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2018 Programas Para gruPos EsPEciais/PrimEiros socorros Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus Profa. Tathyane Lucas Simão Copyright © UNIASSELVI 2018 Elaboração: Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus Profa. Tathyane Lucas Simão Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 616.0252 B333p Batista, Eliza Damiane Woloszyn Programas para grupos especiais – primeiros socorros / Eliza Damiane Woloszyn Batista; Lindamir Pozzo Arbigaus; Tathyane Lucas Simão. Indaial: UNIASSELVI, 2018. 207 p. : il. ISBN 978-85-515-0143-6 1.Primeiros Socorros. I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Impresso por: III aPrEsEntação É com satisfação que apresentamos o livro Programas para Grupos Especiais/Primeiros Socorros. Convidamos você a fazer uma leitura simples e prática, obtendo informações que o acompanharão para toda sua vida profissional. Dentro das áreas de prescrição do exercício, o educador físico e outros profissionais encontrarão dicas e orientações básicas sobre a atividade física, exercício físico, as principais doenças que classificam os grupos especiais, e orientações importantes na prescrição de exercícios para grupos especiais. Vale lembrar que, nesta unidade, destacamos as populações mais comuns, como gestantes, diabéticos, hipertensos, obesos, dislipidêmicos e crianças obesas, que são grupos que se apresentam em todo o Brasil, com altos índices de incidência em todo o território nacional. No tópico sobre avaliação há uma abordagem sobre os principais pontos, sua importância e alguns testes de avaliação que complementam e qualificam os programas de atividade física para grupos especiais. Desejamos boa leitura e bons estudos! Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus Profa. Tathyane Lucas Simão IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI VII UNIDADE 1 – POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS ................................................................................................... 1 TÓPICO 1 – GRUPOS ESPECIAIS....................................................................................................... 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 CLASSIFICAÇÃO DAS POPULAÇÕES ESPECIAIS ................................................................... 4 3 ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS ................................................................................................ 6 4 DIFERENÇAS ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO FÍSICO ........................................ 9 4.1 O DIREITO INTEGRAL À SAÚDE ............................................................................................... 9 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 11 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 12 TÓPICO 2 – QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? ........................................................... 15 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 15 2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA ........................................................... 15 3 A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO .................................................................................................. 18 4 POR ONDE COMEÇAR? .................................................................................................................... 18 5 GRUPOS ESPECIAIS E A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO ...................................................... 22 6 ATIVIDADE FÍSICA PARA IDOSOS .............................................................................................. 25 6.1 QUANTO DE ATIVIDADE FÍSICA SE DEVE REALIZAR ....................................................... 28 7 PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL ............................................... 29 8 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA IDOSOS ........................................................................... 30 9 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT) E O IDOSO ................................ 31 10 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA ..................................................................................... 32 11 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA HIPERTENSOS ............................................................ 33 12 ATIVIDADE FÍSICA COMO TRATAMENTO DA HAS............................................................ 34 13 DIABETES MELLITUS TIPO II ....................................................................................................... 35 14 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA DIABÉTICOS TIPO II ................................................ 36 15 PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO E INTENSIDADE ..................................................................... 37 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 37 16 O AUTOCUIDADO E O EXERCÍCIO ........................................................................................... 38 17 COMPLICAÇÕES E RISCOS DO EF PARA DIABÉTICOS INSULINO-DEPENDENTES ............................................................................................................ 40 18 COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABÉTICO E EXERCÍCIO FÍSICO ............................. 41 18.1 RETINOPATIA DIABÉTICA ........................................................................................................ 41 18.2 NEUROPATIA DIABÉTICA ......................................................................................................... 42 18.3 NEFROPATIA DIABÉTICA E OBESIDADE INFANTIL .......................................................... 43 19 PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS PARA CRIANÇAS ................................................................. 44 19.1 AVALIAÇÃO DE CRIANÇAS NA PRÉ-PARTICIPAÇÃO DE PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA .....................................................................................................................44 19.2 PRÁTICA DE EXERCÍCIOS COM CRIANÇAS ........................................................................ 46 20 PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA CRIANÇAS DIABÉTICAS ......................... 48 21 GESTANTES ........................................................................................................................................ 50 21.1 PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA PARA GESTANTES ................................................ 50 sumário VIII 21.2 CUIDADOS NA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA GESTANTES ................................ 51 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 54 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 55 TÓPICO 3 – MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS ........................................... 57 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57 2 MEIOS DE AVALIAÇÃO EM PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA .................................. 57 2.1 FORMULÁRIO DE DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES MÉDICAS .................................... 58 2.2 TESTES DE COMPOSIÇÃO CORPORAL .................................................................................... 59 2.3 TESTE DE PERCEPÇÃO DE ESFORÇO DE BORG .................................................................... 60 2.3.1 Indicações para o uso das escalas ......................................................................................... 60 2.3.2 Fatores que influenciam a percepção de esforço ................................................................ 61 2.3.3 Fatores fisiológicos ................................................................................................................ 61 2.4 TESTES DE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE AERÓBIA ........................................................ 62 2.5 TESTES DE AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA ANAERÓBIA ........................................................ 62 2.6 TESTES DE AUTOAVALIAÇÃO – PAR-Q .................................................................................. 63 2.7 TESTES POSTURAIS ....................................................................................................................... 63 2.8 ATESTADO MÉDICO ...................................................................................................................... 64 2.9 ATESTADO MÉDICO PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS .................................. 64 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 65 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 67 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 68 UNIDADE 2 – ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO ............................................... 71 TÓPICO 1 – SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA ............................................. 73 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 73 2 PRIMEIROS SOCORROS ................................................................................................................... 73 3 REGRAS BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS ....................................................................... 75 4 ATENDIMENTO INICIAL: EQUIPE ESPECIALIZADA .............................................................. 75 4.1 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA .............................................................................................................. 76 4.2 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA ........................................................................................................ 77 4.3 REGRAS GERAIS PARA ATENDIMENTO INICIAL ................................................................ 78 4.4 USO DE EPIs ..................................................................................................................................... 79 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 80 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 81 TÓPICO 2 – TRANSPORTE DE ACIDENTADOS ........................................................................... 83 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83 2 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM PRIMEIROS SOCORROS ................................................ 83 2.1 CORPO DE BOMBEIROS ............................................................................................................... 84 2.2 POLÍCIA MILITAR .......................................................................................................................... 84 2.3 SAMU – SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA ........................................ 85 2.4 POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL ............................................................................................. 85 2.5 DEFESA CIVIL ................................................................................................................................. 86 2.6 ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS POR INTOXICAÇÃO ................................. 86 3 ETAPAS BÁSICAS DE SERVIÇO ESPECIALIZADO ................................................................... 86 3.1 ORIENTAÇÕES PARA CONTROLE DA SITUAÇÃO ............................................................... 87 3.2 PROTEÇÃO À VÍTIMA ................................................................................................................. 87 3.3 AVALIAÇÃO DE CABEÇA ........................................................................................................... 88 3.4 FRATURAS DE PESCOÇO E COLUNA VERTEBRAL .............................................................. 89 4 ORIENTAÇÕES PARA TRANSPORTE ........................................................................................... 89 IX 5 FUNDAMENTOS DO SOCORRO: FRATURAS E TRAUMAS ................................................90 5.1 LESÃO DE TÓRAX E MEMBROS ...............................................................................................90 5.2 FRATURA NAS COSTELAS ........................................................................................................91 5.3 TÓRAX INSTÁVEL .......................................................................................................................92 5.3.1 Contusão pulmonar ..............................................................................................................92 5.3.2 Pneumotórax hipertensivo ..................................................................................................92 5.3.3 Pneumotórax aberto .............................................................................................................92 5.3.4 Contusão cardíaca.................................................................................................................93 5.4 EXAME DA VÍTIMA INCONSCIENTE ....................................................................................93 5.4.1 Respiração artificial ..............................................................................................................93 6 O CORPO HUMANO EM EMERGÊNCIAS BÁSICAS ..............................................................95 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................96 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................97TÓPICO 3 – ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS ...............................................99 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................99 2 LEIS DA CONSTITUIÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS ......................................................99 2.1 OMISSÃO DE SOCORRO ............................................................................................................99 2.2 DIREITOS DA VÍTIMA .................................................................................................................100 2.3 CASOS DE NEGLIGÊNCIA .........................................................................................................101 2.4 DIREITO DE SIGILO ....................................................................................................................101 3 SEGURO DE ACIDENTES DE TRABALHO ................................................................................102 3.1 LEGISLAÇÃO VIGENTE .............................................................................................................102 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................103 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................104 TÓPICO 4 – FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO ..........................................105 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................105 2 FUNÇÕES VITAIS DO CORPO HUMANO .................................................................................106 2.1 RINS .................................................................................................................................................106 2.2 APARELHO DIGESTIVO .............................................................................................................106 2.3 FÍGADO ..........................................................................................................................................106 2.4 PULMÃO ........................................................................................................................................107 2.5 CORAÇÃO ......................................................................................................................................107 2.6 SISTEMA NERVOSO CENTRAL ................................................................................................107 3 SINAIS VITAIS ...................................................................................................................................107 3.1 TEMPERATURA CORPORAL ....................................................................................................107 3.2 PULSO .............................................................................................................................................108 3.3 RESPIRAÇÃO ................................................................................................................................108 3.4 PRESSÃO ARTERIAL ...................................................................................................................109 3.5 PUPILAS .........................................................................................................................................109 3.6 COLORAÇÃO DA PELE ..............................................................................................................110 3.7 ESTADO DE CONSCIÊNCIA ......................................................................................................110 3.8 CAPACIDADE DE MOVIMENTAÇÃO .....................................................................................110 4 PRINCÍPIOS DE REANIMAÇÃO ...................................................................................................110 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................112 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................113 TÓPICO 5 – ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA ......................................................................115 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................115 2 PARADA RESPIRATÓRIA ..............................................................................................................115 2.1 DEFINIR O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA VÍTIMA .........................................................116 X 2.2 POSICIONAR A VÍTIMA .............................................................................................................116 2.3 VERIFICAR SE A VÍTIMA ESTÁ RESPIRANDO .....................................................................116 2.4 REALIZAR A RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL ...............................................................................117 3 PARADA CARDÍACA .......................................................................................................................117 3.1 INSTRUÇÕES PARA O SOCORRISTA ......................................................................................118 3.2 TÉCNICA DE COMPRESSÃO TORÁCICA ..............................................................................118 3.3 COMPRESSÃO TORÁXICA EXTERNA ....................................................................................120 3.4 POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO ..................................................................................................120 3.5 COMPLICAÇÕES POR REALIZAÇÃO DE MANOBRAS INADEQUADAS ..................... 121 4 HEMORRAGIAS ............................................................................................................................... 122 4.1 TIPOS DE HEMORRAGIAS ........................................................................................................ 123 4.1.1 Anatomia das hemorragias ............................................................................................... 123 4.1.2 Hemorragia nasal (epistaxe) .............................................................................................. 123 4.1.3 Hemorragia do conduto auditivo externo (otorragia) ................................................... 123 4.1.4 Hemorragia dos pulmões (hemoptise) ............................................................................. 124 4.1.5 Hemorragia do sistema digestivo (hematêmese) ............................................................ 124 4.1.6 Hemorragia intracraniana .................................................................................................. 125 4.1.7 Hemorragia interna ............................................................................................................. 126 4.1.8 Melena ................................................................................................................................... 126 4.2 MEDIDAS DE SOCORRO ........................................................................................................... 126 4.3 TÉCNICAS PARA CONTROLES DA HEMORRAGIA........................................................... 127 4.3.1 Técnica de compressão direta sobre o ferimento ............................................................ 127 4.3.2 Técnica da elevação do ponto de sangramento ............................................................... 127 4.3.3 Técnica da compressão sobre os pontos arteriais ............................................................127 4.3.4Técnica de torniquete ........................................................................................................... 128 5 ESTADO DE CHOQUE ...................................................................................................................129 5.1 CAUSAS DO ESTADO DE CHOQUE ....................................................................................... 129 5.2 TRATAMENTO PARA O ESTADO DE CHOQUE .................................................................. 130 6 CHOQUE ANAFILÁTICO ............................................................................................................... 131 RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 132 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 133 UNIDADE 3 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS ................................................................................... 135 TÓPICO 1 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS .............. 137 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 137 2 EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS .............................................................................................. 138 2.1 HIPERVENTILAÇÃO .................................................................................................................. 138 2.2 ASMA ............................................................................................................................................. 139 2.3 INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA ............................................................................................ 141 2.4 EDEMA AGUDO DE PULMÃO ................................................................................................ 143 3 EMERGÊNCIAS CIRCULATÓRIAS ............................................................................................. 144 3.1 ANGINA DE PEITO ..................................................................................................................... 144 3.2 ARRITMIAS CARDÍACAS .......................................................................................................... 145 3.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO ...................................................................................... 146 3.4 CRISE HIPERTENSIVA................................................................................................................ 148 3.5 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) ........................................................................... 150 RESUMO DO TÓPICO 1.................................................................................................................... 153 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 154 XI TÓPICO 2 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS ...................................................................... 155 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 155 2 CÓLICA RENAL ............................................................................................................................... 155 3 DIABETES: COMA DIABÉTICO E HIPOGLICEMIA .............................................................. 157 4 INSOLAÇÃO ..................................................................................................................................... 159 5 EXAUSTÃO PELO CALOR ............................................................................................................ 160 6 CÃIBRAS DE CALOR ...................................................................................................................... 160 7 DIARREIA .......................................................................................................................................... 161 8 DESMAIO .......................................................................................................................................... 162 RESUMO DO TÓPICO 2.................................................................................................................... 164 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 165 TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES MENTAIS ........................................................................................... 167 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 167 2 CONVULSÃO ................................................................................................................................... 167 3 NEUROSE HISTÉRICA ................................................................................................................... 169 4 ALCOOLISMO AGUDO ................................................................................................................. 170 RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................... 171 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 172 TÓPICO 4 – PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS ................... 173 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 173 2 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OSSOS ..................................................................................... 174 2.1 AMPUTAÇÕES ............................................................................................................................ 180 3 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS MÚSCULOS ............................................................................ 181 4 LESÕES TRAUMÁTICAS NAS ARTICULAÇÕES ................................................................... 182 4.1 AS ENTORSES .............................................................................................................................. 182 4.2 AS LUXAÇÕES............................................................................................................................. 183 5 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OLHOS ..................................................................................... 184 6 LESÕES TRAUMÁTICAS NA CABEÇA E NA COLUNA VERTEBRAL ............................. 188 6.1 LESÕES NA CABEÇA................................................................................................................. 188 6.2 LESÕES NA COLUNA VERTEBRAL ....................................................................................... 191 7 LESÃO TRAUMÁTICA NO TÓRAX ........................................................................................... 194 8 LESÃO TRAUMÁTICA DE ABDÔMEN ..................................................................................... 195 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 196 RESUMO DO TÓPICO 4.................................................................................................................... 200 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 202 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 203 XII 1 UNIDADE 1 POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você será capaz de: • diferenciar os conceitos de avaliação e testes de avaliação e suas peculiari- dades; • compreender o que são grupos especiais e seu impacto na saúde pública do Brasil e do mundo; • entender a importância dos programas de atividades físicas para grupos especiais. Esta unidadeestá organizada em três tópicos. Ao final de cada um deles, você encontrará o resumo e a atividade, que darão maior compreensão dos temas abordados. TÓPICO 1 – GRUPOS ESPECIAIS TÓPICO 2 – QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? TÓPICO 3 – MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 GRUPOS ESPECIAIS 1 INTRODUÇÃO As pessoas são muito diferentes umas das outras. As definições para separar populações foram feitas para organizar grandes grupos com as mesmas características. Como exemplo de populações parecidas, temos a definição de homens e mulheres, crianças, adolescentes e adultos e assim por diante. Grupos ou populações especiais são as pessoas que compõem uma parcela da população com necessidades específicas e que exigem atenção, sejam elas passageiras ou não. Segundo Farlex (2011), populações especiais são consideradas as pessoas que poderiam ser mais sensíveis ou suscetíveis à exposição a substâncias ou situações perigosas, por causa de fatores como idade, ocupação, sexo ou comportamentos. Atualmente, os grupos especiais são divididos em hipertensos, idosos, obesos, cardiopatas, diabéticos, grávidas e portadores de necessidades especiais. No ramo da atividade física, entendemos que crianças, gestantes, adolescentes e mulheres também podem ser considerados grupos especiais, pois requerem uma série de recomendações exclusivas para a prática de exercícios físicos. Outros grupos, como transplantados, portadores de câncer, deficientes visuais, deficientes auditivos, portadores de síndromes, portadores de AIDS, amputados, portadores de lesões graves de coluna também são considerados populações especiais, mas com limitações únicas e necessitam de um tratamento exclusivo, não podendo ser acompanhados em grupo, pela necessidade de singularidade de cada caso. A definição de Sena (2010) é: Designa-se por populações especiais todas as situações nas quais uma determinada doença ou condição, de caráter irreversível ou não, requerem um cuidado e atenção redobrada em termos de prática de exercício físico”. São exemplos de Populações Especiais: diabéticos, hipertensos, ateroscleróticos, crianças, obesos, tabagistas, cardiopatas, grávidas etc. Quando observamos os grupos de pessoas, percebemos que cada uma apresenta diferenças em relação às outras, que interferem na realização de atividades físicas. O que se deve observar é se a atividade física, por mais leve que seja, não provoque alterações de origem metabólica ou que não possa colocar o indivíduo em risco, ou apresentar algum tipo de sintoma que leve a sofrer quedas ou perda de consciência. Usamos como exemplo um diabético, que apresenta queda nos níveis de glicose (hipoglicemia severa), levando à confusão mental e sonolência. Estando esta pessoa numa esteira elétrica, poderia sofrer uma queda e provocar graves lesões, inclusive lesar pessoas à sua volta. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 4 UNI O CID (Classificação Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial da Saúde) é o referencial utilizado pelo médico para dar o diagnóstico de Pessoa com deficiência (PCD). FIGURA 1 – ATIVIDADE FÍSICA FONTE: Disponível em: <http://cienciadotreinamento.com.br/wp-content/ uploads/2016/03/active-exercise-program.png>. Acesso em: 12 ago. 2017. Quando a atividade física é um esporte, por mais saudável que seja, se praticado de maneira excessiva, pode inverter os efeitos positivos e conduzir para danos à saúde (WEINECK, 2003). FIGURA 2 – A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL FONTE: Disponível em: <https://www.eusemfronteiras.com.br/ conheca-a-dieta-ovolactovegetariana/>. Acesso em: 17 jan. 2018. Independente de tipo de população, a atividade física deve estar associada a hábitos alimentares saudáveis e estilo de vida livre de tabagismo, alcoolismo e sedentarismo (WEINECK, 2003). 2 CLASSIFICAÇÃO DAS POPULAÇÕES ESPECIAIS Um indivíduo fisicamente ativo tende a ser mais saudável, com maior qualidade e expectativa de vida, com redução de diversas enfermidades. Segundo Powell, Paluch e Blair (2011), a atividade física, o exercício físico e o esporte TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS 5 UNI Existem muitas outras doenças que também se relacionam à população especial: deficientes (visual, intelectual e física), surdez; distúrbios emocionais (psicose, neurose, distúrbio de personalidade, esquizofrenia, distúrbio de comportamento da infância e da adolescência, depressão); distúrbio de desenvolvimento (autismo, síndrome de Rett, síndrome desintegrativa da infância, síndrome de Asperger); fibrose cística, câncer, anemia falciforme, hemofilia, síndrome da imunodeficiência adquirida, transplante de órgãos, síndrome da fadiga crônica; distúrbios de aprendizagem etc. integram a abordagem médica para a prevenção das doenças cardiovasculares (DCVs), que incluem coronariopatias, infarto agudo do miocárdio, arritmias, entre outras, que geram grandes limitações funcionais e gastos públicos acentuados em seu tratamento, exigindo uma abordagem multidisciplinar. Sena (2010) preconiza que inicialmente faz-se necessária uma estratificação dos riscos, presentes nos vários tipos de indivíduos que desejam praticar atividade física. Esta estratégia é indispensável, pois é por meio dela que se verifica a existência de riscos para as doenças coronarianas e classifica os grupos em três categorias: 1. Aparentemente saudáveis: indivíduos que são assintomáticos e aparentemente saudáveis, com não mais do que um fator de risco coronário. 2. Risco aumentado: indivíduos que têm sinais e sintomas que sugerem uma possível doença cardiopulmonar ou metabólica e/ou dois ou mais fatores de risco coronário. 3. Doença diagnosticada: indivíduos com uma doença cardíaca ou pulmonar diagnosticada. FIGURA 3 – DOENÇAS METABÓLICAS E A INFÂNCIA FONTE: Disponível em: <http://iurinascimento.com/perfil/>. Acesso em: 1 ago. 2017. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 6 Lembre-se: populações especiais são grupos diferentes de pessoas com necessidades especiais, embora pessoas com necessidades especiais façam parte de populações especiais, ou seja, que apresentam algum tipo de vulnerabilidade para a prática de atividades físicas ou atividades afins. Populações especiais com uma condição clínica especial, que pode requerer uma perícia e supervisão para superar essa situação; já a pessoa com necessidades especiais é definida pela legislação brasileira (Lei nº 38/2004, de 18 de agosto de 2004, s.p.) como […] aquela que, por motivo de perda ou anomalia, congênita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as funções psicológicas, apresente dificuldades específicas susceptíveis de, em conjugação com os fatores do meio, lhe limitar ou dificultar a atividade e a participação em condições de igualdade com as demais pessoas. A Legislação de Bases Gerais do Regime Jurídico da Prevenção, Habilitação, Reabilitação e Participação da Pessoa com Necessidade diferencia estas populações pelo risco cardiovascular frente à realização de atividades físicas. FIGURA 4 – ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS FONTE: Disponível em: <http://www.sbh.org.br/geral/atualidades-a-pratica-de- atividade-fisica-na-hipertensao-arterial.asp>. Acesso em: 1 ago. 2017. Estudos científicos comprovam que exercícios físicos são fundamentais para a melhora da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Doenças muito frequentes na vida moderna, como a obesidade, a hipertensão arterial e a diabetes, podem ser agravadas com a ausência de exercícios físicos, cuja prática regular pode auxiliar na redução da gravidade e no tratamento dessas doenças. 3 ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS As linhas orientadoras existentes para a prática de atividade física (AF), na população, sugerem que para promover e manter a saúde, todos os indivíduos com idades entre os 18 e 65 anos deveriam praticar exercício aeróbio de moderada intensidade, num mínimo de 30 minutos nos cinco diasda semana, ou então, TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS 7 FIGURA 5 – EXERCÍCIOS PARA TODAS AS IDADES FONTE: Disponível em: <https://drcoluna.blogspot.com.br/2014/11/ osteopatia-no-esporte-e-na-atividade.html>. Acesso em: 17 jan. 2018. Várias pesquisas referentes à atividade física apontam o Brasil para um elevado índice de sedentarismo em todas as faixas etárias. Na população mundial a variação é de 50% a mais de 80%. (MENDES et al., 2006). Com base em estudos realizados nas últimas três décadas com a população brasileira, observa-se que está ocorrendo um aumento significativo e gradativo de pessoas com sobrepeso e obesidade, que se inicia na infância e vai até a idade adulta. Com este crescente número de indivíduos, pode-se destacar que é um comportamento epidêmico, que fará surgir uma série de novas patologias muito mais graves, além da associação delas. O tratamento convencional para perda de peso tem como base a redução na ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificação comportamental do indivíduo e dos membros que o cercam, impactando não só na perda de peso, mas também nas doenças associadas a ele, como diabetes, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemias, síndrome metabólica etc. (I DIRETRIZ DA SBEM, 2005). exercício aeróbio vigoroso num mínimo de 20 minutos, três vezes por semana (HASKELL et al., 2007). Pequenas modificações no dia a dia – como subir escadas, saltar do ônibus um ponto antes, passear com cachorro, varrer, cuidar do jardim, lavar o carro etc. – podem ajudar a movimentar mais e servir como um estímulo para o início de uma atividade física diária. UNI UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 8 Já são bem documentados na literatura os efeitos e benefícios da atividade física regular no corpo humano. A tabela a seguir resume estes benefícios em cada sistema do corpo humano. TABELA 1 – BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA REGULAR NA SAÚDE 1. Melhoria da função cardiorespiratúria a. Melhoria do V0₂ máx b. Menor custo de O₂ cardíaco para dada intensidade sub-máxima c. Menor PA e FC para dada intensidade sub-máxima d. Melhoria do limiar de acumulação de ácido láctico e. Melhoria do limiar de surgimento de sintomas (e.g., angina) 2. Redução dos factores de risco de doença coronária a. Redução da PA sistólica. e diastólica. em hipertensos (modestamente) b. Aumento do C-HDL e diminuição dos triglicéridos c. Redução da gordura corporal d. Redução das necessidades de insulina exógena e melhor tolerância à glucose 3. Decréscimo na mortalidade e morbilidade a. Prevenção primária b. Prevenção secundária 4. Outros benefícios a. Decréscimo na ansiedade e depressão b. Melhoria da sensação de bem-estar c. Melhoria do desempenho nas actividades laborais e de lazer FONTE: Disponível em: <https://estudogeral.sib.uc.pt/bistream/10316/20800/1/tese%20final. pdf>. Acesso em: 1 ago. 2017. FIGURA 6 – A ATIVIDADE FÍSICA FAZ BEM AO CORAÇÃO FONTE: Disponível em: <https://www.blogadao.com/doencas- hipocineticas-causas-tratamento/>. Acesso em: 1 ago. 2017. TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS 9 Falaremos mais adiante sobre a prescrição da atividade física para cada grupo, suas implicações e cuidados necessários para um impacto positivo na saúde. 4 DIFERENÇAS ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO FÍSICO A atividade física pode ser definida como qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso. Já o exercício físico é toda atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física (CASPERSEN et al.,1985 apud GUEDES; GUEDES, 1995). Portanto, quando um indivíduo faz exercícios sob monitoramento de um profissional, seguindo uma sequência, este é exercício físico. Quando a pessoa sai para caminhar na rua, sem pressa e sem controle da velocidade e intensidade dos passos, passa a ser atividade física. FIGURA 7 – A CONQUISTA DA SAÚDE FONTE: Disponível em: <http://cebes.org.br/2014/04/direito-integral-e- universal-a-saude-dos-trabalhadores-avancos-e-desafios/>. Acesso em: 1 ago. 2017. 4.1 O DIREITO INTEGRAL À SAÚDE No Brasil, o direito universal e integral à saúde foi conquistado pela sociedade na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90. Estes direitos incluem acesso à atividade física e orientação para a realização de exercícios físicos com cautela e segurança, que fazem parte dos serviços e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, garantindo a integralidade da atenção, indo ao encontro das diferentes realidades e necessidades de saúde da população. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 10 A Estratégia Saúde da Família (ESF) é composta por equipe multiprofissional de médico generalista/especialista em saúde da família ou de família e comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS). UNI A Política Nacional de Atenção Básica (2012) esclarece a Estratégia Saúde da Família destacando a importância das ações de enfoque aos grupos de risco, que na verdade são populações especiais: I. Desenvolver ações que priorizem os grupos de risco e os fatores de risco clínico- comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o aparecimento ou a persistência de doenças e danos evitáveis; II. Realizar o acolhimento com escuta qualificada, classificação de risco, avaliação de necessidade de saúde e análise de vulnerabilidade, tendo em vista a responsabilidade da assistência resolutiva à demanda espontânea e o primeiro atendimento às urgências; III. Prover atenção integral, contínua e organizada à população adscrita; IV. Realizar atenção à saúde na Unidade Básica de Saúde, no domicílio, em locais do território (salões comunitários, escolas, creches, praças etc.) e em outros espaços que comportem a ação planejada. UNI Você pode consultar equipes de saúde próximas de sua casa através do site: <http://dab.saude.gov.br/portaldab/historico_cobertura_sf.php>. A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, a universalidade, a integralidade da atenção, a equidade e o controle social, ao mesmo tempo em que incorpora, em sua organização, o princípio da territorialidade para facilitar o acesso das demandas populacionais aos serviços de saúde. A partir de 2012, o Ministério da Saúde transformou o Programa de Saúde da Família (PSF) para Estratégia Saúde da Família (ESF) (BRASIL, 1994). O principal objetivo desta mudança foi a reorganização das práticas assistenciais e melhoria do atendimento à população. 11 Neste tópico você estudou que: • Desenvolvemos o conhecimento de que grupos especiais estão em todo lugar, são pessoas que necessitam de algum cuidado na realização de atividades físicas e até outras atividades. • Estudos científicos comprovam que exercícios físicos são fundamentais para a melhora da saúde e da qualidade de vida das pessoas. • No contexto de saúde pública, os grupos especiais precisam de programas de atividade física para reduzir a morbimortalidade associada ao sedentarismo. • A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, e que dentro deste sistema estão inclusas práticas do profissional educador físico e afins no desenvolvimento de programas de exercícios físicos para grupos especiais, incluindo idosos, obesos, cardiopatas, hipertensos etc. RESUMO DO TÓPICO 1 12 1 Com a evolução da ciência e da fisiologia do exercício, percebemos que cada vez mais as pessoas se preocupam com a boa forma corporal e aparência física. Com o passar do tempo a sociedade de consumo passoua impor padrões de beleza. A beleza, como padrão, é um meio que as pessoas têm buscado para conseguir saciar-se sem nunca querer sair do foco central de toda a atenção desejada. Atualmente percebe-se que a aparência se tornou a essência humana, sendo considerada mais importante do que valores e princípios que vigoravam em tempos passados. Diante deste contexto, assinale a alternativa correta: a) ( ) A evolução da ciência proporcionou formas distintas e concretas de atingir boa forma corporal e a aparência física desejada. Esta mesma evolução permitiu o avanço da ciência para dar mais liberdade e capacidade a pessoas com limitações físicas, que eram restritas a viverem presas a cadeiras de rodas, como os paraplégicos, por exemplo, que hoje têm seu próprio carro, praticam esportes e têm uma vida muito próxima do normal. b) ( ) A ciência evoluiu na área da beleza de forma a deixar uma lacuna entre a busca da perfeição corporal e a saúde e qualidade de vida. Houve uma evolução acelerada apenas na área da beleza. c) ( ) A atividade física utilizada como forma de se obter um padrão de beleza tão sonhado, não está relacionada a hábitos alimentares saudáveis e estilo de vida livre de tabagismo, alcoolismo e sedentarismo. d) ( ) Dentro da estratificação de riscos, pessoas com “risco aumentado” podem praticar exercícios preocupando-se somente com a aparência física, independentemente de seu estilo de vida e fatores associados. 2 A lei que classifica: “Aquela que, por motivo de perda ou anomalia, congênita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as funções psicológicas, apresente dificuldades específicas susceptíveis de, em conjugação com os fatores do meio, lhe limitar ou dificultar a atividade e a participação em condições de igualdade com as demais pessoas” Lei nº 38/2004, de 18 de agosto de 2004. A lei supracitada é relacionada a: a) ( ) Pessoas com necessidades especiais b) ( ) Pessoas designadas como populações especiais c) ( ) Portadores de síndromes especiais 3 A obesidade é uma doença crônica decorrente de um aumento da quantidade de gordura no organismo. É uma doença silenciosa e pode ser a causa de vários problemas de saúde, como hipertensão, diabetes, coronariopatias etc. Diante do exposto, assinale a alternativa que aborda o tratamento convencional para o tratamento da obesidade: AUTOATIVIDADE 13 a) ( ) O tratamento convencional para perda de peso tem como base a redução na ingestão calórica, aumento do gasto energético com atividade física, modificação comportamental do indivíduo e dos membros que o cercam. b) ( ) O tratamento convencional para perda de peso é a dieta com restrição calórica, acompanhamento nutricional e ingestão de fármacos para controle da vontade de comer doces. c) ( ) O tratamento convencional é baseado em acompanhamento de profissional de educação física, sem restrição calórica. d) ( ) O tratamento convencional para perda de peso é a dieta com restrição calórica, acompanhamento nutricional sem relacionar doenças associadas. 4 Prescrever exercício físico requer um planejamento estruturado e repetitivo que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física. O objetivo do exercício físico é trazer ganhos como força, melhora da função cardiorrespiratória, qualidade de vida, prevenção de doenças cardiovasculares, decréscimo da mortalidade e morbidade, entre outros. Assinale a alternativa que não sofre influências com a prática regular de atividade física: a) ( ) Previne o sobrepeso e a obesidade. b) ( ) Aliado contra o tabagismo. c) ( ) Melhora da função cardiorrespiratória. d) ( ) Aumento no número de células adipócitos. 14 15 TÓPICO 2 QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Prescrever atividade física para grupos especiais requer uma base teórica aprofundada, com conhecimento fisiológico, cinesiológico e patológico, para pesquisa e programação de treinos, promovendo atividades físicas para indivíduos com necessidades particulares, que favoreçam a redução do consumo de medicamentos, objetivando a prevenção e promoção da saúde por meio de práticas corporais, visando à aquisição de um estilo de vida mais saudável, dentro das condições de cada grupo. FIGURA 8 – O EDUCADOR FÍSICO E A PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO FONTE: Disponível em: <https://horadotreino.com.br/profissional-educacao- fisica/>. Acesso em: 1 ago. 2017. 2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA O profissional de Educação Física pode atuar individualmente na prescrição da atividade física para cada indivíduo, e pode intervir dentro de programas, como o Programa Saúde da Família (PSF), tanto para orientar sobre a importância de hábitos de vida ativa, quanto para promover e estimular a adoção de um estilo ativo de vida, contribuindo para minimizar os riscos de doenças crônicas não transmissíveis e os agravos delas decorrentes. Partindo desse pressuposto, cabe ao profissional de Educação Física, junto aos serviços públicos e privados de saúde e em outros espaços de intervenção, desenvolver ações que propiciem a melhoria da qualidade de vida da população. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 16 O curso de Educação Física é um dos mais escolhidos por pessoas que prezam pela saúde e encontram nas atividades físicas uma fonte para investir em qualidade de vida e bem-estar. UNI A Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998, dispõe o papel do educador físico frente à atividade física: Art. 3º Compete ao profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto (NAHAS, 2010). A atividade física, conforme está cientificamente comprovado, apresenta diversos efeitos benéficos ao organismo, uma promoção da saúde para a população que vai além dos ganhos estimados. É recomendada como uma forma estratégica de permitir uma melhor qualidade de vida com o passar dos anos, contribuindo para o aumento da expectativa de vida e levando as pessoas a viverem mais. A prática regular de exercícios garante melhora da saúde, desde a infância até na terceira idade. O profissional de Educação Física deverá conhecer a legislação específica da sua área de competência, para que não incorra em condutas e procedimentos que caracterizem práticas específicas de outras profissões da área da saúde. Outro fator importante é compreender que o profissional deve associar todos os fatores biopsicossociais que influenciam a adesão e manutenção do exercício físico nos níveis adequados, ou seja, precisa mensurar os resultados da prescrição do exercício para estas populações. Compete ao educador físico conhecer cada fase da idade e das diversas doenças desenvolvidas pelo homem, a fim de desenvolver um plano de exercícios que tragam benefícios e resultados positivos. Um exemplo é o período do climatério, uma fase da vida da mulher em que as alterações hormonais causam profundas modificações metabólicas e emocionais, que fazem com que os exercícios sejam benéficos e recomendados para a manutenção do peso, a redução da gordura corporal, a manutenção ou o aumento das massas muscular e óssea, além de inúmeros benefícios psicológicos. Cabe ao profissional orientar e acompanhar os resultados obtidos através da atividade física regular. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 17 Pessoas ativas fisicamente tendem a sofrer menos com a dor, pois os exercícios oferecem uma ação analgésica natural através da produção de endorfinas. FIGURA 9 – AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/WXaKmhvekjQ/ maxresdefault.jpg>.Acesso em: 30 nov. 2017. FIGURA 10 – A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PREVENÇÃO FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-2i5tSotuSco/ T3HsR00XYnI/AAAAAAAAAkk/uT09wrYahrc/s1600/SDC11036.JPG>. Acesso em: 11 ago. 2017. UNI Nas próximas unidades, vamos tratar dos grupos ou populações especiais mais comuns, com suas necessidades e recomendações para a prática de exercícios físicos. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 18 3 A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO Desde 1986, as diretrizes sobre frequência, intensidade e duração do exercício são difundidas. Uma das maiores entidades em atividade física e esportes, a NSCA (National Strengt and Conditioning Association Foundation), relata que a prescrição do exercício físico deve ser composta de: - Escolha do exercício mais adequado. - Ordem do exercício. - Força aplicada. - Número de séries. - Tempo de repouso entre as séries. O exercício realizado regularmente, ou seja, com uma determinada combinação de frequência, intensidade e duração é o segredo para a obtenção do aumento do condicionamento físico. A interação desses fatores fornece o estímulo de sobrecarga, e quanto maior o estímulo, maior é o efeito. Devido à necessidade de um grupo especial requerer manter a força e também a resistência cardiovascular, o programa de exercícios deve compor o treinamento dos principais grupos musculares (resistência), exercícios de flexibilidade ou associados, dependendo das necessidades de cada um. 4 POR ONDE COMEÇAR? A primeira atitude de um profissional é avaliar, interpretando as informações e dando um diagnóstico inicial ao aluno, indicando estratégias de melhoria do condicionamento corporal através de exercícios físicos e esportes. As evidências científicas comprovam que sem uma avaliação física fica muito difícil a prescrição de um programa de treinamento. Ela é iniciada pela anamnese, um termo usado em todas as áreas da saúde para designar o relato da doença e toda sua história. É uma entrevista que ajuda o profissional no diagnóstico e, com isto, traçar o objetivo e conduta no tratamento. Neste momento se verificam os hábitos alimentares, doenças hereditárias, limitações, cirurgias, fatores de risco para doenças cardiovasculares e coronariopatias, perfil de atividade física indicada e nível de motivação pessoal. A avaliação física é parte integrante inicial do programa de exercício físico, sendo uma ferramenta importante tanto para o aluno quanto para o professor, importante para o sucesso do objetivo do aluno que começa suas atividades físicas regulares, e mais importante ainda para o professor, que buscará alcançar os objetos propostos por seu aluno. Nas crianças, a anamnese é feita com a mãe, nos adolescentes é feita com a mãe e, logo depois, somente com o adolescente. A avaliação prossegue através de testes antropométricos e ergométricos, avaliação metabólica, cardiorrespiratório, neuromuscular e da flexibilidade. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 19 A Confederação Nacional de Educação Física (CONFEF) reconhece que o tipo e a intensidade do exercício físico, a frequência e a duração da sessão devem ser prescritos pelo profissional de Educação Física e adaptados às condições do beneficiário/grupo, considerando não somente o seu estado de saúde, risco ou doença, mas também as suas capacidades físicas, limitações individuais, objetivos pessoais e preferências, de modo a otimizar os benefícios e a adesão à prática regular em programas de atividades físicas e desportivas. A avaliação física, conforme Monteiro (2009, p. 16): Consiste em um processo sistematizado e sistemático no que diz respeito à coleta de dados, ao tratamento destes dados e a análise de resultados. É o primeiro feedback e contato do aluno e seu professor, para que ele saiba como está toda a sua situação física naquele momento, ela fará um diagnóstico inicial do aluno, e todo o acompanhamento do aluno enquanto ele estiver fazendo suas atividades físicas para saber se ele está evoluindo e alcançando seus objetivos propostos no início da prescrição, buscando sempre a melhor estratégia e ergonomia para o alcance dos resultados. Em face da responsabilidade ética do exercício profissional, as informações da avaliação física serão mantidas sob sigilo, tanto do ponto de vista profissional quanto no institucional, e o beneficiário será notificado da importância da veracidade das informações por ele prestadas. O profissional da área da saúde tem como obrigação saber aplicar e avaliar os testes ou protocolos, a fim de prescrever ou orientar atividades físicas com maior qualidade, que segundo o Conselho Federal de Medicina estabelece na Nota técnica CONFEF n° 002/2012: 1- Antes do início do desenvolvimento do programa de exercícios, de atividades físicas e/ou desportivas, faz-se necessária a realização de avaliação física procedida por profissional de Educação Física, de acordo com a sua respectiva área de intervenção, que analisará as condições para o desenvolvimento das atividades a serem realizadas; 2- Nos casos em que o profissional de Educação Física, de acordo com a classificação de risco proposta pelo ACSM e a intensidade de exercício proposta, identifique indivíduos sintomáticos ou com fatores de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas, pulmonares e do sistema locomotor, que podem ser agravadas pela atividade física, deverá solicitar avaliação médica especializada objetivando identificar restrições e estabelecer linhas de orientação para prescrições de exercícios apropriados pelo profissional de Educação Física; 3- Na aplicação de avaliação física, o profissional de Educação Física utilizará conhecimentos sobre: Protocolos de testes, suas indicações e contraindicações; Fisiologia do exercício e das respostas hemodinâmicas e respiratórias ao exercício físico; Princípios e detalhes da avaliação, inclusive o preparo do beneficiário e mecanismos de funcionamento dos equipamentos, bem como suas limitações; Indicações de interrupção dos testes; 4 - No âmbito da avaliação física, o profissional de Educação Física coleta dados e interpreta informações relacionadas com prontidão UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 20 para a atividade física, fatores de risco, qualidade de vida e nível de atividade física; Afere e avalia pressão arterial e frequência cardíaca; Aplica escalas de percepção do esforço; Utiliza ergômetros (esteira, cicloergômetro, etc) e outros equipamentos utilizados em programas de atividade física; Utiliza equipamentos para medição de glicemia e concentração de lactatos e interpreta os resultados obtidos; Conhece, aplica e interpreta testes de laboratório e campo utilizados em avaliação física; Realiza e interpreta avaliação de medidas antropométricas; Prescreve atividades físicas baseadas em testes ergoespirométricos; Prescreve atividades físicas baseadas em limiares metabólicos, frequência cardíaca e percepção de esforço; 5 - No âmbito da avaliação física, o profissional de Educação Física poderá trabalhar individualmente ou em equipes multiprofissionais; 6- O profissional de Educação Física deve registrar o mais pormenorizadamente possível as informações relativas à avaliação física, utilizando-se de prontuário, ficha de controle ou equivalente relatando as informações sobre dados pessoais; hábitos de vida, bem como se faz ou não uso de medicamentos ou tratamento médico específico; limitações físicas, condições físicas/corporais e programa desenvolvido pelo beneficiário. Apresentamos um modelo de avaliação com os dados mais importantes sobre a vida do participante, que deve apresentar compreensão e alfabetização para responder. Caso não seja possível, o profissional deverá ler e transcrever as respostas do aluno para o papel. QUADRO 1 – MODELO DE FICHA DE AVALIAÇÃO/ANAMNESE FICHA DE ANAMNESE CORPORAL Dados Pessoais Nome: Endereço: Bairro: Fones: Etnia: Indicação: Motivoda Visita: Data: / / Idade Sexo: Data Nasc: CEP: Profissão: Cidade: Res: Comercial: Est. Civil: E-mail: Em caso de emergência avisar: Nome: Telefone: Médico: Telefone: Convênio Méd: Cart: Hospital: TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 21 Histórico Costuma permanecer muito tempo sentada ? S N Antecedentes cirúrgicos ? S N Quais? Trat. estético anterior ? S N Quais? Antecedentes alérgicos ? S N Quais? Funcionamento intestinal regular ? S N Obs.: Pratica atividade física ? S N Quais? É fumante? S N Alimentação balanceada ? S N Tipo? Ingere líquidos com frequência ? S N Quanto? É gestante ? S N Filhos? S N Quantos? Tem algum problema ortopédico ? S N Qual? Faz algum tratamento médico ? S N Qual? Usa ou já usou ácidos na pele? S N Quais? Já fez algum tratamento ortomelecular ? S N Qual? Cuidados Diários e produtos em uso: S N Qual? Portador de Marcapasso ? S N Qual? Presença de metais ? S N Local? Antecedentes oncológicos ? S N Qual? Ciclo menstrual regular ? S N Obs.: Usa método anticoncepcional ? S N Qual? Varizes ? S N Grau: Lesões ? S N Quais? Hipertensão ? S N Hipotensão? S N Epilepsia ? S N Diabetes? S N Termo de Responsabilidade Estou ciente e de acordo com todas as informações acima relacionadas. ____________________________________ ___________________________________ Local e Data Assinatura Cliente FONTE: Disponível em: <https://www.slideshare.net/luiz1964/ficha-de-anamnese-corporal>. Acesso em: 30 nov. 2017. Como você percebe, a avaliação pode ser simples e clara, a fim de obter os dados necessários para a prescrição de exercícios com segurança. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 22 Este questionário pode ser preenchido pelo próprio aluno e é baseado nele que o profissional educador físico irá coletar todas as informações para a prescrição e montagem de um programa de exercícios. Este questionário também serve para fazer reavaliações do estado de saúde do aluno, podendo comparar o que o aluno respondeu em diversas épocas em que participou do treinamento (início, após seis meses, após um ano etc). O encaminhamento médico é necessário, e caso não seja enviado pelo aluno, o profissional pode enviar um formulário solicitando o atestado. 5 GRUPOS ESPECIAIS E A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO O tipo de exercício físico, a frequência e duração da sessão devem ser adaptados ao indivíduo ou ao grupo, considerando não somente o estado de saúde e o nível de risco ou doença, mas também a capacidade física, as limitações individuais, a situação psicossocial, os objetivos pessoais e as preferências, visando otimizar os benefícios e obter uma adesão duradoura das pessoas ao programa de exercícios físicos. Somente com todas as informações sobre o indivíduo e pleno conhecimento da situação, poderá o profissional adequar o exercício físico aos objetivos, características e necessidades pessoais. Na realização de programas públicos e/ou privados com grande número de participantes é indispensável uma triagem inicial dos praticantes, o que permite, inclusive, identificar indivíduos que necessitam de acompanhamento médico. Teste ergométrico ou teste de esforço: Quem precisa fazer? Após a criteriosa avaliação pré-participação, o educador físico pode identificar risco cardiovascular associado. Nestes casos, o Teste Ergométrico (TE) pode ser solicitado ao médico responsável. O TE é um método universalmente aceito para o diagnóstico de doenças cardiovasculares, tendo também a finalidade de determinação prognóstica, principalmente da tolerância ao esforço e de sintomas compatíveis com arritmias ao exercício, sendo importante instrumento na tomada de decisão, em várias situações clínicas (SBC, 2010). Este teste gera respostas fisiológicas importantes, comportamento pressórico, que são marcadores prognósticos de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica, doença coronariana, cardiomiopatia hipertrófica, dentre outras. Segundo o Posicionamento Oficial 004/2015 da Sociedade Brasileira de Diabetes (2015), para a realização de exercícios físicos de baixa intensidade, como caminhadas, não há, de modo geral, necessidade de teste ergométrico de rotina, já que não existe evidência de benefício e essa exigência pode ser uma barreira para a participação, ou seja, o indivíduo pode sentir-se constrangido em não ter condições financeiras para a realização do TE, ou acabar frustrado com a necessidade de precisar tal exame, desistindo do programa de atividades físicas. Nestes casos, o profissional educador físico deve apresentar uma metodologia acolhedora e orientadora. Pode iniciar as orientações sobre o programa, verificar as necessidades de cada um, realizar as avaliações e testes indicados, realizar palestras de orientação sobre os temas relacionados a cada grupo especial. Como dicas de assuntos que podem ser abordados, destacamos: TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 23 FIGURA 11 – O TESTE ERGOMÉTRICO FONTE: Disponível em: <http://ativesite.com.br/clinicamedica2/wpcontent/ uploads/2015/09/x3567.jpg.pagespeed.ic.PxE4oQ6JgA.jpg>. Acesso em: 11 jul. 2017. • A importância da alimentação saudável e o que são alimentos saudáveis. • Importância das atividades físicas para aquele grupo específico, destacando as particularidades de suas doenças de base e suas melhorias com o passar do tempo. • Importância do sono e da ingestão de água. • Importância do exercício aeróbico, flexibilidade e reforço muscular. • Cessação do tabagismo. A importância do contexto social de um grupo faz diferença na tomada de decisão pelo educador físico. É este que irá direcionar cada um dos participantes e encorajá-los a manter uma atividade, mesmo que seja um tanto perigoso prescrever exercícios em determinados casos, como exemplo, indivíduos com doenças cardiovasculares, síndrome metabólica etc. Nestes casos, o educador físico deve utilizar-se do bom senso e de sua avaliação psicossocial, ou seja: Esta pessoa pode iniciar pequenas caminhadas pela rua, pode passear com seu cachorro todos os dias, pode realizar caminhadas ao redor de sua casa, que, com certeza, será melhor que orientá-lo a não fazer atividade alguma porque não apresenta encaminhamento médico ou teste ergométrico. Uma ferramenta que pode auxiliar são os testes de percepção de esforço, que auxiliam o participante a quantificar a intensidade do exercício que está sendo praticado. Falaremos sobre os testes de esforço mais adiante. De maneira geral, recomenda-se o teste ergométrico nas seguintes condições: • Idade acima de 40 anos. • Idade acima de 30 anos e com um fator de risco cardiovascular adicional: - Diagnóstico de DM2 há mais de dez anos e de DM1 há 15 anos. - Hipertensão arterial. - Dislipidemia. - Tabagismo. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 24 - Retinopatia proliferativa. - Nefropatia (inclusive microalbuminúria). - Doença vascular periférica. - Neuropatia autonômica. - Suspeita ou diagnóstico de doença cardiovascular. Devemos pensar que o teste ergométrico pode realmente ser uma barreira que impede um indivíduo a iniciar a prática de atividades físicas. Esteindivíduo deve ser orientado que, caso o profissional veja a necessidade de solicitar um teste ergométrico, ele traz outras vantagens além do rastreamento de doença isquêmica silenciosa, mas também pode: • Estimar a frequência cardíaca máxima. • Estimar a resposta pressórica ao exercício. • Usá-lo como parâmetro do condicionamento físico inicial. • Usá-lo como auxiliar do planejamento da evolução e do treinamento físico. • Estabelecer as faixas de intensidade do treinamento. • Avaliar a capacidade funcional e o prognóstico. Há grupos especiais que não têm condições de frequentar academia juntamente com outras pessoas, por exemplo: um indivíduo que é cego. Dependendo do grau de habilidade da deficiência visual, há risco deste aluno ser atingido por algum equipamento ou de provocar alguma intercorrência ou tropeço, portanto, ele não pode ser exposto juntamente com outros grupos só porque necessita de atividade física. Nestes momentos, o educador físico deve ser criativo e prático, indicando atividades localizadas em um ambiente isolado, a prática de exercícios ao ar livre acompanhados de um cuidador ou familiar, exercícios em equipamentos estáticos como bicicletas estacionárias. Outro exercício que pode ser realizado é a natação ou pular cordas, em que não se exige atenção visual e somente auditiva, podendo o deficiente visual praticar sem dificuldades, pois é uma atividade ritmada. Cabe ao profissional educador físico estabelecer limites, possibilidades e adaptações necessárias para o treinamento de cada grupo especial. Grupos especiais, como lesados medulares, necessitam de um acompanhamento não só de melhoria do seu condicionamento e força, mas sim, de reabilitação. O treinamento de lesados medulares pode ser feito desde que estejam reabilitados, ou seja, consigam realizar movimentos possíveis à sua lesão e que saibam seus limites. Não há como iniciar um treinamento com um indivíduo que não consegue respirar coordenadamente ou que ainda apresenta sequelas do período em que permaneceu acamado e/ou hospitalizado. Nestes casos, o educador físico deve encaminhá-lo para o trabalho inicial de reabilitação com fisioterapia (neurológica, ortopédica, respiratória) e após sua reabilitação poderá iniciar um treinamento de força, dependendo da avaliação de suas limitações. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 25 6 ATIVIDADE FÍSICA PARA IDOSOS Define-se como idoso todo indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos para países em desenvolvimento ou 65 anos, no caso de nações desenvolvidas (OMS, 2005). FIGURA 12 – O IDOSO E A ATIVIDADE FÍSICA FONTE: Disponível em: <goo.gl/ium7Ud>. Acesso em: 30 nov. 2017. No Censo de 2000, o Brasil contava com mais de 14,5 milhões de idosos (IBGE, 2002), em sua maioria com baixo nível socioeconômico e educacional e com uma alta prevalência de doenças crônicas e causadoras de limitações funcionais e de incapacidades (LIMA-COSTA et al. 2000), incorporando outros 650 mil a cada ano. É a parcela da população que mais cresce no Brasil e no mundo, ultrapassando o número de crianças (IBGE, 2002). Essa transição demográfica repercute na área da saúde, em relação à necessidade de busca de metodologias assistenciais que possam atingir toda esta população dependente de tratamento do sistema público de saúde (LIMA-COSTA; VERAS, 2003). Entre as doenças de maior mortalidade entre idosos brasileiros, o acidente vascular cerebral predomina, deixando suas vítimas com graves sequelas e com alta dependência funcional (LIMA-COSTA et al., 2000). Os fatores de risco associados ao AVC, como sedentarismo, hipertensão, diabetes, tabagismo, poderiam ser preveníveis, evitando tantos gastos em saúde e os agravos resultantes. FIGURA 13 – ATIVIDADE FÍSICA EM GRUPO FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_God3sVKwlfI/ TNWOL8XOGI/AAAAAAAAADA/uyXU-H_xCns/s1600/ginastica1.jpg>. Acesso em: 13 ago, 2017. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 26 Lembrando que quando tratamos a saúde da pessoa idosa, devemos pensar na interação entre a saúde física, a saúde mental, a independência financeira, a capacidade funcional e o suporte social, que estão intimamente interligados, oferecendo qualidade de vida e segurança ao idoso (RAMOS, 2002). O processo natural do envelhecimento relaciona-se com a redução de algumas capacidades físicas que podem levar à incapacidade funcional (VERBRUGGE; JETTE, 1994, apud ALVES, 2008), as quais podem ser melhoradas com exercícios regulares. Tanto mulheres quanto homens idosos necessitam do exercício físico para garantir – entre outros bons resultados – a mobilidade dos músculos e das articulações, a prevenção de quedas, o fortalecimento de ossos e músculos. Para ALVES, 2008, a incapacidade funcional é a dificuldade experimentada em realizar atividades em qualquer domínio da vida devido a um problema físico ou de saúde. Ela também pode ser entendida como a distância entre a dificuldade apresentada e os recursos pessoais e ambientais de que dispõe para superá-la. Já a dependência é a expressão da dificuldade ou incapacidade em realizar uma atividade específica por causa de um problema de saúde (HÉBERT, 2003; apud DARIDO, 2005). Um envelhecimento bem-sucedido pode ser entendido a partir de três componentes: (a) menor probabilidade de doença; (b) alta capacidade funcional física e mental; (c) engajamento social ativo com a vida. O grande objetivo da atividade física associada a uma vida mais saudável é aumentar os anos de vida. Através de programas sociais para idosos, os serviços de saúde buscam reduzir disparidades na saúde entre diferentes grupos populacionais e assegurar o acesso do idoso a serviços preventivos de saúde. Além disso, é preciso incentivar e equilibrar a responsabilidade pessoal que é a importância do cuidado consigo mesmo, para que o idoso tenha o máximo de independência, não precisando do cuidado dos filhos ou pessoas próximas. As famílias e indivíduos devem se preparar para a velhice, esforçando-se para adotar uma postura de práticas saudáveis em todas as fases da vida (ONU, 2002). TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 27 Em homenagem à aprovação do Estatuto do Idoso pela Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, o Dia do Idoso passou a ser comemorado em 1º de outubro. FIGURA 14 – ENVELHECIMENTO E SAÚDE FONTE: Disponível em: <goo.gl/GsSDdG>. Acesso em: 30 nov. 2017. Uma das consequências do aumento do número de pessoas idosas em uma população, se tornando a justificativa do investimento na prática de atividade física e exercício físico, é que esses indivíduos provavelmente apresentarão um maior número de doenças e/ou condições crônicas que requerem mais serviços sociais e médicos e por mais tempo (LIMA-COSTA, 2003). De acordo com o total de idosos no Brasil, estes representam 9% da população e consomem mais de 26% dos recursos de internação hospitalar do SUS. O Colégio Americano de Medicina Esportiva (American College of Sports Medicine – ACSM) lançou uma campanha mundial intitulada Exercise is medicine (Exercício é remédio), em que os profissionais da atenção primária em saúde devem encorajar a prática de exercício durante o tratamento das doenças. Programas como este trazem benefícios sociais de imensa qualidade, pois visam auxiliar o idoso em sua busca por uma vida com mais disposição e mais liberdade, benefícios gerados com a prática de exercícios físicos. UNI Em 2003, o Congresso Nacional aprovou e o Presidente da República sancionou o Estatuto do Idoso, elaborado com intensa participação de entidades de defesa dos interesses dos idosos. O Estatuto do Idoso amplia a resposta do Estado e da sociedade às necessidades da população idosa, mas não traz meios para financiar as ações propostas. O Capítulo IV do Estatuto reza especificamente sobre o papel do SUS na garantia da atenção à saúde da pessoa idosa de forma integral, em todos os níveis de atenção. UNIDADE 1 | PORQUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 28 Assim, embora a legislação brasileira relativa aos cuidados da população idosa seja bastante avançada, a prática ainda é insatisfatória. A vigência do Estatuto do Idoso e seu uso como instrumento para a conquista de direitos dos idosos, a ampliação da Estratégia Saúde da Família, que revela a presença de idosos e famílias frágeis e em situação de grande vulnerabilidade social e a inserção ainda incipiente das Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso tornaram imperiosa a readequação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI). FIGURA 15 – O ESTATUTO DO IDOSO FONTE: <http://direitodoidoso.braslink.com/05/estatuto_integral. html>. Acesso em: 30 nov. 2017. 6.1 QUANTO DE ATIVIDADE FÍSICA SE DEVE REALIZAR Há muita controvérsia a respeito da quantidade de atividade física ideal para obter resultados satisfatórios sobre o sistema cardiovascular e muscular. Nelson et al. (2007) divulgaram um documento com recomendações sobre os tipos e quantidades de atividade física necessários para melhorar e manter a saúde dos idosos. As principais variáveis a serem observadas para a prescrição são: • Modalidade. • Duração. • Frequência. • Intensidade. • Modo de progressão. Quando o profissional avalia um idoso para recomendar a prática de atividade física, deve avaliar, além das necessidades físicas, as características sociais e culturais, psicológicas e físicas do idoso, suas limitações e capacidades baseadas na avaliação e também na sua história de vida. O educador físico deve certificar se este idoso é capaz de compreender a importância da prática regular de exercícios, se o local onde pretende realizar algum tipo de exercício é seguro para ele e para as pessoas à sua volta, ou seja, se não há riscos de sofrer quedas, atropelamentos, tropeços etc. Torna-se importante enfatizar que o planejamento TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 29 dos exercícios deve ser individualizado, levando em consideração os resultados prévios das avaliações médica e física. Mais adiante apresentaremos alguns meios de avaliação validados no Brasil e que podem ser aplicados em idosos. Envelhecer, portanto, deve ser com saúde, de forma ativa, livre de qualquer tipo de dependência funcional, o que exige promoção da saúde em todas as idades. É importante acrescentar que muitos idosos brasileiros envelheceram mesmo com a falta de recursos e da falta de cuidados específicos de promoção e de prevenção de doenças em saúde. Entre eles estão os idosos que vivem abaixo da linha de pobreza, analfabetos, aqueles com sequelas e deformidades de acidentes de trabalho, amputados por arteriopatias, hemiplégicos, idosos com síndromes demenciais etc. Para estes também é preciso buscar ações específicas na promoção à saúde, observando suas necessidades e suas limitações. A seguir são apresentadas as diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa: a) promoção do envelhecimento ativo e saudável; b) atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa; c) estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção; d) provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa; e) estímulo à participação e fortalecimento do controle social; f) formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa; g) divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS; h) promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa; e i) apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. 7 PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL A promoção do envelhecimento ativo, isto é, envelhecer mantendo a capacidade funcional e a autonomia, é reconhecidamente a meta de toda ação de saúde. Ela permeia todas as ações desde o pré-natal até a fase da velhice. A abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos das pessoas idosas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e autorrealização determinados pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2002). Para tanto é importante entender que as pessoas idosas constituem um grupo heterogêneo. Também será necessário vencer preconceitos e discutir mitos arraigados em nossa cultura. Os profissionais de saúde e a comunidade devem perceber que a prevenção e a promoção de saúde não são privilégios apenas dos jovens. A promoção não termina quando a pessoa faz 60 anos, e as ações de prevenção, sejam elas primárias, secundárias ou terciárias, devem ser incorporadas à atenção à saúde, em todas as idades. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 30 FIGURA 16 – OS IDOSOS NO BRASIL FONTE: Disponível em: <goo.gl/ntxpQP>. Acesso em: 30 nov. 2017. Com a perspectiva de ampliar o conceito de “envelhecimento saudável”, a Organização Panamericana da Saúde (2005) propõe “Envelhecimento ativo: uma política de saúde”, ressaltando que o governo, as organizações internacionais e a sociedade civil devam implementar políticas e programas que melhorem a saúde, a participação e a segurança da pessoa idosa. Considerando o cidadão idoso não mais como passivo, mas como agente das ações a ele direcionadas, numa abordagem baseada em direitos, que valorizem os aspectos da vida em comunidade, identificando o potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida. Aproveitar todas as oportunidades para: a) desenvolver e valorizar o atendimento acolhedor e resolutivo à pessoa idosa, baseado em critérios de risco; b) informar sobre seus direitos, como ser acompanhado por pessoas de sua rede social (livre escolha) e quem são os profissionais que cuidam de sua saúde. 8 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA IDOSOS O profissional de Educação Física poderá atuar em diferentes ambientes, tais como hospitais (Fase II da reabilitação cardíaca), clínicas para programa de exercício físico supervisionado (Fase III da reabilitação cardíaca) ou mesmo na residência do beneficiário para atendimento individualizado. Para que o profissional de Educação Física atue com segurança nesta fase de atenção à saúde é fundamental: • Possuir formação que o capacite para prescrever exercícios físicos e acompanhar beneficiários que apresentam doenças em tratamento. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 31 • Interagir com o médico, uma vez que nesta fase o beneficiário pode estar em acompanhamento médico contínuo e eventualmente pode ter sua medicação alterada, modificando suas respostas cardiovasculares durante a prática do exercício físico ou mesmo o nível de glicemia no caso de aluno com diabetes mellitus. • Atentar para o fato de que alguns pacientes poderão ser indicados para a realização de exercício físico supervisionado e tal recomendação deverá vir do médico. • Possuir o encaminhamento médico (por escrito) da liberação do beneficiário para a prática regular do exercício físico. Em muitos casos, o profissional de Educação Física orientará e acompanhará beneficiários sem o hábito da prática regular do exercício físico ou mesmo sem nenhuma experiência com a referida prática. Assim, é de fundamental importância o entendimento do profissional sobre as consequências das doenças e da ação do exercício físico no organismo, melhorando o quadro de saúde previamente encontrado. A reposição hídrica e a não realização de exercícios físicos em jejum também devem ser incluídas nas orientações dadas pelos profissionais de Educação Física, assim como alimentação e estilo de vida saudável, foco e disciplina. Outros detalhes devem ser atentados, como roupa adequada, ambiente adequado, horário de realização das atividades etc. UNI Idosos fisicamente ativos têm uma redução considerável no gasto com remédios e uma qualidade de vida muito melhor. 9 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT) E O IDOSOAs mudanças nos hábitos de vida do ser humano foram drásticas desde os séculos XVII e XVIII. Naquela época, a atividade física tinha fim de treinamento de gladiadores e homens para a guerra, quando se necessitavam de homens fortes e ágeis. Logo depois, a atividade física passou a ser utilizada com objetivo do culto ao corpo, em busca de se obter um corpo de medidas perfeitas. As modificações continuaram ocorrendo com o passar dos anos. O homem passou, em vez de ter que colher seu próprio alimento, caçar, pescar, ou seja, ter hábitos de vida mais ativos, a ter cada vez mais conforto, pois o carro substituiu o andar, o telefone substituiu pequenas caminhadas, a internet substituiu até o tempo em pé na preparação de um alimento, com os serviços de tele-entrega. A era UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 32 tecnológica passou a influenciar cada vez mais a vida do homem, o que provocou o aumento drástico do sedentarismo e o aparecimento das consequências de vários fatores associados: sedentarismo, alimentação desequilibrada com aumento das gorduras, açúcares e substâncias químicas, estresse, redução do período de sono, aumento das demandas de trabalho, gerando tensão, ansiedade e impactando na qualidade de vida do trabalhador (SOARES et al., 1992). Este conjunto de fatores levou ao surgimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que são doenças multifatoriais, de longa duração, que se desenvolvem no decorrer da vida. Atualmente, elas são consideradas um sério problema de saúde pública, e já eram responsáveis por 63% das mortes no mundo, em 2008, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde. Seguindo essa tendência mundial, no Brasil, em 2013, as DCNT foram a causa de aproximadamente 72,6% das mortes (MALTA, 2013). 10 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) constitui-se como o aumento da pressão arterial dos níveis normais para níveis mais elevados quando o indivíduo está em repouso. Num quadro de hipertensão, a pressão sistólica é igual ou maior que 140 milímetros de mercúrio e a pressão diastólica é igual ou maior que 90 milímetros de mercúrio (esses valores oscilam com a idade do paciente), esta pode ocorrer também quando aumenta o volume de sangue dentro do sistema, seja porque o coração bombeia com maior força ou maior frequência, ou porque os rins não funcionam de maneira adequada, não eliminando assim a quantidade suficiente de líquido. A medida da pressão arterial deve ser realizada em toda avaliação por médicos de qualquer especialidade e demais profissionais da saúde, buscando descobrir a existência de hipertensão arterial. QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL DE ACORDO COM A MEDIDA CASUAL NO CONSULTÓRIO (> 18 ANOS ) Classificação Pressão sistólica (mmHg) Pressão diastólica (mmHg) Ótima < 120 < 80 Normal < 130 < 85 Limítrofe* 130 – 139 85 – 89 Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99 Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 – 109 Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110 Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90 Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da pressão arterial. * Pressão normal – alta ou pré – hipertensão são termos que se equivalem na literatura. FONTE: Disponível em: <http://sbh.org.br/pdf/diretrizes_final.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2017. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 33 Causas: A hipertensão é uma doença multifatorial, incluindo fatores de predisposição genética, ambientais e emocionais. Esta doença compromete órgãos nobres do organismo, sendo um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares, responsáveis por 80% dos casos de acidentes vasculares, 60% dos casos de infarto agudo do miocárdio e 40% das aposentadorias precoces (ZAITUNE, 2006). FIGURA 17 – PRESSÃO ARTERIAL SISTÊMICA E A SAÚDE FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/7GAQ1AlPFYA/ VYqQZVyEVNI/AAAAAAAAIhs/AqS4fsQwVtQ/s1600/download.jpg>. Acesso em: 15 ago. 2017. A VI Diretriz Brasileira de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010, s.p.) recomenda: O sucesso do tratamento depende fundamentalmente de mudança comportamental e da adesão a um plano alimentar saudável. Mesmo uma modesta perda do peso corporal está associada a reduções na PA em pessoas com sobrepeso, mas o alcance das metas deve ser perseguido. 11 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA HIPERTENSOS A Diretriz de Reabilitação Cardíaca (2005) relata que: O treinamento físico promove um conjunto de adaptações morfológicas e funcionais que conferem maior capacidade ao organismo para responder ao estresse do exercício. Mas, para que o exercício exerça a função hipotensora, deve-se manter uma frequência, intensidade e duração crescente do exercício aeróbio. O American College of Sports Medicine (2004) preconiza que a intensidade do exercício para hipertensos sedentários deve ser de 40% a 60% da capacidade funcional máxima, ou seja, exercícios de baixa a média intensidade. O exercício de resistência pode ser realizado com efeito positivo sobre o sistema osteomuscular, melhorando a força muscular. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 34 A Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010) traz recomendações importantes para obtenção da pressão arterial normal: • Perder peso, se for obeso ou sobrepeso. • Reduzir a ingestão de sal a menos de 2.300 mg (uma colher de chá) por dia. • Acompanhamento e controle dos fatores de risco associados (diabetes, sedentarismo, dislipidemias etc.). • Terapia farmacológica quando indicado pelo médico. • Verificar a possibilidade de terapias complementares como CPAP. • Controle da apneia, quando associada. • Controle do estresse psicossocial. UNI Diretrizes são instruções ou indicações para se estabelecer um plano, uma ação, são as normas de procedimento, referenciadas pelos maiores estudiosos dentro de cada área. 12 ATIVIDADE FÍSICA COMO TRATAMENTO DA HAS A recomendação pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010) é de que inicialmente os indivíduos realizem atividades leves a moderadas. Somente após estarem adaptados, caso julguem confortável e não haja contraindicação, é que devem passar às atividades vigorosas. Sugestão da intensidade de exercícios isotônicos segundo a frequência cardíaca: • Atividades leves – Mantém-se com até 70% da FC máxima ou de pico, recomendando-se a faixa entre 60% e 70%, quando se objetiva o treinamento efetivo eminentemente aeróbio. • Atividades moderadas – Mantêm-se entre 70% e 80% da FC máxima ou de pico, sendo considerada a faixa ideal para o treinamento que visa à prevenção e o tratamento da hipertensão arterial. • Atividades vigorosas – Mantêm-se acima de 80% da FC máxima ou de pico, propondo-se a faixa entre 80% e 90% quando se objetiva o treinamento com expressivo componente aeróbio, desenvolvido já com considerável participação do metabolismo anaeróbio. O quadro a seguir mostra os resultados de programas no tratamento da HAS. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 35 QUADRO 3 – ALGUMAS MODIFICAÇÕES DE ESTILO DE VIDA E REDUÇÃO APROXIMADA DA PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA Modificação Recomendação Redução aproximada na PAS** Controle de peso Manter o peso corporal na faixa normal(índice de massa corporal entre 18,5 a 24,9 kg/m2) 5 a 20 mmHg para cada 10 kg de peso reduzido Padrão alimentar Consumir dieta rica em frutas e vegetais e alimentos com baixa densidade calórica e baixo teor de gorduras saturadas e totais. Adotar dieta DASH 8 a 14 mmHg Redução do consumo de sal Reduzir a ingestão de sódio para não mais que 2 g (5 g de saVdia) = no máximo 3 colheres de café rasas de sal = 3 g + 2 g de sal dos próprios alimentos 2 a 8 mmHg Moderação no consumo de álcool Limitar o consumo a 30 g/dia de etanol para os homens e 15 g/dia para mulheres 2 a 4 mmHg Exercício físico Habituar-se à prática regular de atividade física aeróbica, comocaminhadas por pelo menos 30 minutos por dia, 3 vezes/semana, para prevenção e diariamente para tratamento 4 a 9 mmHg * Associar abandono do tabagismo para reduzir o naco cardiovascular. ** Pode haver efeito aditivo para algumas das medidas adotadas. FONTE: Disponível em: <http://www.sbh.org.bripdf/d retrizes_finaI.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2017. 13 DIABETES MELLITUS TIPO II O diabetes mellitus do tipo 2 é uma doença que se caracteriza como um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que consiste na secreção defeituosa da insulina, associada à utilização inadequada da glicose pelos tecidos, dificulta a produção de energia pela musculatura esquelética, provocando sérias complicações à saúde, como: hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e dislipidemia (SBD, 2015). Atualmente existem cerca de 371 milhões de pessoas portadoras desta doença no mundo. A Sociedade Brasileira de Diabetes (2015) estima 11 milhões de brasileiros em tratamento da doença, com um custo mundial aproximado de 116 bilhões de dólares (ADA, 2008). Pinto (2013) acrescenta: As complicações crônicas decorrentes da DM atingem todos os órgãos e sistemas, sendo esta doença considerada a principal causa de cegueira, insuficiência renal terminal e amputações dos membros inferiores, nos países desenvolvidos. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 36 UNI O tratamento do diabetes tipo I consiste na dieta, atividade física e se necessário, o uso da insulina, conforme exames e orientação médica. Sabemos que diabéticos apresentam menor condição aeróbica, menos força muscular e menos flexibilidade do que seus pares da mesma idade e sexo sem a doença. As alterações metabólicas e a menor capilarização observada nos diabéticos podem justificar a perda destas condições. A grande esperança é que dados consistentes mostram que diabéticos fisicamente ativos e/ou em boa condição aeróbica apresentam melhor prognóstico do que aqueles inativos e/ou com baixa condição aeróbica (SBD, 2015), ou seja, o exercício físico tem um papel importante sobre a melhora da qualidade de vida do diabético. 14 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA DIABÉTICOS TIPO II Pelo caráter multissêmico do diabetes, recomendam-se avaliações periódicas do diabético que se exercita, procurando minimizar complicações, as quais deverão contemplar os principais sistemas comprometidos, incluindo avaliações cardíaca, vascular, autonômica, renal e oftalmológica. O teste de esforço está indicado a pacientes diabéticos que queiram iniciar um programa de exercício de moderada a alta intensidade e que tenham as condições clínicas de descompensação e/ou que apresentem risco cardiovascular. O tratamento da DM se baseia no triângulo: alimentação, Atividade Física (AF) e medicação adequadas, a prática de exercício regular assume-se cada vez mais como parte fundamental do tratamento e controle da DM2, com efeitos positivos no controle glicêmico, na insulino-resistência e no risco cardiovascular (MENDES et al., 2011). Katzer (2007) descreve: O exercício, como um todo, tem como vantagens a melhoria da resistência óssea, da força muscular, da flexibilidade corporal, da aptidão motora e da aptidão metabólica, além da função cognitiva, da saúde mental e do ajustamento social. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 37 UNI O tratamento para diabetes tipo 2 pode ser feito com a ingestão de remédios hipoglicemiantes que ajudam a controlar a produção e a secreção de insulina pelo pâncreas. Exemplos: sulfonilureias, glinidas e inibidores da alfa-glicosidase. 15 PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO E INTENSIDADE Antes de se engajar em um programa de exercícios, o indivíduo diabético deve passar por uma completa e extensiva avaliação médica. Avaliações cardiovasculares, do sistema nervoso, rins, pés e do sistema visual são fundamentais devido a possíveis complicações oriundas da doença. Os princípios gerais da prescrição de exercício devem ser seguidos respeitando-se as particularidades da doença de base. Qualquer atividade física, recreativa, laborativa ou esportiva pode ser feita pelos diabéticos, devendo- se estar alerta para as possíveis complicações e as limitações impostas pelo comprometimento sistêmico do diabetes (SBD, 2015). Para saber mais sobre as intercorrências que podem ocorrer durante o exercício, você pode ler a Unidade 2 deste livro, mais especificamente sobre o diabetes. LEITURA COMPLEMENTAR EDUCAÇÃO EM DIABETES Segundo a SBD (2015), denomina-se educação em diabetes o processo de desenvolvimento dessas habilidades e a incorporação de ferramentas necessárias para atingir as metas estabelecidas em cada etapa do tratamento. Portanto, a educação em diabetes é a principal ferramenta para a garantia do autocuidado que permitirá o autocontrole por parte do paciente. A educação em diabetes evoluiu muito nos últimos anos e as técnicas atuais para o estímulo e treinamento para o autocuidado utilizam um modelo mais focado no paciente, buscando promover mudanças de comportamento mais positivas. Só se pode considerar a educação em diabetes efetiva se esta resultar em “mudanças e/ou aquisição de comportamentos”, caso contrário, podemos estar somente transmitindo informações. A educação em diabetes também pode ser a interface entre a prática clínica e a pesquisa, já que deve incorporar as necessidades, os objetivos e as experiências de vida do indivíduo, levando em consideração as evidências científicas. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 38 O educador em saúde, seja da área da saúde ou da área de prescrição do exercício, necessita conhecer a pessoa com diabetes mellitus, e saber ouvi- la é uma das melhores estratégias para isso. A problematização depende desse entendimento sobre os questionamentos pessoais e suas atividades diárias, contextualizando, assim, a realidade do educando com as mudanças necessárias para um bom controle do diabetes e sua convivência com a doença. O educador não deve impor conceitos e rotinas, mas sim ouvir o educando e juntos decidirem qual é a melhor maneira de introduzir hábitos saudáveis, realizar cuidados básicos e estabelecer terapêuticas como a realização de atividade física, aplicação de insulina (quando necessário), alimentação saudável etc. FIGURA 18 – EDUCAÇÃO EM DIABETES FONTE: Disponível em: <https://medlineplus.gov/diabetes.html>. Acesso em: 30 nov. 2017. É a curiosidade sobre a sua doença e o conhecimento sobre os danos que o diabetes pode causar, que produzem o autocuidado e a compreensão de que há formas de prevenir complicações, além de melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade mesmo sendo portador de diabetes. Sendo assim, reforça-se o conceito de que ensinar a lidar com o diabetes não é transferir conteúdo a ninguém. O educador tem de estar “com” o educando e não “sobre” o educando (SBD, 2015). FONTE: CHAVES, Miriam de Oliveira; TEIXEIRA, Mirian Rose Franco; SILVA, Sílvio Éder Dias da. Percepções de portadores de diabetes sobre a doença: contribuições da Enfermagem. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 66, n. 2, p. 215-221, abr. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672013000200010&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 11 dez. 2017. 16 O AUTOCUIDADO E O EXERCÍCIO No caso específico da educação de pessoas com diabetes tipo 1 e, em especial, da criança com diabetes, o foco principal deve ser o alcance da independência e autonomia necessárias, ou seja, ensinar o autocuidado, próprio para cada faixa de idade. Novos comportamentos e atitudes precisarão ser aprendidos, visando sempre ao autocontrole da glicemia, à aplicação da insulina e à adaptação nutricional para as atividades diárias (SBD, 2015). O maior risco na prática de exercício em diabéticos é a hipoglicemia, que pode ocorrer durante, logo depois ou horas após o final da atividade. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 39 O exercício físico agede maneira específica sobre a resistência insulínica, independentemente do peso corporal. Indivíduos fisicamente mais ativos têm níveis mais baixos de insulina circulante, melhor ação em receptores e pós- receptores de membrana, melhor resposta de transportadores de glicose, maior capilarização nas células musculares esqueléticas e melhor função mitocondrial, quando comparados com indivíduos menos ativos, independentemente do peso e do índice de massa corporal (IMC). O exercício físico também atua na redução do peso corporal, que, por si só, já reduz o risco de DM2 e auxilia no tratamento do DM de modo geral. A atividade física promove maior capilarização das fibras musculares e melhor função mitocondrial, melhorando a sensibilidade dos tecidos à insulina, com resultados até 72 horas após o exercício. Uma boa orientação de exercício físico para a saúde contempla pelo menos três tipos de exercício: aeróbico, de fortalecimento muscular e de flexibilidade. De acordo com a ACSM (2009), para um plano de EF é importante traçar o historial clínico e físico do indivíduo e estabelecer objetivos. O modo como os diabéticos reagem a uma sessão de EF depende de vários fatores, tais como: o tipo de medicação (insulina ou antidiabéticos orais); a hora em que é administrada a medicação; o nível de glicose no sangue antes do exercício; hora, quantidade e tipo de comida consumida; presença e severidade de complicações que resultaram da diabetes; uso de outros medicamentos secundários para as complicações da diabetes; e intensidade, duração e tipo de exercício. Você pode visitar a Unidade 2 deste livro de estudos, que fala sobre hipoglicemia e como agir nestes casos. Os princípios gerais da prescrição de exercício – tipo, frequência semanal, duração das sessões, intensidade do esforço e progressão da atividade – devem ser seguidos respeitando-se as particularidades da doença de base. Qualquer atividade física, recreativa, laborativa ou esportiva pode ser feita pelos diabéticos, mas é importante alertar para possíveis complicações e limitações impostas pela doença. O exercício físico de intensidade moderada a vigorosa por mais de 150 min semanais é o recomendado para prevenção e controle do DM2 e na prevenção das doenças cardiovasculares em diabéticos. Preferencialmente, a combinação de exercícios aeróbicos e de resistência é recomendada tanto para a prevenção, como para o controle do DM. A recomendação de atividade aeróbica diária, ou pelo menos três dias da semana sem permanecer mais de dois dias sem realizá-la, é reforçada para que os benefícios sobre o metabolismo glicídico sejam alcançados (SBD, 2015). UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 40 No tratamento do diabetes, o ideal é que a glicose fique entre 80 e 100mg/ dL. A partir de 100mg/dL em jejum ou 140mg/dL duas horas após as refeições, considera- se hiperglicemia e, abaixo de 70mg/dL, hipoglicemia. UNI A duração necessária de uma sessão de exercício depende da intensidade e da frequência semanal dos exercícios. Nos pacientes diabéticos, a duração de um exercício deve ser planejada para minimizar riscos de hipoglicemia, geralmente sendo necessária a reposição de carboidratos quando a atividade tiver duração MAIOR que 60 minutos. A recomendação mais atual para diabéticos é de 150 minutos de exercícios de moderada intensidade ou 75 minutos de alta intensidade por semana, ou uma combinação de ambos, sempre respeitando os limites do indivíduo e acompanhando sua evolução e suas queixas durante o exercício. Indicam-se 10 a 12 exercícios, inclusive os de grandes grupos musculares, em máquinas, com peso livre, caneleiras ou faixas/cordões elásticos, agrupados em duas a três séries de seis a 10 repetições com peso que não suporte mais do que essas repetições, duas a três vezes/semana. Devem ser preferencialmente supervisionados por educador físico para sua correta realização, minimizando o risco de lesões osteomioarticulares. 17 COMPLICAÇÕES E RISCOS DO EF PARA DIABÉTICOS INSULINO-DEPENDENTES Uma das complicações mais comuns do diabético que necessita de insulinoterapia e que inicia atividades físicas é a hipoglicemia (SBD, 2015). É comum acontecer dos 20 aos 60 minutos do treino, podendo gerar grande desconforto e frustração, tanto para o professor quanto para o diabético, que se sente prejudicado pela prática do exercício, sendo tão importante o esclarecimento dos efeitos a curto e longo prazo causados pela prática de exercícios. Existem algumas maneiras de prevenir a hipoglicemia: • Suplementação de carboidratos (CHO). • Redução ou supressão de dose de insulina. • Dividindo o treino, ou seja, se iniciando pela fase do exercício resistido, deixando por último o treino aeróbio. • Ter sempre consigo opções de carboidratos. • Aumentar de forma progressiva a intensidade e a duração da atividade. • Horas antes, ingerir carboidratos de absorção lenta, repondo as reservas de glicogênio. • Não injetar insulina nos locais próximos aos grupos musculares envolvidos no EF. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 41 • Anotar os dados referentes aos treinos, ao uso de insulina e à alimentação, além das glicemias relacionadas, para possibilitar a individualização. • Encorajar o uso de novas tecnologias, como sensores, monitores contínuos, aplicativos em smartphones e relógios monitores. • Nas escolas e nos locais de treinamento, devem estar disponíveis alimentos que contêm carboidratos, glucagon injetável (Glucagen®) e orientações sobre o tratamento da hipoglicemia. • Os monitores de glicemia contínua e as bombas de insulina com tecnologias de autossuspensão e manejo programado de hipoglicemia são úteis e podem beneficiar pacientes que usam essas tecnologias. • Para a reposição de carboidratos no caso de atividade física não se deve esperar a queda dos níveis de glicose, quando a hipoglicemia já será inevitável. Com a avaliação prévia da necessidade, a reposição pode ser feita em porções divididas, prevenindo-se a hipoglicemia. • Hipoglicemias noturnas são acentuadas quando a atividade física é feita à tarde ou à noite. A redução na basal noturna e/ou ingestão de 15 a 30 g de carboidratos no lanche da noite podem atenuar o risco. UNI O pé diabético é decorrente da diabetes Melittus, pela perda da sensibilidade do pé causando uma ferida que não cicatriza e infecciona, tornando-se uma úlcera (úlcera diabética). 18 COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABÉTICO E EXERCÍCIO FÍSICO 18.1 RETINOPATIA DIABÉTICA A presença de retinopatia restringe o tipo de exercício que pode ser praticado, já que esforços que causem grandes elevações de pressão arterial, especialmente contrações isométricas e manobra de Valsalva, podem ser contraindicados dependendo da presença de retinopatia. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 42 QUADRO 4 – CUIDADOS DURANTE O EXERCÍCIO FÍSICO EM INDIVÍDUOS COM RETINOPATIA DIABÉTICA Tipo de retinopatia diabética Exercícios físicos aceitáveis Exercícios físicos desaconselháveis Reavaliação oftalmológica Sem retinopatia. Determinados pela avaliação clínica. Determinados pela avalia- ção clínica 12 meses Retinopatia não proliferativa leve. Determinados pela avaliação clínica. Determinados pela avalia- ção clínica 6 a 12 meses. Retinopatia não proliferativa moderada. Determinados pela avaliação clínica. Atividades que possam elevar a pressão arterial: •Levantamento de peso. •Manobra de Valsalva intensa. 4 a 6 meses. Retinopatia não proliferativa severa. Determinados pela avaliação clínica. Atividades que possam elevar a pressão arterial, incluindo esportes de competição intensa. 2 a 4 meses (pode requerer terapia com laser). FONTE: Disponível em: <http://www.nutricionistarafael.com.br/2015/12/atividade-fisica-e- diabetes-pratica.html>. Acesso em: 17 jan. 2018. 18.2 NEUROPATIA DIABÉTICA A neuropatia diabética é a lesão em alguns nervos do corpo, causandoperda da sensibilidade, principalmente das mãos e dos pés, pois há perda da sensibilidade protetora, o que acaba provocando lesões sem que o indivíduo perceba. Esta condição tem implicação na prescrição do exercício, dependendo do quadro clínico. Havendo neuropatia periférica significativa, deve-se evitar exercícios com suporte de peso. O exercício repetitivo em pé com sensibilidade prejudicada pode levar à ulceração e a fraturas. O quadro a seguir mostra as recomendações de exercícios segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2015): QUADRO 5 – EXERCÍCIOS PARA PACIENTES COM PERDA DE SENSIBILIDADE PROTETORA Exercícios contraindicados Exercícios recomendados • Esteira. • Natação, hidroginástica. • Caminhada prolongada. • Bicicleta. • Corrida. • Remo. • Exercícios de step. • Exercícios de cadeira. • Exercícios de braços. • Outros exercícios que não tenham que sustentar o peso do corpo. Adaptado de: American Diabetes Association Position Statement. Physica! Activity/Exercise and Diabetes. Diabetes Care 2004;27 (Suppl. 1):S58-S62. FONTE: Disponível em: <http://www.nutricionistarafael.com.br/2015/12/atividade-fisica-e- diabetes-pratica.html>. Acesso em: 17 jan. 2018. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 43 18.3 NEFROPATIA DIABÉTICA E OBESIDADE INFANTIL A nefropatia diabética, que é caracterizada pela perda da função renal parcial ou total, não implica recomendações específicas, exceto a adequação do exercício à capacidade física do indivíduo. A obesidade infantil é uma desordem na composição corporal pelo excesso de tecido gorduroso, o que leva ao sobrepeso e aumento do IMC (índice de massa corpórea) (DOMINGUES FILHO, 2000). A Organização Mundial da Saúde tem buscado estratégias para combater a estimativa de 18 milhões de crianças em todo o mundo, menores de cinco anos, classificadas como tendo sobrepeso. A obesidade é causada por doenças genéticas, endócrino-metabólicas, fatores psicológicos ou por alterações nutricionais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). FIGURA 19 – A OBESIDADE INFANTIL E AS DOENÇAS ASSOCIADAS FONTE: Disponível em: <http://nadafragil.com.br/obesidade-infantil- criancas-e-adolescentes-obesos/>. Acesso em: 30 nov. 2017. Um dos grandes fatores da obesidade infantil está relacionado ao baixo nível de atividades físicas, devido às mudanças no estilo de vida contemporâneo (outros tipos de brincadeiras, mais tempo frente à televisão e jogos de computadores, maior dificuldade de brincar na rua pela falta de segurança), que acabam contribuindo para uma vida pouco ativa. O estilo de vida da criança irá refletir diretamente em seu ganho de peso, associado a dieta rica em gorduras e pobre em vitaminas e fibras. Segundo o Consenso Latino-Americano de Obesidade (2001), a obesidade é uma enfermidade crônica que vem acompanhada de múltiplas complicações, como alterações da pressão, colesterol e triglicerídeos altos, indicativos de risco para problemas cardíacos, diabetes, derrame e hipertensão, afetando a criança até a vida adulta. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 44 Os efeitos do excesso de peso não prejudicam somente a saúde cardiovascular, mas também podem ter influência no desenvolvimento de alguns tipos de câncer e de problemas osteomusculares. UNI 19 PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS PARA CRIANÇAS 19.1 AVALIAÇÃO DE CRIANÇAS NA PRÉ-PARTICIPAÇÃO DE PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA O Ministério da Saúde recomenda, para a avaliação do estado nutricional para crianças de 6 a 10 anos, o gráfico do NCHS (National Center For Health Statistical), que permite analisar se a ingestão de nutrientes é suficiente, normal ou excessiva, baseando-se no peso, altura e idade, que são divididas por idade e sexo até os 10 anos de idade. Após os 10 anos utiliza-se o IMC para cálculo da relação peso e altura, através da fórmula: Peso/(altura)2, com os valores considerados para homens e mulheres descritos no quadro a seguir. UNI A atividade física na infância e adolescência combate doenças, promove melhoria na postura corporal, fortalecimento muscular, desenvolvimento da agilidade, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora. QUADRO 6 – VALORES DO IMC Condição IMC em Mulheres IMC em Homens abaixo do peso < 19,1 < 20,7 no peso normal 19,1 – 25,8 20,7 – 26,4 marginalmente acima do peso 25,8 – 27,3 26,4 – 27,8 acima do peso ideal 27,3 – 32,3 27,8 – 31,1 obeso > 32,3 >31,1 FONTE: Disponível em: <http://www.calcule,net/imc _calc _massa.php>. Acesso em: 30 nov. 2017. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 45 QUADRO 7 – TABELA DE PESO PARA IDADE – ALTURA PARA IDADE – MASCULINO E FEMININO IDADE PESO ALTURA ANO/MÊS Percentil 3 Percentil 10 Percentil 97 Percentil 3 Percentil 10 Percentil 07 Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. 1 3.0 2.9 3.4 3.2 5.5 5.0 49.9 49.2 51.4 50.6 59.2 57.9, 2 3 3.6 4.2 3.4 4.0 4.1 4.8 3.8 4.4 6.7 7.6 6.0 6.9 53.2 56.1 52.2 54.9 54.8 57.7 53.7 56.4 62.9 66.1 61.3 64.2 4 4.8 4.6 5.4, 5.0 8.4 7.6 58.6 57.2 60.3 58.7 68.7 66.8 5 5.4 5.1 6.0 5.6 9.1 8.3 60.8 59.2 62.5 60.7 71.0 69.0 6 6,0 5.6 6.6 6.1 9.7 8.9 62.8 61.0 64.4 62.5 72.9 70.9 7 6.5 6.0 7.1 6.5 10.2 9.5 64.5 62.5 66.1 64.1 74.5 72.6 8 7,0 6,4 7.5 7.0 10.7 10.0 66.0 64.0 67.6 65.6 76.0 74.2 9 7.4 6.7 7.9 7.3 11.1 10.4 67.4 65.3 68.9 66.9 77.3 75.6 10 7.7 7.0 8.3 7.6 11.5 10.8 68.7 66.6 70.2 68.2 78.6 77.0 11 8.0 7.3 8.6 7.9 11.9 11.2 69.9 67.8 71.5 69.5 79.9 78.3 12 8.2 7.6 8.8 8.2 12.2 11.5 71.0 69.0 72.6 70.7 81.2 79.6 1 1 8.5 7.8 9.1 8.4 12.5 11.8 72.1 70.1 73.7 71.8 82.4 80.9 1 2 8.7 8.0 9.3 8.6 12.8 12.0 73.1 71.2 74.8 72.9 83.6 82.1 1 3 8.8 8.1 9.5 8.8 13.1 12.3 74.1 72.2 75.8 74.0 84.8 83.3 1 4 9.0 8.3 9.6 9.0 13.3 12.5 75.0 73.2 76.7 75.0 85.9 84.5 1 5 9.1 8.5 9.8 9.2 13.6 12.7 75.9 74.2 77.6 76.0 87.0 85.6 1 6 9.3 8.6 10.0 9.3 13.8 13.0 76.7 75.1 78.5 77.0 88.1 86.7 1 7 9.4 8.8 10.1 9.5 14.0 13.2 77.5 76.1 79.4 77.9 89.2 87.8 1 8 9.5 8.9 10.3 9.7 14.2 13.4 78.3 77.0 80.2 78.8 90.2 88.8 1 9 9.7 9.1 10.4 9.8 14.4 13.6 79.1 77.8 81.0 79.7 91.2 89.8 1 10 9.8 9.3 10.6 10.0 14.6 13.9 79.8 78.7 81.8 80.6 92.2 90.8 1 11 9.9 9.4 10.7 10.2 14.8 14.1 80.6 79.5 82.6 81.4 93.1 91.7 2 0 10.2 9.6 10.9 10.3 15.5 14.4 81.3 80.3 83.3 82.3 94.0 92.6 2 1 10.3 9.7 11.0 10.5 15.7 14.8 80.3 79.2 82.3 81.2 92.5 91.5 2 2 10.5 9.9 11.2 10.6 15.9 15.1 81.0 80.0 83.0 82.0 93.5 92.4 2 3 10.6 10.1 11.3 10.8 16.1 15.4 81.7 80.7 83.9 82.7 94.4 93.4 2 4 10.7 10.2 11.5 11.0 16.4 15.7 82.4 81.4 84.5 83.5 95.3 94.3 2 5 10.8 10.4 11.6 11.1 16.6 15.9 83.1 82.2 85.2 84.2 96.2 95.2 2 6 10.9 10.5 11.7 11.3 16.8 16.2 83.8 82.9 85.9 85.0 97.1 96.0 2 7 11.0 10.7 11.9 11.5 17.0 16.5 84.5 83.6 86.6 85.7 97.9 96.9 2 8 11.1 10.8 12.0 11.6 17.2 16.8 85.2 84.3 87.3 86.4 98.8 97.7 2 9 11.3 10.9 12.2 11.8 17.4 17.0 85.8 84.9 88.0 87.1 99.6 98.6 2 10 11.4 11.1 12.3 11.9 17.6 17.3 86.5 85.6 88.7 87.8 100.5 99.4 2 11 11.5 11.2 12.4 12.1 17.8 17.5 87.1 86.3 89.4 88.5 101.3 100.1 3 0 11.6 11.3 12.6 12.2 18.0 17.8 87.8 86.9 90.0 89.1 102.1 100.9 3 1 11.7 11.5 12.7 12.4 18.2 18.0 88.4 87.6 90.7 98.8 102.9 101.7 3 2 11.9 11.6 12.9 12.5 18.5 18.2 89.0 88.2 91.3 90.4 103.7 102.4 3 3 12.0 11.7 13.0 12.6 18.7 18.5 89.6 88.8 92.0 91.1 104.4 103.1 3 4 12.1 11.8 13.1 12.8 18.9 18.7 90.2 89.4 92.6 97.7 105.2 103.9 3 5 12.2 12.0 13.3 12.9 19.1 18.9 90.9 90.0 93.3 92.3 106.0 104.6 FONTE: Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/crescimento_ desenvolvimento.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 46 19.2 PRÁTICA DE EXERCÍCIOS COM CRIANÇAS Programas de exercícios para crianças exigem muita criatividade, dedicação e acompanhamento, além de que devem ser divertidos. Exercícios como caminhar, passear, ir ao parque, e quaisquer outras atividades onde tenham gasto calórico, são importantes e já tiram a criança da imobilidade. Cunha (2000) relata que para uma perda de peso seguro, é indicado emagrecer até um quilo por mês. Caso hajanecessidade de uma perda de peso mais do que um quilo previsto, é sugerido o acompanhamento de um nutricionista e também de um pediatra, para não colocar em risco a saúde e desenvolvimento. A avaliação deve ser composta de informações básicas como peso, altura, preferências, e reavaliadas a cada três meses, buscando orientar e parabenizar a criança a cada perda de peso, mesmo que seja pequena. Caso não haja perda de peso, é interessante rever o trabalho da equipe de exercícios e também o comportamento da família. Muitas vezes, há necessidade de acompanhamento psicológico, neste caso, deve-se buscar orientação do pediatra e orientar os pais. UNI As atividades coletivas desenvolvem a tomada de decisão em grupo, companheirismo, coletividade e há uma interação social natural. FIGURA 20 – OS EXERCÍCIOS E AS CRIANÇAS FONTE: Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/ saude/noticia/2015/12/menos-videogame-e-mais-esportes-crianca-deve- praticar-atividade-fisica.html>. Acesso em: 30 nov. 2017. Com a prática dos exercícios, que deve ser iniciada com intensidade leve, evoluindo à medida que a criança adquira condicionamento, notam-se alguns efeitos, como: TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 47 • a diminuição do apetite; • o aumento da ação da insulina; • a melhora do perfil das gorduras; • a melhora da sensação de bem-estar e autoestima, que vai refletir na vida da criança como um todo (Disponível em: <www.abcdasaude.com.br>. Acesso em: 30 nov. 2017). Os exercícios são recomendados de intensidade moderada, de três a cinco vezes por semana, com duração de 50 a 60 minutos por dia e com uma especial atenção à individualidade de cada um. Os exercícios podem ser divididos em dois tipos: o aeróbio (média e longa duração), que pode ser bicicleta, esteira, atividades como caminhadas, passear com seu cachorro, ir ao supermercado, corridas, pular cordas; e o exercício anaeróbio (curta duração), que pode ser atividades como jogar bola, brincadeiras, exercícios com pesos, bambolês e até localizados, desde que a faixa etária permita e haja cooperação de todos. O professor de Educação Física deve ser muito criativo e dedicado, com momentos lúdicos e prazerosos, sempre observando a reação de cada aluno, suas dificuldades e evolução. Para que haja sucesso no tratamento da obesidade infantil, a cooperação do triângulo família unida e cooperativa, alimentação e estilo de vida saudável deve estar presente. FIGURA 21 – A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NA ESCOLA FONTE: Disponível em: <https://www.webrun.com.br/atletas-mirins- tambem-devem-ficar-atentos-aos-exames-de-saude/>. Acesso em: 30 nov. 2017. Segundo Cunha (2000), algumas atitudes vindas dos pais contribuem com o sucesso do tratamento da criança. O professor deve encorajá-los para: • planejar passeios familiares, como sair de bicicleta, ir ao parque e clubes; • limitar seu filho ao videogame e à televisão: não tire essas atividades de seu cotidiano, mas faça com que se empenhe mais em atividades em que haja um maior gasto de energia. • Quando presentear seu filho, dê objetos que estimulem a prática de exercícios, como os patins, a bicicleta, roupa de natação, bolas, petecas. Lembre-se: crianças ativas têm maior chance de se tornarem adultos sadios, pois irão desenvolver hábitos saudáveis para a vida toda. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 48 Leia o Tópico 3 desta unidade, que fala sobre questionários de avaliação e índices de percepção de esforço que podem ser utilizados em crianças. FIGURA 22 – A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA EM GRUPO FONTE: Disponível em: <http://www.faculdademax.edu.br/alunos- do-curso-de-administracao-promovem-atividades-ludicas/>. Acesso em: 1 dez. 2017. 20 PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA CRIANÇAS DIABÉTICAS O diabetes mellitus tipo II, na infância, tem sido comum no Brasil e no mundo, se apresentando próximo dos 13 anos de idade. Isso se deve às modificações no estilo de vida, industrialização, limitações de atividades ao ar livre, devido ao receio da criminalidade, e desenvolvimento socioeconômico. O diagnóstico de DM2 na infância deverá ser feito levando-se em consideração critérios clínicos, como idade e sexo do paciente, obesidade e história familiar positiva para DM2. Devido às consequências da doença, é necessária a educação em diabetes, buscando evitar as comorbidades associadas, como as nefropatias e suas limitações. O ponto fundamental do tratamento é a modificação do estilo de vida, que inclui modificações dietéticas e aumento da atividade física. A dieta com restrição calórica adequada à idade melhora a tolerância à glicose e a sensibilidade insulínica, devido ao fato de diminuir a produção hepática de glicose. O exercício aumenta a sensibilidade periférica à insulina por meio da diminuição da massa gorda. O sucesso do tratamento com dieta e exercício é obtido quando o paciente mantém um crescimento normal, com controle de peso, glicemia de jejum próximo da normalidade (> 120 mg/dl) e o exame de hemoglobina glicada perto dos seus valores normais (SBD, 2014). Quando as metas do tratamento não são alcançadas apenas com as mudanças de estilo de vida, a terapia farmacológica deve ser indicada. O quadro a seguir traz as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes e orienta os procedimentos para o controle do diabetes na criança e adolescente. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 49 QUADRO 8 – RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES DA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE JOVENS PORTADORES DE DM2 Insulina: a introdução de tratamento com insulina deve ser assegurada em crianças e adolescentes com DM2 que tenham cetose ou cetoacidose diabética, em pacientes nos quais a distinção entre DM1 e DM2 não for evidente e sempre que o paciente apresente, em coleta aleatória de glicose plasmática ou venosa, valor ≥ 250 mg/dℓ ou HbAlc > 9% Metformina: a metformina deve ser o medicamento de primeira escolha para jovens e adolescentes e, em todas as outras situações, no momento do diagnóstico e durante o tratamento, sendo sempre associada a programa de modificação de estilo de vida, incluindo orientação nutricional e de atividade física Hemoglobina glicada: o monitoramento com coleta de HbA1c deve ser realizado a cada 3 meses. Caso as metas de glicemia capilar e concentração de HbAlc (< 7%) não sejam obtidas, recomenda-se a intensificação do tratamento, por meio do aumento do número de controles de glicemia capilar e ajuste de dose e tipo de medicação, no intuito de normalizar as concentrações de glicose sanguínea Glicemia capilar: a realização de glicemia capilar deve ser aconselhada em pacientes que utilizem insulina ou outras medicações com risco de hipoglicemia; estejam iniciando ou modificando o regime de tratamento; não tenham alcançado as metas ou apresentem intercorrência de saúde (doenças febris ou que afastem o paciente da rotina normal diária) Orientação nutricional: sugerir, na orientação da dieta e nutrição de crianças com DM2, seja no momento do diagnóstico ou durante o tratamento, que se utilizem as recomendações do consenso da Academia de Nutrição e Dietética Pediatric Weight Management Evidence-Based Nutrition Practice Guidelines⁶¹ Atividade física: crianças e adolescentes portadores de DM2 devem ser incentivados pelo médico a realizar atividade física de moderada a intensa, durante no mínimo 60 min diariamente. E recomendado também que o tempo de "telanão acadêmica" (televisão, videogame etc.) seja limitado a, no máximo, 2 h/dia PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO: A recomendação é de 60 minutos de atividade física diariamente, diminuindo-se o tempo em que a criança ou adolescente fica sentado em frente à televisão ou computador. É importante o envolvimento do profissional que prescreve atividade física, pois nesta idade, adolescentes já têm um estilo de vida e um padrão de comportamento estabelecido, com resistênciasa mudanças de hábitos. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 50 Na avaliação deve-se entender quais são seus gostos, suas aptidões, rotinas e criar um programa com atividades que o envolvam, associando, por exemplo, exercícios ao ar livre e em ambientes preparados. Pode-se incluir passeios com seu animal de estimação, atividades com os amigos ou exercícios na praia, para que tenha efeito positivo e duradouro. Um ponto fundamental é o envolvimento familiar, para que haja modificação no estilo de vida, o que inclui modificações dietéticas, o que muitas vezes gera conflitos dentro do ambiente familiar (SBD, 2015). 21 GESTANTES A gestação é um momento único e indescritível na vida da mulher. A associação da atividade física, neste período, deve ser pensada para fazer bem não só para a gestante, mas para o feto que está se formando. O primeiro trimestre é marcado de alterações hormonais, fixação do feto no endométrio, formação estrutural do bebê e adaptação do corpo com as proporções que permitirão o crescimento saudável do bebê. O segundo e terceiro trimestres são marcados pelo aumento considerável da barriga, pelo crescimento do bebê e preparação do corpo da mãe para o parto. Um programa de atividade física deve levar todos esses aspectos em consideração, a fim de promover bem-estar para a mãe, mas também para o feto. 21.1 PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA PARA GESTANTES O exercício é indicado por vários fatores, segundo o Ministério da Saúde (2012) considerados macro-objetivos, especificados a seguir: • Reduzir danos posturais: objetiva preparar o corpo da mãe para a sobrecarga que o peso da barriga acarreta sobre a coluna vertebral. • Reduzir dores nas costas: objetiva melhorar a força e flexibilidade da musculatura da coluna, evitando dores e desconfortos. • Melhoria da condição cardiopulmonar: objetiva aumentar a resistência cardiopulmonar, diminuindo o cansaço e a fadiga com o aumento do peso e pela necessidade de maior consumo de oxigênio na formação do bebê. • Diminuição das intercorrências médicas: objetiva orientar e ensinar à gestante meios para aliviar os desconfortos advindos da gestação, evitando idas e vindas ao serviço de saúde e diminuindo a necessidade de uso de medicamentos. • Melhora da circulação: objetiva, através do exercício, aumentar a circulação, facilitando o retorno venoso, diminuindo o edema de membros inferiores e melhorando o aporte sanguíneo para a placenta, fornecendo mais nutrientes ao bebê. • Qualidade de vida: o exercício, de um modo geral, oferece alívio das dores, melhora o condicionamento físico e cardiopulmonar, fazendo a gestante sentir-se mais disposta, melhora a autoestima, e todos estes fatores interferem positivamente na sua qualidade de vida. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 51 A American College of Sports Medicine concorda que gestantes saudáveis não precisam parar de fazer exercícios físico com medo de efeitos adversos. UNI Ramos (2002) realizou um estudo com gestantes e verificou que há muitos benefícios para a prática de exercícios pela gestante, sendo os mais importantes: • Menor ganho de peso corporal e tecido adiposo. • Menor risco de parto prematuro. • Diminui as complicações durante ou imediatamente após o parto. • Menor tempo da fase ativa do parto. • Melhora na capacidade física geral e capacidade física para o parto. • Diminui consideravelmente o risco de diabetes. • Recuperação mais rápida pós-parto. • Menor risco ou até mesmo inexistência de inchaços nos membros inferiores. • Melhora na resistência muscular. • Melhora na capacidade cardiorrespiratória. • Diminui a ansiedade e o estresse. • Diminui a sensação de isolamento social e melhora a autoestima. 21.2 CUIDADOS NA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA GESTANTES A prática de atividades físicas não só na gestação, mas exclusivamente neste período, tem um impacto de prevenção de morbidades que podem se apresentar longo tempo após o parto. Doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, podem ser prevenidas através do exercício físico, sendo um recurso não medicamentoso e multifatorial com impacto na qualidade de vida desta mulher. Cabe ressaltar que programas de atividade física para gestantes devem ser estruturados a fim de oferecer um espaço amplo, arejado, seguro e com orientação do profissional educador físico. Alguns cuidados devem ser tomados quando se trabalha com gestantes (Ministério da Saúde, 2012): 1. Nesta fase a gestante sente-se muito emotiva e insegura. Há necessidade de um trabalho preliminar de orientação e informação sobre as etapas da gestação e sobre a importância da atividade física. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 52 2. O atestado médico é obrigatório. O pré-natal é um acompanhamento obrigatório para as gestantes, devendo incluir no mínimo sete consultas com obstetra durante a gestação. É no acompanhamento pré-natal que o obstetra identifica possíveis riscos e doenças que podem ser agravados com o exercício físico. No caso de a gestante estar proibida de realizar atividades físicas, o profissional educador físico pode programar sessões de alongamento leve, relaxamento, palestras de autocuidados ou exercícios posturais para manter o vínculo e oferecer um serviço diferenciado, com impacto positivo no seu dia a dia. 3. A avaliação inicial deve ser completa e minuciosa, assinada pela gestante, que está prestando a informação verdadeira e completa ao profissional. Nesta avaliação e anamnese, deve-se investigar e descobrir possíveis alterações do metabolismo ou doenças como diabetes, hipertensão, sinais de doenças cardíacas ou circulatórias, que podem ser comprometidas com o exercício físico e que não foram identificadas ainda pelo obstetra. 4. As sessões de exercício devem iniciar dependendo de cada gestante: Praticantes de exercícios a médio e longo prazo: se a gestante está na fase inicial da gestação e já é praticante de atividades físicas há mais de seis meses, poderá manter sua atividade, desde que se sinta confortável e liberada pelo obstetra. No decorrer da gestação, o treinamento deverá ser alterado devido ao peso da barriga e à diminuição do espaço abdominal diminuindo a ação do diafragma, o que limita a ventilação. Também há uma demanda maior de oxigênio, glicose e nutrientes pelo feto, sendo necessário diminuir o peso do treinamento e as posturas adotadas. Não praticantes de exercícios: uma gestante que nunca realizou atividades físicas e decide iniciá-las durante a gestação exige cuidado e orientação redobrada e consecutiva. A gestação é uma fase de múltiplas alterações e acrescer exercícios pode gerar excesso de demanda de oxigênio e glicose, levando a gestante à exaustão. Nesses casos, é importante iniciar com caminhadas, exercícios de alongamento e resistência de grandes grupos musculares, evitando exercícios intensos. Os fatores: duração, frequência, tipo e intensidade do exercício devem ser constantemente reavaliados, principalmente no primeiro trimestre, pelo risco de aumento da temperatura corporal e risco de abortamento. Os exercícios podem ser realizados de três a cinco vezes por semana, de forma regular e gradativa, desde que não existam limitações ou contraindicações médicas ou gestacionais percebidas pelo educador físico. UNI Doenças como Cérvix incompetente, doença pulmonar restritiva, gestação múltipla (>3), parto prematuro, pré eclampsia são contraindicações absolutas para atividade física. TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? 53 Bagnara (2010) cita os principais cuidados com a gestante a partir de seu estudo com estes grupos: • Evitar movimentos de balanço e que contraiam de forma exagerada o abdome. • Evitar todo e qualquer tipo de impacto sobre as articulações. • Não realizar exercícios elevando o quadril e as pernas acima do nível do peito, evitando dessa forma a movimentação brusca do sangue para a cabeça. • Controlar constantementea frequência cardíaca, mantendo a mesma entre 50% a 70% da máxima, para segurança da gestante e do bebê, evitando assim a falta de oxigênio para o feto. • Movimentos de deitar e levantar do chão devem ser feitos de forma suave, evitando assim a hipotensão (queda brusca da pressão arterial). • Mulheres sedentárias deverão iniciar um programa com menor intensidade do que mulheres acostumadas a realizar exercícios físicos. • Qualquer sintoma anormal (dores e desconfortos), parar imediatamente a atividade e comunicar o obstetra. • Evitar exercícios na posição supinada, ou seja, de barriga para baixo. • Abolir todo e qualquer tipo de exercício que provoque apneia (prender a respiração). • Adequar o consumo de calorias para a gestação e para suportar o ritmo de treinamento sem afetar o bebê, que está em formação. Para isso é aconselhado um auxílio de nutricionista a fim de garantir o consumo dos nutrientes essenciais. • Evitar que a temperatura corporal da gestante ultrapasse os 38ºC. 54 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Grupos especiais são grupos de pessoas com necessidades específicas, sejam elas passageiras ou não. • Em grupos especiais, faz-se necessária a estratificação dos riscos, presentes nos vários tipos de indivíduos que desejam praticar atividade física. A estratificação verifica a existência de riscos para as doenças coronarianas e classifica os grupos em três categorias: aparentemente saudáveis, com risco aumentado ou com doença diagnosticada. • Cada participante apresenta diferenças em relação às outras, que interferem na realização de atividades físicas. O que se deve observar é se a atividade física, por mais leve que seja, não provoque alterações de origem metabólica ou não que possam colocar o indivíduo em risco. • A avaliação, quanto mais completa, mais fornecerá informações e dados para a prescrição do exercício. • O tipo de exercício físico, a frequência e duração da sessão devem ser adaptados ao indivíduo ou ao grupo, considerando não somente o estado de saúde e o nível de risco ou doença, mas também a capacidade física, as limitações individuais, a situação psicossocial, os objetivos pessoais e as preferências, visando otimizar os benefícios e obter uma adesão duradoura das pessoas ao programa de exercícios físicos. • Cada grupo apresenta suas peculiaridades e limitações, não existindo uma receita completa e pronta. Cabe ao profissional avaliar, investigar e acompanhar os melhores exercícios e de acordo com a realidade biopsicossocial de cada grupo. 55 1 O profissional de Educação Física pode atuar individualmente na prescrição da atividade física para cada indivíduo, e pode intervir dentro de programas, como o Programa Saúde da Família (PSF), tanto para orientar sobre a importância de hábitos de vida ativa, quanto para promover e estimular a adoção de um estilo ativo de vida, promovendo saúde e qualidade de vida. I – Compete ao profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria dentro da área de atividade física, esportes e saúde. II – Compete ao educador físico participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, em qualquer área, mesmo sem conhecimento técnico. III – O profissional de Educação Física deve conhecer a legislação específica da sua área de competência, para que não incorra em condutas e procedimentos que caracterizem práticas específicas de outras profissões da área da saúde. Assinale a alternativa correta: a) ( ) Apenas I está correta. b) ( ) I e III estão corretas. c) ( ) Apenas II está correta. d) ( ) Apenas III está correta. 2 Um programa para grupos especiais é de suma importância, devido ao grande número de pessoas que se enquadram como grupo especial: idosos, obesos, cardiopatas, gestantes, crianças, diabéticos etc. Quando um profissional inicia um programa de exercícios para estes grupos, a primeira decisão a ser tomada é: a) ( ) Avaliar o grupo, definindo os diagnósticos, necessidades individuais e limitações. b) ( ) Prescrever atividades leves a moderadas. c) ( ) Solicitar aos participantes a lista de exames que já realizaram. d) ( ) Orientar que façam atividades como caminhadas. 3 Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), o educador físico está apto a avaliar o indivíduo que necessita de exercícios físicos para melhora de sua saúde ou para tratamento de doenças já instaladas. Segundo este conselho, a melhor definição para avaliação física é: FONTE: CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA (CONFEF – Brasil). Nota técnica CONFEF N° 002/2012, Brasília: 2012. AUTOATIVIDADE 56 I – Antes do início do desenvolvimento do programa de exercícios, de atividades físicas e/ou desportivas, faz-se necessária a realização de avaliação física, para identificar indivíduos sintomáticos ou com fatores de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas, pulmonares e do sistema locomotor, que podem ser agravadas pela atividade física, deverá solicitar avaliação médica especializada objetivando identificar restrições e estabelecer linhas de orientação para prescrições de exercícios apropriados pelo profissional de Educação Física. II – Na aplicação de avaliação física, o profissional de Educação Física utilizará conhecimentos sobre: protocolos de testes, suas indicações e contraindicações; fisiologia do exercício e das respostas hemodinâmicas e respiratórias ao exercício físico; princípios e detalhes da avaliação, inclusive o preparo do beneficiário e mecanismos de funcionamento dos equipamentos, bem como suas limitações; indicações de interrupção dos testes. III – O profissional de Educação Física coleta dados e interpreta informações relacionadas com prontidão para a atividade física, fatores de risco, qualidade de vida e nível de atividade física; afere e avalia pressão arterial e frequência cardíaca; aplica escalas de percepção do esforço; utiliza ergômetros (esteira, cicloergômetro etc.) e outros equipamentos utilizados em programas de atividade física. IV – Conhece, aplica e interpreta testes de laboratório e campo utilizados em avaliação física; realiza e interpreta avaliação de medidas antropométricas; prescreve atividades físicas baseadas em testes ergoespirométricos; prescreve atividades físicas baseadas em limiares metabólicos, frequência cardíaca e percepção de esforço. Assinale a alternativa correta: a) ( ) Apenas a I está correta. b) ( ) II, III e IV estão corretas. c) ( ) I e IV estão corretas. d) ( ) Todas estão corretas. 4 Segundo as diretrizes da NSCA (National Strengt and Conditioning Association Foundation), a prescrição do exercício físico deve ser composta de frequência, intensidade e duração, objetivando o ganho de condicionamento físico e melhora dos sistemas corporais. O exercício realizado regularmente, deve combinar cinco pontos fundamentais: I – Dias da semana para se exercitar. II – Ordem do exercício. III – Força aplicada. IV – Número de séries. V – Tempo de repouso entre as séries. Assinale a alternativa correta: a) ( ) Apenas I está correta. b) ( ) II e III estão corretas. c) ( ) I, II, e V estão corretas. d) ( ) II, III, IV e V estão corretas. 57 TÓPICO 3 MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Em Educação Física e esportes, os testes são instrumentos de avaliação, contudo possuem um sentido mais amplo, com uma enorme diversidade de variáveis a serem avaliadas, das quais algumas podem ser quantificadas através de medidas. Um teste, segundo Tritschler (2003, s.p.), é ''um instrumento ou procedimento que traz à tona uma resposta observável, a fim de fornecer informações sobre um atributo específico de uma ou mais pessoas". E, para o mesmo autor, em esportes os testes "avaliam a aptidão física, habilidadesesportivas, estresse do exercício e lesões esportivas" Já Pitanga (2004, p. 13) define teste como "um instrumento utilizado para obter medidas". A liberação para a prática de atividade física, bem como o acompanhamento do desempenho do praticante são baseados nesses testes, que avaliam a capacidade de cada indivíduo, ou seja, é uma forma de conhecer o estado atual de condicionamento e encorajá-los a melhorar sua saúde e sua capacidade corporal. 2 MEIOS DE AVALIAÇÃO EM PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA Em programas de exercícios para grupos especiais, antes de submeter o indivíduo a qualquer teste, deve-se realizar um questionário para obter informações como: histórico de doenças familiares e pessoais; procedimentos cirúrgicos realizados; utilização de medicamentos, fumo ou bebidas alcoólicas; hábitos alimentares e esportivos; e disponibilidade de horários para as práticas esportivas. Ao desenvolver um programa de atividades físicas para grupos especiais, que envolvam várias atividades, o profissional deve: - Definir as atividades pretendidas, lembrando que para a realização de atividades físicas há a necessidade de espaço adequado, estrutura física (como exemplo: banheiros, piso antiderrapante e equipamentos). Pode-se desenvolver parcerias com instituições ou academias para a realização de exercícios específicos ou desenvolver projetos e parcerias. - Institutos e órgãos públicos como postos de saúde, clínicas, centros urbanos etc., possuem banco de dados que podem facilitar a divulgação do programa de atividades físicas, pois há grande circulação de pessoas aptas ao programa e há fichas de cadastro com telefone, e-mail ou endereço, o que facilita o convite e a organização desses grupos. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 58 UNI Antigamente não existia uma lei que protegesse as pessoas que comprassem um produto ou contratassem qualquer serviço. Em março de 1991 entrou em vigor a Lei nº 8.078/90, que é mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor, para proteger as pessoas que fazem compras ou contratam algum serviço. É interessante lembrar que o educador físico precisa ter não somente uma lista de dados para montagem de um programa de exercícios, mas sim, a cada avaliação, deve-se conhecer o contexto social, psicológico, neurológico e fisiológico e, com estes dados, buscar um programa que resulte em ações positivas sobre a saúde de cada grupo especial. A intensidade e a duração vão progredir à medida que o participante tenha ganhos no seu condicionamento físico. 2.1 FORMULÁRIO DE DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES MÉDICAS A divulgação de seus exames médicos e laboratoriais também pode se tornar um problema, se não autorizados a serem vistos por outros. O participante é o real proprietário destas informações, portanto, sempre que o participante traga exames e outros laudos, é necessário solicitar-lhe autorização para que outros membros da equipe vejam estes resultados. FIGURA 23 – FORMULÁRIO DE INFORMAÇÕES MÉDICAS FONTE: Disponível em: <https://uniasselvi.bv3.digitalpages.com.br/users/ publications/9788520426456/pages/70>. Acesso em: 1 dez. 2017. TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS 59 2.2 TESTES DE COMPOSIÇÃO CORPORAL Os testes de avaliação da composição corporal referem-se a medidas do tamanho corporal e de suas proporções. Estes testes oferecem indicadores diretos do perfil nutricional do indivíduo e podem ser medidos e comparados a cada período. Segundo o Caderno de Referência Esporte (UNESCO, 2013), as medidas antropométricas mais utilizadas são: a) Massa corporal total: é a medida que traduz a massa corporal, sendo esta componente registrada em quilogramas (kg). b) Estatura: Registrada em metros ou centímetros. c) Índice de massa corporal (IMC): é um cálculo para a determinação da porcentagem da massa gorda do corpo humano. d) Envergadura: o comprimento total dos braços. e) Perímetros: São as medidas de circunferência do corpo. f) Dobras cutâneas: medidas do tamanho das dobras cutâneas. A importância da avaliação antropométrica ocorre por sua capacidade de informar ao avaliador e quantificar de maneira mais objetiva os tecidos ósseo, adiposo e muscular, além de estimar a quantidade de água corporal. Baseado nessas informações pode-se avaliar o desenvolvimento, o crescimento e a maturação dos indivíduos, além do estado nutricional, nível de atividade física e possíveis riscos de doenças. Porém, para garantir a confiabilidade e a precisão das medidas coletadas, deve-se saber reconhecer a necessidade de cuidados e utilizar técnicas padronizadas para a coleta de dados, como: ambiente adequado, equipamentos específicos, reprodutibilidade e especificidade dos testes, e atenção durante a realização dos procedimentos. FIGURA 24 – MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS FONTE: Disponível em: <http://www.girourbano.com.br/wp-content/uploads/avaliacao antropometrica/02a.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2017. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 60 Cabe ao profissional escolher quais dos testes deseja utilizar para obter dados e indicadores, lembrando que, quanto maior o número de dados sobre o indivíduo, melhor será a prescrição do programa de exercícios, e mais seguros serão os resultados (UNESCO, 2013). 2.3 TESTE DE PERCEPÇÃO DE ESFORÇO DE BORG Gunnar Borg foi um psicólogo suíço e é considerado o pai do conceito de esforço percebido, definido como o ato de tentar interpretar sensações corporais durante o exercício físico, relacionado ao trabalho muscular intenso, que envolve uma tensão relativamente grande sobre os sistemas musculoesquelético, cardiovascular e pulmonar. Esta escala utiliza como base três mediadores fisiológicos respiratório-metabólicos de percepção de esforço: ventilação pulmonar, consumo de oxigênio e frequência cardíaca, podendo medir quanto a tarefa está sobrecarregando os três sistemas, ou seja, Gunnar Borg definiu como “a sensação de quão pesada e extenuante é uma tarefa física” (NOBEL; ROBERTSON apud TIGGEMANN, 2010). A escala de percepção de esforço de Borg tem grande utilidade em academias, centros de reabilitação, centros de terapia intensiva, centros de cardiologia, como parâmetro limitador nos testes de exercícios, treino e na reabilitação. É uma escala de 15 graus, que compreendem valores que variam entre 6 a 20, pretendendo assim condizer com a variação da frequência cardíaca de 60 a 200 bpm. Multiplicando por 10 o valor percepcionado na escala, calcula-se a frequência cardíaca atingida. A aplicação da escala de percepção de esforço, tanto no campo clínico como no desportivo, assume que os sinais de percepção estão subjacentes a acontecimentos fisiológicos, associados à resposta do organismo derivada do estresse produzido pelo exercício. Estes fenômenos fisiológicos são classificados segundo os sinais percebidos. O sistema de classificação é composto por mediadores respiratório- metabólicos, fisiológicos periféricos e fisiológicos não específicos. 2.3.1 Indicações para o uso das escalas Estas escalas devem ser utilizadas e previamente orientadas ao participante, para que compreenda o que significa o uso da escala durante os treinos. São seis pontos fundamentais, segundo Noble e Robertson (1996), citados por TIGGEMANN (2010): 1. Definir percepção de esforço. 2. Fazer compreender o sujeito, a ligação entre as categorias de sensação e o valor numérico associado. 3. Explicar a metodologia e o uso da escala. 4. Explicar que a percepção pode ser localizada ou global, dependendo do objetivo do uso. TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS 61 5. Pedir para que a resposta seja o mais honesta possível, sem pensar sobre a carga física real, não a superestime, mas também não a subestime. 6. Responder a todas as questões formuladas. 2.3.2 Fatores que influenciam a percepção de esforço Ambiente: Temos como aspectos físicos do ambiente a altitude, temperatura, música, ruídos, condiçõesclimáticas (velocidade do vento, umidade e poluentes). Nutrição e drogas: a influência tanto da ingestão de alimentos e líquidos, bem como o uso de estimulantes e sedativos e os seus efeitos na percepção de esforço. 2.3.3 Fatores fisiológicos Podem ser observados alguns pontos convergentes entre a variação da percepção do esforço e alguns fenômenos fisiológicos simples: Efeitos do sexo. Efeitos da idade. Efeitos decorrentes da capacidade cognitiva. Fatores psicológicos. FIGURA 25 – PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO (Borg & Noble, 1974) 6 - 7 muito fácil 8 - 9 fácil 10 - 11 relativamente fácil 12 - 13 ligeiramente cansativo 14 - 15 cansativo 16 - 17 muito cansativo 18 - 19 exaustivo 20 - FONTE: Disponível em: <http://spicyfit.com/curso/aula12.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2017. UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS 62 2.4 TESTES DE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE AERÓBIA Os testes de capacidade aeróbia, segundo McArdle (1992), buscam verificar o consumo máximo de oxigênio, ou seja, a medida da máxima quantidade de energia que pode ser produzida via metabolismo aeróbio por uma determinada unidade de tempo. O teste mais conhecido é o teste de Cooper, no qual o indivíduo deve percorrer a máxima distância possível em 12 minutos. Existem outros testes também utilizados, como: Teste de corrida de 2.400 metros (Cooper), Teste de corrida de 1.000 metros, Protocolo de Balke, Protocolo de Bruce etc., que também têm a função de avaliar a capacidade aeróbia. As orientações sobre mensuração dos sinais vitais, parada cardíaca e parada respiratória, você encontrará nas unidades 2 e 3 deste livro. FIGURA 26 – A CAPACIDADE AERÓBIA FONTE: Disponível em: <http://www.corpore.org.br/baseconteudo/555/ lactato1.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2017. 2.5 TESTES DE AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA ANAERÓBIA A potência anaeróbia reflete a potência muscular, ou "explosão muscular". Depende do número de fibras de contração rápida dos músculos. É um dos fatores determinantes de potência, força e velocidade. No atletismo, determina o "arranque" ou "Sprint” do atleta. Através dos testes de capacidade anaeróbia que são realizados através de exercícios de elevada intensidade, com durações entre as fracções de segundos e alguns minutos (FLECK, 1999). Dentre os testes mais comuns apresentam-se o Teste de Força – Velocidade e o teste de Sprint. Caso aconteça alguma ocorrência como queda, hipotensão, tontura ou desmaio com os praticantes de atividades físicas, consulte as unidades 2 e 3 deste livro, que fala do controle da situação no caso de acidentes ou intercorrências que necessitem de primeiros socorros. TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS 63 2.6 TESTES DE AUTOAVALIAÇÃO – PAR-Q O PAR-Q é um questionário indicado para o participante se autoavaliar, desenvolvido na década de 1970, com o objetivo principal de substituir ou localizar pessoas para quem um aumento da atividade física poderia ser contraindicado. Através de questões claras e objetivas, responde como se sente frente ao seu dia a dia e à sua saúde atual. Este questionário é muito utilizado em academias, se tornando um instrumento básico de triagem quando não há o atestado médico trazido pelo participante. QUADRO 9 – QUESTIONÁRIO DE PRONTIDÃO PARA ATIVIDADE FÍSICA Este questionário tem objetivo de identificar a necessidade de avaliação por um médico antes do início da atividade física. Caso você responda 'sim' a uma ou mais perguntas, converse com seu médico ANTES de aumentar seu nível atual de atividade física. Mencione este questionário e as perguntas às quais vocé respondeu 'sim'. Por favor, assinale 'sim ou 'não às seguintes perguntas: 1) Algum médico já disse que você possui algum problema de coração e que só deveria realizar atividade física supervisionado por profissionais de saúde? ( ) sim ( ) não 2) Você sente dores no peito quando pratica atividade física? ( ) sim ( ) não 3) No último mês, você sentiu dores no peito quando pratica atividade física? ( ) sim ( ) não 4) Você apresenta desequilíbrio devido a tontura e/ou perda de consciência? ( ) sim ( ) não 5) Você possui algum problema ósseo ou articular que poderia ser piorado pela atividade física? ( ) sim ( ) não 6) Você toma atualmente algum medicamento para pressão arterial e/ou problema de coração? ( ) sim ( ) não 7) Sabe de alguma outra razão pela qual você não deve praticar atividade física? ( ) sim ( ) não Data, nome completo e assinatura:______________________________________ FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/pdef/rbme/v22n4/1517-8692 rbme-22-04- 00272.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018. 2.7 TESTES POSTURAIS A avaliação de aspectos posturais dentro dos testes num programa de atividades para grupos especiais busca diagnosticar desvios posturais com o intuito de prescrever exercícios corretivos ou qualquer tipo de tratamento, pois isso é uma responsabilidade do ortopedista e do fisioterapeuta. O profissional que realiza 64 UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS avaliações posturais busca dar um atendimento mais qualificado ao participante, porém, deve ter o cuidado para não invadir o espaço de outras profissões e não sair do foco do treinamento do grupo. Não é comum que ocorram avaliações posturais em programas para grupos especiais, a não ser que haja um grupo propriamente de problemas ou alterações posturais. O profissional educador físico pode, através de seu conhecimento, orientar os cuidados posturais ao participante a fim de evitar futuras lesões ou evitar dores advindas da má postura. 2.8 ATESTADO MÉDICO Ao examiná-lo, recomenda-se que o médico considere a possibilidade de doença capaz de representar riscos. No atestado devem constar as seguintes informações: se existem e quais são as limitações clínicas identificadas (por exemplo, “não deve praticar levantamento de peso”); qual é o tipo de exercício adequado; se a atividade só é permitida sob prescrição ou acompanhamento médico; e se o paciente está proibido de praticar exercícios. Caso não encontre nenhum problema, é obrigatório informar ao paciente que os atestados apontam probabilidades, não certezas. Isso é confirmado no corpo do documento, que deve evidenciar que “até aquele momento” a pessoa não apresenta contraindicações para a prática da atividade física almejada. FONTE: Brasil – Atestado médico – prática e ética. Coordenação de Gabriel Oselka. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). 2013. 2.9 ATESTADO MÉDICO PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS O encaminhamento médico é sempre um aliado do programa, e é necessário para a prática de atividades físicas. O médico certifica-se de que a pessoa não é portadora de doenças capazes de inviabilizar eventual esforço extra e fornece informações em que o indivíduo seja capaz de perceber sua real necessidade de realizar atividade física para melhora de sua saúde e expectativa de vida. Pelo Código de Defesa do Consumidor (e dependendo da interpretação jurídica), parte da responsabilidade por uma morte em academia ou durante exercícios sob orientação de, por exemplo, um personal trainer, recairá sobre o proprietário da academia; quem orienta os exercícios; e o médico que atestou a sanidade. Caso o profissional educador físico perceba algum tipo de risco, pode reencaminhar este participante para avaliação médica (CREMESP, 2013) A seguir apresentamos um modelo de encaminhamento. TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS 65 FIGURA 27 – MODELO DE ENCAMINHAMENTO FONTE: Disponível em: <https://uniasselvi.bv3.digitalpages.com.br/users publications/9788520426456/pages/68>. Acesso em: 1 dez. 2017. PLANO DE AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA O ENFRENTAMENTO DAS DCNT O quadro de monitoramento global foi pactuado em 2012, contendo 25 indicadores e nove metas globais voluntárias, para a prevenção e o controle das DCNT.Os 25 indicadores foram inseridos em três blocos: a) mortalidade e morbidade; b) fatores de risco; e c) respostas dos sistemas nacionais. Para nove deles, foram definidas metas a serem atingidas em relação à linha de base. Metas, essas, que foram alinhadas às do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil, 2011- 2022, elaborado com protagonismo do Ministério da Saúde e participação de diversas outras instituições de relevância nacional e internacional. Lançado em 2011, o Plano tem o objetivo de promover o desenvolvimento e a implantação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco, incluindo o fortalecimento dos serviços de saúde. As estratégias e ações propostas estão estruturadas em três eixos: a) vigilância, informação, avaliação e monitoramento; b) promoção da saúde; c) cuidado integral. O Ministério da Saúde vem implementando importantes políticas para combater as DCNT. Um exemplo consiste na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), priorizando ações de alimentação saudável, atividade física, LEITURA COMPLEMENTAR 66 UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS prevenção ao uso de tabaco e álcool. Outros exemplos consistem na implementação do Programa Academia da Saúde e na expansão da Atenção Básica, com equipes atuando em território definido, com população adstrita, realizando ações de promoção, prevenção, vigilância em saúde e assistência. O quadro abaixo mostra as quatro DCNT de maior impacto mundial: doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas. E elas possuem quatro fatores de risco modificáveis em comum, onde é possível o tratamento. A atividade física é um dos pilares do tratamento de todas as DCNTs. DCNT e fatores de risco em comum DCNT Fatores de risco Tabagismo Alimentação não saudável Inatividade física Uso nocivo de álcool Doenças cardiovasculares x x x x Câncer x x x x Diabetes x x x x Doenças respiratórias crônicas x x x x Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o- ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14125- vigilancia-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis Metas nacionais propostas pelo Plano Nacional de ações de enfrentamento das DCNT: • Reduzir a taxa de mortalidade prematura (<70 anos) por DCNT em 2% ao ano. • Reduzir a prevalência de obesidade em crianças. • Reduzir a prevalência de obesidade em adolescentes. • Deter o crescimento da obesidade em adultos. • Reduzir as prevalências de consumo nocivo de álcool. • Aumentar a prevalência de atividade física no lazer. • Aumentar o consumo de frutas e hortaliças. • Reduzir o consumo médio de sal. • Reduzir a prevalência de tabagismo em adultos. • Aumentar a cobertura de mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos. • Ampliar a cobertura de exame preventivo de câncer de colo uterino em mulheres de 25 a 64 anos. • Tratar 100% das mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) (2011-2022) tem sido monitorado anualmente e mais informações podem ser vistas no tópico DCNT – Plano de Ações Estratégicas em: <http://portalsaude.saude.gov.br>. FONTE: Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais- o-ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14125- vigilancia-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis>. Acesso em: 30 nov. 2017. 67 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Em programas de exercícios para grupos especiais, antes de submeter o indivíduo a qualquer teste, deve-se realizar um questionário para obter informações como: histórico de doenças familiar e pessoal; procedimentos cirúrgicos realizados; utilização de medicamentos, fumo ou bebidas alcoólicas; hábitos alimentares e esportivos; e disponibilidade de horários para as práticas esportivas. • O educador físico precisa, a cada avaliação, conhecer o contexto social, psicológico, neurológico e fisiológico do aluno e do grupo. Com estes dados, buscar um programa que resulte em resultados positivos sobre a saúde de cada grupo especial. • A intensidade e duração do exercício vai progredir à medida que o participante tenha ganhos no seu condicionamento, respeitando seus limites e seu processo de adaptação ao treino. • Os meios de avaliação, como Teste de Percepção de Esforço de Borg, teste de medidas antropométricas e PAR-Q são subsídios para um programa de qualidade e seguro tanto para o profissional educador físico quanto para o aluno pertencente a um grupo especial, ou seja, que exige cuidados. 68 1 As escalas de avaliação foram desenvolvidas com o intuito de dar suporte e segurança aos profissionais da área do esporte, saúde e reabilitação, demonstrando em dados e valores a melhor decisão que deve ser tomada frente ao estado da pessoa avaliada e os resultados obtidos dentro de um determinado período. Mediante o exposto, as escalas de avaliação têm a finalidade de: a) ( ) Permitir que o educador físico conheça o histórico de doenças familiares e pessoais; procedimentos cirúrgicos realizados; utilização de medicamentos, fumo ou bebidas alcoólicas; hábitos alimentares e esportivos; tipos de exercícios permitidos e disponibilidade de horários para as práticas esportivas. b) ( ) Permitir que o educador físico possa definir as atividades pretendidas, lembrando que para a realização de atividades físicas há a necessidade de espaço adequado, estrutura física (como exemplo: banheiros, piso antiderrapante e equipamentos). c) ( ) Obter as medidas do tamanho corporal e de suas proporções, oferecendo indicadores diretos do perfil nutricional do indivíduo e podem ser medidos e comparados a cada período. 2 Gunnar Borg foi um psicólogo suíço e é considerado o pai do conceito de esforço percebido, definido como o ato de tentar interpretar sensações corporais durante o exercício físico, relacionado ao trabalho muscular intenso, que envolve uma tensão relativamente grande sobre os sistemas musculoesquelético, cardiovascular e pulmonar. Gunnar Borg definiu como “a sensação de quão pesada e extenuante é uma tarefa física, a fim de evitar que o indivíduo faça atividade extenuantes, ultrapassando seus limites fisiológicos”. FONTE: NOBLE, B. J.; ROBERTSON, R. J. Perceived Exertion.Champaign: Human Kinetics Books, 1996. Com base no exposto, assinale a alternativa que descreve a PRIMEIRA conduta que o educador físico deve tomar ao utilizar o teste de Percepção de BORG com um praticante de exercícios físicos: a) ( ) Definir o que é percepção de esforço, para que o praticante entenda que o teste avalia o quanto ele está sentindo de esforço físico e a ligação com o valor numérico. b) ( ) Solicitar exames médicos. c) ( ) Iniciar a atividade física e aguardar a sensação que o praticante refere. d) ( ) Verificar o consumo máximo de oxigênio. AUTOATIVIDADE 69 3 Em academias, escolas, empresas e instituições relacionadas à prática de atividades físicas, nem sempre o participante apresenta o atestado médico. Nestes casos, um instrumento básico de triagem quando não há o atestado médico trazido pelo participante, que busca substituir ou localizar pessoas para quem um aumento da atividade física poderia ser contraindicado é o: a) ( ) PAR-Q. b) ( ) Escala de Borg. c) ( ) Teste de capacidade aeróbia. d) ( ) Teste de Cooper. 70 71 UNIDADE 2 ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, o acadêmico estará apto a: • conhecer as regras básicas para atendimento inicial de avaliação primária e secundária, assim como o uso de EPIs para o socorrista; • compreender qual é a responsabilidade dos serviços especializados,con- forme a necessidade da vítima e orientações de transporte; • obter conhecimento básico sobre os tipos de fraturas e traumas, ações para prevenção de lesões e procedimentos básicos para realização de respiração artificial; • conhecer os aspectos legais, as Leis segundo a Constituição Brasileira em primeiros socorros e os seguros em casos de acidente de trabalho; • obter conhecimento básico sobre as funções vitais do corpo humano. Esta unidade está dividida em cinco tópicos. Em cada um deles, você encon- trará atividades que o auxiliarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA TÓPICO 2 – TRANSPORTE DE ACIDENTADOS TÓPICO 3 – ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS TÓPICO 4 – FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO TÓPICO 5 – ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 72 73 TÓPICO 1 SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Esta unidade tem como objetivo apresentar um conhecimento geral de primeiros socorros, as técnicas e os procedimentos descritos foram pesquisados em materiais atualizados e coerentes com a medicina brasileira. O ensino de técnicas ao suporte básico da vida tem relevante importância para nosso país, pois os índices de mortalidade e as consequências dos acidentes são elevados, e a maioria da população não é preparada para ações de prevenção de acidentes ou para a prestação de socorro adequado ao nível pré-hospitalar. Como podemos prestar os primeiros socorros? Seguindo as orientações contidas neste Livro de Estudos, qualquer pessoa terá condições de ajudar em uma situação de emergência. No entanto, é importante lembrar que este básico conhecimento não o torna um socorrista profissional. Muitas pessoas que se deparam com uma situação de emergência e prestam atendimento, têm medo de fazer alguma coisa errada e gerar consequências legais com base nessa atitude. É importante ressaltar que é necessária a participação em um treinamento atualizado prático de primeiros socorros, com profissionais capacitados, pois somente a leitura de materiais sobre esse assunto não lhe dará condições fundamentais para um pronto atendimento a uma vítima. A definição de primeiros socorros é determinada por um conjunto de procedimentos de emergência, que são aplicados às vítimas no momento em que sofreram um acidente, mal-estar ou quando se encontram em perigo de vida. Estas ações têm a finalidade de preservar e manter os sinais vitais, dentro dos padrões da normalidade, evitando o agravamento da situação em que a pessoa se encontra. A execução dos procedimentos pode ser de forma individual ou coletiva, conforme a análise das limitações encontradas para auxiliar o acidentado, até que o atendimento especializado esteja no local para prestar uma assistência mais detalhada e definitiva. 2 PRIMEIROS SOCORROS UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 74 De acordo com Vendrame (2013), os procedimentos de primeiros socorros têm como principal objetivo afastar a vítima do perigo imediato, prevenindo consequências maiores e encaminhando para a assistência médica. As ações de primeiros socorros deverão ser executadas. No caso em que a vítima não tiver condições físicas e psicológicas de cuidar de si própria, o socorrista deverá prestar um primeiro atendimento e, em seguida, acionar o atendimento especializado. A correta aplicação das etapas de ressuscitação cardiopulmonar (vias aéreas, respiração artificial e compressão torácica externa) e o controle das hemorragias de uma vítima podem sustentar a vida da pessoa até a sua recuperação básica, para ser transportada para uma unidade hospitalar. O profissional qualificado para realizar um atendimento de emergência é denominado de socorrista, deve possuir uma formação técnica e equipamentos especiais. Alguns conhecimentos simples, muitas vezes, amenizam as dores, evitam problemas sérios futuros e podem salvar vidas. FIGURA 28 – PRIMEIROS SOCORROS FONTE: Disponível em: <http://www.prevencaonline. net/2011/06/primeiros-socorros-o-que-e-importancia.html>. Acesso em: 12 jan. 2016. As ações de primeiros socorros são muito importantes, seja nos setores industriais, acidentes de trânsitos ou domésticos, a pessoa responsável pelo atendimento deve ter um conhecimento básico sobre os procedimentos a serem realizados para prestar os primeiros socorros. É importante sempre conhecer o histórico do acidente, solicitar um resgate especializado enquanto os procedimentos básicos são executados, sinalizar e isolar o local do acidente. Em casos de emergência, é necessário manter-se paciente e estar consciente que a prestação de primeiros socorros não dispensa o acompanhamento especializado. Também deve-se avaliar se há condições seguras o suficiente para a prestação do socorro sem riscos, tanto para a vítima quanto para o socorrista e demais pessoas que estiverem em volta do acidente. TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA 75 3 REGRAS BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS Para realizar as práticas de primeiros socorros, de forma adequada, é necessário ter calma e conquistar a confiança da vítima que está sendo atendida. É indicado: evitar perguntas desnecessárias, que possam causar sentimentos fortes na vítima; ter criatividade para aproveitar os utensílios que estejam à disposição. Segundo Vendrame (2013), todo estabelecimento deve ter uma caixa equipada com materiais necessários para a prestação dos primeiros socorros, e esse material deverá ser guardado em local adequado e conter alguns itens básicos, como: • Material para curativos e imobilizações: água oxigenada, mercúrio cromo, mertiolate, éter, gaze estéril (compressas e assaduras), algodão, atadura de crepe, esparadrapo. • Instrumental: tesoura, pinça anatômica, pinça dente de alho, bisturi ou lâmina de barbear, caixa pequena de sutura. • Medicamentos básicos. FIGURA 29 – EXEMPLO DE CAIXAS DE PRIMEIROS SOCORROS FONTE: Disponível em: <http://www.casaemcaixa.com.br/ maleta-primeiros-socorros>. Acesso em: 30 jun. 2016. Durante o procedimento de socorrer um acidentado é importante cumprir uma sequência padronizada e corrigir, no mesmo instante, os problemas encontrados que possam vir a comprometer a vida da vítima. O atendimento especializado inicial da vítima segue uma ordem cronológica, como avaliação da permeabilidade das vias aéreas, avaliação ventilatória, avaliação circulatória, avaliação neurológica e exame clínico. A avaliação da vítima é dividida em dois momentos principais: avaliação primária e avaliação secundária. 4 ATENDIMENTO INICIAL: EQUIPE ESPECIALIZADA UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 76 4.1 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA Avaliação primária é sempre o primeiro passo do socorrista, após a verificação das condições de segurança do local do acidente, o socorrista deve proceder à análise das condições clínicas que possam resultar no risco eminente da vida, como: • Permeabilidade das vias respiratórias. • Estabilização cervical. • Respiração eficiente. • Constância da circulação. • Controle de sangramentos externos. Esta fase de avaliação deverá ser completada em, no máximo 45 segundos, sendo que as ações de suporte básico à vida são iniciadas nesta etapa. Deverá ser realizado um exame, que consiste no tratamento das lesões que não comprometem a vida da pessoa. Na Figura 3 são apresentadas as etapas para a realização da avaliação primária. FIGURA 30 – FLUXOGRAMA DA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA FONTE: Fernandes e Silva (2007) TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA 77 Os principais problemas que podem ameaçar a vida da vítima, por ordem de importância, são: • Vias aéreas: estão obstruídas? (Avaliar pela língua ou corpo estranho). • Respiração: existe respiração adequada? • Circulação: existe pulso para indicar que está circulando sangue? Existe algum sangramento grave? O objetivo da avaliação primária compreende a análise e a correção imediata das falhas no sistema respiratório e/ou cardiovascular, querepresentem o risco imediato de vida ao vitimado. Na avaliação secundária, o socorrista deve procurar identificar os ferimentos e a deficiência, além de checar os sinais vitais, conhecer o histórico da vítima através de uma breve entrevista. Esta avaliação objetiva os recursos necessários para que o socorrista possa tomar a decisão correta dos cuidados à vítima. Pode ser definida como um processo ordenado, para constatar lesões ou problemas médicos. 4.2 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA FIGURA 31 – SOCORRISTA REALIZANDO AVALIAÇÃO NA VÍTIMA FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=k_VffoxPTEE>. Acesso em: 14 mar. 2016. A experiência universal indica que um grande número de pessoas que falecem em decorrência de traumatismo ou mal súbito poderiam ser salvas. As ações para recuperação desses acidentados crescem em relação à rapidez com que estas emergências e urgências são reconhecidas e adequadamente tratadas. A avaliação secundária é classificada em três características diferentes, sendo elas: • Entrevista com a vítima ou testemunhas: o socorrista se comunica com a vítima ou testemunhas, buscando obter informações sobre o tipo de lesão, enfermidades ou dores existentes, assim como demais fatos relevantes. UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 78 • Conferência dos sinais vitais: avaliar a respiração, o pulso, a pressão arterial e se a temperatura está compatível com a pele. • Exame padronizado da cabeça aos pés: exame e inspeção visual realizada pelo socorrista, de forma ordenada e sistemática, tentando identificar na vítima sinais de lesões ou problemas físicos. Os socorros de urgência, ou primeiros socorros, podem ser também conceituados como atendimento prestado às vítimas de qualquer acidente ou mal súbito antes da chegada dos profissionais especializados. O socorrista deverá determinar um contato com a vítima consciente, avaliar e, posteriormente, explicar os movimentos pretendidos, de forma a transmitir segurança e tranquilidade à vítima. No caso em que a vítima estiver inconsciente, deve questionar as testemunhas e/ou familiares, procurando identificar informações relevantes sobre o acidente que aconteceu no local. Após a avaliação do local e certificar-se das condições de segurança, o socorrista deverá verificar as lesões mais visíveis e buscar na vítima alguma identificação médica de alerta. É orientado que o socorrista entreviste a vítima, utilizando algumas perguntas-chave: • Nome e idade (se é menor de idade, entrar em contato com os pais ou um adulto conhecido). • Descrição do fato sobre o que aconteceu (identificar a natureza da lesão ou doença). • Se a ocorrência já aconteceu em outros momentos. • Há algum outro problema ou enfermidade atual. • A vítima está em tratamento médico. • É alérgico a algum medicamento ou alimento. • Ingeriu algum tipo de droga ou alimento. 4.3 REGRAS GERAIS PARA ATENDIMENTO INICIAL Existem normas gerais de atendimento que são úteis, pois fornecem uma orientação com relação às condições que precisam ser identificadas e tratadas, conforme a prioridade. A preferência no atendimento é determinada pela gravidade, se há risco de vida imediato e o que acompanha tais condições, pois o objetivo inicial do atendimento é o de preservação da vida. Na atuação correta do socorrista, é importante manter a calma, sendo recomendada para o socorrista uma sequência de ações: TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA 79 • Manter a calma: pare e pense, não faça nada por instinto ou por impulso. • Garantir a segurança. • Pedir socorro, conforme necessidade de atendimento especializado. • Controlar a situação e isolar a área. • Fazer uma análise da situação das vítimas, avaliando a gravidade geral do acidente. • Realizar algumas intervenções de apoio às vítimas. Para se obter sucesso nos atendimentos é necessário que os conhecimentos de suporte básico da vida e as técnicas, atualmente disponíveis para o atendimento destas condições, sejam corretamente aplicados em seus portadores, desde o local onde ocorreu o acidente, durante o transporte, e até a chegada da vítima nas unidades hospitalares. Segundo os autores Fernandes e Silva (2007), destacam algumas regras básicas de primeiros socorros, como: • Realizar uma rápida avaliação da vítima. • Não movimentar a vítima desnecessariamente, nem permitir que ela se movimente bruscamente. • Impedir aglomerações em torno do local de atendimento. • Não oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos sem indicação médica. • Aliviar as condições que ameaçam a vida ou que possam agravar o quadro da vítima com a utilização de técnicas simples. • Acionar corretamente um serviço de emergência local. • Afrouxar as roupas e os sapatos da vítima. • Oferecer apoio emocional. 4.4 USO DE EPIs No atendimento aos primeiros socorros, são destinados alguns Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como um recurso, que tem por objetivo a proteção da integridade física do socorrista durante a realização das atividades que apresentam riscos potenciais. Os principais EPIs são as luvas de látex descartáveis, óculos e máscaras faciais de proteção e as próprias roupas dos socorristas. Recomenda-se, no atendimento inicial à vítima, que o socorrista execute rotinas de segurança, dentre as quais destacamos: 1. Use sempre EPIs. 2. Avalie constantemente as condições de funcionamento dos seus materiais. 3. Higienize constantemente todos os EPIs e materiais básicos após o uso, para evitar contaminação. 4. Antes e após cada atendimento, lave bem as mãos com água abundante e sabão. 80 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, vimos que: • É necessária a atualização de treinamentos teóricos e práticos de primeiros socorros, com profissionais capacitados. • O conceito de primeiros socorros é definido como um conjunto de procedimentos de emergência que são utilizados em vítimas de acidentes. • A utilização correta dos procedimentos de primeiros socorros tem a finalidade de proteger a vítima do risco imediato e de maiores consequências. • É importante conhecer o histórico dos fatos do acidente e solicitar um resgate especializado, ao mesmo tempo em que os procedimentos básicos são realizados. • A avaliação da vítima é dividida em dois estados principais: avaliação primária e avaliação secundária. • A avaliação da prioridade de atendimento é definida pela gravidade de risco de vida do acidentado. • Durante o atendimento de primeiros socorros são necessários Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como uma proteção da integridade física do socorrista, durante a realização das atividades. 81 1 Qual é a definição de primeiros socorros? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) São medidas aplicadas somente às vítimas de acidente de trânsito. b) ( ) É um conjunto de procedimentos de emergência, que são aplicados às vítimas no momento em que sofreram um acidente, mal-estar ou quando se encontram em perigo de vida. c) ( ) São todas as iniciativas tomadas em caso de acidente que ocorrem dentro de uma empresa. 2 Quais recursos básicos são necessários para a prestação dos procedimentos de primeiros socorros em um estabelecimento? 3 A avaliação da vítima é dividida em dois momentos principais. Assinale a alternativa que apresenta estes dois momentos: a) ( ) Avaliação primária e avaliação secundária. b) ( ) Avaliação inicial e final. c) ( ) Urgência e Emergência. 4 Por ordem de importância, quais os principais procedimentos quando a vida da vítima está ameaçada? AUTOATIVIDADE 82 83 TÓPICO 2 TRANSPORTE DE ACIDENTADOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Para prestar atendimento e serviço especializado em primeiros socorros, existem instituições e setores governamentais especializados em cuidar das vítimas em situações de emergência. Em caso de acidentes, esses setores devem ser acionados, mesmo que os primeiros socorros estejam sendo realizados. Deixar de oferecer socorro indica não conceder assistência primária à vítima. O momento emque o indivíduo solicita a equipe especializada para socorrer conta como o início aos primeiros socorros. Quando acontecer algum acidente e o envolvido não solicitar ou promover socorro à vítima, mesmo tendo condições de fazer, está praticando um crime de omissão de socorro, previsto em lei penal, ainda que o indivíduo não seja o causador do acidente. 2 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM PRIMEIROS SOCORROS Segundo orientações de Fernandes e Silva (2007), o socorro solicitado pelo telefone necessita de informações importantes que possam agilizar o atendimento com a chegada da equipe de paramédicos. Algumas informações devem ser fornecidas pelo socorrista, que deve estar atento e fazer a seguinte análise: • O tipo de acidente (carro, motocicleta, colisão ou atropelamento). • Gravidade aparente do acidente. • Nome da rua, número e ponto de referência próximo. • Número próximo de pessoas envolvidas. • Se existem pessoas presas nas ferragens. • Vazamento de combustível ou produtos químicos. • Ônibus ou caminhões envolvidos. Após o socorrista realizar procedimento e ações de primeiros socorros, as vítimas devem passar por uma avaliação médica e realizar exames, para descartar possíveis sequelas e também para facilitar a recuperação plena da vítima. A seguir, serão apresentados alguns serviços especializados e a responsabilidade específica para cada atendimento. UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 84 2.1 CORPO DE BOMBEIROS Este serviço deverá ser solicitado em situações de emergência, incêndios em residências, indústrias e no trânsito, no resgate de vítimas, quando não é permissível proceder com os primeiros socorros. Estes profissionais são responsáveis por efetuar o transporte da(s) vítima(s) até uma unidade de saúde especializada, conforme o caso específico de cada acidente. FIGURA 32 – VIATURA CORPO DE BOMBEIROS FONTE: Disponível em: <http://www.portaldafeira.com.br/corpo- de-bombeiros-militar-da-bahia-tem-primeiro-comandante-depois- da-emancipacao/>. Acesso em: 18 jan. 2016. 2.2 POLÍCIA MILITAR Os profissionais da Polícia Militar são responsáveis por realizar atendimento inicial, caso seja o primeiro serviço especializado a chegar no local em que aconteceu o acidente. Uma das ações a ser realizada para manter a ordem do fluxo do trânsito e dos indivíduos que estão analisando o acidente, é o de investigar o cenário do acidente e, conforme as circunstâncias, realizar o transporte das vítimas. FIGURA 33 – VIATURA POLÍCIA MILITAR FONTE: Disponível em: <http://www.crismenegon.com.br/portal/ politica.html>. Acesso em: 18 jan. 2016. TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 85 2.3 SAMU – SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA É um serviço específico de atendimentos de urgência, fundado por uma portaria do Ministério da Saúde, e administrado pela Secretaria de Saúde de cada estado ou município. Desempenha uma atividade de atendimento às vítimas de acidentes e situação-clínica, que precisam de acompanhamento, prestando atendimento precedente no próprio local ou dentro de ambulâncias. Posteriormente, a vítima deverá ser transportada, no veículo apropriado, até um hospital de pronto atendimento ou uma unidade de saúde mais próxima do local do acidente. FIGURA 34 – VIATURA SAMU FONTE: Disponível em: <http://www.patos.pb.gov.br/noticias/ saude-a262.html>. Acesso em: 18 jan. 2016. 2.4 POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL Nos casos em que acontecerem acidentes de trânsito em rodovias mais isoladas de grandes centros urbanos, é aconselhável solicitar o serviço da Polícia Rodoviária Federal. Quando se tratar de um acidente de trânsito, a PRF será o serviço de socorro especializado que, provavelmente estará mais próxima da ocorrência, pois é responsável por administrar o bom andamento do fluxo em rodovias nacionais. FIGURA 35 – VIATURA DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL FONTE: Disponível em: <http://silvanalves.com.br/site>. Acesso em: 18 jun. 2016. UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 86 FIGURA 36 – VIATURA DA DEFESA CIVIL FONTE: Disponível em: <http://www.botucatu.sp.gov.br/home>. Acesso em: 18 jan. 2016. 2.6 ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS POR INTOXICAÇÃO O atendimento aos casos de intoxicação é um serviço prestado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é uma agência associada ao Ministério da Saúde, e tem a finalidade de controlar e sistematizar a área sanitária de serviços e produtos. A prioridade será nos casos de atendimento às ocorrências, compreendendo os casos de intoxicações dos mais diversos tipos, sendo os casos mais comuns: • Intoxicação, por uso de produtos químicos utilizados em limpeza doméstica e de laboratório. • Por venenos utilizados, entorpecentes e medicamentos em geral, alimentos e gases tóxicos. Quando o socorrista se depara com um caso de acidente, as primeiras atitudes a serem realizadas no local é analisar possíveis riscos à pessoa que prestará os procedimentos de primeiros socorros. 3 ETAPAS BÁSICAS DE SERVIÇO ESPECIALIZADO É uma instituição que atende em todo o território nacional, sendo responsável por planejar, executar e acompanhar ações de prevenções de acidentes e acidentes naturais ou de grandes dimensões e serviços de resposta a essas situações. Ações de contenção de desastres naturais, como providências de transferência das pessoas envolvidas, em áreas de situações de risco, como desmoronamentos, deslizamentos e alagamentos. 2.5 DEFESA CIVIL TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 87 3.1 ORIENTAÇÕES PARA CONTROLE DA SITUAÇÃO O socorrista deve seguir algumas orientações para manter o controle da situação, quando se deparar com um caso de acidente, entre elas: • Caso a vítima já estiver deitada, mantenha-a nesta posição, pois é confortável para repouso, até que o socorrista possa constatar que o ferimento não tem gravidade. • Apurar detalhadamente a existência de hemorragia, se o caso é de envenenamento, se houve parada respiratória, ferimentos, queimaduras ou fraturas. • Procure dar prioridade para os casos em que há hemorragia excessiva; quando a vítima estiver inconsciente; com parada cardiorrespiratória; se estiver em estado de choque, pois, nestes casos, é necessário socorro imediato. • Examinar e analisar se há lesão na cabeça, principalmente se a vítima estiver inconsciente ou semiconsciente, caso houver hemorragia por um ou ambos os ouvidos, nariz e olhos, há possibilidade de ter sofrido fratura no crânio. • Não deve dar líquidos ao acidentado que tiver inconsciente. • Nos casos em que tiver amputação de algum membro da pessoa, o socorrista deve recolher a parte que foi decapitada, deve ser envolvida em um pano limpo, para posteriormente ser entregue ao médico. • Assegure-se que todos os procedimentos a serem tomados não tenham consequências que possam agravar o estado da vítima. • Quando o atendimento especializado chegar, forneça as seguintes informações: local do acidente, horário e estado em que a vítima foi encontrada e quais procedimentos de primeiros socorros foram prestados até o momento. Caso o socorrista detectar perigo em potencial, analisando a possível causa do acidente, o número total de vítimas e a sua gravidade e todas as outras informações que possam ser úteis para a notificação do acidente, sendo assim, aconselha-se aguardar a chegada do atendimento e socorro especializado (VENDRAME, 2013, p. 308). 3.2 PROTEÇÃO À VÍTIMA A proteção à pessoa acidentada precisa ser realizada com muito cuidado, avaliar a circunstância e afastar pessoas curiosas que claramente estejam sem controle e possam atrapalhar o atendimento aos primeiros socorros. Para Fernandes e Silva (2007, p. 113) “outra regra básica para garantir a qualidade no atendimento, o socorrista deve iniciar o socorro à vítima, através do seu contato com ela, com base em quatro fases: informar, ouvir, aceitar e ser solidário”. Ao iniciar o atendimento à vítima, é importante realizar os procedimentos e as técnicas com atenção, e executar as orientações:• Informar à vítima o que está fazendo, para ajudá-la. Desta forma, o acidentado será mais receptivo aos seus cuidados. • Ouvir e aceitar as queixas e a expressão de ansiedade da vítima, respondendo UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 88 3.3 AVALIAÇÃO DE CABEÇA Os tipos de lesões que causam danos ao couro cabeludo, no crânio ou no cérebro requerem cuidados especiais, pois o tipo de lesão pode ser apenas uma pequena batida no crânio, ou uma lesão cerebral grave, podendo ser do tipo de lesão fechada ou aberta (penetrante). No traumatismo craniano fechado significa que a vítima recebeu uma pancada muito forte na cabeça, mas não quebrou o crânio. No caso de traumatismo craniano aberto ou penetrante significa que o ferimento na cabeça causou a quebra do crânio e pode ter afetado o cérebro. O atendimento especializado, bombeiros, paramédicos e enfermeiros, conforme a necessidade, deverão examinar a vítima, iniciando pela cabeça e pescoço, conforme as etapas: as suas perguntas com calma e de forma simples. • Não mentir e não repassar informações que possam causar impacto, ou estimulem a discussão sobre a causa do acidente. • Em solidariedade à vítima, o socorrista deve permanecer com a ela, sem colocar em risco a sua própria segurança. No momento de socorro ao acidentado e vítima de acidente de trânsito, é imprescindível verificar se o cinto de segurança está dificultando a respiração da vítima, e em caso positivo, soltar o assessório, sem movimentar o corpo dela. Conforme orientação de Fernandes e Silva (2007), é necessário impedir os movimentos da cabeça da vítima, segurando-a e pressionando a região das orelhas. Além disso, deve-se analisar a posição da vítima: • No caso de o acidentado estar de bruços ou de lado, e o socorrista julgar necessário, deverá ser virada a vítima. Em geral, o acidentado deverá ser virado apenas se não estiver respirando. • Na situação em que a vítima estiver de bruços e respirando, o socorrista deverá sustentar a cabeça nesta posição e aguardar o atendimento especializado chegar. • Se a vítima estiver sentada no carro, mantenha a cabeça na posição em que estiver. Considera-se que uma vítima está protegida, quando: • Porventura, a retirada de emergência acontecer quando ela não estiver apta a se proteger. • Quando estiver acolhida em um abrigo que proporcione a mesma proteção contra outras lesões, relacionadas à violência e à natureza (temperaturas extremas, sol, chuva, vento, entre outros). • Quando o próprio socorrista estiver protegido, contra qualquer doença contagiosa, assim como de outros riscos. TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 89 3.4 FRATURAS DE PESCOÇO E COLUNA VERTEBRAL Durante a avaliação das vítimas de um acidente, quando há suspeita de fraturas no pescoço e na coluna vertebral, que se caracterizam como as rupturas de ossos mais graves que existem em virtude do potencial que têm para causar a invalidez permanente da pessoa. A coluna desempenha uma função muito importante no transporte das informações nervosas a todas as partes do corpo. Quando a coluna sofre uma compressão ou separação algumas partes do corpo, interligadas pelos nervos espinhais, desprendem-se da parte inferior da lesão e se desligam do cérebro. As incidências que têm como consequência fraturas no pescoço ou na coluna resultam em danos provocados por acidentes de carro, de moto, queda de escada, mergulho em piscina. Os sintomas de atenção de uma possível fratura de pescoço ou coluna incluem: 1. Quando há um posicionamento diferente da cabeça ou do pescoço. 2. Imobilidade ou dormência dos braços, pernas ou outras partes do corpo. 3. A vítima apresenta dor no pescoço ou na coluna. 4 ORIENTAÇÕES PARA TRANSPORTE Quando for realizado o transporte da vítima pela equipe especializada, todos os cuidados devem ser adotados, com o objetivo de evitar uma lesão maior, que coloque em risco a vida do acidentado. O crescente número de vítimas que apresentam infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) aumenta o risco de contaminação ao entrar em contato com sangue e outras secreções orgânicas, em decorrência de acidentados infectados; nestes casos, é muito importante seguir as orientações para movimentação e transporte de acidentados. Para qualquer movimento realizado na vítima, certifique-se de que a cabeça, o pescoço e a coluna estão devidamente alinhados. • Verificar a permeabilidade das vias aéreas e se há existência de corpos estranhos, fratura de face, traqueia, laringe ou maxilar que possam levar à obstrução ou dificultar a entrada de ar nas vias aéreas. Não podem ser hiperestendidos e hiperflertidos ou rodados para estabelecer a permeabilidade das vias aéreas. Neste caso, recomendam-se as manobras de elevação do queixo e tração da mandíbula, imobilizar a coluna com o colar cervical e a cabeça fixar com coxim. UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 90 FIGURA 37 – MOVIMENTAÇÃO DE VÍTIMA DE ACIDENTE FONTE: Disponível em: <http://www.racconet.com.br/revistas/ Infoseg_Edicao28>. Acesso em:10 jun. 2016. É importante que o socorrista tenha todo o cuidado. Para evitar que a vítima faça qualquer movimento com a cabeça, caso o atendimento especializado ainda não esteja no local, o socorro deverá proceder da seguinte maneira: • Antes de iniciar a movimentação da vítima, firme o pescoço com o auxílio de um colar improvisado, poderá utilizar uma toalha, como apoio, sem possibilitar qualquer movimento da cabeça. • Quando necessitar mover a vítima, é necessário garantir que a cabeça e o restante do corpo estejam retos, é recomendado que a vítima seja orientada a não dirigir o olhar para o que estiver a sua volta, para evitar o movimento da cabeça para os lados. • Solicite auxílio para outras pessoas, a fim de deslizar com cuidado a vítima sobre uma superfície reta e lisa, produzida com material rígido estabilizador. • Tome cuidado ao iniciar o transporte do acidentado. Procure fixar a vítima à prancha através de tiras ou faixas, principalmente a parte superior do corpo. • Após o processo de imobilizar, cubra a vítima, para conservar o aquecimento do corpo. 5 FUNDAMENTOS DO SOCORRO: FRATURAS E TRAUMAS Para que seja possível prestar um atendimento correto e aplicar as técnicas de primeiros socorros, é importante que o socorrista tenha conhecimentos básicos de alguns tipos de fraturas e traumas que podem acontecer no corpo humano. Os traumatismos de tórax são responsáveis por aproximadamente 25% das mortes nos pacientes politraumatizados, sendo que 60% dos politraumatizados se desenvolvem para o óbito. 5.1 LESÃO DE TÓRAX E MEMBROS TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 91 FIGURA 38 – TRAUMA TORÁCICO Pulmão normal Pulmão colapsado Pneumotórax Ar a entrar pelo ferimento Hemotórax FONTE: Disponível em: <http://clubemontanhismodebraga.blogspot.com. br/2013/02/socorro-em-montanha-13-parte.html>. Acesso em: 10 jun. 2016. Segundo Oliveira (1998), os tipos de lesões características no trauma de tórax são: fratura de costelas, tórax instável, contusão pulmonar, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto e contusão cardíaca. 5.2 FRATURA NAS COSTELAS São os tipos mais comuns de trauma torácico, ocorrendo em mais de 60% dos pacientes admitidos com lesão fechada de tórax. As mais frequentes são as secundárias, entre a terceira e oitava costela, são consideradas de complexidade simples isoladas e dificilmente representam risco de morte à vítima. FIGURA 39 – FRATURA NAS COSTELAS FONTE: Disponível em: <http://www.vidalsaude.com.br/ patologias/toracica/fratura-das-costelas/>. Acesso em: 10 jun. 2016. UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 92 Se o paciente estiver consciente, com este tipo de trauma apresentará dor intensa, sensibilidade e espasmo muscular sobre a área da fratura, que se agravam pela tosse, respiração profunda e movimentação. 5.3 TÓRAX INSTÁVEL É originado por uma pancada no esterno ou na parede lateral, tem comoconsequências lesão de duas ou mais costelas, é considerada uma lesão de grau grave, se não tratada corretamente. Como orientação de tratamento é indicado o apoio ventilatório, limpeza das secreções do pulmão, através da tosse, respiração profunda e aspiração suave, e aliviar a dor com fisioterapia respiratória. 5.3.1 Contusão pulmonar A pressão do pulmão pode apresentar hemorragia, reduzindo a capacidade do pulmão de transferir oxigênio para o sangue. No caso de suspeita e sinais de trauma, o tratamento próprio para a lesão deve ser realizado em ambiente hospitalar ou por unidade de suporte especializado. A lesão torácica pode interferir na função normal do pulmão, e a gravidade do problema depende da quantidade e da velocidade do sangramento torácico, conforme a evolução do quadro. 5.3.2 Pneumotórax hipertensivo Ocorre quando há existência de ar no espaço existente entre as pleuras (membrana que envolve o pulmão), pode ser o resultado de uma lesão aberta no tórax ou lesão do próprio pulmão. Um dos sintomas é a grande dificuldade para respirar, taquicardia, hipotensão arterial e distensão, o pneumotórax hipertensivo pode até levar a vítima à morte, caso não for identificada a tempo. 5.3.3 Pneumotórax aberto Acontece quando uma abertura na parede do tórax é suficientemente grande para permitir que o ar se desloque livremente para dentro e para fora da cavidade torácica em cada movimento de respiração. É causada quando um ferimento profundo liga a superfície pleural com a atmosfera. Nestes casos, o ar tem uma tendência a entrar pela ferida e não pelas vias aéreas. TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 93 Exigem algumas intervenções de emergência, que podem ser realizadas ainda no local do acidente. Para facilitar o fluxo do ar nos pulmões, faz-se uma abertura na parede torácica. 5.3.4 Contusão cardíaca Pode desenvolver lesão no miocárdio. O profissional pode detectar este diagnóstico quando a vítima tem fratura esternal, tem problemas como arritmias, hipotensão e rupturas de miocárdio ou válvulas. Neste caso, apresenta compressão no coração em consequência do ferimento, causada por trauma no tórax, está associada a altos índices de mortalidade. Dependendo da velocidade, o acúmulo de líquido pode aumentar a pressão intrapericárdia. Importantes sinais incluem: hipertensão arterial, pressão venosa aumentada, veias do pescoço distendidas e batimentos cardíacos fracos. 5.4 EXAME DA VÍTIMA INCONSCIENTE Como primeira ação que o socorrista deve realizar, na presença de uma vítima que não tem comunicação, é avaliar o grau de consciência. Para analisar a intensidade, é importante saber se ela: • Fala e comunica-se. • Responde ao estímulo de toque. • Atende à dor. Caso o acidentado estiver inconsciente, não atende ao toque ou dor, examinar se ele respira, se estiver respirando, a musculatura mantém-se relaxada e a língua pode deslizar para trás e impossibilitar a passagem do ar. A causa mais frequente de obstrução das vias aéreas é a inconsciência, de qualquer origem, em que a língua da pessoa relaxa contra o fundo da garganta (palato) ocluindo a entrada de ar. A orientação, segundo Oliveira (1998), para prevenir que isto aconteça, é deixar a vítima na posição deitada. Caso a vítima estiver inconsciente e sem respiração, é recomendável estender a cabeça da vítima para trás e se ainda não retornarem os movimentos respiratórios, deve-se iniciar a respiração artificial. 5.4.1 Respiração artificial Caso a vítima não recuperar pronta e adequadamente a respiração espontânea, normal após a abertura das vias aéreas, inicia-se a respiração artificial, conforme algumas técnicas: UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 94 • Respiração boca a boca: coloca-se uma das mãos abaixo da mandíbula da pessoa e com a outra mão apertar as narinas com o polegar e o indicador, exercer uma pressão na região frontal, para obter a extensão da cabeça e a abertura da boca. Fazer a inspiração profunda e adaptar firmemente a sua boca a boca da vítima e soprar, injetando ar nas vias aéreas. FIGURA 40 – RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA FONTE: Disponível em: <http://www.tuasaude.com/respiracao- boca-a-boca/>. Acesso em: 10 jun. 2016. • Respiração boca a nariz: em alguns casos, a respiração boca a nariz é mais eficiente que a boca a boca, e é recomendada quando é impossível abrir ou ventilar através da boca, por estar seriamente lesada. Recomenda-se manter a cabeça da vítima estendida para trás com uma das mãos na região frontal e usar a outra mão para levantar a mandíbula, fechando-lhe os lábios, em seguida, respirar fundo, adaptar os seus lábios em torno do nariz da vítima e soprar duas vezes seguidas, até que os pulmões se expandam. FIGURA 41 – RESPIRAÇÃO BOCA A NARIZ FONTE: Disponível em: <http://geicpe.tripod.com/clin_ emerg_parada.htm>. Acesso em: 10 jun. 2016. • Manobras para liberação das vias aéreas obstruídas: quatro manobras manuais são recomendadas para remover a obstrução das vias aéreas por corpos estranhos: palmadas nas costas, compressão manual do abdômen, compressão manual do tórax e remoção com os dedos. TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 95 • Manobras para respiração boca a máscara: o socorrista deverá ficar ajoelhado atrás da cabeça da vítima, estendendo-a para abrir as vias aéreas, posicionar a máscara sobre a face da vítima, sobre a ponta do nariz e a base entre os lábios e o queixo. O socorrista inspira profundamente e expira através da abertura da máscara; em seguida, remove-se a sua boca e permite que a vítima expire passivamente. 6 O CORPO HUMANO EM EMERGÊNCIAS BÁSICAS Em uma situação de emergência, muitas vezes não só o corpo físico se encontra debilitado, deve-se também considerar o estado mental e espiritual da vítima. Em resumo, a emergência, ao se instalar, pode ser de ordem interna ou externa ao corpo, advinda de um ambiente real. O profissional que atuará em emergência deve: • Conhecer as diferentes transformações no corpo humano e suas consequências no organismo. • Possuir competência, conhecimento técnico e habilidade com as tecnologias de apoio. • Possuir habilidade e prática manual e corporal. • Possuir disposição para trabalhar com situações extremas, de risco, não consideradas normais. Uma emergência pode se instalar a partir de diversos tipos de traumatismos, como: • Traumatismo cranioencefálico (da cabeça). • Raquimedular (da coluna). • Tórax, do abdome. • Muscoesquelético. • Hemorragias. • Queimaduras. • Choque elétrico. • Afogamento. • Ataque cardíaco. • Convulsão. • Dificuldades no parto. • Mordidas por animais peçonhentos. 96 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, aprendemos que: • Para que seja possível realizar um atendimento específico para cada tipo de atendimento, existem equipes de pronto atendimento e serviços especializados. • A equipe de atendimento dos bombeiros deve ser solicitada em situações de emergência, em casos como incêndios e resgate de vítimas, quando não há possibilidade de proceder aos primeiros socorros. • São apresentados alguns serviços especializados: Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Polícia Rodoviária Federal, Defesa Civil e Atendimento de Primeiros Socorros por Intoxicação. • Durante a realização das técnicas de primeiros socorros, a segurança e a proteção da vítima e do socorrista devem ser uma preferência constante. • A avaliação do estado da vítima deve ser realizada de forma imediata, com a vítima, tendo como objetivo detectar as ocorrências de perigo de vida. • Os tipos de lesões causadas no couro cabeludo, no crânio ou no cérebro demandam cuidados especiais. • Quando há suspeita de fraturas no pescoço e na coluna vertebral da vítima, deve-se ter muitos cuidados, pois é uma das rupturas de ossos mais graves que existem, podendo causar a invalidez permanente da pessoa. • Durante o transporte, qualquer movimento realizado na vítima é necessário que seja avaliado se a cabeça, o pescoçoe a coluna estão devidamente alinhados. 97 AUTOATIVIDADE 1 Quais são os tipos mais comuns de trauma torácico, que acontece em mais de 60% dos pacientes com diagnóstico de lesão fechada de tórax? a) ( ) Fratura nas costelas. b) ( ) Lesão nos pulmões. c) ( ) Fratura na coluna. 2 Como o socorrista deve proceder para o transporte seguro da vítima para evitar que a vítima faça qualquer movimento com a cabeça? 3 Com relação às orientações sobre posição das vítimas, durante a movimentação da vítima, é correto afirmar: a) ( ) São medidas aplicadas às vítimas somente dentro dos hospitais. b) ( ) No caso do acidentado estiver de bruços ou de lado, deverá ser virada a vítima, em caso em que não estiver respirando. c) ( ) Movimentar a vítima para um local seguro rapidamente. 4 Para o socorrista iniciar o atendimento à vítima, é importante realizar os procedimentos e técnicas com atenção. Quais orientações devem ser seguidas? 98 99 TÓPICO 3 ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO As pessoas próximas ao local do acidente não são legalmente obrigadas a realizar os procedimentos de primeiros socorros, porém, quando o fizerem, devem ter conhecimento de como agir para que não aconteçam futuros processos judiciais. Em casos de emergência e prestação de socorro, algumas pessoas procuram não se envolver nos procedimentos de prestação de socorro, com receio de se envolverem em processos judiciais. No entanto, nem sempre este momento não está justificado em aspectos reais, na realidade, podem acontecer processos indenizatórios contra instituições, caso não tenham exercido as normas técnicas ou legislações referentes à segurança dos envolvidos no processo. 2 LEIS DA CONSTITUIÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS Nos termos da Constituição da República, é correto afirmar, nos termos do artigo 5º, que os direitos e deveres individuais e coletivos são: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Da Saúde Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido, mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1988). 2.1 OMISSÃO DE SOCORRO Segundo o artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro representa: "deixar de prestar assistência, mesmo quando for possível realizar, sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em desamparo ou em momento grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública”. 100 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO Esta orientação não consiste em parecer ser um herói e colocar a própria segurança em risco ou, até mesmo, de outra pessoa, para defender quem precisa de socorro, não seria prudente colocar a sua própria vida em perigo para proteger o outro. Portanto, nestes casos, não há característica de crime. Entretanto, se há possibilidade de socorrer ou de solicitar um atendimento especializado, o socorro deve ser realizado, e caso a pessoa não o fizer, estará praticando omissão de socorro, que, neste caso, é considerado crime. No caso de concreta omissão de socorro, a pessoa que o fizer, irá arcar com as consequências, com determinação de: • Pena com detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único: A pena é aumentada de metade, se da omissão tiver resultado uma lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se tiver como consequência a morte da vítima. 2.2 DIREITOS DA VÍTIMA Um dos conhecimentos dos procedimentos de primeiros socorros deve ser o direito legal da vítima, que deve possuir o direito de se recusar a ter o atendimento. Quando for realizado atendimento em pessoas adultas, este direito é levado em consideração somente quando o acidentado estiver consciente, estiver em perfeito juízo e consciente. A definição do direito à prestação de socorro pode acontecer por diversos motivos, como crendices religiosas ou a falta de segurança na pessoa que prestará o socorro. Caso a vítima se recuse a aceitar o atendimento ela não pode ser pressionada a ir contra a sua vontade. O papel do socorrista nesse caso é garantir que o socorro especializado seja acionado, porém, o socorrista deve permanecer monitorando a vítima. Porventura, a vítima estiver incapaz de falar, em consequência do acidente, como uma lesão na boca, mas está demonstrando através de sinais que não permite o atendimento do socorrista, nesta situação, recomenda-se agir da seguinte maneira: • Não é indicado discutir com a vítima sobre qualquer que seja o motivo. • Não faça interrogações, sobre os motivos pelo qual levam o acidentado a não querer que seja prestado os primeiros socorros. • A orientação é que a vítima não seja tocada sem o seu consentimento, isto pode ser considerado como ofensa aos seus direitos. TÓPICO 3 | ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS 101 • Dialogar com a vítima, informar que está qualificado para os procedimentos em primeiros socorros, e que respeitará o seu direito se ainda assim continuar recusando o atendimento, mas que está a sua disposição para ajudá-lo no que for preciso. • É importante informar às testemunhas que o atendimento foi disponibilizado, mas recusado por parte do acidentado. • Quando o acidente envolver crianças e ela se recusar a receber o atendimento, esta decisão cabe aos pais ou ao responsável legal. • A aprovação para proceder com o atendimento de ações de primeiros socorros pode ser informal, ou seja, o acidentado pode apenas falar ou sinalizar que admite o atendimento, mas o prestador de socorro deve ter se identificado como qualificado para realizar os procedimentos de primeiros socorros. • A autorização pode ser implícita, quando for o caso de acidentes envolvendo menores de idade e que estejam desacompanhados dos pais ou responsáveis legais. 2.3 CASOS DE NEGLIGÊNCIA A negligência é uma atitude que está em evidência nos processos judiciais que compreendem o atendimento de emergência. Este termo significa prestar atendimento a uma vítima sem ter conhecimento das técnicas adequadas e os procedimentos estabelecidos, ocasionando, em muitos casos, o agravamento ou lesões adicionais. As características de negligência compreendem: • Cometer ação de omissão de socorro, quando há necessidade implícita à realização dos procedimentos. • Proporcionar socorro, com qualidade nas ações de atendimento, inferior à que seria possível realizar. • Ocasionar lesões ou traumas adicionais ou intensificar ferimentos já existentes. 2.4 DIREITO DE SIGILO O acidentado tem o direito de solicitar sigilo, nos acontecimentos realizados durante a prestação de assistência a uma vítima, e caso seja solicitado, o socorrista não deve relatar os detalhes deste fato com terceiros. O caso do acidentado não deverá ser exposto, a vítima não pode ser identificada, senão pelo atendimento especializado, caso assim for de sua vontade. O que for falado pela vítima deverá ficar em sigilo, assim como seu comportamento ou aparência pessoal. A necessidade do sigilo não se aplica quando o socorrista é questionado pelos policiais, pessoal do resgate e atendimento especializado, ou ao testemunhar em cortes judiciais. Poderá ser solicitado ainda que se relatem as informações obtidas junto à vítima, a sua família e a acompanhantes. 102 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO O Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) tem sua base constitucional descrita no inciso I do art. 195 e inciso I do artigo 201, da Constituição de 1988, garantindo ao empregado um seguro contra acidente de trabalho, à perícia do empregador. Mediante pagamento de um adicional sobre a folha de salários, comadministração atribuída à previdência social. A Lei nº 8.212/91 define as alíquotas do SAT, segundo uma predeterminada graduação de riscos. 3 SEGURO DE ACIDENTES DE TRABALHO 3.1 LEGISLAÇÃO VIGENTE A legislação em vigor determina o recolhimento com base em alíquotas, fixadas em razão do grau de risco da atividade em que o contribuinte realiza no seu ambiente de trabalho. Este percentual varia de 1% para risco leve, 2% para risco médio e de 3% para risco grave, porém, não foram definidas as definições de risco leve, médio e grave. A elevação no percentual da alíquota da contribuição foi ordenada em 12,6% ou 6%, conforme a atividade exercida pelo segurado, que permite a concessão da aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de contribuição. A fiscalização dos recolhimentos das contribuições será feita através da GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, assinalando-se no campo de ocorrências o código correspondente. 103 Neste tópico, aprendemos que: • Conforme as Leis da Constituição Brasileira, existem direitos e deveres estabelecidos para o atendimento aos primeiros socorros, conforme detalhado nos Art. 5º e Art. 196. • Segundo o artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro significa não oferecer assistência, sem risco pessoal em uma situação grave. • Em casos de explícita omissão de socorro, o indivíduo que o cometer, arcará com as consequências. • Um dos conhecimentos dos procedimentos de primeiros socorros deve ser o direito legal da vítima, que deve possuir o direito de se recusar a ter o atendimento. • Os casos de negligência consistem em: praticar ação de omissão de socorro; possibilitar socorro, de forma insuficiente à que seria possível realizar; produzir lesões ou traumas em ferimentos já existentes. • A vítima de acidente tem o direito de solicitar sigilo nas ocorrências realizadas durante a prestação de assistência e socorro. • O Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) visa garantir ao empregado um seguro contra acidente de trabalho e a perícia do empregador. RESUMO DO TÓPICO 3 104 AUTOATIVIDADE 1 Com relação à lei do Código Penal Brasileiro, descrita no Artigo 135 a respeito de omissão de primeiros socorros, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Não é obrigatório prestar socorro às vítimas quando não formos os culpados pelo acidente. b) ( ) Deixar de prestar socorro à vítima de acidente, ou pessoas em perigo eminente, podendo fazê-lo é crime, com penas que variam de seis meses a quatro anos. c) ( ) Somente devemos socorrer as vítimas se tivermos noções de primeiros socorros. 2 Sobre os direitos legais da vítima, de se recusar a ter o atendimento, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É uma atitude que está em evidência nos processos judiciais e que compreende o atendimento de emergência. b) ( ) O socorrista deve convencer a vítima a querer, obrigatoriamente, o atendimento de primeiros socorros. c) ( ) A aprovação para realizar as ações de primeiros socorros pode ser informal, o prestador de socorro deve se identificar como qualificado. 3 Quais são as características da negligência ao atendimento de vítimas, em caso de primeiros socorros? 105 TÓPICO 4 FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Toda lesão ou doença tem formas e características de se manifestar e isso poderá ajudar o socorrista a diagnosticar a vítima. Essas indicações são divididas em dois grupos: sinais e sintomas. Os sinais são detalhes que você poderá detectar, fazendo o uso dos sentidos da visão, tato, audição e olfato durante a avaliação das vítimas. Sinais comuns de lesão incluem sangramento, inchaço, aumento de sensibilidade ou deformação. A realização de ações de primeiros socorros implica o conhecimento dos sinais que o corpo manifesta, e funciona como informação para entender o seu estado físico. Os sinais mais comuns de doenças são a pele pálida ou avermelhada, suor, temperatura elevada e pulso rápido. Já os sintomas são sensações que a vítima sente e é capaz de descrever, sendo possível o socorrista fazer perguntas e definir a presença ou ausência desses sentimentos. Podemos definir como socorros de urgência as medidas iniciais e imediatas aplicadas a uma vítima fora do ambiente hospitalar, executadas por pessoas treinadas, para realizar a manutenção dos sinais vitais e evitar o agravamento das lesões já existentes. Alguns detalhes importantes sobre as funções vitais, os sinais vitais e sinais de proteção do corpo humano precisam ser compreendidos para que sejam realizados os procedimentos adequados. Para prestar o auxílio de primeiros socorros é importante que o socorrista tenha conhecimento das funções básicas do corpo e os sinais vitais. Este entendimento atua como suporte para definir o estado do acidentado e facilita a atenção, resultante do atendimento. 106 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 2 FUNÇÕES VITAIS DO CORPO HUMANO As funções do cérebro e do coração são vitais para que o ser humano permaneça vivo, pois esses órgãos proporcionam o desempenho de todas as funções do corpo, são transitados pelos capilares, vasos sanguíneos em frequência direta com o sangue arterial. No entanto, para que o corpo humano tenha condições de desempenhar suas funções específicas e possa produzir atividades físicas e químicas, se faz presente uma reprodução das atividades da menor unidade funcional do corpo: a célula. Algumas práticas resultam da concentração entre o interior e exterior da célula, para possibilitar o equilíbrio do acúmulo dos componentes do líquido intersticial, os tecidos do organismo circulam por uma espessa rede de vasos microscópicos, que são chamados de capilares. No corpo humano, o sangue arterial contém grande concentração de nutrientes e oxigênio, e o venoso transmite gás carbônico e catabólico. Diversos órgãos têm a responsabilidade de proteger e conservar o sangue com as propriedades fundamentais, como rins, aparelho digestivo, fígado, pulmão e coração. 2.1 RINS Contribuem para o controle hidroeletrolítico do corpo e na eliminação espontânea de substâncias tóxicas do metabolismo, como a ureia e creatina, eliminando-as através da bexiga. Tem a capacidade de filtrar substâncias, além de manter o PH sanguíneo e regular a osmolaridade e o volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de água do organismo. 2.2 APARELHO DIGESTIVO Tem a função de transportar o sangue essencial orgânico, o agente metabólico e as vitaminas, digerindo os alimentos, que são absorvidos, ligando o intestino delgado ao intestino grosso. 2.3 FÍGADO É a maior glândula e o segundo maior órgão do corpo humano, tendo a capacidade de armazenar substâncias essenciais, assim como destruir substâncias tóxicas. Tem a função de condensar e transformar a composição do sangue. TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO 107 2.4 PULMÃO Produz oxigênio e retira a ventosidade resultante da respiração, é o principal órgão do sistema respiratório, tendo como missão absorver o oxigênio e transferir para o sangue, além de retirar o dióxido de carbono através da expiração. 2.5 CORAÇÃO É o principal órgão do sistema circulatório, pois tem a função de receber, filtrar e bombear o sangue para todo o corpo. Desta forma, transporta nutriente e oxigênio para outros órgãos e células do corpo humano. 2.6 SISTEMA NERVOSO CENTRAL As funções vitais do corpo são controladas pelo Sistema Nervoso Central, formado por células caracterizadas, ordenadas e de alto grau de complexidade. Esses órgãos são muito sensíveis à falta de oxigênio e podem provocar alterações funcionais. Além disso, é importante saber que a hipóxia (falta de ar) prolongada, tem como sequela a morte do Sistema Nervoso Central, em aproximadamente três minutos e, em consequência, a falência geral dos órgãos do corpo. 3 SINAIS VITAIS Os sinais vitais fornecem informações importantes sobre as funções básicas do corpo: pressão arterial, pulso (frequência cardíaca),respiração (presença respiratória) e temperatura corporal. Os sinais vitais estabelecem a existência da vida, são reflexos ou sintomas que proporcionam entender sobre o estado geral de uma pessoa. A seguir, veremos as definições dos sinais vitais e dos diagnósticos mais comuns. 3.1 TEMPERATURA CORPORAL A temperatura normal do corpo humano é de 37 graus Celsius, sendo a pele responsável, em grande parte, pela regulação desta temperatura, emitindo o calor através dos vasos sanguíneos subcutâneos e evaporando água sob a forma de suor. Uma pele fria e úmida, geralmente de cor pálida, é uma indicação de uma reação do sistema nervoso, predisposto a um traumatismo ou perda sanguínea (estado de choque). 108 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO A intensa exposição ao frio produz uma pele fria e seca, em casos de uma pele quente e seca, pode originar febre, ou ser o resultado de uma exposição excessiva ao calor, como caso de insolação. 3.2 PULSO O pulso é uma intensidade de sangue gerada pelos batimentos cardíacos e difundido no decorrer das artérias. A frequência comum de pulsos em adultos é de 60 a 100 batimentos por minuto, a frequência de pulso nas crianças em geral é superior a 80 batimentos por minuto. O pulso é sensível em qualquer área do corpo, onde a artéria passa sobre a saliência óssea ou que se localize próxima à pele. FIGURA 42 – LOCALIZAÇÃO DO PULSO CORPO HUMANO FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/ slide/1270117/>. Acesso em: 10 mar. 2016. A alteração na frequência e no volume do pulso representa dados importantes no atendimento aos primeiros socorros. Um pulso rápido ou fraco geralmente é resultado de um estado de choque por perda sanguínea. No caso de ausência de pulsação, pode significar que um vaso sanguíneo está bloqueado ou lesado, ou ainda, que o coração da vítima parou de funcionar e está evoluindo para uma parada cardíaca. 3.3 RESPIRAÇÃO A respiração normal é identificada quando for fácil, sem esforço aparente e sem dor, sendo que a frequência pode variar. Uma pessoa adulta respira normalmente de 12 a 20 vezes por minuto. O termo respiração e ventilação significa a mesma coisa, a ação de inspirar e expirar o ar. Em alguns casos é possível levantar algumas suspeitas a partir do odor da respiração, no caso de estado de choque, observam-se respirações rápidas e superficiais. TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO 109 A identificação de uma respiração profunda, com dificuldades e esforço pode identificar que há uma obstrução nas vias aéreas, uma possível doença cardíaca ou pulmonar. 3.4 PRESSÃO ARTERIAL A pressão arterial é a velocidade que o sangue circula sobre as paredes internas das artérias do corpo, as mudanças na pressão sanguínea indicam mudanças no volume do sangue, na capacidade dos vasos ou ainda na capacidade de o coração funcionar. A pressão arterial é caracterizada por níveis altos e baixos, a leitura da pressão arterial é feita em milímetros (mm) de mercúrio (Hg). A leitura da pressão arterial é feita através de um aparelho conhecido como esfigmomanômetro, que é usado em conjunto com o estetoscópio. FIGURA 43 – VERIFICANDO A PRESSÃO ARTERIAL DE UMA PESSOA FONTE: Disponível em: <http://patrocinioonline.com.br/noticias- locais/index/page/184>. Acesso em: 10 mar. 2016. A pressão arterial de uma pessoa adulta normal é de 120x80 mm Hg, pode diminuir acentuadamente em estado de choque, após uma hemorragia grave, como após um infarto no miocárdio. 3.5 PUPILAS As pupilas, quando em estado normal, são do mesmo diâmetro e possuem contornos regulares. Quando as pupilas estiverem contraídas pode dignificar que a vítima é viciada em drogas. As pupilas indicam o estado de relaxamento ou inconsciência, geralmente tal dilatação ocorre rapidamente após uma parada cardíaca. Quando as pupilas estiverem diferentes, caracterizam que a vítima teve lesões no crânio ou acidente vascular cerebral. Quando a pessoa está morta, os estados das pupilas estão totalmente dilatados e não responde ao sinal de luz. 110 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 3.6 COLORAÇÃO DA PELE A cor da pele do ser humano depende, primeiramente, da presença de sangue circulante nos vasos sanguíneos subcutâneos. Uma pele pálida ou branca pode indicar circulação de sangue insuficiente. Uma cor de pele azulada é analisada quando a vítima estiver com insuficiência cardíaca, consequência da obstrução das vias aéreas, e também em alguns casos de envenenamento. 3.7 ESTADO DE CONSCIÊNCIA Quando a pessoa está consciente, está alerta, orientada e responde aos estímulos verbais e físicos. Quando houver modificação deste estado, pode ser alusivo a uma doença ou trauma. O estado de consciência é provavelmente um sinal particular mais seguro na avaliação do sistema nervoso de uma pessoa, que pode apresentar desde breve confusão mental até inconsciência total. 3.8 CAPACIDADE DE MOVIMENTAÇÃO A incapacidade da vítima, que esteja consciente e não consegue se movimentar, é conhecida tecnicamente como paralisia, pode ser a consequência de uma doença ou traumatismo. A falta de capacidade em mover os membros superiores e inferiores após um acidente pode ser indicada por uma lesão na medula espinhal, na altura do pescoço (coluna vertical). A inabilidade de a vítima movimentar somente os membros inferiores pode indicar uma lesão medular abaixo do pescoço. A paralisia apenas de um lado do corpo, incluindo a face, pode acontecer como resultado de uma hemorragia ou acidente vascular cerebral. 4 PRINCÍPIOS DE REANIMAÇÃO Para que a vida possa ser preservada, é necessário que se mantenha um fluxo constante de oxigenação no cérebro. O oxigênio é transportado para os tecidos cerebrais através da circulação sanguínea. As manobras de ressuscitação cardiopulmonar referem-se à sequência de origem norte-americano “ABC da vida”, as quais podem adaptar para a nossa língua: TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO 111 A = Airway = Abertura das vias aéreas. B = Breathing = Respiração. C = Circulation = Circulação. A correta aplicação das etapas da ressuscitação cardiopulmonar poderá manter a vida, até que a vítima se recupere o suficiente para ser transportada para uma unidade hospitalar, ou até que possa receber o tratamento pré-hospitalar por uma equipe especializada. As manobras de suporte básico de vida são diferentes das manobras de suporte avançado de vida, que consistem na prestação de serviços de profissionais capacitados e no uso de equipamentos adicionais, como: monitores, cardíacos, desfibriladores, terapêutica líquida intravenosa, infusão de medicamentos e entubação orotraqueal. 112 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, vimos que: • As funções do cérebro e do coração são vitais para que o ser humano permaneça vivo. • Vários órgãos têm a responsabilidade de preservar o sangue com as propriedades essenciais, como: rins, aparelho digestivo, fígado, pulmão e coração. • Os sinais vitais indicam a existência da vida, são reflexos ou sintomas que possibilitam entender o estado geral de uma pessoa. • Os sinais do funcionamento do corpo humano são: temperatura corporal, pulso e respiração. • As manobras de ressuscitação cardiopulmonar consistem em: abertura das vias aéreas, respiração e circulação. • A correta aplicação dos procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar poderá preservar a vida até que a vítima se reabilite o suficiente para ser transportada para uma unidade hospitalar. 113 AUTOATIVIDADE 1 Com relação às funções do aparelho digestivo, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Condensa e transforma a composição do sangue, facilitando a eliminação de substâncias tóxicas. b) ( ) Tem a capacidade de filtrar substâncias, regular a osmolaridade e o volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de água do organismo. c) ( ) Transportar o sangue e tem como função digerir os alimentos, que são absorvidos. 2 Sobre as atribuições dos pulmões,assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Produzem oxigênio e retiram a ventosidade resultante da respiração, tem como objetivo absorver o oxigênio e transferir para o sangue. b) ( ) Têm a capacidade de filtrar substâncias, regular a osmolaridade e o volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de água do organismo. c) ( ) Transportarem o sangue e tem como função digerir os alimentos, que são absorvidos. 3 O pulso é uma intensidade de sangue, originada pelos batimentos cardíacos e distribuído nas artérias. A respeito da frequência dos pulsos, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A frequência em adultos é de 70 a 110 batimentos por minuto, a frequência de pulso nas crianças em geral é superior a 60 batimentos por minuto. b) ( ) A frequência em adultos é de 60 a 100 batimentos por minuto, a frequência de pulso nas crianças em geral é superior a 80 batimentos por minuto. c) ( ) A frequência em adultos é de 80 a 120 batimentos por minuto, a frequência de pulso nas crianças em geral é superior a 90 batimentos por minuto. 4 Quais são as funções básicas do corpo avaliadas, através dos sinais vitais? 114 115 TÓPICO 5 ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Os socorros de urgência e emergência são as atitudes que uma pessoa treinada deverá realizar com relação à pessoa acidentada ou que tenha sofrido um mal súbito, antes da chegada do atendimento especializado. O socorrista é um indivíduo capacitado para praticar procedimentos e técnicas de primeiros socorros, esta pessoa deverá ter conhecimentos básicos sobre o assunto e treinamento que o prepara para a execução das ações. Após a confirmação da situação de emergência, o atendimento deverá ser instantâneo e realizado de acordo com as características de cada caso. No entanto, existem regras gerais de atendimento. Estas normas são importantes, pois fornecem uma orientação com relação às condições que precisam ser identificadas e tratadas com prioridade, conforme a gravidade, analisando os riscos de vida imediata. O objetivo inicial do atendimento a ser prestado é a preservação da vida, desta forma, assim que vão sendo avaliadas as lesões da vítima, procedimentos de socorro com o objetivo de controlar a lesão deverão ser realizados. 2 PARADA RESPIRATÓRIA A parada respiratória pode ser definida como uma supressão imediata dos movimentos respiratórios, podendo ser ou não acompanhada de parada cardíaca. Em caso de um diagnóstico de parada respiratória, siga as instruções descritas. O termo Parada Cardiorrespiratória (PCR) significa a ausência total de sinais de circulação (ausência de pulso), ou seja, a falta de batimentos cardíacos, de pulsação e de movimentos respiratórios. É um problema que ainda se torna um desafio para a equipe que presta assistência nos momentos de emergências. Este quadro é considerado uma emergência médica extrema, que consiste de um adequado restabelecimento do fluxo sanguíneo e da ventilação para evitar lesão cerebral que pode ser irreversível. 116 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 2.1 DEFINIR O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA VÍTIMA O socorrista deve chamar e movimentar a vítima, levemente, em casos de parada respiratória, após um acidente traumático (em especial nos traumas de cabeça e pescoço). A insuficiência respiratória acontece quando há troca de oxigênio por dióxido de carbono, nos pulmões pode ser compatível com a velocidade de oxigênio e de produção de dióxido de carbono nas células do organismo. A reanimação ou ressuscitação cardiopulmonar é denominada como um conjunto de procedimentos realizados após um acontecimento de RPC, com o objetivo de manter a circulação do sangue arterial até o retorno espontâneo da circulação no corpo da vítima. Para que seja possível realizar o procedimento correto de assistência na reanimação cardiopulmonar, é necessário que existam condições mínimas de equipamento, material e pessoas qualificadas para que o resultado satisfatório seja alcançado. Segundo Oliveira (1998), deve-se movimentar a cabeça da vítima o mínimo possível, para evitar o agravamento dos ferimentos que já existem, ou mesmo uma paralisia por compressão da medula espinhal. 2.2 POSICIONAR A VÍTIMA Caso a vítima se encontre inconsciente, não responder aos estímulos sonoros e físicos, o socorrista é orientado a deitar a vítima de costas sobre uma superfície plana e abrir as vias aéreas, elevando o queixo e inclinando a cabeça para trás (extensão da cabeça). Para avaliar se as vias aéreas estão obstruídas, deve-se prestar atenção quando o paciente para subitamente de respirar, torna-se cianótico e inconsciente, sem uma razão aparente. 2.3 VERIFICAR SE A VÍTIMA ESTÁ RESPIRANDO O socorrista deve posicionar o seu ouvido sobre a boca e o nariz da vítima e verificar se ela respira (ver, ouvir e sentir). Tente ouvir e sentir o ar expirado pela vítima, observando ainda se o peito está se movimentando, se há expansão do tórax. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 117 2.4 REALIZAR A RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL Caso seja identificado que a vítima não respira, deve-se proceder da seguinte maneira: • Fechar as narinas da vítima com os seus dedos (polegar e indicador). • Colocar a sua boca com firmeza sobre a boca da vítima. • Soprar lentamente até o peito dela se encher de ar, em seguida, retire sua boca e deixe o ar sair livremente. No caso de socorro de adultos, deve-se manter a frequência de uma ventilação a cada 5 segundos e, uma ventilação a cada 3 segundos para crianças e um sopro bem suave a cada 3 segundos para bebês de 0 a 2 anos. Se não houver retorno espontâneo da respiração, mantenha a respiração artificial durante todo o transporte, até a chegada da vítima na unidade hospitalar para atendimento especializado. 3 PARADA CARDÍACA A parada cardíaca é determinada como uma cessação instantânea e inesperada na duração dos batimentos cardíacos. Segundo Oliveira (1998), o coração para de bombear o sangue para o organismo e os tecidos começam a sentir os efeitos da falta de oxigênio. O cérebro, que é o centro essencial do organismo, começa a morrer após, em média, três minutos sem oxigênio. O socorrista deverá caracterizar e realizar ações de imediato para corrigir a falha no sistema circulatório. Em caso de demora na recuperação da vítima, esta poderá sofrer lesões graves e irreversíveis. A compressão na torácica externa é suficiente na substituição dos batimentos do coração. A técnica de compressão torácica é eficiente por duas razões principais: 1ª o coração está situado entre o osso esterno (que é móvel) e a coluna vertebral (que é fixa); e 2ª porque o coração, quando na postura de relaxamento, fica sobrecarregado de sangue. Portanto, o coração, ao ser comprimido pelo osso esterno elimina o sangue e depois, ao relaxar, novamente se enche, possibilitando uma circulação sanguínea suficiente para a assistência à vida. vvvv 118 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 3.1 INSTRUÇÕES PARA O SOCORRISTA Em caso de o socorrista identificar a parada cardíaca na vítima, deverá seguir as seguintes instruções: • Posicionar a vítima e deitá-la sobre uma superfície plana e rígida. • Verificar o pulso da vítima na artéria carótida, localizada no pescoço, para certificar-se da ausência de batimentos cardíacos, mas, atenção, somente deverá iniciar a compressão torácica externa quando for constatada a ausência de pulsação. • Localizar a borda das costelas da vítima e deslizar os dedos da mão esquerda sobre ela. FIGURA 44 – TÉCNICA DE APALPAÇÃO DA ARTÉRIA CARÓTIDA FONTE: Disponível em: <http://passeconcursosenfermagem. blogspot.com.br/>. Acesso em: 20 mar. 2016. 3.2 TÉCNICA DE COMPRESSÃO TORÁCICA O socorrista deverá localizar a mão para o centro do tórax, identificando por apalpação o final do osso esterno (apêndice xifoide), marcando dois dedos a partir do final do osso esterno e posicionar a mão direita logo acima deste ponto, bem no meio do peito da vítima. A compressãocardíaca é produzida pela compressão vertical para baixo, deverá exercer através de ambos os braços do socorrista, comprimindo o osso esterno sobre o coração da vítima. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 119 FIGURA 45 – PONTO DE COMPRESSÃO SOBRE O OSSO ESTERNO FONTE: Disponível em: <http://lifesavers.com.br/r/Parada- Cardiorrespiratoria-11.html>. Acesso em: 20 mar. 2016. A compressão torácica externa deve ser realizada com os braços esticados, usando o peso do corpo do socorrista, que não deve se esquecer de realizar as compressões com a respiração de boca a boca. Quando o socorrista estiver socorrendo a vítima sozinho, deverá dar dois sopros (ventilações) e fazer quinze compressões, em um ritmo de oitenta a cem compressões por minuto. Se o socorro estiver sendo realizado em dupla, para cada ventilação dada pelo primeiro socorrista, o segundo deverá executar cinco compressões (ritmo de 80 a 100 por minuto). Em casos de dois socorristas estarem atendendo a vítima, a ressuscitação cardiopulmonar (RPC) deve ser realizada com um socorrista posicionado de cada lado da vítima, podendo trocar de posição quando necessário sem, no entanto, interromper a frequência de cinco compressões por uma ventilação (5x1). O pulso carotídeo deve ser tocado constantemente durante a realização de ressuscitação cardiopulmonar (RPC), com o objetivo de verificar se houve o retorno dos batimentos cardíacos. O socorrista deve avaliar o pulso após o primeiro minuto que realizar o RPC, e assim a cada minuto depois. É indicado não demorar mais de cinco segundos para verificar a pulsação, para não comprometer o ritmo das compressões. 120 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 3.3 COMPRESSÃO TORÁXICA EXTERNA A compressão e a descompressão devem ser realizadas de forma compassada, e com proporcional duração. A palma da mão do socorrista não deve ser retirada de sua posição, sobre o osso esterno, porém, a pressão sobre ela não é necessária ser realizada de maneira que possa retornar a sua posição normal. No caso de uma vítima criança, a massagem cardíaca deve ser feita com apenas uma das mãos, posicionada sobre o meio do peito da vítima, no terço inferior do osso esterno. Quando houver socorro em bebês, o socorrista deverá apalpar o pulso na artéria braquial, e realizar a massagem cardíaca com apenas dois dedos, sobre o peito do bebê. A técnica é indicada, comprimindo o peito do bebê, um dedo abaixo da linha entre os mamilos. FIGURA 46 – DEMONSTRAÇÃO DO MÉTODO DE COMPRESSÃO EM BEBÊS FONTE: Disponível em: <http://cantinhodaenfermeiraregina. blogspot.com.br/2011/03/se-o-bebe-engasgar.html>. Acesso em: 26 mar. 2016. 3.4 POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO Qualquer vítima, quando estiver inconsciente, deverá ser posicionada na postura de recuperação, pois esta posição impede que a língua bloqueie a passagem do ar. Nesta posição a cabeça deve permanecer, ligeiramente mais baixa do que o restante do corpo, facilitando a saída de líquidos da boca da vítima. Esta ação reduz o risco de aspiração de objetos gástricos, também a cabeça e a região dorsal (coluna vertebral) devem ficar alinhadas, enquanto os membros inferiores e posteriores dobrados, mantendo o corpo apoiado de forma segura e confortável. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 121 FIGURA 47 – DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://fa.billycheck.com/previews/ firstaidDE.html>. Acesso em: 26 jun. 2016. 3.5 COMPLICAÇÕES POR REALIZAÇÃO DE MANOBRAS INADEQUADAS As complicações mais comuns, produzidas por realização de manobras inadequadas de ressuscitação cardiopulmonar (RPC), são: • A vítima não estar posicionada sobre uma superfície rígida. • A vítima não estar em posição horizontal (se a cabeça estiver elevada, o fluxo sanguíneo cerebral ficará inadequado). • As vias aéreas não estarem permeáveis. • A boca ou a máscara não estar de forma apropriada (fechada) na vítima e o ar escapar. • As narinas da vítima não estarem devidamente fechadas. • As mãos forem posicionadas de modo incorreto ou em local inadequado sobre o tórax da vítima. • As compressões forem muito longas ou muito rápidas, pois desta forma não impulsionam volume sanguíneo adequado. • O princípio entre os movimentos de ventilações e compressões for realizado de forma inadequada. • A ressuscitação cardiopulmonar (RPC) deixar de ser executada por mais de 5 segundos, gera um alto risco de lesão cerebral. As manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RPC) não são indicadas para serem executadas em vítimas que se encontram em fase terminal de uma condição de saúde irreversível e incurável, porém, uma vez iniciada a manobra, deve-se mantê-la até que: • Aconteça o retorno espontâneo da circulação, retorno da pulsação, deve-se continuar a ventilação. • Quando houver o retorno da respiração e da circulação. • Profissional socorrista estiver completamente exausto e não conseguir executar as manobras de ressuscitação. 122 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO QUADRO 10 – TÉCNICAS PARA MANOBRAS DE RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RPC) FONTE: Oliveira (1998) Os conhecimentos sobre ressuscitação cardiopulmonar (RPC) necessitam de práticas com manequins, supervisionada por profissionais técnicos especializados. 4 HEMORRAGIAS A hemorragia ou o sangramento representam o mesmo caso, isto é, quando o sangue vaza das artérias, veias ou vasos capilares. As hemorragias podem ser especificadas como um excesso de perda no volume sanguíneo circulante no corpo do ser humano. Segundo Fernandes e Guimarães (2007), a hemorragia é a perda de sangue em consequência da ruptura, dilaceração ou corte, através de ferimentos e cavidades naturais. Em todos os casos de hemorragia, o quadro deve ser controlado imediatamente, pois pode causar um estado de choque na vítima e o quadro pode agravar e provocar a morte. O seu quadro inicial aparenta palidez, sudorese, agitação, pele fria, fraqueza, pulso fraco e rápido, baixa pressão arterial e sede excessiva. Desta forma, caso não forem controladas imediatamente o estado da vítima pode se agravar. RPC LISTA DE CONSULTA ADULTOS CRIANÇAS BEBÊS Parada respiratória com pulso presente, deve ventilar a cada... 5 segundos 3 segundos 3 segundos Parada cardíaca, sendo o local de compressão... Dois dedos acima do final do osso esterno Como no adulto Um dedo abaixo da linha entre o mamilo Método da compressão sobre o esterno... Duas mãos sobrepostas, com a palma de uma mão sobre o peito Somente a palma de uma mão sobre o peito Dois ou três dedos Número de compressões por minuto... 80 a 100 80 a 100 100 a 120 Afundamento do esterno durante as compressões... 3,5 a 5 centímetros 2,5 a 3,50 centímetros 1,5 a 2,0 centímetros Razão entre as compressões e as ventilações... 15 x 2 5 x 1 5 x 1 Contagem das compressões durante a RPC... 1 e 2 e 3 e 4e 5... 15, ventile, ventile 1 e 2 e 3 e 4 e 5, ventile 1, 2, 3, 4, 5, ventile TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 123 4.1 TIPOS DE HEMORRAGIAS As hemorragias podem ser: • Interna: é caracterizada pelo resultado de um ferimento interno profundo, causado por lesão de um órgão. • Externa: é causado por um ferimento externo no corpo, com visualização de sangue. 4.1.1 Anatomia das hemorragias Anatomicamente as hemorragias podem ser: • Arteriais: quando há a perda de um sangue vermelho vivo, saindo do corpo de forma intensa. • Venosas: quando há saída de sangue na cor vermelho escuro, escorrendo de forma contínua e lenta. A hemorragia nasal é a perda de sangue pelo nariz em leves ou intensos fluxos, pode ser causada quando as pessoas ficam expostas a altas temperaturas ou, então, são provocadas por choque traumático, por acidentes e por determinadas doenças. São indicadas algumas ações de socorro: • Sentar a vítima em uma cadeira, em local fresco e arejado, com a parte do tórax recostado e a cabeça elevada, tentado acalmá-la. • Desapertar as roupas, que estejam apertando o pescoçoe o tórax da vítima. • Apertar a narina que está sangrando com os dedos, fazendo uma ativa pressão sobre a lateral do orifício nasal onde há fluxo de sangue, para que suas paredes estejam em contato e, por pressão direta, controlar o sangramento. • Utilizar uma bucha de algodão ou gazes para tapar a narina que está sangrando. • Aplicar compressa de pano frio ou bolsa de gelo no nariz e no rosto. • Não girar a cabeça para trás. • Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 4.1.2 Hemorragia nasal (epistaxe) 4.1.3 Hemorragia do conduto auditivo externo (otorragia) A otorragia acontece, geralmente, em casos em que há um quadro de fratura no crânio ou em traumatismo do conduto auditivo externo, por exemplo, quando há uma introdução de objetos no ouvido. 124 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO Este tipo de hemorragia pode ser classificado como simples ou composta. No caso de otorragia simples, pode ser introduzido no ouvido um pequeno pedaço de material para estancar o sangue e no caso de hemorragia composta, não é indicado ações para estancar este tipo de sangramento e a procura pelo socorro médico deve ser imediata. São indicadas algumas medidas de socorro: • Permanecer com o canal auditivo aberto. • Deitar a vítima em posição de decúbito lateral, virada para o lado do ouvido que está sangrando. • Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 4.1.4 Hemorragia dos pulmões (hemoptise) A hemoptise é uma hemorragia grave, que pode ser de pequena ou grande quantidade e fluxo, também pode vir acompanhada de tosse com expectoração, de escarro sanguinolento e espumoso, saindo pela boca, sendo um sangue vermelho vivo. As causas mais frequentes da hemoptise são: bronquectasia (obstrução dos brônquios pelo sangue, sem passagem de ar), tuberculose, abscesso pulmonar, tumores pulmonares, embolia pulmonar, entre outros. São indicadas algumas ações de socorro: • Acalmar a vítima. • Posicionar a vítima em repouso, em decúbito lateral, com a cabeça mais baixa que o corpo. • Não oferecer líquidos à vítima, por via oral. • Colocar uma bolsa de gelo no tórax. • Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 4.1.5 Hemorragia do sistema digestivo (hematêmese) A hematêmese é a perda de sangue através do vômito de origem gástrica (perfuração por úlcera) ou esofagiana (ruptura das varizes esofagianas). Outro tipo de hemorragia considerada grave que necessita de cuidados médicos. Como característica deste quadro, a vítima se queixa de enjoo e apresenta vômito de cor escura, como uma borra de café, com resíduos ou não de alimentos. Este tipo de hemorragia é muito comum em situações de ingestão de produtos químicos corrosivos, em acidentes, ou também pode ser de origem de alguma doença no estômago. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 125 Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser seguidas: • Deitar, no mesmo instante a vítima, buscando acalmá-la. • Afrouxar as roupas da vítima. • Impedir a ingestão de qualquer tipo de líquido ou alimento. • Utilizar compressas frias ou bolsa de gelo na região abdominal. • Ofertar somente pequenas quantidades de água gelada. • Posicionar a vítima em decúbito lateral, para evitar aspiração de vômito. • Solicitar assistência médica especializada. 4.1.6 Hemorragia intracraniana A hemorragia intracraniana é o tipo de sangramento que acontece na parte interna do crânio e é um quadro de emergência médica, com risco de morte. O atendimento médico da equipe de emergência deve ser acionado, caso existir desconfiança de que uma pessoa esteja indicando hemorragia intracraniana. Pode acontecer na parte interna do cérebro ou envolta, no caso de que se originam no interior do cérebro e têm as seguintes nomenclaturas, dependendo da área em que acontecem: • No interior do cérebro, designam-se hemorragias intracerebrais. • Se acontecer entre o cérebro e o espaço subaracnóideo, hemorragias subaracnóideas. • Entre as divisões do revestimento do cérebro, hemorragias subdurais. • Os casos em que se originam entre o crânio e o revestimento do cérebro são hemorragias epidurais. Independentemente da área do crânio em que acontecer a hemorragia, as células do cérebro são destruídas, pois o crânio não possibilita a dilatação dos tecidos, assim a hemorragia aumenta de maneira significativa e crítica a pressão no cérebro. Na hemorragia intracraniana, as causas mais frequentes são o traumatismo do crânio (fratura), com pressão óssea e o acidente vascular cerebral (hipertensão arterial). Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser seguidas: • Posicionar a vítima em posição de decúbito lateral. • Cobrir a boca da vítima, colocando um lenço entre os dentes. • Limitar os movimentos da vítima, para impedi-la de provocar lesões. • Soltar as roupas da vítima, deixando-a confortável. • Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 126 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO 4.1.7 Hemorragia interna A hemorragia interna é causada pela ruptura dos vasos (veias ou artérias), ou de órgãos importantes como fígado ou baço, causado por algum tipo de choque por algum objeto muito pesado. A vítima evidencia os seguintes sintomas: • Pulsação muito fraca ou acelerada. • Pele fria, cor pálida, excesso de suor. São indicadas algumas ações de socorro: • Estender a vítima com a cabeça em um nível mais baixo que o corpo, mantendo-o mais imobilizado possível. • Pôr uma bolsa de gelo ou compressas frias no local do ferimento. • Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 4.1.8 Melena Melena é a perda de sangue, pelo orifício anal, eliminado com as fezes, que se apresentam no estado pastoso, de cor escura e de cheiro fétido. É sinal de sangramento baixo, porém lento o suficiente para possibilitar a oxidação do sangue. Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser seguidas: • Acalmar a vítima e conquistar a sua cooperação. • Colocar a vítima deitada, em posição de barriga para cima. • Posicionar bolsa de gelo sobre o abdômen, na região gástrica e intestinal. • Utilizar compressas geladas na região anal (em caso de sangramento por hemorroidas). • Conduzir a vítima com urgência para um local onde possa receber assistência especializada. 4.2 MEDIDAS DE SOCORRO Para que o socorrista consiga realizar as ações e os procedimentos de forma correta e no momento certo, algumas medidas de socorro devem ser tomadas: • Sentar a vítima em uma cadeira, em local fresco e arejado, com a parte do tórax recostado e a cabeça elevada, buscando acalmá-la. • Afrouxar a roupa que esteja comprimindo o pescoço e o tórax da vítima. • Comprimir a narina que estiver sangrando com o auxílio dos dedos, fazendo ligeira compressão sobre o ferimento de onde flui o sangue, de forma que suas paredes se toquem, e por compressão direta, contenha o sangue. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 127 • Utilizar um chumaço de algodão ou gases para tapar o orifício que está sangrando. • Colocar compressa de pano frio ou bolsa de gelo no nariz e fronte. • Não virar a cabeça da vítima para trás. 4.3 TÉCNICAS PARA CONTROLES DA HEMORRAGIA Para que os socorristas tenham condições de controlar o quadro de hemorragia, devem-se conhecer algumas técnicas, como: • Técnica de compressão direta sobre o ferimento. • Técnica da elevação do ponto de sangramento. 4.3.1 Técnica de compressão direta sobre o ferimento Para que se tenha um controle da hemorragia, aplicando a técnica de compressão direta, deve-se fazer compressão sobre o ferimento, com a mão (devidamente protegida por luva descartável), ou com o auxílio de um pano limpo ou gaze esterilizada, para prevenir a infecção e a contaminação. FIGURA 48 – TÉCNICA DE COMPRESSÃO DIRETA SOBRE O FERIMENTO FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/lucasddsilva/ primeiros-socorros-prs-71-hemorragia>. Acesso em: 18 jun. 2016. 4.3.2 Técnica da elevação do ponto de sangramento Como procedimento padrão, deve-se mantera região que está sangrando em uma posição mais elevada que o restante do corpo, pois este método contribuirá para diminuir o fluxo de sangue circulante no corpo da vítima, e como consequência, o sangramento, conforme demonstra a figura a seguir. 4.3.3 Técnica da compressão sobre os pontos arteriais Nos casos em que a hemorragia acontecer de forma muito intensa e o socorrista não conseguir estancar a saída do sangue, utilize a técnica de compressão sobre os pontos arteriais, pressionando o local diretamente sobre as artérias principais, que passam os nutrientes do sangue no local lesionado. 128 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO FIGURA 49 – TÉCNICA DE COMPRESSÃO SOBRE AS ARTÉRIAS FONTE: Disponível em: <epralima.com/inforadapt2europe/ manuaisweb/MANUAL4/page6.html>. Acesso em: 18 jun. 2016. Em caso de não cessar o sangramento, com o uso de nenhum dos métodos, o socorrista deve aplicar um torniquete no membro lesado. Este procedimento não é recomendado para uso geral, pois algumas vezes pode causar mais danos na extremidade do ferimento do que as que já existiam pela própria lesão inicial. Por outro lado, um torniquete realizado de forma correta pode salvar a vida da vítima quando a hemorragia em um vaso sanguíneo principal não pode ser controlada por outra técnica. 4.3.4 Técnica de torniquete O torniquete, ou garrote, como chamados em algumas regiões, é uma faixa de tecido ou outro material que possa servir para amarrar alguma parte do corpo, desta forma, buscando ter o controle da hemorragia. Este método deverá ser utilizado como uma última opção e somente para controle do sangramento provocado por ferimentos graves nas extremidades, apenas quando todos os outros procedimentos de controle não forem suficientes. Não se deve aplicar torniquetes sobre as áreas de articulação, sobre os cotovelos e joelhos. A localização segura e eficiente para colocação do torniquete é de cerca de 5 centímetros acima do local da lesão. Se realmente o torniquete tiver que ser utilizado, deverá ser aplicado de forma correta, seguindo as orientações: • Uma faixa larga deve ser dobrada até que fique com aproximadamente 10 centímetros de largura, após amarrar esta faixa larga, duas vezes ao redor da extremidade lesada. • Faça um nó bem firme na faixa, coloque um bastão de madeira ou outro material similar sólido sobre o nó e amarre novamente com uma segunda amarração. • Aproveite o bastão de madeira para fazer uma manivela para rodar e apertar a faixa. • Pressione o torniquete até o sangramento interromper, uma vez controlada a hemorragia pare de apertar o bastão e o mantenha firme no lugar. TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 129 FIGURA 50 – TÉCNICA DE TORNIQUETE FONTE: Disponível em: <doutissima.com.br/2014/02/17/hemorragia- sintomas-causas-e-tratamento-46524/>. Acesso em: 18 jun. 2016. São identificadas algumas precauções e observações quanto ao uso do torniquete: • Nunca deve ser utilizado qualquer material cortante para aplicar a técnica, use ataduras largas de panos leves. • Não desaperte ou afrouxe a atadura depois da finalização do procedimento. • Após a aplicação do torniquete, identifique com as letras “TQ” e a hora em que foi aplicado, em um local visível, próximo à vítima. 5 ESTADO DE CHOQUE O estado de choque é um quadro grave, de origem imprevista e caracteriza- se por uma falência no sistema circulatório, que tem a função de compartilhar sangue com oxigênio e nutrientes para as partes do corpo. Intercorre quando a passagem de oxigênio para as células do corpo diminui de intensidade ou para completamente. A situação pode ir se agravando de forma gradativa e ocasionando anomalias nos tecidos, conforme a sua extensão, até o momento em que o coração não recebe oxigênio de forma satisfatória e para de bater. Em caso de, por qualquer causa, começar a faltar oxigênio nos tecidos corporais, acontece o que é determinado estado de choque, ou seja, as células começam a entrar em sofrimento e, se esta situação não for revertida, as células do corpo morrerão. 5.1 CAUSAS DO ESTADO DE CHOQUE Como existe circulação insuficiente de sangue através dos tecidos para distribuir os nutrientes e oxigênio necessários, todos os processos corporais normais ficam comprometidos. 130 UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO Segundo Oliveira (1998), quando uma pessoa está em estado de choque, suas funções vitais reduzem a capacidade, e se o estado que causa o choque não for cessado e revertido de forma imediata, pode ocasionar a morte da vítima. Este tipo de caso de emergência também pode ter outras causas, como: • Excessiva perda de sangue. • Infarto agudo no miocárdio. • Aceleração cardíaca. • Queimaduras graves. • Processos inflamatórios do coração. • Traumatismos no crânio, tórax ou abdômen. • Envenenamentos. • Afogamento. • Choque elétrico. • Picadas de animais venenosos. • Alteração inesperada de temperatura e sinais de infecção. Nas indústrias, todas as causas acima citadas podem acontecer, requerendo atenção especial para os trabalhadores expostos a substâncias tóxicas, choque elétrico, moinhos e temperaturas externas. Os casos de estado de choque em que se segue de algum acidente traumático são geralmente resultantes de uma perda excessiva de sangue. Apesar dos diferentes tipos de choque, o atendimento pré-hospitalar é sempre realizado da mesma maneira. 5.2 TRATAMENTO PARA O ESTADO DE CHOQUE A etapa inicial para o tratamento é reconhecer o quadro, sendo que a vítima em choque apresenta pulso acelerado, respiração rápida e superficial, palidez na pele, agitação intensa, muita sede, pele fria e úmida, náusea, pressão arterial abaixo do limite da normalidade e perda de consciência. Fernandes e Guimarães (2007) descrevem algumas medidas de socorro: • Deitar a vítima com a cabeça mais baixa que os pés. • Afrouxar as roupas da vítima. • Agasalhar a vítima. • Estancar a hemorragia (se houver). • Analisar os sinais vitais (respiração, pulso, entre outros). • Encaminhar a vítima ao hospital. Após o diagnóstico do estado de choque, posicione a vítima deitada e desobstrua suas vias aéreas (fazer esta ação antes de qualquer outra manobra de socorro). TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 131 FIGURA 51 – VÍTIMA EM ESTADO DE CHOQUE COM VIAS AÉREAS DESOBSTRUÍDAS E PERNAS ELEVADAS FONTE: Disponível em: <//pt.wikihow.com/Tratar-uma- V%C3%ADtima-em-Estado-de-Choque>. Acesso em: 20 jun. 2016. Em seguida, o socorrista deve elevar as pernas da vítima, aproximadamente 30 centímetros (se não houver fraturas), afrouxar as roupas e impedir a perda de calor do corpo, colocando cobertas ou agasalhos sobre a vítima. Além do conforto físico, é importante promover o suporte emocional, mantendo um atendimento constante, buscando tranquilizar a vítima. Buscar controlar os sangramentos aparentes, por compressão e não dar alimentos ou líquidos à vítima. O atendimento médico emergencial imediato se faz necessário, a vítima deve ser transportada para um hospital mais próximo ou deve-se solicitar socorro especializado para ela. O resultado de uma pesquisa realizada aponta que aproximadamente 20% das vítimas que entram em estado de choque acabam morrendo. Uma das causas revela que quanto mais tempo o atendimento demorar, aumenta o risco de lesões permanentes aos órgãos do corpo humano. 6 CHOQUE ANAFILÁTICO Este tipo de choque pode ser definido como uma intensa reação alérgica, com potencial de morte, que poderá acontecer em pessoas mais sensíveis, após a ingestão de certos alimentos, a injeção de medicamentos específicos ou picada de alguns insetos. Este tipo de reação alérgica faz com que determinadas substâncias sejam liberadas na corrente sanguínea da vítima, gerando uma dilatação nas veias e uma obstrução respiratória na altura do pescoço, que como consequência poderá originar uma asfixia. Além dos sinais e sintomas característicos do choque, nestes casos, o socorrista poderá caracterizar também ansiedade,lesão avermelhada na pele, inchaço na região do rosto e pescoço. 132 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, vimos que: • Parada cardiorrespiratória significa a ausência total de sinais de circulação, a falta de batimentos cardíacos, de pulsação e de movimentos respiratórios. • O socorrista deve estimular e movimentar a vítima levemente, o mínimo possível, para evitar o agravamento dos ferimentos que já existem e também em casos de parada respiratória. • Para verificar se a vítima está respirando, o socorrista deve posicionar o seu ouvido sobre a boca e o nariz da vítima e verificar se ela respira (ver, ouvir e sentir). • Em caso de o socorrista identificar a parada cardíaca na vítima, deverá seguir as seguintes instruções: posicionar a vítima e deitá-la sobre uma superfície plana e rígida; verificar o pulso na artéria carótida e localizar a borda das costelas da vítima e deslizar os dedos da mão esquerda sobre ela. • Em casos de socorros em bebês, o socorrista deverá apalpar o pulso na artéria braquial e realizar a massagem cardíaca com apenas dois dedos, sobre o peito do bebê. • As hemorragias são caracterizadas como o excesso de perda do volume sanguíneo circulante no corpo do ser humano. • As hemorragias podem ser classificadas em interna: resultado de um ferimento interno profundo, causado por lesão de um órgão, e externa, que é provocada por um ferimento externo no corpo. • As hemorragias podem ser: arteriais, quando há a perda de sangue do corpo de forma intensa e venosa, quando há saída de sangue, que escorre de forma contínua e lenta. 133 1 Com relação à manobra de reanimação ou ressuscitação cardiopulmonar, é correto afirmar que: a) ( ) Procedimentos realizados após um acontecimento de parada cardiorrespiratória, com a finalidade de manter a circulação do sangue arterial. b) ( ) Bloqueio da passagem de ar; paralisia do centro respiratório no cérebro. c) ( ) A realização de compressas ritmadas nos pulmões. 2 Caso seja analisado que a vítima não respira, o socorrista deve: a) ( ) Posicionar o seu ouvido sobre boca e o nariz da vítima e verificar se ela respira (ver, ouvir e sentir). b) ( ) Fechar as narinas da vítima com os seus dedos, colocar a sua boca com firmeza sobre a boca da vítima e soprar lentamente até o peito se encher de ar, em seguida, retire sua boca e deixe o ar sair livremente. c) ( ) Fechar os olhos da vítima, colocar os dedos sobre a boca da vítima e soprar, em seguida apoiar a mão sobre o peito da vítima. 3 Quais os sintomas de uma parada cardiorrespiratória? AUTOATIVIDADE 134 135 UNIDADE 3 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Esta unidade tem por objetivos: • compreender as emergências clínicas respiratórias e circulatórias; • identificar os sintomas e sinais de vítimas de insuficiência respiratória, a asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão; • conhecer os fatores de agravamento de algumas emergências respiratórias; • realizar os primeiros socorros em casos de emergências respiratórias; • identificar os sintomas e sinais de vítimas de angina de peito, arritmias car- díacas, infarto agudo do miocárdio (infarto do coração), crise hipertensiva e o acidente vascular cerebral; • conhecer os fatores de agravamento de algumas emergências circulatórias; • compreender e reconhecer cada uma das emergências clínicas gerais, que são: cólica renal, diabetes: coma diabético e hipoglicemia, insolação, exaus- tão pelo calor, cãibras de calor, diarreia e desmaio; • identificar quando a vítima possui algum sintoma de alguma das emergên- cias clínicas gerais; • compreender cada uma das alterações mentais, que são: convulsão, neuro- se histérica e alcoolismo agudo; • identificar quando a vítima apresenta sintomas de alterações mentais; • reconhecer as lesões traumáticas nos ossos, músculos e articulações; • demonstrar, em situações emergenciais, a capacidade de atender com me- didas de primeiros socorros, às lesões traumáticas nas vítimas; • avaliar uma pessoa vítima de uma lesão traumática; • detectar rapidamente os sinais e sintomas de uma vítima de uma lesão traumática. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. Em cada um deles você encon- trará atividades que o auxiliarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS TÓPICO 2 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES MENTAIS TÓPICO 4 – PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 136 137 TÓPICO 1 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Os primeiros socorros são indispensáveis para salvar vidas, seja em casos de acidentes de trabalho ou mal súbito. Os primeiros socorros têm como finalidade manter as funções vitais e evitar que a condição da vítima se agrave antes da chegada do serviço especializado. É de suma importância que existam pessoas treinadas na empresa para prestar esse atendimento. As emergências são situações que precisam de ação imediata e que não podem se estender. Em situações de emergência, as manifestações são repentinas e inesperadas, necessitando de ações rápidas e urgentes. Nessas circunstâncias é primordial a aplicação de práticas de primeiros socorros para tentar minimizar os efeitos do quadro até a chegada da equipe especializada para realizar o atendimento. Uma das causas de maior procura por pronto atendimento são as emergências clínicas. Para compreendermos sobre as emergências clínicas respiratórias e circulatórias, traremos, neste tópico, as causas, fatores de risco e primeiros socorros para cada tipo de emergência. É importante ressaltar que, mesmo nas emergências clínicas mais simples, a aplicação adequada dos primeiros socorros pode salvar a vida da vítima. Lembre-se: Em cada fase é importante: Avaliar ------> Classificar ------> Decidir -------> Agir Propiciando atendimento e abordagem adequados ao paciente. ATENCAO UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 138 2 EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS Em casos de emergências respiratórias, o socorrista deve identificar os sintomas e sinais da complicação respiratória, podendo a respiração estar mais lenta ou mais rápida. Neste caso, os primeiros socorros têm como propósito conservar as vias respiratórias desobstruídas, posicionando a vítima em uma posição que contribua para a respiração. Você lembra qual é a função do sistema respiratório? Abastecer o organismo com oxigênio e eliminar o excesso de gás carbônico das células. É importante lembrar que “Em um ciclo respiratório normal, cerca de 500 ml de ar entram e saem dos pulmões” (BRUNET et al., 2014, p. 85). Dentre as emergências respiratórias destacamos a insuficiência respiratória, a asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão. 2.1 HIPERVENTILAÇÃO A hiperventilação se caracteriza pela respiração muito rápida, acarretando uma instabilidade entre as concentrações de oxigênio e dióxido de carbono no sangue. Pode ocorrer devido a um choque emocional, excesso de esforço físico, dor intensa, sobreoxigenação, abstinência por drogas, práticas de respiração artificial por longos períodos, pessoas que já possuem algum tipo de perturbação respiratória relacionada ao sono. De acordo com Brunet et al. (2014, p. 92), os sintomas e sinais são: • Respiração rápida, profunda e ofegante. A vítima tem a sensação de falta de ar, de não ser capaz de inspirar ar suficiente, apenas de aspirar uma quantidade superior à habitual. • Dor torácica que se intensifica com a respiração. • Formigamento, entorpecimento. • As mãos e os pés podem estar frios e os dedos curvos e fletidos para a mão. • Fraqueza, tonturas. • Perda de consciência. Pacientes de hiperventilação podem apresentar ainda confusão mental e conversa confusa. A avaliação da vítima de forma adequada é de fundamental importância para a aplicação dos primeiros socorros. O socorrista deve assegurar que os sintomas e sinais de uma hiperventilação não sejam confundidos com os de uma crisede asma ou traumatismo torácico. Neste caso, os primeiros socorros objetivam diminuir o ritmo da frequência respiratória. E quais são os primeiros socorros a serem aplicados em casos de hiperventilação? TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 139 Ainda seguindo o que diz Brunet et al. (2014, p. 93, grifo do original), a sequência a ser seguida é: 1. Sente a vítima numa posição o mais confortável possível. 2. Tranquilize-a quanto ao seu estado físico, para que a ansiedade não aumente ainda mais sua frequência respiratória. 3. Incentive a vítima a abrandar a frequência respiratória retendo a respiração, mesmo que isso seja difícil no início. Peça-lhe para respirar ao mesmo tempo que você. Se estas intervenções forem ineficazes: 4. Faça a vítima respirar (inspirar e expirar) num espaço confinado, por exemplo, para as mãos (fechadas em torno da boca e do nariz), por baixo de um colete, para uma manga ou por baixo de cobertores. Quanto mais ela expirar, mais aumenta a percentagem de dióxido de carbono em cada inspiração, equilibrando assim as trocas gasosas. Interrompa esta manobra logo que a respiração retome a frequência normal. 5. Em seguida, coloque a vítima em repouso, pois sentir-se-á cansada e atordoada. Caso o estado da vítima não voltar ao normal ou se agravar, chame o serviço especializado. Poderá ser necessária a administração de um sedativo. 2.2 ASMA A crise de asma ocorre devido ao estreitamento dos brônquios decorrente de espasmos musculares, normalmente associados a processos inflamatórios ou irritação pulmonar. A crise asmática pode ocorrer devido a: • Alergias, pólens, pó, pelos de animais, medicamentos, picadas de insetos. • Fumo dos cigarros. • Vapores tóxicos, gases irritantes, odores fortes e poluição atmosférica. • Estresse, emoções fortes e fadiga. • Vento, o abaixamento brusco e acentuado de temperatura, atividades ao ar livre com o tempo frio. • Esforços violentos e exercícios em certos casos. • Infecções virais (BRUNET et al., 2014, p. 92). Existem ainda fatores que podem agravar a asma, tais como: • História familiar de asma e outras manifestações de atopias. • Exposição precoce ao cigarro (gestação e ao nascimento). • Infecções virais, principalmente o VSR (Vírus Sincicial Respiratório). • IgE elevada. • Rinite e/ou dermatite atópica. • Sibilância desencadeada por alérgenos. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 140 Os sintomas e sinais são: • Angústia muito forte e sensação de opressão no peito. • Respiração difícil, sibilante e rápida (mais de 30 respirações por minuto). • Esforço para respirar, com distensão dos vasos do pescoço, quando a vítima está sentada ou inclinada para frente. • Sensação de sufocamento, de falta de ar, quando na realidade há demasiado ar nos pulmões e esse ar não pode sair. • Azulamento dos lábios e batimento das asas do nariz. • Tosse que por vezes produz escarros, sobretudo esbranquiçados (BRUNET et al., 2014, p. 92). Normalmente, vítimas de crises asmáticas já sabem como agir. O objetivo dos primeiros socorros é fazer com que a respiração da pessoa volte ao normal. Para isso devem ser observadas duas situações: Se a vítima não tiver na sua posse um medicamento de urgência (bronquiodilatadores): 1. Tranquilize-a e permaneça junto dela. 2. Procure a causa externa da crise de asma e tome as medidas necessárias para a eliminar, caso seja ambiental: fumo de tabaco, animais, tapetes. 3. Se a vítima estiver num grupo, isole-a das outras pessoas e areje o local. 4. Sente a vítima numa posição o mais confortável possível. Por vezes, sente necessidade de se inclinar para a frente. 5. Assegure-se de que nenhuma peça de roupa no pescoço ou na cintura impede a respiração. 6. Coloque a vítima num local úmido para lhe facilitar a respiração. 7. Se não houver melhoria do estado respiratório, chame o 192. Em seguida, avalie o seu estado até a chegada dos Serviços de Emergência. Se a vítima tiver na sua posse um medicamento de urgência (bronquiodilatadores): 8. Siga as etapas 1 a 6, em seguida, administre por meio de um dilatador o medicamento prescrito, ou ajude a vítima a administrá-lo. 9. Chame o 192 se a dificuldade respiratória se agravar apesar da tomada do medicamento (BRUNET et al., 2014, p. 94, grifo do original). Lembre-se de que o frio é uma das causas do desencadeamento de uma crise asmática, logo, evite expor a vítima ao frio. IMPORTANT E A reação inflamatória deve ser tratada juntamente com a crise asmática. Caso, após medicado, os sintomas permaneçam, significa que apenas o bronquiodilatador não é suficiente, sendo necessário ministrar medicação para a inflamação. TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 141 2.3 INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA A insuficiência respiratória (IR) é uma das emergências que requer maior atenção devido à sua gravidade. Ela refere-se à dificuldade no transporte e captação do oxigênio ou na eliminação do gás carbônico devido à falta de capacidade do sistema respiratório em preservar as trocas gasosas em níveis aceitáveis. A insuficiência respiratória pode ser aguda ou crônica. A IR pode ser causada por doenças relacionadas ao sistema respiratório ou não. De acordo com Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), as enfermidades mais comuns são “doença pulmonar obstrutiva crônica, a asma, a insuficiência cardíaca, a pneumonia, dispneia de origem psicogênica (causada por estresse e choque emocional) e o uso de sedativos em altas doses”. Para Fortes et al. (2010, p. 74), ainda existem os motivos indiretos para manifestação da insuficiência respiratória, que podem ser: • Obstrução da via aérea: Obstrução por corpo estranho, broncoaspiração, asma, bronquiolite, bronquite crônica, enfisema, bronquiectasia, fibrose cística. • Dificuldade respiratória: Apneia do sono, obesidade, intoxicação por substâncias tóxicas ou medicamentos. • Debilidade da musculatura respiratória/acessória: Lesão da medula espinhal, miastenia, distrofia muscular, poliomielite, esclerose lateral amiotrófica, síndrome de Guillain-Barré. • Alteração do tecido pulmonar: Reação a fármacos, tumores, queimaduras, radiação, fibrose pulmonar, doença pulmonar de origem ocupacional. • Alteração da caixa torácica: Ferida aberta no tórax (trauma penetrante). Conforme Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os sintomas podem ser: • Dificuldade respiratória. • Sensação de cansaço e ansiedade ou agitação (devido à falta de O2 no sistema nervoso central). • Sons atípicos durante a respiração. • Antecedente de crises semelhantes prévias. • Tosse. • Cianose (falta de O2 no sangue). • Formigamento e contratura muscular em extremidades na dispneia de origem psicogênica (causada por fatores emocionais). Caso a IR progrida de forma lenta, ocorre o aumento na pressão nos vasos sanguíneos dos pulmões, ocasionando a hipertensão pulmonar, que, se não tratada corretamente, poderá acarretar em uma insuficiência cardíaca. Ainda segundo Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os primeiros socorros podem ser: UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 142 1. Afrouxar as roupas e transmitir segurança. 2. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada; 3. Administrar oxigênio a 15 l/min. 4. Monitorar a vítima com oxímetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio além de 94%. 5. Permitir que a vítima, caso possuir e fizer uso habitual de medicação inalatória em spray ou em cápsula, realize uma dose antes do transporte. 6. Observar sinais de insuficiência respiratória. Em caso de hipoxemia (saturação de oxigênio menor que 90%) associado à redução da frequência respiratória, proceder à administração de ventilações com AMBU e oxigênio a 15 litros por minuto e solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida. 7. Observar se ocorre redução do nível de consciência ou confusão mental. Solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida nestes casos. 8. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte avançado ou procederao transporte para hospital de referência, segundo orientação do médico regulador. Em casos de IR pode ser realizada a ventilação boca a máscara ou a ventilação com unidade bolsa-válvula-máscara. FIGURA 52 – UNIDADE BOLSA-VÁLVULA-MÁSCARA (AMBU) FONTE: Disponível em: <http://www.buscahospitalar.com.br/ images/produtos/4206_20130328034440G.jpg>. Acesso em: set. 2016. FIGURA 53 – VENTIÇÃO BOCA A MÁSCARA FONTE: Disponível em: <http://www.salademergenciashop. com/imagem/index/10964726/G/pocket_mask_rcp_ cpr_mascara_ressuscitaco_envio_imediato_12240_ mlb20056070841_032014_o.jpg>. Acesso em: set. 2016. TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 143 2.4 EDEMA AGUDO DE PULMÃO O edema agudo de pulmão (EAP) é o acúmulo de líquido no interior dos alvéolos pulmonares, que, segundo Fortes et al. (2010, p. 74), pode ocorrer devido à “[...] insuficiência cardíaca, principalmente a insuficiência cardíaca esquerda, coronariopatias, valvopatias, arritmias e crise hipertensiva; ou não cardiogênicas, como a hipoxemia, afecções respiratórias em que haja diminuição da complacência pulmonar e alterações da relação ventilação perfusão”. Segundo Valente et al. (2012, p. 19), os sintomas e sinais para casos de edema agudo do pulmão podem ser: • Dispneia. • Cianose. • Ansiedade e agitação. • Expectoração rosada e espumosa. • Sensação de afogamento. • Aumento da frequência respiratória. • Aumento da frequência cardíaca. • Aumento da pressão arterial (na maioria dos casos). • Palidez e sudorese. • Respiração ruidosa tipo farfalheira, comparável ao som provocado por uma panela de água a ferver. Ainda de acordo com Valente et al. (2012, p. 19), os primeiros socorros são: 1. Abordagem da vítima segundo a metodologia ABCDE: A - Permeabilizar a via aérea com controle da coluna cervical. B - Ventilação e oxigenação. C - Assegurar a circulação com controle da hemorragia. D - Disfunção neurológica. E - Exposição com controle da temperatura. 2. Sentar o doente com as pernas pendentes, numa posição confortável, minimizando os esforços. 3. Administrar oxigênio: - Garantir oximetria ≥ 95% (se grávida ≥ 97%; se DPOC entre 88-92%). - 15L/min. 4. Acalmar a vítima. 5. Manter a temperatura corporal. 6. Verificar e registar os sinais vitais – ter especial atenção às características da respiração e do pulso. 7. Prosseguir com o exame da vítima, dando especial atenção à recolha do máximo de informação. 8. Passagem de dados ao atendimento especializado. 9. Solicitar apoio diferenciado. O edema agudo pulmonar é considerado uma emergência clínica importante devido à sua gravidade. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 144 3 EMERGÊNCIAS CIRCULATÓRIAS Enquanto as emergências respiratórias impedem a passagem de oxigênio e, consequentemente, a sua absorção pelos pulmões, as emergências circulatórias interferem na distribuição de oxigênio no sangue, afetando coração, cérebro e vasos sanguíneos. Quando existe deficiência de oxigênio no músculo cardíaco ou no cérebro, pode desencadear um ataque cardíaco ou um AVC (Acidente Cardiovascular), por exemplo. No caso de uma hemorragia ou estado de choque fisiológico, e consequente baixa de oxigênio no sistema circulatório, pode ocorrer uma parada cardiorrespiratória ou lesão irreversível no cérebro (BRUNET et al., 2014). Existem alguns fatores que podem agravar as doenças cardiovasculares, sejam controláveis ou não. O quadro a seguir nos traz esses fatores. QUADRO 11 – FATORES DE RISCO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES Fatores Controláveis Fatores não controláveis Tabagismo Idade Taxa de colesterol elevada Sexo Alimentação inadequada rica em gorduras trans e saturadas Antecedentes familiares Obesidade Origem étnica Consumo excessivo de álcool AVC e acidente isquêmico transitório (AIT) Sedentarismo Estresse Diabetes Hipertensão arterial (HTA) FONTE: FMCC (2010) apud Brunet et al. (2014, p. 97) Dentre as emergências clínicas associadas ao sistema cardiovascular, estudaremos a angina de peito, arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio (infarto do coração), crise hipertensiva e o acidente vascular cerebral. 3.1 ANGINA DE PEITO A insuficiência de oxigênio no músculo do coração pode gerar uma sensação de pressão e/ou uma dor torácica, o que caracteriza a angina. Estresse emocional ou esforços físicos exigem maior desempenho do coração, assim, maior fluxo de sangue e oxigênio para o músculo cardíaco. Logo, a deficiência de oxigênio no miocárdio fará a vítima sentir dor. TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 145 A angina de peito é causada pela obstrução das artérias coronárias, tornando o fluxo de sangue insuficiente na região do miocárdio. Normalmente, isso ocorre devido ao acúmulo de gordura e outros sedimentos nas artérias coronárias. Como já mencionado, o estresse e o esforço físico intenso agravam o problema, pois requerem maior concentração de oxigênio nessa região. Outro fator que pode gerar a angina é o excesso de trabalho e as condições extremas de temperatura, pois aumentam a frequência cardíaca. Os principais sintomas e sinais são: • Dor torácica retroesternal ou precordial (às vezes, desconforto), desencadeada por esforço físico, estresse, refeição volumosa ou exposição a temperaturas muito frias. • A dor pode irradiar-se para membros superiores, ombros, mandíbula e porção superior do abdome. Raramente ultrapassa dois a cinco minutos, desaparecendo com repouso e uso de vasodilatador sublingual (SIATE, 2006, p. 312). Os primeiros socorros são: 1. Confortar e acalmar o paciente. 2. Mantê-lo em repouso, em posição confortável. 3. Informar-se sobre o uso do vasodilatador sublingual e se o tem. 4. Passar os dados clínicos para o médico e aguardar instruções. 5. Se houver necessidade de transportá-lo, fazê-lo sem sirene, devagar e monitorando sinais vitais e, se possível, monitorização cardíaca (SIATE, 2006, p. 312). A angina pode surgir de duas formas: a angina variante e a instável. Na angina variante a dor surge mesmo a vítima estando em repouso e é causada por contrações nas artérias coronárias e se deslocam ao longo da superfície do coração. Já na angina instável ocorre a variação dos sintomas clássicos e podem demonstrar uma evolução rápida da doença, seja devido a um avanço na obstrução da artéria pelo rompimento de um ateroma ou pela criação de um coágulo. A angina instável é uma urgência médica, pois o risco de ocorrer um enfarte é alto. 3.2 ARRITMIAS CARDÍACAS As arritmias cardíacas são alterações na geração, condução e/ou propagação do impulso elétrico variando o ritmo cardíaco. Sua gravidade é decorrente ao “risco iminente de morte quando associada a agravos, como insuficiência cardíaca congestiva (ICC), tromboembolismo e choque cardiogênico” (FORTES et al., 2010, p. 82). A arritmia pode variar conforme o batimento cardíaco. Quando os batimentos são mais acelerados, chamamos de taquicardia, e quando os batimentos são mais lentos, temos a braquicardia. Já quando o coração apresenta batimentos irregulares, a iminência de morte súbita cardíaca (MSC) aumenta. As arritmias podem ser assintomáticas ou apresentar alguns sintomas, tais como: UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 146 3.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO Emergência desencadeada pela obstrução de uma das artérias coronárias (artérias que irrigam o músculo cardíaco) por um coágulo, formado devido a não oxigenação da região, gerando uma necrose no local afetado. Mesmo se tratando de uma lesão grave, a vítima de infarto agudo de miocárdio não sofre, necessariamente, uma parada cardíaca. A parte comprometida com a lesão não bombeará sangue de forma eficaz, podendo acarretar uma parada cardíaca. A chance de uma parada cardíaca causada por uma arritmia é maior. Normalmente, o ventrículo esquerdo é o mais acometido por essa doença, pois apresenta a pressão arterial mais elevada devido ao fato de sua parede ser mais espessa. Conforme Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os sintomaspodem ser: • Dor intensa no peito, podendo irradiar-se para ombros, região cervical, mandíbula, abdome e braço esquerdo. • Dificuldade respiratória. • Pele fria, úmida e pálida. • Fraqueza, perda da consciência. • Ansiedade, náuseas e vômitos. • Pulso fraco. • Parada cardiopulmonar. Ainda segundo Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os primeiros socorros podem ser: 1. Acionar suporte avançado de vida. 2. Afrouxar as roupas e transmitir segurança. 3. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada. 4. Não elevar os membros inferiores (o aumento de retorno do sangue venoso pode piorar a congestão pulmonar). 5. Administrar oxigênio a 15 l/min. 6. Monitorar a vítima com oxímetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio além de 94%. 7. Se a vítima possuir e fizer uso habitual de medicação sublingual, e ainda não tiver usado a medicação, o socorrista pode auxiliar para sua administração. • Incômodos como peso ou dor no peito. • Batimentos cardíacos acelerados ou lentos. • Palpitações ou taquicardias. • Falta de ar. • Tonturas. • Desmaios. • Palidez. • Sudorese. • Confusão mental. • Fraqueza. • Pressão baixa. TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 147 8. Iniciar suporte básico de vida em caso de parada respiratória ou cardiorrespiratória. 9. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte avançado ou proceder ao transporte para hospital de referência, segundo orientação do médico regulador. Alguns serviços especializados recomendam que sejam administrados na vítima dois comprimidos de ácido acetilsalicílico (Aspirina ou AAS), podendo essa medicação desmanchar o coágulo e, portanto, desbloquear a artéria, conservar o músculo cardíaco. IMPORTANT E “Toda pessoa com suspeita de edema agudo de pulmão ou de infarto agudo do miocárdio deve ser encaminhada com a maior urgência para atendimento especializado em hospitais, serviço de emergência ou unidade de emergência cardíaca” (BRASIL, 2003, p. 90). Brunet et al. (2014, p. 100) apresenta uma sequência de atendimento a vítimas acometidas por doenças cardíacas. É importante sabermos: 1. Avalie a situação e verifique a segurança do local. 2. Responsabilize-se pela situação: apresente-se à vítima e ofereça-lhe a sua ajuda. 3. Nomeie uma pessoa, se possível, para o ajudar e peça-lhe para chamar o 192. 4. Incentive a pessoa a interromper qualquer atividade e coloque-a numa posição confortável. 5. Avalie os sintomas e sinais da vítima e recolha as informações necessárias com a ajuda do SAMPLE. 6. Desaperte-lhe as roupas no pescoço e na cintura. 7. Se a vítima tiver medicamentos para sua doença cardíaca, como a nitroglicerina em pulverizador, ajude-a a tomá-los. Ela deverá tomar uma dose a cada vez, num máximo de três doses com intervalos de cinco minutos. 8. Observe a vítima: tranquilize-a de modo a acalmar-lhe a ansiedade e os receios. 9. Mantenha-se calmo e repare em qualquer alteração do seu estado, enquanto aguarda pela chegada do 192. Se a vítima estiver inconsciente: 10. Avalie a vítima de acordo com as prioridades e pergunte a uma testemunha do episódio as informações necessárias com a ajuda do método SAMPLE. 11. Execute as manobras de RCR se a vítima estiver em parada cardiorrespiratória. 12. Observe a vítima; se ficar consciente, tranquilize-a de modo a acalmar-lhe a ansiedade e os receios. 13. Mantenha-se calmo e repare em qualquer alteração do seu estado, enquanto aguarda pela chegada do 192. 14. Proceda regularmente ao exame primário da vítima, pois seu estado pode deteriorar-se rapidamente. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 148 Algumas vezes se falou no método SAMPLE, você sabe que método é esse? Vamos lhe explicar: esse método se refere às seguintes observações: QUADRO 12 – MÉTODO SAMPLE Sinais e sintomas Dificuldade para respirar Alteração do nível de consciência Agitação, ansiedade Febre Redução da ingestão por via oral Diarreia, vômitos Sangramentos Fadiga Tempo de evolução dos sintomas Alergias Medicações, alimentos, látex Medicações Uso de medicaçõesÚltima dose e horário das medicações Passado médico Condições de nascimento e antecedentes mórbidos Cirurgias anteriores Imunização Líquido e última refeição Horário e natureza do último sólido ou líquido ingerido Eventos Eventos que levaram à doença ou lesão atual Perigos no local Tratamento durante o intervalo desde o início da doença ou da lesão até o momento Tempo estimado de chegada FONTE: Matsuno (2012, p. 165) 3.4 CRISE HIPERTENSIVA A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. Representa um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006 apud FONTES et al., 2010, p. 91). A crise hipertensiva caracteriza-se pela elevação súbita da pressão arterial, podendo gerar danos a órgãos importantes, tais como o sistema nervoso central, coração e rins. O aumento rápido da pressão sistólica a níveis superiores a 169 mmHg e da pressão diastólica além de 109 mmHg são considerados prejudiciais. A crise hipertensiva pode ocorrer em qualquer idade. TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 149 Alguns fatores geram maior risco para o desencadeamento de uma crise hipertensiva, são eles: • Glomerulonefrite (inflamação no interior dos rins) • Pielonefrite (inflamação do sistema excretor renal) • Arteriosclerose • Diabete • Sedentarismo e obesidade • Liberação de catecolaminas secretadas por tumores das glândulas suprarrenais (feocromocitomas) • Ingestão de inibidor da monoaminoxidase • Colagenose • Toxemia da gravidez (pré-eclâmpsia leve e pré-eclâmpsia grave) • Mulheres após a menopausa • Fumo • Dieta rica em sal e gorduras (BRASIL, 2003, p. 91). Os principais sintomas e sinais são: • Vítima normalmente tem história de hipertensão arterial, em tratamento medicamentoso ou não. • Cefaleia. • Náuseas. • Ansiedade. • Zumbido nos ouvidos. • Alteração visual (turvação visual ou pontos brilhantes no campo visual). • Hemorragia nasal. • Formigamento em face e extremidades (MELO; DIAS; PANCIERI, 2011, p. 114). O cuidado com esse tipo de emergência é que a crise hipertensiva é capaz de avançar para um acidente vascular cerebral, edema agudo do pulmão e encefalopatia. Os primeiros socorros a serem adotados são: 1. Afrouxar as roupas e transmitir segurança. 2. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada. 3. Não elevar os membros inferiores (o aumento de retorno do sangue venoso pode piorar a congestão pulmonar). 4. Administrar oxigênio a 15 l/min. 5. Monitorar a vítima com Oxímetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio além de 94%. 6. Se a vítima possuir e fizer uso habitual de medicação anti- hipertensiva, e ainda não tiver usado a medicação, o socorrista pode auxiliar para sua administração. 7. Observar sinais de insuficiência respiratória. Em caso de hipoxemia (saturação de oxigênio menor que 90%) associado à redução da frequência respiratória, proceder à administração de ventilações com AMBU e oxigênio a 15 litros por minuto e solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida. 8. Observar se ocorrem sintomas neurológicos ou dor torácica. Solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida nestes casos. 9. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte avançado ou proceder ao transporte para hospital de referência, segundo orientação do médico regulador (MELO; DIAS; PANCIERI, 2011, p. 115). UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 150 3.5 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Acidente Vascular Encefálico (AVE) é responsável pelo grande númerode invalidez precoce. Geralmente, a vítima fica dependente de cuidadores, pois ocorrem déficits neurológicos frequentemente. Esse problema requer que a família crie estratégias para auxiliar o paciente, uma vez que ele pode apresentar vários graus de severidade da lesão e pode se estender por longos períodos de tempo. O AVC é caracterizado por um mal súbito que se desenvolve rapidamente e pode prejudicar um ou mais vasos sanguíneos que fornecem oxigênio e nutrientes a alguma região do cérebro. Essa interrupção gera alterações histopatológicas, ocasionando déficits neurológicos. Fortes et al. (2010, p. 100) explicam que: Esse acometimento vascular inclui aspectos funcionais e estruturais, bem como o fluxo sanguíneo e distúrbios de coagulação, podendo originar duas situações: o AVE isquêmico, que corresponde de 80% a 85% dos casos, e o AVE hemorrágico, que acomete em torno de 10% a 15% da população. Ambos causam sequelas distintas e de extensão variável, conforme a região afetada. O AVC isquêmico produz lesões estruturais irreversíveis devido a um infarto cerebral ocasionado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo. Fortes et al. (2010, p. 100) dizem ainda que: A principal causa do AVE isquêmico é o tromboembolismo arterial em decorrência de embolias cardíacas ou ainda de grandes vasos, que incluem as artérias aorta, carótida e vertebrais. Situações de oclusão de pequenos vasos, vasculites, dissecção vascular e ainda discrasias sanguíneas, enxaqueca, cardiopatias congênitas também são consideradas fatores etiológicos. Já o Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é caracterizado pela reversibilidade da lesão, na qual sinais e sintomas desaparecem em menos de 24 horas. Estudos recentes mostram, através de exames adequados, que uma porcentagem (15% a 20%) dos pacientes acometidos por AIT apresenta algum tipo de infarto cerebral. Os principais sintomas e sinais de um AVC e AIT são: Fraqueza – perda repentina da força ou dormência súbita no rosto, num braço ou numa perna, ainda que temporária. Dificuldade de falar – dificuldade súbita de elocução ou de compreensão, confusão súbita, ainda que temporária. Perturbações de visão – problemas de visão repentinos, ainda que temporários. Dor de cabeça – dor de cabeça repentina, intensa e anômala. Tonturas – perda súbita do equilíbrio, em especial se se fizer acompanhar por outros sinais (BRUNET et al., 2014, p. 111, grifo do original). Como podemos verificar se existe um acidente vascular cerebral? Observando os seguintes sinais: TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS 151 QUADRO 13 – VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE AVC Peça à vítima para fazer as seguintes ações Resultado em caso de AVC Sorrir Um dos lados do rosto não sorrirá. Dizer: “Está bom tempo” Terá dificuldade de elocução. Levantar os braços Não será capaz de levantar um dos braços ou não conseguirá levantá-lo tão alto quanto o outro. FONTE: Brunet et al. (2014, p. 112) Detectada a presença do AVC, como agir? Quais os primeiros socorros aplicáveis: 1. Avalie a situação. 2. Proceda ao exame da vítima. 3. Chame o 192. 4. Não desloque a vítima, a não ser por motivos de segurança. Uma manipulação demasiadamente brusca poderia agravar o seu estado. Proteja-a de eventuais ferimentos causados por objetos próximos de si. Se a vítima estiver consciente: 5. Instale-a confortavelmente, em posição semissentada. 6. Mantenha as suas vias respiratórias desobstruídas. 7. Assegure-se de que ela não tenha nada na boca. 8. Desaperte-lhe as roupas no pescoço e na cintura. Se a vítima não conseguir engolir a saliva ou se vomitar, coloque-a em posição lateral de segurança, sobre o lado não afetado, para permitir o escoamento dos fluidos e prevenir complicações respiratórias. 9. Se ver que a vítima tem um corpo estranho na boca (alimento, pastilha, elástico etc.), retire-o. 10. Não dê nada à vítima pela boca, pois existe um risco elevado de engasgamento. 11. Se a vítima tiver sede, umedeça-lhe apenas os lábios. 12. Reconforte a vítima falando com ela ou agarrando-lhe na mão, pois é possível que não reaja à sua voz. A tranquilização da vítima tem uma importância vital, uma vez que impede a deterioração do seu estado. 13. Mantenha a vítima quente, tampando-a. FIGURA 54 – SINAIS DE AVC FONTE: Disponível em: <http://saudealemfronteiras.com/ficheiros/ uploads/images/Sintomas-do-AVC(1).gif>. Acesso em: set. 2016. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 152 14. Efetue frequentemente o exame primário da vítima a fim de detectar qualquer alteração do seu estado enquanto aguardar pela chegada do serviço de emergência (192). Se a vítima estiver inconsciente: 15. Mantenha as vias respiratórias desobstruídas instalando a vítima na posição lateral de segurança, sobre o lado não afetado, de modo a facilitar sua respiração e escoamento das secreções. 16. Tape a vítima. 17. Tranquilize-a, uma vez que há a possibilidade de ela ouvir o que se passa à sua volta. 18. Efetue frequentemente o exame primário da vítima a fim de detectar qualquer alteração do seu estado e, se necessário, aplique as técnicas de RCR (BRUNET et al., 2014, p. 112-113, grifos do original). 153 Neste tópico, você aprendeu que: • Os primeiros socorros são indispensáveis para salvar vidas, seja em casos de acidentes de trabalho ou mal súbito. É de suma importância que existam pessoas treinadas para prestar esse atendimento. • As emergências clínicas respiratórias e circulatórias, suas principais causas, sintomas, sinais e as sequências de pronto atendimento. Dentre as emergências respiratórias destacamos a insuficiência respiratória, a asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão. Dentre as emergências clínicas associadas ao sistema cardiovascular, vimos a angina de peito, arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio (infarto do coração), crise hipertensiva e o acidente vascular cerebral. • São tipos de emergências bastante complexas devido à gravidade de muitas delas, e se não prestado o primeiro atendimento de forma adequada, a vítima poderá ir a óbito. Para algumas destas emergências, cada segundo é de suma importância. • Algumas medidas iniciais são comuns a todas as emergências e não precisam de muito treinamento, dentre elas podemos destacar: o avaliar a situação e verificar a segurança do local; você, como socorrista, deverá manter a segurança da vítima e a sua própria; o apresente-se à vítima de forma a tranquilizá-la; o afrouxe as roupas da vítima no pescoço e na cintura; o chame o serviço especializado (192). • A avaliação dos sintomas e sinais é relevante para que você consiga definir como irá agir em determinada situação. A partir disso, para que seja realizado um atendimento adequado, a pessoa que for socorrer já necessita de algum tipo de treinamento para aplicar as técnicas cabíveis para cada caso. As empresas devem possuir pessoas capazes de realizar esse atendimento, a fim de salvar vidas. • Em muitas emergências a vítima já possui um problema de saúde que vem a se agravar devido a outro fator externo, por isso é importante estarmos preparados para atuar em casos de mal súbito, pois não há como prevermos o que poderá ocorrer. RESUMO DO TÓPICO 1 154 1 Dentre as emergências respiratórias e circulatórias, quais podemos presenciar no nosso ambiente de trabalho? 2 Para que possamos prestar os primeiros socorros de forma adequada, quais etapas devem ser seguidas, independentemente do tipo de emergência? 3 Quando do atendimento de uma vítima, algumas perguntas devem ser realizadas, caso a vítima esteja consciente; ou investigadas, em casos de inconsciência. Em algumas sequências de primeiros socorros fala-se no método SAMPLE. O que é esse método? AUTOATIVIDADE 155 TÓPICO 2 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros socorros que devem ser prestados às vítimas de emergências clínicas gerais. O Tópico 2, aqui apresentado, está subdividido em itenspara ressaltar e facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a ser abordado é sobre a cólica renal, depois temos a diabetes: coma diabético e hipoglicemia, insolação, exaustão pelo calor, cãibras de calor, diarreia e, por fim, desmaio. Para melhor entendimento sobre as emergências clínicas gerais, este tópico abordará as possíveis causas, sintomas e primeiros socorros para cada tipo de emergência. Devemos ter ciência de que o primeiro socorro bem aplicado salva a vida da vítima. 2 CÓLICA RENAL “A cólica renal é uma síndrome extremamente dolorosa, de caráter espasmódico, que aparece subitamente” (BRASIL, 2003, p. 92). “Na maioria das vezes essas crises dolorosas são provocadas por distúrbios renais ligados à presença de concreções ou cálculos urinários e processos puramente nervosos; existem outras patologias que podem levar à cólica renal, como infecções” (BRASIL, 2003, p. 92). Os sinais e sintomas da cólica renal são bastante intensos, iniciando pelas dores que a vítima sente. O paciente pode sentir latejadas e também acompanhar um quadro de enjoos e vômitos, por vezes aumento da temperatura corporal. O paciente pode também ficar pálido e suar mais do que o comum. 156 UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS FIGURA 55 – CÓLICA RENAL FONTE: Disponível em: <http://qualidadeemsaude.com.br/ medicina/486-pacientes-que-sofrem-com-calculo-renal- aumentam-no-verao>. Acesso em: 18 set. 2016. O manual de primeiros socorros da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 92) diz que: A dor pode localizar-se na região lombar, iniciando-se em uma área junto ao ângulo costovertebral. A irradiação da dor renal é comum, principalmente na fase aguda. Costuma-se dizer que não há cólica sem dor irradiada. Ocasionalmente as manifestações à distância dominam o cenário sintomatológico. A dor irradiada localiza-se, principalmente, no hipogástrio (em cima da bexiga), e flanco, é comum aos dois sexos e ocorre com a migração do cálculo desde o rim até a bexiga; no homem aparece a hipersensibilidade do testículo; na mulher pode irradiar-se para a vagina (vulva). O paciente que sentir as dores e sintomas relacionados deve ficar atento aos sinais e procurar atendimento médico especializado. Para que os primeiros atendimentos sejam realizados precisamente devemos iniciar pelo conforto à vítima de cólica renal, que é muito importante, pois ela sente dores muito fortes, sendo difícil até para falar ou andar. Deve-se deitar a vítima em um local cômodo e folgar as roupas caso não tenha como transportar o paciente imediatamente para atendimento médico especializado. As compressas quentes podem ser aplicadas onde o paciente sente a dor. Caso o paciente já tenha algum remédio para cólica renal, pode tomar. Quando não possui, não se deve oferecer remédios para o paciente. Lembrando que o quanto antes for possível, o paciente deve receber atendimento médico. Devemos lembrar que somente o médico é capaz de diagnosticar e indicar qual o melhor tratamento para o paciente portador de cólica renal. Não faça automedicação e também não interrompa o tratamento antes de consultar o médico, para que os sintomas não voltem. TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS 157 3 DIABETES: COMA DIABÉTICO E HIPOGLICEMIA “O diabetes mellitus (também chamado de diabetes sacarino) é uma doença na qual o sangue é incapaz de utilizar normalmente o açúcar como fonte de energia, devido a uma deficiência de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas” (BRASIL, 2003, p. 94). “A insulina é uma substância necessária para permitir a entrada, nas células do organismo, do açúcar existente no sangue. O diabetes mellitus ocorre quando são secretadas quantidades insuficientes de insulina pelo pâncreas” (BRASIL, 2003, p. 94). Conforme o manual da Fiocruz, o diabetes mellitus pode tornar-se uma emergência devido a uma das duas condições: coma diabético (hiperglicêmico) ou coma hipoglicêmico. Coma Diabético O organismo tentará superar a falta de açúcar em suas células usando outros alimentos como fonte de energia, e isto será feito através da gordura armazenada. O uso desta fonte é ineficaz, os produtos de degradação da gordura usada para fornecimento de energia normal aumentam acentuadamente a acidez do sangue. Se a perda de líquidos e o aumento da acidose forem muito intensos, haverá o desenvolvimento de coma diabético. Nesta condição, o nível sanguíneo de açúcar é muito alto, porém não é ele que causa diretamente o coma. A presença no sangue de produtos ácidos de degradação e a perda de líquidos é que leva o diabético ao coma. O desenvolvimento do coma geralmente ocorre quando um paciente diabético não tratado, ou que não faz uso da insulina prescrita, sofre algum tipo de estresse, ou uma infecção. O paciente pode apresentar torpor, com os seguintes sinais físicos: 1. Falta de ar, manifestada por respiração suspirosa rápida e profunda. 2. Desidratação (pele seca e quente e olhos afundados). 3. Odor peculiar (cetônico) causado pelos ácidos acumulados no sangue. 4. Pulso rápido e fraco. 5. Pressão arterial normal ou ligeiramente baixa. 6. Graus variáveis de diminuição das respostas aos estímulos. 7. Coma. 8. Óbito. Hipoglicemia e Coma Hipoglicêmico O coma hipoglicêmico pode ocorrer quando a insulina é administrada em excesso, ou quando o paciente não se alimenta adequadamente ou se exercita demais. O açúcar é rapidamente retirado do sangue para as células, faltando então, em quantidade suficiente no sangue para a nutrição do cérebro. Uma vez que este requer um suprimento constante de glicose assim como de oxigênio, pode haver o desenvolvimento rápido de inconsciência e lesão cerebral permanente, se o nível sanguíneo de açúcar permanecer baixo. O açúcar baixo no sangue (hipoglicemia) está associado aos seguintes sinais e sintomas: 1. Respiração normal. 2. Pele pálida e úmida. 158 UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 3. Confusão; cefaleia; raciocínio prejudicado; riso despropositado; resistência ao auxílio. 4. Pulso rápido e cheio. 5. Pressão arterial normal. 6. Desmaio; convulsões e coma. 7. Óbito (BRASIL, 2003, p. 94). Os primeiros socorros indicados pelo Manual da Fiocruz para vítimas que apresentam sintomas de diabetes são: Se um paciente diabético se tornar um caso de emergência, pode ser difícil para uma pessoa inexperiente, mesmo sabendo que o paciente é diabético, fazer a diferenciação entre os sinais do pré-coma diabético ou hiperglicêmica e do pré-coma hipoglicêmico. Nos casos de desequilíbrio de açúcar, se a vítima ainda não tiver alcançado a fase de coma, ela pode sentir-se doente ou estar apenas semiconsciente; porém, quase sempre pode informar a quem a está socorrendo a causa exata de sua doença. No tratamento de um paciente diabético, deve-se fazer as seguintes perguntas a ele ou à sua família: Alimentou-se hoje? Tomou insulina hoje? Se o paciente se alimentou e não tomou insulina, provavelmente está evoluindo para coma diabético; se tomou insulina e não se alimentou, provavelmente está evoluindo para coma hipoglicêmico. Se o paciente estiver inconsciente, pode-se fazer o diagnóstico de coma diabético ou de coma hipoglicêmico, baseando-se nos sinais e sintomas acima. É muito difícil o diagnóstico diferencial. A diferença primária visível será a respiração do paciente, respirações suspirosas profundas no coma diabético e respirações normais no coma hipoglicêmico. Um paciente diabético inconsciente e com convulsões provavelmente estará em coma hipoglicêmico. O tratamento destas condições inclui os seguintes itens: 1. O paciente em coma diabético ou hiperglicêmico (muito açúcar no sangue) necessita de insulina e, talvez, de outros medicamentos. Transportá-lo imediatamente para o hospital, para cuidados médicos apropriados. 2. O paciente em coma hipoglicêmico (nível sanguíneo de açúcar baixo) necessita de açúcar. A administração de qualquer solução glicosada pode reverter imediatamente o coma hipoglicêmico. 3. Deve-se procurar qualquer identificaçãode emergência do paciente, que pode ser encontrada sob a forma de cartão, colar ou pulseira. Este cartão informará se o paciente possui um problema médico e, possivelmente, poupará tempo em se pesquisar um diagnóstico (BRASIL, 2003, p. 95). Existe tratamento para o diabetes mellitus. Vários pacientes conseguem controlar a doença através de alimentação balanceada, já outros são obrigados a tomar remédios orais e também injetáveis, que é o caso da injeção de insulina. A insulina injetável tem uma ação parecida com a insulina produzida pelo pâncreas. Para que tenhamos uma quantidade de insulina correta no organismo, devemos balancear a dose de insulina aplicada ao organismo com a alimentação, pois não podemos esquecer que todos os alimentos possuem açúcar (BRASIL, 2003). TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS 159 4 INSOLAÇÃO É causada pela ação direta e prolongada dos raios de Sol sobre o indivíduo. É uma emergência médica caracterizada pela perda súbita de consciência e falência dos mecanismos reguladores da temperatura do organismo. Este tipo de incidente afeta, geralmente, as pessoas que trabalham com exposição excessiva a ambientes muito quentes ou que sofrem exposição demorada e direta aos raios solares (BRASIL, 2003). Nos casos muito graves de insolação pode haver lesões generalizadas nos tecidos do organismo, principalmente nos tecidos nervosos; morbidade e morte podem ocorrer como resultado de destruição das funções renal, hepática, cardiovascular e cerebral (BRASIL, 2003). Conforme o Manual da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 98), os sintomas da insolação são: 1. Surgem lentamente: • Cefaleia (dor de cabeça) • Tonteira • Náusea • Pele quente e seca (não há suor) • Pulso rápido • Temperatura elevada • Distúrbios visuais • Confusão 2. Surgem bruscamente: • Respiração rápida e difícil • Palidez (às vezes desmaio) • Temperatura do corpo elevada • Extremidades arroxeadas Eventualmente pode ocorrer coma. A ocorrência de hiperventilação causa alcalose respiratória inicial. Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são: • O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente. • Remover o acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado. • Remover o máximo de peças de roupa do acidentado. • Se estiver consciente, deverá ser mantido em repouso e recostado (cabeça elevada). • Pode-se oferecer bastante água fria ou gelada ou qualquer líquido não alcoólico para ser bebido. • Se possível, deve-se borrifar água fria em todo o corpo do acidentado, delicadamente. • Podem ser aplicadas compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas. Tão logo seja possível, o acidentado deverá ser imerso em banho frio ou envolto em panos ou roupas encharcadas (BRASIL, 2003, p. 98). 160 UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 5 EXAUSTÃO PELO CALOR “A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada exposição do organismo a temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação de sódio, desidratação ou combinação de ambas” (BRASIL, 2003, p. 99). “O trabalhador que exerce a sua atividade em ambientes cuja temperatura é alta está sujeito a uma série de alterações em seu organismo, com graves consequências à sua saúde” (BRASIL, 2003, p. 99). Podemos citar como exemplos de ambientes quentes os locais de trabalho que possuem caldeiras, fornos e fundições. Quando a origem dos sintomas for devida predominantemente à perda de água, o acidentado reclama de sede intensa, fraqueza e acentuados sintomas nervosos, que podem incluir falta de coordenação muscular, distúrbios psicológicos, hipertermia, delírio e coma. Se a falência circulatória sobrevier, a situação pode progredir rapidamente para golpe de calor (BRASIL, 2003). Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são: • Remover o acidentado para um local fresco e ventilado, longe da fonte de calor. • Deve ser colocado em repouso, recostado. • Afrouxar as roupas do acidentado. • Oferecer líquido em pequenas quantidades, repetidas vezes, se possível com uma pitada de sal. Se o acidentado não conseguir tomar líquidos oralmente, não insistir para não piorar suas condições. • Providenciar para que o acidentado, neste caso, tenha atendimento especializado, pois a ele terá de ser administrada solução salina fisiológica ou glicose isotônica, por via intravenosa. • Observar os sinais vitais para a necessidade de ressuscitação cardiorrespiratória, e remoção para atendimento especializado, se os primeiros socorros não melhorarem o estado geral do acidentado (BRASIL, 2003, p. 99). 6 CÃIBRAS DE CALOR Estas cãibras são provocadas por uma perda excessiva de líquidos e de sais (eletrólitos) como o sódio, o potássio e o magnésio, devido a uma sudação intensa, tal como acontece durante a prática de uma atividade física extenuante. [...] As cãibras provocadas pelo calor são muito comuns entre os trabalhadores manuais, como o pessoal das casas das máquinas, os ferreiros e os mineiros. O excesso de proteção, como o vestuário que os alpinistas ou os esquiadores usam, pode ocultar uma grande sudação. [...] As cãibras musculares se caracterizam por uma contratura dolorosa repentina, por exemplo, após um esforço físico (durante a prática de um esporte) ou durante o sono, à noite (CRIA SAÚDE, 2016, s.p.). TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS 161 A dor causada por uma crise de cãibra é muito forte. As cãibras são passageiras e não apresentam quadros de consequências complicadas. Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são: • A vítima de cãibras deve ser colocada em repouso, confortavelmente em local fresco e arejado. • Pode-se tentar massagear suavemente os músculos atingidos para promover alívio localizado. • Pode-se dar à vítima água com uma pitada de sal, que muitas vezes faz o acidentado melhorar quase que imediatamente. • Pode-se oferecer alimento salgado. Dependendo da gravidade do ataque, a vítima precisará ser mantida em repouso por vários dias (BRASIL, 2003, p. 100). 7 DIARREIA “O que caracteriza a diarreia é o número excessivo de evacuações e a mudança de consistência das fezes. Ir ao banheiro muitas vezes e apresentar fezes muito amolecidas ou praticamente líquidas são sinais de diarreia” (CONTE, 2016, s.p.). “O funcionamento normal dos intestinos varia de pessoa para pessoa. A própria definição precisa de diarreia deverá levar em conta este dado” (BRASIL, 2003, p. 101). Conforme o Manual de Primeiros Socorros da Fiocruz, existem diversas causas que podem provocar diarreia, entre uma infinidade de exemplos: • Desordens psicogênicas ou diarreia "nervosa". • Infecções intestinais bacterianas, viróticas ou parasitárias de diversas origens. • Fatores intestinais como envenenamento por metal pesado, terapia antibiótica, fístula gastrocólica e carcinoma do intestino. • Efeitos adversos de medicamentos. • Doença pancreática (diarreia gordurosa). • Atresia biliar. • Reflexos de outras vísceras. • Doença neurológica. • Hipertireoidismo ou tumores gastrointestinais, benignos ou malignos, que produzem substâncias causadoras de diarreia. • Deficiência nutricional. • Alergia alimentar. • Fatores dietéticos. O exagero na ingestão de fibras pode ocasionar diarreia transitória. • Ingestão excessiva de laxativo (BRASIL, 2003, p. 101). O Manual da Fiocruz relata que: Em caso de diarreia existe o risco de desidratação, principalmente em pessoas debilitadas por outras doenças, em idosos e em crianças. Para controlar a situação até o recebimento de socorro médico especializado, deve-se acalmar a vítima, mantê-la em repouso confortavelmente e, sempre que possível, iniciar imediatamente a hidratação oral com soro caseiro, dando à vítima três colheres de sopa a cada 15 minutos. 162 UNIDADE 3 | EMERGÊNCIASCLÍNICAS Receita para o soro caseiro: • 1 copo de 250 ml de água fervida ou filtrada • 1 colher de sopa de açúcar • 1 colher de chá de sal de cozinha (BRASIL, 2003, p. 101). Devemos lembrar sempre a importância dos primeiros socorros em casos de diarreia. A desidratação é um dos piores problemas da diarreia. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade. Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano, constituído por cerca de 75% de água, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio (VARELLA, 2011, s.p.). 8 DESMAIO “É a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de sangue e oxigênio no cérebro” (BRASIL, 2003, p. 105). Varella (2012, s.p.) descreve as principais causas e sintomas do desmaio como: Causas O desmaio em si não é uma doença, mas pode ser manifestação de inúmeras alterações orgânicas, tais como: - Doenças cardiovasculares: arritmias, distúrbios hemodinâmicos, paradas cardiorrespiratórias, porque comprometem o fluxo normal do sangue para os tecidos, em especial para o cérebro. - Distúrbios metabólicos: hipoglicemia (falta de açúcar no sangue causada por jejum prolongado ou diabetes descompensado), anemia intensa, hemorragias, desidratação e desequilíbrio na composição dos sais minerais da corrente sanguínea. - Uso de medicações: diversos medicamentos, entre eles os diuréticos, podem provocar desmaios, quando usados em doses mais altas. - Hipotensão ortostática: a queda brusca da pressão arterial provocada pela mudança repentina de posição (a pessoa estava sentada ou deitada e fica em pé de repente). A hipotensão ortostática frequentemente está associada à desidratação, ao uso de diuréticos e aos distúrbios cardiovasculares. - Outras causas: cansaço extremo, emoções súbitas, nervosismo intenso, dores fortes e permanência prolongada em lugares fechados e quentes. Sintomas Existem alguns sintomas que prenunciam a perda da consciência e do tônus postural. Os mais indicativos são palidez, fraqueza, suor frio, náusea e ânsia de vômito, pulso fraco, tontura, visão turva, pressão arterial baixa e respiração lenta. IMPORTANT E TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS 163 Os primeiros socorros para uma vítima acometida de desmaio devem ser ágeis, para que a vítima não sofra maiores consequências. O Manual da Fiocruz traz os seguintes primeiros socorros para uma pessoa desmaiada: A. Se a pessoa apenas começou a desfalecer: • Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante. • Curvá-la para frente. • Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e pressionar a cabeça para baixo. • Manter a cabeça mais baixa que os joelhos. • Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar. B. Havendo o desmaio: • Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em posição mais baixa em relação ao resto do corpo. • Afrouxar a sua roupa. • Manter o ambiente arejado. • Se houver vômito, lateralizar-lhe a cabeça, para evitar sufocamento. • Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado a ela café, chá ou mesmo água com açúcar. • Não se deve dar jamais bebida alcoólica (BRASIL, 2003, p. 106). FIGURA 56 – VÍTIMA DE DESMAIO FONTE: BRASIL (2003) FIGURA 57 – VÍTIMA DE DESMAIO FONTE: BRASIL (2003) O atendimento especializado quando uma pessoa desmaia é essencial, pois o médico deverá fazer exames e tomar as providências que achar importantes para o diagnóstico. 164 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • “A cólica renal é uma síndrome extremamente dolorosa, de caráter espasmódico, que aparece subitamente” (BRASIL, 2003, p. 92). • “O diabetes mellitus (também chamado de diabetes sacarino) é uma doença na qual o sangue é incapaz de utilizar normalmente o açúcar como fonte de energia, devido a uma deficiência de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas” (BRASIL, 2003, p. 94). • A insolação é causada pela ação direta e prolongada dos raios de Sol sobre o indivíduo. É uma emergência médica caracterizada pela perda súbita de consciência e falência dos mecanismos reguladores da temperatura do organismo. Este tipo de incidente afeta, geralmente, as pessoas que trabalham com exposição excessiva a ambientes muito quentes ou que sofrem exposição demorada e direta aos raios solares (BRASIL, 2003). • “A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada exposição do organismo a temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação de sódio, desidratação ou combinação de ambas” (BRASIL, 2003, p. 99). • As cãibras são provocadas por uma perda excessiva de líquidos e de sais (eletrólitos), como o sódio, o potássio e o magnésio, devida a uma sudação intensa, tal como acontece durante a prática de uma atividade física extenuante (MANUAL MSD, 2016). • “O que caracteriza a diarreia é o número excessivo de evacuações e a mudança de consistência das fezes. Ir ao banheiro muitas vezes e apresentar fezes muito amolecidas ou praticamente líquidas são sinais de diarreia” (CONTE, 2016, s.p.). • “O desmaio é a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de sangue e oxigênio no cérebro” (BRASIL, 2003, p. 105). 165 AUTOATIVIDADE 1 Após o estudo do Tópico 2, qual é o órgão do corpo humano responsável pela produção de insulina? a) ( ) Rim. b) ( ) Fígado. c) ( ) Pulmão. d) ( ) Pâncreas. 2 No que diz respeito às cólicas renais, você, acadêmico, em uma situação de atendimento a uma vítima com sintomas de cólica renal, ofereceria algum medicamento seu para diminuir a dor da vítima? Justifique sua resposta. 3 A diarreia é perigosa e pode ser um problema para a vítima. Qual é o maior risco para vítimas que apresentam sintomas de diarreia? Qual a importância do soro caseiro? 166 167 TÓPICO 3 ALTERAÇÕES MENTAIS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros socorros que devem ser prestados às vítimas que apresentam algum tipo de alteração mental. O Tópico 3, aqui apresentado, está subdividido em itens para ressaltar e facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a ser abordado é sobre a convulsão, depois temos a neurose histérica e, por fim, o alcoolismo agudo. Para melhor entendimento sobre as emergências clínicas gerais, este tópico abordará as possíveis causas, sintomas e primeiros socorros para cada tipo de emergência. Devemos ter ciência de que o primeiro socorro bem aplicado salva a vida da vítima. 2 CONVULSÃO A convulsão é uma alteração que é apresentada por a pessoa expor retraimento muscular involuntário. Sobre as convulsões, Brunet et al. (2014, p. 247) dizem que: As convulsões podem ter origem cerebral ou medular (epilepsia, tumor, traumatismo cerebral devido a um acidente rodoviário, acidente vascular cerebral, febre, insolação), anóxica (síncope), tóxica (medicamentos, tétano, raiva, privação de drogas, diabetes) ou psíquica (histeria). Geralmente, após a crise de convulsão, a pessoa não se lembra do ocorrido e na maioria das vezes fica assustada. A pessoa que acompanhou o paciente com crise de convulsão deve ajudá-lo a se orientar e compreender o ocorrido. Quando a vítima sofre de epilepsia, pode, por vezes, manter-se consciente, continuar a atividade que estava a fazer e sentir tremores involuntários em um membro. O quadro a seguir mostra os sinais e sintomas dos vários tipos de convulsão. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 168 QUADRO 14 – SINAIS E SINTOMAS DOS VÁRIOS TIPOS DE CONVULSÃO Sinais Sintomas A pessoa epilética pode ficar ligeiramente inconsciente sem cair para o chão. Trata- se de uma crise parcial complexa, mais frequente nos adultos. - A vítima fica atordoada, confusa e irritada. - Vê pontos negros e ouve tinidos. - Faz gestos descoordenados, bizarros e incongruentes. - Brinca com as peças de roupa ou mexe os braçose as pernas de um lado para o outro sem objetivo preciso. - Pode ocorrer igualmente uma deformação do rosto. - Não tem consciência dos seus atos nem do meio envolvente. - A crise dura em média entre dois a cinco minutos. Terminada a crise, a vítima não se lembra, muitas das vezes, de nada. Pode ocorrer igualmente, sobretudo nas crianças e nos adolescentes, uma crise a que chamamos ausência epilética. Esta crise faz-se acompanhar por uma breve perda de consciência. A sua duração é de tal modo curta que passa, por vezes, despercebida: dura em média 5 a 15 segundos. - Habitualmente a vítima não cai para o chão. - Tem o olhar fixo durante os segundos da crise, como se estivesse a sonhar. - Para ela, a realidade deforma-se momentaneamente. - Pode ter alucinações visuais ou auditivas, sentir medo, tristeza, cólera ou uma alegria inexplicável. - Pode ter igualmente náuseas, sentir odores estranhos e experimentar uma estranha sensação no estômago. - Os seus olhos podem parecer estar revirados (piscar dos olhos). - Em seguida, recomeça o que estava a fazer. - Não há movimentos bruscos dos braços ou das pernas, mas existe a possibilidade de ligeira perda do controle muscular. A pessoa epilética pode sofrer igualmente uma crise generalizada, precedida de um pressentimento, de uma sensação particular ou de um grito a que chamamos de aura. - A vítima perde repentinamente a consciência e desmaia. - O corpo torna-se rígido durante alguns segundos e o rosto e o pescoço ficam azulados. - Em seguida surgem as convulsões: tremores generalizados durante cerca de dois a três minutos, acompanhados por uma respiração ruidosa e saliva espumosa a sair pela boca. - Pode acontecer de a vítima deixar de respirar durante alguns instantes ou tornar-se pálida e azulada de forma temporária. Estes sinais não constituem perigo. São fases normais de uma crise. No final da crise, ocorre um relaxamento muscular, por vezes acompanhado de incontinência urinária. A vítima readquire gradualmente a consciência e pode apresentar-se desorientada quando acorda. Não se lembra da crise e não compreende por que está deitada no chão. Tem uma sensação de esgotamento e pode ter necessidade de dormir. Poderá retomar as suas atividades depois de repousar. FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) Quando nos depararmos com uma pessoa que está passando por uma crise de convulsão, devemos manter a calma e nunca deixar a pessoa sozinha, enquanto ela não melhorar e receber atendimento médico. Conforme Fernandes e Silva (2012, p. 146), os primeiros socorros para vítimas de convulsão são: TÓPICO 3 | ALTERAÇÕES MENTAIS 169 • Amparar e lateralizar sua cabeça. • Não segurá-la. • Colocar um lenço entre seus dentes para evitar que morda a língua. • Afrouxar suas roupas. • Acomodá-la, deixando-a deitada de lado. • Retirar sua(s) prótese(s) dentária(s), quando possível. • Afastá-la de objetos pontiagudos, para evitar traumatismos durante as contrações. • No caso de criança com febre, colocar toalhas úmidas pelo corpo, sacos de gelo nas axilas, nas virilhas e na testa, ou até mesmo banhá-la em água fria. • Não estimular a vítima com sacudidas, álcool, amoníaco, vinagre etc. • Não jogar água. • Não ficar receoso com a salivação. • Deixar repousar até que a consciência retorne. • Certificar-se de que a vítima respira bem. • Realizar a limpeza corporal. • Oferecer líquidos. • Após a convulsão, deixar a vítima respirar livremente. • Encaminhar ao serviço médico. A vítima que acabou de passar por uma crise de convulsão não pode fazer grandes esforços e atividades de atenção, como: trabalhos com máquinas ou equipamentos, dirigir veículos, entre outras, antes de passar por uma avaliação médica. 3 NEUROSE HISTÉRICA “A neurose histérica, ou crise de ansiedade, é uma síndrome psiconeurótica caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo” (BRASIL, 2003, p. 110). A vítima que está passando por um quadro de neurose histérica pode também sentir ansiedade juntamente com palpitações e também apresentar expressões físicas de pânico. No quadro de um ataque de histeria, a vítima, aparentemente normal, não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de conflito interno, esporádico ou instalado, entra repentinamente numa sequência de distúrbios psiconeuróticos e psicofisiológicos (BRASIL, 2003, p. 110). Os sintomas e primeiros socorros a serem analisados e aplicados à vítima de neurose histérica, segundo o Manual da Fiocruz, são: A pessoa que for prestar os primeiros socorros pode reconhecer uma crise histérica ao notar na vítima as seguintes características: • Pestanejar intenso • Hipersensibilidade emocional • Autopreservação exacerbada • Respiração acelerada • Crise de choro ou de riso UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 170 • Gritos estridentes • Olhar observador • Mãos em garra. - Todos os sintomas de neurose histérica podem ser modificados por sugestão. O ataque histérico é um desequilíbrio da vontade, ou uma ausência de vontade. A calma e a persuasão são fundamentais como primeiros socorros. - Durante a crise, a vítima de neurose histérica não perde a consciência, mantém o olhar atento, especialmente observador da reação das pessoas à sua volta. A vítima também se autopreserva para não ser presa, agarrada, cair ou se machucar. - Deve-se agir com tranquilidade, demonstrando não dar muita importância ao estado aparente do acidentado. Afastá-la da presença de outras pessoas, conversando amigavelmente. Afrouxar-lhe as roupas e fazer com que se sente ou deite, demonstrando solidariedade e segurança. - Não se deve discutir com a vítima de histeria. Pode-se deixá-la chorar à vontade, se for o caso, ficando sempre por perto em sinal de apoio e compreensão. Não se deve dar medicamentos, especialmente calmantes e tranquilizantes, mesmo que o acidentado peça. Pode ser oferecida água, ou água com açúcar para ser bebida devagar e com calma. - Com estes cuidados a vítima histérica geralmente volta ao seu estado normal, se acalma e se contém. Todavia, se o descontrole emocional persistir, não desaparecer totalmente ou retornar na forma de uma segunda crise, deve-se procurar auxílio especializado (BRASIL, 2003, p. 111). 4 ALCOOLISMO AGUDO Quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de bebida alcoólica, seu corpo sofre grandes consequências e ter o que podemos chamar de alcoolismo agudo. “O estado de alcoolismo agudo deixa a pessoa com um comportamento geralmente violento, anormal, em relação a seu estado de sobriedade, confuso, agitado e instável” (BRASIL, 2003, p. 112). São vários os sinais e sintomas que podem ser indicados em caso de alcoolismo agudo. Entre os mais importantes, temos: coordenação motora alterada, vertigens, olhos vermelhos, dificuldades de falar e se locomover. Esses sintomas podem ficar piores, tudo depende da quantidade de bebida alcoólica ingerida. Podem aparecer sintomas mais fortes, como enjoos, vômitos e até levar o paciente ao coma. Quando uma pessoa está com os sintomas de alcoolismo agudo, a primeira atitude a ser tomada é evitar que seja ingerida mais bebida alcoólica. Nesses casos também não podem ser oferecidos à pessoa alimentos, líquidos ou remédios. É importante, nessas horas, o atendimento médico especializado, para serem tomadas as devidas providências com o paciente. 171 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A convulsão é uma alteração que é apresentada por a pessoa expor retraimento muscular involuntário. • As convulsões podem ter origem cerebral ou medular (epilepsia, tumor, traumatismo cerebral devido a um acidente rodoviário, acidente vascular cerebral, febre, insolação), anóxica (síncope), tóxica (medicamentos, tétano, raiva, privação de drogas, diabetes) ou psíquica (histeria). • “A neurose histérica, ou crise de ansiedade, é uma síndrome psiconeurótica caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo” (BRASIL, 2003, p. 110). • “No quadrode um ataque de histeria, a vítima, aparentemente normal, não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de conflito interno, esporádico ou instalado, entra repentinamente numa sequência de distúrbios psiconeuróticos e psicofisiológicos” (BRASIL, 2003, p. 110). • Quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de bebida alcoólica, seu corpo sofre grandes consequências e ter o que podemos chamar de alcoolismo agudo. • O estado de alcoolismo agudo deixa a pessoa com um comportamento, geralmente, violento, anormal em relação a seu estado de sobriedade, confuso, agitado e instável (BRASIL, 2003, p. 112). 172 AUTOATIVIDADE 1 Sabemos que as convulsões podem ter várias fontes de origem. Após o estudo deste tópico, quais são os sinais de convulsão? 2 Quando nos deparamos com uma vítima que está com sintomas de alcoolismo agudo, qual a primeira atitude que deve ser tomada? a) ( ) Não deixar mais a pessoa ingerir bebida alcoólica. b) ( ) Fazer a vítima beber bastante água, para induzir ao vômito. c) ( ) Dar um banho gelado na vítima para ela melhorar. d) ( ) Dar medicamento para amenizar os sintomas. 3 A neurose histérica também é conhecida como: a) ( ) Crise de dores. b) ( ) Crise de ansiedade. c) ( ) Crise de nervosismo. d) ( ) Crise de pânico. 173 TÓPICO 4 PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros socorros que devem ser prestados às vítimas de acidentes que apresentam lesões traumáticas nas articulações, nos ossos e nos músculos. O Tópico 4, aqui apresentado, está subdividido em itens para ressaltar e facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a ser abordado é sobre as lesões traumáticas nos ossos, depois temos as lesões traumáticas nos músculos e articulações, nos olhos e, por fim, as lesões de cabeça e coluna vertebral. O sistema locomotor do corpo humano é todo sustentado e articulado pelos ossos. A organização óssea tem ainda a função de proteger certas partes do corpo. O crânio protege o cérebro; o tórax protege o aparelho cardiorrespiratório; grande parte do fígado e todo o baço são protegidos pelas costelas inferiores; a medula encontra-se dentro do canal medular, formado pelas vértebras (BRASIL, 2003, p. 151). As lesões traumáticas podem assumir proporções desastrosas se não atendidas com o primeiro socorro adequado. A maioria das lesões traumato- ortopédicas não apresenta muita gravidade (BRASIL, 2003). As lesões musculoesqueléticas não constituem necessariamente urgências vitais. Todavia, estão no topo da lista de problemas físicos associados às atividades profissionais (HÁ; ROQUELAURE, 2010 apud BRUNET et al., 2014). Na maioria dos casos, a conduta final mais importante é a imobilização da parte afetada. A imobilização é, muitas vezes, suficiente para aliviar a dor e estabelecer condições favoráveis à cura da lesão (BRASIL, 2003). Quando se trata de situações de urgência, estas lesões têm de ser tratadas com diligência para evitar complicações ou lesões (BRUNET et al., 2014). UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 174 2 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OSSOS “A ruptura, a fragmentação e a fissura (racha) de um osso são outros tipos de lesões nos ossos. Estas lesões são graves porque se fazem acompanhar frequentemente com lesões dos tecidos moles envolventes, como os nervos, os tendões, os ligamentos e os vasos sanguíneos” (BRUNET et al., 2014, p. 178). Os mesmos autores ainda discorrem que, por vezes, também os músculos, a pele e alguns órgãos podem sofrer as consequências. As lesões ósseas podem ser infligidas de diferentes formas, como: • As pancadas diretas: são uma das causas habituais de fraturas; por exemplo, um trabalhador que é ferido na perna pelo para-choques de um automóvel. • As pancadas indiretas: podem causar igualmente lesões nos ossos e nas articulações. Nestas situações, a força é exercida sobre uma parte do membro e a lesão ocorre a uma certa distância do ponto de impacto, habitualmente mais acima; por exemplo, um desportista ou um trabalhador que cai sobre o cotovelo ou sobre a mão pode fraturar a clavícula (2014, p. 178). Segundo Fernandes e Silva (2012, p. 134), a fratura é o rompimento total ou parcial de um osso ou de uma cartilagem, isto é, a sua quebra. Há dois tipos de fraturas: • Fraturas fechadas ou internas, quando a pele não é rompida pelos ossos quebrados, apenas sentindo-se o desnível e o movimento anormal dos ossos. • Fraturas abertas ou expostas, quando o osso aparece na superfície corporal, pelo rompimento dos músculos e da pele. “Nas indústrias, a fratura pode ocorrer como consequência das quedas e movimentos bruscos dos trabalhadores, das batidas contra objetos, ferramentas, maquinários ou da queda destes sobre o empregado” (FERNANDES; SILVA, 2012, p. 134). Segundo Brunet et al. (2014, p. 176), os sinais e sintomas de uma fratura são: • Coloração da pele: azulada ou negra no local da fratura, palidez no membro afetado. • Edema (inchaço): presente no sítio da fratura. • Movimentos funcionais: ausentes (por vezes parciais numa fratura sem deslocamento). • Dor: intensa e persistente, sobretudo no local da fratura, aumentando com o movimento. • Temperatura da pele: mais frequentemente fria na parte distal do membro, mas quente no local da fratura. • Deformação: possível. • Encurtamento relativamente ao membro intacto: possível se houver fratura com deslocamento. • Feridas associadas: ferida no local da fratura, com ou sem presença de fragmentos ósseos no caso de fraturas expostas. • Outros: possível estado de choque hipovolêmico, sobretudo no caso de fratura da bacia ou fêmur; sensação de rangido ou estado do osso no momento da fratura. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 175 As autoras Fernandes e Silva (2012, p. 135) especificam as medidas de socorro em caso de fratura, que são: • Colocar a vítima deitada em posição confortável. • Estancar eventual hemorragia. • Imobilizar as articulações mais próximas do local com suspeita de fratura, a fim de restringir movimentos, utilizando jornais, revistas, tábuas, papelão etc. Acolchoar com algodão ou trapos os pontos em que os ossos ficarão em contato com a tala. • Não deslocar nem arrastar a vítima antes de imobilizar o segmento fraturado. • Deixar os dedos para fora para verificação de edema, inchaço ou adormecimento. • Conversar com a vítima. • Encaminhar a vítima para o tratamento especializado. • Não se deve massagear nem friccionar o local afetado. • Nos casos de fraturas especiais, o socorrista deverá identificar os sinais e sintomas prováveis de cada uma delas. • Na fratura de crânio, a vítima queixa-se de dores e inconsciência, e pode ocorrer parada respiratória e hemorragia pela narina, pela boca e pelo ouvido. • Na fratura de coluna, a vítima refere formigamento e incapacidade de movimento dos membros. • Na fratura de costela e esterno há queixas de respiração difícil e dor a cada movimento respiratório. Deve-se imobilizar, utilizando-se como tala o próprio corpo da vítima, e fixar o braço no tronco com um tecido sob a forma de tipoia. • Na fratura de fêmur e bacia a vítima queixa-se de dor no local, de dificuldade de movimentos e de andar. • Na fratura de braço, deve-se respeitar a posição na qual o braço foi encontrado. Se ele estiver estendido ao longo do corpo e se estiver dobrado, utiliza-se rouparia para fazer uma tipoia e depois outras duas amarrações acima e abaixo da lesão. FONTE: Adaptado de Fernandes e Silva (2012). Qualquer objeto suficientemente comprido, largo e sólido para sustentar a região lesionada pode servir de tala. Utilize talas prontas a usar, se as tiver à disposição, caso contrário pode improvisá-las com a ajuda de materiais apropriados: peças de vestuário, almofadas, travesseiros, cobertor enrolado, jornais, revistas, pranchas de madeira estreitas, ramos de árvore, cartão rígido dobrado etc. (BRUNET et al., 2014, p. 184).ATENCAO IMPORTANT E UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 176 As instruções fundamentais para a imobilização de supostas fraturas serão apresentadas a seguir, e diferenciadas conforme o membro/local da lesão. Para tanto, observe o quadro a seguir. QUADRO 15 – TIPOS DE LESÕES E AS INSTRUÇÕES PARA IMOBILIZAÇÃO Tipo de lesão Instruções para imobilização Fraturas de clavículas, braços e omoplata e lesões das articulações do ombro e do cotovelo O braço, colocado dobrado na frente do peito, é sustentado com uma atadura triangular dobrada. É uma lesão que pode se relacionar a fraturas, e também pode ser considerada um tipo de cirurgia reconstrutiva drástica. • Um dos vértices da atadura triangular deve ser colocado sobre o ombro lesionado, base atingindo o cotovelo. • O segundo vértice deve ser colocado no outro ombro. • Faz-se um nó com os dois vértices junto ao pescoço. • Os vértices da atadura podem ser presos com um nó ou com um alfinete de segurança. Deve-se colocar duas ataduras ou faixas: • A primeira, colocada o mais próximo possível e paralelamente ao braço. • A segunda, paralelamente à primeira, porém, um pouco mais alta em relação a ela. Fraturas de antebraço e de mão • Colocar o antebraço sobre uma tábua, um cartão ou um jornal dobrado, suficientemente longos para suportar a parte do membro, desde a ponta dos dedos até o cotovelo, sem deixar uma sobra. • Colocar sob a mão da pessoa acidentada um rolo de pano ou algodão, para se manter em posição anatômica. • Deixar o braço e a tela sustentados por uma tipoia e duas ataduras ou faixas. Tipos de lesão Instruções para imobilização Fraturas de perna Para que uma fratura em qualquer parte da perna possa ser imobilizada corretamente, o socorrista precisa de alguém que o ajude. É necessário o seguinte material, que deve ser preparado antes de se proceder à imobilização: • Talas ou outro material adequado (tábua, pedaço de vara, papelão grosso, varas de bambu). • Material de recheio (algodão, lã, tecido e outros semelhantes). • Ataduras triangulares dobradas ou tiras largas de tecido. Utilizam-se ripas ou varas para imobilizar supostas fraturas de pernas. O socorrista deve proceder da seguinte maneira: • Colocar material de recheio em quantidades suficientes na face interna e externa da perna, para proteger a pele: cuidar especialmente das regiões próximas ao tornozelo, ao joelho e à extremidade superior da tala colocada na face interna da perna, a qual deve ser recoberta. • Colocar uma tala ao longo da face interna da perna. Essa tala deve estender-se da região inguinal até a planta do pé. • Colocar uma segunda tala ao longo da face externa da perna, que deve estender-se da cintura à planta do pé. • Orientar o ajudante para que mantenha a tala e o material de recheio nos lugares corretos e não mova a perna da vítima. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 177 • Colocar cuidadosamente, sob a perna, tantas ataduras triangulares dobradas e talas quantas forem necessárias para imobilizar o membro. As ataduras dobradas devem ser colocadas por cima e por baixo da suposta fratura das articulações. • Não se deve colocar ataduras no joelho, pois o edema que se forma imediatamente após a fratura tende a expandir. É contraindicada a aplicação de atadura ou bandagem, o que viria a comprimir excessivamente o local da fratura, agindo como torniquete. • Se possível, devem ser colocadas ataduras triangulares: - sobre a região do membro com suspeita de fraturas; - sob a região do membro com suspeita de fraturas; - ao redor do tornozelo, cruzando sobre a parte posterior do pé; - na extremidade superior da parte externa da tala. • Após colocar cada atadura para fixar as talas, amarre-as de modo que fiquem sobre as talas. Fratura de coxa e quadril As supostas fraturas de coxa devem ser imobilizadas da mesma maneira que as fraturas de perna. As únicas diferenças que devem ser observadas são as seguintes: • O exterior da tala deve atingir desde a axila até o pé; • As ataduras triangulares dobradas ou as faixas devem ser colocadas da maneira seguinte: - sobre a suposta fratura; - sob a suposta fratura; - ao redor da perna; - ao redor do tornozelo, cruzando sobre a parte posterior do pé; - ao redor da cintura; - sobre o extremo superior da parte da tala. FONTE: Adaptado de Fernandes e Silva (2012) Para facilitar o entendimento, Brunet et al. (2014) expõem um quadro para caracterizar os diferentes tratamentos que devem ser proporcionados consoante os tipos de lesões encontradas nas vítimas, veja a seguir. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 178 QUADRO 16 – OS DIVERSOS TRATAMENTOS CONSOANTE OS TIPOS DE LESÕES Tipos de lesões Tratamento Nas articulações Luxação Fratura Ruptura Entorse Imobilização – membro superior (MS) Imobilização ou impedimento do movimento Estabilização Imobilização e vigilância do estado circulatório (sinais neurovasculares) Imobilização e vigilância do estado circulatório Imobilização – membro inferior (MI) Não Estabilização Imobilização e vigilância do estado circulatório (sinais neurovasculares) Imobilização e vigilância do estado circulatório Compressão com ligadura elástica Não Sim Não Não Elevação Sim Sim 30 a 60 cm (pernas) Sim Repouso Sim Sim Sim Sim Frio (15 minutos de hora a hora) Sim Sim Sim Sim Cuidados médicos Sim Sim Sim Sim FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) Dando continuidade, veremos que os autores Brunet et al. (2014) ainda abordam algumas sequências de intervenções para imobilização das seguintes lesões. QUADRO 17 – LESÕES TRAUMÁTICAS E A SEQUÊNCIA DE INTERVENÇÕES Tipo de lesão Sequência de intervenção Fratura exposta • Manipule a vítima com o maior cuidado possível, a fim de evitar o deslocamento do osso ou a formação de uma ferida no decurso da imobilização. • Bloqueie a articulação situada acima e abaixo da fratura através da colocação de uma tala. Fratura do maxilar • Mantenha as vias respiratórias abertas. Assegure-se de que a língua não caiu para o fundo da garganta e de que não existe qualquer obstrução na boca. Se a vítima estiver consciente, sem outra lesão grave: • Mantenha-a sentada, com a cabeça inclinada para frente a fim de facilitar a drenagem das secreções. • Sustente o maxilar com um pano macio, mantida no lugar com a mão ou com uma ligadura apropriada, se necessário, ou peça à vítima para segurar o maxilar. Se a vítima estiver inconsciente: • Coloque-a na posição lateral de segurança e sustente sua cabeça com a ajuda de uma almofada improvisada. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 179 Fratura das costelas • Não intervenha diretamente na região da lesão; peça à vítima para não se mexer e instale-a numa posição confortável, habitualmente sentada ou semissentada, para facilitar a respiração. Fratura da bacia • Mantenha a vítima deitada de costas, com as pernas retas. • Coloque sob os joelhos um travesseiro, uma almofada ou peças de roupas dobradas, de modo a diminuir a dor e os espasmos. • Estabilize o corpo colocando apoios de ambos os lados. • Volte a efetuar o exame primário e vigie os sinais do estado de choque hipovolêmico enquanto aguarda pela chegada dos Serviços de Emergência. Uma fratura da bacia pode conduzir a lesões perfurantes nos órgãos desta região. FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) Na sequência, serão apresentados os tipos de lesões traumáticas e as figuras que orientam e demonstram os procedimentos de imobilização dos membros lesionados. QUADRO 18 – TIPOS DE LESÕES E AS IMAGENS DOS PROCEDIMENTOS DE IMOBILIZAÇÃO DOS MEMBROS Tipo de lesão Imagem de imobilização Lesão nos músculos, nas articulações e nos ossos Fratura de mão ou dos dedos Fratura de antebraço Fratura de cotovelo a b a b UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 180 Tipo de lesão Imagem de imobilização Fratura do braço Fratura de tornozelo ou pé Fratura da perna Fratura da coxa ou fêmur b d c a FONTE: Adaptadode Brunet et al. (2014, p. 182-199) 2.1 AMPUTAÇÕES A amputação pode ser de todo o membro ou de parte dele. Ela pode ser criminosa ou ser consequência de acidentes variados, como os de trabalho. A prevenção desse grave traumatismo está no manuseio correto das máquinas e das ferramentas potencialmente mutiladoras, na utilização dos equipamentos de proteção e na máxima cautela do trabalhador. Qualquer parte do corpo parcial ou totalmente amputada deve ser preservada, seja qual for o seu estado, e conduzida ao serviço de urgência com a vítima. A amputação pode ser parcial ou total, como já mencionado anteriormente. O quadro a seguir nos mostra a sequência de intervenções nesses dois casos. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 181 QUADRO 19 – TIPOS DE AMPUTAÇÃO E A SEQUÊNCIA DE INTERVENÇÕES Tipo de lesão Sequência de intervenção Amputação parcial Quando uma parte do corpo é parcialmente amputada, deve ser: • Mantida na sua posição fisiológica, ou seja, na sua posição de funcionamento. • Coberta com um penso constituído por compressas esterilizadas. • Retida e suportada por ligaduras. • Mantida fria por meio de um saco de gelo ou de uma compressa fria colocada sobre a ligadura. Amputação total Quando uma parte do corpo é totalmente amputada, deve ser: • Envolvida em gaze esterilizada seca e colocada num saco de plástico limpo e impermeável, que deve ser cuidadosamente selado. • Colocada num segundo saco de plástico ou num recipiente parcialmente cheio de gelo triturado, de água fria ou contendo uma bolsa refrigerante. FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) As medidas de socorro, segundo Fernandes e Silva (2012, p. 136), são: • Estancar a hemorragia. • Realizar a compressão no local quando possível. • Recolher o membro amputado e acondicioná-lo adequadamente em um pano seco (gases estéreis ou ataduras), depois colocá-lo em saco plástico para que possa ser reimplantado. • Buscar ajuda médica. 3 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS MÚSCULOS A ruptura muscular, por vezes denominada ‘distensão muscular’, resulta de uma distensão das fibras musculares ou dos tendões, que servem de ligação entre o osso e o músculo. Muitas vezes, as rupturas acontecem na sequência do levantamento de um objeto demasiado pesado ou durante a execução de movimentos bruscos e incorretos (BRUNET et al., 2014, p. 176). “Pode acontecer de as fibras musculares serem esmagadas na sequência de um choque violento. A gravidade da lesão depende do tipo e dos danos produzidos no músculo ou no tendão” (BRUNET et al., 2014, p. 176). Os mesmos autores afirmam que as rupturas mais frequentes são as dos músculos do pescoço, das costas, das partes anterior e posterior da coxa ou da parte posterior da perna. De acordo com Brunet et al. (2014, p. 177), os sinais e os sintomas das lesões musculares são: “Edema (inchaço): presente, músculo muito duro; Movimentos funcionais: mais ou menos difíceis devido aos espasmos e à fraqueza muscular; Dor: presente, por vezes acompanhada de cãibras”. Segundo Brasil (2003), as lesões contusas podem ser tratadas de maneira simples, desde que não apresentem gravidade. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 182 • Aplicar bolsa de gelo ou compressa de água gelada por 15 minutos de forma intermitente nas primeiras 24 horas e repouso da parte lesada é suficiente. • Se persistirem sintomas de dor, edema, hiperemia, pode-se aplicar compressas de calor úmido. • Deve ser procurado auxílio especializado. As contusões simples, de um modo geral, não apresentam complicações, nem necessitam de cuidados especiais. Todavia, deve-se ficar alerta para contusões abdominais, mesmo que não apresentem nenhum sintoma ou sinal, pois poderá ter havido complicações internas mais graves. 4 LESÕES TRAUMÁTICAS NAS ARTICULAÇÕES Nesta categoria, geralmente estão inclusas as entorses e luxações. Na sequência tomaremos conhecimento sobre estas lesões e saberemos identificar os principais sintomas e sinais. 4.1 AS ENTORSES Uma entorse é uma “lesão traumática de uma articulação resultante da sua distorção brusca com alongamento (distensão), uma contusão ou arrancamento dos ligamentos, mas sem deslocamento permanente das superfícies articulares” (GARNIER; DELAMARE, 2010 apud BRUNET et al., 2014, p. 177). Segundo o Manual de Primeiro Socorros da Fiocruz, as entorses e luxações: São lesões dos ligamentos das articulações, onde estes esticam além de sua amplitude normal, rompendo-se. Quando ocorre entorse há uma distensão dos ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação. As formas graves produzem perda da estabilidade da articulação às vezes acompanhada por luxação. As causas mais frequentes da entorse são violências como puxões ou rotações, que forçam a articulação. No ambiente de trabalho a entorse pode ocorrer em qualquer ramo de atividade (BRASIL, 2003, p. 153). “A entorse ocorre na sequência de um movimento executado incorretamente ou exagerado que produz uma distensão, uma contusão ou, até mesmo, um rompimento dos ligamentos” (BRUNET et al., 2014, p. 177). “Os locais mais frequentes de entorses são as regiões cervical e dorso lombar e as articulações do punho, dos dedos, do joelho e do tornozelo. As entorses dos tornozelos representam a lesão mais frequente no continente norte-americano” (BRUNET et al., 2014, p. 177). Os sinais e sintomas da entorse são: • Coloração da pele: vermelha ou azulada. • Edema (inchaço): presente, muitas vezes com equimose. • Movimentos funcionais: quase ou totalmente ausentes. • Dor: aumenta com o movimento ou ao simples toque. • Temperatura da pele: quente. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 183 As medidas de primeiros socorros englobam: • Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas. Após este tempo, aplicar compressas mornas. • Imobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição que for mais cômoda para o acidentado (BRASIL, 2003). IMPORTANT E Antes de enfaixar uma entorse ou distensão, aplicar bolsa de gelo ou compressa de água gelada na região afetada para diminuir o edema e a dor. Caso haja ferida no local da entorse, agir conforme indicado no item referente a ferimentos; cobrir com curativo seco e limpo, antes de imobilizar e enfaixar. Ao enfaixar qualquer membro ou região afetada, deve ser deixada uma parte ou extremidade à mostra para observação da normalidade circulatória. As bandagens devem ser aplicadas com firmeza, mas sem apertar, para prevenir insuficiência circulatória (BRASIL, 2003, p. 154). 4.2 AS LUXAÇÕES Uma luxação é o “deslocamento permanente de duas superfícies articulares que perdem completamente o contato normal que mantinham entre si” (GARNIER; DELAMARE, 2010 apud BRUNET et al., 2014, p. 177). A luxação é frequentemente o resultado de uma torção excessiva da articulação e a consequência de uma força direta ou indireta causada por uma queda. As articulações mais vulneráveis às luxações são as do ombro, do cotovelo, do polegar, dos dedos e do joelho. Por vezes, a contração súbita de um músculo causa uma luxação, por exemplo, a luxação do maxilar inferior durante um bocejo (BRUNET et al., 2014, p. 178). Os sinais e sintomas da luxação, segundo Brunet et al. (2014, p. 178), são: • Edema (inchaço): presente. • Movimentos funcionais: por vezes ausentes, outras parciais. • Dor: viva e persistente, ou sensação de compressão intensificada com qualquer tentativa de movimento. • Deformação: presente. • Encurtamento relativamente ao membro intacto: presença mais ou menos acentuada consoante a gravidade. O tratamento de uma luxação (redução) é atividade exclusiva de pessoal especializado em atendimento a emergências traumato- ortopédicas. Os primeiros socorros limitam-se à aplicação de bolsa de gelo ou compressas frias no local afetado e à imobilização da articulação, preparando o acidentado para o transporte. [...] UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 184 A imobilização e o enfaixamentodas partes afetadas por luxação devem ser feitos da mesma forma que se faz para os casos de entorse. A manipulação das articulações deve ser feita com extremo cuidado e delicadeza, levando-se em consideração, inclusive, a dor intensa que o acidentado estará sentindo (BRASIL, 2003, p. 155). E que, nos casos de luxações recidivantes: O próprio acidentado, por vezes, já sabe como reduzir a luxação. Neste caso, o socorrista deverá auxiliá-lo. O acidentado deverá ser mantido em repouso, na posição que lhe for mais confortável até a chegada de socorro especializado ou até que possa ser realizado o transporte adequado para atendimento médico (BRASIL, 2003, p. 155). 5 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OLHOS “A visão é um dos sentidos mais importantes para a maioria das pessoas. Nas vítimas de uma lesão ocular, a integridade e a qualidade da visão podem ser gravemente ameaçadas” (BRUNET et al., 2014, p. 196). Por exemplo, uma lesão ocular grave pode levar à cegueira e causar uma ansiedade extrema na vítima. Deste modo, o interveniente em primeiros socorros ou socorrista deve avaliar adequadamente a vítima e agir de forma apropriada e rápida, contribuindo assim para diminuir a sua ansiedade (BRUNET et al., 2014, p. 196). Brunet et al. (2014) citam como os tipos de lesões oculares as seguintes: • Corpos estranhos depositados: são inofensivos quando se trata de poeiras depositadas sobre a córnea, sob as pálpebras ou nos cantos do olho. Na presença destes se observa um lacrimejo. Quando é visível e móvel, é possível removê-lo. • Corpos estranhos cravados: infelizmente, por vezes, acontece que corpos estranhos, como fragmentos de metal, de madeira, de vidro etc., mais ou menos grossos, são introduzidos em maior e menor profundidade no globo ocular. O sinal mais conclusivo é, evidentemente, a presença do próprio corpo estranho no olho. O socorrista não deverá, em hipótese alguma, removê-lo. É necessário providenciar o transporte para este tipo de vítima numa ambulância dos Serviços de Emergência. • Contusões no olho: resultam de uma pancada direta infligida por um objeto que pisa o olho sem provocar feridas. A equimose nem sempre surge de imediato, mas pode haver efusão sanguínea no olho (hifema) e danos na sua parte interna. A vítima com este tipo de lesão deverá ser transportada para o hospital/centro de saúde com a cabeça imobilizada. • As lacerações no olho: as lacerações, as esfoladelas e as escoriações nas pálpebras ou no olho podem causar lesões oculares, por vezes acompanhadas por hemorragia abundante ou escoamento do líquido do globo ocular. Este tipo de feridas é frequentemente causado por um choque direto, por óculos partidos ou por diversos objetos em movimento, por exemplo, os estilhaços projetados de uma explosão. Na presença deste gênero de traumatismos, deve- se considerar sempre a presença de corpos estranhos no olho. É necessário, portanto, providenciar o transporte da vítima pelos Serviços de Emergência. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 185 • As queimaduras no olho: as queimaduras oculares podem ser térmicas, químicas ou resultantes de uma radiação luminosa intensa. É sempre necessário encaminhar a vítima para um hospital/centro de saúde. Segundo o Manual do SENAI (2014), em ferimentos nos olhos produzidos por corpos estranhos, queimaduras por luz excessiva, calor ou produtos químicos, lacerações ou contusões é preciso observar os cuidados relacionados a seguir: • Irrigar o olho com soro fisiológico durante vários minutos se for o caso de lesão por agentes químicos ou corpos estranhos. • Não utilizar medicamentos tópicos (colírios ou anestésicos) sem avaliação do oftalmologista. • Não remover objetos, estabilizá-los com curativo sem pressionar os olhos. • Ocluir os dois olhos, com gaze umedecida, mesmo em lesões de apenas um olho. Essa conduta reduz a movimentação ocular e o agravamento da lesão. • Em caso de o globo ocular sair, não tentar recolocá-lo. • Efetuar a oclusão dos dois olhos. Um traumatismo no olho, por mais insignificante que possa ser, pode causar muita ansiedade na vítima; o socorrista deverá, portanto, tranquilizá-la. Deverá explicar-lhe bem o que se passa e manter um contato verbal constante, mas também um contato não verbal, como segurar-lhe a mão, para tranquilizá-la ainda mais. No caso dos primeiros socorros em caso de lesões oculares, segundo Brunet et al. (2014), as sequências de intervenção devem ser executadas independentemente do tipo de lesão. Veja o quadro a seguir, que apresenta a sequência de intervenção para os diferentes casos de lesões oculares. QUADRO 20 – OS TIPOS DE LESÕES E AS SEQUÊNCIAS DE INTERVENÇÕES Tipo de lesão Sequência de intervenção Geral, em caso de lesão ocular • Impeça a vítima de esfregar ou tocar no olho afetado, pois isso poderá agravar a situação. • Tranquilize-a, conversando com ela e explicando-lhe as intervenções realizadas. • Deite-a e recomende-lhe que mantenha a cabeça imóvel e evite mexer os olhos. • Providencie o seu transporte para o hospital; a maioria das lesões oculares exige que a vítima seja transportada pelos Serviços de Emergência. Em caso de corpo estranho depositado no olho • Deixe atuar o mecanismo de lacrimejo natural durante alguns segundos e peça à vítima para rodar o olho, olhando lentamente da direita para a esquerda e de cima para baixo, para que consiga examinar corretamente todas as partes do olho. • Faça um exame minucioso do olho de modo a determinar o local onde se encontra o corpo estranho. • Segure-lhe no queixo com uma das mãos e, com o polegar e o indicador da outra mão, afaste as pálpebras do olho atingido ou utilize os polegares para puxar as pálpebras inferiores para baixo. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 186 Tipo de lesão Sequência de intervenção Em caso de corpo estranho cravado no olho • Os primeiros socorros têm por objetivo prevenir qualquer lesão permanente no olho atingido. Não se deve exercer pressão sobre o corpo estranho, pois poderá perfurar o globo ocular. Nesse caso, haveria o risco de o olho se esvaziar do seu conteúdo líquido (humor vítreo), conduzindo à perda de visão. • Coloque compressas de gaze molhadas, com orifícios ao centro ou dobradas em duas à volta do corpo estranho, para evitar que o olho seque. Evitar exercer a mínima pressão sobre o corpo estranho ou o globo ocular. • Cubra o corpo estranho cravado com um cone ou um copo de papel, ou envolva-o com pensos sobrepostos, para impedir que se enterre mais profundamente no olho. Veja na figura. • Assegure-se de que a vítima fique deitada de costas e com a cabeça bem estabilizada por apoios colocados de ambos os lados, a fim de ser transportada pelos Serviços de Emergência. Em caso de contusão no olho • Instale confortavelmente a vítima em posição semissentada, de modo a reduzir o sangramento ou a pressão intraocular. • Tape o olho atingido com um tampão ocular ou compressas limpas de modo a evitar qualquer pressão sobre o olho. • Fixe a ligadura de apoio (concha ocular). • Chame imediatamente os Serviços de Emergência. Em caso de laceração no olho • Feche a pálpebra e incline ligeiramente a cabeça da vítima para o lado do sangramento. • Tape o olho com um tampão ocular ou com compressas, idealmente esterilizadas, sem exercer compressão local e tape também o olho intacto. • Fixe o penso com uma ligadura de apoio ou uma concha de plástico. Se o olho tiver saído da órbita: • Faça deitar a vítima. Não toque no olho. • Coloque delicadamente compressas molhadas sobre o olho, tapando-o completamente. Proteja-o em seguida com um cone. • Faça transportar a vítima em posição deitada, com a cabeça imobilizada, para receber tratamento hospitalar, evitando os choques e os movimentos bruscos. Se necessário, recorra aos Serviços de Emergência. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 187 Tipo de lesão Sequência de intervenção Em caso de queimadura química nos olhos • Identifique bemo produto em causa. Consulte o Centro de Informação Antivenenos de sua área e siga rigorosamente as instruções dadas pelos médicos e enfermeiros. • Se a vítima usar lentes de contato, retire-as imediatamente. Se forem difíceis de retirar, deixe-as ficar, a fim de não danificar a córnea. • Se as queimaduras forem causadas por produto químico em pó ou grânulos: limpe primeiro o produto a seco, usando luvas descartáveis; irrigue imediatamente os olhos com água corrente fria, ou melhor, com ducha lava-olhos, como as existentes na maioria das empresas que trabalham com produtos químicos; se necessário, auxilie a vítima a manter as pálpebras afastadas, pois muitas vezes a dor impede a abertura dos olhos; antes de terminar a irrigação ocular, não se esqueça de falar com um socorrista do Centro de Informação Antivenenos; e tape o(s) olho(s) com uma compressa de gaze depois de terminada a irrigação. Em caso de queimadura térmica nos olhos • Reconstitua as circunstâncias do acidente para determinar a possibilidade da existência de um corpo estranho nos olhos. • Enxágue abundantemente os olhos com água fria, até que a dor diminua ou, se isso não for possível, coloque compressas úmidas frias sobre os olhos. Evite esfregá-los. Em caso de queimadura por radiação intensa nos olhos • Tape imediatamente os dois olhos com compressas de gaze esterilizadas (se possível), úmidas e espessas, para impedir a passagem de luz. • Fixe as compressas com uma ligadura de gaze. • Se a queimadura for causada por raio laser: para o transporte da vítima, estabilize a cabeça, colocando apoio de ambos os lados, e evite os choques e os movimentos bruscos; e forneça à equipe médica as seguintes informações: características do aparelho de laser utilizado e distância que separava a vítima do mesmo. FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) Os ferimentos externos e internos podem ou não ser acompanhados de hemorragias. Em caso de contato com sangue e secreções, é preciso proteger-se para evitar possível contaminação com vírus, como os da hepatite B e do HIV, e bactérias patogênicas (SENAI, 2014). DICAS UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 188 6 LESÕES TRAUMÁTICAS NA CABEÇA E NA COLUNA VERTEBRAL Inúmeros acidentes desportivos, de trabalho e rodoviários são suscetíveis de causar lesões no cérebro e na coluna dorsal. Esses ferimentos podem causar traumatismos ligeiros a graves e ter como consequência efeitos reversíveis ou irreversíveis, dependendo de sua natureza. [...] As lesões na cabeça devem ser sempre consideradas graves. Mesmo que, habitualmente, as vítimas sobrevivam a este tipo de ferimentos, algumas poderão, mais tarde, sofrer sequelas físicas e mentais, tais como paralisia, dificuldades de elocução e problemas de memória ou comportamentais. Estas lesões exigem uma observação minuciosa do estado da vítima e requerem a rápida intervenção dos Serviços de Emergência Pré-hospitalar (BRUNET et al., 2014, p. 196). 6.1 LESÕES NA CABEÇA Segundo Brunet et al. (2014, p. 162), existem quatro tipos de lesões na cabeça, cujos sinais e sintomas variam consoante o seu tipo e gravidade: • Lacerações do couro cabeludo. • Comoção cerebral. • Compressão cerebral. • Fratura craniana. Os sinais e sintomas de uma laceração no couro cabeludo são: • Ferida no couro cabeludo que se abre facilmente e pode permanecer aberta, podendo, por vezes, haver deslocamento e levantamento do couro cabeludo. • Dor de cabeça. • Sangramento, muitas vezes abundante, pois o couro cabeludo é muito vascularizado e frágil (pode produzir-se rapidamente uma hemorragia grave e provocar estado de choque) (BRUNET et al., 2014, p. 163). Os sinais e sintomas de uma comoção cerebral, a compressão cerebral e a fratura craniana são: TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 189 QUADRO 21 - TIPO DE LESÃO CEREBRAL E OS SINAIS E SINTOMAS Lesão Cerebral Sinais e sintomas Comoção cerebral • Perda de memória passageira relativamente às circunstâncias do acidente. • Tonturas, vertigens, perturbações do equilíbrio. • Dores de cabeça e zumbidos nos ouvidos. • Repetição de perguntas sobre o que se passou. No caso de agravamento da comoção cerebral: • Incapacidade de responder às questões colocadas ou de obedecer corretamente às ordens. • Alterações do comportamento: violência verbal, agitação, agressividade. • Sonolência. • Estado de semiconsciência ou de inconsciência intermitente com a duração de alguns minutos. • Estado de inconsciência progressivo que se pode prolongar por um longo período. • Náuseas e vômitos, por vezes em jato, que se manifestam quando a vítima readquire a consciência. • Pele fria e úmida. • Palidez no rosto. • Pulsação fraca e rápida. Compressão cerebral • Confusão, discurso incoerente. • Vômitos em jato, em especial no adulto. • Variação do estado de consciência, que vai de uma tendência crescente para adormecer cada vez mais profundamente até ao estado de inconsciência profunda. • Sobressaltos ou espasticidade dos membros. • Pupilas com espessura desigual ao serem examinadas com o auxílio de uma luz. • Respiração irregular e ruidosa e, por vezes, paragem respiratória. • Pulsação lenta, que habitualmente assinala uma hemorragia intracraniana. • Subida ou diminuição da temperatura corporal. • Rosto azulado ou avermelhado. • Redução da motricidade e sensibilidade e, por vezes, paralisia total ou de um lado do corpo. Fratura craniana • Pupilas desiguais e possível estado de inconsciência. • Edema, ferida ou contusão no couro cabeludo, no rosto ou nos maxilares. • Dor intensa ou forte pressão na cabeça. • Afundamento ou deformação do osso. No caso de fratura na base do crânio, a vítima apresenta: • Escoamento de sangue ou de líquido cefalorraquidiano (ou dos dois em simultâneo) pelo ouvido ou pelo nariz. • Coloração anormal e azulada da pele debaixo dos olhos e atrás das orelhas. No caso de fratura perto da órbita, verificamos os seguintes sinais: • Olho injetado de sangue. • Respiração rápida, difícil, com excesso de saliva, por vezes sanguinolenta (o reflexo da tosse pode estar ausente e a vítima pode sufocar com suas secreções). • Náuseas e vômitos em jato. • Dificuldade em falar. FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014) UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 190 IMPORTANT E uma lesão na cabeça é considerada grave até prova em contrário. Em caso de comoção cerebral sem outra lesão associada, não é preciso manter a vítima acordada, mas é preciso vigiar o seu estado de perto durante as primeiras 24 horas. O aumento progressivo da sonolência é um sinal do agravamento do estado, podendo indicar o desenvolvimento de uma compressão cerebral (BRUNET et al., 2014). Os primeiros socorros em caso de comoção cerebral, a compressão cerebral e a fratura craniana precisam levar em consideração que o socorrista deverá seguir determinados passos se julgar que a vítima pode sofrer de um traumatismo craniano. Se houver suspeita de lesão na cabeça: • Garanta a segurança do local. • Chame o Serviço de Atendimento de Emergência. • Mantenha a vítima na posição em que a encontrou. Se a cabeça estiver desviada do seu eixo, não mexa nela, exceto se for necessário recorrer à reanimação cardiorrespiratória (RCR) e se estiver apto a realizar esta intervenção. • Se a vítima estiver consciente, aproxime-se dela de frente, para que o veja sem ter de voltar a cabeça. • Mantendo a vítima na mesma posição, estabilize-lhe a cabeça e o pescoço para evitar qualquer movimento, colocando as mãos e os joelhos de cada lado da cabeça. Na presença de sangue, é necessário usar luvas descartáveis. • Em seguida, estabilize a cabeça e o pescoço com objetos que estejam à disposição, como sacos de areia, mochilas escolares ou qualquer objeto similar. • As intervenções seguintes são as mesmas da sequência de intervenção para uma lesão na coluna vertebral, explicada no próximo item. Segundo o Manual da Fiocruz, os cuidados com vítimas de ferimento na cabeça são: • Deitar o acidentado de costas (emcaso de inconsciência ou inquietação). • Afrouxar as roupas do acidentado. • Colocar compressa ou pano limpo sobre o ferimento (em caso de hemorragia). • Prender a compressa com esparadrapo ou tira de pano (BRASIL, 2003, p. 115). TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 191 6.2 LESÕES NA COLUNA VERTEBRAL “As diferentes lesões que podem ocorrer a nível da coluna vertebral são as fraturas, os deslocamentos dos discos intervertebrais (luxações) e as entorses. Se o socorrista tiver dúvidas quanto à natureza da lesão, deverá intervir sempre como se se tratasse de uma fratura” (BRUNET et al., 2014, p. 167). O Manual da Fiocruz especifica que na avaliação da vítima se deve perguntar ao acidentado se sente dor na coluna dorsal e correr a mão pela espinha do acidentado desde a nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar lesão da coluna dorsal (BRASIL, 2003). “A coluna vertebral constitui um canal dentro do qual passa a medula espinhal, que assegura a transmissão do influxo nervoso entre o cérebro e as diferentes partes do corpo e controla inúmeras funções do organismo” (BRUNET et al., 2014, p. 167). Brunet et al. (2014, p. 168) ainda citam que “as duas regiões mais vulneráveis da coluna vertebral são a cervical e a lombar. É, portanto, nestas regiões que ocorre a maioria das lesões”. São diversas as situações que podem conduzir a uma lesão na coluna vertebral. Um choque direto ou indireto força a coluna a curvar-se para além dos seus limites anteriores ou posteriores. Brunet et al. (2014) descrevem algumas situações que podem causar uma lesão na coluna vertebral: • Mergulhos em que a cabeça bate no fundo de uma piscina ou de um lago e acidentes de mergulho. • Acidentes rodoviários em que uma paragem brusca ou uma desaceleração violenta provoca a flexão da cabeça seguida de hipertensão violenta para trás, torções repentinas da coluna ou a ejeção da vítima para fora do veículo. • Quedas em que a vítima cai pesadamente sobre os pés, sobre as costas ou em posição sentada. • Pancadas violentas na cabeça, no pescoço ou nas costas desferidas com objetos pesados. • Lesões resultantes de pancadas ou de agressões violentas ou ferimentos causados por armas de fogo na cabeça, no pescoço, nos ombros, no tórax e no abdômen. Na sequência, veremos os sinais e sintomas que identificam as lesões na coluna vertebral, conforme Brunet et al. (2014). • Edema (inchaço): presente ao longo da coluna. • Dor: pode ser viva, como se a vítima estivesse a ser cortada em duas, ou estar completamente ausente. • Deformação: possível. • Feridas associadas: pisaduras (feridas simples) ou feridas complexas (como um osso exposto ao longo da coluna vertebral). UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 192 Existem outros elementos que podem sugerir a existência de uma lesão na coluna vertebral, que são: Pode ocorrer perda parcial ou total da motricidade e da sensibilidade dos membros inferiores se o traumatismo for na região lombar, e dos membros superiores e inferiores se a lesão for a nível cervical. Estado de choque neurológico. Em caso de atingimento da medula espinhal na sequência de um traumatismo da região cervical, ao nível do bulbo raquidiano, os movimentos torácicos da respiração podem ser difíceis. Neste caso, apenas o diafragma assegura a respiração. Os outros músculos do tórax encontram-se paralisados. [...] Os primeiros socorros em caso de lesões na coluna vertebral têm por objetivo prevenir o seu agravamento (que pode ir até a paralisia) através da imobilização da vítima. O socorrista só pode deslocar a vítima se a vida desta estiver em perigo, como no caso de um incêndio, de perigo iminente de derrocada ou aluimento de terras ou na presença de um gás tóxico (BRUNET et al., 2014, p. 169). Brunet et al. (2014, p. 169) relatam que em caso de suspeita de fratura craniana: Além da lesão na coluna vertebral, é preferível elevar-lhe a cabeça num ângulo de 30°, depois de imobilizada, sobre uma maca ou prancha dorsal. A inclinação da maca ou prancha tem como objetivo diminuir a pressão intracraniana durante o transporte da vítima para o hospital mais próximo. [...] Se suspeitar de fratura a nível cervical, o socorrista pode utilizar um colar cervical para estabilizar a vítima. É importante salientar que apenas os socorristas especializados podem imobilizar a cabeça com um colar cervical. A sequência de intervenções necessárias em caso de lesão na coluna vertebral, conforme Brunet et al. (2014, p. 169), é: • Garanta a segurança do local. • Chame o Serviço Móvel de Urgência (102). • Não desloque nem mexa a vítima, exceto se a sua vida estiver em risco. Se a vítima estiver inconsciente: • Interrogue as testemunhas sobre as circunstâncias do acidente, que podem levar a supor uma lesão na coluna vertebral (por exemplo, uma pessoa encontrada no chão junto do banco). • Anote a hora, a duração e a frequência dos estados de inconsciência. • Fale continuamente com a vítima mesmo que ela esteja inconsciente. Ela poderá conseguir ouvir, uma vez que a audição é o último sentido a ser afetado. • Se a vítima vomitar, coloque luvas de vinil descartáveis e coloque-a em posição lateral de segurança, assegurando-se de que virará simultaneamente a cabeça e o corpo, se possível com a ajuda de outros socorristas. • Observe se existe líquido a sair pelos ouvidos ou pelo nariz. Em caso afirmativo, não tente parar o escoamento. Cubra ligeiramente o ouvido ou o nariz com uma compressa esterilizada para prevenir uma infecção. TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 193 • Observe a respiração da vítima: é ruidosa por causa das secreções acumuladas na boca ou de um traumatismo cerebral? É rápida ou superficial? Retire da boca qualquer objeto causador de obstrução, incluindo dentes partidos ou próteses dentárias se estiverem a perturbar a respiração. • Se houver parada respiratória, proceda a respiração artificial abrindo as vias respiratórias através do traço maxilar, sem inclinação da cabeça, se conhecer esta técnica específica. • Observe também os sinais de circulação sanguínea, a reação à dor, qualquer subida da temperatura e qualquer alteração do estado neurológico. • Não deixe a vítima sozinha. • Tape-a para evitar o estado de choque e a perda de calor. Nunca lhe eleve as pernas. Esta manobra aumentará a pressão sanguínea na cabeça e provocará complicações em caso de hemorragia cerebral, de compressão cerebral e fratura craniana. • Enquanto aguarda pelos Serviços de Emergência, vigie constantemente o estado da vítima. Volte a efetuar o exame primário e verifique regularmente o seu estado de consciência, continuando a falar sempre com ela. • Se a vítima estiver consciente: • Insista na importância de permanecer imóvel, para não agravar o seu estado. • Proceda a um exame neurológico. Este exame é um bom indicador do funcionamento cerebral, uma vez que este pode ser afetado em caso de traumatismo na coluna vertebral. Verifique se a vítima apresenta entorpecimento, formigamento ou perda de sensibilidade ou de atividade muscular nas extremidades. Na sequência de uma ruptura da medula espinhal, a vítima poderá ter dificuldade ou ser incapaz de executar movimentos. Peça à vítima para mexer levemente os dedos das mãos e dos pés e toque neles para ver se ela sente. Em caso afirmativo, peça-lhe para apertar ligeiramente a sua mão. Verifique igualmente a orientação T-E-P (tempo, espaço, pessoas) e a dimensão das pupilas. A escala de coma de Glasgow pode fazer igualmente parte da avaliação neurológica do socorrista. Se a vítima estiver usando capacete: • Não tire o capacete se ela estiver respirando. Levante apenas a viseira. Se existir uma amarração no queixo, desaperte-a, retirar um capacete é uma manobra delicada. Quando um motociclista tem um acidente, apenas um socorrista com formação especializada poderá tirar-lhe o capacete, caso contrário este deve ser mantido na cabeça. Se a vítima não respirar e o socorrista tivera formação necessária, pode tirar-lhe o capacete para efetuar as manobras de RCR. Caso não tenha formação especializada para retirar o capacete, limitar-se-á a fazer compressões torácicas. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 194 O deslocamento de vítimas com lesões na cabeça e na coluna vertebral requer um treino especial. Recorra sempre aos Serviços de Emergência para realização desta manobra. Existem, todavia, situações específicas (acidentes em piscinas, em pista de esqui etc.) em que os socorristas têm de proceder à evacuação da vítima. Porém, terão de ter formação especializada para deslocar a vítima de forma segura, utilizando material especializado para a realização dessas manobras (BRUNET et al., 2014, p. 171). DICAS 7 LESÃO TRAUMÁTICA NO TÓRAX Os traumatismos torácicos são provocados, segundo o Manual da Fiocruz: Em sua maior frequência, por acidentes de trânsito e acidentes industriais. A gravidade dos traumatismos torácicos é diretamente proporcional aos tipos de lesões associadas, que podem levar à morte ou dificultar o diagnóstico preciso da lesão traumática e, consequentemente, o tratamento adequado para o caso (BRASIL, 2003, p. 116). “Um atendimento precipitado, ou conduzido sem a correção técnica adequada pode levar à morte, quando, em vez disso, medidas terapêuticas com bases seguras seriam capazes de resguardar a vida e evitar complicações” (BRASIL, 2003, p. 116). Segundo o Manual de Primeiros Socorros da Fiocruz: Um traumatizado de tórax poderá chegar até o socorro especializado em condições clínicas consideradas boas, se for atendido corretamente, ou evoluir rapidamente para a morte, muitas vezes por pequenos enganos que jamais serão descobertos. O acidentado deverá ser sempre considerado em estado grave, mesmo que não apresente sinais clínicos aparentes. É prudente recomendar que se dedique à vítima de traumatismo torácico a máxima atenção possível, sob observação permanente e bem orientada, até que se possa entregá-lo ao socorro médico especializado (BRASIL, 2003, p. 116). Este mesmo manual aborda que: Nos traumatismos fechados de tórax, ou contusões torácicas, não há solução de continuidade da pele. Nos traumatismos abertos ou ferimentos torácicos, podem surgir complicações maiores. Eles são chamados de penetrantes quando atingem a pleura, o pericárdio ou o mediastino. De acordo com a localização do ferimento ele poderá ser chamado de torácico, cérvico-torácico e tóraco-abdominal. [...] TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 195 As lesões anatômicas da caixa torácica e dos órgãos localizados em seu interior levam a alterações respiratórias e metabólicas acentuadas. A idade do acidentado ou a existência de processos patológicos cardiopulmonares anteriores são, muitas vezes, responsáveis pelo agravamento dessas alterações. Podem ocorrer hipoxemia e hipercapnia que, dadas certas condições de choque, chegam a levar ao sofrimento do encéfalo e coração (BRASIL, 2003, p. 116). Condições precárias de atendimento ou desorientação na condução adotada durante os primeiros socorros aumentam os riscos dos traumatismos e suas complicações, podendo favorecer sequelas. A seguinte conduta básica deve ser observada, enquanto providencia-se para que o socorro especializado seja chamado com a maior urgência: • É preciso ter cautela, estar calmo e agir com rapidez. • O acidentado consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o lado ferido, na posição lateral de segurança. • Aplica-se curativo de gaze ou compressa de pano, desde que esteja limpo. • Com este curativo, procura-se vedar totalmente a abertura do ferimento para impedir a entrada de ar. • O curativo deverá ser preso e fixo firmemente com o cinto ou faixa de pano em torno do tórax, sem apertar. • O acidentado deve ser encaminhado com urgência para atendimento especializado (BRASIL, 2003, p. 117). 8 LESÃO TRAUMÁTICA DE ABDÔMEN Segundo o Manual da Fiocruz, mais de 60% dos traumatismos abdominais são causados por acidentes automobilísticos, mas podem ocorrer em ambientes de trabalho devido a pancadas de objetos pesados ou quedas violentas amparadas pelo choque do abdômen contra alguma superfície dura. Os traumatismos abdominais são classificados em abertos ou fechados. Os traumatismos fechados ou contusões caracterizam-se pela atuação do agente traumático sobre a parede abdominal, sem provocar solução de continuidade da pele. Estes traumatismos, no entanto, podem apresentar lesões viscerais graves. Os traumatismos abdominais com lesão visceral evoluem para a síndrome de perfuração, resultante de lesão da víscera oca; e para a síndrome hemorrágica quando provocam ruptura de víscera maciça ou de vaso sanguíneo (BRASIL, 2003, p. 117). Ainda, a Fiocruz, através de seu Manual de Primeiros Socorros (BRASIL, 2003, p. 117), ensina que: As vítimas de ferimentos abdominais correm sério risco de entrar em estado de choque, devendo ser encaminhadas para assistência qualificada com urgência, pois é considerada como emergência. Qualquer que seja a causa, o agente traumático atua por percussão ou pressão, resultando sempre em lesões parietais, importantes para a identificação de lesão visceral. A parede pode ser atingida perpendicularmente ou tangencialmente. No primeiro caso, deve-se considerar sempre a possibilidade de lesão visceral. UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 196 “Os traumatismos abertos ou feridas podem ocorrer de forma simples, como um ferimento qualquer, ou de forma mais grave, quando ocorre ruptura de músculos e da parede abdominal em grande extensão, suficiente para provocar uma evisceração” (BRASIL, 2003, p. 118). Nos casos de evisceração não devemos, de forma alguma, tocar nas vísceras, nem tentar colocá-las de volta, para dentro da cavidade abdominal. A primeira coisa a ser feita é providenciar para que seja encontrado socorro médico ou remoção especializada o mais rápido possível. Em seguida, colocar o acidentado em local confortável, em decúbito dorsal, colocando uma manta ou cobertor enrolado sob seus joelhos, para diminuir a pressão sobre o ventre e impedir o afastamento muscular (BRASIL, 2003). Observe a figura a seguir. FIGURA 58 – POSIÇÃO DO ACIDENTADO FONTE: Brasil (2003) O Manual da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 118) ainda determina que: O ferimento deverá então ser coberto com curativo ou compressa, ou pano limpo umedecido em solução salina; caso não seja possível, em água limpa. Estas compressas não devem ser de materiais aderentes. Envolver o curativo cuidadosamente com bandagens fixadas firmemente, mas nunca apertada. Não dar nada para o acidentado beber ou comer, ainda que se queixe de muita fome ou sede. LEITURA COMPLEMENTAR INTEGRAÇÃO DOS PRIMEIROS SOCORROS NA EMPRESA Os “Primeiros Socorros” integram-se ao conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores e, principalmente, ao que dispõem as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, vinculadas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Assim, devem estar articulados, não só com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na NR-7, que estabeleceu a obrigatoriedade do serviço de “Primeiros Socorros” na empresa, mas também com as demais NR, em especial, a NR-4, NR-6, NR-9, NR-15 e a NR-17. A NR-4 estabelece que: TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 197 As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, manterão, obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Assim, todos os empregados da empresa ou serviços, independentemente do vínculo de emprego têm que estar abrangidos por medidas de Higiene e Segurançano Trabalho estruturadas em um Serviço organizado, com prioridade para as medidas de proteção coletiva. A este serviço, devem estar vinculados, necessariamente, os “Primeiros Socorros” da empresa, numa perspectiva não só corretiva e de atendimento individual, mas eminentemente preventiva e visando o conjunto dos trabalhadores principalmente. No que se refere à NR-6, que estabelece que a empresa é obrigada a fornecer equipamento de proteção individual (EPI) adequado ao risco ocupacional e em perfeito estado de conservação e funcionamento, os “Primeiros Socorros” podem participar, principalmente, em relação aos seguintes aspectos: a) na seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à atividade exercida, considerando-se a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e ao conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário; b) no programa de treinamento dos trabalhadores quanto a sua correta utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece; c) no estabelecimento de normas ou procedimentos para promover o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI, visando garantir as condições de proteção originalmente estabelecidas; na caracterização das funções ou atividades dos trabalhadores, com a respectiva identificação do EPI utilizado para os riscos ambientais; d) no estabelecimento de critérios e mecanismos de avaliação da eficácia das medidas de proteção implantadas considerando os dados obtidos no atendimento aos trabalhadores. Já a NR-7 estabelece: A obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. Esta NR estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do PCMSO, podendo os mesmos ser ampliados mediante negociação coletiva de trabalho. O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 198 trabalhadores. Logo, deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações previstas nas demais NRs. Portanto, são obrigações gerais da entidade patronal, entre outras: • na concepção das instalações, locais e processos de trabalho, identificar os riscos e combatê-los na origem, eliminando ou limitando os seus efeitos; • proceder à avaliação dos riscos em todos os níveis da empresa e adotar medidas de prevenção adequadas; • assegurar que a exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nos locais de trabalho não constitua risco para a saúde dos trabalhadores; • dar prioridade à proteção coletiva em relação à proteção individual; • organizar o trabalho de modo a minimizar os efeitos nocivos do trabalho monótono e cadenciado; • substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso; • tomar medidas relativas a primeiros socorros, combate a incêndios e evacuação de trabalhadores e identificar os responsáveis pela sua realização. A organização das atividades de Higiene e Segurança no local de trabalho são de responsabilidade da entidade patronal, devendo garantir, entre outros: • a identificação e avaliação dos riscos; • o planejamento e programação de medidas de prevenção a adotar na empresa; • a promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores; • organização de todos os meios destinados à proteção e prevenção e coordenação das medidas a adotar em caso de perigo grave e iminente; • prestação de informação e formação sobre os riscos e as medidas de proteção e prevenção; • afixação da sinalização de segurança nos locais de trabalho; • análise dos acidentes de trabalho e doenças profissionais; • coordenação de inspeções internas de segurança; • manutenção de registros atualizados sobre vários elementos relevantes para a situação da empresa no domínio de SHST. Finalmente, convém salientar que, segundo a NR-7, além dos serviços de Prevenção e proteção a acidentes; Higiene e segurança; Medicina do trabalho; Saúde ocupacional; Luta contra incêndio, deverá ser organizado na empresa o serviço de “Primeiros Socorros”. Para tanto, todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação dos primeiros socorros, considerando-se as características da atividade desenvolvida; manter esse material guardado em local adequado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. Ressalta-se que são serviços que devem ser dirigidos e acompanhados por técnicos com curso superior e/ou formação específica, segundo esta Norma. Já a NR-9: TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 199 Estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Riscos ambientais são considerados os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Os agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom. Agentes químicos são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. Agentes biológicos são as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. No desenvolvimento do PPRA, os riscos ambientais devem ser antecipados e reconhecidos, as metas e prioridades devem ser estabelecidas, devem ser avaliados os riscos e a exposição dos trabalhadores, implantadas medidas de controle e avaliação da eficácia, monitorada a exposição dos trabalhadores aos riscos. Os “Primeiros Socorros” devem participar de todo o processo de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA. A NR-17 diz respeito à Ergonomia, que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente; os “Primeiros Socorros” também podem integrar-se em sua aplicação, no sentido de auxiliar na definição daqueles parâmetros, a partir dos dados e informações obtidos. Estes serão importantes para a análise ergonômica do trabalho, no que se refere ao levantamento, transporte e descarga individual de materiais; ao mobiliário dos postos de trabalho; aos equipamentos dos postos de trabalho; às condições ambientais de trabalho; e à organização do trabalho. FONTE: MANCINI, H. B.; ROSENBAUM, J. L.; FERRO, M. A. C. Organização de um serviço de primeiros socorros em uma empresa. Campo Grande – MS. 2002. 200 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • O sistema locomotor do corpo humano é todo sustentado e articulado pelos ossos. A organização óssea tem ainda a função de proteger certas partes do corpo. O crânio