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GESTÃO DE OPERAÇÕES DE SEGURANÇA AULA 6 Prof. Antonio Tammenhain 2 CONVERSA INICIAL Os processos de Gestão de Risco, Gestão de Crise e de Continuidade de Negócio são disciplinas complementares na Gestão de Operações de Segurança, que garantem a manutenção da normalidade operacional e a integridade de pessoas, instalações, bens e valores, que de alguma forma estejam envolvidos com as operações da organização. Esses processos devem estar alinhados com as Normas ABNT NBR ISO 31000/2009 e ABNT NBR ISO 22301/2013. Ainda complementam a qualificação da Gestão de Operações de Segurança os fundamentos das atividades estratégicas de Proteção da Informação e de Inteligência e Contra Inteligência Empresarial Competitiva. O perfil do moderno Gestor de Operações de Segurança, que o habilita a definir, monitorar e conquistar objetivos táticos operacionais alinhados com a estratégia do negócio por ele assessorado, é composto pelos conhecimentos básicos nessas disciplinas e suas ramificações. TEMA 1 – PROCESSOS DE GESTÃO DE RISCO - GR 1.1 Objetivo A GR é responsável pelo caráter preventivo do sistema de segurança e tem o objetivo de evitar que se concretizem incidentes e quaisquer tipo de ameaça contra os objetivos estratégicos do negócio, considerando elemento básico nesse sentido, a garantia da integridade de pessoas, instalações, bens e valores. 1.2 Métodos Existem muitos métodos e técnicas de GR que se aplicam de forma mais adequada dependendo dos contextos estratégico, tático e operacional da organização. Alguns são mais didáticos, outros mais cartesianos, e outros mais operacionais. Alguns olham mais para o passado, outros oferecem mais visão de futuro. Entretanto, para o planejamento da segurança, não há como decidir, com base em estatísticas e observações passadas, assim como também não são adequados para os objetivos táticos operacionais de segurança, os métodos mais inflexíveis e que não levam em conta a realidade prática e suas mutações de contexto operacional. O método aplicado em operações de segurança deve 3 possibilitar a utilização da sensibilidade do gestor quando na função de analista de risco. 1.3 Etapas A GR deve ser executada com a seguintes etapas e nessa ordem, conforme a Norma ABNT NBR ISO 31000/2009: Comunicação e Consulta: Em qualquer organização existem percepções diferenciadas para a mesma condição operacional e essa característica não é diferente com relação aos riscos. Também variam os níveis de preocupação e de suposições com relação aos seus efeitos sobre os objetivos. A Norma recomenda que a Comunicação e Consulta deve ser um processo contínuo, desde a fase inicial, para assegurar que os responsáveis pela implementação do processo de gestão de riscos e as partes interessadas compreendam os fundamentos sobre os quais as decisões são tomadas e as razões pelas quais ações específicas são requeridas. Essa etapa, que é contínua, consiste em contatos e esclarecimentos frequentes às partes interessadas, sobre questões relacionadas com o risco propriamente dito, suas causas, suas consequências e as medidas que estão sendo tomadas para tratá-los. Cabe ao Gestor de Risco exercer a estratégica função de manter informadas todas as partes interessadas sobre o andamento e os resultados de cada etapa de todo o processo, para conseguir a adesão consciente e proativa de todos os agentes influenciadores para o sucesso dos objetivos da GR. Estabelecimento do contexto: A seguir, o texto na íntegra da Norma ABNT NBR ISO 31000/2009: Ao estabelecer o contexto, a organização articula seus objetivos, define os parâmetros externos e internos a serem levados em consideração ao gerenciar riscos, e estabelece o escopo e os critérios de risco para o restante do processo. Mesmo que muitos destes parâmetros sejam similares àqueles considerados na concepção da estrutura da gestão de riscos (ver 4.3.1), ao se estabelecer o contexto para o processo de gestão de riscos, eles precisam ser considerados com mais detalhe. Em particular, como eles se relacionam com o escopo do respectivo processo de gestão de riscos. Essa etapa se subdivide em 4 fases, a saber: Contexto externo, contexto interno, contexto do processo de gestão de riscos e definição dos critérios de riscos. Identificação dos riscos: refere-se aos “trabalhos de campo”, analisando todas as fontes de riscos, condições e processos operacionais em busca de fatores de risco. Também existem vários métodos de identificação de 4 riscos, porém todos baseados em causa e efeito. O cuidado que o analista deve ter nessa etapa é não subestimar o sistema e entender toda a sua complexidade para que possa garantir uma varredura completa em todas as operações e processos, de modo que ao menos todos os riscos de maior potencial de impacto sejam identificados para serem analisados, avaliados e devidamente mitigados. De acordo com a Norma, a finalidade desta etapa é gerar uma lista abrangente de riscos baseada nestes eventos que possam criar, aumentar, evitar, reduzir, acelerar ou atrasar a realização dos objetivos. Análise de Riscos: essa etapa demonstra a real importância de cada risco para os objetivos do negócio e determina a probabilidade de concretização de cada risco e o valor do seu impacto sobre os objetivos estratégicos do negócio. Os resultados dessa etapa são fundamentais para a avaliação e o tratamento dos riscos já identificados. Avaliação dos riscos: a partir do resultado da análise do risco e conhecendo os valores da sua probabilidade de concretização e do seu nível de impacto sobre o negócio, já é possível tomar as devidas decisões referentes ao seu tratamento. São duas variáveis que, combinadas, definem o nível de prioridade de tratamento que possui cada risco. Assim, precisa ser tratado efetiva e urgentemente um risco que foi analisado como estando na iminência de concretização e cujo impacto pode ser catastrófico e até massivo sobre os objetivos estratégicos do negócio, enquanto não há urgência em tratar um risco de baixa probabilidade e baixo impacto. Tratamento dos riscos: nessa etapa, serão tomadas as decisões relativas às opções de medidas destinadas a mitigar os riscos com o objetivo claro e bem definido para reduzir a sua probabilidade de concretização, ou reduzir o seu impacto sobre o negócio, ou as duas coisas combinadas. Nessa fase deverá ser elaborado um Plano de Ação com todos os detalhes da execução de cada ação necessária. Monitoramento e análise crítica: o monitoramento deve ser planejado com a definição de como e quando serão feitas as análises críticas nas ações previstas no Plano de Ação. Análises críticas deverão ser realizadas oportunamente, sempre que ocorrer um evento relacionado com os riscos e as ações elencadas no processo de Gestão de Risco. 5 Todos os trabalhos desde a primeira etapa devem ser evidenciáveis por meio de registros. TEMA 2 – PROCESSOS DE GESTÃO DE CRISE Crise definição: condição inesperada, ainda fora do controle da organização e com potencial de produzir perdas na sua imagem, perdas em procedimentos legais, perdas em consequência de interrupções operacionais e perdas financeiras. Objetivo: executar ações de pronta resposta a incidentes, conforme pré- estabelecido no Plano de Gestão de Incidente a fim de conter e limitar danos e reduzir para um tempo tolerável, o tempo de interrupção dos processos críticos operacionais e para um valor suportável, o nível de impacto do incidente sobre o negócio. Estrutura da resposta ao incidente: as ações de pronta resposta compreendem a identificação do ponto inicial de impacto do incidente, a avaliação da natureza do incidente e a extensão e o impacto potencial. Nessa fase inicial da resposta ao incidente, devem ser comunicadas as partes interessadas e priorizadasas ações para gerenciar fatalidades, proteger pessoas e conter danos. Deverão ser disparadas as primeiras ações das estratégias de continuidade previstas no Plano de Continuidade Operacional. Manual de gestão de incidente: manual de bolso contendo as instruções específicas e elementares para dar início ao Plano de Gestão de Incidente e Plano de Continuidade Operacional. TEMA 3 – PROCESSOS DE GESTÃO DE CONTINUIDADE DE NEGÓCIO Continuidade operacional: capacidade operacional de continuar a entrega de produtos ou serviços após um incidente de interrupção, em um nível aceitável. Para isso deve existir um Plano com os seguintes elementos: o Identificação de processos críticos; o Elaboração de cenários de descontinuidade; o Definir requisitos de continuidade; o Elaboração de estratégias de continuidade operacional; 6 o Recuperação de processos críticos; o Plano de ação de melhorias no sistema; o Agenda de teste e relatórios; o Análise crítica. TEMA 4 – PROCESSOS DE INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL COMPETITIVA Segundo Michael Porter: O grau de concorrência em uma indústria vai muito além do comportamento dos atuais concorrentes e depende de cinco forças competitivas básicas, a saber: Entrantes Potenciais - Ameaças de novos entrantes; Compradores - Poder de negociação dos compradores; Fornecedores - Poder de negociação dos fornecedores; Substitutos - Ameaça de produtos ou serviços substitutos; Concorrentes – Rivalidade entre as Empresas Existentes. Então, vemos o Prof. Michael Porter defendendo a importância da atenção das empresas para a competitividade e destacando a necessidade da ação estruturada para o levantamento de informações de mercado e reforçando a importância da atividade de Inteligência e Contra Inteligência Empresarial Competitiva. 4.1 Inteligência competitiva e operações de segurança Quando se fala de atividade de Inteligência Competitiva, além da tendência de pensar em atividade de espionagem, o profissional não familiarizado com essa atividade tende também a pensar em ações voltadas exclusivamente para o monitoramento do concorrente. Um profissional um pouco mais esclarecido nesse tema saberá valorizar também a visão da moderna disciplina de Inteligência Estratégica Antecipativa para a função das operações de segurança, de apoio ao poder decisório contribuindo para a redução dos riscos de surpresas negativas na estratégia concorrencial. 4.2 Contra Inteligência competitiva Ações que buscam detectar o invasor, neutralizar sua atuação ou mesmo contra-atacar por meio da produção de desinformação. É de extrema importância estar atento para os movimentos do adversário e tentar se antecipar à sua provável agressão, não negligenciar quanto ao seu interesse em nossa vantagem e considerar que, se a sua ação ainda não iniciou, ao menos deve 7 estar sendo planejada. Evitar ser surpreendido é crucial para a manutenção da vantagem competitiva. Na proporção em que está protegendo a informação empresarial sensível e o Capital Intelectual da Empresa, a Contra Inteligência está também evitando surpresas e a fuga de conhecimento estratégico. 4.3 Fontes de informações É óbvio que, para se possuir informações estratégicas, é preciso buscá- las e, para isso, é preciso encontrá-las enquanto ainda possuírem algum potencial de produzir vantagem competitiva, para que possam ser analisadas, tratadas, classificadas e transformadas em Inteligência Competitiva. Para tanto, a eficácia da coleta de dados e informações depende da identificação de suas fontes. A manutenção da vantagem competitiva vai depender de qual dos concorrentes for mais capaz de encontrar as informações estratégicas, coletá- las com mais oportunidade, analisá-las para produzir e disponibilizar ao poder decisório o conhecimento estratégico com mais eficácia. As fontes podem ser classificadas sob dois aspectos: Quanto à origem podem ser primárias ou secundárias e quanto ao sigilo, podem ser abertas ou protegidas. Também será importante conhecer a origem da informação e se ela foi produzida pela fonte que a transmitiu. 4.4 Inteligência e ética A concepção que se criou foi a de que toda atividade de inteligência só conseguirá obter êxito se praticar espionagem. Nas atividades de Inteligência Competitiva, a espionagem é desnecessária e totalmente condenável e, em geral, tem sido descartada. Espionar o concorrente, utilizando-se de meios ilícitos e criminosos, não é admissível nos Serviços de Inteligência que se pautarem pela preservação dos padrões éticos e morais. Assim, é possível verificar que existe uma tendência para a utilização de meios éticos nas funções de inteligência competitiva. É nas atividades de coleta de informações onde reside o maior perigo de perda de foco na ética e onde a fronteira entre inteligência e espionagem fica mais estreita e suscetível a transposições voluntárias ou involuntárias. Mas não há necessidade da falta de ética, porque grande parte das informações que têm potencial para produzir conhecimento estratégico está disponível em fontes abertas, basta o serviço de Inteligência 8 envolvido estar capacitado para encontrá-las, analisá-las e disponibilizá-las ao poder decisório, sem com isso expô-lo a riscos de ilegalidade. TEMA 5 – O PERFIL DO GESTOR DE OPERAÇÕES DE SEGURANÇA Atualmente, são muitos os fatores no contexto empresarial mundial, que exigem a evolução dos mecanismos de gestão estratégica em todas as áreas da atuação humana e em todos os tipos de organizações que se possa imaginar. É uma infinidade de atores, cenários e de agentes influenciadores, que de forma positiva ou negativa, impactam nos objetivos estratégicos e na estrutura das organizações. Com isso, passou a ser estratégica a relevância dos sistemas de segurança, para proteger essas organizações de uma infinidade de potentes ameaças. E obviamente, também se tornou estratégica, sem nunca haver deixado de ser, a função dos gestores desses sistemas e com esse recente pensamento, os cérebros que comandam os destinos das nossas organizações passaram a exigir desses Gestores das suas Operações de Segurança, o desenvolvimento da visão holística alinhada com a estratégia do negócio e essa é uma competência que requer um perfil com conhecimentos sobre os Fundamentos de Estratégia e Tática, sobre a dinâmica da Gerência de Operações na estrutura operacional, com habilidade para a condução precisa da Tática Operacional, com total domínio dos Processos Críticos de Segurança e com competência para planejar a Estratégia das Operações de Segurança. Complementa esse perfil estratégico o domínio das melhores práticas dos processos de Inteligência em Operações de Segurança. NA PRÁTICA Não há como negar as recentes evoluções no pensamento estratégico das organizações e suas novas exigências para os níveis operacionais. Imagine que a sua função é de Diretor de Operações: Considerando que essa evolução apresenta uma inegável demanda por Gestores de Operações de Segurança com a competência da visão holística alinhada com os objetivos estratégicos, estou propondo que você tente montar o perfil desse Gestor Operacional, mantendo a competência da visão holística, porém com componentes diferentes desses que sugeri no Tema 5 dessa aula. 9 FINALIZANDO A evolução da qualidade dos serviços prestados pela segurança privada no Brasil já vem crescendo, em “progressão geométrica”, há pelo menos 30 anos e seus rigorosos requisitos já impactaram sobre todas as áreas de atuação e sobre todos os componentes dessa atividade estratégica para as nossas organizações e a nobre missão de garantir o bem estar e a integridade de pessoas, animais, instalações, bens e valores, teve seus objetivos ampliados para a garantia dos objetivos estratégicos das organizações. Assim, finalmente chegou a hora e a vez de o perfil doGestor de Operações de Segurança sentir os efeitos dos requisitos da evolução de toda a estrutura de segurança privada, porque a conquista dos objetivos estratégicos das organizações assessoradas por esse moderno Gestor exige que também evolua a sua qualificação, que se completa com o domínio teórico e prático e dos fundamentos de Inteligência em Operações de Segurança que vimos nessa aula. 10 REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 31000: Gestão de riscos — Princípios e diretrizes. Rio de Janeiro, 2009. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 22301: Segurança da sociedade - Sistema de gestão de continuidade de negócios – Requisitos. Rio de Janeiro, 2012. AUGUSTINE, N. R. Como lidar com as crises. Rio de Janeiro: Campus, 2009. FULD, L. M. Inteligência competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 2007. LUECKE, R. Gerenciando a crise. Rio de Janeiro: Record, 2007. PASSOS, A. Inteligência competitiva. São Paulo: Ed. LCTE, 2005. PORTER, M. E. Estratégia competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 2004. SANTOS, M. A.; FRANCO, J. R. A atividade de inteligência na segurança para o século XXI. São Paulo: Brasport, 2011. SANTOS, N. dos; et al. Gestão do conhecimento e aprendizagem. Florianópolis: Visual Books, 2006.