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1. JEREMY BENTHAM É UM INGLÊS CUJA CARREIRA COMO AUTOR TEÓRICO SOCIAL INFLUENTE DUROU MAIS DE 60 ANOS: do início da década de 1770 até 1832 1.1 Seu trabalho mais influente foi sobre a teoria econômica do séc. XIX foi “An Introduction to the Principle of Morals and Legislation”, publicado em 1780 1.1.1 Embora a obra não trate diretamente de teoria econômica, ela contém uma apresentação bem elaborada da filosofia social utilitarista, que viria se tornar na base filosófica da teoria neoclássica das últimas décadas do séc. XIX 1.1.2 Nesta obra, ele afirma que toda a motivação humana, em todas as épocas e lugares, pode ser reduzida a um único princípio: o desejo de maximizar a utilidade, princípio que reconhece a sujeição humana ao domínio de dois mestres soberanos, a dor e o prazer – que governam a ação humana 2. SEGUNDO BENTHAM, UTILIDADE QUER DIZER A PROPRIEDADE DE QUALQUER OBJETO EM PRODUZIR ALGUM BENEFÍCIO, VANTAGEM, PRAZER OU FELICIDADE: isso seria equivalente, a impedir danos, dor, mal ou infelicidade à parte cujo interesse esteja sendo considerado 2.1 Todas as motivações seriam meras manifestações do desejo de prazer e de evitar a dor 2.2 Como a dor era mero prazer negativo, o princípio da utilidade de Bentham podia ser expresso, simplesmente, pela ideia de que toda a atividade humana ser derivada do desejo de maximizar o prazer 3 REDUZINDO TODOS OS MOTIVOS HUMANOS A UM ÚNICO PRINCÍPIO, BENTHAM CONSIDERAVA TER ACHADO A CHAVE PARA UMA CIÊNCIA DO BEM-ESTAR OU DA FELICIDADE HUMANA EXPRESSÁVEL MATEMATICAMENTE: tal ciência poderia vir a adquirir a mesma exatidão numérica da física 3.1 Os prazeres e a fuga à dor são finalidades que poderiam ser quantificados de modo tal que se possa entender seu valor 3.2 Bentham sugere um método para quantificar os prazeres com base no valor de um prazer ou dor atribuído por determinado número de pessoas, assente em sete circunstâncias: (i) intensidade; (ii) duração; (iii) certeza/incerteza; (iv) proximidade/afastamento; (v) fecundidade; (vi) pureza; e (vii) extensão 4. BENTHAM NÃO SE LIMITAVA A CONCEBER OS SERES HUMANOS COMO MAXIMIZADORES CALCULISTAS DO PRAZER: via-os, também, como fundamentalmente individualistas 4.1 No curso da vida, em todo coração humano o interesse próprio predomina sobre todos os outros interesses em conjunto: a preferência por si mesmo tem lugar em toda a parte 4.2 Acreditava que as pessoas fossem essencialmente preguiçosas: qualquer tipo de trabalho era considerado penoso e, por isso, o trabalho nunca seria feito sem a promessa de grande prazer ou de evitar dor maior 4.2.1 Aversão é a única emoção que o trabalho, considerado em si mesmo, é capaz de gerar, na medida que seja entendido em seu sentido apropriado: a expressão ‘amor ao trabalho’ implica uma contradição em termos 5. BENTHAM CRITICA A EXPLICAÇÃO DO VALOR DE TROCA A PARTIR DO EXEMPLO DA ÁGUA E DO DIAMANTE DE SMITH, CHAGANDO MUITO PERTO DO PRINCÍPIO DA “UTILIDADE MARGINAL”: o valor de troca estaria associado ao quão necessário é uma unidade adicional de mercadoria dada a quantidade já disponível 5.1 O desenvolvimento das ideias de Bentham seria o prenúncio de uma importante cisão na abordagem ortodoxa de fins do XVIII, com o advento da utilidade: ardente defensor da política do “laissez-faire” e do livre-mercado como princípios de alocação eficiente de recursos, é precursor da teoria da ‘utilidade marginal’, que se tornaria pilar da teoria neoclássica de finais do XIX 6. BENTHAM COMO REFORMADOR SOCIAL 6.1 Em seus primeiros escritos, Bentham aceita o argumento de Smith de que um mercado livre e em concorrência alocaria recursos produtivos nas indústrias em que eles pudessem ser mais produtivos/proveitosos 6.2 Bentham acreditava que a interferência do governo no livre mercado teria grande probabilidade de diminuir o nível da produção, ou, na melhor das hipóteses, não aumentar a produção 6.3 Também aceitou a noção de que a oferta agregada sempre seria igual à procura agregada, num mercado livre 6.3.1 Neste mercado nunca deveria haver uma depressão nem qualquer crise de desemprego voluntário porque qualquer poupança seria automaticamente transformada em capital adicional para empregar mais trabalho 6. BENTHAM COMO REFORMADOR SOCIAL 6.4 Todavia, em 1801, sua posição sobre a intervenção do governo na economia muda, passando a aceitar a intervenção na medida que esta ofereça qualquer vantagem mínima 6.4.1 Esta mudança de opinião foi motivada por duas grandes preocupações principais que, mais tarde, se transformariam em importante argumento contra o “laissez-faire” total Primeiramente, ele, como Malthus, chegou a ver que a poupança poderia não ser igualada pelo novo investimento Segundo, a razão para a interferência do governo no mercado seria diminuir os efeitos socialmente prejudiciais de grandes desigualdades de riqueza e de renda 6. BENTHAM COMO REFORMADOR SOCIAL (a) Bentham achava que a capacidade de uma pessoa se beneficiar com o dinheiro diminuía à medida que ela ganhasse mais dinheiro. Ou seja, na moderna terminologia da utilidade, ele achava que o dinheiro tinha uma “utilidade marginal decrescente”. (b) Portanto, uma medida governamental que redistribuísse o dinheiro dos ricos para os pobres aumentaria a utilidade total agregada da sociedade. (c) Contudo, ele não defendia a completa igualdade, pois, considerava que os efeitos prejudiciais disso superariam os efeitos positivos: os trabalhadores teriam menos disposição para o trabalho. 6.4.1 Esta mudança de opinião foi motivada por duas grandes preocupações principais que, mais tarde, se transformariam em importante argumento contra o “laissez-faire” total