolucionou a pintura por trabalhar de forma 
inovadora a técnica de luz e sombra, não apenas 
como incidência de luz solar, mas como elemento 
que amplia a dramaticidade da pintura. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
68 
Figura 21 - Vocação de São Mateus 
Fonte: Santos (2005, p. 105).
O Barroco perdurou por quase um século e tem 
como característica marcante o exagero. Contudo, 
no início do século XVIII, veremos um processo de 
mudanças que levará ao surgimento do movimento 
Rococó. Janson e Leal (2001) afirmam que essa arte 
é voltada aos interesses da aristocracia e visava expor 
os ideais de uma sociedade fútil. O Rococó se de-
senvolveu aproximadamente entre os anos de 1710 
e 1780, influenciando as artes e também as formas 
de vestir. 
Com a morte de Luiz XIV, a corte francesa mu-
dou-se para Paris, onde uma aristocracia rica patro-
cinava uma grande quantidade de pintores e artis-
tas que se especializaram na produção de pequenos 
quadros que representavam a vida na corte, assim 
como pequenas estatuetas muito apreciadas como 
objetos decorativos (SANTOS, 2012). Portanto, 
A arte do Rococó refletia, portanto, os valores 
de uma sociedade fútil que buscava nas obras 
de arte algo que lhe desse prazer e a levasse a 
esquecer seus problemas reais. Os assuntos ex-
plorados pelos artistas deveriam ser as cenas 
graciosas, realizadas de tal forma que refletissem 
uma sensualidade sutil (SANTOS, 2005, p. 116). 
Com o intuito de promover o prazer por meio da 
arte, o Rococó desenvolveu um estilo particular na 
arquitetura, escultura e pintura. 
Na arquitetura, o Rococó se destacou na deco-
ração de interiores com uma proposta mais leve em 
relação ao Barroco. As salas e salões eram preferen-
cialmente ovais, com decoração suaves nas paredes, 
devido ao uso de ramos, folhas e flores, assim como 
pinturas leves em tons pastel e a presença de espe-
lhos (SANTOS, 2005). 
Podemos citar como exemplo da arquitetura Ro-
cocó o Petit Trianon. Um detalhes a se observar é 
que as entradas de luz são maiores, com grandes ja-
nelas, e o interior é mais iluminado e amplo. 
O Rococó dá continuidade ao Barroco em 
termos de arte, mas rompe com a dramati-
cidade e os exageros do movimento anterior, 
produzindo novos valores estéticos. 
REFLITA
 DESIGN 
 69
Figura 22 - Petit Trianon Figura 23 - Voltaire — Houdon. 
Fonte: Santos (2005, p. 121).
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
70 
No que se refere à escultura, destaca-se o fato de que 
o Rococó inovou ao produzir estátuas decorativas de 
porcelana em tamanhos variados, mas em sua maio-
ria eram pequenas peças decorativas para ambientes 
internos, como salas de músicas. Gombrich e Cabral 
(1999) destacam que essas peças eram muito apre-
ciadas devido ao seu pequeno tamanho, podendo 
ser colocadas em qualquer ambiente, como escritó-
rios, salas de música ou leitura. 
Figura 24 - O Balanço
Fonte: Santos (2005, p. 1116).
Contudo, Santos (2005, p. 121) enfatiza que o es-
tilo Rococó substituiu os
volumes que indicam o vigor e a energia bar-
rocos por linhas suaves e graciosas. A escultu-
ra, que se torna intimista, geralmente procura 
retratar as pessoas mais importantes da época.
Percebe-se, portanto, que a arte Rococó busca 
retratar o cotidiano dos aristocratas, ou seja, é uma 
arte voltada à satisfação das classes mais abastadas. 
Uma das obras mais famosas é a estátua de Voltaire, 
produzida por Houdon. 
Em se tratando da pintura, Trindade (2007) des-
taca que há grandes diferenças em relação ao bar-
roco. Veja a seguir as principais características do 
rococó descritas por Santos (2005); 
• desenvolvia temas mundanos, ambientados em 
parques e jardins ou em interiores luxuosos.
• As personagens não são mais de inspiração po-
pular, e sim membros de uma aristocracia ociosa 
que vive seus últimos tempos de fausto antes da 
Revolução Francesa.
• Desaparecem os contrastes radicais de claro-escu-
ro e passam a predominar as tonalidades claras e 
luminosas.
• A técnica do pastel passa a ser bastante utilizada, 
pois ela permite a produção de “certos efeitos de 
delicadeza e leveza dos tecidos, maciez da pele fe-
minina, sedosidade dos cabelos, luzes e brilhos” 
(SANTOS, 2005, p. 119).
Uma das obras que bem representa esse período é O 
Balanço, de Fragonard.
Cabe destacar alguns nomes importantes da 
pintura, que se desenvolveu por meio de pequenas 
obras, mas não menos expressivas. Os principais 
pintores do período foram Antoine Watteau (1684-
Marigleide
Realce
fausto1 (faus.to)

sm.

1. Luxo, pompa, ostentação, magnificência: "(...) o que funcionava como show eram os paramentos, o fausto da praça com aquele espaço todo e umas colunas de grossura exagerada (...)" (Pepetela, A geração da utopia))

[F.: Do lat. fastus.]

fausto2 (faus.to)

a.

1. Que denota felicidade, prosperidade (notícia fausta); DITOSO; AFORTUNADO; FAUSTOSO

[F.: Do lat. faustus.]
 DESIGN 
 71
Figura 25 - Retrato da Marquesa de Pompadour 
Fonte: Trindade (2007, p. 64).
1721), François Boucher (1703-1770) e Jean-Ho-
noré Fragonard (1732-1806), como afirma Trindade 
(2007). A autora prossegue afirmando ainda que: 
Todos atuaram na corte. Wateau caracterizou- 
se pelo gênero das fêtes galantes, que inventou. 
Esse gênero foi usado por Fragonard, o pintor 
etéreo do amor e da natureza. Boucher foi pro-
tegido de Madame Pompadour, realizando be-
los retratos da favorita do rei Luís XV dentro 
do espírito alegre, descontraído e sensual do 
Rococó (TRINDADE, 2007, p. 64). 
Observe, caro(a) aluno(a), o quadro Retrato da Mar-
quesa de Pompadour, que representa o Rococó.
Vemos, portanto, que cada pintor desenvolveu um 
estilo e inovou em algum aspecto, contudo, os temas 
de suas obras sempre se referiam a vida da aristocracia. 
Caro(a) aluno(a), percebemos, aqui, que há 
uma ruptura de valores estéticos entre o Barroco e 
o Rococó, e isso se repete quando há a emergência 
de novos movimentos artísticos. Espero que tenha 
apreciado a leitura. 
72 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, você teve contato com a arte que se desenvolveu 
desde a Idade Média até o século XVIII, ou seja, Renascimento, Barroco e Rococó. 
Cabe destacar aqui que, em cada um desses momentos históricos que deram ori-
gem às diversas manifestações artísticas, percebe-se um processo de rompimento 
com os padrões anteriores, assim como uma preocupação com a estética que foi se 
desenvolvendo de diferentes formas, em cada um dos estilos estudados, manifestan-
do-se na arquitetura, escultura, pintura e decoração. 
Na Idade Média, vemos o surgimento de uma arte cristã que já se manifestava no 
Império Romano e que amadurece ao longo do período medieval, com uma temática 
voltada à valorização da Igreja Católica. A arquitetura nesse período, assim como 
a pintura, se voltavam para a construção e decoração de Igrejas. Vemos, portanto, 
nesse período, os estilos românico e gótico que antecedem o Renascimento.
Com o fim da Idade Média, vemos a arte mudando de feições, não apenas as ques-
tões religiosas são o centro da arte, mas a vida nas cidades, assim como a vida de 
personalidades marcantes. O mecenato se desenvolve, proporcionando aos artistas a 
possibilidade de explorar a arte graças ao patrocínio de burgueses, nobres e reis. De-
vido a esse fato, veremos um grande desenvolvimento da arte em todos os sentidos.
Após o Renascimento, vemos o Barroco e, em seguida, o Rococó. O Barroco se 
opõe à racionalidade da arte renascentista e busca explorar a dramaticidade e o sen-
timento tanto na arquitetura quanto na pintura e escultura.Já o Rococó surge após 
o Barroco com outros valores estéticos, voltados a vida fútil da sociedade aristocrata. 
A arte desse movimento era mais leve e delicada em relação ao Barroco, tendo como 
função proporcionar prazer por meio da suavidade e delicadeza. 
Vemos, portanto, caro(a) aluno(a), que a arte expressa o estilo de vida de cada 
sociedade, os anseios e acontecimentos históricos que influenciam a vida cotidiana. 
Marigleide
Realce
 73
atividades de estudo
1. A arte cristã surgiu muito antes da Idade Média. Referente a essa arte, leia as 
afirmativas e marque a alternativa correta.
I. A arte cristã surgiu no momento em que os cristãos ainda eram perseguidos 
pelo Império Romano.
II. As manifestações de arte eram realizadas em igrejas e túmulos.
III. As manifestações artísticas, em sua maioria, eram pequenas pinturas realiza-
das em catacumbas, com adorno ao túmulo dos católicos.
IV. Esse tipo de arte era aceito pelos romanos, que também eram católicos, não 
havendo perseguição.
Marque a alternativa correta.
a. I, II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. I, II e IV estão corretas.
d. II, III, e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
2. No período medieval se desenvolveu a arte na civilização Bizantina e também 
na Europa Ocidental, cada qual com suas características. Leia as afirmativas e 
marque a alternativa correta.
I. O maior exemplar de arquitetura da civilização Bizantina é a Basílica de Santa 
Sofia.
II. Entre os séculos XI e XII desenvolveu-se o estilo românico. As principais carac-
terísticas desse estilo são: a utilização de abóbodas, pilares maciços, paredes 
espessas para dar sustentação e aberturas estreitas, como janelas.
III. As igrejas góticas eram consideradas “fortalezas de Deus” devido ao seu tama-
nho e solidez. A arte gótica se desenvolveu devido ao renascimento urbano-
-comercial e expressa o sentimento transcendental religioso.
IV. No que se refere à pintura gótica, houve uma preocupação com o realismo, 
sendo a temática religiosa a mais explorada.
74 
atividades de estudo
Marque a alternativa correta.
a. I, II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. I, II e IV estão corretas.
d. II, III, e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
3. O Renascimento refere-se a um período entre os séculos XIV e XVI que traz 
grandes mudanças na arte. A arquitetura renascentista apresenta diversas ca-
racterísticas. Quais são elas? 
4. Existiram vários pintores que se destacaram no período do Renascimento. Re-
lacione as colunas entre pintores e suas características e, em seguida, marque 
a sequência numérica correta.
1. Masaccio.
2. Fra Angelico.
3. Paollo Uccello.
4. Piero della Francesca.
5. Botticelli.
6. Leonardo da Vinci.
7. Michelangelo.
8. Rafael.
( ) Preocupava-se em expressar um ideal de beleza por meio do ritmo.
( ) Trabalhava suas obras segundo os princípios da matemática. Seus temas são, 
em sua maioria, fantasias medievais.
( ) Representou de forma exemplar os ideais clássicos de harmonia e regulari-
dade das formas e cores.
( ) Acrescentou a seu trabalho uma tendência religiosa, suas obras estão im-
pregnadas de um sentido místico.
( ) Primeiro pintor do século XV a conceber a pintura como imitação do real - 
realismo intenso.
 75
atividades de estudo
( ) Também trabalhou na pintura de forma a expressar a perfeição do corpo, 
seus movimentos, músculos e suavidade na composição.
( ) Trabalha suas obras com base na geometria, aproximando a figura humana 
dos padrões geométricos, representando detalhes do corpo e sua estrutura 
de forma imprescindível.
( ) Na pintura se destacou por seus trabalhos com domínio das técnicas de luz e 
sombras, dando dramaticidade de leveza aos temas que pintou.
Marque a alternativa correta.
a. 1- 3- 5- 7- 4- 2- 6- 8.
b. 5 -3 -8- 2- 1- 7- 4- 6.
c. 5- 4- 7- 2 -1- 8- 3- 6.
d. 1- 3- 7- 5 -4- 8- 6 -2.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
5. O Barroco se desenvolveu entre os anos de 1600 e aproximadamente 1750 e 
influenciou a arquitetura e a decoração de interiores. Sobre o Barroco, leia as 
alternativas e marque a opção incorreta.
a. Na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renas-
centista.
b. Em termos gerais, a arquitetura barroca deixa de lado o racionalismo do Re-
nascimento e trabalha com os exageros, o luxo e as curvas.
c. A intenção do interior era expor a beleza da decoração e deixar o observador 
perplexo pela grandiosidade dos detalhes compostos pela separação entre a 
pintura, arquitetura e escultura, que eram distribuídos em diferentes espaços, 
separados uns dos outros.
d. Na escultura barroca o equilíbrio desaparece, dando lugar à exaltação dos 
sentimentos. As formas procuram expressar o movimento e recobrem-se de 
efeitos decorativos.
e. Nenhuma das opções anteriores está correta.
6. A arte Rococó foi feita para uma determinada classe social, a aristocracia. Que 
valores refletia a arte Rococó?
76 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Como sugestão para leitura complementar e para que você, caro(a) aluno(a), vislumbre 
mais uma das vertentes onde a arte se manifesta, apresento-lhe este artigo que narra uma 
refl exão acerca do conteúdo Arte e Moda, assim você pode conhecer um pouco mais sobre 
a sinergia que acontece entre essas duas áreas.
ROUPA DE ARTISTA: A ROUPA COMO LINGUAGEM NA ARTE 
Resumo 
A Roupa de Artista, como linguagem artística, pode estabelecer interessantes conexões 
entre a moda e a arte. Apresentamos aqui uma breve refl exão em que buscamos compre-
ender de que forma a arte se apropria da roupa como objeto expressivo e como linguagem, 
e que tipos de diálogos podem ser estabelecidos pela arte por meio da Roupa de Artista.
Palavras-chave: Roupa de artista. Arte. Moda. Linguagens artísticas. 
[...]
A Roupa como linguagem da arte 
Muito se discute a respeito do que pode ser classifi cado como arte. Desde muito cedo, a 
estética e a fi losofi a da arte se ocupam dessa questão. Com os alargamentos sofridos pela 
arte, e com suas transversalidades, muitas confusões surgiram no momento em que obje-
tos de uso cotidiano adentraram as portas dos museus e ali se instalaram. Danto (2010, p. 
42, grifo do autor) chega a indagar-se: “afi nal, que tipo de predicado é “uma obra de arte?”. 
Afi rmar, hoje, que um objeto é ou não uma obra de arte acaba se tornando um verdadeiro 
desafi o, em um momento em que uma infi nidade de coisas podem ser chamadas de arte. 
Archer (2001, IX) sugere que, “quanto mais olhamos, menos certeza podemos ter quanto 
àquilo que, afi nal, permite que as obras sejam qualifi cadas como “arte”, pelo menos de um 
ponto de vista tradicional”. Enquanto alguns estudiosos continuam defendendo o caráter 
essencialmente espiritual e não utilitário da obra de arte, outros, como Danto e Ostrower, 
buscam revisar as teorias da arte, a fi m de adequá-las à nova realidade: 
 77
LEITURA
COMPLEMENTAR
Para ser arte, tem que ser linguagem. Qualquer ato pode ser 
signifi cativo. Por exemplo, uma bofetada. Mas não precisa ter 
signifi cado artístico. Para tanto, o conteúdo do ato teria que ser 
objetivado através de formas de linguagem, e comunicado, atra-
vés dessas mesmas formas (OSTROWER, 1999, p. 76).
Inserir a moda, ou mais especifi camente a roupa, como linguagem artística, nos coloca 
diante do desafi o de buscar seu espaço na arte. Mendonça (2006, p. 11, grifo do autor) 
comenta que “a criação do vestuário é forçosamente arte visual aplicada e, portanto, con-
fi gura uma linguagem artística”. Se considerarmos as ideias de Ostrower (1999, p. 197) 
quando afi rma que “o que determina o caráter artístico de uma imagem é a expressividade 
das formas de linguagem”, então estaremos mais perto de encontrar nosso denominador 
comum entre a arte e a moda. 
Fonte: adaptado de Basso, (2014). 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
78 
História da indumentária e da moda, Da Antiguidadeaos dias atuais
Bronwyn Cosgrave
Editora: GG Moda
Sinopse: a indumentária de cada cultura é um refl exo dos valo-
res de cada sociedade em sua época. Por funcionalidade, osten-
tação ou pura questão estética, o vestuário sempre serviu para 
comunicar o que, para a autora, é o verdadeiro signifi cado da 
moda: a manifestação da personalidade de cada indivíduo.
Com base em uma extensa pesquisa histórica, História da indumentária e da moda apre-
senta a indumentária e a evolução da moda desde os povos da Antiguidade aos grandes 
estilistas do século XX, e a indústria das marcas internacionais. Cada capítulo é ricamente 
ilustrado e aborda a indumentária e os costumes das culturas e dos períodos históricos mais 
representativos por meio de seu contexto histórico e do papel da mulher na sociedade em 
questão e descreve o vestuário de homens e mulheres e os tecidos utilizados, além de cha-
péus, acessórios de cabeça, penteados, maquiagem, perfumes e demais cuidados pessoais.
Comentário: o livro nos apresenta a história da Arte e da indumentária de modo objetivo, 
em que as divisões do conteúdo nos posiciona a cerca de elementos, como o papel da mu-
lher nas diferentes civilizações, o papel do homem ainda o contexto histórico, bem como a 
indumentária e os pontos sobre as manifestações sociais e artísticas.
Maria Antonieta
Idalberto Chiavenato, Arão Sapiro
Ano: 2005
Sinopse: a princesa austríaca Maria Antonieta (Kirsten Dunst) é en-
viada ainda adolescente à França para se casar com o príncipe Luis 
XVI (Jason Schwartzman), como parte de um acordo entre os países. 
Na corte de Versalles, ela é envolvida em rígidas regras de etique-
ta, ferrenhas disputas familiares e fofocas insuportáveis, mundo 
em que nunca se sentiu confortável. Praticamente exilada, decide criar um universo à parte 
dentro daquela corte, no qual pode se divertir e aproveitar sua juventude. Só que, fora das 
paredes do palácio, a revolução não pode mais esperar para explodir.
Comentário: excelente estudo sobre arquitetura, arte, pintura e indumentária da época, 
além de uma visão única sobre a corte, bem como seus costumes.
 DESIGN 
 79
Como vimos nesta unidade, há uma continuidade das manifestações artísticas desde a re-
nascença até a atualidade e, por isso, prosseguimos também com o documentário. Assista a 
continuidade de História da Arte — Das Origens ao Legado Grego (PARTE II).
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=UkD-CgyXYIM>.
80 
referências
BASSO, A. T. Roupa de Artista: a roupa como linguagem na arte. 10. Colóquio de 
moda - 7. edição Internacional, 1. Congresso Brasileiro de Iniciação Científica em 
Design e Moda, 2014. Disponível em: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/
anais/10-Coloquio-de-Moda_2014/ARTIGOS-DE-GT/GT08-MODA-e-TERRITO-
RIO-DE-EXISTENCIA-processos-de-criacao-e-subjetivacao/GT-8-ROUPA-DE-
-ARTISTA-A-ROUPA-COMO-LINGUAGEM-NA-ARTE.pdf> Acesso em: 25 set. 
2017.
BAUMGART, F. Breve história da arte. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
CHENEY, S. História da arte. Sao Paulo: Rideel, 1995.
COSGRAVE, B. História da indumentária e da moda: Da antiguidade aos dias atu-
ais. Barcelona: GG moda, 2012.
GOMBRICH, E. H.; CABRAL, Á. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 
1999.
JANSON, H. W.; JANSON, A. F. Iniciação a história da arte. 2. ed. São Paulo: Mar-
tins Fontes, 1996.
JANSON, H. W.; LEAL, M. B. História geral da arte: renascimento e barroco. 2. ed. 
São Paulo: Martins Fontes, 2001.
READ, H. Arte e alienação: o papel do artista na sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 
1983.
SANTOS, M. G. V. P. História da arte. 16. ed. São Paulo: Ática, 2005.
_____. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2012.
STRICKLAND, C.; BOSWELL, J. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. 
15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.
TRINDADE, S. História da Arte. Bahia: Faculdade de Tecnologia e Ciências, 2007.
 81
gabarito
1. b
2. c
3. A busca de uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude 
do espaço das catedrais góticas. Na arquitetura renascentista, a ocupação do 
espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal 
forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer 
ponto em que se coloque. 
4. b
5. c
6. A arte do Rococó refletia, portanto, os valores de uma sociedade fútil que bus-
cava nas obras de arte algo que lhe desse prazer e a levasse a esquecer seus 
problemas reais. Os assuntos explorados pelos artistas deveriam ser as cenas 
graciosas, realizadas de tal forma que refletissem uma sensualidade sutil.
Professora Dra. Paula Piva Linke 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Impressionismo e Pós-impressionismo 
• Arte Moderna
• Arte Pós-moderna 
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar as características do Impressionismo e Pós-
impressionismo, que deram espaço a Arte Moderna.
• Apresentar os movimentos que fazem parte da Arte 
Moderna e seus artistas. 
• Apresentar os movimentos que fazem parte da arte Pós-
moderna e seus artistas.
ARTE NO SÉCULO XIX E XX
III
unidade
INTRODUÇÃO
Olá caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à terceira Unidade do livro de 
História da Arte e do Design. O objetivo desta unidade é o de conhecer-
mos um pouco mais sobre o período e os movimentos que deram origem 
à Arte Moderna e Pós-moderna, ou seja, a partir dessa distinção pode-
mos entender a arte contemporânea, que faz parte da nossa realidade, 
principalmente a arte do século XX.
Iniciaremos nossos estudos com o Impressionismo e o Pós-impres-
sionismo, pois esses movimentos proporcionam uma quebra dos padrões 
estéticos anteriores, possibilitando aos artistas maior liberdade criativa. 
Em seguida, veremos a Arte Moderna, como ela se desenvolveu, quais 
movimentos artísticos estão ligados a ela e quais os maiores representan-
tes desses movimentos. Você vai perceber que, a partir da Arte Moderna, 
os movimentos são muito mais rápidos e dinâmicos, não há uma ruptura 
temporal muito definido, mas sim uma ruptura estética mais forte. Os 
movimentos da Arte Moderna estão, em sua maioria, associados ao sé-
culo XX até os anos de 1950 ou 1960.
Em se tratando da arte Pós-moderna, veremos o que ela implica, o 
que significa e como se relaciona com o contexto histórico em que está 
inserida, como se manifesta e quais as vanguardas ou tendências artísti-
cas que estão relacionadas a esse movimento. 
Pode-se dizer, caro(a) aluno(a), que o final do século XX, que marca 
o surgimento da arte Pós-moderna, marca justamente um processo de 
aceleração da vida, da tecnologia, da produção do conhecimento e vá-
rios estilos estéticos que se manifestaram ao mesmo tempo, sem que um 
único estilo fosse absolutamente dominante. Isso significa que veremos 
diferentes artistas inovadores e criativos, com personalidades fortes e es-
tilos únicos. 
Finalizaremos a História da Arte para, então, darmos continuidade 
ao tema Design. Espero que aprecie a leitura.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
86 
Impressionismo e 
Pós-Impressionismo 
Caro(a) aluno(a), após o Rococó, temos ainda mo-
vimentos artísticos que se desenvolveram nos sécu-
los XVIII e XIX e que vão preparar as bases para o 
Impressionismo. Estamos falando dos estilos Neo-
clássico, Romantismo e Realismo. Todos esses mo-
vimentos ocorreram em um curto espaço de tempo, 
em média um século, ou pouco menos de 100 anos. 
Contudo, como afirma Trindade (2007), é a partir 
do século XX que veremos uma ruptura maior na 
arte, por meio do Impressionismo, movimento que 
se inicia no final do século XIX e vai influenciar 
drasticamente o século XX. 
Além do Impressionismo, veremos também o 
Pós-impressionismo, para então entender como se 
desenvolveu a Arte Moderna e também a Pós-mo-
derna, ou seja, como os padrões artísticos se altera-
ram mais drasticamente no século XX, como desta-
ca Trindade (2007). 
 DESIGN 
 87
O Impressionismo foi um movimento que se 
desenvolveu entre os séculos XIX e XX, aproxima-
damente entreos anos de 1850 e 1900, contudo, no 
período de seu nascimento não foi muito bem acei-
to, sendo bastante criticado devido a intensa ruptu-
ra com os padrões estéticos anteriores. Esse movi-
mento se desenvolveu densamente na pintura, onde 
podemos ver diversos pintores desenvolvendo uma 
nova perspectiva estática (TRINDADE, 2007). 
Santos (2005) ressalta que esse movimento se 
desenvolveu de maneira bastante particular, não ha-
vendo uma escola ou técnicas para a pintura, mas 
sim uma série de regras que deveriam ser seguidas 
como o intuito de produzir um pintura impressionis-
ta. Veja a seguir a lista de indicações para os pintores:
• A pintura deve registrar as tonalidades que os 
objetos adquirem ao refletir a luz solar num 
determinado momento, pois as cores da na-
tureza se modificam constantemente, depen-
dendo da incidência da luz do sol (SANTOS, 
2005, p. 140). 
• As figuras não devem ter contornos nítidos, pois 
a linha é uma abstração do ser humano para re-
presentar as imagens (SANTOS, 2005, p. 140). 
• As sombras devem ser luminosas e coloridas, 
tal como é a impressão visual que nos cau-
sam, e não escuras ou pretas, como os pin-
tores costumavam representá-las no passado 
(SANTOS, 2005, p. 140). 
• Os contrastes de luz e sombra devem ser 
obtidos de acordo com a lei das cores com-
plementares. Assim, um amarelo próximo a 
um violeta produz uma impressão de luz e 
de sombra muito mais real do que o claro-es-
curo, tão valorizado pelos pintores barrocos 
(SANTOS, 2005, p. 140). 
• As cores e tonalidades não devem ser obtidas 
pela mistura das tintas na paleta do pintor. 
Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas 
nos quadros, em pequenas pinceladas. É o 
observador que, ao admirar a pintura, com-
bina várias cores, obtendo o resultado final. 
A mistura deixa, portanto, de ser técnica para 
ser óptica (SANTOS, 2005, p. 140). 
Assim como Santos (2005), Janson e Leal (2001) 
destacam que essas regras eram a base para a elabo-
ração de qualquer obra impressionista, destacando-
-se uma série de pintores, dentre eles podemos citar: 
Claude Monet (1840-1926), Pierre Auguste Renoir 
(1841-1919), Edgar Degas (1834-1917) e Auguste 
Rodin (1840-1917). Vejamos, a seguir, como se deu 
o trabalho de cada um desses pintores. 
Santos (2012) destaca que Claude Monet (1840-
1926) era um verdadeiro observador que exercia seu 
ofício por meio do trabalho com pincéis e tintas ao 
observar a luz e como ela incidia sobre diferentes 
ambientes ou um mesmo ambiente. 
Sua temática eram as paisagens, que se torna-
vam o mote para o seu foco principal: a luz. As 
suas séries retratam as paisagens em diferentes 
momentos de iluminação (TRINDADE, 2007, 
p. 69).
Figura 1 - Mulheres no Jardim de Monet
Fonte: Santos (2005, p. 141). 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
88 
Além de Monet, também se destaca Pierre Auguste 
Renoir (1841-1919), que se preocupava em pintar pai-
sagens urbanas de pessoas em movimento. Sua preo-
cupação era a de pintar, como destacam Janson e Leal 
(2001), a alegria de viver, ou seja, o jogo de luzes e 
sombra expressa vivacidade em suas obras (Figura 2).
Já Edgar Degas (1834-1917) trabalha o Impres-
sionismo de forma diferente dos outros artistas. Se-
gundo Trindade (2007):
Figura 2 - La Grenoutlliere — Renoir
Fonte: Santos (2005, p. 142). 
Figura 3 - O Ensaio — Degas 
Fonte: Santos (2005, p. 143).
Figura 4 - O Beijo — Auguste Rodin
Fonte: Trindade (2007, p. 70).
Seu objetivo é capturar o momento de um mo-
vimento. O teatro e a dança o fascinam, utili-
zando cenas desses como referências figurativas 
em seu trabalho. Diferentemente dos demais 
impressionistas, trabalhava em estúdio e não ao 
ar livre (TRINDADE, 2007, p. 70).
O que vemos, portanto, é que esses pintores desen-
volviam suas técnicas de acordo com seus gostos 
pessoais. No caso de Degas, seu objeto era o movi-
 DESIGN 
 89
mento em si, cujos temas envolvem bailarinas e ca-
valos. Veja uma de suas obras na Figura 3. 
Apesar de o Impressionismo ter se desenvolvido 
de forma mais intensa na pintura, há que se desta-
car o trabalho de Auguste Rodin (1840-1917), que 
se volta para a escultura. O artista obtém excelentes 
resultados buscando capturar, de forma tridimen-
sional, um determinado movimento humano. Trin-
dade (2007) afirma que sua obra mais significativa 
foi a escultura “O beijo” (Figura 4). 
Os pinotes citados até o momento trouxeram 
novos olhares para a arte, mas este era apenas o 
começo. Entre os anos de 1886 e aproximadamente 
1908, quando se dá o surgimento do Cubismo, vere-
mos um novo momento do Impressionismo, ou seja 
o Pós-impressionismo (SANTOS, 2012). 
Para Gombrich e Cabral (1999), esse movimen-
to chamado de pós-impressionista foi uma busca de 
inovação na arte percorrida por artistas que busca-
vam novas formas de expressão. 
Assim sendo, Janson e Leal (2001) afirmam que 
essa expressão pós-impressionista:
[...] designa um grupo de artistas que, tendo 
passado por uma fase impressionista, se sen-
tiram insatisfeitos perante as limitações do es-
tilo e o ultrapassaram em diferentes direções. 
Como não partilhavam um objetivo comum, 
torna-se difícil encontrar para eles um termo 
mais descritivo que o de Após-Impressionismo. 
Em todo caso, não eram ‘anti-impressionistas’. 
Longe de tentarem desfazer os efeitos da ‘Revo-
lução de Manet’, quiseram, pelo contrário, levá-
-la mais além. O Após-Impressionismo é uma 
fase mais tardia do movimento que começara 
na década de 1860 com quadros como o Déjeu-
ner de Manet (JANSON; LEAL, 2001, p. 149).
O que Janson e Leal (2001) descrevem, e Santos 
(2005) e Trindade (2007) enfatizam, reforça a ideia 
de que o Pós-impressionismo foi uma continuida-
de do Impressionismo, como o objetivo de romper 
barreiras e levar o movimento a um outro patamar. 
Podemos citar como representantes desse movi-
mento Paul Cézanne (1839-1906), Vicent Van Gogh 
(1853-1890) e Eugène-Henri-Paul Gauguin (1848-
1903). 
Para Janson e Leal (2001), muitos pintores que 
se destacaram no Pós-impressionismo foram tam-
bém precursores do Cubismo, pois já buscavam uma 
simplificação baseada em formas geométricas, como 
é o caso de Paul Cézanne, que tem a natureza morta 
como um de seus temas prediletos. Esse pintor tra-
balha com volume e cores essenciais, ressaltando os 
contornos em preto. 
Figura 5 - Madame — Cézanne 
Fonte: Santos (2005, p. 147).
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
90 
Já Vicent Van Gogh desenvolveu um aspecto bas-
tante particular na pintura relacionado a cor. Para 
Gombrich e Cabral (1999), esse pintor desenvolve 
na cor uma estrutura conturbada e emocional. Em 
suas obras, as cores primárias são predominante-
mente fortes, especialmente o amarelo. As cores 
permanecem sobre as formas, sendo trabalhadas 
por meio de pinceladas pequenas e dinâmicas que, 
unidas, compõem a cena. 
Eugène-Henri-Paul Gauguin realizou um traba-
lho sobre a inspiração do romantismo. Inicialmen-
te, buscou paisagens campestres se concentrando 
no Taiti. Sua obra preocupa-se com a cor: “forte e 
vibrante é a essência de sua obra. Suas formas são 
simples, sintéticas, estáticas, suas cores chapadas, a 
Figura 6 - Os Comedores de Batata — Van Gogh 
Fonte: Santos (2005, p. 149).
perspectiva e o volume são descartados” (TRINDA-
DE, 2007, p. 72).
Vê-se, portanto, que esse pintor realizava seus tra-
balhos de forma simplificada sem, no entanto, deixar 
a expressividade e o trabalho com a cor tornar suas 
peças irrelevantes, pelo contrário, a harmonia entre a 
composição, as cores e os traços é fundamental. 
No Pós-impressionismo, vimos que todos os 
pintores estão em fase de experimentação e que a 
forma e a cor são os temas centrais, ora priorizando 
um, ora o outro (SANTOS, 2005).
A partir do Pós-expressionismo, veremos uma 
série de movimentos artísticos que se desdobram 
e vão dar início ao que se chama de arte moderna, 
tema de nosso próximo tópico. 
 DESIGN 
 91
Figura 7 - Jovens Taitianas com Flores de Manga — Gauguin
Fonte: Santos (2005, p. 146).Van Gogh teve diferentes fases em sua pin-
tura e acabou por influenciar movimentos, 
como Expressionismo, o Fauvismo e o início 
do Abstracionismo. Contudo, apesar de ter 
uma grande produção artística, morreu sem 
ser reconhecido pelos críticos ou mesmo pe-
las reformas na estética que pretendia fazer.
Esse pintor participou de diversos movimen-
tos, o que expressa as contribuições de sua 
arte, mas como ocorreu em muitos outros 
casos, as ideias e novas estéticas propostas 
por ele não foram aceitas de imediato e sua 
arte foi reconhecida muito tempo após a sua 
morte. 
Esse é um fato comum para a maioria dos 
grandes artistas, sejam eles da renascença 
ou da arte moderna. Normalmente, quando 
surge um novo valor estético o mesmo não 
é aceito com facilidade e seus precursores 
não são bem vistos, e somente anos após 
sua morte é que o valor de seu trabalho é 
reconhecido. 
Fonte: Santos (2012). 
SAIBA MAIS
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
92 
Arte Moderna
 DESIGN 
 93
O século XX traz transformações marcantes para o 
mundo da arte, principalmente devido ao processo 
de industrialização que vinha ocorrendo desde o sé-
culo XX, assim como uma busca constante por di-
versos artistas em desenvolver uma ruptura com os 
valores academicistas e promover o desenvolvimen-
to do novo, de uma arte que acompanhasse as novas 
configurações do mundo (AGRA, 2004). 
Assim sendo, o conceito de Arte Moderna en-
globa um período referente aos anos de 1890 a 1950, 
aproximadamente. Período esse marcado por uma 
intensa produção artística e cultural diversificada 
que se desenvolveu ao longo de apenas 560 anos 
(DEMPSEY; MOURA, 2005). 
No século XX, aconteceu o surgimento e tam-
bém a morte de diversas ideologias políticas. Pode-
mos entender que esse século marcou grandes ino-
vações e transformações, nas mais variadas áreas, 
como, por exemplo, a solidificação do cinema e da 
televisão. Além de que esse século foi, realmente, de 
suma importância, porque nele várias pessoas im-
portantes passaram a fazer sua história. As contradi-
ções e complexidades do século XX tornaram-se um 
rico território para a criação de novas considerações 
na área das artes. 
Portanto, podemos citar como movimentos re-
levantes para o período: Art nouveau (1880/1890-
1914), Fauvismo (1905-1907), Cubismo (1907-
1914), Futurismo (1909-1914), Expressionismo 
(1905-1930), Dadaísmo (1916-1921) e Surrealismo 
(1924- ) (DEMPSEY; MOURA, 2005). 
Dentre os movimentos aqui citados, percebemos 
que muitos deles se desenvolveram simultaneamente 
em termos temporais, o que indica a intensidade da 
produção artística do início desse século. Para me-
lhor compreensão desses movimentos, veremos com 
mais detalhes o Art Nouveau (1880/1890-1914), o 
Cubismo (1907-1914), Expressionismo (1905-1930) 
e o Surrealismo (1924- ) enquanto que o restante dos 
movimentos serão apresentados mais brevemente. 
Iniciamos nossos estudos com o Movimento 
Art Noveau (1880/1890-1914), que se desenvolveu 
na virada do século XIX para o século XX e não só 
marca um processo de transição entre temporal, mas 
também uma preocupação entre a junção da arte e 
da indústria (STRICKLAND; BOSWELL, 2014). 
Esse movimento se voltou para as artes decora-
tivas e se desenvolveu em Paris em uma galeria de 
exposições, marcando o apogeu da Europa, período 
de grande prosperidade, conhecido como Belle Épo-
que (1880-1914). 
Esse movimento, também conhecido como Arte 
Nova, se desenvolveu na decoração de interiores, 
arquitetura, produção de objetos decorativos, assim 
como na pintura e escultura. Observe, a seguir, as 
principais características desse movimento:
• Foi um estilo internacional eminentemen-
te decorativo, um estilo para a vida cotidia-
na moderna.
• Baseia-se na natureza, nas formas orgâni-
cas, principalmente vegetais, concebidas 
em linhas sinuosas e assimétricas e cores 
frias, tons pastéis.
• É uma apologia à beleza, à ornamental gra-
ciosa, delicada, integrada. Pretende-se in-
tegrar as formas orgânicas à vida humana 
moderna.
• Materiais como o vidro e o ferro ganham 
nova vida.
• As artes manuais, artesanais são valoriza-
das (TRINDADE, 2007, p. 73).
Os elementos ligados ao Art Noveau têm a preocu-
pação de trabalhar de forma delicada e integrada o 
decorativo, a estrutura dos objetos ou mesmo de uma 
obra arquitetônica (GOMBRICH; CABRAL, 1999). 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
94 
Em termos de arquitetura, esse movimento bus-
cou trabalhar a integração de diferentes materiais, e 
o ferro tornou-se não apenas um suporte, mas um 
material decorativo muito empregado em janelas, 
lustres, corredores e demais lugares onde pudesse 
ser empregado. Santos (2012) destaca que a suavida-
de, as cores leves e as curvas foram muito empregas 
na arquitetura interior e exterior. 
Figura 8 - Janela no estilo Art Noveau e casa Tesel — Bélgica (1903) 
Fonte: Trindade (2007, p. 73). 
Cabe destacar ainda que: 
As esculturas Art Nouveau são elegantes e mo-
vimentadas, orientando-se pela curva sinuosa. 
Não há, contudo, grandes obras, pois o seu ca-
ráter é eminentemente ornamental e inserem-
-se no programa arquitetônico ou decorativo 
(TRINDADE, 2007, p. 73).
Esse movimento, portanto, se baseia na união da 
arte decorativa e de diversos elementos arquitetôni-
cos, com o objetivo de produzir uma arte mais in-
dustrializada voltada à contemplação do belo. 
Em sequência vem o Fauvismo (1905-1907), es-
cola que utilizava de cores vibrantes e iniciou a re-
dução da linguagem da pintura aos essenciais: cor, 
forma e pincelada. “Esse curto movimento artístico 
da pintura, entre 1905 e 1907, nasceu na França. Sua 
denominação deve-se ao termo “fauve”, fera selva-
gem em francês” (TRINDADE, 2007, p. 74). 
O Cubismo (1907-1914) foi um movimento de 
grande impacto para a pintura, foi inspirado por 
Cézanne e tem por objetivo a desconstrução da re-
alidade por meio de formas geométricas, como afir-
ma Santos (2012). 
Esse movimento artístico foi iniciado em Paris e 
pregava a substituição das representações do espaço 
tridimensional, da perspectiva, pelo uso faz peque-
nas formas decompostas e geometrizadas em obser-
vação a uma obra.
Esse movimento tem duas correntes distintas, o 
Cubismo Analítico e Sintético. 
• O Cubismo Analítico foi desenvolvido por 
Picasso e Braque, aproximadamente entre 
1908 e 1911. Esses artistas trabalharam com 
poucas cores — preto, cinza e alguns tons de 
marrom e acre —, já que o mais importante 
para eles era definir um tema e apresentá-lo 
 DESIGN 
 95
de todos os lados, simultaneamente. Levada 
às últimas consequências, essa tendência che-
gou a uma fragmentação tão grande dos se-
res, que tornou impossível o reconhecimen-
to de qualquer figura nas pinturas cubistas 
(SANTOS, 2005, p. 154).
• Cubismo Sintético. Basicamente, essa ten-
dência procurou tornar as figuras novamente 
reconhecíveis. Mas, apesar de ter havido uma 
certa recuperação da imagem real dos obje-
tos, isso não significou o retorno a um trata-
mento realista do tema. O Cubismo Sintético 
foi chamado também de Colagem porque 
introduziu letras, palavras, números, pedaços 
de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros 
nas pinturas (SANTOS, 2005, p. 155).
Esses dois estilos do Cubismo provocaram gran-
des transformações na arte, sendo seu precursor o 
espanhol Pablo Picasso (1881-1973), pioneiro do 
Cubismo.
Pablo Picasso (1881-1973), tendo vivido 92 
anos e pintado desde muito jovem, até pró-
ximo à sua morte, passou por diversas fases. 
Entretanto, são mais nítidas a fase azul (1901-
1904), que representa a tristeza e a melanco-
lia dos mais pobres; para essa fase as cores 
mais usadas eram o azul e o verde azulado, 
além de outros tons mais escuros. A fase 
rosa (1905-1907) se refere a uma fase mais 
alegre em que pinta acrobatas e arlequins 
com cores leves e alegres com variações de 
rosa e laranja. As obras que mais se destacam 
desse pintor se referem ao Cubismo, onde 
trabalhou as formas geométricas de modo a 
construir diversas figuras.Fonte: Santos (2005, p. 156).
SAIBA MAIS
Seu primeiro quadro cubista foi Les Demoiselles 
d’Avignon, de 1907, que pode ser observado na 
Figura 9. 
Observa-se que a obra é composta por diver-
sas faces geométricas e que não possui formas mais 
definidas, imitando uma imagem de caleidoscópio 
ou um espelho quebrado. A desconstrução real da 
figura e sua construção por meio dessas formas ge-
ométricas, assim como o jogo de tons claros e es-
curos, ainda permite observar profundidade e tri-
dimensionalidade. 
Depois do Cubismo, temos ainda o Futurismo 
(1909-1914), movimento dirigido para o futuro, 
cravando o aniquilamento da arte anterior, impres-
Figura 9 - Les Demoiselles d’Avignon — Pablo Picasso (1907)
Fonte: Santos (2005, p. 156). 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
96 
Figura 10 - O Grito
Fonte: Santos (2005, p. 152).
 DESIGN 
 97
sionista, naturalista. Cultuava a mudança, a inven-
ção, a velocidade, a produção e a máquina. Esse 
movimento artístico e literário nasceu na Itália, em 
1909, tendo como objetivo 
representar a realidade em movimento, o mo-
mento em ação, colocando o espectador no 
centro da obra. Era uma influência da nova 
sociedade do automóvel, da velocidade (TRIN-
DADE, 2007, p. 74). 
Outro movimento que veio a trazer grandes rom-
pimentos foi o Expressionismo (1905-1930). Esse 
movimento artístico é marcado pela insatisfação, por 
um desespero, por uma angústia perante a realidade 
que é transmitida às telas por meio de formas e cores 
fortes que causam grande impacto ao observador. 
O Expressionismo carregava consigo a essência 
de uma sociedade que entrava em uma crise exis-
tencial, onde a tecnologia e a barbárie começavam 
a aparecer. Para Santos (2005, p. 152), esse movi-
mento “procurou expressar as emoções humanas e 
interpretar as angústias que caracterizam psicologi-
camente o homem do início do século XX”.
O movimento traz a tona reflexões existenciais e o 
lado obscuro do ser humano, o egoísmo, a individuali-
dade e arrogância, que são traduzidos em cores, linhas 
e formas que expressam nitidamente esses elementos. 
O precursor do movimento foi o pintor Edvard 
Munch, que em sua famosa obra “O Grito” conse-
guiu expressar uma profunda angústia e desespero. 
Isso se deu por meio da utilização de pinceladas 
curvas e distorção dos objetos por meio delas; assim 
como o contraste em cores frias e quentes e a expres-
são contida na figura humana representada na tela 
criam um cenário de completo desespero e angústia. 
Observe, caro(a) aluno(a), na Figura 10.
Observamos que cada um desses movimentos têm 
suas inquietações e que elas se ampliam com o pas-
sar do anos. Assim como o Expressionismo demons-
trava inquietação por meio dos sentimento, o Dada-
ísmo (1916-1921), que nasceu durante a 1º Guerra 
Mundial (1914-1918), é fruto da falta de sentido que 
se abateu na Europa nesse período. Eles vão de en-
contro aos princípios construtivos da antiga ordem, 
baseada no racionalismo e na lógica.
Assim, eles adotam a desordem, o caos, a incoe-
rência, o absurdo, o ilógico. Seu objetivo era chocar, 
foi um movimento literário e artístico de amplitude 
internacional, que cultuava, basicamente, o desejo de 
revolucionar ideias tradicionais (TRINDADE, 2007).
Contudo, é no Surrealismo (1924 - ) que veremos 
uma ruptura bastante forte e o nascimento de uma 
arte com o intuito de buscar novos caminhos sob a 
influência do Dadaísmo. Além dessa influência, ve-
remos a desconstrução cubista e o expressionismo se 
aliando para dar origem a algo novo (AGRA, 2004). 
Cabe destacar ainda que o Surrealismo é muito mais 
complexo e carrega consigo outras influências que 
não somente a artística, mas sim aquelas que vêm dos 
estudos dos sonhos, de Freud, da psiquiatria que co-
meça a se desenvolver no período. Portanto, o Surre-
alismo carrega consigo essa influência do sonho, do 
surreal, do inconsciente, como destaca Agra (2004). 
Para os surrealistas, as obras de arte assumem 
características distintas. Santos (2005) enumera al-
guns prontos importante, vejamos: 
• A obra de arte não é o resultado de mani-
festações racionais e lógicas do consciente;
• As obras de arte são as manifestações do 
subconsciente, absurdas e ilógicas, como as 
imagens dos sonhos e das alucinações, que 
produzem as criações artísticas mais inte-
ressantes;
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
98 
• Às vezes são as manifestações do subcons-
ciente, absurdas e ilógicas, como as ima-
gens dos sonhos e das alucinações, que 
produzem as criações artísticas mais inte-
ressantes (SANTOS, 2005, p. 166).
Ao lermos esses três pontos, observamos que as 
obras surrealistas são permeadas por duas caracte-
rísticas básicas, a realidade e o sonho, que são traba-
lhados de forma a coexistirem e criarem um cenário 
inexistent, mas que leva a indagações contextuais 
sobre suas mensagens implícitas.
De acordo com Trindade (2007), o espanhol 
Salvador Dali (1904-89) foi um dos pintores que 
mais se destacou nesse movimento. Ele criou o con-
ceito de “paranóia crítica” para referir-se à atitude 
de quem recusa a lógica que rege a vida comum das 
pessoas. Segundo o próprio pintor, é preciso “con-
tribuir para o total descrédito da realidade” (SAN-
TOS, 2005, p. 166). 
Assim sendo, suas obras carregam sempre ilusões 
de ótica e mesmo figuras com múltiplas interpreta-
ções. Observe algumas das obras de Salvador Dali.
Figura 11 - A Persistência da Memória e Galatéia 
Fonte: A lista de Lucas (2012, on-line)1 .
 DESIGN 
 99
O Surrealismo abriu as portas para o irreal e a ima-
ginação; assim, a arte passou a expressar muito mais 
do que valores estéticos, mas confrontações, pro-
blemas sociais e também o desenvolvimento que se 
dava em meados do século XX. Portanto, o Surrea-
lismo foi um movimento literário e artístico carac-
terizado pela expressão espontânea e automática do 
pensamento, ditada apenas pelo inconsciente, glori-
ficava a prevalência incondicional do sonho e prega-
va a renovação de valores morais, políticos, científi-
cos e filosóficos.
O Surrealismo propunha uma renovação e uma 
libertação de padrões artísticos. Era uma arte mais 
autoral e se estendeu até o início da Segunda Guerra 
Mundial, que trouxe mudanças significativas no es-
tilo de vida das pessoas. Entre os anos 1939 e 1945, 
momento que acontecia a Guerra, foi um período de 
ruptura que influenciou a arte drasticamente. 
O que vemos, aqui, caro(a) aluno(a), é um pro-
cesso de constante transformações no que entende-
mos por arte e o surgimento de novos valores estéti-
cos e culturais que afetam a forma como entendemos 
o que é arte e como ela se manifesta. Vejamos, a se-
guir, como é arte contemporânea ou Pós-moderna. 
Acontecimentos históricos acabam por im-
pactar sobre as expressões artísticas, promo-
vendo rupturas ou continuidades e levando 
a novos padrões estéticos.
REFLITA
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
100 
Arte Pós-Moderna 
A Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças sig-
nificativas ao estilo de vida da sociedade, e com elas 
ocorreram uma série de questionamentos e uma 
vida voltada ao consumo, à produção, ao progresso 
e tudo que adivinha com eles. 
Os bens de consumo passaram a ser produzidos 
levando em consideração o design; a estética e a arte 
também passaram por essas influências ao se torna-
rem mais abertas às novas configurações que envol-
viam a mídia e o consumo. 
Assim, a arte Pós-moderna, ou Contemporânea, 
vem dessa junção entre arte e industrialização, con-
sumo e formas de expressão. Nesse momento, a arte 
passa por novas experimentações, adquirindo novas 
configurações (SANTAELLA, 1994). Portanto, o 
[...] pós-moderno não é apenas uma outra pa-
lavra para a descrição de um estilo particular. 
É também um conceito periódico cuja função 
é relacionar a emergência de novos caracteres 
formais na cultura com a emergência de um 
novo tipo de vida social e uma nova ordem eco-
nômica – ou seja, aquilo que é sempre eufemis-
ticamente chamado de modernização, socieda-
de pós-industrial oude consumo, sociedade das 
 DESIGN 
 101
mídias ou do espetáculo, ou capitalismo multi-
nacional (...). Chega-se ao sentimento geral de 
que, em algum ponto, após a Segunda Guerra 
Mundial, uma nova espécie de sociedade come-
çou a emergir (SANTAELLA, 1994, p. 19).
Essa nova sociedade em emergência, como afirma 
a autora, faz da arte uma nova ferramenta para ex-
pressar valores e aguçar o senso estético por meio de 
novas propostas. Podemos citar como característi-
cas dessa arte:
• Buscar a originalidade e o que é mais inova-
dor;
• Possibilitar a criação de obras voltadas essen-
cialmente para a própria arte, sem estarem 
presas a entidades governamentais ou reli-
giosas;
• A utilização das modernas tecnologias;
• Apresentar subjetividade e maior liberdade 
criadora;
• Misturar diversos estilos artísticos;
• Usar materiais variados;
• União da arte com a realidade e a vida;
• Maior interação entre a cobra e espectador;
• Empregar meios mais mecânicos para repro-
dução do trabalho artístico. Por exemplo: a 
fotografia ganha força e a impressão tipográ-
fica se torna uma aliada na reprodução de 
imagens.
• Utilizar qualquer tipo de material e técnica 
nas criações.
Em outras palavras, as características aqui citadas 
expressam a busca pelo novo e para a experimenta-
ção. Podemos citar como exemplo dois movimentos 
do pós-guerra: Op-Art e Pop-Art.
A Op-Art é um movimento artístico cujo nome 
significa “arte óptica”, caracterizado por obras que 
oferecem figuras geométricas, em preto e branco ou 
coloridas, combinadas para que provoque no espec-
tador uma sensação de movimento, e a Pop-Art é a 
abreviatura em inglês de “arte popular” e representa 
um movimento nascido mais ou menos na metade 
dos anos 50, que focava na desconstrução das ima-
gens pertencentes às culturas de massa, a chamada 
“cultura pop”; expressam, de um modo ou de outro, 
a perplexidade do homem contemporâneo (AGRA, 
2004; GOMBRICH; CABRAL, 1999).
Assim como a indústria passou a produzir bens, 
também influenciou a arte, sua produção e repro-
dução, tornando-a acessível.
Observe um exemplo da arte de cada estilo. 
Figura 12 - Triond — Op-Art
Fonte: Santos (2005, p. 168).
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
102 
Figura 13 - Marilyn Monroe — Pop-Art
Fonte: Santos (2005, p. 170).
O que se vê nesses dois movimentos é a junção entre 
tecnologia e arte, onde há livre experimentação. Um 
dos pintores que veio a colaborar com a arte con-
temporânea é Romero Britto.
Romero Britto desenvolve sua arte sobre a in-
fluência do Pop-Art, acrescentando caracteres 
estilísticos das histórias em quadrinhos, assim 
como da arte gráfica. Seu estilo é carregado 
com formas e cores fortes. 
Em suas obras, normalmente se vê uma figura 
básica, um rosto, um animal ou um objeto 
que é estruturado com linhas grossas, como 
contornos, cores fortes, preenchimento e uso 
de linhas, esferas, flores e demais elemen-
tos decorativos para preencher espaços. A 
intenção é dar ao objeto desenhado um ar 
de irreverência, onde o real e o imaginário 
se cruzam.
Fonte: as autoras. 
SAIBA MAIS
Em suas obras, Romero Britto, muitas vezes, traba-
lha com formas básicas e objetos cotidianos que, ao 
terem seus traços alterados pelas inserções de linhas, 
cores e estampas, adquirem um aspecto mais ex-
pressivo, e ao mesmo tempo, lúdico. Observe alguns 
exemplos da obra desse artista. 
Figura 14 - Obras de Romero Britto 
 DESIGN 
 103
As obras de Romero Britto são apenas um exemplo 
do que se pode encontrar enquanto arte contempo-
rânea. Santos (2005) afirma que com o desenvolvi-
mento das tecnologias, veremos o cinema enquanto 
expressão de arte; a fotografia crítica, às instalações 
onde o público interfere nas obras; a arte performá-
tica, a arte que vem das ruas, como o grafite. 
Para Santos (2005), a arte que se desenvolveu a 
partir da Segunda Guerra Mundial aos dias de hoje 
corresponde a uma ampla variedade de manifesta-
ções, onde tecnologias, materiais e técnicas se com-
binam para dar vida a novas formas de expressão, 
nos mais variados ambientes.
A arte contemporânea é composta por artistas 
reconhecidos e também por artistas anônimos que 
colorem muros, paredes ou espaços com diversas 
composições, dando origem ao grafite de rua. 
Portanto, caro(a) aluno(a), conceituar e enten-
der essa arte que nos rodeia vai muito mais além 
do que simplesmente reconhecer grandes pintores, 
mas, acima de tudo, é necessário entender que ela 
assume diferentes configurações estéticas e que vai 
muito além da escultura, pintura e arquitetura. Ela 
perpassa o industrial, o artesanal, o conceitual e o 
reprodutível. Espero que tenha apreciado a leitura 
e até breve. 
Figura 15: - Arte em grafite 
104 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de nossos estudos sobre a história da arte. Nesta 
unidade, você percebeu que há uma grande variedade de formas de expressão ligadas 
à arte do século XX. 
Isso se deve ao fato de que houve um grande processo de desenvolvimento tecno-
lógico que acabou por influenciar a vida cotidiana e também a arte. Aliás, em termos 
de arte, você deve ter percebido que muitos movimentos se desenvolveram simulta-
neamente, ou seja, no mesmo período histórico ou sem grandes rupturas temporais.
O Impressionismo e o Pós-impressionismo são dois movimentos que trouxeram 
grandes rupturas e novos olhares sobre a arte, abrindo caminho para a experimen-
tação e novas possibilidades de interferência sobre as obras, como no caso do Cubis-
mo, que acrescentou colagens em algumas obras. 
A arte moderna é marcada por uma série de movimentos que passam a questio-
nar padrões estéticos e o estilo da sociedade e, ao mesmo tempo, refletem os avanços 
dela. No caso do Surrealismo, vemos a psiquiatria influenciando a arte e isso irá 
acontecer de forma ainda mais intensa na arte Pós-moderna, onde a tecnologia e 
o consumo vão transformar meros objetos em expressão de arte, como é o caso do 
rosto de Marilyn Monroe, que faz parte do Pop-Art. 
Temos, ainda, o exemplo do pintor Romero Britto, que trabalha suas obras com 
elementos cotidianos acrescentando traços de ilustração gráfica e um carácter lúdico 
sobre a influência da Pop-Art. 
Portanto, podemos dizer que no século XX não falamos em arte, mas expressões 
artísticas em movimentos e estilos que coexistem e se desenvolvem em diferentes 
momentos. Podemos citar como exemplo o grafite de rua, o cinema e as instalações 
como expressão da arte contemporânea, ou seja, uma arte plural que se manifesta de 
formas variadas. 
Espero que essa leitura sobre a história da arte o ajude a entender um pouco 
mais sobre como utilizamos materiais, formas, cores e texturas para expressar nossos 
ideais e valores contemporâneos. 
 105
atividades de estudo
1. A pintura impressionista se desenvolveu de forma bastante particular e teve a 
colaboração de diversos pintores. Referente a este estilo, leia atentamente as 
afirmativas abaixo e marque a opção correta.
I. A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a 
luz solar num determinado momento.
II. Destacam-se como pintores impressionistas: Claude Monet (1840-1926), 
Pierre Auguste Renoir (1841-1919), Edgar Degas (1834-1917), Auguste Rodin 
(1840-1917) e Pablo Picasso (1834-1917).
III. A temática de Monet eram as paisagens, que se tornavam o mote para o seu 
foco principal: a luz. As suas séries retratam as paisagens em diferentes mo-
mentos de iluminação.
IV. O Pós-impressionismo foi uma continuidade do impressionismo buscando 
romper barreiras e levar o movimento a um outro patamar.
Marque a alternativa correta.
a. I, II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. I, III e IV estão corretas.
d. II, III, e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
2. O século XX é marcado por diversos movimentos artísticos que se enquadram 
em duas grandes categorias. Quais são essas categorias?
a. Art Noveau e Arte Moderna.
b. Arte Moderna e Arte Contemporânea.c. Arte Pós-moderna e Arte Contemporânea.
d. Arte Contemporânea e Pop-Art.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
106 
atividades de estudo
3. A Arte Moderna é marcada por uma série de movimentos que se desenvolve-
ram na primeira metade do século XX. Quais são eles?
a. Art Nouveau — Fauvismo — Cubismo — Futurismo — Expressionismo — Da-
daísmo — Surrealismo — Op-Art.
b. Impressionismo — Fauvismo — Cubismo — Futurismo — Expressionismo — 
Dadaísmo — Surrealismo. 
c. Impressionismo — Fauvismo — Cubismo — Futurismo — Expressionismo — 
Dadaísmo — Surrealismo — Pop-Art.
d. Art Nouveau — Fauvismo — Cubismo — Futurismo — Expressionismo — Da-
daísmo — Surrealismo. 
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
4. Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) O Dadaísmo foi um movimento literário e artístico de amplitude internacional 
que cultuava o desejo de revolucionar ideias tradicionais.
( ) O Fauvismo era uma escola que utilizava cores vibrantes e iniciou a redução 
da linguagem da pintura aos essenciais: cor, forma e pincelada.
( ) O Cubismo era um estilo artístico e movimento iniciado em Paris, pregava 
a substituição das representações do espaço tridimensional, da perspectiva, 
pelo uso faz pequenas formas decompostas e geometrizadas em observação 
a uma obra.
( ) O Surrealismo sofre influência da psiquiatria e faz a junção entre o real e o 
surreal.
Marque a alternativa correta.
a. V, V, V, V.
b. F, V, V, V.
c. V, F, V, V.
d. V, V, F, V.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
 107
atividades de estudo
5. A arte contemporânea apresenta características variadas e se desenvolve de 
forma plural. Que movimentos de arte podemos citar como exemplo da arte 
nesse período?
a. Pop-Art e Surrealismo.
b. Op-Arte e Pop-Arte.
c. Op-Arte e Art Noveau.
d. Surrealismo.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
6. Romero Britto é um dos grandes nomes da pintura contemporânea. Explique 
as influências de sua obra.
108 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Considerando as questões que permeiam o universo que compreende as áreas de Arte 
e da Moda, como sugestão para leitura complementar à sua formação, caro(a) aluno(a), 
sugerimos o artigo que apresenta uma visão sobre as duas áreas expressas, juntamente 
com o contexto do design e do trabalho conceitual que conecta Arte e Moda. Boa Leitura!
ARTE E MODA CONCEITUAL: UMA REFLEXÃO EPISTEMOLÓGICA
José Mário Martinez Ruiz
RESUMO: Esse texto tem por objetivo fazer conexões possíveis entre arte e moda conceitu-
al, bem como questionar se existe uma relação entre essas formas de linguagem e qual é o 
propósito das coleções conceituais. Para isso, utilizaremos a literatura especializada como 
arcabouço teórico para análise de três estilistas: Alexander McQueen, Alexandre Herch-
covitch e Jum Nakao. PALAVRAS-CHAVE: Arte conceitual; moda conceitual; criação; design; 
moda contemporânea.
Depois de Duchamp (1887-1969) ter levado um urinol para um espa- ço consagrado da 
arte e ter declarado que aquele objeto é arte, depois de as vanguardas artísticas do início 
do século 20 proporem o rompimento da diferenciação entre arte e cotidiano, hoje, no início 
do século 21, não seria o local onde pretensamente é lugar privilegiado para se discutir 
moda? (OLIVEROS, 2004, p. 57). 
A pergunta pertinente do jornalista faz refl etir sobre quanto ainda precisamos avançar nas 
pesquisas relativas à moda, apesar de pesquisadores conceituados, como Gilberto Freyre e 
Gilda de Mello e Souza, no Brasil, e Gilles Lipovetsky e Roland Barthes, no exterior, no início 
e meados do século passado, terem proposto uma análise mais profunda sobre a moda. É 
preciso responder a uma série de indagações a esse respeito; por isso, muitos pesquisado-
 109
LEITURA
COMPLEMENTAR
res da atualidade estão se atendo a esse fenômeno de consumo e linguagem. Com o am-
paro teórico da literatura especializada e também de relatos colhidos em revistas de moda, 
este artigo procura responder a algumas dessas indagações: de que forma a moda e a arte 
conceitual se relacionam? Existe um paralelo possível entre essas formas de linguagem? 
Afi nal, qual é o propósito das coleções conceituais? Para dissertar sobre esse assunto tor-
na-se necessário, primeiramente, verifi car o que é a arte conceitual e o que ela representou 
em termos de mudança da linguagem no campo das artes. Após essa explanação, o texto 
procura tratar de moda conceitual, e para isso utiliza três estilistas conceituados: o inglês 
Alexander McQueen e os brasileiros Alexandre Herchcovitch e Jum Nakao.
Fonte: RUIZ (2007). Disponível em: <http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/
revcesumar/article/view/488/442>. 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
110 
História Ilustrada do Vestuário, um estudo da indu-
mentária, do Egito antigo ao fi nal do século XIX.
Melissa Leventon
Editora: Publifolha
Sinopse: é uma obra ilustrada que combina dados históricos 
com estudos de dois artistas gráfi cos do século XIX — Auguste 
Racinet e Friederich Hottenroth. Apresentados cronologicamen-
te e divididos por temas, os desenhos acompanham textos de especialistas e trazem informa-
ções sobre a história da vestimenta. Traz ainda um capítulo sobre acessórios e um glossário.
Comentário: com ilustrações ricas em detalhes, o livro apresenta, de maneira clara e objeti-
va, o contexto histórico representado por meio da vestimenta, uma alternativa interessante 
para auxiliar você, caro(a) aluno(a), a compreender a evolução histórica do homem nos dife-
rentes períodos. 
Sede de viver
Ano: 1956
Sinopse: o fi lme conta a vida de um dos maiores gênios de todos 
os tempos da pintura, Vincent Van Gogh. Famoso artista dividido 
entre a prodigiosa inspiração do seu gênio e a angustiante escuri-
dão de uma mente atormentada.
O vídeo apresenta em detalhes como se deu o surgimento da Arte Moderna e seu contexto 
histórico em sua relação com a Arte Contemporânea. 
Acesse o link disponível em: <http://https://www.youtube.com/watch?v=c7WAbSnINuQ>.
 111
referências
AGRA, L. História da arte do Século XX: ideias e movimentos. São Paulo: Anhembi 
Morumbi, 2004.
DEMPSEY, A.; MOURA, C. E. M. Estilos, escolas e movimentos: guia enciclopédico 
da arte moderna. São Paulo: Cosac Naify, 2005.
GOMBRICH, E. H.; CABRAL, Á. A história da arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 
1999.
JANSON, H. W.; LEAL, M. B. História geral da arte: renascimento e barroco. 2. ed. 
São Paulo: Martins Fontes, 2001.
RUIZ, J. M. M. A arte e a moda conceitual: uma reflexão epistimologica. Rev. Cesu-
mar Ciências humanas e ciências aplicadas. On-line, v. 12, N. 1, 2007. Disponível em: 
Acesso em: 26 set. 2017.
SANTAELLA, L. Pós-moderno & semiótica. In: CHALLUB, S. (org.). Pós-moderno 
&: semiótica, cultura, psicanálise, literatura, artes plásticas. Rio de Janeiro: Imago, 
1994.
SANTOS, M. G. V. P. História da arte. 16. ed. São Paulo: Ática, 2005.
______. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2012.
STRICKLAND, C.; BOSWELL, J. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. 
15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.
TRINDADE, S. História da Arte. Bahia: Faculdade de Tecnologia e Ciências, 2007.
REFERÊNCIA ON-LINE
1 Em: em: <https://alistadelucas.wordpress.com/2012/02/04/as-15-melhores-obras-
-de-salvador-dali/>. Acesso em: 29 jul. 2017.
112 
gabarito
1. C.
2. B.
3. D.
4. A.
5. B.
6. Em suas obras, Romero Britto, muitas vezes, trabalha com formas básicas e 
objetos cotidianos que, ao terem seus traços alterados pelas inserções de li-
nhas, cores e estampas, adquirem um aspecto mais expressivo e, ao mesmo 
tempo, lúdico.
Romero Britto desenvolve sua arte sobre a influência do Pop-Art, acrescen-
tando caracteres estilísticos das histórias em quadrinhos assim como da arte 
gráfica. Seu estilo é carregado com formas e cores fortes.
UNIDADEIV
Professora Dra Paula Piva Linke
Professora Esp Vanessa Barbosa dos Santos 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:• O design e sua origem
• Movimentos importantes para o design 
• O Design pelo mundo 
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar o conceito de design e seu surgimento.
• Apresentar os movimentos mais importantes para o design 
como: Arts e Crafts e Bauhaus.
• Apresentar como o design se manifestou em alguns 
países, inclusive no Brasil.
O DESIGN
IV
unidade
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) a quarta Unidade do livro sobre His-
tória da Arte e do Design. Após você conhecer mais sobre a História da Arte 
e como ela se manifestou por meio do desenvolvimento das civilizações, nesta 
unidade, vamos entender a palavra Design em nosso meio, como ela está presen-
te em nossa vida diariamente, qual o significado da palavra, onde e quando ela 
surgiu e como foi o início de sua influência em nosso mundo.
Depois, vamos conhecer o princípio de sua história, quais eram os aconteci-
mentos que o permeavam, os processos de transformação, algumas de suas ca-
raterísticas e relações com o Design e conhecer sobre a história da Revolução 
Industrial.
É importante lembrar que o Design não caminha sozinho, não são os pro-
cessos e as teorias somente que fazem ele funcionar, e sim o desenvolvimento e 
comportamento humano, os acontecimentos da sociedade, os movimentos his-
tóricos, as descobertas e as inovações, as oposições e apoios de determinados 
conceitos e assuntos. Todo esse mover, que faz o mundo caminhar cada dia, é que 
transformam o Design no que estudamos e vivenciamos hoje. Portanto, veremos 
os dois movimentos que mais o influenciaram: Arts e Crafts e Bauhaus.
Também vamos compreender a forma de atuação do Design nos principais 
países em que ele atua e perceber que existem correlações entre eles, mesmo 
quando falamos de sociedades diferentes. Conheceremos os autores principais 
nesses países, suas características e ideais seguidos.
E, por último, veremos como o Design chegou ao Brasil, quais eram as prin-
cipais características no início, percebendo essa correlação entre os países, as in-
fluência do desenvolvimento da História da Arte ao surgimento do Design em 
nosso país, e conheceremos como nossa profissão tem se desenvolvido em nosso 
próprio país.
Esteja preparado e aguce a vontade de ler e aprender sobre esses tópicos. Es-
peramos que seja um tempo produtivo e de grande aprendizado.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
118 
O Design e Sua Origem
Todos os dias estamos recebendo novas informa-
ções, novas ideias, novas criações. O mundo está 
em constante mudança, e é a partir desse processo 
de transformação que o Design surge em nosso 
vocabulário.
É muito comum, ao você conversar com alguém 
sobre algo novo que surgiu no mercado, se referir 
por meio do termo: novo design de uma roupa, um 
carro, uma lâmpada etc. Qual o verdadeiro significa-
do da palavra Design?
A palavra em si não existe no contexto da língua 
portuguesa, porém, como o inglês é uma língua con-
siderada universal, e estamos habituados a conviver 
com ela, a palavra Design acabou se universalizando 
no inglês. Segundo Cardoso (2008, p. 20):
A origem imediata da palavra está na língua 
inglesa, na qual o substantivo design se refere 
tanto à ideia de plano, desígnio, intenção, quan-
to à de configuração, arranjo, estrutura (e não 
apenas de objetos de fabricação humana, pois é 
perfeitamente aceitável, em inglês, falar do de-
sign do universo de uma molécula).
Contudo, a origem mais remota da palavra está no la-
tim designare, verbo que abrange ambos os sentidos, 
o de designar e o de desenhar (CARDOSO, 2008). 
 DESIGN 
 119
Em 1958, a palavra Design foi mencionada pela pri-
meira vez no “Oxford Dictionary”, descrita como:
• Um plano desenvolvido pelo homem ou um 
esquema que possa ser realizado
• O primeiro projeto gráfico de uma obra de 
arte ou
• Um objeto das artes aplicadas ou que seja útil 
para a construção de outras obras (BURDEK; 
CAMP, 2006, p. 15).
A palavra Design é dotada de vários significados, 
como planejar, designar, desenhar e formar. E é den-
tro desse conflito de significados que o Design surge 
para ir além do que a arte já sugeria ao homem.
Vamos pensar em uma obra de arte, por exem-
plo, criada por Van Gogh, que pintava seus quadros 
com uma intenção de forma, cores e luz, para chegar 
em um resultado final de uma imagem de girassó-
is. Se ele quisesse vender quadros de girassóis, será 
que conseguiria pintar todos eles exatamente iguais? 
(AZEVEDO, 2014). Seria praticamente impossível, 
uma vez que, a cada quadro que ele pintasse, a mis-
tura da tinta poderia sofrer alterações, a influência 
da luz e temperatura seriam diferentes, até sua mão 
poderia fazer traços diferentes. De alguma forma, 
esses quadros teriam detalhes únicos, e é aí que o 
trabalho do Design entra para agir de forma dife-
rente, por meio dos mecanismos, do planejamento e 
dos princípios envolvidos, o projeto de uma imagem 
ou objeto seriam sempre o mesmo.
É a partir desse trabalho do artista ou artesão, 
e do desenvolvimento humano e da sociedade, que 
surge a necessidade de processos mais práticos, em 
que os projetos são feitos a partir de esboços, mode-
los e planos que sugerem a ideia de uma produção 
em massa (CARDOSO, 2008).
Podemos dizer que o Design surgiu a partir de 
um momento muito importante em nossa história, 
que é a Revolução Industrial, entre os séculos XVIII 
e XIX, a qual veremos no próximo capítulo desta 
unidade.
É aqui que vemos o Design se inserindo na so-
ciedade como parte da história política, social, eco-
nômica e cultural, mostrando a necessidade de uma 
nova forma de agir e pensar em relação ao funcio-
namento e desenvolvimento do dia a dia do homem.
Para finalizar o estudo da palavra e do significa-
do do Design, vamos entender o que o Internacional 
Design Center, de Berlim, em 1979, por ocasião de 
uma de suas exposições, descreveu sobre o Design:
• Bom design não se limita a uma técnica de 
empacotamento. Ele precisa expressar as par-
ticularidades de cada produto por meio de 
uma configuração própria;
• Ele deve tornar visível a função do produto, 
seu manejo, para ensejar uma clara leitura do 
usuário;
• Bom design deve tornar transparente o esta-
do mais atual do desenvolvimento da técnica;
• Ele não deve se ater apenas ao produto em si, 
mas deve responder a questões do meio am-
biente, da economia de energia, da reutiliza-
ção, de duração e ergonomia;
• O bom design deve fazer relação do homem e 
do objeto o ponto de partida da configuração, 
especialmente nos aspectos da medicina do 
trabalho e da percepção (BURDEK; CAMP, 
2006, p. 15).
Podemos concluir que a palavra Design surgiu da 
necessidade de elaboração de projetos, para a pro-
dução em série de objetos por meios mecânicos 
(CARDOSO, 2008, p. 21). Devido ao crescimento 
da população mundial, o desenvolvimento de tec-
nologias e a expansão das cidades, uma fabricação 
apenas artesanal dos produtos não sanaria as neces-
sidades de todos em um tempo hábil.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
120 
Segundo Cardoso (2008), o design é fruto de três 
grandes processos históricos entre os séculos XIX e 
XX. O primeiro é a industrialização, que trabalha a 
reorganização de fabricação e distribuição de bens 
devido ao crescimento de produtos e consumidores. 
O segundo é a urbanização moderna, onde a popu-
lação passa a se aglomerar nas metrópoles. E o ter-
ceiro, é a globalização, que faz as redes de comércio 
crescerem, transporte, comunicação e sistemas de 
funcionamento para todo esse crescimento.
Podemos pensar em como o Design contribuiu 
para viabilizar as mudanças em nossa sociedade no 
exemplo que Cardoso (2008) explicou sobre o café: 
Existe um desafio por trás de uma simples xícara de 
café que você toma. Depois de plantado, colhido e 
ensacado, o café precisa ser transportado, secado, 
torrado, moído e passar por processos industriais 
antes de ser embalado e vendido a você. Essa cadeia 
de produção e distribuição exige processos de trans-
porte, engenharia, identidade visual dosrótulos e 
embalagens, marketing, desenvolvimento das indús-
Em um retrospecto histórico, Leonardo da 
Vinci é mencionado de bom grado como o 
primeiro designer. Em paralelo a seus estudos 
científicos de anatomia, ótica e mecânica ele 
é considerado como precursor do conheci-
mento de máquinas, ao editar, por exemplo, 
o “Manual de Elementos de Máquinas”. 
Além disso, se destacou na pintura, onde de-
senvolveu as técnicas de luz e sombra, assim 
como profundidade. Poderia ser dito que Le-
onardo da Vinci foi um dos mais completos 
estudiosos de sua época, pois entendia de ma-
temática, filosofia, arte, anatomia e mecânica. 
Fonte: Burdek e Camp (2006, p.13)
SAIBA MAIS
trias e uma longa jornada até que você possa tomar 
seu cafezinho. Antigamente, nada disso existia e o 
café era consumido por quem plantava e colhia em 
sua própria terra de vivência. Como nosso mundo 
mudou, nada disso seria capaz de acontecer se não 
existisse o Design.
Vamos começar pela Revolução Industrial, que 
ocorreu entre os séculos XVIII e XIX, na Europa, 
que foi o processo de modificação da fabricação de 
produtos que gerou transformação do dia a dia do 
homem. Diferente do processo do artesão, que fa-
bricava e vendia diretamente o seu produto, a indus-
trialização começou a criar sistemas de produção, 
em que esses produtos eram feitos em massa para 
atender a demanda da população.
Assim como a natureza tem seu próprio ca-
minho através dos organismos naturais, o ho-
mem faz dos meios urbanos a sua natureza, 
a natureza urbana. Percorre os caminhos na-
turais, mas muitas vezes prefere planejá-los. 
(Wilton Azevedo)
REFLITA
 DESIGN 
 121
Os produtos primários da agricultura eram comer-
cializados em várias partes do mundo para obter 
lucro por meio da troca desses produtos e, a partir 
daí, desenvolver a mecanização do trabalho, já que 
as inovações tecnológicas começaram a surgir no fi-
nal do século XVIII, fazendo com que esse ciclo de 
comercialização pudesse ser mais rápido (CARDO-
SO, 2008).
Segundo Cardoso (2008), os principais produ-
tos desenvolvidos eram considerados artigos de 
luxo, utilizados, claro, pela sociedade nobre, em que 
o sistema mais completo de produção de artigos de 
luxo foi desenvolvido na França, por Luís XIV e seu 
superintendente Jean-Baptiste Colbert, produzindo 
móveis, vidros e tapeçarias para o rei. E essa ideia foi 
passada para os outros países, que começaram a de-
senvolver suas manufaturas, baseadas nos produtos 
que possuíam em abundância em suas terras ou nas 
terras que dominavam em outras regiões.
Cardoso (2008) diz que esse processo na orga-
nização industrial passou por quatro fases: a esca-
la de produção que aumentou significativamente, 
atendendo mercados distantes; as fábricas e oficinas 
crescendo em tamanho, equipamento e número de 
trabalhadores; a produção feita de forma mais seria-
da e técnica para que um determinado produto fos-
se cada vez mais parecido na produção em massa; e 
a divisão de tarefas e funções para execução de um 
projeto. 
O que podemos refletir é que, a princípio, diría-
mos que a Revolução Industrial foi muito mais um 
processo de desenvolvimento tecnológico e de má-
quinas do que outra coisa. No entanto, se pensar-
mos melhor, veremos que foi mais uma mudança na 
organização de trabalho, de produção e distribuição 
devido às transformações sociais que a sociedade es-
tava sofrendo.
Esse processo de industrialização, para Cardoso 
(2008), fazia com que a grande quantidade de traba-
lhadores fosse cortada se existisse profissionais mais 
capacitados, no caso, o Designer, para desenvolver 
processos de produção mais eficientes e sem a ne-
cessidade de tanta mão de obra. Porém, não era tão 
fácil assim fazer isso em todas as fábricas, e o fato da 
mecanização crescer, tornou mais fácil o início da 
pirataria dos produtos. Foi assim que surgiu a ne-
cessidade de sigilo entre os profissionais que traba-
lhavam em determinado projeto. Entre os anos de 
1830 e 1860 começaram a surgir os sistemas de leis e 
patentes para valorizar o trabalho do designer.
No século XIX, essa industrialização acarretou 
em um crescimento urbano muito grande e rápido. 
Foram surgindo as metrópoles, bairros residenciais 
e industriais, redes de transporte e comunicação vi-
sual. As pessoas começavam a conviver mais tempo 
entre si, já que faziam os trajetos para o trabalho, 
ficavam horas trabalhando juntos e obtendo essas 
experiências urbanas. E o trabalho assalariado co-
meçou a aumentar o número de pessoas que podiam 
consumir algo além das necessidades primárias.
Uma curiosidade apresentada por Cardoso 
(2008) é de que entre as mercadorias mais consumi-
das depois dos produtos primários estão os impres-
sos, que trouxeram uma explosão de alfabetização 
das pessoas e uma necessidade de se ter algo para 
fazer nos momentos em que eles não trabalhavam. 
Foi assim que surgiu o conceito de lazer popular e 
a necessidade de se criar espaços compostos de mu-
seus, teatros, locais de exposição, parques e jardins.
Toda essa transformação da sociedade trouxe a 
necessidade de criação e organização das informações 
e sinalização das ruas, cidades e locais de convivência 
pública. Surge, então, o crescimento dos impressos, da 
comunicação e da informação por meio da imagem.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
122 
O Design, aqui, passa a ir além das paredes no-
bres e reais, de se alimentar de objetos de luxo para 
alcançar o público urbano, principalmente devi-
do às necessidades de organização desses espaços. 
Assim, o Design teve o seu papel nessa reconfigu-
ração da vida social, contribuindo para projetar 
a cultura material e visual da época (CARDOSO, 
2008, p. 73).
É interessante observarmos que o papel do De-
sign começa a se expandir em várias áreas relacio-
nadas ao dia a dia do homem, como no transporte, 
na moradia, no lazer, nas roupas que usa, na higie-
ne, saúde e informação. Pense, então, que as diver-
sas áreas do Design, como gráfico, de produto e de 
moda começam a se desenvolver nessa época.
É claro que, para uma revolução dessa propor-
ção, não seriam todos que ficariam felizes com es-
sas transformações. Uma reforma de cunho social 
atinge principalmente a aristocracia e a igreja que, 
na época, dominavam o “sistema”. E os pensadores 
e artistas da época também diziam que essa indus-
trialização era uma ameaça às tradições e causavam 
exploração aos trabalhadores.
Surge a proposta de fazer o uso do Design como 
agente de transformação (CARDOSO, 2008, p. 76), 
sendo uma necessidade de cuidado com os excessos 
e com uma perda dos padrões morais da sociedade. 
Derivando de Ruskin a ideia de que qualidade 
do objeto fabricado deveria refletir tanto a uni-
dade de projeto e execução quando o bem-estar 
do trabalhador (CARDOSO, 2008, p. 79).
O Design entra em um processo de transforma-
ção em todo o funcionamento urbano, industrial, do 
trabalhador e do homem em si. Seus processos vi-
sam a praticidade, agilidade, comércio e bem-estar, 
tanto do trabalhador quanto do consumidor final.
Agora que você já entendeu o que é e como sur-
giu o Design, vejamos, a seguir, quais movimentos o 
influenciaram. 
 DESIGN 
 123
Movimentos Importantes 
para o Design 
Olá caro(a) aluno(a), existem diversos movimentos 
que influenciaram o Design, como o Neogótico ou 
Revivalismo Gótico, Arts e Crafts, Bauhaus, Moder-
nismo e Pós-modernismo. Dentre esses movimen-
tos destacam-se o Arts e Crafts e o Bauhaus como 
os mais significativos para o Design. Vejamos, então, 
como foram esses dois movimentos. 
O ARTS & CRAFTS
Após o Revivalismo Gótico, com o trabalho de Mor-
ris voltado à editoração e à procura por criar traba-
lhos com uma estética mais detalhada, vemos que 
uma sequência de um novo movimento com enor-
me repercussão mundial entre o final do século XIX 
e o início do século XX surge. Conhecido como Arts 
and Crafts (Artes e Ofícios), foi um dos movimentos 
históricos mais importantes do Design. A partir da 
década de 1880, surgiu, na Grã-Bretanha,diversas 
organizações dedicadas a projetar e produzir artefa-
tos de forma artesanal ou semi-industrial.
A filosofia do movimento Arts and Crafts gira-
va em torno da repercussão dos valores produ-
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
124 
tivos tradicionais defendidos por Ruskin... Os 
integrantes do movimento buscavam promover 
maior integração entre projeto e execução, re-
lação mais igualitária e democrática entre os 
trabalhadores envolvidos na produção, e ma-
nutenção de padrões elevados em termos da 
qualidade de materiais e de acabamento (CAR-
DOSO, 2008, p. 83).
Os ideais repercutidos desse movimento ficaram 
conhecidos como craftmanship, palavra inglesa que 
expressava ideias de grande acabamento artesanal e 
profundo conhecimento do ofício.
Logo, esses ideais foram se espalhando para ou-
tros países europeus e para os Estados Unidos, exer-
cendo influência sobre o surgimento dos primeiros 
movimentos modernistas. Segundo Cardoso (2008), 
temos o exemplo de Frank Lloyd Wright, que utiliza 
interpretações inovadoras dos princípios de Ruskin e 
Morris, com gosto simples, naturalista e artesanal, e 
Figura 1 - Estilo Arts e Crafts — acabamento artesanal 
Fonte: Reber (2009, on-line)1
se torna um dos principais responsáveis pela implan-
tação da arquitetura moderna nos Estados Unidos.
Algumas sociedades e associações fundadas nes-
sa época foram: a Century Guild, Art Worker’s Guild, 
Guilda dos Trabalhadores de Arte (1884), a Guild 
and School of Handicraft e a Arts and Crafts Exhibi-
tion Society, exposição quadrienal de móveis, tape-
çaria, estofados e mobiliário, realizada em Londres, 
em 1888.
Já no Brasil, as preocupações com relação ao in-
dustrialismo eram quase nulas, porém a filosofia do 
movimento Arts & Crafts trouxe uma reflexão base-
ada nas deficiências da sociedade imperial, na falta 
de mão de obra qualificada, já que a maioria eram 
escravos. Por isso, por volta de 1850, surgiram ini-
ciativas de promover a formação técnica e artística 
do trabalhador brasileiro. Cardoso (2008) diz que, 
em 1855, uma reforma feita por Araújo Porto-Ale-
gre, diretor da Academia Imperial de Belas Artes, 
passou a ministrar um curso para alunos artífices, 
que ensinava o desenho industrial.
Assim, começaram a surgir escolas de artes e 
ofícios no Brasil, como o Liceu de Artes e Ofícios 
Frank Lloyd Wright foi um arquiteto e escritor 
que tinha como conceito que cada projeto 
deve ser individual, de acordo com sua loca-
lização e finalidade. É considerado um dos ar-
quitetos mais importantes do século XX, que 
influenciou os rumos da arquitetura moderna. 
Seu principal projeto foi a casa da Cascata, 
tendo como base a arquitetura orgânica.
O americano foi um dos principais arquitetos 
a pensar o modo de vida do homem moderno. 
Fonte: Azevedo (2014, p. 44).
SAIBA MAIS
 DESIGN 
 125
no Rio de Janeiro e similares em São Paulo. O que 
mostra que a união da arte e indústria no Brasil foi 
um elemento de progresso e modernidade.
Talvez a contribuição mais duradoura desses 
movimentos reformistas tenha sido a ideia de 
que o design possui o poder de transformar a 
sociedade e, por conseguinte, que a reforma 
dos padrões de gosto e de consumo poderia 
acarretar mudanças sociais mais profundas 
(CARDOSO, 2008, p. 85).
Aqui, é importante refletirmos sobre o quanto os va-
lores serão sempre motivo de questionamento nos 
movimentos influentes do Design, mais referente à 
relação de trabalho, trabalhador e sociedade do que 
à estética em si do produto. 
Na sociedade industrial tardia, mais do que 
nunca, as pessoas parecem creditar às formas 
exteriores geradas pelo design e pela moda o 
poder de transmitir verdades profundas sobre a 
identidade e a natureza de cada um (CARDO-
SO, 2008, p. 85).
Foi a partir de 1890 que o Arts & Crafts se conec-
tou ao estilo Art Nouveau, indo por toda a Europa, 
com uma filosofia um pouco distinta, utilizando de 
materiais do mundo moderno, como ferro, vidro e 
cimento, assim como conhecimentos das ciências e 
engenharia, mesmo criticando os processos de pro-
dução em massa.
Nos anos de 1920, o movimento se ligou ao Art 
Déco, com a decoração sendo o elemento mediador e 
se colocando entre arte e indústria da mesma forma. 
A diferença é que o Art Nouveau representava linhas 
mais curvas e rebuscadas, enquanto o Art Déco busca-
va linhas mais retas e estilizadas e formas geométricas.
Figura 2 - Mesquita com decoração em mosaicos de vitrais
A BAUHAUS
Com o intuito de repensar a arte e sua relação 
com o mundo moderno surge a Bauhaus. Sen-
do assim, a relação do homem, da arte e o novo 
sistema de produção será pensado nessa escola. 
É na linha de frente artesão-máquina que surge 
a escola Bauhaus, fundada em 1919, na Alema-
nha, por Walter Gropius. Seria impossível en-
tender hoje, o que é design, sem entender o que 
foi a Bauhaus (AZEVEDO, 2014, p.19).
Vemos, aqui, que, assim como o Revivalismo Gótico 
e o Arts & Crafts, as bases da ideologia da Bauhaus 
também está firmada na integração da produção 
artística e industrial. Contudo, segundo Azevedo 
(2014), sua meta principal é desenvolver o design 
moderno, que estaria em constante contato com as 
relações do homem e de seu espaço.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
126 
Figura 3 - Escola Bauhaus 
Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha pas-
sava por um processo de recuperação e saiu da mo-
narquia para se transformar em república com sede 
em Weimar. Foi quando, segundo Souza (1997), a 
Bauhaus resultou da fusão da Academia de Arte e da 
Escola de Artes e Ofícios.
A Bauhaus foi uma das primeiras escolas a mi-
nistrar aulas com a intenção de transformar o ar-
tesão em produtor industrial (AZEVEDO, 2014, p. 
28). O importante era o aluno conhecer sobre os 
materiais, as funções e a produção, para poder, de-
pois, escolher qual área iria seguir.
Segundo Cardoso (2008), a Bauhaus passou por 
fases bastante distintas, sob a gestão de três diretores 
(Gropius, Hannes Meyer e Mies van der Rohe), em 
três diferentes cidades (Weimar, Dessau e Berlim), 
mas sempre dominada por um ideário socialista, por 
isso essa constante mudança devido a fatores políticos.
Podemos citar dois grandes pintores da época 
que passaram pela escola da Bauhaus: o russo Wasii-
ly Kandinsky e o alemão Paul Klee.
Cada artista e diretor que passou influenciou 
uma determinada escola, orientando sua produção.
Essa capacidade da escola de reunir muitas pesso-
as criativas e muito diferentes não só foi o que deu for-
ça para a Bauhaus, mas também gerou conflitos pelas 
personalidades fortes e contradições de pensamentos.
Do ponto de vista pedagógico, a escola também 
esteve em constante mutação, com trocas fre-
quentes de docentes, de cursos e de enfoques. 
Costuma-se dividir essas fases pedagógicas de 
acordo com a ascendência de professores in-
dividuais: por exemplo, muitos estudiosos da 
Bauhaus separam o período inicial, quando 
prevaleceram as ideias expressionistas e místi-
cas de Gropius e Itten, da fase subsequente em 
que dominaram o tecnicismo e o racionalismo Figura 4 - Projeto de design 
Fonte: Bauhaus (on-line).
 DESIGN 
 127
de Moholy-Nagy e Meyer, ou da fase final sob 
Mies van der Rohe, em que o ensino da arquite-
tura passou a ser privilegiado quase que exclu-
sivamente (CARDOSO, 2008, p. 133).
A ideia de se aliar a estética à variedade de materiais 
produzia objetos cuja funcionalidade aparente ga-
nhava irreverência na estética e um ar de inovação. 
Não se trata de um objeto de arte, mas sim de um 
objeto funcional com valor de arte, como mostra a 
Figura 4, que traz uma cadeira.
O design na Bauhaus sempre foi pensado como 
uma ação construtiva, como atividade unificada e 
global e refletindo em muitos aspectos humanos. 
Por isso existiam aulas e oficinas de várias discipli-
nas, como cerâmica, metal, tecelagem, mobiliários, 
vitrais, pintura mural, pintura de cavalete, escultu-
ra e talha, encadernação, impressão gráfica, teatro, 
arquitetura, design de interiores, publicidade e fo-
tografia.O fundamento principal era que essas ofici-
nas sempre ensinassem sobre os princípios da forma 
e da cor.
É possível percebermos que a escola da Bauhaus 
deixou o legado do funcionalismo, em que a forma 
ideal de um objeto é determinada pela sua função, 
trazendo, muitas vezes, fórmulas prontas, em que 
alguns nem mesmo sabiam o porquê de as usarem 
e quais as razões de elas existirem. Claro, isso tam-
bém resultou na produção em massa dos processos 
industriais, mesmo que a maioria dos alunos fossem 
artistas e artesãos.
Por fim, as crises de teorias que cada um impu-
nha na escola, as crises sociais e políticas, o Nazis-
mo e a Segunda Guerra Mundial fizeram com que 
a escola fosse fechada em 1933. Contudo, mesmo 
fechada, transmitiu seus ideais para o modernismo 
do Design e a expansão dele na sociedade.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
128 
O Design pelo Mundo 
 DESIGN 
 129
Caro(a) aluno(a), neste livro já estudamos o concei-
to da palavra Design e suas funções, como ele surgiu 
no mundo, em que contexto histórico foi inserido e 
as transformações que gerou nas sociedades. O que 
você vai ver neste capítulo é a forma como o Design 
se comportou em alguns países mais relevantes, já 
que, como vimos, o Design não é apenas uma for-
ma de criar e produzir algo, mas se relaciona com 
o comportamento do homem, a sociedade que está 
inserido, a história, a cultura, a política, a economia 
e tudo que envolve o funcionamento de um deter-
minado local.
GRÃ-BRETANHA
Para você se situar geograficamente, a Grã-Bretanha 
representa uma das muitas ilhas britânicas da Euro-
pa e, nela, está incluso: Escócia, Inglaterra e País de 
Gales.
Costuma-se chamar a Grã-Bretanha como ter-
ra mãe do design, já que lá se iniciou no século 
18 a industrialização, que foi decisiva para o de-
senvolvimento do design industrial (BURDEK; 
CAMP, 2006, p. 73).
Depois da invenção da máquina à vapor, em 1765, 
pelo escocês James Watt, o período de industrializa-
ção cresceu muito rápido. As máquinas começaram 
a ser desenvolvidas para influenciar no transporte, 
no trabalho, nos materiais e na vida das pessoas.
Figura 5 - Máquina à vapor
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
130 
Os mais significativos representantes do design bri-
tânico para Nikolaus Pevsner (1957) eram: John 
Ruskin, William Morris, Christopher Dresser, Char-
les Rennie Mackintosh, Walter Crane e C. R. Ashbee. 
Em 1915, foi até criada a Design and Industries 
Association (Associação do Design e da Indústria), 
que visava uma transformação no modo de pensar 
design e indústria.
Depois da Primeira Guerra Mundial, os desig-
ners se voltaram para a tradição artesanal, proje-
tando móveis, vidros e têxteis, como um exemplo, a 
Wegdwood, que até hoje é uma das maiores empre-
sas do mundo na indústria de cerâmica, porcelana e 
vidro (BURDEK; CAMP, 2006). Outro exemplo foi 
Douglas Scott, que trabalhou para a London Trans-
port e projetou o legendário ônibus de dois andares 
(Double-Decker) em 1946.
Figura 6 - Ônibus em frente ao Big Ben, em Londres 
Já após a Segunda Guerra Mundial, o que cresceu na 
região foram as empresas automobilísticas, uma vez 
que as inovações tecnológicas começaram a se jun-
tar às tradições do design. Podemos citar a Jaguar, 
Mini Cooper, Rover, entre outras.
Nos anos de 1960, vemos que a cultura pop bri-
tânica influenciou muito o design, a propaganda, a 
arte, a música, a fotografia, a moda, o artesanato e a 
arquitetura de interiores. Foi uma época de mudan-
ça de estilo de vida, principalmente do jovem lu-
tando contra o conservadorismo. Bandas, como os 
Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd representavam 
esse estilo dos jovens. Esse fenômeno estético cul-
tural atingia ramos como o da arquitetura, em que 
o grupo Archigram, por exemplo, desempenhou 
o papel de movimento de vanguarda (BURDEK; 
CAMP, 2006).
A produção dos objetos para o Design de inte-
riores cresceu muito por meio de Sir Terence Con-
ram, que criou a rede de lojas Habitat, em 1964, com 
uma moderna cultura de massa e uma conscienti-
zação progressista do design. Temos exemplos de 
grandes escritórios de Design, conhecidos até hoje 
como FITCH, IDEO e Pentagram.
Quando os anos 1980 chegaram, as instituições 
britânicas começaram a investir pesado no ensino 
e, assim, todas as áreas do Design vão tomando 
proporções ainda maiores na sociedade: design de 
moda, design corporativo, design visual e o design 
digital. Estudiosos calculam que, no início do século 
XXI, cerca de 10% do PIB da Grã-Bretanha seriam 
produzidos pelo design e seus serviços (BURDEK; 
CAMP, 2006, p. 83).
 DESIGN 
 131
ALEMANHA
A Alemanha esteve dividida até a Segunda Guerra 
Mundial, e a República Federal e a República Demo-
crática possuíam características diferentes.
A República Federal obteve influências culturais 
da Bauhaus e da Ulm, que desenvolveu um padrão 
do Design Alemão associados ao conceito de fun-
cional, objetivo, sensato, econômico, simples e neu-
tro (BURDEK; CAMP, 2006).
Existia os definidos “Dez Mandamentos” que 
obedeciam os principais fundamentos do Design ale-
mão: 
1. Alto uso prático.
2. Segurança suficiente.
3. Longo prazo de vida e validade.
4. Adaptação ergonômica.
5. Personalidade técnica e formal.
6. Ligações com o contexto.
7. Amigável com o meio ambiente.
8. Visualização do uso.
9. Alta qualidade de configuração.
10. Estimulação sensorial e intelectual (BUR-
DEK; CAMP, 2006, p. 84).
Era importante utilizar esses fundamentos de for-
mas diferentes, dependendo do projeto a ser cria-
do, e o funcionalismo era o principal a ser defendi-
do pelo Design Alemão. Podemos citar o nome de 
grandes empresas fundamentadas nesse funciona-
lismo, como: Siemens, Audi, Porshe, Volkswagen, 
entre outras.
Segundo Burdek e Camp (2006), somente na vira-
da do século XX para o XXI é que esse conceito do fun-
cionalismo foi deixado de lado para o caminho mais 
pluralista do Design. Já o Design na República Demo-
crática da Alemanha foi marcado por três aspectos:
• Um forte incentivo estatal que se instalou 
após a Segunda Guerra Mundial.
• Uma orientação clara de colocação de temas 
políticos-sociais, por décadas.
• Uma discussão teórica intensa, no início dos 
anos 80, com as questões do funcionalismo 
e da semântica dos produtos (BURDEK; 
CAMP, 2006, p. 103).
As primeiras tarefas do designer nessa região da 
Alemanha eram relacionadas ao domínio público, 
trabalho, transporte, habitação ou lazer. Somente 
nos anos 1960 que começou a crescer uma produ-
ção de bens de consumo e, no fim dos anos 1980, 
iniciou-se uma verdadeira produção desses bens 
(BURDEK; CAMP, 2006).
Quando o Design começou a se desenvolver nos 
bens de consumo, trazia, principalmente, influências 
americanas, italianas e escandinavas. E o design e a arte 
caminhavam juntos, pois tinham um princípio aberto, 
que lidava com as necessidades dos objetos e ambien-
tes, sendo que se melhorava a configuração, mas que 
não fosse deixado de lado as tendências de moda ou 
vida efêmera, por exemplo. Inicia-se, assim, o foco no 
usuário do design, o que, naquela época, não era um 
pensamento muito aceitável (BURDEK; CAMP, 2006).
Ainda segundo Burdek e Camp (2006), Claus 
Dietel e Lutz Rudolph eram as mais conhecidas per-
sonalidades da República Democrática e faziam o 
que estava aos seus alcances para irem contra essa 
ideologia funcional de não pensar no usuário.
As discussões de colóquios e seminários da 
Bauhaus objetivavam mostrar que o funciona-
lismo era um princípio de configuração, não um 
estilo, mas um método de trabalho. Esse lado da 
Alemanha democrática quis transmitir uma preo-
cupação social ao se fazer Design.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
132 
 ITÁLIA
A Itália foi o país que mais teve publicações a res-
peito do Design.
Com o Império Romano foi fundada uma tra-
dição civilizadora e cultural, que se atualizou na 
Renascença por meio do arquiteto Palladio com 
seus inúmeros prédios clássicos até os dias de 
hoje... A ininterrupta importância da arquitetu-
ra, design,arte, literatura, moda e música para a 
vida cultural da Itália, em especial a abertura de 
pequenos empresários para estes temas, além de 
uma abertura para experimentação no design, 
incrementaram a liderança mundial do “design 
italiano” (BURDEK; CAMP, 2006, p. 120).
A diferença do Design italiano era o de se orien-
tar pelo “máximo da existência” a mistura de de-
sign gráfico, mídia, industrial, arte e arte aplicada. 
O ambiente como um todo é o tema (BURDEK; 
CAMP, 2006).
Na Itália, o Design de Moda assume um papel 
importante. Armani, Dolce & Gabbana, Gucci, Pra-
da, entre outros, demonstram que o design determi-
na a sua existência (das Sein).
É interessante observar que, na década de 1980, 
desfazia-se o “american way of life”, a favor de um 
modo fino de vida italiano na moda, mobiliário, au-
tomóveis, na comida ou bebida os padrões globais 
de cultura eram italianos (BURDEK, 2006).
A Itália é caracterizada pelo contraste entre o 
norte altamente industrializado e o sul agrário (BUR-
DEK, 2006). Um papel importante foi feito pela as-
sociação de Design italiana Associazione per il Di-
segno Inustriale (ADI), que desenvolveu as questões 
relacionadas a impostos, direitos e contratos daque-
les que participavam ativamente da vida cultural.
O estilista Giorgio Armani, conhecido como o 
“Imperador de Milão”, nasceu em 11 de julho 
de 1934, na cidade de Piacenza, localizada 
no norte da Itália (ao sul de Milão). Antes de 
entrar no mundo da moda, ele cursou dois 
anos de medicina e, depois, começou a tra-
balhar como vitrinista. Em 1970, iniciou sua 
carreira independente no mundo da moda, 
encorajado pelo seu grande amigo Sergio Ga-
leotti, desenhando e costurando para inú-
meras grifes famosas. Alguns anos depois, 
abriu sua própria empresa e, em 24 de julho 
de 1975, apresentou sua primeira coleção, 
composta por roupas femininas e masculi-
nas, e seu estilo logo se tornou símbolo de 
elegância, com uma alfaiataria sofisticada, 
altas doses de androginia, vestidos de noite 
cheios de glamour, sobriedade nas cores e 
nenhuma influência das tendências da época, 
constituindo roupas e acessórios atemporais.
Fonte: Mundo das marcas (2006, on-line)2.
SAIBA MAIS
O Design italiano tinha grande engajamento na 
política, nas discussões relacionadas ao consumis-
mo, na integração do design com a arte e nas teorias 
do design. A partir da década de 1990, porém, com 
o crescimento do design internacional, o Design ita-
liano foi perdendo sua força e migrando para os ar-
redores como a Espanha, por exemplo.
ESPANHA
Depois do regime de Franco, em 1975, começou um 
desenvolvimento cultural na Espanha que envolveu 
vários setores, incluindo o Design. E a estrutura in-
dustrial do país era muito semelhante ao norte da Itá-
lia, com empresas pequenas e de estrutura semi-arte-
sanal, buscando uma nova cultura e novas tendências.
 DESIGN 
 133
Figura 7 - Park Guell em Barcelona — Antonio Gaudi
Na virada do século 19 para o 20, o arquiteto 
Antonio Gaudi projetou prédios expressivos, 
desenhou interiores e móveis que tiraram sua 
importância destes mesmos valores tradicio-
nais. Gaudi partia do princípio da obra de arte 
total, onde a arquitetura, o mobiliário e a de-
coração do interior de um prédio deveriam ter 
uma mesma “linguagem”, de modo a se comple-
tarem e complementarem (BURDEK; CAMP, 
2006, p. 145).
A Figura 7 apresenta uma das obras de Gaudi. 
Nos anos 1980, a Espanha tinha forte influência do 
design italiano, com um movimento de vanguarda e 
característica neomodernas. Contudo, é importan-
te saber que a época que o Design realmente estou-
rou na Espanha foi em 1992, provocado pelos Jogos 
Olímpicos, em Barcelona, haja vista que ocorreram 
muitos projetos de prédios, design público, lojas e 
locais, além de trabalho de design gráfico para rece-
ber os jogos, o que acarretou em grande desenvolvi-
mento do design (BURDEK; CAMP, 2006).
RÚSSIA
A URSS também contribuiu para o desenvolvimento 
do Design por meio da Vanguarda Soviética. Foi um 
movimento que teve início no começo deste século e 
tinha relação com uma reformulação da estética do 
design. É importante sabermos que esse movimento 
de vanguarda queria entender a forma de um ponto 
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
134 
de vista tal que permitisse levar os objetos ao povo 
(AZEVEDO, 2014).
A preocupação dos artistas e designers, nessa 
época, era reforçar uma profunda mudança social, 
para que o povo fosse o maior beneficiado nas ações 
da arte e do design. Ao mesmo tempo que esse movi-
mento acontecia na União Soviética, sofria influên-
cias do Manifesto Futurista da Europa, que mostrava 
que não era possível descartar a máquina, mas que 
o homem tinha que compreender as mudanças que 
ela traria, além de desenvolver a coletividade urbana 
e não ter medo do futuro. É aí que o movimento da 
vanguarda entra, colocando o Design como inter-
mediário do homem e da máquina.
A palavra de ordem era construir (AZEVEDO, 
2014, p. 27). Foi a partir desse lema que surgiu o 
Construtivismo na Rússia, mas essa reformulação es-
tética foi derrubada na década de 1930, quando Sta-
lin assumiu o poder e trouxe de volta a arte tradicio-
nal figurativa, conhecida como Realismo Socialista.
Depois do Socialismo veio o Comunismo, e as 
mudanças de estrutura da sociedade e economia 
também geraram mudanças no Design. Aos poucos, 
o Design foi entrando no mercado competitivo, mas 
mesmo assim passou por muitas crises relacionadas 
às condições de trabalho.
ESTADOS UNIDOS
Vemos que, a partir do século XVIII, muitos imi-
grantes foram para a América do Norte, levando 
junto suas influências culturais, técnicas e econô-
micas, tornando-se um público tolerante à diversi-
dade de mídias e estilos. Puritanismo e cultura pop, 
espírito inovador e obsessão econômica, presença 
hegemônica e preservação de culturas regionais são 
alguns dos pontos que influenciaram a expressão do 
Design (BURDEK; CAMP, 2006, p. 177).
Os Estados Unidos foi um país que difundiu 
o design orientado para o sucesso, o domínio do 
produto-cultural. Alguns dos principais imigran-
tes que vieram para o país foram Herbert Bayer, 
Walter Gropius e Ludwig Mies van der Rohe. Eles 
trouxeram algumas tendências funcionalistas da 
Bauhaus.
A produção em massa do século XX foi bem 
desenvolvida nos EUA por causa da mecanização 
e automação. Diferente de um aspecto só funcio-
nalista, os Estados Unidos reconheceu o incenti-
vo à venda de um bom design (BURDEK; CAMP, 
2006).
Surge, então, a década do Streamline, derivado 
de princípios aerodinâmicos, símbolo da mobilida-
de da sociedade americana. O que os designers que-
riam era tornar seus produtos irresistíveis, de acordo 
com o desejo do usuário. A pesquisa de novos ma-
teriais e tecnologias cresceu e muitos profissionais e 
empresas começaram a surgir.
Os anos 1960 foi um período de conflito pelos 
movimentos de crítica social e econômica, relacio-
nadas ao consumo excessivo. Contudo, não impediu 
que os EUA chegassem aos anos 1980 como um país 
de enorme influência global no aspecto do design. 
Podemos citar como exemplo empresas atualmen-
te conhecidas, como Ford, Harley Davidson, Apple, 
IBM, Microsoft, Xerox, Nike e Tupperware, que sur-
giram nessa época.
E, para finalizar, podemos citar como uma re-
gião de extrema importância mundial para o De-
sign, o Vale do Silício, localizado na Califórnia, que 
é considerado o centro mundial do Design. Um 
centro cheio de grandes nomes e empresas relacio-
 DESIGN 
 135
nadas ao desenvolvimento de produtos e pesquisa 
de Design.
É interessante percebermos como o Design 
não acontece isoladamente nos diferentes países do 
mundo, como alguns movimentos e ideais sempre 
se utilizam de conceitos de outro, ou até usam de 
exemplo para contrariar totalmente aquela ideia da 
qual não concordam.
E, assim, nascem os designers, as empresas, as 
marcas, os produtos e serviços que transformam 
a vida do homem como usuário, como sociedade, 
como história de um todo influenciadopor esse 
grande poder do Design até hoje.
BRASIL
Após falarmos sobre o Design no contexto de alguns 
países mais importantes, se tratando da história e 
desenvolvimento dele, vamos, agora, ter um parâ-
metro da história do Design no Brasil, quais foram 
suas influências principais e os autores que contri-
buíram para que, hoje, o Design seja tão importante 
em nosso país.
A tarefa de esboçar um histórico do Design 
Gráfico brasileiro é, sem dúvida, uma em-
preitada complicada. Dependendo da diretriz 
adotada é possível apontar pontos de partida 
Figura 8 - Vale do Silício
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
136 
completamente diferentes. Uma corrente mais 
comprometida com o Modernismo, o qual do-
minou boa parte da produção artística dos anos 
1910 a 1960 costuma relacionar o surgimento 
do Design no Brasil aos desdobramentos des-
ta época, com as experimentações do Instituto 
de Arte Contemporânea do MASP, em 1951, e 
a inauguração da Escola Superior de Desenho 
Industrial (ESDI), em 1963 (PUC-RIO, 2015, p. 
23, on-line)3.
Foi nessa época que o Design começou a ser visto no 
Brasil como conceito, profissão e ideologia. Contudo 
a atividade projetual em si já existia antes mesmo do 
Modernismo, visto que, com a Revolução Industrial, 
o Brasil também se envolveu com as transformações 
ditadas pela evolução de máquinas e trabalho.
Porém, podemos dizer que o Brasil foi além das 
características ditadas por movimentos internacio-
nais, como a Bauhaus, escola de Ulm e o Neoplas-
ticismo, porque se trata de um país de variedade 
cultural e tradição rica autenticamente brasileira 
(PUC-Rio, 2015)3.
Na década de 1950, vemos que o Design surgiu 
com a ideia de produtividade, racionalização e padro-
nização, para se diferenciar dos processos artísticos. 
Criam-se processos de desenvolvimento, e o Design é 
inserido na gestão das empresas. Contudo, no Brasil, 
nessa época, o design era usado apenas para maquiar 
os projetos com alguns traços (BONSIEPE, 1997).
Já na década de 1960, essa padronagem é que-
brada devido aos movimentos sociais e contra-cul-
turais. Há uma crítica à sociedade de consumo e um 
desejo de desenvolvimento do Design como uma 
cultura fora dos padrões consumistas. No fim dessa 
década, os movimentos culturais utilizavam muito 
de materiais gráficos para suas expressões públicas. 
Tropicalismo
Logo depois de sua “explosão” inicial, transfor-
mou-se num termo corrente da indústria cul-
tural e da mídia. Em que pesem as polêmicas 
geradas inicialmente (e não foram poucas), o 
Tropicalismo acabou consagrado como ponto 
de clivagem ou ruptura em diversos níveis: 
comportamental, político-ideológico e estéti-
co. Ora apresentado como a face brasileira da 
contracultura, ora apresentado como o ponto 
de convergência das vanguardas artísticas 
mais radicais (como a Antropofagia Modernis-
ta dos anos 20 e a Poesia Concreta dos anos 
50, passando pelos procedimentos musicais 
da Bossa Nova), o Tropicalismo, seus heróis e 
“eventos fundadores” passaram a ser amados 
ou odiados com a mesma intensidade. 
Fonte: Napolitano e Villaça (1998).
SAIBA MAIS
É quando surge, por exemplo, o Tropicalismo no 
Brasil, com um Design racionalista que se aproxima 
da cultura popular.
Foi na década de 1970 que o Design começou a 
ser discutido no âmbito político, e surge a necessi-
dade de uma busca pelo Design nacional, não só no 
Brasil, mas em vários países. A busca de identidade 
é motivada pelo desejo de autonomia, vale dizer, o 
poder e a capacidade de determinar o próprio futuro 
(BONSIEPE, 1997, p. 15).
Vemos que, com a tecnologia em rápido desen-
volvimento, os anos 1980 entram com tudo no que o 
Design vai enxergar como forma e estilo, aquilo que 
é criado é visto como objeto de desejo, de culto. 
E caminhando para a década de 1990, até hoje, 
 DESIGN 
 137
começamos a enxergar o Design no Brasil como algo 
além de processos, forma ou estilo e movimento cul-
tural. Design é projetar para o desenvolvimento de 
uma sociedade que tenta sempre melhorar em suas 
questões políticas, sociais, econômicas, ambientais, 
com uma procura maior por sustentabilidade devi-
do ao crescimento exorbitante das tecnologias e des-
truição de matéria-prima e meio ambiente.
Segundo Burdek e Camp (2006), os pontos fortes 
das atividades de Design no Brasil são a indústria do 
mobiliário, com bastante exportação, e, desde os anos 
1980, o que vem crescendo é a indústria da compu-
tação e das telecomunicações. O design no Brasil é 
uma atividade relativamente nova e ainda tem muitos 
campos a explorar em relação a outros países. 
E, para finalizar, podemos citar como autores 
principais do desenvolvimento do Design no Brasil 
Alexandre Wollner, que criou a Escola Superior de 
Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, no 
início dos anos 1960, baseado na escola de Ulm, que 
ele cursou na Alemanha; Sérgio Rodrigues, um ar-
quiteto que se especializou em design de mobiliário 
e que criou a empresa OCA, inclusive, ganhou um 
prêmio com a criação da poltrona Mole no Con-
curso Internacional de Design de Móveis de Cantu, 
na Itália (BURDEK; CAMP, 2006).Também temos 
Lina Bo Bardi, que criou o estúdio Palma, em São 
Paulo, em 1948, executando projetos das primeiras 
cadeiras dobráveis para serem empilhadas, por meio 
da ideia “do it yourself ” (faça você mesmo); Oscar 
Niemeyer, arquiteto que projetou Brasília, em 1957, 
transpirando pela primeira vez o design brasileiro 
no âmbito internacional, trabalhando sempre com 
linhas orgânicas e construções esculturais de con-
creto (AZEVEDO, 2014). E, atualmente, os irmãos 
Campana, que têm feito um trabalho de mobiliário 
baseado no artesanato e projeto peculiar, com mate-
riais geralmente descartados ou improváveis.
Espero que você tenha apreciado a leitura e com-
preendido a importância do design, os movimentos 
que mais o influenciaram e como ele se desenvolveu 
pelo mundo. 
138 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, aprendemos o significado da palavra design e as 
diversas funções que o Design fomenta em nossas sociedades.
Também descobrimos o processo histórico do Design por meio da Revolução 
Industrial e como a história contribuiu para o desenvolvimento do conceito e carac-
terísticas do Design no mundo.
É interessante percebermos o quanto nossa história influenciou os conceitos e os 
processos de desenvolvimento de nossa profissão, desde o desenvolvimento inicial 
da indústria; o Arts & Crafts, que enfrentava a crise do artesanal x industrial procu-
rando a integração entre esses dois elementos.
Em seguida veio a Bauhaus, que foi criada em tempos de guerra, lutando contra 
os princípios nazistas e tentando reerguer uma nação e refletir sobre os caminhos do 
Design por meio de técnicas e de novos materiais. 
Conhecemos alguns países de importante influência do Design, como Grã-Bre-
tanha, Itália, Espanha, Estados Unidos e suas caraterísticas semelhantes e contrárias 
do comportamento do Design. E podemos perceber como é impossível, por mais que 
sejam países diferentes, as características e movimentos históricos não se cruzarem.
Por fim, conhecemos o cenário do design brasileiro e as características principais 
de cada década até os dias de hoje, percebendo que esse cenário em nosso país é 
ainda mais recente do que em outros países e que o Design ainda passa por um gran-
de processo de desenvolvimento e valorização. Lembrando que o Brasil possui uma 
grande diversidade cultural, que contribuiu para características peculiares e variadas 
do Design.
Não se esqueça: conhecer o que é Design e de onde ele surgiu é muito importante 
para sua formação como profissional, dito que saber de onde viemos, o que fazemos 
e para onde vamos faz o caminho de nossa profissão ser o melhor possível. 
 139
atividades de estudo
1. Qual é a origem da palavra Design na língua inglesa? Assinale a alternativa 
correta.
a. Projetar.
b. Criar e planejar.
c. Desenhar.
d. Planejar, designar.
e. Designar e criar.
2. O Internacional Design Centerde Berlim, em 1979, por ocasião de uma de 
suas exposições, descreveu sobre o Design. Leia as afirmativas a seguir e assi-
nale a alternativa correta.
I. O bom design se limita a uma técnica de empacotamento. Ele não precisa 
expressar as particularidades de cada produto por meio de uma configuração 
própria.
II. Ele deve tornar visível à função do produto.
III. O bom design deve tornar transparente o estado mais atual do desenvolvi-
mento da técnica.
IV. Ele não deve se ater apenas ao produto em si, mas deve responder a outras 
questões.
V. O bom design não, necessariamente, faz relação do homem e do objeto, o 
ponto de partida da configuração.
Marque a alternativa correta.
a. I e II.
b. II, III e IV.
c. II, III e V.
d. I, III e IV.
e. IV e V.
140 
atividades de estudo
3. A Alemanha Democrática foi marcada por algumas características no Design. 
Dentre elas, qual está correta?
a. Um forte incentivo estatal.
b. Nenhum apelo político-social.
c. Discussões contra o funcionalismo.
d. Uma distância da política.
e. Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
4. A filosofia do movimento “Arts and Crafts” girava em torno da repercussão dos 
valores produtivos tradicionais defendidos por Ruskin. Diante disso, assinale 
a afirmativa correta.
a. Maior integração entre projeto e execução.
b. Divisão de fases na produção.
c. Valorização muito maior do projeto.
d. Qualidade dos materiais somente na execução.
e. Nenhuma das afirmativas anteriores.
5. É na linha de frente artesão-máquina que surge a escola Bauhaus, fundada 
em 1919, na Alemanha, por Walter Gropius. Seria impossível entender, hoje, o 
que é design sem entender o que foi a Bauhaus (AZEVEDO, 2014, p. 19). Fale, 
então, sobre as três fases distintas lideradas por três líderes diferentes na 
Bauhaus e, depois, comente sobre os fatos que levaram ao fechamento da 
escola.
 141
LEITURA
COMPLEMENTAR
Brasilidade deve ser meio, não fim.
Para começo de conversa, o tema da identidade nacional é sempre delicado. Quando lou-
var a nação torna-se um fi m em si mesmo, descambando para o ufanismo, as consequên-
cias podem ser desastrosas. Na esfera política, essa verdade é mais facilmente constatável, 
mas o argumento não é menos verdadeiro se aplicado ao design ou à moda. Aliás, em 
qualquer campo, o resultado da aplicação da ideia de identidade nacional terá sempre uma 
componente política.
Por isso, pus as barbas de molho com relação à onda do “Brasil grande” que vivemos nos 
últimos anos, especialmente diante da ideia de que o país está (ou estava) na moda. Se é 
inegável que a tal brasilidade ganhou o seu “momentum”, muito atrelado aos infl uxos do 
mercado fi nanceiro global, preocupava-me muito mais o que aconteceria quando a maré 
virasse, como está ocorrendo agora. A onda internacional favorável ao Brasil vai se dissi-
pando para dar lugar ao que ela nunca deixou de ser: uma miragem ideológica, instrumen-
talizada pelo poder para vender a ideia de que tudo vai bem, só que não.
De qualquer modo, o “identikit” brasileiro evoluiu neste início de milênio, sobretudo do 
ponto de vista externo, e o design é um dos campos que tem mais espaço para explorar 
tais valores agregados à cesta do que defi ne o “ser brasileiro”. Em certos casos, já o faz, 
mas pode fazer mais e melhor. Por exemplo, a imagem brasileira “para gringo ver” não se 
limita mais aos eternos clichês praia-futebol-e-carnaval. A percepção de um país urbano e 
mais moderno, cuja maioria da população tem um nível de renda médio (em que pesem 
as controvérsias sobre a defi nição de “médio”), sem dúvida abre espaço para marcas e de-
signers mais inovadores, menos atrelados a estereótipos. O imaginário ligado à natureza 
exuberante, outro dado da nossa identidade desde os tempos coloniais, ainda tem muito 
que evoluir para uma linguagem mais moderna, incluindo a de um país que pode ser líder 
em desenvolvimento sustentável (isto é, se o descaso e a inépcia dos governos não sepul-
tarem de vez essa possibilidade, como vem ocorrendo). Nessa área, o design tem muito a 
contribuir — não só o ecodesign, categoria que não tardará a perder o sentido: todo design 
será sustentável ou não será.
Tentando equacionar as relações entre identidade nacional e design, num plano mais geral 
e global, vejo três estratégias em curso, atualmente. Marcas, produtos e serviços forte-
mente internacionalizados posicionam-se com design e linguagem universalizantes, pouco 
informados por códigos nacionais ou locais (no sentido de que a Hyundai não tem nada de 
142 
LEITURA
COMPLEMENTAR
especifi camente coreana, nem a H&M de sueca ou a Embraer de brasileira). Por outro lado, 
e esta é a segunda estratégia, isso não exclui a existência de traços culturais distintivos que 
possam ser apropriados como território de posicionamento. Um bom exemplo é o das 
marcas de moda cariocas, que têm tido sucesso comunicando em condensado a ideia de 
um estilo de vida jovem e descolado, associado à praia e ao verão. Tal estratégia também é 
marcante no trabalho de designers mais autorais. Finalmente, uma terceira via, mais recen-
te, surge cruzando identidades e dando origem a linguagens que desafi am as classifi cações 
tradicionais. É o caso da Shang Xia, nova marca de luxo que se originou da parceria entre a 
francesa Hermès e a estilista chinesa Jiang Qiong Er. O resultado é um híbrido de elegância 
minimalista europeia com estética orientalizante.
Para concluir, cito um trecho do capítulo novo que escrevi para o relançamento em e-book 
do meu livro “Universo da Moda”, e que vem bem a calhar: “Querer a todo custo emitir 
sinais de ‘identidade brasileira’ pode ser tão desastroso quanto o esforço para ser engra-
çado. É grande o risco de que o resultado seja o oposto daquilo que se pretendia: o ser 
vira parecer, a piada perde a graça. Em pleno século XXI, a brasilidade não deve ser tratada 
como um fi m a ser alcançado em si mesmo, mas como um meio de dizer outras coisas, de 
contar outras histórias, muito mais relevantes para o consumidor do que a reafi rmação de 
uma identidade nacional”.
Fonte: Caldas (2016, on-line)4.
 DESIGN 
 143
Arquitetura e Design 
Adélia Borges
Editora: Editora Viana e Mosley
Ano: 2003
Sinopse: dia 22 de setembro de 2007, o arquiteto e designer Sér-
gio Rodrigues comemora 80 anos e, para homenageá-lo, a editora 
Viana & Mosley está publicando uma reedição comemorativa do 
livro “Sergio Rodrigues”, com texto de Adélia Borges. Nesta nova edição acrescida, convi-
damos também alguns designers e arquitetos para escreverem frases em homenagem ao 
Sérgio Rodrigues. Como parte da coleção Arquitetura e Design, este livro é uma introdução 
à obra do designer Sergio Rodrigues, com 44 imagens e um texto de autoria da jornalista 
Adélia Borges. 
Alexandre Wollner, um dos pioneiros do Design no Brasil, fala sobre suas experiências de 
trabalho pessoais, os conhecimentos adquiridos na escola de Ulm, na Alemanha, e como ele 
enxerga a evolução do Design em nosso país.
Acesse o link disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=s7LOZLMRRO0>. 
144 
referências
AZEVEDO, W. O que é design. São Paulo: Brasiliense, 2014. 
BONSIEPE, G. Design do material ao digital. Florianópolis: FIESC/IEL, 1997.
BURDEK, B. E.; CAMP, F. V. Design: história, teoria e prática do design de produtos. 
São Paulo: Edgard Blücher, 2006.
CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. 3. ed. São Paulo: Edgard Blü-
cher, 2010.
DEBOLON V. Heinze. Disponível em: <http://www.heinze.de/alles-zu/kunststoffbe-
lag-trittstufenformteile/5271244>. Acesso em: 27 set. 2017.
NAPOLITANO, M.; VILLAÇA, M. M. Tropicalismo: As Relíquias do Brasil em De-
bate. Rev. bras. Hist. v. 18, n. 35, São Paulo, 1998. On-line version ISSN 1806-9347.
SOUZA, P. Notas para uma história do Design. Rio de Janeiro: 2AB, 1997.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: <https://ericreber.wordpress.com/2009/04/13/the-arts-and-crafts-movemen-
t/#jp-carousel-124>. Acesso em: 02 ago. 2017.
2 Em: <http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/07/giorgio-armani-o-em-prio-da-moda.html>. Acesso em: 02 ago. 2017.
3 Em: <www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0510309_07_cap_02.pdf>. 
Acesso em: 27 set. 2017.
4 Em: <http://www.abcdesign.com.br/deve-ser-meio-nao-fim/>. Acesso em: 27 set. 
2017.
 145
gabarito
1. d.
2. b.
3. a.
4. a.
5. A Bauhaus passou por fases bastante distintas, sob três diretores (Gropius, 
Hannes Meyer e Mies van der Rohe), em três diferentes cidades (Weimar, Des-
sau e Berlim). Sempre sendo dominada por um ideário socialista, por isso essa 
constante mudança devido a fatores políticos.
Por fim, as crises de teorias que cada um impunha na escola, as crises sociais 
e políticas, o Nazismo e a Segunda Guerra Mundial fizeram com que a escola 
fosse fechada em 1933. Contudo, mesmo fechada, transmitiu seus ideais para 
o modernismo do Design e a expansão dele na sociedade.
Professora Dra Paula Piva Linke
Professora Esp Vanessa Barbosa dos Santos
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Design de interiores
• Design de moda
• Design efêmero
• Design gráfi co
• Design de produto
• Design digital
Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer a área de atuação em interiores, os processos e as ferramentas de trabalho 
e os projetos desenvolvidos por um profi ssional da área.
• Entender os projetos de Design Efêmero, quais são as áreas de atuação, os principais 
conhecimentos necessários e exemplos de projetos.
• Conhecer sobre a profi ssão do design em Moda e as principais áreas de atuação no 
mercado de trabalho.
• Descobrir o objetivo desta área profi ssional, quais os ramos de criação e trabalho, as 
ferramentas utilizadas e os tipos de projeto a serem executados pela profi ssão.
• Compreender as atuações de um designer de produto, as fases de criação e 
desenvolvimento e seu posicionamento no mercado.
• Entender os processos de transformação das tecnologias, e os processos da evolução 
do design para o mundo de hoje e sua atuação no mundo digital.
ÁREAS DO DESIGN
V
unidade
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à última unidade deste livro, na qual você pode-
rá aprender mais sobre a História da Arte e do design, seus principais 
estilos, as épocas mais marcantes, seus significados, autores e obras en-
volvidas.
Em nosso dia a dia, podemos perceber que o Design está inserido em 
praticamente todas as nossas ações, em tudo que temos em nossa volta. 
Desde a casa em que moramos, o tênis que usamos, a escova de dente, a 
marca do leite que tomamos no café da manhã, o ônibus que pegamos 
para ir pro trabalho, a xícara do café, as redes sociais que acessamos e até 
o cartaz do show que queremos ir. Tudo no mundo, hoje, se interliga por 
meio do design e, para que isso chegue até nós, os profissionais precisam 
estudar e desenvolver seus conhecimentos teóricos e práticos para chega-
rem a um resultado que se adeque às necessidades e desejos do público 
final.
Nesta unidade, vamos conhecer mais sobre as áreas que um profis-
sional de Design pode atuar e quando elas começaram a ganhar força no 
mercado e na sociedade. Quais são os tipos de trabalho que o profissional 
de design pode desenvolver, quais as ferramentas que você deve conhecer 
e as ramificações dentro de uma área.
Dentro dessas áreas que se manifestam o Design, vamos conhecer: o 
Design de interiores, o Design Gráfico, o Design de Moda, o Design de 
Produto e o Design Digital.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
150 
DESIGN DE
INTERIORES
O Design de interiores é uma área que vem crescendo 
cada dia mais no mercado do Design. O que antes era 
apenas um ramo desenvolvido por arquitetos que cria-
vam mobiliário ou projetavam alguns espaços internos, 
baseados em suas construções, ou até mesmo artistas 
que se interessavam devido a uma aptidão específica, 
hoje, se tornou uma profissão de renome e que exige 
estudos específicos para projeção de interiores.
O que, anteriormente, era denominado como de-
coração de interiores, em que se faziam pequenas 
transformações com objetos, iluminação e materiais, 
hoje, é estudado como a ciência de projetar os espa-
ços baseados no comportamento das pessoas, para 
criar algo relacionado à funcionalidade e à necessi-
dade dessas pessoas. 
 DESIGN 
 151
Numa acepção mais ampla, significa o pla-
nejamento, a organização, a decoração e a 
composição do layout espacial de mobiliário, 
equipamentos, acessórios, objetos de arte etc., 
dispostos em espaços internos habitacionais, 
de trabalho, cultura, lazer e outros semelhantes 
(GOMES FILHO, 2006, p. 21).
Conforto, funcionalidade e beleza é o que o Designer 
de Interiores procura em seus projetos e, para isso, 
busca um conhecimento em cores, materiais, história, 
acabamentos, desenho técnico, conforto, iluminação e 
ergonomia. Além disso, busca analisar as necessidades 
do cliente, seu perfil de vida, estilo e comportamento.
Como Designer de Interiores, o profissional 
pode atuar em projetos como:
PROJETOS RESIDENCIAIS
A área mais conhecida para projetos de interior é a 
área de projetos habitacionais; para isso, é necessário 
um briefing baseado em seu cliente. É preciso que o 
Design estude a fundo seus hábitos, suas preferências, 
suas necessidades e, a partir daí, comece a desenvol-
ver o projeto do espaço, a distribuição e a criação de 
mobiliário, a escolha de cores e materiais, o estilo, o 
revestimento e o acabamento, a iluminação, que esta-
beleçam relação com o briefing feito no início.
PROJETOS COMERCIAIS
Os projetos comerciais não são muito diferentes de 
projetos residenciais, pois o desenvolvimento da 
ideia, os briefings e os conhecimentos para o desen-
volvimento do projeto são os mesmos. Porém, em 
projetos comerciais, tem-se um diferencial, pois não 
haverão pessoas habitando o local; entretanto, há, 
além do dono do estabelecimento, o consumidor que 
vai usufruir do espaço em um determinado tempo. 
É necessário, então, um conhecimento do perfil do 
cliente, para que ajude na criação do projeto. 
Além disso, é importante uma compreensão da mar-
ca, do tipo de produto ou serviço do estabelecimen-
to, pois isso também influencia no projeto com rela-
ção aos materiais, as cores, aos objetos e aos espaços 
obrigatórios, sendo um diferencial grande do pro-
fissional. Caso a marca ainda não possua uma iden-
tidade visual, pode também ser desenvolvida pelo 
próprio designer, para que todo seu projeto interior 
esteja relacionado à marca.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
152 
PAISAGISMO
Uma outra área em que o Designer de Interiores 
pode atuar é a de paisagismo. Tanto em áreas ex-
ternas quanto internas, públicas ou privadas, o pai-
sagismo vem obtendo uma exigência ainda maior 
daqueles que procuram o projeto de um designer. É 
importante saber sobre paisagem, cidade, história, 
espécies e plantas e suas relações com o local do pro-
jeto, empreendedorismo, sustentabilidade, urbanis-
mo e processos de instalação.
ILUMINAÇÃO
A área de iluminação é um outro setor em ascensão no 
Design de Interiores, que exige alguns conhecimen-
tos técnicos e tecnológicos mais aguçados. Cálculo e 
softwares serão muito utilizados, também, conheci-
mentos sobre conforto ambiental, iluminação natural 
e artificial, luminárias, projetos cenográficos, de lazer, 
obras públicas e saúde. Há, ainda, os conhecimentos 
sobre sustentabilidade, já que estamos falando de pro-
jeto que consome energia, gestão e instalação.
MOBILIÁRIO
Para finalizar as área de interiores, temos, aqui, os 
projetos de mobiliário, que podem ser projetados 
para um espaço completo, conhecidos como móveis 
planejados, podendo ser um mobiliário específico, 
como as cadeiras, por exemplo. Existem profissionais 
que trabalham so-
mente nessa área 
e cabe dizer que, 
para criação de 
mobiliário, é im-
portante saber sobre 
o Design em geral, 
história, contex-
to e conceito de 
criação, prática 
de projeto e desen-
volvimento de pro-
duto; veremos mais a 
seguir sobre o Design 
de Produto.
 DESIGN 
 153
Por que o homem se veste? A esta pergunta tão 
essencial,foram muitas as tentativas de respos-
tas, mas estas sempre estiveram repertoriadas em 
torno de três aspectos fundamentais: pudor, pro-
teção e ornamentação. Pudor para esconder sua 
nudez, proteção contra as intempéries e adorno 
para se fazer notar (CIDREIRA, 2005, p. 39).
Por mais que possamos pensar que se vestir é algo 
que o homem faz desde os tempos primórdios, po-
demos notar que a moda em si não surgiu naquela 
época, pois, segundo Cidreira (2005), a moda é uma 
construção cultural, localizada no tempo e no espaço, 
e os povos primitivos desconheciam esse conceito.
Podemos dizer, então, que a moda apareceu no 
fim da Idade Média, Século XV, no período do Re-
nascimento, mais precisamente na França, por causa 
da organização da vida nas cortes; depois, com a vida 
urbana em crescimento, as pessoas começaram a ter 
o desejo de imitar as roupas dos nobres. 
Moda vem do latin modus, significando “modo”, 
“maneira”. Em inglês, moda é fashion, corruptela 
da palavra francesa façon, que também quer dizer 
“modo”, “maneira” (PALOMINO, 2003, p. 15).
Então, a moda surge para ditar o modo ou a maneira 
como as pessoas se vestem relacionadas ao seu com-
portamento, pensamentos, cultura, história, econo-
mia e política em que elas estão inseridas.
É a partir daí que a o Design de Moda se insere como 
precursor principal da disseminação estética do homem.
DESIGN DE
MODA
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
154 
O conceito de “estar na moda” se auto-explica e 
se confunde. Tratar de moda implica lidar com 
elementos os mais complexos, especialmente 
quando combinados. Entrando nesse assunto, 
tangemos valores como imagem, auto-imagem, 
auto-estima, política, sexo...estética, padrões de 
beleza e inovações tecnológicas, além de um ca-
leidoscópio de outros temas: desde condições cli-
máticas, bailes, festas, restaurantes ou uniformes 
até cores (e a ausência delas), modelos, top mo-
dels, supermodels ou gente “normal”, mídia, foto-
grafia de moda, moda de rua, tribos (e a ausência 
delas); música e diversão, mas também crise e 
recessão, criatividade e talento. Dinheiro tam-
bém. E vaidade, competitividade, ego, modismos 
e atemporalidades, história e futuro, excessos, ra-
dicalismos e básicos (PALMONIO, 2003, p. 8-9).
E nessa mistura de conteúdos, o profissional De-
signer de Moda trabalha com vários conteúdos e 
conhecimentos, podendo atuar em áreas diferentes 
dentro da própria Moda. É isso que vamos conhecer 
um pouco neste tópico.
Segundo Matharu (2011), o Designer de Moda deve 
ter entendimento sobre 3D, técnicas de fabricação, 
habilidades comunicativas, de gerenciamento, com-
preensão dos métodos de produção e conhecimento 
geral do mercado - identificando os desejos do clien-
te, analisando os sucessos e os fracassos e implemen-
tando mudança para o próximo ciclo.
Veja, então, as possíveis áreas para o profissional 
de Design de Moda seguir:
DESIGN E CRIAÇÃO
Nessa área, o designer pode trabalhar como estilista, 
a tão conhecida e cobiçada área da Moda, desenvol-
ver produtos, acessórios ou superfícies relacionados 
à Moda, ser ilustrador ou joalheiro. Para trabalhar 
com a área de criação, é necessário desenvolver habi-
lidades de criatividade, processos criativos, conhecer 
sobre a história do Design, cores, materiais, indús-
tria e produção, além de estar sempre conectado às 
transformações do mundo e da sociedade, cultura, 
economia, política e meio-ambiente.
 DESIGN 
 155
CONSULTORIA
Essa é uma área que não trabalha diretamente com 
a criação, e sim com o usuário dos produtos finais 
da Moda. Podendo ser personal stylist, consultor 
de Moda, consultor de imagem, personal shopper, 
agente de modelo e colorista.
Para trabalhar com consultoria, é necessário um 
ótimo relacionamento interpessoal, conhecimento 
de comportamento humano e estilos, já que, mais do 
que escolher uma roupa considerada da moda atual, 
é importante conhecer o cliente de maneira pessoal, 
sua história, sua forma de pensar, o contexto em que 
está inserido, para guiá-lo a uma melhor forma de se 
comportar no seu dia a dia.
TEATRO E TELEVISÃO
Outra área cobiçada pelos Designers de Moda é a área 
de figurinista, podendo atuar no mercado da arte, 
como o teatro, as novelas e os filmes. Nesse área, as-
sim como na criação, é necessário um conhecimento 
abrangente não só da Moda, mas, principalmente, ter 
aptidão para pesquisar e conhecer outras áreas, já que, 
em se tratando de uma produção de uma peça de teatro 
ou uma novela, por exemplo, existe todo um contexto 
histórico, o comportamento das personagens, cenário, 
que devem estar em relação com o figurino criado.
COMUNICAÇÃO
Considerada a área que mais cresce na atualidade, 
a comunicação em Moda vem obtendo um papel 
muito importante na sociedade, devido à explosão 
de meios de comunicação e redes sociais disponíveis 
hoje em dia. Como exemplo, temos o blogueiro, o 
colunista, o jornalista, o editor, o assessor de impren-
sa e relações públicas, ou seja, todas essas áreas que 
exigem uma habilidade de se expressar, falar em pú-
blico, expor ideias e ideais por meio das mídias. 
INDÚSTRIA
O Designer de Moda que atua na indústria trabalha-
rá como tecnólogo têxtil, obtendo conhecimentos 
sobre fios, malhas, tecidos, tinturaria e maquinário. 
Além do conhecimento das tendências de mercado da 
moda que serão atingidas pela produção da indústria.
PRODUÇÃO
O profissional que atua na área de produção já tem 
o produto final e vai trabalhar para que esse produto 
chegue da melhor forma possível ao consumidor da 
Moda. São esses os vitrinistas, os responsáveis pelo 
merchandising e direção de marketing. É importante 
aqui estudar e desenvolver as melhores formas de se 
estabelecer a relação do produto com o consumidor.
INFORMÁTICA
Nesse setor, os conhecimentos de Moda são os mes-
mos, porém há a necessidade de conhecimento de 
tecnologias e softwares para desenvolvimento das 
áreas, como ilustrador, desenhista técnico, modelis-
ta, design de estampa e colorista.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
156 
CONFECÇÃO
Esse é o setor em que se coloca “a mão na massa”. 
O profissional pode trabalhar como modelista, cos-
turar, ser desenhista técnico, pilotista, tecnólogo de 
vestuário e gerente de produção. Quando uma co-
leção é desenvolvida, por exemplo, após passar pela 
etapa de pesquisa e criação, ela vai ser executada e é 
aqui que entra o trabalho desses profissionais.
ADMINISTRATIVA
O setor administrativo é o responsável pela parte 
racional e comercial do Design de Moda. O 
empresário, administrador, gerente de moda e de 
produto vai gerenciar e administrar a relação do 
produto com o mercado, conforme as transformações 
desse mercado, de uma marca ou uma empresa. Nessa 
área, é necessário desenvolver um conhecimento de 
marketing, administração e economia.
MARKETING
Nessa área, pode-se trabalhar como produtor de 
moda, de desfile, fotógrafo, cabelo e maquiagem. São 
áreas do marketing da moda, em que o profissional 
trabalha para entregar, da melhor forma possível, um 
novo produto da Moda. Um lançamento de marca, 
uma nova coleção, uma nova tendência e/ou conceito.
PESQUISA
Na área de pesquisa, pode-se trabalhar como coo-
lhunting, curador de moda, historiador e professor 
são áreas relacionadas à pesquisa de moda, em que 
todas as outras áreas são necessárias para o estudo, o 
conhecimento e o ensino. Além de saber do passado 
da Moda, é importante saber dos movimentos atuais 
e das possíveis transformações da Moda em si, da 
sociedade como um todo e das influências que uma 
tem sobre a outra.
 DESIGN 
 157
Figura 1 - Áreas de Moda
Fonte: adaptado de Fagundes (2015, on-line)1.
É interessante conhecermos as áreas de atuação de 
um Designer de Moda, para quebrarmos o paradig-
ma de que a Moda está relacionada somente ao esti-
lista e todo aquele glamour que estamos acostuma-
dos a ver em desfiles famosos. Vai muito além disso 
e existe um contexto de pesquisa, desenvolvimento e 
conhecimento muito importante dentro do Design 
da Moda em nossasociedade.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
158 
Os projetos efêmeros são aqueles que são transitó-
rios e passageiros, que crescem no mercado de forma 
explosiva no século XXI. Esse tipo de projeto tem-
porário pode ser executado por profissionais da área 
de Design de Interiores, utilizando-se dos mesmos 
princípios e processos de projeto e execução, inclu-
sive, essa área foi incluída em algumas matrizes de 
ensino do curso, por se tratar de uma área em grande 
crescimento no mercado e com possibilidades muito 
interessantes de atuação e criação.
Como o nosso mundo caminha em constante 
mudança e inovação, cada dia mais rápido, os proje-
tos efêmeros têm sido muito valorizados, pois são de 
forma intensa e, em prática, projetados, trazendo o 
olhar das pessoas pra algo que sai da monotonia, da 
rotina. Isto é, os projetos efêmeros são espaços que 
não estavam ali ontem e, talvez, não estejam amanhã, 
mas que bem projetados ficarão marcados na memó-
ria daqueles que o viram.
PROJETO DE STAND
Começamos com projetos de vitrine, que são os 
projetos feitos em lojas comerciais, para divulgar 
o lançamento de novas coleções, novos produtos e 
marcas, eventos, estações e promoções. São peque-
nos cenários montados na entrada da loja e, para de-
senvolvê-los, é importante pensar no projeto de for-
ma a agregar ao produto em destaque os materiais, 
as texturas, a iluminação, os objetos e os possíveis 
manequins.
DESIGN
EFÊMERO
 DESIGN 
 159
Figura 2 - Imagem
Fonte: Imagem ([2017], on-line)2.
Depois, temos os projetos de stands, que podem 
ser fixos, são mais conhecidos como quiosques, 
em shoppings, ou stands, em exposições e even-
tos temporários. No stand, o projeto desenvolve, 
também, uma estrutura específica e, quando se 
trata de eventos e exposições, a ideia é trabalhar a 
criatividade para algo diferente, inovador, que faça 
o olhar das pessoas se prenderem ao projeto, inte-
ragirem e reconhecerem o conceito da marca em 
divulgação.
Vemos, também, os cenários, que podem ser 
projetados em diversas áreas, como filmes, novelas, 
shows, tv, teatros e eventos. Vale dizer que é neces-
sário projetar pensando em materiais de fácil manu-
seio, pois estes dependem de montagem e desmon-
tagem de forma rápida e eficaz e, também, serão 
reutilizados em novos espaços e momentos. Isso, po-
rém, não descarta a importância de um bom projeto, 
pensando nos materiais, na tecnologia e nos objetos 
a serem utilizados.
As exposições e os eventos podem ser relaciona-
dos à cultura, à música, à arte, às pessoas, à história 
e a vários outros assuntos. São projetos temporários 
que exigem um conhecimento que vai bem além do 
Design e de projetar em si, procura interação e re-
lação com o público bem mais intensa e de forma 
criativa.
Por último, as intervenções urbanas, que são 
criadas em espaços públicos nos mais variados te-
mas, provocam reflexão, crítica, interação, melho-
ria de espaços e diversão para as pessoas que ali 
circulam. Geralmente, essas intervenções são rea-
lizadas pelos designers, arquitetos, artistas, que, de 
alguma forma, sentem a necessidade de expressar 
algo, mostrar opções de mudança para uma vida 
melhor.
Figura 3 - A arte salva
Fonte: Eduardo Srur (apud Franco [2017] on-line)3.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
160 
DESIGNGRÁFICO
O Design gráfico é a mais universal de todas 
as artes. Está em toda parte, explicando, deco-
rando, identificando - impondo significado ao 
mundo. Está nas ruas, em tudo que lemos, sobre 
os nossos corpos. Interagimos com o design da 
sinalização de trânsito, da publicidade, das re-
vistas, dos maços de cigarro, dos medicamentos, 
do logo da nossa camiseta, da etiqueta de ins-
truções de lavagem da nossa jaqueta (NEWA-
RK; FURMANKIEWICZ, 2009, p. 6).
Segundo Newark e Furmankiewicz (2009), o design 
realiza diversas funções, como classificar e diferen-
ciar, informar, atuar em nossas emoções e dar for-
ma aos nossos sentimentos em relação a tudo que 
nos cerca. Nosso mundo, hoje, não vive mais sem o 
Design gráfico, pois, sem ele, nosso contato, nossas 
informações voltariam a ser escassas e não sobrevi-
veríamos, nossa comunicação seria difícil como an-
tigamente e, devido ao crescimento populacional e 
ao desenvolvimento tecnológico e industrial, a falta 
do Design gráfico seria inviável.
 DESIGN 
 161
O pai do termo “Design Gráfico” foi o americano, 
William Addison Dwiggins, que, em 1922, escreveu 
que era necessário utilizar o senso prático em um 
layout e esquecer a arte, pois a função do design é 
transmitir uma mensagem clara e prática.
Para Paul Rand:
[...] o design gráfico, em síntese, lida como espec-
tador, e como o objetivo do designer é ser per-
suasivo ou pelo menos informativos, conclui-se 
que os problemas do designer apresentam dois 
lados: antecipar as reações do espectador e aten-
der as suas próprias necessidades estéticas (apud 
NEWARK; FURMANKIEWICZ, 2009, p. 13).
Podemos dizer que o design gráfico surgiu por meio 
de uma revolução de impressão feita por Guttenberg 
em 1440, quando só existiam as xilogravuras. Ele criou 
os tipos móveis, letras individuais feitas de aço que po-
deriam ser compostas de infinitas formas, surgindo, 
assim, a imprensa. Isso foi o início de uma nova Era 
que geraria o design gráfico cerca de 500 anos depois.
E quem é o Designer gráfico? Para Newark e Fur-
mankiewicz (2009), é aquele que propõe a existência 
das atividades na prática do design. A primeira, a de 
fazer sentido, é um instinto de simplificar e esclare-
cer. Todo design tem de dar forma a sua matéria-
-prima, sequenciá-la, ordená-la e classificá-la para 
dar-lhe uma hierarquia.
A segunda atividade é a de “criar a diferença”, em 
que o produto ou a empresa precisa ser exclusivo e, 
facilmente, reconhecido, escolhido e diferenciado 
entre milhares de outros. 
A partir disso, vamos conhecer um pouco sobre 
as áreas em que o designer gráfico pode atuar.
TIPOGRAFIA
O designer, aqui, trabalha com o desenvolvimen-
to de tipos, criação e desenho de fontes. Os tipos 
poderão ser usados em impressos, como jornais, 
revistas e livros, anúncios e, também, em marcas, 
identidade visual e sinalização. É importante co-
nhecer sobre as famílias tipográficas e as partes 
existentes em uma fonte.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
162 
ILUSTRAÇÃO
A ilustração é a parte do Design mais conectada à Arte, 
na qual ele consegue imprimir valores autorais e sua 
identidade em uma imagem feita, na maioria das ve-
zes, à mão. Hoje, possuímos vários materiais para de-
senvolver uma ilustração, desde tinta, lápis, nanquim, 
até softwares. As ilustrações podem ser utilizadas tan-
to para a divulgação de algo, como para ambientação 
de um espaço, exposição ou expressão pessoal.
FOTOGRAFIA
Newark e Furmankiewicz (2009) afirmam que é co-
mum dizer que a invenção da fotografia revolucio-
nou a Arte. Foi uma transformação da expressão da 
imagem por meio de meios mecânicos, trazendo o 
Design para outro reino.
E, para atuar no ramo da fotografia, é necessá-
rio conhecer as ferramentas de uso, processos de 
impressão e revelação, iluminação, película de filme, 
estilos de fotografia e edição.
IDENTIDADE VISUAL
A área de identidade visual se inicia no desenvol-
vimento da marca, com a criação de logotipo, tipo-
grafia, símbolo e até o nome do produto ou serviço; 
para isso, é necessário todo conhecimento teórico de 
Design, mais o briefing do cliente e a pesquisa do 
mercado em que essa marca vai atuar.
A partir daí, segue, também, o desenvolvimen-
to da identidade visual, que vai desenvolver os ele-
mentos corporativos, todos os materiais utilizados 
na empresa, sinalização, ambientação e divulgação, 
tudo de acordo com a marca criada.
EMBALAGENS
“Criar embalagens é contar histórias em uma área com-
pacta” (NEWARK; FURMANKIEWICZ, 2009, p. 130). 
As embalagens devem caracterizar 
o produto e diferenciá-lo 
dos concorrentes, porém, 
ainda é uma área que ten-
ta quebrar o paradigma do 
conservadorismo do design.
O mercado de embala-
gens émuito amplo e, em-
bora não existam muitos 
escritórios que trabalham 
com isso, as próprias fábri-
cas, indústrias e empresas, 
contratam profissionais 
para desenvolver em suas 
embalagens. O profissional 
de designer de produto pos-
sui essa habilidade e conhe-
cimento para desenvolver 
projetos de embalagens.
 DESIGN 
 163
 DESIGN
EDITORAÇÃO
A área de editoração pode trabalhar com li-
vros, revistas e jornais e é um mercado am-
plo tanto para trabalhos impressos quanto 
para trabalhos na web. É uma área que exi-
ge conhecimento de diagramação, tipografi a, 
cores, papéis e, também, o profi ssional deve 
estar antenado aos assuntos relacionados ao 
material a ser editado.
SINALIZAÇÃO
O design de sinalização trabalha mais do que 
nenhum outro a função do projeto, pois precisa 
sinalizar tanto locais que você procura, como si-
nalizar situações de alerta e aviso. Nesse sentido, 
é importante saber que o trabalho com tipografi a, 
símbolo e cores sempre vão seguir uma certa legis-
lação que atenda a um certo grupo de usuários. As 
sinalizações podem ser feitas em empresas priva-
das, ambientes públicos, trânsito, eventos especiais, 
ou qualquer espaço que necessite de informação de 
orientação ao público que ali transita.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
164 
DESIGN DE
PRODUTO
É especialmente um campo de atuação que en-
volve a concepção, a elaboração, o desenvolvi-
mento do projeto e a fabricação do produto, de 
configuração física predominantemente tridi-
mensional (GOMES FILHO, 2006, p. 27).
Assim, podemos perceber que o objetivo principal 
de se fazer design é por meio da busca da forma e da 
função para aquilo que se projeta. E, para isso, é im-
portante trabalhar as questões estéticas, funcionais, 
ergonômicas, ecológicas, produtivas, mercadológi-
cas, econômicas e sociais.
Os tipos de produto a serem desenvolvidos, são:
• Produtos de uso: são aqueles produtos de utili-
dade, como veículos, mobiliários, utensílios do-
mésticos, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, 
calçados, jóias, embalagens, brinquedos e outros.
• Máquinas e equipamentos: são os produtos 
com função operacional, como ferramentas, 
instrumentos, máquinas, dispositivos e aces-
sórios.
• Produtos componentes de ambientes em ge-
ral: produtos que compõem o ambiente de 
trabalho, de atividades, inseridos em espaços 
arquitetônicos.
• Artigos do lar: são os artigo domésticos, como 
cama, mesa e banho, cortinas, tapetes. Fazen-
do uso aqui da especialidade em Design Têxtil.
 DESIGN 
 165
O Design digital vai tratar de todas as áreas que en-
volvem projetos com soft wares, sendo online ou of-
fl ine. O importante é que, por meio desses projetos, 
vai se estabelecer interação com o público que utili-
zará o resultado fi nal do produto.
Nessa área, a informática entra como ferramen-
ta principal dos projetos de Design Digital, já que 
as mídias digitais fazem parte da nossa vida quase 
como o ar que respiramos.
É possível desenvolver interfaces empresa-
riais, aplicativos, jogos, animação, vídeos, ensino 
a distância, videogames e sites. Pode-se, então, 
trabalhar em empresas de mídias digitais, escritó-
rios de Design, agências de publicidade, produto-
ra de cinema e animação, televisão e provedores 
de internet.
Em se tratando de Design Digital, a Pixar é con-
siderada a maior empresa de animação do 
mundo. Foi comprada por Steve Jobs em 1986, 
antes era chamada Lucasfi lm, e foi renomeada 
para Pixar, que era uma junção das palavras 
Pixar e Art. A primeira animação criada foi Toy 
Story, em 1995, e hoje possui um acervo de 
muitas animações conhecidas. Vale a pena 
conhecer mais sobre o trabalho desse grande 
estúdio de Design de animação.
Para saber mais sobre a Pixar, acesse o link 
disponível em: <http://mundodasmarcas.blo-
gspot.com.br/2006/05/pixar-studios-good-s-
teve-jobs.html>.
Fonte: a autora.
SAIBA MAIS
Design digital
“O design não é apenas o que 
se vê e o que se sente. O design 
é sobre como funciona”. 
Steve Jobs.
166 
considerações finais
Caro(a) aluno(a), 
Nesta unidade, conhecemos sobre as áreas de atuação do Designer como 
profissional, quais suas definições e ramificações possíveis de trabalho dentro da 
área.
Percebemos que, dentro das áreas de Design gráfico, de produtos, de inte-
riores, de moda, efêmero e digital existem muitas opções de trabalho para se de-
senvolver. É claro que, inicialmente, é necessário estudar o Design em geral, seu 
conceito e história, de onde veio, qual seu objetivo e qual caminho tem traçado 
ao longo de nossa história. Também é importante desenvolver habilidades e se 
aprofundar em estudos específicos para melhorar seu conhecimento e descobrir 
qual área você se identifica como profissional.
Lembre-se, também, de que Design vai além de conhecimento prático e te-
órico da área que você escolheu, mas é importante perceber o mundo em sua 
volta, estar atento aos acontecimentos da sociedade, se relacionar e conhecer as 
pessoas, ler, pesquisar, descobrir sobre cultura, arte, história, lugares etc, porque 
Design é criar e projetar a partir do mundo em que vivemos.
 167
atividades de estudo
1. Escolha entre as áreas de Interiores ou Moda e use um profissional do 
ramo brasileiro, para expor um de seus projetos de Design.
168 
LEITURA
COMPLEMENTAR
DESIGN, ARTE E TECNOLOGIA
Design e/é Arte
As relaç õ es, a proximidade, as fronteiras entre design, arte e tecnologia sã o discussõ es 
recorrentes e instigantes em um campo que, sendo interdisciplinar, estabelece um rico 
diá logo com essas questõ es.
Muitas vezes, encontramos em alguns discursos da á rea quase a necessidade de es-
tabelecer arte e design como campos oponentes e contraditó rios. Me parece també m 
que essa discussã o toma importâ ncia no Brasil e ocorre como uma necessidade de afi r-
maç ã o para a á rea de design ser respeitada como um campo independente. Talvez pela 
indicaç ã o histó rica do surgimento da á rea do design a partir do campo da arte. Deve-
mos lembrar a atuaç ã o dos liceus de artes e ofí cios, a arte industrial como disciplina dos 
cursos de ensino básico e mé dio e o nascimento de muitos cursos de graduaç ã o em 
design nos departamentos de artes de vá rias universidades. Talvez, este seja o motivo 
principal do discurso separatista de design e arte. Hoje, poré m, o design já está mais do 
que estabelecido e respeitado como campo de conhecimento.
Essas questõ es sempre me inquietaram, pois, quanto mais dentro do campo do de-
sign, mais ouvia o discurso renitente e a necessidade das justifi cativas e explicaç õ es do 
porquê design nã o é arte. Ao mesmo tempo, me defrontava com o discurso e a prá tica 
interdisciplinar e transdisciplinar que fala no rompimento de fronteiras e de barreiras 
que levam a uma troca positiva entre diferentes campos de conhecimento que se so-
mam e resultam em propostas mais complexas e abrangentes.
A preocupaç ã o deste texto nã o é a de estabelecer limites e nem delimitar os campos 
da arte e do design como oponentes e contraditó rios, mas sim questionar como esses 
campos podem estabelecer relaç õ es de proximidades de modo a somar, contribuir e 
ampliar a aç ã o da pró pria á rea. Ao invé s de dividir e fragmentar, somar e possibilitar.
Este texto já foi discutido/apresentado em minha tese de doutorado e agora é 
apresentado de forma ampliada como resultado de minhas pesquisas e da vivê ncia no 
campo do ensino em design.
Sabemos que o design está relacionado à cultura e a produç ã o de linguagem, fato que 
aproxima esse campo do universo de criaç ã o, colocando-o, muitas vezes, como um 
universo implí cito e, outras vezes, como universo paralelo à arte. O design atua a partir 
da relaç ã o com a arte enquanto processo de criaç ã o, de referê ncia e, també m, a partir 
de interferê ncias, infl uê ncias e inter-relaç õ es entre esses dois campos.
 169
LEITURA
COMPLEMENTAR
Vamos nos remeter a alguns importantes autores que trazem essa discussã o à tona e 
evidenciam as relaçõ es entre arte e design.
Segundo o fi ló sofo Vilé m Flusser (1999), o design e a arte sã o derivados da arte e da 
ciê ncia e este “cruzamento fertilizado” leva à complementaç ã o criativa dessas duas á reas;
enquanto o designer Bruno Munari (1993), no fi nal dos anos de 1980, relacionava tanto a 
arte quanto o design como ofí cios. Neste sentido, acreditava-se que o design deveria ser 
remetido à ideia de arte, em que o designer restabelecia o contato entre a arte e o pú bli-
co, entre a arte viva e o seu destinatá rio/observador/usuá rio. Uma arte integrada à vida, 
rompendo com a separaç ã o de coisas belas para admirar (por exemplo: uma pintura) 
e coisas feias (por exemplo: um eletrodomé stico) para utilizar. Podemos perceber que 
para Munari, a arte e a esté tica sã o importantes e devem estar presentes nos objetos e 
produtos de design. Nã o é a arte destinada à contemplaç ã o pura, a fruiç ã o esté tica, mas 
sim a arte para o cotidiano, para o uso nos atos da vida, onde produtos sã o desenvolvi-
dos com fi nalidades especí fi cas e geram prazer na utilizaç ã o, povoando o nosso univer-
so material, distantes e alé m do supé rfl uo (que Munari denomina de acaso ou capricho).
Partindo desse princí pio, para Munari, o designer é , també m, um artista, artista do nosso 
tempo, pois deve enfrentar e resolver as necessidades e exigê ncias da sociedade com 
humildade e competê ncia. Isso é possível quando o designer conhece o seu ofí cio, as té c-
nicas e os meios mais adequados para resolver qualquer problema de design com total 
independê ncia de qualquer preconceito estilí stico. Portanto, para Bruno Munari (1993), o 
designer é o profi ssional capaz de encontrar as soluç õ es para os problemas esté ticos co-
letivos e o usuá rio, quando utiliza um objeto ou um produto projetado por um verdadeiro 
designer, tem consciê ncia da presenç a de um artista que trabalhou para ele, melhorando 
as condiç õ es da vida humana e favorecendo a relaç ã o com o mundo da esté tica.
O arquiteto e crí tico de arte Giulio Carlo Argan (2000) també m se refere aos designers 
como artistas com conhecimento da esfera produtiva que atuam em equipe e lidam 
com produç õ es de cará ter cí clico. Para o autor, a arte está no design desde a tarefa cria-
tiva até a determinaç ã o de um ritmo esté tico e econô mico dos atos da vida cotidiana. 
É a reduç ã o da arte a uma socialidade plena e integrada, funcional e nã o hierá rqui-
ca; e simultaneamente o modo de restituir um sentido e uma alegria criativa a um 
fazer que o moralismo tradicional considerava condenaç ã o e pena, porque atravé s 
da propriedade esté tica do desenho industrial um valor de conhecimento ou de 
experiê ncia do real é positivamente religado aos atos prá ticos do trabalho de cada 
dia (ARGAN, 2000, p. 122 -123).
170 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Segundo o que vimos e de acordo com os autores apresentados, a questão da arte pre-
sente no design nã o é apenas um ato de criaç ã o, mas uma arte destinada à sociedade, 
na construç ã o da cultura material de uma sociedade em uma determinada é poca. 
Gillo Dorfl es (1998), em seu texto As oscilaç õ es do gosto, trata o design como um campo 
que dialoga com a arte, especialmente, pela questã o do valor esté tico e compara o 
design a um ‘tipo de arte popular’, pois acredita que o objeto criado em sé rie equivale a 
alguns objetos artesanais.
Para Alexandre Wollner (1998, p. 224), o designer é a evoluç ã o do artesã o e do artista. 
Vejamos, a seguir, esta defi nição.
[...] o artista sofre uma metamorfose evolutiva que parte do artesã o essencialmen-
te inspirado e intuitivo, passando gradativamente a integrar a tecnologia (grá fi ca, 
tipográ fi ca) e a ciê ncia (gestalt, semió tica), nos sistemas das redes de comunicaç ã o 
e, hoje, a estruturar e organizar todo um sistema de informaç õ es, via multimí dia. 
O artista desenvolve um equilí brio entre a sua inspiraç ã o/ intuiç ã o e o seu conhe-
cimento té cnico-cientí fi co. Esses suportes sã o necessá rios para a sua criatividade.
Ainda segundo Wollner (1998), ao longo da histó ria da arte, o artista passa a ser soli-
citado para a elaboraç ã o de produtos, tais como cartazes, jornais, revistas, integrando 
conhecimentos que se estabelecem alé m do universo das artes e dos ofí cios e exem-
plifi ca dizendo que nos anos pó s-guerra, especifi camente, na dé cada de 50, na Europa, 
surge a denominaç ã o programador visual, que pode ser defi nida como o artista com o 
treinamento de designer, um planejador dos meios de comunicaç ã o visual, com forma-
ç ã o altamente té cnica, cientí fi ca e social – econô mica – polí tica.
Podemos, assim, perceber que a relaç ã o arte e design é explicada por vá rios autores a 
partir de comparaç õ es entre o papel do artista e o do designer, bem como com o papel e a 
funç ã o da arte e do design, onde o designer é visto como um profi ssional que associa arte, 
té cnica, tecnologia, planejamento e conhecimento para as esferas culturais e produtivas.
O designer é , também, considerado um artista contemporâ neo, onde suas produç õ es - 
objetos da cultura material e imaterial - sã o importantes e presentes na vida cotidiana 
do ser humano.
O design é visto como o cruzamento, a relaç ã o entre arte e ciê ncia; a partir da integra-
ç ã o das artes e ofí cios e també m como arte popular no sentido da arte prá tica presente 
no cotidiano destinada ao homem na sociedade da cultura material e imaterial.
 171
LEITURA
COMPLEMENTAR
Essas questõ es sã o polê micas no meio do design profi ssional, tanto que percebemos 
que muitos autores nã o as enfrentam profundamente. No má ximo, as discussõ es a 
esse respeito, quando aceitas, resumem-se a pequenas comparaç õ es, chegando-se ao 
absurdo de estabelecer que a maioria dos profi ssionais nã o tê m condiç õ es de dominar 
a maté ria dessa discussã o. Entã o, a saí da mais simples e prá tica é dizer que design nã o 
é arte e ponto final.
Entretanto, falta a refl exã o e a discussã o mais profunda das relaç õ es e inter-relaç õ es 
estabelecidas entre o universo da arte e o do design. Muitos artistas sã o designers e 
muito designers sã o artistas ou transitam entre essas duas á reas, a da Arte e do Design, 
e praticam as experimentaç õ es tí picas da atividade artí stica. Há , portanto, estreitas re-
laç õ es entre esses universos de limites tê nues.
Agnaldo Farias (1999) em seu texto Design é Arte? publicado na revista da ADG (Asso-
ciaç ã o dos Designers Grá fi cos/Brasil) exemplifi ca muito bem essa relaç ã o, observando 
que: “a sedimentaç ã o do ‘mito da objetividade’ e das poé ticas racionalistas que atraves-
sam a arquitetura e artes grá fi cas como o sol por uma vidraç a...”. O autor argumenta 
dizendo que essa atitude sedimentada e estabelecida nega a discussã o e a abertura 
para novas posiç õ es esté ticas. Ao se estabelecer uma aná lise mais profunda, sem ran-
ç os tradicionalistas, podemos perceber que o design grá fi co contemporâ neo se abre a 
experimentaç õ es de toda a natureza, em poé ticas densas e ruidosas.
Farias comenta acerca dos trabalhos de dois designers brasileiros: Rico Lins e Gringo 
Cá rdia e també m aos estrangeiros: Tibor Calman e David Carson, que sã o profi ssionais 
de grande relevâ ncia no campo do design, mas que estabelecem uma relaç ã o evidente 
de seus trabalhos com as artes visuais, “chamando a atenç ã o à s propostas que, a des-
peito do imperativo de legibilidade tã o cara aos racionalistas, rondavam perigosamente 
a incompreensã o, o que nã o as impedia de serem absorvidas e mesmo estimuladas 
pelo mercado” (FARIAS, 1999, p. 27-28).
Como vimos, o design estabelece relaç õ es com a arte ora mais distantes e ora pró xi-
mas, mas a discussã o nessa á rea profi ssional sempre remete ao fato de que, na con-
temporaneidade, apesar do design pertencer à esfera produtiva, ainda guarda relaç ã o 
e interface com a arte (VILLAS BOAS, 1998).
Farias,que nos lembra que, tendo em vista o avanç o da produç ã o cultural, cada á rea do 
conhecimento humano deve ser aberta a debates e exemplifi ca: 
172 
LEITURA
COMPLEMENTAR
[...] retomam-se exposiç õ es de design grá fi co porque é anacrô nico prosseguir 
mantendo a oposiç ã o entre arte e design, pois um produto resultante de um proje-
to de design, tal como um logotipo, pode ter a mesma forç a de um haikai; nã o tem 
fundamento estabelecer que aquilo que se destina ao mercado e a uma empresa 
deva ser rigidamente separado do que é produzido artisticamente, fosse assim a 
capela Sistina nã o deveria ter a importâ ncia que tem por ter sido encomendada 
pela Igreja (FARIAS, 1999, p. 29).
Ainda, segundo esse autor, a arte
[...] nã o é uma questã o de assunto, mas de tratamento formal de um determinado 
assunto. Ademais, desde que Marcel Duchamp realizou o primeiro ready-made, 
fi cou patente que um dos aspectos basilares da produç ã o artí stica era o questio-
namento de suas fronteiras. Vale dizer que muito do que hoje se faz em nome 
da arte é contra as compreensõ es correntes do que seja arte. Vai daí que discutir 
se design grá fi co é arte ou nã o é perder-se em uma falsa questã o. Discute-se a 
pertinê ncia de um ró tulo e, em contrapartida, perde-se de vista a densidade da 
dimensã o esté tica de um determinado produto, uma dimensã o que jamais poderá 
ser reduzida à s demandas funcionais, sob pena de perder seu interesse no â mbito 
da cultura (FARIAS, 1999, p. 29).
Design é (també m) Tecnologia
Anteriormente, dissemos que o design tem relaç õ es de proximidade, de referê ncia e 
diá logo com a arte. Design é produç ã o de cultura e de linguagem, poré m um projeto 
nã o existe, isto é , nã o pode ser materializado sem a tecnologia.
Considerando que a principal caracterí stica do design é a reproduç ã o de uma comuni-
caç ã o ou das informaç õ es, deve-se lembrar que os meios de reproduç ã o se estruturam 
e ocorrem no universo da tecnologia e das relaç õ es, dos sistemas e dos procedimentos 
té cnicos e tecnoló gicos.
Por esse motivo, outro aspecto recorrente e muito enfocado nas defi niç õ es de design é 
o da tecnologia ser e estar implí cita nesse universo e, por isso, muitas vezes este campo 
é defi nido assim: o design é tecnologia.
Entretanto, dizer que design é somente tecnologia nã o traduz, plenamente, a defi niç ã o 
e o conceito desse campo, pois a área nã o se sustenta apenas pela tecnologia. Ela se 
 173
LEITURA
COMPLEMENTAR
faz a partir dela; antes da tecnologia ser aplicada, é preciso ter um projeto, que se 
estabelece a partir das questõ es de criaç ã o, de pesquisa e de conceituaç ã o e, també m, 
por meio da tecnologia. Isto é, antes da tecnologia ser aplicada, empregada, deve existir 
um projeto com conceito e propostas, indicando a aplicaç ã o, a sistematizaç ã o e a utili-
zaç ã o da tecnologia.
Podemos afi rmar, entã o, que o design tem uma estreita relaç ã o com a tecnologia, sen-
do esta um dos pilares do design e podemos dizer o mesmo com relaç ã o à arte. Nã o há 
como se desenvolver um projeto sem a tecnologia e, també m, sem os procedimentos 
de criaç ã o, invenç ã o e de inovaç ã o que advé m da arte. É importante lembrar que um 
projeto nã o é apenas e tã o somente a tecnologia, ou puro tecnicismo ou pura arte 
contemplativa ou vivencial (como as instalaç õ es e sites especifi cos da arte contempo-
râ nea), mas sim a integraç ã o da tecnologia e da arte que dã o sustentaç ã o aos aspectos 
culturais, esté ticos, funcionais e de linguagem do projeto que serã o refl etidas no pro-
duto que foi desenvolvido.
Sobre isso, e respondendo às defi niç õ es que apontam o design como tecnologia, a de-
signer Escorel (2000, p. 63) questiona esse fato, argumentando que essa defi niç ã o lhe 
parece como uma tentativa nã o somente de apaziguar “[...] uma ansiedade classifi ca-
tó ria, mas també m como se a tecnologia pudesse ser vista como um terreno defendido, 
imune aos riscos representados pela intuiç ã o, pelo aleató rio, pelo arbitrá rio” . A autora 
ainda aborda e completa dizendo que se esse aspecto fosse tomado como ú nico, o de-
sign, assim como qualquer outra atividade, poderia se inserir apenas em uma ‘unidade 
tecnoló gica’.
A autora, ainda relaciona designer com design como sendo 
[...] uma forma de expressã o fantá stica, absolutamente sintonizada com a tecno-
logia mutante de nosso tempo e de dispor de um mé todo de trabalho capaz de 
resolver as mais diversas questõ es atravé s do projeto ou das atividades de asses-
soria e planejamento (ESCOREL, 2000, p. 73). 
A autora destaca, ainda, que, sendo o design uma linguagem, as renovaç õ es tecno-
ló gicas nã o bastam “(...) para que uma linguagem alargue seus limites. É necessá rio, 
també m, que sua cota de informaç ã o nã o seja dissolvida, pois nã o há criatividade que 
resista ao temor do novo, ao compromisso com o já feito e experimentado” (ESCOREL, 
2000, p. 68).
174 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Sem o projeto nã o há como o design estabelecer uma relaç ã o com a tecnologia e com a 
arte, a nã o ser como um exercí cio aleató rio repleto de puro tecnicismo ou do livre fazer 
criativo. Por consequê ncia, a tecnologia - que é de suma importâ ncia, pois todo o projeto 
para se materializar, para tomar forma, necessita do emprego da tecnologia - estabele-
ce estreita relaç ã o com o design, mas nã o o defi ne completamente. A tecnologia, assim 
como a arte, estabelece relaç õ es com o campo do design e essas á reas sã o encontradas 
no universo e nas defi niç õ es do design. Flusser (1999) nos lembra que a palavra grega 
“techne signifi ca ‘arte’ está relacionada a tekton, um ‘carpinteiro’. A ideia bá sica aqui é 
que a madeira (hyle em grego) é um material sem forma ao qual o artista, o té cnico, dá a 
forma, fazendo com que ela apareç a em primeiro lugar. “A objeç ã o bá sica de Platã o à arte 
e à tecnologia era que elas traí am e distorciam formas teoricamente inteligí veis (‘ideias’) 
quando transferiam isso para dentro do mundo material” (FLUSSER, 1999, p. 17).
Podemos observar que há certas palavras e defi niç õ es que sempre estã o presentes na 
pesquisa de uma defi niç ã o de design. O autor diz, ainda, que essa situaç ã o se deve ao 
fato de essas palavras estarem ligadas a esse campo e també m ligadas umas à s outras, 
confi gurando um campo comum de conhecimentos e de açõ es.
As palavras design, má quina, tecnologia e arte estã o relacionadas uma com as outras, 
um termo é impensá vel sem os outros, e todos eles derivam da mesma visã o existen-
cial do mundo. Entretanto, essa ligaç ã o interna tem sido negada por sé culos
Carta a um jovem designer
Pelo menos desde a Renascenç a, a cultura burguesa moderna fez uma divisã o 
entre o mundo das artes e o da tecnologia e má quinas; assim a cultura dividiu-se 
em dois ramos exclusivos: um cientí fi co, quantifi cá vel e ‘duro’, o outro esté tico, 
avaliá vel e ‘fl exí vel’. Essa divisã o infeliz começ ou a tornar-se irreversí vel no fi nal do 
sé culo dezenove. Na lacuna, a palavra design formou uma ponte entre os dois, ela 
pô de fazer isso porque expressa a ligaç ã o interna entre arte e tecnologia (FLUS-
SER, 1999, p. 17).
E o mesmo ocorre quando se fala de beleza, de esté tica e de senso esté tico. Por exem-
plo, Bruno Munari (1993) se refere à beleza no campo do design como beleza aplicada 
à té cnica e à tecnologia, e nã o como beleza entendida no sentido abstrato do termo. 
 175
LEITURA
COMPLEMENTAR
Para ele, a beleza presente no campo do design conté m uma coerê ncia formal. Assim, 
o autor expõ e sua crenç a de como a beleza deve ocorrer em um projeto, o sentido 
esté tico associado ou talvez subordinado à forma e à funç ã o de determinado produto.
O design é o campo, é a área por excelê ncia que surge e atua a partir da relaç ã o com a 
tecnologia. Devemos lembrar que foram as mudanç as que ocorreram no processo de 
industrializaçã o que incentivaram as mudanç as tecnoló gicas no momento em que o 
design foi impulsionado e desenvolvido, sendo apontado, també m, como o momento 
de seu surgimento por muitos autores. Giulio Carlo Argan, em um artigo de sua autoria, 
escrito em 1961 e publicado em 2000, diz que:
O homem moderno, o homem das grandes cidades, nã o identifi ca seu ambiente 
com a natureza, mas com o mundo das coisas artifi ciais, feitas pelo homem para 
o homem mediante uma tecnologia da qual sente orgulho como de uma criaç ã o 
pró pria: ele quer, portanto, inserir o objeto no contexto de um mundo nã o natural, 
mas social (ARGAN, 2000, p.127).
O ICSID – International Council of Societies of Industrial Design foi fundado em 1957 e seu 
primeiro congresso ocorreu em 1959, em Estocolmo. O ICSID manté m suas atividades 
até os dias atuais.
Em 1957, a defi niç ã o do design foi realizada por essa instituiç ã o e ratifi cada em 1959, 
tendo sido utilizada durante doze anos. A defi nição dizia que 
[...] um designer industrial é uma pessoa que se qualifi ca por sua formaç ã o, seus 
conhecimentos té cnicos, sua experiê ncia e sua sensibilidade visual para a tarefa de 
determinar os materiais, as estruturas, os mecanismos, a forma, o tratamento de su-
perfí cie e a decoraç ã o dos produtos fabricados em sé rie, por meio de procedimen-
tos industriais. Segundo as circunstâ ncias, o designer poderá se ocupar de um ou de 
todos estes aspectos. Pode se ocupar també m dos problemas relativos à embalagem, 
à publicidade, as exposiç õ es e ao marketing, e no caso das soluç õ es destes problemas, 
alé m disto de um conhecimento té cnico e de uma experiê ncia té cnica, requerendo 
també m uma capacidade de valorizaç ã o (apreciaç ã o) visual” (BONSIEPE, 1978, p. 20).
A defi niç ã o, a seguir, foi revista e substituí da por uma proposta de Tomá s Maldonado 
e foi utilizada até os anos 70:
176 
LEITURA
COMPLEMENTAR
“O desenho industrial é uma atividade projetual que consiste na determinaç ã o das 
propriedades formais dos objetos produzidos industrialmente. Por propriedades 
formais nã o se deve considerar unicamente aquelas exteriores, mas, sobretudo a 
relaç ã o funcional e estrutural que fazem com que um produto tenha uma unida-
de coerente seja do ponto de vista do produtor ou do usuá rio. Pois, enquanto a 
preocupaç ã o exclusiva com as caracterí sticas exteriores de um objeto nascem do 
desejo de fazê -lo mais atraente ou ainda mascarar alguma fraqueza constitutiva, 
as propriedades formais de um objeto – pelo menos tal como está entendido aqui 
– sã o sempre o resultado da integraç ã o de diversos fatores, sejam estes do tipo 
funcional, cultural, tecnoló gico ou econô mico. Dito de outra maneira, assim como 
as caracterí sticas exteriores fazem referê ncia a qualquer coisa como uma reali-
dade estranha, quer dizer, nã o ligada ao objeto e que nã o foi desenvolvida com 
ele, de maneira contrá ria as propriedades formais constituem uma realidade que 
corresponde a sua organizaç ã o interna, vinculada a ela e desenvolvida a partir dela 
(MALDONADO apud BONSIEPE, 1978, p. 21).
No Congresso do ICSID, ocorrido em 1973, a defi niç ã o de design fi cou defi nida como
[...] uma atividade no extenso campo da inovaç ã o tecnoló gica. Uma disciplina en-
volvida nos processos de desenvolvimento de produtos, estando ligada a questõ es 
de uso, funç ã o, produç ã o, mercado, utilidade e qualidade formal ou esté tica de 
produtos industriais, com a ressalva de que a defi niç ã o de design se daria de acor-
do com o contexto especí fi co de cada naç ã o (NIEMEYER, 1997, p. 24).
Atualmente, o ICSID (on-line apud MOURA, 2005, p. 11) assim defi ne o design:
[...] o design é uma atividade criativa cujo alvo é o de estabelecer as qualidades mul-
tifacetadas dos objetos, dos processos, dos serviç os e dos seus sistemas de vida em 
ciclos completos. Conseqü entemente, o design é o fator central da humanizaç ã o e 
da inovaç ã o das tecnologias e o fator crucial da troca cultural e econô mica.
Podemos perceber que, també m, na defi niç ã o de outra importante organizaç ã o profi s-
sional, para a ICOGRADA (International Council of Graphic Design Associations), o design é 
apontado como uma á rea relacionada à té cnica e à tecnologia.
 177
LEITURA
COMPLEMENTAR
O projeto grá fi co é uma atividade intelectual, té cnica e criativa, relacionada nã o 
simplesmente com a produç ã o das imagens, mas com a aná lise, a organizaç ã o e os 
mé todos da apresentaç ã o de soluç õ es visuais para problemas de comunicaç ã o. A 
informaç ã o e a comunicaç ã o sã o a base da vida interdependente da rede mundial, 
seja nas esferas comerciais, culturais ou as sociais (MOURA, 2005 p. 11).
A defi nição nã o tem como propó sito apresentar conclusõ es defi nitivas, mas sim de 
apontar temá ticas presentes no universo do design como questõ es a serem ampliadas, 
desenvolvidas, discutidas. Questõ es que devem ser analisadas, observadas por meio 
das interfaces que essas á reas – design, arte e tecnologia - estabelecem, modifi cam e 
constroem, como o design contemporâ neo. Fica aqui o convite para a análise da arte e 
da tecnologia e suas consequê ncias para a cultura e para a sociedade contemporâ nea 
por meio da vivê ncia do design.
Referê ncias Bibliográ fi cas da Leitura Complementar
ARGAN, G. A. A Histó ria na Metodologia do Projeto. In: Caramelo, n. 6, São Paulo, FAU/
USP, 1992, pp.157-170.
______. Projeto e Destino. Sã o Paulo: Á tica, 2000.
BOMFIM, G. A. A Morfologia dos Objetos de Uso: uma Contribuiç ã o para o Desenvol-
vimento de uma Teoria do Design. In: Anais do P&D Estudos em Design, v. 1, Rio de 
Janeiro, Teoria & Design Aend-BR, 1996, pp.27-41.
COUTO, R M. Contribuiç ã o para um Design Interdisciplinar. In: Estudos em Design, n. 1, 
v. 7, Rio de Janeiro: AEND, 1999, pp. 79-90.
COUTO, R. M.; OLIVEIRA, A. J. Formas do Design. Rio de Janeiro: 2AB, 1999.
DORFLES, G. As Oscilaç õ es do Gosto. Lisboa: Horizonte, 1989.
______. O Desenho Industrial. Histó ria da Arte, Tomo 10. Sã o Paulo: Salvat Editora, 1978, 
pp. 101 -127.
ESCOREL, A. L. O Efeito Multiplicador do Design. Sã o Paulo: Senac, 2000.
FARIAS, A. Design é Arte? In: Revista da ADG, n. 18, São Paulo: ADG, 1999, pp. 25-29.
FLUSSER, V. The Shape of Things: A Philosophy of Design. Londres, Reaktion Books, 
1999.
LIPOVETSKY, G. Os Tempos Hipermodernos. Sã o Paulo: Barcarolla, 2005. 
178 
LEITURA
COMPLEMENTAR
MALDONADO, T. El Diseñ o Industrial Reconsiderado. Mé xico: Gustavo Gili, 1993.
MOURA, M. Design, Arte e Tecnologia. Mario Santiago. Disponível em: 
<http://www.mariosantiago.net/Textos%20em%20PDF/Design%20e%20é%20arte.
pdf>. Acesso em: 30 dez. 2015.
MUNARI, B. A Arte como Ofí cio. Lisboa: Editorial Presenç a, 1993.
______. Das Coisas Nascem as Coisas. Sã o Paulo: Martins Fontes, 1998.
______. Design e Comunicaç ã o Visual. Sã o Paulo: Martins Fontes, 1999.
PEVSNER, N. Os Pioneiros Do Desenho Moderno – De Williams Morris a Walter Gro-
pius. 2. Ed. Sã o Paulo: Martins Fontes,1994.
VILLAS-BOAS, A. O Que é e o Que Nunca foi Design Grá fi co. Rio de Janeiro: 2AB, 1998.
______. Utopia e Disciplina. Rio de Janeiro: 2AB, 1998.
WOLLNER, A. A Emergência do Design Visual. In: AMARAL, A. (org). Arte Construtiva no 
Brasil. Sã o Paulo: Melhoramentos e DBA Artes Grá fi cas, 1998, pp. 223-259.
______. Fundamentos de uma Teoria Transdisciplinar do Design: morfologia dos objetos 
de uso e sistemas de comunicaç ã o In: Estudos em Design, n. 2, v. 5, Rio de Janeiro, 
Aend-BR, 1997, pp. 27-41.
______. Textos Recentes e Escritos Histó ricos. Sã o Paulo: Ed Rosari, 2002.
 DESIGN 
 179
O que é Design Gráfi co
Quentin Newark
Editora: Bookman
Sinopse: o livro está dividido em três partes: Questões, Anatomia 
e Portfólios e discute todos os aspectos relevantes do design gráfi -
co. A evolução do design ao longo dos séculos, o dilema do artista 
versus o designer gráfi co, os elementos que compõem a disciplina, 
como a tipografia, a imagem e o texto são aspectos abordados nes-
sa obra, ideal para iniciantes na área. O Que é Design Gráfi co? é totalmente colorido e ilus-
trado com exemplos de projetos contemporâneos de agências e profi ssionais conceituados.
O que é Design de Interiores?
 Graeme Brooker e Sally Stone
Editora: Senac São Paulo
Sinopse: o design de interiores pode ser defi nido como a arte de 
planejar e arranjar ambientes segundo padrões de funcionalidade 
e estética. A pergunta que dá nome à obra, O que é design de inte-
riores? é respondida ao longo desse manual completo sobre a pro-
fi ssão. No primeiro momento, aborda-se a história do design de in-
teriores como campo profi ssional, bem como as teorias intrínsecas 
à prática e às questões contemporâneas relativas ao ofício, como 
a restauração, a conservação e a sustentabilidade. O designer de 
interiores pode projetar residências, salas comerciais, lojas ou espaços em locais públicos, 
usando estratégias e táticas próprias da profi ssão, e trabalha com itens relativos ao mobi-
liário, à iluminação, aos objetos, às superfícies e aos revestimentos, assuntos amplamente 
explorados nesse livro. E, para ilustrar toda a teoria, o livro traz ‘Portfólios’ contendo projetos 
dos designers mais aclamados mundialmente e uma gama de trabalhos desenvolvidos por 
empresas de design de interiores de todos os tamanhos e áreas de atuação, acompanhada 
de belas fotografi as.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
180 
Inspirado nos fi gurinos de fi lmes famosos de Hollywood, o portal M de Mulher resolveu recriar 
a história da moda por meio do cinema. O resultado é uma lista de 10 fi lmes super bacanas que 
retratam a cena cultural de cada geração, começando pelo século XX até os dias atuais. 
Disponível em: <https://www.silviadoring.com.br/a-historia-da-moda-atraves-do-cinema/>. Aces-
so em: 30 dez. 2015.
Conheça um pouco do trabalho do escritório Liquens, que trabalha com conceito, arquitetura 
e design, principalmente os projetos efêmeros.
Disponível em: <http://www.liquens.com.br>. Acesso em: 30 dez. 2015.
Conheca um site sobre Design de embalagens muito criativo para você se inspirar e conhecer.
Disponível em: <http://www.thedieline.com>. Acesso em: 30 dez.2015.
Você pode conhecer um pouco mais sobre intervenções urbanas no documentário feito pelo 
canal Futura, com o título “Intervenções artísticas urbanas” no canal do Youtube.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WcPDyajKnok>. Acesso em: 30 dez. 2015.
O que é Design de Moda?
 Gurmit Matharu
Editora: Bookman
Sinopse: dividido em três partes, O que é Design de Moda? exami-
na os aspectos fundamentais da indústria da moda. Começando 
com um apanhado histórico, “Questões”, discute a transformação 
da moda em um dos maiores negócios do mundo e analisa sua 
relação com a mídia e a cultura das celebridades. Também aborda 
questões éticas, como o uso de peles e o impacto ambiental e humano do movimento fast 
fashion. “Anatomia” examina os diferentes setores da indústria e os eventos mais importan-
tes do calendário da moda. Em seguida, decompõe todo o processo de design, do esboço 
inicial ao lançamento da coleção e dá dicas práticas para quem busca uma carreira na moda. 
“Portfólios” apresenta o perfi l de alguns dos maiores designers de moda do mundo, de-
monstrando a diversidade dentro da indústria por meio da análise de trabalhos e de belas 
fotografi as de coleções.
 181
referências
BROOKE, G.; STONE, S. O que é design de interiores? São Paulo: Senac, 2014.
CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 
2004.
CIDREIRA, R. P. Os sentidos da moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: 
Annablume, 2005. 
GOMES FILHO, J. Design do objeto – bases conceituais. São Paulo: Escrituras, 2006.
MATHARU, G. O que é design de moda? Porto Alegre: Bookman, 2011.
NEWARK, Q.; FURMANKIEWICZ, E. O que é design gráfico. Porto Alegre: 
Bookman, 2009. 
PALOMINO, É. A moda. São Paulo: Publifolha, 2003. (Folha Explica).
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: <http://meiguiceaparte.com/faculdade-de-moda-mercado-de-trabalho-em-
-quais-areas-posso-atuar/>.
2Em: <https://i.pinimg.com/originals/db/39/9d/db399d685100a-
41849246ab0e9881841.jpg>. Acesso em: 27 set. 2017.
3Em: <https://papodehomem.com.br/25-intervencoes-urbanas-de-cair-o-queixo/>. 
Acesso em: 27 set. 2017.
HISTÓRIA DA ARTE E DO DESIGN 
182 
conclusão geral
Prezado(a) aluno(a) do curso de Tecnologia em De-
sign, estamos finalizando o livro de História da Arte 
e do Design e estamos felizes que você chegou ao fim 
desta etapa. Esperamos que a análise da evolução 
histórica do ser humano e as manifestações artísti-
ca vivenciadas, sofridas e manifestadas por ele sirva 
para que você entenda a essência criativa do ser hu-
mano e como isso se manifestará na própria realiza-
ção do seu trabalho.
Que você carregue consigo um pouco da história 
dessas manifestações artísticas, das suas caracterís-
ticas, dos autores que contribuíram para evolução e 
transformação desses movimentos e das influências 
trazidas para nosso mundo e para a sociedade até 
aqui. Que o conceito sobre arte e design estejam in-
trínsecos em sua mente, para exercer suas habilida-
des com mais excelência.
Lembre-se do conteúdo da história antiga, de 
suas expressões e reflexões entre os povos, quais 
eram as formas de expressão artística, a influência 
na arquitetura, na burguesia e na sociedade. É im-
portante saber que as questões sociais serão sempre 
um dos principais motivos dessas transformações e 
evoluções.
Você, como um(a) profissional do Designer, seja 
de Moda ou de Design de Interiores, deverá carregar 
consigo o conceito de sua profissão, o que ela signi-
fica e como atua em nossa sociedade, principalmen-
te porque aqueles que não estão inseridos em nosso 
meio profissional confundem muito sobre o real sig-
nificado do Design, sabendo também dos principais 
movimentos do Design, de como ele se comportou 
pelos diversos países e também aqui no Brasil. Não 
se esqueça de que essa história sempre irá influenciar 
características, movimentos, conceitos e tudo o que 
permeia o Design.
Esteja sempre atento às opções e novidades de 
atuação, aos ramos de trabalho e como você poderá 
aperfeiçoar sua profissão e seu conhecimento, para 
que o Design influencie sempre, da melhor forma 
possível, o mundo em que vivemos.
Desejamos que você, caro(a) aluno(a), tenha 
aprendido com este livro e que ele seja uma ponte 
para o sucesso em sua carreira, pois acreditamos que 
os conteúdos aqui apresentados farão parte do seu 
processo de conhecimento e dos passos para uma ex-
celente profissão. Parabéns!

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