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Oscar Cardoso Dimatos Médico dermatologista CRM-SC 16451 / RQE 11515 Dermatoses vesicobolhosas autoimunes Dermatoses vesicobolhosas autoimunes ● As doenças primariamente bolhosas são definidas como dermatoses de natureza geralmente autoimune, caracterizadas clinicamente por bolhas ou, menos frequentemente, por vesículas. ● Elas podem ter localizações intraepidérmicas ou subepidérmicas. Do ponto de vista clínico, as bolhas intraepidérmicas tendem a ser mais efêmeras e superficiais, como no caso dos pênfigos. As bolhas subepidérmicas, por sua vez, tendem a ser maiores e mais duradouras, como nas demais doenças do grupo das bolhosas autoimunes, por terem toda a epiderme como teto. Genodermatoses bolhosas ● Em algumas enfermidades bolhosas, que aparecem nos primeiros anos de vida, de caráter genético, ocorre mutação genética de um dos componentes moleculares da epiderme ou da união dermoepidérmica; ● Essas enfermidades constituem as genodermatoses bolhosas, como o pênfigo familiar benigno (doença de Hailey-Hailey) e as epidermólises bolhosas. Rivitti EA. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. Classificação das dermatoses vesicobolhosas autoimunes Doenças vesicobolhosas intraepidérmicas Doenças vesicobolhosas subepidérmicas Pênfigo foliáceo clássico Pênfigo foliáceo endêmico Pênfigo vulgar Pênfigo vegetante Pênfigo por IgA Pênfigo paraneoplásico Pênfigo induzido por medicamentos Penfigoide bolhoso Penfigoide das membranas mucosas Herpes gestacional Dermatose por IgA linear Dermatite herpetiforme Epidermólise bolhosa adquirida Lúpus eritematoso bolhoso Rivitti EA. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. 4ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 2018 Pênfigos ● Grupo de doenças autoimunes com comprometimento cutâneo e/ou mucoso, que apresenta como característica comum a presença de bolhas intraepidérmicas. ● Essas bolhas ocorrem por acantólise. Ocorre a produção de autoanticorpos dirigidos contra antígenos do desmossomo, estrutura celular responsável pela adesão celular epitelial. Rivitti EA. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. Classificação - Pênfigos A– Pênfigo Foliáceo (PF) PF não endêmico (Pênfigo de Cazenave) PF Endêmico (Fogo Selvagem) B- Pênfigo Vulgar (PV) PV PV Vegetante C– Outras Variantes de Pênfigo Herpetiforme Paraneoplásico Por Drogas Por IgA Pênfigo Foliáceo Clássico ou Doença de Cazenave ● Ocorrência universal. Incidência de 0,5 caso/milhão/ano. Acomete pacientes na quarta ou quinta décadas de vida, mas rara em crianças. ● Etiologia autoimune. Autoanticorpos IgG contra desmogleína 1. Susceptibilidade genética: MHC classe II- HLA DRB1*04 e DRB1*14 (alelos DRB1*0102, DRB1*0402, DRB1*0406, DRB1*1404). A presença da desmogleína 3 pode compensar a perda da função da desmogleína 1 provocada pelo anticorpo patogênico (teoria da compensação). Porro AM, Seque CA, Ferreira MCC, Enokihara MMSS. Pemphigus vulgaris. An Bras Dermatol. 2019;94(3):264-78. Pênfigo Foliáceo Clássico - Clínica ● Bolhas superficiais que se rompem com facilidade, formando áreas eritematosas, recobertas por crostas e escamas. Sinal de Nikolsky positivo. ● As lesões se iniciam, geralmente, na face, no pescoço e na parte superior do tronco, podendo permanecer nessas localizações por meses ou anos. Pode ocorrer disseminação das lesões, com evolução para a forma eritrodérmica, ou para a forma invasivobolhosa. Não há acometimento das mucosas. Pênfigo Foliáceo Clássico - Diagnóstico ● A citologia revela células acantolíticas. AP: bolha intraepidérmica com acantólise alta. ● A imunofluorescência direta (IFD) demonstra depósitos de IgG e C3 nos espaços intercelulares da epiderme. Depósitos de imunocomplexos eventuais na zona da membrana basal (ZMB). A imunofluorescência indireta (IFI) revela IgG circulante com padrão de depósito intercelular, intraepitelial em altos títulos. ● Subclasses de IgG: IgG4 indica atividade da doença; IgG1 doentes em remissão ou em estágio pré- enfermidade. Reconhecimento do alvo antigênico desmogleína 1 (Dsg1 = 160 kDa) por immunoblotting, imunoprecipitação e ELISA. Pênfigo Foliáceo Clássico – Tratamento ● Predsinona 0,5-1,0 mg/kg/dia, sendo posteriormente reduzida até a dose mínima necessária para o controle do quadro clínico. Em formas resistentes, substituir pela triancinolona (dose-equivalente), ou adicionar micofenolato mofetil até 3g/dia. ● Pode ser indicado curativo oclusivo com corticoide ou infiltração com triancinolona nas lesões resistentes localizadas. ● Plasmaférese ou imunoglobulina endovenosa (IVIg) adjuvantes podem ser empregadas nas formas disseminadas e resistentes. Algoritmo de tratamento do Pênfigo Foliáceo FS – fogo selvagem; ASC – área de superfície corporal (1% representa a soma das áreas lesadas, correspondendo à área da palma da mão); CE – corticosteroide; DDS – diamino-difenil-sulfona; AZA – azatioprina; MMF – micofenolato de mofetila; MTX – metotrexato; IgEV – imunoglobulina endovenosa. Porro AM, Hans Filho G, Santi CG. Consensus on the treatment of autoimmune bullous dermatoses: pemphigus vulgaris and pemphigus foliaceus – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):S20-32. Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Doença endêmica no Brasil. Caracteriza-se, histologicamente, pela formação de bolhas intraepidérmicas com acantólise. Fogo selvagem e pênfigo foliáceo (PF) de Cazenave têm características clínicas e histológicas comuns e ambos apresentam autoanticorpos da subclasse IgG4, cujo antígeno-alvo é a desmogleína 1, antígeno desmossomal de 160kd. ● O FS acomete mais frequentemente crianças, adolescentes e adultos jovens que vivem nas áreas rurais de regiões endêmicas, e é comum a ocorrência de casos familiares, enquanto o PF tem ocorrência universal, em geral sem casos familiares. Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) Epidemiologia: ● O primeiro registro de FS no Brasil é de Paes Leme, em tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903. No decorrer da década de 1930, o número de casos de FS aumentou significativamente no Estado de São Paulo. ● Estudos epidemiológicos mostraram então que a incidência de FS tinha tendência a diminuir, fato relacionado com a melhoria das condições de vida das populações, como foi observado no Estado de São Paulo. Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Atualmente, os principais focos da doença situam-se nas regiões Central e Sudeste do Brasil. ● A endemicidade da enfermidade com a existência de focos geograficamente definidos e sua ocorrência em áreas rurais em colonização sugerem influência de fatores ambientais no desencadeamento do FS. Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Etiologia: multifatorial. → Genética: HLADRB1 (sequência de oito aminoácidos posição 67-74: risco relativo 6,7). → Ambiental: exposição contínua a picadas de insetos hematófagos (simulídeos – S. nigrimanum e flebótomos – L. longipalpis), ambiente rural, domicílios de adobe. → Imunológica: mecanismo de epitope spreading intramolecular (doentes em remissão e controles sadios de áreas endêmicas reconhecem a porção extracelular 5 da Dsg1, enquanto os com FS em atividade reconhecem as porções 1 e 2 da molécula). Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Fenômeno da expansão de epítopos: → Inicialmente os anticorpos originados pelos fatores ambientais desconhecidos reconhecem o domínio extracelular EC 5 da desmogleína-1, mas esse fenômeno não leva à acantólise.→ Quando os anticorpos antidesmogleína passam a reconhecer os domínios EC1 e EC2, o que ocorre nos indivíduos geneticamente predispostos, produz acantólise e surge a doença ativa. Rivitti EA. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. 4ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 2018 Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Estudou- se a presença de anticorpos antidesmogleína 1 no soro de doentes de dermatoses infecciosas que ocorrem também em áreas endêmicas de PF (hanseníase, paracoccidioidomicose) e de doenças cuja cadeia de transmissão participam insetos vetores que também existem nas áreas de PFE (leishmaniose, transmitida por flebotomídeos; oncocercose, transmitida por simulídeos; e doença de Chagas, transmitida por triatomídeos). Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Verificou-se positividade significativa dos anticorpos antidesmogleína nas doenças que têm insetos como vetores, oncocercose (83%), leishmaniose (43%) e doença de Chagas (58%) em relação às doenças em que não há participação de insetos na cadeia de transmissão, hanseníase (17%) e paracoccidioidomicose (25%) ● Por outro lado, verificou-se que os anticorpos presentes no soro desses doentes reagem contra o epítopo EC 5 da porção extracelular da desmogleína, não havendo, portanto, indução de acantólise. Pênfigo Foliáceo Endêmico (Fogo Selvagem) ● Admite-se que componentes da saliva do inseto possam desencadear a produção de anticorpos IgM, IgE e IgG1, não patogênicos, dirigidos contra o EC5 da Dsg1 e indíviduos de áreas endêmicas portadores dos alelos de suscetibilidade do HLA supracitados, através do epitope spreading, passam a reconhecer os domínios patogênicos EC1 e EC2, com produção de IgG4 antidesmogleína 1, levando a acantólise e formação de bolhas. ● Considerado a forma mais grave de pênfigo, com incidência anual variando entre 0,76 (Finlândia) e 16,1 (Israel) casos/milhão de habitantes, dependendo da população estudada. ● Tem distribuição universal, porém são descritos mais casos entre os judeus. Estudos de histocompatibilidade têm mostrado uma incidência aumentada do HLA-DR4 (em judeus ashkenazi) e do DRw6 (em outros grupos étnicos). Pênfigo Vulgar ● Acomete principalmente adultos, com pico de incidência entre a quarta e a sexta décadas de vida sendo que, no Brasil, acomete também adultos jovens. ● A maior parte dos estudos aponta para uma maior incidência em mulheres, sendo que a relação mulher:homem varia de 1:1 (Finlândia) a 5:0 (EUA). Pênfigo Vulgar ● O alvo antigênico é a Dsg 3, que apresenta expressão relevante em mucosas. ● Quando há formação de bolhas cutâneas, atribui-se ao reconhecimento da Dsg 1 pelos autoanticorpos. Pênfigo Vulgar ● Inicia-se em 50-60% dos casos com exulcerações da mucosa bucal que lembram aftas, podendo anteceder por vários meses as lesões cutâneas. ● Bolhas superficiais, flácidas, que se rompem com facilidade, e se confluem formando grandes áreas erosadas. Sinal de Nikolsky positivo. ● Pode atingir várias mucosas (laríngea, faríngea, esofágica, vulvar, anal, ocular). Pênfigo Vulgar - Clínica ● Histopatologia: clivagem suprabasal com acantólise. ● IFD: demonstra depósitos de IgG e C3 nos espaços intercelulares da epiderme, com predomínio da fluorescência nas camadas inferiores do epitélio. IFI: revela IgG circulante com padrão de depósito intercelular, intraepitelial. ● Alvos antigênicos: Dsg 1=160kDa e/ou Dsg3=130kDa, por immunoblotting, imunoprecipitação e ELISA. Pênfigo Vulgar - Diagnóstico ● Tratamento: Prednisona 1,0-1,5 mg/kg/dia (máximo 150mg) associado ou não a: → Dapsona 100mg/dia (lesões orais resistentes); → Azatioprina 1 a 3mg/kg/dia (100-200mg/dia); → Micofenolato de Mofetila 35-45 mg/kg/dia (máximo de 3g/dia); → Gamaglobulina intravenosa; → Anti-CD20 (rituximabe); Além do controle laboratorial, sempre se indica a administração de antiparasitários para estrongioloidíase, mesmo na ausência de exame parasitológico positivo. Pênfigo Vulgar Algoritmo de tratamento do Pênfigo Vulgar PV: pênfigo vulgar; AZA: azatioprina; MMF: micofenolato de mofetila; IVIG: imunoglobulina intravenosa PV mucoso: Leve: lesões limitadas na mucosa oral / Moderado: lesões extensas na mucosa oral / Grave: acometimento também de outras mucosas (p.ex., esôfago, laringe) PV mucocutâneo: Leve: < 1% de ASC / Moderado: 1 a 10% de ASC / Grave: > 10% de ASC (ASC: soma das áreas das lesões correspondendo ao percentual de Área de Superfície Corporal), sendo que 1% equivale aproximadamente à área palmar da mão incluindo os dedos * Esta classificação de gravidade não é definitiva e tem como objetivo fornecer uma orientação inicial. Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, inclusive considerando-se a velocidade de instalação e progressão das lesões, comorbidades, contraindicações ao uso de corticosteroides e resposta ao tratamento instituído. ** Prednisona pode ser substituída por prednisolona oral Porro AM, Hans Filho G, Santi CG. Consensus on the treatment of autoimmune bullous dermatoses: pemphigus vulgaris and pemphigus foliaceus – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):S20-32. ● Variante benigna de PV e costuma ocorrer em doentes mais jovens. ● Como no PV, as lesões costumam se iniciar na mucosa oral. Evoluem, acometendo grandes dobras flexurais e intertriginosas. ● As bolhas são flácidas e, ao se romperem, dão lugar a áreas exulceradas envolvidas por vegetações que formam placas de aspecto verrucoso e hiperpigmentado. Pênfigo Vegetante ● Histologia: acantólise suprabasal com hiperplasia epitelial e a presença de microabscessos de eosinófilos. ● Tratamento: idêntico ao do PV, mas como o curso da doença costuma ser mais benigno, as doses de corticoide são menores e a prognose é boa. Pode-se, também, fazer infiltrações locais de corticoide. Pênfigo Vegetante ● Doença bolhosa autoimune subepidérmica que acomete indivíduos idosos, comum acima dos 60 anos, embora raramente ocorra também na infância. ● Não há predileção por cor de pele ou sexo. Penfigoide Bolhoso ● Autoanticorpos da classe IgG são identificados na doença e dirigem-se contra antígenos de 230kD e 180kD (BP230 Ag1 e BP180 Ag2). ● BP 230 localiza-se na placa hemidesmossômica; e o BP 180 é uma glicoproteína transmembrânica, cujo domínio extracelular ultrapassa a lâmina lúcida da ZMB, correspondendo aos filamentos de ancoragem. Penfigoide Bolhoso Rivitti EA. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. ● Bolhas grandes e tensas, de conteúdo claro ou hemorrágico, que aparecem sobre pele normal ou eritematoedematosa urticariforme e intensamente pruriginosas. ● Predileção pelas áreas flexurais, particularmente face interna das coxas, virilha, axilas e parte inferior do abdome, podendo acometer todo o corpo, embora alguns doentes apresentem doença localizada. Penfigoide Bolhoso – Clínica ● Pode haver comprometimento mucoso que ocorre em cerca de 10 a 35% dos doentes, geralmente limitado à mucosa bucal. Os lábios são raramente acometidos. Penfigoide Bolhoso – Clínica ● Histologia: bolha subepidérmica, não acantolítica, e infiltrado inflamatório com numerosos eosinófilos, monócitos e alguns neutrófilos. ● IFD: depósito linear ou em faixa ao longo da ZMB de C3 em torno dos 100% e de IgG, aproximadamente em 90%. Ocasionalmente, depósito de IgA e/ou IgM. Penfigóide Bolhoso - Diagnóstico ● IFI: descartar outros diagnósticos diferenciais, pois o PB apresenta anticorpos circulantes em aproximadamente 70% dos pacientes. Os anticorpos são do tipo IgG e da subclasse IgG4. ● P/ melhor esclarecimento diagnóstico na IFI: técnicade separação dermoepidérmica in vitro com NaCl (split skin), em que se observa que a fluorescência ocorre no teto ou no assoalho da bolha. Diferencia o PB da EBA, pois no PB a fluorescência ocorre, predominantemente, no teto e, na EBA, no assoalho. Penfigóide Bolhoso - Diagnóstico Rivitti EA. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. ● → Corticosteroides sistêmicos; → Outros tratamentos indicados: dapsona, tetraciclina associada à nicotinamida, metotrexato, azatioprina, ciclofosfamida, micofenolato mofetil, ciclosporina, imunoglobulina EV e plasmaférese; → Corticosteroides tópicos podem ser indicados na doença localizada. Penfigoide Bolhoso - Tratamento ● Sinonímia: Doença de Duhring-Brocq. ● Doença relativamente benigna, de caráter polimorfo, pruriginosa, com fases de exacerbação e acalmia relativa, associada, muitas vezes, à enteropatia tipo glúten-sensível, geralmente assintomática. Dermatite Herpetiforme ● Relativamente rara, predomina no adulto jovem, embora possa ocorrer na criança e no adolescente. ● Atinge mais o sexo masculino do que o feminino (2:1). É indiferente quanto à raça. ● Ha susceptibilidade genética para manifestação da doença, demonstrada pela associação entre dois HLA específicos, que são HLA-DQ2 e HLA-DQ8. Dermatite Herpetiforme ● O paciente apresenta-se com lesões papulovesiculosas que, quando se agrupam, formam aspecto herpetiforme. As lesões da DH são simetricamente distribuídas e se localizam sobretudo nas superfícies externas de cotovelos e joelhos, na fronte, região superior do dorso, região sacral e nádegas, regiões escapulares, podendo ocorrer em qualquer parte do corpo. ● As lesões podem apresentar-se escoriadas pelo prurido, que é uma característica da DH e pode ser muito intenso, em geral não se correlacionando com a extensão da doença clínica. Dermatite Herpetiforme ● As mucosas geralmente não estão comprometidas. Outros sinais podem acompanhar a DH, como anemia, osteopenia, osteoporose, alterações dentárias, infertilidade e aborto, e sua associação com outras doenças autoimunes é bastante comum. Dermatite Herpetiforme ● Histologia: vesícula subepidérmica com neutrófilos no seu interior, além de coleções de neutrófilos formando microabscessos nas papilas dérmicas. Esses achados não são exclusivos da DH. Quadro histopatológico costuma ser inespecífico em 35-40% dos casos. ● IFD: depósito granular de IgA na ZMB e na papila dérmica. Dermatite Herpetiforme ● Anticorpos circulantes: complementa o diagnóstico da doença, mas não é indispensável. Mais sensíveis e importantes na DH são os anticorpos anti-TG3, porém podem ser detectados anticorpos anti-TG2, antiendomísio e antigliadina, mais relacionados à doença celíaca. ● Os níveis séricos desses autoanticorpos mostram correlação com a atividade da doença intestinal e servem para monitorar a adesão à dieta livre de glúten, apresentando títulos muito baixos ou negativação em pacientes com boa adesão à dieta. Dermatite Herpetiforme ● Consiste na restrição rigorosa de glúten na dieta e no uso de sulfona, na dose média para adultos de 100mg/dia. ● Nos pacientes com deficiência de G6PD é possível utilizar colchicina ou sulfassalazina, e até mesmo, com menor efetividade, prednisona e azatioprina. Dermatite Herpetiforme - Tratamento ● Risco de malignidades associado à dermatite herpetiforme é descrito, especialmente com linfomas, sendo que 78% ocorrem no trato gastrointestinal. ● A dieta isenta de glúten parece ter papel protetor contra o desenvolvimento de linfomas. Dermatite Herpetiforme - Tratamento 1- Rivitti EA. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. 2- Rivitti EA. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. 4ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 2018. 3- Azulay RD, Azulay DR. Dermatologia. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2017. 4- Azulay-Abulafia L, Hanauer L, Leal FRPC, Azulay DR, Bonalumi Filho A. Atlas de Dermatologia: da semiologia ao diagnóstico. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2013. 5- Cunha PR, Barraviera SRCS. Dermatoses bolhosas autoimunes. An Bras Dermatol. 2009;84(2):111-24. 6- Kumar V, Abbas AK, Aster J. Robbins & Cotran Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. 7- Aoki V, Sousa JX Jr, Fukumori LM, Perigo AM, Freitas EL, Oliveira ZNP. Imunofluorescencia direta e indireta. An Bras Dermatol. 2010;85(4):490-500. 8- Porro AM, Hans Filho G, Santi CG. Consensus on the treatment of autoimmune bullous dermatoses: pemphigus vulgaris and pemphigus foliaceus – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):S20-32. 9- Vale ECS, Dimatos OC, Porro AM, Santi CG. Consensus on the treatment of autoimmune bullous dermatoses: dermatitis herpetiformis and linear IgA bullous dermatosis – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):S48-55. 10- Porro AM, Seque CA, Ferreira MCC, Enokihara MMSS. Pemphigus vulgaris. An Bras Dermatol. 2019;94(3):264-78. Referências Bibliográficas (UFSC- 2013) Assinale a alternativa correta com relação às doenças bolhosas da pele: a) O descolamento da camada mais superficial da epiderme após a fricção (sinal de Nikolsky) é o achado patagnomônico de pênfigo vulgar b) Habitualmente, observamos acometimento mucocutâneo no pênfigo vulgar, enquanto no pênfigo foliáceo as mucosas são menos acometidas c) A acantólise (perda da coesão entre as células da epiderme), que leva à formação de bolhas superficiais, é uma das características do penfigóide bolhoso d) O pênfigo vulgar habitualmente é uma manifestação paraneoplásica e) A biópsia das lesões bolhosas, quando da suspeita de pênfigo, não está indicada na fase aguda, em virtude do alto risco de infecção secundária, sendo iniciado tratamento empírico (UFSC- 2013) Assinale a alternativa correta com relação às doenças bolhosas da pele: a) O descolamento da camada mais superficial da epiderme após a fricção (sinal de Nikolsky) é o achado patagnomônico de pênfigo vulgar b) Habitualmente, observamos acometimento mucocutâneo no pênfigo vulgar, enquanto no pênfigo foliáceo as mucosas são menos acometidas c) A acantólise (perda da coesão entre as células da epiderme), que leva à formação de bolhas superficiais, é uma das características do penfigóide bolhoso d) O pênfigo vulgar habitualmente é uma manifestação paraneoplásica e) A biópsia das lesões bolhosas, quando da suspeita de pênfigo, não está indicada na fase aguda, em virtude do alto risco de infecção secundária, sendo iniciado tratamento empírico UFG 2012 - Uma paciente de 17 anos apresenta, há aproximadamente 1 mês, quadro de bolhas no corpo que rompem com facilidade. As lesões localizam-se principalmente na face e tronco superior. Apresenta, ainda, áreas de erosão e crostas associadas à sensação de queimação nas lesões. Relata frequentar chácaras nos finais de semana. Nega uso de medicamentos. Esse quadro clínico é característico de: a) Pênfigo vulgar b) Penfigóide bolhoso c) Pênfigo foliáceo endêmico d) Penfigóide cicatricial UFG 2012 - Uma paciente de 17 anos apresenta, há aproximadamente 1 mês, quadro de bolhas no corpo que rompem com facilidade. As lesões localizam-se principalmente na face e tronco superior. Apresenta, ainda, áreas de erosão e crostas associadas à sensação de queimação nas lesões. Relata frequentar chácaras nos finais de semana. Nega uso de medicamentos. Esse quadro clínico é característico de: a) Pênfigo vulgar b) Penfigóide bolhoso c) Pênfigo foliáceo endêmico d) Penfigóide cicatricial HC-ICC 2012 – Qual das patologias cutâneas relacionadas a seguir representa o diagnóstico que implica dietarigorasamente livre de glúten ? a) Dermatose por IgA linear b) Dermatite herpetiforme c) Porfiria cutânea tardia d) Pênfigo e) Penfigóide bolhoso HC-ICC 2012 – Qual das patologias cutâneas relacionadas a seguir representa o diagnóstico que implica dieta rigorasamente livre de glúten ? a) Dermatose por IgA linear b) Dermatite herpetiforme c) Porfiria cutânea tardia d) Pênfigo e) Penfigóide bolhoso UFJF Clínica Médica 2008 – Em um paciente portador de estomatite crônica sem causa definida, deve-se pensar sempre em: a) Pênfigo foliáceo b) Pênfigo bolhoso c) Pênfigo vulgar d) Dermatite herpetiforme e) Aftas crônicas UFJF Clínica Médica 2008 – Em um paciente portador de estomatite crônica sem causa definida, deve-se pensar sempre em: a) Pênfigo foliáceo b) Pênfigo bolhoso c) Pênfigo vulgar d) Dermatite herpetiforme e) Aftas crônicas SES SC Clínica Médica 2008 – Um homem branco de 28 anos chega para consulta no posto de saúde, queixando-se de prurido intenso e grave. Apresenta escoriações e erosões em ambos os cotovelos, joelhos, nádegas e couro cabeludo, principalmente em região occiptal. O paciente não refere outras queixas significativas. Assinale a alternativa correta com relação ao sistema orgânico, além da pele, que estará mais provavelmente envolvido: a) Pulmonar b) Neurológico c) Cardiovascular d) Geniturinário e) Gastrointestinal SES SC Clínica Médica 2008 – Um homem branco de 28 anos chega para consulta no posto de saúde, queixando-se de prurido intenso e grave. Apresenta escoriações e erosões em ambos os cotovelos, joelhos, nádegas e couro cabeludo, principalmente em região occiptal. O paciente não refere outras queixas significativas. Assinale a alternativa correta com relação ao sistema orgânico, além da pele, que estará mais provavelmente envolvido: a) Pulmonar b) Neurológico c) Cardiovascular d) Geniturinário e) Gastrointestinal UFPR Clínica Médica 2006 – Uma paciente de 32 anos apresenta, há 3 semanas, lesões vesiculosas na cavidade oral. O teste de Tzanck demonstrou células acantolíticas em abundância. Sugere- se como principal hipótese diagnóstica: a) Eritema multiforme b) Herpes simples c) Pênfigo foliáceo d) Pênfigo vulgar e) Doença de Behçet UFPR Clínica Médica 2006 – Uma paciente de 32 anos apresenta, há 3 semanas, lesões vesiculosas na cavidade oral. O teste de Tzanck demonstrou células acantolíticas em abundância. Sugere- se como principal hipótese diagnóstica: a) Eritema multiforme b) Herpes simples c) Pênfigo foliáceo d) Pênfigo vulgar e) Doença de Behçet