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Capítulo 15 .................. 8
Módulo 43 .............. 13
Módulo 44 .............. 19
Módulo 45 ..............23
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1. Orações coordenadas 10
2. Orações subordinadas substantivas 10
3. Orações subordinadas adjetivas 10
4. Organizador gráfico 12
Módulo 43 – Orações coordenadas 13
Módulo 44 – Orações 
subordinadas substantivas 19
Módulo 45 – Orações 
subordinadas adjetivas 23
• Identifi car aspectos linguísticos 
e discursivos nas construções da 
variedade culta da língua.
• Reconhecer as concepções 
referentes à formação de orações e 
períodos compostos, predicados e 
complementos verbais.
• Traduzir o que se compreende por 
construções sintáticas, semânticas e 
pragmáticas, presentes em diversas 
situações discursivas, considerando a 
variedade culta e outras variedades da 
língua.
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“As ideias verdes incolores dormem furiosamente.” Com essa frase, Noam 
Chomsky demonstrou que um texto, mesmo parecendo absurdo e sem sentido, 
continua sendo um texto, gramaticalmente correto. São ideias (verdes ou não) que 
desafiam e despertam nossa capacidade de compreender a linguagem e, por ex-
tensão, a realidade que tentamos definir por meio de palavras.
Como as orações se 
relacionam – Parte II 15
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1. Orações coordenadas
Quando um período é composto por ora ções coordena-
das, uma oração não exerce fun ção sintática em relação à ou-
tra, e elas podem se unir de duas formas distintas: utilizando 
conectivo ou não.
As orações coordenadas assindéticas não possuem ele-
mento de ligação, o síndeto (conjunção coordenativa).
Exemplo
Toca o sinal, todos saem cor rendo.
As orações coordenadas sindéticas apre sentam o co-
nectivo explícito.
Exemplo
Olhei em volta e compreendi tudo.
A. Classificação das orações 
coordenadas sindéticas
Em um período composto por coordenação, não há uma 
oração principal, pois todas têm o mesmo valor, todas são 
coordenadas, e aquela que é introduzida por conectivo (sin-
dética) recebe um nome de acordo com a relação de sentido 
que se estabelece entre as duas, por meio da conjunção.
• Aditiva: relação de soma de ideias, pensamentos em 
sequência.
 Exemplo
 Ela chegou à tarde e foi embora à noite.
 
• Adversativa: relação de oposição de ideias.
 Exemplo
 Deixei recado, mas não obtive resposta.
• Alternativa: relação de alternância de ideias ou exclu-
são mútua.
 Exemplo
 Ou a empresa se moderniza ou não acompanhará a 
concorrência.
• Conclusiva: relação de conclusão ló gica.
 Exemplo
 Seu nome está na lista, logo ele foi aprovado.
• Explicativa: relação de explicação.
 Exemplo
 Demorei a responder, porque não sabia ao certo a res-
posta.
2. Orações subordinadas 
substantivas
As orações subordinadas substantivas, com verbo no in-
dicativo ou no subjuntivo, vêm introduzidas pelas conjun ções 
integrantes que ou se; por pronomes indefinidos: que, quem, 
qual, quanto; ou por advérbios: como, quando, onde, por que, 
quão.
A. Classificação das orações 
subordinadas substantivas
Quanto a seu valor sintático, a oração subordinada subs-
tantiva pode ser:
• Subjetiva – tem função de sujeito da ora ção principal.
 Exemplos
 É fundamental que você compareça à reunião.
 É preciso que se adotem providências eficazes.
 Sabe-se que o país carece de sistema de saúde digno.
 Convém que você fique.
• Objetiva direta – tem função de objeto direto da ora-
ção principal.
 Exemplos
 Todos querem que você compareça.
 Ele me disse que tudo era mentira.
 Sei que você voltará.
 Ninguém sabe quando entra em vigor a lei.
• Objetiva indireta – tem função de obje to indireto da 
oração principal.
 Exemplos
 Lembrou-se de que ela o esperava ainda.
 Meu pai insiste em que eu saia para me divertir.
• Completiva nominal – tem função de complemento 
nominal da oração principal.
 Exemplos
 Tenho a impressão de que irá chover ainda hoje.
 Preparo estas palestras certo de que terão algum 
efeito sobre o público.
• Predicativa – tem função de predicativo do sujeito da 
oração principal.
 Exemplos
 A verdade é que não posso tê-lo longe de mim.
 Minha conclusão é que a vida e a morte são heterogê-
neas.
• Apositiva – tem função de aposto da ora ção principal.
 Exemplos
 De você espero apenas uma coisa: que me apoie nes-
te momento.
 Era estranho que não percebesse isto, que a resposta 
estava à sua frente.
3. Orações subordinadas adjetivas
As orações subordinadas adjetivas, com ver bo no indica-
tivo ou no subjuntivo, vêm introdu zidas por pronome relativo 
(que, o qual, a qual, onde, cujo etc.). Essas orações funcio-
nam como qualifica doras de algum termo da oração principal.
Exemplos
A cidade onde nasci é muito acolhedora.
O médico por quem fomos assistidos é muito simpático.
No domingo, visitei meu primo, que mora em Taubaté.
É importante diferenciar o pronome relativo que da con-
junção integrante que. Observe o exemplo.
Diga às pessoas que me procuraram que estarei aqui de-
pois do almoço.
O primeiro “que” é um pronome relativo e faz referência 
ao termo antecedente, “pessoas”, introduzindo uma ora ção 
adjetiva que lhe fornece uma característi ca. O segundo “que” 
é uma conjunção integrante, pois introduz uma oração subs-
tantiva que complementa o sentido do verbo “diga”.
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A. Classificação das orações subordinadas adjetivas
A oração subordinada adjetiva pode ser:
• Restritiva
 Fui informado por uma mulher que gentilmente me orientou.
A característica que se dá à palavra “mulher” é de caráter delimitador, particularizante. Trata-se de uma mulher específica. É 
uma informação importante que não se isola por vírgulas.
• Explicativa
 A mulher, que é a geradora de vida, tem sido relegada a segundo plano ao longo da História.
A característica que se dá à palavra “mulher” exprime seu sentido geral, tem o valor de um aposto explicativo. É uma infor-
mação que, se eliminada, não apresentaria prejuízo lógico, por isso é separada por vírgulas.
 01. FGV-RJ
Leia o texto e responda à questão.
Lar do desperdício
De acordocom as Nações Unidas, crianças nascidas no mundo desenvolvido consomem de 30 a 
50 vezes mais água que as dos países pobres. Mas as camadas mais ricas da população brasileira têm 
índices de desperdício semelhantes, associados a hábitos como longos banhos ou lavagem de quintais, 
calçadas e carros com mangueiras.
O banheiro é onde há mais desperdício. A simples descarga de um vaso sanitário pode gastar até 
30 litros de água, dependendo da tecnologia adotada. Uma das mais econômicas consiste em uma caixa 
d’água com capacidade para apenas seis litros, acoplada ao vaso sanitário. Sua vantagem é tanta que 
a prefeitura da Cidade do México lançou um programa de conservação hídrica que substituiu 350 mil 
vasos por modelos mais econômicos. As substituições reduziram de tal forma o consumo que seria 
possível abastecer 250 mil pessoas a mais. No entanto, muitas casas no Brasil têm descargas embutidas 
na parede, que costuma ter um altíssimo nível de consumo. O ideal é substituí-las por outros modelos.
O banho é outro problema. Quem opta por uma ducha gasta até 3 vezes mais do que quem usa um 
chuveiro convencional. São gastos, em média, 30 litros a cada cinco minutos de banho. O consumidor – 
doméstico, industrial ou agrícola – não é o único esbanjador. De acordo com a Agência Nacional de 
Águas, cerca de 40% da água captada e tratada para distribuição se perde no caminho até as torneiras, 
pela falta de manutenção das redes, pela falta de gestão adequada do recurso e pelo roubo.
Esse desperdício não é uma exclusividade nacional. Perdas acima de 30% são registradas em inú-
meros países. Há estimativas de que as perdas registradas na Cidade do México poderiam abastecer a 
cidade de Roma tranquilamente.
Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/desperdicio_de_agua.html. Acesso em: out. 2014. Fragmento.
No primeiro parágrafo, no início do segundo período do texto, ocorre a presença da conjunção mas; trata-se de uma con-
junção adversativa, e o ponto que serve de elemento de oposição é:
a. a situação de desperdício detectada pela ONU e a situação de desperdício no Brasil.
b. o consumo de água nos países desenvolvidos e o consumo de água das classes mais ricas do Brasil.
c. o descuido com a água nos países ricos e o cuidado com a água nos países pobres.
d. o consumo de água nos países mais ricos e o consumo de água em países pobres, como o México.
e. o cuidado com a água nos países desenvolvidos e o descuido com o consumo nos países subdesenvolvidos.
Resolução
A conjunção mas estabelece uma relação de oposição entre o consumo de água nos países desenvolvidos e o consumo 
de água nas camadas mais ricas do Brasil (país ainda em desenvolvimento).
Alternativa correta: B
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4. Organizador gráfico
Aditiva
Adversativa
Alternativa
Explicativa
Conclusiva
Subjetiva
Objetiva direta
Objetiva indireta
Predicativa
Apositiva
Restritiva
Explicativa
Orações
coordenadas
Orações
subordinadas
substantivas
Orações
 subordinadas
 adjetivas
Tópico tema
Completiva nominal
Características
Apenas
textoTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico
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Leia o texto e responda às questões 01 e 02.
Essas minhas interessantes viagens hão de 
ser uma obra-prima, erudita, brilhante, de pen-
samentos novos, uma coisa digna do século. 
Preciso de o dizer ao leitor, para que ele esteja 
prevenido; não cuide que são quaisquer dessas 
rabiscaduras da moda que, com o título de Im-
pressões de Viagem, ou outro que tal, fatigam 
as imprensas da Europa sem nenhum provei-
to da ciência e do adiantamento da espécie. 
Primeiro que tudo, a minha obra é um símbolo... 
é um mito, palavra grega, e de moda germânica, 
que se mete hoje em tudo e com que se explica 
tudo... quanto se não sabe explicar. É um mito 
porque – porque... Já agora rasgo o véu e declaro 
abertamente ao benévolo leitor a profunda ideia 
que está oculta debaixo desta ligeira aparência 
de uma viagenzinha que parece feita a brincar, e 
no fim de contas é uma coisa séria, grave, pensa-
da como um livro novo da feira de Leipzig, não 
das tais brochurinhas dos boulevards de Paris.
GARRETT, Almeida. Viagens na minha terra. Disponível 
em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/
texto/bv000012.pdf>. Acesso em: set. 2015.
 01. 
Classifique o primeiro período do texto.
 03. Insper-SP
Leia o poema de Adélia Prado e responda à questão.
Solar
Minha mãe cozinhava exatamente: 
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. 
Mas cantava. 
Considerando-se os elementos sintáticos e semânticos 
relacionados ao conector mas, presente no último verso, é 
correto afirmar que ele evidencia uma oposição cujo objetivo 
é sugerir o/a:
a. convocação à luta contra a opressão feminina impos-
ta às mulheres, que têm a vida restrita às tarefas do-
mésticas. 
b. reconhecimento de que a felicidade da mãe provinha 
de uma satisfação gratuita em relação à vida. 
c. dramaticidade, ao expressar uma denúncia às injus-
tiças sociais num ambiente de escassez de comida. 
d. tom nostálgico que reflete saudosismo em relação à 
infância feliz e idealizada do eu lírico. 
e. atitude de descaso da mãe com a família, uma vez que 
sua principal atividade era cantar.
Módulo 43
Orações coordenadas
Exercícios de Aplicação
 02. 
Indique o número de orações presentes no período se-
guinte e como elas se relacionam. “Primeiro que tudo, a mi-
nha obra é um símbolo... é um mito, palavra grega, e de moda 
germânica”.
Resolução
O período “Essas minhas interessantes viagens hão de 
ser uma obra-prima, erudita, brilhante, de pensamentos no-
vos, uma coisa digna do século.” é simples, visto que apre-
senta apenas uma oração, construída em torno da locução 
verbal “hão de ser”.
Resolução
Há, no período, duas orações: “Primeiro que tudo, a minha 
obra é um símbolo... / é um mito, palavra grega, e de moda ger-
mânica”. Trata-se de um período composto por coordenação, 
e as orações são coordenadas assindéticas. A palavra “que” 
exerce a função de preposição.
Resolução
A conjunção mas indica que as ações rotineiras e as pos-
síveis limitações não traziam infelicidade.
Alternativa correta: B
Habilidade
Identificar aspectos linguísticos e discursivos nas cons-
truções da variedade culta da língua.
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Exercícios Extras
 04. ESPM-SP
Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, e 
responda à questão.
Não há morte. O encontro de duas expan-
sões, ou a expansão de duas formas, pode 
determinar a supressão de uma delas; mas, ri-
gorosamente, não há morte, há vida, porque a 
supressão de uma é a condição da sobrevivên-
cia da outra e a destruição não atinge o princí-
pio universal e comum. Daí o caráter conserva-
dor e benéfico da guerra. Supõe tu um campo 
de batatas e duas tribos famintas. As batatas 
apenas chegam para alimentar uma das tribos, 
que assim adquire forças para transpor a mon-
tanha e ir à outra vertente, onde há batatas em 
abundância; mas, se as duas tribos dividirem 
em paz as batatas do campo, não chegam a nu-
trir-se suficientemente e morrem de inanição. 
A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a 
conservação. Uma das tribos extermina a outra 
e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, 
os hinos, aclamações, recompensas públicas e 
todos os demais efeitos das ações bélicas. [...] 
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, 
as batatas. 
Em relação às orações anteriores, a frase “Daí o caráter 
conservador e benéfico da guerra.” traduz ideia de:
a. concessão.
b. comparação.
c. causa.
d. oposição.
e. conclusão.
 05. 
Sobre o período “Acordei suando, felizmente era ape-
nas um pesadelo.”, transcrito de uma crônica deJoão Ubal-
do Ribeiro, considere as afirmações e assinale a alternativa 
correta.
I. O período é composto por subordinação. A primeira 
oração (“Acordei suando”) é principal em relação à se-
gunda (“felizmente era apenas um pesadelo.”).
II. O período é composto por orações coordenadas assin-
déticas.
III. O vocábulo “felizmente”, iniciando a segunda oração, 
é uma conjunção coordenativa e funciona como co-
nectivo.
a. Somente a I está correta.
b. Somente a II está correta.
c. Somente I e II estão corretas.
d. Somente I e III estão corretas.
e. Somente II e III estão corretas.
Seu espaço
Sobre o módulo
Salientar que as orações coordenadas predominam em textos narrativos.
Estante
SALVADOR, Arlete. Como escrever para o Enem: roteiro para uma redação nota 1 000. São Paulo: Contexto, 2013.
Produzir uma redação correta não basta. É preciso escrever de forma adequada, apresentar bem os argumentos e caprichar 
na coerência para conseguir uma boa pontuação no Enem. É o que esperam fazer os milhões de estudantes que prestam o exa-
me todos os anos. Além de responder às questões de múltipla escolha, os alunos encaram a temida redação. Poucos, porém, 
conseguem a almejada nota máxima.
Arlete Salvador mostra que, por trás do complicado nome “dissertação argumentativa” – exigida na prova –, há um caminho 
possível de se percorrer pelos alunos para alcançar a sonhada redação nota dez.
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Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 1.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. 
Com relação ao período “Suponho que para isto sirva o si-
lêncio, para ouvirmos o que não nos querem dizer.”, considere 
as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Trata-se de um período composto por coordenação, 
pois as orações se complementam de maneira inde-
pendente.
II. Há duas orações principais servindo como referência 
às demais, que são subordinadas adverbiais finais.
III. Trata-se de um período composto por subordinação, 
contendo quatro orações.
a. Estão corretas I, II e III.
b. Somente I está correta.
c. Somente II está correta.
d. Somente III está correta.
e. Somente II e III estão corretas.
 07. UFRJ
Leia a crônica de Fabrício Carpinejar e responda à questão.
O que sonhei ser e não fui
Aos sete anos, projetava que minha vida es-
taria resolvida aos 37. Administraria somente a 
felicidade. Dei o prazo de três décadas para não 
me preocupar. Talvez o paraíso naquela época 
fosse cabular temas, não ir à escola, muito me-
nos ser submetido às provas. Não mirabolava 
encargos, superações e dificuldades. Até por-
que a vida adulta é distante, uma velhice para 
criança.
Recordo a atmosfera do que imaginava. A 
sensação de alívio do futuro. A felicidade seria 
estável e permanente. Era uma fórmula que de-
veria encontrar e adotá-la no restante dos dias. 
Algo como a receita de galinha recheada da avó.
Uma vez feito o prato, ele se repetiria eter-
namente. Não enxergava o estado provisório e 
fugaz do sentimento, um clarão que nos ajuda 
a suportar depois o escuro. Hoje entendo que a 
felicidade é rara, relampeia, olhamos onde estão 
nossas coisas e seguimos tateando com mais fa-
cilidade.
Não sou sinônimo de sucesso. Moro provi-
soriamente na residência materna, tenho duas 
separações, sequer possuo algum imóvel. Dei-
xei duas vidas, duas casas, tudo que construí e 
acumulei ficou para trás. Caso não tivesse me 
divorciado, estaria confortável e poderia investir 
na Bolsa de Valores. Guardo a biblioteca em cen-
tenas de caixas na garagem, não há como con-
sultar os livros. Os rendimentos são subjetivos, 
provados pelos extratos bancários.
Mas não pretendo ser diferente, não entrarei 
no apartamento de amigos ricos e fingirei igual-
dade. Não peço emprestados outros mundos 
para aliviar o meu. Estou contaminado das ma-
nias para mudar.
Apesar da fragilidade, não me coloco como 
um coitado, uma vítima de decisões erradas. A 
cada mês, sou obrigado a inventar um salário. 
É assustador e delicioso. Eu perco meu empre-
go todos os dias. Enviúvo compromissos e caso 
com expectativas. A rotina não é interrompida 
por finais de semana. Domingo e terça-feira são 
iguais. Não me formei em medicina para justifi-
car plantões, ocupo a família com minhas deso-
cupações.
Espumo águas paradas. Qualquer desastre 
não é trágico. Qualquer desmemória não é o 
fim. Sou rápido o suficiente para me digitar de 
novo. Desde o início. Não desmereço as frases 
porque já foram escritas.
Os filhos não se acostumaram com a atmos-
fera instável, acham que sofro à toa e que me 
alegro ainda mais à toa. A namorada tenta es-
clarecer as extravagâncias. Na casa dela, não 
consigo relaxar. Passo aspirador, lustro mesas, 
lavo a louça e dobro as roupas para brincar que 
é minha casa. Ela enlouquece, mas sua ternura 
atrapalha a raiva. Sinto saudade de varrer a rua. 
Saudade não é arrependimento.
Há gente que se gaba em dizer que cumpriu o 
sonho dos sete anos. Seguiram à risca a ambição 
de pequenos.
Eu fico com dó da coerência. Desse jogador 
de futebol que não admitiu a confusão vocacio-
nal. Dessa bailarina que não desobedeceu ao 
contexto. Desse cantor que não reparou na en-
cruzilhada.
Nossa cultura valoriza demais o planejamen-
to. Como se a linha reta fosse uma virtude.
Eu não fui o que minha infância traçou. Aqui-
lo era fantasia. O que sei fazer é recomeçar e 
frustrar condicionamentos.
Para um escritor, seria uma enorme falta de 
criatividade ser o que imaginei quando criança.
Na elaboração de um texto, é possível explorar os meca-
nismos da coordenação e da subordinação na estruturação 
discursiva com o intuito de conferir vigor à expressão. Expli-
que de que modo a estruturação do sétimo e do décimo pará-
grafos da crônica está em sintonia com o conteúdo.
 08. UFRJ
Leia o texto de João Gilberto Noll e responda à questão.
O ex-cineclubista
Aquele homem meio estrábico, ostentando 
um mau humor maior do que realmente poderia 
dedicar a quem lhe cruzasse o caminho e que 
agora entrava no cinema, numa segunda-feira à 
tarde, para assistir a um filme nem tão esperado, 
a não ser entre pingados amantes de cinemato-
grafias de cantões os mais exóticos, aquele ho-
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mem, sim, sentou-se na sala de espera e chorou, 
simplesmente isso: chorou. Vieram lhe trazer 
um copo d’água logo afastado, alguém sentou- 
-se ao lado e lhe perguntou se não passava bem, 
mas ele nada disse, rosnou, passou as narinas 
pela manga, levantou-se num ímpeto e assistiu 
ao melhor filme em muitos meses, só isso. Ao 
sair do cinema, chovia. Ficou sob a marquise, à 
espera da estiagem. Tão absorto no filme que se 
esqueceu de si. E não soube mais voltar.
O texto procura reproduzir na escrita uma característica 
da linguagem cinematográfica: “o filme, sob o ponto de vista 
formal, pode ser considerado como uma sequência de espa-
ços e tempos concretamente apresentados pela imagem.” 
(Enciclopédia Mirador-Internacional)
Justifique a afirmativa, tomando por base a organização 
do plano sintático do texto.
 09. Insper-SP
Leia o texto e responda à questão.
ESPORTE
Juiz anula gol e
Corinthians passa
para a semifinal
Folha de S.Paulo, 12 abr. 2015.
Na chamada, a manchete é construída por um período 
composto, no qual a segunda oração, introduzida pela con-
junção e, coordena-se à anterior, expressando sentido de:
a. consequência, já que “passar para a semifinal” decor-
re da ação de “anular o gol”. 
b. oposição, já que “anulação de gol” e “passar para a se-
mifinal” se opõem contextualmente. 
c. causa, já que a informação “passar para a semifinal” é 
motivo de “anular o gol”. 
d. explicação, já que se justifica a classificação do time 
em razão da atitude do juiz. 
e. alternância, já que as ações se alternam para o juiz e 
para o Corinthians.
Leia o fragmento da crônica deMachado de Assis e res-
ponda às questões 10 e 11.
[...]
A lição é que não peçais nunca dinheiro gros-
so aos deuses, senão com a cláusula expressa de 
saber que é dinheiro grosso. Sem ela, os bens são 
menos que as flores de um dia. Tudo vale pela 
consciência. [...] Passai das riquezas materiais às 
intelectuais: é a mesma coisa. Se o mestre-esco-
la da tua rua imaginar que não sabe vernáculo 
nem latim, em vão lhe provarás que ele escreve 
como Vieira ou Cícero, ele perderá as noites e os 
sonos em cima dos livros, comerá as unhas em 
vez de pão, encanecerá ou encalvecerá, e morre-
rá crendo que mal distingue o verbo do advérbio. 
[...]
 10. 
Na passagem “em vão lhe provarás que ele escreve como 
Vieira ou Cícero, ele perderá as noites e os sonos em cima dos 
livros”, entre o nome “Cícero” e o pronome pessoal seguinte, 
“ele”, pode-se incluir, sem alterar o sentido original do perío-
do, qual conjunção coordenativa?
 11. 
Indique que conjunção coordenativa pode substituir os 
dois-pontos, sem alteração de sentido, na passagem “Passai 
das riquezas materiais às intelectuais: é a mesma coisa”.
 12. FGV-RJ
Leia o trecho do que ficou conhecido como “O último dis-
curso”, monólogo ao final do filme O grande ditador, de Char-
les Chaplin, e responda à questão.
Todos desejamos ajudar uns aos outros. Os 
seres humanos são assim. Desejamos viver para 
a felicidade do próximo – não para o seu infor-
túnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns 
aos outros? Neste mundo há espaço para todos. 
A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as 
nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade 
e da beleza, porém nos deixamos extraviar. A 
cobiça envenenou a alma dos homens, levan-
tou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos 
feito marchar a passo de ganso para a miséria e 
os morticínios. Criamos a época da velocidade, 
mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina, que produz abundância, tem-nos 
deixado em penúria. Nossos conhecimentos 
fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empe-
dernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sen-
timos bem pouco. Mais do que de máquinas, 
precisamos de humanidade. Mais do que de 
inteligência, precisamos de afeição e doçura. 
Sem essas virtudes, a vida será de violência e 
tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximaram. 
A própria natureza dessas coisas é um apelo elo-
quente à bondade do homem, um apelo à fra-
ternidade universal, a união de todos nós. Neste 
mesmo instante, a minha voz chega a milhares 
de pessoas pelo mundo afora. Milhões de deses-
perados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas 
de um sistema que tortura seres humanos e en-
carcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu 
digo: não desespereis! A desgraça que tem caído 
sobre nós não é mais do que o produto da cobiça 
em agonia, da amargura de homens que temem 
o avanço do progresso humano. Os homens que 
odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbirão 
e o poder que do povo arrebataram há de retor-
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nar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a 
liberdade não perecerá jamais.
Assinale a alternativa que indica a frase em que a con-
junção e mostra valor adversativo.
a. “Por que havemos de odiar e desprezar uns aos ou-
tros?”
b. “A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nos-
sas necessidades.”
c. “O caminho da vida pode ser o da liberdade e da be-
leza.”
d. “[...] tem-nos feito marchar a passo de ganso para a 
miséria e os morticínios.”
e. “Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.”
 13. FGV-SP
Leia o texto e responda à questão.
Cobrar responsabilidade
No início do mês, um assaltante matou um jo-
vem em São Paulo com um tiro na cabeça, mes-
mo depois de a vítima ter lhe passado o celular. 
Identificado por câmeras do sistema de seguran-
ça do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado 
pela polícia, mas – apesar de todos os registros 
que não deixam dúvidas sobre a autoria do as-
sassinato – não ficará um dia preso. Menor de 
idade, foi “apreendido” e levado a um centro de 
recolhimento. O máximo de punição a que está 
sujeito é submeter-se, por três anos, à aplicação 
de medidas “socioeducativas”.
Não é um caso isolado na crônica de cri-
mes cometidos por menores de idade no país. 
Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma 
circunstância que o transformou em mais um 
exemplo emblemático do equivocado abrigo le-
gal que o Estatuto da Criança e do Adolescente 
confere a criminosos que estão longe de pode-
rem justificar suas ações com o argumento da 
imaturidade: ao disparar friamente contra o es-
tudante paulista, o assaltante estava a três dias 
de completar 18 anos. Pela selvageria do assassi-
nato, o caso remete à barbárie de que foi vítima, 
no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também 
nesse episódio, um dos bandidos que participa-
ram do martírio do garoto estava a pouco tempo 
de atingir a maioridade.
Nos dois casos, convencionou-se, ao anteparo 
do ECA, que a diferença de alguns dias – ou, ain-
da que o fosse, de alguns meses – teria modifica-
do os padrões de discernimento dos assassinos. 
Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um 
tipo de interpretação que anaboliza espertezas 
da criminalidade, como o emprego de menores 
em ações – inclusive armadas – de quadrilhas 
organizadas, ou serve de salvo-conduto a jovens 
criminosos para afrontar a lei.
O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino 
quanto perverso: colocam-se jovens, muitos dos 
quais mal entraram na adolescência, na linha de 
frente de ações criminosas porque, protegidos 
pelo ECA, e diante da generalizada ruína admi-
nistrativa dos órgãos encarregados de aplicar 
as medidas socioeducativas, na prática eles são 
inimputáveis. Tornam-se, assim, personagens de 
vestibulares para a entrada em definitivo, sem 
chances de recuperação, numa vida de crimes.
É dever do Estado (em atendimento a um di-
reito inalienável) prover crianças e adolescentes 
com cuidados, segurança, oportunidades, inclu-
sive de recuperação diante de deslizes sociais. 
Nesse sentido, o ECA mantém dispositivos im-
portantes, que asseguram proteção a uma par-
cela da população em geral incapaz de discernir 
entre o certo e o errado à luz das regras sociais. 
Mas, se esses são aspectos consideráveis, por 
outro lado é condenável o viés paternalista de 
uma lei orgânica que mais contempla direitos do 
que cobra obrigações daqueles a quem pretende 
proteger.
O país precisa rever o ECA, principalmente 
no que se refere ao limite de idade para efeitos 
de responsabilidade criminal. É uma atitude que 
implica coragem (de enfrentar tabus que não se 
sustentam no confronto com a realidade) e o 
abandono da hipocrisia (que tem cercado esse 
imprescindível debate).
O Globo, 22 abr. 2013.
Assinale a alternativa cuja oração destacada exemplifi-
ca o processo de coordenação.
a. “É dever do Estado (em atendimento a um direito ina-
lienável) prover crianças e adolescentes com cuida-
dos, segurança, oportunidades, inclusive de recupe-
ração diante de deslizes sociais.”
b. “Nesse sentido, o ECA mantém dispositivos importan-
tes, que asseguram proteção a uma parcela da popu-
lação em geral incapaz de discernir entre o certo e o 
errado à luz das regras sociais.”
c. “Mas, se esses são aspectos consideráveis, por outro 
lado, é condenável o viés paternalista de uma lei orgâ-
nica que mais contempla direitos do que cobra obriga-
ções daqueles a quem pretende proteger.”
d. “É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas 
da criminalidade, como o emprego de menores em 
ações – inclusive armadas – de quadrilhas organi-
zadas, ou serve de salvo-conduto a jovens criminosos 
para afrontar a lei.”
e. “É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas 
da criminalidade, como o emprego de menores em 
ações – inclusive armadas – de quadrilhas organiza-
das, ou serve de salvo-conduto a jovens criminosos 
para afrontar a lei.”
Leia o texto e responda às questões de 14 a 16.
O princípio,o meio e o fim
“De quanta terra precisa o homem?” A per-
gunta é o título de um conto de Leon Tolstoi. 
Nele, um sujeito faz pacto com o diabo. Recebe-
rá toda a terra que conseguir percorrer a pé, du-
rante um dia, do nascer ao pôr do sol. O homem 
atravessa as horas sem descanso. Quando o sol 
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já se aproxima do horizonte, não se dá por satis-
feito. Corre. Falta-lhe fôlego, mas ele não para. 
Quer ainda possuir aquele vale, aquele bosque. 
Quando cai morto de fadiga, o conto explica de 
quanta terra precisa um homem: se ele não tem 
consciência de limites, apenas um par de metros 
lhe basta. Uma cova não requer mais do que isso.
A trágica moral contida no conto sintetiza 
um mito-chave para a compreensão da crise 
que nossa civilização enfrenta. O mito do único 
pecado que os gregos consideravam capital: a 
arrogância, entendida sobretudo como falta de 
consciência de limites, como ambição desme-
dida, como desejo incontrolável de posse e de 
poder. Para os gregos antigos, a arrogância era o 
maior de todos os pecados. Era a falha que não 
tinha perdão. Eles a chamavam hýbris, e acredi-
tavam que incorrer nessa falha acarretava a da-
nação eterna.
Não é assim, desse modo arrogante – feito de 
destruição, poluição e exploração insustentável 
dos recursos naturais – que tratamos nosso pla-
neta-mãe, a Terra? Convencidos de que todas as 
coisas foram criadas para satisfazer nossos de-
sejos e necessidades, inventamos uma cultura 
inteiramente destituída de bom senso: a cultura 
da produtividade e do consumismo insustentá-
veis. Como no conto de Tolstoi, não consegui-
mos parar. Derrubamos e queimamos florestas, 
matamos lagos e rios, poluímos os mares e a at-
mosfera, extinguimos espécies de plantas e de 
animais. Sem falar nas mazelas que produzimos 
para nós mesmos, como perturbações da saúde 
física, psíquica e mental, ao nos impormos um 
ritmo e uma carga insustentáveis de trabalho, de 
produção e de consumismo.
Embriagados pelo desejo de posse e de po-
der, cada vez mais distantes da sabedoria ances-
tral da qual somos herdeiros, esquecemos que 
a arrogância constitui um desequilíbrio maior. 
Não lembramos que, por uma lei natural, toda 
ação que leva à perda do equilíbrio gera uma for-
ça igual e contrária que procura restabelecê-lo. 
Essa força, que os gregos chamavam Nêmesis, 
era simbolizada por uma deusa implacável, aves-
sa a qualquer compromisso, a qualquer oferenda, 
a qualquer intervenção apaziguadora. Para os 
gregos, o aquecimento global nada mais seria do 
que uma das tantas manifestações de Nêmesis: a 
consequência nefasta de uma ação errônea.
Gaia vive esse tipo de raciocínio, por sinal, há 
muito deixou de ser formulado no âmbito estri-
to da filosofia e da religião. Hoje, ele invade o 
território pragmático da ciência. Cita-se como 
exemplo a Hipótese Gaia, do cientista inglês 
James Lovelock. Para ele, a Terra não é uma 
simples bola mineral a rodopiar pelo espaço 
afora. Lovelock e seus seguidores entendem 
nosso planeta como um ser vivo, pulsante, do-
tado não apenas de um corpo físico, mas tam-
bém de psique. Um macrosser, em tudo análo-
go a seu filho, o homem.
“Até quando a Terra suportará sem reagir to-
dos os arranhões que estamos produzindo em 
sua superfície?” A célebre questão de Lovelock, 
formulada há cerca de três décadas, não preci-
sou esperar muito pela resposta. Ela está aí: o 
planeta reage às agressões de múltiplas formas 
e, no momento, a mais ameaçadora delas cha-
ma-se aquecimento global.
PELLEGRINI, Luis. In: IstoÉ, 18 dez. 2009. 
 14. UFU-MG
No fragmento “Falta-lhe fôlego, mas ele não para. Quer 
ainda possuir aquele vale, aquele bosque.”, o trecho em des-
taque expressa uma:
a. conclusão para o que foi expresso anteriormente.
b. comprovação para o que foi expresso anteriormente.
c. explicação para o que foi expresso anteriormente.
d. ressalva para o que foi expresso anteriormente.
 15. UFU-MG
Releia o excerto.
Lovelock e seus seguidores entendem nos-
so planeta como um ser vivo, pulsante, dotado 
não apenas de um corpo físico, mas tam-
bém de psique. 
Assinale a alternativa que não pode substituir o trecho 
em destaque.
a. dotado de um corpo físico e também de psique.
b. dotado de um corpo físico e de psique.
c. dotado não de um corpo físico, mas de psique.
d. dotado tanto de um corpo físico quanto de psique.
 16. UFU-MG
Assinale a alternativa que não expressa a temática do 
texto.
a. A Terra não resistirá ao aquecimento global.
b. A falta de limites e a ambição desmedida da humani-
dade conduziram o planeta à beira do abismo.
c. A Terra suportará sem reagir a todos os arranhões que 
estamos produzindo em sua superfície?
d. A mais recente criação humana: a cultura da produtivi-
dade e do consumismo insustentáveis.
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Leia a tira e responda às questões 01 e 02.
FERNANDO GONSALES
Módulo 44
Orações subordinadas substantivas
Exercícios de Aplicação
 02. 
Explique o que causa o humor na tira.
 03. UFAL
Leia o texto e responda à questão.
Testa de ferro é o indivíduo que aparece como 
responsável por um negócio, firma ou transação 
que os interessados reais controlam dissimula-
damente, mantendo-se no anonimato. Em outras 
palavras, alguém que assume uma posição no-
minal de liderança, mas não tem o poder efetivo.
Língua portuguesa, 2010.
Assinale a opção falsa quanto às informações referentes 
ao texto.
a. A classificação da palavra que é de pronome relativo.
b. A expressão “por um negócio, firma ou transação” é 
complemento nominal.
c. No último trecho, há um período composto por coorde-
nação e subordinação.
d. A expressão “de ferro” é complemento nominal.
e. O verbo “controlar” é transitivo direto.
 01. 
No primeiro quadrinho, na fala do beija-flor, há uma ora-
ção subordinada substantiva. Transcreva-a.
Resolução
A expressão “de ferro” é adjunto adnominal porque se liga 
a um substantivo concreto (testa).
Alternativa correta: D
Habilidade
Reconhecer as concepções referentes à formação de 
orações e períodos compostos, predicados e complementos 
verbais. 
Resolução
O humor na tira é construído por meio da quebra de ex-
pectativa provocada pela resposta do ratinho.
Resolução
A oração “que o beija-flor bate a asa setenta vezes por se-
gundo?” é subordinada substantiva objetiva direta.
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Exercícios Extras
Seu espaço
 04. Vunesp
Leia o texto e responda à questão.
Zelosa com sua imagem, a empresa multina-
cional Gillette retirou a bola da mão, em uma das 
suas publicidades, do atacante francês Thierry 
Henry, garoto-propaganda da marca com quem 
tem um contrato de 8,4 milhões de dólares anuais. 
A jogada previne os efeitos desastrosos para ven-
das de seus produtos, depois que o jogador trapa-
ceou, tocando e controlando a bola com a mão, 
para ajudar no gol que classificou a França para a 
Copa do Mundo de 2010. [...]
Na França, onde 8 em cada dez franceses re-
provam o gesto irregular, Thierry aparece com a 
mão no bolso. Os publicitários franceses acham 
que o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o 
rompimento do contrato. O serviço de comuni-
cação da gigante Procter & Gamble, proprietária 
da Gillette, diz que não. Em todo caso, a empre-
sa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça 
não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez 
o que está ao seu alcance, sua publicidade.
Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry 
é o terceiro jogador de futebol que mais lucra com 
a publicidade – seus contratos somam 28 milhões 
de dólares anuais. [...]
Veja, 2 nov. 2009. Adaptado.
No trecho “[...] a empresa gostaria que o jogo fosse re-
feito, que a trapaça não tivesse acontecido.”, tem-se, além 
de uma oração principal:a. duas orações coordenadas e três subordinadas.
b. três orações coordenadas e uma subordinada.
c. três orações subordinadas.
d. três orações coordenadas.
e. duas orações subordinadas coordenadas entre si.
 05. UFAL
Assinale o período que possui uma oração subordinada 
substantiva objetiva direta.
a. “O levantamento, cujo público-alvo é de classe mé-
dia e alta e está concentrado na região Sudeste do 
Brasil, foi realizado com 28 mil usuários cadastrados 
no site.”
b. “O novato Esmir Filho indica que pode vir a ter uma 
carreira das mais promissoras.”
c. “Quando surgiram, os seriados precisavam ser pala-
táveis para filhos, pais e avós.”
d. “Nos sites de relacionamento, milhões de pessoas 
que moram na cidade e nunca encostaram o pé na 
terra passam dia e noite plantando, colhendo e até 
roubando o gado do vizinho.”
e. “Basta instalar um conector externo ou embutido, 
como as tomadas comuns.”
Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 2.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. 
Leia o texto e responda à questão. 
Parece que para as colônias inglesas o critério 
de importação de escravos da África foi quase ex-
clusivamente agrícola. O de energia bruta, animal, 
preferindo-se, portanto, o negro resistente, forte e 
barato. Para o Brasil, a importação de africanos fe-
z-se atendendo-se a outras necessidades e interes-
ses. À falta de mulheres brancas; às necessidades 
de técnicos em trabalhos de metal, ao surgirem as 
minas. Duas poderosas forças de seleção.
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 
Brasília: Editora da UNB, 1963.
Sobre o módulo
Salientar que as orações subordinadas em geral e as substantivas em particular predominam em textos dissertativos e 
argumentativos.
Estante
VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Nesse trabalho, serão encontrados conselhos práticos, diretamente utilizáveis, e também os meios de tomar uma cons-
ciência clara dos mecanismos da linguagem. E aqui não são os “modelos” culturais que conduzirão à compreensão dos fatores 
da expressão; ao contrário, é a reflexão sobre tais fatores que permitirá analisar e interpretar os sistemas contemporâneos de 
expressão. Ensinar a ler, escrever, entender (ouvir+compreender), falar: esses foram os objetivos almejados na elaboração do 
presente livro.
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e da linguagem simbólica, que coexiste com 
o campo do pensamento e da linguagem con-
ceituais.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1999.
Na leitura de textos dissertativos, é possível observar 
o predomínio da subordinação, em especial, o uso de ora-
ções subordinadas substantivas. Transcreva do texto duas 
orações desse tipo.
 08. UFSCar-SP
Assinale a opção que contém oração subordinada 
substantiva completiva nominal.
a. “Tanto eu como Pascoal tínhamos medo de que o 
patrão topasse Pedro Barqueiro nas ruas da cidade.”
b. “Era preciso que ninguém desconfiasse do nosso 
conluio para prendermos o Pedro Barqueiro.”
c. “Para encurtar a história, patrãozinho, achamos Pe-
dro Barqueiro no rancho, que só tinha três divisões: 
a sala, o quarto dele e a cozinha.”
d. “Quando chegamos, Pedro estava no terreiro debu-
lhando milho, que havia colhido em sua rocinha, ali 
perto.”
e. “Pascoal me fez um sinalzinho, eu dei a volta e en-
trei pela porta do fundo para agarrar o Barqueiro 
pelas costas.”
Considere as afirmações e faça a soma das corretas.
01. “Duas poderosas forças de seleção.” é frase nomi-
nal.
02. “[...] preferindo-se, portanto, o negro resistente, 
forte e barato.” é oração coordenada em relação à 
anterior.
04. Em “Parece que para as colônias inglesas o critério 
de importação de escravos da África foi quase ex-
clusivamente agrícola.”, o que introduz uma subor-
dinada subjetiva.
08. “[...] a outras necessidades e interesses.” é objeto 
indireto.
 07. 
Leia o texto e responda à questão.
A tradição filosófica [...] afirmava que do 
mito à lógica havia uma evolução do espírito 
humano, isto é, o mito era uma fase ou etapa 
do espírito humano e da civilização que ante-
cedia o advento da lógica ou do pensamento 
lógico, considerado a etapa posterior e evoluí-
da do pensamento e da civilização. [...]
Hoje, porém, sabe-se que a concepção evo-
lutiva está equivocada. O pensamento mítico 
pertence ao campo do pensamento simbólico 
 09. 
Leia a tira e responda à questão.
F ERNANDO GONSALES
Sabendo que a oração subordinada subjetiva exerce a função de sujeito da oração principal, pode-se afirmar que: 
a. “se você é feio ou bonito!” é sujeito de “Não importa”.
b. “Não importa” é sujeito de “se você é feio ou bonito”.
c. “Importa” é sujeito de “o que você tem por dentro”.
d. “o que você tem por dentro” é oração principal.
e. “Importa é o” é oração subordinada.
 10. 
Leia o texto e faça o que se pede.
Educação para o machismo
Tenho ouvido várias histórias de garotas em idade escolar relatando o mesmo fato. Parece ter se torna-
do uma tendência generalizada a proibição do uso de certas peças de roupa nas escolas: shorts, minissaias, 
bermudas curtas e tudo o que possa “evidenciar” o corpo das meninas.
As jovens andam estarrecidas e se questionam sobre o absurdo dessas decisões. Várias vezes querem 
“manifestar”. Já perceberam o poder do ativismo. Pensam em “manifestar”, pois sua geração pegou o 
sentido da política enquanto coisa que se faz tomando as ruas. Essas jovens despertaram para o básico 
elemento da política já na infância. Vivem nos tempos de Malala Youzafzai e sabem muito bem quem ela é.
Sabem que o poder precisa da voz. E que é preciso dizer o que se pensa. [...]
As garotas não se deixam subalternizar e vitimar e, com a roupa que quiserem, vão à luta, sabendo que 
a luta política das mulheres é feminista, e que não tem fim.
Márcia Tiburi. Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/home/2015/09/educacao-para-o-machismo/>. Acesso em: set. 2015.
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No período “Sabem que o poder precisa da voz”:
a. identifique o sujeito da oração principal;
b. indique a função sintática exercida pela oração des-
tacada.
 11. 
Em: “A chuva que caiu à tarde antecipou nossa partida em 
um dia.”, há uma oração subordinada:
a. adverbial temporal.
b. adjetiva restritiva.
c. adverbial consecutiva.
d. substantiva objetiva direta.
e. substantiva completiva nominal.
 12. Unicid-SP 
Leia a frase e responda à questão.
Consta que está de namoro sério com 
uma jovem.
O período cuja oração destacada tem a mesma classifica-
ção da oração em destaque no enunciado é:
a. Quando visita alguém, aceita logo um comprimido.
b. Os médicos lhe asseguram que não há nada.
c. Até parece que andei comendo fogo.
d. Dizem que eu estou doido?
e. Minha alma não tem segredos para ninguém arrancar.
 13. 
Leia a tira e responda à questão.
FE
RN
AN
DO
 G
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De acordo com o diálogo entre as personagens da tira, pode-se encontrar uma oração subordinada substantiva completiva 
nominal em:
a. “dos filhotes dos outros”.
b. “Tenho medo”.
c. “que aconteça alguma coisa”.
d. “Digam alô para o titio”.
e. “de tomar conta”.
 14. PUC-SP
Nos trechos “... não é possível que a notícia da morte me 
deixasse alguma tranquilidade, alívio, e um ou dois minutos 
de prazer” e “Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras”, a 
palavra que está introduzindo, respectivamente, orações:
a. subordinada substantiva subjetiva e subordinada 
substantiva objetiva direta.
b. subordinada substantiva objetiva direta e subordina-
da substantiva objetiva direta.
c. subordinada substantiva subjetiva e subordinada 
substantiva subjetiva.
d. subordinada substantiva completiva nominal e subor-
dinada adjetiva explicativa.
e. subordinada adjetiva explicativa e subordinada subs-
tantiva predicativa.
 15. Mackenzie-SP 
Leiaos trechos e responda à questão.
I. “Também te aconselho a que o faças.” (Camilo Castelo 
Branco)
II. “A ambição e o egoísmo se opõem a que a paz reine 
sobre a terra.” (Nélson Custódio de Oliveira)
III. “Tenho a horrível sensação de que me furam os tímpa-
nos com pontas de ferro.” (Graciliano Ramos)
Sobre as orações destacadas nos períodos, é correto di-
zer que:
a. I e II são substantivas completivas nominais.
b. II e III são substantivas objetivas indiretas.
c. somente II é substantiva objetiva indireta.
d. somente III é substantiva completiva nominal.
e. somente I é substantiva completiva nominal.
 16. FMABC-SP
Sabendo que a oração subordinada substantiva apositiva 
exerce a função de aposto e que este “é um termo de natu-
reza substantiva que se refere a outro, também de natureza 
substantiva”, assinale a alternativa que apresenta uma ora-
ção apositiva.
a. Disse-me: vá embora.
b. Cometeu dois erros, aliás, três.
c. Havia apenas um meio de ajudá-la: contar-lhe a ver-
dade.
d. “Como Sofia falasse das bonitas rosas que possuía, 
Rubião pediu para ir vê-las: era doido por flores.” (Ma-
chado de Assis)
e. Não preciso de ajuda: sei arrumar-me sozinho.
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Módulo 45
Orações subordinadas adjetivas
Exercícios de Aplicação
 01. 
Junte os períodos simples por meio de um pronome rela-
tivo, formando um período composto por subordinação.
a. Conheci a cidade. Você nasceu na cidade.
b. Meu pai será operado pelo dr. Rui. Nós confiamos na 
perícia do dr. Rui.
c. Esta é a flor de seis pétalas. Ignoro o nome desta flor.
d. Aquele era o advogado. Nós confiávamos no advo-
gado.
e. A pessoa não merece suas lágrimas. Você chora pela 
pessoa.
Leia o texto de Italo Calvino e responda às questões 02 
e 03.
As cidades e as trocas
Em Cloé, cidade grande, as pessoas que pas-
sam pelas ruas não se reconhecem. Quando se 
veem, imaginam mil coisas a respeito umas das 
outras, os encontros que poderiam ocorrer en-
tre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, 
as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os 
olhares se cruzam por um segundo e depois se 
desviam, procuram outros olhares, não se fixam. 
[...] Existe uma contínua vibração luxuriosa em 
Cloé, a mais casta das cidades. Se os homens e 
as mulheres começassem a viver os seus sonhos 
efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais 
e começaria uma história de perseguições, de 
ficções, de desentendimentos, de choques, de 
opressões, e o carrossel das fantasias teria fim.
 02. Faap-SP
Na descrição da cidade ficcional de Cloé, notamos algu-
mas similaridades com a vida urbana de nossas grandes ci-
dades, entre elas:
a. a procura alucinada por pessoas com as quais tenha-
mos afinidade, mas que é impossibilitada pela nossa 
timidez.
b. a busca contínua e sempre frustrada de uma apro-
ximação com o outro, o diferente, aquele com quem 
cruzamos nas ruas.
c. a desconfiança de que o outro está querendo se apro-
ximar de nós com uma conversa informal, mas acima 
de tudo buscando descobrir nossos sonhos.
d. o distanciamento entre as pessoas que se cruzam nas 
ruas, apesar da proximidade física nas calçadas, nos se-
máforos e no metrô.
e. o voltar-se para a nossa interioridade como se o ou-
tro não existisse ou fosse um inimigo perigoso, com o 
qual teríamos que nos defrontar em uma luta de vida 
ou morte.
Resolução
a. Conheci a cidade onde (na qual) você nasceu.
b. Meu pai será operado pelo dr. Rui, em cuja perícia nós 
confiamos.
c. Esta é a flor de seis pétalas, cujo nome ignoro.
d. Aquele era o advogado em quem (no qual) nós confiá-
vamos.
e. A pessoa pela qual você chora não merece suas lágri-
mas.
Resolução
A passagem “Em Cloé, cidade grande, as pessoas que 
passam pelas ruas não se reconhecem” confirma a alterna-
tiva correta.
Alternativa correta: D
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 03. Faap-SP
Na primeira linha do texto, encontramos “as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem”. A oração destacada pode 
ser classificada, sintaticamente, como:
a. subordinada substantiva subjetiva.
b. subordinada adjetiva restritiva.
c. coordenada assindética.
d. coordenada sindética aditiva.
e. subordinada adjetiva explicativa.
Exercícios Extras
 04. Insper-SP
Leia o texto e responda à questão.
Fotos, macacos e deuses
Segundo a Wikipédia, o direito autoral do 
autorretrato, o selfie para usar o termo da moda, 
que uma macaca fez com o equipamento que 
furtara de um fotógrafo pertence ao animal. 
A discussão surgiu porque David Slater, o dono 
da máquina, pedira aos editores da enciclopé-
dia que retirassem a imagem por violação de 
direitos autorais. Como piada, a argumentação 
da Wikipédia funciona bem. Receio, porém, que 
essa linha de raciocínio deixe uma fronteira ju-
rídica desguarnecida. Se os direitos pertencem 
à macaca, por que instrumento legal ela os ce-
deu à enciclopédia? Não são, entretanto, ques-
tiúnculas jurídicas que eu gostaria de discutir 
aqui, mas sim a noção de autoria. Obviamente 
ela transcende à propriedade do equipamento. 
Se a foto não tivesse sido tirada por uma ma-
caca, mas por outro fotógrafo com a máquina 
de Slater, ninguém hesitaria em creditar a ima-
gem a esse outro profissional. Só que não é tão 
simples. Imaginemos agora que Slater está an-
dando pela trilha e, sem querer, deixa seu apa-
relho cair no chão, de modo que o disparador 
é acionado. Como que por milagre, a máquina 
registra uma imagem maravilhosa, que ganha 
inúmeros prêmios. Nesse caso, atribuir a foto 
a Slater não viola nossa intuição de autoria, ain-
da que o episódio possa ser descrito como uma 
obra do acaso e não o resultado de uma ação 
voluntária. A questão prática aqui é saber se o 
selfie da macaca está mais para o caso do fotó-
grafo que usa a máquina de outro profis-
sional ou para o golpe de sorte. E é aqui que as 
coisas vão ficando complicadas. Fazê-lo implica 
não só decidir quanta consciência devemos atri-
buir à símia, mas também até que ponto esta-
mos dispostos a admitir que nossas vidas são 
determinadas pelo aleatório. E humanos, por 
razões evolutivas, temos verdadeira alergia ao 
fortuito. Não foi por outro motivo que inventa-
mos tantos panteões de deuses. 
SCHWARTSMAN, Hélio. In: Folha de S.Paulo 9 ago. 2014.
No texto, as orações subordinadas destacadas “que ga-
nha inúmeros prêmios” e, “que usa a máquina de outro profis-
sional” têm, respectivamente, sentido de:
a. consequência e restrição.
b. causa e explicação.
c. explicação e restrição.
d. restrição e consequência.
e. realce e comparação. 
 05. 
No período apresentado, existe um pressuposto que 
pode causar confusão de entendimento.
Meu pai que mora na França veio visitar-nos.
a. Qual é esse pressuposto?
b. Reescreva o período eliminando-o.
Resolução
No contexto, apenas as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem.
Alternativa correta: B
Habilidade
Reconhecer as concepções referentes à formação de orações e períodos compostos, predicados e complementos verbais. 
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Seu espaço
Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 3.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. 
Leia o fragmento de texto e responda à questão.
O século XX inicia-se ampliando as conquis-
tas técnicas e o progresso industrial do século 
anterior. Na sociedade, acentuam-se as dife-
renças entre a alta burguesia e o proletariado. 
O capitalismo organiza-se e surgem os primei-
ros movimentos sindicais que passam a interferir 
nas sociedades industrializadas.
[...]
É nesse contexto complexo, rico em contra-
dições e muitas vezes angustiante, que se desen-
volve a arte do nosso tempo.
SANTOS, Maria das Graças; V. Proença dos. História 
da arte. São Paulo: Ática, 2004.
Reescreva o último período do fragmento,colocando-o na 
ordem direta e retirando o pronome relativo. Faça as altera-
ções necessárias.
 07. PUC-SP
Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade e respon-
da à questão.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que 
[amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para 
[o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou 
[para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto 
[Fernandes
que não tinha entrado na história.
Os dois primeiros versos são marcados, sintaticamente, 
pela presença de orações _________ cujo termo introdutor atua 
como _________. Completa corretamente as lacunas:
a. adjetivas restritivas – conectivo / sujeito
b. sindéticas explicativas – simples / conectivo
c. adverbiais comparativas – simples / conectivo
d. adjetivas explicativas – conectivo / sujeito
e. sindéticas aditivas – simples / conectivo
 08. 
Leia o texto e responda à questão.
João José, o Professor, desde o dia em que 
furtara um livro de histórias numa estante de 
uma casa na Barra, se tornara perito nesses fur-
tos. Nunca, porém, vendia os livros, que ia empi-
lhando num canto do trapiche, sob tijolos, para 
que os ratos não os roessem. Lia-os todos numa 
ânsia que era quase febre. 
Jorge Amado, Capitães da Areia.
Em relação à passagem destacada no trecho “Nunca, po-
rém, vendia os livros, que ia empilhando num canto do trapi-
che”, podemos afirmar que o Professor:
a. empilhava todos os livros furtados num canto do 
trapiche.
b. empilhava apenas os livros que comprava num canto 
do trapiche.
c. empilhava apenas os livros que não lia num canto do 
trapiche.
d. empilhava todos os livros que não lia num canto do 
trapiche.
e. empilhava alguns livros furtados num canto do trapi-
che e lia os outros.
Sobre o módulo
Salientar que as orações subordinadas adjetivas predominam tanto em textos narrativos quanto dissertativos.
Estante
AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos de gramática do português. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
A obra procura retratar a língua escrita viva, ou seja, aquela em que geralmente são escritos os textos de jornais e revistas 
dos grandes centros urbanos, assim como de obras técnicas, científicas e ensaísticas. Trata-se de um padrão de uso razoavel-
mente uniforme em nosso país, cujo domínio é útil aos que necessitam da língua escrita como instrumento de comunicação e 
como meio de acesso aos bens da cultura dita letrada.
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 09. UFPA
No trecho extraído de O guarani, de José de Alencar, “Cecí-
lia [...] viu do lado oposto do rochedo Peri, que a olhava com 
uma admiração ardente”, a oração destacada expressa uma:
a. causa.
b. oposição.
c. condição.
d. lugar.
e. explicação.
 10. 
Leia o trecho do prefácio de Lisbela e o prisioneiro, peça 
teatral de Osman Lins, e responda à questão.
Lisbela, filha do Tenente Guedes, delegado 
da Cadeia de Santo Antão, forma par amoroso 
com o funâmbulo Leléu, um Don Juan nordes-
tino. Esse casal anticonvencional assume riscos 
em nome de sentimentos intensos. Lisbela foge 
com Leléu, no dia de seu casamento com Dr. 
Noêmio, advogado vegetariano, por isso mes-
mo personagem destoante do meio em que se 
encontra, prestando-se a alvo de muitas tiradas 
cômicas. Ao marido, doutor, representante do 
estabelecido e da segurança, a jovem prefere 
Leléu, o artista de circo preso, com tudo o que 
este significa de risco e subversão dos valores 
vigentes em seu meio.
Vocabulário
Funâmbulo: equilibrista que anda na corda bamba ou 
arame.
Na passagem “Lisbela foge com Leléu, no dia de seu ca-
samento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso 
mesmo personagem destoante”, o termo destacado é um 
aposto. Reescreva o trecho, transformando o aposto em ora-
ção subordinada adjetiva explicativa.
 11. 
Leia a manchete e faça o que se pede.
Todos os brasileiros, que moram no 
Paraguai, participaram dos festejos.
a. Explique qual é o erro de sentido expresso na manchete. 
b. Reescreva a manchete corretamente.
 12. IFPA
Leia o texto e responda à questão.
Letramentos e educação
Com as novas tecnologias, a comunicação 
mudou e muitos são os desafios colocados para 
a escola. Os principais são tornar o aluno um 
produtor de conteúdo (considerando toda a di-
versidade de linguagem) e um ser crítico. Vídeos 
que mostram um acontecimento, como a queda 
de um meteorito na Terra, ou que transmitem 
em tempo real uma posse presidencial. Fotos 
que revelam a cultura de um povo. Áudios que 
contam as notícias mais importantes da sema-
na. A sociedade contemporânea está imersa 
nas novas linguagens (algumas não tão novas 
assim). As informações deixaram de chegar úni-
ca e exclusivamente por texto. Tabelas, gráficos, 
infográficos, ensaios fotográficos, reportagens 
visuais e tantas outras maneiras de comunicar 
estão disponíveis a um novo leitor. O objetivo 
maior da informação, seja para fins educacio-
nais, informativos ou mesmo de entretenimento, 
é atingir de maneira eficaz o interlocutor.
Às práticas letradas que fazem uso dessas di-
ferentes mídias e, consequentemente, de diver-
sas linguagens, incluindo aquelas que circulam 
nas mais variadas culturas, deu-se o nome de 
multiletramentos. Segundo a professora Roxane 
Rojo, esses recursos são “interativos e colabora-
tivos; fraturam e transgridem as relações de po-
der estabelecidas, em especial as de propriedade 
(das máquinas, das ferramentas, das ideias, dos 
textos), sejam eles verbais ou não; são híbridos, 
fronteiriços e mestiços (de linguagens, modos, 
mídias e culturas)”. 
Assim como na sociedade, os multiletramen-
tos também estão presentes nas salas de aula. 
O papel da instituição escolar, diante do contexto, 
é abrir espaços para que os alunos possam ex-
perimentar essas variadas práticas de letramento 
como consumidores e produtores de informa-
ção, além de discuti-la criticamente. “Vivemos 
em um mundo em que se espera (empregadores, 
professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas 
saibam guiar suas próprias aprendizagens na dire-
ção do possível, do necessário e do desejável, que 
tenham autonomia e saibam buscar como e o que 
aprender, que tenham flexibilidade e consigam 
colaborar com a urbanidade”, enfatiza Roxane. 
No trecho: “Vivemos em um mundo em que se espera 
(empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as 
pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção 
do possível, do necessário e do desejável”, podemos substi-
tuir a expressão destacada, sem prejuízo de sentido, por:
a. no qual.
b. porque.
c. quando.
d. conforme.
e. aonde.
 13. Unirio-RJ
Leia o trecho do romance A escrava Isaura, de Bernardo 
Guimarães, e responda à questão.
Malvina aproximou-se de manso e sem ser 
pressentida para junto da cantora, colocando-se 
por detrás dela esperou que terminasse a última 
copla.
— Isaura!... disse ela pousando de leve a deli-
cada mãozinha sobre o ombro da cantora.
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— Ah! é a senhora?! — respondeu Isaura vol-
tando-se sobressaltada. — Não sabia que estava 
aí me escutando.
— Pois que tem isso?.., continua a cantar... 
tens a voz tão bonita!... mas eu antes quisera que 
cantasses outra coisa; por que é que você gosta 
tanto dessa cantiga tão triste, que você aprendeu 
não sei onde?...
— Gosto dela, porque acho-a bonita e por-
que... ah! não devo falar...
— Fala, Isaura. Já não te disse que nada me 
deves esconder, e nada recear de mim?...
— Porque me faz lembrar de minha mãe, 
que eu não conheci, coitada!... Mas se a se-
nhora não gosta dessa cantiga, não a cantarei 
mais.
— Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão 
de pensar que és maltratada, que és uma escra-
va infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. 
Entretanto passas aqui uma vida que faria inve-
ja a muita gente livre. Gozas da estima de teus 
senhores. Deram-teuma educação, como não 
tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu co-
nheço. És formosa, e tens uma cor linda, que nin-
guém dirá que gira em tuas veias uma só gota de 
sangue africano. Bem sabes quanto minha boa 
sogra antes de expirar te recomendava a mim e 
a meu marido. Hei de respeitar sempre as reco-
mendações daquela santa mulher, e tu bem vês, 
sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! não; 
não cabe em tua boca essa cantiga lastimosa, 
que tanto gostas de cantar. Não quero, – conti-
nuou em tom de branda repreensão, – não quero 
que a cantes mais, ouviste, Isaura?... se não, fe-
cho-te o meu piano.
— Mas, senhora, apesar de tudo isso, que 
sou eu mais do que uma simples escrava? Essa 
educação, que me deram, e essa beleza, que 
tanto me gabam, de que me servem?... São 
trastes de luxo colocados na senzala do africa-
no. A senzala nem por isso deixa de ser o que 
é: uma senzala.
— Queixas-te da tua sorte, Isaura?...
— Eu não, senhora; não tenho motivo... o que 
quero dizer com isto é que, apesar de todos es-
ses dotes e vantagens, que me atribuem, sei co-
nhecer o meu lugar.
Vocabulário
Copla: estrofe de poesia ou canção popular espanhola.
Na última fala da personagem Isaura, o uso de vírgulas 
limitando a oração adjetiva produz um efeito semântico 
que pode ser descrito da seguinte maneira:
a. Embora saiba o que dizem a respeito dela, Isaura con-
tinua se considerando uma escrava.
b. Se Isaura não se queixa, é porque reconhece o valor 
de seus dotes e vantagens no tipo de sociedade da 
época.
c. Ainda que Isaura seja uma escrava, os atributos e as 
vantagens tornaram-na grata pelo que lhe deram.
d. Mesmo conhecendo o que dizem a respeito dela, Isau-
ra não compartilha do valor que a sociedade dá aos 
seus dotes e às suas vantagens.
e. À medida que considera seus dotes e atributos, Isaura 
se sente impedida de reclamar, porque conhece seu 
lugar de escrava.
 14. Farias Brito-SP
Leia o período e responda à questão.
O homem que cala e ouve não dissipa o que 
sabe e aprende o que ignora.
Marquês de Maricá, Máximas. 
Separando por barras (/) as orações desse período, 
teremos:
a. O homem que cala / e ouve / não dissipa o que sabe 
/ e aprende o que ignora.
b. O homem / que cala e ouve / não dissipa / o que 
sabe e aprende / o que ignora.
c. O homem que / cala e ouve / não dissipa o que sabe 
/ e aprende o que ignora.
d. O homem que cala e ouve / não dissipa o que sabe / 
e aprende o que ignora.
e. O homem / que cala / e ouve / não dissipa o / que 
sabe / e aprende o / que ignora.
 15. 
Leia o fragmento do conto “A cartomante”, de Machado 
de Assis, e responda à questão.
Hamlet observa a Horácio que há mais coi-
sas no céu e na terra do que sonha a nossa 
filosofia. Era a mesma explicação que dava a 
bela Rita ao moço Camilo [...] quando este ria 
dela, por ter ido na véspera consultar uma car-
tomante; a diferença é que o fazia por outras 
palavras.
— Ria, ria. Os homens são assim; não acre-
ditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela 
adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo 
que eu lhe dissesse o que era. Apenas come-
çou a botar as cartas, disse-me: “A senhora 
gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e 
então ela continuou a botar as cartas, com-
binou-as, e no fim declarou-me que eu tinha 
medo de que você me esquecesse, mas que 
não era verdade...
— Errou! Interrompeu Camilo, rindo.
— Não diga isso, Camilo. Se você soubesse 
como eu tenho andado, por sua causa. Você 
sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
[...]
Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não 
queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, 
em criança, e ainda depois, foi supersticioso, 
teve um arsenal inteiro de crendices, que a 
mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapa-
receram. No dia em que deixou cair toda essa 
vegetação parasita, e ficou só o tronco da reli-
gião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos 
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os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e 
logo depois em uma só negação total. Camilo 
não acreditava em nada. Por quê? Não poderia 
dizê-lo, não possuía um só argumento; limita-
va-se a negar tudo.
Assinale a alternativa que contém uma oração subor-
dinada adjetiva.
a. “... do que sonha a nossa filosofia.”
b. “... adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo 
que eu lhe dissesse...”
c. “... declarou-me que eu tinha medo...”
d. “... de que você me esquecesse...”
e. “... um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe 
incutiu...”
 16. 
Em qual das alternativas se apresenta uma oração su-
bordinada adjetiva explicativa?
a. Fui buscar minha filha que estuda à noite.
b. A água que brota dessa nascente é realmente pura.
c. Conversei com meu primo que mora no interior do 
estado.
d. O leão, que é um predador das savanas, corre risco 
de extinção.
e. As imagens recentes que nos chegaram via satélite 
estavam perfeitas.
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253
Capítulo 36 ................30
Módulo 85 .............. 35
Módulo 86 ..............38
Capítulo 37 ................42
Módulo 87 ..............48
Módulo 88 .............. 52
Módulo 89 ..............57
Módulo 90 .............. 61
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• Observar as relações entre as 
características discursivas e ideológicas 
de obras do Modernismo brasileiro e 
o contexto histórico de sua produção, 
circulação e recepção. Reconhecer e 
caracterizar a contribuição dos principais 
autores do Modernismo brasileiro 
para a literatura nacional.
• Justifi car a presença, em um texto, de 
marcas de variação linguística, no que 
diz respeito aos fatores geográfi cos, 
históricos, sociológicos ou técnicos, do 
ponto de vista da fonética, do léxico, da 
morfologia ou da sintaxe.
• Compreender valores, ideologias e 
propostas estéticas representados 
em obras literárias do Modernismo 
brasileiro.
1. Semana de Arte Moderna 32
2. Primeira geração do Modernismo: carac-
terísticas 32
3. Organizador gráfico 34
Módulo 85 – Semana de Arte Moderna 35
Módulo 86 – Primeira geração do 
Modernismo: características 38
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Com a tela O café, Portinari obteve seu primeiro reconhecimento no exte-
rior. Ele participou ativamente da elite intelectual brasileira em um período de 
significativa mudança cultural e estética, e a temática social permeou toda a 
sua obra. Em meio a muitas dificuldades, artistas como ele conseguiram nos 
deixar como herança uma arte tipicamente brasileira.
A consciência da arte brasileira 36
Candido Portinari, O café, 1935.
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1. Semana de Arte Moderna
A Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o mar-
co inicial do Modernismo no Brasil.
Esse movimento, conhecido não só por seu ideal artístico, 
mas também pelo político e social, aconteceu em um momen-
to de contraste no cenário do País: de um lado, os proprietários 
rurais de São Paulo e Minas Gerais, fortalecidos pela economia 
cafeeira, e, de outro, a burguesia industrial, que tinha interes-
ses urbanos, em particular na cidade de São Paulo.
Ao mesmo tempo, o número de imigrantes europeus au-
mentava nas regiões prósperas do Brasil, tanto na rural ca-
feeira quanto na urbana industrial.
Nesse contexto, surgiu o Modernismo, motivado pela in-
satisfação com a cultura vigente, que se submetia aos mode-
los estrangeiros, e pela necessidade de uma arte “com a cara” 
brasileira. Para os modernistas, era necessário, também, 
romper com o academicismo literário, isto é, com a perfeição 
formal e com o lirismo exagerado. A forma poética passou a 
aceitar versos livres e brancos,que saíam dos moldes tradi-
cionais acadêmicos.
Apesar de Lasar Segall e Anita Malfatti terem realizado 
exposições expressionistas antes de 1917, foi apenas nesse 
ano, com outra exposição de Anita, que a inovação da arte teve 
espaço, propiciando o reconhecimento das novas tendências. 
Foi por iniciativa do empresário Paulo Prado e de Di Cavalcanti 
que se começou a pregar a nova arte e a temática nativista.
Desse movimento de três dias, no Teatro Municipal de São 
Paulo, participaram pintores, escultores, literatos, arquitetos 
e intelectuais em geral. Graça Aranha teve a iniciativa, e apre-
sentaram-se com ele os artistas Mário de Andrade, Oswald de 
Andrade, Manuel Bandeira e Tarsila do Amaral. Havia exposi-
ção de pinturas de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz e 
Vicente do Rego Monteiro e esculturas de Victor Brecheret, 
além das músicas de Villa-Lobos e Ernani Braga. Essa mani-
festação artística causou impacto e foi mal recebida pela elite 
paulista, mas possibilitou a abertura de um debate a respeito 
da difusão de novas ideias para a arte nacional.
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Anita Malfatti, A boba, 1916.
2. Primeira geração do 
Modernismo: características
A primeira fase do movimento modernista no Brasil ocor-
reu de 1922 até 1930, tendo início logo após a Semana de 
Arte Moderna.
O Modernismo traz propostas inovadoras para a arte 
e para a sociedade em geral, como reconstruir a cultura 
brasileira sobre bases nacionais, revisar de forma crítica 
o passado histórico e as tradições, eliminar a ideia fixa de 
colonizados, apegados aos valores estrangeiros.
Com essa nova tendência, surgiram quatro movimen-
tos: Pau-Brasil e Antropofágico, criados por Oswald de 
Andrade com intuito de um nacionalismo crítico; Verde-
-Amarelo e Grupo da Anta, criados por Plínio Salgado, que 
propunha um nacionalismo fascista e ufanista, contrário 
ao de Oswald.
O Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado por Oswald 
de Andrade no jornal Correio da manhã, propunha uma revi-
são crítica do passado histórico e cultural, valorizando as ri-
quezas e os contrastes existentes na realidade e na cultura 
brasileira.
Com o Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade faz 
referência ao ritual indígena de se alimentar do inimigo para 
lhe extrair força, pois mostra a devoração simbólica da cultura 
do colonizador europeu, cuidando para não perder a identida-
de brasileira.
De acordo com o manifesto publicado por Oswald de An-
drade na Revista de antropofagia:
Só a antropofagia nos une. Socialmente. Eco-
nomicamente. Filosoficamente. 
Única lei do mundo. Expressão mascarada 
de todos os individualismos, de todos os coleti-
vismos. De todas as religiões. De todos os tra-
tados de paz. 
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe 
dos Gracos. 
Só me interessa o que não é meu. Lei do ho-
mem. Lei do antropófago. 
Estamos fatigados de todos os maridos cató-
licos suspeitos postos em drama. Freud acabou 
com o enigma mulher e com os sustos da psico-
logia impressa. 
O que atropelava a verdade era a roupa, o 
impermeável entre o mundo interior e o mundo 
exterior. A reação contra o homem vestido. O ci-
nema americano informará. 
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontra-
dos e amados ferozmente, com toda a hipocri-
sia da saudade, pelos imigrados, pelos trafica-
dos e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem 
coleções de velhos vegetais. E nunca soube-
mos o que era urbano, suburbano, fronteiriço 
e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do 
Brasil.
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Abaporu, 1928. Manifesto Antropofágico expresso na pintura de 
Tarsila do Amaral, na época esposa de Oswald de Andrade.
Opondo-se a esses dois movimentos, o Verde-Amarelo e 
o Grupo da Anta propunham um nacionalismo ufanista, em 
reação ao nacionalismo crítico de Oswald de Andrade. Foram 
liderados, principalmente, por Plínio Salgado e Menotti Del 
Picchia. 
Dentre vários escritores da primeira geração do Moder-
nismo, destacam-se Oswald de Andrade, Mário de Andrade, 
Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Raul Bopp, Ronald de 
Carvalho e Guilherme de Almeida.
Conheça a minissérie Um só coração, baseada na 
biografia da artista plástica Anita Malfatti (interpretada 
por Betty Gofman) e de outros integrantes do movimen-
to modernista brasileiro, como Oswald de Andrade, Mário 
de Andrade e Tarsila do Amaral. A obra mostra os eventos 
significativos que transformaram o painel cultural de São 
Paulo e, consequentemente, do Brasil, como a Semana de 
Arte Moderna.
 01. FCMSC-SP
Leia o texto e responda à questão.
3 de maio
Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi.
Oswald de Andrade
As cinco alternativas apresentam afirmações extraídas do Manifesto da Poesia Pau-Brasil. Assinale a que está relacionada 
com o poema “3 de maio”.
a. “Só não se inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.”
b. “... contra a morbidez romântica – pelo equilíbrio geômetro e pelo acabamento técnico.”
c. “Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com os olhos livres.”
d. “A poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas...”
e. “Temos a base dupla e presente – a floresta e a escola.”
Resolução
O último verso, “Das coisas que eu nunca vi.”, associa-se à citação “Nenhuma fórmula para a contemporânea ex-
pressão do mundo. Ver com os olhos livres.”, o que pressupõe uma nova visão da realidade, partindo de um novo come-
ço, sem o ranço dos conceitos estabelecidos.
Alternativa correta: C
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3. Organizador gráfico 
Apenas
texto
Oswald de Andrade
Mário de Andrade
Manuel Bandeira
CaracterísticasTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico
Principais autores
Primeira geração
do Modernismo:
movimentos
Pau-Brasil,
Verde-Amarelo,
Antropofágico e
Grupo da Anta.
Semana de Arte
Moderna – 1922
Marco inicial do
Modernismo no Brasil
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Módulo 85
Semana de Arte Moderna
Exercícios de Aplicação
 01. PUC-RJ 
O movimento artístico-literário que mobilizou parcela sig-
nificativa da intelectualidade brasileira durante a década de 
1920 e procurou romper com os padrões europeus da criação 
tinha como proposta:
I. a tentativa de buscar um conteúdo mais popular para 
a problemática presente nas diferentes formas de ma-
nifestação artística;
II. a tentativa de recuperação das idealizações românti-
cas ligadas à temática do índio brasileiro;
III. a valorização do passado colonial, ressaltada a in-
fluência portuguesa sobre a sintaxe;
IV. a tentativa de constituição, no campo das artes, da 
problemática da nacionalidade, ressaltadas as pecu-
liaridades do povo brasileiro;
V. a desvalorização da problemática regionalista, conti-
da nas lendas e mitos brasileiros.
a. Somente I e IV estão corretas.
b. Somente I e V estão corretas.
c. Somente II e III estão corretas.
d. Somente III e IV estão corretas.
e. Somente II e V estão corretas.
( ) O escritor GraçaAranha foi quem abriu o evento, com 
sua conferência inaugural “A emoção estética na arte 
moderna”; em seguida, apresentou suas obras Pauli-
ceia desvairada e Amar, verbo intransitivo.
( ) O maestro e compositor Villa-Lobos foi um dos mais 
importantes e atuantes participantes da Semana.
( ) As esculturas de Brecheret, impregnadas de moder-
nidade, foram um dos estandartes da Semana; sua 
maquete do Movimento às Bandeiras foi recusada 
pelas autoridades paulistas; hoje, é umas das escul-
turas públicas mais admiradas em São Paulo.
a. V – F – V – F – V
b. F – F – V – V – V
c. F – V – F – V – V 
d. V – V – F – V – F
e. V – V – V – V – V
 02. UDESC
A Semana de Arte Moderna de 1922 tinha como propósi-
to renovar o ambiente artístico e cultural do País, produzindo 
uma arte brasileira afinada com as tendências vanguardistas 
europeias, sem, contudo, perder o caráter nacional; para isso, 
contou com a participação de escritores, artistas plásticos, 
músicos, entre outros. 
Sobre a Semana de Arte Moderna, marque V para verda-
deiro, F para falso e assinale a alternativa que apresenta a 
sequência correta.
( ) O movimento modernista buscava resgatar alguns 
pontos em comum com o Barroco, como os contos 
sobre a natureza; e com o Parnasianismo, como o es-
tilo simples da linguagem.
( ) A exposição da artista plástica Anita Malfatti repre-
sentou um marco para o Modernismo brasileiro; 
suas obras apresentavam tendências vanguardis-
tas europeias, o que, de certa forma, chocou grande 
parte do público; foi criticada pela corrente conser-
vadora, mas despertou os jovens para a renovação 
da arte brasileira.
 03. 
Entre as propostas dos artistas da Semana de Arte Mo-
derna, está:
a. a adesão ao Futurismo, movimento de vanguarda com 
origem nos Estados Unidos. 
b. a renovação da linguagem na arte brasileira, incluindo 
literatura, escultura, música e pintura.
c. uma reforma ortográfica que privilegiasse a comuni-
cação oral da língua portuguesa. 
d. a renovação estética, sobretudo das artes plásticas brasi-
leiras, incluindo pintura, escultura, arquitetura e cinema.
e. a inovação literária, abordando aspectos clássicos, já 
que o momento não rompe totalmente com o passado.
Resolução
No início da década de 1920, a intenção dos artistas era 
valorizar o nacional e alcançar uma arte com aspectos tipica-
mente brasileiros.
Alternativa correta: A
Resolução
O Modernismo não retoma moldes literários, e as obras 
Pauliceia desvairada e Amor, verbo intransitivo são de Mário 
de Andrade.
Alternativa correta: C
Resolução
A intenção dos artistas da Semana de Arte Moderna era 
renovar a linguagem e os conceitos formais, conectando a 
arte à realidade nacional.
Alternativa correta: B
Habilidade
Observar as relações entre as características discursivas 
e ideológicas de obras do Modernismo brasileiro e o contexto 
histórico de sua produção, circulação e recepção. Reconhecer 
e caracterizar a contribuição dos principais autores do Moder-
nismo brasileiro para a literatura nacional.
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Exercícios Extras
 04. 
O poeta Mário de Andrade foi vaiado na Semana de Arte 
Moderna ao recitar o poema “Ode ao burguês”. Esse texto:
a. elogia a burguesia, mostrando que, sem ela, São Paulo 
não se desenvolveria. 
b. mostra como a burguesia deve ser mais solidária com 
os pobres.
c. lamenta o fato de que ainda não havia, na época, uma 
burguesia no País.
d. conclui que a raiz da cultura brasileira está na visão de 
mundo do burguês.
e. critica o espírito burguês, que torna tudo a sua volta 
mercadoria.
 05. 
“Os sapos”, poema de Manuel Bandeira lido durante a 
Semana de Arte Moderna e vaiado pelo público, satiriza um 
período literário que se estendeu até o começo do século XX.
Trata-se do: 
a. Parnasianismo.
b. Simbolismo.
c. Impressionismo.
d. Romantismo.
e. Pré-Modernismo.
Seu espaço
Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 1.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. 
Qual foi a recepção dos artistas da Semana de Arte Mo-
derna pelo público nas apresentações? Por quê?
 07. 
Assinale o que for incorreto quanto às ideias divulgadas 
pelos artistas da Semana de Arte Moderna.
a. Desejo de expressão livre e tendência para trans-
mitir, sem as belezas e idealizações tradicionais do 
academismo, a emoção e a realidade do País.
b. Rejeição dos padrões europeus, buscando uma ex-
pressão coloquial, próxima do falar brasileiro.
c. Combate a tudo que indicasse o conhecido, o status quo.
d. Retomada e manutenção da temática simbolista e 
parnasiana.
e. Valorização do prosaico e do humor, que melhorou a 
atmosfera sobrecarregada pelos acadêmicos.
Sobre o módulo
É importante mostrar ao aluno que as vaias aos artis-
tas da Semana de Arte Moderna ocorreram porque o públi-
co rejeitou inicialmente a intenção renovadora modernis-
ta, em razão do grande estranhamento que essa proposta 
lhe causou.
Na web
Para comemorar os 80 anos da Semana de Arte Moderna 
de 1922, a TV Cultura produziu este programa, que destaca os 
principais fatos, personagens, atos e efeitos do movimento 
modernista:
<https://www.youtube.com/watch?v=LdO_ebONK9I>
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 08. 
Ainda que criticasse o panorama cultural, a Semana 
de 1922 também abrigou tendências conservadoras. Uma 
delas foi:
a. o Surrealismo, que valorizava a importância do sonho, 
entre outros elementos oníricos, na arte.
b. o Dadaísmo, que defendia o acaso como elemento for-
mador de significados estéticos.
c. o Verde-Amarelo, que propunha o nacionalismo como 
postura artística. 
d. o Futurismo, que se fundamentava no entusiasmo 
com as possibilidades culturais trazidas pelas inova-
ções tecnológicas.
e. o Expressionismo, que valorizava o exagero para au-
mentar o impacto da obra de arte. 
 09. 
Um dos principais artistas modernistas, cuja obra ini-
cialmente foi rejeitada pelo público, por criticar as atividades 
mercantis da burguesia, foi:
a. Manuel Bandeira.
b. Graça Aranha.
c. Paulo Prado.
d. Oswald de Andrade.
e. Mário de Andrade.
 10. 
Quais eram as intenções estéticas dos artistas da Sema-
na de Arte Moderna?
 11. 
Desde Villa-Lobos e Guiomar Novaes, na música, até Os-
wald de Andrade e Brecheret, na literatura e na escultura, a 
Semana de 1922 reuniu os principais representantes do Mo-
dernismo. A leitura de um poema de Manuel Bandeira, de crí-
tica ao Parnasianismo, foi recebida pelo público com muitas 
vaias. O nome desse poema é:
a. “Os sapos”. 
b. “No meio do caminho”.
c. “Sábios parnasianos”.
d. “Vou-me embora pra Pasárgada”.
e. “Ode ao burguês”.
 12. 
A Semana de Arte Moderna (1922) surgiu de uma rejeição 
ao chamado colonialismo mental, pregava maior fidelidade à 
realidade brasileira e valorizava, sobretudo, o regionalismo. 
Com isso, pode-se afirmar que:
a. o romance regional assumiu características de exal-
tação, retratando os aspectos românticos da vida 
sertaneja.
b. a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valo-
rização de estéticas clássicas.
c. o movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os te-
mas nacionais e reinterpretando a realidade brasileira.
d. os modelos arquitetônicos do período buscaram sua 
inspiração na tradição do Barroco português.
e. a preocupação dominante dos autores era com o re-
trato dos males da colonização.
 13. 
No Brasil, o descontentamento com a estética parnasiana 
originou a Semana de Arte Moderna, na qual foi predominante a 
literatura. Um autor que não fez parte desse movimento foi:
a. Oswald de Andrade.
b. Euclides da Cunha. 
c. Manuel Bandeira. 
d. Graça Aranha.
e. Mário de Andrade.
 14. 
Em 29 de janeiro de 1922, o jornal O Estado de S. Paulo 
noticiava:
Por iniciativa do festejado escritor Sr. Graça 
Aranha, da Academia Brasileira de Letras, have-
rá em São Paulo uma Semana de Arte Moderna,em que tomarão parte os artistas que, em nosso 
meio, representam as mais modernas correntes 
artísticas.
Com base nesse período, marque V para verdadeiro e F 
para falso.
( ) O primitivismo nacionalista da Antropofagia e do Verde-
-Amarelo foi a primeira diversificação do Modernismo.
( ) Logo após a semana de que fala o texto, nas revistas 
do movimento começaram-se a vislumbrar as pri-
meiras tendências dos autores de então.
( ) Menotti Del Picchia e Plínio Salgado focalizaram as 
fontes nacionalistas, na valorização da raça, do san-
gue e dos heróis nacionais.
( ) A Semana reuniu jovens modernistas em uma expo-
sição de arte literária, plástica, musical e de dança, 
mas não pode ser considerada como início oficial do 
Modernismo brasileiro.
 15. 
Autor do poema “Juca Mulato”, de 1917, deu palestras so-
bre estética modernista na Semana de Arte Moderna e, mais 
tarde, alinhou-se a uma corrente nacionalista do Modernis-
mo, o Verde-Amarelo. Trata-se de:
a. Cassiano Ricardo.
b. Graciliano Ramos.
c. Plínio Salgado.
d. Menotti Del Picchia.
e. Manuel Bandeira.
 16. UEL-PR
O principal objetivo da Semana de Arte Moderna de 1922 era: 
a. difundir a convicção estética e política de modernizar 
a arte brasileira, buscando criar uma cultura nacional 
pura, com mitos nacionais na literatura. 
b. celebrar a cultura nacional como base ideológica e 
romper com as correntes artísticas europeias que do-
minavam a arte brasileira.
c. retomar a arte acadêmica como forma de oposição 
ao Barroco, celebrado até então como verdadeira 
arte nacional. 
d. usar o nacionalismo romântico com sua busca por 
uma “cor local” como principal referência para se criar 
uma arte nacional. 
e. romper com a influência das culturas “primitivas”, 
buscando aliar nossa arte à vanguarda europeia.
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Módulo 86
Primeira geração do Modernismo: características
Exercícios de Aplicação
 01. Enem
Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão.
O trovador
Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras...
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal...
Intermitentemente...
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som
[redondo...
Cantabona! Cantabona!
Dlorom...
Sou um tupi tangendo um alaúde!
Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é 
recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em “O 
trovador”, esse aspecto é:
a. abordado subliminarmente, por meio de expressões 
como “coração arlequinal” que, evocando o Carnaval, 
remete à brasilidade.
b. verificado já no título, que remete aos repentistas nor-
destinos, estudados por Mário de Andrade em suas 
viagens e pesquisas folclóricas.
c. lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões 
como “Sentimentos em mim do asperamente”, “frio” e 
“alma doente” como pelo som triste do alaúde, “Dlorom”.
d. problematizado na oposição tupi (selvagem) × alaúde 
(civilizado), apontando a síntese nacional que seria 
proposta no Manifesto Antropofágico, de Oswald de 
Andrade.
e. exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos 
homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho 
brasileiro por suas raízes indígenas.
 02. 
Estão entre os principais representantes da poesia mo-
dernista da primeira fase:
a. Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Mário de 
Andrade.
b. Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Adélia Prado.
c. Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade.
d. Oswald de Andrade, Ferreira Gullar e Olavo Bilac.
e. Tarsila do Amaral, Monteiro Lobato e Mário de Andrade.
Resolução
A identidade nacional aparece problematizada na oposição 
tupi × alaúde. O Manifesto Antropofágico propõe “devoração 
simbólica da cultura do colonizador europeu, cuidando para 
não perder a identidade brasileira”. É o que sugere a figura do 
índio (brasilidade) tocando alaúde (influência europeia).
Alternativa correta: D
Resolução
Os três autores citados na alternativa C são poetas da pri-
meira geração modernista.
Alternativa correta: C
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Exercícios Extras
 04. ITA-SP (adaptado)
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Na macumba do Encantado
Nego veio de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta!
Sobre o poema, assinale a alternativa incorreta. 
a. Ausência de preconceitos contra os chamados ele-
mentos “apoéticos”.
b. Enumeração caótica, ou seja, acúmulo de palavras 
sem ligação evidente entre elas.
c. Infração das normas de pontuação e opção pela in-
formalidade.
d. Busca de uma expressão mais coloquial, próxima do 
modo de falar brasileiro.
e. Incorporação do cotidiano, do prosaico, do grosseiro, 
do vulgar.
 05. 
Leia o texto e responda à questão.
Naquele momento a ideia da prisão dava-
-me quase prazer: via ali um princípio de li-
berdade. Eximira-me do parecer, do ofício, da 
estampilha, dos horríveis cumprimentos ao 
deputado e ao senador; iria escapar a outras 
maçadas, gotas espessas, amargas, corrosivas. 
Graciliano Ramos, Memórias do cárcere.
Mesmo pertencendo à segunda geração modernista, 
Graciliano Ramos expõe, por meio de seu narrador, um 
desejo que os primeiros modernistas tinham, a saber, o 
desejo de:
a. modificações linguísticas.
b. estudo histórico.
c. abordagem de aspectos regionais.
d. descumprimento de formalidades.
e. avanço tecnológico.
 03. 
A principal característica da primeira geração modernista é:
a. o historicismo.
b. o rebuscamento linguístico.
c. a libertação estética.
d. o regionalismo.
e. o indianismo.
Resolução 
Uma das principais características da primeira geração 
modernista é a busca pela libertação estética, rompendo com 
os modelos parnasianos.
Alternativa correta: C
Habilidade
Observar as relações entre as características discursivas 
e ideológicas de obras do Modernismo brasileiro e o contexto 
histórico de sua produção, circulação e recepção. Reconhecer 
e caracterizar a contribuição dos principais autores do Moder-
nismo brasileiro para a literatura nacional.
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Seu espaço
Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 2.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. Unifran-SP (adaptado)
O Modernismo no Brasil revolucionou a literatura, perdu-
rando por várias décadas. Assinale a alternativa que apresen-
ta declarações concernentes a esse movimento.
a. Na primeira fase do movimento, surgiram grandes 
poetas, mas destaca-se especialmente o chamado 
“romance revolucionário” ou “romance modernista”.
b. Oswald de Andrade, escritor e poeta paulista, foi um 
dos autores mais marcantes da segunda fase. Seu 
texto foi dos mais inovadores e corrosivos da estética 
regionalista.
c. A primeira fase do movimento foi marcada pela desin-
tegração da linguagem tradicional em razão da busca 
da expressão regional e da adoção das conquistas de 
vanguarda.
d. Apesar das inovações, esse movimento teve o cuida-
do de conservar alguns valores estéticos do passado. 
e. Esse movimento foi iniciado com a Semana de Arte 
Moderna, em 1922, englobando várias artes: litera-
tura, música, pintura e escultura. O polo principal 
foi São Paulo, na época já um florescente parque 
industrial.
 07. UFV-MG
Assinale a alternativa em que há uma característica que 
não corresponde ao Modernismo em sua primeira fase.
a. Ruptura radical e audaciosa em relação às posições 
estéticas do passado, quebra total da rotina literária.
b. Caráter turbulento, polemista, de demolição de va-
lores.
c. Exaltação exagerada de fatores como mocidade e tem-
po; o novo, nessa fase, foi erigido como um valor em si.
d. Movimento de inquietação e de insatisfação; os no-
vos se lançaram à luta em nome da originalidade,da 
liberdade de pesquisa estética e do direito de “errar”.
e. Apesar de toda a radicalidade do grupo, é unânime 
a preocupação dos modernistas com o purismo 
da linguagem.
 08. PUC-MG
Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon-
da à questão.
Na feira-livre do arrebaldezinho
um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
— O melhor divertimento para as crianças!
Em redor dele há um ajuntamento de menini-
[nhos pobres…
Não é característica presente na estrofe:
a. a valorização de fatos e elementos do cotidiano.
b. a utilização do verso livre.
c. a linguagem despreocupada, sem palavras raras.
d. a preocupação social.
e. a metalinguagem.
 09. FMTM-MG (adaptado)
A literatura da década de 1920 apresentou:
a. diversas correntes estéticas convivendo juntas.
b. as obras dos melhores poetas parnasianos. 
c. o domínio da prosa sobre a poesia.
d. o cotidiano brasileiro abordado em linguagem simples. 
e. a prosa voltada para problemas sociais e regionais 
específicos.
Sobre o módulo
Destaque os principais representantes da primeira geração do Modernismo, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e 
Manuel Bandeira na literatura e Tarsila do Amaral e Anita Malfatti na pintura.
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Macunaíma é obra:
a. do Pré-Modernismo brasileiro, visto que registra preo-
cupação com as dificuldades dos emigrantes na cida-
de de São Paulo.
b. da primeira geração modernista, porque procura res-
gatar manifestações culturais brasileiras.
c. da segunda geração modernista, uma vez que os pro-
blemas políticos brasileiros aí se fazem presentes.
d. do movimento futurista brasileiro, visando romper, de 
maneira excessivamente agressiva, com a tradição 
literária brasileira.
e. do Movimento Pau-Brasil, uma vez que o primitivismo 
é apontado como solução para os problemas da cultu-
ra brasileira.
 11. Fiube-MG
A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase:
a. utiliza-se de vocabulário sempre vago e ambíguo, 
que apreenda estados de espírito, subjetivos e in-
definíveis.
b. faz uma síntese dos pressupostos poéticos que nor-
teavam a linguagem parnasiano-simbolista.
c. incentiva a pesquisa formal com base nas conquistas 
parnasianas, a ela anteriores.
d. enriquece e dinamiza a linguagem, inspirando-se na 
sintaxe clássica.
e. confere ao nível coloquial da fala brasileira a categoria 
de valor literário.
 12. FESP-PE
Leia o texto e responda à questão.
Quando as casas baixarem de preço,
Laura Moura, prenda minha,
Uma delas será sua sem favor.
Lá fora a bulha da cidade
Disfarçará nosso prazer...
E a gente, numa rede maranhense,
Ao som dum jazz bem blue,
Balancearemos no calor da noite,
Sonhando com o sertão. 
Assinale a alternativa que não constitui característica do 
Modernismo e que, assim, não se aplica ao texto apresentado.
a. Valorização poética de aspectos da realidade tradicio-
nalmente considerados prosaicos.
b. Utilização de versos simétricos, porém brancos.
c. Integração na nossa cultura de manifestações artísti-
cas estrangeiras.
d. Síntese poética da nacionalidade pela integração de 
diversos aspectos culturais do País.
e. Aproximação dos padrões da linguagem coloquial.
 13. UCP-PR
Movimento literário brasileiro que recebeu influências de 
vanguardas europeias, tais como o Futurismo e o Surrealismo:
a. Modernismo.
b. Parnasianismo.
c. Romantismo.
d. Realismo.
e. Simbolismo.
 14. PUCCamp-SP
Assinale a alternativa em que se encontram preocupa-
ções estéticas da primeira geração modernista.
a. “Não entrem no verso culto o calão e solecismo, a 
sintaxe truncada, o metro cambaio, a indigência 
das imagens e do vocabulário do pensar e do dizer.”
b. “Vestir a ideia de uma forma sensível que, entretan-
to, não terá seu fim em si mesma, mas que, servin-
do para exprimir a ideia, dela se tornaria submissa.”
c. “Minhas reivindicações? Liberdade. Uso dela; não 
abuso.” “E não quero discípulos. Em arte: escola = 
imbecilidade de muitos para vaidade dum só.”
d. “Na exaustão causada pelo sentimentalismo, a 
alma ainda trêmula e ressoante da febre do sangue, 
a alma que ama e canta porque sua vida é amor e 
canto, o que pode senão fazer o poema dos amores 
da vida real?”
e. “O poeta deve ter duas qualidades: engenho e juízo; 
aquele, subordinado à imaginação, este, seu guia, 
muito mais importante, decorrente da reflexão. 
Daí não haver beleza sem obediência à razão, que 
aponta o objetivo da arte: a verdade.”
 15. 
Assinale a alternativa que apresenta característica(s) da 
primeira geração do Modernismo.
a. uso de preciosismos na linguagem e revalorização de 
temas históricos
b. valorização literária da linguagem coloquial e dos fa-
tos do cotidiano
c. uso de “barbarismos universais” e do “lirismo bem 
comportado”
d. espírito polêmico e lirismo intimista
e. valorização da consciência crítica e idealização do 
cotidiano
 16. 
Considere as afirmações sobre o Modernismo e assinale 
a alternativa correta.
I. “A língua sem arcaísmo, sem erudição. Natural e neo-
lógica. A contribuição milionária de todos os erros. 
Como somos.”
II. “Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afi-
lhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio 
de Maris.”
III. “A pena é um pincel. Eu limo sonetos engenhosos e 
frios.”
IV. “Nomear um objeto significa suprimir as três quartas 
partes do gozo de uma poesia, que consiste no pra-
zer de adivinhar pouco a pouco. Sugerir, eis o sonho.”
V. “A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e 
de ocre nos verdes da favela, sob o azul cabralino, 
são fatos estéticos.”
a. Somente I, III e IV estão corretas.
b. Somente II, III e V estão corretas.
c. Somente I, II e III estão corretas.
d. Somente I, II e V estão corretas.
e. Somente II, IV e V estão corretas.
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1. Mário de Andrade 44
2. Oswald de Andrade 45
3. Manuel Bandeira 46
4. Organizador gráfico 47
Módulo 87 – Mário de Andrade I 48
Módulo 88 – Mário de Andrade II 52
Módulo 89 – Oswald de Andrade 57
Módulo 90 – Manuel Bandeira 61
• Identifi car características discursivas 
e ideológicas de obras do Modernismo 
da primeira fase no contexto histórico 
de sua produção, circulação e recep-
ção, estabelecendo relações entre as 
condições histórico-sociais (políticas, 
religiosas, morais, artísticas, científi cas, 
estéticas, econômicas etc.) de produ-
ção de um texto literário e os fatores 
linguísticos de sua produção (escolha 
de gêneros, temas, assuntos, estrutu-
ras, fi nalidades, recursos).
• Associar informações sobre concep-
ções artísticas e procedimentos de 
construção do texto literário com os 
contextos de produção do Modernismo 
da primeira fase, para atribuir signifi ca-
dos de leituras críticas em diferentes 
situações.
• Analisar criticamente as diversas 
produções artísticas do Modernismo 
como meio de compreender diferentes 
inovações formais do período, inseridas 
no contexto.
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Temas cotidianos, corriqueiros, incluindo elementos tipicamente 
nacionais, foram a base para as obras do Modernismo, que se con-
solidava ao assumir uma linguagem própria.
Uma nova geração de artistas 37
Tarsila do Amaral, O mamoeiro, 1925.
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1. Mário de Andrade 
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Mário de Andrade
Mário Raul de Moraes Andrade nasceu em São Paulo, em 
1893, e foi um dos importantes artistas que deram início ao 
Modernismo no Brasil.
Fazendo parte da primeira geração modernista, datada de 
1922 a 1930, conhecida como fase heroica, manifestava dese-
jo de liberdade e ruptura com o passado. Não buscava apenas 
uma linguagem cotidiana, mas também a liberdadeda forma, 
como marca de uma ruptura com o que até então era considera-
do padrão. Lutava por uma escrita verdadeira, ou seja, por abor-
dagens cotidianas e que alcançasse maior público.
Pauliceia desvairada foi o marco inicial da poesia mo-
dernista no Brasil. A primeira fase do Modernismo foi carac-
terizada principalmente por produções poéticas. Em meio a 
isso, Mário de Andrade escreveu Macunaíma, romance que 
traz o anti-herói brasileiro, um herói com defeitos e qualida-
des. Essa obra evidencia a preocupação com a ruptura de 
idealizações.
O autor escreveu Contos novos (1947), crônicas (“Os 
filhos de Candinha”) e ensaios, como “A escrava que não é 
Isaura” (1925) e “O Aleijadinho e Álvares de Azevedo” (1935).
Mário de Andrade faleceu em 1945, em São Paulo, tendo 
obras publicadas postumamente.
Leia o trecho do prefácio de Pauliceia desvairada.
Leitor:
Está fundado o Desvairismo. 
Este prefácio, apesar de interessante, inútil.
Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. 
Para quem me aceita são inúteis ambos. Os 
curiosos terão o prazer em descobrir minhas 
conclusões, confrontando obra e dados. Para 
quem me rejeita trabalho perdido explicar o 
que, antes de ler, já não aceitou. 
Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem 
pensar tudo que meu inconsciente me grita. 
Penso depois: não só para corrigir, como para 
justificar o que escrevi. Daí a razão deste Pre-
fácio Interessantíssimo. 
Aliás muito difícil nesta prosa saber onde 
termina a blague, onde principia a seriedade. 
Nem eu sei.
E desculpem-me por estar tão atrasado dos 
movimentos artísticos atuais. Sou passadis-
ta, confesso. Ninguém pode se libertar duma 
só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor 
deste livro seria hipócrita se pretendesse re-
presentar orientação moderna que ainda não 
compreende bem. 
Não sou futurista (de Marinetti). Disse e 
repito-o. Tenho pontos de contacto com o fu-
turismo. Oswald de Andrade, chamando-me 
de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da 
existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi 
o escândalo, que desejei a morte do mundo. 
Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje 
tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na 
obscuridade. Pensei que, se discutiram minhas 
ideias (que nem são minhas): discutiram mi-
nhas intenções. Já agora não me calo. Tanto 
ridicularizaram meu silêncio como esta grita. 
Andarei a vida de braços no ar, como indife-
rente de Watteau.
Um pouco de teoria?
Acredito que o lirismo, nascido no subcons-
ciente, acrisolado num pensamento claro ou 
confuso, cria frases que são versos inteiros, 
sem prejuízo de medir tantas sílabas, com 
acentuação determinada.
A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer 
empecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, 
que, somada a Lirismo, dá Poesia, não consiste 
em prejudicar a doida carreira do estado lírico 
para avisá-lo das pedras e cercas de arame do 
caminho. Deixe que tropece, caia e se fira. Arte 
é mondar mais tarde o poema de repetições 
fastientas, de sentimentalidades românticas, 
de pormenores inúteis ou inexpressivos. 
Disponível em: <http://www.mac.usp.br/mac/templates/
projetos/jogo/pauliceia.asp>. Acesso em: set. 2015.
Vocabulário
Mondar – rever e corrigir; arrancar; cortar.
Mário de Andrade dispensava as formas e construções 
parnasianas, mas sabia que as mudanças não ocorreriam 
tão rapidamente. A literatura não se libertaria com facili-
dade dos moldes formais e conceituais vigentes, como 
os autores começavam a perceber durante o processo de 
transformação que foi o Modernismo.
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Leia agora o poema “Ode ao burguês”, publicado em Pau-
liceia desvairada.
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que, sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco a pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os
[duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam
[o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tílburi!
Padaria Suíça! Morte viva ao Adriano!
“— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
— Um colar... — Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!”
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependi-
[mentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
A crítica exaltada à burguesia é clara no poema de Má-
rio de Andrade, com linguagem de fácil entendimento. Isso 
fez com que muitas pessoas fossem contra o movimento 
modernista.
2. Oswald de Andrade
COLEÇÃO PARTICULAR
Oswald de Andrade
José Oswald de Souza Andrade é outro importante artista 
do Modernismo no Brasil. Nasceu em 1890, em São Paulo.
É considerado o autor mais irreverente e polêmico desse 
período. Abusa da ironia e da comicidade em suas produções 
poéticas. Sua poesia é considerada “pílula”, ou seja, um texto 
curto, porém com grande carga poética.
Em 1917, conheceu Mário de Andrade; a partir daí, come-
çaram a trabalhar juntos, dando início a movimentos que cul-
minaram na Semana de Arte Moderna, de 1922.
Ainda em 1922, Oswald de Andrade escreveu o romance 
Trilogia do exílio. Depois dessa obra, publicou também os ro-
mances Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e 
Estrela de absinto (1927) e o volume de poesias Pau-Brasil 
(1925). Na prosa, rompeu com a estrutura comum e trouxe ca-
pítulos curtíssimos e fragmentados, aproximando-se do Cubis-
mo, o que impossibilita uma leitura linear.
Em 1924, lançou o Movimento Pau-Brasil. Em 1927, para 
dar continuidade a esse movimento, lançou a Revista de an-
tropofagia, com seu Manifesto Antropofágico.
Faleceu em 1954, em São Paulo.
Leia alguns poemas desse autor modernista.
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco 
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
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Percebe-se, em “Erro de português”, como Oswald ironiza 
a chegada dos portugueses ao Brasil. Em “Pronominais”, ele 
critica a gramática normativa, que era transgredida pelos au-
tores modernistas.
3. Manuel Bandeira
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Manuel Bandeira
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, importante 
artista do Modernismo brasileiro, nasceu em Recife, Pernam-
buco, em 1886. Seu talento tornou-se evidente desde cedo, 
quando já se destacava nos estudos.
Enquanto cursava a Faculdade Politécnica em São Paulo, 
Bandeira deixou os estudos para ir à Suíça, em busca de tra-
tamento para tuberculose. Após recuperar-se, voltou ao Brasil 
e publicou seu primeiro livro de versos, Cinza das horas, em 
1917. Contudo, pela influência simbolista, essa obra não teve 
destaque.Dois anos depois, escreveu Carnaval, em que mostrava suas 
tendências modernistas. Posteriormente, participou da Semana 
de Arte Moderna, libertando-se do “lirismo bem comportado”. En-
tretanto, apenas a partir de Libertinagem, firmou-se como poeta 
modernista.
Passou a adotar linguagem coloquial e abordar temáticas 
do cotidiano, incluindo sua doença, a tuberculose, que apare-
ce em muitos de seus poemas.
Manuel Bandeira faleceu em 1968, no Rio de Janeiro.
Leia os poemas e observe as características modernistas 
de Manuel Bandeira.
Poética
Estou farto do lirismo comedido 
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de
ponto expediente protocolo e manifestações 
[de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averi-
[guar no dicionário o cunho vernáculo de um
[vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos
[universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes
[de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja 
[fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de cossenos secre-
[tário do amante exemplar com cem modelos
[de cartas e as diferentes maneiras de agradar
[às mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é 
libertação.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão
[esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o
[pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
[argentino.
Em “Poética”, evidencia-se a rejeição aos moldes de 
criação literária anteriores. Em “Pneumotórax”, destaca-se 
a ironia: diante de uma doença sem cura, “A única coisa a 
fazer é tocar um tango argentino.”. 
A primeira fase modernista foi a fase “demolidora”, a fase 
em que os artistas propuseram uma ruptura total, principal-
mente com a estética parnasiana.
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Assista ao filme Eternamente Pagu, produção brasileira de 1987, dirigida por Norma Bengell, que conta a história de Pa-
trícia Galvão, escritora e militante política que conviveu com importantes representantes do Modernismo, como Oswald de 
Andrade e Tarsila do Amaral.
 01. 
Leia o poema e responda ao que se pede.
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá.
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra.
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá.
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
Oswald de Andrade
a. Oswald de Andrade, poeta modernista, faz relação in-
tertextual com outra produção poética. Qual?
b. Pensando nos propósitos dos modernistas, qual é a 
intenção de Oswald ao fazer isso?
Resolução
a. Há intertextualidade com o poema romântico “Can-
ção do exílio”, de Gonçalves Dias.
b. Oswald de Andrade faz uma possível atualização 
da poesia de Gonçalves Dias, trazendo a temática 
romântica para os moldes do Modernismo, com lin-
guagem de fácil entendimento e relação direta com 
São Paulo. 
APRENDER SEMPRE 3 
4. Organizador gráfico
Apenas
texto CaracterísticasTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico
Primeira geração
modernista: inovação
literária
Manuel Bandeira
Oswald de Andrade
Mário de Andrade
TARSILA DO AM
ARAL EM
PREENDIM
ENTOS / COLEÇÃO DE ARTES VISUAIS DO IEB-USP ; FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL ; COLEÇÃO PARTICULAR ; COLEÇÃO PARTICULAR
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Módulo 87
Mário de Andrade I 
Exercícios de Aplicação
 01. Vunesp
Leia o poema “Paisagem no 4”, de Mário de Andrade, e res-
ponda à questão.
Os caminhões rodando, as carroças rodando, 
Rápidas as ruas se desenrolando, 
Rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos...
E o largo coro de ouro das sacas de café!... 
Na confluência o grito inglês da São Paulo
[Railway... 
Mas as ventaneiras da desilusão! a baixa do
[café!... 
O poema, escrito em 1922, revela características da cida-
de de São Paulo na época. Entre elas, podemos citar:
a. o desinteresse dos cafeicultores em controlar o preço 
do café no mercado internacional.
b. o limitado crescimento econômico, que eliminou o 
peso e a influência da capital paulista nas decisões do 
governo federal.
c. a harmonização social, após o período de revoltas so-
ciais do início da República. 
d. a hegemonia do capital estrangeiro, que impedia o 
crescimento da burguesia nacional.
e. a persistência de aspectos tradicionais durante o pro-
cesso de modernização e reurbanização.
 02. 
Leia o poema “Ode ao burguês”, de Mário de Andrade, e 
explicite suas principais características modernistas.
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que, sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco a pouco!
[...]
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependi-
[mentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Vocabulário
Giolhos – o mesmo que geolhos, versão informal de joelhos.
Resolução
Os versos mostram um período de transição da economia 
cafeeira (rural) para a economia industrial (urbana), com ele-
mentos de ambas coexistindo em São Paulo: caminhão, car-
roça, sacas de café, linhas férreas, ruas.
Alternativa correta: E
Resolução
Há linguagem sem rebuscamento, versos livres e crítica à 
burguesia, todas características modernistas.
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 03. PUC-SP
Em sua poesia, a cidade de São Paulo está continuamen-
te representada: 
São glórias desta cidade
Ver a arte contando história,
A religião sem memória
De quem foi Cristo em verdade,
Os chefes nossa amizade,
Os estudantes sem textos,
Jornalismo no cabresto,
Tolos cantando vitória,
Isso é glória?
Seu livro de estreia é Há uma gota de sangue em cada 
poema. Trata-se de:
a. Manuel Bandeira.
b. Mário de Andrade.
c. Oswald de Andrade.
d. Carlos Drummond de Andrade.
e. Jorge de Lima.
Exercícios Extras
 04. AFA-SP (adaptado)
Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão.
Meu coração estrala...
Que imagem sem verdade.
Porém não tive ideia de mentir...
Foram os nervos, a alma?
Que quer dizer estralo!
Nem ao menos sou padre Vieira...
Oh dicionário pequitito!...
Este poema salienta o problema:
a. da incomunicabilidade entre as pessoas.
b. da ineficácia das palavras em transmitir sensações e 
emoções.
c. da falta de conhecimento de vocabulário.
d. da solidão.
e. da ausência de equilíbrio interior.
 05. 
Considere as afirmações sobre Mário de Andrade e assi-
nale a alternativa correta.
I. Na poesia, colocava sentimentalismo em situações 
aparentemente banais, sendo essa uma de suas prin-
cipais características.
II. Conciliava a crítica social e a reflexão filosófica acerca 
da condição humana, fazendo usode oposições for-
mais e da coloquialidade linguística.
III. Sua obra poética apresenta duas vertentes: a poesia 
intimista, introspectiva, e a poesia política, de comba-
te às injustiças sociais.
IV. Destacam-se, em quase todas as suas obras, a preo-
cupação com a descoberta e a exploração de novas 
técnicas narrativas.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente II e III estão corretas.
c. Somente III e IV estão corretas.
d. Somente II, III e IV estão corretas.
e. Somente I, II e IV estão corretas.
Resolução
Mário de Andrade utiliza continuamente em sua poesia a 
representação da cidade de São Paulo, cidade em que nas-
ceu, viveu e faleceu. Há uma gota de sangue em cada poema 
é seu livro de estreia.
Alternativa correta: B
Habilidade
Analisar criticamente as diversas produções artísticas do 
Modernismo como meio de compreender diferentes inova-
ções formais do período, inseridas no contexto.
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Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 1.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
Leia o poema de Mário de Andrade e responda às ques-
tões de 06 a 08.
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
 06. 
De acordo com o poema, qual é o desejo do eu lírico, 
ao morrer?
 07. 
Comprove, com versos do poema, a resposta à questão 
anterior.
 08. 
Cite uma importante característica de Mário de Andrade 
presente no poema.
 09. USC-SP
Ao lado de Oswald de Andrade e outros importantes no-
mes da literatura nacional, Mário de Andrade participou ini-
cialmente do movimento:
a. Pau-Brasil.
b. Verde-A marelo.
c. da Anta.
d. a ntropofágico.
e. Klaxon.
Sobre o módulo
Aproveite os exercícios deste módulo para enfatizar a construção poética modernista de Mário de Andrade, as características 
usadas particularmente por ele, além de características gerais do Modernismo na poesia. Exemplifique com “Ode ao burguês”.
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Leia o trecho do conto “Peru de Natal”, de Mário de Andra-
de, e responda às questões 10 e 11.
Morreu meu pai, sentimos muito etc. Quando 
chegamos nas proximidades do Natal, eu já esta-
va que não podia mais pra afastar aquela memó-
ria obstruente do morto, que parecia ter sistema-
tizado pra sempre a obrigação de uma lembrança 
dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo 
da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a 
ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resul-
tou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de 
luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas 
aparências, e eu, que sempre gostara apenas re-
gularmente de meu pai, mais por instinto de filho 
que por espontaneidade de amor, me via a ponto 
de aborrecer o bom do morto.
 10. 
Como o filho parece lidar com a morte do pai no conto de 
Mário de Andrade?
 11. 
A forma como o filho fala do pai e da reação da mãe revela 
característica da visão modernista. Qual?
 12. Fatec-SP
Assinale a alternativa correta.
a. Apesar do interesse pela cultura brasileira e da ativa 
participação do movimento artístico representado pelo 
Modernismo, Mário de Andrade só se dedicou à literatura.
b. Mário de Andrade, escritor modernista que estendeu 
sua influência a todos os domínios da cultura brasileira, 
é também o criador da Academia Brasileira de Letras.
c. Mário de Andrade, autor de Macunaíma, Pauliceia des-
vairada e Amar, verbo intransitivo, é um autor autenti-
camente paulistano. A temática de sua obra restringe-
-se à cidade de São Paulo.
d. Mário de Andrade, escritor brasileiro, desempenhou 
importante papel na Semana de Arte Moderna de 
1922 e participou ativamente da renovação deflagra-
da pelo movimento modernista.
e. Profundamente ligado à cultura popular brasileira, Má-
rio de Andrade não valorizava os autores estrangeiros 
e jamais os mencionava em seus textos.
 13. UFRGS-RS
Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão.
Eu sou feliz porque a Terra é uma bola.
 A bola gira,
 Gira o universo,
 Giro também,
 Sou Gira
 Sou Louco.
 Sou Oco.
 Sou homem!...
 Sou tudo o que vocês quiserem,
 Mas que sou eu?
Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al-
ternativa correta.
I. O uso do verso livre e a exploração do espaço gráfico 
são marcas evidentes da modernidade do poema; a 
constituição das rimas, no entanto, revela uma forte 
influência romântica.
II. O poeta se expressa no poema como um homem que 
se reconhece múltiplo e que está à procura de uma 
identidade.
III. Palavras como gira e louc o podem sugerir a ideia de que 
o poeta se vê marginalizado no mundo em que vive.
a. Somente I está correta.
b. Somente II está correta.
c. Somente III está correta.
d. Somente II e III estão corretas.
e. I, II e III estão corretas.
Leia o trecho de Amar, verbo intransitivo e responda às 
questões de 14 a 16.
Não é clássico nem perfeito o corpo da mi-
nha Fräulein. Pouco maior que a média dos cor-
pos de mulher. E cheio nas suas partes. Isso o 
torna pesado e bastante sensual. Longe porém 
daquele peso divino dos nus renascentes ita-
lianos ou daquela sensualidade das figuras de 
Scopas e Leucipo. [...] Nenhuma espiritualida-
de. Indiferente burguesice. [...] Isso do corpo de 
Fräulein não ser perfeito, em nada enfraquece a 
história. Lhe dá mesmo certa honestidade espi-
ritual e não provoca sonhos. E aliá s se renascen-
te e perfeito, o idílio seria o mesmo. Fräulein não 
é bonita, não. Porém traços muito regulares, co-
loridos de cor real. E agora que se veste, a gente 
pode olhar com mais franqueza isso que fica de 
fora e ao mundo pertence, agrada, não agrada? 
Não se pinta, quase nem usa pó de arroz. A pele 
estica, discretamente polida com os arrancos da 
carne sã. O embate é cruento. Resiste a pele, o 
sangue se alastra pelo interior e Fräulein toda se 
roseia agradavelmente. 
 14. 
Identifique uma marca da despreocupação de Mário de 
Andrade com a gramática normativa.
 15. 
O que demonstram as caracterizações, do ponto de vista 
literário?
 16. 
Tomando por base a forma como o narrador fala da mu-
lher, de que forma se justifica o título da obra Amar, verbo in-
transitivo?
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Módulo 88
Mário de Andrade II
Exercícios de Aplicação
 01. Fuvest-SP
Leia o trecho da “Carta pras icamiabas”, de Macunaíma, 
de Mário de Andrade, e responda à questão.
As donas de São Paulo, sobre serem mui for-
mosas e sábias, não se contentam com os dons e 
excelência que a Natura lhes concedeu; assaz se 
preocupam elas de si mesmas [...]. Assim é que 
chamaram mestras da velha Europa, e sobretudo 
de França, e com elas aprenderam a passarem o 
tempo de maneira bem diversa da vossa. Ora se 
alimpam, e gastam horas nesse delicado mester, 
ora encantam os convívios teatrais da sociedade, 
ora não fazem coisa alguma; e nesses trabalhos 
passam elas o dia tão entretecidas e afanosas 
que, em chegando a noute, mal lhes sobra vagar 
pra brincarem e presto se entregam nos braços 
de Orfeu,como se diz.
No trecho transcrito, Macunaíma revela sua:
a. percepção dos comportamentos fúteis e artificiais 
das mulheres paulistanas.
b. rejeição ao comportamento elegante e refinado das 
mulheres da cidade.
c. ânsia por compreender e incorporar-se à sofisticada 
vida urbana paulistana.
d. análise crítica em relação à cultura exibicionista da 
rica burguesia paulistana.
e. habilidade e perspicácia em decodificar rapidamente os 
códigos que regem a sociedade burguesa paulistana.
 02. PUC-PR
Sobre Os contos de belazarte, de Mário de Andrade, con-
sidere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Os contos de belazarte (1934) é o segundo livro de 
contos de Mário de Andrade e representa um amadu-
recimento formal em relação ao seu primeiro volume 
de contos, Primeiro andar (1926); contudo, em con-
sonância com as concepções modernistas adotadas 
pelo autor, seja no plano estético seja no ideológico, é 
um livro em que se explora com destaque, a exemplo 
das obras da década anterior, a temática nacional. 
II. O conto “Caim, Caim e o Resto”, muito rico formalmen-
te, vale-se da presença de diminutivos, repetições, 
reticências e onomatopeias, comuns na oralidade. 
Bastante encontrada na ficção de Mário de Andrade, 
essa abertura ao coloquial e à língua viva se faz acom-
panhar, no conto, pela temática da miscigenação, tão 
cara ao autor, já que o protagonista Tino é apresentado 
como filho de pai negro e que adora cantar canções 
italianas (“num napolitano duvidoso do bairro da 
Lapa”) aprendidas com a mãe. Quanto a isso, o conto 
marca a permanência, em Os contos de belazarte, de 
formas e temas presentes no todo da obra de Mário de 
Andrade. 
III. Os contos de belazarte recuperam integralmente o 
processo narrativo da novela picaresca. Temos no 
livro uma série de aventuras com o mesmo protago-
nista, Belazarte, que é uma paródia homenageosa do 
anti-herói ibérico Pedro Malazartes. Ao mesmo tempo 
malicioso e ingênuo, vivendo de expedientes nada 
convencionais do ponto de vista moral, o andarilho 
Belazarte é uma espécie de antecipação de Macunaí-
ma, o herói sem nenhum caráter, que é criação poste-
rior de Mário de Andrade.
a. Somente II está correta.
b. Somente III está correta.
c. Somente I e II estão corretas.
d. Somente I está correta.
e. Somente II e III estão corretas.
Resolução
No trecho, Macunaíma percebe o comportamento fútil 
das mulheres de São Paulo.
Alternativa correta: A
Resolução
Apenas as afirmações I e II estão de acordo com a obra de 
Mário de Andrade.
Alternativa correta: C
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 03. PUC-Camp-SP
Leia o excerto de Amar, verbo intransitivo, de Mário de An-
drade, e responda à questão.
Vejam por exemplo a Alemanha, que-dê 
raça mais forte? Nenhuma. E justamente por-
que mais forte e indestrutível neles o conceito 
de família. Os filhos nascem robustos. As mu-
lheres são grandes e claras. São fecundas. O 
nobre destino do homem é se conservar sadio 
e procurar esposa prodigiosamente sadia. De 
raça superior, como ela, Fräulein. Os negros 
são de raça inferior. Os índios também. Os 
portugueses também.
No trecho:
a. encontram-se as convicções autênticas do escritor 
Mário de Andrade quanto à superioridade racial dos 
alemães, que ele ardilosamente atribui a Fräulein, 
tornando-a seu porta-voz.
b. o narrador utiliza uma técnica narrativa que gera o 
máximo distanciamento entre ele e a personagem, 
qual uma câmara que só capta a exterioridade de 
um objeto.
c. o nacionalismo de Mário de Andrade faz com que 
ele caracterize o germanismo de Fräulein, já que o 
objetivo da narrativa é demonstrar a superioridade 
da cultura brasileira sobre as demais.
d. surge, provocadoramente, a tese da "superioridade 
racial" do alemão, encarnada em Fräulein, que esta 
deverá testar no confronto com a suposta "inferiori-
dade dos latinos", encarnada no adolescente Carlos.
e. quem de fato está narrando é o chefe da família 
Sousa Costa, que admira a disciplina germânica e, 
por esta razão, contratou Fräulein como preceptora 
na iniciação sexual de seu filho Carlos.
Exercícios Extras
 04. Mackenzie-SP
Leia o texto e responda à questão.
Chamado de rapsódia por Mário de Andrade, 
o livro é construído a partir de uma série de len-
das a que se misturam superstições, provérbios 
e anedotas. O tempo e o espaço não obedecem a 
regras de verossimilhança, e o fantástico se con-
funde com o real durante toda a narrativa.
A afirmação faz referência à obra:
a. O rei da vela.
b. Calunga.
c. Macunaíma.
d. Memórias sentimentais de João Miramar.
e. Martim Cererê.
 05. 
Na primeira fase do Modernismo no Brasil:
a. os principais nomes eram Monteiro Lobato, Euclides 
da Cunha e Coelho Neto.
b. firmou-se uma nova tendência do romance regionalis-
ta, com Graciliano Ramos e Mário de Andrade.
c. propuseram-se ideias e obras revolucionárias, como 
Macuna íma.
d. promoveu-se o surgimento de ficcionistas renova-
dores, mas em nada foi afetada a linguagem dos 
poetas.
e. propiciou-se a renovação da literatura, não ocorrendo 
o mesmo com a música e a pintura.
Resolução
Mário de Andrade aborda, de forma provocadora, a supe-
rioridade racial de Fräulein.
Alternativa correta: D
Habilidade
Identificar características discursivas e ideológicas de 
obras do Modernismo da primeira fase no contexto históri-
co de sua produção, circulação e recepção, estabelecendo 
relações entre as condições histórico-sociais (políticas, reli-
giosas, morais, artísticas, científicas, estéticas, econômicas 
etc.) de produção de um texto literário e os fatores linguísti-
cos de sua produção (escolha de gêneros, temas, assuntos, 
estruturas, finalidades, recursos).
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Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 1.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. PUC-PR
Leia os fragmentos, retirados do conto “O besouro e a 
rosa”, do livro Contos de Belazarte, de Mário de Andrade, e 
responda à questão.
1. “João não viu nada disso, estou fantasiando a história. 
Depois do século dezenove os contadores parece que 
se sentem na obrigação de esmiuçar com sem-vergo-
nhice essas coisas.”
2. “João ficou sozinho na sala, não sabia o que tinha 
acontecido lá dentro, mas porém adivinhando que lhe 
parecia que a Rosa não gostava dele. [...] Por causa 
dele o Lapa Atlético venceu. Venceu porque derrepen-
temente ela aparecia no corpo dele e lhe dava aquela 
vontade.”
3. “Pedro Mulato era um infame, até gatuno, Deus me 
perdoe! Rosa não escutou nada. Bateu o pé. Quis ca-
sar e casou. Meia que sentia que estava errada, porém 
não queria pensar e não pensava. As duas solteironas 
choraram muito quando ela partiu casada e vitoriosa, 
sem uma lágrima. Dura. Rosa foi muito infeliz.”
Sobre os fragmentos citados, considere as afirmações e 
assinale a alternativa correta.
I. No primeiro fragmento, há metaficção, voltada para a 
crítica aos escritores do século XIX.
II. A crítica aos escritores do século XIX é uma das mar-
cas do Modernismo brasileiro, do qual Mário de Andra-
de é um dos expoentes.
III. No fragmento 2, o uso da palavra “derrepentemente” 
se justifica pela proposta de uso da língua feita pelo 
Modernismo.
IV. O uso do “mas porém”, no fragmento 2, aproxima a es-
crita da oralidade, uma das propostas do Modernismo 
brasileiro.
V. O final do conto (“Rosa foi muito infeliz.” ) quebra a 
expectativa do leitor, que espera haver um final feliz. 
Esse estranhamento também faz parte das propostas 
modernistas.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente I e III estão corretas.
c. Somente II, III e IV estão corretas.
d. Somente I, II, III e IV estão corretas.
e. I, II, III, IV e V estão corretas.
 07. UFC-CE
Macunaíma é um “herói sem nenhum caráter”, porque:
a. vive sonhando com riqueza fácil e, para obtê-la, lança 
mão de qualquer recurso.b. é um ser do qual se pode desconfiar, pois só mente.
c. ainda não encontrou sua própria definição, sua iden-
tidade.
d. não tem firmeza de personalidade, nem segurança em 
suas decisões.
Sobre o módulo
Destaque a importância de Mário de Andrade para o movimento modernista, ao fazer críticas ferrenhas à sociedade e ao 
modelo literário vigente. Ressalte a obra Macunaíma, mostrando como Mário de Andrade constrói o seu anti-herói brasileiro .
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 08. Unijuí-RS
A afirmação dos elementos locais, do Brasil, está presen-
te em Macunaíma, de Mário de Andrade. Sobre essa obra, é 
incorreto afirmar que:
a. Macunaíma é um anti-herói, com características como 
o individualismo e a malandragem.
b. aproveita as tradições míticas dos índios; os irmãos 
de Macunaíma são Maanape e Jiguê.
c. aproveita também ditados populares, obscenidades, 
frases feitas, como traços de oralidade.
d. foi chamada de rapsódia e é uma obra central do mo-
vimento modernista.
e. já satiriza certos padrões de escrita acadêmica, porém 
evita trabalhar elementos de um “caráter” brasileiro.
 09. UFC-CE
Macunaíma é uma obra plural, composta, na medida em que:
a. obedece às características circulares e fechadas do 
romance psicológico.
b. como toda obra tradicional, observa a linearidade da 
narrativa na qual cada personagem age em separado.
c. aproxima técnicas românticas das modernas na estru-
turação do romance como um todo.
d. no corpo da narrativa, dá um tratamento único para 
cada personagem apresentada.
e. tal como numa rapsódia, trata de vários temas ao mes-
mo tempo, entrelaçando-os numa rede múltipla de co-
res e sons os mais diversos.
 10. UFC-CE
Macunaíma, obra-prima de Mário de Andrade, é um dos 
livros que melhor representam a produção literária brasileira 
do século XX. Sua principal característica é:
a. traçar, como no Romantismo, o perfil do índio brasilei-
ro como protótipo das virtudes nacionais.
b. ser um livro em que se encontram representados os 
princípios que orientam o movimento modernista de 
1922, dentre os quais o fundamental é a aproximação 
da literatura à música.
c. analisar, de modo sistemático, as inúmeras variações 
sociais e regionais da língua portuguesa no Brasil, 
destacando em especial o tupi-guarani.
d. ser um texto em que o autor subverte, na linguagem 
literária, os padrões vigentes, ao fazer conviver, sem 
respeitar limites geográficos, formas linguísticas 
oriundas das mais diversas partes do Brasil.
e. exaltar, de forma especial, a cultura popular regional, 
particularmente a representativa do Norte e Nordes-
te brasileiro.
 11. UFU-MG
Sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, assinale 
a alternativa incorreta.
a. Sendo uma rapsódia, a obra caracteriza-se pelo aco-
lhimento e pela assimilação de elementos variados de 
nossa cultura. Por esse caráter multifacetado, Macunaí-
ma é inviável como representação de nossa identidade.
b. O herói Macunaíma é um tipo criado a partir de contos 
populares e está ligado a personagens do folclore brasi-
leiro, como Pedro Malazarte. Mais recentemente, pode-se 
aproximá-lo a João Grilo, da peça Auto da Compadecida.
c. São elementos da obra a mitologia indígena, o folclore 
nacional, a nossa língua falada, os costumes brasilei-
ros. Os costumes brasileiros, Mário de Andrade retira-
-os da cidade de São Paulo, onde Macunaíma passa 
um bom tempo.
d. Há um acentuado procedimento parodístico susten-
tando a obra. A paródia recai, inclusive, sobre obras da 
literatura brasileira, como Iracema, de José de Alencar, 
e também sobre a Carta do achamento do Brasil, de 
Pero Vaz de Caminha.
 12. UFC-CE
A respeito da obra Macunaíma, é correto afirmar que:
a. a história se passa predominantemente na capital 
paulista, daí o livro ser considerado uma crônica do 
cotidiano paulistano.
b. o episódio de base da narrativa consiste na perda e 
reconquista da muiraquitã.
c. o livro é uma sátira ao Brasil por meio da reconstituição 
fiel de fatos históricos retidos na memória do autor.
d. a obra faz uma leitura do Brasil sob a ótica do colonizador.
e. o processo de criação do livro não mantém nenhum 
vínculo com qualquer obra anteriormente escrita.
 13. Fuvest-SP
A presença da temática indígena em Macunaíma, de Má-
rio de Andrade, tanto participa _________________, quanto representa 
uma retomada, com novos sentidos, _________________. 
Mantida a sequência, as lacunas serão preenchidas cor-
retamente por:
a. do movimento modernista da Antropofagia – do r egio-
nalismo da década de 1930.
b. do interesse modernista pela arte primitiva – do i ndia-
nismo romântico.
c. do movimento modernista da Antropofagia – do c on-
doreirismo romântico.
d. da vanguarda estética do Naturalismo – do i ndianis-
mo romântico.
e. do interesse modernista pela arte primitiva – do re gio-
nalismo da década de 19 30.
 14. 
Leia o fragmento da obra Macunaíma, de Mário de Andra-
de, e responda à questão.
— Meu avô, dá caça pra mim comer? 
— Sim, Currupira fez. 
Cortou carne de perna moqueou e deu pro 
menino, perguntando:
— O que você está fazendo na capoeira, 
rapaiz!
— Passeando. 
— Não diga! 
— Pois é, passeando... 
Então contou o castigo da mãe por causa 
dele ter sido malévolo pros manos. E contando 
o transporte da casa de novo pra deixa onde não 
tinha caça deu uma grande gargalhada. O Curru-
pira olhou pra ele e resmungou:
— Tu não é mais curumi, rapaiz, tu não é 
mais curumi não... Gente grande que faiz isso... 
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Uma característica importante das línguas é o fato de 
que elas não são uniformes nem estáticas. Fatores como 
região, classe social, idade, entre outros, explicam suas va-
riações. Tendo em vista o comentário que você acabou de ler 
e as particularidades linguísticas do trecho de Macunaíma, 
marque V para verdadeiro e F para falso.
( ) A construção “dá caça pra mim comer” é típica da 
linguagem oral, representando uma variação de 
“dê-me caça para eu comer”, própria da norma-pa-
drão. 
( ) O emprego de palavras como “rapaiz” e “faiz” revela 
variação no nível dos sons, indicando pronúncia de 
um falante, no caso o Currupira, que utiliza a varieda-
de padrão da língua. 
( ) Em “por causa dele ter sido malévolo”, ocorre uma 
variação no nível sintático, uma vez que esse enun-
ciado, na norma-padrão, corresponde a “por causa de 
ele ter sido malévolo”. 
( ) O enunciado “Tu não é mais curumi”, apesar de ser 
um exemplo de falar informal, está de acordo com a 
língua padrão, como se pode verificar pela concor-
dância verbal.
Leia os textos e responda às questões 15 e 16.
São Paulo, 10 de novembro, 1924
Meu caro Carlos Drummond 
[...] Eu sempre gostei muito de viver, de ma-
neira que nenhuma manifestação da vida me é 
indiferente. Eu tanto aprecio uma boa caminha-
da a pé até o alto da Lapa como uma tocata de 
Bach e ponho tanto entusiasmo e carinho no 
escrever um dístico que vai figurar nas paredes 
dum bailarico e morrer no lixo depois como um 
romance a que darei a impassível eternidade 
da impressão. Eu acho, Drummond, pensando 
bem, que o que falta pra certos moços de ten-
dência modernista brasileiros é isso: gostarem 
de verdade da vida. Como não atinaram com 
o verdadeiro jeito de gostar da vida, cansam- 
-se, ficam tristes ou então fingem alegria, o que 
ainda é mais idiota do que ser sinceramente 
triste. Eu não posso compreender um homem 
de gabinete e vocês todos, do Rio, de Minas, 
do norte, me parecem um pouco de gabinete 
demais. Meu Deus! se eu estivesse nessas terras 
admiráveis em que vocês vivem, com que gos-
to, com que religião eu caminharia sempre pelo 
mesmo caminho (não há mesmo caminho pros 
amantes da Terra) em longas caminhadas! Que 
diabo! estudar é bom e eu também estudo. Mas 
depois do estudo do livro e do gozo do livro, ou 
antes vem o estudoe gozo da ação corporal. 
[...] E então parar e puxar conversa com gente 
chamada baixa e ignorante! Como é gostoso! 
Fique sabendo duma coisa, se não sabe ain-
da: é com essa gente que se aprende a sentir 
e não com a inteligência e a erudição livresca. 
Eles é que conservam o espírito religioso da 
vida e fazem tudo sublimemente num ritual 
esclarecido de religião. Eu conto no meu 
“Carnaval carioca” um fato a que assisti em 
plena Avenida Rio Branco. Uns negros dan-
çando o samba. Mas havia uma negra moça 
que dançava melhor que os outros. Os jeitos 
eram os mesmos, mesma habilidade, mesma 
sensualidade mas ela era melhor. Só porque 
os outros faziam aquilo um pouco decorado, 
maquinizado, olhando o povo em volta deles, 
um automóvel que passava. Ela, não. Dançava 
com religião. Não olhava pra lado nenhum. Vi-
via a dança. E era sublime. Este é um caso em 
que tenho pensado muitas vezes. Aquela negra 
me ensinou o que milhões, milhões é exagero, 
muitos livros não me ensinaram. Ela me ensi-
nou a felicidade.
ANDRADE, Mário de. A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a 
Carlos Drummond de Andrade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982.
Inúmeros são os casos de troca de corres-
pondência entre artistas, escritores, músicos, 
cineastas, teatrólogos e homens comuns em 
nossa tradição literária. Mário de Andrade, por 
exemplo, foi talvez o maior de nossos missi-
vistas. Escreveu e recebeu cartas de Manuel 
Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Tar-
sila do Amaral, Câmara Cascudo, Pedro Nava, 
Fernando Sabino, só para citar alguns. O con-
junto de sua correspondência não só nos ajuda 
a conhecer o seu pensamento, seus valores e 
sua própria vida, como também entender boa 
parte da história e da cultura brasileira do sé-
culo XX.
DINIZ, Júlio. Cartas: narrativas do eu e do mundo. In: 
Leituras compartilhadas – cartas. Fascículo especial 2, 
ano 4. Rio de Janeiro: Leia Brasil / Petrobras, 2004.
 15. PUC-RJ
Com base na leitura do trecho da carta de Mário a Drum-
mond e do comentário apresentado, faça o que se pede.
a. Percebe-se na carta uma crítica direta a certa postura 
elitista em relação à arte e à vida de grande parte da 
intelectualidade brasileira da época. Retire do texto 
duas passagens que comprovam tal afirmação.
b. Comente, com suas próprias palavras, a visão que 
Mário de Andrade possui das manifestações estéticas 
oriundas do povo.
 16. PUC-RJ
Retirado do contexto, o trecho “(não há mesmo caminho 
pros amantes da Terra)” pode ser interpretado de duas manei-
ras distintas, considerando-se diferentes acepções atribuí-
das à palavra “mesmo”.
a. Quais são as interpretações possíveis?
b. Qual é a interpretação mais adequada à carta de Mário 
de Andrade? Justifique a sua resposta.
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Módulo 89
Oswald de Andrade
Exercícios de Aplicação
 01. Enem
Museu da Língua Portuguesa. Oswald de Andrade: o culpado de 
tudo. 27 set. 2011 a 29 jan. 2012. São Paulo: Prol Gráfica, 2012.
O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que 
a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão 
da identidade nacional, as anotações em torno dos versos 
constituem:
a. direcionamentos possíveis para uma leitura crítica de 
dados histórico-culturais.
b. forma clássica da construção poética brasileira.
c. rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol.
d. intervenções de um leitor estrangeiro no exercício de 
leitura poética.
e. lembretes de palavras tipicamente brasileiras substi-
tutivas das originais.
 02. 
Só não diz respeito à obra de Oswald de Andrade:
a. A obra de Oswald de Andrade representa um dos cor-
tes mais profundos do Modernismo brasileiro em rela-
ção à cultura do passado.
b. Sua obra é debochada, irônica e crítica, sempre 
pronta para satirizar os meios acadêmicos ou a pró-
pria burguesia.
c. A linguagem utilizada por Oswald caracteriza-se pela 
síntese, pelas rupturas sintáticas e lógicas.
d. Em sua obra, estão presentes o lirismo, a piada, a ima-
ginação, a fala popular, a ironia, todos elementos ob-
servados nos chamados poemas -minuto.
e. Os temas mais comuns de sua obra são a paixão pela 
vida, a morte, o amor e o erotismo, a solidão e a angús-
tia existencial.
Resolução
Oswald mostra uma possível leitura crítica dos dados 
 com suas anotações.
Alternativa correta: A
Resolução
Os temas apresentados não são frequentes na obra 
de Oswald.
Alternativa correta: E
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 03. Vunesp
Leia o prefácio a Serafim Ponte Grande, de Oswald de An-
drade, e responda à questão.
Com pouco dinheiro, mas fora do eixo revo-
lucionário do mundo, ignorando o Manifesto 
Comunista e não querendo ser burguês, passei 
naturalmente a ser boêmio. […] Continuei na bur-
guesia, de que mais que aliado, fui índice cretino, 
sentimental e poético. […] A valorização do café 
foi uma operação imperialista. A poesia Pau-Bra-
sil também. Isso tinha que ruir com as cornetas da 
crise. Como ruiu quase toda a literatura brasileira 
“de vanguarda”, provinciana e suspeita, quando 
não extremamente esgotada e reacionária. 
O texto:
a. expõe o anseio do autor de que a literatura e as de-
mais formas artísticas fossem controladas pelo E s-
tado e escapassem, assim, da tutela da classe social 
hegemônica. 
b. revela algumas das principais características do mo-
vimento modernista de 1922, como a busca da iden-
tidade nacional e a adesão a projetos político-partidá-
rios de direita. 
Seu espaço
Exercícios Extras
 04. 
Sobre Memórias sentimentais de João Miramar, de Os-
wald de Andrade, considere as afirmações e assinale a alter-
nativa correta.
I. A obra representa um dos pontos mais altos de cria-
ção do Modernismo brasileiro e mostra sintonia com 
as vanguardas europeias do começo do século.
II. A obra faz uso da paródia como recurso literário, o que 
pode ser observado, por exemplo, nas cartas transcri-
tas no decorrer do romance.
III. A obra rompe com as regras de pontuação, transgride 
os esquemas de tradição romanesca e, ao mesmo 
tempo, reforça os limites entre poesia a prosa. 
a. Somente I e III estão corretas.
b. Somente II e III estão corretas.
c. Somente I e II estão corretas.
d. Somente II está correta.
e. Somente III está correta.
 05. Unifesp
Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão.
Senhor feudal
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.
O título do poema remete o leitor à Idade Média. Nele, 
assim como nas cantigas de amor, a ideia de poder retoma o 
conceito de:
a. fé religiosa.
b. relação de vassalagem.
c. idealização do amor.
d. saudade de um ente distante.
e. igualdade entre as pessoas.
c. indica o afastamento gradual dos participantes da Se-
mana de Arte Moderna em relação aos componentes 
ideológicos de esquerda que caracterizaram o movi-
mento. 
d. explicita a preocupação dos setores políticos e sociais 
dominantes diante da crise econômica provocada 
pela alta do preço do café e sua tentativa de regula-
mentar o setor. 
e. demonstra a defesa, pelo autor, da politização da pro-
dução literária e o abandono de parte dos princípios 
estéticos que guiaram sua obra na década anterior.
Resolução
Oswald demonstra abandono das vanguardas e defende 
a presença da política na literatura.
Alternativa correta: E
Habilidade
Analisar criticamente as diversas produções artísticas do 
Modernismo como meio de compreender diferentes inova-
ções formais do período, inseridas no contexto.
Sobre o módulo
Ressalte a ironia e a comicidade de Oswald de Andrade, aspectos constantes em sua obra. Mostre que, aos poucos, o autor 
deixou os resquícios das vanguardas europeias e conseguiu uma literatura nacional.
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Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico2.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. 
A respeito da poesia de Oswald de Andrade é correto afir-
mar que:
a. representa a cidade de São Paulo com imagens crepus-
culares em longos poemas narrativos de verso livre.
b. mostra o contraste entre o dinamismo da cidade de São 
Paulo e a sobrevivência de traços coloniais no Brasil.
c. traz de volta a tradição indianista para apresentar o 
índio que contesta a civilização ocidental por meio de 
ritos e feitiços.
d. utiliza sonetos para refletir sobre a brevidade da vida e 
a transitoriedade do amor.
e. explora o tema da decadência econômica do patriar-
calismo paulista ao recordar saudosamente seus an-
tepassados.
 07. 
Leia o fragmento de Memórias sentimentais de João Mi-
ramar, de Oswald de Andrade, e responda à questão.
Papai estava doente e vinha um carro e um 
homem e o carro ficava esperando no jardim.
Levaram-me para uma casa velha que fazia 
doces e nos mudamos para a sala do quintal 
onde tinha uma figueira na janela.
No desabar do jantar noturno a voz preta de 
mamãe ia me buscar para a reza do Anjo que 
carregou meu pai.
Sobre a obra e o autor, assinale a alternativa incorreta.
a. Evidenciam-se os fatos sob uma ótica infantil, principal-
mente nas orações coordenadas do primeiro período.
b. Há referência cubista na superposição de sensações, 
por exemplo, “a voz preta de mamãe”.
c. As ações, em formas de flashes lembram o desfolhar 
de um álbum de fotografias.
d. O tempo e o espaço são fragmentados como se o autor 
descrevesse cenas cinematográficas.
e. Registram-se, com clareza, os fatos, dentro de uma 
linguagem que abdica imagens, tamanha é a força de 
seu conteúdo.
Leia o poema de Oswald de Andrade e responda às ques-
tões 08 e 09.
Epitáfio
Eu sou redondo, redondo 
Redondo, redondo eu sei
Eu sou uma redondilha 
Das mulheres que beijei.
Por falecer do oh! amor
Das mulheres da minh’ilha 
Minha caveira rirá ah! ah! ah!
Pensando na redondilha.
 08. PUC-RJ
Com relação ao poema, pode-se afirmar que:
a. incorpora o sentimento de rompimento do primeiro 
momento modernista.
b. o título “Epitáfio” prenuncia a presença trágica e irre-
versível da morte, tema predominante no poema, em 
particular, e na obra de Oswald de Andrade, em geral.
c. o uso de uma metrificação regular e a disposição das 
estrofes aproximam o poema das reivindicações for-
mais do Parnasianismo.
d. o eu lírico contrapõe à morte a idealização romântica 
da figura feminina
e. o eu lírico encontra na morte a possibilidade de trans-
cendência e eternidade. 
 09. PUC-RJ
Na segunda estrofe, o eu lírico refere-se a um estilo de 
época de uma maneira irônica e crítica, que é o:
a. Arcadismo.
b. Parnasianismo.
c. Simbolismo.
d. Romantismo.
e. Barroco. 
 10. 
No início de Memórias sentimentais de João Miramar, 
de Oswald de Andrade, há o texto com título “À guisa de pre-
fácio”. Assinale a alternativa incorreta com relação à obra e 
ao prefácio.
a. O estilo do prefácio é cheio de clichês, contrastando 
com o estilo do resto do romance.
b. O prefácio modela o romance, segundo os padrões rei-
nantes na prosa acadêmica brasileira.
c. O autor do romance, João Miramar-Oswald, intensifica 
a crítica à literatura recreativa, já anunciada nas entre-
linhas do prefácio.
d. O pseudoautor do prefácio, Machado Penumbra, con-
verte-se em personagem, adentrando o romance 
como “orador ilustre escritor”.
e. O prefácio revela o romance como renovação da prosa 
literária brasileira através de um estilo fragmentário e 
sintético.
 11. Enem
Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à 
questão.
Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! 
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval
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O texto apresenta uma versão humorística da formação 
do Brasil, mostrando-a como uma junção de elementos dife-
rentes. Considerando-se esse aspecto, é correto afirmar que 
a visão apresentada pelo texto é:
a. ambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado 
da formação nacional, quanto parece sugerir que esse 
processo, apesar de tudo, acaba bem.
b. inovadora, pois mostra que as três raças formadoras 
– portugueses, negros e índios – pouco contribuíram 
para a formação da identidade brasileira.
c. moralizante, na medida em que aponta a precariedade 
da formação cristã do Brasil como causa da predomi-
nância de elementos primitivos e pagãos.
d. preconceituosa, pois critica tanto índios quanto ne-
gros, representando de modo positivo apenas o ele-
mento europeu, vindo com as caravelas.
e. negativa, pois retrata a formação do Brasil como in-
coerente e defeituosa, resultando em anarquia e falta 
de seriedade.
 12. 
Memórias sentimentais de João Miramar é um romance:
a. realista que retrata fielmente a vida da burguesia de 
São Paulo do início do século XX.
b. romântico que contrapõe a riqueza da fazenda de café 
à hostilidade do meio urbano.
c. modernista que, por meio da linguagem, inova a estru-
tura do gênero.
d. parnasiano que apresenta um narrador de linguagem 
difícil e truncada.
e. modernista que desconstrói o gênero romance.
 13. 
Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão.
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al-
ternativa correta.
I. O poema volta-se contra o preconceito linguístico e 
nos chama a atenção para a necessidade de uma es-
pécie de ética linguística pautada na diferença entre 
as línguas, nesse caso em uma única língua.
II. O poema critica a maneira de falar do povo brasileiro, 
sobretudo das classes pouco escolarizadas, que des-
conhecem o nível formal da língua.
III. Os falantes que dizem “mio”, “mió”, “pió”, “teia”, “teia-
do”, de certa forma, constroem um “telhado”, ou seja, 
criam novas formas de pronúncia que se sobressaem, 
em muitos casos, à norma culta.
IV. A palavra “vício”, encontrada no título do poema, de-
nota certo preconceito linguístico do autor, que julga 
a norma culta superior ao coloquialismo presente na 
fala das pessoas menos esclarecidas.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente I e III estão corretas.
c. Somente II, III e IV estão corretas.
d. Somente I, II e III estão corretas.
e. I, II, III e IV estão corretas.
 14. 
Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão.
Verbo crackar
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa.
Sê pirata
Sede trouxas
Abrindo o pala
Pessoal sarado
Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era 
irregular.
Analisando o poema, atribua-lhe características moder-
nistas, já que é o momento ao qual pertence.
 15. ESPM-SP
Todos os excertos confirmam o ideário de Oswald de An-
drade quando defende: “A língua sem arcaísmos. Sem erudi-
ção. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os 
erros.” (Manifesto da Poesia Pau-Brasil). Assinale o item que 
não se enquadra no referido ideário.
a. “O Arnesto nos convidô/ Prum samba ele mora no 
Brais./ Nóis fumu e num encontremo ninguém/ Nóis 
vortemo com uma baita duma reiva/ Da outra veis, 
nóis num vai mais.” (Adoniran Barbosa)
b. “A gente viemos do inferno – nós todos – compadre 
meu Quelemém instrui.” (Guimarães Rosa)
c. “Beiramávamos em auto pelo espelho de aluguel ar-
borizado das avenidas marinhas sem sol.” (Oswald de 
Andrade)
d. “Então Macunaíma pediu fibra de curauá. Jiguê olhou 
pra ele com ódio e mandou a companheira arranjar fio 
pro menino, a moça fez.” (Mário de Andrade)
e. “Invejo o ourives quando escrevo:/ Imitoo amor/ Com 
que ele, em ouro, o alto relevo/ Faz de uma flor.” (Olavo 
Bilac)
 16. 
São obras de Oswald de Andrade os seguintes títulos:
a. Macunaíma e Amar, verbo intransitivo.
b. A cinza das horas e Estrela da manhã.
c. Laranja da China e Cavaquinho e saxofone.
d. Memórias sentimentais de João Miramar e Pau-Brasil.
e. Pau-Brasil e A cinza das horas.
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Módulo 90
Manuel Bandeira
Exercícios de Aplicação
 01. PUC-RS
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Irene no céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro, bonachão: 
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
Manuel Bandeira, poeta modernista, revela no texto uma 
de suas fortes características, a tendência a:
a. tematizar o cotidiano em linguagem rebuscada.
b. excluir personagens associadas às minorias margina-
lizadas.
c. recorrer ao mundo real para abordar questões meta-
físicas.
d. associar subjetividade e objetividade.
e. sublimar seus problemas de saúde.
Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al-
ternativa correta.
I. No poema “Namorados”, a poesia de Manuel Bandeira 
flerta com a prosa. Percebe-se um caráter narrativo, 
que permite a presença de mais de uma voz.
II. Embora o poema “Namorados” apresente um assunto 
comum à tradição da poesia – a relação e a declara-
ção amorosas –, o tratamento dado a ele pelo poeta é 
surpreendentemente simples, até cômico, em registro 
oralizante, um exemplo do que fez a crítica chamá-lo 
de “poeta do cotidiano”.
III. A estranheza gerada pela comparação da moça à la-
garta listrada é a chave da declaração do namorado, 
que pode ser lida ambiguamente: como uma mera 
estranheza e, portanto, uma imperfeição que combina 
com o verso que a descreve como louca; ou como uma 
estranheza atraente, sendo a loucura meramente uma 
forma moderna de expressar o “diferente”.
IV. Um dos aspectos interessantes da obra de Manuel 
Bandeira é a nítida passagem que se faz do Simbolis-
mo ao Modernismo nos seus primeiros livros. Além de 
refletir a nossa própria história literária, esse processo 
de mudança também revela como a obra do autor se 
modificou sem perder muitas de suas características 
iniciais, mantendo-se sempre ligada a algumas for-
mas da tradição, misturando, por exemplo, o verso 
livre de alguns poemas às formas fixas de outros.
a. Somente I, II e III estão corretas.
b. Somente III e IV estão corretas.
c. Somente I, III e IV estão corretas.
d. Somente I, II e III estão corretas.
e. I, II, III e IV estão corretas.
 02. UFPR (adaptado) 
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Namorados
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o 
seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e 
de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece 
louca.
Resolução
Bandeira utiliza, ao mesmo tempo, a subjetividade e a 
objetividade, uma vez que fala do subjetivo utilizando voca-
bulário objetivo e claro.
Alternativa correta: D
Resolução
Todas as afirmativas acerca da obra e de Manuel Bandeira 
estão corretas.
Alternativa correta: E
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 03. Enem
“Poética”, de Manuel Bandeira, é quase um manifesto do 
movimento modernista brasileiro de 1922. No poema, o autor 
elabora críticas e propostas que representam o pensamento 
estético predominante na época.
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de
[ponto expediente protocolo e manifestações
[de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar
[no dicionário o cunho vernáculo de um vo-
[cábulo
Abaixo os puristas 
[...]
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare 
— Não quero mais saber do lirismo que não
[é libertação.
Sobre o texto, podemos afirmar corretamente que o poeta:
a. critica o lirismo louco do movimento modernista.
b. critica todo e qualquer lirismo na literatura.
Exercícios Extras
 04. Fuvest-SP (adaptado)
Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon-
da à questão.
Profundamente
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
[...]
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam 
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci.
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
A experiência do afastamento da festa de São João:
a. é de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no 
plano do sonho e da imaginação.
b. reflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que 
caracterizou a geração modernista de 1922.
c. ocorre predominantemente no plano do tempo e en-
caminha uma reflexão sobre a transitoriedade das 
coisas humanas.
d. assume feição abstrata, na medida em que evita as-
similar os dados da percepção sensível, registrados 
pela visão e pela audição.
e. é figurada poeticamente segundo o princípio estético 
que prevê a separação nítida de prosa e poesia.
c. propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico.
d. propõe o retorno ao lirismo do movimento romântico.
e. propõe a criação de um novo lirismo.
Resolução
Manuel Bandeira critica o lirismo exacerbado vigente e 
propõe uma nova forma de lirismo, como se pode observar 
em “Estou farto do lirismo comedido/ Do lirismo bem compor-
tado”.
Alternativa correta: E
Habilidade
Identificar características discursivas e ideológicas de 
obras do Modernismo da primeira fase no contexto históri-
co de sua produção, circulação e recepção, estabelecendo 
relações entre as condições histórico-sociais (políticas, reli-
giosas, morais, artísticas, científicas, estéticas, econômicas 
etc.) de produção de um texto literário e os fatores linguísti-
cos de sua produção (escolha de gêneros, temas, assuntos, 
estruturas, finalidades, recursos).
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 05. PUC-PR
Leia o poema “Neologismo”, de Manuel Bandeira, e assi-
nale a alternativa correta com relação à interpretação do texto.
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda 
E mais cotidiana. 
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar 
Intransitivo: 
Teadoro, Teodora.
a. O poema traduz o sentimento de mundo caótico da 
poesia de Manuel Bandeira.
b. Está presente no texto o conflito entre o eu lírico e o 
mundo.
c. O ritmo traduz, na quebra dos versos, a inquietude do 
poeta.
d. A invenção de palavras é recurso usado por pessoas 
que falam pouco.
e. Para expressar o sentimento com maior vigor é preci-
so inventar a palavra.
Seu espaço
Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 3.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. UPE
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Jacqueline
Jacqueline morreu menina. 
Jacqueline morta era mais bonita do que os
[anjos. 
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte
[alguma. 
Há é mulheres extraordinariamente belas que
[morrem ainda meninas. 
Houve tempo em que olhei para osteus retra-
[tos de menina como olho agora a pequena
[imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido
[na idade de Jacqueline
– Pura como Jacqueline...
Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al-
ternativa correta.
I. O poema pertence à primeira fase da produção do au-
tor, muito marcada ainda pela idealização do Roman-
tismo, como demonstram os versos 1, 2 e 3.
II. A oralidade é uma das principais características do 
estilo de Manuel Bandeira, como se percebe no poe-
ma, sobretudo no verso 4, com o verbo “ser” na fun-
ção expletiva.
III. Outra característica da poesia de Manuel Bandeira 
é a nostalgia, que costuma acompanhar a voz lí-
rica. No caso do poema em análise, o verso “Eras 
tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de 
Jacqueline” expressa uma nostalgia em relação à 
beleza juvenil perdida.
IV. Do ponto de vista estrutural, temos no poema um eu 
lírico que se dirige a um alguém, como atestam as 
marcas da presença de um interlocutor na estrutura 
de alguns versos.
V. O ritmo do poema é marcado pelo uso de rimas regula-
res, de anáforas, de paralelismos.
a. Somente I, II e III estão corretas.
b. Somente II e IV estão corretas.
c. Somente II, III e IV estão corretas.
d. Somente I, III e V estão corretas.
e. Somente IV e V estão corretas.
Sobre o módulo
Além de ressaltar as características modernistas na obra de Manuel Bandeira, é importante mostrar como ele brinca e iro-
niza a doença com a qual conviveu por anos, a tuberculose. Por isso, em muitos de seus poemas, a morte aparece tratada de 
forma cômica.
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 07. FURG-RS
Leia o poema de Manuel Bandeira e assinale a afirmativa 
correta.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão
[esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o
[pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
[argentino.
a. O poema tem como marcas o coloquialismo e a ironia, 
elementos característicos da produção poética de Ma-
nuel Bandeira.
b. O poema apresenta uma métrica e um ritmo regulares 
que revelam a influência que Manuel Bandeira sofreu 
do Parnasianismo.
c. O texto de Manuel Bandeira apresenta uma linguagem 
rara, característica de sua poesia.
d. O poema reveste-se de um caráter musical, revelando 
a vinculação que a poesia de Manuel Bandeira man-
tém com o Simbolismo.
e. O poema apresenta versos de estrutura sintática com-
plexa, denunciando a influência que o poeta sofreu da 
experiência concretista.
 08. Fuvest-SP
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
O último poema
Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais sim-
[ples e menos intencionais 
Que fosse ardente como um soluço sem
[lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem
[perfume
A pureza da chama em que se consomem os
[diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem ex-
[plicação.
Ao indicar as qualidades que deseja para seu “último poe-
ma”, o eu lírico retoma dois temas centrais de sua poesia. Um 
deles é a valorização da simplicidade; o outro é:
a. a verificação da inutilidade da poesia diante da morte.
b. a coincidência da morte com o máximo de intensi-
dade vital.
c. a capacidade, própria da poesia, de eliminar a dor.
d. a autodestruição da poesia em um meio hostil à arte.
e. a aspiração a uma poesia pura e lapidar, afastada 
da vida.
 09. 
Diz-se que Manuel Bandeira realizou a obra mais equi-
librada entre os poetas de sua geração. Isso apenas não se 
baseia no fato de o poeta:
a. ter buscado o estritamente necessário para sua comu-
nicação.
b. embora coloquial e prosaico, saber enxergar mais 
além.
c. recriar poeticamente o mundo, dando à sua obra uni-
versalidade.
d. explorar o humor, o tom irônico satírico, sem vulgarizar 
a poesia.
e. colocar os sentimentos, sobretudo o amor, em tom 
idealizado quase utópico.
 10. 
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem tua pureza. Nem tua impureza.
O que eu adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti é a vida.
Estão presentes no poema:
a. a rebeldia e o ódio pela vida.
b. a melancolia e a indiferença pelo mundo.
c. a ternura e a paixão pela existência.
d. a saudade e o medo do cotidiano.
e. a amargura e o conformismo com o destino.
 11. 
Sobre as características de Manuel Bandeira, marque V 
para verdadeiro e F para falso.
( ) Defende o falar cotidiano e coloquial. 
( ) Ironiza os realistas do século XIX.
( ) Tematiza o popular.
( ) É engajado nas premissas da primeira geração 
modernista.
( ) Ironiza a poética parnasiana.
 12. UEPB (adaptado)
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Carta-poema
Excelentíssimo Prefeito
Senhor Hildebrando de Góis, 
Permiti que, rendido o preito 
A que fazeis jus por quem sois,
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Um poeta já sexagenário, 
Que não tem outra aspiração 
Senão viver de seu salário 
Na sua limpa solidão, 
[...] 
Que imundície! Tripas de peixe, 
Cascas de fruta e ovo, papéis...
Não é natural que me queixe? 
Meu Prefeito, vinde e vereis! 
Quando chove, o chão vira lama: 
São atoleiros, lodaçais, 
Que disputam a palma à fama 
Das velhas maremas letais! 
[...] 
Mandai calçar a via pública 
Que, sendo um vasto lagamar, 
Faz a vergonha da República 
Junto à Avenida Beira-Mar!
Além da função poética, o texto de Bandeira tem função:
a. referencial.
b. conativa.
c. fática.
d. apelativa.
e. metalinguística.
 13. Fuvest
Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão.
Não sei dançar
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma
[pilhéria...
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do
[jazz-band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-
[-feira gorda.
Sobre os versos transcritos, assinale a alternativa incorreta.
a. A melancolia do eu lírico é apenas aparente: interior-
mente ele se identifica com a atmosfera festiva do 
Carnaval, como se percebe no tom exclamativo de “Eu 
tomo alegria!”
b. A perda dos familiares e da saúde são aspectos auto-
biográficos do autor presentes no texto.
c. A alegria do Carnaval é meio de evasão para o eu lírico, 
que procura alienar-se de seu sofrimento.
d. O último verso transcrito associa-se ao título do 
poema, pois o eu lírico não participa, de fato, do 
baile de Carnaval.
e. O eu lírico revela, em tom bem-humorado e descompro-
missado, ser uma pessoa exageradamente sensível.
 14. PUC-PR
Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon-
da à questão.
E quando eu estiver mais triste.
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der 
Vontade de me matar 
– Lá sou amigo do rei – 
Terei a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada.
Assinale a alternativa que contém a correspondência dos 
versos com a permanência temática da obra de Manuel Bandeira.
a. A vida provisória.
b. A percepção dos limites pessoais e a transformação 
da realidade.
c. O sentimentalismo incorrigível.
d. O lirismo intimista e a recusa dos lugares-comuns.
e. A linguagem coloquial irônica.
 15. Fuvest-SP
Em Libertinagem, Manuel Bandeira manifesta profunda 
simpatia pelos marginalizados, que, por razões históricas ou 
condição econômica, representam os desvalidos.
Assinale a alternativa em que o poema indicado não ser-
ve de exemplopara essa afirmação.
a. “Irene no céu”
b. “Camelôs”
c. “Mangue”
d. “Profundamente”
e. “Poema retirado de uma notícia de jornal”
 16. Fuvest-SP
Sobre Libertinagem, de Manuel Bandeira, considere as 
afirmações e assinale a alternativa correta.
I. O livro oscila entre um fortíssimo anseio de liberda-
de vital e estética e a interiorização cada vez mais 
profunda dos vultos familiares e das imagens bra-
sileiras.
II. Por ser uma obra do início da carreira do autor, nela 
ainda são raras e quase imperceptíveis as contribui-
ções técnicas e estéticas do Modernismo.
III. Em vários de seus poemas, a exploração de assun-
tos particulares, aparentemente limitados, resulta 
em concepções muito amplas, de interesse geral, 
que ultrapassam a esfera pessoal do poeta.
a. Somente I está correta.
b. Somente II está correta.
c. Somente I e II estão corretas.
d. Somente I e III estão corretas.
e. Somente II e III estão corretas.
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Anotações
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Capítulo 15 ................68
Módulo 43 .............. 74
Módulo 44 ..............83
Módulo 45 .............. 95
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1. Introdução 70
2. Desenvolvimento 71
3. Organizador gráfico 73
Módulo 43 – Texto dissertativo-
-argumentativo III: introdução 74
Módulo 44 – Texto dissertativo-
-argumentativo IV: desenvolvimento 83
Módulo 45 – Produção de texto 5 95
• Observar a produção lógico-textual e os 
mecanismos estruturais, linguísticos 
e socioculturais necessários para a 
construção do gênero.
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Fios e tramas. É pelo entrelaçamento de fios e pela construção de tramas que 
um tecido ganha corpo. Sem o perfeito ajuste, sem o vínculo entre os fios, o tecido 
não é tecido, é mero emaranhado de fios soltos e perde sua função. É importante 
compreender essa imagem, porque começamos agora a estudar, em detalhes, as 
partes constituintes de uma dissertação argumentativa, que devem estar entrela-
çadas, para que nosso texto não se torne um emaranhado, um mero conjunto de 
palavras que não comunica.
Tecendo textos: as tramas e as 
costuras da dissertação argumentativa 15
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1. Introdução
Para que serve uma introdução? Com qual finalidade a 
fazemos quando escrevemos um texto dissertativo? Trata-se 
de algo realmente necessário para que a dissertação exis-
ta? Talvez sejam essas algumas das perguntas que muitos 
alunos se fazem quando começam a produzir seus textos. É 
nosso objetivo procurar responder a essas questões e sugerir 
formas para tornar seu texto correto, coeso e coerente.
Observe o parágrafo anterior. Ele é a introdução deste tó-
pico. Perceba que não começamos diretamente o assunto. Ao 
contrário, começamos por fazer perguntas que serviram para 
apresentar o tema deste tópico teórico. Após apresentá-lo, si-
nalizamos nosso objetivo. Isso é um parágrafo de introdução. 
Ele não existe somente em dissertações. Quase sempre pre-
cisamos dele, quer façamos uma palestra, escrevamos uma 
carta de reclamação ou escrevamos um livro, por exemplo. 
É preciso, então, que comecemos a delinear a importân-
cia de uma boa introdução para nosso texto. Pense que ela é 
o primeiro contato do leitor com seu trabalho. Ela é a respon-
sável por chamar, por conduzir o público para dentro de sua 
escrita: ou seja, ela não pode ser feita de maneira aleatória. 
Pelo contrário, é preciso que ela seja cuidadosamente estu-
dada, articulada, para que seja um belo “cartão de visitas”. 
Nessa perspectiva, podemos considerar alguns tópicos sobre 
a importância e as funções de uma introdução.
• Como convite para conhecer seu texto, é importante 
que a introdução seja atraente aos olhos de quem lê, 
dando a dimensão da qualidade do restante da disser-
tação, que virá pela frente. Logo, lançar mão de estra-
tégias como “hoje em dia”, “nos dias de hoje”, “na so-
ciedade em que vivemos”, “no mundo que habitamos”, 
“desde os primórdios”, “as pessoas...”, enfim, não é algo 
produtivo. Essas fórmulas prontas e de sentido precário 
costumam ser chamadas de clichês: são expressões 
tão desgastadas que nada ou muito pouco acrescen-
tam de qualidade, de autoral ao texto. Fuja delas.
• Ao contrário dos clichês, dê preferência a outras manei-
ras de se começar um texto. Todo aluno possui conhe-
cimentos sobre diversas áreas do saber: história, atua-
lidades, literatura, mitologia, filosofia, biologia, ciências 
exatas e tantas outras. Por que não usar justamente 
esse campo de saberes para tornar sua introdução me-
lhor? Busque algo que tenha relação com o tema a ser 
abordado e que, na medida do possível, abandone os 
clichês. Agindo assim, você colabora para que seu tex-
to seja mais autoral e mais honesto porque estará tra-
balhando com conhecimentos que você domina. Não 
é necessário começar um texto com frases de efeitos 
(que nem sempre são tão de efeito assim) ou com in-
dagações filosóficas para que seu texto seja valorizado. 
Algumas introduções – fantásticas por sinal em sua 
originalidade – em vestibulares começam criando me-
táforas entre desenhos animados, por exemplo. Isso já 
ocorreu em um texto considerado nota dez na Fuvest, 
em uma prova para ingresso da USP: o autor, para abor-
dar a questão da diferença social, optou por usar, em 
sua introdução, as personagens Tio Patinhas e Pato 
Donald, um rico e o outro pobre. Inspire-se.
• É importante que você sempre pense em como conec-
tar as partes de seu texto, como se construísse tramas 
de tecido. Sendo assim, uma forma de isso ser feito é 
aproveitar aquilo que você escreveu em sua introdu-
ção ao longo do desenvolvimento. Assim, ampliamos 
e aprofundamos os exemplos que amparam nosso 
raciocínio. Alguns textos trazem, a cada parágrafo, 
um exemplo novo: isso, muitas vezes, faz com que os 
textos percam em coesão (já que nem sempre existe 
ligação entre as partes) e fiquem com abordagens su-
perficiais. Aprofundar é importante. Saber escolher o 
que será usado em seu texto é maturidade.
• Escolhida a forma de abordar, é necessário deixar claro 
ao seu leitor o tema que será discutido. O recorte temáti-
co deve ficar muito bem delineado, a fim de não sugerir 
deslocamentos de tema. Uma dica é: quando produzir 
uma dissertação a partir de uma proposta, circule as pa-
lavras-chave que compõem o tema; em seguida, encar-
regue-se de fazer com que elas estejam em sua intro-
dução. Assim, o tema estará, ali, claramente colocado a 
nosso leitor. Deixe isso claro para não confundi-lo.
• Apontado o tema, segue uma sugestão. Não podemos 
nos esquecer de que a dissertação argumentativa é 
uma tese. Logo, ela deve se destacar ao longo da reda-
ção. Sugerimos que você, após colocar o tema, deixe 
transparecer ao público qual tese será defendida. Só 
para citar algumas vantagens, quando você opta por 
escrever a tese na introdução sugere ao leitor que 
seu texto não seja somente expositivo, mas sim de 
posicionamento de ideias; organiza suas ideias, mos-
trando aonde você pretende chegar; deixa claro o que 
deve ser esperado como abordagem.
Colocados aqueles que são os princípios norteadores 
da introdução dissertativa, passamos a apresentar alguns 
modelos que podem ser usados por você como ideias para 
começar a produzir. Imaginemos, então, que o tema proposto 
para discussão seja “O menor abandonado no Brasil”. Leia a 
introdução a seguir.
Para se analisar a questão da violência contra o menor 
no Brasil é essencial que se discutam suas causas e suas 
consequências. 
Perceba que essa introdução não está errada, mas é um 
texto pobre. O que significa isso? Não é um texto produtivo 
em sua capacidade de demonstrar conhecimento, pois mos-
tra uma visão de mundorasa, superficial. Vejamos, agora, 
bons exemplos, construídos de diferentes formas.
• Por perguntas
É possível imaginar o Brasil como um país desenvolvido 
e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o 
menor? Diante da aparente ausência de perspectivas para a 
criança, até que ponto podemos falar em futuro da nação?
• Por história
Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Ca-
nudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou 
na praça da Sé continuam não sendo. Diante de tal passado 
e das condições de nosso presente, falar em futuro da nação 
parece utopia.
• Por comparação
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É comum encontrar crianças de dez anos de idade ven-
dendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou 
na Inglaterra – países desenvolvidos – nessa idade, as crian-
ças estão na escola e não submetidas à violência das ruas. 
Diante de tal choque, o futuro de nosso país se compromete 
de forma indelével.
• Por definição
Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aque-
le que não atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” 
para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são 
tratadas: em segundo plano.
• Por contestação
O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, 
se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais di-
versas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, 
como pode ser esse o país do futuro? Ou será que a criança 
não é o futuro do país?
• Por narração
Sentar numa frigideira com óleo quente foi o castigo im-
posto ao pequeno D., de um ano e meio, pelo pai, alcoólatra. 
Temendo ser preso, ele levou a criança a um hospital uma 
semana depois. A mulher, também vitima de espancamentos, 
o denunciou à polícia. O agressor fugiu. Casos como esse, só 
alimentam a discussão sobre o problema do menor brasileiro.
• Por dados estatísticos
Segundo a ONU, quarenta mil crianças morreram hoje no 
mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a des-
nutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vi-
vem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade 
nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma 
catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo 
hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo e nosso 
país, claro, decidir proteger nossas crianças.
• Por analogia metafórica
O que garante beleza e vitalidade a qualquer flor não é pro-
priamente sua espécie, mas a forma como é tratada ao longo de 
seu desenvolvimento. Algumas, em ambiente selvagem, natu-
ral, adquirem viço extraordinário pela ação contínua de adubos, 
presença de água e temperatura adequada. Outras, mesmo em 
estufa, quando não observadas suas necessidades básicas, 
não atingem o mesmo esplendor. Assim podemos pensar, tam-
bém, a respeito de nosso menor brasileiro.
• Por citação literária ou cinematográfica
No romance Capitães da Areia, ganha destaque a reação 
da sociedade baiana como um todo diante dos meninos de 
rua moradores do trapiche abandonado. No entanto, assim 
como no livro de Jorge Amado, muito se negligencia no que 
tange ao problema da infância quando este é visto somente 
como um fardo.
• Mista (mais de um recurso usado para apresentar o 
tema)
Crianças mortas em frente à Igreja da Candelária. Denún-
cias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. 
Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível ima-
ginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social en-
quanto perdurar tão triste quadro.
Apresentados esses modelos, é importante dizer que 
não esgotamos as possibilidades de se fazer uma introdu-
ção. Cabe a você, agora, buscar o melhor caminho para cada 
situação de produção textual. Saiba que todo caminho bem 
projetado fica mais bonito.
2. Desenvolvimento
Sem saber o que queremos defender, torna-se muito 
mais difícil fazer uma dissertação argumentativa. Afinal, 
é isso que chamamos de tese e é isso que define o gênero 
com que estamos trabalhando. Portanto, sempre comece sua 
redação pensando naquilo que quer defender a respeito do 
tema abordado. Em seguida, cabe ao desenvolvimento de seu 
texto comprovar que seu posicionamento é verdadeiro por 
meio de argumentos e exemplos. Neste momento de nosso 
curso, cumpre que você saiba características e funções ge-
rais de um desenvolvimento. Nos próximos módulos, procu-
raremos aprofundar os tipos de argumentos.
Vejamos agora os pontos principais que definem um de-
senvolvimento. 
• Sua argumentação deve ser coerente com a tese a ser 
defendida. Isso é fundamental. Todos os argumentos 
que você trouxer para os parágrafos precisam colaborar 
com o ponto de vista que você escolheu sustentar. Des-
sa maneira, cabe a você selecionar o que possui mais 
força argumentativa e o que não contradiz seu posicio-
namento. Além disso, escrever de maneira clara é fun-
damental para alcançar o entendimento de seu leitor.
• Os argumentos escolhidos devem ser coerentes com 
a realidade externa ao texto. O que isso significa? Mui-
to cuidado para não trazer ou criar informações falsas. 
Elas só servirão para mostrar a fragilidade de seu texto 
e de sua visão de mundo.
• Cuidado com a ordem em que seus argumentos serão 
organizados. Isso não pode nem deve ser algo aleatório. 
A sucessão dos argumentos deve mostrar uma evolu-
ção, uma linha de raciocínio, que, em geral progride do 
mais geral para o mais específico. Para ter mais certeza 
de que realmente está construindo uma boa relação 
lógica entre os parágrafos, os conectivos são funda-
mentais, entre eles, os pronomes anafóricos (os que 
retomam ideias já citadas), as conjunções e as prepo-
sições. Por exemplo, quando optamos por começar um 
parágrafo com conjunção, automaticamente, estabele-
cemos uma relação com o parágrafo anterior: de oposi-
ção, de adição, de condição etc. O uso dos conectivos 
em um texto – em especial, no desenvolvimento – é tão 
importante que terá destaque em nossos exercícios.
• Fuja, aqui também, do senso comum. Pense muito ao 
escolher um argumento ou algo que exemplifique seu 
raciocínio. Alguns elementos podem não favorecer 
sua argumentação, como provérbios e ditados popu-
lares (a não ser que você pense em refutá-los). Além 
disso, fuja daqueles argumentos que você acredita 
que, provavelmente, muitos usarão.
• Por fim, sua argumentação deve provar que você co-
nhece o assunto e possui senso crítico. Evite gene-
ralizar pensamentos, ideias e conclusões. Nunca se 
esqueça desse aspecto fundamental.
Para continuarmos, é importante que uma pergunta seja fei-
ta: você sabe o que é um parágrafo? Pode parecer desnecessário 
perguntar isso, mas não é. Muitos alunos nunca refletiram critica-
mente sobre isso. Todo parágrafo contém uma ideia central que 
deve se ligar ao parágrafo seguinte. São essas ideias centrais que 
vão construindo a trama textual. A essa ideia central chamamos 
de tópico frasal. No caso de um parágrafo de desenvolvimento 
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de uma dissertação argumentativa, é importante que todo tópico 
frasal seja comprovado, dando aspecto de realidade, de verdade 
a ele. Esquematicamente, podemos dizer que o parágrafo de de-
senvolvimento, em geral, deve ser assim elaborado:
Parágrafo
Tópico frasal
(ideia central)
+
Comprovação da ideia
central
Para ajudar você em sua tarefa de conectar os parágra-
fos de desenvolvimento entre si e entre as demais partes do 
texto (introdução e conclusão), oferecemos, a seguir, uma 
pequena lista de conjunções que poderão ser usadas. Preo-
cupe-se em variar o seu repertório de conectivos.
Principais conjunções:
• aditivas (adição): e, nem, mas também, como tam-
bém, bem como, mas ainda;
• adversativas (adversidade, oposição): mas, porém, 
todavia, contudo, antes (= pelo contrário), não obs-
tante, apesar disso;
• alternativas (alternância, exclusão,escolha): ou, 
ou… ou, ora… ora, quer… quer;
• conclusivas (conclusão): logo, portanto, pois (depois 
do verbo), por conseguinte, por isso;
• explicativas (justificação): pois (antes do verbo), por-
que, que, porquanto;
• causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como, 
desde que;
• comparativas: como, (tal) qual, assim como, (tanto) 
quanto, (mais ou menos +) que;
• condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo 
se, sem que (= se não), a menos que;
• consecutivas (consequência, resultado, efeito): que 
(precedido de tal, tanto, tão etc. – indicadores de in-
tensidade), de modo que, de maneira que, de sorte 
que, de maneira que, sem que;
• conformativas (conformidade, adequação): confor-
me, segundo, consoante, como;
• concessivas: embora, conquanto, posto que, por mui-
to que, se bem que, ainda que, mesmo que;
• temporais: quando, enquanto, logo que, desde que, 
assim que, mal (= logo que), até que;
• finais: a fim de que, para que, que;
• proporcionais: à medida que, à proporção que, ao pas-
so que, quanto mais (+ tanto menos);
• integrantes: que, se.
Para um de seus vestibulares, a Fuvest pediu que os candi-
datos pensassem sobre o seguinte tema: “Participação política 
– indispensável ou superada?” A seguir, reproduzimos um texto 
considerado acima da média pelos corretores e publicado no site 
do vestibular. O objetivo é que você leia a dissertação e procure 
analisar como a introdução foi elaborada e como os parágrafos 
de desenvolvimento foram construídos e ligados entre si.
A sociedade unidimensional
Marcuse definiu os indivíduos incluídos na 
alienação social como unidimensionais, dado que 
ausente à sua experimentação subjetiva e integra-
ção social, o indivíduo deixa esvair a sua criticida-
de em relação ao entorno.
Análoga à consideração de Marcuse é a atua-
ção do indivíduo apolítico que, unidimensional 
em sua criticidade e alienado em suas posições 
ideológicas, abdica de sua atuação política em 
prol de seu isolacionismo confortável e apático.
Nesse ponto, a história é pródiga em nos de-
monstrar o quão movimentos políticos que de-
monstraram a organização de uma época, são 
essencias à dinâmica da história. 
Desde a Revolução Francesa (1789-1799), que 
se opôs ao parasitário e corrupto absolutismo 
monárquico de seu período, até os movimentos 
de guerrilha no Brasil, que lutaram pela liberdade 
e pela queda do supressor Regime Militar(1964- 
1980), o engajamento político demonstra-se um 
fator díspar para a implantação de significativas 
mudanças sociopolíticas na história.
No entanto, “hoje”, na Era do “consumis-
mo”exacerbado, o individualismo suplanta a atua-
ção social e intregrada. O modo de produção que 
se sucede agilmente e de maneira padronizada 
influencia amplamente a dinâmica social que se 
constrói superficial e indiferenciada. Os indivíduos 
manipulados pelo consumo e suas respectivas
propagandas, não possuem a segurança subjetiva, 
dado que se modificam com o imediatismo dos 
modismos, que lhes conferia uma criticidade de-
terminante a uma visao menos essencialista do 
consumo e mais plausível e coerente da política.
Dentro desse contexto, vislumbrada a lógica 
social atual, em um país como o Brasil, em que 
as disparidades socioeconômicas são eviden-
tes e a política relapsa ao assunto, a alienação 
e o individualismo do consumo em detrimento 
da política tornam-se aspectos deveras nocivo 
às questões sociopolíticas do país. Ocorre, por 
ora, um distanciamento da maioria da população 
em relação à ciência política, a que Aristóteles 
enalteceu como “bem do Homem”, e portanto, 
a perpetuação de problemas nacionais que se 
estendem desde períodos mais antigos; como a 
famigerada corrupção e os abismos sociais e in-
terregionais.
Portanto, a conjuntura política atual, a exem-
plo do Brasil, demonstra-se ávida pela participa-
ção política indispensável de sua população. No 
entanto, em uma sociedade arrebatada, majorita-
riamente, pelo consumo e, portanto, unidimensio-
nal, como preconizou Marcuse, e alienada em seu 
isolacionismo apolítico, os problemas socioeco-
nômicos tornam-se cíclicos e intocáveis. Vive-se, 
dessa forma, em um ínterim em que ocorre a me-
tagoge dos produtos consumíveis e a reificação do 
social circundante.
Redação - Fuvest 2012
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Você se interessa por temas de abordagem filosófica como o da proposta da Fuvest que anexamos neste capítulo? Su-
gerimos duas opcões para que você aprofunde seu repertório e suas reflexões: o programa “Café filosófico”, disponível no 
site YouTube, e o livro Convite à filosofia, de Marilena Chauí, um clássico que ajuda a formar iniciantes da arte de analisar a 
realidade em que vivem.
Tendo a dissertação publicada como exemplo, respon-
da ao que se pede.
 01. 
Qual é a tese presente nela?
Resolução
 Segundo o texto, o sujeito da contemporaneidade está 
se acostumando a abdicar de sua participação política em 
busca de ficar preso a seus desejos mais imediatos.
 02. 
Que recurso foi usado para apresentar o tema na introdução?
Resolução
Uma analogia, comparação, com o pensamento de Marcuse.
 03. 
Que relações lógicas são criadas entre os parágrafos de 
desenvolvimento?
Resolução
O primeiro parágrafo busca continuar as exemplificações 
iniciadas na introdução, enveredando pela história; o segun-
do busca ampliar a problemática apresentada para o caso 
brasileiro; o terceiro inicia-se com uma oposição de ideias 
(“no entanto”); o quarto volta a trazer a reflexão para o Brasil.
APRENDER SEMPRE 4
3. Organizador gráfico
Apresentação do tema
Apresentação do que será discutido
(com ou sem posicionamento)
Características
Apenas
texto
Introdução Desenvolvimento
Tema Tópico Subtópico destaqueSubtópico
Fuga do senso comum
Coesão entre parágrafos
Uso de conectivos
Comprovação da tese.
Tecendo textos:
introdução e 
desenvolvimento
BARTOSZ HADYNIAK / ISTOCK
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Módulo 43
 Texto dissertativo-argumentativo III: introdução
Exercícios de Aplicação
 01. Enem
Leia o texto e responda à questão.
Tarefa
Morder o fruto amargo e não cuspir
Mas avisar aos outros quanto é amargo
Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
Sofrer o esquema falso e não ceder
Mas avisar aos outros quanto é falso
Dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a não pulsar
– do amargo e injusto e falso por mudar –
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
Na organização do poema, os empregos da conjunção 
“mas” articulam, para além de sua função sintática:
a. a ligação entre verbos semanticamente semelhantes.
b. a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis.
c. a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
d. o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório.
e. a intensidade dos problemas sociais presentes no 
mundo.
 02. UECE (adaptado)
Leia o fragmento de texto e responda à questão.
Porta de colégio
Passando pela porta de um colégio, me veio 
a sensação nítida de que aquilo era a porta da 
própria vida. Banal, direis. Mas a sensação era 
tocante. Por isso, parei, como se precisasse ver 
melhor o que via e previa. 
Primeiro há uma diferença de clima entre 
aquele bando de adolescentes espalhados pela 
calçada, sentados sobre carros, em torno de car-
rocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que 
transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é 
só a idade. É toda uma atmosfera, como se es-
tivessem ainda dentro de uma redoma ou aquá-
rio, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez 
não estejam. Vários já sofreram a pancada da 
separação dos pais. Aprenderam que a vida é 
também um exercício de separação. [...]
Onde estarão esses meninos e meninas den-
tro de dez ou vinte anos?Aquele ali, moreno, de cabelos longos corri-
dos, que parece gostar de esporte, vai se interes-
sar pela informática ou economia [...] 
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Affonso Romano de Sant’Anna: 
seleção e prefácio de Letícia Malard. Coleção Melhores Crônicas.
Sobre a preposição de, no título da crônica, “Porta de colé-
gio”, considere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. A preposição de, sozinha, sem contração, como é usa-
da no título, generaliza o substantivo, no caso, colégio.
II. A contração da preposição de com o pronome de-
monstrativo aquele, que resultaria em daquele, man-
teria inalterado o sentido do título.
III. A introdução, no título do texto, do artigo definido o, 
que resultaria em do, alteraria o sentido do título.
a. Somente I está correta.
b. Somente I e III estão corretas.
c. Somente II e III estão corretas.
d. Somente II está correta.
Resolução
Em A, a conjunção mas não tem função sintática de ligar 
verbos, mas orações ou ideias contrárias; em B, a conjunção 
vai ligar ideias opostas, mas em nenhum momento, nesse 
caso, inconciliáveis; em C, a conjunção mas liga um verso que 
expressa uma fatalidade, algo que pode acontecer na história 
de vida de qualquer pessoa, com outro verso que vai expres-
sar o que deve e pode ser feito, a tarefa a ser realizada a fim 
de melhorar o mundo em que se vive; em D, não há enunciado 
introdutório no poema; em E, a conjunção não liga a intensi-
dade dos problemas do mundo, nem seria essa sua função 
sintática.
Alternativa correta: C
Resolução.
A afirmativa II é incorreta, pois a alteração provocada pela 
contração da preposição “de” com o pronome “aquele” altera-
ria o sentido genérico do título por passar a designar especifi-
camente o colégio descrito ao longo do texto.
Alternativa correta: B
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Leia o texto para responder às questões 03 e 04.
Com um braço só
Um dos aspectos menos atraentes da perso-
nalidade humana é a tendência de muitas pes-
soas de só condenar os vícios que não praticam, 
ou pelos quais não se sentem atraídas. Um ca-
loteiro que não fuma, não bebe e não joga, por 
exemplo, é frequentemente a voz que mais grita 
contra o cigarro, a bebida e os cassinos, mas fe-
cha a boca, os ouvidos e os olhos, como os três 
prudentes macaquinhos orientais, quando o as-
sunto é honestidade no pagamento de dívidas 
pessoais. É a velha história: o mal está sempre 
na alma dos outros. Pode até ser verdade, infe-
lizmente, quando se trata da política brasileira, 
em que continua valendo, mais do que nunca, a 
máxima popular do “pega um, pega geral”.
GUZZO, J. R. In: Veja. 21 ago. 2013.
 03. UECE (adaptado)
Sobre o período inicial do texto, considere as afirmações 
e assinale a alternativa correta.
I. Tender é o verbo correlato de tendência. Indica ação-
-processo, o que sugere que esse movimento pode 
não chegar ao ponto previsto.
II. A tendência pode ser somente uma propensão, uma 
inclinação, uma vocação ou pendor.
III. Na introdução do texto, existe a sugestão de que a 
tendência mencionada pelo enunciador ultrapassa os 
limites da simples propensão ou vocação. Ela se reali-
zaria concretamente.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente II e III estão corretas.
c. I, II e III estão corretas.
d. Somente I e III estão corretas.
Exercícios Extras
 04. UECE
Considere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Os gramáticos modernos distinguem os advérbios 
frásicos (aqueles advérbios que modificam um ele-
mento da frase, como em "Ele correu muito.") dos 
advérbios extrafrásicos (aqueles que são exteriores à 
frase, estão no âmbito da enunciação, como em "Ele, 
naturalmente, passou de primeira, não foi?"). Esse se-
gundo grupo congrega os advérbios avaliativos, isto é, 
que indicam uma avaliação do enunciador acerca do 
conteúdo enunciado. No texto em estudo, temos um 
advérbio frásico (ref. 4): “sempre”; e um advérbio ex-
trafrásico (ref. 5): “infelizmente”.
II. Na expressão “os três prudentes macaquinhos 
orientais” (ref. 6), o artigo definido “os” confere a 
“três macaquinhos orientais” o status de informação 
conhecida.
III. O texto, embora constitua apenas um excerto do pa-
rágrafo original, apresenta a estrutura paragráfica ca-
nônica: tópico frasal ou introdução, desenvolvimento 
e conclusão.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente II e III estão corretas.
c. I, II e III estão corretas.
d. Somente II está correta.
Resolução
I. Verdadeiro, pois o verbo de ação-processo é aquele em 
que um sujeito agente gera um processo que causa mudança 
de estado em seu complemento. O verbo tender apresenta 
esse comportamento: sua ação gera alteração, um estado é 
alterado. Acrescente-se a seu funcionamento seu significado: 
de acordo com o dicionário eletrônico Aulete, tender é ter pro-
pensão, inclinação, vocação ou pendor, portanto a conclusão 
pode não ser a esperada.
II. Verdadeiro, pois aquilo que é uma propensão, inclina-
ção, vocação ou pendor pode não se concretizar.
III. Verdadeiro, pois a construção de sentido do período – 
principalmente pela informação inicial, eufemística – sugere 
que as possibilidades se concretizam. Essa afirmação reforça 
a primeira proposição referente ao verbo de ação-processo.
Alternativa correta: C
Habilidade
Observar a produção lógico-textual e os mecanismos 
estruturais, linguísticos e socioculturais necessários para a 
construção do gênero.
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 05. Enem
Leia o texto e responda à questão.
No Brasil de hoje, são falados por volta de 
200 idiomas. As nações indígenas do país falam 
cerca de 180 línguas, e as comunidades de des-
cendentes de imigrantes cerca de 30 línguas. Há 
uma ampla riqueza de usos, práticas e varieda-
des no âmbito da própria língua portuguesa fala-
da no Brasil, diferenças estas de caráter diatópi-
co (variações regionais) e diastrático (variações 
de classes sociais), pelo menos. Somos, portan-
to, um país de muitas línguas, tal qual a maioria 
dos países do mundo (em 94% dos países são 
faladas mais de uma língua).
Fomos, no passado, ainda mais do que hoje, 
um território plurilíngue. Cerca de 1 078 línguas 
indígenas eram faladas quando aqui aportaram 
os portugueses, há 500 anos. Porém, o estado 
português e, depois da independência, o estado 
brasileiro, que o sucedeu, tiveram por política 
impor o português como a única língua legíti-
ma, considerando-a “companheira do império”. 
A política linguística principal do estado sempre 
foi a de reduzir o número de línguas, num pro-
cesso de glotocídio (eliminação de línguas) por 
meio do deslocamento linguístico, isto é, de sua 
substituição pela língua portuguesa. Somen-
te na primeira metade do século XX, segundo 
Darcy Ribeiro, 67 línguas indígenas desapare-
ceram no Brasil – mais de uma por ano, portan-
to. Das cerca de 1 078 línguas indígenas faladas 
em 1500, ficamos com aproximadamente 180 
em 2000 (um decréscimo de 85%), e várias des-
tas 180 encontram-se em estado avançado de 
desaparecimento. 
Disponível em: <http://www.cultura.gov.br>. Acesso em: fev. 2012. Adaptado. 
As línguas indígenas contribuíram, entre outros aspectos, 
para a introdução de novas palavras no português do Brasil. 
De acordo com o texto apresentado, infere-se que a redução 
do número de línguas indígenas:
a. ocasionou graves consequências para a preservação 
de nosso patrimônio linguístico e cultural, uma vez 
que a redução dessas línguas significa a perda da he-
rança cultural de um povo.
b. manteve a preservação de nosso patrimônio linguís-
tico e cultural, porque, assim como algumas línguas 
morrem, outras nascem de tempos em tempos, o que 
contribui para a conservação do idioma.
c. foi um processo natural pelo qual a língua portugue-
sa passou, não significando, portanto, prejuízos para 
o patrimônio linguístico do Brasil, quese conservou 
inalterado até nossos dias.
d. contribuiu para a mudança de posicionamento da polí-
tica linguística do estado, que passou a desconsiderar 
as línguas indígenas como um importante meio de co-
municação dos primeiros habitantes.
e. representou uma fase do desenvolvimento da língua 
portuguesa, que, como qualquer outra língua, passou 
pelo processo de renovação vocabular, que exige a re-
dução das línguas.
Seu espaço
Sobre o módulo
Com base nos tipos de introdução apresentados, trazer para a sala textos de suportes diversos: jornais, propagandas, narra-
tivas, vídeos etc. Analisar com os alunos a estratégia empregada pelo autor para apresentar o tema ou a ideia vinculada nesses 
textos.
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Exercícios Propostos
os rumos do problema; por fim, é apresentada uma 
possibilidade de problema. E a síntese da sequência 
deste texto é: exposição do problema (introdução); 
definição do problema (desenvolvimento); hipótese 
sobre o problema (conclusão).
b. Antes de tudo, é apresentado o problema imaginário, 
seguido de sua circunstância; depois, vêm as explica-
ções que justificam o problema; por fim, são tecidas 
considerações sobre os rumos do problema. E a sínte-
se da sequência deste texto é: hipótese do problema 
(introdução); justificativas do problema (desenvolvi-
mento); fechamento do problema (conclusão).
c. Antes de tudo, é apresentada uma indagação decor-
rente das reflexões sobre o problema; depois, vêm as 
considerações sobre o problema; por fim, é revelada 
a circunstância e o problema propriamente dito. E a 
síntese da sequência deste texto é: decorrências do 
problema (introdução); análise do problema (desen-
volvimento), apresentação circunstancial do proble-
ma (conclusão).
d. Antes de tudo, é apresentada a circunstância em que 
o problema é gerado e qual é o problema gerado; de-
pois, vêm as considerações sobre o problema com 
base em suas relações com o tempo; por fim, é apre-
sentada uma indagação decorrente das reflexões so-
bre o problema. E a síntese da sequência deste texto 
é: apresentação do problema (introdução); análise do 
problema (desenvolvimento); consequência das alte-
rações do problema (conclusão).
e. Antes de tudo, são apresentadas as mudanças de es-
tado referentes ao problema; depois, vem a circuns-
tância em que é gerado e qual é o problema; por fim, a 
busca da causa das alterações do problema. E a sínte-
se da sequência desse texto é: estados do problema 
(introdução); apresentação do problema (desenvolvi-
mento); causas do problema (conclusão).
 08. IFCE
O esquema frasal do texto, como se pode observar, é 
formado por duas interrogações sucedidas por duas decla-
rações sucedidas por uma interrogação. Desse esquema, ob-
tém-se uma estrutura em que se pode delimitar:
a. introdução (nas duas interrogações iniciais), desen-
volvimento (nas declarações), conclusão (na interro-
gação final).
b. introdução (na primeira interrogação), desenvolvi-
mento (na segunda interrogação), conclusão (na in-
terrogação final).
c. introdução (nas duas interrogações iniciais), desen-
volvimento (na primeira declaração), conclusão (na 
segunda declaração juntamente com a interrogação 
final).
d. introdução (nas duas interrogações iniciais junta-
mente com a primeira declaração), desenvolvimento 
(na segunda declaração), conclusão (na interroga-
ção final).
e. introdução (na primeira interrogação), desenvolvi-
mento (na segunda interrogação juntamente com as 
declarações), conclusão (na interrogação final).
Da teoria, leia o tópico 1.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. Fuvest-SP
Leia o texto e responda à questão.
Todas as variedades linguísticas são estruturadas 
e correspondem a sistemas e subsistemas adequa-
dos às necessidades de seus usuários. Mas o fato de 
estar a língua fortemente ligada à estrutura social 
e aos sistemas de valores da sociedade conduz a 
uma avaliação distinta das características das suas 
diversas modalidades regionais, sociais e estilísticas. 
A língua padrão, por exemplo, embora seja uma en-
tre as muitas variedades de um idioma, é sempre a 
mais prestigiosa, porque atua como modelo, como 
norma, como ideal linguístico de uma comunidade. 
Do valor normativo decorre a sua função coercitiva 
sobre as outras variedades, com o que se torna uma 
ponderável força contrária à variação.
Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. 
Sobre os quatro períodos que compõem o texto, conside-
re as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Tendo em vista as relações de sentido constituídas no 
texto, o primeiro período estabelece uma causa cuja 
consequência aparece no segundo período.
II. O uso de orações subordinadas, tal como ocorre no ter-
ceiro período, é muito comum em textos dissertativos.
III. Por formarem um parágrafo tipicamente dissertativo, os 
quatro períodos se organizam em uma sequência cons-
tituída de introdução, desenvolvimento e conclusão.
IV. O procedimento argumentativo do texto é dedutivo, 
isto é, vai do geral para o particular.
a. Somente I e II estão corretas.
b. Somente I e III estão corretas.
c. Somente III e IV estão corretas.
d. Somente I, II e IV estão corretas.
e. Somente II, III e IV estão corretas.
Leia o texto e responda às questões 07 e 08.
Seria o fogo em minha casa? 
Correriam risco de arder todos os meus manuscri-
tos, toda a expressão de toda a minha vida? Sempre 
que esta ideia, antigamente, simplesmente me ocor-
rera, um pavor enorme me fazia estarrecer. E agora 
reparei de repente, não sei já se com pasmo ou sem 
pasmo, não sei dizer se com pavor ou não, que me 
não importaria que ardessem. Que fonte – que fonte 
secreta mas tão minha – se me havia secado na alma?
Fernando Pessoa. Barão de Teive: a educação do insólito. 
 07. IFCE
A sequência do texto permite a seguinte compreensão 
em torno da ideia-problema que lhe é central:
a. Antes de tudo, expõem-se as explicações que justifi-
cam o problema; depois, vêm as considerações sobre 
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 09. Insper-SP
Leia o texto e responda à questão.
A lógica do humor
Piada racista termina com polícia em casa de 
shows. É engraçado gozar de minorias? Até onde 
se pode chegar para fazer os outros rirem? Aliás, 
do que rimos?
De um modo geral, achamos graça quando 
percebemos um choque entre dois códigos de 
regras ou de contextos, todos consistentes, mas 
incompatíveis entre si. Um exemplo: “O maso-
quista é a pessoa que gosta de um banho frio pe-
las manhãs e, por isso, toma uma ducha quente”.
Cometo agora a heresia de explicar a pia-
da. Aqui, o fato de o sujeito da anedota ser um 
masoquista subverte a lógica normal: ele faz o 
contrário do que gosta, porque gosta de sofrer. 
É claro que a lógica normal não coexiste com 
seu reverso, daí a graça da pilhéria. Uma varian-
te no mesmo padrão é: “O sádico é a pessoa que 
é gentil com o masoquista”.
Essa “gramática” dá conta da estrutura in-
telectual das piadas, mas há também dinâmi-
cas emocionais. Kant, na Crítica do juízo, diz 
que o riso é o resultado da “súbita transfor-
mação de uma expectativa tensa em nada”. 
Rimos porque nos sentimos aliviados. Torna-se 
plausível rir de desgraças alheias. Em alemão, 
há até uma palavra para isso: “Schadenfreude”, 
que é o sentimento de alegria provocado pelo 
sofrimento de terceiros. Não necessariamente 
estamos felizes pelo infortúnio do outro, mas 
sentimo-nos aliviados com o fato de não ser-
mos nós a vítima.
Mais ou menos na mesma linha vai o filósofo 
francês Henri Bergson. Em O riso, ele observa 
que muitas piadas exigem “uma anestesia mo-
mentânea do coração”. Ou seja, pelo menos as 
partes mais primitivas de nosso eu acham graça 
em troçar dos outros. Daí os inevitáveis choques 
entre humor e adequação social.
Como não podemos dispensar o riso nemo combate à discriminação, o conflito é inevi-
tável. Resta torcer para que seja autolimitado. 
Não deixaremos de rir de piadas racistas, mas 
não podemos esquecer que elas colocam um 
problema moral.
SCHWARTSMAN, Hélio. In: Folha de S.Paulo, 16 mar. 2012. 
O primeiro parágrafo apresenta uma das formas clássicas 
de introdução de um texto de caráter argumentativo, porque 
contém, resumidamente, elementos essenciais ao desenvol-
vimento das ideias do autor. Esses elementos, presentes no 
texto, podem ser definidos como:
a. declaração de natureza subjetiva – enumeração de 
subtemas.
b. registro de testemunho histórico – exemplificação do 
problema.
c. uso de perguntas retóricas – emprego de contra-argu-
mentação.
d. afirmação da autoridade do enunciador – apresenta-
ção do problema.
e. relato de fato notório – delimitação do tema por meio 
de questionamentos.
 10. UPE
Leia o texto e responda à questão.
Num primeiro momento é possível definir a es-
crita como manifestação gráfica de linguagem, par-
ticularmente da língua natural, que ocupa uma po-
sição central dentre os sistemas na cultura. Graças 
à escrita é que se consagrou, no Ocidente, a cultura 
letrada e o homem leitor. Ela não apenas permite 
aos homens se comunicarem uns com os outros, ou 
pelo menos possuir essa possibilidade de comuni-
cação, mas também registra dados, pensamentos 
e ideias, dando forma a tudo o que era efêmero e 
intangível antes de ser fixado no papel. [...]
A escrita também é, como todos os outros tex-
tos da cultura, dotada de organização enquanto 
sistema e enquanto processo gerativo de lingua-
gens. A multiplicidade de linguagens dentro do 
sistema é sua fonte de riqueza e renovação, fazen-
do com que textos escritos em uma mesma língua 
possam ser tão diversos e diferentes quanto uma 
pauta jornalística é de um poema. [...]
Mas é importante compreender que não es-
crevemos apenas com palavras. Escrevemos com 
gestos, com cores e com sons. Assim, a escrita, 
como texto da cultura, compreende não apenas a 
manifestação gráfica da língua natural, mas [tam-
bém] os sentidos e as linguagens desenvolvidos 
por diferentes códigos. Como texto da cultura, a 
escrita é uma região de contato entre esses dife-
rentes códigos, ao mesmo tempo em que está em 
constante interação com outros sistemas, textos e 
linguagens. Nesse contato, a escrita se caracteriza 
como uma fronteira não apenas por sua dinâmica 
no espaço cultural, mas também pela própria plu-
ralidade de significados que ela abriga.
Certamente, a maior tecnologia que o homem 
cria a partir de sua própria fala é a escrita. Mas 
esta é uma questão polêmica. Para o filosofo in-
glês John Wilkins, a escrita pode ser posterior à 
fala com relação ao tempo, mas não com relação 
à sua natureza. Isso porque a escrita é um regis-
tro visual que provoca a leitura. Ora, o homem 
aprendeu a ler bem antes de aprender a escrever 
e até mesmo a falar. Basta lembrar que as pri-
meiras formas visuais que os homens “leram” fo-
ram os rastros dos animais. O homem aprendeu 
a ler as constelações, os veios das pedras e das 
madeiras. Há uma lenda antiga que conta que os 
gregos costumavam rabiscar avisos nas pedras 
após o plantio, pedindo aos ratos do campo que 
não se aproximassem do terreno.
Contar a história da escrita é como contar a 
história das pessoas e de suas famílias: todas co-
meçam do mesmo jeito. E como começa a his-
tória da escrita? Começa com as inscrições em 
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cavernas de povos muito antigos. Começa com os 
sumérios, os fenícios, os egípcios. Começa com 
as lendas, os pictogramas, os ideogramas. Come-
ça com a transformação do som em palavra. Ou 
seja, a história da escrita é uma narrativa cheia de 
enigmas e de transformações. Confunde-se, mui-
tas vezes, com episódios e fenômenos mágicos, 
sobretudo quando se pensa que a grande perso-
nagem dessa história é a palavra. Como a palavra, 
antes de ser escrita, existiu enquanto som, na fala, 
a transformação do som em palavra faz parte da 
história da escrita, que só se inicia de fato quando 
os sons da fala são expressos graficamente. [...]
Conhecer a história da escrita é andar por ca-
minhos que se bifurcam, onde se cruzam e se 
misturam muitas línguas e muitas linguagens.
Semiosphera. USP. São Paulo. Disponível em: <http.
www.usp.br/semiosphera/escrita_como_texto_da cultura.
html>. Acesso em: set. 2010. Adaptado. 
Para a manutenção da unidade temática do texto, destacam-se 
algumas condições fundamentais de sua coerência. Sobre isso, 
considere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. A correção gramatical com que o texto está expresso, 
pois transgressões de ordem morfossintática, por 
exemplo, comprometem a unidade semântica do tex-
to. Um texto coerente deve ser, necessariamente, “um 
texto correto”.
II. A concentração em palavras de campos semânticos 
afins, como em: fala, escrita, leitura, cultura, inscri-
ção, registro visual etc. Essas unidades funcionam 
como elos que deixam os tópicos e subtópicos do 
texto em articulação.
III. O desdobramento do tópico principal em subtópicos 
a ele vinculados, de forma que se pode reconhecer 
um macroconteúdo – a escrita e sua posição central 
dentre os sistemas na cultura – e conteúdos mais 
pontuais, como a relação entre fala e escrita, entre 
escrita e leitura.
IV. A articulação promovida entre os diferentes parágrafos 
por meio do uso de certas expressões sequenciadoras, 
que exigem do leitor, para uma interpretação adequada, 
a estratégia de ir integrando cada parte no todo.
V. A divisão do texto em seis parágrafos. Em geral, um tex-
to – para ter garantida sua unidade temática – precisa 
estar subdividido em mais de dois parágrafos. A exigên-
cia de uma ‘introdução’ e de uma ‘conclusão’, pelo me-
nos, aplica-se a todo tipo e a todo gênero de texto.
a. Somente I, III, IV e V estão corretas.
b. Somente I, II e V estão corretas.
c. Somente I, II, IV e V estão corretas.
d. Somente II, III e IV estão corretas.
e. Somente II, III, IV e V estão corretas.
Leia o texto e responda às questões de 11 a 13.
Empréstimo de termos 
estrangeiros pode evitar “autismo” 
linguístico de um idioma
Muito se combate a penetração de palavras 
estrangeiras na nossa língua. Se até certo pon-
to esse combate se justifica, todo radicalismo, 
como exigir o banimento puro e simples de todo 
e qualquer termo estrangeiro do idioma, cheira 
a preconceito xenófobo, fanatismo cego e, mais 
ainda, ignorância da real dinâmica das línguas.
Antes de lançar ao fogo do inferno tudo o 
que vem de fora, é preciso tentar compreender 
sem paixões por que os estrangeirismos exis-
tem. Se olharmos atentamente para todas as 
línguas, veremos que nenhuma tem se mantido 
pura ao longo dos séculos: intercâmbios comer-
ciais, contatos entre povos, viagens, grandes 
ondas migratórias, disseminação de fatos cul-
turais, tudo isso tem feito com que as línguas 
compartilhem palavras e expressões. Até o is-
landês, que, para muitos, é a língua mais pura 
do mundo, sem nenhum termo de origem es-
trangeira, é na verdade um idioma altamente 
influenciado por línguas mais centrais e hege-
mônicas. O que ocorre é que o islandês traduz 
os vocábulos que lhe chegam de fora, usando 
material nativo. No islandês, os estrangeirismos 
estão apenas camuflados. [...]
Afinal, em viagens pelo mundo, é reconfor-
tante reconhecer vocábulos familiares como “te-
lefone”, “hotel”, “restaurante”, “táxi”, “hospital”, 
ainda que ligeiramente modificados pela fonéti-
ca e ortografia do país que visitamos.
Portanto, quando se trata de discutir uma po-
lítica de proteção do idioma contra uma suposta 
“invasão bárbara”, é preciso, em primeiro lugar, 
compreender que nenhuma língua natural pas-
sa incólume às influências de outras línguas, e 
que isso, na maioria das vezes, é benéfico tanto 
para quem exporta quanto para quem impor-
ta palavras. Toda língua se vê enriquecida comcontribuições externas, que sempre trazem no-
vas visões de mundo, por vezes simplificam a co-
municação e, sobretudo, tiram o idioma de uma 
situação de “autismo” linguístico.
Dando por assentada a questão de que o em-
préstimo de palavra estrangeira é um fenôme-
no legítimo da dinâmica das línguas e, acima de 
tudo, inevitável, cabe então distinguir quando 
um empréstimo é necessário ou não, quando 
é oportuno ou inoportuno. Afinal, uma coisa é 
a introdução em nossa sociedade de um novo 
conceito (por exemplo, uma nova tecnologia, um 
fato social inédito, uma nova moda) que, por ser 
originário de outro país, chegue até nós acom-
panhado do nome que tem na língua de origem. 
Foi assim com o whisky (ou uísque), a pizza, o 
futebol (e os nomes das posições dos jogadores, 
depois traduzidas para o português), a informá-
tica, e assim por diante. Outra coisa é dar nomes 
estrangeiros a objetos que já têm nome em por-
tuguês. [...]
Os empréstimos oportunos acabam algumas 
vezes traduzidos ou aportuguesados, outras ve-
zes não. Mas, se eles existem na nossa língua, é 
porque somos grandes importadores de objetos 
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e fatos culturais inventados por outros povos. Ou 
seja, importamos palavras mais do que expor-
tamos porque, no fundo, somos pouco criativos 
em matéria de tecnologia. [...]
Ora, em questões de língua, como em tudo 
mais na vida, a virtude está no meio: nem tanto 
ao mar, nem tanto à terra. Portanto, não se deve 
adotar nem uma postura de servilismo ao que 
é estrangeiro nem uma atitude chauvinista em 
relação ao que é nacional. Afinal, o purismo lin-
guístico é algo tão irritantemente pedante quan-
to o estrangeirismo mercadológico.
BISSOCCHI, Aldo. In: Revista Língua Portuguesa. 
São Paulo: Editora Segmento. Adaptado.
 11. UPE (adaptado)
Há um tema que tem sido objeto de amplas discus-
sões e tem envolvido até mesmo um projeto político de 
controle do idioma. Sobre as considerações apresenta-
das no texto, considere as sínteses e assinale a alterna-
tiva correta.
I. Convém que a entrada de palavras estrangeiras na lín-
gua seja compreendida em suas causas e motivações 
socioculturais. Além disso, convém que a questão 
seja vista com equilíbrio, sem radicalismos nem sim-
plismos reducionistas.
II. O empréstimo de termos estrangeiros é um fato ine-
vitável em um mundo que cultiva os intercâmbios co-
merciais, a propagação da diversidade de tendências 
culturais, o contato entre povos de línguas e visões de 
mundo diferentes.
III. O fato de línguas diferentes compartilharem elemen-
tos de seu repertório linguístico atesta uma postura 
de servilismo por parte de quem importa. Afinal, a ne-
cessidade de importar objetos e fatos culturais prova 
a insuficiência de nossa cultura.
IV. Dada a legítima dinâmica das línguas, todo em-
préstimo é necessário e oportuno. Promove o 
enriquecimento da língua, além de evitar seu iso-
lamento e afastar o risco de um "autismo" linguís-
tico e cultural.
V. Se admite-se que “nenhuma língua natural passa 
incólume às influências de outras línguas”, pode-se 
concluir que a entrada de palavras estrangeiras em 
uma língua constitui um fenômeno legítimo e não um 
sinal de sua decadência.
a. Somente I, II e IV estão corretas.
b. Somente I, III e IV estão corretas.
c. Somente I, III e V estão corretas.
d. Somente I, II e IV estão corretas.
e. Somente III, IV e V estão corretas.
 12. UPE (adaptado)
As variações de um texto justificam-se por muitos fatores 
e assumem diferentes manifestações. Sobre isso, considere 
as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Ficaria comprometido o potencial semântico do texto 
e a função comunicativa de sua formulação, caso o 
autor tivesse optado por fugir à norma culta da língua 
portuguesa.
II. O autor assume uma linguagem precisa e relevante, 
uma vez que oferece sustentação para os argumentos 
apresentados (veja-se o exemplo dado, em relação ao 
islandês).
III. O autor, em dado momento, pretende mostrar-se in-
cluído na interação com o grupo. Por isso, recorre ao 
uso da primeira pessoa, como em: “Se olharmos aten-
tamente para todas as línguas, veremos que...”.
IV. A sequência verificada nos parágrafos é característica 
de um texto expositivo. Se se tratasse de um gênero 
narrativo – como uma notícia, o mais comum seria 
uma ordem cronológica.
V. A finalidade prevista e os interlocutores pensados 
para esse texto justificam o uso de uma formulação 
textual distinta do padrão informal, não monitorado e 
distenso.
a. Somente I, II e III estão corretas.
b. Somente II, III e V estão corretas.
c. Somente I, II e IV estão corretas.
d. Somente II, III, IV e V estão corretas.
e. Somente IV e V estão corretas.
 13. UPE
Sobre a análise de algumas expressões do texto, consi-
dere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Um “preconceito xenófobo” significa uma espécie de 
preconceito radical, alimentado contra toda e qual-
quer inovação cultural.
II. A expressão “lançar ao fogo do inferno” constitui uma 
metáfora que exprime um sentido de radicalismo, de 
rejeição extrema.
III. A referência a “grandes ondas migratórias” recupera, 
entre outros, os fatos históricos dos Descobrimen-
tos, que puseram em contato europeus e nativos da 
América.
IV. Admitir que “os estrangeirismos estão apenas camu-
flados” corresponde a aceitar que eles existem, embo-
ra sejam sutis ou não perceptíveis.
V. A expressão “o purismo linguístico” pressupõe que as 
línguas devem manter-se originais e inalteráveis, ape-
sar de suas trajetórias de vizinhanças e contatos.
a. Somente I, II e III estão corretas.
b. Somente II, III e V estão corretas.
c. Somente II, IV e V estão corretas.
d. Somente I, III e IV estão corretas.
e. Somente II, III, IV e V estão corretas.
 14. PUC-RJ
Leia o texto e faça o que se pede.
A imaginação
A imaginação é provavelmente a maior força 
a atuar sobre os nossos sentimentos – maior e 
mais constante do que influências exteriores, 
como ruídos e visões amedrontadores (relâm-
pagos e trovões, um caminhão em disparada, 
um tigre furioso), ou prazer sensual direto, 
inclusive mesmo os intensos prazeres da ex-
citação sexual. O que esteja realmente acon-
tecendo é, para um ser humano, apenas uma 
pequena parte da realidade; a maior parte é o 
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que ele imagina em conexão com as vistas e 
sons do momento.
A imaginação constitui o seu mundo. O que 
não quer dizer que seu mundo seja uma fan-
tasia, sua vida um sonho, nem qualquer outra 
coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso 
significa que o seu “mundo” é maior do que 
os estímulos que o cercam; e a medida deste, 
o alcance de sua imaginação coerente e equili-
brada. O ambiente de um animal consiste das 
coisas que lhe atuam sobre os sentidos. Coisas 
ausentes, que ele deseje ou tema, provavel-
mente não têm substitutos em sua consciên-
cia, como as imagens de tais coisas na nossa, 
mas aparecem, quando por fim o fazem, como 
satisfações de necessidades imperiosas, ou 
como crises em seu espreitar e reagir mais ou 
menos constante. [...]
No centro da experiência humana, portanto, 
existe sempre a atividade de imaginar a reali-
dade, concebendo-lhe a estrutura por meio de 
palavras, imagens ou outros símbolos, e assimi-
lando-lhe percepções reais à medida que surgem 
– isto é, interpretando-as à luz das ideias gerais, 
usualmente tácitas. Esse processo de interpre-
tação é tão natural e constante que sua maior 
parte decorre de modo inconsciente.
LANGER, Suzanne K. Ensaios filosóficos. São Paulo: Cultrix, 
1971. Apud ARANHA, M. L. de Arruda & MARTINS, M. H. Pires. 
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.
a. De acordo com o texto, quais são os dois componen-
tes usados pelas pessoas para interpretar o mundo?
b. Há dois desvios gramaticais no período a seguir.Rees-
creva-o, fazendo as devidas correções.
 Coisas ausentes não interferem no comportamento 
dos animais, onde eles só temem o que lhes desper-
tam os sentidos. 
 15. UECE
Leia o texto e responda à questão.
O verbo for
Vestibular de verdade era no meu tempo. 
Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da 
vida em que tudo de bom era no meu tempo; 
meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e 
mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa 
não ser reacionário. Somos uma força histórica 
de grande valor. Se não agíssemos com o vigor 
necessário – evidentemente o condizente com 
a nossa condição provecta –, tudo sairia fora 
de controle, mais do que já está. O vestibular, é 
claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez 
até desapareça, mas julgo necessário falar do 
antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas 
coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia 
de exercício).
O vestibular de Direito a que me submeti, 
na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha 
só quatro matérias: português, latim, francês ou 
inglês e sociologia. Nada de cruzinhas, múltipla 
escolha ou matérias que não interessassem dire-
tamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbo-
sianamente quanto possível, com citações deco-
radas, preferivelmente.
Havia provas escritas e orais. A escrita já dava 
nervosismo, da oral muitos nunca se recupera-
ram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o 
ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o 
martírio, insuperável por qualquer esporte radi-
cal desta juventude de hoje.
O maior público das provas orais era o que 
já tinha ouvido falar alguma coisa do candida-
to e vinha vê-lo “dar um show”. Eu dei show 
de português e inglês. O de português até que 
foi moleza, em certo sentido. O professor José 
Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu 
as seguintes palavras aladas:
— Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é 
o sujeito da primeira oração do Hino Nacional!
— As margens plácidas – respondi instanta-
neamente, e o mestre quase deixa cair a xícara.
— Por que não é indeterminado, “ouviram” 
etc.?
— Porque o “as” de “as margens plácidas” 
não é craseado. Quem ouviu foram as margens 
plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que 
existem no hino. “Nem teme quem te adora a 
própria morte”: sujeito: “quem te adora”. Se pu-
sermos na ordem direta...
— Chega! – berrou ele. — Dez! Vá para a gló-
ria! A Bahia será sempre a Bahia!
Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, 
que eu fosse professor da Escola de Adminis-
tração da Universidade Federal da Bahia e me 
designassem para a banca de português, com 
prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor 
carrasco, que até hoje considero injustíssima, 
e ficava muito incomodado com aqueles rapa-
zes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. 
Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal 
de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata 
e abotoaduras vistosas. A prova oral era bes-
tíssima. Mandava-se o candidato(a) ler umas 
dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não 
sabiam ler) e depois se perguntava o que que-
ria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era 
o plural de outra e assim por diante. Esse mal 
sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a 
responder nada. Então, eu, carrasco fictício, pe-
guei no texto uma frase em que a palavra “for” 
tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo 
“ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o 
verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele 
passa e seja o que Deus quiser.
— Esse “for” aí, que verbo é esse?
Ele considerou a frase longamente, como se 
eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratu-
ra do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me 
encarou sorridente.
— Verbo for.
— Verbo o quê?
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— Verbo for.
— Conjugue aí o presente do indicativo desse 
verbo.
— Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele, im-
pávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem.
Não, dessa vez ele não passou. Mas, se per-
severou, deve ter acabado passando e hoje há 
de estar num posto qualquer do Ministério da 
Administração ou na equipe econômica, ou ain-
da aposentado como marajá, ou as três coisas. 
Vestibular, no meu tempo, era muito mais diver-
tido do que hoje e, nos dias que correm, devi-
damente diplomado, ele deve estar fondo para 
quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. 
Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.
RIBEIRO, João Ubaldo. O conselheiro come. Nova 
Fronteira: Rio de Janeiro, 2000.
Sobre a estrutura da crônica, marque V para verdadeiro, F 
para falso e assinale a alternativa que apresenta a sequência 
correta.
( ) O primeiro enunciado da crônica, que é também o 
primeiro da introdução, expressa a ideia central 
do texto.
( ) A introdução é interrompida já no primeiro período 
do texto.
( ) No trecho “Já estou chegando, ou já cheguei, à altura 
da vida em que...” até “... sairia fora de controle, mais 
do que já está.” (primeiro parágrafo), quando retoma 
o enunciado introdutório, o enunciador faz uma di-
gressão ou divagação, afastando-se do tema princi-
pal do texto.
( ) A introdução de pequenos fatos narrados leva-nos a 
entender que o texto, na realidade, não é uma crôni-
ca. Ele configura um novo tipo de texto que podería-
mos denominar de gênero misto.
( ) A conclusão da crônica começa no último parágrafo, 
com o vocábulo “vestibular”. Com base nessa refe-
rência, poderíamos ter um novo parágrafo.
a. F – F – V – V – V
b. V – V – F – F – V
c. V – V – V – F – V
d. F – F – V – V – F
 16. UFSM-RS
Leia o texto e responda à questão.
Há diversas maneiras de fazer uso das mídias 
em ambiente escolar. O controle da frequência 
dos estudantes por meio de chips, por exemplo, já 
bastante comum nas escolas, pode ter no celular 
um grande aliado. Foi o que fez a Secretaria Mu-
nicipal de Educação de Vitória da Conquista, mu-
nicípio a aproximadamente 500 km de Salvador, 
BA. Por meio de mensagens de celular, as escolas 
da rede municipal da cidade passaram a comu-
nicar aos pais o horário de chegada e saída dos 
alunos, que tiveram um chip instalado no unifor-
me. Embora esse tipo de controle seja polêmico, 
a iniciativa agradou tanto a pais e alunos – que 
se sentiram mais seguros – quanto a educadores, 
que viram despencar os índices de evasão escolar.
TRIGO, Ilda. Pensar em rede: a escola e a Internet 
participativa. Educatrix, out. 2012. Adaptado.
Considere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. As vírgulas empregadas diante das orações “que tive-
ram um chip instalado no uniforme” e “que viram des-
pencar os índices de evasão escolar” sinalizam a intro-
dução de informações suplementares que envolvem, 
respectivamente, os alunos e educadores das escolas 
da rede municipal da cidade de Vitória da Conquista.
II. O uso de “Embora” (último período do texto) indica 
que o vínculo causal entre as proposições é nega-
do, uma vez que a polêmica sobre o uso da tecnolo-
gia para controle da frequência de estudantes não 
impede a satisfação de pais, alunos e educadores 
no contexto das escolas da rede municipal de Vitó-
ria da Conquista.
III. Os traços, isolando a oração “que se sentiram mais se-
guros”, ao colocarem em evidência um sentimento de 
pais, alunos e educadores, funcionam como recurso 
linguístico na constituição do argumento em favor do 
uso da tecnologia nas escolas do país.
a. Somente I está correta.
b. Somente II está correta.
c. Somente I e II estão corretas.
d. Somente III está correta.
e. I, II e III estão corretas.
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Módulo 44
Texto dissertativo-argumentativo IV: desenvolvimento 
Exercícios de Aplicação
 01. Unesp
Leia o texto e responda à questão.
Aliadas ou concorrentes
Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos 
formados em universidades são mulheres. Metade 
das europeias que estão no mercado de trabalho 
passou por universidades. No Japão, as mulheres 
têm níveissemelhantes de educação, mas deixam 
o mercado assim que se casam e têm filhos. A tra-
dição joga contra a economia. O governo credita 
parte da estagnação dos últimos anos à ausência 
de participação feminina no mercado de trabalho. 
As brasileiras avançam mais rápido na educação. 
Atualmente, 12% das mulheres têm diploma uni-
versitário – ante 10% dos homens. Metade das 
garotas de 15 entrevistadas numa pesquisa da 
OCDE (Organização para a Cooperação e De-
senvolvimento Econômico) disse pretender fazer 
carreira em engenharia e ciências – áreas espe-
cialmente promissoras.
[...]
Agora, a condição de minoria vai caindo por 
terra e os padrões de comportamento começam 
a mudar. Cada vez menos mulheres estão dis-
postas a abdicar de sua natureza em nome da 
carreira. Não se trata de mudar a essência do 
trabalho e das obrigações que homens e mulhe-
res têm de encarar. Não se trata de trabalhar me-
nos ou ter menos ambição. É só uma questão de 
forma. É muito provável que legisladores e em-
presas tenham de ser mais flexíveis para abrigar 
mulheres de talento que não desistiram do papel 
de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única 
questão de gênero que importa.
Mais fortalecidas e mais preparadas, as mu-
lheres terão um lugar ao sol nas empresas do 
jeito que são ou desistirão delas, porque serão 
capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 
8,3 milhões de empresas lideradas por mulheres 
nos Estados Unidos — é o tipo de empreende-
dorismo que mais cresce no país. De acordo 
com um estudo da EY (organização global com 
o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalece-
rem seus negócios), o Brasil tem 10,4 milhões 
de empreendedoras, o maior índice entre as 20 
maiores economias. Um número crescente delas 
tem migrado das grandes empresas para o pró-
prio negócio. Os fatos mostram: as empresas em 
todo o mundo terão, mais cedo ou mais tarde, 
de decidir se querem ter metade da população 
como aliada ou como concorrente.
Exame, out. 2013.
Desde o título do artigo, que é retomado no último pará-
grafo, os argumentos da autora são motivados por um fato 
não referido de modo ostensivo, ou seja:
a. a boa empresária dificilmente conseguirá se tornar 
uma boa mãe.
b. as mulheres mostram melhor desempenho nas ativi-
dades domésticas.
c. as atividades empresariais ainda são dominadas por 
homens.
d. as empresas fazem grande esforço pela participação 
de mulheres.
e. o mercado ainda trata as mulheres mais como consu-
midoras do que empreendedoras.
 02. UFSM-RS
Leia o texto e responda à questão.
Uma revolução em cinco minutos
Usar a tecnologia para construir um mundo 
melhor tem seu lado frívolo. Mas, felizmente, 
também tem um lado bem sério. Principalmente 
na política. A tecnologia pode ajudar governos 
a adotar medidas que beneficiam a população.
Avanços tecnológicos facilitaram a criação 
de ferramentas que ajudam não só a promover 
a cidadania, mas também a vigiar, a reportar e a 
agir contra a restrição dos direitos civis. Por isso, 
pode-se argumentar que está cada vez mais di-
fícil manter um governo injusto e cada vez mais 
fácil se rebelar contra regimes antidemocráticos.
Resolução
Está implícita a ideia de que os homens ainda dominam 
as atividades empresariais, ressaltando-se o trecho no qual, a 
respeito das mulheres, a autora afirma: “Agora, a condição de 
minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento 
começam a mudar”.
Alternativa correta: C 
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Se você quiser monitorar os países onde há 
desrespeito à democracia, uma das melhores ferra-
mentas é o projeto ChokePoint. Inspirado nos acon-
tecimentos no Egito e na Líbia, o ChokePoint (cho-
kepointproject.net) é uma plataforma que expõe o 
intercâmbio de informação entre países. Se houver 
uma parada súbita no tráfego de dados, o sistema 
alerta sobre um provável corte da liberdade de ex-
pressão naquele país. [...]
E se você quiser organizar um protesto? Aqui 
entra a tecnologia também. Em agosto, manifestan-
tes contra o governo usaram em Londres o API do 
GoogleMaps para mostrar, em tempo real, por quais 
ruas a polícia estava se aproximando. [...]
Mas se você não mora em áreas de conflito e 
protesto não é seu estilo, há várias maneiras de 
usar a tecnologia para facilitar o engajamento. Em 
sites como o Change.org (change.org), é possível 
reunir milhares de pessoas para assinar uma peti-
ção. Em sites locais, como o FixMyStreet (fixmys-
treet.com) ou eDemocracy (forums.e-democracy. 
org/about), é possível discutir problemas da co-
munidade e acionar as autoridades.
É claro que a tecnologia também pode ser 
usada para terrorismo, mas a maioria da po-
pulação é contra esse tipo de atividade. É gra-
tificante saber que podemos contar com a tec-
nologia para engajar grupos que vão provocar 
mudanças, sejam para a denúncia de buracos na 
sua rua ou a derrubada de regimes ditatoriais. 
O mundo conectado é capaz de construir uma 
sociedade mais justa.
LARIU, Alessandra. Uma revolução em cinco 
minutos. Info, nov. 2011. Adaptado. 
No artigo de opinião, a autora aborda um tema sobre o 
qual defende uma tese fundamentada por argumentos, arti-
culados por diferentes estratégias argumentativas. Com rela-
ção a esses aspectos de conteúdo, considere as afirmações e 
assinale a alternativa correta.
I. O campo semântico usado ao longo do texto aponta 
como tema o uso da tecnologia no contexto sociopolítico.
II. A utilização de índices de avaliação, como “felizmente” 
(primeiro parágrafo), “facilitar” (segundo parágrafo) e “gra-
tificante” (último parágrafo), sinaliza um posicionamento 
favorável ao uso de recursos tecnológicos para promover o 
engajamento de pessoas em prol da justiça social.
III. Para evidenciar o potencial do uso de tecnologia no 
processo de engajamento social, é empregada a es-
tratégia de exemplificação, com indicação de recursos 
tecnológicos e suas finalidades.
IV. No último parágrafo, ao admitir a possibilidade de 
emprego da tecnologia em prejuízo da sociedade, a 
articulista busca enfraquecer tal argumento por meio 
da estratégia de contra-argumentação, mantendo, as-
sim, válida sua tese.
a. Somente II está correta.
b. Somente I e IV estão corretas.
c. Somente II e III estão corretas.
d. Somente I, III e IV estão corretas.
e. I, II, III e IV estão corretas.
 03. UEG-GO
Leia o texto e responda à questão.
Por razões tanto pedagógicas quanto cientí-
ficas, é importante perceber uma variedade da 
língua que tem uma gramática própria, e que 
essa gramática permite uma comunicação muito 
eficaz. No português não padrão que se fala no 
Brasil, a conjugação verbal reduziu-se, é verda-
de, a duas formas: 
Eu
Você
Ele/Ela
Nós/ a gente
Vocês
Eles/Elas
falo
fala
Comparado com a representação da gramá-
tica normativa, que traz seis formas e seis pro-
nomes diferentes, esse paradigma verbal tem 
tudo para parecer pobre. Mas o inglês e o fran-
cês falado também usam só duas ou três formas, 
e ninguém se lembraria de dizer que isso é um 
problema para aquelas línguas. Note-se que a 
variedade não padrão que distingue nóis canta-
mo de nóis cantemo consegue distinguir morfo-
logicamente dois tempos do verbo (o presente e 
o pretérito perfeito), uma diferença importante 
Resolução
I. Verdadeira. “Cidadania”, “democracia”, “liberdade de 
expressão”, “protesto”, “assinar uma petição” são ex-
pressões próprias do contexto sociopolítico, o qual, 
segundo o texto, é beneficiado pelo uso da tecnologia 
(“ferramenta”, “plataforma”, “GoogleMaps”, site, “mun-
do conectado”).
II. Verdadeira. As três expressões estão relacionadas ao 
uso de recursos tecnológicos: “felizmente” relaciona-se 
ao uso da tecnologia para construir um mundo me-
lhor; “facilitar” refere-se ao engajamento das pessoas, 
mesmo as que estão distantes de protestos; final-
mente “gratificante” está relacionado à possibilidade 
de se poder contar com a tecnologia para fins sociais.
III. Verdadeira. Nosegundo, terceiro e quarto parágra-
fos, a autora emprega exemplos, como o projeto 
ChokePoint, o GoogleMaps e sites como FixMyStreet 
ou eDemocracy, para demonstrar que a tecnologia 
pode incrementar a participação das pessoas para 
promover a cidadania.
IV. Verdadeira. Desde o tópico frasal do último parágrafo, 
a autora não deixa de mostrar que a tecnologia pode, 
também, prejudicar a sociedade (“É claro que a tec-
nologia também pode ser usada para terrorismo”); no 
entanto, para não comprometer a tese defendida e os 
argumentos apresentados, contra-argumenta a partir 
de uma conjunção adversativa (“mas a maioria da po-
pulação é contra esse tipo de atividade.”).
Alternativa correta: E
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que o português brasileiro culto não consegue 
marcar e que o português europeu marca por 
uma distinção de nasalidade.
Em suma, quando tratamos de qualquer varie-
dade não padrão do português brasileiro, estamos 
diante de outro código, e não de erros em virtude 
das condições cognitivas dos falantes. Do ponto de 
vista pedagógico, é fundamental perceber que os 
alunos que chegam à escola falando uma varieda-
de não padrão precisam aprender a norma-padrão 
como uma espécie de língua estrangeira.
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que 
estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006. Adaptado.
A expressão “Note-se que” (segundo parágrafo) exerce 
um papel importante na organização argumentativa do se-
gundo parágrafo, caracterizando-se como um elemento:
a. causal, que exerce o papel de um operador de cau-
sa/efeito.
b. interpelativo, que realça a complementação do ar-
gumento.
c. metadiscursivo, que marca a introdução de uma 
paráfrase.
d. concessivo, que equivale a “Não obstante o que foi dito”.
Exercícios Extras
Leia o texto e responda às questões 04 e 05.
Hoje os conhecimentos estruturam-se de 
modo fragmentado, separado, compartimentado 
nas disciplinas. Essa situação impede uma vi-
são global, uma visão fundamental e uma visão 
complexa. “Complexidade” vem da palavra lati-
na complexus, que significa a compreensão dos 
elementos no seu conjunto.
As disciplinas costumam excluir tudo o que se 
encontra fora de seu campo de especialização. A 
literatura, no entanto, é uma área que se situa na 
inclusão de todas as dimensões humanas. Nada 
do humano lhe é estranho, estrangeiro.
A literatura e o teatro são desenvolvidos 
como meios de expressão, meios de conheci-
mento, meios de compreensão da complexidade 
humana. Assim, podemos ver o primeiro modo 
de inclusão da literatura: a inclusão da comple-
xidade humana. E vamos ver ainda outras in-
clusões: a inclusão da personalidade humana, a 
inclusão da subjetividade humana, e, também, 
muito importante, a inclusão do estrangeiro, do 
marginalizado, do infeliz, de todos que ignora-
mos e desprezamos na vida cotidiana.
A inclusão da complexidade humana é neces-
sária porque recebemos uma visão mutilada do 
humano. Essa visão, a de Homo sapiens, é uma de-
finição do homem pela razão; de Homo faber, do 
homem como trabalhador; de Homo economicus, 
movido por lucros econômicos. Em resumo, trata-
se de uma visão prosaica, mutilada, que esquece 
o principal: a relação do sapiens/demens, da razão 
com a demência, com a loucura.
Na literatura, encontra-se a inclusão dos pro-
blemas humanos mais terríveis, coisas insupor-
táveis que nela se tornam suportáveis. Harold 
Bloom escreve: “Todas as grandes obras revelam 
a universalidade humana por meio de destinos 
singulares, de situações singulares, de épocas sin-
gulares”. É essa a razão por que as obras-primas 
atravessam séculos, sociedades e nações.
Agora chegamos à parte mais humana da in-
clusão: a inclusão do outro para a compreensão 
humana. A compreensão torna-nos mais gene-
rosos com relação ao outro, e o criminoso não 
é unicamente mais visto como criminoso, como 
o Raskolnikov de Dostoiévski, como o Padrinho 
de Copolla.
A literatura, o teatro e o cinema são os me-
lhores meios de compreensão e de inclusão do 
outro. Mas a compreensão torna-se provisória, 
esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do 
filme. Então essa compreensão é que deveria ser 
introduzida e desenvolvida em nossa vida pes-
soal e social, porque serviria para melhorar as 
relações humanas, para melhorar a vida social.
MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura. In: RÕSING, Tânia et al. 
Edgar Morin: religando fronteiras. Passo Fundo: UPF, 2004. Adaptado. 
Resolução
A expressão tem a função interpelativa e de realce com a 
finalidade de fazer com que o leitor dê atenção ao argumento 
que será exposto.
Alternativa correta: B
Habilidade
Observar a produção lógico-textual e os mecanismos 
estruturais, linguísticos e socioculturais necessários para a 
construção do gênero.
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 04. UFRGS-RS
Associe cada ocorrência de sinal de pontuação com a 
função que tal sinal auxilia a expressar no contexto em que 
ocorre.
( ) Vírgulas (quarto parágrafo, após as palavras faber e 
economicus)
( ) Dois-pontos (final do quarto parágrafo)
( ) Vírgula (sexto parágrafo, após a expressão “com rela-
ção ao outro”)
1. Assinalar elipse.
2. Assinalar a presença de enumeração no texto.
3. Assinalar a adição de um período, que apresenta sujei-
to diferente do período anterior.
4. Assinalar uma síntese do dito e a inserção de um argu-
mento que se destaca em relação aos anteriores.
Assinale a alternativa com a sequência correta de preen-
chimento dos parênteses. 
a. 1 – 4 – 3
b. 1 – 3 – 4
c. 2 – 4 – 1
d. 2 – 3 – 4
e. 4 – 2 – 3
 05. UFRGS-RS
Com relação às marcas de pessoa e de tempo no texto, 
considere as afirmações e assinale a alternativa correta. 
I. O emprego de primeira pessoa do plural, em referência 
exclusiva ao autor, produz um efeito de neutralidade.
II. O emprego do advérbio hoje (início do texto) permite 
inferir que a argumentação proposta não é válida para 
todo e qualquer tempo.
III. O advérbio agora (início do sexto parágrafo) sinali-
za a progressão dos argumentos apresentados no 
texto.
a. Somente I está correta.
b. Somente II está correta.
c. Somente I e III estão corretas.
d. Somente II e III estão corretas.
e. I, II e III estão corretas.
Seu espaço
Sobre o módulo
Dividir a classe em grupos. Trabalhar com a turma textos de diversos portadores, pedindo que os alunos expressem dife-
rentes pontos de vista a respeito do assunto tratado nesses textos. Pedir que apresentem argumentos que comprovem que o 
posicionamento deles é verdadeiro. Apresentar o resultado dos trabalhos dos grupos à classe pode ajudá-los a compreender 
melhor como se faz o desenvolvimento de textos dissertativos.
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Exercícios Propostos
Da teoria, leia o tópico 2.
Exercícios de tarefa reforço aprofundamento
 06. Unesp
Leia o texto e responda à questão.
São Paulo, 10 de março de 1867
Estamos em plena quaresma.
A população paulista azafama-se a preparar-se 
para a lavagem geral das consciências nas águas 
lustrais do confessionário e do jejum.
A cambuquira e o bacalhau afidalgam-se no 
mercado.
A carne, mísera condenada pelos santos con-
cílios, fica reduzida aos pouquíssimos dentes 
acatólicos da população, e desce quase a zero na 
pauta dos preços.
O que não sobe nem desce na escala dos fatos 
normais é a vilania, a usura, o egoísmo, a estatís-
tica dos crimes e o montão de fatos vergonhosos, 
perversos, ruins e feios que precedem todas as 
contrições oficiais do confessionário, e que depois 
delas continuam com imperturbável regularidade.
É o caso de desejar-se mais obras e menos 
palavras.
E se não, de que é que serve o jejum, as ma-
cerações, o arrependimento, a contrição e que-
jandas religiosidades?O que é a religião sem o aperfeiçoamento 
moral da consciência?
O que vale a perturbação das funções gas-
tronômicas do estômago sem consciência livre, 
ilustrada, honesta e virtuosa?
Seja como for, o fato é que a quaresma toma 
as rédeas do governo social, e tudo entristece, 
e tudo esfria com o exercício de seus místicos 
preceitos de silêncio e meditação.
De que é que vale a meditação por ofício, a 
meditação hipócrita e obrigada, que consiste 
unicamente na aparência?
Pois o que é que constitui a virtude? É a forma 
ou é o fundo? É a intenção do ato, ou sua feição 
ostensiva?
Nesse sentido, aconselhamos aos bons lei-
tores que comutem sem o menor escrúpulo os 
jejuns, as confissões e rezas em boas e santas 
ações, em esmolas aos pobres.
Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel 
dos Reis. In: Cabrião, 10 mar. 1867. Adaptado.
Vocabulário
Afidalgam-se: assumem ares de nobre.
Azafama-se: apressa-se.
Cambuquira: iguaria constituída de brotos de abóbora 
guisados, geralmente servida como acompanhamento de 
assados.
Macerações: autopunições envolvendo sofrimento.
Quejandas: semelhantes.
Por seu tema e desenvolvimento argumentativo, o texto 
pode ser classificado como:
a. crítico.
b. lírico.
c. narrativo.
d. histórico.
e. épico.
 07. IFSP
Leia o texto e responda à questão.
A jabuticaba só nasce mesmo no Brasil?
Em seu discurso de agradecimento pelo prê-
mio de economista do ano em 2003, Pérsio Arida, 
um dos idealizadores do Plano Real, utilizou um 
argumento inusitado para justificar a taxa de juros 
de equilíbrio de 8% ao ano no Brasil. “Certas coi-
sas são iguais à jabuticaba, só ocorrem no Brasil”, 
explicou ele na época. Rapidamente, jornalistas e 
intelectuais passaram a citar a frase como parte 
da chamada “Teoria da Jabuticaba”, com o objeti-
vo de explicar em seus textos o porquê de alguns 
fenômenos só acontecerem no Brasil.
Se nas ciências humanas a tal teoria parece fazer 
sucesso, do ponto de vista biológico ela está equi-
vocada. Quem garante isso é o pesquisador da APT 
(Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) 
Eduardo Suguino, que tratou de derrubar alguns mi-
tos sobre a ocorrência do famoso fruto. “A jabuti-
caba pode até ser nativa do Brasil, mas não ocorre 
só aqui”, explicou. “Ela já apareceu em países como 
Argentina e México em sua forma natural”.
Ainda de acordo com Suguino, a jabuticabei-
ra pode ser cultivada em qualquer canto do pla-
neta. Como se trata de uma planta propagada 
por semente, são necessárias apenas três condi-
ções para que ela se desenvolva: água, oxigênio 
e calor. Mesmo assim, ele faz questão de ponde-
rar sobre a suposta universalidade do tradicional 
vegetal. “Apesar de possuir essa capacidade de 
ser cultivada em qualquer lugar, a jabuticabeira 
pode ser prejudicada por alguns fatores ambien-
tais”, afirma. Depois, o pesquisador ainda forne-
ceu exemplos de casos em que o vegetal pode 
sofrer danos. “Se levar um exemplar para a Eu-
ropa durante o inverno, ele dificilmente sobrevi-
verá fora de um vaso ou de ambiente protegido”.
Disponível em: <http:// www.blogdoscuriosos.com.
br >. Acesso em: out. 2013. Adaptado. 
De acordo com o texto, é correto afirmar que: 
a. a jabuticabeira é um fruto que pode ser cultivado em 
qualquer parte do mundo, sem nenhuma restrição.
b. a exposição da jabuticabeira ao frio rigoroso, como o 
da Europa, pode comprometer seu desenvolvimento.
c. esse fruto aparece naturalmente no Brasil; já em ou-
tros países, precisa ser cultivado em laboratórios.
d. ainda que haja água, oxigênio e calor, o plantio da jabu-
ticabeira é uma impossibilidade em países europeus.
e. fatores ambientais são irrelevantes para o êxito do 
cultivo da jabuticabeira em todo o mundo.
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 08. Cefet-MG
Leia o texto e responda à questão.
Filosofar para preservar
O modelo consumista de produção da atuali-
dade é ecocida em sua natureza e antiecológico 
em sua finalidade.
Filosofar é fazer pensar, refletir sobre como 
gerenciar melhor nossas escolhas cotidianas. 
Essa arte do bem pensar deve orientar nossas 
emoções e condecorar nossas conquistas. Pen-
sar para não sofrer, eis um dos lemas centrais 
dessa atividade interrogante que tem por fina-
lidade nos fazer encontrar a sabedoria do feliz. 
Por ser uma arte, todos a desejam, mas apenas 
uns poucos a atingem. E esses são os sábios, 
aqueles que conseguem monitorar com destreza 
as artimanhas do viver, fugindo das seduções do 
efêmero e dos negativismos atuais. Sabemos que 
muita gente não gosta de pensar, mas podemos 
aprender a gostar dessa atividade, já que todo 
amor é um aprendizado, fruto de um persisten-
te esforço. Não existe gratuidade na vida. Toda 
pessoa doadora sabe disso. Ela dá porque rece-
be, ama porque é amada.
Há outro desafio fundamental para a vida 
que o ser humano teima em não assumir em sua 
amplitude: as implicações ecológicas da nossa 
relação com o planeta. Conseguimos avanços 
significativos na esfera da política e da educação, 
em geral, mas na área dos sistemas econômicos 
pouca coisa foi conquistada. O sistema global de 
produção continua agindo como se os objetivos 
a alcançar fossem os mesmos de 200 anos atrás. 
O frenesi do crescimento a qualquer custo atinge 
todos os recantos da Terra. A roda acelerada des-
de o século XIX não pode parar. Para haver rique-
za, é preciso produzir, consumir, obter lucro, criar 
mais trabalho, produzir e repetir tudo de novo 
numa ciranda sem fim. Acreditam que, quanto 
mais consumirmos, mais trabalho criamos, mais 
o país pode se desenvolver. O modelo consumista 
de produção da atualidade é “ecocida” em sua na-
tureza e antiecológico em sua finalidade. O plane-
ta não mais suporta tamanha pressão sobre seus 
já limitados recursos. Os ecologistas lançam pelos 
quatro cantos do mundo seus gritos de alarme. 
Mas os donos do poder industrial tapam os ouvi-
dos a essas lamentações. É impossível pensarmos 
em crescimento e sustentabilidade num sistema 
em que a obsolescência é planejada e o desper-
dício é o motor da reposição. Quase todos agem 
como se os recursos fossem ilimitados. É lógico 
que todos nós precisamos consumir, mas consu-
mo para suprir nossas necessidades e não para 
satisfazer o poço sem fundo dos nossos desejos. 
Todo o sistema global de produção atual aposta 
na ideia de que o supérfluo é mais importante do 
que o necessário.
Concluindo, podemos afirmar que a reflexão 
filosófica nos ajuda a encontrar uma luz no meio 
do túnel antes que o dique se rompa e a inunda-
ção esmague todos. Filosofar é apontar expecta-
tivas e, nesse aspecto, todas as pessoas de bom 
senso devem, com urgência, utilizar a reflexão 
para propor novos caminhos ou uma saída para 
o impasse civilizatório em que nos encontramos. 
Urge lutarmos por uma sociedade mais verde, 
mais interativa com a natureza. Devemos saber 
que a luta ecológica não é somente uma luta 
para a preservação da espécie humana, mas de 
todas as espécies do planeta, já que somos fios 
da mesma rede interativa que forma o tecido da 
vida na Terra.
Alfeu Trancoso. Disponível em: <http://www.
revistaecologico.com.br>. Acesso em: set. 2013. 
No último parágrafo, o autor usa a expressão “impasse 
civilizatório” para referir-se à(ao):
a. consumo excessivo e à distribuição de riquezas.
b. superação do déficit econômico e à garantia de sus-
tentabilidade.
c. desenvolvimento industrial e à preservação dos recur-
sos naturais.
d. necessidade de produção de bens e à descoberta de 
novas fontes de energia.
Leia o texto e responda às questões de 09 a 11.
IDH 2013: Brasil mantém posição
O Brasil está no grupo dos países com índice 
de desenvolvimento humano (IDH) elevado, in-
dicou a edição de 2013 do Relatório de Desen-
volvimento Humano do Programa das Nações 
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) – há, 
ainda, os índices muito elevado, médio e bai-
xo. De acordo com o levantamento, divulgado 
em 14 de março,o país ocupa o 85o lugar no 
ranking de 187 nações avaliadas, mesma posi-
ção registrada em 2011. Numa escala de 0 a 1, 
quanto mais o IDH se aproxima de 1, maior é 
o desenvolvimento humano – avaliado a partir 
dos níveis de expectativa de vida, acesso à edu-
cação e renda da população. Os dados são re-
ferentes a 2012. O índice brasileiro foi de 0,730 
(em 2011 foi de 0,728). A média da América 
Latina foi de 0,741, e o país com melhor classi-
ficação no continente foi o Chile (0,819), na 40a 
posição. 
O Brasil está entre os 15 países que mais 
reduziram o déficit do IDH entre 1990 e 2012, 
melhorando o índice em 24% – o maior avanço 
entre os países da América do Sul. O destaque 
deveu-se ao foco na redução das desigualda-
des e da pobreza e à política estrutural de lon-
go prazo adotada no país, segundo o Pnud. O 
relatório aponta, ainda, que o grupo das três 
principais nações em desenvolvimento (Brasil, 
China e Índia) está remodelando a dinâmica 
mundial no contexto amplo do desenvolvi-
mento humano.
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O Pnud calculou também um ranking com 
base nas desigualdades internas em saúde, edu-
cação e renda. Nesse caso, mesmo Noruega e 
Austrália, 1o e 2o colocados, perdem pontos, 
embora mantendo, ainda, suas posições. Já os 
Estados Unidos despencam do 3o lugar para o 
16o. O Brasil fica 12 posições abaixo, passando 
ao 97o lugar.
Como ocorrera após a divulgação do IDH de 
2011, o governo brasileiro criticou os resulta-
dos do relatório do Pnud. Segundo os ministros 
da Educação, Aloizio Mercadante, e do Desen-
volvimento Social e Combate à Fome, Tereza 
Campello, o documento é elogioso aos avanços 
brasileiros; no entanto, são necessários ajustes, 
informou o Portal do MEC.
Os ministros apontaram que, em educação, 
os dados utilizados são de 2005 e oriundos de 
fontes não reconhecidas pelas agências esta-
tísticas nacionais. De acordo com os ministros, 
o relatório do Pnud não incluiu nos cálculos 
4,6 milhões de crianças de 5 anos matricula-
das na pré-escola, bem como nas classes de 
alfabetização, nem considerou a jornada esco-
lar atual de nove anos. “Se fizéssemos só esta 
correção, subiríamos 20 posições”, ressaltou 
Mercadante.
Disponível em: <http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/conteudo/idh-
2013-brasil-mantem-posicao>. Acesso em: out. 2013. Adaptado. 
 09. Acafe-SC
De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
a. Apesar de o Brasil ainda estar abaixo do IDH médio da 
América Latina, foi o país que mais se desenvolveu na 
América do Sul no período de 1990 a 2012.
b. O Brasil melhorou significativamente seu IDH em 
2012 em comparação com o IDH no ano anterior.
c. De acordo com os ministros da Educação, Aloizio 
Mercadante, e do Desenvolvimento Social e Com-
bate à Fome, Tereza Campello, o relatório do Pnud 
de 2011 está correto, mas o de 2012 precisa ser 
ajustado.
d. Se as crianças matriculadas na pré-escola fossem 
consideradas alfabetizadas, a posição do Brasil me-
lhoraria 20 posições no IDH mundial.
 10. Acafe-SC
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento, se o ranking no IDH tivesse como base de 
cálculo a saúde, a educação e a renda: 
a. todos os países em desenvolvimento perderiam posi-
ções, inclusive o Chile.
b. a Índia ficaria em posição inferior ao Brasil, e a China 
teria um índice elevado (ou muito alto).
c. os Estados Unidos ficariam à frente da Noruega e da 
Austrália.
d. o Brasil perderia pontos, saltando da 85a para a 97a 
posição.
 11. Acafe-SC
Considerando o que consta no Relatório de Desenvolvi-
mento Humano do Programa das Nações Unidas para o De-
senvolvimento (Pnud) de 2013, todas as alternativas listam 
aspectos que contribuíram para o Brasil reduzir o déficit do 
IDH, exceto: 
a. redução da pobreza.
b. redução das desigualdades.
c. inovação tecnológica.
d. política estrutural de longo prazo adotada no país.
 12. UEPA
Leia o texto e responda à questão.
A comunicação simbólica como herança
Nós já sugerimos que nossa capacidade de 
comunicação por meio de símbolos está na raiz 
de muitas das coisas que nos tornam tão dife-
rentes de outros animais. Os seres humanos têm 
um método único de transmitir e adquirir infor-
mação. O que queremos agora é examinar o sis-
tema de comunicação simbólica de um ponto de 
vista mais focal, o do sistema que fornece uma 
quarta dimensão à hereditariedade e à evolução. 
Queremos tentar caracterizar esse sistema espe-
cial de herança da mesma forma como fizemos 
com os sistemas genético, epigenético e com-
portamental e ver o quanto ele é similar a cada 
um desses sistemas.
Existe pelo menos uma semelhança superficial 
entre a maneira como transmitimos informação 
por meio da fala e a maneira como os animais 
usam seus diversos cantos e chamados, então 
será que o sistema simbólico funciona da mesma 
maneira que o sistema de herança comportamen-
tal? Ou será mais parecido com o sistema genéti-
co? O DNA é chamado de “linguagem da vida”, e 
dizemos que nossas características estão “escritas 
nos genes”, portanto deve haver semelhanças ób-
vias entre os dois sistemas. Quais são elas? Que 
traços o sistema simbólico compartilha com ou-
tros sistemas de transmissão de informação, e o 
que o torna tão diferente e especial?
Existe uma propriedade importante compar-
tilhada pelos sistemas genético e simbólico, mas 
que está ausente na herança comportamental. 
Símbolos e genes podem transmitir informação 
latente, ao passo que a informação precisa ser 
usada antes de ser transmitida ou adquirida por 
meios comportamentais. É fácil ver isso se pen-
sarmos como um canto ou uma dança são trans-
mitidos. Consideremos três casos: transmissão 
por meio do sistema genético, transmissão por 
meio do sistema comportamental e transmissão 
por meio do sistema simbólico. Para o exemplo 
genético, podemos usar as moscas das frutas 
do gênero Drosophila, que têm cantos e danças 
muito bonitos. As canções são entoadas pelos 
machos, que produzem-nas vibrando as asas 
[...] Cada espécie tem cantos e danças caracte-
rísticos, que permitem às moscas identificarem 
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a própria espécie. Esses cantos e danças são 
inatos, e sabe-se um bocado sobre sua genética, 
mas o ponto importante é que eles serão herda-
dos mesmo que os pais nunca cheguem a execu-
tá-los (talvez porque um cientista malvado tenha 
arrancado suas asas). Em aves e mamíferos, no 
entanto, o canto deve ser executado na frente 
dos indivíduos para que eles possam aprendê-lo. 
Somente ouvindo um canto é que os indivíduos 
poderão obter a informação que lhes permitirá 
reproduzi-lo. Em outras palavras [...], não existe 
informação latente que possa pular gerações.
Isso não acontece com a transmissão por 
meio do sistema simbólico. Seres humanos po-
dem transmitir uma canção ou dança uns para 
os outros mesmo que sejam desafinados ou te-
nham dois pés esquerdos. Não é preciso cantar 
uma nota ou dar um passo de dança, pois po-
demos transmitir a informação necessária para 
a reprodução de uma canção ou de uma dança 
usando discos ou filmes, ou mesmo com instru-
ções escritas ou orais. Não é preciso agir de ime-
diato em cima de informações simbólicas para 
que elas sejam transmitidas. Ainda que a cultura 
capaz de interpretá-las permaneça intacta, elas 
podem permanecer latentes por gerações. As in-
formações para construir o Terceiro Templo têm 
sido transmitidas entre os judeus por quase 2 mil 
anos, mas o templo ainda não foi construído. E a 
receita da sopa da vovó pode ser passada entre 
várias gerações de uma família até que alguém 
resolva preparar a sopa de novo.
Os sistemas genético e simbólico são pa-
recidos porque ambos podem transmitir infor-
mação latente, mas o sistema simbólico pode 
fazer muito mais do que isso. Como símbolos 
são convenções compartilhadas – signosso-
cialmente pactuados –, eles podem ser muda-
dos e traduzidos em outras convenções cor-
respondentes. Teoricamente, seu potencial de 
tradução é ilimitado. Uma instrução em inglês 
que seja dada em letras romanas também pode 
ser dada em código Morse, num semáforo ou 
em código binário de computador. Os símbo-
los podem até mesmo ser “traduzidos” entre 
sistemas [...]. “Perigo” pode ser expresso por 
uma palavra, uma imagem, um assobio. Uma 
história pode ser transmitida oralmente depois 
de ser decorada; pode ser transmitida também 
por meio de uma canção ou pantomima; pode 
ser transmitida por escrito; e, hoje em dia, 
pode ser transmitida também por meio de fil-
mes, TV e jogos de computador. Assim, embora 
a informação simbólica seja como a informa-
ção genética no sentido de que é codificada e 
traduzível, o potencial de tradução da informa-
ção simbólica é muito maior que o da infor-
mação no sistema genético. Já que podemos 
“traduzir” símbolos de uma forma para outra 
e separar e combinar diferentes formas e ní-
veis seguindo princípios gerais de coerência, é 
enorme a quantidade de informação simbólica 
que pode ser gerada.
[...] Porém, a informação simbólica é muitas 
vezes transmitida de adultos para crianças com 
quem eles não têm parentesco (como na esco-
la), de crianças a adultos e entre indivíduos da 
mesma faixa etária. Nesse ponto, o sistema sim-
bólico se parece com o sistema comportamen-
tal de outros animais. Mas há uma diferença 
significativa: instruções ativas são importantes 
nos sistemas de transmissão simbólica. Em ou-
tros animais, o aprendizado social em geral não 
envolve ensinamento intencional, mas para os 
humanos este é essencial, pois é o próprio siste-
ma simbólico, e não apenas a cultura local que 
ele produz, que precisa ser culturalmente adqui-
rido. Por exemplo, embora as pessoas discutam 
o papel do aprendizado e o tipo de aprendizado 
envolvido, ninguém duvida de que é necessá-
rio muito aprendizado para uma criança com-
preender e usar a linguagem. A necessidade de 
aprendizado e instrução é vista ainda com mais 
clareza em outros tipos de sistema simbólico: 
ensinam-nos o sistema simbólico na leitura, o 
sistema simbólico da matemática, e também 
como entender e participar dos rituais da nossa 
cultura. O arcabouço necessário para a inter-
pretação das informações simbólicas precisa 
ser aprendido.
Disponível em: <http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/08/
ritmo-ancestral.html>. Acesso em: set. 2013. 
De acordo com o texto, a educação é o centro do desen-
volvimento humano. Assinale a alternativa que comprova 
essa afirmativa.
a. Cada espécie tem cantos e danças característicos, 
que permitem às moscas identificarem a própria es-
pécie. Esses cantos e danças são inatos, e sabe-se 
um bocado sobre sua genética, mas o ponto importan-
te é que eles serão herdados mesmo que os pais nun-
ca cheguem a executá-los (talvez porque um cientista 
malvado tenha arrancado suas asas).
b. Os sistemas genético e simbólico são parecidos porque 
ambos podem transmitir informação latente, mas o sis-
tema simbólico pode fazer muito mais do que isso.
c. A necessidade de aprendizado e instrução é vista 
ainda com mais clareza em outros tipos de sistema 
simbólico: ensinam-nos o sistema simbólico da leitu-
ra, ensinam-nos o sistema simbólico da matemática, 
ensinam-nos como entender e participar dos rituais 
da nossa cultura.
d. Isso não acontece com a transmissão por meio do 
sistema simbólico. Seres humanos podem transmitir 
uma canção ou dança uns para os outros mesmo que 
sejam desafinados ou tenham dois pés esquerdos.
e. Existe pelo menos uma semelhança superficial entre 
a maneira como transmitimos informação por meio da 
fala e a maneira como os animais usam seus diversos 
cantos e chamados, então será que o sistema simbó-
lico funciona da mesma maneira que o sistema de he-
rança comportamental?
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 13. UEPA
Leia o texto e responda à questão.
Saímos do Facebook
Desde a semana passada, quando os gover-
nadores de São Paulo e Rio de Janeiro anuncia-
ram o aumento de R$ 0,20 na passagem de ôni-
bus, a população brasileira vem desencadeando 
uma das maiores revoltas públicas que o país já 
viu em mais de duas décadas!
É claro que o aumento de tarifa foi apenas a 
gota d’água que fez toda essa revolta transbordar 
pela maioria das grandes cidades. E, na minha opi-
nião, a população está corretíssima em protestar!
O Brasil tem hoje a 6a maior economia do 
mundo, mas também é um dos países mais cor-
ruptos e burocráticos do mundo! A grande maio-
ria das decisões que são tomadas pelos nossos 
governantes dificilmente favorece ou melhora a 
vida dos trabalhadores e cidadãos de bem.
Quase R$ 30 bilhões de reais já foram gastos 
na preparação para a Copa do Mundo de 2014, 
segundo o governo federal, e por causa disso 
a inflação só aumenta! Enquanto isso, o Brasil 
continua a investir pouco na educação e menos 
ainda na saúde pública. E agora querem enfiar 
“goela abaixo” do povo brasileiro mais um au-
mento no valor de um transporte público extre-
mamente precário e ineficiente.
Mas o que o Facebook e as redes sociais têm 
a ver com isso?
Praticamente tudo.
A maior parte da comunicação entre as pes-
soas que estão participando das manifestações 
está sendo feita on-line por meio do Facebook, 
bem como de outras redes sociais também, como 
o Twitter, YouTube e o Google+. Realmente nós 
podemos comprovar o poder que as redes sociais 
têm e o efeito que elas podem causar na vida das 
pessoas! Todos os twitts e compartilhamentos, 
que começaram nas redes sociais, se transforma-
ram em uma grande multidão nas ruas protestan-
do por melhorias em todo o país!
Um levantamento da agência digital Today mos-
trou que os protestos geraram 548 944 publicações 
nas principais redes sociais. O Twitter foi o meio 
mais utilizado pelas pessoas, com 88% (cerca de 
483 839 posts). No Facebook, foram 60 mil posta-
gens. O Google+ e blogs corresponderam aos 2% 
restantes. As hashtags mais utilizadas foram: #vem-
prarua; #ogiganteacordou; #protestosp; #mudabra-
sil; #semviolencia; #democracianaotemfronteiras; 
#changebrazil. Esses números correspondem ape-
nas à segunda-feira dia 17/06/13, mas já podemos 
ter uma ideia de como essas manifestações estão 
mobilizando os brasileiros nas redes sociais.
Brasileiros de pelo menos 13 países organiza-
ram-se pelo Facebook para promover uma série 
de protestos em solidariedade aos manifestan-
tes locais. Foram realizados protestos em países 
como: França, Espanha, Reino Unido, Alema-
nha, Itália, Portugal, Holanda, Irlanda, Bélgica, 
Estados Unidos, Canadá, Argentina e México. 
Pelo número de participantes confirmados no 
Facebook, os dois maiores protestos foram reali-
zados na Alemanha e na Irlanda.
No Brasil, o grupo “Anonymous” assumiu um 
tipo de liderança ideológica no Facebook durante 
essas manifestações que acontecem pelo Brasil. 
Prova disso é a fanpage principal do grupo no 
Facebook que teve uma guinada explosiva nos 
últimos dias. O crescimento semanal de curtidas, 
segundo as estatísticas da própria página, pulou 
de 7 mil por semana para cerca de 130 mil. Eram 
400 mil fãs na semana passada e hoje já são quase 
850 mil fãs. Eles englobam a manifestação pela 
redução da tarifa do transporte público, criticam a 
corrupção, os erros de governo e injustiças.
Manifestações organizadas pelas redes sociais 
ainda são algo muito novo no Brasil e com dinâmi-
cas bem diferentes de qualquer outro tipo de ma-
nifestação que já aconteceu aqui. Os governantes 
que quiserem atuar de forma realmente democráti-
ca vão ter que estudar as redes para poder dar uma 
resposta à altura dessa nova realidade brasileira, 
em vez de ficarem só tentando “localizar as lide-
ranças” do movimento. Enfim… é em momentos 
como esse que as relações entre as redes sociais 
e as ruas se estreitam. Milhares de pessoas estãonas ruas relatando, pelas redes sociais, o calor da 
mobilização social. Mas também há outras cente-
nas de milhares de pessoas que estão nas redes 
interagindo, compartilhando e se posicionando a 
favor do movimento, o que aumenta ainda mais a 
mobilização social, para além das ruas.
E é nessa interação entre as redes sociais e as 
ruas que, principalmente, o Facebook ganha um 
papel de destaque.
Disponível em: <http://www.felipe-moreira.com/manifestacoes-
no-brasil-x-facebook/>. Acesso em: set. 2015. 
As manifestações com desenvolvimento bem distinto 
daquelas anteriormente ocorridas no Brasil são mostradas na 
passagem:
a. “E agora querem enfiar ‘goela abaixo’ do povo brasilei-
ro mais um aumento no valor de um transporte públi-
co extremamente precário e ineficiente.”.
b. “O crescimento semanal de curtidas, segundo as esta-
tísticas da própria página, pulou de 7 mil por semana 
para cerca de 130 mil. Eram 400 mil fãs na semana 
passada e hoje já são quase 850 mil fãs.”.
c. “Os governantes que quiserem atuar de forma real-
mente democrática vão ter que estudar as redes para 
poder dar uma resposta à altura dessa nova realidade 
brasileira, em vez de ficarem só tentando ‘localizar as 
lideranças’ do movimento.”.
d. “A grande maioria das decisões que são tomadas pe-
los nossos governantes dificilmente favorece ou me-
lhora a vida dos trabalhadores e cidadãos de bem.”.
e. “O Brasil tem hoje a 6a maior economia do mundo, mas 
também é um dos países mais corruptos e burocráti-
cos do mundo!”.
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 14. UERJ
Leia o texto e responda à questão.
Nós, escravocratas
Há exatos cem anos, saía da vida para a his-
tória um dos maiores brasileiros de todos os 
tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Po-
lítico que ousou pensar, intelectual que não se 
omitiu em agir, pensador e ativista com causa, 
principal artífice da abolição do regime escra-
vocrata no Brasil.
Apesar da vitória conquistada, Joaquim Na-
buco reconhecia: “Acabar com a escravidão não 
basta. É preciso acabar com a obra da escravi-
dão”, como lembrou na semana passada Mar-
cos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia 
Brasileira de Letras. Mas a obra da escravidão 
continua viva, sob a forma da exclusão social: 
pobres, especialmente negros, sem terra, sem 
emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, mui-
tos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à 
educação de qualidade.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabu-
co, a obra da escravidão se mantém e continua-
mos escravocratas.
Somos escravocratas ao deixarmos que a 
escola seja tão diferenciada, conforme a renda 
da família de uma criança, quanto eram dife-
renciadas as vidas na casa-grande ou na sen-
zala. Somos escravocratas porque, até hoje, 
não fizemos a distribuição do conhecimento: 
instrumento decisivo para a liberdade nos dias 
atuais. Somos escravocratas porque todos nós, 
que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos 
empregos graças aos diplomas, beneficiamo-
nos da exclusão dos que não estudaram. Como 
antes, os brasileiros livres beneficiavam-se do 
trabalho dos escravos.
Somos escravocratas ao jogarmos sobre os 
analfabetos a culpa por não saberem ler, em 
vez de assumirmos nossa própria culpa pelas 
decisões tomadas ao longo de décadas. Privi-
legiamos investimentos econômicos no lugar 
de escolas e professores. Somos escravocra-
tas, porque construímos universidades para 
nossos filhos, mas negamos a mesma chance 
aos jovens que foram deserdados do Ensino 
Médio completo com qualidade. Somos escra-
vocratas de um novo tipo: a negação da edu-
cação é parte da obra deixada pelos séculos 
de escravidão.
A exclusão da educação substituiu o seques-
tro na África, o transporte até o Brasil, a prisão 
e o trabalho forçado. Somos escravocratas que 
não pagamos para ter escravos: nossa escravi-
dão ficou mais barata, e o dinheiro para comprar 
os escravos pode ser usado em benefício dos no-
vos escravocratas. Como na escravidão, o traba-
lho braçal fica reservado para os novos escravos: 
os sem educação.
Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.
Somos escravocratas porque ainda achamos 
naturais as novas formas de escravidão; e nossos 
intelectuais e economistas comemoram a minús-
cula distribuição de renda, como antes os senho-
res vangloriavam-se da melhoria na alimentação 
de seus escravos, nos anos de alta no preço do 
açúcar. Continuamos escravocratas, comemo-
rando gestos parciais. Antes, com a proibição 
do tráfico, a Lei do Ventre Livre, a alforria dos 
sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto 
do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas 
generosas, para inglês ver e sem a ousadia da 
abolição plena.
Somos escravocratas porque, como no sé-
culo XIX, não percebemos a estupidez de não 
abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez 
dos nossos interesses imediatos negando fazer a 
revolução educacional que poderia completar a 
quase-abolição de 1888. Não ousamos romper 
as amarras que envergonham e impedem nos-
so salto para uma sociedade civilizada, como, 
por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e 
amarrava nosso avanço.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabu-
co, a obra criada pela escravidão continua, por-
que continuamos escravocratas. E, ao continuar-
mos escravocratas, não libertamos os escravos 
condenados à falta de educação.
Cristovam Buarque. Disponível em: <http://oglobo.
globo.com>. Acesso em: jan. 2000. Adaptado.
No desenvolvimento da argumentação, o autor enumera 
razões específicas, facilmente constatadas no cotidiano, para 
sustentar sua opinião, anunciada no título, de que todos nós 
seríamos ainda escravocratas. Esse método argumentativo, que 
apresenta elementos específicos da experiência social cotidia-
na, para deles extrair uma conclusão geral, é conhecido como:
a. direto.
b. dialético.
c. dedutivo.
d. indutivo.
 15. UFRGS-RS
Leia o fragmento de texto e responda à questão.
Entre irmãos
O menino sentado à minha frente é meu ir-
mão, assim me disseram; e bem pode ser verda-
de, ele regula pelos dezessete anos, justamente o 
tempo em que estive solto no mundo, sem con-
tato nem notícia.
A princípio quero tratá-lo como intruso, 
mostrar-lhe minha hostilidade, não abertamen-
te para não chocá-lo, mas de maneira a não lhe 
deixar dúvida, como se lhe perguntasse com 
todas as letras: que direito tem você de estar 
aqui na intimidade de minha família, entrando 
nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na 
cama onde eu dormi, lendo meus velhos livros, 
talvez sorrindo das minhas anotações à mar-
gem, tratando meu pai com intimidade, talvez 
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discutindo a minha conduta, talvez até critican-
do-a? Mas depois vou notando que ele não é 
totalmente estranho. [...] De repente fere-me a 
ideia de que o intruso talvez seja eu, que ele 
tenha mais direito de hostilizar-me do que eu 
a ele, que vive nesta casa há dezessete anos. O 
intruso sou eu, não ele.
Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de 
entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe perguntas 
e noto sua avidez em respondê-las, mas logo 
vejo a inutilidade de prosseguir nesse caminho, 
as perguntas parecem-me formais e as respostas 
forçadas e complacentes.
Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como 
começar, até a minha voz parece ter perdido 
a naturalidade. Ele me olha, e vejo que está 
me examinando, procurando decidir se devo 
ser tratado como irmão ou como estranho, e 
imagino que as suas dificuldades não devem 
ser menores do que as minhas. Ele me per-
gunta se eu moro em uma casa grande, com 
muitos quartos, e antes de responder procuro 
descobrir o motivo da pergunta. Por que falar 
em casa? E qual a importância de muitos quar-
tos? Causarei inveja nele se responder que 
sim? Não, não tenho casa, há muitos anos que 
tenho morado em hotel. Ele me olha, parece 
que fascinado, diz que deve ser bom viver em 
hotel,e conta que, toda vez que faz reparos à 
comida, mamãe diz que ele deve ir para um 
hotel, onde pode reclamar e exigir. De repente 
o fascínio se transforma em alarme, e ele ob-
serva que se eu vivo em hotel não posso ter 
um cão em minha companhia, o jornal disse 
uma vez que um homem foi processado por 
ter um cão em um quarto de hotel. Confirmo 
a proibição e exagero a vigilância nos hotéis. 
Ele suspira e diz que então não viveria em um 
hotel nem de graça.
VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores 
Contos Brasileiros do Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 
Associe cada ocorrência de sinal de pontuação com a 
que tal sinal auxilia a expressar no contexto em que ocorre.
( ) dois-pontos (terceiro parágrafo)
( ) vírgula após a expressão “a ele”, final do segundo pa-
rágrafo
( ) vírgula após a expressão “Ele me olha”, início do 
quarto parágrafo
1. Assinala explicação do narrador-personagem.
2. Assinala sujeitos distintos em período coordenado.
3. Assinala a introdução de uma pergunta, em forma di-
reta, suposta pelo narrador-personagem.
4. Assinala enumeração de ações do irmão do narrador-
-personagem.
Assinale a alternativa com a sequência correta de preen-
chimento dos parênteses. 
a. 3 – 1 – 2
b. 3 – 2 – 1
c. 2 – 1 – 4
d. 1 – 4 – 2
e. 1 – 2 – 3
 16. Unesp
Leia o texto e responda à questão.
A literatura em perigo
A análise das obras feita na escola não de-
veria mais ter por objetivo ilustrar os conceitos 
recém-introduzidos por este ou aquele linguis-
ta, este ou aquele teórico da literatura, quando, 
então, os textos são apresentados como uma 
aplicação da língua e do discurso; sua tarefa 
deveria ser a de nos fazer ter acesso ao sentido 
dessas obras – pois postulamos que esse senti-
do, por sua vez, nos conduz a um conhecimento 
do humano, o qual importa a todos. Como já o 
disse, essa ideia não é estranha a uma boa parte 
do próprio mundo do ensino; mas é necessá-
rio passar das ideias à ação. Em um relatório 
estabelecido pela Associação dos Professores 
de Letras, podemos ler: “O estudo de letras 
implica o estudo do homem, sua relação con-
sigo mesmo e com o mundo, e sua relação com 
os outros.” Mais exatamente, o estudo da obra 
remete a círculos concêntricos cada vez mais 
amplos: o dos outros escritos do mesmo autor, 
o da literatura nacional, o da literatura mundial; 
mas seu contexto final, o mais importante de 
todos, nos é efetivamente dado pela própria 
existência humana. Todas as grandes obras, 
qualquer que seja sua origem, demandam uma 
reflexão dessa dimensão.
O que devemos fazer para desdobrar o senti-
do de uma obra e revelar o pensamento do ar-
tista? Todos os “métodos” são bons, desde que 
continuem a ser meios, em vez de se tornarem 
fins em si mesmos. [...]
Sendo o objeto da literatura a própria condi-
ção humana, aquele que a lê e a compreende se 
tornará não um especialista em análise literária, 
mas um conhecedor do ser humano. Que melhor 
introdução à compreensão das paixões e dos 
comportamentos humanos do que uma imersão 
na obra dos grandes escritores que se dedicam a 
essa tarefa há milênios? E, de imediato: que me-
lhor preparação pode haver para todas as profis-
sões baseadas nas relações humanas? Se enten-
dermos assim a literatura e orientarmos dessa 
maneira o seu ensino, que ajuda mais preciosa 
poderia encontrar o futuro estudante de direito 
ou de ciências políticas, o futuro assistente social 
ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? 
Ter como professores Shakespeare e Sófocles, 
Dostoiévski e Proust não é tirar proveito de um 
ensino excepcional? E não se vê que mesmo um 
futuro médico, para exercer seu ofício, teria mais 
a aprender com esses mesmos professores do que 
com os manuais preparatórios para concurso que 
hoje determinam seu destino? Assim, os estudos 
literários encontrariam seu lugar no coração das 
humanidades, ao lado da história dos eventos e 
das ideias, todas essas disciplinas fazendo pro-
gredir o pensamento e se alimentando tanto de 
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obras quanto de doutrinas, tanto de ações políti-
cas quanto de mutações sociais, tanto da vida dos 
povos quanto da de seus indivíduos.
Se aceitarmos essa finalidade para o ensino 
literário, o qual não serviria mais unicamente à 
reprodução dos professores de letras, podemos 
facilmente chegar a um acordo sobre o espíri-
to que o deve conduzir: é necessário incluir as 
obras no grande diálogo entre os homens, inicia-
do desde a noite dos tempos e do qual cada um 
de nós, por mais ínfimo que seja, ainda participa. 
“É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa do 
espaço e do tempo, que se afirma o alcance uni-
versal da literatura”, escrevia Paul Bénichou. A 
nós, adultos, nos cabe transmitir às novas gera-
ções essa herança frágil, essas palavras que aju-
dam a viver melhor.
TODOROV , Tzvetan. A literatura em perigo. Trad. 
Caio Meira. Rio de Janeiro: Difel, 2009. 
A questão levantada por Todorov, “Ter como professores 
Shakespeare e Sófocles, Dostoiévski e Proust não é tirar pro-
veito de um ensino excepcional?”, significa que:
a. o conhecimento enciclopédico desses autores, ma-
nifestado em suas obras, equivale a um verdadeiro 
curso universitário.
b. por se tratar de autores de nacionalidades e épocas 
diferentes, a leitura de suas obras traz conhecimentos 
importantes sobre seus respectivos países.
c. esses autores escreveram com a intenção fundamen-
tal de passar ensinamentos para seus contemporâ-
neos e a posteridade.
d. a leitura das obras desses autores, que focalizam ad-
miravelmente o homem e o comportamento humano, 
seria de excepcional utilidade para os estudantes de 
relações humanas.
e. a leitura desses autores não acrescenta nada de ex-
cepcional ao ensino.
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Módulo 45
Produção de texto 5
Exercícios de Aplicação
Sobre o tema “política”, apresentamos uma questão da 
Fuvest. Elabore a redação solicitada. Em seguida, resolva a 
outra questão proposta.
 01. Fuvest-SP
Texto 1
A ciência mais imperativa e predominan-
te sobre tudo é a ciência política, pois esta 
determina quais são as demais ciências que 
devem ser estudadas na pólis. Nessa medida, 
a ciência política inclui a finalidade das de-
mais, e, então, essa finalidade deve ser o bem 
do homem.
Aristóteles. Adaptado.
Texto 2
O termo “idiota” aparece em comentários 
indignados, cada vez mais frequentes no Bra-
sil, como “política é coisa de idiota”. O que 
podemos constatar é que acabou se inverten-
do o conceito original de idiota, pois a palavra 
idiótes, em grego, significa aquele que só vive 
a vida privada, que recusa a política, que diz 
não à política. Talvez devêssemos retomar esse 
conceito de idiota como aquele que vive fecha-
do dentro de si e só se interessa pela vida no 
âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: 
“Não me meto em política”.
M. S. Cortella e R. J. Ribeiro. Política – para não ser idiota. Adaptado.
Texto 3
Filhos da época
Somos filhos da época
e a época é política.
Todas as tuas, nossas, vossas coisas
diurnas e noturnas,
são coisas políticas.
Querendo ou não querendo,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.
O que você diz tem ressonância,
o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro, político.
Wislawa Szymborska. Poemas.
Texto 4
As instituições políticas vigentes (por exemplo, 
partidos políticos, parlamentos, governos) vivem 
hoje um processo de abandono ou diminuição do 
seu papel de criadoras de agenda de questões em 
opções relevantes e, também, do seu papel de pro-
positoras de doutrinas. O que não significa que se 
amplia a liberdade de opção individual. Significa 
apenas que essas funções estão sendo decidida-
mente transferidas das instituições políticas (isto 
é, eleitas e, em princípio, controladas)para forças 
essencialmente não políticas – primordialmente as 
do mercado financeiro e do consumo. A agenda 
de opções mais importantes dificilmente pode ser 
construída politicamente nas atuais condições. As-
sim esvaziada, a política perde interesse.
Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado.
Texto 5
Folha de S.Paulo, 5 out. 2011.
Os textos aqui reproduzidos falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja para indicar suas limitações e impasses 
no mundo atual. Reflita sobre esses textos e redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta as ideias neles apresentadas, 
argumentando de modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o tema: Participação política: indispensável ou superada?
Instruções
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Lembre-se de que a situação de produção de seu texto 
requer o uso da norma-padrão da língua portuguesa.
A redação deverá ter entre 20 e 30 linhas.
Dê um título à sua redação.
Tendo a proposta apresentada como referência, produza três 
introduções diferentes para o mesmo tema. Você deverá elaborar 
cada uma das introduções com estratégias diferentes de apre-
sentação do tema. Na parte teórica deste material, há exemplos 
de como isso pode ser feito (história, atualidades etc.). 
Seu espaço
Sobre o módulo
A proposta de redação oferecida aqui como possibilidade de trabalho com os discentes aborda o conceito de política e sua 
respectiva relevância para o cenário contemporâneo. Uma das maiores contribuições da proposta é fazer com que o aluno con-
siga se enxergar como sujeito político, entendendo que isso está presente, por completo, em seu cotidiano. Dessa maneira, seria 
interessante um trabalho transversal em parceria com outros professores e disciplinas que, juntos, levassem o aluno a refletir 
sincrônica e diacronicamente a respeito do assunto, de forma a se posicionar criticamente sobre ele. 
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Nome no 1a 
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FICHA DE AUTOAVALIAÇÃO
Competências 
avaliadas
 ADEQUADO(A)
SIM NÃO
TEMA
GÊNERO
COESÃO/COERÊNCIA
NORMA-PADRÃO
REGISTRO FORMAL
REGISTRO 
COLOQUIAL

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