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FÍS M AT QU Í BIO LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O GE O FIL HI S SO C RE S Lín gu a P or tu gu es a 251 252 253 Capítulo 15 .................. 8 Módulo 43 .............. 13 Módulo 44 .............. 19 Módulo 45 ..............23 "1 23 RF .C OM " 1. Orações coordenadas 10 2. Orações subordinadas substantivas 10 3. Orações subordinadas adjetivas 10 4. Organizador gráfico 12 Módulo 43 – Orações coordenadas 13 Módulo 44 – Orações subordinadas substantivas 19 Módulo 45 – Orações subordinadas adjetivas 23 • Identifi car aspectos linguísticos e discursivos nas construções da variedade culta da língua. • Reconhecer as concepções referentes à formação de orações e períodos compostos, predicados e complementos verbais. • Traduzir o que se compreende por construções sintáticas, semânticas e pragmáticas, presentes em diversas situações discursivas, considerando a variedade culta e outras variedades da língua. "1 23 RF .C OM " 9 “As ideias verdes incolores dormem furiosamente.” Com essa frase, Noam Chomsky demonstrou que um texto, mesmo parecendo absurdo e sem sentido, continua sendo um texto, gramaticalmente correto. São ideias (verdes ou não) que desafiam e despertam nossa capacidade de compreender a linguagem e, por ex- tensão, a realidade que tentamos definir por meio de palavras. Como as orações se relacionam – Parte II 15 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 10 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 1. Orações coordenadas Quando um período é composto por ora ções coordena- das, uma oração não exerce fun ção sintática em relação à ou- tra, e elas podem se unir de duas formas distintas: utilizando conectivo ou não. As orações coordenadas assindéticas não possuem ele- mento de ligação, o síndeto (conjunção coordenativa). Exemplo Toca o sinal, todos saem cor rendo. As orações coordenadas sindéticas apre sentam o co- nectivo explícito. Exemplo Olhei em volta e compreendi tudo. A. Classificação das orações coordenadas sindéticas Em um período composto por coordenação, não há uma oração principal, pois todas têm o mesmo valor, todas são coordenadas, e aquela que é introduzida por conectivo (sin- dética) recebe um nome de acordo com a relação de sentido que se estabelece entre as duas, por meio da conjunção. • Aditiva: relação de soma de ideias, pensamentos em sequência. Exemplo Ela chegou à tarde e foi embora à noite. • Adversativa: relação de oposição de ideias. Exemplo Deixei recado, mas não obtive resposta. • Alternativa: relação de alternância de ideias ou exclu- são mútua. Exemplo Ou a empresa se moderniza ou não acompanhará a concorrência. • Conclusiva: relação de conclusão ló gica. Exemplo Seu nome está na lista, logo ele foi aprovado. • Explicativa: relação de explicação. Exemplo Demorei a responder, porque não sabia ao certo a res- posta. 2. Orações subordinadas substantivas As orações subordinadas substantivas, com verbo no in- dicativo ou no subjuntivo, vêm introduzidas pelas conjun ções integrantes que ou se; por pronomes indefinidos: que, quem, qual, quanto; ou por advérbios: como, quando, onde, por que, quão. A. Classificação das orações subordinadas substantivas Quanto a seu valor sintático, a oração subordinada subs- tantiva pode ser: • Subjetiva – tem função de sujeito da ora ção principal. Exemplos É fundamental que você compareça à reunião. É preciso que se adotem providências eficazes. Sabe-se que o país carece de sistema de saúde digno. Convém que você fique. • Objetiva direta – tem função de objeto direto da ora- ção principal. Exemplos Todos querem que você compareça. Ele me disse que tudo era mentira. Sei que você voltará. Ninguém sabe quando entra em vigor a lei. • Objetiva indireta – tem função de obje to indireto da oração principal. Exemplos Lembrou-se de que ela o esperava ainda. Meu pai insiste em que eu saia para me divertir. • Completiva nominal – tem função de complemento nominal da oração principal. Exemplos Tenho a impressão de que irá chover ainda hoje. Preparo estas palestras certo de que terão algum efeito sobre o público. • Predicativa – tem função de predicativo do sujeito da oração principal. Exemplos A verdade é que não posso tê-lo longe de mim. Minha conclusão é que a vida e a morte são heterogê- neas. • Apositiva – tem função de aposto da ora ção principal. Exemplos De você espero apenas uma coisa: que me apoie nes- te momento. Era estranho que não percebesse isto, que a resposta estava à sua frente. 3. Orações subordinadas adjetivas As orações subordinadas adjetivas, com ver bo no indica- tivo ou no subjuntivo, vêm introdu zidas por pronome relativo (que, o qual, a qual, onde, cujo etc.). Essas orações funcio- nam como qualifica doras de algum termo da oração principal. Exemplos A cidade onde nasci é muito acolhedora. O médico por quem fomos assistidos é muito simpático. No domingo, visitei meu primo, que mora em Taubaté. É importante diferenciar o pronome relativo que da con- junção integrante que. Observe o exemplo. Diga às pessoas que me procuraram que estarei aqui de- pois do almoço. O primeiro “que” é um pronome relativo e faz referência ao termo antecedente, “pessoas”, introduzindo uma ora ção adjetiva que lhe fornece uma característi ca. O segundo “que” é uma conjunção integrante, pois introduz uma oração subs- tantiva que complementa o sentido do verbo “diga”. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 11 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 A. Classificação das orações subordinadas adjetivas A oração subordinada adjetiva pode ser: • Restritiva Fui informado por uma mulher que gentilmente me orientou. A característica que se dá à palavra “mulher” é de caráter delimitador, particularizante. Trata-se de uma mulher específica. É uma informação importante que não se isola por vírgulas. • Explicativa A mulher, que é a geradora de vida, tem sido relegada a segundo plano ao longo da História. A característica que se dá à palavra “mulher” exprime seu sentido geral, tem o valor de um aposto explicativo. É uma infor- mação que, se eliminada, não apresentaria prejuízo lógico, por isso é separada por vírgulas. 01. FGV-RJ Leia o texto e responda à questão. Lar do desperdício De acordocom as Nações Unidas, crianças nascidas no mundo desenvolvido consomem de 30 a 50 vezes mais água que as dos países pobres. Mas as camadas mais ricas da população brasileira têm índices de desperdício semelhantes, associados a hábitos como longos banhos ou lavagem de quintais, calçadas e carros com mangueiras. O banheiro é onde há mais desperdício. A simples descarga de um vaso sanitário pode gastar até 30 litros de água, dependendo da tecnologia adotada. Uma das mais econômicas consiste em uma caixa d’água com capacidade para apenas seis litros, acoplada ao vaso sanitário. Sua vantagem é tanta que a prefeitura da Cidade do México lançou um programa de conservação hídrica que substituiu 350 mil vasos por modelos mais econômicos. As substituições reduziram de tal forma o consumo que seria possível abastecer 250 mil pessoas a mais. No entanto, muitas casas no Brasil têm descargas embutidas na parede, que costuma ter um altíssimo nível de consumo. O ideal é substituí-las por outros modelos. O banho é outro problema. Quem opta por uma ducha gasta até 3 vezes mais do que quem usa um chuveiro convencional. São gastos, em média, 30 litros a cada cinco minutos de banho. O consumidor – doméstico, industrial ou agrícola – não é o único esbanjador. De acordo com a Agência Nacional de Águas, cerca de 40% da água captada e tratada para distribuição se perde no caminho até as torneiras, pela falta de manutenção das redes, pela falta de gestão adequada do recurso e pelo roubo. Esse desperdício não é uma exclusividade nacional. Perdas acima de 30% são registradas em inú- meros países. Há estimativas de que as perdas registradas na Cidade do México poderiam abastecer a cidade de Roma tranquilamente. Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/desperdicio_de_agua.html. Acesso em: out. 2014. Fragmento. No primeiro parágrafo, no início do segundo período do texto, ocorre a presença da conjunção mas; trata-se de uma con- junção adversativa, e o ponto que serve de elemento de oposição é: a. a situação de desperdício detectada pela ONU e a situação de desperdício no Brasil. b. o consumo de água nos países desenvolvidos e o consumo de água das classes mais ricas do Brasil. c. o descuido com a água nos países ricos e o cuidado com a água nos países pobres. d. o consumo de água nos países mais ricos e o consumo de água em países pobres, como o México. e. o cuidado com a água nos países desenvolvidos e o descuido com o consumo nos países subdesenvolvidos. Resolução A conjunção mas estabelece uma relação de oposição entre o consumo de água nos países desenvolvidos e o consumo de água nas camadas mais ricas do Brasil (país ainda em desenvolvimento). Alternativa correta: B APRENDER SEMPRE 1 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 12 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 4. Organizador gráfico Aditiva Adversativa Alternativa Explicativa Conclusiva Subjetiva Objetiva direta Objetiva indireta Predicativa Apositiva Restritiva Explicativa Orações coordenadas Orações subordinadas substantivas Orações subordinadas adjetivas Tópico tema Completiva nominal Características Apenas textoTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico 12 3R F.C OM 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 13 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Leia o texto e responda às questões 01 e 02. Essas minhas interessantes viagens hão de ser uma obra-prima, erudita, brilhante, de pen- samentos novos, uma coisa digna do século. Preciso de o dizer ao leitor, para que ele esteja prevenido; não cuide que são quaisquer dessas rabiscaduras da moda que, com o título de Im- pressões de Viagem, ou outro que tal, fatigam as imprensas da Europa sem nenhum provei- to da ciência e do adiantamento da espécie. Primeiro que tudo, a minha obra é um símbolo... é um mito, palavra grega, e de moda germânica, que se mete hoje em tudo e com que se explica tudo... quanto se não sabe explicar. É um mito porque – porque... Já agora rasgo o véu e declaro abertamente ao benévolo leitor a profunda ideia que está oculta debaixo desta ligeira aparência de uma viagenzinha que parece feita a brincar, e no fim de contas é uma coisa séria, grave, pensa- da como um livro novo da feira de Leipzig, não das tais brochurinhas dos boulevards de Paris. GARRETT, Almeida. Viagens na minha terra. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bv000012.pdf>. Acesso em: set. 2015. 01. Classifique o primeiro período do texto. 03. Insper-SP Leia o poema de Adélia Prado e responda à questão. Solar Minha mãe cozinhava exatamente: arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava. Considerando-se os elementos sintáticos e semânticos relacionados ao conector mas, presente no último verso, é correto afirmar que ele evidencia uma oposição cujo objetivo é sugerir o/a: a. convocação à luta contra a opressão feminina impos- ta às mulheres, que têm a vida restrita às tarefas do- mésticas. b. reconhecimento de que a felicidade da mãe provinha de uma satisfação gratuita em relação à vida. c. dramaticidade, ao expressar uma denúncia às injus- tiças sociais num ambiente de escassez de comida. d. tom nostálgico que reflete saudosismo em relação à infância feliz e idealizada do eu lírico. e. atitude de descaso da mãe com a família, uma vez que sua principal atividade era cantar. Módulo 43 Orações coordenadas Exercícios de Aplicação 02. Indique o número de orações presentes no período se- guinte e como elas se relacionam. “Primeiro que tudo, a mi- nha obra é um símbolo... é um mito, palavra grega, e de moda germânica”. Resolução O período “Essas minhas interessantes viagens hão de ser uma obra-prima, erudita, brilhante, de pensamentos no- vos, uma coisa digna do século.” é simples, visto que apre- senta apenas uma oração, construída em torno da locução verbal “hão de ser”. Resolução Há, no período, duas orações: “Primeiro que tudo, a minha obra é um símbolo... / é um mito, palavra grega, e de moda ger- mânica”. Trata-se de um período composto por coordenação, e as orações são coordenadas assindéticas. A palavra “que” exerce a função de preposição. Resolução A conjunção mas indica que as ações rotineiras e as pos- síveis limitações não traziam infelicidade. Alternativa correta: B Habilidade Identificar aspectos linguísticos e discursivos nas cons- truções da variedade culta da língua. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 14 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Extras 04. ESPM-SP Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, e responda à questão. Não há morte. O encontro de duas expan- sões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, ri- gorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivên- cia da outra e a destruição não atinge o princí- pio universal e comum. Daí o caráter conserva- dor e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a mon- tanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nu- trir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. [...] Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. Em relação às orações anteriores, a frase “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.” traduz ideia de: a. concessão. b. comparação. c. causa. d. oposição. e. conclusão. 05. Sobre o período “Acordei suando, felizmente era ape- nas um pesadelo.”, transcrito de uma crônica deJoão Ubal- do Ribeiro, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. O período é composto por subordinação. A primeira oração (“Acordei suando”) é principal em relação à se- gunda (“felizmente era apenas um pesadelo.”). II. O período é composto por orações coordenadas assin- déticas. III. O vocábulo “felizmente”, iniciando a segunda oração, é uma conjunção coordenativa e funciona como co- nectivo. a. Somente a I está correta. b. Somente a II está correta. c. Somente I e II estão corretas. d. Somente I e III estão corretas. e. Somente II e III estão corretas. Seu espaço Sobre o módulo Salientar que as orações coordenadas predominam em textos narrativos. Estante SALVADOR, Arlete. Como escrever para o Enem: roteiro para uma redação nota 1 000. São Paulo: Contexto, 2013. Produzir uma redação correta não basta. É preciso escrever de forma adequada, apresentar bem os argumentos e caprichar na coerência para conseguir uma boa pontuação no Enem. É o que esperam fazer os milhões de estudantes que prestam o exa- me todos os anos. Além de responder às questões de múltipla escolha, os alunos encaram a temida redação. Poucos, porém, conseguem a almejada nota máxima. Arlete Salvador mostra que, por trás do complicado nome “dissertação argumentativa” – exigida na prova –, há um caminho possível de se percorrer pelos alunos para alcançar a sonhada redação nota dez. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 15 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 1. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Com relação ao período “Suponho que para isto sirva o si- lêncio, para ouvirmos o que não nos querem dizer.”, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Trata-se de um período composto por coordenação, pois as orações se complementam de maneira inde- pendente. II. Há duas orações principais servindo como referência às demais, que são subordinadas adverbiais finais. III. Trata-se de um período composto por subordinação, contendo quatro orações. a. Estão corretas I, II e III. b. Somente I está correta. c. Somente II está correta. d. Somente III está correta. e. Somente II e III estão corretas. 07. UFRJ Leia a crônica de Fabrício Carpinejar e responda à questão. O que sonhei ser e não fui Aos sete anos, projetava que minha vida es- taria resolvida aos 37. Administraria somente a felicidade. Dei o prazo de três décadas para não me preocupar. Talvez o paraíso naquela época fosse cabular temas, não ir à escola, muito me- nos ser submetido às provas. Não mirabolava encargos, superações e dificuldades. Até por- que a vida adulta é distante, uma velhice para criança. Recordo a atmosfera do que imaginava. A sensação de alívio do futuro. A felicidade seria estável e permanente. Era uma fórmula que de- veria encontrar e adotá-la no restante dos dias. Algo como a receita de galinha recheada da avó. Uma vez feito o prato, ele se repetiria eter- namente. Não enxergava o estado provisório e fugaz do sentimento, um clarão que nos ajuda a suportar depois o escuro. Hoje entendo que a felicidade é rara, relampeia, olhamos onde estão nossas coisas e seguimos tateando com mais fa- cilidade. Não sou sinônimo de sucesso. Moro provi- soriamente na residência materna, tenho duas separações, sequer possuo algum imóvel. Dei- xei duas vidas, duas casas, tudo que construí e acumulei ficou para trás. Caso não tivesse me divorciado, estaria confortável e poderia investir na Bolsa de Valores. Guardo a biblioteca em cen- tenas de caixas na garagem, não há como con- sultar os livros. Os rendimentos são subjetivos, provados pelos extratos bancários. Mas não pretendo ser diferente, não entrarei no apartamento de amigos ricos e fingirei igual- dade. Não peço emprestados outros mundos para aliviar o meu. Estou contaminado das ma- nias para mudar. Apesar da fragilidade, não me coloco como um coitado, uma vítima de decisões erradas. A cada mês, sou obrigado a inventar um salário. É assustador e delicioso. Eu perco meu empre- go todos os dias. Enviúvo compromissos e caso com expectativas. A rotina não é interrompida por finais de semana. Domingo e terça-feira são iguais. Não me formei em medicina para justifi- car plantões, ocupo a família com minhas deso- cupações. Espumo águas paradas. Qualquer desastre não é trágico. Qualquer desmemória não é o fim. Sou rápido o suficiente para me digitar de novo. Desde o início. Não desmereço as frases porque já foram escritas. Os filhos não se acostumaram com a atmos- fera instável, acham que sofro à toa e que me alegro ainda mais à toa. A namorada tenta es- clarecer as extravagâncias. Na casa dela, não consigo relaxar. Passo aspirador, lustro mesas, lavo a louça e dobro as roupas para brincar que é minha casa. Ela enlouquece, mas sua ternura atrapalha a raiva. Sinto saudade de varrer a rua. Saudade não é arrependimento. Há gente que se gaba em dizer que cumpriu o sonho dos sete anos. Seguiram à risca a ambição de pequenos. Eu fico com dó da coerência. Desse jogador de futebol que não admitiu a confusão vocacio- nal. Dessa bailarina que não desobedeceu ao contexto. Desse cantor que não reparou na en- cruzilhada. Nossa cultura valoriza demais o planejamen- to. Como se a linha reta fosse uma virtude. Eu não fui o que minha infância traçou. Aqui- lo era fantasia. O que sei fazer é recomeçar e frustrar condicionamentos. Para um escritor, seria uma enorme falta de criatividade ser o que imaginei quando criança. Na elaboração de um texto, é possível explorar os meca- nismos da coordenação e da subordinação na estruturação discursiva com o intuito de conferir vigor à expressão. Expli- que de que modo a estruturação do sétimo e do décimo pará- grafos da crônica está em sintonia com o conteúdo. 08. UFRJ Leia o texto de João Gilberto Noll e responda à questão. O ex-cineclubista Aquele homem meio estrábico, ostentando um mau humor maior do que realmente poderia dedicar a quem lhe cruzasse o caminho e que agora entrava no cinema, numa segunda-feira à tarde, para assistir a um filme nem tão esperado, a não ser entre pingados amantes de cinemato- grafias de cantões os mais exóticos, aquele ho- 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 16 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 mem, sim, sentou-se na sala de espera e chorou, simplesmente isso: chorou. Vieram lhe trazer um copo d’água logo afastado, alguém sentou- -se ao lado e lhe perguntou se não passava bem, mas ele nada disse, rosnou, passou as narinas pela manga, levantou-se num ímpeto e assistiu ao melhor filme em muitos meses, só isso. Ao sair do cinema, chovia. Ficou sob a marquise, à espera da estiagem. Tão absorto no filme que se esqueceu de si. E não soube mais voltar. O texto procura reproduzir na escrita uma característica da linguagem cinematográfica: “o filme, sob o ponto de vista formal, pode ser considerado como uma sequência de espa- ços e tempos concretamente apresentados pela imagem.” (Enciclopédia Mirador-Internacional) Justifique a afirmativa, tomando por base a organização do plano sintático do texto. 09. Insper-SP Leia o texto e responda à questão. ESPORTE Juiz anula gol e Corinthians passa para a semifinal Folha de S.Paulo, 12 abr. 2015. Na chamada, a manchete é construída por um período composto, no qual a segunda oração, introduzida pela con- junção e, coordena-se à anterior, expressando sentido de: a. consequência, já que “passar para a semifinal” decor- re da ação de “anular o gol”. b. oposição, já que “anulação de gol” e “passar para a se- mifinal” se opõem contextualmente. c. causa, já que a informação “passar para a semifinal” é motivo de “anular o gol”. d. explicação, já que se justifica a classificação do time em razão da atitude do juiz. e. alternância, já que as ações se alternam para o juiz e para o Corinthians. Leia o fragmento da crônica deMachado de Assis e res- ponda às questões 10 e 11. [...] A lição é que não peçais nunca dinheiro gros- so aos deuses, senão com a cláusula expressa de saber que é dinheiro grosso. Sem ela, os bens são menos que as flores de um dia. Tudo vale pela consciência. [...] Passai das riquezas materiais às intelectuais: é a mesma coisa. Se o mestre-esco- la da tua rua imaginar que não sabe vernáculo nem latim, em vão lhe provarás que ele escreve como Vieira ou Cícero, ele perderá as noites e os sonos em cima dos livros, comerá as unhas em vez de pão, encanecerá ou encalvecerá, e morre- rá crendo que mal distingue o verbo do advérbio. [...] 10. Na passagem “em vão lhe provarás que ele escreve como Vieira ou Cícero, ele perderá as noites e os sonos em cima dos livros”, entre o nome “Cícero” e o pronome pessoal seguinte, “ele”, pode-se incluir, sem alterar o sentido original do perío- do, qual conjunção coordenativa? 11. Indique que conjunção coordenativa pode substituir os dois-pontos, sem alteração de sentido, na passagem “Passai das riquezas materiais às intelectuais: é a mesma coisa”. 12. FGV-RJ Leia o trecho do que ficou conhecido como “O último dis- curso”, monólogo ao final do filme O grande ditador, de Char- les Chaplin, e responda à questão. Todos desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infor- túnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos deixamos extraviar. A cobiça envenenou a alma dos homens, levan- tou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empe- dernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sen- timos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio nos aproximaram. A própria natureza dessas coisas é um apelo elo- quente à bondade do homem, um apelo à fra- ternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante, a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de deses- perados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e en- carcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbirão e o poder que do povo arrebataram há de retor- 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 17 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 nar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais. Assinale a alternativa que indica a frase em que a con- junção e mostra valor adversativo. a. “Por que havemos de odiar e desprezar uns aos ou- tros?” b. “A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nos- sas necessidades.” c. “O caminho da vida pode ser o da liberdade e da be- leza.” d. “[...] tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.” e. “Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” 13. FGV-SP Leia o texto e responda à questão. Cobrar responsabilidade No início do mês, um assaltante matou um jo- vem em São Paulo com um tiro na cabeça, mes- mo depois de a vítima ter lhe passado o celular. Identificado por câmeras do sistema de seguran- ça do prédio do rapaz, o criminoso foi localizado pela polícia, mas – apesar de todos os registros que não deixam dúvidas sobre a autoria do as- sassinato – não ficará um dia preso. Menor de idade, foi “apreendido” e levado a um centro de recolhimento. O máximo de punição a que está sujeito é submeter-se, por três anos, à aplicação de medidas “socioeducativas”. Não é um caso isolado na crônica de cri- mes cometidos por menores de idade no país. Mas houve, nesse episódio de São Paulo, uma circunstância que o transformou em mais um exemplo emblemático do equivocado abrigo le- gal que o Estatuto da Criança e do Adolescente confere a criminosos que estão longe de pode- rem justificar suas ações com o argumento da imaturidade: ao disparar friamente contra o es- tudante paulista, o assaltante estava a três dias de completar 18 anos. Pela selvageria do assassi- nato, o caso remete à barbárie de que foi vítima, no Rio, o menino João Hélio, em 2007. Também nesse episódio, um dos bandidos que participa- ram do martírio do garoto estava a pouco tempo de atingir a maioridade. Nos dois casos, convencionou-se, ao anteparo do ECA, que a diferença de alguns dias – ou, ain- da que o fosse, de alguns meses – teria modifica- do os padrões de discernimento dos assassinos. Eles não saberiam o que estavam fazendo. É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas organizadas, ou serve de salvo-conduto a jovens criminosos para afrontar a lei. O raciocínio, nesses casos, é tão cristalino quanto perverso: colocam-se jovens, muitos dos quais mal entraram na adolescência, na linha de frente de ações criminosas porque, protegidos pelo ECA, e diante da generalizada ruína admi- nistrativa dos órgãos encarregados de aplicar as medidas socioeducativas, na prática eles são inimputáveis. Tornam-se, assim, personagens de vestibulares para a entrada em definitivo, sem chances de recuperação, numa vida de crimes. É dever do Estado (em atendimento a um di- reito inalienável) prover crianças e adolescentes com cuidados, segurança, oportunidades, inclu- sive de recuperação diante de deslizes sociais. Nesse sentido, o ECA mantém dispositivos im- portantes, que asseguram proteção a uma par- cela da população em geral incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais. Mas, se esses são aspectos consideráveis, por outro lado é condenável o viés paternalista de uma lei orgânica que mais contempla direitos do que cobra obrigações daqueles a quem pretende proteger. O país precisa rever o ECA, principalmente no que se refere ao limite de idade para efeitos de responsabilidade criminal. É uma atitude que implica coragem (de enfrentar tabus que não se sustentam no confronto com a realidade) e o abandono da hipocrisia (que tem cercado esse imprescindível debate). O Globo, 22 abr. 2013. Assinale a alternativa cuja oração destacada exemplifi- ca o processo de coordenação. a. “É dever do Estado (em atendimento a um direito ina- lienável) prover crianças e adolescentes com cuida- dos, segurança, oportunidades, inclusive de recupe- ração diante de deslizes sociais.” b. “Nesse sentido, o ECA mantém dispositivos importan- tes, que asseguram proteção a uma parcela da popu- lação em geral incapaz de discernir entre o certo e o errado à luz das regras sociais.” c. “Mas, se esses são aspectos consideráveis, por outro lado, é condenável o viés paternalista de uma lei orgâ- nica que mais contempla direitos do que cobra obriga- ções daqueles a quem pretende proteger.” d. “É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas organi- zadas, ou serve de salvo-conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.” e. “É um tipo de interpretação que anaboliza espertezas da criminalidade, como o emprego de menores em ações – inclusive armadas – de quadrilhas organiza- das, ou serve de salvo-conduto a jovens criminosos para afrontar a lei.” Leia o texto e responda às questões de 14 a 16. O princípio,o meio e o fim “De quanta terra precisa o homem?” A per- gunta é o título de um conto de Leon Tolstoi. Nele, um sujeito faz pacto com o diabo. Recebe- rá toda a terra que conseguir percorrer a pé, du- rante um dia, do nascer ao pôr do sol. O homem atravessa as horas sem descanso. Quando o sol 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 18 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 já se aproxima do horizonte, não se dá por satis- feito. Corre. Falta-lhe fôlego, mas ele não para. Quer ainda possuir aquele vale, aquele bosque. Quando cai morto de fadiga, o conto explica de quanta terra precisa um homem: se ele não tem consciência de limites, apenas um par de metros lhe basta. Uma cova não requer mais do que isso. A trágica moral contida no conto sintetiza um mito-chave para a compreensão da crise que nossa civilização enfrenta. O mito do único pecado que os gregos consideravam capital: a arrogância, entendida sobretudo como falta de consciência de limites, como ambição desme- dida, como desejo incontrolável de posse e de poder. Para os gregos antigos, a arrogância era o maior de todos os pecados. Era a falha que não tinha perdão. Eles a chamavam hýbris, e acredi- tavam que incorrer nessa falha acarretava a da- nação eterna. Não é assim, desse modo arrogante – feito de destruição, poluição e exploração insustentável dos recursos naturais – que tratamos nosso pla- neta-mãe, a Terra? Convencidos de que todas as coisas foram criadas para satisfazer nossos de- sejos e necessidades, inventamos uma cultura inteiramente destituída de bom senso: a cultura da produtividade e do consumismo insustentá- veis. Como no conto de Tolstoi, não consegui- mos parar. Derrubamos e queimamos florestas, matamos lagos e rios, poluímos os mares e a at- mosfera, extinguimos espécies de plantas e de animais. Sem falar nas mazelas que produzimos para nós mesmos, como perturbações da saúde física, psíquica e mental, ao nos impormos um ritmo e uma carga insustentáveis de trabalho, de produção e de consumismo. Embriagados pelo desejo de posse e de po- der, cada vez mais distantes da sabedoria ances- tral da qual somos herdeiros, esquecemos que a arrogância constitui um desequilíbrio maior. Não lembramos que, por uma lei natural, toda ação que leva à perda do equilíbrio gera uma for- ça igual e contrária que procura restabelecê-lo. Essa força, que os gregos chamavam Nêmesis, era simbolizada por uma deusa implacável, aves- sa a qualquer compromisso, a qualquer oferenda, a qualquer intervenção apaziguadora. Para os gregos, o aquecimento global nada mais seria do que uma das tantas manifestações de Nêmesis: a consequência nefasta de uma ação errônea. Gaia vive esse tipo de raciocínio, por sinal, há muito deixou de ser formulado no âmbito estri- to da filosofia e da religião. Hoje, ele invade o território pragmático da ciência. Cita-se como exemplo a Hipótese Gaia, do cientista inglês James Lovelock. Para ele, a Terra não é uma simples bola mineral a rodopiar pelo espaço afora. Lovelock e seus seguidores entendem nosso planeta como um ser vivo, pulsante, do- tado não apenas de um corpo físico, mas tam- bém de psique. Um macrosser, em tudo análo- go a seu filho, o homem. “Até quando a Terra suportará sem reagir to- dos os arranhões que estamos produzindo em sua superfície?” A célebre questão de Lovelock, formulada há cerca de três décadas, não preci- sou esperar muito pela resposta. Ela está aí: o planeta reage às agressões de múltiplas formas e, no momento, a mais ameaçadora delas cha- ma-se aquecimento global. PELLEGRINI, Luis. In: IstoÉ, 18 dez. 2009. 14. UFU-MG No fragmento “Falta-lhe fôlego, mas ele não para. Quer ainda possuir aquele vale, aquele bosque.”, o trecho em des- taque expressa uma: a. conclusão para o que foi expresso anteriormente. b. comprovação para o que foi expresso anteriormente. c. explicação para o que foi expresso anteriormente. d. ressalva para o que foi expresso anteriormente. 15. UFU-MG Releia o excerto. Lovelock e seus seguidores entendem nos- so planeta como um ser vivo, pulsante, dotado não apenas de um corpo físico, mas tam- bém de psique. Assinale a alternativa que não pode substituir o trecho em destaque. a. dotado de um corpo físico e também de psique. b. dotado de um corpo físico e de psique. c. dotado não de um corpo físico, mas de psique. d. dotado tanto de um corpo físico quanto de psique. 16. UFU-MG Assinale a alternativa que não expressa a temática do texto. a. A Terra não resistirá ao aquecimento global. b. A falta de limites e a ambição desmedida da humani- dade conduziram o planeta à beira do abismo. c. A Terra suportará sem reagir a todos os arranhões que estamos produzindo em sua superfície? d. A mais recente criação humana: a cultura da produtivi- dade e do consumismo insustentáveis. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 19 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Leia a tira e responda às questões 01 e 02. FERNANDO GONSALES Módulo 44 Orações subordinadas substantivas Exercícios de Aplicação 02. Explique o que causa o humor na tira. 03. UFAL Leia o texto e responda à questão. Testa de ferro é o indivíduo que aparece como responsável por um negócio, firma ou transação que os interessados reais controlam dissimula- damente, mantendo-se no anonimato. Em outras palavras, alguém que assume uma posição no- minal de liderança, mas não tem o poder efetivo. Língua portuguesa, 2010. Assinale a opção falsa quanto às informações referentes ao texto. a. A classificação da palavra que é de pronome relativo. b. A expressão “por um negócio, firma ou transação” é complemento nominal. c. No último trecho, há um período composto por coorde- nação e subordinação. d. A expressão “de ferro” é complemento nominal. e. O verbo “controlar” é transitivo direto. 01. No primeiro quadrinho, na fala do beija-flor, há uma ora- ção subordinada substantiva. Transcreva-a. Resolução A expressão “de ferro” é adjunto adnominal porque se liga a um substantivo concreto (testa). Alternativa correta: D Habilidade Reconhecer as concepções referentes à formação de orações e períodos compostos, predicados e complementos verbais. Resolução O humor na tira é construído por meio da quebra de ex- pectativa provocada pela resposta do ratinho. Resolução A oração “que o beija-flor bate a asa setenta vezes por se- gundo?” é subordinada substantiva objetiva direta. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 20 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Extras Seu espaço 04. Vunesp Leia o texto e responda à questão. Zelosa com sua imagem, a empresa multina- cional Gillette retirou a bola da mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry, garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de dólares anuais. A jogada previne os efeitos desastrosos para ven- das de seus produtos, depois que o jogador trapa- ceou, tocando e controlando a bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para a Copa do Mundo de 2010. [...] Na França, onde 8 em cada dez franceses re- provam o gesto irregular, Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O serviço de comuni- cação da gigante Procter & Gamble, proprietária da Gillette, diz que não. Em todo caso, a empre- sa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcance, sua publicidade. Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de futebol que mais lucra com a publicidade – seus contratos somam 28 milhões de dólares anuais. [...] Veja, 2 nov. 2009. Adaptado. No trecho “[...] a empresa gostaria que o jogo fosse re- feito, que a trapaça não tivesse acontecido.”, tem-se, além de uma oração principal:a. duas orações coordenadas e três subordinadas. b. três orações coordenadas e uma subordinada. c. três orações subordinadas. d. três orações coordenadas. e. duas orações subordinadas coordenadas entre si. 05. UFAL Assinale o período que possui uma oração subordinada substantiva objetiva direta. a. “O levantamento, cujo público-alvo é de classe mé- dia e alta e está concentrado na região Sudeste do Brasil, foi realizado com 28 mil usuários cadastrados no site.” b. “O novato Esmir Filho indica que pode vir a ter uma carreira das mais promissoras.” c. “Quando surgiram, os seriados precisavam ser pala- táveis para filhos, pais e avós.” d. “Nos sites de relacionamento, milhões de pessoas que moram na cidade e nunca encostaram o pé na terra passam dia e noite plantando, colhendo e até roubando o gado do vizinho.” e. “Basta instalar um conector externo ou embutido, como as tomadas comuns.” Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 2. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Leia o texto e responda à questão. Parece que para as colônias inglesas o critério de importação de escravos da África foi quase ex- clusivamente agrícola. O de energia bruta, animal, preferindo-se, portanto, o negro resistente, forte e barato. Para o Brasil, a importação de africanos fe- z-se atendendo-se a outras necessidades e interes- ses. À falta de mulheres brancas; às necessidades de técnicos em trabalhos de metal, ao surgirem as minas. Duas poderosas forças de seleção. FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. Brasília: Editora da UNB, 1963. Sobre o módulo Salientar que as orações subordinadas em geral e as substantivas em particular predominam em textos dissertativos e argumentativos. Estante VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2007. Nesse trabalho, serão encontrados conselhos práticos, diretamente utilizáveis, e também os meios de tomar uma cons- ciência clara dos mecanismos da linguagem. E aqui não são os “modelos” culturais que conduzirão à compreensão dos fatores da expressão; ao contrário, é a reflexão sobre tais fatores que permitirá analisar e interpretar os sistemas contemporâneos de expressão. Ensinar a ler, escrever, entender (ouvir+compreender), falar: esses foram os objetivos almejados na elaboração do presente livro. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 21 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 e da linguagem simbólica, que coexiste com o campo do pensamento e da linguagem con- ceituais. CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1999. Na leitura de textos dissertativos, é possível observar o predomínio da subordinação, em especial, o uso de ora- ções subordinadas substantivas. Transcreva do texto duas orações desse tipo. 08. UFSCar-SP Assinale a opção que contém oração subordinada substantiva completiva nominal. a. “Tanto eu como Pascoal tínhamos medo de que o patrão topasse Pedro Barqueiro nas ruas da cidade.” b. “Era preciso que ninguém desconfiasse do nosso conluio para prendermos o Pedro Barqueiro.” c. “Para encurtar a história, patrãozinho, achamos Pe- dro Barqueiro no rancho, que só tinha três divisões: a sala, o quarto dele e a cozinha.” d. “Quando chegamos, Pedro estava no terreiro debu- lhando milho, que havia colhido em sua rocinha, ali perto.” e. “Pascoal me fez um sinalzinho, eu dei a volta e en- trei pela porta do fundo para agarrar o Barqueiro pelas costas.” Considere as afirmações e faça a soma das corretas. 01. “Duas poderosas forças de seleção.” é frase nomi- nal. 02. “[...] preferindo-se, portanto, o negro resistente, forte e barato.” é oração coordenada em relação à anterior. 04. Em “Parece que para as colônias inglesas o critério de importação de escravos da África foi quase ex- clusivamente agrícola.”, o que introduz uma subor- dinada subjetiva. 08. “[...] a outras necessidades e interesses.” é objeto indireto. 07. Leia o texto e responda à questão. A tradição filosófica [...] afirmava que do mito à lógica havia uma evolução do espírito humano, isto é, o mito era uma fase ou etapa do espírito humano e da civilização que ante- cedia o advento da lógica ou do pensamento lógico, considerado a etapa posterior e evoluí- da do pensamento e da civilização. [...] Hoje, porém, sabe-se que a concepção evo- lutiva está equivocada. O pensamento mítico pertence ao campo do pensamento simbólico 09. Leia a tira e responda à questão. F ERNANDO GONSALES Sabendo que a oração subordinada subjetiva exerce a função de sujeito da oração principal, pode-se afirmar que: a. “se você é feio ou bonito!” é sujeito de “Não importa”. b. “Não importa” é sujeito de “se você é feio ou bonito”. c. “Importa” é sujeito de “o que você tem por dentro”. d. “o que você tem por dentro” é oração principal. e. “Importa é o” é oração subordinada. 10. Leia o texto e faça o que se pede. Educação para o machismo Tenho ouvido várias histórias de garotas em idade escolar relatando o mesmo fato. Parece ter se torna- do uma tendência generalizada a proibição do uso de certas peças de roupa nas escolas: shorts, minissaias, bermudas curtas e tudo o que possa “evidenciar” o corpo das meninas. As jovens andam estarrecidas e se questionam sobre o absurdo dessas decisões. Várias vezes querem “manifestar”. Já perceberam o poder do ativismo. Pensam em “manifestar”, pois sua geração pegou o sentido da política enquanto coisa que se faz tomando as ruas. Essas jovens despertaram para o básico elemento da política já na infância. Vivem nos tempos de Malala Youzafzai e sabem muito bem quem ela é. Sabem que o poder precisa da voz. E que é preciso dizer o que se pensa. [...] As garotas não se deixam subalternizar e vitimar e, com a roupa que quiserem, vão à luta, sabendo que a luta política das mulheres é feminista, e que não tem fim. Márcia Tiburi. Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/home/2015/09/educacao-para-o-machismo/>. Acesso em: set. 2015. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 22 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 No período “Sabem que o poder precisa da voz”: a. identifique o sujeito da oração principal; b. indique a função sintática exercida pela oração des- tacada. 11. Em: “A chuva que caiu à tarde antecipou nossa partida em um dia.”, há uma oração subordinada: a. adverbial temporal. b. adjetiva restritiva. c. adverbial consecutiva. d. substantiva objetiva direta. e. substantiva completiva nominal. 12. Unicid-SP Leia a frase e responda à questão. Consta que está de namoro sério com uma jovem. O período cuja oração destacada tem a mesma classifica- ção da oração em destaque no enunciado é: a. Quando visita alguém, aceita logo um comprimido. b. Os médicos lhe asseguram que não há nada. c. Até parece que andei comendo fogo. d. Dizem que eu estou doido? e. Minha alma não tem segredos para ninguém arrancar. 13. Leia a tira e responda à questão. FE RN AN DO G ON SA LE S De acordo com o diálogo entre as personagens da tira, pode-se encontrar uma oração subordinada substantiva completiva nominal em: a. “dos filhotes dos outros”. b. “Tenho medo”. c. “que aconteça alguma coisa”. d. “Digam alô para o titio”. e. “de tomar conta”. 14. PUC-SP Nos trechos “... não é possível que a notícia da morte me deixasse alguma tranquilidade, alívio, e um ou dois minutos de prazer” e “Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras”, a palavra que está introduzindo, respectivamente, orações: a. subordinada substantiva subjetiva e subordinada substantiva objetiva direta. b. subordinada substantiva objetiva direta e subordina- da substantiva objetiva direta. c. subordinada substantiva subjetiva e subordinada substantiva subjetiva. d. subordinada substantiva completiva nominal e subor- dinada adjetiva explicativa. e. subordinada adjetiva explicativa e subordinada subs- tantiva predicativa. 15. Mackenzie-SP Leiaos trechos e responda à questão. I. “Também te aconselho a que o faças.” (Camilo Castelo Branco) II. “A ambição e o egoísmo se opõem a que a paz reine sobre a terra.” (Nélson Custódio de Oliveira) III. “Tenho a horrível sensação de que me furam os tímpa- nos com pontas de ferro.” (Graciliano Ramos) Sobre as orações destacadas nos períodos, é correto di- zer que: a. I e II são substantivas completivas nominais. b. II e III são substantivas objetivas indiretas. c. somente II é substantiva objetiva indireta. d. somente III é substantiva completiva nominal. e. somente I é substantiva completiva nominal. 16. FMABC-SP Sabendo que a oração subordinada substantiva apositiva exerce a função de aposto e que este “é um termo de natu- reza substantiva que se refere a outro, também de natureza substantiva”, assinale a alternativa que apresenta uma ora- ção apositiva. a. Disse-me: vá embora. b. Cometeu dois erros, aliás, três. c. Havia apenas um meio de ajudá-la: contar-lhe a ver- dade. d. “Como Sofia falasse das bonitas rosas que possuía, Rubião pediu para ir vê-las: era doido por flores.” (Ma- chado de Assis) e. Não preciso de ajuda: sei arrumar-me sozinho. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 23 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 45 Orações subordinadas adjetivas Exercícios de Aplicação 01. Junte os períodos simples por meio de um pronome rela- tivo, formando um período composto por subordinação. a. Conheci a cidade. Você nasceu na cidade. b. Meu pai será operado pelo dr. Rui. Nós confiamos na perícia do dr. Rui. c. Esta é a flor de seis pétalas. Ignoro o nome desta flor. d. Aquele era o advogado. Nós confiávamos no advo- gado. e. A pessoa não merece suas lágrimas. Você chora pela pessoa. Leia o texto de Italo Calvino e responda às questões 02 e 03. As cidades e as trocas Em Cloé, cidade grande, as pessoas que pas- sam pelas ruas não se reconhecem. Quando se veem, imaginam mil coisas a respeito umas das outras, os encontros que poderiam ocorrer en- tre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os olhares se cruzam por um segundo e depois se desviam, procuram outros olhares, não se fixam. [...] Existe uma contínua vibração luxuriosa em Cloé, a mais casta das cidades. Se os homens e as mulheres começassem a viver os seus sonhos efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais e começaria uma história de perseguições, de ficções, de desentendimentos, de choques, de opressões, e o carrossel das fantasias teria fim. 02. Faap-SP Na descrição da cidade ficcional de Cloé, notamos algu- mas similaridades com a vida urbana de nossas grandes ci- dades, entre elas: a. a procura alucinada por pessoas com as quais tenha- mos afinidade, mas que é impossibilitada pela nossa timidez. b. a busca contínua e sempre frustrada de uma apro- ximação com o outro, o diferente, aquele com quem cruzamos nas ruas. c. a desconfiança de que o outro está querendo se apro- ximar de nós com uma conversa informal, mas acima de tudo buscando descobrir nossos sonhos. d. o distanciamento entre as pessoas que se cruzam nas ruas, apesar da proximidade física nas calçadas, nos se- máforos e no metrô. e. o voltar-se para a nossa interioridade como se o ou- tro não existisse ou fosse um inimigo perigoso, com o qual teríamos que nos defrontar em uma luta de vida ou morte. Resolução a. Conheci a cidade onde (na qual) você nasceu. b. Meu pai será operado pelo dr. Rui, em cuja perícia nós confiamos. c. Esta é a flor de seis pétalas, cujo nome ignoro. d. Aquele era o advogado em quem (no qual) nós confiá- vamos. e. A pessoa pela qual você chora não merece suas lágri- mas. Resolução A passagem “Em Cloé, cidade grande, as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem” confirma a alterna- tiva correta. Alternativa correta: D 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 24 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 03. Faap-SP Na primeira linha do texto, encontramos “as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem”. A oração destacada pode ser classificada, sintaticamente, como: a. subordinada substantiva subjetiva. b. subordinada adjetiva restritiva. c. coordenada assindética. d. coordenada sindética aditiva. e. subordinada adjetiva explicativa. Exercícios Extras 04. Insper-SP Leia o texto e responda à questão. Fotos, macacos e deuses Segundo a Wikipédia, o direito autoral do autorretrato, o selfie para usar o termo da moda, que uma macaca fez com o equipamento que furtara de um fotógrafo pertence ao animal. A discussão surgiu porque David Slater, o dono da máquina, pedira aos editores da enciclopé- dia que retirassem a imagem por violação de direitos autorais. Como piada, a argumentação da Wikipédia funciona bem. Receio, porém, que essa linha de raciocínio deixe uma fronteira ju- rídica desguarnecida. Se os direitos pertencem à macaca, por que instrumento legal ela os ce- deu à enciclopédia? Não são, entretanto, ques- tiúnculas jurídicas que eu gostaria de discutir aqui, mas sim a noção de autoria. Obviamente ela transcende à propriedade do equipamento. Se a foto não tivesse sido tirada por uma ma- caca, mas por outro fotógrafo com a máquina de Slater, ninguém hesitaria em creditar a ima- gem a esse outro profissional. Só que não é tão simples. Imaginemos agora que Slater está an- dando pela trilha e, sem querer, deixa seu apa- relho cair no chão, de modo que o disparador é acionado. Como que por milagre, a máquina registra uma imagem maravilhosa, que ganha inúmeros prêmios. Nesse caso, atribuir a foto a Slater não viola nossa intuição de autoria, ain- da que o episódio possa ser descrito como uma obra do acaso e não o resultado de uma ação voluntária. A questão prática aqui é saber se o selfie da macaca está mais para o caso do fotó- grafo que usa a máquina de outro profis- sional ou para o golpe de sorte. E é aqui que as coisas vão ficando complicadas. Fazê-lo implica não só decidir quanta consciência devemos atri- buir à símia, mas também até que ponto esta- mos dispostos a admitir que nossas vidas são determinadas pelo aleatório. E humanos, por razões evolutivas, temos verdadeira alergia ao fortuito. Não foi por outro motivo que inventa- mos tantos panteões de deuses. SCHWARTSMAN, Hélio. In: Folha de S.Paulo 9 ago. 2014. No texto, as orações subordinadas destacadas “que ga- nha inúmeros prêmios” e, “que usa a máquina de outro profis- sional” têm, respectivamente, sentido de: a. consequência e restrição. b. causa e explicação. c. explicação e restrição. d. restrição e consequência. e. realce e comparação. 05. No período apresentado, existe um pressuposto que pode causar confusão de entendimento. Meu pai que mora na França veio visitar-nos. a. Qual é esse pressuposto? b. Reescreva o período eliminando-o. Resolução No contexto, apenas as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem. Alternativa correta: B Habilidade Reconhecer as concepções referentes à formação de orações e períodos compostos, predicados e complementos verbais. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 25 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 3. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Leia o fragmento de texto e responda à questão. O século XX inicia-se ampliando as conquis- tas técnicas e o progresso industrial do século anterior. Na sociedade, acentuam-se as dife- renças entre a alta burguesia e o proletariado. O capitalismo organiza-se e surgem os primei- ros movimentos sindicais que passam a interferir nas sociedades industrializadas. [...] É nesse contexto complexo, rico em contra- dições e muitas vezes angustiante, que se desen- volve a arte do nosso tempo. SANTOS, Maria das Graças; V. Proença dos. História da arte. São Paulo: Ática, 2004. Reescreva o último período do fragmento,colocando-o na ordem direta e retirando o pronome relativo. Faça as altera- ções necessárias. 07. PUC-SP Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade e respon- da à questão. João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que [amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para [o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou [para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto [Fernandes que não tinha entrado na história. Os dois primeiros versos são marcados, sintaticamente, pela presença de orações _________ cujo termo introdutor atua como _________. Completa corretamente as lacunas: a. adjetivas restritivas – conectivo / sujeito b. sindéticas explicativas – simples / conectivo c. adverbiais comparativas – simples / conectivo d. adjetivas explicativas – conectivo / sujeito e. sindéticas aditivas – simples / conectivo 08. Leia o texto e responda à questão. João José, o Professor, desde o dia em que furtara um livro de histórias numa estante de uma casa na Barra, se tornara perito nesses fur- tos. Nunca, porém, vendia os livros, que ia empi- lhando num canto do trapiche, sob tijolos, para que os ratos não os roessem. Lia-os todos numa ânsia que era quase febre. Jorge Amado, Capitães da Areia. Em relação à passagem destacada no trecho “Nunca, po- rém, vendia os livros, que ia empilhando num canto do trapi- che”, podemos afirmar que o Professor: a. empilhava todos os livros furtados num canto do trapiche. b. empilhava apenas os livros que comprava num canto do trapiche. c. empilhava apenas os livros que não lia num canto do trapiche. d. empilhava todos os livros que não lia num canto do trapiche. e. empilhava alguns livros furtados num canto do trapi- che e lia os outros. Sobre o módulo Salientar que as orações subordinadas adjetivas predominam tanto em textos narrativos quanto dissertativos. Estante AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos de gramática do português. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. A obra procura retratar a língua escrita viva, ou seja, aquela em que geralmente são escritos os textos de jornais e revistas dos grandes centros urbanos, assim como de obras técnicas, científicas e ensaísticas. Trata-se de um padrão de uso razoavel- mente uniforme em nosso país, cujo domínio é útil aos que necessitam da língua escrita como instrumento de comunicação e como meio de acesso aos bens da cultura dita letrada. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 26 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 09. UFPA No trecho extraído de O guarani, de José de Alencar, “Cecí- lia [...] viu do lado oposto do rochedo Peri, que a olhava com uma admiração ardente”, a oração destacada expressa uma: a. causa. b. oposição. c. condição. d. lugar. e. explicação. 10. Leia o trecho do prefácio de Lisbela e o prisioneiro, peça teatral de Osman Lins, e responda à questão. Lisbela, filha do Tenente Guedes, delegado da Cadeia de Santo Antão, forma par amoroso com o funâmbulo Leléu, um Don Juan nordes- tino. Esse casal anticonvencional assume riscos em nome de sentimentos intensos. Lisbela foge com Leléu, no dia de seu casamento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso mes- mo personagem destoante do meio em que se encontra, prestando-se a alvo de muitas tiradas cômicas. Ao marido, doutor, representante do estabelecido e da segurança, a jovem prefere Leléu, o artista de circo preso, com tudo o que este significa de risco e subversão dos valores vigentes em seu meio. Vocabulário Funâmbulo: equilibrista que anda na corda bamba ou arame. Na passagem “Lisbela foge com Leléu, no dia de seu ca- samento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso mesmo personagem destoante”, o termo destacado é um aposto. Reescreva o trecho, transformando o aposto em ora- ção subordinada adjetiva explicativa. 11. Leia a manchete e faça o que se pede. Todos os brasileiros, que moram no Paraguai, participaram dos festejos. a. Explique qual é o erro de sentido expresso na manchete. b. Reescreva a manchete corretamente. 12. IFPA Leia o texto e responda à questão. Letramentos e educação Com as novas tecnologias, a comunicação mudou e muitos são os desafios colocados para a escola. Os principais são tornar o aluno um produtor de conteúdo (considerando toda a di- versidade de linguagem) e um ser crítico. Vídeos que mostram um acontecimento, como a queda de um meteorito na Terra, ou que transmitem em tempo real uma posse presidencial. Fotos que revelam a cultura de um povo. Áudios que contam as notícias mais importantes da sema- na. A sociedade contemporânea está imersa nas novas linguagens (algumas não tão novas assim). As informações deixaram de chegar úni- ca e exclusivamente por texto. Tabelas, gráficos, infográficos, ensaios fotográficos, reportagens visuais e tantas outras maneiras de comunicar estão disponíveis a um novo leitor. O objetivo maior da informação, seja para fins educacio- nais, informativos ou mesmo de entretenimento, é atingir de maneira eficaz o interlocutor. Às práticas letradas que fazem uso dessas di- ferentes mídias e, consequentemente, de diver- sas linguagens, incluindo aquelas que circulam nas mais variadas culturas, deu-se o nome de multiletramentos. Segundo a professora Roxane Rojo, esses recursos são “interativos e colabora- tivos; fraturam e transgridem as relações de po- der estabelecidas, em especial as de propriedade (das máquinas, das ferramentas, das ideias, dos textos), sejam eles verbais ou não; são híbridos, fronteiriços e mestiços (de linguagens, modos, mídias e culturas)”. Assim como na sociedade, os multiletramen- tos também estão presentes nas salas de aula. O papel da instituição escolar, diante do contexto, é abrir espaços para que os alunos possam ex- perimentar essas variadas práticas de letramento como consumidores e produtores de informa- ção, além de discuti-la criticamente. “Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na dire- ção do possível, do necessário e do desejável, que tenham autonomia e saibam buscar como e o que aprender, que tenham flexibilidade e consigam colaborar com a urbanidade”, enfatiza Roxane. No trecho: “Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível, do necessário e do desejável”, podemos substi- tuir a expressão destacada, sem prejuízo de sentido, por: a. no qual. b. porque. c. quando. d. conforme. e. aonde. 13. Unirio-RJ Leia o trecho do romance A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, e responda à questão. Malvina aproximou-se de manso e sem ser pressentida para junto da cantora, colocando-se por detrás dela esperou que terminasse a última copla. — Isaura!... disse ela pousando de leve a deli- cada mãozinha sobre o ombro da cantora. 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 27 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 — Ah! é a senhora?! — respondeu Isaura vol- tando-se sobressaltada. — Não sabia que estava aí me escutando. — Pois que tem isso?.., continua a cantar... tens a voz tão bonita!... mas eu antes quisera que cantasses outra coisa; por que é que você gosta tanto dessa cantiga tão triste, que você aprendeu não sei onde?... — Gosto dela, porque acho-a bonita e por- que... ah! não devo falar... — Fala, Isaura. Já não te disse que nada me deves esconder, e nada recear de mim?... — Porque me faz lembrar de minha mãe, que eu não conheci, coitada!... Mas se a se- nhora não gosta dessa cantiga, não a cantarei mais. — Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és maltratada, que és uma escra- va infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto passas aqui uma vida que faria inve- ja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-teuma educação, como não tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu co- nheço. És formosa, e tens uma cor linda, que nin- guém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano. Bem sabes quanto minha boa sogra antes de expirar te recomendava a mim e a meu marido. Hei de respeitar sempre as reco- mendações daquela santa mulher, e tu bem vês, sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! não; não cabe em tua boca essa cantiga lastimosa, que tanto gostas de cantar. Não quero, – conti- nuou em tom de branda repreensão, – não quero que a cantes mais, ouviste, Isaura?... se não, fe- cho-te o meu piano. — Mas, senhora, apesar de tudo isso, que sou eu mais do que uma simples escrava? Essa educação, que me deram, e essa beleza, que tanto me gabam, de que me servem?... São trastes de luxo colocados na senzala do africa- no. A senzala nem por isso deixa de ser o que é: uma senzala. — Queixas-te da tua sorte, Isaura?... — Eu não, senhora; não tenho motivo... o que quero dizer com isto é que, apesar de todos es- ses dotes e vantagens, que me atribuem, sei co- nhecer o meu lugar. Vocabulário Copla: estrofe de poesia ou canção popular espanhola. Na última fala da personagem Isaura, o uso de vírgulas limitando a oração adjetiva produz um efeito semântico que pode ser descrito da seguinte maneira: a. Embora saiba o que dizem a respeito dela, Isaura con- tinua se considerando uma escrava. b. Se Isaura não se queixa, é porque reconhece o valor de seus dotes e vantagens no tipo de sociedade da época. c. Ainda que Isaura seja uma escrava, os atributos e as vantagens tornaram-na grata pelo que lhe deram. d. Mesmo conhecendo o que dizem a respeito dela, Isau- ra não compartilha do valor que a sociedade dá aos seus dotes e às suas vantagens. e. À medida que considera seus dotes e atributos, Isaura se sente impedida de reclamar, porque conhece seu lugar de escrava. 14. Farias Brito-SP Leia o período e responda à questão. O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe e aprende o que ignora. Marquês de Maricá, Máximas. Separando por barras (/) as orações desse período, teremos: a. O homem que cala / e ouve / não dissipa o que sabe / e aprende o que ignora. b. O homem / que cala e ouve / não dissipa / o que sabe e aprende / o que ignora. c. O homem que / cala e ouve / não dissipa o que sabe / e aprende o que ignora. d. O homem que cala e ouve / não dissipa o que sabe / e aprende o que ignora. e. O homem / que cala / e ouve / não dissipa o / que sabe / e aprende o / que ignora. 15. Leia o fragmento do conto “A cartomante”, de Machado de Assis, e responda à questão. Hamlet observa a Horácio que há mais coi- sas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo [...] quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma car- tomante; a diferença é que o fazia por outras palavras. — Ria, ria. Os homens são assim; não acre- ditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas come- çou a botar as cartas, disse-me: “A senhora gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, com- binou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade... — Errou! Interrompeu Camilo, rindo. — Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria... [...] Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapa- receram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da reli- gião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos 15 25 1 Lí n gu a Po rt u gu es a 28 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limita- va-se a negar tudo. Assinale a alternativa que contém uma oração subor- dinada adjetiva. a. “... do que sonha a nossa filosofia.” b. “... adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse...” c. “... declarou-me que eu tinha medo...” d. “... de que você me esquecesse...” e. “... um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu...” 16. Em qual das alternativas se apresenta uma oração su- bordinada adjetiva explicativa? a. Fui buscar minha filha que estuda à noite. b. A água que brota dessa nascente é realmente pura. c. Conversei com meu primo que mora no interior do estado. d. O leão, que é um predador das savanas, corre risco de extinção. e. As imagens recentes que nos chegaram via satélite estavam perfeitas. FÍS M AT QU Í BIO LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O GE O FIL HI S SO C RE S Lín gu a P or tu gu es a 252 251 253 Capítulo 36 ................30 Módulo 85 .............. 35 Módulo 86 ..............38 Capítulo 37 ................42 Módulo 87 ..............48 Módulo 88 .............. 52 Módulo 89 ..............57 Módulo 90 .............. 61 FU ND AÇ ÃO P OR TI NA RI / M US EU N AC IO NA L DE B EL AS A RT ES , R IO D E JA NE IR O • Observar as relações entre as características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo brasileiro e o contexto histórico de sua produção, circulação e recepção. Reconhecer e caracterizar a contribuição dos principais autores do Modernismo brasileiro para a literatura nacional. • Justifi car a presença, em um texto, de marcas de variação linguística, no que diz respeito aos fatores geográfi cos, históricos, sociológicos ou técnicos, do ponto de vista da fonética, do léxico, da morfologia ou da sintaxe. • Compreender valores, ideologias e propostas estéticas representados em obras literárias do Modernismo brasileiro. 1. Semana de Arte Moderna 32 2. Primeira geração do Modernismo: carac- terísticas 32 3. Organizador gráfico 34 Módulo 85 – Semana de Arte Moderna 35 Módulo 86 – Primeira geração do Modernismo: características 38 31 FU ND AÇ ÃO P OR TI NA RI / M US EU N AC IO NA L DE B EL AS A RT ES , R IO D E JA NE IR O Com a tela O café, Portinari obteve seu primeiro reconhecimento no exte- rior. Ele participou ativamente da elite intelectual brasileira em um período de significativa mudança cultural e estética, e a temática social permeou toda a sua obra. Em meio a muitas dificuldades, artistas como ele conseguiram nos deixar como herança uma arte tipicamente brasileira. A consciência da arte brasileira 36 Candido Portinari, O café, 1935. 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 32 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 1. Semana de Arte Moderna A Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o mar- co inicial do Modernismo no Brasil. Esse movimento, conhecido não só por seu ideal artístico, mas também pelo político e social, aconteceu em um momen- to de contraste no cenário do País: de um lado, os proprietários rurais de São Paulo e Minas Gerais, fortalecidos pela economia cafeeira, e, de outro, a burguesia industrial, que tinha interes- ses urbanos, em particular na cidade de São Paulo. Ao mesmo tempo, o número de imigrantes europeus au- mentava nas regiões prósperas do Brasil, tanto na rural ca- feeira quanto na urbana industrial. Nesse contexto, surgiu o Modernismo, motivado pela in- satisfação com a cultura vigente, que se submetia aos mode- los estrangeiros, e pela necessidade de uma arte “com a cara” brasileira. Para os modernistas, era necessário, também, romper com o academicismo literário, isto é, com a perfeição formal e com o lirismo exagerado. A forma poética passou a aceitar versos livres e brancos,que saíam dos moldes tradi- cionais acadêmicos. Apesar de Lasar Segall e Anita Malfatti terem realizado exposições expressionistas antes de 1917, foi apenas nesse ano, com outra exposição de Anita, que a inovação da arte teve espaço, propiciando o reconhecimento das novas tendências. Foi por iniciativa do empresário Paulo Prado e de Di Cavalcanti que se começou a pregar a nova arte e a temática nativista. Desse movimento de três dias, no Teatro Municipal de São Paulo, participaram pintores, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais em geral. Graça Aranha teve a iniciativa, e apre- sentaram-se com ele os artistas Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Tarsila do Amaral. Havia exposi- ção de pinturas de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz e Vicente do Rego Monteiro e esculturas de Victor Brecheret, além das músicas de Villa-Lobos e Ernani Braga. Essa mani- festação artística causou impacto e foi mal recebida pela elite paulista, mas possibilitou a abertura de um debate a respeito da difusão de novas ideias para a arte nacional. M US EU D E AR TE C ON TE M PO RÂ NE A DA U NI VE RS ID AD E DE S ÃO P AU LO (M AC -U SP ) Anita Malfatti, A boba, 1916. 2. Primeira geração do Modernismo: características A primeira fase do movimento modernista no Brasil ocor- reu de 1922 até 1930, tendo início logo após a Semana de Arte Moderna. O Modernismo traz propostas inovadoras para a arte e para a sociedade em geral, como reconstruir a cultura brasileira sobre bases nacionais, revisar de forma crítica o passado histórico e as tradições, eliminar a ideia fixa de colonizados, apegados aos valores estrangeiros. Com essa nova tendência, surgiram quatro movimen- tos: Pau-Brasil e Antropofágico, criados por Oswald de Andrade com intuito de um nacionalismo crítico; Verde- -Amarelo e Grupo da Anta, criados por Plínio Salgado, que propunha um nacionalismo fascista e ufanista, contrário ao de Oswald. O Manifesto da Poesia Pau-Brasil, publicado por Oswald de Andrade no jornal Correio da manhã, propunha uma revi- são crítica do passado histórico e cultural, valorizando as ri- quezas e os contrastes existentes na realidade e na cultura brasileira. Com o Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade faz referência ao ritual indígena de se alimentar do inimigo para lhe extrair força, pois mostra a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, cuidando para não perder a identida- de brasileira. De acordo com o manifesto publicado por Oswald de An- drade na Revista de antropofagia: Só a antropofagia nos une. Socialmente. Eco- nomicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coleti- vismos. De todas as religiões. De todos os tra- tados de paz. Tupi, or not tupi that is the question. Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos. Só me interessa o que não é meu. Lei do ho- mem. Lei do antropófago. Estamos fatigados de todos os maridos cató- licos suspeitos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com os sustos da psico- logia impressa. O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O ci- nema americano informará. Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontra- dos e amados ferozmente, com toda a hipocri- sia da saudade, pelos imigrados, pelos trafica- dos e pelos touristes. No país da cobra grande. Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soube- mos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. […] 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 33 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 TA RS IL A DO A M AR AL E M PR EE ND IM EN TO S/ C OL EC CÍ ON CO NT AN TÍN . M AL BA / M US EO D E AR TE L AT IN OA M ER IC AN O DE B UE NO S AI RE S, A RG EN TIN A Abaporu, 1928. Manifesto Antropofágico expresso na pintura de Tarsila do Amaral, na época esposa de Oswald de Andrade. Opondo-se a esses dois movimentos, o Verde-Amarelo e o Grupo da Anta propunham um nacionalismo ufanista, em reação ao nacionalismo crítico de Oswald de Andrade. Foram liderados, principalmente, por Plínio Salgado e Menotti Del Picchia. Dentre vários escritores da primeira geração do Moder- nismo, destacam-se Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida. Conheça a minissérie Um só coração, baseada na biografia da artista plástica Anita Malfatti (interpretada por Betty Gofman) e de outros integrantes do movimen- to modernista brasileiro, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral. A obra mostra os eventos significativos que transformaram o painel cultural de São Paulo e, consequentemente, do Brasil, como a Semana de Arte Moderna. 01. FCMSC-SP Leia o texto e responda à questão. 3 de maio Aprendi com meu filho de dez anos Que a poesia é a descoberta Das coisas que eu nunca vi. Oswald de Andrade As cinco alternativas apresentam afirmações extraídas do Manifesto da Poesia Pau-Brasil. Assinale a que está relacionada com o poema “3 de maio”. a. “Só não se inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.” b. “... contra a morbidez romântica – pelo equilíbrio geômetro e pelo acabamento técnico.” c. “Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com os olhos livres.” d. “A poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas...” e. “Temos a base dupla e presente – a floresta e a escola.” Resolução O último verso, “Das coisas que eu nunca vi.”, associa-se à citação “Nenhuma fórmula para a contemporânea ex- pressão do mundo. Ver com os olhos livres.”, o que pressupõe uma nova visão da realidade, partindo de um novo come- ço, sem o ranço dos conceitos estabelecidos. Alternativa correta: C APRENDER SEMPRE 2 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 34 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 3. Organizador gráfico Apenas texto Oswald de Andrade Mário de Andrade Manuel Bandeira CaracterísticasTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico Principais autores Primeira geração do Modernismo: movimentos Pau-Brasil, Verde-Amarelo, Antropofágico e Grupo da Anta. Semana de Arte Moderna – 1922 Marco inicial do Modernismo no Brasil FU ND AÇ ÃO P OR TI NA RI / M US EU N AC IO NA L DE B EL AS A RT ES , R IO D E JA NE IR O ; T AR SI LA D O AM AR AL E M PR EE ND IM EN TO S/ C OL EC CÍ ON CO NT AN TÍN . M AL BA / M US EO D E AR TE L AT IN OA M ER IC AN O DE B UE NO S AI RE S, A RG EN TIN A 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 35 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 85 Semana de Arte Moderna Exercícios de Aplicação 01. PUC-RJ O movimento artístico-literário que mobilizou parcela sig- nificativa da intelectualidade brasileira durante a década de 1920 e procurou romper com os padrões europeus da criação tinha como proposta: I. a tentativa de buscar um conteúdo mais popular para a problemática presente nas diferentes formas de ma- nifestação artística; II. a tentativa de recuperação das idealizações românti- cas ligadas à temática do índio brasileiro; III. a valorização do passado colonial, ressaltada a in- fluência portuguesa sobre a sintaxe; IV. a tentativa de constituição, no campo das artes, da problemática da nacionalidade, ressaltadas as pecu- liaridades do povo brasileiro; V. a desvalorização da problemática regionalista, conti- da nas lendas e mitos brasileiros. a. Somente I e IV estão corretas. b. Somente I e V estão corretas. c. Somente II e III estão corretas. d. Somente III e IV estão corretas. e. Somente II e V estão corretas. ( ) O escritor GraçaAranha foi quem abriu o evento, com sua conferência inaugural “A emoção estética na arte moderna”; em seguida, apresentou suas obras Pauli- ceia desvairada e Amar, verbo intransitivo. ( ) O maestro e compositor Villa-Lobos foi um dos mais importantes e atuantes participantes da Semana. ( ) As esculturas de Brecheret, impregnadas de moder- nidade, foram um dos estandartes da Semana; sua maquete do Movimento às Bandeiras foi recusada pelas autoridades paulistas; hoje, é umas das escul- turas públicas mais admiradas em São Paulo. a. V – F – V – F – V b. F – F – V – V – V c. F – V – F – V – V d. V – V – F – V – F e. V – V – V – V – V 02. UDESC A Semana de Arte Moderna de 1922 tinha como propósi- to renovar o ambiente artístico e cultural do País, produzindo uma arte brasileira afinada com as tendências vanguardistas europeias, sem, contudo, perder o caráter nacional; para isso, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, músicos, entre outros. Sobre a Semana de Arte Moderna, marque V para verda- deiro, F para falso e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. ( ) O movimento modernista buscava resgatar alguns pontos em comum com o Barroco, como os contos sobre a natureza; e com o Parnasianismo, como o es- tilo simples da linguagem. ( ) A exposição da artista plástica Anita Malfatti repre- sentou um marco para o Modernismo brasileiro; suas obras apresentavam tendências vanguardis- tas europeias, o que, de certa forma, chocou grande parte do público; foi criticada pela corrente conser- vadora, mas despertou os jovens para a renovação da arte brasileira. 03. Entre as propostas dos artistas da Semana de Arte Mo- derna, está: a. a adesão ao Futurismo, movimento de vanguarda com origem nos Estados Unidos. b. a renovação da linguagem na arte brasileira, incluindo literatura, escultura, música e pintura. c. uma reforma ortográfica que privilegiasse a comuni- cação oral da língua portuguesa. d. a renovação estética, sobretudo das artes plásticas brasi- leiras, incluindo pintura, escultura, arquitetura e cinema. e. a inovação literária, abordando aspectos clássicos, já que o momento não rompe totalmente com o passado. Resolução No início da década de 1920, a intenção dos artistas era valorizar o nacional e alcançar uma arte com aspectos tipica- mente brasileiros. Alternativa correta: A Resolução O Modernismo não retoma moldes literários, e as obras Pauliceia desvairada e Amor, verbo intransitivo são de Mário de Andrade. Alternativa correta: C Resolução A intenção dos artistas da Semana de Arte Moderna era renovar a linguagem e os conceitos formais, conectando a arte à realidade nacional. Alternativa correta: B Habilidade Observar as relações entre as características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo brasileiro e o contexto histórico de sua produção, circulação e recepção. Reconhecer e caracterizar a contribuição dos principais autores do Moder- nismo brasileiro para a literatura nacional. 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 36 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Extras 04. O poeta Mário de Andrade foi vaiado na Semana de Arte Moderna ao recitar o poema “Ode ao burguês”. Esse texto: a. elogia a burguesia, mostrando que, sem ela, São Paulo não se desenvolveria. b. mostra como a burguesia deve ser mais solidária com os pobres. c. lamenta o fato de que ainda não havia, na época, uma burguesia no País. d. conclui que a raiz da cultura brasileira está na visão de mundo do burguês. e. critica o espírito burguês, que torna tudo a sua volta mercadoria. 05. “Os sapos”, poema de Manuel Bandeira lido durante a Semana de Arte Moderna e vaiado pelo público, satiriza um período literário que se estendeu até o começo do século XX. Trata-se do: a. Parnasianismo. b. Simbolismo. c. Impressionismo. d. Romantismo. e. Pré-Modernismo. Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 1. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Qual foi a recepção dos artistas da Semana de Arte Mo- derna pelo público nas apresentações? Por quê? 07. Assinale o que for incorreto quanto às ideias divulgadas pelos artistas da Semana de Arte Moderna. a. Desejo de expressão livre e tendência para trans- mitir, sem as belezas e idealizações tradicionais do academismo, a emoção e a realidade do País. b. Rejeição dos padrões europeus, buscando uma ex- pressão coloquial, próxima do falar brasileiro. c. Combate a tudo que indicasse o conhecido, o status quo. d. Retomada e manutenção da temática simbolista e parnasiana. e. Valorização do prosaico e do humor, que melhorou a atmosfera sobrecarregada pelos acadêmicos. Sobre o módulo É importante mostrar ao aluno que as vaias aos artis- tas da Semana de Arte Moderna ocorreram porque o públi- co rejeitou inicialmente a intenção renovadora modernis- ta, em razão do grande estranhamento que essa proposta lhe causou. Na web Para comemorar os 80 anos da Semana de Arte Moderna de 1922, a TV Cultura produziu este programa, que destaca os principais fatos, personagens, atos e efeitos do movimento modernista: <https://www.youtube.com/watch?v=LdO_ebONK9I> 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 37 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 08. Ainda que criticasse o panorama cultural, a Semana de 1922 também abrigou tendências conservadoras. Uma delas foi: a. o Surrealismo, que valorizava a importância do sonho, entre outros elementos oníricos, na arte. b. o Dadaísmo, que defendia o acaso como elemento for- mador de significados estéticos. c. o Verde-Amarelo, que propunha o nacionalismo como postura artística. d. o Futurismo, que se fundamentava no entusiasmo com as possibilidades culturais trazidas pelas inova- ções tecnológicas. e. o Expressionismo, que valorizava o exagero para au- mentar o impacto da obra de arte. 09. Um dos principais artistas modernistas, cuja obra ini- cialmente foi rejeitada pelo público, por criticar as atividades mercantis da burguesia, foi: a. Manuel Bandeira. b. Graça Aranha. c. Paulo Prado. d. Oswald de Andrade. e. Mário de Andrade. 10. Quais eram as intenções estéticas dos artistas da Sema- na de Arte Moderna? 11. Desde Villa-Lobos e Guiomar Novaes, na música, até Os- wald de Andrade e Brecheret, na literatura e na escultura, a Semana de 1922 reuniu os principais representantes do Mo- dernismo. A leitura de um poema de Manuel Bandeira, de crí- tica ao Parnasianismo, foi recebida pelo público com muitas vaias. O nome desse poema é: a. “Os sapos”. b. “No meio do caminho”. c. “Sábios parnasianos”. d. “Vou-me embora pra Pasárgada”. e. “Ode ao burguês”. 12. A Semana de Arte Moderna (1922) surgiu de uma rejeição ao chamado colonialismo mental, pregava maior fidelidade à realidade brasileira e valorizava, sobretudo, o regionalismo. Com isso, pode-se afirmar que: a. o romance regional assumiu características de exal- tação, retratando os aspectos românticos da vida sertaneja. b. a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valo- rização de estéticas clássicas. c. o movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os te- mas nacionais e reinterpretando a realidade brasileira. d. os modelos arquitetônicos do período buscaram sua inspiração na tradição do Barroco português. e. a preocupação dominante dos autores era com o re- trato dos males da colonização. 13. No Brasil, o descontentamento com a estética parnasiana originou a Semana de Arte Moderna, na qual foi predominante a literatura. Um autor que não fez parte desse movimento foi: a. Oswald de Andrade. b. Euclides da Cunha. c. Manuel Bandeira. d. Graça Aranha. e. Mário de Andrade. 14. Em 29 de janeiro de 1922, o jornal O Estado de S. Paulo noticiava: Por iniciativa do festejado escritor Sr. Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, have- rá em São Paulo uma Semana de Arte Moderna,em que tomarão parte os artistas que, em nosso meio, representam as mais modernas correntes artísticas. Com base nesse período, marque V para verdadeiro e F para falso. ( ) O primitivismo nacionalista da Antropofagia e do Verde- -Amarelo foi a primeira diversificação do Modernismo. ( ) Logo após a semana de que fala o texto, nas revistas do movimento começaram-se a vislumbrar as pri- meiras tendências dos autores de então. ( ) Menotti Del Picchia e Plínio Salgado focalizaram as fontes nacionalistas, na valorização da raça, do san- gue e dos heróis nacionais. ( ) A Semana reuniu jovens modernistas em uma expo- sição de arte literária, plástica, musical e de dança, mas não pode ser considerada como início oficial do Modernismo brasileiro. 15. Autor do poema “Juca Mulato”, de 1917, deu palestras so- bre estética modernista na Semana de Arte Moderna e, mais tarde, alinhou-se a uma corrente nacionalista do Modernis- mo, o Verde-Amarelo. Trata-se de: a. Cassiano Ricardo. b. Graciliano Ramos. c. Plínio Salgado. d. Menotti Del Picchia. e. Manuel Bandeira. 16. UEL-PR O principal objetivo da Semana de Arte Moderna de 1922 era: a. difundir a convicção estética e política de modernizar a arte brasileira, buscando criar uma cultura nacional pura, com mitos nacionais na literatura. b. celebrar a cultura nacional como base ideológica e romper com as correntes artísticas europeias que do- minavam a arte brasileira. c. retomar a arte acadêmica como forma de oposição ao Barroco, celebrado até então como verdadeira arte nacional. d. usar o nacionalismo romântico com sua busca por uma “cor local” como principal referência para se criar uma arte nacional. e. romper com a influência das culturas “primitivas”, buscando aliar nossa arte à vanguarda europeia. 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 38 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 86 Primeira geração do Modernismo: características Exercícios de Aplicação 01. Enem Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão. O trovador Sentimentos em mim do asperamente dos homens das primeiras eras... As primaveras do sarcasmo intermitentemente no meu coração arlequinal... Intermitentemente... Outras vezes é um doente, um frio na minha alma doente como um longo som [redondo... Cantabona! Cantabona! Dlorom... Sou um tupi tangendo um alaúde! Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em “O trovador”, esse aspecto é: a. abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o Carnaval, remete à brasilidade. b. verificado já no título, que remete aos repentistas nor- destinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas. c. lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente”, “frio” e “alma doente” como pelo som triste do alaúde, “Dlorom”. d. problematizado na oposição tupi (selvagem) × alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. e. exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas. 02. Estão entre os principais representantes da poesia mo- dernista da primeira fase: a. Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Mário de Andrade. b. Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Adélia Prado. c. Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade. d. Oswald de Andrade, Ferreira Gullar e Olavo Bilac. e. Tarsila do Amaral, Monteiro Lobato e Mário de Andrade. Resolução A identidade nacional aparece problematizada na oposição tupi × alaúde. O Manifesto Antropofágico propõe “devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, cuidando para não perder a identidade brasileira”. É o que sugere a figura do índio (brasilidade) tocando alaúde (influência europeia). Alternativa correta: D Resolução Os três autores citados na alternativa C são poetas da pri- meira geração modernista. Alternativa correta: C 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 39 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Extras 04. ITA-SP (adaptado) Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Na macumba do Encantado Nego veio de santo fez mandinga No palacete de Botafogo Sangue de branca virou água Foram vê estava morta! Sobre o poema, assinale a alternativa incorreta. a. Ausência de preconceitos contra os chamados ele- mentos “apoéticos”. b. Enumeração caótica, ou seja, acúmulo de palavras sem ligação evidente entre elas. c. Infração das normas de pontuação e opção pela in- formalidade. d. Busca de uma expressão mais coloquial, próxima do modo de falar brasileiro. e. Incorporação do cotidiano, do prosaico, do grosseiro, do vulgar. 05. Leia o texto e responda à questão. Naquele momento a ideia da prisão dava- -me quase prazer: via ali um princípio de li- berdade. Eximira-me do parecer, do ofício, da estampilha, dos horríveis cumprimentos ao deputado e ao senador; iria escapar a outras maçadas, gotas espessas, amargas, corrosivas. Graciliano Ramos, Memórias do cárcere. Mesmo pertencendo à segunda geração modernista, Graciliano Ramos expõe, por meio de seu narrador, um desejo que os primeiros modernistas tinham, a saber, o desejo de: a. modificações linguísticas. b. estudo histórico. c. abordagem de aspectos regionais. d. descumprimento de formalidades. e. avanço tecnológico. 03. A principal característica da primeira geração modernista é: a. o historicismo. b. o rebuscamento linguístico. c. a libertação estética. d. o regionalismo. e. o indianismo. Resolução Uma das principais características da primeira geração modernista é a busca pela libertação estética, rompendo com os modelos parnasianos. Alternativa correta: C Habilidade Observar as relações entre as características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo brasileiro e o contexto histórico de sua produção, circulação e recepção. Reconhecer e caracterizar a contribuição dos principais autores do Moder- nismo brasileiro para a literatura nacional. 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 40 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 2. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Unifran-SP (adaptado) O Modernismo no Brasil revolucionou a literatura, perdu- rando por várias décadas. Assinale a alternativa que apresen- ta declarações concernentes a esse movimento. a. Na primeira fase do movimento, surgiram grandes poetas, mas destaca-se especialmente o chamado “romance revolucionário” ou “romance modernista”. b. Oswald de Andrade, escritor e poeta paulista, foi um dos autores mais marcantes da segunda fase. Seu texto foi dos mais inovadores e corrosivos da estética regionalista. c. A primeira fase do movimento foi marcada pela desin- tegração da linguagem tradicional em razão da busca da expressão regional e da adoção das conquistas de vanguarda. d. Apesar das inovações, esse movimento teve o cuida- do de conservar alguns valores estéticos do passado. e. Esse movimento foi iniciado com a Semana de Arte Moderna, em 1922, englobando várias artes: litera- tura, música, pintura e escultura. O polo principal foi São Paulo, na época já um florescente parque industrial. 07. UFV-MG Assinale a alternativa em que há uma característica que não corresponde ao Modernismo em sua primeira fase. a. Ruptura radical e audaciosa em relação às posições estéticas do passado, quebra total da rotina literária. b. Caráter turbulento, polemista, de demolição de va- lores. c. Exaltação exagerada de fatores como mocidade e tem- po; o novo, nessa fase, foi erigido como um valor em si. d. Movimento de inquietação e de insatisfação; os no- vos se lançaram à luta em nome da originalidade,da liberdade de pesquisa estética e do direito de “errar”. e. Apesar de toda a radicalidade do grupo, é unânime a preocupação dos modernistas com o purismo da linguagem. 08. PUC-MG Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon- da à questão. Na feira-livre do arrebaldezinho um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor: — O melhor divertimento para as crianças! Em redor dele há um ajuntamento de menini- [nhos pobres… Não é característica presente na estrofe: a. a valorização de fatos e elementos do cotidiano. b. a utilização do verso livre. c. a linguagem despreocupada, sem palavras raras. d. a preocupação social. e. a metalinguagem. 09. FMTM-MG (adaptado) A literatura da década de 1920 apresentou: a. diversas correntes estéticas convivendo juntas. b. as obras dos melhores poetas parnasianos. c. o domínio da prosa sobre a poesia. d. o cotidiano brasileiro abordado em linguagem simples. e. a prosa voltada para problemas sociais e regionais específicos. Sobre o módulo Destaque os principais representantes da primeira geração do Modernismo, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira na literatura e Tarsila do Amaral e Anita Malfatti na pintura. 36 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 41 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 10. Macunaíma é obra: a. do Pré-Modernismo brasileiro, visto que registra preo- cupação com as dificuldades dos emigrantes na cida- de de São Paulo. b. da primeira geração modernista, porque procura res- gatar manifestações culturais brasileiras. c. da segunda geração modernista, uma vez que os pro- blemas políticos brasileiros aí se fazem presentes. d. do movimento futurista brasileiro, visando romper, de maneira excessivamente agressiva, com a tradição literária brasileira. e. do Movimento Pau-Brasil, uma vez que o primitivismo é apontado como solução para os problemas da cultu- ra brasileira. 11. Fiube-MG A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase: a. utiliza-se de vocabulário sempre vago e ambíguo, que apreenda estados de espírito, subjetivos e in- definíveis. b. faz uma síntese dos pressupostos poéticos que nor- teavam a linguagem parnasiano-simbolista. c. incentiva a pesquisa formal com base nas conquistas parnasianas, a ela anteriores. d. enriquece e dinamiza a linguagem, inspirando-se na sintaxe clássica. e. confere ao nível coloquial da fala brasileira a categoria de valor literário. 12. FESP-PE Leia o texto e responda à questão. Quando as casas baixarem de preço, Laura Moura, prenda minha, Uma delas será sua sem favor. Lá fora a bulha da cidade Disfarçará nosso prazer... E a gente, numa rede maranhense, Ao som dum jazz bem blue, Balancearemos no calor da noite, Sonhando com o sertão. Assinale a alternativa que não constitui característica do Modernismo e que, assim, não se aplica ao texto apresentado. a. Valorização poética de aspectos da realidade tradicio- nalmente considerados prosaicos. b. Utilização de versos simétricos, porém brancos. c. Integração na nossa cultura de manifestações artísti- cas estrangeiras. d. Síntese poética da nacionalidade pela integração de diversos aspectos culturais do País. e. Aproximação dos padrões da linguagem coloquial. 13. UCP-PR Movimento literário brasileiro que recebeu influências de vanguardas europeias, tais como o Futurismo e o Surrealismo: a. Modernismo. b. Parnasianismo. c. Romantismo. d. Realismo. e. Simbolismo. 14. PUCCamp-SP Assinale a alternativa em que se encontram preocupa- ções estéticas da primeira geração modernista. a. “Não entrem no verso culto o calão e solecismo, a sintaxe truncada, o metro cambaio, a indigência das imagens e do vocabulário do pensar e do dizer.” b. “Vestir a ideia de uma forma sensível que, entretan- to, não terá seu fim em si mesma, mas que, servin- do para exprimir a ideia, dela se tornaria submissa.” c. “Minhas reivindicações? Liberdade. Uso dela; não abuso.” “E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só.” d. “Na exaustão causada pelo sentimentalismo, a alma ainda trêmula e ressoante da febre do sangue, a alma que ama e canta porque sua vida é amor e canto, o que pode senão fazer o poema dos amores da vida real?” e. “O poeta deve ter duas qualidades: engenho e juízo; aquele, subordinado à imaginação, este, seu guia, muito mais importante, decorrente da reflexão. Daí não haver beleza sem obediência à razão, que aponta o objetivo da arte: a verdade.” 15. Assinale a alternativa que apresenta característica(s) da primeira geração do Modernismo. a. uso de preciosismos na linguagem e revalorização de temas históricos b. valorização literária da linguagem coloquial e dos fa- tos do cotidiano c. uso de “barbarismos universais” e do “lirismo bem comportado” d. espírito polêmico e lirismo intimista e. valorização da consciência crítica e idealização do cotidiano 16. Considere as afirmações sobre o Modernismo e assinale a alternativa correta. I. “A língua sem arcaísmo, sem erudição. Natural e neo- lógica. A contribuição milionária de todos os erros. Como somos.” II. “Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afi- lhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Maris.” III. “A pena é um pincel. Eu limo sonetos engenhosos e frios.” IV. “Nomear um objeto significa suprimir as três quartas partes do gozo de uma poesia, que consiste no pra- zer de adivinhar pouco a pouco. Sugerir, eis o sonho.” V. “A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.” a. Somente I, III e IV estão corretas. b. Somente II, III e V estão corretas. c. Somente I, II e III estão corretas. d. Somente I, II e V estão corretas. e. Somente II, IV e V estão corretas. TA RS IL A DO A M AR AL E M PR EE ND IM EN TO S / C OL EÇ ÃO D E AR TE S VI SU AI S DO IE B- US P 1. Mário de Andrade 44 2. Oswald de Andrade 45 3. Manuel Bandeira 46 4. Organizador gráfico 47 Módulo 87 – Mário de Andrade I 48 Módulo 88 – Mário de Andrade II 52 Módulo 89 – Oswald de Andrade 57 Módulo 90 – Manuel Bandeira 61 • Identifi car características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo da primeira fase no contexto histórico de sua produção, circulação e recep- ção, estabelecendo relações entre as condições histórico-sociais (políticas, religiosas, morais, artísticas, científi cas, estéticas, econômicas etc.) de produ- ção de um texto literário e os fatores linguísticos de sua produção (escolha de gêneros, temas, assuntos, estrutu- ras, fi nalidades, recursos). • Associar informações sobre concep- ções artísticas e procedimentos de construção do texto literário com os contextos de produção do Modernismo da primeira fase, para atribuir signifi ca- dos de leituras críticas em diferentes situações. • Analisar criticamente as diversas produções artísticas do Modernismo como meio de compreender diferentes inovações formais do período, inseridas no contexto. TA RS IL A DO A M AR AL E M PR EE ND IM EN TO S / C OL EÇ ÃO D E AR TE S VI SU AI S DO IE B- US P 43 Temas cotidianos, corriqueiros, incluindo elementos tipicamente nacionais, foram a base para as obras do Modernismo, que se con- solidava ao assumir uma linguagem própria. Uma nova geração de artistas 37 Tarsila do Amaral, O mamoeiro, 1925. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 44 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 1. Mário de Andrade FU ND AÇ ÃO B IB LI OT EC A NA CI ON AL Mário de Andrade Mário Raul de Moraes Andrade nasceu em São Paulo, em 1893, e foi um dos importantes artistas que deram início ao Modernismo no Brasil. Fazendo parte da primeira geração modernista, datada de 1922 a 1930, conhecida como fase heroica, manifestava dese- jo de liberdade e ruptura com o passado. Não buscava apenas uma linguagem cotidiana, mas também a liberdadeda forma, como marca de uma ruptura com o que até então era considera- do padrão. Lutava por uma escrita verdadeira, ou seja, por abor- dagens cotidianas e que alcançasse maior público. Pauliceia desvairada foi o marco inicial da poesia mo- dernista no Brasil. A primeira fase do Modernismo foi carac- terizada principalmente por produções poéticas. Em meio a isso, Mário de Andrade escreveu Macunaíma, romance que traz o anti-herói brasileiro, um herói com defeitos e qualida- des. Essa obra evidencia a preocupação com a ruptura de idealizações. O autor escreveu Contos novos (1947), crônicas (“Os filhos de Candinha”) e ensaios, como “A escrava que não é Isaura” (1925) e “O Aleijadinho e Álvares de Azevedo” (1935). Mário de Andrade faleceu em 1945, em São Paulo, tendo obras publicadas postumamente. Leia o trecho do prefácio de Pauliceia desvairada. Leitor: Está fundado o Desvairismo. Este prefácio, apesar de interessante, inútil. Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão o prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. Daí a razão deste Pre- fácio Interessantíssimo. Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a blague, onde principia a seriedade. Nem eu sei. E desculpem-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadis- ta, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita se pretendesse re- presentar orientação moderna que ainda não compreende bem. Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o fu- turismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que, se discutiram minhas ideias (que nem são minhas): discutiram mi- nhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizaram meu silêncio como esta grita. Andarei a vida de braços no ar, como indife- rente de Watteau. Um pouco de teoria? Acredito que o lirismo, nascido no subcons- ciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer empecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia, não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisá-lo das pedras e cercas de arame do caminho. Deixe que tropece, caia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades românticas, de pormenores inúteis ou inexpressivos. Disponível em: <http://www.mac.usp.br/mac/templates/ projetos/jogo/pauliceia.asp>. Acesso em: set. 2015. Vocabulário Mondar – rever e corrigir; arrancar; cortar. Mário de Andrade dispensava as formas e construções parnasianas, mas sabia que as mudanças não ocorreriam tão rapidamente. A literatura não se libertaria com facili- dade dos moldes formais e conceituais vigentes, como os autores começavam a perceber durante o processo de transformação que foi o Modernismo. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 45 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Leia agora o poema “Ode ao burguês”, publicado em Pau- liceia desvairada. Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! O homem-nádegas! O homem que, sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco a pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! Os condes Joões! Os [duques zurros! Que vivem dentro de muros sem pulos, e gemem sangue de alguns mil-réis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam [o francês e tocam os “Printemps” com as unhas! Eu insulto o burguês-funesto! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições! Fora os que algarismam os amanhãs! Olha a vida dos nossos setembros! Fará Sol? Choverá? Arlequinal! Mas à chuva dos rosais o êxtase fará sempre sol! Morte à gordura! Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal! Ao burguês-cinema! Ao burguês-tílburi! Padaria Suíça! Morte viva ao Adriano! “— Ai, filha, que te darei pelos teus anos? — Um colar... — Conto e quinhentos!!! Más nós morremos de fome!” Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma! Oh! purée de batatas morais! Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas! Ódio aos temperamentos regulares! Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependi- [mentos, sempiternamente as mesmices convencionais! De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante! Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burguês!... A crítica exaltada à burguesia é clara no poema de Má- rio de Andrade, com linguagem de fácil entendimento. Isso fez com que muitas pessoas fossem contra o movimento modernista. 2. Oswald de Andrade COLEÇÃO PARTICULAR Oswald de Andrade José Oswald de Souza Andrade é outro importante artista do Modernismo no Brasil. Nasceu em 1890, em São Paulo. É considerado o autor mais irreverente e polêmico desse período. Abusa da ironia e da comicidade em suas produções poéticas. Sua poesia é considerada “pílula”, ou seja, um texto curto, porém com grande carga poética. Em 1917, conheceu Mário de Andrade; a partir daí, come- çaram a trabalhar juntos, dando início a movimentos que cul- minaram na Semana de Arte Moderna, de 1922. Ainda em 1922, Oswald de Andrade escreveu o romance Trilogia do exílio. Depois dessa obra, publicou também os ro- mances Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Estrela de absinto (1927) e o volume de poesias Pau-Brasil (1925). Na prosa, rompeu com a estrutura comum e trouxe ca- pítulos curtíssimos e fragmentados, aproximando-se do Cubis- mo, o que impossibilita uma leitura linear. Em 1924, lançou o Movimento Pau-Brasil. Em 1927, para dar continuidade a esse movimento, lançou a Revista de an- tropofagia, com seu Manifesto Antropofágico. Faleceu em 1954, em São Paulo. Leia alguns poemas desse autor modernista. Erro de português Quando o português chegou Debaixo de uma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 46 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Percebe-se, em “Erro de português”, como Oswald ironiza a chegada dos portugueses ao Brasil. Em “Pronominais”, ele critica a gramática normativa, que era transgredida pelos au- tores modernistas. 3. Manuel Bandeira CO LE ÇÃ O PA RT IC UL AR Manuel Bandeira Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, importante artista do Modernismo brasileiro, nasceu em Recife, Pernam- buco, em 1886. Seu talento tornou-se evidente desde cedo, quando já se destacava nos estudos. Enquanto cursava a Faculdade Politécnica em São Paulo, Bandeira deixou os estudos para ir à Suíça, em busca de tra- tamento para tuberculose. Após recuperar-se, voltou ao Brasil e publicou seu primeiro livro de versos, Cinza das horas, em 1917. Contudo, pela influência simbolista, essa obra não teve destaque.Dois anos depois, escreveu Carnaval, em que mostrava suas tendências modernistas. Posteriormente, participou da Semana de Arte Moderna, libertando-se do “lirismo bem comportado”. En- tretanto, apenas a partir de Libertinagem, firmou-se como poeta modernista. Passou a adotar linguagem coloquial e abordar temáticas do cotidiano, incluindo sua doença, a tuberculose, que apare- ce em muitos de seus poemas. Manuel Bandeira faleceu em 1968, no Rio de Janeiro. Leia os poemas e observe as características modernistas de Manuel Bandeira. Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações [de apreço ao Sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averi- [guar no dicionário o cunho vernáculo de um [vocábulo Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos [universais Todas as construções sobretudo as sintaxes [de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja [fora de si mesmo. De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secre- [tário do amante exemplar com cem modelos [de cartas e as diferentes maneiras de agradar [às mulheres etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. Pneumotórax Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão [esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o [pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango [argentino. Em “Poética”, evidencia-se a rejeição aos moldes de criação literária anteriores. Em “Pneumotórax”, destaca-se a ironia: diante de uma doença sem cura, “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”. A primeira fase modernista foi a fase “demolidora”, a fase em que os artistas propuseram uma ruptura total, principal- mente com a estética parnasiana. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 47 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Assista ao filme Eternamente Pagu, produção brasileira de 1987, dirigida por Norma Bengell, que conta a história de Pa- trícia Galvão, escritora e militante política que conviveu com importantes representantes do Modernismo, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. 01. Leia o poema e responda ao que se pede. Canto de regresso à pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá. Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra. Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá. Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo. Oswald de Andrade a. Oswald de Andrade, poeta modernista, faz relação in- tertextual com outra produção poética. Qual? b. Pensando nos propósitos dos modernistas, qual é a intenção de Oswald ao fazer isso? Resolução a. Há intertextualidade com o poema romântico “Can- ção do exílio”, de Gonçalves Dias. b. Oswald de Andrade faz uma possível atualização da poesia de Gonçalves Dias, trazendo a temática romântica para os moldes do Modernismo, com lin- guagem de fácil entendimento e relação direta com São Paulo. APRENDER SEMPRE 3 4. Organizador gráfico Apenas texto CaracterísticasTema Tópico Subtópico destaqueSubtópico Primeira geração modernista: inovação literária Manuel Bandeira Oswald de Andrade Mário de Andrade TARSILA DO AM ARAL EM PREENDIM ENTOS / COLEÇÃO DE ARTES VISUAIS DO IEB-USP ; FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL ; COLEÇÃO PARTICULAR ; COLEÇÃO PARTICULAR 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 48 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 87 Mário de Andrade I Exercícios de Aplicação 01. Vunesp Leia o poema “Paisagem no 4”, de Mário de Andrade, e res- ponda à questão. Os caminhões rodando, as carroças rodando, Rápidas as ruas se desenrolando, Rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos... E o largo coro de ouro das sacas de café!... Na confluência o grito inglês da São Paulo [Railway... Mas as ventaneiras da desilusão! a baixa do [café!... O poema, escrito em 1922, revela características da cida- de de São Paulo na época. Entre elas, podemos citar: a. o desinteresse dos cafeicultores em controlar o preço do café no mercado internacional. b. o limitado crescimento econômico, que eliminou o peso e a influência da capital paulista nas decisões do governo federal. c. a harmonização social, após o período de revoltas so- ciais do início da República. d. a hegemonia do capital estrangeiro, que impedia o crescimento da burguesia nacional. e. a persistência de aspectos tradicionais durante o pro- cesso de modernização e reurbanização. 02. Leia o poema “Ode ao burguês”, de Mário de Andrade, e explicite suas principais características modernistas. Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! O homem-nádegas! O homem que, sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco a pouco! [...] Ódio aos temperamentos regulares! Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados! Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependi- [mentos, sempiternamente as mesmices convencionais! De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante! Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Vocabulário Giolhos – o mesmo que geolhos, versão informal de joelhos. Resolução Os versos mostram um período de transição da economia cafeeira (rural) para a economia industrial (urbana), com ele- mentos de ambas coexistindo em São Paulo: caminhão, car- roça, sacas de café, linhas férreas, ruas. Alternativa correta: E Resolução Há linguagem sem rebuscamento, versos livres e crítica à burguesia, todas características modernistas. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 49 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 03. PUC-SP Em sua poesia, a cidade de São Paulo está continuamen- te representada: São glórias desta cidade Ver a arte contando história, A religião sem memória De quem foi Cristo em verdade, Os chefes nossa amizade, Os estudantes sem textos, Jornalismo no cabresto, Tolos cantando vitória, Isso é glória? Seu livro de estreia é Há uma gota de sangue em cada poema. Trata-se de: a. Manuel Bandeira. b. Mário de Andrade. c. Oswald de Andrade. d. Carlos Drummond de Andrade. e. Jorge de Lima. Exercícios Extras 04. AFA-SP (adaptado) Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão. Meu coração estrala... Que imagem sem verdade. Porém não tive ideia de mentir... Foram os nervos, a alma? Que quer dizer estralo! Nem ao menos sou padre Vieira... Oh dicionário pequitito!... Este poema salienta o problema: a. da incomunicabilidade entre as pessoas. b. da ineficácia das palavras em transmitir sensações e emoções. c. da falta de conhecimento de vocabulário. d. da solidão. e. da ausência de equilíbrio interior. 05. Considere as afirmações sobre Mário de Andrade e assi- nale a alternativa correta. I. Na poesia, colocava sentimentalismo em situações aparentemente banais, sendo essa uma de suas prin- cipais características. II. Conciliava a crítica social e a reflexão filosófica acerca da condição humana, fazendo usode oposições for- mais e da coloquialidade linguística. III. Sua obra poética apresenta duas vertentes: a poesia intimista, introspectiva, e a poesia política, de comba- te às injustiças sociais. IV. Destacam-se, em quase todas as suas obras, a preo- cupação com a descoberta e a exploração de novas técnicas narrativas. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente II e III estão corretas. c. Somente III e IV estão corretas. d. Somente II, III e IV estão corretas. e. Somente I, II e IV estão corretas. Resolução Mário de Andrade utiliza continuamente em sua poesia a representação da cidade de São Paulo, cidade em que nas- ceu, viveu e faleceu. Há uma gota de sangue em cada poema é seu livro de estreia. Alternativa correta: B Habilidade Analisar criticamente as diversas produções artísticas do Modernismo como meio de compreender diferentes inova- ções formais do período, inseridas no contexto. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 50 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 1. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento Leia o poema de Mário de Andrade e responda às ques- tões de 06 a 08. Quando eu morrer quero ficar, Não contem aos meus inimigos, Sepultado em minha cidade, Saudade. Meus pés enterrem na rua Aurora, No Paissandu deixem meu sexo, Na Lopes Chaves a cabeça Esqueçam. No Pátio do Colégio afundem O meu coração paulistano: Um coração vivo e um defunto Bem juntos. Escondam no Correio o ouvido Direito, o esquerdo nos Telégrafos, Quero saber da vida alheia, Sereia. O nariz guardem nos rosais, A língua no alto do Ipiranga Para cantar a liberdade. Saudade… Os olhos lá no Jaraguá Assistirão ao que há de vir, O joelho na Universidade, Saudade… As mãos atirem por aí, Que desvivam como viveram, As tripas atirem pro Diabo, Que o espírito será de Deus. Adeus. 06. De acordo com o poema, qual é o desejo do eu lírico, ao morrer? 07. Comprove, com versos do poema, a resposta à questão anterior. 08. Cite uma importante característica de Mário de Andrade presente no poema. 09. USC-SP Ao lado de Oswald de Andrade e outros importantes no- mes da literatura nacional, Mário de Andrade participou ini- cialmente do movimento: a. Pau-Brasil. b. Verde-A marelo. c. da Anta. d. a ntropofágico. e. Klaxon. Sobre o módulo Aproveite os exercícios deste módulo para enfatizar a construção poética modernista de Mário de Andrade, as características usadas particularmente por ele, além de características gerais do Modernismo na poesia. Exemplifique com “Ode ao burguês”. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 51 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Leia o trecho do conto “Peru de Natal”, de Mário de Andra- de, e responda às questões 10 e 11. Morreu meu pai, sentimos muito etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já esta- va que não podia mais pra afastar aquela memó- ria obstruente do morto, que parecia ter sistema- tizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resul- tou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas re- gularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto. 10. Como o filho parece lidar com a morte do pai no conto de Mário de Andrade? 11. A forma como o filho fala do pai e da reação da mãe revela característica da visão modernista. Qual? 12. Fatec-SP Assinale a alternativa correta. a. Apesar do interesse pela cultura brasileira e da ativa participação do movimento artístico representado pelo Modernismo, Mário de Andrade só se dedicou à literatura. b. Mário de Andrade, escritor modernista que estendeu sua influência a todos os domínios da cultura brasileira, é também o criador da Academia Brasileira de Letras. c. Mário de Andrade, autor de Macunaíma, Pauliceia des- vairada e Amar, verbo intransitivo, é um autor autenti- camente paulistano. A temática de sua obra restringe- -se à cidade de São Paulo. d. Mário de Andrade, escritor brasileiro, desempenhou importante papel na Semana de Arte Moderna de 1922 e participou ativamente da renovação deflagra- da pelo movimento modernista. e. Profundamente ligado à cultura popular brasileira, Má- rio de Andrade não valorizava os autores estrangeiros e jamais os mencionava em seus textos. 13. UFRGS-RS Leia o poema de Mário de Andrade e responda à questão. Eu sou feliz porque a Terra é uma bola. A bola gira, Gira o universo, Giro também, Sou Gira Sou Louco. Sou Oco. Sou homem!... Sou tudo o que vocês quiserem, Mas que sou eu? Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al- ternativa correta. I. O uso do verso livre e a exploração do espaço gráfico são marcas evidentes da modernidade do poema; a constituição das rimas, no entanto, revela uma forte influência romântica. II. O poeta se expressa no poema como um homem que se reconhece múltiplo e que está à procura de uma identidade. III. Palavras como gira e louc o podem sugerir a ideia de que o poeta se vê marginalizado no mundo em que vive. a. Somente I está correta. b. Somente II está correta. c. Somente III está correta. d. Somente II e III estão corretas. e. I, II e III estão corretas. Leia o trecho de Amar, verbo intransitivo e responda às questões de 14 a 16. Não é clássico nem perfeito o corpo da mi- nha Fräulein. Pouco maior que a média dos cor- pos de mulher. E cheio nas suas partes. Isso o torna pesado e bastante sensual. Longe porém daquele peso divino dos nus renascentes ita- lianos ou daquela sensualidade das figuras de Scopas e Leucipo. [...] Nenhuma espiritualida- de. Indiferente burguesice. [...] Isso do corpo de Fräulein não ser perfeito, em nada enfraquece a história. Lhe dá mesmo certa honestidade espi- ritual e não provoca sonhos. E aliá s se renascen- te e perfeito, o idílio seria o mesmo. Fräulein não é bonita, não. Porém traços muito regulares, co- loridos de cor real. E agora que se veste, a gente pode olhar com mais franqueza isso que fica de fora e ao mundo pertence, agrada, não agrada? Não se pinta, quase nem usa pó de arroz. A pele estica, discretamente polida com os arrancos da carne sã. O embate é cruento. Resiste a pele, o sangue se alastra pelo interior e Fräulein toda se roseia agradavelmente. 14. Identifique uma marca da despreocupação de Mário de Andrade com a gramática normativa. 15. O que demonstram as caracterizações, do ponto de vista literário? 16. Tomando por base a forma como o narrador fala da mu- lher, de que forma se justifica o título da obra Amar, verbo in- transitivo? 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 52 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 88 Mário de Andrade II Exercícios de Aplicação 01. Fuvest-SP Leia o trecho da “Carta pras icamiabas”, de Macunaíma, de Mário de Andrade, e responda à questão. As donas de São Paulo, sobre serem mui for- mosas e sábias, não se contentam com os dons e excelência que a Natura lhes concedeu; assaz se preocupam elas de si mesmas [...]. Assim é que chamaram mestras da velha Europa, e sobretudo de França, e com elas aprenderam a passarem o tempo de maneira bem diversa da vossa. Ora se alimpam, e gastam horas nesse delicado mester, ora encantam os convívios teatrais da sociedade, ora não fazem coisa alguma; e nesses trabalhos passam elas o dia tão entretecidas e afanosas que, em chegando a noute, mal lhes sobra vagar pra brincarem e presto se entregam nos braços de Orfeu,como se diz. No trecho transcrito, Macunaíma revela sua: a. percepção dos comportamentos fúteis e artificiais das mulheres paulistanas. b. rejeição ao comportamento elegante e refinado das mulheres da cidade. c. ânsia por compreender e incorporar-se à sofisticada vida urbana paulistana. d. análise crítica em relação à cultura exibicionista da rica burguesia paulistana. e. habilidade e perspicácia em decodificar rapidamente os códigos que regem a sociedade burguesa paulistana. 02. PUC-PR Sobre Os contos de belazarte, de Mário de Andrade, con- sidere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Os contos de belazarte (1934) é o segundo livro de contos de Mário de Andrade e representa um amadu- recimento formal em relação ao seu primeiro volume de contos, Primeiro andar (1926); contudo, em con- sonância com as concepções modernistas adotadas pelo autor, seja no plano estético seja no ideológico, é um livro em que se explora com destaque, a exemplo das obras da década anterior, a temática nacional. II. O conto “Caim, Caim e o Resto”, muito rico formalmen- te, vale-se da presença de diminutivos, repetições, reticências e onomatopeias, comuns na oralidade. Bastante encontrada na ficção de Mário de Andrade, essa abertura ao coloquial e à língua viva se faz acom- panhar, no conto, pela temática da miscigenação, tão cara ao autor, já que o protagonista Tino é apresentado como filho de pai negro e que adora cantar canções italianas (“num napolitano duvidoso do bairro da Lapa”) aprendidas com a mãe. Quanto a isso, o conto marca a permanência, em Os contos de belazarte, de formas e temas presentes no todo da obra de Mário de Andrade. III. Os contos de belazarte recuperam integralmente o processo narrativo da novela picaresca. Temos no livro uma série de aventuras com o mesmo protago- nista, Belazarte, que é uma paródia homenageosa do anti-herói ibérico Pedro Malazartes. Ao mesmo tempo malicioso e ingênuo, vivendo de expedientes nada convencionais do ponto de vista moral, o andarilho Belazarte é uma espécie de antecipação de Macunaí- ma, o herói sem nenhum caráter, que é criação poste- rior de Mário de Andrade. a. Somente II está correta. b. Somente III está correta. c. Somente I e II estão corretas. d. Somente I está correta. e. Somente II e III estão corretas. Resolução No trecho, Macunaíma percebe o comportamento fútil das mulheres de São Paulo. Alternativa correta: A Resolução Apenas as afirmações I e II estão de acordo com a obra de Mário de Andrade. Alternativa correta: C 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 53 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 03. PUC-Camp-SP Leia o excerto de Amar, verbo intransitivo, de Mário de An- drade, e responda à questão. Vejam por exemplo a Alemanha, que-dê raça mais forte? Nenhuma. E justamente por- que mais forte e indestrutível neles o conceito de família. Os filhos nascem robustos. As mu- lheres são grandes e claras. São fecundas. O nobre destino do homem é se conservar sadio e procurar esposa prodigiosamente sadia. De raça superior, como ela, Fräulein. Os negros são de raça inferior. Os índios também. Os portugueses também. No trecho: a. encontram-se as convicções autênticas do escritor Mário de Andrade quanto à superioridade racial dos alemães, que ele ardilosamente atribui a Fräulein, tornando-a seu porta-voz. b. o narrador utiliza uma técnica narrativa que gera o máximo distanciamento entre ele e a personagem, qual uma câmara que só capta a exterioridade de um objeto. c. o nacionalismo de Mário de Andrade faz com que ele caracterize o germanismo de Fräulein, já que o objetivo da narrativa é demonstrar a superioridade da cultura brasileira sobre as demais. d. surge, provocadoramente, a tese da "superioridade racial" do alemão, encarnada em Fräulein, que esta deverá testar no confronto com a suposta "inferiori- dade dos latinos", encarnada no adolescente Carlos. e. quem de fato está narrando é o chefe da família Sousa Costa, que admira a disciplina germânica e, por esta razão, contratou Fräulein como preceptora na iniciação sexual de seu filho Carlos. Exercícios Extras 04. Mackenzie-SP Leia o texto e responda à questão. Chamado de rapsódia por Mário de Andrade, o livro é construído a partir de uma série de len- das a que se misturam superstições, provérbios e anedotas. O tempo e o espaço não obedecem a regras de verossimilhança, e o fantástico se con- funde com o real durante toda a narrativa. A afirmação faz referência à obra: a. O rei da vela. b. Calunga. c. Macunaíma. d. Memórias sentimentais de João Miramar. e. Martim Cererê. 05. Na primeira fase do Modernismo no Brasil: a. os principais nomes eram Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e Coelho Neto. b. firmou-se uma nova tendência do romance regionalis- ta, com Graciliano Ramos e Mário de Andrade. c. propuseram-se ideias e obras revolucionárias, como Macuna íma. d. promoveu-se o surgimento de ficcionistas renova- dores, mas em nada foi afetada a linguagem dos poetas. e. propiciou-se a renovação da literatura, não ocorrendo o mesmo com a música e a pintura. Resolução Mário de Andrade aborda, de forma provocadora, a supe- rioridade racial de Fräulein. Alternativa correta: D Habilidade Identificar características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo da primeira fase no contexto históri- co de sua produção, circulação e recepção, estabelecendo relações entre as condições histórico-sociais (políticas, reli- giosas, morais, artísticas, científicas, estéticas, econômicas etc.) de produção de um texto literário e os fatores linguísti- cos de sua produção (escolha de gêneros, temas, assuntos, estruturas, finalidades, recursos). 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 54 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 1. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. PUC-PR Leia os fragmentos, retirados do conto “O besouro e a rosa”, do livro Contos de Belazarte, de Mário de Andrade, e responda à questão. 1. “João não viu nada disso, estou fantasiando a história. Depois do século dezenove os contadores parece que se sentem na obrigação de esmiuçar com sem-vergo- nhice essas coisas.” 2. “João ficou sozinho na sala, não sabia o que tinha acontecido lá dentro, mas porém adivinhando que lhe parecia que a Rosa não gostava dele. [...] Por causa dele o Lapa Atlético venceu. Venceu porque derrepen- temente ela aparecia no corpo dele e lhe dava aquela vontade.” 3. “Pedro Mulato era um infame, até gatuno, Deus me perdoe! Rosa não escutou nada. Bateu o pé. Quis ca- sar e casou. Meia que sentia que estava errada, porém não queria pensar e não pensava. As duas solteironas choraram muito quando ela partiu casada e vitoriosa, sem uma lágrima. Dura. Rosa foi muito infeliz.” Sobre os fragmentos citados, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. No primeiro fragmento, há metaficção, voltada para a crítica aos escritores do século XIX. II. A crítica aos escritores do século XIX é uma das mar- cas do Modernismo brasileiro, do qual Mário de Andra- de é um dos expoentes. III. No fragmento 2, o uso da palavra “derrepentemente” se justifica pela proposta de uso da língua feita pelo Modernismo. IV. O uso do “mas porém”, no fragmento 2, aproxima a es- crita da oralidade, uma das propostas do Modernismo brasileiro. V. O final do conto (“Rosa foi muito infeliz.” ) quebra a expectativa do leitor, que espera haver um final feliz. Esse estranhamento também faz parte das propostas modernistas. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente I e III estão corretas. c. Somente II, III e IV estão corretas. d. Somente I, II, III e IV estão corretas. e. I, II, III, IV e V estão corretas. 07. UFC-CE Macunaíma é um “herói sem nenhum caráter”, porque: a. vive sonhando com riqueza fácil e, para obtê-la, lança mão de qualquer recurso.b. é um ser do qual se pode desconfiar, pois só mente. c. ainda não encontrou sua própria definição, sua iden- tidade. d. não tem firmeza de personalidade, nem segurança em suas decisões. Sobre o módulo Destaque a importância de Mário de Andrade para o movimento modernista, ao fazer críticas ferrenhas à sociedade e ao modelo literário vigente. Ressalte a obra Macunaíma, mostrando como Mário de Andrade constrói o seu anti-herói brasileiro . 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 55 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 08. Unijuí-RS A afirmação dos elementos locais, do Brasil, está presen- te em Macunaíma, de Mário de Andrade. Sobre essa obra, é incorreto afirmar que: a. Macunaíma é um anti-herói, com características como o individualismo e a malandragem. b. aproveita as tradições míticas dos índios; os irmãos de Macunaíma são Maanape e Jiguê. c. aproveita também ditados populares, obscenidades, frases feitas, como traços de oralidade. d. foi chamada de rapsódia e é uma obra central do mo- vimento modernista. e. já satiriza certos padrões de escrita acadêmica, porém evita trabalhar elementos de um “caráter” brasileiro. 09. UFC-CE Macunaíma é uma obra plural, composta, na medida em que: a. obedece às características circulares e fechadas do romance psicológico. b. como toda obra tradicional, observa a linearidade da narrativa na qual cada personagem age em separado. c. aproxima técnicas românticas das modernas na estru- turação do romance como um todo. d. no corpo da narrativa, dá um tratamento único para cada personagem apresentada. e. tal como numa rapsódia, trata de vários temas ao mes- mo tempo, entrelaçando-os numa rede múltipla de co- res e sons os mais diversos. 10. UFC-CE Macunaíma, obra-prima de Mário de Andrade, é um dos livros que melhor representam a produção literária brasileira do século XX. Sua principal característica é: a. traçar, como no Romantismo, o perfil do índio brasilei- ro como protótipo das virtudes nacionais. b. ser um livro em que se encontram representados os princípios que orientam o movimento modernista de 1922, dentre os quais o fundamental é a aproximação da literatura à música. c. analisar, de modo sistemático, as inúmeras variações sociais e regionais da língua portuguesa no Brasil, destacando em especial o tupi-guarani. d. ser um texto em que o autor subverte, na linguagem literária, os padrões vigentes, ao fazer conviver, sem respeitar limites geográficos, formas linguísticas oriundas das mais diversas partes do Brasil. e. exaltar, de forma especial, a cultura popular regional, particularmente a representativa do Norte e Nordes- te brasileiro. 11. UFU-MG Sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, assinale a alternativa incorreta. a. Sendo uma rapsódia, a obra caracteriza-se pelo aco- lhimento e pela assimilação de elementos variados de nossa cultura. Por esse caráter multifacetado, Macunaí- ma é inviável como representação de nossa identidade. b. O herói Macunaíma é um tipo criado a partir de contos populares e está ligado a personagens do folclore brasi- leiro, como Pedro Malazarte. Mais recentemente, pode-se aproximá-lo a João Grilo, da peça Auto da Compadecida. c. São elementos da obra a mitologia indígena, o folclore nacional, a nossa língua falada, os costumes brasilei- ros. Os costumes brasileiros, Mário de Andrade retira- -os da cidade de São Paulo, onde Macunaíma passa um bom tempo. d. Há um acentuado procedimento parodístico susten- tando a obra. A paródia recai, inclusive, sobre obras da literatura brasileira, como Iracema, de José de Alencar, e também sobre a Carta do achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha. 12. UFC-CE A respeito da obra Macunaíma, é correto afirmar que: a. a história se passa predominantemente na capital paulista, daí o livro ser considerado uma crônica do cotidiano paulistano. b. o episódio de base da narrativa consiste na perda e reconquista da muiraquitã. c. o livro é uma sátira ao Brasil por meio da reconstituição fiel de fatos históricos retidos na memória do autor. d. a obra faz uma leitura do Brasil sob a ótica do colonizador. e. o processo de criação do livro não mantém nenhum vínculo com qualquer obra anteriormente escrita. 13. Fuvest-SP A presença da temática indígena em Macunaíma, de Má- rio de Andrade, tanto participa _________________, quanto representa uma retomada, com novos sentidos, _________________. Mantida a sequência, as lacunas serão preenchidas cor- retamente por: a. do movimento modernista da Antropofagia – do r egio- nalismo da década de 1930. b. do interesse modernista pela arte primitiva – do i ndia- nismo romântico. c. do movimento modernista da Antropofagia – do c on- doreirismo romântico. d. da vanguarda estética do Naturalismo – do i ndianis- mo romântico. e. do interesse modernista pela arte primitiva – do re gio- nalismo da década de 19 30. 14. Leia o fragmento da obra Macunaíma, de Mário de Andra- de, e responda à questão. — Meu avô, dá caça pra mim comer? — Sim, Currupira fez. Cortou carne de perna moqueou e deu pro menino, perguntando: — O que você está fazendo na capoeira, rapaiz! — Passeando. — Não diga! — Pois é, passeando... Então contou o castigo da mãe por causa dele ter sido malévolo pros manos. E contando o transporte da casa de novo pra deixa onde não tinha caça deu uma grande gargalhada. O Curru- pira olhou pra ele e resmungou: — Tu não é mais curumi, rapaiz, tu não é mais curumi não... Gente grande que faiz isso... 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 56 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Uma característica importante das línguas é o fato de que elas não são uniformes nem estáticas. Fatores como região, classe social, idade, entre outros, explicam suas va- riações. Tendo em vista o comentário que você acabou de ler e as particularidades linguísticas do trecho de Macunaíma, marque V para verdadeiro e F para falso. ( ) A construção “dá caça pra mim comer” é típica da linguagem oral, representando uma variação de “dê-me caça para eu comer”, própria da norma-pa- drão. ( ) O emprego de palavras como “rapaiz” e “faiz” revela variação no nível dos sons, indicando pronúncia de um falante, no caso o Currupira, que utiliza a varieda- de padrão da língua. ( ) Em “por causa dele ter sido malévolo”, ocorre uma variação no nível sintático, uma vez que esse enun- ciado, na norma-padrão, corresponde a “por causa de ele ter sido malévolo”. ( ) O enunciado “Tu não é mais curumi”, apesar de ser um exemplo de falar informal, está de acordo com a língua padrão, como se pode verificar pela concor- dância verbal. Leia os textos e responda às questões 15 e 16. São Paulo, 10 de novembro, 1924 Meu caro Carlos Drummond [...] Eu sempre gostei muito de viver, de ma- neira que nenhuma manifestação da vida me é indiferente. Eu tanto aprecio uma boa caminha- da a pé até o alto da Lapa como uma tocata de Bach e ponho tanto entusiasmo e carinho no escrever um dístico que vai figurar nas paredes dum bailarico e morrer no lixo depois como um romance a que darei a impassível eternidade da impressão. Eu acho, Drummond, pensando bem, que o que falta pra certos moços de ten- dência modernista brasileiros é isso: gostarem de verdade da vida. Como não atinaram com o verdadeiro jeito de gostar da vida, cansam- -se, ficam tristes ou então fingem alegria, o que ainda é mais idiota do que ser sinceramente triste. Eu não posso compreender um homem de gabinete e vocês todos, do Rio, de Minas, do norte, me parecem um pouco de gabinete demais. Meu Deus! se eu estivesse nessas terras admiráveis em que vocês vivem, com que gos- to, com que religião eu caminharia sempre pelo mesmo caminho (não há mesmo caminho pros amantes da Terra) em longas caminhadas! Que diabo! estudar é bom e eu também estudo. Mas depois do estudo do livro e do gozo do livro, ou antes vem o estudoe gozo da ação corporal. [...] E então parar e puxar conversa com gente chamada baixa e ignorante! Como é gostoso! Fique sabendo duma coisa, se não sabe ain- da: é com essa gente que se aprende a sentir e não com a inteligência e a erudição livresca. Eles é que conservam o espírito religioso da vida e fazem tudo sublimemente num ritual esclarecido de religião. Eu conto no meu “Carnaval carioca” um fato a que assisti em plena Avenida Rio Branco. Uns negros dan- çando o samba. Mas havia uma negra moça que dançava melhor que os outros. Os jeitos eram os mesmos, mesma habilidade, mesma sensualidade mas ela era melhor. Só porque os outros faziam aquilo um pouco decorado, maquinizado, olhando o povo em volta deles, um automóvel que passava. Ela, não. Dançava com religião. Não olhava pra lado nenhum. Vi- via a dança. E era sublime. Este é um caso em que tenho pensado muitas vezes. Aquela negra me ensinou o que milhões, milhões é exagero, muitos livros não me ensinaram. Ela me ensi- nou a felicidade. ANDRADE, Mário de. A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. Inúmeros são os casos de troca de corres- pondência entre artistas, escritores, músicos, cineastas, teatrólogos e homens comuns em nossa tradição literária. Mário de Andrade, por exemplo, foi talvez o maior de nossos missi- vistas. Escreveu e recebeu cartas de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Tar- sila do Amaral, Câmara Cascudo, Pedro Nava, Fernando Sabino, só para citar alguns. O con- junto de sua correspondência não só nos ajuda a conhecer o seu pensamento, seus valores e sua própria vida, como também entender boa parte da história e da cultura brasileira do sé- culo XX. DINIZ, Júlio. Cartas: narrativas do eu e do mundo. In: Leituras compartilhadas – cartas. Fascículo especial 2, ano 4. Rio de Janeiro: Leia Brasil / Petrobras, 2004. 15. PUC-RJ Com base na leitura do trecho da carta de Mário a Drum- mond e do comentário apresentado, faça o que se pede. a. Percebe-se na carta uma crítica direta a certa postura elitista em relação à arte e à vida de grande parte da intelectualidade brasileira da época. Retire do texto duas passagens que comprovam tal afirmação. b. Comente, com suas próprias palavras, a visão que Mário de Andrade possui das manifestações estéticas oriundas do povo. 16. PUC-RJ Retirado do contexto, o trecho “(não há mesmo caminho pros amantes da Terra)” pode ser interpretado de duas manei- ras distintas, considerando-se diferentes acepções atribuí- das à palavra “mesmo”. a. Quais são as interpretações possíveis? b. Qual é a interpretação mais adequada à carta de Mário de Andrade? Justifique a sua resposta. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 57 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 89 Oswald de Andrade Exercícios de Aplicação 01. Enem Museu da Língua Portuguesa. Oswald de Andrade: o culpado de tudo. 27 set. 2011 a 29 jan. 2012. São Paulo: Prol Gráfica, 2012. O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem: a. direcionamentos possíveis para uma leitura crítica de dados histórico-culturais. b. forma clássica da construção poética brasileira. c. rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol. d. intervenções de um leitor estrangeiro no exercício de leitura poética. e. lembretes de palavras tipicamente brasileiras substi- tutivas das originais. 02. Só não diz respeito à obra de Oswald de Andrade: a. A obra de Oswald de Andrade representa um dos cor- tes mais profundos do Modernismo brasileiro em rela- ção à cultura do passado. b. Sua obra é debochada, irônica e crítica, sempre pronta para satirizar os meios acadêmicos ou a pró- pria burguesia. c. A linguagem utilizada por Oswald caracteriza-se pela síntese, pelas rupturas sintáticas e lógicas. d. Em sua obra, estão presentes o lirismo, a piada, a ima- ginação, a fala popular, a ironia, todos elementos ob- servados nos chamados poemas -minuto. e. Os temas mais comuns de sua obra são a paixão pela vida, a morte, o amor e o erotismo, a solidão e a angús- tia existencial. Resolução Oswald mostra uma possível leitura crítica dos dados com suas anotações. Alternativa correta: A Resolução Os temas apresentados não são frequentes na obra de Oswald. Alternativa correta: E 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 58 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 03. Vunesp Leia o prefácio a Serafim Ponte Grande, de Oswald de An- drade, e responda à questão. Com pouco dinheiro, mas fora do eixo revo- lucionário do mundo, ignorando o Manifesto Comunista e não querendo ser burguês, passei naturalmente a ser boêmio. […] Continuei na bur- guesia, de que mais que aliado, fui índice cretino, sentimental e poético. […] A valorização do café foi uma operação imperialista. A poesia Pau-Bra- sil também. Isso tinha que ruir com as cornetas da crise. Como ruiu quase toda a literatura brasileira “de vanguarda”, provinciana e suspeita, quando não extremamente esgotada e reacionária. O texto: a. expõe o anseio do autor de que a literatura e as de- mais formas artísticas fossem controladas pelo E s- tado e escapassem, assim, da tutela da classe social hegemônica. b. revela algumas das principais características do mo- vimento modernista de 1922, como a busca da iden- tidade nacional e a adesão a projetos político-partidá- rios de direita. Seu espaço Exercícios Extras 04. Sobre Memórias sentimentais de João Miramar, de Os- wald de Andrade, considere as afirmações e assinale a alter- nativa correta. I. A obra representa um dos pontos mais altos de cria- ção do Modernismo brasileiro e mostra sintonia com as vanguardas europeias do começo do século. II. A obra faz uso da paródia como recurso literário, o que pode ser observado, por exemplo, nas cartas transcri- tas no decorrer do romance. III. A obra rompe com as regras de pontuação, transgride os esquemas de tradição romanesca e, ao mesmo tempo, reforça os limites entre poesia a prosa. a. Somente I e III estão corretas. b. Somente II e III estão corretas. c. Somente I e II estão corretas. d. Somente II está correta. e. Somente III está correta. 05. Unifesp Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão. Senhor feudal Se Pedro Segundo Vier aqui Com história Eu boto ele na cadeia. O título do poema remete o leitor à Idade Média. Nele, assim como nas cantigas de amor, a ideia de poder retoma o conceito de: a. fé religiosa. b. relação de vassalagem. c. idealização do amor. d. saudade de um ente distante. e. igualdade entre as pessoas. c. indica o afastamento gradual dos participantes da Se- mana de Arte Moderna em relação aos componentes ideológicos de esquerda que caracterizaram o movi- mento. d. explicita a preocupação dos setores políticos e sociais dominantes diante da crise econômica provocada pela alta do preço do café e sua tentativa de regula- mentar o setor. e. demonstra a defesa, pelo autor, da politização da pro- dução literária e o abandono de parte dos princípios estéticos que guiaram sua obra na década anterior. Resolução Oswald demonstra abandono das vanguardas e defende a presença da política na literatura. Alternativa correta: E Habilidade Analisar criticamente as diversas produções artísticas do Modernismo como meio de compreender diferentes inova- ções formais do período, inseridas no contexto. Sobre o módulo Ressalte a ironia e a comicidade de Oswald de Andrade, aspectos constantes em sua obra. Mostre que, aos poucos, o autor deixou os resquícios das vanguardas europeias e conseguiu uma literatura nacional. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 59 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico2. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. A respeito da poesia de Oswald de Andrade é correto afir- mar que: a. representa a cidade de São Paulo com imagens crepus- culares em longos poemas narrativos de verso livre. b. mostra o contraste entre o dinamismo da cidade de São Paulo e a sobrevivência de traços coloniais no Brasil. c. traz de volta a tradição indianista para apresentar o índio que contesta a civilização ocidental por meio de ritos e feitiços. d. utiliza sonetos para refletir sobre a brevidade da vida e a transitoriedade do amor. e. explora o tema da decadência econômica do patriar- calismo paulista ao recordar saudosamente seus an- tepassados. 07. Leia o fragmento de Memórias sentimentais de João Mi- ramar, de Oswald de Andrade, e responda à questão. Papai estava doente e vinha um carro e um homem e o carro ficava esperando no jardim. Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos mudamos para a sala do quintal onde tinha uma figueira na janela. No desabar do jantar noturno a voz preta de mamãe ia me buscar para a reza do Anjo que carregou meu pai. Sobre a obra e o autor, assinale a alternativa incorreta. a. Evidenciam-se os fatos sob uma ótica infantil, principal- mente nas orações coordenadas do primeiro período. b. Há referência cubista na superposição de sensações, por exemplo, “a voz preta de mamãe”. c. As ações, em formas de flashes lembram o desfolhar de um álbum de fotografias. d. O tempo e o espaço são fragmentados como se o autor descrevesse cenas cinematográficas. e. Registram-se, com clareza, os fatos, dentro de uma linguagem que abdica imagens, tamanha é a força de seu conteúdo. Leia o poema de Oswald de Andrade e responda às ques- tões 08 e 09. Epitáfio Eu sou redondo, redondo Redondo, redondo eu sei Eu sou uma redondilha Das mulheres que beijei. Por falecer do oh! amor Das mulheres da minh’ilha Minha caveira rirá ah! ah! ah! Pensando na redondilha. 08. PUC-RJ Com relação ao poema, pode-se afirmar que: a. incorpora o sentimento de rompimento do primeiro momento modernista. b. o título “Epitáfio” prenuncia a presença trágica e irre- versível da morte, tema predominante no poema, em particular, e na obra de Oswald de Andrade, em geral. c. o uso de uma metrificação regular e a disposição das estrofes aproximam o poema das reivindicações for- mais do Parnasianismo. d. o eu lírico contrapõe à morte a idealização romântica da figura feminina e. o eu lírico encontra na morte a possibilidade de trans- cendência e eternidade. 09. PUC-RJ Na segunda estrofe, o eu lírico refere-se a um estilo de época de uma maneira irônica e crítica, que é o: a. Arcadismo. b. Parnasianismo. c. Simbolismo. d. Romantismo. e. Barroco. 10. No início de Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, há o texto com título “À guisa de pre- fácio”. Assinale a alternativa incorreta com relação à obra e ao prefácio. a. O estilo do prefácio é cheio de clichês, contrastando com o estilo do resto do romance. b. O prefácio modela o romance, segundo os padrões rei- nantes na prosa acadêmica brasileira. c. O autor do romance, João Miramar-Oswald, intensifica a crítica à literatura recreativa, já anunciada nas entre- linhas do prefácio. d. O pseudoautor do prefácio, Machado Penumbra, con- verte-se em personagem, adentrando o romance como “orador ilustre escritor”. e. O prefácio revela o romance como renovação da prosa literária brasileira através de um estilo fragmentário e sintético. 11. Enem Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão. Brasil O Zé Pereira chegou de caravela E preguntou pro guarani da mata virgem — Sois cristão? — Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu — Sim pela graça de Deus Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 60 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 O texto apresenta uma versão humorística da formação do Brasil, mostrando-a como uma junção de elementos dife- rentes. Considerando-se esse aspecto, é correto afirmar que a visão apresentada pelo texto é: a. ambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional, quanto parece sugerir que esse processo, apesar de tudo, acaba bem. b. inovadora, pois mostra que as três raças formadoras – portugueses, negros e índios – pouco contribuíram para a formação da identidade brasileira. c. moralizante, na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causa da predomi- nância de elementos primitivos e pagãos. d. preconceituosa, pois critica tanto índios quanto ne- gros, representando de modo positivo apenas o ele- mento europeu, vindo com as caravelas. e. negativa, pois retrata a formação do Brasil como in- coerente e defeituosa, resultando em anarquia e falta de seriedade. 12. Memórias sentimentais de João Miramar é um romance: a. realista que retrata fielmente a vida da burguesia de São Paulo do início do século XX. b. romântico que contrapõe a riqueza da fazenda de café à hostilidade do meio urbano. c. modernista que, por meio da linguagem, inova a estru- tura do gênero. d. parnasiano que apresenta um narrador de linguagem difícil e truncada. e. modernista que desconstrói o gênero romance. 13. Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão. Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados. Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al- ternativa correta. I. O poema volta-se contra o preconceito linguístico e nos chama a atenção para a necessidade de uma es- pécie de ética linguística pautada na diferença entre as línguas, nesse caso em uma única língua. II. O poema critica a maneira de falar do povo brasileiro, sobretudo das classes pouco escolarizadas, que des- conhecem o nível formal da língua. III. Os falantes que dizem “mio”, “mió”, “pió”, “teia”, “teia- do”, de certa forma, constroem um “telhado”, ou seja, criam novas formas de pronúncia que se sobressaem, em muitos casos, à norma culta. IV. A palavra “vício”, encontrada no título do poema, de- nota certo preconceito linguístico do autor, que julga a norma culta superior ao coloquialismo presente na fala das pessoas menos esclarecidas. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente I e III estão corretas. c. Somente II, III e IV estão corretas. d. Somente I, II e III estão corretas. e. I, II, III e IV estão corretas. 14. Leia o poema de Oswald de Andrade e responda à questão. Verbo crackar Eu empobreço de repente Tu enriqueces por minha causa Ele azula para o sertão Nós entramos em concordata Vós protestais por preferência Eles escafedem a massa. Sê pirata Sede trouxas Abrindo o pala Pessoal sarado Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irregular. Analisando o poema, atribua-lhe características moder- nistas, já que é o momento ao qual pertence. 15. ESPM-SP Todos os excertos confirmam o ideário de Oswald de An- drade quando defende: “A língua sem arcaísmos. Sem erudi- ção. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.” (Manifesto da Poesia Pau-Brasil). Assinale o item que não se enquadra no referido ideário. a. “O Arnesto nos convidô/ Prum samba ele mora no Brais./ Nóis fumu e num encontremo ninguém/ Nóis vortemo com uma baita duma reiva/ Da outra veis, nóis num vai mais.” (Adoniran Barbosa) b. “A gente viemos do inferno – nós todos – compadre meu Quelemém instrui.” (Guimarães Rosa) c. “Beiramávamos em auto pelo espelho de aluguel ar- borizado das avenidas marinhas sem sol.” (Oswald de Andrade) d. “Então Macunaíma pediu fibra de curauá. Jiguê olhou pra ele com ódio e mandou a companheira arranjar fio pro menino, a moça fez.” (Mário de Andrade) e. “Invejo o ourives quando escrevo:/ Imitoo amor/ Com que ele, em ouro, o alto relevo/ Faz de uma flor.” (Olavo Bilac) 16. São obras de Oswald de Andrade os seguintes títulos: a. Macunaíma e Amar, verbo intransitivo. b. A cinza das horas e Estrela da manhã. c. Laranja da China e Cavaquinho e saxofone. d. Memórias sentimentais de João Miramar e Pau-Brasil. e. Pau-Brasil e A cinza das horas. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 61 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 90 Manuel Bandeira Exercícios de Aplicação 01. PUC-RS Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Irene no céu Irene preta Irene boa Irene sempre de bom humor. Imagino Irene entrando no céu: — Licença, meu branco! E São Pedro, bonachão: — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença. Manuel Bandeira, poeta modernista, revela no texto uma de suas fortes características, a tendência a: a. tematizar o cotidiano em linguagem rebuscada. b. excluir personagens associadas às minorias margina- lizadas. c. recorrer ao mundo real para abordar questões meta- físicas. d. associar subjetividade e objetividade. e. sublimar seus problemas de saúde. Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al- ternativa correta. I. No poema “Namorados”, a poesia de Manuel Bandeira flerta com a prosa. Percebe-se um caráter narrativo, que permite a presença de mais de uma voz. II. Embora o poema “Namorados” apresente um assunto comum à tradição da poesia – a relação e a declara- ção amorosas –, o tratamento dado a ele pelo poeta é surpreendentemente simples, até cômico, em registro oralizante, um exemplo do que fez a crítica chamá-lo de “poeta do cotidiano”. III. A estranheza gerada pela comparação da moça à la- garta listrada é a chave da declaração do namorado, que pode ser lida ambiguamente: como uma mera estranheza e, portanto, uma imperfeição que combina com o verso que a descreve como louca; ou como uma estranheza atraente, sendo a loucura meramente uma forma moderna de expressar o “diferente”. IV. Um dos aspectos interessantes da obra de Manuel Bandeira é a nítida passagem que se faz do Simbolis- mo ao Modernismo nos seus primeiros livros. Além de refletir a nossa própria história literária, esse processo de mudança também revela como a obra do autor se modificou sem perder muitas de suas características iniciais, mantendo-se sempre ligada a algumas for- mas da tradição, misturando, por exemplo, o verso livre de alguns poemas às formas fixas de outros. a. Somente I, II e III estão corretas. b. Somente III e IV estão corretas. c. Somente I, III e IV estão corretas. d. Somente I, II e III estão corretas. e. I, II, III e IV estão corretas. 02. UFPR (adaptado) Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Namorados O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada? A moça se lembrava: — A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listrada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca. Resolução Bandeira utiliza, ao mesmo tempo, a subjetividade e a objetividade, uma vez que fala do subjetivo utilizando voca- bulário objetivo e claro. Alternativa correta: D Resolução Todas as afirmativas acerca da obra e de Manuel Bandeira estão corretas. Alternativa correta: E 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 62 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 03. Enem “Poética”, de Manuel Bandeira, é quase um manifesto do movimento modernista brasileiro de 1922. No poema, o autor elabora críticas e propostas que representam o pensamento estético predominante na época. Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de [ponto expediente protocolo e manifestações [de apreço ao Sr. diretor Estou farto do lirismo que para e vai averiguar [no dicionário o cunho vernáculo de um vo- [cábulo Abaixo os puristas [...] Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não [é libertação. Sobre o texto, podemos afirmar corretamente que o poeta: a. critica o lirismo louco do movimento modernista. b. critica todo e qualquer lirismo na literatura. Exercícios Extras 04. Fuvest-SP (adaptado) Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon- da à questão. Profundamente Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos [...] Onde estavam os que há pouco Dançavam Cantavam E riam Ao pé das fogueiras acesas? — Estavam todos dormindo Estavam todos deitados Dormindo Profundamente Quando eu tinha seis anos Não pude ver o fim da festa de São João Porque adormeci. Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo Minha avó Meu avô Totônio Rodrigues Tomásia Rosa Onde estão todos eles? — Estão todos dormindo Estão todos deitados Dormindo Profundamente. A experiência do afastamento da festa de São João: a. é de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no plano do sonho e da imaginação. b. reflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que caracterizou a geração modernista de 1922. c. ocorre predominantemente no plano do tempo e en- caminha uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas humanas. d. assume feição abstrata, na medida em que evita as- similar os dados da percepção sensível, registrados pela visão e pela audição. e. é figurada poeticamente segundo o princípio estético que prevê a separação nítida de prosa e poesia. c. propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico. d. propõe o retorno ao lirismo do movimento romântico. e. propõe a criação de um novo lirismo. Resolução Manuel Bandeira critica o lirismo exacerbado vigente e propõe uma nova forma de lirismo, como se pode observar em “Estou farto do lirismo comedido/ Do lirismo bem compor- tado”. Alternativa correta: E Habilidade Identificar características discursivas e ideológicas de obras do Modernismo da primeira fase no contexto históri- co de sua produção, circulação e recepção, estabelecendo relações entre as condições histórico-sociais (políticas, reli- giosas, morais, artísticas, científicas, estéticas, econômicas etc.) de produção de um texto literário e os fatores linguísti- cos de sua produção (escolha de gêneros, temas, assuntos, estruturas, finalidades, recursos). 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 63 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 05. PUC-PR Leia o poema “Neologismo”, de Manuel Bandeira, e assi- nale a alternativa correta com relação à interpretação do texto. Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, o verbo teadorar Intransitivo: Teadoro, Teodora. a. O poema traduz o sentimento de mundo caótico da poesia de Manuel Bandeira. b. Está presente no texto o conflito entre o eu lírico e o mundo. c. O ritmo traduz, na quebra dos versos, a inquietude do poeta. d. A invenção de palavras é recurso usado por pessoas que falam pouco. e. Para expressar o sentimento com maior vigor é preci- so inventar a palavra. Seu espaço Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 3. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. UPE Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Jacqueline Jacqueline morreu menina. Jacqueline morta era mais bonita do que os [anjos. Os anjos!... Bem sei que não os há em parte [alguma. Há é mulheres extraordinariamente belas que [morrem ainda meninas. Houve tempo em que olhei para osteus retra- [tos de menina como olho agora a pequena [imagem de Jacqueline morta. Eras tão bonita! Eras tão bonita, que merecerias ter morrido [na idade de Jacqueline – Pura como Jacqueline... Sobre o poema, considere as afirmações e assinale a al- ternativa correta. I. O poema pertence à primeira fase da produção do au- tor, muito marcada ainda pela idealização do Roman- tismo, como demonstram os versos 1, 2 e 3. II. A oralidade é uma das principais características do estilo de Manuel Bandeira, como se percebe no poe- ma, sobretudo no verso 4, com o verbo “ser” na fun- ção expletiva. III. Outra característica da poesia de Manuel Bandeira é a nostalgia, que costuma acompanhar a voz lí- rica. No caso do poema em análise, o verso “Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline” expressa uma nostalgia em relação à beleza juvenil perdida. IV. Do ponto de vista estrutural, temos no poema um eu lírico que se dirige a um alguém, como atestam as marcas da presença de um interlocutor na estrutura de alguns versos. V. O ritmo do poema é marcado pelo uso de rimas regula- res, de anáforas, de paralelismos. a. Somente I, II e III estão corretas. b. Somente II e IV estão corretas. c. Somente II, III e IV estão corretas. d. Somente I, III e V estão corretas. e. Somente IV e V estão corretas. Sobre o módulo Além de ressaltar as características modernistas na obra de Manuel Bandeira, é importante mostrar como ele brinca e iro- niza a doença com a qual conviveu por anos, a tuberculose. Por isso, em muitos de seus poemas, a morte aparece tratada de forma cômica. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 64 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 07. FURG-RS Leia o poema de Manuel Bandeira e assinale a afirmativa correta. Pneumotórax Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três... trinta e três... trinta e três... — Respire. — O senhor tem uma escavação no pulmão [esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o [pneumotórax? — Não. A única coisa a fazer é tocar um tango [argentino. a. O poema tem como marcas o coloquialismo e a ironia, elementos característicos da produção poética de Ma- nuel Bandeira. b. O poema apresenta uma métrica e um ritmo regulares que revelam a influência que Manuel Bandeira sofreu do Parnasianismo. c. O texto de Manuel Bandeira apresenta uma linguagem rara, característica de sua poesia. d. O poema reveste-se de um caráter musical, revelando a vinculação que a poesia de Manuel Bandeira man- tém com o Simbolismo. e. O poema apresenta versos de estrutura sintática com- plexa, denunciando a influência que o poeta sofreu da experiência concretista. 08. Fuvest-SP Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. O último poema Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais sim- [ples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem [lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem [perfume A pureza da chama em que se consomem os [diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem ex- [plicação. Ao indicar as qualidades que deseja para seu “último poe- ma”, o eu lírico retoma dois temas centrais de sua poesia. Um deles é a valorização da simplicidade; o outro é: a. a verificação da inutilidade da poesia diante da morte. b. a coincidência da morte com o máximo de intensi- dade vital. c. a capacidade, própria da poesia, de eliminar a dor. d. a autodestruição da poesia em um meio hostil à arte. e. a aspiração a uma poesia pura e lapidar, afastada da vida. 09. Diz-se que Manuel Bandeira realizou a obra mais equi- librada entre os poetas de sua geração. Isso apenas não se baseia no fato de o poeta: a. ter buscado o estritamente necessário para sua comu- nicação. b. embora coloquial e prosaico, saber enxergar mais além. c. recriar poeticamente o mundo, dando à sua obra uni- versalidade. d. explorar o humor, o tom irônico satírico, sem vulgarizar a poesia. e. colocar os sentimentos, sobretudo o amor, em tom idealizado quase utópico. 10. Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. O que eu adoro em tua natureza Não é o profundo instinto maternal Em teu flanco aberto como uma ferida. Nem tua pureza. Nem tua impureza. O que eu adoro em ti lastima-me e consola-me: O que eu adoro em ti é a vida. Estão presentes no poema: a. a rebeldia e o ódio pela vida. b. a melancolia e a indiferença pelo mundo. c. a ternura e a paixão pela existência. d. a saudade e o medo do cotidiano. e. a amargura e o conformismo com o destino. 11. Sobre as características de Manuel Bandeira, marque V para verdadeiro e F para falso. ( ) Defende o falar cotidiano e coloquial. ( ) Ironiza os realistas do século XIX. ( ) Tematiza o popular. ( ) É engajado nas premissas da primeira geração modernista. ( ) Ironiza a poética parnasiana. 12. UEPB (adaptado) Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Carta-poema Excelentíssimo Prefeito Senhor Hildebrando de Góis, Permiti que, rendido o preito A que fazeis jus por quem sois, 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 65 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Um poeta já sexagenário, Que não tem outra aspiração Senão viver de seu salário Na sua limpa solidão, [...] Que imundície! Tripas de peixe, Cascas de fruta e ovo, papéis... Não é natural que me queixe? Meu Prefeito, vinde e vereis! Quando chove, o chão vira lama: São atoleiros, lodaçais, Que disputam a palma à fama Das velhas maremas letais! [...] Mandai calçar a via pública Que, sendo um vasto lagamar, Faz a vergonha da República Junto à Avenida Beira-Mar! Além da função poética, o texto de Bandeira tem função: a. referencial. b. conativa. c. fática. d. apelativa. e. metalinguística. 13. Fuvest Leia o poema de Manuel Bandeira e responda à questão. Não sei dançar Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria. Tenho todos os motivos menos um de ser triste. Mas o cálculo das probabilidades é uma [pilhéria... Sim, já perdi pai, mãe, irmãos. Perdi a saúde também. É por isso que sinto como ninguém o ritmo do [jazz-band. Uns tomam éter, outros cocaína. Eu tomo alegria! Eis aí por que vim assistir a este baile de terça- [-feira gorda. Sobre os versos transcritos, assinale a alternativa incorreta. a. A melancolia do eu lírico é apenas aparente: interior- mente ele se identifica com a atmosfera festiva do Carnaval, como se percebe no tom exclamativo de “Eu tomo alegria!” b. A perda dos familiares e da saúde são aspectos auto- biográficos do autor presentes no texto. c. A alegria do Carnaval é meio de evasão para o eu lírico, que procura alienar-se de seu sofrimento. d. O último verso transcrito associa-se ao título do poema, pois o eu lírico não participa, de fato, do baile de Carnaval. e. O eu lírico revela, em tom bem-humorado e descompro- missado, ser uma pessoa exageradamente sensível. 14. PUC-PR Leia o fragmento do poema de Manuel Bandeira e respon- da à questão. E quando eu estiver mais triste. Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar – Lá sou amigo do rei – Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. Assinale a alternativa que contém a correspondência dos versos com a permanência temática da obra de Manuel Bandeira. a. A vida provisória. b. A percepção dos limites pessoais e a transformação da realidade. c. O sentimentalismo incorrigível. d. O lirismo intimista e a recusa dos lugares-comuns. e. A linguagem coloquial irônica. 15. Fuvest-SP Em Libertinagem, Manuel Bandeira manifesta profunda simpatia pelos marginalizados, que, por razões históricas ou condição econômica, representam os desvalidos. Assinale a alternativa em que o poema indicado não ser- ve de exemplopara essa afirmação. a. “Irene no céu” b. “Camelôs” c. “Mangue” d. “Profundamente” e. “Poema retirado de uma notícia de jornal” 16. Fuvest-SP Sobre Libertinagem, de Manuel Bandeira, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. O livro oscila entre um fortíssimo anseio de liberda- de vital e estética e a interiorização cada vez mais profunda dos vultos familiares e das imagens bra- sileiras. II. Por ser uma obra do início da carreira do autor, nela ainda são raras e quase imperceptíveis as contribui- ções técnicas e estéticas do Modernismo. III. Em vários de seus poemas, a exploração de assun- tos particulares, aparentemente limitados, resulta em concepções muito amplas, de interesse geral, que ultrapassam a esfera pessoal do poeta. a. Somente I está correta. b. Somente II está correta. c. Somente I e II estão corretas. d. Somente I e III estão corretas. e. Somente II e III estão corretas. 37 25 2 Lí n gu a Po rt u gu es a 66 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Anotações FÍS M AT QU Í BIO LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O LP O GE O FIL HI S SO C RE S Lín gu a P or tu gu es a 253 251 252 Capítulo 15 ................68 Módulo 43 .............. 74 Módulo 44 ..............83 Módulo 45 .............. 95 BA RT OS Z HA DY NI AK / IS TO CK 1. Introdução 70 2. Desenvolvimento 71 3. Organizador gráfico 73 Módulo 43 – Texto dissertativo- -argumentativo III: introdução 74 Módulo 44 – Texto dissertativo- -argumentativo IV: desenvolvimento 83 Módulo 45 – Produção de texto 5 95 • Observar a produção lógico-textual e os mecanismos estruturais, linguísticos e socioculturais necessários para a construção do gênero. BA RT OS Z HA DY NI AK / IS TO CK 69 Fios e tramas. É pelo entrelaçamento de fios e pela construção de tramas que um tecido ganha corpo. Sem o perfeito ajuste, sem o vínculo entre os fios, o tecido não é tecido, é mero emaranhado de fios soltos e perde sua função. É importante compreender essa imagem, porque começamos agora a estudar, em detalhes, as partes constituintes de uma dissertação argumentativa, que devem estar entrela- çadas, para que nosso texto não se torne um emaranhado, um mero conjunto de palavras que não comunica. Tecendo textos: as tramas e as costuras da dissertação argumentativa 15 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 70 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 1. Introdução Para que serve uma introdução? Com qual finalidade a fazemos quando escrevemos um texto dissertativo? Trata-se de algo realmente necessário para que a dissertação exis- ta? Talvez sejam essas algumas das perguntas que muitos alunos se fazem quando começam a produzir seus textos. É nosso objetivo procurar responder a essas questões e sugerir formas para tornar seu texto correto, coeso e coerente. Observe o parágrafo anterior. Ele é a introdução deste tó- pico. Perceba que não começamos diretamente o assunto. Ao contrário, começamos por fazer perguntas que serviram para apresentar o tema deste tópico teórico. Após apresentá-lo, si- nalizamos nosso objetivo. Isso é um parágrafo de introdução. Ele não existe somente em dissertações. Quase sempre pre- cisamos dele, quer façamos uma palestra, escrevamos uma carta de reclamação ou escrevamos um livro, por exemplo. É preciso, então, que comecemos a delinear a importân- cia de uma boa introdução para nosso texto. Pense que ela é o primeiro contato do leitor com seu trabalho. Ela é a respon- sável por chamar, por conduzir o público para dentro de sua escrita: ou seja, ela não pode ser feita de maneira aleatória. Pelo contrário, é preciso que ela seja cuidadosamente estu- dada, articulada, para que seja um belo “cartão de visitas”. Nessa perspectiva, podemos considerar alguns tópicos sobre a importância e as funções de uma introdução. • Como convite para conhecer seu texto, é importante que a introdução seja atraente aos olhos de quem lê, dando a dimensão da qualidade do restante da disser- tação, que virá pela frente. Logo, lançar mão de estra- tégias como “hoje em dia”, “nos dias de hoje”, “na so- ciedade em que vivemos”, “no mundo que habitamos”, “desde os primórdios”, “as pessoas...”, enfim, não é algo produtivo. Essas fórmulas prontas e de sentido precário costumam ser chamadas de clichês: são expressões tão desgastadas que nada ou muito pouco acrescen- tam de qualidade, de autoral ao texto. Fuja delas. • Ao contrário dos clichês, dê preferência a outras manei- ras de se começar um texto. Todo aluno possui conhe- cimentos sobre diversas áreas do saber: história, atua- lidades, literatura, mitologia, filosofia, biologia, ciências exatas e tantas outras. Por que não usar justamente esse campo de saberes para tornar sua introdução me- lhor? Busque algo que tenha relação com o tema a ser abordado e que, na medida do possível, abandone os clichês. Agindo assim, você colabora para que seu tex- to seja mais autoral e mais honesto porque estará tra- balhando com conhecimentos que você domina. Não é necessário começar um texto com frases de efeitos (que nem sempre são tão de efeito assim) ou com in- dagações filosóficas para que seu texto seja valorizado. Algumas introduções – fantásticas por sinal em sua originalidade – em vestibulares começam criando me- táforas entre desenhos animados, por exemplo. Isso já ocorreu em um texto considerado nota dez na Fuvest, em uma prova para ingresso da USP: o autor, para abor- dar a questão da diferença social, optou por usar, em sua introdução, as personagens Tio Patinhas e Pato Donald, um rico e o outro pobre. Inspire-se. • É importante que você sempre pense em como conec- tar as partes de seu texto, como se construísse tramas de tecido. Sendo assim, uma forma de isso ser feito é aproveitar aquilo que você escreveu em sua introdu- ção ao longo do desenvolvimento. Assim, ampliamos e aprofundamos os exemplos que amparam nosso raciocínio. Alguns textos trazem, a cada parágrafo, um exemplo novo: isso, muitas vezes, faz com que os textos percam em coesão (já que nem sempre existe ligação entre as partes) e fiquem com abordagens su- perficiais. Aprofundar é importante. Saber escolher o que será usado em seu texto é maturidade. • Escolhida a forma de abordar, é necessário deixar claro ao seu leitor o tema que será discutido. O recorte temáti- co deve ficar muito bem delineado, a fim de não sugerir deslocamentos de tema. Uma dica é: quando produzir uma dissertação a partir de uma proposta, circule as pa- lavras-chave que compõem o tema; em seguida, encar- regue-se de fazer com que elas estejam em sua intro- dução. Assim, o tema estará, ali, claramente colocado a nosso leitor. Deixe isso claro para não confundi-lo. • Apontado o tema, segue uma sugestão. Não podemos nos esquecer de que a dissertação argumentativa é uma tese. Logo, ela deve se destacar ao longo da reda- ção. Sugerimos que você, após colocar o tema, deixe transparecer ao público qual tese será defendida. Só para citar algumas vantagens, quando você opta por escrever a tese na introdução sugere ao leitor que seu texto não seja somente expositivo, mas sim de posicionamento de ideias; organiza suas ideias, mos- trando aonde você pretende chegar; deixa claro o que deve ser esperado como abordagem. Colocados aqueles que são os princípios norteadores da introdução dissertativa, passamos a apresentar alguns modelos que podem ser usados por você como ideias para começar a produzir. Imaginemos, então, que o tema proposto para discussão seja “O menor abandonado no Brasil”. Leia a introdução a seguir. Para se analisar a questão da violência contra o menor no Brasil é essencial que se discutam suas causas e suas consequências. Perceba que essa introdução não está errada, mas é um texto pobre. O que significa isso? Não é um texto produtivo em sua capacidade de demonstrar conhecimento, pois mos- tra uma visão de mundorasa, superficial. Vejamos, agora, bons exemplos, construídos de diferentes formas. • Por perguntas É possível imaginar o Brasil como um país desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o menor? Diante da aparente ausência de perspectivas para a criança, até que ponto podemos falar em futuro da nação? • Por história Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Ca- nudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo. Diante de tal passado e das condições de nosso presente, falar em futuro da nação parece utopia. • Por comparação 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 71 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 É comum encontrar crianças de dez anos de idade ven- dendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra – países desenvolvidos – nessa idade, as crian- ças estão na escola e não submetidas à violência das ruas. Diante de tal choque, o futuro de nosso país se compromete de forma indelével. • Por definição Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aque- le que não atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são tratadas: em segundo plano. • Por contestação O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais di- versas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, como pode ser esse o país do futuro? Ou será que a criança não é o futuro do país? • Por narração Sentar numa frigideira com óleo quente foi o castigo im- posto ao pequeno D., de um ano e meio, pelo pai, alcoólatra. Temendo ser preso, ele levou a criança a um hospital uma semana depois. A mulher, também vitima de espancamentos, o denunciou à polícia. O agressor fugiu. Casos como esse, só alimentam a discussão sobre o problema do menor brasileiro. • Por dados estatísticos Segundo a ONU, quarenta mil crianças morreram hoje no mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a des- nutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vi- vem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo e nosso país, claro, decidir proteger nossas crianças. • Por analogia metafórica O que garante beleza e vitalidade a qualquer flor não é pro- priamente sua espécie, mas a forma como é tratada ao longo de seu desenvolvimento. Algumas, em ambiente selvagem, natu- ral, adquirem viço extraordinário pela ação contínua de adubos, presença de água e temperatura adequada. Outras, mesmo em estufa, quando não observadas suas necessidades básicas, não atingem o mesmo esplendor. Assim podemos pensar, tam- bém, a respeito de nosso menor brasileiro. • Por citação literária ou cinematográfica No romance Capitães da Areia, ganha destaque a reação da sociedade baiana como um todo diante dos meninos de rua moradores do trapiche abandonado. No entanto, assim como no livro de Jorge Amado, muito se negligencia no que tange ao problema da infância quando este é visto somente como um fardo. • Mista (mais de um recurso usado para apresentar o tema) Crianças mortas em frente à Igreja da Candelária. Denún- cias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível ima- ginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social en- quanto perdurar tão triste quadro. Apresentados esses modelos, é importante dizer que não esgotamos as possibilidades de se fazer uma introdu- ção. Cabe a você, agora, buscar o melhor caminho para cada situação de produção textual. Saiba que todo caminho bem projetado fica mais bonito. 2. Desenvolvimento Sem saber o que queremos defender, torna-se muito mais difícil fazer uma dissertação argumentativa. Afinal, é isso que chamamos de tese e é isso que define o gênero com que estamos trabalhando. Portanto, sempre comece sua redação pensando naquilo que quer defender a respeito do tema abordado. Em seguida, cabe ao desenvolvimento de seu texto comprovar que seu posicionamento é verdadeiro por meio de argumentos e exemplos. Neste momento de nosso curso, cumpre que você saiba características e funções ge- rais de um desenvolvimento. Nos próximos módulos, procu- raremos aprofundar os tipos de argumentos. Vejamos agora os pontos principais que definem um de- senvolvimento. • Sua argumentação deve ser coerente com a tese a ser defendida. Isso é fundamental. Todos os argumentos que você trouxer para os parágrafos precisam colaborar com o ponto de vista que você escolheu sustentar. Des- sa maneira, cabe a você selecionar o que possui mais força argumentativa e o que não contradiz seu posicio- namento. Além disso, escrever de maneira clara é fun- damental para alcançar o entendimento de seu leitor. • Os argumentos escolhidos devem ser coerentes com a realidade externa ao texto. O que isso significa? Mui- to cuidado para não trazer ou criar informações falsas. Elas só servirão para mostrar a fragilidade de seu texto e de sua visão de mundo. • Cuidado com a ordem em que seus argumentos serão organizados. Isso não pode nem deve ser algo aleatório. A sucessão dos argumentos deve mostrar uma evolu- ção, uma linha de raciocínio, que, em geral progride do mais geral para o mais específico. Para ter mais certeza de que realmente está construindo uma boa relação lógica entre os parágrafos, os conectivos são funda- mentais, entre eles, os pronomes anafóricos (os que retomam ideias já citadas), as conjunções e as prepo- sições. Por exemplo, quando optamos por começar um parágrafo com conjunção, automaticamente, estabele- cemos uma relação com o parágrafo anterior: de oposi- ção, de adição, de condição etc. O uso dos conectivos em um texto – em especial, no desenvolvimento – é tão importante que terá destaque em nossos exercícios. • Fuja, aqui também, do senso comum. Pense muito ao escolher um argumento ou algo que exemplifique seu raciocínio. Alguns elementos podem não favorecer sua argumentação, como provérbios e ditados popu- lares (a não ser que você pense em refutá-los). Além disso, fuja daqueles argumentos que você acredita que, provavelmente, muitos usarão. • Por fim, sua argumentação deve provar que você co- nhece o assunto e possui senso crítico. Evite gene- ralizar pensamentos, ideias e conclusões. Nunca se esqueça desse aspecto fundamental. Para continuarmos, é importante que uma pergunta seja fei- ta: você sabe o que é um parágrafo? Pode parecer desnecessário perguntar isso, mas não é. Muitos alunos nunca refletiram critica- mente sobre isso. Todo parágrafo contém uma ideia central que deve se ligar ao parágrafo seguinte. São essas ideias centrais que vão construindo a trama textual. A essa ideia central chamamos de tópico frasal. No caso de um parágrafo de desenvolvimento 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 72 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 de uma dissertação argumentativa, é importante que todo tópico frasal seja comprovado, dando aspecto de realidade, de verdade a ele. Esquematicamente, podemos dizer que o parágrafo de de- senvolvimento, em geral, deve ser assim elaborado: Parágrafo Tópico frasal (ideia central) + Comprovação da ideia central Para ajudar você em sua tarefa de conectar os parágra- fos de desenvolvimento entre si e entre as demais partes do texto (introdução e conclusão), oferecemos, a seguir, uma pequena lista de conjunções que poderão ser usadas. Preo- cupe-se em variar o seu repertório de conectivos. Principais conjunções: • aditivas (adição): e, nem, mas também, como tam- bém, bem como, mas ainda; • adversativas (adversidade, oposição): mas, porém, todavia, contudo, antes (= pelo contrário), não obs- tante, apesar disso; • alternativas (alternância, exclusão,escolha): ou, ou… ou, ora… ora, quer… quer; • conclusivas (conclusão): logo, portanto, pois (depois do verbo), por conseguinte, por isso; • explicativas (justificação): pois (antes do verbo), por- que, que, porquanto; • causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como, desde que; • comparativas: como, (tal) qual, assim como, (tanto) quanto, (mais ou menos +) que; • condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (= se não), a menos que; • consecutivas (consequência, resultado, efeito): que (precedido de tal, tanto, tão etc. – indicadores de in- tensidade), de modo que, de maneira que, de sorte que, de maneira que, sem que; • conformativas (conformidade, adequação): confor- me, segundo, consoante, como; • concessivas: embora, conquanto, posto que, por mui- to que, se bem que, ainda que, mesmo que; • temporais: quando, enquanto, logo que, desde que, assim que, mal (= logo que), até que; • finais: a fim de que, para que, que; • proporcionais: à medida que, à proporção que, ao pas- so que, quanto mais (+ tanto menos); • integrantes: que, se. Para um de seus vestibulares, a Fuvest pediu que os candi- datos pensassem sobre o seguinte tema: “Participação política – indispensável ou superada?” A seguir, reproduzimos um texto considerado acima da média pelos corretores e publicado no site do vestibular. O objetivo é que você leia a dissertação e procure analisar como a introdução foi elaborada e como os parágrafos de desenvolvimento foram construídos e ligados entre si. A sociedade unidimensional Marcuse definiu os indivíduos incluídos na alienação social como unidimensionais, dado que ausente à sua experimentação subjetiva e integra- ção social, o indivíduo deixa esvair a sua criticida- de em relação ao entorno. Análoga à consideração de Marcuse é a atua- ção do indivíduo apolítico que, unidimensional em sua criticidade e alienado em suas posições ideológicas, abdica de sua atuação política em prol de seu isolacionismo confortável e apático. Nesse ponto, a história é pródiga em nos de- monstrar o quão movimentos políticos que de- monstraram a organização de uma época, são essencias à dinâmica da história. Desde a Revolução Francesa (1789-1799), que se opôs ao parasitário e corrupto absolutismo monárquico de seu período, até os movimentos de guerrilha no Brasil, que lutaram pela liberdade e pela queda do supressor Regime Militar(1964- 1980), o engajamento político demonstra-se um fator díspar para a implantação de significativas mudanças sociopolíticas na história. No entanto, “hoje”, na Era do “consumis- mo”exacerbado, o individualismo suplanta a atua- ção social e intregrada. O modo de produção que se sucede agilmente e de maneira padronizada influencia amplamente a dinâmica social que se constrói superficial e indiferenciada. Os indivíduos manipulados pelo consumo e suas respectivas propagandas, não possuem a segurança subjetiva, dado que se modificam com o imediatismo dos modismos, que lhes conferia uma criticidade de- terminante a uma visao menos essencialista do consumo e mais plausível e coerente da política. Dentro desse contexto, vislumbrada a lógica social atual, em um país como o Brasil, em que as disparidades socioeconômicas são eviden- tes e a política relapsa ao assunto, a alienação e o individualismo do consumo em detrimento da política tornam-se aspectos deveras nocivo às questões sociopolíticas do país. Ocorre, por ora, um distanciamento da maioria da população em relação à ciência política, a que Aristóteles enalteceu como “bem do Homem”, e portanto, a perpetuação de problemas nacionais que se estendem desde períodos mais antigos; como a famigerada corrupção e os abismos sociais e in- terregionais. Portanto, a conjuntura política atual, a exem- plo do Brasil, demonstra-se ávida pela participa- ção política indispensável de sua população. No entanto, em uma sociedade arrebatada, majorita- riamente, pelo consumo e, portanto, unidimensio- nal, como preconizou Marcuse, e alienada em seu isolacionismo apolítico, os problemas socioeco- nômicos tornam-se cíclicos e intocáveis. Vive-se, dessa forma, em um ínterim em que ocorre a me- tagoge dos produtos consumíveis e a reificação do social circundante. Redação - Fuvest 2012 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 73 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Você se interessa por temas de abordagem filosófica como o da proposta da Fuvest que anexamos neste capítulo? Su- gerimos duas opcões para que você aprofunde seu repertório e suas reflexões: o programa “Café filosófico”, disponível no site YouTube, e o livro Convite à filosofia, de Marilena Chauí, um clássico que ajuda a formar iniciantes da arte de analisar a realidade em que vivem. Tendo a dissertação publicada como exemplo, respon- da ao que se pede. 01. Qual é a tese presente nela? Resolução Segundo o texto, o sujeito da contemporaneidade está se acostumando a abdicar de sua participação política em busca de ficar preso a seus desejos mais imediatos. 02. Que recurso foi usado para apresentar o tema na introdução? Resolução Uma analogia, comparação, com o pensamento de Marcuse. 03. Que relações lógicas são criadas entre os parágrafos de desenvolvimento? Resolução O primeiro parágrafo busca continuar as exemplificações iniciadas na introdução, enveredando pela história; o segun- do busca ampliar a problemática apresentada para o caso brasileiro; o terceiro inicia-se com uma oposição de ideias (“no entanto”); o quarto volta a trazer a reflexão para o Brasil. APRENDER SEMPRE 4 3. Organizador gráfico Apresentação do tema Apresentação do que será discutido (com ou sem posicionamento) Características Apenas texto Introdução Desenvolvimento Tema Tópico Subtópico destaqueSubtópico Fuga do senso comum Coesão entre parágrafos Uso de conectivos Comprovação da tese. Tecendo textos: introdução e desenvolvimento BARTOSZ HADYNIAK / ISTOCK 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 74 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 43 Texto dissertativo-argumentativo III: introdução Exercícios de Aplicação 01. Enem Leia o texto e responda à questão. Tarefa Morder o fruto amargo e não cuspir Mas avisar aos outros quanto é amargo Cumprir o trato injusto e não falhar Mas avisar aos outros quanto é injusto Sofrer o esquema falso e não ceder Mas avisar aos outros quanto é falso Dizer também que são coisas mutáveis... E quando em muitos a não pulsar – do amargo e injusto e falso por mudar – então confiar à gente exausta o plano de um mundo novo e muito mais humano. CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função sintática: a. a ligação entre verbos semanticamente semelhantes. b. a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis. c. a introdução do argumento mais forte de uma sequência. d. o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório. e. a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo. 02. UECE (adaptado) Leia o fragmento de texto e responda à questão. Porta de colégio Passando pela porta de um colégio, me veio a sensação nítida de que aquilo era a porta da própria vida. Banal, direis. Mas a sensação era tocante. Por isso, parei, como se precisasse ver melhor o que via e previa. Primeiro há uma diferença de clima entre aquele bando de adolescentes espalhados pela calçada, sentados sobre carros, em torno de car- rocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é só a idade. É toda uma atmosfera, como se es- tivessem ainda dentro de uma redoma ou aquá- rio, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez não estejam. Vários já sofreram a pancada da separação dos pais. Aprenderam que a vida é também um exercício de separação. [...] Onde estarão esses meninos e meninas den- tro de dez ou vinte anos?Aquele ali, moreno, de cabelos longos corri- dos, que parece gostar de esporte, vai se interes- sar pela informática ou economia [...] SANT’ANNA, Affonso Romano de. Affonso Romano de Sant’Anna: seleção e prefácio de Letícia Malard. Coleção Melhores Crônicas. Sobre a preposição de, no título da crônica, “Porta de colé- gio”, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. A preposição de, sozinha, sem contração, como é usa- da no título, generaliza o substantivo, no caso, colégio. II. A contração da preposição de com o pronome de- monstrativo aquele, que resultaria em daquele, man- teria inalterado o sentido do título. III. A introdução, no título do texto, do artigo definido o, que resultaria em do, alteraria o sentido do título. a. Somente I está correta. b. Somente I e III estão corretas. c. Somente II e III estão corretas. d. Somente II está correta. Resolução Em A, a conjunção mas não tem função sintática de ligar verbos, mas orações ou ideias contrárias; em B, a conjunção vai ligar ideias opostas, mas em nenhum momento, nesse caso, inconciliáveis; em C, a conjunção mas liga um verso que expressa uma fatalidade, algo que pode acontecer na história de vida de qualquer pessoa, com outro verso que vai expres- sar o que deve e pode ser feito, a tarefa a ser realizada a fim de melhorar o mundo em que se vive; em D, não há enunciado introdutório no poema; em E, a conjunção não liga a intensi- dade dos problemas do mundo, nem seria essa sua função sintática. Alternativa correta: C Resolução. A afirmativa II é incorreta, pois a alteração provocada pela contração da preposição “de” com o pronome “aquele” altera- ria o sentido genérico do título por passar a designar especifi- camente o colégio descrito ao longo do texto. Alternativa correta: B 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 75 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Leia o texto para responder às questões 03 e 04. Com um braço só Um dos aspectos menos atraentes da perso- nalidade humana é a tendência de muitas pes- soas de só condenar os vícios que não praticam, ou pelos quais não se sentem atraídas. Um ca- loteiro que não fuma, não bebe e não joga, por exemplo, é frequentemente a voz que mais grita contra o cigarro, a bebida e os cassinos, mas fe- cha a boca, os ouvidos e os olhos, como os três prudentes macaquinhos orientais, quando o as- sunto é honestidade no pagamento de dívidas pessoais. É a velha história: o mal está sempre na alma dos outros. Pode até ser verdade, infe- lizmente, quando se trata da política brasileira, em que continua valendo, mais do que nunca, a máxima popular do “pega um, pega geral”. GUZZO, J. R. In: Veja. 21 ago. 2013. 03. UECE (adaptado) Sobre o período inicial do texto, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Tender é o verbo correlato de tendência. Indica ação- -processo, o que sugere que esse movimento pode não chegar ao ponto previsto. II. A tendência pode ser somente uma propensão, uma inclinação, uma vocação ou pendor. III. Na introdução do texto, existe a sugestão de que a tendência mencionada pelo enunciador ultrapassa os limites da simples propensão ou vocação. Ela se reali- zaria concretamente. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente II e III estão corretas. c. I, II e III estão corretas. d. Somente I e III estão corretas. Exercícios Extras 04. UECE Considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Os gramáticos modernos distinguem os advérbios frásicos (aqueles advérbios que modificam um ele- mento da frase, como em "Ele correu muito.") dos advérbios extrafrásicos (aqueles que são exteriores à frase, estão no âmbito da enunciação, como em "Ele, naturalmente, passou de primeira, não foi?"). Esse se- gundo grupo congrega os advérbios avaliativos, isto é, que indicam uma avaliação do enunciador acerca do conteúdo enunciado. No texto em estudo, temos um advérbio frásico (ref. 4): “sempre”; e um advérbio ex- trafrásico (ref. 5): “infelizmente”. II. Na expressão “os três prudentes macaquinhos orientais” (ref. 6), o artigo definido “os” confere a “três macaquinhos orientais” o status de informação conhecida. III. O texto, embora constitua apenas um excerto do pa- rágrafo original, apresenta a estrutura paragráfica ca- nônica: tópico frasal ou introdução, desenvolvimento e conclusão. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente II e III estão corretas. c. I, II e III estão corretas. d. Somente II está correta. Resolução I. Verdadeiro, pois o verbo de ação-processo é aquele em que um sujeito agente gera um processo que causa mudança de estado em seu complemento. O verbo tender apresenta esse comportamento: sua ação gera alteração, um estado é alterado. Acrescente-se a seu funcionamento seu significado: de acordo com o dicionário eletrônico Aulete, tender é ter pro- pensão, inclinação, vocação ou pendor, portanto a conclusão pode não ser a esperada. II. Verdadeiro, pois aquilo que é uma propensão, inclina- ção, vocação ou pendor pode não se concretizar. III. Verdadeiro, pois a construção de sentido do período – principalmente pela informação inicial, eufemística – sugere que as possibilidades se concretizam. Essa afirmação reforça a primeira proposição referente ao verbo de ação-processo. Alternativa correta: C Habilidade Observar a produção lógico-textual e os mecanismos estruturais, linguísticos e socioculturais necessários para a construção do gênero. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 76 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 05. Enem Leia o texto e responda à questão. No Brasil de hoje, são falados por volta de 200 idiomas. As nações indígenas do país falam cerca de 180 línguas, e as comunidades de des- cendentes de imigrantes cerca de 30 línguas. Há uma ampla riqueza de usos, práticas e varieda- des no âmbito da própria língua portuguesa fala- da no Brasil, diferenças estas de caráter diatópi- co (variações regionais) e diastrático (variações de classes sociais), pelo menos. Somos, portan- to, um país de muitas línguas, tal qual a maioria dos países do mundo (em 94% dos países são faladas mais de uma língua). Fomos, no passado, ainda mais do que hoje, um território plurilíngue. Cerca de 1 078 línguas indígenas eram faladas quando aqui aportaram os portugueses, há 500 anos. Porém, o estado português e, depois da independência, o estado brasileiro, que o sucedeu, tiveram por política impor o português como a única língua legíti- ma, considerando-a “companheira do império”. A política linguística principal do estado sempre foi a de reduzir o número de línguas, num pro- cesso de glotocídio (eliminação de línguas) por meio do deslocamento linguístico, isto é, de sua substituição pela língua portuguesa. Somen- te na primeira metade do século XX, segundo Darcy Ribeiro, 67 línguas indígenas desapare- ceram no Brasil – mais de uma por ano, portan- to. Das cerca de 1 078 línguas indígenas faladas em 1500, ficamos com aproximadamente 180 em 2000 (um decréscimo de 85%), e várias des- tas 180 encontram-se em estado avançado de desaparecimento. Disponível em: <http://www.cultura.gov.br>. Acesso em: fev. 2012. Adaptado. As línguas indígenas contribuíram, entre outros aspectos, para a introdução de novas palavras no português do Brasil. De acordo com o texto apresentado, infere-se que a redução do número de línguas indígenas: a. ocasionou graves consequências para a preservação de nosso patrimônio linguístico e cultural, uma vez que a redução dessas línguas significa a perda da he- rança cultural de um povo. b. manteve a preservação de nosso patrimônio linguís- tico e cultural, porque, assim como algumas línguas morrem, outras nascem de tempos em tempos, o que contribui para a conservação do idioma. c. foi um processo natural pelo qual a língua portugue- sa passou, não significando, portanto, prejuízos para o patrimônio linguístico do Brasil, quese conservou inalterado até nossos dias. d. contribuiu para a mudança de posicionamento da polí- tica linguística do estado, que passou a desconsiderar as línguas indígenas como um importante meio de co- municação dos primeiros habitantes. e. representou uma fase do desenvolvimento da língua portuguesa, que, como qualquer outra língua, passou pelo processo de renovação vocabular, que exige a re- dução das línguas. Seu espaço Sobre o módulo Com base nos tipos de introdução apresentados, trazer para a sala textos de suportes diversos: jornais, propagandas, narra- tivas, vídeos etc. Analisar com os alunos a estratégia empregada pelo autor para apresentar o tema ou a ideia vinculada nesses textos. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 77 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Propostos os rumos do problema; por fim, é apresentada uma possibilidade de problema. E a síntese da sequência deste texto é: exposição do problema (introdução); definição do problema (desenvolvimento); hipótese sobre o problema (conclusão). b. Antes de tudo, é apresentado o problema imaginário, seguido de sua circunstância; depois, vêm as explica- ções que justificam o problema; por fim, são tecidas considerações sobre os rumos do problema. E a sínte- se da sequência deste texto é: hipótese do problema (introdução); justificativas do problema (desenvolvi- mento); fechamento do problema (conclusão). c. Antes de tudo, é apresentada uma indagação decor- rente das reflexões sobre o problema; depois, vêm as considerações sobre o problema; por fim, é revelada a circunstância e o problema propriamente dito. E a síntese da sequência deste texto é: decorrências do problema (introdução); análise do problema (desen- volvimento), apresentação circunstancial do proble- ma (conclusão). d. Antes de tudo, é apresentada a circunstância em que o problema é gerado e qual é o problema gerado; de- pois, vêm as considerações sobre o problema com base em suas relações com o tempo; por fim, é apre- sentada uma indagação decorrente das reflexões so- bre o problema. E a síntese da sequência deste texto é: apresentação do problema (introdução); análise do problema (desenvolvimento); consequência das alte- rações do problema (conclusão). e. Antes de tudo, são apresentadas as mudanças de es- tado referentes ao problema; depois, vem a circuns- tância em que é gerado e qual é o problema; por fim, a busca da causa das alterações do problema. E a sínte- se da sequência desse texto é: estados do problema (introdução); apresentação do problema (desenvolvi- mento); causas do problema (conclusão). 08. IFCE O esquema frasal do texto, como se pode observar, é formado por duas interrogações sucedidas por duas decla- rações sucedidas por uma interrogação. Desse esquema, ob- tém-se uma estrutura em que se pode delimitar: a. introdução (nas duas interrogações iniciais), desen- volvimento (nas declarações), conclusão (na interro- gação final). b. introdução (na primeira interrogação), desenvolvi- mento (na segunda interrogação), conclusão (na in- terrogação final). c. introdução (nas duas interrogações iniciais), desen- volvimento (na primeira declaração), conclusão (na segunda declaração juntamente com a interrogação final). d. introdução (nas duas interrogações iniciais junta- mente com a primeira declaração), desenvolvimento (na segunda declaração), conclusão (na interroga- ção final). e. introdução (na primeira interrogação), desenvolvi- mento (na segunda interrogação juntamente com as declarações), conclusão (na interrogação final). Da teoria, leia o tópico 1. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Fuvest-SP Leia o texto e responda à questão. Todas as variedades linguísticas são estruturadas e correspondem a sistemas e subsistemas adequa- dos às necessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das características das suas diversas modalidades regionais, sociais e estilísticas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma en- tre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação. Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. Sobre os quatro períodos que compõem o texto, conside- re as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Tendo em vista as relações de sentido constituídas no texto, o primeiro período estabelece uma causa cuja consequência aparece no segundo período. II. O uso de orações subordinadas, tal como ocorre no ter- ceiro período, é muito comum em textos dissertativos. III. Por formarem um parágrafo tipicamente dissertativo, os quatro períodos se organizam em uma sequência cons- tituída de introdução, desenvolvimento e conclusão. IV. O procedimento argumentativo do texto é dedutivo, isto é, vai do geral para o particular. a. Somente I e II estão corretas. b. Somente I e III estão corretas. c. Somente III e IV estão corretas. d. Somente I, II e IV estão corretas. e. Somente II, III e IV estão corretas. Leia o texto e responda às questões 07 e 08. Seria o fogo em minha casa? Correriam risco de arder todos os meus manuscri- tos, toda a expressão de toda a minha vida? Sempre que esta ideia, antigamente, simplesmente me ocor- rera, um pavor enorme me fazia estarrecer. E agora reparei de repente, não sei já se com pasmo ou sem pasmo, não sei dizer se com pavor ou não, que me não importaria que ardessem. Que fonte – que fonte secreta mas tão minha – se me havia secado na alma? Fernando Pessoa. Barão de Teive: a educação do insólito. 07. IFCE A sequência do texto permite a seguinte compreensão em torno da ideia-problema que lhe é central: a. Antes de tudo, expõem-se as explicações que justifi- cam o problema; depois, vêm as considerações sobre 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 78 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 09. Insper-SP Leia o texto e responda à questão. A lógica do humor Piada racista termina com polícia em casa de shows. É engraçado gozar de minorias? Até onde se pode chegar para fazer os outros rirem? Aliás, do que rimos? De um modo geral, achamos graça quando percebemos um choque entre dois códigos de regras ou de contextos, todos consistentes, mas incompatíveis entre si. Um exemplo: “O maso- quista é a pessoa que gosta de um banho frio pe- las manhãs e, por isso, toma uma ducha quente”. Cometo agora a heresia de explicar a pia- da. Aqui, o fato de o sujeito da anedota ser um masoquista subverte a lógica normal: ele faz o contrário do que gosta, porque gosta de sofrer. É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria. Uma varian- te no mesmo padrão é: “O sádico é a pessoa que é gentil com o masoquista”. Essa “gramática” dá conta da estrutura in- telectual das piadas, mas há também dinâmi- cas emocionais. Kant, na Crítica do juízo, diz que o riso é o resultado da “súbita transfor- mação de uma expectativa tensa em nada”. Rimos porque nos sentimos aliviados. Torna-se plausível rir de desgraças alheias. Em alemão, há até uma palavra para isso: “Schadenfreude”, que é o sentimento de alegria provocado pelo sofrimento de terceiros. Não necessariamente estamos felizes pelo infortúnio do outro, mas sentimo-nos aliviados com o fato de não ser- mos nós a vítima. Mais ou menos na mesma linha vai o filósofo francês Henri Bergson. Em O riso, ele observa que muitas piadas exigem “uma anestesia mo- mentânea do coração”. Ou seja, pelo menos as partes mais primitivas de nosso eu acham graça em troçar dos outros. Daí os inevitáveis choques entre humor e adequação social. Como não podemos dispensar o riso nemo combate à discriminação, o conflito é inevi- tável. Resta torcer para que seja autolimitado. Não deixaremos de rir de piadas racistas, mas não podemos esquecer que elas colocam um problema moral. SCHWARTSMAN, Hélio. In: Folha de S.Paulo, 16 mar. 2012. O primeiro parágrafo apresenta uma das formas clássicas de introdução de um texto de caráter argumentativo, porque contém, resumidamente, elementos essenciais ao desenvol- vimento das ideias do autor. Esses elementos, presentes no texto, podem ser definidos como: a. declaração de natureza subjetiva – enumeração de subtemas. b. registro de testemunho histórico – exemplificação do problema. c. uso de perguntas retóricas – emprego de contra-argu- mentação. d. afirmação da autoridade do enunciador – apresenta- ção do problema. e. relato de fato notório – delimitação do tema por meio de questionamentos. 10. UPE Leia o texto e responda à questão. Num primeiro momento é possível definir a es- crita como manifestação gráfica de linguagem, par- ticularmente da língua natural, que ocupa uma po- sição central dentre os sistemas na cultura. Graças à escrita é que se consagrou, no Ocidente, a cultura letrada e o homem leitor. Ela não apenas permite aos homens se comunicarem uns com os outros, ou pelo menos possuir essa possibilidade de comuni- cação, mas também registra dados, pensamentos e ideias, dando forma a tudo o que era efêmero e intangível antes de ser fixado no papel. [...] A escrita também é, como todos os outros tex- tos da cultura, dotada de organização enquanto sistema e enquanto processo gerativo de lingua- gens. A multiplicidade de linguagens dentro do sistema é sua fonte de riqueza e renovação, fazen- do com que textos escritos em uma mesma língua possam ser tão diversos e diferentes quanto uma pauta jornalística é de um poema. [...] Mas é importante compreender que não es- crevemos apenas com palavras. Escrevemos com gestos, com cores e com sons. Assim, a escrita, como texto da cultura, compreende não apenas a manifestação gráfica da língua natural, mas [tam- bém] os sentidos e as linguagens desenvolvidos por diferentes códigos. Como texto da cultura, a escrita é uma região de contato entre esses dife- rentes códigos, ao mesmo tempo em que está em constante interação com outros sistemas, textos e linguagens. Nesse contato, a escrita se caracteriza como uma fronteira não apenas por sua dinâmica no espaço cultural, mas também pela própria plu- ralidade de significados que ela abriga. Certamente, a maior tecnologia que o homem cria a partir de sua própria fala é a escrita. Mas esta é uma questão polêmica. Para o filosofo in- glês John Wilkins, a escrita pode ser posterior à fala com relação ao tempo, mas não com relação à sua natureza. Isso porque a escrita é um regis- tro visual que provoca a leitura. Ora, o homem aprendeu a ler bem antes de aprender a escrever e até mesmo a falar. Basta lembrar que as pri- meiras formas visuais que os homens “leram” fo- ram os rastros dos animais. O homem aprendeu a ler as constelações, os veios das pedras e das madeiras. Há uma lenda antiga que conta que os gregos costumavam rabiscar avisos nas pedras após o plantio, pedindo aos ratos do campo que não se aproximassem do terreno. Contar a história da escrita é como contar a história das pessoas e de suas famílias: todas co- meçam do mesmo jeito. E como começa a his- tória da escrita? Começa com as inscrições em 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 79 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 cavernas de povos muito antigos. Começa com os sumérios, os fenícios, os egípcios. Começa com as lendas, os pictogramas, os ideogramas. Come- ça com a transformação do som em palavra. Ou seja, a história da escrita é uma narrativa cheia de enigmas e de transformações. Confunde-se, mui- tas vezes, com episódios e fenômenos mágicos, sobretudo quando se pensa que a grande perso- nagem dessa história é a palavra. Como a palavra, antes de ser escrita, existiu enquanto som, na fala, a transformação do som em palavra faz parte da história da escrita, que só se inicia de fato quando os sons da fala são expressos graficamente. [...] Conhecer a história da escrita é andar por ca- minhos que se bifurcam, onde se cruzam e se misturam muitas línguas e muitas linguagens. Semiosphera. USP. São Paulo. Disponível em: <http. www.usp.br/semiosphera/escrita_como_texto_da cultura. html>. Acesso em: set. 2010. Adaptado. Para a manutenção da unidade temática do texto, destacam-se algumas condições fundamentais de sua coerência. Sobre isso, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. A correção gramatical com que o texto está expresso, pois transgressões de ordem morfossintática, por exemplo, comprometem a unidade semântica do tex- to. Um texto coerente deve ser, necessariamente, “um texto correto”. II. A concentração em palavras de campos semânticos afins, como em: fala, escrita, leitura, cultura, inscri- ção, registro visual etc. Essas unidades funcionam como elos que deixam os tópicos e subtópicos do texto em articulação. III. O desdobramento do tópico principal em subtópicos a ele vinculados, de forma que se pode reconhecer um macroconteúdo – a escrita e sua posição central dentre os sistemas na cultura – e conteúdos mais pontuais, como a relação entre fala e escrita, entre escrita e leitura. IV. A articulação promovida entre os diferentes parágrafos por meio do uso de certas expressões sequenciadoras, que exigem do leitor, para uma interpretação adequada, a estratégia de ir integrando cada parte no todo. V. A divisão do texto em seis parágrafos. Em geral, um tex- to – para ter garantida sua unidade temática – precisa estar subdividido em mais de dois parágrafos. A exigên- cia de uma ‘introdução’ e de uma ‘conclusão’, pelo me- nos, aplica-se a todo tipo e a todo gênero de texto. a. Somente I, III, IV e V estão corretas. b. Somente I, II e V estão corretas. c. Somente I, II, IV e V estão corretas. d. Somente II, III e IV estão corretas. e. Somente II, III, IV e V estão corretas. Leia o texto e responda às questões de 11 a 13. Empréstimo de termos estrangeiros pode evitar “autismo” linguístico de um idioma Muito se combate a penetração de palavras estrangeiras na nossa língua. Se até certo pon- to esse combate se justifica, todo radicalismo, como exigir o banimento puro e simples de todo e qualquer termo estrangeiro do idioma, cheira a preconceito xenófobo, fanatismo cego e, mais ainda, ignorância da real dinâmica das línguas. Antes de lançar ao fogo do inferno tudo o que vem de fora, é preciso tentar compreender sem paixões por que os estrangeirismos exis- tem. Se olharmos atentamente para todas as línguas, veremos que nenhuma tem se mantido pura ao longo dos séculos: intercâmbios comer- ciais, contatos entre povos, viagens, grandes ondas migratórias, disseminação de fatos cul- turais, tudo isso tem feito com que as línguas compartilhem palavras e expressões. Até o is- landês, que, para muitos, é a língua mais pura do mundo, sem nenhum termo de origem es- trangeira, é na verdade um idioma altamente influenciado por línguas mais centrais e hege- mônicas. O que ocorre é que o islandês traduz os vocábulos que lhe chegam de fora, usando material nativo. No islandês, os estrangeirismos estão apenas camuflados. [...] Afinal, em viagens pelo mundo, é reconfor- tante reconhecer vocábulos familiares como “te- lefone”, “hotel”, “restaurante”, “táxi”, “hospital”, ainda que ligeiramente modificados pela fonéti- ca e ortografia do país que visitamos. Portanto, quando se trata de discutir uma po- lítica de proteção do idioma contra uma suposta “invasão bárbara”, é preciso, em primeiro lugar, compreender que nenhuma língua natural pas- sa incólume às influências de outras línguas, e que isso, na maioria das vezes, é benéfico tanto para quem exporta quanto para quem impor- ta palavras. Toda língua se vê enriquecida comcontribuições externas, que sempre trazem no- vas visões de mundo, por vezes simplificam a co- municação e, sobretudo, tiram o idioma de uma situação de “autismo” linguístico. Dando por assentada a questão de que o em- préstimo de palavra estrangeira é um fenôme- no legítimo da dinâmica das línguas e, acima de tudo, inevitável, cabe então distinguir quando um empréstimo é necessário ou não, quando é oportuno ou inoportuno. Afinal, uma coisa é a introdução em nossa sociedade de um novo conceito (por exemplo, uma nova tecnologia, um fato social inédito, uma nova moda) que, por ser originário de outro país, chegue até nós acom- panhado do nome que tem na língua de origem. Foi assim com o whisky (ou uísque), a pizza, o futebol (e os nomes das posições dos jogadores, depois traduzidas para o português), a informá- tica, e assim por diante. Outra coisa é dar nomes estrangeiros a objetos que já têm nome em por- tuguês. [...] Os empréstimos oportunos acabam algumas vezes traduzidos ou aportuguesados, outras ve- zes não. Mas, se eles existem na nossa língua, é porque somos grandes importadores de objetos 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 80 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 e fatos culturais inventados por outros povos. Ou seja, importamos palavras mais do que expor- tamos porque, no fundo, somos pouco criativos em matéria de tecnologia. [...] Ora, em questões de língua, como em tudo mais na vida, a virtude está no meio: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Portanto, não se deve adotar nem uma postura de servilismo ao que é estrangeiro nem uma atitude chauvinista em relação ao que é nacional. Afinal, o purismo lin- guístico é algo tão irritantemente pedante quan- to o estrangeirismo mercadológico. BISSOCCHI, Aldo. In: Revista Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Segmento. Adaptado. 11. UPE (adaptado) Há um tema que tem sido objeto de amplas discus- sões e tem envolvido até mesmo um projeto político de controle do idioma. Sobre as considerações apresenta- das no texto, considere as sínteses e assinale a alterna- tiva correta. I. Convém que a entrada de palavras estrangeiras na lín- gua seja compreendida em suas causas e motivações socioculturais. Além disso, convém que a questão seja vista com equilíbrio, sem radicalismos nem sim- plismos reducionistas. II. O empréstimo de termos estrangeiros é um fato ine- vitável em um mundo que cultiva os intercâmbios co- merciais, a propagação da diversidade de tendências culturais, o contato entre povos de línguas e visões de mundo diferentes. III. O fato de línguas diferentes compartilharem elemen- tos de seu repertório linguístico atesta uma postura de servilismo por parte de quem importa. Afinal, a ne- cessidade de importar objetos e fatos culturais prova a insuficiência de nossa cultura. IV. Dada a legítima dinâmica das línguas, todo em- préstimo é necessário e oportuno. Promove o enriquecimento da língua, além de evitar seu iso- lamento e afastar o risco de um "autismo" linguís- tico e cultural. V. Se admite-se que “nenhuma língua natural passa incólume às influências de outras línguas”, pode-se concluir que a entrada de palavras estrangeiras em uma língua constitui um fenômeno legítimo e não um sinal de sua decadência. a. Somente I, II e IV estão corretas. b. Somente I, III e IV estão corretas. c. Somente I, III e V estão corretas. d. Somente I, II e IV estão corretas. e. Somente III, IV e V estão corretas. 12. UPE (adaptado) As variações de um texto justificam-se por muitos fatores e assumem diferentes manifestações. Sobre isso, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Ficaria comprometido o potencial semântico do texto e a função comunicativa de sua formulação, caso o autor tivesse optado por fugir à norma culta da língua portuguesa. II. O autor assume uma linguagem precisa e relevante, uma vez que oferece sustentação para os argumentos apresentados (veja-se o exemplo dado, em relação ao islandês). III. O autor, em dado momento, pretende mostrar-se in- cluído na interação com o grupo. Por isso, recorre ao uso da primeira pessoa, como em: “Se olharmos aten- tamente para todas as línguas, veremos que...”. IV. A sequência verificada nos parágrafos é característica de um texto expositivo. Se se tratasse de um gênero narrativo – como uma notícia, o mais comum seria uma ordem cronológica. V. A finalidade prevista e os interlocutores pensados para esse texto justificam o uso de uma formulação textual distinta do padrão informal, não monitorado e distenso. a. Somente I, II e III estão corretas. b. Somente II, III e V estão corretas. c. Somente I, II e IV estão corretas. d. Somente II, III, IV e V estão corretas. e. Somente IV e V estão corretas. 13. UPE Sobre a análise de algumas expressões do texto, consi- dere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. Um “preconceito xenófobo” significa uma espécie de preconceito radical, alimentado contra toda e qual- quer inovação cultural. II. A expressão “lançar ao fogo do inferno” constitui uma metáfora que exprime um sentido de radicalismo, de rejeição extrema. III. A referência a “grandes ondas migratórias” recupera, entre outros, os fatos históricos dos Descobrimen- tos, que puseram em contato europeus e nativos da América. IV. Admitir que “os estrangeirismos estão apenas camu- flados” corresponde a aceitar que eles existem, embo- ra sejam sutis ou não perceptíveis. V. A expressão “o purismo linguístico” pressupõe que as línguas devem manter-se originais e inalteráveis, ape- sar de suas trajetórias de vizinhanças e contatos. a. Somente I, II e III estão corretas. b. Somente II, III e V estão corretas. c. Somente II, IV e V estão corretas. d. Somente I, III e IV estão corretas. e. Somente II, III, IV e V estão corretas. 14. PUC-RJ Leia o texto e faça o que se pede. A imaginação A imaginação é provavelmente a maior força a atuar sobre os nossos sentimentos – maior e mais constante do que influências exteriores, como ruídos e visões amedrontadores (relâm- pagos e trovões, um caminhão em disparada, um tigre furioso), ou prazer sensual direto, inclusive mesmo os intensos prazeres da ex- citação sexual. O que esteja realmente acon- tecendo é, para um ser humano, apenas uma pequena parte da realidade; a maior parte é o 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 81 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 que ele imagina em conexão com as vistas e sons do momento. A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que seu mundo seja uma fan- tasia, sua vida um sonho, nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que o seu “mundo” é maior do que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equili- brada. O ambiente de um animal consiste das coisas que lhe atuam sobre os sentidos. Coisas ausentes, que ele deseje ou tema, provavel- mente não têm substitutos em sua consciên- cia, como as imagens de tais coisas na nossa, mas aparecem, quando por fim o fazem, como satisfações de necessidades imperiosas, ou como crises em seu espreitar e reagir mais ou menos constante. [...] No centro da experiência humana, portanto, existe sempre a atividade de imaginar a reali- dade, concebendo-lhe a estrutura por meio de palavras, imagens ou outros símbolos, e assimi- lando-lhe percepções reais à medida que surgem – isto é, interpretando-as à luz das ideias gerais, usualmente tácitas. Esse processo de interpre- tação é tão natural e constante que sua maior parte decorre de modo inconsciente. LANGER, Suzanne K. Ensaios filosóficos. São Paulo: Cultrix, 1971. Apud ARANHA, M. L. de Arruda & MARTINS, M. H. Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003. a. De acordo com o texto, quais são os dois componen- tes usados pelas pessoas para interpretar o mundo? b. Há dois desvios gramaticais no período a seguir.Rees- creva-o, fazendo as devidas correções. Coisas ausentes não interferem no comportamento dos animais, onde eles só temem o que lhes desper- tam os sentidos. 15. UECE Leia o texto e responda à questão. O verbo for Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário – evidentemente o condizente com a nossa condição provecta –, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício). O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem dire- tamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbo- sianamente quanto possível, com citações deco- radas, preferivelmente. Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recupera- ram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radi- cal desta juventude de hoje. O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candida- to e vinha vê-lo “dar um show”. Eu dei show de português e inglês. O de português até que foi moleza, em certo sentido. O professor José Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu as seguintes palavras aladas: — Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional! — As margens plácidas – respondi instanta- neamente, e o mestre quase deixa cair a xícara. — Por que não é indeterminado, “ouviram” etc.? — Porque o “as” de “as margens plácidas” não é craseado. Quem ouviu foram as margens plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que existem no hino. “Nem teme quem te adora a própria morte”: sujeito: “quem te adora”. Se pu- sermos na ordem direta... — Chega! – berrou ele. — Dez! Vá para a gló- ria! A Bahia será sempre a Bahia! Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Adminis- tração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapa- zes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bes- tíssima. Mandava-se o candidato(a) ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que que- ria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, pe- guei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser. — Esse “for” aí, que verbo é esse? Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratu- ra do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente. — Verbo for. — Verbo o quê? 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 82 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 — Verbo for. — Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo. — Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele, im- pávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem. Não, dessa vez ele não passou. Mas, se per- severou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ain- da aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais diver- tido do que hoje e, nos dias que correm, devi- damente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe. RIBEIRO, João Ubaldo. O conselheiro come. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 2000. Sobre a estrutura da crônica, marque V para verdadeiro, F para falso e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. ( ) O primeiro enunciado da crônica, que é também o primeiro da introdução, expressa a ideia central do texto. ( ) A introdução é interrompida já no primeiro período do texto. ( ) No trecho “Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que...” até “... sairia fora de controle, mais do que já está.” (primeiro parágrafo), quando retoma o enunciado introdutório, o enunciador faz uma di- gressão ou divagação, afastando-se do tema princi- pal do texto. ( ) A introdução de pequenos fatos narrados leva-nos a entender que o texto, na realidade, não é uma crôni- ca. Ele configura um novo tipo de texto que podería- mos denominar de gênero misto. ( ) A conclusão da crônica começa no último parágrafo, com o vocábulo “vestibular”. Com base nessa refe- rência, poderíamos ter um novo parágrafo. a. F – F – V – V – V b. V – V – F – F – V c. V – V – V – F – V d. F – F – V – V – F 16. UFSM-RS Leia o texto e responda à questão. Há diversas maneiras de fazer uso das mídias em ambiente escolar. O controle da frequência dos estudantes por meio de chips, por exemplo, já bastante comum nas escolas, pode ter no celular um grande aliado. Foi o que fez a Secretaria Mu- nicipal de Educação de Vitória da Conquista, mu- nicípio a aproximadamente 500 km de Salvador, BA. Por meio de mensagens de celular, as escolas da rede municipal da cidade passaram a comu- nicar aos pais o horário de chegada e saída dos alunos, que tiveram um chip instalado no unifor- me. Embora esse tipo de controle seja polêmico, a iniciativa agradou tanto a pais e alunos – que se sentiram mais seguros – quanto a educadores, que viram despencar os índices de evasão escolar. TRIGO, Ilda. Pensar em rede: a escola e a Internet participativa. Educatrix, out. 2012. Adaptado. Considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. As vírgulas empregadas diante das orações “que tive- ram um chip instalado no uniforme” e “que viram des- pencar os índices de evasão escolar” sinalizam a intro- dução de informações suplementares que envolvem, respectivamente, os alunos e educadores das escolas da rede municipal da cidade de Vitória da Conquista. II. O uso de “Embora” (último período do texto) indica que o vínculo causal entre as proposições é nega- do, uma vez que a polêmica sobre o uso da tecnolo- gia para controle da frequência de estudantes não impede a satisfação de pais, alunos e educadores no contexto das escolas da rede municipal de Vitó- ria da Conquista. III. Os traços, isolando a oração “que se sentiram mais se- guros”, ao colocarem em evidência um sentimento de pais, alunos e educadores, funcionam como recurso linguístico na constituição do argumento em favor do uso da tecnologia nas escolas do país. a. Somente I está correta. b. Somente II está correta. c. Somente I e II estão corretas. d. Somente III está correta. e. I, II e III estão corretas. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 83 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 44 Texto dissertativo-argumentativo IV: desenvolvimento Exercícios de Aplicação 01. Unesp Leia o texto e responda à questão. Aliadas ou concorrentes Alguns números: nos Estados Unidos, 60% dos formados em universidades são mulheres. Metade das europeias que estão no mercado de trabalho passou por universidades. No Japão, as mulheres têm níveissemelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos. A tra- dição joga contra a economia. O governo credita parte da estagnação dos últimos anos à ausência de participação feminina no mercado de trabalho. As brasileiras avançam mais rápido na educação. Atualmente, 12% das mulheres têm diploma uni- versitário – ante 10% dos homens. Metade das garotas de 15 entrevistadas numa pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e De- senvolvimento Econômico) disse pretender fazer carreira em engenharia e ciências – áreas espe- cialmente promissoras. [...] Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar. Cada vez menos mulheres estão dis- postas a abdicar de sua natureza em nome da carreira. Não se trata de mudar a essência do trabalho e das obrigações que homens e mulhe- res têm de encarar. Não se trata de trabalhar me- nos ou ter menos ambição. É só uma questão de forma. É muito provável que legisladores e em- presas tenham de ser mais flexíveis para abrigar mulheres de talento que não desistiram do papel de mãe. Porque, de fato, essa é a grande e única questão de gênero que importa. Mais fortalecidas e mais preparadas, as mu- lheres terão um lugar ao sol nas empresas do jeito que são ou desistirão delas, porque serão capazes de ganhar dinheiro de outra forma. Há 8,3 milhões de empresas lideradas por mulheres nos Estados Unidos — é o tipo de empreende- dorismo que mais cresce no país. De acordo com um estudo da EY (organização global com o objetivo de auxiliar seus clientes a fortalece- rem seus negócios), o Brasil tem 10,4 milhões de empreendedoras, o maior índice entre as 20 maiores economias. Um número crescente delas tem migrado das grandes empresas para o pró- prio negócio. Os fatos mostram: as empresas em todo o mundo terão, mais cedo ou mais tarde, de decidir se querem ter metade da população como aliada ou como concorrente. Exame, out. 2013. Desde o título do artigo, que é retomado no último pará- grafo, os argumentos da autora são motivados por um fato não referido de modo ostensivo, ou seja: a. a boa empresária dificilmente conseguirá se tornar uma boa mãe. b. as mulheres mostram melhor desempenho nas ativi- dades domésticas. c. as atividades empresariais ainda são dominadas por homens. d. as empresas fazem grande esforço pela participação de mulheres. e. o mercado ainda trata as mulheres mais como consu- midoras do que empreendedoras. 02. UFSM-RS Leia o texto e responda à questão. Uma revolução em cinco minutos Usar a tecnologia para construir um mundo melhor tem seu lado frívolo. Mas, felizmente, também tem um lado bem sério. Principalmente na política. A tecnologia pode ajudar governos a adotar medidas que beneficiam a população. Avanços tecnológicos facilitaram a criação de ferramentas que ajudam não só a promover a cidadania, mas também a vigiar, a reportar e a agir contra a restrição dos direitos civis. Por isso, pode-se argumentar que está cada vez mais di- fícil manter um governo injusto e cada vez mais fácil se rebelar contra regimes antidemocráticos. Resolução Está implícita a ideia de que os homens ainda dominam as atividades empresariais, ressaltando-se o trecho no qual, a respeito das mulheres, a autora afirma: “Agora, a condição de minoria vai caindo por terra e os padrões de comportamento começam a mudar”. Alternativa correta: C 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 84 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Se você quiser monitorar os países onde há desrespeito à democracia, uma das melhores ferra- mentas é o projeto ChokePoint. Inspirado nos acon- tecimentos no Egito e na Líbia, o ChokePoint (cho- kepointproject.net) é uma plataforma que expõe o intercâmbio de informação entre países. Se houver uma parada súbita no tráfego de dados, o sistema alerta sobre um provável corte da liberdade de ex- pressão naquele país. [...] E se você quiser organizar um protesto? Aqui entra a tecnologia também. Em agosto, manifestan- tes contra o governo usaram em Londres o API do GoogleMaps para mostrar, em tempo real, por quais ruas a polícia estava se aproximando. [...] Mas se você não mora em áreas de conflito e protesto não é seu estilo, há várias maneiras de usar a tecnologia para facilitar o engajamento. Em sites como o Change.org (change.org), é possível reunir milhares de pessoas para assinar uma peti- ção. Em sites locais, como o FixMyStreet (fixmys- treet.com) ou eDemocracy (forums.e-democracy. org/about), é possível discutir problemas da co- munidade e acionar as autoridades. É claro que a tecnologia também pode ser usada para terrorismo, mas a maioria da po- pulação é contra esse tipo de atividade. É gra- tificante saber que podemos contar com a tec- nologia para engajar grupos que vão provocar mudanças, sejam para a denúncia de buracos na sua rua ou a derrubada de regimes ditatoriais. O mundo conectado é capaz de construir uma sociedade mais justa. LARIU, Alessandra. Uma revolução em cinco minutos. Info, nov. 2011. Adaptado. No artigo de opinião, a autora aborda um tema sobre o qual defende uma tese fundamentada por argumentos, arti- culados por diferentes estratégias argumentativas. Com rela- ção a esses aspectos de conteúdo, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. O campo semântico usado ao longo do texto aponta como tema o uso da tecnologia no contexto sociopolítico. II. A utilização de índices de avaliação, como “felizmente” (primeiro parágrafo), “facilitar” (segundo parágrafo) e “gra- tificante” (último parágrafo), sinaliza um posicionamento favorável ao uso de recursos tecnológicos para promover o engajamento de pessoas em prol da justiça social. III. Para evidenciar o potencial do uso de tecnologia no processo de engajamento social, é empregada a es- tratégia de exemplificação, com indicação de recursos tecnológicos e suas finalidades. IV. No último parágrafo, ao admitir a possibilidade de emprego da tecnologia em prejuízo da sociedade, a articulista busca enfraquecer tal argumento por meio da estratégia de contra-argumentação, mantendo, as- sim, válida sua tese. a. Somente II está correta. b. Somente I e IV estão corretas. c. Somente II e III estão corretas. d. Somente I, III e IV estão corretas. e. I, II, III e IV estão corretas. 03. UEG-GO Leia o texto e responda à questão. Por razões tanto pedagógicas quanto cientí- ficas, é importante perceber uma variedade da língua que tem uma gramática própria, e que essa gramática permite uma comunicação muito eficaz. No português não padrão que se fala no Brasil, a conjugação verbal reduziu-se, é verda- de, a duas formas: Eu Você Ele/Ela Nós/ a gente Vocês Eles/Elas falo fala Comparado com a representação da gramá- tica normativa, que traz seis formas e seis pro- nomes diferentes, esse paradigma verbal tem tudo para parecer pobre. Mas o inglês e o fran- cês falado também usam só duas ou três formas, e ninguém se lembraria de dizer que isso é um problema para aquelas línguas. Note-se que a variedade não padrão que distingue nóis canta- mo de nóis cantemo consegue distinguir morfo- logicamente dois tempos do verbo (o presente e o pretérito perfeito), uma diferença importante Resolução I. Verdadeira. “Cidadania”, “democracia”, “liberdade de expressão”, “protesto”, “assinar uma petição” são ex- pressões próprias do contexto sociopolítico, o qual, segundo o texto, é beneficiado pelo uso da tecnologia (“ferramenta”, “plataforma”, “GoogleMaps”, site, “mun- do conectado”). II. Verdadeira. As três expressões estão relacionadas ao uso de recursos tecnológicos: “felizmente” relaciona-se ao uso da tecnologia para construir um mundo me- lhor; “facilitar” refere-se ao engajamento das pessoas, mesmo as que estão distantes de protestos; final- mente “gratificante” está relacionado à possibilidade de se poder contar com a tecnologia para fins sociais. III. Verdadeira. Nosegundo, terceiro e quarto parágra- fos, a autora emprega exemplos, como o projeto ChokePoint, o GoogleMaps e sites como FixMyStreet ou eDemocracy, para demonstrar que a tecnologia pode incrementar a participação das pessoas para promover a cidadania. IV. Verdadeira. Desde o tópico frasal do último parágrafo, a autora não deixa de mostrar que a tecnologia pode, também, prejudicar a sociedade (“É claro que a tec- nologia também pode ser usada para terrorismo”); no entanto, para não comprometer a tese defendida e os argumentos apresentados, contra-argumenta a partir de uma conjunção adversativa (“mas a maioria da po- pulação é contra esse tipo de atividade.”). Alternativa correta: E 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 85 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 que o português brasileiro culto não consegue marcar e que o português europeu marca por uma distinção de nasalidade. Em suma, quando tratamos de qualquer varie- dade não padrão do português brasileiro, estamos diante de outro código, e não de erros em virtude das condições cognitivas dos falantes. Do ponto de vista pedagógico, é fundamental perceber que os alunos que chegam à escola falando uma varieda- de não padrão precisam aprender a norma-padrão como uma espécie de língua estrangeira. ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006. Adaptado. A expressão “Note-se que” (segundo parágrafo) exerce um papel importante na organização argumentativa do se- gundo parágrafo, caracterizando-se como um elemento: a. causal, que exerce o papel de um operador de cau- sa/efeito. b. interpelativo, que realça a complementação do ar- gumento. c. metadiscursivo, que marca a introdução de uma paráfrase. d. concessivo, que equivale a “Não obstante o que foi dito”. Exercícios Extras Leia o texto e responda às questões 04 e 05. Hoje os conhecimentos estruturam-se de modo fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas. Essa situação impede uma vi- são global, uma visão fundamental e uma visão complexa. “Complexidade” vem da palavra lati- na complexus, que significa a compreensão dos elementos no seu conjunto. As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora de seu campo de especialização. A literatura, no entanto, é uma área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas. Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro. A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de expressão, meios de conheci- mento, meios de compreensão da complexidade humana. Assim, podemos ver o primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da comple- xidade humana. E vamos ver ainda outras in- clusões: a inclusão da personalidade humana, a inclusão da subjetividade humana, e, também, muito importante, a inclusão do estrangeiro, do marginalizado, do infeliz, de todos que ignora- mos e desprezamos na vida cotidiana. A inclusão da complexidade humana é neces- sária porque recebemos uma visão mutilada do humano. Essa visão, a de Homo sapiens, é uma de- finição do homem pela razão; de Homo faber, do homem como trabalhador; de Homo economicus, movido por lucros econômicos. Em resumo, trata- se de uma visão prosaica, mutilada, que esquece o principal: a relação do sapiens/demens, da razão com a demência, com a loucura. Na literatura, encontra-se a inclusão dos pro- blemas humanos mais terríveis, coisas insupor- táveis que nela se tornam suportáveis. Harold Bloom escreve: “Todas as grandes obras revelam a universalidade humana por meio de destinos singulares, de situações singulares, de épocas sin- gulares”. É essa a razão por que as obras-primas atravessam séculos, sociedades e nações. Agora chegamos à parte mais humana da in- clusão: a inclusão do outro para a compreensão humana. A compreensão torna-nos mais gene- rosos com relação ao outro, e o criminoso não é unicamente mais visto como criminoso, como o Raskolnikov de Dostoiévski, como o Padrinho de Copolla. A literatura, o teatro e o cinema são os me- lhores meios de compreensão e de inclusão do outro. Mas a compreensão torna-se provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e do filme. Então essa compreensão é que deveria ser introduzida e desenvolvida em nossa vida pes- soal e social, porque serviria para melhorar as relações humanas, para melhorar a vida social. MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura. In: RÕSING, Tânia et al. Edgar Morin: religando fronteiras. Passo Fundo: UPF, 2004. Adaptado. Resolução A expressão tem a função interpelativa e de realce com a finalidade de fazer com que o leitor dê atenção ao argumento que será exposto. Alternativa correta: B Habilidade Observar a produção lógico-textual e os mecanismos estruturais, linguísticos e socioculturais necessários para a construção do gênero. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 86 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 04. UFRGS-RS Associe cada ocorrência de sinal de pontuação com a função que tal sinal auxilia a expressar no contexto em que ocorre. ( ) Vírgulas (quarto parágrafo, após as palavras faber e economicus) ( ) Dois-pontos (final do quarto parágrafo) ( ) Vírgula (sexto parágrafo, após a expressão “com rela- ção ao outro”) 1. Assinalar elipse. 2. Assinalar a presença de enumeração no texto. 3. Assinalar a adição de um período, que apresenta sujei- to diferente do período anterior. 4. Assinalar uma síntese do dito e a inserção de um argu- mento que se destaca em relação aos anteriores. Assinale a alternativa com a sequência correta de preen- chimento dos parênteses. a. 1 – 4 – 3 b. 1 – 3 – 4 c. 2 – 4 – 1 d. 2 – 3 – 4 e. 4 – 2 – 3 05. UFRGS-RS Com relação às marcas de pessoa e de tempo no texto, considere as afirmações e assinale a alternativa correta. I. O emprego de primeira pessoa do plural, em referência exclusiva ao autor, produz um efeito de neutralidade. II. O emprego do advérbio hoje (início do texto) permite inferir que a argumentação proposta não é válida para todo e qualquer tempo. III. O advérbio agora (início do sexto parágrafo) sinali- za a progressão dos argumentos apresentados no texto. a. Somente I está correta. b. Somente II está correta. c. Somente I e III estão corretas. d. Somente II e III estão corretas. e. I, II e III estão corretas. Seu espaço Sobre o módulo Dividir a classe em grupos. Trabalhar com a turma textos de diversos portadores, pedindo que os alunos expressem dife- rentes pontos de vista a respeito do assunto tratado nesses textos. Pedir que apresentem argumentos que comprovem que o posicionamento deles é verdadeiro. Apresentar o resultado dos trabalhos dos grupos à classe pode ajudá-los a compreender melhor como se faz o desenvolvimento de textos dissertativos. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 87 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Exercícios Propostos Da teoria, leia o tópico 2. Exercícios de tarefa reforço aprofundamento 06. Unesp Leia o texto e responda à questão. São Paulo, 10 de março de 1867 Estamos em plena quaresma. A população paulista azafama-se a preparar-se para a lavagem geral das consciências nas águas lustrais do confessionário e do jejum. A cambuquira e o bacalhau afidalgam-se no mercado. A carne, mísera condenada pelos santos con- cílios, fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população, e desce quase a zero na pauta dos preços. O que não sobe nem desce na escala dos fatos normais é a vilania, a usura, o egoísmo, a estatís- tica dos crimes e o montão de fatos vergonhosos, perversos, ruins e feios que precedem todas as contrições oficiais do confessionário, e que depois delas continuam com imperturbável regularidade. É o caso de desejar-se mais obras e menos palavras. E se não, de que é que serve o jejum, as ma- cerações, o arrependimento, a contrição e que- jandas religiosidades?O que é a religião sem o aperfeiçoamento moral da consciência? O que vale a perturbação das funções gas- tronômicas do estômago sem consciência livre, ilustrada, honesta e virtuosa? Seja como for, o fato é que a quaresma toma as rédeas do governo social, e tudo entristece, e tudo esfria com o exercício de seus místicos preceitos de silêncio e meditação. De que é que vale a meditação por ofício, a meditação hipócrita e obrigada, que consiste unicamente na aparência? Pois o que é que constitui a virtude? É a forma ou é o fundo? É a intenção do ato, ou sua feição ostensiva? Nesse sentido, aconselhamos aos bons lei- tores que comutem sem o menor escrúpulo os jejuns, as confissões e rezas em boas e santas ações, em esmolas aos pobres. Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel dos Reis. In: Cabrião, 10 mar. 1867. Adaptado. Vocabulário Afidalgam-se: assumem ares de nobre. Azafama-se: apressa-se. Cambuquira: iguaria constituída de brotos de abóbora guisados, geralmente servida como acompanhamento de assados. Macerações: autopunições envolvendo sofrimento. Quejandas: semelhantes. Por seu tema e desenvolvimento argumentativo, o texto pode ser classificado como: a. crítico. b. lírico. c. narrativo. d. histórico. e. épico. 07. IFSP Leia o texto e responda à questão. A jabuticaba só nasce mesmo no Brasil? Em seu discurso de agradecimento pelo prê- mio de economista do ano em 2003, Pérsio Arida, um dos idealizadores do Plano Real, utilizou um argumento inusitado para justificar a taxa de juros de equilíbrio de 8% ao ano no Brasil. “Certas coi- sas são iguais à jabuticaba, só ocorrem no Brasil”, explicou ele na época. Rapidamente, jornalistas e intelectuais passaram a citar a frase como parte da chamada “Teoria da Jabuticaba”, com o objeti- vo de explicar em seus textos o porquê de alguns fenômenos só acontecerem no Brasil. Se nas ciências humanas a tal teoria parece fazer sucesso, do ponto de vista biológico ela está equi- vocada. Quem garante isso é o pesquisador da APT (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) Eduardo Suguino, que tratou de derrubar alguns mi- tos sobre a ocorrência do famoso fruto. “A jabuti- caba pode até ser nativa do Brasil, mas não ocorre só aqui”, explicou. “Ela já apareceu em países como Argentina e México em sua forma natural”. Ainda de acordo com Suguino, a jabuticabei- ra pode ser cultivada em qualquer canto do pla- neta. Como se trata de uma planta propagada por semente, são necessárias apenas três condi- ções para que ela se desenvolva: água, oxigênio e calor. Mesmo assim, ele faz questão de ponde- rar sobre a suposta universalidade do tradicional vegetal. “Apesar de possuir essa capacidade de ser cultivada em qualquer lugar, a jabuticabeira pode ser prejudicada por alguns fatores ambien- tais”, afirma. Depois, o pesquisador ainda forne- ceu exemplos de casos em que o vegetal pode sofrer danos. “Se levar um exemplar para a Eu- ropa durante o inverno, ele dificilmente sobrevi- verá fora de um vaso ou de ambiente protegido”. Disponível em: <http:// www.blogdoscuriosos.com. br >. Acesso em: out. 2013. Adaptado. De acordo com o texto, é correto afirmar que: a. a jabuticabeira é um fruto que pode ser cultivado em qualquer parte do mundo, sem nenhuma restrição. b. a exposição da jabuticabeira ao frio rigoroso, como o da Europa, pode comprometer seu desenvolvimento. c. esse fruto aparece naturalmente no Brasil; já em ou- tros países, precisa ser cultivado em laboratórios. d. ainda que haja água, oxigênio e calor, o plantio da jabu- ticabeira é uma impossibilidade em países europeus. e. fatores ambientais são irrelevantes para o êxito do cultivo da jabuticabeira em todo o mundo. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 88 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 08. Cefet-MG Leia o texto e responda à questão. Filosofar para preservar O modelo consumista de produção da atuali- dade é ecocida em sua natureza e antiecológico em sua finalidade. Filosofar é fazer pensar, refletir sobre como gerenciar melhor nossas escolhas cotidianas. Essa arte do bem pensar deve orientar nossas emoções e condecorar nossas conquistas. Pen- sar para não sofrer, eis um dos lemas centrais dessa atividade interrogante que tem por fina- lidade nos fazer encontrar a sabedoria do feliz. Por ser uma arte, todos a desejam, mas apenas uns poucos a atingem. E esses são os sábios, aqueles que conseguem monitorar com destreza as artimanhas do viver, fugindo das seduções do efêmero e dos negativismos atuais. Sabemos que muita gente não gosta de pensar, mas podemos aprender a gostar dessa atividade, já que todo amor é um aprendizado, fruto de um persisten- te esforço. Não existe gratuidade na vida. Toda pessoa doadora sabe disso. Ela dá porque rece- be, ama porque é amada. Há outro desafio fundamental para a vida que o ser humano teima em não assumir em sua amplitude: as implicações ecológicas da nossa relação com o planeta. Conseguimos avanços significativos na esfera da política e da educação, em geral, mas na área dos sistemas econômicos pouca coisa foi conquistada. O sistema global de produção continua agindo como se os objetivos a alcançar fossem os mesmos de 200 anos atrás. O frenesi do crescimento a qualquer custo atinge todos os recantos da Terra. A roda acelerada des- de o século XIX não pode parar. Para haver rique- za, é preciso produzir, consumir, obter lucro, criar mais trabalho, produzir e repetir tudo de novo numa ciranda sem fim. Acreditam que, quanto mais consumirmos, mais trabalho criamos, mais o país pode se desenvolver. O modelo consumista de produção da atualidade é “ecocida” em sua na- tureza e antiecológico em sua finalidade. O plane- ta não mais suporta tamanha pressão sobre seus já limitados recursos. Os ecologistas lançam pelos quatro cantos do mundo seus gritos de alarme. Mas os donos do poder industrial tapam os ouvi- dos a essas lamentações. É impossível pensarmos em crescimento e sustentabilidade num sistema em que a obsolescência é planejada e o desper- dício é o motor da reposição. Quase todos agem como se os recursos fossem ilimitados. É lógico que todos nós precisamos consumir, mas consu- mo para suprir nossas necessidades e não para satisfazer o poço sem fundo dos nossos desejos. Todo o sistema global de produção atual aposta na ideia de que o supérfluo é mais importante do que o necessário. Concluindo, podemos afirmar que a reflexão filosófica nos ajuda a encontrar uma luz no meio do túnel antes que o dique se rompa e a inunda- ção esmague todos. Filosofar é apontar expecta- tivas e, nesse aspecto, todas as pessoas de bom senso devem, com urgência, utilizar a reflexão para propor novos caminhos ou uma saída para o impasse civilizatório em que nos encontramos. Urge lutarmos por uma sociedade mais verde, mais interativa com a natureza. Devemos saber que a luta ecológica não é somente uma luta para a preservação da espécie humana, mas de todas as espécies do planeta, já que somos fios da mesma rede interativa que forma o tecido da vida na Terra. Alfeu Trancoso. Disponível em: <http://www. revistaecologico.com.br>. Acesso em: set. 2013. No último parágrafo, o autor usa a expressão “impasse civilizatório” para referir-se à(ao): a. consumo excessivo e à distribuição de riquezas. b. superação do déficit econômico e à garantia de sus- tentabilidade. c. desenvolvimento industrial e à preservação dos recur- sos naturais. d. necessidade de produção de bens e à descoberta de novas fontes de energia. Leia o texto e responda às questões de 09 a 11. IDH 2013: Brasil mantém posição O Brasil está no grupo dos países com índice de desenvolvimento humano (IDH) elevado, in- dicou a edição de 2013 do Relatório de Desen- volvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) – há, ainda, os índices muito elevado, médio e bai- xo. De acordo com o levantamento, divulgado em 14 de março,o país ocupa o 85o lugar no ranking de 187 nações avaliadas, mesma posi- ção registrada em 2011. Numa escala de 0 a 1, quanto mais o IDH se aproxima de 1, maior é o desenvolvimento humano – avaliado a partir dos níveis de expectativa de vida, acesso à edu- cação e renda da população. Os dados são re- ferentes a 2012. O índice brasileiro foi de 0,730 (em 2011 foi de 0,728). A média da América Latina foi de 0,741, e o país com melhor classi- ficação no continente foi o Chile (0,819), na 40a posição. O Brasil está entre os 15 países que mais reduziram o déficit do IDH entre 1990 e 2012, melhorando o índice em 24% – o maior avanço entre os países da América do Sul. O destaque deveu-se ao foco na redução das desigualda- des e da pobreza e à política estrutural de lon- go prazo adotada no país, segundo o Pnud. O relatório aponta, ainda, que o grupo das três principais nações em desenvolvimento (Brasil, China e Índia) está remodelando a dinâmica mundial no contexto amplo do desenvolvi- mento humano. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 89 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 O Pnud calculou também um ranking com base nas desigualdades internas em saúde, edu- cação e renda. Nesse caso, mesmo Noruega e Austrália, 1o e 2o colocados, perdem pontos, embora mantendo, ainda, suas posições. Já os Estados Unidos despencam do 3o lugar para o 16o. O Brasil fica 12 posições abaixo, passando ao 97o lugar. Como ocorrera após a divulgação do IDH de 2011, o governo brasileiro criticou os resulta- dos do relatório do Pnud. Segundo os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e do Desen- volvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, o documento é elogioso aos avanços brasileiros; no entanto, são necessários ajustes, informou o Portal do MEC. Os ministros apontaram que, em educação, os dados utilizados são de 2005 e oriundos de fontes não reconhecidas pelas agências esta- tísticas nacionais. De acordo com os ministros, o relatório do Pnud não incluiu nos cálculos 4,6 milhões de crianças de 5 anos matricula- das na pré-escola, bem como nas classes de alfabetização, nem considerou a jornada esco- lar atual de nove anos. “Se fizéssemos só esta correção, subiríamos 20 posições”, ressaltou Mercadante. Disponível em: <http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/conteudo/idh- 2013-brasil-mantem-posicao>. Acesso em: out. 2013. Adaptado. 09. Acafe-SC De acordo com o texto, assinale a alternativa correta. a. Apesar de o Brasil ainda estar abaixo do IDH médio da América Latina, foi o país que mais se desenvolveu na América do Sul no período de 1990 a 2012. b. O Brasil melhorou significativamente seu IDH em 2012 em comparação com o IDH no ano anterior. c. De acordo com os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e do Desenvolvimento Social e Com- bate à Fome, Tereza Campello, o relatório do Pnud de 2011 está correto, mas o de 2012 precisa ser ajustado. d. Se as crianças matriculadas na pré-escola fossem consideradas alfabetizadas, a posição do Brasil me- lhoraria 20 posições no IDH mundial. 10. Acafe-SC De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, se o ranking no IDH tivesse como base de cálculo a saúde, a educação e a renda: a. todos os países em desenvolvimento perderiam posi- ções, inclusive o Chile. b. a Índia ficaria em posição inferior ao Brasil, e a China teria um índice elevado (ou muito alto). c. os Estados Unidos ficariam à frente da Noruega e da Austrália. d. o Brasil perderia pontos, saltando da 85a para a 97a posição. 11. Acafe-SC Considerando o que consta no Relatório de Desenvolvi- mento Humano do Programa das Nações Unidas para o De- senvolvimento (Pnud) de 2013, todas as alternativas listam aspectos que contribuíram para o Brasil reduzir o déficit do IDH, exceto: a. redução da pobreza. b. redução das desigualdades. c. inovação tecnológica. d. política estrutural de longo prazo adotada no país. 12. UEPA Leia o texto e responda à questão. A comunicação simbólica como herança Nós já sugerimos que nossa capacidade de comunicação por meio de símbolos está na raiz de muitas das coisas que nos tornam tão dife- rentes de outros animais. Os seres humanos têm um método único de transmitir e adquirir infor- mação. O que queremos agora é examinar o sis- tema de comunicação simbólica de um ponto de vista mais focal, o do sistema que fornece uma quarta dimensão à hereditariedade e à evolução. Queremos tentar caracterizar esse sistema espe- cial de herança da mesma forma como fizemos com os sistemas genético, epigenético e com- portamental e ver o quanto ele é similar a cada um desses sistemas. Existe pelo menos uma semelhança superficial entre a maneira como transmitimos informação por meio da fala e a maneira como os animais usam seus diversos cantos e chamados, então será que o sistema simbólico funciona da mesma maneira que o sistema de herança comportamen- tal? Ou será mais parecido com o sistema genéti- co? O DNA é chamado de “linguagem da vida”, e dizemos que nossas características estão “escritas nos genes”, portanto deve haver semelhanças ób- vias entre os dois sistemas. Quais são elas? Que traços o sistema simbólico compartilha com ou- tros sistemas de transmissão de informação, e o que o torna tão diferente e especial? Existe uma propriedade importante compar- tilhada pelos sistemas genético e simbólico, mas que está ausente na herança comportamental. Símbolos e genes podem transmitir informação latente, ao passo que a informação precisa ser usada antes de ser transmitida ou adquirida por meios comportamentais. É fácil ver isso se pen- sarmos como um canto ou uma dança são trans- mitidos. Consideremos três casos: transmissão por meio do sistema genético, transmissão por meio do sistema comportamental e transmissão por meio do sistema simbólico. Para o exemplo genético, podemos usar as moscas das frutas do gênero Drosophila, que têm cantos e danças muito bonitos. As canções são entoadas pelos machos, que produzem-nas vibrando as asas [...] Cada espécie tem cantos e danças caracte- rísticos, que permitem às moscas identificarem 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 90 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 a própria espécie. Esses cantos e danças são inatos, e sabe-se um bocado sobre sua genética, mas o ponto importante é que eles serão herda- dos mesmo que os pais nunca cheguem a execu- tá-los (talvez porque um cientista malvado tenha arrancado suas asas). Em aves e mamíferos, no entanto, o canto deve ser executado na frente dos indivíduos para que eles possam aprendê-lo. Somente ouvindo um canto é que os indivíduos poderão obter a informação que lhes permitirá reproduzi-lo. Em outras palavras [...], não existe informação latente que possa pular gerações. Isso não acontece com a transmissão por meio do sistema simbólico. Seres humanos po- dem transmitir uma canção ou dança uns para os outros mesmo que sejam desafinados ou te- nham dois pés esquerdos. Não é preciso cantar uma nota ou dar um passo de dança, pois po- demos transmitir a informação necessária para a reprodução de uma canção ou de uma dança usando discos ou filmes, ou mesmo com instru- ções escritas ou orais. Não é preciso agir de ime- diato em cima de informações simbólicas para que elas sejam transmitidas. Ainda que a cultura capaz de interpretá-las permaneça intacta, elas podem permanecer latentes por gerações. As in- formações para construir o Terceiro Templo têm sido transmitidas entre os judeus por quase 2 mil anos, mas o templo ainda não foi construído. E a receita da sopa da vovó pode ser passada entre várias gerações de uma família até que alguém resolva preparar a sopa de novo. Os sistemas genético e simbólico são pa- recidos porque ambos podem transmitir infor- mação latente, mas o sistema simbólico pode fazer muito mais do que isso. Como símbolos são convenções compartilhadas – signosso- cialmente pactuados –, eles podem ser muda- dos e traduzidos em outras convenções cor- respondentes. Teoricamente, seu potencial de tradução é ilimitado. Uma instrução em inglês que seja dada em letras romanas também pode ser dada em código Morse, num semáforo ou em código binário de computador. Os símbo- los podem até mesmo ser “traduzidos” entre sistemas [...]. “Perigo” pode ser expresso por uma palavra, uma imagem, um assobio. Uma história pode ser transmitida oralmente depois de ser decorada; pode ser transmitida também por meio de uma canção ou pantomima; pode ser transmitida por escrito; e, hoje em dia, pode ser transmitida também por meio de fil- mes, TV e jogos de computador. Assim, embora a informação simbólica seja como a informa- ção genética no sentido de que é codificada e traduzível, o potencial de tradução da informa- ção simbólica é muito maior que o da infor- mação no sistema genético. Já que podemos “traduzir” símbolos de uma forma para outra e separar e combinar diferentes formas e ní- veis seguindo princípios gerais de coerência, é enorme a quantidade de informação simbólica que pode ser gerada. [...] Porém, a informação simbólica é muitas vezes transmitida de adultos para crianças com quem eles não têm parentesco (como na esco- la), de crianças a adultos e entre indivíduos da mesma faixa etária. Nesse ponto, o sistema sim- bólico se parece com o sistema comportamen- tal de outros animais. Mas há uma diferença significativa: instruções ativas são importantes nos sistemas de transmissão simbólica. Em ou- tros animais, o aprendizado social em geral não envolve ensinamento intencional, mas para os humanos este é essencial, pois é o próprio siste- ma simbólico, e não apenas a cultura local que ele produz, que precisa ser culturalmente adqui- rido. Por exemplo, embora as pessoas discutam o papel do aprendizado e o tipo de aprendizado envolvido, ninguém duvida de que é necessá- rio muito aprendizado para uma criança com- preender e usar a linguagem. A necessidade de aprendizado e instrução é vista ainda com mais clareza em outros tipos de sistema simbólico: ensinam-nos o sistema simbólico na leitura, o sistema simbólico da matemática, e também como entender e participar dos rituais da nossa cultura. O arcabouço necessário para a inter- pretação das informações simbólicas precisa ser aprendido. Disponível em: <http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/08/ ritmo-ancestral.html>. Acesso em: set. 2013. De acordo com o texto, a educação é o centro do desen- volvimento humano. Assinale a alternativa que comprova essa afirmativa. a. Cada espécie tem cantos e danças característicos, que permitem às moscas identificarem a própria es- pécie. Esses cantos e danças são inatos, e sabe-se um bocado sobre sua genética, mas o ponto importan- te é que eles serão herdados mesmo que os pais nun- ca cheguem a executá-los (talvez porque um cientista malvado tenha arrancado suas asas). b. Os sistemas genético e simbólico são parecidos porque ambos podem transmitir informação latente, mas o sis- tema simbólico pode fazer muito mais do que isso. c. A necessidade de aprendizado e instrução é vista ainda com mais clareza em outros tipos de sistema simbólico: ensinam-nos o sistema simbólico da leitu- ra, ensinam-nos o sistema simbólico da matemática, ensinam-nos como entender e participar dos rituais da nossa cultura. d. Isso não acontece com a transmissão por meio do sistema simbólico. Seres humanos podem transmitir uma canção ou dança uns para os outros mesmo que sejam desafinados ou tenham dois pés esquerdos. e. Existe pelo menos uma semelhança superficial entre a maneira como transmitimos informação por meio da fala e a maneira como os animais usam seus diversos cantos e chamados, então será que o sistema simbó- lico funciona da mesma maneira que o sistema de he- rança comportamental? 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 91 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 13. UEPA Leia o texto e responda à questão. Saímos do Facebook Desde a semana passada, quando os gover- nadores de São Paulo e Rio de Janeiro anuncia- ram o aumento de R$ 0,20 na passagem de ôni- bus, a população brasileira vem desencadeando uma das maiores revoltas públicas que o país já viu em mais de duas décadas! É claro que o aumento de tarifa foi apenas a gota d’água que fez toda essa revolta transbordar pela maioria das grandes cidades. E, na minha opi- nião, a população está corretíssima em protestar! O Brasil tem hoje a 6a maior economia do mundo, mas também é um dos países mais cor- ruptos e burocráticos do mundo! A grande maio- ria das decisões que são tomadas pelos nossos governantes dificilmente favorece ou melhora a vida dos trabalhadores e cidadãos de bem. Quase R$ 30 bilhões de reais já foram gastos na preparação para a Copa do Mundo de 2014, segundo o governo federal, e por causa disso a inflação só aumenta! Enquanto isso, o Brasil continua a investir pouco na educação e menos ainda na saúde pública. E agora querem enfiar “goela abaixo” do povo brasileiro mais um au- mento no valor de um transporte público extre- mamente precário e ineficiente. Mas o que o Facebook e as redes sociais têm a ver com isso? Praticamente tudo. A maior parte da comunicação entre as pes- soas que estão participando das manifestações está sendo feita on-line por meio do Facebook, bem como de outras redes sociais também, como o Twitter, YouTube e o Google+. Realmente nós podemos comprovar o poder que as redes sociais têm e o efeito que elas podem causar na vida das pessoas! Todos os twitts e compartilhamentos, que começaram nas redes sociais, se transforma- ram em uma grande multidão nas ruas protestan- do por melhorias em todo o país! Um levantamento da agência digital Today mos- trou que os protestos geraram 548 944 publicações nas principais redes sociais. O Twitter foi o meio mais utilizado pelas pessoas, com 88% (cerca de 483 839 posts). No Facebook, foram 60 mil posta- gens. O Google+ e blogs corresponderam aos 2% restantes. As hashtags mais utilizadas foram: #vem- prarua; #ogiganteacordou; #protestosp; #mudabra- sil; #semviolencia; #democracianaotemfronteiras; #changebrazil. Esses números correspondem ape- nas à segunda-feira dia 17/06/13, mas já podemos ter uma ideia de como essas manifestações estão mobilizando os brasileiros nas redes sociais. Brasileiros de pelo menos 13 países organiza- ram-se pelo Facebook para promover uma série de protestos em solidariedade aos manifestan- tes locais. Foram realizados protestos em países como: França, Espanha, Reino Unido, Alema- nha, Itália, Portugal, Holanda, Irlanda, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, Argentina e México. Pelo número de participantes confirmados no Facebook, os dois maiores protestos foram reali- zados na Alemanha e na Irlanda. No Brasil, o grupo “Anonymous” assumiu um tipo de liderança ideológica no Facebook durante essas manifestações que acontecem pelo Brasil. Prova disso é a fanpage principal do grupo no Facebook que teve uma guinada explosiva nos últimos dias. O crescimento semanal de curtidas, segundo as estatísticas da própria página, pulou de 7 mil por semana para cerca de 130 mil. Eram 400 mil fãs na semana passada e hoje já são quase 850 mil fãs. Eles englobam a manifestação pela redução da tarifa do transporte público, criticam a corrupção, os erros de governo e injustiças. Manifestações organizadas pelas redes sociais ainda são algo muito novo no Brasil e com dinâmi- cas bem diferentes de qualquer outro tipo de ma- nifestação que já aconteceu aqui. Os governantes que quiserem atuar de forma realmente democráti- ca vão ter que estudar as redes para poder dar uma resposta à altura dessa nova realidade brasileira, em vez de ficarem só tentando “localizar as lide- ranças” do movimento. Enfim… é em momentos como esse que as relações entre as redes sociais e as ruas se estreitam. Milhares de pessoas estãonas ruas relatando, pelas redes sociais, o calor da mobilização social. Mas também há outras cente- nas de milhares de pessoas que estão nas redes interagindo, compartilhando e se posicionando a favor do movimento, o que aumenta ainda mais a mobilização social, para além das ruas. E é nessa interação entre as redes sociais e as ruas que, principalmente, o Facebook ganha um papel de destaque. Disponível em: <http://www.felipe-moreira.com/manifestacoes- no-brasil-x-facebook/>. Acesso em: set. 2015. As manifestações com desenvolvimento bem distinto daquelas anteriormente ocorridas no Brasil são mostradas na passagem: a. “E agora querem enfiar ‘goela abaixo’ do povo brasilei- ro mais um aumento no valor de um transporte públi- co extremamente precário e ineficiente.”. b. “O crescimento semanal de curtidas, segundo as esta- tísticas da própria página, pulou de 7 mil por semana para cerca de 130 mil. Eram 400 mil fãs na semana passada e hoje já são quase 850 mil fãs.”. c. “Os governantes que quiserem atuar de forma real- mente democrática vão ter que estudar as redes para poder dar uma resposta à altura dessa nova realidade brasileira, em vez de ficarem só tentando ‘localizar as lideranças’ do movimento.”. d. “A grande maioria das decisões que são tomadas pe- los nossos governantes dificilmente favorece ou me- lhora a vida dos trabalhadores e cidadãos de bem.”. e. “O Brasil tem hoje a 6a maior economia do mundo, mas também é um dos países mais corruptos e burocráti- cos do mundo!”. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 92 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 14. UERJ Leia o texto e responda à questão. Nós, escravocratas Há exatos cem anos, saía da vida para a his- tória um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Po- lítico que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escra- vocrata no Brasil. Apesar da vitória conquistada, Joaquim Na- buco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravi- dão”, como lembrou na semana passada Mar- cos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras. Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, mui- tos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade. Cem anos depois da morte de Joaquim Nabu- co, a obra da escravidão se mantém e continua- mos escravocratas. Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram dife- renciadas as vidas na casa-grande ou na sen- zala. Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais. Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo- nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres beneficiavam-se do trabalho dos escravos. Somos escravocratas ao jogarmos sobre os analfabetos a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privi- legiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores. Somos escravocra- tas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade. Somos escra- vocratas de um novo tipo: a negação da edu- cação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão. A exclusão da educação substituiu o seques- tro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravi- dão ficou mais barata, e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos no- vos escravocratas. Como na escravidão, o traba- lho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação. Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão. Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram a minús- cula distribuição de renda, como antes os senho- res vangloriavam-se da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar. Continuamos escravocratas, comemo- rando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a Lei do Ventre Livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena. Somos escravocratas porque, como no sé- culo XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888. Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nos- so salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço. Cem anos depois da morte de Joaquim Nabu- co, a obra criada pela escravidão continua, por- que continuamos escravocratas. E, ao continuar- mos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação. Cristovam Buarque. Disponível em: <http://oglobo. globo.com>. Acesso em: jan. 2000. Adaptado. No desenvolvimento da argumentação, o autor enumera razões específicas, facilmente constatadas no cotidiano, para sustentar sua opinião, anunciada no título, de que todos nós seríamos ainda escravocratas. Esse método argumentativo, que apresenta elementos específicos da experiência social cotidia- na, para deles extrair uma conclusão geral, é conhecido como: a. direto. b. dialético. c. dedutivo. d. indutivo. 15. UFRGS-RS Leia o fragmento de texto e responda à questão. Entre irmãos O menino sentado à minha frente é meu ir- mão, assim me disseram; e bem pode ser verda- de, ele regula pelos dezessete anos, justamente o tempo em que estive solto no mundo, sem con- tato nem notícia. A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe minha hostilidade, não abertamen- te para não chocá-lo, mas de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe perguntasse com todas as letras: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha família, entrando nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo meus velhos livros, talvez sorrindo das minhas anotações à mar- gem, tratando meu pai com intimidade, talvez 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 93 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 discutindo a minha conduta, talvez até critican- do-a? Mas depois vou notando que ele não é totalmente estranho. [...] De repente fere-me a ideia de que o intruso talvez seja eu, que ele tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a ele, que vive nesta casa há dezessete anos. O intruso sou eu, não ele. Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe perguntas e noto sua avidez em respondê-las, mas logo vejo a inutilidade de prosseguir nesse caminho, as perguntas parecem-me formais e as respostas forçadas e complacentes. Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter perdido a naturalidade. Ele me olha, e vejo que está me examinando, procurando decidir se devo ser tratado como irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem ser menores do que as minhas. Ele me per- gunta se eu moro em uma casa grande, com muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir o motivo da pergunta. Por que falar em casa? E qual a importância de muitos quar- tos? Causarei inveja nele se responder que sim? Não, não tenho casa, há muitos anos que tenho morado em hotel. Ele me olha, parece que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel,e conta que, toda vez que faz reparos à comida, mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir. De repente o fascínio se transforma em alarme, e ele ob- serva que se eu vivo em hotel não posso ter um cão em minha companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado por ter um cão em um quarto de hotel. Confirmo a proibição e exagero a vigilância nos hotéis. Ele suspira e diz que então não viveria em um hotel nem de graça. VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Associe cada ocorrência de sinal de pontuação com a que tal sinal auxilia a expressar no contexto em que ocorre. ( ) dois-pontos (terceiro parágrafo) ( ) vírgula após a expressão “a ele”, final do segundo pa- rágrafo ( ) vírgula após a expressão “Ele me olha”, início do quarto parágrafo 1. Assinala explicação do narrador-personagem. 2. Assinala sujeitos distintos em período coordenado. 3. Assinala a introdução de uma pergunta, em forma di- reta, suposta pelo narrador-personagem. 4. Assinala enumeração de ações do irmão do narrador- -personagem. Assinale a alternativa com a sequência correta de preen- chimento dos parênteses. a. 3 – 1 – 2 b. 3 – 2 – 1 c. 2 – 1 – 4 d. 1 – 4 – 2 e. 1 – 2 – 3 16. Unesp Leia o texto e responda à questão. A literatura em perigo A análise das obras feita na escola não de- veria mais ter por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este ou aquele linguis- ta, este ou aquele teórico da literatura, quando, então, os textos são apresentados como uma aplicação da língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter acesso ao sentido dessas obras – pois postulamos que esse senti- do, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano, o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é necessá- rio passar das ideias à ação. Em um relatório estabelecido pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler: “O estudo de letras implica o estudo do homem, sua relação con- sigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.” Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente dado pela própria existência humana. Todas as grandes obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão dessa dimensão. O que devemos fazer para desdobrar o senti- do de uma obra e revelar o pensamento do ar- tista? Todos os “métodos” são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem fins em si mesmos. [...] Sendo o objeto da literatura a própria condi- ção humana, aquele que a lê e a compreende se tornará não um especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios? E, de imediato: que me- lhor preparação pode haver para todas as profis- sões baseadas nas relações humanas? Se enten- dermos assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoiévski e Proust não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que mesmo um futuro médico, para exercer seu ofício, teria mais a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais preparatórios para concurso que hoje determinam seu destino? Assim, os estudos literários encontrariam seu lugar no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos e das ideias, todas essas disciplinas fazendo pro- gredir o pensamento e se alimentando tanto de 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 94 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 obras quanto de doutrinas, tanto de ações políti- cas quanto de mutações sociais, tanto da vida dos povos quanto da de seus indivíduos. Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores de letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre o espíri- to que o deve conduzir: é necessário incluir as obras no grande diálogo entre os homens, inicia- do desde a noite dos tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja, ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa do espaço e do tempo, que se afirma o alcance uni- versal da literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe transmitir às novas gera- ções essa herança frágil, essas palavras que aju- dam a viver melhor. TODOROV , Tzvetan. A literatura em perigo. Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: Difel, 2009. A questão levantada por Todorov, “Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoiévski e Proust não é tirar pro- veito de um ensino excepcional?”, significa que: a. o conhecimento enciclopédico desses autores, ma- nifestado em suas obras, equivale a um verdadeiro curso universitário. b. por se tratar de autores de nacionalidades e épocas diferentes, a leitura de suas obras traz conhecimentos importantes sobre seus respectivos países. c. esses autores escreveram com a intenção fundamen- tal de passar ensinamentos para seus contemporâ- neos e a posteridade. d. a leitura das obras desses autores, que focalizam ad- miravelmente o homem e o comportamento humano, seria de excepcional utilidade para os estudantes de relações humanas. e. a leitura desses autores não acrescenta nada de ex- cepcional ao ensino. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 95 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Módulo 45 Produção de texto 5 Exercícios de Aplicação Sobre o tema “política”, apresentamos uma questão da Fuvest. Elabore a redação solicitada. Em seguida, resolva a outra questão proposta. 01. Fuvest-SP Texto 1 A ciência mais imperativa e predominan- te sobre tudo é a ciência política, pois esta determina quais são as demais ciências que devem ser estudadas na pólis. Nessa medida, a ciência política inclui a finalidade das de- mais, e, então, essa finalidade deve ser o bem do homem. Aristóteles. Adaptado. Texto 2 O termo “idiota” aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no Bra- sil, como “política é coisa de idiota”. O que podemos constatar é que acabou se inverten- do o conceito original de idiota, pois a palavra idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. Talvez devêssemos retomar esse conceito de idiota como aquele que vive fecha- do dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: “Não me meto em política”. M. S. Cortella e R. J. Ribeiro. Política – para não ser idiota. Adaptado. Texto 3 Filhos da época Somos filhos da época e a época é política. Todas as tuas, nossas, vossas coisas diurnas e noturnas, são coisas políticas. Querendo ou não querendo, teus genes têm um passado político, tua pele, um matiz político, teus olhos, um aspecto político. O que você diz tem ressonância, o que silencia tem um eco de um jeito ou de outro, político. Wislawa Szymborska. Poemas. Texto 4 As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos, governos) vivem hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de criadoras de agenda de questões em opções relevantes e, também, do seu papel de pro- positoras de doutrinas. O que não significa que se amplia a liberdade de opção individual. Significa apenas que essas funções estão sendo decidida- mente transferidas das instituições políticas (isto é, eleitas e, em princípio, controladas)para forças essencialmente não políticas – primordialmente as do mercado financeiro e do consumo. A agenda de opções mais importantes dificilmente pode ser construída politicamente nas atuais condições. As- sim esvaziada, a política perde interesse. Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado. Texto 5 Folha de S.Paulo, 5 out. 2011. Os textos aqui reproduzidos falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja para indicar suas limitações e impasses no mundo atual. Reflita sobre esses textos e redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta as ideias neles apresentadas, argumentando de modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o tema: Participação política: indispensável ou superada? Instruções 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 96 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma-padrão da língua portuguesa. A redação deverá ter entre 20 e 30 linhas. Dê um título à sua redação. Tendo a proposta apresentada como referência, produza três introduções diferentes para o mesmo tema. Você deverá elaborar cada uma das introduções com estratégias diferentes de apre- sentação do tema. Na parte teórica deste material, há exemplos de como isso pode ser feito (história, atualidades etc.). Seu espaço Sobre o módulo A proposta de redação oferecida aqui como possibilidade de trabalho com os discentes aborda o conceito de política e sua respectiva relevância para o cenário contemporâneo. Uma das maiores contribuições da proposta é fazer com que o aluno con- siga se enxergar como sujeito político, entendendo que isso está presente, por completo, em seu cotidiano. Dessa maneira, seria interessante um trabalho transversal em parceria com outros professores e disciplinas que, juntos, levassem o aluno a refletir sincrônica e diacronicamente a respeito do assunto, de forma a se posicionar criticamente sobre ele. 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 97 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 Nome no 1a 15 25 3 Lí n gu a Po rt u gu es a 98 Li ng ua ge ns , C ód ig os e s ua s Te cn ol og ia s EM I-1 6- 15 0 FICHA DE AUTOAVALIAÇÃO Competências avaliadas ADEQUADO(A) SIM NÃO TEMA GÊNERO COESÃO/COERÊNCIA NORMA-PADRÃO REGISTRO FORMAL REGISTRO COLOQUIAL