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Estudo de Caso 2 – TRT/MG Proposta de resposta O sindicato dos motoristas e cobradores de determinado Município organizou, no curso de movimento grevista, manifestação em frente à sede de empresa concessionária de transporte público municipal, para o fim de pleitear aumento salarial em favor de seus filiados. No entanto, os manifestantes empregados da empresa concessionária ultrapassaram as barreiras de proteção existentes e, mediante uso de força física, adentraram no saguão principal do edifício sede, onde pernoitaram. O mesmo sindicato também organizou manifestação em frente à sede da Prefeitura, para pleitear que o contrato de concessão firmado entre o Município e a referida concessionária de transporte público fosse revisto, com o fim de viabilizar a concordância da concessionária com o aumento salarial de seus empregados. Os empregados da empresa concessionária novamente violaram as barreiras de proteção existentes e valendo-se do uso da força física adentraram no saguão principal do edifício da Prefeitura, onde também pernoitaram. Considerando essa situação, responda, justificadamente: a. A Justiça do Trabalho será competente para julgar eventual ação possessória proposta a.1. pela empresa concessionária para que os manifestantes desocupem o seu prédio? a.2. pela Prefeitura para que os manifestantes desocupem o seu prédio? b. Qual fundamento jurídico constitucional caberia ser invocado pela Prefeitura para amparar a pretensão de que os manifestantes desocupem o seu prédio? Proposta de Resposta a1. A Justiça do Trabalho será competente para julgar eventual ação possessória (interdito proibitório) proposta pela empresa concessionária para que os manifestantes desocupem seu prédio, uma vez que o art. 114, II, da CF/88 declina que todas “as ações que envolvam o exercício do direito de greve” são de competência da Justiça do Trabalho. Nesse sentido, a súmula vinculante nº 23 do STF estabelece que “a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada”. Ressalte-se que a competência funcional e territorial é da Vara do Trabalho onde ocorreu a greve, sendo certo que a ação possessória tem fundamento no art. 932 do CPC. a2. A Vara do Trabalho (Justiça do Trabalho) também será competente para julgar eventual ação possessória proposta pela Prefeitura para que os manifestantes desocupem o seu prédio, pois conforme dispõe a súmula vinculante nº 23 do STF, as ações possessórias ajuizadas em decorrência de greve de trabalhadores da iniciativa privada é de competência da Justiça do Trabalho. Dessa forma, como os motoristas e cobradores em greve não possuem relação estatutária ou de caráter jurídico-administrativo com a Prefeitura, mas sim empregatícia (celetista) com a empresa concessionária, a competência será da Justiça do Trabalho, pois decorrente do exercício de greve de trabalhadores da iniciativa privada. b. Poderiam ser utilizados pela Prefeitura como fundamentos constitucionais para amparar a pretensão de que os manifestantes desocupem seu prédio os princípios implícitos da continuidade dos serviços públicos e da supremacia do interesse público e o princípio explícito da eficiência (art. 37, caput), argumentando que a ocupação prejudicaria o exercício da atividade administrativa. Além disso, embora na ação possessória não se discuta direito de propriedade, indiretamente é possível invocar a garantia ao direito à propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88). https://www.facebook.com/carreirastrabalhistascomElissoneHenrique/posts/estudo-de-caso-2-trtmgproposta-de-respostao-sindicato-dos-motoristas-e-cobradore/1702053950017705/ Atividade Avaliativa Complementar N1 ATIVIDADE COMPLEMENTAR Nº 01 VALOR: 5 PONTOS ESTUDO DE CASO O sindicato dos motoristas e cobradores do Município de Vitória da Conquista/BA organizou, no curso do movimento grevista, manifestação em frente à sede de empresa Cidade Azul Ltda, ora concessionária de transporte público contratada pelo município, para o fim de pleitear aumento salarial em favor de seus filiados. No entanto, os manifestantes empregados da empresa Cidade Azul ultrapassaram as barreiras de proteção existentes e, mediante uso de força física, adentraram no saguão principal do edifício sede da empresa, onde pernoitaram. O mesmo sindicato também organizou manifestação em frente à sede da Prefeitura, para pleitear que o contrato de concessão firmado entre o Município e a Cidade Azul Ltda. fosse revisto e reajustado, com o fim de viabilizar a concordância da concessionária com o aumento salarial de seus empregados. Os empregados da empresa concessionária novamente violaram as barreiras de proteção existentes e valendo-se do uso da força física adentraram no saguão principal do edifício da Prefeitura, onde também pernoitaram. Considerando essa situação, responda, justificadamente: a) A Justiça do Trabalho será competente para julgar eventual ação possessória proposta pela empresa Cidade Azul Ltda. para que os manifestantes desocupem o seu prédio? (Pontuação: 2,00) b) a) A Justiça do Trabalho será competente para julgar eventual ação possessória proposta pela Prefeitura de Vitória da Conquista/BA para que os manifestantes desocupem o seu prédio? (Pontuação: 2,00) c) Qual fundamento jurídico constitucional caberia ser invocado pela Prefeitura e a empresa Cidade Azul Ltda. para amparar a pretensão de que os manifestantes desocupem o prédio? (Pontuação: 1,00) a.1 – Função da Justiça do Trabalho (114, II, CR/88 c/c Súmula Vinculante 23 do STF) a.2 – Seria função da Justiça Comum Estadual, pois já que a questão de mérito não se vincula a greve propriamente (trata-se de uma manifestação, organizada pelo sindicato, pleiteando a revisão de um contrato de concessão), fora que que a relação entre os trabalhadores e a prefeitura não é trabalhista e,portanto, não atrairia a competência da Justiça do Trabalho. b. – Acredito que , o fundamento constitucional seria o exercício irregular do direito de reunião estabelecido no art. 5º, XVI, da CR/88. Porém, creio que a banca também poderia exigir o abuso do direito de greve (art. 9º, da CR/88), apesar de não se tratar de um fundamento constitucional em si (já que os elementos para a caracterização de uma greve abusiva estão na lei de greve - Lei 7.783/89).