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Prévia do material em texto

2018
Programas Para gruPos 
EsPEciais/PrimEiros 
socorros
Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista 
Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus 
Profa. Tathyane Lucas Simão
Copyright © UNIASSELVI 2018
Elaboração:
Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista 
Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus 
Profa. Tathyane Lucas Simão
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
616.0252
B333p Batista, Eliza Damiane Woloszyn 
 Programas para grupos especiais – primeiros socorros / Eliza 
Damiane Woloszyn Batista; Lindamir Pozzo Arbigaus; Tathyane Lucas 
Simão. Indaial: UNIASSELVI, 2018.
 
 207 p. : il.
 
 ISBN 978-85-515-0143-6
 1.Primeiros Socorros. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
Impresso por:
III
aPrEsEntação
É com satisfação que apresentamos o livro Programas para Grupos 
Especiais/Primeiros Socorros. Convidamos você a fazer uma leitura simples 
e prática, obtendo informações que o acompanharão para toda sua vida 
profissional.
Dentro das áreas de prescrição do exercício, o educador físico e outros 
profissionais encontrarão dicas e orientações básicas sobre a atividade física, 
exercício físico, as principais doenças que classificam os grupos especiais, e 
orientações importantes na prescrição de exercícios para grupos especiais.
Vale lembrar que, nesta unidade, destacamos as populações mais 
comuns, como gestantes, diabéticos, hipertensos, obesos, dislipidêmicos e 
crianças obesas, que são grupos que se apresentam em todo o Brasil, com 
altos índices de incidência em todo o território nacional.
No tópico sobre avaliação há uma abordagem sobre os principais 
pontos, sua importância e alguns testes de avaliação que complementam e 
qualificam os programas de atividade física para grupos especiais.
Desejamos boa leitura e bons estudos!
Profa. Eliza Damiane Woloszyn Batista 
Profa. Lindamir Pozzo Arbigaus 
Profa. Tathyane Lucas Simão
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é 
veterano, há novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA 
 GRUPOS ESPECIAIS ................................................................................................... 1
TÓPICO 1 – GRUPOS ESPECIAIS....................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 CLASSIFICAÇÃO DAS POPULAÇÕES ESPECIAIS ................................................................... 4
3 ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS ................................................................................................ 6
4 DIFERENÇAS ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO FÍSICO ........................................ 9
4.1 O DIREITO INTEGRAL À SAÚDE ............................................................................................... 9
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 11
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 12
TÓPICO 2 – QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO? ........................................................... 15
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 15
2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA ........................................................... 15
3 A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO .................................................................................................. 18
4 POR ONDE COMEÇAR? .................................................................................................................... 18
5 GRUPOS ESPECIAIS E A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO ...................................................... 22
6 ATIVIDADE FÍSICA PARA IDOSOS .............................................................................................. 25
6.1 QUANTO DE ATIVIDADE FÍSICA SE DEVE REALIZAR ....................................................... 28
7 PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL ............................................... 29
8 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA IDOSOS ........................................................................... 30
9 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT) E O IDOSO ................................ 31
10 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA ..................................................................................... 32
11 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA HIPERTENSOS ............................................................ 33
12 ATIVIDADE FÍSICA COMO TRATAMENTO DA HAS............................................................ 34
13 DIABETES MELLITUS TIPO II ....................................................................................................... 35
14 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA DIABÉTICOS TIPO II ................................................ 36
15 PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO E INTENSIDADE ..................................................................... 37
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 37
16 O AUTOCUIDADO E O EXERCÍCIO ........................................................................................... 38
17 COMPLICAÇÕES E RISCOS DO EF PARA DIABÉTICOS 
 INSULINO-DEPENDENTES ............................................................................................................ 40
18 COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABÉTICO E EXERCÍCIO FÍSICO ............................. 41
18.1 RETINOPATIA DIABÉTICA ........................................................................................................ 41
18.2 NEUROPATIA DIABÉTICA ......................................................................................................... 42
18.3 NEFROPATIA DIABÉTICA E OBESIDADE INFANTIL .......................................................... 43
19 PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS PARA CRIANÇAS ................................................................. 44
19.1 AVALIAÇÃO DE CRIANÇAS NA PRÉ-PARTICIPAÇÃO DE PROGRAMAS DE 
 ATIVIDADE FÍSICA .....................................................................................................................44
19.2 PRÁTICA DE EXERCÍCIOS COM CRIANÇAS ........................................................................ 46
20 PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA CRIANÇAS DIABÉTICAS ......................... 48
21 GESTANTES ........................................................................................................................................ 50
21.1 PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA PARA GESTANTES ................................................ 50
sumário
VIII
21.2 CUIDADOS NA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA GESTANTES ................................ 51
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 54
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 55
TÓPICO 3 – MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS ........................................... 57
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57
2 MEIOS DE AVALIAÇÃO EM PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA .................................. 57
2.1 FORMULÁRIO DE DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES MÉDICAS .................................... 58
2.2 TESTES DE COMPOSIÇÃO CORPORAL .................................................................................... 59
2.3 TESTE DE PERCEPÇÃO DE ESFORÇO DE BORG .................................................................... 60
2.3.1 Indicações para o uso das escalas ......................................................................................... 60
2.3.2 Fatores que influenciam a percepção de esforço ................................................................ 61
2.3.3 Fatores fisiológicos ................................................................................................................ 61
2.4 TESTES DE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE AERÓBIA ........................................................ 62
2.5 TESTES DE AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA ANAERÓBIA ........................................................ 62
2.6 TESTES DE AUTOAVALIAÇÃO – PAR-Q .................................................................................. 63
2.7 TESTES POSTURAIS ....................................................................................................................... 63
2.8 ATESTADO MÉDICO ...................................................................................................................... 64
2.9 ATESTADO MÉDICO PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS .................................. 64
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 65
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 67
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 68
UNIDADE 2 – ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO ............................................... 71
TÓPICO 1 – SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA ............................................. 73
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 73
2 PRIMEIROS SOCORROS ................................................................................................................... 73
3 REGRAS BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS ....................................................................... 75
4 ATENDIMENTO INICIAL: EQUIPE ESPECIALIZADA .............................................................. 75
4.1 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA .............................................................................................................. 76
4.2 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA ........................................................................................................ 77
4.3 REGRAS GERAIS PARA ATENDIMENTO INICIAL ................................................................ 78
4.4 USO DE EPIs ..................................................................................................................................... 79
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 80
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 81
TÓPICO 2 – TRANSPORTE DE ACIDENTADOS ........................................................................... 83
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83
2 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM PRIMEIROS SOCORROS ................................................ 83
2.1 CORPO DE BOMBEIROS ............................................................................................................... 84
2.2 POLÍCIA MILITAR .......................................................................................................................... 84
2.3 SAMU – SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA ........................................ 85
2.4 POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL ............................................................................................. 85
2.5 DEFESA CIVIL ................................................................................................................................. 86
2.6 ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS POR INTOXICAÇÃO ................................. 86
3 ETAPAS BÁSICAS DE SERVIÇO ESPECIALIZADO ................................................................... 86
3.1 ORIENTAÇÕES PARA CONTROLE DA SITUAÇÃO ............................................................... 87
3.2 PROTEÇÃO À VÍTIMA ................................................................................................................. 87
3.3 AVALIAÇÃO DE CABEÇA ........................................................................................................... 88
3.4 FRATURAS DE PESCOÇO E COLUNA VERTEBRAL .............................................................. 89
4 ORIENTAÇÕES PARA TRANSPORTE ........................................................................................... 89
IX
5 FUNDAMENTOS DO SOCORRO: FRATURAS E TRAUMAS ................................................90
5.1 LESÃO DE TÓRAX E MEMBROS ...............................................................................................90
5.2 FRATURA NAS COSTELAS ........................................................................................................91
5.3 TÓRAX INSTÁVEL .......................................................................................................................92
5.3.1 Contusão pulmonar ..............................................................................................................92
5.3.2 Pneumotórax hipertensivo ..................................................................................................92
5.3.3 Pneumotórax aberto .............................................................................................................92
5.3.4 Contusão cardíaca.................................................................................................................93
5.4 EXAME DA VÍTIMA INCONSCIENTE ....................................................................................93
5.4.1 Respiração artificial ..............................................................................................................93
6 O CORPO HUMANO EM EMERGÊNCIAS BÁSICAS ..............................................................95
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................96
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................97TÓPICO 3 – ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS ...............................................99
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................99
2 LEIS DA CONSTITUIÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS ......................................................99
2.1 OMISSÃO DE SOCORRO ............................................................................................................99
2.2 DIREITOS DA VÍTIMA .................................................................................................................100
2.3 CASOS DE NEGLIGÊNCIA .........................................................................................................101
2.4 DIREITO DE SIGILO ....................................................................................................................101
3 SEGURO DE ACIDENTES DE TRABALHO ................................................................................102
3.1 LEGISLAÇÃO VIGENTE .............................................................................................................102
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................103
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................104
TÓPICO 4 – FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO ..........................................105
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................105
2 FUNÇÕES VITAIS DO CORPO HUMANO .................................................................................106
2.1 RINS .................................................................................................................................................106
2.2 APARELHO DIGESTIVO .............................................................................................................106
2.3 FÍGADO ..........................................................................................................................................106
2.4 PULMÃO ........................................................................................................................................107
2.5 CORAÇÃO ......................................................................................................................................107
2.6 SISTEMA NERVOSO CENTRAL ................................................................................................107
3 SINAIS VITAIS ...................................................................................................................................107
3.1 TEMPERATURA CORPORAL ....................................................................................................107
3.2 PULSO .............................................................................................................................................108
3.3 RESPIRAÇÃO ................................................................................................................................108
3.4 PRESSÃO ARTERIAL ...................................................................................................................109
3.5 PUPILAS .........................................................................................................................................109
3.6 COLORAÇÃO DA PELE ..............................................................................................................110
3.7 ESTADO DE CONSCIÊNCIA ......................................................................................................110
3.8 CAPACIDADE DE MOVIMENTAÇÃO .....................................................................................110
4 PRINCÍPIOS DE REANIMAÇÃO ...................................................................................................110
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................112
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................113
TÓPICO 5 – ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA ......................................................................115
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................115
2 PARADA RESPIRATÓRIA ..............................................................................................................115
2.1 DEFINIR O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA VÍTIMA .........................................................116
X
2.2 POSICIONAR A VÍTIMA .............................................................................................................116
2.3 VERIFICAR SE A VÍTIMA ESTÁ RESPIRANDO .....................................................................116
2.4 REALIZAR A RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL ...............................................................................117
3 PARADA CARDÍACA .......................................................................................................................117
3.1 INSTRUÇÕES PARA O SOCORRISTA ......................................................................................118
3.2 TÉCNICA DE COMPRESSÃO TORÁCICA ..............................................................................118
3.3 COMPRESSÃO TORÁXICA EXTERNA ....................................................................................120
3.4 POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO ..................................................................................................120
3.5 COMPLICAÇÕES POR REALIZAÇÃO DE MANOBRAS INADEQUADAS ..................... 121
4 HEMORRAGIAS ............................................................................................................................... 122
4.1 TIPOS DE HEMORRAGIAS ........................................................................................................ 123
4.1.1 Anatomia das hemorragias ............................................................................................... 123
4.1.2 Hemorragia nasal (epistaxe) .............................................................................................. 123
4.1.3 Hemorragia do conduto auditivo externo (otorragia) ................................................... 123
4.1.4 Hemorragia dos pulmões (hemoptise) ............................................................................. 124
4.1.5 Hemorragia do sistema digestivo (hematêmese) ............................................................ 124
4.1.6 Hemorragia intracraniana .................................................................................................. 125
4.1.7 Hemorragia interna ............................................................................................................. 126
4.1.8 Melena ................................................................................................................................... 126
4.2 MEDIDAS DE SOCORRO ........................................................................................................... 126
4.3 TÉCNICAS PARA CONTROLES DA HEMORRAGIA........................................................... 127
4.3.1 Técnica de compressão direta sobre o ferimento ............................................................ 127
4.3.2 Técnica da elevação do ponto de sangramento ............................................................... 127
4.3.3 Técnica da compressão sobre os pontos arteriais ............................................................127
4.3.4Técnica de torniquete ........................................................................................................... 128
5 ESTADO DE CHOQUE ...................................................................................................................129
5.1 CAUSAS DO ESTADO DE CHOQUE ....................................................................................... 129
5.2 TRATAMENTO PARA O ESTADO DE CHOQUE .................................................................. 130
6 CHOQUE ANAFILÁTICO ............................................................................................................... 131
RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 132
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 133
UNIDADE 3 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS ................................................................................... 135
TÓPICO 1 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS .............. 137
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 137
2 EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS .............................................................................................. 138
2.1 HIPERVENTILAÇÃO .................................................................................................................. 138
2.2 ASMA ............................................................................................................................................. 139
2.3 INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA ............................................................................................ 141
2.4 EDEMA AGUDO DE PULMÃO ................................................................................................ 143
3 EMERGÊNCIAS CIRCULATÓRIAS ............................................................................................. 144
3.1 ANGINA DE PEITO ..................................................................................................................... 144
3.2 ARRITMIAS CARDÍACAS .......................................................................................................... 145
3.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO ...................................................................................... 146
3.4 CRISE HIPERTENSIVA................................................................................................................ 148
3.5 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC) ........................................................................... 150
RESUMO DO TÓPICO 1.................................................................................................................... 153
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 154
XI
TÓPICO 2 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS ...................................................................... 155
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 155
2 CÓLICA RENAL ............................................................................................................................... 155
3 DIABETES: COMA DIABÉTICO E HIPOGLICEMIA .............................................................. 157
4 INSOLAÇÃO ..................................................................................................................................... 159
5 EXAUSTÃO PELO CALOR ............................................................................................................ 160
6 CÃIBRAS DE CALOR ...................................................................................................................... 160
7 DIARREIA .......................................................................................................................................... 161
8 DESMAIO .......................................................................................................................................... 162
RESUMO DO TÓPICO 2.................................................................................................................... 164
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 165
TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES MENTAIS ........................................................................................... 167
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 167
2 CONVULSÃO ................................................................................................................................... 167
3 NEUROSE HISTÉRICA ................................................................................................................... 169
4 ALCOOLISMO AGUDO ................................................................................................................. 170
RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................... 171
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 172
TÓPICO 4 – PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS ................... 173
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 173
2 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OSSOS ..................................................................................... 174
2.1 AMPUTAÇÕES ............................................................................................................................ 180
3 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS MÚSCULOS ............................................................................ 181
4 LESÕES TRAUMÁTICAS NAS ARTICULAÇÕES ................................................................... 182
4.1 AS ENTORSES .............................................................................................................................. 182
4.2 AS LUXAÇÕES............................................................................................................................. 183
5 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OLHOS ..................................................................................... 184
6 LESÕES TRAUMÁTICAS NA CABEÇA E NA COLUNA VERTEBRAL ............................. 188
6.1 LESÕES NA CABEÇA................................................................................................................. 188
6.2 LESÕES NA COLUNA VERTEBRAL ....................................................................................... 191
7 LESÃO TRAUMÁTICA NO TÓRAX ........................................................................................... 194
8 LESÃO TRAUMÁTICA DE ABDÔMEN ..................................................................................... 195
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 196
RESUMO DO TÓPICO 4.................................................................................................................... 200
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 202
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 203
XII
1
UNIDADE 1
POR QUE SABER PRESCREVER 
ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS 
ESPECIAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você será capaz de:
• diferenciar os conceitos de avaliação e testes de avaliação e suas peculiari-
dades;
• compreender o que são grupos especiais e seu impacto na saúde pública 
do Brasil e do mundo;
• entender a importância dos programas de atividades físicas para grupos 
especiais.
Esta unidadeestá organizada em três tópicos. Ao final de cada um deles, 
você encontrará o resumo e a atividade, que darão maior compreensão dos 
temas abordados.
TÓPICO 1 – GRUPOS ESPECIAIS 
TÓPICO 2 – QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
TÓPICO 3 – MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
GRUPOS ESPECIAIS
1 INTRODUÇÃO
As pessoas são muito diferentes umas das outras. As definições para 
separar populações foram feitas para organizar grandes grupos com as mesmas 
características. Como exemplo de populações parecidas, temos a definição de 
homens e mulheres, crianças, adolescentes e adultos e assim por diante. Grupos 
ou populações especiais são as pessoas que compõem uma parcela da população 
com necessidades específicas e que exigem atenção, sejam elas passageiras ou 
não. Segundo Farlex (2011), populações especiais são consideradas as pessoas que 
poderiam ser mais sensíveis ou suscetíveis à exposição a substâncias ou situações 
perigosas, por causa de fatores como idade, ocupação, sexo ou comportamentos. 
Atualmente, os grupos especiais são divididos em hipertensos, idosos, obesos, 
cardiopatas, diabéticos, grávidas e portadores de necessidades especiais. No 
ramo da atividade física, entendemos que crianças, gestantes, adolescentes 
e mulheres também podem ser considerados grupos especiais, pois requerem 
uma série de recomendações exclusivas para a prática de exercícios físicos. 
Outros grupos, como transplantados, portadores de câncer, deficientes visuais, 
deficientes auditivos, portadores de síndromes, portadores de AIDS, amputados, 
portadores de lesões graves de coluna também são considerados populações 
especiais, mas com limitações únicas e necessitam de um tratamento exclusivo, 
não podendo ser acompanhados em grupo, pela necessidade de singularidade de 
cada caso. A definição de Sena (2010) é:
Designa-se por populações especiais todas as situações nas quais uma 
determinada doença ou condição, de caráter irreversível ou não, requerem 
um cuidado e atenção redobrada em termos de prática de exercício 
físico”. São exemplos de Populações Especiais: diabéticos, hipertensos, 
ateroscleróticos, crianças, obesos, tabagistas, cardiopatas, grávidas etc.
Quando observamos os grupos de pessoas, percebemos que cada uma 
apresenta diferenças em relação às outras, que interferem na realização de 
atividades físicas. O que se deve observar é se a atividade física, por mais leve que 
seja, não provoque alterações de origem metabólica ou que não possa colocar o 
indivíduo em risco, ou apresentar algum tipo de sintoma que leve a sofrer quedas 
ou perda de consciência. Usamos como exemplo um diabético, que apresenta 
queda nos níveis de glicose (hipoglicemia severa), levando à confusão mental e 
sonolência. Estando esta pessoa numa esteira elétrica, poderia sofrer uma queda 
e provocar graves lesões, inclusive lesar pessoas à sua volta.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
4
UNI
O CID (Classificação Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial 
da Saúde) é o referencial utilizado pelo médico para dar o diagnóstico de Pessoa com 
deficiência (PCD).
FIGURA 1 – ATIVIDADE FÍSICA 
FONTE: Disponível em: <http://cienciadotreinamento.com.br/wp-content/
uploads/2016/03/active-exercise-program.png>. Acesso em: 12 ago. 2017.
Quando a atividade física é um esporte, por mais saudável que seja, se 
praticado de maneira excessiva, pode inverter os efeitos positivos e conduzir 
para danos à saúde (WEINECK, 2003).
FIGURA 2 – A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
FONTE: Disponível em: <https://www.eusemfronteiras.com.br/
conheca-a-dieta-ovolactovegetariana/>. Acesso em: 17 jan. 2018.
Independente de tipo de população, a atividade física deve estar associada 
a hábitos alimentares saudáveis e estilo de vida livre de tabagismo, alcoolismo e 
sedentarismo (WEINECK, 2003).
2 CLASSIFICAÇÃO DAS POPULAÇÕES ESPECIAIS
Um indivíduo fisicamente ativo tende a ser mais saudável, com maior 
qualidade e expectativa de vida, com redução de diversas enfermidades. Segundo 
Powell, Paluch e Blair (2011), a atividade física, o exercício físico e o esporte 
TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS
5
UNI
Existem muitas outras doenças que também se relacionam à população 
especial: deficientes (visual, intelectual e física), surdez; distúrbios emocionais (psicose, 
neurose, distúrbio de personalidade, esquizofrenia, distúrbio de comportamento da infância 
e da adolescência, depressão); distúrbio de desenvolvimento (autismo, síndrome de Rett, 
síndrome desintegrativa da infância, síndrome de Asperger); fibrose cística, câncer, anemia 
falciforme, hemofilia, síndrome da imunodeficiência adquirida, transplante de órgãos, 
síndrome da fadiga crônica; distúrbios de aprendizagem etc.
integram a abordagem médica para a prevenção das doenças cardiovasculares 
(DCVs), que incluem coronariopatias, infarto agudo do miocárdio, arritmias, entre 
outras, que geram grandes limitações funcionais e gastos públicos acentuados em 
seu tratamento, exigindo uma abordagem multidisciplinar. 
Sena (2010) preconiza que inicialmente faz-se necessária uma 
estratificação dos riscos, presentes nos vários tipos de indivíduos que desejam 
praticar atividade física. Esta estratégia é indispensável, pois é por meio dela 
que se verifica a existência de riscos para as doenças coronarianas e classifica os 
grupos em três categorias:
1. Aparentemente saudáveis: indivíduos que são assintomáticos e aparentemente 
saudáveis, com não mais do que um fator de risco coronário.
2. Risco aumentado: indivíduos que têm sinais e sintomas que sugerem uma 
possível doença cardiopulmonar ou metabólica e/ou dois ou mais fatores de 
risco coronário.
3. Doença diagnosticada: indivíduos com uma doença cardíaca ou pulmonar 
diagnosticada.
FIGURA 3 – DOENÇAS METABÓLICAS E A INFÂNCIA
FONTE: Disponível em: <http://iurinascimento.com/perfil/>. 
Acesso em: 1 ago. 2017.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
6
Lembre-se: populações especiais são grupos diferentes de pessoas com 
necessidades especiais, embora pessoas com necessidades especiais façam parte 
de populações especiais, ou seja, que apresentam algum tipo de vulnerabilidade 
para a prática de atividades físicas ou atividades afins.
Populações especiais com uma condição clínica especial, que pode 
requerer uma perícia e supervisão para superar essa situação; já a pessoa com 
necessidades especiais é definida pela legislação brasileira (Lei nº 38/2004, de 18 
de agosto de 2004, s.p.) como 
[…] aquela que, por motivo de perda ou anomalia, congênita ou 
adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as funções 
psicológicas, apresente dificuldades específicas susceptíveis de, em 
conjugação com os fatores do meio, lhe limitar ou dificultar a atividade 
e a participação em condições de igualdade com as demais pessoas.
A Legislação de Bases Gerais do Regime Jurídico da Prevenção, 
Habilitação, Reabilitação e Participação da Pessoa com Necessidade diferencia 
estas populações pelo risco cardiovascular frente à realização de atividades físicas. 
FIGURA 4 – ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS
FONTE: Disponível em: <http://www.sbh.org.br/geral/atualidades-a-pratica-de-
atividade-fisica-na-hipertensao-arterial.asp>. Acesso em: 1 ago. 2017.
Estudos científicos comprovam que exercícios físicos são fundamentais 
para a melhora da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Doenças 
muito frequentes na vida moderna, como a obesidade, a hipertensão arterial e a 
diabetes, podem ser agravadas com a ausência de exercícios físicos, cuja prática 
regular pode auxiliar na redução da gravidade e no tratamento dessas doenças.
3 ATIVIDADE FÍSICA PARA TODOS
As linhas orientadoras existentes para a prática de atividade física (AF), 
na população, sugerem que para promover e manter a saúde, todos os indivíduos 
com idades entre os 18 e 65 anos deveriam praticar exercício aeróbio de moderada 
intensidade, num mínimo de 30 minutos nos cinco diasda semana, ou então, 
TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS
7
FIGURA 5 – EXERCÍCIOS PARA TODAS AS IDADES
FONTE: Disponível em: <https://drcoluna.blogspot.com.br/2014/11/
osteopatia-no-esporte-e-na-atividade.html>. Acesso em: 17 jan. 2018.
Várias pesquisas referentes à atividade física apontam o Brasil para um 
elevado índice de sedentarismo em todas as faixas etárias. Na população mundial 
a variação é de 50% a mais de 80%. (MENDES et al., 2006). Com base em estudos 
realizados nas últimas três décadas com a população brasileira, observa-se que 
está ocorrendo um aumento significativo e gradativo de pessoas com sobrepeso 
e obesidade, que se inicia na infância e vai até a idade adulta. Com este crescente 
número de indivíduos, pode-se destacar que é um comportamento epidêmico, que 
fará surgir uma série de novas patologias muito mais graves, além da associação 
delas. O tratamento convencional para perda de peso tem como base a redução 
na ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificação comportamental 
do indivíduo e dos membros que o cercam, impactando não só na perda de peso, 
mas também nas doenças associadas a ele, como diabetes, hipertensão arterial 
sistêmica, dislipidemias, síndrome metabólica etc. (I DIRETRIZ DA SBEM, 2005).
exercício aeróbio vigoroso num mínimo de 20 minutos, três vezes por semana 
(HASKELL et al., 2007). 
Pequenas modificações no dia a dia – como subir escadas, saltar do ônibus um 
ponto antes, passear com cachorro, varrer, cuidar do jardim, lavar o carro etc. – podem ajudar 
a movimentar mais e servir como um estímulo para o início de uma atividade física diária.
UNI
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
8
Já são bem documentados na literatura os efeitos e benefícios da atividade 
física regular no corpo humano. A tabela a seguir resume estes benefícios em 
cada sistema do corpo humano.
TABELA 1 – BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA REGULAR NA SAÚDE
1. Melhoria da função cardiorespiratúria
a. Melhoria do V0₂ máx
b. Menor custo de O₂ cardíaco para dada intensidade sub-máxima
c. Menor PA e FC para dada intensidade sub-máxima
d. Melhoria do limiar de acumulação de ácido láctico
e. Melhoria do limiar de surgimento de sintomas (e.g., angina)
2. Redução dos factores de risco de doença coronária
a. Redução da PA sistólica. e diastólica. em hipertensos (modestamente)
b. Aumento do C-HDL e diminuição dos triglicéridos
c. Redução da gordura corporal
d. Redução das necessidades de insulina exógena e melhor tolerância à glucose
3. Decréscimo na mortalidade e morbilidade
a. Prevenção primária
b. Prevenção secundária
4. Outros benefícios
a. Decréscimo na ansiedade e depressão
b. Melhoria da sensação de bem-estar
c. Melhoria do desempenho nas actividades laborais e de lazer
FONTE: Disponível em: <https://estudogeral.sib.uc.pt/bistream/10316/20800/1/tese%20final.
pdf>. Acesso em: 1 ago. 2017.
FIGURA 6 – A ATIVIDADE FÍSICA FAZ BEM AO CORAÇÃO
FONTE: Disponível em: <https://www.blogadao.com/doencas-
hipocineticas-causas-tratamento/>. Acesso em: 1 ago. 2017.
TÓPICO 1 | GRUPOS ESPECIAIS
9
 Falaremos mais adiante sobre a prescrição da atividade física para cada 
grupo, suas implicações e cuidados necessários para um impacto positivo na saúde.
4 DIFERENÇAS ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO FÍSICO
A atividade física pode ser definida como qualquer movimento corporal, 
produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em gasto energético maior 
do que os níveis de repouso. Já o exercício físico é toda atividade física planejada, 
estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um 
ou mais componentes da aptidão física (CASPERSEN et al.,1985 apud GUEDES; 
GUEDES, 1995). Portanto, quando um indivíduo faz exercícios sob monitoramento 
de um profissional, seguindo uma sequência, este é exercício físico. Quando 
a pessoa sai para caminhar na rua, sem pressa e sem controle da velocidade e 
intensidade dos passos, passa a ser atividade física.
FIGURA 7 – A CONQUISTA DA SAÚDE
 FONTE: Disponível em: <http://cebes.org.br/2014/04/direito-integral-e-
universal-a-saude-dos-trabalhadores-avancos-e-desafios/>. Acesso em: 1 
ago. 2017.
4.1 O DIREITO INTEGRAL À SAÚDE
No Brasil, o direito universal e integral à saúde foi conquistado pela 
sociedade na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único 
de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90. Estes direitos 
incluem acesso à atividade física e orientação para a realização de exercícios físicos 
com cautela e segurança, que fazem parte dos serviços e ações de promoção, 
proteção e recuperação da saúde, garantindo a integralidade da atenção, indo ao 
encontro das diferentes realidades e necessidades de saúde da população.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
10
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é composta por equipe multiprofissional de 
médico generalista/especialista em saúde da família ou de família e comunidade, enfermeiro 
generalista ou especialista em saúde da família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes 
comunitários de saúde (ACS).
UNI
A Política Nacional de Atenção Básica (2012) esclarece a Estratégia Saúde 
da Família destacando a importância das ações de enfoque aos grupos de risco, 
que na verdade são populações especiais:
I. Desenvolver ações que priorizem os grupos de risco e os fatores de risco clínico-
comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o 
aparecimento ou a persistência de doenças e danos evitáveis; 
II. Realizar o acolhimento com escuta qualificada, classificação de risco, 
avaliação de necessidade de saúde e análise de vulnerabilidade, tendo em vista 
a responsabilidade da assistência resolutiva à demanda espontânea e o primeiro 
atendimento às urgências; 
III. Prover atenção integral, contínua e organizada à população adscrita; 
IV. Realizar atenção à saúde na Unidade Básica de Saúde, no domicílio, em 
locais do território (salões comunitários, escolas, creches, praças etc.) e em outros 
espaços que comportem a ação planejada.
UNI
Você pode consultar equipes de saúde próximas de sua casa através do site: 
<http://dab.saude.gov.br/portaldab/historico_cobertura_sf.php>.
A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação 
de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, a universalidade, 
a integralidade da atenção, a equidade e o controle social, ao mesmo tempo em que 
incorpora, em sua organização, o princípio da territorialidade para facilitar o acesso 
das demandas populacionais aos serviços de saúde. A partir de 2012, o Ministério 
da Saúde transformou o Programa de Saúde da Família (PSF) para Estratégia 
Saúde da Família (ESF) (BRASIL, 1994). O principal objetivo desta mudança foi a 
reorganização das práticas assistenciais e melhoria do atendimento à população.
11
Neste tópico você estudou que: 
• Desenvolvemos o conhecimento de que grupos especiais estão em todo lugar, 
são pessoas que necessitam de algum cuidado na realização de atividades 
físicas e até outras atividades.
• Estudos científicos comprovam que exercícios físicos são fundamentais para a 
melhora da saúde e da qualidade de vida das pessoas.
• No contexto de saúde pública, os grupos especiais precisam de programas de 
atividade física para reduzir a morbimortalidade associada ao sedentarismo.
• A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação de 
um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, e que dentro 
deste sistema estão inclusas práticas do profissional educador físico e afins no 
desenvolvimento de programas de exercícios físicos para grupos especiais, 
incluindo idosos, obesos, cardiopatas, hipertensos etc.
RESUMO DO TÓPICO 1
12
1 Com a evolução da ciência e da fisiologia do exercício, percebemos que cada 
vez mais as pessoas se preocupam com a boa forma corporal e aparência 
física. Com o passar do tempo a sociedade de consumo passoua impor 
padrões de beleza. A beleza, como padrão, é um meio que as pessoas 
têm buscado para conseguir saciar-se sem nunca querer sair do foco 
central de toda a atenção desejada. Atualmente percebe-se que a aparência 
se tornou a essência humana, sendo considerada mais importante do que 
valores e princípios que vigoravam em tempos passados. Diante deste 
contexto, assinale a alternativa correta:
a) ( ) A evolução da ciência proporcionou formas distintas e concretas 
de atingir boa forma corporal e a aparência física desejada. Esta mesma 
evolução permitiu o avanço da ciência para dar mais liberdade e capacidade 
a pessoas com limitações físicas, que eram restritas a viverem presas a 
cadeiras de rodas, como os paraplégicos, por exemplo, que hoje têm seu 
próprio carro, praticam esportes e têm uma vida muito próxima do normal.
b) ( ) A ciência evoluiu na área da beleza de forma a deixar uma lacuna entre 
a busca da perfeição corporal e a saúde e qualidade de vida. Houve uma 
evolução acelerada apenas na área da beleza.
c) ( ) A atividade física utilizada como forma de se obter um padrão de beleza 
tão sonhado, não está relacionada a hábitos alimentares saudáveis e estilo 
de vida livre de tabagismo, alcoolismo e sedentarismo.
d) ( ) Dentro da estratificação de riscos, pessoas com “risco aumentado” 
podem praticar exercícios preocupando-se somente com a aparência física, 
independentemente de seu estilo de vida e fatores associados.
2 A lei que classifica: “Aquela que, por motivo de perda ou anomalia, 
congênita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as 
funções psicológicas, apresente dificuldades específicas susceptíveis de, em 
conjugação com os fatores do meio, lhe limitar ou dificultar a atividade e 
a participação em condições de igualdade com as demais pessoas” Lei nº 
38/2004, de 18 de agosto de 2004.
A lei supracitada é relacionada a:
a) ( ) Pessoas com necessidades especiais
b) ( ) Pessoas designadas como populações especiais
c) ( ) Portadores de síndromes especiais
3 A obesidade é uma doença crônica decorrente de um aumento da quantidade 
de gordura no organismo. É uma doença silenciosa e pode ser a causa de vários 
problemas de saúde, como hipertensão, diabetes, coronariopatias etc. Diante 
do exposto, assinale a alternativa que aborda o tratamento convencional para 
o tratamento da obesidade:
AUTOATIVIDADE
13
a) ( ) O tratamento convencional para perda de peso tem como base a redução 
na ingestão calórica, aumento do gasto energético com atividade física, 
modificação comportamental do indivíduo e dos membros que o cercam.
b) ( ) O tratamento convencional para perda de peso é a dieta com restrição 
calórica, acompanhamento nutricional e ingestão de fármacos para controle 
da vontade de comer doces.
c) ( ) O tratamento convencional é baseado em acompanhamento de 
profissional de educação física, sem restrição calórica.
d) ( ) O tratamento convencional para perda de peso é a dieta com restrição 
calórica, acompanhamento nutricional sem relacionar doenças associadas.
4 Prescrever exercício físico requer um planejamento estruturado e repetitivo 
que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes 
da aptidão física. O objetivo do exercício físico é trazer ganhos como força, 
melhora da função cardiorrespiratória, qualidade de vida, prevenção de 
doenças cardiovasculares, decréscimo da mortalidade e morbidade, entre 
outros. Assinale a alternativa que não sofre influências com a prática regular 
de atividade física:
a) ( ) Previne o sobrepeso e a obesidade.
b) ( ) Aliado contra o tabagismo.
c) ( ) Melhora da função cardiorrespiratória.
d) ( ) Aumento no número de células adipócitos.
14
15
TÓPICO 2
QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Prescrever atividade física para grupos especiais requer uma base 
teórica aprofundada, com conhecimento fisiológico, cinesiológico e patológico, 
para pesquisa e programação de treinos, promovendo atividades físicas para 
indivíduos com necessidades particulares, que favoreçam a redução do consumo 
de medicamentos, objetivando a prevenção e promoção da saúde por meio de 
práticas corporais, visando à aquisição de um estilo de vida mais saudável, dentro 
das condições de cada grupo.
FIGURA 8 – O EDUCADOR FÍSICO E A PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO
FONTE: Disponível em: <https://horadotreino.com.br/profissional-educacao-
fisica/>. Acesso em: 1 ago. 2017.
2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
O profissional de Educação Física pode atuar individualmente na 
prescrição da atividade física para cada indivíduo, e pode intervir dentro de 
programas, como o Programa Saúde da Família (PSF), tanto para orientar sobre a 
importância de hábitos de vida ativa, quanto para promover e estimular a adoção 
de um estilo ativo de vida, contribuindo para minimizar os riscos de doenças 
crônicas não transmissíveis e os agravos delas decorrentes. Partindo desse 
pressuposto, cabe ao profissional de Educação Física, junto aos serviços públicos 
e privados de saúde e em outros espaços de intervenção, desenvolver ações que 
propiciem a melhoria da qualidade de vida da população.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
16
O curso de Educação Física é um dos mais escolhidos por pessoas que prezam 
pela saúde e encontram nas atividades físicas uma fonte para investir em qualidade de vida 
e bem-estar.
UNI
A Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998, dispõe o papel do educador 
físico frente à atividade física:
Art. 3º Compete ao profissional de Educação Física coordenar, 
planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, 
avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem 
como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar 
treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares 
e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e 
pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto 
(NAHAS, 2010).
A atividade física, conforme está cientificamente comprovado, apresenta 
diversos efeitos benéficos ao organismo, uma promoção da saúde para a população 
que vai além dos ganhos estimados. É recomendada como uma forma estratégica 
de permitir uma melhor qualidade de vida com o passar dos anos, contribuindo 
para o aumento da expectativa de vida e levando as pessoas a viverem mais. A 
prática regular de exercícios garante melhora da saúde, desde a infância até na 
terceira idade. 
O profissional de Educação Física deverá conhecer a legislação específica 
da sua área de competência, para que não incorra em condutas e procedimentos 
que caracterizem práticas específicas de outras profissões da área da saúde. 
Outro fator importante é compreender que o profissional deve associar todos 
os fatores biopsicossociais que influenciam a adesão e manutenção do exercício 
físico nos níveis adequados, ou seja, precisa mensurar os resultados da prescrição 
do exercício para estas populações.
Compete ao educador físico conhecer cada fase da idade e das diversas 
doenças desenvolvidas pelo homem, a fim de desenvolver um plano de 
exercícios que tragam benefícios e resultados positivos. Um exemplo é o período 
do climatério, uma fase da vida da mulher em que as alterações hormonais 
causam profundas modificações metabólicas e emocionais, que fazem com que 
os exercícios sejam benéficos e recomendados para a manutenção do peso, a 
redução da gordura corporal, a manutenção ou o aumento das massas muscular 
e óssea, além de inúmeros benefícios psicológicos. Cabe ao profissional orientar e 
acompanhar os resultados obtidos através da atividade física regular.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
17
Pessoas ativas fisicamente tendem a sofrer menos com a dor, pois os exercícios 
oferecem uma ação analgésica natural através da produção de endorfinas.
FIGURA 9 – AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
FONTE: Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/WXaKmhvekjQ/
maxresdefault.jpg>.Acesso em: 30 nov. 2017.
FIGURA 10 – A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PREVENÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-2i5tSotuSco/
T3HsR00XYnI/AAAAAAAAAkk/uT09wrYahrc/s1600/SDC11036.JPG>. Acesso 
em: 11 ago. 2017.
UNI
Nas próximas unidades, vamos tratar dos grupos ou populações 
especiais mais comuns, com suas necessidades e recomendações para a prática 
de exercícios físicos.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
18
3 A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO
Desde 1986, as diretrizes sobre frequência, intensidade e duração do 
exercício são difundidas. Uma das maiores entidades em atividade física e 
esportes, a NSCA (National Strengt and Conditioning Association Foundation), relata 
que a prescrição do exercício físico deve ser composta de:
- Escolha do exercício mais adequado.
- Ordem do exercício.
- Força aplicada.
- Número de séries.
- Tempo de repouso entre as séries. 
O exercício realizado regularmente, ou seja, com uma determinada 
combinação de frequência, intensidade e duração é o segredo para a obtenção do 
aumento do condicionamento físico. A interação desses fatores fornece o estímulo 
de sobrecarga, e quanto maior o estímulo, maior é o efeito. Devido à necessidade de 
um grupo especial requerer manter a força e também a resistência cardiovascular, 
o programa de exercícios deve compor o treinamento dos principais grupos 
musculares (resistência), exercícios de flexibilidade ou associados, dependendo 
das necessidades de cada um.
4 POR ONDE COMEÇAR?
A primeira atitude de um profissional é avaliar, interpretando as 
informações e dando um diagnóstico inicial ao aluno, indicando estratégias de 
melhoria do condicionamento corporal através de exercícios físicos e esportes. 
As evidências científicas comprovam que sem uma avaliação física fica muito 
difícil a prescrição de um programa de treinamento. Ela é iniciada pela anamnese, 
um termo usado em todas as áreas da saúde para designar o relato da doença 
e toda sua história. É uma entrevista que ajuda o profissional no diagnóstico e, 
com isto, traçar o objetivo e conduta no tratamento. Neste momento se verificam 
os hábitos alimentares, doenças hereditárias, limitações, cirurgias, fatores de 
risco para doenças cardiovasculares e coronariopatias, perfil de atividade física 
indicada e nível de motivação pessoal. A avaliação física é parte integrante 
inicial do programa de exercício físico, sendo uma ferramenta importante tanto 
para o aluno quanto para o professor, importante para o sucesso do objetivo do 
aluno que começa suas atividades físicas regulares, e mais importante ainda 
para o professor, que buscará alcançar os objetos propostos por seu aluno. Nas 
crianças, a anamnese é feita com a mãe, nos adolescentes é feita com a mãe e, 
logo depois, somente com o adolescente. A avaliação prossegue através de testes 
antropométricos e ergométricos, avaliação metabólica, cardiorrespiratório, 
neuromuscular e da flexibilidade.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
19
A Confederação Nacional de Educação Física (CONFEF) reconhece que o 
tipo e a intensidade do exercício físico, a frequência e a duração da sessão devem 
ser prescritos pelo profissional de Educação Física e adaptados às condições do 
beneficiário/grupo, considerando não somente o seu estado de saúde, risco ou 
doença, mas também as suas capacidades físicas, limitações individuais, objetivos 
pessoais e preferências, de modo a otimizar os benefícios e a adesão à prática 
regular em programas de atividades físicas e desportivas.
A avaliação física, conforme Monteiro (2009, p. 16): 
Consiste em um processo sistematizado e sistemático no que diz 
respeito à coleta de dados, ao tratamento destes dados e a análise de 
resultados. É o primeiro feedback e contato do aluno e seu professor, para 
que ele saiba como está toda a sua situação física naquele momento, 
ela fará um diagnóstico inicial do aluno, e todo o acompanhamento do 
aluno enquanto ele estiver fazendo suas atividades físicas para saber 
se ele está evoluindo e alcançando seus objetivos propostos no início 
da prescrição, buscando sempre a melhor estratégia e ergonomia para 
o alcance dos resultados.
 Em face da responsabilidade ética do exercício profissional, as informações 
da avaliação física serão mantidas sob sigilo, tanto do ponto de vista profissional 
quanto no institucional, e o beneficiário será notificado da importância da 
veracidade das informações por ele prestadas.
O profissional da área da saúde tem como obrigação saber aplicar e 
avaliar os testes ou protocolos, a fim de prescrever ou orientar atividades físicas 
com maior qualidade, que segundo o Conselho Federal de Medicina estabelece 
na Nota técnica CONFEF n° 002/2012:
1- Antes do início do desenvolvimento do programa de exercícios, 
de atividades físicas e/ou desportivas, faz-se necessária a realização 
de avaliação física procedida por profissional de Educação Física, de 
acordo com a sua respectiva área de intervenção, que analisará as 
condições para o desenvolvimento das atividades a serem realizadas; 
2- Nos casos em que o profissional de Educação Física, de acordo 
com a classificação de risco proposta pelo ACSM e a intensidade de 
exercício proposta, identifique indivíduos sintomáticos ou com fatores 
de risco para doenças cardiovasculares, metabólicas, pulmonares e do 
sistema locomotor, que podem ser agravadas pela atividade física, 
deverá solicitar avaliação médica especializada objetivando identificar 
restrições e estabelecer linhas de orientação para prescrições 
de exercícios apropriados pelo profissional de Educação Física; 
3- Na aplicação de avaliação física, o profissional de Educação 
Física utilizará conhecimentos sobre: Protocolos de testes, suas 
indicações e contraindicações; Fisiologia do exercício e das respostas 
hemodinâmicas e respiratórias ao exercício físico; Princípios e detalhes 
da avaliação, inclusive o preparo do beneficiário e mecanismos 
de funcionamento dos equipamentos, bem como suas limitações; 
Indicações de interrupção dos testes;
4 - No âmbito da avaliação física, o profissional de Educação Física 
coleta dados e interpreta informações relacionadas com prontidão 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
20
para a atividade física, fatores de risco, qualidade de vida e nível 
de atividade física; Afere e avalia pressão arterial e frequência 
cardíaca; Aplica escalas de percepção do esforço; Utiliza ergômetros 
(esteira, cicloergômetro, etc) e outros equipamentos utilizados em 
programas de atividade física; Utiliza equipamentos para medição 
de glicemia e concentração de lactatos e interpreta os resultados 
obtidos; Conhece, aplica e interpreta testes de laboratório e campo 
utilizados em avaliação física; Realiza e interpreta avaliação de 
medidas antropométricas; Prescreve atividades físicas baseadas em 
testes ergoespirométricos; Prescreve atividades físicas baseadas em 
limiares metabólicos, frequência cardíaca e percepção de esforço; 
5 - No âmbito da avaliação física, o profissional de Educação Física 
poderá trabalhar individualmente ou em equipes multiprofissionais; 
6- O profissional de Educação Física deve registrar o mais 
pormenorizadamente possível as informações relativas à avaliação 
física, utilizando-se de prontuário, ficha de controle ou equivalente 
relatando as informações sobre dados pessoais; hábitos de vida, bem 
como se faz ou não uso de medicamentos ou tratamento médico 
específico; limitações físicas, condições físicas/corporais e programa 
desenvolvido pelo beneficiário.
Apresentamos um modelo de avaliação com os dados mais importantes 
sobre a vida do participante, que deve apresentar compreensão e alfabetização 
para responder. Caso não seja possível, o profissional deverá ler e transcrever as 
respostas do aluno para o papel.
QUADRO 1 – MODELO DE FICHA DE AVALIAÇÃO/ANAMNESE 
FICHA DE ANAMNESE CORPORAL
Dados Pessoais
Nome:
Endereço:
Bairro:
Fones:
Etnia:
Indicação:
Motivoda Visita:
Data: / / Idade
Sexo:
Data Nasc:
CEP:
Profissão:
Cidade:
Res: Comercial:
Est. Civil:
E-mail:
Em caso de emergência avisar:
Nome: Telefone:
Médico: Telefone:
Convênio Méd: Cart: Hospital:
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
21
Histórico
Costuma permanecer muito tempo sentada ? S N
Antecedentes cirúrgicos ? S N Quais?
Trat. estético anterior ? S N Quais?
Antecedentes alérgicos ? S N Quais?
Funcionamento intestinal regular ? S N Obs.:
Pratica atividade física ? S N Quais?
É fumante? S N
Alimentação balanceada ? S N Tipo?
Ingere líquidos com frequência ? S N Quanto?
É gestante ? S N Filhos? S N Quantos?
Tem algum problema ortopédico ? S N Qual?
Faz algum tratamento médico ? S N Qual?
Usa ou já usou ácidos na pele? S N Quais?
Já fez algum tratamento ortomelecular ? S N Qual?
Cuidados Diários e produtos em uso: S N Qual?
Portador de Marcapasso ? S N Qual?
Presença de metais ? S N Local?
Antecedentes oncológicos ? S N Qual?
Ciclo menstrual regular ? S N Obs.:
Usa método anticoncepcional ? S N Qual?
Varizes ? S N Grau:
Lesões ? S N Quais?
Hipertensão ? S N Hipotensão? S N
Epilepsia ? S N Diabetes? S N
Termo de Responsabilidade
Estou ciente e de acordo com todas as informações acima relacionadas.
 ____________________________________ ___________________________________
 Local e Data Assinatura Cliente
FONTE: Disponível em: <https://www.slideshare.net/luiz1964/ficha-de-anamnese-corporal>. 
Acesso em: 30 nov. 2017.
Como você percebe, a avaliação pode ser simples e clara, a fim de obter os 
dados necessários para a prescrição de exercícios com segurança.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
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Este questionário pode ser preenchido pelo próprio aluno e é baseado 
nele que o profissional educador físico irá coletar todas as informações para a 
prescrição e montagem de um programa de exercícios. Este questionário também 
serve para fazer reavaliações do estado de saúde do aluno, podendo comparar 
o que o aluno respondeu em diversas épocas em que participou do treinamento 
(início, após seis meses, após um ano etc). O encaminhamento médico é necessário, 
e caso não seja enviado pelo aluno, o profissional pode enviar um formulário 
solicitando o atestado.
5 GRUPOS ESPECIAIS E A INTENSIDADE DO EXERCÍCIO
O tipo de exercício físico, a frequência e duração da sessão devem ser 
adaptados ao indivíduo ou ao grupo, considerando não somente o estado de 
saúde e o nível de risco ou doença, mas também a capacidade física, as limitações 
individuais, a situação psicossocial, os objetivos pessoais e as preferências, visando 
otimizar os benefícios e obter uma adesão duradoura das pessoas ao programa de 
exercícios físicos. Somente com todas as informações sobre o indivíduo e pleno 
conhecimento da situação, poderá o profissional adequar o exercício físico aos 
objetivos, características e necessidades pessoais. 
Na realização de programas públicos e/ou privados com grande número de 
participantes é indispensável uma triagem inicial dos praticantes, o que permite, 
inclusive, identificar indivíduos que necessitam de acompanhamento médico.
 Teste ergométrico ou teste de esforço: Quem precisa fazer?
Após a criteriosa avaliação pré-participação, o educador físico pode 
identificar risco cardiovascular associado. Nestes casos, o Teste Ergométrico (TE) 
pode ser solicitado ao médico responsável. O TE é um método universalmente 
aceito para o diagnóstico de doenças cardiovasculares, tendo também a 
finalidade de determinação prognóstica, principalmente da tolerância ao 
esforço e de sintomas compatíveis com arritmias ao exercício, sendo importante 
instrumento na tomada de decisão, em várias situações clínicas (SBC, 2010). Este 
teste gera respostas fisiológicas importantes, comportamento pressórico, que são 
marcadores prognósticos de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial 
sistêmica, doença coronariana, cardiomiopatia hipertrófica, dentre outras.
Segundo o Posicionamento Oficial 004/2015 da Sociedade Brasileira de 
Diabetes (2015), para a realização de exercícios físicos de baixa intensidade, 
como caminhadas, não há, de modo geral, necessidade de teste ergométrico de 
rotina, já que não existe evidência de benefício e essa exigência pode ser uma 
barreira para a participação, ou seja, o indivíduo pode sentir-se constrangido em 
não ter condições financeiras para a realização do TE, ou acabar frustrado com a 
necessidade de precisar tal exame, desistindo do programa de atividades físicas. 
Nestes casos, o profissional educador físico deve apresentar uma metodologia 
acolhedora e orientadora. Pode iniciar as orientações sobre o programa, verificar 
as necessidades de cada um, realizar as avaliações e testes indicados, realizar 
palestras de orientação sobre os temas relacionados a cada grupo especial. Como 
dicas de assuntos que podem ser abordados, destacamos:
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
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FIGURA 11 – O TESTE ERGOMÉTRICO
FONTE: Disponível em: <http://ativesite.com.br/clinicamedica2/wpcontent/
uploads/2015/09/x3567.jpg.pagespeed.ic.PxE4oQ6JgA.jpg>. Acesso em: 11 
jul. 2017. 
• A importância da alimentação saudável e o que são alimentos saudáveis.
• Importância das atividades físicas para aquele grupo específico, destacando 
as particularidades de suas doenças de base e suas melhorias com o passar do 
tempo.
• Importância do sono e da ingestão de água.
• Importância do exercício aeróbico, flexibilidade e reforço muscular.
• Cessação do tabagismo.
A importância do contexto social de um grupo faz diferença na tomada de 
decisão pelo educador físico. É este que irá direcionar cada um dos participantes 
e encorajá-los a manter uma atividade, mesmo que seja um tanto perigoso 
prescrever exercícios em determinados casos, como exemplo, indivíduos com 
doenças cardiovasculares, síndrome metabólica etc. Nestes casos, o educador 
físico deve utilizar-se do bom senso e de sua avaliação psicossocial, ou seja: 
Esta pessoa pode iniciar pequenas caminhadas pela rua, pode passear com seu 
cachorro todos os dias, pode realizar caminhadas ao redor de sua casa, que, com 
certeza, será melhor que orientá-lo a não fazer atividade alguma porque não 
apresenta encaminhamento médico ou teste ergométrico. Uma ferramenta que 
pode auxiliar são os testes de percepção de esforço, que auxiliam o participante a 
quantificar a intensidade do exercício que está sendo praticado. Falaremos sobre 
os testes de esforço mais adiante.
De maneira geral, recomenda-se o teste ergométrico nas seguintes 
condições: 
• Idade acima de 40 anos. 
• Idade acima de 30 anos e com um fator de risco cardiovascular adicional: 
 - Diagnóstico de DM2 há mais de dez anos e de DM1 há 15 anos. 
 - Hipertensão arterial.
 - Dislipidemia. 
 - Tabagismo. 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
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 - Retinopatia proliferativa. 
 - Nefropatia (inclusive microalbuminúria). 
 - Doença vascular periférica. 
 - Neuropatia autonômica. 
 - Suspeita ou diagnóstico de doença cardiovascular.
Devemos pensar que o teste ergométrico pode realmente ser uma barreira 
que impede um indivíduo a iniciar a prática de atividades físicas. Esteindivíduo 
deve ser orientado que, caso o profissional veja a necessidade de solicitar um 
teste ergométrico, ele traz outras vantagens além do rastreamento de doença 
isquêmica silenciosa, mas também pode:
• Estimar a frequência cardíaca máxima. 
• Estimar a resposta pressórica ao exercício. 
• Usá-lo como parâmetro do condicionamento físico inicial. 
• Usá-lo como auxiliar do planejamento da evolução e do treinamento físico. 
• Estabelecer as faixas de intensidade do treinamento. 
• Avaliar a capacidade funcional e o prognóstico.
Há grupos especiais que não têm condições de frequentar academia 
juntamente com outras pessoas, por exemplo: um indivíduo que é cego. 
Dependendo do grau de habilidade da deficiência visual, há risco deste aluno 
ser atingido por algum equipamento ou de provocar alguma intercorrência ou 
tropeço, portanto, ele não pode ser exposto juntamente com outros grupos só 
porque necessita de atividade física. Nestes momentos, o educador físico deve 
ser criativo e prático, indicando atividades localizadas em um ambiente isolado, 
a prática de exercícios ao ar livre acompanhados de um cuidador ou familiar, 
exercícios em equipamentos estáticos como bicicletas estacionárias. Outro 
exercício que pode ser realizado é a natação ou pular cordas, em que não se exige 
atenção visual e somente auditiva, podendo o deficiente visual praticar sem 
dificuldades, pois é uma atividade ritmada. Cabe ao profissional educador físico 
estabelecer limites, possibilidades e adaptações necessárias para o treinamento 
de cada grupo especial.
Grupos especiais, como lesados medulares, necessitam de um 
acompanhamento não só de melhoria do seu condicionamento e força, mas sim, 
de reabilitação. O treinamento de lesados medulares pode ser feito desde que 
estejam reabilitados, ou seja, consigam realizar movimentos possíveis à sua lesão 
e que saibam seus limites. Não há como iniciar um treinamento com um indivíduo 
que não consegue respirar coordenadamente ou que ainda apresenta sequelas 
do período em que permaneceu acamado e/ou hospitalizado. Nestes casos, o 
educador físico deve encaminhá-lo para o trabalho inicial de reabilitação com 
fisioterapia (neurológica, ortopédica, respiratória) e após sua reabilitação poderá 
iniciar um treinamento de força, dependendo da avaliação de suas limitações.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
25
6 ATIVIDADE FÍSICA PARA IDOSOS
Define-se como idoso todo indivíduo com idade igual ou superior a 60 
anos para países em desenvolvimento ou 65 anos, no caso de nações desenvolvidas 
(OMS, 2005).
FIGURA 12 – O IDOSO E A ATIVIDADE FÍSICA
FONTE: Disponível em: <goo.gl/ium7Ud>. Acesso em: 30 nov. 2017.
No Censo de 2000, o Brasil contava com mais de 14,5 milhões de idosos 
(IBGE, 2002), em sua maioria com baixo nível socioeconômico e educacional e com 
uma alta prevalência de doenças crônicas e causadoras de limitações funcionais 
e de incapacidades (LIMA-COSTA et al. 2000), incorporando outros 650 mil 
a cada ano. É a parcela da população que mais cresce no Brasil e no mundo, 
ultrapassando o número de crianças (IBGE, 2002). Essa transição demográfica 
repercute na área da saúde, em relação à necessidade de busca de metodologias 
assistenciais que possam atingir toda esta população dependente de tratamento 
do sistema público de saúde (LIMA-COSTA; VERAS, 2003). 
Entre as doenças de maior mortalidade entre idosos brasileiros, o acidente 
vascular cerebral predomina, deixando suas vítimas com graves sequelas e com alta 
dependência funcional (LIMA-COSTA et al., 2000). Os fatores de risco associados 
ao AVC, como sedentarismo, hipertensão, diabetes, tabagismo, poderiam ser 
preveníveis, evitando tantos gastos em saúde e os agravos resultantes. 
FIGURA 13 – ATIVIDADE FÍSICA EM GRUPO
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_God3sVKwlfI/
TNWOL8XOGI/AAAAAAAAADA/uyXU-H_xCns/s1600/ginastica1.jpg>. 
Acesso em: 13 ago, 2017.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
26
Lembrando que quando tratamos a saúde da pessoa idosa, devemos pensar 
na interação entre a saúde física, a saúde mental, a independência financeira, a 
capacidade funcional e o suporte social, que estão intimamente interligados, 
oferecendo qualidade de vida e segurança ao idoso (RAMOS, 2002).
O processo natural do envelhecimento relaciona-se com a redução 
de algumas capacidades físicas que podem levar à incapacidade funcional 
(VERBRUGGE; JETTE, 1994, apud ALVES, 2008), as quais podem ser melhoradas 
com exercícios regulares. Tanto mulheres quanto homens idosos necessitam do 
exercício físico para garantir – entre outros bons resultados – a mobilidade dos 
músculos e das articulações, a prevenção de quedas, o fortalecimento de ossos 
e músculos.
Para ALVES, 2008, a incapacidade funcional é a dificuldade 
experimentada em realizar atividades em qualquer domínio da vida devido 
a um problema físico ou de saúde. Ela também pode ser entendida como a 
distância entre a dificuldade apresentada e os recursos pessoais e ambientais 
de que dispõe para superá-la. Já a dependência é a expressão da dificuldade ou 
incapacidade em realizar uma atividade específica por causa de um problema 
de saúde (HÉBERT, 2003; apud DARIDO, 2005).
Um envelhecimento bem-sucedido pode ser entendido a partir de três 
componentes:
(a) menor probabilidade de doença; 
(b) alta capacidade funcional física e mental; 
(c) engajamento social ativo com a vida.
O grande objetivo da atividade física associada a uma vida mais 
saudável é aumentar os anos de vida. Através de programas sociais para idosos, 
os serviços de saúde buscam reduzir disparidades na saúde entre diferentes 
grupos populacionais e assegurar o acesso do idoso a serviços preventivos 
de saúde. Além disso, é preciso incentivar e equilibrar a responsabilidade 
pessoal que é a importância do cuidado consigo mesmo, para que o idoso 
tenha o máximo de independência, não precisando do cuidado dos filhos ou 
pessoas próximas. As famílias e indivíduos devem se preparar para a velhice, 
esforçando-se para adotar uma postura de práticas saudáveis em todas as 
fases da vida (ONU, 2002).
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
27
Em homenagem à aprovação do Estatuto do Idoso pela Lei Federal nº 10.741, 
de 1º de outubro de 2003, o Dia do Idoso passou a ser comemorado em 1º de outubro.
FIGURA 14 – ENVELHECIMENTO E SAÚDE
FONTE: Disponível em: <goo.gl/GsSDdG>. Acesso em: 30 
nov. 2017.
Uma das consequências do aumento do número de pessoas idosas em uma 
população, se tornando a justificativa do investimento na prática de atividade 
física e exercício físico, é que esses indivíduos provavelmente apresentarão um 
maior número de doenças e/ou condições crônicas que requerem mais serviços 
sociais e médicos e por mais tempo (LIMA-COSTA, 2003). De acordo com o total 
de idosos no Brasil, estes representam 9% da população e consomem mais de 26% 
dos recursos de internação hospitalar do SUS.
O Colégio Americano de Medicina Esportiva (American College of Sports 
Medicine – ACSM) lançou uma campanha mundial intitulada Exercise is medicine 
(Exercício é remédio), em que os profissionais da atenção primária em saúde 
devem encorajar a prática de exercício durante o tratamento das doenças. 
Programas como este trazem benefícios sociais de imensa qualidade, pois visam 
auxiliar o idoso em sua busca por uma vida com mais disposição e mais liberdade, 
benefícios gerados com a prática de exercícios físicos.
UNI
Em 2003, o Congresso Nacional aprovou e o Presidente da República 
sancionou o Estatuto do Idoso, elaborado com intensa participação de entidades 
de defesa dos interesses dos idosos. O Estatuto do Idoso amplia a resposta do 
Estado e da sociedade às necessidades da população idosa, mas não traz meios 
para financiar as ações propostas. O Capítulo IV do Estatuto reza especificamente 
sobre o papel do SUS na garantia da atenção à saúde da pessoa idosa de forma 
integral, em todos os níveis de atenção.
UNIDADE 1 | PORQUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
28
Assim, embora a legislação brasileira relativa aos cuidados da população 
idosa seja bastante avançada, a prática ainda é insatisfatória. A vigência do 
Estatuto do Idoso e seu uso como instrumento para a conquista de direitos dos 
idosos, a ampliação da Estratégia Saúde da Família, que revela a presença de 
idosos e famílias frágeis e em situação de grande vulnerabilidade social e a 
inserção ainda incipiente das Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso 
tornaram imperiosa a readequação da Política Nacional de Saúde da Pessoa 
Idosa (PNSPI).
FIGURA 15 – O ESTATUTO DO IDOSO
FONTE: <http://direitodoidoso.braslink.com/05/estatuto_integral.
html>. Acesso em: 30 nov. 2017.
6.1 QUANTO DE ATIVIDADE FÍSICA SE DEVE REALIZAR
Há muita controvérsia a respeito da quantidade de atividade física ideal 
para obter resultados satisfatórios sobre o sistema cardiovascular e muscular. 
Nelson et al. (2007) divulgaram um documento com recomendações sobre os tipos 
e quantidades de atividade física necessários para melhorar e manter a saúde dos 
idosos. As principais variáveis a serem observadas para a prescrição são: 
• Modalidade.
• Duração.
• Frequência.
• Intensidade. 
• Modo de progressão.
Quando o profissional avalia um idoso para recomendar a prática de 
atividade física, deve avaliar, além das necessidades físicas, as características 
sociais e culturais, psicológicas e físicas do idoso, suas limitações e capacidades 
baseadas na avaliação e também na sua história de vida. O educador físico deve 
certificar se este idoso é capaz de compreender a importância da prática regular 
de exercícios, se o local onde pretende realizar algum tipo de exercício é seguro 
para ele e para as pessoas à sua volta, ou seja, se não há riscos de sofrer quedas, 
atropelamentos, tropeços etc. Torna-se importante enfatizar que o planejamento 
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
29
dos exercícios deve ser individualizado, levando em consideração os resultados 
prévios das avaliações médica e física. Mais adiante apresentaremos alguns meios 
de avaliação validados no Brasil e que podem ser aplicados em idosos.
Envelhecer, portanto, deve ser com saúde, de forma ativa, livre de 
qualquer tipo de dependência funcional, o que exige promoção da saúde em todas 
as idades. É importante acrescentar que muitos idosos brasileiros envelheceram 
mesmo com a falta de recursos e da falta de cuidados específicos de promoção 
e de prevenção de doenças em saúde. Entre eles estão os idosos que vivem 
abaixo da linha de pobreza, analfabetos, aqueles com sequelas e deformidades 
de acidentes de trabalho, amputados por arteriopatias, hemiplégicos, idosos com 
síndromes demenciais etc. Para estes também é preciso buscar ações específicas 
na promoção à saúde, observando suas necessidades e suas limitações.
A seguir são apresentadas as diretrizes da Política Nacional de Saúde da 
Pessoa Idosa:
a) promoção do envelhecimento ativo e saudável;
b) atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa;
c) estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção;
d) provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da 
pessoa idosa;
e) estímulo à participação e fortalecimento do controle social;
f) formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de 
saúde da pessoa idosa;
g) divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa 
para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS;
h) promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção 
à saúde da pessoa idosa; e
i) apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.
7 PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL
A promoção do envelhecimento ativo, isto é, envelhecer mantendo a 
capacidade funcional e a autonomia, é reconhecidamente a meta de toda ação 
de saúde. Ela permeia todas as ações desde o pré-natal até a fase da velhice. A 
abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos 
das pessoas idosas e nos princípios de independência, participação, dignidade, 
assistência e autorrealização determinados pela Organização das Nações Unidas 
(ONU, 2002). Para tanto é importante entender que as pessoas idosas constituem 
um grupo heterogêneo. Também será necessário vencer preconceitos e discutir 
mitos arraigados em nossa cultura. Os profissionais de saúde e a comunidade 
devem perceber que a prevenção e a promoção de saúde não são privilégios 
apenas dos jovens. A promoção não termina quando a pessoa faz 60 anos, e as 
ações de prevenção, sejam elas primárias, secundárias ou terciárias, devem ser 
incorporadas à atenção à saúde, em todas as idades.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
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FIGURA 16 – OS IDOSOS NO BRASIL
FONTE: Disponível em: <goo.gl/ntxpQP>. Acesso em: 30 nov. 2017.
Com a perspectiva de ampliar o conceito de “envelhecimento saudável”, a 
Organização Panamericana da Saúde (2005) propõe “Envelhecimento ativo: uma 
política de saúde”, ressaltando que o governo, as organizações internacionais 
e a sociedade civil devam implementar políticas e programas que melhorem a 
saúde, a participação e a segurança da pessoa idosa. Considerando o cidadão 
idoso não mais como passivo, mas como agente das ações a ele direcionadas, 
numa abordagem baseada em direitos, que valorizem os aspectos da vida em 
comunidade, identificando o potencial para o bem-estar físico, social e mental ao 
longo do curso da vida.
Aproveitar todas as oportunidades para:
a) desenvolver e valorizar o atendimento acolhedor e resolutivo à pessoa idosa, 
baseado em critérios de risco;
b) informar sobre seus direitos, como ser acompanhado por pessoas de sua rede 
social (livre escolha) e quem são os profissionais que cuidam de sua saúde.
8 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA IDOSOS
O profissional de Educação Física poderá atuar em diferentes ambientes, 
tais como hospitais (Fase II da reabilitação cardíaca), clínicas para programa 
de exercício físico supervisionado (Fase III da reabilitação cardíaca) ou mesmo 
na residência do beneficiário para atendimento individualizado. Para que o 
profissional de Educação Física atue com segurança nesta fase de atenção à saúde 
é fundamental: 
• Possuir formação que o capacite para prescrever exercícios físicos e acompanhar 
beneficiários que apresentam doenças em tratamento. 
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
31
• Interagir com o médico, uma vez que nesta fase o beneficiário pode estar em 
acompanhamento médico contínuo e eventualmente pode ter sua medicação 
alterada, modificando suas respostas cardiovasculares durante a prática do 
exercício físico ou mesmo o nível de glicemia no caso de aluno com diabetes 
mellitus. 
• Atentar para o fato de que alguns pacientes poderão ser indicados para a 
realização de exercício físico supervisionado e tal recomendação deverá vir do 
médico. 
• Possuir o encaminhamento médico (por escrito) da liberação do beneficiário 
para a prática regular do exercício físico. Em muitos casos, o profissional de 
Educação Física orientará e acompanhará beneficiários sem o hábito da prática 
regular do exercício físico ou mesmo sem nenhuma experiência com a referida 
prática. Assim, é de fundamental importância o entendimento do profissional 
sobre as consequências das doenças e da ação do exercício físico no organismo, 
melhorando o quadro de saúde previamente encontrado.
A reposição hídrica e a não realização de exercícios físicos em jejum também 
devem ser incluídas nas orientações dadas pelos profissionais de Educação Física, 
assim como alimentação e estilo de vida saudável, foco e disciplina.
Outros detalhes devem ser atentados, como roupa adequada, ambiente 
adequado, horário de realização das atividades etc.
UNI
Idosos fisicamente ativos têm uma redução considerável no gasto com 
remédios e uma qualidade de vida muito melhor.
9 DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS (DCNT) E O 
IDOSOAs mudanças nos hábitos de vida do ser humano foram drásticas desde os 
séculos XVII e XVIII. Naquela época, a atividade física tinha fim de treinamento 
de gladiadores e homens para a guerra, quando se necessitavam de homens fortes 
e ágeis. Logo depois, a atividade física passou a ser utilizada com objetivo do 
culto ao corpo, em busca de se obter um corpo de medidas perfeitas.
As modificações continuaram ocorrendo com o passar dos anos. O homem 
passou, em vez de ter que colher seu próprio alimento, caçar, pescar, ou seja, ter 
hábitos de vida mais ativos, a ter cada vez mais conforto, pois o carro substituiu 
o andar, o telefone substituiu pequenas caminhadas, a internet substituiu até o 
tempo em pé na preparação de um alimento, com os serviços de tele-entrega. A era 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
32
tecnológica passou a influenciar cada vez mais a vida do homem, o que provocou o 
aumento drástico do sedentarismo e o aparecimento das consequências de vários 
fatores associados: sedentarismo, alimentação desequilibrada com aumento das 
gorduras, açúcares e substâncias químicas, estresse, redução do período de sono, 
aumento das demandas de trabalho, gerando tensão, ansiedade e impactando na 
qualidade de vida do trabalhador (SOARES et al., 1992).
Este conjunto de fatores levou ao surgimento das doenças crônicas não 
transmissíveis (DCNT), que são doenças multifatoriais, de longa duração, que 
se desenvolvem no decorrer da vida. Atualmente, elas são consideradas um 
sério problema de saúde pública, e já eram responsáveis por 63% das mortes 
no mundo, em 2008, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde. 
Seguindo essa tendência mundial, no Brasil, em 2013, as DCNT foram a causa de 
aproximadamente 72,6% das mortes (MALTA, 2013).
10 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) constitui-se como o aumento da 
pressão arterial dos níveis normais para níveis mais elevados quando o indivíduo 
está em repouso. Num quadro de hipertensão, a pressão sistólica é igual ou maior 
que 140 milímetros de mercúrio e a pressão diastólica é igual ou maior que 90 
milímetros de mercúrio (esses valores oscilam com a idade do paciente), esta 
pode ocorrer também quando aumenta o volume de sangue dentro do sistema, 
seja porque o coração bombeia com maior força ou maior frequência, ou porque 
os rins não funcionam de maneira adequada, não eliminando assim a quantidade 
suficiente de líquido.
A medida da pressão arterial deve ser realizada em toda avaliação por 
médicos de qualquer especialidade e demais profissionais da saúde, buscando 
descobrir a existência de hipertensão arterial.
QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL DE ACORDO COM A MEDIDA CASUAL 
NO CONSULTÓRIO (> 18 ANOS )
Classificação Pressão sistólica (mmHg) Pressão diastólica (mmHg)
Ótima < 120 < 80
Normal < 130 < 85
Limítrofe* 130 – 139 85 – 89
Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99
Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 – 109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110
Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90
Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser 
utilizada para classificação da pressão arterial.
* Pressão normal – alta ou pré – hipertensão são termos que se equivalem na literatura.
FONTE: Disponível em: <http://sbh.org.br/pdf/diretrizes_final.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2017.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
33
Causas:
A hipertensão é uma doença multifatorial, incluindo fatores de 
predisposição genética, ambientais e emocionais. Esta doença compromete 
órgãos nobres do organismo, sendo um importante fator de risco para as doenças 
cardiovasculares, responsáveis por 80% dos casos de acidentes vasculares, 60% 
dos casos de infarto agudo do miocárdio e 40% das aposentadorias precoces 
(ZAITUNE, 2006).
FIGURA 17 – PRESSÃO ARTERIAL SISTÊMICA E A SAÚDE
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/7GAQ1AlPFYA/
VYqQZVyEVNI/AAAAAAAAIhs/AqS4fsQwVtQ/s1600/download.jpg>. 
Acesso em: 15 ago. 2017.
A VI Diretriz Brasileira de Hipertensão da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia (2010, s.p.) recomenda:
O sucesso do tratamento depende fundamentalmente de mudança 
comportamental e da adesão a um plano alimentar saudável. Mesmo 
uma modesta perda do peso corporal está associada a reduções na 
PA em pessoas com sobrepeso, mas o alcance das metas deve ser 
perseguido.
11 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA HIPERTENSOS
 A Diretriz de Reabilitação Cardíaca (2005) relata que:
O treinamento físico promove um conjunto de adaptações morfológicas 
e funcionais que conferem maior capacidade ao organismo para 
responder ao estresse do exercício. Mas, para que o exercício exerça 
a função hipotensora, deve-se manter uma frequência, intensidade e 
duração crescente do exercício aeróbio.
O American College of Sports Medicine (2004) preconiza que a intensidade 
do exercício para hipertensos sedentários deve ser de 40% a 60% da capacidade 
funcional máxima, ou seja, exercícios de baixa a média intensidade. O exercício de 
resistência pode ser realizado com efeito positivo sobre o sistema osteomuscular, 
melhorando a força muscular.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
34
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010) traz recomendações 
importantes para obtenção da pressão arterial normal:
• Perder peso, se for obeso ou sobrepeso.
• Reduzir a ingestão de sal a menos de 2.300 mg (uma colher de chá) por dia.
• Acompanhamento e controle dos fatores de risco associados (diabetes, 
sedentarismo, dislipidemias etc.). 
• Terapia farmacológica quando indicado pelo médico.
• Verificar a possibilidade de terapias complementares como CPAP.
• Controle da apneia, quando associada.
• Controle do estresse psicossocial.
UNI
Diretrizes são instruções ou indicações para se estabelecer um plano, uma 
ação, são as normas de procedimento, referenciadas pelos maiores estudiosos dentro de 
cada área.
12 ATIVIDADE FÍSICA COMO TRATAMENTO DA HAS
A recomendação pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010) é de que 
inicialmente os indivíduos realizem atividades leves a moderadas. Somente após 
estarem adaptados, caso julguem confortável e não haja contraindicação, é que 
devem passar às atividades vigorosas. 
Sugestão da intensidade de exercícios isotônicos segundo a frequência 
cardíaca:
 
• Atividades leves – Mantém-se com até 70% da FC máxima ou de pico, 
recomendando-se a faixa entre 60% e 70%, quando se objetiva o treinamento 
efetivo eminentemente aeróbio.
• Atividades moderadas – Mantêm-se entre 70% e 80% da FC máxima ou de 
pico, sendo considerada a faixa ideal para o treinamento que visa à prevenção 
e o tratamento da hipertensão arterial. 
• Atividades vigorosas – Mantêm-se acima de 80% da FC máxima ou de pico, 
propondo-se a faixa entre 80% e 90% quando se objetiva o treinamento com 
expressivo componente aeróbio, desenvolvido já com considerável participação 
do metabolismo anaeróbio.
O quadro a seguir mostra os resultados de programas no tratamento da 
HAS.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
35
QUADRO 3 – ALGUMAS MODIFICAÇÕES DE ESTILO DE VIDA E REDUÇÃO APROXIMADA DA 
PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA
Modificação Recomendação Redução aproximada na PAS**
Controle de peso Manter o peso corporal na faixa normal(índice de massa corporal entre 18,5 a 24,9 kg/m2)
5 a 20 mmHg para cada
10 kg de peso reduzido
Padrão alimentar
Consumir dieta rica em frutas e vegetais e
alimentos com baixa densidade calórica e baixo
teor de gorduras saturadas e totais.
Adotar dieta DASH
8 a 14 mmHg
Redução
do consumo de sal
Reduzir a ingestão de sódio para não mais que 2 g
(5 g de saVdia) = no máximo 3 colheres de 
café rasas de sal = 3 g + 2 g de sal dos próprios 
alimentos
2 a 8 mmHg
Moderação no
consumo de álcool
Limitar o consumo a 30 g/dia de etanol para os
homens e 15 g/dia para mulheres 2 a 4 mmHg
Exercício físico
Habituar-se à prática regular de atividade física
aeróbica, comocaminhadas por pelo menos 30
minutos por dia, 3 vezes/semana, para 
prevenção e
diariamente para tratamento
4 a 9 mmHg
* Associar abandono do tabagismo para reduzir o naco cardiovascular. 
** Pode haver efeito aditivo para algumas das medidas adotadas.
FONTE: Disponível em: <http://www.sbh.org.bripdf/d retrizes_finaI.pdf>. Acesso em: 30 nov. 
2017.
13 DIABETES MELLITUS TIPO II
O diabetes mellitus do tipo 2 é uma doença que se caracteriza como um 
grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que consiste na secreção defeituosa 
da insulina, associada à utilização inadequada da glicose pelos tecidos, dificulta 
a produção de energia pela musculatura esquelética, provocando sérias 
complicações à saúde, como: hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e 
dislipidemia (SBD, 2015).
Atualmente existem cerca de 371 milhões de pessoas portadoras desta 
doença no mundo. A Sociedade Brasileira de Diabetes (2015) estima 11 milhões 
de brasileiros em tratamento da doença, com um custo mundial aproximado de 
116 bilhões de dólares (ADA, 2008).
Pinto (2013) acrescenta: 
As complicações crônicas decorrentes da DM atingem todos os 
órgãos e sistemas, sendo esta doença considerada a principal causa 
de cegueira, insuficiência renal terminal e amputações dos membros 
inferiores, nos países desenvolvidos.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
36
UNI
O tratamento do diabetes tipo I consiste na dieta, atividade física e se necessário, 
o uso da insulina, conforme exames e orientação médica.
Sabemos que diabéticos apresentam menor condição aeróbica, menos 
força muscular e menos flexibilidade do que seus pares da mesma idade e sexo 
sem a doença. As alterações metabólicas e a menor capilarização observada 
nos diabéticos podem justificar a perda destas condições. A grande esperança é 
que dados consistentes mostram que diabéticos fisicamente ativos e/ou em boa 
condição aeróbica apresentam melhor prognóstico do que aqueles inativos e/ou 
com baixa condição aeróbica (SBD, 2015), ou seja, o exercício físico tem um papel 
importante sobre a melhora da qualidade de vida do diabético.
14 PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA DIABÉTICOS TIPO II
Pelo caráter multissêmico do diabetes, recomendam-se avaliações 
periódicas do diabético que se exercita, procurando minimizar complicações, 
as quais deverão contemplar os principais sistemas comprometidos, incluindo 
avaliações cardíaca, vascular, autonômica, renal e oftalmológica. O teste de 
esforço está indicado a pacientes diabéticos que queiram iniciar um programa de 
exercício de moderada a alta intensidade e que tenham as condições clínicas de 
descompensação e/ou que apresentem risco cardiovascular.
O tratamento da DM se baseia no triângulo: alimentação, Atividade Física 
(AF) e medicação adequadas, a prática de exercício regular assume-se cada vez 
mais como parte fundamental do tratamento e controle da DM2, com efeitos 
positivos no controle glicêmico, na insulino-resistência e no risco cardiovascular 
(MENDES et al., 2011).
Katzer (2007) descreve: 
O exercício, como um todo, tem como vantagens a melhoria da 
resistência óssea, da força muscular, da flexibilidade corporal, da 
aptidão motora e da aptidão metabólica, além da função cognitiva, da 
saúde mental e do ajustamento social.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
37
UNI
O tratamento para diabetes tipo 2 pode ser feito com a ingestão de remédios 
hipoglicemiantes que ajudam a controlar a produção e a secreção de insulina pelo pâncreas. 
Exemplos: sulfonilureias, glinidas e inibidores da alfa-glicosidase.
15 PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO E INTENSIDADE
Antes de se engajar em um programa de exercícios, o indivíduo diabético 
deve passar por uma completa e extensiva avaliação médica. Avaliações 
cardiovasculares, do sistema nervoso, rins, pés e do sistema visual são 
fundamentais devido a possíveis complicações oriundas da doença.
Os princípios gerais da prescrição de exercício devem ser seguidos 
respeitando-se as particularidades da doença de base. Qualquer atividade física, 
recreativa, laborativa ou esportiva pode ser feita pelos diabéticos, devendo-
se estar alerta para as possíveis complicações e as limitações impostas pelo 
comprometimento sistêmico do diabetes (SBD, 2015). 
Para saber mais sobre as intercorrências que podem ocorrer durante o 
exercício, você pode ler a Unidade 2 deste livro, mais especificamente sobre o diabetes. 
LEITURA COMPLEMENTAR
EDUCAÇÃO EM DIABETES
Segundo a SBD (2015), denomina-se educação em diabetes o processo de 
desenvolvimento dessas habilidades e a incorporação de ferramentas necessárias 
para atingir as metas estabelecidas em cada etapa do tratamento. Portanto, a 
educação em diabetes é a principal ferramenta para a garantia do autocuidado que 
permitirá o autocontrole por parte do paciente. A educação em diabetes evoluiu 
muito nos últimos anos e as técnicas atuais para o estímulo e treinamento para o 
autocuidado utilizam um modelo mais focado no paciente, buscando promover 
mudanças de comportamento mais positivas. Só se pode considerar a educação em 
diabetes efetiva se esta resultar em “mudanças e/ou aquisição de comportamentos”, 
caso contrário, podemos estar somente transmitindo informações. A educação em 
diabetes também pode ser a interface entre a prática clínica e a pesquisa, já que deve 
incorporar as necessidades, os objetivos e as experiências de vida do indivíduo, 
levando em consideração as evidências científicas. 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
38
O educador em saúde, seja da área da saúde ou da área de prescrição 
do exercício, necessita conhecer a pessoa com diabetes mellitus, e saber ouvi-
la é uma das melhores estratégias para isso. A problematização depende desse 
entendimento sobre os questionamentos pessoais e suas atividades diárias, 
contextualizando, assim, a realidade do educando com as mudanças necessárias 
para um bom controle do diabetes e sua convivência com a doença. O educador 
não deve impor conceitos e rotinas, mas sim ouvir o educando e juntos decidirem 
qual é a melhor maneira de introduzir hábitos saudáveis, realizar cuidados 
básicos e estabelecer terapêuticas como a realização de atividade física, aplicação 
de insulina (quando necessário), alimentação saudável etc. 
FIGURA 18 – EDUCAÇÃO EM DIABETES
FONTE: Disponível em: <https://medlineplus.gov/diabetes.html>. 
Acesso em: 30 nov. 2017.
É a curiosidade sobre a sua doença e o conhecimento sobre os danos que 
o diabetes pode causar, que produzem o autocuidado e a compreensão de que há 
formas de prevenir complicações, além de melhorar a qualidade de vida e aumentar 
a longevidade mesmo sendo portador de diabetes. Sendo assim, reforça-se o conceito 
de que ensinar a lidar com o diabetes não é transferir conteúdo a ninguém. O educador 
tem de estar “com” o educando e não “sobre” o educando (SBD, 2015).
FONTE: CHAVES, Miriam de Oliveira; TEIXEIRA, Mirian Rose Franco; SILVA, Sílvio Éder Dias da. 
Percepções de portadores de diabetes sobre a doença: contribuições da Enfermagem. Rev. 
bras. enferm., Brasília, v. 66, n. 2, p. 215-221, abr.  2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672013000200010&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 
11 dez.  2017.  
16 O AUTOCUIDADO E O EXERCÍCIO 
No caso específico da educação de pessoas com diabetes tipo 1 e, 
em especial, da criança com diabetes, o foco principal deve ser o alcance da 
independência e autonomia necessárias, ou seja, ensinar o autocuidado, próprio 
para cada faixa de idade. Novos comportamentos e atitudes precisarão ser 
aprendidos, visando sempre ao autocontrole da glicemia, à aplicação da insulina 
e à adaptação nutricional para as atividades diárias (SBD, 2015).
O maior risco na prática de exercício em diabéticos é a hipoglicemia, que 
pode ocorrer durante, logo depois ou horas após o final da atividade.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
39
O exercício físico agede maneira específica sobre a resistência insulínica, 
independentemente do peso corporal. Indivíduos fisicamente mais ativos têm 
níveis mais baixos de insulina circulante, melhor ação em receptores e pós-
receptores de membrana, melhor resposta de transportadores de glicose, maior 
capilarização nas células musculares esqueléticas e melhor função mitocondrial, 
quando comparados com indivíduos menos ativos, independentemente do peso 
e do índice de massa corporal (IMC). O exercício físico também atua na redução 
do peso corporal, que, por si só, já reduz o risco de DM2 e auxilia no tratamento 
do DM de modo geral. A atividade física promove maior capilarização das fibras 
musculares e melhor função mitocondrial, melhorando a sensibilidade dos 
tecidos à insulina, com resultados até 72 horas após o exercício.
Uma boa orientação de exercício físico para a saúde contempla pelo menos 
três tipos de exercício: aeróbico, de fortalecimento muscular e de flexibilidade.
De acordo com a ACSM (2009), para um plano de EF é importante traçar 
o historial clínico e físico do indivíduo e estabelecer objetivos. O modo como os 
diabéticos reagem a uma sessão de EF depende de vários fatores, tais como: o tipo 
de medicação (insulina ou antidiabéticos orais); a hora em que é administrada a 
medicação; o nível de glicose no sangue antes do exercício; hora, quantidade e tipo 
de comida consumida; presença e severidade de complicações que resultaram 
da diabetes; uso de outros medicamentos secundários para as complicações da 
diabetes; e intensidade, duração e tipo de exercício.
Você pode visitar a Unidade 2 deste livro de estudos, que fala sobre 
hipoglicemia e como agir nestes casos.
Os princípios gerais da prescrição de exercício – tipo, frequência semanal, 
duração das sessões, intensidade do esforço e progressão da atividade – devem ser 
seguidos respeitando-se as particularidades da doença de base. Qualquer atividade 
física, recreativa, laborativa ou esportiva pode ser feita pelos diabéticos, mas é 
importante alertar para possíveis complicações e limitações impostas pela doença.
O exercício físico de intensidade moderada a vigorosa por mais de 
150 min semanais é o recomendado para prevenção e controle do 
DM2 e na prevenção das doenças cardiovasculares em diabéticos. 
Preferencialmente, a combinação de exercícios aeróbicos e de 
resistência é recomendada tanto para a prevenção, como para o 
controle do DM. A recomendação de atividade aeróbica diária, ou 
pelo menos três dias da semana sem permanecer mais de dois dias 
sem realizá-la, é reforçada para que os benefícios sobre o metabolismo 
glicídico sejam alcançados (SBD, 2015).
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
40
No tratamento do diabetes, o ideal é que a glicose fique entre 80 e 100mg/
dL.  A partir de 100mg/dL em jejum ou 140mg/dL duas horas após as refeições, considera-
se hiperglicemia e, abaixo de 70mg/dL, hipoglicemia. 
UNI
A duração necessária de uma sessão de exercício depende da intensidade 
e da frequência semanal dos exercícios. Nos pacientes diabéticos, a duração de um 
exercício deve ser planejada para minimizar riscos de hipoglicemia, geralmente sendo 
necessária a reposição de carboidratos quando a atividade tiver duração MAIOR que 
60 minutos. A recomendação mais atual para diabéticos é de 150 minutos de exercícios 
de moderada intensidade ou 75 minutos de alta intensidade por semana, ou uma 
combinação de ambos, sempre respeitando os limites do indivíduo e acompanhando 
sua evolução e suas queixas durante o exercício. 
Indicam-se 10 a 12 exercícios, inclusive os de grandes grupos musculares, 
em máquinas, com peso livre, caneleiras ou faixas/cordões elásticos, agrupados 
em duas a três séries de seis a 10 repetições com peso que não suporte mais do 
que essas repetições, duas a três vezes/semana. Devem ser preferencialmente 
supervisionados por educador físico para sua correta realização, minimizando o 
risco de lesões osteomioarticulares.
17 COMPLICAÇÕES E RISCOS DO EF PARA DIABÉTICOS 
INSULINO-DEPENDENTES
Uma das complicações mais comuns do diabético que necessita de 
insulinoterapia e que inicia atividades físicas é a hipoglicemia (SBD, 2015). 
É comum acontecer dos 20 aos 60 minutos do treino, podendo gerar grande 
desconforto e frustração, tanto para o professor quanto para o diabético, que se 
sente prejudicado pela prática do exercício, sendo tão importante o esclarecimento 
dos efeitos a curto e longo prazo causados pela prática de exercícios. Existem 
algumas maneiras de prevenir a hipoglicemia:
• Suplementação de carboidratos (CHO).
• Redução ou supressão de dose de insulina.
• Dividindo o treino, ou seja, se iniciando pela fase do exercício resistido, 
deixando por último o treino aeróbio.
• Ter sempre consigo opções de carboidratos.
• Aumentar de forma progressiva a intensidade e a duração da atividade.
• Horas antes, ingerir carboidratos de absorção lenta, repondo as reservas de 
glicogênio.
• Não injetar insulina nos locais próximos aos grupos musculares envolvidos no EF.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
41
• Anotar os dados referentes aos treinos, ao uso de insulina e à alimentação, além 
das glicemias relacionadas, para possibilitar a individualização.
• Encorajar o uso de novas tecnologias, como sensores, monitores contínuos, 
aplicativos em smartphones e relógios monitores.
• Nas escolas e nos locais de treinamento, devem estar disponíveis alimentos 
que contêm carboidratos, glucagon injetável (Glucagen®) e orientações sobre o 
tratamento da hipoglicemia.
• Os monitores de glicemia contínua e as bombas de insulina com tecnologias 
de autossuspensão e manejo programado de hipoglicemia são úteis e podem 
beneficiar pacientes que usam essas tecnologias. 
• Para a reposição de carboidratos no caso de atividade física não se deve esperar 
a queda dos níveis de glicose, quando a hipoglicemia já será inevitável. Com 
a avaliação prévia da necessidade, a reposição pode ser feita em porções 
divididas, prevenindo-se a hipoglicemia. 
• Hipoglicemias noturnas são acentuadas quando a atividade física é feita à tarde 
ou à noite. A redução na basal noturna e/ou ingestão de 15 a 30 g de carboidratos 
no lanche da noite podem atenuar o risco.
UNI
O pé diabético é decorrente da diabetes Melittus, pela perda da sensibilidade 
do pé causando uma ferida que não cicatriza e infecciona, tornando-se uma úlcera (úlcera 
diabética). 
18 COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABÉTICO E EXERCÍCIO 
FÍSICO
18.1 RETINOPATIA DIABÉTICA
A presença de retinopatia restringe o tipo de exercício que pode ser 
praticado, já que esforços que causem grandes elevações de pressão arterial, 
especialmente contrações isométricas e manobra de Valsalva, podem ser 
contraindicados dependendo da presença de retinopatia. 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
42
QUADRO 4 – CUIDADOS DURANTE O EXERCÍCIO FÍSICO EM INDIVÍDUOS COM RETINOPATIA 
DIABÉTICA
Tipo de retinopatia 
diabética
Exercícios físicos 
aceitáveis
Exercícios físicos
desaconselháveis
Reavaliação 
oftalmológica
Sem retinopatia. Determinados pela avaliação clínica.
Determinados pela avalia-
ção clínica 12 meses
Retinopatia não 
proliferativa leve.
Determinados pela 
avaliação clínica.
Determinados pela avalia-
ção clínica 6 a 12 meses.
Retinopatia não 
proliferativa 
moderada.
Determinados pela 
avaliação clínica.
Atividades que possam
elevar a pressão arterial:
•Levantamento de peso.
•Manobra de Valsalva 
intensa.
4 a 6 meses.
Retinopatia não
proliferativa severa.
Determinados pela 
avaliação clínica.
Atividades que possam 
elevar a pressão arterial, 
incluindo esportes de 
competição intensa.
2 a 4 meses
(pode requerer terapia 
com laser).
FONTE: Disponível em: <http://www.nutricionistarafael.com.br/2015/12/atividade-fisica-e-
diabetes-pratica.html>. Acesso em: 17 jan. 2018.
18.2 NEUROPATIA DIABÉTICA
A neuropatia diabética é a lesão em alguns nervos do corpo, causandoperda da sensibilidade, principalmente das mãos e dos pés, pois há perda da 
sensibilidade protetora, o que acaba provocando lesões sem que o indivíduo 
perceba. Esta condição tem implicação na prescrição do exercício, dependendo 
do quadro clínico. Havendo neuropatia periférica significativa, deve-se evitar 
exercícios com suporte de peso. O exercício repetitivo em pé com sensibilidade 
prejudicada pode levar à ulceração e a fraturas. O quadro a seguir mostra as 
recomendações de exercícios segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2015):
QUADRO 5 – EXERCÍCIOS PARA PACIENTES COM PERDA DE SENSIBILIDADE PROTETORA
Exercícios contraindicados Exercícios recomendados
• Esteira. • Natação, hidroginástica.
• Caminhada prolongada. • Bicicleta.
• Corrida. • Remo.
• Exercícios de step. • Exercícios de cadeira.
• Exercícios de braços.
• Outros exercícios que não tenham que sustentar 
 o peso do corpo.
Adaptado de: American Diabetes Association Position Statement. Physica! Activity/Exercise and Diabetes. 
Diabetes Care 2004;27 (Suppl. 1):S58-S62.
FONTE: Disponível em: <http://www.nutricionistarafael.com.br/2015/12/atividade-fisica-e-
diabetes-pratica.html>. Acesso em: 17 jan. 2018.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
43
18.3 NEFROPATIA DIABÉTICA E OBESIDADE INFANTIL
A nefropatia diabética, que é caracterizada pela perda da função renal 
parcial ou total, não implica recomendações específicas, exceto a adequação do 
exercício à capacidade física do indivíduo. 
A obesidade infantil é uma desordem na composição corporal pelo excesso 
de tecido gorduroso, o que leva ao sobrepeso e aumento do IMC (índice de massa 
corpórea) (DOMINGUES FILHO, 2000).
A Organização Mundial da Saúde tem buscado estratégias para combater 
a estimativa de 18 milhões de crianças em todo o mundo, menores de cinco anos, 
classificadas como tendo sobrepeso. A obesidade é causada por doenças genéticas, 
endócrino-metabólicas, fatores psicológicos ou por alterações nutricionais 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).
FIGURA 19 – A OBESIDADE INFANTIL E AS DOENÇAS ASSOCIADAS
FONTE: Disponível em: <http://nadafragil.com.br/obesidade-infantil-
criancas-e-adolescentes-obesos/>. Acesso em: 30 nov. 2017.
Um dos grandes fatores da obesidade infantil está relacionado ao baixo 
nível de atividades físicas, devido às mudanças no estilo de vida contemporâneo 
(outros tipos de brincadeiras, mais tempo frente à televisão e jogos de 
computadores, maior dificuldade de brincar na rua pela falta de segurança), que 
acabam contribuindo para uma vida pouco ativa. O estilo de vida da criança irá 
refletir diretamente em seu ganho de peso, associado a dieta rica em gorduras e 
pobre em vitaminas e fibras.
 Segundo o Consenso Latino-Americano de Obesidade (2001), a obesidade 
é uma enfermidade crônica que vem acompanhada de múltiplas complicações, 
como alterações da pressão, colesterol e triglicerídeos altos, indicativos de risco 
para problemas cardíacos, diabetes, derrame e hipertensão, afetando a criança até 
a vida adulta. 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
44
Os efeitos do excesso de peso não prejudicam somente a saúde cardiovascular, 
mas também podem ter influência no desenvolvimento de alguns tipos de câncer e de 
problemas osteomusculares.
UNI
19 PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS PARA CRIANÇAS
19.1 AVALIAÇÃO DE CRIANÇAS NA PRÉ-PARTICIPAÇÃO DE 
PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA 
O Ministério da Saúde recomenda, para a avaliação do estado nutricional 
para crianças de 6 a 10 anos, o gráfico do NCHS (National Center For Health 
Statistical), que permite analisar se a ingestão de nutrientes é suficiente, normal ou 
excessiva, baseando-se no peso, altura e idade, que são divididas por idade e sexo 
até os 10 anos de idade. Após os 10 anos utiliza-se o IMC para cálculo da relação 
peso e altura, através da fórmula: Peso/(altura)2, com os valores considerados 
para homens e mulheres descritos no quadro a seguir.
UNI
A atividade física na infância e adolescência combate doenças, promove 
melhoria na postura corporal, fortalecimento muscular, desenvolvimento da agilidade, 
equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora.
QUADRO 6 – VALORES DO IMC
Condição IMC em Mulheres
IMC em 
Homens
abaixo do peso < 19,1 < 20,7
no peso normal 19,1 – 25,8 20,7 – 26,4
marginalmente acima do peso 25,8 – 27,3 26,4 – 27,8
acima do peso ideal 27,3 – 32,3 27,8 – 31,1
obeso > 32,3 >31,1
FONTE: Disponível em: <http://www.calcule,net/imc _calc _massa.php>. Acesso em: 30 
nov. 2017. 
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
45
QUADRO 7 – TABELA DE PESO PARA IDADE – ALTURA PARA IDADE – MASCULINO E FEMININO
IDADE PESO ALTURA
ANO/MÊS Percentil 3 Percentil 10 Percentil 97 Percentil 3 Percentil 10 Percentil 07
Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem.. Masc Fem..
1 3.0 2.9 3.4 3.2 5.5 5.0 49.9 49.2 51.4 50.6 59.2 57.9,
2
3
3.6
4.2
3.4
4.0
4.1
4.8
3.8
4.4
6.7
7.6
6.0
6.9
53.2
56.1
52.2
54.9
54.8
57.7
53.7
56.4
62.9
66.1
61.3
64.2
4 4.8 4.6 5.4, 5.0 8.4 7.6 58.6 57.2 60.3 58.7 68.7 66.8
5 5.4 5.1 6.0 5.6 9.1 8.3 60.8 59.2 62.5 60.7 71.0 69.0
6 6,0 5.6 6.6 6.1 9.7 8.9 62.8 61.0 64.4 62.5 72.9 70.9
7 6.5 6.0 7.1 6.5 10.2 9.5 64.5 62.5 66.1 64.1 74.5 72.6
8 7,0 6,4 7.5 7.0 10.7 10.0 66.0 64.0 67.6 65.6 76.0 74.2
9 7.4 6.7 7.9 7.3 11.1 10.4 67.4 65.3 68.9 66.9 77.3 75.6
10 7.7 7.0 8.3 7.6 11.5 10.8 68.7 66.6 70.2 68.2 78.6 77.0
11 8.0 7.3 8.6 7.9 11.9 11.2 69.9 67.8 71.5 69.5 79.9 78.3
12 8.2 7.6 8.8 8.2 12.2 11.5 71.0 69.0 72.6 70.7 81.2 79.6
1 1 8.5 7.8 9.1 8.4 12.5 11.8 72.1 70.1 73.7 71.8 82.4 80.9
1 2 8.7 8.0 9.3 8.6 12.8 12.0 73.1 71.2 74.8 72.9 83.6 82.1
1 3 8.8 8.1 9.5 8.8 13.1 12.3 74.1 72.2 75.8 74.0 84.8 83.3
1 4 9.0 8.3 9.6 9.0 13.3 12.5 75.0 73.2 76.7 75.0 85.9 84.5
1 5 9.1 8.5 9.8 9.2 13.6 12.7 75.9 74.2 77.6 76.0 87.0 85.6
1 6 9.3 8.6 10.0 9.3 13.8 13.0 76.7 75.1 78.5 77.0 88.1 86.7
1 7 9.4 8.8 10.1 9.5 14.0 13.2 77.5 76.1 79.4 77.9 89.2 87.8
1 8 9.5 8.9 10.3 9.7 14.2 13.4 78.3 77.0 80.2 78.8 90.2 88.8
1 9 9.7 9.1 10.4 9.8 14.4 13.6 79.1 77.8 81.0 79.7 91.2 89.8
1 10 9.8 9.3 10.6 10.0 14.6 13.9 79.8 78.7 81.8 80.6 92.2 90.8
1 11 9.9 9.4 10.7 10.2 14.8 14.1 80.6 79.5 82.6 81.4 93.1 91.7
2 0 10.2 9.6 10.9 10.3 15.5 14.4 81.3 80.3 83.3 82.3 94.0 92.6
2 1 10.3 9.7 11.0 10.5 15.7 14.8 80.3 79.2 82.3 81.2 92.5 91.5
2 2 10.5 9.9 11.2 10.6 15.9 15.1 81.0 80.0 83.0 82.0 93.5 92.4
2 3 10.6 10.1 11.3 10.8 16.1 15.4 81.7 80.7 83.9 82.7 94.4 93.4
2 4 10.7 10.2 11.5 11.0 16.4 15.7 82.4 81.4 84.5 83.5 95.3 94.3
2 5 10.8 10.4 11.6 11.1 16.6 15.9 83.1 82.2 85.2 84.2 96.2 95.2
2 6 10.9 10.5 11.7 11.3 16.8 16.2 83.8 82.9 85.9 85.0 97.1 96.0
2 7 11.0 10.7 11.9 11.5 17.0 16.5 84.5 83.6 86.6 85.7 97.9 96.9
2 8 11.1 10.8 12.0 11.6 17.2 16.8 85.2 84.3 87.3 86.4 98.8 97.7
2 9 11.3 10.9 12.2 11.8 17.4 17.0 85.8 84.9 88.0 87.1 99.6 98.6
2 10 11.4 11.1 12.3 11.9 17.6 17.3 86.5 85.6 88.7 87.8 100.5 99.4
2 11 11.5 11.2 12.4 12.1 17.8 17.5 87.1 86.3 89.4 88.5 101.3 100.1
3 0 11.6 11.3 12.6 12.2 18.0 17.8 87.8 86.9 90.0 89.1 102.1 100.9
3 1 11.7 11.5 12.7 12.4 18.2 18.0 88.4 87.6 90.7 98.8 102.9 101.7
3 2 11.9 11.6 12.9 12.5 18.5 18.2 89.0 88.2 91.3 90.4 103.7 102.4
3 3 12.0 11.7 13.0 12.6 18.7 18.5 89.6 88.8 92.0 91.1 104.4 103.1
3 4 12.1 11.8 13.1 12.8 18.9 18.7 90.2 89.4 92.6 97.7 105.2 103.9
3 5 12.2 12.0 13.3 12.9 19.1 18.9 90.9 90.0 93.3 92.3 106.0 104.6
FONTE: Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/crescimento_
desenvolvimento.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
46
19.2 PRÁTICA DE EXERCÍCIOS COM CRIANÇAS
Programas de exercícios para crianças exigem muita criatividade, 
dedicação e acompanhamento, além de que devem ser divertidos. Exercícios 
como caminhar, passear, ir ao parque, e quaisquer outras atividades onde tenham 
gasto calórico, são importantes e já tiram a criança da imobilidade. Cunha (2000) 
relata que para uma perda de peso seguro, é indicado emagrecer até um quilo por 
mês. Caso hajanecessidade de uma perda de peso mais do que um quilo previsto, 
é sugerido o acompanhamento de um nutricionista e também de um pediatra, 
para não colocar em risco a saúde e desenvolvimento.
A avaliação deve ser composta de informações básicas como peso, altura, 
preferências, e reavaliadas a cada três meses, buscando orientar e parabenizar 
a criança a cada perda de peso, mesmo que seja pequena. Caso não haja perda 
de peso, é interessante rever o trabalho da equipe de exercícios e também o 
comportamento da família. Muitas vezes, há necessidade de acompanhamento 
psicológico, neste caso, deve-se buscar orientação do pediatra e orientar os pais.
UNI
As atividades coletivas desenvolvem a tomada de decisão em grupo, 
companheirismo, coletividade e há uma interação social natural.
FIGURA 20 – OS EXERCÍCIOS E AS CRIANÇAS
FONTE: Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/
saude/noticia/2015/12/menos-videogame-e-mais-esportes-crianca-deve-
praticar-atividade-fisica.html>. Acesso em: 30 nov. 2017.
Com a prática dos exercícios, que deve ser iniciada com intensidade leve, 
evoluindo à medida que a criança adquira condicionamento, notam-se alguns 
efeitos, como: 
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
47
• a diminuição do apetite; 
• o aumento da ação da insulina; 
• a melhora do perfil das gorduras; 
• a melhora da sensação de bem-estar e autoestima, que vai refletir na vida da 
criança como um todo (Disponível em: <www.abcdasaude.com.br>. Acesso 
em: 30 nov. 2017).
Os exercícios são recomendados de intensidade moderada, de três a cinco 
vezes por semana, com duração de 50 a 60 minutos por dia e com uma especial 
atenção à individualidade de cada um. Os exercícios podem ser divididos em dois 
tipos: o aeróbio (média e longa duração), que pode ser bicicleta, esteira, atividades 
como caminhadas, passear com seu cachorro, ir ao supermercado, corridas, pular 
cordas; e o exercício anaeróbio (curta duração), que pode ser atividades como jogar 
bola, brincadeiras, exercícios com pesos, bambolês e até localizados, desde que a 
faixa etária permita e haja cooperação de todos. O professor de Educação Física 
deve ser muito criativo e dedicado, com momentos lúdicos e prazerosos, sempre 
observando a reação de cada aluno, suas dificuldades e evolução. Para que haja 
sucesso no tratamento da obesidade infantil, a cooperação do triângulo família 
unida e cooperativa, alimentação e estilo de vida saudável deve estar presente.
FIGURA 21 – A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NA ESCOLA
FONTE: Disponível em: <https://www.webrun.com.br/atletas-mirins-
tambem-devem-ficar-atentos-aos-exames-de-saude/>. Acesso em: 30 
nov. 2017.
Segundo Cunha (2000), algumas atitudes vindas dos pais contribuem com 
o sucesso do tratamento da criança. O professor deve encorajá-los para: 
• planejar passeios familiares, como sair de bicicleta, ir ao parque e clubes; 
• limitar seu filho ao videogame e à televisão: não tire essas atividades de seu 
cotidiano, mas faça com que se empenhe mais em atividades em que haja um 
maior gasto de energia. 
• Quando presentear seu filho, dê objetos que estimulem a prática de exercícios, 
como os patins, a bicicleta, roupa de natação, bolas, petecas.
Lembre-se: crianças ativas têm maior chance de se tornarem adultos 
sadios, pois irão desenvolver hábitos saudáveis para a vida toda.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
48
Leia o Tópico 3 desta unidade, que fala sobre questionários de avaliação e 
índices de percepção de esforço que podem ser utilizados em crianças.
FIGURA 22 – A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA EM GRUPO
FONTE: Disponível em: <http://www.faculdademax.edu.br/alunos-
do-curso-de-administracao-promovem-atividades-ludicas/>. Acesso 
em: 1 dez. 2017.
20 PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA CRIANÇAS 
DIABÉTICAS
O diabetes mellitus tipo II, na infância, tem sido comum no Brasil 
e no mundo, se apresentando próximo dos 13 anos de idade. Isso se deve às 
modificações no estilo de vida, industrialização, limitações de atividades ao ar 
livre, devido ao receio da criminalidade, e desenvolvimento socioeconômico. 
O diagnóstico de DM2 na infância deverá ser feito levando-se em consideração 
critérios clínicos, como idade e sexo do paciente, obesidade e história familiar 
positiva para DM2. Devido às consequências da doença, é necessária a educação 
em diabetes, buscando evitar as comorbidades associadas, como as nefropatias e 
suas limitações.
O ponto fundamental do tratamento é a modificação do estilo de vida, 
que inclui modificações dietéticas e aumento da atividade física. A dieta com 
restrição calórica adequada à idade melhora a tolerância à glicose e a sensibilidade 
insulínica, devido ao fato de diminuir a produção hepática de glicose. O exercício 
aumenta a sensibilidade periférica à insulina por meio da diminuição da massa 
gorda. O sucesso do tratamento com dieta e exercício é obtido quando o paciente 
mantém um crescimento normal, com controle de peso, glicemia de jejum 
próximo da normalidade (> 120 mg/dl) e o exame de hemoglobina glicada perto 
dos seus valores normais (SBD, 2014). Quando as metas do tratamento não são 
alcançadas apenas com as mudanças de estilo de vida, a terapia farmacológica 
deve ser indicada. 
O quadro a seguir traz as recomendações da Sociedade Brasileira de 
Diabetes e orienta os procedimentos para o controle do diabetes na criança e 
adolescente.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
49
QUADRO 8 – RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES DA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA 
PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE JOVENS PORTADORES DE DM2
Insulina: a introdução de tratamento com insulina deve ser 
assegurada em crianças e adolescentes com DM2 que tenham cetose 
ou cetoacidose diabética, em pacientes nos quais a distinção entre 
DM1 e DM2 não for evidente e sempre que o paciente apresente, em 
coleta aleatória de glicose plasmática ou venosa, valor ≥ 250 mg/dℓ 
ou HbAlc > 9%
Metformina: a metformina deve ser o medicamento de primeira 
escolha para jovens e adolescentes e, em todas as outras situações, 
no momento do diagnóstico e durante o tratamento, sendo sempre 
associada a programa de modificação de estilo de vida, incluindo 
orientação nutricional e de atividade física
Hemoglobina glicada: o monitoramento com coleta de HbA1c deve 
ser realizado a cada 3 meses. Caso as metas de glicemia capilar e 
concentração de HbAlc (< 7%) não sejam obtidas, recomenda-se a 
intensificação do tratamento, por meio do aumento do número de 
controles de glicemia capilar e ajuste de dose e tipo de medicação, no 
intuito de normalizar as concentrações de glicose sanguínea
Glicemia capilar: a realização de glicemia capilar deve ser 
aconselhada em pacientes que utilizem insulina ou outras medicações 
com risco de hipoglicemia; estejam iniciando ou modificando o 
regime de tratamento; não tenham alcançado as metas ou apresentem 
intercorrência de saúde (doenças 
febris ou que afastem o paciente da rotina normal diária)
Orientação nutricional: sugerir, na orientação da dieta e nutrição 
de crianças com DM2, seja no momento do diagnóstico ou durante 
o tratamento, que se utilizem as recomendações do consenso da 
Academia de Nutrição e Dietética Pediatric Weight Management 
Evidence-Based Nutrition Practice Guidelines⁶¹
Atividade física: crianças e adolescentes portadores de DM2 devem 
ser incentivados pelo médico a realizar atividade física de moderada 
a intensa, durante no mínimo 60 min diariamente. E recomendado 
também que o tempo de "telanão acadêmica" (televisão, videogame 
etc.) seja limitado a, no 
máximo, 2 h/dia
PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO: A recomendação é de 60 minutos 
de atividade física diariamente, diminuindo-se o tempo em que a criança ou 
adolescente fica sentado em frente à televisão ou computador.
É importante o envolvimento do profissional que prescreve atividade 
física, pois nesta idade, adolescentes já têm um estilo de vida e um padrão de 
comportamento estabelecido, com resistênciasa mudanças de hábitos.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
50
Na avaliação deve-se entender quais são seus gostos, suas aptidões, rotinas 
e criar um programa com atividades que o envolvam, associando, por exemplo, 
exercícios ao ar livre e em ambientes preparados. Pode-se incluir passeios com 
seu animal de estimação, atividades com os amigos ou exercícios na praia, para 
que tenha efeito positivo e duradouro.
Um ponto fundamental é o envolvimento familiar, para que haja 
modificação no estilo de vida, o que inclui modificações dietéticas, o que muitas 
vezes gera conflitos dentro do ambiente familiar (SBD, 2015).
21 GESTANTES
A gestação é um momento único e indescritível na vida da mulher. A 
associação da atividade física, neste período, deve ser pensada para fazer bem 
não só para a gestante, mas para o feto que está se formando. O primeiro trimestre 
é marcado de alterações hormonais, fixação do feto no endométrio, formação 
estrutural do bebê e adaptação do corpo com as proporções que permitirão o 
crescimento saudável do bebê. O segundo e terceiro trimestres são marcados 
pelo aumento considerável da barriga, pelo crescimento do bebê e preparação 
do corpo da mãe para o parto. Um programa de atividade física deve levar todos 
esses aspectos em consideração, a fim de promover bem-estar para a mãe, mas 
também para o feto.
21.1 PROGRAMAS DE ATIVIDADE FÍSICA PARA GESTANTES
O exercício é indicado por vários fatores, segundo o Ministério da Saúde 
(2012) considerados macro-objetivos, especificados a seguir:
• Reduzir danos posturais: objetiva preparar o corpo da mãe para a sobrecarga 
que o peso da barriga acarreta sobre a coluna vertebral.
• Reduzir dores nas costas: objetiva melhorar a força e flexibilidade da 
musculatura da coluna, evitando dores e desconfortos.
• Melhoria da condição cardiopulmonar: objetiva aumentar a resistência 
cardiopulmonar, diminuindo o cansaço e a fadiga com o aumento do peso e 
pela necessidade de maior consumo de oxigênio na formação do bebê.
• Diminuição das intercorrências médicas: objetiva orientar e ensinar à gestante 
meios para aliviar os desconfortos advindos da gestação, evitando idas e vindas 
ao serviço de saúde e diminuindo a necessidade de uso de medicamentos. 
• Melhora da circulação: objetiva, através do exercício, aumentar a circulação, 
facilitando o retorno venoso, diminuindo o edema de membros inferiores e 
melhorando o aporte sanguíneo para a placenta, fornecendo mais nutrientes 
ao bebê.
• Qualidade de vida: o exercício, de um modo geral, oferece alívio das dores, 
melhora o condicionamento físico e cardiopulmonar, fazendo a gestante 
sentir-se mais disposta, melhora a autoestima, e todos estes fatores interferem 
positivamente na sua qualidade de vida.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
51
A American College of Sports Medicine concorda que gestantes saudáveis não 
precisam parar de fazer exercícios físico com medo de efeitos adversos.
UNI
 Ramos (2002) realizou um estudo com gestantes e verificou que há muitos 
benefícios para a prática de exercícios pela gestante, sendo os mais importantes:
• Menor ganho de peso corporal e tecido adiposo.
• Menor risco de parto prematuro.
• Diminui as complicações durante ou imediatamente após o parto.
• Menor tempo da fase ativa do parto.
• Melhora na capacidade física geral e capacidade física para o parto.
• Diminui consideravelmente o risco de diabetes.
• Recuperação mais rápida pós-parto.
• Menor risco ou até mesmo inexistência de inchaços nos membros inferiores.
• Melhora na resistência muscular.
• Melhora na capacidade cardiorrespiratória.
• Diminui a ansiedade e o estresse.
• Diminui a sensação de isolamento social e melhora a autoestima.
21.2 CUIDADOS NA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO PARA 
GESTANTES
A prática de atividades físicas não só na gestação, mas exclusivamente neste 
período, tem um impacto de prevenção de morbidades que podem se apresentar 
longo tempo após o parto. Doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, podem 
ser prevenidas através do exercício físico, sendo um recurso não medicamentoso e 
multifatorial com impacto na qualidade de vida desta mulher. 
Cabe ressaltar que programas de atividade física para gestantes devem 
ser estruturados a fim de oferecer um espaço amplo, arejado, seguro e com 
orientação do profissional educador físico.
Alguns cuidados devem ser tomados quando se trabalha com gestantes 
(Ministério da Saúde, 2012):
1. Nesta fase a gestante sente-se muito emotiva e insegura. Há necessidade de um 
trabalho preliminar de orientação e informação sobre as etapas da gestação e 
sobre a importância da atividade física. 
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
52
2. O atestado médico é obrigatório. O pré-natal é um acompanhamento obrigatório 
para as gestantes, devendo incluir no mínimo sete consultas com obstetra 
durante a gestação. É no acompanhamento pré-natal que o obstetra identifica 
possíveis riscos e doenças que podem ser agravados com o exercício físico. No 
caso de a gestante estar proibida de realizar atividades físicas, o profissional 
educador físico pode programar sessões de alongamento leve, relaxamento, 
palestras de autocuidados ou exercícios posturais para manter o vínculo e 
oferecer um serviço diferenciado, com impacto positivo no seu dia a dia.
3. A avaliação inicial deve ser completa e minuciosa, assinada pela gestante, 
que está prestando a informação verdadeira e completa ao profissional. Nesta 
avaliação e anamnese, deve-se investigar e descobrir possíveis alterações 
do metabolismo ou doenças como diabetes, hipertensão, sinais de doenças 
cardíacas ou circulatórias, que podem ser comprometidas com o exercício 
físico e que não foram identificadas ainda pelo obstetra.
4. As sessões de exercício devem iniciar dependendo de cada gestante: Praticantes 
de exercícios a médio e longo prazo: se a gestante está na fase inicial da gestação 
e já é praticante de atividades físicas há mais de seis meses, poderá manter sua 
atividade, desde que se sinta confortável e liberada pelo obstetra. No decorrer 
da gestação, o treinamento deverá ser alterado devido ao peso da barriga e 
à diminuição do espaço abdominal diminuindo a ação do diafragma, o que 
limita a ventilação. Também há uma demanda maior de oxigênio, glicose e 
nutrientes pelo feto, sendo necessário diminuir o peso do treinamento e as 
posturas adotadas.
Não praticantes de exercícios: uma gestante que nunca realizou atividades 
físicas e decide iniciá-las durante a gestação exige cuidado e orientação redobrada 
e consecutiva. A gestação é uma fase de múltiplas alterações e acrescer exercícios 
pode gerar excesso de demanda de oxigênio e glicose, levando a gestante à exaustão. 
Nesses casos, é importante iniciar com caminhadas, exercícios de alongamento e 
resistência de grandes grupos musculares, evitando exercícios intensos. 
Os fatores: duração, frequência, tipo e intensidade do exercício devem ser 
constantemente reavaliados, principalmente no primeiro trimestre, pelo risco de 
aumento da temperatura corporal e risco de abortamento. 
Os exercícios podem ser realizados de três a cinco vezes por semana, de 
forma regular e gradativa, desde que não existam limitações ou contraindicações 
médicas ou gestacionais percebidas pelo educador físico.
UNI
Doenças como Cérvix incompetente, doença pulmonar restritiva, gestação 
múltipla (>3), parto prematuro, pré eclampsia são contraindicações absolutas para atividade física.
TÓPICO 2 | QUAL É O PAPEL DO EDUCADOR FÍSICO?
53
Bagnara (2010) cita os principais cuidados com a gestante a partir de seu 
estudo com estes grupos: 
• Evitar movimentos de balanço e que contraiam de forma exagerada o abdome.
• Evitar todo e qualquer tipo de impacto sobre as articulações.
• Não realizar exercícios elevando o quadril e as pernas acima do nível do peito, 
evitando dessa forma a movimentação brusca do sangue para a cabeça.
• Controlar constantementea frequência cardíaca, mantendo a mesma entre 50% 
a 70% da máxima, para segurança da gestante e do bebê, evitando assim a falta 
de oxigênio para o feto.
• Movimentos de deitar e levantar do chão devem ser feitos de forma suave, 
evitando assim a hipotensão (queda brusca da pressão arterial).
• Mulheres sedentárias deverão iniciar um programa com menor intensidade do 
que mulheres acostumadas a realizar exercícios físicos.
• Qualquer sintoma anormal (dores e desconfortos), parar imediatamente a 
atividade e comunicar o obstetra.
• Evitar exercícios na posição supinada, ou seja, de barriga para baixo.
• Abolir todo e qualquer tipo de exercício que provoque apneia (prender a 
respiração).
• Adequar o consumo de calorias para a gestação e para suportar o ritmo de 
treinamento sem afetar o bebê, que está em formação. Para isso é aconselhado 
um auxílio de nutricionista a fim de garantir o consumo dos nutrientes 
essenciais.
• Evitar que a temperatura corporal da gestante ultrapasse os 38ºC.
54
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Grupos especiais são grupos de pessoas com necessidades específicas, sejam 
elas passageiras ou não.
• Em grupos especiais, faz-se necessária a estratificação dos riscos, presentes nos 
vários tipos de indivíduos que desejam praticar atividade física. A estratificação 
verifica a existência de riscos para as doenças coronarianas e classifica os grupos 
em três categorias: aparentemente saudáveis, com risco aumentado ou com 
doença diagnosticada.
• Cada participante apresenta diferenças em relação às outras, que interferem na 
realização de atividades físicas. O que se deve observar é se a atividade física, 
por mais leve que seja, não provoque alterações de origem metabólica ou não 
que possam colocar o indivíduo em risco.
• A avaliação, quanto mais completa, mais fornecerá informações e dados para a 
prescrição do exercício.
• O tipo de exercício físico, a frequência e duração da sessão devem ser adaptados 
ao indivíduo ou ao grupo, considerando não somente o estado de saúde e o nível 
de risco ou doença, mas também a capacidade física, as limitações individuais, 
a situação psicossocial, os objetivos pessoais e as preferências, visando otimizar 
os benefícios e obter uma adesão duradoura das pessoas ao programa de 
exercícios físicos.
• Cada grupo apresenta suas peculiaridades e limitações, não existindo uma receita 
completa e pronta. Cabe ao profissional avaliar, investigar e acompanhar os 
melhores exercícios e de acordo com a realidade biopsicossocial de cada grupo.
55
1 O profissional de Educação Física pode atuar individualmente na prescrição 
da atividade física para cada indivíduo, e pode intervir dentro de programas, 
como o Programa Saúde da Família (PSF), tanto para orientar sobre a 
importância de hábitos de vida ativa, quanto para promover e estimular a 
adoção de um estilo ativo de vida, promovendo saúde e qualidade de vida.
I – Compete ao profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, 
supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, 
programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, 
consultoria e assessoria dentro da área de atividade física, esportes e saúde.
II – Compete ao educador físico participar de equipes multidisciplinares e 
interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, em 
qualquer área, mesmo sem conhecimento técnico.
III – O profissional de Educação Física deve conhecer a legislação específica da 
sua área de competência, para que não incorra em condutas e procedimentos 
que caracterizem práticas específicas de outras profissões da área da saúde.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) Apenas I está correta.
b) ( ) I e III estão corretas.
c) ( ) Apenas II está correta.
d) ( ) Apenas III está correta.
2 Um programa para grupos especiais é de suma importância, devido ao grande 
número de pessoas que se enquadram como grupo especial: idosos, obesos, 
cardiopatas, gestantes, crianças, diabéticos etc. Quando um profissional 
inicia um programa de exercícios para estes grupos, a primeira decisão a ser 
tomada é:
a) ( ) Avaliar o grupo, definindo os diagnósticos, necessidades individuais e 
limitações.
b) ( ) Prescrever atividades leves a moderadas.
c) ( ) Solicitar aos participantes a lista de exames que já realizaram.
d) ( ) Orientar que façam atividades como caminhadas.
3 Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), o educador 
físico está apto a avaliar o indivíduo que necessita de exercícios físicos para 
melhora de sua saúde ou para tratamento de doenças já instaladas. Segundo 
este conselho, a melhor definição para avaliação física é:
FONTE: CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA (CONFEF – Brasil). Nota técnica 
CONFEF N° 002/2012, Brasília: 2012.
AUTOATIVIDADE
56
I – Antes do início do desenvolvimento do programa de exercícios, de atividades 
físicas e/ou desportivas, faz-se necessária a realização de avaliação física, para 
identificar indivíduos sintomáticos ou com fatores de risco para doenças 
cardiovasculares, metabólicas, pulmonares e do sistema locomotor, que 
podem ser agravadas pela atividade física, deverá solicitar avaliação médica 
especializada objetivando identificar restrições e estabelecer linhas de orientação 
para prescrições de exercícios apropriados pelo profissional de Educação Física.
II – Na aplicação de avaliação física, o profissional de Educação Física utilizará 
conhecimentos sobre: protocolos de testes, suas indicações e contraindicações; 
fisiologia do exercício e das respostas hemodinâmicas e respiratórias ao exercício 
físico; princípios e detalhes da avaliação, inclusive o preparo do beneficiário e 
mecanismos de funcionamento dos equipamentos, bem como suas limitações; 
indicações de interrupção dos testes.
III – O profissional de Educação Física coleta dados e interpreta informações 
relacionadas com prontidão para a atividade física, fatores de risco, qualidade de 
vida e nível de atividade física; afere e avalia pressão arterial e frequência cardíaca; 
aplica escalas de percepção do esforço; utiliza ergômetros (esteira, cicloergômetro 
etc.) e outros equipamentos utilizados em programas de atividade física.
IV – Conhece, aplica e interpreta testes de laboratório e campo utilizados em 
avaliação física; realiza e interpreta avaliação de medidas antropométricas; 
prescreve atividades físicas baseadas em testes ergoespirométricos; prescreve 
atividades físicas baseadas em limiares metabólicos, frequência cardíaca e 
percepção de esforço.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) Apenas a I está correta.
b) ( ) II, III e IV estão corretas.
c) ( ) I e IV estão corretas.
d) ( ) Todas estão corretas.
4 Segundo as diretrizes da NSCA (National Strengt and Conditioning Association 
Foundation), a prescrição do exercício físico deve ser composta de frequência, 
intensidade e duração, objetivando o ganho de condicionamento físico e 
melhora dos sistemas corporais. O exercício realizado regularmente, deve 
combinar cinco pontos fundamentais:
I – Dias da semana para se exercitar.
II – Ordem do exercício.
III – Força aplicada.
IV – Número de séries.
V – Tempo de repouso entre as séries.
 
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) Apenas I está correta.
b) ( ) II e III estão corretas.
c) ( ) I, II, e V estão corretas.
d) ( ) II, III, IV e V estão corretas.
57
TÓPICO 3
MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Em Educação Física e esportes, os testes são instrumentos de avaliação, 
contudo possuem um sentido mais amplo, com uma enorme diversidade de 
variáveis a serem avaliadas, das quais algumas podem ser quantificadas através 
de medidas. Um teste, segundo Tritschler (2003, s.p.), é ''um instrumento ou 
procedimento que traz à tona uma resposta observável, a fim de fornecer 
informações sobre um atributo específico de uma ou mais pessoas". E, para 
o mesmo autor, em esportes os testes "avaliam a aptidão física, habilidadesesportivas, estresse do exercício e lesões esportivas" Já Pitanga (2004, p. 13) define 
teste como "um instrumento utilizado para obter medidas". 
A liberação para a prática de atividade física, bem como o acompanhamento 
do desempenho do praticante são baseados nesses testes, que avaliam a 
capacidade de cada indivíduo, ou seja, é uma forma de conhecer o estado atual de 
condicionamento e encorajá-los a melhorar sua saúde e sua capacidade corporal.
2 MEIOS DE AVALIAÇÃO EM PROGRAMAS DE ATIVIDADE 
FÍSICA
Em programas de exercícios para grupos especiais, antes de submeter o 
indivíduo a qualquer teste, deve-se realizar um questionário para obter informações 
como: histórico de doenças familiares e pessoais; procedimentos cirúrgicos 
realizados; utilização de medicamentos, fumo ou bebidas alcoólicas; hábitos 
alimentares e esportivos; e disponibilidade de horários para as práticas esportivas. 
Ao desenvolver um programa de atividades físicas para grupos especiais, 
que envolvam várias atividades, o profissional deve:
- Definir as atividades pretendidas, lembrando que para a realização de atividades 
físicas há a necessidade de espaço adequado, estrutura física (como exemplo: 
banheiros, piso antiderrapante e equipamentos). Pode-se desenvolver parcerias 
com instituições ou academias para a realização de exercícios específicos ou 
desenvolver projetos e parcerias.
- Institutos e órgãos públicos como postos de saúde, clínicas, centros urbanos 
etc., possuem banco de dados que podem facilitar a divulgação do programa 
de atividades físicas, pois há grande circulação de pessoas aptas ao programa e 
há fichas de cadastro com telefone, e-mail ou endereço, o que facilita o convite e 
a organização desses grupos.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
58
UNI
Antigamente não existia uma lei que protegesse as pessoas que comprassem 
um produto ou contratassem qualquer serviço. Em março de 1991 entrou em vigor a Lei nº 
8.078/90, que é mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor, para proteger as 
pessoas que fazem compras ou contratam algum serviço.
É interessante lembrar que o educador físico precisa ter não somente uma 
lista de dados para montagem de um programa de exercícios, mas sim, a cada 
avaliação, deve-se conhecer o contexto social, psicológico, neurológico e fisiológico 
e, com estes dados, buscar um programa que resulte em ações positivas sobre a 
saúde de cada grupo especial. A intensidade e a duração vão progredir à medida 
que o participante tenha ganhos no seu condicionamento físico.
2.1 FORMULÁRIO DE DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES 
MÉDICAS
A divulgação de seus exames médicos e laboratoriais também pode se 
tornar um problema, se não autorizados a serem vistos por outros. O participante 
é o real proprietário destas informações, portanto, sempre que o participante 
traga exames e outros laudos, é necessário solicitar-lhe autorização para que 
outros membros da equipe vejam estes resultados.
FIGURA 23 – FORMULÁRIO DE INFORMAÇÕES MÉDICAS 
FONTE: Disponível em: <https://uniasselvi.bv3.digitalpages.com.br/users/
publications/9788520426456/pages/70>. Acesso em: 1 dez. 2017.
TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
59
2.2 TESTES DE COMPOSIÇÃO CORPORAL
Os testes de avaliação da composição corporal referem-se a medidas do 
tamanho corporal e de suas proporções. Estes testes oferecem indicadores diretos 
do perfil nutricional do indivíduo e podem ser medidos e comparados a cada 
período. Segundo o Caderno de Referência Esporte (UNESCO, 2013), as medidas 
antropométricas mais utilizadas são: 
a) Massa corporal total: é a medida que traduz a massa corporal, sendo esta 
componente registrada em quilogramas (kg).
b) Estatura: Registrada em metros ou centímetros.
c) Índice de massa corporal (IMC): é um cálculo para a determinação da 
porcentagem da massa gorda do corpo humano.
d) Envergadura: o comprimento total dos braços.
e) Perímetros: São as medidas de circunferência do corpo.
f) Dobras cutâneas: medidas do tamanho das dobras cutâneas.
A importância da avaliação antropométrica ocorre por sua capacidade de 
informar ao avaliador e quantificar de maneira mais objetiva os tecidos ósseo, 
adiposo e muscular, além de estimar a quantidade de água corporal. Baseado 
nessas informações pode-se avaliar o desenvolvimento, o crescimento e a 
maturação dos indivíduos, além do estado nutricional, nível de atividade física 
e possíveis riscos de doenças. Porém, para garantir a confiabilidade e a precisão 
das medidas coletadas, deve-se saber reconhecer a necessidade de cuidados e 
utilizar técnicas padronizadas para a coleta de dados, como: ambiente adequado, 
equipamentos específicos, reprodutibilidade e especificidade dos testes, e atenção 
durante a realização dos procedimentos.
FIGURA 24 – MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS
FONTE: Disponível em: <http://www.girourbano.com.br/wp-content/uploads/avaliacao 
antropometrica/02a.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2017.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
60
Cabe ao profissional escolher quais dos testes deseja utilizar para obter 
dados e indicadores, lembrando que, quanto maior o número de dados sobre o 
indivíduo, melhor será a prescrição do programa de exercícios, e mais seguros 
serão os resultados (UNESCO, 2013).
2.3 TESTE DE PERCEPÇÃO DE ESFORÇO DE BORG
Gunnar Borg foi um psicólogo suíço e é considerado o pai do conceito de 
esforço percebido, definido como o ato de tentar interpretar sensações corporais 
durante o exercício físico, relacionado ao trabalho muscular intenso, que 
envolve uma tensão relativamente grande sobre os sistemas musculoesquelético, 
cardiovascular e pulmonar. Esta escala utiliza como base três mediadores 
fisiológicos respiratório-metabólicos de percepção de esforço: ventilação 
pulmonar, consumo de oxigênio e frequência cardíaca, podendo medir quanto 
a tarefa está sobrecarregando os três sistemas, ou seja, Gunnar Borg definiu 
como “a sensação de quão pesada e extenuante é uma tarefa física” (NOBEL; 
ROBERTSON apud TIGGEMANN, 2010).
A escala de percepção de esforço de Borg tem grande utilidade em academias, 
centros de reabilitação, centros de terapia intensiva, centros de cardiologia, como 
parâmetro limitador nos testes de exercícios, treino e na reabilitação.
É uma escala de 15 graus, que compreendem valores que variam entre 6 
a 20, pretendendo assim condizer com a variação da frequência cardíaca de 60 
a 200 bpm. Multiplicando por 10 o valor percepcionado na escala, calcula-se a 
frequência cardíaca atingida.
A aplicação da escala de percepção de esforço, tanto no campo clínico como 
no desportivo, assume que os sinais de percepção estão subjacentes a acontecimentos 
fisiológicos, associados à resposta do organismo derivada do estresse produzido 
pelo exercício. Estes fenômenos fisiológicos são classificados segundo os sinais 
percebidos. O sistema de classificação é composto por mediadores respiratório-
metabólicos, fisiológicos periféricos e fisiológicos não específicos. 
2.3.1 Indicações para o uso das escalas
Estas escalas devem ser utilizadas e previamente orientadas ao 
participante, para que compreenda o que significa o uso da escala durante 
os treinos. São seis pontos fundamentais, segundo Noble e Robertson (1996), 
citados por TIGGEMANN (2010):
1. Definir percepção de esforço.
2. Fazer compreender o sujeito, a ligação entre as categorias de sensação e o valor 
numérico associado.
3. Explicar a metodologia e o uso da escala.
4. Explicar que a percepção pode ser localizada ou global, dependendo do 
objetivo do uso.
TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
61
5. Pedir para que a resposta seja o mais honesta possível, sem pensar sobre a 
carga física real, não a superestime, mas também não a subestime.
6. Responder a todas as questões formuladas. 
2.3.2 Fatores que influenciam a percepção de esforço
Ambiente: Temos como aspectos físicos do ambiente a altitude, 
temperatura, música, ruídos, condiçõesclimáticas (velocidade do vento, umidade 
e poluentes).
Nutrição e drogas: a influência tanto da ingestão de alimentos e líquidos, bem 
como o uso de estimulantes e sedativos e os seus efeitos na percepção de esforço.
2.3.3 Fatores fisiológicos 
Podem ser observados alguns pontos convergentes entre a variação da 
percepção do esforço e alguns fenômenos fisiológicos simples:
Efeitos do sexo.
Efeitos da idade.
Efeitos decorrentes da capacidade cognitiva.
Fatores psicológicos.
FIGURA 25 – PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO
(Borg & Noble, 1974)
6 -
7 muito fácil
8 -
9 fácil
10 -
11 relativamente fácil
12 -
13 ligeiramente cansativo
14 -
15 cansativo
16 -
17 muito cansativo
18 - 
19 exaustivo
20 -
FONTE: Disponível em: <http://spicyfit.com/curso/aula12.pdf>. Acesso em: 
12 ago. 2017.
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
62
2.4 TESTES DE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE AERÓBIA
Os testes de capacidade aeróbia, segundo McArdle (1992), buscam verificar 
o consumo máximo de oxigênio, ou seja, a medida da máxima quantidade de 
energia que pode ser produzida via metabolismo aeróbio por uma determinada 
unidade de tempo. O teste mais conhecido é o teste de Cooper, no qual o indivíduo 
deve percorrer a máxima distância possível em 12 minutos. Existem outros testes 
também utilizados, como: Teste de corrida de 2.400 metros (Cooper), Teste de 
corrida de 1.000 metros, Protocolo de Balke, Protocolo de Bruce etc., que também 
têm a função de avaliar a capacidade aeróbia.
As orientações sobre mensuração dos sinais vitais, parada cardíaca e 
parada respiratória, você encontrará nas unidades 2 e 3 deste livro.
FIGURA 26 – A CAPACIDADE AERÓBIA 
FONTE: Disponível em: <http://www.corpore.org.br/baseconteudo/555/
lactato1.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2017.
2.5 TESTES DE AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA ANAERÓBIA
A potência anaeróbia reflete a potência muscular, ou "explosão muscular". 
Depende do número de fibras de contração rápida dos músculos. É um dos 
fatores determinantes de potência, força e velocidade. No atletismo, determina o 
"arranque" ou "Sprint” do atleta. Através dos testes de capacidade anaeróbia que 
são realizados através de exercícios de elevada intensidade, com durações entre 
as fracções de segundos e alguns minutos (FLECK, 1999). Dentre os testes mais 
comuns apresentam-se o Teste de Força – Velocidade e o teste de Sprint.
Caso aconteça alguma ocorrência como queda, hipotensão, tontura ou 
desmaio com os praticantes de atividades físicas, consulte as unidades 2 e 3 deste 
livro, que fala do controle da situação no caso de acidentes ou intercorrências que 
necessitem de primeiros socorros. 
TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
63
2.6 TESTES DE AUTOAVALIAÇÃO – PAR-Q
O PAR-Q é um questionário indicado para o participante se autoavaliar, 
desenvolvido na década de 1970, com o objetivo principal de substituir ou 
localizar pessoas para quem um aumento da atividade física poderia ser 
contraindicado. Através de questões claras e objetivas, responde como se sente 
frente ao seu dia a dia e à sua saúde atual. Este questionário é muito utilizado 
em academias, se tornando um instrumento básico de triagem quando não há o 
atestado médico trazido pelo participante.
QUADRO 9 – QUESTIONÁRIO DE PRONTIDÃO PARA ATIVIDADE FÍSICA
Este questionário tem objetivo de identificar a necessidade de avaliação por um 
médico antes do início da atividade física. Caso você responda 'sim' a uma ou mais 
perguntas, converse com seu médico ANTES de aumentar seu nível atual de atividade 
física. Mencione este questionário e as perguntas às quais vocé respondeu 'sim'. Por 
favor, assinale 'sim ou 'não às seguintes perguntas:
1) Algum médico já disse que você possui algum problema de coração e que só 
deveria realizar atividade física supervisionado por profissionais de saúde?
( ) sim ( ) não
2) Você sente dores no peito quando pratica atividade física? 
( ) sim ( ) não
3) No último mês, você sentiu dores no peito quando pratica atividade física? 
( ) sim ( ) não
4) Você apresenta desequilíbrio devido a tontura e/ou perda de consciência? 
( ) sim ( ) não
5) Você possui algum problema ósseo ou articular que poderia ser piorado pela 
atividade física? 
( ) sim ( ) não
6) Você toma atualmente algum medicamento para pressão arterial e/ou problema 
de coração? 
( ) sim ( ) não
7) Sabe de alguma outra razão pela qual você não deve praticar atividade física? 
( ) sim ( ) não
Data, nome completo e assinatura:______________________________________
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/pdef/rbme/v22n4/1517-8692 rbme-22-04-
00272.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018.
2.7 TESTES POSTURAIS
 A avaliação de aspectos posturais dentro dos testes num programa de 
atividades para grupos especiais busca diagnosticar desvios posturais com o intuito 
de prescrever exercícios corretivos ou qualquer tipo de tratamento, pois isso é uma 
responsabilidade do ortopedista e do fisioterapeuta. O profissional que realiza 
64
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
avaliações posturais busca dar um atendimento mais qualificado ao participante, 
porém, deve ter o cuidado para não invadir o espaço de outras profissões e não sair 
do foco do treinamento do grupo. Não é comum que ocorram avaliações posturais 
em programas para grupos especiais, a não ser que haja um grupo propriamente 
de problemas ou alterações posturais. O profissional educador físico pode, através 
de seu conhecimento, orientar os cuidados posturais ao participante a fim de evitar 
futuras lesões ou evitar dores advindas da má postura.
2.8 ATESTADO MÉDICO
Ao examiná-lo, recomenda-se que o médico considere a possibilidade 
de doença capaz de representar riscos. No atestado devem constar as seguintes 
informações: se existem e quais são as limitações clínicas identificadas (por 
exemplo, “não deve praticar levantamento de peso”); qual é o tipo de exercício 
adequado; se a atividade só é permitida sob prescrição ou acompanhamento 
médico; e se o paciente está proibido de praticar exercícios.
Caso não encontre nenhum problema, é obrigatório informar ao paciente 
que os atestados apontam probabilidades, não certezas. Isso é confirmado no 
corpo do documento, que deve evidenciar que “até aquele momento” a pessoa 
não apresenta contraindicações para a prática da atividade física almejada.
FONTE: Brasil – Atestado médico – prática e ética. Coordenação de Gabriel Oselka. São Paulo: 
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). 2013. 
2.9 ATESTADO MÉDICO PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES 
FÍSICAS
O encaminhamento médico é sempre um aliado do programa, e é necessário 
para a prática de atividades físicas. O médico certifica-se de que a pessoa não é 
portadora de doenças capazes de inviabilizar eventual esforço extra e fornece 
informações em que o indivíduo seja capaz de perceber sua real necessidade de 
realizar atividade física para melhora de sua saúde e expectativa de vida. 
Pelo Código de Defesa do Consumidor (e dependendo da interpretação 
jurídica), parte da responsabilidade por uma morte em academia ou durante 
exercícios sob orientação de, por exemplo, um personal trainer, recairá sobre o 
proprietário da academia; quem orienta os exercícios; e o médico que atestou a 
sanidade. Caso o profissional educador físico perceba algum tipo de risco, pode 
reencaminhar este participante para avaliação médica (CREMESP, 2013) A seguir 
apresentamos um modelo de encaminhamento.
TÓPICO 3 | MEIOS DE AVALIAÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
65
FIGURA 27 – MODELO DE ENCAMINHAMENTO
FONTE: Disponível em: <https://uniasselvi.bv3.digitalpages.com.br/users 
publications/9788520426456/pages/68>. Acesso em: 1 dez. 2017.
PLANO DE AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA O ENFRENTAMENTO DAS 
DCNT 
O quadro de monitoramento global foi pactuado em 2012, contendo 25 
indicadores e nove metas globais voluntárias, para a prevenção e o controle 
das DCNT.Os 25 indicadores foram inseridos em três blocos: a) mortalidade e 
morbidade; b) fatores de risco; e c) respostas dos sistemas nacionais. Para nove 
deles, foram definidas metas a serem atingidas em relação à linha de base. 
Metas, essas, que foram alinhadas às do Plano de Ações Estratégicas para o 
Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil, 2011-
2022, elaborado com protagonismo do Ministério da Saúde e participação de 
diversas outras instituições de relevância nacional e internacional.
Lançado em 2011, o Plano tem o objetivo de promover o desenvolvimento 
e a implantação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas 
em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco, 
incluindo o fortalecimento dos serviços de saúde. As estratégias e ações propostas 
estão estruturadas em três eixos:
a) vigilância, informação, avaliação e monitoramento;
b) promoção da saúde;
c) cuidado integral.
O Ministério da Saúde vem implementando importantes políticas para 
combater as DCNT. Um exemplo consiste na Política Nacional de Promoção 
da Saúde (PNPS), priorizando ações de alimentação saudável, atividade física, 
LEITURA COMPLEMENTAR
66
UNIDADE 1 | POR QUE SABER PRESCREVER ATIVIDADE FÍSICA PARA GRUPOS ESPECIAIS
prevenção ao uso de tabaco e álcool. Outros exemplos consistem na implementação 
do Programa Academia da Saúde e na expansão da Atenção Básica, com equipes 
atuando em território definido, com população adstrita, realizando ações de 
promoção, prevenção, vigilância em saúde e assistência.
O quadro abaixo mostra as quatro DCNT de maior impacto mundial: 
doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas. E 
elas possuem quatro fatores de risco modificáveis em comum, onde é possível o 
tratamento. A atividade física é um dos pilares do tratamento de todas as DCNTs.
DCNT e fatores de risco em comum
DCNT Fatores de risco
Tabagismo Alimentação não
saudável
Inatividade 
física
Uso nocivo de
álcool
Doenças cardiovasculares x x x x
Câncer x x x x
Diabetes x x x x
Doenças respiratórias 
crônicas
x x x x
Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-
ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14125-
vigilancia-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis
Metas nacionais propostas pelo Plano Nacional de ações de 
enfrentamento das DCNT:
• Reduzir a taxa de mortalidade prematura (<70 anos) por DCNT em 2% ao ano.
• Reduzir a prevalência de obesidade em crianças.
• Reduzir a prevalência de obesidade em adolescentes.
• Deter o crescimento da obesidade em adultos.
• Reduzir as prevalências de consumo nocivo de álcool.
• Aumentar a prevalência de atividade física no lazer.
• Aumentar o consumo de frutas e hortaliças.
• Reduzir o consumo médio de sal.
• Reduzir a prevalência de tabagismo em adultos.
• Aumentar a cobertura de mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos.
• Ampliar a cobertura de exame preventivo de câncer de colo uterino em mulheres 
de 25 a 64 anos.
• Tratar 100% das mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer.
O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças 
Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) (2011-2022) tem sido monitorado 
anualmente e mais informações podem ser vistas no tópico DCNT – Plano de 
Ações Estratégicas em: <http://portalsaude.saude.gov.br>.
FONTE: Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-
o-ministerio/671-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/doencas-cronicas-nao-transmissiveis/14125-
vigilancia-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis>. Acesso em: 30 nov. 2017.
67
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Em programas de exercícios para grupos especiais, antes de submeter o 
indivíduo a qualquer teste, deve-se realizar um questionário para obter 
informações como: histórico de doenças familiar e pessoal; procedimentos 
cirúrgicos realizados; utilização de medicamentos, fumo ou bebidas alcoólicas; 
hábitos alimentares e esportivos; e disponibilidade de horários para as práticas 
esportivas.
• O educador físico precisa, a cada avaliação, conhecer o contexto social, 
psicológico, neurológico e fisiológico do aluno e do grupo. Com estes dados, 
buscar um programa que resulte em resultados positivos sobre a saúde de cada 
grupo especial. 
• A intensidade e duração do exercício vai progredir à medida que o participante 
tenha ganhos no seu condicionamento, respeitando seus limites e seu processo 
de adaptação ao treino.
• Os meios de avaliação, como Teste de Percepção de Esforço de Borg, teste 
de medidas antropométricas e PAR-Q são subsídios para um programa de 
qualidade e seguro tanto para o profissional educador físico quanto para o 
aluno pertencente a um grupo especial, ou seja, que exige cuidados.
68
1 As escalas de avaliação foram desenvolvidas com o intuito de dar suporte 
e segurança aos profissionais da área do esporte, saúde e reabilitação, 
demonstrando em dados e valores a melhor decisão que deve ser tomada 
frente ao estado da pessoa avaliada e os resultados obtidos dentro de um 
determinado período. Mediante o exposto, as escalas de avaliação têm a 
finalidade de:
a) ( ) Permitir que o educador físico conheça o histórico de doenças familiares e 
pessoais; procedimentos cirúrgicos realizados; utilização de medicamentos, 
fumo ou bebidas alcoólicas; hábitos alimentares e esportivos; tipos de 
exercícios permitidos e disponibilidade de horários para as práticas 
esportivas.
b) ( ) Permitir que o educador físico possa definir as atividades pretendidas, 
lembrando que para a realização de atividades físicas há a necessidade 
de espaço adequado, estrutura física (como exemplo: banheiros, piso 
antiderrapante e equipamentos).
c) ( ) Obter as medidas do tamanho corporal e de suas proporções, oferecendo 
indicadores diretos do perfil nutricional do indivíduo e podem ser medidos 
e comparados a cada período.
2 Gunnar Borg foi um psicólogo suíço e é considerado o pai do conceito de 
esforço percebido, definido como o ato de tentar interpretar sensações corporais 
durante o exercício físico, relacionado ao trabalho muscular intenso, que envolve 
uma tensão relativamente grande sobre os sistemas musculoesquelético, 
cardiovascular e pulmonar. Gunnar Borg definiu como “a sensação de quão 
pesada e extenuante é uma tarefa física, a fim de evitar que o indivíduo faça 
atividade extenuantes, ultrapassando seus limites fisiológicos”.
FONTE: NOBLE, B. J.; ROBERTSON, R. J. Perceived Exertion.Champaign: 
Human Kinetics Books, 1996.
Com base no exposto, assinale a alternativa que descreve a PRIMEIRA 
conduta que o educador físico deve tomar ao utilizar o teste de Percepção de 
BORG com um praticante de exercícios físicos:
a) ( ) Definir o que é percepção de esforço, para que o praticante entenda que 
o teste avalia o quanto ele está sentindo de esforço físico e a ligação com o 
valor numérico.
b) ( ) Solicitar exames médicos.
c) ( ) Iniciar a atividade física e aguardar a sensação que o praticante refere.
d) ( ) Verificar o consumo máximo de oxigênio.
AUTOATIVIDADE
69
3 Em academias, escolas, empresas e instituições relacionadas à prática de 
atividades físicas, nem sempre o participante apresenta o atestado médico. 
Nestes casos, um instrumento básico de triagem quando não há o atestado 
médico trazido pelo participante, que busca substituir ou localizar pessoas 
para quem um aumento da atividade física poderia ser contraindicado é o:
a) ( ) PAR-Q.
b) ( ) Escala de Borg.
c) ( ) Teste de capacidade aeróbia.
d) ( ) Teste de Cooper.
70
71
UNIDADE 2
 ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO 
SOCORRO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, o acadêmico estará apto a:
• conhecer as regras básicas para atendimento inicial de avaliação primária 
e secundária, assim como o uso de EPIs para o socorrista;
• compreender qual é a responsabilidade dos serviços especializados,con-
forme a necessidade da vítima e orientações de transporte;
• obter conhecimento básico sobre os tipos de fraturas e traumas, ações para 
prevenção de lesões e procedimentos básicos para realização de respiração 
artificial;
• conhecer os aspectos legais, as Leis segundo a Constituição Brasileira em 
primeiros socorros e os seguros em casos de acidente de trabalho;
• obter conhecimento básico sobre as funções vitais do corpo humano.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. Em cada um deles, você encon-
trará atividades que o auxiliarão a fixar os conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA
TÓPICO 2 – TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
TÓPICO 3 – ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS
TÓPICO 4 – FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO
TÓPICO 5 – ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
72
73
TÓPICO 1
SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Esta unidade tem como objetivo apresentar um conhecimento geral de 
primeiros socorros, as técnicas e os procedimentos descritos foram pesquisados 
em materiais atualizados e coerentes com a medicina brasileira.
O ensino de técnicas ao suporte básico da vida tem relevante importância 
para nosso país, pois os índices de mortalidade e as consequências dos acidentes 
são elevados, e a maioria da população não é preparada para ações de prevenção 
de acidentes ou para a prestação de socorro adequado ao nível pré-hospitalar.
Como podemos prestar os primeiros socorros? Seguindo as orientações 
contidas neste Livro de Estudos, qualquer pessoa terá condições de ajudar em 
uma situação de emergência. No entanto, é importante lembrar que este básico 
conhecimento não o torna um socorrista profissional.
Muitas pessoas que se deparam com uma situação de emergência e prestam 
atendimento, têm medo de fazer alguma coisa errada e gerar consequências legais 
com base nessa atitude.
É importante ressaltar que é necessária a participação em um treinamento 
atualizado prático de primeiros socorros, com profissionais capacitados, 
pois somente a leitura de materiais sobre esse assunto não lhe dará condições 
fundamentais para um pronto atendimento a uma vítima. 
A definição de primeiros socorros é determinada por um conjunto de 
procedimentos de emergência, que são aplicados às vítimas no momento em que 
sofreram um acidente, mal-estar ou quando se encontram em perigo de vida. 
Estas ações têm a finalidade de preservar e manter os sinais vitais, dentro 
dos padrões da normalidade, evitando o agravamento da situação em que a 
pessoa se encontra. 
A execução dos procedimentos pode ser de forma individual ou coletiva, 
conforme a análise das limitações encontradas para auxiliar o acidentado, até que 
o atendimento especializado esteja no local para prestar uma assistência mais 
detalhada e definitiva.
2 PRIMEIROS SOCORROS
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
74
De acordo com Vendrame (2013), os procedimentos de primeiros socorros 
têm como principal objetivo afastar a vítima do perigo imediato, prevenindo 
consequências maiores e encaminhando para a assistência médica. 
As ações de primeiros socorros deverão ser executadas. No caso em 
que a vítima não tiver condições físicas e psicológicas de cuidar de si própria, 
o socorrista deverá prestar um primeiro atendimento e, em seguida, acionar o 
atendimento especializado.
A correta aplicação das etapas de ressuscitação cardiopulmonar 
(vias aéreas, respiração artificial e compressão torácica externa) e o controle 
das hemorragias de uma vítima podem sustentar a vida da pessoa até a sua 
recuperação básica, para ser transportada para uma unidade hospitalar. 
O profissional qualificado para realizar um atendimento de emergência é 
denominado de socorrista, deve possuir uma formação técnica e equipamentos 
especiais. Alguns conhecimentos simples, muitas vezes, amenizam as dores, 
evitam problemas sérios futuros e podem salvar vidas.
FIGURA 28 – PRIMEIROS SOCORROS
FONTE: Disponível em: <http://www.prevencaonline.
net/2011/06/primeiros-socorros-o-que-e-importancia.html>. 
Acesso em: 12 jan. 2016.
As ações de primeiros socorros são muito importantes, seja nos setores 
industriais, acidentes de trânsitos ou domésticos, a pessoa responsável pelo 
atendimento deve ter um conhecimento básico sobre os procedimentos a serem 
realizados para prestar os primeiros socorros.
É importante sempre conhecer o histórico do acidente, solicitar um resgate 
especializado enquanto os procedimentos básicos são executados, sinalizar 
e isolar o local do acidente. Em casos de emergência, é necessário manter-se 
paciente e estar consciente que a prestação de primeiros socorros não dispensa o 
acompanhamento especializado. 
Também deve-se avaliar se há condições seguras o suficiente para 
a prestação do socorro sem riscos, tanto para a vítima quanto para o socorrista e 
demais pessoas que estiverem em volta do acidente. 
TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA
75
3 REGRAS BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS
Para realizar as práticas de primeiros socorros, de forma adequada, é 
necessário ter calma e conquistar a confiança da vítima que está sendo atendida.
É indicado: evitar perguntas desnecessárias, que possam causar 
sentimentos fortes na vítima; ter criatividade para aproveitar os utensílios que 
estejam à disposição.
Segundo Vendrame (2013), todo estabelecimento deve ter uma caixa 
equipada com materiais necessários para a prestação dos primeiros socorros, 
e esse material deverá ser guardado em local adequado e conter alguns itens 
básicos, como:
• Material para curativos e imobilizações: água oxigenada, mercúrio cromo, 
mertiolate, éter, gaze estéril (compressas e assaduras), algodão, atadura de 
crepe, esparadrapo.
• Instrumental: tesoura, pinça anatômica, pinça dente de alho, bisturi ou lâmina 
de barbear, caixa pequena de sutura.
• Medicamentos básicos.
FIGURA 29 – EXEMPLO DE CAIXAS DE PRIMEIROS SOCORROS
FONTE: Disponível em: <http://www.casaemcaixa.com.br/
maleta-primeiros-socorros>. Acesso em: 30 jun. 2016.
Durante o procedimento de socorrer um acidentado é importante 
cumprir uma sequência padronizada e corrigir, no mesmo instante, os problemas 
encontrados que possam vir a comprometer a vida da vítima.
 
O atendimento especializado inicial da vítima segue uma ordem 
cronológica, como avaliação da permeabilidade das vias aéreas, avaliação 
ventilatória, avaliação circulatória, avaliação neurológica e exame clínico.
A avaliação da vítima é dividida em dois momentos principais: avaliação 
primária e avaliação secundária.
4 ATENDIMENTO INICIAL: EQUIPE ESPECIALIZADA
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
76
4.1 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
Avaliação primária é sempre o primeiro passo do socorrista, após a 
verificação das condições de segurança do local do acidente, o socorrista deve 
proceder à análise das condições clínicas que possam resultar no risco eminente 
da vida, como:
• Permeabilidade das vias respiratórias.
• Estabilização cervical.
• Respiração eficiente.
• Constância da circulação.
• Controle de sangramentos externos. 
Esta fase de avaliação deverá ser completada em, no máximo 45 segundos, 
sendo que as ações de suporte básico à vida são iniciadas nesta etapa. 
Deverá ser realizado um exame, que consiste no tratamento das lesões 
que não comprometem a vida da pessoa. Na Figura 3 são apresentadas as etapas 
para a realização da avaliação primária.
FIGURA 30 – FLUXOGRAMA DA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA
FONTE: Fernandes e Silva (2007)
TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA
77
Os principais problemas que podem ameaçar a vida da vítima, por ordem 
de importância, são:
• Vias aéreas: estão obstruídas? (Avaliar pela língua ou corpo estranho).
• Respiração: existe respiração adequada?
• Circulação: existe pulso para indicar que está circulando sangue? Existe algum 
sangramento grave?
O objetivo da avaliação primária compreende a análise e a correção 
imediata das falhas no sistema respiratório e/ou cardiovascular, querepresentem 
o risco imediato de vida ao vitimado. 
Na avaliação secundária, o socorrista deve procurar identificar os 
ferimentos e a deficiência, além de checar os sinais vitais, conhecer o histórico da 
vítima através de uma breve entrevista. 
Esta avaliação objetiva os recursos necessários para que o socorrista 
possa tomar a decisão correta dos cuidados à vítima. Pode ser definida como um 
processo ordenado, para constatar lesões ou problemas médicos. 
4.2 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
FIGURA 31 – SOCORRISTA REALIZANDO AVALIAÇÃO NA 
VÍTIMA
FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=k_VffoxPTEE>. Acesso em: 14 mar. 2016.
A experiência universal indica que um grande número de pessoas que 
falecem em decorrência de traumatismo ou mal súbito poderiam ser salvas. As 
ações para recuperação desses acidentados crescem em relação à rapidez com 
que estas emergências e urgências são reconhecidas e adequadamente tratadas.
A avaliação secundária é classificada em três características diferentes, 
sendo elas:
• Entrevista com a vítima ou testemunhas: o socorrista se comunica com a 
vítima ou testemunhas, buscando obter informações sobre o tipo de lesão, 
enfermidades ou dores existentes, assim como demais fatos relevantes.
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
78
• Conferência dos sinais vitais: avaliar a respiração, o pulso, a pressão arterial e 
se a temperatura está compatível com a pele.
• Exame padronizado da cabeça aos pés: exame e inspeção visual realizada pelo 
socorrista, de forma ordenada e sistemática, tentando identificar na vítima 
sinais de lesões ou problemas físicos. 
Os socorros de urgência, ou primeiros socorros, podem ser também 
conceituados como atendimento prestado às vítimas de qualquer acidente ou mal 
súbito antes da chegada dos profissionais especializados.
O socorrista deverá determinar um contato com a vítima consciente, 
avaliar e, posteriormente, explicar os movimentos pretendidos, de forma a 
transmitir segurança e tranquilidade à vítima.
No caso em que a vítima estiver inconsciente, deve questionar as 
testemunhas e/ou familiares, procurando identificar informações relevantes 
sobre o acidente que aconteceu no local.
Após a avaliação do local e certificar-se das condições de segurança, o 
socorrista deverá verificar as lesões mais visíveis e buscar na vítima alguma 
identificação médica de alerta.
É orientado que o socorrista entreviste a vítima, utilizando algumas 
perguntas-chave:
• Nome e idade (se é menor de idade, entrar em contato com os pais ou um 
adulto conhecido).
• Descrição do fato sobre o que aconteceu (identificar a natureza da lesão ou doença).
• Se a ocorrência já aconteceu em outros momentos.
• Há algum outro problema ou enfermidade atual.
• A vítima está em tratamento médico.
• É alérgico a algum medicamento ou alimento.
• Ingeriu algum tipo de droga ou alimento.
4.3 REGRAS GERAIS PARA ATENDIMENTO INICIAL
Existem normas gerais de atendimento que são úteis, pois fornecem uma 
orientação com relação às condições que precisam ser identificadas e tratadas, 
conforme a prioridade.
A preferência no atendimento é determinada pela gravidade, se há risco 
de vida imediato e o que acompanha tais condições, pois o objetivo inicial do 
atendimento é o de preservação da vida.
Na atuação correta do socorrista, é importante manter a calma, sendo 
recomendada para o socorrista uma sequência de ações:
TÓPICO 1 | SOCORROS DE URGÊNCIA E SUPORTE DA VIDA
79
• Manter a calma: pare e pense, não faça nada por instinto ou por impulso.
• Garantir a segurança.
• Pedir socorro, conforme necessidade de atendimento especializado.
• Controlar a situação e isolar a área.
• Fazer uma análise da situação das vítimas, avaliando a gravidade geral do 
acidente.
• Realizar algumas intervenções de apoio às vítimas.
Para se obter sucesso nos atendimentos é necessário que os conhecimentos 
de suporte básico da vida e as técnicas, atualmente disponíveis para o atendimento 
destas condições, sejam corretamente aplicados em seus portadores, desde o local 
onde ocorreu o acidente, durante o transporte, e até a chegada da vítima nas 
unidades hospitalares.
Segundo os autores Fernandes e Silva (2007), destacam algumas regras 
básicas de primeiros socorros, como:
• Realizar uma rápida avaliação da vítima.
• Não movimentar a vítima desnecessariamente, nem permitir que ela se 
movimente bruscamente.
• Impedir aglomerações em torno do local de atendimento.
• Não oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos sem indicação médica.
• Aliviar as condições que ameaçam a vida ou que possam agravar o quadro da 
vítima com a utilização de técnicas simples.
• Acionar corretamente um serviço de emergência local.
• Afrouxar as roupas e os sapatos da vítima.
• Oferecer apoio emocional.
4.4 USO DE EPIs
No atendimento aos primeiros socorros, são destinados alguns 
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como um recurso, que tem por 
objetivo a proteção da integridade física do socorrista durante a realização das 
atividades que apresentam riscos potenciais.
Os principais EPIs são as luvas de látex descartáveis, óculos e máscaras 
faciais de proteção e as próprias roupas dos socorristas. Recomenda-se, no 
atendimento inicial à vítima, que o socorrista execute rotinas de segurança, dentre 
as quais destacamos:
1. Use sempre EPIs.
2. Avalie constantemente as condições de funcionamento dos seus materiais.
3. Higienize constantemente todos os EPIs e materiais básicos após o uso, para 
evitar contaminação.
4. Antes e após cada atendimento, lave bem as mãos com água abundante e 
sabão.
80
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, vimos que:
• É necessária a atualização de treinamentos teóricos e práticos de primeiros 
socorros, com profissionais capacitados.
• O conceito de primeiros socorros é definido como um conjunto de procedimentos 
de emergência que são utilizados em vítimas de acidentes.
• A utilização correta dos procedimentos de primeiros socorros tem a finalidade 
de proteger a vítima do risco imediato e de maiores consequências.
• É importante conhecer o histórico dos fatos do acidente e solicitar um resgate 
especializado, ao mesmo tempo em que os procedimentos básicos são 
realizados.
• A avaliação da vítima é dividida em dois estados principais: avaliação primária 
e avaliação secundária.
• A avaliação da prioridade de atendimento é definida pela gravidade de risco 
de vida do acidentado.
• Durante o atendimento de primeiros socorros são necessários Equipamentos 
de Proteção Individual (EPI), como uma proteção da integridade física do 
socorrista, durante a realização das atividades.
81
1 Qual é a definição de primeiros socorros? Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São medidas aplicadas somente às vítimas de acidente de trânsito.
b) ( ) É um conjunto de procedimentos de emergência, que são aplicados às 
vítimas no momento em que sofreram um acidente, mal-estar ou quando se 
encontram em perigo de vida.
c) ( ) São todas as iniciativas tomadas em caso de acidente que ocorrem dentro 
de uma empresa. 
2 Quais recursos básicos são necessários para a prestação dos procedimentos 
de primeiros socorros em um estabelecimento?
3 A avaliação da vítima é dividida em dois momentos principais. Assinale a 
alternativa que apresenta estes dois momentos:
a) ( ) Avaliação primária e avaliação secundária.
b) ( ) Avaliação inicial e final.
c) ( ) Urgência e Emergência. 
4 Por ordem de importância, quais os principais procedimentos quando a 
vida da vítima está ameaçada?
AUTOATIVIDADE
82
83
TÓPICO 2
TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Para prestar atendimento e serviço especializado em primeiros socorros, 
existem instituições e setores governamentais especializados em cuidar das 
vítimas em situações de emergência. Em caso de acidentes, esses setores devem 
ser acionados, mesmo que os primeiros socorros estejam sendo realizados. 
Deixar de oferecer socorro indica não conceder assistência primária 
à vítima. O momento emque o indivíduo solicita a equipe especializada para 
socorrer conta como o início aos primeiros socorros. 
Quando acontecer algum acidente e o envolvido não solicitar ou promover 
socorro à vítima, mesmo tendo condições de fazer, está praticando um crime 
de omissão de socorro, previsto em lei penal, ainda que o indivíduo não seja o 
causador do acidente.
2 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM PRIMEIROS SOCORROS
Segundo orientações de Fernandes e Silva (2007), o socorro solicitado pelo 
telefone necessita de informações importantes que possam agilizar o atendimento 
com a chegada da equipe de paramédicos.
Algumas informações devem ser fornecidas pelo socorrista, que deve 
estar atento e fazer a seguinte análise:
• O tipo de acidente (carro, motocicleta, colisão ou atropelamento).
• Gravidade aparente do acidente.
• Nome da rua, número e ponto de referência próximo.
• Número próximo de pessoas envolvidas.
• Se existem pessoas presas nas ferragens.
• Vazamento de combustível ou produtos químicos.
• Ônibus ou caminhões envolvidos.
Após o socorrista realizar procedimento e ações de primeiros socorros, as 
vítimas devem passar por uma avaliação médica e realizar exames, para descartar 
possíveis sequelas e também para facilitar a recuperação plena da vítima. 
A seguir, serão apresentados alguns serviços especializados e a 
responsabilidade específica para cada atendimento.
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
84
2.1 CORPO DE BOMBEIROS
Este serviço deverá ser solicitado em situações de emergência, incêndios 
em residências, indústrias e no trânsito, no resgate de vítimas, quando não é 
permissível proceder com os primeiros socorros.
Estes profissionais são responsáveis por efetuar o transporte da(s) 
vítima(s) até uma unidade de saúde especializada, conforme o caso específico de 
cada acidente.
FIGURA 32 – VIATURA CORPO DE BOMBEIROS
FONTE: Disponível em: <http://www.portaldafeira.com.br/corpo-
de-bombeiros-militar-da-bahia-tem-primeiro-comandante-depois-
da-emancipacao/>. Acesso em: 18 jan. 2016.
2.2 POLÍCIA MILITAR
Os profissionais da Polícia Militar são responsáveis por realizar 
atendimento inicial, caso seja o primeiro serviço especializado a chegar no local 
em que aconteceu o acidente. 
Uma das ações a ser realizada para manter a ordem do fluxo do trânsito 
e dos indivíduos que estão analisando o acidente, é o de investigar o cenário do 
acidente e, conforme as circunstâncias, realizar o transporte das vítimas.
FIGURA 33 – VIATURA POLÍCIA MILITAR
FONTE: Disponível em: <http://www.crismenegon.com.br/portal/
politica.html>. Acesso em: 18 jan. 2016.
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
85
2.3 SAMU – SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE
URGÊNCIA
É um serviço específico de atendimentos de urgência, fundado por uma 
portaria do Ministério da Saúde, e administrado pela Secretaria de Saúde de cada 
estado ou município. 
Desempenha uma atividade de atendimento às vítimas de acidentes e 
situação-clínica, que precisam de acompanhamento, prestando atendimento 
precedente no próprio local ou dentro de ambulâncias.
Posteriormente, a vítima deverá ser transportada, no veículo apropriado, 
até um hospital de pronto atendimento ou uma unidade de saúde mais próxima 
do local do acidente.
FIGURA 34 – VIATURA SAMU
FONTE: Disponível em: <http://www.patos.pb.gov.br/noticias/
saude-a262.html>. Acesso em: 18 jan. 2016.
2.4 POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL
Nos casos em que acontecerem acidentes de trânsito em rodovias mais 
isoladas de grandes centros urbanos, é aconselhável solicitar o serviço da Polícia 
Rodoviária Federal.
Quando se tratar de um acidente de trânsito, a PRF será o serviço de 
socorro especializado que, provavelmente estará mais próxima da ocorrência, pois 
é responsável por administrar o bom andamento do fluxo em rodovias nacionais.
FIGURA 35 – VIATURA DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL
FONTE: Disponível em: <http://silvanalves.com.br/site>. Acesso 
em: 18 jun. 2016. 
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
86
FIGURA 36 – VIATURA DA DEFESA CIVIL
FONTE: Disponível em: <http://www.botucatu.sp.gov.br/home>. 
Acesso em: 18 jan. 2016.
2.6 ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS POR 
INTOXICAÇÃO 
O atendimento aos casos de intoxicação é um serviço prestado pela Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é uma agência associada ao Ministério 
da Saúde, e tem a finalidade de controlar e sistematizar a área sanitária de serviços 
e produtos.
A prioridade será nos casos de atendimento às ocorrências, compreendendo 
os casos de intoxicações dos mais diversos tipos, sendo os casos mais comuns: 
• Intoxicação, por uso de produtos químicos utilizados em limpeza doméstica e 
de laboratório. 
• Por venenos utilizados, entorpecentes e medicamentos em geral, alimentos e 
gases tóxicos.
Quando o socorrista se depara com um caso de acidente, as primeiras 
atitudes a serem realizadas no local é analisar possíveis riscos à pessoa que 
prestará os procedimentos de primeiros socorros. 
3 ETAPAS BÁSICAS DE SERVIÇO ESPECIALIZADO
É uma instituição que atende em todo o território nacional, sendo 
responsável por planejar, executar e acompanhar ações de prevenções de 
acidentes e acidentes naturais ou de grandes dimensões e serviços de resposta a 
essas situações.
Ações de contenção de desastres naturais, como providências de 
transferência das pessoas envolvidas, em áreas de situações de risco, como 
desmoronamentos, deslizamentos e alagamentos.
2.5 DEFESA CIVIL
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
87
3.1 ORIENTAÇÕES PARA CONTROLE DA SITUAÇÃO
O socorrista deve seguir algumas orientações para manter o controle da 
situação, quando se deparar com um caso de acidente, entre elas:
• Caso a vítima já estiver deitada, mantenha-a nesta posição, pois é confortável para 
repouso, até que o socorrista possa constatar que o ferimento não tem gravidade.
• Apurar detalhadamente a existência de hemorragia, se o caso é de envenenamento, 
se houve parada respiratória, ferimentos, queimaduras ou fraturas.
• Procure dar prioridade para os casos em que há hemorragia excessiva; quando 
a vítima estiver inconsciente; com parada cardiorrespiratória; se estiver em 
estado de choque, pois, nestes casos, é necessário socorro imediato.
• Examinar e analisar se há lesão na cabeça, principalmente se a vítima estiver 
inconsciente ou semiconsciente, caso houver hemorragia por um ou ambos os 
ouvidos, nariz e olhos, há possibilidade de ter sofrido fratura no crânio.
• Não deve dar líquidos ao acidentado que tiver inconsciente.
• Nos casos em que tiver amputação de algum membro da pessoa, o socorrista 
deve recolher a parte que foi decapitada, deve ser envolvida em um pano 
limpo, para posteriormente ser entregue ao médico.
• Assegure-se que todos os procedimentos a serem tomados não tenham 
consequências que possam agravar o estado da vítima.
• Quando o atendimento especializado chegar, forneça as seguintes informações: 
local do acidente, horário e estado em que a vítima foi encontrada e quais 
procedimentos de primeiros socorros foram prestados até o momento.
Caso o socorrista detectar perigo em potencial, analisando a possível 
causa do acidente, o número total de vítimas e a sua gravidade e 
todas as outras informações que possam ser úteis para a notificação 
do acidente, sendo assim, aconselha-se aguardar a chegada do 
atendimento e socorro especializado (VENDRAME, 2013, p. 308).
3.2 PROTEÇÃO À VÍTIMA 
A proteção à pessoa acidentada precisa ser realizada com muito cuidado, 
avaliar a circunstância e afastar pessoas curiosas que claramente estejam sem 
controle e possam atrapalhar o atendimento aos primeiros socorros.
Para Fernandes e Silva (2007, p. 113) “outra regra básica para garantir a 
qualidade no atendimento, o socorrista deve iniciar o socorro à vítima, através do seu 
contato com ela, com base em quatro fases: informar, ouvir, aceitar e ser solidário”.
Ao iniciar o atendimento à vítima, é importante realizar os procedimentos 
e as técnicas com atenção, e executar as orientações:• Informar à vítima o que está fazendo, para ajudá-la. Desta forma, o acidentado 
será mais receptivo aos seus cuidados.
• Ouvir e aceitar as queixas e a expressão de ansiedade da vítima, respondendo 
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
88
3.3 AVALIAÇÃO DE CABEÇA 
Os tipos de lesões que causam danos ao couro cabeludo, no crânio ou no 
cérebro requerem cuidados especiais, pois o tipo de lesão pode ser apenas uma 
pequena batida no crânio, ou uma lesão cerebral grave, podendo ser do tipo de 
lesão fechada ou aberta (penetrante).
No traumatismo craniano fechado significa que a vítima recebeu uma 
pancada muito forte na cabeça, mas não quebrou o crânio. No caso de traumatismo 
craniano aberto ou penetrante significa que o ferimento na cabeça causou a quebra 
do crânio e pode ter afetado o cérebro.
O atendimento especializado, bombeiros, paramédicos e enfermeiros, 
conforme a necessidade, deverão examinar a vítima, iniciando pela cabeça e 
pescoço, conforme as etapas:
as suas perguntas com calma e de forma simples.
• Não mentir e não repassar informações que possam causar impacto, ou 
estimulem a discussão sobre a causa do acidente.
• Em solidariedade à vítima, o socorrista deve permanecer com a ela, sem colocar 
em risco a sua própria segurança. 
No momento de socorro ao acidentado e vítima de acidente de trânsito, 
é imprescindível verificar se o cinto de segurança está dificultando a respiração 
da vítima, e em caso positivo, soltar o assessório, sem movimentar o corpo dela.
Conforme orientação de Fernandes e Silva (2007), é necessário impedir 
os movimentos da cabeça da vítima, segurando-a e pressionando a região das 
orelhas. Além disso, deve-se analisar a posição da vítima:
• No caso de o acidentado estar de bruços ou de lado, e o socorrista julgar 
necessário, deverá ser virada a vítima. Em geral, o acidentado deverá ser virado 
apenas se não estiver respirando.
• Na situação em que a vítima estiver de bruços e respirando, o socorrista deverá 
sustentar a cabeça nesta posição e aguardar o atendimento especializado chegar.
• Se a vítima estiver sentada no carro, mantenha a cabeça na posição em que 
estiver.
Considera-se que uma vítima está protegida, quando:
• Porventura, a retirada de emergência acontecer quando ela não estiver apta a 
se proteger.
• Quando estiver acolhida em um abrigo que proporcione a mesma proteção 
contra outras lesões, relacionadas à violência e à natureza (temperaturas 
extremas, sol, chuva, vento, entre outros).
• Quando o próprio socorrista estiver protegido, contra qualquer doença 
contagiosa, assim como de outros riscos.
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
89
3.4 FRATURAS DE PESCOÇO E COLUNA VERTEBRAL
Durante a avaliação das vítimas de um acidente, quando há suspeita de 
fraturas no pescoço e na coluna vertebral, que se caracterizam como as rupturas 
de ossos mais graves que existem em virtude do potencial que têm para causar a 
invalidez permanente da pessoa.
A coluna desempenha uma função muito importante no transporte das 
informações nervosas a todas as partes do corpo. Quando a coluna sofre uma 
compressão ou separação algumas partes do corpo, interligadas pelos nervos 
espinhais, desprendem-se da parte inferior da lesão e se desligam do cérebro. 
As incidências que têm como consequência fraturas no pescoço ou na 
coluna resultam em danos provocados por acidentes de carro, de moto, queda de 
escada, mergulho em piscina. Os sintomas de atenção de uma possível fratura de 
pescoço ou coluna incluem:
1. Quando há um posicionamento diferente da cabeça ou do pescoço. 
2. Imobilidade ou dormência dos braços, pernas ou outras partes do corpo.
3. A vítima apresenta dor no pescoço ou na coluna.
4 ORIENTAÇÕES PARA TRANSPORTE
Quando for realizado o transporte da vítima pela equipe especializada, 
todos os cuidados devem ser adotados, com o objetivo de evitar uma lesão maior, 
que coloque em risco a vida do acidentado. 
O crescente número de vítimas que apresentam infecção pelo vírus 
da imunodeficiência humana (HIV) aumenta o risco de contaminação ao 
entrar em contato com sangue e outras secreções orgânicas, em decorrência de 
acidentados infectados; nestes casos, é muito importante seguir as orientações 
para movimentação e transporte de acidentados. 
 
Para qualquer movimento realizado na vítima, certifique-se de que a 
cabeça, o pescoço e a coluna estão devidamente alinhados. 
• Verificar a permeabilidade das vias aéreas e se há existência de corpos estranhos, 
fratura de face, traqueia, laringe ou maxilar que possam levar à obstrução ou 
dificultar a entrada de ar nas vias aéreas.
Não podem ser hiperestendidos e hiperflertidos ou rodados para 
estabelecer a permeabilidade das vias aéreas. Neste caso, recomendam-se as 
manobras de elevação do queixo e tração da mandíbula, imobilizar a coluna com 
o colar cervical e a cabeça fixar com coxim.
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
90
FIGURA 37 – MOVIMENTAÇÃO DE VÍTIMA DE ACIDENTE
FONTE: Disponível em: <http://www.racconet.com.br/revistas/
Infoseg_Edicao28>. Acesso em:10 jun. 2016.
É importante que o socorrista tenha todo o cuidado. Para evitar que a 
vítima faça qualquer movimento com a cabeça, caso o atendimento especializado 
ainda não esteja no local, o socorro deverá proceder da seguinte maneira:
 
• Antes de iniciar a movimentação da vítima, firme o pescoço com o auxílio de 
um colar improvisado, poderá utilizar uma toalha, como apoio, sem possibilitar 
qualquer movimento da cabeça.
• Quando necessitar mover a vítima, é necessário garantir que a cabeça e o 
restante do corpo estejam retos, é recomendado que a vítima seja orientada a 
não dirigir o olhar para o que estiver a sua volta, para evitar o movimento da 
cabeça para os lados.
• Solicite auxílio para outras pessoas, a fim de deslizar com cuidado a vítima 
sobre uma superfície reta e lisa, produzida com material rígido estabilizador. 
• Tome cuidado ao iniciar o transporte do acidentado. Procure fixar a vítima à 
prancha através de tiras ou faixas, principalmente a parte superior do corpo. 
• Após o processo de imobilizar, cubra a vítima, para conservar o aquecimento 
do corpo.
5 FUNDAMENTOS DO SOCORRO: FRATURAS E TRAUMAS
Para que seja possível prestar um atendimento correto e aplicar as técnicas 
de primeiros socorros, é importante que o socorrista tenha conhecimentos básicos 
de alguns tipos de fraturas e traumas que podem acontecer no corpo humano.
 Os traumatismos de tórax são responsáveis por aproximadamente 25% das 
mortes nos pacientes politraumatizados, sendo que 60% dos politraumatizados 
se desenvolvem para o óbito. 
5.1 LESÃO DE TÓRAX E MEMBROS
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
91
FIGURA 38 – TRAUMA TORÁCICO
Pulmão normal
Pulmão 
colapsado
Pneumotórax
Ar a entrar pelo 
ferimento
Hemotórax
FONTE: Disponível em: <http://clubemontanhismodebraga.blogspot.com.
br/2013/02/socorro-em-montanha-13-parte.html>. Acesso em: 10 jun. 
2016.
Segundo Oliveira (1998), os tipos de lesões características no trauma de 
tórax são: fratura de costelas, tórax instável, contusão pulmonar, pneumotórax 
hipertensivo, pneumotórax aberto e contusão cardíaca.
5.2 FRATURA NAS COSTELAS
São os tipos mais comuns de trauma torácico, ocorrendo em mais de 60% 
dos pacientes admitidos com lesão fechada de tórax. As mais frequentes são as 
secundárias, entre a terceira e oitava costela, são consideradas de complexidade 
simples isoladas e dificilmente representam risco de morte à vítima. 
FIGURA 39 – FRATURA NAS COSTELAS
FONTE: Disponível em: <http://www.vidalsaude.com.br/
patologias/toracica/fratura-das-costelas/>. Acesso em: 10 jun. 
2016.
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
92
Se o paciente estiver consciente, com este tipo de trauma apresentará dor 
intensa, sensibilidade e espasmo muscular sobre a área da fratura, que se agravam 
pela tosse, respiração profunda e movimentação. 
5.3 TÓRAX INSTÁVEL
É originado por uma pancada no esterno ou na parede lateral, tem comoconsequências lesão de duas ou mais costelas, é considerada uma lesão de grau 
grave, se não tratada corretamente.
Como orientação de tratamento é indicado o apoio ventilatório, limpeza 
das secreções do pulmão, através da tosse, respiração profunda e aspiração suave, 
e aliviar a dor com fisioterapia respiratória.
5.3.1 Contusão pulmonar
A pressão do pulmão pode apresentar hemorragia, reduzindo a capacidade 
do pulmão de transferir oxigênio para o sangue. No caso de suspeita e sinais 
de trauma, o tratamento próprio para a lesão deve ser realizado em ambiente 
hospitalar ou por unidade de suporte especializado.
A lesão torácica pode interferir na função normal do pulmão, e a gravidade 
do problema depende da quantidade e da velocidade do sangramento torácico, 
conforme a evolução do quadro. 
5.3.2 Pneumotórax hipertensivo
Ocorre quando há existência de ar no espaço existente entre as pleuras 
(membrana que envolve o pulmão), pode ser o resultado de uma lesão aberta no 
tórax ou lesão do próprio pulmão. 
Um dos sintomas é a grande dificuldade para respirar, taquicardia, 
hipotensão arterial e distensão, o pneumotórax hipertensivo pode até levar a 
vítima à morte, caso não for identificada a tempo. 
5.3.3 Pneumotórax aberto
Acontece quando uma abertura na parede do tórax é suficientemente 
grande para permitir que o ar se desloque livremente para dentro e para fora da 
cavidade torácica em cada movimento de respiração.
É causada quando um ferimento profundo liga a superfície pleural com a 
atmosfera. Nestes casos, o ar tem uma tendência a entrar pela ferida e não pelas 
vias aéreas. 
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
93
Exigem algumas intervenções de emergência, que podem ser realizadas 
ainda no local do acidente. Para facilitar o fluxo do ar nos pulmões, faz-se uma 
abertura na parede torácica.
5.3.4 Contusão cardíaca
Pode desenvolver lesão no miocárdio. O profissional pode detectar 
este diagnóstico quando a vítima tem fratura esternal, tem problemas como 
arritmias, hipotensão e rupturas de miocárdio ou válvulas. Neste caso, apresenta 
compressão no coração em consequência do ferimento, causada por trauma no 
tórax, está associada a altos índices de mortalidade.
Dependendo da velocidade, o acúmulo de líquido pode aumentar a 
pressão intrapericárdia. Importantes sinais incluem: hipertensão arterial, pressão 
venosa aumentada, veias do pescoço distendidas e batimentos cardíacos fracos.
5.4 EXAME DA VÍTIMA INCONSCIENTE 
Como primeira ação que o socorrista deve realizar, na presença de uma 
vítima que não tem comunicação, é avaliar o grau de consciência. Para analisar a 
intensidade, é importante saber se ela:
• Fala e comunica-se.
• Responde ao estímulo de toque.
• Atende à dor.
Caso o acidentado estiver inconsciente, não atende ao toque ou dor, 
examinar se ele respira, se estiver respirando, a musculatura mantém-se relaxada 
e a língua pode deslizar para trás e impossibilitar a passagem do ar.
A causa mais frequente de obstrução das vias aéreas é a inconsciência, de 
qualquer origem, em que a língua da pessoa relaxa contra o fundo da garganta 
(palato) ocluindo a entrada de ar.
A orientação, segundo Oliveira (1998), para prevenir que isto aconteça, 
é deixar a vítima na posição deitada. Caso a vítima estiver inconsciente e sem 
respiração, é recomendável estender a cabeça da vítima para trás e se ainda não 
retornarem os movimentos respiratórios, deve-se iniciar a respiração artificial.
5.4.1 Respiração artificial
Caso a vítima não recuperar pronta e adequadamente a respiração 
espontânea, normal após a abertura das vias aéreas, inicia-se a respiração artificial, 
conforme algumas técnicas:
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
94
• Respiração boca a boca: coloca-se uma das mãos abaixo da mandíbula da pessoa 
e com a outra mão apertar as narinas com o polegar e o indicador, exercer uma 
pressão na região frontal, para obter a extensão da cabeça e a abertura da boca. 
Fazer a inspiração profunda e adaptar firmemente a sua boca a boca da vítima 
e soprar, injetando ar nas vias aéreas.
FIGURA 40 – RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA
FONTE: Disponível em: <http://www.tuasaude.com/respiracao-
boca-a-boca/>. Acesso em: 10 jun. 2016.
• Respiração boca a nariz: em alguns casos, a respiração boca a nariz é mais 
eficiente que a boca a boca, e é recomendada quando é impossível abrir ou 
ventilar através da boca, por estar seriamente lesada. Recomenda-se manter 
a cabeça da vítima estendida para trás com uma das mãos na região frontal 
e usar a outra mão para levantar a mandíbula, fechando-lhe os lábios, em 
seguida, respirar fundo, adaptar os seus lábios em torno do nariz da vítima e 
soprar duas vezes seguidas, até que os pulmões se expandam.
FIGURA 41 – RESPIRAÇÃO BOCA A NARIZ
FONTE: Disponível em: <http://geicpe.tripod.com/clin_
emerg_parada.htm>. Acesso em: 10 jun. 2016.
• Manobras para liberação das vias aéreas obstruídas: quatro manobras manuais 
são recomendadas para remover a obstrução das vias aéreas por corpos 
estranhos: palmadas nas costas, compressão manual do abdômen, compressão 
manual do tórax e remoção com os dedos.
TÓPICO 2 | TRANSPORTE DE ACIDENTADOS
95
• Manobras para respiração boca a máscara: o socorrista deverá ficar ajoelhado 
atrás da cabeça da vítima, estendendo-a para abrir as vias aéreas, posicionar a 
máscara sobre a face da vítima, sobre a ponta do nariz e a base entre os lábios 
e o queixo. O socorrista inspira profundamente e expira através da abertura 
da máscara; em seguida, remove-se a sua boca e permite que a vítima expire 
passivamente. 
6 O CORPO HUMANO EM EMERGÊNCIAS BÁSICAS
Em uma situação de emergência, muitas vezes não só o corpo físico se 
encontra debilitado, deve-se também considerar o estado mental e espiritual da 
vítima. Em resumo, a emergência, ao se instalar, pode ser de ordem interna ou 
externa ao corpo, advinda de um ambiente real.
O profissional que atuará em emergência deve:
• Conhecer as diferentes transformações no corpo humano e suas consequências 
no organismo.
• Possuir competência, conhecimento técnico e habilidade com as tecnologias de 
apoio.
• Possuir habilidade e prática manual e corporal.
• Possuir disposição para trabalhar com situações extremas, de risco, não 
consideradas normais.
Uma emergência pode se instalar a partir de diversos tipos de traumatismos, 
como:
• Traumatismo cranioencefálico (da cabeça).
• Raquimedular (da coluna).
• Tórax, do abdome.
• Muscoesquelético.
• Hemorragias.
• Queimaduras.
• Choque elétrico.
• Afogamento.
• Ataque cardíaco.
• Convulsão.
• Dificuldades no parto.
• Mordidas por animais peçonhentos.
96
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, aprendemos que:
• Para que seja possível realizar um atendimento específico para cada tipo de 
atendimento, existem equipes de pronto atendimento e serviços especializados.
• A equipe de atendimento dos bombeiros deve ser solicitada em situações de 
emergência, em casos como incêndios e resgate de vítimas, quando não há 
possibilidade de proceder aos primeiros socorros.
• São apresentados alguns serviços especializados: Corpo de Bombeiros, Polícia 
Militar, SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Polícia Rodoviária 
Federal, Defesa Civil e Atendimento de Primeiros Socorros por Intoxicação.
• Durante a realização das técnicas de primeiros socorros, a segurança e a 
proteção da vítima e do socorrista devem ser uma preferência constante.
• A avaliação do estado da vítima deve ser realizada de forma imediata, com a 
vítima, tendo como objetivo detectar as ocorrências de perigo de vida. 
• Os tipos de lesões causadas no couro cabeludo, no crânio ou no cérebro 
demandam cuidados especiais.
• Quando há suspeita de fraturas no pescoço e na coluna vertebral da vítima, 
deve-se ter muitos cuidados, pois é uma das rupturas de ossos mais graves que 
existem, podendo causar a invalidez permanente da pessoa.
• Durante o transporte, qualquer movimento realizado na vítima é necessário 
que seja avaliado se a cabeça, o pescoçoe a coluna estão devidamente alinhados. 
97
AUTOATIVIDADE
1 Quais são os tipos mais comuns de trauma torácico, que acontece em mais de 
60% dos pacientes com diagnóstico de lesão fechada de tórax? 
a) ( ) Fratura nas costelas.
b) ( ) Lesão nos pulmões.
c) ( ) Fratura na coluna. 
2 Como o socorrista deve proceder para o transporte seguro da vítima para 
evitar que a vítima faça qualquer movimento com a cabeça?
3 Com relação às orientações sobre posição das vítimas, durante a movimentação 
da vítima, é correto afirmar: 
a) ( ) São medidas aplicadas às vítimas somente dentro dos hospitais.
b) ( ) No caso do acidentado estiver de bruços ou de lado, deverá ser virada a 
vítima, em caso em que não estiver respirando.
c) ( ) Movimentar a vítima para um local seguro rapidamente. 
4 Para o socorrista iniciar o atendimento à vítima, é importante realizar os 
procedimentos e técnicas com atenção. Quais orientações devem ser seguidas?
98
99
TÓPICO 3
ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
As pessoas próximas ao local do acidente não são legalmente obrigadas 
a realizar os procedimentos de primeiros socorros, porém, quando o fizerem, 
devem ter conhecimento de como agir para que não aconteçam futuros processos 
judiciais.
Em casos de emergência e prestação de socorro, algumas pessoas procuram 
não se envolver nos procedimentos de prestação de socorro, com receio de se 
envolverem em processos judiciais.
No entanto, nem sempre este momento não está justificado em aspectos 
reais, na realidade, podem acontecer processos indenizatórios contra instituições, 
caso não tenham exercido as normas técnicas ou legislações referentes à segurança 
dos envolvidos no processo.
2 LEIS DA CONSTITUIÇÃO EM PRIMEIROS SOCORROS
Nos termos da Constituição da República, é correto afirmar, nos termos 
do artigo 5º, que os direitos e deveres individuais e coletivos são:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
Da Saúde Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, 
garantido, mediante políticas sociais e econômicas que visem à 
redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação (BRASIL, 1988).
2.1 OMISSÃO DE SOCORRO
Segundo o artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro representa: 
"deixar de prestar assistência, mesmo quando for possível realizar, sem risco 
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em 
desamparo ou em momento grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o 
socorro da autoridade pública”.
100
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
Esta orientação não consiste em parecer ser um herói e colocar a própria 
segurança em risco ou, até mesmo, de outra pessoa, para defender quem precisa 
de socorro, não seria prudente colocar a sua própria vida em perigo para proteger 
o outro. Portanto, nestes casos, não há característica de crime.
Entretanto, se há possibilidade de socorrer ou de solicitar um atendimento 
especializado, o socorro deve ser realizado, e caso a pessoa não o fizer, estará 
praticando omissão de socorro, que, neste caso, é considerado crime.
No caso de concreta omissão de socorro, a pessoa que o fizer, irá arcar 
com as consequências, com determinação de: 
• Pena com detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único: A 
pena é aumentada de metade, se da omissão tiver resultado uma lesão corporal 
de natureza grave, e triplicada, se tiver como consequência a morte da vítima.
2.2 DIREITOS DA VÍTIMA
Um dos conhecimentos dos procedimentos de primeiros socorros deve 
ser o direito legal da vítima, que deve possuir o direito de se recusar a ter o 
atendimento.
Quando for realizado atendimento em pessoas adultas, este direito é 
levado em consideração somente quando o acidentado estiver consciente, estiver 
em perfeito juízo e consciente. 
A definição do direito à prestação de socorro pode acontecer por diversos 
motivos, como crendices religiosas ou a falta de segurança na pessoa que prestará 
o socorro. 
Caso a vítima se recuse a aceitar o atendimento ela não pode ser 
pressionada a ir contra a sua vontade. O papel do socorrista nesse caso é garantir 
que o socorro especializado seja acionado, porém, o socorrista deve permanecer 
monitorando a vítima.
Porventura, a vítima estiver incapaz de falar, em consequência do 
acidente, como uma lesão na boca, mas está demonstrando através de sinais que 
não permite o atendimento do socorrista, nesta situação, recomenda-se agir da 
seguinte maneira:
• Não é indicado discutir com a vítima sobre qualquer que seja o motivo.
• Não faça interrogações, sobre os motivos pelo qual levam o acidentado a não 
querer que seja prestado os primeiros socorros.
• A orientação é que a vítima não seja tocada sem o seu consentimento, isto pode 
ser considerado como ofensa aos seus direitos.
TÓPICO 3 | ASPECTOS LEGAIS DE PRIMEIROS SOCORROS
101
• Dialogar com a vítima, informar que está qualificado para os procedimentos 
em primeiros socorros, e que respeitará o seu direito se ainda assim continuar 
recusando o atendimento, mas que está a sua disposição para ajudá-lo no que 
for preciso.
• É importante informar às testemunhas que o atendimento foi disponibilizado, 
mas recusado por parte do acidentado.
• Quando o acidente envolver crianças e ela se recusar a receber o atendimento, 
esta decisão cabe aos pais ou ao responsável legal.
• A aprovação para proceder com o atendimento de ações de primeiros socorros 
pode ser informal, ou seja, o acidentado pode apenas falar ou sinalizar que 
admite o atendimento, mas o prestador de socorro deve ter se identificado 
como qualificado para realizar os procedimentos de primeiros socorros.
• A autorização pode ser implícita, quando for o caso de acidentes envolvendo 
menores de idade e que estejam desacompanhados dos pais ou responsáveis 
legais.
2.3 CASOS DE NEGLIGÊNCIA
A negligência é uma atitude que está em evidência nos processos judiciais 
que compreendem o atendimento de emergência. Este termo significa prestar 
atendimento a uma vítima sem ter conhecimento das técnicas adequadas e 
os procedimentos estabelecidos, ocasionando, em muitos casos, o agravamento 
ou lesões adicionais.
 
 As características de negligência compreendem: 
• Cometer ação de omissão de socorro, quando há necessidade implícita à 
realização dos procedimentos.
• Proporcionar socorro, com qualidade nas ações de atendimento, inferior à que 
seria possível realizar.
• Ocasionar lesões ou traumas adicionais ou intensificar ferimentos já existentes. 
2.4 DIREITO DE SIGILO 
O acidentado tem o direito de solicitar sigilo, nos acontecimentos 
realizados durante a prestação de assistência a uma vítima, e caso seja solicitado, o 
socorrista não deve relatar os detalhes deste fato com terceiros. 
O caso do acidentado não deverá ser exposto, a vítima não pode ser 
identificada, senão pelo atendimento especializado, caso assim for de sua 
vontade. O que for falado pela vítima deverá ficar em sigilo, assim como seu 
comportamento ou aparência pessoal.
A necessidade do sigilo não se aplica quando o socorrista é questionado 
pelos policiais, pessoal do resgate e atendimento especializado, ou ao testemunhar 
em cortes judiciais. Poderá ser solicitado ainda que se relatem as informações 
obtidas junto à vítima, a sua família e a acompanhantes.
102
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
O Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) tem sua base constitucional descrita 
no inciso I do art. 195 e inciso I do artigo 201, da Constituição de 1988, garantindo 
ao empregado um seguro contra acidente de trabalho, à perícia do empregador.
Mediante pagamento de um adicional sobre a folha de salários, comadministração atribuída à previdência social. A Lei nº 8.212/91 define as alíquotas 
do SAT, segundo uma predeterminada graduação de riscos.
3 SEGURO DE ACIDENTES DE TRABALHO
3.1 LEGISLAÇÃO VIGENTE
A legislação em vigor determina o recolhimento com base em alíquotas, 
fixadas em razão do grau de risco da atividade em que o contribuinte realiza no 
seu ambiente de trabalho. 
Este percentual varia de 1% para risco leve, 2% para risco médio e de 3% para 
risco grave, porém, não foram definidas as definições de risco leve, médio e grave.
A elevação no percentual da alíquota da contribuição foi ordenada 
em 12,6% ou 6%, conforme a atividade exercida pelo segurado, que permite a 
concessão da aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de contribuição. 
A fiscalização dos recolhimentos das contribuições será feita através 
da GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, 
assinalando-se no campo de ocorrências o código correspondente.
103
Neste tópico, aprendemos que:
• Conforme as Leis da Constituição Brasileira, existem direitos e deveres 
estabelecidos para o atendimento aos primeiros socorros, conforme detalhado 
nos Art. 5º e Art. 196.
• Segundo o artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro significa não 
oferecer assistência, sem risco pessoal em uma situação grave.
• Em casos de explícita omissão de socorro, o indivíduo que o cometer, arcará 
com as consequências.
• Um dos conhecimentos dos procedimentos de primeiros socorros deve ser 
o direito legal da vítima, que deve possuir o direito de se recusar a ter o 
atendimento.
• Os casos de negligência consistem em: praticar ação de omissão de socorro; 
possibilitar socorro, de forma insuficiente à que seria possível realizar; produzir 
lesões ou traumas em ferimentos já existentes. 
• A vítima de acidente tem o direito de solicitar sigilo nas ocorrências realizadas 
durante a prestação de assistência e socorro.
• O Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) visa garantir ao empregado um 
seguro contra acidente de trabalho e a perícia do empregador.
RESUMO DO TÓPICO 3
104
AUTOATIVIDADE
1 Com relação à lei do Código Penal Brasileiro, descrita no Artigo 135 a respeito 
de omissão de primeiros socorros, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Não é obrigatório prestar socorro às vítimas quando não formos os 
culpados pelo acidente.
b) ( ) Deixar de prestar socorro à vítima de acidente, ou pessoas em perigo 
eminente, podendo fazê-lo é crime, com penas que variam de seis meses a 
quatro anos.
c) ( ) Somente devemos socorrer as vítimas se tivermos noções de primeiros 
socorros.
2 Sobre os direitos legais da vítima, de se recusar a ter o atendimento, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) É uma atitude que está em evidência nos processos judiciais e que 
compreende o atendimento de emergência.
b) ( ) O socorrista deve convencer a vítima a querer, obrigatoriamente, o 
atendimento de primeiros socorros.
c) ( ) A aprovação para realizar as ações de primeiros socorros pode ser 
informal, o prestador de socorro deve se identificar como qualificado.
3 Quais são as características da negligência ao atendimento de vítimas, em 
caso de primeiros socorros?
105
TÓPICO 4
FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Toda lesão ou doença tem formas e características de se manifestar e isso 
poderá ajudar o socorrista a diagnosticar a vítima. Essas indicações são divididas 
em dois grupos: sinais e sintomas.
Os sinais são detalhes que você poderá detectar, fazendo o uso dos sentidos 
da visão, tato, audição e olfato durante a avaliação das vítimas. Sinais comuns de 
lesão incluem sangramento, inchaço, aumento de sensibilidade ou deformação.
A realização de ações de primeiros socorros implica o conhecimento dos 
sinais que o corpo manifesta, e funciona como informação para entender o seu 
estado físico. Os sinais mais comuns de doenças são a pele pálida ou avermelhada, 
suor, temperatura elevada e pulso rápido.
Já os sintomas são sensações que a vítima sente e é capaz de descrever, 
sendo possível o socorrista fazer perguntas e definir a presença ou ausência 
desses sentimentos.
Podemos definir como socorros de urgência as medidas iniciais e imediatas 
aplicadas a uma vítima fora do ambiente hospitalar, executadas por pessoas 
treinadas, para realizar a manutenção dos sinais vitais e evitar o agravamento 
das lesões já existentes.
Alguns detalhes importantes sobre as funções vitais, os sinais vitais e 
sinais de proteção do corpo humano precisam ser compreendidos para que sejam 
realizados os procedimentos adequados. 
Para prestar o auxílio de primeiros socorros é importante que o socorrista 
tenha conhecimento das funções básicas do corpo e os sinais vitais. Este 
entendimento atua como suporte para definir o estado do acidentado e facilita a 
atenção, resultante do atendimento.
106
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
2 FUNÇÕES VITAIS DO CORPO HUMANO
As funções do cérebro e do coração são vitais para que o ser humano 
permaneça vivo, pois esses órgãos proporcionam o desempenho de todas as 
funções do corpo, são transitados pelos capilares, vasos sanguíneos em frequência 
direta com o sangue arterial.
No entanto, para que o corpo humano tenha condições de desempenhar suas 
funções específicas e possa produzir atividades físicas e químicas, se faz presente 
uma reprodução das atividades da menor unidade funcional do corpo: a célula.
Algumas práticas resultam da concentração entre o interior e exterior da 
célula, para possibilitar o equilíbrio do acúmulo dos componentes do líquido 
intersticial, os tecidos do organismo circulam por uma espessa rede de vasos 
microscópicos, que são chamados de capilares.
 
No corpo humano, o sangue arterial contém grande concentração de 
nutrientes e oxigênio, e o venoso transmite gás carbônico e catabólico. Diversos 
órgãos têm a responsabilidade de proteger e conservar o sangue com as propriedades 
fundamentais, como rins, aparelho digestivo, fígado, pulmão e coração.
2.1 RINS
Contribuem para o controle hidroeletrolítico do corpo e na eliminação 
espontânea de substâncias tóxicas do metabolismo, como a ureia e creatina, 
eliminando-as através da bexiga.
Tem a capacidade de filtrar substâncias, além de manter o PH sanguíneo 
e regular a osmolaridade e o volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de 
água do organismo.
2.2 APARELHO DIGESTIVO
Tem a função de transportar o sangue essencial orgânico, o agente 
metabólico e as vitaminas, digerindo os alimentos, que são absorvidos, ligando o 
intestino delgado ao intestino grosso.
2.3 FÍGADO
É a maior glândula e o segundo maior órgão do corpo humano, tendo a 
capacidade de armazenar substâncias essenciais, assim como destruir substâncias 
tóxicas. Tem a função de condensar e transformar a composição do sangue.
TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO
107
2.4 PULMÃO
Produz oxigênio e retira a ventosidade resultante da respiração, é o 
principal órgão do sistema respiratório, tendo como missão absorver o oxigênio e 
transferir para o sangue, além de retirar o dióxido de carbono através da expiração.
2.5 CORAÇÃO
É o principal órgão do sistema circulatório, pois tem a função de receber, 
filtrar e bombear o sangue para todo o corpo. Desta forma, transporta nutriente e 
oxigênio para outros órgãos e células do corpo humano.
2.6 SISTEMA NERVOSO CENTRAL
As funções vitais do corpo são controladas pelo Sistema Nervoso Central, 
formado por células caracterizadas, ordenadas e de alto grau de complexidade. 
Esses órgãos são muito sensíveis à falta de oxigênio e podem provocar alterações 
funcionais.
Além disso, é importante saber que a hipóxia (falta de ar) prolongada, 
tem como sequela a morte do Sistema Nervoso Central, em aproximadamente 
três minutos e, em consequência, a falência geral dos órgãos do corpo.
3 SINAIS VITAIS
Os sinais vitais fornecem informações importantes sobre as funções básicas 
do corpo: pressão arterial, pulso (frequência cardíaca),respiração (presença 
respiratória) e temperatura corporal.
Os sinais vitais estabelecem a existência da vida, são reflexos ou sintomas 
que proporcionam entender sobre o estado geral de uma pessoa. 
A seguir, veremos as definições dos sinais vitais e dos diagnósticos mais 
comuns.
3.1 TEMPERATURA CORPORAL 
A temperatura normal do corpo humano é de 37 graus Celsius, sendo a pele 
responsável, em grande parte, pela regulação desta temperatura, emitindo o calor 
através dos vasos sanguíneos subcutâneos e evaporando água sob a forma de suor.
Uma pele fria e úmida, geralmente de cor pálida, é uma indicação de uma 
reação do sistema nervoso, predisposto a um traumatismo ou perda sanguínea 
(estado de choque).
108
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
A intensa exposição ao frio produz uma pele fria e seca, em casos de uma 
pele quente e seca, pode originar febre, ou ser o resultado de uma exposição 
excessiva ao calor, como caso de insolação. 
3.2 PULSO
O pulso é uma intensidade de sangue gerada pelos batimentos cardíacos 
e difundido no decorrer das artérias. A frequência comum de pulsos em adultos 
é de 60 a 100 batimentos por minuto, a frequência de pulso nas crianças em geral 
é superior a 80 batimentos por minuto.
O pulso é sensível em qualquer área do corpo, onde a artéria passa sobre 
a saliência óssea ou que se localize próxima à pele. 
FIGURA 42 – LOCALIZAÇÃO DO PULSO CORPO HUMANO
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/
slide/1270117/>. Acesso em: 10 mar. 2016.
A alteração na frequência e no volume do pulso representa dados 
importantes no atendimento aos primeiros socorros. Um pulso rápido ou fraco 
geralmente é resultado de um estado de choque por perda sanguínea.
No caso de ausência de pulsação, pode significar que um vaso sanguíneo 
está bloqueado ou lesado, ou ainda, que o coração da vítima parou de funcionar 
e está evoluindo para uma parada cardíaca.
3.3 RESPIRAÇÃO 
A respiração normal é identificada quando for fácil, sem esforço aparente 
e sem dor, sendo que a frequência pode variar. Uma pessoa adulta respira 
normalmente de 12 a 20 vezes por minuto.
O termo respiração e ventilação significa a mesma coisa, a ação de inspirar 
e expirar o ar. Em alguns casos é possível levantar algumas suspeitas a partir 
do odor da respiração, no caso de estado de choque, observam-se respirações 
rápidas e superficiais.
TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO
109
A identificação de uma respiração profunda, com dificuldades e esforço 
pode identificar que há uma obstrução nas vias aéreas, uma possível doença 
cardíaca ou pulmonar.
3.4 PRESSÃO ARTERIAL
A pressão arterial é a velocidade que o sangue circula sobre as paredes 
internas das artérias do corpo, as mudanças na pressão sanguínea indicam 
mudanças no volume do sangue, na capacidade dos vasos ou ainda na capacidade 
de o coração funcionar.
A pressão arterial é caracterizada por níveis altos e baixos, a leitura da 
pressão arterial é feita em milímetros (mm) de mercúrio (Hg). A leitura da pressão 
arterial é feita através de um aparelho conhecido como esfigmomanômetro, que 
é usado em conjunto com o estetoscópio.
FIGURA 43 – VERIFICANDO A PRESSÃO ARTERIAL DE UMA PESSOA
FONTE: Disponível em: <http://patrocinioonline.com.br/noticias-
locais/index/page/184>. Acesso em: 10 mar. 2016.
A pressão arterial de uma pessoa adulta normal é de 120x80 mm Hg, pode 
diminuir acentuadamente em estado de choque, após uma hemorragia grave, 
como após um infarto no miocárdio.
3.5 PUPILAS
As pupilas, quando em estado normal, são do mesmo diâmetro e possuem 
contornos regulares. Quando as pupilas estiverem contraídas pode dignificar que 
a vítima é viciada em drogas.
As pupilas indicam o estado de relaxamento ou inconsciência, geralmente 
tal dilatação ocorre rapidamente após uma parada cardíaca. Quando as pupilas 
estiverem diferentes, caracterizam que a vítima teve lesões no crânio ou acidente 
vascular cerebral.
Quando a pessoa está morta, os estados das pupilas estão totalmente 
dilatados e não responde ao sinal de luz. 
110
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
3.6 COLORAÇÃO DA PELE
A cor da pele do ser humano depende, primeiramente, da presença de 
sangue circulante nos vasos sanguíneos subcutâneos. Uma pele pálida ou branca 
pode indicar circulação de sangue insuficiente.
Uma cor de pele azulada é analisada quando a vítima estiver com 
insuficiência cardíaca, consequência da obstrução das vias aéreas, e também em 
alguns casos de envenenamento.
3.7 ESTADO DE CONSCIÊNCIA
Quando a pessoa está consciente, está alerta, orientada e responde aos 
estímulos verbais e físicos. Quando houver modificação deste estado, pode ser 
alusivo a uma doença ou trauma.
O estado de consciência é provavelmente um sinal particular mais seguro 
na avaliação do sistema nervoso de uma pessoa, que pode apresentar desde breve 
confusão mental até inconsciência total.
3.8 CAPACIDADE DE MOVIMENTAÇÃO
A incapacidade da vítima, que esteja consciente e não consegue se 
movimentar, é conhecida tecnicamente como paralisia, pode ser a consequência 
de uma doença ou traumatismo.
A falta de capacidade em mover os membros superiores e inferiores após 
um acidente pode ser indicada por uma lesão na medula espinhal, na altura do 
pescoço (coluna vertical).
A inabilidade de a vítima movimentar somente os membros inferiores 
pode indicar uma lesão medular abaixo do pescoço. A paralisia apenas de um lado 
do corpo, incluindo a face, pode acontecer como resultado de uma hemorragia ou 
acidente vascular cerebral. 
4 PRINCÍPIOS DE REANIMAÇÃO
Para que a vida possa ser preservada, é necessário que se mantenha um 
fluxo constante de oxigenação no cérebro. O oxigênio é transportado para os 
tecidos cerebrais através da circulação sanguínea.
As manobras de ressuscitação cardiopulmonar referem-se à sequência de 
origem norte-americano “ABC da vida”, as quais podem adaptar para a nossa 
língua:
TÓPICO 4 | FUNÇÕES E SINAIS VITAIS DO CORPO HUMANO
111
A = Airway = Abertura das vias aéreas.
B = Breathing = Respiração.
C = Circulation = Circulação.
A correta aplicação das etapas da ressuscitação cardiopulmonar poderá 
manter a vida, até que a vítima se recupere o suficiente para ser transportada para 
uma unidade hospitalar, ou até que possa receber o tratamento pré-hospitalar 
por uma equipe especializada.
As manobras de suporte básico de vida são diferentes das manobras de 
suporte avançado de vida, que consistem na prestação de serviços de profissionais 
capacitados e no uso de equipamentos adicionais, como: monitores, cardíacos, 
desfibriladores, terapêutica líquida intravenosa, infusão de medicamentos e 
entubação orotraqueal.
112
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, vimos que:
• As funções do cérebro e do coração são vitais para que o ser humano permaneça 
vivo.
• Vários órgãos têm a responsabilidade de preservar o sangue com as propriedades 
essenciais, como: rins, aparelho digestivo, fígado, pulmão e coração.
• Os sinais vitais indicam a existência da vida, são reflexos ou sintomas que 
possibilitam entender o estado geral de uma pessoa.
• Os sinais do funcionamento do corpo humano são: temperatura corporal, pulso 
e respiração.
• As manobras de ressuscitação cardiopulmonar consistem em: abertura das 
vias aéreas, respiração e circulação.
• A correta aplicação dos procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar 
poderá preservar a vida até que a vítima se reabilite o suficiente para ser 
transportada para uma unidade hospitalar.
113
AUTOATIVIDADE
1 Com relação às funções do aparelho digestivo, assinale a alternativa 
CORRETA:
 
a) ( ) Condensa e transforma a composição do sangue, facilitando a eliminação 
de substâncias tóxicas.
b) ( ) Tem a capacidade de filtrar substâncias, regular a osmolaridade e o 
volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de água do organismo.
c) ( ) Transportar o sangue e tem como função digerir os alimentos, que são 
absorvidos.
2 Sobre as atribuições dos pulmões,assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) Produzem oxigênio e retiram a ventosidade resultante da respiração, tem 
como objetivo absorver o oxigênio e transferir para o sangue.
b) ( ) Têm a capacidade de filtrar substâncias, regular a osmolaridade e o 
volume do líquido do corpo, excluindo o excesso de água do organismo.
c) ( ) Transportarem o sangue e tem como função digerir os alimentos, que são 
absorvidos.
3 O pulso é uma intensidade de sangue, originada pelos batimentos cardíacos 
e distribuído nas artérias. A respeito da frequência dos pulsos, assinale a 
alternativa CORRETA: 
a) ( ) A frequência em adultos é de 70 a 110 batimentos por minuto, a frequência 
de pulso nas crianças em geral é superior a 60 batimentos por minuto.
b) ( ) A frequência em adultos é de 60 a 100 batimentos por minuto, a frequência 
de pulso nas crianças em geral é superior a 80 batimentos por minuto.
c) ( ) A frequência em adultos é de 80 a 120 batimentos por minuto, a frequência 
de pulso nas crianças em geral é superior a 90 batimentos por minuto.
4 Quais são as funções básicas do corpo avaliadas, através dos sinais vitais?
114
115
TÓPICO 5
ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Os socorros de urgência e emergência são as atitudes que uma pessoa 
treinada deverá realizar com relação à pessoa acidentada ou que tenha sofrido 
um mal súbito, antes da chegada do atendimento especializado.
O socorrista é um indivíduo capacitado para praticar procedimentos e 
técnicas de primeiros socorros, esta pessoa deverá ter conhecimentos básicos 
sobre o assunto e treinamento que o prepara para a execução das ações.
Após a confirmação da situação de emergência, o atendimento deverá ser 
instantâneo e realizado de acordo com as características de cada caso. No entanto, 
existem regras gerais de atendimento.
Estas normas são importantes, pois fornecem uma orientação com relação 
às condições que precisam ser identificadas e tratadas com prioridade, conforme 
a gravidade, analisando os riscos de vida imediata. 
O objetivo inicial do atendimento a ser prestado é a preservação da vida, 
desta forma, assim que vão sendo avaliadas as lesões da vítima, procedimentos 
de socorro com o objetivo de controlar a lesão deverão ser realizados.
2 PARADA RESPIRATÓRIA 
A parada respiratória pode ser definida como uma supressão imediata dos 
movimentos respiratórios, podendo ser ou não acompanhada de parada cardíaca. 
Em caso de um diagnóstico de parada respiratória, siga as instruções descritas. 
O termo Parada Cardiorrespiratória (PCR) significa a ausência total de 
sinais de circulação (ausência de pulso), ou seja, a falta de batimentos cardíacos, 
de pulsação e de movimentos respiratórios.
É um problema que ainda se torna um desafio para a equipe que presta 
assistência nos momentos de emergências. Este quadro é considerado uma 
emergência médica extrema, que consiste de um adequado restabelecimento do 
fluxo sanguíneo e da ventilação para evitar lesão cerebral que pode ser irreversível.
116
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
2.1 DEFINIR O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA VÍTIMA
O socorrista deve chamar e movimentar a vítima, levemente, em casos de 
parada respiratória, após um acidente traumático (em especial nos traumas de 
cabeça e pescoço).
A insuficiência respiratória acontece quando há troca de oxigênio por 
dióxido de carbono, nos pulmões pode ser compatível com a velocidade de 
oxigênio e de produção de dióxido de carbono nas células do organismo. 
A reanimação ou ressuscitação cardiopulmonar é denominada como um 
conjunto de procedimentos realizados após um acontecimento de RPC, com o 
objetivo de manter a circulação do sangue arterial até o retorno espontâneo da 
circulação no corpo da vítima.
Para que seja possível realizar o procedimento correto de assistência na 
reanimação cardiopulmonar, é necessário que existam condições mínimas de 
equipamento, material e pessoas qualificadas para que o resultado satisfatório 
seja alcançado.
Segundo Oliveira (1998), deve-se movimentar a cabeça da vítima o 
mínimo possível, para evitar o agravamento dos ferimentos que já existem, ou 
mesmo uma paralisia por compressão da medula espinhal.
2.2 POSICIONAR A VÍTIMA
Caso a vítima se encontre inconsciente, não responder aos estímulos 
sonoros e físicos, o socorrista é orientado a deitar a vítima de costas sobre uma 
superfície plana e abrir as vias aéreas, elevando o queixo e inclinando a cabeça 
para trás (extensão da cabeça).
Para avaliar se as vias aéreas estão obstruídas, deve-se prestar atenção 
quando o paciente para subitamente de respirar, torna-se cianótico e inconsciente, 
sem uma razão aparente.
2.3 VERIFICAR SE A VÍTIMA ESTÁ RESPIRANDO
O socorrista deve posicionar o seu ouvido sobre a boca e o nariz da 
vítima e verificar se ela respira (ver, ouvir e sentir). Tente ouvir e sentir o ar 
expirado pela vítima, observando ainda se o peito está se movimentando, se há 
expansão do tórax.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
117
2.4 REALIZAR A RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL
Caso seja identificado que a vítima não respira, deve-se proceder da 
seguinte maneira:
• Fechar as narinas da vítima com os seus dedos (polegar e indicador).
• Colocar a sua boca com firmeza sobre a boca da vítima.
• Soprar lentamente até o peito dela se encher de ar, em seguida, retire sua boca 
e deixe o ar sair livremente.
No caso de socorro de adultos, deve-se manter a frequência de uma 
ventilação a cada 5 segundos e, uma ventilação a cada 3 segundos para crianças e 
um sopro bem suave a cada 3 segundos para bebês de 0 a 2 anos.
Se não houver retorno espontâneo da respiração, mantenha a respiração 
artificial durante todo o transporte, até a chegada da vítima na unidade hospitalar 
para atendimento especializado.
3 PARADA CARDÍACA
A parada cardíaca é determinada como uma cessação instantânea e 
inesperada na duração dos batimentos cardíacos. Segundo Oliveira (1998), o 
coração para de bombear o sangue para o organismo e os tecidos começam a 
sentir os efeitos da falta de oxigênio.
O cérebro, que é o centro essencial do organismo, começa a morrer após, 
em média, três minutos sem oxigênio. O socorrista deverá caracterizar e realizar 
ações de imediato para corrigir a falha no sistema circulatório.
Em caso de demora na recuperação da vítima, esta poderá sofrer lesões 
graves e irreversíveis. A compressão na torácica externa é suficiente na substituição 
dos batimentos do coração.
A técnica de compressão torácica é eficiente por duas razões principais:
1ª o coração está situado entre o osso esterno (que é móvel) e a coluna vertebral 
(que é fixa); e
2ª porque o coração, quando na postura de relaxamento, fica sobrecarregado de 
sangue.
Portanto, o coração, ao ser comprimido pelo osso esterno elimina o 
sangue e depois, ao relaxar, novamente se enche, possibilitando uma circulação 
sanguínea suficiente para a assistência à vida. vvvv
118
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
3.1 INSTRUÇÕES PARA O SOCORRISTA
Em caso de o socorrista identificar a parada cardíaca na vítima, deverá 
seguir as seguintes instruções:
• Posicionar a vítima e deitá-la sobre uma superfície plana e rígida.
• Verificar o pulso da vítima na artéria carótida, localizada no pescoço, para 
certificar-se da ausência de batimentos cardíacos, mas, atenção, somente 
deverá iniciar a compressão torácica externa quando for constatada a ausência 
de pulsação.
• Localizar a borda das costelas da vítima e deslizar os dedos da mão esquerda 
sobre ela.
FIGURA 44 – TÉCNICA DE APALPAÇÃO DA ARTÉRIA CARÓTIDA
FONTE: Disponível em: <http://passeconcursosenfermagem.
blogspot.com.br/>. Acesso em: 20 mar. 2016.
3.2 TÉCNICA DE COMPRESSÃO TORÁCICA
O socorrista deverá localizar a mão para o centro do tórax, identificando 
por apalpação o final do osso esterno (apêndice xifoide), marcando dois dedos a 
partir do final do osso esterno e posicionar a mão direita logo acima deste ponto, 
bem no meio do peito da vítima.
A compressãocardíaca é produzida pela compressão vertical para baixo, 
deverá exercer através de ambos os braços do socorrista, comprimindo o osso 
esterno sobre o coração da vítima.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
119
FIGURA 45 – PONTO DE COMPRESSÃO SOBRE O OSSO 
ESTERNO
FONTE: Disponível em: <http://lifesavers.com.br/r/Parada-
Cardiorrespiratoria-11.html>. Acesso em: 20 mar. 2016.
A compressão torácica externa deve ser realizada com os braços esticados, 
usando o peso do corpo do socorrista, que não deve se esquecer de realizar as 
compressões com a respiração de boca a boca.
Quando o socorrista estiver socorrendo a vítima sozinho, deverá dar dois 
sopros (ventilações) e fazer quinze compressões, em um ritmo de oitenta a cem 
compressões por minuto.
Se o socorro estiver sendo realizado em dupla, para cada ventilação dada 
pelo primeiro socorrista, o segundo deverá executar cinco compressões (ritmo de 
80 a 100 por minuto). 
Em casos de dois socorristas estarem atendendo a vítima, a ressuscitação 
cardiopulmonar (RPC) deve ser realizada com um socorrista posicionado de cada 
lado da vítima, podendo trocar de posição quando necessário sem, no entanto, 
interromper a frequência de cinco compressões por uma ventilação (5x1).
O pulso carotídeo deve ser tocado constantemente durante a realização 
de ressuscitação cardiopulmonar (RPC), com o objetivo de verificar se houve o 
retorno dos batimentos cardíacos.
O socorrista deve avaliar o pulso após o primeiro minuto que realizar o RPC, 
e assim a cada minuto depois. É indicado não demorar mais de cinco segundos 
para verificar a pulsação, para não comprometer o ritmo das compressões. 
120
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
3.3 COMPRESSÃO TORÁXICA EXTERNA
A compressão e a descompressão devem ser realizadas de forma 
compassada, e com proporcional duração. A palma da mão do socorrista não deve 
ser retirada de sua posição, sobre o osso esterno, porém, a pressão sobre ela não é 
necessária ser realizada de maneira que possa retornar a sua posição normal.
No caso de uma vítima criança, a massagem cardíaca deve ser feita com 
apenas uma das mãos, posicionada sobre o meio do peito da vítima, no terço 
inferior do osso esterno.
Quando houver socorro em bebês, o socorrista deverá apalpar o pulso na 
artéria braquial, e realizar a massagem cardíaca com apenas dois dedos, sobre 
o peito do bebê. A técnica é indicada, comprimindo o peito do bebê, um dedo 
abaixo da linha entre os mamilos.
FIGURA 46 – DEMONSTRAÇÃO DO MÉTODO DE COMPRESSÃO 
EM BEBÊS
FONTE: Disponível em: <http://cantinhodaenfermeiraregina.
blogspot.com.br/2011/03/se-o-bebe-engasgar.html>. Acesso em: 
26 mar. 2016.
3.4 POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO
Qualquer vítima, quando estiver inconsciente, deverá ser posicionada 
na postura de recuperação, pois esta posição impede que a língua bloqueie a 
passagem do ar. Nesta posição a cabeça deve permanecer, ligeiramente mais baixa 
do que o restante do corpo, facilitando a saída de líquidos da boca da vítima.
Esta ação reduz o risco de aspiração de objetos gástricos, também a 
cabeça e a região dorsal (coluna vertebral) devem ficar alinhadas, enquanto 
os membros inferiores e posteriores dobrados, mantendo o corpo apoiado de 
forma segura e confortável.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
121
FIGURA 47 – DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://fa.billycheck.com/previews/
firstaidDE.html>. Acesso em: 26 jun. 2016.
3.5 COMPLICAÇÕES POR REALIZAÇÃO DE MANOBRAS 
INADEQUADAS
As complicações mais comuns, produzidas por realização de manobras 
inadequadas de ressuscitação cardiopulmonar (RPC), são:
• A vítima não estar posicionada sobre uma superfície rígida.
• A vítima não estar em posição horizontal (se a cabeça estiver elevada, o fluxo 
sanguíneo cerebral ficará inadequado).
• As vias aéreas não estarem permeáveis.
• A boca ou a máscara não estar de forma apropriada (fechada) na vítima e o ar 
escapar.
• As narinas da vítima não estarem devidamente fechadas.
• As mãos forem posicionadas de modo incorreto ou em local inadequado sobre 
o tórax da vítima.
• As compressões forem muito longas ou muito rápidas, pois desta forma não 
impulsionam volume sanguíneo adequado.
• O princípio entre os movimentos de ventilações e compressões for realizado de 
forma inadequada.
• A ressuscitação cardiopulmonar (RPC) deixar de ser executada por mais de 5 
segundos, gera um alto risco de lesão cerebral.
As manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RPC) não são indicadas 
para serem executadas em vítimas que se encontram em fase terminal de uma 
condição de saúde irreversível e incurável, porém, uma vez iniciada a manobra, 
deve-se mantê-la até que:
• Aconteça o retorno espontâneo da circulação, retorno da pulsação, deve-se 
continuar a ventilação.
• Quando houver o retorno da respiração e da circulação.
• Profissional socorrista estiver completamente exausto e não conseguir executar 
as manobras de ressuscitação.
122
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
QUADRO 10 – TÉCNICAS PARA MANOBRAS DE RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RPC)
FONTE: Oliveira (1998)
Os conhecimentos sobre ressuscitação cardiopulmonar (RPC) necessitam de 
práticas com manequins, supervisionada por profissionais técnicos especializados.
4 HEMORRAGIAS
A hemorragia ou o sangramento representam o mesmo caso, isto é, quando 
o sangue vaza das artérias, veias ou vasos capilares. As hemorragias podem ser 
especificadas como um excesso de perda no volume sanguíneo circulante no 
corpo do ser humano.
Segundo Fernandes e Guimarães (2007), a hemorragia é a perda de 
sangue em consequência da ruptura, dilaceração ou corte, através de ferimentos 
e cavidades naturais. 
Em todos os casos de hemorragia, o quadro deve ser controlado 
imediatamente, pois pode causar um estado de choque na vítima e o quadro pode 
agravar e provocar a morte.
O seu quadro inicial aparenta palidez, sudorese, agitação, pele fria, fraqueza, 
pulso fraco e rápido, baixa pressão arterial e sede excessiva. Desta forma, caso não 
forem controladas imediatamente o estado da vítima pode se agravar.
RPC LISTA DE CONSULTA ADULTOS CRIANÇAS BEBÊS
Parada respiratória com
pulso presente, deve ventilar a 
cada...
5 segundos 3 segundos 3 segundos
Parada cardíaca, sendo o local de 
compressão...
Dois dedos acima 
do final do osso 
esterno
Como no 
adulto
Um dedo abaixo 
da linha entre o 
mamilo
Método da compressão sobre o 
esterno...
Duas mãos 
sobrepostas, com a 
palma de uma mão 
sobre o peito
Somente a 
palma de uma 
mão
sobre o peito
Dois ou três dedos
Número de compressões por 
minuto... 80 a 100 80 a 100 100 a 120
Afundamento do esterno durante 
as compressões... 3,5 a 5 centímetros
2,5 a 3,50 
centímetros
1,5 a 2,0 
centímetros
Razão entre as
compressões e as ventilações... 15 x 2 5 x 1 5 x 1
Contagem das compressões 
durante a RPC...
1 e 2 e 3 e 4e 5... 15, 
ventile, ventile
1 e 2 e 3 e 4 e 5, 
ventile 1, 2, 3, 4, 5, ventile
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
123
4.1 TIPOS DE HEMORRAGIAS
As hemorragias podem ser:
• Interna: é caracterizada pelo resultado de um ferimento interno profundo, 
causado por lesão de um órgão.
• Externa: é causado por um ferimento externo no corpo, com visualização de 
sangue.
4.1.1 Anatomia das hemorragias 
Anatomicamente as hemorragias podem ser:
• Arteriais: quando há a perda de um sangue vermelho vivo, saindo do corpo de 
forma intensa.
• Venosas: quando há saída de sangue na cor vermelho escuro, escorrendo de 
forma contínua e lenta.
A hemorragia nasal é a perda de sangue pelo nariz em leves ou 
intensos fluxos, pode ser causada quando as pessoas ficam expostas a altas 
temperaturas ou, então, são provocadas por choque traumático, por acidentes e 
por determinadas doenças.
São indicadas algumas ações de socorro:
• Sentar a vítima em uma cadeira, em local fresco e arejado, com a parte do tórax 
recostado e a cabeça elevada, tentado acalmá-la.
• Desapertar as roupas, que estejam apertando o pescoçoe o tórax da vítima.
• Apertar a narina que está sangrando com os dedos, fazendo uma ativa pressão 
sobre a lateral do orifício nasal onde há fluxo de sangue, para que suas paredes 
estejam em contato e, por pressão direta, controlar o sangramento.
• Utilizar uma bucha de algodão ou gazes para tapar a narina que está sangrando.
• Aplicar compressa de pano frio ou bolsa de gelo no nariz e no rosto.
• Não girar a cabeça para trás.
• Conduzir a vítima para o hospital mais próximo.
4.1.2 Hemorragia nasal (epistaxe)
4.1.3 Hemorragia do conduto auditivo externo (otorragia)
A otorragia acontece, geralmente, em casos em que há um quadro de 
fratura no crânio ou em traumatismo do conduto auditivo externo, por exemplo, 
quando há uma introdução de objetos no ouvido.
124
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
Este tipo de hemorragia pode ser classificado como simples ou composta. 
No caso de otorragia simples, pode ser introduzido no ouvido um pequeno 
pedaço de material para estancar o sangue e no caso de hemorragia composta, 
não é indicado ações para estancar este tipo de sangramento e a procura pelo 
socorro médico deve ser imediata. 
São indicadas algumas medidas de socorro:
• Permanecer com o canal auditivo aberto.
• Deitar a vítima em posição de decúbito lateral, virada para o lado do ouvido 
que está sangrando.
• Conduzir a vítima para o hospital mais próximo.
4.1.4 Hemorragia dos pulmões (hemoptise)
A hemoptise é uma hemorragia grave, que pode ser de pequena ou 
grande quantidade e fluxo, também pode vir acompanhada de tosse com 
expectoração, de escarro sanguinolento e espumoso, saindo pela boca, sendo 
um sangue vermelho vivo.
As causas mais frequentes da hemoptise são: bronquectasia (obstrução dos 
brônquios pelo sangue, sem passagem de ar), tuberculose, abscesso pulmonar, 
tumores pulmonares, embolia pulmonar, entre outros.
São indicadas algumas ações de socorro:
• Acalmar a vítima.
• Posicionar a vítima em repouso, em decúbito lateral, com a cabeça mais baixa 
que o corpo.
• Não oferecer líquidos à vítima, por via oral.
• Colocar uma bolsa de gelo no tórax.
• Conduzir a vítima para o hospital mais próximo. 
4.1.5 Hemorragia do sistema digestivo (hematêmese)
A hematêmese é a perda de sangue através do vômito de origem gástrica 
(perfuração por úlcera) ou esofagiana (ruptura das varizes esofagianas). Outro 
tipo de hemorragia considerada grave que necessita de cuidados médicos.
Como característica deste quadro, a vítima se queixa de enjoo e apresenta 
vômito de cor escura, como uma borra de café, com resíduos ou não de alimentos. 
Este tipo de hemorragia é muito comum em situações de ingestão de produtos 
químicos corrosivos, em acidentes, ou também pode ser de origem de alguma 
doença no estômago.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
125
Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser 
seguidas:
• Deitar, no mesmo instante a vítima, buscando acalmá-la.
• Afrouxar as roupas da vítima.
• Impedir a ingestão de qualquer tipo de líquido ou alimento.
• Utilizar compressas frias ou bolsa de gelo na região abdominal.
• Ofertar somente pequenas quantidades de água gelada.
• Posicionar a vítima em decúbito lateral, para evitar aspiração de vômito.
• Solicitar assistência médica especializada.
4.1.6 Hemorragia intracraniana
A hemorragia intracraniana é o tipo de sangramento que acontece na 
parte interna do crânio e é um quadro de emergência médica, com risco de morte. 
O atendimento médico da equipe de emergência deve ser acionado, caso existir 
desconfiança de que uma pessoa esteja indicando hemorragia intracraniana. Pode 
acontecer na parte interna do cérebro ou envolta, no caso de que se originam no 
interior do cérebro e têm as seguintes nomenclaturas, dependendo da área em 
que acontecem: 
• No interior do cérebro, designam-se hemorragias intracerebrais. 
• Se acontecer entre o cérebro e o espaço subaracnóideo, hemorragias 
subaracnóideas. 
• Entre as divisões do revestimento do cérebro, hemorragias subdurais. 
• Os casos em que se originam entre o crânio e o revestimento do cérebro 
são hemorragias epidurais. 
Independentemente da área do crânio em que acontecer a hemorragia, as 
células do cérebro são destruídas, pois o crânio não possibilita a dilatação dos tecidos, 
assim a hemorragia aumenta de maneira significativa e crítica a pressão no cérebro.
Na hemorragia intracraniana, as causas mais frequentes são o 
traumatismo do crânio (fratura), com pressão óssea e o acidente vascular 
cerebral (hipertensão arterial).
Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser 
seguidas:
• Posicionar a vítima em posição de decúbito lateral.
• Cobrir a boca da vítima, colocando um lenço entre os dentes.
• Limitar os movimentos da vítima, para impedi-la de provocar lesões.
• Soltar as roupas da vítima, deixando-a confortável.
• Conduzir a vítima para o hospital mais próximo.
126
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
4.1.7 Hemorragia interna
A hemorragia interna é causada pela ruptura dos vasos (veias ou artérias), 
ou de órgãos importantes como fígado ou baço, causado por algum tipo de choque 
por algum objeto muito pesado.
A vítima evidencia os seguintes sintomas:
• Pulsação muito fraca ou acelerada.
• Pele fria, cor pálida, excesso de suor. 
São indicadas algumas ações de socorro:
• Estender a vítima com a cabeça em um nível mais baixo que o corpo, mantendo-o 
mais imobilizado possível.
• Pôr uma bolsa de gelo ou compressas frias no local do ferimento.
• Conduzir a vítima para o hospital mais próximo.
4.1.8 Melena
Melena é a perda de sangue, pelo orifício anal, eliminado com as fezes, 
que se apresentam no estado pastoso, de cor escura e de cheiro fétido. É sinal de 
sangramento baixo, porém lento o suficiente para possibilitar a oxidação do sangue.
Segundo Fernandes e Guimarães (2007), algumas orientações devem ser 
seguidas:
• Acalmar a vítima e conquistar a sua cooperação.
• Colocar a vítima deitada, em posição de barriga para cima.
• Posicionar bolsa de gelo sobre o abdômen, na região gástrica e intestinal.
• Utilizar compressas geladas na região anal (em caso de sangramento por 
hemorroidas).
• Conduzir a vítima com urgência para um local onde possa receber assistência 
especializada.
4.2 MEDIDAS DE SOCORRO
Para que o socorrista consiga realizar as ações e os procedimentos de forma 
correta e no momento certo, algumas medidas de socorro devem ser tomadas:
• Sentar a vítima em uma cadeira, em local fresco e arejado, com a parte do tórax 
recostado e a cabeça elevada, buscando acalmá-la.
• Afrouxar a roupa que esteja comprimindo o pescoço e o tórax da vítima.
• Comprimir a narina que estiver sangrando com o auxílio dos dedos, fazendo 
ligeira compressão sobre o ferimento de onde flui o sangue, de forma que suas 
paredes se toquem, e por compressão direta, contenha o sangue.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
127
• Utilizar um chumaço de algodão ou gases para tapar o orifício que está 
sangrando.
• Colocar compressa de pano frio ou bolsa de gelo no nariz e fronte.
• Não virar a cabeça da vítima para trás.
4.3 TÉCNICAS PARA CONTROLES DA HEMORRAGIA
Para que os socorristas tenham condições de controlar o quadro de 
hemorragia, devem-se conhecer algumas técnicas, como: 
• Técnica de compressão direta sobre o ferimento.
• Técnica da elevação do ponto de sangramento.
4.3.1 Técnica de compressão direta sobre o ferimento
Para que se tenha um controle da hemorragia, aplicando a técnica de 
compressão direta, deve-se fazer compressão sobre o ferimento, com a mão 
(devidamente protegida por luva descartável), ou com o auxílio de um pano 
limpo ou gaze esterilizada, para prevenir a infecção e a contaminação.
FIGURA 48 – TÉCNICA DE COMPRESSÃO DIRETA SOBRE O 
FERIMENTO
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/lucasddsilva/
primeiros-socorros-prs-71-hemorragia>. Acesso em: 18 jun. 2016. 
4.3.2 Técnica da elevação do ponto de sangramento
Como procedimento padrão, deve-se mantera região que está sangrando 
em uma posição mais elevada que o restante do corpo, pois este método 
contribuirá para diminuir o fluxo de sangue circulante no corpo da vítima, e 
como consequência, o sangramento, conforme demonstra a figura a seguir.
4.3.3 Técnica da compressão sobre os pontos arteriais
Nos casos em que a hemorragia acontecer de forma muito intensa 
e o socorrista não conseguir estancar a saída do sangue, utilize a técnica de 
compressão sobre os pontos arteriais, pressionando o local diretamente sobre as 
artérias principais, que passam os nutrientes do sangue no local lesionado.
128
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
FIGURA 49 – TÉCNICA DE COMPRESSÃO SOBRE AS ARTÉRIAS
FONTE: Disponível em: <epralima.com/inforadapt2europe/
manuaisweb/MANUAL4/page6.html>. Acesso em: 18 jun. 2016.
Em caso de não cessar o sangramento, com o uso de nenhum dos métodos, 
o socorrista deve aplicar um torniquete no membro lesado. Este procedimento 
não é recomendado para uso geral, pois algumas vezes pode causar mais danos 
na extremidade do ferimento do que as que já existiam pela própria lesão inicial.
Por outro lado, um torniquete realizado de forma correta pode salvar a 
vida da vítima quando a hemorragia em um vaso sanguíneo principal não pode 
ser controlada por outra técnica.
4.3.4 Técnica de torniquete
O torniquete, ou garrote, como chamados em algumas regiões, é uma 
faixa de tecido ou outro material que possa servir para amarrar alguma parte do 
corpo, desta forma, buscando ter o controle da hemorragia.
Este método deverá ser utilizado como uma última opção e somente para 
controle do sangramento provocado por ferimentos graves nas extremidades, 
apenas quando todos os outros procedimentos de controle não forem suficientes.
Não se deve aplicar torniquetes sobre as áreas de articulação, sobre os 
cotovelos e joelhos. A localização segura e eficiente para colocação do torniquete 
é de cerca de 5 centímetros acima do local da lesão.
Se realmente o torniquete tiver que ser utilizado, deverá ser aplicado de 
forma correta, seguindo as orientações:
• Uma faixa larga deve ser dobrada até que fique com aproximadamente 10 
centímetros de largura, após amarrar esta faixa larga, duas vezes ao redor da 
extremidade lesada.
• Faça um nó bem firme na faixa, coloque um bastão de madeira ou outro material 
similar sólido sobre o nó e amarre novamente com uma segunda amarração.
• Aproveite o bastão de madeira para fazer uma manivela para rodar e apertar a faixa.
• Pressione o torniquete até o sangramento interromper, uma vez controlada a 
hemorragia pare de apertar o bastão e o mantenha firme no lugar.
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
129
FIGURA 50 – TÉCNICA DE TORNIQUETE
FONTE: Disponível em: <doutissima.com.br/2014/02/17/hemorragia-
sintomas-causas-e-tratamento-46524/>. Acesso em: 18 jun. 2016.
São identificadas algumas precauções e observações quanto ao uso do 
torniquete:
• Nunca deve ser utilizado qualquer material cortante para aplicar a técnica, use 
ataduras largas de panos leves.
• Não desaperte ou afrouxe a atadura depois da finalização do procedimento.
• Após a aplicação do torniquete, identifique com as letras “TQ” e a hora em que 
foi aplicado, em um local visível, próximo à vítima.
5 ESTADO DE CHOQUE 
O estado de choque é um quadro grave, de origem imprevista e caracteriza-
se por uma falência no sistema circulatório, que tem a função de compartilhar 
sangue com oxigênio e nutrientes para as partes do corpo.
Intercorre quando a passagem de oxigênio para as células do corpo diminui 
de intensidade ou para completamente. A situação pode ir se agravando de forma 
gradativa e ocasionando anomalias nos tecidos, conforme a sua extensão, até o 
momento em que o coração não recebe oxigênio de forma satisfatória e para de bater.
Em caso de, por qualquer causa, começar a faltar oxigênio nos tecidos 
corporais, acontece o que é determinado estado de choque, ou seja, as células 
começam a entrar em sofrimento e, se esta situação não for revertida, as células 
do corpo morrerão.
5.1 CAUSAS DO ESTADO DE CHOQUE
Como existe circulação insuficiente de sangue através dos tecidos para 
distribuir os nutrientes e oxigênio necessários, todos os processos corporais 
normais ficam comprometidos.
130
UNIDADE 2 | ASPECTOS GERAIS DO PRIMEIRO SOCORRO
Segundo Oliveira (1998), quando uma pessoa está em estado de choque, 
suas funções vitais reduzem a capacidade, e se o estado que causa o choque não 
for cessado e revertido de forma imediata, pode ocasionar a morte da vítima.
Este tipo de caso de emergência também pode ter outras causas, como: 
• Excessiva perda de sangue.
• Infarto agudo no miocárdio.
• Aceleração cardíaca.
• Queimaduras graves. 
• Processos inflamatórios do coração. 
• Traumatismos no crânio, tórax ou abdômen. 
• Envenenamentos. 
• Afogamento. 
• Choque elétrico. 
• Picadas de animais venenosos. 
• Alteração inesperada de temperatura e sinais de infecção. 
Nas indústrias, todas as causas acima citadas podem acontecer, requerendo 
atenção especial para os trabalhadores expostos a substâncias tóxicas, choque 
elétrico, moinhos e temperaturas externas.
Os casos de estado de choque em que se segue de algum acidente 
traumático são geralmente resultantes de uma perda excessiva de sangue. Apesar 
dos diferentes tipos de choque, o atendimento pré-hospitalar é sempre realizado 
da mesma maneira.
5.2 TRATAMENTO PARA O ESTADO DE CHOQUE
A etapa inicial para o tratamento é reconhecer o quadro, sendo que a 
vítima em choque apresenta pulso acelerado, respiração rápida e superficial, 
palidez na pele, agitação intensa, muita sede, pele fria e úmida, náusea, pressão 
arterial abaixo do limite da normalidade e perda de consciência.
Fernandes e Guimarães (2007) descrevem algumas medidas de socorro:
• Deitar a vítima com a cabeça mais baixa que os pés.
• Afrouxar as roupas da vítima.
• Agasalhar a vítima.
• Estancar a hemorragia (se houver).
• Analisar os sinais vitais (respiração, pulso, entre outros).
• Encaminhar a vítima ao hospital.
Após o diagnóstico do estado de choque, posicione a vítima deitada e 
desobstrua suas vias aéreas (fazer esta ação antes de qualquer outra manobra 
de socorro).
TÓPICO 5 | ATENDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
131
FIGURA 51 – VÍTIMA EM ESTADO DE CHOQUE COM VIAS AÉREAS 
DESOBSTRUÍDAS E PERNAS ELEVADAS
FONTE: Disponível em: <//pt.wikihow.com/Tratar-uma-
V%C3%ADtima-em-Estado-de-Choque>. Acesso em: 20 jun. 2016.
Em seguida, o socorrista deve elevar as pernas da vítima, aproximadamente 
30 centímetros (se não houver fraturas), afrouxar as roupas e impedir a perda de 
calor do corpo, colocando cobertas ou agasalhos sobre a vítima.
Além do conforto físico, é importante promover o suporte emocional, 
mantendo um atendimento constante, buscando tranquilizar a vítima. Buscar 
controlar os sangramentos aparentes, por compressão e não dar alimentos ou 
líquidos à vítima. 
O atendimento médico emergencial imediato se faz necessário, a vítima 
deve ser transportada para um hospital mais próximo ou deve-se solicitar socorro 
especializado para ela.
O resultado de uma pesquisa realizada aponta que aproximadamente 
20% das vítimas que entram em estado de choque acabam morrendo. Uma das 
causas revela que quanto mais tempo o atendimento demorar, aumenta o risco de 
lesões permanentes aos órgãos do corpo humano.
6 CHOQUE ANAFILÁTICO
Este tipo de choque pode ser definido como uma intensa reação alérgica, 
com potencial de morte, que poderá acontecer em pessoas mais sensíveis, após a 
ingestão de certos alimentos, a injeção de medicamentos específicos ou picada de 
alguns insetos.
Este tipo de reação alérgica faz com que determinadas substâncias sejam 
liberadas na corrente sanguínea da vítima, gerando uma dilatação nas veias e 
uma obstrução respiratória na altura do pescoço, que como consequência poderá 
originar uma asfixia. 
Além dos sinais e sintomas característicos do choque, nestes casos, o 
socorrista poderá caracterizar também ansiedade,lesão avermelhada na pele, 
inchaço na região do rosto e pescoço.
132
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, vimos que:
• Parada cardiorrespiratória significa a ausência total de sinais de circulação, a 
falta de batimentos cardíacos, de pulsação e de movimentos respiratórios.
• O socorrista deve estimular e movimentar a vítima levemente, o mínimo 
possível, para evitar o agravamento dos ferimentos que já existem e também 
em casos de parada respiratória.
• Para verificar se a vítima está respirando, o socorrista deve posicionar o seu 
ouvido sobre a boca e o nariz da vítima e verificar se ela respira (ver, ouvir e 
sentir).
• Em caso de o socorrista identificar a parada cardíaca na vítima, deverá seguir as 
seguintes instruções: posicionar a vítima e deitá-la sobre uma superfície plana 
e rígida; verificar o pulso na artéria carótida e localizar a borda das costelas da 
vítima e deslizar os dedos da mão esquerda sobre ela.
• Em casos de socorros em bebês, o socorrista deverá apalpar o pulso na artéria 
braquial e realizar a massagem cardíaca com apenas dois dedos, sobre o peito 
do bebê.
• As hemorragias são caracterizadas como o excesso de perda do volume 
sanguíneo circulante no corpo do ser humano.
• As hemorragias podem ser classificadas em interna: resultado de um ferimento 
interno profundo, causado por lesão de um órgão, e externa, que é provocada 
por um ferimento externo no corpo.
• As hemorragias podem ser: arteriais, quando há a perda de sangue do corpo 
de forma intensa e venosa, quando há saída de sangue, que escorre de forma 
contínua e lenta.
133
1 Com relação à manobra de reanimação ou ressuscitação cardiopulmonar, é 
correto afirmar que: 
a) ( ) Procedimentos realizados após um acontecimento de parada 
cardiorrespiratória, com a finalidade de manter a circulação do sangue 
arterial.
b) ( ) Bloqueio da passagem de ar; paralisia do centro respiratório no cérebro.
c) ( ) A realização de compressas ritmadas nos pulmões.
2 Caso seja analisado que a vítima não respira, o socorrista deve: 
a) ( ) Posicionar o seu ouvido sobre boca e o nariz da vítima e verificar se ela 
respira (ver, ouvir e sentir).
b) ( ) Fechar as narinas da vítima com os seus dedos, colocar a sua boca com 
firmeza sobre a boca da vítima e soprar lentamente até o peito se encher de 
ar, em seguida, retire sua boca e deixe o ar sair livremente.
c) ( ) Fechar os olhos da vítima, colocar os dedos sobre a boca da vítima e 
soprar, em seguida apoiar a mão sobre o peito da vítima.
3 Quais os sintomas de uma parada cardiorrespiratória?
AUTOATIVIDADE
134
135
UNIDADE 3
EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 Esta unidade tem por objetivos:
• compreender as emergências clínicas respiratórias e circulatórias;
• identificar os sintomas e sinais de vítimas de insuficiência respiratória, a 
asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão;
• conhecer os fatores de agravamento de algumas emergências respiratórias;
• realizar os primeiros socorros em casos de emergências respiratórias;
• identificar os sintomas e sinais de vítimas de angina de peito, arritmias car-
díacas, infarto agudo do miocárdio (infarto do coração), crise hipertensiva 
e o acidente vascular cerebral;
• conhecer os fatores de agravamento de algumas emergências circulatórias;
• compreender e reconhecer cada uma das emergências clínicas gerais, que 
são: cólica renal, diabetes: coma diabético e hipoglicemia, insolação, exaus-
tão pelo calor, cãibras de calor, diarreia e desmaio;
• identificar quando a vítima possui algum sintoma de alguma das emergên-
cias clínicas gerais;
• compreender cada uma das alterações mentais, que são: convulsão, neuro-
se histérica e alcoolismo agudo;
• identificar quando a vítima apresenta sintomas de alterações mentais;
• reconhecer as lesões traumáticas nos ossos, músculos e articulações;
• demonstrar, em situações emergenciais, a capacidade de atender com me-
didas de primeiros socorros, às lesões traumáticas nas vítimas;
• avaliar uma pessoa vítima de uma lesão traumática;
• detectar rapidamente os sinais e sintomas de uma vítima de uma lesão 
traumática.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. Em cada um deles você encon-
trará atividades que o auxiliarão a fixar os conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E 
 CIRCULATÓRIAS
TÓPICO 2 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
TÓPICO 3 – ALTERAÇÕES MENTAIS
TÓPICO 4 – PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
136
137
TÓPICO 1
EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E 
CIRCULATÓRIAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Os primeiros socorros são indispensáveis para salvar 
vidas, seja em casos de acidentes de trabalho ou mal súbito. Os primeiros socorros 
têm como finalidade manter as funções vitais e evitar que a condição da vítima 
se agrave antes da chegada do serviço especializado. É de suma importância que 
existam pessoas treinadas na empresa para prestar esse atendimento.
As emergências são situações que precisam de ação imediata e que não 
podem se estender. Em situações de emergência, as manifestações são repentinas 
e inesperadas, necessitando de ações rápidas e urgentes. Nessas circunstâncias é 
primordial a aplicação de práticas de primeiros socorros para tentar minimizar 
os efeitos do quadro até a chegada da equipe especializada para realizar o 
atendimento. Uma das causas de maior procura por pronto atendimento são as 
emergências clínicas.
Para compreendermos sobre as emergências clínicas respiratórias e 
circulatórias, traremos, neste tópico, as causas, fatores de risco e primeiros 
socorros para cada tipo de emergência. É importante ressaltar que, mesmo nas 
emergências clínicas mais simples, a aplicação adequada dos primeiros socorros 
pode salvar a vida da vítima.
Lembre-se: 
Em cada fase é importante: 
Avaliar ------> Classificar ------> Decidir -------> Agir 
Propiciando atendimento e abordagem adequados ao paciente.
ATENCAO
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
138
2 EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS
Em casos de emergências respiratórias, o socorrista deve identificar os 
sintomas e sinais da complicação respiratória, podendo a respiração estar mais 
lenta ou mais rápida. Neste caso, os primeiros socorros têm como propósito 
conservar as vias respiratórias desobstruídas, posicionando a vítima em uma 
posição que contribua para a respiração. 
Você lembra qual é a função do sistema respiratório? Abastecer o 
organismo com oxigênio e eliminar o excesso de gás carbônico das células. É 
importante lembrar que “Em um ciclo respiratório normal, cerca de 500 ml de ar 
entram e saem dos pulmões” (BRUNET et al., 2014, p. 85).
Dentre as emergências respiratórias destacamos a insuficiência 
respiratória, a asma, a embolia pulmonar e edema agudo de pulmão.
2.1 HIPERVENTILAÇÃO
A hiperventilação se caracteriza pela respiração muito rápida, acarretando 
uma instabilidade entre as concentrações de oxigênio e dióxido de carbono no sangue.
Pode ocorrer devido a um choque emocional, excesso de esforço físico, 
dor intensa, sobreoxigenação, abstinência por drogas, práticas de respiração 
artificial por longos períodos, pessoas que já possuem algum tipo de perturbação 
respiratória relacionada ao sono. De acordo com Brunet et al. (2014, p. 92), os 
sintomas e sinais são:
• Respiração rápida, profunda e ofegante. A vítima tem a sensação de 
falta de ar, de não ser capaz de inspirar ar suficiente, apenas de aspirar 
uma quantidade superior à habitual.
• Dor torácica que se intensifica com a respiração.
• Formigamento, entorpecimento.
• As mãos e os pés podem estar frios e os dedos curvos e fletidos para 
a mão.
• Fraqueza, tonturas.
• Perda de consciência.
Pacientes de hiperventilação podem apresentar ainda confusão mental e 
conversa confusa.
A avaliação da vítima de forma adequada é de fundamental importância 
para a aplicação dos primeiros socorros. O socorrista deve assegurar que os 
sintomas e sinais de uma hiperventilação não sejam confundidos com os de 
uma crisede asma ou traumatismo torácico. Neste caso, os primeiros socorros 
objetivam diminuir o ritmo da frequência respiratória.
E quais são os primeiros socorros a serem aplicados em casos de 
hiperventilação?
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
139
Ainda seguindo o que diz Brunet et al. (2014, p. 93, grifo do original), a 
sequência a ser seguida é:
1. Sente a vítima numa posição o mais confortável possível.
2. Tranquilize-a quanto ao seu estado físico, para que a ansiedade não 
aumente ainda mais sua frequência respiratória.
3. Incentive a vítima a abrandar a frequência respiratória retendo a 
respiração, mesmo que isso seja difícil no início. Peça-lhe para respirar 
ao mesmo tempo que você.
Se estas intervenções forem ineficazes:
4. Faça a vítima respirar (inspirar e expirar) num espaço confinado, 
por exemplo, para as mãos (fechadas em torno da boca e do nariz), 
por baixo de um colete, para uma manga ou por baixo de cobertores. 
Quanto mais ela expirar, mais aumenta a percentagem de dióxido de 
carbono em cada inspiração, equilibrando assim as trocas gasosas. 
Interrompa esta manobra logo que a respiração retome a frequência 
normal.
5. Em seguida, coloque a vítima em repouso, pois sentir-se-á cansada 
e atordoada.
Caso o estado da vítima não voltar ao normal ou se agravar, chame o 
serviço especializado. Poderá ser necessária a administração de um sedativo.
2.2 ASMA
A crise de asma ocorre devido ao estreitamento dos brônquios decorrente 
de espasmos musculares, normalmente associados a processos inflamatórios ou 
irritação pulmonar. A crise asmática pode ocorrer devido a:
• Alergias, pólens, pó, pelos de animais, medicamentos, picadas de 
insetos.
• Fumo dos cigarros.
• Vapores tóxicos, gases irritantes, odores fortes e poluição atmosférica.
• Estresse, emoções fortes e fadiga.
• Vento, o abaixamento brusco e acentuado de temperatura, atividades 
ao ar livre com o tempo frio.
• Esforços violentos e exercícios em certos casos.
• Infecções virais (BRUNET et al., 2014, p. 92).
Existem ainda fatores que podem agravar a asma, tais como:
• História familiar de asma e outras manifestações de atopias.
• Exposição precoce ao cigarro (gestação e ao nascimento). 
• Infecções virais, principalmente o VSR (Vírus Sincicial Respiratório).
• IgE elevada.
• Rinite e/ou dermatite atópica. 
• Sibilância desencadeada por alérgenos.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
140
Os sintomas e sinais são:
• Angústia muito forte e sensação de opressão no peito.
• Respiração difícil, sibilante e rápida (mais de 30 respirações por 
minuto).
• Esforço para respirar, com distensão dos vasos do pescoço, quando 
a vítima está sentada ou inclinada para frente.
• Sensação de sufocamento, de falta de ar, quando na realidade há 
demasiado ar nos pulmões e esse ar não pode sair.
• Azulamento dos lábios e batimento das asas do nariz.
• Tosse que por vezes produz escarros, sobretudo esbranquiçados 
(BRUNET et al., 2014, p. 92).
Normalmente, vítimas de crises asmáticas já sabem como agir. O objetivo 
dos primeiros socorros é fazer com que a respiração da pessoa volte ao normal. 
Para isso devem ser observadas duas situações:
Se a vítima não tiver na sua posse um medicamento de urgência 
(bronquiodilatadores):
1. Tranquilize-a e permaneça junto dela.
2. Procure a causa externa da crise de asma e tome as medidas 
necessárias para a eliminar, caso seja ambiental: fumo de tabaco, 
animais, tapetes.
3. Se a vítima estiver num grupo, isole-a das outras pessoas e areje o 
local.
4. Sente a vítima numa posição o mais confortável possível. Por vezes, 
sente necessidade de se inclinar para a frente.
5. Assegure-se de que nenhuma peça de roupa no pescoço ou na 
cintura impede a respiração.
6. Coloque a vítima num local úmido para lhe facilitar a respiração.
7. Se não houver melhoria do estado respiratório, chame o 192. Em 
seguida, avalie o seu estado até a chegada dos Serviços de Emergência.
Se a vítima tiver na sua posse um medicamento de urgência 
(bronquiodilatadores):
8. Siga as etapas 1 a 6, em seguida, administre por meio de um dilatador 
o medicamento prescrito, ou ajude a vítima a administrá-lo.
9. Chame o 192 se a dificuldade respiratória se agravar apesar da 
tomada do medicamento (BRUNET et al., 2014, p. 94, grifo do original).
Lembre-se de que o frio é uma das causas do desencadeamento de uma 
crise asmática, logo, evite expor a vítima ao frio.
IMPORTANT
E
A reação inflamatória deve ser tratada juntamente com a crise asmática. Caso, 
após medicado, os sintomas permaneçam, significa que apenas o bronquiodilatador não é 
suficiente, sendo necessário ministrar medicação para a inflamação.
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
141
2.3 INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA 
A insuficiência respiratória (IR) é uma das emergências que requer 
maior atenção devido à sua gravidade. Ela refere-se à dificuldade no transporte 
e captação do oxigênio ou na eliminação do gás carbônico devido à falta de 
capacidade do sistema respiratório em preservar as trocas gasosas em níveis 
aceitáveis. A insuficiência respiratória pode ser aguda ou crônica.
A IR pode ser causada por doenças relacionadas ao sistema respiratório 
ou não. De acordo com Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), as enfermidades 
mais comuns são “doença pulmonar obstrutiva crônica, a asma, a insuficiência 
cardíaca, a pneumonia, dispneia de origem psicogênica (causada por estresse e 
choque emocional) e o uso de sedativos em altas doses”.
Para Fortes et al. (2010, p. 74), ainda existem os motivos indiretos para 
manifestação da insuficiência respiratória, que podem ser:
• Obstrução da via aérea: Obstrução por corpo estranho, 
broncoaspiração, asma, bronquiolite, bronquite crônica, enfisema, 
bronquiectasia, fibrose cística. 
• Dificuldade respiratória: Apneia do sono, obesidade, intoxicação por 
substâncias tóxicas ou medicamentos. 
• Debilidade da musculatura respiratória/acessória: Lesão da medula 
espinhal, miastenia, distrofia muscular, poliomielite, esclerose lateral 
amiotrófica, síndrome de Guillain-Barré. 
• Alteração do tecido pulmonar: Reação a fármacos, tumores, 
queimaduras, radiação, fibrose pulmonar, doença pulmonar de 
origem ocupacional. 
• Alteração da caixa torácica: Ferida aberta no tórax (trauma 
penetrante).
Conforme Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os sintomas podem ser:
• Dificuldade respiratória.
• Sensação de cansaço e ansiedade ou agitação (devido à falta de O2 no 
sistema nervoso central).
• Sons atípicos durante a respiração.
• Antecedente de crises semelhantes prévias.
• Tosse.
• Cianose (falta de O2 no sangue).
• Formigamento e contratura muscular em extremidades na dispneia 
de origem psicogênica (causada por fatores emocionais).
Caso a IR progrida de forma lenta, ocorre o aumento na pressão nos 
vasos sanguíneos dos pulmões, ocasionando a hipertensão pulmonar, que, se não 
tratada corretamente, poderá acarretar em uma insuficiência cardíaca.
Ainda segundo Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os primeiros socorros 
podem ser:
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
142
1. Afrouxar as roupas e transmitir segurança.
2. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira 
elevada;
3. Administrar oxigênio a 15 l/min.
4. Monitorar a vítima com oxímetro de pulso, tentando manter 
saturação de oxigênio além de 94%.
5. Permitir que a vítima, caso possuir e fizer uso habitual de medicação 
inalatória em spray ou em cápsula, realize uma dose antes do transporte.
6. Observar sinais de insuficiência respiratória. Em caso de hipoxemia 
(saturação de oxigênio menor que 90%) associado à redução da 
frequência respiratória, proceder à administração de ventilações com 
AMBU e oxigênio a 15 litros por minuto e solicitar apoio da unidade 
de suporte avançado de vida. 
7. Observar se ocorre redução do nível de consciência ou confusão mental. 
Solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida nestes casos.
8. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte 
avançado ou procederao transporte para hospital de referência, 
segundo orientação do médico regulador.
Em casos de IR pode ser realizada a ventilação boca a máscara ou a 
ventilação com unidade bolsa-válvula-máscara. 
FIGURA 52 – UNIDADE BOLSA-VÁLVULA-MÁSCARA (AMBU)
FONTE: Disponível em: <http://www.buscahospitalar.com.br/
images/produtos/4206_20130328034440G.jpg>. Acesso em: 
set. 2016.
FIGURA 53 – VENTIÇÃO BOCA A MÁSCARA
FONTE: Disponível em: <http://www.salademergenciashop.
com/imagem/index/10964726/G/pocket_mask_rcp_
cpr_mascara_ressuscitaco_envio_imediato_12240_
mlb20056070841_032014_o.jpg>. Acesso em: set. 2016. 
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
143
2.4 EDEMA AGUDO DE PULMÃO 
O edema agudo de pulmão (EAP) é o acúmulo de líquido no interior dos 
alvéolos pulmonares, que, segundo Fortes et al. (2010, p. 74), pode ocorrer devido 
à “[...] insuficiência cardíaca, principalmente a insuficiência cardíaca esquerda, 
coronariopatias, valvopatias, arritmias e crise hipertensiva; ou não cardiogênicas, 
como a hipoxemia, afecções respiratórias em que haja diminuição da complacência 
pulmonar e alterações da relação ventilação perfusão”.
Segundo Valente et al. (2012, p. 19), os sintomas e sinais para casos de 
edema agudo do pulmão podem ser: 
• Dispneia. 
• Cianose.
• Ansiedade e agitação. 
• Expectoração rosada e espumosa. 
• Sensação de afogamento.
• Aumento da frequência respiratória.
• Aumento da frequência cardíaca.
• Aumento da pressão arterial (na maioria dos casos).
• Palidez e sudorese.
• Respiração ruidosa tipo farfalheira, comparável ao som provocado por uma 
panela de água a ferver.
Ainda de acordo com Valente et al. (2012, p. 19), os primeiros socorros são: 
1. Abordagem da vítima segundo a metodologia ABCDE: 
A - Permeabilizar a via aérea com controle da coluna cervical. 
B - Ventilação e oxigenação.
C - Assegurar a circulação com controle da hemorragia. 
D - Disfunção neurológica. 
E - Exposição com controle da temperatura. 
2. Sentar o doente com as pernas pendentes, numa posição confortável, 
minimizando os esforços.
3. Administrar oxigênio: 
- Garantir oximetria ≥ 95% (se grávida ≥ 97%; se DPOC entre 88-92%). 
- 15L/min.
4. Acalmar a vítima. 
5. Manter a temperatura corporal.
6. Verificar e registar os sinais vitais – ter especial atenção às 
características da respiração e do pulso.
7. Prosseguir com o exame da vítima, dando especial atenção à recolha 
do máximo de informação.
8. Passagem de dados ao atendimento especializado. 
9. Solicitar apoio diferenciado.
O edema agudo pulmonar é considerado uma emergência clínica 
importante devido à sua gravidade.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
144
3 EMERGÊNCIAS CIRCULATÓRIAS
Enquanto as emergências respiratórias impedem a passagem de oxigênio 
e, consequentemente, a sua absorção pelos pulmões, as emergências circulatórias 
interferem na distribuição de oxigênio no sangue, afetando coração, cérebro e 
vasos sanguíneos.
Quando existe deficiência de oxigênio no músculo cardíaco ou no cérebro, 
pode desencadear um ataque cardíaco ou um AVC (Acidente Cardiovascular), 
por exemplo. No caso de uma hemorragia ou estado de choque fisiológico, e 
consequente baixa de oxigênio no sistema circulatório, pode ocorrer uma parada 
cardiorrespiratória ou lesão irreversível no cérebro (BRUNET et al., 2014).
Existem alguns fatores que podem agravar as doenças cardiovasculares, 
sejam controláveis ou não. O quadro a seguir nos traz esses fatores.
QUADRO 11 – FATORES DE RISCO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES
Fatores Controláveis Fatores não controláveis
Tabagismo Idade
Taxa de colesterol elevada Sexo
Alimentação inadequada rica em gorduras 
trans e saturadas Antecedentes familiares
Obesidade Origem étnica
Consumo excessivo de álcool AVC e acidente isquêmico transitório (AIT)
Sedentarismo
Estresse
Diabetes
Hipertensão arterial (HTA)
 FONTE: FMCC (2010) apud Brunet et al. (2014, p. 97)
Dentre as emergências clínicas associadas ao sistema cardiovascular, 
estudaremos a angina de peito, arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio 
(infarto do coração), crise hipertensiva e o acidente vascular cerebral.
3.1 ANGINA DE PEITO
A insuficiência de oxigênio no músculo do coração pode gerar uma 
sensação de pressão e/ou uma dor torácica, o que caracteriza a angina. Estresse 
emocional ou esforços físicos exigem maior desempenho do coração, assim, 
maior fluxo de sangue e oxigênio para o músculo cardíaco. Logo, a deficiência de 
oxigênio no miocárdio fará a vítima sentir dor.
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
145
A angina de peito é causada pela obstrução das artérias coronárias, 
tornando o fluxo de sangue insuficiente na região do miocárdio. Normalmente, isso 
ocorre devido ao acúmulo de gordura e outros sedimentos nas artérias coronárias. 
Como já mencionado, o estresse e o esforço físico intenso agravam o problema, 
pois requerem maior concentração de oxigênio nessa região. Outro fator que pode 
gerar a angina é o excesso de trabalho e as condições extremas de temperatura, pois 
aumentam a frequência cardíaca. Os principais sintomas e sinais são:
• Dor torácica retroesternal ou precordial (às vezes, desconforto), 
desencadeada por esforço físico, estresse, refeição volumosa ou 
exposição a temperaturas muito frias.
• A dor pode irradiar-se para membros superiores, ombros, 
mandíbula e porção superior do abdome. Raramente ultrapassa dois 
a cinco minutos, desaparecendo com repouso e uso de vasodilatador 
sublingual (SIATE, 2006, p. 312). 
Os primeiros socorros são:
1. Confortar e acalmar o paciente. 
2. Mantê-lo em repouso, em posição confortável. 
3. Informar-se sobre o uso do vasodilatador sublingual e se o tem. 
4. Passar os dados clínicos para o médico e aguardar instruções.
5. Se houver necessidade de transportá-lo, fazê-lo sem sirene, devagar 
e monitorando sinais vitais e, se possível, monitorização cardíaca 
(SIATE, 2006, p. 312).
A angina pode surgir de duas formas: a angina variante e a instável. Na 
angina variante a dor surge mesmo a vítima estando em repouso e é causada 
por contrações nas artérias coronárias e se deslocam ao longo da superfície do 
coração. Já na angina instável ocorre a variação dos sintomas clássicos e podem 
demonstrar uma evolução rápida da doença, seja devido a um avanço na obstrução 
da artéria pelo rompimento de um ateroma ou pela criação de um coágulo. A 
angina instável é uma urgência médica, pois o risco de ocorrer um enfarte é alto.
3.2 ARRITMIAS CARDÍACAS
As arritmias cardíacas são alterações na geração, condução e/ou propagação 
do impulso elétrico variando o ritmo cardíaco. Sua gravidade é decorrente 
ao “risco iminente de morte quando associada a agravos, como insuficiência 
cardíaca congestiva (ICC), tromboembolismo e choque cardiogênico” (FORTES 
et al., 2010, p. 82).
A arritmia pode variar conforme o batimento cardíaco. Quando os 
batimentos são mais acelerados, chamamos de taquicardia, e quando os 
batimentos são mais lentos, temos a braquicardia. Já quando o coração apresenta 
batimentos irregulares, a iminência de morte súbita cardíaca (MSC) aumenta.
As arritmias podem ser assintomáticas ou apresentar alguns sintomas, 
tais como:
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
146
3.3 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO
Emergência desencadeada pela obstrução de uma das artérias coronárias 
(artérias que irrigam o músculo cardíaco) por um coágulo, formado devido a 
não oxigenação da região, gerando uma necrose no local afetado. Mesmo se 
tratando de uma lesão grave, a vítima de infarto agudo de miocárdio não sofre, 
necessariamente, uma parada cardíaca. A parte comprometida com a lesão não 
bombeará sangue de forma eficaz, podendo acarretar uma parada cardíaca. A 
chance de uma parada cardíaca causada por uma arritmia é maior.
Normalmente, o ventrículo esquerdo é o mais acometido por essa doença, 
pois apresenta a pressão arterial mais elevada devido ao fato de sua parede ser mais 
espessa. Conforme Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os sintomaspodem ser:
• Dor intensa no peito, podendo irradiar-se para ombros, região 
cervical, mandíbula, abdome e braço esquerdo. 
• Dificuldade respiratória.
• Pele fria, úmida e pálida. 
• Fraqueza, perda da consciência.
• Ansiedade, náuseas e vômitos.
• Pulso fraco.
• Parada cardiopulmonar.
Ainda segundo Melo, Dias e Pancieri (2011, p. 116), os primeiros socorros 
podem ser:
1. Acionar suporte avançado de vida.
2. Afrouxar as roupas e transmitir segurança.
3. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira 
elevada.
4. Não elevar os membros inferiores (o aumento de retorno do sangue 
venoso pode piorar a congestão pulmonar).
5. Administrar oxigênio a 15 l/min.
6. Monitorar a vítima com oxímetro de pulso, tentando manter 
saturação de oxigênio além de 94%.
7. Se a vítima possuir e fizer uso habitual de medicação sublingual, e 
ainda não tiver usado a medicação, o socorrista pode auxiliar para sua 
administração.
• Incômodos como peso ou dor no peito. 
• Batimentos cardíacos acelerados ou lentos. 
• Palpitações ou taquicardias.
• Falta de ar.
• Tonturas.
• Desmaios. 
• Palidez.
• Sudorese. 
• Confusão mental. 
• Fraqueza.
• Pressão baixa.
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
147
8. Iniciar suporte básico de vida em caso de parada respiratória ou 
cardiorrespiratória.
9. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte 
avançado ou proceder ao transporte para hospital de referência, 
segundo orientação do médico regulador.
Alguns serviços especializados recomendam que sejam administrados na 
vítima dois comprimidos de ácido acetilsalicílico (Aspirina ou AAS), podendo essa 
medicação desmanchar o coágulo e, portanto, desbloquear a artéria, conservar o 
músculo cardíaco.
IMPORTANT
E
“Toda pessoa com suspeita de edema agudo de pulmão ou de infarto agudo do 
miocárdio deve ser encaminhada com a maior urgência para atendimento especializado em 
hospitais, serviço de emergência ou unidade de emergência cardíaca” (BRASIL, 2003, p. 90).
Brunet et al. (2014, p. 100) apresenta uma sequência de atendimento a 
vítimas acometidas por doenças cardíacas. É importante sabermos:
1. Avalie a situação e verifique a segurança do local.
2. Responsabilize-se pela situação: apresente-se à vítima e ofereça-lhe 
a sua ajuda.
3. Nomeie uma pessoa, se possível, para o ajudar e peça-lhe para 
chamar o 192.
4. Incentive a pessoa a interromper qualquer atividade e coloque-a 
numa posição confortável.
5. Avalie os sintomas e sinais da vítima e recolha as informações 
necessárias com a ajuda do SAMPLE.
6. Desaperte-lhe as roupas no pescoço e na cintura.
7. Se a vítima tiver medicamentos para sua doença cardíaca, como a 
nitroglicerina em pulverizador, ajude-a a tomá-los. Ela deverá tomar 
uma dose a cada vez, num máximo de três doses com intervalos de 
cinco minutos.
8. Observe a vítima: tranquilize-a de modo a acalmar-lhe a ansiedade 
e os receios.
9. Mantenha-se calmo e repare em qualquer alteração do seu estado, 
enquanto aguarda pela chegada do 192.
Se a vítima estiver inconsciente:
10. Avalie a vítima de acordo com as prioridades e pergunte a uma 
testemunha do episódio as informações necessárias com a ajuda do 
método SAMPLE.
11. Execute as manobras de RCR se a vítima estiver em parada 
cardiorrespiratória.
12. Observe a vítima; se ficar consciente, tranquilize-a de modo a 
acalmar-lhe a ansiedade e os receios.
13. Mantenha-se calmo e repare em qualquer alteração do seu estado, 
enquanto aguarda pela chegada do 192.
14. Proceda regularmente ao exame primário da vítima, pois seu 
estado pode deteriorar-se rapidamente.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
148
Algumas vezes se falou no método SAMPLE, você sabe que método é 
esse? Vamos lhe explicar: esse método se refere às seguintes observações:
QUADRO 12 – MÉTODO SAMPLE
Sinais e sintomas
Dificuldade para respirar 
Alteração do nível de consciência
Agitação, ansiedade 
Febre 
Redução da ingestão por via oral 
Diarreia, vômitos 
Sangramentos 
Fadiga 
Tempo de evolução dos sintomas
Alergias Medicações, alimentos, látex
Medicações Uso de medicaçõesÚltima dose e horário das medicações
Passado médico
Condições de nascimento e antecedentes 
mórbidos 
Cirurgias anteriores
Imunização
Líquido e última refeição Horário e natureza do último sólido ou líquido ingerido
Eventos
Eventos que levaram à doença ou lesão atual 
Perigos no local 
Tratamento durante o intervalo desde o início da 
doença ou da lesão até o momento 
Tempo estimado de chegada
FONTE: Matsuno (2012, p. 165)
3.4 CRISE HIPERTENSIVA
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos grandes 
problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. 
Representa um dos mais importantes fatores de risco para o 
desenvolvimento das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e 
renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente 
vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, 
em combinação com diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006 apud FONTES et al., 2010, p. 91).
A crise hipertensiva caracteriza-se pela elevação súbita da pressão arterial, 
podendo gerar danos a órgãos importantes, tais como o sistema nervoso central, 
coração e rins. O aumento rápido da pressão sistólica a níveis superiores a 169 
mmHg e da pressão diastólica além de 109 mmHg são considerados prejudiciais. 
A crise hipertensiva pode ocorrer em qualquer idade. 
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
149
Alguns fatores geram maior risco para o desencadeamento de uma crise 
hipertensiva, são eles: 
• Glomerulonefrite (inflamação no interior dos rins) 
• Pielonefrite (inflamação do sistema excretor renal) 
• Arteriosclerose 
• Diabete 
• Sedentarismo e obesidade 
• Liberação de catecolaminas secretadas por tumores das glândulas 
suprarrenais (feocromocitomas) 
• Ingestão de inibidor da monoaminoxidase 
• Colagenose 
• Toxemia da gravidez (pré-eclâmpsia leve e pré-eclâmpsia grave) 
• Mulheres após a menopausa 
• Fumo 
• Dieta rica em sal e gorduras (BRASIL, 2003, p. 91).
Os principais sintomas e sinais são:
• Vítima normalmente tem história de hipertensão arterial, em 
tratamento medicamentoso ou não. 
• Cefaleia.
• Náuseas. 
• Ansiedade. 
• Zumbido nos ouvidos. 
• Alteração visual (turvação visual ou pontos brilhantes no campo visual).
• Hemorragia nasal.
• Formigamento em face e extremidades (MELO; DIAS; PANCIERI, 
2011, p. 114).
O cuidado com esse tipo de emergência é que a crise hipertensiva é capaz de 
avançar para um acidente vascular cerebral, edema agudo do pulmão e encefalopatia.
Os primeiros socorros a serem adotados são:
1. Afrouxar as roupas e transmitir segurança. 
2. Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira 
elevada. 
3. Não elevar os membros inferiores (o aumento de retorno do sangue 
venoso pode piorar a congestão pulmonar). 
4. Administrar oxigênio a 15 l/min.
5. Monitorar a vítima com Oxímetro de pulso, tentando manter 
saturação de oxigênio além de 94%.
6. Se a vítima possuir e fizer uso habitual de medicação anti-
hipertensiva, e ainda não tiver usado a medicação, o socorrista pode 
auxiliar para sua administração.
7. Observar sinais de insuficiência respiratória. Em caso de hipoxemia 
(saturação de oxigênio menor que 90%) associado à redução da 
frequência respiratória, proceder à administração de ventilações com 
AMBU e oxigênio a 15 litros por minuto e solicitar apoio da unidade 
de suporte avançado de vida.
8. Observar se ocorrem sintomas neurológicos ou dor torácica. Solicitar 
apoio da unidade de suporte avançado de vida nestes casos.
9. Transportar a vítima ao encontro de uma unidade de suporte avançado 
ou proceder ao transporte para hospital de referência, segundo orientação 
do médico regulador (MELO; DIAS; PANCIERI, 2011, p. 115).
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
150
3.5 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Acidente Vascular Encefálico 
(AVE) é responsável pelo grande númerode invalidez precoce. Geralmente, 
a vítima fica dependente de cuidadores, pois ocorrem déficits neurológicos 
frequentemente. Esse problema requer que a família crie estratégias para auxiliar 
o paciente, uma vez que ele pode apresentar vários graus de severidade da lesão 
e pode se estender por longos períodos de tempo. 
O AVC é caracterizado por um mal súbito que se desenvolve rapidamente e 
pode prejudicar um ou mais vasos sanguíneos que fornecem oxigênio e nutrientes 
a alguma região do cérebro. Essa interrupção gera alterações histopatológicas, 
ocasionando déficits neurológicos. Fortes et al. (2010, p. 100) explicam que:
Esse acometimento vascular inclui aspectos funcionais e estruturais, 
bem como o fluxo sanguíneo e distúrbios de coagulação, podendo 
originar duas situações: o AVE isquêmico, que corresponde de 80% a 
85% dos casos, e o AVE hemorrágico, que acomete em torno de 10% 
a 15% da população. Ambos causam sequelas distintas e de extensão 
variável, conforme a região afetada. 
O AVC isquêmico produz lesões estruturais irreversíveis devido a um 
infarto cerebral ocasionado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo. Fortes et al. (2010, 
p. 100) dizem ainda que: 
A principal causa do AVE isquêmico é o tromboembolismo arterial 
em decorrência de embolias cardíacas ou ainda de grandes vasos, 
que incluem as artérias aorta, carótida e vertebrais. Situações de 
oclusão de pequenos vasos, vasculites, dissecção vascular e ainda 
discrasias sanguíneas, enxaqueca, cardiopatias congênitas também 
são consideradas fatores etiológicos.
Já o Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é caracterizado pela reversibilidade 
da lesão, na qual sinais e sintomas desaparecem em menos de 24 horas. Estudos 
recentes mostram, através de exames adequados, que uma porcentagem (15% a 
20%) dos pacientes acometidos por AIT apresenta algum tipo de infarto cerebral. 
Os principais sintomas e sinais de um AVC e AIT são:
Fraqueza – perda repentina da força ou dormência súbita no rosto, 
num braço ou numa perna, ainda que temporária.
Dificuldade de falar – dificuldade súbita de elocução ou de 
compreensão, confusão súbita, ainda que temporária.
Perturbações de visão – problemas de visão repentinos, ainda que 
temporários.
Dor de cabeça – dor de cabeça repentina, intensa e anômala.
Tonturas – perda súbita do equilíbrio, em especial se se fizer acompanhar 
por outros sinais (BRUNET et al., 2014, p. 111, grifo do original).
Como podemos verificar se existe um acidente vascular cerebral? 
Observando os seguintes sinais:
TÓPICO 1 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS RESPIRATÓRIAS E CIRCULATÓRIAS
151
QUADRO 13 – VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE AVC
Peça à vítima para fazer as seguintes ações Resultado em caso de AVC
Sorrir Um dos lados do rosto não sorrirá.
Dizer: “Está bom tempo” Terá dificuldade de elocução.
Levantar os braços
Não será capaz de levantar um dos braços ou 
não conseguirá levantá-lo tão alto quanto o 
outro.
FONTE: Brunet et al. (2014, p. 112)
Detectada a presença do AVC, como agir? Quais os primeiros socorros 
aplicáveis: 
1. Avalie a situação.
2. Proceda ao exame da vítima.
3. Chame o 192.
4. Não desloque a vítima, a não ser por motivos de segurança. Uma 
manipulação demasiadamente brusca poderia agravar o seu estado. 
Proteja-a de eventuais ferimentos causados por objetos próximos de si.
Se a vítima estiver consciente:
5. Instale-a confortavelmente, em posição semissentada.
6. Mantenha as suas vias respiratórias desobstruídas.
7. Assegure-se de que ela não tenha nada na boca.
8. Desaperte-lhe as roupas no pescoço e na cintura.
Se a vítima não conseguir engolir a saliva ou se vomitar, coloque-a em 
posição lateral de segurança, sobre o lado não afetado, para permitir o 
escoamento dos fluidos e prevenir complicações respiratórias.
9. Se ver que a vítima tem um corpo estranho na boca (alimento, 
pastilha, elástico etc.), retire-o.
10. Não dê nada à vítima pela boca, pois existe um risco elevado de 
engasgamento.
11. Se a vítima tiver sede, umedeça-lhe apenas os lábios.
12. Reconforte a vítima falando com ela ou agarrando-lhe na mão, pois 
é possível que não reaja à sua voz. A tranquilização da vítima tem uma 
importância vital, uma vez que impede a deterioração do seu estado.
13. Mantenha a vítima quente, tampando-a.
FIGURA 54 – SINAIS DE AVC
FONTE: Disponível em: <http://saudealemfronteiras.com/ficheiros/
uploads/images/Sintomas-do-AVC(1).gif>. Acesso em: set. 2016.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
152
14. Efetue frequentemente o exame primário da vítima a fim de 
detectar qualquer alteração do seu estado enquanto aguardar pela 
chegada do serviço de emergência (192).
Se a vítima estiver inconsciente:
15. Mantenha as vias respiratórias desobstruídas instalando a vítima 
na posição lateral de segurança, sobre o lado não afetado, de modo a 
facilitar sua respiração e escoamento das secreções.
16. Tape a vítima.
17. Tranquilize-a, uma vez que há a possibilidade de ela ouvir o que 
se passa à sua volta.
18. Efetue frequentemente o exame primário da vítima a fim de 
detectar qualquer alteração do seu estado e, se necessário, aplique as 
técnicas de RCR (BRUNET et al., 2014, p. 112-113, grifos do original).
153
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os primeiros socorros são indispensáveis para salvar vidas, seja em casos 
de acidentes de trabalho ou mal súbito. É de suma importância que existam 
pessoas treinadas para prestar esse atendimento.
• As emergências clínicas respiratórias e circulatórias, suas principais causas, 
sintomas, sinais e as sequências de pronto atendimento. Dentre as emergências 
respiratórias destacamos a insuficiência respiratória, a asma, a embolia 
pulmonar e edema agudo de pulmão. Dentre as emergências clínicas associadas 
ao sistema cardiovascular, vimos a angina de peito, arritmias cardíacas, infarto 
agudo do miocárdio (infarto do coração), crise hipertensiva e o acidente 
vascular cerebral.
• São tipos de emergências bastante complexas devido à gravidade de muitas 
delas, e se não prestado o primeiro atendimento de forma adequada, a vítima 
poderá ir a óbito. Para algumas destas emergências, cada segundo é de suma 
importância.
• Algumas medidas iniciais são comuns a todas as emergências e não precisam 
de muito treinamento, dentre elas podemos destacar:
 
o avaliar a situação e verificar a segurança do local; você, como socorrista, 
deverá manter a segurança da vítima e a sua própria;
o apresente-se à vítima de forma a tranquilizá-la;
o afrouxe as roupas da vítima no pescoço e na cintura;
o chame o serviço especializado (192).
• A avaliação dos sintomas e sinais é relevante para que você consiga definir 
como irá agir em determinada situação. A partir disso, para que seja realizado 
um atendimento adequado, a pessoa que for socorrer já necessita de algum tipo 
de treinamento para aplicar as técnicas cabíveis para cada caso. As empresas 
devem possuir pessoas capazes de realizar esse atendimento, a fim de salvar 
vidas.
• Em muitas emergências a vítima já possui um problema de saúde que vem 
a se agravar devido a outro fator externo, por isso é importante estarmos 
preparados para atuar em casos de mal súbito, pois não há como prevermos o 
que poderá ocorrer.
RESUMO DO TÓPICO 1
154
1 Dentre as emergências respiratórias e circulatórias, quais podemos presenciar 
no nosso ambiente de trabalho?
2 Para que possamos prestar os primeiros socorros de forma adequada, quais 
etapas devem ser seguidas, independentemente do tipo de emergência?
3 Quando do atendimento de uma vítima, algumas perguntas devem ser 
realizadas, caso a vítima esteja consciente; ou investigadas, em casos de 
inconsciência. Em algumas sequências de primeiros socorros fala-se no 
método SAMPLE. O que é esse método?
AUTOATIVIDADE
155
TÓPICO 2
EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros 
socorros que devem ser prestados às vítimas de emergências clínicas gerais.
O Tópico 2, aqui apresentado, está subdividido em itenspara ressaltar e 
facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a ser abordado 
é sobre a cólica renal, depois temos a diabetes: coma diabético e hipoglicemia, 
insolação, exaustão pelo calor, cãibras de calor, diarreia e, por fim, desmaio.
Para melhor entendimento sobre as emergências clínicas gerais, este 
tópico abordará as possíveis causas, sintomas e primeiros socorros para cada 
tipo de emergência. Devemos ter ciência de que o primeiro socorro bem aplicado 
salva a vida da vítima.
2 CÓLICA RENAL
“A cólica renal é uma síndrome extremamente dolorosa, de caráter 
espasmódico, que aparece subitamente” (BRASIL, 2003, p. 92).
“Na maioria das vezes essas crises dolorosas são provocadas por distúrbios 
renais ligados à presença de concreções ou cálculos urinários e processos 
puramente nervosos; existem outras patologias que podem levar à cólica renal, 
como infecções” (BRASIL, 2003, p. 92).
Os sinais e sintomas da cólica renal são bastante intensos, iniciando pelas 
dores que a vítima sente. O paciente pode sentir latejadas e também acompanhar 
um quadro de enjoos e vômitos, por vezes aumento da temperatura corporal. O 
paciente pode também ficar pálido e suar mais do que o comum.
156
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
FIGURA 55 – CÓLICA RENAL
FONTE: Disponível em: <http://qualidadeemsaude.com.br/
medicina/486-pacientes-que-sofrem-com-calculo-renal-
aumentam-no-verao>. Acesso em: 18 set. 2016.
O manual de primeiros socorros da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 92) diz que:
A dor pode localizar-se na região lombar, iniciando-se em uma área 
junto ao ângulo costovertebral. A irradiação da dor renal é comum, 
principalmente na fase aguda. Costuma-se dizer que não há cólica sem 
dor irradiada. Ocasionalmente as manifestações à distância dominam 
o cenário sintomatológico. A dor irradiada localiza-se, principalmente, 
no hipogástrio (em cima da bexiga), e flanco, é comum aos dois sexos e 
ocorre com a migração do cálculo desde o rim até a bexiga; no homem 
aparece a hipersensibilidade do testículo; na mulher pode irradiar-se 
para a vagina (vulva).
O paciente que sentir as dores e sintomas relacionados deve ficar atento 
aos sinais e procurar atendimento médico especializado.
Para que os primeiros atendimentos sejam realizados precisamente 
devemos iniciar pelo conforto à vítima de cólica renal, que é muito importante, 
pois ela sente dores muito fortes, sendo difícil até para falar ou andar. Deve-se 
deitar a vítima em um local cômodo e folgar as roupas caso não tenha como 
transportar o paciente imediatamente para atendimento médico especializado. 
As compressas quentes podem ser aplicadas onde o paciente sente a dor.
Caso o paciente já tenha algum remédio para cólica renal, pode tomar. 
Quando não possui, não se deve oferecer remédios para o paciente. Lembrando 
que o quanto antes for possível, o paciente deve receber atendimento médico.
Devemos lembrar que somente o médico é capaz de diagnosticar e 
indicar qual o melhor tratamento para o paciente portador de cólica renal. Não 
faça automedicação e também não interrompa o tratamento antes de consultar o 
médico, para que os sintomas não voltem.
TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
157
3 DIABETES: COMA DIABÉTICO E HIPOGLICEMIA
“O diabetes mellitus (também chamado de diabetes sacarino) é uma 
doença na qual o sangue é incapaz de utilizar normalmente o açúcar como fonte 
de energia, devido a uma deficiência de insulina, um hormônio produzido pelo 
pâncreas” (BRASIL, 2003, p. 94).
“A insulina é uma substância necessária para permitir a entrada, nas 
células do organismo, do açúcar existente no sangue. O diabetes mellitus ocorre 
quando são secretadas quantidades insuficientes de insulina pelo pâncreas” 
(BRASIL, 2003, p. 94).
Conforme o manual da Fiocruz, o diabetes mellitus pode tornar-se uma 
emergência devido a uma das duas condições: coma diabético (hiperglicêmico) 
ou coma hipoglicêmico.
Coma Diabético
O organismo tentará superar a falta de açúcar em suas células usando 
outros alimentos como fonte de energia, e isto será feito através da 
gordura armazenada. O uso desta fonte é ineficaz, os produtos 
de degradação da gordura usada para fornecimento de energia 
normal aumentam acentuadamente a acidez do sangue. Se a perda 
de líquidos e o aumento da acidose forem muito intensos, haverá o 
desenvolvimento de coma diabético. Nesta condição, o nível sanguíneo 
de açúcar é muito alto, porém não é ele que causa diretamente o coma. 
A presença no sangue de produtos ácidos de degradação e a perda de 
líquidos é que leva o diabético ao coma.
O desenvolvimento do coma geralmente ocorre quando um paciente 
diabético não tratado, ou que não faz uso da insulina prescrita, sofre 
algum tipo de estresse, ou uma infecção. 
O paciente pode apresentar torpor, com os seguintes sinais físicos:
1. Falta de ar, manifestada por respiração suspirosa rápida e profunda.
2. Desidratação (pele seca e quente e olhos afundados).
3. Odor peculiar (cetônico) causado pelos ácidos acumulados no 
sangue.
4. Pulso rápido e fraco.
5. Pressão arterial normal ou ligeiramente baixa.
6. Graus variáveis de diminuição das respostas aos estímulos.
7. Coma.
8. Óbito.
Hipoglicemia e Coma Hipoglicêmico
O coma hipoglicêmico pode ocorrer quando a insulina é administrada 
em excesso, ou quando o paciente não se alimenta adequadamente ou 
se exercita demais. O açúcar é rapidamente retirado do sangue para 
as células, faltando então, em quantidade suficiente no sangue para a 
nutrição do cérebro. Uma vez que este requer um suprimento constante 
de glicose assim como de oxigênio, pode haver o desenvolvimento 
rápido de inconsciência e lesão cerebral permanente, se o nível 
sanguíneo de açúcar permanecer baixo. 
O açúcar baixo no sangue (hipoglicemia) está associado aos seguintes 
sinais e sintomas:
1. Respiração normal.
2. Pele pálida e úmida.
158
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
3. Confusão; cefaleia; raciocínio prejudicado; riso despropositado; 
resistência ao auxílio. 
4. Pulso rápido e cheio. 
5. Pressão arterial normal. 
6. Desmaio; convulsões e coma.
7. Óbito (BRASIL, 2003, p. 94).
Os primeiros socorros indicados pelo Manual da Fiocruz para vítimas que 
apresentam sintomas de diabetes são:
Se um paciente diabético se tornar um caso de emergência, pode ser 
difícil para uma pessoa inexperiente, mesmo sabendo que o paciente 
é diabético, fazer a diferenciação entre os sinais do pré-coma diabético 
ou hiperglicêmica e do pré-coma hipoglicêmico. 
Nos casos de desequilíbrio de açúcar, se a vítima ainda não tiver 
alcançado a fase de coma, ela pode sentir-se doente ou estar apenas 
semiconsciente; porém, quase sempre pode informar a quem a está 
socorrendo a causa exata de sua doença. 
No tratamento de um paciente diabético, deve-se fazer as seguintes 
perguntas a ele ou à sua família: Alimentou-se hoje? Tomou insulina 
hoje? 
Se o paciente se alimentou e não tomou insulina, provavelmente está 
evoluindo para coma diabético; se tomou insulina e não se alimentou, 
provavelmente está evoluindo para coma hipoglicêmico. 
Se o paciente estiver inconsciente, pode-se fazer o diagnóstico de coma 
diabético ou de coma hipoglicêmico, baseando-se nos sinais e sintomas 
acima. É muito difícil o diagnóstico diferencial. A diferença primária 
visível será a respiração do paciente, respirações suspirosas profundas 
no coma diabético e respirações normais no coma hipoglicêmico. Um 
paciente diabético inconsciente e com convulsões provavelmente 
estará em coma hipoglicêmico.
O tratamento destas condições inclui os seguintes itens:
1. O paciente em coma diabético ou hiperglicêmico (muito açúcar 
no sangue) necessita de insulina e, talvez, de outros medicamentos. 
Transportá-lo imediatamente para o hospital, para cuidados médicos 
apropriados. 
2. O paciente em coma hipoglicêmico (nível sanguíneo de açúcar baixo) 
necessita de açúcar. A administração de qualquer solução glicosada 
pode reverter imediatamente o coma hipoglicêmico.
3. Deve-se procurar qualquer identificaçãode emergência do paciente, 
que pode ser encontrada sob a forma de cartão, colar ou pulseira. 
Este cartão informará se o paciente possui um problema médico 
e, possivelmente, poupará tempo em se pesquisar um diagnóstico 
(BRASIL, 2003, p. 95).
Existe tratamento para o diabetes mellitus. Vários pacientes conseguem 
controlar a doença através de alimentação balanceada, já outros são obrigados a 
tomar remédios orais e também injetáveis, que é o caso da injeção de insulina. A 
insulina injetável tem uma ação parecida com a insulina produzida pelo pâncreas. 
Para que tenhamos uma quantidade de insulina correta no organismo, devemos 
balancear a dose de insulina aplicada ao organismo com a alimentação, pois não 
podemos esquecer que todos os alimentos possuem açúcar (BRASIL, 2003).
TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
159
4 INSOLAÇÃO
É causada pela ação direta e prolongada dos raios de Sol sobre 
o indivíduo. É uma emergência médica caracterizada pela perda súbita 
de consciência e falência dos mecanismos reguladores da temperatura 
do organismo. Este tipo de incidente afeta, geralmente, as pessoas que 
trabalham com exposição excessiva a ambientes muito quentes ou que sofrem 
exposição demorada e direta aos raios solares (BRASIL, 2003).
Nos casos muito graves de insolação pode haver lesões generalizadas 
nos tecidos do organismo, principalmente nos tecidos nervosos; morbidade e 
morte podem ocorrer como resultado de destruição das funções renal, hepática, 
cardiovascular e cerebral (BRASIL, 2003).
Conforme o Manual da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 98), os sintomas da 
insolação são:
1. Surgem lentamente:
• Cefaleia (dor de cabeça)
• Tonteira
• Náusea
• Pele quente e seca (não há suor)
• Pulso rápido
• Temperatura elevada
• Distúrbios visuais
• Confusão
2. Surgem bruscamente:
• Respiração rápida e difícil
• Palidez (às vezes desmaio)
• Temperatura do corpo elevada
• Extremidades arroxeadas
Eventualmente pode ocorrer coma. 
A ocorrência de hiperventilação causa alcalose respiratória inicial.
Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar 
os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são:
• O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e 
gradativamente. 
• Remover o acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado.
• Remover o máximo de peças de roupa do acidentado.
• Se estiver consciente, deverá ser mantido em repouso e recostado 
(cabeça elevada). 
• Pode-se oferecer bastante água fria ou gelada ou qualquer líquido 
não alcoólico para ser bebido. 
• Se possível, deve-se borrifar água fria em todo o corpo do 
acidentado, delicadamente. 
• Podem ser aplicadas compressas de água fria na testa, pescoço, 
axilas e virilhas. Tão logo seja possível, o acidentado deverá ser imerso 
em banho frio ou envolto em panos ou roupas encharcadas (BRASIL, 
2003, p. 98).
160
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
5 EXAUSTÃO PELO CALOR
“A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada 
exposição do organismo a temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação 
de sódio, desidratação ou combinação de ambas” (BRASIL, 2003, p. 99).
“O trabalhador que exerce a sua atividade em ambientes cuja temperatura 
é alta está sujeito a uma série de alterações em seu organismo, com graves 
consequências à sua saúde” (BRASIL, 2003, p. 99). Podemos citar como exemplos 
de ambientes quentes os locais de trabalho que possuem caldeiras, fornos e 
fundições. 
Quando a origem dos sintomas for devida predominantemente à 
perda de água, o acidentado reclama de sede intensa, fraqueza e acentuados 
sintomas nervosos, que podem incluir falta de coordenação muscular, distúrbios 
psicológicos, hipertermia, delírio e coma. Se a falência circulatória sobrevier, a 
situação pode progredir rapidamente para golpe de calor (BRASIL, 2003).
Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar 
os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são:
• Remover o acidentado para um local fresco e ventilado, longe da 
fonte de calor.
• Deve ser colocado em repouso, recostado.
• Afrouxar as roupas do acidentado.
• Oferecer líquido em pequenas quantidades, repetidas vezes, se 
possível com uma pitada de sal. Se o acidentado não 
conseguir tomar líquidos oralmente, não insistir para não piorar suas 
condições.
• Providenciar para que o acidentado, neste caso, tenha atendimento 
especializado, pois a ele terá de ser administrada solução salina 
fisiológica ou glicose isotônica, por via intravenosa. 
• Observar os sinais vitais para a necessidade de ressuscitação 
cardiorrespiratória, e remoção para atendimento especializado, se 
os primeiros socorros não melhorarem o estado geral do acidentado 
(BRASIL, 2003, p. 99).
6 CÃIBRAS DE CALOR
Estas cãibras são provocadas por uma perda excessiva de líquidos e de 
sais (eletrólitos) como o sódio, o potássio e o magnésio, devido a uma 
sudação intensa, tal como acontece durante a prática de uma atividade 
física extenuante. [...] 
As cãibras provocadas pelo calor são muito comuns entre os 
trabalhadores manuais, como o pessoal das casas das máquinas, os 
ferreiros e os mineiros. O excesso de proteção, como o vestuário que os 
alpinistas ou os esquiadores usam, pode ocultar uma grande sudação. 
[...]
As cãibras musculares se caracterizam por uma contratura dolorosa 
repentina, por exemplo, após um esforço físico (durante a prática de 
um esporte) ou durante o sono, à noite (CRIA SAÚDE, 2016, s.p.).
TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
161
A dor causada por uma crise de cãibra é muito forte. As cãibras são 
passageiras e não apresentam quadros de consequências complicadas. 
Devemos sempre ficar atentos aos primeiros sintomas e logo após iniciar 
os primeiros socorros, que segundo o Manual da Fiocruz são:
• A vítima de cãibras deve ser colocada em repouso, confortavelmente 
em local fresco e arejado.
• Pode-se tentar massagear suavemente os músculos atingidos para 
promover alívio localizado.
• Pode-se dar à vítima água com uma pitada de sal, que muitas 
vezes faz o acidentado melhorar quase que imediatamente.
• Pode-se oferecer alimento salgado.
Dependendo da gravidade do ataque, a vítima precisará ser mantida 
em repouso por vários dias (BRASIL, 2003, p. 100).
7 DIARREIA
“O que caracteriza a diarreia é o número excessivo de evacuações e a 
mudança de consistência das fezes. Ir ao banheiro muitas vezes e apresentar fezes 
muito amolecidas ou praticamente líquidas são sinais de diarreia” (CONTE, 2016, 
s.p.). “O funcionamento normal dos intestinos varia de pessoa para pessoa. A própria 
definição precisa de diarreia deverá levar em conta este dado” (BRASIL, 2003, p. 101).
Conforme o Manual de Primeiros Socorros da Fiocruz, existem diversas 
causas que podem provocar diarreia, entre uma infinidade de exemplos:
• Desordens psicogênicas ou diarreia "nervosa".
• Infecções intestinais bacterianas, viróticas ou parasitárias de diversas 
origens.
• Fatores intestinais como envenenamento por metal pesado, terapia 
antibiótica, fístula gastrocólica e carcinoma do intestino.
• Efeitos adversos de medicamentos.
• Doença pancreática (diarreia gordurosa).
• Atresia biliar.
• Reflexos de outras vísceras.
• Doença neurológica.
• Hipertireoidismo ou tumores gastrointestinais, benignos ou 
malignos, que produzem substâncias causadoras de diarreia.
• Deficiência nutricional.
• Alergia alimentar.
• Fatores dietéticos. O exagero na ingestão de fibras pode ocasionar 
diarreia transitória.
• Ingestão excessiva de laxativo (BRASIL, 2003, p. 101).
O Manual da Fiocruz relata que:
Em caso de diarreia existe o risco de desidratação, principalmente 
em pessoas debilitadas por outras doenças, em idosos e em crianças. Para 
controlar a situação até o recebimento de socorro médico especializado, 
deve-se acalmar a vítima, mantê-la em repouso confortavelmente e, 
sempre que possível, iniciar imediatamente a hidratação oral com 
soro caseiro, dando à vítima três colheres de sopa a cada 15 minutos. 
162
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIASCLÍNICAS
Receita para o soro caseiro: 
• 1 copo de 250 ml de água fervida ou filtrada
• 1 colher de sopa de açúcar
• 1 colher de chá de sal de cozinha (BRASIL, 2003, p. 101).
Devemos lembrar sempre a importância dos primeiros socorros em casos 
de diarreia. A desidratação é um dos piores problemas da diarreia.
Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com 
facilidade. Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da urina são 
sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano, 
constituído por cerca de 75% de água, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio 
e potássio (VARELLA, 2011, s.p.).
8 DESMAIO
“É a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à 
diminuição de sangue e oxigênio no cérebro” (BRASIL, 2003, p. 105). Varella 
(2012, s.p.) descreve as principais causas e sintomas do desmaio como:
Causas
O desmaio em si não é uma doença, mas pode ser manifestação de 
inúmeras alterações orgânicas, tais como:
- Doenças cardiovasculares: arritmias, distúrbios hemodinâmicos, 
paradas cardiorrespiratórias, porque comprometem o fluxo normal 
do sangue para os tecidos, em especial para o cérebro.
- Distúrbios metabólicos: hipoglicemia (falta de açúcar no sangue 
causada por jejum prolongado ou diabetes descompensado), anemia 
intensa, hemorragias, desidratação e desequilíbrio na composição dos 
sais minerais da corrente sanguínea.
- Uso de medicações: diversos medicamentos, entre eles os diuréticos, 
podem provocar desmaios, quando usados em doses mais altas.
- Hipotensão ortostática: a queda brusca da pressão arterial provocada 
pela mudança repentina de posição (a pessoa estava sentada ou deitada 
e fica em pé de repente). A hipotensão ortostática frequentemente 
está associada à desidratação, ao uso de diuréticos e aos distúrbios 
cardiovasculares.
- Outras causas: cansaço extremo, emoções súbitas, nervosismo 
intenso, dores fortes e permanência prolongada em lugares fechados 
e quentes.
Sintomas
Existem alguns sintomas que prenunciam a perda da consciência e do 
tônus postural. Os mais indicativos são palidez, fraqueza, suor frio, 
náusea e ânsia de vômito, pulso fraco, tontura, visão turva, pressão 
arterial baixa e respiração lenta.
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS GERAIS
163
Os primeiros socorros para uma vítima acometida de desmaio devem ser 
ágeis, para que a vítima não sofra maiores consequências.
O Manual da Fiocruz traz os seguintes primeiros socorros para uma 
pessoa desmaiada: 
A. Se a pessoa apenas começou a desfalecer:
• Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante.
• Curvá-la para frente.
• Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e 
pressionar a cabeça para baixo.
• Manter a cabeça mais baixa que os joelhos.
• Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar.
B. Havendo o desmaio:
• Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros 
em posição mais baixa em relação ao resto do corpo.
• Afrouxar a sua roupa.
• Manter o ambiente arejado.
• Se houver vômito, lateralizar-lhe a cabeça, para evitar 
sufocamento.
• Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado a ela café, 
chá ou mesmo água com açúcar.
• Não se deve dar jamais bebida alcoólica (BRASIL, 2003, p. 106).
FIGURA 56 – VÍTIMA DE DESMAIO
FONTE: BRASIL (2003)
FIGURA 57 – VÍTIMA DE DESMAIO
FONTE: BRASIL (2003)
O atendimento especializado quando uma pessoa desmaia é essencial, 
pois o médico deverá fazer exames e tomar as providências que achar importantes 
para o diagnóstico.
164
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• “A cólica renal é uma síndrome extremamente dolorosa, de caráter espasmódico, 
que aparece subitamente” (BRASIL, 2003, p. 92).
• “O diabetes mellitus (também chamado de diabetes sacarino) é uma doença 
na qual o sangue é incapaz de utilizar normalmente o açúcar como fonte de 
energia, devido a uma deficiência de insulina, um hormônio produzido pelo 
pâncreas” (BRASIL, 2003, p. 94).
• A insolação é causada pela ação direta e prolongada dos raios de Sol sobre o 
indivíduo. É uma emergência médica caracterizada pela perda súbita de 
consciência e falência dos mecanismos reguladores da temperatura do 
organismo. Este tipo de incidente afeta, geralmente, as pessoas que 
trabalham com exposição excessiva a ambientes muito quentes ou que 
sofrem exposição demorada e direta aos raios solares (BRASIL, 2003).
• “A exaustão pelo calor é outro tipo de reação sistêmica à prolongada 
exposição do organismo a temperaturas elevadas, que ocorre devido à 
eliminação de sódio, desidratação ou combinação de ambas” (BRASIL, 
2003, p. 99).
• As cãibras são provocadas por uma perda excessiva de líquidos e de sais 
(eletrólitos), como o sódio, o potássio e o magnésio, devida a uma sudação 
intensa, tal como acontece durante a prática de uma atividade física extenuante 
(MANUAL MSD, 2016).
• “O que caracteriza a diarreia é o número excessivo de evacuações e a mudança 
de consistência das fezes. Ir ao banheiro muitas vezes e apresentar fezes muito 
amolecidas ou praticamente líquidas são sinais de diarreia” (CONTE, 2016, s.p.).
• “O desmaio é a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à 
diminuição de sangue e oxigênio no cérebro” (BRASIL, 2003, p. 105).
165
AUTOATIVIDADE
1 Após o estudo do Tópico 2, qual é o órgão do corpo humano responsável pela 
produção de insulina?
a) ( ) Rim.
b) ( ) Fígado.
c) ( ) Pulmão.
d) ( ) Pâncreas.
2 No que diz respeito às cólicas renais, você, acadêmico, em uma situação de 
atendimento a uma vítima com sintomas de cólica renal, ofereceria algum 
medicamento seu para diminuir a dor da vítima? Justifique sua resposta.
3 A diarreia é perigosa e pode ser um problema para a vítima. Qual é o maior 
risco para vítimas que apresentam sintomas de diarreia? Qual a importância 
do soro caseiro?
166
167
TÓPICO 3
ALTERAÇÕES MENTAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros 
socorros que devem ser prestados às vítimas que apresentam algum tipo de 
alteração mental.
O Tópico 3, aqui apresentado, está subdividido em itens para ressaltar 
e facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a ser 
abordado é sobre a convulsão, depois temos a neurose histérica e, por fim, o 
alcoolismo agudo.
Para melhor entendimento sobre as emergências clínicas gerais, este 
tópico abordará as possíveis causas, sintomas e primeiros socorros para cada 
tipo de emergência. Devemos ter ciência de que o primeiro socorro bem aplicado 
salva a vida da vítima.
2 CONVULSÃO
A convulsão é uma alteração que é apresentada por a pessoa expor 
retraimento muscular involuntário. Sobre as convulsões, Brunet et al. (2014, p. 
247) dizem que:
As convulsões podem ter origem cerebral ou medular (epilepsia, 
tumor, traumatismo cerebral devido a um acidente rodoviário, 
acidente vascular cerebral, febre, insolação), anóxica (síncope), 
tóxica (medicamentos, tétano, raiva, privação de drogas, diabetes) ou 
psíquica (histeria).
Geralmente, após a crise de convulsão, a pessoa não se lembra do ocorrido 
e na maioria das vezes fica assustada. A pessoa que acompanhou o paciente com 
crise de convulsão deve ajudá-lo a se orientar e compreender o ocorrido.
Quando a vítima sofre de epilepsia, pode, por vezes, manter-se consciente, 
continuar a atividade que estava a fazer e sentir tremores involuntários em um 
membro. O quadro a seguir mostra os sinais e sintomas dos vários tipos de convulsão.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
168
QUADRO 14 – SINAIS E SINTOMAS DOS VÁRIOS TIPOS DE CONVULSÃO
Sinais Sintomas
A pessoa epilética pode ficar ligeiramente 
inconsciente sem cair para o chão. Trata-
se de uma crise parcial complexa, mais 
frequente nos adultos.
- A vítima fica atordoada, confusa e irritada.
- Vê pontos negros e ouve tinidos.
- Faz gestos descoordenados, bizarros e 
incongruentes.
- Brinca com as peças de roupa ou mexe os braçose as 
pernas de um lado para o outro sem objetivo preciso.
- Pode ocorrer igualmente uma deformação do rosto.
- Não tem consciência dos seus atos nem do meio 
envolvente.
- A crise dura em média entre dois a cinco minutos. 
Terminada a crise, a vítima não se lembra, muitas 
das vezes, de nada.
Pode ocorrer igualmente, sobretudo nas 
crianças e nos adolescentes, uma crise a 
que chamamos ausência epilética. Esta crise 
faz-se acompanhar por uma breve perda de 
consciência. A sua duração é de tal modo 
curta que passa, por vezes, despercebida: 
dura em média 5 a 15 segundos.
- Habitualmente a vítima não cai para o chão.
- Tem o olhar fixo durante os segundos da crise, como 
se estivesse a sonhar.
- Para ela, a realidade deforma-se momentaneamente.
- Pode ter alucinações visuais ou auditivas, sentir 
medo, tristeza, cólera ou uma alegria inexplicável.
- Pode ter igualmente náuseas, sentir odores 
estranhos e experimentar uma estranha sensação 
no estômago.
- Os seus olhos podem parecer estar revirados (piscar 
dos olhos).
- Em seguida, recomeça o que estava a fazer.
- Não há movimentos bruscos dos braços ou das 
pernas, mas existe a possibilidade de ligeira perda 
do controle muscular.
A pessoa epilética pode sofrer igualmente 
uma crise generalizada, precedida de um 
pressentimento, de uma sensação particular 
ou de um grito a que chamamos de aura.
- A vítima perde repentinamente a consciência e 
desmaia.
- O corpo torna-se rígido durante alguns segundos 
e o rosto e o pescoço ficam azulados.
- Em seguida surgem as convulsões: tremores 
generalizados durante cerca de dois a três minutos, 
acompanhados por uma respiração ruidosa e saliva 
espumosa a sair pela boca.
- Pode acontecer de a vítima deixar de respirar 
durante alguns instantes ou tornar-se pálida e 
azulada de forma temporária.
Estes sinais não constituem perigo. São fases normais de uma crise. No final da crise, ocorre um 
relaxamento muscular, por vezes acompanhado de incontinência urinária. A vítima readquire 
gradualmente a consciência e pode apresentar-se desorientada quando acorda. Não se lembra da 
crise e não compreende por que está deitada no chão. Tem uma sensação de esgotamento e pode 
ter necessidade de dormir. Poderá retomar as suas atividades depois de repousar.
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
Quando nos depararmos com uma pessoa que está passando por uma 
crise de convulsão, devemos manter a calma e nunca deixar a pessoa sozinha, 
enquanto ela não melhorar e receber atendimento médico. Conforme Fernandes 
e Silva (2012, p. 146), os primeiros socorros para vítimas de convulsão são:
TÓPICO 3 | ALTERAÇÕES MENTAIS
169
• Amparar e lateralizar sua cabeça.
• Não segurá-la.
• Colocar um lenço entre seus dentes para evitar que morda a língua.
• Afrouxar suas roupas.
• Acomodá-la, deixando-a deitada de lado.
• Retirar sua(s) prótese(s) dentária(s), quando possível.
• Afastá-la de objetos pontiagudos, para evitar traumatismos durante 
as contrações.
• No caso de criança com febre, colocar toalhas úmidas pelo corpo, 
sacos de gelo nas axilas, nas virilhas e na testa, ou até mesmo banhá-la 
em água fria.
• Não estimular a vítima com sacudidas, álcool, amoníaco, vinagre 
etc.
• Não jogar água.
• Não ficar receoso com a salivação.
• Deixar repousar até que a consciência retorne.
• Certificar-se de que a vítima respira bem.
• Realizar a limpeza corporal.
• Oferecer líquidos.
• Após a convulsão, deixar a vítima respirar livremente.
• Encaminhar ao serviço médico.
A vítima que acabou de passar por uma crise de convulsão não pode 
fazer grandes esforços e atividades de atenção, como: trabalhos com máquinas 
ou equipamentos, dirigir veículos, entre outras, antes de passar por uma 
avaliação médica.
3 NEUROSE HISTÉRICA
“A neurose histérica, ou crise de ansiedade, é uma síndrome psiconeurótica 
caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo” 
(BRASIL, 2003, p. 110).
A vítima que está passando por um quadro de neurose histérica pode 
também sentir ansiedade juntamente com palpitações e também apresentar 
expressões físicas de pânico.
No quadro de um ataque de histeria, a vítima, aparentemente 
normal, não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de 
conflito interno, esporádico ou instalado, entra repentinamente numa 
sequência de distúrbios psiconeuróticos e psicofisiológicos (BRASIL, 
2003, p. 110).
Os sintomas e primeiros socorros a serem analisados e aplicados à vítima 
de neurose histérica, segundo o Manual da Fiocruz, são:
A pessoa que for prestar os primeiros socorros pode reconhecer uma 
crise histérica ao notar na vítima as seguintes características:
• Pestanejar intenso
• Hipersensibilidade emocional
• Autopreservação exacerbada
• Respiração acelerada
• Crise de choro ou de riso
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
170
• Gritos estridentes
• Olhar observador
• Mãos em garra.
- Todos os sintomas de neurose histérica podem ser modificados por 
sugestão. O ataque histérico é um desequilíbrio da vontade, ou uma 
ausência de vontade. A calma e a persuasão são fundamentais como 
primeiros socorros. 
- Durante a crise, a vítima de neurose histérica não perde a consciência, 
mantém o olhar atento, especialmente observador da reação das 
pessoas à sua volta. A vítima também se autopreserva para não ser 
presa, agarrada, cair ou se machucar. 
- Deve-se agir com tranquilidade, demonstrando não dar muita 
importância ao estado aparente do acidentado. Afastá-la da presença 
de outras pessoas, conversando amigavelmente. Afrouxar-lhe as 
roupas e fazer com que se sente ou deite, demonstrando solidariedade 
e segurança. 
- Não se deve discutir com a vítima de histeria. Pode-se deixá-la chorar 
à vontade, se for o caso, ficando sempre por perto em sinal de apoio e 
compreensão. Não se deve dar medicamentos, especialmente calmantes 
e tranquilizantes, mesmo que o acidentado peça. Pode ser oferecida 
água, ou água com açúcar para ser bebida devagar e com calma. 
- Com estes cuidados a vítima histérica geralmente volta ao seu estado 
normal, se acalma e se contém. Todavia, se o descontrole emocional 
persistir, não desaparecer totalmente ou retornar na forma de uma 
segunda crise, deve-se procurar auxílio especializado (BRASIL, 2003, 
p. 111).
4 ALCOOLISMO AGUDO
Quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de bebida 
alcoólica, seu corpo sofre grandes consequências e ter o que podemos chamar 
de alcoolismo agudo.
“O estado de alcoolismo agudo deixa a pessoa com um comportamento 
geralmente violento, anormal, em relação a seu estado de sobriedade, confuso, 
agitado e instável” (BRASIL, 2003, p. 112).
São vários os sinais e sintomas que podem ser indicados em caso de 
alcoolismo agudo. Entre os mais importantes, temos: coordenação motora 
alterada, vertigens, olhos vermelhos, dificuldades de falar e se locomover.
Esses sintomas podem ficar piores, tudo depende da quantidade de bebida 
alcoólica ingerida. Podem aparecer sintomas mais fortes, como enjoos, vômitos e 
até levar o paciente ao coma.
Quando uma pessoa está com os sintomas de alcoolismo agudo, a primeira 
atitude a ser tomada é evitar que seja ingerida mais bebida alcoólica. Nesses casos 
também não podem ser oferecidos à pessoa alimentos, líquidos ou remédios.
É importante, nessas horas, o atendimento médico especializado, para 
serem tomadas as devidas providências com o paciente.
171
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A convulsão é uma alteração que é apresentada por a pessoa expor retraimento 
muscular involuntário.
• As convulsões podem ter origem cerebral ou medular (epilepsia, tumor, 
traumatismo cerebral devido a um acidente rodoviário, acidente vascular 
cerebral, febre, insolação), anóxica (síncope), tóxica (medicamentos, tétano, 
raiva, privação de drogas, diabetes) ou psíquica (histeria).
• “A neurose histérica, ou crise de ansiedade, é uma síndrome psiconeurótica 
caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo” 
(BRASIL, 2003, p. 110).
• “No quadrode um ataque de histeria, a vítima, aparentemente normal, 
não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de conflito interno, 
esporádico ou instalado, entra repentinamente numa sequência de distúrbios 
psiconeuróticos e psicofisiológicos” (BRASIL, 2003, p. 110).
• Quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de bebida alcoólica, seu 
corpo sofre grandes consequências e ter o que podemos chamar de alcoolismo 
agudo.
• O estado de alcoolismo agudo deixa a pessoa com um comportamento, 
geralmente, violento, anormal em relação a seu estado de sobriedade, confuso, 
agitado e instável (BRASIL, 2003, p. 112).
172
AUTOATIVIDADE
1 Sabemos que as convulsões podem ter várias fontes de origem. Após o estudo 
deste tópico, quais são os sinais de convulsão?
2 Quando nos deparamos com uma vítima que está com sintomas de alcoolismo 
agudo, qual a primeira atitude que deve ser tomada?
a) ( ) Não deixar mais a pessoa ingerir bebida alcoólica.
b) ( ) Fazer a vítima beber bastante água, para induzir ao vômito.
c) ( ) Dar um banho gelado na vítima para ela melhorar.
d) ( ) Dar medicamento para amenizar os sintomas.
3 A neurose histérica também é conhecida como:
a) ( ) Crise de dores.
b) ( ) Crise de ansiedade.
c) ( ) Crise de nervosismo.
d) ( ) Crise de pânico.
173
TÓPICO 4
PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Este tópico traz uma contextualização sobre os primeiros 
socorros que devem ser prestados às vítimas de acidentes que apresentam lesões 
traumáticas nas articulações, nos ossos e nos músculos.
O Tópico 4, aqui apresentado, está subdividido em itens para ressaltar 
e facilitar o entendimento e aprendizado do conteúdo. O primeiro item a 
ser abordado é sobre as lesões traumáticas nos ossos, depois temos as lesões 
traumáticas nos músculos e articulações, nos olhos e, por fim, as lesões de cabeça 
e coluna vertebral.
O sistema locomotor do corpo humano é todo sustentado e articulado 
pelos ossos. A organização óssea tem ainda a função de proteger 
certas partes do corpo. O crânio protege o cérebro; o tórax protege o 
aparelho cardiorrespiratório; grande parte do fígado e todo o baço são 
protegidos pelas costelas inferiores; a medula encontra-se dentro do 
canal medular, formado pelas vértebras (BRASIL, 2003, p. 151).
As lesões traumáticas podem assumir proporções desastrosas se não 
atendidas com o primeiro socorro adequado. A maioria das lesões traumato-
ortopédicas não apresenta muita gravidade (BRASIL, 2003).
As lesões musculoesqueléticas não constituem necessariamente urgências 
vitais. Todavia, estão no topo da lista de problemas físicos associados às atividades 
profissionais (HÁ; ROQUELAURE, 2010 apud BRUNET et al., 2014).
Na maioria dos casos, a conduta final mais importante é a imobilização 
da parte afetada. A imobilização é, muitas vezes, suficiente para aliviar a dor e 
estabelecer condições favoráveis à cura da lesão (BRASIL, 2003).
Quando se trata de situações de urgência, estas lesões têm de ser tratadas 
com diligência para evitar complicações ou lesões (BRUNET et al., 2014). 
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
174
2 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OSSOS
“A ruptura, a fragmentação e a fissura (racha) de um osso são outros 
tipos de lesões nos ossos. Estas lesões são graves porque se fazem acompanhar 
frequentemente com lesões dos tecidos moles envolventes, como os nervos, os 
tendões, os ligamentos e os vasos sanguíneos” (BRUNET et al., 2014, p. 178). Os 
mesmos autores ainda discorrem que, por vezes, também os músculos, a pele 
e alguns órgãos podem sofrer as consequências. As lesões ósseas podem ser 
infligidas de diferentes formas, como:
• As pancadas diretas: são uma das causas habituais de fraturas; por 
exemplo, um trabalhador que é ferido na perna pelo para-choques de 
um automóvel.
• As pancadas indiretas: podem causar igualmente lesões nos ossos 
e nas articulações. Nestas situações, a força é exercida sobre uma 
parte do membro e a lesão ocorre a uma certa distância do ponto de 
impacto, habitualmente mais acima; por exemplo, um desportista ou 
um trabalhador que cai sobre o cotovelo ou sobre a mão pode fraturar 
a clavícula (2014, p. 178).
Segundo Fernandes e Silva (2012, p. 134), a fratura é o rompimento total 
ou parcial de um osso ou de uma cartilagem, isto é, a sua quebra. Há dois tipos 
de fraturas:
• Fraturas fechadas ou internas, quando a pele não é rompida pelos 
ossos quebrados, apenas sentindo-se o desnível e o movimento 
anormal dos ossos.
• Fraturas abertas ou expostas, quando o osso aparece na superfície 
corporal, pelo rompimento dos músculos e da pele.
“Nas indústrias, a fratura pode ocorrer como consequência das quedas e 
movimentos bruscos dos trabalhadores, das batidas contra objetos, ferramentas, 
maquinários ou da queda destes sobre o empregado” (FERNANDES; SILVA, 
2012, p. 134). Segundo Brunet et al. (2014, p. 176), os sinais e sintomas de uma 
fratura são:
• Coloração da pele: azulada ou negra no local da fratura, palidez no 
membro afetado.
• Edema (inchaço): presente no sítio da fratura.
• Movimentos funcionais: ausentes (por vezes parciais numa fratura 
sem deslocamento).
• Dor: intensa e persistente, sobretudo no local da fratura, aumentando 
com o movimento.
• Temperatura da pele: mais frequentemente fria na parte distal do 
membro, mas quente no local da fratura.
• Deformação: possível.
• Encurtamento relativamente ao membro intacto: possível se houver 
fratura com deslocamento.
• Feridas associadas: ferida no local da fratura, com ou sem presença 
de fragmentos ósseos no caso de fraturas expostas.
• Outros: possível estado de choque hipovolêmico, sobretudo no caso 
de fratura da bacia ou fêmur; sensação de rangido ou estado do osso 
no momento da fratura.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
175
As autoras Fernandes e Silva (2012, p. 135) especificam as medidas de 
socorro em caso de fratura, que são:
• Colocar a vítima deitada em posição confortável.
• Estancar eventual hemorragia.
• Imobilizar as articulações mais próximas do local com suspeita de 
fratura, a fim de restringir movimentos, utilizando jornais, revistas, 
tábuas, papelão etc. Acolchoar com algodão ou trapos os pontos em 
que os ossos ficarão em contato com a tala.
• Não deslocar nem arrastar a vítima antes de imobilizar o segmento 
fraturado.
• Deixar os dedos para fora para verificação de edema, inchaço ou 
adormecimento.
• Conversar com a vítima.
• Encaminhar a vítima para o tratamento especializado.
• Não se deve massagear nem friccionar o local afetado.
• Nos casos de fraturas especiais, o socorrista deverá identificar os sinais e sintomas prováveis 
de cada uma delas.
• Na fratura de crânio, a vítima queixa-se de dores e inconsciência, e pode ocorrer parada 
respiratória e hemorragia pela narina, pela boca e pelo ouvido.
• Na fratura de coluna, a vítima refere formigamento e incapacidade de movimento dos 
membros.
• Na fratura de costela e esterno há queixas de respiração difícil e dor a cada movimento 
respiratório. Deve-se imobilizar, utilizando-se como tala o próprio corpo da vítima, e fixar o 
braço no tronco com um tecido sob a forma de tipoia.
• Na fratura de fêmur e bacia a vítima queixa-se de dor no local, de dificuldade de movimentos 
e de andar.
• Na fratura de braço, deve-se respeitar a posição na qual o braço foi encontrado. Se ele 
estiver estendido ao longo do corpo e se estiver dobrado, utiliza-se rouparia para fazer uma 
tipoia e depois outras duas amarrações acima e abaixo da lesão.
FONTE: Adaptado de Fernandes e Silva (2012).
Qualquer objeto suficientemente comprido, largo e sólido para sustentar 
a região lesionada pode servir de tala. Utilize talas prontas a usar, se as tiver à disposição, 
caso contrário pode improvisá-las com a ajuda de materiais apropriados: peças de vestuário, 
almofadas, travesseiros, cobertor enrolado, jornais, revistas, pranchas de madeira estreitas, 
ramos de árvore, cartão rígido dobrado etc. (BRUNET et al., 2014, p. 184).ATENCAO
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
176
As instruções fundamentais para a imobilização de supostas fraturas 
serão apresentadas a seguir, e diferenciadas conforme o membro/local da lesão. 
Para tanto, observe o quadro a seguir. 
QUADRO 15 – TIPOS DE LESÕES E AS INSTRUÇÕES PARA IMOBILIZAÇÃO
Tipo de lesão Instruções para imobilização
Fraturas de clavículas, 
braços e omoplata e 
lesões das articulações 
do ombro e do 
cotovelo
O braço, colocado dobrado na frente do peito, é sustentado com 
uma atadura triangular dobrada. É uma lesão que pode se relacionar 
a fraturas, e também pode ser considerada um tipo de cirurgia 
reconstrutiva drástica. 
• Um dos vértices da atadura triangular deve ser colocado sobre o 
ombro lesionado, base atingindo o cotovelo.
• O segundo vértice deve ser colocado no outro ombro.
• Faz-se um nó com os dois vértices junto ao pescoço.
• Os vértices da atadura podem ser presos com um nó ou com um 
alfinete de segurança.
Deve-se colocar duas ataduras ou faixas:
• A primeira, colocada o mais próximo possível e paralelamente ao 
braço.
• A segunda, paralelamente à primeira, porém, um pouco mais alta 
em relação a ela.
Fraturas de antebraço 
e de mão
• Colocar o antebraço sobre uma tábua, um cartão ou um jornal 
dobrado, suficientemente longos para suportar a parte do membro, 
desde a ponta dos dedos até o cotovelo, sem deixar uma sobra.
• Colocar sob a mão da pessoa acidentada um rolo de pano ou 
algodão, para se manter em posição anatômica.
• Deixar o braço e a tela sustentados por uma tipoia e duas ataduras 
ou faixas.
Tipos de lesão Instruções para imobilização
Fraturas de perna
Para que uma fratura em qualquer parte da perna possa ser 
imobilizada corretamente, o socorrista precisa de alguém que o 
ajude. É necessário o seguinte material, que deve ser preparado 
antes de se proceder à imobilização:
• Talas ou outro material adequado (tábua, pedaço de vara, papelão 
grosso, varas de bambu).
• Material de recheio (algodão, lã, tecido e outros semelhantes).
• Ataduras triangulares dobradas ou tiras largas de tecido.
Utilizam-se ripas ou varas para imobilizar supostas fraturas de 
pernas. O socorrista deve proceder da seguinte maneira:
• Colocar material de recheio em quantidades suficientes na 
face interna e externa da perna, para proteger a pele: cuidar 
especialmente das regiões próximas ao tornozelo, ao joelho e à 
extremidade superior da tala colocada na face interna da perna, a 
qual deve ser recoberta.
• Colocar uma tala ao longo da face interna da perna. Essa tala 
deve estender-se da região inguinal até a planta do pé.
• Colocar uma segunda tala ao longo da face externa da perna, 
que deve estender-se da cintura à planta do pé.
• Orientar o ajudante para que mantenha a tala e o material de 
recheio nos lugares corretos e não mova a perna da vítima.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
177
• Colocar cuidadosamente, sob a perna, tantas ataduras 
triangulares dobradas e talas quantas forem necessárias 
para imobilizar o membro. As ataduras dobradas devem 
ser colocadas por cima e por baixo da suposta fratura das 
articulações.
• Não se deve colocar ataduras no joelho, pois o edema que 
se forma imediatamente após a fratura tende a expandir. É 
contraindicada a aplicação de atadura ou bandagem, o que 
viria a comprimir excessivamente o local da fratura, agindo 
como torniquete.
• Se possível, devem ser colocadas ataduras triangulares:
- sobre a região do membro com suspeita de fraturas;
- sob a região do membro com suspeita de fraturas;
- ao redor do tornozelo, cruzando sobre a parte posterior do pé;
- na extremidade superior da parte externa da tala.
• Após colocar cada atadura para fixar as talas, amarre-as de 
modo que fiquem sobre as talas.
Fratura de coxa e quadril
As supostas fraturas de coxa devem ser imobilizadas da 
mesma maneira que as fraturas de perna. As únicas diferenças 
que devem ser observadas são as seguintes:
• O exterior da tala deve atingir desde a axila até o pé;
• As ataduras triangulares dobradas ou as faixas devem ser 
colocadas da maneira seguinte:
- sobre a suposta fratura;
- sob a suposta fratura;
- ao redor da perna;
- ao redor do tornozelo, cruzando sobre a parte posterior do pé;
- ao redor da cintura;
- sobre o extremo superior da parte da tala.
FONTE: Adaptado de Fernandes e Silva (2012)
Para facilitar o entendimento, Brunet et al. (2014) expõem um quadro para 
caracterizar os diferentes tratamentos que devem ser proporcionados consoante 
os tipos de lesões encontradas nas vítimas, veja a seguir.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
178
QUADRO 16 – OS DIVERSOS TRATAMENTOS CONSOANTE OS TIPOS DE LESÕES
Tipos de lesões
Tratamento
Nas articulações
Luxação Fratura
Ruptura Entorse
Imobilização – 
membro superior 
(MS)
Imobilização 
ou 
impedimento 
do movimento
Estabilização
Imobilização 
e vigilância 
do estado 
circulatório (sinais 
neurovasculares)
Imobilização e 
vigilância do estado 
circulatório
Imobilização – 
membro inferior 
(MI)
Não Estabilização 
Imobilização 
e vigilância 
do estado 
circulatório (sinais 
neurovasculares)
Imobilização e 
vigilância do estado 
circulatório
Compressão com 
ligadura elástica Não Sim Não Não
Elevação Sim Sim 30 a 60 cm (pernas) Sim
Repouso Sim Sim Sim Sim
Frio (15 minutos 
de hora a hora) Sim Sim Sim Sim
Cuidados 
médicos Sim Sim Sim Sim
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
Dando continuidade, veremos que os autores Brunet et al. (2014) ainda 
abordam algumas sequências de intervenções para imobilização das seguintes lesões.
QUADRO 17 – LESÕES TRAUMÁTICAS E A SEQUÊNCIA DE INTERVENÇÕES
Tipo de lesão Sequência de intervenção
Fratura exposta
• Manipule a vítima com o maior cuidado possível, a fim de evitar 
o deslocamento do osso ou a formação de uma ferida no decurso da 
imobilização.
• Bloqueie a articulação situada acima e abaixo da fratura através da 
colocação de uma tala.
Fratura do maxilar
• Mantenha as vias respiratórias abertas. Assegure-se de que a língua 
não caiu para o fundo da garganta e de que não existe qualquer 
obstrução na boca.
Se a vítima estiver consciente, sem outra lesão grave:
• Mantenha-a sentada, com a cabeça inclinada para frente a fim de 
facilitar a drenagem das secreções.
• Sustente o maxilar com um pano macio, mantida no lugar com a mão 
ou com uma ligadura apropriada, se necessário, ou peça à vítima para 
segurar o maxilar.
Se a vítima estiver inconsciente:
• Coloque-a na posição lateral de segurança e sustente sua cabeça com 
a ajuda de uma almofada improvisada.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
179
Fratura das costelas
• Não intervenha diretamente na região da lesão; peça à vítima para 
não se mexer e instale-a numa posição confortável, habitualmente 
sentada ou semissentada, para facilitar a respiração. 
Fratura da bacia
• Mantenha a vítima deitada de costas, com as pernas retas.
• Coloque sob os joelhos um travesseiro, uma almofada ou peças de 
roupas dobradas, de modo a diminuir a dor e os espasmos.
• Estabilize o corpo colocando apoios de ambos os lados.
• Volte a efetuar o exame primário e vigie os sinais do estado de 
choque hipovolêmico enquanto aguarda pela chegada dos Serviços de 
Emergência. Uma fratura da bacia pode conduzir a lesões perfurantes 
nos órgãos desta região.
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
Na sequência, serão apresentados os tipos de lesões traumáticas e as 
figuras que orientam e demonstram os procedimentos de imobilização dos 
membros lesionados.
QUADRO 18 – TIPOS DE LESÕES E AS IMAGENS DOS PROCEDIMENTOS DE IMOBILIZAÇÃO 
DOS MEMBROS
Tipo de lesão Imagem de imobilização
Lesão nos músculos, 
nas articulações e nos 
ossos
 
 
Fratura de mão ou dos 
dedos
 
Fratura de antebraço
Fratura de cotovelo
a b
a b
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
180
Tipo de lesão Imagem de imobilização
Fratura do braço
Fratura de tornozelo 
ou pé
Fratura da perna
Fratura da coxa ou 
fêmur
b d c a
FONTE: Adaptadode Brunet et al. (2014, p. 182-199)
2.1 AMPUTAÇÕES
A amputação pode ser de todo o membro ou de parte dele. Ela pode ser 
criminosa ou ser consequência de acidentes variados, como os de trabalho. A 
prevenção desse grave traumatismo está no manuseio correto das máquinas e 
das ferramentas potencialmente mutiladoras, na utilização dos equipamentos de 
proteção e na máxima cautela do trabalhador.
Qualquer parte do corpo parcial ou totalmente amputada deve ser 
preservada, seja qual for o seu estado, e conduzida ao serviço de urgência com a 
vítima. A amputação pode ser parcial ou total, como já mencionado anteriormente. 
O quadro a seguir nos mostra a sequência de intervenções nesses dois casos.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
181
QUADRO 19 – TIPOS DE AMPUTAÇÃO E A SEQUÊNCIA DE INTERVENÇÕES
Tipo de lesão Sequência de intervenção
Amputação parcial
Quando uma parte do corpo é parcialmente amputada, deve ser:
• Mantida na sua posição fisiológica, ou seja, na sua posição de 
funcionamento.
• Coberta com um penso constituído por compressas esterilizadas.
• Retida e suportada por ligaduras.
• Mantida fria por meio de um saco de gelo ou de uma compressa fria 
colocada sobre a ligadura.
Amputação total 
Quando uma parte do corpo é totalmente amputada, deve ser:
• Envolvida em gaze esterilizada seca e colocada num saco de plástico 
limpo e impermeável, que deve ser cuidadosamente selado.
• Colocada num segundo saco de plástico ou num recipiente 
parcialmente cheio de gelo triturado, de água fria ou contendo uma 
bolsa refrigerante.
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
As medidas de socorro, segundo Fernandes e Silva (2012, p. 136), são:
• Estancar a hemorragia.
• Realizar a compressão no local quando possível.
• Recolher o membro amputado e acondicioná-lo adequadamente em 
um pano seco (gases estéreis ou ataduras), depois colocá-lo em saco 
plástico para que possa ser reimplantado.
• Buscar ajuda médica.
3 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS MÚSCULOS
A ruptura muscular, por vezes denominada ‘distensão muscular’, 
resulta de uma distensão das fibras musculares ou dos tendões, que 
servem de ligação entre o osso e o músculo. Muitas vezes, as rupturas 
acontecem na sequência do levantamento de um objeto demasiado 
pesado ou durante a execução de movimentos bruscos e incorretos 
(BRUNET et al., 2014, p. 176).
“Pode acontecer de as fibras musculares serem esmagadas na sequência 
de um choque violento. A gravidade da lesão depende do tipo e dos danos 
produzidos no músculo ou no tendão” (BRUNET et al., 2014, p. 176). Os mesmos 
autores afirmam que as rupturas mais frequentes são as dos músculos do pescoço, 
das costas, das partes anterior e posterior da coxa ou da parte posterior da perna. 
De acordo com Brunet et al. (2014, p. 177), os sinais e os sintomas das 
lesões musculares são: “Edema (inchaço): presente, músculo muito duro; 
Movimentos funcionais: mais ou menos difíceis devido aos espasmos e à fraqueza 
muscular; Dor: presente, por vezes acompanhada de cãibras”. Segundo Brasil 
(2003), as lesões contusas podem ser tratadas de maneira simples, desde que não 
apresentem gravidade.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
182
• Aplicar bolsa de gelo ou compressa de água gelada por 15 minutos de forma 
intermitente nas primeiras 24 horas e repouso da parte lesada é suficiente.
• Se persistirem sintomas de dor, edema, hiperemia, pode-se aplicar compressas 
de calor úmido.
• Deve ser procurado auxílio especializado. As contusões simples, de um modo 
geral, não apresentam complicações, nem necessitam de cuidados especiais. 
Todavia, deve-se ficar alerta para contusões abdominais, mesmo que não 
apresentem nenhum sintoma ou sinal, pois poderá ter havido complicações 
internas mais graves.
4 LESÕES TRAUMÁTICAS NAS ARTICULAÇÕES
Nesta categoria, geralmente estão inclusas as entorses e luxações. Na 
sequência tomaremos conhecimento sobre estas lesões e saberemos identificar os 
principais sintomas e sinais.
4.1 AS ENTORSES
Uma entorse é uma “lesão traumática de uma articulação resultante da sua 
distorção brusca com alongamento (distensão), uma contusão ou arrancamento 
dos ligamentos, mas sem deslocamento permanente das superfícies articulares” 
(GARNIER; DELAMARE, 2010 apud BRUNET et al., 2014, p. 177). Segundo o 
Manual de Primeiro Socorros da Fiocruz, as entorses e luxações:
São lesões dos ligamentos das articulações, onde estes esticam além 
de sua amplitude normal, rompendo-se. Quando ocorre entorse há 
uma distensão dos ligamentos, mas não há o deslocamento completo 
dos ossos da articulação. As formas graves produzem perda da 
estabilidade da articulação às vezes acompanhada por luxação. As 
causas mais frequentes da entorse são violências como puxões ou 
rotações, que forçam a articulação. No ambiente de trabalho a entorse 
pode ocorrer em qualquer ramo de atividade (BRASIL, 2003, p. 153).
“A entorse ocorre na sequência de um movimento executado 
incorretamente ou exagerado que produz uma distensão, uma contusão ou, até 
mesmo, um rompimento dos ligamentos” (BRUNET et al., 2014, p. 177). “Os 
locais mais frequentes de entorses são as regiões cervical e dorso lombar e as 
articulações do punho, dos dedos, do joelho e do tornozelo. As entorses dos 
tornozelos representam a lesão mais frequente no continente norte-americano” 
(BRUNET et al., 2014, p. 177). Os sinais e sintomas da entorse são:
• Coloração da pele: vermelha ou azulada.
• Edema (inchaço): presente, muitas vezes com equimose.
• Movimentos funcionais: quase ou totalmente ausentes.
• Dor: aumenta com o movimento ou ao simples toque.
• Temperatura da pele: quente.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
183
As medidas de primeiros socorros englobam:
• Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas. Após este 
tempo, aplicar compressas mornas.
• Imobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição 
que for mais cômoda para o acidentado (BRASIL, 2003).
IMPORTANT
E
Antes de enfaixar uma entorse ou distensão, aplicar bolsa de gelo 
ou compressa de água gelada na região afetada para diminuir o 
edema e a dor. Caso haja ferida no local da entorse, agir conforme 
indicado no item referente a ferimentos; cobrir com curativo seco e 
limpo, antes de imobilizar e enfaixar. Ao enfaixar qualquer membro 
ou região afetada, deve ser deixada uma parte ou extremidade à 
mostra para observação da normalidade circulatória. As bandagens 
devem ser aplicadas com firmeza, mas sem apertar, para prevenir 
insuficiência circulatória (BRASIL, 2003, p. 154).
4.2 AS LUXAÇÕES
Uma luxação é o “deslocamento permanente de duas superfícies 
articulares que perdem completamente o contato normal que mantinham entre 
si” (GARNIER; DELAMARE, 2010 apud BRUNET et al., 2014, p. 177).
A luxação é frequentemente o resultado de uma torção excessiva da 
articulação e a consequência de uma força direta ou indireta causada por 
uma queda. As articulações mais vulneráveis às luxações são as do ombro, 
do cotovelo, do polegar, dos dedos e do joelho. Por vezes, a contração 
súbita de um músculo causa uma luxação, por exemplo, a luxação do 
maxilar inferior durante um bocejo (BRUNET et al., 2014, p. 178).
Os sinais e sintomas da luxação, segundo Brunet et al. (2014, p. 178), são:
• Edema (inchaço): presente.
• Movimentos funcionais: por vezes ausentes, outras parciais.
• Dor: viva e persistente, ou sensação de compressão intensificada 
com qualquer tentativa de movimento.
• Deformação: presente.
• Encurtamento relativamente ao membro intacto: presença mais ou 
menos acentuada consoante a gravidade.
O tratamento de uma luxação (redução) é atividade exclusiva de 
pessoal especializado em atendimento a emergências traumato-
ortopédicas. Os primeiros socorros limitam-se à aplicação de bolsa 
de gelo ou compressas frias no local afetado e à imobilização da 
articulação, preparando o acidentado para o transporte.
[...]
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
184
A imobilização e o enfaixamentodas partes afetadas por luxação 
devem ser feitos da mesma forma que se faz para os casos de entorse. 
A manipulação das articulações deve ser feita com extremo cuidado e 
delicadeza, levando-se em consideração, inclusive, a dor intensa que o 
acidentado estará sentindo (BRASIL, 2003, p. 155). 
E que, nos casos de luxações recidivantes:
O próprio acidentado, por vezes, já sabe como reduzir a luxação. Neste 
caso, o socorrista deverá auxiliá-lo. O acidentado deverá ser mantido 
em repouso, na posição que lhe for mais confortável até a chegada 
de socorro especializado ou até que possa ser realizado o transporte 
adequado para atendimento médico (BRASIL, 2003, p. 155).
5 LESÕES TRAUMÁTICAS NOS OLHOS
“A visão é um dos sentidos mais importantes para a maioria das pessoas. 
Nas vítimas de uma lesão ocular, a integridade e a qualidade da visão podem ser 
gravemente ameaçadas” (BRUNET et al., 2014, p. 196).
Por exemplo, uma lesão ocular grave pode levar à cegueira e causar 
uma ansiedade extrema na vítima. Deste modo, o interveniente em 
primeiros socorros ou socorrista deve avaliar adequadamente a vítima 
e agir de forma apropriada e rápida, contribuindo assim para diminuir 
a sua ansiedade (BRUNET et al., 2014, p. 196).
Brunet et al. (2014) citam como os tipos de lesões oculares as seguintes:
• Corpos estranhos depositados: são inofensivos quando se trata de poeiras 
depositadas sobre a córnea, sob as pálpebras ou nos cantos do olho. Na presença 
destes se observa um lacrimejo. Quando é visível e móvel, é possível removê-lo.
• Corpos estranhos cravados: infelizmente, por vezes, acontece que corpos 
estranhos, como fragmentos de metal, de madeira, de vidro etc., mais ou 
menos grossos, são introduzidos em maior e menor profundidade no globo 
ocular. O sinal mais conclusivo é, evidentemente, a presença do próprio corpo 
estranho no olho. O socorrista não deverá, em hipótese alguma, removê-lo. É 
necessário providenciar o transporte para este tipo de vítima numa ambulância 
dos Serviços de Emergência.
• Contusões no olho: resultam de uma pancada direta infligida por um objeto 
que pisa o olho sem provocar feridas. A equimose nem sempre surge de 
imediato, mas pode haver efusão sanguínea no olho (hifema) e danos na sua 
parte interna. A vítima com este tipo de lesão deverá ser transportada para o 
hospital/centro de saúde com a cabeça imobilizada. 
• As lacerações no olho: as lacerações, as esfoladelas e as escoriações nas 
pálpebras ou no olho podem causar lesões oculares, por vezes acompanhadas 
por hemorragia abundante ou escoamento do líquido do globo ocular. Este 
tipo de feridas é frequentemente causado por um choque direto, por óculos 
partidos ou por diversos objetos em movimento, por exemplo, os estilhaços 
projetados de uma explosão. Na presença deste gênero de traumatismos, deve-
se considerar sempre a presença de corpos estranhos no olho. É necessário, 
portanto, providenciar o transporte da vítima pelos Serviços de Emergência.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
185
• As queimaduras no olho: as queimaduras oculares podem ser térmicas, 
químicas ou resultantes de uma radiação luminosa intensa. É sempre necessário 
encaminhar a vítima para um hospital/centro de saúde.
Segundo o Manual do SENAI (2014), em ferimentos nos olhos produzidos 
por corpos estranhos, queimaduras por luz excessiva, calor ou produtos químicos, 
lacerações ou contusões é preciso observar os cuidados relacionados a seguir:
• Irrigar o olho com soro fisiológico durante vários minutos se for o 
caso de lesão por agentes químicos ou corpos estranhos.
• Não utilizar medicamentos tópicos (colírios ou anestésicos) sem 
avaliação do oftalmologista.
• Não remover objetos, estabilizá-los com curativo sem pressionar os 
olhos.
• Ocluir os dois olhos, com gaze umedecida, mesmo em lesões de 
apenas um olho. Essa conduta reduz a movimentação ocular e o 
agravamento da lesão.
• Em caso de o globo ocular sair, não tentar recolocá-lo.
• Efetuar a oclusão dos dois olhos.
Um traumatismo no olho, por mais insignificante que possa ser, pode causar 
muita ansiedade na vítima; o socorrista deverá, portanto, tranquilizá-la. Deverá 
explicar-lhe bem o que se passa e manter um contato verbal constante, mas também 
um contato não verbal, como segurar-lhe a mão, para tranquilizá-la ainda mais.
No caso dos primeiros socorros em caso de lesões oculares, segundo 
Brunet et al. (2014), as sequências de intervenção devem ser executadas 
independentemente do tipo de lesão. Veja o quadro a seguir, que apresenta a 
sequência de intervenção para os diferentes casos de lesões oculares.
QUADRO 20 – OS TIPOS DE LESÕES E AS SEQUÊNCIAS DE INTERVENÇÕES
Tipo de lesão Sequência de intervenção
Geral, em caso de lesão 
ocular
• Impeça a vítima de esfregar ou tocar no olho afetado, pois isso 
poderá agravar a situação.
• Tranquilize-a, conversando com ela e explicando-lhe as intervenções 
realizadas.
• Deite-a e recomende-lhe que mantenha a cabeça imóvel e evite 
mexer os olhos.
• Providencie o seu transporte para o hospital; a maioria das lesões 
oculares exige que a vítima seja transportada pelos Serviços de 
Emergência.
Em caso de corpo 
estranho depositado no 
olho
• Deixe atuar o mecanismo de lacrimejo natural durante alguns 
segundos e peça à vítima para rodar o olho, olhando lentamente 
da direita para a esquerda e de cima para baixo, para que consiga 
examinar corretamente todas as partes do olho.
• Faça um exame minucioso do olho de modo a determinar o local 
onde se encontra o corpo estranho.
• Segure-lhe no queixo com uma das mãos e, com o polegar e o 
indicador da outra mão, afaste as pálpebras do olho atingido ou utilize 
os polegares para puxar as pálpebras inferiores para baixo. 
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
186
Tipo de lesão Sequência de intervenção
Em caso de corpo 
estranho cravado no 
olho
• Os primeiros socorros têm por objetivo prevenir qualquer lesão 
permanente no olho atingido. Não se deve exercer pressão sobre 
o corpo estranho, pois poderá perfurar o globo ocular. Nesse caso, 
haveria o risco de o olho se esvaziar do seu conteúdo líquido (humor 
vítreo), conduzindo à perda de visão.
• Coloque compressas de gaze molhadas, com orifícios ao centro ou 
dobradas em duas à volta do corpo estranho, para evitar que o olho 
seque. Evitar exercer a mínima pressão sobre o corpo estranho ou o 
globo ocular.
• Cubra o corpo estranho cravado com um cone ou um copo de papel, 
ou envolva-o com pensos sobrepostos, para impedir que se enterre 
mais profundamente no olho. Veja na figura.
• Assegure-se de que a vítima fique deitada de costas e com a cabeça 
bem estabilizada por apoios colocados de ambos os lados, a fim de 
ser transportada pelos Serviços de Emergência.
Em caso de contusão 
no olho
• Instale confortavelmente a vítima em posição semissentada, de modo 
a reduzir o sangramento ou a pressão intraocular.
• Tape o olho atingido com um tampão ocular ou compressas limpas 
de modo a evitar qualquer pressão sobre o olho.
• Fixe a ligadura de apoio (concha ocular).
• Chame imediatamente os Serviços de Emergência.
Em caso de laceração 
no olho
• Feche a pálpebra e incline ligeiramente a cabeça da vítima para o 
lado do sangramento.
• Tape o olho com um tampão ocular ou com compressas, idealmente 
esterilizadas, sem exercer compressão local e tape também o olho 
intacto.
• Fixe o penso com uma ligadura de apoio ou uma concha de plástico.
Se o olho tiver saído da órbita:
• Faça deitar a vítima. Não toque no olho.
• Coloque delicadamente compressas molhadas sobre o olho, 
tapando-o completamente. Proteja-o em seguida com um cone.
• Faça transportar a vítima em posição deitada, com a cabeça 
imobilizada, para receber tratamento hospitalar, evitando os choques 
e os movimentos bruscos. Se necessário, recorra aos Serviços de 
Emergência.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
187
Tipo de lesão Sequência de intervenção
Em caso de queimadura 
química nos olhos
• Identifique bemo produto em causa. Consulte o Centro de 
Informação Antivenenos de sua área e siga rigorosamente as instruções 
dadas pelos médicos e enfermeiros.
• Se a vítima usar lentes de contato, retire-as imediatamente. Se forem 
difíceis de retirar, deixe-as ficar, a fim de não danificar a córnea.
• Se as queimaduras forem causadas por produto químico em pó ou 
grânulos: limpe primeiro o produto a seco, usando luvas descartáveis; 
irrigue imediatamente os olhos com água corrente fria, ou melhor, 
com ducha lava-olhos, como as existentes na maioria das empresas 
que trabalham com produtos químicos; se necessário, auxilie a vítima 
a manter as pálpebras afastadas, pois muitas vezes a dor impede a 
abertura dos olhos; antes de terminar a irrigação ocular, não se esqueça 
de falar com um socorrista do Centro de Informação Antivenenos; e tape 
o(s) olho(s) com uma compressa de gaze depois de terminada a irrigação.
Em caso de queimadura 
térmica nos olhos
• Reconstitua as circunstâncias do acidente para determinar a 
possibilidade da existência de um corpo estranho nos olhos.
• Enxágue abundantemente os olhos com água fria, até que a dor 
diminua ou, se isso não for possível, coloque compressas úmidas frias 
sobre os olhos. Evite esfregá-los.
Em caso de queimadura 
por radiação intensa 
nos olhos
• Tape imediatamente os dois olhos com compressas de gaze 
esterilizadas (se possível), úmidas e espessas, para impedir a passagem 
de luz.
• Fixe as compressas com uma ligadura de gaze.
• Se a queimadura for causada por raio laser: para o transporte da 
vítima, estabilize a cabeça, colocando apoio de ambos os lados, e evite 
os choques e os movimentos bruscos; e forneça à equipe médica as 
seguintes informações: características do aparelho de laser utilizado 
e distância que separava a vítima do mesmo.
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
Os ferimentos externos e internos podem ou não ser acompanhados de 
hemorragias. Em caso de contato com sangue e secreções, é preciso proteger-se para evitar 
possível contaminação com vírus, como os da hepatite B e do HIV, e bactérias patogênicas 
(SENAI, 2014).
DICAS
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
188
6 LESÕES TRAUMÁTICAS NA CABEÇA E NA COLUNA 
VERTEBRAL
Inúmeros acidentes desportivos, de trabalho e rodoviários são 
suscetíveis de causar lesões no cérebro e na coluna dorsal. Esses 
ferimentos podem causar traumatismos ligeiros a graves e ter como 
consequência efeitos reversíveis ou irreversíveis, dependendo de sua 
natureza. [...]
As lesões na cabeça devem ser sempre consideradas graves. Mesmo 
que, habitualmente, as vítimas sobrevivam a este tipo de ferimentos, 
algumas poderão, mais tarde, sofrer sequelas físicas e mentais, tais 
como paralisia, dificuldades de elocução e problemas de memória 
ou comportamentais. Estas lesões exigem uma observação minuciosa 
do estado da vítima e requerem a rápida intervenção dos Serviços de 
Emergência Pré-hospitalar (BRUNET et al., 2014, p. 196).
6.1 LESÕES NA CABEÇA
Segundo Brunet et al. (2014, p. 162), existem quatro tipos de lesões na 
cabeça, cujos sinais e sintomas variam consoante o seu tipo e gravidade:
• Lacerações do couro cabeludo.
• Comoção cerebral.
• Compressão cerebral.
• Fratura craniana.
Os sinais e sintomas de uma laceração no couro cabeludo são:
• Ferida no couro cabeludo que se abre facilmente e pode permanecer 
aberta, podendo, por vezes, haver deslocamento e levantamento do 
couro cabeludo.
• Dor de cabeça.
• Sangramento, muitas vezes abundante, pois o couro cabeludo é 
muito vascularizado e frágil (pode produzir-se rapidamente uma 
hemorragia grave e provocar estado de choque) (BRUNET et al., 2014, 
p. 163).
Os sinais e sintomas de uma comoção cerebral, a compressão cerebral e a 
fratura craniana são:
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
189
QUADRO 21 - TIPO DE LESÃO CEREBRAL E OS SINAIS E SINTOMAS
Lesão 
Cerebral Sinais e sintomas
Comoção 
cerebral
• Perda de memória passageira relativamente às circunstâncias do acidente.
• Tonturas, vertigens, perturbações do equilíbrio.
• Dores de cabeça e zumbidos nos ouvidos.
• Repetição de perguntas sobre o que se passou.
No caso de agravamento da comoção cerebral:
• Incapacidade de responder às questões colocadas ou de obedecer 
corretamente às ordens.
• Alterações do comportamento: violência verbal, agitação, agressividade.
• Sonolência.
• Estado de semiconsciência ou de inconsciência intermitente com a duração 
de alguns minutos.
• Estado de inconsciência progressivo que se pode prolongar por um longo 
período.
• Náuseas e vômitos, por vezes em jato, que se manifestam quando a vítima 
readquire a consciência.
• Pele fria e úmida.
• Palidez no rosto.
• Pulsação fraca e rápida.
Compressão 
cerebral
• Confusão, discurso incoerente.
• Vômitos em jato, em especial no adulto.
• Variação do estado de consciência, que vai de uma tendência crescente 
para adormecer cada vez mais profundamente até ao estado de inconsciência 
profunda.
• Sobressaltos ou espasticidade dos membros.
• Pupilas com espessura desigual ao serem examinadas com o auxílio de 
uma luz.
• Respiração irregular e ruidosa e, por vezes, paragem respiratória.
• Pulsação lenta, que habitualmente assinala uma hemorragia intracraniana.
• Subida ou diminuição da temperatura corporal.
• Rosto azulado ou avermelhado.
• Redução da motricidade e sensibilidade e, por vezes, paralisia total ou de 
um lado do corpo.
Fratura 
craniana
• Pupilas desiguais e possível estado de inconsciência.
• Edema, ferida ou contusão no couro cabeludo, no rosto ou nos maxilares.
• Dor intensa ou forte pressão na cabeça.
• Afundamento ou deformação do osso.
No caso de fratura na base do crânio, a vítima apresenta:
• Escoamento de sangue ou de líquido cefalorraquidiano (ou dos dois em 
simultâneo) pelo ouvido ou pelo nariz.
• Coloração anormal e azulada da pele debaixo dos olhos e atrás das orelhas.
No caso de fratura perto da órbita, verificamos os seguintes sinais:
• Olho injetado de sangue.
• Respiração rápida, difícil, com excesso de saliva, por vezes sanguinolenta 
(o reflexo da tosse pode estar ausente e a vítima pode sufocar com suas 
secreções).
• Náuseas e vômitos em jato.
• Dificuldade em falar.
FONTE: Adaptado de Brunet et al. (2014)
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
190
IMPORTANT
E
uma lesão na cabeça é considerada grave até prova em contrário. Em caso de 
comoção cerebral sem outra lesão associada, não é preciso manter a vítima acordada, mas 
é preciso vigiar o seu estado de perto durante as primeiras 24 horas. O aumento progressivo 
da sonolência é um sinal do agravamento do estado, podendo indicar o desenvolvimento de 
uma compressão cerebral (BRUNET et al., 2014).
Os primeiros socorros em caso de comoção cerebral, a compressão 
cerebral e a fratura craniana precisam levar em consideração que o socorrista 
deverá seguir determinados passos se julgar que a vítima pode sofrer de um 
traumatismo craniano.
Se houver suspeita de lesão na cabeça:
• Garanta a segurança do local.
• Chame o Serviço de Atendimento de Emergência.
• Mantenha a vítima na posição em que a encontrou. Se a cabeça estiver desviada 
do seu eixo, não mexa nela, exceto se for necessário recorrer à reanimação 
cardiorrespiratória (RCR) e se estiver apto a realizar esta intervenção.
• Se a vítima estiver consciente, aproxime-se dela de frente, para que o veja sem 
ter de voltar a cabeça.
• Mantendo a vítima na mesma posição, estabilize-lhe a cabeça e o pescoço para 
evitar qualquer movimento, colocando as mãos e os joelhos de cada lado da 
cabeça. Na presença de sangue, é necessário usar luvas descartáveis.
• Em seguida, estabilize a cabeça e o pescoço com objetos que estejam à disposição, 
como sacos de areia, mochilas escolares ou qualquer objeto similar.
• As intervenções seguintes são as mesmas da sequência de intervenção para 
uma lesão na coluna vertebral, explicada no próximo item.
Segundo o Manual da Fiocruz, os cuidados com vítimas de ferimento na 
cabeça são:
• Deitar o acidentado de costas (emcaso de inconsciência ou 
inquietação).
• Afrouxar as roupas do acidentado.
• Colocar compressa ou pano limpo sobre o ferimento (em caso de 
hemorragia).
• Prender a compressa com esparadrapo ou tira de pano (BRASIL, 
2003, p. 115).
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
191
6.2 LESÕES NA COLUNA VERTEBRAL
“As diferentes lesões que podem ocorrer a nível da coluna vertebral são as 
fraturas, os deslocamentos dos discos intervertebrais (luxações) e as entorses. Se o 
socorrista tiver dúvidas quanto à natureza da lesão, deverá intervir sempre como 
se se tratasse de uma fratura” (BRUNET et al., 2014, p. 167).
O Manual da Fiocruz especifica que na avaliação da vítima se deve 
perguntar ao acidentado se sente dor na coluna dorsal e correr a mão pela espinha 
do acidentado desde a nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar lesão da 
coluna dorsal (BRASIL, 2003).
“A coluna vertebral constitui um canal dentro do qual passa a medula espinhal, 
que assegura a transmissão do influxo nervoso entre o cérebro e as diferentes partes 
do corpo e controla inúmeras funções do organismo” (BRUNET et al., 2014, p. 167).
Brunet et al. (2014, p. 168) ainda citam que “as duas regiões mais 
vulneráveis da coluna vertebral são a cervical e a lombar. É, portanto, nestas 
regiões que ocorre a maioria das lesões”.
São diversas as situações que podem conduzir a uma lesão na coluna 
vertebral. Um choque direto ou indireto força a coluna a curvar-se para além dos 
seus limites anteriores ou posteriores. Brunet et al. (2014) descrevem algumas 
situações que podem causar uma lesão na coluna vertebral:
• Mergulhos em que a cabeça bate no fundo de uma piscina ou de um lago e 
acidentes de mergulho.
• Acidentes rodoviários em que uma paragem brusca ou uma desaceleração 
violenta provoca a flexão da cabeça seguida de hipertensão violenta para trás, 
torções repentinas da coluna ou a ejeção da vítima para fora do veículo.
• Quedas em que a vítima cai pesadamente sobre os pés, sobre as costas ou em 
posição sentada.
• Pancadas violentas na cabeça, no pescoço ou nas costas desferidas com objetos 
pesados.
• Lesões resultantes de pancadas ou de agressões violentas ou ferimentos 
causados por armas de fogo na cabeça, no pescoço, nos ombros, no tórax e no 
abdômen.
Na sequência, veremos os sinais e sintomas que identificam as lesões na 
coluna vertebral, conforme Brunet et al. (2014).
• Edema (inchaço): presente ao longo da coluna.
• Dor: pode ser viva, como se a vítima estivesse a ser cortada em duas, ou estar 
completamente ausente.
• Deformação: possível.
• Feridas associadas: pisaduras (feridas simples) ou feridas complexas (como 
um osso exposto ao longo da coluna vertebral).
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
192
Existem outros elementos que podem sugerir a existência de uma lesão na 
coluna vertebral, que são:
Pode ocorrer perda parcial ou total da motricidade e da sensibilidade 
dos membros inferiores se o traumatismo for na região lombar, e dos 
membros superiores e inferiores se a lesão for a nível cervical.
Estado de choque neurológico.
Em caso de atingimento da medula espinhal na sequência de um 
traumatismo da região cervical, ao nível do bulbo raquidiano, os 
movimentos torácicos da respiração podem ser difíceis. Neste caso, 
apenas o diafragma assegura a respiração. Os outros músculos do 
tórax encontram-se paralisados. [...]
Os primeiros socorros em caso de lesões na coluna vertebral têm por 
objetivo prevenir o seu agravamento (que pode ir até a paralisia) através 
da imobilização da vítima. O socorrista só pode deslocar a vítima se a 
vida desta estiver em perigo, como no caso de um incêndio, de perigo 
iminente de derrocada ou aluimento de terras ou na presença de um 
gás tóxico (BRUNET et al., 2014, p. 169).
Brunet et al. (2014, p. 169) relatam que em caso de suspeita de fratura 
craniana:
Além da lesão na coluna vertebral, é preferível elevar-lhe a cabeça num 
ângulo de 30°, depois de imobilizada, sobre uma maca ou prancha 
dorsal. A inclinação da maca ou prancha tem como objetivo diminuir 
a pressão intracraniana durante o transporte da vítima para o hospital 
mais próximo. [...]
Se suspeitar de fratura a nível cervical, o socorrista pode utilizar um 
colar cervical para estabilizar a vítima. É importante salientar que 
apenas os socorristas especializados podem imobilizar a cabeça com 
um colar cervical.
A sequência de intervenções necessárias em caso de lesão na coluna 
vertebral, conforme Brunet et al. (2014, p. 169), é:
• Garanta a segurança do local.
• Chame o Serviço Móvel de Urgência (102).
• Não desloque nem mexa a vítima, exceto se a sua vida estiver em 
risco.
Se a vítima estiver inconsciente:
• Interrogue as testemunhas sobre as circunstâncias do acidente, que 
podem levar a supor uma lesão na coluna vertebral (por exemplo, uma 
pessoa encontrada no chão junto do banco).
• Anote a hora, a duração e a frequência dos estados de inconsciência.
• Fale continuamente com a vítima mesmo que ela esteja inconsciente. 
Ela poderá conseguir ouvir, uma vez que a audição é o último sentido 
a ser afetado.
• Se a vítima vomitar, coloque luvas de vinil descartáveis e coloque-a 
em posição lateral de segurança, assegurando-se de que virará 
simultaneamente a cabeça e o corpo, se possível com a ajuda de outros 
socorristas.
• Observe se existe líquido a sair pelos ouvidos ou pelo nariz. Em 
caso afirmativo, não tente parar o escoamento. Cubra ligeiramente o 
ouvido ou o nariz com uma compressa esterilizada para prevenir uma 
infecção.
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
193
• Observe a respiração da vítima: é ruidosa por causa das secreções 
acumuladas na boca ou de um traumatismo cerebral? É rápida ou 
superficial? Retire da boca qualquer objeto causador de obstrução, 
incluindo dentes partidos ou próteses dentárias se estiverem a 
perturbar a respiração.
• Se houver parada respiratória, proceda a respiração artificial 
abrindo as vias respiratórias através do traço maxilar, sem inclinação 
da cabeça, se conhecer esta técnica específica.
• Observe também os sinais de circulação sanguínea, a reação à dor, 
qualquer subida da temperatura e qualquer alteração do estado 
neurológico.
• Não deixe a vítima sozinha.
• Tape-a para evitar o estado de choque e a perda de calor. Nunca 
lhe eleve as pernas. Esta manobra aumentará a pressão sanguínea na 
cabeça e provocará complicações em caso de hemorragia cerebral, de 
compressão cerebral e fratura craniana.
• Enquanto aguarda pelos Serviços de Emergência, vigie 
constantemente o estado da vítima. Volte a efetuar o exame primário 
e verifique regularmente o seu estado de consciência, continuando a 
falar sempre com ela.
• Se a vítima estiver consciente:
• Insista na importância de permanecer imóvel, para não agravar o 
seu estado.
• Proceda a um exame neurológico. Este exame é um bom indicador 
do funcionamento cerebral, uma vez que este pode ser afetado em caso 
de traumatismo na coluna vertebral. Verifique se a vítima apresenta 
entorpecimento, formigamento ou perda de sensibilidade ou de 
atividade muscular nas extremidades. Na sequência de uma ruptura 
da medula espinhal, a vítima poderá ter dificuldade ou ser incapaz 
de executar movimentos. Peça à vítima para mexer levemente os 
dedos das mãos e dos pés e toque neles para ver se ela sente. Em caso 
afirmativo, peça-lhe para apertar ligeiramente a sua mão. Verifique 
igualmente a orientação T-E-P (tempo, espaço, pessoas) e a dimensão 
das pupilas. A escala de coma de Glasgow pode fazer igualmente 
parte da avaliação neurológica do socorrista.
Se a vítima estiver usando capacete:
• Não tire o capacete se ela estiver respirando. Levante apenas a 
viseira. Se existir uma amarração no queixo, desaperte-a, retirar um 
capacete é uma manobra delicada. Quando um motociclista tem um 
acidente, apenas um socorrista com formação especializada poderá 
tirar-lhe o capacete, caso contrário este deve ser mantido na cabeça. Se 
a vítima não respirar e o socorrista tivera formação necessária, pode 
tirar-lhe o capacete para efetuar as manobras de RCR. Caso não tenha 
formação especializada para retirar o capacete, limitar-se-á a fazer 
compressões torácicas.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
194
O deslocamento de vítimas com lesões na cabeça e na coluna 
vertebral requer um treino especial. Recorra sempre aos Serviços 
de Emergência para realização desta manobra. Existem, todavia, 
situações específicas (acidentes em piscinas, em pista de esqui 
etc.) em que os socorristas têm de proceder à evacuação da 
vítima. Porém, terão de ter formação especializada para deslocar 
a vítima de forma segura, utilizando material especializado para a 
realização dessas manobras (BRUNET et al., 2014, p. 171).
DICAS
7 LESÃO TRAUMÁTICA NO TÓRAX
Os traumatismos torácicos são provocados, segundo o Manual da Fiocruz:
Em sua maior frequência, por acidentes de trânsito e acidentes industriais. 
A gravidade dos traumatismos torácicos é diretamente proporcional 
aos tipos de lesões associadas, que podem levar à morte ou dificultar 
o diagnóstico preciso da lesão traumática e, consequentemente, o 
tratamento adequado para o caso (BRASIL, 2003, p. 116).
“Um atendimento precipitado, ou conduzido sem a correção técnica 
adequada pode levar à morte, quando, em vez disso, medidas terapêuticas 
com bases seguras seriam capazes de resguardar a vida e evitar complicações” 
(BRASIL, 2003, p. 116).
Segundo o Manual de Primeiros Socorros da Fiocruz:
Um traumatizado de tórax poderá chegar até o socorro especializado 
em condições clínicas consideradas boas, se for atendido corretamente, 
ou evoluir rapidamente para a morte, muitas vezes por pequenos 
enganos que jamais serão descobertos. O acidentado deverá ser 
sempre considerado em estado grave, mesmo que não apresente sinais 
clínicos aparentes. É prudente recomendar que se dedique à vítima 
de traumatismo torácico a máxima atenção possível, sob observação 
permanente e bem orientada, até que se possa entregá-lo ao socorro 
médico especializado (BRASIL, 2003, p. 116).
Este mesmo manual aborda que:
Nos traumatismos fechados de tórax, ou contusões torácicas, não 
há solução de continuidade da pele. Nos traumatismos abertos ou 
ferimentos torácicos, podem surgir complicações maiores. Eles são 
chamados de penetrantes quando atingem a pleura, o pericárdio ou o 
mediastino. De acordo com a localização do ferimento ele poderá ser 
chamado de torácico, cérvico-torácico e tóraco-abdominal. [...]
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
195
As lesões anatômicas da caixa torácica e dos órgãos localizados em 
seu interior levam a alterações respiratórias e metabólicas acentuadas. 
A idade do acidentado ou a existência de processos patológicos 
cardiopulmonares anteriores são, muitas vezes, responsáveis 
pelo agravamento dessas alterações. Podem ocorrer hipoxemia e 
hipercapnia que, dadas certas condições de choque, chegam a levar ao 
sofrimento do encéfalo e coração (BRASIL, 2003, p. 116).
Condições precárias de atendimento ou desorientação na condução 
adotada durante os primeiros socorros aumentam os riscos dos traumatismos e 
suas complicações, podendo favorecer sequelas. A seguinte conduta básica deve 
ser observada, enquanto providencia-se para que o socorro especializado seja 
chamado com a maior urgência: 
• É preciso ter cautela, estar calmo e agir com rapidez.
• O acidentado consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o 
lado ferido, na posição lateral de segurança.
• Aplica-se curativo de gaze ou compressa de pano, desde que esteja 
limpo.
• Com este curativo, procura-se vedar totalmente a abertura do 
ferimento para impedir a entrada de ar.
• O curativo deverá ser preso e fixo firmemente com o cinto ou faixa 
de pano em torno do tórax, sem apertar.
• O acidentado deve ser encaminhado com urgência para atendimento 
especializado (BRASIL, 2003, p. 117).
8 LESÃO TRAUMÁTICA DE ABDÔMEN
Segundo o Manual da Fiocruz, mais de 60% dos traumatismos abdominais 
são causados por acidentes automobilísticos, mas podem ocorrer em ambientes 
de trabalho devido a pancadas de objetos pesados ou quedas violentas amparadas 
pelo choque do abdômen contra alguma superfície dura. 
Os traumatismos abdominais são classificados em abertos ou fechados. 
Os traumatismos fechados ou contusões caracterizam-se pela atuação 
do agente traumático sobre a parede abdominal, sem provocar solução 
de continuidade da pele. Estes traumatismos, no entanto, podem 
apresentar lesões viscerais graves. Os traumatismos abdominais com 
lesão visceral evoluem para a síndrome de perfuração, resultante de 
lesão da víscera oca; e para a síndrome hemorrágica quando provocam 
ruptura de víscera maciça ou de vaso sanguíneo (BRASIL, 2003, p. 117).
Ainda, a Fiocruz, através de seu Manual de Primeiros Socorros (BRASIL, 
2003, p. 117), ensina que: 
As vítimas de ferimentos abdominais correm sério risco de entrar 
em estado de choque, devendo ser encaminhadas para assistência 
qualificada com urgência, pois é considerada como emergência. 
Qualquer que seja a causa, o agente traumático atua por percussão 
ou pressão, resultando sempre em lesões parietais, importantes 
para a identificação de lesão visceral. A parede pode ser atingida 
perpendicularmente ou tangencialmente. No primeiro caso, deve-se 
considerar sempre a possibilidade de lesão visceral.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
196
“Os traumatismos abertos ou feridas podem ocorrer de forma simples, 
como um ferimento qualquer, ou de forma mais grave, quando ocorre ruptura de 
músculos e da parede abdominal em grande extensão, suficiente para provocar 
uma evisceração” (BRASIL, 2003, p. 118). Nos casos de evisceração não devemos, 
de forma alguma, tocar nas vísceras, nem tentar colocá-las de volta, para dentro 
da cavidade abdominal.
A primeira coisa a ser feita é providenciar para que seja encontrado socorro 
médico ou remoção especializada o mais rápido possível. Em seguida, colocar 
o acidentado em local confortável, em decúbito dorsal, colocando uma manta 
ou cobertor enrolado sob seus joelhos, para diminuir a pressão sobre o ventre e 
impedir o afastamento muscular (BRASIL, 2003). Observe a figura a seguir. 
FIGURA 58 – POSIÇÃO DO ACIDENTADO
FONTE: Brasil (2003)
O Manual da Fiocruz (BRASIL, 2003, p. 118) ainda determina que:
O ferimento deverá então ser coberto com curativo ou compressa, ou 
pano limpo umedecido em solução salina; caso não seja possível, em 
água limpa. Estas compressas não devem ser de materiais aderentes. 
Envolver o curativo cuidadosamente com bandagens fixadas 
firmemente, mas nunca apertada. Não dar nada para o acidentado 
beber ou comer, ainda que se queixe de muita fome ou sede.
LEITURA COMPLEMENTAR
INTEGRAÇÃO DOS PRIMEIROS SOCORROS NA EMPRESA
Os “Primeiros Socorros” integram-se ao conjunto mais amplo das 
iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos 
trabalhadores e, principalmente, ao que dispõem as Normas Regulamentadoras 
do Ministério do Trabalho, vinculadas à Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT). Assim, devem estar articulados, não só com o Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na NR-7, que estabeleceu a 
obrigatoriedade do serviço de “Primeiros Socorros” na empresa, mas também 
com as demais NR, em especial, a NR-4, NR-6, NR-9, NR-15 e a NR-17. A NR-4 
estabelece que:
 
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
197
As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração 
direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam 
empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, 
manterão, obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia 
de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade de 
promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de 
trabalho.
 
Assim, todos os empregados da empresa ou serviços, independentemente 
do vínculo de emprego têm que estar abrangidos por medidas de Higiene e 
Segurançano Trabalho estruturadas em um Serviço organizado, com prioridade 
para as medidas de proteção coletiva. A este serviço, devem estar vinculados, 
necessariamente, os “Primeiros Socorros” da empresa, numa perspectiva não só 
corretiva e de atendimento individual, mas eminentemente preventiva e visando 
o conjunto dos trabalhadores principalmente. 
No que se refere à NR-6, que estabelece que a empresa é obrigada a fornecer 
equipamento de proteção individual (EPI) adequado ao risco ocupacional e em 
perfeito estado de conservação e funcionamento, os “Primeiros Socorros” podem 
participar, principalmente, em relação aos seguintes aspectos: 
a) na seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o 
trabalhador está exposto e à atividade exercida, considerando-se a 
eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e ao conforto 
oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário; 
b) no programa de treinamento dos trabalhadores quanto a sua correta 
utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI 
oferece; 
c) no estabelecimento de normas ou procedimentos para promover 
o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a 
manutenção e a reposição do EPI, visando garantir as condições de 
proteção originalmente estabelecidas; na caracterização das funções 
ou atividades dos trabalhadores, com a respectiva identificação do EPI 
utilizado para os riscos ambientais; 
d) no estabelecimento de critérios e mecanismos de avaliação da 
eficácia das medidas de proteção implantadas considerando os dados 
obtidos no atendimento aos trabalhadores. 
Já a NR-7 estabelece:
 
A obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos 
os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como 
empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 
- PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do 
conjunto dos seus trabalhadores. 
Esta NR estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem 
observados na execução do PCMSO, podendo os mesmos ser ampliados mediante 
negociação coletiva de trabalho. 
O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico 
precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, além da constatação da 
existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos 
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
198
trabalhadores. Logo, deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à 
saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações previstas 
nas demais NRs. 
Portanto, são obrigações gerais da entidade patronal, entre outras: 
• na concepção das instalações, locais e processos de trabalho, identificar os 
riscos e combatê-los na origem, eliminando ou limitando os seus efeitos; 
• proceder à avaliação dos riscos em todos os níveis da empresa e adotar medidas 
de prevenção adequadas; 
• assegurar que a exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nos locais de 
trabalho não constitua risco para a saúde dos trabalhadores; 
• dar prioridade à proteção coletiva em relação à proteção individual; 
• organizar o trabalho de modo a minimizar os efeitos nocivos do trabalho 
monótono e cadenciado; 
• substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso; 
• tomar medidas relativas a primeiros socorros, combate a incêndios e evacuação 
de trabalhadores e identificar os responsáveis pela sua realização. 
A organização das atividades de Higiene e Segurança no local de trabalho 
são de responsabilidade da entidade patronal, devendo garantir, entre outros: 
• a identificação e avaliação dos riscos; 
• o planejamento e programação de medidas de prevenção a adotar na empresa; 
• a promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores; 
• organização de todos os meios destinados à proteção e prevenção e coordenação 
das medidas a adotar em caso de perigo grave e iminente; 
• prestação de informação e formação sobre os riscos e as medidas de proteção e 
prevenção; 
• afixação da sinalização de segurança nos locais de trabalho; 
• análise dos acidentes de trabalho e doenças profissionais; 
• coordenação de inspeções internas de segurança; 
• manutenção de registros atualizados sobre vários elementos relevantes para a 
situação da empresa no domínio de SHST. 
Finalmente, convém salientar que, segundo a NR-7, além dos serviços de 
Prevenção e proteção a acidentes; Higiene e segurança; Medicina do trabalho; Saúde 
ocupacional; Luta contra incêndio, deverá ser organizado na empresa o serviço 
de “Primeiros Socorros”. Para tanto, todo estabelecimento deverá estar equipado 
com material necessário à prestação dos primeiros socorros, considerando-se as 
características da atividade desenvolvida; manter esse material guardado em 
local adequado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. 
Ressalta-se que são serviços que devem ser dirigidos e acompanhados 
por técnicos com curso superior e/ou formação específica, segundo esta 
Norma. Já a NR-9:
TÓPICO 4 | PRIMEIROS SOCORROS EM EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
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Estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte 
de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores 
como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais 
- PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos 
trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e 
consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou 
que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração 
a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. 
Riscos ambientais são considerados os agentes físicos, químicos e 
biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, 
concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos 
à saúde do trabalhador. Os agentes físicos as diversas formas de energia a que 
possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões 
anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, 
bem como o infrassom e o ultrassom. Agentes químicos são as substâncias, 
compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, 
nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela 
natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo 
organismo através da pele ou por ingestão. Agentes biológicos são as bactérias, 
fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. 
No desenvolvimento do PPRA, os riscos ambientais devem ser antecipados 
e reconhecidos, as metas e prioridades devem ser estabelecidas, devem ser 
avaliados os riscos e a exposição dos trabalhadores, implantadas medidas 
de controle e avaliação da eficácia, monitorada a exposição dos trabalhadores 
aos riscos. Os “Primeiros Socorros” devem participar de todo o processo de 
elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA. 
A NR-17 diz respeito à Ergonomia, que visa estabelecer parâmetros que 
permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas 
dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e 
desempenho eficiente; os “Primeiros Socorros” também podem integrar-se em 
sua aplicação, no sentido de auxiliar na definição daqueles parâmetros, a partir 
dos dados e informações obtidos. 
Estes serão importantes para a análise ergonômica do trabalho, no que 
se refere ao levantamento, transporte e descarga individual de materiais; ao 
mobiliário dos postos de trabalho; aos equipamentos dos postos de trabalho; às 
condições ambientais de trabalho; e à organização do trabalho.
FONTE: MANCINI, H. B.; ROSENBAUM, J. L.; FERRO, M. A. C. Organização de um serviço de 
primeiros socorros em uma empresa. Campo Grande – MS. 2002.
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RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• O sistema locomotor do corpo humano é todo sustentado e articulado pelos 
ossos. A organização óssea tem ainda a função de proteger certas partes do 
corpo. O crânio

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