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MANUAL	DE	PRIMEIROS	SOCORROS	PARA	CÃES
Bárbara	Gomiero
contato@meucaovelhinho.com.br
	
Copyright	©	2016	Meu	Cão	Velhinho
Todos	os	direitos	reservados
mailto:contato@meucaovelhinho.com.br
Ao	meu	marido	Diego,	pelo	apoio	incondicional	e	suporte	técnico.
À	minha	filha	Alana,	por	me	motivar	a	ser	todos	os	dias	uma	pessoa	melhor.
Aos	meus	cães	Paxá	e	Cookie,	e	à	minha	estrelinha	Shana,	por	alimentarem	a
minha	eterna	paixão	pelos	animais.
Aos	meus	pais	e	irmãos,	por	todo	o	seu	apoio.
	
	
“Não	importa	se	os	animais	são	capazes	ou	não	de	pensar.	O	que	importa	é	que
são	capazes	de	sofrer.	”
(Jeremy	Bentham)
	
PREFÁCIO
Amar	um	cão,	em	toda	a	sua	essência,	é	uma	experiência	inigualável.	Os
cachorros	hoje	fazem	parte	das	nossas	vidas	de	forma	mais	intensa	do	que	jamais
antes	 na	 história	 da	 humanidade.	 "Possuir	 um	 cão"	 já	 se	 tornou	 um	 conceito
ultrapassado.	Os	cães	não	são	mais	"coisas"	a	serem	possuídas.	São	membros	da
família,	 seres	 vivos	 titulares	 de	 direitos,	 e	 que	 merecem	 respeito.	 Não	 somos
mais	donos	dos	nossos	cães,	mas	seus	 tutores:	pessoas	 incumbidas	de	ampará-
los,	protegê-los,	e	educá-los,	já	que	não	somos	seus	pais	biológicos	-	o	que	não
nos	impede	de	nos	considerarmos	os	seus	"pais	adotivos".
Este	 novo	 relacionamento	 entre	 humanos	 e	 cães	 gera	 a	 necessidade	 de
novos	 cuidados,	 tanto	 por	 parte	 dos	 tutores,	 quanto	 dos	 profissionais	 que
trabalham	com	eles.	Ao	receberem	um	animal	para	ser	cuidado,	os	profissionais
-	 sejam	 eles	 tosadores,	 banhistas,	 adestradores,	 pet	 sitters,	 dog	 wakers,
veterinários	 ou	 seus	 assistentes,	 entre	 outros	 -	 recebem	 também	 um	 voto	 de
confiança.
Diante	de	tamanha	responsabilidade,	os	profissionais	da	área	pet	devem	ser
capazes	 de	 prever	 o	 imprevisto,	 trabalhar	 sob	 condições	 adversas,	 e,	 acima	de
tudo,	saber	agir	quando	confrontados	com	situações	de	emergência.	Salvar	vidas
caninas	não	é	um	privilégio	apenas	dos	médicos	veterinários,	mas	o	resultado	de
um	trabalho	conjunto	e	coordenado,	em	que	todos	fazem	a	coisa	certa,	e	na	hora
certa.
Este	manual	de	primeiros	socorros	para	cães	foi	elaborado	com	o	objetivo
de	preparar	profissionais	da	área	pet,	 tutores	 e	protetores	de	animais,	para	que
saibam	 prevenir	 e	 lidar	 com	 situações	 de	 emergência	 da	 melhor	 maneira
possível.	 O	 seu	 texto	 foi	 adaptado	 a	 partir	 do	 Curso	 Completo	 de	 Primeiros
Socorros	Para	Cães,	oferecido	pelo	Meu	Cão	Velhinho®	e	ministrado	pela	Dra.
Bárbara	 Nickel	 de	 Haro	 Gomiero,	 médica	 veterinária	 especialista	 em	 Clínica
Médica	de	Pequenos	Animais.
Os	 primeiros	 socorros	 são	 os	 primeiros	 cuidados	 prestados	 em	 uma
situação	 de	 emergência,	 e	 que	 têm	 como	 objetivo	 a	 preservação	 da	 vida,	 a
prevenção	de	 sequelas,	 e	 a	minimização	do	 sofrimento	do	paciente.	Apesar	de
não	substituírem	o	atendimento	pelo	médico	veterinário	ou	pelo	médico,	quando
prestados	 adequadamente,	 os	 primeiros	 socorros	 podem	 fazer	 toda	 a	 diferença
entre	a	vida	e	a	morte	de	um	animal	ou	humano.
Faça	parte	do	seleto	grupo	de	profissionais,	protetores	de	animais,	e	tutores
dedicados	que	estão	preparados	para	socorrer	os	nossos	amigos	de	quatro	patas
nas	mais	diversas	situações.
Sumário
CAPÍTULO	1.	PREVENÇÃO	DE	ACIDENTES
CAPÍTULO	2.	KIT	DE	PRIMEIROS	SOCORROS
CAPÍTULO	3.	COMO	DAR	MEDICAMENTOS
CAPÍTULO	4.	TÉCNICAS	DE	CONTENÇÃO	E	SEGURANÇA
CAPÍTULO	5.	AVALIANDO	SINAIS	VITAIS	E	RECONHECENDO
EMERGÊNCIAS
CAPÍTULO	6.	TÉCNICAS	DE	SALVAMENTO
CAPÍTULO	7.	DISTÚRBIOS	GASTRINTESTINAIS
CAPÍTULO	8.	OUTROS	PROBLEMAS	INTERNOS
CAPÍTULO	9.	FERIMENTOS,	HEMORRAGIAS	E	FRATURAS
CAPÍTULO	10.	ACIDENTES	AUTOMOBILÍSTICOS
CAPÍTULO	11.	QUEIMADURAS,	CHOQUES,	INTERMAÇÃO	E
HIPOTERMIA
CAPÍTULO	12.	INTOXICAÇÕES,	ENVENENAMENTOS	E
PICADAS	DE	INSETOS
CAPÍTULO	13.	EMERGÊNCIAS	NEUROLÓGICAS	E	NA	CABEÇA
PROCESSO	DE	CERTIFICAÇÃO	EM	PRIMEIROS	SOCORROS
MEU	CÃO	VELHINHO®
APÊNDICES
Capítulo	1.	Prevenção	de	Acidentes
Quando	 falamos	 em	 Primeiros	 Socorros,	 normalmente	 pensamos	 em
grandes	emergências	e	acidentes	graves.	Mas,	antes	de	se	aprender	a	agir	diante
das	emergências,	precisamos	aprender	a	evitar	que	elas	ocorram.	Neste	primeiro
capítulo,	vamos	abordar	erros	comuns	cometidos	por	tutores,	e	em	alguns	casos,
até	mesmo	 por	 profissionais	 que	 trabalham	 com	 animais	 de	 companhia,	 e	 que
podem	colocar	as	vidas	dos	cães	em	risco.
Passeios	e	Exercícios
Um	 dos	 principais	 equívocos	 cometidos	 por	 tutores	 é	 acreditar	 que
cachorros	 pequenos	 não	 precisam	 sair	 de	 casa.	 Os	 cachorros	 são	 animais
nômades,	é	da	natureza	deles	-	independentemente	do	tamanho	-	caminhar	e	se
exercitar.	Assim	como	para	a	gente,	os	exercícios	físicos	são	fundamentais	para
uma	boa	saúde	e	bem-estar.	Psicologicamente	falando,	o	passeio	é	o	ponto	alto
do	dia	de	 todo	cachorro.	É	quando	eles	podem	explorar	o	mundo	fora	de	casa,
sentir	cheiros	diferentes,	e	às	vezes	até	interagir	com	outros	cães.	Tem	um	ditado
que	diz:	“um	cachorro	cansado	é	um	cachorro	feliz”.	Um	cachorro	que	tiver	se
exercitado	 bem,	 principalmente	 filhote,	 não	 vai	 ficar	 destruindo	 a	 sua	 casa,
roendo	as	suas	coisas,	ou	ficar	latindo	em	excesso,	porque	ele	vai	estar	tranquilo.
Além	 de	 isso	 ser	 bom	 para	 você,	 que	 não	 vai	 precisar	 repor	 as	 coisas	 que	 o
cachorro	destruiu,	 diminui	 também	a	probabilidade	de	que	 ele	 acabe	 comendo
alguma	 coisa	 perigosa,	 que	 possa	 fazer	 mal	 para	 ele.	 Enquanto	 cães	 jovens
expressam	a	sua	frustração	primariamente	destruindo	objetos,	os	adultos	e	idosos
podem	 adotar	 comportamentos	 mais	 autodestrutivos:	 eles	 podem	 passar	 a	 se
lamber	obsessivamente,	ou	até	mesmo	a	se	morder,	 formando	feridas	de	difícil
cicatrização.
A	 princípio,	 todo	 cachorro	 precisa	 de	 alguma	 dose	 de	 exercício,	 mas
precisamos	ter	bom	senso	para	respeitar	os	limites	de	cada	um.	Por	exemplo,	um
cachorro	com	artrose	pode	 ir	passear?	Não	só	pode,	como	deve.	O	movimento
das	 articulações	 estimula	 a	 regeneração,	 e,	 com	 isso,	 ajuda	 a	 aliviar	 a	 dor	 e	 o
desconforto	 que	 ele	 sente.	 Com	 certeza,	 um	 cachorro	 com	 artrose	 vai	 ganhar
muito	 se	 for	 exercitado	 diariamente.	Mas,	 é	 claro,	 este	 cão	 não	 vai	 conseguir
correr.	 É	 preciso	 respeitar	 o	 ritmo	 em	 que	 ele	 consegue	 caminhar,	 e	 o	 tempo
também.	 Pode	 ser	 que	 o	 seu	 cachorro	 antes	 fosse	 um	 atleta,	 e	 até	 mesmo
praticasse	agility,	mas	agora	ele	está	velhinho	e	não	aguenta	mais	do	que	uma
volta	 na	 quadra.	 Tudo	 bem.	 Leve	 para	 dar	 uma	 volta	 na	 quadra,	 então.	 E	 um
cachorro	com	problemas	cardíacos?	Bem,	a	não	ser	que	o	problema	seja	muito
grave,	 ou	 que	 ele	 fique	muito	 excitado	 durante	 os	 passeios,	 ele	 pode	 passear,
sim.	Mas	 também,	 com	moderação.	 Tem	 que	 ser	 uma	 caminhada	 mais	 curta,
num	 ritmo	 mais	 lento,	 sem	 grandes	 desafios.	 E,	 se	 durante	 o	 passeio,	 você
perceber	que	ele	está	ficando	para	trás,	que	está	tendo	dificuldade,	não	force	-	é
melhor	voltar	para	casa	e	deixar	ele	descansar.
E,	 em	 relação	 aos	 cachorros	 ditos	 “normais”,	 que,	 a	 princípio	 não	 têm
problemas	 de	 saúde,	 o	 exercício	 está	 liberado?	 Pois	 bem,	 precisamos	 ter	 um
pouco	de	cautela	aí	também.	O	que	vamos	falar	a	seguir	é	fundamental	para	os
dog	walkers,	 e	 também	para	 tutores	que	gostam	de	sair	com	os	seus	cães	para
correr,	 andar	de	bicicleta,	 e	 fazer	outros	 tipos	de	atividade	de	alta	 intensidade:
Existe	 um	 problema	 chamado	 “intermação”.	 Vamos	 abordar	 este	 tema	 mais
profundamente	no	Capítulo	 12,	mas,	 por	 hora,	 vamos	 focar	 em	 evitar	 que	 ele
aconteça.	 A	 intermação	 acontece	 quando	 o	 cachorro	 fica	 superaquecido,	 não
consegue	perder	calor	direito,	e	entra	em	colapso.	Isso	é	extremamente	perigoso!
Ela	pode	acontecer	se	um	cachorro	for	 levado	para	passear	num	dia	que	esteja
quente	 demais,	 principalmente	 se	 o	 exercício	 for	 muito	 intenso	 ou	 muito
prolongado.	É	exatamente	isso	o	que	acontece	também	quando	alguém	esquece
um	 cachorro	 ou	 uma	 criança	 dentrode	 um	 carro	 fechado.	 Então,	 não	 se	 deve
deixar	um	cachorro	(ou	uma	criança)	sozinho	no	carro,	nem	“só	um	pouquinho”
enquanto	se	vai	ao	supermercado,	ao	médico,	ou	qualquer	outro	lugar.	Se	você
for	a	algum	lugar	onde	cães	não	possam	entrar,	é	melhor	deixar	o	seu	cachorro
em	casa.
Mas,	voltando	então	aos	passeios:	 tome	cuidado,	sempre,	de	escolher	um
horário	mais	fresco	para	passear	com	o	seu	cachorro	-	de	preferência,	de	manhã
cedo,	 ou	no	 final	 da	 tarde.	Pode	 ser	 a	 noite	 também,	mas	os	 cães	 são	 animais
diurnos,	e	vão	preferir	sair	durante	o	dia.	Surge,	então,	a	questão:	“quer	dizer	que
não	posso	levar	o	meu	cachorro	para	passear	no	intervalo	do	almoço?	”	Se	você
morar	em	uma	cidade	fria,	onde	as	temperaturas	raramente	sobem	demais,	pode.
Mas	se	você	morar	em	um	 local	quente	e	estiver	 fazendo	32ºC,	é	melhor	não.
Principalmente	se	o	seu	cachorro	tiver	focinho	curto:	os	cães	braquicefálicos	(de
focinho	 curto),	 como	 o	 boxer,	 o	 pug,	 o	 buldogue,	 o	 shi	 tzu,	 etc.,	 são
especialmente	 sensíveis	 à	 intermação.	Aos	 dog	walkers,	 fica	 a	 recomendação:
quaisquer	clientes	que	 tenham	cães	braquicefálicos	devem	 ter	os	 seus	passeios
agendados	sempre	para	os	horários	mais	cedo	ou	mais	tarde	do	dia,	evitando-se
os	momentos	de	maior	calor.
Se	 estiver	 muito	 quente	 -	 e,	 em	 determinadas	 épocas,	 há	 dias	 que	 não
refrescam	 nem	 durante	 a	 noite,	 então	 é	 importante	 moderar	 um	 pouco	 os
exercícios.	Mesmo	 um	 cachorro	 saudável	 e	 de	 focinho	 longo	 pode	 entrar	 em
intermação	se	fizer	muito	exercício	num	dia	quente.
Além	da	 intermação,	passeios	em	dias	muito	quentes	oferecem	ainda	um
outro	risco:	as	queimaduras	em	coxins	(“almofadinhas”	das	patas).	Os	cães	não
usam	 sapatos	 (a	 maioria,	 pelo	 menos),	 e,	 ainda	 que	 os	 seus	 coxins	 tenham	 a
função	de	proteger	as	patas,	eles	podem	sim	sofrer	queimaduras	se	o	asfalto	ou	a
calçada	 estiver	 quente	demais.	Num	dia	quente,	 experimente	pisar	 com	os	pés
descalços	no	asfalto.	Se	estiver	quente	demais	para	você,	considere	que	também
está	quente	demais	para	o	cão.
Para	prevenir	queimaduras	em	coxins,	 tal	como	no	caso	da	intermação,	o
ideal	é	evitar	passeios	nos	horários	mais	quentes	do	dia.	Se	isso	não	for	possível,
o	passeio	deverá	ser	preferencialmente	num	local	onde	haja	terra	ou	grama	para
o	 cão	 pisar	 –	 e	 os	 exercícios,	 moderados.	 Sapatos	 para	 cães	 também	 podem
ajudar	a	proteger	as	patas	em	dias	assim,	embora	muitos	animais	não	se	adaptem
muito	 bem	 a	 eles.	 Os	 sapatos	 para	 cães	 são	 indicados	 principalmente	 para
proteger	as	patas	quando	estão	feridas,	e	também	para	caminhar	sobre	a	neve.
E,	por	fim,	uma	providência	essencial:	ao	sair	com	o	seu	cachorro	num	dia
quente,	ou	para	um	passeio	mais	prolongado,	não	esqueça	de	levar	água	para	ele
beber.	 Atualmente	 existem	 garrafinhas	 com	 potes	 embutidos	 para	 o	 cachorro
beber	água,	potes	dobráveis,	e	tem	também	cachorros	que	conseguem	beber	água
diretamente	 de	 uma	 garrafa,	 se	 você	 virá-la	 com	 cuidado	 na	 frente	 dele.	Uma
garrafinha	 com	 água	 para	 os	 cachorros	 é	 um	 acessório	 fundamental	 que	 dog
walker	nenhum	pode	viver	sem.
Uso	de	Coleiras	e	Guias
Agora	 que	 já	 falamos	 sobre	 a	 importância	 de	 se	 levar	 os	 cachorros	 para
passear,	e	sobre	os	cuidados	que	a	gente	precisa	tomar	para	que	eles	não	passem
mal	durante	o	passeio,	vamos	para	um	outro	assunto	fundamental.	Talvez	até	o
mais	 importante	no	que	se	 refere	à	prevenção	de	acidentes	com	cães:	o	uso	da
coleira	e	da	guia.	Existe	uma	infinidade	de	modelos	de	coleiras	e	de	guias.	Tem
coleiras	simples,	tem	os	colares,	peitorais,	tem	cabresto,	e	diversos	outros	tipos.
As	guias	podem	ser	de	nylon,	de	metal,	de	tecido,	e	de	muitos	outros	materiais.
Como	o	foco	deste	livro	não	é	o	adestramento	em	si,	não	entraremos	em	detalhes
aqui	 em	 relação	 a	 cada	 tipo	 de	 coleira	 ou	 de	 guia,	 que	 é	 um	 assunto	 muito
extenso.	Mas	 o	 que	 posso	 dizer	 é	 o	 seguinte:	 escolha	 uma	 coleira	 ou	 peitoral
para	o	seu	cão	que	seja	confortável	e	segura.	Uma	coleira	que	esteja	frouxa,	ou
certos	 tipos	 de	 peitoral,	 podem	 simplesmente	 escapar	 do	 cachorro	 durante	 um
passeio,	o	que	é	muito	perigoso.	E	também	tem	cachorros	que	são	especialistas
em	 se	 livrar	 de	 coleiras	 e	 peitorais,	 então	 você	 pode	 precisar	 testar	 vários
modelos	 com	 o	 seu	 cão	 até	 achar	 um	 que	 fique	 bem	 preso	 a	 ele,	 sem	 causar
desconforto.
Sobre	as	guias,	o	importante	é	que	sejam	fortes	o	suficiente	para	suportar
um	eventual	tranco,	ou	puxão	do	cachorro.	Então,	elas	têm	que	ser	proporcionais
ao	tamanho	dele.	Algumas	guias	de	nylon	são	muito	fininhas,	e	servem	só	para
cachorros	pequenos,	que	não	têm	muita	força.	Já	para	um	cachorro	grande	como
um	Rottweiller	ou	Dogue	Alemão,	você	vai	precisar	de	uma	guia	mais	grossa,	ou
uma	corrente.
Diante	 disso,	 muitas	 pessoas	 podem	 pensar:	 “mas	 o	 meu	 cachorro	 é
suuuuper	educado,	nem	precisa	dessas	coisas!	Anda	direitinho	ao	meu	 lado!	E
também,	 ele	 é	 tão	 pequenininho	 que	 fico	 com	 dó	 de	 colocar.”.	 E	 se	 você	me
disser	isso,	só	o	que	eu	posso	dizer	é:	pare	JÁ	com	isso.	Imediatamente,	não	faça
isso	NUNCA	MAIS!
E	você	que	está	 lendo,	 talvez	esteja	pensando.	“Nossa,	mas	que	exagero!
Eu	vou	continuar	deixando	o	meu	cachorro	sem	coleira,	nunca	aconteceu	nada.”.
Pois	bem.	Se	não	aconteceu	nada,	é	porque	não	aconteceu	nada	ATÉ	AGORA.
Não	significa	que	não	vá	acontecer.	Eu	me	 lembro	de	um	caso	de	uma	cliente
cujo	 Cocker	 frequentava	 a	 minha	 pet	 shop	 em	 Curitiba	 semanalmente,	 para
tomar	banho.	Por	morar	perto	da	loja,	a	tutora	costumava	levá-lo	caminhando,	e
sempre	sem	coleira,	apesar	dos	nossos	avisos	(meus	e	do	meu	marido,	meu	sócio
na	pet	shop).	Aquele	cachorro	era	um	amor,	muito	educado!	Mas	um	dia,	quando
saiu	para	passear	com	ele,	a	tutora	parou	para	conversar	com	uma	amiga	na	rua	e
se	distraiu.	O	cachorro	 também	se	distraiu,	e	continuou	andando.	Até	que	uma
menina	viu	o	bichinho	andando	sozinho,	achou	que	ele	estava	perdido,	e	o	levou
embora.	Não	demorou	para	a	tutora	aparecer	lá	na	loja	desesperada,	dizendo	que
tinha	perdido	o	cachorro.	Nós	dissemos	que	iríamos	fazer	o	possível	para	ajudá-
la,	e	ela	foi	embora.	A	sorte	foi	que	isso	tudo	aconteceu	perto	da	nossa	loja,	e	a
menina	que	levou	o	cão	passou	por	ali	e	anotou	o	nosso	número.	Então,	pouco
depois	 que	 a	 tutora	 dele	 foi	 embora,	 a	 menina	 nos	 ligou	 dizendo	 que	 tinha
encontrado	um	cão	exatamente	como	aquele	que	procurávamos.	O	meu	marido,
então,	pegou	o	carro,	 foi	até	a	casa	da	garota	para	buscá-lo,	e	devolveu	para	a
tutora.	Ela	ficou	extremamente	agradecida!	Foi	sorte	também	que	a	moça	que	o
encontrou	 se	 preocupou	 em	 devolvê-lo,	 muitas	 pessoas	 teriam	 simplesmente
roubado	um	cachorro	assim.	Mas	a	história	não	acabou	aí.	Depois	do	susto,	ela
comprou	 um	 colar	 de	 identificação	 para	 ele	 -	 o	 que	 é	 ótimo	 -	mas	 continuou
andando	 com	 ele	 sem	 coleira,	 porque	 ele	 era	 tão	 educado.	 O	 que	 aconteceu
naquele	dia	havia	sido	apenas	uma	pequena	distração,	um	“ponto	fora	da	curva”.
E,	quer	saber	o	que	aconteceu	na	continuação?	Menos	de	um	mês	depois	deste
episódio,	esse	mesmo	cão	morreu	atropelado.	Ele	 já	 tinha	8	anos,	e	nada	 tinha
acontecido	até	aquele	momento.	Mas,	depois,	aconteceu.	Acontece.
Quer	mais	um	exemplo	de	como	uma	coleira	com	guia	pode	salvar	o	seu
cachorro?	 Esse	 aconteceu	 comigo	 mesmo.	 Alguns	 anos	 atrás,	 eu	 tinha	 uma
Poodle,	a	Shana.	Um	dia,	eu	saí	para	passear	com	ela,	junto	com	a	minha	mãe.
Ela	 também	 era	 muito	 educada,	 mas	 eu	 sempre	 tomei	 o	 cuidado	 de	 mantê-la
usando	 uma	 peitoral	 com	 guia.	 Pois	 bem,	 naquele	 dia	 estávamos	 caminhando
numa	 rua	 bem	 tranquila,	 quando	 alguma	 coisa	 -	 até	 hoje,	 não	 sei	 dizer
exatamente	o	que	foi	-	me	fez	olhar	para	trás.	Talvez	fosse	o	som	da	respiração
do	outro	cachorro,	talvez	fosse	um	anjinho	da	guarda,	não	sei.	Mas	eu	olhei.	E	lá
estava	um	Pastor	Alemão,	em	posição	de	ataque,	com	os	olhos	fixos	na	minha
cadelinha.	Não	tive	tempopara	pensar,	foi	muito	rápido.	No	momento	em	que	vi
aquele	 cachorro	 naquela	 posição,	 não	 tive	 dúvida:	 puxei	 a	 minha	 cadela	 pela
guia	mesmo,	para	o	meu	colo.	Se	eu	fosse	me	abaixar	para	pegá-la,	ainda	que	ela
não	fugisse	pensando	que	era	brincadeira,	não	daria	tempo.	Eu	a	levantei	bem	a
tempo	de	 evitar	 o	 ataque	do	Pastor	Alemão,	 que	veio	 com	 tudo.	Alguns	botes
depois,	todos	direcionados	especificamente	para	a	minha	cadela,	ele	finalmente
parou.	E	apareceu	o	(ir)responsável	pelo	cão,	que	o	recolheu.
Duas	 lições	aí:	primeiro,	se	você	 tem	um	cachorro	-	e,	principalmente	se
ele	for	grande	e	agressivo	-,	cuide	para	que	ele	não	consiga	escapar	da	sua	casa.
Era	possível	 ver	 que	 a	 casa	onde	 aquele	Pastor	Alemão	morava	 até	 tinha	uma
área	grande	ao	 fundo,	 separada	por	um	portão	que	podia	 ser	 fechado.	Mas	ele
estava	aberto,	e	o	portão	da	 frente	da	casa	era	bem	baixo	 -	o	suficiente	para	o
cachorro	pular	por	cima	e	sair	avançando	nos	outros.	Faltou	eles	terem	cuidado
com	isso.	E	a	segunda	lição	é	que,	se	a	minha	cadela	estivesse	sem	guia,	eu	não
teria	 conseguido	 evitar	 o	 ataque,	 e	 ela	 com	 certeza	 teria	 morrido	 ali	 mesmo.
Aquele	 cachorro	 estava	 em	 modo	 de	 caça,	 ele	 estava	 determinado	 a	 pegá-la.
Dava	para	ver	que	o	foco	dele	estava	 todo	nela,	provavelmente	 teria	sido	mais
difícil	evitar	o	ataque	se	ele	tivesse	focado	em	mim	ou	na	minha	mãe.
Deu	 para	 entender	 porque	 é	 tão	 importante	 manter	 o	 seu	 cachorro	 com
guia	 e	 sob	 controle?	 Estou	 batendo	 nessa	 tecla	 porque	 este	 tema	 é	 MUITO
importante,	 e	porque	é	um	erro	muito	 comum,	que	 a	gente	vê	na	 rua	o	 tempo
todo,	mesmo	 com	 gente	 que	 gosta	muito	 dos	 seus	 cães.	Aliás,	 principalmente
com	 gente	 que	 gosta	 muito	 dos	 seus	 cães,	 a	 ponto	 de	 esquecer	 que	 eles	 são
cachorros	e	que	podem	agir	como	tal	a	qualquer	momento.	Então,	só	para	fechar
este	 assunto,	 vou	dar	 um	último	exemplo	bem	 rápido.	Este,	 na	verdade,	 não	 é
nem	uma	situação	específica,	mas	várias	 situações	que	 já	 aconteceram	comigo
repetidas	vezes,	que	é:	saio	para	passear	com	o	meu	cachorro,	que	é	um	Pit	Bull,
quando,	 de	 repente,	 surge	 um	 Pinscher	 muito	 valente	 querendo	 avançar	 nele.
Estou	falando	de	Pinscher,	mas	já	aconteceu	com	Poodle,	com	Schnauzer,	com
tudo	quanto	é	cachorro	pequeno.	Geralmente,	são	os	pequenos	que	andam	soltos
“porque	 são	 tão	 bonitinhos”.	 E	 daí	 a	 ferinha	 vem,	 avançar	 num	 Pit	 Bull.
Resultado?	Bom,	nesse	caso,	não	acontece	nada,	porque	o	Paxá	é	extremamente
paciente,	 e	 levanta	 a	 cabeça	 e	 conta	 até	10.	O	máximo	que	 acontece	 é	 o	 tutor
dele,	 que	 a	 essa	 altura	 já	 está	 branco	 de	 susto,	 desmaiar	 um	 pouquinho.	Mas
você	 não	 deve	 contar	 que	 todos	 os	 cachorros	 sejam	 iguais	 ao	 Paxá,	 alguns
podem	 não	 gostar	 de	 levar	 desaforo	 para	 casa.	 “Aaaaah,	mas	 se	 o	 cachorro	 é
agressivo,	ele	deveria	usar	focinheira”.	Provavelmente,	mas	vamos	combinar	que
a	gente	sabe	que	a	maioria	não	usa.	E	que	é	mais	fácil	evitar	uma	briga	de	cães
se	cada	tutor	mantiver	o	seu	cachorro	sob	controle.	Além	do	mais,	se	defender
não	é	ser	agressivo.
E	os	parques	de	cães?	Bem,	os	parques	de	cães	são	legais,	mas	sim,	podem
ser	perigosos	também.	Geralmente,	tem	uma	área	gramada	grande,	às	vezes	tem
uma	cerca,	e	o	risco	de	atropelamento,	por	exemplo,	 tende	a	ser	baixo.	Mas	as
brigas	 de	 cães	 acontecem,	 isso	 é	 fato.	A	pet	 shop	que	mencionei	 que	 eu	 tinha
ficava	 bem	 pertinho	 do	 Museu	 Oscar	 Niemeyer.	 E	 quem	 é	 de	 Curitiba,	 com
certeza	sabe	que	logo	atrás	deste	museu	fica	o	Parcão	–	o	parque	de	cães	mais
popular	da	cidade.	É	lindo	de	ver,	todos	aqueles	cachorros	brincando	juntos.	Mas
não	é	raro	dar	briga	ali.	Alguns	cães	saem	gravemente	feridos,	e	até	morrem!	O
problema	 é	 que	 nem	 todos	 os	 cães	 são	 bem	 socializados	 o	 suficiente	 para
frequentarem	este	 tipo	de	 lugar,	 e	 acaba	 faltando	um	pouco	de	bom	senso	dos
seus	 tutores.	 Se	 o	 seu	 cão	 tem	 algum	 tipo	 de	 agressividade,	 ou	 se	 você	 tem
dificuldade	 para	 mantê-lo	 sob	 controle,	 não	 o	 leve	 a	 um	 lugar	 desses.	 Estou
dizendo	 que	 ninguém	 nunca	 deve	 levar	 o	 seu	 cachorro	 a	 um	 parque	 de	 cães?
Não.	Mas,	se	 for	 levar,	primeiro	certifique-se	de	que	o	seu	cão	seja	realmente
sociável	e	que	você	consegue	controlá-lo	mesmo	se	ele	estiver	num	nível	alto	de
excitação.	Caso	contrário,	uma	opção	melhor	pode	ser	uma	creche	para	cães.	As
creches	para	cães	têm	o	detalhe	de	serem	pagas,	mas	são	mais	seguras	também,
por	 dois	motivos:	 Primeiro,	 porque	 geralmente	 se	 exige	 que	 todos	 os	 animais
sejam	 vacinados,	 desverminados	 e	 “despulgados”,	 o	 que	 é	 fundamental	 para
diminuir	 a	 chance	 de	 propagação	 de	 doenças;	 e,	 segundo,	 porque	 os	 cães	 são
separados	conforme	a	sua	capacidade	de	socialização,	e	são	supervisionados	por
profissionais.	 Alguns	 lugares	 separam	 também	 por	 tamanho.	 Então,	 pode	 ser
uma	forma	de	você	deixar	o	seu	cão	brincar	com	os	amiguinhos	de	forma	mais
segura.
Para	 finalizar,	 um	 último	 detalhe	 sobre	 coleiras	 e	 guias:	 coleira	 e	 guia
servem	para	levar	o	cachorro	para	PASSEAR.	Não	serve	para	prender	o	cachorro
em	 casa.	 Se	 você	 tem	 o	 hábito	 de	 deixar	 o	 seu	 cão	 preso	 na	 coleira	 em	 casa,
construa	uma	cerca,	um	muro,	ou	um	canil,	mas	não	o	deixe	preso	na	coleira.
Ficar	 preso	 assim	 é	 extremamente	 estressante	 para	 o	 cão.	 E,	 além	 do	 estresse
imposto	ao	animal,	existe	um	risco	grande	de	ele	se	enroscar,	e	até	se	enforcar
com	 a	 coleira!	 Estes	 enforcamentos	 acontecem	 principalmente	 quando	 o
cachorro	está	muito	assustado,	por	exemplo,	por	causa	de	fogos	de	artifício	ou
de	 trovões;	mas,	 mesmo	 sem	 estes	 sons,	 o	 enforcamento	 é	 um	 risco	 que	 está
sempre	presente.
Treinamento
Já	 sabemos	 então	 a	 importância	 da	 coleira	 e	 da	 guia.	 Mas,	 se	 o	 seu
cachorro	vai	andar	sempre	de	coleira,	é	preciso	adestrá-lo?
A	 princípio,	 um	 adestramento	 formal	 não	 é	 obrigatório.	 Pode	 ser	 muito
útil,	 mas,	 salvo	 alguns	 casos	 que	 vou	 mencionar	 em	 breve,	 você	 não	 precisa
adestrar	o	seu	cachorro	se	não	quiser.	Mas	precisa,	sim,	 treiná-lo	para	algumas
situações.	 Como	 caminhar	 corretamente	 com	 a	 coleira,	 por	 exemplo.	 Um
cachorro	 que	 puxa	 a	 guia	 durante	 o	 passeio	 está	 com	 problemas	 de
comportamento,	 e	 isso	 pode	 ter	 consequências	 sérias.	 Além	 de	 afetar	 a	 sua
posição	como	líder	da	matilha,	aumenta	bastante	o	risco	de	você	eventualmente
perder	o	controle,	e	o	seu	cão	sofrer	um	acidente.	Como	o	adestramento	não	é	o
foco	deste	livro,	não	entrarei	em	detalhes	em	relação	às	técnicas	que	podem	ser
usadas	para	corrigir	este	problema.	Caso	esteja	passando	por	isso	com	o	seu	cão,
você	pode	comprar	livros,	ou	assistir	a	vídeos	na	internet	que	ensinam	meios	de
fazer	este	treinamento.	Se	tiver	dificuldade	para	pôr	em	prática,	pode	ser	o	caso
de	 chamar	 um	 adestrador	 para	 te	 ajudar.	 Principalmente	 se	 o	 seu	 cachorro	 for
grande,	você	precisa	ter	em	mente	que	você	não	é	um	trenó:	o	cachorro	precisa
andar	ao	seu	lado,	e	não	te	puxando.	Nunca.
Um	outro	treinamento	que	eu	diria	que	é	essencial,	e	que,	a	princípio,	você
não	 precisa	 de	 adestrador	 para	 fazer,	 é	 ensinar	 o	 seu	 cão	 a	 permitir	 que	 você
mexa	 na	 comida	 dele,	 e	 que	 ele	 não	 pode	 pegar	 o	 que	 está	 na	 sua	 mão	 sem
permissão.	 Este	 treinamento	 é	 bem	 mais	 fácil	 de	 fazer	 quando	 o	 cachorro	 é
filhote,	e	também	é	mais	seguro	para	você,	especialmente	se	o	seu	cachorro	for
grande.	 E	 por	 que	 isso	 é	 importante?	 Porque,	 imaginemos,	 por	 exemplo,	 que
alguém	jogou	um	pedaço	de	carne	no	seu	quintal.	Ou	em	algum	lugar	por	onde
você	 esteja	 passando	 com	 o	 seu	 cão.	 E	 essa	 carne	 está	 envenenada.	 Se	 o	 seu
cachorro	for	possessivo	com	comida,	você	não	conseguirá	impedir	que	ele	coma
o	veneno.	Isso	independe	do	tamanho	do	cão,	já	que	todos	eles	são	muito	mais
rápidos	 do	 que	 nós,	 humanos.	 Então,	 ele	 precisa	 entender	 que,	 quando	 você
disser	 para	 nãopegar	 a	 comida,	 não	 é	 para	 pegar	 a	 comida.	 E,	 se	 pegar?	 Se
pegar,	 ele	 vai	 ter	 que	 largar	 sob	 comando.	Em	última	 instância,	 você	deve	 ser
capaz	de	colocar	a	mão	dentro	da	boca	do	seu	cão	e	tirar	a	comida	lá	de	dentro
sem	ser	mordido.	Mas,	antes	que	você	faça	isso	em	casa,	é	preciso	deixar	bem
claro:	eu	só	faço	isso	com	os	MEUS	cachorros.	Não	se	deve	tentar	tirar	comida
da	boca	de	cães	desconhecidos,	caso	se	pretenda	continuar	com	todos	os	dedos
nas	mãos.	Idealmente,	os	cães	devem	ser	treinados	desde	filhotes	para	aceitarem
isso.
Se	 o	 seu	 cachorro	 já	 for	 adulto,	 e	 fica	 agressivo	 quando	 alguém	 se
aproxima	 da	 comida	 dele,	 você	 precisa	 trabalhar	 nisso.	Não	 é	 bonitinho,	 nem
para	cães	pequenos.	Isso	faz	mal	para	o	cachorro,	podendo	deixa-lo	neurótico.	A
hora	 da	 refeição,	 ao	 invés	 de	 ser	 relaxante	 para	 ele,	 se	 torna	 um	momento	 de
estresse	e	tensão.	Se	ele	for	um	cachorro	grande,	existe	ainda	o	risco	de	que	ele
coma	tudo	muito	rapidamente	e	sofra	uma	torção	gástrica	(falaremos	mais	sobre
o	 tema	 no	 Capítulo	 7).	 Além	 disso,	 ele	 pode	 morder	 alguém,	 ou	 ingerir	 um
veneno	que	você	já	sabia	que	era	veneno,	mas	não	conseguiu	impedi-lo	porque
ele	 tentou	 te	morder.	 Caso	 esteja	 passando	 por	 este	 problema	 com	 o	 seu	 cão,
você	 pode	 procurar	 a	 solução	 em	 livros	 sobre	 adestramento,	 ou	 chamar	 um
adestrador.	Por	uma	questão	de	segurança,	um	adestrador	ou	um	especialista	em
comportamento	 canino	podem	ser	mais	 indicados	para	 corrigir	 o	problema	em
cães	adultos.	Para	filhotes,	é	bem	mais	simples.
Por	 fim,	 existe	 um	 tipo	 de	 adestramento	 que	 pode	 ser	 fundamental	 em
algumas	situações:	é	o	 treinamento	anti-envenenamento.	E,	para	esse,	você	vai
definitivamente	 precisar	 de	 um	 profissional.	 Não	 recomendo,	 em	 hipótese
alguma,	que	uma	pessoa	leiga	tente	fazer	isso	sozinha.	Este	tipo	de	adestramento
é	muito	sério,	e	deve	ser	muito	bem	feito.
O	 que	 é	 o	 treinamento	 anti-envenenamento?	 É,	 obviamente,	 um
treinamento	 que	 é	 feito	 para	 evitar	 que	 o	 cachorro	 seja	 envenenado.
Basicamente,	 o	 cão	 precisa	 aprender	 a	 recusar	 todo	 tipo	 de	 comida	 que	 seja
oferecida	 a	 ele,	 que	 não	 seja	 o	 “alimento	 certo”,	 e	 servido	 da	 forma	 correta.
Exatamente	qual	será	o	“alimento	certo”	ou	o	jeito	certo	de	servir,	pode	variar	de
um	 caso	 para	 o	 outro.	 O	 cachorro	 pode	 aprender,	 por	 exemplo,	 a	 só	 comer	 a
comida	que	esteja	no	 seu	pote.	E	em	nenhum	outro	 lugar.	Talvez	ele	 só	possa
aceitar	ração.	Existem	variações.	Mas	todo	cachorro	precisa	disso?	É	claro	que
não.	Você	 vai	 precisar	 treinar	 o	 seu	 cachorro	 para	 isso,	 por	 exemplo,	 se	 você
sabe	que	existe	um	risco	maior	de	alguém	querer	envenená-lo.	Por	exemplo,	por
causa	de	brigas	entre	vizinhos.	Cães	de	guarda	 também	precisam	desse	 tipo	de
treinamento,	para	não	serem	enganados	por	ladrões.	E	também,	os	cachorros	de
algumas	raças.	Os	Pit	Bulls,	por	exemplo,	têm	uma	fama	muito	ruim,	e	acabam
sendo	vítimas	 frequentes	de	envenenamento.	No	meu	consultório,	de	 longe,	os
Pit	 Bulls	 são	 campeões	 em	 envenenamentos.	 Já	 mencionei	 que	 um	 dos	 meus
cães,	o	Paxá,	é	um	Pit	Bull.	Então,	talvez	você	queira	me	perguntar:	“o	Paxá	tem
treinamento	 anti-envenenamento?	 ”	Não.	 Já	 pensei	 em	 fazer,	mas	 não	 fiz.	No
caso	do	Paxá,	que	não	é	um	cão	de	guarda,	eu	tomo	o	cuidado	de	não	deixá-lo
muito	visível	para	as	pessoas	que	passam	na	rua.	Você	pode	fazer	 isso	se	 tiver
uma	 área	 fechada	 nos	 fundos	 da	 sua	 casa,	 ou	 colocando	 um	 muro.	 Se	 você
conseguir	manter	o	seu	Pit	Bull	longe	da	vista	de	quem	está	andando	na	rua,	com
certeza	 vai	 conseguir	 diminuir	 muito	 as	 chances	 de	 que	 ele	 seja	 envenenado.
Estou	falando	sobre	Pit	Bulls	porque	são	a	“raça	da	moda”,	mas	preste	atenção,
pois	 qualquer	 vira-lata	 que	 tenha	 cabeça	 grande	 passa	 facilmente	 por	 Pit	 Bull
para	quem	não	entende	de	cachorro	-	então,	se	o	seu	cão	puder	de	alguma	forma
ser	confundido	com	um	Pit,	é	bom	tomar	cuidado.	Outras	raças	grandes,	ou	ditas
“agressivas”	 (não	que	necessariamente	sejam,	mas	 leve	em	conta	a	visão	geral
das	pessoas),	 também	precisam	de	um	cuidado	 extra.	Seja	 com	o	 treinamento,
seja	com	um	muro	que	os	deixem	menos	visíveis.
Alimentação
Independentemente	de	você	fazer	ou	não	o	 treino	anti-envenenamento	no
seu	 cachorro,	 há	 também	 alguns	 cuidados	 que	 você	 deve	 tomar	 com	 a
alimentação	do	 seu	cão.	A	primeira,	 e	mais	óbvia	delas,	 é	dar	um	alimento	de
qualidade.	E	o	que	é	um	alimento	de	qualidade?	Pode	ser	uma	boa	ração,	ou	uma
dieta	caseira	feita	sob	a	orientação	do	seu	veterinário.
Existem	inúmeras	marcas	de	ração,	e	não	é	o	nosso	foco	discutir	aqui	cada
uma	delas.	As	rações	chamadas	“Premium”	e	“Super	Premium”	são	as	melhores
–	e	este	tipo	de	ração	você	só	vai	encontrar	para	vender	em	pet	shops	e	em	boas
casas	de	produtos	agropecuários,	não	tem	em	supermercados.	Elas	têm	alto	nível
de	proteínas	de	qualidade,	deixam	a	pelagem	mais	bonita,	as	fezes	mais	firmes	e
com	menos	odor,	e	mantêm	o	cão	com	boa	saúde	de	forma	geral.	Mas,	se	você
não	 tiver	 dinheiro	 para	 comprar	 uma	 ração	 dessas,	 pode	 comprar	 as	 de
supermercado	também	-	a	maioria	delas	tem	uma	qualidade	razoável.	Mas,	por
favor,	 não	 compre	 “alimento	 para	 cães	 e	 gatos”	 vendido	 a	 granel,	 como	 já
encontrei	 certa	 vez	 numa	 agropecuária.	 Aliás:	 não	 compre	 ração	 vendida	 a
granel.	 Isso	é,	na	melhor	das	hipóteses,	um	chamariz	de	baratas	 e	 ratos.	Além
disso,	qualquer	vitamina	que	a	ração	possa	ter,	acaba	estragando	só	pelo	contato
com	o	ar.	E,	como	se	não	bastasse,	ao	entrar	em	contato	com	a	umidade	normal
do	 ambiente,	 a	 ração	pode	 fermentar.	 Seja	 como	 for,	 a	 ração	vendida	 a	 granel
tem	um	risco	alto	de	contaminação,	e,	portanto,	de	deixar	o	seu	cão	doente.	O
que	pode	 ser	 considerado	 aceitável	 nesse	 sentido	 são	 aqueles	 estabelecimentos
que	fracionam	a	ração	-	com	a	devida	higiene,	é	claro	-	em	pacotes	menores	para
serem	vendidos.	O	problema	disso	é	que,	se	você	não	conhecer	bem	a	ração	que
está	 comprando,	 pode	 acabar	 levando	 gato	 por	 lebre.	Mas	 se	 for	 uma	 loja	 de
confiança,	 que	 você	 saiba	 que	 fraciona	 as	 rações	 com	 todos	 os	 cuidados	 de
higiene,	pode	ser	uma	forma	de	comprar	ração	um	pouco	mais	barata.	O	ideal	é
sempre	 comprar	 o	 pacote	 fechado,	mas,	 como	 isso	 pode	 ficar	 um	 pouco	 caro
para	algumas	pessoas,	a	ração	fracionada	é	uma	alternativa	razoável.
Mas,	 mesmo	 comprando	 o	 pacote	 fechado,	 existem	 riscos,	 que	 são	 os
mesmos	 da	 ração	 comprada	 a	 granel.	Como	 assim?	Bom,	 você	 vai	 comprar	 o
pacote	 fechado,	 mas	 eventualmente	 irá	 abri-lo	 para	 poder	 alimentar	 o	 seu
cachorro,	certo?	Então,	você	precisa	cuidar	para	que	o	pacote	de	ração	aberto	na
sua	casa	não	vire	 também	um	chamariz	de	 ratos	e	baratas.	E	o	primeiro	passo
para	isso	é	comprar	um	pacote	de	tamanho	compatível	com	o	do	seu	cachorro.
Sim,	o	pacote	de	15Kg	é	proporcionalmente	mais	barato	do	que	o	de	1Kg	ou	o
de	3Kg,	mas	calcule	quanto	 tempo	o	seu	cachorro	vai	 levar	para	comer	aquilo
tudo.	 Comprar	 um	 pacote	 de	 15Kg	 de	 ração	 para	 um	 Pinscher	 é	 pedir	 para	 a
ração	estragar	antes	de	o	cachorro	conseguir	comer	tudo.	Uma	duração	boa	é	de
mais	ou	menos	um	mês.	Um	cão	de	grande	porte	(em	torno	de	30	Kg)	consome
em	média	 15Kg	 de	 ração	 por	mês,	 se	 ela	 for	 de	 qualidade.	 Para	 a	 ração	 não
estragar	 e	 não	 ficar	 exposta	 à	 contaminação	 nesse	 tempo,	 você	 precisa
acondicioná-la	do	jeito	certo	-	ou	seja,	num	recipiente	bem	fechado	e	protegido,
sem	 tomar	 sol	 ou	 umidade.	 A	 melhor	 coisa	 são	 aquelas	 caixas	 do	 tipo
Tupperware,	 que	 ficam	 bem	 fechadas	 e	 protegem	 bem.	 Para	 cães	 de	 grande
porte,	você	pode	usar	caixas	organizadoras	de	50	litros;	para	cachorros	menores
logicamente	 você	 pode	 usar	 caixas	 ou	 potes	menores.	Ocasionalmente,	 alguns
fabricantes	de	ração	dão	essas	caixas	como	brinde	-	e	geralmente	elas	são	muito
boas	 e	 bonitas.	O	que	 você	 nãopode	 fazer	 é	 deixar	 a	 ração	 no	 pacote	 aberto.
Nem	 fechado	 com	 grampo	 de	 roupa.	 Usar	 lata	 de	 lixo	 também	 não	 é	 legal
porque	não	veda	bem,	e	baratas	e	camundongos	conseguem	passar	pelas	frestas.
Alguns	 leitores	 talvez	 estejam	pensando	–	 “Ok,	 ratos	 e	 baratas	 são	meio
nojentos	 mesmo,	 mas	 se	 isso	 acontecer,	 vai	 ter	 algum	 problema	 para	 o	 meu
cachorro?	“	Vai,	sim.	Ele	pode	pegar	 todo	 tipo	de	 infecção	 intestinal,	e	o	pior:
leptospirose.	Vale	lembrar	que	leptospirose	não	é	doença	só	de	cachorro,	passa
para	a	gente	também,	e	pode	matar.	Tenha	em	mente	que,	se	tiver	rato	comendo
a	ração	do	seu	cachorro,	ele	também	deve	estar	bebendo	a	água	dele,	e	fazendo
ninho	na	sua	despensa.	É	risco	para	a	família	inteira.
Já	esclarecemos	então	que	a	ração	deve	ficar	guardada	dentro	de	uma	caixa
bem	 fechada.	Mas,	 e	 a	 ração	 que	 for	 servida	 para	 o	 cachorro?	Não	 atrai	 ratos
também?	Se	 ficar	 ali	 disponível	 o	 tempo	 todo,	 atrai	mesmo.	 E	 é	 por	 isso	 que
você	precisa	aprender	a	calcular	exatamente	quanta	ração	o	seu	cachorro	come,	e
definir	horários	para	as	refeições	dele.	Quando	digo	“calcular	a	ração”,	não	estou
dizendo	que	você	precisa	saber	exatamente	quantos	gramas	ele	come,	mas	tenha
uma	forma	de	medir	-	você	pode	usar	um	copo	de	requeijão	como	parâmetro,	por
exemplo.	 Quanto	 ele	 come	 cada	 vez?	 Meio	 copo?	 Um	 copo?	 Dois	 copos?
Coloque	 sempre	 aquela	 quantidade,	 sempre	 nos	mesmos	 horários,	 e,	 se	 sobrar
ração	depois	de	uns	dez	minutos,	 tire	o	resto	e	jogue	fora.	“Como	assim,	jogar
ração	assim	no	lixo?	Mesmo	se	o	cachorro	não	comeu?	”	Sim,	porque	essa	ração
já	 ficou	 exposta	 à	 contaminação	 e	 está	 fermentando.	 	 Se	 ele	 for	 comer	 mais
tarde,	 pode	 ter	 dor	 de	 barriga.	 E,	 se	 o	 seu	 cachorro	 estiver	 saudável,	 não	 se
preocupe	 se	 ele	 acabar	 pulando	 uma	 refeição	 ou	 outra	 por	 conta	 disso,
principalmente	 se	 ele	 não	 estiver	 acostumado	 a	 ter	 horários	 para	 se	 alimentar.
Ele	aprenderá	rapidamente	a	nova	rotina,	e	com	certeza	na	refeição	seguinte,	ele
vai	 comer.	O	 ideal	 é	 que	 nunca	 sobre	 ração	 no	 prato.	 Se	 você	 não	 sabe	 ainda
quanta	ração	dar,	coloque	a	quantidade	que	está	acostumado	a	pôr,	ou	a	indicada
na	 embalagem,	 e	 fique	 observando.	 Se	 sobrou	 ração,	 na	 próxima	 refeição,
coloque	menos.	Se	ele	comeu	tudo	e	continuou	cheirando	o	pote,	procurando	por
mais,	 coloque	um	pouco	mais.	Se	ele	 comeu	 tudo	e	 saiu	 tranquilo,	 então	você
deve	ter	acertado	a	dose.	Continue	dando	essa	quantidade.	Esse	cuidado	simples
com	a	ração	ajuda	a	prevenir	a	obesidade,	evita	que	o	cachorro	tenha	infecções
intestinais,	mantém	os	ratos	e	baratas	 longe,	e	ainda	regula	o	trânsito	 intestinal
do	seu	cão.
	
	
A	dieta	caseira	 também	é	uma	opção	muito	boa.	Mas	é	 fundamental	que
essa	dieta	caseira	tenha	sido	prescrita	pelo	veterinário	que	atende	o	seu	cão,	ou
por	 um	 nutricionista	 veterinário.	 Isso	 porque	 dar	 uma	 dieta	 caseira	 para	 um
cachorro	não	é	sinônimo	de	dar	restos	de	comida,	muito	pelo	contrário:	se	você
quiser	dar	comida	“de	verdade”	para	o	seu	cão,	 terá	que	cozinhar	para	ele.	As
necessidades	nutricionais	dos	cachorros	são	muito	diferentes	das	nossas,	e,	por
isso,	 mesmo	 que	 a	 sua	 família	 tenha	 uma	 alimentação	 saudável,	 isso	 não
significa	 que	 a	 comida	 que	 vocês	 comem	 irá	 nutrir	 bem	 o	 seu	 cachorro.	 Fora
isso,	 alguns	 cachorros	 não	 podem	comer	 determinados	 alimentos	 por	 conta	 de
eventuais	 doenças	 que	 eles	 possam	 ter.	 Nestes	 casos,	 a	 dieta	 vai	 ter	 que	 ser
adaptada.	Além	do	 fato	que	a	dieta	do	 seu	cachorro	deve	 ser	prescrita	por	um
profissional,	os	cuidados	de	higiene	devem	ser	os	mesmos	que	você	tem	com	a
sua	comida,	ou	seja:	use	sempre	alimentos	frescos,	limpos,	e	lave	as	mãos	antes
de	começar	a	preparar.	Quando	o	alimento	estiver	pronto,	você	deve	guardar	na
geladeira	ou	no	congelador.	Uma	 ideia	boa	para	poupar	 tempo	é	preparar	uma
quantidade	grande	de	alimento	e	separar	a	em	porções	 individuais,	congelando
tudo.	Basta	então	aquecer	na	hora	de	servir.	Para	quem	é	adepto	da	Alimentação
Natural,	 que	 é	 baseada	 em	 alimentos	 crus,	 os	 cuidados	 com	 a	 escolha	 dos
ingredientes	 e	 com	 a	 higiene	 devem	 ser	 redobrados.	 Não	 compre	 carnes	 de
fontes	 duvidosas,	 e	 que	 não	 tenham	 o	 selo	 de	 inspeção	 federal,	 estadual	 ou
municipal.	 Uma	 carne	 sem	 inspeção	 tem	 um	 alto	 risco	 de	 transmissão	 de
doenças,	tanto	para	você	quanto	para	o	seu	cachorro	-	por	isso,	não	compre.
E	 quais	 são	 os	 melhores	 horários	 para	 alimentar	 o	 seu	 cachorro?	 Os
melhores	horários	serão	aqueles	que	ficarem	bons	para	você,	que	se	encaixem	na
sua	 rotina	 sem	 que	 seja	 necessário	 ficar	 adiando	 ou	 adiantando	 com	 muita
frequência.	E,	pelo	menos,	duas	vezes	ao	dia.	Para	filhotes,	pelo	menos	3	vezes.
Alimentar	o	cão	uma	vez	ao	dia	dificulta	a	digestão	do	cachorro;	e,	se	ele	for	um
cão	de	“tórax	profundo”,	como	o	Fila,	o	Labrador,	e	outros	cães	de	grande	porte,
isso	 pode	 custar	 a	 vida	 dele.	 Quem	 já	 assistiu	 ao	 filme	 “Marley	 &	 Eu”
certamente	 se	 recorda	 do	 momento	 em	 que	 o	 Marley	 morre.	 Ele	 morreu	 por
conta	 de	 um	 problema	 bem	 comum	 entre	 cachorros	 grandes,	 que	 é	 a	 torção
gástrica.	Ao	 comer	muito	 rapidamente,	 o	 cachorro	 engole	 também	muito	 ar,	 o
estômago	 se	 dilata,	 e	 pode	 girar	 ao	 redor	 de	 si	 mesmo.	 É	 uma	 condição
extremamente	 dolorosa,	 e	 que	 leva	 à	morte	 rapidamente.	Alguns	 casos	 podem
ser	 resolvidos	 com	 cirurgia,	 como	 fizeram	 com	 o	 próprio	Marley,	 quando	 ele
teve	o	problema	pela	primeira	vez.	Mas,	muitas	vezes,	o	cão	pode	falecer	antes
mesmo	de	chegar	ao	veterinário.	Ou,	como	aconteceu	com	o	labrador	do	filme,	a
torção	 gástrica	 pode	 debilitar	 tanto	 o	 cão	 que,	mesmo	que	 ele	 chegue	 vivo	 ao
consultório	veterinário,	pode	não	haver	mais	nada	a	ser	feito.	Comer	uma	vez	ao
dia	não	é	a	única	causa	possível	para	o	problema,	não	tenho	a	informação	de	que
tenha	sido	este	o	caso	do	Marley.	Mas	o	fato	é	que	esta	é	uma	das	causas	mais
comuns.	O	 cão	 chega	 ao	 alimento	 tão	 faminto	 que	 come	 rápido	 demais	 -	 e	 o
resultado	é	devastador.
Agora,	se	você	já	alimenta	o	seu	cachorro	duas	ou	três	vezes	ao	dia,	e	ele
mesmo	 assim	 é	 muito	 afoito,	 existem	 alguns	 comedouros	 especiais,	 que	 têm
obstáculos	ou	bolinhas	dentro,	e	que	irão	obrigá-lo	a	comer	mais	devagar.	Pode
ser	 bem	 útil	 nesses	 casos.	Outra	 dica	 é	 evitar	 exercitar	muito	 o	 cachorro	 uma
hora	antes	ou	depois	da	refeição,	para	diminuir	a	chance	de	torção	gástrica.	Por
fim,	 um	 pequeno	 adendo:	 algumas	 doenças	 podem	 fazer	 com	 que	 o	 cão	 sinta
muito	mais	fome	do	que	o	normal.	Se	você	acredita	que	o	seu	cachorro	é	muito
“comilão”,	 e	está	 sempre	desesperado	para	 se	alimentar,	 fale	 sobre	 isso	com	o
seu	veterinário.
Alimentos	Tóxicos
Dando	continuidade	ao	 tema	da	alimentação,	 a	gente	 sabe	que	a	maioria
das	pessoas	costuma	dar	ração	para	os	seus	cachorros.	Mas	a	maioria	das	pessoas
também	gosta	de	fazer	um	“agradinho”	de	vez	em	quando,	dar	um	petisquinho,
certo?	Bom,	não	é	proibido	dar	alguma	coisinha	ou	outra	para	o	cachorro	de	vez
em	quando,	mas	você	precisa	tomar	o	cuidado	de	não	dar	nada	que	seja	tóxico
para	ele.	Combinado?
Para	 facilitar	 a	 sua	 “triagem”	 de	 alimentos	 e	 petiscos,	 preparei	 a	 lista	 a
seguir	com	alguns	dos	principais	alimentos	proibidos	para	cachorros.	Esta	 lista
não	 é	 exaustiva,	 existem	outros	 alimentos	 além	destes	que	 também	pode	 fazer
mal	aos	cães.	Se	estiver	na	dúvida	se	pode	dar	algo	para	o	seu	cachorro	comer	ou
não,	pergunte	ao	seu	veterinário.
•		Alho	(é	seguro	em	pequenas	quantidades)
•		Balas	e	chicletes	dietéticos	que	contenham	xilitol	(adoçante)
•		Bebidas	alcoólicas
•		Café
•		Carambola
•		Caroço	de	damasco,	caqui	ou	de	pêssego
•		Cebola	(risco	de	anemia	hemolítica)
•		Chá	preto
•		Chocolate	(risco	de	convulsões	e	arritmias	cardíacas)
•		Folhas	de	ruibarbo	e	de	tomate
•	 	Gorduras	das	carnes,	como	sobras	de	churrasco,por	exemplo	(risco	de
pancreatite)
•		Lúpulo
•		Macadâmia
•		Massa	crua	de	pão	ou	bolo
•		Ossos	de	aves	cozidos	(risco	de	lesões	e	hemorragias	intestinais)
•		Sementes	de	maçã	e	pêra
•		Uvas	e	passas	(risco	de	insuficiência	renal	aguda)
Plantas	tóxicas
Além	 de	 certos	 alimentos,	 existem	 também	 algumas	 plantas	 que	 podem
fazer	 muito	 mal	 ao	 seu	 cachorro.	 A	 maioria	 delas	 são	 plantas	 ornamentais.
Algumas	 são	 tóxicas	 por	 inteiro,	 e	 outras	 têm	 apenas	 algumas	 partes	 que	 são
tóxicas.	O	 copo	de	 leite	 é	 um	exemplo	bem	comum	de	planta	ornamental	 que
pode	ser	tóxica	para	cães.	Veja	abaixo	a	seguir	uma	lista	de	plantas	tóxicas	bem
comuns,	e	verifique	se	tem	alguma	delas	na	sua	casa.	Se	tiver,	você	pode	tomar	o
cuidado	de	mantê-la	num	vaso	longe	do	alcance	do	seu	cão,	pode	colocar	uma
cerca	ao	redor	da	planta,	se	for	no	quintal,	ou	pode	simplesmente	retirar	a	planta.
•		Arnica	(Arnica	montana)
•		Arruda	(Ruta	graveolens)
•		Azaléia	(Rhododendron	simsii)
•		Babosa	(Aloe	vera)
•		Beladona	(Atropa	belladona)
•		Buxinho	(Buxus	sempervires)
•		Copo	de	leite	(Zantedeschia	aethiopica	Spreng)
•		Coroa	de	Cristo	(Euphorbia	milii)
•		Espada	de	São	Jorge	(Sansevieria	trifasciata)
•		Espirradeira	ou	Oleandro	(Nerium	oleander)
•		Hera	(Hedera	macrophylla)
•		Hibisco	(Hibiscus	spp.)
•		Hortênsia	(Hydrangea	macrophylla)
•		Ficus	(Ficus	spp.)
•		Jasmin	manga	(Plumeria	rubra)
•		Lírio	(Lirium	spp.)
•		Maconha	(Cannabis	sativa)
•		Mamona	(Ricinus	communis)
•		Narcisos	(Narcissus	spp.)
•		Palmeira	sagu	(Cycas	revoluta)
•		Samambaias	(todas	as	espécies)
Objetos	Cortantes,	Pontiagudos,	e	Corpo	Estranho	Linear
Mas	será	que	os	únicos	riscos	na	nossa	casa	são	as	plantas	tóxicas	e	alguns
tipos	de	alimentos?	Na	verdade,	não.	Principalmente	para	os	 filhotes	e	aqueles
cachorros	mais	“enérgicos”,	é	preciso	 tomar	ainda	mais	cuidado	com	as	coisas
que	 temos.	 Que	 coisas?	 Todas	 elas.	 Um	 cachorro,	 principalmente	 filhote,	 vai
colocar	 virtualmente	 tudo	 na	 boca.	 A	 maioria	 dos	 adultos	 -	 com	 algumas
exceções	 -,	 perde	 essa	 mania,	 mas,	 com	 filhotes,	 esse	 risco	 é	 constante.	 Eles
comem	 tênis,	 brinquedos,	 meias,	 e	 qualquer	 outra	 coisa	 que	 esteja	 ao	 seu
alcance.	 Isso	 pode	 incluir	 também	 fios	 elétricos,	 agulhas,	 enfeites,	 inseticidas,
produtos	de	limpeza,	e	outras	coisas	bem	perigosas.
O	cuidado	que	você	precisa	tomar	é	de	manter	os	seus	pertences	longe	do
alcance	 do	 cão.	 E	 dar	 algo	 que	 ele	 possa	mastigar,	 como	 brinquedos	 próprios
para	 cães,	 e	 ossos.	 Exercitar	 o	 cão	 também	 diminui	 bastante	 este
comportamento,	 pois	 ele	 fica	 cansado	 e	 não	 precisa	 descontar	 a	 frustração	 e
energia	acumulada	nos	seus	sapatos.	Procure	esconder	os	fios	elétricos	e	deixá-
los	fora	do	alcance	do	seu	cão,	usar	calhas,	ou	qualquer	outra	forma	de	impedir	o
seu	acesso.	Se	 isso	não	 for	possível	em	certas	partes	da	casa,	 então	 restrinja	o
acesso	do	cão	a	esses	lugares	pelo	menos	quando	você	estiver	fora	e	não	puder
supervisioná-lo.	Para	fazer	 isso,	você	pode	usar	portõezinhos	de	segurança,	ou,
simplesmente,	 fechar	a	porta.	É	como	 ter	uma	criança:	 se	algum	 lugar	da	casa
oferecer	 um	 risco	 maior,	 então	 não	 podemos	 deixar	 que	 ela	 vá	 lá
desacompanhada.	 E,	 tal	 como	 devemos	 fazer	 também	 com	 crianças,	 tome
cuidado	com	panelas	e	objetos	quentes	na	cozinha.	Se	houver	uma	panela	quente
em	cima	do	fogão,	certifique-se	de	que	o	cabo	esteja	virado	para	dentro.	Assim,
o	cão	não	conseguirá	derrubá-la	se	pular	ou	tentar	alcançar	com	o	focinho.
Em	relação	às	 lixeiras,	 fique	atento	principalmente	quando	for	 jogar	 fora
restos	 de	 frango.	 Os	 cachorros	 sentem	 uma	 atração	 fatal	 por	 frango,	 é	 quase
irresistível	para	eles.	E,	dada	a	oportunidade,	eles	 irão	mexer	 lá	para	 recuperar
essa	preciosidade	que	você	descartou.	A	não	ser	que	já	esteja	podre,	o	frango	em
si	até	não	é	um	grande	problema,	mas	os	ossinhos,	sim.	Ossos	de	frango	assados
ou	cozidos	são	extremamente	perigosos!	Quando	estes	ossos	se	quebram,	eles	o
fazem	 em	 forma	 de	 bisel	 -	 ou	 seja,	 de	 agulha.	 E,	 uma	 vez	 engolidos,	 passam
literalmente	 rasgando	 o	 intestino	 do	 animal.	O	 sinal	 de	 que	 algo	 deu	 errado	 é
quando	encontramos	o	cão	pálido	e	debilitado,	e	uma	trilha	de	sangue	pela	casa.
Hora	de	correr	para	o	veterinário!
O	lixo	pode	conter	ainda	outras	ameaças,	 tais	como	alimentos	estragados
ou	 contaminados,	 restos	 de	 produtos	 de	 limpeza,	 vestígios	 de	 inseticidas,	 e
objetos	que	podem	causar	engasgos	ou	ferimentos.	Procure	manter	a	sua	lixeira
sempre	 fechada	 e	 fora	 do	 alcance	 do	 seu	 cão,	 para	 que	 a	 busca	 dele	 por
“iguarias”	não	acabe	se	transformando	em	uma	tragédia.
Mesmo	aqueles	objetos	mais	comuns	que	os	cachorros	comem	quando	são
filhotes	 podem	 também	 causar	 grandes	 estragos.	 As	 meias	 são	 os	 principais
exemplos	 disso.	 Na	 verdade,	 meias,	 tecidos,	 fios,	 e	 outros	 objetos	 mais
alongados,	podem	se	transformar	no	chamado	“corpo	estranho	linear”.	O	corpo
estranho	linear	é	alguma	coisa	-	linear,	ou	alongada,	como	o	nome	já	diz	-,	que
se	aloja	no	intestino	do	cachorro,	acompanhando	parte	do	seu	trajeto.	O	grande
problema	 é	 que	 ele	 faz	 então	 com	que	o	 intestino	 comece	 a	 se	 enrugar,	 assim
como	acontece	com	bolsas	que	 são	 fechadas	com	cordões.	Além	de	 impedir	o
trânsito	 intestinal,	 dependendo	 da	 forma	 como	 ele	 ficou,	 ele	 pode	 impedir
inclusive	 a	 circulação	 sanguínea.	 Isso	 pode	 acontecer	 tanto	 no	 meio	 do	 trato
digestivo,	 como	 na	 hora	 em	 que	 o	 cão	 for	 defecar.	 Por	 conta	 disso,	 se	 você
perceber	que	o	seu	cão	está	tentando	defecar,	mas	há	um	pedaço	de	tecido	ou	um
cordão	 que	 está	 com	dificuldade	 de	 sair,	 não	 puxe.	 Se	 puxar,	 corre	 o	 risco	 de
lesar	 seriamente	 o	 intestino	 dele.	 No	 capítulo	 sobre	 problemas	 digestivos,
voltaremos	a	este	tópico	para	que	você	saiba	o	que	fazer	numa	situação	dessas.
Cuidados	no	Banho	e	Tosa	e	Consultório	Veterinário
Um	outro	ponto	crucial	na	prevenção	de	acidentes	com	cães	é	na	hora	do
banho.	 E	 isso	 vale	 especialmente	 para	 o	 banho	 e	 tosa!	 As	 dicas	 a	 seguir	 são
fundamentais	 para	 tosadores	 e	 banhistas,	 assim	 como	para	 aqueles	 tutores	 que
levam	os	seus	cães	a	pet	shops	para	tomar	banho.
Em	primeiro	lugar,	as	gaiolas.	A	maioria	das	pet	shops	com	banho	e	tosa
usa	gaiolas	para	colocar	os	cachorros.	Tudo	bem,	nem	sempre	tem	como	evitar.
Só	 que	 é	 importante	 que	 as	 gaiolas	 estejam	 limpas	 e	 desinfetadas,	 tenham
tamanhos	 apropriados	 para	 cada	 tipo	 de	 cachorro,	 e,	 principalmente,	 que	 as
grades	tenham	um	espaçamento	compatível	com	o	seu	tamanho.	E	que	estejam
inteiras,	 para	 não	 perfurar	 ou	 cortar	 nenhum	 bicho.	 Os	 cachorros	 pequenos
podem	 prender,	 e	 até	 quebrar	 as	 patas,	 se	 o	 espaço	 entre	 as	 grades	 for
inadequado	 para	 eles.	 E,	 se	 o	 espaçamento	 for	 grande	 demais,	 podem	 até
escapar!	Então,	 antes	 de	 colocar	 um	cachorro,	 principalmente	 pequeno,	 dentro
de	uma	gaiola,	verifique	se	por	acaso	não	tem	perigo	de	ele	prender	uma	patinha
ali.	 Se	 tiver,	 forre	 com	 jornais,	 com	 um	 cobertor,	 ou	 tire	 a	 grade	 e	 deixe	 o
cachorro	 diretamente	 em	 cima	 da	 bandeja,	 se	 ela	 for	 forte	 o	 suficiente	 para
suportar	 o	 peso	 dele.	 Isso	 evita	 estresse	 para	 o	 animal,	 e	 uma	 conversa
constrangedora	entre	o	tosador	ou	o	banhista	e	o	tutor,	na	hora	de	devolver	um
cão	que	foi	ferido	pela	gaiola.
Por	falar	em	tamanho	de	grades,	um	item	que	não	pode	faltar	em	qualquer
pet	shop	com	banho	e	tosa	é	um	portãozinho	de	segurança	para	evitar	fugas.	Tem
cães	que	pulam	da	mesa,	que	fogem	da	gaiola,	que	ficam	estressados	demais	em
gaiolas,	enfim.	que	atire	a	primeira	pedra	o	tosador	que	nunca	teve	um	cachorro
circulando	na	sua	área	de	banho	e	tosa.	Então,	um	o	portãozinho	de	segurança	é
um	 investimento	 barato,	 necessário,	 e	 que	 poupa	 a	 todos	 de	 vários	 estresses	 e
constrangimentos.	 Como	 mencionei,	 existem	 cães	 que	 sãomuito	 pequenos
mesmo,	 a	 ponto	 de	 conseguirem	 escapar	 de	 gaiolas.	 Se	 for	 o	 caso,	 tenha	 pelo
menos	uma	gaiola	com	tela	na	sua	pet	shop,	para	evitar	que	eles	fujam.	Para	um
cãozinho	 que	 conseguiu	 passar	 pelas	 grades	 da	 gaiola,	 passar	 pelo	 portão	 de
segurança	vai	ser	moleza.
Na	 hora	 do	 banho,	 cuidado	 com	 a	 temperatura.	 Procure	 usar	 uma	 água
morna,	que	seria	agradável	para	um	banho	“de	humanos”.	Não	corra	o	risco	de
queimar	o	 seu	cachorro,	ou	o	do	 seu	cliente,	 com	água	muito	quente,	ou	pior:
causar	uma	hipotermia	porque	a	água	estava	gelada!	Além	do	risco	de	realmente
causar	danos	à	 integridade	 física	do	cão,	 se	a	água	estiver	muito	 fria	ou	muito
quente,	pode	ter	certeza	de	que	ele	 irá	passar	o	banho	todo	se	debatendo.	Você
pode	 levar	 uma	 mordida,	 e	 o	 cachorro	 pode	 ficar	 com	 trauma	 de	 banho.
Principalmente	se	você	perder	a	paciência	com	ele.
Paciência	 é	 um	 pré-requisito	 fundamental	 para	 quem	quer	 trabalhar	 com
cães.	Pessoas	que	se	irritam	com	facilidade	com	cães	que	ficam	muito	agitados
ou	que	 tentam	escapar	 do	banho,	 não	deveriam	 trabalhar	 com	banho	 e	 tosa.	É
como	 trabalhar	 com	 crianças	 pequenas:	 elas	 podem,	 e	 ocasionalmente	 irão,	 te
tirar	 do	 sério.	 E	 é	 preciso	 ter	 paciência,	 toda	 a	 paciência	 do	 mundo.	 Se	 uma
professora	de	pré-escola	bate	em	uma	criança,	logo	essa	pessoa	não	deveria	estar
trabalhando	com	crianças.	Da	mesma	 forma,	quem	 trabalha	com	cães	e	decide
agredi-los	 fisicamente	 para	 descontar	 a	 sua	 frustração,	 deve	 definitivamente
repensar	a	sua	profissão.	Cães	no	banho	e	tosa	irão	“testar”	os	seus	tosadores	e
banhistas.	Alguns	cachorros	gostam	de	banho,	mas	outros,	não.	E	bater	num	cão
que	 não	 gosta	 de	 banho	 não	 vai	 fazer	 com	 que	 ele	 passe	 a	 gostar,	 posso	 te
prometer.	Muito	pelo	contrário:	se	ele	apanhar	uma	vez,	na	próxima	-	se	é	que
ele	vai	voltar	-,	ele	estará	muito	mais	nervoso,	e	muito	mais	propenso	a	querer
lutar,	ou	até	mesmo,	morder.
À	exceção	de	alguns	“profissionais”	que	batem	em	cães,	a	pior	coisa	que
pode	acontecer	no	banho	e	tosa	é	a	chamada	“estufa”.	Os	tosadores	e	banhistas
certamente	 já	 conhecem	 o	 termo.	 Para	 quem	 não	 conhece,	 vou	 explicar
resumidamente.	 Como	 secar	 os	 cachorros	 pode	 ser	 algo	muito	 demorado,	 e	 a
rotina	nas	pet	shops	às	vezes	é	bem	corrida,	alguns	tosadores	–	felizmente,	cada
vez	menos	-	colocam	os	cães	dentro	de	um	ambiente	fechado	e	sem	ventilação,
como	uma	gaiola	toda	coberta	com	toalhas.	E	em	seguida,	ligam	um	secador	lá
dentro,	 para	 automatizar	 o	 processo	 de	 secagem.	Geralmente,	 fazem	 isso	mais
com	animais	de	pelo	curto,	que	não	precisam	ser	escovados	ou	desembolados.
Isso	é	praticamente	uma	máquina	de	matar	cachorros.	Se	algum	tosador	ou
banhista	 já	 usou	 a	 técnica	 e	 não	matou	 nenhum	ainda,	 foi	 por	 sorte.	Mas	 esta
prática	precisa	ser	banida.	Já	falamos	sobre	a	intermação	durante	os	passeios,	ou
dentro	de	carros	fechados	em	dias	quentes.	Pois	esta	estufa	é	uma	das	melhores
formas	 de	 se	 causar	 intermação	 num	 cachorro.	 Alguns	 tosadores/banhistas
chegam	a	argumentar	que,	a	cada	X	minutos,	“dão	uma	olhadinha”	para	ver	se
está	tudo	bem.	A	verdade	é	que	eles	“dão	uma	olhadinha”	para	ver	se	o	cachorro
está	seco.	Sem	dúvida,	o	cão	estará	ofegante,	já	que	fica	muito	quente	dentro	da
“estufa”.	Para	que	ele	entre	em	intermação,	bastam	mais	alguns	minutos.	Caso
seja	 preciso	 perder	mais	 tempo	 para	 secar	 um	 cachorro	 ou	 outro,	 então	 perca
mais	tempo.	Certamente	os	clientes	preferem	esperar	um	pouquinho	a	mais	para
poderem	pegar	de	volta	os	seus	cachorros	vivos.
Devo	ressaltar	que	estou	falando	sobre	as	estufas	improvisadas,	que	muitos
tosadores	e	banhistas	usam.	As	máquinas	de	 secar	cachorro	 são	diferentes,	 e	a
maioria	delas	são	seguras.	As	máquinas	de	secar	usam	vento	com	pressão	para
secar	o	animal,	e	este	vento	pode	ou	não	ser	aquecido.	O	melhor	é	que	não	seja
aquecido,	principalmente	em	 lugares	quentes;	mas,	 se	 for,	 é	 importante	 ter	um
termostato.	A	gaiola	deve	ficar	num	lugar	ventilado,	nunca	fechada	com	toalhas,
e	 o	 uso	 deve	 ser	 supervisionado	 o	 tempo	 todo.	 Pode	 eventualmente	 ser	 uma
opção	para	os	cachorros	que	não	permitem	muita	manipulação	e	para	gatos.	Por
outro	 lado,	 se	 a	 secadora	 usar	 aquecimento,	 ela	 deve	 ser	 evitada	 para	 cães
braquicefálicos	(de	focinho	curto)	ou	aqueles	que	tenham	uma	tendência	maior	à
intermação,	por	conta	de	doenças.
Uma	forma	segura	de	secar	os	cães,	mas	que	é	um	pouco	mais	demorada,	é
a	 secagem	 tradicional	 –	 com	 o	 uso	 do	 secador	 e	 do	 assoprador,	 mantendo	 o
animal	em	cima	da	mesa	de	tosa.	Enquanto	o	assoprador	pode	ser	aproximado	da
pele	sem	maiores	problemas,	o	secador	deve	ser	mantido	a	uma	distância	segura
e	movimentado	frequentemente,	para	que	o	calor	não	se	concentre	em	uma	única
área.	Para	evitar	queimaduras,	mantenha	a	sua	mão	sempre	no	foco	do	secador,
de	modo	 que	 possa	 sentir	 a	 temperatura.	 Se	 estiver	 quente	 demais	 para	 a	 sua
mão,	afaste	o	secador	e	movimente-o	para	outra	parte	do	corpo.
Enquanto	 o	 cão	 é	 mantido	 sobre	 a	 mesa	 de	 tosa	 para	 a	 secagem/
escovação,	 ele	 não	 deve	 ser	 deixado	 sozinho	 ou	 sem	 supervisão	 em	momento
algum.	Ele	pode	decidir	pular	da	mesa	ou	cair	dela,	se	estiver	distraído.	Ao	cair,
ele	pode	fraturar	membros	e	até	mesmo	sofrer	hemorragias	 internas.	A	guia	da
mesa	de	 tosa	não	deve	 ser	usada	como	 forma	de	contenção	para	manter	o	cão
sobre	a	mesa,	mas	apenas	como	auxílio	no	momento	de	posicioná-lo	para	a	tosa.
Se	a	guia	for	usada	sem	supervisão,	uma	possível	queda	fica	ainda	mais	grave,
pois	 há	 risco	 de	 estrangulamento.	 Use	 a	 guia	 com	 cautela,	 e	 mantenha-se	 o
tempo	todo	próximo	da	mesa	quando	houver	um	cão	sobre	ela.	Para	não	precisar
se	 afastar	 da	 mesa,	 use	 uma	 mesa	 auxiliar	 ao	 seu	 lado	 para	 deixar	 todos	 os
instrumentos	 necessários	 ao	 seu	 alcance.	 Algumas	mesas	 de	 tosa	 já	 vêm	 com
gaveteiros	e/ou	bandejas	com	essa	finalidade.
A	 higiene	 do	 banho	 e	 tosa	 é	mais	 um	 quesito	 importante	 para	manter	 a
segurança	e	o	bem-estar	de	humanos	e	cães.	Um	ambiente	com	alta	concentração
de	 animais	 e	 constante	 circulação	 é	 extremamente	 propício	 à	 disseminação	 de
doenças	e	parasitas,	especialmente	se	não	forem	tomados	os	devidos	cuidados	de
limpeza	e	desinfecção.	Todas	as	gaiolas,	banheiras,	mesas	e	 superfícies	devem
ser	 limpas	e	desinfetadas	após	cada	uso.	As	 toalhas	devem	ser	 lavadas	sempre
com	 agentes	 desinfetantes	 (como	 água	 sanitária),	 sendo	 que	 deve	 haver	 no
mínimo	uma	toalha	limpa	disponível	para	cada	animal	(não	raro,	um	cão	acaba
usando	mais	de	uma	 toalha).	Os	 instrumentos	 também	devem	ser	higienizados
entre	 um	 uso	 e	 outro,	 para	 que	 não	 haja	 transmissão	 de	 parasitas	 e	 infecções
entre	os	cães.
Por	fim,	é	preciso	haver	um	cuidado	especial	também	ao	permitir	a	entrada
de	alguns	animais	em	estabelecimentos	de	banho	e	tosa.	Filhotes	não	vacinados,
a	princípio,	não	devem	frequentar	estes	 locais.	É	uma	medida	prudente	apenas
permitir	no	banho	e	tosa	aqueles	filhotes	que	já	tenham	tomado	todas	as	vacinas
básicas,	 para	 que	 eles	 não	 adoeçam.	 Devido	 à	 grande	 quantidade	 de	 cães
circulando	nestes	ambientes,	existe	uma	boa	chance	de	que	um	filhote	possa	ser
contaminado	com	alguma	doença	durante	a	sua	estadia.
No	outro	extremo,	cães	doentes	ou	recém-resgatados	podem	transmitir	as
suas	 doenças	 e	 parasitas	 aos	 demais.	 Se	 inevitável	 for,	 tanto	 filhotes	 não
vacinados	quanto	cães	doentes	ou	recém-resgatados	apenas	devem	ser	admitidos
em	estabelecimentos	de	banho	e	 tosa	 se	os	 seus	 tutores	ou	protetores	puderem
aguardar	 o	 banho	 para	 poderem	 levá-los	 para	 casa	 assim	que	 ficarem	prontos.
Todos	 os	 equipamentos,	 instrumentos,	 e	 superfícies	 que	 entrarem	 em	 contato
com	 um	 animal	 doente	 devem	 ser	 higienizados	 e	 desinfetados	 imediatamente.
Estas	 são	 medidas	 que	 visam	 à	 preservação	 da	 saúde	 de	 todos	 os	 cães	 que
frequentam	o	local.Vacinação	e	check-ups	regulares
Pensando	na	saúde	dos	animais,	é	recomendável	que	todo	cachorro	adulto,
normal	e	saudável,	seja	levado	ao	consultório	veterinário	pelo	menos	uma	vez	ao
ano.	 Isso	 considerando	 que	 ele	 não	 fique	 doente,	 é	 claro.	 Nessa	 consulta	 de
rotina,	o	veterinário	vai	examinar	o	cão,	pesar,	e	verificar	se	ele	está	realmente
saudável.	 Normalmente,	 é	 também	 nessa	 consulta	 anual	 que	 são	 feitas	 as
vacinas.	 Um	 cachorro	 idoso,	 idealmente,	 deve	 fazer	 um	 check-up	 semestral,
porque	os	velhinhos	podem	ter	doenças	crônicas	que	devem	ser	detectadas	bem
no	princípio	para	poderem	ser	 tratadas	com	mais	 sucesso.	As	vacinas,	no	caso
dos	 idosos,	 normalmente	 continuam	 sendo	 anuais.	 Poucas	 vacinas	 são
semestrais.	 A	 da	 leptospirose,	 por	 exemplo,	 é	 uma	 delas.	 Mas	 você	 só	 deve
vacinar	o	seu	cão	semestralmente	contra	a	leptospirose	se	houver	um	alto	risco
de	que	ele	pegue	essa	doença,	justificando	assim	a	vacinação.	Se	você	morar	no
15º	andar,	provavelmente	não	será	necessário.
Alguns	leitores	podem	dizer:	“não	é	necessário,	mas	é	bom,	né?	”	Bom,	há
controvérsias.	As	vacinas	são	muito	importantes,	e	você	sem	dúvida	deve	manter
os	 seus	 animais	 vacinados.	 Mas	 vacinação	 em	 excesso	 também	 não	 é	 boa.
Vacina	também	tem	feito	adverso.	Inclusive,	a	vacina	da	leptospirose	é	uma	das
que	mais	causa	reações	adversas	-	e	até	por	isso	a	vacinação	semestral	contra	a
leptospirose	só	deve	ser	feita	para	cães	que	vivem	em	áreas	de	risco.	E	mesmo	a
vacinação	anual	para	a	maioria	das	doenças	já	vem	sendo	questionada.	Hoje	em
dia	muito	se	fala	sobre	o	fenômeno	da	supervacinação,	que	tem	sido	relacionada
a	diversos	problemas	autoimunes,	alérgicos,	e	até	mesmo	à	falência	renal.	Este
assunto	é	muito	extenso	para	discutirmos	em	um	livro	sobre	primeiros	socorros,
cujo	foco	não	é	especificamente	a	vacinação.	No	meu	livro	“Meu	Cão	Velhinho
–	 Um	 Guia	 Para	 Tutores	 e	 Amigos”,	 que	 deverá	 ser	 publicado	 em	 breve
(verifique	se	já	foi	lançado	no	momento	em	que	você	está	lendo	esse	livro),	este
tema	 é	 discutido	 com	 um	 pouco	 mais	 de	 profundidade.	 Por	 ser	 algo	 tão
polêmico,	 fiz	questão	de	 incluir	um	capítulo	 inteiro	com	 tudo	o	que	os	 tutores
precisam	saber	sobre	vacinação	para	tomarem	decisões	bem	informadas,	seja	na
hora	 de	 vacinar	 filhotes,	 seja	 na	 hora	 de	 vacinar	 cães	 adultos	 ou	 idosos.	Mas,
para	 mantermos	 o	 foco	 atual,	 que	 é	 aprender	 a	 prevenir	 e	 também	 a	 abordar
emergências	que	possam	acontecer	 com	os	nossos	 cães,	 o	que	posso	dizer	por
hora,	 é:	 vacine.	 Mas	 também	 questione.	 Sempre	 pergunte	 ao	 seu	 veterinário
porque	está	dando	esta	ou	aquela	vacina,	e	procure	realmente	compreender,	ao
invés	 de	 simplesmente	 dar	 ao	 seu	 cão	 toda	 nova	 vacina	 que	 aparecer	 no
mercado.	 Já	 existem	 exames	 de	 sangue	 que	 podem	 ser	 feitos	 para	 saber	 se	 o
cachorro	 ainda	 tem	 imunidade	 para	 algumas	 doenças	 ou	 não.	 Conforme	 o
resultado	 deste	 exame	 -	 se	 o	 seu	 cão	 ainda	 for	 imune,	 no	 caso	 -,	 pode	 ser
totalmente	plausível	adiar	uma	dose	de	vacina	com	muita	segurança.	Não	é	uma
medida	 para	 economizar	 dinheiro,	 já	 que	 os	 preços	 da	 vacina	 e	 do	 exame	 de
sangue	são	bem	parecidos.	É	uma	medida	para	evitar	a	vacinação	excessiva.
Agora,	 já	 que	 estamos	 falando	 sobre	 vacinar	 ou	 não,	 e	 sobre	 a
supervacinação,	eu	preciso	fazer	um	alerta.	Já	ouvi	muitas	pessoas	dizendo	que
“a	raiva	 já	 foi	erradicada	do	Brasil”,	mas	não	foi.	E	não	está	nem	perto	de	ser
erradicada.	 A	 maioria	 dos	 casos	 de	 raiva	 é	 transmitida	 por	 morcegos,	 mas
existem	casos	 recentes	de	 cães	 e	 gatos	 com	 raiva.	Não	muito	 tempo	atrás,	 um
menino	faleceu	no	Nordeste	por	causa	de	raiva	transmitida	por	cachorro.	A	raiva
não	 tem	 cura,	 é	 uma	 doença	 grave	 e	 fatal	 tanto	 para	 humanos	 quanto	 para	 os
animais,	e	está	disseminada	no	país	inteiro.	Não	é	só	em	determinadas	regiões,
ou	 em	 áreas	 rurais,	 que	 existem	 morcegos:	 eles	 também	 estão	 nas	 grandes
cidades,	 inclusive	 do	 Sul	 e	 do	 Sudeste.	 O	 que	 acontece	 é	 que	 a	 maioria	 das
pessoas	não	os	vê,	mas	eles	estão	lá.	É	importante	saber	também	que	não	são	só
os	morcegos	hematófagos	-	aqueles	que	chupam	sangue	-	que	transmitem	raiva.
Qualquer	tipo	de	morcego	pode	transmitir.	Poucos	anos	atrás,	houve	um	caso	de
um	 gato	 que	 morava	 num	 apartamento	 em	 São	 Paulo	 -	 capital	 -,	 e	 que	 foi
contaminado	 por	 um	 morcego	 frugívoro	 (que	 se	 alimenta	 primariamente	 de
frutas)!	 Se	 um	 morcego	 invade	 uma	 casa	 ou	 apartamento,	 tanto	 cães	 quanto
gatos	podem	decidir	 caçá-lo.	Ocorre	uma	briga	entre	os	animais,	 e	o	 resultado
acaba	 sendo	 a	 contaminação	 de	 um	 animal	 de	 companhia	 pelo	 vírus	 da	 raiva.
Então,	independentemente	de	você	viver	na	cidade	ou	no	campo,	em	casa	ou	em
apartamento:	mantenha	as	vacinas	antirrábicas	do	seu	cachorro	sempre	em	dia.
Para	finalizar	o	capítulo	de	prevenção	de	acidentes,	não	podemos	deixar	de
mencionar	a	castração.	Mas	castrar	um	cachorro	pode	ajudar	a	prevenir	acidentes
e	emergências?	Sim.
A	 castração	 dos	 machos	 diminui	 a	 agressividade	 ligada	 ao	 sexo	 e	 a
dominância.	Isso	não	quer	dizer	que	um	cachorro	agressivo	vai	se	tornar	dócil	só
porque	 foi	 castrado,	 mas	 que	 ele	 vai	 deixar	 de	 disputar	 fêmeas	 com	 outros
machos,	inclusive	os	humanos.	E	isso	vai	diminuir	brigas	com	outros	cachorros,
dentro	ou	fora	de	casa,	principalmente	nas	ocasiões	em	que	houver	uma	fêmea
no	 cio	por	perto.	Diminui	 também	casos	de	 abandono:	Os	 comportamentos	de
cães	 que	 se	 agarram	 às	 pernas	 das	 pessoas	 fazendo	 atos	 libidinosos,	 ou	 que
pulam	 no	 colo	 das	 tutoras	 sem	 deixar	 que	 outros	 (humanos	 ou	 cães)	 se
aproximem	dela	causam	incômodo	e	irritação	em	muita	gente.	Em	alguns	casos,
o	 suficiente	 para	 que	 a	 pessoa	 decida	 abandonar	 o	 seu	 animal.	 Na	 realidade,
estes	comportamentos	são	dominantes,	e	servem	para	mostrar	que	quem	manda	é
o	 cão.	Não	 é	que	o	 cachorro	que	 está	 se	 agarrando	 às	pernas	das	pessoas	 seja
tarado:	 ele	 é	 dominante.	O	 que	 ele	 precisa,	 na	 verdade,	 é	 de	 um	 líder.	Mas	 a
castração	ajuda	a	melhorar,	porque	diminui	a	dominância.	Com	isso,	pode	ficar
um	pouco	mais	fácil	de	corrigir	esses	problemas	de	agressividade	ligada	ao	sexo
e	de	se	agarrar	às	pernas	das	pessoas.
No	caso	das	fêmeas,	a	castração	previne	tumores	de	mama,	principalmente
quando	 feita	 na	 cadela	 ainda	 jovem,	 e	 a	 piometra.	 Piometra	 é	 a	 infecção	 do
útero,	algo	extremamente	perigoso.	A	única	forma	realmente	eficaz	de	se	tratar
uma	piometra	é	com	uma	cirurgia	de	emergência,	feita	no	momento	em	que	for
constatada.	É	uma	cirurgia	de	alto	risco	e	de	alto	custo,	e	a	cadela	pode	morrer
por	 causa	 da	 infecção	 ou	 por	 complicações	 tardias	 da	 piometra,	 como	 a
insuficiência	renal.	Por	ser	um	problema	razoavelmente	comum,	entendo	que	é
melhor	castrar	uma	cadela	enquanto	ela	é	 jovem	e	está	apta	a	ser	operada	com
segurança,	 do	 que	 esperar	 até	 o	 momento	 em	 que	 ela	 esteja	 completamente
debilitada,	e	com	uma	infecção	grave,	para	fazer	uma	cirurgia	às	pressas.
Então,	 vem	 a	 pergunta:	 “mas	 não	 é	 bom	 tirar	 pelo	 menos	 uma
ninhadinha?”	 Não.	 Isso	 não	 traz	 qualquer	 benefício	 à	 cadela.	 E	 nem	 para
ninguém.	 Já	 existem	 cães	 abandonados	 o	 suficiente	 pelo	 mundo,	 sem	 que
precisemos	gerar	ainda	mais	filhotes.	Muita	gente	quer	uma	cria	do	seu	cachorro
porque	gosta	muito	dele,	e	tem	a	impressão	de	que,	desta	forma,	irá	prolongar	a
sua	existência.	Como	se	um	cão	e	o	seu	filhote	fossem	o	mesmo	indivíduo.	Mas
é	preciso	entender	que	o	filhote	do	seu	cachorro	não	vai	ser	o	mesmo	cachorro
que	você	já	tem;	assim	como	você	não	é	igual	ao	seu	pai,	mãe,	ou	irmãos.	Nem
mesmo	 um	 clone	 do	 seu	 cachorro	 seria	 exatamente	 o	 seu	 cachorro,	 tal	 como
gêmeos	 idênticos	 são	 indivíduos	 diferentes.	 Mesmo	 com	 genética	 idêntica,
gêmeos	idênticos	não	são	pessoas	idênticas.	Um	filhote	do	seu	cachorro	será,
portanto,	 um	 outro	 cachorro.Sendo	 assim,	 para	 quem	 quer	 ampliar	 a	 família
canina,	o	melhor	a	se	fazer	é	adotar.
Se	 você	 fizer	 questão	 de	 acrescentar	 à	 sua	 família	 um	novo	 cachorro	 da
mesma	raça	que	já	tem	em	casa,	então	procure	um	para	adotar,	ou	compre.	Mas,
se	for	comprar,	por	favor,	seja	criterioso	ao	escolher	a	origem	do	seu	novo	cão.
Não	 compre	 de	 “cachorreiros”,	 ou	 de	 criações	 de	 fundo	 de	 quintal.	 Existem
alguns	 poucos	 criadores	 idôneos,	 e	 estes	 criadores	 se	 preocupam	 com	 o	 bem-
estar	dos	seus	cães,	com	a	alimentação	deles,	com	a	seleção	genética,	e	também
em	oferecer	um	atendimento	veterinário	adequado	para	os	seus	animais.	E	isso
tudo	custa	caro.	Não	necessariamente	um	filhote	caro	vem	de	um	bom	criador;
mas,	se	for	barato	demais,	desconfie.	E,	independente	do	preço,	faça	questão	de
ir	 pessoalmente	 conhecer	 o	 lugar	 onde	 os	 animais	 ficam,	 conheça	 a	 mãe	 do
filhote	que	você	pretende	adquirir,	e	todos	os	cachorros	do	criador,	para	saber	se
você	está	realmente	de	acordo	com	a	forma	como	aqueles	animais	são	mantidos.
O	mundo	é	cheio	de	verdadeiras	 fábricas	de	 filhotes!	Se,	para	você,	 for	muito
caro	 comprar	 um	 filhote	 de	 um	 criador	 idôneo,	 então	 não	 compre.	O	 que	 não
podemos	fazer	é	financiar	o	crime	e	toda	uma	indústria	baseada	nos	maus	tratos
aos	animais	–	ainda	mais	sob	o	pretexto	de	“amar	os	cães”,	ou	amar	determinada
raça!
Uma	conclusão	importante	que	precisamos	tirar	é	que	é	bom	olharmos	um
pouquinho	para	o	resto	do	mundo.	O	nosso	tema	é	a	prevenção	e	abordagem	de
emergências	com	cães,	e	é	lógico	que	a	maioria	das	pessoas	que	está	lendo	este
livro	tem	os	seus	próprios	animais	em	mente.	Mas	também	podemos	evitar	que
outros	 cachorros,	 além	 dos	 nossos,	 sofram.	 E	 não	 estou	 mais	 falando	 apenas
sobre	as	fábricas	de	filhotes,	estou	falando	também	sobre	as	“ninhadas	caseiras”,
por	assim	dizer.	Alguém	que	decida	“tirar	uma	ninhada”	do	seu	amado	cachorro
ou	cadela,	deve	se	lembrar	de	que	a	reprodução	de	cães	envolve	custos:	desde	os
exames	 de	 acompanhamento	 da	 gestação	 até	 a	 alimentação,	 vacinação,	 e
desverminação	 de	 todos	 os	 filhotes.	 Isso	 pressupondo	 que	 a	 cadela	 não	 tenha
complicações	na	gestação	ou	no	parto.	E	que	ela	sobreviva.	Imagine	que,	a	cada
ninhada,	serão	em	torno	de	10	filhotes	a	mais	no	mundo	procurando	por	um	lar.
Não	é	nada	 fácil	doar	uma	ninhada	 inteira,	mesmo	que	o	 seu	cachorro	 seja	de
raça	-	porque,	na	hora	em	que	os	filhotes	ficam	prontos	“para	entrega”,	boa	parte
das	 pessoas	 que	 disseram	 que	 ficariam	 com	 um	 durante	 a	 gestação	 da	 cadela,
acaba	mudando	de	 ideia.	 Isso	 é	 fato.	Vender	 é	 ainda	mais	 desafiador,	 e	 pouco
lucrativo	 se	você	não	 for	um	criador	profissional.	Mas,	vamos	 supor	que	você
consiga	doar	ou	vender	todos	os	10	filhotes	do	seu	cachorro,	que	não	precisava
ter	 tido	 cria	 por	 qualquer	 motivo	 em	 particular.	 Enquanto	 isso,	 outros	 10
cachorros	estão	na	rua,	passando	frio	e	fome,	e	esperando	que	alguém	os	adote.
Se	doar	cães	lhe	parece	um	desafio	interessante,	talvez	recolher	os	que	estão	na
rua	para	doá-los	possa	ser	melhor	do	que	gerá-los.
Capítulo	2.	Kit	de	Primeiros	Socorros
Existem	 situações	 em	 que	 nem	mesmo	 o	 melhor	 médico	 do	 mundo	 vai
conseguir	salvar	uma	vida	se	não	tiver	certos	materiais	em	mãos.	Este	não	é	um
livro	 de	 cirurgia,	 mas	 mesmo	 pequenos	 procedimentos	 podem	 exigir	 certos
materiais	para	que	consigamos	prestar	socorro	adequadamente.
Neste	 capítulo,	 você	 aprenderá	 a	 montar	 o	 seu	 próprio	 kit	 de	 primeiros
socorros	 para	 que	 esteja	 realmente	 preparado	 para	 agir	 em	 situações	 de
emergência.	 Alguns	 itens	 estão	 listados	 como	 opcionais,	 porque	 é	 possível
sobreviver	sem	eles,	mas,	se	tiver	a	possibilidade	de	adquiri-los,	vale	a	pena.	Se
o	problema	for	o	custo	do	kit,	deixe	para	comprar	os	 itens	opcionais	em	outro
momento,	aos	poucos,	conforme	o	seu	orçamento	permitir.	A	maioria	dos	itens
não	é	cara,	e	vale	o	investimento!
Nos	apêndices	deste	livro,	há	um	checklist	com	os	itens	necessários	para	a
montagem	 do	 seu	 kit.	 Imprima-o	 para	 facilitar	 a	 compra	 dos	 materiais	 e	 a
organização	da	sua	caixa.
Itens	obrigatórios
Pasta	com	documentos/	anotações.
Na	 sua	 caixa	 de	 primeiros	 socorros,	 você	 precisa	 ter	 uma	 pasta	 com	 os
documentos	do	seu	cachorro	(como	carteira	de	vacinação	e	certificados),	e	todas
as	anotações	de	que	você	pode	precisar	numa	situação	de	emergência.	 Isso	vai
incluir	 telefones	 de	 contato,	 doses	 dos	 medicamentos	 que	 ele	 toma	 ou	 pode
precisar	tomar,	e	um	guia	de	primeiros	socorros.	Mas	por	que	papel,	se	hoje	em
dia	 a	 gente	 tem	 tudo	 no	 celular?	 Porque	 estamos	 falando	 sobre	 situações	 de
emergências	 e	 imprevistos.	 Pode	 ser	 que,	 no	 momento	 da	 emergência,	 o	 seu
celular	 esteja	 sem	bateria,	 perdido	 ou	 quebrado;	 pode	 ser	 que	 a	 internet	 esteja
fora	do	ar,	e	pode	ser	inclusive	que	você	nem	esteja	em	casa.	Talvez	você	esteja
viajando,	e	quem	vai	precisar	lidar	com	a	situação	seja	a	sua	Pet	Sitter,	ou	outra
pessoa	 que	 ficou	 responsável	 pelo	 cão,	 e	 que	 não	 tenha	 essas	 informações	 no
celular	dela.	Então,	é	bom	ter	 tudo	impresso	e	num	local	de	fácil	acesso,	 junto
com	as	outras	coisas	do	seu	cachorro.	Nos	apêndices	deste	livro	você	encontrará
folhas	de	contatos	e	de	informações	importantes	sobre	o	cão	para	que	você	possa
imprimir	e	colocar	no	seu	kit.
Termômetro
O	termômetro,	logicamente,	serve	para	medir	a	temperatura.	Pode	ser	um
termômetro	 simples	mesmo,	 sem	quaisquer	 sofisticações.	Os	mais	práticos	 são
os	digitais,	porque	são	mais	fáceis	de	ler	e	são	mais	rápidos	também.	Mas	você
pode	usar	os	de	vidro	se	preferir.	Você	pode	 inclusive	 ter	os	dois	 tipos,	para	o
caso	de	acabar	a	pilha	do	termômetro	digital.	Mas	a	bateria	dura	bastante,	basta
que	você	se	 lembre	de	checar	de	 tempos	em	tempos.	Tenha	um	termômetro	só
para	o(s)	cachorro(s),	não	misture	com	os	seus.
Coleira	e	guia	extra
Sim,	você	leu	direito!	É	preciso	ter	uma	coleira	e	guia	a	mais.	A	guia	pode
arrebentar,	a	coleira	pode	estragar,	e	você	pode	precisar	repor	imediatamente.	Os
Dog	Walkers,	em	especial,	devem	sempre	levar	pelo	menos	um	kit	de	coleira	e
guia	 consigo	 em	 todos	 os	 seus	 passeios.	 Uma	 boa	 ideia	 é	 comprar	 uma	 guia
unificada,	que	é	coleira	e	guia	ao	mesmo	tempo.	Ela	é	uma	opção	prática,	barata,
e	que	pode	ser	ajustada	a	diferentes	tamanhos	de	cães.	Certifique-se	de	que	a	sua
guia	sobressalente	seja	forte	o	suficiente	para	conter	o	mais	forte	dos	seus	cães;
ou	tenha	uma	para	cada	um,	se	forem	de	tamanhos	muito	diferentes.
Focinheira
A	focinheira	é	um	item	essencial,	mesmo	para	quem	tem	apenas	cachorros
mansos.	Isso	porque,	em	momentos	de	estresse,	quando	o	cão	está	sentindo	dor,
ele	pode	reagir	de	forma	mais	agressiva	e	acabar	mordendo.	Para	fazer	curativos
e	outros	pequenos	procedimentos,	uma	das	melhores	focinheiras	é	a	de	plástico.
É	a	que	melhor	dá	segurança	para	quem	estiver	 trabalhando,	porque	mantém	a
boca	do	cachorro	toda	protegida.	No	caso	de	cães	de	focinho	muito	curto,	como
os	 Shi-Tzu	 e	 Pugs,	 estas	 focinheiras	 não	 vão	 funcionar.	 Para	 este	 tipo	 de
cachorro,	 compre	 uma	 focinheira	 de	 gato,	 que	 na	 verdade	 se	 parece	 com	uma
máscara.	As	focinheiras	de	gato	geralmente	são	de	nylon,	e	cobrem	toda	a	cara
do	 animal,	mas	 tem	um	buraco	na	 frente	 para	 ele	 conseguir	 respirar.	Se	o	 seu
cachorro	 usa	 focinheira	 para	 passear,	 eu	 recomendo	 que	 você	 tenha	 uma
focinheira	para	o	passeio	e	outra	para	esse	tipo	de	procedimento.	Num	passeio,
que	é	algo	que	vai	demorar	mais	tempo,	e	que	demanda	uma	maior	capacidade
respiratória,	a	 focinheira	de	plástico	pode	ser	um	pouco	sufocante.	Neste	caso,
prefira	uma	focinheira	do	tipo	“gaiola”	ou	de	nylon.	A	focinheira	do	tipo	gaiola	é
interessante	 para	 passeios,	 porque	 não	 atrapalha	 em	 nada	 a	 respiração	 do
cachorro;	mas	você	deve	prestar	atenção	ao	formato	da	armação	dela	e	ao	ajuste
na	cabeça	do	seu	cão,	que	deve	ser	perfeito	para	não	machucar	ou	incomodar.Pinça
A	pinça	poderá	ser	usada	para	retirar	algum	espinho,	farpa,	caco	de	vidro,
ou	talvez	até	mesmo	um	carrapato	do	seu	cachorro.	Existem	pinças	específicas
para	 a	 remoção	 de	 carrapatos,	 sobre	 a	 qual	 entraremos	 em	 maiores	 detalhes
adiante;	mas,	se	não	tiver	uma	específica,	a	comum	pode	quebrar	um	galho.	A
ideia	é	usar	a	pinça	só	para	a	 remoção	de	pequenos	objetos:	 se	 for	algo	muito
grande,	é	melhor	deixar	para	o	veterinário.
Tesoura	de	ponta	romba
A	tesoura	serve	para	cortar	curativos,	e	eventualmente	também	para	aparar
os	 pelos	 do	 cachorro.	 É	 importante	 que	 seja	 de	 ponta	 romba,	 como	 as
tesourinhas	escolares,	para	não	correr	o	risco	de	ferir	o	cão.
Luvas	de	procedimentos
As	 luvas	 de	 procedimentos	 são	 aquelas	 luvas	 de	 látex	 comuns,	 não
estéreis.	 Elas	 servem	 para	 evitar	 que	 as	 suas	 mãos	 contaminem	 a	 ferida,	 ao
mesmo	tempo	em	que	as	protegem	do	contato	com	o	sangue,	urina,	e	secreções
do	 paciente,	 prevenindo	 a	 transmissão	 de	 doenças.	 Você	 deve	 ter	 pelo	menos
dois	 pares	 de	 luvas	 de	 procedimentos	 no	 seu	 kit,	 mas,	 se	 preferir,	 é	 possível
comprar	caixas	com	dezenas	delas	a	preços	bem	razoáveis	em	lojas	de	produtos
hospitalares.	Mas	não	esqueça:	o	uso	de	luvas	de	látex	não	dispensa	o	socorrista
de	lavar	as	suas	mãos	antes	e	depois	do	procedimento!
Solução	salina	estéril
Solução	 salina	 é	 o	 soro	 fisiológico.	 Ela	 se	 mantém	 estéril	 até	 que	 seja
aberta.	As	suas	principais	finalidades	serão	lavar	ferimentos	e,	eventualmente,	os
olhos	também.
Água	oxigenada
A	água	oxigenada	pode	ter	duas	funções	-	uma	é	a	limpeza	de	ferimentos;
e	a	outra,	sobre	a	qual	falaremos	mais	detalhadamente	em	outro	momento,	é	para
induzir	vômito	em	casos	de	envenenamento.	A	indução	do	vômito	requer	critério
e	 técnica	adequada:	não	 induza	o	vômito	em	cachorro	nenhum	sem	antes	 ler	o
capítulo	de	Intoxicações	e	Envenenamentos!
P.V.P.I.	ou	Antisséptico	Tópico
O	P.V.P.I.	 é	um	antisséptico	muito	bom	e	barato	para	curativos.	Pode	ser
encontrado	 em	 qualquer	 farmácia,	 e	 é	 muito	 útil	 para	 tratar	 ferimentos	 em
humanos	 também.	 Caso	 prefira,	 pode	 usar	 outro	 tipo	 de	 antisséptico	 tópico	 –
alguns	são	mais	sofisticados,	e	vêm	até	mesmo	com	anestésicos	locais,	mas	não
é	preciso	comprar	um	produto	muito	caro.	O	PVPI	funciona	muito	bem.
Antisséptico	ou	Álcool	em	Gel	para	as	Mãos
Nada	substitui	a	 lavagem	das	mãos,	por	 isso	o	 ideal	é	usar	o	antisséptico
em	gel	ou	o	álcool	em	gel,	sempre	depois	de	 lavar	as	mãos.	Mas	supondo	que
você	esteja	acampando,	ou	na	rua,	e	não	haja	uma	torneira	por	perto,	o	gel	pode
ajudar.	Lembre-se,	é	importante	higienizar	as	mãos	antes	e	depois	de	lidar	com
ferimentos,	mesmo	que	você	use	luvas.
Seringas
Tenha	dois	tamanhos	de	seringa	no	seu	kit:	duas	de	20mL,	e	duas	de	5mL.
Conforme	o	que	for	 fazer,	 fica	mais	 fácil	com	a	seringa	maior	ou	a	menor.	As
seringas	 podem	 ser	 usadas	 para	 lavar	 as	 feridas,	 e	 também	 para	 dar
medicamentos	diretamente	na	boca	do	cão.	Sem	agulha,	é	claro.
Curativos	não	aderentes
Os	 curativos	 não	 aderentes	 podem	 ser	 encontrados	 em	 farmácias	 ou	 em
lojas	 de	 produtos	 hospitalares.	 São	 úteis	 porque	 não	 grudam	 nas	 feridas,
especialmente	nas	queimaduras.	Tenha	pelo	menos	3	no	seu	kit.
Rolo	de	algodão
O	 algodão	 serve	 para	 limpar	 pequenos	 ferimentos,	 e	 também	 o
termômetro.	No	caso	de	fraturas,	pode	ser	usado	para	imobilizar	os	membros.
Ataduras
As	ataduras	serão	usadas	para	fazer	curativos.	Na	falta	de	uma	focinheira,
eventualmente	também	vocês	podem	improvisar	uma	usando	ataduras:	explicarei
a	técnica	em	mais	detalhes	no	capítulo	sobre	contenção	e	segurança.
Esparadrapo
Para	segurar	os	curativos	no	lugar.
Vaselina
A	vaselina	pode	ser	usada	para	 lubrificar	o	 termômetro.	Em	alguns	casos
também,	ela	pode	ser	usada	para	proteger	ferimentos.
Pó	hemostático
Encontrado	 em	 pet	 shops,	 ajuda	 a	 parar	 pequenos	 sangramentos	 -	 por
exemplo,	se	sangrar	na	hora	de	cortar	as	unhas,	ou	se	o	cachorro	tiver	um	corte
superficial.	Não	 consegue	 conter	 hemorragias	 severas,	mas	 ajuda	 bastante	 nos
ferimentos	menores.
Medicamentos	de	uso	contínuo
Quais	medicamentos	 especificamente	você	precisará	 ter,	 vai	 depender	 de
cada	caso.	Se	o	seu	cachorro	não	usa	nenhum	medicamento	continuamente,	não
precisa	 ter,	 é	 claro.	 Mas,	 se	 ele	 usa,	 tenha	 sempre	 uma	 reserva	 ali	 para	 pelo
menos	uma	semana.	Assim,	se	algum	dia	você	se	esquecer	de	comprar	mais,	se
não	encontrar	na	farmácia,	ou	qualquer	outro	problema,	você	garante	que	não	irá
faltar.	Preste	atenção	ao	prazo	de	validade.
Antialérgicos,	Analgésicos,	e	Outros	Medicamentos	Prescritos
Caso	o	seu	veterinário	já	tenha	lhe	prescrito	alguma	medicação	que	o	seu
cão	 possa	 precisar	 usar	 esporadicamente,	 faça	 uma	 pequena	 reserva	 deste
remédio	também.	Novamente,	fique	atento	ao	prazo	de	validade.
Mel	ou	Karo	®
Este	item	é	específico	para	cães	diabéticos.	Se	o	seu	cão	não	tem	diabetes,
então	não	há	qualquer	necessidade;	mas,	se	ele	for	diabético,	então	o	mel	ou	o
Karo	®	são	definitivamente	itens	obrigatórios	no	seu	kit	de	primeiros	socorros.
Uma	boa	ideia	pode	ser	comprar	alguns	daqueles	sachezinhos	de	mel,	que	serão
suficientes	caso	ele	sofra	uma	crise	de	hipoglicemia.
Itens	Opcionais
Colar	elisabetano
É	 o	 famoso	 “abajur”.	 Ele	 é	 útil	 para	 evitar	 que	 o	 seu	 cão	 arranque
curativos,	coce	feridas,	e	assim	atrapalhe	a	cicatrização.	Em	algumas	situações,	o
colar	 elisabetano	 também	 funciona	 como	 uma	 ferramenta	 de	 contenção	 que
substitui	 a	 focinheira.	Se	o	curativo	não	 for	na	cabeça	por	 exemplo,	basta	que
alguém	 segure	 o	 cão	 pelo	 colar,	 mantendo	 a	 sua	 cabeça	 no	 lugar,	 e	 assim
ninguém	será	mordido.	É	claro	que,	para	isso,	o	colar	tem	que	estar	bem	preso.
O	ideal	é	usar	uma	coleira	para	prender	o	colar	no	lugar,	mas,	se	não	tiver,	pode
usar	um	 fitilho	 também.	Coloquei	 este	 item	como	opcional	porque,	 tendo	uma
focinheira,	você	conseguirá	fazer	a	abordagem	inicial	com	tranquilidade.	Depois,
para	a	manutenção	do	curativo,	você	terá	tempo	de	ir	a	uma	pet	shop	e	comprar
o	colar,	se	precisar.	A	minha	principal	 recomendação	em	relação	ao	colar	é:	se
precisar	de	um	colar	elisabetano,	compre,	não	improvise.	É	barato	e	vale	a	pena.
Já	 vi	 “colares”	 improvisados	 com	 cano	 de	 PVC.	 Isso	 fica	 extremamente
desconfortável	para	o	cão,	e	pode	causar	problemas	de	pele	pelo	atrito	constante
do	cano	com	a	pelagem.
Lágrima	artificial
Novamente,	 temos	 um	 item	 que	 pode	 ser	 substituído	 em	 casos	 de
emergência.	 Claro,	 se	 o	 seu	 cão	 tiver	 olho	 seco,	 você	 deve	 ter	 sempre	 um
frasquinho	 reserva;	mas	 se	 não	 for	 o	 caso,	 supondo	 que	 você	 precise	 lavar	 os
olhos	 do	 seu	 cão	 porque	 caiu	 alguma	 coisa	 dentro	 deles,	 pode-se	 usar	 o	 soro
fisiológico,	ou	até	água.	A	 lágrima	artificial	é	mais	 indicada,	por	 isso	coloquei
como	opcional,	mas	não	vai	fazer	mal	algum	lavar	os	olhos	com	soro	fisiológico
numa	situação	de	emergência.
Bandagem	adesiva
A	bandagem	adesiva	(Vetrap	®)	é	muito	 legal	porque	protege	o	curativo,
ao	mesmo	tempo	em	que	diminui	bastante	a	chance	de	o	cão	conseguir	destruí-
lo.	 Ela	 é	 elástica,	 bonita	 e	 dá	 um	 ótimo	 acabamento.	 Mas	 ela	 também	 é	 um
pouco	mais	cara	(em	torno	de	R$9,00	por	rolo),	então,	apesar	de	ser	“bom”	ter,
não	 é	 essencial.	 Se	 não	 tiver,	 você	 pode	 usar	 esparadrapo	mesmo	para	 fixar	 a
atadura.
Micropore
O	 micropore	 é	 parecido	 com	 o	 esparadrapo,	 porém	 mais	 fino	 e	 menos
agressivo	 com	 a	 pele,	 então	 é	 mais	 fácil	 de	 tirar	 sem	 machucar.	 Só	 que	 ele
também	gruda	menos,	então	não	é	possível	usá-lo	para	fixar	uma	bandagem.	O
micropore	é	útil	para	pequenos	curativos,	para	proteger	cortes	cirúrgicos,	ou	até
para	improvisar	um	band-aid.	Ele	também	é	um	pouquinho	mais	caro	do	que	o
esparadrapo,	 e,	 como	 dá	 para	 sobreviver	 sem	 ele,	 coloquei	 também	 como
opcional.
Removedor	de	carrapatos
Este	é	mais	um	item	que	você	consegue	substituir	por	outros,	mascompre
um	se	puder	–	é	útil	e	barato.	É	possível	 tirar	um	carrapato	usando	uma	pinça
comum,	mas	existe	o	risco	de	ficar	um	pedacinho	dele	ainda	preso	ao	seu	cão.
Isso	 acaba	 causando	 reações	 alérgicas	 e	 irritação	 de	 pele.	 O	 removedor	 de
carrapatos	se	parece	com	um	garfo	de	dois	dentes,	que	evita	que	a	“cabecinha”
do	carrapato	continue	presa	ao	cão.
Cobertor	espacial
Não	se	engane	pelo	nome	sofisticado,	o	cobertor	espacial	é	até	bem	barato:
você	pode	comprar	um	por	aproximadamente	R$20,00	no	Mercado	Livre.	Este
cobertor	se	parece	com	uma	folha	de	papel	alumínio,	e	é	o	mesmo	que	vemos	as
pessoas	usando	na	TV,	geralmente	depois	de	algum	desastre.	Ele	é	 interessante
porque	é	muito	 fino,	 leve,	 fácil	de	carregar,	e	 reflete	de	volta	para	o	corpo	até
80%	do	calor	produzido,	o	que	é	uma	enorme	vantagem	se	o	animal	estiver	em
hipotermia.	 É	 claro	 que,	 na	 falta	 de	 um	 cobertor	 espacial,	 você	 pode	 usar	 um
comum	mesmo.
Máquina	de	tosa
A	máquina	 de	 tosa	 é,	 com	 certeza,	 o	 item	mais	 caro	 da	 nossa	 lista.	 Em
primeiros	 socorros,	 ela	 servirá	 apenas	para	 aparar	os	pelos	do	cão	ao	 redor	de
alguma	 ferida	 que	 você	 precise	 limpar.	 E,	 se	 não	 tiver	 uma	máquina	 de	 tosa?
Então,	 apare	 o	 que	 der	 com	 uma	 tesoura	 e	 deixe	 que	 o	 veterinário	 termine	 o
serviço.	Ainda	que	o	seu	veterinário	possa	usar	uma	lâmina	de	barbear	para	fazer
o	 serviço,	 evite	 usá-la	 você	mesmo,	 para	 evitar	 o	 risco	 de	 ferir	 ainda	mais	 o
animal.	 A	 aquisição	 da	 máquina	 provavelmente	 só	 valerá	 a	 pena	 se	 você
trabalhar	com	banho	e	tosa,	ou	se	pretender	aprender	a	tosar	o	seu	próprio	cão.
Solução	de	limpeza	para	as	orelhas
As	otites	incomodam	bastante,	e	você	vai	precisar	saber	limpar	as	orelhas
do	seu	cão	se	isso	acontecer.	Para	isso,	você	pode	usar	uma	solução	de	limpeza,
como	o	Epiotic	®	(Virbac),	o	Limpa	Orelhas	®	(IBASA),	ou	o	Limp	&	Hidrat	®
(Ouro	 Fino).	 É	 claro,	 se	 o	 seu	 cão	 tiver	 otite,	 você	 precisará	 levá-lo	 ao
veterinário	de	qualquer	jeito	para	saber	qual	medicamento	usar	além	da	solução
de	 limpeza.	 O	 interessante	 de	 já	 se	 ter	 a	 solução	 em	 casa	 é	 que	 você	 pode
praticar	 a	 limpeza	 no	 seu	 cão	 enquanto	 ele	 está	 bem,	 e	 assim,	 acostumá-lo	 à
manipulação	 das	 orelhas.	 A	 limpeza	 também	 pode	 ajudar	 a	 aliviar	 o	 cão
enquanto	você	aguarda	a	consulta	veterinária.	Mas,	se	preferir,	pode	deixar	para
comprar	apenas	quando	o	veterinário	prescrever.
Lanterna
A	 lanterna	pode	 ser	de	qualquer	modelo,	mesmo	que	 seja	bem	barata	ou
pequena.	 Apesar	 de	 não	 ser	 fundamental,	 ela	 pode	 ser	 muito	 útil.	 Uma	 das
utilidades	óbvias	da	lanterna	é	iluminar	quando	se	está	no	escuro.	Se	o	acidente
ocorrer	num	local	pouco	iluminado,	num	acampamento,	ou	se	faltar	energia	na
sua	casa	bem	na	hora	em	que	você	precisar,	então	a	lanterna	virá	a	calhar.	Mas
você	também	pode	usá-la	para	examinar	a	boca	do	cão,	se	ele	estiver	engasgado
com	alguma	coisa,	e	os	olhos	dele	também,	para	saber	se	tem	reflexos	pupilares,
ou	se	há	alguma	coisa	aderida	a	eles.	Vale	lembrar	que	grande	parte	dos	celulares
atualmente	podem	executar	essa	função.
Pote	com	ração	e	ração	pastosa
Este	cuidado	de	se	ter	uma	porção	de	ração	reserva	é	uma	recomendação
encontrada	principalmente	em	livros	americanos,	já	que	por	lá	alguns	desastres
naturais	são	comuns,	tais	como	terremotos	e	furacões.	No	Brasil,	isto	raramente
é	 um	problema.	É	 bem	 comum	os	 norte-americanos	 terem	provisões	 para	 este
tipo	de	 emergência,	 já	 que,	 quando	 essas	 coisas	 acontecem,	 as	 pessoas	 podem
simplesmente	 não	 ter	 a	 opção	 de	 sair	 para	 comprar	 comida	 por	 algum	 tempo.
Decidi	 incluir	na	lista	porque,	mesmo	que	este	tipo	de	situação	não	seja	bem	a
nossa	realidade	aqui	no	Brasil,	é	sempre	interessante	se	ter	uma	pequena	reserva,
para	 o	 caso	 de	 acabar	 e	 você	 não	 poder	 sair	 para	 comprar	 no	 dia,	 de	 ser	 um
feriado,	 ou	 de	 estar	 em	 falta	 no	mercado,	 por	 exemplo.	 E,	 caso	 você	 seja	 um
protetor	ou	protetora	de	animais,	não	pode	deixar	 faltar	alimentos	para	os	seus
cães	resgatados.
Aplicador	de	comprimidos
O	 aplicador	 de	 comprimidos	 é	 legal	 para	 quem	 tem	medo	 de	 perder	 os
dedinhos	dando	comprimido	para	o	cão.	E,	dependendo	do	cachorro,	é	bom	ser
cuidadoso	 mesmo.	 No	 próximo	 capítulo	 abordaremos	 melhor	 este	 tema,	 e
explicarei	como	usar	um	aplicador	para	dar	comprimidos	ao	seu	cão.
Capítulo	3.	Como	dar	Medicamentos
Um	 dos	 temas	 que	 mais	 gera	 dúvidas,	 especialmente	 entre	 tutores,
protetores	 de	 animais	 e	 pet	 sitters,	 é:	 como	medicar	 um	 cachorro?	 Pois	 bem,
agora	 você	 vai	 aprender	 diversas	 técnicas	 para	 não	 deixar	 o	 seu	 bichinho	 sem
tratamento.
Medicamentos	tópicos
Começando	pelo	mais	fácil,	vamos	aos	medicamentos	tópicos.	Esses,	não
tem	mistério:	basicamente,	você	deve	pegar	a	pomada,	o	creme,	o	spray	ou	outro
produto	 prescrito	 pelo	 médico	 veterinário,	 e	 espalhar	 sobre	 a	 lesão.	 Alguns
medicamentos	tópicos	podem	ser	mais	perigosos,	e	você	pode	precisar	usar	luvas
para	 manipulá-los.	 Leia	 com	 cuidado	 a	 embalagem,	 e,	 se	 estiver	 na	 dúvida,
pergunte	ao	seu	médico	veterinário.
O	 cuidado	 que	 você	 precisará	 tomar	 com	 todo	 e	 qualquer	medicamento
tópico	é	evitar	que	o	cachorro	lamba.	Então,	conforme	o	caso,	faça	um	curativo
ou	 coloque	 um	 colar	 elisabetano	 nele	 até	 o	 final	 do	 tratamento.	 Se	 for	 apenas
uma	pequena	 lesão,	você	pode	até	 ficar	de	olho	nele	por	um	 tempo,	até	que	o
medicamento	 seja	 absorvido;	 mas,	 naqueles	 casos	 em	 que	 o	 cachorro	 fica	 se
mutilando,	ou	simplesmente	não	deixa	o	curativo	no	lugar,	é	preciso	usar	o	colar.
Medicamentos	orais
A	 medicação	 oral	 é	 a	 mais	 usada,	 e	 também	 a	 que	 costuma	 dar	 mais
trabalho,	 principalmente	 para	 quem	 não	 tem	muita	 prática.	 E,	 dependendo	 do
cachorro,	 mesmo	 quem	 tem	 prática	 também	 pode	 ter	 dificuldade	 –	 por	 conta
disso,	é	preciso	conhecer	algumas	técnicas.
Líquidos
Os	medicamentos	 líquidos	 podem	 ser	 administrados	 de	 duas	 formas:	 ou
diretamente	 na	 boca,	 em	 uma	 seringa,	 ou	 disfarçado	 com	 alguma	 outra	 coisa.
Com	a	seringa	é	o	jeito	mais	rápido,	mas	algumas	pessoas	podem	ter	dificuldade.
Com	 o	 cão	 sentado,	 pegue	 a	 seringa	 sem	 agulha	 já	 com	 a	 dose	 total	 do
medicamento,	e	coloque	no	fundo	da	boca	dele.	Não	é	preciso	abrir	a	boca,	você
pode	 colocar	 o	medicamento	 dentro	 da	 bochecha	 dele,	 aproveitando	 o	 espaço
entre	 a	 gengiva	 e	 o	 último	dente.	Aperte	 o	 êmbolo	 gentilmente.	Não	 pode	 ser
muito	rápido	para	não	engasgar	o	cachorro,	mas	também	não	faça	muito	devagar,
para	que	ele	não	perca	a	paciência	e	vá	embora.	Depois	de	medicar	o	seu	cão,
recompense	 sempre:	 dê	 um	 petisco,	 um	 brinquedo,	 ou	 simplesmente	 muito
carinho,	para	que	ele	passe	a	relacionar	o	ato	de	tomar	medicamentos	com	uma
coisa	positiva.
Se	você	não	conseguir	fazer	isso,	você	pode	precisar	esconder	o	remédio.
Nem	 todos	 os	medicamentos	 podem	 ser	 administrados	 junto	 com	 comida,	 por
isso	pergunte	ao	seu	veterinário	se	a	medicação	que	ele	está	prescrevendo	pode
ser	dada	dessa	forma.	Se	puder	misturar,	uma	boa	opção	para	esconder	remédios
líquidos	é	pão.	É	só	pegar	uma	fatia	de	pão,	espalhar	a	dose	do	remédio	em	cima
dela,	 e	 dar	 para	 o	 cachorro	 de	 pedacinho	 em	 pedacinho.	 Se	 ele	 não	 se	 deixar
enganar,	você	pode	até	dar	uma	caprichada	e	passar	um	pouco	de	patezinho	em
cima	do	pão,	ele	vai	adorar.
Outra	 opção	 é	 usar	 um	 molhinho	 de	 carne,	 ou	 então	 um	 pouquinho	 de
sopa,	 para	 misturar.	 Mas	 tome	 o	 cuidado	 de	 colocar	 uma	 quantidade	 bem
pequena	 do	molho	 ou	 da	 sopa,	 para	 garantir	 que	 ele	 vai	 tomar	 tudo.	 Se	 você
servir	uma	quantidade	muito	grande	de	sopa	e	o	cão	acabar	não	tomando	tudo,
será	 impossível	 saber	 quanto	 do	 medicamento	 ele	 efetivamente	 ingeriu.	 Se
quiser	dar	mais	depois,	como	recompensa,	pode	dar;	mas	primeiro	certifique-se
de	que	ele	tenha	tomado	corretamente	o	seu	remédio.
Cápsulase	comprimidos
Tal	 como	 acontece	 com	 os	 medicamentos	 líquidos,	 as	 cápsulas	 e
comprimidos	 podem	 ser	 administrados	 diretamente	 na	 boca,	 ou	 podem	 ser
disfarçados	dentro	de	algo	mais	apetitoso.	Vejamos	a	seguir	algumas	técnicas:
Técnica	 nº1:	 colocar	 diretamente	 na	 boca.	 Essa	 técnica	 não	 tem	 muito
segredo,	na	verdade	é	mais	uma	questão	de	prática.
Para	 cachorros	 grandes,	 observe	 que	 há	 um	 espaço	 bem	 grande	 atrás	 do
último	dente.	Na	 realidade,	 todo	cachorro	 tem	esse	espaço,	mas	nos	pequenos,
logicamente,	ele	é	bem	menor	e	não	nos	permite	“aproveitar”.	Dependendo	do
tamanho	 da	 cápsula	 ou	 do	 comprimido,	 você	 consegue	 simplesmente	 passar	 o
remédio	 dentro	 deste	 espaço,	 sem	 precisar	 nem	 mesmo	 abrir	 a	 boca	 do	 cão.
Como	já	está	bem	no	fundo	da	garganta,	geralmente	eles	não	conseguem	cuspir
quando	colocamos	a	medicação	ali.	Feito	 isso,	segure	a	boca	do	cão	fechada	e
levemente	 erguida	 até	 ele	 engolir.	Você	pode	massagear	 a	 garganta	 dele	 assim
também,	para	estimular	o	reflexo	da	deglutição.	O	seu	cão	irá	lamber	os	lábios
automaticamente	assim	que	tiver	engolido.
Nos	 cachorros	 pequenos,	 este	 espaço	 geralmente	 é	 muito	 pequeno	 para
passar	 uma	 cápsula	 ou	 um	 comprimido,	 então	 será	 preciso	 abrir	 a	 boca.	 Para
abrir	a	boca	do	cachorro,	você	pode	colocar	os	seus	dedos	polegar	e	 indicador
um	de	cada	lado	da	boca	do	cão,	um	pouco	atrás	dos	dentes	caninos.	Pressione
as	bochechas	dele	contra	os	dentes,	fazendo	com	que	a	boca	se	abra.	Quando	a
boca	estiver	aberta,	coloque	o	comprimido	bem	no	fundo,	na	base	da	língua.	Não
jogue,	e	também	evite	colocar	muito	no	meio	(prefira	colocar	em	um	canto)	para
que	ele	não	se	engasgue	e	nem	consiga	cuspir.	Feito	 isso,	mantenha	a	boca	do
cachorro	fechada	e	levemente	erguida	até	ele	engolir.	Massageie	a	garganta	dele
para	estimular	o	reflexo	de	deglutição,	e	recompense	assim	que	terminar.
Técnica	nº	2:	Usando	o	aplicador	de	comprimidos.	Aqui,	o	aplicador	vai
ficar	no	lugar	do	seu	dedo,	e	pode	evitar	umas	mordidas.
Para	 usar	 o	 aplicador	 de	 comprimidos,	 abra	 a	 boca	 do	 cão	 conforme	 a
técnica	acima.	Mas,	ao	invés	de	pôr	o	seu	dedo	lá	dentro	para	ser	mordido,	você
põe	o	aplicador	e	aperta,	como	se	fosse	uma	seringa.	A	cápsula	ou	o	comprimido
devem	ser	colocados	no	canto,	na	base	da	língua.	Depois,	é	a	mesma	coisa:	feche
a	boca	e	massageie	até	o	cão	engolir.	Não	se	esqueça	de	recompensar.
Um	 truque	 legal,	 caso	 o	 seu	 cachorro	 seja	 meio	 McGiver	 e	 for
especialmente	hábil	na	arte	de	cuspir	comprimidos,	é	uma	 técnica	muito	usada
para	 gatos.	Quem	 já	 tentou	 dar	 comprimido	 para	 um	gato,	 conhece	 o	 desafio:
eles	são	mestres	em	cuspir,	e,	se	você	não	acertar	de	primeira,	eles	começam	a
espumar.	 E,	 depois	 que	 o	 gato	 começou	 a	 espumar.	 você	 vai	 ter	 sérias
dificuldades.	 O	 que	 você	 vai	 fazer	 é	 uma	 cápsula	 de	 manteiga.	 Pegue	 o
comprimido	 ou	 a	 cápsula,	 e	 passe	 na	manteiga,	 para	 formar	 uma	 capinha	 em
volta	dele.	Em	seguida,	embrulhe	com	papel	alumínio	e	coloque	no	congelador.
Na	hora	de	dar,	você	desembrulha	e	usa	alguma	dessas	 técnicas	que	a	gente	 já
mencionou.	 O	 que	 vai	 acontecer	 é	 que,	 com	 a	 manteiga,	 o	 comprimido	 vai
escorregar	lá	para	dentro	e	vai	ficar	muito	mais	difícil	para	o	cachorro	cuspir.
Técnica	3:	esconder	o	comprimido	ou	a	cápsula	dentro	de	algum	petisco.
Pode	 ser	 um	 pedacinho	 de	 pão,	 um	 presunto	 enroladinho,	 queijo,	 ou	 qualquer
outra	coisa	de	que	o	cachorro	goste	e	possa	comer.	Assim	como	já	mencionei	em
relação	 aos	 medicamentos	 líquidos,	 é	 importante	 antes	 você	 perguntar	 ao	 seu
veterinário	 se	 pode	 misturar	 a	 medicação	 prescrita	 com	 comida.	 Além	 dos
alimentos	 já	 citados	 acima,	 agora	 também	 existe	 uma	 coisa	 chamada	 “pill
pocket”.	 Aqui	 no	 Brasil,	 é	 possível	 encontrar	 o	 Pill	 Pocket	 da	 Equilíbrio,
chamado	 “Snack	 Especial”.	 Por	 ser	 um	 pouco	 difícil	 de	 achar	 em	 pet	 shops,
pode	ser	preciso	compra-lo	pela	internet.	O	pill	pocket	é	um	petisco	que	tem	um
“bolso”	 para	 colocar	 cápsulas	 e	 comprimidos.	 Este	 bolso	 é	 basicamente	 um
buraquinho	no	meio	do	petisco,	que	tem	também	uma	tampa	comestível.	A	ideia
é	que	o	cachorro	coma	 tudo	 sem	pensar	duas	vezes.	Mas	ele	pode	comer	 só	a
parte	gostosa	e	cuspir	o	remédio,	aí	vem	a	próxima	técnica.
Técnica	4:	“incorporar”	o	comprimido	ao	alimento.	Novamente,	pergunte
ao	seu	veterinário	se	pode	fazer	 isso,	 já	que	a	técnica	seguir	não	pode	ser	feita
com	alguns	medicamentos.	E	qual	é	a	técnica?	Simplesmente,	abrir	a	cápsula,	ou
amassar	 o	 comprimido,	 até	 formar	 um	 pozinho.	 E	 este	 pozinho,	 você	 pode
misturar	num	pedaço	de	carne,	de	preferência	com	um	pouquinho	de	molho,	ou
em	qualquer	outra	coisa	que	o	cachorro	goste	de	comer	(e	possa	comer,	claro).	O
ideal	é	que	seja	alguma	coisa	mais	úmida,	como	um	caldo	de	carne,	um	molho
ou	um	patê	de	cães,	para	o	pozinho	realmente	se	incorporar.	Assim	como	no	caso
do	medicamento	líquido,	lembre-se	que,	na	hora	de	dar	o	remédio,	você	deve	dar
apenas	 uma	 quantidade	 bem	 pequena	 de	 carne,	 molho,	 ou	 o	 que	 você	 estiver
usando,	 que	 é	 para	 garantir	 que	 o	 cachorro	 vai	 comer	 tudo.	 Não	 prepare	 um
banquete,	 já	que	existe	o	risco	de	o	animal	não	comer	 tudo,	e	você	não	vai	 ter
como	saber	quanto	do	remédio	ele	efetivamente	tomou.
Medicamentos	Oftálmicos
Os	 colírios	 normalmente	 deixam	 as	 pessoas	 inseguras,	 porque	 ninguém
gosta	muito	de	colocar	nada	no	olho.	Bom,	se	o	seu	cachorro	precisa	usar	algum
colírio,	principalmente	se	for	de	uso	contínuo,	o	melhor	que	você	tem	a	fazer	é
criar	 uma	 associação	 positiva	 para	 ele,	 recompensando	 sempre	 ao	 final	 do
procedimento.	 Na	 verdade,	 eu	 procuro	 fazer	 isso	 com	 todo	 tipo	 de	 remédio.
Então,	 quando	 os	meus	 cachorros	 sabem	 que	 vão	 tomar	 algum	medicamento,
mesmo	que	eles	não	queiram,	eles	se	sentam	e	aguardam	pacientemente,	porque
sabem	que	serão	recompensados	depois.
Para	pingar	colírio	no	olho	do	seu	cão,	primeiramente	faça	com	que	ele	se
sente.	Para	um	cachorro	grande,	recomendo	que	coloque	uma	perna	de	cada	lado
do	 cão,	 segurando-o,	 para	 evitar	 que	 ele	 vá	 para	 trás.	Não	 se	 sente	 sobre	 o
animal:	apenas	use	as	suas	pernas	para	mantê-lo	posicionado.	Se	o	cachorro	for
pequeno,	passe	um	braço	ao	redor	dele	para	mantê-lo	posicionado	e	impedir	que
vá	para	trás.	Segure	o	focinho	dele	para	cima	com	uma	mão	(se	for	um	cachorro
pequeno,	 use	 a	 mesma	 mão	 do	 braço	 que	 está	 ao	 redor	 dele,	 fazendo	 a
contenção).	Com	a	outra	mão,	segure	o	frasquinho	do	colírio	com	alguns	dedos
enquanto	 usa	 os	 outros	 para	 manter	 o	 olho	 dele	 aberto.	 E	 aí,	 é	 só	 pingar	 as
gotinhas.	Você	 até	 pode	 tentar	 simplesmente	 pegar	 o	 seu	 cachorro	 “no	 susto”,
digamos	assim,	mas	isso	só	vai	funcionar	uma	vez.	Da	próxima	vez,	ele	vai	estar
preparado	e	não	vai	permitir.
Um	 outro	 detalhe	 importante	 é	 que	 muitos	 cães	 ficam	 realmente
incomodados	 com	 o	 uso	 de	 colírios.	 Por	 conta	 disso,	 a	 focinheira	 pode	 ser
necessária	 para	 cães	 que	 não	 aceitem	 bem	 este	 tipo	 de	 manipulação.	 Se
necessário,	peça	ajuda	a	outra	pessoa	para	manter	o	cão	posicionado	enquanto
você	pinga	o	colírio,	ou	vice-versa.
Medicamentos	Intra-Auriculares
Os	 remédios	 de	 colocar	 na	 orelha	 para	 o	 tratamento	 das	 otites	 também
causam	bastante	dúvida.	Talvez	você	já	tenha	visto	o	seu	veterinário	usando	uma
pinça	com	algodão	para	limpar	a	orelha	do	seu	cachorro.	Não	faça	isso	em	casa!
Se	for	realmente	necessário	usar	a	pinça,	deixe	para	o	veterinário.	A	limpeza	que
faremos	 na	 orelha	 do	 cão	 será,	 literalmente,	 pingando	 o	 remédio	 dentro	 da
orelhinha	dele.	Inclusive,	hoje	em	dia	boa	parte	dos	produtos	para	tratamento	de
otites	em	cães	já	vem	com	bicos	flexíveis,	próprios	para	serem	inseridos	no	canal
auditivo.
A	princípio,	se	o	seu	cachorro	não	tiver	otite,	não	há	necessidade	de	limpar
as	 orelhas	 dele	 com	muita	 frequência,	mas,	 se	 desejar,	 você	 pode	 praticarem
casa	de	vez	em	quando.	É	mais	fácil	fazer	quando	o	cachorro	está	bem	do	que
quando	 ele	 está	 com	dor.	 Inclusive,	 esse	 é	 outro	 procedimento	 que	 você	 pode
precisar	da	focinheira,	já	que	o	cão	pode	estar	com	dor	e/ou	pode	não	gostar	que
mexam	nas	suas	orelhas.
Mas,	antes	de	explicar	como	aplicar,	existe	um	detalhe	sobre	a	orelha	do
cão	que	você	precisa	saber.	O	ouvido	do	cachorro	é	diferente	do	nosso.	Enquanto
o	nosso	é	praticamente	uma	linha	reta,	o	dos	cachorros	forma	um	“L”.	Então,	o
canal	auditivo	desce	a	partir	da	base	da	orelha,	e	depois	faz	uma	curva	antes	de
chegar	ao	ouvido	interno.	Por	conta	disso,	na	hora	de	aplicar	o	medicamento,	nós
devemos	 entrar	 com	o	biquinho	do	 frasco	para	 baixo.	Vejamos	 então	 como	 se
faz:
A	primeira	coisa	que	faremos	será	limpar	a	área	externa	da	orelha.	Quando
um	cachorro	 está	 com	otite,	 esta	 região	pode	 ficar	 bem	vermelha,	 a	 pele	pode
parecer	mais	grossa,	e	pode	haver	bastante	secreção.	Geralmente	é	uma	secreção
marrom	bem	escura,	e	tem	um	cheiro	forte.	Para	a	área	externa,	você	pode	usar
um	algodão	embebido	com	a	solução	de	limpeza,	ou	então,	pingar	a	solução	de
limpeza	diretamente	sobre	a	orelha,	e	usar	um	pedaço	de	algodão	para	espalhar.
Observe	que	as	orelhas	 têm	muitas	dobrinhas,	e	geralmente	é	nessas	dobrinhas
que	a	secreção	fica	acumulada.	Para	que	o	tratamento	funcione,	a	orelha	precisa
ficar	 bem	 limpinha.	 Depois	 de	 limpar	 bem	 por	 fora,	 seque	 com	 um	 algodão
limpo	para	retirar	o	excesso	de	produto.	A	primeira	limpeza	costuma	ser	a	mais
trabalhosa,	 pois	 é	 quando	 há	 mais	 secreção	 acumulada.	 Talvez	 até	 o	 seu
veterinário	já	faça	essa	primeira	limpeza	para	você	no	consultório	mesmo.	Mas,
se	 ele	 não	 fizer,	 tenha	 um	 pouquinho	 de	 paciência	 e	 limpe	 bem	 todos	 os
cantinhos.	Não	precisa	ficar	perfeito	de	primeira,	principalmente	porque	vai	estar
dolorido	e	o	cachorro	pode	reclamar,	mas	deixe	o	mais	limpo	possível.
Depois	que	já	estiver	bem	limpinho	por	fora,	insira	a	pontinha	do	tubo	no
ouvido	do	cão,	em	ângulo	reto.	Em	seguida,	aperte	para	sair	um	pouquinho	da
solução,	e	retire.	O	cachorro	provavelmente	irá	querer	balançar	a	cabeça	logo	em
seguida.	De	início,	segure	um	pouquinho,	para	que	ele	não	“expulse”	a	solução
que	você	acabou	de	colocar.	Feche	a	orelha	com	ela	mesma,	e	massageie	bem	o
ouvido	 por	 fora.	 Isso	 irá	 fazer	 com	 que	 a	 solução	 se	 espalhe	 bem	 lá	 dentro.
Depois,	pode	soltar	e	deixar	ele	se	balançar.	Às	vezes,	isso	pode	fazer	um	pouco
de	sujeira,	pois	pode	sair	um	pouco	da	secreção	ou	da	solução	de	limpeza	e	cair
no	chão	ou	nas	paredes	ao	redor.	Terminou	de	limpar?	Aí,	sim,	está	na	hora	de
aplicar	o	remédio.	O	procedimento	é	essencialmente	o	mesmo,	mas	sem	retirar
os	 excessos	 do	 lado	 de	 fora	 com	 algodão,	 pois	 a	 intenção	 será	 que	 o	 remédio
fique	 lá	mesmo.	Os	medicamentos	 para	 otites	 geralmente	 são	 um	 pouco	mais
viscosos	e	gordurosos	do	que	a	solução	de	limpeza.
Capítulo	4.	Técnicas	de	Contenção	e	Segurança
Para	prestar	primeiros	socorros	com	eficácia	e	segurança,	é	preciso	tomar
algumas	 precauções.	Veja	 a	 seguir	 o	 que	 fazer	 caso	 encontre	 um	 cachorro	 em
situação	de	emergência,	mesmo	que	seja	o	seu	próprio	animal.
Os	Três	C’s
O	 primeiro	 e	 mais	 fundamental	 tema	 sobre	 o	 qual	 iremos	 tratar	 são	 os
“Três	C’s”	 dos	 Primeiros	 Socorros.	Os	 três	C’s	 são	 um	 roteiro	 das	 coisas	 que
você	deverá	fazer	ou	observar	sempre	que	encontrar	uma	pessoa	ou	animal	em
situação	 de	 emergência.	 Você	 deve	 se	 lembrar	 deles	 necessariamente	 na
sequência	em	que	serão	apresentados	a	seguir.
O	primeiro	C	é	o	cenário.	Avaliar	o	cenário	quer	dizer	que,	antes	de	agir,
você	deve	avaliar	tudo	o	que	está	acontecendo	ao	seu	redor	e	ao	redor	da	vítima
que	pretende	ajudar.	 Isso	 leva	apenas	alguns	segundos,	e	 te	ajuda	a	 tomar	uma
decisão	mais	racional.	Assim,	pode-se	evitar,	por	exemplo,	que	você	próprio	se
torne	mais	uma	vítima	do	acidente.	Isso	significa	que,	se	houver	uma	rua	entre
você	e	o	cachorro	que	deseja	ajudar,	você	 irá	 se	 lembrar	de	olhar	para	os	dois
lados	 antes	 de	 atravessar,	 e	 irá	 atravessá-la	 com	 cuidado.	 E	 significa	 também
que,	no	momento	em	que	você	conseguir	efetivamente	chegar	até	este	cachorro	e
contê-lo,	 deverá	 removê-lo	 dessa	 situação	 de	 risco,	 para	 que	 ele	 não	 seja
atropelado	novamente,	ou	até	mesmo	para	que	você	não	 seja	atropelado	 junto.
Isso	 é	 algo	que	 acontece,	 e	 já	 aconteceu	muitas	 vezes.	Se	 estiver	 havendo	um
incêndio,	você	precisa	primeiro	calcular	quais	serão	as	suas	rotas	de	entrada	e	de
saída,	e	se	haverá	 tempo	de	entrar	e	sair	sem	ficar	preso	lá	dentro	 junto	com	o
cachorro	ou	a	pessoa	que	você	quer	ajudar.	Pode	ser	que	a	melhor	coisa	a	fazer
seja	chamar	ajuda	-	que	será	o	nosso	próximo	passo	-	ao	invés	de	tentar	fazer	o
resgate	você	mesmo.	E	se	for	um	afogamento?	Ao	ver	uma	pessoa	ou	animal	se
afogando,	você	sabe	que	precisa	agir	imediatamente.	Mas,	primeiro,	pense:	você
sabe	nadar?	Tem	algum	treinamento	em	resgates	na	água?	Tem	algum	objeto	ou
equipamento	 de	 segurança	 que	 possa	 ajudar?	 Um	 dos	 grandes	 problemas	 dos
afogamentos,	 principalmente	 quando	 envolvem	 humanos,	 é	 que	 o	 pânico	 da
vítima	faz	com	que	ela	ativamente	afunde	a	pessoa	que	está	 tentando	ajudá-la.
Com	 animais,	 isso	 é	 mais	 difícil	 de	 acontecer,	 porque	 a	 anatomia	 deles	 não
permite	 o	 mesmo	 tipo	 de	 luta	 na	 água	 que	 os	 humanos	 conseguem.	 O	 fator
“pânico”	nos	animais	também	é	menor,	pois	eles	normalmente	sabem	nadar,	mas
se	afogam	por	exaustão	física.	Abordaremos	este	tema	com	maior	profundidade
no	capítulo	Técnicas	de	Salvamento,	mas,	 resumidamente,	 este	 é	um	dos	 tipos
mais	difíceis	de	resgate,	pois	o	socorrista	também	fica	muito	vulnerável.	e,	mais
uma	vez,	pode	 ser	melhor	pedir	 ajuda	do	que	pular	direto	na	água	e	 se	afogar
junto	com	a	vítima.	Não	morra	tentando.
O	 segundo	 “C”,	 como	 cheguei	 a	 mencionar	 rapidamente,	 será	 chamar
ajuda.	Essa	ajuda	pode	ser	a	polícia,	os	bombeiros,	ou	até	mesmo	alguém	que
esteja	passando	na	rua	ali	na	hora.	Tudo	depende	do	tipo	de	ajuda	que	você	vai
precisar.	Se	um	cachorro	 levou	um	choque	por	uma	 linha	de	alta	 tensão,	a	sua
primeira	atitude	deverá	ser	chamar	os	bombeiros,	ou	ligar	para	a	companhia	de
energia	 elétrica,	 para	 conseguir	 desligar	 a	 energia	 e	 retirar	 o	 animal	 daquela
situação	 sem	 que	 você	mesmo	 leve	 um	 choque	 também.	 Se	 for	 um	 incêndio,
chame	os	bombeiros.	Se	você	se	deparar	com	uma	rinha	em	andamento,	ou	outro
tipo	 de	 crime,	 pode	 ser	muito	 perigoso	 entrar	 lá	 sozinho	 -	 as	 chances	 são	 que
você	irá	levar	uma	surra,	ou	até	um	tiro.	Então,	chame	a	polícia.	Outra	situação:
aquele	 vizinho	 que	 você	 viu	maltratando	 o	 cachorro.	 filme,	 para	 ter	 provas,	 e
chame	 a	 polícia	 imediatamente.	 Se	 você	 invadir	 a	 casa	 dele,	 provavelmente
quem	 vai	 ser	 tratado	 como	 criminoso	 será	 você,	 por	 invasão	 de	 propriedade.
Você	pode	tentar	alegar	“legítima	defesa	de	outrem”,	mas,	como	estamos	falando
sobre	animais,	infelizmente,	se	o	seu	argumento	será	aceito	pela	polícia	ou	não,
será	sempre	uma	incógnita.	Sempre	calcule	os	riscos	envolvidos.
Em	 algumas	 situações,	 pode	 ser	 que	 não	 haja	 qualquer	 risco	 específico
para	você,	mas	o	cachorro	que	deseja	ajudar	está	muito	debilitado.	Neste	caso,
você	pode	precisar	de	ajuda	para	transportá-lo	para	uma	clínica	veterinária.	Com
humanos,	é	mais	fácil:	você	pode	chamar	uma	ambulância.	Mas,	para	os	bichos,
geralmente	essa	não	é	uma	opção.	Alguns	hospitais	veterinários	podem	oferecer
serviço	de	ambulância;	se	na	sua	cidade	tiver	algum,	anote	os	dados	de	contato
deles	no	seu	celular	e	naquela	folha	de	contatos	do	seu	kit	de	primeiros	socorros.
Assim,	 você	 conseguirá	 localizá-los	 rapidamente	 num	 caso	 de	 emergência.	 Se
não	houver	 serviço	de	 ambulância	disponível	 (mesmo	prestado	por	hospitais	 e
clínicas	 particulares)	 na	 sua	 cidade,	 talvez	 você	 precise	 chamar	 alguém	 que
tenha	um	carro	para	buscar	o	cão.	esse	alguémpode	ser	o	próprio	veterinário,	um
parente,	um	amigo,	um	vizinho,	enfim	-	quem	você	acreditar	que	pode	te	ajudar
numa	situação	dessas.	E,	novamente:	tenha	os	contatos	dessa	pessoa	anotados	no
seu	celular	e	na	folha	de	contatos	do	kit	de	primeiros	socorros,	para	não	perder
tempo	procurando	na	hora	em	que	precisar.
Os	 serviços	de	 ambulância	 veterinária	 pública	 no	Brasil	 ainda	 são	muito
incipientes.	 Algumas	 poucas	 cidades	 possuem	 o	 chamado	 “SAMUVet”,	 que
atende	 animais	 vítimas	 de	 atropelamentos	 e	 em	 situação	 de	 risco,	 mas
geralmente	 há	 restrições	 ao	 seu	 uso.	Nas	 cidades	 que	 possuem	SAMUVet,	 ela
geralmente	não	pode	ser	acionada	por	qualquer	pessoa:	é	preciso	que	alguém	das
forças	 de	 segurança	 pública	 (a	 polícia,	 por	 exemplo)	 os	 chame.	 Os	 animais
atendidos	também	costumam	ser	apenas	cães	e	gatos	de	rua,	e	não	aqueles	que	já
têm	tutores.	Informe-se	se	a	sua	cidade	possui	este	tipo	de	serviço,	e	quais	são	as
restrições	ao	seu	uso.
É	importante	pedir	ajuda	antes	de	agir,	porque,	quanto	antes	você	chamar
alguém,	 antes	 ela	 chegará.	 Além	 disso,	 alguns	 procedimentos	 de	 primeiros
socorros,	como	a	contenção	de	hemorragias	ou	a	ressuscitação	cardiopulmonar,
não	podem	ser	interrompidos.	E	você	estará	perdendo	tempo	precioso	se	já	não
houver	ajuda	a	caminho	enquanto	começa	a	atender	o	cão	acidentado.	É	claro,	se
o	 problema	 for	 algo	 mais	 leve,	 pode	 ser	 que	 você	 mesmo	 consiga	 levar	 o
cachorro	 até	 o	 veterinário,	 seja	 de	 carro,	 ou	 até	 mesmo	 a	 pé	 (se	 o	 cão	 for
pequeno).
O	 terceiro	 e	 último	 “C”	 é	 cuidar.	 Como	 exatamente	 serão	 os	 cuidados,
logicamente,	vai	depender	de	cada	situação.	E	é	sobre	isso	que	se	trata	o	nosso
livro.	 Nas	 próximas	 seções	 e	 capítulos	 aprenderemos	 a	 abordar	 um	 cão	 em
situação	de	emergência,	a	avaliar	os	seus	sinais	vitais,	e	a	estabilizá-lo,	até	que	se
consiga	 chegar	 a	 um	 veterinário.	 “Estabilizar”	 significa	 fazer	 o	 possível	 para
manter	 aquele	 animal	 vivo	 e	 com	 o	 menor	 sofrimento	 possível,	 enquanto
tentamos	 minimizar	 as	 chances	 de	 sequelas	 que	 ele	 possa	 vir	 a	 ter	 em
decorrência	 do	 acidente.	 O	 objetivo	 dos	 primeiros	 socorros	 não	 é	 substituir	 o
atendimento	veterinário,	mas	sim	melhorar	as	chances	daquele	animalzinho	que
ficou	doente	de	repente	ou	que	sofreu	um	acidente.	Para	que	isso	seja	possível,
precisamos	aprender	a	abordar	cães	em	perigo	com	segurança,	conforme	descrito
a	seguir.
Abordagem	de	cães	em	perigo
Quando	tomamos	a	decisão	de	ajudar	um	cão	que	esteja	em	uma	situação
de	 emergência,	 precisamos	 ter	 duas	 preocupações	 em	 mente:	 a	 primeira	 é	 o
cuidado	com	a	nossa	própria	segurança;	e	a	outra,	é	não	colocar	o	cão	em	uma
situação	ainda	mais	perigosa.
Todo	 animal,	 inclusive	 os	 humanos,	 tem	 um	 mecanismo	 de	 defesa
chamado	de	“reação	de	luta	ou	fuga”.	Esta	reação	é	completamente	instintiva,	e
tem	como	objetivo	 a	preservação	da	vida.	Se	um	animal	 for	 submetido	 a	uma
situação	que	possa	pôr	a	sua	vida	em	perigo,	ou	que	faça	com	que	ele	acredite
estar	em	perigo,	ele	reagirá	de	duas	formas	possíveis:	ou	ele	vai	fugir,	ou	ele	vai
lutar.	Geralmente,	tendo	a	possibilidade,	um	cão	assustado	vai	tentar	fugir.	A	não
ser	que	ele	esteja	se	sentindo	acuado,	caso	em	que	ele	 irá	 lutar.	É	por	 isso	que
acuar	um	cachorro	assustado,	mesmo	que	seja	para	tentar	ajudá-lo,	pode	ser	uma
estratégia	 perigosa.	 Ele	 não	 sabe	 qual	 é	 a	 sua	 intenção,	 e	 está	 se	 sentindo	 em
perigo.	Se	não	tiver	para	onde	correr,	ele	irá	atacar.
O	interessante	é	que	esta	reação	é	 totalmente	 instintiva,	e	pode	acontecer
inclusive	 com	o	SEU	cachorro.	Normalmente,	 o	 seu	 cachorro	 confia	 em	você.
Mas	se	ele	sofreu	um	acidente,	ou	se	estiver	muito	estressado,	ele	pode	não	estar
totalmente	ciente	do	que	está	acontecendo	–	então,	ele	pode	tentar	fugir	de	você
ou	mesmo	te	morder	se	você	decidir	acuá-lo.
O	 que	 fazer	 então	 numa	 hora	 dessas?	 Bom,	 se	 você	 pretende	 pegar	 um
cachorro,	 partindo	 do	 pressuposto	 que	 ele	 esteja	 acordado	 e	 capaz	 de	 se
movimentar,	você	não	vai	querer	que	ele	fuja.	Então,	não	corra	atrás	dele,	e	não
faça	movimentos	bruscos.	Essas	são	duas	coisas	que	quase	que	certamente	irão
despertar	 nele	 a	 reação	 de	 luta	 ou	 fuga,	 e	 você	 não	 quer	 isso.	 Aparecer
repentinamente	e	tentar	pegar	o	cão	de	surpresa	também	pode	acabar	resultando
numa	 reação	agressiva.	Ao	 invés	disso,	 tente	 conquistar	 a	 confiança	do	cão	 se
aproximando	 devagar,	 e	 o	 chamando	 de	 forma	 amigável.	 Deixe	 ele	 saber	 que
você	quer	se	aproximar,	e	que	não	pretende	machucá-lo.	Você	precisa	avaliar	se
o	cachorro	está	sendo	agressivo,	ou	se	está	apenas	assustado,	 tentando	evitar	o
contato.	A	 técnica	 a	 seguir	 se	 aplica	 a	 cães	 que	 estejam	 inseguros,	 que	 será	 a
maioria	dos	casos.
Comece	caminhando	devagar	na	direção	dele,	e	chamando	amigavelmente.
Para	alguns	cães,	isso	pode	ser	suficiente.	Oferecer	um	pouco	de	comida	também
pode	funcionar	bem.	Se	você	tiver	alguma	coisa	que	possa	servir	como	petisco,
tente	 jogar	 um	 pouco	 perto	 do	 cão,	 para	 ele	 poder	 pegar	 sem	 ter	 que	 se
aproximar	de	você	num	primeiro	momento.	Cuidado	na	hora	de	jogar,	para	não
assustar	o	cão.	procure	fazer	movimentos	lentos	e	sutis,	usando	mais	a	mão	do
que	o	braço	para	fazer	 isso.	Se	ele	se	 interessar	e	comer,	mostre	a	ele	que	 tem
mais	na	sua	mão,	e	 jogue	com	cuidado	mais	um	pouquinho,	dessa	vez	fazendo
com	que	ele	tenha	que	se	aproximar	um	pouco	mais	de	você.	Vá	fazendo	isso	até
ele	chegar	bem	perto.	Talvez	ele	aceite	até	comer	da	sua	mão.	Se	chegar	nesse
ponto,	não	o	agarre	imediatamente	.	Ofereça	o	dorso	da	mão	para	ele	cheirar,	e,
se	ele	permitir,	aos	poucos,	comece	a	fazer	carinho.	Note	que	a	parte	da	mão	que
você	oferece	para	o	cão	cheirar	deve	ser,	necessariamente,	o	dorso.	Para	os	cães,
mostrar	 a	 palma	 da	 mão	 pode	 ser	 visto	 como	 uma	 atitude	 agressiva,	 e	 eles
podem	fugir	ou	até	morder.	Você	precisa	estabelecer	uma	relação	de	confiança
agora,	então,	vá	com	calma.
Quando	ele	já	estiver	um	pouco	mais	tranquilo,	tente	colocar	uma	coleira
com	guia	no	pescoço	dele.	Faça	isso	devagar,	com	cuidado.	Alguns	cães	podem
se	assustar	quando	percebem	que	foi	colocada	uma	coleira	neles,	e	podem	tentar
fugir	ou	se	livrar	da	coleira.	Deixe	o	cão	lutar,	mas	não	solte	a	guia.	Também	não
brigue	com	ele,	não	vai	ajudar	em	nada	-	ao	 invés	disso,	 tente	mostrar	que	ele
pode	confiar	em	você.	À	medida	que	ele	permitir,	você	pode	oferecer	mais	um
pouco	 de	 comida	 ou	 carinho.	 No	 outro	 extremo,	 alguns	 cachorros	 ficam	 bem
mais	 tranquilos	 quando	 já	 estão	 de	 coleira.	 Não	 há	 como	 prever	 como	 será	 a
reação	 de	 cada	 um,	 especialmente	 quando	 falamos	 em	 cães	 de	 rua	 ou
abandonados.	Mas	o	mais	importante	é	que	a	coleira	vai	te	dar	controle	sobre	o
cão,	 evitando	que	 ele	 fuja,	 e	 também	ajudando	 a	manter	 a	 boca	 dele	 longe	 de
você,	caso	decida	te	morder.
A	 chave	 é	 conquistar	 a	 confiança	 do	 cão.	 Os	 movimentos	 devem	 ser
sempre	 lentos.	Mantenha	 os	 braços	 próximos	 ao	 seu	 corpo,	 e	 tente	 conversar
com	o	cão	de	uma	forma	que	transmita	 tranquilidade	e	segurança.	Evite	deixar
transparecer	o	seu	nervosismo	(“mamãe	tá	aquiiiiii”),	porque	isso	só	vai	deixá-lo
ainda	mais	nervoso.	Evite	contato	visual	direto,	para	que	o	cão	não	te	veja	como
uma	ameaça.	E,	por	fim,	só	se	aproxime	conforme	o	cachorro	for	permitindo.	Dê
alguns	passos	de	cada	vez,	sempre	lentamente,	e	espere	que	ele	se	adapte	à	sua
proximidade.	 Se	 ele	 começar	 a	 rosnar	 para	 você,	 espere	 um	 pouco	 até	 ele	 se
acalmar.	Se	ele	continuar	com	uma	postura	agressiva,	dê	alguns	passos	para	trás
para	 que	 ele	 fique	mais	 confortável	 antes	 de	 você	 voltar	 a	 avançar	 na	 direção
dele.	Não	estenda	a	sua	mão	na	direção	do	cachorro	até	que	você	perceba	que	ele
está	 mais	 relaxado,	 ou	 você	 pode	 acabar	 sendo	 mordido.	 Se	 conseguir	 uma
distância	 segura	 que	 te	 permita	 fazer	 isso,	mesmo	 que	 o	 cão	 esteja	 agressivo,
vocêpode	fazer	um	anel	bem	largo	com	uma	guia,	e	tentar	passar	pelo	pescoço
dele.	Como	 já	mencionei,	 o	 cachorro	 pode	 reagir	mais	 agressivamente,	 ou	 ele
pode	simplesmente	se	entregar	no	momento	em	que	você	colocar	a	coleira	nele.
Seja	como	for,	não	solte.
Há	 ainda	 uma	outra	 técnica	 que	 pode	 funcionar	 bem	 com	cachorros	 que
estejam	 inseguros	 -	 por	 exemplo,	 um	 cachorro	 que	 esteja	 perdido,	 que	 foi
abandonado,	ou	está	desorientado.	Quando	usei	 esta	 técnica	pela	primeira	vez,
eu	 estava	 junto	 com	 uma	 amiga,	 e	 ela	 disse	 que	 ficou	 impressionada	 com	 a
reação	do	 cachorro,	 disse	que	parecia	mágica.	Mas,	 vou	 tomar	 emprestadas	 as
palavras	do	Cesar	Millan,	o	Encantador	de	Cães,	para	dizer	que	tudo	se	resume	à
energia.	 E	 não	 é	 energia	 mágica,	 é	 a	 sua	 presença	 de	 espírito:	 é	 transmitir
segurança,	e	é	permitir	que	um	cão	se	comporte	como	tal.	E	usar	isso	a	seu	favor.
Vou	contar	o	que	aconteceu:
Na	 ocasião,	 a	 minha	 filha	 tinha	 3	 meses	 de	 idade,	 e	 eu	 morava	 num
condomínio	em	Brasília/DF.	Dentro	do	condomínio,	havia	uma	casa	por	onde	eu
sempre	passava.	Esta	casa	tinha	um	muro	mais	ou	menos	alto,	na	altura	do	meu
ombro,	e	um	 jardim	que	 ficava	na	altura	do	muro.	Logo	acima	do	muro	havia
grades	de	segurança,	e,	ao	lado,	um	portão	que	dava	acesso	a	uma	rampa	para	a
entrada	dos	carros.	Bom,	nessa	casa	havia	um	cachorrinho	pequeno,	um	Poodle,
que	era	tão	magrinho	que	conseguia	passar	entre	as	grades	que	tinham	em	cima
do	muro	da	 casa.	E,	 toda	vez	que	 eu	passava,	 ele	 ficava	 andando	 em	cima	do
muro,	 se	 trançando	 entre	 as	 grades,	 e	 latindo	 para	 mim.	 Não	 eram	 latidos
agressivos,	eram	latidos	de	aviso,	como	quem	diz:	“fique	longe	da	minha	casa!	”
Ele	 era	 um	 cachorro	 inseguro,	 e	 se	 sentia	 ameaçado	 por	 qualquer	 pessoa	 que
passasse	por	lá.
Mas	 acontece	 que,	 um	 certo	 dia,	 esse	 cachorro	 estava	 para	 fora	 de	 casa.
Não	 sei	dizer	 se	 ele	 caiu	para	 fora	 enquanto	passava	entre	 as	grades,	ou	 se	os
donos	da	casa	não	viram	que	ele	 tinha	saído	quando	abriram	o	portão.	Ele	não
tinha	como	voltar	para	dentro	sozinho,	porque	o	muro	era	muito	alto.	Naquele
dia,	eu	estava	levando	a	minha	filha	para	passear	no	carrinho,	e	estava	com	uma
amiga	junto.	Quando	passamos	pela	tal	casa,	lá	estava	o	cachorro,	todo	assustado
querendo	 entrar	 de	 volta,	 e	 latindo	 para	 nos	mandar	 embora.	Mas	 não	 era	 tão
corajoso	 quanto	 quando	 ele	 estava	 dentro	 de	 casa,	 era	 visível	 que	 ele	 estava
pronto	para	sair	em	disparada	a	qualquer	momento.
Pode	parecer	uma	situação	meio	boba,	mas	não	deixa	de	ser	uma	situação
de	emergência.	Aquele	cachorro	precisava	ser	 resgatado,	antes	que	se	perdesse
de	vez	ou	fosse	atropelado.	Então,	precisamos	começar	avaliando	os	3	C’s	que	já
aprendemos	na	seção	anterior.
Cenário:	o	cachorro	estava	na	frente	de	casa,	que,	por	sua	vez,	 tinha	um
portão	que	dava	direto	para	a	 rua.	Não	 tinha	calçada.	Era	um	condomínio,	por
isso	passavam	poucos	carros,	mas	passavam.	Era	um	cachorro	que	estava	muito
assustado,	 e	 latia	 para	 nos	 avisar	 que	 não	 queria	 aproximações.	 Podíamos	 ver
que	ele	estava	fisicamente	bem,	o	que	certamente	nos	deixaria	em	desvantagem
se	ele	saísse	correndo.	Além	disso,	eu	tinha	comigo	um	carrinho	de	bebê,	com
uma	criança	dentro.	Eu	não	poderia	pôr	a	minha	filha	em	risco	enquanto	tentava
resgatar	o	cachorro.	Por	sorte,	tinha	uma	amiga	junto.
Chamar	ajuda:	Eu	precisava	de	ajuda	naquela	situação	-	como	eu	disse,
estávamos	numa	rua	sem	calçada,	e	com	um	bebê	no	carrinho.	A	primeira	ajuda
de	que	eu	precisaria	seria	alguém	para	garantir	a	segurança	da	minha	filha.	Por
sorte,	eu	estava	com	uma	amiga	na	hora.	Se	estivesse	na	rua	sem	uma	amiga,	eu
jamais	entregaria	a	minha	filha	a	uma	pessoa	desconhecida	–	e,	nesse	caso,	eu
precisaria	 encontrar	 alguém	 disposto	 a	 ajudar	 o	 cachorro.	 Pois	 bem,	 a	 minha
amiga	 se	 prontificou	 a	 ficar	 com	 a	minha	 filha	 enquanto	 eu	 entrava	 em	 ação.
Pensei	em	pedir	uma	segunda	ajuda:	os	donos	da	casa	poderiam	abrir	o	portão	e
simplesmente	deixar	o	cachorro	entrar.	Mas	toquei	a	campainha	várias	vezes,	e
ninguém	apareceu.	Então,	chegou	a	hora	de	dar	o	terceiro	passo:	cuidar.
Cuidar:	 nesse	 caso,	 estamos	 falando	 sobre	 um	 cachorro	 que	 estava
fisicamente	bem,	e	a	ajuda	de	que	ele	precisava	seria,	simplesmente,	conseguir
voltar	 para	 casa.	 Mas,	 para	 isso,	 eu	 precisaria	 pegá-lo,	 e	 eu	 não	 tinha	 nada
comigo	 que	 pudesse	 ajudar	 -	 não	 tinha	 comida,	 não	 tinha	 coleiras,	 não	 tinha
nada.	E	o	cachorro	não	queria	saber	de	mim.	Se	ele	saísse	correndo,	poderia	ser
atropelado;	e,	se	não	fosse	atropelado,	eu	dificilmente	conseguiria	alcançá-lo.	O
que	eu	fiz?	É	aqui	que	fica	interessante,	porque,	com	cães	inseguros,	você	verá
que	é	uma	técnica	que	funciona	bem:	bem	devagar,	me	aproximei	do	cãozinho,
sem	olhar	muito	para	ele.	De	costas	para	ele,	me	abaixei,	e	fiquei	espiando	com
o	 canto	 do	 olho	 para	 ver	 onde	 ele	 estava	 e	 como	 reagia.	Os	 cães	 são	 animais
curiosos,	e,	ao	ficar	nessa	posição,	eu	mostrei	a	ele	que	eu	não	era	uma	ameaça.
Isso	lhe	deu	coragem	para	tentar	me	conhecer.	Devagar,	ele	se	aproximou	e	me
cheirou,	curioso,	enquanto	eu	continuei	parada,	sem	falar,	sem	me	mover,	e	sem
olhar	 para	 ele.	 Ele	 foi	 se	 aproximando,	 me	 rodeando.	 Quando	 estava	 bem
próximo	da	minha	mão,	 aí	 sim	eu	 lentamente	ofereci	o	dorso	da	mão	para	 ele
cheirar.	Como	já	falei	antes,	é	sempre	o	dorso	da	mão	que	devemos	oferecer;	a
palma	 da	 mão	 pode	 ser	 vista	 como	 uma	 ameaça,	 e	 pode	 acabar	 com	 todo	 o
progresso	que	você	já	tinha	feito.	Ele	cheirou,	e	aí	fui	fazendo	como	expliquei	no
caso	 anterior,	 que	 é	 quando	 o	 cachorro	 se	 aproxima	 porque	 você	 chamou,	 ou
porque	 você	 está	 oferecendo	 comida:	 fui	 fazendo	 carinho	 na	 cabecinha,	 bem
devagar,	e,	quando	ele	relaxou,	peguei-o	com	cuidado.	Ele	continuou	amigável,
sem	 qualquer	 sinal	 de	 estresse.	 Coloquei-o	 de	 volta	 em	 cima	 do	muro	 da	 sua
casa,	e	ele	passou	pela	grade	todo	feliz.	Em	seguida,	retomou	a	sua	pose	de	“vá
embora	da	minha	casa!	”	-	Só	que,	agora,	muito	mais	confiante.
Por	que	funcionou?	Porque	ele	era	um	cachorro	inseguro.	Se	eu	começasse
a	 persegui-lo,	 não	 conseguiria	 pegá-lo.	 Funciona	 também	 com	 os	 nossos
próprios	cães,	eles	ficam	bem	curiosos	quando	veem	alguém	nessa	posição.
Mas,	e	numa	situação	em	que	o	cachorro	esteja	 realmente	acuado,	e	seja
difícil	 fazer	 com	que	 ele	 se	 aproxime	voluntariamente?	Uma	opção	 é	 usar	 um
lençol	ou	cobertor	para	cobrir	o	animal.	Você	deve	agir	com	segurança	e	rapidez,
para	 conseguir	 jogar	 a	 coberta	 sobre	 ele	 e	 agarrá-lo	 rapidamente.	 Com	 o
cachorro	 devidamente	 coberto,	 ele	 ficará	 temporariamente	 sem	 reação,	 e	 você
terá	 alguns	 segundos	 para	 agir,	 sendo	 primordial	 que	 você	 consiga	 ser	 mais
rápido	do	que	ele.	Se	for	um	cachorro	pequeno,	você	pode	pegá-lo	no	colo	assim
mesmo.	Coloque-o	junto	do	seu	peito,	e	descubra	cuidadosamente	a	cabeça	dele,
mantendo	 o	 cobertor	 entre	 o	 seu	 corpo	 e	 ele,	 para	 que	 o	 cão	morda	 apenas	 o
cobertor,	se	houver	este	risco.	Se	for	um	cachorro	maior,	aproveite	o	seu	tempo
para	passar	rapidamente	uma	coleira	pela	cabeça	dele,	ao	mesmo	tempo	em	que
retira	o	pano	de	cima.
E	 o	 cambão?	 Para	 quem	 não	 conhece,	 o	 cambão	 é	 um	 tipo	 de	 coleira
unificada,	mas	que,	ao	invés	de	ter	uma	guia	comum,	a	guia	passa	dentro	de	um
tubo.	 O	 tubo	 geralmente	 é	 de	 metal,	 de	 PVC,	 ou	 de	 algum	 plástico	 bem
resistente.	Ele	serve	para	aqueles	casos	em	que	você	não	consegue	se	aproximar
com	segurança	do	cão,	a	ponto	de	conseguir	estender	o	seu	braço	sobre	a	cabeça
dele	para	tentar	passar	a	coleira	sem	correr	o	risco	de	ser	mordido.
O	 cambão	 é	 uma	 ferramenta	 que	 deve	 reservada	 para	 os	 cães	 que	 sejam
realmente	 agressivos.	A	princípio,	 para	 a	maioria	 das	 pessoas,	 não	há	motivos
para	se	ter	um	desses	em	casa.	O	cachorro	pode	ficar	estressado	com	esse	tipo	de
manejo,	 e,	 na	 medida	 do	 possível,devemos	 trabalhar	 mais	 no	 sentido	 de
conquistar	 a	 confiança	 dele	 do	 que	 pegá-lo	 literalmente	 na	marra.	Há	 casos	 e
casos,	 e,	 infelizmente,	 às	 vezes	 o	 cambão	 pode	 ser	 necessário	mesmo.	 Assim
como	a	sedação.
A	 sedação	 é	 outro	 recurso	 extremo	 que	 eventualmente	 pode	 ser	 útil	 no
resgate	de	cães	que	estejam	em	situação	de	risco.	É	bom	evitar	de	se	recorrer	a
este	tipo	de	técnica,	porque,	quando	chegamos	ao	ponto	de	precisar	sedar	um	cão
para	resgatá-lo,	é	porque	não	conhecemos	este	animal.	Nós	não	sabemos	se	ele
tem	 algum	 problema	 de	 saúde,	 e	 também	 não	 temos	 o	 seu	 peso	 exato	 para
podermos	 calcular	 a	 dose.	 Outro	 detalhe	 importante	 é	 que	 os	 sedativos	 são
medicamentos	controlados,	e	você	não	conseguirá	comprar	um	sem	prescrição.
Normalmente,	são	usados	sedativos	orais	para	esse	tipo	de	resgate.	O	que	se	faz
é	colocar	uma	isca,	como	um	pedaço	de	carne,	com	o	medicamento	em	cima	ou
misturado.
Se	você	acreditar	que	vai	precisar	usar	um	sedativo	para	resgatar	um	cão,
então	você	vai	 precisar	 falar	 com	o	 seu	médico	veterinário	para	que	 ele	 possa
fazer	uma	prescrição	ou	te	vender	uma	dose.	Ele	também	te	dará	as	orientações
quanto	à	forma	de	usar	aquele	sedativo.	Supondo	que,	por	alguma	razão,	você	já
tenha	um	sedativo	para	cães	em	casa,	ligue	para	o	veterinário	mesmo	assim,	para
se	certificar	de	que	a	dose	que	você	está	pretendendo	usar	é	a	correta.	Na	medida
do	possível,	 os	 sedativos	devem	ser	 evitados,	pois	podem	 ter	 efeitos	 adversos,
especialmente	se	administrados	nas	dosagens	erradas	e/ou	para	cães	com	certos
tipos	de	doenças.
Uso	da	focinheira
Finalmente,	chegamos	ao	cão.	Ele	pode	estar	acordado,	íntegro	ou	ferido.
pode	estar	de	vários	jeitos.	Mas	uma	coisa	é	certa:	numa	situação	de	emergência,
ele	 vai	 estar	 assustado.	 Já	 aprendemos	 que	 um	 cachorro	 assustado,
principalmente	acuado,	pode	reagir	agressivamente.	E	isso	inclui	o	seu	cão.
Se	você	 já	conseguiu	chegar	até	o	cachorro	e	mantê-lo	sob	controle	com
uma	coleira,	é	hora	de	começar	a	lidar	com	ele.	Mas,	mais	uma	vez,	você	deve	se
preocupar	 com	 a	 sua	 própria	 segurança.	 A	 ferramenta	 mais	 importante	 nesse
momento	será	a	focinheira.	Por	mais	manso	que	um	cachorro	seja,	se	ele	estiver
ferido	 ou	 estressado,	 coloque	 a	 focinheira	 nele	 antes	 de	 começar	 a	 cuidar.	 A
exceção	 à	 regra	 será	 se	 o	 cachorro	 estiver	 afogado,	 ou	 com	 dificuldade	 para
respirar.	 nesse	 caso,	 ele	 vai	 estar	 mais	 preocupado	 em	 respirar	 do	 que	 em	 te
morder,	 e	a	 focinheira	pode	atrapalhar	ainda	mais	a	 respiração	dele.	Fora	 isso,
coloque	a	focinheira	e,	tenha	sempre	uma	focinheira	em	casa.
Vimos	no	capítulo	sobre	o	kit	de	primeiros	socorros	que	existem	diferentes
modelos	 de	 focinheira.	 Para	 pequenos	 procedimentos	 e	 curativos,	 as	melhores
focinheiras	são	aquelas	de	plástico	mesmo,	que	limitam	bem	a	boca	do	cachorro
e	 impedem	 a	 mordida.	 É	 diferente	 da	 focinheira	 de	 passeio,	 que	 pode	 ser	 de
nylon,	ou	do	tipo	“gaiola”.	Na	hora	de	comprar,	observe	bem	o	tamanho	do	seu
cachorro,	para	se	certificar	de	que	a	focinheira	se	encaixa	bem	no	focinho	dele,
sem	apertar,	mas	também	sem	deixar	muito	espaço	sobrando.	Ela	deve	ficar	justa
e	confortável.	As	focinheiras	de	plástico	possuem	tiras	que	são	inteiras	de	velcro,
para	facilitar	o	ajuste.	Na	hora	de	colocar,	sabendo	que	o	cachorro	pode	reagir	de
forma	 agressiva,	 não	 ponha	 a	 mão	 na	 boca	 dele;	 ao	 invés	 disso,	 você	 deve
segurar	 pelas	 tiras	 bem	 abertas,	 e	 guiá-las	 para	 fazer	 com	 que	 o	 focinho	 do
cachorro	entre	na	focinheira.	Em	seguida,	ajuste	as	pontas	atrás	da	cabeça	dele,
cuidando	 para	 não	 apertar	 demais,	 mas	 também	 não	 deixar	 frouxo,	 ou	 o	 cão
conseguirá	 se	 livrar	 dela	 com	 muita	 facilidade.	 Assim	 que	 colocamos	 uma
focinheira	em	um	cão,	podemos	esperar	duas	reações	possíveis,	da	mesma	forma
que	com	as	 coleiras:	 tem	cachorro	que	 fica	 até	mais	 tranquilo,	 e	 tem	cachorro
que	 fica	 nervoso	 e	 tenta	 tirá-la	 com	 as	 patas.	 Se	 ele	 tentar	 tirar	 com	 as	 patas.
Segure	 pelas	 tiras	 para	 que	 ele	 não	 consiga.	 Pelo	menos,	 ele	 não	 consegue	 te
morder.
Recomendo	 sempre	 aos	 tutores	 que	 não	 simplesmente	 tenham	 uma
focinheira	em	casa,	mas	que	efetivamente	a	usem	ocasionalmente.	A	intenção	é
criar	 uma	 associação	 positiva	 com	 a	 focinheira,	 diminuindo	 assim	 a
probabilidade	de	que	o	 cão	 fique	nervoso	e	 tente	 se	 livrar	dela	quando	ela	 for
efetivamente	 necessária.	 Como	 assim?	 Se	 o	 seu	 cão	 não	 usa	 focinheira	 para
passear,	 então	 esporadicamente	 coloque	 a	 focinheira	 nele	 e	 deixe	 por	 alguns
segundos,	 ou	 mesmo,	 minutos.	 Fique	 com	 ele	 o	 tempo	 todo	 e	 agrade,	 faça
carinho.	Ao	tirar,	recompense.	Ele	foi	um	bom	cachorro	por	aceitar	a	focinheira!
Isso	 evita	 que	 o	 cão	 associe	 a	 focinheira	 a	 experiências	 exclusivamente
negativas.	 Afinal,	 quando	 mesmo	 usamos	 as	 focinheiras?	 No	 consultório
veterinário,	 para	 aplicar	 vacinas,	 para	 fazer	 curativos,	 e,	 de	 forma	 geral,	 para
manipular	os	cães	de	maneiras	que	sabemos	que	podem	não	ser	bem	aceitas.	Os
cães	são	animais	inteligentes	o	suficiente	para	fazerem	esta	correlação.	Se	todas
as	experiências	de	um	cachorro	com	focinheiras	forem	dolorosas	ou	estressantes,
ele	poderá	se	tornar	agressivo	simplesmente	ao	ver	uma	focinheira,	e	tornar	tudo
muito	mais	difícil	e	perigoso	para	todos.	Se,	por	outro	lado,	ele	estiver	habituado
a	 usar	 a	 focinheira	 por	 curtos	 períodos	 enquanto	 recebe	 carinho	 e	 é
recompensado	depois,	ele	ficará	até	feliz	de	usá-la	quando	precisar.
Mas	e	se	não	 tiver	uma	focinheira	mesmo,	dá	para	 improvisar?	Dá.	Para
improvisar	 uma	 focinheira	 em	 uma	 situação	 de	 emergência,	 você	 pode	 usar
ataduras,	 meias,	 e	 até	 fitilho.	 Tome	 o	 cuidado	 de	 escolher	 um	 material	 bem
resistente,	 principalmente	 se	 for	 um	 cachorro	 grande,	 e	 também	 que	 não	 seja
muito	 fino	 –	 como	 um	 fio	 de	 nylon,	 que	 é	 resistente	 mas	 pode	 machucar	 o
cachorro.	A	minha	primeira	escolha	normalmente	são	ataduras.	Pratique	em	casa
com	 o	 seu	 cachorro	 para	 aprender	 e	 adquirir	 confiança	 (e	 não	 se	 esqueça	 de
recompensá-lo	pelo	bom	comportamento!).
A	primeira	coisa	que	você	deve	fazer	é	dar	um	nó	mais	ou	menos	no	meio
do	 cordão	 ou	 da	 atadura	 que	 estiver	 usando	 para	 improvisar	 a	 focinheira.	 Em
seguida,	prepare	um	laço,	como	se	fosse	dar	mais	um	nó,	mas	não	feche.	Forme
um	anel	bem	 largo,	 para	que	 fique	mais	 fácil	 de	pegar	o	 focinho	do	 cachorro,
principalmente	 se	 ele	 ficar	 tentando	desviar.	Passe	o	 laço	ao	 redor	do	 focinho,
posicionando	 aquele	 primeiro	 nó	 abaixo	 da	 mandíbula	 do	 cão,	 e	 rapidamente
puxe	 as	 duas	 pontas	 para	 fechar	 o	 laço,	 fechando	 também	 a	 boca	 do	 animal.
Aperte	um	pouco	para	ficar	firme,	mas	sem	exagerar	para	não	cortar	a	circulação
dele.	Passe	 então	 as	 pontas	 por	 baixo	do	 focinho,	 cruzando-as,	 e	 puxe-as	 para
trás	das	orelhas	do	cão.	Amarre	atrás	da	cabeça,	fazendo	um	laço,	que	será	fácil
de	 soltar	 e	 não	 precisa	 cortar	 ou	 estressar	 o	 animal	 por	mais	 tempo	 do	 que	 o
necessário.
Transporte	de	animais	feridos
Depois	de	colocar	a	focinheira	no	cão,	você	pode	precisar	carregá-lo	para
algum	 lugar.	 Essa	 tarefa	 de	 transportar	 o	 cachorro	 pode	 ser	 mais	 ou	 menos
difícil,	 dependendo	 do	 tamanho	 dele,	 e	 também	 do	 tipo	 de	 ferimento	 que	 ele
tenha.	 Supondo	 que	 o	 seu	 cachorro	 tenha	 sofrido	 uma	 fratura,	 por	 exemplo,	 o
ideal	é	movimentá-lo	o	mínimo	possível,	principalmente	 se	houver	 suspeita	de
lesão	em	coluna.
Ainda	 que	 o	 ideal	 em	várias	 situações	 seja	 uma	maca,	 na	 prática,	 isso	 é
bem	difícil	de	acontecer.	E,	mesmo	que	você	possa	improvisar	uma	maca,	se	o
cachorro	for	grande,	pode	ser	que	ela	não	caiba	no	carro.	Então,	você	continua
tendo	um	problema	para	transportá-lo.
Para	um	cachorro	pequeno,	uma	opção	que	funciona	muito	bem	são	caixas
de	papelão.	Erga-o	com	cuidado,	para	colocar	dentroda	caixa,	ou	improvise	uma
maca	com	um	pedaço	de	papelão	mesmo.	A	caixa	pode	ser	interessante	mesmo
que	 ele	 não	 tenha	 sofrido	 nenhuma	 fratura,	 pois	 facilita	 bastante	 o	 transporte,
principalmente	dentro	do	carro.	Além	de	evitar	que	o	banco	do	seu	carro	de	suje
com	 sangue,	 terra,	 ou	 o	 que	 mais	 tiver,	 a	 caixa	 mantém	 o	 seu	 cão	 seguro
enquanto	você	dirige,	principalmente	se	estiver	sozinho.	Conforme	o	tamanho	do
cachorro	e	da	caixa,	você	pode	colocá-la	no	chão	do	carro	ou	em	cima	do	banco,
usando	 o	 cinto	 de	 segurança	 para	 mantê-la	 no	 lugar.	 Se	 tiver	 uma	 caixa	 de
transporte,	use,	mas	dê	preferência	àqueles	modelos	que	podem	ser	abertos	por
cima,	para	facilitar	na	hora	de	tirar	o	cão.	Isso	porque	a	caixa	faz	com	que	o	cão
se	sinta	seguro,	mas	ele	pode	se	assustar	e	morder	alguém	que	tente	retirá-lo	de
lá	pela	portinha.
Para	 transportar	 gatos	 em	 caixas	 de	 papelão,	 cubra	 com	 um	 lençol	 ou
cobertor	 especialmente	 em	 áreas	 externas.	 Se	 o	 bichano	 estiver	 razoavelmente
consciente	e	a	caixa	estiver	totalmente	aberta,	você	corre	o	risco	de	que	ele	pule
para	fora	da	caixa	e	fuja.	Se	for	comprar	uma	caixa	de	transporte	para	o	seu	gato,
prefira	também	aqueles	modelos	que	podem	ser	abertos	por	cima	e	desmontados
com	facilidade	em	caso	de	necessidade.
Os	 cães	 pequenos	 têm	ainda	mais	 uma	opção:	 as	 cadeirinhas	 para	 carro.
Elas	 ficam	presas	 ao	 banco	 do	 carro	 usando	 o	 cinto	 de	 segurança,	 e	 têm	uma
guia	própria	para	ser	engatada	à	peitoral	do	cão	durante	o	transporte.
No	caso	de	cachorros	grandes,	você	pode	 improvisar	uma	maca	com	um
lençol,	 para	 transportá-lo	 sem	movimentar	 demais.	 Coloque	 o	 lençol	 atrás	 do
cão,	e	role-o	cuidadosamente	para	cima	dele.	Tente	centralizar	o	cão	para	poder
carregar.	O	 ideal	 é	 que	 haja	 duas	 pessoas	 -	 assim,	 cada	 uma	 carrega	 um	 lado.
Essa	técnica	pode	ser	usada	se	o	cachorro	estiver	inconsciente,	ou	então,	se	ele
estiver	muito	ferido.	Se	estiver	muito	alerta	ele	pode	se	debater	e	cair	do	lençol.
Se	você	estiver	sozinho	e	o	cachorro	for	muito	pesado	para	ser	carregado,	arraste
o	 lençol	 cuidadosamente	 com	o	 cachorro	 em	 cima.	Neste	 caso,	 de	 preferência
use	um	outro	material	mais	resistente,	que	não	vá	rasgar,	e	que	também	proteja	o
cachorro	enquanto	ele	estiver	sendo	puxado.	Puxe	apenas	em	distâncias	curtas,
como	por	exemplo,	para	tirar	o	cachorro	do	meio	de	uma	rua,	de	um	incêndio,	ou
outra	situação	de	alto	risco.	Se	estiver	em	casa	ou	em	outra	situação	que	possa
esperar	 um	 pouco	 para	movimentar	 o	 animal,	 tente	 conseguir	 ajuda	 para	 isso.
Tenha	a	sua	lista	de	contatos	bem	completa	para	saber	quem	pode	chamar	numa
hora	dessas,	mesmo	que	seja	apenas	para	ter	mais	um	par	de	mãos	para	te	ajudar
a	colocar	o	cachorro	no	carro,	caso	não	consiga	fazer	isso	sozinho.
Quando	for	colocar	no	carro,	se	o	cachorro	estiver	“solto”	ou	na	maca	de
lençol	improvisada,	coloque	as	costas	dele	encostando	no	banco	de	trás	do	carro,
para	diminuir	a	chance	de	que	ele	role	para	o	chão,	e	dirija	com	cuidado.	Se	for
um	cachorro	grande	e	inconsciente,	tente	passar	um	cinto	de	segurança	por	cima
dele.	Isso	pode	mais	ser	difícil	se	ele	for	menor	ou	se	estiver	se	mexendo.	Se	o
cão	estiver	 consciente	 e	não	 tiver	 ferimentos	no	peito,	 você	pode	 colocar	uma
peitoral	nele	e	prender	naquela	alça	que	 tem	atrás	do	banco	do	carro,	ou	então
usar	um	cinto	de	segurança	próprio	para	cães.
O	 cão	deve	 ficar	 preso	no	 carro,	 assim	como	nós	 também	devemos	usar
cinto	 de	 segurança.	 Além	 de	 impedir	 que	 o	 cão	 eventualmente	 atrapalhe	 o
motorista,	o	cinto	também	evita	que	ele	caia,	role	para	baixo,	ou	até	mesmo	seja
lançado	para	fora	do	carro	se	houver	um	acidente.
E,	por	fim.	para	onde	levar?	Depende	da	situação.	Se	for	algo	muito	grave,
leve	 para	 a	 clínica	 veterinária	 mais	 próxima	 e	 que	 esteja	 aberta	 naquele
momento.	 Alguns	 médicos	 veterinários	 ficam	 de	 sobreaviso	 24	 horas,	 mas	 é
preciso	 ligar	 para	 eles	 para	 avisar	 que	 você	 está	 indo.	 Descubra	 se	 o	 seu
veterinário,	ou	 se	a	clínica	que	 tem	perto	da	 sua	casa,	 atendem	dessa	maneira,
para	 que	 você	 tome	 o	 cuidado	 de	 ligar	 para	 avisar	 caso	 precise	 de	 um
atendimento	 fora	 do	horário	 comercial.	Assim,	 você	 aumenta	 a	 chance	de	 não
encontrar	 tudo	fechado,	e	 ter	que	fazer	uma	peregrinação	de	clínica	em	clínica
até	encontrar	alguma	que	esteja	atendendo	-	principalmente	se	for	de	madrugada
ou	em	um	final	de	semana.	Aprenderemos	nos	próximos	capítulos	como	avaliar
a	 gravidade	 de	 uma	 situação,	 para	 que	 você	 saiba	 melhor	 como	 agir	 -	 por
exemplo,	 que	 casos	 precisam	 de	 atendimento	 imediato,	 e	 que	 casos	 podem
esperar	 algumas	 horas,	 ou	 até	mesmo	 dias,	 para	 que	 você	 agende	 um	 horário
com	o	seu	médico	veterinário.
Capítulo	5.	Avaliando	Sinais	Vitais	e	Reconhecendo
Emergências
O	que	é	uma	emergência
Uma	regra	bem	simples	que	podemos	usar	para	identificar	uma	emergência
é:	“se	você	acha	que	pode	ser	uma	emergência,	então	é	uma	emergência”.	Confie
nos	seus	instintos!	Se	algo	parecer	muito	errado,	é	provável	que	esteja	mesmo.
De	qualquer	forma,	é	melhor	pecar	pelo	excesso	do	que	pela	falta	de	cuidado.	Se
estiver	na	dúvida,	ligue	para	a	clínica	veterinária	que	você	frequenta,	ou	mesmo
para	o	seu	veterinário,	se	você	tiver	o	telefone	dele,	e	descreva	a	situação.	Eles
com	certeza	saberão	dizer	se	o	seu	cachorro	precisa	ser	atendido	imediatamente,
se	 ele	 deve	 aguardar	 um	 encaixe	 naquele	 mesmo	 dia,	 ou	 se	 você	 pode
simplesmente	marcar	uma	consulta	assim	que	possível.	Para	que	você	tenha	um
parâmetro,	darei	a	seguir	alguns	exemplos	de	cada	situação.
Primeiro:	 leve	 ao	 veterinário	mais	 próximo	 imediatamente,	 se	 o	 seu
cão	ou	o	cão	do	seu	cliente:
·	 	 	Foi	 atropelado,	 mesmo	 que	 pareça	 bem.	 Como	 veremos	 no	 capítulo	 sobre
atropelamentos,	algumas	lesões	bem	graves	podem	não	ser	visíveis;
·	 	 	 Estava	 dentro	 de	 um	 carro	 que	 bateu,	 pelos	 mesmos	 motivos	 que	 o	 cão
atropelado;
·	 	 	Sofreu	algum	tipo	de	trauma,	como	uma	queda	de	uma	altura	razoável,	uma
briga	de	cães,	ou	apareceu	subitamente	ferido	ou	mancando;
·			Perdeu	a	consciência,	independentemente	da	causa;
·	 	 	 Estiver	 sangrando	 incontrolavelmente,	 mesmo	 depois	 que	 você	 já	 aplicou
pressão	no	local	ou	gelo;
·			Tiver	dificuldade	para	respirar;
·	 	 	Tiver	dificuldade	para	urinar,	com	sangue	na	urina,	ou	urina	com	a	coloração
alterada	 -	 por	 exemplo,	 urina	 avermelhada	 ou	 cor	 de	Coca-Cola	 é	 sinal	 de
urgência.	Leve	imediatamente;
·	 	 	Tiver	diarreia	com	sangue.	Uma	diarreia	 leve	pode	não	ser	 tão	urgente,	mas
diarreia	 com	 sangue	 pode	 significar	muita	 coisa,	 e	 é	 importante	 que	 o	 seu
cachorro	seja	atendido	o	quanto	antes	possível.
·			Estiver	em	choque.	Falaremos	em	breve	sobre	como	reconhecer	o	choque.
Você	pode	tentar	conseguir	um	encaixe	para	o	mesmo	dia,	se	o	seu	cão
ou	o	do	seu	cliente:
·			Parecer	estar	desconfortável	com	alguma	coisa,	por	exemplo,	choramingando,
se	mordendo	ou	coçando	muito,	não	quiser	se	alimentar;
·			Já	tiver	alguma	doença	conhecida	e	em	tratamento,	e	começar	a	mostrar	algum
sinal	de	que	a	doença	está	voltando	a	se	manifestar;
·	 	 	Estiver	 tomando	 algum	medicamento,	 e	 começar	 a	 se	 comportar	 de	 forma
estranha;
·	 	 	Tiver	 um	machucado	menor,	 no	 qual	 você	 conseguiu	 aplicar	 os	 primeiros
socorros;
·	 	 	 Estiver	 com	 problemas	 nos	 olhos,	 como	 muita	 secreção,	 lacrimejamento,
coceira,	 ou	 dor	 nos	 olhos	 (um	 cachorro	 com	 dor	 nos	 olhos	 ou	 na	 boca
costuma	 colocar	 as	 patinhas	 da	 frente	 na	 frente	 do	 focinho,	 e	 fica
esfregando).
·			Tiver	dificuldade	para	defecar,	por	exemplo,	faz	força,	mas	não	sai	nada,	ou	se
tiver	um	pouquinho	só	de	sangue	nas	fezes	dele;
·			Tiver	uma	diarreia	moderada.
Se,	mesmo	 assim,	 você	 continuar	 na	 dúvida	 se	 o	 que	 você	 está	 vendo	 é
uma	 emergência	 ou	 não,	 confie	 nos	 seus	 instintos.	Mesmo	 que	 você	 já	 tenha
ligado	para	o	veterinário,	e	queele	tenha	dito	que	não	é	nada	preocupante,	mas
você	 continuar	 com	 uma	 pulguinha	 atrás	 da	 orelha,	 leve	 mesmo	 assim.	 Não
tenha	 medo	 de	 ficar	 parecendo	 chato.	 Lembre-se:	 É	 melhor	 você	 passar	 por
“chato”	 do	 que	 esperar	 um	 problema	 pequeno	 se	 tornar	 grande,	 e	 isso
eventualmente	custar	a	vida	ou	o	bem-estar	do	seu	cão.	Qualquer	problema	que
ele	possa	ter,	será	mais	fácil	de	resolver	se	for	identificado	no	início.
O	ABC	da	Vida
Airway:	Vias	Aéreas
Agora	 que	 já	 sabemos	 o	 básico	 sobre	 prevenção	 de	 acidentes	 e	 como
reconhecer	uma	emergência,	vamos	aprender	a	avaliar	um	paciente	-	no	caso,	um
cachorro	-	que	esteja	doente	ou	que	tenha	sofrido	algum	acidente.
O	nosso	primeiro	passo	será	avaliar	o	“ABC	da	Vida”,	também	conhecido
como	“ABC	do	Trauma”.	ABC	é	uma	sigla	para	facilitar	a	nossa	memorização
de	 quais	 serão	 os	 primeiros	 e	 mais	 importantes	 parâmetros	 que	 precisaremos
avaliar	 em	 qualquer	 situação	 de	 emergência	 -	 seja	 para	 humanos,	 seja	 para
animais.	Esta	avaliação	deve	ser	feita	sempre	muito	rapidamente,	embora	alguns
casos	sejam	mais	fáceis	de	se	avaliar	do	que	outros.
O	ABC	deve	 ser	 lembrado	 sempre	necessariamente	na	ordem	em	que	 as
letras	aparecem,	para	que	cada	problema	possa	ser	tratado	com	a	prioridade	que
merece.	A	 sigla	 é	 em	 inglês,	 então	 algumas	 adaptações	 são	 necessárias	 para	 o
português,	mas	a	lógica	é	a	mesma.	Então,	vamos	lá:
A	 letra	“A”	significa	“airway”,	 ou,	 em	português,	vias	aéreas.	 Isso	 quer
dizer	 que	 a	 nossa	 primeira	 prioridade	 será	 descobrir	 se	 tem	 alguma	 coisa
obstruindo	as	vias	aéreas	do	animal	 -	o	nariz	e	a	boca.	Não	adianta	 iniciarmos
uma	ressuscitação	cardiopulmonar	em	um	cão	que	 tenha	uma	bola	entalada	na
garganta,	o	ar	não	vai	passar.	E	o	cão	não	vai	se	recuperar	se	não	tirarmos	aquela
bola	 dali.	 Para	 avaliar	 as	 vias	 aéreas,	 basicamente,	 precisamos	 olhar	 o	 para	 o
bicho.	 Um	 cachorro	 que	 esteja	 engasgado,	 ou	 tenha	 algum	 objeto	 preso	 que
esteja	 atrapalhando	 a	 respiração,	 faz	 bastante	 esforço	 para	 respirar.	 E,	 quando
consegue,	faz	um	barulho	chiado,	fino	(“iiiihhh”),	porque	o	ar	está	passando	com
dificuldade.	Ele	pode	ficar	com	a	língua	azulada	-	a	não	ser	que	seja	um	Chow
Chow	ou	um	Shar	Pei	(nestas	duas	raças	pode	ser	um	pouco	mais	difícil	mesmo
de	avaliar	esse	aspecto,	porque	a	 língua	deles	 já	é	azul	em	condições	normais,
mas	as	outras	características	de	qualquer	cachorro	com	dificuldade	 respiratória
estarão	presentes).	E,	por	fim,	ele	pode	perder	a	consciência	-	ou	seja,	desmaiar.
Se	você	observar	que	o	cachorro	está	consciente,	olhando	para	você,	e	não
faz	esforço	algum	para	respirar,	não	precisa	nem	se	preocupar	com	isso:	ele	não
tem	obstruções,	é	capaz	de	respirar,	e	certamente	tem	batimentos	cardíacos.	Mas,
se	ele	estiver	inconsciente	ou	mostrando	dificuldade,	examine.	Por	hora,	não	use
a	focinheira,	para	não	dificultar	ainda	mais	a	respiração	do	animal.	Abra	a	boca
dele,	puxe	a	 língua	para	 fora,	e	olhe	no	 fundo	da	garganta.	Se	a	 língua	estiver
muito	 escorregadia,	 use	 um	pedaço	de	gaze	 ou	pano	 limpo	para	 segurar;	 e,	 se
tiver	uma	lanterna	para	conseguir	olhar	melhor	lá	dentro,	use.	Se	houver	muita
secreção,	 saliva,	 sangue,	 ou	 qualquer	 tipo	 de	 líquido	 na	 boca,	 retire	 o	 excesso
usando	 uma	 gaze	 ou	 pano	 limpo.	 Pode	 ser	 que	 só	 isso	 já	 seja	 suficiente	 para
liberar	as	vias	aéreas	dele;	ou	pode	ser	que,	no	mínimo,	isso	te	permita	examinar
melhor	a	boca	e	a	garganta.	Se	encontrar	algum	objeto	que	você	consiga	pegar
com	os	dedos	ou	com	uma	pinça,	pegue.	Só	tome	cuidado	para	não	jogar	ainda
mais	para	dentro.
Faça	o	procedimento	que	descrevi	acima	 se	o	cachorro	permitir.	Se	ele
começar	 a	 lutar,	 pare.	Além	 do	 risco	 de	 você	 pode	 levar	 uma	mordida,	 o	 cão
ficará	mais	estressado	e	terá	ainda	mais	dificuldade	para	respirar.	Então,	se	não
conseguir	abrir	a	boca	dele	para	examinar,	mas	tiver	razoável	certeza	de	que	ele
está	engasgado,	você	pode	passar	para	os	próximos	passos,	que	serão	a	manobra
de	 Heimlich	 ou	 a	 técnica	 do	 balanço.	 Se	 estas	 técnicas	 não	 funcionarem,	 ele
pode	acabar	desmaiando	–	e,	aí	sim,	você	conseguirá	examinar	a	boca	dele.	Mas
tentemos	evitar	que	chegue	a	esse	ponto.
A	manobra	de	Heimlich	é	muito	usada	em	humanos,	 e	 também	pode	 ser
usada	 em	 cachorros,	 com	 as	 devidas	 adaptações.	 A	 técnica	 varia	 um	 pouco
conforme	 o	 tamanho	 e	 a	 posição	 do	 cão,	 mas	 o	 objetivo	 é	 o	 mesmo	 -
desengasgar	o	animal.	Então,	vem	a	pergunta:	“se	eu	achar	que	o	meu	cachorro
está	 engasgado,	 posso	 pular	 direto	 para	 a	 manobra	 de	 Heimlich?”	 Pode,
principalmente	 se	 ele	 estiver	 acordado.	O	procedimento	de	 abrir	 a	 boca,	 pôr	 a
mão	 lá	 dentro,	 e	 limpar,	 pode	 ser	 bem	 difícil	 de	 fazer	 com	 um	 cachorro
consciente,	 e	 pode	 gerar	 um	 estresse	 desnecessário.	 A	 técnica	 do	 balanço,
conhecida	como	“tilting”	em	inglês,	é	útil	em	casos	de	afogamentos,	e	também
alguns	 engasgos.	 Ela	 usa	 principalmente	 a	 gravidade	 para	 ajudar	 o	 animal	 a
respirar	melhor.
Comecemos	 com	 a	 técnica	 do	 balanço.	 Essa	 técnica	 pode	 parecer	 um
pouco	“feia”,	mas	funciona,	e	pode	ser	o	que	você	precisa	fazer	para	salvar	o	seu
cãozinho	de	um	afogamento.	No	curso	de	Salva-Vidas	que	fiz	nos	EUA,	aprendi
um	 importante	 ditado	 que	 era	 usado	 o	 tempo	 todo	 nas	 lições	 de	 resgate	 e
salvamento:	“make	it	work”	–	ou,	“faça	funcionar”,	“dê	um	jeito”.	Isso	porque,
numa	situação	de	emergência,	as	condições	podem	não	ser	ideais,	você	pode	não
ter	 todos	 os	 equipamentos	 de	 que	 necessita,	 e	 será	 preciso	 “dar	 um	 jeito”	 de
resolver	o	problema	para	que	a	vítima	do	acidente	não	sofra	ainda	mais,	ou	pior
–	venha	a	falecer.	E	a	técnica	do	balanço	é	exatamente	isso:	ela	dá	um	jeito	de
tirar	a	água	ou	o	objeto	que	esteja	bloqueando	a	respiração	de	um	cão.
A	 técnica	 do	 “tilting”,	 ou	 do	 balanço,	 para	 cachorros	 pequenos,	 é	 a
seguinte:	segure	o	cão	pelas	coxas,	com	a	barriga	virada	para	você,	e	balance-o
como	um	pêndulo.	Não	chacoalhe,	apenas	balance.	e,	claro,	 tome	cuidado	para
não	 o	 bater	 contra	 a	 parede	 ou	 algum	 móvel	 que	 esteja	 perto.	 Essa	 técnica
funciona	bem	para	 afogamentos,	 e	pode	 ser	 feita	 com	o	 cachorro	 acordado	ou
desmaiado.
Os	cães	médios	devem	ser	segurados	também	de	cabeça	para	baixo.	Mas,
neste	caso,	abrace	o	animal	pelo	peito,	mantendo-o	próximo	ao	seu	corpo,	e	faça
uma	compressão	rápida	e	forte.	Se	não	funcionar	na	primeira	tentativa,	faça	mais
uma	série	de	cinco	compressões	e	verifique.
Para	 animais	 maiores,	 esta	 técnica	 só	 é	 possível	 se	 o	 cão	 ainda	 estiver
consciente,	e	em	condições	de	se	sustentar.	Abrace	o	cão	por	 trás,	erguendo	as
patas	 traseiras,	 e	 balance.	A	 ideia	 é	 usar	 a	 gravidade	 para	 ajudar	 a	 expulsar	 a
água	ou	o	que	mais	estiver	bloqueando	a	respiração	do	cão.
A	manobra	de	Heimlich	também	tem	algumas	variações.	Para	um	cachorro
grande	 que	 esteja	 em	 estação	 (“estação”	 é	 a	 posição	 normal	 dos	 quadrúpedes,
com	 as	 quatro	 patas	 no	 chão),	 entrelace	 os	 seus	 dedos	 das	 mãos	 embaixo	 da
barriga	dele,	onde	acaba	o	abdome	e	começa	o	tórax.	Então,	puxe	para	cima	bem
rápido,	dando	um	pequeno	tranco.	Se	não	sair	de	primeira,	tente	fazer	uma	série
com	cinco	compressões,	e	verifique	de	novo.
Esta	manobra	é	só	um	pouquinho	diferente	para	os	cachorros	pequenos:	ao
invés	de	entrelaçar	os	dedos	em	baixo	do	cão,	coloque	apenas	uma	mão	fechada
em	punho	sob	a	barriga,	onde	acaba	o	abdome	e	começa	o	peito,	e	a	outra,	sobre
as	costas	do	cão,	mantendo	as	duas	alinhadas.	Pressione	as	duas	mãos	ao	mesmo
tempo	 num	 movimento	 para	 frente,	 expulsando	 assim	 o	 objeto	 que	 estiver
entalado	 na	 garganta	 do	 animal.	 As	 mãos	 posicionadas	 dessa	 forma	 exercem
menos	pressão,	para	não	ferir	cães	pequenos	(e	também	gatos).
Por	fim,	se	o	cachorro	estiver	desacordado	ou	deitado,	posicione-o	de	lado,
com	 o	 lado	 esquerdo	 dele	 para	 cima.	 Isso	 porque,	 se	 for	 precisofazer	 uma
massagem	cardíaca,	é	desse	lado	que	funciona	melhor.	Deixe	o	lado	direito	para
cima	se	o	cão	tiver	alguma	ferida	do	lado	esquerdo,	como	uma	fratura	de	costela
ou	uma	perfuração,	pois,	nessas	situações,	existe	o	risco	de	acabar	perfurando	o
coração	ou	os	pulmões	durante	a	massagem.	A	Manobra	de	Heimlich	para	cães
deitados	pode	ser	feita	de	duas	maneiras:
1.	 Para	cães	pequenos	e	gatos,	coloque	uma	mão	de	cada	lado	do	peito
do	 cão,	 e	 pressione	 rapidamente	 como	 faria	 com	 um	 travesseiro,	 num
movimento	para	a	 frente.	É	a	mesma	coisa	que	nos	casos	anteriores:	 se	o
objeto	não	sair	na	primeira	tentativa,	faça	mais	uma	série	de	5	compressões,
e	cheque	novamente.
2.	 Para	cães	de	todos	os	portes,	coloque	as	duas	mãos	sobre	o	peito	do
cão	 –	 uma	 sobre	 a	 outra	 -,	 e	 faça	 uma	 compressão	 no	 tórax,	 num
movimento	 também	 para	 frente.	 Se	 necessário,	 faça	 uma	 série	 de	 cinco
compressões,	 sempre	 permitindo	 que	 o	 peito	 se	 expanda	 entre	 uma
compressão	e	outra.
	
Se	a	manobra	de	Heimlich	não	funcionar,	pode	ser	que:	(1)	ou	o	problema
do	 cachorro	 não	 era	 um	 engasgo,	 ou	 (2)	 o	 que	 quer	 que	 esteja	 bloqueando	 a
respiração	 dele	 está	 muito	 no	 fundo,	 muito	 difícil	 de	 sair.	 Se	 você	 estiver
tentando	a	manobra	de	Heimlich	há	mais	de	dois	minutos	sem	sucesso,	é	hora	de
levar	o	cão	ao	veterinário.
Se	o	animal	estiver	inconsciente	e	sem	respirar,	mesmo	que	você	ainda	não
tenha	 conseguido	 liberar	 as	 vias	 aéreas	 dele,	 pode	 ser	 melhor	 passar	 para	 o
próximo	 passo,	 para	 tentar	 colocar	 pelo	menos	 algum	 ar	 nos	 pulmões	 dele.	O
que	nos	leva	à	letra	“B”	do	ABC	da	vida.
Breathing:	Boa	Respiração
A	 letra	 “B”	 se	 refere	 a	 “breathing”,	 que,	 em	 inglês,	 significa	 respiração.
Para	 manter	 a	 sigla	 “ABC”,	 em	 português	 nós	 falamos	 em	 “boa	 respiração”.
Depois	de	avaliar	as	vias	aéreas	do	cão,	e	de	 tirar	qualquer	coisa	que	estivesse
obstruindo	 a	 respiração,	 o	 próximo	 passo	 vai	 ser	 saber	 se	 o	 cachorro	 está
respirando,	e	como	ele	está	respirando.
Um	cachorro	pode	ter	dificuldade	para	respirar	sem	estar	necessariamente
com	 uma	 obstrução.	Um	 exemplo	 clássico	 disso	 são	 os	 cachorros	 com	 edema
pulmonar.	 Geralmente	 Poodles	 e	 outros	 cães	 pequenos	 que	 têm	 insuficiência
cardíaca,	 quando	 entram	 em	 edema	 pulmonar,	 começam	 a	 mostrar	 uma
dificuldade	 imensa	 para	 respirar.	 Eles	 não	 estão	 engasgados,	 ainda	 que	 possa
parecer.	Um	cachorro	que	esteja	em	edema	pulmonar	pode	começar	a	espumar
pela	 boca	 e	 pelo	 nariz,	 o	 que	 pode	 até	 dar	 a	 impressão	 de	 que	 ele	 está	 se
afogando.	Mas	simplesmente	limpar	a	secreção	da	boca	ou	do	nariz	dele	não	vai
resolver,	porque	esta	água	não	foi	 inalada:	ela	vem	dos	pulmões.	E	não	vai	 ter
manobra	de	Heimlich	que	consiga	expulsar	a	água	de	um	edema	pulmonar.	Se	o
edema	ainda	estiver	num	estágio	mais	inicial,	pode	ser	que	o	cachorro	não	esteja
espumando.	 Ainda.	 Mas	 continua	 sendo	 uma	 grande	 emergência.	 Se	 o	 seu
cachorro	 tiver	 insuficiência	 cardíaca	 e,	 subitamente,	 ele	 começar	 a	 ter
dificuldade	para	respirar,	pare	o	que	estiver	fazendo	e	leve-o	para	o	hospital.	Na
hora.
Que	outros	 sinais	 um	cachorro	pode	nos	dar	 de	que	 está	 difícil	 respirar?
Ele	pode	fazer	um	barulho	como	um	ronco	enquanto	se	esforça	para	respirar.	Ele
pode	 ficar	 com	 a	 língua	 ou	 as	 gengivas	 azuladas,	 e	 também	 pode	 adotar	 uma
posição	que	é	chamada	de	ortopnéica.	“Ortopnéica”	quer	dizer	algo	que	facilite	a
respiração.	A	posição	ortopnéica	é	bem	característica:	o	cachorro	abre	as	patas
da	frente	e	estica	o	pescoço,	deixando	a	traqueia	numa	linha	reta.	Isso	facilita	a
passagem	do	ar,	que	não	precisa	fazer	nenhuma	curva	para	chegar	aos	pulmões.
	
Em	última	 instância,	 um	 animal	 que	 não	 esteja	 conseguindo	 respirar	 vai
desmaiar.	Mas	e	se	o	cachorro	já	estava	desmaiado	quando	você	chegou,	como
saber	se	ele	está	respirando?	Normalmente,	você	deve	conseguir	ver	o	peito	dele
subindo	e	descendo,	assim	como	observamos	com	facilidade	num	cachorro	(ou
humano)	 que	 esteja	 dormindo.	 Mas	 se	 você	 não	 conseguir	 ver	 e	 estiver	 na
dúvida,	você	pode	checar	de	outras	formas.
Uma	 delas	 é	 colocar	 a	 mão	 sobre	 o	 peito	 do	 cachorro	 para	 sentir	 os
movimentos	da	respiração.	Outra	opção	é	colocar	um	dedo	na	frente	das	narinas
dele,	para	tentar	sentir	o	ar	passar	cada	vez	que	ele	expirar.	Você	pode	também
pegar	 um	 fio	 de	 cabelo,	 de	 preferência	 longo,	 e	 colocar	 na	 frente	 das	 narinas
dele.	O	cabelo	deve	balançar	cada	vez	que	o	cão	expirar.	O	cabelo	não	precisa
ser	 muito	 longo;	 mas	 cabelos	 muito	 curtos	 podem	 ser	 muito	 firmes	 para	 se
balançarem,	 e	 pode	 ficar	 difícil	 de	 visualizar.	 E,	 por	 último,	 mas	 não	 menos
importante,	tem	a	técnica	do	espelho.	Coloque	um	espelho	na	frente	do	nariz	do
cachorro,	 e	 observe-o	 embaçar	 a	 cada	 respiração.	 Você	 pode	 usar	 qualquer
espelho	que	tiver	ao	seu	alcance.
Uma	observação	 importante	 é	 que	 esta	 avaliação	 deve	 ser	 extremamente
rápida,	pois,	se	o	cão	estiver	sem	respirar,	ele	não	pode	esperar.	Portanto,	use	os
recursos	 que	 estiverem	 ao	 seu	 alcance.	 Não	 perca	 tempo	 procurando	 por	 um
espelho	ou	por	um	cabelo	comprido	de	outra	pessoa,	por	exemplo.	Se	você	tiver
dificuldade	para	sentir	a	respiração	de	um	cão,	provavelmente	é	porque	ele	não
está	 respirando	 mesmo.	 E	 se	 ele	 não	 estiver	 respirando?	 Então,	 podemos
começar	a	 respiração	“boca-focinho”.	A	respiração	“boca-focinho”	só	pode	ser
feita	 se	 o	 cachorro	 estiver	 de	 fato	 inconsciente	 e	 não	 estiver	 respirando.	 Não
tente	 fazer	 num	 cachorro	 que	 esteja	 acordado	 ou	 respirando,	 mesmo	 que	 ele
esteja	com	dificuldade.
Use	uma	mão	para	fechar	a	boca	do	cão,	e,	com	a	outra,	sustente	o	pescoço
e	 a	 cabeça	 dele.	 Em	 seguida,	 assopre	 diretamente	 sobre	 o	 nariz,	 até	 que	 você
veja	o	peito	dele	começar	a	levantar.	Apesar	do	nosso	instinto	normal	de	querer
colocar	 o	 máximo	 de	 ar	 possível	 nos	 pulmões	 do	 cão,	 seja	 cuidadoso.	 Não
assopre	muito	forte,	e	não	infle	totalmente	os	pulmões	do	animal	–	veja	o	peito
dele	subir	um	pouco,	e,	em	seguida,	libere	para	que	ele	possa	expirar.	Assoprar
muito	 forte	 pode	 ser	 perigoso,	 e	 pode	 até	 romper	 os	 pulmões	 do	 cachorro,
principalmente	se	 for	 filhote	ou	um	cão	muito	pequeno.	Por	 isso,	mantenha	os
seus	olhos	o	 tempo	 todo	no	peito	do	animal.	Deixou	o	 ar	 sair?	Então,	 assopre
novamente.	O	ideal	é	fazer	uma	repetição	a	cada	3	a	5	segundos.
Na	situação	que	mencionei	anteriormente	-	se	o	cachorro	estava	engasgado
com	algum	objeto	que	você	não	conseguiu	 retirar,	 você	pode	alternar	 algumas
respirações	com	a	manobra	de	Heimlich	com	o	cão	deitado.	Faça	5	compressões,
para	 tentar	 tirar	 o	 objeto,	 e	 então,	 tente	 novamente	 pôr	 um	 pouco	 de	 ar	 nos
pulmões	dele.	É	importante	que,	enquanto	o	cão	não	estiver	respirando	por	conta
própria,	 a	 respiração	 artificial	 não	 seja	 interrompida	 por	 mais	 do	 que	 30
segundos	 de	 cada	 vez,	 para	 diminuir	 a	 chance	 de	 que	 ele	 sofra	 sequelas
neurológicas.
Alterne	a	respiração	artificial	com	a	manobra	de	Heimlich	apenas	se	o	cão
tiver	um	objeto	obstruindo	a	respiração,	e	tiver	batimentos	cardíacos;	se	ele	não
tiver	 batimentos	 cardíacos,	 a	 massagem	 cardíaca	 deve	 ser	 iniciada
imediatamente,	conforme	veremos	na	próxima	seção.
Interrompa	 a	 respiração	 artificial	 assim	 que	 o	 cão	 voltar	 a	 respirar
espontaneamente.	Enquanto	isso	não	acontecer,	continue	a	respiração	artificial	–
inclusive	dentro	do	carro,	a	caminho	da	clínica	veterinária.	Claro	que,	para	isso,
você	vai	precisar	da	ajuda	de	no	mínimo	mais	uma	pessoa	que	possa	dirigir	o
carro	 para	 fazer	 o	 transporte	 até	 lá.	 Passe	 para	 o	 passo	 seguinte	 logo	 após	 os
primeiros	“sopros”	da	respiração	artificial.
Circulation:	Circulação
A	letra	“C”	se	refere	à	circulação	do	sangue.	Depois	de	já	 ter	checado	as
vias	aéreas	do	cão,	e	conferido	se	ele	está	respirando	(e,	se	for	o	caso,	já	estiverfazendo	 a	 respiração	 artificial),	 você	 precisa	 saber	 se	 o	 coração	 do	 cão	 está
batendo.	 Nessa	 avaliação	 inicial,	 pode	 ser	 que	 você	 tenha	 encontrado	 alguma
alteração	ou	não,	e,	se	encontrou,	já	deve	estar	tomando	as	devidas	providências.
Seja	 rápido:	 se	 o	 cachorro	 estiver	 olhando	 para	 você	 e	 abanando	 o	 rabo,	 não
precisa	 nem	 testar.	 Você	 pode	 até	 conferir	 a	 frequência	 cardíaca	 dele	 depois,
como	vou	ensinar	a	fazer,	mas,	neste	primeiro	momento,	a	questão	é:	o	coração
está	batendo?	Ou	não?
Só	ficaremos	na	dúvida	se	o	coração	de	um	cão	está	batendo	ou	não	se	ele
estiver	inconsciente.	Para	saber	se	o	coração	dele	tem	batimentos,	coloque	a	sua
mão	sobre	o	peito	do	cachorro,	preferencialmente	do	 lado	esquerdo,	 logo	atrás
do	cotovelo,	e	sinta	os	batimentos.	Se	ele	estiver	com	o	lado	esquerdo	do	peito
ferido,	 pode	 ser	 o	 lado	 direito.	 O	 mais	 fácil	 geralmente	 é	 do	 lado	 esquerdo,
exceto	se	o	cachorro	for	muito	gordinho,	ou	tiver	o	tórax	muito	profundo,	caso
em	que	a	região	do	cárdia	(no	meio	do	peito)	pode	ser	indicada.
Supondo	 que	 você	 já	 tenha	 iniciado	 a	 respiração	 artificial,	 você	 deve
checar	os	batimentos	cardíacos	do	cão	de	3	a	5	vezes	por	minuto.	Por	hora,	não
se	 preocupe	 com	 frequência	 cardíaca.	 Se	 o	 cachorro	 não	 estiver	 respirando,	 o
importante	é,	no	mínimo,	manter	o	coração	dele	batendo	independente	do	ritmo.
Mas,	e	se	não	estiver	batendo?	Aí	é	hora	de	começar	a	massagem	cardíaca.
Na	 massagem	 cardíaca,	 você	 vai	 fazer	 com	 que	 o	 coração	 do	 cachorro
bata,	e	o	sangue	dele	circule,	usando	as	suas	mãos.	As	suas	mãos	farão	o	papel
do	coração	do	cachorro.	E	você	sabe	com	que	frequência	bate	o	coração	de	um
cão?	De	100	a	150	vezes	por	minuto!	E,	em	filhotes,	pode	chegar	a	200!
Como	é	a	massagem	cardíaca	então?	Regra	geral,	o	cão	estará	deitado	com
o	lado	esquerdo	para	cima,	como	já	mencionamos.	Certifique-se,	antes	de	mais
nada,	 de	 que	 o	 coração	 dele	 realmente	 parou	 antes	 de	 começar	 a	 fazer	 a
massagem.	A	massagem	 cardíaca	 deve	 ser	 feita	 com	o	 cão	no	chão,	 para	 que
você	consiga	fazer	as	compressões	com	a	força	necessária	e	para	que	não	haja
risco	 de	 derrubar	 o	 animal.	 Posicione-se	 atrás	 do	 cão,	 com	 os	 seus	 joelhos
afastados	 para	 maior	 estabilidade.	 Os	 braços	 devem	 ser	 mantidos	 esticados	 o
tempo	todo,	de	modo	que	a	força	aplicada	venha	do	dorso,	e	não	dos	braços.	Por
fim,	coloque	uma	mão	sobre	a	outra,	com	os	dedos	 trançados,	 logo	atrás	e	um
pouco	 abaixo	 do	 cotovelo	 do	 cão.	 Os	 dedos	 entrelaçados	 são	 para	 dar	 mais
firmeza	e	estabilidade	ao	movimento.
Feito	isso,	comprima	e	libere	o	peito	do	cachorro	num	ritmo	de	100	a	120
vezes	por	minuto.	Para	conseguir	o	ritmo	correto,	conte	em	voz	alta:	1-e-2-e-3-e-
4-e-5-e-1...,	 comprimindo	 nos	 números	 e	 soltando	 nos	 “e’s”.	 É	 preciso	 ser
rápido,	 e	 é	 preciso	 ser	 forte.	 Não	 é	 carinho,	 é	 massagem	 cardíaca:	 a	 cada
compressão,	você	deve	afundar	o	tórax	a	1/3	ou	½	da	sua	profundidade.	Para	um
cachorro	 grande,	 isso	 são	 aproximadamente	 4	 a	 10cm;	 para	 um	 cachorro
pequeno,	de	1,5	a	3cm.	Libere	completamente	o	tórax	entre	uma	compressão	e
outra.	 Não	 se	 preocupe	 com	 o	 risco	 de	 quebrar	 costelas.	 Elas	 são	 flexíveis	 e
comportam	bem	este	tipo	de	compressão,	sendo	que	o	risco	é	maior	apenas	para
animais	que	 tenham	problemas	ósseos.	Mas,	mesmo	nestes	casos,	é	preciso	 ter
em	mente	que	a	massagem	cardíaca	tem	como	objetivo	salvar	a	vida	do	cão	–
então,	é	um	risco	que	vale	a	pena	correr.
Se	 for	 um	 filhote	 ou	 um	 cachorro	muito	 pequeno,	 use	 apenas	 uma	mão,
comprimindo	como	uma	sanfona.	Por	outro	lado,	se	o	cachorro	for	muito	obeso
ou	tiver	o	tórax	muito	profundo,	como	um	labrador,	um	dogue	alemão,	e	outros
cachorros	grandes,	a	massagem	pode	funcionar	melhor	com	o	animal	de	barriga
para	cima.	O	ritmo	e	os	movimentos	são	exatamente	os	mesmos,	só	vai	mudar
um	 pouco	 a	 posição:	 com	 o	 cão	 de	 barriga	 para	 cima,	 coloque	 as	 suas	 mãos
sobre	o	peito	dele,	mais	ou	menos	na	metade	do	esterno.	Para	 ficar	de	barriga
para	 cima,	 será	 necessário	 colocar	 algum	 apoio	 dos	 dois	 lados	 do	 cão,	 como
almofadas	 ou	 toalhas	 enroladas.	 Se	 não	 tiver	 como,	 faça	 com	 o	 cão	 de	 lado
mesmo.
A	massagem	cardíaca	junto	com	a	respiração	artificial	é	o	que	chamamos
de	 ressuscitação	 cardiopulmonar.	E	 como	coordenar	 as	duas	 coisas?	Aí,	 temos
duas	 opções.	 Se	 você	 estiver	 sozinho,	 faça	 duas	 respirações,	 seguidas	 por	 15
compressões	cardíacas.	Vá	alternando	até	que	o	animal	se	recupere.	Não	pare	a
respiração	 artificial	 por	 mais	 do	 que	 30	 segundos,	 para	 diminuir	 o	 risco	 de
sequelas.
Se	você	tiver	ajuda,	fica	um	pouco	mais	fácil.	Enquanto	uma	pessoa	faz	a
respiração,	a	outra	faz	a	massagem	cardíaca.	Quem	estiver	fazendo	a	massagem
cardíaca	 conta	 em	 voz	 alta.	 A	 cada	 5	 compressões,	 deve	 ser	 feita	 uma
respiração.					
A	cada	3	minutos	mais	ou	menos,	pare	a	massagem	cardíaca	para	conferir
se	o	cão	voltou	a	respirar	ou	se	o	coração	dele	voltou	a	bater.	Se	tiver	voltado,
ótimo:	pare	imediatamente	e	leve	o	cão	para	o	hospital.	Se	voltou	só	o	coração,
mas	 a	 respiração	 ainda	 não,	 continue	 só	 com	 a	 respiração	 artificial.	 E,	 se	 não
voltou	nada,	continue.	Se	houver	três	pessoas,	uma	pode	se	responsabilizar	pela
verificação	dos	sinais	vitais.
Sempre	 que	 houver	 mais	 do	 que	 uma	 pessoa	 disponível,	 façam	 um
revezamento	 a	 cada	 dois	 minutos	 ou	 quando	 a	 pessoa	 que	 estiver	 fazendo	 as
compressões	 ficar	 cansada.	 A	 massagem	 cardíaca	 é	 realmente	 exaustiva,	 e,
conforme	se	fica	cansado,	é	comum	que	as	compressões	se	tornem	mais	fracas,	e
também	 que	 a	 pessoa	 não	 libere	 completamente	 o	 tórax	 ao	 final	 de	 cada
compressão.	Isso	compromete	a	eficácia	do	procedimento.
É	 interessante	 que	 vocês	 não	 percam	 muito	 tempo.	 Se	 você	 precisar
continuar	 fazendo	 a	 massagem	 por	 mais	 do	 que	 20	 minutos,	 então	 é	 pouco
provável	que	esse	cachorro	se	recupere;	e,	se	ele	se	recuperar,	tem	uma	chance
grande	de	que	ele	tenha	sequelas	neurológicas	bem	graves.	Então	o	ideal	é	que,
antes	mesmo	de	começar,	você	já	providencie	o	transporte	desse	animal	para	o
hospital	veterinário.	Este	é	um	dos	motivos	pelos	quais,	lá	nos	e	C’s,	a	gente	viu
que	 deve	 chamar	 ajuda	 antes	 de	 começar	 a	 cuidar	 do	 animal.	 Porque,	 se	 você
começar	 a	 ressuscitação	 cardiopulmonar,	 não	 vai	 poder	 parar	 até	 esse	 coração
voltar	a	bater	e	o	cão	voltar	a	respirar.	Chegou	ajuda	para	levar	ao	veterinário?
Coloque	o	cachorro	no	carro	e	continue	fazendo	a	ressuscitação	durante	o	trajeto
se	precisar.	Só	pare	 se	 ele	 se	 recuperar,	 ou	 então	 se	você	perceber	que	não	há
nada	mais	a	ser	feito.
Quando	 chegar	 a	 pessoa	 que	 irá	 te	 ajudar	 a	 levar	 o	 cão	 para	 o	 hospital,
caso	você	já	não	tenha	feito	isso,	peça	para	ela	ligar	para	o	Hospital	Veterinário
que	vocês	pretendem	ir	e	avisar	que	estão	levando	com	um	cão	nessas	condições.
Assim,	 enquanto	 vocês	 se	 deslocam,	 eles	 já	 preparam	 a	 equipe	 e	 os
equipamentos	para	receber	vocês.
Entendido	 isso?	O	ABC	 será	 a	 primeira	 atenção	 que	 daremos	 ao	 prestar
primeiros	 socorros.	Sempre?	Sempre!	Mesmo	quando	você	 achar	que	não	está
aplicando	 isso,	você	vai	aplicar.	Vamos	 imaginar	uma	situação	hipotética,	para
ficar	 mais	 claro:	 Está	 tudo	 bem,	 e	 você	 está	 andando	 de	 carro	 com	 o	 seu
cachorro,	 quando,	 de	 repente,	 ele	 pula	 para	 fora	 da	 janela.	Você	 para	 o	 carro,
analisa	 os	 três	 C’s,	 e	 vai	 lá	 cuidar	 dele.	 Aparentemente,	 ele	 está	 bem,	 só	 um
pouquinho	machucado,	mas	está	consciente.	Este	vai	ser	um	daqueles	casos	em
que,	só	de	bater	o	olho	nele,	em	menos	de	um	segundo	você	vai	avaliar	o	ABC.
O	cachorro	está	consciente	e	respirando	normalmente.	Ótimo.	Já	avaliou	o	ABC,
não	precisa	perder	 tempo	colocando	espelhinho	na	 frente	do	nariz	dele.	Se	ele
estiver	inconsciente,	é	outra	história	-	talvez	você	precise	de	alguns	segundos	até
concluir	se	elevai	precisar,	por	exemplo,	de	uma	ressuscitação	cardiopulmonar
ou	não.
OK,	mas	nem	 todas	 as	 emergências	 são	 tão	drásticas	 a	 ponto	de	 a	 gente
precisar	fazer	uma	ressuscitação.	Existem	muitas	nuances	no	meio	do	caminho.
Vamos	aprender	então	a	identificar	o	que	é	normal,	para	podermos	saber	o	que
não	é	normal.
Identificando	Parâmetros	Normais
Frequência	respiratória	(FR)
Frequência	 respiratória	 é,	 como	o	 nome	 já	 diz,	 com	que	 frequência	 uma
pessoa	 ou	 um	 animal	 respira.	 Um	 cão	 normal	 respira	 de	 10	 a	 35	 vezes	 por
minuto.	Se	estiver	se	exercitando,	ou	estressado,	é	comum	essa	frequência	ficar
um	pouco	mais	alta;	mas,	quando	está	em	repouso,	a	tendência	é	que	fique	mais
baixa.	Medir	a	 frequência	 respiratória	é	bem	fácil,	 e	você	pode	praticar	com	o
seu	 cachorro,	 principalmente	 quando	 ele	 estiver	 dormindo:	 basta	 observar
quantos	movimentos	respiratórios	o	cão	faz	em	um	minuto.	Em	outras	palavras,
observe	 quantas	 vezes	 ele	 levanta	 o	 peito	 para	 puxar	 o	 ar,	 e	 relaxa.	 Se	 o	 seu
cachorro	respirar	mais	do	que	30	vezes	por	minuto	enquanto	estiver	em	repouso,
leve	ao	veterinário.
Numa	 situação	 de	 emergência,	 pode	 ser	 que	 a	 respiração	 do	 cão	 esteja
muito	 superficial,	 e	 fique	 difícil	 observar	 estes	 movimentos.	 Se	 for	 o	 caso,
coloque	o	seu	dedo	a	poucos	centímetros	das	narinas	do	seu	cão	para	sentir	o	ar
saindo	dele	cada	vez	que	ele	expirar.	Como	 já	vimos	na	 seção	 sobre	o	 “B’	do
ABC,	há	ainda	outras	opções	para	se	checar	a	respiração	de	um	cão,	como	usar
um	fio	de	cabelo	ou	um	espelho	na	frente	do	focinho	dele.
Uma	respiração	“normal”	é	natural,	silenciosa,	e	sem	esforço.	Alguns	cães
podem	fazer	barulho	para	respirar	mesmo	quando	estão	bem,	como	é	o	caso	dos
Buldogues,	Pugs,	e	outras	raças	de	focinho	curto.	Então,	você	precisa	conhecer	o
que	é	normal	para	o	seu	cachorro,	principalmente	se	ele	for	um	desses	cães	que
roncam,	para	conseguir	identificar	se	ele	está	tendo	alguma	dificuldade.	Se	o	cão
parecer	que	está	precisando	se	esforçar	para	respirar,	também	não	é	normal.
Frequência	Cardíaca	(FC)
Um	cão	normal	tem	uma	frequência	cardíaca	de	60	a	140	batimentos	por
minuto	 (bpm).	 Se	 for	 um	 filhote,	 essa	 frequência	 pode	 chegar	 a	 200	 bpm.	Os
cães	 menores	 geralmente	 têm	 uma	 frequência	 cardíaca	 mais	 alta	 do	 que	 os
maiores	 -	 os	 coraçõezinhos	 deles	 batem	 mais	 rápido.	 A	 frequência	 cardíaca
aumenta	se	o	cachorro	estiver	estressado,	muito	animado,	ou	se	exercitando.	Por
outro	lado,	se	o	cachorro	estiver	descansando,	a	frequência	fica	mais	baixa.	Mas
ela	também	pode	estar	mais	baixa	porque	o	cachorro	tem	alguma	doença,	como
o	hipotireoidismo.	Num	caso	de	emergência,	por	exemplo,	 se	o	cão	acabou	de
sofrer	um	acidente,	a	frequência	cardíaca	dele	deve	aumentar,	tanto	pelo	estresse
quanto	para	tentar	compensar	uma	eventual	hemorragia	que	ele	possa	ter.	Mas,
passado	 algum	 tempo,	 se	 essa	 hemorragia	 for	 demais	 para	 o	 corpo	 dele
conseguir	compensar,	a	frequência	cardíaca	cai,	e	isso	quer	dizer	que	o	cão	está
entrando	 em	 choque.	 Falaremos	 mais	 detalhadamente	 sobre	 o	 choque	 na
próxima	seção,	mas,	caso	você	nunca	tenha	ouvido	este	termo	antes,	o	choque	é
uma	 condição	muito	 séria,	 que	 acontece	 quando	 o	 animal	 já	 está	 entrando	 em
colapso.	 É	 uma	 das	maiores	 emergências	 com	 as	 quais	 podemos	 nos	 deparar,
tanto	na	medicina	veterinária	quanto	na	medicina	de	humanos.
A	frequência	cardíaca	pode	ser	um	pouco	mais	difícil	de	monitorar	do	que
a	 frequência	 respiratória,	 principalmente	 se	 o	 cachorro	 já	 estiver	 com	 o	 pulso
muito	 fraco,	 mas	 pode	 ser	 feito.	 Pratique	 com	 o	 seu	 cão,	 para	 que,	 se
eventualmente	você	medir	a	frequência	cardíaca	dele,	já	saiba	exatamente	como
fazer,	 o	 que	 procurar,	 e	 o	 que	 é	 normal.	 Com	 o	 cachorro	 deitado	 com	 o	 lado
esquerdo	para	cima,	como	sempre,	coloque	a	sua	mão	sobre	o	peito	dele,	mais
ou	menos	 na	 altura	 do	 cotovelo	 dobrado	 dele.	 Sinta	 e	 conte	 quantas	 batidas	 o
coração	dele	dá.	 Idealmente,	você	deve	contar	por	um	minuto	 inteiro.	Use	um
relógio	para	isso,	ou,	no	mínimo,	peça	a	outra	pessoa	para	contar	o	tempo,	para
que	você	não	se	perca	na	contagem.	Na	prática,	se	não	quiser	perder	tempo,	você
pode	contar	por	30	segundos	e	multiplicar	o	resultado	por	dois.	Isso	deve	dar	um
resultado	 bem	 aproximado.	 Evite	 medir	 a	 frequência	 cardíaca	 por	 períodos
menores	do	que	30	segundos	(15	segundos,	por	exemplo),	pois,	a	partir	daí,	os
resultados	podem	se	tornar	muito	imprecisos.	Os	cães	têm	a	chamada	“arritmia
fisiológica”,	 que	 faz	 com	 que	 os	 batimentos	 cardíacos	 deles	 sejam	 levemente
irregulares.	 Essas	 pequenas	 alterações	 de	 ritmo	 são	 normais	 e	 sutis,	 de	 modo
que,	mesmo	com	um	estetoscópio,	é	difícil	detectá-las	com	precisão	–	mas	isso
pode	 dar	 diferença	 na	 contagem	 de	 batimentos	 cardíacos,	 caso	 você	 decida
conta-los	por	muito	pouco	tempo.
Outro	 jeito	 de	 medir	 a	 FC	 do	 cão	 é	 sentindo	 o	 pulso	 dele.	 Não
necessariamente	 o	 pulso	 terá	 a	 mesma	 frequência	 que	 o	 coração,	 mas,	 em
condições	 normais,	 a	 frequência	 será	 igual.	 Eu	 digo	 “não	 necessariamente”
porque	algumas	alterações	cardiocirculatórias	podem	fazer	com	que	o	pulso	não
coincida	 com	 a	 frequência	 cardíaca.	Mas,	 na	maioria	 dos	 casos,	 será	 igual.	O
pulso	pode	ser	sentido	na	região	inguinal	do	cão	(parte	de	dentro	da	coxa,	onde
ela	se	une	ao	tronco),	usando	os	dedos	médio	e	indicador.	Não	use	o	polegar	para
medir	 o	 pulso,	 porque	 esse	 dedo	 tem	 uma	 pulsação	 própria	 que	 pode	 te
confundir.	O	 procedimento	 será	 o	mesmo:	 coloque	 os	 dedos,	 pressione	 só	 um
pouquinho	 -	 sem	muita	 força,	 para	 não	 bloquear	 a	 circulação,	 e	 conte	 quantas
vezes	você	sente	as	pulsações.	De	preferência,	conte	por	um	minuto,	mas	pode
fazer	por	30	segundos	e	multiplicar	por	2	se	quiser	economizar	tempo.
Tempo	de	Preenchimento	Capilar	(TPC)
O	Tempo	de	Preenchimento	Capilar	 (TPC)	 é	o	 tempo	que	o	 sangue	 leva
para	preencher	os	vasos	sanguíneos	num	determinado	lugar.	O	melhor	lugar	de
se	avaliar	o	TPC	num	cão	é	nas	suas	gengivas	(em	humanos	também).	Pressione
um	dedo	 contra	 a	 sua	 gengiva,	 ou	 a	 do	 seu	 cachorro,	 e	 observe	 que	 fica	 uma
marquinha	clara	no	lugar	que	você	pressionou.	Essa	marca	fica	ali	porque	você
deixou	 aquele	 pedaço	 da	 gengiva	 sem	 circulação	 de	 sangue.	 Mas	 ele	 volta
rápido:	em	1	ou	2	segundos,	a	cor	deve	voltar	completamente	ao	normal.
Se	demorar	mais	do	que	dois	segundos,	você	já	tem	um	problema	nas	suas
mãos.	Um	TPC	alto	significa	que	o	animal	está	desidratado,	com	pouco	sangue,
ou	 com	 algum	 outro	 problema	 circulatório	 que	 requer	 atenção.	 Então,	 este	 é
sempre	 um	 parâmetro	 importante	 a	 ser	 avaliado.	 O	 que	 nos	 leva	 a	 mais	 um
detalhe	importante:	e	a	cor	das	mucosas?
Cor	das	Mucosas
As	mucosas	normais,	 como	as	da	gengiva	e	da	boca,	devem	ser	 rosadas.
Em	alguns	cachorros	elas	podem	ser	pigmentadas,	por	 isso	gengivas	pretas	ou
com	manchas	escuras	podem	ser	normais.	Observe	bem	como	são	as	mucosas	do
seu	cachorro	em	condições	normais,	para	conseguir	identificar	se	elas	mudarem
de	cor.
Uma	 das	 alterações	mais	 comuns	 de	 cor	 das	 gengivas	 é	 a	 palidez.	Uma
mucosa	pálida,	 esbranquiçada,	 é	 sinal	de	anemia.	Uma	anemia	moderada	pode
até	 não	 ser	 uma	 emergência,	mas	 uma	 anemia	mais	 forte,	 com	 certeza	 é.	Um
cachorro	com	a	doença	do	carrapato,	ou	com	uma	anemia	imunomediada,	pode
entrar	 num	 quadro	 grave	 de	 anemia	 rapidamente,	 a	 ponto	 de	 precisar	 de
transfusão	 de	 sangue!	 Quanto	 antes	 for	 identificada	 a	 anemia	 e	 a	 sua	 causa,
melhor	a	chance	de	recuperação	do	cão,	e	também	menor	será	a	probabilidade	de
que	ele	precise	de	uma	medida	tão	drástica	quanto	a	transfusão	de	sangue.
Mas,	 e	 se,	 ao	 invés	 de	 pálidas,	 elas	 estiverem	 MUITO	 coradas?	 Por
exemplo,	vermelhas,	ou	cor	de	tijolo?	Também	é	sinal	de	alerta.	Alguns	tipos	de
intoxicação,	 como	 por	 CO2,	 fazem	 com	 que	 isso	 aconteça.	 Jáum	 cão	 com
insuficiência	respiratória	vai	ficar	com	as	mucosas,	inclusive	a	língua,	azuladas.
O	nosso	parêntese	aqui	é	em	relação	aos	Chow	Chows	e	Shar	Peis,	que	têm	as
mucosas	 naturalmente	 azuladas.	 Para	 estes	 cães,	 o	 tom	 azul	 é	 normal,	 e	 isso
dificulta	bastante	para	conseguirmos	diferenciar	o	“normal”	daquelas	 situações
em	que	o	animal	está	ficando	sem	oxigênio.	Uma	solução	pode	ser	examinar	as
mucosas	genitais	destes	animais,	que	normalmente	são	rosadas.
E,	por	fim,	as	mucosas	também	podem	ficar	amareladas.	Este	“amarelão”,
que	é	chamado	de	icterícia,	pode	ser	visível	também	em	outras	partes	do	corpo,
dependendo	do	quanto	 a	doença	 está	 avançada.	Além	das	gengivas,	 o	 “branco
dos	olhos”	pode	ficar	amarelado,	a	mucosa	peniana	ou	vaginal,	e	às	vezes	até	a
própria	pele	do	cão	também	pode	“amarelar”.	O	tom	amarelo	indica	problemas
no	fígado,	ou	alguns	casos	de	anemia	em	que	o	sangue	esteja	sendo	destruído.
Tanto	 um	 caso	 quanto	 o	 outro	 são	 bem	 sérios,	 e	 o	 cão	 deve	 ser	 levado	 ao
veterinário	o	quanto	antes.	A	cor	amarela	pode	ser	mais	forte	ou	menos	forte,	e
pode	 ser	 visível	 em	 diferentes	 partes	 do	 corpo,	 não	 necessariamente	 em	 todas
essas	que	citei.	Ela	pode	ser	perceptível	apenas	nas	gengivas,	ou	só	nos	olhos,
por	exemplo.	Quanto	mais	afetado	o	animal,	mais	amarelo	ele	vai	ficar.
Elasticidade	da	Pele
Outra	 informação	 importante	 que	 podemos	 obter	 a	 partir	 de	 um	 exame
rápido	 do	 cão	 é	 saber	 se	 ele	 está	 bem	 hidratado.	 Isso	 é	 muito	 fácil	 de	 fazer:
levante	uma	prega	de	pele	dele,	e	observe	se	ela	volta	rápido	para	o	lugar.	Não	é
para	beliscar	nem	doer,	só	puxar	um	pouco	uma	sobrinha	de	pele.	Num	cachorro
que	esteja	desidratado,	a	prega	de	pele	vai	demorar	um	pouco	para	voltar	para	o
lugar,	ou	pode	até	mesmo	ficar	marcada	ali	por	um	tempo.	Se	isso	acontecer,	é
porque	o	cachorro	está	muito	desidratado.
Tome	 o	 cuidado	 de	 escolher	 um	 local	 onde	 haja	 alguma	 camadinha	 de
gordura,	porque	se	o	cachorro	for	muito	magro,	vai	ser	difícil	até	puxar	a	pele
sem	beliscá-lo.	Por	outro	lado,	se	ele	tiver	pelancas	ou	dobrinhas,	como	os	Shar
Peis,	 escolha	 um	pedaço	que	 seja	 um	pouco	mais	 esticadinho.	Geralmente,	 no
tronco	é	um	bom	lugar,	mesmo	para	um	Shar	Pei,	se	ele	for	adulto.
Temperatura
A	 temperatura	 normal	 do	 cão	 é	 um	 pouco	mais	 alta	 do	 que	 a	 nossa,	 até
porque	 normalmente	 medimos	 a	 temperatura	 deles	 no	 reto.	 Existem	 outras
formas	de	medir	a	temperatura	do	cão?	Até	existem,	mas	a	mais	precisa	e	mais
acessível	continua	sendo	o	termômetro	no	reto	do	cão.
Os	termômetros	auriculares,	por	exemplo,	muito	usado	para	bebês,	 tem	o
problema	de	não	terem	o	seu	uso	bem	padronizado	em	relação	à	forma	de	medir,
e	quais	seriam	as	temperaturas	consideradas	“normais”	a	partir	da	sua	leitura.	Se
você	 tiver	 um	 aparelho	 desses	 em	 casa,	 faça	 o	 teste	 em	 si	 mesmo	 ou	 no	 seu
cachorro:	observe	que,	conforme	o	jeito	que	você	posicionar	o	termômetro,	e	o
local,	ele	vai	mostrar	uma	leitura	diferente.
Outra	 opção	mais	 moderna	 são	 os	 termômetros	 com	 infravermelho,	 que
medem	 a	 temperatura	 sem	 nem	 precisar	 encostar	 no	 animal.	 Eles	 evitam	 o
estresse	e	são	muito	bons,	mas	também	são	bem	mais	caros.
E,	 por	 fim,	 vamos	 aos	 termômetros	 comuns.	 Você	 pode	 usar	 um
termômetro	digital	ou	de	mercúrio.	Eu	prefiro	o	digital,	porque	é	mais	rápido	e
não	tem	o	risco	de	quebrar	e	espalhar	mercúrio	no	chão	da	sua	casa,	mas,	se	você
preferir	 usar	 o	 de	 vidro,	 pode	 usar	 também.	 A	 técnica	 é	 a	 mesma	 para	 os
termômetros	 digitais	 ou	 de	 vidro.	O	 primeiro	 passo	 é	 lubrificar	 o	 termômetro.
Use	um	lubrificante	à	base	de	água	(como	o	KY)	ou	então	a	vaselina.	Faça	uma
boa	contenção	no	cão,	e,	se	for	o	caso,	coloque	uma	focinheira.	Alguns	cães	não
se	 incomodam	 muito,	 mas	 outros	 podem	 ficar	 bem	 nervosos.	 Geralmente,	 é
trabalho	 para	 duas	 pessoas:	 uma	 segura	 o	 cão	 enquanto	 a	 outra	 mede	 a
temperatura,	a	não	ser	que	o	cachorro	seja	muito	tranquilo.	Insira	o	termômetro
no	 ânus	 do	 cão,	 mas	 evitando	 colocá-lo	 em	 linha	 reta,	 no	 meio.	 Deixe-o
levemente	inclinado	para	algum	dos	cantos,	para	que	ele	fique	em	contato	direto
com	a	mucosa	do	reto.	Isso	é	importante	porque,	se	ele	tiver	um	bolo	fecal	ali,	e
você	 inserir	 o	 termômetro	 no	meio,	 acabará	medindo	 a	 temperatura	 das	 fezes
dele,	 e	 não	 a	 temperatura	 dele.	E	 o	 resultado	 será	 diferente.	Enfim,	 aguarde	 a
leitura.	 Se	 for	 um	 termômetro	 digital,	 ele	 deve	 apitar	 para	 avisar	 quando
terminou	 de	 medir.	 Se	 for	 um	 termômetro	 de	 vidro,	 isso	 deve	 levar	 1	 a	 2
minutos,	até	que	você	veja	que	a	coluna	já	terminou	de	subir.
Remova	o	 termômetro,	veja	a	 temperatura,	e	 limpe-o	 imediatamente	com
álcool	 70º.	A	 temperatura	 normal	 para	 um	 cão	 varia	 entre	 37,8ºC	 a	 39,4ºC;	E
39,5ºC,	já	é	considerado	febre?	Sim.	E	40ºC?	É	uma	febre	muito	alta!	E	41ºC?
O	cão	 já	 está	 correndo	 risco	 de	 vida.	A	margem	é	 bem	pequena.	Mesmo	 com
uma	 leitura	dentro	do	 limite	 superior	–	a	partir	de	39ºC,	por	exemplo	 -	 é	bom
você	ficar	atento.	Não	é	febre,	mas	é	quase.	É	como	uma	criança	com	37ºC:	não
chega	a	ser	uma	febre.	mas,	normalmente,	algo	está	errado.
Comportamento
O	último	parâmetro	que	vamos	 estudar	 é	o	 comportamento.	O	que	 é	um
comportamento	“normal”?	A	resposta	varia	de	um	cachorro	para	o	outro.	Você
precisa	saber	reconhecer	o	que	é	um	comportamento	normal	para	o	seu	cachorro.
Alterações	no	sono,	no	apetite,	na	disposição	para	brincar,	e	até	no	humor,	são
indicativos	de	que	alguma	coisa	está	errada.	Mas	você	só	vai	saber	se	mudou	se
você	souber	o	que	é	normal,	certo?	E	ninguém	melhor	do	que	você	para	saber	se
o	seu	cachorro	está	“normal”	ou	não.
Um	conceito	 interessante	que	aprendi	na	 faculdade	 foi	 algo	que	a	minha
professora	 na	 época	 chamava	 de	 “NESB”	 -	 é	 uma	 sigla,	 que	 quer	 dizer	 “Não
Está	se	Sentido	Bem”.	É	aquele	 cachorro	que	chega	no	consultório,	 e,	 quando
perguntamos	o	que	está	havendo,	o	tutor	dá	aquela	resposta	bem	ampla:	“não	sei,
doutora,	mas	eu	acho	que	o	Totó	não	está	 se	sentindo	bem.	Tem	alguma	coisa
errada”.	A	pessoa	às	vezes	não	sabe	nem	descrever	o	que	está	errado,	diferente.
E	aí?	Você	conhece	o	seu	cachorro.	Você	sabe	se	ele	“não	está	se	sentindo	bem”,
mesmo	 que	 você	 não	 consiga	 nem	 dizer	 exatamente	 o	 que	 mudou.	 Então,	 se
você	desconfia	que	algo	está	errado,	provavelmente	é	porque	está	mesmo.	Leve
ao	veterinário,	sem	medo	de	ser	 taxado	de	chato	ou	neurótico.	Se	o	veterinário
examinar,	concluir	que	está	tudo	bem,	e	te	dispensar,	tudo	bem;	talvez	tenha	sido
algo	passageiro,	um	excesso	de	zelo	mesmo.	Já	se	o	veterinário	te	dispensar	sem
nem	olhar	para	o	cachorro	direito,	procure	outro.	Qualquer	problema	é	mais	fácil
de	ser	resolvido	se	for	detectado	no	começo.	E	esse	“NESB”	pode	ser	o	início	de
algo	muito	maior,	então,	merece	atenção,	sim.
Choque
O	choque	é	um	colapso	do	sistema	circulatório.	Ele	acontece	em	situações
extremas,	 quando	 todas	 as	 tentativas	 do	 corpo	 de	 compensar	 algum	 problema
grave	-	seja	uma	hemorragia,	uma	infecção,	um	problema	cardíaco,	entre	outros
-	 falharam.	O	 choque	 circulatório	 na	 verdade	 é	 um	mecanismo	de	 defesa,	 que
tem	 como	 objetivo	 preservar	 os	 órgãos	 mais	 importantes,	 como	 o	 cérebro.	 O
problema	é	que	o	próprio	choque	muitas	vezes	é	tão	destrutivo	que	o	cão	pode
morrer	por	causa	do	choque	antes	de	morrer	por	causa	do	problema	que	o	levou
a	entrar	em	choque	(a	infecção	ou	a	hemorragia,	por	exemplo).
Um	 cão	 que	 esteja	 entrando	 em	 choque	 deve	 ser	 levado	 ao	 veterinário
imediatamente.	 Cada	 minuto	 é	 precioso.	 O	 que	 você	 precisa	 saber	 sobre	 o
choque	é,	basicamente,	como	identificar.	Não	há	muito	o	que	possa	ser	feito	sem
ter	uma	estrutura	mínima,	como	a	de	um	consultório	ou	clínica	veterinária.	Em
casa,	 o	melhor	 que	 se	 pode	 fazer	 é	 pegar	 o	 cão	 e	 dirigir-se	 imediatamente	 ao
consultório,	a	clínica,	ou	o	hospital	veterinário.	Não	adianta	chamar	oveterinário
para	ir	até	a	sua	casa,	a	não	ser	que	ele	preste	o	serviço	de	transportar	o	animal
para	a	clínica.
Quais	são	os	sinais	do	choque?
Um	 dos	 sinais	 mais	 característicos	 é	 o	 tempo	 de	 preenchimento	 capilar
(TPC)	aumentado.	Como	vimos	na	seção	anterior,	o	TPC	é	aquele	teste	em	que
colocamos	o	dedo	na	gengiva	do	cão,	para	ver	quanto	tempo	leva	para	voltar	a
cor	normal.	Se	levar	mais	do	que	2	segundos,	já	temos	um	sinal	de	alerta.
A	cor	das	gengivas	também	é	um	indicativo	importante,	pois	normalmente
elas	ficam	pálidas.	Mas	no	início	do	choque,	a	cor	pode	estar	normal,	por	isso,
observe	 o	 conjunto	 todo:	 se	 o	 cachorro	 estiver	 letárgico,	 lento,	 confuso,	 ou	 se
chegou	 a	perder	 a	 consciência,	 não	perca	mais	 tempo	e	 leve	 ao	veterinário	no
mesmo	momento.
O	pulso	de	um	cachorro	em	choque	pode	ser	difícil	de	achar,	porque	estará
rápido	e	fraco.	A	temperatura	geralmente	fica	mais	baixa	e	é	importante	aquecer
o	 animal,	 a	 não	 ser	 que	 ele	 esteja	 entrando	 em	 choque	 por	 causa	 de	 uma
infecção	 –	 caso	 em	 que	 estará	 com	 febre	 -,	 ou	 então	 se	 ele	 estiver	 em
intermação.	 Já	 mencionamos	 brevemente	 a	 intermação	 no	 Capítulo	 1,	 e
voltaremos	 a	 tocar	 no	 tema	 com	 maior	 profundidade	 no	 Capítulo	 11,	 mas,
essencialmente,	 ela	acontece	quando	o	cão	entra	em	colapso	pelo	calor.	Se	ele
estiver	entrando	em	choque	por	conta	de	uma	intermação,	você	precisará	tentar
resfria-lo	ao	invés	de	aquecer.
Logo	após	o	acidente,	se	o	cachorro	tiver	sido	atropelado,	por	exemplo,	ele
pode	ficar	agitado	e	correr	para	 longe,	que	é	um	mecanismo	de	defesa	que	ele
tem	para	conseguir	se	afastar	do	perigo	ainda	que	esteja	ferido.	Mas,	conforme	o
choque	for	progredindo,	os	sinais	começam	a	ficar	mais	óbvios.
O	choque	pode	ser	causado	por	hemorragias,	por	pressão	muito	baixa,	ou
por	infecção.	No	caso	de	o	seu	cão	ter	uma	hemorragia,	você	pode	e	deve	tentar
conter	essa	hemorragia	enquanto	providencia	o	transporte	dele	para	a	clínica	ou
hospital.
Capítulo	6.	Técnicas	de	Salvamento
Afogamentos
O	resgate	de	uma	pessoa	ou	de	um	animal	que	esteja	se	afogando	é,	sem
dúvida,	 um	dos	mais	 perigosos,	 porque	muitas	 vezes	 a	 pessoa	 que	 vai	 fazer	 o
resgate	 também	põe	 a	 sua	 vida	 em	 risco.	Genericamente	 falando,	 eu	 diria	 que
resgatar	um	cão	é	mais	fácil	do	que	uma	pessoa.	Em	primeiro	lugar,	porque	os
cachorros	normalmente	já	sabem	nadar,	e,	quando	se	afogam,	é	por	exaustão.	Só
isso	já	diminui	muito	o	fator	“pânico”,	que	toma	conta	de	qualquer	pessoa	que
esteja	se	afogando.	É	claro	que	o	cachorro	vai	ficar	estressado	se	perceber	que
não	está	conseguindo	sair	da	água,	mas	dificilmente	ele	estará	em	pânico.	 Isso
inclusive	 melhora	 as	 chances	 de	 sobrevivência	 dele.	 O	 segundo	 fator	 é	 que
pessoas	em	pânico	que	estejam	se	afogando	tendem	a	se	agarrar	a	qualquer	coisa
que	 apareça	 perto	 delas,	 e	 a	 empurrá-la	 para	 baixo,	 para	 que	 elas	 próprias
consigam	 subir.	 Em	 muitos	 casos,	 a	 “coisa”	 que	 é	 empurrada	 para	 baixo	 é
justamente	aquela	pessoa	que	pretendia	salvá-la,	o	socorrista.	E,	assim,	ambos	se
afogam.	 Um	 cachorro	 não	 vai	 fazer	 isso,	 nem	 que	 ele	 queira.	 Ele	 não	 tem
condições	 anatômicas	 de	 fazer	 isso.	 Então,	 temos	 um	 risco	 a	 menos	 quando
resgatamos	cães.
Um	afogamento	pode	acontecer	em	qualquer	lugar	-	em	uma	piscina,	num
lago,	 num	 rio,	 ou	 no	mar.	 A	 piscina	 geralmente	 é	 a	 situação	menos	 perigosa,
pois,	na	maioria	dos	casos,	dá	pé	para	uma	pessoa	adulta,	e	não	oferece	outros
riscos,	 como,	 por	 exemplo,	 correntezas,	 ondas,	 ou	 animais	 selvagens.	 Já	 em
“águas	naturais”,	o	risco	é	bem	maior,	principalmente	no	mar	e	em	rios.
Se	 você	 sabe	 que	 não	 sabe	 nadar,	 não	 se	 arrisque	 a	 entrar	 num	 corpo
d’água	 natural	 ou	 numa	 piscina	 funda	 sem	 no	 mínimo	 algum	 tipo	 de
equipamento	de	segurança,	como	um	colete	salva-vidas.	E	tenha	em	mente	que,
em	 muitas	 situações,	 a	 questão	 não	 é	 apenas	 saber	 nadar.	 Existe	 uma	 coisa
chamada	correnteza,	que	pode	 te	puxar	para	 longe	da	praia	ou	das	margens	do
rio,	e	dificultar	o	seu	retorno	depois.	Se	houver	outra	pessoa	mais	experiente	que
possa	entrar	na	água	para	fazer	o	resgate,	como	um	bombeiro	ou	um	surfista,	é
sempre	melhor	contar	com	a	ajuda	dela.	Além	do	colete	salva-vidas,	uma	corda
amarrada	 na	 cintura	 pode	 ser	 muito	 útil	 para	 facilitar	 o	 seu	 retorno	 após	 um
resgate	na	água.	Em	um	rio	muito	bravo	isso	é	especialmente	importante,	já	que
ele	pode	te	arrastar	para	longe,	jogar	contra	pedras,	ou	até	mesmo	fazer	com	que
você	caia	em	uma	cachoeira.	Outra	opção,	 se	houver	bastante	gente	e	nenhum
equipamento,	 é	 uma	 corrente	 humana:	 várias	 pessoas	 se	 dando	 as	 mãos
formando	uma	corrente,	de	modo	que	uma	faça	segurança	para	a	outra.	A	pessoa
que	tiver	mais	experiência,	souber	nadar	melhor,	ou	for	mais	forte,	vai	na	ponta
para	fazer	o	resgate.	Essa	técnica	funciona	bem	na	praia,	mas	pode	ser	perigosa
em	 rios	 bravos,	 já	 que,	 se	 alguém	 no	 meio	 da	 corrente	 soltar	 a	 mão
acidentalmente,	várias	pessoas	ficarão	em	perigo.
Mas	e	se	você	estiver	sozinho,	não	souber	nadar,	não	tiver	equipamento,	e
nem	 outras	 pessoas	 em	 volta?	 Então,	 ligue	 para	 os	 bombeiros,	 para	 a	 polícia,
para	 o	 seu	 primo,	 para	 quem	você	 achar	 que	 consegue	 chegar	 lá	mais	 rápido.
Procure	 por	 pessoas	 próximas	 que	 possam	 te	 ajudar.	 Lembre-se	 sempre	 dos	 3
C’s:	você	avaliou	o	cenário	e	concluiu	que	o	risco	é	grande	demais?	Passe	para	o
próximo	passo	e	 chame	ajuda.	Se	você	decidir	pular	para	o	 terceiro	C	 -	que	é
cuidar	-,	as	chances	são	que	você	irá	se	afogar	junto	com	o	cachorro	ou	a	pessoa
que	pretendia	ajudar.	E	ninguém	vai	ganhar	nada	com	isso.
Mas	vamos	supor	que	você	saiba	nadar,	 tomou	os	cuidados	de	segurança
(colete	salva-vidas,	cordas,	outras	pessoas.),	então	o	que	fazer?	Bom,	mais	uma
vez	 vamos	 usar	 aquele	 ditado	 que	 aprendi	 no	 curso	 de	 salva-vidas:	 “make	 it
work”.	Faça	funcionar.	Dê	um	jeito.	Entre	na	água,	pegue	o	cachorro,	e	segure-o
como	 se	 não	 houvesse	 amanhã.	 Não	 interessa	 se	 pegou	 de	 mal	 jeito,	 se	 só
conseguiu	pegar	o	 rabo	ou	a	orelha	dele.	Não	 solte,	 porque	você	pode	não	 ter
outra	chance.	Depois,	se	conseguir,	você	ajeita	ele	melhor.	Com	humanos,	é	um
pouco	diferente,	você	vai	ter	que	“dar	um	jeito”	também,	mas	existem	técnicas
para	 se	 aproximar	 de	 uma	 pessoa	 que	 esteja	 se	 afogando	 para	 que	 ela	 não	 te
afogue	 também.	 Já	 com	cachorros,	 do	 jeito	que	você	pegar,	 está	no	 lucro.	Ele
não	vai	te	puxar	para	baixo.
Finalmente,	 você	 tirou	o	 cachorro	da	 água.	Ele	 está	 consciente?	Comece
imediatamente	 a	 avaliar	 o	ABC.	 Seja	 rápido:	A	 -	 as	 vias	 aéreas,	 como	 estão?
Provavelmente,	 cheias	 de	 água.	 Use	 a	 técnica	 do	 balanço,	 ou,	 se	 preferir,	 a
manobra	de	Heimlich.	B	 -	Boa	 respiração.	Ele	está	 respirando?	Se	sim,	ótimo.
Não?	Inicie	a	respiração	boca-focinho.	C	-	Circulação:	o	coração	está	batendo?
Continue	 só	 com	 a	 respiração	 artificial	 até	 que	 ele	 volte	 a	 respirar
espontaneamente.	Se	não	estiver	batendo,	é	hora	de	fazer	a	massagem	cardíaca.
Pare	 os	 procedimentos	 de	 ressuscitação	 quando	 os	 batimentos	 cardíacos	 e	 a
respiração	voltarem.
O	 seu	 resgate	 foi	 um	 sucesso,	 o	 cachorro	 está	 respirando,	 e	 o	 coração
batendo?	 Ótimo!	 Mas	 ele	 pode	 estar	 entrando	 em	 hipotermia.	 enrole-o	 numa
toalha,	cobertor,	ou	o	que	tiver	ao	seu	alcance	para	tentar	secar	e	aquecer	o	cão.
Se	possível,	leve	para	casa	ou	a	uma	pet	shop	com	banho	e	tosa	para	secá-lo	com
secador	o	quanto	antes.	Falaremos	mais	detalhadamente	 sobre	a	hipotermia	no
Capítulo	11,	mas	esse	já	é	um	começo	para	começar	a	reverter,	ou	evitar	que	ela
ocorra.	 Nem	 sempre	 que	 um	 animal	 se	 afogar,	 ele	 entrará	 em	 hipotermia.	 Se
estiver	calor,	se	a	água	não	estiver	muito	fria,	talvez	ele	não	chegue	a	esse	ponto.
Mas	é	bom	secar	mesmo	assim,	e,	em	seguida,	verificar	se	os	seus	parâmetros
estão	 todos	 normais	 (frequência	 cardíaca,	 respiratória,temperatura,	 cor	 das
mucosas,	tempo	de	preenchimento	capilar,	etc.).
Uma	consequência	mais	tardia	do	afogamento	pode	ser	a	pneumonia.	Por
isso,	mesmo	que	o	seu	resgate	tenha	sido	um	sucesso,	é	recomendável	levar	ao
veterinário	para	examinar	e	medicar,	se	for	o	caso.
Engasgos
Os	 engasgos	 não	 são	 muito	 diferentes	 dos	 afogamentos,	 no	 sentido	 que
precisaremos	 ajudar	 a	 desobstruir	 as	 vias	 aéreas	 do	 cão	 e	 ajudá-lo	 a	 voltar	 a
respirar,	se	for	o	caso.	O	detalhe	aqui	é	que	é	importante	sabermos	com	o	que	o
cão	 se	 engasgou,	 principalmente	 para	 os	 cuidados	 que	 virão	 depois.	 Por	 quê?
Porque	 um	 cão	 pode	 se	 engasgar	 com	 uma	 bolinha,	mas	 ele	 também	 pode	 se
engasgar	 com	 uma	 agulha,	 ou	 um	 pedaço	 de	 osso	 de	 galinha.	 Percebe	 a
diferença?	Enquanto	 o	 problema	da	 bolinha	vai	 ser	 resolvido	no	momento	 em
que	 você	 conseguir	 retirá-la	 da	 garganta	 do	 cão,	 se	 for	 um	 objeto	 mais
pontiagudo	 ou	 cortante,	 podem	 haver	 problemas	 depois.	 Estes	 objetos	 podem
sair	 literalmente	 rasgando	 o	 animal.	 E	 o	 pior:	 se	 forem	 engolidos	 ao	 invés	 de
expelidos,	 podem	 passar	 rasgando	 o	 esôfago,	 o	 estômago,	 e	 os	 intestinos.
Objetos	 que	 contenham	 chumbo,	 sejam	 eles	 pontiagudos	 ou	 não,	 também	 têm
um	outro	fator	complicador,	que	é	uma	possível	intoxicação.
Regra	 geral,	 então:	Se	 era	 um	objeto	 não	 cortante	 e	 que	 você	 conseguiu
retirar,	considere	o	problema	resolvido.	Se	o	objeto	foi	para	dentro,	independente
do	 que	 tenha	 sido,	 leve	 ao	 veterinário.	 Mas	 uma	 bolinha	 vai	 sair	 cortando	 o
cachorro	por	dentro	como	uma	agulha?	Não,	mas,	assim	como	ela	 tinha	ficado
presa	na	garganta,	ela	também	pode	ficar	presa	no	meio	do	trato	digestivo	do	seu
cão	 e	 causar	 uma	obstrução,	 o	 que	 é	 bem	perigoso.	Uma	meia,	 um	pedaço	de
tecido	 ou	 um	 cordão,	 podem	 causar	 ainda	 um	 outro	 problema,	 chamado
intussuscepção.	A	intussuscepção	é	quando	um	pedaço	do	intestino	desliza	para
dentro	 do	 outro,	 o	 que	 acaba	 por	 bloquear	 não	 só	 o	 fluxo	 dos	 alimentos,	mas
também	o	próprio	fluxo	do	sangue	para	o	intestino.	Quer	dizer	então	que,	sempre
que	um	cachorro	comer	algo	que	não	deve,	temos	motivo	para	pânico?	Não,	pois
muitas	coisas	conseguem	sair	do	mesmo	jeito	que	entraram.	Mas	é	interessante
levar	 ao	 veterinário	 e	 acompanhar.	Dependendo	 do	 que	 foi	 engolido,	 pode	 ser
necessário	fazer	radiografias	ou	ultrassonografias	para	acompanhar	o	progresso
do	 objeto,	 e,	 caso	 ele	 seja	 perfuro-cortante,	 ou	 cause	 uma	 obstrução	 ou
intussuscepção,	uma	cirurgia	pode	ser	necessária.
E	para	evitar	tudo	isso?	Não	deixe	ao	alcance	do	seu	cão	qualquer	objeto
que	ele	possa	eventualmente	engolir,	especialmente	se	você	tiver	um	filhote	em
casa.	Os	filhotes	roem	qualquer	coisa	-	de	fios	elétricos	a	sapatos,	meias,	o	que
estiver	 ao	 alcance	 da	 boca.	 Normalmente,	 essa	 mania	 passa	 conforme	 o	 cão
amadurece,	 e	podemos	 relaxar	um	pouquinho	quando	o	cão	 já	estiver	adulto	e
bem-educado.	Cuidado	 também	 com	os	 brinquedos	 que	 for	 comprar,	 para	 que
eles	sejam	resistentes	o	suficiente	para	não	se	despedaçarem	na	hora	que	o	cão
for	 brincar	 com	 eles;	 ou	 então,	 que	 sejam	 comestíveis.	 Um	 exemplo	 de
brinquedo	 que	 pode	 ser	 bem	 perigoso	 são	 os	 bichinhos	 de	 pelúcia.	 Se	 o	 seu
cachorro	 só	 brinca	 com	 ele	 sem	 tentar	 destruir,	 tudo	 bem.	 Mas	 alguns	 cães
gostam	 de	 rasgar	 o	 bichinho	 e	 arrancar	 o	 seu	 enchimento.	 Nesse	 caso,	 temos
duas	possibilidades:	 (1)	o	cachorro	arranca	e	cospe	o	enchimento,	o	que	não	é
tão	 problemático,	 ou	 (2)	 ele	 engole	 o	 enchimento	 ou	 o	 próprio	 tecido	 do
bichinho.	Neste	último	caso,	ele	corre	o	risco	de	sofrer	uma	obstrução	intestinal
ou	uma	intussuscepção.
Mas	digamos	que	você	 tomou	 cuidado,	mas	 o	 seu	 cachorro	 se	 engasgou
mesmo	assim.	Ele	pode	se	engasgar	com	a	ração,	com	comida,	e	até	com	água,
não	apenas	com	objetos	 inapropriados.	O	que	 fazer?	Manobra	de	Heimlich!	Já
descrevi	 esta	 técnica	 no	 Capítulo	 5,	 e	 sugiro	 que	 você	 revise	 e	 pratique	 a
manobra.	Inclusive,	procure	se	informar	sobre	as	variações	dessa	manobra	para
humanos,	 adultos	 e	 crianças.	 É	 algo	 muito	 simples	 e	 que	 salva	 vidas.	 É
realmente	desesperador	você	se	deparar	com	uma	pessoa	ou	um	animal	tentando
respirar	sem	conseguir,	e	não	saber	o	que	fazer.	Principalmente	se	esse	alguém
for	o	seu	cachorro	ou,	pior	ainda	 -	o	seu	 filho.	A	manobra	de	Heimlich	é	algo
que	todas	as	pessoas	deveriam	conhecer	e	saber	fazer	com	perfeição.
E	se	a	manobra	de	Heimlich	falhar?	E	se	o	cachorro	continuar	engasgado,
ou	 até	mesmo	 desmaiar?	 Como	 já	mencionei	 na	 seção	 sobre	 o	ABC,	 se	 você
tentar	aplicar	a	manobra	de	Heimlich	por	mais	de	dois	minutos	sem	sucesso,	leve
o	cão	ao	veterinário	 imediatamente,	antes	que	a	situação	se	agrave	ainda	mais.
Se	o	 cão	desmaiar,	 abra	 a	 boca	dele	 e	 tente	 remover	 o	 objeto,	 usando	os	 seus
dedos	ou	uma	pinça,	 sempre	 tomando	 cuidado	para	 não	o	 empurrar	mais	 para
dentro.	Você	pode	tentar	a	manobra	de	Heimlich	novamente	com	o	cão	deitado,
e,	 se	 necessário	 for,	 inicie	 a	 respiração	 artificial	 e	 a	 massagem	 cardíaca.	 A
maioria	 dos	 casos	 não	 vai	 chegar	 a	 esse	 ponto,	 principalmente	 se	 você	 agir
rápido.
Parada	Cardiorrespiratória
A	 parada	 cardiorrespiratória	 pode	 acontecer	 por	 inúmeros	 motivos,	 que
variam	desde	problemas	de	 afogamentos	 e	 engasgos,	 que	 já	mencionamos,	 até
uma	insuficiência	cardíaca,	ou	por	um	estágio	avançado	de	choque	circulatório.
O	 infarto	cardíaco	propriamente	dito	é	 raro	em	cães,	e,	quando	acontece,
passa	facilmente	despercebido.	A	explicação	para	isso	é	a	abundante	circulação
colateral	 presente	 nos	 corações	 dos	 cães.	 O	 quê?	 Bom,	 o	 infarto	 cardíaco
acontece	quando	um	vaso	 sanguíneo	que	“alimenta”	o	 coração	 fica	 entupido	e
tem	 o	 seu	 fluxo	 interrompido.	 Consequentemente,	 um	 pedaço	 do	 coração	 fica
sem	 receber	 energia	 e	 oxigênio,	 parando	 de	 funcionar.	 Em	 humanos,	 isso	 é
devastador,	 especialmente	quando	acontece	em	pessoas	 jovens.	Os	 infartos	 em
jovens,	apesar	de	serem	menos	comuns,	 são	na	maioria	das	vezes	 fulminantes,
enquanto	não	 raro,	os	 idosos	sobrevivem.	O	que	acontece	é	que	o	coração	dos
cães	 tem	 naturalmente	muito	mais	 vasos	 sanguíneos	 do	 que	 os	 nossos,	 sendo
plenamente	capazes	de	compensar	a	eventual	perda	de	um	ou	outro	vaso.	Então,
se	 um	 vaso	 sanguíneo	 se	 entupir	 no	 coração	 de	 um	 cachorro,	 na	maioria	 das
vezes,	não	haverá	grandes	consequências.	As	pessoas	idosas	também	têm	muito
mais	vasos	sanguíneos	irrigando	os	seus	corações	do	que	as	jovens,	explicando
assim	a	sua	maior	resiliência	aos	infartos.
Mas,	independentemente	da	causa,	se	o	coração	de	um	cão	parou	de	bater,
precisamos	fazer	com	que	ele	volte	a	funcionar	imediatamente	se	pretendermos
dar	 a	 este	 animal	 alguma	chance	de	 sobrevivência.	E	 como	 fazer	 isso?	Com	a
ressuscitação	cardiopulmonar,	conforme	já	descrito	no	Capítulo	5.
Infelizmente,	as	estatísticas	são	pouco	favoráveis.	Em	humanos,	os	índices
de	 sucesso	 da	 ressuscitação	 cardiopulmonar	 giram	 em	 torno	 de	 20%.	 Para	 os
cães,	apenas	6%.	Esta	diferença	se	deve	principalmente	à	falta	de	padronização	e
treinamento	 da	 maioria	 das	 pessoas	 em	 relação	 às	 técnicas	 de	 salvamento.
Memorize	 os	 passos,	 aprenda	 as	 técnicas,	 e	 pratique	 (num	 boneco)	 para
aumentar	as	suas	chances	de	sucesso	numa	situação	real	de	vida	ou	morte.
A	 ressuscitação	 cardiopulmonar	não	deve	 ser	 interrompida	 até	que	o	 cão
volte	 a	 ter	 batimentos	 cardíacos	 e	 a	 respirar	 espontaneamente,	 ou	 até	 que	 se
chegue	 ao	 estabelecimento	 veterinário.	 Se	 for	 o	 caso,	 conforme	 já	 enfatizado
anteriormente,	 os	 procedimentos	 de	 ressuscitação	 devem	 continuar	 inclusive
durante	o	transporte,	dentro	do	carro.	Ainda	que	se	tenha	sucesso	na	reversão	da
parada	cardiorrespiratória,	e	da	sua	causa,	este	cão	deve	ser	levado	ao	veterinário
imediatamente.
Capítulo	7.Distúrbios	Gastrintestinais
Vômitos	e	Diarreias							
Quando	vômitos	e	diarreias	são	considerados	emergências?
Nem	 todo	 episódio	 de	 vômito	 ou	 diarreia	 é	 uma	 emergência.	Mas	 você
sabe	identificar	quando	isso	passa	a	ser	uma	emergência?	O	vômito	e	a	diarreia
podem	 ter	 uma	 infinidade	 de	 causas,	 variando	 desde	 vermes	 intestinais	 a
intoxicações	e	problemas	neurológicos.	O	que	causa	o	vômito	e	o	que	causa	a
diarreia	também	pode	ser	diferente,	significando	que	nem	todo	cão	com	diarreia,
vomita,	e	nem	todo	cão	que	esteja	vomitando,	tem	diarreia.	Mas	o	resultado	final
é	geralmente	o	mesmo:	desidratação.
A	 desidratação	 é	 extremamente	 perigosa	 e	 pode	matar.	 Alguns	 casos	 de
diarreia,	em	especial,	podem	fazer	com	que	o	cão	se	desidrate	de	 forma	muito
rápida,	gerando	situações	de	emergência.
Um	 filhote,	 um	 cão	muito	 velhinho,	 ou	 que	 tenha	 problema	 cardíaco	 ou
renal,	 sempre	 deve	 ser	 levado	 ao	 veterinário	 se	 tiver	 diarreia,	 pois	 estes	 são
animais	mais	 frágeis	 e	 suscetíveis	 à	 desidratação.	Uma	 diarreia	muito	 líquida,
em	jatos,	ou	que	contenha	qualquer	quantidade	de	sangue,	também	é	considerada
uma	emergência,	e	você	deve	levar	o	cão	ao	veterinário	no	mesmo	dia.
E	quanto	às	fezes	pastosas,	que	não	chegam	a	ser	diarreia?	Estas	situações
não	são	emergências,	mas	é	bom	você	ficar	atento.	Se	for	uma	vez	só,	um	dia	só,
pode	 ter	 sido	 apenas	 uma	 leve	 indisposição	 intestinal;	 mas	 se	 o	 problema
persistir	 por	 dois	 dias	 ou	 mais,	 ou,	 se	 o	 cão	 tiver	 episódios	 recorrentes	 de
diarreia,	 leve	 ao	 veterinário.	 Pode	 ser	 verminose,	 infecção	 intestinal,	 ou
problemas	de	absorção,	por	exemplo.
O	 vômito	 deve	 ser	 diferenciado	 da	 regurgitação.	 O	 vômito	 vem	 do
estômago.	 O	 cão	 faz	 força	 e	 barulho	 para	 vomitar,	 e	 o	 alimento	 às	 vezes	 sai
semi-digerido.	 O	 vômito	 pode	 ser	 amarelado,	 esverdeado,	 pode	 ter	 ou	 não
pedaços	de	comida,	e	pode	ser	só	uma	espuminha	branca.	Cada	tipo	de	vômito
tem	um	seu	significado	clínico.	Observe	as	características	do	vômito	do	seu	cão
para	relatá-las	ao	médico	veterinário.
A	 regurgitação	 acontece	 de	 forma	 mais	 “natural”:	 ela	 sai	 rápido	 e	 sem
esforço.	Geralmente,	o	alimento	não	está	nem	digerido,	e	o	que	você	encontra	é
um	bolo	 de	 ração	 com	 as	 bolinhas	 inteiras	 ainda,	 ou	 outros	 alimentos	 que	 ele
tenha	ingerido.	Outra	diferença	importante	é	que	um	cachorro	pode	regurgitar	e
continuar	 com	 o	 seu	 comportamento	 ativo	 e	 normal,	 enquanto	 o	 vômito
normalmente	 vem	 acompanhado	 por	 um	mal-estar	 e	 depressão.	 O	 vômito	 em
geral	 é	 mais	 preocupante	 do	 que	 a	 regurgitação,	 porque	 ele	 desidrata	 mais
rápido,	e	muitas	vezes	as	suas	causas	são	mais	graves.
Um	 cão	 com	 insuficiência	 renal	 ou	 hepática	 que	 não	 esteja	 bem
compensada	vai	começar	a	vomitar.	Então,	se	o	seu	cachorro	tiver	alguma	dessas
doenças	 e	 estiver	 em	 tratamento,	mas,	 de	 repente,	 começou	a	vomitar,	 leve	 ao
veterinário	no	mesmo	dia.	Pode	ser	 sinal	de	que	ele	esteja	descompensando	 (a
doença	não	está	mais	“sob	controle”)!	Cuidado	também	com	cães	diabéticos,	que
podem	 entrar	 em	 hipoglicemia	 rapidamente.	 Se	 o	 seu	 cão	 for	 diabético	 e
vomitou,	ligue	já	para	o	veterinário	e	avise,	pois	será	necessário	ajustar	a	dose	da
insulina	dele	 até	que	o	problema	 seja	 resolvido,	 como	veremos	no	Capítulo	 8.
Filhotes	vomitando	também	são	sempre	preocupantes,	principalmente	por	conta
daquelas	doenças	comuns	que	os	afetam,	como	parvovirose	e	a	cinomose,	que
podem	matar	ou	deixar	sequelas.	Portanto,	leve	também	o	filhote	ao	veterinário
com	certa	urgência	se	ele	começar	a	vomitar.
Se	o	cão	 for	 adulto,	 saudável,	 e	vomitou	apenas	uma	vez,	você	pode	até
esperar	e	observar	um	pouquinho.	Pode	ser	também	uma	leve	indisposição.	Mas,
se	 ele	 voltar	 a	 vomitar,	 leve	 logo	 ao	 veterinário.	 Sangue	 no	 vômito	 nunca	 é
normal,	e	deve	ser	visto	como	uma	emergência	que	requer	atenção	profissional
imediata.
E	 quando	 não	 é	 emergência,	 não	 precisa	 levar?	 Precisa,	 mas	 a	 intenção
desta	seção	é	que	você	consiga	identificar	as	situações	mais	graves	e	que	exigem
que	 o	 cão	 seja	 atendido	 imediatamente	 ou	 no	 mesmo	 dia.	 Os	 casos	 de
emergência	não	podem	esperar	até	o	dia	seguinte,	ou	até	o	feriado	ou	o	final	de
semana	acabar,	porque,	até	lá,	o	seu	cão	já	estará	muito	debilitado.
E	a	 regurgitação?	Costuma	ser	menos	complicada,	e	os	cães	às	vezes	até
induzem	 a	 regurgitação	 ao	 comerem	 grama	 ou	 mato.	 Se	 o	 cão	 continua
aparentemente	bem,	e	é	uma	coisa	bem	esporádica,	não	é	tão	preocupante.	Mas,
se	ele	regurgita	frequentemente,	se	está	ficando	debilitado,	ou	emagrecendo,	ele
pode	ter	algum	problema,	como	megaesôfago,	por	exemplo,	e	você	deve	levá-lo
ao	veterinário.
Cuidados	com	Dieta	e	Hidratação
O	que	fazer	com	um	cão	que	esteja	com	diarreia	e/ou	vomitando?	Além	de
levar	 ao	 veterinário,	 é	 claro,	 para	 descobrir	 a	 causa	 e	 tratá-la,	 tem	 alguns
cuidados	que	devemos	tomar.
O	nosso	principal	objetivo	deve	ser	manter	este	animal	nutrido	e,	acima	de
tudo,	hidratado.	O	que	vou	dizer	aqui	pode	até	gerar	um	pouco	de	controvérsia,
porque	 as	 orientações	 dos	 veterinários	 variam	 muito	 neste	 sentido.	 Vou	 dizer
como	 eu	 considero	 a	 melhor	 forma,	 e	 o	 porquê,	 para	 que	 você	 possa
compreender.
Já	 vi	 muitos	 colegas,	 e	 também	 alguns	 livros,	 que	 recomendam	 “jejum
hídrico	e	alimentar”	para	cães	que	estejam	com	diarreia	ou	vômito,	por	24	horas.
Isso	significa	deixar	o	cão	sem	água	ou	alimento	por	um	dia	inteiro.
O	 principal	 argumento	 dessa	 corrente	 é	 que	 a	 alimentação	 ou	 a	 água
podem	 fazer	 com	que	o	 cão	vomite	 ainda	mais,	 ou	perca	 ainda	mais	 água	nas
fezes.	 Mas	 e	 como	 fica	 a	 hidratação	 de	 um	 animal	 que	 está	 continuamente
perdendo	 água,	 e	 não	 está	 repondo?	 Se	 não	 houver	 como	 repor	 esta	 água,	 ao
final	 de	 um	dia,	 ele	 precisará	 tomar	 soro	 na	 veia!	É	 claro,	 tomar	 soro	na	 veia
(hidratação	 intravenosa)	 pode	 ajudar	 muito,	 mas,	 sendo	 possível	 resolver	 o
problema	 sem	 isso,	 é	 muito	 melhor.	 Não	 precisamos	 esperar	 que	 o	 cão	 se
desidrate	para	tomar	uma	providência.
E	a	 alimentação?	Bem,	o	 cão	que	 esteja	 com	diarreia	ou	vomitando	está
obviamente	 doente.	 Independentemente	 do	 que	 causou	 o	 problema,	 ele	 vai
precisar	de	 energia	para	 se	 recuperar,	 e	não	vai	 fazer	 isso	 com	 luz	do	 sol.	Ele
precisa	de	comida,	de	calorias.
Mas	 então,	 pode	 continuar	 tudo	 normal?	 Não	 exatamente.	 É	 verdade,
principalmente	no	caso	do	vômito,	que	a	água	ou	o	alimento	podem	fazer	com
que	 o	 cão	 vomite	 novamente.	 Então,	 o	 que	 a	 gente	 vai	 fazer	 é	 oferecer,	 sim,
líquidos	e	alimentos	para	ele,	mas	em	pequenas	porções.	Assim,	damos	a	chance
de	ele	absorver	aos	poucos,	sem	induzir	o	vômito.
E	 o	 que	 podemos	 dar	 numa	 situação	 dessas?	 No	 caso	 dos	 líquidos,	 é
interessante	trocar	a	água	do	cão	por	uma	solução	reidratante.	Esta	solução	pode
ser	 um	 soro	 caseiro,	 água	 de	 coco,	 pode	 ser	 um	 daqueles	 envolopinhos	 de	 pó
para	hidratação	vendidos	em	pet	shops	(Eletrolítico	Pet®,	por	exemplo),	ou	até
mesmo	 o	 Pedialyte®,	 que	 é	 vendido	 para	 uso	 em	 crianças	 nas	 farmácias
humanas	 (parecido	 com	Gatorade®).	 Estas	 soluções	 favorecem	 a	 absorção	 da
água,	e	têm	uma	dupla	vantagem	em	relação	à	água	pura:	hidratam	melhor	e	têm
menor	chance	de	induzir	o	vômito	logo	depois	de	beber.	Se	o	cachorro	vomitar
mesmo	 com	 pequenas	 quantidades	 de	 água	 ou	 de	 uma	 solução	 hidratante,
ofereça	gelo	para	ele	lamber.	O	gelo	ajuda	a	hidratar,	e	tem	bem	menos	chance
de	causar	vômito.
Mais	 uma	 opção	 muito	 interessante,	 principalmente	 para	 cães	 que	 estão
com	 diarreia,	 é	 a	 chamada	 “água	 de	 arroz”.	 A	 água	 de	 arroz	 é	 inclusive
recomendada	 pela	 OMS	 para	 crianças	 com	 cólera	 e	 outras	 diarreias	 graves,
porque	ela	hidrata	e	ajuda	a	firmar	as	fezes.	Para	fazer,	é	bem	simples:	cozinhe
uma	xícara	de	arroz	em	4	xícaras	de	água.	Se	quiser	incrementar,coloque	uma
cenoura	 descascada	 para	 cozinhar	 junto	 também.	 É	 só	 isso.	 Cozinhe	 por	 20
minutos,	 espere	 esfriar,	 e	 dê	 a	 água	 para	 o	 cachorro	 beber.	 Para	 deixar	 mais
gostoso	para	 ele,	você	pode	misturar	 ainda	uma	colherada	de	papinha	de	bebê
nessa	água.
Os	alimentos	oferecidos	devem	ser	bem	brandos,	como	arroz	com	frango,
meio	a	meio.	Você	 também	pode	dar	uma	“encorpada”	nessa	alimentação	com
um	pouco	de	abóbora,	que	tem	propriedades	bem	interessantes:	ela	é	boa	tanto
para	 conter	 a	 diarreia	 quanto	 para	 soltar	 o	 intestino,	 se	 o	 animal	 estiver
constipado.	Basicamente	ela	ajuda	a	regular	o	trânsito	intestinal.	Caso	o	seu	cão
tenha	algum	tipo	de	 restrição	alimentar,	como,	por	exemplo,	por	conta	de	uma
insuficiência	renal,	consulte	o	seu	veterinário	quanto	à	dieta	mais	adequada	para
ele.
E	quanto	pode	dar	de	cada	vez?	Aí,	varia	bastante	de	um	caso	para	outro.	É
preciso	determinar	quanto	o	seu	cão	consegue	comer	-	se	é	que	ele	quer	comer	-,
de	cada	vez,	sem	vomitar.	Eu	me	lembro,	por	exemplo,	de	uma	emblemática	fase
da	 minha	 vida,	 que	 foi	 quando	 a	 minha	 cadelinha	 Shana	 teve	 uma	 crise	 de
insuficiência	 renal.	 Para	 quem	 não	 conhece	 o	 meu	 site
(www.meucaovelhinho.com.br),	ou	conhece,	mas	não	leu	este	pedaço,	Shana	foi
a	minha	cadelinha	Poodle,	que	morreu	aos	15	anos	de	idade,	em	2011.	Na	época,
eu	já	era	formada	em	Medicina	Veterinária	há	alguns	anos,	mas	ela	foi	a	grande
inspiração	para	que	eu	me	direcionasse	para	a	geriatria,	e	eventualmente,	criasse
o	Meu	Cão	Velhinho.	Bom,	mas	o	que	aconteceu	foi	que	a	Shana	estava	numa
crise	 gravíssima	 de	 insuficiência	 renal,	 e	 não	 queria	 comer	 absolutamente
NADA.	 Ela	 estava	 ficando	 cada	 dia	 mais	 fraca,	 mais	 debilitada,	 e	 nada	 a
convencia	a	comer.	Então,	comecei	a	fazer	alimentação	forçada	nela,	com	ração
pastosa	 e	 com	 papinha	 de	 bebê.	 Se	 eu	 desse	 uma	 quantidade	 razoável,	 como
http://www.meucaovelhinho.com.br
seria	uma	refeição,	por	exemplo,	ela	vomitava.	Então,	eu	enchia	uma	seringa	de
mais	ou	menos	10	mL,	com	aquele	alimento	bem	molinho,	que	era	quase	mais
água	 do	 que	 sólido,	 para	 poder	 passar	 pela	 seringa,	 e	 dava	 na	 boca	 dela.	 Ela
odiava.	Começou	a	fugir	de	mim.	Principalmente	porque	eu	estava	fazendo	isso
a	 cada	 30	 a	 40	 minutos	 durante	 o	 dia	 todo,	 para	 tentar	 fazer	 com	 que	 ela
ingerisse	uma	quantidade	razoável	de	calorias.	Quando	eu	tentava	aumentar	um
pouco	a	quantidade,	ela	vomitava.	Então,	ela	precisou	ser	alimentada	em	“doses
homeopáticas”	 mesmo.	 Depende	 muito	 de	 cada	 cachorro,	 e	 do	 que	 ele	 tem.
Alguma	 coisa	 que	 ele	 consiga	 comer	 e	manter	 no	 estômago	 é	melhor	 do	 que
nada.	Toda	doença	desgasta	e	requer	energia	para	ser	combatida.
No	caso	da	minha	 cachorrinha,	 para	quem	 ficou	 curioso,	 eu	 fiquei	 nesse
ritmo	 com	 ela	 por	 aproximadamente	 10	 dias,	 e	 ela	 estava	 definhando,	 mas
começou	 a	melhorar	 após	 o	 início	 da	 alimentação	 forçada.	A	 crise	 dela	 durou
cerca	2	semanas,	até	que,	finalmente,	ela	conseguiu	tirar	a	patinha	da	cova	e	se
recuperou.	No	início,	não	cheguei	a	forçar	a	alimentação,	até	que	ela	começou	a
ficar	 muito	 fraca.	 A	 alimentação	 forçada	 foi	 fundamental	 para	 a	 recuperação
dela,	 mas	 não	 foi	 a	 única	 medida	 que	 precisamos	 tomar	 para	 ajudá-la.	 Ela
também	precisou	ser	hidratada	e	medicada	por	via	intravenosa	(“soro	na	veia”),
entre	outros	cuidados	importantes.
A	 alimentação	 forçada	 não	 é	 algo	 que	 devamos	 fazer	 simplesmente	 toda
vez	que	o	cão	deixa	de	comer.	De	início,	você	vai	oferecer	pequenas	quantidades
de	 algum	 alimento	 que	 seja	 palatável	 (gostoso)	 e	 leve	 -	 geralmente,	 como	 já
mencionei,	 arroz	 com	 frango	 é	 uma	 ótima	 pedida.	 Se	 ele	 não	 quiser	 comer,
deixe,	 e	 ofereça	 novamente	 mais	 tarde.	 Só	 se	 ele	 começar	 a	 ficar	 realmente
debilitado	é	que	podemos	começar	 a	pensar	 em	 fazer	 alimentação	 forçada,	via
sonda,	ou	até	nutrição	parenteral	(“na	veia”)	em	casos	mais	extremos.	Mas	antes
disso,	com	certeza	você	que	é	um	tutor	responsável	já	terá	levado	o	seu	cão	ao
veterinário,	vocês	já	terão	uma	ideia	do	que	estão	enfrentando,	e,	se	for	o	caso	de
fazer	alimentação	forçada,	o	seu	veterinário	irá	te	orientar	neste	sentido.
Um	detalhe	digno	de	atenção	em	relação	à	alimentação	de	cães	internados
ou	 que	 sejam	 submetidos	 à	 alimentação	 forçada	 é:	 nunca	 dê,	 nessa	 fase,	 o
alimento	 que	 você	 pretende	manter	 depois	 que	 ele	melhorar.	 Isso	 porque	 eles
desenvolvem	aversão	àquele	alimento.	Mesmo	que	o	cão	até	gostasse	antes,	ou
que	não	achasse	tão	ruim	assim	quando	estava	doente,	 tem	uma	boa	chance	de
que,	depois	disso,	ele	não	queira	mais	nem	ouvir	falar	daquela	comida.	Procure
dar	outros	alimentos,	o	veterinário	irá	te	orientar	em	relação	ao	que	pode	ou	não
dar.
Para	 encerrar	 o	 assunto	 dos	 vômitos	 e	 diarreias:	 “mas,	 doutora,	 não	 tem
um	remedinho	que	a	gente	possa	dar?	”	Não.	Se	for	o	caso	de	o	cão	tomar	algum
“remedinho”,	então	a	medicação	adequada	será	indicada	pelo	médico	veterinário
que	atendê-lo,	depois	de	diagnosticar	a	causa	do	problema.	A	diarreia	e	o	vômito
são	os	sinais,	de	longe,	mais	comuns	na	clínica	médica	de	pequenos	animais,	e
podem	 ter	 uma	 infinidade	 de	 causas.	 Se	 um	 cão	 for	 medicado	 sem	 o	 devido
diagnóstico	(isso	é,	sem	que	se	saiba	o	motivo	dos	vômitos	ou	da	diarreia),	pode
até	 ser	 que,	 em	 algumas	 situações,	 o	 remédio	 tenha	 algum	 efeito.	 Mas	 tem
também	 uma	 boa	 chance	 de	 que,	 sem	 querer,	 importantes	 sintomas	 sejam
mascarados	e	a	consulta	ao	veterinário	seja	atrasada	-	o	que,	em	última	instância,
vai	fazer	com	o	que	o	seu	cachorro	sofra	mais	e	por	mais	tempo.	E,	na	pior	das
hipóteses,	alguns	medicamentos	podem	até	mesmo	agravar	o	problema.	Se	for	o
caso	de	medicar,	o	veterinário	que	atender	o	cão	irá	prescrever	o	que	precisar.
Fora	a	medicação,	o	que	pode	ser	feito	em	casa?	Manter	o	cachorro	o	mais
hidratado	 e	 bem	 nutrido	 possível.	 Siga	 as	 instruções	 acima	 em	 relação	 à
alimentação	 e	 hidratação,	 e	 leve-o	 ao	 médico	 veterinário	 para	 o	 devido
diagnóstico	e	acompanhamento.
Constipação	e	Obstruções	intestinais
A	constipação	é	o	exato	oposto	da	diarreia	e	do	vômito:	é	quando	não	sai
nada.	 Se	 o	 seu	 cachorro	 está	 há	 mais	 de	 dois	 dias	 sem	 defecar,	 ele	 está
constipado.	 Enquanto	 o	 comportamento	 dele	 continuar	 “normal”,	 e	 ele	 estiver
bem-disposto	e	se	alimentando	bem,	não	é	uma	emergência,	e	o	problema	deve
se	resolver	em	breve,	mas	podemos	ajudá-lo.
Existem	vários	motivos	por	que	o	um	cão	pode	estar	constipado,	mas	uma
das	 mais	 comuns	 é	 o	 ressecamento,	 o	 cachorro	 pode	 estar,	 simplesmente,
levemente	desidratado.		Se	o	problema	for	este,	basta	incentivá-lo	a	beber	água.
Mostre	 o	 potinho,	 espalhe	 potes	 de	 água	 pela	 casa,	 se	 ele	 tiver	 dificuldade	 de
locomoção,	 invente	 uma	 brincadeira,	 dê	 um	 cubo	 de	 gelo	 para	 ele	 lamber	 se
estiver	 calor,	 e	 por	 aí	 vai.	 Uma	 colheradinha	 de	 azeite	 de	 oliva	 pode	 ajudar
também.	Dê	 uma	 colher	 de	 chá	 para	 um	 cachorro	 pequeno,	 ou	 uma	 colher	 de
sopa	para	um	cachorro	grande.
Outra	coisa	que	você	pode	fazer	para	ajudar	a	soltar	o	intestino	do	seu	cão
é	adicionar	às	refeições	do	seu	cão,	um	pouco	de	cereal	de	trigo	integral	(como	o
All	Bran®)	às	refeições	dele:	1	colher	chá	para	cães	pequenos,	de	sopa	para	cães
médios,	ou	¼	de	xícara	para	cães	grandes.	Como	já	mencionamos	anteriormente,
a	abóbora	é	ótima	tanto	em	casos	de	diarreia	quanto	de	constipação:	adicione	um
pouco	de	abóbora	à	alimentação	dele	para	um	bom	trânsito	 intestinal.	Por	 fim,
caminhar	estimula	o	intestino	a	funcionar,	por	isso,	leve-o	para	passear	por	pelo
menos	30-40	minutos.	Se,	mesmo	assim,	ele	não	defecar	dentro	de	48	horas,	leve
ao	 veterinário	 para	 examinar.	 Não	 dê	 qualquer	 laxativo	 ou	 enema	 por	 conta
própria.
Na	maioria	dos	 casos,	 a	 constipação	não	é	uma	grande	emergência.	Mas
fique	atento	se	o	seu	cão	 tiver	alguma	doença	que	predisponha	à	desidratação,como	diabetes	ou	insuficiência	renal	crônica,	porque,	nestes	casos,	a	constipação
pode	indicar	que	ele	está	prestes	a	“descompensar”.	Nestas	situações,	você	deve
procurar	o	seu	veterinário	o	quanto	antes,	para	ver	se	o	problema	do	seu	cão	é	só
intestinal	mesmo,	ou	se	ele	está	entrando	em	uma	crise.
Exceto	 nas	 situações	 mencionadas	 no	 parágrafo	 anterior,	 de	 cães	 que
sofrem	 de	 certas	 doenças,	 se	 o	 cachorro	 estiver	 com	 o	 seu	 comportamento
normal	 e	 só	 não	 estiver	 defecando,	 é	 provável	 que	 ele	 só	 esteja	 ressecado
mesmo.	Por	outro	lado,	se	ele	ficar	caidinho,	deprimido,	com	dor,	ou	até	vomitar,
aí	é	sinal	de	que	pode	ser	alguma	coisa	mais	séria.	Como	o	quê?	Pode	ser,	por
exemplo,	uma	obstrução.	A	obstrução	pode	ser	causada	por	alguma	coisa	que	ele
comeu,	por	um	tumor,	e	até	por	vermes	intestinais.	E,	se	estiver	obstruído,	não
vai	ter	laxante	que	resolva!	Inclusive,	usar	laxante	numa	situação	dessas	é	bem
perigoso,	porque	você	 sem	querer	pode	 fazer	 com	que	o	 intestino	do	cachorro
acabe	se	rompendo,	agravando	muito	o	problema.	Em	alguns	casos	de	obstrução,
você	consegue	 sentir	 alguma	coisa	dura	ao	apalpar	a	barriguinha	do	cão.	Mas,
mesmo	que	não	sinta,	se	o	seu	cachorro	já	está	há	mais	de	dois	dias	sem	fazer
cocô,	 e	 ficou	 deprimido,	 parece	 que	 está	 com	 dor,	 e	 não	 quer	 mais	 saber	 de
comer	 nem	 brincar,	 leve	 ao	 veterinário.	 Ele	 provavelmente	 vai	 pedir	 uma
radiografia	ou	um	ultrassom	para	tentar	entender	melhor	o	que	está	acontecendo.
Alguns	casos	podem	precisar	até	de	cirurgia.
Um	tipo	de	obstrução	que	pode	acontecer	é	aquela	causada	pelo	chamado
“corpo	 estranho	 linear”,	 que	 já	 mencionei	 no	 início	 do	 livro.	 Corpo	 estranho
linear	é	aquele	objeto	mais	alongado,	como	um	cordão,	uma	meia	ou	pedaço	de
tecido,	 que	 pode	 fazer	 com	 que	 o	 intestino	 fique	 enrugado,	 obstruído,	 e	 até
mesmo	 sem	 circulação	 sanguínea.	 Se	 você	 sabe	 que	 o	 seu	 cão	 engoliu	 algum
objeto	destes,	o	que	você	tem	a	fazer	é	observar	e	acompanhar	para	ver	se	sai.
Não	 dê	 laxantes	 em	 hipótese	 alguma,	 porque	 isso	 aumenta	 a	 chance	 de	 ter
alguma	complicação.	Enquanto	não	sai,	fique	atento,	pois	se	o	seu	cão	começar	a
passar	 mal,	 sentir	 dor,	 ou	 vomitar,	 é	 sinal	 de	 que	 ele	 precisa	 de	 assistência
veterinária.	Se	o	objeto	sair	sem	maiores	empecilhos,	ótimo,	é	só	cuidar	para	que
não	aconteça	novamente.
Se	 você	 perceber	 que	 o	 seu	 cachorro	 está	 defecando	 e	 ficou	 com	 parte
deste	objeto	para	fora,	mas	ele	não	saiu	inteiro,	não	puxe.	O	que	você	vai	fazer	é
CORTAR	o	fio	ou	tecido,	a	aproximadamente	1,5	cm	do	ânus	e	deixá-lo	como
está.	Em	seguida,	use	as	mesmas	recomendações	que	já	vimos	para	os	casos	de
constipação	comum:	estimule	a	ingestão	de	água,	e	dê	azeite	de	oliva	e/ou	cereal
para	 ele	 comer.	 Procure	 exercitar	 o	 seu	 cão,	 levando-o	 para	 caminhar	 para
estimular	 o	 trânsito	 intestinal.	 A	 intenção	 é	 que	 ele	 consiga	 eliminar
naturalmente	o	objeto.	Se	ele	estiver	muito	incomodado,	se	parecer	que	está	se
sentindo	mal,	com	dor,	ou	começar	a	vomitar,	leve	ao	veterinário.
Dilatação	e	Torção	Gástrica	ou	Vólvulo
O	 nosso	 último	 tema	 relacionado	 a	 problemas	 gastrintestinais	 é	 também
um	 dos	 mais	 graves:	 a	 dilatação	 e	 a	 torção	 gástrica	 (vólvulo).	 Apesar	 de
dilatação	e	torção	serem	coisas	diferentes,	elas	normalmente	acontecem	juntas,	e
por	isso	são	sempre	citadas	juntas.
Quem	assistiu	ou	leu	“Marley	e	Eu”	talvez	se	recorde	do	que	acontece	com
o	 simpático	Labrador,	 já	 no	 finalzinho	da	história.	Ele	passa	mal	uma	noite,	 e
acaba	sendo	operado.	Passado	algum	tempo,	o	Marley	teve	o	mesmo	problema,	e
a	veterinária	deles	acabou	recomendando	a	eutanásia.	O	que	o	Marley	 teve	 foi
exatamente	isso:	dilatação	e	 torção	gástrica.	Como	nome	do	problema	já	diz,	a
dilatação	acontece	quando	o	estômago	dilata	demais	-	ele	se	enche	de	gás,	como
se	 fosse	 um	 balão.	 E	 o	 passo	 seguinte,	 que	 nem	 sempre	 acontece,	 mas,	 se
acontecer,	é	extremamente	grave,	é	quando	esse	estômago	inflado	gira	em	torno
de	si	mesmo.	Ele	torce.	Os	principais	sinais	de	dilatação	e	vólvulo	são:
·								Inchaço	(o	estômago	fica	visivelmente	aumentado);
·								Som	“oco”	ou	de	tambor	ao	batucar	com	os	dedos	a	barriga	do	cão;
·								Desconforto	abdominal	(cão	fica	inquieto,	ansioso,	olha	para	os	lados);
·								Vômito	em	alguns	casos;
·	 	 	 	 	 	 	 	Dificuldade	 para	 respirar,	 conforme	 o	 estômago	 incha	 e	 comprime	 o
diafragma	e	grandes	vasos;
·								Língua	e	gengivas	podem	ficar	pálidas;
·								Cão	entra	em	colapso/	choque	circulatório;
·								Morte.
Todo	esse	processo	pode	ocorrer	dentro	de	apenas	uma	hora,	ou	algumas
poucas	horas,	nos	dando	pouco	 tempo	para	agir.	O	prognóstico	é	 sempre	mais
favorável	nos	casos	em	que	ocorre	apenas	a	dilatação,	sem	a	torção	gástrica.
Este	 problema	 é	 mais	 comum	 em	 cachorros	 grandes,	 especialmente
aqueles	 chamados	 de	 “tórax	 profundo”,	 como	 é	 o	 caso	 do	 Labrador,	 do
Dobermann,	do	Dogue	Alemão,	do	Pastor	Alemão,	 etc.	Além	do	 tamanho	dos
animais,	a	genética	também	desempenha	um	papel	importante:	ao	examinarmos
o	histórico	 familiar	de	um	cão	que	 sofreu	dilatação	e	 torção	gástrica,	 não	 raro
constatamos	que	os	seus	pais	ou	avós	também	tiveram	o	mesmo	problema.	Por
conta	 disso,	 a	 reprodução	 de	 cães	 que	 já	 tiveram	 dilatação/torção	 gástrica,	 ou
cujos	ascendentes	tiveram	o	problema,	é	contraindicada.
Um	outro	fator	que	se	destaca	como	desencadeante	da	dilatação	gástrica	é
o	 fato	 de	 o	 cachorro	 comer	 muito	 rápido.	 Foi	 pensando	 nisso	 que	 foram
desenvolvidos	 alguns	 comedouros	 especiais,	 com	 bolinhas	 dentro,	 ou	 que	 se
parecem	 com	 labirintos,	 para	 se	 tentar	 obrigar	 os	 peludos	 mais	 “afobados”	 a
comerem	mais	devagar.
Cães	que	 comem	só	uma	vez	 ao	dia	 são	muito	mais	 propensos	 a	 isso:	 o
ideal	é	alimentá-los	duas	ou	três	vezes	ao	dia.	Em	relação	ao	tipo	de	alimento,
algumas	estatísticas	têm	apontado	que	cães	que	comem	ração	são	também	mais
propensos	do	que	aqueles	comem	dietas	caseiras	ou	alimentação	natural.	Dentre
os	cães	que	comem	ração,	a	tendência	é	maior	quando	a	ração	é	fornecida	úmida
(quando	 os	 tutores	 misturam	 água	 ou	 molhos	 para	 amaciar	 a	 ração),
provavelmente	porque	a	presença	de	líquidos	na	ração	favorece	a	fermentação.
Para	prevenir	o	problema,	os	cães	devem	ser	alimentados	pelo	menos	duas
vezes	ao	dia,	e	recomenda-se	o	uso	de	artifícios	para	forçar	os	mais	“afobados”	a
comerem	mais	devagar.	Estes	artifícios	podem	ser	comedouros	especiais,	ou	até
mesmo	 a	 colocação	 de	 grandes	 pedras	 (que	 não	 possam	 ser	 acidentalmente
engolidas)	dentro	do	comedouro,	para	criar	obstáculos.	Caso	se	opte	pela	ração,
ela	deve	ser	fornecida	apenas	em	horários	predefinidos,	e	descartada	quando	não
consumida	 imediatamente,	 conforme	 explicado	 no	 Capítulo	 1.	 Isso	 ajuda	 a
diminuir	 as	 chances	 de	 fermentação	 da	 ração,	 e,	 consequentemente,	 a
probabilidade	de	que	o	cão	sofra	uma	dilatação	gástrica.
Caso	 você	 consiga	 detectar	 sinais	 iniciais	 de	 dilatação	 gástrica	 -	 o
estômago	inchado,	mas	o	cão	ainda	consegue	caminhar,	e	não	está	vomitando	-,
leve-o	para	 fazer	uma	caminhada	moderada,	que	 irá	ajudá-lo	a	expulsar	o	gás.
Para	diminuir	a	produção	de	gás	e	para	eliminar	o	que	já	estiver	formado,	dê	a
ele	Mylanta	®,	na	dose	de	0,5mL/Kg.	Estes	procedimentos	 têm	como	objetivo
reduzir	a	dilatação	gástrica,	e	evitar	que	a	torção	aconteça.
Em	estágios	mais	avançados	(cão	já	não	consegue	se	levantar	ou	entrou	em
colapso,	tem	dificuldade	para	respirar,	sinais	de	choque),	se	tiver	segurança	e	for
demorar	um	pouco	para	chegar	ao	hospital	veterinário,	você	pode	tentar	aliviar
um	 pouco	 a	 pressão	 do	 estômago	 dele.	 Localize	 o	 estômago	 do	 cão	 -	 o	 que
geralmente	 é	 fácil	 nessas	 situações,	 pois	 ele	 fica	 parecendo	um	balão	 -,	 pegue
uma	agulha	de	 injeção,	não	muito	grossa,	e	coloque	no	ponto	que	estiver	mais
inchado,	como	se	fosse	estourar	uma	bexiga.	Quando	você	fizer	isso,	perceberáo
ar	saindo	pela	agulha,	e	isso	já	deve	dar	um	alívio	imediato	no	cão.	Em	seguida,
leve	ao	veterinário,	pois	esta	é	apenas	uma	medida	paliativa	que	não	irá	resolver
o	problema.	Uma	cirurgia	de	emergência	pode	ser	necessária.
Capítulo	8.	Outros	Problemas	Internos
Diabetes
A	 diabetes	 mellitus	 é	 uma	 doença	 que	 faz	 com	 que	 a	 regulação	 da
quantidade	de	açúcar	no	sangue	não	funcione	direito.	Na	prática,	isso	quer	dizer
que	 um	 cão	 que	 não	 seja	 tratado	 ficará	 com	 níveis	 de	 açúcar	 muito	 altos	 no
sangue,	com	diversos	 impactos	negativos	à	sua	saúde.	Os	sinais	mais	clássicos
da	diabete	em	cães	são	beber	muita	água	e	fazer	muito	xixi.	Ao	mesmo	tempo,	o
apetite	 aumenta,	 mas	 ele	 emagrece.	 A	 condição	 de	 um	 cão	 diabético	 pode	 se
deteriorar	muito	 rapidamente,	 e	o	animal	pode	até	morrer	por	causa	disso.	Por
isso,	 se	 você	 tiver	 qualquer	 desconfiança	 de	 que	 o	 seu	 cão	 possa	 ter	 este
problema,	 leve	 ao	 veterinário	 para	 examinar	 o	 quanto	 antes	 possível.	 Com
alguns	exames,	ele	poderá	confirmar	se	o	seu	cão	é	diabético	ou	não,	ou	se	ele
tem	 algum	 outro	 problema	 (como	 a	 Síndrome	 de	 Cushing),	 e	 irá	 iniciar	 o
tratamento.
O	tratamento	da	diabete	é	feito	com	base	em	ajustes	na	dieta	do	animal	em
conjunto	 com	 a	 aplicação	 de	 insulina,	 da	mesma	 forma	 que	 para	 humanos.	O
início	do	 tratamento	pode	ser	um	pouco	complicado,	até	que	o	 tutor	aprenda	a
aplicar	a	insulina,	e,	principalmente,	até	o	veterinário	consiga	identificar	qual	é	o
melhor	 tipo	 de	 insulina,	 e	 qual	 é	 a	 melhor	 dose	 para	 aquele	 cão.	 Existem
diferentes	 tipos	 de	 insulina,	 e	 cada	 indivíduo	 pode	 se	 adaptar	 melhor	 a	 um
determinado	tipo.	Infelizmente,	não	há	como	prever	–	é	preciso	testar.	Isso	tudo
são	coisas	que,	 se	o	 seu	cão	 for	diabético,	 será	orientado	e	 acompanhado	pelo
seu	veterinário.	Mas	tem	um	detalhe	nessa	terapia	que	você	precisa	conhecer:	a
insulina	deve	 ser	 aplicada	 sempre	 logo	depois	das	 refeições,	 que,	 por	 sua	vez,
devem	ser	feitas	sempre	no	mesmo	horário	-	religiosamente.
E	o	que	fazer	se	o	cão	não	comer?
Se	ele	não	comer,	então	não	dê	a	 insulina,	 e	 ligue	para	o	 seu	veterinário
para	 avisar	 o	 que	 aconteceu.	 Se	 for	 o	 caso	 de	 dar	 uma	 dose	 mais	 baixa,	 ou
mesmo	de	pular	uma	dose,	ele	irá	orientá-lo.
Mas,	e	se	ele	comeu,	você	aplicou	a	insulina,	e	ele	vomitou?
Bom,	você	não	vai	ter	como	“desaplicar”	a	insulina,	mas	é	importante	ficar
de	olho	nele	para	procurar	por	sinais	de	hipoglicemia.	O	cão	também	pode	entrar
em	hipoglicemia	se	a	dose	aplicada	for	muito	alta,	se	a	insulina	for	aplicada	mais
de	uma	vez	(por	exemplo	quando	tem	mais	de	uma	pessoa	responsável	por	ele),
ou	se	ele	não	comeu	muito	bem.
O	primeiro	passo	é	você	saber	 identificar	a	hipoglicemia.	Hipoglicemia	é
quando	 a	 quantidade	 de	 açúcar	 no	 sangue	 está	muito	 baixa,	 e	 então	 começa	 a
faltar	 energia	 para	 os	 órgãos	 vitais,	 como	 o	 cérebro	 e	 o	 coração.	 O	 que	 você
observa	é	que	o	cão	apresenta:
·			Depressão;
·			Fraqueza;
·			Confusão;
·			Desmaios;
·			Convulsões.
Num	 cão	 que	 esteja	 em	 tratamento	 para	 diabetes,	 normalmente	 isso	 vai
acontecer	 aproximadamente	6	horas	depois	da	 aplicação	da	 insulina	–	 então,	 é
recomendável	 ter	 alguém	que	possa	dar	uma	olhadinha	no	cão	mais	ou	menos
nesse	 horário,	 principalmente	 no	 início	 do	 tratamento,	 ou	 se	 acontecer	 alguma
das	 situações	 que	mencionamos	 anteriormente:	 se	 o	 cachorro	 vomitou,	 se	 não
comeu	ou	comeu	pouco,	se	a	dose	de	insulina	foi	alta,	ou	se	ela	foi	aplicada	mais
do	que	uma	vez.
Se	 você	 perceber	 que	 o	 seu	 cão	 diabético	 está	 ficando	 com	 sinais	 de
hipoglicemia,	ofereça	para	ele	algum	alimento.
E	 se	 ele	 não	 quiser	 comer,	 perder	 a	 consciência,	 ou	 entrar	 em
convulsões?
Esfregue	 um	 pouco	 mel	 ou	 Karo	 ®	 nas	 gengivas	 dele.	 Isso	 deve	 ser
suficiente	 para	 tirá-lo	 da	 hipoglicemia.	 Se	 mesmo	 assim	 ele	 continuar
convulsionando	ou	não	acordar,	leve-o	imediatamente	para	a	clínica	veterinária.
Se	ele	recuperar	a	consciência	e	voltar	ao	normal,	ofereça	um	pouco	de	comida
para	 ele	 e	 ligue	 para	 o	 seu	 veterinário	 para	 avisar	 o	 que	 aconteceu,	 pedindo
orientações.
Como	Evitar	a	Hipoglicemia	em	Cães	Diabéticos
Para	evitar	a	hipoglicemia,	é	preciso,	em	primeiro	lugar,	seguir	exatamente
as	instruções	do	médico	veterinário	responsável	pelo	animal	em	relação	à	dose	e
aos	 horários	 da	 insulina,	 medindo	 sempre	 com	 muito	 cuidado	 cada	 dose.	 Se
houver	mais	de	um	cuidador,	recomendo	que	criem	uma	tabela	ou	um	quadro,	e
deixem-no	 grudado	 na	 geladeira,	 ou	 na	 parede	 do	 quartinho	 onde	 o	 cachorro
dorme.	Assim,	cada	vez	que	alguém	for	aplicar	a	insulina,	faz	uma	marquinha	ali
para	avisar	à	outra	pessoa	que	já	aplicou.
Se	o	cachorro	comer	menos	do	que	o	habitual,	diminua	um	pouco	a	dose
da	 insulina.	O	quanto	exatamente	você	poderá	diminuir,	varia	de	um	caso	para
outro	–	então,	sugiro	que	pergunte	ao	médico	veterinário	responsável	pelo	cão,
antes	que	aconteça	uma	situação	como	essa,	o	quanto	a	dose	pode	ser	reduzida
se	 ele	 comer	 pouco.	 Se	 o	 cachorro	 não	 comer,	 pode	 ser	 o	 caso	 de	 pular	 uma
dose.	E,	se	ele	comer	demais,	pode	aumentar	a	dose?	Não.	Jamais,	em	hipótese
alguma,	aumente	a	dose	da	 insulina	por	conta	própria.	Se	você	perceber	que	o
seu	 cachorro	 está	 voltando	 a	 ter	 sinais	 de	 diabetes	mesmo	 com	 o	 tratamento,
então	marque	uma	consulta	com	o	seu	veterinário,	e	deixe	que	ele	decida	se	é	o
caso	ou	não	de	aumentar	a	dose,	e	o	quanto	ela	poderá	ser	aumentada.
Problemas	Urinários
Insuficiência	Renal
A	 insuficiência	 renal	 pode	 ser	um	problema	difícil	 de	 lidar,	 que	 faz	 com
que	 muitos	 tutores	 se	 sintam	 como	 se	 estivessem	 andando	 sobre	 uma	 corda
bamba.	Em	um	momento,	o	cachorro	parece	bem,	e,	no	outro,	ele	está	em	crise.
Como	saber	se	um	cachorro	tem	insuficiência	renal?
A	 insuficiência	 renal	 pode	 ser	 de	 dois	 tipos:	 aguda	 ou	 crônica.	 Na
insuficiência	 renal	 crônica,	 assim	 como	 acontece	 com	 a	 diabete,	 o	 cachorro
começa	a	beber	muita	água	e	a	fazer	muito	xixi.	A	principal	diferença	é	que,	ao
invés	de	ficar	com	mais	fome,	ele	começa	a	ficar	com	um	“apetite	caprichoso”.
É	aquele	cachorro	que,	às	vezes	come,	às	vezes	não	come;	e,	às	vezes	até	come
bem	–	se	ele	gostar	da	comida.	Alguns	cães	passam	a	aceitar	apenas	um	tipo	de
alimento,	e	não	querem	mais	saber	de	outras	coisas.	Às	vezes	o	cão	vomita,	sem
motivo	 aparente.	 Esse	 tipo	 de	 insuficiência	 renal	 vai	 se	 desenvolvendo	 bem
devagarinho,	até	que	o	cão	entra	em	crise.
A	 crise	 é	 uma	 forma	de	 insuficiência	 renal	 aguda,	 que	 é	 o	 outro	 tipo	 de
insuficiência	renal.	A	insuficiência	renal	aguda	é	bem	mais	drástica,	e	aparece	de
uma	hora	para	a	outra.	Ela	pode	acontecer	como	uma	crise	da	insuficiência	renal
crônica,	 ou	 pode	 ser	 uma	 coisa	 bem	 pontual,	 por	 exemplo,	 como	 um	 caso	 de
intoxicação,	 de	 intermação,	 ou	 de	 anemia	 hemolítica	 por	 conta	 da	 doença	 do
carrapato.	O	cachorro	em	insuficiência	renal	aguda	não	come,	vomita,	pode	ter
diarreia	ou	constipação,	e	pode	haver	sangue	no	vômito	dele.	Em	alguns	casos,
começam	a	aparecer	feridas	na	língua	e	nas	gengivas,	e	o	cão	fica	com	um	mal
hálito	 bem	característico.	Comumente	 -	mas	não	 sempre	 -,	 o	 cachorro	não	 faz
xixi.
A	 insuficiência	 renal	 crônica	 pode	 ser	 tratada	 em	 casa,	 através
principalmente	de	cuidados	com	a	dieta	e	a	hidratação.	Eventualmente,	pode	ser
feita	a	aplicação	de	soro	subcutâneo	pelo	próprio	 tutor.	Já	a	 insuficiência	 renal
aguda	é	sempre	uma	emergência,	e	o	cão	deve	ser	levado	ao	veterinário	o	quanto
antes	 possível.	 Ele	 precisará	 ser	 internado	 e	 tomar	 soro	 na	 veia,	 entre	 outras
providências.
Mas,	 se	 a	 única	providência	possível	 será	 levar	 ao	veterinário,	 então	por
que	decidi	incluir	este	assunto	num	livro	de	primeiros	socorros?	Porque	acredito
ser	 fundamental	 que	 os	 tutores,	 protetores,	 e	 profissionais	 da	 área	 pet	 sejam
capazes	de	reconheceruma	crise	renal.	Com	frequência	eu	recebo	perguntas	de
leitores	 do	 meu	 site	 (www.meucaovelhinho.com.br),	 de	 pessoas	 que	 têm	 cães
com	 insuficiência	 renal	 crônica	 que	 pararam	 de	 se	 alimentar.	 E	 a	 dúvida
geralmente	 é:	 “o	 que	 posso	 dar	 para	 ele	 comer?”	 Pois	 bem,	 se	 o	 seu	 cão	 tem
insuficiência	renal	e	parou	de	comer,	independentemente	de	ele	comer	ração	ou
dieta	caseira,	fique	alerta.	Não	há	motivo	para	pânico	se	ele	pulou	apenas	uma
refeição	-	como	já	mencionei,	eles	ficam	com	o	apetite	caprichoso	mesmo.	Mas
se	pulou	duas,	três	refeições,	ou	vomitou,	é	hora	de	ir	ao	veterinário.	Já.	Este	cão
pode	estar	entrando	em	crise.
Obstrução	Urinária
Um	 outro	 problema	 urinário	 que	 os	 cães	 podem	 sofrer	 é	 a	 obstrução
urinária.	 A	 obstrução	 geralmente	 acontece	 quando	 os	 cálculos	 –	 as	 famosas
“pedras”	que	 se	 formam	nos	 rins	–	acabam	descendo	para	a	bexiga	e	a	uretra.
Quando	 uma	 pedrinha	 dessas	 chega	 à	 uretra	 e	 fica	 estacionada	 lá,	 temos	 a
obstrução	 urinária,	 ou	 seja:	 acontece	 um	 bloqueio	 no	 fluxo	 da	 urina.	 O	 cão
continua	 produzindo	 urina	 normalmente,	 e	 ele	 até	 tenta	 fazer	 xixi,	 mas
simplesmente	não	consegue.
Como	a	uretra	dos	machos	é	mais	longa	do	que	a	das	fêmeas,	e,	ainda	por
cima	faz	curvas,	a	chance	de	que	um	macho	venha	a	ter	uma	obstrução	urinária	é
bem	maior	do	que	a	das	 fêmeas.	A	uretra	curta	e	 reta	das	 fêmeas	 faz	com	que
seja	mais	 fácil	 simplesmente	 eliminar	 as	 pedrinhas	menores	 junto	 com	o	 xixi,
sem	maiores	consequências.	Por	outro	lado,	esse	formato	da	uretra	das	fêmeas,	e
a	sua	localização	próxima	ao	ânus,	fazem	com	que	elas	tenham	bem	mais	chance
de	infecção	urinária.
Mas	 voltando	 à	 obstrução:	 ainda	 que	 a	 probabilidade	 de	 obstrução	 seja
maior	 nos	 machos,	 as	 fêmeas	 também	 podem	 ter.	 Só	 é	 mais	 raro.	 Podemos
desconfiar	que	um	cão	está	com	obstrução	urinária	quando	ele	começa	a	tentar
fazer	 xixi,	 faz	 força	 para	 urinar,	 e	 não	 sai	 nada,	 ou	 saem	 apenas	 algumas
gotinhas.	 Em	 alguns	 casos,	 chegam	 a	 pingar	 gotas	 de	 urina,	 ou	 até	 de	 sangue
mesmo,	porque	a	uretra	está	machucada.	O	cachorro	sente	bastante	dor,	então	ele
pode	ficar	bem	recolhido,	não	querer	se	movimentar	muito	e	nem	se	alimentar.
Ele	pode	ficar	agressivo,	ou	reagir	se	você	apertar	a	barriguinha	dele.
Se	essa	obstrução	continuar	por	muitas	horas,	o	cachorro	pode	entrar	num
quadro	parecido	com	o	de	 insuficiência	 renal,	e	começar	a	vomitar,	porque	ele
começa	a	se	intoxicar	com	a	própria	urina	que	não	consegue	sair.	Existe	também
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o	risco	de	ruptura	de	bexiga,	se	ela	ficar	muito	cheia.	Se	a	bexiga	estourar,	o	cão
terá	 uma	 peritonite,	 uma	 condição	 ainda	 mais	 dolorosa.	 A	 dor	 abdominal	 faz
com	que	o	 cão	 assuma	 a	 chamada	 “posição	de	 prece”,	 em	que	 ele	 fica	 com	o
bumbum	 para	 cima	 e	 as	 patas	 da	 frente	 esticadas	 no	 chão.	 Em	 casos	 mais
extremos,	 ele	 pode	 entrar	 em	 choque	 por	 causa	 da	 hemorragia	 e/ou	 da
inflamação	causada	pela	peritonite.
Como	o	 problema	pode	 complicar	 bastante,	 quanto	 antes	 você	 conseguir
identificar	 e	 levar	 ao	 veterinário,	 melhor.	 Existem	 casos	 em	 que	 as	 pedrinhas
acabam	sendo	eliminadas	sozinhas,	junto	com	o	xixi.	Mas	há	casos	também	em
que	 pode	 ser	 preciso	 passar	 uma	 sonda	 no	 cão,	 ou	 até	 mesmo	 operá-lo	 para
retirar	as	pedrinhas.
A	única	causa	possível	para	obstrução	urinária	são	os	cálculos	urinários?
Não!	Se	a	uretra	ficar	muito	inflamada,	o	inchaço	causado	pela	inflamação
pode	obstruir	a	passagem	da	urina.	Essa	 inflamação	pode	ser	causada	por	uma
infecção,	 pelas	 pedrinhas,	 ou	 até	mesmo	 pela	 própria	 sondagem.	 E,	 quando	 a
mucosa	da	uretra	inflama,	ela	pode	cicatrizar	de	um	jeito	que	fecha	ou	diminui	a
passagem	 da	 urina,	 deixando	 uma	 lesão	 permanente	 que	 requer	 correção
cirúrgica.
Então,	 assim	como	no	caso	da	 insuficiência	 renal,	 o	mais	 importante	 em
relação	à	obstrução	urinária	é	você	saiba	reconhece-la,	para	poder	levar	o	cão	ao
veterinário	o	quanto	antes	possível.	Em	casa,	o	máximo	que	se	pode	fazer	é	dar
alguma	medicação	para	ajudar	a	aliviar	a	dor,	sabendo	que	isso	não	vai	resolver
o	 problema,	 apenas	 dará	mais	 conforto	 ao	 cão.	Não	 irei	 sugerir	 aqui	 qualquer
medicamento	 especificamente,	 porque	 existem	 doenças	 que	 podem	 fazer	 com
que	um	cão	não	possa	tomar	determinados	remédios.	Sendo	assim,	se	você	quer
saber	qual	medicamento	para	dor	pode	ser	dado	ao	seu	cão	no	caso	de	alguma
emergência	 -	 seja	 por	 obstrução	 urinária,	 ou	 qualquer	 outra	 coisa	 que	 possa
causar	dor	-,	converse	com	antecedência	com	o	seu	médico	veterinário	em	uma
consulta	 de	 rotina,	 ou	 então	 ligue	 para	 ele,	 pedindo	 a	 sugestão	 de	 um
medicamento	 que	 você	 possa	 ter	 em	 casa	 para	 situações	 assim.	 Se	 ele	 sugerir
algum	medicamento,	deixe	um	frasco	no	seu	kit	de	primeiros	socorros,	e	anote	a
dose	recomendada.
Para	 encerrar	 o	 tema,	 considero	 importante	 que	 o	 leitor	 compreenda	 a
diferença	 entre	 as	 diferentes	 formulações	 de	 rações	 para	 cães	 com	 problemas
urinários.	 Existem	 as	 rações	 terapêuticas	 do	 tipo	 “renal”,	 e	 outras	 que	 são
conhecidas	como	“urinary”.	As	rações	do	tipo	“renal”	foram	desenvolvidas	para
cães	 que	 sofram	 de	 insuficiência	 renal.	 Já	 as	 “urinary”	 são	 específicas	 para
problemas	 de	 urolitíase,	 ou	 seja,	 de	 formação	 de	 “pedras	 nos	 rins”.	 Existem
inclusive	algumas	variações	entre	as	rações	“urinary”,	de	modo	que	elas	podem
ter	indicações	diferentes	para	cães	com	cálculos	de	estruvita	ou	de	oxalato,	por
exemplo.	Para	saber	o	tipo	de	cálculo	que	um	cão	tem,	é	preciso	fazer	exames	de
urina	e/ou	dos	próprios	cálculos	que	forem	encontrados.
Problemas	uterinos	e	vaginais
Piometra/	Piometra	de	coto
A	 piometra	 é	 a	 infecção	 do	 útero.	 Este	 problema	 é	 bem	 comum	 nas
cadelas,	e,	conforme	elas	vão	ficando	mais	velhinhas,	a	chance	de	acontecer	uma
piometra	aumenta	bastante.
Por	que	 a	piometra	 acontece?	Até	hoje	não	 se	 sabe	 com	 total	 certeza,	 já
que	 a	maioria	 das	 piometras	 ocorrem	de	 forma	 espontânea	 e	 são	 causadas	por
bactérias	que	são	naturais	do	corpo	da	cadela	-	ou	seja,	não	há	necessariamente
uma	 causa	 externa.	 A	 proximidade	 com	 o	 ânus,	 no	 caso	 de	 uma	 diarreia,	 por
exemplo,	 pode	 facilitar	 o	 problema,	 mas	 muitas	 vezes	 isso	 não	 acontece.
Normalmente,	a	piometra	acontece	um	pouco	depois	do	cio,	em	torno	de	um	a
dois	meses	depois.
Passado	o	cio,	a	cadela	começa	a	ficar	mais	recolhida,	não	se	alimenta,	e
pode	vomitar.	Diferentemente	das	mulheres,	as	cadelas	não	vomitam	durante	a
gestação.	 Portanto,	 se	 a	 sua	 cadela	 esteve	 no	 cio	 recentemente	 e	 começou	 a
vomitar,	mesmo	que	ela	tenha	acasalado,	desconfie	de	uma	piometra.	A	cadela	se
recolhe	porque	sente	muita	dor.	Por	conta	disso,	ela	pode	ficar	até	um	pouquinho
agressiva,	pois	não	quer	que	mexam	com	ela.	Algumas	pessoas	confundem	isso
com	gestação	também,	achando	que	ela	está	preparando	o	ninho.	Na	verdade,	ela
não	está	preparando	o	ninho:	ela	está	com	dor.
Outro	sinal	característico	da	piometra	é	a	febre.	Se	você	acreditar	que	ela
possa	estar	com	febre,	use	o	termômetro	e	meça	a	temperatura.	Focinho	seco	não
é	sinal	de	febre,	e	focinho	gelado	também	não	significa	que	a	temperatura	esteja
normal.	 Se	 estiver	 na	 dúvida,	 meça	 a	 temperatura	 dela.	 Se	 estiver	 acima	 de
38,5ºC,	desconfie.	É	possível	que	seja	piometra,	então,	leve	logo	ao	veterinário.
Mas	 se	 ela	 está	 com	 infecção	 no	 útero,	 não	 deveria	 haver	 secreção
vaginal?
Não	necessariamente.	A	secreção	pode	até	estar	presente,	mas	talvez	você
não	esteja	vendo,	porque	ela	lambe;	ou	pode	ser	que	não	tenha	mesmo.	Existem
dois	 tipos	 de	 piometra:	 a	 aberta	 e	 a	 fechada.	 Quando	 falamos	 em	 piometra
“aberta”	ou	“fechada”,	estamos	nos	referindo	ao	colo	do	útero.	O	colo	do	útero	é
a	cérvix,	aquela	“portinha”	que	fica	fechada	enquanto	há	bebezinhos	crescendo
lá	 dentro,	 e	 que	 se	 abre	 quando	 eles	 vãonascer.	 Comparando	 com	 humanos,
quando	 se	 fala	 que	 uma	mulher	 em	 trabalho	 de	 parto	 tem	 “X”	 centímetros	 de
dilatação,	 essa	dilatação	é	 exatamente	da	cérvix.	É	ela	que	controla	 se	 alguma
coisa	pode	entrar	ou	sair	do	útero.
Se	 a	 cérvix	 estiver	 aberta,	 dizemos	 que	 a	 cadela	 tem	 uma	 piometra
“aberta”.	Nesse	 caso,	 qualquer	 secreção	 que	 esteja	 se	 formando	 no	 útero,	 seja
muco,	pus,	ou	até	mesmo	sangue,	 sairá	pela	vagina,	 e	você	provavelmente	vai
ver	 essa	 secreção.	 Ela	 normalmente	 é	 escura	 e	 pode	 ter	 um	 cheiro	 um	 pouco
forte.	 Quando	 a	 cérvix	 está	 fechada,	 nada	 sai	 do	 útero,	 então,	 não	 haverá
secreção	 vaginal.	A	 piometra	 fechada	 geralmente	 é	mais	 complicada	 do	 que	 a
aberta	justamente	por	causa	disso:	o	pus	que	estiver	se	formando,	assim	como	as
bactérias,	ficam	presos	dentro	do	útero,	não	têm	por	onde	sair.	Por	conta	disso	a
infecção	 piora	 muito	 mais	 rapidamente,	 e	 as	 chances	 de	 complicações,	 como
uma	infecção	generalizada	ou	insuficiência	renal,	são	bem	maiores.
Outro	risco	ainda	é	a	ruptura	do	útero,	causando	hemorragia,	peritonite,	e
infecção	generalizada.	O	útero	pode	se	romper	tanto	na	piometra	aberta	quanto
na	fechada,	apesar	de	ser	mais	provável	de	acontecer	na	piometra	fechada.	Ele
pode	 se	 romper	espontaneamente,	ou	pode	 se	 romper	durante	a	cirurgia,	que	é
praticamente	 a	 única	 forma	 de	 se	 tratar	 uma	 piometra.	 Quanto	 mais	 você
demorar	para	perceber	que	a	sua	cadela	está	com	piometra,	maior	é	a	chance	de
ruptura	e	de	complicações,	por	isso	é	tão	importante	saber	identifica-la.
O	tratamento	é	a	cirurgia	de	retirada	do	útero	e	dos	ovários.	É	uma	cirurgia
com	um	risco	 relativamente	alto,	 justamente	porque	o	útero	pode	 se	 romper,	 e
também	porque	a	cadela	já	está	debilitada.	O	melhor	a	se	fazer	é	prevenir,	antes
que	aconteça.	A	prevenção	é	a	castração	–	que,	aí	sim,	é	uma	cirurgia	de	baixo
risco,	pois	é	feita	com	a	cadela	saudável,	sem	infecção	e	com	bem	menos	riscos
de	complicações.
Cadela	castrada	pode	ter	piometra?
É	muito	 raro,	mas	 pode.	É	 a	 chamada	 “piometra	 de	 coto”.	O	 “coto”,	 ou
“coto	uterino”,	é	a	pontinha	que	ficou	do	útero	depois	da	cirurgia.	Essa	pontinha
sempre	vai	ficar,	e	geralmente	não	causa	problemas.	Muitas	vezes,	a	piometra	de
coto	 acontece	 em	 cadelas	 em	 que	 ficou	 algum	 vestígio	 de	 ovário	 depois	 da
cirurgia	de	castração.	Se	a	cadela	foi	castrada	e	ficou	qualquer	restinho	de	ovário
dentro	 dela,	 o	 que	 às	 vezes	 acontece,	 o	 risco	 de	 uma	 piometra,	 ou	 até	 de	 um
tumor	de	mama,	aumentam	bastante.	Então,	tem	que	operar	de	novo	e	corrigir	o
problema.
Gestação	e	Pseudogestação
Antes	 de	 começarmos	 a	 falar	 sobre	 a	 gestação,	 eu	 gostaria	 de	 enfatizar
novamente	aquele	assunto	que	tocamos	no	início	do	livro:	eu	não	me	oponho	à
reprodução	de	cães	feita	por	criadores	idôneos,	que	são	aqueles	que	realmente	se
preocupam	 a	 seleção	 genética,	 a	 saúde	 e	 o	 bem-estar	 dos	 animais.	 Não	 estou
falando	de	fábricas	de	filhotes,	longe	disso.	Agora,	aquela	história	de	“tirar	uma
ninhadinha”	só	porque	sim,	só	porque	é	bonitinho,	para	quem	acha	legal,	eu	acho
bom	repensar.
Digo	 isso	 sem	 julgamento	 algum,	 já	 que,	 antes	 de	 me	 tornar	 médica
veterinária,	eu	também	achava	isso	lindo.	Filhotes	são	fofos,	quem	não	quer	tê-
los	em	casa?	Eu	pessoalmente	nunca	 levei	os	meus	cães	para	acasalarem,	mas
possivelmente	tenha	sido	até	por	falta	de	oportunidade,	já	que,	na	época	em	que
tinha	 interesse	 em	 fazer	 isso,	 eu	 era	muito	 nova,	 dependia	 dos	meus	pais,	 etc.
Mas	 hoje	 vejo	 isso	 de	 uma	 forma	 completamente	 diferente,	 e	 vou	 explicar	 o
porquê.
Primeiro,	porque,	para	a	cadela,	não	há	vantagem	alguma	em	se	 ter	uma
cria,	ou	duas,	ou	quantas	forem.	Ter	uma	ninhada	não	previne	câncer	de	mama,
nem	piometra,	ou	qualquer	outra	doença.	A	cadela	também	não	tem	um	“sonho
de	 ser	 mãe”,	 como	 muitas	 mulheres	 têm.	 O	 que	 ela	 tem	 é	 um	 instinto	 de
reprodução,	quando	está	no	cio.	Se	ela	 for	castrada	e	não	entrar	no	cio,	então
não	vai	nem	lembrar	que	isso	existe.	Mas,	mesmo	que	ela	tivesse	um	“sonho	de
ser	mãe”,	este	sonho	certamente	não	seria	realizado	pelo	simples	ato	de	parir,	e
sim	por	ficar	com	os	filhotes.	Coisa	que,	em	geral,	não	acontece.	Na	maioria	dos
casos,	a	família	da	cadela	fica	com	um	filhote,	quando	fica,	e	o	resto	acaba	sendo
doado	ou	vendido.
O	que	nos	 leva	 a	um	outro	problema,	que	 é	 a	destinação	destes	 filhotes.
Não	 é	 raro	 uma	 cadela	 ter	 dez	 filhotes.	 São	 dez	 vidas,	 e	 você	 terá	 que	 se
responsabilizar	por	cada	uma	delas.	Se	você	ama	a	sua	cadela,	e	não	quer	que
nada	de	 ruim	aconteça	 com	ela,	 é	 no	mínimo	 razoável	 você	 pensar	 da	mesma
forma	em	relação	aos	filhotes	dela.	Quem	são	as	pessoas	que	vão	ficar	com	estes
filhotes?	Você	 conhece	 cada	uma	delas?	É	 fato	 que	 a	maioria	 dos	 amigos	 que
dizem	 que	 vão	 querer	 um	 filhote	 enquanto	 a	 cadela	 está	 prenhe,	 acaba
desaparecendo	 ou	 inventando	 desculpas	 para	 não	 ficar	 com	 os	 filhotes	 depois
que	eles	nascem.	E	aí,	você	vai	precisar	dar	um	jeito	arranjar	um	lar	para	cada
um	 deles.	 Ou	 pior,	 vai	 querer	 vender	 os	 filhotes	 achando	 que	 vai	 conseguir
lucrar.	Sinceramente,	ganhar	dinheiro	com	a	venda	de	filhotes	é	algo	bem	difícil,
especialmente	para	uma	pessoa	que	faça	isso	como	“hobby”.
Uma	 gestação	 bem	 acompanhada,	 alimentação	 de	 qualidade,	 vacinas	 e
vermífugos	para	a	cadela	e	todos	os	filhotes,	são	coisas	que	custam	caro.	E	isso
se	 considerarmos	 que	 ela	 consiga	 parir	 sozinha,	 sem	 complicações,	 e	 sem
precisar	 de	 cesariana	 ou	 algum	 atendimento	 de	 emergência	 na	 hora	 do	 parto.
Porque,	se	 tiver	algum	problema,	os	custos	se	multiplicam.	Além	disso	 tudo,	a
cadela	pode	morrer.
E,	 enquanto	 você	 gasta	 o	 seu	 dinheiro	 para	 pôr	 a	 sua	 cadela	 em	 risco	 e
mais	 um	monte	 de	 cachorrinhos	 no	mundo,	 existem	milhões	 de	 cachorros	 nas
ruas	precisando	ser	adotados.	Então,	moralmente	falando,	não	tem	porque	fazer
isso.	Se	você	quer	mais	um	cachorro,	adote.	Se	você	faz	muita	questão	de	ter	um
cachorro	da	mesma	raça	que	o	seu	cão	ou	cadela,	procure	um	criador	idôneo	e
compre.	Mas	 não	 reproduza	 os	 seus	 cães	 em	 casa,	 sem	 ter	 conhecimentos	 de
seleção	genética,	e	sem	saber	os	riscos	e	os	custos	que	isso	envolve,	apenas	para
pôr	mais	vários	cachorros	no	mundo.
Em	relação	aos	machos,	cabe	um	parêntese	também.	Já	ouvi	várias	vezes	a
seguinte	pergunta	(com	o	perdão	da	expressão,	mas	é	exatamente	esta	a	palavra
que	escuto	com	frequência):	“mas	o	cachorro	macho,	não	precisa	dar	pelo	menos
umazinha?”	 Não,	 por	 favor!	 O	 cachorro	 nem	 lembra	 que	 isso	 existe	 se	 não
houver	uma	cadela	no	cio	por	perto.	E	aqueles	cachorros	tarados	que	não	podem
ver	uma	perna	pela	frente?	Aquilo	não	é	tara.	É	um	comportamento	dominante,
ou	seja,	é	o	cachorro	querendo	dizer	que	quem	manda	é	ele,	e	não	que	ele	esteja
“precisando	 dar	 umazinha”.	 E	 se	 ele	 der,	 vai	 continuar	 agarrando	 pernas	 do
mesmo	 jeito.	 O	 que	 este	 cão	 precisa	 é	 de	 liderança.	 Então,	 vamos	 ajudar	 a
conscientizar	 os	 nossos	 amigos	 e	 familiares	 em	 relação	 aos	 cuidados	 e	 reais
necessidades	dos	nossos	cachorros.
Mas,	 retomando	 o	 tema	 desta	 seção,	 falemos	 então	 sobre	 os	 problemas
relacionados	 à	 gestação.	 E	 por	 que	 eu	 vou	 falar	 sobre	 isso	 se	 não	 apoio	 a
reprodução	“caseira”	de	cães?	Bom,	porque	sei	que	o	fato	de	eu	ter	essa	opinião
não	 vai	 fazer	 magicamente	 com	 que	 isso	 pare	 de	 acontecer.	 Além	 disso,	 este
livro	é	dedicado	também	aos	protetores	de	animais,	que	muitas	vezes	resgatam
cadelas	que	 já	estão	prenhes	e	precisam	ser	cuidadas.	E	as	cadelas	que	entram
em	 trabalho	 de	 parto	 têm	 direito	 a	 um	 atendimento	 adequado,
independentemente	de	qualquer	coisa.
A	gestação	de	uma	cadela	dura,	em	média,	60	dias,	mas	pode	variar	de	58
a	71	dias.	Nem	sempre	que	uma	cadela	acasalar,	necessariamente	ela	entrará	em
gestação.	Por	isso,	mesmo	que	a	sua	cadela	tenha	acasalado,	lembre-sede	que	é
neste	período	que	elas	também	normalmente	desenvolvem	piometra.	Já	falamos
sobre	a	piometra,	mas	é	importante	lembrar	que	você	deve	ficar	atento	para	esta
possibilidade	mesmo	que	você	saiba	que	ela	acasalou.
A	 prenhez,	 ou	 gestação,	 da	 cadela,	 deve	 ser	 confirmada	 pelo	 médico
veterinário.	 Isso	 porque,	 além	 da	 piometra,	 as	 cadelas	 também	 podem	 ter	 um
outro	 probleminha	 depois	 do	 cio,	 que	 se	 chama	 “pseudociese”,
“pseudogestação”,	ou	“gravidez	psicológica”.	Quando	isso	acontece,	o	corpo	da
cadela	 “pensa”	 que	 está	 gestando	 uma	 ninhada,	 quando,	 na	 verdade,	 não	 está.
Elas	chegam	a	preparar	o	ninho	e	a	produzir	 leite	nesta	 fase.	Algumas	cadelas
até	 adotam	 bichinhos	 de	 pelúcia	 como	 se	 fossem	 os	 seus	 filhotes.	A	 gravidez
psicológica	em	si	não	chega	a	ser	uma	emergência,	e	existem	casos	que	ela	se
resolve	sozinha,	sem	intervenção.	Mas	há	situações	em	que	pode	ser	preciso	dar
um	medicamento	 para	 “secar”	 o	 leite	 para	 evitar	 que	 ela	 desenvolva	 mastite,
uma	infecção	nas	mamas.	Um	dos	grandes	problemas	da	pseudogestação	é	que,
uma	vez	que	ela	aconteça,	há	uma	alta	probabilidade	de	que	o	problema	se	repita
em	 todos	 os	 próximos	 cios.	 E	 isso	 aumenta	 bastante	 a	 chance	 de	 tumores	 de
mama,	por	isso	é	interessante	castrar	cadelas	que	tenham	pseudogestação.
A	 confirmação	 da	 gestação	 em	 cadelas	 pode	 ser	 feita	 por	 palpação,	 por
ultrassom,	ou	por	raio-X,	dependendo	da	época	em	que	ela	for	examinada.	Mais
ou	menos	uma	semana	antes	do	parto,	a	cadela	começa	a	preparar	o	ninho.	Ela
fica	mais	 agitada,	 e	pode	querer	 cavar	buracos	no	chão	ou	 rasgar	objetos	para
tentar	montar	a	toquinha	dela.	Este	comportamento	vai	ficando	mais	intenso	até
a	 véspera	 do	 parto,	 quando	 pode	 inclusive	 começar	 a	 sair	 leite	 pelas	 mamas.
Mais	ou	menos	12	a	24	horas	antes	do	parto,	a	temperatura	da	cadela	pode	cair
em	 torno	 de	 1ºC.	Com	 isso	 em	mente,	 recomenda-se	 que,	 no	 período	 final	 da
gestação,	seja	adotado	o	hábito	de	medir	a	temperatura	da	cadela	uma	vez	ao	dia,
sempre	 no	 mesmo	 horário.	 Se	 for	 detectada	 uma	 queda	 na	 temperatura,	 é
provável	 que	 o	 trabalho	 de	 parto	 esteja	 prestes	 a	 começar.	 Este	método	 não	 é
100%	acurado,	mas,	se	você	detectar	esta	queda	de	temperatura,	e	o	trabalho	de
parto	 não	 se	 iniciar	 dentro	 de	 até	 24	 horas,	 pode	 ser	 bom	 levar	 ao	 veterinário
para	se	certificar	de	que	está	tudo	bem	e	ela	não	precisa	de	ajuda.	Melhor	pecar
por	excesso	de	cautela.	Leve	também	ao	veterinário	se	o	 trabalho	de	parto	não
começar	dentro	de	até	72	dias	contados	do	dia	em	que	o	acasalamento	aconteceu,
ou	se,	a	qualquer	momento,	a	cadela	começar	a	apresentar	uma	secreção	vaginal
esverdeada,	marrom,	preta	ou	vermelha	sem	outros	sinais	de	parto.
O	trabalho	de	parto	das	cadelas	normalmente	dura	de	12	a	24	horas,	e	pode
se	estender	por	até	36	horas.	Na	primeira	fase,	as	contrações	ainda	não	são	muito
visíveis,	mas	dá	para	perceber	que	a	cadela	fica	muito	agitada,	geralmente	recusa
comida,	e	pode	também	vomitar,	ficar	arquejando,	ou	tremer.	O	simples	fato	de
ela	 vomitar	 uma	 vez	 ou	 outra,	 ou	 recusar	 comida,	 não	 significa	 que	 haja	 algo
errado.	Mas,	 se	 ela	 começar	 a	 vomitar	muito,	 ou	 se	 parecer	 que	 está	 fraca	 ou
sentindo	 muita	 dor,	 pode	 ser	 hora	 de	 levar	 ao	 veterinário.	 Como	 medida	 de
segurança,	leve	também	ao	veterinário	se	este	comportamento	mais	intenso	durar
mais	de	12	horas	sem	nascer	nenhum	filhote.
Antes	 de	 cada	 filhote	 nascer,	 normalmente	 sai	 uma	 secreção	 vaginal
transparente,	e,	depois	que	eles	nascem,	a	secreção	que	sai	pode	ser	esverdeada,
preta	ou	marrom.	Se	você	perceber	que	a	cadela	está	empurrando,	fazendo	força,
e	 tendo	contrações	para	 expulsar	um	 filhote	por	mais	de	30	minutos,	 pode	 ser
sinal	de	problema.	O	intervalo	entre	um	filhote	e	outro	não	deve	ultrapassar	três
horas.	Se	acontecer	alguma	destas	coisas:	a	cadela	empurrando	por	muito	tempo,
ou	 estiver	 demorando	 demais	 entre	 um	 filhote	 e	 outro,	 e	 você	 se	 sentir
confortável	 para	 fazer	 isso,	 coloque	 um	 par	 de	 luvas	 de	 látex	 com	 bastante
lubrificante,	e	examine	a	vulva	da	cadela,	abrindo	com	cuidado.	Se	conseguir	ver
um	 filhote,	 você	 pode	 tentar	 ajudar.	 Para	 fazer	 isso,	 segure	 o	 filhote	 pelo
corpinho	 ou	 pelas	 patas	 -	 nunca	 pela	 cabeça	 ou	 pescoço,	 e,	 quando	 a	 cadela
estiver	 tendo	 uma	 contração,	 puxe	 devagar,	 com	muito	 cuidado,	 para	 baixo.
Não	se	preocupe	se	o	filhote	estiver	saindo	“de	ré”	(bumbum	ou	patinhas	de	trás
aparecendo	primeiro).	Isso	é	normal.	Se	o	filhote	já	estiver	com	uma	parte	para
fora	e	estiver	difícil	segurar	porque	está	escorregadio,	você	pode	usar	uma	toalha
limpa	 para	 ajudar	 a	 pegar.	 Quando	 for	 ajudar	 a	 cadela,	 lembre-se	 de	 puxar	 o
filhote	 só	quando	 ela	 estiver	 contraindo,	 e	 faça	 isso	 com	 bastante	 delicadeza,
para	não	a	machucar.
Se	não	tiver	nenhum	filhote	visível	quando	você	examinar,	ou	se	tiver,	mas
você	 não	 conseguir	 ajudá-la	 a	 expulsar	 dentro	 de	 até	 10	 minutos,	 leve	 ao
veterinário,	junto	com	os	filhotes	que	já	tiverem	nascido.	Se	a	cadela	parecer	que
está	 fraca	 ou	 com	 dor	 a	 qualquer	 momento,	 também	 é	 hora	 de	 levar	 ao
veterinário.
A	cada	filhote	que	nasce,	a	cadela	normalmente	lambe	as	membranas	que
ficam	à	sua	volta,	para	limpar	e	liberar	a	passagem	do	ar.	Se	ela	demorar	mais	do
que	3	minutos	para	 fazer	 isso,	 é	hora	de	 intervir.	Coloque	o	 filhote	 sobre	uma
toalha	 e	 esfregue,	 para	 tirar	 as	membranas	 e	 estimular	 a	 respiração.	 Use	 uma
toalha	limpa	para	cada	filhote.	Se	houver	secreção	na	boca	ou	focinho	do	filhote,
use	uma	seringa	para	aspirar,	ou	esfregue	um	pedaço	de	pano	para	limpar.
Se,	ainda	assim,	ele	não	estiver	respirando,	pegue	o	filhote	com	a	sua	mão,
segurando	 a	 cabecinha	 entre	 as	 pontas	 dos	 dedos,	 e	 balance	 para	 cima	 e	 para
baixo,	como	se	estivesse	cortando	madeira.	Mas	tome	cuidado	para	que	ele	não
escorregue	e	caia	da	sua	mão,	ou	se	bata	em	algum	lugar.	Faça	isso	umas	4	ou	5
vezes,	para	ajudar	o	fluido	a	sair	e	fazer	com	que	ele	consiga	respirar.
Se	 isso	 não	 funcionar,	 volte	 a	 esfregar	 o	 filhote	 com	 a	 toalha	 por	 um
minuto,	 para	 estimular	 a	 respiração.	E,	 se	 precisar,	 comece	 a	 respiração	 boca-
focinho.
Após	 iniciar	 a	 respiração	 boca-focinho,	 verifique	 se	 o	 coração	 dele	 está
batendo,	 e,	 se	 precisar,	 comece	 a	 massagem	 cardíaca	 conforme	 descrito	 no
Capítulo	 5	 para	 cachorros	 pequenos,	 lembrando	 de	 agir	 com	 uma	 certa
delicadeza.	Você	pode	demorar	até	2	horas	para	conseguir	reanimar	um	filhote,
então	 não	 desista	 muito	 rápido,	 mas	 lembre-se:	 a	 cadela	 e	 os	 outros	 filhotes
também	 podem	 precisar	 da	 sua	 atenção.	 Se	 for	 o	 caso,	 peça	 para	 alguém	 te
ajudar.
Outro	cuidado	que	a	cadela	normalmente	tem	com	os	seus	filhotes	é	cortar
os	cordões	umbilicais.	Se	ela	não	fizer	isso,	use	um	fio	fino	-	um	fio	dental,	por
exemplo	 –	 para	 amarrar	 o	 cordãozinho	 a	mais	 ou	menos	 3cm	 de	 distância	 da
barriguinha,	e	amarre	novamente	uns	2	cm	adiante.	Feito	isso,	corte	entre	os	dois
nós,	cuidando	para	não	puxar,	porque	 isso	pode	causar	uma	hérnia	de	umbigo.
Para	 finalizar,	 passe	 PVPI	 nas	 pontinhas	 dos	 cordões	 que	 ficaram	 presas	 aos
filhotes.
Para	cada	filhote,	deve	sair	uma	placenta,	que	se	parece	com	uma	bolsinha
que	vem	pendurada	nele	pelo	cordão	umbilical.	Pode	acontecer	de	 saírem,	por
exemplo,	dois	filhotes	antes	que	a	placenta	de	cada	um	deles	saia.	A	retenção	de
placenta	é	um	problema	que	pode	acontecer	quando	uma	ou	mais	placentas	não
saem	 durante	 o	 parto.	 É	 difícil	 acompanhar	 o	 número	 exato	 de	 placentas	 que
saíram,	 já	 que	 a	 cadela	 pode	 comê-las	 muito	 rapidamente,	 por	 isso,	 não	 se
preocupe	 demais	 com	 isso	 num	 primeiro	 momento.	 Caso	 ela	 pareça	 fraca	 ou
com	dor	alguns	dias	após	ao	parto,	leve	ao	veterinário	para	verificar.
Por	fim,	para	encerrarmos	o	assunto,	não	podemos	deixar	de	falar	sobre	as
cesarianas.A	cesárea	é	uma	cirurgia,	que	normalmente	é	usada	quando	a	fêmea
tem	alguma	dificuldade	no	parto.	A	nossa	primeira	 escolha	 em	quase	 todas	 as
situações	 é	 deixar	 a	 cadela	 parir	 naturalmente,	 e	 ir	 para	 a	 cirurgia	 apenas	 se
houver	 complicações.	 Mas	 algumas	 raças,	 como	 os	 Buldogues	 e	 outros	 cães
braquicefálicos	 em	 geral,	 acabam	 indo	 direto	 para	 a	 cesárea	 na	 maioria	 das
vezes.	 Apesar	 de	 que	 existem	 casos	 de	 Buldogues	 tendo	 partos	 naturais,
normalmente	eles	são	tão	desproporcionais	que	os	filhotes	não	conseguem	passar
pelo	canal	de	parto,	de	modo	que	quase	sempre	acaba	havendo	algum	problema
na	hora	de	nascer.	Então,	via	de	regra,	para	os	Buldogues	e	algumas	outras	raças
que	tenham	focinho	curto	e	cabeça	grande,	pode	ser	que	o	veterinário	recomende
agendar	uma	cesárea	ao	final	da	gestação.
Falência	Cardíaca
Arritmias	Agudas/	Cardiopatia	do	Boxer
Não	 podemos	 falar	 em	 arritmia	 cardíaca	 em	 cães	 sem	 falar	 dos	 Boxers.
Além	de	serem	campeões	em	mastocitomas,	que	é	um	tipo	de	tumor,	os	Boxers
também	 têm	 um	 tipo	 de	 problema	 cardíaco	 que	 é	 bem	 típico	 desta	 raça.	 É	 a
miocardiopatia	dilatada,	também	conhecida	como	miocardiopatia	do	Boxer.	Não
entraremos	em	detalhes	em	relação	à	doença	em	si	e	o	tratamento,	porque	não	é
o	 foco	 deste	 livro,	 mas,	 caso	 tenha	 curiosidade,	 visite	 o	 meu	 site:
http://www.meucaovelhinho.com.br/artigos/saude/cardiologia/cardiomiopatia-
dilatada/.
Pois	bem,	o	grande	problema	da	miocardiopatia	dilatada,	que	não	acontece
só	 com	 os	 Boxers,	 mas	 principalmente	 com	 eles,	 é	 que	 ela	 pode	 causar	 a
chamada	“morte	súbita”.	Morte	súbita	é	exatamente	o	que	o	nome	diz	–	o	cão
parece	 bem	 	 em	 um	 momento,	 e	 pode	 falecer	 no	 segundo	 seguinte	 sem	 um
motivo	 aparente.	 Isso	 pode	 acontecer	 inclusive	 com	 cães	 que	 estão	 em
tratamento.	Essa	morte	 súbita	 acontece	por	 conta	de	uma	arritmia	muito	 forte,
que	pode	chegar	ao	ponto	de	uma	fibrilação.	Normalmente,	as	pessoas	não	têm
desfibrilador	em	casa,	então,	se	o	cachorro	simplesmente	entrar	em	colapso	“do
nada”,	 cheque	 rapidamente	 se	 o	 coração	 dele	 está	 batendo.	 Se	 não	 estiver,
comece	 a	 ressuscitação	 cardiopulmonar	 imediatamente,	 levando	 ao	 veterinário
assim	que	ele	acordar;	ou,	se	não	acordar,	continue	fazendo	a	massagem	cardíaca
no	caminho,	dentro	do	carro,	enquanto	outra	pessoa	dirige.
Por	outro	 lado,	se	você	conseguir	sentir	um	pulso	bem	rápido,	é	possível
que	o	seu	cachorro	esteja	com	uma	arritmia,	ou	até	mesmo	em	fibrilação.	Esta	é
uma	das	poucas	situações	em	que	o	ritmo	do	pulso	pode	estar	diferente	do	ritmo
do	coração.	Sem	ter	um	estetoscópio	e	alguma	prática,	pode	ser	difícil	você	ter
certeza,	mas	procure	sentir	o	pulso	e	o	coração	para	ver	se	há	batimentos.	Este
caso	é	uma	possível	aplicação	do	soco	precordial,	que,	como	o	nome	 indica,	é
uma	batida	forte	sobre	a	área	em	que	está	o	coração.	O	soco	precordial	tem	um
índice	 de	 sucesso	 relativamente	 baixo,	 e,	 na	 verdade	 é	 um	 assunto	 bastante
polêmico.	Apesar	de	haver	argumentos	a	 favor	do	soco	precordial,	 tem	havido
também	muitas	 evidências	 contra	o	uso	desta	 técnica,	no	 sentido	que,	 além	de
não	 ser	 tão	 eficaz,	 ela	pode	até	mesmo	ser	danosa	em	alguns	casos.	Então,	na
falta	 de	 uma	 evidência	 científica	 mais	 sólida	 de	 que	 o	 soco	 precordial	 pode
trazer	algum	tipo	de	benefício	para	o	seu	cão,	e	não	irá	prejudica-lo,	eu	optei	por
http://www.meucaovelhinho.com.br/artigos/saude/cardiologia/cardiomiopatia-dilatada/
deixa-lo	de	fora	do	livro.
Mas	existem	outras	 técnicas	que	você	pode	usar	se	o	seu	cachorro	entrar
em	colapso	por	conta	de	uma	arritmia	ou	fibrilação.	A	primeira	delas	é	a	técnica
da	Pressão	Ocular.	Com	os	olhos	do	cão	fechados,	use	o	polegar	e	o	indicador
da	 mesma	 mão	 para	 afundar	 levemente	 os	 olhos	 dele	 nas	 órbitas.	 Massageie
gentilmente	com	os	dedos	ao	mesmo	tempo	em	que	pressiona.	A	pressão	deve
ser	 suficiente	 para	 que	 os	 olhos	 afundem	 um	 pouco,	 mas	 sem	 causar	 dor	 ou
desconforto.	Cada	cão	pode	ter	uma	sensibilidade	diferente.	Mantenha	a	pressão
até	que	a	frequência	cardíaca	caia	um	pouco,	ou	por,	no	máximo,	15	segundos.
A	outra	 técnica	que	é	a	massagem	dos	seios	carotídeos.	Para	posicionar
os	dedos	 corretamente,	use	o	polegar	 e	o	 indicador,	 para	 apalpar	o	 ângulo	das
mandíbulas,	 e	 deslize-os	 levemente	 para	 dentro	 e	 para	 frente.	 Massageie,
fazendo	 um	 pouco	 de	 pressão	 em	movimentos	 circulares.	 A	 pressão	 pode	 ser
suficiente	para	fazer	com	que	o	cachorro	tussa	um	pouco,	mas	não	deve	causar
dor	ou	desconforto.	Continue	até	que	a	pressão	até	que	o	ritmo	cardíaco	diminua
um	pouco,	ou	por,	no	máximo,	15	segundos.
Estas	duas	técnicas	são	chamadas	de	“manobra	vagal”.	É	uma	forma	de
estimular	o	nervo	vago,	que,	por	sua	vez,	vai	diminuir	o	ritmo	cardíaco.	Sendo
assim,	 você	 não	 deve	 usar	 estas	 técnicas	 quando	 o	 cão	 estiver	 em	 parada
cardíaca,	 e	 sim	 quando	 ele	 estiver	 com	 taquicardia,	 taquiarritmia,	 ou	 em
fibrilação	–	ou,	em	termos	mais	fáceis	de	entender,	se	o	coração	estiver	batendo
extremamente	rápido,	e	até	mesmo	sem	um	ritmo	bem	definido.	Você	vai	saber
se	é	o	caso	ou	não,	principalmente	por	conta	do	histórico	do	seu	cachorro	-	se	ele
já	 tem	 uma	 miocardiopatia	 diagnosticada,	 e/ou	 se	 ele	 é	 um	 boxer,	 e	 entrou
subitamente	em	colapso.	Você	vai	procurar	por	batimentos	cardíacos,	e,	se	não
tiver	 batimentos,	 fará	 a	 massagem	 cardíaca	 (ressuscitação).	 Se	 houver
batimentos	muito	rápidos,	use	estas	técnicas.	E	como	saber	se	está	muito	rápido?
Para	saber	rapidamente,	é	preciso	ter	um	pouco	de	prática.	Por	isso,	recomendo
que	você	pratique	sentir	o	pulso	e	os	batimentos	cardíacos	do	seu	cão	quando	ele
estiver	bem.	Assim,	se	tiver	alguma	alteração,	você	já	vai	saber	identificar	e	vai
saber	como	agir.
Uma	outra	característica	desta	cardiopatia	é	que	ela	pode	deixar	o	cachorro
extremamente	magro,	inclusive	com	os	ossos	aparecendo,	mas	com	uma	barriga
bem	 grande.	 Aquilo	 não	 é	 gordura,	 é	 ascite	 -	 ou,	 como	 é	 mais	 conhecida,
“barriga	d’água”.	Esta	ascite	tende	a	diminuir	com	o	tratamento,	mas	em	alguns
casos	o	veterinário	pode	precisar	drenar	um	pouco	do	líquido.	Isso	porque	pode
ter	tanto	líquido	acumulado	na	barriga	do	cachorro	que	ele	terá	dificuldade	para
respirar,	pois	o	diafragma	dele	fica	comprimido.	Evite	deixar	que	o	seu	cachorro
chegue	 neste	 ponto,	 dando	 os	 medicamentos	 corretamente,	 e	 levando	 ao
veterinário	 se	 perceber	 que	 a	 barriga	 está	muito	 grande	 ou	 que	 ele	 está	 tendo
dificuldade	para	respirar.
Edema	Pulmonar
Outro	 problema	 cardíaco	 comum	 é	 a	 Insuficiência	 Cardíaca	 Congestiva
Esquerda	(ICC	Esquerda),	que	afeta	principalmente	os	cães	pequenos.	E,	já	que
falamos	 dos	 Boxers,	 os	 campeões	 aqui	 são	 os	 Poodles.	 Conforme	 a	 ICC
Esquerda	 progride,	 uma	 das	 principais	 consequências	 é	 a	 formação	 de	 edema
pulmonar.	Edema	pulmonar	é	o	acúmulo	de	líquido	nos	pulmões.	Note	que,	no
caso	 das	 miocardiopatias,	 o	 líquido	 se	 acumula	 mais	 na	 barriga	 do	 cão,	 e	 às
vezes	 também	 nos	membros	 e	 outras	 partes	 do	 corpo.	 Já	 na	 ICC	Esquerda,	 o
órgão	mais	afetado	é	o	pulmão,	o	que	afeta	diretamente	a	respiração.
Normalmente,	 quando	 se	 chega	 ao	 ponto	 de	 um	 edema	 pulmonar,	 já	 foi
feito	o	diagnóstico,	porque	o	cachorro	 tosse	muito.	Caso	 tenha	curiosidade	em
relação	 à	 doença,	 veja	 o	 artigo	 sobre	 o	 tema	 no	 meu	 site:
http://www.meucaovelhinho.com.br/artigos/saude/cardiologia/se-o-seu-cao-esta-
tossindo-preste-atencao-ele-pode-estar-com-insuficiencia-cardiaca/.
Se	o	seu	cachorro	tem	ICC	esquerda,	e	começar	a	ter	qualquer	dificuldade
para	 respirar,	 por	mais	 leve	 que	 seja,	 leve	 ao	 veterinário	no	mesmo	dia.	 Não
interessa	se	é	final	de	semana	ou	feriado,	o	seu	cão	não	pode	esperar.	E	se	for	de
madrugada,	pode	esperar	amanhecer?	Depende	da	intensidade	dessa	dificuldade
respiratória.	Se	ele	estiver	 só	 tossindo	um	pouco	mais	que	o	normal,	até	pode.
Nesse	caso,	dêuma	dose	extra	do	diurético	para	o	seu	cão,	e	leve	para	a	clínica
já	 pela	manhã.	 Não	 vou	 citar	 especificamente	 qual	 o	 diurético	 e	 nem	 a	 dose,
porque	 quem	 vai	 fazer	 isso	 será	 o	 médico	 veterinário	 responsável	 pelo	 cão,
quando	ele	 fizer	o	diagnóstico.	Nunca	use	este	 tipo	de	medicamento	por	conta
própria,	pois	podem	haver	efeitos	adversos	realmente	perigosos.
Agora,	 se	 no	 meio	 da	 madrugada,	 ou	 em	 qualquer	 outro	 momento,	 o
cachorro	começar	a	ficar	com	a	língua	azulada,	ou	começar	a	espumar	pela	boca
ou	pelo	nariz,	é	hora	de	correr	ao	veterinário.	Não	espere	nem	um	minuto	a	mais
para	 levar,	 não	 interessa	 o	 dia	 ou	 a	 hora.	 Não	 há	 muito	 a	 ser	 feito	 em	 casa
http://www.meucaovelhinho.com.br/artigos/saude/cardiologia/se-o-seu-cao-esta-tossindo-preste-atencao-ele-pode-estar-com-insuficiencia-cardiaca/
quando	se	chega	a	esse	ponto,	porque	a	medicação	será	injetável,	e	pode	ser	que
ele	precise	de	oxigênio.
O	ideal,	como	em	qualquer	caso,	é	impedir	que	isso	aconteça.	Como	fazer
isso?	Dando	os	medicamentos	que	o	seu	veterinário	prescreveu,	exatamente	do
jeito	que	ele	prescreveu,	e	voltando	ao	consultório	pelo	menos	a	cada	6	meses
para	uma	 revisão,	ou	antes,	 se	você	notar	qualquer	 alteração	no	 seu	cão.	Você
conhece	o	seu	cão	melhor	do	que	ninguém:	se	achar	que	algo	está	errado,	mesmo
que	não	saiba	explicar	muito	bem	o	que	é,	leve.	O	quê,	por	exemplo,	pode	estar
acontecendo	com	o	seu	cão	que	serve	como	sinal	de	alerta?
·					Tosse	com	frequência;
·	 	 	 	 	 Fica	 ofegante	 o	 tempo	 todo,	 como	 se	 tivesse	 acabado	 de	 correr	 uma
maratona;
·					Dificuldade	para	dormir;
·					Muda	com	frequência	de	posição,	como	se	estivesse	desconfortável;
·					Cansa	muito	rápido.
Tudo	isso	pode	indicar	que	um	edema	pulmonar	está	“a	caminho”,	e	é	bom
levar	 o	 seu	 cão	 ao	 veterinário	 para	 revisar	 o	 tratamento.	 Essa	 é	 uma	 doença
progressiva,	 e	 por	 isso	 ajustes	 periódicos	 no	 tratamento	 são	 necessários
conforme	 ela	 progride.	 Dá	 para	 garantir	 que,	 fazendo	 tudo	 certinho,	 o	 seu
cachorro	nunca	vai	ter	um	edema	pulmonar?	Infelizmente,	não	dá.
É	fundamental	que	os	tutores	saibam	que	os	medicamentos	usados	para	o
tratamento	 da	 insuficiência	 cardíaca	 congestiva	 podem	 ter	 efeitos	 adversos
importantes.	 Por	 conta	 disso,	 a	 dose	 utilizada	 deve	 sempre	 ser	 a	 mais	 baixa
possível	que	seja	capaz	de	manter	a	doença	sob	controle.	A	combinação	de	dois
ou	mais	medicamentos	também	visa	a	diminuir	os	efeitos	adversos,	ao	permitir
que	a	dose	de	cada	um	seja	mais	baixa.
Os	órgãos	que	mais	sofrem	com	o	tratamento	da	ICC	Esquerda	são	os	rins.
A	ICC	Esquerda,	por	si	só,	pode	levar	a	um	quadro	de	insuficiência	renal.	E	os
medicamentos	usados	para	 tratá-la,	 também,	 com	algumas	 exceções.	Todo	 cão
em	 tratamento	 para	 insuficiência	 cardíaca	 deve	 ter	 a	 sua	 função	 renal
monitorada,	 para	 que	 eventuais	 problemas	 nos	 rins	 possam	 ser	 contornados	 o
quanto	antes	possível.
Esta	 informação	 é	 especialmente	 importante	 em	casos	de	 emergência:	 os
medicamentos	usados	para	a	reversão	do	edema	pulmonar	podem,	e	irão,	afetar
os	rins.	Caso	o	seu	cão	tenha	insuficiência	renal	e	entre	em	edema	pulmonar,	não
deixe	 de	 mencionar	 o	 fato	 ao	 profissional	 que	 for	 atendê-lo	 no	 serviço	 de
emergência.	Ele	precisará	ser	extremamente	cauteloso	ao	medicar	o	seu	cão,	e,
mesmo	assim,	não	há	como	garantir	que	não	haverá	danos	aos	rins.
Conhecendo	estes	riscos,	se	o	cachorro	do	seu	vizinho	ou	amigo	tiver	um
problema	 cardíaco,	 e	 você	 achar	 que	 o	 seu	 tem	 a	 mesma	 coisa,	 não	 pegue	 a
prescrição	 dele	 emprestada.	 E	 também	 não	 empreste	 a	 prescrição	 do	 seu
cachorro	 para	 os	 outros.	Você	 pode	 rapidamente	matar	 um	 cachorro	 com	uma
dose	 errada.	 É	 uma	 economia	 que,	 definitivamente,	 não	 vale	 a	 pena.	 Leve	 ao
veterinário	e	faça	o	acompanhamento,	ou	sugira	ao	seu	amigo	que	faça	o	mesmo.
Capítulo	9.	Ferimentos,	Hemorragias	e	Fraturas
Contendo	Hemorragias
Hemorragia	 é	 a	 perda	 de	 sangue	 de	 forma	 descontrolada.	A	 forma	mais
perigosa	 de	 hemorragia	 é	 quando	 ela	 é	 causada	 por	 lesões	 nas	 artérias.	 As
artérias	são	os	vasos	que	levam	o	sangue	do	coração	para	o	resto	do	corpo,	e,	por
isso,	 o	 sangue	 sai	 em	 jatos,	 no	 ritmo	 do	 coração.	 Se	 a	 lesão	 for	 em	 veias,	 ao
invés	de	sair	em	jatos,	o	sangue	vai	empoçando.
As	hemorragias	em	geral	podem	ser	de	dois	tipos:	a	interna	e	a	externa.	A
interna	é,	sem	dúvida,	a	mais	complicada,	já	que	ela	não	é	visível	por	fora,	e	as
pessoas	 podem	 demorar	 para	 perceber	 que	 ela	 está	 acontecendo.	 Hemorragia
interna	 é	 quando	 um	vaso	 sanguíneo	 dentro	 do	 corpo	 é	 rompido,	 podendo	 ser
consequência	da	ruptura	de	algum	órgão,	como,	por	exemplo,	o	útero,	o	baço,	ou
a	bexiga.	Se	o	seu	cachorro	estiver	com	uma	hemorragia	interna,	não	há	muito	a
se	 fazer	 em	 termos	 de	 primeiros	 socorros:	 é	 preciso	 levá-lo	 ao	 veterinário
imediatamente.
Como	identificar	uma	hemorragia	interna?
Regra	 geral,	 as	 hemorragias	 internas	 são	 resultado	 de	 acidentes	 graves,
como	atropelamentos	ou	quedas	de	alturas	razoáveis,	e	também	podem	acontecer
com	 animais	 que	 tenham	 brigado	 com	 outros	 ou	 que	 tenham	 sido	 vítimas	 de
espancamentos.	Elas	 até	 podem	ocorrer	 sem	nenhum	 traumatismo	mais	 óbvio,
mas	 estas	 situações	 são	menos	 comuns	 -	 por	 exemplo,	 se	 o	 animal	 tiver	 uma
úlcera	 gástrica	muito	 grave,	 um	 tumor	 que	 se	 rompa,	 uma	 obstrução	 urinária,
piometra,	 e	 algumas	 outras	 situações.	 Mas,	 na	 maioria	 das	 vezes,	 você	 deve
cogitar	a	possibilidade	de	uma	hemorragia	interna	sempre	que	o	seu	animal	tiver
sofrido	 um	 traumatismo	 maior,	 mesmo	 que	 ele	 pareça	 bem	 em	 um	 primeiro
momento.
Não	 há	 um	 jeito	 “mágico”	 de	 se	 ter	 certeza	 de	 que	 um	 cão	 está	 com
hemorragia	 interna	 sem	 fazer	 exames.	 Dependendo	 do	 caso,	 podem	 aparecer
hematomas,	 principalmente	 na	 região	 do	 abdome,	 mas	 o	 principal	 indicativo
serão	 aqueles	 sinais	 de	 choque	que	mencionei	 no	Capítulo	5.	O	 cão	 começa	 a
ficar	apático,	fraco,	e	com	as	gengivas	pálidas.	Estes	sinais	podem	demorar	até
36	horas	para	aparecerem,	mas,	como	sempre,	quanto	antes	esta	hemorragia	for
identificada	e	contida,	melhores	são	as	chances	de	sobrevivência	do	animal.	Por
isso	 é	 recomendável	 que,	 se	 um	 cachorro	 sofreu	 qualquer	 acidente
potencialmente	grave	 -	por	exemplo,	 foi	atropelado,	estava	dentro	de	um	carro
que	bateu,	ou	caiu	de	uma	altura	razoável,	ele	seja	levado	ao	veterinário	o	quanto
antes	possível,	esteja	ele	com	sinais	de	choque	ou	não.
E	as	hemorragias	externas?
As	 hemorragias	 externas	 são	 mais	 fáceis	 de	 identificar.	 Você	 vai	 ver,
basicamente,	 que	o	 cão	 está	 sangrando.	E	 a	melhor	 forma	que	 a	 gente	 tem	de
conter	um	sangramento	é	aplicando	pressão	sobre	ele.
Antes	de	começar,	lave	as	suas	mãos;	ou,	na	falta	de	uma	torneira,	procure
no	mínimo	higienizá-las	usando	o	álcool	em	gel	do	seu	kit	de	primeiros	socorros.
Em	seguida,	coloque	luvas	de	látex.	Elas	servem	tanto	para	proteger	você	quanto
o	cão	contra	infecções,	por	isso,	não	deixe	de	usar.
O	Corte	de	Unhas
O	primeiro	tipo	de	hemorragia	externa	que	vamos	comentar	é	uma	que	não
chega	a	pôr	a	vida	do	cão	em	perigo,	mas	que	é	bastante	comum	e	causa	muitas
dúvidas:	é	aquele	sangramento	que	pode	acontecer	quando	se	cortam	as	unhas	do
cão.	Para	quem	não	sabe,	a	unha	do	cão	tem	uma	parte	que	é	bem	sensível.	Se
você	 cortar	 neste	ponto,	 vai	 doer	 e	 vai	 sangrar.	E	 sangra	bastante,	 porque	 tem
muitos	 vasinhos	 passando	 por	 ali.	 Então,	 é	 claro,	 o	 ideal	 é	 a	 gente	 evitar	 de
cortar	neste	ponto.
A	parte	da	unha	que	sente	dor	e	que	sangra	se	chama	hiponíquio.	Ele	ocupa
a	parte	mais	próxima	do	dedo,	e	é	 facilmente	visível	em	cães	de	unhas	claras.
Quando	se	cortam	as	unhas	do	cão,	o	hiponíquio	não	deve	ser	cortado.	Quando	o
cão	tem	unhas	escuras,	pode	ser	mais	difícil	de	saber	onde	exatamente	se	pode
cortar.	Se	você	não	tem	prática,	corte	só	apontinha,	e	“suba”	mais	um	pouco	se
achou	que	a	unha	ainda	está	muito	comprida.
A	maioria	das	recomendações	para	o	corte	de	unhas	dos	cães	indica	que	ele
deve	 ser	 feito	 num	 ângulo	 de	 45º,	 embora	 alguns	 especialistas	 recomendem	 o
corte	a	90º.	Os	dois	 jeitos	 funcionam.	A	maior	parte	dos	 tosadores	e	banhistas
cortam	a	45º	mesmo,	mais	inclinado.	Use	sempre	um	cortador	de	unhas	próprio
para	cães,	que	pode	ser	semelhante	a	um	alicate	ou	do	tipo	“guilhotina”.	Ambos
funcionam	bem,	escolha	aquele	com	o	qual	se	sentir	mais	confortável	-	ou	leve	o
cão	ao	banho	e	tosa	para	cortar	as	unhas.
É	 importante	 você	 saber	 que,	 conforme	 as	 unhas	 crescem,	 o	 hiponíquio
cresce	 junto.	 Então,	 se	 as	 unhas	 de	 um	 cão	 estiverem	 muito	 longas,	 você
provavelmente	 não	 conseguirá	 cortar	 tanto	 quanto	 deveria.	 Neste	 caso,	 corte
apenas	o	quanto	você	conseguir	sem	machucar	o	cão,	e	lembre-se	de,	a	cada	uma
ou	 duas	 semanas,	 aparar	 cada	 vez	 um	 pouquinho	 mais.	 Conforme	 você	 for
cortando,	o	hiponíquio	tende	a	se	retrair,	até	que	você	consiga	finalmente	deixá-
las	com	o	comprimento	certo.
Diante	disso,	algumas	pessoas	talvez	estejam	se	perguntando:	mas	precisa
mesmo	 cortar	 unha	 de	 cachorro?	 E	 a	minha	 resposta	 é:	 depende.	Depende	 do
estilo	de	vida	do	seu	cão.	Aqueles	cachorros	que	moram	em	chácaras,	que	são
bem	 ativos,	 ou	 que	 saem	 para	 passear	 bastante	 na	 calçada,	 muitas	 vezes	 não
precisam,	porque	as	unhas	deles	se	desgastam	sozinhas.	Mas	quando	o	cachorro
mora	 em	 apartamento,	 ou	 fica	 muito	 dentro	 de	 casa,	 as	 unhas	 podem	 crescer
além	do	que	deveriam.
Como	saber	se	as	unhas	estão	muito	compridas?
Basicamente,	 em	 condições	 normais,	 as	 pontas	 das	 unhas	 dos	 cães	 não
devem	tocar	no	chão.	Então,	se	está	fazendo	“clac-clac-clac”	quando	o	cachorro
caminha	pela	sua	casa,	está	na	hora	de	cortar.	E	por	quê?	Porque,	a	princípio,	as
unhas	dos	cães	devem	tocar	o	chão	apenas	em	terrenos	inclinados,	nas	subidas,
para	ajudar	a	dar	mais	firmeza	na	hora	de	escalar.	Isso	significa	que,	se	as	unhas
do	 cachorro	 estiverem	 tocando	 o	 chão,	 o	 corpo	 dele	 inconscientemente	 vai
entender	que	ele	está	em	modo	“subida”.	E,	em	modo	“subida”,	 toda	a	postura
do	cachorro	muda:	a	posição	das	patas,	da	coluna,	o	jeito	de	pisar,	tudo!	A	longo
prazo,	 se	 o	 cachorro	 ficar	 o	 tempo	 todo	 desse	 jeito,	 ele	 pode	 acabar	 sofrendo
com	 problemas	 articulares	 e	 de	 coluna.	 Um	 outro	 problema	 um	 pouco	 mais
visível	é	que	os	dedinhos	do	cachorro	começam	a	se	entortar,	porque	as	unhas
não	 permitem	 mais	 que	 ele	 os	 posicionem	 corretamente.	 Além	 de	 causar
desconforto,	isso	também	vai	trazer	problemas	de	artrose	a	longo	prazo.	E	uma
última	 consequência	 de	 se	 deixar	 o	 cachorro	 com	 as	 unhas	 longas	 é	 que	 elas
podem	crescer	tanto,	que	às	vezes	elas	se	viram	para	dentro	e	chegam	a	perfurar
os	coxins,	que	são	as	almofadinhas	das	patas.	Este	problema	é	mais	comum	no
5º	 dedinho,	 que	 é	 aquele	 que	 não	 encosta	 no	 chão.	 Esta	 unha	 não	 sofre	 o
desgaste	 natural,	 por	 isso,	 mesmo	 cachorros	 que	 desgastam	 naturalmente	 as
outras	unhas	podem	precisar	apará-la	de	tempos	em	tempos.
Então	você	já	sabe	que	precisa	cortar	a	unha	do	cão,	e	que	é	preciso	tomar
cuidado	 para	 que	 ela	 não	 sangre.	 Mas,	 e	 se	 sangrar?	 Pode	 acontecer.	 Os
tosadores	 e	 banhistas	 têm	 aulas	 específicas	 para	 aprenderem	 a	 cortar	 as	 unhas
dos	cães	no	curso	de	banho	e	tosa,	e	mesmo	eles	às	vezes	podem	errar.	E	não	é
por	incompetência,	mas	sim	porque	o	ponto	exato	onde	se	pode	cortar	em	cada
cão	 muda	 de	 um	 indivíduo	 para	 o	 outro,	 e	 um	 erro	 de	 cálculo	 de	 poucos
milímetros	pode	 fazer	bastante	diferença.	Mas	este	 sangramento	não	mata.	Vai
sangrar,	sangra	por	bastante	tempo,	mas	para.	Só	que,	além	de	ser	desagradável
ficar	 com	a	 unha	 sangrando	por	muito	 tempo,	 a	 ferida	 aberta	 abre	 portas	 para
infecções,	 então,	 é	melhor	 conter	 esta	 hemorragia	 o	 quanto	 antes.	 E	 o	melhor
jeito	de	fazer	isso	é	aplicando	um	pouco	do	pó	hemostático.	Não	tem	uma	dose
certa,	pegue	um	pouquinho	e	coloque	no	ponto	que	está	sangrando.	Só	 tome	o
cuidado	de	usar	 sempre	um	 instrumento	 limpo	 -	 pode	 ser	 uma	colher,	 ou	uma
pinça	para	pegar	o	pó.	Mas	lembre-se:	qualquer	coisa	que	já	tenha	encostado	na
lesão	não	deve	voltar	para	o	pote.	Se	for	o	caso,	use	um	instrumento	para	pegar	o
pó,	e	outro	para	espalhá-lo	sobre	a	lesão.
Na	 falta	de	pó	hemostático,	uma	alternativa	para	conter	o	 sangramento	é
usar	amido	de	milho	-	Maizena®	-,	da	mesma	forma	que	o	pó	hemostático.	Dê
preferência	 ao	 pó	 hemostático	 porque	 ele	 também	 é	 antisséptico,	 diferente	 da
maizena.	Mas,	 se	 não	 tiver,	 pelo	menos	 ele	 ajuda	 a	 conter	 o	 sangramento.	 Só
que,	neste	caso,	depois	de	uma	hora	ou	duas,	é	importante	limpar	com	cuidado	a
pontinha	da	unha	que	sangrou,	e	passar	um	antisséptico	para	não	infeccionar.
Esta	é	a	situação	mais	simples	de	 todas,	e	não	chega	a	pôr	a	vida	do	seu
cão	 em	 risco.	 Mas	 e	 se	 o	 animal	 sofrer	 algum	 acidente	 e	 começar	 a	 sangrar
muito,	o	que	fazer?
Pequenos	e	Grandes	Cortes
Quando	 um	 cão	 sofrer	 um	 acidente	 que	 cause	 sangramentos,	 use
compressas	de	gaze,	ou	um	pano	limpo,	para	aplicar	pressão	sobre	o	ferimento.
Não	use	algodão,	porque	ele	pode	soltar	fiapos	dentro	da	ferida.	A	chave	aqui	é
não	 ficar	 mexendo,	 dando	 batidinhas,	 ou	 tirando	 para	 ver	 como	 está,	 porque,
cada	vez	que	você	levantar	a	gaze,	pode	atrapalhar	a	coagulação	do	sangue.	Se	a
gaze	 ficar	 encharcada,	 coloque	mais	gaze,	 ou	mais	 panos,	 por	 cima,	 até	 que	o
sangramento	 esteja	 contido.	 Você	 pode	 também	 colocar	 uma	 bolsa	 de	 gelo
enrolada	 em	 uma	 toalha	 por	 cima	 das	 gazes,	 para	 ajudar	 a	 diminuir	 a
hemorragia.
Para	 um	 corte	 pequeno,	 segure	 por	 aproximadamente	 5	 minutos,	 e
verifique.	Se,	passados	5	minutos,	o	sangramento	continuar	quando	você	soltar,
volte	a	pressionar	por	mais	5	a	10	minutos.	Você	pode	colocar	um	pouco	de	pó
hemostático	-	o	mesmo	usado	para	as	unhas	-	ou	bicarbonato	de	sódio	em	cima
da	ferida,	enquanto	aplica	a	pressão.	Se	um	corte	pequeno	continuar	sangrando
por	 mais	 de	 15	 minutos,	 continue	 pressionando	 e	 leve	 o	 cão	 ao	 veterinário
imediatamente.
Se	 o	 corte	 for	 grande,	 o	 procedimento	 será	 essencialmente	 o	mesmo,	 só
que	a	pressão	inicial	tem	que	durar	pelo	menos	10	minutos.	Novamente,	se	você
aplicou	pressão	por	10,	15	minutos,	e	o	sangramento	não	está	dando	sinal	de	que
vai	parar,	continue	fazendo	pressão	e	leve	ao	veterinário	imediatamente.
Se	 a	 ferida	 for	 nas	 patas	 ou	 na	 cauda,	 e	 aplicar	 pressão	 diretamente	 não
estiver	 funcionando,	 se	 possível,	 erga	 a	 pata	 ou	 a	 cauda	 acima	 do	 nível	 do
coração.	 Isso	ajuda	principalmente	em	cães	maiores.	Você	pode	 também	tentar
aplicar	 a	 pressão	 com	 as	 suas	 mãos	 um	 pouco	 antes	 ou	 um	 pouco	 depois	 da
lesão,	para	tentar	impedir	que	o	sangue	chegue	nela.	Você	vai	aplicar	abaixo	da
lesão	 se	 a	 hemorragia	 for	 causada	 por	 veias,	 ou	 seja,	 se	 o	 sangue	 estiver
escorrendo,	empoçando.	E	vai	aplicar	pressão	acima	da	lesão	se	a	hemorragia	for
causada	por	artérias,	ou	seja,	se	o	sangue	estiver	saindo	em	jatos.	Este	é	um	tipo
de	garrote	usando	as	mãos,	que	tem	a	intenção	de	diminuir	a	perda	de	sangue.
Contido	o	sangramento,	 limpe	a	ferida	com	água	morna	a	fria,	misturada
com	 um	 pouco	 de	 sabão	 neutro,	 para	 tirar	 sujeiras	 que	 estejam	 aderidas.	 Não
esfregue	a	ferida,	dê	batidinhas	de	leve	com	a	gaze,	para	que	não	volte	a	sangrar.
Feito	isso,	faça	uma	bandagem	leve,	e	leve	o	seu	cão	ao	veterinário.
Em	 casos	 de	 hemorragias	 muito	 graves	 e	 difíceis	 de	 serem	 contidas,	 o
torniquete	passa	a	ser	uma	opção.	Os	torniquetes	devem	ser	evitados	sempre	que
possível,	 pois	 podem	 causar	 lesões	 permanentes,	 inclusive	 levar	 à	 perda	 do
membro	 ou	 até	 da	 vida	 do	 animal,	 se	 ficarem	 por	 muito	 tempo.	 Mas,	 numa
situação	de	emergência,	 em	que	o	 sangramento	está	 forade	controle,	pode	 ser
uma	opção	para	se	tentar	preservar	a	vida	do	animal	enquanto	ele	é	transportado
para	o	hospital.	O	 torniquete	 também	não	é	nada	confortável,	mas,	 se	 for	para
salvar	 a	 vida	 do	 seu	 cão,	 não	 é	 o	 momento	 para	 se	 preocupar	 com	 isso.	 A
prioridade	é	mantê-lo	vivo.
Para	fazer	um	torniquete,	você	pode	usar	ataduras	ou	tiras	de	tecido.	Se	for
uma	ferida	pequena,	faça	o	torniquete	diretamente	em	cima	do	curativo.	Se	for
uma	ferida	maior,	ou	se	não	foi	feito	curativo,	 tente	fazer	o	torniquete	mais	ou
menos	5	cm	acima	da	ferida,	em	direção	ao	corpo.
Amarre	um	pedaço	de	atadura	ou	outro	tecido	sobre	o	local	onde	pretende
fazer	 o	 torniquete	 com	 um	 nó.	 Coloque	 um	 lápis,	 caneta,	 ou	 outro	 objeto
semelhante	 em	 cima	 do	 nó,	 e	 dê	 outro	 nó	 por	 cima	 dele.	 Então,	 gire	 o	 lápis,
apertando	 o	 torniquete	 até	 que	 o	 sangramento	 pare.	 Em	 seguida,	 leve	 o	 cão
imediatamente	ao	veterinário.	Isso	não	é	confortável,	e	não	deve	ser	mantido	por
muito	tempo.	Deve	ser	visto	sempre	como	o	último	recurso.	
Uma	 observação	 importante	 em	 relação	 às	 lesões	 em	 patas	 e	 na	 cauda,
assim	 como	 nas	 orelhas,	 é	 que,	 ainda	 que	muitas	 vezes	 elas	 sejam	 bem	 feias,
raramente	 elas	 são	 fatais.	 Por	 isso,	 se	 o	 cão	 tiver	 alguma	 lesão	 em	 tórax	 ou
abdome,	 cuide	 destes	 outros	 lugares	 primeiro,	 e	 deixe	 as	 patas	 e	 a	 cauda	 por
último.
Arranhões	e	Punções
Os	 arranhões	 são	 ferimentos	 bem	 superficiais,	 que	 podem	 acontecer
durante	brigas	com	outros	cães,	ou	então	pelo	contato	com	superfícies	abrasivas
ou	 irregulares.	Normalmente,	os	 arranhões	não	 requerem	grandes	cuidados.	Se
for	pequeno,	basta	limpar	com	solução	fisiológica	e	aplicar	um	antisséptico	por
cima.	 Se	 for	 um	 arranhão	 grande,	 ou	 um	pouco	mais	 profundo,	 pode	 ser	 bom
cortar	ou	raspar	os	pelos	ao	redor	da	ferida,	para	higienizar	melhor.
Fique	atento	a	sinais	de	infecção,	como	inchaço,	dor,	vermelhidão,	pus,	ou
até	mesmo,	 febre.	Se	perceber	 algum	desses	 sinais,	 leve	 ao	veterinário,	 pois	 o
seu	cão	pode	precisar	ser	tratado	com	um	antibiótico.
As	punções	 são	 ferimentos	que	são	muito	mais	profundos	do	que	 largos.
Então,	olhando	por	fora,	eles	parecem	pequenos,	enquanto	os	danos	reais	estão
escondidos	 abaixo	 da	 pele.	 As	 punções	 podem	 ser	 circulares	 -	 por	 exemplo,
quando	um	cão	 leva	uma	mordida	ou	um	 tiro	 -,	ou	 lineares	 -	 se	ele	 levar	uma
facada.	No	caso	de	ferimentos	por	balas,	facas,	ou	qualquer	outro	que	chegue	a
atravessar	o	animal,	você	vai	observar	que	há	uma	ferida	de	entrada	e	outra	de
saída.	A	 lesão	de	 entrada	 é	mais	 regular,	 conforme	o	 formato	do	objeto	que	o
perfurou.	Já	a	lesão	de	saída	é	muito	maior,	e	irregular.
O	quanto	exatamente	uma	perfuração	vai	sangrar,	e	a	gravidade	da	lesão,
vai	 depender	muito	do	 local	 que	 foi	 perfurado,	 e	 que	 tecidos	ou	órgãos	 foram
atingidos.	Um	exemplo	de	perfuração	que	às	vezes	não	parece	grave,	mas	é,	são
as	mordidas	de	cachorro.	Isso	porque	o	cão,	quando	ataca	uma	presa,	não	apenas
morde,	 mas	 também	 chacoalha.	 E	 este	 ato	 de	 chacoalhar	 é	 o	 que	 causa	 um
grande	estrago	na	musculatura	e	nos	vasos	sanguíneos,	ainda	que,	por	fora,	nós
apenas	consigamos	ver	um	pequeno	furinho.
Se	a	perfuração	acontecer	no	peito,	é	importante	ficar	bem	atento	a	sinais
de	 dificuldade	 respiratória,	 já	 que	 um	 furo	 na	 parede	 torácica	 pode
“despressurizar”	o	tórax.	Para	que	os	pulmões	funcionem	corretamente,	o	tórax
precisa	ter	uma	pressão	negativa	em	relação	à	atmosfera.	Ou	seja,	a	pressão	do	ar
é	menor	dentro	do	tórax	do	que	fora	dele.	E	é	isto	que	permite	que	os	pulmões	se
inflem	 com	 facilidade.	 Se	 entrar	 ar	 no	 tórax,	 a	 pressão	 do	 ar	 vai	 ficar	 igual
dentro	 e	 fora,	 fazendo	 com	 que	 os	 pulmões	 se	 fechem,	 e	 o	 animal	 terá
dificuldade	para	respirar.
Para	melhor	 compreender	o	 conceito	de	 “pressão	 intratorácica	negativa”,
você	pode	fazer	um	experimento	simples	em	casa:	pegue	uma	garrafa	de	plástico
resistente,	 como	 a	 de	Gatorade®,	 e	 faça	 um	 furo	 nela.	 Prenda	 uma	 bexiga	 na
boca	da	garrafa,	deixando	o	balão	para	dentro.	Imagine	que	a	garrafa	é	o	tórax
(de	um	animal	ou	humano),	e	que	o	balão	representa	os	pulmões.
Primeiro,	tente	inflar	este	balão	como	faria	normalmente	-	coloque	a	boca
no	bocal	do	balão,	e	assopre	dentro	dele.	Observe	que	é	preciso	fazer	força	para
jogar	 este	 ar	 para	 dentro	 do	 balão,	 e	 que,	 no	momento	 em	 que	 você	 parar	 de
assoprar	e	retirar	a	sua	boca,	ele	irá	imediatamente	murchar.
Agora,	encha	este	mesmo	balão	de	um	jeito	diferente:	cubra	o	buraco	da
garrafa	com	a	sua	boca,	e	sugue	o	ar.	Conforme	você	retira	o	ar	que	está	dentro
da	 garrafa,	 o	 balão	 se	 expande.	 Cubra	 rapidamente	 o	 buraco	 com	 um	 dedo,	 e
mantenha-o	 tampado.	Observe	 como,	 agora,	 o	 balão	 se	mantém	 cheio	mesmo
com	o	bocal	aberto.	Se	você	soltar	o	buraco,	o	balão	se	esvaziará	imediatamente.
Assim	 funciona	 o	 nosso	 sistema	 respiratório.	Os	 pulmões	 se	mantêm	 inflados
por	conta	da	pressão	intratorácica	negativa	-	ou	porque	a	pressão	do	ar	é	menor
dentro	 do	 que	 fora	 do	 tórax.	 Mas	 basta	 um	 furo	 para	 que	 o	 ar	 entre,	 e	 a
respiração	se	torne	muito	difícil.
É	por	isso	que,	quando	acontece	uma	briga	de	cães,	por	exemplo,	se	algum
dos	 animais	 tiver	 levado	 mordidas	 no	 peito,	 mesmo	 que	 as	 perfurações	 não
pareçam	muito	 grandes,	 elas	 podem	 ser	 profundas	 o	 suficiente	 para	 causarem
dificuldade	respiratória	grave.	Então,	fique	atento!
O	que	fazer	então,	se	o	seu	cachorro	sofrer	uma	perfuração?
·	 	 	 	 	 Avalie	 o	 ABC.	 Ele	 está	 consciente?	 Está	 respirando?	 O	 coração	 está
batendo?
·	 	 	 	 	Procure	por	sinais	de	choque,	esteja	ele	consciente	ou	não.	Como	estão	as
gengivas	 do	 cão?	 Estão	 coradas	 ou	 pálidas?	 Ele	 parece	 frio?	 Como	 está	 o
TPC?	 Se	 houver	 sinais	 de	 choque,	 mantenha	 o	 seu	 cão	 devidamente
aquecido,	e	deixe	para	cuidar	de	sangramentos	depois.
·	 	 	 	 	Se	estiver	sangrando	muito,	aplique	pressão	sobre	o	ferimento,	e	leve	o	cão
ao	veterinário	imediatamente.
·	 	 	 	 	Se	o	ferimento	foi	no	peito,	verifique	se	há	alguma	passagem	de	ar	através
dele.	Você	 pode	 conseguir	 observar	 bolhas	 no	 sangue	 que	 sai	 da	 lesão,	 ou
então	sentir	o	ar	saindo	através	dela.	Basta	colocar	um	dedo	um	pouco	acima
da	 lesão,	 para	 tentar	 sentir	 um	 “ventinho”	 cada	 vez	 que	 o	 cão	 expirar.	 Se
houver	 passagem	 de	 ar,	 cubra	 a	 lesão	 com	 um	 pedaço	 de	 filme	 plástico,	 e
prenda	 usando	 esparadrapos	 em	 três	 lados,	 deixando	 um	 livre.	 Isso	 irá
dificultar	a	entrada	de	ar,	mas	vai	permitir	que	ele	saia.	Leve	ao	veterinário
imediatamente.
·	 	 	 	 	Se	o	objeto	que	perfurou	o	cão	ainda	estiver	preso	a	ele,	não	tente	tirar!	O
próprio	objeto	pode	estar	contendo	uma	possível	hemorragia,	e,	ao	remover,
você	pode	aumentar	a	lesão,	causar	dor,	e	aumentar	o	sangramento.	Procure
manter	o	cão	calmo,	e	leve	ao	veterinário	imediatamente.
Como	Fazer	Curativos
Você	pode	precisar	fazer	curativos	no	seu	cão	se	ele	tiver	ferimentos	leves,
assim	como	pode	precisar	trocar	os	curativos	que	o	seu	veterinário	fizer,	depois
de	 cirurgias	 ou	 de	 ferimentos	 que	 estejam	 em	 tratamento.	 Eles	 servem	 para
proteger	as	 feridas,	mantendo-as	 livres	de	contaminação,	e	 também	para	evitar
que	 os	 cães	 fiquem	 lambendo	 ou	 mexendo	 nelas,	 atrapalhando	 a	 própria
cicatrização.
Se	você	fizer	um	curativo	em	um	cão,	evite	manter	o	mesmo	curativo	por
mais	do	que	24	horas,	a	não	ser	que	o	seu	veterinário	oriente	de	outra	maneira.
Se	o	curativo	for	sobre	uma	lesão	que	drena	algum	tipo	de	 líquido,	sangue,	ou
pus,	pode	ser	necessário	trocar	até	mais	do	que	uma	vez	ao	dia.
Quando	 você	 for	 fazer	 ou	 trocar	 um	 curativo	 em	 um	 cão,	 o	 primeiro
cuidado	deve	 ser	 com	a	 sua	 segurança.	Você	vai	mexer	em	uma	área	 sensível,
então	 é	 possível	 que	 o	 cachorro	 sinta	 dor	 e	 reaja	 para	 se	 defender.	 Por	 conta
disso,	 recomendo	 que	 seja	 colocada	 a	 focinheira	 sempre	 quese	 for	 fazer	 um
curativo	em	um	cão,	mesmo	que	ele	seja	seu,	e	mesmo	que	ele	seja	dócil.
Antes	de	se	cobrir	qualquer	lesão,	é	importante	que	ela	esteja	limpa.	Para
isso,	você	pode	usar	um	quadradinho	de	gaze,	ou	quantos	precisar,	embebido	em
soro	 fisiológico,	 e	 dar	 batidinhas	 leves	 sobre	 a	 lesão	 para	 remover	 qualquer
sujeira,	 secreção,	 ou	 vestígio	 de	 sangue	 que	 esteja	 lá.	 Feito	 isso,	 aplique	 um
antisséptico,	 que	 pode	 ser	 o	 P.V.P.I.,	 um	 spray	 antisséptico,	 uma	 pomada,	 ou
outro	produto	que	o	seu	veterinário	recomendar.	Para	 tratar	arranhões	e	feridas
superficiais,	você	pode	usar	o	PVPI	mesmo.	Para	qualquer	outro	 tipo	de	 lesão
mais	específica,	consulte	o	seu	veterinário	antes.	As	orientações	desta	seção	são
específicas	 para	 arranhões,	 cortes	 e	 punções.	 Em	 relação	 às	 queimaduras,
falaremos	mais	especificamente	no	Capítulo	11.
Feita	 esta	 limpeza	 inicial,	 cubra	 a	 ferida	 com	 um	 pedaço	 de	 gaze	 ou
curativo	 não	 aderente.	 Se	 for	 uma	 lesão	 mais	 “sequinha”,	 como	 uma	 ferida
cirúrgica,	 pode	 usar	 gaze.	Mas,	 se	 a	 lesão	 estiver	 soltando	 alguma	 secreção,	 a
gaze	normal	vai	acabar	se	grudando.	Isso	vai	causar	dor	na	hora	de	tirar,	além	de
que	 pode	 inflamar	 e	 atrapalhar	 o	 processo	 de	 cicatrização.	 Para	 estes	 casos,
prefira	os	curativos	não	aderentes.	Fixe	a	gaze	ou	o	curativo	não	aderente	usando
micropore,	que	é	menos	agressivo	para	a	pele,	e	em	seguida	enfaixe	usando	uma
atadura.	 Para	 curativos	 em	membros,	 comece	 a	 enrolar	 da	 pata	 em	direção	 ao
corpo.	Cada	volta	da	atadura	deve	cobrir	aproximadamente	⅔	da	volta	anterior,
para	que	 ela	 fique	bem	presa.	Por	 fim,	 fixe	 a	 atadura	usando	um	esparadrapo,
que	deve	pegar	em	torno	de	2	cm	de	pele	junto	com	a	própria	atadura,	para	que	o
curativo	não	saia	do	lugar.
Se	o	curativo	não	abranger	nenhuma	articulação	ou	parte	do	corpo	que	se
movimente	(por	exemplo,	somente	no	braço,	sem	chegar	ao	cotovelo),	você	pode
tentar	fixar	o	curativo	com	o	esparadrapo	pegando	em	menos	pele,	para	diminuir
o	 estresse	 do	 animal	 na	hora	de	 removê-lo.	Mas,	 se	 o	 cão	mexer	 demais,	 será
preciso	grudar	o	esparadrapo	na	pele	também.
Outra	forma	de	se	fixar	o	curativo	é	usando	as	bandagens	elásticas,	como	o
Vetrap®.	 A	 bandagem	 elástica	 deve	 ser	 usada	 por	 cima	 da	 atadura,	 devendo
avançar	 em	 torno	 de	 3	 a	 4	 cm	 em	 relação	 às	 outras	 camadas.	 Assim	 como	 a
atadura,	 cada	 volta	 deve	 cobrir	 cerca	 de	⅔	 da	 espessura	 da	 volta	 anterior.	 As
bandagens	 elásticas,	 se	 usadas	 de	 forma	 incorreta,	 podem	 ficar	 muito
compressivas,	chegando	a	bloquear	o	fluxo	sanguíneo.	Para	evitar	este	problema,
desenrole	 completamente	 o	 rolo	 de	 bandagem	 elástica	 e	 enrole-o	 novamente
antes	de	começar	a	usar.	Isso	ajuda	a	diminuir	a	tensão	da	bandagem,	e	o	risco	de
que	 o	 curativo	 fique	 apertado.	 Evite	 também	 esticar	 a	 bandagem	 enquanto	 a
aplica.
Se,	 por	 algum	 motivo,	 o	 seu	 médico	 veterinário	 recomendar	 uma
bandagem	 compressiva,	 tenha	 em	mente	 que	 a	 compressão	 não	 deve	 ser	 feita
através	de	tensão	na	atadura	ou	na	bandagem	elástica,	mas	sim	pela	espessura	do
curativo.	 Para	 fazer	 um	 curativo	 espesso	 e	 compressivo,	 use	 algodão	 em	 rolo
entre	a	gaze	ou	o	curativo	não	aderente,	e	a	atadura.
Quando	 fizer	 uma	 bandagem	 compressiva,	 ou,	 caso	 utilize	 a	 bandagem
elástica	tensionada	em	um	membro,	verifique	a	temperatura	dos	dedos	do	cão	a
cada	duas	horas.	Se	perceber	que	os	dedos	parecem	mais	frios	do	que	o	resto	do
corpo,	afrouxe	o	curativo	para	permitir	uma	boa	circulação	sanguínea.
Uma	boa	ideia	para	fazer	um	curativo	rápido	nas	patas	é	usando	uma	meia
limpa	 ao	 invés	 da	 atadura.	 Basta	 “calçar”	 o	 cão,	 e	 fixar	 a	 meia	 com	 um
esparadrapo.
Para	 cães	 pequenos,	 é	 possível	 improvisar	 uma	 roupinha	 para	 proteger
cortes	cirúrgicos	(uma	castração	em	fêmeas,	por	exemplo)	ou	outros	ferimentos
em	tórax	e	abdome	usando	a	malha	tubular.	A	malha	tubular	é	vendida	em	rolos,
e	pode	ser	adquirida	em	lojas	de	produtos	médicos	e	hospitalares	com	diversos
diâmetros.	Corte	um	pedaço	de	malha	tubular	que	seja	um	pouco	mais	“longo”
do	que	o	seu	cão,	e	meça	onde	ficariam	os	seus	braços	e	pernas	(coloque	a	malha
na	frente	do	cão	para	medir).	Corte	pequenos	círculos	um	pouco	adiante	de	onde
estão	os	braços	dele,	e	um	pouco	atrás	de	onde	estão	as	pernas,	já	que	a	malha
irá	 “encolher”	 um	 pouco	 na	 hora	 de	 vestir.	 Vista	 o	 seu	 cão	 com	 a	 malha,
passando	as	patas	pelos	buracos,	deixando	as	aberturas	da	frente	e	de	trás	para	a
cabeça	 e	 a	 cauda.	 Desta	 forma,	 a	 malha	 irá	 cobrir	 os	 curativos	 do	 seu	 cão,
impedindo	 que	 ele	 os	 arranque	 ou	 fique	mexendo.	 Se	 for	 um	macho,	 pode-se
fazer	 um	 pique	 no	 tecido	 embaixo,	 para	 que	 ele	 consiga	 urinar	 normalmente.
Para	retirar	a	“roupinha”	de	malha	tubular,	basta	cortá-la.
Fraturas
As	 fraturas	podem	ser	 expostas	ou	 fechadas.	As	 fraturas	 expostas	 são	 as
mais	óbvias,	elas	acontecem	quando	pontas	do	osso	quebrado	chegam	a	perfurar
a	pele,	e	assim	se	tornam	visíveis	externamente.	As	fraturas	internas	até	podem
ser	perceptíveis	externamente,	quando	um	membro	fica	torto,	pendurado,	ou	em
uma	 posição	 incomum,	 mas	 algumas	 fraturas	 são	 mais	 discretas	 e	 podem	 ser
confirmadas	apenas	através	de	radiografias.
As	fraturas	sempre	causam	bastante	dor,	e	o	cão	que	sofrer	qualquer	fratura
deve	ser	levado	imediatamente	ao	veterinário,	mas,	até	mesmo	para	transportar	o
animal,	é	preciso	tomar	alguns	cuidados.
Em	primeiro	 lugar,	 é	 importante	 saber	que	as	 fraturas	 expostas	 correm	o
risco	 de	 infeccionar,	 e	 infecções	 em	ossos	 são	 sempre	muito	 sérias.	Use	 luvas
quando	for	manipular	fraturas	expostas,	para	a	sua	proteção	e	para	a	proteção	do
seu	cão.
O	nosso	primeiro	cuidado	com	um	animal	que	 tenha	 sofrido	uma	 fratura
exposta	será	limpar	o	osso	que	ficou	exposto	usando	solução	salina	estéril	(use
um	frasco	novo,	recém-aberto).	Use	uma	seringa	para	lavar	o	ferimento,	e	assim
remover	qualquer	sujeira	que	tenha	se	aderido	a	ele.	Em	seguida,	coloque	uma
camada	 de	 lubrificante	 a	 base	 de	 água	 estéril	 (como	 KY)	 ou	 vaselina	 (dê
preferência	a	embalagens	novas,	recém-abertas).	Aplique	então	uma	camada	de
curativo	 não	 aderente	 sobre	 a	 ferida,	 e	 faça	 uma	 bandagem	 leve,	 sem	 apertar.
Não	se	preocupe	em	fazer	o	curativo	“com	perfeição”:	esta	bandagem	é	apenas
temporária,	 e	 tem	 como	 objetivo	 prevenir	 a	 contaminação	 da	 ferida.	 Ela
precisará	ser	desmanchada	assim	que	chegar	ao	veterinário.
Se	 estiver	 sangrando,	 coloque	 uma	 bolsa	 de	 gelo	 sobre	 o	 curativo.	 Se
estiver	sangrando	demais,	um	torniquete	pode	ser	aplicado,	com	as	ressalvas	que
já	vimos	na	seção	sobre	hemorragias.
A	 fratura	 exposta	 é	 algo	muito	 delicado	 de	 se	 lidar,	 e	 uma	 imobilização
mal	 feita	 pode	 fazer	mais	mal	 do	 que	 bem.	Desta	 forma,	 não	 tente	 imobilizar
fraturas	expostas:	simplesmente	coloque	uma	toalha	enrolada	ou	uma	almofada
embaixo	da	patinha	que	estiver	quebrada	para	mantê-la	mais	ou	menos	estável
durante	o	transporte.
Para	fraturas	fechadas,	é	preciso	que	você	consiga	efetivamente	imobilizar
tanto	a	articulação	acima	quanto	a	que	estiver	abaixo	da	fratura.	Se	ficar	frouxo,
vai	 causar	 mais	 danos	 do	 que	 benefícios.	 Por	 isso,	 se	 estiver	 muito	 difícil
imobilizar,	 seja	 porque	 você	 está	 inseguro,	 seja	 porque	 o	 cão	 não	 permite	 que
você	manipule,	use	a	mesma	técnica	das	fraturas	expostas:	apenas	coloque	uma
toalha	enrolada	ou	uma	almofada	embaixo	da	pata	que	estiver	quebrada.
A	técnica	de	imobilização	a	seguir	é	para	ser	usada	apenas	em	membros	ou
na	cauda,	sendo	que	você	vai	precisar	imobilizar	tanto	a	articulação	que	estiver
acima	 quanto	 a	 que	 estiver	 abaixo	 da	 fratura.	 Imobilizar	 apenas	 uma	 das
articulações	 pode	 ser	 danoso.	 Por	 ser	muito	 difícil	 imobilizar	 com	 eficácia	 as
articulações	 do	ombro	ou	do	quadril,	 o	 nosso	 foco	 será	 em	 fraturas	 abaixo	do
cotovelo	ou	do	joelho.Para	as	demais,	apenas	estabilize	conforme	já	explicado
para	fraturas	expostas.
Use	 algodão	 em	 rolo	 para	 enrolar	 todo	 o	membro,	 subindo	 a	 partir	 dos
dedos	 em	 direção	 ao	 corpo.	 Use	 bastante	 algodão,	 para	 firmar	 bem	 as
articulações.	A	imobilização	se	dará	pela	espessura	da	camada	de	algodão,	e	não
pela	 tensão	 do	 curativo	 -	 por	 isso,	 não	 há	 necessidade	 de	 apertar.	 Colocado	 o
algodão,	 enrole	 a	 atadura	 sobre	o	 algodão,	 conforme	detalhado	na	 seção	sobre
curativos,	prendendo	bem	firme	com	esparadrapo.	Se	tiver,	pode	usar	bandagem
adesiva	por	cima.
Para	 finalizar,	 se	 tiver	 algum	material	 que	 possa	 servir	 como	 tala,	 você
pode	 improvisar	uma	 também.	Coloque,	por	exemplo,	uma	revista	enrolada	ou
um	rolinho	de	papel	higiênico	ou	de	papel	toalha	ao	redor	do	membro,	e	prenda
com	esparadrapo	em	diversos	pontos.
Enfatizo	 novamente	 que,	 se	 o	 cachorro	 estiver	 muito	 estressado	 e	 não
permitir	a	manipulação,	não	force.	É	claro	que	nenhum	cachorro	vai	gostar	que
alguém	 mexa	 nas	 suas	 fraturas,	 e	 é	 importante	 usar	 focinheira;	 mas,	 se	 ele
começar	 a	 ficar	 muito	 agitado	 e	 se	 debater	 enquanto	 você	 tenta	 imobilizar,
também	corre	o	risco	de	acabar	danificando	mais	do	que	ajudando.
Nestes	 casos	 em	 que	 você	 não	 vai	 poder	 ou	 conseguir	 imobilizar,
logicamente,	 é	 importante	 mesmo	 assim	 reduzir	 ao	 máximo	 a	 movimentação.
Então,	mantenha	o	seu	cachorro	o	mais	calmo	possível,	de	preferência	deitado,	e
apoie	 o	 membro	 fraturado	 sobre	 uma	 toalha	 enrolada.	 Você	 pode	 usar	 esta
solução	no	carro,	enquanto	transporta	o	cão	ao	veterinário.
Capítulo	10.	Acidentes	Automobilísticos
Este	 capítulo	 tem	 como	objetivo	 a	 demonstração	 da	 aplicação	 prática	 de
diversas	 técnicas	 de	 primeiros	 socorros	 que	 já	 foram	debatidas	 ao	 longo	 deste
livro.	Para	não	ser	repetitiva,	irei	apenas	citar	quais	são	as	técnicas,	ou	descrevê-
las	rapidamente.	Sugiro	ao	leitor	que	retorne	aos	capítulos	anteriores	para	revisar
as	técnicas	caso	surja	alguma	dúvida.
Quando	 falamos	 em	 acidentes	 automobilísticos,	 pensamos	 em	 primeiro
lugar	em	atropelamentos,	mas	na	verdade	também	estamos	nos	referindo	àqueles
casos	 em	 que	 o	 cão	 estava	 dentro	 de	 um	 carro	 que	 bateu.	 Os	 cuidados	 que
precisaremos	tomar	em	cada	caso	serão,	basicamente,	os	mesmos.
A	primeira	coisa	que	a	gente	vai	fazer	quando	encontrar	um	cão	acidentado
-	 independente	 se	 ele	 foi	 atropelado,	 ou	 se	 ele	 estava	 dentro	 de	 um	 carro	 que
bateu	-,	é	avaliar	os	três	C’s.	Vamos	relembrar	rapidamente:
1º	C	-	Cenário:	Antes	de	se	aproximar	do	cão,	preste	atenção	a	tudo	o	que
estiver	 acontecendo	 à	 sua	 volta	 e	 à	 volta	 do	 animal	 acidentado.	 Se	 ele	 foi
atropelado	ou	se	estava	dentro	de	um	carro,	então	ele	vai	estar	numa	rua,	numa
estrada,	ou	bem	perto	dela.	Há	carros	passando?	Tome	cuidado	ao	atravessar	a
rua,	para	que	você	mesmo	não	seja	atropelado.	Tem	fogo,	ou	risco	de	explosão?
Prestar	socorro	sob	o	risco	de	explosões	ou	incêndios	é	muito	perigoso.	É	claro
que,	estando	em	condições,	você	vai	tentar	ajudar.	Mas	o	risco	é	grande,	e	você
precisa	 prestar	 muita	 atenção	 até	 mesmo	 onde	 pisa,	 para	 não	 se	 machucar
também.	 É	 um	 trabalho	 para	 profissionais,	 e	 você	 deve	 ser	 capaz	 de	 avaliar
quando	 as	 condições	 do	 acidente	 estão	 além	 da	 sua	 capacidade	 de	 prestar
socorro,	 seja	 para	 um	 ser	 humano,	 seja	 para	 um	 animal.	 Se	 tornar	 mais	 uma
vítima	do	acidente	não	irá	ajudar.
Partimos	então	para	o	2º	C:	Chamar	ajuda.	Você	vai	chamar	ajuda	sempre
que	a	situação	for	muito	arriscada	para	você	se	aproximar,	e	também	se	perceber
que	vai	precisar	de	ajuda	para	transportar	ou	para	cuidar	do	animal.	Lembre-se:
se	for	ajudar	uma	pessoa,	você	pode	chamar	uma	ambulância,	os	bombeiros,	ou
a	polícia.	Se	for	um	cão,	normalmente	será	preciso	ligar	para	algum	conhecido
que	 possa	 te	 ajudar	 no	 transporte,	 ou	 então	 para	 um	 hospital	 ou	 clínica
veterinária	particular	que	ofereça	o	serviço	de	ambulância.
A	maioria	 das	 cidades	 brasileiras	 ainda	 não	 dispõe	 de	 ambulâncias	 para
cães	 como	 serviço	 público.	 E,	 mesmo	 nas	 cidades	 que	 têm	 a	 chamada
“SAMUVet”,	 como	 Florianópolis/SC,	 Pouso	 Alegre/MG,	 e	 Salvador/BA,
existem	várias	restrições	ao	seu	uso	-	por	exemplo,	às	vezes	apenas	os	bombeiros
ou	 a	 polícia	 podem	 acionar	 a	 SAMUVet,	 o	 serviço	 pode	 ser	 exclusivo	 para
animais	de	rua,	para	ONG’s,	e	outras	situações	bem	específicas.	Então,	mesmo
nas	 cidades	 onde	 já	 existe	 a	 SAMUVet	 ou	 outro	 serviço	 similar,	 nem	 sempre
você	poderá	utilizá-lo.	Diante	disso,	 reforço	mais	uma	vez	a	 importância	de	se
ter	 anotado	no	 celular,	 e	 também	num	papel	 no	 seu	kit	 de	 primeiros	 socorros,
todos	 os	 contatos	 de	 pessoas	 ou	 clínicas	 veterinárias	 que	 você	 possa
eventualmente	precisar	chamar,	com	telefone	e	endereço.	Se	a	sua	cidade	 tiver
uma	ambulância	pública	para	animais,	informe-se	com	antecedência	em	relação
aos	casos	em	que	pode	ser	acionada,	e	como	fazer	para	chamá-la	se	precisar.
Chamou	ajuda?	Aí	sim,	você	vai	se	aproximar	do	cão	para	cuidar,	que	é	o
terceiro	 C	 -	 tomando	 cuidado	 para	 que	 ele	 não	 fuja	 de	 você,	 se	 estiver
consciente.	No	Capítulo	4	 já	 tratamos	 sobre	 cuidados	de	 segurança,	 formas	de
abordagem	de	cães	em	perigo,	e	métodos	de	contenção.
Revisando	 rapidamente	 também	 estas	 técnicas,	 tenha	 em	 mente	 que	 a
chave	para	o	sucesso	de	uma	abordagem	a	um	cão	em	situação	de	emergência	é
se	 aproximar	 sempre	 com	muita	 calma.	Chegue	 devagar,	 vá	 conversando	 com
ele,	e	tentando	deixar	claro	que	você	está	lá	para	ajudá-lo,	e	não	para	machucar
mais.	Conquiste	a	sua	confiança	sempre	que	possível.	O	cão	estará	assustado,	e
pode	estar	agressivo,	então,	mesmo	que	ele	não	tenha	condições	de	se	locomover
para	fugir	de	você,	ele	pode	tentar	te	morder.	Assim	que	conseguir,	coloque	uma
coleira	nele,	para	prevenir	fugas.
Se	 o	 cão	 estiver	 num	 local	 perigoso	 -	 por	 exemplo,	 no	meio	 da	 rua,	 na
beira	de	um	rio	ou	de	um	córrego,	ou	perto	de	um	incêndio	-,	então,	leve-o	para
um	local	mais	seguro	antes	de	começar	a	cuidar	dele.	Se	ele	conseguir	caminhar,
leve	pela	coleira	mesmo.	Se	ele	não	conseguir,	você	pode	improvisar	uma	maca
para	fazer	isso,	conforme	descrito	no	Capítulo	4:	use	um	pano,	uma	 lona,	ou	o
que	 tiver	 ao	 seu	 alcance,	 e	 role	 cuidadosamente	 o	 cão	 para	 cima	deste	 tecido.
Puxe	 com	 cuidado,	 para	 retirar	 o	 animal	 da	 área	 de	 risco	 com	 mínima
movimentação	e	manipulação.	Mesmo	que	você	tenha	força,	evite	pegar	no	colo
se	o	cachorro	for	médio	ou	grande,	porque	a	posição	que	ele	vai	ficar	no	seu	colo
pode	 não	 ser	 a	melhor	 possível,	 podendo	 agravar	 fraturas,	 lesões	 de	 coluna,	 e
outros	ferimentos.	A	movimentação	de	animais	ou	humanos	recém-acidentados
deve	ser	sempre	restrita	à	estritamente	necessária.
Assim	que	você	 já	 estiver	 com	o	cão	em	 local	 seguro,	 aí	 sim	você	pode
começar	os	cuidados	propriamente	ditos.	A	focinheira,	seja	ela	“de	verdade”	ou
improvisada,	você	só	vai	colocar	depois	que	você	constatar	que	o	cachorro	está
respirando.	 Então,	 chegamos	 ao	 ABC:	 Vias	 Aéreas,	 Boa	 Respiração,	 e
Circulação.
Também	 já	 falamos	 sobre	 como	 avaliar	 estes	 três	 parâmetros.	 Esta
avaliação	tem	que	ser	rápida,	e,	na	maioria	dos	casos,	você	deve	conseguir	fazer
em	poucos	segundos.	O	cachorro	está	consciente?	Se	sim,	então,	sem	dúvida	ele
está	 respirando	 e	 o	 coração	 dele	 está	 batendo.	 Mas	 ele	 pode	 estar	 com
dificuldade	para	 respirar,	 por	 conta	 de	 alguma	obstrução,	 ou	mesmo	por	 outro
motivo.	 Então,	 se	 você	 perceber	 que	 o	 cachorro	 está	 com	 dificuldade	 para
respirar,	avalie	primeiro	as	vias	aéreas	dele	para	ver	se	têm	alguma	obstrução,	e
então	aplique	a	técnica	do	balanço	ou	a	manobra	de	Heimlich,	se	for	o	caso.	Se
ele	estiver	inconsciente,	avalie	rapidamente	todo	o	ABC:	procure	por	obstruções
em	vias	aéreas	e	libere,	se	for	o	caso,	e	veja	se	o	cachorro	está	respirando	e	tembatimentos	cardíacos.	Conforme	necessário,	inicie	a	respiração	boca-focinho	ou
a	ressuscitação	cardiopulmonar.
Só	depois	que	você	já	se	certificou	de	que	o	coração	está	batendo	e	ele	está
respirando,	é	que	você	vai	se	preocupar	com	o	resto.	O	nosso	foco	é	manter	o
animal	vivo.	Então,	a	gente	precisa	começar	procurando	por	lesões	que	possam
realmente	ameaçar	a	vida	dele.	“Aaah,	mas	ele	está	com	uma	fratura	exposta	na
pata,	é	horrível,	deve	estar	doendo,	vou	começar	por	ali!	”	Não.	Uma	fratura	em
pata	 pode	 doer,	 e	 pode	 ser	 feia,	 mas	 pode	 esperar.	 A	 gente	 precisa	 começar
procurando	por	lesões	potencialmente	fatais.	Tipo	o	quê?
Por	 exemplo,	 o	 cachorro	 pode	 estar	 com	muita	 dificuldade	 para	 respirar
porque	 teve	uma	 fratura	de	 costela.	A	 fratura	 em	si	 não	 é	 tanto	o	problema;	o
problema	é	que	este	cão	pode	estar	com	pneumotórax	-	ou	seja,	pode	ter	entrado
ar	no	 tórax	dele,	o	que	está	dificultando	a	 respiração.	Então,	se	você	encontrar
alguma	ferida	no	peito	do	cão,	e	parecer	que	está	saindo	ar	através	dela,	lembre-
se	de	que	a	pressão	dentro	do	 tórax	 tem	que	ser	negativa.	Você	provavelmente
não	 vai	 ter	 em	 mãos	 os	 equipamentos	 necessários	 para	 restaurar	 a	 pressão
negativa	 do	 tórax,	mas	 você	 pode	 evitar	 que	 o	 problema	 piore,	 usando	 aquele
curativo	 que	 mencionei	 na	 seção	 sobre	 perfurações:	 use	 um	 pedaço	 de	 filme
plástico	para	cobrir	a	lesão,	e	cole	três	lados	com	um	esparadrapo,	deixando	um
aberto	para	o	ar	sair.
Feito	isso,	procure	por	hemorragias.	Já	aprendemos	que	a	hemorragia	pode
ser	interna	ou	externa.	O	impacto	causado	pelo	atropelamento,	ou	pela	batida	do
carro,	quando	o	cão	estava	dentro	dele,	pode	causar	os	dois	tipos	de	hemorragia.
Enquanto	 as	 hemorragias	 externas	 são	 bem	 visíveis	 e	 fáceis	 de	 identificar,	 as
internas	 podem	 ser	 um	 pouco	 mais	 complicadas.	 E	 até	 por	 isso,	 elas	 são
consideradas	mais	graves:	às	vezes,	as	pessoas	demoram	demais	para	percebê-
las,	e	é	difícil	contê-las.
Se	o	cachorro	estiver	com	sangramentos	óbvios,	você	precisa	conter	estas
hemorragias	 usando	 as	 técnicas	 descritas	 no	 Capítulo	 9.	 Comece	 dando	 mais
atenção	 a	 sangramentos	 em	 tórax,	 abdome	 e	 pescoço,	 que	 costumam	 ser	mais
perigosos,	 para	 só	 depois	 pensar	 em	 patas,	 cauda,	 orelhas,	 e	 mesmo
sangramentos	na	cabeça.	O	que	pode	acontecer	de	mais	grave	na	cabeça	é	uma
fratura	em	crânio,	e	não	uma	hemorragia.	Mas	não	há	muito	o	que	se	possa	fazer
em	 termos	 de	 primeiros	 socorros	 para	 fraturas	 em	 crânio,	 além	 de	 se	 tentar
manter	o	animal	vivo	e	o	mais	imóvel	possível,	para	tentar	evitar	que	o	problema
piore	enquanto	ele	é	transportado	para	uma	clínica	ou	um	hospital	veterinário.
Em	relação	às	hemorragias	internas,	é	importante	saber	que	é	possível	que
o	cachorro	pareça	bem	depois	de	 ter	sido	atropelado,	ou	de	 ter	estado	presente
num	carro	que	bateu.	Talvez	ele	não	tenha	nenhum	ferimento	visível,	e	continue
alerta.	Mas,	 por	 dentro,	 pode	 ser	 que	 ele	 não	 esteja	 tão	 bem	 assim.	 Por	 isso,
sempre	que	você	for	cuidar	de	um	cachorro,	ou	mesmo	de	uma	pessoa,	que	se
envolveu	 em	um	 acidente	 automobilístico,	 sem	 exceção,	 procure	 por	 sinais	 de
choque.	Os	sinais	para	humanos	e	para	cães	são	bem	parecidos,	e	é	importante
saber	reconhecer:	veja	se	as	gengivas	estão	pálidas,	se	a	temperatura	parece	estar
mais	 baixa,	 se	 o	 TPC	 (tempo	 de	 preenchimento	 capilar)	 está	 acima	 de	 2
segundos,	e	se	o	indivíduo	está	ficando	mais	letárgico,	confuso,	ou	até	mesmo	se
chega	a	perder	a	consciência.	Como	estes	sinais	podem	demorar	algumas	horas
para	 aparecerem,	 a	 recomendação	 é	 que	 o	 cão	 seja	 levado	 ao	 veterinário
imediatamente	 após	 qualquer	 acidente	 automobilístico,	 mesmo	 que	 ele	 pareça
bem	num	primeiro	momento.
Agora,	pensando	num	cenário	o	pior	possível:	e	se	os	órgãos	e	as	vísceras
abdominais	 do	 cão	 tiverem	 saído	 do	 lugar,	 e	 ficado	 expostas?	 Esta	 situação	 é
chamada	 de	 “evisceração	 traumática”,	 e	 pode	 ser	 realmente	 desesperadora!	 Se
isso	 acontecer,	 não	 tente	 colocar	 as	 vísceras	 de	 volta	 no	 lugar.	 Use	 um	 filme
plástico	 para	 cobrir	 e	 protegê-las,	 e	 evite	 ficar	 manipulando	 a	 região.	 Você
também	 pode	 usar	 um	 pano	 limpo,	 ou	 uma	 atadura	 umedecida	 com	 soro
fisiológico	para	cobrir	as	vísceras	expostas.	Procure	deixar	o	cão	de	barriga	para
cima,	usando	almofadas	ou	panos	enrolados	dos	dois	lados	dele	para	dar	suporte,
e	leve	imediatamente	ao	veterinário.
Só	 depois	 de	 ter	 cuidado	 destas	 lesões	 mais	 graves,	 ou	 se	 elas	 não
existirem,	é	que	você	vai	se	preocupar	com	fraturas.	Se	for	o	caso,	imobilize	as
fraturas	 para	 fazer	 o	 transporte	 do	 cão	 até	 o	 hospital	 veterinário,	 ou
simplesmente	 estabilize-as	 colocando	 uma	 toalha	 enrolada	 ou	 uma	 almofada
embaixo	da	pata	que	estiver	fraturada.
Como	 você	 pôde	 perceber,	 quando	 começou	 a	 ler	 este	 capítulo,	 você	 já
tinha	 as	 ferramentas	 necessárias	 para	 lidar	 com	 um	 acidente	 automobilístico.
Cada	 um	 dos	 cuidados	 que	 citei	 aqui	 já	 havia	 sido	 detalhado	 em	 capítulos
anteriores.	Mesmo	assim,	considerei	importante	explanar	exatamente	como	seria
uma	 aplicação	mais	 prática	 dos	 primeiros	 socorros.	 Esta	mesma	 sequência	 de
cuidados	pode	ser	adaptada	às	mais	diversas	situações	de	emergência,	bastando
que	 o	 socorrista	 consiga	 avaliar	 quais	 são	 as	 lesões	 mais	 perigosas	 e	 que
requerem	prioridade	em	casos	de	acidentes.
Em	qualquer	tipo	de	emergência,	se	houver	risco	de	morte,	não	atrase	a	ida
ao	veterinário	para	aplicar	os	primeiros	 socorros.	Quanto	antes	você	conseguir
chegar	 lá,	 melhor.	 Então,	 peça	 ajuda	 para	 transportar	 o	 cão,	 e	 aplique	 os
primeiros	 socorros	 enquanto	 espera	 o	 carro	 chegar,	 ou	 vá	 fazendo	 dentro	 do
carro	 mesmo,	 se	 for	 o	 caso.	 Se	 você	 estiver	 de	 carro	 quando	 for	 socorrer	 o
cachorro,	e	estiver	sozinho,	então	se	preocupe	apenas	em	estabilizar	o	cão	antes
de	 transportar,	 e	 deixe	 feridas	 menores,	 e	 mesmo	 fraturas,	 para	 o	 veterinário.
Estabilizar,	como?	Você	vai	tratar	apenas	aquelas	lesões	mais	sérias,	e	que	talvez
possam	 fazer	 com	que	o	cão	não	consiga	chegar	nem	até	 a	 clínica	veterinária.
Por	 exemplo,	uma	parada	cardiorrespiratória,	ou	uma	hemorragia	muito	grave.
Então,	se	não	tiver	como	conseguir	outra	pessoa	que	possa	dirigir	o	carro,	faça
estes	primeiros	cuidados,	e	vá	para	o	hospital	o	quanto	antes	possível.
Você	 deve	 ter	 notado	 que	 tenho	 falado	 muito	 em	 carro	 para	 levar	 o
cachorro	ao	hospital.	Eu	sei	que	nem	todas	as	pessoas	têm	carros,	mas,	na	hora
de	 socorrer	 um	 cão	 que	 esteja	 gravemente	 ferido,	 você	 vai	 precisar	 de	 um	 -
afinal,	já	sabemos	que	os	serviços	de	ambulância	veterinária	são	raros	e	restritos.
Se	tiver	uma	clínica	veterinária	bem	perto,	e	for	um	cachorro	bem	pequeno,	você
até	pode	 levar	no	colo.	Mas,	 sendo	um	cachorro	um	pouquinho	maior,	ou	se	a
clínica	não	estiver	 tão	perto	assim,	será	preciso	arranjar	um	carro.	Então,	antes
que	qualquer	coisa	assim	aconteça,	já	vá	pensando,	e	anote:	quem	você	conhece
que	 tem	 um	 carro	 e	 poderia	 te	 ajudar	 numa	 situação	 como	 estas?	 Ou,	 ainda:
existe	algum	hospital	ou	clínica	veterinária	na	sua	cidade	que	ofereça	o	serviço
de	transporte?	Tenha	o	número	deles	no	seu	celular,	e	 também	em	papel,	 junto
com	 o	 seu	 kit	 de	 primeiros	 socorros.	 Não	 espere	 acontecer	 uma	 situação	 de
emergência	 para	 pensar	 nisso,	 porque,	 nessas	 horas,	 pouca	 gente	 consegue
pensar	com	a	clareza	e	a	rapidez	necessária.
Revise	as	técnicas	aqui	descritas	tantas	vezes	quanto	for	necessário,	e	tente
mentalizar	-	imaginar	uma	situação	em	que	elas	seriam	necessárias.	O	que	você
faria?	Quais	são	os	passos?	Onde	está	o	material	de	que	você	vai	precisar?	Dá
para	 improvisar	alguma	coisa?	Os	 improvisos	são	sempre	parte	 importante	dos
primeiros	socorros.	Se	você	tem	carro,	será	que	vale	a	pena	deixar	um	kit	básico
no	 carro?	 Internalize	 bem	 todas	 estas	 informações,	 para	 que,se	 um	 dia	 você
precisar,	 já	saiba	exatamente	como	agir,	sem	perder	 tempo	tentando	se	lembrar
de	como	se	faz	isto	ou	aquilo.
Capítulo	11.	Queimaduras,	Choques,	Intermação	e
Hipotermia
Queimaduras
As	 queimaduras	 são	 causadas	 pelo	 contato	 de	 superfícies	 ou	 substâncias
quentes	 com	 a	 pele,	 por	 choques	 elétricos,	 e	 também	 por	 alguns	 produtos
químicos.	 Conforme	 a	 profundidade	 da	 queimadura,	 ela	 pode	 ser	 classificada
em:
Primeiro	grau:	superficial,	causa	dor,	vermelhidão	e	pode	formar	bolhas.
Os	pelos	continuam	firmes	na	pele,	e	a	cicatrização	é	rápida	e	tranquila.
Segundo	 grau:	 de	 profundidade	 moderada,	 a	 queimadura	 causa	 dor,
vermelhidão,	e	formação	de	bolhas.	Os	pelos	podem	ou	não	permanecer	firmes
na	pele,	e	a	cicatrização	é	gradual.
Terceiro	 grau:	 todas	 as	 camadas	 da	 pele	 são	 destruídas,	 deixando	 uma
ferida	preta	ou	branca.	Os	pelos	são	destruídos,	e	pode	haver	pouca	ou	nenhuma
dor.	A	cicatrização	é	demorada,	e	geralmente	deixa	cicatrizes	a	não	ser	que	seja
feita	uma	cirurgia	plástica.
Toda	 queimadura	 deve	 ser	 avaliada	 pelo	 médico	 veterinário.	 Se	 for
pequena,	não	é	preciso	sair	correndo,	mas,	se	for	grande	ou	profunda,	sim.
E	quais	são,	então,	os	primeiros	socorros?
Para	uma	queimadura	de	1º	ou	2º	grau	que	não	seja	muito	grande,	despeje
água	fria	corrente	sobre	a	área	queimada	por	pelo	menos	20	minutos.	Não	use
gelo,	só	água	mesmo.	Feito	isso,	seque	com	um	pano	limpo	que	não	solte	fiapos,
e	cubra	com	uma	bandagem	não	aderente	ou	com	filme	plástico.	Não	enrole	o
filme	 sobre	 a	 queimadura,	 apenas	 coloque	 uma	 ou	 duas	 camadas,	 e	 fixe	 com
uma	bandagem	adesiva	ou	esparadrapo.
Coloque	um	colar	elisabetano	para	que	ele	não	mexa,	e	leve	ao	veterinário.
E	 volte	 ao	 veterinário	 se	 a	 ferida	 começar	 a	 parecer	 úmida,	 coçar	 muito,	 ou
continuar	muito	vermelha	depois	de	dois	ou	três	dias.
Uma	queimadura	de	3º	grau,	ou	mesmo	queimaduras	de	1º	e	2º	graus	que
sejam	 mais	 extensas,	 podem	 levar	 à	 morte	 por	 choque,	 desidratação	 ou
infecções.	 Se	 o	 cachorro	 sofrer	 uma	 queimadura	 muito	 grande	 ou	 profunda,
avalie	os	sinais	vitais	do	cão,	e	faça	uma	ressuscitação	cardiopulmonar	se	for	o
caso,	 enquanto	 se	 encaminha	 para	 o	 hospital	 veterinário	 o	 mais	 rapidamente
possível.	 Se	 o	 cão	 estiver	 respirando	 espontaneamente	 e	 com	 batimentos
cardíacos,	coloque	a	área	queimada	sob	uma	torneira	ou	um	chuveiro	com	água	à
temperatura	ambiente,	por	pelo	menos	20	minutos	antes	de	levar	ao	veterinário.
É	possível	que	ele	entre	em	hipotermia	durante	o	processo	de	resfriamento	das
queimaduras,	 por	 isso,	 tente	 mantê-lo	 aquecido:	 ligue	 um	 aquecedor	 no
ambiente,	ou	tente	aquecer	com	água	morna	ou	um	cobertor	as	regiões	que	não
estiverem	 queimadas.	Depende	 do	 local	 e	 tamanho	 da	 queimadura.	Depois	 de
resfriar	a	queimadura,	cubra	com	uma	bandagem	não	aderente	ou	filme	plástico,
e	 mantenha	 o	 cão	 aquecido,	 de	 preferência	 com	 um	 cobertor	 espacial	 ou	 um
lençol.	Se	for	usar	um	cobertor	comum,	não	se	esqueça	de	cobrir	bem	todas	as
áreas	queimadas	com	o	filme	plástico	ou	o	curativo,	para	que	ele	não	solte	pelos
ou	fiapos	sobre	a	ferida.	Leve	ao	veterinário	imediatamente.
Se	for	o	caso	de	usar	algum	creme	ou	pomada,	o	veterinário	irá	prescrever,
mas	não	passe	nada	antes	de	falar	com	ele.	Os	curativos	que	forem	feitos	sobre	a
queimadura	 devem	 sempre	 ser	 leves	 e	 do	 tipo	 “não	 aderente”.	 Como	 as
queimaduras	 tendem	 a	 drenar	 bastante	 líquido,	 principalmente	 no	 início	 será
necessário	 trocar	 o	 curativo	 pelo	menos	 duas	 vezes	 ao	 dia.	Este	 líquido	 que	 é
drenado	pelas	queimaduras	pode	chegar	até	mesmo	a	deixar	o	cão	desidratado,
por	isso,	cuide	para	que	ele	tenha	livre	e	fácil	acesso	a	água	fresca	o	tempo	todo.
Mas,	 e	 se	 a	 queimadura	 tiver	 sido	 causada	 por	 algum	 produto
químico?
Neste	caso,	você	vai	precisar	colocar	luvas	de	látex	antes	de	tocar	no	cão,
para	se	proteger.	Lembre-se	de	descartá-las	assim	que	terminar	de	usar,	antes	de
tocar	em	qualquer	outra	coisa.
Com	as	luvas	nas	mãos,	retire	do	cão	qualquer	coleira,	roupinha,	bandana
ou	 outro	 acessório	 que	 possa	 ter	 entrado	 em	 contato	 com	 essa	 substância
química,	e	jogue	fora.	Finalmente,	 lave	o	seu	cão	com	água	abundante,	usando
uma	mangueira	 ou	 o	 seu	 chuveiro,	 e	 passe	 uma	 camada	 generosa	 de	 sabonete
líquido	-	ou	até	mesmo	detergente	de	 louças.	Faça	bastante	espuma,	enxágue	e
repita.	Depois	disso,	ligue	para	o	seu	veterinário	para	pedir	mais	orientações.
E	as	queimaduras	na	boca?
A	 queimadura	 também	 pode	 ser	 na	 boca,	 se	 o	 cachorro	 lamber	 alguma
substância	cáustica	ou	quente,	ou	se	ele	tiver	levado	um	choque	porque	mordeu
um	fio	elétrico.	Neste	caso,	você	também	terá	que	lavar	a	queimadura	com	água
abundante,	 então,	 segure	 uma	mangueira	 na	 frente	 do	 cão	 para	 ele	 beber,	mas
não	force.	Você	também	pode	dar	um	cubo	de	gelo	para	ele	lamber,	ou	usar	um
pote	para	despejar	água	na	boca	dele,	se	ele	estiver	consciente.	Nunca	coloque
nada	na	boca	de	um	animal	que	esteja	inconsciente.	Por	fim,	saiba	que,	se	o	seu
cachorro	 tiver	 lambido	 ou	 ingerido	 algum	 produto	 químico,	 ele	 pode	 estar
intoxicado	e	vai	precisar	de	atendimento	médico	imediatamente.
Falaremos	mais	detalhadamente	sobre	intoxicações	no	próximo	capítulo.
Choques
Os	choques	elétricos	podem	acontecer	se	o	cão	mastigar	algum	fio	elétrico,
ou	 então	 se	 ele	 tocar	 em	 um	 fio	 que	 esteja	 exposto.	 Os	 choques	 causam
queimaduras,	mas,	mais	 do	que	 isso,	 eles	 também	podem	afetar	 diretamente	 o
funcionamento	do	coração.
Se	 você	 encontrar	 um	 cão	 inconsciente	 próximo	 a	 um	 fio	 elétrico,
contenha	seus	impulsos	e	não	toque	nele.	Antes	de	mais	nada,	se	estiver	em	casa,
desligue	a	energia.	Se	o	acidente	aconteceu	em	vias	públicas,	você	vai	precisar
ligar	para	os	bombeiros	ou	para	a	companhia	de	energia	elétrica,	para	que	eles
façam	o	desligamento.
Afaste	o	cão	do	local	usando	uma	vassoura,	um	cabo	de	madeira,	ou	outro
material	não	condutor,	para	garantir	que	você	não	vai	levar	um	choque	também.
Finalmente,	 avalie	 os	 seus	 sinais	 vitais.	 Se	 ele	 não	 estiver	 respirando,	 inicie	 a
respiração	 artificial.	 Se	 não	 tiver	 batimentos	 cardíacos,	 faça	 a	 ressuscitação
cardiopulmonar.
Se	o	cão	estiver	respirando	e	com	batimentos	cardíacos,	procure	por	sinais
de	choque	(circulatório),	e	leve	ao	veterinário	imediatamente	se	constatar	que	o
cão	está	entrando	em	choque.
Se	ele	não	estiver	em	choque,	trate	as	queimaduras	da	mesma	forma	que	as
queimaduras	comuns:	lave	em	água	corrente	por,	pelo	menos,	20	minutos,	ou	dê
gelo	 para	 o	 cão	 lamber	 se	 a	 queimadura	 tiver	 sido	na	 boca.	Para	 queimaduras
mais	 extensas,	 tome	o	cuidado	de	manter	o	 animal	 aquecido	ao	mesmo	 tempo
em	que	resfria	as	queimaduras	(ligue	um	aquecedor	no	ambiente,	cubra	com	uma
toalha	ou	cobertor	as	áreas	não	afetadas),	para	prevenir	a	hipotermia.	Depois	de
resfriar	 as	 queimaduras	 e	 cobri-las	 com	 um	 curativo	 não	 aderente	 ou	 filme
plástico,	 leve	 o	 cão	 ao	 veterinário,	 mantendo-o	 aquecido	 se	 as	 queimaduras
forem	grandes.
Intermação
A	intermação	acontece	quando	há	um	superaquecimento	do	corpo	do	cão,
com	temperaturas	iguais	ou	superiores	a	40ºC.	Diferente	da	febre,	a	intermação
não	 está	 relacionada	 a	 infecções,	 mas	 sim	 a	 temperaturas	 ambientais	 muito
elevadas	 e/ou	 a	 exercícios	 extenuantes.	 Você	 não	 deve	 tentar	 baixar	 a
temperatura	 de	 um	 cachorro	 com	 febre;	 ao	 invés	 disso,	 leve-o	 ao	 veterinário
imediatamente.
Os	cães	são	pouco	eficientes	na	perda	de	calor	corporal.	Eles	perdem	calor
principalmente	através	do	arquejamento	(língua	para	fora,	salivação)	e	do	suor	-
com	 um	 detalhe:	 eles	 só	 têm	 glândulas	 sudoríparas	 nas	 patas!	 Em	 outras
palavras,	 os	 cães	 só	 suam	 pelas	 patas,	 e	 não	 pelo	 resto	 do	 corpo,	 como	 os
humanos.	 A	 anatomia	 peculiar	 dos	 cães	 braquicefálicos	 (de	 focinho	 curto)
dificulta	 ainda	 mais	 a	 perda	 do	 calor	 pelo	 arquejamento,o	 que	 os	 torna
especialmente	propensos	à	intermação.
Apesar	 de	 ser	 mais	 comum	 em	 cães	 braquicefálicos,	 qualquer	 cachorro
está	sujeito	à	intermação,	especialmente	os	velhinhos	e	os	filhotes.	Para	que	ela
não	 ocorra,	 é	 recomendável	 evitar	 passeios	 longos	 ou	 exercícios	 de	 alta
intensidade	nas	horas	mais	quentes	do	dia.	É	preciso	também	respeitar	o	limite
individual	de	cada	cão,	e	 interromper	o	passeio	ou	fazer	um	intervalo	para	que
ele	descanse	e	beba	água	caso	se	perceba	que	está	ficando	cansado	demais.
Em	 relação	 à	 temperatura	 ambiental,	 existem	 duas	 situações
particularmente	perigosas:	a	primeira	é	a	“estufa”	improvisada	que	é	usada	para
secar	os	cães	em	algumas	pet	shops,	conforme	já	mencionei	no	Capítulo	1.	Esta
estufa	eleva	demais	a	 temperatura	em	um	ambiente	pequeno	e	 sem	ventilação,
podendo	 levar	 um	 cão	 rapidamente	 ao	 colapso.	A	 outra	 situação	 de	 alto	 risco
acontece	quando	cães	 (e,	 às	vezes,	 até	 crianças)	 são	deixados	dentro	do	 carro,
enquanto	 os	 seus	 tutores	 fazem	 compras,	 vão	 ao	 médico,	 ou	 até	 mesmo
trabalham!	 A	 temperatura	 dentro	 de	 um	 carro	 fechado,	 mesmo	 que	 haja	 uma
fresta	na	janela	para	a	passagem	do	ar,	fica	extremamente	elevada,	e	pode	levar
um	cão	à	morte	em	pouco	tempo.	As	duas	situações	devem	ser	evitadas	a	todo
custo:	as	pet	shops	devem	fazer	a	secagem	normal	dos	cães	com	o	secador,	ou
então	 utilizar	 equipamentos	 próprios	 para	 a	 secagem	 de	 cães	 (“máquinas	 de
secar	cachorro”),	que	dispõem	de	controle	de	temperatura	e	ventilação	adequada.
Já	 os	 tutores	 devem	 se	 habituar	 a	 simplesmente	 deixarem	os	 seus	 animais	 em
casa	 quando	 forem	 a	 locais	 onde	 os	 cães	 não	 sejam	bem-vindos.	Mesmo	 cães
que	sofram	com	ansiedade	de	separação	estarão	mais	seguros	sozinhos	em	casa
do	que	presos	dentro	de	um	carro	fechado.
Por	 fim,	 um	 cão	 epiléptico	 ou	 que	 entre	 em	 convulsões	 por	 qualquer
motivo	 também	 pode	 entrar	 em	 intermação,	 caso	 ele	 sofra	 diversos	 episódios
seguidos,	 ou	 se	 as	 convulsões	 durarem	 mais	 do	 que	 cinco	 minutos	 (status
epileticus,	conforme	veremos	no	Capítulo	13).
Reconhecer	a	intermação	em	seus	estágios	iniciais	é	essencial	para	que	ela
possa	ser	revertida	a	tempo.	Os	sinais	da	intermação	incluem:
·					Temperatura	corporal	acima	de	40ºC;
·					Fadiga;
·					Desorientação	e	letargia;
·					Cão	fica	muito	ofegante;
·					Gengivas	avermelhadas;
·					Vômitos	e	diarreia;
·					Taquicardia	(mais	do	que	120	batimentos	cardíacos	por	minuto)
·					Tremores	musculares;
·					Choque;
·					Desmaios	e/ou	convulsões;
A	 intermação	 é	 uma	 condição	 perigosa	 e	 que	 pode	 evoluir	 rapidamente
para	a	morte.	Mesmo	cães	que	sobrevivem	num	primeiro	momento	podem	ir	a
óbito	algumas	horas,	ou	até	mesmo,	dias	depois,	por	conta	de	lesões	mais	tardias
-	como	insuficiência	renal	aguda	e	anemia	hemolítica	(destruição	de	células	do
sangue).
Se	 você	 identificar	 sinais	 de	 intermação	 em	 um	 cão	 que	 esteve	 em	 uma
situação	que	poderia	propiciá-la	(como	um	passeio	longo	ou	uma	corrida	em	um
dia	de	sol,	ou	cães	que	 ficaram	presos	dentro	de	carros,	por	exemplo),	meça	a
temperatura	 dele.	 Se	 estiver	 acima	 de	 40ºC,	 inicie	 os	 procedimentos	 de
resfriamento	conforme	descrito	a	seguir.
A	primeira	precaução	é	não	resfriar	o	cão	rápido	demais.	 Isso	pode	fazer
com	que	o	corpo	dele	interprete	a	situação	como	uma	hipotermia,	e	então	serão
ativados	 mecanismos	 para	 reter	 ainda	 mais	 o	 calor.	 Assim,	 um	 resfriamento
muito	 rápido	 pode	 ter	 o	 efeito	 oposto	 ao	 desejado:	 ao	 invés	 de	 efetivamente
baixar	a	temperatura	corporal	do	cão,	ele	terá	uma	queda	abrupta	de	temperatura
seguida	por	uma	elevação	a	níveis	ainda	maiores	do	que	os	 iniciais.	Por	conta
disso,	não	aplique	gelo	ou	água	gelada	sobre	o	corpo	do	cão.
Assim	 que	 identificar	 um	 cão	 com	 intermação,	 retire-o	 do	 local	 onde	 se
encontra	 e	 coloque-o	 em	 um	 ambiente	 com	 ar	 condicionado	 e/ou	 sombra	 e
ventilação.
Se	o	cão	estiver	consciente:
·					Meça	a	temperatura	do	cão	imediatamente,	e	a	cada	15-20	minutos;
·	 	 	 	 	Ofereça	 água	gelada	 para	 beber	 (se	 não	 estiver	 vomitando),	 ou	 gelo	 para
lamber	(se	estiver	vomitando);
·					Dê	um	banho	de	água	morna	(não	use	água	fria	ou	gelada);
·					Retire	do	banho	quando	a	temperatura	ficar	abaixo	de	40ºC;
·	 	 	 	 	Use	um	ventilador	com	aspersor	de	água	(pode	usar	um	borrifador	comum,
junto	com	o	ventilador),	direcionado	para	o	focinho	do	cão;
·					Fora	do	banho,	aplique	compressas	frias	(não	geladas)	nas	patas	do	cão;
·					Pare	de	resfriar	o	cão	assim	que	a	temperatura	dele	atingir	39ºC;
·	 	 	 	 	Se	 a	 temperatura	 voltar	 ao	 normal	 e	 o	 cão	 parecer	 bem,	 ligue	 para	 o	 seu
médico	 veterinário	 e	 peça	 orientações.	Ele	 pode	 precisar	 ser	 examinado,	 já
que	a	intermação	pode	ter	complicações	tardias.
·	 	 	 	 	Leve	 ao	 veterinário	 imediatamente	 em	 um	 carro	 com	 o	 ar	 condicionado
ligado	ou	as	janelas	abertas	se:
o	 	 	Após	 os	 primeiros	 20	 minutos,	 a	 temperatura	 não	 tiver	 caído	 nem	 um
pouco;
o			O	cão	entrar	em	colapso	e	desmaiar;
o			O	cão	apresentar	tremores	ou	convulsões;
Se	o	cão	estiver	inconsciente:
·	 	 	 	 	 Procure	 por	 sinais	 de	 respiração	 e	 batimentos	 cardíacos.	 Inicie	 a
ressuscitação	cardiopulmonar	se	necessário;
·	 	 	 	 	Use	um	ventilador	com	aspersor	de	água	(pode	usar	um	borrifador	comum,
junto	com	o	ventilador),	direcionado	para	o	focinho	do	cão;
·					Aplique	compressas	frias	(não	geladas)	nas	patas	do	cão;
·	 	 	 	 	Leve	 ao	 veterinário	 imediatamente,	 em	 um	 carro	 com	 o	 ar	 condicionado
ligado	ou	as	janelas	abertas.
Em	 qualquer	 hipótese,	 não	 use	 medicamentos	 (antitérmicos)	 para	 tentar
diminuir	 a	 temperatura	 do	 seu	 cão	 com	 intermação	 ou	 febre.	 Caso	 seja
necessário	 medicar,	 o	 seu	 veterinário	 se	 encarregará	 disso.	 Devido	 à
possibilidade	 de	 complicações	 tardias,	 o	 tratamento	 após	 um	 episódio	 de
intermação	pode	se	estender	por	vários	dias,	ou	até	semanas.
Hipotermia
Um	cão	é	considerado	em	hipotermia	quando,	por	qualquer	motivo,	a	sua
temperatura	corporal	fica	abaixo	de	37ºC,	podendo	ser	fatal	se	atingir	36ºC.	Uma
hipotermia	de	35ºC	ou	menos	dificilmente	será	revertida.
As	principais	causas	de	hipotermia	são	as	baixas	temperaturas	ambientais,
exposição	a	chuvas	e	ventos,	e	banhos	de	água	fria	ou	gelada,	principalmente	de
imersão.	 Cães	 idosos	 e	 com	 certas	 doenças,	 como	 o	 hipotireoidismo,	 são
especialmente	 sensíveis	 à	 hipotermia.	 Por	 fim,	 se	 um	 cão	 que	 estava	 em
intermação	for	resfriado	demais,	ele	também	pode	entrar	em	hipotermia.
A	melhor	forma	de	se	evitar	a	hipotermia	é	mantendo	o	cão	devidamente
aquecido,	conforme	o	tipo	de	pelagem	de	cada	animal	e	o	clima	local.	À	exceção
dos	cães	de	raças	nórdicas	-	como	o	Akita,	o	Husky	Siberiano	e	o	Samoieda	-,
temperaturas	ambientais	abaixo	de	10ºC	são	difíceis	de	suportar	para	a	maioria
dos	 cães.	 Cabe	 observar	 que	 até	mesmo	 os	 cães	 de	 raças	 nórdicas	 têm	 o	 seu
limite	 e	 também	devem	 ser	 protegidos	 do	 frio,	mesmo	que,	 na	maior	 parte	 do
Brasil,	as	temperaturas	raramente	cheguem	a	ficar	negativas.
É	importante	que	os	cães	tenham	lugares	onde	possam	se	abrigar	do	frio,
do	vento,	e	da	chuva.	Embora	este	“abrigo”	possa	ser	uma	casinha	de	cachorro,
em	 alguns	 lugares	muito	 frios,	 ela	 pode	 não	 oferecer	 proteção	 suficiente.	 Em
cidades	 que	 tenham	 invernos	muito	 rigorosos,	 o	 ideal	 é	 que	 o	 cão	 possa	 ficar
dentro	de	casa	mesmo.
Para	 manter	 um	 cão	 aquecido	 na	 sua	 casinha,	 forre-a	 com	 cobertores	 e
tecidos	macios,	e,	de	preferência,	cubra-o	durante	a	noite.	Se	possível,	 feche	a
porta	da	casinha	com	uma	cortina	de	banheiro,	que	permitirá	a	entrada	e	a	saída
do	cão	com	facilidade,	mas	 impedirá	a	passagem	de	chuva	ou	de	vento	gelado
para	 dentro	 dela.	 Cuide	 para	 que	 a	 casinha	 não	 tenha	 buracos,	 goteiras,	 ou
infiltrações,	que	podem	fazer	com	que	o	ar	frio	e	a	umidade	entrem	em	contato
com	o	cão.
Se	 ocão	 dormir	 dentro	 de	 casa,	 o	 vento	 e	 a	 chuva	 deixam	 de	 ser	 um
problema.	 Caso	 o	 cão	 não	 durma	 junto	 com	 os	 tutores,	 escolha	 um	 ambiente
preferencialmente	 pequeno,	 para	 que	 seja	 mais	 fácil	 reter	 o	 calor,	 mas	 que
permita	que	o	cão	entre	e	saia	com	facilidade	(deixe	a	porta	entreaberta).	Uma
despensa,	 por	 exemplo,	 costuma	 ser	 uma	 boa	 opção.	 Forre	 o	 chão	 com
almofadas	e/ou	cobertores,	e	cubra	o	cão	na	hora	de	dormir.	Se	estiver	muito	frio
e	você	 tiver	esta	disponibilidade,	um	aquecedor	de	ambientes	pode	ser	usado	-
mas	lembre-se	de	manter	o	equipamento	e	os	seus	fios	longe	do	alcance	do	cão,
para	que	ele	não	leve	um	choque	acidentalmente.
As	 roupinhas	 também	 ajudam	 a	 manter	 os	 cães	 mais	 quentinhos	 no
inverno,	mas	é	preciso	ter	alguns	cuidados	em	relação	a	elas.	O	primeiro	é	se	o
cão	tiver	pelos	longos.	Muitos	cães	de	pelos	longos	se	adaptam	bem	ao	frio	e	não
necessitam	 usar	 roupinhas;	mas,	 caso	 o	 seu	 cão	 seja	 sensível	 e	 você	 opte	 por
vesti-lo,	lembre-se	de	retirar	a	roupinha	para	escovar	os	pelos	dele	diariamente.
Este	 cuidado	 serve	 para	 evitar	 que	 os	 pelos	 se	 embolem,	 e	 acabe	 sendo
necessário	raspar	toda	a	pelagem	do	animal	ao	final	do	inverno.
Independentemente	do	comprimento	do	pelo	do	cão,	é	recomendável	que,
sempre	que	o	 tempo	estiver	mais	 ameno,	 a	 roupinha	 seja	 removida	para	que	a
sua	 pele	 possa	 respirar.	Aproveite	 para	 examinar	 a	 pele	 dele,	 já	 que	 eventuais
lesões	de	pele	que	ele	possa	ter	podem	ficar	escondidas	sob	as	roupas.	Ao	menos
uma	vez	por	semana,	lave	as	roupinhas	do	cão,	para	que	as	próprias	roupas	não
causem	 infecções	 de	 pele.	 Tome	 o	 cuidado	 de	 apenas	 vestir	 no	 animal	 as
roupinhas	 que	 já	 estejam	 bem	 secas	 -	 e	 certifique-se	 de	 que	 o	 próprio	 cão
também	esteja	com	a	pele	bem	seca	na	hora	de	se	vestir,	para	evitar	fungos.
Por	fim,	certos	materiais,	como	a	lã,	podem	causar	alergias	em	alguns	cães.
Se	o	seu	cão	começar	a	se	coçar	demais	pouco	tempo	depois	de	começar	a	usar
roupas,	 pode	 ser	 que	 ele	 seja	 alérgico.	Neste	 caso,	 procure	 comprar	 roupinhas
feitas	com	outros	tipos	de	tecido.
Em	 relação	 aos	 banhos,	 use	 sempre	 água	 morna,	 semelhante	 à	 que	 se
usaria	para	um	humano,	e,	depois,	seque	bem	os	pelos	com	secador.	No	inverno,
um	aquecedor	de	ambientes	pode	também	ser	bastante	útil	na	hora	do	banho.
Mas	existem	situações	que	 fogem	ao	nosso	controle.	Um	cão	pode	 fugir,
ou	cair	em	um	lago	ou	uma	piscina	gelada,	e,	assim,	entrar	em	hipotermia.	Os
cães	 de	 rua	 raramente	 têm	 alguém	 que	 lhes	 forneça	 abrigo	 -	 e,	 menos	 ainda,
roupinhas	-,	e	estão	especialmente	sujeitos	às	variações	climáticas.
Seja	 como	 for,	 é	 importante	 sabermos	 identificar	os	 sinais	da	hipotermia
para	 podermos	 tratá-la	 o	 quanto	 antes	 possível.	 O	 que	 vamos	 observar,	 nos
estágios	iniciais	da	hipotermia,	é	que	o	cão	fica	encolhido,	apático,	e	apresenta
tremores.	Ele	pode	parecer	 frio	 ao	 toque,	 e	buscará	 fontes	de	calor,	 se	houver.
Cabe	 observar	 que	 uma	 das	 formas	 que	 o	 corpo	 tem	 de	 gerar	 calor	 para	 se
reaquecer	 é	 tremendo;	mas,	 se	 um	 cão	 estiver	 em	 severa	 hipotermia,	 ele	 pode
não	ter	mais	energia	para	isso.	Neste	caso,	é	possível	que	ele	já	esteja	entrando
em	choque,	e	então	as	suas	gengivas	ficarão	pálidas	e	o	cão	pode	ficar	apático,
letárgico	ou	até	mesmo	 inconsciente.	Se	 isto	 acontecer,	 ele	deve	 ser	 levado	ao
veterinário	imediatamente.
Se	um	cão	foi	exposto	a	um	clima	muito	frio	ou	caiu	na	água	fria,	e	parecer
muito	cansado	ou	com	frio,	meça	a	temperatura	dele.	Se	estiver	molhado,	seque-
o	com	um	secador	de	cabelos	e	prossiga	conforme	abaixo:
Se	 a	 temperatura	 estiver	 entre	 37	 -	 37,5ºC:	 Não	 será	 necessário	 um
esforço	muito	ativo	para	aquecer	o	cão.	Coloque-o	em	um	ambiente	aquecido,	e
deixe	 no	 chão	 uma	 caminha	 ou	 cobertor	 onde	 ele	 possa	 se	 deitar.	 Se	 ele	 tiver
roupinhas,	vista-o.	Enfim,	cubra	com	um	cobertor.
Se	 a	 temperatura	 estiver	 entre	 36,1ºC	 -	 37ºC:	 Além	 das	 medidas
anteriores,	 se	 tiver,	 use	 um	 cobertor	 espacial	 para	 cobrir	 o	 cão.	 Se	 possível,
aproxime	 o	 cão	 de	 uma	 fonte	 de	 calor,	 como	 uma	 lareira	 ou	 um	 aquecedor,
cuidando	para	que	estas	superfícies	quentes	não	toquem	na	pele	dele.	Enrole	em
toalhas	 garrafas	 pet	 ou	 bolsas	 térmicas	 com	 água	 quente,	 e	 coloque-as	 em
contato	com	o	cão,	 tomando	o	cuidado	de	não	deixar	a	 água	quente	demais:	 a
temperatura	deve	estar	confortável	ao	toque.	Por	outro	lado,	é	preciso	remover	as
garrafas	 ou	 a	 bolsa	 térmica	 assim	 que	 a	 água	 esfriar.	 Caso	 opte	 por	 usar	 um
tapete	 ou	 colchonete	 elétrico,	 evite	 queimaduras,	 mantendo	 temperatura	 do
aparelho	 sempre	 abaixo	 de	 41ºC,	 e	 forre-o	 com	 uma	 toalha	 grossa	 ou	 um
cobertor	para	que	não	entre	em	contato	direto	com	a	pele	do	cão.	Se	o	cão	estiver
sobre	 um	 tapete	 ou	 colchonete	 elétrico,	 mude-o	 de	 posição	 a	 cada	 20-30
minutos,	para	evitar	que	um	lado	superaqueça	e	sofra	queimaduras.
Se	 a	 temperatura	 estiver	 36ºC	 ou	 menos:	 leve	 imediatamente	 ao
veterinário,	 e	 inicie	 os	 procedimentos	 de	 aquecimento	 no	 caminho.	Você	 pode
vestir	 o	 cão,	 se	 tiver	 uma	 roupinha,	 e/ou	 levá-lo	 enrolado	 em	 um	 cobertor	 ou
toalha.	No	carro,	ligue	o	ar	quente.
Em	todos	os	casos,	se	o	cão	estiver	consciente,	ofereça	a	ele	uma	refeição
quente,	como	uma	sopa	ou	um	caldo	de	carne.	Isso	irá	ajudá-lo	a	se	aquecer	mais
rapidamente,	 e	 também	 fornecerá	 energia	 para	 que	 o	 seu	 corpo	 continue
resistindo	ao	frio.
Se	a	hipotermia	surgiu	sem	um	motivo	aparente	(por	exemplo,	se	o	cão	não
se	 molhou,	 ou	 não	 foi	 exposto	 ao	 tempo	 frio),	 pode	 ser	 que	 ela	 tenha	 sido
causada	por	uma	doença.	Assim,	mesmo	que	se	consiga	reverter	a	hipotermia,	o
cão	deve	ser	 levado	ao	veterinário	para	ser	examinado.	Não	hesite	 também	em
levar	 ao	 veterinário	 se	 o	 cão	 estiver	 inconsciente,	 muito	 fraco,	 ou	 se	 ele	 não
estiver	tremendo	mesmo	com	a	temperatura	baixa.
Capítulo	12.	Intoxicações,	Envenenamentos	e	Picadas
de	Insetos
Intoxicações	e	Envenenamentos
Existem	centenas	de	substâncias	que	podem	ser	perigosas	para	os	cães.	Em
alguns	 casos,	 basta	 que	 a	 substância	 entre	 em	 contato	 com	 a	 pele	 para	 causar
danos;	em	outros,	ela	precisa	ser	ingerida.
Quando	um	cão	é	envenenado	ou	se	intoxica,	mesmo	que	não	consigamos
ver	 o	 momento	 em	 que	 o	 contato	 com	 a	 toxina	 ocorreu,	 podemos	 observar
algumas	alterações	que	nos	indicam	que	algo	está	errado.	Alguns	sinais	comuns
nas	intoxicações	incluem:
·					Salivação	excessiva;
·					Vômitos;
·					Tremores;
·					Fraqueza;
·					Desmaios;
·					Convulsões;
·					Sangramentos	espontâneos	(sangramento	pelo	nariz,	boca,	e	outros	orifícios).
Ao	 se	 detectar	 estes	 sinais,	 é	 preciso	 agir	 rápido,	 de	 forma	 a	 evitar	 ou
minimizar	 os	 efeitos	 nocivos	 da	 substância	 tóxica.	 Existem	 duas	 estratégias
principais	 para	 atingirmos	 este	 objetivo:	 a	 descontaminação	 e	 a	 diluição.
Conforme	o	 tipo	de	 intoxicação	ou	 envenenamento,	 uma	ou	outra	 técnica	 será
indicada.
Técnicas	de	Descontaminação
A	descontaminação	é	uma	forma	de	tentar	se	livrar	da	substância	tóxica,	e,
assim,	impedir	a	sua	absorção	pelo	organismo.	Conforme	o	tipo	de	produto	e	o
local	afetado,	a	técnica	será	um	pouco	diferente.
Substâncias	Nocivas	em	Contato	com	a	Pele
Os	 procedimentos	 de	 descontaminação	 para	 produtos	 que	 entraram	 em
contato	 com	 a	 pele	 será	 o	 mesmo	 que	 já	 foi	 descrito	 para	 as	 queimaduras
químicas.
Em	 primeiro	 lugar,	 o	 socorrista	 deve	 proteger	 as	 suas	 mãos	 com	 luvas
descartáveis,	de	modo	a	evitar	que	o	acidente	se	torne	ainda	maior.	Remova	todo
e	qualquer	 acessório	 que	o	 cão	 estiver	 usando	 -	 coleiras,	 roupinhas,	 bandanas,
etc.	 -,	 e	descarte	 qualquer	 coisa	 que	 tenha	 a	 possibilidade	 de	 ter	 entrado	 em
contato	com	a	substância	tóxica.
Feito	isso,	encaminhe	o	cão	para	um	banho	de	água	morna.	A	água	quente
iráfacilitar	 a	 absorção	 da	 substância	 tóxica	 pela	 pele,	 e	 deve	 ser	 evitada;	 já	 a
água	 fria	 irá	 estressar	 o	 cão,	 e	 também	pode	 causar	 uma	hipotermia.	O	banho
deve	 ser	 feito	 preferencialmente	 com	 água	 do	 chuveiro	 ou	 chuveirinho	 -	 evite
banhos	de	 imersão,	 já	que,	na	banheira,	o	 cão	 ficará	o	 tempo	 todo	em	contato
com	a	água	contaminada.
Use	um	shampoo	neutro,	ou	até	mesmo	detergente	de	louças,	para	ajudar	a
remover	 o	 produto	 da	 pele	 do	 cão.	 Comumente,	 os	 detergentes	 funcionam
melhor	nesse	sentido,	especialmente	os	mais	viscosos.	Outros	tipos	de	solvente
não	devem	ser	usados,	pois	podem	irritar	a	pele.
Lave	bem	e	enxágue	pelo	menos	duas	vezes	antes	de	 retirar	o	animal	do
banho	 e	 avaliar	 os	 danos.	 Se	 você	 conseguir	 ser	 rápido	 o	 suficiente,	 pode	 ser
capaz	de	evitar	total	ou	parcialmente	os	efeitos	nocivos	do	produto.	Procure	por
sinais	de	queimadura	ou	irritação	na	pele,	e	por	sinais	de	choque	ou	intoxicação
(tremores,	vômitos,	salivação	excessiva,	convulsões,	etc.),	e	 leve	ao	veterinário
se	detectar	qualquer	alteração.
Substâncias	Nocivas	em	Contato	com	os	Olhos
Se	alguma	substância	irritante	entrar	em	contato	com	os	olhos	do	seu	cão,
lave-os	com	água	morna	abundante	ou	solução	salina,	por	aproximadamente	10	a
20	 minutos.	 Leve	 o	 seu	 cão	 ao	 veterinário	 o	 mais	 rapidamente	 possível	 para
minimizar	os	danos	causados	aos	olhos	e	à	visão.
Carvão	Ativado
O	 carvão	 ativado	 impede	 a	 absorção	 de	 diversas	 toxinas,	 e,	 assim,	 pode
ajudar	 a	 impedir	 ou	 amenizar	 os	 efeitos	 de	 uma	 intoxicação	 ou	 um
envenenamento.	O	 carvão	 ativado	não	 se	 confunde	 com	o	 carvão	 comum,	 são
coisas	diferentes:	o	carvão	ativado	pode	ser	comprado	na	forma	de	pó	ou	tabletes
em	 farmácias	humanas	ou	veterinárias.	Se	 comprar	na	 farmácia	humana,	dilua
conforme	as	 instruções	do	 fabricante,	 e	 forneça	1	 a	2g	de	 carvão	 ativado	para
cada	quilo	de	peso	do	animal.	No	caso	do	Enterex	®	(produto	veterinário),	dilua
um	envelope	em	40mL	de	água.	A	dose	 recomendada	pelo	 fabricante	é	de	um
sachê	para	 cada	20Kg	de	peso	 (após	diluir	o	produto,	você	pode	calcular	uma
dose	proporcional	 para	 cães	menores	 -	 a	metade	do	volume	 total	 para	 cães	 de
10Kg,	por	exemplo).
Se	você	 induzir	 vômito	no	 cão	 conforme	descreveremos	 a	 seguir,	 espere
ele	 parar	 de	 vomitar	 antes	 de	 administrar	 o	 carvão	 ativado.	 Se	 não	 induzir,
forneça	 o	 carvão	 o	 quanto	 antes	 possível,	 a	 não	 ser	 que	 o	 animal	 esteja
inconsciente	ou	convulsionando:	nestes	 casos,	há	 risco	de	ele	 se	 afogar	 com	o
produto.
Apesar	 de	 os	 volumes	 serem	 grandes	 (e	 a	 cor	 preta	 não	 tornar	 a	 sua
aparência	muito	apetitosa),	o	carvão	ativado	deve	ser	administrado	“puro”	-	ou
seja,	 não	 misture	 com	 alimentos.	 Se	 o	 seu	 cão	 toma	 algum	 medicamento
regularmente,	 o	 carvão	 ativado	pode	 atrapalhar	 a	 sua	 absorção,	 e	 é	 importante
comunicar	 o	 fato	 ao	 seu	 veterinário.	 Evite	 estressar	 demais	 o	 cão:	 se	 tiver
dificuldade	 para	 administrar	 o	 carvão	 ativado,	 deixe	 este	 serviço	 para	 o
profissional.
Indução	do	Vômito
Em	alguns	casos	 -	mas	não	 todos	 -,	 é	 seguro	 induzir	o	vômito.	Se	o	cão
vomitar	 pouco	 tempo	depois	de	 ter	 ingerido	 certos	venenos,	 então	pelo	menos
parte	 da	 dose	 não	 será	 absorvida	 pelo	 seu	 organismo.	 Logicamente,	 isso	 só
funcionará	 se	 o	 veneno	 ainda	 estiver	 no	 seu	 estômago	 -	 então,	 temos	 como
parâmetro	um	 tempo	máximo	de	até	duas	horas	para	se	 induzir	o	vômito	 (isso
pode	variar	um	pouco	conforme	a	substância).
	 Antes,	 porém,	 de	 discutirmos	 em	 quais	 situações	 a	 indução	 do	 vômito
pode	ser	benéfica,	vejamos	em	que	casos	você	não	deve	induzir	o	vômito:
·					Se	o	cão	já	estiver	vomitando;
·					Se	o	cão	estiver	inconsciente	ou	muito	fraco;
·					Se	o	cão	entrar	em	convulsões;
·	 	 	 	 	Se	o	veneno	 for	muito	ácido	ou	muito	cáustico	 (veja	a	 lista	de	venenos	a
seguir);
·					Se	o	cão	estiver	com	os	batimentos	cardíacos	muito	lentos	(menos	do	que	50
por	minuto);
·					Se	o	cão	tiver	problemas	cardíacos;
·					Se	o	cão	for	epilético	(o	vômito	pode	induzir	convulsões	em	cães	epiléticos);
·					Se	a	embalagem	do	produto	ingerido	assim	orientar;
·					Se	o	seu	veterinário	lhe	aconselhar	a	não	induzir	o	vômito;
Por	outro	lado,	só	induza	o	vômito:
·					Se	o	veneno	for	conhecido	e	estiver	na	lista	a	seguir;
·	 	 	 	 	Depois	de	ler	o	rótulo	do	produto	para	ter	certeza	de	que	ele	se	encaixa	na
lista,	e	que	o	fabricante	não	contraindica	a	indução	do	vômito;
·					Dentro	do	prazo	estipulado	para	cada	tipo	de	veneno.	Quanto	antes,	melhor;
·					Se	o	seu	médico	veterinário	autorizar.
Para	 induzir	 o	 vômito	 em	 um	 cão	 com	 segurança,	 dê	 por	 via	 oral	 uma
colher	 de	 chá	 (3	mL)	 de	 água	 oxigenada	 para	 cada	 5	Kg	 de	 peso,	 até	 a	 dose
máxima	de	10	colheres	de	chá	(30	mL).	Para	facilitar,	coloque	todo	o	volume	em
uma	seringa	grande	sem	agulha,	e	administre	como	faria	com	um	medicamento.
A	 água	 oxigenada	 deve	 estar	 na	 concentração	 de	 3%,	 que	 é	 a	 encontrada	 na
maioria	 das	 formulações	 comerciais	 -	 mesmo	 assim,	 verifique	 se	 a	 água
oxigenada	 que	 você	 tem	 é	 mesmo	 “3%”,	 já	 que	 algumas	 podem	 ser	 mais
concentradas.
É	 esperado	 que	 o	 cão	 vomite	 dentro	 de	 10	 a	 15	 minutos.	 Se	 isto	 não
acontecer,	você	pode	repetir	a	dose	uma	vez.	Se	o	método	funcionar,	o	cão	pode
vomitar	por	alguns	minutos,	mas	deve	parar	espontaneamente	 logo	depois.	 	Se
ele	continuar	vomitando	por	muito	tempo,	consulte	o	seu	veterinário.
Não	use	sal	ou	xarope	de	ipeca	para	induzir	o	vômito	no	seu	cão,	porque
estes	métodos	podem	não	funcionar,	e	podem	até	mesmo	intoxicá-lo!
Veja	a	seguir	em	que	casos	induzir	o	vômito	pode	ser	benéfico:
·	 	 	 	 	Inseticidas	e	iscas	para	lesmas:	geralmente,	organosforados,	carbamatos	ou
metaldeídos,	inclusive	o	“chumbinho”.	Induzir	vômito	dentro	de,	no	máximo,
15	minutos	e	dar	carvão	ativado.
o	 	 	Estes	 mesmos	 ingredientes	 ativos	 podem	 estar	 presentes	 em	 shampoos,
coleiras,	sprays,	e	outros	produtos	contra	pulgas,	carrapatos	e	sarnas;
·					Raticidas:	Induzir	vômito	em	até	8	horas	e	dar	carvão	ativado.
·					Medicamentos:
o			Paracetamol:	induzir	vômito	em	até	2	horas.
o	 	 	 Antiinflamatórios	 não	 esteroidais	 (aspirina,	 ibuprofeno,	 naproxeno,
diclofenaco,	etc.):	induzir	vômito	em	até	4	horas.
·					Nicotina:	em	cigarros,	adesivos	ou	chicletes.	Induzir	vômito	o	quanto	antes.
·	 	 	 	 	Chumbo:	 	 em	 soldas,	 enfeites,	munições,	 tintas	 e	 jornais	 antigos.	Apenas
induzir	vômito	se	o	objeto	engolido	não	for	afiado	ou	pontiagudo.
·					Aditivos	de	carros:	radiador	vazando,	por	exemplo.	Induzir	vômito	em	até	6
horas.
·					Bolas	de	paintball:	induzir	vômito	em	até	1	hora.
·					Fertilizantes:	Induzir	vômito	o	quanto	antes.
·					Alho	e	cebola:	Induzir	vômito	o	quanto	antes.
·					Uvas:	Induzir	vômito	o	quanto	antes.
·					Adoçante	-	xilitol:	induzir	vômito	em	até	30	minutos.
·					Chocolate:	Induzir	vômito	o	quanto	antes.
No	caso	do	chocolate,	é	possível	que	o	cão	tenha	arritmias	por	até	três	dias
após	a	ingestão.	Por	isso,	procure	manter	o	animal	o	mais	calmo	possível	durante
este	período,	e	com	livre	acesso	à	água.
Em	todos	os	casos,	ainda	que	se	consiga	agir	rapidamente,	é	possível	que
parte	 da	 substância	 tóxica	 seja	 absorvida	 pelo	 organismo,	 e	 a	 intervenção
veterinária	pode	ser	necessária.	Como	uma	abordagem	rápida	é	a	chave	para	o
sucesso	 de	 qualquer	 tratamento	 -	 especialmente	 no	 caso	 envenenamentos	 -,
sempre	 leve	o	cão	ao	veterinário	o	mais	 rapidamente	possível	 se	constatar	que
ele	ingeriu	algum	veneno,	ou	se	perceber	sinais	de	intoxicação.
Técnicas	de	Diluição
Há	 situações	 em	 que	 a	 indução	 do	 vômito	 não	 é	 indicada.	 Certas
substâncias	irritantes	ou	corrosivas	podem	causar	ainda	mais	danos	ao	animal	se
ele	vomitar,	já	que	podem	lesar	o	esôfago	e	a	boca	no	seu	caminho	“de	volta”.
Cabe	 notar	 também	 que	 muitas	 destas	 substâncias	 não	 terão	 a	 sua	 absorção
afetadapelo	carvão	ativado,	o	que	significa	que	o	uso	deste	produto	também	não
trará	benefícios.
O	 que	 fazer	 nestes	 casos?	 Se	 um	 cão	 tiver	 ingerido	 uma	 substância
cáustica	ou	corrosiva,	e	as	técnicas	de	descontaminação	forem	contraindicadas,
então	devemos	usar	 a	 estratégia	da	diluição.	E	 a	melhor	 forma	de	 fazer	 é	 isso
dando	claras	de	ovo	cruas	para	ele	comer.	Caso	ele	não	queira,	use	uma	seringa
sem	 agulha	 para	 colocar	 na	 boca	 dele	 -	 a	 não	 ser	 que	 ele	 esteja	 em	 colapso,
desmaiado	ou	em	convulsões,	pois	 ele	pode	 se	 afogar	 com	qualquer	 coisa	que
seja	dada	por	via	oral.
Uma	alternativa	às	claras	de	ovo	pode	ser	o	leite	de	vaca.	Tanto	o	leite	de
vaca	 quanto	 a	 clara	 do	 ovo	 são	 ricos	 em	 proteínas	 que	 ajudam	 a	 diluir	 os
produtos	 tóxicos.	 Ao	 mesmo	 tempo,	 eles	 ajudam	 a	 proteger	 as	 paredes	 do
estômago	e	do	intestino,	e	assim	dificultam	a	absorção	das	toxinas,	atrasando	os
seus	 efeitos	 nocivos.	 Isso	 nos	 permite	 ganhar	 tempo	 para	 que	 o	 animal	 seja
adequadamente	tratado	em	um	estabelecimento	veterinário.
As	 doses	 recomendadas	 são	 de	 aproximadamente	 duas	 claras	 cruas	 para
cada	5Kg	de	peso	do	cão,	ou	então,	60	mL	de	leite	(1/4	de	xícara)	para	cada	5Kg.
Caso	o	cão	não	 tome	espontaneamente,	coloque	em	uma	seringa	sem	agulha	e
forneça	 como	 faria	 com	 um	 medicamento.	 Se	 o	 cão	 aceitar	 mais,	 não	 há
contraindicações.
Vejamos,	 então,	 em	 que	 situações	 você	 não	 deve	 induzir	 o	 vômito,	 e	 a
clara	de	ovo	ou	o	leite	poderão	ajudar:
·	 	 	 	 	Sabonetes,	shampoos	e	detergentes:	se	forem	ingeridos,	dependendo	da	sua
composição,	 alguns	 destes	 produtos	 podem	 causar	 apenas	 leves	 sintomas,
enquanto	 outros	 podem	 levar	 o	 animal	 à	 morte.	 Os	 mais	 perigosos	 são
aqueles	 que	 contêm	 princípios	 ativos	 antibacterianos,	 como	 o	 sabão	 de
máquina	 de	 lavar	 louças.	 Os	 cães	 podem	 apresentar	 diarreia,	 vômito,	 dor
abdominal,	e	até	mesmo	desmaios	e	convulsões.
·					Produtos	de	limpeza:	normalmente	são	mais	agressivos	do	que	os	sabonetes	e
detergentes,	 e	 podem	 causar	 sinais	 clássicos	 de	 intoxicação	 -	 salivação
excessiva,	tremores,	vômitos,	fraqueza	e	convulsões.
·	 	 	 	 	 Corrosivos:	 contidos	 em	 produtos	 desentupidores,	 limpadores	 de	 vasos
sanitários,	 removedores	 de	 ferrugem,	 limpadores	 de	 metais,	 entre	 outros.
Além	dos	sinais	clássicos	de	intoxicação,	pode	haver	presença	de	sangue	no
vômito	e	nas	fezes.	O	contato	com	a	pele	pode	causar	queimaduras.
·					Derivados	do	petróleo:	gasolina,	solventes,	tintas,	thinners,	e	alguns	agentes
de	 limpeza.	 Estes	 produtos	 são	 tóxicos	 se	 ingeridos	 ou	 inalados,	 e	 podem
causar	queimaduras	em	contato	com	a	pele.	Mantenha	o	cão	longe	do	fogo.	A
vaselina	não	é	tóxica	para	cães.
Mais	uma	vez,	ressaltamos	que	o	leite	e	a	clara	do	ovo	não	irão	impedir	os
efeitos	 tóxicos,	 mas	 sim,	 atrasar	 a	 sua	 absorção	 pelo	 organismo.	 Portanto,
mesmo	que	o	 animal	 pareça	bem	após	 a	 aplicação	dos	primeiros	 socorros,	 ele
deve	 ser	 encaminhado	 ao	 médico	 veterinário	 sempre	 que	 ingerir	 qualquer
substância	tóxica	ou	veneno.
Picadas	de	Insetos
Carrapatos
Tecnicamente	falando,	carrapatos	não	são	insetos,	e	sim,	aracnídeos.	Eles
pertencem,	portanto,	à	mesma	classe	que	as	aranhas.	Existem	diferentes	espécies
de	 carrapatos,	 sendo	 que	 a	 mais	 comum	 em	 cães	 se	 chama	 Rhipicephalus
sanguineus	(“carrapato	vermelho	do	cão”).
Apesar	 de	 que	 a	 simples	 presença	 de	 um	 carrapato	 em	 um	 cão	 não
caracteriza	uma	emergência,	devemos	estar	cientes	de	que	estes	parasitas	causam
muito	 mais	 do	 que	 um	 leve	 desconforto:	 eles	 podem	 transmitir	 doenças
perigosas.	E	não	apenas	aos	cães.		A	chamada	“doença	do	carrapato”	(babesiose
ou	erliquiose)	também	afeta	os	humanos!
A	doença	do	carrapato	é	causada	por	um	parasita	intracelular,	que	afeta	as
hemáceas.	 Em	 bom	 português,	 é	 um	 “bichinho”	 que	 se	 abriga	 nas	 células
vermelhas	do	sangue,	e	que	leva	à	sua	destruição.	À	medida	em	que	as	células
vermelhas	 são	destruídas,	o	 animal	pode	entrar	 em	anemia	 severa,	 a	ponto	de,
em	 alguns	 casos,	 precisar	 de	 transfusão	 sanguínea.	Os	 impactos	 da	 doença	 do
carrapato	 podem	 ser	 realmente	 devastadores,	 levando	 um	 cão	 rapidamente	 à
insuficiência	renal	aguda,	e	até	mesmo	à	morte.	Em	humanos,	os	efeitos	são	os
mesmos,	 sendo	 que	 crianças,	 idosos,	 e	 pessoas	 com	 baixa	 imunidade	 são
especialmente	sensíveis.
A	 boa	 notícia	 é	 que	 esta	 doença	 é	 relativamente	 fácil	 de	 se	 evitar:	 basta
manter	 o	 cão	 livre	 de	 carrapatos!	 Um	 cão	 pode	 pegar	 carrapatos	 inclusive	 na
cidade,	 bastando	 para	 isso	 sair	 para	 passear.	As	 formas	 jovens	 dos	 carrapatos,
quase	 invisíveis	 a	 olho	 nu,	 ficam	 na	 grama	 e	 no	mato,	 apenas	 esperando	 um
hospedeiro	 (cão)	 passar	 por	 ali.	 Em	 determinadas	 regiões	 e	 em	 áreas	 rurais,
principalmente	onde	há	criação	de	gado,	manter	um	cão	livre	de	carrapatos	pode
ser	um	pouco	mais	difícil,	mas	não	é	uma	missão	impossível.
Para	 que	 a	 doença	 do	 carrapato	 seja	 transmitida,	 o	 carrapato	 deve
permanecer	preso	ao	hospedeiro	por	2	a	3	dias.	Isso	significa	que,	se	um	cão	for
“revistado”	diariamente	em	busca	de	carrapatos,	ele	dificilmente	irá	adoecer	por
causa	disso.	A	remoção	dos	carrapatos	deve	ser	 feita	de	forma	cuidadosa,	para
que	o	aparelho	bucal	dos	parasitas	não	continue	preso	ao	animal,	e	cause	reações
alérgicas.
Idealmente,	 use	 um	 removedor	 de	 carrapatos.	 Um	 modelo	 facilmente
encontrado	 em	 pet	 shops	 e	 na	 internet	 se	 parece	 com	 um	 gancho	 com	 dois
dentes.	 Prenda	 o	 carrapato	 entre	 os	 “dentes”	 do	 removedor,	 e	 gire	 até	 que	 ele
saia.	Na	falta	de	um	removedor,	uma	pinça	comum	pode	ser	utilizada:	posicione
as	pontas	da	pinça	ao	redor	do	carrapato	na	altura	da	pele,	tomando	cuidado	para
não	 espremê-lo.	 Enquanto	 segura	 o	 carrapato	 com	 a	 pinça,	 balance-a	 para	 a
frente	 e	 para	 trás,	 até	 conseguir	 retirá-lo.	 Aplicar	 álcool	 sobre	 o	 carrapato	 ou
queimá-lo	antes	de	retirar	não	irá	ajudar.
Coloque	os	carrapatos	que	forem	removidos	em	um	frasco	com	álcool	70º
e	 feche	 para	matá-los.	 Assim	 você	 evita	 que	 eles	 permaneçam	 no	 ambiente	 e
voltem	a	subir	em	algum	animal	ou	humano.	Não	esprema,	pois	normalmente	os
carrapatos	que	se	prendem	aos	cães	são	fêmeas	que	possuem	centenas	de	ovos
dentro	 delas.	Ao	 espremer,	 você	 irá	 contaminar	 o	 ambiente	 com	 estes	 ovos,	 e
assim	aumentar	as	chances	de	que	novos	carrapatos	surjam	para	infestar	pessoas
e	 animais.	O	 frasco	onde	você	 colocou	o(s)	 carrapato(s)	 deve	 ser	 identificado,
datado,	e	guardado	por	pelo	menos	um	mês.	Isso	é	importante	porque	a	doença
do	carrapato	pode	 se	manifestar	 dentro	de	7	 a	21	dias	 após	 a	 infecção.	Então,
caso	o	seu	cão	adoeça	nesse	período,	ou	se	aparecer	algum	problema	de	pele,	o
carrapato	 deve	 ser	 levado	 ao	 veterinário	 junto	 com	 ele,	 para	 que	 seja	 feita	 a
devida	identificação.
Além	da	remoção	manual	dos	carrapatos,	existem	produtos	que	podem	ser
aplicados	 nos	 cães	 para	 eliminar	 as	 infestações	 por	 parasitas.	 Alguns	 são
aplicados	por	via	oral	(comprimidos	ou	tabletes),	e	outros,	por	via	tópica	(“pour
on”	ou	“spot	on”).	A	maioria	destes	produtos	promete	proteger	os	cães	por	cerca
de	30	dias,	e	a	grande	vantagem	deles	é	que	eles	ajudam	também	a	controlar	a
infestação	 do	 ambiente.	 Isso	 porque,	 tal	 como	 as	 pulgas,	 os	 carrapatos	 que
vemos	 nos	 cães	 são	 sempre	 a	 menor	 parte	 do	 problema.	 Para	 efetivamente
eliminar	 uma	 infestação	 por	 carrapatos,	 precisamos	 nos	 preocupar	 não	 apenas
com	o	cão,	mas	com	todo	o	ambiente	onde	ele	vive.
Os	produtos	do	tipo	“pour	on”	(Frontline	®,	Advocate	®,	Advantage	Max
3®	 ,	 Fipromax	 ®,	 etc.)	 deixam	 resíduos	 nos	 pelos	 do	 cão,	 assim	 como	 em
eventuais	 caspas	ou	descamações	de	pele	que	possam	cair	 no	 chão.	Com	 isso,
eles	eliminam	também	as	formas	jovens	dos	carrapatos	que	estejam	no	ambiente.
Apesar	de	estes	produtos	serem	muito	bons,há	relatos	de	resistência	a	eles
em	 diversas	 regiões.	 Assim	 como	 acontece	 com	 antibióticos,	 os	 parasiticidas
também	podem	“selecionar”	indivíduos	mais	resistentes,	tornando	as	infestações
cada	 vez	 mais	 difíceis	 de	 serem	 controladas.	 Para	 amenizar	 este	 problema,
recomenda-se	que	 seja	 feito	um	 rodízio	de	princípios	 ativos:	 a	 cada	 aplicação,
deve	 ser	 usado	 um	produto	 diferente.	Desta	 forma,	 ao	 invés	 de	 selecionarmos
indivíduos	 cada	 vez	 mais	 resistentes	 aos	 mesmos	 princípios	 ativos,	 nós
conseguimos	efetivamente	combatê-los,	pois	um	carrapato	que	seja	resistente	a
um	medicamento	provavelmente	será	sensível	a	outro.
Em	relação	aos	 tratamentos	por	via	oral,	uma	nova	geração	de	 tabletes	e
comprimidos	 está	 chegando.	 Liderados	 pelo	 Nexgard®	 (Merial)	 e	 Bravecto®
(MSD),	estes	novos	comprimidos	eliminam	quase	100%	das	pulgas	e	carrapatos
que	estão	sobre	o	animal	dentro	de	algumas	horas,	e	o	mantêm	protegido	por	até
30	dias	e	12	semanas,	respectivamente.	Eles	são	considerados	muito	seguros,	e
não	têm	a	sua	eficácia	afetada	por	banhos	ou	pelo	uso	de	outros	medicamentos.
Enquanto	o	Bravecto	combate	inclusive	as	formas	jovens	de	pulgas	e	carrapatos
no	ambiente,	o	Nexgard	requer	um	controle	integrado	dos	parasitas	no	ambiente.
É	 sempre	 recomendável	 que	 todos	 os	 cães	 da	 casa	 sejam	 tratados	 ao	 mesmo
tempo.
Uma	alternativa	aos	produtos	“pour	on”	e	aos	comprimidos	são	as	coleiras
carrapaticidas,	como	a	Preventic®	(Virbac)	e	a	Kiltix	®	(Bayer),	que	prometem
manter	os	animais	livres	de	carrapatos	por	até	4	ou	7	meses,	respectivamente.	A
coleira	 Seresta®	 (Bayer)	 combate	 pulgas	 e	 carrapatos,	 com	 proteção	 de	 até	 8
meses.	Devido	ao	 longo	 tempo	de	ação	destas	coleiras,	 é	 recomendável	 anotar
em	uma	agenda	e/ou	no	celular	a	data	em	que	ela	deverá	ser	 trocada,	 já	que	é
fácil	 se	 esquecer	 há	 quanto	 tempo	 exatamente	 o	 cão	 está	 usando	 a	 mesma
coleira.	 Também	 é	 recomendável	 que,	 mesmo	 que	 o	 cão	 esteja	 usando	 uma
coleira	 carrapaticida,	 sejam	 feitas	 “inspeções”	 periódicas	 na	 pelagem	 dele:	 	 a
resistência	aos	princípios	ativos	pode	acontecer.
Se	a	infestação	de	carrapatos	se	instalar	na	sua	casa,	ela	pode	ser	um	pouco
mais	 difícil	 de	 combater.	 Mesmo	 que	 alguns	 dos	 produtos	 utilizados	 no	 cão
possam	ajudar	a	controlar	a	presença	de	carrapatos	no	ambiente,	a	sua	eficácia
não	é	de	100%,	e	é	preciso	 tomar	algumas	providências.	Uma	delas	é	usar	um
aspirador	de	pó,	especialmente	em	cantos,	sofás	e	tapetes.	Colchões	e	cobertores
do	 cão	 devem	 ser	 lavados	 semanalmente,	 e,	 se	 ele	 dormir	 em	 um	 canil	 de
cimento,	 higienize	 o	 canil	 com	 uma	 vassoura	 de	 fogo	 (lança-chamas).	 Outra
medida	que	pode	ser	adotada	é	o	uso	de	produtos	inseticidas/acaricidas,	como	o
K-Othrine®,	que	são	seguros	e	eficazes.	O	Butox®,	recomendado	para	uso	em
grandes	animais,	pode	ser	usado	no	ambiente,	na	forma	de	pulverização	(não	use
no	 seu	 cão).	 Talcos	 acaricidas	 (Tratto®)	 podem	 ser	 aplicados	 sobre	 camas,
colchões	e	sofás.
Por	fim,	a	nível	de	curiosidade,	lembro	que	existe	ainda	mais	um	problema
que	 pode	 acontecer:	 a	 paralisia	 por	 carrapatos!	 Este	 tipo	 de	 paralisia	 acontece
quando	o	cão	é	picado	por	uma	espécie	de	carrapato	chamada	Ixodes	holocyclus,
presente	 somente	 na	Austrália.	 Estes	 carrapatos	 não	 têm	um	nome	 popular	 no
Brasil,	 provavelmente	 porque	 não	 existem	 aqui.	 Em	 inglês,	 são	 popularmente
conhecidos	como	“paralysis	ticks”	(“carrapatos	da	paralisia”).	Regra	geral,	para
que	a	paralisia	 aconteça,	o	 carrapato	deve	 ser	grande	 (mais	do	que	4	mm),	ou
permanecer	preso	 ao	 cão	por	pelo	menos	4	dias,	 embora	variações	 individuais
possam	fazer	com	que	alguns	cães	sejam	mais	ou	menos	sensíveis	ao	problema.
A	paralisia	do	carrapato	afeta	todos	os	músculos,	inclusive	os	do	esôfago,
fazendo	 com	 que	 o	 cão	 regurgite	 ou	 tenha	 dificuldade	 para	 se	 alimentar.	 Ele
pode	perder	a	voz,	a	habilidade	de	piscar	os	olhos,	e	até	mesmo	a	capacidade	de
respirar.	Se	desconfiar	que	um	cão	possa	ter	paralisia	por	carrapatos,	não	dê	água
ou	 comida,	 para	 a	 evitar	 que	 ele	 se	 afogue	 ou	 aspire	 a	 água/o	 alimento	 e
desenvolva	uma	pneumonia.	Meça	a	temperatura,	e	trate	a	hipotermia	(37,5ºC	ou
menos)	se	for	o	caso.	Se	o	cão	estiver	com	dificuldade	para	respirar,	verifique	se
há	acúmulo	de	secreções	na	boca,	e	 limpe	com	uma	gaze	ou	um	pano	 limpo	 -
tomando	cuidado	para	não	ser	mordido.	Em	situações	mais	extremas,	o	cão	pode
precisar	de	respiração	boca-focinho	ou	de	ressuscitação	cardiopulmonar.
Todo	cão	com	paralisia	do	carrapato	deve	ser	examinado	por	um	médico
veterinário	 o	 quanto	 antes	 possível.	 Enfatizo,	 porém,	 que	 o	 Ixodes	 holocyclus
não	é	encontrado	no	Brasil,	mas	sim	na	Austrália.
Aranhas
Mais	 um	 bichinho	 da	 família	 dos	 aracnídeos,	 as	 aranhas	 podem	 picar	 e
causar	reações	alérgicas	na	pele,	e	até	mesmo	sistêmicas	(no	corpo	todo).
Para	todas	as	picadas	de	aranha,	algumas	regras	precisam	ser	seguidas:	não
corte	o	local,	não	aperte,	não	tente	chupar	o	veneno,	e	não	aplique	gelo	ou	um
torniquete.
O	 que	 você	 deve	 fazer	 é:	 lavar	 o	 local	 da	 picada,	 aplicar	 compressas
mornas	para	aliviar	a	dor,	e	se	dirigir	imediatamente	ao	hospital	veterinário	para
um	 tratamento	 adequado.	 Caso	 a	 picada	 seja	 em	 algum	membro,	 mantenha-o
elevado.	 Por	 fim,	 mantenha	 o	 cão	 o	 mais	 calmo	 possível,	 e	 evite	 que	 ele	 se
exercite,	para	não	espalhar	o	veneno.
Sempre	que	possível,	identifique	a	aranha	ou	coloque-a	num	pote	para	ser
identificada	pelo	profissional:	A	correta	identificação	da	aranha	que	picou	o	cão
ou	a	pessoa	é	muito	útil	para	que	o	profissional	que	for	atender	a	vítima	saiba
como	proceder.
As	 aranhas	 que	mais	 causam	 acidentes	 no	 Brasil	 são	 a	 Aranha	Marrom
(Loxosceles	spp.),	a	Armadeira	(Phoneutria	spp.)	e	a	Viúva	Negra	(Latrodectus
spp.),	 sendo	 que	 a	 primeira	 é	 a	 responsável	 pela	 maioria	 deles,	 segundo
informações	do	Ministério	da	Saúde.	Existem	soros	e	antídotos	específicos	para
tratar	 as	 picadas	 por	 estas	 três	 espécies,	 embora	 o	 soro	 contra	 o	 veneno	 da
Armadeira	só	seja	usado	quando	há	complicações	mais	graves.
Pulgas
A	presença	de	pulgas	não	é	necessariamente	uma	emergência	na	maioria
dos	 casos,	 mas	 certamente	 merece	 atenção.	 As	 pulgas	 causam	 coceira	 e
desconforto,	 além	 de	 transmitirem	 vermes	 aos	 cães,	 como	 o	 Dipylidium
caninum.	O	Dipylidium	é	um	verme	chato	da	família	das	tênias,	que	pode	causar
diarreia	 e	 também	 faz	 com	 que	 o	 cão	 sinta	 coceira	 na	 região	 do	 ânus	 -	 isso
explica,	inclusive,	muitos	casos	de	cães	que	esfregam	o	bumbum	no	chão.
Além	das	verminoses,	as	pulgas	também	causam	alergias	em	alguns	cães.
A	Dermatite	Alérgica	 à	 Picada	 de	 Pulga	 (DAPP)	 pode	 fazer	 com	que	 um	 cão
passe	até	três	semanas	se	coçando	intensamente	após	uma	única	picada	de	pulga.
Em	casos	de	infestações	mais	intensas,	o	animal	pode	ficar	com	crostas	na	pele	e
falhas	de	pelos,	geralmente	na	região	do	dorso.
Tal	 como	 os	 carrapatos,	 as	 pulgas	 podem	 ser	 combatidas	 com	 o	 uso	 de
produtos	 tópicos,	 do	 tipo	 pour	 on.	 Existem	 ainda	 outras	 alternativas,	 desde
banhos	com	shampoos	antipulgas	até	coleiras	e	comprimidos	–	os	mesmos	que	já
foram	 citados	 na	 seção	 sobre	 carrapatos.	 Os	 tutores	 mais	 pacientes	 podem
inclusive	usar	um	pente	fino	para	removê-las	manualmente.	Mas	há	um	detalhe
que	 não	 pode	 passar	 despercebido:	 as	 pulgas	 que	 encontramos	 em	 um	 cão
representam	apenas	5%	das	pulgas	presentes	 em	um	ambiente.	 Isso	quer	 dizer
que,	para	cada	5	pulgas	adultas	que	você	encontrar	no	seu	cão,	existem	outras	95
(na	forma	de	larvas	ou	de	ovos)	espalhadas	pela	sua	casa.	As	formas	jovens	das
pulgas	podem	estar	na	grama,	na	poeira,	nos	tapetes,	em	sofás	e	em	camas.	De
nada	adianta	dar	um	banho	com	um	ótimo	shampoo	antipulgas,	 se	o	 ambiente
onde	o	cão	vive	não	for	tratado	também.
Especificamente	em	relação	aos	shampoos	antipulgas,	é	preciso	saber	queeles	 normalmente	 não	 conferem	 proteção	 prolongada.	 Assim,	 eles	 podem	 ser
eficazes	para	a	eliminação	das	pulgas	no	momento	do	banho,	mas	não	impedem
que	novas	pulgas	subam	no	animal	e	iniciem	uma	nova	infestação.	E,	como	95%
das	 pulgas	 ficam	 no	 ambiente,	 existe	 uma	 alta	 probabilidade	 de	 que	 isto
aconteça.	Recomendo	o	uso	dos	shampoos	antipulgas	principalmente	para	cães
recém-resgatados,	pois	assim	se	evita	que	o	animal	traga	pulgas	para	dentro	de
casa.	Cães	que	estejam	intensamente	infestados	(mesmo	que	o	ambiente	também
esteja)	 também	 podem	 se	 beneficiar	 de	 banhos	 antipulgas,	 como	 forma	 de	 se
propiciar	um	alívio	imediato	ao	animal.	Mas,	neste	caso,	é	preciso	tratar	também
o	 ambiente	 –	 e,	 de	 preferência,	 associar	 algum	 medicamento	 de	 ação	 mais
prolongada,	como	uma	pipeta	“pour	on”,	um	comprimido,	ou	uma	coleira.
Os	mesmos	produtos	usados	para	eliminar	carrapatos	do	ambiente	também
podem	ser	usados	contra	as	pulgas:	o	K-Othrine	®	e	o	Butox	®	costumam	ser
boas	 opções.	 Se	 for	 preciso	 tratar	 camas	 e	 colchões,	 alguns	 tipos	 de	 talco
(Tratto®)	também	podem	ajudar.
Capítulo	13.	Emergências	Neurológicas	e	na	Cabeça
Orelhas
Otites
Um	problema	muito	comum	em	cães	são	as	otites	-	infecções	nas	orelhas.
Estas	 infecções	 envolvem	 a	 presença	 de	 fungos,	 bactérias,	 ácaros,	 ou	 uma
combinação	destes.	Mas	por	que	eles	surgem	ali?
Um	dos	motivos	possíveis	para	as	otites	é	a	entrada	de	água	nos	ouvidos
durante	o	banho.	Para	evitar	que	isso	aconteça,	é	preciso	tomar	bastante	cuidado
ao	banhar	os	cães,	e,	sempre	que	possível,	colocar	protetores	de	ouvidos	neles.
Estes	 protetores	 podem	 ser	 de	 silicone	 (existem	 alguns	 modelos	 moldáveis,
usados	por	nadadores),	ou	então	você	pode	usar	um	algodão	parafinado	(também
conhecido	 como	 algodão	 hidrófobo).	 Não	 use	 algodão	 comum	 (“algodão
hidrófilo)	 para	 proteger	 as	 orelhas	 do	 seu	 cão	no	banho,	 ele	 pode	 causar	mais
danos	 do	 que	 benefícios:	 enquanto	 o	 algodão	 parafinado	 repele	 a	 água,
mantendo-a	longe	dos	canais	auditivos	dos	cães,	o	algodão	comum	puxa	a	água
que	estiver	ao	seu	redor.	Esta	água	que	o	algodão	puxar	irá	escorrer	para	dentro
dos	ouvidos,	e,	assim,	propiciar	 infecções.	Os	protetores	de	silicone	podem	ser
usados	 por	 quem	 dá	 banho	 em	 casa;	 já	 para	 banhistas	 e	 tosadores,	 estes
protetores	são	inviáveis,	já	que	são	mais	caros	e	não	devem	ser	compartilhados
entre	 os	 animais.	 O	 algodão	 hidrófobo	 é	 uma	 alternativa	 barata	 e	 higiênica,
devendo	ser	descartado	após	cada	uso.
Mas	não	é	só	a	umidade	que	causa	otites.	Elas	também	são	muito	comuns
em	cães	alérgicos,	e	naqueles	que	têm	infecções	de	pele	crônicas,	principalmente
as	 causadas	 pelo	 fungo	Malassezia	 sp,	 como	 acontece	 com	 frequência	 com	os
Cocker	 Spaniels.	 Um	 cão	 também	 pode	 ter	 a	 chamada	 “sarna	 de	 ouvido”,
causada	por	um	tipo	de	ácaro,	e	pode	até	mesmo	ter	uma	inflamação	causada	por
algum	objeto	que	entrou	no	canal	auditivo	(como	um	chumaço	de	algodão	que
alguém	 colocou	 na	 hora	 do	 banho,	 mas	 esqueceu	 de	 tirar).	 Por	 fim,	 algumas
otites	aparecem	ser	terem	um	motivo	aparente.
Um	cão	com	otite	coça	as	orelhas	e	chacoalha	a	cabeça	com	frequência.	As
orelhas	podem	ficar	inflamadas,	espessas,	avermelhadas,	e	sensíveis	ao	toque,	e,
em	alguns	casos,	apresentam	uma	secreção	escura.	O	odor	das	orelhas	também
fica	alterado,	 sendo	bem	perceptível	principalmente	nas	 infecções	 fúngicas	por
Malassezia	 sp.	 O	 cão	 sente	 dor	 e	 desconforto,	 devendo	 ser	 encaminhado	 ao
atendimento	médico	 veterinário	 o	 quanto	 antes	 possível.	 Procure	 agendar	 uma
consulta	para	as	próximas	48	horas.
Para	aliviar	o	cão	enquanto	não	chega	ao	veterinário,	limpe	as	orelhas	dele
usando	 uma	 solução	 própria	 para	 a	 limpeza	 de	 orelhas,	 como	 o	 Epiotic	 ®
(Virbac),	 o	 Limpa	Orelhas	®	 (IBASA),	 Limp	&	Hidrat	 ®	 (Ouro	 Fino),	 entre
outros	disponíveis	no	mercado.	Retire	o	excesso	de	secreções	da	área	externa	da
orelha	usando	um	algodão,	e	pingue	algumas	gotas	da	solução	dentro	do	canal
do	 ouvido,	 massageando	 conforme	 já	 explicado	 no	 Capítulo	 3.	 Use	 apenas
soluções	 de	 limpeza,	 e	 não	 medicamentos:	 para	 que	 seja	 feito	 um	 tratamento
adequado,	 o	 veterinário	 precisará	 identificar	 a	 causa	 (fungos,	 bactérias,	 sarna,
etc.),	e	o	uso	 indevido	de	alguma	medicação	pode	 interferir	nos	resultados	dos
exames.
As	 otites	 podem	 se	 tornar	 emergências	 se	 o	 animal	 parecer	 sentir	muita
dor,	chorar,	ou	começar	a	perder	o	equilíbrio.	 Isto	é	sinal	de	que	o	seu	ouvido
interno	 já	 está	 sendo	 afetado,	 e	 o	 cão	 precisa	 de	 atendimento	 profissional
imediato	 para	 tentar	 se	 evitar	 ou	minimizar	 sequelas	 (inclusive	 neurológicas).
Casos	 mais	 extremos	 de	 otite	 chegam	 a	 precisar	 de	 cirurgia,	 embora
normalmente	a	 infecção	demore	para	chegar	a	este	ponto.	Um	cão	que	 tenha	a
sua	 otite	 devidamente	 identificada	 e	 tratada	 rapidamente	 dificilmente	 terá	 que
arcar	com	consequências	mais	graves	à	sua	saúde	e	bem-estar.
Uma	das	consequências	possíveis	de	otites	não	tratadas	é	o	otohematoma,
tema	da	próxima	seção.	O	otohematoma	é,	basicamente,	um	hematoma	que	pode
se	 formar	 nas	 orelhas	 quando	 o	 cão	 chacoalha	 muito	 a	 cabeça,	 ou	 coça	 com
frequência.	 Se	 não	 for	 tratado	 a	 tempo,	 ele	 pode	 causar	 deformações
permanentes	nas	orelhas	do	cão.
Otohematomas
O	 otohematoma	 é	 uma	 condição	 conhecida	 em	 humanos	 como	 “orelha
estourada”	 ou	 “orelhas	 de	 lutador”.	 Ele	 acontece	 quando	 a	 orelha	 sofre	 uma
agressão	física,	de	modo	que	o	sangue	começa	a	se	acumular	em	baixo	da	pele,
formando	um	hematoma.
Nos	cães,	o	otohematoma	é	mais	comum	quando	as	orelhas	são	 longas	e
pendulares	(“caídas”),	como	as	dos	Basset	Hounds,	Beagles,	e	Cocker	Spaniels,
mas	pode	acometer	qualquer	cão.	Ele	acontece	nas	seguintes	situações:
·					Brigas	entre	cães	(mordidas	nas	orelhas);
·					Otites	(balançar	muito	a	cabeça,	ou	coçar	demais);
·					Batidas	em	paredes,	mesas,	etc;
·					Tumores	nas	orelhas.
As	 orelhas	 são	muito	 ricas	 em	 vasos	 sanguíneos.	A	 partir	 então	 de	 uma
agressão	 inicial	 (uma	 mordida,	 batida,	 etc.),	 alguns	 destes	 vasos	 podem	 se
romper,	formando	uma	bolsa	de	sangue	(hematoma)	na	orelha.	O	cão	sente	dor,	e
pode	 balançar	 ou	 coçar	 muito	 as	 orelhas,	 e	 acabar	 agravando	 ainda	 mais	 o
problema	por	causa	disso.	É	possível	ver	um	inchaço	no	local	onde	o	sangue	se
acumulou.
O	otohematoma	não	 impõe	 risco	à	vida	do	cão.	Apesar	disso,	 se	não	 for
tratado	 rapidamente,	 ele	 leva	 à	 deformação	 das	 orelhas,	 podendo	 precisar	 de
cirurgia	 reparadora.	 Conforme	 a	 localização	 e	 o	 tamanho	 da	 lesão,	 o	 canal
auditivo	pode	ficar	totalmente	bloqueado!	É	preciso,	portanto,	prestar	atenção	a
quaisquer	 lesões	 ou	 ferimentos	 em	 orelha	 que	 um	 cão	 possa	 ter,	 para
conseguirmos	evitar	ou	diminuir	a	chance	de	que	um	hematoma	venha	a	ocorrer.
Se	um	cão	sofrer	um	ferimento	em	orelha	que	cause	sangramento,	aplique
pressão	 manual	 usando	 uma	 gaze,	 como	 faria	 com	 uma	 hemorragia,	 e	 use
também	uma	bolsa	de	gelo.	Assim	que	parar	de	sangrar,	aplique	um	antisséptico
tópico	 ou	 P.V.P.I.,	 e	 agende	 uma	 consulta	 com	 o	 médico	 veterinário	 para	 o
mesmo	dia.	Os	 sangramentos	de	orelhas	 podem	 ser	 difíceis	 de	 conter:	 leve	 ao
veterinário	imediatamente	se	a	hemorragia	não	parar.
O	médico	veterinário	 precisará	 ter	 dois	 objetivos	 claros:	 (1)	 identificar	 e
tratar	 a	 causa	 do	 otohematoma,	 e	 (2)	 tratar	 o	 próprio	 otohematoma.	 Como	 já
mencionamos	 anteriormente,	 a	 causa	 pode	 ser	 uma	otite.	A	otite,	 por	 sua	 vez,
pode	ser	decorrente	de	uma	infecção	bacteriana	ou	fúngica;	ou,	ainda,	pode	ser
que	 o	 animal	 tenha	 sarna	 de	 ouvido,	 carrapatos	 presos	 às	 orelhas,	 ou	 algum
objeto	preso	dentro	do	seu	canal	auditivo	e	que	precise	ser	retirado.	Seja	como
for,	 este	 problema	 deve	 ser	 tratado	 com	 prioridade.	 Conforme	 o	 caso,	 alguns
exames	 podem	 ser	 solicitados,e	 o	 veterinário	 poderá	 prescrever	 algum
medicamento	específico	para	as	infecções	ou	infestações.
Já	 em	 relação	 ao	 otohematoma,	 o	 tratamento	 pode	 variar,	 a	 depender	 do
quão	 avançado	 o	 problema	 está.	 Em	 fases	 iniciais,	 pode	 ser	 usada	medicação
tópica,	 na	 forma	 de	 cremes	 ou	 pomadas,	 para	 diminuir	 a	 dor	 e	 a	 inflamação
local.	Se	o	otohematoma	já	estiver	bem	estabelecido,	as	duas	principais	opções
de	 tratamento	 são:	 a	 drenagem,	 feita	 no	 próprio	 consultório	 veterinário	 com	o
animal	sedado;	e	a	cirurgia.	A	drenagem	não	consegue	resolver	100%	dos	casos,
mas	é	uma	opção	válida	caso	se	pretenda	tentar	evitar	uma	cirurgia.
Olhos
Traumatismos	e	corpos	estranhos
Os	olhos	são	órgãos	extremamente	sensíveis,	e	mesmo	pequenas	agressões
podem	causar	muita	dor	e	desconforto.	Quando	um	cão	sente	dor	nos	olhos,	ele
pisca	 muito,	 passa	 as	 patas	 pelos	 olhos	 e	 pelo	 focinho,	 esfrega	 a	 cabeça	 em
paredes	e	sofás,	e	também	pode	ter	secreção	ocular.
No	 que	 se	 refere	 a	 emergências	 com	 os	 olhos,	 um	 dos	 problemas	 mais
comuns	 é	 o	 trauma	 -	 causado,	 por	 exemplo,	 por	 corpos	 estranhos	 que	 podem
perfurar,	 arranhar,	 ou	 até	mesmo	 romper	 os	 olhos	 e	 as	 estruturas	 ao	 seu	 redor
(pálpebras,	conjuntivas,	e	o	próprio	globo	ocular).	Um	corpo	estranho	pode	ser
qualquer	 coisa	 que	 entre	 em	 contato	 com	os	 olhos,	 desde	 os	 pelos	 do	 próprio
cão,	até	cacos	de	vidro	ou	farpas	de	madeira.
Quando	 um	 corpo	 estranho	 entra	 em	 contato	 com	 os	 olhos,	 a	 reação	 é
imediata:	 o	 animal	 começa	 a	 piscar	 repetidamente,	 lacrimejar,	 e	 pode	 ter
dificuldade	para	abrir	o	olho	afetado.	É	preciso	agir	 rápido	para	evitar	maiores
danos	à	córnea,	e	à	própria	visão!
Ao	se	deparar	um	cão	que	esteja	apresentando	os	sinais	que	mencionamos
acima,	gentilmente	 separe	as	 suas	pálpebras	e	examine	o	olho.	Pode	haver	um
acúmulo	 de	 muco	 ou	 secreção	 ao	 redor	 do	 objeto	 que	 estiver	 no	 olho.	 Em
seguida,	 lave	 o	 olho	 do	 cão	 usando	 uma	 solução	 salina	 ou	 colírio	 (“lágrima
artificial”).	 Se	 não	 tiver	 colírio	 ou	 solução	 salina,	 use	 água	 potável	 para
encharcar	um	algodão,	e	esprema	este	algodão	acima	do	olho	do	cão,	permitindo
que	a	água	escorra.
Se,	mesmo	com	a	lavagem,	o	objeto	não	sair,	use	um	cotonete	para	tentar
delicadamente	removê-lo.	Você	provavelmente	precisará	usar	uma	focinheira	no
cão	para	este	procedimento,	mesmo	que	ele	seja	dócil,	pois	ele	já	está	com	dor	e
não	vai	querer	que	toquem	nos	seus	olhos.	Se,	mesmo	com	a	focinheira,	o	cão	se
debater	 demais	 e	 não	 permitir	 esta	 manipulação,	 ou	 se	 você	 tiver	 dificuldade
para	 retirar	 o	 objeto,	 leve-o	 imediatamente	 ao	 veterinário.	 Não	 tente	 retirar
objetos	 perfuro	 cortantes,	 ou	 que	 tenham	 penetrado	 no	 olho,	 pois	 há	 risco	 de
causar	ainda	mais	danos.
Enfim,	se	conseguir	remover	o	objeto	e	o	cão	estiver	aparentemente	bem,
observe-o	 por	 24-48	 horas,	 para	 ver	 se	 o	 ele	 volta	 a	 apresentar	 algum	 tipo	 de
irritação	 ou	 desconforto	 nos	 olhos.	 Se	 os	 olhos	 parecerem	 irritados
(avermelhados,	 com	 secreção)	 ou	 doloridos	 (cão	pisca	 repetidamente,	 passa	 as
patas	no	focinho,	se	esfrega	em	paredes	ou	sofás),	 leve	ao	veterinário	o	quanto
antes	possível.
Proptose	(perda	do	globo	ocular)
Quando	um	cão	se	envolve	em	um	acidente	traumático,	como	uma	batida,
um	atropelamento,	ou	se	for	atacado	por	outros	cães,	existe	uma	chance	de	que	o
seu	 olho	 saia	 da	 órbita,	 ficando	 exposto	 (“proptose”,	 ou	 “exoftalmia
traumática”).	Mais	comum	em	cães	de	raças	braquicefálicas	(Pequinês,	Shi	Tzu,
Pug,	Buldogue	Francês,	etc.),	a	proptose	pode	ser	realmente	assustadora.
Apesar	 disso,	 por	 estar	 relacionada	 a	 traumas,	 é	 importante	 que	 o
socorrista	 compreenda	 que,	 quando	 um	 animal	 sofre	 um	 acidente	 desta
magnitude,	 o	 foco	 deve	 ser	mantido	 na	 preservação	 da	 vida.	É	 lógico	 que,	 na
medida	do	possível,	pretendemos	manter	também	a	visão	do	cão	e	minimizar	a
chance	sequelas.	Mas	a	exoftalmia	traumática	não	é	fatal,	ao	contrário	de	outros
problemas	que	podem	estar	se	passando	com	aquele	animal	que	acabou	de	sofrer
um	 acidente	 -	 por	 isso,	 comece	 a	 avaliar	 o	 cão	 usando	 o	ABC	 da	 vida,	 e	 em
seguida	dê	atenção	a	outras	lesões	potencialmente	fatais.	Apenas	se	não	houver
lesões	potencialmente	 fatais,	ou	se	estas	 já	estiverem	devidamente	controladas,
preocupe-se	com	ferimentos	menos	perigosos,	como	é	o	caso	da	proptose.
A	proptose	pode	 ser	parcial	 ou	completa,	 ou	 seja,	 o	globo	ocular	do	 cão
pode	 sair	 completa	 ou	 parcialmente	 do	 lugar.	 Não	 tente	 recolocar	 o	 olho	 na
órbita.	Ao	invés	disso,	cubra	o	olho	com	uma	gaze	estéril	embebida	em	solução
fisiológica,	e	leve	o	cão	ao	veterinário	imediatamente,	mantendo-o	o	mais	calmo
possível.
Boca
Sangramentos
Um	 sangramento	 na	 boca	 é	 algo	 que	 normalmente	 chama	 bastante	 a
atenção,	mas	que	nem	sempre	é	uma	emergência.	Filhotes	que	estão	perdendo	os
seus	dentes	de	leite,	por	exemplo,	podem	ter	pequenos	sangramentos	quando	os
dentinhos	caem,	e	não	há	motivo	para	preocupações.	A	boca	deles	normalmente
fica	com	odor	de	sangue	nesta	fase.	Em	cães	adultos,	as	gengivas	podem	sangrar
por	conta	de	uma	gengivite	ou	de	doença	periodontal.	Estes	problemas	dentários
não	 são	 emergências,	mas	 requerem	 atenção	médica.	 Se	 você	 perceber	 que	 as
gengivas	 do	 seu	 cão	 estão	 com	 pequenos	 sangramentos,	 e	 os	 dentes	 dele
parecem	 sujos,	 amarelados,	 ou	 com	 placas	 castanhas,	 e/ou	 se	 ele	 estiver	 com
mau	hálito,	agende	uma	consulta	com	o	seu	médico	veterinário.
Mas	 alguns	 sangramentos	 na	 boca	 podem	 sim	 ser	 considerados
emergências.	A	boca	pode	estar	sangrando	por	conta	de	ferimentos	sofridos	pelo
cão.	Se	o	cão	permitir,	abra	a	boca	dele	e	examine,	procurando	por	objetos	que
possam	estar	presos,	ou	por	feridas	visíveis.	Se	encontrar	algum	objeto	que	possa
ser	removido	com	facilidade,	retire,	e	 lave	a	boca	do	cão	com	água	abundante.
Como	 pode	 ser	 um	 pouco	 difícil	 lavar	 a	 boca	 dele,	 uma	 alternativa	 pode	 ser
oferecer	água	para	ele	beber	(usando	uma	mangueira,	por	exemplo)	ou	cubos	de
gelo,	que	ajudarão	a	conter	o	 sangramento.	Pequenos	 sangramentos	podem	ser
contidos	rapidamente	e	não	requerem	maiores	cuidados.
Caso	o	sangramento	persista,	se	estiver	difícil	retirar	o	objeto,	ou	se	o	cão
não	permitir	uma	manipulação	adequada	da	boca,	leve	ao	veterinário.
Se	o	cão	começar	a	sangrar	pela	boca	repentinamente	sem	ter	sofrido	um
ferimento,	ele	pode	estar	intoxicado	ou	com	problemas	de	coagulação.	Isso	será
ainda	 mais	 evidente	 se	 houver	 sangramento	 também	 pelo	 nariz.	 Se	 houver	 a
possibilidade	 de	 que	 ele	 tenha	 ingerido	 veneno	 para	 roedores,	 inicie	 os
procedimentos	 de	 descontaminação	 conforme	 visto	 no	 capítulo	 13,	 e	 leve	 ao
veterinário	 imediatamente.	 Problemas	 de	 coagulação	 também	 podem	 ser
causados	por	enfermidades	como	a	leptospirose,	doença	do	carrapato,	e	doenças
autoimunes.	Nestes	 casos,	 o	 cão	provavelmente	 estará	 pálido	 e	 fraco,	 devendo
ser	encaminhado	ao	médico	veterinário	imediatamente.
Por	 fim,	 uma	 outra	 causa	 possível	 para	 sangramentos	 pela	 boca	 é	 a
insuficiência	renal.	Em	estágios	avançados	de	Insuficiência	Renal	Crônica,	ou	se
o	 cachorro	 tiver	 um	 episódio	 de	 Insuficiência	Renal	Aguda	 por	 conta	 de	 uma
doença	ou	intoxicação,	podem	se	formar	úlceras	na	sua	boca,	que	irão	sangrar.	O
animal	 estará	 debilitado,	 sem	 apetite,	 e,	 possivelmente,	 vomitando.	 Este	 cão
deve	 ser	 levado	 ao	 veterinário	 imediatamente	 para	 que	 seja	 iniciada	 a
fluidoterapia	(“soro	na	veia”).
Problemas	Neurológicos
Desmaios	(Síncope)
Um	desmaio	 é	 a	 perda	 temporária	 da	 consciência,	 normalmente	 causada
pela	 falta	 de	 oxigenação	 no	 cérebro.	 Enquanto	 o	 desmaio	 em	 si	 não	 é	 uma
emergência,	a	causa	dele	pode	ser.
Muitos	 desmaios	 em	 cães	 são	 causados	 por	 insuficiência	 cardíaca,	 visto
que	o	coração	se	torna	incapaz	de	bombear	o	sangue	adequadamente,inclusive
para	 o	 cérebro.	 Cães	 braquicefálicos	 ou	 outros	 que	 tenham	 problemas
respiratórios,	 como	 prolongamento	 de	 palato	 ou	 colapso	 de	 traqueia,	 podem
sofrer	uma	insuficiência	respiratória	passageira	ao	se	exercitarem	ou	se	ficarem
muito	excitados.	Esta	insuficiência	respiratória	levará	então	a	uma	diminuição	na
quantidade	 de	 oxigênio	 disponível	 no	 cérebro,	 e	 a	 consequente	 síncope
(desmaio).	O	colapso	circulatório	(choque)	causado	por	traumas,	hemorragias,	e
outras	condições	graves,	também	leva	à	perda	da	consciência.
Ao	 se	 deparar	 com	 um	 cão	 aparentemente	 inconsciente,	 certifique-se	 de
que	 ele	 está,	 de	 fato,	 inconsciente	 -	 e	 não	 apenas	 dormindo	 profundamente.
Chame	o	cão,	toque	nele	delicadamente	para	não	assustá-lo,	e	tente	despertá-lo.
Se	o	os	olhos	estiverem	abertos,	aproxime	os	seus	dedos	dos	olhos,	e	observe	se
eles	 piscam.	 Se	 o	 cão	 estiver	 simplesmente	 atordoado	 porém	 consciente,
mantenha-o	calmo	e	permita	que	se	recupere	sozinho.	Em	seguida,	agende	uma
consulta	com	o	seu	médico	veterinário.
Se	o	cão	não	responder	aos	seus	estímulos,	esfregue	o	tórax	dele	usando	as
juntas	 dos	 seus	 dedos	 energicamente	 para	 tentar	 obter	 uma	 resposta.	 Se	 o	 cão
acordar,	mas	não	conseguir	se	levantar	dentro	dos	próximos	cinco	a	dez	minutos,
leve-o	ao	veterinário	imediatamente.	Se	ele	não	acordar,	verifique	os	sinais	vitais
e,	 se	 for	 o	 caso,	 inicie	 a	 ressuscitação	 cardiopulmonar	 imediatamente,	 e
encaminhe-se	ao	hospital	veterinário	mais	próximo.
Todos	 os	 casos	 de	 desmaios	 devem	 ser	 investigados	 pelo	 médico
veterinário,	 ainda	 que	 o	 cão	 consiga	 se	 recuperar	 rapidamente.	 É	 preciso
descobrir	 se	 este	 animal	 tem	 alguma	 doença	 que	 precise	 ser	 tratada	 a	 fim	 de
evitar	maiores	prejuízos	à	sua	saúde,	bem	como	novos	episódios	de	síncope.
Finalmente,	se	o	cão	se	machucar	ao	cair	durante	o	desmaio,	ele	deve	ser
examinado	também	quanto	aos	seus	ferimentos.	Se	o	acidente	tiver	ocorrido	em
uma	 escadaria,	 por	 exemplo,	 o	 animal	 pode	 sofrer	 fraturas	 e	 até	 mesmo
hemorragias	 internas	 durante	 a	 queda.	 Avalie	 o	 ABC	 da	 Vida,	 e	 aplique	 os
primeiros	socorros	conforme	necessário.
Convulsões
As	convulsões	são	séries	de	contrações	musculares	involuntárias,	causadas
por	 problemas	 no	 cérebro.	 Elas	 podem	 durar	 de	 poucos	 segundos	 a	 vários
minutos,	e	podem	atingir	o	corpo	 todo,	ou	apenas	uma	pequena	parte	dele.	As
convulsões	podem	ser:
Generalizadas:
·					Leves	-	também	chamadas	“pequeno	mal”	ou	“crises	de	ausência”.	O	animal
parece	 estar	 “em	 transe”,	 e	 pode	 ser	 difícil	 identificar	 estas	 crises	 como
convulsões,	pois	chamam	pouco	a	atenção	dos	tutores.
·					Graves	-	conhecidas	como	“grande	mal”.	São	os	ataques	convulsivos	típicos,
em	que	o	cão	cai	no	chão,	inconsciente,	e	se	debate.	O	animal	pode	salivar,
urinar	 e	 defecar.	Dura	 em	média	 um	 a	 dois	minutos,	 podendo	 chegar	 a	 10
minutos.
Focais	 ou	 Parciais:	 o	 cão	 continua	 consciente,	 mas	 pode	 sofrer
alucinações	ou	ter	movimentações	involuntárias	em	alguma	parte	do	corpo.	Ele
pode,	por	exemplo:
·					“Caçar	moscas”	imaginárias;
·					Perseguir	a	própria	cauda;
·					Se	tornar	subitamente	agressivo,	sem	motivo	aparente;
·					Se	auto-mutilar;
·					Fazer	movimentos	de	mascar	chiclete.
Parciais	 seguidas	 de	 generalização:	 quando,	 logo	 após	 os	 sinais	 de
convulsão	parcial	(caçar	moscas	imaginárias,	por	exemplo),	o	animal	cai	ao	chão
e	 começa	 a	 se	 debater,	 em	 um	 episódio	 de	 convulsões	 graves	 que	 duram
normalmente	entre	30	e	90	segundos.
As	 convulsões	 parciais	 são	 sempre	 adquiridas	 (o	 cão	 não	 nasce	 com
propensão	a	elas),	sendo	secundárias	a	infecções,	traumas,	doenças	metabólicas
ou	tumores.	A	identificação	da	causa	primária	é	tão	ou	mais	importante	do	que	a
localização	da	lesão	neurológica.
As	 convulsões	 generalizadas	 podem	 ter	 diferentes	 causas.	 Tal	 como	 no
caso	 das	 convulsões	 parciais,	 doenças	 metabólicas	 (diabetes,	 problemas
hepáticos	 ou	 renais)	 e	 lesões	 cerebrais	 (tumores,	 batidas,	 infecções)	 são
possibilidades	 a	 serem	 consideradas	 sempre	 que	 um	 cão	 sofre	 uma	 crise
convulsiva.	Mas	existe	também	a	chamada	“Epilepsia	Idiopática”,	ou	“Epilepsia
Verdadeira”.	 Neste	 caso,	 todos	 os	 exames	 são	 normais,	 e	 o	 cão	 não	 tem
quaisquer	alterações	que	 justifiquem	as	crises	convulsivas,	mas	elas	acontecem
frequentemente.	A	 epilepsia	 verdadeira	 é	 hereditária	 (passada	 dos	 pais	 para	 os
filhos),	sendo	observada	principalmente	em	cães	das	 raças	Pastor	Alemão,	São
Bernardo,	Poodle,	Beagle,	Cocker	Spaniel,	Husky	Siberiano,	entre	outras.
Observe	 que	 existe	 uma	 diferença	 entre	 ter	 “convulsões”	 e	 “epilepsia”.
Uma	convulsão	é,	na	verdade,	uma	atividade	anormal	do	cérebro,	e	pode	ser	um
episódio	 pontual.	 A	 epilepsia	 é	 quando	 um	 animal	 sofre	 convulsões
frequentemente.	Desta	forma,	um	cão	pode	sofrer	convulsões	sem	ser	epilético,
se	 ele	 sofrer	 um	acidente	 ou	 se	 entrar	 em	hipoglicemia,	 por	 exemplo.	Quando
isto	acontece,	basta	tratar	a	causa	do	problema,	e	o	cão	não	sofrerá	novas	crises
convulsivas.	 Já	um	cão	que	 tenha	epilepsia,	 seja	ela	“verdadeira”	ou	adquirida
por	conta	de	um	tumor	cerebral,	por	exemplo,	precisará	ser	medicado	no	longo
prazo	especificamente	para	evitar	que	novos	episódios	aconteçam.
O	 correto	 diagnóstico	 e	 a	 prescrição	 do	 tratamento	 ficarão	 a	 cargo	 do
médico	 veterinário	 que	 atender	 o	 cão.	 Em	 relação	 aos	 primeiros	 socorros,
precisamos	saber,	em	primeiro	lugar,	se	o	animal	é	sabidamente	epilético	ou	não.
Cães	 que	 sejam	 sabidamente	 epiléticos	 e	 estejam	 em	 tratamento	 podem
sofrer	episódios	isolados	de	convulsões	esporadicamente.	Para	estes	cães,	exceto
se	 as	 convulsões	 forem	 muito	 prolongadas	 ou	 repetitivas,	 normalmente	 uma
crise	 convulsiva	 não	 é	 tão	 alarmante.	 Aplicam-se	 os	 primeiros	 socorros,	 e,
passado	o	episódio,	deve-se	ligar	para	o	médico	veterinário	e	informá-lo	sobre	o
ocorrido.	Se	os	episódios	se	tornarem	muito	frequentes,	pode	ser	preciso	rever	as
doses	e/ou	os	próprios	medicamentos	que	vêm	sendo	usados	no	tratamento.
Diferente	é	o	caso	de	um	cão	que	nunca	antes	teve	convulsões,	ou	que	não
seja	sabidamente	epilético.	Isso	porque	este	animal	muito	possivelmente	acabou
de	sofrer	um	acidente	grave,	ou	está	com	alguma	doença	que	precisa	ser	tratada
com	 urgência	 (insuficiência	 renal	 aguda,	 insuficiência	 hepática,	 intermação,
etc.).	Desta	 forma,	se	um	cão	que	não	seja	epilético	 tiver	convulsões,	ele	deve
ser	 encaminhado	 IMEDIATAMENTE	 ao	 médico	 veterinário	 assim	 que	 forem
aplicados	os	primeiros	socorros.
Durante	as	convulsões:
·	 	 	 	 	Proteja	o	cão	de	possíveis	acidentes:	caso	ele	esteja	próximo	a	uma	escada,
uma	piscina,	no	meio	da	rua,	perto	de	móveis	que	possam	cair	ou	objetos	que
possam	 feri-lo,	 leve-o	 para	 um	 lugar	 seguro	 ou	 tire	 de	 perto	 dele	 qualquer
objeto	perigoso.	Se	o	local	não	oferecer	riscos,	deixe-o	onde	está;
·	 	 	 	 	Ele	 deve	 ser	 preferencialmente	 colocado	 sobre	 uma	 superfície	macia	 que
impeça	que	ele	se	machuque	enquanto	se	debate,	mas	não	o	cubra:	durante	as
convulsões,	o	corpo	tende	a	superaquecer	e	pode	entrar	em	intermação;
·					Se	possível,	mantenha	o	ambiente	com	pouca	luz	e	poucos	sons,	reduzindo	o
estresse	e	estímulos	externos;
·					Não	há	risco	de	o	cão	engolir	a	própria	língua.	Não	mexa	na	boca	dele,	sob	o
risco	de	levar	uma	mordida	desnecessária;
·	 	 	 	 	Cronometre	os	episódios,	e	anote.	O	tempo	de	uma	crise	convulsiva	é	uma
informação	importante	para	o	médico	veterinário,	e	elas	sempre	parecem	ser
mais	longas	do	que	realmente	são.	Não	estime	o	tempo:	use	um	relógio;
·	 	 	 	 	Para	cães	sabidamente	epiléticos	e	que	estejam	em	tratamento,	por	vezes	é
possível	fazer	o	uso	intra-retal	da	medicação	anticonvulsivante.	Se	o	seu	cão
for	 epilético,	 peça	 orientações	 ao	 seu	 médico	 veterinário	 quanto	 a	 isso
durante	 as	 consultas	 de	 rotina.	Assim,	 você	 saberá	 como	 agircaso	 alguma
crise	aconteça.
Assim	que	as	convulsões	pararem:
·	 	 	 	 	 Verifique	 o	 ABC,	 e	 inicie	 a	 respiração	 artificial	 ou	 a	 ressuscitação
cardiopulmonar	se	necessário;
·					Se	o	cão	estiver	respirando	e	tiver	batimentos	cardíacos,	meça	a	temperatura
retal.	 Se	 estiver	 elevada	 (é	 comum	 a	 temperatura	 atingir	 40ºC),	 coloque
compressas	de	água	fria	nas	patas	dele	e	verifique	após	15	-	30	minutos.	O
objetivo	é	atingir	39,5ºC.	Se	a	 temperatura	estiver	acima	de	40ºC,	 inicie	os
procedimentos	indicados	para	intermação,	e	leve	ao	veterinário;
·	 	 	 	 	Tenha	 em	mente	 que,	 logo	 após	 o	 episódio,	 o	 cão	 pode	 ficar	 confuso	 e
temporariamente	 não	 reconhecer	 os	 seus	 tutores	 e	 familiares.	 Ele	 pode,
portanto,	agir	de	 forma	assustada	ou	agressiva.	Tome	cuidado	ao	manejá-lo
ao	mesmo	tempo	em	que	procura	acalmá-lo	e	manter	a	sua	calma.
Independentemente	 de	 o	 cão	 ser	 epilético	 ou	 não,	 considere	 uma
emergência,	e	prossiga	imediatamente	para	o	hospital	veterinário	se:
·					O	cão	entrar	em	status	epileticus	(quando	as	convulsões	duram	mais	do	que	5
minutos,	ou	ocorrem	crises	seguidas	sem	um	intervalo);
·	 	 	 	 	O	cão	tiver	dificuldade	para	respirar	durante	ou	depois	da	crise,	e/ou	ficar
com	a	língua	azulada;
·					O	cão	não	conseguir	se	levantar,	ou	continuar	letárgico,	por	mais	do	que	três
horas	 após	 as	 convulsões.	 É	 normal	 que	 ele	 fique	 um	 pouco	 cansado	 ou
desorientado	nos	primeiros	20	minutos;
·					A	temperatura	retal	permanecer	acima	de	40ºC	após	uma	hora,	e	o	cão	ainda
estiver	letárgico;
·					O	animal	sofrer	mais	do	que	uma	crise	convulsiva	dentro	de	24	horas.
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ITENS	OBRIGATÓRIOS
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	 o			Contatos:	médico	veterinário,	clínica	24	horas,	contato
de	emergência
	 o			Nomes	e	doses	de	medicamentos	de	uso	contínuo
	 o			Nomes	e	doses	de	medicamentos	de	emergência
(prescritos)
	 o			Dados	do	cão:	peso,	data	de	nascimento,	parâmetros
normais
	 o			Carteira	de	vacinação
	 o			Guia	rápido	de	primeiros	socorros
	 Termômetro
	 Coleira	e	guia	extra
	 Focinheira
	 Pinça
	 Tesoura	de	ponta	romba
	 2	pares	de	luvas	de	procedimentos
	 Solução	salina	estéril
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	 Água	oxigenada
	 Álcool	70%
	 P.V.P.I.	ou	outro	antisséptico	tópico
	 Antisséptico	em	gel	para	as	mãos
	 2	seringas	grandes	(20	mL)	sem	agulha
	 2	seringas	pequenas	(5	mL)	sem	agulha
	 3	pacotes	de	gaze
	 3	Curativos	não	aderentes
	 1	rolo	de	algodão
	 2	rolos	de	atadura
	 1	rolo	de	esparadrapo
	 Vaselina
	 Pó	hemostático
	 Medicamentos	de	uso	contínuo
	 Antialérgicos,	analgésicos,	e	outros	medicamentos
prescritos	para	o	seu	cão	pelo	médico	veterinário
para	uso	emergencial
	 Mel	ou	Karo	®	para	cães	diabéticos
ITENS	OPCIONAIS
	 Colar	elisabetano
	 Lágrima	artificial
	 1	rolo	de	bandagem	adesiva
	 1	rolo	de	micropore
	 Removedor	de	carrapatos
	 Cobertor	espacial
	 Máquina	de	tosa
	 Solução	de	limpeza	para	orelhas
	 Cortador	de	unhas	para	cães
	 Lanterna
	 Pote	com	ração
	 Lata	de	ração	pastosa
	 Aplicador	de	comprimidos
	
	
Alimentos	Proibidos	para	Cães
Esta	 lista	 é	 meramente	 exemplificativa,	 existem
outros	 alimentos	 que	 podem	 fazer	 mal	 ao	 seu	 cão.	 Se
estiver	 na	 dúvida	 se	 um	 alimento	 é	 seguro,	 pergunte	 ao
seu	veterinário.
·						Alho	(é	seguro	em	pequenas	quantidades)
·						Balas	e	chicletes	dietéticos	que	contenham
xilitol	(adoçante)
·						Bebidas	alcoólicas
·						Café
·						Carambola
·						Caroço	de	damasco,	caqui	ou	de	pêssego
·						Cebola
·						Chá	preto
·						Chocolate
·						Folhas	de	ruibarbo	e	de	tomate
·						Gorduras	das	carnes	(sobras	de	churrasco,	por
exemplo)
·						Lúpulo
·						Macadâmia
·						Massa	crua	de	pão	ou	bolo
·						Ossos	de	aves	cozidos
·						Sementes	de	maçã	e	pêra
·						Uvas	e	passas
	
Plantas	Tóxicas	para	Cães
Esta	 lista	 é	 meramente	 exemplificativa,	 existem
outras	plantas	que	podem	fazer	mal	ao	seu	cão.	Se	estiver
na	dúvida	 se	alguma	das	 suas	plantas	é	 tóxica,	pergunte
ao	seu	veterinário.
·						Arnica	(Arnica	montana)
·						Arruda	(Ruta	graveolens)
·						Azaléia	(Rhododendron	simsii)
·						Babosa	(Aloe	vera)
·						Beladona	(Atropa	belladona)
·						Buxinho	(Buxus	sempervires)
·						Copo	de	leite	(Zantedeschia	aethiopica
Spreng)
·						Coroa	de	Cristo	(Euphorbia	milii)
·						Espada	de	São	Jorge	(Sansevieria	trifasciata)
·						Espirradeira	ou	Oleandro	(Nerium	oleander)
·						Hera	(Hedera	macrophylla)
·						Hibisco	(Hibiscus	spp.)
·						Hortênsia	(Hydrangea	macrophylla)
·						Ficus	(Ficus	spp.)
·						Jasmin	manga	(Plumeria	rubra)
·						Lírio	(Lirium	spp.)
·						Maconha	(Cannabis	sativa)
·						Mamona	(Ricinus	communis)
·						Narcisos	(Narcissus	spp.)
·						Palmeira	sagu	(Cycas	revoluta)
·						Samambaias	(todas	as	espécies)
Contatos	Importantes
Médico	Veterinário
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Telefone:	 ________________________	 Celular:
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__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
	
Hospital	ou	Clínica	24	horas
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone	 1:_______________________	 Telefone	 2:
___________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
	
Pet	Shop/	Banho	e	tosa
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone	 1:_______________________	 Telefone	 2:
___________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
	
Farmácia	de	Manipulação	Veterinária
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone1:_______________________	 Telefone	 2:
___________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
Pet	Sitter	ou	Hotelzinho
Nome:
________________________________________________________
Telefone:	 ________________________	 Celular:
______________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
	
Dog	Walker
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone:	 ________________________	 Celular:
______________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horários	 dos	 passeios:
__________________________________________________
	
Outros	Contatos	1
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone:	 ________________________	 Celular:
______________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
	
Outros	Contatos	2
Nome:
___________________________________________________________________
Telefone:	 ________________________	 Celular:
______________________________
e-mail:
__________________________________________________________________
Endereço:
_______________________________________________________________
Horário	 de	 atendimento:
_______________________________________________
Informações	sobre	o	Cão
Nome:	 ________________________________________
Sexo:	____________________
Raça:	 _________________________	 Data	 de
Nascimento:	_____/______/_____
Peso:	__________________________	Data	da	pesagem:
______/______/______
Alergias:
_________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
Alimentação:
___________________________________________________________
	
Parâmetros	Normais
Temperatura:	_____________	ºC				Frequência	Cardíaca:
___________	BPM
Frequência	respiratória:	__________________	RPM
	
Medicamentos	de	uso	contínuo
Nome Dose/
frequência
Data	 de
início
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	
Medicamentos	de	emergência
Nome Dose Indicação
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	
Controle	de	vacinas	e	vermífugos
Nome	 do	 Cão:
__________________________________________________
	
Vacina/Vermífugo Data	da
aplicação
Reaplicar
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	 	 	
	Capítulo 12
	Capítulo 7
	problemas digestivos
	Intoxicações e Envenenamentos
	contenção e segurança
	Técnicas de Salvamento
	kit de primeiros socorros
	atropelamentos
	seção sobre o “B’
	próxima seção
	Capítulo 1
	Capítulo 11
	Capítulo 11
	Capítulo 5
	seção sobre o ABC
	Capítulo 5
	Capítulo 8
	Capítulo 1
	intoxicação
	intermação
	Capítulo 5
	Capítulo 11
	seção sobre hemorragias
	seção sobre curativos
	Capítulo 4
	Capítulo 4
	seção sobre perfurações
	Capítulo 9
	próximo capítulo
	Capítulo 1
	Capítulo 13
	seção sobre carrapatos
	Capítulo 3
	capítulo 13