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ALUNO: ALEXANDER BESOUCHET MARTINS MATRICULA: 201908214121 PROF: MAÍRA VILLELA ALMEIDA PROVA AV 1 QUESTÃO 1 (2 PONTOS): A Lei 13.414, de 10 de janeiro de 2017, estabelece o orçamento anual para o exercício financeiro de 2017, com vigência de 01 de janeiro a 31 de dezembro do mesmo ano. Ela estima a receita da União para R$ 3.505.458.268.409,00 e fixa despesa de igual valor. Ela trata do orçamento fiscal, da seguridade social e de investimentos das empresas em que a União detém a maioria do capital social com direito a voto. Esse orçamento estima o crescimento do PIB (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) em 1,3% e em 4,8% a inflação. Desse valor total, os gastos com juros e amortização da dívida pública devem consumir R$ 1,7 trilhão. A receita corrente líquida estimada é de R$ 1.486.361.613.706,00. Além disso, R$ 6.884.847.793,00 é o total de gastos com pessoal previsto no orçamento. Identifique, segundo as informações dadas, quais os princípios que estão sendo seguidos, indicando, se for o caso, os dispositivos aplicáveis. O caso apresenta dados do orçamento real de 2017. Nesse sentido, quanto à sua vigência é observado o princípio da anualidade. Quanto à estimativa de receitas e fixação de receitas, há um claro equilíbrio orçamentário, o que se coloca em consonância com a Emenda Constitucional 95/2016 e a preocupação do crescimento das despesas. Por fim, o limite de gastos com pessoal está em consonância com o disposto no artigo 19 da LC 101/00, pois os valores de despesa com pessoal não somam 50% da receita corrente líquida estimada. Os princípios percebidos foram: equilíbrio financeiro e orçamentário, legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. QUESTÃO 2 (2 PONTOS): A União decidiu instituir uma contribuição sobre a propriedade de bicicletas na base de 5% (cinco por cento) ao ano. O fato gerador será a propriedade da bicicleta. O tributo, contudo, não terá destinação específica. Além disso, a União conta com esses recursos para equilibrar exclusivamente suas contas. Após o primeiro mês de exigência do tributo, o Estado do Rio de Janeiro exige que lhe seja entregue parcela do produto da arrecadação do tributo. Nesse caso hipotético, qual seria a avaliação correta sobre as diversas condutas? O caso apresenta questões relativas às espécies tributárias, espécies de competência e espécies de repartição de receitas tributárias. Como visto, o tributo cobrado em função de fato gerador que não seja relativo a qualquer atividade estatal específica será um imposto, e não uma contribuição. Além disso, estamos diante de um imposto da competência residual, já que não há o fato gerador para esse imposto previsto na Constituição de forma expressa a nenhum ente federativo. Por fim, deve-se incluir que os impostos residuais terão o produto de sua arrecadação repartida entre os Estados. Observando o art. 150 da CRFB, que reza sobre a distribuição dos impostos. QUESTÃO 3 (2 PONTOS): Em 1988, poderíamos dizer que o livro é um conjunto de folhas impressas e reunidas em volume encadernado ou brochado. Mas será que hoje esse é o mesmo conceito? Vivemos uma realidade em que podemos adquirir a mesma versão de um livro impresso de maneira eletrônica, ou seja, podemos baixar o conteúdo de um livro. Contudo, um empecilho sempre esteve à frente dessa ideia: o desconforto da leitura em telas que produzem imagem através de luz. O cansaço visual é maior, além do próprio desgaste da saúde da vista. Por isso, foi necessário criar equipamentos próprios à satisfação dessa necessidade. Daí surgiram os e-readers. Nesse sentido, é possível alcançar esses livros pela imunidade? Prescreve o artigo 150, VI, "d" da Constituição Federal de 1988, verbis: "Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI - instituir impostos sobre: (...) d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão." STF aprova súmula vinculante sobre imunidade tributária para livros eletrônicos : A nova súmula, aprovada em sessão virtual, segue o entendimento firmado pelo STF em dois recursos extraordinários com repercussão geral reconhecida. A redação aprovada para a Súmula Vinculante 57, nos termos do voto do relator, ministro Dias Toffoli, presidente do STF, foi a seguinte: "A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias". QUESTÃO 4: O Município X instituiu, por uma mesma lei ordinária municipal datada de junho de 2017, ISS sobre a locação de automóveis realizada em seu território, bem como ISS sobre serviços de execução de tatuagens, piercings e congêneres. Em razão dessa lei, em junho de 2018, uma locadora de veículos foi autuada pelo fisco municipal por não estar declarando nem efetuando o recolhimento do referido tributo. Por sua vez, também em junho de 2018, uma loja que faz tatuagens foi autuada pelo não recolhimento do tributo, mas judicializou a questão e alegou que somente por lei complementar municipal poderia o ISS incidir sobre esse serviço. Diante desse quadro, responda aos itens a seguir. A) (1 PONTO) A autuação feita pelo fisco municipal contra a locadora de automóveis está correta? A autuação não é correta, pois é inconstitucional a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis, já que a locação não configura prestação de serviço (Súmula Vinculante nº 31 - É inconstitucional a incidência do ISQN – ISS sobre operações de locação de bens móveis). B) (1 PONTO) O Município X poderia valer-se dessa lei ordinária municipal para instituir fato gerador de ISS sobre prestação de serviços de tatuagem? Sim. O Município pode utilizar a espécie normativa de uma lei ordinária municipal para instituir fatos geradores de ISS em seu território, desde que tais fatos geradores estejam devidamente previstos na LC 116/03 (Lei Complementar de caráter nacional exigida pelo Art. 156, inciso III, da CRFB/88). Os serviços de aplicação de tatuagens, piercings e congêneres foram inseridos na Lista de Serviços Anexa à LC 116/2003 (item 6.06) por força da LC 157, de 29/12/2016. Portanto, é legal a cobrança referida no enunciado. QUESTÃO 5: No Estado “X”, até o ano de 2016, o mês para pagamento de Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) era março, e o valor poderia ser dividido em, no máximo, três parcelas. Em janeiro de 2017, foi editada a Lei nº 123 alterando tal sistemática. A nova lei estabeleceu o pagamento para o mês de fevereiro do mesmo exercício, sem a possibilidade de parcelamento. Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir. A) (1 PONTO) A alteração do prazo para pagamento poderia se dar por meio de decreto? Sim, desse modo, a autoridade administrativa pode realizar a cobrança do IPVA de 2017 já com base na nova tabela de valores. Ressalta-se, ainda, que a fixação da base de cálculo do IPVA não é exceção ao princípio da anterioridade do exercício. Desse modo, como a nova lei foi editada em 2016, não há problema em realizar a cobrança pelos novos valores no ano seguinte por decreto. B) (1 PONTO) A Lei nº 123 precisa respeitar o princípio da anterioridade do exercício financeiro e o da anterioridade nonagesimal? Não. De acordo com a Súmula vinculante 50, não precisaria obedecer ao princípio da anterioridade e nem o princípio da anterioridade nonagesimal.