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Direito do Trabalho Discente: Jesika de Souza Guimarães A evolução do Direito do Trabalho e a importância da coletividade como meio de proteção As relações de trabalho passaram por diversas modificações durante os anos. Desde as suas primeiras manifestações na antiguidade onde o homem buscou meios de subsistência na natureza até a contemporaneidade onde os padrões trabalhistas encontram-se bem definidos em diversas sociedades, muitas foram as manifestações que contribuiram para a evolução dos vínculos trabalhistas. A queda do Estado absolutista deu lugar ao Estado de Direito que proporcionou garantias aos cidadãos através das Constituições. Para que pudéssemos alcançar os direitos que temos hoje, muitos conflitos aconteceram a fim de melhorar a qualidade de vida no trabalho. As mais notórias, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, trouxeram benefícios conhecidos até hoje, e se tornaram símbolos de luta e resistência diante do sistema político da época. Desde então, as sociedades foram evoluindo e esses sistemas foram se modificando com o surgimento de ordenamentos jurídicos mais complexos. No Brasil a situação não foi diferente. Influenciado por fatores externos, nosso país deu os primeiros passos para a elaboração de leis de proteção aos trabalhadores, mesmo que construídos a passos lentos. Assim, após muitos anos resolveu-se reunir essa legislação até então fragmentada dando origem a um documento único, a Consolidação de Leis Trabalhistas. Esse foi um marco histórico na nossa sociedade, impulsionado pelo contexto político, mas também pelas reivindicações crescentes dos trabalhadores da época. A Constituição Federal Brasileira de 1988 foi mais um avanço na proteção dos empregados frente aos empregadores. Em seu artigo 6°, a carta traz a garantia de direitos sociais aos cidadãos brasileiros, dentre eles o direito ao trabalho. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o trabalho, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise que favorece esse quadro. Nesse cenário pode-se suscitar a importância do Estado quanto às medidas governamentais que proporcionem ao indivíduo o direito ao trabalho. A falta de investimento em políticas públicas que reduzam a equidade entre classes, dificultam o acesso igualitário ao trabalho. Contudo, o que nós como cidadãos fazemos para cobrar dos nossos representantes? Muito pouco na verdade. Não é raro ver em jornais, mesmo nos dias atuais, pessoas com subempregos, empregos informais e até mesmo em condições análogas à escravidão. Claro que são situações totalmente diferentes, mas será mesmo que a sociedade não colabora para que esses fatores aconteçam? Diferente daqueles que lutaram por direitos fundamentais no passado, agimos com muita passionalidade frente às reformas realizadas nos últimos tempos e enxergamos nos números crescentes de desemprego apenas o algarismo e não nos sensibilizamos quanto às vidas por trás dessas notícias. O trabalho, dito como essencial à dignidade humana tem regredido em favor dos empregadores e nós enquanto sociedade temos acompanhado silenciosamente o desmantelamento de direitos conquistados a tão duras penas. Torna-se portanto imperioso ressaltar a importância do conhecimento de como essas modificações podem afetar o empregado e entender seus desdobramentos. A única forma de impedir o retrocesso é através da união de pessoas engajadas e atentas às transformações que os governantes propõem. Só assim, teremos força suficiente para evitar que novas leis sejam aprovadas de forma arbitrária e sem a manifestação popular.