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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO - UNEMAT CAMPUS UNIVERSITÁRIO PROF. EUGÊNIO CARLOS STIELLER - TANGARÁ DA SERRA FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, BIOLÓGICAS, ENGENHARIAS E DA SAÚDE CURSO DE BACHARELADO EM ENGENHARIA CIVIL PAMELA CARINE DOS SANTOS ALMEIDA RENNAN POSCA DE SOUZA PERDAS DE PROTENSÃO Tangará da Serra – MT Junho/2019 1. INTRODUÇÃO Nos dias atuais a sociedade necessita de estruturas cada vez mais eficientes, com relação a capacidade de suporte quanto ao conforto em sua utilização. E diversas pesquisas e técnicas vem sendo aprimorada na área da engenharia em busca de alcançar esses objetivos. Segundo Pfeil (1988), o primeiro passo no campo das estruturas foi a utilização de barras de aço no interior do concreto conhecido como concreto armado. O que levou várias décadas para o desenvolvimento, devido o problema de fissuração. A preocupação com as fissuras fez com que os engenheiros desenvolvessem técnicas de pré-compressão de vigas, fazendo com que a seção do concreto permanecesse comprimida sob as cargas de serviço, ficando livre de fissuras. A partir disso surgiu o conceito de protensão de estruturas, que pode ser definido como artificio de introduzir um estado prévio de tensões em uma estrutura, assim melhorando sua resistência e seu comportamento sob ação solicitante (PEREIRA,1987). A princípio as barras de armações eram tracionadas e depois realizada a concretagem, o que apresentava bom comportamento sob carga de serviço. Depois de um período de tempo verificou-se que o desempenho obtido havia desaparecido e o seu comportamento era a mesma de uma estrutura de concreto convencional. Foi então que em 1928 o engenheiro francês EugèneFreyssinet, fundamentou os fenômenos citados, e criou um sistema capaz de comprimir a viga sem perder suas características. Ele comprovou queos encurtamentos no concreto se davam devido á retração e fluência, e que as tensões obtidas na tração das armaduras eram inferiores para a necessidade, então ele utilizou fios de aços trefilados que possuem tensões maiores e sua a perda de protensão ainda atendia a capacidade necessária (LEONHARDT, 1983). 2. PERDAS DE PROTENSÃO Perdas de protensão são todas perdas verificadas nos esforços ou nas tensões que são aplicadas aos cabos, e são classificadas de acordo com o agente causador ouquanto a época de ocorrência.A tensão na armadura de protensão decresce gradativamente com o tempo, ocorre mais rapidamente no início, e depois vai lentamente ao longo da vida útil da peça, como pode ser verificas da imagem Figura 1 - Reduções de alongamento na armadura de protensão originam reduções de tensão. Fonte: Concreto Protendido (UNESP, 2019) Todas as diferentes perdas são somadas e chamada de perda de protensão total, e assim estimar a força de protensão efetiva final, necessária no projeto das peças protendidas. Pode-se observas que a perda de protensão tem relação com o concreto e ao aço, e são instantâneas ou dependentes do tempo, também ocorre dependendo da peça ser pré ou pós-tensionada. A NBR 6118 classifica as perdas em função do instante de ocorrência, como: a) perdas iniciais (na pré-tração): aquelas que ocorrem antes da transferência da protensão para a peça; b) perdas imediatas: aquelas que ocorrem durante a transferência da protensão; c) perdas posteriores progressivas: aquelas que ocorrem após a transferência da protensão, crescentes e ao longo do tempo de vida útil da peça. PERDAS DE PROTENSÃO NA PRÉ-TRAÇÃO A figura abaixo mostra as perdas de protensão na pré-tração, ao longo do tempo da peça. Figura 2 – Diagrama força de protensão x tempo para peça protendida pré- tensionada. Fonte: Concreto Protendido (UNESP, 2019) Segundo (Bastos,2019) a primeira perda inicial se dá pelo escorregamento na ancoragem que após a operação de estiramento da armadura de protensão, o macaco hidráulico solta a armadura, que escorrega alguns poucos milímetros e neste movimento arrasta a cunha para dentro do furo cônico da peça porta-cunha, até a sua completa cravação(ΔPanc). A partir desse instante os fios permanecem alongados, fixados nas extremidades, e só serão soltos quando o concreto das peças tiver a resistência necessária. A armadura de protensão permanece sob tensão constantes, e apresenta uma perda de tensão ao longo do tempo, como uma propriedade natural do aço conhecido como relaxação (ΔPr1). Após terminado o estiramento o concreto é lançado, adere aos fios, e tem o endurecimento iniciadoo concreto começa a diminuir de volume, originando assim a perda por retração (ΔPcs1). Quando o concreto atinge a resistência necessária os fios são soltos e inicia-se a transferência da protensão para a peça, que comprime o concreto que se deforma e encurta e a armadura de protensão simultaneamente também encurta, caracterizando uma perda do alongamento inicial, e consequentemente perda de força de protensão, por encurtamento elástico inicial(ΔPenc). Os cabos permanecem alongados no interior da peça, por toda sua vida útil, o que leva à perda por relaxação(ΔPr2). O concreto continua a apresentar deformações devido a retração e da fluência, que ocasiona mais duas perdas (ΔPcs2 e ΔPcc2) (Bastos, 2019). As três primeiras perdas são iniciais(ΔPanc, ΔPr1 e ΔPcs1), ΔPenc é uma perda imediata, e as três últimas são perdasprogressivas(ΔPenc, ΔPcs2 e ΔPcc2). A perda de força de protensão total na pré-tensão é dada por: ΔPtot = (ΔPanc + ΔPr1 + ΔPcs1) + ΔPenc + (ΔPr2 + ΔPcs2 + ΔPcc2) PERDAS DE PROTENSÃO NA POS-TRAÇÃO As perdas de forças de protensão que ocorrem na pós-tração ao longo do tempo de vida da peça, pode ser verificada na imagem a seguir: Figura 3 – Diagrama força de protensão x tempo para peça protendida pós- tensionada Fonte: Concreto Protendido (UNESP, 2019) Segundo (Bastos, 2019) os cabos são curvos e estirados um a um em momentos diferentes, quando o primeiro cabo é estirado, a curvatura existem gera o atrito entre as cordoalhas e a superfície interna da bainha, assim diminui o movimento de alongamento das cordoalhasda peça, gerando a primeira perda de protensão inicial, a por atrito (ΔPatr). Quando os cabos são soltos pelo macacohidráulico, as cordoalhas se movimentam, até a fixação das cunhas nos dispositivos de ancoragem, essa ação gera perda inicial por escorregamento na ancoragem (ΔPanc). A partir desse momento os cabos começam a atuar no cabo ocorrem a perdas por relaxação do aço e retração e fluência do concreto (ΔPr1 , ΔPcs1 e ΔPcc1), e são chamas de iniciais pois a protensão total não totalmente aplicada na peça. Para cada cabo estirado inicia-se a perda por fluência inicial do concreto, pois os cabos aplicam tensões de compressão no concreto, a perda aumenta conforme cada cabo é estirado, no qual provoca perda por fluência nos cabos já estirados. Se os cabos forem estirados em um período pequeno essas perdas são desprezadas, mas se haver necessidade podem ser estimadas. A perda por encurtamento elástico imediato do concreto (ΔPenc), ocorre a partir do segundo cabo estirado, que provoca a perda no primeiro cabo, e assim subsequentes nos demais cabos. As perdas progressivas posterior, atuam a partir da protensão completa dos cabos, por toda vida da peça, sendo elas a relaxação do aço (ΔPr2) e por retração e fluência do concreto (ΔPcs2 e ΔPcc2). A perda de força de protensão total na pós-tensão é dada por: ΔPtot = (ΔPatr + ΔPanc) + ΔPenc + (ΔPr1 + ΔPcs1 + ΔPcc1) + (ΔPr2 + ΔPcs2 + ΔPcc2) CONCLUSÃO Como podem ser observadas, as perdas de protensão atuam na estrutura desde no inicio de sua fabricação, no qual ocorre rapidamente até o período de vida útilda peça, mas de forma lenta. Existem diferentes perdas sendo elas: as perdas iniciais, imediatas e progressivas. Saber identificar sua origem, e seu comportamento é fundamental para um futuro projetista de concreto protendidos, pois facilita o dimensionamento da estrutura. Referenciais BASTOS.Paulo Sérgio. Concreto Protendido.UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP - Campus de Bauru/SP. Março de 2019. BORTONE, Thiago P. Avaliação das Tensões no Estado Limite de Serviço em Seções de Concreto Protendido. Universidade Federal de Minas Gerais. LEONHARDT, F.Construções de Concreto: vol.6: Concreto Protendido. Tradução de João Luís Escosteguy Merino. Rio deJaneiro, Brasil: Editora Interciência, 1983. PEREIRA, S. S. R. SVTSCP: Um Sistema para Verificação de Tensões em Seções em Concreto Protendido. Dissertação (Mestrado) — UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil, agosto 1987 PFEIL, W. Concreto Armado: Introdução – Constituição e Propriedades, Sistemas Estruturais e Critérios de Dimensionamento. 5ª Edição. Rio de Janeiro, Brasil: LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda., 1988.