Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Passei Direto Aniversário

Quer receber 70% de desconto para assinar o PasseIA?

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2013
Noções de direito
Prof.ª Danielle Boppré de Athayde Abram
Copyright © UNIASSELVI 2013
Elaboração:
Prof.ª Danielle Boppré de Athayde Abram
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 34
 A158n Abram, Danielle Boppré de Athayde
 Noções de direito/ Danielle Boppré de Athayde Abram. 
Indaial: Uniasselvi, 2013.
 181 p. : il
 ISBN 978-85-7830-814-8
 1. Noções essenciais de direito. 
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
Impresso por:
III
ApreseNtAção
 Prezados Acadêmicos!
 Desde que o homem passou a viver em sociedade, tornou-se necessá-
rio estabelecer regras que regulassem as relações humanas, a fim de garantir a 
paz social. Estas normas de conduta buscam evitar que cada um “faça justiça 
com as próprias mãos”, o que significa a prevalência da força, uma vez que a 
vontade do mais forte sempre prevalecerá, gerando desordem na sociedade. 
Assim, desde os primórdios da civilização, afirma-se que ubu homo, ibi jus, 
que significa dizer que “onde está o homem está o Direito”. Em uma visão 
ampla, podemos dizer, que o Direito é a ciência que estuda estas normas de 
conduta. 
 Em sua futura atividade profissional, você se deparará com situações 
que demandam um conhecimento básico da ciência jurídica, que é objeto de 
nossa disciplina. Serão parte de seu dia a dia situações que envolvem con-
tratos, direitos trabalhistas, títulos de crédito, reclamações de consumidores, 
entre muitas outras em que você necessitará de conhecimentos jurídicos.
 Na Unidade 1 teremos uma ampla visão do Direito, para podermos 
entender o que é Direito Positivo, quem são os sujeitos de direito, o que são 
normas jurídicas e como elas são aplicáveis aos fatos jurídicos. Estudaremos 
também a clássica divisão entre o Direito Público e Privado, para reconhecer-
mos quais os ramos do Direito que integram cada uma das classificações. 
 Na Unidade 2 estudaremos conteúdos de Direito Público, entendendo 
aspectos importantes desse conteúdo em cada um dos seus ramos.
 Por fim, na Unidade 3, estudaremos especificamente o Direito Priva-
do, com ênfase no Direito Civil, que, a partir de 2007, com a entrada em vigor 
do Código Civil, passou a disciplinar o Direito Empresarial, que traz conte-
údos aplicáveis à sua futura profissão. Pela sua importância, o Direito Em-
presarial será estudado em um caderno de estudos específico, com o Direito 
Tributário, sendo que, neste estudo introdutório, optamos por trazer aspectos 
práticos da aplicação do Direito à atividade empresarial.
 
 Desejo a você uma feliz trajetória. Bons estudos!
 
 Profª. Danielle Boppré de Athayde Abram
IV
UNI
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
V
VI
VII
sumário
UNIDADE 1 – NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ............................................................................ 1
TÓPICO 1 – CONCEPÇÃO DE “DIREITO” .................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 3
2 O QUE É DIREITO? ........................................................................................................................... 4
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................................... 8
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 9
TÓPICO 2 – DIREITO E MORAL ...................................................................................................... 11
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 11
2 DIREITO E MORAL ........................................................................................................................... 11
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 14
TÓPICO 3 – DIREITO OBJETIVO E SUBJETIVO .......................................................................... 15
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................................... 17
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 18
TÓPICO 4 – FONTES DO DIREITO .................................................................................................. 19
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 19
2 CARACTERIZAÇÃO DAS FONTES DO DIREITO ................................................................... 19
RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................................... 22
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 23
TÓPICO 5 – NORMA JURÍDICA ....................................................................................................... 25
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 25
2 CONCEITO DE NORMA JURÍDICA ............................................................................................. 25
3 CARACTERÍSTICAS DA NORMA JURÍDICA ........................................................................... 26
RESUMO DO TÓPICO 5 ...................................................................................................................... 28
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 29
TÓPICO 6 – RELAÇÃO JURÍDICA ...................................................................................................31
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 31
2 CONCEITO DE RELAÇÃO JURÍDICA ......................................................................................... 31
3 ESPÉCIES DE RELAÇÃO JURÍDICA ............................................................................................. 32
 3.1 SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA ........................................................................................ 33
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................. 34
RESUMO DO TÓPICO 6 ...................................................................................................................... 37
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 38
UNIDADE 2 – DIREITO PÚBLICO ................................................................................................... 39
TÓPICO 1 – DIREITO CONSTITUCIONAL ................................................................................... 41
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 41
2 CONCEITO DE DIREITO CONSTITUCIONAL E CONSTITUIÇÃO .................................... 41
VIII
2.1 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 .................................................................................... 42
2.2 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 .................. 43
2.2.1 Direitos e Garantias Individuais e Coletivos ........................................................................ 45
2.2.2 Direitos Sociais .......................................................................................................................... 52
2.2.3 Direitos da Nacionalidade ...................................................................................................... 53
2.2.4 Direitos Políticos ....................................................................................................................... 55
2.2.5 Direitos Relacionados à Organização, Participação e Funcionamento dos 
 Partidos Políticos ....................................................................................................................... 56
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................................... 57
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 58
TÓPICO 2 – DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL ................................. 61
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 61
2 DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................................................ 61
2.1 CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................ 61
2.2 ATOS ADMINISTRATIVOS ......................................................................................................... 61
2.3 PRINCÍPIOS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ............................................... 63
2.3.1 Princípio da Legalidade .......................................................................................................... 63
2.3.2 Princípio da Impessoalidade .................................................................................................. 64
2.3.3 Princípio da Moralidade ......................................................................................................... 64
2.3.4 Princípio da Publicidade ......................................................................................................... 65
2.3.5 Princípio da Eficiência ............................................................................................................. 66
2.3.6 Contratos Administrativos ...................................................................................................... 66
3 DIREITO PROCESSUAL .................................................................................................................. 68
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................................... 69
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 70
TÓPICO 3 – DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO ........................................................... 71
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 71
2 DIREITO PENAL ................................................................................................................................ 71
2.1 CONCEITO E FUNÇÃO ............................................................................................................... 71
2.2 DIVISÃO DO DIREITO PENAL .................................................................................................. 71
2.3 FATO TÍPICO - CRIME E CONTRAVENÇÃO .......................................................................... 72
2.4 DOLO E CULPA ............................................................................................................................. 72
2.5 CAUSAS EXCLUDENTES DA ANTIJURIDICIDADE ............................................................. 74
2.6 CULPABILIDADE ......................................................................................................................... 74
2.7 IMPUTABILIDADE PENAL ........................................................................................................ 75
2.8 PENAS E MEDIDAS DE SEGURANÇA .................................................................................... 75
2.9 AÇÕES PENAIS ............................................................................................................................. 76
2.10 CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO ....................................................................................... 77
3 DIREITO TRIBUTÁRIO ................................................................................................................... 79
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................................... 81
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 82
TÓPICO 4 – DIREITO ELEITORAL E DIREITO MILITAR ......................................................... 83
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 83
2 DIREITO ELEITORAL ....................................................................................................................... 83
3 DIREITO MILITAR ............................................................................................................................ 83
RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................................... 84
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 85
TÓPICO 5 – RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E 
 DIREITO DO CONSUMIDOR ..................................................................................... 87
IX
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................87
2 DIREITO DO TRABALHO ............................................................................................................... 87
3 DIREITO DO CONSUMIDOR ........................................................................................................ 88
3.1 OBJETO DO DIREITO DO CONSUMIDOR ............................................................................. 88
3.2 CONCEITOS DE CONSUMIDOR E FORNECEDOR .............................................................. 88
3.3 DIREITOS E DEVERES DO CONSUMIDOR ............................................................................ 90
3.3.1 Direitos do consumidor .......................................................................................................... 90
3.3.2 Deveres do consumidor .......................................................................................................... 91
3.4 RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR ............................................................................. 91
3.5 DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO ................................................................................................ 92
3.6 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA ................................................. 94
3.7 PROTEÇÃO DOS CONTRATOS DE CONSUMO .................................................................... 94
3.8 PUBLICIDADE E PROPAGANDA ............................................................................................ 95
4 DIREITO AMBIENTAL ..................................................................................................................... 96
RESUMO DO TÓPICO 5 ...................................................................................................................... 97
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 98
TÓPICO 6 – DIREITO PÚBLICO EXTERNO: DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO ....... 99
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 99
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................. 100
RESUMO DO TÓPICO 6 ...................................................................................................................... 105
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 106
UNIDADE 3 – DIREITO PRIVADO .................................................................................................. 107
TÓPICO 1 – DIREITO CIVIL - NOÇÕES E ESTRUTURA ........................................................... 109
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 109
2 NOÇÕES E ESTRUTURA DO DIREITO CIVIL .......................................................................... 109
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................................... 112
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 113
TÓPICO 2 – PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL ......................................................................... 115
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 115
2 PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL - LIVRO I: DAS PESSOAS ............................................ 115
2.1 PESSOA FÍSICA ............................................................................................................................. 115
2.1.1 Domicílio e Residência da Pessoa Natural ........................................................................... 118
2.1.2 Extinção da Pessoa Natural .................................................................................................... 118
2.2 PESSOA JURÍDICA ....................................................................................................................... 118
2.2.1 Constituição da Pessoa Jurídica ............................................................................................. 118
2.2.2 Classificação das Pessoas Jurídicas ........................................................................................ 119
2.2.3 O domicílio da Pessoa Jurídica ............................................................................................... 121
2.2.4 Extinção da Pessoa Jurídica .................................................................................................... 121
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................................... 122
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 123
TÓPICO 3 – PARTE GERAL - LIVRO II: DOS BENS .................................................................... 125
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 125
2 CONCEITO DE “BEM” ..................................................................................................................... 125
3 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS ......................................................................................................... 126
3.1 BENS MÓVEIS E IMÓVEIS .......................................................................................................... 126
3.2 BENS FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS .......................................................................................... 126
3.3 BENS CONSUMÍVEIS OU INCONSUMÍVEIS ......................................................................... 127
3.4 BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS ............................................................................................ 127
3.5 BENS SINGULARES E COLETIVOS .......................................................................................... 127
X
3.6 BENS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS ........................................................................................... 127
3.7 BENS PÚBLICOS E PRIVADOS .................................................................................................. 129
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................................... 130
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 131
TÓPICO 4 – PARTE GERAL - LIVRO III: DOS FATOS JURÍDICOS ......................................... 133
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 133
2 CONCEITO DE FATO JURÍDICO .................................................................................................. 133
3 CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS ............................................................................... 134
4 NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................... 135
4.1 REQUISITOS DE VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO ...................................................... 135
4.2 NULIDADE E ANULABILIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO .............................................. 136
RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................139
TÓPICO 5 – CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL ......................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 141
2 SUBDIVISÕES DA PARTE ESPECIAL DO DIREITO CIVIL ................................................... 141
2.1 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ..................................................................................................... 141
2.1.1 Conceito de Obrigação ............................................................................................................ 141
2.1.2 Fontes das Obrigações ............................................................................................................. 142
2.1.3 Espécies de Obrigações ........................................................................................................... 142
2.1.4 Transmissão das Obrigações .................................................................................................. 143
2.1.5 Cumprimento ou Pagamento da Obrigação ........................................................................ 143
2.1.6 Descumprimento da Obrigação ............................................................................................. 144
2.1.7 Obrigações Contratuais ........................................................................................................... 144
2.2 DIREITO EMPRESARIAL ............................................................................................................ 145
2.3 DIREITO DAS COISAS ................................................................................................................. 145
2.3.1 Propriedade .............................................................................................................................. 146
2.3.1.1 Classificação da propriedade ........................................................................................... 146
2.3.1.2 Formas de aquisição da propriedade .............................................................................. 146
2.3.2 Posse .......................................................................................................................................... 148
2.3.3 Classificação da Posse ............................................................................................................. 148
2.3.4 Direitos reais sobre as coisas alheias ..................................................................................... 150
2.3.4.1 Direitos reais sobre coisas alheias de gozo e fruição ..................................................... 150
2.3.4.2 Direitos reais sobre coisas alheias de aquisição ............................................................. 151
2.3.4.3 Direito reais sobre coisas alheias de garantia ................................................................. 152
2.3.5 O Direito de Construir ............................................................................................................. 153
2.4 DIREITO DE FAMÍLIA ................................................................................................................. 154
 2.4.1 Regime de Bens no Casamento .............................................................................................. 154
 2.5 DIREITO DAS SUCESSÕES .......................................................................................................... 157
RESUMO DO TÓPICO 5 ...................................................................................................................... 158
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 159
TÓPICO 6 – OUTROS RAMOS DO DIREITO PRIVADO: DIREITO COMERCIAL E 
 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ................................................................ 163
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 163
2 DIREITO COMERCIAL .................................................................................................................... 163
3 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO ...................................................................................... 164
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................. 164
RESUMO DO TÓPICO 6 ...................................................................................................................... 171
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 172
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 173
1
UNIDADE 1
NOÇÕES GERAIS DE 
DIREITO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você deverá ser capaz de:
• apresentar uma visão geral da ciência do Direito;
• compreender a inter-relação entre Direito e Moral;
• identificar e diferenciar os conceitos de Direito Objetivo e Direito Subjetivo; 
• reconhecer as fontes do Direito; 
• compreender o conceito e as características das Normas e Relações Jurídicas.
Esta unidade está organizada em seis tópicos. Em cada um deles você 
encontrará atividades para maior compreensão das informações apresentadas.
TÓPICO 1 – CONCEPÇÃO DE “DIREITO”
TÓPICO 2 – DIREITO E MORAL
TÓPICO 3 – DIREITO OBJETIVO E SUBJETIVO
TÓPICO 4 – FONTES DO DIREITO
TÓPICO 5 – NORMA JURÍDICA
TÓPICO 6 – RELAÇÃO JURÍDICA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
CONCEPÇÃO DE “DIREITO”
1 INTRODUÇÃO
Como já dissemos, o Direito é a ciência que estuda as normas de conduta 
que regem a vida em sociedade. Trata-se de uma ciência ampla, com aplicação em 
todas as áreas do conhecimento.
Nesta unidade vamos obter conhecimentos básicos referentes à ciência do 
Direito que irão nos auxiliar em nossos estudos futuros. 
Para que possamos estudar a interligação entre o Direito e a atividade 
empresarial, é importante que primeiro entendamos alguns conceitos ligados à 
ciência do Direito.
Para Gusmão (2006, p. 48):
De um modo muito amplo, pode-se dizer que a palavra “direito” tem 
três sentidos: 1º. regra de conduta obrigatória (direito objetivo), 2º. 
sistema de conhecimentos jurídicos (ciência do direito), 3º. faculdade 
ou poderes que tem ou pode ter uma pessoa, ou seja, o que pode uma 
pessoa exigir da outra (direito subjetivo).
Estabelecido o conceito de “Ciência do Direito”, vamos analisar 
primeiramente os outros dois sentidos, para entendermos os conceitos de “direito 
objetivo” e “direito subjetivo”. Poderemos então nos aprofundar no estudo do 
Direito Positivo, em sua mais clássica divisão, ou seja, o Direito Público e o Direito 
Privado, objeto da Unidade 2. Iniciaremos pela noção de “Direito”. 
UNI
Mas afinal, o que é Direito? A palavra “direito” vem do latim directum, “literalmente 
direto, trazendo à mente a concepção de que o direito deve ser uma linha direta, isto é, conforme 
uma regra” (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2003, p. 2). O termo tem muitos significados e não 
é possível resumi-lo em um só conceito.
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
4
2 O QUE É DIREITO?
 
Das palavras de Nader (2008, p. 22), extraímos que o homem é um ser 
essencialmente programado para viver em sociedade:
 
A própria constituição física do ser humano revela que ele foi 
programado para conviver e se completar com outro ser de sua espécie. 
A prole, decorrência natural da união, passa a atuar como fator de 
organização e estabilidade do núcleo familiar. O pequeno grupo, 
formado não apenas pelo interesse material, mas pelos sentimentos de 
afeto, tende a propagar-seem cadeia, com formação de outros pequenos 
núcleos, até se chegar à constituição de um grande grupo social.
Neste grande grupo social, as pessoas interagem, formando inúmeras 
relações interpessoais e intergrupais, que se desenvolvem em razão de interesses 
próprios. A estas relações sociais dá-se o nome de “interação social” (NADER, 2008, 
p. 25, grifos nossos).
 
Da interação social surge a cooperação, quando se unem os esforços; a 
competição, quando uma das partes procura atingir seu objetivo excluindo a outra, 
sem que haja o combate direto; e o conflito, em que um interesse se opõe ao outro 
de forma direta (NADER, 2008, p. 25). Desta forma, “o conflito se faz presente a 
partir do impasse, quando os interesses em jogo não logram uma solução pelo 
diálogo e as partes recorrem à luta, moral ou física, ou buscam a mediação da 
justiça” (NADER, 2008, p. 25). 
Para fixarmos bem estes conceitos, podemos visualizar o seguinte:
FONTE: A autora
FIGURA 1 - INTERAÇÃO SOCIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS.
Podemos afirmar, assim, de uma forma bem simplificada, que o Direito 
existe para regulamentar as relações sociais, buscando resolver os conflitos que 
se originam desta interação social. “Sua finalidade é a de favorecer o amplo 
relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, que é uma das bases do 
progresso da sociedade”(NADER, 2008, p. 27). Ou seja, o Direito, visto como 
Interação 
Social
Relação entre as 
pessoas e os grupos 
em sociedade
Cooperação
Competição
Conflito
gera
TÓPICO 1 | CONCEPÇÃO DE “DIREITO”
5
ciência, objetiva estudar as normas que regulamentam a conduta humana na vida 
em sociedade e que devem ser cumpridas a fim de se garantir a paz social.
FONTE: Disponível em: <www.navegamp3.org>. Acesso em: 20 maio 2008.
Ao analisar a ação do Direito, Nader (2008, p. 27) esclarece que:
Ao separar o lícito do ilícito, segundo valores de convivência que a 
própria sociedade elege, o ordenamento jurídico torna possíveis os 
nexos de cooperação, disciplina e competição, estabelecendo as limitações 
necessárias ao equilíbrio e à justiça nas relações.
É, pois, na existência do conflito que o Direito atua de forma mais marcante, 
e em dois momentos distintos: 
l	antes da existência do conflito (preventivamente), quando busca informar a 
cada um o limite do direito que julga ter, ou 
l	para resolver o conflito de interesses já existente, quando o Direito fornecerá as 
regras aplicáveis para a resolução do impasse. 
Agora, podemos completar o esquema anterior:
FIGURA 2 – THÊMIS (DEUSA DA JUSTIÇA)
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
6
FONTE: A autora
Gagliano e Pamplona Filho (2003, p. 3) bem ressaltam que o Direito tem 
uma “característica essencialmente humana, instrumento necessário ao convívio 
social [...]. Isso significa que não há como falar em direito sem falar em alteridade, 
isto é, a relação com o outro.”
Ainda sobre a relação entre a sociedade e o Direito, Nader (2008, p. 18-19) 
afirma que: 
A vida em sociedade pressupõe organização e implica a existência do 
Direito. A sociedade cria o Direito no propósito de formular as bases 
da justiça e segurança. Com este processo, as ações sociais ganham 
estabilidade. A vida social torna-se viável. [...]
As necessidades de paz, ordem e bem comum levam a sociedade 
à criação de um organismo responsável pela instrumentalização e 
regência desses valores. Ao Direito é conferida esta nobre missão.
Como vimos, a vida em sociedade é regulamentada por normas. Estas 
normas valem para todos, sendo seu conhecimento e cumprimento obrigatórios, 
como se lê do artigo 3º. da Lei de Introdução do Código Civil: “ninguém se escusa 
de cumprir a lei alegando que não a conhece”. Assim, vale lembrar que: 
FIGURA 3 – APLICAÇÃO DO DIREITO
Interação 
Social
Relação 
entre as 
pessoas e os 
grupos em 
sociedade
Cooperação
Competição
Conflito
gera aplicação preventica: 
traz limites ao direito 
de cada um
aplica-se o Direito
Para resolver o 
conflito e se obter a 
paz social
D
IREITO
TÓPICO 1 | CONCEPÇÃO DE “DIREITO”
7
Onde há a sociedade, há o Direito. (ubi societas ibi jus)
Por fi m, cabe apenas ressaltar que também a política e a religião 
desempenham importante papel no sentido de minimizar os confl itos na sociedade, 
como mostra a fi gura a seguir:
FONTE: Disponível em: <bp2.blogger.com/.../s320/MoralDireito.jpg>. Acesso 
em: 25 maio 2008.
FIGURA 4 – FORMAS DE CONTROLE E RESOLUÇÃO DOS CONFLITOS
Relações 
Humanas
(Controlar, orientar 
ou punir desvios para 
diminuir os confl itos 
entr os seres 
humanos)
Po
lít
ic
a
Moral
R
eligião
Direito
8
 Neste tópico você estudou que:
l	O Direito é fruto da vida em sociedade (onde está o homem, está o Direito).
l	De uma forma ampla, o Direito pode ser considerado como a ciência que estuda 
as normas que regulamentam a vida em sociedade.
l	Para diminuição e resolução dos conflitos, também são utilizadas a Política, a 
Moral e a Religião.
RESUMO DO TÓPICO 1
9
1 A partir do conhecimento que você adquiriu até aqui, preencha o quadro 
a seguir resumindo os conceitos estudados, como forma de reflexão sobre 
esses e como forma de fixação do conhecimento.
AUTOATIVIDADE
RELAÇÃO ENTRE DIREITO E 
SOCIEDADE 
INTERAÇÃO SOCIAL E FORMAS DE 
INTERAÇÃO
COOPERAÇÃO
COMPETIÇÃO
CONFLITO
10
11
TÓPICO 2
DIREITO E MORAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Vimos anteriormente que o Direito, juntamente com a Moral, a Religião e 
a Política, desempenha papel fundamental na prevenção dos conflitos que nascem 
do convívio social.
 
A partir de agora, vamos focar nossa atenção nos conceitos de Moral e Direito.
Porém, antes de continuarmos o nosso estudo, é importante esclarecer que 
o Direito não pode ser confundido com a Moral, como frequentemente acontece.
Neste tópico vamos entender as semelhanças e as divergências entre o 
Direito e a Moral, que são institutos diferentes, mas que se completam.
2 DIREITO E MORAL
Como dissemos anteriormente, Direito e Moral são institutos distintos, 
mas que se completam. Ao tratar dos pontos em comum entre Direito e Moral, 
Führer e Milaré (2005, p. 33) esclarecem que “A vida social só é possível uma vez 
presentes regras determinadas para o procedimento dos homens. Essas regras, de 
cunho ético, emanam da Moral e do Direito – repositórios de normas de conduta, 
evidentemente apresentam um campo comum.”
E acrescentam, citando Washington de Barros Monteiro, que as “normas 
morais tendem a se transformar em normas jurídicas”.
Porém, demonstram também que há pontos que distinguem o Direito da 
Moral:
Ações existem, de fato, que interessam apenas ao Direito, como ocorre, 
por exemplo, com as formalidades de um título de crédito. Finalmente, 
outras existem que ao Direito são indiferentes, mas que a moral procura 
disciplinar. É o que acontece, por exemplo, com a prostituição. A 
mulher que se dedica à prostituição, que mercadeja seu corpo, não sofre 
qualquer sanção legal, por isso que a prostituição em si não encerra 
conduta reprovada pelo Direito. (MAX; ÉDIS, 2005, p. 34).
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
12
A Moral, conforme ensinam Gagliano e Pamplona Filho (2003, p. 6-7): TEM 
UM CAMPO DE AÇÃO MAIS AMPLO QUE O DIREITO [...], EMBORA 
A “MORALIDADE DEVA SEMPRE SER UM NORTE NA APLICAÇÃO 
DA NORMA JURÍDICA, [...] NÃO HÁ COMO NEGAR QUE A MORAL 
TEM UMA PREOCUPAÇÃO EXPRESSIVA COM O FORO ÍNTIMO, 
ENQUANTO O DIREITO SE RELACIONA, EVIDENTEMENTE, COM 
A AÇÃO EXTERIOR DO HOMEM. 
Apesar de existirem pontos de distinção, há também pontos de semelhança 
entre o Direito e a Moral, uma vez que as normas jurídicas sofrem grande influência 
da Moral. Para ilustrar esta afirmação, vemos a figura a seguir:
FONTE: Führer; Milaré (2005)
FIGURA 5 - DIREITO E MORAL
De uma forma bem simplificada, mas suficiente neste ponto do nosso 
estudo, podemos distinguir o Direito da Moral pelo seguinte: 
 
A Moral atua no foro íntimo do indivíduo (campo do pensamento), 
trazendo sanção (punição) individual e de foro íntimo (arrependimento,remorso). O Direito se preocupa com a ação (atitude) e estabelece punições em 
lei mais severas, que podem atingir a liberdade ou patrimônio do infrator.
Führer e Milaré (2005, p. 35) fornecem exemplo que bem ilustra esta 
situação: A maquinação de um crime que é indiferente ao Direito, mas repudiada 
pela Moral. 
Outra diferença marcante entre o Direito e a Moral é que o Direito é 
coercível (cumprimento obrigatório, não depende da vontade) enquanto a 
Moral não é obrigatória (incoercível). 
Ainda como diferença entre Direito e Moral, podemos citar que:
Das normas jurídicas “decorrem relações com efeitos bilaterais, entre duas ou 
mais pessoas, ao passo que da regra moral derivam consequências unilaterais. Isto 
é, ninguém está obrigado ao seu cumprimento” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 36).
Moral Direito
13
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você estudou que:
l	Direito e Moral não se confundem.
l	A Moral tem um campo de ação mais amplo do que o Direito.
l	O Direito sofre influência da Moral. 
14
1 Cite um ponto comum entre os conceitos de Direito e Moral.
2 Cite três diferenças entre Moral e Direito.
AUTOATIVIDADE
15
TÓPICO 3
DIREITO OBJETIVO E 
SUBJETIVO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Do que estudamos até agora, você viu que o direito traz o conjunto de 
normas aplicáveis às relações sociais. É a este conjunto de normas vigentes e 
impostas, que devem ser conhecidas e cumpridas por todos, que se denomina 
direito objetivo. 
O direito objetivo pode ser conceituado como “o complexo de normas 
jurídicas que regem o comportamento humano, de modo obrigatório, prescrevendo 
uma sanção no caso de sua violação (jus est norma agendi)” (DINIZ, 2003, p. 244). 
Trata-se, portanto, da norma de comportamento a que a pessoa deve 
se submeter, preceito esse que, caso descumprido, deve impor, pelo 
sistema, a aplicação de uma sanção institucionalizada. Por exemplo, 
respeitar as normas de trânsito é um direito objetivo imposto ao 
indivíduo (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2003, p. 2).
O descumprimento das regras de direito objetivo, por se tratar de obrigação 
do indivíduo, permite àquele que se sentir prejudicado procurar a autoridade 
competente, Polícia, Administração Pública ou Judiciária, para “fazer valer seu 
direito”, defender-se, fazer cessar a violência, etc. (GUSMÃO, 2006, p. 52).
Já o direito subjetivo, segundo Godofredo Telles (apud DINIZ 2003, p. 244):
É a permissão dada por meio de norma jurídica para fazer ou não fazer 
alguma coisa, para ter ou não ter algo, ou, ainda, a autorização para 
exigir, por meio dos órgãos competentes do poder público ou por meio 
de processos legais, em prejuízo causado por violação de norma, o 
cumprimento da norma infringida ou a reparação do mal sofrido. Por 
ex.: são direitos subjetivos as permissões de casar e constituir família, de 
adotar pessoa como filho [...].
Podemos, então, conceituar o direito subjetivo como “a possibilidade 
de agir e de exigir que as normas de Direito atribuem a alguém como próprio” 
(NADER, 2008, p. 307).
Observe, então, que o direito subjetivo se diferencia do objetivo em razão 
de este, como anteriormente mencionado, ter caráter coativo (cumprimento 
obrigatório), enquanto o direito subjetivo representa uma faculdade do titular de 
invocar a lei para tutelar seu direito. 
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
16
Porém, apesar de diferentes e inconfundíveis, o direito subjetivo e o objetivo 
estão ligados. Ao tratar desta ligação, Diniz (2003, p. 248) afirma que:
Nítida é a correlação existente entre o direito objetivo e o subjetivo. 
Apesar de intimamente ligados, são inconfundíveis [...] Um não pode 
existir sem o outro. O direito objetivo existe em razão do subjetivo, para 
revelar a permissão de praticar atos. O direito subjetivo, por sua vez, 
constitui-se de permissões dadas por meio do direito objetivo.
Führer e Milaré (2005) trazem um interessante exemplo que bem ilustra esta 
ligação, que pode ser assim resumido: o meu direito de propriedade é garantido pela 
Constituição Federal (regra de direito objetivo), sendo que, se alguém violar este 
direito e invadir a minha propriedade, poderei acionar o Poder Judiciário para que a 
irregularidade seja sanada, sendo esta faculdade o que se chama de direito subjetivo. 
Quando afirmamos, que o proprietário tem “direito” de entrar com uma 
ação na justiça para ter sua propriedade devolvida, quando dizemos que, em caso 
de separação, o pai que não ficou com a guarda do filho tem “direito” de visitá-lo 
ou que o locador tem o “direito” de receber o aluguel de seu imóvel, nos referimos 
ao direito subjetivo. Este decorre de normas legais que garantem estes direitos.
Assim, o Direito Empresarial, que faz parte do Direito Civil, traz regras de 
direito objetivo, e os “direitos” dele resultantes serão regras de direito subjetivo.
Concluímos, assim, que, apesar das diferenças, grande ligação existe entre o 
direito subjetivo e o objetivo. Podemos dizer, pois, de uma forma bem simplificada, 
que o direito subjetivo decorre do direito objetivo e que ambos formam o que 
conhecemos por “Direito”.
O direito objetivo, quando ordenado e visto de forma técnica, transforma-
se no direito em vigor em um determinado país, chamado “Direito Positivo”, que 
estudaremos na Unidade 2. 
IMPORTANT
E
O direito objetivo é obrigatório, enquanto o subjetivo é uma faculdade (eu 
exerço esta possibilidade se eu quiser).
17
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você estudou que:
• Uma das principais classificações do Direito é a que o divide em direito objetivo 
e subjetivo.
• O que diferencia o direito objetivo é a coatividade, o que significa que o direito 
objetivo são as normas impostas, de cumprimento obrigatório, enquanto o 
direito subjetivo representa a permissão de agir prevista em lei.
• Apesar de diferentes, o direito objetivo e o subjetivo estão ligados, formando 
“um todo”, que conhecemos por “direito”. 
18
1 Para a fixação do conteúdo deste tópico, preencha os parênteses usando o 
seguinte código: 
(1) Direito Objetivo
(2) Direito Subjetivo
a) O ( ) pode ser conceituado como as regras de cumprimento obrigatório, 
enquanto o ( ) é visto como decorrência deste e representa uma faculdade 
do agente. 
b) Como exemplo, podemos citar as regras do contrato de seguro. Todas as 
disposições legais são tidas como regras de direito ( ). Já quando o direito do 
segurado for violado, este poderá, assim agindo, se quiser, ingressar em juízo, 
a fim de garantir o cumprimento do ( ) previsto em lei. Esta possibilidade de 
agir é regra de ( ).
c) Pode-se afirmar, que o ( ) é uma “ferramenta” para garantir a aplicação do 
 ( ). O ( ) é preexistente, mas somente poderá ser cumprido se o titular utilizar 
seu ( ). 
d) O que diferencia ( ) do ( ) é a coatividade, uma vez que, enquanto o ( ) 
representa uma faculdade de agir, o ( ) é imposto pelas normas jurídicas, 
que todos estão obrigados a obedecer.
e) Porém, apesar das diferenças, existe uma grande ligação entre o ( ), que é 
coercitivo, e o ( ), que é facultativo. Podemos dizer que, de uma forma bem 
simplificada, o ( ) decorre do ( ) e que ambos formam o que conhecemos 
por “Direito”.
AUTOATIVIDADE
19
TÓPICO 4
FONTES DO DIREITO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A palavra “fonte” tem o sentido de “origem, gênese, de onde provém” (água). 
As chamadas “fontes do direito” nada mais são, portanto, do que os meios 
pelos quais se formam ou se estabelecem as normas jurídicas” (GAGLIANO; 
PAMPLONA FILHO, 2003, p. 9-10).
Isto posto, podemos dizer que a lei é a principal fonte do Direito, como se 
vê do art. 4º. da Lei de Introdução do Código Civil: 
‘‘Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, 
os costumes e os princípios gerais de Direito”. 
Além da Lei, também são fontes do Direito: a Doutrina, a Jurisprudência, a 
Equidade, a Analogia e os Princípios Gerais de Direito. Vejamos, a seguir, de forma 
sucinta, como se caracteriza cada uma destas fontes.
2 CARACTERIZAÇÃO DAS FONTESDO DIREITO
 A lei, ou legislação, como preferem alguns autores, é a primeira e principal 
fonte do Direito. Segundo Nunes (2003, p. 72), é 
“o conjunto das normas jurídicas emanadas do Estado, através de seus 
vários órgãos, dentre os quais, realça-se, com relevo, nesse tema, o 
Poder Legislativo. No ordenamento jurídico, há várias espécies de leis 
(constitucional, ordinária, delegada etc.) e uma hierarquia. No patamar 
mais alto está a Constituição Federal, que é a principal lei do país, sendo, 
por isso, muitas vezes chamada de “Lei Magna” ou “Carta Magna”. 
Abaixo da Constituição Federal vêm as leis complementares, as leis 
ordinárias (e também os tratados internacionais), as leis delegadas, os 
decretos legislativos e resoluções e as medidas provisórias. A seguir, 
estão os decretos regulamentares e, por fim, as normas inferiores, como 
portarias, circulares etc. 
Trazemos, a seguir, algumas noções gerais sobre cada uma delas: 
20
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
l	Lei complementar: “alusiva à estrutura estatal ou aos serviços do Estado, 
constituindo as leis de organização básica” (DINIZ, 2003, p. 287).
l	Lei ordinária: “fruto da atividade típica e regular do Poder Legislativo. Como 
exemplo de lei ordinária, temos: O Código Civil, o Código de Processo Civil 
[...]” (NUNES, 2003, p. 77). 
l	Leis delegadas: “serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá 
solicitar a delegação ao Congresso Nacional” (NUNES, 2003, p. 77). Ainda no 
mesmo patamar estão as Medidas Provisórias que o Presidente da República 
poderá utilizar no caso de relevância e urgência, conforme o art. 62 da 
Constituição Federal. 
l	Decreto regulamentar: “É ato do Poder Executivo e deve ser baixado para 
regulamentar norma de hierarquia superior, como, por exemplo, a lei 
ordinária”(NUNES, 2003, p.79).
l	Resoluções: são “atos normativos administrativos através dos quais o Legislativo 
dispõe sobre matéria que não se insere nem no âmbito da Lei, nem do Decreto 
legislativo [...] cuidam, geralmente, de algum assunto interno do Legislativo” 
(FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 54). 
O costume, por sua vez, “é o uso geral, constante e notório, observado 
socialmente e correspondente a uma necessidade jurídica [...]. Baseia-se, 
indubitavelmente, no argumento de que algo deve ser feito porque sempre o foi, 
tendo sua autoridade respaldada na força conferida ao tempo e no uso contínuo 
das normas (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2003, p. 17). É, assim, uma norma 
jurídica não escrita, “que surge da prática longa, diuturna e reiterada da sociedade” 
(NUNES, 2003, p. 94). 
 
A jurisprudência é definida por Nunes (2003, p. 87) “como o conjunto das 
decisões dos tribunais a respeito do mesmo assunto.” É reconhecida como fonte 
do direito, porque “acaba por prevalecer na maioria dos casos” (GAGLIANO; 
PAMPLONA FILHO, 2003, p. 17), ou seja, as decisões dos tribunais são citadas 
como fundamento nas teses jurídicas e apontadas como precedentes, “impondo 
ao legislador uma nova visão dos institutos jurídicos, alterando-os, às vezes, 
integralmente, forçando a expedição de leis que consagrem sua orientação” 
(VENOSA apud DINIZ, 2003, p. 296).
A doutrina pode ser definida como o pensamento dos estudiosos do 
Direito, que são chamados de doutrinadores. Todos os conceitos citados neste 
caderno fazem parte da doutrina. É importante fonte do Direito, porque “é 
essencial para aclarar pontos, estabelecer novos parâmetros, descobrir caminhos 
ainda não pesquisados, apresentar soluções justas, enfim interpretar as normas, 
pesquisar os fatos e propor alternativas, com vistas a auxiliar a construção sempre 
necessária e constante do Estado de Direito, com o aperfeiçoamento do sistema 
jurídico” (NUNES, 2003, p. 104). 
TÓPICO 4 | FONTES DO DIREITO
21
Já a equidade, segundo Raposo e Heine (2004, p. 31), é o princípio pelo qual 
“deve o juiz valorizar mais a razão (observando sempre a boa-fé) que a própria regra 
de Direito [...], observando o que for justo e razoável [...]”. Gagliano e Pamplona 
Filho (2003, p. 26) explicam que nos casos em que pode julgar por equidade, “é 
facultado expressamente ao julgador valer-se de seus próprios critérios de justiça 
quando for decidir, não estando adstrito às regras ou métodos preestabelecidos”. 
Porém, o julgamento por equidade não é a regra geral e o juiz só pode julgar por 
equidade quando autorizado por lei. Como exemplo de julgamento por equidade, 
Raposo e Heine (2004, p. 31) citam a aplicação da regra in dubio pro misero, ou seja, 
“em alguns casos, havendo dúvida, o juiz pode decidir em favor do mais fraco 
economicamente, como ocorre no Direito do Trabalho”.
O juiz julgará com emprego da analogia, quando “um fato não foi regulado 
de modo direto ou específi co em lei de ser julgado pelo juiz e esse vai buscar a 
solução em uma lei prevista para uma hipótese distinta, mas semelhante ao caso 
não regulado” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 31).
Por fi m, os princípios gerais do Direito são “regras gerais de conduta 
que o juiz segue quando vai interpretar o caso que está analisando. Essas regras 
normalmente não estão escritas” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 30). Citam como 
exemplo de princípios gerais do Direito: viver honestamente, não causar danos a 
outra pessoa e dar a cada um o que é seu. Visualizando o que aprendemos até aqui, 
temos o seguinte: 
FONTE: A autora
FIGURA 6 – FONTES DO DIREITO
Lei
Doutrina
Costume
Analogia
Jurisprudência
Equidade
Princípios Gerais do Direito
Fontes do 
Direito
22
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você estudou que:
l	As “fontes do direito” são as origens do Direito, ou seja, é através dessas que o 
direito nasce e evolui.
l	A principal fonte do Direito é a Lei.
l	Além da Lei, são também fontes do Direito: Doutrina, Equidade, Jurisprudência, 
Analogia, Costumes e os Princípios Gerais de Direito.
23
AUTOATIVIDADE
Para a fixação do conteúdo deste tópico, assinale a alternativa CORRETA: 
1 Primeira e principal fonte do Direito:
a) ( ) Doutrina.
b) ( ) Lei.
c) ( ) Jurisprudência.
d) ( ) Costume.
2 “Deve o juiz valorizar mais a razão (observando sempre a boa-fé) que a 
própria regra de Direito [...], observando o que for justo e razoável [...]” 
(GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2003, p. 26). A qual fonte do Direito os 
autores se referem?
a) ( ) Equidade.
b) ( ) Costume.
c) ( ) Lei.
d) ( ) Jurisprudência. 
3 A _____________ representa o pensamento dos estudiosos da ciência do 
Direito.
a) ( ) Lei.
b) ( ) Analogia.
c) ( ) Jurisprudência.
d) ( ) Doutrina.
4 “É o uso geral, constante e notório, observado socialmente e correspondente a 
uma necessidade jurídica [...]. Baseia-se, indubitavelmente, no argumento de 
que algo deve ser feito porque sempre o foi, tendo sua autoridade respaldada 
na força conferida ao tempo e no uso contínuo das normas” (GAGLIANO; 
PAMPLONA FILHO, 2003, p. 17). Podemos dizer que os autores se referem 
a qual fonte do Direito?
a) ( ) Lei.
b) ( ) Doutrina.
c) ( ) Jurisprudência.
d) ( ) Costume.
5 Viver honestamente, não causar danos a outra pessoa e dar a cada um o que 
é seu são exemplos de qual fonte de Direito:
a) ( ) Princípios Gerais de Direito.
b) ( ) Lei.
24
c) ( ) Doutrina.
d) ( ) Costumes.
6 “Conjunto das decisões dos tribunais a respeito do mesmo assunto” (NUNES, 
2003, p. 87). Este é o conceito de qual fonte do Direito?
a) ( ) Doutrina.
b) ( ) Jurisprudência.
c) ( ) Equidade.
d) ( ) Analogia.
 
7 “Um fato não foi regulado de modo direto ou específico em lei de ser julgado 
pelo juiz e esse vai buscar a solução em uma lei prevista para uma hipótese 
distinta, mas semelhante ao caso não regulado” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 
31). A que fonte do Direito se referem os autores?
a) ( ) Equidade.
b) ( ) Jurisprudência.
c) ( ) Doutrina.
d) ( ) Analogia.
25
TÓPICO 5
NORMA JURÍDICA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Já vimos anteriormente que o Direito é uma ciência que estuda as normas 
jurídicas. Mas, o que são normas jurídicas? 
Este tópico objetiva estudar a teoria da norma jurídica,que é imprescindível 
no estudo do Direito, porque é a sua materialização. 
“Conhecer o Direito é conhecer as normas jurídicas em seu encadeamento 
lógico e sistemático. As normas ou regras jurídicas estão para o Direito de um 
povo, assim como as células estão para um organismo vivo” (NADER, 2008, p. 83).
Estas palavras de Paulo Nader demonstram o quão importante é o estudo 
deste tema e seu entendimento para também entendermos o Direito. 
Iniciaremos pelo conceito de norma jurídica, para depois estudarmos suas 
características. Então, vamos em frente...
2 CONCEITO DE NORMA JURÍDICA
Relembrando o que estudamos até agora, temos que o Direito é o 
responsável por traçar normas de conduta que permitam às pessoas e aos grupos 
sociais viverem em harmonia, agindo preventivamente, para evitar o conflito, ou 
após sua ocorrência, a fim de garantir a paz social.
A norma jurídica é, pois, o meio, o instrumento de que se utiliza o Direito 
para atingir seu objetivo. É através da norma jurídica que o Direito revela à 
sociedade os padrões de comportamento exigidos pelo Estado.
Podemos afirmar, assim, que a norma ou regra jurídica “é um padrão de 
conduta imposto pelo Estado para que seja possível a convivência dos homens em 
sociedade. [...] Ela esclarece ao agente como e quando agir [...] Em síntese, norma 
jurídica é a conduta exigida ou o modelo imposto de organização social (NADER, 2008, 
p. 83). No mesmo sentido:
26
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
As normas jurídicas são as normas “que disciplinam condutas ou atos 
(comportamentos) através do seu caráter coercitivo (que reprime), imperativo 
(que ordena) e compulsório (que obriga)” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 29).
Existem as normas de Direito Civil, Direito Penal, Direito Tributário e 
muitas outras específicas em cada ramo de atuação do Direito Positivo, que vamos 
conhecer na segunda unidade.
Visto o conceito de norma jurídica, passaremos à análise de suas 
características.
3 CARACTERÍSTICAS DA NORMA JURÍDICA
Como característica geral a todas as normas jurídicas, temos a 
obrigatoriedade de seu cumprimento. Como materialização do direito objetivo, as 
normas jurídicas terão que ser obrigatoriamente respeitadas, sob pena de o agente 
ficar sujeito à sanção prevista na lei.
 
No que se refere às características da norma jurídica, podemos afirmar, 
de acordo com os ensinamentos de Gusmão (2006), que as normas jurídicas são: 
bilaterais, abstratas, imperativas e coercitivas.
Veja o esquema a seguir:
TÓPICO 5 | NORMA JURÍDICA
27
FONTE: A autora, com base em Gusmão (2006).
FIGURA 7 – CARACTERÍSTICAS DE NORMA JURÍDICA
ABSTRATA - Por "não 
regular caso singular e por 
estabelecer modelo aplicável a 
vários casos, enquadráveis no 
tipo nela previsto"
IMPERATIVAS - porque 
contém "um comando, uma 
prescrição, impondo uma condita a 
ser observada".
COERCITIVAS 
- Pois uma vez 
desrespeitada, a sanção é 
imposta pelo Estado, ou seja, 
a norma jurídica traz consigo 
uma sanção, que poderá cair sobre 
a pessoa ou seu patrimônio. Por 
exemplo, quando uma pessoa bate 
no carro de outra e não paga, 
fi cará seu patrimônio sujeito a 
ser vendido para recuperar 
os danos que causou.
BILATERAIS 
- "Por enlaçar o direito 
de uma parte com o dever 
de outra". Ex. Quando se tem 
um cheque ou uma promissória, o 
detentor do cheque tem o "direito" 
de receber e o emitente do 
chque o "dever" de 
pagar
AS NORMAS JURÍDICAS 
são:
28
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico você estudou que:
l	O estudo da norma jurídica é importante no estudo do Direito.
l	A norma jurídica traz a forma de conduta exigida pelo Estado.
l	Como característica geral, em todas as normas jurídicas há a obrigatoriedade de 
seu cumprimento.
l	São também características da norma jurídica: bilateralidade, imperatividade, 
coercibilidade e abstratividade.
29
1 O que é norma jurídica?
2 Qual a importância da norma jurídica para o estudo do Direito?
3 Aponte a principal característica da norma jurídica.
4 Por que se diz que a norma jurídica é abstrata?
5 O que significa dizer que a norma jurídica deve ser necessariamente 
imperativa?
6 Explique a questão da bilateralidade da norma jurídica.
7 Por que se diz que a norma jurídica é coercitiva?
AUTOATIVIDADE
30
31
TÓPICO 6
RELAÇÃO JURÍDICA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste último tópico da nossa unidade, vamos estudar a relação jurídica.
As relações entre as pessoas, entre si ou em grupos e estes grupos entre si, 
geram vínculos que estão previstos nas normas jurídicas. Assim, o casamento, por 
exemplo, é uma relação jurídica. Dele decorrem inúmeros direitos e obrigações 
que interessam ao Direito, como a propriedade, a honra, a vida etc.
Em sua futura atividade profissional, você ou a empresa em que for 
trabalhar fará parte de muitas relações jurídicas, quando, por exemplo, forem 
devedores ou credores de uma dívida. Também podemos citar as relações com 
os funcionários, fornecedores, entre muitas outras. Preparado(a) para mais esta 
tarefa? Então, antes de mais nada, vamos conhecer o conceito de relação jurídica.
2 CONCEITO DE RELAÇÃO JURÍDICA
Conforme Gusmão (2006, p. 258), a relação jurídica é “o vínculo que une 
uma ou mais pessoas, decorrente de um fato ou de um ato previsto em norma 
jurídica, que produz efeitos jurídicos”, ou mais singelamente, 
“vínculo jurídico estabelecido entre pessoas, em que uma delas pode 
exigir de outra determinada obrigação.” 
As relações jurídicas são originadas de atos ou fatos jurídicos (cujos conceitos 
veremos adiante), que envolvem pessoas físicas ou jurídicas. Essas relações são 
chamadas “jurídicas”, pois seu objeto é um interesse juridicamente protegido, ou 
seja, que interessam ao Direito, como o patrimônio, a vida, a honra etc.
Pode-se afirmar, pois, que a relação jurídica “não depende exclusivamente 
da vontade das partes, pois tem por base a lei, que está acima do interesse delas” 
(GUSMÃO, 2006, p. 258).
32
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
3 ESPÉCIES DE RELAÇÃO JURÍDICA
São várias as espécies de relação jurídica. Para o nosso estudo, é suficiente 
conhecermos três classificações: relações jurídicas de direito público e privado, 
relações jurídicas solenes e não solenes e relações jurídicas pessoais e reais.
Primeiramente, podemos apontar as relações jurídicas de direito público 
ou privado. Nas relações jurídicas de direito público, temos, “de um lado, o ente 
público com poderes e competências, e de outro, o particular (pessoa física ou 
pessoa jurídica não investida do poder público) com obrigação de observar as suas 
determinações (sentença, regulamento e portaria, etc.)” (GUSMÃO, 2006, p. 259). 
Já na relação jurídica de direito privado, há apenas particulares (pessoas físicas e 
jurídicas), sendo que uma é titular de um direito que poderá exigir da outra. Por 
exemplo, um contrato é uma espécie de relação jurídica de direito privado.
 A relação jurídica pode ser também solene ou não solene. As relações 
jurídicas solenes são aquelas em que há a necessidade de se observar uma 
determinada formalidade para que tenha validade. Podemos citar, como exemplos 
de relações jurídicas solenes, o casamento e a compra e venda de imóveis, que a 
lei exige que seja feita por escritura pública. Já as relações jurídicas não solenes 
dispensam maiores formalidades, tais como a venda de bens móveis, que se torna 
perfeita e acabada com a entrega (que se chama tecnicamente de tradição) do bem.
A relação jurídica pode ser ainda pessoal, quando envolve relação das 
pessoas entre si (ex.: contratos), ou real, quando envolvem as relações das pessoas 
com as coisas, como, por exemplo, no direito de propriedade ou posse sobre um 
imóvel. 
Resumindo:
TÓPICO 6 | RELAÇÃO JURÍDICA
33
FONTE: A autora (2008)
3.1 SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA
Os sujeitos da relação jurídica, também chamados sujeitos de direito, são “os 
que estão aptos a adquirir e exercer direitos e obrigações” (NUNES, 2003, p. 134).
Por isso, podemos dizer que “Não há direito quenão tenha sujeito, pois ele 
tem por objetivo proteger os interesses humanos” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 33). 
Na relação jurídica de direito privado, objeto de nosso estudo, podemos 
dizer que o sujeito ativo é o que é o titular de direitos e que pode exigi-lo de quem 
deva cumprir uma obrigação, que é chamado sujeito passivo, que deve fazer ou 
deixar de fazer alguma coisa.
Assim, por exemplo, quando falamos que Pedro tornou-se titular de um 
direito de propriedade sobre determinado bem que adquiriu, podemos dizer que 
este é o Sujeito Ativo nesta relação jurídica, enquanto aquela pessoa que o vendeu 
FIGURA 8 – ESPÉCIES DE RELAÇÃO JURÍDICA 
RELAÇÃO JURÍDICA = "Vínculo 
jurídico estabelecido entre pessoas, 
em que uma delas pode exigir de outra 
determinada obrigação" (GUSMÃO, 
2006, p 258)
De DIREITO 
PÚBLICO (presença 
do ente público)
ou
De DIREITO 
PRIVADO (entre 
particulares)
SOLENES: exigem 
alguns requisitos 
formais para serem 
válidas.
NÃO SOLENES: 
Não exigem forma 
especial para ter 
validade
PESSOAIS (pessoas 
entre si) 
ou
REAIS (pessoas e 
coisas)
As relações jurídicas podem ser:
34
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
LEITURA COMPLEMENTAR
NOÇÕES DE DIREITO CIVIL
Direito Civil - Teoria Geral do Direito Civil
Direito positivo, objetivo e subjetivo, teorias, fontes do direito, norma 
jurídica em sua classificação, princípios e divisões do direito civil.
Direito Positivo: é a ordenação heterônoma das relações sociais, baseada 
numa integração normativa de fatos e valores (Miguel Reale); é o conjunto de 
regras jurídicas em vigor num determinado país e numa determinada época.
Direito objetivo (norma agendi): é o complexo de normas jurídicas que 
regem o comportamento humano, de modo obrigatório, prescrevendo uma sanção 
no caso de sua violação.
Direito subjetivo (facultas agendi): é a permissão dada por meio de norma 
jurídica, para fazer ou não fazer alguma coisa, para ter ou não ter algo, ou ainda, a 
torna-se Sujeito Passivo nesta relação, pois terá que cumprir o que determina a 
norma (entregar o bem). 
Verificamos, pois, que os sujeitos de direito podem ser assim classificados:
FONTE: A autora
FIGURA 9 – ESPÉCIES DE SUJEITO DE DIREITO
Prezados acadêmicos. Para aprofundar seus conteúdos, bem como para que 
você tenha noção do que estudaremos na unidade seguinte, sugerimos a leitura de 
parte do texto “Noções de Direito Civil”.
Não somente as pessoas físicas são sujeitos de direito. Também poderão ser 
sujeitos de direito, por exemplo, as empresas, os condomínios etc.
ATENCAO
TÓPICO 6 | RELAÇÃO JURÍDICA
35
autorização para exigir, por meio dos órgãos competentes do Poder Público ou por 
meio dos processos legais, em caso de prejuízo causado por violação de norma, o 
cumprimento da norma infringida ou a reparação do mal sofrido; é a faculdade 
que cada um tem de agir dentro das regras da lei e de invocar a sua proteção e 
aplicação na defesa de seus legítimos interesses.
Teoria da vontade (Savigny): entende que o direito subjetivo é o poder da 
vontade reconhecido pela ordem jurídica.
 
Teoria do interesse (Ihering): o direito subjetivo é o interesse juridicamente 
protegido por meio de uma ação judicial.
Teoria mista (Jellinek, Saleilles e Michoud): define o direito subjetivo como 
o poder da vontade reconhecido e protegido pela ordem jurídica, tendo por objeto 
um bem ou interesse.
Direito público: é o direito composto, inteira ou predominantemente, 
por normas de ordem pública, que são normas imperativas, de obrigatoriedade 
inafastável.
Direito privado: é o composto, inteira ou predominantemente, por normas 
de ordem privada, que são normas de caráter supletivo, que vigoram apenas 
enquanto a vontade dos interessados não dispuser de modo diferente do previsto 
pelo legislador.
Fontes do direito: são os meios pelos quais se formam as regras jurídicas; 
as fontes diretas são a lei e o costume; as fontes indiretas são a doutrina e a 
jurisprudência.
Norma jurídica: é um imperativo autorizante; a imperatividade revela seu 
gênero próximo, incluindo-a no grupo das normas éticas, que regem a conduta 
humana, diferenciando-a das leis físico-naturais, e o autorizamento indica sua 
diferença, distinguindo-a das demais normas.
 
Classificação das normas jurídicas:
1) quanto à imperatividade, podem ser: a) de imperatividade absoluta ou impositivas, 
que são as que ordenam ou proíbem alguma coisa (obrigação de fazer ou não 
fazer) de modo absoluto; b) de imperatividade relativa ou dispositiva, que não 
ordenam, nem proíbem de modo absoluto; permitem ação ou abstenção ou 
suprem a declaração de vontade não existente.
2) quanto ao autorizamento, podem ser: a) mais que perfeitas, que são as que por 
sua violação autorizam a aplicação de duas sanções: a nulidade do ato praticado 
ou o restabelecimento da situação anterior e ainda a aplicação de uma pena ao 
violador; b) perfeitas, que são aquelas cuja violação as leva a autorizar a declaração 
da nulidade do ato ou a possibilidade de anulação do ato praticado contra sua 
disposição e não a aplicação de pena ao violador; c) menos que perfeitas, que são 
36
UNIDADE 1 | NOÇÕES GERAIS DE DIREITO
as que autorizam, no caso de serem violadas, a aplicação de pena ao violador, 
mas não a nulidade ou anulação do ato que as violou; d) imperfeitas, que são 
aquelas cuja violação não acarreta qualquer consequência jurídica.
3) quanto à sua hierarquia, as normas classificam-se em: normas constitucionais; 
leis complementares; leis ordinárias; leis delegadas; medidas provisórias; 
decretos legislativos; resoluções; decretos regulamentares; normas internas; 
normas individuais.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://www.centraljuridica.com>. Acesso em: 10 jun. 2008.
37
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico você estudou que:
l	A relação jurídica é um vínculo que une pessoas entre si ou pessoas e coisas.
l	Este vínculo nasce de uma norma jurídica que impõe direitos e deveres a cada 
um dos participantes.
l	Quando as pessoas se relacionam entre si, temos uma relação jurídica pessoal 
(ex.: casamento). Quando a relação envolve coisas, temos uma relação jurídica 
real (ex.: direito de propriedade). 
l	São sujeitos da relação jurídica o sujeito ativo, que é o titular de um direito, e o 
passivo, é o que deve cumprir uma obrigação.
38
Para melhor fixação deste conteúdo, leia as decisões jurisprudenciais a 
seguir e responda às questões que seguem:
1 EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. CHEQUE 
PRÉ-DATADO. APRESENTAÇÃO ANTES DO VENCIMENTO 
ACERTADO. INSCRIÇÃO NO BANCO CENTRAL. DEVER DE 
INDENIZAR. MANUTENÇÃO DO QUANTUM FIXADO. 1. O cheque 
pré-datado recebido para pagamento de combustível não pode ser 
descontado antes da data avençada. 2. Apresentado ao Sacado antes 
da data e, por isso, devolvido por insuficiência de fundos, acarretando 
inscrição no Banco Central, constitui ato ilícito capaz de ensejar indenização 
por danos morais. 3. Levando em conta os critérios estabelecidos pela 
doutrina e jurisprudência, bem como parâmetros adotados nesta Câmara, 
merece ficar mantido o quantum indenizatório. APELAÇÃO E RECURSO 
ADESIVO DESPROVIDOS (Apelação Cível nº 70019279793, Sexta Câmara 
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Liege Puricelli Pires, Julgado em 
24/07/2008).
1 Como nasceu a relação jurídica que gerou a demanda judicial?
2 Trata-se de relação pessoal ou real?
3 Quem é o sujeito ativo desta relação jurídica? E o passivo?
2 EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. USUCAPIÃO. POSSE AD USUCAPIONEM. 
ANIMUS DOMINI. NÃO CONFIGURAÇÃO. Caso em que a posse da 
autora sobre o imóvel decorre de contrato de locação verbal. Inexistindo 
qualquer ruptura no exercício da posse direta, a qual foi mantida após o 
inadimplemento dos aluguéis por mera tolerância do proprietário do 
imóvel, não há falar no exercício de posse ad usucapionem. Precedentes 
dessa Egrégia Corte Estadual. RECURSO DESPROVIDO (Apelação Cível 
nº 70023774367, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, 
Relator: Luiz RenatoAlves da Silva, Julgado em 17/07/2008).
1 Como nasceu a relação jurídica que gerou a demanda judicial?
2 Trata-se de relação pessoal ou real?
AUTOATIVIDADE
39
UNIDADE 2
DIREITO PÚBLICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade o(a) acadêmico(a) estará apto a:
• compreender o conceito de Direito Público;
• compreender os diversos ramos que o compõem;
• conhecer os institutos regulados pelo Direito Público.
O conteúdo desta unidade está dividido em seis tópicos. Após estudá-los, 
você deverá fazer os exercícios propostos ao final. 
TÓPICO 1 – DIREITO CONSTITUCIONAL
TÓPICO 2 – DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL
TÓPICO 3 – DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO
TÓPICO 4 – DIREITO ELEITORAL E DIREITO MILITAR
TÓPICO 5 – RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E 
 DIREITO DO CONSUMIDOR
TÓPICO 6 – DIREITO PÚBLICO EXTERNO: DIREITO INTERNACIONAL 
 PÚBLICO
40
41
TÓPICO 1
DIREITO CONSTITUCIONAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Este tópico 1 foi reservado para o estudo do Direito Constitucional que 
estuda as normas constitucionais. Iniciaremos pelo seu conceito, para então 
estudarmos especificamente a Constituição da República de 1988, principal objeto 
do estudo do Direito Constitucional.
Nos itens seguintes, estudaremos matérias constitucionais de grande 
importância e conheceremos os principais direitos e garantias fundamentais, quais 
são os direitos sociais e ainda como funcionam e quais são as obrigações que os 
partidos políticos terão que cumprir. 
2 CONCEITO DE DIREITO CONSTITUCIONAL E 
CONSTITUIÇÃO
O Direito Constitucional, como o próprio nome diz, é aquele que “engloba 
as normas jurídicas constitucionais, isto é, aquelas pertencentes à Constituição, em 
toda a sua amplitude [...]” (NUNES, 2003, p. 125).
Segundo Alexandre Moraes (2003, p. 35), o Direito Constitucional “é um 
ramo do Direito Público, destacado por ser fundamental (sic) à organização e 
funcionamento do Estado, à articulação dos elementos primários do mesmo e ao 
estabelecimento das bases da estrutura política”. 
A Constituição, conforme Canotilho apud Moraes (2003, p. 36), “pode ser 
entendida como a lei fundamental e suprema de um Estado, que contém normas 
referentes à estruturação do Estado, a formação dos poderes públicos, forma de 
governo e aquisição do poder de governar, distribuição de competências, direitos, 
garantias e deveres dos cidadãos.” Ou seja,
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
42
É importante entendermos que o princípio que rege o Direito Constitucional 
Brasileiro é o do “Estado de Direito”, “isto é, do Estado que tem como princípio 
inspirador a subordinação de todo poder ao Direito.” Como o Estado é o responsável 
pela criação e aplicação da Constituição, ficando ao mesmo tempo submetido a ela, 
esta relação é também objeto de estudo pela Teoria Geral do Estado. 
Entendido o conceito de Constituição e sua supremacia, vamos estudar 
especificamente a Constituição Federal de 1988.
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em 
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado 
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos 
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o 
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de 
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na 
harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, 
com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a 
proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA 
FEDERATIVA DO BRASIL.
FONTE: Disponível em: <www.sbef.org.br>. Acesso em: 11 jun. 2008.
FIGURA 10 - CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
2.1 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 
No Estado Brasileiro, a atual Constituição foi promulgada em 1988 e já foi 
modificada por algumas Emendas.
 A Carta Magna em vigor traz em seu preâmbulo o seguinte:
IMPORTANT
E
Por isso é que nenhuma lei poderá ser contrária à Constituição, sob pena de ser 
considerada inconstitucional e retirada do ordenamento jurídico. Em razão da supremacia da 
Constituição, é comum a utilização da expressão “Carta Magna” para nos referirmos à Constituição.
CONSTITUIÇÃO
LEI FUNDAMENTAL 
E SUPREMA DE UM 
ESTADO
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
43
l	formal: porque “consubstanciada de forma escrita, por meio de um documento 
solene estabelecido pelo poder constituinte originário” (MORAES, 2003, p. 
37);
l	escrita: porque é um “conjunto de regras codificado e sistematizado em um 
único documento [...]”(MORAES, 2003, p. 38);
l	dogmática: por ser “um produto escrito e sistematizado por um órgão 
constituinte, a partir de princípios e ideias fundamentais da teoria política e 
do direito dominante (MORAES, 2003, p. 38);
l	promulgada (democrática, popular): porque derivou “do trabalho de uma 
Assembleia Nacional Constituinte composta de representantes do povo, 
eleitos com a finalidade de sua elaboração [...]”(MORAES, 2003, p. 39);
l	rígida: porque para sua modificação é necessário “um processo mais solene 
e mais dificultoso do que o existente para a edição das demais espécies 
normativas” (MORAES, 2003, p. 39). “A Constituição Federal de 1988 pode 
ser considerada como super-rígida, uma vez que em regra poderá ser alterada 
por um processo legislativo diferenciado, mas, excepcionalmente, em alguns 
pontos é imutável (CF, art. 60 § 4º - cláusulas pétreas)” (MORAES, 2003, p. 39);
l	analítica: porque “examina todos os assuntos que entende relevantes à 
formação, destinação e funcionamento do Estado” (MORAES, 2003, p. 40).
Também segundo Moraes (2003), extraímos como pode ser classificada a 
Constituição Federal de 1988:
2.2 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS NA 
CONSTITUIÇÃO DE 1988 
Os direitos e garantias fundamentais são previstos na Constituição Federal 
em seu artigo 5º. Este artigo traz, em seus setenta e seis incisos, vários direitos e 
NOTA
O preâmbulo da Constituição, segundo Alexandre Moraes (2003, p.48), “é o 
documento de intenções do diploma, e uma certidão de origem e legitimidade do novo texto 
e uma proclamação de princípios, demonstrando a ruptura com o ordenamento constitucional 
anterior e o surgimento jurídico de um novo Estado. E continua: “[...] por não ser norma 
constitucional não poderá prevalecer contra texto expresso da Constituição Federal [...]”, mas 
deverá ser usado como instrumento de interpretação da Constituição (MORAES, 2003 p.49).
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
44
garantias, dentre eles: a inviolabilidade da casa das pessoas (inciso XI), a liberdade 
da manifestação do pensamento, a liberdade de consciência e de crença (inciso VI), 
o direito de propriedade (art. XXII), entre muitos outros. 
Conforme Moraes (2003, p. 59), podemos dividir os direitos e garantias em 
cinco espécies. Para visualizarmos melhor esta divisão, atende à figura a seguir:
FONTE: A autora
Agora que conhecemos as espécies de direitos e garantias fundamentais, 
partiremos para o estudo de seus conceitos em separado. Após, de forma resumida, 
abordaremos cada um dos direitos e garantias fundamentais.
Os direitos fundamentais “representam só por si certos bens, as garantias 
destinam-se a assegurar a fruição desses bens” (MIRANDA apud MORAES, 2003, 
p. 62).
 
As garantias traduzem-se “quer no direito dos cidadãos a exigir dos 
poderes públicos a proteção dos seus direitos quer no reconhecimento de meios 
processuais adequados a essa finalidade (exemplo: direito de acesso aos tribunais 
para a defesa de direitos [...]” (CANOTILHO apud MORAES, 2003, p. 62).
Podemos entender esta diferença no exemplo seguinte: A Constituição 
Federal garante o direito à liberdade. Violado este direito, nasce para a vítima a 
garantia constitucional que é o de impetrar um habeas corpus e ver cessada esta 
ilegalidade. Não só as pessoas físicas, mas também as jurídicas são protegidas pela 
Constituição Federal.
FUNDAMENTAIS
FIGURA 11 – CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
UNIÉ importante que você tenha em mãos um exemplar da Constituição Federal, 
que vai ajudá-lo(a) bastante... Se você não tiver uma Constituição Federal, acesse o site “www.
planalto.gov.br” e no link “legislação”, copie o teor do art. 5º, da Carta Magna, que será nosso 
objeto de estudo neste tópico.
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
45
2.2.1 Direitos e Garantias Individuais e Coletivos
Observando a imagem a seguir, iniciaremos pelo conceito dos direitos e 
garantias individuais e coletivos. Para estudá-los, vamos conhecer o art. 5º. da 
Constituição Federal:
Da leitura do artigo 5º. e de seus vários incisos, concluímos que a 
Constituição Federal adotou diversos princípios, dos quais passaremos a estudar 
os principais:
Iniciamos com o princípio da igualdade. Já no começo do artigo, lemos que 
“todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]” , ou seja, 
todos os cidadãos têm o direito de tratamento idêntico pela lei [...]” (MORAES, 
2003, p. 64). Também no inciso I, a Constituição garante que “homens e mulheres 
são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.”
Pelo princípio da igualdade, a Constituição Federal garante a todos o 
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. O direito 
à vida é o principal direito, “já que se constitui em prerrequisito à existência e 
exercício de todos os demais direitos.” O direito à vida, compreende, além da 
própria existência, o direito a uma subsistência digna (MORAES, 2003, p. 63).
A liberdade também é tutelada pela Constituição Federal, sendo que é o 
próprio texto constitucional que prevê as garantias a esta liberdade, ou seja, os 
meios de que disporá a vítima para ver seu direito respeitado. Assim, poderá 
impetrar:
IMPORTANT
E
Saiba que por proteção constitucional estende-se também a vida intrauterina 
(MORAES, 2003, p. 64).
Art. 5º.: Todos são iguais perante a lei, sem 
distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e estrangeiros residentes 
no Brasil a inviolabilidade do direito à vida, 
à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade. (grito nosso)
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
46
l	Habeas Corpus: (art. 5º. LXVIII): a vítima de ilegalidade ou abuso de poder poderá 
impetrar habeas corpus. “Portanto, o habeas corpus é uma garantia individual 
ao direito de locomoção, consubstanciada em uma ordem dada pelo Juiz ou 
Tribunal ao coator, fazendo cessar a ameaça ou coação à liberdade de locomoção 
em sentido amplo – o direito do indivíduo de ir, vir e ficar” (MORAES, 2003, p. 
138). Interessante é o fato de que não é necessário ser advogado para impetrar 
habeas corpus, podendo até ser impetrado pelo próprio paciente (vítima). O habeas 
corpus pode ser preventivo ou repressivo.
l	Habeas Data (art. 5º. LXXII): objetiva “fazer com que todos tenham acesso às 
informações que o Poder Público ou entidades de caráter público (ex.: serviços 
de proteção ao crédito) possuam a seu respeito” (MORAES, 2003, p. 153). O 
habeas data cabe quando houver negativa de fornecimento destas informações, 
que também poderão ser retificadas. É a lei n. 9.507/97 que estabelece as regras 
referentes ao habeas data.
l	Mandado de Segurança (art. 5º., LXIV) : caberá mandado de segurança quando 
houver um ato ilegal e coator de uma autoridade contra direito líquido e certo 
e contra este ato não for cabível habeas corpus e habeas data. Além do art. 5º., 
LXIV da Constituição da República, temos disposições sobre o Mandado de 
Segurança na Lei n. 1.533/51.
O direito líquido e certo é aquele que pode ser comprovado já no ajuizamento 
do mandado de segurança por documentos, sem a possibilidade de produção de 
provas.
Para você entender bem quando cabe o mandado de segurança, podemos 
citar como exemplo a exigência de prévio pagamento de multas para o licenciamento 
de veículos, sem que tenha sido oportunizada a defesa ou também o corte de 
energia elétrica sem a prévia notificação, dentre outros.
O mandado de segurança pode ser impetrado (ajuizado) por pessoa física 
ou jurídica, que é chamado “impetrante”. Pode ser individual (quando uma só 
pessoa impetra) ou coletivo, quando é impetrado em nome de uma coletividade 
(ex.: sindicato representando os sindicalizados).
NOTA
Conforme MORAES (2003, p. 138), “Habeas Corpus eram as palavras iniciais da 
fórmula do mandado que o Tribunal concedia e era endereçado a quantos tivessem em seu 
poder ou guarda o corpo do detido, da seguinte maneira: “Tomai o corpo desse detido e vinde 
submeter ao Tribunal o homem e o caso.”
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
47
Quanto à fi nalidade do mandado de segurança, podemos, pois, dizer que:
O mandado de segurança pode ser impetrado de duas formas: preventiva 
e repressiva. Vejamos: 
l	Preventiva: para tentar evitar a ofensa ao direito líquido e certo;
l	Repressiva: quando há ofensa ao direito líquido e certo, devendo o impetrante 
“demonstrar justo receio de sofrer uma violação de direito líquido e certo por 
parte da autoridade impetrada (MORAES, 2003, p. 163).
l	Mandado de Injunção: O Mandado de Injunção está previsto no art 5º, LXXI da 
Constituição Federal “sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável 
o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania” (MORAES, 2003, p. 179). Assim:
Existem algumas normas constitucionais que são “incompletas”. Por 
exemplo, Moraes (2003, p. 180) cita o artigo 7º, XI que prevê a participação dos 
empregados nos lucros ou resultados da empresa, conforme previsto em lei
(grifamos). Por isso, como não existe a lei que regulamenta esta matéria, poderá 
NOTA
Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar os seus conhecimentos sobre as ações 
constitucionais estudadas anteriormente, sugiro a leitura completa da Lei n. 1.533/51.
O Mandado de segurança é conferido aos 
indivíduos para que eles se defendam 
de atos ilegais ou praticados com abuso 
de poder, constituindo-se verdadeiro 
instrumento de liberdade civíl e liberdade 
política (GUIMARÃES apud MORAES, 
2003,p.163)
O mandado de injunção [...] visa suprir 
uma omissão do Poder Público, no intuito 
de viabilizar o exercício de um direito, uma 
liberdade ou uma prerrogativa prevista na 
Constituição Federal.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
48
ser impetrado Mandado de Injunção para este fi m, a fi m de possibilitar o exercício 
desta garantia.
O mandado de injunção também poderá ser impetrado por pessoas físicas 
ou jurídicas, mas sempre será impetrado contra o Estado.
l	Ação Popular: Esta ação constitucional é prevista no art. 5º., LXXIII. Pode ser 
defi nida como:
Resumidamente, podemos dizer que só poderá ajuizar ação popular o 
cidadão, ou seja, quem estiver “no gozo de seus direitos políticos” (MORAES, 2003, 
p. 193). Por isso, somente a pessoa física, desde que no gozo de seus direitos políticos, 
é que poderá propor esta ação. Quanto à natureza do “ato ou a omissão do Poder 
Público a ser impugnado, que dever ser obrigatoriamente lesivo ao patrimônio 
público, seja por ilegalidade, seja por imoralidade” (MORAES, 2003, p. 192).
De forma esquematizada e bem simplifi cada, podemos resumir as principais 
ações constitucionais e o direito que protegem no seguinte:
FONTE: A autora
FIGURA 12 - AÇÕES CONSTITUCIONAIS E OS DIREITOS QUE PROTEGEM
HABEAS DATA 
(conhecer e retifi car 
dados que contam de 
registros públicos)
MANDADO 
DE INJUNÇÃO 
(garantia 
constitucional – 
omissão da norma)
MANDADO DE 
SEGURANÇA (direito 
líquido e certo contra ato 
coator de autoridade 
ilegal ou abusivo)
HABEAS CORPUS 
(liberdade - direito de ir 
e vir)
AÇÃO POPULAR
(Patrimônio público - 
existência de ato lesivo)
AÇÕES 
CONSTITUCIONAIS
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
49
Além do princípio da liberdade que estudamos anteriormente, outro 
importante princípio constitucional é o princípio da legalidade. Por este princípio, 
previsto no inciso II do art. 5º da Constituição Federal, “ninguém será obrigadoa 
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” Segundo Moraes 
(2003, p. 69), “Tal princípio visa combater o poder arbitrário do Estado. Só por meio 
das espécies normativas devidamente elaboradas conforme as regras do processo 
legislativo constitucional, podem-se criar obrigações para o indivíduo.”
Também o artigo 5º, em seu inciso VI e VIII, garantem a liberdade de 
consciência e de crença (VI), impedindo expressamente, que alguém seja privado 
de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, 
a não ser se alegar esta situação para tentar descumprir uma obrigação legal (por 
exemplo alguém que diga que não paga impostos porque sua religião não permite), 
ou se recusar a cumprir prestação alternativa fixada em lei.
Outro importante princípio é o que garante a indenização por dano 
material, moral ou à imagem. O dano material é aquele que se traduz em perda 
material, enquanto o direito moral é aquele que atinge o indivíduo de forma 
pessoal, quando, por exemplo, a situação expõe a vítima a um constrangimento ou 
sofrimento desnecessário. Interessante ressaltar que as pessoas jurídicas também 
podem sofrer danos morais, estando, porém ligado ao abalo de crédito que a ofensa 
poderá gerar. Além da indenização, é garantido o direito de resposta.
A liberdade do pensamento também é garantida pela Constituição Federal, 
(inciso IX), garantida a inexistência de censura prévia. Porém, como adverte Moraes 
(2003, p. 78-79), esta liberdade não é absoluta, quando afirma que:
A inviolabilidade prevista no inciso X do art. 5º., porém, traça os limites 
tanto para a liberdade de expressão do pensamento, como para o direito 
à informação, vedando-se o atingimento à intimidade, à vida privada, à 
honra e à imagem das pessoas (MORAES, 2003, p. 78).
Ao se manifestar sobre a liberdade de imprensa, adverte:
Essa previsão, porém, não significa que a liberdade de imprensa é 
absoluta, não encontrando restrições nos demais direitos fundamentais, 
pois a responsabilização posterior e/ou responsável pelas notícias 
injuriosas, difamantes, mentirosas sempre será cabível, em relação a 
eventuais danos materiais e morais. (MORAES, 2003, p. 79).
NOTA
Quer conhecer mais sobre as ações constitucionais? Sugiro que leia a obra 
Mandado de Segurança, ação popular, ação civil pública, mandado de injunção, habeas data. 
São Paulo: Revista dos Tribunais.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
50
O inciso X do art. 5º garante proteção constitucional à vida privada, 
“salvaguardando um espaço íntimo intransponível por intromissões ilícitas 
externas” (MORAES, 2003, p. 79). A utilização indevida ou não autorizada de 
imagem, por exemplo, ou a ofensa da honra de uma pessoa sujeitarão o infrator a 
responder civil e criminalmente por esta ofensa.
 Como dissemos anteriormente, também a pessoa jurídica pode ser afetada 
em sua honra, quando, por exemplo, vê encaminhado a protesto um título “frio”, 
mostrando-se assim ser indevido. 
Outro princípio que merece destaque é o da inviolabilidade do domicílio, 
previsto no art. 5º, XI da CF. Domicílio é “todo local, delimitado e separado, que 
alguém ocupa com exclusividade, a qualquer título, inclusive profissionalmente, 
pois nessa relação entre pessoa e espaço, preserva-se, mediatamente, a vida 
privada do sujeito” (MORAES, 2003, p. 81). Assim como no direito à liberdade 
do pensamento, esta inviolabilidade não é absoluta. As exceções estão previstas 
no próprio texto constitucional: casos de flagrante delito ou desastre, para prestar 
socorro, e também durante o dia, por determinação judicial.
Também são garantidos constitucionalmente (art. 5º, XII) o sigilo da 
correspondência, de dados e das comunicações. Ainda nesta categoria, podemos 
incluir a garantia do sigilo bancário e fiscal. Porém, estas garantias também sofrem 
exceções quando o interesse público for o motivo determinante para sua quebra, 
como ocorre, por exemplo, na instrução criminal. Conforme a Constituição, a 
interceptação telefônica somente será possível mediante autorização judicial nos 
termos que a lei estabelecer, e para fins de investigação. Com relação ao sigilo 
dos dados, estes também poderão ser quebrados pelo Ministério Público ou pela 
CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), entre outros casos previstos na Lei e na 
própria Constituição Federal.
NOTA
A Lei que regulamenta este artigo é a Lei n. 9.296/96, estabelecendo disposições 
para que seja possível a interceptação telefônica que vulgarmente se conhece por “grampo”.
IMPORTANT
E
“O sigilo bancário individual coloca-o na condição de “cláusula pétrea” (CF, art. 60, 
§4º,IV), impedindo, dessa forma, a aprovação de emenda constitucional tendente a aboli-lo ou 
mesmo modificá-lo estruturalmente” (MORAES, 2003, p. 97).
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
51
Também o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada são 
protegidos pela Constituição Federal, que garante que a lei não os prejudicará (art. 
5º. XXXVI).
Bastos apud Moraes (2003, p. 105), ao definir o direito adquirido e o ato 
jurídico, observa que este:
constitui-se num dos recursos de que se vale a Constituição para limitar 
a retroatividade da lei. Com efeito, esta está em constante mutação; 
o Estado cumpre seu papel exatamente na medida em que atualiza 
suas leis. No entretanto, a utilização da lei em caráter retroativo, em 
muitos casos, repugna porque fere situações jurídicas que já tinham por 
consolidadas no tempo, e esta é uma das fontes principais do homem 
na terra.
O ato jurídico perfeito:
Isto não quer dizer, por si só, que ele encerre em seu bojo um direito 
adquirido. Do que está o seu beneficiário imunizado é de oscilações de 
forma aportadas pela lei nova.
De uma forma resumida, podemos dizer, então, que por este princípio a lei 
não poderá retroagir para modificar uma situação já concretizada.
O princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório 
são expressos nos incisos LIV e LV do art. 5º e também o princípio da presunção 
da inocência (art. 5º., LVII). Vejamos cada um deles:
O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, 
atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito da liberdade, 
quanto no âmbito formal, ao assegurar-lhe paridade total de condições 
com o Estado-persecutor e plenitude de defesa [...]
Este princípio garante, assim, tanto nos processos judiciais quanto nos 
administrativos, que serão respeitadas todas as fases do processo e garantida a 
defesa em toda a sua amplitude (meios e provas). Como consequência da ampla 
defesa, é assegurado ainda o contraditório, que garante que aquele que for acusado 
terá o direito de se defender.
Já o princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII), estabelece que 
“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória.” Ou seja, por este princípio, presume-se que todo mundo é inocente, 
sendo função do Estado provar a culpa do sujeito. Passemos à segunda espécie de 
direitos e garantias fundamentais: direitos sociais.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
52
2.2.2 Direitos Sociais
Os direitos sociais são os direitos fundamentais do trabalhador, que é o 
“empregado que mantiver algum vínculo de emprego” (MORAES, 2003, p. 202).
Estes direitos são previstos no art. 7º da Constituição Federal e têm por 
objetivo principal a proteção dos direitos do trabalhador. Além disso, os direitos 
sociais têm que ser obrigatoriamente respeitados. 
Estas regras “formam a base do contrato de trabalho, uma linha divisória 
entre a vontade do Estado, manifestada pelos poderes competentes, e as dos 
contratantes” (SUSSEKIND apud MORAES, 2003, p. 203). De uma forma resumida, 
são os seguintes os principais direitos fundamentais do trabalhador:
l	proteção da relação de emprego contra a despedida arbitrária ou sem justa 
causa; 
l	seguro-desemprego em caso de desemprego involuntário;
l	Fundo de Garantia por Tempo de Serviço;
l	salário-mínimo;
l	piso salarial proporcional à extensãoe à complexidade do trabalho;
l	irredutibilidade do salário, salvo previsto em convenção ou acordo coletivo de 
trabalho;
l	décimo terceiro salário;
l	férias;
l	licença à gestante e licença paternidade;
l	aviso prévio;
l	aposentadoria;
l	seguro contra acidentes de trabalho, entre outros.
UNI
É importante que você leia no inteiro teor o art. 7º Da Constituição Federal. Caso 
não tenha um exemplar, baixe-o no site <www.planalto.gov.br>.
ESTUDOS FU
TUROS
Você conhecerá estes direitos mais profundamente em uma disciplina específica.
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
53
2.2.3 Direitos da Nacionalidade
Pode-se conceituar a nacionalidade como sendo “o vínculo jurídico político 
que liga um indivíduo a um certo e determinado Estado, fazendo deste indivíduo 
um componente do povo, da dimensão pessoal deste Estado” (CARVALHO apud 
MORAES, 2003, p. 213). Segundo Moraes (2003, p. 213), este vínculo “capacita o 
indivíduo a exigir sua proteção, mas, ao mesmo tempo, o sujeita ao cumprimento 
dos deveres impostos”.
Como salienta Moraes (2003), o conceito de nacionalidade está ligado aos 
conceitos de povo, população e nação, os quais também extraímos das ideias do 
referido autor:
agrupamento humano, em geral numeroso, cujos 
membros fi xados num território, são ligados 
por laços históricos, culturais, econômicos e 
linguísticos (MORAES, 2003 p. 214).
conjunto de habitantes de um território, de um 
país, de uma região ou de uma cidade. Abrange os 
nacionais e os estrangeiros (MORAES, 2003, p. 213).
conjunto de pessoas que fazem parte de um Estado 
(MORAES, 2003, p. 213).
A nacionalidade pode ser adquirida com o nascimento (ex.: brasileiro nato), 
chamada “originária” ou posteriormente, através de um pedido de naturalização 
(ex.: o estrangeiro que pede naturalização e se torna brasileiro naturalizado), que 
se chama nacionalidade “adquirida”. 
POVO
POPULAÇÃO
NAÇÃO
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
54
Quanto aos critérios utilizados para o reconhecimento da nacionalidade 
originária, segundo Moraes (2003, p. 215) são basicamente dois:
l	 a origem sanguínea – todo descendente de nacionais será nacional, 
independente de onde nasceu.
l	a origem territorial – quem nasce em determinado território terá a respectiva 
nacionalidade, independente de sua ascendência.
E qual o critério adotado pela atual Constituição Brasileira? O critério 
adotado pela nossa Carta Magna foi, como regra geral, o da origem territorial. 
Ou seja, em princípio, quem nascer em território nacional, será considerado 
brasileiro. Porém, há exceções a esta regra, previstas no próprio ordenamento 
constitucional, qual seja, no artigo 12, I da CF:
Art. 12: São brasileiros: 
 
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais 
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; 
(exceção à origem territorial - Nota da autora)
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, 
desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do 
Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, 
desde que sejam registrados em repartição brasileira competente 
ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em 
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade 
brasileira;
II – naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas 
aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por 
um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República 
Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem 
condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. 
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver 
IMPORTANT
E
A Constituição proíbe que a lei faça diferenciação entre brasileiros natos e 
naturalizados a não ser em casos previstos na própria Carta Magna. Assim, apesar de se tornar 
brasileiro pela naturalização, o estrangeiro naturalizado não adquire os mesmos direitos que os 
brasileiros natos. Por exemplo, existem cargos públicos privativos de brasileiros natos, tais como 
o de Presidente da República e Ministro do Supremo Tribunal Federal, como veremos a seguir.
TÓPICO 1 | DIREITO CONSTITUCIONAL
55
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos 
inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e 
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.
No parágrafo terceiro deste mesmo artigo, encontramos os cargos que só 
poderão ser ocupados por brasileiros natos: 
§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas;
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
Segundo o art. 12, §4º da Constituição da República, o brasileiro perderá sua 
nacionalidade, quando: 
[...]
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude 
de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo no casos: 
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; 
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro 
residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em 
seu território ou para o exercício de direitos civis.
2.2.4 Direitos Políticos
No capítulo V da CF (arts. 14 ao 16), estão expressos os direitos políticos 
e as condições de elegibilidade, alistamento e voto etc. Segundo Moraes (2003, p. 
232), os direitos políticos formam “o conjunto de regras que disciplina a forma de 
atuação da soberania popular [...]”. Dos ensinamentos do referido autor, podemos 
apontar, de forma resumida, como direitos políticos os seguintes:
l	direito ao sufrágio  direito de votar e ser votado;
l	direito de votar em eleições, plebiscitos e referendos;
l	elegibilidade  possibilidade de concorrer a cargos políticos. Para ser elegível, 
é necessário que o candidato cumpra as seguintes condições, as previstas no 
art. 14, §3º da CF: a nacionalidade brasileira, o alistamento eleitoral, o domicílio 
eleitoral na circunscrição; a filiação partidária; a idade mínima para cada cargo. 
Os analfabetos e os inalistáveis (art. 14 §4º);
l	iniciativa Popular de lei;
l	ação Popular;
l	organização e participação de partidos políticos.
Poderá haver a perda ou a suspensão dos direitos políticos. A perda é 
definitiva, enquanto a suspensão é temporária. 
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
56
O art. 15 da CF estabelece os casos de perda e suspensão, sendo que 
em razão da Constituição não estabelecer o critério diferenciador, colhemos da 
doutrina de Moraes (2003, p. 258-263):
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou 
suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; 
(perda)
II - incapacidade civil absoluta; (suspensão)
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem 
seus efeitos; (suspensão)
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação 
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; (suspensão)
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º (suspensão).
2.2.5 Direitos Relacionados à Organização, Participação 
e Funcionamento dos Partidos Políticos
Segundo a Constituição Federal (art. 17), os partidos podem ser livremente 
criados, fundidos, incorporados e extintos, devendo ser observados: a soberania 
nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da 
pessoa humana . Ainda segundo o mesmo artigo, deverão ser seguidos os seguintes 
preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de recebimento de recursos financeiros 
de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; III -prestação 
de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
Os partidos políticos, após se constituírem em conformidade com a lei 
civil, deverão registrar seus estatutos no Tribunal Regional Eleitoral, conforme 
exige a Constituição Federal. Nos demais parágrafos do art. 17, lemos que os 
partidos políticos são autônomos para definir sua estrutura interna, organização 
e funcionamento, entre outros direitos previstos na Constituição, tais como 
participação em fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e televisão, que serão 
disciplinados por leis específicas.
UNI
Agora que você já conhece alguns aspectos do Direito Constitucional, após 
resolver nossos exercícios de fixação, vamos, no próximo tópico, passar ao estudo do Direito 
Administrativo.
57
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você estudou que:
l	O Direito Público é o Direito em que o Estado participa como parte na relação 
jurídica.
l	O Direito Público é dividido em Direito Público interno e externo.
l	O Direito Público Interno é dividido em diversos ramos, dentre eles o Direito 
Constitucional.
l	O Direito Constitucional tem como objeto de estudo a Constituição Federal, que 
é a Lei Magna de um país.
l	A Constituição Federal de 1988 traz vários direitos e garantias fundamentais 
previstos no art. 5º.
l	Há várias ações constitucionais que tutelam a liberdade, tais como habeas corpus, 
habeas data, entre outros.
l	Os direitos sociais protegem o trabalhador.
l	Há duas espécies de nacionalidade: a que se adquire com o nascimento 
(originária), reconhecida pelos critérios da origem sanguínea ou territorial e a 
que decorre da naturalização também chamada “adquirida”.
l	Os direitos políticos e os relativos à organização e funcionamento dos partidos 
políticos.
58
AUTOATIVIDADE
1 Assinale a alternativa que não contém uma característica da Constituição 
Federal de 1988:
a) ( ) Formal.
b) ( ) Rígida.
c) ( ) Sintética.
d) ( ) Dogmática. 
2 Com relação aos direitos políticos, pode-se afirmar que o cancelamento da 
naturalização por sentença transitada em julgado resultará:
a) ( ) Na perda dos direitos políticos.
b) ( ) Não é caso de perda nem suspensão dos direitos políticos.
c) ( ) Suspensão dos direitos políticos.
d) ( ) Pagamento de multa à Justiça Eleitoral.
3 Sobre as formas de interposição do mandado de segurança, é correto afirmar:
a) ( ) Admite-se sua impetração de forma individual, mas apenas repressivamente.
b) ( ) Pode ser impetrado de forma individual ou coletiva, mas apenas 
preventivamente.
c) ( ) Apenas se admite sua impetração de forma coletiva e de forma preventiva.
d) ( ) Admite-se sua impetração de forma coletiva ou individual, preventiva ou 
repressivamente.
4 O artigo 7º, XI prevê a participação dos empregados nos lucros ou resultados 
da empresa, conforme previsto em lei. Como não existe a lei que regulamenta 
esta matéria, aponte o remédio constitucional cabível:
a) ( ) Mandado de Injunção.
b) ( ) Ação Popular.
c) ( ) Ação Civil Pública.
d) ( ) Habeas Data.
5 Ao propor uma Ação Popular, podemos afirmar que o objetivo do autor é 
proteger:
a) ( ) A liberdade de ir e vir.
b) ( ) Direito líquido e certo.
c) ( ) Patrimônio público.
d) ( ) Liberdade de pensamento. 
59
6 Segundo a Constituição Federal, não existirá no Brasil censura prévia. 
Podemos dizer que esta afirmação decorre do princípio:
a) ( ) Da presunção de inocência.
b) ( ) Da liberdade de pensamento.
c) ( ) Da inviolabilidade do domicílio.
d) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
7 “É aquele que se aperfeiçoou, que reuniu todos os elementos necessários à 
sua formação, debaixo da lei velha”. Este é um conceito de:
a) ( ) Ato jurídico perfeito.
b) ( ) Ato jurídico julgado.
c) ( ) Direito líquido e certo.
d) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
8 Este princípio garante tanto nos processos judiciais quanto nos 
administrativos, que serão respeitadas todas as fases do processo e garantida 
a defesa em toda a sua amplitude (meios e provas):
a) ( ) Presunção de inocência.
b) ( ) Inviolabilidade do domicílio.
c) ( ) Devido processo legal.
d) ( ) Direito líquido e certo.
9 Qual dos seguintes cargos não é privativo de “brasileiro nato”?
a) ( ) Presidente e Vice-Presidente da República.
b) ( ) Vereador.
c) ( ) Presidente da Câmara dos Deputados.
d) ( ) Presidente do Senado Federal.
10 Enquanto durarem os efeitos da condenação criminal transitada em julgado, 
os direitos políticos do réu:
a) ( ) Ficarão suspensos.
b) ( ) Serão extintos.
c) ( ) Não serão nem extintos nem suspensos.
d) ( ) Serão transferidos para outro membro do partido.
11 Leia as afirmações a seguir e classifique V para as sentenças verdadeiras e F 
para as falsas:
( ) Na ação popular, há a necessidade de haver ato lesivo do patrimônio 
público.
60
( ) O mandado de segurança só pode ser impetrado por cidadãos.
( ) O mandado de segurança pode ser impetrado preventivamente.
( ) O habeas data serve para se ter acesso a informações constantes nos registros 
públicos.
( ) O mandado de injunção e mandado de segurança têm o mesmo objetivo.
( ) A ação popular pode ser proposta por uma pessoa jurídica.
( ) O habeas corpus é impetrado para garantir o direito de ir e vir.
( ) Os princípios constitucionais são sempre absolutos.
( ) O direito à vida abrange não somente o direito de existir, mas também de 
ter uma vida digna.
( ) O direito à liberdade de pensamento não é absoluto.
( ) Direito Moral e Material são expressões sinônimas.
61
TÓPICO 2
DIREITO ADMINISTRATIVO 
E DIREITO PROCESSUAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, vamos estudar o Direito Administrativo que traz as regras 
que disciplinam a atividade da Administração Pública. Iniciaremos pelo estudo 
do conceito deste importante ramo do Direito, para então estudarmos os atos 
administrativos. Por fim, estudaremos os princípios que regem a Administração 
Pública e conheceremos os princípios e características dos contratos administrativos. 
Apenas em razão da necessária divisão do conteúdo neste tópico, 
estudaremos também o Direito Processual.
 
Preparado? Então, mãos à obra!
2 DIREITO ADMINISTRATIVO
2.1 CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Segundo Führer e Milaré (2005, p. 128), o Direito Administrativo “é o 
conjunto de normas que regem a Administração Pública”, ou seja, traz as regras 
que “organizam administrativamente o Estado, fixando os modos, os meios e a 
forma de ação para a consecução de seus objetivos (NUNES, 2003, p. 125). 
É, pois, no Direito Administrativo que encontraremos as regras que 
determinam, por exemplo, porque será realizada a desapropriação de um bem de 
um particular, como deverá ser realizado um contrato com um particular etc.
Importante salientar que estas normas são de cumprimento obrigatório e 
nem por acordo entre a Administração e o particular podem ser modificadas.
2.2 ATOS ADMINISTRATIVOS
A Administração Pública realiza sua função através dos atos administrativos. 
O ato administrativo, segundo Führer e Milaré (2005, p. 128), pode ser:
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
62
l	unilateral: quando a Administração, “cria, modifica ou extingue direitos em 
relação aos administrados, aos seus servidores ou a ela própria”. Ou seja, neste 
tipo de ato a administração age “sozinha”.
l	bilateral: no ato administrativo bilateral, existem duas partes envolvidas na 
relação jurídica. “Refere-se aos contratos realizados pela Administração, tendo 
por fim a satisfação de algum interesse público”.
O ato administrativo será ainda vinculado, “quando o modo de praticar o 
ato já vem descrito na lei (FÜHRER; MILARÉ 2003, p. 128-129) ou discricionário, 
quando o administrador tem certa liberdade de escolher a oportunidade ou a 
forma de realizar o ato”.
Dentre os poderes da Administração regulamentados pelo Direito 
Administrativo há ainda o poder de polícia, que “consiste na faculdade de a 
Administração Pública coibir atos individuais que contrariem a lei e os interesses 
públicos” (FÜHRER;MILARÉ, 2003, p. 128). Advertem os mesmos autores que 
este poder também é limitado, sendo que, em caso de abuso, o particular poderá 
recorrer ao Judiciário, para fazer cessar o abuso, impetrando geralmente habeas 
corpus ou mandado de segurança. Veja que interessante este caso extraído da 
jurisprudência:
Poder de polícia. Estabelecimento comercial. Drive-in. Fechamento por 
ordem de autoridade municipal, sob alegação de desvirtuamento das 
respectivas finalidades. Inexistência, contudo, de prova nesse sentido, 
ao menos de instauração de sindicância. Ato ilegal. Segurança concedida 
(RT 445/186).
Entenderemos, a partir de agora, quais são e como funcionam as entidades 
estatais e as autarquias.
 “As entidades estatais são a União, os Estados e os Municípios e as 
suas autarquias. As autarquias são entes públicos autônomos, com 
personalidade jurídica e patrimônio próprios, detentoras de uma parcela 
do poder estatal, destacadas da administração indireta, com a finalidade 
de descentralizar os serviços públicos. Exemplos de autarquias: INSS, 
Caixas Econômicas etc.”(FÜHRER; MILARÉ, 2003, p. 131). 
Além das atividades estatais, existem as entidades paraestatais, que 
“assumem forma civil, embora sejam públicas na essência” (FÜHRER; MILARÉ, 
2003, p. 131). Com base nos ensinamentos dos referidos autores (p. 131-132), 
podemos afirmar que são entidades paraestatais, resumidamente, as seguintes: 
“empresas públicas (pessoas jurídicas de direito privado com capital 
inteiramente público (ex.: BNDES, Embratel etc.), sociedades de 
economia mista (pessoas jurídicas de direito privado, formadas 
com capital público e particular, com predominância de direção 
estatal, exemplo: Petrobrás), fundações públicas, constituem uma 
universalidade de bens, com personalidade jurídica própria, destacada 
do patrimônio da entidade estatal instituidora, com finalidades 
predeterminadas [...] Ex.: FUNAI.
TÓPICO 2 | DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL
63
2.3 PRINCÍPIOS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
A Administração Pública não poder agir indistintamente. Os limites a esta 
atuação são delineados por princípios que estão previstos no art. 37 da Constituição 
Federal:
Art. 37: A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência. (grifo nossos)
Para fixar bem este conhecimento, visualize a figura a seguir (DICA: caso 
necessite “decorar” estes princípios, veja que, na ordem em que aparecem na 
figura, formam a palavra “LIMPE”): 
FONTE: A autora
FIGURA 13 - DIREITO ADMINISTRATIVO E SEUS PRINCÍPIOS
Apesar dos princípios se destinarem à Administração Pública, também 
os outros poderes (Legislativo e Judiciário) ficam obrigados a cumpri-los quando 
praticam atos administrativos. 
Assim, os atos da Administração Pública, devem, necessariamente, cumprir 
alguns princípios, previstos no art. 37 da Constituição da República:
2.3.1 Princípio da Legalidade 
Já estudamos este princípio no tópico anterior. Ele garante que: "ninguém 
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". 
Também já afirmamos que o princípio da legalidade é considerado uma das bases 
do Estado Democrático de Direito.
Este princípio, quando aplicado ao Direito Administrativo, impõe certos 
limites à atuação da Administração Pública, que assim não poderá agir em 
desconformidade com a lei, sob pena de configuração de ato abusivo.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
64
Vejamos os ensinamentos de Mello (2004 , p. 57):
Para avaliar corretamente o princípio da legalidade e captar-lhe o 
sentido profundo, cumpre atentar para o fato de que ele é a tradução 
jurídica de um propósito político: o de submeter os exercentes do poder 
em concreto – administrativo – a um quadro normativo que embargue 
favoritismos, perseguições ou desmandos. Pretende-se através da norma 
geral, abstrata e impessoal, a lei, editada pelo Poder Legislativo – que é 
o colégio representativo de todas as tendências (inclusive minoritárias) 
do corpo social – garantir que a atuação do Executivo nada mais seja 
senão a concretização da vontade geral.
2.3.2 Princípio da Impessoalidade 
Por este princípio, impõe-se uma igualdade de tratamento entre os 
particulares (administrados), focando-se os atos administrativos no interesse 
público, não sendo assim possível o favorecimento de uns em detrimento dos 
outros, conforme ensina Mello (2004, p. 57): 
No princípio da impessoalidade se traduz a ideia de que a Administração 
tem que tratar a todos os administrados sem discriminações, benéficas 
ou detrimentosas. Nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. 
Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou ideológicas não 
podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses 
sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie. O princípio em 
causa é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia.
Segundo Meirelles (2005, p. 91):
O princípio da impessoalidade, referido na Constituição de 1988 (art. 37, 
caput), nada mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe 
ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal. E 
o fim legal é unicamente aquele que a norma de direito indica expressa 
ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal.[...] Desde 
que o princípio da finalidade exige que o ato seja praticado sempre com 
finalidade pública, o administrador fica impedido de buscar outro 
objetivo ou de praticá-lo no interesse próprio ou de terceiros. Pode, 
entretanto, o interesse público coincidir com o de particulares, como 
ocorre normalmente nos atos administrativos negociais e nos contratos 
públicos, casos em que é lícito conjugar a pretensão do particular com 
o interesse coletivo. O que o princípio da finalidade veda é a prática 
de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a 
Administração, visando unicamente satisfazer interesses privados, por 
favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais, sob a forma de 
desvio de finalidade.
2.3.3 Princípio da Moralidade 
Por este princípio, os atos administrativos devem ser realizados com base 
na moral, o que pode ser traduzido na necessidade de os atos administrativos 
serem praticados com base na probidade. 
TÓPICO 2 | DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL
65
Sua importância é tal, que a inobservância deste princípio gera a 
invalidade do ato administrativo (você se lembra da ação popular que estudamos 
anteriormente, que tem por objetivo justamente anular o ato administrativo lesivo 
ao patrimônio público?) e ainda a suspensão dos direitos políticos do agente 
ímprobo (art. 37, §4º da CF).
É necessária, pois, além da observância dos ditames legais (princípio 
da legalidade) que a prática dos atos administrativos ocorra de acordo com a 
moralidade administrativa que traz as regras de conduta ética que devem permear 
sua realização.
Sobre este princípio, colhemos dos ensinamentos de Meirelles (2005, p. 89):
A moralidade administrativa constitui, hoje em dia, pressuposto da 
validade de todo ato da Administração Pública (Const. Rep., art. 37, 
caput). Não se trata – diz Hauriou, o sistematizador de tal conceito – da 
moral comum, mas sim de uma moral jurídica, entendida como "o conjunto 
de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração". 
Desenvolvendo a sua doutrina, explica o mesmo autor que o agente 
administrativo, como ser humano dotado da capacidade de atuar, deve, 
necessariamente, distinguir o Bem do Mal, o honesto do desonesto. E, 
ao atuar, não poderá desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, 
não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o 
conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas também 
entre o honesto e o desonesto. Por considerações de direito e de moral, 
o ato administrativo não terá que obedecer somente à lei jurídica, mastambém à lei ética da própria instituição, porque nem tudo que é legal 
é honesto, conforme já proclamavam os romanos – non omne quod licet 
honestum est. A moral comum, remata Hauriou, é imposta ao homem 
para sua conduta externa; a moral administrativa é imposta ao agente 
público para a sua conduta interna, segundo as exigências da instituição 
a que serve, e a finalidade de sua ação: o bem comum.
[...] O certo é que a moralidade do ato administrativo, juntamente com a 
sua legalidade e finalidade, constituem pressupostos de validade, sem os 
quais toda atividade pública será ilegítima.
2.3.4 Princípio da Publicidade 
Por este princípio, torna-se necessário que os atos administrativos sejam 
praticados com transparência, permitindo o conhecimento por todos (pela 
publicação, por exemplo, no Diário Oficial, ou comunicação) dos atos que estão 
sendo praticados pela Administração Pública. 
UNI
Você se lembra do conceito de moral que estudamos na Unidade 1? Se não 
lembra, volte um pouquinho em seus estudos e confira este conceito.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
66
Medauar (2005, p. 147) ressalta a relevância do princípio quando aduz que 
“O tema da transparência e visibilidade, também tratado como publicidade da 
atuação administrativa, encontra-se associado à reivindicação geral da democracia 
administrativa”.
Proíbe, pois, este princípio, como regra geral, uma atuação da administração 
pública que não permita o conhecimento pela coletividade de seus atos. Ao 
contrário, exige, assim, que seja possível o acompanhamento e a fiscalização dos 
atos dos entes públicos pela sociedade.
2.3.5 Princípio da Eficiência
Conforme Medauar (2005, p. 149), o vocábulo eficiência está ligado “à 
ideia de ação para produzir resultado, de modo rápido e preciso para satisfazer a 
população”.
Este princípio estabelece que não basta o administrador praticar o ato de 
acordo com os princípios antes estudados, mas deve praticá-lo com eficiência, o 
que significa dizer economia do dinheiro público e resultados mais efetivos. 
Exige-se não apenas cumprimento da lei, mas atos capazes de realizar as 
necessidades dos administrados. 
2.3.6 Contratos Administrativos
O contrato é um negócio jurídico realizado por duas ou mais pessoas e 
nasce da junção destas “vontades”, chamado consentimento. 
Para a validade deste negócio jurídico, são necessários: agente capaz, forma 
prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito, conforme exige o art. 104 do Código Civil.
O contrato administrativo se diferencia do contrato comum em razão de 
possuir a característica de publicidade e da participação do Poder Público. Este 
poder aparece “como parte predominante, e pela finalidade de atender a interesse 
público” (FÜHRER; MILARÉ, 2003, p. 135). Além disso, possui características 
próprias, apontada por Führer e Milaré (2003, p. 135), as quais resumimos no mapa 
conceitual a seguir:
ESTUDOS FU
TUROS
Você estudará cada um destes requisitos na Unidade 3.
TÓPICO 2 | DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL
67
FONTE: Adaptado de Führer e Milaré (2003, p. 135)
FIGURA 14 - CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO ADMINISTRATIVO
ESTUDOS FU
TUROS
Você estudará a licitação, suas formas e características em disciplina futura.
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
68
3 DIREITO PROCESSUAL
O Direito Processual é o ramo do Direito Público que regulamenta a forma 
que as ações judiciais se desenvolverão no Judiciário. Traz as regras que chamamos 
de “direito formal”, enquanto o Direito Civil, por exemplo, traz as regras de “direito 
material”. Para entendermos este sistema, podemos visualizar o direito material 
como sendo “o jogo”, enquanto o direito processual traz “as regras do jogo”. 
Assim, tomemos como exemplo o direito de propriedade. Enquanto o direito 
civil estabelece como se origina e se extingue este direito, o direito processual civil 
determinará como se deve proceder para retomá-lo. 
O Direito Processual é dividido em três grandes ramos: Direito Processual 
Civil, Direito Processual Penal e Direito Processual do Trabalho, correspondentes 
a cada uma das áreas do direito material.
O Código de Processo Civil, Lei n. 5.869/73, é a lei que serve de instrumento 
para o Direito Processual Civil.
O Código de Processo Penal (decreto-lei n. 3.689 - de 03 de outubro de 
1941) é o instrumento que traz as disposições relativas ao processo penal. 
Já as regras de direito processual do trabalho estão na Consolidação das 
Leis do Trabalho, (Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943) conhecida como 
“CLT”, e subsidiariamente utiliza-se o CPC.
69
RESUMO DO TÓPICO 2
Prezado(a) acadêmico(a), este tópico permitiu a você:
l	Compreender que o Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que traz 
as regras que se aplicam ao Estado como administrador público.
l	Conhecer os princípios que devem ser obrigatoriamente obedecidos pelo 
administrador público: Legalidade, Moralidade, Publicidade, Impessoalidade e 
Eficiência.
l	Entender o conceito de ato administrativo e compreender suas espécies.
l	Conhecer o conceito de contrato administrativo e suas características.
l	Compreender o conceito de direito processual e suas subdivisões.
70
AUTOATIVIDADE
Para verificar seu aprendizado sobre os conteúdos deste tópico, 
responda às questões a seguir:
1 Cite duas diferenças entre o contrato comum e o contrato administrativo.
2 Explique a característica execução inafastável que é própria do contrato 
administrativo.
3 O que são autarquias?
4 Quais são as características das entidades paraestatais? 
5 Como se explica a característica “alteridade” dos contratos administrativos? 
6 O que ocorrerá com o contrato administrativo, caso não seja respeitado o 
princípio da moralidade?
7 O que estabelece o princípio da impessoalidade?
8 Cite os princípios previstos na Constituição Federal e que devem ser 
respeitados obrigatoriamente pela administração pública. 
9 Quais os ramos do Direito Processual?
10 Quais os principais diplomas legais que trazem as normas de Direito 
Processual?
71
TÓPICO 3
DIREITO PENAL – DIREITO 
TRIBUTÁRIO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Partiremos agora para o estudo do Direito Penal e do Direito Tributário. 
Inicialmente, vamos estudar o Direito Penal, analisando o fato típico, seu principal 
objeto e as ações ou omissões culposas e dolosas que os configuram. Estudaremos 
também a questão da culpa, para definirmos o que vem a ser um crime doloso ou 
culposo. Ainda neste tópico, conheceremos as causas que excluem a antijuridicidade 
do crime, tais como a legítima defesa e os crimes que têm por objeto a defesa do 
patrimônio.
Também neste tópico, teremos uma breve noção do Direito Tributário, uma 
vez que o seu estudo será objeto de disciplina própria de seu curso.
2 DIREITO PENAL
2.1 CONCEITO E FUNÇÃO
O Direito Penal “corresponde ao conjunto de normas jurídicas que regulam 
os crimes e as contravenções penais” (condutas ilícitas penais de menor potencial 
ofensivo), com as correspondentes penas aplicáveis (NUNES, 2003, p. 127). 
Sua função é a “proteção de bens jurídico-penais – bens do Direito – 
essenciais ao indivíduo e à comunidade” (PRADO, 2005, p. 23). Estes bens são 
a vida, o patrimônio, os costumes, a paz social etc. Uma vez atingidos estes bens 
jurídicos, o infrator ficará sujeito às sanções previstas na própria legislação penal 
(penas ou medidas de segurança).
2.2 DIVISÃO DO DIREITO PENAL
O Direito Penal é regulamentado pelo Código Penal, que é o Decreto-Lei 
nº 2.848/1940, que é composto de uma parte geral (art. 1º. a 121) e de uma parte 
especial (art. 121 ao 361). A parte especial traz os crimes divididos de acordo com 
o bem jurídico tutelado (ex.: crimes contra a vida, crimes contra o patrimônio 
72
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
etc.). Ainda é parte do Direito Penal a legislação extravagante, tais como a Lei de 
Entorpecentes, a Lei Maria da Penha, a Lei de Execução Penal, entre outras.
2.3 FATO TÍPICO - CRIME E CONTRAVENÇÃO
Segundo Damásio de Jesus (2006, p. 33), “Para que hajacrime, é preciso, 
em primeiro lugar, uma conduta humana positiva ou negativa (ação ou omissão)”. 
Porém, para que esta ação ou omissão seja relevante para o Direito Penal, 
é necessário que esta ação ou omissão esteja tipificada. Ou seja, é necessário que a 
lei preveja que esta ação ou omissão seja enquadrada como crime ou contravenção, 
chamados “tipos penais”. Caso contrário, esta ação será irrelevante para o Direito 
Penal. O homicídio, o furto, o estupro e todos os crimes previstos na Parte Especial 
do Código Penal são exemplos de tipos legais. Damásio de Jesus (2006, p. 33) fornece 
um exemplo, ao citar o furto de uso, em que a pessoa pega um bem de outrem para 
usar e após devolver, sem a intenção de subtraí-lo para si, como ocorre no furto 
previsto no art. 155. Podemos dizer assim que se trata de um ato atípico, ou seja, 
que não se enquadra no tipo legal, sendo assim irrelevante para o Direito.
Além de típico, o fato precisa ser antijurídico, ou seja, contrário à lei. O fato 
antijurídico pode ser considerado como o “fato que, além de típico, não tem a seu 
favor nenhuma justificativa como a legítima defesa ou o estado de necessidade” 
(FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 141). Assim, um homicídio praticado em legítima 
defesa será típico, mas não será antijurídico, porque haverá uma excludente de 
antijuridicidade que é a legítima defesa, que estudaremos mais adiante.
Podemos dizer, assim, conforme assentado na doutrina, que crime é “fato 
típico e antijurídico”. 
Já na contravenção, há uma conduta menos grave e que causa menos 
prejuízo, sendo que, por isso, se cominam penas mais brandas. As contravenções 
penais são regulamentadas pelo Decreto-Lei n. 3.688, de 3 de Outubro de 1941, 
conhecido como “Lei das Contravenções Penais”, à qual se aplicam as disposições 
do Código Penal, naquilo que for aplicável. Exemplos de contravenção são: o 
jogo do bicho, uso indevido de uniforme, entre outras.
2.4 DOLO E CULPA
Nos crimes e contravenções, há de se distinguir a conduta dolosa da conduta 
culposa.
TÓPICO 3 | DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO
73
Assim, “são dolosos os crimes intencionais. Diz-se o crime doloso, quando 
o agente quis o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo 
eventual)” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 144).
Então: DOLO = INTENÇÃO DE PRODUZIR O RESULTADO OU ASSUMIR 
O RISCO DE PRODUZI-LO.
Na culpa, ao contrário, não há intenção na prática do fato delituoso, 
“faltando também o agente a um dever de atenção e cuidado” (FÜHRER; MILARÉ, 
2005, p. 144). 
A ação culposa ocorre em três tipos de conduta: negligência, imprudência 
e imperícia. Veja a seguir o conceito de cada uma das modalidades:
l	NEGLIGÊNCIA: “displicência, relaxamento, falta de atenção devida, como não 
observar a rua ao dirigir” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 144). 
 
l	IMPRUDÊNCIA: “Conduta precipitada ou afoita, a criação desnecessária de um 
perigo, como dirigir veículo em excesso de velocidade” (FÜHRER; MILARÉ, 
2005, p. 144). 
l	IMPERÍCIA: “É a falta de habilidade técnica para certas habilidades, como não 
saber manobrar direito um veículo” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 144). 
Por isso, podemos dizer que há crime culposo quando o agente deu causa 
ao resultado por negligência, imprudência ou imperícia.
Do que estudamos até agora, podemos visualizar o seguinte:
FONTE: A autora
FIGURA 15 - DIFERENÇAS ENTRE CRIMES CULPOSOS E DOLOSOS
74
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
2.5 CAUSAS EXCLUDENTES DA ANTIJURIDICIDADE 
Como vimos anteriormente, a antijuridicidade é a prática de um ato contrário 
à lei, sem que haja uma justificativa para tanto. O ato pode ser assim antijurídico 
(ex.: matar alguém), mas haver uma justificativa (ex.: legítima defesa). Neste item, 
vamos conhecer cada uma das causas que excluem a antijuridicidade, também 
chamada ilicitude de um ato típico. São causas excludentes de antijuridicidade: 
estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e 
exercício regular de direito. Vamos conhecer cada uma delas?
Age em estado de necessidade, segundo o art. 24 do Código Penal, quem 
“pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, 
nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas 
circunstâncias, não era razoável exigir-se.” “Exemplo de estado de necessidade é a 
disputa de náufragos pela posse de uma tábua de salvação” (FÜHRER; MILARÉ, 
2005, p. 149).
Em legítima defesa, segundo o art. 25 do Código Penal, age quem “usando 
moderadamente dos meios necessários, impele injusta agressão, atual ou iminente 
a direito seu ou de outrem.” Dos ensinamentos de Führer e Milaré (2005, p. 149), 
podemos, resumidamente, apontar que “são critérios para a configuração da 
legítima defesa: a defesa deve ser contra ser humano, deve ser injusta, atual ou 
iminente (acontecendo ou em vias de acontecer)”. Deve ainda ser moderada, ou 
seja, ser proporcional à agressão sofrida. Ex.: não será considerada legítima defesa 
a reação de quem atira em uma pessoa que ataca com as mãos vazias.
A configuração do estrito cumprimento do dever legal ocorre quando o 
agente “cumpre exatamente o determinado pelo ordenamento jurídico, realizando, 
assim, uma conduta lícita [...]. Há de ser dever legal, proveniente de disposição 
jurídico-normativa (lei, decreto, portaria, regulamento,etc.) v.g., oficial de justiça 
que cumpre o mandado de prisão, e não simplesmente moral, religioso ou social” 
(PRADO, 2005, p. 114). 
Por fim, conforme Prado (2005, p. 115, grifos nossos)
 
“aquele que age no exercício regular de direito, quer dizer, que exercita 
uma faculdade de acordo com o direito, está atuando licitamente, de 
forma autorizada – art. 5º., II, CF [...] (v.g., [...] defesa no esbulho possessório 
- Art. 1.210 do CC; [...]. Não se pode considerar ilícita a prática de ato 
justificado ou permitido pela lei, que se consubstancie em exercício 
de direito dentro do marco legal, isto é, conforme os limites nele 
inseridos,de modo regular e não abusivo.
2.6 CULPABILIDADE
Havendo a conduta típica e antijurídica, para que tenha lugar a aplicação 
da pena, há necessidade de haver a culpabilidade. Assim, diante de um fato típico 
e antijurídico, verificar-se-á a conduta do agente, sendo a culpabilidade, segundo 
TÓPICO 3 | DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO
75
Prado (2005, p. 115), “um juízo de censura ou reprovação pessoal, ou seja, que recai 
sobre a pessoa do agente, já que podia ter agido conforme a norma e não o fez [...]”. 
A seguir, estudaremos os elementos da culpabilidade.
2.7 IMPUTABILIDADE PENAL 
A imputabilidade penal “é a capacidade de culpabilidade, entendida 
como capacidade de entender e de querer” (PRADO, 2005, p. 115). Em nosso 
ordenamento penal, entende-se, como regra geral, como imputável penalmente o 
maior de 18 anos, sendo que os menores ficam sujeitos à legislação específica. 
Pode se considerar imputável, pois, “o sujeito mentalmente são e 
desenvolvido, capaz de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de 
acordo com este entendimento” (JESUS, 2006, p. 124).
O artigo 26 do CP traz as causas de inimputabilidade, que, uma vez 
presentes, afastam a imputabilidade do agente: doença mental, desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado, menoridade e embriaguez acidental completa.
2.8 PENAS E MEDIDAS DE SEGURANÇA
Presentes os requisitos que configuram o crime (fato típico e antijurídico) 
e ainda a culpabilidade, terá lugar a aplicação da penalidade respectiva. De uma 
forma bem didática, podemos dizer que são três as espécies de penas: privativas de 
liberdade, restritivas de direitos e multa, que serão aplicadas conforme a gravidade 
do crime.
As privativas de liberdade classificam-se em reclusão e detenção. 
Dos ensinamentos de Führer e Milaré (2003, p. 156-157) extraímos os 
regimes de cumprimento de cada uma das espécies de penas: 
l	Regime fechado (cumprimento na penitenciária)  reclusão.
l	Regime semiaberto (cumprimento em colônia agrícola ou similar)  reclusão edetenção.
IMPORTANT
E
Como regra geral, apenas as pessoas físicas (seres humanos) podem ser sujeitos 
ativos dos crimes. Como exceção a esta regra, temos a legislação ambiental, que prevê a 
responsabilização penal da pessoa jurídica (Lei n. 9.605/98).
76
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
l	Regime aberto (cumprido em casa do albergado)  reclusão e detenção.
As restritivas de direitos serão cumpridas através de prestação de serviços 
à comunidade (tarefas gratuitas junto a hospitais, escolas ou orfanatos), interdição 
temporária de direitos (com a proibição do exercício de profissão ou atividade 
ou suspensão da licença para dirigir veículo) e limitação de fim de semana (com 
a obrigação de permanecer o condenado, aos sábados e domingos, por 5 horas 
diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado).
 
Por fim, as penas de multa que variam de 10 a 360 dias-multa (1 dia multa 
= 1/30 do salário-mínimo (mínimo) a 5 salários-mínimos (máximo), conforme a 
situação econômica do réu.
Por fim, as medidas de segurança, segundo Führer e Milaré (2003, p. 156-157):
As medidas de segurança não são penas, mas tão somente meios 
defensivos da sociedade. A pena refere-se mais à gravidade do delito, 
ao passo que a medida de segurança preocupa-se com a periculosidade 
do agente. [...]. As medidas de segurança são aplicáveis aos loucos. E 
também, em caráter substitutivo da pena, aos semiloucos. As medidas 
de segurança consistem na internação em hospital de custódia e 
tratamento psiquiátrico ou na sujeição a tratamento ambulatorial, 
por tempo indeterminado, no mínimo de 1 a 3 anos, até a cessação da 
periculosidade verificada em perícia médica.
2.9 AÇÕES PENAIS
As ações penais são os meios através dos quais o Estado realizará a 
persecução penal. De uma forma geral, as ações penais são de duas espécies: 
públicas ou privadas. 
Na maioria dos crimes, as ações penais são públicas, ou seja, quem inicia 
a ação penal é o Ministério Público, representado pelo Promotor de Justiça, que 
oferece a denúncia, independentemente da vontade do ofendido. A este tipo de 
ação damos o nome de ação penal pública incondicionada. Há casos, porém, em 
que a ação penal é pública, mas depende de iniciativa do ofendido para que possa 
ser iniciada. A esta iniciativa, dá-se o nome de “representação”.
Já as ações privadas são aquelas em que o início da ação penal somente 
ocorre mediante a iniciativa do ofendido, que ocorre através da “queixa-crime”. 
São exemplos de crimes que somente terão a ação penal iniciada mediante queixa-
crime: a calúnia, a injúria e a difamação.
TÓPICO 3 | DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO
77
2.10 CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Na parte especial do Código Penal, existem crimes que protegem os 
principais bens jurídicos, a vida, o patrimônio, a paz social etc.
Para nossa disciplina, será suficiente conhecermos os crimes contra o 
patrimônio, previstos do art. 155 ao art. 183 do CP, conhecendo os tipos legais, 
com suas características principais e as penas a ele cominadas, os quais constam 
do quadro abaixo (os arts. 181 a 183 do CP não constam do quadro por trazerem 
disposições relativas à ação penal):
QUADRO 1 - CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Tipo Legal Características
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Furto de coisa comum
Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para 
si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa 
comum:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
Intenção de permanecer com o bem (furto de uso não é 
crime). Existem as formas qualificadas, que aumentam a 
pena, tais como a utilização de chave falsa ou se o crime é 
praticado durante o repouso noturno.
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, 
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de 
havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de 
resistência:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
Semelhante ao furto, o roubo dele se diferencia em razão do 
emprego de violência. Também existe a forma qualificada, 
a exemplo do emprego de arma ou a violência ser cometida 
por mais de uma pessoa.
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave 
ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem 
indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou 
deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
Extorsão mediante sequestro
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou 
para outrem, qualquer vantagem,como condição ou preço 
do resgate:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
Na extorsão, pretende especificamente a obtenção de 
indevida vantagem econômica (JESUS, 2006, p. 605).
Na extorsão mediante sequestro, não há apenas a violência 
ou grave ameaça como no artigo anterior, mas há também 
um crime contra a liberdade de locomoção. Trata-se de crime 
hediondo (Lei n. 8.072/90).
Extorsão indireta
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, 
abusando da situação de alguém, documento que pode dar 
causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra 
terceiro:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Não há necessidade de recebimento efetivo do documento, 
apenas a exigência é suficiente para configurar o crime. 
Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer 
outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, 
no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, 
águas alheias;
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou 
mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou 
edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a 
esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de 
violência, somente se procede mediante queixa. 
Este delito tem como objeto jurídico a posse e a propriedade. 
Só pratica este crime o proprietário do prédio vizinho àquele 
em que se alteram os limites (JESUS, 2006, p. 614). Além 
do tipo previsto no caput (cabeça) do artigo, os parágrafos 
preveem outras hipóteses que também se consideram como 
alteração dos limites.
78
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
Supressão ou alteração de marca em animais
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou 
rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de propriedade:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa.
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Este artigo trata do crime de dano, inclusive o proprietário 
de coisa comum. Existe também a forma qualificada, 
quando o dano, por exemplo, for praticado contra bem de 
propriedade da União. 
Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade 
alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o 
fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, ou 
multa.
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada 
pela autoridade competente em virtude de valor artístico, 
arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Interessante que até mesmo o proprietário poderá ser 
sujeito ativo neste crime, uma vez que o objeto jurídico é o 
patrimônio histórico protegido.
Alteração de local especialmente protegido
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o 
aspecto de local especialmente protegido por lei:
Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a 
posse ou a detenção:
Pena -reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Apropriação indébita previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as 
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma 
legal ou convencional:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Neste crime, o agente apropria-se de bem móvel de que tem 
a posse ou detenção. Ex.: Caixa que se apropria de dinheiro 
do banco. Também existe a forma qualificada.
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força 
da natureza
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu 
poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no 
todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário 
do prédio;
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total 
ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo 
possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro 
no prazo de 15 (quinze) dias.
Estelionato e outras fraudes
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, 
em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em 
erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio 
fraudulento:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que 
não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou 
qualidade, ou ao serviço prestado.
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único - Nas mesmas penas incorrerá aquele que 
falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de Registro de 
Duplicatas.
Abuso de incapazes
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de 
necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da 
alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo 
qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito 
jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
No estelionato, o agente busca obter indevidamente 
vantagem, induzindo uma pessoa ao erro. Também são 
formas de estelionato, a ele equiparados: a disposição 
de coisa alheia como própria; a alienação ou oneração 
fraudulenta de coisa própria, a defraudação de penhor, a 
fraude na entrega de coisa, a fraude para recebimento de 
indenização ou valor de seguro; a fraude no pagamento por 
meio de cheque. O Crime também pode ser qualificado, nos 
casos previstos no 3º.
Este crime é o que conhecemos como “duplicata fria”. Toda 
duplicata, necessária e obrigatoriamente, deverá ser emitida 
a partir de uma nota fiscal ou fatura, motivo pelo qual se 
chama este título de crédito de título causal.
TÓPICO 3 | DIREITO PENAL – DIREITO TRIBUTÁRIO
79
Induzimento à especulação
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da 
inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental 
de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou 
à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou 
devendo saber que a operação é ruinosa:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Fraude no comércio
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o 
adquirente ou consumidor:
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria 
falsificada ou deteriorada;
II - entregando uma mercadoria por outra:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade 
ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso, pedra 
verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender 
pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de 
outra qualidade:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.
Outras fraudes
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel 
ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos 
para efetuar o pagamento:
Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou 
multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, 
deixar de aplicar a pena.
Fraudes e abusos na fundação ou administração de 
sociedade por ações
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, 
fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público 
ou à assembleia, afirmação falsa sobre a constituição da 
sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela relativo:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato 
não constitui crime contra a economia popular.
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou 
"warrant"
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em 
desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, 
destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
Receptação
Art. 180- Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, 
em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto 
de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, 
receba ou oculte:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Para que se configure a receptação, não é necessário que o 
crime seja contra o patrimônio. Damásio de Jesus (2006, p. 
691) dá o exemplo de um funcionário público que pratica o 
crime de peculato. 
FONTE: A autora
3 DIREITO TRIBUTÁRIO
O Direito Tributário estuda todas as normas que dizem respeito à 
arrecadação de tributos. Existem várias formas de tributo, especialmente: impostos, 
contribuições de melhoria e taxas.
É a ocorrência do fato gerador que determinará a incidência do tributo. 
Assim, por exemplo, auferindo renda, o contribuinte pagará imposto de renda, 
adquirindo um carro, terá que pagar o IPVA e assim por diante. 
80
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
O Direito Tributário estudará, pois, tudo que se refere aos tributos, desde 
sua origem, fato gerador, o responsável pelo seu pagamento, qual a alíquota 
correspondente, a base de incidência e como se faz o recolhimento. Este ramo do 
Direito também especifica quem ficará isento do pagamento, o que é elisão fiscal etc.
 As regras do Direito Tributário estão especialmente previstos na 
Constituição da República e no Código Tributário Nacional. Também encontramos 
suas regras em diversas leis esparsas, como, por exemplo, a lei n. 6.830/80, que 
trata da Execução Fiscal.
ESTUDOS FU
TUROS
ESTUDOS FUTUROS: Prezado(a) acadêmico(a)! Como dissemos anteriormente, 
você estudará o Direito Tributário mais a fundo em disciplina específica.
81
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você estudou o Direito Penal e aprendeu que:
l	O Direito Penal “corresponde ao conjunto de normas jurídicas que regulam os 
crimes e as contravenções penais”.
l	O crime é ato típico e antijurídico.
l	O crime pode ser doloso (intencional) ou culposo (não intencional).
l	Para que seja aplicada a sanção prevista em lei, será necessário que também 
esteja presente a culpabilidade.
l	As espécies de pena (privativa de liberdade, restritiva de direitos e multa), penas 
de detenção e reclusão e ainda medidas de segurança.
l	Os tipos de ação penal (pública condicionada e incondicionada e privada).
l	Os crimes contra o patrimônio são previstos na legislação penal.
l	O Direito Tributário é o ramo do Direito Público que tem por objeto o estudo das 
obrigações entre o contribuinte e o Fisco.
82
1 Relacione os grupos 1 e 2, a fim de fixar os conhecimentos deste tópico:
Grupo 1
(1) Requisitos para a configuração do crime.
(2) Fato antijurídico.
(3) Dolo.
(4) Modalidades de culpa.
(5) Imprudência.
(6) Imperícia.
(7) Modo de agir no crime de roubo.
(8) Excludentes de ilicitude.
(9) Modo de agir no crime de furto.
(10) Imputabilidade penal.
(11) Prestação de serviços à comunidade.
(12) Representação.
Grupo 2
( ) É a falta de habilidade técnica para certas habilidades.
( ) Subtrair, para si oupara outrem, coisa alheia móvel.
( ) Adquire-se, como regra geral, aos 18 anos completos, salvo exceções 
previstas em lei.
( ) Tipicidade e antijuridicidade.
( ) Exemplo de pena restritiva de direitos.
( ) Estado de necessidade, legítima defesa e estrito cumprimento do dever 
legal e exercício regular de direito.
( ) Negligência, imprudência e imperícia.
( ) Propósito de praticar o fato descrito na lei penal.
( ) Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça 
ou violência à pessoa, ou depois de havê-la por qualquer meio, reduzido à 
impossibilidade de resistência.
( ) Documento que representa o início da ação penal pública condicionada.
( ) Fato que, além de típico, não tem a seu favor uma justificativa como a 
legítima.
( ) Conduta precipitada ou afoita, a criação desnecessária de um perigo.
AUTOATIVIDADE
83
TÓPICO 4
DIREITO ELEITORAL E DIREITO 
MILITAR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste penúltimo tópico de nossa unidade, vamos conhecer o Direito 
Eleitoral e o Direito Militar.
2 DIREITO ELEITORAL
O Direito Eleitoral disciplina o processo eleitoral.
Segundo Rizatto Nunes (2003, p. 127), o Direito Eleitoral: 
compõe-se do conjunto das normas jurídicas que disciplinam a escolha 
dos membros do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Essas normas 
estabelecem os critérios e condições para o eleitor votar, para alguém se 
candidatar, bem como as datas das eleições, as formas das apurações, o 
número de candidatos a serem eleitos, fixando as bases para a criação e 
funcionamento dos partidos políticos etc.
O principal instrumento do Direito Eleitoral é o Código Eleitoral (Lei n. 
4.737, de 15 de julho de 1965). Também são parte do Direito Eleitoral, a lei dos 
partidos políticos, a lei das inelegibilidades, entre outros. 
3 DIREITO MILITAR
Para Martins, (2008 p. 42) , “o direito militar pode ser definido como o 
conjunto harmônico de princípios e normas jurídicas que regulam matéria de 
natureza militar, podendo ser de caráter constitucional, penal ou administrativo.” 
É, pois, o direito que regulamenta a atividade dos militares. 
São instrumentos do Direito Militar, primeiramente a Constituição Federal, 
que regulamenta a matéria no art. 42. Também dele são instrumentos o Código Penal 
Militar (Decreto-lei 1001/69) e o Código Processual Penal Militar (Dec-lei 1002/69), 
conforme Martins (2008).
84
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você estudou que:
l	O Direito Eleitoral é o que regulamenta as eleições.
l	O Direito Militar traz as regras aplicáveis aos militares.
85
1 Complemente a coluna 2 de acordo com o que você aprendeu neste tópico:
AUTOATIVIDADE
Principal objetivo do Direito Eleitoral.
Principal instrumento legal do Direito 
Militar.
Espécies de relações militares que o Direito 
Penal regulamenta.
Enumere 7 matérias que são disciplinadas 
pelo Direito Eleitoral.
86
87
TÓPICO 5
RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: 
DIREITO DO TRABALHO E DIREITO 
DO CONSUMIDOR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Serão objetivos deste tópico 5 o Direito do Trabalho e o Direito do Consumidor, 
que trarão conhecimentos que, certamente, serão úteis no seu dia a dia.
Em que pese esta unidade 2 tratar dos ramos do Direito Público (apenas 
para fins de divisão do nosso conteúdo) o Direito do Trabalho e o Direito do 
Consumidor têm sido enquadrados pela doutrina como ramos especiais, que não 
pertencem nem ao Direito Público, nem ao Direito Privado.
Estes ramos, segundo Rizatto Nunes (2003, p. 122), são:
[...] caracterizados basicamente por serem difusos, ao contrário das 
outras duas espécies que se distinguem, basicamente, por estarem 
relacionados ao interesse público ou privado. [...] os direitos difusos 
são aqueles cujos titulares não podem ser especificados. São fatos que 
determinam a ligação entre essas pessoas, cujos direitos não podem ser 
partidos: são indivisíveis. Por exemplo, todos – indeterminadamente – 
estão sujeitos à publicidade enganosa; o direito de respirar ar puro é de 
todos etc.
Neste tópico, traremos uma breve noção sobre o Direito do Trabalho, tendo 
em vista que este será objeto de uma disciplina mais adiante. Em seguida, traremos 
os principais institutos do Direito do Consumidor e do Direito Ambiental.
2 DIREITO DO TRABALHO
Regulamenta as relações trabalhistas, ou seja, “entre empregado e 
empregador (patrão)” (NUNES, 2003, p. 131).
 
O Direito do Trabalho tem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) como 
sua principal norma, mas também a Constituição da República e a legislação esparsa. 
São objeto do Direito do Trabalho as relações trabalhistas, sejam elas 
individuais (entre empregado e empregador) ou coletivas, “[...] que contemplam as 
relações entre grupos ou associações de trabalhadores e de patrões, seus contratos 
e suas lutas” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 160).
88
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
Dentre os institutos regulados pelo Direito do Trabalho estão: contrato 
individual do trabalho, jornada de trabalho, descanso semanal remunerado, férias, 
remuneração, FGTS etc.
Como mencionamos anteriormente, você estudará estes institutos a fundo, 
futuramente, em disciplina específica.
3 DIREITO DO CONSUMIDOR
3.1 OBJETO DO DIREITO DO CONSUMIDOR
As relações entre fornecedor e consumidor são estudadas por este importante 
ramo do Direito que está concentrado no Código de Defesa do Consumidor (CDC, Lei n. 
8.078/90). É este diploma legal que prevê a responsabilidade objetiva (independente de 
culpa) do fornecedor e as consequências do descumprimento desta responsabilidade. 
Prevê também os crimes nas relações de consumo e suas penas. 
Veja o artigo 1º do CDC:
3.2 CONCEITOS DE CONSUMIDOR E FORNECEDOR
Para o estudo do Direito do Consumidor, é necessário conhecermos os 
conceitos de consumidor e fornecedor, trazidos pelo próprio Código:
ESTUDOS FU
TUROS
TÓPICO 5 | RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E DIREITO DO CONSUMIDOR
89
Também são considerados consumidores: “a coletividade de pessoas, 
ainda que indetermináveis que haja intervindo nas relações de consumo”. Ainda 
segundo o CDC, são consumidores todas as vítimas de evento danoso, bem como 
todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas comerciais, conforme 
art. 29 do Código Consumerista (art. 29). 
O conceito de fornecedor também é trazido pelo CDC, conforme Silva 
(2005), em seu art. 3º.:
Neste conceito, certamente se enquadra o conceito de empresário.
Dos parágrafos 1º e 2º do citado artigo, extraímos os conceitos de produto 
e serviço (SILVA):
§ 1º - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§2º - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, 
de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter 
trabalhista.
O Código do Consumidor reconhece, na relação de consumo, o consumidor 
como a parte mais fraca, mais vulnerável, tanto no aspecto econômico como no 
técnico. Esta vulnerabilidade é expressamente reconhecida pela lei art. 4º, I do 
CDC. Assim,
Ao tratar da hipossuficiência do consumidor, Silva (2005 p. 35) ensina:
A partir desse reconhecimento de vulnerabilidade, o Código 
disponibiliza vários outros instrumentos que possibilitam a busca da 
igualdade, dentre os quais cita-se:
a) possibilidade de inversão do ônus da prova em benefício 
do consumidor quando verossímil a alegação ou diante de sua 
hipossuficiência percebida segundo as regras de experiências(art. 6°, 
VIII);
b) a interpretação de cláusulas contratuais de maneira mais favorável ao 
consumidor em todo e qualquer contrato de consumo (art. 47);
90
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
c) manutenção de assistência jurídica integral e gratuita ao consumidor 
carente e instituição de Promotorias, Varas e Delegacias especializadas 
em matéria de consumo (art.5º, I, II, III e IV);
d) concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações 
de Defesa do Consumidor (art. 5º, V);
e) proteção contra a publicidade enganosae abusiva, métodos comerciais 
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas abusivas ou impostas 
no fornecimento de produtos e serviços (art. 6°, IV).
A igualdade a que nos referimos é aquela entre consumidor e fornecedor.
3.3 DIREITOS E DEVERES DO CONSUMIDOR
3.3.1 Direitos do consumidor
Segundo o CDC , são direitos básicos do consumidor (SILVA, 2005 p. 36):
ART. 6º – São direitos básicos do consumidor:
I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos 
provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços 
considerados perigosos ou nocivos;
II – a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos 
produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a 
igualdade nas contratações;
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes 
produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, 
características, composição, qualidade e preço, bem como 
sobre os riscos que apresentem;
IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, 
métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra 
práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de 
produtos e serviços;
V– a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam 
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos 
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e 
Morais, individuais, coletivos e difusos;
VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com 
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e 
MORAIS, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a 
proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
NOTA
TÓPICO 5 | RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E DIREITO DO CONSUMIDOR
91
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com 
a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, 
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou 
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de 
experiências;
IX – (VETADO).
X – a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
3.3.2 Deveres do consumidor
Além de direitos, o consumidor também tem deveres. São deveres do 
consumidor:
l	exigir sempre as notas fiscais;
l	exigir um contrato ao solicitar prestação de serviço;
l	solicitar os termos de garantia de serviços e produtos por escrito e definidos 
em contrato;
l	pedir o manual ou o rótulo de qualquer produto em língua portuguesa;
l	guardar os recibos para comprovar os pagamentos efetuados;
l	colocar no verso do cheque a data combinada para a compensação (caso seja 
pré-datado) e a que ele se destina;
l	não se esquecer que as lojas de roupas são obrigadas apenas a trocar peças 
com defeitos. 
FONTE: Disponível em: <http://cidadania.terra.com.br>. Acesso em: 15 maio 2008.
3.4 RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR 
A responsabilidade do fornecedor no CDC está prevista no art. 14 do CDC 
(SILVA, 2005, p. 40):
ART. 14 - O fornecedor de serviços responde, independentemente 
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como 
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
§ 1º - O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que 
o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - o modo de seu fornecimento;
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
92
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
III - a época em que foi fornecido.
§ 2º - O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas 
técnicas.
§ 3º - O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando 
provar:
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4º - A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada 
mediante a verificação de culpa.
Afirma-se que a responsabilidade do fornecedor é objetiva, ou seja, 
existe independente da existência de culpa, porque decorre da própria atividade 
comercial.
 
Com o advento do CDC, a atividade empresarial passou por uma 
transformação, deixando de visar apenas ao lucro e passando a preocupar-se 
também com a qualidade dos produtos e serviços em razão da responsabilidade 
prevista na lei consumerista.
A responsabilidade do fornecedor, no CDC, engloba assim, a 
responsabilidade pelo fato do produto e pelo fato do serviço. 
3.5 DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO 
Apesar de ser garantido ao consumidor o direito de reclamar, este direito 
não é eterno. O art. 26 do CDC, (SILVA, 2005), traz os prazos de decadência e 
prescrição do direito de reclamar. Em ambos os casos, há perda do direito pelo 
decurso do prazo, ou seja, por não ter reclamado no tempo máximo previsto na lei. 
A diferença é que na decadência a perda é do direito, não cabendo ao consumidor 
nenhum meio para materializar seu descontentamento.
Visando a uma abordagem bem didática, podemos afirmar que, segundo 
o art. 26 do CDC:
TÓPICO 5 | RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E DIREITO DO CONSUMIDOR
93
FONTE: Silva (2005)
FIGURA 16 - PRAZO DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
94
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
3.6 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
É regra no Direito Societário a existência da sociedade de forma distinta 
de seus membros. Ou seja, o patrimônio da sociedade não se mistura com o 
patrimônio de seus sócios, respondendo cada qual por suas dívidas.
Porém, o CDC permite ao juiz “desconsiderar a personalidade jurídica” da 
sociedade, quando em prejuízo do consumidor”, segundo Silva (2005), nos casos 
em que:
l	houver abuso de direito;
l	excesso de poder;
l	infração da lei;
l	fato ou ato ilícito ou violação de estatuto ou contrato social; 
l	falência;
l	estado de insolvência;
l	encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má 
administração;
 
l	quando a personalidade jurídica for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento 
de prejuízos causados aos consumidores, ou seja, quando a personalidade 
jurídica for utilizada para frustrar a concretização dos direitos do consumidor. 
3.7 PROTEÇÃO DOS CONTRATOS DE CONSUMO 
Em razão do princípio de que o consumidor é hipossuficiente, o CDC traz 
princípios e normas que deverão ser obrigatoriamente observados nas relações 
contratuais que envolvem o consumo. Estas normas são de ordem pública, ou seja, 
as partes não poderão modificá-las por sua vontade.
A exemplo, veja o que estabelece o art. 47 do CDC (SILVA, 2005, p. 42): 
As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao 
consumidor.
TÓPICO 5 | RAMOS ESPECIAIS DO DIREITO: DIREITO DO TRABALHO E DIREITO DO CONSUMIDOR
95
Entre no site do IDEC (www.idec.org.br) e veja a versão atualizada do CDC. Leia 
o Capítulo VI, que trata da Proteção Contratual.
Neste capítulo, você encontrará disposições legais que se aplicam à relação 
contratual e que envolve a relação contratual de consumo. Dentre estes artigos, 
destacamos a possibilidade de o consumidor desistir do contrato, a proibição 
de haver cláusulas abusivas, o tratamento diferenciado do contrato de adesão, a 
nulidade de cláusulas que importem na perda de parcelas pagas etc.
3.8 PUBLICIDADE E PROPAGANDA 
O CDC regulamenta também a publicidade, especialmente no que se 
refere à oferta de produtos e serviços, também como reflexo do reconhecimento da 
hipossuficiência do consumidor.
Sobre a publicidade, exige o CDC, de acordo com Silva (2005):
l	sua fácil identificação pelo consumidor (art. 36);
l	proibição de publicidade enganosa ou abusiva (art. 37). 
O próprio CDC traz os conceitos de publicidade enganosa no §1º e de 
publicidade abusiva no §2º (SILVA, 2005, p. 43):
§1º - É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação 
de caráter publicitário inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer 
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor 
a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, 
propriedades,origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos 
e serviços. (grifamos)
§2º - É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de 
qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a 
superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da 
criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir 
o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua 
saúde ou segurança (grifo nosso).
Também é enganosa a publicidade, segundo o §3º do art. 37, “por omissão 
quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço”. 
A utilização da publicidade enganosa ou abusiva gerará para o fornecedor 
responsabilidade civil, penal e administrativa, previstas no próprio Código de 
Defesa do Consumidor.
DICAS
96
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
4 DIREITO AMBIENTAL
O Direito Ambiental “é composto das normas jurídicas que cuidam do 
meio ambiente em geral, tais como a proteção de matas, florestas e animais a serem 
preservados, o controle de poluição e do lixo urbano” (NUNES, 2003, p. 132).
Na legislação ambiental, encontramos não só disposições de proteção ao 
meio ambiente, mas também penalidades e outras sanções para quem descumprir 
suas regras. Sobre esta “multidisciplinaridade”, extraímos do site do Instituto 
Brasileiro de Produção Sustentável, o conceito de Direito Ambiental:
É um dos mais modernos ramos do direito. É multidisciplinar, pois se 
utiliza de institutos de direito penal, civil e administrativo para tornar efetivas 
suas normas, visando regular a relação do homem e seus meios de produção 
com a natureza, como forma de permitir o equilíbrio dessa relação, dando 
sustentabilidade ao desenvolvimento e minimizando os efeitos degradantes 
sobre o meio ambiente. Pode-se dizer que é um direito indutor de um novo 
paradigma de relação entre o homem e o meio ambiente.
Além da Constituição Federal, há outras normas de direito ambiental na 
legislação esparsa.
DICAS
Indicamos os seguintes sites, que cuidam dos direitos do consumidor que 
constam no portal Terra: <http://cidadania.terra.com.br/interna/0,,OI89570-EI1239,00.html>: 
sites das agências reguladoras: <www.aneel.gov.br> (agência nacional de energia elétrica; 
<www.anp.gov.br> (agência nacional de petróleo); <ans.gov.br> (agência nacional de saúde 
suplementar); <Anatel.gov.br> (agência nacional de telecomunicações); <www.anvisa.gov.br> 
(agência nacional de vigilância sanitária). Também é importante que você conheça os órgãos 
de proteção do consumidor: IDEC – INSTITUTO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. (www.idec.
org.br) – PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (www.proteste.org.br) e 
também o PROCON de cada Estado.
97
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico você aprendeu que:
l	O Direito do Trabalho “regulamenta as relações trabalhistas, ou seja, entre 
empregado e empregador (patrão)”.
l	As relações trabalhistas, são objeto do Direito do Trabalho sejam elas individuais 
(entre empregado e empregador) ou coletivas.
l	As relações entre fornecedor e consumidor são objeto do Direito do Consumidor.
l	O CDC traz diversas disposições sobre proteção contratual, publicidade e ainda 
as hipóteses em que se permite a desconsideração da pessoa jurídica.
l	O Direito Ambiental traz as regras que regem a proteção do meio ambiente, 
sendo um direito multidisciplinar.
98
Para verificar seu aprendizado, responda ao questionário a seguir:
1 Cite três institutos que são regulados pelo Direito do Trabalho.
2 Por que se diz que a responsabilidade do fornecedor é objetiva?
3 Qual é o prazo de prescrição para reclamar por vício aparente ou de fácil 
constatação em um produto ou serviço? 
4 Cite uma hipótese prevista no CDC que é prazo de decadência.
5 Cite três hipóteses em que o juiz desconsidera a “personalidade jurídica da 
sociedade, quando em prejuízo do consumidor”. 
6 Havendo dúvida na interpretação de um contrato referente à relação de 
consumo, como se deve resolver o impasse?
7 O que caracteriza a publicidade enganosa?
8 O que caracteriza a publicidade abusiva?
9 Quando a publicidade por omissão deixar de informar sobre dado essencial 
do produto ou serviço será tratada pelo CDC como qual tipo de publicidade?
10 Por que se diz que o Direito Ambiental é multidisciplinar?
AUTOATIVIDADE
99
TÓPICO 6
DIREITO PÚBLICO EXTERNO: 
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Como último tópico desta unidade, trazemos noções gerais de direito 
internacional público.
Accioly e Silva (2005, p. 1) conceituam o Direito Internacional Público como 
sendo: “O conjunto de regras e princípios destinados a reger os direitos e deveres 
internacionais tanto dos Estados, de certos organismos interestatais, quanto dos 
indivíduos”.
O Direito Internacional cuida, assim, das relações entre os Estados entre 
si e entre seus integrantes, que são instrumentalizadas em acordos (tratados e 
convenções) que são respeitados por aqueles que o firmaram.
 
São, assim, fontes do direito internacional público: convenções internacionais; 
o costume internacional; os princípios gerais de direito, decisões judiciárias, doutrina 
dos publicistas, tratados e convenções internacionais.
ESTUDOS FU
TUROS
Prezado(a) acadêmico(a): A Globalização é um fenômeno que também atinge 
a atividade empresarial e interfere na questão da segurança jurídica. É um tema interessante 
e atual. Caso queira saber um pouco mais sobre este assunto, sugerimos a leitura do texto 
“GLOBALIZAÇÃO, ATIVIDADE EMPRESARIAL E A SEGURANÇA JURÍDICA, de Adyr Garcia 
Ferreira Neto, disponível no site <http://www2.uel.br/revistas/direitopub/pdfs/volume_2/
num_1/adyr%20garcia.pdf>.
100
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
LEITURA COMPLEMENTAR
A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA EMPRESA COMO ATITUDE 
POSITIVA ORIENTADA PELA LEI
SANDRA APARECIDA LOPES BARBON LEWIS, doutora e mestre em 
Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), 
advogada especialista em Direito Tributário, Direito do Terceiro Setor e consultora 
em Responsabilidade Social para Organizações.
SUMÁRIO: I – Uma breve definição de responsabilidade social; II – 
Responsabilidade Social não é Filantropia; III – Responsabilidade Social como 
Orientação Legal; IV - A proposição de uma Lei Social; V – Conclusões.
Almeja-se demonstrar com o presente artigo que aquilo que as empresas 
realizam sob o rótulo da “responsabilidade social” nada mais é do que decorrência 
da lei ou orientação legal. Em razão das modernas legislações que preconizam 
um tratamento adequado à relação da empresa com o consumidor, com o meio 
ambiente, com o trabalhador, com o público externo, dentre outros, seja em razão 
de incentivos, em especial tributários, em alguns casos obriga-se, em outros, 
motiva-se a empresa a exercer sua atividade de modo a obter um desempenho 
consentâneo com a melhoria das condições socioeconômicas e ambientais.
Dado o intuito, conceituar-se-á filantropia, para se afirmar que a mesma 
não se confunde com responsabilidade social, cotejar-se-á a legislação que autoriza 
compreendê-la como uma orientação ou decorrência legal e, por fim, invocar-se-á 
proposição de uma Lei Social, como forte argumento a embasar a tese ora defendida, 
em especial para desmistificar a ideia segundo a qual a responsabilidade social é 
ato voluntário das empresas. A pergunta que se faz neste contexto é: quais são os 
motivos que ensejam uma atuação socioeconômica e ambientalmente orientada por 
parte da empresa? Será que a principal motivação advém de uma preocupação das 
empresas com o social, com o ambiental e o econômico? Ou será que a lei constitui 
instrumento motivador de uma conduta responsável, na maioria das vezes?
I – Uma breve definição de responsabilidade social. A utilização da 
expressão Responsabilidade Social virou “moda” nos últimos tempos. Várias são 
as empresas que se dizem responsáveis sob o ângulo social ou, num espectro mais 
amplo, socioeconômico e ambiental. Para se ter um parâmetro ao desenvolvimento 
dopresente artigo, adota-se a definição conferida pelo Instituto Ethos, na 
seguinte linha: “Empresa socialmente responsável é aquela que possui capacidade de 
ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas,funcionários, prestadores de serviços, 
fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e conseguir incorporá-
los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não 
apenas dos acionistas ou proprietários, além de pressupor o bom relacionamento da empresa 
com seus públicos”.
TÓPICO 6 | DIREITO PÚBLICO EXTERNO: DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
101
A definição acima traz implícita a ideia do que seja um comportamento 
socialmente orientado por parte da empresa. Estabelecida esta ideia, precisa-se 
saber se a empresa atua de modo responsável socialmente por mera liberalidade 
ou voluntariedade (porque simplesmente quer, em razão de sentimentos 
humanitários), em razão de uma obrigação legal ou estimulada pelos incentivos 
especialmente fiscais em razão daquela atuação vislumbrados.
II – Responsabilidade Social não é Filantropia. Responsabilidade social 
não se confunde com filantropia. Fabiane BESSA defende que a filantropia foge ao 
objeto da empresa, para se inserir na ideia de humanitarismo e de voluntariedade, 
sendo perfeito retrato da seguinte conjuntura: “abro meu bolso, minha carteira, 
se eu quiser”. Ao contrário, a atuação empresarial socialmente orientada dá-se 
na execução das atividades inerentes ao negócio, ao objeto social da empresa, de 
forma a obter o melhor desempenho, implicando necessariamente a observância 
da legislação, de forma a se institucionalizar a ação voltada à observância estrita 
dos direitos dos consumidores, dos trabalhadores, dos fornecedores, dentre outros 
stakeholders (partes interessadas) que com a empresa se relacionam. Ademais, além 
de fugir à atividade empresarial, a filantropia vai além da lei. Melhor dizendo: 
a empresa faz algo a que não está obrigada. Assim, a criação de uma fundação 
cultural não se enquadra no objeto social descrito no contrato social de uma 
indústria metalúrgica, não representando esta atitude da empresa, em que pese 
seus reflexos sociais, responsabilidade social, mas em mera filantropia.
Recentemente, a propósito, este ponto de vista foi reforçado em importante 
artigo escrito por Michael PORTER, no qual critica o equívoco em se entender a 
responsabilidade social como sinônimo de filantropia, em especial porque ações 
meramente filantrópicas são incapazes de patrocinar melhorias estratégicas 
para a empresa. Ricardo VOLTOLINI, no artigo “Porter e a responsabilidade 
social empresarial”, descreve, brevemente, a tese de Porter: “O resultado é a 
fragmentação de ações, uma mistura de iniciativas filantrópicas e medidas 
paliativas que até produzem algum dividendo de relações públicas, mas, isoladas, 
não geram resultados transformadores nem para as comunidades nem para o 
êxito empresarial”. Percebe-se, portanto, que responsabilidade social não é o 
mesmo que filantropia, consistindo a responsabilidade social no privilégio de 
ações relacionadas ao objeto social da empresa, que tenham a capacidade de fazer 
o melhor em termos estratégicos para a empresa e para a sociedade, diante dos 
reflexos ambientais, culturais, sociais, econômicos e trabalhistas.
III – Responsabilidade Social como Orientação Legal Como decorrência 
da função social da propriedade e dos valores que devem ser realizados pela 
ordem econômica, tais como defesa do consumidor, defesa do meio ambiente, 
redução das desigualdades sociais e regionais, entre outros, como preconizado pela 
Constituição Federal de 1988 (CF/88), e, por conseguinte, pelas inúmeras legislações 
que vêm sendo editadas, as empresas passam a ser motivadas e em alguns casos 
obrigadas a adotarem determinadas atitudes consideradas socioeconômica e 
ambientalmente responsáveis.
102
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
Diante disso, autoriza-se dizer que a Responsabilidade Social é, sobretudo, 
uma orientação legal. Conclusão que se coaduna, a propósito, com o espírito dirigente 
da Constituição Federal de 1988 de concretizar uma sociedade livre, justa e solidária.
Vale dizer, é como se as empresas fulcrassem seus planejamentos estratégicos 
a partir de ações preconizadas pela legislação, relativas ao envolvimento da empresa 
com todos os segmentos interessados, quais sejam: consumidores, trabalhadores, 
fornecedores, governo, ambientalistas, entre outros stakeholders. Como assevera 
Fabiane BESSA, “quando a empresa potencializa os vetores legais atinentes à 
sua atividade, quando suas opções estratégicas dirigem-se a produzir ou prestar 
serviço de maneira a trazer melhor desempenho social, ambiental ou adotando 
práticas econômicas que promovam a concorrência saudável e leal, está-se diante 
de uma atuação imbuída de responsabilidade social: a lei brasileira não obriga a 
que a empresa se responsabilize por todo o ciclo de vida do seu produto. Mas, se 
a própria empresa assume esta responsabilidade, trata-se de uma expressão de 
responsabilidade social”.
Embora a responsabilidade social não componha o objeto social da empresa, 
é indubitável que é a partir das ações empreendidas para a execução do seu objeto 
social que a empresa revelar-se-á responsável socioeconômica e ambientalmente ou 
não. Quer-se com isso dizer, por exemplo, que é responsável a empresa que no trato 
com o consumidor, figura integrante das atividades praticadas para a concretização 
do objeto social, obedecederá às normas ditadas para sua proteção, responsabilizando, 
como no exemplo acima dado, por todo o ciclo de vida do produto.
Diante disso, adotar uma postura socialmente responsável não é exercício de 
filantropia, beneficência, mas estrita observância à lei naquilo que se refere à atividade 
desempenhada pela empresa, com o intuito de obter o melhor desempenho possível 
em termos estratégicos empresariais e reflexos sociais, econômicos e ambientais para 
os públicos e segmentos com os quais a empresa se relaciona.
No âmbito do ordenamento jurídico brasileiro, verifica-se a existência de 
normas voltadas a estatuir que é dever das empresas atuar de modo responsável. Em 
decorrência das diretrizes constitucionais, há toda uma disciplina infraconstitucional, 
no sentido de orientar a atuação da empresa no contexto da defesa do consumidor, 
da promoção, defesa e preservação do meio ambiente, da promoção da cultura, 
entre outros. Em breve remissão, as principais disposições da Constituição Federal 
e da legislação infraconstitucional que orientam socioeconômica e ambientalmente 
a conduta empresarial: Constituição Federal de 1988: art. 1º da CF/88 - princípios 
fundamentais da República Federativa do Brasil, dentre os quais se destacam a 
cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho e da 
livre iniciativa; art. 3º da CF/88 –objetivos fundamentais da República Federativa 
do Brasil, dentre os quais se destacam a construção de uma sociedade livre, justa 
e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a 
redução das desigualdades sociais e regionais, a promoção do bem de todos; art. 
5º, XXIII – a propriedade atenderá à sua função social; art. 170 – dos princípios 
gerais da atividade econômica; art. 185, parágrafo único, 186 e 219 – critérios. Art. 
170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
TÓPICO 6 | DIREITO PÚBLICO EXTERNO: DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
103
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames 
da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - 
propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência; 
V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante 
tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços 
e de seus processos de elaboração e prestação; VII - redução das desigualdades 
regionais e sociais; VIII - buscado pleno emprego; IX – tratamento favorecido para 
as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham 
sua sede e administração no País. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre 
exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de 
órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei, para o atendimento da função 
social da propriedade e desapropriação ante o não atendimento daquela.
Legislação infraconstitucional: Código Civil; Legislação Ambiental; 
Norma Brasileira Contábil n. 15 de 01/01/2006; Resolução do Conselho Federal de 
Contabilidade n. 1003 de 19/08/2004; Legislação de Deficientes Físicos; Código de 
Defesa do Consumidor; Consolidação das Leis Trabalhistas. No âmbito das políticas 
públicas, exemplos de condutas socioeconômica e ambientalmente orientadas pela 
Lei: Lei Rouanet; Programa Nacional de Apoio à Cultura; Programa de Atividade 
Audiovisual; Fundos de Direitos da Criança e do Adolescente; Benefícios para o 
Trabalhador; Doações às Entidades Sem Fins Lucrativos; Imunidade Tributária das 
Instituições sem Fins Lucrativos; Programas Governamentais de Responsabilidade 
Social com participação do Setor Privado – Parcerias; Programas Governamentais 
de Responsabilidade Social com participação do Setor Privado – Parcerias; Projetos 
Sociais; Incentivos à Pesquisa; Incentivos aos Programas de Educação; Incentivos 
aos Programas de Meio Ambiente; Incentivos aos Programas de Assistência Social; 
Incentivos à Pesquisa Tecnológica; Programas de Inclusão Digital. A propósito, 
é em forma de obrigações que a UNCTAD, no documento denominado Social 
Responsability (2001), contempla a responsabilidade social. Assim, este documento 
menciona obrigações para com o desenvolvimento, obrigações sociopolíticas, 
obrigações para com o consumidor, obrigações corporativas, obrigações para com 
a promoção dos direitos humanos.
IV – A proposição de uma Lei Social
A procedência das assertivas acima se revela a partir da existência das 
legislações e políticas públicas acima mencionadas, em especial relativamente 
àquela que orienta a adoção do balanço social. Lívio GIOSA, convicto da 
importância da lei como instrumento motivador da responsabilidade social, propõe 
a confecção de uma lei social, capaz de permitir incentivos fiscais ou isenções em 
parte de tributos federais, estaduais ou municipais, de ensejar a prestação de 
contas das empresas, sob a forma do balanço social com o aval de uma auditoria 
externa, comprovando a aplicação destes recursos e os resultados obtidos. Para 
Lívio GIOSA, “Esta seria a verdadeira revolução social do Brasil. Um chamamento 
coletivo para uma performance inédita no país carente até de boas ações. Milhões 
de organizações e pessoas interessadas, voluntárias ou obrigadas. Não importa. 
O que importa é a causa, é o combate à miséria e à pobreza de uma forma ampla, 
completa e irrestrita”. Essa Lei Social, não obstante já se tenha inúmeras leis no 
Brasil fundamentando a atuação socioeconômica e ambientalmente orientada das 
104
UNIDADE 2 | DIREITO PÚBLICO
empresas, talvez contribuiria para fomentar ainda mais esta atuação e para firmar 
o entendimento de que a responsabilidade social decorre da lei.
V – Conclusões
Diante das breves considerações acima lançadas, têm-se as seguintes 
conclusões:
1. Responsabilidade Social não se confunde com Filantropia, consistindo esta em 
ações diversas do objeto da empresa e realizadas além daquilo preconizado pela 
lei e a responsabilidade social, ao contrário, de atitudes ligadas ao objeto social 
da empresa e orientadas pela lei.
2. Responsabilidade Social é uma conduta orientada pela lei, resultando numa 
opção estratégica da empresa, por motivos relacionados a um desempenho 
empresarial ótimo e com reflexos sociais, seja ainda em razão dos incentivos 
fiscais decorrentes desta atuação.
3. A proposta de criação de uma Lei Social reafirmaria o ora defendido, de que a 
Responsabilidade Social decorre da Lei, bem como contribuiria para fomentar 
condutas socioeconômicas e ambientalmente orientadas por parte da empresa.
FONTE: BESSA, Fabiane Lopes Bueno Netto. Responsabilidade Social das Empresas – Práticas
Sociais e Regulação Jurídica. Rio de Janeiro: Editora Lumen Júris, 2006, p. 140-141.
VOLTOLINI, Ricardo. Porter e a responsabilidade social empresarial. Gazeta Mercantil,
sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007. Disponível em: <www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?>. 
Acesso em: 23 fev. 2007.
GIOSA, Lívio. Responsabilidade Social forma um novo retrato das organizações brasileiras. Revista 
Brasil Responsável, São Paulo. Disponível em: <www.liviogiosa.com.br>. Acesso em: 7 mar. 2007.
105
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico, resumidamente, você estudou:
l	O Direito Internacional Público como ramo do Direito Público externo.
l	O Direito Internacional Público cuida das relações entre os Estados entre si e 
entre seus integrantes.
106
1 A qual ramo do Direito pertence o Direito Internacional Público?
2 Qual o principal objetivo do Direito Internacional Público?
3 Cite as principais fontes do Direito Internacional Público.
AUTOATIVIDADEAUTOATIVIDADE
107
UNIDADE 3
DIREITO PRIVADO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• compreender o Direito Privado e seus ramos;
• conhecer o Direito Civil, seu conteúdo, estrutura e ramos;
• conhecer outros ramos do Direito Privado, tais como o Direito Comercial.
Esta unidade está dividida em dois tópicos e em cada um deles você encon-
trará atividades que o(a) ajudarão a aplicar os conhecimentos apresentados.
TÓPICO 1 – DIREITO CIVIL - NOÇÕES E ESTRUTURA
TÓPICO 2 – PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL
TÓPICO 3 – PARTE GERAL - LIVRO II: DOS BENS
TÓPICO 4 – PARTE GERAL - LIVRO III: DOS FATOS JURÍDICOS
TÓPICO 5 – CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
TÓPICO 6 – OUTROS RAMOS DO DIREITO PRIVADO: DIREITO 
 COMERCIAL E DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
108
109
TÓPICO 1
DIREITO CIVIL - 
NOÇÕES E ESTRUTURA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Como vimos na unidade1, o Direito Privado regulamenta as relações dos 
particulares, sejam pessoas físicas ou jurídicas, sem que o Estado seja parte desta 
relação. 
Neste primeiro tópico, entenderemos como está estruturado o Direito Civil. 
Antes, porém, vamos estudar o conceito deste ramo do Direito, que é tido 
como o principal ramo do Direito Privado, especialmente com a inserção do Direito 
Empresarial no Código Civil, que entrou em vigor em 2003.
2 NOÇÕES E ESTRUTURA DO DIREITO CIVIL
Para iniciarmos o estudo do Direito Civil, vamos trazer um conceito da 
doutrina de Führer e Milaré (2005, p. 224):
DIREITO CIVIL é “O conjunto de normas que regulamentam 
as relações jurídicas dos particulares entre si.”
As normas de Direito Civil estão reunidas no Código Civil, Lei nº 10.406/02 
de 2002, que entrou em vigor em 2003, e também em outras leis, como a lei de 
Locações Urbanas, Registros Públicos, Divórcio, entre muitas outras.
Neste momento do nosso estudo, concentrar-nos-emos no Código Civil. Ele 
inicia com a Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro LINDB (LICC), que 
traz importantes normas jurídicas sobre a aplicação da lei no tempo e no espaço, 
entre outras. Após a LICC, o Código Civil é dividido em duas partes, a parte geral 
e a parte especial. 
Podemos então dizer que o Código Civil é dividido em duas grandes partes: 
l	a parte geral (arts.1º ao 232) e;
l	a parte especial (arts. 233 ao 2046). 
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
110
Na parte geral, encontraremos dispositivos legais sobre as pessoas, os bens 
e os fatos jurídicos. A parte geral é, assim, subdividida em três partes, chamadas 
“Livros”:
l	Livro I - Das pessoas;
l	Livro II - Dos bens e; 
l	Livro III – Dos fatos jurídicos. 
Já na parte especial, vamos encontrar o Direito das Obrigações, o Direito 
da Empresa, o Direito das Coisas, o Direito de Família e o Direito das Sucessões.
A figura a seguir, ajudará a ter uma visão melhor desta divisão:FONTE: A autora
FIGURA 17 – DIVISÕES E SUBDIVISÕES DO DIREITO CIVIL
ESTUDOS FU
TUROS
Você verá mais adiante um conceito de cada um deles.
TÓPICO 1 | DIREITO CIVIL - NOÇÕES E ESTRUTURA
111
DICAS
Como sugestão, entre no site <www.planalto.gov.br>, e no link “legislação” e 
baixe uma versão atualizada do Código Civil e dê uma olhada nesta divisão de que tratamos 
anteriormente. Será importante para nosso estudo futuro e para sua vida.
112
Neste tópico você estudou o Direito Civil e aprendeu que:
l	O Direito Civil trata das relações entre particulares, sem que o Estado participe 
desta relação. 
l	O Direito Civil é composto de uma parte geral e uma especial. A Parte Geral é 
precedida da LICC (Lei de Introdução do Código Civil).
RESUMO DO TÓPICO 1
113
1 Complemente a segunda coluna de acordo com a informação contida na 
primeira:
AUTOATIVIDADE
Principal Objeto do Direito Civil.
Estrutura do Direito Civil (Código 
Civil).
Quantos e quais são os livros da parte 
geral do CC?
Cite os ramos do Direito que compõem 
a parte especial do Código Civil.
114
115
TÓPICO 2
PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Agora que você já conhece a estrutura do Direito Civil, vamos estudar 
separadamente cada uma das suas partes. 
Como você já viu, a parte geral do Código Civil trata Das pessoas, Dos bens 
e Dos Fatos Jurídicos.
Importante ressaltar que esta parte geral do Código Civil traz regras que 
se aplicam a todos os ramos do Direito que compõem a parte Especial do Código e 
que também será aplicável nas organizações empresariais. 
O Código Civil é o principal instrumento do Direito Civil, que também 
tem como instrumentos a legislação esparsa, tais como a lei do Divórcio, Lei das 
Locações Urbanas, dos Registros Públicos. Contudo, para bem compreender o 
Direito Civil, precisamos conhecer bem o Código Civil. 
Então, vamos em frente.
2 PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL – LIVRO I: DAS PESSOAS 
No livro I do Código Civil encontramos as regras que disciplinam as 
pessoas. Estas são divididas em pessoas físicas e jurídicas, como veremos a seguir:
2.1 PESSOA FÍSICA 
Como já dissemos anteriormente, o Código Civil trata das pessoas no Livro 
I. Quando falamos em “pessoas”, podemos nos referir às pessoas físicas (naturais), 
ou às pessoas jurídicas. 
A pessoa física, também chamada de pessoa natural, é o ser humano. Diz-
se natural, porque sua existência legal se inicia por um fato natural (o nascimento).
116
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
Na definição de Coelho (2006, p. 156), “homens e mulheres são todos 
considerados pessoas para o direito, isto é, aptos a titularizar direitos e obrigações 
e autorizados à prática dos atos jurídicos em geral”.
 Quando tratamos da prática destes atos jurídicos, precisamos entender 
que as pessoas físicas têm personalidade jurídica e capacidade jurídica.
Porém, personalidade jurídica e capacidade jurídica não se confundem. 
De uma forma simplificada, podemos dizer que:
A personalidade jurídica é a aptidão para ser titular de direitos e 
obrigações civis.
Fica, assim, a pessoa natural “autorizada a praticar qualquer ato jurídico 
que deseja, salvo se houver proibição expressa” (COELHO, 2006, p. 156). 
Toda pessoa natural tem personalidade jurídica, desde que nasça com vida, 
porém o Código Civil protege o nascituro (bebê em gestação) desde a concepção. Da 
personalidade decorrem vários direitos, tais como ao nome, ao corpo, à honra etc.
A capacidade jurídica, por sua vez,
Ou seja, uma pessoa física pode ter personalidade jurídica para praticar 
um determinado ato da vida civil, porém ser incapaz para praticá-lo por si só, ou 
“pessoalmente”, conforme diz o Código Civil. A capacidade é a regra, como nos 
ensina Coelho (2006, p. 160):
As pessoas são, por princípio, capazes e podem, assim, praticar os atos e 
negócios por si mesmas. A incapacidade é uma situação excepcional prevista 
expressamente em lei com o objetivo de proteger determinadas pessoas. Os incapazes 
são considerados, pela lei, não inteiramente preparados para dispor e administrar 
seus bens e interesses sem a mediação de outra pessoa (represente ou assistente).
TÓPICO 2 | PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL
117
Quando falamos em capacidade, é necessário, ainda, que se diferencie a 
incapacidade absoluta da incapacidade relativa. 
Os absolutamente incapazes de exercer pessoalmente (por si) os atos da 
vida civil são entendidos pelo Direito como pessoas que não têm a mínima condição 
de decidir sobre seus direitos e interesses. Por isso, terão que ser representados. 
Já os relativamente incapazes, segundo o Direito, já têm algum 
discernimento e podem expressar sua vontade, que é levada em consideração. 
Por isso, diz-se que serão assistidos (ou seja, auxiliados). Para facilitar seu 
entendimento, elaboramos o quadro a seguir:
Podemos ilustrar o que acabamos de ver através do seguinte exemplo: João, 
que é menor, com quinze anos de idade, recebeu um imóvel de herança de seu avô. 
Pode-se afirmar que João tem personalidade jurídica, porém o Código Civil dispõe 
que os menores de 16 anos são absolutamente incapazes de exercer atos da vida civil. 
Assim, não poderá vender “sozinho” o imóvel de que é titular, porque, apesar de 
ter personalidade jurídica, lhe falta “capacidade civil” para tal, sendo necessário, 
para que o negócio se concretize, que seja representado por seu pai, mãe ou por seu 
representante legal, na falta deles. 
A incapacidade civil em razão da menoridade cessa aos 18 anos. Porém, 
esta incapacidade poderá terminar antes, caso ocorram os casos previstos no 
Código Civil: a emancipação, que é concedida pelos pais ou pelo juiz nas condições 
previstas em lei; pelo exercício de emprego público efetivo; pela colação de grau 
em curso superior; pelo estabelecimento civil ou comercial que garanta economia 
própria.
118
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
2.1.1 Domicílio e Residência da Pessoa Natural
 Outro tema de importância no estudo das pessoas naturais é o relativo 
ao domicílio e à residência. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as 
expressões não são sinônimas. O domicílio da pessoa natural é definido pelo 
próprio Código Civil, sendo o lugar onde a pessoa estabelece sua residência de 
forma definitiva. Assim, como regra geral, a pessoa natural terá um só domicílio 
e várias residências. Podemos citar como exemplo uma pessoa que mora em uma 
cidade com sua família (domicílio), mas três vezes por semana fica em cidades 
vizinhas onde tem filiais de sua empresa. Estas cidades podem ser consideradas 
como o local de suas residências.
2.1.2 Extinção da Pessoa Natural
Como já dissemos anteriormente, o nascimento com vida é o início da 
personalidade civil. Já a extinção da pessoa natural ocorre com a morte. Deste 
modo, “A morte implica o fim da pessoa natural. A partir desse fato jurídico, 
nenhum novo direito ou dever pode ser-lhe imputado” (COELHO, 2006, p. 215).
2.2 PESSOA JURÍDICA
A pessoa jurídica, por sua vez, “é a entidade constituída de homens ou 
bens, com vida, direitos, obrigações e patrimônios próprios” (RAPOSO E HEINE, 
2004, p. 33). É constituída pelo homem, e nasce da junção da vontade destas 
pessoas. Segundo o dicionário jurídico De Plácido e Silva (1991, p. 368):
a expressão é utilizada para designar as “instituições, corporações, 
associações e sociedades, que por força ou determinação da lei, se 
personalizam, tomam individualidade própria, para constituir uma entidade 
jurídica, distinta das pessoas que a formam ou que a compõem. Diz-se 
jurídica porque se mostra uma encarnação da lei.[...]
2.2.1 Constituição da Pessoa Jurídica
Para a constituição da pessoa jurídica, o acordo de vontades de seus 
constituintes (que serão seus representantes legais) será materializado em um 
documento próprio, chamado estatuto ou contrato social, dependendo do tipo de 
sociedade. 
Este documento deverá ser redigido de acordo com o que dispõe a lei. Para 
que a pessoa jurídica exista juridicamente, passando assim a ser sujeitode direito, 
é necessário o registro deste documento no órgão competente (Junta Comercial 
ou Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas ou Títulos e Documentos, conforme 
denominação em cada Estado), que também dependerá do tipo de sociedade. 
TÓPICO 2 | PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL
119
Neste órgão, deverão ser também registradas todas as alterações e modificações 
do contrato social ou do estatuto.
Uma vez constituída de acordo com o que determina a legislação, a pessoa 
jurídica passa a ter vida própria, sendo, portanto, sujeito de direito e, assim sendo, 
titular de direitos e obrigações. 
Apenas a pessoa jurídica responde por suas obrigações como regra geral, 
tendo existência e patrimônio próprios. Pode, contudo, ocorrer a desconsideração 
da pessoa jurídica, nos casos previstos em lei, tanto no Código Civil como no 
Código do Consumidor, em caso de abuso por parte dos seus componentes, 
a exemplo do que ocorre quando usam a pessoa jurídica para cometer fraudes. 
Quando houver a desconsideração da pessoa jurídica, os bens particulares de seus 
integrantes poderão responder por dívidas da empresa.
2.2.2 Classificação das Pessoas Jurídicas
As pessoas jurídicas podem ser classificadas, segundo Raposo e Heine 
(2004, p. 36), quanto à orbita de atuação: 
l	pessoa jurídica de direito público externo, e de direito público interno. As pessoas 
jurídicas de direito público externo são os países estrangeiros, organismos 
internacionais e outros do gênero; e as de direito público interno: a União, 
Estados, Municípios, Distrito Federal, etc.
 
l	pessoa jurídica de direito privado, que são as que interessam ao nosso estudo, 
uma vez que são regidas pelos princípios de direito privado. São elas: as 
sociedades, as associações e as fundações. 
De forma resumida, podemos dizer que as sociedades, são “pessoas 
jurídicas de fins econômicos” (COELHO, 2006, p. 253). Ou seja, o que motiva a 
constituição e a manutenção deste tipo de pessoa jurídica é a obtenção de lucro, 
sendo esta sua principal finalidade.
As sociedades, por sua vez, de acordo com o Código Civil, podem ser 
classificadas em empresárias ou simples.
IMPORTANT
E
O Contrato Social das Sociedades Limitadas deverá ser vistado por um advogado 
em todas as suas páginas.
120
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
Esta classificação decorre “de acordo com a forma como é organizada a 
exploração da atividade econômica” (COELHO, 2006, p. 254). O mesmo autor nos 
ensina que as sociedades empresárias são as que combinam os quatro fatores de 
produção (capital, mão de obra, consumo e tecnologia), organizando as atividades 
como empresa. Aponta como sociedades empresárias: um banco, um hospital, um 
supermercado, etc. Destas sociedades cuida o Direito Comercial. As “sociedades 
limitadas” e as “sociedades anônimas” que conhecemos são espécies de sociedades 
empresárias. 
Já nas sociedades simples, “o objetivo é a exploração de atividade 
econômica de atividade intelectual” (COELHO, 2006, p. 254), e que são estudadas 
pelo Direito Civil. 
A Associação, por sua vez, caracteriza-se como sendo “a pessoa jurídica 
em que se reúnem pessoas com objetivos comuns de natureza não econômica” 
(COELHO, 2006, p. 248). O mesmo professor exemplifica como associações as 
constituídas por moradores de um bairro, “Associação de Moradores”, ou uma 
“Associação de Lojistas” de uma cidade.
A Fundação, por fim, resulta da “afetação de um patrimônio a determinada 
finalidade [...]” (COELHO, 2006, p. 255). Uma determinada pessoa, chamada 
“instituidor” (pessoa física ou jurídica), escolhe bens do seu patrimônio (em vida 
ou por testamento) e “vincula a administração e os frutos destes bens à realização 
de objetivos (não econômicos) que gostaria de ver realizados. Diferem da sociedade 
e da associação por não possuir membros, pois nem mesmo o instituidor pode ser 
assim considerado. As fundações são fiscalizadas pelo Ministério Público, que é 
representado, em âmbito estadual, pelo Promotor de Justiça, que pode, inclusive, 
pedir a sua extinção judicial.
Podemos visualizar os diferentes tipos e sociedade de forma esquematizada:
FONTE: A autora
FIGURA 18 – ESPÉCIES DE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO
TÓPICO 2 | PARTE GERAL DO CÓDIGO CIVIL
121
2.2.3 O Domicílio da Pessoa Jurídica
O domicílio da pessoa jurídica é o local que for escolhido nos seus atos 
constitutivos, ou em não tendo havido esta escolha, será considerado como 
domicílio o local de sua sede, por ser este o local onde deverá cumprir suas 
obrigações.
2.2.4 Extinção da Pessoa Jurídica
A extinção da pessoa jurídica pode ser chamada de dissolução ou 
liquidação, dependendo do tipo de sociedade. De forma simplificada, podemos 
afirmar que a dissolução da pessoa jurídica pode ocorrer por vontade dos sócios 
(convencional), por determinação legal ou administrativa e, ainda, por decisão 
judicial.
122
Neste tópico você aprendeu que:
l	O Livro I da Parte Geral do Código Civil trata das pessoas físicas e jurídicas.
l	Personalidade e capacidade jurídica não se confundem.
l	Existem os relativamente incapazes, que serão assistidos pelo seu representante 
legal, e os totalmente incapazes, que serão representados.
l	Como nascem e se extinguem as pessoas físicas e jurídicas.
l	Os diversos tipos de pessoa jurídica.
RESUMO DO TÓPICO 2
123
AUTOATIVIDADE
Prezado(a) acadêmico(a). Fixe os conteúdos que você aprendeu neste 
tópico, correspondendo os grupos a seguir:
Grupo 1
(1) Personalidade civil.
(2) Capacidade civil.
(3) Totalmente incapaz.
(4) Relativamente incapaz.
(5) Emancipação.
(6) Domicílio.
(7) Estatuto ou contrato social.
(8) Desconsideração da pessoa jurídica.
(9) União, Estado ou Município.
(10) Sociedades.
(11) Sociedades simples.
(12) Forma de extinção das sociedades. 
Grupo 2
( ) É a aptidão para ser titular de direitos e obrigações civis.
( ) É a “aptidão de alguém para exercer por si os atos da vida civil”.
( ) Menor de 16 anos.
( ) Os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo.
( ) Determina o fim da incapacidade jurídica.
( ) Lugar onde a pessoa estabelece sua residência de forma definitiva.
( ) Documento de constituição das sociedades.
( ) Consequência da utilização da pessoa jurídica para cometer fraudes.
( ) Pessoa jurídica de direito público interno.
( ) Esta pessoa jurídica tem como principal característica os fins econômicos.
( ) Nestas sociedades o objetivo é a exploração de atividade econômica e de 
atividade intelectual.
( ) Dissolução e Liquidação.
124
125
TÓPICO 3
PARTE GERAL - LIVRO II: DOS BENS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Os bens são estudados no Livro II da Parte Geral do Código Civil. Este 
tópico será dedicado ao seu estudo, especialmente conceitos e classificação.
Então, vamos continuar?
2 CONCEITO DE “BEM”
 Para entendermos o conceito de bem, precisamos primeiro entender que, 
para o Direito, “bem” e “coisa” não se confundem. São bens apenas as coisas que 
têm valor econômico e que podem ser apropriados pelo homem.
Podemos, pois, chamar de “bem” “tudo aquilo que satisfaz uma obrigação” 
(GONÇALVES, 2006, p. 238-239), podendo também ser considerados bens as 
“coisas materiais, concretas, úteis aos homens e de expressão econômica, suscetíveis 
de apreciação, bem como as de existência imaterial economicamente apreciáveis”. 
Existem várias espécies de bens, previstas no Código Civil: bens 
considerados em si mesmos (imóveis, móveis, fungíveis e consumíveis, divisíveis e 
bens singulares e coletivos), bens reciprocamente considerados, bens públicos etc. 
Para a nossa disciplina, será suficiente conhecermos as principais divisões. Vamos 
ver cada conceito separadamente?
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
126
3 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS
3.1 BENS MÓVEIS E IMÓVEIS
Inicialmente vamos estudar a clássica divisão entre bens móveis ou 
imóveis. O conceito de bens móveis é trazido pelo próprio Código Civil, em 
seu art. 82. Como o próprio nome diz, móveis são [...] “os bens suscetíveis de 
movimento próprio, ou de remoção por força alheia,sem alteração da substância 
ou da destinação econômico-social.” Os animais, chamados semoventes (porque 
se movem por si sós), são considerados pelo direito como bens móveis. Também 
são considerados bens móveis perante o direito civil as ações das sociedades, os 
papéis do mercado de valores, entre outros.
Os imóveis, como regra geral, são os bens “que se não se podem 
transportar, sem destruição, de um para o outro lugar” (BEVILÁCQUA apud 
GONÇALVES, 2006, p. 246). Assim, podemos considerar como bens imóveis o solo 
e seus componentes, o subsolo e o espaço aéreo. Porém, segundo o Código Civil, 
em seu art. 79, “são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural 
ou artificialmente” e, assim sendo, são imóveis as construções, as plantações, as 
árvores e os frutos etc. 
Esta distinção é de suma importância por diversos motivos. Por exemplo, 
a aquisição da propriedade de bens móveis se dá pela simples tradição (entrega), 
enquanto a dos bens imóveis só ocorre depois do registro da escritura pública no 
cartório do registro de imóveis. Para as pessoas casadas entregarem bens imóveis 
como garantia (ex.: hipoteca), dependem da autorização do cônjuge, o que não 
acontece nos bens móveis, entre outros.
3.2 BENS FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS 
Outra classificação divide os bens em fungíveis ou infungíveis. Os 
bens fungíveis, conforme o art. 85 do Código Civil, são “os móveis que podem 
substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade”, a exemplo 
do dinheiro e de alimentos. Ao contrário, os infungíveis são os que não têm as 
características acima. Porém, é interessante como um bem fungível pode se tornar 
infungível, como nos exemplos trazidos por Carlos Roberto Gonçalves (2006, p. 
255), quando uma pessoa empresta a outra uma moeda rara de colecionador, ou 
um boi que, emprestado para serviços de lavoura, é infungível, enquanto o mesmo 
boi, se destinado ao corte, se torna fungível. 
Exemplo da importância desta distinção se dá no estudo dos contratos, pois 
é ela que vai determinar a espécie de contrato cabível. Por exemplo, no mútuo, o 
objeto deve ser coisa fungível, enquanto no comodato o bem será necessariamente 
infungível. 
TÓPICO 3 | PARTE GERAL - LIVRO II: DOS BENS
127
3.3 BENS CONSUMÍVEIS OU INCONSUMÍVEIS
Os bens também podem ser classificados em consumíveis ou inconsumíveis, 
sendo que os bens consumíveis, segundo o art. 86 do Código Civil, são “os móveis 
cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também 
considerados tais os destinados à alienação, e inconsumíveis os que podem ser 
utilizados sem que haja destruição de sua substância.
3.4 BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS
O conceito de bens divisíveis também consta do Código Civil em seu art. 
87, que diz que bens divisíveis “são os que se podem fracionar sem alteração de 
sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se 
destinam”, e indivisíveis, aqueles que não possuem esta qualidade, como exemplo, 
uma máquina, uma vez que se tirarmos uma peça, ela deixa de funcionar.
3.5 BENS SINGULARES E COLETIVOS
Conforme o art. 89 do Código Civil, são singulares os bens que, “embora 
reunidos se consideram de per si, (por si só) independente dos demais”. Assim, 
um carro é um bem singular quando considerado individualmente, como a 
maioria dos bens. Os bens coletivos, também chamados universalidades, são os 
que, “sendo compostos por várias coisas singulares se consideram em conjunto” 
(GONÇALVES, 2006, p. 260). Assim, o mesmo carro, que é um bem singular, pode 
integrar um conjunto e assim formar um bem coletivo, como uma frota. 
3.6 BENS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS
Os bens podem ser ainda principais ou acessórios.
 Os bens acessórios são assim chamados porque dependem da existência 
de outro, o principal para existirem. “Assim o solo é bem principal, porque existe 
sobre si, concretamente, sem qualquer dependência” (GONÇALVES, 2006, p. 261), 
enquanto a árvore é bem acessório, pois depende do solo onde está plantada para 
existir. Apesar desta relação de dependência, o Código Civil permite que os bens 
acessórios (frutos e produtos) sejam objeto de negócio jurídico.
Os bens acessórios são subdivididos em frutos, produtos, pertenças e 
benfeitorias.
 Os produtos se distinguem dos frutos porque não podem ser colhidos 
periodicamente, “como as pedras e os metais, que se extraem das pedreiras e das 
minas (BEVILÁCQUA apud GONÇALVES, 2006, p. 263). 
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
128
Já os frutos, segundo (Gonçalves, 2006, p. 264-265) “são utilidades que uma 
coisa periodicamente produz. Nascem e renascem da coisa, sem acarretar-lhe a 
destruição no todo ou em parte [...]”. Os frutos são ainda classificados em naturais, 
como o fruto das árvores, industriais, como por exemplo “a produção de uma 
fábrica” (GONÇALVES, 2006, p. 264) e, também, civis, “que são os rendimentos 
produzidos pela coisa, em virtude de sua utilização por terceiros, como os juros e 
os aluguéis” (GONÇALVES, 2006, p. 263). 
As pertenças, segundo o art. 93, ao contrário dos frutos e produtos, não são 
partes integrantes do bem, como os produtos e os frutos, mas se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, serviço ou amorfoseamento de outro. Como exemplo, podem-
se citar os “objetos de decoração de uma residência” (GONÇALVES, 2006, p. 265). 
Por fim, as benfeitorias “são os melhoramentos que podem ser inseridos na coisa” 
(GONÇALVES, 2006, p. 267). O tipo de melhoramento que for inserido na coisa 
determinará o tipo de benfeitoria, qual seja, necessárias, úteis ou voluptuárias.
A distinção entre os tipos de benfeitoria é encontrada no Código Civil 
em seu art. 96. Assim, de forma resumida, são necessárias aquelas destinadas à 
conservação do bem (ex.: manutenção de um telhado de uma casa), enquanto as 
necessárias são as que aumentam ou facilitam seu uso (ex.: instalação de um ar 
condicionado), e, por fim, as voluptuárias que são aquelas de mero deleite ou 
recreio, mas que não aumentam nem facilitam o uso do bem (como por exemplo um 
jardim). Vistas as diferenças entre as classes de bens principais e suas subdivisões, 
para uma melhor compreensão, de forma esquematizada, podemos visualizar o 
seguinte:
FONTE: Gonçalves (2006)
FIGURA 19 – BENS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS E SUAS SUBDIVISÕES
TÓPICO 3 | PARTE GERAL - LIVRO II: DOS BENS
129
3.7 BENS PÚBLICOS E PRIVADOS
Já os bens públicos, conforme o art. 98 do Código Civil, são os “pertencentes 
às pessoas jurídicas de direito público interno”, como, por exemplo, as praias, as 
praças e outros bens pertencentes à União, Estados e Municípios, e os privados 
são os que pertencem aos particulares. Os bens públicos são inalienáveis, ou seja, 
a titularidade do direito de propriedade, como regra geral, não podem ser objeto 
de transferência. Somente em casos especiais, com regras específicas constantes 
do Direito Administrativo é que a alienação destes bens será permitida. Já os bens 
particulares, salvo as exceções previstas na lei civil, poderão ser alienados, e assim, 
transferido o direito de propriedade sobre eles, quando forem, por exemplo, objeto 
de contrato de compra e venda, doação, e outras transações imobiliárias.
130
Neste tópico você aprendeu que:
l	Bens e coisas não se confundem.
l	São diversas as classificações de bens e que esta classificação é importante.
RESUMO DO TÓPICO 3
131
Caro(a) acadêmico(a), você compreendeu bem os conceitos trazidos 
neste tópico? Então, de acordo com as frases, escolha as palavras que completam 
o lacunas: 
Para o estudo do Direito, é importante conhecermos as diversas 
espécies de bens. Inicialmente, podemos dividi-los em bens móveis e 
__________________.
Por isso, podemos dizer que são bens _______________ aqueles 
“que não se podem transportar, sem destruição, de um para o outro lugar” 
(BEVILÁCQUA apud GONÇALVES, 2006, p. 246).
Outra classificação importante que devemos registrar é a que divide os 
bens em principais e _____________, que só existem mediante a existência dosbens principais, como, por exemplo, ocorre com a árvore em relação ao solo. 
Os bens _______________ são os bens móveis que não se podem 
substituir por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. 
Outra classificação importante para o estudo do Direito é a que os 
divide em bens principais e acessórios. Estes, por sua vez, se subdividem em 
_____________, _______________, ____________ e benfeitorias. 
As benfeitorias podem ser úteis, necessárias ou _____________________, 
que são aquelas que apenas tornam o bem mais belo ou luxuoso. 
AUTOATIVIDADE
132
133
TÓPICO 4
PARTE GERAL - LIVRO III: DOS 
FATOS JURÍDICOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No Livro III do Código Civil, vamos encontrar a legislação referente aos 
fatos jurídicos. O entendimento deste conceito é também fundamental no estudo 
das relações entre o Direito e as atividades empresariais.
2 CONCEITO DE FATO JURÍDICO
Primeiramente, precisamos entender: o que é um fato jurídico? 
É qualquer acontecimento que tenha consequências no mundo jurídico, ou 
seja, todo acontecimento que produz efeito jurídico. Em outras palavras, fatos que 
“interessem” (sejam importantes) para o Direito, e assim:
Só é fato jurídico o acontecimento que produz efeitos no mundo jurídico.
Desta forma, 
Não é todo acontecimento que será um fato jurídico.
Para entendermos bem esta afirmação, podemos imaginar que o nascimento 
de uma pessoa é um fato jurídico, pois produz efeitos no mundo jurídico. Você se 
lembra que o nascimento com vida é o início da personalidade jurídica? Então, o 
nascimento é um fato que tem relevância para o Direito, e, por isso é considerado 
um fato jurídico.
134
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
3 CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS
Os fatos jurídicos podem ser naturais, porque vêm da natureza (ex.: 
nascimento, morte, terremoto, raios etc.), e, assim, independem da vontade 
humana para ocorrerem; ou humanos, que dependem da vontade humana para 
se verificarem, que também são chamados atos jurídicos. Para o nosso estudo, é 
preciso que entendamos bem o conceito de ato jurídico. Mas antes, vamos visualizar 
de forma esquematizada o que vimos até agora?
FONTE: A autora
FIGURA 20 – FATOS JURÍDICOS E SUAS SUBDIVISÕES
Os atos jurídicos são divididos em lícitos, quando seus efeitos são voluntários, 
e ilícitos, quando os efeitos são involuntários, conforme explica Gonçalves (2006, 
p. 278). 
Desta forma, um contrato de compra e venda, que seja firmado dentro do 
que dispõe a lei, será um ato jurídico lícito, pois seu efeito será aquele esperado, 
ou seja, o pagamento do preço resultará na transferência da propriedade. Já um 
acidente de trânsito será um ato ilícito, pois gerará efeitos não pretendidos pelas 
partes envolvidas.
TÓPICO 4 | PARTE GERAL - LIVRO III: DOS FATOS JURÍDICOS
135
4 NEGÓCIO JURÍDICO 
 
Dentre a classificação dos atos jurídicos, temos o NEGÓCIO JURÍDICO, 
como você pode ver do esquema anterior, tendo como característica principal a 
junção da vontade dos agentes (particulares) que produzirá os efeitos pretendidos, 
ou seja, criar, modificar, transferir ou extinguir direitos. Por isso se diz que o 
contrato é seu símbolo (AMARAL apud GONÇALVES, 2006, p. 281).
CONTRATO = NEGÓCIO JURÍDICO
4.1 REQUISITOS DE VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO
Para que o negócio jurídico seja VÁLIDO, ou seja, para que possa produzir 
os efeitos de criar, modificar, transferir ou extinguir direitos, é necessário que 
estejam presentes seus requisitos de validade, previstos no art. 104 do Código Civil:
NEGÓCIO JURÍDICO VÁLIDO
=
AGENTE CAPAZ + OBJETO LÍCITO + FORMA PRESCRITA OU 
NÃO DEFESA (PROIBIDA) EM LEI
Para que o agente seja CAPAZ, é preciso que tenha CAPACIDADE CIVIL, 
que é a aptidão para praticar por si os atos da vida civil. Esta incapacidade pode ser 
absoluta ou relativa, como vimos acima. Em caso de incapacidade absoluta do agente 
(por exemplo, menores de 16 anos) ele será representado e em caso de incapacidade 
relativa (por exemplo, maior de 16 e menor de 18 anos) o agente será assistido. 
IMPORTANT
E
Você entendeu por que este conceito é tão importante? Porque as transações 
empresariais geralmente envolvem contratos, que são as principais espécies de negócio jurídico.
136
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
O OBJETO LÍCITO é “o que não atenta contra a lei, a moral ou os bons 
costumes” (GONÇALVES, 2006, p. 320). Assim, como você já viu, os bens públicos 
não podem ser objeto de compra e venda, pois sua alienação não é permitida por lei.
A FORMA é a maneira pela qual o negócio jurídico se exterioriza. Segundo 
o Código Civil, a forma deve ser a prescrita (prevista) ou não defesa (proibida) em 
lei. Assim, por exemplo, falando em transações imobiliárias, podemos dizer que a 
compra e venda de um bem imóvel para ser válida DEVE NECESSARIAMENTE 
SER REALIZADA POR ESCRITURA PÚBLICA, e não apenas por contrato, pois 
assim exige o Código Civil.
4.2 NULIDADE E ANULABILIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO
Quando faltarem os requisitos legais, o negócio jurídico será NULO, como 
previsto no art. 166 do Código Civil.
No negócio jurídico, a vontade é o elemento essencial, porque ele nasce da 
conjunção de duas vontades. Por isso, ela deve ser LIVRE, ou seja, não deve haver 
nada que influencie a manifestação desta vontade. Se assim não for, o negócio 
jurídico será viciado, e será anulável, no prazo de 04 anos (conforme art. 178, CC). 
Poderá também ser ANULÁVEL, em caso de incapacidade relativa do 
agente ou vício de consentimento, também chamado defeito do negócio jurídico 
que se originam da vontade viciada. 
São defeitos do ato jurídico os previstos nos artigos 138 ao 165 do Código 
Civil: o erro substancial, o dolo, a coação, o estado de perigo, a lesão e a fraude 
contra credores. De uma forma simplificada, podemos dizer que:
l	No erro, a pessoa não tem noção da verdade, e, se soubesse, a manifestação da 
vontade seria diferente. 
l	No dolo, há o emprego de um artifício para induzir alguém para realizar o 
negócio em benefício próprio ou de terceiro. 
l	Na coação, há um fundado temor de dano próximo a acontecer (iminente) à 
pessoa, à família ou aos seus bens. 
l	Na fraude a credores, o devedor se desfaz de seus bens, de forma maliciosa para 
escapar das dívidas. 
l	No estado de perigo, ficará demonstrado quando alguém se obrigar por uma 
prestação muito onerosa, para salvar a si, pessoa de sua família, ou outro ente 
querido de grave dano conhecido da outra parte. 
TÓPICO 4 | PARTE GERAL - LIVRO III: DOS FATOS JURÍDICOS
137
l	Por fim, haverá lesão quando uma pessoa, em razão de necessidade ou 
inexperiência se obriga por uma prestação manifestamente desproporcional ao 
valor da prestação oposta. Por exemplo, quando uma pessoa vende um bem por 
um valor muito inferior ao que ele realmente vale, por dificuldades financeiras. 
Assim, se um negócio jurídico for assinado por um menor de 16 anos, ele 
será nulo e não poderá produzir efeitos. Porém, se uma pessoa maior for coagida 
a assiná-lo, ele será anulável, só não produzindo efeitos depois desta declaração.
138
Neste tópico você estudou que:
l	O contrato é o principal símbolo do negócio jurídico que, para sua validade, 
depende da existência de agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não 
proibida em lei.
l	Na falta dos requisitos legais ou em ocorrendo “defeito” no negócio jurídico, o 
ato poderá ser nulo ou anulável.
RESUMO DO TÓPICO 4
139
Com base nos conhecimentos adquiridos neste tópico, responda ao 
questionário a seguir:
1 Qual a principal diferença entre fato e ato jurídico? 
2 Cite o principal exemplo de negócio jurídico.
3 Como se caracteriza a fraude a credores?
4 Qual o traço marcante da coação?
 
5 Caso um bem público seja vendido em afronta à lei, o que ocorrerá com o 
contrato? Por quê? 
6 Qual a principal característica do negócio jurídico?
AUTOATIVIDADE
140
141
TÓPICO 5
CÓDIGO CIVIL - 
PARTE ESPECIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Agora sim podemos conhecer os ramos do Direito Civilque compõem 
a parte especial do Código Civil: Direito das Obrigações, Direito da Empresa, 
Direito das Coisas, Direito de Família e Direito das Sucessões. Cada um dos ramos 
específicos desta parte especial disciplina uma espécie de relação jurídica, como 
veremos nos próximos itens. 
2 SUBDIVISÕES DA PARTE ESPECIAL DO DIREITO CIVIL
2.1 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
O Direito das Obrigações “trata do vínculo pessoal que liga credores e 
devedores, tendo por objeto uma prestação patrimonial” (MAX; ÉDIS, 2005, p. 224).
2.1.1 Conceito de Obrigação
 Do conceito de Direito das Obrigações que estudamos anteriormente, 
podemos extrair o conceito de obrigação, que, como o próprio nome diz, é uma 
relação jurídica de natureza pessoal (você lembra o conceito de relação jurídica 
pessoal que vimos na Unidade 1?), de natureza patrimonial, em que o credor de 
um lado tem o direito de exigir do devedor, de outro, uma prestação de dar, fazer 
ou não fazer. Diniz (2008, p. 3) fornece como exemplos desta relação o locador, 
que tem o direito de exigir o preço do aluguel, e o do vendedor, que tem direito de 
exigir do comprador o preço. Veja a figura:
142
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
FONTE: A autora
FIGURA 21 – VÍNCULO JURÍDICO DA OBRIGAÇÃO
Analisando este conceito, podemos ver que alguém se obriga a uma 
prestação que pode ter três modalidades, que correspondem ao tipo de obrigação: 
obrigação de dar, fazer ou não fazer.
A obrigação de é de dar (entregar) uma coisa quando este é o seu objeto, 
como no contrato de compra e venda. A obrigação de dar pode ser de dar coisa 
certa (específica, o carro X, o imóvel Y) ou incerta (ex: a venda de uma safra). Já a 
obrigação de fazer, como a que envolve um contrato de prestação de serviços, e de 
não fazer, quando as partes se obrigam a deixar de fazer alguma coisa, como, por 
exemplo, quando um vizinho se obriga a não construir um muro. Nas obrigações 
há três elementos: o sujeito ativo e o sujeito passivo e o objeto. O sujeito ativo, 
ou o credor, é aquele que pode exigir a prestação; o sujeito passivo, ou devedor, é 
o que deve cumprir a obrigação; e o objeto, a obrigação de dar, fazer ou não fazer, 
conforme vimos acima. 
2.1.2 Fontes das Obrigações
No nosso sistema, as fontes das obrigações são: os contratos e declarações 
unilaterais de vontade (obrigações contratuais) e as que nascem dos atos ilícitos 
(obrigações extracontratuais). Como exemplo desta última, podemos citar a 
indenização a que tem direito a vítima de um acidente de trânsito. 
2.1.3 Espécies de Obrigações
A obrigação será alternativa quando o devedor puder escolher entre 
cumprir uma obrigação ou outra. Por exemplo, poderá o devedor escolher entre 
entregar um carro OU o seu equivalente em dinheiro. 
A obrigação será cumulativa quando o devedor necessitar cumprir todas 
as obrigações para que se libere. Exemplo: o devedor deverá construir e pintar 
um muro. Divisível será a obrigação que pode ser dividida entre os credores ou 
devedores. Por exemplo, a dívida é de R$ 1.500,00, e cada um dos devedores fica 
responsável pelo pagamento de R$ 500,00. Será indivisível quando essa divisão não 
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
143
for possível. Exemplo: dois devedores se obrigam a entregar uma casa ao credor. A 
obrigação será personalíssima, quando o cumprimento da obrigação só possa ser 
executado pelo próprio devedor, de forma exclusiva e pessoal. Exemplo clássico 
deste tipo de obrigação é o pintor famoso contratado para pintar um quadro. 
2.1.4 Transmissão das Obrigações
As obrigações podem ser cedidas para outra pessoa que não o devedor 
ou o credor? Podem sim, através das figuras jurídicas que estudaremos a seguir: 
Cessão de Crédito e Assunção de Dívida.
A Cessão de Crédito “é a transferência de crédito de uma pessoa para a 
outra.” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 51). Esta transferência que parte do credor pode 
ou não envolver o pagamento de valores (onerosa), ou ser gratuita. Quem transfere 
se chama Cedente, e aquele que recebe o crédito se chama Cessionário. Já a Assunção 
de Dívida ocorre quando uma terceira pessoa, com a concordância do credor (por 
escrito) assume o lugar do antigo devedor, que fica então livre da dívida.
2.1.5 Cumprimento ou Pagamento da Obrigação
O cumprimento da obrigação é o ato que libera o devedor. Assim,
Pagamento do credor  satisfação da obrigação  liberação do 
devedor  extinção da obrigação.
Mas, para que o cumprimento ou pagamento da obrigação seja efetivo, 
temos que observar:
l	Quem deve pagar  o próprio devedor, outra pessoa por ele, a não ser que a 
obrigação seja personalíssima (que só pode ser cumprida pelo próprio devedor), 
por exemplo, a obrigação de pintar um quadro.
l	A Quem se deve pagar  a obrigação, como regra geral, deve ser paga ao 
próprio credor, ou pessoa por ele autorizada, para ter eficácia.
l	A prova do pagamento  ao pagar, o devedor deverá exigir o recibo, que é seu 
direito e a única prova do pagamento, pois este não se presume. 
l	Local do pagamento  a obrigação como regra geral, deve ser paga no local 
em que for convencionado. Na omissão, deverá ser cumprida no domicílio do 
devedor. Se a prestação for a entrega do imóvel ou prestação relativa a este, o 
local do pagamento será o da localização do bem.
144
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
l	Data do pagamento  o pagamento deverá ser realizado na data convencionada, 
e se assim não acontecer, ficará o devedor sujeito aos encargos do não pagamento. 
Se não houver data convencionada, considera-se que o pagamento deve ser feito 
à vista.
Pode haver ainda o perdão da dívida, que se chama remissão.
2.1.6 Descumprimento da Obrigação
Pode acontecer de o devedor não cumprir a obrigação na data combinada. 
Então, diremos que o devedor é inadimplente. Porém, este não cumprimento 
sujeitará o devedor a algumas consequências, que vamos conhecer agora. 
A primeira consequência é a mora, que é o atraso ou o retardamento do 
pagamento. A mora tanto pode ser do devedor (que não paga) ou do credor (que 
se recusa a receber). O devedor poderá ficar assim sujeito ao pagamento de multa, 
juros, ou outros encargos previstos no contrato.
As perdas e danos se referem àquilo que o devedor perdeu (danos 
emergentes) e o que deixou de ganhar (lucros cessantes), em razão do 
descumprimento da obrigação.
Outra consequência é o pagamento de juros moratórios, que só podem ser 
estipulados no máximo em 12% ao ano, conforme o Código Civil. 
A cláusula penal, por sua vez, será aplicada quando houver 
descumprimento da obrigação, a exemplo do que acontece nos aluguéis quando o 
locador ou locatário quiser terminar antecipadamente o contrato, ficando sujeito 
ao pagamento de três meses de aluguel.
Por fim, temos as arras ou sinal de negócio. As arras são uma quantia que 
o comprador paga ao vendedor para garantir o negócio (arras compensatórias), ou 
como compensação pelo arrependimento (arras penitenciais). Conforme o Código 
Civil, quando o comprador desistir do negócio, perderá os valores das arras em 
favor do vendedor. Quando for o vendedor o desistente, este deve devolver o que 
recebeu em dobro. 
2.1.7 Obrigações Contratuais
As obrigações contratuais são aquelas que se originam de um contrato, 
que é uma espécie de negócio jurídico (como vimos acima), pois cria, modifica, 
conserva ou extingue direitos. 
As partes contratantes têm plena liberdade de contratar, que é o princípio 
conhecido como autonomia da vontade. 
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
145
Porém, costuma-se dizer que o Código Civil limitou este princípio quando 
exige que, quando as partes firmarem um contrato, será necessário haver a boa-
fé objetiva (art. 422 do Código Civil), que significa que a parte deverá pensar e 
agir com probidade e honestidade. Também limitam a liberdade de contratar e a 
função social do contrato (art. 421 do Código Civil).
Podemos citar como exemplos de contratos que você poderá utilizar em 
sua atividade profissional: o comodato (empréstimo gratuito de bem infungível),a locação (cessão de uso mediante remuneração), o mútuo (empréstimo de bem 
fungível), mandato (concessão de poderes de representação através de uma 
procuração), entre outros.
2.2 DIREITO EMPRESARIAL
Já o Direito da Empresa “refere-se ao exercício profissional da atividade 
econômica organizada, para a produção ou circulação de bens e serviços” 
(FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 224).
O Direito Empresarial envolve conceitos e matérias que antes pertenciam ao 
Direito Comercial e que, com a entrada em vigor do Código Civil de 2002, passaram 
a fazer parte do Direito Civil, tais como os tipos de sociedades, obrigações sociais, 
títulos de crédito, entre outros.
2.3 DIREITO DAS COISAS
O Direito das Coisas, por sua vez, disciplina a relação que “se estabelece 
entre as pessoas e os bens, como a propriedade, a posse ou a hipoteca” (FÜHRER; 
MILARÉ, 2005, p. 224). Para nosso estudo, será suficiente conhecermos seus 
principais institutos. Iniciaremos pela posse e propriedade que são direitos reais.
O direito real é o direito que uma pessoa exerce sobre uma coisa, tendo 
o direito de buscar (através de uma ação judicial) esta coisa das mãos de quem 
quer que se encontre. A este poder chama-se “direito de sequela”, que cria um 
vínculo jurídico entre a pessoa e o bem e permite, por exemplo, que a pessoa 
entre na justiça para pedir uma reintegração de posse de suas terras invadidas. 
Além disso, tem efeito erga omnes, o que significa dizer que, estando devidamente 
ESTUDOS FU
TUROS
Prezado(a) acadêmico(a). Diante da importância que o Direito Empresarial 
representa em sua futura atividade como Gestor ou Contador, seus conteúdos serão estudados 
em uma disciplina específica chamada “Direito Empresarial e Direito Tributário”, que você 
cursará mais adiante.
146
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
registrado no Registro de Imóveis, tem validade contra todos, sem que se possa 
alegar desconhecimento da titularidade deste direito. 
Existem os direitos reais sobre as coisas próprias, como a propriedade e os 
direitos reais sobre as coisas alheias, tais como a hipoteca, o usufruto e o penhor. 
Iniciaremos pelo estudo da propriedade, principal objeto do Direito das Coisas.
2.3.1 Propriedade
Segundo o art. 1.228 do Código Civil, a propriedade ou domínio é o direito 
que seu titular possui de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la de quem 
injustamente a possua ou detenha. É garantido pela Constituição Federal, em seu 
art. 5º, XXII da Carta Magna, que, porém, diz que a propriedade deve atender 
sua função social. Esta limitação também está expressa no parágrafo primeiro do 
referido art. 1228 do Código Civil. 
2.3.1.1 Classificação da propriedade
 
Diz-se que a propriedade é plena quando todos estes direitos podem ser 
realizados pelo proprietário, sendo assim considerada até que se prove o contrário, 
conforme art. 1.231 do Código Civil. A propriedade será limitada, quando sobre 
ela recair um direito real (ex.: hipoteca), ou for resolúvel, quando tem prazo certo 
para se extinguir. E como se adquire a propriedade imóvel? 
2.3.1.2 Formas de aquisição da propriedade
São várias as formas de se adquirir a propriedade: registro do título, 
usucapião e acessão. Vejamos cada um deles.
 A forma mais comum de aquisição da propriedade é o registro do título 
(art. 1.245 do CC) que transfere a propriedade do bem imóvel.
O título a que a lei se refere é a escritura pública, uma vez que, em se 
tratando de bens imóveis é obrigatório que esta seja lavrada em um cartório que se 
chama tabelionato.
UNI
Você já ouviu dizer que quem não registra não é dono? Quer saber o que é este 
título e este registro? É o que vamos ver em seguida.
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
147
É importante lembrar que “sobre a propriedade o mais importante é 
sabermos identificar quem realmente é o proprietário do bem” (RAPOSO; HEINE, 
2004, p. 84). E acrescentam:
No caso de bens imóveis, só é proprietário aquele 
que figura como tal no Registro de Imóveis.
O Registro de Imóveis é o cartório responsável por manter um cadastro, 
chamado “matrícula”, de todos os imóveis existentes na cidade. Na matrícula, 
consta um número, todos os dados do imóvel e o “histórico” de seus proprietários, 
ônus reais etc. É como se fosse uma “carteira de identidade” do imóvel. Nas 
cidades maiores, os registros de imóveis são geralmente divididos em regiões que 
se chamam “ofícios”. Assim, dependendo do endereço do imóvel, ele pertencerá 
ao 1º, ou 2º Ofício, e assim por diante.
Outra forma de aquisição da propriedade é a usucapião, que é o direito 
de propriedade que o possuidor da coisa que a possui como sua (animus domini), 
sem que haja oposição de ninguém durante um certo prazo de tempo, passa 
a ter. Este direito deve ser reconhecido em sentença judicial, que servirá como 
título de transferência da propriedade no Registro de Imóveis. Porém, o pedido 
deve obedecer a alguns requisitos legais, que variam de acordo com o prazo de 
ocupação, o tipo de área e a existência de justo título, ou seja, de um documento 
(ex.: contrato de compra e venda) que comprove a posse nos termos exigidos pelo 
Código Civil. Não entraremos aqui nas espécies de usucapião, por não ser objeto 
específico de nosso estudo, mas é importante que se deixe claro que o possuidor 
pode somar a sua posse a do seu antecessor, desde que seja de boa-fé e que os bens 
públicos não podem ser objeto de usucapião.
 Enfim, adquire-se a propriedade pela acessão, que quer dizer “agregar, 
unir. Logo, aquisição por acessão significa tudo aquilo que é acrescido ao imóvel, 
que pode se dar de forma natural ou artificial” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 87). De 
forma resumida, os mesmos autores esclarecem que:
Você viu que para ser proprietário de um bem imóvel não basta ter um contrato 
ou uma escritura. É preciso que esta escritura esteja registrada no Registro de Imóveis. Assim, 
se um imóvel for vendido duas vezes, será considerado proprietário aquele que primeiro 
registrar a escritura.
ATENCAO
148
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
A acessão ocorre de forma natural, quando há a formação de ilhas, pela 
aluvião (acréscimos sucessivos e imperceptíveis nas margens ou na foz de rios, 
de materiais trazidos pelas correntes), pela avulsão (acréscimo de porção de terra 
arrancada por força natural violenta) ou pelo álveo abandonado (leito de rio 
que secou). A acessão de forma artificial são as construções e as plantações que, 
segundo o art. 1.253 do CC, presumem-se feitas pelo proprietário às suas custas.
Já vimos como se adquire a propriedade. E como se perde a propriedade? 
Quanto à perda da propriedade, podemos dizer que os meios previstos no Código 
Civil são:
l	Alienação  transferência voluntária da propriedade (ex.: a compra e a venda, 
a doação etc.).
l	Renúncia  desistência do direito de propriedade sobre o imóvel.
l	Abandono do imóvel.
l	Perecimento da coisa.
l	Desapropriação  quando o imóvel for de necessidade pública ou utilidade 
pública, hipótese em que a Constituição Federal garante a justa e prévia 
indenização.
Para a defesa da propriedade, o titular deverá entrar em juízo com uma 
ação reivindicatória.
2.3.2 Posse
Posse, segundo Raposo e Heine (2004, p. 81), é a ocupação de uma coisa. O 
Código Civil considera, em seu art. 1196, como possuidor aquele que tem de fato 
ou não algum dos poderes relativos à propriedade. O locatário pode ser citado 
como exemplo de possuidor. Ele tem o poder de usar da coisa, e de buscá-la de 
alguém que injustamente a possua.
2.3.3 Classificação da Posse
A posse pode ser classificada de diversas formas:
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
149
FONTE: A autora
FIGURA 22 - CLASSIFICAÇÃO DA POSSE
Vamos ver os conceitos separadamente? 
l	Direta ou indireta: A posse direta é aquela exercida efetivamente sobre o 
bem. Para entender seu conceito, podemos retomar o exemplo da locação. O 
proprietário transfere ao locador a posse direta. Porém, nãoperde sua posse, 
mas a exerce de forma indireta, o que lhe possibilita defender sua posse em 
juízo.
l	Justa ou injusta (violenta, clandestina ou precária): A posse justa é aquela que 
é amparada em um fato legal, de acordo com a lei, tais como a decorrente de um 
contrato, a ocupação de um imóvel como dono sem contestação (que depois 
pode originar o direito à usucapião, como vimos anteriormente) etc. Diz-se que 
não contém vícios. A posse justa dá direito ao possuidor de receber os frutos 
e o recebimento de uma indenização, caso venha a perder judicialmente esta 
posse. A posse injusta, ao contrário, tem como fato gerador um ato violento (ex.: 
invasão), clandestino (tomada da posse com utilização de artifícios) ou ainda a 
posse precária, que decorre da não devolução por uma pessoa que recebe o bem 
temporariamente. Um exemplo que pode ser citado é o do contrato de comodato, 
contrato imobiliário em que se empresta um bem infungível gratuitamente. 
Findo o prazo do contrato, o comodatário se recusa a devolver o bem. Sua posse, 
que era justa (porque amparada no contrato), torna-se injusta, porque viciada 
pela precariedade. A posse injusta não pode se transformar em justa.
l	De boa-fé e de má-fé: O possuidor de boa-fé é aquele que “tem a posse com a plena 
convicção de ser legítima, desconhecendo eventual vício na aquisição”, ao contrário 
da de má-fé, onde o possuidor sabe que a posse é viciada. [...] Ele sabe que o bem 
não lhe pertence e mesmo assim o detém (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 83).
l	Posse nova e posse velha: Diz-se posse nova aquela que é exercida pelo 
possuidor há menos de um ano e um dia, enquanto a posse velha é exercida há 
mais de um ano e um dia. Esta diferenciação é importante para a determinação 
do tipo de ação judicial que deverá ser ajuizada para a defesa da posse.
150
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
A posse pode ser esbulhada ou turbada. Quando o possuidor perde a 
posse, diz- -se que ocorreu esbulho possessório. Já quando não há perda da posse, 
mas apenas uma “perturbação”, diz-se que ocorreu turbação. 
Para ilustrar esta diferença, vamos pensar no seguinte exemplo: dois terrenos 
vizinhos. O dono de um deles, entendendo que a cerca divisória está errada e que 
sua área é maior, sem ter razão, derruba a cerca. Praticou um ato de turbação da 
posse. Já se, neste mesmo caso, ele mudar a cerca de lugar, “invadindo” o terreno 
do vizinho, ele praticará nítido ato de esbulho. Também a lei admite a possibilidade 
de o possuidor evitar a ocorrência de ato de esbulho ou turbação, por exemplo, 
evitando uma invasão, através de uma ação chamada interdito proibitório.
Para defender judicialmente a sua posse, o possuidor pode ajuizar as 
seguintes ações, dependendo do ato praticado: 
Reintegração de posse  quando houver perda da posse.
Manutenção de posse  quando houver turbação da posse.
Interdito proibitório  para evitar que haja a turbação ou o esbulho.
2.3.4 Direitos reais sobre as coisas alheias 
Como já dissemos, o direito real é aquele que a pessoa exerce sobre a coisa. 
Já vimos também que este direito real pode ser exercido sobre coisa própria, como 
ocorre com a propriedade. Contudo, este direito real também pode ser exercido 
sobre uma coisa de outra pessoa, ou seja, sobre coisa alheia. 
Estes direitos podem recair sobre coisas móveis, como, por exemplo, o 
penhor ou sobre imóveis, a exemplo da hipoteca. Os direitos reais sobre as coisas 
alheias serão apresentados a seguir.
2.3.4.1 Direitos reais sobre coisas alheias de gozo e fruição
Os direitos reais sobre coisas alheias de gozo e fruição são os que se referem 
à utilização da coisa alheia, sendo que são os seguintes que recaem sobre imóveis: 
superfície, servidão, usufruto, uso, e habitação.
O direito de superfície é o previsto no art. 1.369 do Código Civil e é aquele 
em que o proprietário concede a outra pessoa o direito de construir ou plantar 
em seu terreno, por prazo determinado. Esta concessão pode ser gratuita ou não. 
Aquele que recebe o imóvel tem nome de superficiário e ficará responsável pelo 
pagamento dos tributos relativos ao imóvel. Ao final, a construção ou plantação 
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
151
ficará para o proprietário, a não ser que haja um contrato estipulando uma 
indenização.
 
Já o direito de servidão consiste “na utilização do imóvel serviente por 
parte do imóvel dominante” (RAPOSO; HEINE, 2004, p. 91). A servidão mais 
conhecida é a servidão de passagem, ou passagem forçada, em que parte de um 
terreno (imóvel serviente) serve de passagem para um outro (dominante). A 
servidão pode ser estabelecida por contrato, testamento ou decisão judicial e o 
proprietário do imóvel serviente é obrigado a respeitá-la. 
O usufruto, como o próprio nome diz, é o direito de “usar” e “fruir” da 
coisa. O proprietário, que passa a ser conhecido por “nu-proprietário”, transfere 
estes direitos ao “usufrutuário”. Utiliza--se muito o usufruto em nosso país em 
processos de separação e quando se realiza partilha em vida, para evitar o processo 
de inventário. Pelo usufruto, os pais passam a propriedade dos imóveis para os 
filhos, ficando-lhes reservado o usufruto. Como podem usar e fruir, podem morar 
no bem ou até mesmo alugá-lo, porque o aluguel é uma espécie de fruto, como 
vimos anteriormente. O nu-proprietário até pode vender o bem, mas este ônus real 
vai acompanhá-lo e o novo proprietário terá que aguardar a extinção deste direito 
real, pela morte do usufrutuário ou concordância deste em extinguir o usufruto.
Semelhante ao usufruto, há o direito de uso, com a diferença que, no uso, 
a pessoa usará a coisa e perceberá seus frutos de acordo com a necessidade de sua 
família. O Código Civil determina que se aplique ao uso, aquilo que for compatível 
às regras do usufruto.
Por fim, o direito de habitação é o de utilizar o imóvel para moradia, de 
forma gratuita, a exemplo do que ocorre no caso de falecimento de um dos cônjuges. 
Também se aplica a este direito real as disposições legais relativas ao usufruto.
2.3.4.2 Direitos reais sobre coisas alheias de aquisição
Como direito real sobre coisa alheia de aquisição, temos o Direito 
de Promitente Comprador do Imóvel, previsto no Código Civil e também a 
promessa de cessão de direitos, relativos a imóveis não loteados, sem cláusula 
de arrependimento e com imissão de posse, inscrito no registro de imóveis – 
Lei n. 4.380/64 e art. 167, I, 9 (RAPOSO; HEINE 2004, p. 99). São chamados de 
direitos reais sobre coisa alheia de aquisição, porque permitem ao comprador a 
possibilidade de exigir a concessão da escritura pública que transfere o direito de 
UNI
Agora que você já conhece os direitos reais sobre coisas alheias de uso e gozo, 
vamos partir para os direitos de aquisição.
152
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
propriedade, sem que o vendedor possa “voltar atrás”. A Promessa de Venda ou 
Cessão de Unidades Condominiais (Lei n. 4591/64) e Propriedade Fiduciária de 
Imóveis também são apontados como direitos reais sobre coisas alheias (RAPOSO; 
HEINE, 2004, p. 100). 
2.3.4.3 Direitos reais sobre coisas alheias de garantia
Por fim, os direitos reais de garantia. Por este direito, o bem fica vinculado 
ao cumprimento de uma obrigação, por exemplo, uma dívida, mas desde que 
estejam presentes todos os requisitos exigidos pela lei, especificamente nos arts. 
1.419 e seguintes do Código Civil. Porém, o credor não poderá ficar com o bem se 
a dívida não for paga, porque o artigo 1.428 do Código Civil proíbe esta prática. O 
bem será vendido e o dinheiro entregue ao credor.
São direitos reais de garantia: o penhor, a hipoteca e a anticrese. O penhor 
tem por objeto bens móveis. 
O penhor, segundo o art. 1431 do CC, constitui-se quando uma pessoa 
transfere a posse de um bem móvel para o credor de uma dívida. Exemplo típico de 
penhor é o realizado com joias na Caixa Econômica Federal em garantia de dívida.
Na hipoteca, o devedor permanece na posse do imóvel e somente o perderá 
se não cumprira obrigação. Quando tiver por objeto bem imóvel (o art. 147 do 
CC traz uma lista de bens e direitos que podem ser objeto de hipoteca, além dos 
imóveis, tais como as estradas de ferro, os navios e as aeronaves), que é o tema 
do nosso estudo, a hipoteca abrange também seus acessórios. É importante dizer 
que, para efeito de hipoteca, os navios e as aeronaves são considerados imóveis, 
podendo assim haver uma hipoteca sobre estes bens.
No direito real de anticrese, o devedor ou outra pessoa em seu nome 
entrega ao credor um bem de sua propriedade para que este receba os frutos em 
pagamento da dívida e dos juros.
Cuidado para não confundir PENHOR e PENHORA. A penhora é a garantia dada 
em um processo judicial. Por isso, quando estiver falando sobre penhor, deve-se dizer que as 
joias foram EMPENHADAS (e não penhoradas, como se ouve frequentemente).
ATENCAO
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
153
Outro importante instituto do Direito das Coisas é o direito de construir.
2.3.5 O Direito de Construir
Este direito é previsto no art. 1299 do Código Civil: 
O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe 
aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos.
Ou seja, podemos afirmar que o direito de construir e plantar é livre, porém 
não é pleno, pois sofre limitações previstas nos arts. 1.300 a 1.312 do Código Civil. 
Dentre as limitações ao direito de construir estão:
l	não despejar água no terreno vizinho;
l	não abrir janelas ou construir terraços a menos de um metro e meio do terreno 
vizinho;
l	respeitar, na zona rural, a distância mínima de três metros entre as construções;
l	não construir na parede confinante fornos, fogões, chaminés ou quaisquer outras 
construções que possam causar infiltrações ou interferências no terreno vizinho;
l	cumprir outras disposições relativas ao terreno confinante (arts. 1.305, 1.306 
etc.);
l	não efetivar construções que possam poluir ou tirar poço ou nascente de outrem;
l	não realizar obras ou escavações que possam comprometer a segurança do 
terreno vizinho. 
Assim sendo, o direito do proprietário construir é sempre limitado, podendo 
o proprietário ou possuidor ingressar na justiça para fazer cessar este uso anormal 
da propriedade. Neste caso, segundo o Código Civil (art. 1.312), o proprietário 
poderá exigir, além da demolição da construção, a reparação dos danos causados. 
IMPORTANT
E
lembre-se de que os direitos reais sobre coisas alheias devem ser registrados no 
Registro de Imóveis do local onde se localiza o imóvel, para terem eficácia erga omnes (contra 
todos). Este registro seguirá a ordem em que são apresentadas, fazendo-se a prenotação.
154
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
Além das hipóteses referentes ao uso nocivo da propriedade, o direito de 
vizinhança trata ainda: das árvores limítrofes, que são as que ficam na linha divisória 
entre dois terrenos. Se o tronco estiver na linha divisória, esta será considerada 
como propriedade comum entre os vizinhos. Se houver invasão de raízes e galhos 
no terreno, poderão ser cortados até a linha divisória pelo proprietário do terreno 
invadido. Os frutos caídos serão de propriedade do proprietário do terreno onde 
caírem; da passagem forçada, permitindo ao vizinho que tenha acesso à via pública, 
mediante indenização; da obrigação do proprietário de permitir a passagem de 
tubos e tubulações de utilidade pública, mediante indenização; da passagem das 
águas e do direito de tapagem, tais como cercar, murar, valar ou tapar de qualquer 
modo o seu prédio urbano e rural.
2.4 DIREITO DE FAMÍLIA
O Direito de Família, segundo Gusmão (2006, p. 204), é “a parte do direito, 
norteado pelo interesse social, rege as relações jurídicas constitutivas da família e 
as dela decorrentes. Tem por matéria as relações jurídicas que formam a família, 
ou seja, as entre esposos, entre pais e filhos e entre parentes.”
Dentre os institutos do Direito de Família, destacamos: o casamento e 
seus regimes de bens, filiação, união estável, tutela e curatela. Entendemos ser 
importante para nossa disciplina o estudo dos regimes de bens no casamento.
2.4.1 Regime de Bens no Casamento
O regime de bens escolhidos no casamento trará as normas que vigorarão 
no que diz respeito à comunicabilidade ou não dos bens em caso de separação ou 
morte. O regime legal é o da comunhão parcial de bens, o que significa dizer que 
no silêncio das partes este será o regime de bens a ser observado. Vamos conhecer 
cada um dos regimes previstos no CC?
Segundo Hironaka (2003), resumidamente, são os seguintes os regimes de 
bens previstos no Código Civil:
[...]
Do regime de comunhão parcial. 
Como já se disse, este é o regime oficial de bens, no casamento, 
selecionado, pois, pelo legislador pátrio, desde a promulgação da Lei do 
Divórcio, em 1977, pelo qual comunicar--se-ão apenas os bens adquiridos na 
constância do casamento, e revelando, por isso mesmo, um acervo de bens que 
pertencerão exclusivamente ao marido, ou exclusivamente à mulher, ou que 
pertencerão a ambos.
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
155
Com a dissolução da conjugalidade, restará comunicável, então – e 
por isso passível de partilha entre os cônjuges que se afastam – o acervo dos 
bens comuns, ficando excluídos, dessa partilha, os bens ressalvados pelos arts. 
1659 e 1661 do novo Código Civil, dispositivos esses que repetem as mesmas 
exclusões já anteriormente previstas pelos arts. 269 e 272 do Código Civil de 
1916. Excluídos estavam, e permanecem, então, os bens que cada cônjuge já 
possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do matrimônio por 
doação, sucessão ou sub-rogados em seu lugar (art. 269, inciso I, CC/1916 e 
1659, inciso I, CC/2003). [...]
 Do regime de comunhão universal. 
 Este regime foi aquele que, entre nós, e até o advento da Lei do Divórcio, 
posicionou--se como o regime legal, casando-se sob sua regulamentação a 
esmagadora maioria de brasileiros, até 1977.
Conforme suas regras, comunicam-se entre os cônjuges todos os 
seus bens presentes e futuros, além de suas dívidas passivas, ocorrendo um 
enorme amálgama entre os bens trazidos para o casamento pela mulher e pelo 
homem, bem como aqueles que serão adquiridos depois, formando um único 
e indivisível acervo comum, passando, cada um dos cônjuges, a ter o direito à 
metade ideal do patrimônio comum e das dívidas comuns. 
No novo Código Civil, o regime da comunhão universal de bens, o 
regime da unificação patrimonial mais completa, encontra-se disciplinado entre 
os arts. 1667 a 1671.
Do regime de separação de bens. 
Relativamente a este regime de bens, isto é, o regime que visa promover 
a completa separação patrimonial do acervo de bens pertencente a cada um dos 
cônjuges [...]. Antes de encerrar a análise deste regime de bens do casamento, 
o regime da separação total, não devo esquecer de mencionar que ele pode ser 
adotado, pelos nubentes, como fruto da eleição ou escolha, convencionando-o 
por meio de pacto antenupcial. Se assim for, o regime em pauta vai se desvendar 
como um excelente regime patrimonial, no casamento, tendo em vista que ele 
representa exatamente o contrário disso, quer dizer, ele é a total ausência de 
regime patrimonial, mantendo bem separados e distintos os patrimônios do 
marido e da mulher.
Do regime de participação final nos aquestos.
Cria, o legislador civil nacional, outro regime de bens, que vem ocupar 
o lugar deixado pelo regime dotal, sem que, no entanto, guarde relativamente 
a este qualquer semelhança. Ocupa o lugar, não as características. Ao contrário, 
o regime da participação final nos aquestos guarda semelhanças e adquire 
características próprias a dois outros regimes, na medida em que se regulamenta, 
156
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
em seu nascedouro e sua constância por regras semelhantes às desenhadas 
pelo legislador para o regime da separação de bens, em que cada cônjuge 
administra livremente os bens que tenha trazido para a sociedade conjugal,assim como aqueles que adquirir, por si e exclusivamente, durante o desenrolar 
do matrimônio. Por outro lado, assume de empréstimo regras muito parecidas 
àquelas dispensadas ao regime da comunhão parcial, quando da dissolução da 
sociedade conjugal por separação, divórcio ou morte de um dos cônjuges.
Nesse sentido, cada cônjuge possui patrimônio próprio, que administra 
e do qual pode dispor livremente, se de bens móveis se tratar, dependendo da 
outorga conjugal apenas para a alienação de eventuais bens imóveis (CC, arts. 
1.672 e 1.673). Mas se diferencia do regime da separação de bens porquanto, no 
momento em que se dissolve a sociedade conjugal por rompimento dos laços 
entre vivos ou por morte de um dos membros do casal, o regime de bens como 
que se transmuda para adquirir características do regime da comunhão parcial, 
pelo que os bens adquiridos onerosamente e na constância do matrimônio serão 
tidos como bens comuns desde a sua aquisição, garantindo-se, assim, a meação 
ao cônjuge não proprietário e não administrador.
Desta feita e porque afastado um dos cônjuges da administração 
dos bens adquiridos, traça o Código Civil uma série de disposições que, 
pormenorizadamente, visam disciplinar a apuração dos bens partíveis em 
meação, pelo valor e no montante verificados na data em que cessou a convivência 
dos cônjuges (art. 1.683), tudo para evitar se consubstancie qualquer espécie de 
lesão ao direito do cônjuge que até então figurava como não proprietário e não 
administrador.
ESTUDOS FU
TUROS
Caso queira se aprofundar mais neste assunto, sugiro a leitura do artigo “Alguns 
Efeitos do Direito de Família na Atividade Empresarial”, da autoria de Pablo Stolze Gagliano, 
Disponível em <http://www.mundojuridico.adv.br/cgi-bin/upload/texto590.rtf>.
TÓPICO 5 | CÓDIGO CIVIL - PARTE ESPECIAL
157
2.5 DIREITO DAS SUCESSÕES
 
Por fim, o Direito das Sucessões, tem por objetivo dispor sobre como ocorrerá 
a transmissão dos bens das pessoas falecidas” (FÜHRER; MILARÉ, 2005, p. 224).
Segundo o artigo 1.829 do CC, a ordem de vocação hereditária, ou seja, a 
preferência no recebimento da herança será o seguinte: primeiro os filhos, os pais, o 
cônjuge e por último os colaterais (ex.: irmãos). Neste sentido, é o art. 1829 do CC:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo 
se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no 
da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no 
regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado 
bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
Interessante observar que o cônjuge, nas hipóteses do inciso I do art. 1829, 
além de meeiro (dependendo do regime de bens) será herdeiro, quando então 
concorrerá com os filhos, inovação trazida pelo Código Civil de 2003.
158
Neste tópico você estudou que:
l	O estudo dos institutos de Direito das Obrigações é muito importante no estudo 
do Direito, porque as transações empresariais envolvem obrigações.
l	Existem diversas espécies de obrigações, como dar, fazer ou não fazer.
l	O não cumprimento das obrigações gera consequências.
l	O direito de contratar sofre limitações por princípios como da função social do 
contrato e boa-fé objetiva.
l	A propriedade é um direito que permite gozar, usar, dispor e reaver um bem de 
quem injustamente o possua.
l	Os conceitos de posse e propriedade não se confundem.
l	A posse se classifica em diversas espécies, como posse justa, injusta, precária, 
violenta, clandestina etc.
l	Existem vários direitos reais sobre as coisas alheias, tais como a hipoteca, a 
anticrese etc.
l	O direito do proprietário de construir é sempre limitado, podendo o 
proprietário ou possuidor ingressar na justiça para fazer cessar este uso anormal 
da propriedade, podendo ainda exigir, além da demolição da construção, a 
reparação dos danos causados. 
l	O Direito de Família é “a parte do direito, norteado pelo interesse social, rege as 
relações jurídicas constitutivas da família e as dela decorrentes”.
l	O Direito das Sucessões rege a transmissão dos bens das pessoas falecidas.
RESUMO DO TÓPICO 5
159
AUTOATIVIDADE
1 Preencha os campos em branco:
1. Objeto do Direito das Obrigações. Relações ________________.
2. Modalidades das Obrigações. Dar, ______________, ou ____________.
3. Quando o devedor pode escolher a 
prestação que vai cumprir.
Obrigação ________________________.
4. ______________ das Obrigações. Contratos, declarações unilaterais de 
vontade e atos ilícitos.
5. Obrigação personalíssima.
6. Uma das formas de Transmissão das 
Obrigações é a Cessão de Crédito. A 
outra é 
_________________de Dívida.
7. Local do pagamento em havendo 
omissão do contrato.
8. Uma das consequências pelo 
inadimplemento. Significa atraso. Pode 
ser do devedor ou do credor.
9. São limitados em 12% ao ano, segundo 
o Código Civil.
10. Quando a desitência for do 
comprador, este perde o que pagou.
Quando for do vendedor, este devolve 
em dobro o que recebeu.
2 Assinale a alternativa CORRETA:
1 É o poder de o proprietário ou possuidor buscar a coisa de quem 
injustamente a possua ou detenha:
a) ( ) Usucapião.
b) ( ) Direito de sequela.
c) ( ) Propriedade.
d) ( ) Habitação.
160
2 Não se caracteriza como meio de perda da propriedade:
a) ( ) Usufruto.
b) ( ) Alienação.
c) ( ) Renúncia. 
d) ( ) Abandono.
3 Por meio desta ação o possuidor defende sua posse que foi perdida:
a) ( ) Ação de Reintegração de Posse.
b) ( ) Ação de Manutenção de Posse.
c) ( ) Ação de Usucapião.
d) ( ) Ação de Execução.
4 A posse injusta pode ser violenta, clandestina ou precária. Pode ser 
considerada posse clandestina:
a) ( ) A que decorre de ato violento.
b) ( ) A que decorre de utilização de artifícios.
c) ( ) A que decorre da não devolução do bem no prazo.
d) ( ) Nenhuma das alternativas.
5 É modo aquisitivo da propriedade:
a) ( ) Hipoteca.
b) ( ) Penhor.
c) ( ) Aluvião.
d) ( ) Usufruto.
6 Por este direito real sobre coisa alheia, o proprietário cede o imóvel a outra 
pessoa, que poderá usar o mesmo e até receber os aluguéis:
a) ( ) Usufruto.
b) ( ) Hipoteca.
c) ( ) Servidão.
d) ( ) Penhor.
7 A hipoteca, o penhor e a anticrese têm como característica comum:
a) ( ) Serem modos de aquisição da propriedade.
b) ( ) Serem direitos reais de aquisição.
c) ( ) Serem direitos reais de garantia sobre coisa alheia.
d) ( ) Terem por objeto bem imóvel.
161
8 Diz-se que a posse é velha quando
a) ( ) O possuidor a exerce há menos de 1 ano e 1 dia.
b) ( ) O possuidor a exerce há mais de 1 ano e 1 dia.
c) ( ) O possuidor soma a posse a de seus antecessores para entrar com pedido 
de usucapião.
d) ( ) Quando esta posse se origina no usufruto.
9 De acordo com a lei, não pode ser objeto de hipoteca:
a) ( ) Navio.
b) ( ) Aeronave.
c) ( ) Estradas de ferro.
d) ( ) Automóveis.
10 O compromisso de compra e venda, desde que atendidos os requisitos 
exigidos pela lei, é uma espécie de direito de aquisição da propriedade, 
porque:
a) ( ) Permite que o comprador exija na justiça a escritura de compra e venda 
para transferir a propriedade.
b) ( ) Permite que o comprador requeira o usufruto do bem.
c) ( ) Garante o direito de moradia.
d) ( ) Permite a reintegração de posse.
11 Regime de bens pelo qual “comunicar-se-ão apenas os bens adquiridos na 
constância do casamento”:
a) ( ) Separação de bens.
b) ( ) Comunhão Universal de Bens.
c) ( ) Participação final nos aquestos.
d) ( ) Comunhão parcial de bens.
12 Conforme suas regras, “comunicam-se entre os cônjuges todos os seus bens 
presentes e futuros, além de suas dívidas passivas”:
a) ( ) Pacto antenupcial.
b) ( ) Separação de bens.
c) ( ) Participação final nos aquestos.
d) ( ) Comunhão Universal de Bens.
13 Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
() É obrigação do vizinho não construir obra que despeje água no terreno 
vizinho.
( ) A construção de janelas ou terraços a menos de um metro do terreno 
vizinho é permitida.
162
( ) Na zona rural a distância mínima entre as construções é de três metros.
( ) As árvores limítrofes são as que ficam na linha divisória entre dois 
terrenos. 
( ) Se o tronco estiver na linha divisória, a árvore limítrofe será considerada 
como propriedade do vizinho que a tiver plantado.
( ) Se houver invasão de raízes e galhos no terreno poderão ser cortados até 
a linha divisória pelo proprietário do terreno invadido. 
( ) Os frutos caídos serão de propriedade do proprietário da árvore.
( ) O direito de construir é também limitado por regulamentos administrativos, 
tais como o plano diretor de cada município.
163
TÓPICO 6
OUTROS RAMOS DO DIREITO 
PRIVADO: DIREITO COMERCIAL E DIREITO 
INTERNACIONAL PRIVADO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Prezado(a) acadêmico(a). Chegamos ao último tópico desta unidade e 
também de nossa disciplina.
 
Vamos compreender quais são os conceitos e abrangência do Direito 
Comercial e Direito Internacional Privado.
2 DIREITO COMERCIAL
O Código Civil de 2002 revogou a primeira parte do Código Comercial 
(Lei n. 566/1850), passando então a regular vários institutos que eram do Direito 
Comercial, segundo Requião (2006). Por isso, alguns autores entendem que não há 
mais porque se distinguir o Direito Comercial, que passou a se denominar Direito 
Empresarial. 
Contudo, as demais partes do Código Comercial continuam em vigor, sendo 
que alguns autores, tais como Rubens Requião, apontando suas características 
próprias, que chama de “traços peculiares”: “cosmopolitismo, individualismo, 
onerosidade, informalismo, fragmentarismo e solidariedade presumida” 
(REQUIÃO, 2006, p. 31).
ESTUDOS FU
TUROS
Caso queira saber mais sobre este assunto, sugiro a leitura da seguinte obra: 
REQUIÃO, Rubens. Direito Comercial. vol. 1. Ed. Saraiva, 2006.
164
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
3 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
Conforme Strenger (2003, p. 29), o Direito Internacional Privado:
Nasce do desenvolvimento tomado pelas relações de ordem privada 
entre os diferentes povos. Da diversidade de legislação surge o conflito, 
porquanto, cada vez mais se hesita na aplicação das leis dos diversos 
países põe-se em movimento o direito internacional privado, a fim de 
determinar em que condições legais o problema pode ser resolvido.
Assim sendo, seu principal campo de atuação é o conflito de leis no espaço, 
ou seja, ele determinará qual a lei aplicável em uma situação em que haja conflito.
Em nosso ordenamento jurídico, a LICC (Lei de Introdução as Normas do 
Direito Brasileiro LINDB) contém inúmeros dispositivos que trazem regras de 
direito internacional, quando estabelece, por exemplo, que nos que se referem aos 
bens, aplicar-se-á a lei do país onde estes estiverem situados.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para a complementação de seus estudos, recomendamos a leitura do texto 
a seguir. 
A REALIDADE CONTRATUAL À LUZ DO NOVO CÓDIGO CIVIL 
Prof. Flávio Tartuce
Todos os institutos do Direito Civil vêm perdendo a estrutura abstrata e 
generalizante para, aos poucos, substituí-las por disciplinas legislativas cada vez 
mais concretas (1). Com o intervencionismo estatal consagrado pela Constituição 
de 1988, institucionaliza-se a interferência do Estado nas relações contratuais, 
“definindo limites, diminuindo os riscos do insucesso e protegendo camadas da população 
que, mercê daquela igualdade aparente e informal, ficavam à margem de todo o processo de 
desenvolvimento econômico, em situação de ostensiva desvantagem” (2).
Nessa nova estrutura, o contrato, típico instituto do Direito Privado, vem 
sofrendo uma série de alterações conceituais e a antiga visão de autonomia plena 
da vontade perde espaço para uma elaboração mais voltada para a realidade social 
dos envolvidos na relação contratual. Aqui, segundo aponta a melhor doutrina 
italiana, percebe-se que não se pode mais falar em Princípio da Autonomia da 
Vontade, mas em Autonomia Privada.
Como se sabe, e tal fato constitui uma realidade social, dificilmente a parte 
consegue manifestar de forma plena e inequívoca a sua vontade no momento 
negocial. Esse elemento tão raro e inerente à própria dignidade da pessoa humana 
TÓPICO 6 | OUTROS RAMOS DO DIREITO PRIVADO: DIREITO COMERCIAL E DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
165
perdeu o papel orientador que tinha no passado, eis que vivemos sob a égide do 
“Impérios dos Contratos-Modelo”.
Sob esta ótica, muito se fala, no âmbito do Direito Civil, na socialização 
dos velhos conceitos herdados do Direito Romano, o que leva a um conflito na 
mente dos estudiosos da ciência jurídica, levando a conclusões erradas quanto às 
transformações no seu âmbito privado (3).
O contrato, cerne principal das relações privadas, como destacam vários 
doutrinadores, não poderia ficar alheio a tal fenômeno de evolução. Como bem 
observa Caio Mário da Silva Pereira, sendo o contrato conceito intimamente 
relacionado à vontade humana e suscetível de influência pelas transformações pelas 
quais passam os interesses da sociedade, não poderia ficar alheio às modificações 
sociais.
O nobre doutrinador menciona que várias são as facetas de evolução social, 
podendo- -se falar em evolução etimológica, em evolução biológica, em evolução 
linguística, em evolução antropológica e, claro, em evolução do contrato, uma 
“transformação temporal ou espacial ” pela qual passa o instituto (4).
Lembramos a importância do instituto “contrato” para o Direito Privado. 
No nosso caso, interessante auferir que vários livros do Código Civil em vigor, 
senão todos, são de vital importância para o instituto em análise.
Sendo o contrato negócio jurídico, não se pode olvidar a importância da 
Parte Geral do Novo Código Civil para a existência e validade dos pactos celebrados. 
Vital o estudo dos elementos essenciais, acidentais e naturais do negócio jurídico, 
eis que também são esses os elementos formadores e orientadores do contrato. Os 
defeitos ou vícios do negócio jurídico são de grande valia à matéria contratual, já 
que geram a anulabilidade ou nulidade do pacto em diversas situações. As situações 
em que se tem a nulidade e anulabilidade do negócio jurídico são plenamente 
aplicáveis aos contratos, hipóteses em que se tem a extinção dos contratos por 
ineficácia contratual.
O capítulo do Código Civil que trata da Teoria Geral das Obrigações 
também é de grande importância para a concepção dos contratos, já que os 
mesmos constituem a principal fonte do direito obrigacional. No contrato se tem 
uma relação jurídica transitória entre credor e devedor, várias obrigações de dar, 
fazer ou não fazer, solidariedade, obrigações divisíveis e indivisíveis, obrigações 
singulares e plurais. Os contratos têm extinção normal pelo cumprimento, pelo 
pagamento direto, mas também por consignação em pagamento, imputação, sub-
rogação, dação em pagamento, novação, compensação, confusão e remissão de 
dívidas.
Tem-se também no Código Civil um capítulo que trata da Teoria Geral 
dos Contratos, em que se propõe nova concepção do instituto, de acordo com 
o Princípio da Socialidade concebido pela nova codificação e muitas vezes 
mencionado pelo seu principal idealizador, que dispensa apresentações. Aqui, 
166
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
a função social do contrato e a boa-fé objetiva são concebidos como verdadeiros 
princípios orientadores da matéria contratual.
Na parte em que se estuda os contratos em espécie, o aplicador da norma 
terá à sua disposição os ditames naturais de cada instituto negocial. O Novo 
Código Civil inova trazendo outros contratos com institutos típicos, o que não é 
objeto central do nosso estudo, mas que merece realce. O jurista, desse modo, deve 
estar inteirado das regras previstas na codificação privada, aplicáveis a cada figura 
contratual, mas sem perder de vista também as leis especiais, caso, por exemplo,da Lei de Locação (Lei n. 8.245/91), da Lei de Direitos Autorais (Lei n. 9.610/98) e do 
Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/90), de grande valia para a figura 
jurídica em questão.
Sem prejuízo de outras leis especiais, percebe-se que quase todo o Código 
Civil está dedicado aos negócios jurídicos e aos contratos, lembrando também 
que mesmo os livros de Direito de Família e Direito das Sucessões também são 
relacionados com o instituto. Lembramos que muitos consideram o casamento 
como sendo um contrato “sui generis”, e o testamento, verdadeiro negócio jurídico 
unilateral.
Na realidade, o Novo Código Civil, em vários dos seus artigos, concebe 
de forma plena a conscientização normativa da alteração dos velhos institutos do 
Direito Civil, exprimindo a função social do contrato como fonte necessária para a 
harmonização dos interesses privativos dos contratantes com os interesses de toda 
a coletividade.
Percebe-se, em todo o Direito Privado, a compatibilização do princípio da 
liberdade com o da igualdade, a busca da expansão da personalidade individual 
de forma igualitária. Há a busca do desenvolvimento do conjunto da sociedade, 
mesmo que ao custo de diminuir a esfera de liberdade individual.
Em sua excelente obra traduzida para o português, “Fundamentos do Direito 
Privado”, o doutrinador Ricardo Luis Lorenzetti aponta todas as alterações pelas 
quais vêm passando os principais institutos do Direito Civil e Direito Privado. 
Critica o mesmo o chamado “big bang” legislativo demonstrando o surgimento 
de inúmeros microssistemas jurídicos. Procura Lorenzetti também afastar o 
pessimismo exagerado que circunda os institutos civis, principalmente o contrato: 
a concepção da chamada “crise dos contratos” (5).
Colocando a pessoa no centro do ordenamento jurídico, o mestre 
argentino procura uma nova concepção de contrato, de acordo com as principais 
alterações sociais sentidas nos últimos séculos. Lembra que “a ordem jurídica 
atual não deixa em mãos dos particulares a faculdade de criar ordenamentos contratuais, 
equiparáveis ao jurídico, sem um interventor” (6). Para tanto aponta a necessidade do 
intervencionismo estatal, do dirigismo estatal, com a concepção do princípio da 
autonomia privada. Chega a afirmar que “o Estado requer um Direito Privado, não 
um direito dos particulares. Trata-se de evitar que a autonomia privada imponha suas 
valorações particulares à sociedade; impedir-lhe que invada territórios socialmente sensíveis. 
TÓPICO 6 | OUTROS RAMOS DO DIREITO PRIVADO: DIREITO COMERCIAL E DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
167
Particularmente, trata-se de evitar a imposição a um grupo, de valores individuais que lhe 
são alheios. Aqui faz seu ingresso a ordem pública de coordenação, de direção” (7).
A necessidade da concepção de um direito social também em matéria 
contratual tornou--se crescente após a emergência dos Direitos da Personalidade, 
crescente principalmente após a Segunda Revolução Industrial e que trouxe uma 
nova maneira de negociar, novos elementos subjetivos, em posições díspares no 
momento contratual.
Sob o enfoque social, tal realidade tem origem, segundo as palavras de 
Fernando Noronha, na relação entre direito e sociedade, que constitui uma “relação 
de interdependência, com dois atributos: é mútua e assimétrica. É interdependência, 
porque os acontecimentos registrados numa das esferas produzirão efeitos também na 
outra; é interdependência mútua, porque cada uma das esferas depende da outra, embora a 
dependência do direito em relação à sociedade seja bem maior do que a desta em relação ao 
primeiro; é uma relação de interdependência assimétrica, porque as partes não dependem 
uma da outra em medida igual” (8).
Instituto também presente no Direito Romano (9), não resta dúvidas que 
poucos conceitos evoluíram tanto quanto o contrato. Tal evolução foi objeto de um 
estudo clássico de San Thiago Dantas, para quem a doutrina contratual representa 
o “termo de uma evolução, através da qual foram sendo eliminadas normas e restrições sem 
fundamento racional, ao mesmo tempo em que se criavam princípios flexíveis, capazes de 
veicular as imposições do interesse público, sem quebra do sistema” (10).
Como já foi dito, atualmente, está em voga no Direito Comparado, e mesmo 
entre nós, afirmar sobre a “crise dos contratos”, chegando Savatier a profetizar que o 
contrato tende a desaparecer, surgindo outro instituto em seu lugar.
O Professor Titular de Direito Comercial da Universidade de São Paulo, 
Luiz Gastão Paes de Barros Leães, em prefácio da primeira edição de “Contratos 
Internacionais do Comércio”, de Irineu Strenger, comenta tal crise, ao elucidar que: 
“há alguns anos, a decadência do Direito Contratual é apregoada num tom fúnebre, 
que anuncia iminente desenlace. Há inclusive quem já tenha lavrado a sua certidão de 
óbito. Grant Gilmore, em 1.974, publicou um livro com título provocador – The Death 
of Contract (Columbus, Ohio) – onde assinalou a ação demolidora dos novos tempos no 
edifício conceitual do contrato. O fenômeno da padronização das transações, decorrente de 
uma economia de mass production, teria subvertido inteiramente o princípio da liberdade 
contratual, transformando o ‘contrato’ numa norma unilateral imposta pela empresa 
situada numa posição dominante. Teria ocorrido assim um retorno ao status” (11).
Sobre tal profetização Fernando Noronha comenta que “para Gilmore, 
professor da Yale Law School, ‘contract is being reabsort into the mainstream of “tor”’: ‘A 
teoria clássica do contrato poderia bem ser descrita como uma tentativa para instituir um 
enclave dentro do domínio geral da responsabilidade civil (tort). Os diques foram erguidos 
para proteger o enclave, está bastante claro, têm vindo a derrocar a uma velocidade cada vez 
mais rápida” (12).
168
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
Na realidade, “crise” pode significar alteração na estrutura – e é realmente 
isto que entendemos estar ocorrendo quanto ao tema –, uma convulsiva 
transformação, uma renovação dos pressupostos e princípios da Teoria Geral 
dos Contratos, que tem por função redimensionar seus limites, e não extingui-
los. Entendemos que o contrato não está em crise, mas sim em seu apogeu como 
instituto emergente e central do Direito Privado. Isso justifica porque o contrato 
é um dos primeiros temas a ser discutido na Parte Especial da Nova Codificação.
Conforme já defendemos, uma das principais alterações em matéria 
contratual se refere à autonomia da vontade das partes na avença. Discute-se 
muito atualmente, a possibilidade da revisão do contrato, a liberdade de extinguir 
o pacto e de se decidir a conclusão da relação entre as partes.
Não se pode mais aceitar o contrato com sua estrutura clássica, concebido 
sob a égide do “pacta sunt servanda” puro e simples, com a impossibilidade da 
revisão das cláusulas. O Direito do Consumidor trouxe inovações nesta matéria, 
inovações que constam agora no Novo Código Civil, como a proteção do aderente 
prevista nos artigos 423 e 434 da nova codificação, o que pode gerar a nulidade 
absoluta de cláusulas abusivas, diminuindo a amplitude da Força Obrigatória das 
Convenções.
Aqui, lembramos as palavras de Atílio Aníbal Alterini, emergente autor 
argentino que alerta ao fato de não estarmos vivenciando a chamada “crise dos 
contratos”, mas uma modificação nas suas estruturas principais:
“Ahora bien. Está en crisis el contrato? Se dice: ‘El contrato desaparece. 
Perece. Outra cosa se coloca en su lugar’. (Savatier). Se agrega: El contrato está en 
crise”.
Crisis puede significar cambio. En realidad, ‘lo que a veces se denomina 
crisis del contrato – afrima Larroumet – no es nada más que una crisis de la 
autonomia de la voluntad’, o sea, del “derecho de los contratantes de determinar 
como lo entendian su relacion contractual” (Weill- Terré). No se trata de declinatión 
o de crepúsculo del contrato, sino ‘de transformación y de renovación’ (Josserand)” 
(13).
Também repudiamos o conceito de “crise de contratos”,conforme construído 
pelo Direito Comparado, acreditando em um novo conceito emergente, dentro da 
nova realidade do Direito Social. Acreditamos nas antigas palavras de Manuel 
Inácio Carvalho de Mendonça, para quem “os contratos hão se ser sempre a fonte mais 
fecunda, mais comum e mais natural dos direitos de crédito” (14).
Não se pode falar em extinção do contrato, mas no renascimento de um 
novo instituto, como uma verdadeira “Fênix” que surge das cinzas. Importante 
revolução atingiu também os direitos pessoais puros e as relações privadas, 
devendo tais institutos ser interpretados de acordo com a sistemática lógica do 
meio social.
TÓPICO 6 | OUTROS RAMOS DO DIREITO PRIVADO: DIREITO COMERCIAL E DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
169
Somos adeptos de uma posição otimista na análise do Direito Privado, 
acreditando na emergência de novos institutos, renovando todo o Direito, 
afastando-nos dos cientistas que afirmam estar ocorrendo uma verdadeira crise do 
Direito Privado.
NOTAS
1 Nesse sentido, Tepedino, Gustavo. “As relações de Consumo e a Nova Teoria 
Contratual”. Rio de Janeiro: Renovar, 2001, In: Temas de Direito Civil. 
2 Tepedino, ob cit., p. 204. 
3 Sobre o tema, interessante notar os comentários do Professor Caio Mário da 
Silva Pereira, na introdução da sua recente obra Direito Civil – Alguns aspectos de 
sua evolução. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2001, entre as páginas 1 e 15. 
4 Direito Civil. Alguns Aspectos da sua Evolução. Rio de Janeiro: Editora Forense, 
2001, p. 226. 
5 Hoje se fala em “crise” de todos os institutos do Direito Privado: “crise da Parte 
Geral do Direito Civil” (cf. Lorenzetti. Ob. cit. p. 60 a 63), “crise da família” ou 
“crise do Direito de Família”, “crise do contrato”, conforme veremos, e assim 
suscessivamente. 
6 Fundamentos do Direito Privado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1998, p. 
540. 
7 Ob. cit. p. 540. 
8 O Direito dos Contratos e seus Princípios Fundamentais. São Paulo: Editora Saraiva, 
1994, p. 26. 
9 “Sentiu-se, entretanto, na sociedade romana, cuja vida se tornou cada vez mais complexa 
com o surgimento de maior pluralidade de negócios, a necessidade de dar uma certa 
materialidade aos contratos. E surgiram, então, as quatro modalidades mencionadas 
por Gaius. Primeiro, os contratos r, como uma espécie de contrato real, que se perfazia 
mediante a entrega de uma coisa; contrato litteris, que se completavam pela inscrição 
no codex do devedor; contrato verbis, que se realizavam mediante a troca de palavras 
sacramentais, dos quais o mais importante era a stipulatio. Somente mais tarde veio o 
contrato consensu, cujo nascimento foi lento e complexo, a que me referirei no segmento 
seguinte. Nem por isto perdeu sentido a afirmativa de Gaius: as obrigações ora nascem 
de um contrato ora do delito (vel ex contractu nascitur, vel ex delicto – Institutiones 
Commentarius, Vol. III, n. 88)” (Silva Pereira, Caio Mário Da,. Direito Civil – Alguns 
aspectos de sua evolução, Editora Forense, 2.001, Rio de Janeiro, p. 228).
10 Evolução contemporânea do Direito Contratual. São Paulo: Revista dos Tribunais. 
RT, v. 199, p. 144. 
170
UNIDADE 3 | DIREITO PRIVADO
11 Contratos Internacionais do Comércio. São Paulo: Editora LTR, 3. ed. p. 17. 
12 O Direito dos Contratos e seus Princípios Fundamentais. São Paulo: Editora Saraiva, 
1994, p. 1. 
13 Vallespinos, Carlos Gustavo (Org.). Contratos. Presupuestos. Córdoba: Editora 
Advocatus, Sala de Derecho Civil, Colégio de Abogados de Córdoba,, p. 12 . 
14 “Contratos no Direito Brasileiro”. Tomo I. Rio de Janeiro: Editora Forense, 4ª 
Edição, 1957, p. 7. 
FONTE: TARTUCE, Flávio. A realidade contratual à luz do novo Código Civil . Jus Navigandi, 
Teresina, ano 8, n. 190, 12 jan. 2004. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.
asp?id=4389>. Acesso em: 12 set. 2008.
171
Neste tópico você aprendeu, especialmente, que:
l	O Direito Internacional Privado nasce do desenvolvimento tomado pelas 
relações de ordem privada entre os diferentes povos.
l	Destas relações surgem conflitos sobre a aplicação da lei e que o Direito 
Internacional Privado busca justamente resolver estes conflitos.
RESUMO DO TÓPICO 6
172
AUTOATIVIDADE
Para realizar esta atividade, você terá que ter em mãos uma cópia da 
LICC. Caso não tenha cópia impressa, baixe-a da internet no link “legislação”. 
Responda às seguintes perguntas:
1 De acordo com a LICC, qual a lei aplicável quando se tratar de início e fim 
da personalidade?
2 Qual a legislação a ser observada para o regime de bens no casamento?
3 Qual a lei que regerá a sucessão de estrangeiro morto fora de seu domicílio?
4 Qual a lei aplicável a imóvel de estrangeiro situado no Brasil?
5 Como se regem as obrigações, ou seja, um contrato celebrado no Brasil 
entre estrangeiros será regido por qual legislação?
173
REFERÊNCIAS
ACCIOLY, Hildebrando; SILVA, Geraldo Eulálio do Nascimento e. Manual de 
Direito Internacional Público. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
BRASIL. Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro LINDB Brasileiro, 
n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: <www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 20 set. 2008. 
______. Art. 62 da Constituição Federal, de 1988. Título IV. Da Organização dos 
Poderes. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá 
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato 
ao Congresso Nacional. Disponível em: <www.dji.com.br/constituicao_federal/
cf061a069.htm>. Acesso em: 20 set. 2008. 
______. Lei Federal nº 1.533/51. Altera disposições do Código do Processo Civil, 
relativas ao Mandado de Segurança. Disponível em: <www.dji.com.br/leis_
ordinarias/1951-001533-ms/1533-51.htm>. Acesso em: 20 set. 2008. 
______. Lei nº 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário 
Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados 
e Municípios. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 
DF, 27 out. 1966.
______. Lei nº 6.830, de 22 de Setembro de 1980. Dispõe sobre a cobrança judicial 
da Dívida Ativa da Fazenda Pública, e dá outras providências. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 24 set. 1980.
 
______. Lei º 4.737 de 11 de Julho de 1965. Institui o Código Eleitoral. Diário 
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 19 jul. 1965.
 
______. Lei nº 10.406, de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002.
 
______. Lei n] 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. 
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 jan. 1973.
 
______. Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. 
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 13 out. 1941.
______. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das 
Leis do Trabalho. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 
DF, 09 out. 1943.
 
174
______. Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941. Lei das Contravenções 
Penais. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 03 out. 
1941.
 
______. Lei nº 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais 
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, 
e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 
Brasília, DF, 13 fev. 1998.
______. Decreto-lei n. 2.848, de 7 de Dezembro de 1940. Código Penal. Diário 
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 31 dez.1940.
 
______. Lei n. 8.072, de 25 de Julho de 1990. Dispõe sobre os crimes hediondos, 
nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras 
providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília,DF, 
26 jul. 1990.
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2006.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral do Direito 
Civil. São Paulo: Saraiva, 2003.
_____. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral do Direito Civil. São Paulo: 
Saraiva, 2008.
DIREITO AMBIENTAL. In: instituto Brasileiro de Produção Sustentável. 
Disponível em: <www.ibps.com.br>. Acesso em: 20 set. 2008.
FÜHRER, Maximilianus Cláudio Américo; MILARÉ, Edis. Manual de direito 
público e privado. 15. ed. rev. e atual. São Paulo: Editora dos Tribunais, 2005.
GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de Direito 
Civil. São Paulo: Saraiva, 2003. Parte Geral. vol. I.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Parte Geral. São Paulo: 
Saraiva, 2006.
______. Direito Civil Brasileiro. Direito das Coisas. São Paulo: Saraiva, 2007.
GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: 
Forense, 2006.
HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Casamento e regime de bens. Jus 
Navigandi, Teresina, ano 7, n. 65, maio 2003. Disponível em: <http://jus2.uol.com.
br/doutrina/texto.asp?id=4095>. Acesso em: 12 set. 2008.
JESUS, Damásio de. Código Penal Comentado. São Paulo: Saraiva, 2006.
175
MARTINS, Eliezer Pereira. Direito Constitucional Militar. Jus Navigandi, 
Teresina, ano 7, n. 63, mar. 2003. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/
texto.asp?id=3854>. Acesso em: 12 ago. 2008. 
MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2005. 
MEIRELLES, Hely. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2005.
MELLO, Celso Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: 
Malheiros, 
2004.
MORAES, Alexandre. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2003.
NADER. Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Forense, 2008.
NUNES, Rizzatto. Manual de Introdução ao estudo do Direito. São Paulo: 
Saraiva, 2003.
PRADO, Luiz Régis. Curso de Direito Penal Brasileiro. Parte Geral. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2005.
RAPOSO, Alexandre T., HEINE, Cláudio. Manual Jurídico do Corretor de 
Imóveis. São Paulo: Editora Imã Produções, 2004.
REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 2006. 
SILVA, Plácido e. Vocabulário Jurídico. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1991. 4v.
SILVA, Fernando Borges da. O Código de Defesa do Consumidor: um 
microssistema normativo eficiente?. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 873, 23 
nov. 2005. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7564>. 
Acesso em: 12 ago. 2008. 
STRENGER, Irineu. Direito internacional privado. São Paulo: LTr, 2003.
176
177
ANOTAÇÕES
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
178
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
179
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
180
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
181
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________

Mais conteúdos dessa disciplina