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Aula 07
Direito Ambiental p/ AGU - Procurador Federal
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Teoria, jurisprudência e questões
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AULA 07
Biodiversidade,
Biossegurança, Organismos
geneticamente modificados
e Legislação de proteção às
espécies ameaçadas
Sumário
1 – Organismos Geneticamente Modificados – OGM’s .................................... 2
2 – Biossegurança .................................................................................... 6
3 – Biodiversidade .................................................................................. 19
4 – Legislação de proteção às espécies ameaçadas ..................................... 24
5 – Jurisprudência correlata ..................................................................... 28
6 - Questões .......................................................................................... 37
7 - Resumo da Aula ................................................................................ 43
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AULA 07 – BIODIVERSIDADE, BIOSSEGURANÇA,
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS E
LEGISLAÇÃO DE PROTEÇÃO ÀS ESPÉCIES AMEAÇADAS
1 – Organismos Geneticamente Modificados – OGM’s
Os Organismos Geneticamente
Modificados – OGM’s, são todas
as entidades biológicas cujo
material genético (ADN/ARN) foi
alterado por meio de qualquer
técnica de engenharia genética
(artificialmente). A definição de
OGM está prevista no artigo 3º, V
da Lei 11.105/2005. A tecnologia
genética permite a transferência
de genes de um organismo para
outro, geralmente com o objetivo
de se criarem espécies mais
resistentes e mais eficientes.
Já que os OGM’s decorrem da alteração genética por meio da engenharia
genética, cabe a pergunta: “o que é engenharia genética?”. Engenharia
genética é a atividade de produção ou manipulação de material
genético hereditário fora das células vivas mediante a modificação dos
segmentos desse material genético.
A introdução direta de material hereditário, em um organismo, se não envolver
a utilização de material modificado (ADN/ARN recombinante), não é
considerado organismo geneticamente modificado – OGM, conforme
artigo 3º, §1º da Lei 11.105/05.
• A sigla ADN significa "ácido
desoxirribonucléico" e a sigla ARN significa
"ácido ribonucléico". Ambos constituem o
material genético que contém as
informações determinantes dos caracteres
hereditários transmitidos à descendência
(artigo 3º, II da Lei 11.105/05)
a
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Lei 11.105/05
Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se:
...
V – organismo geneticamente modificado - OGM: organismo cujo material
genético – ADN/ARN tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia
genética;
...
§ 1o Não se inclui na categoria de OGM o resultante de técnicas que impliquem a
introdução direta, num organismo, de material hereditário, desde que não
envolvam a utilização de moléculas de ADN/ARN recombinante ou OGM,
inclusive fecundação in vitro, conjugação, transdução, transformação, indução
poliplóide e qualquer outro processo natural.
A Lei 11.105/2005 proíbe, inclusive, a modificação genética em embrião
humano, bem como a clonagem humana (artigo 6º).
Lei 11.105/05
Art. 6o Fica proibido:
...
III – engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião
humano;
IV – clonagem humana;
• A fecundação in vitro, também
chamada de "bebê de proveta", é
uma técnica artifical de reprodução
assistida, em que, num ambiente
laboratorial, são colocados
espermatozóides e óvulos em contato
para que haja a fecundação. Caso
haja sucesso, o embrião é
introduzido, posteriormente, na
cavidade uterina, seguindo-se
normalmente com a gestação. Esse
embrião não é considerado OGM, pois
não há modificação do material
genético!!!
a
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OGM é sinônimo de transgênico? A resposta é não. Transgênico é
um organismo que possui um ou mais genes de outro
organismo no seu material genético. Portanto, todo transgênico
é um OGM, mas nem todo OGM é um transgênico.
Através da transgênese é introduzido, por meio de técnicas de
engenharia genética, um material genético de um organismo
em outro organismo (o que não acontece naturalmente).
A transgenia é utilizada principalmente em plantas geradoras de alimentos, a
fim de se obter espécies mais resistentes a pragas e que sejam mais
produtivas, aumentando o lucro dos produtores. O grande perigo dessa técnica
é que os riscos envolvidos não são totalmente conhecidos. Ou seja, não se sabe
se tais alimentos fazem bem ou mal à saúde humana.
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS
PONTOS FAVORÁVEIS PONTOS CONTRÁRIOS
Aumenta a produção de alimentos Podem causar reações alérgicas
no ser humano
Aumenta a resistência das
espécies às pragas e doenças
Aumentam a resistência do ser
humano aos antibióticos
Aumenta a produtividade no
campo
Podem causar patologias no ser
humano, como câncer
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Possibilidade de se fazer um
balanceamento nutricional do
alimento
Maior vulnerabilidade da
plantação decorrente da falta de
variabilidade genética
Redução do uso de agrotóxicos
Desequilíbrio ecológico decorrente
do empobrecimento genético
Aumento da validade do produto Contaminação de outras espécies
Enfim, por constituir a modificação
genética uma nova tecnologia com
pouca certeza científica, a liberação
dessa técnica de engenharia genética
deve levar em conta o princípio da
precaução, evitando-se maiores riscos
não só ao homem como também ao
meio ambiente. Por isso que o plantio
de organismos geneticamente
modificados precisa ser aprovado pelas
autoridades brasileiras (CTNBIO).
Atualmente estão autorizadas as
modificações genéticas para as culturas
de soja, milho, algodão, feijão e
eucalipto.
A legislação brasileira (lei de Biossegurança, em seu artigo 40 c/c Decreto nº
4.680/2003 c/c IN interministerial 1/2004 c/c Portaria MJ nº 2.658/2003),
determina que os alimentos, tanto os destinados ao consumo humano quanto
ao consumo animal, que contenham ou sejam produzidos a partir de OGM ou
derivados, em níveis acima de 1%, deverão conter essa informação nos
rótulos/embalagens. O símbolo dos transgênicos é o seguinte:
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2 – Biossegurança
A Biossegurança, no contexto que
vamos estudar, está relacionada ao
conjunto de mecanismos de
segurança e fiscalização a serem
adotados em relação aos organismos
geneticamente modificados – OGM’s
e seus derivados. O tema é regulado
pela Lei nº 11.105/2005, também
chamada de Lei da Biossegurança. A
publicação desta lei se deu como
decorrência necessária do avanço
tecnológicoe da necessidade de se
adaptar a esse novo cenário. O
objetivo primordial da Lei de Biossegurança é estimular o avanço científico na
área da biossegurança e da biotecnologia, protegendo a vida e a saúde
humana, dos animais e das plantas, bem como do meio ambiente (artigo 1º).
Lei 11.105/05
Art. 1o Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização
sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a
transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a
comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de
organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como
diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e
biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a
observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente.
Ante a incerteza científica decorrente desse novíssimo campo do conhecimento
a Lei de biossegurança prima pela observância do princípio ambiental da
precaução.
Referida lei trata, desde logo, de diferenciar atividade de pesquisa de atividade
de uso comercial dos OGM’s (artigo 1º, §1º e §2º).
• A Lei 11.460/2007, que dispõe sobre o
plantio de OGM's em unidades de
conservação, veda, em seu artigo 1º, a
pesquisa e o cultivo de organismos
geneticamente modificados nas terras
indígenas e áreas de unidades de
conservação, exceto nas Áreas de
Proteção Ambiental.
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ATIVIDADE DE PESQUISA ATIVIDADE DE USO COMERCIAL
Considera-se atividade de pesquisa
a realizada em laboratório, regime
de contenção ou campo, como
parte do processo de obtenção de
OGM e seus derivados ou de
avaliação da biossegurança de OGM
e seus derivados, o que engloba, no
âmbito experimental, a construção,
o cultivo, a manipulação, o
transporte, a transferência, a
importação, a exportação, o
armazenamento, a liberação no
meio ambiente e o descarte de OGM
e seus derivados.
Considera-se atividade de uso
comercial de OGM e seus
derivados a que não se enquadra
como atividade de pesquisa, e
que trata do cultivo, da produção,
da manipulação, do transporte,
da transferência, da
comercialização, da importação,
da exportação, do
armazenamento, do consumo, da
liberação e do descarte de OGM e
seus derivados para fins
comerciais.
A manipulação dos OGM’s é restrita às entidades de direito público ou
privado, e desde que autorizado pela Comissão Técnica de Nacional de
Biossegurança – CTNBio, sendo vedada sua utilização por pessoa física (de
forma autônoma e independente).
Lei 11.105/05
Art. 2o As atividades e projetos que envolvam OGM e seus derivados,
relacionados ao ensino com manipulação de organismos vivos, à pesquisa
científica, ao desenvolvimento tecnológico e à produção industrial ficam restritos
ao âmbito de entidades de direito público ou privado, que serão responsáveis
pela obediência aos preceitos desta Lei e de sua regulamentação, bem como
pelas eventuais conseqüências ou efeitos advindos de seu descumprimento.
§ 1o Para os fins desta Lei, consideram-se atividades e projetos no âmbito de
entidade os conduzidos em instalações próprias ou sob a responsabilidade
JUDICIÁRIA, técnica ou científica da entidade.
§ 2o As atividades e projetos de que trata este artigo são vedados a pessoas
físicas em atuação autônoma e independente, ainda que mantenham vínculo
empregatício ou qualquer outro com pessoas jurídicas.
§ 3o Os interessados em realizar atividade prevista nesta Lei deverão requerer
autorização à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, que se
manifestará no prazo fixado em regulamento.
§ 4o As organizações públicas e privadas, nacionais, estrangeiras ou
internacionais, financiadoras ou patrocinadoras de atividades ou de projetos
referidos no caput deste artigo devem exigir a apresentação de Certificado de
Qualidade em Biossegurança, emitido pela CTNBio, sob pena de se tornarem co-
responsáveis pelos eventuais efeitos decorrentes do descumprimento desta Lei
ou de sua regulamentação.
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A Lei de Biossegurança traz, em seu artigo 3º, importantes conceitos que
serão usados durante o estudo do tema. Vamos a eles:
Organismo: toda entidade biológica capaz de reproduzir ou transferir material
genético, inclusive vírus e outras classes que venham a ser conhecidas.
Acido desoxirribonucléico - ADN, ácido ribonucléico - ARN: material genético
que contém informações determinantes dos caracteres hereditários transmissíveis
à descendência.
Moléculas de ADN/ARN recombinante: as moléculas manipuladas fora das
células vivas mediante a modificação de segmentos de ADN/ARN natural ou
sintético e que possam multiplicar-se em uma célula viva, ou ainda as moléculas
de ADN/ARN resultantes dessa multiplicação; consideram-se também os
segmentos de ADN/ARN sintéticos equivalentes aos de ADN/ARN natural.
Engenharia genética: atividade de produção e manipulação de moléculas de
ADN/ARN recombinante.
Organismo geneticamente modificado - OGM: organismo cujo material
genético – ADN/ARN tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia
genética.
Derivado de OGM: produto obtido de OGM e que não possua capacidade
autônoma de replicação ou que não contenha forma viável de OGM.
Célula germinal humana: célula-mãe responsável pela formação de gametas
presentes nas glândulas sexuais femininas e masculinas e suas descendentes
diretas em qualquer grau de ploidia.
Clonagem: processo de reprodução assexuada, produzida artificialmente,
baseada em um único patrimônio genético, com ou sem utilização de técnicas de
engenharia genética.
Clonagem para fins reprodutivos: clonagem com a finalidade de obtenção de
um indivíduo.
Clonagem terapêutica: clonagem com a finalidade de produção de células-
tronco embrionárias para utilização terapêutica.
Células-tronco embrionárias: células de embrião que apresentam a capacidade
de se transformar em células de qualquer tecido de um organismo.
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O uso terapêutico das células-tronco consiste na possibilidade destas células
de se diferenciarem, formando outros tecidos corporais, tais como ossos,
nervos, músculos, sangue. Esses novos tecidos são utilizados para recuperar
tecidos já danificados por patologias, por exemplo.
As células-tronco são encontradas em células embrionárias, no cordão
umbilical, na medula óssea, no sangue, no fígado, na placenta e no líquido
amniótico.
A Lei 11.105/05 permite o uso, para fins de pesquisa e terapia, das células-
tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in
vitro e não utilizados no respectivo procedimento. Mas são necessários alguns
requisitos, quais sejam:
a) Sejam embriões inviáveis;
b) Caso sejam viáveis, que sejam embriões congelados há 3 (três)
anos ou mais, na data da publicação da Lei 11.105/05, ou que, já
congelados na data da publicação desta Lei, depois de
completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de
congelamento
Em qualquer dos casos acima é necessário o consentimento dos genitores, e é
proibida a comercialização desse material (inclusive tal conduta é tipificada
como crime – artigo 15 da Lei 9.434/97).
• As células-tronco são aquelas
células que ainda não se
diferenciaram, possuindo a
capacidadede se dividir, dando
origem a células que podem se
diferenciar em diversos tipos
(musculares, nervosas, sanguíneas,
etc.)
a
• O STF reconheceu que o uso de
células-tronco embrionárias em
pesquisas científicas para fins
terapêuticos não ofende o direito à
vida. Ao contrário, concretiza o
dirieto a uma vida digna, passando
pelo direito à saúde e ao
planejamento familiar (ADI 3510).
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O artigo 6º da Lei 11.105/05 proíbe uma série condutas ligadas ao manejo dos
organismos geneticamente modificados – OGM’s. São eles:
Implementação de projeto relativo a OGM sem a manutenção de
registro de seu acompanhamento individual.
Engenharia genética em organismo vivo ou o manejo in vitro de
ADN/ARN natural ou recombinante, realizado em desacordo com as
normas previstas nesta Lei.
Engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e
embrião humano.
Clonagem humana.
Destruição ou descarte no meio ambiente de OGM e seus derivados
em desacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio, pelos
órgãos e entidades de registro e fiscalização.
Liberação no meio ambiente de OGM ou seus derivados, no âmbito
de atividades de pesquisa, sem a decisão técnica favorável da
CTNBio e, nos casos de liberação comercial, sem o parecer técnico
favorável da CTNBio, ou sem o licenciamento do órgão ou
entidade ambiental responsável, quando a CTNBio considerar a
atividade como potencialmente causadora de degradação
ambiental, ou sem a aprovação do Conselho Nacional de
Biossegurança – CNBS, quando o processo tenha sido por ele
avocado, na forma da legislação.
A utilização, a comercialização, o registro, o patenteamento e o
licenciamento de "tecnologias genéticas de restrição do uso"
(qualquer processo de intervenção humana para geração ou
multiplicação de plantas geneticamente modificadas para produzir
estruturas reprodutivas estéreis, bem como qualquer forma de
manipulação genética que vise à ativação ou desativação de genes
relacionados à fertilidade das plantas por indutores químicos
externos).
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Caso haja acidente envolvendo
organismos geneticamente modificados,
em pesquisas ou projetos de engenharia
genética, é obrigatório que haja a
investigação do caso e o envio do
respectivo relatório à autoridade
competente no prazo máximo de 5 dias
a contar da data do acidente. Também
é obrigatória a imediata notificação à
CTNBio e às autoridades da saúde pública, da defesa agropecuária e do meio
ambiente sobre acidente que possa provocar a disseminação de OGM e seus
derivados. Por último, devem ser adotados os meios necessários para que todos
os envolvidos tenham consciência dos riscos a que estão submetidos (artigo 7º
da Lei 11.105/05).
A Lei 11.105/05 criou, ainda, o
Conselho Nacional de
Biossegurança – CNBS,
vinculado à Presidência da
República, órgão de
assessoramento superior do
Presidente da República para a
formulação e implementação da Política Nacional de Biossegurança – PNB.
Compete ao Conselho fixar princípios e diretrizes para a ação JUDICIÁRIA dos
órgãos e entidades federais com competências sobre a matéria, analisar, a
pedido da CTNBio, quanto aos aspectos da conveniência e oportunidade
socioeconômicas e do interesse nacional, os pedidos de liberação para uso
comercial de OGM e seus derivados, avocar e decidir, em última e definitiva
instância, com base em manifestação da CTNBio e, quando julgar necessário,
dos órgãos e entidades referidos no art. 16 da Lei 11.105/05, no âmbito de
• Não se aplica a Lei de Biossegurança
quando a modificação genética for obtida
por meio das seguintes técnicas, desde que
não impliquem a utilização de OGM como
receptor ou doador: mutagênese, formação
e utilização de células somáticas de
hibridoma animal, fusão celular, inclusive a
de protoplasma, de células vegetais, que
possa ser produzida mediante métodos
tradicionais de cultivo e autoclonagem de
organismos não-patogênicos que se
processe de maneira natural (artigo 4º)
a
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suas competências, sobre os processos relativos a atividades que envolvam o
uso comercial de OGM e seus derivados e Apreciar recurso dos órgãos de
fiscalização e registro em relação a decisão da CTNBio (artigo 8º).
Compõem o CNBS o Ministro de Estado da Casa Civil, que o preside, o Ministro
da Justiça, o Ministro da Ciência e Tecnologia, o Ministro do Desenvolvimento
Agrário, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministro da Saúde,
o Ministro do Meio Ambiente, o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, o Ministro das Relações Exteriores, o Ministro da Defesa e o
Secretário Especial de Aqüicultura e Pesca (artigo 9º).
Se o CNBS deliberar
favoravelmente à realização da
atividade analisada
Se o CNBS deliberar
contrariamente à realização da
atividade analisada
Encaminhará sua manifestação
aos órgãos e entidades de registro
e fiscalização do Ministério da
Saúde, do Ministério da
Agricultura, Pecuária e
Abastecimento e do Ministério do
Meio Ambiente, e da Secretaria
Especial de Aqüicultura e Pesca da
Presidência da República.
Encaminhará sua manifestação à
CTNBio para informação ao
requerente.
A Lei 11.105/05 reestruturou, ainda, a
Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança – CTNBio, que é uma
instância colegiada multidisciplinar de
caráter consultivo e deliberativo,
integrante do Ministério da Ciência e
Tecnologia, constituída para prestar apoio
técnico e de assessoramento ao Governo
Federal na formulação, atualização e
implementação da Política Nacional de
Biossegurança (PNB) de Organismos
Geneticamente Modificados (OGM) e seus derivados, bem como no
estabelecimento de normas técnicas de segurança e de pareceres técnicos
referentes à autorização para atividades que envolvam pesquisa e uso
comercial de OGM e seus derivados, com base na avaliação de seu risco
zoofitossanitário, à saúde humana e ao meio ambiente (artigo 10).
A CTNBio é composta por 27 (vinte e sete) cidadãos brasileiros de
reconhecida competência técnica, de notória atuação e saber científicos, com
grau acadêmico de doutor e com destacada atividade profissional nas áreas de
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biossegurança, biotecnologia, biologia, saúde humana e animal ou meio
ambiente, sendo:
12 (doze) especialistas de notório saber científico e técnico, em efetivo exercício
profissional, sendo:
3 (três) da área de saúde humana;
3 (três) da área animal;
3 (três) da área vegetal;
3 (três) da área de meio ambiente;
1 representante de cada um dos seguintes órgãos: Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Meio
Ambiente, Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, Ministério das Relações Exteriores, Ministério do
Desenvolvimento Agrário, Ministério da Defesa e Secretaria Especial de
Aqüicultura e Pesca da Presidência da República;
1 especialista em defesa do Consumidor;
1 especialista em Saúde;
1 especialista em Meio Ambiente;
1 especialista em Biotecnologia;
1 especialista em Agricultura Familiar;1 especialista em Saúde do Trabalhador;
Os membros da CTNBio terão mandato de 2 (dois) anos, renovável por até mais
2 (dois) períodos consecutivos e o presidente da CTNBio será designado, entre
seus membros, pelo Ministro da Ciência e Tecnologia para um mandato de 2
(dois) anos, renovável por igual período.
COMPETÊNCIAS DA CTNBio (artigo 14)
estabelecer normas para as
pesquisas com OGM e derivados
de OGM
estabelecer normas relativamente
às atividades e aos projetos
relacionados a OGM e seus
derivados
estabelecer, no âmbito de suas
competências, critérios de
avaliação e monitoramento de
risco de OGM e seus derivados
proceder à análise da avaliação de
risco, caso a caso, relativamente a
atividades e projetos que
envolvam OGM e seus derivados
estabelecer os mecanismos de
funcionamento das Comissões
estabelecer requisitos relativos à
biossegurança para autorização de
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Internas de Biossegurança –
CIBio, no âmbito de cada
instituição que se dedique ao
ensino, à pesquisa científica, ao
desenvolvimento tecnológico e à
produção industrial que envolvam
OGM ou seus derivados
funcionamento de laboratório,
instituição ou empresa que
desenvolverá atividades
relacionadas a OGM e seus
derivados
relacionar-se com instituições
voltadas para a biossegurança de
OGM e seus derivados, em âmbito
nacional e internacional
autorizar, cadastrar e acompanhar
as atividades de pesquisa com
OGM ou derivado de OGM, nos
termos da legislação em vigor
autorizar a importação de OGM e
seus derivados para atividade de
pesquisa
prestar apoio técnico consultivo e
de assessoramento ao CNBS na
formulação da PNB de OGM e seus
derivados
emitir Certificado de Qualidade em
Biossegurança – CQB para o
desenvolvimento de atividades
com OGM e seus derivados em
laboratório, instituição ou
empresa e enviar cópia do
processo aos órgãos de registro e
fiscalização referidos no art. 16 da
Lei 11.105/05
emitir decisão técnica, caso a
caso, sobre a biossegurança de
OGM e seus derivados no âmbito
das atividades de pesquisa e de
uso comercial de OGM e seus
derivados, inclusive a classificação
quanto ao grau de risco e nível de
biossegurança exigido, bem como
medidas de segurança exigidas e
restrições ao uso
definir o nível de biossegurança a
ser aplicado ao OGM e seus usos, e
os respectivos procedimentos e
medidas de segurança quanto ao
seu uso, conforme as normas
estabelecidas na regulamentação
da Lei 11.105/05, bem como
quanto aos seus derivados
classificar os OGM segundo a
classe de risco, observados os
critérios estabelecidos no
regulamento da Lei 11.105/05
acompanhar o desenvolvimento e
o progresso técnico-científico na
biossegurança de OGM e seus
derivados
emitir resoluções, de natureza
normativa, sobre as matérias de
sua competência
apoiar tecnicamente os órgãos
competentes no processo de
prevenção e investigação de
acidentes e de enfermidades,
poiar tecnicamente os órgãos e
entidades de registro e
fiscalização, referidos no art. 16
desta Lei, no exercício de suas
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verificados no curso dos projetos e
das atividades com técnicas de
ADN/ARN recombinante
atividades relacionadas a OGM e
seus derivados
divulgar no Diário Oficial da União,
previamente à análise, os extratos
dos pleitos e, posteriormente, dos
pareceres dos processos que lhe
forem submetidos, bem como dar
ampla publicidade no Sistema de
Informações em Biossegurança –
SIB a sua agenda, processos em
trâmite, relatórios anuais, atas
das reuniões e demais
informações sobre suas
atividades, excluídas as
informações sigilosas, de
interesse comercial, apontadas
pelo proponente e assim
consideradas pela CTNBio
reavaliar suas decisões técnicas
por solicitação de seus membros
ou por recurso dos órgãos e
entidades de registro e
fiscalização, fundamentado em
fatos ou conhecimentos científicos
novos, que sejam relevantes
quanto à biossegurança do OGM
ou derivado, na forma da Lei
11.105/05 e seu regulamento
identificar atividades e produtos
decorrentes do uso de OGM e seus
derivados potencialmente
causadores de degradação do
meio ambiente ou que possam
causar riscos à saúde humana
propor a realização de pesquisas e
estudos científicos no campo da
biossegurança de OGM e seus
derivados
apresentar proposta de regimento
interno ao Ministro da Ciência e
Tecnologia
A fiscalização das atividades envolvendo OGM’s e seus derivados, inclusive a
liberação de seu uso comercial e sua importação e a aplicação de penalidades
cabem aos órgãos e entidades pertencentes ao Ministério da Saúde, ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Ministério do Meio
Ambiente, e a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da
República, conforme determina o artigo 16 da Lei 11.605/2005.
• A decisão técnica da CTNBio, quanto aos
aspectos de biossegurança do OGM e seus
derivados, vincula os demais órgãos e
entidades da administração.
a
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A Lei de Biossegurança ainda prevê que toda instituição que utilize técnicas de
engenharia genética ou esteja envolvida com OGM’s e seus derivados devem
criar uma Comissão Interna de Biossegurança – CIBio, além de indicar um
técnico principal responsável para cada projeto específico. Essa Comissão será
responsável por manter os trabalhadores e a coletividade informados acerca da
atividade desenvolvida, além de estabelecer programas preventivos e de
inspeção aplicáveis às respectivas instalações e investigar acidentes e
enfermidades possivelmente relacionadas aos OGM’s e seus derivados (artigo
18).
Também não podemos deixar de falar que a Lei de Biossegurança também
criou, no âmbito do o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Sistema de
Informações em Biossegurança – SIB, sistema este destinado à gestão das
informações decorrentes das atividades de análise, autorização, registro,
monitoramento e acompanhamento das atividades que envolvam OGM e seus
derivados. Esse sistema deverá ser alimentado com as informações decorrentes
dos órgãos de registro e fiscalização da matéria em questão (OGM’s e seus
derivados).
A responsabilidade pelos danos ao meio ambiente e
a terceiros, em decorrência da manipulação dos
OGM’s e seus derivados
Solidária
Objetiva (independe de culpa)
A Lei de Biossegurança prevê como penas administrativas decorrentes das
infrações JUDICIÁRIAs as seguintes:
I – advertência;
II – multa;
III – apreensão de OGM e seus derivados;
IV – suspensão da venda de OGM e seus derivados;
V – embargo da atividade;
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VI – interdição parcial ou total do estabelecimento, atividade ou
empreendimento;
VII – suspensão de registro, licença ou autorização;
VIII – cancelamento de registro, licença ou autorização;
IX – perda ou restrição de incentivo e benefício fiscal concedidos pelo
governo;
X – perda ou suspensão da participação em linha de financiamento em
estabelecimento oficial de crédito;
XI – intervenção no estabelecimento;
XII – proibição de contratar com a administraçãopública, por período
de até 5 (cinco) anos.
Por último, cabe ressaltar que a Lei 11.105/05 tipifica como crime a utilização
de embrião humano em desacordo com as determinações legais (artigo
5º), além da prática de engenharia genética em célula germinal
humana, zigoto humano ou embrião humano, da clonagem humana e da
liberação ou descarte OGM no meio ambiente, em desacordo com as
normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de
registro e fiscalização (artigos 24 a 27).
• A multa, que pode variar de R$2.000,00 a
R$1.500.000,00, pode ser aplicada
cumulativamente com as demais sanções
e em caso de reincidência poderá ser
dobrada. A aplicação é de
responsabilidade dos órgãos de registro e
fiscalização , a quem cabe a destinação
dos recursos decorrentes da referida
penalidade.
a
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Já vimos que a clonagem humana é crime. Mas o que é
o processo de clonagem? A clonagem nada mais é
que um processo de reprodução assexuada (natural ou
artificial) em que há a produção de indivíduos
geneticamente iguais (criam-se cópias de organismos
com o mesmo material genético de outro). A clonagem animal é permitida. O
que é proibida é a clonagem de humanos!!!
“O Brasil tornou-se o primeiro país em
desenvolvimento a dominar a tecnologia da
clonagem. No dia 17 de março de 2001, nasceu
Vitória, uma bezerra da raça simental, o
primeiro animal clonado produzido no país. Os
responsáveis pela façanha foram os pesquisadores da Embrapa, que
passaram, então, à tentativa de criar vacas clonadas e transgênicas. Os
pesquisadores concluíram que a combinação da clonagem com as
demais técnicas de multiplicação animal permite obter, em um ano, o
ganho genético equivalente a 12 anos de seleção e multiplicação pelos
métodos tradicionais. O domínio da biotecnologia animal pelo Brasil
possibilitará a reprodução acelerada de animais geneticamente
superiores.
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Além de viabilizar programas de melhoramento animal, esse avanço
tecnológico pode ser utilizado para a conservação de animais
ameaçados de extinção no território nacional. Contudo, no que tange
às espécies ameaçadas de extinção, é preciso que o desenvolvimento
de novas tecnologias não ignore a necessidade de preservação e
fiscalização de áreas florestais. Seria um trabalho improdutivo elevar
as taxas de reprodução de uma espécie e não ter como devolvê-la a
seu hábitat”.1
Atentar para a importância do Protocolo de
Cartagena sobre Biossegurança. “Em 2000, a
Conferência das Partes da Convenção da Diversidade
Biológica (COP) adotou seu primeiro acordo
suplementar, o Protocolo de Cartagena sobre
Biossegurança. Esse protocolo é um instrumento normativo
internacional que tem por objetivo a conservação da diversidade
biológica, o uso sustentável da biodiversidade, a repartição justa e
equitativa dos benefícios provenientes da utilização dos recursos
genéticos e contribuir para assegurar um nível adequado de proteção
no campo da transferência, da manipulação e do uso seguros dos
Organismos Vivos Modificados resultantes da biotecnologia”.2
3 – Biodiversidade
A biodiversidade, ou
diversidade biológica,
consiste no conjunto de todos
os seres vivos existentes no
planeta. Representa a riqueza,
a variedade de seres
existentes, incluindo a
variedade genética existente.
Não podemos deixar de frisar
que o homem necessita da
biodiversidade para sobreviver,
pois essa biodiversidade é
responsável pela manutenção do meio em que vivemos. Daí a importância de
conservamos essa enorme riqueza biológica. A biodiversidade está em
constante mutação, e está distribuída no planeta de forma não homogênea,
1 http://monografias.brasilescola.uol.com.br/biologia/clonagem.htm
2 http://terradedireitos.org.br/2014/11/14/convencao-da-diversidade-biologica-cop-e-mop/
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sendo encontrada de forma mais abundante nos trópicos. Os grandes vilões da
diversidade biológica são a poluição, o uso excessivo de recursos naturais, a
expansão das fronteiras agrícolas, a expansão urbano-industrial e a introdução
de espécies em ecossistemas diversos.
“O Brasil ocupa quase metade da América
do Sul e é o país com a maior diversidade
de espécies no mundo, espalhadas nos seis
biomas terrestres e nos três grandes
ecossistemas marinhos. São mais de
103.870 espécies animais e 43.020
espécies vegetais conhecidas no país. Suas
diferentes zonas climáticas favorecem a
formação de zonas biogeográficas
(biomas), a exemplo da floresta amazônica,
maior floresta tropical úmida do mundo; o
Pantanal, maior planície inundável; o
Cerrado, com suas savanas e bosques; a Caatinga, composta por
florestas semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical
pluvial da Mata Atlântica. Além disso, o Brasil possui uma costa
marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de
corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.”3
O acompanhamento da questão relativa à biodiversidade no Brasil é feito pela
Comissão Nacional da Biodiversidade (CONABIO).
A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é um tratado da
Organização das Nações Unidas e um dos mais importantes instrumentos
internacionais relacionados ao meio ambiente.
A Convenção foi estabelecida durante a ECO-92 – a Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em
junho de 1992 – e é hoje o principal fórum mundial para questões relacionadas
ao tema. Mais de 160 países já assinaram o acordo, que entrou em vigor em
dezembro de 1993. A Convenção está estruturada sobre três bases principais –
a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável da
biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios
provenientes da utilização dos recursos genéticos – e se refere à
biodiversidade em três níveis: ecossistemas, espécies e recursos genéticos.
A Convenção abarca tudo o que se refere direta ou indiretamente à
biodiversidade – e ela funciona, assim, como uma espécie de arcabouço legal e
3 http://www.mma.gov.br/biodiversidade
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político para diversas outras convenções e acordos ambientais mais
específicos...4
Podemos citar três tipos principais de conservação5, quais sejam:
CONSERVAÇÃO IN
SITU
CONSERVAÇÃO ON FARM CONSERVAÇÃO EX SITU
É definida como
sendo a
conservação dos
ecossistemas e
dos habitats
naturais e a
manutenção e a
reconstituição de
populações viáveis
de espécies nos
seus ambientes
naturais e, no
caso de espécies
domesticadas e
cultivadas, nos
ambientes onde
desenvolveram
seus caracteres
distintos.
Geralmente é um
processo mais
oneroso, pois
depende de
constante manejo
e monitoramento.
Pode ser considerada uma
estratégia complementar à
conservação in situ, já que
esse processo também permite
que as espécies continuem o
seu processo evolutivo. É uma
das formas de conservação
genética da
agrobiodiversidade, um termo
utilizado para se referir à
diversidade de seres vivos, de
ambientes terrestresou
aquáticos, cultivados em
diferentes estados de
domesticação. A conservação
on farm apresenta como
particularidade o fato de
envolver recursos genéticos,
especialmente variedades
crioulas - cultivadas por
agricultores, especialmente
pelos pequenos agricultores,
além das comunidades locais,
Envolve a manutenção, fora do
habitat natural, de uma
representatividade da
biodiversidade, de importância
científica ou econômico-social,
inclusive para o
desenvolvimento de programas
de pesquisa, particularmente
aqueles relacionados ao
melhoramento genético. Trata
da manutenção de recursos
genéticos em câmaras de
conservação de sementes (-
20º C), cultura de tecidos
(conservação in vitro),
criogenia - para o caso de
sementes recalcitrantes, (-
196º C), laboratórios - para o
caso de microorganismos, a
campo (conservação in vivo),
bancos de germoplasma - para
o caso de espécies vegetais, ou
em núcleos de conservação,
para o caso de espécies
animais. A conservação ex situ
implica, portanto, a
4 http://www.mma.gov.br/biodiversidade/conven%C3%A7%C3%A3o-da-diversidade-
biol%C3%B3gica
5 http://www.mma.gov.br/biodiversidade/conservacao-e-promocao-do-uso-da-diversidade-
genetica/agrobiodiversidade/conserva%C3%A7%C3%A3o-in-situ,-ex-situ-e-on-farm
• A CDB reconhece e respeita a soberania
dos Estados no que diz respeito aos
direitos sobre seus recursos biológicos.
a
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tradicionais ou não e
populações indígenas,
detentoras de grande
diversidade de recursos fito-
genéticos e de um amplo
conhecimento sobre eles. Esta
diversidade de recursos é
essencial para a segurança
alimentar das comunidades.
manutenção das espécies fora
de seu habitat natural e tem
como principal característica:
(i) preservar genes por
séculos; (ii) permitir que em
apenas um local seja reunido
material genético de muitas
procedências, facilitando o
trabalho do melhoramento
genético; (iii) garantir melhor
proteção à diversidade
intraespecífica, especialmente
de espécies de ampla
distribuição geográfica. Este
método implica, entretanto, na
paralisação dos processos
evolutivos, além de depender
de ações permanentes do
homem, visto concentrar
grandes quantidades de
material genético em um
mesmo local, o que torna a
coleção bastante vulnerável.
As três formas de conservação vistas acima são complementares, e visam
garantir a implementação dos grandes objetivos da CDB (conservação da
diversidade biológica, o uso sustentável da biodiversidade e a
repartição justa e equitativa dos benefícios provenientes da utilização
dos recursos genéticos), mas a CDB confere primazia (preferência) à
conservação in situ.
A Lei nº 13.123/2015, que não se aplica ao patrimônio genético humano,
regulamenta alguns artigos da CDB e trata do patrimônio genético e do acesso
ao conhecimento tradicional associado. Podemos destacar o conceito de
patrimônio genético, que é bem de uso comum do povo, como sendo
“informação de origem genética de espécies vegetais, animais,
microbianas ou espécies de outra natureza, incluindo substâncias
oriundas do metabolismo destes seres vivos” (artigo 2º, I) e o conceito de
conhecimento tradicional associado como sendo a “informação ou prática
de população indígena, comunidade tradicional ou agricultor tradicional
sobre as propriedades ou usos diretos ou indiretos associada ao
patrimônio genético” (artigo 2º, II).
A gestão, o controle e a fiscalização das atividades relacionadas a pesquisa ou
ao desenvolvimento tecnológico e a exploração econômica decorrente do acesso
ao patrimônio genético existente no País ou ao conhecimento tradicional
associado é de competência da UNIÃO (artigo 3º, parágrafo único).
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A Política Nacional da Biodiversidade, que tem como objetivo geral a
promoção, de forma integrada, da conservação da biodiversidade e da utilização
sustentável de seus componentes, com a repartição justa e eqüitativa dos
benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos, de componentes do
patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados a esses
recursos, foi instituída pelo Decreto nº 4.339/2002 (o qual se recomenda a
leitura). Referida Política é composta, basicamente, de 7 componentes, quais
sejam:
Componente 01 da Política Nacional da Biodiversidade: Conhecimento
da Biodiversidade (Objetivos Gerais: gerar, sistematizar e disponibilizar
informações para a gestão da biodiversidade nos biomas e seu papel no
funcionamento e na manutenção dos ecossistemas terrestres e aquáticos,
incluindo as águas jurisdicionais. Promover o conhecimento da biodiversidade
brasileira, sua distribuição, seus determinantes, seus valores, suas funções
ecológicas e seu potencial de uso econômico)
Componente 02 da Política Nacional da Biodiversidade: Conservação da
Biodiversidade (Objetivo Geral: Promover a conservação, in situ e ex situ, dos
componentes da biodiversidade, incluindo variabilidade genética, de espécies e
de ecossistemas, bem como dos serviços ambientais mantidos pela
biodiversidade)
Componente 03 da Política Nacional da Biodiversidade: Utilização
Sustentável dos Componentes da Biodiversidade (Objetivo Geral:
Promover mecanismos e instrumentos que envolvam todos os setores
governamentais e não-governamentais, públicos e privados, que atuam na
utilização de componentes da biodiversidade, visando que toda utilização de
componentes da biodiversidade seja sustentável e considerando não apenas seu
valor econômico, mas também os valores ambientais, sociais e culturais da
biodiversidade)
Componente 04 da Política Nacional da Biodiversidade: Monitoramento,
Avaliação, Prevenção e Mitigação de Impactos sobre a Biodiversidade
(Objetivo Geral: estabelecer formas para o desenvolvimento de sistemas e
procedimentos de monitoramento e de avaliação do estado da biodiversidade
brasileira e das pressões antrópicas sobre a biodiversidade, para a prevenção e
a mitigação de impactos sobre a biodiversidade)
Componente 05 da Política Nacional da Biodiversidade: Acesso aos
Recursos Genéticos e aos Conhecimentos Tradicionais Associados e
Repartição de Benefícios (Objetivo Geral: Permitir o acesso controlado aos
recursos genéticos, aos componentes do patrimônio genético e aos
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conhecimentos tradicionais associados com vistas à agregação de valor
mediante pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico e de forma que a
sociedade brasileira, em particular os povos indígenas, quilombolas e outras
comunidades locais, possam compartilhar, justa e eqüitativamente, dos
benefícios derivados do acesso aos recursos genéticos, aos componentes do
patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais associados à
biodiversidade)
Componente 06 da Política Nacional da Biodiversidade: Educação,
Sensibilização Pública, Informação e Divulgação sobre Biodiversidade
(Objetivo Geral: Sistematizar, integrar e difundir informações sobre a
biodiversidade, seu potencial para desenvolvimento e a necessidade de sua
conservação e de sua utilização sustentável, bem como da repartição dos
benefícios derivados da utilização de recursos genéticos, de componentes do
patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado, nos diversos
níveis de educação, bem como junto à população e aostomadores de decisão)
Componente 07 da Política Nacional da Biodiversidade: Fortalecimento
Jurídico e Institucional para a Gestão da Biodiversidade (Objetivo Geral:
Promover meios e condições para o fortalecimento da infra-estrutura de
pesquisa e gestão, para o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia,
para a formação e fixação de recursos humanos, para mecanismos de
financiamento, para a cooperação internacional e para a adequação jurídica
visando à gestão da biodiversidade e à integração e à harmonização de políticas
setoriais pertinentes à biodiversidade)
4 – Legislação de proteção ás espécies ameaçadas
Espécies ameaçadas são aquelas cujas
populações e habitats estão
desaparecendo rapidamente, de
forma a colocá-las em risco de
tornarem-se extintas. A conservação
dos ecossistemas naturais, sua flora,
fauna e os microrganismos garante a
sustentabilidade dos recursos naturais e
permite a manutenção de vários serviços
essenciais à manutenção da
biodiversidade, como, por exemplo: a
polinização; reciclagem de nutrientes;
fixação de nitrogênio no solo; dispersão de propágulos e sementes; purificação
da água e o controle biológico de populações de plantas, animais, insetos e
microorganismos, entre outros. Esses serviços garantem o bem estar das
populações humanas e raramente são valorados economicamente.
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No âmbito internacional, três Convenções fornecem o arcabouço legal para o
tratamento diferenciado das espécies consideradas ameaçadas de extinção: a
Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas
Naturais dos Países da América; a Convenção de Washington sobre o
Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em
Perigo de Extinção (CITES), e a Convenção sobre Diversidade Biológica
- CDB.
A Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais
dos Países da América, ratificada pelo Decreto Legislativo nº 3, de 1948, em
vigor para o Brasil desde 26 de novembro de 1965, foi promulgada pelo Decreto
nº 58.054, de 23 de março de 1966. A Convenção estabelece, por meio de seu
artigo VII, que os países adotarão medidas apropriadas "para evitar a extinção
que ameace a uma espécie determinada". No artigo IX define que cada um dos
países tomará as medidas necessárias para a superintendência e
regulamentação das importações, exportações e trânsito de espécies protegidas
da flora e da fauna.
A Convenção de Washington sobre o Comércio Internacional das Espécies da
Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), da qual o Brasil é
signatário, foi ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Lei nº 54/75 e
promulgada pelo Decreto nº 76.623, de novembro de 1975. A CITES estabelece
proteção para um conjunto de plantas e animais, por meio da regulação e
monitoramento de seu comércio internacional, particularmente aquelas
ameaçadas de extinção, de modo a impedir que este atinja níveis
insustentáveis.
A Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB, por sua vez, foi ratificada pelo
Brasil por meio do Decreto Legislativo nº 2, de 8 de fevereiro de 1994. Em seu
artigo 8º (alínea f), a CDB define que os países devem "recuperar e restaurar
ecossistemas degradados e promover a recuperação de espécies ameaçadas
por meio da elaboração e da implementação de planos e outras estratégias de
gestão".
No âmbito nacional, a Lei de Proteção da Fauna (Lei nº 5.197, de 3 de
janeiro de 1967), como o próprio nome estipula, dispõe sobre a proteção dos
animais.
O fundamento constitucional da proteção às espécies ameaçadas encontra-se
no artigo 225, §1º, VII, in verbis:
CF/88
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as
presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
...
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VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais a crueldade.
Por força do artigo 3º do Decreto 3.607/2000 o IBAMA é a autoridade
JUDICIÁRIA responsável pela fiscalização e emissão das licenças relativas ao
comércio internacional de espécies da fauna e da flora.
A lei 5.197/67 dispõe que os animais pertencentes à fauna silvestre, bem como
seus ninhos, abrigos e criadouros, são bens do Estado, sendo proibidas sua
utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha (artigo 1º). Já a Lei
9.605/98, em seu artigo 29, §3º, define fauna silvestre como “espécimes da
fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e
quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu
ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas
jurisdicionais brasileiras”.
É permitida a destruição de animais silvestres considerados nocivos à
agricultura ou à saúde pública (artigo 3º, §2º).
A captura e a manutenção de animais da fauna silvestre em cativeiro são
permitidas, desde que seja observado o que dispõe o artigo 8º da Lei 5.197/67
e a Portaria IBAMA nº 118-N, de 1997.
Lei 5.197/67
Art. 8º O Órgão público federal competente, no prazo de 120 dias, publicará e
atualizará anualmente:
a) a relação das espécies cuja utilização, perseguição, caça ou apanha será
permitida indicando e delimitando as respectivas áreas;
b) a época e o número de dias em que o ato acima será permitido;
c) a quota diária de exemplares cuja utilização, perseguição, caça ou apanha
será permitida.
Parágrafo único. Poderão ser igualmente, objeto de utilização, caça, perseguição
ou apanha os animais domésticos que, por abandono, se tornem selvagens ou
ferais.
• Caso haja necessidade de se autorizar a
caça de algum animal (por motivo
excepcional) a competência será do
IBAMA. Mas a caça profissional é proibida!
a
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O simples desacompanhamento de comprovação de procedência de peles ou
outros produtos de animais silvestres, nos carregamentos de via terrestre,
fluvial, marítima ou aérea, que se iniciem ou transitem pelo País, caracterizará,
de imediato, comércio ilegal.
O artigo 10 da Lei 5.197/67 proíbe, ainda, a utilização dos seguintes
instrumentos na perseguição, destruição, caça ou apanha de animais silvestres:
a) com visgos, atiradeiras, fundas, bodoques, veneno, incêndio ou
armadilhas que maltratem a caça;
b) com armas a bala, a menos de três quilômetros de qualquer via
térrea ou rodovia pública;
c) com armas de calibre 22 para animais de porte superior ao tapiti
(sylvilagus brasiliensis);
d) com armadilhas, constituídas de armas de fogo;
e) nas zonas urbanas, suburbanas, povoados e nas estâncias
hidrominerais e climáticas;
f) nos estabelecimentos oficiais e açudes do domínio público, bem como
nos terrenos adjacentes, até a distância de cinco quilômetros;
g) na faixa de quinhentos metros de cada lado do eixo das vias férreas
e rodovias públicas;
h) nas áreas destinadas à proteção da fauna, da flora e das belezas
naturais;
i) nos jardins zoológicos, nos parques e jardins públicos;
j) fora do período de permissão de caça, mesmoem propriedades
privadas;
l) à noite, exceto em casos especiais e no caso de animais nocivos;
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m) do interior de veículos de qualquer espécie.
A lista dos animais ameaçados de extinção está prevista na Portaria nº
444/2014 MMA, a lista da flora ameaçada de extinção está prevista na Portaria
nº 443/2014 MMA e a lista dos peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de
extinção está prevista na Portaria nº 445/2014 MMA.
5 - Jurisprudência Correlata
INFORMATIVO STJ. 208. COMPETÊNCIA. CRIME. SOJA
TRANSGÊNICA. Compete à Justiça Federal processar e julgar a ação
penal cujo objetivo é apurar o crime de liberação no meio ambiente
de organismo geneticamente modificado (soja e sementes), em
desconformidade com as normas da Comissão Técnica Nacional
deBiossegurança (CNTbio). CC 41.301-RS, Rel. Min. Gilson Dipp,
julgado em 12/5/2004.
CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
LEI DE BIOSSEGURANÇA. IMPUGNAÇÃO EM BLOCO DO ART. 5º DA
• Compete à União (artigo 7º, XVI da
LC140/11) e aos Estados, dentro de seu
território (artigo 8º, XVII da LC140/11), a
elaboração da lista contendo as espécies
da fauna e da flora ameaçadas de extinção.
a
• Defeso: período em que as atividades de
caça, pesca e coleta ficam proibidas ou
restritas, possibilitando assim a
reprodução natural das espécies (artigo
2º, XIX da Lei 11.959/09).
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LEI Nº 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005 (LEI DE
BIOSSEGURANÇA). PESQUISAS COM CÉLULAS-
TRONCO EMBRIONÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO
DIREITO À VIDA. CONSITUCIONALIDADE DO USO DE CÉLULAS-
TRONCOEMBRIONÁRIAS EM PESQUISAS CIENTÍFICAS PARA FINS
TERAPÊUTICOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO ABORTO. NORMAS
CONSTITUCIONAIS CONFORMADORAS DO DIREITO FUNDAMENTAL
A UMA VIDA DIGNA, QUE PASSA PELO DIREITO À SAÚDE E AO
PLANEJAMENTO FAMILIAR. DESCABIMENTO DE UTILIZAÇÃO DA
TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME PARA ADITAR À LEI DE
BIOSSEGURANÇA CONTROLES DESNECESSÁRIOS QUE IMPLICAM
RESTRIÇÕES ÀS PESQUISAS E TERAPIAS POR ELA VISADAS.
IMPROCEDÊNCIA TOTAL DA AÇÃO. I - O CONHECIMENTO
CIENTÍFICO, A CONCEITUAÇÃO JURÍDICA DE CÉLULAS-
TRONCO EMBRIONÁRIAS E SEUS REFLEXOS NO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE DA LEI DE BIOSSEGURANÇA. As "células-
tronco embrionárias" são células contidas num agrupamento de
outras, encontradiças em cada embrião humano de até 14 dias
(outros cientistas reduzem esse tempo para a fase de blastocisto,
ocorrente em torno de 5 dias depois da fecundação de um óvulo
feminino por um espermatozóide masculino). Embriões a que se
chega por efeito de manipulação humana em ambiente
extracorpóreo, porquanto produzidos laboratorialmente ou "in
vitro", e não espontaneamente ou "in vida". Não cabe ao Supremo
Tribunal Federal decidir sobre qual das duas formas de pesquisa
básica é a mais promissora: a pesquisa com células-tronco adultas
e aquela incidente sobre células-tronco embrionárias. A certeza
científico-tecnológica está em que um tipo de pesquisa não invalida
o outro, pois ambos são mutuamente complementares. II -
LEGITIMIDADE DAS PESQUISAS COM CÉLULAS-
TRONCO EMBRIONÁRIAS PARA FINS TERAPÊUTICOS E O
CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. A pesquisa científica
com células-tronco embrionárias, autorizada pela Lei n°
11.105/2005, objetiva o enfrentamento e cura de patologias e
traumatismos que severamente limitam, atormentam, infelicitam,
desesperam e não raras vezes degradam a vida de expressivo
contingente populacional (ilustrativamente, atrofias espinhais
progressivas, distrofias musculares, a esclerose múltipla e a lateral
amiotrófica, as neuropatias e as doenças do neurônio motor). A
escolha feita pela Lei de Biossegurança não significou um desprezo
ou desapreço pelo embrião "in vitro", porém u'a mais firme
disposição para encurtar caminhos que possam levar à superação
do infortúnio alheio. Isto no âmbito de um ordenamento
constitucional que desde o seu preâmbulo qualifica "a liberdade, a
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a
justiça" como valores supremos de uma sociedade mais que tudo
"fraterna". O que já significa incorporar o advento do
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constitucionalismo fraternal às relações humanas, a traduzir
verdadeira comunhão de vida ou vida social em clima de
transbordante solidariedade em benefício da saúde e contra
eventuais tramas do acaso e até dos golpes da própria natureza.
Contexto de solidária, compassiva ou fraternal legalidade que,
longe de traduzir desprezo ou desrespeito aos congelados embriões
"in vitro", significa apreço e reverência a criaturas humanas que
sofrem e se desesperam. Inexistência de ofensas ao direito à vida e
da dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-
tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os fins a
que se destinam) significa a celebração solidária da vida e alento
aos que se acham à margem do exercício concreto e inalienável dos
direitos à felicidade e do viver com dignidade (Ministro Celso de
Mello). III - A PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DO DIREITO À VIDA E
OS DIREITOS INFRACONSTITUCIONAIS DO EMBRIÃO PRÉ-
IMPLANTO. O Magno Texto Federal não dispõe sobre o início da
vida humana ou o preciso instante em que ela começa. Não faz de
todo e qualquer estádio da vida humana um autonomizado bem
jurídico, mas da vida que já é própria de uma concreta pessoa,
porque nativiva (teoria "natalista", em contraposição às teorias
"concepcionista" ou da "personalidade condicional"). E quando se
reporta a "direitos da pessoa humana" e até dos "direitos e
garantias individuais" como cláusula pétrea está falando de direitos
e garantias do indivíduo-pessoa, que se faz destinatário dos
direitos fundamentais "à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade", entre outros direitos e garantias
igualmente distinguidos com o timbre da fundamentalidade (como
direito à saúde e ao planejamento familiar). Mutismo constitucional
hermeneuticamente significante de transpasse de poder normativo
para a legislação ordinária. A potencialidade de algo para se tornar
pessoa humana já é meritória o bastante para acobertá-la,
infraconstitucionalmente, contra tentativas levianas ou frívolas de
obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três realidades
não se confundem: o embrião é o embrião, o feto é o feto e a
pessoa humana é a pessoa humana. Donde não existir pessoa
humana embrionária, mas embrião de pessoa humana. O embrião
referido na Lei de Biossegurança ("in vitro" apenas) não é uma
vida a caminho de outra vida virginalmente nova, porquanto lhe
faltam possibilidades de ganhar as primeiras terminações
nervosas, sem as quais o ser humano não tem factibilidade como
projeto de vida autônoma e irrepetível. O Direito infraconstitucional
protege por modo variado cada etapa do desenvolvimento biológico
do ser humano. Os momentos da vida humana anteriores ao
nascimento devem ser objeto de proteção pelo direito comum. O
embrião pré-implanto é um bem a ser protegido, mas não uma
pessoa no sentido biográfico a que se refere a Constituição. IV - AS
PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO NÃO CARACTERIZAM ABORTO.
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Aula 07 – Prof. Thiago LeiteMATÉRIA ESTRANHA À PRESENTE AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a proposição de que
toda gestação humana principia com um embrião igualmente
humano, claro, mas nem todo embrião humano desencadeia uma
gestação igualmente humana, em se tratando de experimento "in
vitro". Situação em que deixam de coincidir concepção e nascituro,
pelo menos enquanto o ovócito (óvulo já fecundado) não for
introduzido no colo do útero feminino. O modo de irromper em
laboratório e permanecer confinado "in vitro" é, para o embrião,
insuscetível de progressão reprodutiva. Isto sem prejuízo do
reconhecimento de que o zigoto assim extra-corporalmente
produzido e também extra-corporalmente cultivado e armazenado
é entidade embrionária do ser humano. Não, porém, ser humano
em estado de embrião. A Lei de Biossegurança não veicula
autorização para extirpar do corpo feminino esse ou aquele
embrião. Eliminar ou desentranhar esse ou aquele zigoto a caminho
do endométrio, ou nele já fixado. Não se cuida de interromper
gravidez humana, pois dela aqui não se pode cogitar. A
"controvérsia constitucional em exame não guarda qualquer
vinculação com o problema do aborto." (Ministro Celso de Mello). V
- OS DIREITOS FUNDAMENTAIS À AUTONOMIA DA VONTADE, AO
PLANEJAMENTO FAMILIAR E À MATERNIDADE. A decisão por uma
descendência ou filiação exprime um tipo de autonomia de vontade
individual que a própria Constituição rotula como "direito ao
planejamento familiar", fundamentado este nos princípios
igualmente constitucionais da "dignidade da pessoa humana" e da
"paternidade responsável". A conjugação constitucional da
laicidade do Estado e do primado da autonomia da vontade privada,
nas palavras do Ministro Joaquim Barbosa. A opção do casal por um
processo "in vitro" de fecundação artificial de óvulos é implícito
direito de idêntica matriz constitucional, sem acarretar para esse
casal o dever jurídico do aproveitamento reprodutivo de todos os
embriões eventualmente formados e que se revelem geneticamente
viáveis. O princípio fundamental da dignidade da pessoa humana
opera por modo binário, o que propicia a base constitucional para
um casal de adultos recorrer a técnicas de reprodução assistida que
incluam a fertilização artificial ou "in vitro". De uma parte, para
aquinhoar o casal com o direito público subjetivo à "liberdade"
(preâmbulo da Constituição e seu art. 5º), aqui entendida como
autonomia de vontade. De outra banda, para contemplar os
porvindouros componentes da unidade familiar, se por eles optar o
casal, com planejadas condições de bem-estar e assistência físico-
afetiva (art. 226 da CF). Mais exatamente, planejamento familiar
que, "fruto da livre decisão do casal", é "fundado nos princípios da
dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável" (§ 7º
desse emblemático artigo constitucional de nº 226). O recurso a
processos de fertilização artificial não implica o dever da tentativa
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de nidação no corpo da mulher de todos os óvulos afinal
fecundados. Não existe tal dever (inciso II do art. 5º da CF),
porque incompatível com o próprio instituto do "planejamento
familiar" na citada perspectiva da "paternidade responsável".
Imposição, além do mais, que implicaria tratar o gênero feminino
por modo desumano ou degradante, em contrapasso ao direito
fundamental que se lê no inciso II do art. 5º da Constituição. Para
que ao embrião "in vitro" fosse reconhecido o pleno direito à vida,
necessário seria reconhecer a ele o direito a um útero. Proposição
não autorizada pela Constituição. VI - DIREITO À SAÚDE COMO
COROLÁRIO DO DIREITO FUNDAMENTAL À VIDA DIGNA. O § 4º do
art. 199 da Constituição, versante sobre pesquisas com substâncias
humanas para fins terapêuticos, faz parte da seção normativa
dedicada à "SAÚDE" (Seção II do Capítulo II do Título VIII). Direito
à saúde, positivado como um dos primeiros dos direitos sociais de
natureza fundamental (art. 6º da CF) e também como o primeiro
dos direitos constitutivos da seguridade social (cabeça do artigo
constitucional de nº 194). Saúde que é "direito de todos e dever do
Estado" (caput do art. 196 da Constituição), garantida mediante
ações e serviços de pronto qualificados como "de relevância
pública" (parte inicial do art. 197). A Lei de Biossegurança como
instrumento de encontro do direito à saúde com a própria Ciência.
No caso, ciências médicas, biológicas e correlatas, diretamente
postas pela Constituição a serviço desse bem inestimável do
indivíduo que é a sua própria higidez físico-mental. VII - O
DIREITO CONSTITUCIONAL À LIBERDADE DE EXPRESSÃO
CIENTÍFICA E A LEI DE BIOSSEGURANÇA COMO DENSIFICAÇÃO
DESSA LIBERDADE. O termo "ciência", enquanto atividade
individual, faz parte do catálogo dos direitos fundamentais da
pessoa humana (inciso IX do art. 5º da CF). Liberdade de
expressão que se afigura como clássico direito constitucional-civil
ou genuíno direito de personalidade. Por isso que exigente do
máximo de proteção jurídica, até como signo de vida coletiva
civilizada. Tão qualificadora do indivíduo e da sociedade é essa
vocação para os misteres da Ciência que o Magno Texto Federal
abre todo um autonomizado capítulo para prestigiá-la por modo
superlativo (capítulo de nº IV do título VIII). A regra de que "O
Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a
pesquisa e a capacitação tecnológicas" (art. 218, caput) é de logo
complementada com o preceito (§ 1º do mesmo art. 218) que
autoriza a edição de normas como a constante do art. 5º da Lei de
Biossegurança. A compatibilização da liberdade de expressão
científica com os deveres estatais de propulsão das ciências que
sirvam à melhoria das condições de vida para todos os indivíduos.
Assegurada, sempre, a dignidade da pessoa humana, a Constituição
Federal dota o bloco normativo posto no art. 5º da Lei 11.105/2005
do necessário fundamento para dele afastar qualquer invalidade
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jurídica (Ministra Cármen Lúcia). VIII - SUFICIÊNCIA DAS
CAUTELAS E RESTRIÇÕES IMPOSTAS PELA LEI DE BIOSSEGURANÇA
NA CONDUÇÃO DAS PESQUISAS COM CÉLULAS-
TRONCO EMBRIONÁRIAS. A Lei de Biossegurança caracteriza-se
como regração legal a salvo da mácula do açodamento, da
insuficiência protetiva ou do vício da arbitrariedade em matéria tão
religiosa, filosófica e eticamente sensível como a da biotecnologia
na área da medicina e da genética humana. Trata-se de um
conjunto normativo que parte do pressuposto da intrínseca
dignidade de toda forma de vida humana, ou que tenha
potencialidade para tanto. A Lei de Biossegurança não conceitua as
categorias mentais ou entidades biomédicas a que se refere, mas
nem por isso impede a facilitada exegese dos seus textos, pois é de
se presumir que recepcionou tais categorias e as que lhe são
correlatas com o significado que elas portam no âmbito das
ciências médicas e biológicas. IX - IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO.
Afasta-se o uso da técnica de "interpretação conforme" para a
feitura de sentença de caráter aditivo que tencione conferir à Lei de
Biossegurança exuberância regratória, ou restrições tendentes a
inviabilizar as pesquisas com células-tronco embrionárias.
Inexistência dos pressupostos para a aplicação da técnica da
"interpretação conforme a Constituição", porquanto a norma
impugnada não padece de polissemia ou de plurissignificatidade.
Ação direta de inconstitucionalidade julgada totalmente
improcedente (STF, ADI 3510).
EMENTA: Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada contra a lei
estadual paranaense de no 14.162, de 27 de outubrode 2003, que
estabelece vedação ao cultivo, a manipulação, a importação, a
industrialização e a comercialização de organismos
geneticamentemodificados. 2. Alegada violação aos seguintes
dispositivos constitucionais: art. 1o; art. 22, incisos I, VII, X e XI;
art. 24, I e VI; art. 25 e art. 170, caput, inciso IV e parágrafo único.
3. Ofensa à competência privativa da União e das normas
constitucionais relativas às matérias de competência legislativa
concorrente. 4. Ação Julgada Procedente (STF, ADI 3035).
MANDADO DE SEGURANÇA. LEI DE BIOSSEGURANCA. SEGREGAÇÃO DA
SOJA TRANSGÊNICA DA CONVENCIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
1. A legislação de biossegurança não determina a segregação da
soja convencional da transgênica na armazenagem ou transporte,
mas sim o direito à informação do consumidor sobre a natureza
transgênica do produto exposto à venda.
(TRF-4, APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA : AMS 576)
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DIREITO CONSTITUCIONAL E AMBIENTAL - ORGANISMOS
GENETICAMENTE MODIFICADOS - OGM - COMERCIALIZAÇÃO E
BENEFICIAMENTO - INDADMISSIBILIDADE.
1. Incumbe ao Poder Público controlar a produção, a
comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias
que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente (artigo 225, § 1.º, V, da Constituição Federal).
2. Decorrência dos princípios constitucionais da razoabilidade,
eficiência e precaução.
3. Agravo de instrumento improvido.
(TRF-3 - AGRAVO DE INSTRUMENTO : AG 48585 MS 2007.03.00.048585-
1)
...2. A autorização de liberação comercial do milho geneticamente
modificado constitui ato administrativo, cuja observância da
legalidade, princípio insculpido no art. 37 da CF/88 , sujeita-se ao
crivo do Judiciário, na forma de inúmeros precedentes julgados por
este Tribunal e pelo STJ...
(TRF-4 - AGRAVO DE INSTRUMENTO AG 26126 PR
2007.04.00.026126-4
"CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO CAUTELAR -
LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA
GENETICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY), SEM O
PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - ART. 225, § 1º, IV,
DACF/88 C/C ARTS. 8º, 9º E 10º, § 4º, DA LEI Nº 6.938/81, E
ARTS 1º, 2º, § 1º, 3º, 4º E ANEXO I, DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97
- INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO A LIBERAÇÃO
E DESCARTE, NO MEIO AMBIENTE, DE OGM - PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO
E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR - PRESENÇA DO
FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA - PODER GERAL DE
CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA - PODER GERAL DE CAUTELA DO
MAGISTRADO - INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA -
ART. 808, III, DO CPC - INTELIGÊNCIA.
(...) IV - O art.22555 da CF/888 erigiu o meio ambiente ecologicamente
equilibrado 'a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações',
incumbindo ao Poder Público, para assegurar a efetividade desse direito,
'exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
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estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade'
(art. 225, § 1º, IV, da CF/88).
(...)."
(Apelação Cível nº 200001000146611, Segunda Turma, TRF/1ª Região,
relatora: Assusete Magalhães, julgado em 08/08/2000, fonte: DJ de
15/03/2001, p. 84)
...Portanto, vê-se que o Estudo de Impacto Ambiental é uma
exigência constitucional, não sendo cabível a sua dispensa pela
CTNBio, sobretudo em se tratando de experimentos com
organismos geneticamente modificados, pois ainda não há
consenso no que tange aos danos que possam causar ao meio
ambiente...
(TRF-4 - APELAÇÃO CIVEL : AC 445 RS 2000.71.01.000445-6 – inteiro
teor)
...4 Dessa forma, para incidir a norma penal incriminadora, é
indispensável que a guarda, a manutenção em cativeiro ou em
depósito de animais silvestres, possa, efetivamente, causar risco às
espécies ou ao ecossistema, o que não se verifica no caso concreto,
razão pela qual é plenamente aplicável, à hipótese, o princípio da
insignificância penal...
(STJ, HC 72234)
DIREITO CONSTITUCIONAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL.
EXPORTAÇÃO ILEGAL DE ANIMAIS SILVESTRES. CRIME
AMBIENTAL. TRANSNACIONALIDADE DO DELITO. DEFINIÇÃO DE
COMPETÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA.
(STF, Repercussão geral no ARE 737.977)
HABEAS CORPUS. CRIME AMBIENTAL. ESPÉCIE DA FAUNA EM PERIGO DE
EXTINÇÃO. INTERESSE PÚBLICO DA UNIÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
FEDERAL. ORDEM DENEGADA.
1. Embora a proteção a fauna seja de competência comum da
União, dos Estados, do Distrito Federal e do Município, compete à
Justiça Federal processar e julgar ação penal que tenha por objeto
crime ambiental envolvendo espécie da fauna em perigo de
extinção.
2. Não obstante o cancelamento da Súmula nº 91 do STJ e o fato da
Lei nº9.605/98 não tratar da competência para o processamento e
julgamento dos crimes ambientais, é certo que, nos crimes
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praticados em detrimento de bens ou interesses da União ou de
suas entidades autárquicas, a competência é da Justiça Federal.
3. O interesse público da União caracteriza-se pela proteçâo a
fauna silvestre, além do manifesto interesse do IBAMA, autarquia
federal incumbida, dentre outras funções, da proteção das espécies
animais nativas e daquelas em extinção, sendo responsável pelo
levantamento, listagem e concessão de autorização prévia para a
captura e criação de tais espécimes, nos termos do artigo 57, da Lei
nº 9.985/2000. 4. No caso dos autos, os pacientes foram
condenados pela prática dos delitos descritos nos artigos 29,
parágrafo 1º, inciso III e parágrafo 4º, inciso I, e
artigo 32, parágrafo 2º, ambos da Lei nº9.605/98. 5. Foi
comprovado que muitas das aves apreendidas em poder dos
pacientes estavam ameaçadas de extinção (curió, bicudo, arara
canindé, arara vermelha), sendo algumas encontradas mortas e
outras sem condições de sobrevivência. 6. Restou constatada, na
situação em apreço, ofensa direta à atribuição da autarquia federal
(IBAMA), tanto no que tange à fiscalização, quanto à autorização
para comercialização dos referidos animais em extinção, além do
interesse da União na preservação da fauna silvestre. 7. Ordem
denegada.
(TRF-3 - HABEAS CORPUS : HC 23181)
CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. IBAMA. PAPAGAIO CRIADO EM
AMBIENTE DOMÉSTICO. OBSERVÂNCIA AOS FINS DA NORMA AMBIENTAL.
PROTEÇÃO DA FAUNA EM NOVO HABITAT ECOLOGICAMENTE
EQUILIBRADO. ESPÉCIE NÃO AMEAÇADA DE EXINÇÃO.
I - A atuação do órgão ambiental há de se desenvolver na linha
auto-aplicável de imposição ao poder público e à coletividade do
dever de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente
equilibrado, como bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, para as presentes e futuras gerações (CF,
art. 225, caput). Em sendo assim, esse equilíbrio há de se efetivar
de forma mútua, envolvendo o homem, a fauna e a flora, de modo
que a apreensão de animais silvestres, criados em ambiente
doméstico, como no caso, em que não se verifica a ocorrência de
qualquer mal-trato e/ou a exploração ilegal do comércio de aves,
numa relação harmoniosa e benéfica para ambos os lados, afigura-
se-lhes infinitamente mais carregada de prejudicialidade do que a
sua permanência sob a cuidadosa e eficiente guaridadaqueles que
já a detém, de há muito tempo, como no caso em exame.
II - Os papagaios descritos nos autos, sem dúvida, já encontraram
um novo "habitat", com as características de integração do
homem-natureza, em perfeito equilíbrio sócio-ambiental, onde o
carinho humano, que se transmite aos pássaros, elimina-lhes as
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barras do cativeiro, propiciando-lhes um ambiente familiar,
ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade das aves
e daqueles que o cercam, em clima de paz e felicidade.
III - Por fim, há de ver-se, ainda, que de acordo com o art. 5º da Lei de
Introdução ao Código civil, "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins
sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum." Em sendo
assim, entendo que não se afigura cabível, no caso em tela, a aplicação de
multa JUDICIÁRIA em desfavor da impetrante, tend o em vista que sua
conduta não caracteriza qualquer infração ambiental a possibilitar a
aplicação de multa JUDICIÁRIA na espécie dos autos.
IV - Remessa oficial parcialmente provida para afastar a multa aplicada.
(TRF-1 - REMESSA EX OFFICIO EM MANDADO DE SEGURANÇA : REOMS
215253820124013400)
6 - Questões
Questão 01 – (FCC – 2015 – Juiz substituto da Paraíba)
Acerca de biossegurança, OGMs e responsabilidade ambiental no
âmbito do direito ambiental e dos principais instrumentos de
proteção internacional, assinale a opção correta.
a) O princípio da prevenção é aplicado em julgamentos relacionados à
incerteza científica dos possíveis danos causados ao meio ambiente pelos
OGMs.
b) A legislação que regulamenta as atividades que envolvam OGM prevê
hipóteses em que será permitida a comercialização de material biológico.
c) A responsabilidade por danos ambientais causados pela exploração de
OGMs possui natureza de responsabilidade compartilhada, que difere da
responsabilidade solidária.
d) O Protocolo de Cartagena foi negociado no âmbito da Convenção sobre
Diversidade Biológica como um instrumento mais preciso e específico que
essa convenção.
e) A CF é silente em relação às atividades de pesquisa e manipulação de
material genético.
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Comentário: Quando há incerteza científica aplica-se o princípio da
precaução, e não da prevenção, o que torna a alternativa “a”
errada. A banca se baseou no artigo 5º, §3º da Lei 11.105/05, que
veda a comercialização de material biológico oriundo de células-
tronco, para considerar a alternativa b errada. A responsabilidade
em questão é solidária, conforme artigo 20 da Lei 11.105/05, o que
torna a alternativa c errada. A alternativa e está errada, conforme
artigo 225, §1º, II da CF/88. A alternativa correta é a “d”,
conforme visto em aula.
Questão 02 – (FCC – 2015 – Juiz substituto do DFT)
Atividades e projetos que envolvam organismos geneticamente
modificados e seus derivados podem ser desenvolvidos por
entidades de direito público ou privado ou por pessoas físicas em
atuação autônoma, desde que mantenham vínculo empregatício
com pessoa jurídica (texto associado).
Comentário: Errado, pois não se admite a participação de pessoas
físicas em atuação autônoma, conforme artigo 2º, §2º da Lei
11.105/05.
Questão 03 – (MPE-SC – 2016 – Promotor de Justiça de SC)
Estabelece a Lei n. 11.105/05 (Biossegurança), que ela não se
aplica, mesmo quando impliquem a utilização de Organismos
Geneticamente Modificados (OGM) como receptor ou doador,
quando a modificação genética for obtida por meio das seguintes
técnicas: mutagênese; formação e utilização de células somáticas
de hibridoma animal e fusão celular, inclusive a de protoplasma,
de células vegetais, que possa ser produzida mediante métodos
tradicionais de cultivo (texto associado).
Comentário: Errado, pois se a utilização das técnicas descritas
implicar no uso de OGM como doador ou receptor haverá a
aplicação da Lei de Biossegurança, conforme artigo 4º da Lei
11.105/05.
Questão 04 – (CESPE – 2015 – Juiz substituto do DFT)
Segundo a convenção em apreço [CDB], a biodiversidade é
patrimônio comum da humanidade, o que restringe os direitos
soberanos dos Estados sobre seus recursos naturais, restringindo-
lhes, ainda, o poder para legislar sobre o acesso a recursos
genéticos (texto associado).
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Comentário: Errado, pois, a CDB reconhece a soberania dos Estados
sobre seus recursos ambientais.
Questão 05 – (CESPE – 2015 – Juiz federal substituto do
TRF-5)
A preservação de ecossistemas é fundamental à biodiversidade,
pois há espécies vegetais e animais cuja conservação só é viável ex
situ, ou seja, em seus habitats naturais (texto associado).
Comentário: Errado, pois a conservação no próprio habitat natural
é chamada in situ, e não ex situ.
Questão 06 – (CESPE – 2014 – Técnico ambiental do
ICMBIO)
Com relação à Política Nacional da Biodiversidade (PNB), à
Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e ao acesso ao
patrimônio genético, julgue o item a seguir.
A conservação da biodiversidade, a preservação da natureza e a
utilização dos recursos de componentes do patrimônio genético,
sem a repartição desses benefícios, são os principais objetivos da
PNB.
Comentário: Errado, pois a repartição dos benefícios acima citados
faz parte dos principais objetivos da PNB, conforme item 5 do
anexo do Decreto 4.339/2002.
Questão 07 – (CESPE – 2013 – Juiz do Rio Grande do Norte)
É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-
tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por
fertilização in vitro, exigindo-se apenas que sejam embriões
inviáveis.
Comentário: Errado, pois também se exige o consentimento dos
genitores. Além do mais, também podem ser utilizados embriões
congelados há mais de 3 anos, conforme artigo 5º da Lei
11.105/05.
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Questão 08 – (CESPE – 2013 – Juiz do Rio Grande do Norte)
Ao Conselho Nacional de Biossegurança, instância colegiada
multidisciplinar de caráter consultivo e deliberativo, cabe prestar
apoio técnico e de assessoramento ao governo federal na
formulação, atualização e implementação da Política Nacional de
Biossegurança.
Comentário: Errado, pois o item se refere à Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança – CTNBio, e não ao CNBS, conforme
artigo 10 da Lei 11.105/05.
Questão 09 – (CESPE – 2013 – Juiz federal do TRF-1)
A gestão do acesso ao conhecimento tradicional associado compete
aos estados.
Comentário: Errado, pois tal gestão pertence a União, conforme
artigo 3, parágrafo único da Lei 13.123/2015.
Questão 10 – (CESPE – 2013 – Juiz federal do TRF-1)
Incumbe ao poder público e à sociedade o dever de preservar a
diversidade e a integridade do patrimônio genético e o de fiscalizar
as entidades dedicadas a pesquisa e manipulação de material
genético.
Comentário: Errado, pois tal dever pertence apenas ao Poder
Público, conforme artigo 225, §1º, II da CF/88 (interpretação
literal).
Questão 11 – (CESPE – 2013 – Juiz federal do TRF-1)
A Convenção da Diversidade Biológica é uma convenção- quadro
que, para a concretização de seus objetivos,vem sendo
complementada por protocolos mais específicos, como o de
Nagoya.
Comentário: Correto, pois a CDB prevê objetivos gerias que são
concretizados a partir de normas complementares (protocolos,
acordos, etc.).
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Questão 12 – (TRF-3 – 2013 – Juiz federal do TRF-3)
Todas as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
- CTNBio, quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus
derivados vincula os demais órgãos e entidades da administração.
Comentário: Errado, pois apenas decisões técnicas da CTNBio
vinculam os demais órgãos e entidades da administração, conforme
artigo 14, §1º da Lei 11.105/05.
Questão 13 – (TRF-3 – 2013 – Juiz federal do TRF-3)
Cabe ao Poder Público preservar e ao homem restaurar os
processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das
espécies e ecossistemas.
Comentário: Errado, pois tal dever pertence apenas ao Poder
Público, conforme artigo 225, §1º, I da CF/88 (interpretação
literal).
Questão 14 – (MPE-MG – 2013 – Promotor de justiça de
Minas Gerais)
É INCORRETO afirmar-se que:
a) Encontra-se entre as competências da Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança–CTNBio, instância colegiada multidisciplinar de caráter
consultivo e deliberativo que integra o Ministério da Ciência e da
Tecnologia, estabelecer normas para as pesquisas, atividades e projetos
relacionados com organismos geneticamente modificados e seus derivados,
e estabelecer, no âmbito de suas competências, critérios de avaliação e
monitoramento de risco de organismos geneticamente modificados e seus
derivados.
b) Constitui crime, punível com reclusão de dois a cinco anos e multa,
realizar clonagem humana, conforme o artigo 26 da Lei Federal
11.105/2005, que dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança.
c) Toda instituição que utilizar técnicas e métodos de engenharia genética
ou realizar pesquisas com organismos geneticamente modificados e seus
derivados deverá criar uma Comissão Interna de Biossegurança–CIBio,
além de indicar um técnico principal responsável para cada projeto
específico.
d) É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-
tronco embrionárias obtidas de embriões humanos viáveis produzidos por
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Aula 07 – Prof. Thiago Leite
fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, desde que
estejam congelados há menos de três anos e haja consentimento dos
genitores.
Comentário: A alternativa a esta correta, conforme artigo 14 da Lei
11.105/2005. A alternativa b está correta, conforme artigo 26 da
mesma lei. A alternativa c está correta, conforme artigo 17. A
alternativa d está errada, conforme artigo 5º, que exige período de
congelamento de pelo menos 3 anos.
Questão 15 – (TJ-SC – 2013 – Juiz de Santa Catarina)
Sobre o patrimônio genético e a aplicação da Lei nº
11.105/2005, assinale a alternativa INCORRETA:
a) A Lei nº 11.105/2005 não se aplica quando a modificação genética for
obtida por meio de mutagênese, desde que não implique a utilização de
organismo geneticamente modificado como receptor ou doador.
b) A Lei nº 11.105/2005 não se aplica quando a modificação genética for
obtida por meio de formação e utilização de células somáticas de hibridoma
animal, desde que não implique a utilização de organismo geneticamente
modificado como receptor ou doador.
c) A Lei nº 11.105/2005 não se aplica quando a modificação genética for
obtida por meio de fusão celular, inclusive a de protoplasma, de células
vegetais, que possa ser produzida mediante métodos tradicionais de
cultivo, desde que não implique a utilização de organismo geneticamente
modificado como receptor ou doador.
d) A Lei nº 11.105/2005 não se aplica quando a modificação genética for
obtida por meio de autoclonagem de organismos não-patogênicos que se
processe de maneira natural, desde que não implique a utilização de
organismo geneticamente modificado como receptor ou doador.
e) A utilização de organismo geneticamente modificado como receptor ou
doador em atividades de modificação genética por meio das técnicas de
mutagênese, fusão celular e autoclonagem de organismos não patogênicos
afasta a incidência da Lei nº 11.105/2005.
Comentário: As alternativas “a”, “b”, “c” e “d” estão corretas,
conforme artigo 4, I, II, III e IV da Lei 11.105/05. A alternativa
errada é a “e”, conforme artigo 4º, caput, da Lei 11.105/05, pois a
utilização de OGM como receptor ou doador atrai a incidência da
referida lei.
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7 - Resumo da Aula
Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um resumo
dos principais aspectos estudados ao longo da aula. Nossa
sugestão é a de que esse resumo seja estudado sempre
previamente ao início da aula seguinte, como forma de
“refrescar” a memória. Além disso, a cada ciclo de estudos
é fundamental retomar esses resumos. Caso encontrem
dificuldade em compreender alguma informação, não
deixem de retornar à aula.
Vimos na aula de hoje os Organismos Geneticamente Modificados –
OGM’s, são todas as entidades biológicas cujo material genético (ADN/ARN) foi
alterado por meio de qualquer técnica de engenharia genética (artificialmente),
e que a engenharia genética é a atividade de produção ou manipulação
de material genético hereditário fora das células vivas mediante a
modificação dos segmentos desse material genético. Vimos o que é
fertilização in vitro, e o que é o transgênico (organismo que possui um ou
mais genes de outro organismo no seu material genético).
Prosseguindo no estudo, entramos na seara da biossegurança, que está
relacionada ao conjunto de mecanismos de segurança e fiscalização a serem
adotados em relação aos organismos geneticamente modificados – OGM’s e
seus derivados. Vimos o conceito de células-tronco, e a possibilidade de
utilização das células-tronco embrionárias para fins terapêuticos.
Por último vimos a biodiversidade como sendo a riqueza de vida da terra, e a
importância da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), além das
diversas formas de preservação da biodiversidade (conservação in situ,
conservação on farm e conservação ex situ). Também ressaltamos a legislação
que trata da proteção às espécies ameaçadas de extinção, legislação essa que
implementa e concretiza a garantia da biodiversidade no planeta.
Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco.
Aguardo vocês na próxima aula. Até lá!
Thiago Leite