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O Circo Do Seu Bolacha 
 
Início do espetáculo, música instrumental, entram os dois palhaços Ping-Pong 
e Dominó, fazem uma pantomima como se fossem limpar o circo, Ping-Pong 
com um balde e um esfregão, e Dominó com outro balde, começam a limpar, 
mas após alguma atrapalhadas, Dominó percebe que os dois guarda-chuvas, 
que ele fazem a sua Reprise costumeira, estão em cima dos tamboretes, cada 
qual em cima de um. Sem perder tempo eles pegam os instrumentos de cena e 
dançam ao som da música que toca, quando a mesma acaba e os dois fazem 
menção de abrir os adereços, Seu Bolacha entra em cena... 
Seu Bolacha – (furioso) Ouçam aqui, seus dois palhaços bobocas, eu não 
estou gostando desta brincadeira de jeito nenhum. Acho bom vocês pararem 
de vez com esses malditos ensaios, e desaparecerem de vez, para que eu 
possa vender o meu circo!!! 
Ping-Pong – Mas seu bolacha, o senhor quer mesmo vender o Circo? 
Seu Bolacha – Claro, já decide. Vou mesmo vender o circo. 
Dominó – Mas seu Bolacha, eu tenho certeza que vai dar certo. 
Seu Bolacha – Que certo o que!? Onde já se viu, um circo fazer espetáculos 
com apenas três pessoas? 
Os dois palhaços – (Remendando, mas acreditando) Um circo fazer 
espetáculos com apenas três pessoas!!! 
Seu Bolacha – Não! Nunca! Isto é coisa de louco. E vocês são loucos, essa 
idéia só podia ter saído destas cabecinhas ocas, que você tem. 
Dominó – Mas nós vamos conseguir. 
Ping-Pong – Pode acreditar na gente. 
Seu Bolacha – Ah,é? 
Os dois Palhaços – Éeeeeee!!!! 
Seu Bolacha – Vocês pensam que é fácil? 
Os Dois Palhaços – Hã-hã! 
Seu Bolacha – Não é fácil não! O meu circo faliu, a crise acabou com o meu 
circo. 
Ping-Pong – Nós sabemos disso Seu Bolacha. 
Seu Bolacha – Não temos dinheiro para mais nada. 
Ping-Pong – Nós também sabemos disso, Seu Bolacha. 
Seu Bolacha – Estamos perdidos! 
Dominó – Não Seu Bolacha, nem tudo está perdido, pois eu, e o meu amigo 
Ping-Pong, vamos trabalhar para recuperar o nosso circo. 
Ping-Pong – É isso aí, com união e força tudo se constrói. 
Dominó – Falou Ping-Pong 
Seu Bolacha – Vocês, vocês, tudo vocês, acham que conseguem? Pois fiquem 
sabendo que não vai dar certo. 
Dominó – Agente aposta como vai! 
Ping-Pong – (com ar de deboche) Quer apostar seu Bolacha? 
Seu Bolacha – Não, eu não sou de apostas. 
Ping-Pong – (duvidando) O senhor não é de apostas? Eu não acredito. 
Seu Bolacha – Então quer apostar como eu não sou de apostas? 
Dominó – Já que o senhor não é de apostas, passe a acreditar que eu e o meu 
amigo Ping-Pong, vamos recuperar este circo!! 
Seu Bolacha – Ah é? Então me diga... (tom de apresentador) Quem vai fazer o 
papel dos domadores? (som do 1º. Tarol) 
Os dois Palhaços – Quem vai fazer o papel dos domadores. 
Seu Bolacha – Ah é? (para a platéia) eu pego estes dois! (para eles) Quem vai 
fazer a equipe do Globo da Morte? (som do 2º. Tarol) 
Os dois Palhaços – Quem vai fazer a equipe do Globo da Morte. 
Seu Bolacha – E a equipe de segurança do circo? As dançarinas? Os 
equilibristas? Os Malabaristas? Enfim... quem vai fazer tudo isso, hein? 
Os dois palhaços – Nós seu bolacha! 
Ping-Pong – (dominando a situação, sobe em um dos tamboretes) Nós 
podemos fazer tudo Seu Bolacha, ser os equilibristas, os malabaristas, os3 
trapezistas, os seguranças do circo, as dançarinas, e podemos até imitar os 
animais. Veja como eu sei imitar um Leão. (onomatopéia) Uahhhhhhh!!!!! 
Seu Bolacha – (morrendo de medo) Ai de mim. 
Dominó – Vai lá Seu Bolacha. (empurra Seu Bolacha, para perto do tamborete 
que está com Ping-Pong em cima) 
Ping-Pong – Uahhhhhhhhhh!!!!! (mais forte). 
Seu Bolacha – Ai de mim, Jesus! 
Dominó – Vai lá homem! (idem) 
Ping-Pong – (de repente dá um salto do tamborete) Miauuuu.... (imitando um 
frágil gatinho) 
Seu Bolacha – (bravo) Vai te lascar, menino. 
Dominó – E olhe como eu sei imitar um macaco. (Sobe no tamborete e imita 
um macaco). 
Os dois palhaços – Viu Seu Bolacha, como nós podemos fazer tudo?!!!! 
Seu Bolacha – (Furioso) Ridículo, ridículo! São os dois palhaços mais ridículos 
que já apareceram por aqui, sempre fazendo tolices, para impedir que eu 
venda o meu circo.(Afirmativo) O circo é meu e eu vou vende-lo, afinal de 
contas, quem vocês pensam que são para impedirem que eu faça isto!? 
1ª. MÚSICA – FREVO DOS PALHAÇOS 
Ping-Pong – Eu sou o palhaço Ping-Pong!!!!! 
Dominó – E eu sou o palhaço Dominó!!!!! 
Ping-Pong – Gostamos de circo porque o circo é o lugar onde sabemos 
trabalhar. 
Seu Bolacha – Mas como nós vamos recuperar o Circo, se não temos dinheiro. 
Todo dinheiro que eu ganhei com a venda dos animais, deu apenas para pagar 
os empregados que fui obrigado a demitir. Eu sei, eu sei, o circo é o mundo de 
vocês, é o meu também, mas estou cansado desta vida, porque vocês não 
fazem como os outros, vão procurar outro circo para trabalhar. 
Ping-Pong – O senhor deve estar brincando com a gente. 
Seu Bolacha – Porque brincando? Estou falando sério, isso não é hora para 
brincadeiras. 
Ping-Pong – Mas se o circo for vendido, o que é que o senhor vai fazer da vida 
a essa altura do campeonato? O senhor nasceu no circo, viveu sua vida inteira 
no picadeiro, sempre trabalhou em circo. 
Seu Bolacha – Oras Ping-Pong, a gente sempre encontra alguma coisa para 
fazer na vida. 
Dominó – Mas essa coisa, Seu Bolacha, pode ser nada. 
Seu Bolacha – Mas essa coisa, Dominó, pode ser tudo. 
Ping-Pong – Seu Bolacha, pense bem, aqui o senhor é o patrão... 
Dominó – É o Dono. 
Ping-Pong – É o Proprietário 
Dominó – É o Manda-Chuva 
Ping-Pong – É o ban ban ban 
Dominó – Lá for a o senhor será um empregado. 
Ping-Pong – Um Peão... 
(neste diálogo curto, os dois palhaços sacodem o Seu Bolacha de um lado para 
o outro, até ele ficar tonto, na última fala do Dominó, ele dá um assopro no Seu 
Bolacha, que cai) 
Seu Bolacha – (levanta furioso) Nada disso, podem achar ruim o quanto 
quiserem, mas o circo está a venda e pronto! 
Ping-Pong – O senhor não tem jeito mesmo. 
Seu Bolacha – Eu sinto muito 
Pin-Pong – E o que será de mim, e do meu amigo Dominó? O senhor não tem 
pena da gente não é? Pensa que vai ser fácil arranjar outro circo para 
trabalhar, circo existem aos montes por aí, mas será que os donos desse circo 
vão aceitar a gente? Eles podem achar que as nossas palhaçadas não são de 
nada, não tem graça pensar nisso... 
Dominó – Vamos acabar com essa conversa. Ninguém vai precisar mais 
vender o circo! Porque eu acabo de ter uma idéia fenomenal. 
Seu Bolacha- Eu já estou cheio de suas idéias fenomenais! 
Dominó – E eu já estou cheio de ouvir o senhor falar que vai vender o circo. 
Ping-Pong – Qual a idéia Dominó? 
Dominó – É a seguinte: A gente sai pelas ruas da cidade em busca de 
colaboração! 
Ping-Pong – (com estranheza) Colaboração? 
Seu Bolacha – (desconfiado) Mas que tipo de colaboração? 
Dominó – Qualquer tipo oras... Dinheiro! 
Ping-Pong – Grande idéia, Dominó! 
Dominó – Eu sei que é. A gente sai pelas ruas da cidade pedindo colaboração, 
vão colaborar é claro, afinal, ninguém vai deixar de apoiar um circo quase 
falido. 
Ping-Pong – E se o pessoal não tiver dinheiro Dominó? 
Dominó – Se não tiver dinheiro? Pode ajudar com outra coisa... (andando em 
círculo, os dois palhaços) vale transporte, ticket refeição, bilhete único... (os 
dois se encontram no centro, trombam, caem no chão) Tive uma idéia! 
Ping-Pong – Qual é a idéia? 
Dominó – Quem não puder dar dinheiro, pode ajudar com algum objeto de 
valor, aí agente junta tudo e faz um leilão! 
Ping-Pong – Grande idéia Dominó! 
Seu Bolacha – E se o pessoal da cidade não quiser colaborar? 
Dominó – Vão colaborar sim. Afinal de contas uma cidade que se preze, não 
vai deixar que um circo venha a falir. 
Ping-Pong – Então, mãos à obra, vamos pedir colaboração.