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INTRODUÇÃO O Ácido abscísico (ABA) é composto por 15 carbonos, pertence à classe dos terpenóides, possui alta semelhança estrutural com a porção terminal das xantofilas. (KERBAUY, 2008). Apresenta isômeros cis e trans, porém apenas a forma cis apresenta atividade biológica e corresponde a quase todo ABA produzido nos tecidos vegetais. O isômero trans é inativo e pode ser convertido em cis espontaneamente na presença de luz. O ABA é um hormônio vegetal que foi descoberto na década de 1960. Inicialmente era considerado inibidor de crescimento por promover dormência nas gemas, entretanto descobriu-se que o ABA juntamente com outros hormônios vegetais desempenham inúmeras funções durante o ciclo de vida da planta. Segundo Kerbauy, 2008. O ácido abscísico, que foi descoberto em 1963, por dois grupos de pesquisadores, simultaneamente Paul F. Wareing na inglaterra trabalhava com hormônio que induzia a dormência de sementes de brotos de plantas lenhosas, enquanto Frederick T. Addicott, na califórnia, trabalhava com um hormônio que promovia a abscisão de frutos de algodão. O que se observou depois foi que a abscisina e a dormina são idênticas do ponto de vista químico. Este composto é conhecido, nos dias de hoje, como ácido abscísico ou ABA. O hormônio recebeu essa denominação porque, de início, se pensou que ele fosse o principal responsável pela abscisão foliar, fenômeno de queda das folhas de certas árvores, fato que ocorre no outono. Hoje, embora se saiba que o ácido abscísico não é o responsável por esse fenômeno, seu nome permaneceu, embora alguns fisiologistas defendam que o ABA não é tão ativo na abscisão como se pensava inicialmente. Segundo Raven e colaboradores, (2001) e Kerbauy, (2008). O ABA, é um hormônio produzido a partir do ácido melavônico nos cloroplastos e em outros plastídios. Sua síntese é alta em folhas maduras e sementes, sendo que seu transporte ocorre normalmente via floema. Esse fitormônio, possui uma característica inibitória em relação ao crescimento. Ele é responsável por cessar o crescimento de algumas plantas em determinadas épocas do ano, o que é fundamental para que uma espécie consiga se estabelecer em ambientes com climas extremos. O ABA está presente em todas as plantas vasculares, alguns musgos, algas verdes e fungos. Foi identificado em alguns mamíferos, entretanto nesses é adquirido por alimentação e não é sintetizado, como nas plantas. De acordo com Kerbauy, 2008. Nas plantas é encontrado em praticamente todas as células vivas, desde o ápice caulinar até as radículas. Amplamente distribuído na célula, porém, ao contrário de outros hormônios vegetais é encontrado em baixas concentrações, devido ao equilíbrio entre biossíntese, inativação, degradação, transporte e armazenamento. Esses processos são regulados pela fase de desenvolvimento da planta, por fatores ambientais e interações entre hormônios. Segundo Kerbauy, 2008. Por isso, esse trabalho tem como objetivo verificar na literatura a importância do ácido abscísico, evidenciar os efeitos fisiológicos atrelados a esse fitormonio, bem como seus mecanismos de ação, um breve histórico sobre a descoberta e seu metabolismo. Biossíntese do ABA Relata-se que a síntese do ABA pode ocorrer em todos os tecidos vivos da planta. Precursores necessários à biossíntes encontram-se nos cloroplastos, cromoplastos, leucoplastos e prolastídeos distribuídos nos frutos, sementes, raízes e demais órgãos nas plantas. Seus metabólitos foram encontrados em quase todos os órgãos das plantas, entretanto não significa que esses sintetizam o ABA, visto que também foram encontrados no xilema e floema. Segundo Kerbauy, (2008). De acordo com Kerbauy, (2008), são propostas duas possíveis rotas para síntese do ácido abscísico. A primeira, ou, via direta é onde o farnesil pirofosfato (FPP), um terpenoide de 15 carbonos vai originar diretamente o ABA, ou por um composto intermediário, a xantoxina (Xan). Essa via é mais comum em fungos e pouca usada pelas as plantas vasculares. A segunda rota ocorre por uma via indireta dividida em três etapas: 1) síntese dos carotenóides não-oxigenados nos plastídeos; 2) síntese e clivagem das xantofilas nos plastídeos; 3) síntese de ABA no citosol. Carotenóides são sintetizados nos plastídeos, a partir do isopentenilpirofosfato (IPP), um composto com cinco carbonos. O IPP deriva do ácido mevalônico ou não, após sucessivas reações com isoprenos originam o geranil pirofosfato (C10), farnesil pirofosfato (C15) e geranilgeranil pirofosfato (GGPP) com vinte carbonos. Essas etapas são comuns a biossíntese das giberelinas. As moléculas de GGPP são desviadas para síntese dos carotenóides não oxigenados, ainda nos plastídeos, onde duas moléculas de GGPP serão convertidas em fitoeno (C40) pela enzima sintase do fitoeno. O fitoeno sofre dessaturação, pela enzima dessaturase do fitoeno, sendo convertido em ξ-caroteno que dará origem ao licopeno, que, por sua vez, dará origem ao β-caroteno. O β-caroteno será precursor da zeaxantina, onde irá iniciar a síntese e clivagem das demais xantofilas. A zeaxantina é convertida em anteraxantina e posteriormente à trans-violaxantina pelas enzimas epoxidase e zeaxantina. A trans-violaxantina dá origem à 9’- cis- neoxantina que dará origem à xantoxina, (Xan), pela dioxigenase do 9-cis- epoxicarotenoide (NCED). Além da Xan, um epóxido de quinze carbonos semelhante ao ABA, será formado também um subproduto com 25 carbonos. A xantoxina, já no citosol, é convertida em ABA- aldeído (ABAld), e este será oxidado a ABA, essas reações são catalisadas pelas enzimas desidrogenase/redutase de cadeia curta (SDR) e oxidase do ABA-aldeído (AO). Pode ocorrer uma terceira via, onde a xantoxina é formada a partir do ácido xantóxico, e esta dará origem ao ABA. A importância fisiológica dessa via ainda é desconhecida nas plantas. O ABA é metabolizado pelas plantas especialmente quando mantidas livres de estresses ambientais. A inativação pode ocorrer por conjugação ou por degradação, a preferência entre essas vias varia de acordo com a espécie, tecido ou estágio de desenvolvimento. A inativação por conjugação geralmente se dá com monossacarídeos, a forma conjugada mais comum do ABA é o éster glicólico do ABA, (ABA-GE), onde um grupo carboxila está ligado a glicose modificando a atividade e características químicas do ABA, além de sua distribuição. A forma livre é encontrada no citosol e o ABA-GE é encontrado nos vacúolos e apoplastos. As formas conjugadas são reversíveis e podem ser usadas pela planta como forma de armazenamento do hormônio, onde posteriormente é convertido na forma livre e metabolizado. Outra forma de inativação do ABA é a degradação, que pode acontecer permanentemente por hidroxilações no anel originando o ácido faseico (PA), que vai formar o ácido diidrofaseico (DPA). Esses são os principais produtos do catabolismo do ABA. Efeitos Fisiológicos O ABA é um hormônio que possui importantes papéis durante as várias fases do ciclo de vida das plantas. A maturação e dormência de sementes e respostasadaptativas a estresses (déficit hídrico, e frio) são os mais importantes processos envolvendo a sinalização por ABA. Nas sementes em desenvolvimento, o ABA é necessário para induzir a síntese de proteínas de reserva e lipídios, bem como para o estabelecimento da dormência e aquisição da tolerância à dessecação. Durante estresses abióticos recorrentes, o ABA regula o desenvolvimento, capacitando a planta a sobreviver durante a exposição ao estresse. O estresse hídrico causa fechamento estomático. Seus efeitos são amplamente antagônicos aos de outros hormônios, mas em alguns processos, como diferenciação de células, o ABA apresenta interação positiva.(Amaral,) EFEITO DO ABA NA FISIOLOGIA E NO DESENVOLVIMENTO O principal papel do ácido abscísico é controlar o início e a manutenção da dormência de sementes e de gemas e as respostas do vegetal ao estresse, em particular ao estresse hídrico. Além disso, o ABA pode influenciar outros aspectos do desenvolvimento por interagir, geralmente como um antagonista, com auxina, a citocinina, a giberelina, o etileno e os brassinosteróides. O ABA ATINGE NÍVEIS MÁXIMOS NAS SEMENTES DURANTE A EMBRIOGÊNESE O desenvolvimento das sementes pode ser dividido em três fases com duração aproximadamente iguais: 1.Durante a primeira fase, a qual é caracterizada pela divisão celular e diferenciação dos tecidos, o zigoto sofre embriogênese e o tecido do endosperma se prolifera. 2. Durante a segunda fase, as divisões celulares cessam e compostos de armazenamento são acumulados. 3. Na fase final, o embrião torna-se tolerante à dissecação e a semente desidrata, perdendo mais de 90 % de água. Como conseqüência da desidratação, o metabolismo cessa e a semente entra em um estádio quiescente (“latência”). Ao contrário das sementes dormentes, a sementes quiescentes irão germinar após serem reidratadas. As duas últimas fases resultam na produção de sementes viáveis e com recursos adequados para sustentar a germinação, bem como a capacidade para retardar a germinação por semanas e até anos antes de reiniciar o crescimento. Normalmente, o conteúdo de ABA é muito baixo no início da embriogênese, atingindo os níveis mais elevados na fase intermediária desse processo e, então,diminui gradualmente reduzindo os níveis até a semente atingir a maturidade. Assim, existe um grande pico de acúmulo do ABA na semente, correspondendo ao período entre as fases intermediária e tardia da embriogênese. O balanço hormonal das sementes é complexo devido ao fato de que nem todos os tecidos possuem o mesmo genótipo. (Costa,2015) Estudos genéticos em mutantes de ABA-deficientes de Arabidopsis demonstraram que o genótipo do zigoto controla a síntese do ABA no embrião e no endosperma, e é essencial para a indução da dormência, enquanto que o genótipo materno controla o primeiro e principal pico de acúmulo do ABA, auxiliando na inibição da viviparidade na fase intermediária da embriogênese. A principal função do ácido abscísico está ligada à inibição da germinação durante a maturação, ou seja, em sua ausência, pode ocorrer a germinação precoce como em sementes de trigo ainda presas à espiga e de feijão, soja e amendoim no interior da vagem.(Idem, pg.13). O ABA PROMOVE O ACÚMULO DE PROTEÍNAS DE RESERVA NAS SEMENTES DURANTE A EMBRIOGÊNESE Compostos de reserva são acumulados entre as fases intermediária e tardia da embriogênese. Devido à presença de elevados níveis do ABA nessa fase, supõe-se que o ABA possa afetar a translocação de açúcares e aminoácidos e/ou a síntese de materiais de reserva. Estudos com mutantes tanto na síntese quanto na resposta ao ABA demonstraram que este hormônio não possui efeito na translocação de açúcar. Por outro lado, o ABA tem apresentado efeito na quantidade e na composição das proteínas de reserva. Por exemplo, o ABA exógeno promove o acúmulo de proteínas de reserva em embriões cultivados de várias espécies. Em alguns mutantes ABA-deficiente ou ABA-insensível, ocorre a redução no acúmulo de proteínas de reserva. (Costa,2015) Contudo, a síntese de proteínas de reserva é também reduzida em sementes desenvolvidas em mutantes com níveis e respostas normais do ABA, indicando que este é somente um dos vários sinais que controlam a expressão de genes de proteínas de reserva durante a embriogênese. O ABA não somente regula o acúmulo de proteínas de reserva durante a embriogênese como pode também manter o embrião maduro em um estado de dormência, até que as condições ambientais sejam ótimas para o crescimento. A dormência de semente é um fator importante na adaptação dos vegetais a ambientes desfavoráveis. Os vegetais desenvolveram variados mecanismos, alguns dos quais envolvendo o ABA, que permitem a manutenção de suas sementes em um estado de dormência. (Idem, pg.14) A DORMÊNCIA DAS SEMENTES PODE SER IMPOSTA PELA TESTA OU PELO EMBRIÃO Durante a maturação da semente, o embrião entra em uma fase quiescente em resposta à dissecação. A germinação da semente pode ser definida como a retomada do crescimento do embrião na semente madura; ela depende das mesmas condições ambientais das quais depende o crescimento vegetativo. A água e o oxigênio devem estar disponíveis, a temperatura deve ser adequada e não devem existir substâncias inibidoras. Em muitos casos uma semente viável (viva) não irá germinar mesmo se todas as condições ambientais para crescimento sejam satisfeitas, fenômeno denominado dormência da semente. A dormência da semente induz um retardo temporal no processo de germinação, fornecendo um tempo adicional para a dispersão da semente. Isto também maximiza a sobrevivência das plântulas pela inibição da germinação sob condições desfavoráveis. Dois tipos de dormência de sementes têm sido identificadas: dormência imposta pela testa e dormência do embrião. (Costa,2015) DORMÊNCIA IMPOSTA PELA TESTA A dormência imposta ao embrião pela testa da semente e outros tecidos circundantes, como o endosperma, pericarpo ou órgãos extraflorais, é conhecida como dormência imposta pela testa. Os embriões dessas sementes irão germinar rapidamente na presença da água e do oxigênio uma vez que a testa e outros tecidos circundantes tenham sido removidos ou danificados. (Costa,2015) Existem cinco mecanismos básicos na dormência imposta pela testa. 1-Impedimento da absorção da água. 2-Restrição mecânica. O primeiro sinal visível da germinação é a quebra da testa da semente pela radícula. No entanto, em alguns casos, a testa pode ser demasiadamente rígida para que ocorra a penetração da radícula. Para que as sementes germinem, as paredes das células do endosperma devem ser afrouxadas pela produção de enzimas que degradam as paredes celulares. 3-Interferência com as trocas gasosas. A redução da permeabilidade da testa da semente ao oxigênio sugere que a testa inibe a germinação pela limitação do suprimento do oxigênio para o embrião. 4-Retenção de inibidores. A testa pode impedir a saída de inibidores da semente. 5-Produção de inibidores. A testa da semente e o pericarpo podem conter concentrações relativamente altas de inibidores de crescimento, incluindoo ABA, que pode impedir a germinação do embrião DORMÊNCIA DO EMBRIÃO O segundo tipo de dormência de semente é a dormência do embrião, uma dormência que é intrínseca ao embrião e que não é resultante de qualquer influência da testa da semente ou de outros tecidos circundantes. Em alguns casos, a dormência do embrião pode ser interrompida pela excisão dos cotilédones. Espécies nas quais os cotilédones exercem um efeito inibitório incluem a avelã (Corylus avellana) e o freixo (Fraxi-nus excelsior). (Costa,2015) Uma demonstração fascinante da capacidade dos cotilédones em inibir o crescimento é encontrada em espécies (p. ex., pêssego) nas quais o embrião dormente isolado germina, porém possui um crescimento extremamente lento, formando uma planta anã. Todavia, se os cotilédones são removidos em um estágio inicial do desenvolvimento, a planta muda abruptamente para um crescimento normal. Acredita-se que a dormência do embrião deva-se à presença de inibidores, especialmente o ABA, bem como a ausência de promotores de crescimento como o GA (ácido giberélico). A perda da dormência do embrião está freqüentemente associada à queda acentuada na razão entre Aba e GA.(idem. pg.16) FATORES AMBIENTAIS CONTROLAM A LIBERAÇÃO DA DORMÊNCIA DAS SEMENTES Vários fatores externos liberam a semente da dormência do embrião e sementes dormentes respondem tipicamente a mais de um dos três fatores seguintes 1-Pós-maturação. Muitas sementes perdem a dormência quando os seus teores de umidade são reduzidos a um certo nível de dessecamento – um fenômeno conhecido como pós-maturação. 2-Resfriamento. Baixas temperaturas, ou resfriamento podem liberar as sementes da dormência. Muitas sementes necessitam de um período de frio (0 –10 ºC) quando completamente hidratadas (embebidas), como condição para germinar.3 Luz. Grande quantidade de sementes necessita de luz para germinar, podendo envolver apenas uma breve exposição como no caso da alface, um tratamento intermitente (p.ex., nas suculentas do gênero Kalanchoe) ou mesmo um fotoperíodo envolvendo dias curtos e longos.(Costa,2015) O ABA É ACUMULADO NAS GEMAS DORMENTES Nas espécies lenhosas, em regiões temperadas a dormência é um importante caráter adaptativo em clima frio. Quando uma árvore é exposta a temperaturas muito baixas, no inverno, ela protege seus meristemas com escamas e o crescimento cessa temporariamente. Tal resposta a baixas temperaturas necessita de um mecanismo sensorial que detecte as mudanças ambientais (sinais sensoriais), além de um sistema de controle que realiza a transdução dos sinais sensoriais e desencadeia o processo de desenvolvimento, levando à dormência das gemas.(Costa,2015) O ABA foi sugerido originalmente como o hormônio que induz à dormência, em decorrência de se acumular nas gemas dormentes e de diminuir os seus níveis após o tecido haver sido exposto a baixas temperaturas. No entanto, estudos posteriores demonstraram que o conteúdo de ABA nas gemas nem sempre possui correlação com o grau de dormência. Como foi visto no caso das sementes dormentes, essa aparente discrepância poderia refletir as interações entre o ABA e outro hormônios como parte do processo no qual a gema dormente e o crescimento são regulados pelo balanço entre inibidores de crescimento, como o ABA, e substâncias que induzem o crescimento, como as citocininas e as giberelinas.(idem. Pg,19) Embora muitos progressos tenham sido alcançados na elucidação do papel do ABA na dormência das sementes, utilizando mutantes ABA-deficientes, o avanço no conhecimento do papel do ABA na dormência das gemas, o qual se aplica principalmente para gemas de lenhosas perenes, encontra-se em atraso pela inexistência de um sistema genético adequado. Tal discrepância ilustra a extraordinária contribuição que a genética e a biologia molecular têm oferecido à fisiologia vegetal, indicando a necessidade de se estenderem essas abordagens para as espécies lenhosas. As análises de tais características, como a dormência, são dificultadas pelo fato de que elas são freqüentemente controladas por ações combinadas de vários genes, resultando em uma variação gradual de fenótipos referidos como caracteres quantitativos. Recentes pesquisas de mapas genéticos sugerem que homólogos de ABI1 podem regular a dormência de gemas em árvores de álama. (Idem) O ABA INIBE A PRODUÇÃO DE ENZIMAS INDUZIDAS PELO GA (ácido giberélico) O ABA inibe a síntese de enzimas hidrolíticas que são fundamentais para a quebra das reservas armazenadas nas sementes. Por exemplo, o GA estimula a camada de aleurona dos grãos de cereais a produzir α-amilase e outras enzimas hidrolíticas, que degradam as reservas do endosperma durante a germinação. O ABA inibe a síntese dessas enzimas dependentes do GA, pela inibição da transcrição do mRNA da α-amilase. (Costa,2015) O ABA exerce seu efeito inibitório por pelo menos dois mecanismos: 1-A VP1, uma proteína originalmente identificada como um ativador da expressão do gene induzido pelo ABA, age como um repressor transcricional de alguns genes regulados pelo GA. 2-O ABA reprime a expressão do GA-MYB induzido pelo GA. O GA-MYB é um fator de transcrição que regula a expressão da α-amilase induzida pelo GA Mecanismos de ação e funções do ABA nas plantas O ABA é um importante regulador do crescimento de plantas que pode estar envolvido no controle de muitos processos fisiológicos, tais como a abertura de estômatos, a síntese de proteínas de estoque de sementes, a inibição da germinação de embriões imaturos, o estresse hídrico e a tolerância ao déficit de água. Enquanto algumas dessas respostas ao ABA podem ser rápidas, em questão de minutos, como é o caso do fechamento de estômatos, por exemplo, outras podem ser mais demoradas e são conhecidas por requererem mudanças na expressão gênica. Entretanto, dos mecanismos de percepção de sinal hormonal, a rota de transdução ainda permanece obscura em muitos aspectos (SATO, A.Y. et al., 2001). O ABA está envolvido em processos de desenvolvimento de respostas lentas, bem como efeitos fisiológicos de respostas rápidas. Os processos de respostas lentas inevitavelmente envolvem mudanças no padrão da expressão gênica. Enquanto as respostas fisiológicas rápidas envolvem, freqüentemente, alterações no fluxo de íons através das membranas da célula. O efeito mais bem conhecido do ABA é a promoção do fechamento estomático. Em geral, a resposta das células-guarda ao ABA parece ser regulada por mais de uma via de transdução de sinal. Uma vez ligado ao receptor, o complexo ABA/receptor aciona três sinais distintos: aumento na concentração de Ca2+ citosólico, aumento na concentração de Inositol 1,4,5-trifosfato (IP3) e variação do pH do citosol. Muitos estudos têm apontado o ABA como inibidor do crescimento da raiz (Pilet e Barlow, 1987). Entretanto, alguns estudos mostram aumento no crescimento da raiz em presença do ABA, especialmente em baixas concentrações (Yamaguchi e Street, 1977). Além disso, o ABA está envolvido na regulação gênica de alguns aspectos da resposta fisiológica vegetal aos estresses ambientais, taiscomo seca, estresse osmótico, salino, frio e em resposta a ataques por patógenos (LEUNG & GIRAUDAT 1998; ROCK 2000; SHINOZAKI & YAMAGUCHI SHINOZAKI 2000). A maturação de sementes começa quando os embriões interrompem a divisão celular e começam um processo de aumento do volume, devido ao acúmulo das proteínas e compostos de reserva. Esta transição está diretamente correlacionada com um aumento no conteúdo de ABA nas sementes, que por sua vez, induz a expressão gênica de um inibidor do ciclo celular (ICK1), o que resulta na interrupção do ciclo celular na fase de transição G1/S (WANG et al. 1998). Em várias espécies, durante o processo de formação de sementes, ocorrem dois picos de acúmulo de ABA. Em várias espécies vegetais, os níveis de ABA endógeno é essencial para a indução de dormência e consequentemente, inibição da germinação. Efeitos antagônicos ao ABA, pela ação de outros hormônios como as giberelinas, etileno e os brassinosteróides têm também sido bem documentados (FINKELSTEIN et al. 2002). Várias substâncias reguladoras do crescimento das plantas podem inibir o processo de germinação das sementes, como soluções com potencial osmótico menor que as sementes, soluções salinas, inibidores da respiração, compostos fenólicos entre outros (Mayer & Poljakoff-Mayber, 1989). Os inibidores da germinação, na maioria dos casos, não são específicos, de tal forma que um dado inibidor pode atuar em várias espécies; entretanto, verifica-se que a sensibilidade a concentração do inibidor é variável (Carvalho & Nakagawa, 2000). Os inibidores do crescimento das plantas ocorrem naturalmente, como cumarina e ácidos fenólicos, que agem impedindo a germinação de sementes. Após a descoberta do ácido abscísico, teve início uma série de pesquisas para investigar sua possível função em relação à germinação e dormência de sementes (Andreoli & Maguire, 1990). O ABA está envolvido em processos de desenvolvimento de respostas lentas, bem como efeitos fisiológicos de respostas rápidas. Os processos de respostas lentas inevitavelmente envolvem mudanças no padrão da expressão gênica. Enquanto as respostas fisiológicas rápidas envolvem, freqüentemente, alterações no fluxo de íons através das membranas da célula. O efeito mais bem conhecido do ABA é a promoção do fechamento estomático. Em geral, a resposta das células-guarda ao ABA parece ser regulada por mais de uma via de transdução de sinal. Uma vez ligado ao receptor, o complexo ABA/receptor aciona três sinais distintos: aumento na concentração de Ca2+ citosólico, aumento na concentração de Inositol 1,4,5-trifosfato (IP3) e variação do pH do citosol. O ABA FECHA OS ESTÔMATOS EM RESPOSTA AO ESTRESSE HÍDRICO O esclarecimento do papel do ABA nas respostas ao estresse hídrico, ao frio e à salinidade levou à sua caracterização como um hormônio do estresse. A concentração do ABA nas folhas pode aumentar até 50 vezes sob condições de seca a alteração de concentração mais severa descrita por um hormônio em resposta a um sinal ambiental. A distribuição ou a biossíntese do ABA é muito eficaz no fechamento estomático e seu acúmulo em folhas estressadas exerce um importante papel na redução da perda de água, pela transpiração, sob condições de estresse hídrico. O fechamento estomático pode também ser causado pelo transporte do ABA sintetizado nas raízes para a parte aérea. Os mutantes que perderam a capacidade para produzir o ABA exibem uma murcha permanente e são chamados de mutantes wilty, devido à sua incapacidade de fechar os estômatos. A aplicação exógena do ABA nesses mutantes leva ao fechamento estomático e à restauração da pressão de turgor. (Costa,2015) MECANISMO DE ABERTURA E FECHAMENTO ESTOMÁTICO O ABA AUMENTA O CÁLCIO DO CITOSOL, ELEVA O PH CITOSÓLICO E DESPOLARIZA AS MEMBRANAS O fechamento estomático é induzido pela redução da pressão de turgor, causada pelo massivo efluxo (saída) de K+ e ânions da célula. Durante a diminuição da célula, decorrente da perda de água, a área superficial da membrana pode contrair até 50%. Para onde vai a sobra da membrana? A resposta parece ser que elas são retiradas por endocitose como pequenas vesículas – um processo que também envolve a reorganização do citoesqueleto de actina. Entretanto, a primeira alteração detectável após a exposição das células-guarde ao ABA é a despolarização transitória da membrana causada pelo influxo (entrada) de cargas positivas e o aumento transitório da concentração de cálcio citosólico. O ABA estimula o aumento da concentração de Ca+2 citosólico pela indução tanto do influxo através de canais da membrana plasmática, quanto da liberação do Ca+2 do interior do citosol a partir de compartimentos internos, como o vacúolo central. O estímulo do influxo ocorre via uma rota que utiliza as espécies reativas de oxigênio (ERO), como o peróxido de hidrogênio (H2O2) ou o superóxido (O2 .- ) como mensageiros secundários que levam a ativação de canais da membrana plasmática. A liberação do cálcio a partir das reservas intracelulares pode ser induzida por vários mensageiros secundários, incluindo o inositol 1,4,5-trifosfato (IP3), o ADP-ribose cíclico (ADPRc), bem como o próprio aumento (induzido pelo cálcio) da liberação do Ca2+. Estudos recentes têm demonstrado que o ABA estimula a síntese de óxido nítrico (ON) nas células-guarda, o qual induz o fechamento estomático de forma dependente do ADPRc, indicando que o ON é um mensageiro secundário inicial dessa via de resposta. CONCLUSÃO Em suma, o ABA é atualmente considerado um hormônio vegetal importante pelo seu próprio mérito. Ele inibe o crescimento e a abertura estomática, em especial quando a planta está sob estresse ambiental. Esse hormônio sempre entra em ação quando o vegetal se encontra em situações adversas, como por exemplo, no inverno, estações muito secas etc. Assim de fundamental importância, regulando desde a maturação e a dormência de sementes, auxiliando na germinação das sementes, amadurecimento dos frutos e abscisão (queda) das folhas de certas plantas. REFERÊNCIAS BEWLEY, J.D. & BLACK, M. Physiology and biochemistry of seeds. In. Development, germination and growth. Berlim: SpringerVerlag, 1978. 572p. CARVALHO, N.M. & NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. 4.ed. Campinas: Fundação Cargill, 2000. 588p. MAYER, A.M. & POLJOKOFF-MAYBER, A. The germination of seeds. 4.ed. Oxford: Pergamon Press, 1989. 270p. ANDREOLI, C. & MAGUIRE, J.D. 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