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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO

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Ananda Lima

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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
· Proteção do trabalhador
“O polo mais fraco da relação jurídica de emprego merece um tratamento jurídico superior, por meio de medidas protetoras, para que se alcance a efetiva igualdade substancia, ou seja, promovendo-se o equilíbrio que falta na relação de trabalho, pois, na origem, os seus titulares normalmente se apresentam em posições socioeconômicas desiguais”. (Gustavo Filipe Barbosa Garcia, 11° edição, 2017, p. 89, Curso de Direito do Trabalho) 
“Há relações jurídicas em que os sujeitos estão em postura de igualdade substancial e, consequentemente, em posição de equivalência contratual. Diante dessas relações, a atuação estatal esperada é exatamente a de não privilegiar um contratante em detrimento de outro. Esse figurino contratual, entretanto, não pode ser conservado quando evidente a dessemelhança de forças ou de oportunidades entre os sujeitos das relações contratuais.
Em tais hipóteses, cabe ao Estado criar mecanismos de proteção aos vulneráveis, sob pena de compactuar com a exploração do mais forte sobre o mais fraco.
O princípio da proteção surge, então, para contrabalançar relações materialmente de- sequilibradas. Esse propósito é alcançado mediante opções e atitudes interpretativas do aplicador da fonte jurídica em conformidade com as variáveis” (Luciano Martinez, 7° edição, 2016, p. 108, Curso de Direito do Trabalho).
O princípio em estudo tem o objetivo de minorar a desigualdade entre empregado e empregados, levando-se em consideração que o empregador detém o poder econômico, que, por sua vez, o deixa em uma condição de superioridade em relação àquele que dispõe de sua força de trabalho e consequentemente é considerado a parte mais fraca da relação de trabalho. Tal princípio tem três subprincípios: in dúbio pró operário, da aplicação da norma mais favorável, da condição mais benéfica.
O subprincípio in dúbio pró operário “importa” do direito penal a ideia do in dúbio pró rel. Portanto, caso haja dúvida na interpretação que ela seja em favor do operário.
Em relação a aplicação da norma mais favorável significa dizer que se houver duas ou mais normas que tratem sobre a mesma matéria aplicar-se-á a norma mais favorável ao empregado.
O subprincípio da condição mais benéfica trata de direitos benéficos que foram adquiridos. 
· Primazia da Realidade
“O princípio da primazia da realidade indica que, na relação de emprego, deve prevalecer a efetiva realidade dos fatos, e não eventual forma construída em desacordo com a verdade. ” (Gustavo Filipe Barbosa Garcia, 11° edição, 2017, p. 94, Curso de Direito do Trabalho)
“O princípio da primazia da realidade baseia-se no mandamento nuclear protetivo segundo o qual a realidade dos fatos prevalece sobre meras cláusulas contratuais ou registros documentais, ainda que em sentido contrário. De nada, portanto, adianta mascarar a verdade, uma vez que se dará́ prevalência ao que efetivamente existiu. ” (Luciano Martinez, 7° edição, 2016, p. 123, Curso de Direito do Trabalho).
Este princípio visa ajustar conflitos entre o que foi acordado entre empregado e empregador e o que acontece na realidade. 
· Princípio da continuidade da relação de emprego
“O princípio da continuidade da relação de emprego tem o objetivo de preservar o contrato de trabalho, fazendo com que se presuma ser a prazo indeterminado e se permita a contratação a prazo certo apenas como exceção.
A importância desse princípio revela-se não apenas ao conferir segurança ao empregado durante a vigência de seu contrato de trabalho, mas também na sua integração à empresa, favorecendo a qualidade do serviço prestado” ” (Gustavo Filipe Barbosa Garcia, 11° edição, 2017, p. 94, Curso de Direito do Trabalho)
“O princípio da continuidade pode ser entendido como aquele que visa atribuir à relação de emprego a mais ampla duração possível, sob todos os aspectos, gerando, por isso, presunções sempre favoráveis aos trabalhadores. ” (Luciano Martinez, 7° edição, 2016, p. 122, Curso de Direito do Trabalho).
O princípio em análise objetiva manter o sentido de continuidade dos contratos de trabalho. Dessa forma, a pretensão é de que o contrato viva enquanto não exista norma que cesse o efeito desta relação.
· Princípio da Inalterabilidade Contratual
“ A inalterabilidade contratual in pejus baseia-se no mandamento nuclear protetivo segundo o qual, diante de fontes autônomas com vigência sucessiva, há de se manter a condição anterior, se mais benéfica. Assim, a título de exemplo, imagine-se que, por ocasião da admissão de um empregado, existisse um regulamento empresarial interno que oferecesse, entre outras vantagens, férias de sessenta dias por ano. A extinção ou a modificação desse regulamento não seria suficiente para que desaparecesse o direito às férias em dimensão privilegiada. O regulamento poderia até́ ser extinto ou modificado, mas essa extinção ou modificação somente valeria para empregados contratados depois do ato modificativo do regulamento. ” (Luciano Martinez, 7° edição, 2016, p. 112, Curso de Direito do Trabalho).
“Existindo uma condição ou clausula anterior oriunda de norma jurídica preexistente (ex.: clausula de regulamento de empresa contendo uma vantagem para o empregado), sobrevier outra norma versando sobre a mesma matéria, prevalecerá aquela, anteriormente criada, salvo se a norma posterior for mais benéfica ao trabalhador.
O princípio em tela é emanação do princípio da segurança jurídica em uma de suas vertentes constitucionais que consagram o princípio da irretroatividade da lei penal, salvo para beneficiar o réu (CF, art. 5o, XL), e o princípio do direito adquirido (CF, art. 5o, XXXVI) 
Parece-nos, por outro lado, que este princípio guarda estreita relação com o princípio consagrado no caput do art. 7o da CF, o qual recepciona as normas que visem à melhoria das condições sociais dos trabalhadores. ” (Carlos Henrique Bezerra Leite, p. 91, 8° edição, 2017, Curso de Direito do Trabalho).
Dessa forma, o contrato de trabalho, com ou sem anuência do trabalhador, não poderá ser alterado para pior, com fundamento no art. 468 da CLT.
· Princípio da intangibilidade e irredutibilidade salarial
Diante da clareza do mandamento constitucional, tem-se que a redução salarial não poderá ser prevista, de forma válida, em sentença normativa, ainda que posterior a uma negociação coletiva frustrada. Não tendo sido possível ao empregador, ou ao sindicato da categoria econômica, obter essa redução de forma negociada, a Constituição da República indica dever ser respeitada a vontade coletiva dos trabalhadores, não podendo, nesse tema, ser substituída pelo poder normativo da Justiça do Trabalho. (Gustavo Filipe Barbosa Garcia, 11° edição, 2017, p. 509, Curso de Direito do Trabalho)
“O princípio de proteção ao salário é desdobrado em quatro princípios, todos previstos no art. 7° da CF, como o princípio da garantia do salário mínimo com reajustes periódicos que assegurem o poder aquisitivo do trabalhador e sua família (inc. IV), o princípio da irredutibilidade salarial (inc. VI) e o princípio da isonomia salarial (XXX) (Carlos Henrique Bezerra Leite, p. 91, 8° edição, 2017, Curso de Direito do Trabalho).
Este princípio tem como objetivo proteger a contraprestação que o trabalhador tem direito decorrente de sua atividade laboral.

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