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Nebulização Consiste numa forma de tratar afecções pulmonares por meio de substâncias especiais associadas ao O2 ou ar comprimido. Objetivos: ▪ Aliviar processos inflamatórios, congestivos e obstrutivos ▪ Umedecer para tratar ou evitar desidratação das mucosas ▪ Fluidificar para facilitar a remoção de secreções ▪ Administrar mucolíticos para obter atenuação ou resolução de espasmos ▪ Administrar corticosteroides com ação anti-inflamatória e anti-exsudativa ▪ Administrar agentes antiespumantes nos casos de edema agudo de pulmão. Material: ▪ Bandeja ▪ Fonte de O2 ou ar comprimido ▪ Intermediário de O2 ▪ Solução nebulizadora conforme prescrição médica ▪ Seringa para medir dose se necessário ▪ Nebulizador com máscara ▪ Recipiente para expectoração (escarradeira), se necessário ▪ Toalhas ou lenços de papel ▪ Monômetros de O2 ou ar comprimido. Técnica: ▪ Higienizar as mãos ▪ Conferir solução preparada com prescrição médica ▪ Dispor todo o material sobre a bandeja ▪ Colocar a solução no copinho com o auxílio da seringa e conectar este à máscara ▪ Conferir novamente o preparo da medicação, a identificação completa do cliente antes de se encaminhar ao leito ▪ Orientar o paciente e ou acompanhante sobre o procedimento e sua finalidade ▪ Posicionar o paciente em Fowler ou semifowler ▪ Conectar o fluxômetro na fonte de O2 ou ar comprimido ▪ Conectar o intermediário ao copinho inalador e junto à fonte de O2 ou ar comprimido ▪ Oferecer o nebulizador ao cliente e observar o ajuste na face (se o cliente não estiver em condições de segurar o copinho inalador, orientar para que o acompanhante o faça e na ausência deste, proceder a nebulização até que todo líquido termine) ▪ Acionar a válvula de O2 ou ar comprimido entre 3 e 6l/min ▪ Orientar para que o paciente permaneça com a boca aberta e inspire profundamente ▪ Observar término de todo o líquido nebulizador ▪ Recolher e dar o destino correto ao material ▪ Higienizar as mãos ▪ Realizar as anotações necessárias em prontuário ▪ Alguns medicamentos de ação no sistema respiratório podem causar efeitos sistêmicos, como inquietação, nervosismo e palpitações. ▪ Administrar esses medicamentos com cautela a pacientes com doenças cardíacas devido à possibilidade de hipertensão, arritmias ou insuficiência coronária. ▪ Monitorar a frequência cardíaca do paciente após o procedimento, especialmente quando usados broncodilatadores. ▪ Os broncodilatadores provocam o relaxamento da musculatura lisa das vias aéreas, melhorando o seu calibre. ▪ Podem ser administrados por várias formas, particularmente na forma de sprays de aerossol ou nebulizadores. COVID O uso dos nebulizadores convencionais deve ser evitado já que gera micropartículas que podem carrear o vírus para o pulmão e para o ambiente. ▪ o procedimento de nebulização libera aerossóis, que são partículas que ficam suspensas por quase 3 horas. ▪ Deve-se dar preferência ao uso de broncodilatador em spray inalatório (“bombinha”) Dreno de Tórax ▪ Traumas, doenças ou cirurgias podem interromper o sistema de pressão negativa dos pulmões, causando colapso pulmonar. ▪ Ar (pneumotórax), sangue ou fluido (hemotórax) podem extravasar na cavidade pleural. ▪ Um dreno torácico é inserido e um sistema fechado de drenagem torácica é conectado para promover a drenagem do ar e fluido do espaço pleural por gravidade para que os pulmões possam ser expandidos. ▪ Uma válvula unidirecional evita que ar ou líquidos voltem em direção à cavidade pleural. Indicação: ▪ A drenagem torácica está indicada quando há perda da pressão negativa no espaço intratorácico e, consequentemente, perda da função pulmonar. ▪ Essa situação pode ocorrer devido a presença de ar ou fluído na cavidade pleural, resultando em colapso parcial ou total do pulmão. Pneumotórax – coleção de ar no espaço pleural causada por presença de doença pulmonar, ventilação mecânica, ferida de punção penetrante, tumores, ruptura de vesículas, broncoaspiração de compostos químicos tóxicos Hemotórax – coleção de sangue no espaço pleural causada por traumarismos torácicos, neoplasias, rupturas pleurais, anticoagulação excessiva, pós-cirurgia torácica, biópsia pulmonar aberta Empiema – coleção de pus na cavidade pleural causada por infecções, pneumonias recorrentes Quilotórax – coleção de quilo (linfa) na cavidade pleural causada por traumatismos, condições malignas, cirurgia torácica, anormalidades congênitas Hidrotórax – coleção de líquido seroso na cavidade pleural causada por insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática, neoplasias, complicações da diálise peritoneal, lúpus eritematoso, artrite reumatoide, tuberculose ▪ A colocação do dreno torácico depende do tipo de drenagem necessária. ▪ Como o ar ascende na cavidade, a colocação apical e anterior do dreno torácico permite a remoção do ar. ▪ Os drenos torácicos são posicionados na região inferior e posterior ou lateral para drenar fluidos. ▪ Para drenar sangue ou secreção espessa são utilizados drenos maiores (36 a 40 French) e para remoção de ar, drenos menores (16 a 28 French) ▪ Para reestabelecer a pressão negativa intrapleural é necessário um selo para o dreno torácico (sistema de drenagem subaquática) que impeça a entrada de ar vindo de fora. Existem vários tipos de sistemas de drenagem: ▪ Sistema de câmara única ▪ Sistema de duas câmaras ▪ Sistema de três câmaras ▪ Sistema de sucção seca (sem água) SISTEMA DE CÂMARA ÚNICA ▪ frasco com uma tampa vedada que tem duas aberturas. ▪ Uma para a saída de ar; a outra permite a passagem de um tubo que se estende quase até o fundo do frasco. ▪ Água estéril é colocada no frasco até que a ponta do tubo rígido esteja submersa 2cm. ▪ Isso cria uma vedação aquática fechando o sistema de ar externo. SISTEMA DE DUAS CÂMARAS ▪ A primeira câmara é o receptor de coleta, e a segunda, o selo d’água. ▪ Nesse sistema pode ser aplicada sucção ao frasco do selo d’água mediante sua conexão à abertura de ar. ▪ O fluido é drenado para a primeira câmara. ▪ A segunda câmara contém o selo d’água, o qual permite que o ar escape em razão da força de expiração, mas não volta durante a inspiração SISTEMA DE TRÊS CÂMARAS ▪ há a adição de uma câmara para o controle da sucção ao sistema de duas câmaras. ▪ Essa é a maneira mais segura de regular quantitativamente a sucção. ▪ O fluido é drenado para a primeira câmara. ▪ A segunda câmara contém o selo d’água, o qual permite que o ar escape em razão da força de expiração, mas não volta durante a inspiração. ▪ Se a aspiração for necessária, uma terceira câmara é utilizada. ▪ A pressão de sucção não deve exceder 20 cmH2O em razão da possibilidade de lesão ao tecido pulmonar. SISTEMA DE SUCÇÃO SECA (SEM ÁGUA) ▪ Esse sistema usa um mecanismo de mola para controlar o nível de sucção e pode proporcionar um nível mais alto de sucção. ▪ A câmara de controle da aspiração é substituída por uma válvula unidirecional localizada próxima ao topo do sistema. A câmara de drenagem toma a maior parte do espaço na unidade de drenagem. A câmara de controle da aspiração contém uma bola flutuante de controle de aspiração, que é ajustada por um indicador após o aspirador ser conectado e ligado. Material: ▪ Anestésico local, se não for realizado um procedimento emergencial ▪ Sistema de drenagem prescrito ▪ Sistema em selo d’água versus sistema sem água: água estéril ou solução salina, de acordo com as instruções do fabricante ▪ Sistema de aspiração, se for utilizado ▪ Bandeja para passagem de dreno torácico (todos os itens estão estéreis), tipicamente: porta-agulhas, lâmina de bisturi, fio de sutura, campo estéril, gaze estéril e tesoura de sutura ▪ Material para antissepsia do local de inserção dodreno torácico (clorexedina) ▪ Curativos: gazes, curativos grandes de escolha, bandagens 4x4 adicionais, fita adesiva ▪ Duas pinças hemostáticas (pinça do tipo Kocher) para cada dreno torácico ▪ Fita adesiva para fixar as conexões ▪ Máscara facial e óculos de proteção ▪ Luvas estéreis ▪ Ajuste o sistema em selo d’água. ▪ Obtenha o sistema de drenagem torácica. Remova a embalagem e prepare para instalar como um sistema de duas ou três câmaras. ▪ Mantendo a esterilidade do tubo de drenagem, coloque o sistema em um local apropriado e adicione água estéril aos compartimentos apropriados. ▪ Para um sistema com duas câmaras (sem aspiração), adicione solução estéril à câmara em selo d’água (segunda câmara), colocando líquido até o nível necessário, conforme indicado. ▪ Para um sistema com três câmaras (com aspiração), adicione solução estéril à câmara em selo d’água (segunda câmara). Adicione a quantidade de solução estéril prescrita pelo médico à câmara de controle de aspiração (terceira câmara), geralmente com uma pressão de 20 cmH2O. Conecte o tubo da câmara de controle de sucção ao aspirador. Meça o comprimento do tubo de drenagem de acordo com o paciente ▪ Ligue a sucção no nível prescrito para testar com os tubos de drenagem ocluídos com as pinças. ▪ Desligue o aspirador. ▪ Posicione o paciente para inserção, deixando o lado no qual será colocado o dreno torácico acessível ao médico. ▪ Ajude o médico a inserir o dreno torácico, fornecendo os equipamentos necessários e os analgésicos locais, e ofereça suporte e instrução ao paciente. ▪ O médico inserirá e pinçará o dreno, suturará no local e aplicará bandagem oclusiva. ▪ Ajude o médico a conectar o tubo de drenagem ao dreno torácico; remova a pinça. ▪ Ligue a sucção no nível prescrito. ▪ Verifique o funcionamento apropriado do sistema; o médico requisitará um raio X torácico, para verificar a posição intrapleural do dreno. ▪ Após a colocação do dreno, posicione o paciente: ▪ Utilize a posição semi-Fowler ou alta de Fowler para eliminar de modo mais eficaz o ar (pneumotórax). ▪ Utilize a posição alta de Fowler para drenar líquidos (hemotórax). ▪ Ajuste o tubo para ser pendurado em uma linha reta do topo do colchão até a câmara de drenagem. ▪ Coloque duas pinças hemostáticas com ponta emborrachada (para cada dreno torácico) em uma posição de fácil acesso, como na cabeceira da cama. ▪ Os drenos torácicos são duplamente pinçados sob circunstâncias específicas: ➔ para avaliar um vazamento de ar ➔ para esvaziar ou trocar rapidamente os sistemas de descarte, ➔ para avaliar se o paciente está pronto para ter o dreno removido. Cuidados: ▪ Avalie os sinais vitais; a SpO2; a coloração de pele; os sons respiratórios; e a frequência, a amplitude e o esforço respiratório a cada 15 minutos pelas primeiras duas horas e depois pelo menos a cada turno após o procedimento de instalação. ▪ Monitore a cor, a consistência e a quantidade do conteúdo drenado a cada 15 minutos pelas primeiras duas horas. ▪ Em um dreno torácico posterior, é esperado entre 100 mL e 300 mL durante as três primeiras horas após a inserção, com um total de 500 a 1.000 mL esperados nas primeiras 24 horas. O conteúdo drenado é sanguinolento durante as primeiras horas após a instalação e, depois, seroso. ▪ Em um dreno torácico anterior inserido em razão de um pneumotórax, deve haver pouco ou nenhum conteúdo. ▪ Observe se há secreção no curativo de inserção do dreno. ▪ Palpe ao redor do dreno buscando edema e crepitação (enfisema subcutâneo), evidenciados por estalos. Indica a presença de ar no tecido subcutâneo. Pequenas quantidades são comumente absorvidas. Grandes quantidades são potencialmente perigosas. ▪ Verifique os tubos para garantir que não há dobras e laços. ▪ Observe a flutuação do conteúdo drenado no dreno e câmara em selo d’água durante a inspiração e expiração. Observe se há coágulos ou resíduos nos drenos. ▪ Se a flutuação ou formação de ondas cessarem, significa que o pulmão está completamente expandido ou o sistema está obstruído. ▪ Mantenha o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Promove a drenagem por gravidade e impede a volta do fluxo de líquido e ar em direção ao espaço pleural. ▪ Verifique possíveis vazamentos de ar monitorando a formação de bolhas na câmara em selo d’água: o borbulhar intermitente é normal durante a expiração, quando o ar está sendo evacuado da cavidade pleural, mas o borbulhar contínuo durante a inspiração e a expiração indica a presença de um vazamento no sistema. Atuação do enfermeiro: ▪ Manter a permeabilidade do sistema e monitorar a drenagem – se o dreno borbulhar excessivamente pode ser uma fístula aérea de alto débito, a última abertura do dreno pode estar fora da cavidade pleural, haver vazamento ou perfuração nas conexões – comunique o médico. ▪ Realizar uma avaliação respiratória completa – sinais vitais basais, oximetria, ausculta pulmonar, radiografia de tórax, presença de desconforto respiratório ▪ Verificar níveis de hemoglobina e hematócrito – parâmetros que demonstram perda sanguínea, afetando a oxigenação. Evitar clampear o dreno no transporte do paciente e não elevar o frasco selo d’água ao nível do tórax do paciente – pois o líquido drenado irá refluir para a cavidade pleural. Evitar ordenhar o dreno – esse procedimento é pouco efetivo e pode gerar uma pressão negativa muito alta (com exceção dos drenos mediastinais). Nunca clampear um dreno que estiver borbulhando quando for trocar ou elevar o frasco – se possível usar apenas os dedos para pinçar a extensão. Lembre-se: um dreno clampeado pode provocar um pneumotórax hipertensivo, com balanço do mediastino e parada cardíaca. Nunca conectar a rede de vácuo direto no respiro do frasco selo d’água. Usar sempre um sistema regulador (frasco de aspiração ou tubo regulador de vácuo) Anotar rigorosamente os controles realizados – quantidade drenada por unidade de tempo – ex.: 300ml/6h, a coloração e a consistência. Manter o paciente em posição Semi-Fowler – posição ideal – e movimentá-lo a cada 2 horas – estimula a saída de ar e líquido. Encorajar o paciente a tossir, respirar profundamente e deambular, quando possível – facilita a drenagem e previne obstrução do dreno Monitorar e aliviar a dor – a permanência do dreno ocasiona dor, que inibe a tosse e, consequentemente, facilita o acúmulo de secreções Realizar troca diária de curativo – previne infecção Critérios para a remoção do dreno torácico ▪ Um dia após a cessação de saída de ar – 24 horas sem borbulhar ▪ Radiografia de tórax com pulmão totalmente expandido ▪ Volume da drenagem entre 50 a 100 ml em 24h ▪ Drenagem de aspecto claro ▪ 2 a 6 dias após cirurgia torácica Ajude na remoção do dreno torácico. ▪ Administre a medicação prescrita para analgesia cerca de 30 minutos antes do procedimento. ▪ Ajude o paciente a sentar na borda da cama ou deitar em decúbito lateral apoiado no lado sem drenos. ▪ O médico prepara um curativo oclusivo com gaze em uma bandagem compressiva e coloca ao lado em um campo estéril. ▪ O médico pede ao paciente que respire profundamente e segure o ar, ou exale completamente e segure a respiração. Isso impede que o ar seja sugado pelo tórax assim que o dreno é removido. ▪ O médico segura o curativo preparado no local de inserção do dreno e rapidamente puxa o dreno torácico. Impedindo a entrada de ar pela ferida torácica. ▪ O médico fixa rápida e firmemente o curativo no local onde estava o dreno ▪ Parecer no.001/2016 – COFEN – conclui que, o Enfermeiro é profissional habilitado para a realização da retirada do dreno pleural tubular, e menciona: “Os profissionais devem possuir conhecimento científico e habilidade para prestar assistência embasadaem evidência científica ao portador desse tipo de dreno, a fim de prevenir potenciais complicações relativas ao procedimento e promover a segurança do paciente”.