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Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
http://dx.doi.org/10.1590/0104-530X1468-14
Abstract: The present study aims to evaluate the principles and tools of cleaner production used by Brazilian 
companies and, specifically, understand how these principles are grouped and organized by organizations in order 
to make them more effective. An exploratory survey of organizations associated with the Ethos Institute was used 
for data collection. Descriptive statistics and multivariate analysis were used to analyze the data, consolidating 
six sets of explanatory factors. Descriptive statistics indicated that over 68% of the Brazilian firms surveyed have 
adopted the planning and control of production with environmental education focusing on the analysis of the 
intensity of material to reduce emissions and waste production, besides the replacement of traditional inputs by 
ecological ones in order to develop environmentally friendly products. However, the adoption of these principles 
required investment in research and innovation and training in environmental education, generating increased 
operating costs. On the other hand, the principles less commonly used by companies explain the lack of knowledge 
Resumo: O presente trabalho visa avaliar os princípios e ferramentas da produção mais limpa utilizados pelas 
empresas brasileiras e, de forma específica, entender como estes princípios são agrupados e organizados pelas 
organizações de maneira a tornar mais efetivos tais princípios. Foi utilizado para coleta de dados o survey 
exploratório em organizações associadas ao Instituto Ethos. Para a análise dos dados foram utilizadas estatísticas 
descritivas e análise multivariada, consubstanciando seis conjuntos de fatores explicativos. A estatística descritiva 
indicou que mais de 68% das empresas brasileiras pesquisadas adotaram o planejamento e controle da produção 
com educação ambiental com foco na análise da intensidade de material para redução de emissões e resíduos na 
produção, além da substituição e desenvolvimento de insumos tradicionais em ecológicos junto aos fornecedores, 
visando desenvolver produto ambientalmente correto. Entretanto, a adoção desses princípios exigiu investimento 
em pesquisa e inovação e treinamentos em educação ambiental, gerando aumento dos custos operacionais. Já os 
princípios menos utilizados pelas empresas explicam a falta de conhecimentos sobre as normas de rotulagem ambiental 
(13%), AA1000 para inclusividade dos stakeholders nas decisões operacionais (25%) e de Eco-Management Audit 
System (28%). Os princípios foram agrupados em seis fatores pelas empresas, que são: (i) a adoção de produção mais 
limpa e ecologia industrial com sistema de gestão ambiental baseada na ISO 14001, visando o desenvolvimento de 
projetos para o meio ambiente no produto, processo produtivo e redes logísticas; (ii) a cocriação com os clientes no 
desenvolvimento de produto ecológico com foco na logística reversa de remanufatura; (iii) a adoção de planejamento 
e controle da produção ambiental favoreceu o investimento em pesquisa e inovação com foco na redução de riscos 
ambientais externos; (iv) a cocriação com os fornecedores para o desenvolvimento de matérias-primas e componentes 
ecológicos, além de promover sistema de auditorias; (v) a adoção de gestão da cadeia de suprimentos verde para 
selecionar fornecedores sustentáveis e implantar o método SBP para o desdobramento dos indicadores ambientais; 
e, finalmente, (vi) a intensificação de treinamentos aos fornecedores sobre educação ambiental para auxiliar nas 
ações de logística reversa de pós-consumo e pós-venda para reuso, remanufatura e reciclagem.
Palavras-chave: Produção mais limpa; Desenvolvimento sustentável; Sustentabilidade.
Princípios e ferramentas da produção mais limpa: 
um estudo exploratório em empresas brasileiras
Principles and tools of cleaner production: an exploratory study in 
brazilian companies
Geraldo Cardoso de Oliveira Neto1,2 
Moacir Godinho Filho2 
Gilberto Miller Devós Ganga2 
Irenilza Alencar Naas3 
Oduvaldo Vendrametto3
1 Programa de Pós-graduação em Engenharia da Produção, Universidade Nove de Julho, Av. Francisco Matarazzo, 612, Barra Funda, 
CEP 01156-050, São Paulo, SP, Brasil, e-mail: geraldo.prod@ig.com.br
2 Programa de Pós-graduação em Engenharia da Produção, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, Rod. Washington Luís, 
Km 235, SP 310, Jardim Guanabara, CEP 13565-905, São Carlos, SP, Brasil, e-mail: moacir@dep.ufscar.br; ganga@dep.ufscar.br
3 Programa de Pós-graduação em Engenharia da Produção, Universidade Paulista - UNIP, Rua Bacelar, 1212, Vila Clementino, 
CEP 04026-002, São Paulo, SP, Brasil, e-mail: irenilza@gmail.com; oduvaldov@uol.com.br
Recebido em Maio 19, 2014 - Aceito em Nov. 25, 2014
Suporte financeiro: Nenhum.
Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 327
1 Introdução
O relatório Brundtland (WCED, 1987) apontou 
três componentes básicos para o desenvolvimento 
sustentável, quais sejam o meio ambiente, a 
economia e a sociedade que, do ponto de vista da 
indústria, devem ser estudados de maneira sistêmica. 
Na indústria manufatureira, a transformação de 
recursos em produtos finais para a comercialização 
necessariamente consome recursos advindos da 
natureza, além da possível ocorrência de acidentes 
ambientais. Na indústria de prestação de serviços, o 
cenário não é diferente, os gestores organizacionais se 
deparam com vários processos relacionados a outras 
empresas pertencentes à rede de suprimentos, sendo 
necessário identificar os aspectos e impactos ambientais 
de seus processos, que podem ser resolvidos com a 
adoção da produção mais limpa (Silva & Medeiros, 
2006). A manufatura transforma o produto básico, 
agregando valor econômico e gerando prosperidade 
ao setor, enquanto este ciclo não se aplica ao meio 
ambiente. O meio ambiente funciona com equilíbrio 
próprio, reciclando o output de biossistemas em input 
de outros. Desta forma, não se pode esperar que a 
manufatura se torne totalmente sustentável, mas 
pode-se adotar princípios que tornem a produção 
industrial menos agressiva ao meio ambiente. É com 
este foco que surgiram as iniciativas de produção 
mais limpa (UNEP, 1990a; Glavič & Lukman, 2007).
Para isso, as organizações devem adotar novos 
princípios e ferramentas para a produção de bens e 
serviços com foco na sustentabilidade. O surgimento 
de novos princípios e ferramentas impulsiona a 
evolução da estratégia da manufatura, de forma a 
incentivar as mudanças incrementais no sistema 
produtivo. Os processos industriais são caracterizados 
por entradas (matérias-primas, energia e mão de obra) 
e saídas (produtos, serviços, emissões para o ar e 
água e resíduos). As emissões e os resíduos gerados 
podem ser controlados e reduzidos por mudanças 
realizadas no sistema produtivo, em detrimento de 
novos princípios da produção mais limpa, que visam 
principalmente a redução do uso de matérias-primas 
não renováveis (Kiperstok et al., 2013).
A adoção de princípios/ferramentas da produção 
mais limpa (P+L) consiste na incorporação de ideias 
sobre sustentabilidade na produção, transformando-as 
em procedimentos e práticas com o objetivo de 
reduzir desperdícios, atender com maior eficácia às 
normas e requisitos ambientais, promover tratamento 
dos resíduos gerados, resultando na minimização de 
custos (Boyle, 1999). Desta forma, esses princípios 
indicam um conjunto de orientações para reflexão 
em termos de critérios de projeto sustentável que, 
se seguidos, podem levar a avanços úteis em relação 
à redução de custos e ganhos ambientais (Anastas 
& Zimmerman, 2006), possibilitando conquistar 
vantagem competitiva (Tseng et al., 2014).
Dentro desse contexto, este estudo objetivou avaliar 
a aplicação dos princípios/ferramentas da produção 
mais limpa, utilizados em empresas brasileiras. Como 
objetivo específico analisou-se como estes princípios 
são agrupados e organizados pelas empresas de 
forma a aplicá-los efetivamentecom o escopo de 
produção mais limpa. O método utilizado foi survey 
exploratório com análise dos dados por meio de 
estatísticas descritivas e análise dos componentes 
principais com rotação varimax. Essa pesquisa 
atualiza conhecimentos sobre o estado da arte de 
princípios/ferramentas P+L, possibilitando avaliar 
se as empresas brasileiras, com imagem corporativa 
sustentável, estão adotando tais princípios e como 
estão sendo agrupados para a efetividade das ações 
de P+L. Algumas pesquisas mencionaram a adoção 
de princípios da P+L, com foco na relação da P+L 
com a rotulagem ambiental, sendo aspecto primordial 
para o fornecimento na Europa (Hale, 1996), em que 
os empresários compreenderam a oportunidade de 
obter ganhos ambientais e econômicos no cenário 
Australiano Ocidental, mas que seria impraticável 
devido à ausência de conhecimentos dos princípios 
de P+L e falta de monitoramento e manutenção de 
registros de dados ambientais nas pequenas e médias 
empresas (Howgrave-Graham & van Berkel, 2007) 
on standards of environmental labeling (13%), AA1000 for inclusiveness of stakeholders in operational decisions 
(25%), and Eco-Management and Audit System (28%). The principles were grouped into six factors by company, 
as follows: (i) the adoption of cleaner production and industrial ecology and environmental management system 
based on ISO 14001, aiming to develop projects for the environment in the product, production process, and logistics 
networks; (ii) co-creation with customers in the development of environmentally friendly products with a focus on 
reverse logistics for remanufacturing; (iii) the adoption of planning and control of environmental production favored 
investment in research and innovation aiming to reduce external environmental risks; (iv) co-creation with suppliers 
to develop environmentally friendly raw materials and components, in addition to promoting an audit system; (v) the 
adoption of management of green supply chain vendors to select and implement the SBP sustainable method for the 
unfolding of environmental indicators; and finally, (vi) the intensification of training on environmental education 
in the suppliers to assist in reverse logistics actions of post-consumer and post-sale for reuse, remanufacturing, 
and recycling.
Keywords: Cleaner production; Sustainable development; Sustainability.
Oliveira Neto, G. C. et al.328 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
e a implantação da ISO 14001 impulsionou grandes 
empresas da Turquia a adotarem a produção mais 
limpa (Yüksel, 2008).
2 Revisão bibliográfica
A P+L consiste na aplicação de estratégia técnica, 
econômica e ambiental integrada aos processos e 
produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de 
matérias-primas, água e energia, por meio da não 
geração, minimização ou reciclagem dos resíduos 
e emissões com benefícios ambientais, de saúde 
ocupacional e econômica (UNEP, 1990a; CNTL, 2003).
Com esse objetivo, vários princípios/ferramentas 
estão emergindo nas organizações com foco no 
Design for Environmental – DfE para a concepção 
de produtos ecologicamente corretos, se estendendo 
para o processo produtivo e redes logísticas 
(Madden et al., 2005; Birch et al., 2012), permitindo 
estabelecer cocriação de valor, que consiste na 
participação do cliente no processo de produção, 
sua interação com a empresa na busca da criação de 
valor (Prahalad & Ramaswamy, 2004), por meio de 
desenvolvimento de canal de comunicação com os 
clientes para identificar o comportamento ambiental 
(Boons & Lüdeke-Freund, 2013) e promover trocas de 
informações com fornecedores para o desenvolvimento 
de matérias-primas e componentes ecológicos para 
a produção (Ngugi et al., 2010).
Algumas organizações mais consolidadas em 
imagem corporativa ambiental aderem ao princípio 
de pesquisa e inovação em sustentabilidade para 
orientar as decisões operacionais (Hallstedt et al., 
2013). Nesta linha, o ecodesign é bastante utilizado, 
com o objetivo de utilizar materiais que não agridem 
o meio ambiente e substituir componentes e materiais 
de produtos existentes, além de reduzir a utilização 
de embalagens para proteção (Gaziulusoy et al., 
2012), a fim de minimizar o impacto ambiental e, 
simultaneamente, reduzir os custos de produção 
e montagem (Borchardt et al., 2011), permitindo 
desenvolver produtos que possam ser remanufaturados, 
reusados e reciclados no final de sua vida útil 
(Ortegon et al., 2013).
O planejamento de princípios ambientais está 
intrínseco à implantação de sistema e gestão ambiental 
e implantação da P+L no sistema de produção 
(UNEP, 1990b; Madden et al., 2005), considerando a 
oportunidade de estruturar o processo de desmontagem, 
reparo dos componentes danificados e testes finais 
(Jiang et al., 2011), por meio da remanufatura de 
produtos descartados/quebrados/usados, restabelecendo 
a garantia do uso e qualidade (Anastas & Zimmerman, 
2006), reuso, que inclui tanto a obtenção de produtos 
de segunda mão quanto remanufaturados (Matsumoto, 
2010) e reciclagem para preservar matérias-primas 
(Rao & Holt, 2005).
Ainda reconhece a possibilidade de considerar 
no DfE as redes logísticas especializadas para a 
terceirização dos processos de remanufatura, reuso 
e reciclagem ou parte desses (Yüksel, 2008), visando 
adotar o princípio de ecologia industrial para a formação 
de ecorrede interorganizacional com o objetivo de 
reduzir o impacto ambiental gerado pelas unidades 
produtivas (Liu & Zhang, 2013).
Desta forma, as organizações adotam o princípio 
para reduzir o risco ambiental aos stakeholders para 
mitigar a poluição gerada na cadeia de suprimentos 
(Rogers & Seager, 2009), considerando a aceitação 
de princípios ambientais na gestão da cadeia de 
suprimentos com o objetivo de viabilizar a efetividade 
da prática de produção mais limpa por meio de seleção 
de materiais e de fornecedores ambientalmente 
corretos, processos produtivos, entrega de produtos 
finais aos consumidores e gestão do fim da vida 
útil dos produtos (Yüksel, 2008; Srivastava, 2007). 
No processo produtivo, ressalta-se o planejamento 
e controle da produção com foco na gestão da 
capacidade para evitar desperdícios de recursos 
produtivos e naturais e prover controle dos fluxos 
de materiais e energia (Chen & Monahan, 2010) e 
estruturação da logística reversa de pós-consumo e 
pós-venda para a gestão dos resíduos sólidos (Rogers 
& Tibben-Lembke, 1998, 2001).
2.1 Referencial teórico: trinta princípios/ 
ferramentas da Produção Mais Limpa
No presente trabalho, a fim de se delimitar os 
princípios/ferramentas da P+L a serem utilizados 
como modelo teórico-conceitual, realizou-se revisão 
teórica com base nas ferramentas da ecoeficiência 
publicadas no World Business Council for Sustainable 
Development - WBCSD (Madden et al., 2005) com 
o objetivo de identificar os conceitos alinhados 
com produção mais limpa, práticas ambientais na 
produção e suas relações de causas e efeitos por meio 
de análise de conteúdo nos artigos constatados nas 
seguintes bases de dados: Science Direct, Emerald, 
Proquest, Ebsco e Capes. A partir de tal revisão, 
30 princípios/ ferramentas foram encontrados e 
classificados em princípios teóricos (PT) e normas 
e procedimentos (NP).
Os princípios teóricos da P+L denotam as ideias 
sobre a adoção de aspectos ambientais na produção, que 
podem ser transformados em procedimentos e normas 
ambientais (Boyle, 1999), que priorizam a reflexão 
para impulsionar o desenvolvimento de projetos para 
o meio ambiente (Anastas & Zimmerman, 2006).
O procedimento consiste na explicação detalhada 
do método/metodologia para se realizar determinada 
atividade, tais como: a metodologia de implantação 
de P+L (UNEP, 1990a; CNTL, 2003), o método 
Sellitto et al. (2010) para realizar o desdobramento 
Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 329
do desempenho ambiental de uma operação, o 
processo de avaliação do ciclo de vida dos produtos 
apresentado em quatro fases (ISO, 2000),para redução 
do impacto ambiental na concepção de produtos, o 
procedimento para determinar o fator de intensidade de 
material (Ritthoff et al., 2002) por meio da avaliação 
dos compartimentos abiótico, biótico, água e ar. 
O compartimento biótico consiste no conjunto de todos 
os organismos vivos como plantas e decompositores. 
O compartimento abiótico é o conjunto de fatores 
não vivos de um ecossistema, mas que influenciam 
o meio biótico, que consiste na temperatura, pressão, 
pluviosidade de relevo, entre outros (Odum, 1963), 
o método de avaliação do desempenho ambiental 
ampliado (Franke & Grothe-Senf, 2006) e os 
procedimentos de auditoria nas práticas de P+L na 
manufatura e nos fornecedores (Hong & Li, 2013), 
podendo ser denominado Eco-Management Audit 
System (EMAS) (Testa et al., 2014).
Além disso, inclui os processos de atendimento 
a normas e requisitos ambientais (Boyle, 1999), que 
compreendem as ações de implantação e controle 
da ISO 14001 (ISO, 2003) e sua família ISO 14020 
(ISO, 1998) com foco na rotulagem de produtos e 
ISO 14042 (ISO, 2000) para avaliação do ciclo de 
vida e AA1000:2003 que trata da inclusividade dos 
stakeholders nas decisões operacionais em termos 
de atributos ambientais.
No Quadro 1, foram conceituados os princípios/
ferramentas da P+L, classificados em princípios teóricos 
(PT) e normas e procedimentos (NP). Ressalta-se 
que os princípios da P+L desenvolvidos pela UNEP 
(1990b) foram considerados de forma transversal na 
concepção dos princípios/ferramentas da P+L, que 
visam: (1) a redução e não geração de emissões e 
resíduos; (2) a eficiência do uso de matérias-primas; 
(3) a eficiência do uso da água; (4) a eficiência do uso 
de energia; (5) a reciclagem/reutilização de resíduos e 
emissões; (6) os benefícios ambientais e econômicos; 
e (7) os benefícios de saúde ocupacional.
3 Método de pesquisa
O método de pesquisa utilizado consiste no 
levantamento do tipo survey exploratório (Forza, 2002).
As unidades de análise adotadas foram empresas que 
formalmente se comprometem com a sustentabilidade, 
também associadas ao Instituto Ethos, uma entidade 
criada e mantida por um grupo de empresas interessadas 
em promover o desenvolvimento sustentável (Instituto 
Ethos, 2014a). Ressalta-se que as empresas associadas 
ao Instuto Ethos são direcionadas à inovação sustentável 
por meio de constituição de governança na cadeia 
de produção (Instituto Ethos, 2014b), considerando 
a oportunidade de reintegrar os resíduos resultantes 
da fabricação (Instituto Ethos, 2014c) como meio de 
promover o desenvolvimento sustentável. Com isso, 
algumas empresas adotaram princípios/ferramentas 
da P+L com foco na melhoria da gestão ambiental/
prevenção da poluição de empresas com apoio do 
procedimento desenvolvido pela UNEP (1990b) 
e disponibilizada no Brasil pelo Centro Nacional 
de Tecnologia Limpa (CNTL, 2003) por meio de 
consultorias autônomas.
O total das empresas associadas ao instituto é de 
667 empresas. Para determinação do tamanho da 
amostra, foi adotado um método não probabilístico 
e intencional, já que o estudo tem fins exploratórios. 
Os critérios de seleção da amostra foram: 1) marca 
conhecida; 2) site institucional que menciona aspectos 
de sustentabilidade; 3) ser composta por diferentes 
ramos de atividade, visando principalmente indústrias 
manufatureiras; e 4) empresas que estejam adotando 
inovação sustentável na cadeia produtiva.
Depois de aplicar esse filtro, foram selecionadas 
130 empresas, o que condiz uma amostra com 
19% do tamanho da população de associados ao 
Instituto Ethos, índice considerado satisfatório para 
os fins exploratórios da pesquisa. Das 130 empresas 
amostradas, cento e duas empresas retornaram com 
os questionários totalmente preenchidos, o que perfaz 
uma taxa de retorno de 78,5%, considerada satisfatória, 
mediante os fins exploraórios deste trabalho.
Os dados foram obtidos por meio de um questionário 
estruturado, composto, em sua maioria, por questões 
fechadas. Para mensurar os indicadores que refletem os 
princípios e ferramentas da produção mais limpa, foi 
utilizada uma escala dicotônica nominal. A adequação 
do questionário foi realizada em um pré-teste, em 
quatro empresas para adequação quanto ao número de 
questões, linguagem utilizada nas questões e duração 
do preenchimento. O questionário foi elaborado com 
duas seções: (a) dados descritivos da empresa; (b) os 
30 princípios e ferramentas da produção mais limpa. 
O convite de preenchimento do questionário foi 
enviado por e-mail para as empresas da amostra, com 
o campo assunto intitulado “Encaminhar para o setor 
de comunicação corporativa, por favor”. No corpo 
do texto do e-mail, foram explanados sucintamente 
os objetivos, com a opção de concordância ou não 
com a pesquisa e o link para o preenchimento do 
questionário. Para a construção e desenvolvimento 
do questionário e o respectivo banco de dados, foi 
utilizada a plataforma do Google (google docs).
Depois da coleta dos dados, foi realizado um teste 
de confiabilidade da escala, obtendo-se um índice 
satisfatório de 0,82 do Alfa de Cronbach (Malhotra, 
2008). Para a análise dos dados, foram utilizadas 
estatísticas descritivas e análise multivariada com 
propósito exploratório (Maroco, 2011). As estatísticas 
descritivas foram utilizadas para mensurar os 
princípios e ferramentas da produção mais limpa 
mais utilizados pelas empresas pesquisadas. Foram 
empregadas técnicas estatísticas multivariadas para 
uma compreensão dos possíveis relacionamentos 
Oliveira Neto, G. C. et al.330 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
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Oliveira Neto, G. C. et al.334 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
entre os princípios da produção mais limpa. Nesse 
sentido, foram utilizadas a análise de agrupamentos 
e a análise fatorial. Os procedimentos de execução 
destas técnicas são descritos na próxima seção.
4 Resultados e discussão
4.1 Análise descritiva
A Tabela 1 resume as estatísticas descritivas da 
amostra pesquisada.
A Tabela 2 ilustra a análise descritiva dos Princípios 
e Ferramentas da P+L mais utilizados pelas empresas.
O princípio da produção mais limpa mais adotado 
pelas 102 empresas visa estabelecer o planejamento e 
controle da produção com educação ambiental (80%). 
Esse resultado está de acordo com Yüksel (2008) e Chen 
& Monahan (2010), os quais enfatizam a necessidade 
de se estabelecer planejamento e controle enxuto dos 
fluxos de materiais, energia e água para eliminar na 
fonte emissões e desperdícios no sistema produtivo.
A cocriação com fornecedores, visando objetivos 
ambientais no que tange ao desenvolvimento de 
matérias-primas e componentes ecológicos para produção, 
consiste no segundo princípio mais adotado pelas 
empresas (74%). Esse resultado indica a necessidade 
de as empresas desenvolverem matérias-primas 
ecológicas considerando que não é possível processar 
P+L se os insumos produtivos são poluentes. E com 
isso, segundo Ngugi et al. (2010), os fornecedores 
atuam na cocriação com a empresa contratante, para 
projetar insumos produtivos ecológicos.
Com níveis de utilização iguais (69%), três 
princípios da P+L se destacam:
(i) Projeto do produto ecoeficiente visando 
redução do consumo de materiais e energia. 
Esse achado é corroborado por Madden et al., 
(2005) e Birch et al. (2012), que enfatizam o 
projeto do produto como aspecto importante 
para redução da poluição.
(ii) Método de avaliação do fator de intensidade 
de material para minimizar e controlar a 
geração de resíduos e emissões na produção, 
que está de acordo com Ritthoff et al. (2002) 
em relação ao cálculo do impacto ambiental.
(iii) Indicador de investimento em treinamento 
sobre educação ambiental na produção 
(Teizer et al., 2013).
Outros princípios utilizados (68%) são: 
(i) Investimento em pesquisa e inovação sobre práticas 
de sustentabilidade na produção (Hallstedt et al., 
2013); e (ii) Indicador de custo operacional devido 
à compra de produtos com selo verde para avaliar o 
valor agregado do produto ecológico (Nilsson et al., 
2004). Esse resultado indica que, ao mesmo tempo 
que as organizações investem em pesquisa e inovação 
sobre práticas de sustentabilidade na produção, há a 
preocupação com o custo da substituição de insumos 
e investimentos. Isso mostra que as empresas visam 
vantagens econômicas e ambientais por meio das 
práticas de P+L.
Em contrapartida, os princípios de P+L menos 
utilizados pelas empresas foram, a existência de 
rotulagem ambiental nos produtos fabricados (13%). 
Esse resultado mostra que no Brasil a rotulagem 
ambiental não é condição necessária para importação 
e exportação, como ocorre, por exemplo, na Europa. 
Por isso, esse é um princípio ainda hoje pouco 
conhecidono Brasil, devido à falta de exigência dos 
stakeholders e as barreiras institucionais, que denotam 
falta de consciência ecológica para implantação, 
conforme corrobora Echegaray (2014). Segundo, 
a existência de normas (AA1000) que tratam de 
aspectos da inclusividade dos stakeholders nas decisões 
operacionais (25%). A norma AA1000, apesar de ser 
importante para o movimento da sustentabilidade, 
devido às trocas de informações entre os stakeholders 
(Accountability, 2003), é pouco aplicada no Brasil. 
Segundo Hsu et al. (2013), a implantação dessa 
norma permitiria maior participação dos fornecedores 
e clientes na cocriação de produtos ecológicos. 
Terceiro, o processo de avaliação do desempenho 
ambiental ampliado (ADAA) (27%). Os dados 
indicam que nas empresas pesquisadas não foram 
implantados indicadores de desempenho ambiental nos 
Tabela 1. Estatística descritiva da amostra.
Setor Enviados Recebidos Taxa de Retorno (%)
Químico 41 34 83%
Metalúrgico 24 19 79%
Serviços 19 18 95%
Papel e celulose 10 9 90%
Eletroeletrônico 11 8 73%
Alimentício 13 7 54%
Automobilístico 12 7 58%
Total 130 102 78%
Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 335
processos de fabricação, tornando impossível avaliar 
os resultados econômicos, ambientais e sociais das 
práticas de P+L. E, quarto, a existência de sistema de 
gestão ambiental (SGA) com certificação ambiental 
(ISO 14001:2004) e Eco-Management Audit System 
(EMAS) e auditorias no sistema produtivo (28%). 
Nota-se que as empresas brasileiras conhecem pouco 
a norma Eco-Management Audit System (EMAS) que 
é bastante conhecida pelas empresas europeias e no 
segmento automobilístico. É importante salientar 
que as empresas automobilísticas que trabalham em 
ecologia industrial tendem a exigir dos fornecedores 
de partes e peças a certificação dessa norma, caso 
haja necessidade.
4.2 Análise multivariada dos princípios/
ferramentas da produção mais limpa
A diagonal principal da matriz anti-imagem dos 
princípios/ferramentas da P+L apresentou índices 
maiores que 0,5, exceto para os princípios 15, 28 e 29. 
Desta forma, foram excluídos das análises posteriores 
(Tabela 3). O índice KMO, após este procedimento, 
foi 0,7; considerado adequado assim como o valor do 
teste de esfericidade de Barlett (887,1 com adequado 
nível de significância).
A Tabela 4 ilustra as comunalidades para cada 
princípio que permaneceu, verificando-se um índice 
aceitável igual ou superior a 0,5 para a maior parte 
Tabela 2. Princípios e ferramentas da P+L adotados no sistema produtivo para redução da poluição.
Princípios e Ferramentas da P+L %
PL1) Planejamento e controle da produção com educação ambiental 80
PL8) Cocriação com fornecedores para o desenvolvimento de matérias-primas e componentes ecológicos 74
PL3) Projeto do produto ecoeficiente visando o uso de materiais ecológicos 69
PL15) Método de avaliação do fator de intensidade de material para minimizar e controlar a geração de 
resíduos e emissões na produção
69
PL21) Indicador de investimento em treinamento sobre educação ambiental na produção 69
PL7) Investimento em pesquisa e inovação sobre práticas de sustentabilidade na produção 68
PL22) Indicador de custo operacional devido à compra de produtos com selo verde 68
PL30) Implementar tecnologias mais limpas no sistema produtivo para prevenção da poluição 67
PL13) Logística Reversa de pós consumo e pós venda para reuso, remanufatura e reciclagem 66
PL10) Auditoria ambiental nos fornecedores 65
PL4) Projeto do produto para remanufatura, reuso e reciclagem 63
PL5) Projeto do processo produtivo ecoeficiente 63
PL14) Redução de riscos ambientais externos à organização por meio de controle de resíduos e emissões na 
fabricação
62
PL6) Auditoria e controle da poluição na manufatura 60
PL11) Utilizar embalagens ecológicas nos produtos para a redução do impacto ambiental 60
PL16) Procedimento de avaliação do ciclo de vida na concepção do projeto do produto 59
PL9) Critérios qualificadores e ganhadores de pedidos ambientais para a compra e seleção de fornecedores 
sustentáveis
58
PL25) Implementação da P+L e auditorias para avaliar se o roteiro de ações está sendo cumprido 57
PL12) Considerar questões ambientais no gerenciamento da cadeia de suprimentos 56
PL2) Cocriação com o cliente para conhecer os atributos ambientais importantes para a concepção de 
produtos e/ou prover mudança incremental no existente
51
PL20) Ecologia Industrial 40
PL19) Projeto das redes logísticas especializadas 35
PL26) Tecnologia da informação na cadeia de suprimentos verde 32
PL24) O método Sellitto, Borchardt e Pereira (SBP) 31
PL17) Análise de risco ambiental do produto/produção 30
PL18) Prevenção à Poluição – P2 30
PL27) A existência de sistema de gestão ambiental (SGA) com certificação ambiental (ISO 14001) e Eco-
Management Audit System (EMAS) e auditorias no sistema produtivo
28
PL23) Processo de avaliação do desempenho ambiental ampliado (ADAA) 27
PL29) A existência de normas (AA1000) que tratam de aspectos da inclusividade dos stakeholders nas 
decisões operacionais
25
PL28) A existência de norma de rotulagem ambiental nos produtos fabricados. 13
Oliveira Neto, G. C. et al.336 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
das variáveis (Hair et al., 2009). Como o índice do 
Princípio 11 estava próximo de 0,5, decidiu-se não 
excluí-lo das análises subsequentes.
Depois deste procedimento, foi realizado o teste 
de coeficientes de correlação de Spearman (Tabela 5), 
em que se verificou que a maior parte das variáveis 
apresentou correlações significativas acima de 0,3 
(Cohen, 1977) e p<0,05, exceto os princípios 16 e 30, 
excluídos da análise desta forma.
A análise de agrupamentos foi empregada de 
forma exploratória a fim de identificar possíveis 
relacionamentos entre os princípios e ferramentas 
da produção mais limpa. A técnica empregada foi 
do tipo não hierárquico por meio do método de 
clusterização do centroide tendo como medida de 
similaridade à distância de Jaccard, cuja atribuição foi 
presença “1” e ausência “0”. A análise de agrupamento 
foi realizada por variáveis (Johnson & Wichern, 2007). 
O dendrograma obtido (Figura 1) indica a possível 
relação entre cada princípio ou ferramenta da P+L.
Observando o dendrograma da Figura 1 é possível 
perceber dois agrupamentos, que demonstram uma 
possível relação de um princípio e ferramenta i com 
um princípio e ferramenta j. O Grupo 1 é composto 
pelos princípios 24, 18, 26, 23, 27, 20, 19 e 17. Já o 
Grupo 2 é composto pelos princípios 3, 4, 2, 8, 1, 7, 
10, 5, 22, 25, 21, 9, 13, 12, 14, 6 e 11. A interpretação 
do dendrograma é que em cada grupo estão agrupados 
os princípios que estão relacionados entre si, ou seja, 
sempre que ocorre i ocorre j em maior ou menor grau.
Para melhor compreensão ou refinamento desse 
comportamento identificado, foi realizada uma 
análise fatorial. O método de extração de fatores 
utilizado foi a análise de componentes principais com 
rotação varimax. O número de fatores foi definido 
pelo critério de Kaiser (autovalor ≥ 1,0) e também 
se adotou uma variância explicada acumulada dos 
fatores de no mínimo 50%. Foram selecionadas as 
variáveis com carga superiores a 0,5. A Tabela 6 
ilustra os resultados da análise fatorial extraídos do 
software SPSS versão 13.0.
Analisando conjuntamente os resultados da Figura 1 
e Tabela 6, pode-se perceber que muitos princípios/
ferramentas contidos no Grupo 1 (PL17; PL18; 
PL19; PL20; PL 26; PL 27) também estão presentes 
no Fator 1, componente este de maior autovalor, que 
denotam um comportamento voltado à adoção de P+L 
para prevenção da poluição – P2 com o objetivo de 
auxiliar no sistema de gestão ambiental e certificação 
ISO 14001, por meio do desenvolvimento de projetos 
para o meio ambiente em relação à análise do risco 
do produto e redução do impacto ambiental das redes 
logísticas, visando à ecologia industrial. Ressalta-se 
que o PL25 foi classificado no fator 1 e no Grupo 2.Identificou-se também que a utilização do método 
SBP (PL24), apesar de aplicado por apenas 31% 
das empresas, presente no Grupo 1 e no Fator 5, 
pode auxiliar na tomada de decisão organizacional, 
principalmente por desdobrar os indicadores 
ambientais da operação. Entretanto, as empresas 
Tabela 3. Indicadores de qualidade estatística adotados.
Indicadores Critério adotado Referência
Adequação da amostra pelo teste Kaiser Meyer Olkin (KMO); ≥ 0,5 Hair et al. (2009)
Maroco (2011)Teste de Barlett de Esfericidade; (BTS) p<0,001
Quantidade de fatores: Autovalores ≥ 1,0
Total Variance explained (%) ≥ 50%
Cargas das variáveis (princípios da produção mais limpa) ≥ 0,5
Comunalidade das variáveis ≥ 0,5
Diagonal principal da matriz anti-imagem ≥ 0,5
Coeficiente de correlação de Spearman ≥ 0,3 Cohen (1977)
Tabela 4. Comunalidades.
Princípios P+L Comunalidade Princípios P+L Comunalidade Princípios P+L Comunalidade
PL1 0,60 PL10 0,67 PL21 0,70
PL2 0,72 PL11 0,45 PL22 0,67
PL3 0,73 PL12 0,68 PL23 0,65
PL4 0,69 PL13 0,56 PL24 0,68
PL5 0,52 PL14 0,66 PL25 0,66
PL6 0,59 PL17 0,57 PL26 0,54
PL7 0,62 PL18 0,59 PL27 0,59
PL8 0,61 PL19 0,65
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Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 337
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17
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11
PL
18
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PL
19
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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20
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PL
22
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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23
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7)
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Oliveira Neto, G. C. et al.338 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
pesquisadas apontaram pouca utilização de avaliação 
do desempenho ambiental ampliado (PL23), sendo 
constatado apenas no Grupo 1.
Analisando a variância explicada acumulada para 
os seis fatores extraídos, obteve-se uma porcentagem 
considerada adequada (55,3%) em função da quantidade 
de itens do questionário e ao tamanho pequeno da 
amostra, aspectos que apresentam correlações negativas 
com o nível de variância explicada (Peterson, 2000). 
Além disso, autores clássicos como Abelson (1985) e 
Ogrady (1982) citados por Damasio (2012) indicam 
que a porcentagem de variância explicada não deve ser 
considerada como uma medida de importância para 
a interpretação de uma análise fatorial exploratória, 
como é o caso da pesquisa realizada.
Entretanto, o comportamento esperado da análise 
fatorial seria que os primeiros fatores extraídos 
apresentassem uma porcentagem de variância 
explicada alta, o que, em termos gerenciais práticos, 
indicaria quais os princípios/ferramentas com maior 
poder de mensuração do constructo (variável latente) 
“Produção Mais Limpa”. No entanto, os resultados 
apresentados evidenciaram que a variância explicada 
mostrou-se baixa, porém distribuída entre os seis 
fatores extraídos.
O Fator 1 apresenta como temática o plano de ação 
para a produção e consumo sustentável (Brasil, 2011) 
para iniciar o ciclo regulatório que visa, em primeiro 
momento, à conscientização sobre práticas de P+L 
entre 2011 e 2014 em indústrias brasileiras. O plano de 
ação para a produção e consumo sustentável (PPCS) foi 
desenvolvido com base em Marrakesh (Brasil, 2007) 
e visa realizar reuniões e fóruns com especialistas, 
governos, organizações não governamentais, empresas 
para traçar estratégias para implantação de PPCS nos 
próximos anos. Portanto, os resultados da presente Figura 1. Análise de Agrupamentos por variáveis.
Tabela 6. Resultados da análise fatorial.
Princípios da P+L
Componentes
1 2 3 4 5 6
PL25 0,75
PL20 0,72
PL17 0,69
PL19 0,68
PL27 0,65
PL18 0,57
PL26 0,56
PL4 0,79
PL2 0,77
PL3 0,75
PL5 0,58
PL1 0,70
PL14 0,65
PL70,54
PL8 0,74
PL10 0,60
PL12 0,73
PL9 0,63
PL24 0,52
PL21 0,66
PL13 0,58
Autovalor 3,8 3,1 1,9 1,8 1,7 1,5
Variância explicada (%) 15,2 12,5 7,6 7,2 6,7 6,1
Variância explicada acumulada (%) 15,2 27,7 35,3 42,5 49,3 55,3
Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 339
pesquisa mostram que os princípios do PPCS estão 
sendo implantados de forma conjunta nas empresas 
pesquisadas. Esses princípios são:
- PL25 - implementação da Produção Mais Limpa 
por meio de sensibilização e formação de ecotimes, 
estudo do processo industrial para desenvolver 
diagnóstico, estabelecer balanço de massa para 
verificar possibilidade de substituição de materiais 
poluentes e necessidades de investimentos, como 
tecnologias limpas e avaliação dos benefícios 
ambientais e econômicos da implementação 
(UNEP, 1990b; CNTL, 2003) e auditorias para 
avaliar se o roteiro de ações está sendo cumprido 
com o objetivo de buscar conformidade ambiental 
(Hong & Li, 2013).
- PL18 - Prevenção da Poluição – P2 com foco 
no controle das emissões e gestão de resíduos 
industriais por meio de práticas que minimizem 
toxidade na fonte, reciclagem interna ou externa 
e tratamento da disposição final. O resultado 
indica que as práticas de P+L nas indústrias com 
missão ecológica estão começando a emergir de 
forma educativa e regulatória. Notou-se que as 
empresas estão recebendo pressões do governo, 
conforme indica o PPCS – 2014, com início 
no processo de educação ambiental, visando 
conscientizar os envolvidos com produção e 
consumo sustentável.
- PL 17 - Análise de risco ambiental do produto - 
Para atender ao regulamento governamental do 
PPCS 2014, passou-se a desenvolver balanços 
de massa dos produtos, por meio da explosão de 
partes e peças para avaliar o impacto ambiental 
gerado por cada componente à saúde humana, 
para formular decisões sobre substituição de 
partes do produto por insumos ecológicos 
a fim de evitar riscos ambientais externos à 
organização.
Os resultados da presente pesquisa mostram 
também que a adoção dos princípios do PPCS pelas 
organizações tem impulsionado a aplicação conjunta 
de novos conceitos e ferramentas, que são:
- PL19 – Projetos para o meio ambiente com 
foco nas redes logísticas especializadas, 
considerando a oportunidade de integração da 
ecoeficiência no planejamento dos serviços 
logísticos especializados de remanufatura, reuso 
e reciclagem (Yüksel, 2008);
- PL27 - Sistema de gestão ambiental (SGA) com 
certificação ambiental (ISO 14001) e auditorias 
no sistema produtivo, com foco em melhorias 
ambientais contínuas (Testa et al., 2014); e
- PL26 - Tecnologia da informação na cadeia de 
suprimentos verde para realizar gestão de resíduos 
por meio de MRP, e-sourcing para a gestão de 
compartimentos retornáveis nos fornecedores, 
visando supplier relationship management para 
integração dos princípios de P+L e a jusante 
as organizações estão implantando o customer 
relationship management para transparecer e 
orientar os clientes sobre os princípios ambientais.
Os achados apontam que as organizações estão 
atentas com o PPCS, que está calcado nos princípios 
de produção mais limpa e ecologia industrial com 
sistema de gestão ambiental baseado na ISO 14001 
com o objetivo de desenvolver projetos para o meio 
ambiente no produto, processo produtivo e redes 
logísticas.
Observando-se a Figura 1 e a Tabela 6, constata-se 
que o Grupo 2, ilustrado no dendrograma corresponde 
aos componentes 2-6 da análise fatorial realizada. 
Todos os componentes obtidos representam cerca 
de 55,3% da variância total da massa de dados. 
É possível admitir, de forma exploratória, que os 
princípios e ferramentas da P+L contidos nesses 
fatores descrevem um cenário de utilização destes 
pelas empresas brasileiras associadas ao Instituo Ethos.
O Fator 2 evidencia a relação entre os princípios 
2, 3, 4 e 5. Esse fator apresenta como temática a 
participação do cliente no desenvolvimento de produtos 
e processos produtivos ecoeficientes.
A PL2 - Cocriação com o cliente para ecodesign tem 
como objetivo desenvolver o PL3 - projeto do produto 
ecoeficiente para redução do consumo de materiais 
(Birch et al., 2012), evitando excesso de descarte 
(Anastas & Zimmerman, 2006) e também estabelecer 
mudanças incrementais em produtos desenvolvidos 
por meio da substituição de componentes tóxicos e 
que utilizam recursos escassos por partes e peças 
ecológicas (Gaziulusoy et al., 2012). Um princípio 
importante para projetar produtos ecológicos e/ou 
introduzir mudanças ecológicas incrementais nos 
produtos consiste no planejamento da disposição 
final dos produtos por meio de estrutura para PL4 
- remanufatura, reuso e reciclagem (Ortegon et al., 
2013). A remanufatura visa o retorno para a manufatura 
de produtos danificados para reestabelecer o reuso 
(Anastas & Zimmerman, 2006). A reciclagem visa 
transformar os resíduos gerados em matérias-primas, 
e consequentemente reduz o consumo de insumos 
(Rao & Holt, 2005). O resultado do desenvolvimento 
de produtos ecológicos, as mudanças ecológicas 
incrementais nos produtos e o controle da disposição 
Oliveira Neto, G. C. et al.340 Gest. Prod., São Carlos, v. 22, n. 2, p. 326-344, 2015
final por meio de remanufatura, reuso e reciclagem 
permitem desenvolver PL5 - projeto do processo 
produtivo ecoeficiente pautado na redução de 
emissões e resíduos (UNEP, 1990b). Com isso, é 
possível desenvolver projetos para apresentação ao 
governo pautado no mecanismo de desenvolvimento 
limpo para conquistar incentivos, principalmente 
porque, segundo Guide (2000), o valor agregado 
para desenvolver a estrutura de disposição final e 
substituição de componentes tradicionais por insumos 
ecológicos em muitos casos são inviabilizados 
economicamente.
Os resultados indicam que as empresas pesquisadas 
estão em busca da participação dos clientes no 
desenvolvimento de produtos ecológicos e/ou 
estabelecendo mudanças ecológicas incrementais 
em produtos existentes para fidelização da compra. 
Com isso, a organização pode solicitar financiamentos 
do governo a fim de neutralizar parte dos custos para 
estruturação da remanufatura, reuso e reciclagem, 
com o objetivo de evitar a disposição final indevida de 
insumos, tornando o processo produtivo eco eficiente.
O Fator 3 enfatiza sobre os relacionamentos entre 
os princípios 1,14 e 7, denotando como temática a 
oportunidade de estabelecer mudanças ecológicas 
incrementais no PL1- planejamento e controle da 
produção (PCP) com foco na redução da poluição e 
desperdícios de recursos no sistema produtivo por meio 
de planejamento da capacidade e controle da disposição 
final de resíduos por meio de ações de remanufatura, 
reuso e reciclagem (Chen & Monahan, 2010), 
permitindo PL14 - reduzir os riscos ambientais 
externos para responder e informar sobre prática de 
P+L (Rogers & Seager, 2009). Entretanto, é necessário 
PL7 - investimento em pesquisa e inovação para 
minimizar o uso de matérias-primas, energia e água no 
sistema de produção (UNEP, 1990b). Constatou-se a 
oportunidade de investimento em pesquisa e inovação 
com base nos conceitos de educação ambiental no 
PCP com atenção no planejamento da capacidade, 
cadenciamento dos lotes de produção e disposição 
final dos insumos com o objetivo de evitar desperdícios 
de recursos escassos e redução de possíveis crimes 
ambientais.
O Fator 4, engloba as relações dos princípios 8 e 10, 
com a temática que visa a cocriação e regulação das 
empresas para seleção e homologação de fornecedores. 
A PL8, cocriação com fornecedores, visa os objetivos 
ambientais no que tange ao desenvolvimento de 
matérias-primas e componentes ecológicos para 
produção (Ngugi et al., 2010). A cocriação, neste 
contexto, significa a participação ativa dos fornecedores 
no desenvolvimento de insumos ecológicos em 
cooperação com a empresa (Normann & Ramírez, 
2005). Entretanto, as empresas estão desenvolvendo 
mecanismos para regulação em relação à homologação 
de fornecedores combase em critérios ambientais, 
incluindo a realização de PL10 - auditoria ambiental 
nos fornecedores, principalmente em relação a 
exigência da certificação ISO 14001, que condiciona 
a renovação do contrato de fornecimento (Hong & 
Li, 2013). Nota-se que a cocriação com fornecedores 
com foco na produção e consumo sustentável 
permitiu desenvolver matérias-primas e componentes 
ecológicos, possibilitando inclusive realizar auditorias 
nos fornecedores.
Seguindo, o Fator 5 ilustra os agrupamentos 
entre os princípios PL12, PL9 e PL24, denotando 
como temática o monitoramento do desempenho 
ambiental na cadeia de suprimentos. As organizações 
pesquisadas PL12 – consideraram questões ambientais 
no gerenciamento da cadeia de suprimentos para 
efetividade das práticas de produção mais limpa 
(Yüksel, 2008) no desenvolvimento de produtos, 
seleção de materiais e de fornecedores, entrega dos 
produtos finais e gestão de resíduos sólidos de produtos 
no final da vida útil por meio de logística reversa 
(Srivastava, 2007). Esta ação tem impulsionado as 
empresas a estabelecerem PL9 - critérios qualificadores 
e ganhadores de pedidos ambientais para a compra 
de produtos a fim de verificar se os fornecedores 
apresentam idoneidade ambiental (Yüksel, 2008; 
Igarashi et al., 2013), visando o monitoramento 
do desempenho ambiental dos fornecedores para 
comunicação e comparação por meio do PL24 - método 
(Sellitto et al., 2010).
Os resultados sugerem que os empresários das 
empresas pesquisadas estejam implantando indicadores 
de desempenho ambiental nos subprocessos da cadeia 
de suprimentos verde com base no método SBP (a citar: 
engenharia de produto, logística interna e externa e 
principalmente nos fornecedores), para gerar índice 
global com transparência e base de comparação sobre 
o impacto ambiental.
O Fator 6 apresenta uma relação entre os princípios 
PL21 e PL13, que menciona a necessidade de atribuir 
treinamentos aos operários sobre logística reversa de 
remanufatura. Esse princípio tem impulsionado os 
empresários das empresas pesquisadas a estabelecerem 
PL21 - indicador de investimento em treinamento 
sobre educação ambiental na produção a fim de formar 
especialistas em controle da poluição e adequação 
ambiental (Hale, 1996), principalmente com foco 
na implantação da PL13 - Logística Reversa de 
pós-consumo e pós-venda para reuso, remanufatura 
e reciclagem, em que os resíduos e embalagens 
retornáveis são reutilizados e/ou remanufaturados 
(Rogers & Tibben-Lembke, 1998, 2001). Entretanto, 
os custos para o treinamento em educação ambiental 
com enfoque na logística reversa de remanufatura é 
bastante representativo, e, segundo os empresários, 
requer controle do investimento.
Princípios e ferramentas da produção mais limpa… 341
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5 Conclusão
Foram identificados 30 princípios e ferramentas 
da P+L emergentes. Os princípios da P+L mais 
utilizados pelas empresas (entre 68% e 80%) estão 
ligados à implantação do planejamento e controle 
da produção com educação ambiental, considerando 
importante avaliar a intensidade de material (controle 
do destino de resíduos) no processo e projeto do 
produto. Entretanto, os empresários estão implantando 
indicadores de desempenho para o controle dos custos 
de treinamentos nos operários em educação ambiental, 
além da necessidade de aquisição de tecnologias limpas 
e matérias-primas com selo verde, que remetem ao 
entendimento sobre o risco de aumentar o preço dos 
produtos e, consequentemente, perder mercado para 
a concorrência, ou então manter os preços e perder 
lucratividade.
Os princípios de P+L menos utilizados pelas 
empresas (entre 13% e 28%) explicam a falta de 
conhecimentos sobre as normas de rotulagem ambiental, 
AA1000 para inclusividade dos stakeholders nas 
decisões operacionais e de Eco-Management Audit 
System (EMAS).
Na análise por agrupamentos, constataram-se dois 
grupos distintos de princípios da P+L, sendo que o 
primeiro grupo representa o fator 1 e o segundo foi 
subdividido em 6 fatores (F). Essa análise permitiu 
identificar como as organizações estão associando os 
princípios da P+L para maior efetividade das práticas.
Conclui-se que as organizações estão atentas ao 
PPCS em relação à sensibilização e implantação de 
sistema de gestão ambiental na rede de suprimentos, 
considerando a possibilidade de promover mudanças 
ecológicas incrementais em produtos existentes e/ou 
desenvolvimento de produtos ecológicos, implantação 
da logística reversa para realizar a gestão de resíduos 
sólidos e desenvolvimento de propostas para formação 
de ecologia industrial.
Outro aspecto relevante constatado é a busca da 
participação de stakeholders (clientes, fornecedores 
e política pública) para a cocriação de produtos 
ecológicos e o início da implantação de indicadores 
de desempenho ambiental e econômico na cadeia 
de suprimentos para avaliar a redução do impacto 
ao meio ambiente e a mensuração do investimento 
nas práticas de P+L.
Por outro lado este estudo também possui uma 
limitação. Esta resulta do fato de a seleção das empresas 
não ter sido aleatória, o que pode impor alguma 
limitação para a generalização dos resultados obtidos. 
Para estudos futuros, sugere-se avaliar com maior 
profundidade por meio de estudo de múltiplos casose 
pesquisa-ação os ganhos ambientais e econômicos que 
as práticas de P+L proporcionam às empresas, visando 
a disseminação de informações para sensibilização 
e conscientização de outros empresários, acionistas, 
clientes, fornecedores e política pública.
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