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RepResentação temática- classificação Prof.a Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos Indaial – 2019 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Prof.a Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: M444r Mattos, Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Representação temática - classificação. / Miriam de Cassia do Carmo Mascarenhas Mattos. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 182 p.; il. ISBN 978-85-515-0328-7 1. Classificação - Livros. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 025.43 III apResentação A representação temática, também conhecida como classificação, juntamente com a representação descritiva, ou catalogação, fazem parte das disciplinas técnicas da área de biblioteconomia, do campo da organização da informação e do conhecimento. Estas, somadas ao processo de indexação, formam as linguagens documentárias, ou seja, linguagens construídas artificialmente que possibilitam a recuperação da informação e o acesso do acervo por parte dos usuários. Recuperação da informação catalogação indexaçãoclassificação FIGURA 1 – LINGUAGENS DOCUMENTÁRIAS FONTE: A autora Para Guimarães e Sales (2010, p. 3), a análise documentária é uma “operação de decomposição (análise) e representação do conteúdo informacional dos documentos. Pressupõe um conjunto sistemático e sequencial de procedimentos que podem ser explicitados”, sendo, portanto, crucial em relação à questão da explicitação dos procedimentos e para a contribuição interdisciplinar de áreas como a Linguística e a Lógica, “necessitando, para tal, de um conjunto de ferramentas, denominadas linguagens documentais”. O objetivo principal da análise documentária é “expressar o conteúdo de documentos sob formas destinadas a facilitar a recuperação da informação através de uma operação semântica. A análise, embora não obedeça a nenhuma regra precisa, varia em função de cada organismo e do analista” — pessoa que executa a operação (DIAS; NAVES, 2007, p. 6). Nesse processo são importantes algumas considerações apontadas por Guinchat e Menou (1994, p. 121), como: IV • conhecer o conteúdo para informar os usuários; • operar escolhas para eliminar ou conservar um documento; • armazenar os documentos; • armazenar para recuperar facilmente os documentos. Os entendimentos dos conceitos acerca das análises documentárias divergem um pouco de acordo com a corrente teórica. Vejamos algumas de suas diferenças: • Corrente francesa: a análise documentária é um macrouniverso no qual a indexação está inserida. A indexação é, então, o resultado da fase de representação, fase final da análise documentária, em que se utilizam as linguagens documentárias para a geração de produtos documentários. • Corrente espanhola: a análise documentária comporta dois níveis de divisão: ᵒ o da forma: análise descritiva ou bibliográfica — o tratamento físico da informação ligado com o suporte; ᵒ o do conteúdo: tratamento temático da informação, e destina-se à representação condensada do assunto intrínseco ou extrínseco tratado em um determinado documento. • Corrente inglesa: a análise documentária e a indexação compreendem processos idênticos, incluindo a análise de assuntos como etapa inicial da indexação. Indexação, entendendo-a como um processo. Segundo os estudos de Guimarães e Sales (2010), as correntes teóricas demonstram ter mais influências, no contexto brasileiro, em configurações enquanto: geração de produtos (corrente norte-americana), na concepção instrumental (corrente inglesa) e no processo propriamente dito (corrente francesa). Dadas as explicações iniciais necessárias para o entendimento do conteúdo e dinâmica da disciplina, observamos que nosso foco neste livro didático será a representação temática, ou seja, a classificação. Na primeira unidade, veremos os aspectos históricos da classificação do conhecimento, perpassando a longa jornada até a utilização dos processos de classificação atuais. Nesta etapa apresentaremos alguns conceitos do conteúdo, bem como abordagens iniciais da representação temática. Nas segunda e terceira unidades, apresentaremos as duas principais formas de classificação mais utilizadas em todo o mundo, a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal Universal (CDU). Estas serão aprofundadas para que você consiga diferenciá-las, bem como utilizar suas ferramentas de forma completa. V Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! É importante observar que é somente com a prática que você realmente aprenderá os recursos dos instrumentos de classificação. Para isso é recomendado que além dos exercícios propostos ao longo da disciplina, seu primeiro estágio obrigatório tenha como foco aspectos técnicos dos processos de linguagens documentárias. Seja nos sistemas de classificação e catalogação da informação. Isso mostrará a realidade profissional bem como sua importância para a recuperação da informação. Bons estudos! Prof.ª Miriam Mattos NOTA VI VII UNIDADE 1 – HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ............................... 1 TÓPICO 1 – REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA ....... 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 CONCEITOS DE CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................ 5 2.1 CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRAFICA ........................................................................................... 7 2.2 NOTAÇÃO ....................................................................................................................................... 8 2.3 ALGUMAS DICAS DE CLASSIFICAÇÃO ................................................................................. 9 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 11 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 12 TÓPICO 2 – HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS ............................................. 13 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................13 2 DA ORALIDADE À ESCRITA ......................................................................................................... 13 2.1 OS SUPORTES DA ESCRITA ......................................................................................................... 15 3 CLASSIFICAÇÃO NA ANTIGUIDADE ......................................................................................... 17 3.1 CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓTELES .......................................................................................... 21 3.2 CLASSIFICAÇÃO SÉCULO IV ...................................................................................................... 22 3.3 CLASSIFICAÇÃO DE CASSIDORO ............................................................................................. 23 3.4 CLASSIFICAÇÃO NA ERA MEDIEVAL ..................................................................................... 23 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 25 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 26 TÓPICO 3 – HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS ..................................... 27 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 27 2 KONRAD VON GESNER ................................................................................................................... 28 3 GABRIEL NAUDÉ ................................................................................................................................ 29 4 MANUEL DE LIBRAIRE ET DE L´AMATEURDESLIVRES ....................................................... 30 5 FRANCIS BACON E AUGUSTO COMTE ...................................................................................... 31 6 AUGUSTO COMTE ............................................................................................................................. 31 7 MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO MODERNOS ......................................................................... 32 7.1 LCC – LIBRARY OF CONGRESS – 1897 ..................................................................................... 32 7.2 CLASSIFICAÇÃO DE BROWN – SUBJECT CLASSIFICATION – 1906 .................................. 34 7.3 A CONTRIBUIÇÃO DE BLISS PARA A CLASSIFICAÇÃO .................................................... 35 7.4 CLASSIFICAÇÃO DE RANGANATHAN .................................................................................. 36 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 39 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 43 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 45 UNIDADE 2 – CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY ............................................................. 47 TÓPICO 1 – CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS........ 49 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 49 2 HISTÓRICO ........................................................................................................................................... 49 sumáRio VIII 3 CRONOLOGIA DAS EDIÇÕES ........................................................................................................ 53 4 ESTRUTURA DA CDD IMPRESSA ................................................................................................. 54 5 CARACTERÍSTICAS E ESTRUTURA DA VERSÃO ONLINE ................................................. 56 6 HIERARQUIA E NOTAÇÃO ............................................................................................................. 57 7 SÍNTESES ............................................................................................................................................... 61 8 ORDEM DE CITAÇÃO E PREFERÊNCIA ....................................................................................... 64 9 INDICE RELATIVO ............................................................................................................................ 65 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 68 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 69 TÓPICO 2 – TABELAS AUXILIARES .................................................................................................. 73 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 73 2 TABELA 1: SUBDIVISÕES PADRÃO/COMUM ............................................................................ 74 3 TABELA 2: SUBDIVISÃO DE TRATAMENTO GEOGRÁFICO, PERÍODOS HISTÓRICOS E BIOGRAFIAS ......................................................................................................... 77 4 TABELAS 3A, 3B E 3C – SUBDIVISÃO DE ARTES E LITERATURAS ESPECÍFICAS ........ 78 4.1 TABELA 3-A (AUTORES INDIVIDUAIS) ................................................................................... 79 4.2 TABELAS 3-B: OBRAS DE/SOBRE MAIS DE UM AUTOR ...................................................... 80 4.2.1 Miscelânea ............................................................................................................................... 81 4.3 TABELAS 3-C DETALHES DA TABELA 3-B E DO 808/809 ...................................................... 81 5 TABELA 4 – SUBDIVISÃO DE LÍNGUAS E FAMÍLIAS LINGUÍSTICAS ............................. 82 6 TABELA 5 – SUBDIVISÃO DE ETNIAS E GRUPOS ÉTNICOS .............................................. 83 7 TABELA 6 – LÍNGUAS ...................................................................................................................... 84 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 86 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 87 TÓPICO 3 – TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS ....................................................................... 89 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 89 2 PONTUAÇÃO NOS ESQUEMAS ..................................................................................................... 90 2.1 INDICAÇÃO DE NOTAS NOS ESQUEMAS ............................................................................. 90 2.2 PRINCÍPIOS PARA A ESCOLHA NOTACIONAL: REGRAS BÁSICAS ................................ 90 3 CLASSE 000 – GENERALIDADES .................................................................................................... 94 3.1 SUMÁRIO DA CLASSE 000 (VERSÃO IMPRESSA) ................................................................. 94 4 CLASSES 100 – 200 – 300 ..................................................................................................................... 97 5 CLASSE 400 – LÍNGUAS ................................................................................................................... 98 5.1 DICIONÁRIOS ................................................................................................................................. 98 5.1.1 Dicionários bilíngues .............................................................................................................99 6 CLASSE 500 – 600 – 700 ........................................................................................................................ 99 7 CLASSE 800 – LITERATURA (BELAS ARTES) E RETÓRICA .................................................... 102 8 CLASSE 900 – GEOGRAFIA, HISTÓRIA E DISCIPLINAS AUXILIARES .............................. 105 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 107 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 114 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 116 UNIDADE 3 – CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL .......................................................... 117 TÓPICO 1 – HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA .............................................................. 119 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 119 2 HISTÓRICO .......................................................................................................................................... 119 3 INSTRUMENTOS DE CONTROLE BIBLIOGRÁFICO ............................................................... 121 4 EDIÇÕES DA CDU .............................................................................................................................. 123 5 CDU NO BRASIL ................................................................................................................................. 124 IX 6 EDIÇÃO ONLINE EM PORTUGUÊS .............................................................................................. 126 7 PRINCÍPIOS DA CDU ........................................................................................................................ 128 8 ESTRUTURA DA CDU........................................................................................................................ 131 8.1 INDICE .............................................................................................................................................. 132 8.2 TABELAS SISTEMATICAS ........................................................................................................... 133 8.3 FUNÇÃO DO PONTO DECIMAL ............................................................................................... 134 8.4 REDUÇÃO OU USO SIMPLIFICADO DA NOTAÇÃO ............................................................ 134 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 135 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 136 TÓPICO 2 – TABELAS AUXILIARES .................................................................................................. 137 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 137 2 TABELAS AUXILIARES ..................................................................................................................... 137 2.1 SINAIS E FUNÇOES ...................................................................................................................... 138 3 SUBDIVISOES AUXILIARES ............................................................................................................ 139 3.1 AUXILIARES COMUNS DE LÍNGUA – TABELA 1C ............................................................... 140 3.1.1 Ordem de citação .................................................................................................................... 141 3.1.2 Documentos multilíngues ..................................................................................................... 141 3.2 (0...) AUXILIARES COMUNS DE FORMA – TABELA 1D ....................................................... 142 3.2.1 Forma interna e forma externa ............................................................................................. 142 3.3 ORDEM DE CITAÇÃO ................................................................................................................... 142 3.4 (1/9) AUXILIARES COMUNS DE LUGAR – TABELA 1E ......................................................... 143 3.4.1 Ordem de citação .................................................................................................................... 143 3.4.2 Mais subdivisões ..................................................................................................................... 144 3.5 (=...) AUXILIARES COMUNS DE GRUPOS HUMANOS, ETNIAS E NACIONALIDADE – TABELA 1F ........................................................................................................................................ 144 3.5.1 Nota de aplicação .................................................................................................................... 145 3.5.2 Ordem de citação .................................................................................................................... 145 3.6 “...” AUXILIARES COMUNS DE TEMPO. TABELA 1G ........................................................... 145 3.6.1 Notação ................................................................................................................................... 146 3.6.2 Ordem de citação ................................................................................................................... 146 3.6.3 Datas ......................................................................................................................................... 146 3.6.4 Era cristã ou era comum e era pré-cristã ............................................................................ 147 3.6.5 Séculos, décadas ..................................................................................................................... 147 3.6.6 Períodos .................................................................................................................................... 147 3.6.7 Divisões de tempo menores .................................................................................................. 148 3.7 ESPECIFICAÇÃO DE ASSUNTO ATRAVÉS DE NOTAÇÕES QUE NÃO PERTENCEM A CDU .................................................................................................................................................... 148 3.7.1 * Asterisco ................................................................................................................................ 148 3.7.2 (A/Z) Especificação alfabética – Tabela 1h .......................................................................... 148 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 151 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 153 TÓPICO 3 – TABELAS PRINCIPAIS ................................................................................................... 155 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 155 2 TABELAS PRINCIPAIS ....................................................................................................................... 155 3 CLASSE 0 – GENERALIDADES ........................................................................................................ 157 4 CLASSE 1 – FILOSOFIA & CLASSE 2 – RELIGIÃO ..................................................................... 157 5 CLASSE 3 – CIÊNCIAS SOCIAIS .....................................................................................................158 6 CLASSE 5 E 6 – MATEMÁTICAS E CIÊNCIAS NATURAIS E CIÊNCIAS APLICADAS, MEDICINA, TECNOLOGIA .............................................................................................................. 160 7 CLASSE 7 – ARTES, RECREAÇÃO, DIVERSÕES, ESPORTES .................................................. 161 X 8 CLASSE 8 – LÍNGUA. LINGUÍSTICA. LITERATURA ................................................................ 162 9 CLASSE 9 – GEOGRAFIA, BIOGRAFIA E HISTÓRIA................................................................ 163 10 ORDEM DE CITAÇÃO ..................................................................................................................... 164 10.1 INTERCALAÇÃO ......................................................................................................................... 165 11 ORDEM DE ARQUIVAMENTO .................................................................................................... 165 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 167 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 176 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 178 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 179 1 UNIDADE 1 HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer os conceitos iniciais e contextos da classificação bibliográfica; • compreender o contexto histórico da classificação bibliográfica; • diferenciar os tipos de classificação; • utilizar os sistemas de classificação no âmbito profissional Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA TÓPICO 2 – HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS TÓPICO 3 – HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA 1 INTRODUÇÃO Ao chegarmos em uma biblioteca, vemos, nas lombadas dos livros e outros tipos de acervo, uma etiqueta com uma série de números e letras e outros símbolos, resultado de um processo de classifi cação. FIGURA 2 – LIVROS CLASSIFICADOS E CATÁLOGOS FONTE: <https://bibliotecabauru.fi les.wordpress.com/2013/06/lombada.jpg>. Acesso em: 31 maio 2019. São estes dados que informam a que classe do conhecimento este acervo pertence, ou seja, sua representação temática, bem como a forma de organização desses materiais nas estantes das unidades de informação. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 4 IMPORTANT E Quando falamos de acervo, logo pensamos em livros e textos escritos como revistas, artigos, entre outros, que, de fato, são a maioria entre os materiais utilizados em unidades de informação. Porém, quando falamos de acervo, temos que lembrar da existência de outros materiais, como: mapas, jogos, DVDs, partituras, discos e objetos em geral. Somente através dos sistemas de classificação, somados a outras técnicas da biblioteconomia, que podemos de fato recuperar a informação presente em acervos. IMPORTANT E Materiais “organizados” nem sempre podem ser recuperados! Os materiais podem até estar aparentemente “organizados” em estantes, por exemplo, por tamanho, por cor, por tipo de material etc., mas, somente será possível recuperar seus conteúdos se esta organização estiver relacionada à classificação e à catalogação, pois não classificamos o objeto em si, classificamos sua informação, seu conteúdo. Já pensou ter vários materiais de formato igual, mas com conteúdo diferentes? Contudo, antes de aprofundar o assunto, vejamos algumas considerações de Piedade (1983, p. 8) sobre classificação: • O ser humano é, naturalmente, um classificador, executando esse processo de maneira inconsciente. • Classificação é um processo mental, habitual ao homem, pois vivemos automaticamente classificando coisas e ideias, a fim de compreendê-las e conhecê-las. • Com o desenvolvimento da oralidade e da escrita, esse ser adquiriu o poder de representar através de sons e símbolos, coisas, ideias e sentimentos. Assim, podemos afirmar que os sistemas de classificação envolvem: TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA 5 Estrutura Ordem Método FIGURA 3 – CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO FONTE: A autora Durante muitos séculos a arrumação dos livros de uma biblioteca foi feita apenas com intituito de preservá-los para posteridade. Segundo Barbosa (1969), o conceito moderno de biblioteca como um organismo vivo veio do século XIX, com a disseminação das universidades, e, consequentemente, com o surgimento das bibliotecas universitárias públicas. Até então as coleções tinham sido arrumadas por sistemas ou filosóficos ou por práticas, mas, com a adoção do sistema de livre acesso, os bibliotecários sentiram cada vez mais a necessidade de uma arrumação sistemática, algo que reunisse os livros pelos assuntos que encerram, a fim de melhor interesses dos usuários. Ainda, assim, surgiram os grandes sistemas de classificação, como a CDD e CDU, assuntos que serão aprofundados nas Unidades 2 e 3 deste livro didático. IMPORTANT E Podemos considerar que a classificação é a tarefa mais importante de uma biblioteca, pois constitui o meio pelo qual o acervo poderá ser recuperado e utilizado, fazendo surgir novos conhecimentos. 2 CONCEITOS DE CLASSIFICAÇÃO Classificar é a ação de reunir em classe. É um instrumento para organizar um conjunto de elementos. Organizar itens de uma Unidade de Informação pela semelhança, tamanho, cor, ordem alfabética, assunto etc. A palavra classificar tem sua origem do latim, classis, que se designavam os grupos dos povos romanos que eram divididos e classificados hierarquicamente aplicando suas diferenças, sejam elas sociais, culturais ou quaisquer outras. Ou seja, a classificação nada mais é que separar e agrupar as coisas (documentos) por grupos diferentes, mantendo certa ordem (SILVA; HERCULANO, 2012, p. 2). O livro é um conjunto de ideias, teorias, experimentos acerca de um dado assunto/disciplina. É este assunto que classificamos, e não o suporte físico. Serve como base para organização sistemática dos registros produzidos/publicados pelo homem em catálogos e bibliografias. Por exemplo, um bom sistema de classificação deve permitir: UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 6 • Localizá-los dentro da coleção. • Retirá-los para consulta, com rapidez. • Devolvê-los à coleção, sem dificuldade. • Inserir novos livros aos já existentes, na coleção, sem que percam suas ordens lógicas. • Inserir novos livros, de novos assuntos, sem quebrar a sequência do grupo. O propósito da classificação em unidades de informação é organizar o conhecimento contido em qualquer tipo de documento. Na prática: reunir na estante (fisicamente) os itens bibliográficos de um mesmo assunto. Por isso, o assunto é a principal característica da atividade de classificação e, para classificar, precisamos de um instrumento que nos ajude a separar os itens por assunto, ou melhor, que nos ajude a representar de forma padronizada os assuntos contidos nestes itens. Em uma biblioteca, o leitor pode procurar um livro pelo autor, título, série, tradutor ou editor, entretanto, na maioria das vezes, é pelo assunto que ele procura. Para acessar, ele tem três opções: • Procurar num catalogo, que pode ser em fichas, ou digital. • Pedir ajuda ao bibliotecário ou auxiliar de Biblioteconomia. • Ir diretamente às estantes. Qualquer que seja a forma que utilize, eleprecisa encontrá-los reunidos, não só pelos assuntos semelhantes, como também pelos assuntos correlatos. É comum o usuário chegar à biblioteca sem mesmo saber definir exatamente o assunto que procura. Orientado para as estantes, fica admirado de encontrar outros livros de assuntos bem mais específicos à necessidade. Daí a necessidade de classificar os livros partindo de grandes áreas de conhecimento para áreas especializadas. Só a classificação sistemática permite a correlação de assunto. Ao longo do Tópico 2 veremos a história da classificação. Contudo, já podemos adiantar que existem dois tipos de classificação • Classificações filosóficas: criadas por filósofos, com o intuito de dar ordem às ciências ou às coisas — classificação dos seres. • Classificações bibliográficas: desenvolvidas para estabelecer relações entre os documentos de uma coleção, em bibliotecas e centros de informação ou documentação, facilitando a localização — classificação dos saberes. No quadro a seguir podemos verificar os principais autores das classificações filosóficas e bibliográficas: TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA 7 FILOSOFICAS Aristóteles (364-322 a.C.) Porfírio (Sec. IV) Cassidoro (468-575) Bacon (1561-1626) Comte (1798 – 1857) BIBLIOGRÁFICAS Calimacus (Pinaks (260 a 2040 a. C) Gesner (1545) G. Naudé, Brunet, Diderot e D’Alembert (fim do Sec. XVIII) Melvin Dewey (1816-1914) Bliss (1870-1955) Ranganathan (1933) CRG (1952) QUADRO 1 – AUTORES E SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÕES FONTE: A autora 2.1 CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRAFICA Podemos definir como classificação bibliográfica aquela aplicada aos livros e a outros tipos de acervo, como processo de reuni-los em grupos, segundo os assuntos que abrangem, enquadrá-los num sistema estabelecido, dando, ao mesmo tempo, um lugar certo na coleção, ou seja, uma localização relativa. Dadas essas informações iniciais, antes de aprofundarmos sobre os sistemas de classificação atuais, vamos resgatar o processo histórico das classificações. A classificação de livros é, nada mais nada menos, que a classificação dos conhecimentos humanos, adaptada à forma material do livro. De acordo com Barbosa (1969), o livro, por sua forma física, só pode estar num lugar na coleção. Então, quando ele tratar de vários assuntos, se escolherá um deles de acordo com a especialidade da biblioteca, ficando ao catálogo a função de relacionar. Contudo, o que significa um lugar certo na coleção ou uma localização relativa? Justamente aquela que permite: • Que novos livros com novos assuntos sejam acrescentados, sem mudar a ordem lógica. • Que novos livros sejam anexados a outros materiais que contenham mesmos assuntos. • Que os livros troquem de prateleira, estantes ou salas sem perderem suas posições na coleção. A localização relativa só é conseguida através de uma arrumação ordinal, seja usando letras ou números. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 8 IMPORTANT E Deve-se a Melvil Dewey o uso dos números, na ordem decimal, para arrumação dos livros de uma coleção. Antes, os números, mesmo usados decimalmente, eram empregados apenas para localização fixa. Seu índice relativo foi idealizado com esse sentido: daí o nome de relativo, isto é, feito de tal modo que os usuários de uma biblioteca soubessem os diversos aspectos de um assunto e onde encontrá-los na coleção, recorrendo às estantes, aos catálogos ou a outras fontes bibliográficas (BARBOSA, 1969). 2.2 NOTAÇÃO Como podemos observar, o processo de classificação de livros implica em agrupar os assuntos, trocando o nome ou termo por sinais ou símbolos correspondentes. Daí diz-se que a classificação é uma linguagem artificial. A esses símbolos dá-se o nome de notação da classificação. Para que vários livros com o mesmo símbolo sejam diferenciados, há a necessidade de acrescentar à notação da classificação a notação do autor. Para isso, existem tabelas especiais, sendo a mais usada a tabela de cuttes-sanborn. Ao conjunto das duas notações se dá o nome de número de chamada. Número de chamada é, assim, o símbolo que individualiza o livro dentro de uma coleção, pois numa biblioteca não pode haver dois livros com o mesmo número de chamada. A notação de uma classificação é fator importante para aceitação do sistema, já que precisa ser simples, facilmente memorizável, de modo a permitir expansões de novos assuntos. Podem existir: • simples ou pura: quando há somente letras ou números; • mista: quando existem ambos simultaneamente. A notação é imprescindível a qualquer sistema por ser representação simbólica dos assuntos. Quanto mais simples e mais memorizável, mais facial a aceitação do sistema. Segundo Barbosa (1969, p. 33), “ao ter a feliz ideia de usar números decimais como símbolos de classificação, Dewey conseguiu, com tão simples dispositivo, uma vantagem tão grande sobre os processos até então em uso. Então, projetou seu sistema internacionalmente”. TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA NO CONTEXTO DA BIBLIOTECONOMIA 9 IMPORTANT E A notação CDD é a única considerada essencialmente pura, pois só emprega números, tem a grande vantagem de ser altamente memorizável e não apresenta problemas linguísticos. Para conservar o caráter flexível, isto é, permitir a inserção de novos assuntos, todos os sistemas deixam vazios para futuras expansões e, quando essa medida não se torna suficiente, alguns adotam o recurso do uso dos números na ordem decimal. Podemos afirmar que, apesar de tais cuidados, os sistemas nem sempre são 100% eficientes, pois todos têm suas limitações. A ciência e a tecnologia progridem aceleradamente, criando técnicas e novos produtos; as ciências se desdobram e nova terminologia aparece, fazendo com que a maior parte dos sistemas, por mais que se atualizem, e novas edições ou suplementos não cheguem nunca a satisfazer plenamente as exigências dos usuários. Segundo Barbosa (1969, p. 34), “somente os sistemas chamados analíticos sintéticos, como a CDU e a Classificação dos dois pontos, são capazes de atender a essas necessidades, embora, em muitos casos, as notações se tornem demasiadamente longas”. 2.3 ALGUMAS DICAS DE CLASSIFICAÇÃO O importante a ser considerado no processo de classificação é o perfeito entendimento, por parte de quem está classificando, do sentido que o autor quis dar ao seu trabalho. Para isso é recomendado a leitura técnica do livro. Há livros de assuntos gerais, fáceis de classificar, mas há outros de difícil interpretação, cujo texto exigirá mais do classificador. NOTA Nem sempre o título corresponde ao assunto. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 10 Segundo (MERRILL, 1958 apud BARBOSA, 1969, p. 18-19), no livro intitulado Código para classificadores, aconselha-se: a) O livro deve ser classificado onde é mais procurado. b) Classificar o livro primeiro pelo assunto e depois pela forma de apresentação ou local, exceto em literatura, caso em que a forma tem preferência. c) Classificar pelo assunto principal, segundo a finalidade do livro e a intenção do autor ao escrevê-lo. d) Quando o livro tratar de vários assuntos ou das relações entre dois ou mais, deve ser determinada a relação entre eles e classificar obedecendo às seguintes regras: • quando, em dois assuntos, um deve exercer influência; • no caso de dois ou mais assuntos que forem subdivisões de assunto maior, classificar pelo assunto maior; • quando ocorrerem dois assuntos distintos ligados por conjunção, classifica pelo primeiro deles, a não ser que o outro seja de maior interesse para a biblioteca; • para dois assuntos em que um seja a causa ou agente de outro classificar pelo assunto resultante ou derivado. e) Quando um livro tratar da história de um assunto deve ser classificado no assunto, mesmo que esse não comporte subdivisão para história. f) Quando um livro tratar dos métodos de investigação, deve ser classificado com o assunto investigado, e não com ométodo empregado para a pesquisa. g) Se o livro tratar de assunto referente a um país ou a uma pessoa, classificar com o assunto tratado mais especificamente. h) Se o livro tratar das origens de costumes, instituições ou crenças, classificar sob os costumes, instituições etc., e não sob aquelas origens. 11 Neste tópico, você aprendeu que: • Podemos considerar que a classificação é a tarefa mais importante de uma biblioteca, pois constitui o meio pelo qual o acervo poderá ser recuperado e utilizado, fazendo surgir novos conhecimentos. • Classificar é a ação de reunir em classe. É um instrumento para organizar um conjunto de elementos. Organizar itens de uma Unidade de Informação pela semelhança, tamanho, cor, ordem alfabética, assunto etc. • Um bom sistema de classificação de livros deve permitir: localizar elementos dentro da coleção; retirá-los para consulta, com rapidez; devolvê-los à coleção, sem dificuldade e inserir novos objetos aos já existentes na coleção, sem que percam suas ordens lógicas. Por fim, inserir novos elementos, de novos assuntos, sem quebrar a sequência do grupo. • O propósito da classificação em unidades de informação é organizar o conhecimento contido em qualquer tipo de documento. Na prática: reunir na estante (fisicamente) os itens bibliográficos de um mesmo assunto. • O assunto é a principal característica da atividade de classificação e, para classificar, precisamos de um instrumento que nos ajude a separar os itens por assunto, ou melhor, que nos ajude a representar de forma padronizada os assuntos contidos nestes itens. • Existem dois tipos de classificação: as filosóficas — criadas por filósofos, com o intuito de dar ordem às ciências ou às coisas — classificação dos seres. E as classificações bibliográficas — desenvolvidas para estabelecer relações entre os documentos de uma coleção, em bibliotecas e centros de informação ou documentação, facilitando a localização— classificação dos saberes. • Para que vários livros com o mesmo símbolo sejam diferenciados, há necessidade de acrescentar-se à notação da classificação a notação do autor. RESUMO DO TÓPICO 1 12 1 Qual o propósito da classificação em unidades de informação? 2 O que um bom sistema de classificação deve permitir? AUTOATIVIDADE 13 TÓPICO 2 HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A arte de classifi car constitui-se em algo inerente para a existência humana, assim sendo, é possível afi rmar que classifi car é uma atividade muito antiga; porém a aquisição de base teórica se deu recentemente. Essa foi a força propulsora para a condição de ciência (BEZERRA et al., 2013, p. 3). Para falar da história das classifi cações é importante retomarmos alguns marcos que dão base para esse processo. Estamos falando das origens da escrita, bem como das suas formas. Temas que abordaremos brevemente agora. 2 DA ORALIDADE À ESCRITA Durante muito tempo, a oralidade foi a única forma de comunicação e transmissão de conhecimento. O ser humano descobriu que não bastava a memória para armazenar e passar sua cultura para seus descendentes, pois na oralidade fatos podem ser alterados. “Desde a pré-história, o homem de neandertal aprendeu a pintar nas paredes das grutas, passou pelas artes e a escrita foi se aperfeiçoando até o nosso alfabeto contemporâneo” (NASCIMENTO; PINTO; VALE, 2013, p. 1). É importante ponderar que, cada um desses momentos, traduziram, e traduzem, um momento histórico e sociocultural de uma nação. FIGURA 4 – DESENHOS EM CAVERNAS FONTE: <https://blogdamaricalegari.com.br/2016/08/11/a-arte-no-periodo-paleolitico- superior/>. Acesso em: 31 maio 2019. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 14 IMPORTANT E A habilidade para o desenho surgiu no período de 30.000 a 25.000 a.C. Os homens na idade da pedra usavam argila úmida e com os dedos retratavam, nas cavernas, acontecimentos do dia a dia como a caça, animais correndo, saltando e enfrentando caçadores. Graças a essas pinturas o homem contemporâneo pôde conhecer a sua origem. A invenção da escrita marca o fi m da pré-história. Ela nasce da necessidade de organização social. As primeiras tentativas de criação de sistemas de escrita aconteceram por volta de 4000 a.C. Os sistemas mais rudimentares apareceram muito antes que os primeiros alfabetos ganhassem forma. FIGURA 5 – EVOLUÇÃO DA ESCRITA FONTE: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/origem-escrita.htm>. Acesso em: 31 maio 2019. Não podemos atribuir o surgimento da escrita a uma única sociedade. Em épocas bastante próximas, civilizações americanas, os egípcios, chineses e mesopotâmicos começaram a desenvolver seus sistemas de representação gráfi ca. Após escrever nas paredes das cavernas, a humanidade passa para as tábuas de argila com a escrita cuneiforme: “A escrita cuneiforme tira o seu nome [...] do aspecto exterior dos sinais em formas de cunhas [...]. A página era [...] cozida no forno, como uma telha comum” (MARTINS, 1998 apud NASCIMENTO; PINTO; VALE, 2013, p. 2). TÓPICO 2 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS 15 FIGURA 6 – ESCRITA CUNEIFORME FONTE: <http://expurgacao.art.br/pictogramas-vs-escrita-cuneiforme/>. Acesso em: 31 maio 2019. A escrita cuneiforme surgiu na Babilônia, em meados do quarto milênio a.C. Criada pelos sumérios, era produzida com o auxílio de objetos em formato de cunha. A escrita cuneiforme é uma das mais antigas do mundo, apareceu mais ou menos na mesma época dos hieróglifos, foi criada por volta de 3.500 a.C. 2.1 OS SUPORTES DA ESCRITA Como vimos no tópico anterior, com o passar dos tempos, a escrita precisou mudar, bem como seus suportes. Eram necessários materiais que pudessem ser melhor armazenados e transportados. Mesmo nesses suportes antigos, já existiam indícios de formas de classifi cação, como veremos adiante. Destacamos aqui, de forma breve, os três principais suportes históricos da escrita. O papiro tem sua origem na África por volta de 3700 a.C. Era produzido de uma planta nativa das margens do Rio Nilo, a Arundinária. FONTE: <http://letraslivroseafi ns.blogspot.com/2007/04/papiro-origem-o-papiro-um-produto- de.html>. Acesso em: 31 maio 2019. FIGURA 7 – PAPIRO UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 16 O pergaminho foi o principal suporte da escrita durante a Idade Média. Desenvolvido a partir do couro de animais jovens reaproveitados. Da palavra pergaminho surge o papel. FONTE: <https://noosfero.ufba.br/artes-visuais-2012/curiosidades/diferenca-entre-papiro-e- pergaminho>. Acesso em: 31 maio 2019. FONTE: <http://tipografos.net/tecnologias/papel.html>. Acesso em: 31 maio 2019. FIGURA 8 – PERGAMINHO FIGURA 9 - TIPÓGRAFO CHINÊS O papel, inventado pelos chineses — 105 d.C. — de cânhamo de algodão, depois de bambu e amoreira. Chegou à Espanha em 1150, onde se instalou um moinho de papel trazido pelos árabes. Assim, surge o papel de fibras vegetais. Nos dias atuais, a fabricação do papel tem como base a celulose como sua principal substância. Sua composição de fibras vegetais, carboidratos, amido e lignina utiliza de processos químicos que reduzem o teor de lignina, melhorando a qualidade. https://noosfero.ufba.br/artes-visuais-2012/curiosidades/diferenca-entre-papiro-e-pergaminho https://noosfero.ufba.br/artes-visuais-2012/curiosidades/diferenca-entre-papiro-e-pergaminho http://tipografos.net/tecnologias/papel.html TÓPICO 2 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS 17 3 CLASSIFICAÇÃO NA ANTIGUIDADE Segundo Piedade (1983), no que se refere à classificação na antiguidade, existem registros históricos de pseudoclassificações do século VI a.C. na Assíria, onde, na Biblioteca de Assurbanipal, quando a informação ainda era gravada em tabletes de argila, havia uma divisão bem simples entre aqueles destinados às ciências da terra e os das ciências do céu. Em 1975 foi encontrada uma das primeiras bibliotecas da Antiguidade, a biblioteca de Ebla, na Síria. Datadado terceiro milênio a.C., continha 15 mil tabuletas de argila, algumas com 30 cm de comprimento, que traziam textos administrativos extremamente precisos, tratados históricos, comunicados oficiais, listas de cidades conquistadas, disposições legais, além de textos literários e científicos organizados de acordo com o tema nas estantes de madeira. Os primeiros dicionários bilíngues (sumério- eblaense) surgem em Ebla como resultado dos estudos filológicos ali realizados por volta de 2500 a.C. (PIEDADE, 1983, p. 65). As escavações ainda revelaram uma sala adjacente onde eram feitos os documentos, bem como eram organizados, como podemos observar na ilustração a seguir: FIGURA 10 – BIBLIOTECA DE EBLA, NA SÍRIA FONTE: <https://frontispicio.wordpress.com/2016/03/07/as-bibliotecas-da-antiguidade/>. Acesso em: 31 maio 2019. Datam de 1.300 a.C. os tabletes com as primeiras informações bibliográficas de descrição física, encontrados em escavações hitita. Esses tabletes identificavam o número do tablete em uma série, o título e, muitas vezes, o escriba. As informações são encontradas outra vez nas escavações da biblioteca do rei assírio, Assurbanipal, em Nínive, datando de 650 a.C. Encontraram-se cerca de 20 mil tabletes, que registravam o título, o número do tablete ou volume, as primeiras palavras do tablete seguinte, o nome do possuidor original, o nome do escriba e um selo, indicando tratar-se de propriedade real. Presume-se https://frontispicio.wordpress.com/2016/03/07/as-bibliotecas-da-antiguidade/ UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 18 haver, nesta época, um embrião de catálogo. Existiu, certamente, um catálogo, inscrito nas paredes de um templo no Egito, mas datado dos séculos III e II a.C. (MEY, 1995, p. 12). No mesmo período, a civilização grega desenvolveu as bibliotecas mais famosas da Antiguidade: Alexandria e Pérgamo. Calímacus, um dos sábios de Alexandria, elaborou seus pínakes [tabulas], cerca de 250 a.C., onde registrava o número de linhas de cada obra e suas palavras iniciais, assim como dados bibliográficos sobre os autores. Vejamos como alguns assuntos eram classificação no modelo de Pínakes: • Poetas: épicos, cômicos, trágicos, ditirambos. • Legisladores. • Filósofos, Geométricos, Matemáticos. • Historiadores. • Oradores. • Escritores de tópicos diversos. IMPORTANT E BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA A Biblioteca de Alexandria, no Egito, foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo. Era o maior centro de conhecimento do planeta, guardando um saber sem igual. Foi fundada no início do século III a.C. Estima-se que a Biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000 nos seus 700 anos de existência. Vinham sábios de todo o mundo para Alexandria para debate e estudo dos mais variados temas. Este clima de tolerância para com as outras culturas não voltaria a ser visto durante mais de 1500 anos. FIGURA – UMA DAS PROJEÇÕES DA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA FONTE: <https://frontispicio.wordpress.com/2016/03/07/as-bibliotecas-da-antiguidade/>. Acesso em: 31 maio 2019. https://frontispicio.wordpress.com/2016/03/07/as-bibliotecas-da-antiguidade/ TÓPICO 2 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS 19 Em 391 d.C., a Biblioteca foi completamente destruída por um bispo cristão. Com a destruição deste grande centro de conhecimento a humanidade entrou em um período de enclausuramento e entesouramento do saber pela igreja e seus sacerdotes. Período que se estendeu pelos 1.000 anos seguintes. FONTE: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT343729-17770,00.html>. Acesso em: 31 maio 2019. FONTE: <https://www.archsearchapp.com.br/single-post/2014/10/30/Arch-Hoje-Arch- Curiosidades-Biblioteca-de-Alexandria>. Acesso em: 31 maio 2019. FONTE: <https://liberdade-cultural.blogspot.com/2010/07/biblioteca-de-alexandria.html>. Acesso em: 31 maio 2019. FIGURA – DESTRUIÇÃO DA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA FIGURA – NOVA ALEXANDRIA FIGURA – NOVA ALEXANDRIA 2 Em 2012 a biblioteca de Alexandria foi reinaugurada com uma estrutura incomum. A construção principal da Biblioteca Alexandrina, como agora é ofi cialmente chamada, parece um gigantesco cilindro inclinado. O telhado de vidro e alumínio tem quase o tamanho de dois campos de futebol. Ele é provido de claraboias, voltadas para o norte, que iluminam a sala de leitura principal. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 20 Os espaços públicos principais fi cam no enorme cilindro com o topo truncado, cuja parte inferior desce abaixo do nível do mar. A superfície inclinada e brilhante do telhado começa no subsolo e chega a 30 metros de altura. Olhando, quando a luz do Sol refl ete na superfície metálica, a construção parece o Sol quando nasce no horizonte (RESENDE, 2017). A ampla fachada do cilindro central, de granito cinza, tem letras de alfabetos antigos e modernos. Dispostas em fi leiras, as letras representam apropriadamente as bases fundamentais do conhecimento. A maior parte do interior do cilindro é ocupada por uma sala de leitura aberta, com o piso em vários níveis. No subsolo há espaço sufi ciente para oiyo milhões de volumes. Há também espaços reservados para exposições, salas de conferências, biblioteca para cegos e um planetário — uma estrutura esférica, à parte, que lembra um satélite. Esse prédio moderníssimo inclui ainda sistemas sofi sticados de computadores e de combate a incêndios (RESENDE, 2017). BIBLIOTECA DE PÉRGAMO A Biblioteca de Pérgamo foi fundada por Atalo I (241-197 a.C.), rei de da cidade de Pérgamo (no Noroeste da atual Turquia), como resposta ao enorme sucesso da Biblioteca de Alexandria. A rivalidade entre as duas leva o Egito a cortar o fornecimento de Papiro. Tal fato ocasionou a procura de alternativas, sendo apreciadas as peles de animais, que eram mais resistentes e duráveis. Mas eram um recurso caro e escasso, o que levou ao desenvolvimento de tecnologias para a sua otimização e reutilização, dando origem a um novo suporte, o pergamena, ou pergaminho. FONTE: <http://magisterandre.blogspot.com/2012/04/biblioteca-de-pergamo.html>. Acesso em: 31 maio 2019. FIGURA – RUINAS BIBLIOTECA DE PÉRGAMO Em 30 a.C., Marco Aurélio ofereceu o espólio da biblioteca de Pérgamo à Cleópatra do Egito, contribuindo para enriquecer ainda mais a sua rival. Fisicamente, a biblioteca compreendia uma grande sala de leitura, com cerca de 180 m2, muito bem ventilada, com prateleiras em todos os lados e uma estátua de Atena no centro. Calcula-se que uma sala desse tamanho abrigaria, no máximo, cerca de 17.000 rolos. Os textos, escritos em papiro e em pergaminho — a palavra "pergaminho", aliás, deriva de "Pérgamo" — a partir do século II, fi cavam enrolados nas prateleiras. TÓPICO 2 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS 21 3.1 CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓTELES A primeira tentativa de classifi cação do conhecimento de que se tem notícia foi desenvolvida por Aristóteles, que vigorou por, aproximadamente, 2000 anos (entre 300 a.C. e 1600 d.C.). Teria, o grande estagirita, mantido organizada por assunto, de acordo com sua própria divisão do conhecimento, uma biblioteca (termo aqui assumido em seu sentido metonímico e histórico de quase-sinônimo de coleção de documentos) constituída de exemplares de suas próprias obras, de seus mestres, de seus contemporâneos, e de escritores do passado a cujos textos tivera acesso (SILVA, 2010). FIGURA 11 – ARISTÓTELES FONTE: <https://www.todamateria.com.br/aristoteles/>. Acesso em: 31 maio 2019. Essa classifi cação dividia a ciência em três partes: • Teórica: objetivando o conhecimento de si (matemática, física e metafísica). • Prática: buscando o conhecimento como um guia de conduta, cujo propósito é a ação (ética, política, economia e retórica). • Produtiva: tendo como propósito a criação de um produto (poesia e artes). Presume-se que o objetivo de Aristóteles, nessa obra, foi de classifi car e analisar dez tipos de predicados ou gênerosdo ser, ou seja, quais são as dez categorias que todos objetos no mundo poderiam ser classifi cados. Suas categorias são: • Substância. • Quantidade. • Qualidade. • Lugar. • Tempo. • Estado. • Hábito. • Ação. • Paixão. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 22 Algumas vezes, as categorias são também chamadas de classes. Para Aristóteles as palavras sem combinação, umas com as outras, signifi cam por si mesmas uma das seguintes coisas: o que (substância), o quanto (quantidade), o como (qualidade), com o que se relaciona (relação), onde está (lugar), quando (tempo), como está (estado), em que circunstância (hábito), atividade (ação) e passividade (paixão). Dizendo de modo elementar, são exemplos de substância, homem, cavalo; de quantidade, de dois côvados de largura, ou de três côvados de largura; de qualidade, branco, gramatical; de relação, dobro, metade, maior; de lugar, no Liceu, no Mercado; de tempo, ontem, o ano passado; de estado, deitado, sentado; de hábito, calçado, armado; de ação, corta, queima; de paixão, é cortado, é queimado. 3.2 CLASSIFICAÇÃO SÉCULO IV Foi no século IV que o fi lósofo grego Porfírio desenvolveu uma classifi cação do conhecimento baseada no princípio da oposição, a classifi cação dicotômica. Para cada ramo do conhecimento havia outro de oposição. FIGURA 12 - ARVORE DE PORFÍRIO FONTE: <https://educacao.uol.com.br/biografi as/porfi rio.htm>. Acesso em: 31 maio 2019. TÓPICO 2 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: FILOSÓFICAS 23 3.3 CLASSIFICAÇÃO DE CASSIDORO Segundo Barbosa (1969), a árvore de porfírio é uma tênue demonstração da técnica da classifi cação, partindo de assuntos gerais para específi cos. Contudo, fi cou na história como a demonstração desse princípio. Martius Capella (439 D. C), na sua obra Satyricon, dividiu as artes liberais em sete grupos: gramática, dialética, retórica, geometria, astronomia, música e aritmética. Um século mais tarde, Cassiodoro usou a mesma divisão para artes liberais, reunindo-as em dois grandes grupos que fi caram conhecidos como Trivium e Quatrivium (chamadas as sete artes liberais). 3.4 CLASSIFICAÇÃO NA ERA MEDIEVAL Foi no século VI que São Bento ensinou seus monges, em Monte Cassino, a copiarem manuscritos. Por alguns séculos, os mosteiros passaram a ser os únicos preservadores, copistas e classifi cadores e catalogadores de livros, embora seu objetivo não era de estudo. O livro neste período era um símbolo de poder. FIGURA 13 – MONGE COPISTA FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Blades>. Acesso em: 31 maio 2019. As classifi cações nesse período eram feitas dividindo pelo suporte dos materiais, tamanho e ordem alfabética. Segundo Piedade (1983), o processo de ordenação dos livros torna-se mais diversifi cado, ordenando-os por tamanho, ordem alfabética dos autores e em ordem cronológica. UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 24 DICAS Para ilustrar esse período, sugerimos a leitura do livro e/ou assistir ao fi lme O nome da Rosa. Nele podemos observar a prioridade na conservação dos materiais e não a difusão do saber e do conhecimento. Os acervos eram fechados e privativos. Seus espaços físicos eram de uma construção hermética para difi cultar o acesso aos que lá não trabalhavam, aqueles curiosos. Constituía- se em um depósito de documentos que eram retirados quando necessários para consulta dos mantenedores da ordem. Era preciso servir ao domínio do conhecimento pelo alto clero ou realeza. FIGURA – FILME O NOME DA ROSA FONTE: <http://www.adorocinema.com/fi lmes/fi lme-2402/>. Acesso em: 31 maio 2019. A classifi cação, como prática consciente, nasce da necessidade de organizar um conjunto de coisas, de acordo com critérios, sejam eles simples como cores, tamanhos, formatos ou mais elaborados como o conteúdo. Foi também no século VIII o surgimento das primeiras listas de obras de bibliotecas medievais, provavelmente um inventário do acervo, contendo apenas título e, por vezes, nome do autor, mas sem ordem visível (talvez ordem das obras nas estantes). Observamos que, neste período, possuir um livro era um privilégio de poucos. Sua circulação e seu preparo eram envoltos em obstáculos que difi cultavam o acesso. Um dos fatores que contribuíram para essa inacessibilidade era o fator econômico. O livro custava caro. Outro era o tipo de material usado no preparo, bem como a difi culdade em fazer cópias. Por esses e por outros motivos, nesse período eram predominantes as bibliotecas particulares. Os reis, os príncipes de sangue, os grandes senhores, os homens do saber eram praticamente os únicos que possuíam bibliotecas com importância signifi cativa. Esses donos de bibliotecas as consideravam verdadeiros tesouros e toda biblioteca possuía um alto valor de mercado que chegava a representar não só um capital intelectual, como também um capital fi nanceiro, que serviria de herança posteriormente. Segundo Piedade (1983), nesse período, o processo de ordenação dos livros torna-se mais diversifi cado, ordenando-os por tamanho, ordem alfabética dos autores e em ordem cronológica. 25 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A história da classificação perpassa a história dos registros humanos desde os primeiros desenhos nas cavernas, a escrita cuneiforme até à invenção da escrita, que marca o fim da pré-história. • Entre os principais suportes da escrita, além dos tabletes de argila, usou-se o Papiro, que teve sua origem na África por volta de 3700 a.C. Era produzido de uma planta nativa das margens do Rio Nilo, a Arundinária. O pergaminho foi o principal suporte da escrita durante a idade média para, enfim, surgir o papel — inventado pelos chineses — em 105 d.C. • Na antiguidade, existem registros históricos de pseudoclassificações do século VI a.C. na Assíria, onde, na Biblioteca de Assurbanipal, quando a informação ainda era gravada em tabletes de argila, havia uma divisão bem simples entre aqueles destinados às ciências da terra e os das ciências do céu. • Também na antiguidade, a civilização grega desenvolveu as bibliotecas importantes como Alexandria e Pérgamo. • A primeira tentativa de classificação do conhecimento de que se tem notícia foi desenvolvida por Aristóteles, que vigorou por, aproximadamente, 2000 anos (entre 300 a.C. e 1600 d.C.). Ele organizava suas obras por assunto. • Foi no século IV que o filósofo grego Porfírio desenvolveu uma classificação do conhecimento baseada no princípio da oposição, chamada de classificação dicotômica onde, para cada ramo do conhecimento, havia outro de oposição. • Foi no século VI que São Bento ensinou seus monges, em Monte Cassino, a copiarem manuscritos. Por alguns séculos, os mosteiros passaram a ser os únicos preservadores, copistas e classificadores e catalogadores de livros, embora seu objetivo não era de estudo. As classificações nesse período eram feitas dividindo pelo suporte dos materiais e tamanho, ordem alfabética. 26 1 Em relação à história da classificação na antiguidade, quem foi e qual a contribuição de Calímacus? 2 Como Aristóteles classificava e dividia a ciência? AUTOATIVIDADE 27 TÓPICO 3 HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Antes de falarmos diretamente das classifi cações bibliográfi cas, lembramos da invenção que, de fato, infl uenciou a necessidade dos processos classifi catórios. Falamos da invenção da imprensa, pois quanto mais livros mais classifi cações. Foi no Séc. XV que Gutemberg criou uma das maiores contribuições para o mundo moderno, que permitiu que os textos, antes manuscritos, fossem impressos a partir da elaboração dos tipos, letras móveis produzidas em cobre e alocadas em uma base de chumbo onde recebiam a tinta e eram prensadas no papel. FIGURA 14 – PRENSA MÓVEL FONTE: <http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/museu-imprensa.html>. Acesso em: 31 maio 2019. A invenção da imprensa na Alemanha, por volta de 1450, até a publicação daprimeira Enciclopédia, de 1750 em diante, são marcos do início do período moderno, facilitando a interação entre diferentes conhecimentos e padronizando o conhecimento, permitindo que pessoas em diferentes lugares lessem os mesmos textos. 28 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO Conforme Burke (2003), nesse momento da história, a classifi cação do conhecimento esteve apoiada no tripé intelectual: currículos, bibliotecas e enciclopédias. Para o autor, cada um desses elementos é um subsistema que faz parte de um sistema maior, que envolve a classifi cação do conhecimento, como algo que pode ser acumulado, melhorado e aperfeiçoado. A ideia de classifi cação do conhecimento, a partir da “árvore do conhecimento”, cede lugar aos subsistemas (currículos, bibliotecas e enciclopédias), porém, sempre visando, de alguma forma, representar a informação, para que a sociedade reconheça e utilize de maneira efi caz. 2 KONRAD VON GESNER Em 1545 Konrad Von Gesner publica a obra Bibliotheca Universalis, considerada a primeira classifi cação bibliográfi ca. Baseando-se no Trivium e Quadrivium, considerava a fi losofi a como sendo a totalidade do conhecimento, apresentando 21 subdivisões (PIEDADE, 1983). FIGURA 15 – KONRAD VON GESNER FONTE: <https://www.nndb.com/people/643/000050493/>. Acesso em: 31 maio 2019. Gessner foi um botânico e bibliófi lo, deu uma grande contribuição à história da classifi cação. Baseando-se também no Trivium e Quatrivium de Cassidoro, organizou um catálogo que chamou de Bibliotheca Universalis (Zurique, 1545), em que registrou livros escritos em latim, grego e hebraico. Em um suplemento intitulado Pandectarium sive partitionum universalis, classifi cou os livros da Bibliotetheca por assuntos. Por ter sido a primeira tentativa de arrumação etódica dos livros. O sistema usado por Gessner é o considerado com o primeiro esquema de classifi cação bibliográfi ca. Convém lembrar que, na realidade, não era uma arrumação de assuntos para livros de uma coleção, mas sim para uma bibliografi a impressa, pois os séculos XVI e XVII foram pródigos em livreiros e bibliografi as (BARBOSA, 1969, p. 45). TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 29 3 GABRIEL NAUDÉ Em 1643 Gabriel Naudé publicou um catálogo bibliográfi co chamado Advispour Dresser Une Bibliothèque. Classifi cava as obras em 12 classes principais. Segundo Araújo (2018), para Naudé, a ordem regula a realidade natural e os objetos e as coisas deveriam ser organizados de modo a serem discernidos e separados a qualquer instante. Ou seja: A classifi cação mais efetiva é aquela que é imediatamente compreendida pelo fato de refl etir o compartilhamento de conhecimento correspondente aos ensinamentos das faculdades da universidade. As principais classes seriam, para Naudé, portanto: Teologia, Medicina, Direito, História, Filosofi a, Matemática, Humanidades, que seriam subdivididas em subclasses (ARAÚJO, 2018, p. 14). Cabe àquele que estiver incumbido da biblioteca, de acordo com Naudé, conhecer bem as disciplinas supracitadas. FIGURA 16 – GABRIEL NAUDÉ FONTE: <https://www.biblogtecarios.es/lauranovelle/gabriel-naude-cuando-ser-bibliotecario-se- convirtio-en-profesion/>. Acesso em: 31 maio 2019. Naudé recomenda a seguinte cautela ao proceder com a classifi cação em cada campo do conhecimento: • A primeira, que os autores mais universais e mais antigos tenham sempre precedência. • A segunda, que os intérpretes e comentadores sejam colocados à parte e organizados segundo a ordem dos livros que explicam. • A terceira, que os tratados especiais acompanhem a ordem e o arranjo de seu conteúdo e assuntos nas artes e nas ciências. • A quarta, que todos os livros de temática e assuntos semelhantes sejam ordenados e colocados exatamente no lugar destinado porque, assim agindo, a memória fi ca tão aliviada que será fácil encontrar, num átimo e numa biblioteca maior do que a de Ptolomeu, qualquer livro que se queira escolher ou desejar (NAUDÉ, 2016 apud ARAÚJO, 2018, p. 14). 30 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO Segundo Santos e Rodrigues (2013), alguns princípios da Biblioteconomia moderna foram escritos por Gabriel Naudé (1600-1653), que conceituou biblioteca tal como a conhecemos hoje, e trabalhou com a ideia da ordem bibliográfi ca, a qual permitiria o acesso e o compartilhamento do saber. Para isso, “[...] introduziu o empréstimo domiciliar, a encadernação para preservar, a estruturação dos catálogos de bibliotecas e o arranjo lógico de livros nas estantes” (MUKHERJEE, 1966 apud SANTOS; RODRIGUES, 2013, p. 119). Introduziu também a ideia de que o bibliotecário é o especialista responsável pela organização do conhecimento e em fornecer informações bibliográfi cas, facilitando seu acesso e uso (SANTOS; RODRIGUES, 2013). 4 MANUEL DE LIBRAIRE ET DE L´AMATEURDESLIVRES Também nesse período os livreiros de Paris elaboraram um sistema de classifi cação, e Jacques Charles Brunet aproveitou o sistema para preparar um outro, chamado Manuel de Libraire et de L´Amateurdes Livres, que classifi cava em cinco grandes áreas: teologia, jurisprudência, história, fi losofi a e literatura. FIGURA 17 – MANUEL DE LIBRAIRE ET DE L´AMATEURDESLIVRES FONTE: <https://fr.shopping.rakuten.com/off er/buy/1965425260/manuel-du-libraire-et-de-l- amateur-des-livres-tome-iv-naas-rzac.html>. Acesso em: 31 maio 2019. “O sistema de Brunet foi amplamente usado na Europa, por mais de um século, principalmente no arranjo de bibliografi as, listas de livreiros e coleções particulares. Suas classes são representadas por números romanos, arábicos e por letras, tinha, portanto, notação mista” (BARBOSA, 1969, p. 49). TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 31 5 FRANCIS BACON E AUGUSTO COMTE Segundo Barbosa (1969) deve-se a Francis Bacon, na Chart of learning (1905), a maior contribuição ao estudo dos modernos sistemas de classifi cação. Em sua obra Advancement of learning, baseada, também, no Trivium e Quatrivium, de Cassidodoro, Bacon classifi cou as ciências segundo as faculdades intelectuais: da memória, imaginação, razão, originando, respectivamente, a história, poesia e fi losofi a. FIGURA 18 – FRANCIS BACON FONTE: <https://www.todamateria.com.br/francis-bacon/>. Acesso em: 31 maio 2019. 6 AUGUSTO COMTE Mas o estabelecimento do conceito moderno de hierarquia das ciências e o princípio da fi liação vêm de Augusto Comte, que adotou a ordem dos conhecimentos humanos como sendo uma ordem de generalidade decrescente e complexidade crescente. Suas séries começam com matemática, decrescendo para a astronomia, física, química, biologia e sociologia (BARBOSA, 1969, p. 47). FIGURA 19 – AUGUSTO COMTE FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/186/auguste-comte-pensador-frances-pai- positivismo>. Acesso em: 31 maio 2019. 32 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 7 MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO MODERNOS Para que se possa entender os métodos de classificação modernos, que serão apresentados a seguir, fez-se necessário um levantamento dos métodos apresentados no subtópico anterior (antiguidade), métodos estes que serviram de base para muitas das classificações modernas. Os sistemas de classificação apresentados a seguir referem-se à modernidade. 7.1 LCC – LIBRARY OF CONGRESS – 1897 Criada em fins do século XIX, mais exatamente em 24 de abril de 1800, a Library of Congress, ou Biblioteca do Congresso (Estados Unidos - EUA), foi inaugurada com uma coleção de 3.000 volumes. Os livros, que antes eram ordenados por tamanho, em 1892 já estavam divididos em 18 classes, baseadas nas classificações de Francis Bacon, com adaptação de Diderot e d’Alembert (PEREIRA et al., 2009). Em 1815 fora adquirida a coleção de Thomas Jefferson, constituindo, assim, a nova biblioteca. Após a mudança de prédio, em 1897, os bibliotecários sentiram a necessidade de criar um sistema de classificação, que comportasse o crescenteacervo. John Russel Young, então diretor da entidade, James Hanson e Charles Martel tomaram por guia a Classificação Expansiva de Cutter, “introduzindo grandes modificações, especialmente quanto à notação” (PIEDADE, 1977 apud PEREIRA et al., 2009, p. 7). Segundo Pereira et al. (2009, p. 6), cada classe foi entregue a diversos especialistas, derivando daí as pequenas diferenças que ocorrem de uma classe para outra. As classes são publicadas independentemente umas das outras, e cada uma tem seu próprio índice, sofrendo revisões e acréscimos, conforme a expansão do acervo, publicadas quadrimestralmente no L.C. Classification: Addition and changes. Em sua estrutura a ordem alfabética é frequentemente utilizada. Na notação, a classificação é mista, contendo letras maiúsculas e algarismos arábicos, de 1 a 9.999, precedidos por um ponto, os números-de-Cutter. Havia semelhança com as conhecidas Author marks, projetadas por Cutter. TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 33 FIGURA 20 – LIBRARY OF CONGRESS FONTE: <https://jamesvachowski.com/2018/12/08/the-library-of-congress/>. Acesso em: 31 maio 2019. A Classificação da Library of Congress baseou-se em 21 classes principais, representadas de A-Z, exceto pelas letras I, O, N, X e Y, deixadas para futuras expansões, sendo igualmente adotada por diversas bibliotecas dos EUA e no mundo. O sistema da Biblioteca do Congresso tem a flexibilidade para classificar qualquer tipo de material, é muito detalhado, bastante enumerativo, porém recorrente à síntese, quando há aplicação das suas inúmeras tabelas auxiliares. É um esquema prático para aqueles que acreditam em soluções simples (PEREIRA et al., 2009, p. 7). QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO LIBRARY OF CONGRESS FONTE: Valente (2003 apud SILVA; HERCULANO, 2012, p. 6) https://jamesvachowski.com/2018/12/08/the-library-of-congress/ 34 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 7.2 CLASSIFICAÇÃO DE BROWN – SUBJECT CLASSIFICATION – 1906 Criado por James Duff Brown, bibliotecário, um dos primeiros a escrever livros de Biblioteconomia e criar o único sistema de classificação geral da Inglaterra. Esse sistema de classificação é como se cada assunto tivesse uma localização específica, seguindo a ordem de surgimento no Universo. Segundo Deus (2008 apud SILVA; HERCULANO, 2012, p. 7), “assim, primeiro surgiram a Matéria e a Força, que geraram a Vida, esta produziu a Razão, que deu origem ao Registro dos fatos”. É o modo de divisão que Brown utilizava em sua classificação. Atualmente é uma classificação em desuso. FIGURA 21 – MÉTODO DE CLASSIFICAÇÃO DE BROWN FONTE: Deus (2008 apud SILVA; HERCULANO, 2012, p. 7) Segundo Pereira et al. (2009), James Duff Brown nasceu em Edimburgo, trabalhou para vários editores e livrarias de bibliotecas, logo começou a trabalhar como assistente na Biblioteca Mitchaell Glasgow. Depois se mudou para Londres para trabalhar na Biblioteca Pública Clerkernwell. Ele criou dois sistemas de classificação que não serviam para grandes coleções, por serem muito rígidos: Quinn-Brown Classification e Adjustable Classification. Posteriormente, idealizou um sistema de classificação intitulado de Subject Classification que teve sua primeira publicação em 1906, considerado, na época, um bom sistema de classificação, sendo usado em muitas bibliotecas inglesas por vários anos, introduzindo o livre acesso às estantes (BARBOSA, 1969). TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 35 FIGURA 22 – JAMES DUFF BROWN FONTE: <http://www.sonsofdewittcolony.org/brownjnoduff.htm>. Acesso em: 31 maio 2019. Na época, o bibliotecário Brown chegou a ser reconhecido como Dewey da Inglaterra, pois tinha energia surpreendente, mostrava- se comprometido e interessado em todos os aspectos da biblioteca e da biblioteconomia, foi um dos primeiros a escrever livros sobre biblioteconomia e o criador do único sistema de classificação do país. A partir desta posição, foi reconhecido e prestigiado no mundo das bibliotecas e da biblioteconomia, pois no final do século XIX e no início do XX na Inglaterra deu contribuição muito importante para a área da biblioteconomia (PEREIRA et al., 2009, p. 3). De acordo com o Pereira et al. (2009), James Duff Brown se destacou por ter elaborado o sistema de classificação Subject Classification (Classificação de Assunto). Trouxe o desenvolvimento na biblioteconomia dando subsídio para a evolução de outros sistemas. 7.3 A CONTRIBUIÇÃO DE BLISS PARA A CLASSIFICAÇÃO Conhecida também como Classificação Bibliográfica, a classificação de Bliss teve como criador o bibliotecário do College of City of New York, Henry Evelyn Bliss. Antes de publicar o seu sistema de classificação, Bliss havia publicado outras obras: • Organization of knowledge, 1927. • Organization of knowledge in libraries and the subject approach to books, 1933, 2. ed., em 1939. • A system of bibliographic classification, 1935, 2. ed., em 1936 (BARBOSA, 1969 apud PEREIRA et al., 2009, p. 4). http://www.sonsofdewittcolony.org/brownjnoduff.htm 36 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO FIGURA 23 – HENRY EVELYN BLISS FONTE: <http://www.pensapedia.com/wiki/Charles_Henry_Bliss>. Acesso em: 31 maio 2019. Seu sistema foi apontado como um dos melhores desenvolvimentos de classes encontrado em classificações bibliográficas. Uma de suas principais características é a possibilidade de classificações alternativas. Seu sistema é dividido em quatro grandes classes: filosofia; ciência; história; tecnologia e arte. As obras gerais dos outros sistemas são chamadas por Bliss de classes numéricas anteriores. Em suma, de acordo com Pereira et al. (2009), a classificação de Bliss dá liberdade ao classificador, porém, infelizmente, seu sistema não apresenta explicações nem exemplos de sua aplicação, tornando difícil o aprendizado. 7.4 CLASSIFICAÇÃO DE RANGANATHAN Segundo Piedade (1977 apud PEREIRA et al., 2009), o mais atual sistema de classificação foi criado pelo indiano Shiyali Ramanrita Ranganathan. Nascido em 1892, Ranganathan estudou na Hind High School, em Shiali, e conseguiu a graduação em matemática no Christian College, da Universidade de Madras. Com a sua nomeação, em 1924, de bibliotecário da Madras University Library, Ranganathan começou a desencadear um profundo interesse na área de Biblioteconomia, principalmente por classificações e administração de bibliotecas, passando então a estudar na School of Librarianship, da Universidade de Londres. Ranganathan dedicou-se à leitura de obras de Biblioteconomia, estagiou na Croydon Public Libraries e visitou diversas bibliotecas da Grã-Bretanha. TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 37 FIGURA 24 – SHIYALI RAMAMRITA RANGANATHAN FONTE: <https://achalamunigal.wordpress.com/2016/08/09/homage-to-s-r-ranganathan-a- great-seer-on-124th-birth-anniversary-1892-2016-remembering-his-contributions/>. Acesso em: 31 maio 2019. Ranganathan idealizou um sistema de classifi cação analítico-sintético, o qual motivou profunda mudança nos estudos teóricos de classifi cação. A necessidade de criar um sistema novo surgiu dos estudos dos sistemas até então existentes, observando suas aplicabilidades em várias bibliotecas e verifi cando as limitações de cada em relação à abrangência de todos os aspectos de um assunto. Segundo Barbosa (1969 apud PEREIRA et al., 2009, p. 5), o seu sistema, considerado bem mais elástico que os demais, adotou “o uso dos dois pontos (:) como símbolo para correlacionar ideias diferentes”, daí sua nomeação: Colon Classifi cation ou Classifi cação dos Dois Pontos. Em 1925, ao voltar da Índia, aplicou seu novo sistema de classifi cação na Universidade de Madras. Reconheceu que Bliss teria infl uenciado nas suas teorias de classifi cação. A numeração do capítulo foi feita de forma paralela, sempre com o capítulo seguinte retomando o anterior. Sua estrutura está dividida em 41 classes principais (main classes). A notaçãoé mista, utilizando algarismos arábicos, letras maiúsculas e minúsculas, letras gregas e sinais gráfi cos, além de indicadores especiais de faceta. Ela é totalmente expressiva, hierárquica e altamente mnemônica. “É o único esquema com uma série completa de regras explícitas” (LANGRIDGE, 1977 apud PEREIRA et al., 2009, p. 6). As tabelas auxiliares são divididas em subdivisões geográfi cas, políticas, orientadas, fi siográfi cas, cronológicas, por línguas e comuns. Ranganathan reconhece cinco tipos de relacionamento entre assuntos: 38 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO 1. general; 2. bias; 3. comparacion; 4. difference; 5. influencing. Segundo Pereira et al. (2009), sua empregabilidade atual é em bibliotecas da Índia, porém exercendo forte influência sobre estudiosos e autores de classificações nos atuais estudos. Este sistema é pioneiro da classificação moderna e ainda o único esquema geral completamente facetado, além de ser único quanto à coerência e sistematização, o que não pode deixar de ser destacado. Ele certamente exercerá a mais forte atração naquele que procura a perfeição. TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 39 LEITURA COMPLEMENTAR A classificação no contexto do tratamento temático da informação Brisa Pozzi de Sousa Mariângela Spotti Lopes Fujita A organização do material informacional nos acervos de bibliotecas não almeja por si apenas a localização física, mas busca alcançar a informação contida, abrangendo a necessidade de acesso ao conteúdo dos documentos. A classificação, que é um processo utilizado para organização da informação, está inserida no conceito de tratamento da informação, sintetizado por Dias e Naves (2007, p. 17) como: [...] expressão que engloba todas as disciplinas, técnicas, métodos e processos relativos: a) à descrição física e temática dos documentos numa biblioteca ou sistema de recuperação da informação; b) ao desenvolvimento de instrumentos (códigos, linguagens, normas, padrões) a serem utilizados nessas descrições; e c) à concepção/ implantação de estruturas físicas ou bases de dados destinadas ao armazenamento dos documentos e de seus simulacros (fichas, registros eletrônicos etc.). Compreende as disciplinas de classificação, catalogação, indexação, bem como especialidades derivadas, ou terminologias novas nelas aplicadas, tais como metadados, e ontologias, entre outras. Assim, o tratamento temático em bibliotecas aborda o assunto existente no documento, compreendendo a análise documentária como área teórica e metodológica que abrange as atividades de classificação, elaboração de resumos, indexação e catalogação de assunto, considerando as diferentes finalidades de recuperação da informação. Langridge (2006, p. 19) explica que “[...] a expressão classificação bibliográfica é comumente usada como sinônimo para classificação em biblioteca”. De acordo com o autor, ambas as expressões inferem a aplicação da classificação não apenas no arranjo dos documentos nas estantes das bibliotecas, mas também na importância da função de apontamento da completa gama de assuntos e relações no sistema documentário. Muitas discussões circundam as abordagens de representação temática dos documentos. No entanto, anterior a essa etapa tem-se a análise do assunto, que deve ser feita visando proporcionar a descrição do conteúdo para uma recuperação eficaz, de acordo com os objetivos de busca da comunidade usuária. Para essa compreensão podem ser utilizados os processos de indexação, catalogação de assunto, classificação e elaboração de resumos. São considerados processos de sumarização da informação, resultantes dos produtos como os 40 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO índices, os catálogos de assunto, os números de classificação e os resumos, que possibilitarão a recuperação da informação documentária pelos usuários. Neste trabalho o foco incide na classificação. De acordo com Ortega (2008), a informação documentária é apreendida, registrada e armazenada em sistemas de informação documentária ou bases de dados bibliográficas. Por isso: As informações documentárias, portanto, são unidades de representação, construídas sob uma forma e um conteúdo, a partir de decisões pautadas nos tipos de informação, nas áreas do conhecimento ou de atividade, na linguagem dos usuários e nos objetivos do serviço de informação, tornando explícito o propósito de um sistema de informação (ORTEGA, 2008, p. 8). A classificação, assim como a catalogação e a indexação, são formas de representação da informação documentária, tendo a função de acesso ao conteúdo temático, fornecendo a intermediação entre o usuário e o documento pesquisado. A classificação ainda é concebida por muitos profissionais com a função única de designar e controlar fisicamente a localização do documento no acervo. Obviamente, o direcionamento dado assume função de grande importância no acesso à informação documentária, porém, a atividade não pode ser resumida somente pela atribuição numérica. Lancaster (2004) explica que a diferença entre as terminologias catalogação de assuntos, indexação e classificação. Segundo o autor, a classificação não possui somente a função de organizar os documentos nas estantes das bibliotecas, pois: O catálogo de assuntos de uma biblioteca, porém, pode ser organizado alfabeticamente (catálogo alfabético de assuntos ou catálogo dicionário) ou organizado segundo a sequência de um esquema de classificação (catálogo sistemático). Suponhamos que o bibliotecário tome um livro e decida que trata de ‘aves’. Ele atribui o cabeçalho de assunto AVES. Alternativamente, pode atribuir o número de classificação 598. Muitos se refeririam à primeira operação como catalogação de assuntos e à segunda como classificação, uma distinção totalmente absurda. A confusão é ainda maior quando se percebe que indexação de assuntos pode envolver o emprego de um esquema de classificação ou que um índice impresso de assuntos pode adotar a sequência de um esquema de classificação [...]. O fato é que a classificação, em sentido mais amplo, permeia todas as atividades pertinentes ao armazenamento e recuperação da informação (LANCASTER, 2004, p. 20-21). Assim, a classificação também atinge a recuperação da informação documentária e não apenas seu armazenamento. A confusão terminológica que envolve os processos da área de Tratamento Temático da Informação — catalogação de assunto, indexação e classificação - também ocasiona a falta de clareza nas discussões. TÓPICO 3 | HISTÓRIA DAS CLASSIFICAÇÕES: BIBLIOGRÁFICAS 41 Fujita (2003, p. 75) explica a ligação entre a catalogação de assunto em bibliotecas e a atividade de classificação: [...] os índices outrora existentes, tais como os antigos catálogos, foram considerados dentro de uma perspectiva classificatória, porque os chamados cabeçalhos de assunto eram compostos sob influência da terminologia classificatória e não do texto e seu conteúdo. Dessa forma, constatamos que os cabeçalhos de assunto derivavam das terminologias classificatórias, os quais não contemplavam a análise de assunto do documento, a compreensão da sua essência, ou seja, seu conteúdo. Tendo em mãos um documento a ser analisado, o bibliotecário fixava-se em descobrir uma notação classificatória que melhor se encaixasse no tema principal abordado no livro. Em relação ao número de classificação atribuído, um assunto é nomeado a partir da classe de numeração da tabela de classificação, que, por conseguinte, se repete como descritor do documento. Outra maneira também utilizada decorre das palavras apresentadas no título da obra. Assim, “[...] as palavras dos títulos, os cabeçalhos de assuntos e os números de classificação em geral se repetem” (XU; LANCASTER, 1998 apud LANCASTER, 2004, p. 31). Se ao analisar uma obra o bibliotecário se basear apenas na atribuição de assuntos em relação ao número de classificação e ao título, não seconcebe uma análise de assunto no processo, mas sim uma repetição de palavras (LANCASTER, 2004). Essa repetição desfaz a importância do trabalho de análise de assunto pelo catalogador, que é uma atividade puramente intelectual. O processo de tratamento da informação, o qual cobre a análise de assunto, é denominado por Guinchat e Menou (1994, p. 30) de “tratamento intelectual” e demanda do catalogador grande esforço mental, principalmente na abrangência do teor do documento. Segundo os autores, essa operação consiste na descrição bibliográfica, descrição de conteúdo, armazenamento, pesquisa e difusão. Grande esforço deve ser empregado pelo bibliotecário na análise de assunto, pois como descreve Langridge (2006, p. 106), “antes de podermos usar qualquer esquema de classificação [...] devemos estar seguros sobre o assunto de que o documento trata”. Essa análise não deve ser influenciada pelo uso de um vocabulário controlado ou linguagem documentária utilizada pelo sistema documentário. Primeiro, o bibliotecário deve verificar e decidir o que será representado tematicamente para após verificar se o vocabulário permite representar o assunto adequadamente (LANCASTER, 2004). O profissional não deve realizar a atividade inversamente, baseando a análise do documento na linguagem documentária. O processo que é instaurado na análise de assunto deve ser puramente interpretativo, visando organizar a informação para garantir sua posterior recuperação. Se o processo for apoiado no vocabulário controlado, a essência interpretativa se esvaece, tornando-se o processo um simples arranjo, e o 42 UNIDADE 1 | HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO esforço de adequar as coisas a um modelo já existente é fruto de nossa ânsia pela estabilidade. Assim, experimentamos um profundo desconforto se elas não cabem nas categorias de que dispomos (LARA, 2002, p. 131). Os instrumentos de apoio ao processo de classificação, como a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e Classificação Decimal Universal (CDU), usualmente as mais utilizadas no Brasil, têm importante função de auxiliar o bibliotecário na organização dos documentos. Entretanto, é possível indagar como o profissional desenvolve o processo, se aplica o envolvimento intelectual, ou se apoia no fazer cotidiano, sem perdurar reflexões sobre a atividade que desempenha. A aplicação e o uso das inovações tecnológicas nas atividades desenvolvidas pelas bibliotecas passam a exigir do bibliotecário um novo posicionamento frente aos produtos desenvolvidos e originários dos processos de tratamento da informação. Assim, o que particulariza a atividade documentária é sua função: organizar para transferir, transferir para viabilizar a apropriação da informação. Nessa perspectiva, compreender como se desenvolve o processo interpretativo e identificar quais são as condições mínimas podem significar a diferença entre simplesmente estocar e transmitir informação para o uso efetivo (LARA, 2002, p. 138). Cabe ao bibliotecário a construção do processo de classificação, a fim de atingir a eficiência no tratamento da informação. Segundo Lara (2002, p. 132) “[...] não se trata de polir o espelho para encontrar a informação, mas de construí-la em função de objetivos”. Cada sistema documentário está inserido em diferentes contextos, porém todos têm o objetivo comum de tratar e organizar a informação documentária, a fim de disponibilizá-la para acesso. FONTE: SOUSA, B. P.; FUJITA, M. S. A classificação bibliográfica no contexto do tratamento temático da informação: um estudo com o protocolo verbal individual em bibliotecas do instituto federal de educação, ciência e tecnologia (IF’s). Revista ACB, Florianópolis, v. 18, n. 1, p. 796-813, 2013. Disponível em: https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/868. Acesso em: 31 maio 2019. https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/868 43 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A invenção da imprensa na Alemanha, por volta de 1450, até a publicação da primeira Enciclopédia, de 1750 em diante, são marcos do início do período moderno, facilitando a interação entre diferentes conhecimentos. Nesse momento da história, a classificação do conhecimento esteve apoiada no tripé intelectual: currículos, bibliotecas e enciclopédias. • A ideia de classificação do conhecimento, a partir da “árvore do conhecimento”, cede lugar aos subsistemas (currículos, bibliotecas e enciclopédias), porém, sempre visando, de alguma forma, representar a informação, para que a sociedade a reconheça e a utilize de maneira eficaz. • Em 1545 Konrad Von Gesner publica a obra Bibliotheca Universalis, considerada a primeira classificação bibliográfica. • Em 1643 Gabriel Naudé publicou um catálogo bibliográfico chamado AdvispourDresser Une Bibliothèque. Classificava as obras em 12 classes principais. • Também os livreiros de Paris elaboraram um sistema de classificação, e Jacques Charles Brunet aproveitou o sistema para preparar um outro chamado Manuel de Libraire et de L´Amateurdes Livres. Classificava em cinco grandes áreas: teologia, jurisprudência, história, filosofia e literatura. • Francis Bacon na Chart of learning (1905) deu a maior contribuição ao estudo dos modernos sistemas de classificação. • O estabelecimento do conceito moderno de hierarquia das ciências e o princípio da filiação vêm de Augusto Comte, que adotou a ordem dos conhecimentos humanos como sendo uma ordem de generalidade decrescente e complexidade crescente. • O sistema de classificação da Biblioteca do Congresso é um modelo de classificação alfanumérico. Primeiro houve a divisão em áreas do conhecimento em 21 grupos identificados por letras do alfabeto, podendo incluir facilmente novos tópicos se necessário. 44 • James Duff Brown criou dois sistemas de classificação que não serviam para coleções grandes, por serem muito rígidos e, posteriormente, idealizou um sistema de classificação intitulado de Subject Classification, que teve sua primeira publicação em 1906. Era considerado, na época, um bom sistema de classificação, sendo usado em muitas bibliotecas inglesas por vários anos, introduzindo o livre acesso às estantes. • A classificação de Bliss foi apontada como uma das melhores em classificações bibliográficas. Uma de suas principais características é a possibilidade de classificações alternativas. Seu sistema é dividido em quatro grandes classes: filosofia; ciência; história; tecnologia e arte. • Ranganathan idealizou um sistema de classificação analítico-sintético que adotou o uso dos dois pontos (:) como símbolo para correlacionar ideias diferentes. Em 1925, ao voltar da Índia, aplicou seu novo sistema de classificação na Universidade de Madras. • A classificação da Library of Congress baseou-se em 21 classes principais, representadas de A-Z, exceto pelas letras I, O, N, X e Y, deixadas para futuras expansões, sendo igualmente adotada por diversas bibliotecas dos EUA e no mundo. 45 1 Explique como é o processo de classificação da Library of Congress. 2 Qual a contribuição de Konrad Von Gesner para a classificação bibliográfica? AUTOATIVIDADE 46 47 UNIDADE 2 CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer o contexto histórico da Classificação Decimal de Dewey - CDD; • definir o que é classificação e os passos para classificar; • conhecer as características que compõem a CDD; • identificar sua estrutura e notação; • conhecer as divisões do conhecimento humano em classes; • identificar o índice relativo e entender como está organizado; • familiarizar-se com a estrutura do índice relativo e suas relações; • compreender o uso do índice relativo no contexto dos esquemas e das tabelas auxiliares; • ser capaz de aplicar os conhecimentos adquiridos. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivode reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS TÓPICO 2 – TABELAS AUXILIARES TÓPICO 3 – TABELAS PRINCIPAIS OU ESQUEMAS 48 49 TÓPICO 1 CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O propósito da classificação em unidades de informação é organizar o conhecimento contido em qualquer tipo de documento. É preciso reunir itens de um mesmo assunto. Existem algumas características físicas que podem ser levadas em consideração na classificação: suporte físico, formas de apresentação (enciclopédias, relatórios, dicionários). No entanto, na classificação bibliográfica o assunto é a principal característica. Para classificar, precisamos de um instrumento que nos ajude a separar por assunto: são os sistemas de classificação bibliográfica. Neste tópico você conhecerá com mais profundidade um dos sistemas de classificação mais utilizados no mundo, a Classificação Decimal de Dewey – CDD. Para isso, abordaremos seu histórico para depois apresentar suas características, instrumentos, estrutura, formato e notação. Também disponibilizaremos vários exercícios que te ajudarão no processo de ensino e aprendizagem. 2 HISTÓRICO Melville Louis Kossuth Dewey nasceu em 10 de dezembro de 1851 em Nova Iorque, tendo sua origem em uma família humilde, com poucos recursos. Em 1873, quando tinha apenas 21 anos e era auxiliar de bibliotecário, na biblioteca de Amherst College, em Massachusetts, Dewey inicia a criação de um sistema de classificação com base em outros sistemas de classificação da época, pois percebeu a necessidade de reorganizar a biblioteca onde ele atuava. A primeira publicação da CDD foi feita três anos após seu início, em 1876 e tinha apenas 44 páginas, expressando as necessidades bibliográficas do sistema norte-americano (DEWEY, 2004). UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 50 FIGURA 1 – MELVILLE LOUIS KOSSUTH DEWEY FONTE: <https://sites.google.com/a/lcpsmail.org/crmstylerlibrary/biography-of-melvil-dewey>. Acesso em: 5 jun. 2019. Dewey se amparou para a construção de seu sistema, em vários filósofos da antiguidade, que vimos na unidade anterior como: Aristóteles, Bacon, Locke, baseando-se na classificação de William Harris. Os sistemas filosóficos tinham como finalidade a definição, a esquematização e a hierarquização do conhecimento com vistas para a ordenação das ciências, para então surgirem os sistemas de classificação bibliográficos tendo como propósito o armazenamento, localização, organização e ordenação das informações em acervos físicos (GUARIDO, 2008). A forma de organização dos livros até então era conhecida como um "sistema de ordenação fixa", sendo colocados em um local previamente definido e fixo nas estantes, não se considerava um arranjo intelectual desses itens. A partir das limitações dessa ordenação, Dewey visitou mais de 50 bibliotecas que utilizavam a organização fixa e suas inquietações o fizeram pensar e avaliar a possibilidade de transformar a ordem fixa em uma maneira mais fácil e eficiente de organização do conhecimento (DEWEY, 2004). Assim, em uma manhã de domingo em 1873, quando estava na igreja, uma ideia surgiu em sua mente: utilizar números arábicos como decimais e um número neutralizador, zero, para numerar todo o conhecimento humano impresso. Decidiu pela fração decimal para os assuntos dos livros, rejeitando o número ordinal inteiro para representar a posição no espaço: 1, 2, 3, 4. Foi a iniciativa de criação da localização (ordenação) relativa por assuntos, e não por localização fixa (DEWEY, 2004). https://sites.google.com/a/lcpsmail.org/crmstylerlibrary/biography-of-melvil-dewey TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 51 IMPORTANT E Na localização fixa os livros eram separados por tamanho, cor de capa, ordem de chegada e recebiam como identificação uma sequência numérica. Era a forma mais rudimentar de classificar livros (economiza espaço, apresenta aspecto de ordem, fácil compreensão, mas separa livros do mesmo assunto, separa autores, pode separar obras iguais se suas características físicas forem diferentes, dificulta a busca direta pelos usuários). Já na localização relativa os livros não têm um lugar fixo nas estantes. Podem mudar de lugar dependendo do número de livros adquiridos e inseridos entre uma classe e outra. É ideal para bibliotecas de acesso livre ao usuário (permite rápida localização, há intercalação de novas obras sem perda de ordem, não há quebra de sequência com a introdução de novos itens). Dewey dividiu o conhecimento humano em 10 partes principais (classes), cada classe em 10 divisões, e cada divisão em 10 seções, iniciando, assim, o princípio hierárquico de seu sistema de classificação a partir dos sumários, do geral para o específico. Para a notação usou números arábicos de 0 a 9, cada dígito adicionado representa a expansão notacional, aproximando itens semelhantes. 000 Generalidades 100 Filosofia 200 Religião 300 Ciências Sociais 400 Línguas 500 Ciências Puras 600 Ciências Aplicadas 700 Artes 800 Literatura 900 História e Geografia QUADRO 1 – AS DEZ CLASSES PRINCIPAIS DA CDD FONTE: A autora “Dewey apresentou seu trabalho ao comitê do colégio no qual trabalhava e teve permissão para aplicá-lo na organização do acervo, revolucionando a classe biblioteconômica, sendo considerado o Pai da Biblioteconomia Moderna” (GUARIDO, 2008, p. 3). UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 52 Foi aplaudido em 1876, na Conferência de Bibliotecários na Filadélfia, pelo seu trabalho inovador, na mesma data em que publica o sistema de classificação bibliográfica intitulado: "A classification and subject index for cataloging and arranging the books and pamphlets of a library" (Classificação e índice de assunto para catalogação e arranjo de livros e panfletos de uma biblioteca). FIGURA 2 – A CLASSIFICATION AND SUBJECT INDEX FONTE: <https://library.oclc.org/digital/collection/p267701coll9/id/341>. Acesso em: 5 jun. 2019. Em 1883 tornou-se bibliotecário-chefe da atual Columbia University, na cidade de Nova Iorque e, em 1º de janeiro de 1887, funda a primeira escola de Biblioteconomia na mesma universidade. Dewey faleceu no dia 26 de dezembro de 1931, aos 80 anos, por complicações cardíacas. A CDD abrange o mapa completo das áreas do conhecimento, mostrando todos os seus conceitos e suas relações. É considerada por todos, na verdade, como a primeira classificação verdadeiramente bibliográfica no sentido moderno. "Uma classificação de assuntos, com um índice relativo", é como o próprio Dewey define seu sistema, acrescentando que essa é sua feição essencial, tudo o mais sendo mero acréscimo de recursos auxiliares e acessórios (SILVA, 2010, p. 17). Segundo a introdução de sua 20ª edição, é usado em mais de 135 países e foi traduzido para mais de 30 idiomas. Nos Estados Unidos é utilizado por 95% das bibliotecas públicas e escolares e 25% das bibliotecas universitárias e especializadas. https://library.oclc.org/digital/collection/p267701coll9/id/341 TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 53 3 CRONOLOGIA DAS EDIÇÕES As edições mais antigas eram editadas em intervalos de 2 a 12 anos, passando a serem publicadas a cada 7 anos. 1885 - 2ª edição surge completamente revista e aumentada, estabelecendo a política e a estrutura do esquema. A edição trouxe o nome de Dewey pela primeira vez no título. 1900 - É publicada a primeira edição abreviada. 1932 - 13ª foi publicada um ano após sua morte, sendo chamada de Edição Memorial. 1942 - 14ª aumentada e volumosa, foi bastante criticada pelos bibliotecários que afirmavam que grande parte de seu crescimento tinha sido desproporcional e impensada. 1958 - 16ª foi produzida com suporte da Biblioteca do Congresso Americano (Library of Congress). 1965 - 17ª foi revolucionária, enfatizando o relacionamento de assuntos e classificação por disciplinas. 1971- 18ª nessa edição, cinco novas tabelas auxiliares foram acrescidas, apresentando 3 volumes: 1 - introdução e tabelas; 2 - esquemas e 3 - índice relativo. 1982 - 19ª trouxe paginação independente em cada volume, com 7 tabelas auxiliares sendo mantidas até a 21ª edição. 1989 - 20ª trouxe a apresentação das tabelas em 4 volumes, sendo a primeira edição a ser produzida por um sistema editorial de suporte online. 1996 - 21ª versão Dewey para Windows. 2003 - 22ª publicada pela Online Computer Library Center - OCLC - Versões em suporte eletrônico e online. Redução para 6 tabelas auxiliares. 2011 - 23ª publicada pela Online Computer Library Center - OCLC - Versões em suporte eletrônico e online. QUADRO 2 – CRONOLOGIA DAS EDIÇÕES DA CDD FONTE: A autora A CDD tem êxito na aplicação em unidades de informação porque, logo na 2ª edição, foi anunciado que a estrutura e a notação se manteriam inalteráveis. A evolução da CDD sempre foi na mesma linha inicial, com a preocupação de proporcionar cada vez um maior detalhe. A 15ª edição (1951) produziu-se com alterações substanciais, no sentido de uma redução significativa, o que foi mal aceita, tendo a 16ª edição (1958) retomado o esquema minucioso da 14ª edição. A 17ª edição (1965) introduziu as standard divisions (subdivisões comuns). UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 54 A 18ª edição (1971) foi adaptada pela British National Bibliography e pela Library of Congress para os registros MARC. A 19ª edição (1979) foi ampliada para três volumes. A 20ª edição (1989) foi ampliada para 4 volumes. Em 1996 foi publicada a 21ª edição na versão impressa e em CD-ROM. Em 2003, a CDD teve a 22ª edição impressa e com acesso digital (WebDewey) fi cando durante algum tempo em fase de testes. Em 2012 foi publicada a última edição impressa da CDD, a 23ª edição, essa já tinha acesso digital e impresso. Como a CDD vinha sendo frequentemente atualizada pela equipe editorial da Dewey, a versão digital estava sempre atualizada. Já as versões impressas rapidamente se tornavam obsoletas. Assim, em 2018, a OCLC — Online Computer Library Center — decidiu descontinuar a publicação de edições impressas e continuou a ser atualizada e expandida para atender às necessidades da comunidade de bibliotecas. 4 ESTRUTURA DA CDD IMPRESSA Neste subtópico, apresentaremos, de forma breve, a estrutura da CDD no formato impresso. É importante caso você venha a atuar em uma biblioteca que ainda tenha a versão impressa como principal instrumento de classifi cação. Como falamos no subtópico anterior, você pode encontrar diversas edições de CDD, mas da 20ª a 23ª essas diferenças são muito pequenas. De qualquer forma, é importante você manusear seus volumes para melhor entender a matéria. DICAS Você pode acessar a CDD em uma biblioteca física da Uniasselvi. Ou ainda em outras bibliotecas, em algumas ela não está no acervo, mas sim nas mãos dos profi ssionais de biblioteconomia. No caso, aproveite e se apresente como estudante de biblioteconomia e peça para verifi car o material. FIGURA – CDD 23º EDIÇÃO FONTE: <https://praxis.com.br/cdd-deixara-de-ser-impressa-em-ingles/>. Acesso em: 5 jun. 2019. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 55 Volume 1 • Introdução da edição em espanhol, tradutores, prólogo, prefácio, agradecimentos. • Novas características da 23ª edição. • Introdução ao Sistema de Classificação Decimal de Dewey. • Classificação detalhada e classificação geral. • Notação interna. • Bibliografia relacionada. • Glossário. • História editorial da CDD. • Tabelas auxiliares (sete tabelas na edição). • Tabela auxiliar 1 – Subdivisão comum. • Tabela auxiliar 2 – Áreas geográficas, períodos históricos, pessoas. • Tabela auxiliar 3 – Subdivisões para literaturas individuais para gêneros literários específicos (só usa classe 800). • Tabela auxiliar 3A – Subdivisão para obras de autores individuais. • Tabela auxiliar 3B – Subdivisão para obras de dois ou mais autores. • Tabela auxiliar 3C – Notação para ser agregada seguindo instruções da tabela 3B e em 808- 809. • Tabela 4 – Subdivisões de línguas individuais (usada na classe 400). • Tabela 5 – Grupos raciais, étnicos e nacionais. • Tabela 6 – Línguas. • Tabela 7 – Grupos de pessoas (faixa etária). Volume 2 • Sumários (primário, secundário, terciário). • Classes/Esquemas. • Uso das classes. • 000 Generalidades. • 100 Filosofia, Parapsicologia e ocultismo, psicologia. • 200 Religião. • 300 Ciências Sociais. • 400 Línguas. • 500 Ciências naturais e matemáticas (ciências puras). Volume 3 • Classes. • Uso das classes. • 600 Tecnologia (Ciências Aplicadas). • 700 Artes, Belas Artes e Artes Decorativas. • 800 Literatura e Retórica. • 900 Geografia, História e Disciplinas Auxiliares. Volume 4 • Índice. • Manual. • Apêndice: políticas e procedimentos da Divisão de Classificação Decimal e da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 56 5 CARACTERÍSTICAS E ESTRUTURA DA VERSÃO ONLINE Da mesma forma que a versão impressa da CDD, a instituição na qual você trabalha precisa adquirir o acesso a base da WebDewey. Os assinantes do WebDewey recebem atualizações trimestrais automáticas para o sistema de classifi cação. Na WebDewey existem milhares de termos do índice relativo e números incorporados que não estão disponíveis na versão impressa. Além disso, há a anotação on-line para incorporar e compartilhar preferências de classifi cação locais. Também há títulos por assunto da Biblioteca do Congresso, mapeados para os números Dewey, e atualizações a cada 3 meses com assinatura anual. DICAS O Acesso a WebDwey é restrito a assinantes. Vamos apresentar um pouco do sistema para vocês. Você visualizará assim no sistema: FIGURA – COMO ACESSAR A WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/login/login. html;jsessionid=6DA774C0AFCE435B8286562BC52C495C>. Acesso em: 5 jun. 2019. Na fi gura a seguir, observe a forma de acesso do: primeiro sumário: 000-900; o segundo sumário: 010-910 e terceiro sumário: 011-911. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 57 FIGURA – ACESSO AOS SUMÁRIOS NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/mainClasses.html?recordId=ddc%3a0>. Acesso em: 5 jun. 2019. Explore os sumários A WebDewey está em inglês. Logo, ao fazer as pesquisas de classifi cação, as palavras também precisam estar na língua inglesa. ATENCAO 6 HIERARQUIA E NOTAÇÃO A CDD está ordenada por disciplinas, por assuntos. As disciplinas/ assuntos englobam as áreas do conhecimento humano que se subdividem em: • 10 classes principais; • 10 divisões; • 10 seções. A CDD é basicamente hierárquica em sua estrutura e em sua notação. A hierarquia na notação signifi ca que em cada nível há uma escala de conceitos, denominados classes, que são mutuamente excludentes e que mantêm relação de coordenação. A cada novo nível, a especifi cidade da subdivisão do assunto aumenta. Quer dizer: as classes tornam-se progressivamente mais específi cas, mais minuciosas. A notação é um sistema de símbolos usado para representação das classes em um sistema de classifi cação. Exemplo: 520 é expressa por numerais arábicos. Representa uma linguagem universal para identifi car a classe e as subclasses relacionadas. O princípio hierárquico é expresso pela estrutura e notação. Um número signifi ca um dígito padrão para a classe principal. Exemplo: UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 58 • 5 = Ciências Naturais. É expandido a uma fração decimal para indicar as subdivisões das ciências. • 55 = Ciências da Terra. • 551 = Geologia, Hidrologia e Meteorologia. • 551.4 = Geomorfologia e Hidrosfera. • 551.41 = Geomorfologia. • 551.415 = Desertos. A fração decimal indica a hierarquia intelectual de um assunto. A CDD usa a notação hierárquica. O significado de coordenação, subordinação e superordenação de assuntos é representado através da notação: • 600 Tecnologia. • 630 Agricultura e tecnologias relacionadas.• 636 Agricultura animal. • 636.7 Cachorros. • 636.8 Gatos. Os conceitos são representados em suas múltiplas relações de coordenação, de subordinação e de superordenação. Vejamos o exemplo: • Cachorros e Gatos são mais específicos que Administração de animais, portanto, estão subordinados (hierarquicamente inferior). • Cachorros e Gatos são igualmente específicos, portanto, coordenados. • Administração de animais é menos específico que Cachorros e Gatos, portanto, superordenado (abaixo da classe e acima da ordem). Estrutura hierárquica significa que todos os tópicos (com exceção das 10 classes principais) são parte dos tópicos maiores acima deles, o que quer que seja verdadeiro no todo será nas partes (força hierárquica). IMPORTANT E Algumas vezes a CDD faz a seguinte indicação: see references (ver referências). Indicar que, embora o assunto seja, logicamente, parte da hierarquia em que a referência aparece, ele pode ser classificado em outro lugar. Exemplo: • 570 Biologia ° Classifique, aqui, ciências da vida: - para paleontologia, ver 560; - para plantas, ver 580; - para animais, ver 590; - para ciências médicas, ver 610. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 59 A origem vem da concepção do universo, como um sistema orgânico de partes intimamente relacionadas umas com as outras e com o todo, desempenhando funções dentro de uma escala de importância relativa. Determinada classe pode ser coordenada com uma ou mais classes do mesmo nível, e subordinada a apenas uma classe do nível imediatamente superior, podendo ser superordenada a uma ou a mais classes do nível inferior. O aumento progressivo de especificidade é geralmente indicado pelo acréscimo de mais um dígito a cada novo nível de divisão, como se pode observar nos exemplos a seguir, em que procuramos chamar atenção para o(s) dígito(s) que representa(m) cada novo nível, grafando-o(s) com caracteres em itálico (SILVA, 2010, p. 16-17). É um sistema de classificação decimal, isto é, adota como princípio fundamental a divisibilidade do todo, que é o conhecimento, em dez partes, baseando-se numa divisão inicial desse mesmo conhecimento em disciplinas e subdisciplinas. As disciplinas são encaradas como grandes ramos do conhecimento, que englobam conceitos ou ideias menores, como subdivisão ou derivação. Assim, a Filosofia, a Religião, as Ciências Sociais, as Ciências Puras, as Aplicadas, a História, são consideradas disciplinas, enquanto a Economia, a Sociologia, a Música, a Zoologia, a Botânica são subdisciplinas em relação às grandes áreas em que se inserem. É um sistema de classificação, primordialmente bibliográfica (não filosófica, nem científica, essencialmente), destinado a servir de base à organização de documentos e de seus sucedâneos (fichas, listas bibliográficas, catálogos). É um sistema de classificação estruturado, abrangendo as seguintes partes: • conjunto de dez classes principais, reunindo obras sobre todos os assuntos; • conjunto de sete classes menores reunindo ideias adjetivas; • notação, que permite ordenar com lógica os assuntos e os documentos; • índice alfabético, para mais fácil acesso aos assuntos representados pelos números do sistema nas diversas classes. É um sistema de classificação enumerativo, o que quer dizer: relaciona todos os assuntos e todas as combinações/associações/relações possíveis e juntamente com seus símbolos/combinações de símbolos ready-made para consumo, sem (maiores) intervenções do classificador. É, por conseguinte, o oposto das classificações analítico-sintéticas, que proporcionam não listas fechadas, mas listas de propostas/ possibilidades/facetas, ficando a cargo do classificador a tarefa de combinar esses assuntos e seus símbolos segundo a necessidade e as exigências do contexto específico. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 60 Exemplo: • 600 – Tecnologia (Ciências Aplicadas). • 610 – Medicina. • 611 – Anatomia Humana. • 612 – Fisiologia Humana. • 619 – Medicina Experimental. • 620 – Engenharia. • 630 – Agricultura. • 640 – Economia Doméstica e Vida Familiar. • 650 – Administração e Serviços Auxiliares. • 660 – Engenharia Química. • 670 – Manufatura. • 680 – Manufatura para usos específicos. • 690 – Construção. É importante lembrar que há sempre o uso de, no mínimo, três algarismos para representação de uma classe principal quando os campos do conhecimento são vistos de maneira geral, sem subdivisões. • 100 – Filosofia. • 150 – Psicologia. • 152 – Percepção sensorial, movimento, emoções, impulsos fisiológicos. Depois de três algarismos usa-se PONTO (.): • 152.1 – Percepção sensorial. A hierarquia observada na CDD significa, geralmente, que cada divisão sucessiva da disciplina parte do geral para o particular. • 300 – Ciências Sociais. • 330 – Economia. • 338 – Produção. • 338.4 – Indústria e serviços secundários. • 338.45 – Eficiência da Produção. Ao se classificar uma obra com caráter específico dentro de uma área do conhecimento, devemos considerar que essas particularidades pertencem a essa área. • Assunto principal TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 61 FIGURA 3 – EXEMPLO FONTE: Spudeit (2013, p. 3) Os espaços entre o sexto e o sétimo dígitos do último número não são parte essencial da notação, mas, para facilidade de leitura, podem ser empregados entre dois conjuntos de três dígitos, exceto entre os dois primeiros, em que há substituição pelo ponto decimal. 7 SÍNTESES É o processo/operação/recurso empregado pela CDD para a formação de notações que representam assuntos compostos ou aspectos de assuntos em que não há números prontos nas tabelas. O classificador deve observar atentamente onde constam, nos sistemas, notas com diretrizes para o emprego desse recurso. Embora, basicamente, existam apenas dois grandes tipos de síntese: a) de dois ou mais números das tabelas auxiliares justapostos a um número das tabelas principais; ou b) de dois ou mais números das próprias tabelas principais. Vejamos alguns exemplos apresentados por (SILVA, 2010): I. Sínteses envolvendo números da Tabela 1 (Subdivisões padrão). II. Sínteses envolvendo números das demais tabelas auxiliares (2 a 7): Com frequência, há instruções para utilizarmos algum/alguns dígito(s) da Tabela 1 (subdivisão padrão) como elemento(s) de ligação entre o número principal e as tabelas 2 (Área), 5 (Raça) e 7 (Pessoas), como podemos ver nos exemplos a seguir: • DE 372.4 LEITURA NA ESCOLA ELEMENTAR + 09 SUBDIVISÃO PADRÃO + 94 AUSTRÁLIA. ᵒ Resulta: 372.409 94 LEITURA NA ESCOLA ELEMENTAR NA AUSTRÁLIA. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 62 • DE 738 CERÂMICA + 089 SUBDIVISÃO PADRÃO + 951 CHINÊS. ᵒ Resulta: 738.089 951 CERÂMICA CHINESA. • DE 513 ARITMÉTICA + 024 OBRAS PARA DETERMINADOS TIPOS DE USUÁRIOS + 694 CARPINTEIROS. ᵒ Resulta: 513.024 694 ARITMÉTICA PARA CARPINTEIROS. III. Síntese envolvendo números de duas classes principais: Exemplos: • DE 809.935 LITERATURA ENFATIZANDO ASSUNTOS + 200 RELIGIÃO. ᵒ Resulta: 809.935 2 OBRAS RELIGIOSAS COMO LITERATURA. • DE 809.935 LITERATURA ENFATIZANDO ASSUNTO + 920 BIOGRAFIAS. ᵒ Resulta: 809.935 92 BIOGRAFIAS COMO LITERATURA. • DE 373.011 EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA COM OBJETIVOS ESPECÍFICOS + 370.115 RESPONSABILIDADE SOCIAL NA EDUCAÇÃO. ᵒ Resulta: 373.011 5 RESPONSABILIDADE SOCIAL NA EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA. Observação: às vezes as Tabelas orientam a proceder para uma segunda síntese, acrescentando um novo número principal (ou um sufixo) à base para formação de uma notação composta ou complexa. O procedimento é o mesmo, havendo, apenas, necessidade de redobrada atenção no momento de acrescentar os novos números (ou desinências) à base (radical) determinada pelo sistema na nota. Exemplo: no número 636.592 01-.592 08 Fazendas, perus novos, produção e manutenção, perus para fins específicos, ciências veterinárias, há a nota: "acrescentar ao número-base 636.592 0 os dígitos que seseguem ao 636.0 (na sequência 636.01 -636.08)". Ex.: Criação de perus para carne 636.592 088. 3”. Assim, o classificador com um documento sobre Erisipela nos perus escreve 636.592 0; em seguida acrescenta 89 (trazido do 636.089), obtendo, dessa forma, 636.592 089; então, seguindo a instrução encontrada no 636.089, de acrescentar àquele número os dígitos que se seguem ao 61, no 610-619, há o acréscimo de 694, encontrado no 616.942. Assim, há a notação 636.592 089 694 2 (SILVA, 2010, p. 23). Importante ressaltar que o uso das sínteses e das tabelas deve ser realizado conforme a demanda. As sínteses objetivam construir um número que não há pronto na tabela e a utilização das tabelas objetiva complementar uma notação. Contudo, como saber quando utilizá-la? Isso depende da biblioteca em que você esteja atuando, da comunidade de usuários que utiliza a unidade de informação e, claro, do documento. Cada documento é único e o bibliotecário é o responsável por designar o seu endereço na estante. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 63 Se estivermos falando de uma biblioteca pequena, a utilização somente das classes principais dará conta do recado e servirão muito bem para a organização da biblioteca. Porém, se estivermos atuando em uma biblioteca grande e/ou especializada, aprofundar a classificação será importante. IMPORTANT E Vamos problematizar: quanto maior e mais complexa a notação, mais difícil será a independência do usuário para achar o livro na estante. Então, é importante que a forma de classificação também leve em conta o seu usuário. Como já foi comentado, as sínteses visam formar classificações (notações) complexas que não existem nas classes principais. Vejamos: • Síntese entre tabelas principais (as classes) e a tabela auxiliar 1 – Subdivisões padrões comuns a todas as classes (T1): a) 398 folclore + 03 dicionários = 398.03 Dicionário de folclore. b) 540 química geral + 05 periódicos = 540.5 periódicos de química (observem como a classe terminava em zero, suprimiu-se um, evitando existissem dois zeros > 540.05. c) 664 tecnologia de alimentos + 076 exercícios = 664.076 caderno de exercícios sobre tecnologias de alimentos. • Síntese entre tabelas principais (as classes) e a tabela auxiliar 2 – Áreas geográficas, períodos históricos e biografias (T1): a) 305.9 (grupos étnicos) + 09 + 13 desertos (área geográfica T2) = 305.0913 grupos étnicos que moram/vivem em desertos. b) 330.9 situações e condições econômicas + 09 + 81 Brasil (T2) 330.90981 situação econômica do Brasil. c) 381.3 política comercial + 85 Peru + 09 + 89 Paraguai 381.3850989 política comercial estabelecida entre Peru e Paraguai. d) O exemplo é diferente: educação no Japão = 379.52 370 educação + 09 + 52 João (T2), no caso os dois zeros são suprimidos. • Síntese de dois números das tabelas principais (classes): a) 070.4 jornalismo + 330 economia = 070.4330 jornalismo econômico (o que é diferente de periódico, jornal ou revista sobre economia) – (observem o quanto um número a mais ou a menos faz a diferença: 070.433 notícias/jornalismo de/ sobre guerras) – (por existirem essas notações parecidas, o zero final não é eliminado). b) 962 história do Egito + 610 medicina e saúde = 962.61 história da saúde no Egito (nesse caso o zero final é suprimido). UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 64 c) E quando eu vou saber quando o zero final é suprimido ou não? Consultem sempre as notas na própria CDD. Em caso de dúvidas, mantenha o zero final e consulte a CDD para ver se, suprimido, não terá uma classificação igual. 8 ORDEM DE CITAÇÃO E PREFERÊNCIA A ordem de citação ou preferência deve ser considerada quando múltiplos aspectos ou características de um assunto (como idade, área, gênero, períodos históricos, nacionalidade) forem apresentados na classificação e quando um assunto tratar de mais de um tema. Refere-se ao uso das tabelas e/ou das sínteses para compor uma notação complexa que envolva a aglutinação de vários elementos (SOUZA, 2014). Por ventura, a própria CDD irá informar como realizar a ordem de citação, quando não o fizer, utilizemos a seguinte ordem padrão: • Assunto específico (a notação das classes). • Aspecto geográfico (o uso da tabela). • Aspecto temporal (período histórico). • Forma (se é dicionário, periódico etc.). A ordem de citação permite ao classificador construir ou sintetizar um número contendo duas ou mais características (facetas). A construção de um número na CDD consiste em determinar quais características se aplicam a um item específico para, em seguida, observar nas instruções dadas, nos esquemas, a sequência em que as facetas serão ordenadas. A ordem é sempre cuidadosamente detalhada nas instruções dadas nos esquemas. Exemplo: 909.04 [história em relação a] grupos étnicos e nacionais específicos. Adicionar ao número-base 909.04, a notação 1-9 da Tabela 5. Exemplo: A história do mundo dos judeus = 909.049 24; em seguida, adicionar 0* e, para o resultado, adicionar os números seguintes a 909 em 909.1- 909.8. Ex.: A história do mundo dos judeus no século 18 = 909.049 240 7. A nota anterior estipula a seguinte ordem de citação para as facetas individuais do assunto geral: a história do mundo (909) + grupos étnicos e nacionais específicos (1-9) + período histórico (1-8), sendo que este último é introduzido pelo indicador de faceta 0. Quando não houver nota de instruções para a ordem de citação, utilizar a seguinte ordem sugerida: TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 65 NOTA Recurso mnemônico: consiste na repetição frequente de esquemas-padrão, principalmente nas tabelas auxiliares. Por exemplo, -03 (ao fim de uma notação, muitas vezes indicação um dicionário). É importante fixar na memória a estrutura do sistema a partir dos esquemas. No exemplo a seguir, o dígito (2) representa conceitos associados à Inglaterra: • 42 – Inglaterra. • 914.2 - Geografia da Inglaterra. • 942 - História da Inglaterra. • 420 - Língua inglesa. • 820 - Literatura inglesa. • 032 - Enciclopédia inglesa. Também podemos identificar o recurso mnemônico empregado por Dewey entre tabelas principais ou esquemas, como no caso da biografia, na qual sua classe é 920: • 920 - Biografias gerais = 92 biografia + 000 Generalidades (desconsiderando os zeros finais da classe principal). • 921 - Biografias de filósofos, psicólogos = 92 + 100 Filosofia, Psicologia. • 922 - Biografias de religiosos = 92 + 200 – Religião. Então, assim, sucessivamente, até 928 - Biografias de escritores, poetas, dramaturgos etc. A classe 929 é destinada às Genealogias (história de uma família). 9 INDICE RELATIVO O índice relativo é assim chamado porque relaciona assuntos com disciplinas. Nos esquemas, os assuntos são distribuídos entre as disciplinas. No índice relativo, os temas são organizados em ordem alfabética, com termos identificados para as disciplinas em que são tratados. O índice relativo é também um índice remissivo, pois remete o classificador a outros assuntos e disciplinas, como o uso do ver manual em (see Manual at...). Na nota, o classificador será remetido às notações no manual, sendo sempre indicadas pelo número notacional, não pela página, e o ver também (see also) serve para ver outros assuntos que podem ser úteis à classificação, o que indicará outros termos no próprio índice para a devida análise do classificador. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 66 • Índice relativo: uma lista alfabética de assuntos com disciplinas em que são tratados e suborganizados em ordem alfabética em cada entrada. • Índice remissivo: remete o classifi cador a outras partes da tabela (ver Manual em... = see Manual at... e ver também = see also). AQUI FIGURA 4 – ÍNDICE RELATIVO NA WEBDEWEY FIGURA 5 – UTILIZANDO O ÍNDICE RELATIVO FONTE: <http://dewey.org/webdewey/browse.html>. Acesso em: 5 jun. 2019. FONTE: <http://dewey.org/webdewey/executeBrowse.html>.Acesso em: 5 jun. 2019. TÓPICO 1 | CONTEXTO HISTÓRICO DA CDD; ESTRUTURA E CARACTERISTICAS 67 Uma premissa básica da abordagem Dewey é que não há uma classe principal para um determinado assunto. O arranjo é por disciplinas. Qualquer assunto específico pode aparecer em mais de uma disciplina. No exemplo anterior foi pesquisado o termo DOG (cachorro) através do índice relativo. Assim, apareceram as várias opções em disciplinas do conhecimento em que pode aparecer o termo, além das suas especificidades. Note que há menção a uma nota remissiva: see Manual at. Ainda, dogs “see also Canines”, ou seja, indicando que nas notações numéricas informadas podem existir outras construções significativas que o classificador pode considerar. Os seguintes termos na Tabela 2 de Áreas geográficas são incluídos no índice relativo: • nomes de países; • nomes dos estados e províncias da maioria dos países; • nomes dos condados dos Estados Unidos; • nomes das capitais e de outros municípios; Nomes de certas características geográficas também estão incluídos no índice relativo e nomes pessoais dos seguintes grupos de pessoas: • chefes de Estado utilizados para identificação dos períodos históricos. Por exemplo: Louis XIV; • fundadores ou líderes religiosos. Por exemplo: Maomé; • iniciadores de escolas de pensamento quando usados . Por exemplo: Smith, Adam. http://www.dewey.org/webdewey/executeBrowse.html 68 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Melville Louis Kossuth Dewey foi o criador da Classificação Decimal que levou o seu nome, e, até os dias atuais, é uma das mais utilizadas em bibliotecas no mundo. • Dewey, em 1883, tornou-se bibliotecário-chefe da atual Columbia University, na cidade de Nova Iorque e, em 1º de janeiro de 1887, fundou a primeira escola de Biblioteconomia na mesma universidade. • A primeira publicação da CDD foi em 1876 e tinha apenas 44 páginas. Na ocasião, Dewey foi aplaudido, na Conferência de Bibliotecários na Filadélfia, pelo seu trabalho inovador. A CDD possui 23 edições, sendo a última totalmente online, a WebDewey. • A CDD abrange o mapa completo das áreas do conhecimento, mostrando todos os seus conceitos e suas relações. É considerada a primeira classificação verdadeiramente bibliográfica no sentido moderno. • Dewey dividiu o conhecimento humano em 10 partes principais (classes), cada classe em 10 divisões, e cada divisão em 10 seções, iniciando-se, assim, o princípio hierárquico de seu sistema de classificação a partir dos sumários, do geral para o específico. Para a notação usou números arábicos de 0 a 9, cada dígito adicionado representa a expansão notacional, aproximando itens semelhantes. • A síntese é o processo/operação/recurso empregado pela CDD para a formação de notações que representam assuntos compostos ou aspectos de assuntos em que não há números prontos nas tabelas. • A ordem de citação permite ao classificador construir ou sintetizar um número contendo duas ou mais características (facetas). A construção de um número na CDD consiste em determinar quais características se aplicam a um item específico para, em seguida, observar nas instruções dadas nos esquemas a sequência em que as facetas serão ordenadas. A ordem é sempre cuidadosamente detalhada nas instruções dadas nos esquemas. • O índice relativo é assim chamado porque relaciona assuntos com disciplinas. • O índice relativo é também um índice remissivo, pois remete o classificador a outros assuntos e disciplinas, como o uso do ver manual em (see Manual at...). Na nota, o classificador será remetido às notações no Manual, sendo sempre indicadas pelo número notacional, não pela página. O ver também (see also) serve para ver outros assuntos que podem ser úteis à classificação, o que indicará outros termos no próprio índice para a devida análise do classificador. 69 AUTOATIVIDADE 1 Atualmente, a licença quanto ao uso e os Direitos Autorais pela publicação da Classificação Decimal de Dewey são de responsabilidade: a) ( ) Biblioteca do Congresso Americano (Library of Congress). b) ( ) Lake Placid Foundation. c) ( ) Comitê Político Editorial (Editorial Policy Committee). d) ( ) American Library Association (ALA). e) ( ) Online Computer Library Center (OCLC). 2 As tabelas auxiliares que podem ser usadas sem a permissão expressa nos esquemas são? Escolha uma: a) ( ) Nenhuma das alternativas b) ( ) Tabelas 1, 3 e 5. c) ( ) Tabelas 4 e 6. d) ( ) Tabelas 2 e 6. e) ( ) Tabelas 1 e 2. 3 Na WebDewey – CDD constam 7 tabelas auxiliares (Escolha uma opção): ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 4 Na CDD, um determinado assunto, como drogas, pode ser encontrado em mais de um lugar dentro das tabelas. A razão disso é que a CDD é uma classificação por aspectos, ou seja, o assunto é classificado segundo o seu contexto. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 5 Há dois tipos de sínteses existentes na CDD: 1) síntese envolvendo números das Tabelas Auxiliares (2 ou mais números); 2) síntese envolvendo números dos Esquemas (2 ou mais números). ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 6 Para que servem os sumários na CDD? Escolha uma: a) ( ) Para o entendimento da ordem de citação. b) ( ) Para o entendimento do processo de síntese (entre as tabelas). c) ( ) Para o entendimento da estrutura notacional (princípio hierárquico). d) ( ) Para o entendimento do recurso mnemônico (repetições frequentes). 70 7 A CDD utiliza vários símbolos para a construção notacional. Escolha uma opção: ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 8 Na CDD, o índice relativo corresponde a: a) ( ) assuntos e disciplinas. b) ( ) apenas um índice remissivo. c) ( ) um simples índice alfabético. d) ( ) nenhuma das anteriores. 9 No Índice da CDD, o “ver também” corresponde a: a) ( ) um termo não-adotado. b) ( ) o termo adotado. c) ( ) outros termos que podem ser usados. d) ( ) nenhuma das opções anteriores. 10 O índice relativo lista todos os assuntos e disciplinas encontrados nos esquemas e nas tabelas auxiliares. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 11 Há nomes de pessoas, lugares e instituições incluídos no índice relativo. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 12 No índice relativo, todos os assuntos com recuo abaixo do termo principal são subtópicos e disciplinas relacionados. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 13 No índice relativo, os termos aparecem listados abaixo do termo principal, indicando assuntos e disciplinas listados nos esquemas e nas tabelas auxiliares de 1 a 6. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 14 É proibido consultar os esquemas antes do índice relativo. Escolha uma opção: 71 ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 15 As entradas dos termos no índice relativo são organizadas alfabeticamente, palavra por palavra. Escolha uma opção: ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 16 No índice relativo a busca deverá ser sempre pelas classes principais de 000 a 900. ( ) Verdadeiro. ( ) Falso. 72 73 TÓPICO 2 TABELAS AUXILIARES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO De acordo com Silva (2010), as tabelas auxiliares são assim denominadas porque representam conceitos que podem, virtualmente, ocorrer associados a qualquer assunto das dez classes principais. Assim, na classifi cação de Dewey, elas são muito importantes e auxiliam na especifi cidade da notação. Vejamos a seguir as tabelas da CDD: • Tabela 1: subdivisões padrão (comum). • Tabela 2: subdivisão de tratamento geográfi co, períodos históricos e biografi as. • Tabela 3: subdivisões de literaturas individuais. • Tabela 4: subdivisões de línguas individuais. • Tabela 5: subdivisões raciais, étnicas, nacionais. • Tabela 6: subdivisões de línguas. • Tabela 7: subdivisões de pessoas. Na WebDewey elas aparecem assim: FIGURA 6 – TABELAS NA WEBDWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/tables.html>. Acesso em: 5 jun. 2019. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 74 2 TABELA 1: SUBDIVISÕES PADRÃO/COMUM A primeira das tabelas auxiliares, tradicionalmente conhecida por Subdivisão Padrãoe/ou Comum, abrange conjuntos de ideias secundárias, quase todas associadas ao conceito de forma (física, estrutural do documento, ou de tratamento do assunto principal, conforme as categorias de usuários). Tabela 1: podemos usar sempre que o assunto exigir, a não ser que existam instruções contrárias. Observar número de zeros ou se está explicitado dentro da própria classe ou subclasse. Aborda a forma do material e o seu tratamento. Pode ser utilizada em todas as classes. Nunca utilizar duas ou mais notações da Tabela 1 justapostas, ou seja, em uma mesma classificação. Costumam ser grafadas iniciando-se por um 0 (zero) precedido de hífen para melhor visualização e identificação, evitando que sejam confundidas com suas eventuais contrapartidas nas classes principais (SILVA, 2010). Teoria, aspectos filosóficos, metodologia, arranjo interno dos documentos, frequência de publicação, aspectos associados com o ensino, a pesquisa são algumas ideias representadas por essas tabelas auxiliares, aptas a acompanhar qualquer número das classes principais. Alguns dos números que representam essas ideias secundárias servem apenas como elo entre os conceitos representados pelas classes principais e, até mesmo, por outras classes de ideias secundárias. São exemplos: • -024 Obras para tipos específicos de usuários. • -04 Tópicos especiais. • -088 História e descrição com respeito a pessoas. • 089 Grupos raciais, étnicos e nacionais. • 09 Abordagem histórica, geográfica ou relacionada com pessoas. • 090 Períodos históricos (Tabela de Tempo). • 091 Abordagem relacionada com áreas, regiões e lugares de uma forma genérica. • 093-099 Abordagem centrada em continentes, países e lugares específicos, além do mundo extraterreno. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 75 FIGURA 7 – TABELA 1 NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT1--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. Podem ser empregadas, à descrição do classifi cador, com qualquer número das tabelas principais. Podem ser defi nidas, de uma forma geral, como um conjunto de ideias aplicáveis, em princípio, a todas as classes (SILVA, 2010). Têm como característica principal o fato de limitarem, restringirem, tornarem menos abrangente o conceito representado pelo número principal. Exatamente por essa razão, devem ser empregadas com cautela, para não acabarem por restringir o que não deve sofrer restrição. Não costumam ser enumerados, vez por vez, os conceitos, sempre que surge a necessidade ao longo do sistema. Visto já constarem, em toda sua extensão, no volume destinado à apresentação das Tabelas Auxiliares. Segundo Silva (2010, p. 33), “na dúvida, não usar subdivisões padrão”. O autor orienta: • empregar as subdivisões exceto quando existirem instruções específi cas em contrário nas tabelas; • não usar mais de uma subdivisão padrão com um mesmo número principal, a menos que autorizado pelo sistema; • não havendo instruções especiais, empregar, sempre, apenas um zero, que já vem na notação da Tabela 1; • quando houver subdivisão do número principal começando por zero, devem- se empregar dois zeros nas subdivisões padrão; • se constarem dois zeros nas subdivisões principais, empregam-se três zeros nas subdivisões padrão. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 76 As tabelas instruirão sobre quando empregar zeros extras. A regra geral é que as subdivisões devem conter tantos zeros para um não conflito (coincidência) com números já existentes nas tabelas principais. O que cada subdivisão significa: • _01 Teoria e filosofia – uma exposição do assunto sob ponto de vista teórico, filosófico. Ex.: Filosofia das artes – 700.1. • _02 Miscelânea – um assunto é tratado brevemente como em sinopses, ilustrações, guias, tabelas etc. Ex.: Catálogos de história – 902.16. • _03 Dicionários, enciclopédias e concordâncias – o assunto é tratado por meio de definições ou de maneira panorâmica. Ex.: Dicionário de medicina – 610.3. • _04 Temas especiais – usa-se a subdivisão quando aparece indicação no esquema. Ex.: Democracia participativa – 323.04. • _05 Publicações seriadas – o assunto é tratado em artigos, composições etc. Ex.: Periódicos de economia – 330.05. • _06 Organizações e administração – principalmente para organizações e associações compostas de sócios ou membros afiliados, mas usamos também para outras instituições, fundações ou agências especificadas em T1 – 0601- 0609. • _07 Educação, pesquisa, temas relacionados – obras gerais sobre recursos para estudo e ensino. Ex.: O ensino de matemática - 510.7. • _08 História e descrição relacionadas com classes de pessoas quando o assunto é direcionado para uma classe específica de pessoas. Ex.: Geografia para adolescentes – 910.835. • _09 Tratamento histórico, geográfico, de pessoas, inclui períodos históricos sem limite geográfico, histórico ou descrição por área. Ex.: História da arquitetura – 720.9. • Os números da tabela têm subdivisões. Ex.: 022 – ilustrações, modelos, miniaturas são uma subdivisão de _02 Miscelânea. Observem que, na WebDewey, muitas vezes, as classes já abordam a forma e o tratamento dos assuntos, ou seja, as classificações já estão prontas, não sendo preciso utilizar a Tabela 1. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 77 3 TABELA 2: SUBDIVISÃO DE TRATAMENTO GEOGRÁFICO, PERÍODOS HISTÓRICOS E BIOGRAFIAS Quando um assunto tem particular significado geográfico, torna-se necessário expandir o número da tabela de área. As notações de área nunca são usadas sozinhas, mas podem ser usadas quando o assunto da obra exigir. a) Diretamente: quando existem instruções na tabela ordenada para seu uso. Ex.: Salários no Japão 331.2952. No exemplo, existem instruções na tabela sob o número 331.29 para o acréscimo da área geográfica ao assunto principal (SOUZA, 2014). Exemplos: acrescente ao número xxx.x a notação 01-99 da Tabela 2. Acrescente ao 437 os números que se seguem 43 na notação 431-436 da Tabela 2. b) Indiretamente: quando instruções específicas não são dadas no esquema para tratamento geográfico, o classificador deve usar a divisão 09 (tratamento histórico e geográfico) com qualquer número que possa ser logicamente desenvolvido (SOUZA, 2014). Exemplo: transporte ferroviário (385) no Brasil (-81) na tabela 2 = 385.0981 Devemos observar que a subdivisão comum 09 algumas vezes já faz parte da notação. Quando a subdivisão comum já faz parte das notações: • História econômica 330.9 • História econômica no Brasil – 330.981 c) Quando há instruções nas tabelas para o uso das subdivisões comuns com 00 (dois) 000 (três) zeros etc. Exemplo: bibliotecas especializadas – 026 (usar 026.001 – 026.0009); biblioteca especializada no Brasil – 026.000981 d) Quando houver instruções para uso da tabela de áreas nas outras tabelas auxiliares. Exemplo: 025 da Tabela 1 subdivisões comuns. As instruções das tabelas devem ser observadas, pois algumas vezes ordenam o emprego de 09 entre o conceito geográfico e o número principal, já outras mandam justapor diretamente. Há, até mesmo, casos em que ordenam utilizar apenas 0, em vez de 09. Ou seja, o fato de não ter uma regra única não sou eu quem digo e sim a sistemática de uso do sistema de classificação. UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 78 • Exemplo: ciências no Brasil durante o Império tem como classificação 509.810 4, síntese de 500 ciências + 09 subdivisão padrão + 81 Brasil (Tabela 2) + 04 época imperial (último dígito retirado no número de História do Brasil no Império: 981.04). FIGURA 8 – TABELA 2 NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT2--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. 4 TABELAS 3A, 3B E 3C – SUBDIVISÃO DE ARTES E LITERATURAS ESPECÍFICAS As Tabelas 3 devem ser utilizadas com a classe 800 e na classe 700 somente quando especificado, considerando que: A tabela tem como finalidade proporcionar números que representem os diversos detalhes próprios da literatura, comoos gêneros (ou formas literárias), os períodos, as escolhas, as pessoas envolvidas com a criação literária, os leitores especiais a que se destinam certas categorias de obras, os estilos, a crítica literária, a retórica etc. (SILVA, 2010, p. 45). Podemos vê-la, na verdade, como a tabela auxiliar própria e exclusiva da Classe 800, na parte que diz respeito à Literatura. Tais números nunca podem ser empregados sozinhos, mas apenas justapostos aos das literaturas individuais (ou aos números dessas literaturas) identificados nas tabelas por meio de um * (asterisco), desde o 810 ao 890. Os assuntos da Tabela 3-A, atualmente dividida em três partes, encontram- se assim distribuídos: http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT2--0 TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 79 Tabela 3-A Autores individuais Tabela 3-B Dois ou mais autores Retórica de formas literárias específicas Tabela 3-C Detalhes da Tabela 3-B e do 808/809 QUADRO 3 – DISTRIBUIÇÃO DOS ASSUNTOS DA TABELA 3-A FONTE: Silva (2010, p. 45-46) FIGURA 9 – TABELAS 3 NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT3--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. Com base em Silva (2010, p. 46), apresentaremos, a seguir, os roteiros/ procedimentos para classificar obras literárias “tanto de autores individuais (Tabela 3-A), quanto de grupos de autores (mais de um: Tabela 3B). Da Tabela 3-C, que é mero complemento dos detalhes constantes da Tabela 3-B, forneceremos, também em linhas gerais, a lista básica dos números que representam esses super detalhes”. 4.1 TABELA 3-A (AUTORES INDIVIDUAIS) Aqui apresentaremos, de forma resumida, os passos para a utilização da tabela, segundo Silva (2010, p. 46-47): • Encontrar o número (indicado em notas, e que pode coincidir com o número completo da literatura em questão. Exemplo: no 820 Literatura inglesa, o número-base é 82; no 839.31 Literatura holandesa, a base é o próprio número 839.31). Havendo forma literária específica da sequência -1-6 (Tabela 3-A), proceder com a Etapa 2. Não havendo (portanto sendo ela o8), observar as instruções do -8 (logo adiante, após o item 4.) http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT3--0 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 80 • Encontrar na Tabela 3-A a forma pertinente (-1-6) e usá-la. Se o documento se referir também a um período, proceder com a Etapa 3. • Verificar se na literatura pertinente existe alguma tabela própria de tempo. Havendo, ir para a Etapa 4. Não havendo, está terminado o processo. • Retirar da tabela de tempo própria da literatura pertinente o número que se aplica ao documento em questão. Adicionar esse número ao já formado com o número-base + forma. Por exemplo: 821.3 Poesia inglesa do período Elizabetano. Nos casos de autoria individual (excetuando-se o poeta Shakespeare, sendo que existe uma tabela especial na Literatura Inglesa), termina aqui o processo, já que não se empregam as subdivisões com autores individuais. O -8 é o recurso/opção para reunir as obras de/e sobre um autor, sem indicação da forma literária específica. Escolhida a base, acrescentar 8. Não havendo uma Tabela de Tempo na literatura específica, está concluída a classificação. Havendo, empregá-la, o que resultará nas subdivisões -81-89 (-1-9 são números que representam a tabela de tempo da literatura em apreço). Formado o número com a inclusão da Tabela de Tempo, podem, ainda, ser acrescentados os números da tabela a seguir: • 02: piadas, anedotas, epigramas, grafite, citações; • 03: diários, cadernos de notas, memórias; • 07: obras sem forma literária identificável; • 08: obras com mais de uma forma de prosa. 4.2 TABELAS 3-B: OBRAS DE/SOBRE MAIS DE UM AUTOR Aqui apresentamos, de forma resumida, os passos para a utilização da tabela segundo (SILVA, 2010, p. 50-51): • Procurar o número na literatura em questão. • Usar as formas literárias -1-7. Se a forma literária for -8 Miscelânea, verificar as instruções encontradas no - 8 Miscelânea (da Tabela). *Se as formas forem subdivisões do gênero, como -104 2 Soneto, ir para a Etapa 3. No caso de obras que tratam de (ou incluem) conceito tempo, prosseguir com a Etapa 7. • Usar as subdivisões dos gêneros de acordo com a Tabela 3-B. Se não houver instruções (*asterisco) para novos acréscimos, estará encerrado o processo. Se houver o * (asterisco), seguir as instruções, que podem incluir o uso da Tabela 3-C. • Verificar se há tabela de tempo na literatura em questão. Havendo, ir para a Etapa 5. Não havendo, estará encerrado o processo. • Escolher o número apropriado da tabela de tempo na literatura em questão e acrescentá-lo ao número já obtido. Ir para a Etapa 6. • Nos números de Forma Literária (-1-8 da Tabela 3-B) procurar as respectivas subdivisões para períodos e seguir as instruções, inclusive sobre o emprego da Tabela 3-C. • Não havendo Tabela de Tempo, usar as subdivisões do gênero, listadas no -1/-9, e seguir as instruções encontradas lá, inclusive sobre o uso da Tabela 3-C. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 81 • Não havendo apenas uma forma literária, mas diversas, consultar o 01-09 (subdivisões) na Tabela 3-B, seguindo as instruções, que podem incluir o emprego da Tabela 3-C. 4.2.1 Miscelânea O procedimento para classificar empregando-se a subdivisão -8 Miscelânea é: • Acrescentar 8 ao número da literatura em questão. Por exemplo: Literatura inglesa 820; número-base 82; Miscelânea na Literatura inglesa 828. Se a obra for limitada a um período específico, ir para a Etapa 2. Se não, ir para a Etapa 4. • Verificar na literatura em questão se existe uma Tabela de Tempo. Havendo, ir para a Etapa 3. Não havendo, ir para a Etapa 4. • Escolher o número apropriado para indicar o período e seguir as instruções encontradas no -81-89. • Se a obra não contiver especificação de tempo, ou se não houver na literatura em questão uma tabela de tempo, verificar se a obra não está limitada a uma das formas de miscelânea listadas no -802-808. Se estiver limitada a uma daquelas formas, ir para a Etapa 5. Se não, estará completo o processo. • Classificar a obra no número apropriado da sequência 802-808. Os detalhes passíveis de acréscimo ao -8 são: • 001-009 subdivisões com padrão: coleções, história, descrição, crítica etc. • 02-08 tipos específicos de miscelânea: piadas, citações, epigramas, anedotas, grafite, diários, memórias, obras sem gênero literário identificável, literatura em prosa. • 1-9 miscelânea de períodos literários específicos. Resumo/esquema das etapas para formação do número de classificação de mais de um autor: • Base. • Forma. • -1/-6 + tempo (se houver Tabela de Tempo na literatura pertinente). • -1/-6 + subdivisão do -1/-6 + padrão -01/-07 e/ou tabela. • 3-C. • -8 + tempo (se houver) + padrão -001/-009. • -8 + subdivisão do -8 (não havendo o conceito tempo). 4.3 TABELAS 3-C DETALHES DA TABELA 3-B E DO 808/809 É destinada a complementar a Tabela 3-B, quando autorizado pelo sistema, proporcionando detalhes de natureza especial, tais como: UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 82 • 001-009 subdivisões com padrão; • 01-09 períodos específicos (o segundo dígito corresponde ao número da tabela de tempo próprio da literatura em questão); • 1 literatura apresentando qualidades específicas; • de estilo, perspectiva etc.: Dadaísmo, Expressionismo, Surrealismo, Impressionismo, Realismo, Naturalismo, Idealismo, Simbolismo etc.; • 2 literatura ostentando elementos específicos: descrição, narrativa, diálogo, caracteres. • 3 literatura tratando de temas e assuntos específicos, tais como: ᵒ lugares (completar com -1 da Tabela Geográfica); ᵒ tempos (tipos de tempo, não períodos da História: primavera, férias, aurora etc.), pessoas (quanto a aspectos psicológicos, sexo, idade, aspectos sociais), fenômenos físicos e naturais e conceitos filosóficos e abstratos. • 4 literatura enfatizando assuntos: obras que não pertencem propriamente à categoria das belas letras, mas que sãotratadas como literatura (acrescentar 001-999 das classes principais para especificar os assuntos); • 8/9 literatura de/para tipos específicos de pessoas; • 8 grupos raciais, étnicos e nacionais (completar com a Tabela de Raça); • 9 literatura por/para outros tipos específicos de pessoas; • 91 literatura de/para pessoas residentes em regiões específicas (completar com 11-19 da Tabela Geográfica); • 92 literatura de/para pessoas de classes sociais específicas (completar com 04- 79 da Tabela de Pessoas); • 93-99 literatura de/para pessoas residentes em continentes, lugares e localidades específicos (completar com 3-9 da Tabela Geográfica). 5 TABELA 4 – SUBDIVISÃO DE LÍNGUAS E FAMÍLIAS LINGUÍSTICAS “Esta tabela é constituída de números que representam as divisões, subdivisões, detalhes, aspectos da Gramática Geral quando aplicados a uma língua específica. É, por isso, de emprego exclusivo com números principais da Classe 400, no intervalo 420-490” (SILVA, 2010, p. 57). IMPORTANT E O * (asterisco), em algumas notações das classes na CDD, indica que a classificação está apta a receber uma notação da Tabela 4. Exemplo: 152 Ortografia; 460 Língua espanhola; 46 Número-base; 461.52 = Ortografia espanhola. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 83 FIGURA 10 – TABELA 4 NA WEBDWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT4--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. 6 TABELA 5 – SUBDIVISÃO DE ETNIAS E GRUPOS ÉTNICOS Os números da tabela não podem ser empregados, a não ser justapostos a um número principal, com autorização expressa do sistema. Há três tipos de possibilidades de justaposição: • diretamente ao número principal; • através do elemento de ligação 089 da Subdivisão Padrão; • tendo como elemento de ligação com o número principal de dígitos retirados de outras tabelas, como o -174 (da Tabela de Área). Exemplos das três situações: a) 155.849 56 psicologia dos judeus, resultante da síntese: 155.84 psicologia étnica + 956 judeus (da tabela de raça). b) 738.089 924 cerâmica judaica, resultante da síntese: 738 cerâmica + 089 dígitos a interpor + 924 judeus. c) 174.927 regiões de predominância árabe, resultante da síntese: 174 regiões onde predominam grupos étnicos + 927 árabes. Não havendo redundância, nem instruções em contrário nas Tabelas, pode-se acrescentar um zero ao número retirado da Tabela de Raça e, em seguida, o número da Tabela de Área pertinente (SILVA, 2010, p. 58). http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT4--0 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 84 FIGURA 11 – TABELA 5 NA WEBDWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT5--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. 7 TABELA 6 – LÍNGUAS As subdivisões são constituídas de números que representam as línguas e dialetos em que podem estar redigidos os assuntos contidos nos documentos objeto de classificação. São a base para a formação dos números das classes 490 e 890, sendo essa, na verdade, sua função primordial, ocorrendo, também, às vezes, seu emprego em combinação com o -175 da Tabela 2 (Subdivisão de Área). A Tabela 6 só pode ser utilizada com ordem expressa do sistema. http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT5--0 TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 85 FIGURA 12 – TABELA 6 NA WEBDWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/index_11.html?recordId=ddc%3aT6--0>. Acesso em: 5 jun. 2019. 86 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Existem sete tabelas auxiliares que são assim denominadas pois representam conceitos que podem, virtualmente, ocorrer associados a qualquer assunto das dez classes principais. • A Tabela 1, que é de subdivisões com padrão (comum), pode ser usada sempre que o assunto exigir, a não ser que existam instruções contrárias. Observar número de zeros, ou se está explicitado dentro da própria classe ou subclasse. • A Tabela 2, que é subdivisão de tratamento geográfico, períodos históricos e biografias, pode ser usada sempre que o assunto exigir. Observar se existe nota remetendo para a Tabela 2. Se não existir, usar 09, observando as regras para uso de Subdivisão Comum. • A Tabela 3, que é de Literatura, é a expansão da classe 800. Usá-la somente para classificar literaturas. Atenção: em alguns números das subclasses, uma parte (um dígito) da tabela já está “embutida”. Nos casos, cuidar para não repetir números desnecessários. • A Tabela 4, de Línguas Individuais, é a expansão para Linguística da classe 400 e deve ser usada quando requerida por números marcados com * (420 – 490). • A Tabela 5, de Grupos étnicos, nacionais etc. é usada quando aparece instrução, ou quando o assunto exigir o complemento. • A Tabela 6 é de Línguas e é usada quando aparece instrução, ou quando o assunto exigir o complemento. • A Tabela 7 é de Grupo de Pessoas e é usada quando aparece instrução, ou quando o assunto exigir o complemento. 87 AUTOATIVIDADE 1 Com base na Classificação Decimal de Dewey, verifique a tabela auxiliar correspondente ao número da tabela correta. ( ) Tabela auxiliar que representa subdivisões de idiomas individuais e família de idiomas. ( ) Tabela auxiliar que representa subdivisões com padrão. ( ) Tabela auxiliar que representa línguas. ( ) Tabela auxiliar que representa subdivisão de grupos étnicos e nacionais. ( ) Tabela auxiliar que representa áreas geográficas, períodos históricos e biografia. ( ) Tabela auxiliar que representa subdivisões para artes, literaturas individuais e formas específicas. 2 No âmbito da CDD, os números entre colchetes representam tópicos que foram: a) ( ) indicados para significar se um número é mais estrito do que evidenciado. b) ( ) utilizados para informações que não são evidentes na hierarquia de notações. c) ( ) criados para fornecerem alternativas à prática padronizada. d) ( ) relocados ou descontinuados, ou que não foram atribuídos. e) ( ) identificados como em espaço de espera. 88 89 TÓPICO 3 TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Os esquemas, ou tabelas principais, consistem de uma extensa tabela de todos os números da CDD, indicando seus assuntos e notas explicativas para o uso. Constituem a parte mais importante da CDD. Para utilizá-los de forma correta e efi ciente, é necessário conhecer e entender suas divisões (sumários) e suas instruções e notas explicativas nas classes principais e nas tabelas auxiliares. As entradas nos esquemas têm sido arranjadas em uma sequência numérica de 000 a 999. Entretanto, não há difi culdades para a localização de um número de classifi cação desejado (GUARIDO, 2008). Com base na leitura técnica de um item, uma vez que o assunto tenha sido determinado e as informações sobre a disciplina tenham sido encontradas, o classifi cador deverá consultar os esquemas. Os sumários disponíveis em cada classe são um bom meio de navegação mental. Os cabeçalhos e as notas nos esquemas fornecem orientação, bem como o Manual. O índice relativo pode ajudar sugerindo as disciplinas em que um assunto é normalmente tratado. FIGURA 13 – MANUAL NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/browse.html>. Acesso em: 5 jun. 2019. 90 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 2 PONTUAÇÃO NOS ESQUEMAS Alguns números nos esquemas e nas tabelas auxiliares são colocados entre parênteses ou colchetes. Números e notas entre parênteses fornecem opções para a prática de classificação padrão. Já os números em colchetes representam os tópicos que foram realocados ou descontinuados, ou não atribuídos. Os colchetes são usados também para conceitos da subdivisão-padrão que são representados em outro local. Números entre colchetes nunca devem ser usados. Outras pontuações também são usadas, como o * (asterisco), que sempre remete o classificador a uma nota de rodapé. Em resumo: • Ler as instruções com atenção e segui-las para formação dos números. • Números entre [ ] colchetes estão em desuso. • Números entre ( ) parênteses são opcionais.• Números assinalados por * (asterisco) ou + (cruz), observar nota no pé da página, quando for necessária alguma complementação. ATENCAO 2.1 INDICAÇÃO DE NOTAS NOS ESQUEMAS As notas são importantes pois fornecem informações que não são óbvias na hierarquia notacional, ou no título, que diz respeito à ordem, estrutura, subordinação e outros assuntos. Elas também podem aparecer no início de uma tabela auxiliar. As notas de rodapé são usadas para obter as instruções que se aplicam a várias subdivisões de uma classe ou a um tópico. Entradas individuais no manual também são consideradas notas. As notas nos esquemas e nas tabelas auxiliares geralmente aparecem na seguinte ordem: revisão, cabeçalho antigo, definição, construção do número, subdivisões-padrão são adicionadas, nome variante, escopo, incluindo, classifique aqui, preferência, classifique em outro lugar, veja referência, ver também referência, veja Manual, opção, notas de realocações e números descontínuos. 2.2 PRINCÍPIOS PARA A ESCOLHA NOTACIONAL: REGRAS BÁSICAS Para observarmos os princípios para a escolha notacional, devem-se seguir algumas regras básicas: TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 91 • ordem de preferência (preference order); • regra de aplicação (rule of application); • tratamento completo (full treatment); • regra primeiro de dois (first-of-two rule); • regra de três (rule of three); • regra de zero (rule of zero); • número interdisciplinar (interdisciplinary number); • tabela de último recurso (table of last resort). Souza (2014) exemplifica esses princípios da seguinte forma: I. Ordem de preferência e citação devem ser consideradas quando vários aspectos, ou características de um assunto (como idade, área, sexo, períodos históricos, nacionalidade), são fornecidos na classificação. Exemplo: 305 Grupo de pessoas. A menos que outras instruções sejam dadas, observe a ordem de preferência adotada a seguir: • Pessoas com deficiências e doenças, pessoas superdotadas - 305.908. • Faixas etárias - 305.2. • Pessoas por gênero ou sexo - 305.3–.4. • Pessoas por classes sociais e econômicas - 305.5. • Grupos religiosos - 305.6. • Grupos étnicos e nacionais 305.8. • Grupos linguísticos 305.7. • Pessoas por ocupação e diversos status sociais 305.9 (exceto 305.908). Exemplo: jovens afro-americanos do sexo masculino, o correto é: 305.235 108 996 073 e não 305.388 960 730 083 5 ou 305.896 073 00 835 1. II. Regra de aplicação: quando ocorre mais de um assunto na mesma disciplina. Uma obra sobre a aplicação ou a influência de um assunto em outro é classificada no segundo assunto. Exemplo: a influência de Virginia Woolf sobre os romances de Eudora Welty é classificada em Welty 813.52, não em Woolf 823.912. III. Tratamento completo: mais de um assunto na mesma disciplina, ou seja, uma obra sobre dois assuntos é classificada no assunto que recebeu o tratamento maior. IV. Regra do primeiro de dois: quando há mais de um assunto na mesma disciplina. Ou seja, uma obra que apresenta dois assuntos com grau de igualdade é classificada no primeiro número (assunto), na ordem em que aparece na classe principal, nos esquemas. Vale mencionar que há exceções em alguns casos. 92 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY Exemplo: A história de Nebraska e Kansas é classificada em Kansas 978.1, não em Nebraska 978.2. Segundo Sousa (2014), se os dois assuntos representarem subdivisões principais de um assunto maior, use o número para o assunto mais amplo. Siga as instruções específicas nos esquemas em substituição a essa regra. V. Regra do primeiro de dois x ordem de preferência: Segundo Sousa (2014), os classificadores, muitas vezes, devem distinguir entre as instruções de ordem de preferência e a regra do primeiro de dois nos esquemas. Se a obra tratar de dois assuntos, aplique a regra do primeiro de dois. Se a obra tratar de dois aspectos do mesmo assunto, aplicar as instruções de ordem de preferência. Por exemplo: uma bibliografia de jornais e panfletos dando tratamento igual a ambos seria classificada de acordo com a regra do primeiro de dois 011.33 (bibliografia de panfletos) em vez de 011.35 (bibliografias de jornais). A bibliografia de jornais em microformas (ou seja, os jornais em forma de microfichas) seria classificada de acordo com a ordem de preferência no 011.1-011.8: "A menos que outras instruções sejam dadas, classifique um assunto com aspectos em duas ou mais subdivisões de 011.1-011.8 no número vindo por último". Assim, a bibliografia de jornais em microformas seria classificada em 011.36 (bibliografias de microformas) em vez de 011.35 (bibliografias de jornais) (SOUZA, 2014, p. 5) VI. Regra de três: mais de um assunto na mesma disciplina. Ou seja, uma obra que recebe tratamento igual a três ou mais assuntos sendo todos subdivisões de um tema mais amplo é classificada no número maior, que inclui os três. Exemplo: A história de Kansas, Nebraska e Dakota do Sul é classificada em Oeste dos Estados Unidos: 978, não em Kansas 978.1, Nebraska 978.2 ou Dakota do Sul 978.3. VII. Regra de zero: mais de um assunto na mesma disciplina. Em uma dada posição na notação, se houver uma escolha entre o 0 (zero) como subdivisão e uma outra subdivisão de números inteiros 1-9, prefira a que inicia com estes últimos. Exemplo: As qualificações profissionais dos professores na escola particular deverão ser classificadas em qualificações profissionais 371.12, não em escola particular 371.02. Similarmente, subdivisões começando com 00 deverão ser evitadas quando há uma escolha entre 00 e 0. Exemplo: A biografia de um missionário metodista americano na China tem como número-base 266 Missões. O conteúdo informacional da obra pode ser expressado em três diferentes números: • 266.009 2 Biografia de missionários. • 266.023 730 51 Missões estrangeiras dos EUA na China. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 93 • 266.760 92 Biografia de um missionário da Igreja Metodista americana. VIII. Número interdisciplinar: Mais de uma disciplina. Os números interdisciplinares serão sempre indicados nos esquemas ou no índice relativo e só devem ser usados quando aplicáveis na notação. Ex.: 305.231 Sociologia, é indicado para obras interdisciplinares no desenvolvimento da criança. Para o desenvolvimento psicológico, veja 155.4; para o desenvolvimento físico, 612.65. No entanto, se uma obra sobre o enfoque e assunto apresentar pouca ênfase no desenvolvimento social e físico e maior ênfase no desenvolvimento psicológico, classifique em 155.4. IX. Tabela de último recurso: IMPORTANT E O recurso só deve ser usado quando não há evidências na obra da intenção e ênfase dada pelo autor. Quando vários números forem encontrados para a mesma obra e todos parecerem importantes, a tabela de último recurso (por ordem de preferência) pode ser usada como diretriz na ausência de qualquer outra regra. 1) Tipos de coisas. 2) Partes de coisas. 3) Materiais de coisas, tipos e partes que são feitas. 4) Propriedades de coisas, tipos, partes ou materiais. 5) Processos de coisas, tipos, partes ou materiais. 6) Operações, coisas, tipos, partes ou materiais. 7) Instrumentos para a realização de tais operações (SOUSA, 2014, p. 17). Exemplo: A vigilância de patrulhas de fronteiras 363.285. • Patrulhas de fronteiras - 363.285. • Patrulhas e vigilância - 363.232. Classifique em 363.285 uma vez que patrulhas de fronteiras são um tipo de serviço policial, enquanto que patrulha e vigilância são processos realizados pelos serviços policiais 94 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY No subtópico a seguir o foco será em breves explicações sobre as classes, exercícios e correção. 3 CLASSE 000 – GENERALIDADES Duas categorias de obras pertencem à classe Generalidades: 1) Disciplinas que estão relacionadas ou aplicadas com outras disciplinas: • Análises de sistemas e Ciências dos computadores (003-006). • Bibliografia (010). • Biblioteconomia e Ciência da Informação (020).Em alguns casos, os vínculos entre essas e outras disciplinas ocorrem pela junção (síntese) de um número das classes 001-999. • 016.54 - Bibliografias de Química. • 026.61 - Bibliotecas médicas. Em outros casos, o vínculo é mostrado mediante o uso da notação das subdivisões comuns da Tabela 1. Exemplo: Civil 624.011 - Análises de sistemas em Engenharia - 650.0285 - Aplicações de computador em administração - 2) Obras multidisciplinares: • Enciclopédias gerais (030). • Publicações periódicas gerais (050). • Obras sobre organização geral (060). • Coleções gerais (080). Existe notação paralela de subdivisões comuns na Tabela 1 para três dos tipos de obras: • T1 03- Dicionários, Enciclopédias, Concordâncias. • T1 05- Publicações Periódicas. • T1 06- Organizações. 3.1 SUMÁRIO DA CLASSE 000 (VERSÃO IMPRESSA) • 001 – Conhecimento. • 002 – Livro. • 003 – Sistemas. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 95 • 004 – Processamento de dados – ciências dos computadores. • 005 – Programação de computadores, programas e dados. • 006 - Métodos especiais de computação. • 010 e 011 – Bibliografias. • 012 – Bibliografias e catálogos individuais – trabalhos de/ou sobre pessoas não associadas com nenhum assunto. • 013 – Bibliografias e catálogos de obras por classes específicas de autores (uso da tabela 7 – Pessoas). • 014 – Bibliografias e catálogos de trabalhos anônimos e pseudônimos. • 015 – Bibliografias e catálogos de trabalhos de lugares específicos. • 016 – Bibliografias e catálogos de obras sobre temas específicos ou de disciplinas específicas. • 017 – Catálogos de assuntos gerais. • 018 – Catálogos ordenados por autor, entrada principal, data ou número de registro. • 019 – Catálogos dicionários. • 020 – Biblioteconomia e Ciência da Informação. • 030 – Enciclopédias gerais. • 050 – Publicações seriadas (periódicos) gerais e seus índices. • 060 – Organizações gerais e Museologia. • 070 – Jornais e jornalismo, editores e edição. • 080 – Coleções gerais. • 090 – Manuscritos, livros raros, outros materiais impressos e raros. FIGURA 14 – CLASSE 000 NA WEBDWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/mainClasses.html?recordId=ddc%3a0>. Acesso em: 6 jun. 2019. Veja as formas de classificação a seguir: 1 Enciclopédia de folclore. 2 História do livro. 3 Criminologia em Chicago. 4 Registro de marcas e serviços: marcas de produtos. 5 Museologia – Museologia. http://dewey.org/webdewey/mainClasses.html?recordId=ddc%3a0 96 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY Assunto principal Número Assunto secundário - Tabela Auxiliar Resultado da Classificação Folclore 398 Enciclopédia -03 (Tab 1 SS) Enciclopédia de folclore 398 + -03 = 398.03 398.03 2 História do livro – 002 3 Criminologia em Chicago Assunto principal Número Assunto secundário - Tabela Auxiliar Resultado da Classificação Criminologia 364 + número da Tabela 1 -09 (SS - Tratamento Geográfico) + número da Tabela 2 -773 11 Chicago Criminologia em Chicago 364.097 731 1 Os dígitos podem ser aplicados para qualquer número-base. Se o número tem menos de 3 dígitos, combinar com o número SS e adicionar o ponto decimal quando necessário. 4 Registro de marcas e serviços: marcas de produtos Número-base para tecnologia Registro de marcas e serviços Resultado 6 + -027 5 602.75 5 Museologia - 069 6 Enciclopédia de direito internacional Assunto principal Número Número do Assunto secundário Tabela Auxiliar T1 e a sua composição Resultado da Classificação Direito internacional 341 Enciclopédia -03 (T 1 SS) Enciclopédia de direito internacional 341 + -03 = 341.03 341.03 6 Enciclopédia de direito internacional. 7 Engenharia civil como profissão. Respostas: 1 Enciclopédia de folclore TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 97 7 Engenharia civil como profi ssão Assunto principal Número Assunto secundário - Tabela Auxiliar Resultado da Classifi cação Engenharia Civil 624 Como profi ssão -023 (T 1 SS) Engenharia civil como profi ssão 624 + -023 = 624.023 624.023 4 CLASSES 100 – 200 – 300 A Classe 100 abrange as áreas de fi losofi a e psicologia. A Classe 200 abrange os temas voltados à religião. Já a classe 300 abrange a área de ciências sociais. Observe como elas são apresentadas nas ilustrações a seguir captadas da WebDewey. FIGURA 15 – CLASSE 200 NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/login/login. html;jsessionid=DD53FB175E2CBFAC7B32ABDBA76F7DE2>. Acesso em: 7 jun. 2019. 98 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 5 CLASSE 400 – LÍNGUAS Segundo Spudeit (2013), a classe apresenta três características: a) 401 a 409 são as subdivisões comuns já especificadas com algumas expansões específicas da classe 400. b) Apresenta divisão por língua específica (420 a 490). c) Apresenta divisão gramatical aplicável a qualquer língua e tem expansões aplicáveis (Tabela 4 – subdivisão de línguas individuais). As notações da Tabela 4 (T4) nunca podem ser usadas sozinhas, mas quando requeridas junto ao número básico identificado por * (asterisco) em 420 a 490. • ...1 – Sistemas de escrita e pronúncia. • ...2 – Etimologia. • ...3 – Dicionários. • ...5 – Sistema estrutural (gramática). • ...7 – Variações históricas e geográficas, variações modernas não geográficas. • ...8 – Linguística aplicada. NOTA Regra geral: Língua + subdivisão de língua da T4 + subdivisão comum (T1). 5.1 DICIONÁRIOS Sabemos que o número 03 da Subdivisão Comum (Tabela 1) é reservado para Dicionários e Enciclopédias. Na classe 400, porém, ele tem função de assunto, então é ligado diretamente, sem o 0 (zero) ao número-base da língua, pois é o _3 da Tabela 4. Exemplo: dicionário de inglês = 423; Dicionário de alemão= 433. Porém, quando estiver ligado a um número de assunto específico relacionado a um aspecto da língua, usa-se com 0 (zero), porque, no caso, será _03 da Tabela 1. Exemplo: dicionário de fonologia inglesa= 421.503. Porque a diferença? A razão é simples, no segundo exemplo o número é composto de: 42 (classe 400) + _15 (T4) + _03 (T1) = 421.503. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 99 Ou seja, não se pode usar duas vezes a mesma tabela, como já havia sido usado um número da T4. A única opção que resta é o uso de outro da T1. 5.1.1 Dicionários bilíngues Notação 32-39 da Tabela 4 – Subdivisões de línguas individuais: acrescentar a notação de 2-9 da Tabela 6 (Línguas) ao número-base 3: • Língua 1 (Classe 400) + 3 + Língua 2 (T6). Como proceder? a) Considera-se Língua 1 a língua estrangeira ao país: Exemplo: Dicionário francês-português = 443.69. 44 (Francês) + 3 (Dicionário) + 69 (Português). b) Considera-se Língua 1 a língua menos conhecida ao país: Exemplo: Dicionário inglês-alemão = 433.21. 43 (Alemão) + 3 (Dicionário) + 21 (Inglês). Em caso de dúvida, classifique sob a língua estrangeira o país onde o dicionário foi editado. Exemplo: Dicionário italiano-francês (editado em Paris) = 453.41. (Itália) + 3 + 41 (França). ATENCAO a) Considera-se a Língua 1 a língua mais antiga quando for um dicionário de língua antiga e moderna: Exemplo: Dicionário latim-português = 473.69. 47 (Latim) + 3 (Dicionário) + 69 (Português). 6 CLASSE 500 – 600 – 700 A Classe 500 abrange as áreas de ciências, a classe 600 abrange as áreas de tecnologias e a classe 700 abrange as áreas de artes. 100 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY FIGURA 16 – CLASSE 500 NA WEBDEWEY FONTE: <http://dewey.org/webdewey/login/login. html;jsessionid=DD53FB175E2CBFAC7B32ABDBA76F7DE2>. Acesso em: 7 jun. 2019. Vejamos alguns exercícios resolvidos das classes: Vejamos como são elencadas na WebDewey: TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 101 UNI Exercícios resolvidos – classes 500 – 600 –700 CLASSE 500 1. Título: A história natural de Madagascar – 508.691. Pelo 508.09, você será redirecionado para 508.3-508.9 para o tratamento geográfico da história natural. Adicionar 691 de T2 para Madagascar ao número-base 508, seguindo as instruçõesna 508,4-508,9). 2. Poliedros convexos (Polyhedra - superfícies convexas). Resposta: 516,15 ou 516.08. Geometria Convex é de 516.08; poliedros estão em 516.15. 3. Título: Química da combustão de hidrocarbonetos (Combustão Hidrocarbonetos). Resposta: 547.0104561. Química orgânica/química e física – 045 – adicionar ao número-base hidrocarbonetos em química 547,01 – remete à nota de rodapé “adicionar as instruções de 547”. 045 Físico-química. Adicionar 045 os números seguintes 541,3 em 541,33-541,38 para temas específicos de física química. Assim, podemos adicionar ainda mais os números 61 de 541,361 – “Combustão” para obtenção da notação final. 541.361 = 61 4. Título: Ecologia comportamental dos Primatas - 599.8045 (Primatas/processos e partes) Resposta: Ecologia é muito abrangente. Iniciar por Primatas 599.8, em seguida, seguir as instruções de 592-599. Processos e partes. Adicionar ao número básico 04 os números que seguem (591,1-591,8). 591.5 - Ecologia de animais, cortar 591 e pegar o 5. 5. Título: A atmosfera de Titã: o processo (Titã é um satélite de Saturno) – 551.51099926 9926 – Tabela 2. Titan (satélite) – Atmosfera – Congressos (Titã é um satélite de Saturno). 551.51 – Atmosfera. 09 – Regra Tabela 1. 9926 – 9926 – T2 – saturno. CLASSE 600 A doença é sempre o assunto principal, se tem a mesma raiz, corta – elimina. 1. Engenharia do início do século XV - 620.009024. 620 – Engenharia. 09024 - Século XV – T1. 2. Agricultura de arroz em países subdesenvolvidos – 633.18091724. 633.18 - Agricultura de arroz. 091724 – T1. 102 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 3. Medidas preventivas para o tratamento da dengue – 616.92105. Dengue – 616.921. Medidas preventivas – 05. Nota de rodapé – 616.1 – 616.9. 4. Remédios caseiros para o tratamento da tuberculose – 616.995024. Tuberculose – 616.995. Remédios caseiros – 024. Nota de rodapé – 616.1 – 616.9. 5. Análise de sangue para pacientes com encefalite – 616.83207561 (patologia) Encefalite – 616.832. Análise de sangue – 616.07561. Nota de rodapé – 616.1 – 616.9 – procurar patologia e aplicar a regra. CLASSE 700 1. Jogo de xadrez atualmente – 794.109051. Jogo de xadrez – 794.1. Atualmente – 09051 - T1. 2. Escultores brasileiros que vivem na Itália – 730.92089698045. Escultores – 730.92. 089 – T1 – 08 – Adicionar a 089 + a notação da T5. Brasileiros 698 – T5. Itália 45 – T2. 3. Arquitetura em Veneza – 720.94531. Arquitetura – 720. Veneza – 4531 – T2. 4. Diretório de arquitetura na Itália – 720.2545. Arquitetura 720. 025 – T1 diretórios. 45 Itália. Obs.: adicionar ao nº 25 a notação 3-9 T2. 5. Música folclórica polonesa – 781.629185. Música folclórica – 781.62. Polonesa – 9185. 7 CLASSE 800 – LITERATURA (BELAS ARTES) E RETÓRICA É importante destacar as subclasses 810-890, as quais têm as literaturas de línguas específicas (literatura propriamente dita). Uma obra literária é classificada, segundo a CDD, seguindo a seguinte ordem: TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 103 a) Nacionalidade do autor (ou língua predominantemente em suas obras). b) Gênero literário – Ex.: romance, drama etc. c) Período – Ex.: século XVI. O arranjo da classe 800 é mnemônico (fácil de memorizar) e, comparando com a classe 400, vemos que a divisão é a mesma, com exceção de 810 – literatura americana e 410 – linguística. LÍNGUAS CLASSE 400 LITERATURAS CLASSE 800 410 – Linguística 810 – Americana 420 – Inglesa 820 – Inglesa 430 – Germânica 830 – Germânica 440 – Francesa 840 – Francesa 450 – Italiana 850 – Italiana 460 – Espanhola/Portuguesa 860 – Espanhola/portuguesa 470 – Latim 870 – Latim 480 – Helênicas/Greco-clássico 880 - Helênicas/Greco-clássico 490 – Outras 890 - Outras QUADRO 4 – COMPARAÇÃO ENTRE AS CLASSES 400 E 800 FONTE: Adaptado de Spudeit (2013) A classe 800 se divide assim: • 801-807 – Subdivisões comuns da literatura. • 808 – Retórica e textos literários em mais de uma literatura retórica (composições literárias). • 810-890 – Literaturas de línguas específicas. Algumas características importantes: 1) Divisão por língua: • Baseada na classe 400. • Ex.: Literatura francesa 840 – Língua francesa 440. 2) Divisão por gênero literário: sob cada literatura específica, exceto a latina 870 e a grega 880, apresentam-se sempre as mesmas divisões por gênero: • ...1 – Poesia. • ...2 – Teatro (drama). • ...3 – Ficção (novelística). • ...4 – Ensaios. • ...5 – Oratória. • ...6 – Cartas. • ...7 – Sátira e Humorismo. 104 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY Exemplos: • 821 – Poesia inglesa. • 831 – Poesia alemã. • 851 – Poesia italiana. O gênero literário, por sua vez, tem expansão aplicável aos números assinalados por asterisco. A expansão é a Tabela 3 – Subdivisão para literaturas individuais e para gêneros literários específicos. IMPORTANT E Relembrando o Tópico 2 A Tabela 3 é um complemento da classe 800, por isso, essa tabela só pode ser usada pela classe 800. No entanto, quando se está classificando com um número da classe 800 podemos usar as Tabelas 3 e quantas outras tabelas auxiliares forem necessárias para representação do assunto. A Tabela 3 é subdividida em T3A, T3B, T3C: • T3A: para descrição, avaliação crítica, biografia, uma obra ou coleção de obras de UM autor individual. • T3B: para descrição, avaliação crítica, coleção de DOIS OU MAIS autores. Também usada para retóricas em gêneros literários específicos. • T3C: para elementos adicionais usados para formação do número dentro da tabela – 080 – só trabalha com coleções 3B e seguindo as instruções em 808/809. 3) Divisão por período literário: cada literatura individual tem sua tabela própria. 4) Divisão por país: dentro de cada literatura temos a possibilidade de: • Classificar a literatura de vários países que têm língua comum, sem ênfase local. ᵒ Exemplo: 840 literatura francesa (em geral abrangendo França, Canadá, Bélgica). • Distinguir a literatura de países específicos pelo uso das letras iniciais. ᵒ Exemplos: C840 literatura canadense; B840 literatura belga; F840 literatura francesa. 5) Autor: característica especial de literatura inglesa, em que aparece número especial para Shakespeare – 822.33. Em alguns casos, uma obra pode apresentar mais de um gênero literário. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 105 Quando for o caso, segue-se a Tabela de procedência para obras, combinando dois ou mais gêneros literários: Poesia, Teatro (drama), Ficção (novelística), Ensaios, Oratória, Cartas, Sátira e Humorismo. IMPORTANT E Sobre a literatura hispano-americana existem prefixos de acordo com o Serviço de Intercâmbio e Catalogação (SIC): • A860 – Argentina • Bo 860 = Bolívia • Be 860 – Bermudas • Ci 860 - Chile • Co 860 – Colômbia • Cb 860 – Cuba • D 860 - República Dominicana • E 860 – Equador • Gu 860 – Guianas • G 860 – Guatemala • V 860 – Venezuela • Há 860 – Haiti • Ho 860 – Honduras • J 860 – Jamaica • Ma 860 – Martinica • Mc 860 – México • N 860 – Nicarágua • P 860 – Panamá • Pa 860 – Paraguai • Pe 860 – Peru • Pr 860 – Porto Rico • S 860 – Salvador • T 860 – Trindade • U 860 – Uruguai NÃO ESQUEÇA: NA CLASSE 800 A LITERATURA É SEMPRE ASSUNTO PRINCIPAL. ATENCAO 8 CLASSE 900 – GEOGRAFIA, HISTÓRIA E DISCIPLINAS AUXILIARES • 910-919 regra geral: deve-se acrescentar ao número-base 91 a notação de 3-9 da Tabela 2, e depois, se necessário, seguir as instruções da Tabela Especial apresentada sob 913-919. • 920-929 – Biografias. Remetem com frequência aos assuntos da classe 600. • 930-990 – História do mundo antigo, de continentes, países, localidades específicas etc. Regra geral: Acrescenta-se ao número-base 9 a notação 3-9 da Tabela 2, e depois, se necessário, seguem-se instruções apresentadas sob 930- 990. 106 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY Pode-se usar qualquer tabela (exceto T3 e T4) quando existirem instruções ou quando o assunto exigir. Há várias notas de rodapé com as instruções necessárias para a construçãoda notação. Na classe é comum a perda do 3º número básico – exemplo 932 – 93. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 107 LEITURA COMPLEMENTAR Notação de autor Daniela Spudeit Os símbolos utilizados para indicação da localização dos materiais têm um papel importante na biblioteca. Bibliotecário e leitor dependem dos símbolos para localização das publicações desejadas. O conjunto dos símbolos chama-se “número de chamada”. Este consiste em três partes. A estrutura básica do número de chamada é a que segue: Código de classificação Código relativo ao assunto genérico do documento, retirado de um sistema de classificação. Objetiva reunir na estante, de forma relativa, todos os documentos de mesmo assunto ou de assuntos correlatos. Ex.: CDD, CDU etc. Notação de autor Código relativo à indicação de autoria (ou ao título, caso seja este o ponto de acesso principal determinado na descrição bibliográfica do documento). Possibilita a inclusão de informações a respeito do idioma, forma (comentário, dicionário, enciclopédia etc.) e outros responsáveis (tradutor, biógrafo etc.) do documento, distinguindo de outros com o mesmo código de classificação. Ex. Tabela de Cutter, Pha etc. Outros elementos de individualização Elementos adotados para finalização da individualização do documento quando necessário: n. da edição, n. do volume, data de publicação, n. do exemplar no acervo, ou ainda, indicação da disposição de tipos de documentos distintos em espaços separados. A parte básica da notação de autor é o número do autor (corporativo ou físico) propriamente dito. Este é formado a partir da letra inicial do nome da entrada principal e dois, três ou quatro algarismos que representam outras letras do nome. Além do número do autor podem constar outras letras e/ou números que representem títulos, datas, editores ou outros aspectos significativos que se empregam para diferenciar cada número de chamada. Também auxiliam na arrumação lógica de todo o material classificado sob o mesmo número de classificação. O número de classificação indica o assunto a que corresponde a obra, segundo sistema de classificação adotado na unidade de informação. A notação de autor determina a posição da obra entre todos aqueles classificados sob o mesmo número de classificação. 108 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY Os principais objetivos da notação de autor são: a) arrumar as publicações nas estantes em uma ordem lógica; b) dar a cada documento um sinal ou código diferente que permita distingui-lo dos demais; c) fornecer um sinal ou código que facilite a busca de qualquer publicação nas estantes, e seu retorno às mesmas; d) facilitar a manutenção do registro das publicações emprestadas. A complexidade da notação de autor varia nas diversas unidades de informação. Isso se deve, principalmente, a dois fatores: a) O tipo de unidade de informação. b) O número de obras na coleção. Deve-se consultar sempre o catálogo topográfico (ou outro tipo de controle) antes de atribuir a notação de autor para evitar o problema de ter dois títulos com o mesmo número de chamada. Assim se pode, também, adotar o mais apropriado em relação a outros itens já classificados sob o mesmo número de classificação. TABELAS DE NOTAÇÃO DE AUTOR Tabela de Cutter – Inventor – Charles Ami Cutter Criada em 1880, a primeira tabela numérica para representar nomes de autores. Cutter idealizou uma série de letras combinadas com números, com o objetivo de individualizar qualquer obra dentro do mesmo número de classificação. As letras são em ordem alfabética e os números em sequência decimal crescente. De início a tabela era de dois algarismos, mais tarde de três, pois a bibliotecária Katy Samborn fez a expansão. Hoje, em versão eletrônica, já são usados até quatro algarismos. Características: a) Arranjo alfabético de letras. b) Letras E, I, J, K, O, U, Y, Z – dois algarismos. c) Demais letras – três algarismos. A tabela de Cutter-Sanborn, mais conhecida como “Tabela Cutter”, embora seja amplamente empregada no Brasil, é mais adequada aos nomes de língua inglesa. Exemplo: TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 109 Sco 421 Seym 521 Scog 422 Seyt 522 Scor 423 Sfo 523 Scot 424 Sha 524 Scott 425 Shaf 525 Scott, G. 426 Shai 526 Scott, J. 427 Shak 527 Scott, M. 428 Shal 528 Scott, S. 429 Shap 529 Tabela de PHA – Inventora – Heloisa de Almeida Prado Pode-se dizer que a versão brasileira da Tabela Cutter – a Tabela PHA – surgiu em 1964. Também objetiva individualizar os autores dentro das diversas classes de assuntos, isto é, dentro dos mesmos números de classificação. Há adaptações especiais aos sobrenomes brasileiros. Apesar de, teoricamente, ser mais compatível com as necessidades brasileiras e de existirem poucos estudos sobre seu uso, houve popularização. As mesmas regras descritas na aplicação de notação de autor da Tabela Cutter- Sanborn podem ser empregadas na Tabela PHA. TABELA ALTERNATIVA Na ausência de tabelas, pode-se adotar a tabela apresentada por Lehnus (1978), ou adotar uma feita sob medida, ou seja, elaborada pelo próprio profissional da informação: LETRAS NÚMERO A, B, C 1 Ç, D, E 2 F, G, H, I 3 J, K, L 4 M, N, O 5 P, Q 6 S, T 7 U, V, W 8 X, Y, Z 9 COMO USAR AS TABELAS Em geral, a notação de autor se faz pela inicial do sobrenome do autor — no caso de autor pessoal —. Depois, três algarismos correspondentes encontrados na tabela. Consideramos as iniciais da entidade no caso de autor corporativo, 110 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY e do título, dependendo do ponto de acesso principal. Existem algumas regras importantes a saber: 1) Procurar a primeira letra do sobrenome do autor da tabela. Usar somente a letra em destaque em combinação com o número que acompanha (por exemplo A757 para Arnold, Margaret; K49 para Kimball, John; L676 para Lewis, Sinclair; S869 para Stoddard, Solomon). Os seguintes exemplos indicam quatro livros, todos sobre a II Guerra Mundial, por quatro autores diferentes (Arnold, Kimball, Lewis e Stoddard). Terão notação de autor A757, K49, L676 e S869 em combinação com a notação de assunto 940.54 (CDD). 940.54 940.54 940.54 940.54 A757 K49 L676 S869 Esses livros serão ordenados na estante seguindo a ordem alfabética de notação do autor, e se os sobrenomes iniciarem com a mesma letra serão ordenados em ordem crescente de número. 2) Ocasionalmente poderá não aparecer um número que combine exatamente com as primeiras letras do nome. No caso, use o número precedente. Exemplo: Andrews, Helen será A566 (Andrews, E.), que é o número precedente e não A567 (Andrews, J.), que é o número seguinte. Se as primeiras letras do nome não constarem na tabela, usar o número correspondente às letras mais próximas alfabeticamente anteriores. Ex.: Campello=C193 Tabela: Campe 193 Campen 194 3) A marca da obra é usada para distinguir diferentes títulos do mesmo autor. A primeira letra do título é colocada logo após a notação de autor. 4) O uso do zero é evitado porque é facilmente confundido com a letra ‘o’. 5) Nomes começando com MC, M´ e Mac são todos tratados como se soletra MAC. Assim, Macclellean será M126 e M´Clintock será M127. 6) Uma obra que tem entrada pelo título tem a notação de autor dada para a primeira palavra do título (excluindo o artigo inicial). Ex.: Story = S588 TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 111 7) Para que as obras biográficas permaneçam reunidas, a notação de autor é dada para o nome do biografado, não do autor. Ex.: Todas as biografias de Lincoln estarão em L736. Ou seja, deve-se colocar o número de Cutter do biografado e depois a primeira letra do sobrenome do biógrafo. Ex.: O Aleijadinho: sua via, sua obra, seu gênio, por Fernando Jorge - A366j 8) As obras em mais de um volume devem ser distinguidas identificando-se o volume na lombada e nas fichas de empréstimo, quandofor o caso. Ex.: Hélio Vianna – História do Brasil 2 volumes. 981 981 V617 V617 v.1 v.2 9) As duplicatas devem ser diferenciadas numerando os vários exemplares a partir do 2º exemplar. Ex.: Taunay, Alfredo – Paisagens do Brasil – 3 exemplares 918.1 918.1 918.1 T193p T193p T193p Ex.2 Ex.3 10) Edições diferentes da mesma obra devem ser diferenciadas pela data da edição ou pelo número de edição. Ex.: 025.52 ou 025.52 M129 M129 4.ed. 1995 11) Quando houver títulos do mesmo autor muito parecidos, deve-se diferenciar a notação do título. Ex.: Malba Tahan Autor de: Lendas do céu Lendas do Oásis Lendas de Deus 028.5 028.5 028.5 ou 028.5 028.5 028.5 T128c T128o T128d T128 T128 T128 CEU OAS DEU 112 UNIDADE 2 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY 12) Pode-se colocar indicação relativa a tipos de documentos distintos, que se queira armazenar em separado: R (para documentos de referência) 015 AV (para documentos audiovisuais) 025.32 13) Nas obras existem determinados lugares que deve ser colocado o número de chamada como na ficha de empréstimo, no bolso, na lombada, na representação descritiva (ficha catalográfica impressa ou eletrônica) e no verso da folha de rosto. 14) O arranjo dos documentos na estante segue, após a sequência dos códigos de classificação, a ordem decimal da notação de autor. Exs.: 869 L23p 869 L233p 15) Quando a autoria entrar pela sigla, coloca-se o número de Cutter do significado da primeira letra da sigla. Ex.: FID = Federação.... Portanto, F293 16) Quando o título da obra começar com numeral, costuma-se transformar as iniciais de títulos que começam por números em palavras: 7 = sete, 1001 = mil e uma, 3 = três etc. Exemplo: 1,2,3... era uma vez... literatura infanto-juvenil 808.899282 de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen B444u 17) Quando se tratar de iniciais de títulos desprovidos de caracteres alfanuméricos é interessante observar se o símbolo possui valor de ordenação. J831r (Re)Fabulando: lendas, fábulas e contos brasileiros, volume VII, de Elias José com ilustrações de Mariângela Haddad. M911c The $100 Billion Allowance, de Elissa Moses. S839a !pod And !tunes Hacks, de Hadley Stern. E937a , Asp.Net 2.0 Website Programming Problem- Design-S de Bill Evjen, Scott Hanselman e Devin Rader. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS E ESQUEMAS 113 Nos casos de símbolos com valor de ordenação, podemos empregar os mesmos procedimentos descritos anteriormente desde que sejam adotados na política de classificação: converter o valor do símbolo em palavras e assim empregar a inicial da palavra: @ = arroba, § = parágrafo etc. 18) Como regra geral, a notação de autor para autor corporativo refere-se ao nome da corporação com atividade fim definida ou com nome próprio: academias; arquivos; asilos; associações; ateneus; bancos; bibliotecas; câmaras de comércio; centros; clubes; colégios; companhias; conservatórios; conventos; corporações; emissoras de rádio e TV; escolas; federações; firmas; fundações; galerias; grêmios; grupos executivos; grupos musicais e orquestras; hospitais; igrejas; instituições comerciais; institutos; jardins botânico; laboratórios; liceus; mosteiros; museus; observatórios; ordens religiosas; parques; partidos políticos; prisões; serviços; sindicatos; sociedades; teatros; universidades; zoológicos etc. Ex.: Concurso Nacional de Crônicas, Prêmio Luiz Fernando Verissimo da Associação Bamerindus. 869.8 A849c Apesar do grande uso das tabelas, outros métodos são adotados para a determinação da notação do autor. Como o objetivo é individualizar o documento em uma dada coleção, muitas bibliotecas utilizam apenas o código formado pelas três primeiras letras do sobrenome do autor. Por exemplo: Albuquerque, Lins (ponto de acesso principal de autor): ALB Planejamento..... (ponto de acesso principal de título): PLA Qualquer que seja a forma adotada deve ser padrão em todo o acervo a que se aplica e deve ser detalhada na política de classificação ou no manual de procedimentos da biblioteca. ORDEM DE ARQUIVAMENTO COM A CDD A disposição dos recursos bibliográficos, ao utilizar o Sistema de Classificação de Dewey nos acervos, está organizada pela ordenação relativa, ou seja, é aquela que reúne itens de acordo com os assuntos tratados, sendo recuperados pelo número de chamada, composto por um número de classificação e um número correspondente à notação de autor, encontrada nas tabelas de Cutter e PHA. A ordem de arquivamento com a CDD é numérica e crescente e de acordo com as classes principais de 000 a 999. Deve-se observar que, nas prateleiras, a sequência de arrumação é feita da esquerda para a direita e de cima para baixo. FONTE: SPUDEIT, D. Classificação decimal de Dewey. Florianópolis: UDESC, 2013. p.1 – 9. 114 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Os esquemas, ou tabelas principais, consistem de uma extensa tabela de todos os números da CDD, indicando seus assuntos e notas explicativas para o uso. Para utilização de forma correta e eficiente, é necessário conhecer e entender suas divisões (sumários) e suas instruções e notas explicativas nas classes principais e nas tabelas auxiliares. • Números e notas entre parênteses fornecem opções para a prática de classificação padrão. Já os números em colchetes representam os tópicos que foram realocados ou descontinuados, ou não atribuídos. Os colchetes são usados também para conceitos da subdivisão-padrão que são representados em outro local. • Para observar os princípios para a escolha notacional, devemos seguir algumas regras básicas de: ordem de preferência (preference order); regra de aplicação (rule of application); tratamento completo (full treatment); regra primeiro de dois (first-of-two rule); regra de três (rule of three); regra de zero (rule of zero); número interdisciplinar (interdisciplinary number) e tabela de último recurso (table of last resort). • Duas categorias de obras pertencem à classe Generalidades. Disciplinas que estão relacionadas ou aplicadas com outras disciplinas e obras multidisciplinares. • A classe 100 abrange as áreas de filosofia e psicologia. A classe 200 engloba os temas voltados à religião. Já a classe 300 compreende a área de ciências sociais. • A classe 400, de línguas, apresenta três características principais: 1) 401 a 409 são as subdivisões comuns já especificadas com algumas expansões específicas da classe 400; 2) apresenta divisão por língua específica (420 a 490) e 3) apresenta divisão gramatical aplicável a qualquer língua e tem expansões aplicáveis (Tabela 4 – subdivisão de línguas individuais). As notações da Tabela 4 (T4) nunca podem ser usadas sozinhas, mas quando requeridas junto ao número básico identificado por * (asterisco) em 420 a 490. • A classe 500 engloba as áreas de ciências, a classe 600 compreende as áreas de tecnologias e a classe 700 abrange as áreas de artes. • Já na classe 800 é importante destacar as subclasses 810-890, as quais têm as literaturas de línguas específicas (literatura propriamente dita). Na classe, uma obra literária é classificada, segundo a CDD, seguindo a seguinte ordem: a) nacionalidade do autor (ou língua predominantemente em suas obras); b) Gênero literário – Ex.: romance, drama, etc. e c) período – Ex.: século XVI. 115 • Na classe 900, que abrange geografia, história e disciplinas auxiliares 910-919, deve-se acrescentar ao número-base 91 a notação de 3-9da Tabela 2, e depois, se necessário, seguir as instruções da Tabela Especial apresentada sob 913-919. • Existem duas tabelas principais para montar a notação de autor: 1) a Tabela de PHA inventada por Heloisa de Almeida Prado e a Tabela de Cutter inventada por Charles Ami Cutter. Em geral, a notação de autor se faz pela inicial do sobrenome do autor – no caso de autor pessoal – e dos três algarismos correspondentes encontrados na tabela. Consideramos as iniciais da entidade no caso de autor corporativo, e do título, dependendo do ponto de acesso principal. 116 1 Classifique: a) Esculturas do século XVII: b) Neuroses da II guerra mundial (medicina): c) Matemática Primitiva: AUTOATIVIDADE 117 UNIDADE 3 CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • entender o contexto histórico da Classificação Decimal Universal; • reconhecer a estrutura da Classificação Decimal Universal; • diferenciar os tipos de sistemas de classificação; • aplicar e utilizar o sistema de Classificação Decimal Universal. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA TÓPICO 2 – TABELAS AUXILIARES TÓPICO 3 – TABELAS PRINCIPAIS 118 119 TÓPICO 1 HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Na Unidade 2 deste livro didático você pôde perceber a importância da classificação para a organização do conhecimento e posterior recuperação da informação. Também foi apresentado o sistema de classificação Decimal de Dewey — CDD — em toda sua especificidade. Na Unidade 3, continuaremos nosso percurso no contexto da representação temática da informação, conhecendo outro sistema de classificação, que inclusive foi concebido com inspiração na CDD. Falamos do sistema de Classificação Decimal Universal (CDU), criado pelos belgas Paul Otlet e Henry La Fontaine. A CDU, juntamente com a CDD, são os sistemas de classificação mais utilizados no mundo. Ainda, são disciplinas essenciais para a formação do profissional de biblioteconomia no contexto da organização da informação e da ciência da informação. 2 HISTÓRICO Segundo Mcllwaine (1998, p. 9) foi no final do século XIX que os belgas Paul Otlet e Henry La Fontaine “conceberam a ideia de criar uma lista abrangente de tudo que havia sido escrito desde que foi criada a impressão”, ou seja, a criação de um índice universal de bibliografia com a classificação de todas as obras, de todas as épocas, de todos os países e todos os campos, por autor e assunto. Precisávamos de um sistema de classificação, e descobrimos o sistema americano, idealizado por Melvil Dewey em que todo o conhecimento humano é dividido em 10 categorias principais, numeradas de 0 a 9. Cada categoria é por sua vez dividida em dez divisões, que também estão divididas em dez seções e assim por diante, conforme necessário de acordo com a precisão do assunto (OTLET, [193-] apud KROEFF; MATTOS; MADALENA, 2018, p. 18). Para Otlet, classificação decimal era comparável a um sol, cujos raios espalham-se e multiplicam-se conforme eles se afastam do centro. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 120 FIGURA 1 – DESENHO DE PAUL OTLET EXEMPLIFICANDO A CDU FONTE: L’HOMME (1970 apud KROEFF; MATTOS; MADALENA, 2018, p. 32) DICAS Muitas das citações de Paul Otlet são referentes ao livro As Contribuições de Paul Otlet para a Biblioteconomia, mais especifi cadamente ao capítulo Paul Otlet: biografi a e legado (p. 15-48), que traz transcrições diretas das cartas deixadas por Otlet, cartas estas apresentadas no documentário L’Homme qui voulait classer le monde (o homem que queria classifi car o mundo). Um documentário Francês, da década de 1970. Acreditamos ser o mais completo documento acerca de sua biografi a, uma vez que os textos ali incluídos são originais, do acervo pessoal de Paul Otlet, constituindo o que ele mesmo traduziu em Mundaneun. Um recorte do capítulo está indicado como leitura complementar ao fi nal desta unidade. Desde já, também sugerimos que você assista ao documentário, pois ele ilustra bem o processo histórico da documentação e organização da informação e do conhecimento universal. FIGURA – DOCUMENTÁRIO O HOMEM QUE QUERIA CLASSIFICAR O MUNDO FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=L9jgnU3V944>. Acesso em: 11 jun. 2019. Retomando a história da CDU, podemos comparar os objetivos de Paul Otlet, de “índice universal de bibliografi a”, com os objetivos que a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias — IFLA — almejou em seu programa para o Controle Bibliográfi co Universal (Universal Bibliographie Control), na década de 70. O depósito legal se utiliza de três instrumentos principais: TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 121 1) o depósito legal; 2) as bibliografias; e 3) os formatos de intercâmbio de dados bibliográficos. No Brasil, a operação dos três instrumentos é de competência da Fundação Biblioteca Nacional. 3 INSTRUMENTOS DE CONTROLE BIBLIOGRÁFICO • O depósito legal: lei 10.994, de 14 de dezembro de 2004, que prevê o envio de um ou mais exemplares de toda publicação editada e/ou distribuída no país à Biblioteca Nacional. A finalidade é a de registro, além da guarda da produção intelectual do país e elaboração da bibliografia brasileira, ou seja, em última análise — o controle bibliográfico da produção editorial em âmbito nacional. • Bibliografia brasileira: o boletim bibliográfico da Biblioteca Nacional, criado em 1918, sobreviveu até 1982 com o mesmo título. Passou então a chamar-se bibliografia brasileira, e assim permaneceu até 1995 quando, por problemas operacionais, a publicação impressa foi suspensa. • Formatos de intercâmbio de dados: uma maior união em torno das mesmas regras foi conseguida com a publicação dos códigos de catalogação da American Library Association (ALA), a primeira edição em 1908 e, a segunda, amplamente revisada, em 1949. Somente depois de várias discussões entre Estados Unidos e Inglaterra, e tentando aproximar-se dos Princípios de Paris (estabelecidos na Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação em 1961), foi que surgiu o Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR), em 1967. ESTUDOS FU TUROS Ao longo das disciplinas de biblioteconomia, você terá mais detalhes dos diversos instrumentos e técnicas que fazem parte da atuação do profissional de biblioteconomia. Retomando a história da CDU, Otlet aperfeiçoa o sistema da CDD: O sistema fez sentido para nós! Eu o estudei exaustivamente e ponderei todas as transformações e adaptações necessárias ao trabalho a ser realizado [...]. É preciso evitar categorias vagas e categorias mistas, que correspondem ao pessoal, ao contrário de uma forma objetiva de ver as coisas. Índices de classificação aplicam-se diretamente às publicações (OTLET, 193? apud KROEFF; MATTOS; MADALENA, 2018, p. 32). Otlet e La Fontaine viram na classificação decimal uma taxonomia do conhecimento humano que poderia ser expressa por meio de uma língua internacional. Perceberam, também, que devido à capacidade de expansão dos números decimais esses poderiam facilmente acomodar as minúcias que o trabalho bibliográfico requer. A ideia foi além dos limites de uma mera tradução, tendo sido feitas várias inovações radicais. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 122 FIGURA 2 – PAUL OTLET TRABALHANDO FONTE: <https://gicbrasil.wordpress.com/2010/05/19/55/>. Acesso em: 11 jun. 2019. Otlet e La Fontaine começaram a criar sua lista em cartões e a organizá-los sistematicamente. Buscando um esquema de classifi cação apropriado, decidem adaptar a Classifi cação Decimal de Dewey, que já se encontrava na sua quinta edição. Em 1895, o esquema continha apenas alguns milhares de subdivisões, mas sua notação apresentava grande potencial de utilização universal,devido à ampla aplicação dos algarismos arábicos. Otlet e La Fontaine expandiram o esquema de classifi cação de Dewey para contemplar suas próprias necessidades e adicionaram alguns mecanismos sintéticos e tabelas auxiliares que, com o tempo, transformaram a estrutura, exclusivamente numérica, da Classifi cação Decimal, em uma estrutura bem mais fl exível e detalhada da Classifi cação Decimal Universal. A primeira edição completa da nova classifi cação foi publicada entre 1905 e 1907 como o Manuel du répertoire bibliographique universel, incluindo cerca de 33.000 subdivisões e um índice alfabético com, aproximadamente, 38.000 entradas (MCLLWAINE, 1998, p. 9). Posteriormente, a classifi cação passou a preceder, em importância, a lista que deveria organizar e, quando sua segunda edição foi publicada no período de 1927-33, a ideia original de ser apenas uma ferramenta para o Répertoire bibliographiquei foi adotada no desenvolvimento da Classifi cation décimale universelle, ou CDU, como um sistema de classifi cação bibliográfi ca para qualquer fi m. A segunda edição dobrou de tamanho e, juntamente com as adições e correções subsequentes, tem sido usada como base para todas as edições e traduções posteriores. Historicamente, as línguas básicas da CDU têm sido o francês, o alemão e o inglês. A utilização de mais de uma língua tem se mostrado importante para manter a universalidade do esquema, tendência que deverá se manter no futuro. TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 123 A organização fundada por Otlet e La Fontaine, que inicialmente tinha a responsabilidade de elaborar a lista bibliográfi ca e, subsequentemente, assumir a responsabilidade de editar o esquema de classifi cação resultante, foi nomeada como Institut International de Bibiographie, frequentemente referida como Instituto de Bruxelas, devido à localização de seu escritório central. O instituto passou por várias difi culdades na década de 20 e, em 1931, mudou-se para Haia. Em 1937, o nome foi mudado para Fédération International de Documentation (FID). Desde a década de 30, os direitos de publicação têm sido cedidos pela administração da FID (que, desde 1991, passou a ser um consórcio de editoras conhecido como UDC Consortium) às outras organizações para a elaboração de edições específi cas ou edições em outras línguas. A seguir, apresentamos a linha do tempo da vida e produção de Paul Otlet. FIGURA 3 – LINHA DO TEMPO – PAUL OTLET FONTE: Kroeff , Mattos e Madalena (2018, p. 60) 4 EDIÇÕES DA CDU A CDU vem sendo divulgada através dos seguintes tipos de edições: desenvolvidas, médias, abreviadas, condensadas e especiais, conforme a necessidade da classifi cação nas bibliotecas, centros de informações e instituições. Cativo (2012, p. 2) apresenta as edições da CDU: UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 124 EDIÇÕES: DESENVOLVIDAS A primeira edição internacional foi a edição desenvolvida, intitulada Manuel du Repertoire Bibliographique Universel, em idioma francês, em 1904. A segunda edição, publicada pelo Instituto Internacional de Bibliografia, em francês, recebeu o nome de Classification Decimale Universelle, em 1927. A terceira edição, em idioma alemão, sob o título Dezimalklassifikation, é a edição desenvolvida mais completa, em 1934. Outras edições desenvolvidas foram publicadas nos seguintes idiomas: inglês – 4a edição; francês – 5a edição; japonês – 6a edição; espanhol – 7a edição; alemão – 8a edição; português – 9a edição. EDIÇÕES MÉDIAS Há publicações das edições médias em alemão, francês, russo, japonês, italiano, polonês e português. A primeira edição média em português foi publicada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, em 1976. A segunda edição, em 1987. E, em 1997, o IBICT publicou a Edição-padrão Internacional em Língua Portuguesa — Tabelas Sistemáticas — Parte 1. Em 1999, publicou o Índice — Parte 2 da Edição — Padrão Internacional em Língua Portuguesa. EDIÇÕES ABREVIADAS Existem edições abreviadas em quase todos os idiomas, sendo que a edição em língua portuguesa foi publicada em Portugal pelo Centro de Documentação Científica do Instituto de Alta Cultura e pelo então Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação – IBBD, hoje o IBICT. É importante destacar a edição abreviada trilíngue – 1958, em alemão, inglês e francês, acompanhada dos respectivos índices. EDIÇÃO CONDENSADA Uma edição condensada foi publicada em 1967, em francês, ocupando somente 50 páginas. 5 CDU NO BRASIL No Brasil, as repercussões das atividades de Otlet e La Fontaine também tiveram repercussão. Em 1901, o engenheiro Vitor da Silva Freire publicou um folheto explicativo, divulgando as vantagens do Sistema de Classificação de Bruxelas. No período, outros estudiosos divulgaram essa classificação no Brasil, como Rodolfo Garcia, Oswaldo Cruz e Manuel Cicero Peregrino da Silva. Em 1909, a CDU foi adotada como sistema de classificação da Biblioteca do Instituto Oswaldo Cruz. Entre 1918 e 1921, a CDU passou a ser utilizada no Boletim Bibliográfico da Biblioteca Nacional. Em 1937, também passa a ser usada na Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores e, em 1942, é publicada uma edição mais completa editada pela Biblioteca Pública de Minas Gerais. Em 1954 é criada a primeira edição abreviada da CDU, em língua portuguesa. 4 anos depois, em 1958, ocorre a Criação do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação — IBBD —, hoje o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia — IBICT. Na ocasião, por sugestão de Edson Nery da TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 125 Fonseca, membro da Comissão Brasileira da CDU, criada na época, e que, ainda hoje, funciona junto ao IBICT. Após a criação do IBBD, várias bibliotecas passaram a utilizar a CDU. Em 1961 foi publicada a edição abreviada portuguesa e, em 1968, deu-se início à tradução para o português da edição alemã. Dez anos após, em 1971, contando com apoio da Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, da Biblioteca da Câmara dos Deputados e do Departamento de Biblioteconomia da UnB, é publicada e distribuída para análise e críticas. Em 1976, o IBICT publica a Primeira Edição Média em Língua Portuguesa da CDU. Em 1987 é a vez da Segunda Edição Média em Língua Portuguesa da CDU. Em 1997, o IBICT publica as tabelas sistemáticas — Parte 1 da Edição- Padrão Internacional em Língua Portuguesa. Em 1999, após quase dois anos, o IBICT publica o Índice — Parte 2 da Edição-Padrão Internacional em Língua Portuguesa. Em 2008, o IBICT publica a 2ª edição da CDU padrão. Segundo Santos (2009, p. 5): A CDU modifica-se constantemente sofrendo acréscimos e correções, mas como norma, os símbolos cancelados não são utilizados durante dez anos. A FID, Federação Internacional de Informação e Documentação, detentora dos direitos autorais da CDU, até o fim do século XX, foi responsável pelas extensões e correções das edições. Em 1992, prevendo um futuro incerto e a necessidade de ampliar suas parcerias para a manutenção da CDU, a FID transferiu os Direitos Autorais da CDU para uma organização chamada Consórcio CDU (UDC Consorcium — UDCC), sediada na Holanda, e que reúne membros holandeses, ingleses, franceses, japoneses e espanhóis. Uma das primeiras ações do UDCC foi criar uma base de dados internacional que seria a fonte das diversas edições da CDU. É chamada Master Reference File — MFR, sediada na Biblioteca Real em Haia, sendo atualizada uma vez por ano (UDC, 2008). Segundo o site da UDC Consortium, o arquivo MFR possibilita a revisão e o desenvolvimento da CDU com qualidade. As edições da CDU incorporam as revisões e, posteriormente, são publicadas e traduzidas pelos membros do consórcio em sua língua. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 126 FIGURA 4 – SITE UDC CONSORCIUM FONTE: <http://www.udcc.org/index.php/site/page?view=mrf>. Acesso em: 11 jun. 2019. 6 EDIÇÃO ONLINE EM PORTUGUÊS A tabelaCDU está disponível online e em português. Corresponde à versão “Sumário” com 2.000 entradas (68.000 da tabela completa). A iniciativa foi da Biblioteca Nacional de Portugal, disponível pela licença Creative Comons. Ainda existem funcionalidades por implementar, mas não existe nenhuma previsão em relação à decisão. O número de notações é pequeno em relação ao publicado em livro, mas a navegação é fácil e agradável. Ainda não estão traduzidas as explicações e exemplos, bem como índice. DICAS Acesse o link e visualize: http://www.udcsummary.info/php/index. php?lang=pt&pr=Y. Acesso em: 14 jun. 2019. TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 127 FIGURA 5 – CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt&pr=Y>. Acesso em: 11 jun. 2019. Para uma ilustração do quadro teórico da história da CDU, apresentamos um resumo no formato de quadro, elaborado por Santos (2009). 1894 Tomando como base a CDD, 5. ed., os dois belgas classifi cam 400 mil fi chas. 1895 Conferência Internacional de Bibliografi a – criado o Instituto Internacional de Bibliografi a: devia publicar a Bibliographia Universalis. 1899 A CDD, 6. ed., é revisada e desdobrada com o apoio do IIB (futura FID). 1905 - Publica-se o Répertoire Bibliographique Universel com 33 mil subdivisões. 1905 -14 Lento crescimento do Instituto. 1914 -18 Atividades paralisadas em decorrência da I Guerra Mundial. 1920 Instituto é despejado de suas instalações para dar lugar a um evento internacional. 1923 Reorganização do Instituto por Otlet e La Fontaine na Holanda. 1927 - 33 Classifi cation Decimale Universelle com 40 mil subdivisões. 1931 Instituto Internacional de Documentação. 1937 Federação Internacional de Documentação. 1988 Federação Internacional de Informação e Documentação. QUADRO 1 – RESUMO DO HISTÓRICO DAS EDIÇÕES DA CDU UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 128 1992 Cria-se o Consórcio CDU (UDC Consortium) responsável pela manutenção do MRF – Master Reference File. 2002 Fim das atividades da FID – o legado permanece: a Classificação Decimal Universal. 2011 Versão online. FONTE: Santos (2009, p.4) 7 PRINCÍPIOS DA CDU Segundo Mcllwaine (1998): Como todos os outros esquemas gerais de classificação em uso atualmente, a CDU é um aspecto da classificação. Por isso, os fenômenos são subordinados ao aspecto do qual são extraídos, isto significa que um fenômeno pode ocorrer em mais de uma classe como: ovos em ornitologia, em culinária, em acasalamento animal etc. Segundo Silva (2010), a CDU exibe quatro grandes características estruturais: DECIMALIDADE UNIVERSALIDADE ESTRUTURA HIERÁRQUICA CARÁTER ANALÍTICO SINTÉTICO FIGURA 6 – CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DA CDU FONTE: A autora A descrição das características resumimos a seguir: Decimalidade: o universo do conhecimento foi concebido como uma unidade dividida em dez grandes classes, em um processo teoricamente infinito até se atingir o nível de detalhamento requerido ou satisfatório. É de notar que o emprego dos algarismos arábicos como notação não é exigência do princípio da decimalidade, mas foram preferidos devido ao caráter universal de sua utilização. Universalidade: Significa, em primeiro lugar, que o sistema tem, em princípio, a pretensão e a capacidade de oferecer conceitos e símbolos para representação da totalidade do conhecimento em determinada fase de sua evolução, com estrutura e previsão de espaço para futuros desenvolvimentos desse conhecimento, tanto em suas manifestações isoladas quanto nas relações multiformes. É universal, também, no sentido de que emprega símbolos, numéricos e não numéricos, em todos os contextos culturais de todos os quadrantes da terra. Carater hierárquico: como a maioria das classificações filosóficas, cuja influência histórica inevitavelmente sofreu, reflete a concepção do mundo como uma unidade rigorosamente estruturada em partes necessariamente subordinadas ao todo [...]. TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 129 Carater analítico sintético: embora não seja, dentre as características básicas a mais aparente, nem a que mais identifica a CDU, pode ser atribuída, uma vez que a classificação decimal universal concilia e equilibra as exigências e os rigores dos esquemas hierárquicos com a multifacetação dos sistemas. Diversos aspectos de um mesmo assunto são tratados com o mesmo cuidado relativo a sua importância e em razão dos pontos de vista e interesses divergentes dos usuáios da informação (SILVA, 2010, p. 8-9). Para Mcllwaine (1998), a hierarquia na CDU significa que cada subdivisão pode ser ainda subdividida em seus componentes lógicos. A ação é feita com aplicação sucessiva dos princípios de divisão, que podem ser 1) genéricos ou 2) todo ou parte. A autora exemplifica as seguintes relações assim: Genérica: identifica a ligação entre a classe e seus membros ou espécies. Na CDU, sua utilização mais comum se dá nas ciências biológicas, mas ocorre em toda a classificação como: • 373 Tipos de escolas que ministram educação geral. • 373.3 Escola primária. Nível elementar. • 373.5 Escola secundária. • 373.54 Escolas que levam ao preenchimento dos requisitos para ingresso em uma universidade. Todo ou parte: uma (ou parte de uma) relação todo/parte pode ser aplicada, por exemplo às: • Partes do corpo humano: ouvido, braço. • Disciplinas: biologia, zoologia. • Localizações geográficas: Brasil, Alemanha. • Estruturas sociais hierárquicas: igreja católicas, pastorais. • Classes subordinadas sucessivamente são denominadas cadeias como: literatura: literatura inglesa, drama inglês – Shakespeare – Hamlet. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 130 UNI EM RESUMO Os assuntos na CDU expressam relação de hierarquia, o conhecimento divide-se em 10 classes principais, cada classe se subdivide, e cada divisão é novamente subdividida e assim por diante. A CDU é considerada como uma classificação por aspectos, e um fenômeno é classificado segundo uma disciplina ou contexto. Por isso, seus vários aspectos encontram-se em diferentes lugares. Por exemplo: carvão não ocupa um único lugar. • O seu aspecto petrológico aparece em 552.574. • O aspecto da geologia econômica está em 553.94. • O aspecto de mineração encontra-se em 622.23. • Outros aspectos podem ser encontrados. Assim, cada uma dessas grandes classes mais genéricas é identificada por um único algarismo arábico (diferenciando-se da CDD que precisa de, no mínimo, três algarismos). Cada uma dessas classes pode ser dividida para formar classes mais específicas (ou subclasses). Essas subclasses formam conceitos mais restritos e podem ser representados por números mais extensos. Por exemplo, a Classe 5 divide-se nas seguintes classes: • 50 Generalidades sobre ciências puras. • 51 Matemática. • 52 Astronomia. Astrofísica. Pesquisa espacial. • 53 Física. • 54 Química. Ciências mineralógicas. • 55 Ciências da Terra. Geociências. Geologia etc. • 56 Paleontologia. • 57 Ciências biológicas em geral. • 58 Botânica. • 59 Zoologia. Cada uma dessas subclasses é uma subdivisão da Classe 5, sendo que cada uma delas pode ser subdividida novamente e assim por diante. Podemos dividir as classes em: TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 131 COORDENADAS SUPERORDENADAS SUBORDINADAS FIGURA 7 – SUBDIVISÃO DE CLASSES FONTE: A autora • Coordenadas: são as classes nas quais os números de classificação têm a mesma extensão, denotando um nível similar de generalidade. • Superordenadas: são as classes com números menos longos. • Subordinadas: são as classes de números mais longos e que indicam maior especificidade (ou extensão). Exemplo: • 5 – Superordenada. • 53 – Coordenada. • 531.1 – Subordinada. NOTAÇÃO – A notação da CDU é considerada MISTA, pois é formada por números, letras e sinais. Falaremos mais sobre isso no próximo subtópico Exemplo: 329.05(81) “1968” (043). • Tese sobre o movimento dos partidos políticos no Brasil em 1968. 8 ESTRUTURA DA CDU Na CDU anotação é mista porque, além dos dígitos decimais, é constituída por letras, palavras e sinais gráficos que permitem a construção de expressões que representam os conceitos contidos em um documento bibliográfico. Sua concepção permite grande flexibilidade na construção e na formação das notações. A estrutura física da CDU é formada por dois volumes: o primeiro é constituído pelas tabelas auxiliares e pela tabela principal, e o segundo volume é constituído pelo índice. As tabelas trazem informações que auxiliam e orientam a formação das notações: remissivas, ordem de citação dos sinais e elementos, intercalação da notação e a ordem de arquivamento. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 132 FIGURA 8 – CDU FONTE: <http://biblioteca.cl.df.gov.br/dspace/bitstream/123456789/1874/6/Texto%20 integral%20%28PDF%29>. Acesso em: 11 jun. 2019. DICAS Se você estiver em uma biblioteca, verifi que se existe no acervo a CDU, aproveite para conhecer sua estrutura original impressa. Contudo, para nossos exercícios, utilizaremos a CDU online. Acesse no link: http://www. udcsummary.info/php/index.php?lang=pt. Acesso em: 12 jun. 2019. 8.1 INDICE Foi publicado pelo IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) para facilitar o acesso às classes do sistema – de 0 a 9, não tendo a pretensão de se sobrepor ao sistema e sim ter por objetivo: servir de instrumento a quem pesquisa no sistema. O índice apresenta-se em ordem alfabética de palavra por palavra, incluindo todas as divisões principais, as auxiliares comuns e as especiais. Os números e símbolos que, eventualmente, constituem entradas, são transformados nas palavras que os representam e os nomes próprios só quando constituírem-se em conceitos básicos do sistema CDU. Em geral, o índice da CDU é relativo e, portanto, a sua consulta não invalida a necessidade de consulta aos esquemas e às tabelas. É apenas um indicativo às notações porque auxilia a busca dos conceitos e subdivisões auxiliares. TÓPICO 1 | HISTÓRICO, PRINCÍPIOS E ESTRUTURA 133 IMPORTANT E Na versão online, que iremos utilizar para os exercícios, o índice ainda está em desenvolvimento. FIGURA – INFORMAÇÃO DO ÍNDICE NA VERSÃO ONLINE DA CDU FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 8.2 TABELAS SISTEMATICAS É a espinha dorsal que representa os conceitos contidos nas dez classes da CDU. Atualmente, a CDU possui nove classes, sendo oito especiais e uma geral. A Classe 4 está vaga desde 1960 (incorporada para a Classe 8) e está reservada às futuras expansões. FIGURA 9 – TABELA PRINCIPAL NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. É possível, além do histórico e explicação do uso da CDU, também, verifi car todas as classes de 0 a 9, tabelas auxiliares e subdivisões auxiliares especiais. Também estão detalhadas na versão online. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 134 8.3 FUNÇÃO DO PONTO DECIMAL Segundo Santos (2009, p. 7), “para quebrar as extensões dos números e facilitar sua leitura, o sistema adotou o emprego do ponto decimal de três em três algarismos. Portanto o valor classifi catório do ponto é apenas simbólico”. QUADRO 2 – O PONTO DECIMAL NA CDU FIGURA 10 – SIMPLIFICAÇÃO DA NOTAÇÃO FONTE: Santos (2009, p.7) FONTE: Santos (2009, p.8) 8.4 REDUÇÃO OU USO SIMPLIFICADO DA NOTAÇÃO Ainda de acordo com Santos (2009), a aplicação da CDU condiciona-se ao contexto institucional e pode ser completa ou parcial. Os mesmos princípios apresentados no uso reduzido ou simplifi cado da CDD podem ser aplicados à CDU. O autor exemplifi ca da seguinte forma: Sobre o exemplo, Santos (2009, p. 9) ainda observa que, “em bibliotecas especializadas da área de esporte, o uso mais detalhado e completo pode ser desejável, mas, em bibliotecas especializadas em outras áreas, a notação pode ser reduzida para: 786.86”. IMPORTANT E A redução deve ser feita com bom senso, evitando notação genérica que venha a comprometer a ordenação dos documentos, especialmente quando houver possibilidade de aumento da coleção. 135 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Os belgas, Paul Otlet e Henry La Fontaine, foram os criadores da Classificação Decimal Universal, inspirados na Classificação Decimal de Dewey. Contudo, perceberam uma taxonomia do conhecimento humano que poderia ser expressa por meio de uma língua internacional, a dos números. • A primeira edição completa da CDU foi publicada entre 1905 e 1907 como o Manuel du répertoire bibliographique universel, incluindo cerca de 33.000 subdivisões e um índice alfabético com aproximadamente 38.000 entradas. • As edições da CDU são classificadas como: desenvolvidas, médias, abreviadas e condensadas. • No Brasil, a partir de 1901, a CDU passou a ser integrada nas bibliotecas, tendo como parte desse movimento: Vitor da Silva Freire, Rodolfo Garcia, Oswaldo Cruz e Manuel Cicero Peregrino da Silva. Foi adotada como sistema de classificação da biblioteca do Instituto Oswaldo Cruz e, posteriormente, no Boletim Bibliográfico da Biblioteca Nacional e Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores e Biblioteca Pública de Minas Gerais. • A FID, detentora dos direitos autorais da CDU, até o fim do século XX, foi responsável pelas extensões e correções das edições. Posteriormente, transferiu os Direitos Autorais da CDU para a UDC Consorcium — UDCC, sediada na Holanda, e que reúne membros holandeses, ingleses, franceses, japoneses e espanhóis. • A tabela CDU também está disponível online e em português. A iniciativa foi da Biblioteca Nacional de Portugal, disponível pela licença Creative Comons. • Entre as características estruturais da CDU estão a decimalidade; universalidade; caráter hierárquico e caráter analítico sintético. • Na CDU, a notação é mista porque, além dos dígitos decimais, é constituída por letras, palavras e sinais gráficos que permitem a construção de expressões que representam os conceitos contidos em um documento bibliográfico. • A estrutura física da CDU é formada por dois volumes: o primeiro é constituído pelas tabelas auxiliares e pela tabela principal; o segundo volume é constituído pelo índice. As tabelas trazem informações que auxiliam e orientam a formação das notações: remissivas, ordem de citação dos sinais e elementos, intercalação da notação e a ordem de arquivamento. 136 1 Quais as características estruturais da CDU? 2 (VUNESP, 2013) A Classificação Decimal Universal: FONTE: <https://www.tecconcursos.com.br/conteudo/questoes/708824>. Acesso em: 11 jun. 2019. a) ( ) Adotou, como princípio de organização as tabelas auxiliares reduzidas da Colon Classification. b) ( ) Está dividida em 9 classes, com notação de classe e subclasse de três algarismos, obrigatoriamente. c) ( ) Contém uma classe vaga, a classe 4, desde sua criação por Paul Otlet e Henry Bliss, em 1905. d) ( ) Expandiu os sinais das tabelas auxiliares a partir da CDD, criando uma estrutura própria de notação, com símbolos e pontuações. e) ( ) Possui classes divididas em subclasses, sendo necessário, na notação, colocar um ponto a cada dois dígitos. 3 A primeira edição do novo sistema organizado pelos belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine intitulou-se Manuel du Répertoire Bibliographique Universel, em 1904. ( ) Certa ( ) Errada AUTOATIVIDADE https://www.tecconcursos.com.br/conteudo/questoes/708824 137 TÓPICO 2 TABELAS AUXILIARES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Resgatando o tópico anterior, o qual indicamos que a CDU está organizada em tabelas principais e auxiliares. Neste tópico, traremos com maiores detalhamentos sobre as tabelas auxiliares. Segundo Fontoura (2006), a característica mais inovadora e infl uente da CDU é sua notação auxiliar, ou seja, os sinais e subdivisões criados para a construção de números compostos ou sínteses. Um número composto ou síntese se obtém pela reunião de elementos extraídos de mais deuma parte do sistema. Neste tópico, veremos, com mais detalhes, as funções das tabelas auxiliares no sistema de classifi cação decimal universal. 2 TABELAS AUXILIARES Mcllwaine (1998), ao falar dos princípios fundamentais das tabelas auxiliares, afi rma que cada edição estabelece, no início das tabelas, os símbolos auxiliares comuns e subdivisões na Tabela I com observações sobre sua aplicação e, na Tabela II, os símbolos e técnicas dos auxiliares especiais. Na edição online, assim são apresentadas as tabelas auxiliares. FIGURA 11 – AUXILIARES COMUNS NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. As subdivisões auxiliares comuns consistem de tabelas numéricas, nas quais os conceitos são enumerados e arranjados hierarquicamente. Elas se parecem com as tabelas principais, mas distinguem-se pelos símbolos próprios que precedem ou encerram o número. 138 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL Para Mcllwaine (1998, p. 39), “algumas características, tais como tempo e local, são relevantes para praticamente todos os fenômenos, enquanto outras, como língua e forma documentária, tomam-se relevantes no momento em que o fenômeno passa a ser o assunto de um documento”. 2.1 SINAIS E FUNÇOES SINAL SIGNIFICADO FUNÇÃO + Mais Coordenação / Barra inclinada Extensão : Dois pontos Relação simples :: Dois pontos duplos Ordenação [...] Colchetes Subagrupação QUADRO 3 – SINAIS E FUNÇÕES NA CDU FONTE: Adaptado de Santos (2009) Coordenação (+ Adição) usado para ligar dois ou mais assuntos não consecutivos na tabela. Exemplos: • 53+913 Física e Geografia Regional. • 51+53 Matemática Física. • 1+7 Filosofia e Arte. • 32+34+37 Política, Direito e Educação. • (81+469) Brasil e Portugal. Extensão (/Barra oblíqua) usado para ligar números consecutivos na tabela. Obs.: não é preciso repetir os números consecutivos. Exemplos: • 53 / 55 Física, Química e Geociências. • 53/54 Física e Química. • 1/2 Filosofia e Religião. • 312.1/.2 Estatística de nascimento e óbitos. • 316.012/.014 Macrossociologia, Mesossociologia e Microssociologia. • (81/82) Brasil e Argentina. Relação (: Dois pontos) indica a relação de dois assuntos, nº simples, número comum. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 139 Exemplos: • 51:52 ou 52:51 Matemática e Astronomia. • 016:63 ou 63:016 Bibliografi a de Aagricultura. • 7:175 ou 175:7 A arte na ética. Ordenação (:: Dois pontos duplos) indica relação sem reversão. Exemplos: • 339::633.73 Comércio de café. • 77.044::355 Fotografi a de guerra. Subagrupamento ([ ] Colchete) subordina assuntos secundários. Exemplos: • 330 [633.73]. 3 comércio de café interno. • [331.2+336.748.12]:168. 35 A falácia dos salários e da infl ação. • 32: [2+5] Infl uências da religião e da ciência na política. Na dúvida, durante a classifi cação, na própria CDU online, são explicadas as funções de cada sinal, basta clicar em cima: FIGURA 12 – ORIENTAÇÃO DO USO DENTRO DA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 3 SUBDIVISOES AUXILIARES De acordo com Santos (2009, p. 9), “as subdivisões auxiliares permitem a indicação de aspectos ou facetas secundárias dos conceitos contidos nas Tabelas – 0/9”. Para saber a ordem de citação em documentos com dois ou mais auxiliares, as subdivisões auxiliares subdividem-se em auxiliares comuns e auxiliares especiais. 140 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL a) Auxiliares comuns: possibilitam o inter-relacionamento entre assuntos e indicam características repetitivas, ou seja, aquelas que são aplicadas em todas as classes principais. São eles: auxiliar comum de língua, de forma, de lugar, de raça, de tempo, de ponto de vista, de materiais e de pessoas, incluem-se, também o asterisco e as extensões alfabéticas. b) Auxiliares especiais: indicam características que se repetem em determinados lugares da tabela, isto é, que são aplicáveis a um número limitado da tabela, cuja classe principal está subordinada. São eles: auxiliares especiais de ponto zero, hífen, apóstrofo. QUADRO 4 – AUXILIARES COMUNS NA CDU FONTE: Santos (2009, p. 9) Vejamos, a seguir, o detalhamento dos auxiliares comuns na CDU online: 3.1 AUXILIARES COMUNS DE LÍNGUA – TABELA 1C Os auxiliares comuns de língua indicam a língua ou a forma linguística de um documento cujo assunto é representado por um número principal. A Tabela 1c enumera as línguas ou idiomas, e serve de base para as subdivisões da classe 811 Línguas (como assunto), classe 821 Literaturas de línguas individuais e (=...) Tabela 1f — Auxiliares comuns de grupos étnicos. Embora, teoricamente, a língua de qualquer documento ou item de informação possa ser indicada, na prática, só é útil quando houver a necessidade de distinguir aqueles em diferentes línguas, por exemplo, para permitir a recuperação de acordo com a língua ou para fornecer uma ordem de arquivamento satisfatória. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 141 FIGURA 13 – AUXILIARES COMUNS DE LÍNGUA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 3.1.1 Ordem de citação Na ordem de citação, o auxiliar de língua normalmente vem na última posição. No entanto, pode ser citado em uma posição intermédia ou, até mesmo, vir em primeiro lugar, no caso de um número composto, e se houver necessidade de arquivar documentos ordenados por língua, ao invés de assunto. Se necessário, o número será separado do número seguinte por dois pontos. Vejamos o exemplo a seguir. • 663.4(493) (075) = 112.5 – Indústria da cerveja na Bélgica – Livro Didático – em flamengo. 3.1.2 Documentos multilíngues Documentos multilíngues podem ser identificados por =00 ou pelos auxiliares de línguas individuais em ordem numérica ascendente. Vejamos o exemplo: • 53(035) = 00 – Manual multilíngue de física. • 53(035) = 111 = 112.2 = 133.1 – Manual de física em inglês, francês e alemão. Exemplo(s) de combinação: • 001.103.2(036) = 161.1 O Guia de metadados em russo. • 27-23 =030.14 =134.3 Bíblia em grego com tradução em português. http://www.udcsummary.info/php/index.php?lang=pt 142 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 3.2 (0...) AUXILIARES COMUNS DE FORMA – TABELA 1D Os auxiliares comuns de forma indicam a forma ou apresentação de um documento que trata de um assunto representado por um número principal. Eles não são usados para representar um assunto do documento. Formas literárias (poesia, teatro, fi cção etc.) são classifi cadas em 82-1/-9. Tipos de formas não listados na Tabela 1d podem ser representados por (0 :...), por exemplo, 94(0:791) História apresentada como um fi lme. 3.2.1 Forma interna e forma externa Quando houver necessidade de exprimir mais de um aspecto de forma, deve-se distinguir entre forma interna, quando a forma infl uencia o assunto (por exemplo, uma apresentação histórica) e forma externa, aquela que expressa apenas as características físicas do suporte da informação (por exemplo: uma gravação de som). Independentemente da ordem numérica, a forma interna deverá ocorrer junto do assunto antes de se exprimir a forma externa, por exemplo, 792(091) (086.7) Teatro – forma histórica de apresentação – gravação de som (história do teatro em gravação sonora). FIGURA 14 – AUXILIARES COMUNS DE FORMA NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=8&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 3.3 ORDEM DE CITAÇÃO Tais auxiliares são usados, normalmente, após uma notação de assunto, mas, se desejarmos, todos os documentos que têm a mesma forma física ou de apresentação do assunto (ou suas variantes) podem ser agrupados sob o auxiliar de forma adequada. TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 143 Exemplo(s) de combinação: • (035)54 Compêndios de química (arquivados a outros compêndios). • (038)54 Dicionários de química (arquivados a outros dicionários). • (054) (44) Jornais franceses. • 54(035) Compêndios de química (arquivadoscom outros livros de química). • 54(038) Dicionários de química (arquivados com outros dicionários). 3.4 (1/9) AUXILIARES COMUNS DE LUGAR – TABELA 1E Os auxiliares de lugar indicam o âmbito geográfi co, localização ou outro aspecto espacial de um assunto indicado por um número de uma classe principal, por exemplo, 331.2(44) Salários em França; 338.47(81) Economia dos transportes no Brasil. Constituem, também, a base da divisão das classes 913 Geografi a regional e de 94 História. FIGURA 15 – AUXILIARES COMUNS DE LUGAR NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=1951&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 3.4.1 Ordem de citação Esses auxiliares são normalmente usados depois de uma notação de assunto. Também pode ser criada uma sequência baseada no lugar, citando o auxiliar de lugar primeiro, por exemplo: • 339.5(73) Comércio Exterior – EUA; (73)339.5 EUA – Comércio exterior. Os auxiliares de lugar também podem ser interpolados em um número da CDU para obtermos uma sequência desejada, por exemplo: • 354(44) Administração Central na França, 354 (44) 51 – Ministério da Justiça francês. Excepcionalmente, os auxiliares de lugar sozinhos podem ser adequados para classifi carmos alguns tipos de documentos em que o aspecto lugar seja o único provável de ser buscado (por exemplo: alguns mapas). 144 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 3.4.2 Mais subdivisões Em geral, a seção política da tabela a seguir (4/9) é subdividida até municípios, departamentos ou unidades administrativas equivalentes. Unidades menores podem ser representadas de duas maneiras: usando os auxiliares especiais em (1-2) e (1-3), no número para a unidade de nível mais alto (país, estado) ou para a unidade de nível mais baixo (condado, departamento etc.): • (44) França, (44-2) Comunas da França, (44-37) Arrondissements da França (441,1), Departamento de Finistère, (441.1-2) Comunas de Finistère, (441.1-37) Arrondissements de Finistère. Outros exemplos: • 654.15(438) Telefonia fixa da Polônia. • 378.4(71) (091) A História das universidades canadenses. • 53(81+73) A Física do Brasil e dos Estados Unidos 656.7. • (83/85) Tráfego aéreo entre Bolívia, Chile e Peru. • 639.411(816.4 Balneário Camboriú) Criação de Ostras em Balneário Camboriú, SC. 3.5 (=...) AUXILIARES COMUNS DE GRUPOS HUMANOS, ETNIAS E NACIONALIDADE – TABELA 1F Os auxiliares comuns de grupos étnicos e de nacionalidade indicam a nacionalidade ou os aspectos étnicos de um assunto representado por um número de uma classe principal da CDU. Derivam principalmente dos Auxiliares comuns de língua =… (Tabela 1c) e também podem distinguir grupos linguístico- culturais, por exemplo, (=111) Povos falantes de inglês (em oposição ao inglês como língua). FIGURA 16 – AUXILIARES COMUNS DE GRUPOS HUMANOS, ETNIAS E NACIONALIDADES FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=11755&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=11755&lang=pt TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 145 3.5.1 Nota de aplicação A nacionalidade política pode ser representada, principalmente, por (=1:4/9) Pessoas que vivem em países do mundo moderno, derivando dos auxiliares comuns de lugar (4/9) (Tabela 1e), mas, pode ser que, para alguns assuntos, apenas os próprios auxiliares de lugar sejam suficientes. Para a antropogeografia especial como assunto principal, ver 572.9. 3.5.2 Ordem de citação Na ordem de citação, um auxiliar comum de grupo étnico ou nacionalidade, normalmente, segue um número principal da CDU. Contudo, é possível citá-lo no meio ou no início de um número composto se houver necessidade de agrupar os documentos ou referências por grupos étnicos ou de nacionalidade Exemplo(s) de combinação: • 398(=81) Folclore dos índios da América do Norte (ameríndios). • -054 Pessoas segundo características étnicas ... • 572.9 Antropogeografia especial... 3.6 “...” AUXILIARES COMUNS DE TEMPO. TABELA 1G IMPORTANT E Os auxiliares comuns de tempo indicam a data ou período de um assunto representado por um número de uma classe principal. A base para a indicação do tempo é o calendário cristão, mas sistemas não cristãos de contagem de tempo também estão previstos (em "68" e "69"), assim como outros conceitos de tempo, por exemplo, as estações e o tempo geológico. 146 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL FIGURA 17 – AUXILIARES COMUNS DE TEMPO FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=11472&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 3.6.1 Notação Na notação de calendário (ver "DATAS" a seguir), o ponto separa elementos de magnitudes diferentes (ano-mês-dia). Nos outros casos, ocorre um ponto após cada três dígitos, como é usual na CDU. A numeração não-hierárquica é introduzida pelo asterisco, por exemplo, em "327" para meses. Apenas números arábicos são utilizados, por exemplo, MM deve ser convertido para "2000". 3.6.2 Ordem de citação O auxiliar é citado, normalmente, depois do número principal, mas como as aspas são biterminais, elas facilmente permitem a inversão da ordem ou a intercalação. Por exemplo: “música de câmara do século XIX ", normalmente, seria representada por 785.7"18", mas se quiser uma ordem de arquivamento que dê prioridade à data, então 785"18"7 será possível usar ou mesmo "18"785.7. Dentro do próprio auxiliar, os elementos de tempo são citados em ordem de magnitude decrescente. 3.6.3 Datas As datas são indicadas pela citação da notação do calendário comum, na ordem ano-mês-dia, entre aspas, por exemplo, "1898.12.11" 11 dezembro de 1898 d.C. A ordem de magnitudes (começando com o maior e terminando com o menor) corresponde ao princípio da progressão do geral para o específico. Por razões de sistematização, o ano é sempre expresso por um número de quatro dígitos, o mês e o dia por números de dois dígitos. Os espaços sem significado são ocupados por zeros, por exemplo,"0435.08.04", 4 de agosto, 435 d.C. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=11472&lang=pt TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 147 3.6.4 Era cristã ou era comum e era pré-cristã Datas AEC (Antes da Era Comum, também conhecida como Antes de Cristo/a.C.) e EC (Era Comum, também conhecida como d.C.) podem ser distinguidas através da fixação de um sinal de subtração antes das datas a.C., por exemplo, "-0054" para 54 a.C. (opcionalmente, o sinal de mais às datas d.C., por exemplo, "0043" para 43 d.C.). O método de diferenciação só precisa ser usado quando as referências a ambos os tipos de data tiverem probabilidade de ocorrer. "-" e "+" podem ser utilizados sem datas para indicação das eras pré-Cristã e Cristã. 3.6.5 Séculos, décadas Os séculos e décadas podem ser representados por dois e três dígitos, respectivamente, por exemplo, "03", os anos 300 (de maneira mais vaga, o século IV). "19", os anos de 1900 (de maneira mais vaga, o século XX). "192", a década de 1920 (1920-1929). "200" a primeira década do século XXI, ou seja, 2000-2009. QUADRO 5 – EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA AUXILIAR COMUM DE TEMPO FONTE: Santos (2009, p.11) 3.6.6 Períodos Períodos de vários séculos, décadas ou anos podem ser representados pelos números iniciais e finais, utilizando o traço ou barra oblíqua, por exemplo, "04/14" do século V ao XV (a Idade Média). "1815/1830" o período de 1815 a 1830. "625/627" períodos glacial e pós-glacial. Quando uma das datas for indeterminada, ela será representada por três pontos, por exemplo, 94(100)".../18" a história mundial até o fim do século XIX. 94(100)"19/..." a história do mundo desde o início do século 20 em diante. 148 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 3.6.7 Divisões de tempo menores Se necessário, pode-se especificar a hora, minuto ou segundo exato em que ocorreu um evento utilizando notações de dois dígitos separados por ponto, por exemplo, "1898.12.07.15.46.03", 7 de dezembro de 1898 às 15 horas, 46 minutos e 3 segundos. 3.7 ESPECIFICAÇÃO DE ASSUNTO ATRAVÉS DE NOTAÇÕES QUE NÃOPERTENCEM A CDU • introduzidas pelo asterisco *, tais notações de outros sistemas notacionais servem para atingir um nível de especificação do assunto que não seja possível representar através das notações da CDU; • especificação pelo acréscimo direto de letras A/Z para nomes próprios, suas abreviaturas e acrônimos e outras especificações que se façam necessárias. 3.7.1 * Asterisco Tabela 1h – Símbolos criados localmente que não são da CDU. Exemplo(s) de combinação: • 523.4*433 Planetologia, planeta menor Eros (número autorizado IAU). • 66 – 97*C150 Tecnologia química, características térmicas, temperatura de 150 graus centígrados. • 796.8*kg51 Desportos de combate (boxe): peso-mosca (até 51 kg). 3.7.2 (A/Z) Especificação alfabética – Tabela 1h A especificação alfabética de nomes próprios, acrônimos e abreviaturas pode colocar-se depois de um número de CDU sem necessidade de uso de asterisco ou espaço em branco. A especificação alfabética dos auxiliares comuns de lugar (Tabela 1e) deverá ficar entre parênteses. Pode ser conveniente usar abreviaturas em lugar dos nomes completos Exemplo(s) de combinação: TÓPICO 2 | TABELAS AUXILIARES 149 • (492UTR) Cidade de Utrecht. • 334.72:621.3(430) AEG Empresa de equipamento eléctrico na Alemanha – AEG. • 821.133.1MOL Obra literária de Molière. • 929NAP1 Biografi a de Napoleão I (Bonaparte). Na CDU online, ainda podemos observar que o 0... representa os auxiliares comuns de características gerais. Propriedades, materiais, relações. São -02 auxiliares comuns de propriedade, -03 auxiliares comuns de materiais, -04 auxiliares comuns de relações, processos e operações e -05 auxiliares comuns de pessoas e características pessoais. FIGURA 18 – AUXILIARES NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?tag=---&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. Vejamos o detalhamento dos auxiliares comuns de características gerais: A) -02 indicam propriedades gerais ou atributos de entidades • Os auxiliares -02 são aplicáveis em toda a tabela principal. • Os auxiliares -02 não devem ser utilizados de forma independente ou citados em primeiro lugar em uma notação composta. • Eles são sempre usados como sufi xo de um número principal ou notação que expressa o assunto a ser qualifi cado. • Uma vez que existem algumas repetições de termos entre as várias tabelas auxiliares, há que tomar cuidado ao selecionar a aplicação correta, por exemplo, para distinguir entre o audiovisual como propriedade (métodos de formação em audiovisual classifi cados em 37.02-028.26) e como forma (um vídeo de formação classifi cado em 37.02 (086.8)). B) -03 indicam os materiais ou elementos constituintes de que são feitos os objetos ou produtos • Os auxiliares -03 são aplicáveis em todas as classes principais quando o aspecto material é secundário ao assunto. 150 UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL C) -04 auxiliares comuns de relações, processos e operações – Tabela 1k • Os auxiliares -04 indicam relações entre conceitos (particularmente em -042) e processos, atividades e operações em qualquer disciplina. São aplicáveis a todas as classes das tabelas principais. • Onde estes processos etc. já estão adequadamente indicados em uma classe principal, deve ser preferida essa notação. • Deve haver cuidado com a distinção entre um processo como aspecto secundário de um assunto representado por uma classe principal e os casos em que o processo ou a atividade é o próprio assunto, por exemplo, avaliação da investigação e a metodologia em ciências sociais deverão ser classificadas usando -04 em 303.1-047.4 — em oposição à avaliação como técnica de gestão, indicada por um número principal, como é o caso de 005.96. • Ordem de citação: os auxiliares -04 não devem ser usados de forma independente, ou citados em primeiro lugar em uma notação composta. Eles são sempre usados como sufixo de um número principal. D) -05 auxiliares comuns de pessoas e características pessoais – Tabela 1k • Os auxiliares -05 indicam pessoas e suas caraterísticas. • Os auxiliares -05 são aplicáveis às tabelas principais se o aspecto pessoal é secundário em relação ao assunto. Se para um determinado assunto, na tabela principal, não houver nenhuma subdivisão ou auxiliar especial para o aspecto pessoal, o próprio -05 pode ser utilizado para representar isso, por exemplo, 324 Eleições, 324-05 Pessoas ligadas a eleições. • Os papéis de agente e paciente podem, normalmente, ser distinguidos por -051 ou -052, por exemplo, 324 Eleições, 324-051 Eleitores, votantes 324-052 representantes eleitos, e com as demais características pessoais representadas pela adição da subdivisão apropriada de -053/-058, por exemplo, 324-052-055.2 mulheres representantes eleitas. • Se as tabelas principais já tiverem um lugar para o aspecto pessoal, então as subdivisões de -053/-058 podem ser acrescentadas diretamente ao número, por exemplo, 070.42-057.13 jornalistas autónomos, 347.96-055.2 advogadas, 616-083-055.1 enfermeiros do sexo masculino. Tal como acontece com todos os auxiliares comuns, as subdivisões -05 podem ser combinadas entre si ou com outros auxiliares, por exemplo, 64-053.6-055.2 pessoal doméstico adolescente do sexo feminino, 78.071-056.45(= 411.16) prodígios musicais judeus. Exemplo(s) de combinação: • 324-05 Pessoas com funções eleitorais. • 324-051 Eleitores. • 324-052 Representantes eleitos. • 324-052-055.2 Representantes eleitos do sexo feminino. 151 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • As subdivisões auxiliares comuns consistem de tabelas numéricas nas quais os conceitos são enumerados e arranjados hierarquicamente. Assim, elas se parecem com as tabelas principais, mas distinguem-se pelos símbolos próprios que precedem ou encerram o número. • O sinal de + (adição) é usado para ligar dois ou mais assuntos não consecutivos na tabela, o sinal/(barra oblíqua) é usado para ligar números consecutivos na tabela, o sinal de :: (dois pontos duplos) indica relação sem reversão, o sinal de dois pontos (:) indica a relação de dois assuntos e o de [ ] (colchetes) subordina assuntos secundários. • Os auxiliares comuns possibilitam o inter-relacionamento entre assuntos e indicam características repetitivas, ou seja, aquelas que são aplicadas em todas as classes principais. São eles: auxiliar comum de língua, de forma, de lugar, de raça, de tempo, de ponto de vista, de materiais e de pessoas, incluem-se, também o asterisco e as extensões alfabéticas. • Os auxiliares comuns de língua são representados pelo sinal (=) e indicam a língua ou a forma linguística de um documento cujo assunto é representado por um número principal. • Os auxiliares comuns de forma, representados pelo (=...), indicam a forma ou apresentação de um documento que trata de um assunto representado por um número principal. Eles não são usados para representar um assunto do documento. • Os auxiliares de lugar, indicados pelo sinal (0...), indicam o âmbito geográfico, localização ou outro aspecto espacial de um assunto indicado por um número de uma classe principal. • Os auxiliares comuns de tempo, indicados pelo sinal (...), indicam a data ou período de um assunto representado por um número de uma classe principal. • Os auxiliares de lugar (1/9) indicam o âmbito geográfico, localização ou outro aspecto espacial de um assunto indicado por um número de uma classe principal. 152 • Os auxiliares comuns de grupos étnicos e de nacionalidade, (=...) — aspas parênteses um-a-nove, indicam a nacionalidade ou os aspectos étnicos de um assunto representado por um número de uma classe principal da CDU. • O * asterisco é para símbolos criados localmente, que não são da CDU. • A especificação alfabética (A/Z) de nomes próprios, acrônimos e abreviaturas pode colocar-se depois de um número de CDU sem necessidade de usar asterisco ou espaço em branco. 153 AUTOATIVIDADE 1 Relacione os auxiliares comuns à funçãona Classificação Decimal Universal. 2 Faça a classificação utilizando os sinais das tabelas auxiliares: a) Política, Direito e Medicina. b) Relações internacionais do Brasil e do Chile. c) Sódio. d) Física, Química e Geociências. e) Política e Biblioteconomia (não podem ser invertidos os temas). f) Matemática e Astronomia (ou vice-versa). 1 Coordenação + Adição ( ) Indica a relação de dois assuntos nº simples, número comum. 2 Ordenação :: ( ) Usado para ligar números consecutivos na tabela. 3 Extensão/Barra oblíqua ( ) Indica relação sem reversão. 4 Relação: dois pontos ( ) Usado para ligar dois ou mais assuntos não consecutivos na tabela. 154 155 TÓPICO 3 TABELAS PRINCIPAIS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, conheceremos com mais detalhes as tabelas principais da CDU. Também traremos vários exemplos que podem ser remontados fazendo o passo a passo no processo de classificação. Busque refazer todos os caminhos apresentados, isso proporcionará um melhor aprendizado. Já devemos ter falado isso em alguma parte deste livro, mas é importante reforçar. O aprendizado de classificar é um processo que passa pela prática, e, principalmente, é diferente conforme a realidade e especificidade de cada instituição. Muitas vezes, na biblioteca, você vai utilizar notações prontas, e não fará todo o processo aqui detalhado. Contudo, como futuro bibliotecário, é fundamental que você conheça o processo em sua amplitude. 2 TABELAS PRINCIPAIS As tabelas principais são a espinha dorsal, que representa os conceitos contidos nas classes da CDU. Atualmente, a CDU possui nove classes, sendo oito especiais e uma geral. A Classe 4 está vaga desde 1960 (incorporada para a classe 8) e está reservada a futuras expansões. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 156 IMPORTANT E Vejamos a seguir as classes gerais da CDU. Elas, em geral, são as mais citadas em concurso de Biblioteconomia. 0 Generalidades. Ciência e Conhecimento. Organização. Informação. Documentação. Biblioteconomia. Instituições. Publicações. 1 Filosofia. Psicologia. 2 Religião. Teologia. 3 Ciências Sociais. Estatística. Política. Economia. Comércio. Direito. Administração Pública. Forças Armadas. Assistência Social. Seguro. Educação. Folclore. 4 Vaga. 5 Matemática, Ciências Naturais. 6 Ciências Aplicadas. Medicina. Tecnologia. 7 Artes. Recreação. Diversões. Esportes. 8 Língua. Linguística. Literatura. 9 Geografia. Biografia. História. Segundo Mcllwaine (1995, p. 29), “ao classificar um documento, procede- se à análise de assunto, e uma vez decidida a área de assunto, deve-se examinar a seção da classificação que trata daquela área”. DICAS Se você tiver a versão impressa, vá primeiro no índice, depois nas tabelas. Sempre vá nas tabelas, mesmo que seja apenas para conferir a numeração apresentada no índice. Às vezes coincide de encontrarmos a notação completa. A versão impressa do índice, apesar de não estar na tabela online (como falamos anteriormente, está em desenvolvimento), pode ser acessada na internet facilmente. Segue um dos links disponíveis: https://bibliotextos.files.wordpress.com/2014/07/cdu-c3adndice.pdf. Acesso em: 12 jun. 2019. Para Mcllwaine (1995, p. 61): Embora em uma visão panorâmica as classes principais da CDU pareçam com aquelas da Classificação Decimal Dewey, há muitos detalhes em que as duas classificações divergem. Isso acontece particularmente nas classes 5 e 6, em que foram aplicadas diversas classificações padronizadas para as ciências. Os detalhamentos das duas classes podem, no futuro, ser estendidos através do uso da classe 4, a qual está atualmente vazia na CDU. O conteúdo original da classe, Filologia e Linguística, foi fundido com a classe 8, ficando então Língua, Filologia e Literatura. https://bibliotextos.files.wordpress.com/2014/07/cdu-c3adndice.pdf TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 157 3 CLASSE 0 – GENERALIDADES A classe Generalidades começa com seções que tratam do conhecimento geral, formas de comunicação e, particularmente, escrita e padronização. Biblioteconomia e Ciência da Informação estão localizadas em 02 e as Classes 01 e 03/08 são usadas para documentos que tratam de formas de publicação, como enciclopédias. Para expressar trabalhos em forma específi ca, devemos usar as divisões comuns de forma da Tabela Id. FIGURA 19 – CLASSE GENERALIDADE FIGURA 20 – CLASSE 1 CDU FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=13358&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=15164&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 4 CLASSE 1 – FILOSOFIA & CLASSE 2 – RELIGIÃO A Classe 1 aborda a Filosofi a, que trata de conceitos básicos como conhecimento, beleza, conduta etc. Também documentos que tratam de tais conceitos através do desenvolvimento de teorias e princípios baseados em conhecimentos ou especulações científi cas. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 158 Já a Classe 2 trata dos temas de religião. “Cobre os mesmos tópicos, porém em diferentes contextos, como divindade, adoração e salvação. Livros escritos com determinado ponto de vista vão para a Casse 2” (MCLLWAINE, 1998, p. 61). FIGURA 21 – CLASSE 2 CDU FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=15164&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 5 CLASSE 3 – CIÊNCIAS SOCIAIS As Ciências Sociais contêm os assuntos mais controversos para se chegar a uma concordância internacional, sendo que as diversas terminologias e tendências geram os maiores problemas. Política e educação são duas áreas em que isso ocorre. A criação de uma classificação que seja aceitável internacionalmente nas áreas é extremamente difícil. Segundo Mcllwaine (1998, p. 66), são dois os problemas com terminologia: • Existem áreas dentro das ciências sociais, como antropologia, em que especialistas, usando a mesma língua, não usam os mesmos termos, fator que se toma ainda mais problemático com a barreira da língua. • A segunda dificuldade é a dispersão inevitável de conceitos dentro de várias áreas, o que torna essencial o cuidado na ordem de citação e na aplicação de notações sintetizadas incluindo auxiliares. As Tabelas Ik-05 – Auxiliares comuns de pessoas e If – Auxiliares comuns de grupos éticos são particularmente úteis na Classe 3. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=15164&lang=pt TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 159 Os elementos principais das ciências sociais são arranjados na CDU na forma a seguir, com os termos da área principal em letras maiúsculas, relacionando conceitos que são próximos, mas não contíguos no esquema. “Não se trata de uma cópia precisa dos termos enumerados de um texto oficial. Mostra, porém, como assuntos relacionados são colocados em classes diferentes” (MCLLWAINE, 1998, p. 66). FIGURA 22 – ESPECIFICIDADES DA CLASSE 3 FIGURA 23 – CLASSE 3 CDU ONLINE FONTE: Mcllwaine (1998, p. 66) FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=15164&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=15164&lang=pt UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 160 6 CLASSE 5 E 6 – MATEMÁTICAS E CIÊNCIAS NATURAIS E CIÊNCIAS APLICADAS, MEDICINA, TECNOLOGIA As Classes 5 e 6 possuem uma relação muito próxima e são as duas seções mais usadas na classifi cação. Elas cobrem as ciências puras e aplicadas e demonstram claramente os desenvolvimentos ocorridos no século passado. As notações podem ser extensas e complexas, refl etindo a complexidade dos assuntos classifi cados. FIGURA 24 – CLASSE 5 DA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=25403&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. De uma maneira geral, a Classe 5 representa a disposição tradicional das ciências físicas ou inanimadas e, em seguida, das ciências animadas ou da vida. Uma seção foi criada em 50414 para acomodar o crescente interesse em assuntos relativos ao meio ambiente. A seção tem conexões óbvias com outras partes da classifi cação, particularmente Ciências Biológicasem 57/59. Há um considerável uso das subdivisões auxiliares especiais e pouco espaço para expansão da notação, particularmente na Classe 6 – Tecnologia. As classes são muito usadas pelos especialistas de instituições que têm grande quantidade de material classifi cado pela CDU. Isso signifi ca que a série de conceitos expressos pelo esquema é utilizada amplamente e, consequentemente, uma reorganização total da seção não parece ser interessante para os usuários antigos. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 161 FIGURA 25 – CLASSE 6 NA CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=37275&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 7 CLASSE 7 – ARTES, RECREAÇÃO, DIVERSÕES, ESPORTES Classe 7 começa com uma tabela especial muito extensa, especificando subdivisões especiais que se aplicam em toda a classe, exceto em 77 – Fotografia. Há aspectos estéticos, de forma e características, técnicas, ferramentas, equipamentos e acomodações, materiais e preservação, cuidado e reprodução. Entre as subdivisões estão aquelas em .03, cobrindo períodos, fases, escolas, estilos e influências. À primeira vista, pode parecer que há alguns conflitos entre as subdivisões e as providas na Tabela Ig – Auxiliares Comuns de Tempo. Não é verdade, e estes números devem ser usados, uma vez que permitem pontos de agrupamento para conceitos como Renascença. Se houver necessidade de maior precisão, tanto com relação ao tempo quanto ao lugar, o número .03 pode ser ampliado com os dois auxiliares apropriados, as Tabelas Ie e Ig – Auxiliares Comuns de Lugar e Tempo, respectivamente. Se necessário, os auxiliares de lugar ou tempo podem ser intercalados. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=37275&lang=pt UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 162 FIGURA 26 – CLASSE 7 CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=64676&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 8 CLASSE 8 – LÍNGUA. LINGUÍSTICA. LITERATURA A classe combina Língua, Linguística e Literatura, uma fusão de duas classes colocadas originalmente em 4 e 8. Assuntos gerais de filologia, linguística e literatura são colocados em 80. Estes são seguidos de filologia, que se inicia com prosódia. A prosódia de línguas específicas é classificada com a língua em 811. Aqui são colocados assuntos gerais como: • 801.66(03) Dicionários de rimas. • 801.653 Acentuação em construção de versos. • 801.665 Padrões de rima em estribilho. E formas de verso como: • 801.672 Sáficas. • 801.675.2 Rima na oitava. • 801.677.1 Formas de versos. • 801.7/.8 Tratam das ciências auxiliares e estudos de filologia, como fontes orais e textos escritos. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=64676&lang=pt TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 163 FIGURA 27 – CLASSE 8 NA DCU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=67277&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 9 CLASSE 9 – GEOGRAFIA, BIOGRAFIA E HISTÓRIA As tabelas da Classe 9 são concisas e utilizam muito a síntese e tabelas auxiliares, especialmente a Tabela Ie – Auxiliares Comuns de Lugar. As datas são dadas apenas de maneira geral sob a história individual dos países, e por isto, precisam de ampliação por meio da Tabela Ig – Auxiliares Comuns de Tempo. A classe inicia com uma seção sobre Arqueologia em 902, que quase sempre necessita de ampliação, por exemplo, em técnicas arqueológicas, utilizando os dois pontos e outras seções da classificação, especialmente partes das classes 5 e 6. Pré-história e Ruínas pré-históricas, incluindo objetos, são colocados em 903, que podem ser expandidos com as tabelas de auxiliares comuns, por exemplo: • 903 "633" Período mesolítico • 903-032.42 Artefatos de ouro pré-histórico Além disto, 903 contém três auxiliares especiais: 1) Introduzido pelo hífen e derivado de 62-4 para forma e estrutura dos restos. 2) Introduzido por .0 para objetos de acordo com o material e formato. 3) Introduzido pelo apóstrofo, para tipos de cultura. Isso permite a expressão de conceitos como: • 903.23.02 Urnas de cerâmica modelada. • 903.24'15 Vestuário de culturas nômades. • 903.25-408.66.02 Vasos de formas irregulares de tomo de cerâmica. • 903.7'16 Altares de culturas agrícolas avançadas. http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=67277&lang=pt UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 164 FIGURA 28 – CLASSE 9 CDU ONLINE FONTE: <http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=68076&lang=pt>. Acesso em: 11 jun. 2019. 10 ORDEM DE CITAÇÃO A ordem de citação busca uma representação uniforme e correta da sequência de símbolos na formação de uma notação. Silva e Ganim (1994) sugerem a ordem de citação descrita no quadro a seguir. QUADRO 6 – ORDEM DE CITAÇÃO PARA DOCUMENTOS COM DOIS OU MAIS AUXILIARES DA CDU FONTE: Silva e Ganim (1994, p. 65) http://www.udcsummary.info/php/index.php?id=68076&lang=pt TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 165 A posição do asterisco, das letras e do apóstrofo condiciona-se e varia conforme a notação a que se refere. Adverte-se que a ordem de citação apresentada é apenas uma recomendação que visa estabelecer um procedimento único. Devido às características da CDU, especialmente na formação dos conceitos e forma de citação, sugere-se a adoção de uma política de classificação para evitar procedimentos diferenciados em uma mesma situação. Portanto, a ordem de citação é flexível especialmente em situações pontuais e para evitar a construção de conceitos falsos. Vejamos os exemplos de Santos (2009, p. 17): • A “ordem dos fatores não altera o produto” – a única diferença é em relação à ênfase (ordem de classificação): 7“16” (81) Arte do século XVII no Brasil. 7(81) “16” Arte no Brasil do século XVII. • A “ordem altera o produto”: a ordem altera os conceitos representados. 811.134.3-31(81) romance em português no Brasil. 811.134.3(81) -31 romance brasileiro. 10.1 INTERCALAÇÃO Recurso usado pela CDU que permite ao classificador estabelecer critérios diferenciados de ordenação do acervo de acordo com a ênfase que se deseja dar. É possível que algumas subdivisões auxiliares independentes possam ser empregadas como prefixo ou infixo de uma notação: “em outras palavras, certos auxiliares podem interromper o número principal, criando um composto” (CDU, 1987 apud SANTOS, 2009, p. 17), por exemplo: • 622.341.1(430) – conforme ordem de citação; • 622.341(430).1 – ordem de intercalação; • 622(430).341.1 – ordem de intercalação; • (430)622.341.1 – ordem de intercalação; 11 ORDEM DE ARQUIVAMENTO Ao contrário da ordem de citação, a ordem de arquivamento é compulsória, ou seja, padronizada. Se a classificação utilizar os auxiliares independentes (aqueles que podem ser citados primeiramente), siga essa ordem de arquivamento: UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 166 QUADRO 7 – ORDEM DE ARQUIVAMENTO FONTE: Santos (2009, p. 18) TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 167 LEITURA COMPLEMENTAR Paul Otlet: biografia e legado Marcia Silveira Kroeff Miriam C. C. M. M. Mattos Críchyna da Silva Madalena Introdução Repito: meus documentos formam um todo. Cada parte está relacionada, e juntas, elas compõem uma obra única...Meus arquivos, ‘mundaneum’, uma ferramenta projetada para o conhecimento mundial. Mantenha-os. Faça com eles o que eu faria. Não os destrua (OTLET). Poder falar sobre a vida e obra de Paul Otlet é, para nós, uma grande honra. Não apenas pela importância do seu legado para a área de Biblioteconomia, mas também pela sua trajetória de vida, que se traduz em uma incrível sensibilidade e preocupação com a organização da informação mundial e acessibilidade ao conhecimento. Um idealista, um sonhador de uma sociedade melhor, onde o conhecimento é a grande fonte de vida, de energia e do saber. Um teórico brilhante, pacifista e, ao mesmo tempo, ativista social. Eis algumas características de Paul Otlet. Difícil escrever em poucas páginas uma vida tão rica em experiências e significados. No presente capítulo, o objetivo central é traçar uma linha do tempo com baseem fontes de referências, mostrando sua trajetória, suas lutas e seu legado. Para tanto, precisamos definir um ponto de partida. E a seis mãos, fizemos um levantamento dos artigos e outros documentos que trouxessem dados mais voltados à biografia de Otlet que pudessem contribuir para nossa retórica. No caminho, lembramos de um material muito especial, referimo-nos ao vídeo “L’Homme qui voulait classer le monde” (o homem que queria classificar o mundo). Um documentário Francês, da década de 1970, com conteúdo espetacular. Acreditamos ser o mais completo documento acerca de sua biografia, uma vez que os textos ali incluídos são originais, do acervo pessoal de Paul Otlet, constituindo o que ele mesmo traduziu em “Mundaneun”. Assim, decidimos que o documentário seria a nossa base para o desenvolvimento do presente relato. Destacamos que grande parte das imagens foi retirada desse material, bem como a maioria das citações, que são do próprio Paul Otlet. Esclarecemos ainda que citações que traduzem falas do próprio Otlet, assim como os diálogos com ele, aparecem no nosso texto com destaque em itálico. Enfim, esperamos abordar de forma mais literária, do que propriamente acadêmica, a vida e a obra daquele que é considerado, por muitos, o fundador da Ciência da Informação e da Documentação. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 168 Verdade é que, à medida em que as leituras foram sendo realizadas, nos vimos muito envolvidos com o personagem, havendo uma descoberta (ou redescoberta, se levarmos em conta a época de nossos cursos de graduação) de Otlet e uma admiração profunda por sua conduta, inteligência e obra. Infância e adolescência Figura 1: Paul Otlet e sua mãe Figura 2: Paul Otlet quando criança. Fonte: L’HOMME (1970) Fonte: L’HOMME (1970) Paul Otlet nasceu em 23 de agosto de 1868, em Bruxelas, na Bélgica, cidade natal também de seus pais. Sua mãe Maria morreu aos 24 anos, quando Otlet ainda era muito pequeno, aos três anos de idade, sendo criado por seu pai, Édouard Otlet. Édouard Otlet foi senador de um partido independente com laços com o catolicismo. Um homem de negócios, envolvido no ramo da indústria do transporte. Coordenava projetos de ferrovias e bondes em várias regiões do mundo como na Rússia, Argentina e até aqui no Brasil. Ele acreditava que a melhor educação para seus fi lhos seria fora da escola, espaço considerado sufocante. Para suprir as necessidades educacionais de Paul Otlet e seu irmão Maurice, contratou tutores, e o ambiente rodeado de livros ajudou a consolidar sua paixão pela leitura e escrita. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 169 Figura 3: Pai de Paul Oltet Fonte: L’HOMME (1970) Sobre esse período, Paul Otlet registra em seu diário: Meu pai não estava excessivamente preocupado com os detalhes da minha educação e simplesmente queria liberdade para mim. Como não fomos para a escola, não tivemos amigos. Talvez isso tenha sido como eu desenvolvi meu gosto para isolamento e estudo. Eu sempre me vi sendo atraído para o papel e a escrita (OTLET). Figura 4: Paul Otlet e seu irmão Figura 5: Casa de Paul Otlet, em Bruxelas Fonte: L’HOMME (1970) Fonte: L’HOMME (1970) UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 170 Paul foi para a escola pela primeira vez com 11 anos de idade, em Paris, onde morou por um tempo com seu pai e irmão (em decorrência de problemas de saúde do seu pai). Lá frequentou uma escola jesuíta, onde permaneceu durante os três anos seguintes. A família, em seguida, retornou a Bruxelas, e Paul estudou no prestigioso Collège Saint-Michel, até terminar o ensino médio. “A nossa propriedade em Bruxelas foi o chalé onde realizei meus estudos. No segundo andar estava a minha sala de trabalho, e meu quarto de coletas era no piso térreo", relata Paul Otlet. Sua paixão pelos livros e pelas coleções logo foi notada, o que possibilitou a ele ser nomeado bibliotecário em Bruxelas com apenas 15 anos. Ficara radiante com a notícia e registrara. Figura 6: Entrada da Biblioteca do Colégio Saint-Michel em Bruxelas Fonte: L’HOMME (1970) “Eu poderia me trancar na biblioteca, olhar os livros, ler tudo o que eu queria e folhear o catálogo, que para mim era milagroso, este instrumento que me permitia usar todos aqueles livros. Assim foi como nasceram os meus primeiros pensamentos sistêmicos” (OTLET). Paul Otlet também relata a compra de uma ilha (Ilha do Levante) pelo pai, o que o deixou muito animado. Cerca de um ano e meio atrás meu pai me informou que ele tinha comprado a Ilha do Levant, a última das ilhas, no Mar Mediterrâneo. Uma ilha! Chegar lá de barco! Ser Robinson Crusoé! Ah, que planos nós inventamos, que sonho, possuir uma ilha! Querendo saber tudo que havia para saber sobre a ilha, isso foi o que me fez o enciclopedista que eu sou. Obrigado a passar um inverno lá com meu irmão, eu trouxe de volta minhas notas como prova de que eu tinha continuado a trabalhar por conta própria (OTLET). TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 171 O jovem Paul Otlet Se na infância seu pai primou pela liberdade escolar, em sua juventude este lhe faz um pedido, para que fi zesse direito, pois, sendo primogênito, cabia a ele cuidar dos negócios da família. Segundo Otlet, seu pai disse: Você pode estudar qualquer outra coisa que você gosta, mas estude Direito. Você é o mais velho e eu posso desaparecer amanhã. A fortuna da família inteira está nos negócios, e pode ser um desastre se as transações forem mal estabelecidas. Você deve ser capaz de me substituir, pelo menos até os mais jovens poderem tomar posse. Figura 7: Paul Otlet na adolescência. Fonte: L’HOMME (1970) Seguindo o conselho de seu pai, Paul Otlet estuda direito na Universidade Católica de Louven e na Universidade Livre de Bruxelas, onde colou grau em 15 de julho de 1890. Otlet logo fi cou insatisfeito com sua carreira jurídica e começou a se interessar pela bibliografi a. Ele trabalha para descobrir a própria voz e revela-se plenamente em inúmeros diários pessoais. O que eu faço? Um monte de coisas e nada de nada. Não consigo me controlar. Eu desperdiço meu tempo em vez de concentrar. Eu assumi uma carreira profi ssional quando tudo o que eu sempre realmente amei eram estudos teóricos. Eu sou um pobre pretexto de um advogado (OTLET). Em 1890 ele se casa com Fernande Glenaire e, aos 23 anos, Otlet é um jovem rico com um doutoramento em Direito, mas detesta Direito. É um recém- casado sem muita paixão por sua esposa e em breve será pai de duas crianças, Marcel e Jean. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 172 Figura 8: Filhos de Paul Otlet Figura 8: Filhos de Paul Otlet Fonte: L’HOMME (1970) Fonte: L’HOMME (1970) Paul Otlet também passa a se dedicar à arquitetura. A mansão particular construída em 1900 (Figura 9) é a única realização arquitetônica de Paul Otlet que ainda existe hoje. Durante anos, paralelamente ao seu trabalho bibliográfi co, Paul Otlet também esteve envolvido na criação de um modelo de comunidade de praia em uma das propriedades familiares com cerca de 65 hectares. Eu criei o West End, o moderno beach resort belga nas dunas que, por uma longa temporada, serviram como um dos nossos campos de caça. Lá eu era capaz de realizar meus sonhos arquitetônicos em grande escala, de fazer algo novo e original, ainda trabalhando com Van Rysselberghe. Nos 60 hectares da propriedade, seremos capazes de erguer 70 vilas ao longo do quebra-mar, 800 casas de campo nas ruas de dentro e 260 casas isoladas no parque das dunas. Todos os estilos são admissíveis, mas devemos tentar evitar, tanto quanto possível, o pomposo e solene, que estão fora de sincronia com o simples e estilo de vida que se leva à beira-mar (OTLET). TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 173 Figura 10: Vila projetada por Paul Otlet Figura 11: Paul Otlet e sua segunda esposa, Cato Fonte: L’HOMME (1970) Fonte: L’HOMME (1970) Foi um período para a família de Otlet. No West End eles continuam a se sentir em casa. A propriedade de praiacontinua a ser um domínio privado, que é dizer, uma propriedade privada. Tendo sido estabelecido sem qualquer interferência por parte das autoridades públicas, serviços coletivos são organizados. Serviços itinerantes para manutenção de estradas e limpeza de valas, supervisão de banhos, construção de instalações elétricas para iluminação de avenidas e casas de campo, organização de correspondência, serviços de telégrafo e telefone, criação de um comitê do festival para a diversão dos jovens e velhos, assim como especialmente uma praia para crianças [...] (OTLET). Cabe salientar que West End foi completamente destruída durante a Primeira Guerra Mundial. Nada restou do sonho da família, da utopia em miniatura. Em 1912, Paul Otlet se divorcia e se casa com Cato Van Nederhasselt, e na parte de trás da sua foto, ele escreve 'um par amoroso e amado'. UNIDADE 3 | CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 174 A parceria com Henry La Fontaine Figura 12: Paul Otlet e Henri La Fontaine Fonte: L’HOMME (1970) Otlet fi nalmente encontra sua voz. Ele começa a trabalhar na sua magnum opus1, nunca desistir. Ele se torna mais próximo de Henry La Fontaine, um também advogado, catorze anos mais velho, que conheceu em 1891. La Fontaine, naquela época, parecia ter uma personalidade misteriosa para a pessoa comum da rua. Ele era um advogado como eu e tinha uma fortuna pessoal, como eu tinha. Ele também tinha uma completa falta de consciência social, assim como eu. No entanto, ele era um wagneriano, pacifi sta e feminista, que eu não era (OTLET). Otlet e La Fontaine compartilham interesses na bibliografi a e nas relações internacionais. Essa se tornou uma amizade para toda vida. O legado de Paul Otlet: Instituto Internacional de Bibliografi a Na Europa, a crise causada na bibliografi a pela proliferação dos periódicos inspira Otlet à fundação, em 1892, do Escritório Internacional de Bibliografi a, em parceria com Henri La Fontaine [...]. Três anos mais tarde, o escritório foi transformado em Instituto Internacional de Bibliografi a (IIB) – tornando-se referência na Europa Ocidental na construção da Ciência da Informação (ALVARRES; ARAÚJO JÚNIOR, 2010, p. 2). “Em 1895, La Fontaine e eu criamos o Instituto Internacional de Bibliografi a. Não demorou muito para o Instituto tornar-se a mim e eu me tornei o Instituto” (OTLET). 1 Grande trabalho, em latim. TÓPICO 3 | TABELAS PRINCIPAIS 175 Figura 13: Paul Otlet e Henri La Fontaine na criação do Instituto Internacional de Bibliografi a Fonte: L’HOMME (1970) Em 1896 Otlet criou um serviço de perguntas e respostas. Para tanto, contratou funcionários e estabeleceu um serviço de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa do mundo fi zesse uma pergunta por telegrama ou correio, uma espécie de serviço de busca analógico. Surgiram perguntas vindas de todo o mundo. Cabe ressaltar que em 1912 o serviço atingiu a marca de 1,5 mil consultas ao ano. Figura 14: Índice do Instituto Internacional de Bibliografi a Fonte: L’HOMME (1970) FONTE: KROEFF, M. S.; MATTOS, M. C.; MADALENA, C. Paul Otlet: Biografi a e Legado. In: PEREIRA, A. M.; KROEFF, M. S.; CORREA, E. C. D. As contribuições de Paul Otlet para a Biblioteconomia. Florianópolis: ACB, 2018. p. 17-30. Disponível em: https://www.acbsc.org.br/ wp-content/uploads/2018/08/EBOOK-Paul-Otlet-ACB-vers%C3%A3o-fi nal-revisada-22-08-2018. pdf. Acesso em: 6 jun. 2019. 176 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A tabela principal é a espinha dorsal, que representa os conceitos contidos nas classes da CDU. Atualmente, a CDU possui nove classes, sendo oito especiais e uma geral. A Classe 4 está vaga desde 1960 (incorporada para a classe 8) e está reservada a futuras expansões. • A Classe 0 – Generalidades começa com as seções que tratam do conhecimento geral, formas de comunicação e, particularmente, escrita e padronização. • A Classe 1 aborda a Filosofia, que trata de conceitos básicos como conhecimento, beleza, conduta etc. Ainda, documentos que tratam de tais conceitos através do desenvolvimento de teorias e princípios baseados em conhecimentos ou especulações científicas localizados na classe. • A Classe 2 trata dos temas de Religião, cobre os mesmos tópicos, porém em diferentes contextos, como divindade, adoração e salvação. Livros escritos com determinado ponto de vista vão para a Classe 2. • As Ciências Sociais contêm os assuntos mais controversos para se chegar a uma concordância internacional, sendo que as diversas terminologias e tendências geram os maiores problemas. Política e educação são duas áreas em que isso ocorre. A criação de uma classificação que seja aceitável internacionalmente nas áreas é extremamente difícil. • As Classes 5 e 6 possuem uma relação muito próxima e são as duas seções mais usadas na classificação. Elas cobrem as ciências puras e aplicadas e demonstram claramente os desenvolvimentos ocorridos no século passado. As notações podem ser extensas e complexas, refletindo a complexidade dos assuntos classificados. • A Classe 7 começa com uma tabela especial muito extensa, especificando subdivisões especiais que se aplicam em toda a classe, exceto em 77 – Fotografia. Há aspectos estéticos, de forma e características, técnicas, ferramentas, equipamentos e acomodações, materiais e preservação, cuidado e reprodução. • A Classe 8 combina Língua, Linguística e Literatura, uma fusão de duas classes colocadas originalmente em 4 e 8. Assuntos gerais de filologia, linguística e literatura são colocados em 80. Estes são seguidos de filologia, que se inicia com prosódia. 177 • As tabelas da Classe 9 são concisas e utilizam muito a síntese e tabelas auxiliares, especialmente a Tabela Ie – Auxiliares Comuns de Lugar. • A ordem de citação busca uma representação uniforme e correta da sequência de símbolos na formação de uma notação. • A ordem de intercalação é o recurso usado pela CDU, que permite ao classificador estabelecer critérios diferenciados de ordenação do acervo de acordo com a ênfase que se deseja dar. Assim, algumas subdivisões auxiliares independentes podem ser empregadas, como o prefixo ou o infixo de uma notação. • Ao contrário da ordem de citação, a ordem de arquivamento é compulsória, ou seja, padronizada. 178 AUTOATIVIDADE 1 A Classificação Decimal Universal (CDU) originou-se da Classificação Decimal de Dewey (CDD), sendo uma simples tradução, mantendo um sistema enumerativo. ( ) Certa. ( ) Errada. 2 A CDU é divulgada através de edições desenvolvidas, médias, abreviadas, condensadas. ( ) Certa. ( ) Errada. 3 A segunda edição desenvolvida, com o nome de Classification Décimale Universelle, foi publicada pelo IIB em 1927, em francês, contendo, aproximadamente, 70.000 subdivisões. ( ) Certa. ( ) Errada. 4 Atualmente, a CDU é administrada pelo Consórcio UDC. ( ) Certa. ( ) Errada. 5 Em que consiste a ordem de intercalação? 179 REFERÊNCIAS ARAÚJO, A. V. Fundamentos da biblioteconomia moderna em Gabriel Naudé: notas transversais pela lente e episteme da bibliografia e da bibliofilia. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 14, n. esp., p. 3-23, 2018. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/ viewFile/1180/1060. Acesso em: 3 jun. 2019. BARBOSA, A. P. Teoria e prática dos sistemas de classificação bibliográfica. Rio de Janeiro: IBBD, 1969. Disponível em: https://docplayer.com.br/278418- Teoria-e-pratica-dos-sistemas-de.html. 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