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Prof. Bruna Terra Pertencem ao grupo de ácidos orgânicos de cadeias não muito ampla que tem em comum o grupo hidróxido (HO) em posição alfa ou posição dois. Entre os AHAs encontram-se os ácidos cítrico, lático, mandélico, málico, tartárico e glicólico, sendo este último com 2 carbonos, o mais simples. Usados amplamente em diversas formulações AHAs conseguem reduzir a cosméticas, os adesividade entre as células córneas, sendo renovadores celulares e regeneradores. Suavizam rugas finas, aumentam a elasticidade da pele e facilitam penetração de outros ativos. Promovem a proliferação epidérmica, a aumentam a produção de colágeno devido à sua ação nos fibroblastos. São os ácidos mais usados em formulações cosméticas, podendo ser extraídos de fontes naturais ou obtidos por vias sintéticas. O pH é um fator muito importante quando se utilizam ácidos, pois está relacionado diretamente com o resultado. Quanto mais baixo o pH, mais a forma ácida estará disponível e como consequência, maior será a eficácia, porém os efeitos adversos também são potencializados. Em se tratando de AHAs, o pH ideal para produtos cosméticos com função esfoliante (peelings) deve ficar entre 3,0 e 3,5. Tratamento de rugas: suaviza rugas finas e remove queratinócitos envelhecidos. Hiperpigmentação: ação clareadora pois promove dispersão dos grânulos de melanina e também potencializa a ação dos ativos clareadores (atua principalmente no melasma). Peles oleosas e acneicas: melhora a textura. Otimo cicatrizador superficial. Muito utilizado no tratamento de estrias. Ácido Glicólico Extraído da cana-de-açúcar, é o mais simples e o menor, portanto, seu baixo peso molecular facilita a penetração na pele e o torna o esfoliante mais potente dos AHAs. Altamente regenerador. Àcido Lático Resulta da fermentação do leite, participa de vários processos bioquímicos do organismo e dos fatores naturais de hidratação. Possui múltiplas funções como: esfoliante, regenerador, hidratante, regulador do pH, agente bacteriostático, além de clarear e rejuvenescer a pele. Indicado no tratamento de acne, hiperqueratoses, rugas e tratamento da pele fotoenvelhecida. Alguns estudos comprovam que é eficaz e seguro no tratamento do melasma. Ácido Mandélico Derivado da hidrólise do extrato de amêndoas amargas, é um AHA de cadeia carbônica grande, não é tão irritante quanto o ácido glicólico. É uma substância atóxica e muito utilizada para preparar as peles para os peelings a laser e auxiliar na recuperação da pele após a cirurgia a laser. Pode ser utilizado em tratamentos anti-aging, clareador e antiacne. No envelhecimento natural e fotoenvelhecimento atua estimulando a renovação celular e removendo a camada córnea, melhorando rugas e marcas de expressão. Na acne age no processo infeccioso, combatendo as bactérias e prevenindo a formação de novas lesões, além de colaborar com a cicatrização e eventuais sequelas. No caso da hiperpigmentação atua na inibição da síntese da melanina e na melanina já depositada na superfície da epiderme, promovendo uma eficaz remoção dos pigmentos hipercrômicos. Recomendações para os AHAs: A utilização de AHAs e seus derivados deverá ter sua concentração máxima permitida em produtos cosméticos limitada a 10%, calculada na forma ácida, em pH maior ou igual a 3,5. As formulações com valor de pH maior ou igual a 3,5 e menor ou igual a 5,0 caracterizam o produto como grau 2, e formulações com valor de pH superior a 5,0 caracterizam o produto como grau 1. No ato do pedido de Registro ou Notificação deverá ser apresentado, obrigatoriamente, o valor de pH da formulação final. TERAPÊUTICA POR ÁCIDOS (PEELING QUÍMICO) Prof: Bruna Terra PEELING QUÍMICO O objetivo dessa aula é mostrar as alunas de estética noções da técnica de peeling com ácidos químicos, com resultados satisfatórios no tratamento de algumas afecções clínicas como melasmas, acne, estrias e envelhecimento cutâneo. Será relatado aqui indicações e contra-indicações referentes aos ácidos químicos de acordo com o fototipo cutâneo tratado, determinando as possibilidades e os limites da técnica. É importante vocês saberem que existem ácidos e dosagens desses ácidos que vocês só poderão manusear trabalhando em conjunto com um médico dermatologista. PEELING QUÍMICO Ácidos São todas as substâncias que possuem seu pH inferior ao da pele, transformando-a em uma região ácida, proporcionando um peeling químico (esfoliação) que poderá ser muito superficial, superficial, média ou profunda, dependendo da porcentagem e do pH. PEELING QUÍMICO O peeling químico também quimioesfoliação ou dermopeeling consiste conhecido como na aplicação de 1 ou mais agentes esfoliantes na pele, resultando na destruição de partes da epiderme e/ou derme, seguida da regeneração dos tecidos epidérmicos e dérmicos. Essas técnicas de aplicação produzem uma lesão programada e controlada com coagulação vascular instantânea, resultando no rejuvenescimento da pele com redução ou desaparecimento das ceratoses, alterações actínicas, discromias pigmentares, rugas e algumas cicatrizes superficiais. PEELING A escolha do agente ou da técnica usados específica a ser conhecimento da profundidade e depende do da lesão para que se possa escolher um agente que não produza esfoliação desnecessariamente mais profunda do que a própria alteração a ser tratada. O peeling pode ser realizado com várias subtâncias dependendo também da classificação da pele. PEELING QUÍMICO Classificação dos Peelings Químicos São classificados de acordo com a profundidade que conseguem atingir, ou seja, muito superficiais, superficiais, médio e profundo. Desse modo, o profissional poderá intervir de acordo com o objetivo terapêutico. PEELING QUÍMICO Muito superficial (estrato córneo) – Melhora a aparência geral, o brilho uniformiza a textura e o tom de pele. Afinam ou renovam o estrato córneo e não criam lesões abaixo do estrato granuloso. São eles: Ácido salicílico 30% (aplica-se 1 ou 2 camadas do produto); Ácido glicólico 40 a 50% (aplica-se uma camada do produto e retira-se ao primeiro sinal de ardor ou coceira intensa); Solução de Jessner*: aplica-se 1 ou 2 camadas do produto; Resorcina 20 a 30%: aplica-se uma camada do produto e deixe agir por 5 a 10 minutos; Ácido tricloroacético (ATA) 10 a 25% aplicando-se 1 camada do produto. Tretinoína 3 a 5%: aplica-se na região desejada deixando agir por aproximadamente 3 horas. PEELING QUÍMICO Superficial – Atuam na epiderme sendo utilizado no tratamento do envelhecimento natural, manchas superficiais e acne. Esses peelings produzem necrose de parte ou de toda a epiderme, em qualquer parte do estrato granuloso até a camada de células basais. Podem ser realizados com: Ácido glicólico 40 a 70%: aplica-se 1 camada do produto deixando agir por 2 a 20 minutos. Ácido mandélico 30 a 50%: aplica-se 1 camada do produto deixando agir por 2 a 20 minutos. Solução de Jessner*: aplicando-se de 4 a 10 camadas. Resorcina 40 a 50%: aplicando-se uma camada do produto e deixando agir por 30 a 60 minutos; Ácido tricloroacético (ATA) 10 a 30%: aplica-se 1 ou 2 camadas do produto; Resultado de um peeling superficial. * Solução de Jessner: Associação de ácido salicílico, lático e resorcina 40 – 60%. PEELING QUÍMICO Médios (derme papilar) – Atua ao nível das papilas dérmicas, com melhora das rugas e linhas finas, fotoenvelhecimento avançado. ATA 35-50%: 3 a 4 camadas do produto; Ácido glicólico 70%: 1 camada do produto deixando agir por 3 a 30 minutos; Jessner + ácido glicólico 40-70%: aplica-se de 1 a 2 camadasde jessner e por cima o ácido glicólico, esperando o eritema; Jessner + ATA 35%; Ácido glicólico + ATA 35%; PEELING QUÍMICO Profundos (derme reticular) Poderão atuar por 3 tipos de ação: Ação Metabólica; Ação Cáustica; Ação Tóxica; PEELING PROFUNDO Ação Metabólica Os agentes interferem na estrutura e síntese celular, sem destruí-la. Ativos: AHAs, ácido retinóico e azeláico. PEELING QUÍMICO Ação Cáustica A acidez promove a ação destrutiva local. Ativos: ATA PEELING QUÍMICO Ação Tóxica Agem por meio de efeitos tóxicos. Ativos: fenol e resorcina. O fenol é uma substância cardiotóxica e nefrotóxica, que necessitam monitoração e cuidados especiais, sendo, portanto, realizadas apenas em consultórios MÉDICOS. Peeling profundo PEELING QUÍMICO De todos os peelings, somente o muito supeficial e o superficial poderão ser realizados sem a presença de um médico. Além disso, o profissional que fizer uso terapêutico por ácidos precisa ter conhecimento aprofundado nessa área. CARACTERÍSTICAS DOS ÁCIDOS USADOS NO PEELING QUIMICO Ácido Glicólico O ácido mais comumente utilizado na área de dermatologia estética. Não é tóxico sistematicamente é pouco irritativo e pouco fotossensibilizante, mas mesmo assim é indispensável o uso de filtro solar ou bloqueador durante o período de tratamento. O ácido glicólico pode ser usado em diversos tipos de lesões da pele humana, principalmente em rugas superficiais, médias e profundas, sequelas de acnes, flacidez da pele, pele seca, estrias, manchas senis e fases isoladas de algumas lesões de psoríase. ÁCIDO RETINÓICO Tem ação queratolítica e esfoliante em nível celular, estimulando a síntese de colágeno novo. Esse colágeno permanece intacto histologicamente por pelo menos 4 meses após a última aplicação. Indicações É tradicionalmente usado no tratamento de acne, para acelerar o turnover epiderme e prevenir a formação de comedões. Também pode ser usado no tratamento de hiperqueratoses, estrias e de melasma. Como esse ácido produz eritema, descamação e é fotossensibilizante, dever ser usado à noite. Durante o dia é indispensável o uso de fotoprotetores. ÁCIDO RETINÓICO Concentrações O ajuste da concentração desse ácido nas formulações vai depender da resposta terapêutica obtida, mas atualmente utilizam-se concentrações de 1 a 10%. Dessa forma, aconselha-se utilizar inicialmente o tratamento com concentrações menores, aumentando gradativamente quando necessário. DISCROMIAS CLAREAMENTO DA PELE Prof° Bruna Terra Curso de Estética Cosmetologia CLAREADORES Uma coloração uniforme é sinônimo de juventude e beleza, por isso uma das maiores tendências nos tratamentos “Skin Care” é o clareamento da pele. CLAREADORES Tratamento A proposta de um tratamento eficaz para as discromias hiperpgmentadas é baseada em alguns fatores muito importantes como: Paciência e conscientização do cliente; Conhecimento e estudo profundo do melanócito e do processo de melanogênese; Prevenção e proteção contra radiação solar UVA e UVB; Produtos que utilizem um complexo de ativos com vários mecanismos de ação associados a um procedimento que priorize a permeação cutânea e um clareamento imediato; Usar ativos com as seguintes qualidades: que respeitam a pele, ajam em diferentes etapas na formação da melanina e que ainda possam ser associados com peelings. Entender que a síntese melânica se inicia no melanócito e finaliza no queratinócito e que a interação perfeita entre essas duas células será de fundamental importância no clareamento da pele; Uso de princípios ativos que atuem na síntese melânica e na melanina depositada. SÍNTESE DA MELANINA SÍNTESE DA MELANINA CLAREADORES Inibidores da Princípios ativos despigmentantes – síntese de melanina Inibidores da tirosinase Ácido Kójico Obtido da fermentação do arroz por cepas de Aspergillus sp. Propriedades: Tem efeito inibidor sobre a tirosinase e consequente diminuição da síntese de melanina. Além disso, induz a redução da eumelanina em células hiperpigmentadas. Sem efeitos colaterais, não irritante nem citotóxico. Pode ser usado durante o dia. É a melhor associação com AHAS. Dosagem: 1,0 a 3,0% pH: 3,0 a 5,0 Em estudos provou ser eficiente em prevenir a volta de melasmas. CLAREADORES Ácido Fítico Encontrado normalmente nas sementes e nos grãos de alguns cereais como aveia, arroz, nozes e pólen. É um excelente inibidor de tirosinase. É despigmentante, antioxidante e anti-inflamatório. Ótimo para dosagem de peelings químicos Dosagem: 0,5 a 1,0% pH: 4,0 a 4,5 É incompatível com sais de cobre, ferro e magnésio. CLAREADORES Arbutin (beta – arbutin) Hidroquinona natural ou Hidroquinona beta d- glucopiranosídeo. É um poderoso despigmentante de origem natural com excelente performance comprovada. Ele foi criado para acabar com os inconvenientes técnicos de um dos mais eficientes despigmentantes do mercado, a hidroquinona. Dosagem: 1,0 a 3,0% pH: 5,0 a 8,0. Apresenta uma citotoxicidade 100 vezes menor que a hidroquinona. Reduzida irritabilidade. CLAREADORES Azeoglicina (Galena) Diglicinato de azeloil potássio (ácido azelaico solúvel). Poderoso despigmentante. Seu uso é muito interessante nas hipercromias pós inflamatórias. Melhora a hidratação e a elasticidade da pele, além disso, é hidrossolúvel, sendo facilmente incorporado nas formulações, não apresentando problemas farmacotécnicos, muito comuns quando se manipula o ácido azelaico puro. Obrigada!!!