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Resenha do livro "Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento um Processo Sócio-Histórico", de Marta Kohl de Oliveira

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Resenha do livro "Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento um Processo Sócio-Histórico", 
de Marta Kohl de Oliveira 
 
 
 
De acordo a escritora Marta Kohl de Oliveira, o estudioso Lev Semenovich Vygotsky 
nasceu na cidade de Orsha, em Belarus, país da extinta União Soviética, em 17 de 
novembro 
de 1896. Viveu grande parte de sua vida em Gomel, com sua família, na mesma região de 
Belarus. Iniciou seus estudos por meio de tutores particulares e, somente aos quinze anos, 
entrou em um colégio privado. Neste, estudou seus últimos dois anos do curso secundário, 
ingressando, em seguida na Universidade de Moscou. Paralelamente a este curso 
universitário, Vygotsky frequentou cursos de história e filosofia na Universidade Popular de 
Shanyavskii. Foi neste lugar que aprofundou seus estudos em psicologia, filosofia e 
literatura. 
Também se formou em Direito e Medicina. Escreveu uma série de trabalhos científicos 
ligados à deficiência, linguagem, psicologia e educação mas quase não teve 
reconhecimento. 
Morreu aos 37 anos devido a problemas de saúde e muitos de seus trabalhos foram ditados 
e 
escritos por ouvintes. Os três pilares do pensamento Vygotskyano para a psicologia são os 
seguintes: as funções psicológicas possuem uma base biológica, porque são produtos da 
atividade cerebral; o funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o 
indivíduo e o mundo exterior, sendo que estas se desenvolvem num processo histórico; os 
sistemas simbólicos são os mediadores da relação “homem-mundo”. 
O conceito de mediação simbólica para Vygotsky, consiste no processo de intervenção de 
um elemento intermediário numa relação, a qual deixa de ser direta e passa a ser mediada 
por 
tal elemento. Esses mediadores são classificados em dois tipos: instrumentos (no plano 
externo ao homem) e signos (no plano interno ao homem). Um exemplo do uso da 
mediação 
simbólica pode ser observado quando crianças que estão aprendendo a escrita começam a 
lidar com a ferramenta do computador (instrumento) e logo associam, quando uma tecla é 
apertada, uma letra (signo) aparece no monitor. Nesse processo vários conceitos 
importantes 
serão internalizados, fazendo com que a criança avance em seu desenvolvimento. 
Os signos funcionam como auxiliares na solução de problemas psicológicos (lembrar, 
comparar, escolher, etc). Operam de maneira análoga a um instrumento de trabalho criado 
para controlar e modificar a natureza, porém funcionam no plano mental orientados para o 
controle de ações psicológicas do próprio indivíduo ou de outras pessoas. Os sistemas 
simbólicos organizam os signos em estruturas mais complexas e articuladas. Ao longo do 
processo de desenvolvimento, o indivíduo deixa de necessitar de marcas externas e passa 
a 
utilizar signos internos, isto é, representações mentais que substituem os objetos do mundo 
real. 
 
 
A linguagem é o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos e é socialmente 
dada. A principal função da linguagem, de acordo com Vygotsky, é a de intercâmbio social: 
é 
para se comunicar com seus semelhantes que o homem cria e utiliza os sistemas de 
linguagem. Tal intercâmbio necessita, para que seja possível uma comunicação mais 
sofisticada, da segunda função da linguagem: o pensamento generalizante. Este consiste 
nos 
signos, os quais simplificam e generalizam a experiência vivida, o que permite que ela seja 
transmitida a outros. É no significado que se encontra a unidade dessas duas funções 
básicas 
da linguagem. São os significados das palavras que vão propiciar a mediação simbólica 
entre 
o indivíduo e o mundo real, constituindo-se no “filtro” através do qual o indivíduo é capaz de 
compreender o mundo e agir sobre ele. O chamado “discurso interior” é uma forma interna 
de 
linguagem, dirigida ao próprio sujeito e não a um interlocutor externo. Inicialmente a criança 
parte de um discurso socializado e o processo de transição para fala interior, que requer 
maior 
nível de abstração mental é caracterizada por Vygotsky como fala egocêntrica. O 
desenvolvimento da linguagem pode ser estimulado através de várias ferramentas 
linguísticas 
como: mímicas, interpretação de imagens, uso de músicas, relacionar figuras, etc. 
No percurso do desenvolvimento, o aprendizado será possibilitado pelo contato do 
indivíduo com certo ambiente cultural, que possibilitará o despertar de processos internos 
de 
desenvolvimento. Para Vygotsky, os níveis de desenvolvimento podem ser divididos em: 
nível de desenvolvimento real, que se refere às conquistas que já estão consolidadas na 
criança, o que ela já aprendeu e domina, indicando os processos mentais da criança que já 
se 
estabeleceram, consideradas como funções já amadurecidas; nível de desenvolvimento 
potencial, que corresponde a aquilo que a criança é capaz de fazer mediante a ajuda de 
outra 
pessoa. Na distância entre o desenvolvimento real da criança e seu desenvolvimento 
potencial, temos a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que define aquelas funções 
que 
estão em processo de maturação, funções que amadurecerão e que estão em estado 
embrionário, fato a ser considerado na educação das crianças, já que mesmo com 
intermediação de adultos, a criança pode não estar preparada para certas tarefas, ou seja, 
erramos quando propomos atividades fora dos limites da ZDP, com conceitos e exigências 
abstratos demais. Um exemplo esclarecedor citado no livro seria a tentativa de ensinar uma 
criança a amarrar os sapatos, caso a criança já saiba não teria nenhum efeito e se fosse um 
bebê também não pois estaria muito distante da sua ZDP, mas para uma criança que ainda 
não sabe fazer mas já está se desenvolvendo nessa atividade, esse estímulo seria ideal. 
Neste contexto, a intervenção pedagógica promovida pela escola nas sociedades letradas 
possui extrema importância na promoção do desenvolvimento dos indivíduos, pelo próprio 
espaço privilegiado que representa e pelas possibilidades que podem ser trabalhadas, por 
exemplo, o lúdico, em aprender a separar o objeto e o significado. Podemos então concluir 
que a teoria de Vygotsky é de extrema importância no entendimento de como um ser 
biológico se transforma num ser social através dos processos de internalização do mundo 
ao 
seu redor, além de ser indispensável na compreensão do desenvolvimento infantil e do 
nosso 
papel enquanto pedagogos de fornecer os estímulos necessários para que cada aluno se 
desenvolva.

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