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10 C o lu n a d a Ti n in h a Prosthes. Lab. Sci. 2016; 6(21):10-13. Ilusão Illusion 1 Cirurgiã-dentista e Técnica em Prótese Dentária. 2 Técnico em Prótese Dentária. E-mail do autor: tininhagomes2015@gmail.com Recebido para publicação: 28/11/2016 Aprovado para publicação: 05/12/2016 Ana Cristina Rocha Gomes1 Reinaldo Nascimento2 Resumo A Odontologia Restauradora e a Protése devem satisfazer as exigências estéticas do pa- ciente e contribuir para a saúde gengival e articular (oclusão). Para tanto, muitas vezes nos deparamos com desproporções dentoalveolares, maus posicionamentos, desvios de longo- -eixo, inclinações axiais desfavoráveis, presenças de diastemas, etc. Para criar a percepção ilusória de dimensões e rotações diferentes das reais, podem ser utilizados artifícios ópticos dentro dos limites de tolerância visual. Esses artifícios vão desde o trabalho com a estratifi- cação das cores utilizadas na restauração/prótese ao planejamento adequado da área plana (ou reflexiva), ângulos incisais, área de transição, linhas de brilho, textura, pontos de con- tatos proximais, etc. Este artigo aborda alguns princípios que podemos utilizar para alterar a percepção ilusória de um dente, aproveitando-se de fenômenos ópticos na superfície do esmalte. Descritores: Ilusão, reflexão, absorção. Abstract Restorative dentistry and dental prosthesis must meet patients’ aesthetic expectations and preserve gingival and articular health. In such circumstances it is common to observe dentoalveolar disproportion, poorly positioned teeth, large, deviations of the long axis, unfa- vorable axial inclination, diastema, etc. In order to create the illusion of different dimension and rotations, optical resources can be applied respecting visual tolerance limits. These resources range from the stratification of the colors used on the restoration/prostheses to proper planning of reflexive area, incisal angles, transition areas, texture, brightness, texture and proximal contact points. The present study approaches some principles that may be used in order to improve dental appearance through optical resources over enamel surface Descriptors: Ilusion, reflection, absorption. 11 Prosthes. Lab. Sci. 2016; 6(21):10-13. G om es A C R, N ascim ento R. Introdução Os princípios utilizados para alterar ilusoriamente a largura e o comprimento da coroa podem ser incluídos levando-se em consideração os seguintes pontos: • Áreas de absorção (áreas que possuem croma ou saturação mais elevada) e áreas de reflexão (áreas de alto valor ou mais claras e iluminadas) diminuem e aumentam respectivamente as di- mensões percebidas; • Ângulos mais arredondados darão a sensação óptica de coroas mais estreitas; • Área plana ou de reflexão mais ampla no sen- tido mésio-distal e mais polida irão refletir mais a luz, principalmente no terço médio da coroa, dando a impressão óptica de que o dente é mais largo; • Na textura, linhas verticais aumentam a longi- tude visual da coroa, enquanto que as linhas horizontais acentuam a largura; • Pontos de contatos interproximais deslocados para o sentido palatino permitem a formação de maior área de sombra (absorção) nas pro- ximais, caracterizando um dente com aspecto mais estreito; • Saturação das áreas proximais (croma mais sa- turado na confecção das faces mesiais e distais) permitem maior absorção da luz, criando a ilu- são de um dente estreito. 12 O que fazer se o dente aparenta ser longo? Em um perfil lateral, a face vestibular do incisivo central apresenta três planos horizontais ou terços diferentes: o plano ou terço cervical e o terço incisal estando inclinados lingualmente irão desviar a luz. O terço médio, por não ter inclinação, irá refletir a luz. Se observarmos o dente por uma vista frontal, ve- rificaremos também os três planos (terços), sendo que é o terço médio que irá refletir a luz e a mesma irá se “perder”, ou seja, ser desviada para as áreas inter- proximais, formando regiões de penumbra ou sombra. Em resumo, a luz se perde tanto em direção proximal delimitada pelos ângulos de transição, quanto se per- de para a zona cervical e incisal por suas inclinações. Sendo assim, se tivermos a intenção de que a coroa pa- reça curta, iremos concentrar a luz no terço médio da coroa através da inclinação lingual dos terços cervical e incisal e aproximar as cristas proximais para o centro, estreitando a reflexão da luz na área plana do dente. Se quisermos o efeito contrário, ou seja, que o dente pareça curto, faremos o processo contrário. Fechamento de diastema Um dos grandes obstáculos para o fechamento de diastemas, principalmente entre incisivos centrais, é construir facetas ou coroas que não aparentem es- tarem largas. Para tal desafio, é importante seguir algumas re- gras que irão contribuir para a diminuição ilusória da largura das coroas: • Aproximação das cristas mesiais e distais para gerar uma área de reflexão (área de espelho) mais estreita; Prosthes. Lab. Sci. 2016; 6(21):10-13. 13 • Como consequência dessa aproximação, a área de transição (área de penumbra) torna-se maior e, portanto, desvia melhor a luz em direção pro- ximal; • Saturação (aumento do croma) nas regiões pro- ximais, gerando maior absorção da luz nestas áreas, causando a ilusão óptica de dente mais estreito; • Confecção dos pontos de contato proximais desviados mais para palatino com o intuito de criar uma região de sombra maior na proximal; • Arredondamento dos ângulos incisais para dimi- nuir a aparência de dente largo; • Textura superficial no sentido vertical, criando o aspecto visual de dente longo. Conclusão Ao trabalharmos utilizando artifícios ópticos na confecção da forma geral de uma coroa de dente an- terior ou de sua textura, podemos dar a ilusão de que o dente é mais longo ou curto; mais largo ou estreito, sem comprometer as medidas e proporções reais do dente. Bibliografia 1. Bruguera A, Kina S. Invisível: Restaurações estéticas cerâmi- cas. Dental Press editora.1 ed. Maringá: 2007. 2. Hatjó J. Anteriores: A beleza natural dos dentes anteriores. Editora Santos. 1 ed. São Paulo: 2008. 3. Kano P. Desafiando a Natureza. Editora Santos. 1 ed. São Paulo: 2012. 4. Montagna F, Barbesi M. De la cera a la cerâmica. Amolca. 1 ed. Colombia: 2008. 5. Stanley JN, Major M Jr. Dental Anatomy, Physiology and Oclclusion. 9 ed. SAUNDERS W B Company, 2010. Como citar este artigo: Gomes ACR, Nascimento R. Ilusão. Prosthes. Lab. Sci. 2016; 6(21):10-13. Prosthes. Lab. Sci. 2016; 6(21):10-13. G om es A C R, N ascim ento R.