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CAP. 1 1DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4 EMBRIOLOGIA DAS MAMAS As mamas derivam do ectoderma e do me- soderma subjacente. No sexo feminino, adquirem um notável desenvolvimento. No sexo masculino, normalmente se apresentam pouco desenvolvidas, com o parênquima mostrando alguns pequenos ductos. Entre- tanto, na síndrome de Klinefelter (cariótipo 47, XXY) as mamas se desenvolvem atingin- do um volume considerável e manifestam a chamada ginecomastia que, por sua vez, consiste em um dos sinais mais importantes na semiologia dos pacientes. O desenvolvimento da glândula mamária se inicia na quinta semana de vida intrauteri- na. Inicialmente, acontece um espessamen- to do ectoderma ventral (Figura 1) que se aprofunda no mesênquima subjacente e se projeta, bilateralmente, da axila até a prega inguinal, em faixas conhecidas como linhas ou cristas lácteas (Figura 1 e 2). Ocorre, então, uma reabsorção destas cristas, de forma que é apenas mantida a porção torá- cica, onde a glândula mamária completará seu desenvolvimento. Os estágios de cone (10-14ª semana = acha- tamento da crista mamária), de brotamento e ramificação (12-16ª semana = diferenciação de musculatura de mamilo e aréola/formação de cordões epiteliais/ramificação dos botões em cordões) e de canalização (20-32ª cana- lização dos cordões epiteliais) ocorrem nas semanas subsequentes. 1 FIG. 1 A diferenciação do parênquima mamário acontece entre a 32ª e a 40ª semana de gravidez (estágio vesicular final) e se re- sume na formação das unidades lobo-al- veolares. Nesse estágio, há um aumento de cerca de quatro vezes no tamanho da glândula mamária. Além disso, ocorre a pigmentação e desenvolvimento do com- plexo areolopapilar. A mama apresenta um estado de repouso rela- tivo até o início da puberdade. Na puberdade, por ação dos estrogênios e da progesterona, a mama reinicia a proliferação epitelial ductal com maior ramificação da árvore ductal ma- mária. O desenvolvimento e amadurecimento mamários só se concluem com a gravidez e lactação. A ação da prolactina associada ao cortisol, ao hormônio do crescimento, aos estrogênios, à progesterona, à insulina e à tiroxina, promove a diferenciação epitelial alveolar final em células produtoras e secre- toras de leite. FIG. 2 CAP. 1 2DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4 MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS DAS MAMAS As malformações mamárias incluem a au- sência ou o subdesenvolvimento da glândula mamária na sua topografia habitual, ou a exis- tência de tecido mamário fora da localização correta das mamas devido à não involução completa da crista láctea, o que incide apro- ximadamente em 2 a 6% das mulheres. A anomalia mais comum é a politelia (Figu- ra 3), que consiste na existência de mamilo acessório sem parênquima mamário subja- cente. Geralmente, o mamilo acessório se apresenta na região torácica inferior e no abdome superior. Só deve ser removido em caso de dano estético. FIG. 3 A polimastia (Figura 4) define a presença de tecido glandular ectópico, com ou sem mamilo associado. Estas mamas têm desenvolvimento variável. Pode ser completa (com aréola e ma- milo) ou, apenas, parênquima. A forma mais comum é a mama axilar que se manifesta por um abaulamento na região. A conduta é a sua retirada sob anestesia geral, normalmente por questões estéticas. Vale ressaltar que a polimas- tia varia desde um desenvolvimento rudimentar até uma mama de dimensões consideráveis. Durante a lactação podem aumentar de volume e secretar leite, como as mamas normais. É importante lembrar que a localização das mamas supranumerárias não é aleatória e obedece, quase sempre, ao denominado esquema de William, ou seja, estabelecem- -se na linha mamária. A politelia e a polimastia podem aparecer em qualquer ponto ao longo da crista láctea. FIG. 4 Como anteriormente mencionado, pode ocorrer subdesenvolvimento da mama em sua topografia correta. Esta malformação denomina-se a hipomastia ou hipoplasia mamária (Figura 5). Pode ser uni ou bila- teral e se caracteriza por mau desenvolvi- mento do parênquima mamário. A opção terapêutica é cirúrgica, com a colocação de próteses de silicone. FIG. 5 Há casos onde há desenvolvimento da glân- dula mamária, mas não do mamilo e da aréola. Esta situação caracteriza a atelia, que também pode ser uni ou bilateral. A ausência do complexo areolopapilar é de extrema raridade. A anomalia mais grave é a amastia (Figura 6). Geralmente, define a ausência total dos componentes mamários, que é acompanha- da de hipoplasia importante ou, até mesmo, agenesia dos músculos peitorais e deformi- dade da parede torácica. Essa malformação é chamada de síndrome de Poland. O quadro completo desta síndrome inclui a sindactilia (dedos unidos). Vale lembrar que a amastia pode ser unilateral ou bilateral. O tratamento normalmente inclui a introdu- ção de um expansor de tecidos, que é poste- riormente substituído por prótese de silicone. FIG. 6 A amazia (Figura 7) define a ausência de te- cido mamário, mas com presença do mamilo. A causa mais comum de amazia é iatrogêni- CAP. 1 3DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4 ca. Os fatores que podem desencadear esta anomalia incluem: biópsia de uma mama em desenvolvimento, radioterapia em meninas pré- -puberes e lesões traumáticas nas mamas em desenvolvimento, como queimaduras graves. FIG. 7 É importante ressaltar que a hipermastia ou hiperplasia mamária (Figura 8) representa o aumento mamário unilateral ou bilateral, associado possivelmente à presença de de- feitos nos receptores hormonais. FIG. 8 As Tabelas 23, 24 e 25 apresentarão as definições das alterações mamárias não proliferativas, proliferativas sem atipias e proliferativas com atipias. TAB. 23: ALTERAÇÕES NÃO PROLIFERATIVAS: LESÕES SEM RISCO AUMENTADO. DIAGNÓSTICO CONCEITO Adenose não esclerosante Aumento do número de ácinos no lóbulo. Metaplasia (apócrina/escamosa) Transformação do epitélio original por outro tipo de epitélio. Mastite Processos inflamatórios (inclui abscesso subareolar recidivante crônico). Ectasia ductal Dilatação de ductos periféricos com fibrose e inflamação da parede. Hamartoma Processo malformativo. Fibroadenoma Neoplasia benigna bifásica (epitelial e mesenquimal). Alteração fibroadenomatoide Achado histológico semelhante ao fibroadenoma, sem nódulo nítido. TAB. 24: ALTERAÇÕES PROLIFERATIVAS SEM ATIPIA: LESÕES COM RISCO DISCRETAMENTE AUMENTADO (1,5 A 2X). DIAGNÓSTICO CONCEITO Adenose esclerosante Aumento do número de ácinos do lóbulo com fibrose. Hiperplasia ductal florida Aumento do número de camadas de células epiteliais nos ductos com preenchimento completo da luz ou arranjos complexos. Papiloma ductal isolado ou solitário Proliferação intraductal papilomatosa dos ductos principais. Cicatriz radial Estrutura de arranjo radial com ductos obliterados centrais e dila-tados na periferia. DEFINIÇÕES DAS ALTERAÇÕES MAMÁRIAS NÃO PROLIFERATIVAS E PROLIFERATIVAS SEM ATIPIAS E COM ATIPIAS CAP. 1 4DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4 SUBTIPOS MOLECULARES DO CÂNCER DE MAMA O câncer de mama apresenta alta heteroge- neidade clínica, morfológica e biológica, fato esse justificado pela existência de diversas formas moleculares. Diferentes perfis de expressão gênica foram caracterizados, pos- sibilitando a identificação de subtipos mole- culares distintos, com fatores prognósticos e alvos terapêuticos específicos. São cinco os subtipos moleculares do Ca de mama: luminal A, luminal B, superexpressão de HER-2, basaloide e mama-normal símile. Recentemente, outro subtipo foi descoberto, o claudin-low. Imuno-Histoquímica na Classificação dos Subtipos Apesar de o perfil de expressão gênica ser considerado o teste padrão-ouro para a sub- tipagem molecular do câncer de mama, em países com recursos limitados, como o Brasil, torna-se necessária a utilização de técnicas menos complexase financeiramente mais viáveis que possam identificar os subtipos moleculares. Para tal finalidade, a anatomia patológica conta com a imuno-histoquímica, técnica tecidual in situ, utilizada na determi- nação do perfil de expressão proteica e que é de bastante valia para a patologia mamá- ria atual. A imuno-histoquímica mantém a vantagem de avaliar a expressão de proteínas no con- texto da morfologia do tumor, podendo ser aplicada a pequenas amostras como biópsias extraídas por agulha fina, em laboratórios clínicos ou de pesquisa, com menores custos e com um rápido tempo de execução. SUBTIPO MOLECULAR CLASSIFICAÇÃO COM O ÍNDICE DE KI 67 DE 14% PADRÃO DE IMUNOMARCAÇÃO Luminal A RE+ e/ou RP+, HER-2- e Ki-67 <14% Luminal B RE+ e/ou RP+, HER-2- e Ki-67 ≥14% RE+ e/ou RP+, HER-2+ (lumi- nal HER-2) Superexpressão de HER-2 RE-, RP- e HER-2+ Basaloide RE-, RP-, HER-2-, CK5+ e/ou EGFR+ Triplo-negativo não basaloide RE-, RP-, HER-2-, CK5- e EGFR- HER-2: receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano; EGFR: receptor tipo 1 do fator de crescimento epidérmico; RE: recep- tor de estrogênio; RP: receptor de progesterona; CK5: citoceratina. Subtipos Moleculares do Câncer de Mama ● Luminal A: os subtipos luminais têm de- nominação advinda da similaridade que as células neoplásicas desses grupos possuem com as células mamárias normais, que ficam em contato direto com o lúmen dos ductos mamários, as chamadas células luminais. O subtipo molecular luminal A, que repre- senta cerca de 60% dos casos dos carci- nomas de mama, apresenta, em relação aos demais, o melhor prognóstico. Na sua maioria, são tumores que apresentam re- ceptor de estrogênio positivo e baixo grau histológico. Os antiestrogênicos, tamoxifeno e inibidores de aromatase, são as terapias alvo-específicas utilizadas para o seu trata- mento sistêmico. Classificam-se como luminais A os tumores positivos para Receptor de Estrogênio (RE) e/ou Receptor de Progesterona (RP), e nega- 4 TAB. 25: ALTERAÇÕES PROLIFERATIVAS COM ATIPIAS: RISCO MODERADAMENTE AUMENTADO (5×). DIAGNÓSTICO CONCEITO Hiperplasia ductal atípica Alteração que possui alguns, mas não todos os critérios para o diagnóstico de carcinoma ductal in situ. Hiperplasia lobular atípica Alteração que possui alguns, mas não todos os critérios para o diagnóstico de carcinoma lobular in situ. TAB. 26: CARCINOMA IN SITU: ALTO RISCO (10×). DIAGNÓSTICO CONCEITO Carcinoma ductal in situ É considerada a lesão precursora verdadeira, por compartilhar alterações morfológicas e genéticas com o tumor invasivo. Carcinoma lobular in situ Preenchimento dos ácinos do lóbulo por células semelhantes às do carcinoma lobular invasor. CAP. 1 5DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4 tivos para amplificação e/ou superexpressão de HER-2. Estudos recentes informam que esse subtipo deve ainda apresentar um índice de Ki-67, avaliado por imuno-histo- química, inferior a 14% de células neoplá- sicas imunomarcadas. ● Luminal B: os tumores do subtipo luminal B exibem, em sua maioria, receptores hor- monais positivos, embora por vezes esses sejam expressos em baixos níveis e não raramente apresentem alto índice prolife- rativo. São caracterizados por expressarem genes associados ao HER-2 e a um maior número de genes de proliferação celular, que incluem a expressão de genes MKI67 (Ki-67), CCNB1 e MYBL2. Seu maior índice de proliferação celular traz consigo um pior prognóstico em relação aos tumores luminais A. A expressão de RE, RP, HER-2 e, mais recentemente, a utilização do índice do Ki-67, distinguem o subtipo luminal A do luminal B. Uma nova estratificação foi proposta para esse subgrupo em: luminal B e luminal /HER-2. O subtipo luminal B, mais recentemente, tem sido caracterizado pela positividade de pelo menos um dos receptores hormonais, ser HER-2 positivo (luminal HER-2), e quando o HER-2 é negativo, por ter um índice de Ki-67 igual ou superior a 14% de células neoplásicas imunomarcadas. Essa nova subclassificação, com a utilização do índice de Ki-67, tem alte- rado significativamente os valores de preva- lência até então encontrados para os subtipos luminais, uma vez que tumores com alto índice proliferativo, até então classificados como luminais A, segundo os novos parâmetros, são classificados como luminais B. O subtipo luminal B foi significativamente associado a um maior risco de recorrência e a uma menor sobrevida livre da doença específica em todas as categorias de trata- mento adjuvante sistêmico; e, ainda, asso- ciado à maior possibilidade de resistência ao tamoxifeno, demonstrando se beneficiar mais do que o subtipo luminal A de quimio- terapia associada a antiestrogênicos. ● Superexpressão de HER-2: o subtipo supe- rexpressão de HER-2, como o próprio nome indica, possui elevada expressão da oncopro- teína HER-2, porém apresenta negatividade para receptores hormonais. Pacientes com diagnóstico primário de carcinoma de mama e com superexpressão de HER-2 possuem um pior prognóstico em relação aos pacientes que não apresentam essa amplificação gênica. A positividade de HER-2 parece estar asso- ciada relativamente, mas não em absoluto, à resistência às terapias endócrinas. Esse efeito pode ser específico para as terapias moduladoras seletivas do receptor de estró- geno, como o tamoxifeno, e talvez não para terapias de depleção de estrogênio, como os inibidores de aromatase, utilizados em mulheres após a menopausa. As terapias-alvo contra HER-2 são muito efi- cazes, tanto na forma adjuvante, quanto no contexto metastático. O trastuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que me- lhora as taxas de resposta, reduz a progressão da doença e melhora a sobrevida quando utilizado isoladamente ou adicionado à qui- mioterapia em câncer de mama metastático. ● Basaloide: o subtipo basaloide, caracte- rizado pela expressão de vários genes expressos em células basais/mioepite- liais, demonstra padrão prognóstico mais reservado, associado a menor sobrevida livre da doença e a menor sobrevida glo- bal. Morfologicamente, é caracterizado por alto grau histológico, por elevado índice mitótico, pela presença de áreas de ne- crose central e pelo destacado infiltrado linfocitário. Apresenta negatividade tanto para os receptores hormonais, quanto para a superexpressão de HER-2. Espera-se as- sim, que pacientes com esse perfil, não se beneficiem do uso do trastuzumabe, nem de terapias hormonais, como o tamoxifeno, e nem dos inibidores de aromatase. ● Claudin-low: o subtipo claudin-low, recente- mente identificado, é caracterizado por uma baixa expressão de genes envolvidos com junções celulares ocludentes e glicoproteínas de adesão célula-célula, incluindo as claudi- nas 3, 4 e 7; as ocludinas e a E-caderina. Apresenta uma baixa ou ausente expressão de marcadores de diferenciação luminal e moderada expressão de genes de prolifera- ção. É normalmente um carcinoma do tipo ductal invasor, com alta frequência de dife- renciação metaplásica e medular. Demonstra um padrão imunofenotípico triplo-negativo não basaloide e não possui ainda marcadores imuno-histoquímicos protocolados para a sua caracterização e nem terapêutica específica. TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA NA GESTAÇÃO O câncer de mama associado à gestação e lactação é raro e incide em 0,03%. Por definição, é considerado câncer de mama na gestação aquele cujo diagnóstico é realizado desde o início da gravidez até um ano após seu término. O atraso no diagnóstico é o principal motivo para justificar o pior prognóstico dessas pa- cientes. A interrupção da gravidez, na maior parte das situações, não deve ser realizada, pois não altera o tempo de sobrevida nem o prognóstico dessas pacientes. O tratamento a ser instituído dependerá tanto do período gestacional quanto do estádio da doença. CAP. 1 6DOENÇAS DAS MAMASMEDCURSO · CICLO 1 – GINECOLOGIA · VOL. 4TAB. 9: TERAPÊUTICA NO CÂNCER DE MAMA E GESTAÇÃO. ESTÁDIO 1º TRIMESTRE 2º E 3º TRIMESTRES I Mastectomia ou cirurgia conservadora + RT pós-parto Mastectomia ou cirur- gia conservadora + RT pós-parto II Mastectomia ou cirurgia conservadora + RT pós-parto + QT no 2º trimestre Mastectomia ou cirur- gia conservadora + RT pós-parto + QT III OPERÁVEL Mastectomia Radical Modificada (MRM) + QT 2º tri- mestre + RT pós-parto MRM + QT + RT pós- -parto III INOPERÁVEL Interromper a gravidez ou adiar a QT neoadjuvante para o 2º trimestre QT neoadjuvante + MRM + RT pós-parto IV Interromper gravidez ou adiar QT paliativa para o 2º trimestre QT paliativa OBS. 1: a biópsia do linfonodo sentinela ainda é um procedimento controverso na gravidez. O uso do corante azul (isossulfan azul) é contraindicado e a segurança do radiocoloide não foi documentada. OBS. 2: o tamoxifeno não deve ser usado durante a gestação em virtude de seus efeitos teratogênicos. OBS. 3: a quimioterapia administrada no primeiro trimestre da gestação tem graves efeitos teratogênicos. No entanto, no segundo e no terceiro trimestres não resulta em malformações estruturais. O metotrexate é contraindicado durante toda a gestação por agir no tecido trofoblástico. Os taxanos também não devem ser usados na gestação. OBS. 4: a pesquisa de receptores hormonais é geralmente negativa no câncer de mama da gravidez. TAB. 10: RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA O TRATAMENTO DE GESTANTES COM CÂNCER DE MAMA. Os cânceres diagnosticados no primeiro ou no segundo trimestre da gravidez devem ser tratados com mastectomia radical modificada. A biópsia de linfonodo sentinela ainda é um procedimento controverso na gravidez, pois o uso do corante azul (isossulfan azul) é contraindicado na gravidez e a segurança do radiocoloide não foi documentada. Os cânceres diagnosticados no terceiro trimestre da gravidez podem ser removidos pela técnica de preservação da mama e a radioterapia é postergada para depois do parto, ou por mastectomia radical modificada. O câncer de mama diagnosticado durante a lactação requer supressão da mesma e início do tra- tamento definitivo do câncer. O câncer de mama avançado e incurável deve ser conduzido e tratado de forma paliativa. As decisões sobre a manutenção da gravidez devem se ancorar na terapêutica necessária e na vontade materna. As cirurgias conservadoras da mama não são indicadas como medida terapêutica nos cânceres de mama diagnosticados no primeiro e segundo trimestres da gestação. Esta conduta está amparada na teoria de que não se deve administrar radioterapia à paciente grávida. Sugerimos que você memorize o tratamento recomendado por esta fonte, pois ela é referência bibliográfica da maioria dos concursos de residência médica. Há uma divergência na literatura quanto ao tratamento preconizado pelos livros de Gi- necologia Geral e os Tratados de Mastologia. Confira a seguir o que os livros de Mastologia (Tabela 9) recomendam: Já o livro Tratado de Ginecologia – Berek & Novak (Tabela 10) informa: